Pra Frente, Brasil!!!

Hoje (14/06/18) começa a Copa do Mundo de 2018 na Rússia.

Maurílio e Marília torcendo pela nossa seleção.

Se o Brasil for Hexa, eu eternizo esse postagem como parte permanente do acervo da página, aumentando-a com mais desenhos.

Senão ela fica no ar enquanto durar nossa participação no certame. Mas de qualquer forma os desenhos não se perdem, estão arquivados em suas respectivas postagens que ligo em vermelho abaixo.

NA PRAÇA VERMELHA –

Acima Maurílio em Moscou, acompanhando os jogos no estádio.

Em frente ao Kremlin, na Praça Vermelha.

A BRASILEIRINHA –

E ao lado Marília enrolada na bandeira brasileira.

…….

Esquerda: em Verde-&-Amarelo: a Zona Norte de Curitiba em dia de jogo do Brasil.

Ensaio que produzi 4 anos atrás, na abertura da última copa, que foi realizada em nosso país como lembra.

A partida inicial foi em Brasília, Brasil x Camarões (dir.).

Antes da bola rolar eu estive na UniLivre, no Pilarzinho; e depois fotografei mais uma vez o Céu do Juvevê. Ficou em Verde-&-Amarelo.

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“Fiu-Fiu”

Cantadas vulgares…

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 12 de junho de 2018, Dia dos Namorados

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres

Marília é uma menina muito bonita e vistosa.

Chamativa. Ela gosta disso. Gosta de se produzir, “pra causar” como ela mesmo define.

E o que ela “causa”? Óbvio, recebe inúmeras cantadas dos Homens.

……….

Promessas de casamento, assobios e buzinas… Marília ouve vários galanteios.

Quando Marília está sozinha, ela divide as cantadas em 3 tipos (por ordem decrescente de interesse por parte dela):

A abordagem é inteligente, e o rapaz vale a pena.  Aí Marília corresponde:

Joga um charme, dá uma piscada, mexe nos cabelos, você sabe como são as técnicas femininas de mostrar que há correspondência.

Essa é a melhor opção, claro, e aí ela deixa rolar, pra ver se o pretendente é mesmo interessante, e suas intenções são sérias.

E agora essa: mesmo acompanhada Marília recebe cantadas – Maurílio se morde de ciúmes!!! Mari ri, e pensa com ela mesma nessas horas.“Se você soubesse como fica uma gracinha quando está brabinho, ri-ri”.

Pois Marília não participa dessa orgia generalizada que esta aí, ela é Mulher de Um Homem só.

Se um relacionamento não deu certo, ela se abre a outro, mas sua vontade é sempre achar aquele companheiro que vai envelhecer ao lado dela.

Então quando há esse alinhamento inicial ela aceita a brincadeira, e dá prosseguimento, pra ver se esse é sua Alma Gêmea;

As vezes o Homem não lhe interessa por algum motivo, mas pelo menos a paquera é divertida e original.

Nesses casos não rola nada, claro, mas ela se sente lisonjeada, afinal ser elogiada também não faz mal a ninguém, não é mesmo?

O executivo gostou da Marília ascensorista – vejam vocês, essa profissão ainda existe! Como ele viu que ela também gostou (porque Mari corou e baixou o olhar ao receber um sorriso e um olhar penetrante dele) na saída lhe deu mais um sorriso. E na próxima vez que vier ao prédio vai puxar conversa.

Por exemplo, as vezes Marília passa em frente as obras na hora do almoço, quando os peões estão descansando.

Eles assobiam, brincam com ela, que aceita de boa. Claro que ela faz aquela pose de “não sou dessas”:

Põe um biquinho nos lábios, empina o nariz e o queixo e sai pisando durinho, nem olha pra eles, pra não dar moral.

Mas por dentro ela sorri, acha gostoso ser admirada. Fica feliz por sua aparência feminina atrair o desejo masculino, ainda que não haja alinhamento;

Mari é tímida. As vezes se ela gosta do rapaz não sabe reagir a cantada.

E infelizmente há os caras inconvenientes, que ela vê na hora que são promíscuos, só querem levá-la pra cama – pra piorar alguns não aceitam o ‘não’ e ficam insistindo, importunando-a.

Esses são os piores casos. O sujeito não está nem um pouco interessado em Marília de fato, no que ela é, em como ela se sente.

Só quer uma noite de luxúria, pôr mais uma na lista, e conseguido esse intento nem telefona mais, e não atende o telefone tampouco.

Bem, com Marília esses não conseguem nada além de irritá-la pela insistência e desfaçatez com que a abordam.

Olha a expressão de exasperação dela no primeiro desenho da matéria, no alto da página. Mari até vira o rosto pro outro lado, pra não ver nem a cara do infeliz. Affff..

ÍSIS VELADADesenho sem relação com o texto. Marília está tomando banho de Sol na Praia da Ponta Negra, em Maricá, Grande RJ. Quando o vento brincou com seus cabelos, encobrindo seu rosto e dando a impressão de um véu, por isso a referência a Deusa da Sabedoria do Oriente.

Então essas grosserias só a irritam, como irritam a todas as Mulheres. Mas existe um outro lado. Quando Marília gosta da paquera, mas por isso mesmo fica insegura.

Do tipo “é bom demais pra ser verdade, será que é comigo mesmo???”

Veja a esquerda. Ela gosta de ser cantada, quando é com bom-gosto. Porém fica retraída, não sabe como reagir.

Fica até na dúvida se é mesmo pra ela. Mas é pra isso que servem as amigas, não?

A grande amiga de Marília, vendo que ela estava sem jeito, a chamou “pra irem a toalete, retocar a maquiagem”.

Na verdade é pra chamar a atenção dela: “sua boba! Não vê que aquele gato no balcão não tira os olhos de ti?”.

Ela de mini-vestido rendado floral vermelho, e salto-alto.

Mari ficou sem jeito: “aaai, amigaaaa…. Eu achei que sim. Mas será mesmo???”

…….

Mas isso não é nada. As vezes, mesmo quando está com alguém Marília ainda recebe cantadas.

Aí nesses casos a primeira possibilidade das três listadas acima (ela corresponder) está naturalmente excluída.

Pois Marília, digo novamente, é Mulher Fiel, que enquanto está ao lado de alguém está só com ele.

Restam as outras duas: se a abordagem for elegante ou no mínimo espirituosa (vale até um ‘fiu-fiu’) ela se lisonjeia, ainda que não responda.

E se for algo tosco, é ainda mais irritante. Mas ela responde ao ‘don juan’ barato:

“Não sei, vou perguntar ao meu namorado o que ele acha da ideia. E ele é bem forte, e bastante ciumento.”

Pior ainda. As vezes Marília está de mãos dadas com seu Amor, e mesmo assim algum engraçadinho ainda mexe com ela.

Geralmente quando os pombinhos estão a pé e o oportunista está de carro, aí ele buzina ou fala alguma gracinha e foge em seguida, porque não é bobo, né?

Vimos acima o que acontece, Maurílio fica louco de ciúmes.

Quando está de seu lado, Marília nem dá bola pra ninguém mais. Mas, não vamos negar, ela se diverte vendo ele com ciúmes dela.

Nos braços um do outro, Final Feliz. Alias, feliz Dia dos Namorados pra ti, querida. Espero que seu dia também termine assim.

Ciúmes bobos, Marília é louca por Maurílio, seu Grande Amor, o Homem de sua Vida. Mas as pessoas são assim, não é mesmo? Nem sempre conseguem ser 100% serenas.

Mari se diverte da cara que ele fica. “Ai, se você soubesse que fica lindinho tão nervosinho….ri-ri”, ela acha graça.

Essas discussões são normais. Mas no fim tudo acaba bem. É coisa de um Casal que se Ama.

Um Homem = Uma Mulher, eis a Lei de Deus Pai e Mãe desdobrada a matéria.

Que Ele-Ela Ilumine a todos. Beijos em teu Coração de Mulher.

“Deus proverá”

atualizações: ônibus de Curitiba, Manaus e Belo Horizonte, e os desenhos de Marília

Ex-Curitiba.

Reformei várias postagens. Pela ordem das que houveram mais alterações:

Frota Pública de Curitiba. 5 imagens inéditas, mostrando mais destinos dos 88 ônibus, em certos casos a primeira foto de alguns deles.

Ao lado o que um dia foi o  8038, já sendo desmanchado no interior do Paraná.

Papa-Fila em Manaus.

Mas além das fotos novas eu reformulei dezenas de imagens que já estavam no ar, eliminei poluição, mudei o tamanho, ficou mais agradável de ver.

………..

Manaus:

Adicionei diversas imagens de ônibus, várias delas inéditas.

Belo Horizonte “naquele tempo”: fonte de várias imagens é o sítio Ônibus Brasil.

Com isso contamos uma breve retrospectiva do transporte manauara.

Incluindo o “Papa-Filas” (acima),  último papa-filas brasileiro em linhas regulares.

………….

– do MetroBel ao Move. Nesse caso não há cenas inéditas.

Mas como em Curitiba reformei dezenas de tomadas, tornando melhor a leitura.

…………….

Dos ônibus é isso. Vamos agora pros desenhos de Marília.

Ao Mar, Sempre.

Vários desenhos novos, um deles inédito, virou uma mensagem nova.

Além de Marília (em um caso acompanhada de Maurílio) na praia, há uma historinha deles, mostrando a única vez na vida que Marília desejou ser Homem.

Veja o porque dessa vontade tão insólita.

Dançando na Chuva: a Saga Continua.

Idem ao que disse acima, São muitas imagens adicionadas, algumas inéditas, tornando uma postagem nova.

Estava um tempo firme e seco quando Marília saiu, aí ela pôs um vestido claro e não levou guarda-chuvas.

Porém veio uma tempestade de vento, que além de deixar seu vestido transparente ainda levantou a barra dele.

Agora um outro em que a temática é parecida, mas é outra mensagem distinta, com outros desenhos.

– “E o Vento Levou”.

Aconteceu a mesma coisa, o vento judiou de Marília erguendo o vestido dela.

Mas nesse dia estava seco, sem chuva. Foi bem pior, porque mais gente viu ela nessa situação embaraçosa.

Maurílio e Marília num conversível vermelho.

Isso é que é Vida, não acham?

Essa postagem é menor, e a mexida foi pequena também, apenas coloquei outros 2 desenhos do arquivo.

Fosse só por ela nem faria esse anúncio, mas já que está aqui segue junto.

Sampa: a mesma mão que constrói e destrói coisas belas

S.P. em P.&B.: o melhor e o pior do brasil, a poucas quadras de distância um do outro

Jardins, Zona Central de SP.

por Maurílio Mendes, O Mensageiro

publicado em 28 de maio de 2018

São Paulo. Principal metrópole financeira da América Latina.

Uma cidade riquíssima, que concentra em sua região metropolitana uma proporção desproporcional do PIB do Brasil.

Av. Radial Leste, Brás, Zona Central de SP.

Muita abundância, que se traduz em modernidade e amenidades pra sua imensa porção de classe média-alta.

Sobrando um pouco dessa prosperidade até pra periferia.

O sistema de transportes, por exemplo, vem se modernizando muito depois da virada do milênio.

Sem-tetos nas ilhas (praças) da Marginal Tietê.

E se ainda fica longe do ideal inegavelmente está infinitamente melhor que era até os anos 90 (já falaremos melhor disso).

Por outro lado, a Zona Central está em estado de calamidade em alguns pontos de tanta gente morando na rua.

Isso tem levado a múltiplos conflitos, em diversas dimensões.

Próximas 3: partes bonitas do Centro, não tão afetadas pela gangrena social. Aqui (e acima da manchete) o Teatro Municipal.

O Centro de São Paulo em alguns pontos está semi-destruído, parece que já passou pela hecatombe nuclear.

É com muito pesar que falo isso, pois eis uma cidade que Amo muito, do fundo de meu Coração, e a qual fui e sou ligado desde a infância.

Tanto que a página tem uma seção especial só pra Homenagear a maior metrópole brasileira.

Praça da Sé, onde há a Igreja-Matriz (Catedral) e o Marco-Zero da cidade.

Onde agrupo tudo que já escrevi (e desenhei, e fotografei) sobre lá. 

………

Encarnei em Brasília-DF mas morei toda minha vida em Curitiba.

Ainda assim, já fui bem mais de uma centena de vezes na minha vida a SP.

Essa matéria que você está lendo agora é fruto de uma viagem realizada no final de janeiro de 2018.

O Marco-Zero, que referencia as distâncias de e p/ S.P., há um mapa simplificado. Curitiba tem um igual, e também fica defronte a Catedral na Praça Tiradentes.

Na ocasião, fui também a Vila Carrão, na Zona Leste.

Essa porção oriental da cidade já foi mostrada num ensaio a parte.

Então agora vamos ver a Zona Central e um pouco de Moema, na parte rica da Zona Sul.

PARTE 1 – APOCALIPSE AGORA:

A BARRA-PESADÍSSIMA NO CENTRÃO E IMEDIAÇÕES

Marginal Tietê, com suas 12 pistas e ao fundo o estádio da Portuguesa.

Iniciamos nossa jornada. Cheguei a capital paulista de ônibus Cometa no meio da tarde.

E segui a pé pro meu destino, que era Moema (na Z/S como todos sabem).

Foram 3 horas caminhando sozinho, desbravando as entranhas da metrópole.

Em Sampa tudo é recorde, tudo é superlativo. Veja a esquerda, minha primeira visão da cidade:

Próximas 3: Bom Retiro (colado ao Centro), uma “periferia central”.

12 pistas de rolagem num único sentido na Marginal Tietê!!! Exagero??? Bem-vindo a São Paulo, irmão.

Já fiz ensaio fotográfico mostrando essa mesma Marginal e o comecinho da Dutra.

Foi produzido quando ali passei a caminho de Aparecida (“do Norte”) – a “Cidade da Fé” – no interior do estado, em julho de 2016.

“Jogadores Anônimos”, organização análoga aos Alcólicos Anônimos pras pessoas viciadas em jogos de azar.

As 12 pistas (de cada lado!) da Marginal foram minha primeira visão.

A segunda foi que mais uma vez constatei que diversas praças na Zona Central viraram acampamentos permanentes de sem-tetos.

Veja de novo a 3ª foto da matéria, mais pra cima na página.

Até mesmo as ilhas da Marginal estão ocupadas dessa forma (‘ilhas’ é o espaço entre as alças dos viadutos, o rio não tem ilhas dentro d’água, óbvio’).

Pra fazer graça emplacaram um bicicleta.

Já que estamos falando de pessoas que moram  na rua, uma nota:

Não vou entrar no mérito da discussão entre esquerda e direita sobre se a culpa é somente da sociedade e não do indivíduo, por um lado, ou somente do indivíduo e não da sociedade, por outro.

Próximas 4: mais algumas cenas tranquilas do Centrão, sem aspectos de destruição. Aqui o famoso Edifício Banespa, o banco foi privatizado mas o nome ficou.

Estou só reportando os efeitos, sem adentrar nas causas. O que é fato é:

A Zona Central de São Paulo está em estado de calamidade por conta desse problema.

Assim que cruzei a Marginal e adentrei a Av. Cruzeiro do Sul presenciei o final de um confronto entre a Guarda Civil e os craqueiros que infestam aquela região.

Não vi cenas de violência, felizmente, porque a operação estava terminando.

Palácio das Indústrias, perto do Pq. Dom Pedro, antiga sede da prefeitura. Nos anos 80 o poder público municipal se localizava no Pq. do Ibirapuera, região rica da Zona Sul. Justamente pra desenvolver o Centro levaram pra esse prédio que veem acima.

Cerca de 20 ou mais viaturas policiais já deixavam o local quando cheguei.

Notei que eles haviam ter dado o famoso ‘bacolejo’ na rapaziada usuária de craque.

Uma das craqueiras estava enlouquecida (desculpe o pleonasmo).

A Mulher, um farrapo humano de tão imunda, descabelada, desdentada, etc., gritava impropérios contra os guardas, e mostrava o dedo médio em riste.

Os policiais mostraram serenidade e a ignoraram, continuando a se retirar do local.

Estou sobre o Viaduto do Chá e fotografo o Palácio do Anhagabaú, atual sede da prefeitura. Fiz uma montagem na bandeira. É a mesma bandeira, mas nessa imagem não consegui pegar ela aberta. Cheguei mais perto, fotografei de novo e colei aqui. Já fiz algo similar em Fortaleza-CE.

Deus Pai e Mãe me poupou de presenciar um conflito violento, onde eu poderia receber até estilhaços.

Mas deu pra sentir o clima. Foi o ‘cartão de visitas’ da Zona Central da cidade.

……….

Claro que nem tudo na Zona Central é ruim. Boa parte dos bairros que cercam o Centrão de São Paulo são uma espécie de “periferia central”:

Uma região de moradias mais humildes. Não há problema algum nisso.

Final do Vale do Anhagabaú, ao fundo a Praça da Bandeira com… uma bandeira.

Não estou propondo nenhuma forma de elitização. Até porque seria difícil reverter essa tendência.

Em megalópoles como São Paulo os ricos se afastaram do Centro há décadas.

Não por outro motivo me espantei ao ver edifícios de elite no Centrão de Buenos Aires-Argentina, no bairro da Recoleta. Porque em São Paulo é o contrário:

Mesmo no coração da metrópole, o perfil é majoritariamente de classe trabalhadora, as pessoas vivem em casas e prédios muito velhos, a maioria sem garagem.

Continuamos no Centro (note o mesmo prédio visível também na tomada anterior).

Em outra visita que fiz a SP (janeiro de 2014) andei pelo Centro e Bom Retiro, documentando melhor a situação.

É o caso também de bairros como Brás, Mooca, Bexiga, Barra Funda, Bela Vista.

……..

Enfim, continuo a descrever meu passeio a pé. Veja a foto a esquerda.

Perto da Estação da Luz. As manchas pretas na parede são resquícios das fogueiras que os que dormem por ali fazem a noite. O prédio mais alto da imagem está invadido.

Havia uma enorme aglomeração de sem-tetos no Anhagabaú.

Não fotografei mais de perto pra não chamar a atenção, por motivos óbvios de segurança.

A prefeitura instalou dezenas de banheiros químicos portáteis pra tentar minorar o caos, pra não ser ao ar-livre mesmo.

O Centro de SP está parecendo as piores favelas da África do Sul.

Eis o prédio abandonado e invadido por quem não tem opção.

Não estou crucificando os moradores de rua como únicos culpados por essa lamentável situação que se tornou o coração da metrópole.

Creio que esses Homens e Mulheres em situação de risco sejam mais sintomas que a causa de uma sociedade profundamente doente que é como está nosso Amado Brasil hoje, infelizmente.

Portanto tampouco estou advogando qualquer solução violenta de remoção dessas pessoas a força.

Apenas que a situação está saindo do controle e todo mundo que pode está evitando o Centro isso é um fato também.

Aqui e a esquerda: Av. Radial Leste, entre o Tatuapé e o Parque Dom Pedro 2º.

Sem apontar culpados nem ter a pretensão de de indicar uma solução, relato apenas o quadro  como o testemunhei. E ele é tenebroso.

Veja o prédio invadido na foto acima a direita, e em escala maior acima a esquerda.

Que situação! E os varais comprovam que tem gente morando ali.

Indigno seria até como um canil pra animais. Absolutamente desolador ver pessoas viverem dessa forma.

Invadiram as calçadas, realidade calamitosa.

A prefeitura, em parceria com algumas corporações quem sabe, deveria reformar esse edifício.

Pra que ele oferecesse condições mínimas de salubridade a seus moradores.

Fotografei exatamente o mesmo em Joanesburgo, inclusive os varais.

Eu disse que o Centro de São Paulo está parecendo os guetos (sul-) africanos.

……….

Não apenas a África do Sul. Lembrei muito também de algumas cenas trágicas que vi na América Latina.

A direita pessoa revira o lixo perto da Rua 25 de Março.

Em busca de algo pra vender ou mesmo pra comer. Triste, muito triste.

Fotografei o mesmo em Joanesburgo e também em Buenos Aires.

Próximas 2: mais pessoas dormindo – em plena luz do dia – nas ruas. Aqui sob o Viaduto Santa Efigênia

E, bem, a Argentina igualmente atravessa severa crise social, política, econômica, multi-dimensional resumindo.

O Centro de Sampa, em várias partes, está parecendo o de Acapulco.

Lá quem pode também já abandonou o Centro a muito.

Andando no Anhagabaú me voltavam as lembranças do México, que visitei em 2012.

… e na estação de metrô.

Essa nação centro-americana também vive dias bem conturbados, em várias dimensões.

(Nota: sim, eu sei, oficialmente o México é América do Norte.

Mas se você analisar em termos sociais  ele se parece muito mais com Guatemala e Panamá que EUA e Canadá, então eu grafo como Centro-América.)

Na capital México D.F. alias fotografei uma favela parecida com essa da Radial Leste que veem acima, nos dois casos invadiram as calçadas.

……..

Tanta sujeira no Centro que não adianta varrer, equipes da prefeitura têm que usar jatos d’água de alta pressão com caminhões. Avenida Nove de Julho, Zona Central de S. Paulo, janeiro de 2018. Assim caminha a humanidade…

A situação está complicada, e não é de hoje. Quando falo que passei a pé pelo Centro e presenciei tudo isso, as pessoas que moram lá em São Paulo mesmo se arrepiam.

Falam “como você teve coragem? Aquela região é muito perigosa”. E de fato é.

Mas talvez seja minha missão na Terra documentar essas ‘zonas vermelhas’.

Fiz isso nas centenas de cidades que já visitei,  por boa parte da América e agora até da África.

Trabalho infantil nos Jardins. Fotografei o mesmo em Assunção. Mas não esqueça que o Paraguai desde que perdeu a guerra contra Brasil e Argentina nunca mais se recuperou plenamente. Entretanto nos Jardins estamos num dos bairros de renda per capita mais alta de toda América e do planeta. Outro detalhe: SP foi uma das capitais que mais demorou a padronizar a cor dos táxis. Desde os anos 70 (no máximo comecinho dos 80) Rio (amarelo), Curitiba (laranja), e Porto Alegre-RS (vermelho alaranjado, parecido com a cor do Scania Jacaré), entre outras, já tinham pintura padronizada, mas em São Paulo era livre. No começo dos anos 90, enfim, a capital paulista determinou que todos teriam que ser brancos.

Alias, dessa vez não foi nada, fiz esse trajeto de dia.

Em 2013, fui a Belém do Pará. Meu voo partiu e chegou de Cumbica/Guarulhos (na Grande SP, como é notório). Logo, fui de ônibus de Ctba. p/ SP. .

Cheguei a capital paulista no finalzinho da madrugada.

Estava noite alta ainda. E, a pé, sozinho e sem celular, eu fui andando, só eu e Deus.

Fiz o mesmo trajeto, do Tietê ao Centro.

Passei ali na Cracolândia, tudo escuro enfatizo mais uma vez.  Não havia ninguém nas ruas.

E com minha mochila as costas, minha bagagem pra ir ao Norte do Brasil, e mais câmera fotográfica,  dinheiro e cartão na carteira pra viagem.

Mas não senti medo. Senti a Proteção Divina de Deus Pai e Mãe, então prossegui.

Quando cheguei nas imediações do Terminal Metropolitano da Armênia (junto a estação de mesmo nome do metrô, antigamente chamada ‘Ponte Pequena’) começou a ter movimento.

Abriu o baú: na Avenida 9 de Julho flagrei tampas de bueiros de 2 estatais que foram privatizadas e desapareceram, a Telesp (cia. telefônica, estadual) e a saudosíssima C.M.T.C., a Cia. Municipal de Transporte Coletivo, ambas com seus logos clássicos. Acabaram imagens da barra-pesada no Centrão. Veremos a partir dessa foto, inclusive, coisas amenas.

A multidão operária desembarcava dos ônibus, vindos de seus distantes subúrbios, pra mais um dia de batente.

O céu ainda era penumbra total. A noite preferi não fotografar, por motivos de segurança.

Só quando eu já me aproximava do Anhagabaú pela Av. Tiradentes começou a amanhecer.

Aí vi uma cidade destruída. Muito lixo nas ruas, pois os craqueiros reviram as lixeiras de madrugada.

Como todos sabem, em busca de qualquer coisa que possa ser trocada por pedras. Passei ali e eram 6 da manhã.

Flores Paulistanas: essa tomada é de 2013.

A prefeitura limpava a avenida com caminhões-pipa cujas mangueiras emitem fortes jatos d’água.

Pra tirar das calçadas os vários dejetos deixados ali pelos usuários de drogas.

Fotografei essa situação, e cheguei a publicar por emeio (antes da da página começar, em 2015, o emeio era o modal pioneiro [2010-15] de nosso canal de comunicação).

Jardim-de-infância com letreiro em chinês (ao menos creio que seja, mas não descarto que possa ser coreano) perto do Anhagabaú e da 25 de Março. Lembrei da República Dominicana, onde cliquei cenas similares.

Mas preferi não subir essa constatação pra página O Caminhante.

Dessa passagem pelo Centro em 2013 publiquei apenas uma árvore florida no Anhagabaú (dir.), a parte corrosiva ficou de fora.

Repetindo o mesmo trajeto em 2018 vi como a situação piorou em apenas 5 anos.

Em 2013 a coisa estava bem feia no Centrão de madrugada, fato.

Próximas duas: pavilhões da Pátria Amada em comércios na Zona Sul – e essas não são montagem. Essa aqui na esquina da Ver. José Diniz com Joaquim Nabuco.

Mas de manhãzinha, antes dos trabalhadores chegarem, equipes da prefeitura faziam esse trabalho de limpeza pesada das ruas.

E assim pelo menos durante o dia o Centro era senão uma cópia da Suíça, China ou Japão, no mínimo habitável.

E fui várias vezes ao núcleo central da metrópole nesses 5 anos.

Em novembro de 2013 fiz uma pesquisa de rua no Bom Retiro sobre mobilidade (não por conta própria, contratado por um instituto).

E agora em Moema (aqui em Ctba. já cliquei o mesmo na divisa entre as Zonas Central e Norte e na BR-277 na Zona Oeste).

Pouco depois, logo nos primeiros dias do ano de 2014, eu e minha então esposa demos uma volta enorme pelo Centro.

Centro e imediações, incluindo Brás e Bom Retiro. Ficamos umas 3 horas ou mais andando.

Foi exatamente quando tirei as dezenas de fotos que viraram a matéria ‘Cenas Paulistanas’, como já informei antes.

Próximas 4: Moema, na Zona Sul.

Então, olhe, em 2013 e começo de 14 já víamos lixo, sem-tetos, meninos de rua pelas ruas da Zona Central. Mas não se compara ao que está agora.

Atualmente essa mesma limpeza com mangueira – onde além de água se joga água sanitária nas ruas pra dissolver um pouco as cracas – tem que ser feita várias vezes no dia.

Fotografei a operação na Avenida 9 de Julho, perto das 4 da tarde (busque pela legenda, um pouco mais acima na página).

Fiz parte do trajeto sob chuva.

5 anos atrás (escrevo em maio.18) durante o dia, enquanto os trabalhadores ocupam as ruas, tudo estava longe de ser perfeito, óbvio. 

Entretanto ao menos enquanto o Sol Iluminava a Terra havia algum tipo de civilização. Agora…”terra arrasada”. 

Apocalipse agora, Apocalipse Final. O Centrão de Sampa parece sobrevivente da Hecatombe Nuclear.

Citei 2013/14 porque nessa época cheguei a fotografar extensamente pra escrever.

Flagrei um Fusca, porém do modelo novo. Alias a matéria sobre os Fuscas foi levantada pra rede lá de S. Paulo.

Mas eu fui pra São Paulo de 2 a 4 vezes por ano, todos os anos de minha vida.

Em boa parte de minhas visitas eu vou ao Centro. Portanto vou acompanhando a situação de forma permanente, desde o começo dos anos 80.

E olhe, nunca vi a coisa tão feia como agora.

Não só lá. Curitiba passa pelo mesmo problema. Não vou nem por um minuto adentrar na lavagem cerebral que a capital paranaense é de “primeiro mundo”.

“A Cidade Verde”: ruas sempre arborizadas.

Porque não é. Aqui da mesma forma há problemas seríssimos sociais, incluso essa questão de moradores de rua também está grave.

Mas São Paulo, nesse ponto específico, está bem pior.

Bem, se serve de consolo, o “primeiro mundo” também sofre com esse moléstia.

Los Angeles nos EUA, que é uma metrópoles mais ricas do planeta, igualmente está com seu Centro em estado de calamidade pelo mesmo motivo.

Jardins, Zona Central.

Lá como aqui e no México estão acampando nas calçadas em plena  calçada, já retratei a situação (embora nesse caso somente via Visão de Rua do ‘Google Mapas’).

PARTE 2 – A “CIDADE VERDE”:

A REGIÃO RIQUÍSSIMA ENTRE AS ZONAS CENTRAL, OESTE E COMEÇO DA ZONA SUL

Praça Dom Gastão Liberal, sob ela está o túnel que une as Avenidas São Gabriel e Santo Amaro. Podemos dizer que é a divisa entre as Zonas Central e Sul.

Notam que já desde algumas fotos acima o tom mudou:

Agora estamos vendo a parte rica e arborizada da metrópole. Uma grande área contígua.

Que espraia pela Zona Central (Jardins e Av. Paulista), Zona Oeste (Pinheiros, Alto de Pinheiros, Perdizes, Vila Pompéia, Sumaré, Pacaembu, Lapa, Alto da Lapa) e o começo da Zona Sul (Itaim-Bibi, Vila Olímpia, V. Nova Conceição, Campo Belo, Moema, Brooklin, Alto da Boa Vista, Morumbi).

Aqui e a esquerda: Moema, Zona Sul.

Trata-se, ao lado da orla do Rio, a região que mais concentra alta-burguesia e elite em nosso país.

A Grande São Paulo tem outros pontos que reúnem os endinheirados: dentro do município da capital a parte do Tatuapé que é chamada de ‘Anália Franco’ na Zona Leste.

E na região metropolitana o ABC e as porções da Zona Oeste onde se localizam os grandes condomínios como ‘AlphaVille’ e Granja Viana.

Entre outros bairros e regiões, claro, não pretendo aqui nesse exíguo espaço esgotar o tema, apenas dar uma visão geral.

Mas a porção centro-austro-ocidental certamente é o maior, mais famoso e mais antigo dos bolsões de riqueza paulistanos. 

Precisamos dizer mais alguma coisa? São Paulo é uma cidade que concentra a grana.

Vamos falar um pouco do transporte coletivo. SP está uma cidade boa pra quem se locomove sem carro. São 363 km (maio.18) de rede de metrô e trem de subúrbio (as 2 redes formam 1 só, porque são integradas, com uma passagem você usa ambas). Aqui o metrô, ainda próximo a Marginal Tietê.

Não sei hoje quanto está o percentual, mas por boa parte do século passado a Grande SP detinha quase um quarto do PIB brasileiro.

Hoje certamente esse percentual é menor, outros estados e o interior do estado de SP se desenvolveram muito.

Mesmo assim, a Grande SP ainda é riquíssima, e em sua porção mais rica essa opulência fica evidente:

Nessa parte da cidade um rendimento mensal de R$ 10 mil é considerado insuficiente.

Ali perto o terminal de ônibus da Armênia (metropolitano e não-integrado), que concentra as linhas pra Guarulhos e região.

Enquanto em 90% do Brasil (mesmo na maior parte da Grande SP) ele seria astronômico.

Não custa lembrar pra pôr no contexto que o salário mínimo é R$ 954 (2018).

E na periferia de Curitiba (que também é uma cidade muito rica) um rendimento mensal de R$ 2,5 mil é tido como muito bom, bem acima da média da maioria das pessoas.

Na mesma região (entre a Estações do Metrô Tietê [onde fica a Rodoviária] e Armênia) vemos uma parada de ônibus que criaram um novo modal: híbridos entre rodoviários e urbanos. Pra quem não conhece a capital paulista, explico. São veículos rodoviários (mais altos, com ar-condicionado, bagageiro e bancos reclináveis estofados). Mas as linhas são urbanas (inter-municipais dentro da Grande SP, e as paradas são a poucas centenas de metros uma da outra). Tanto que a pintura não é livre, ao contrário padronizada pela EMTU. Veja na foto anterior como é a pintura metropolitana pra todo Estado de SP, nos veículos urbanos é azul, aqui é cinza, o resto é igual Fotografei o mesmo modal no Vale do Paraíba, em Aparecida

Estive nos EUA, na década de 90. Nessa década de 10 visitei uma boa parte da América Latina, as 5 regiões de nossa Pátria Amada e dei uma esticada até a África.

Além disso, já andei extensamente de modo virtual pelas cidades de todos os países que o ‘Google’ – e também seu concorrente russo, o ‘Yandex’ – já filmaram ao redor do globo.

Por isso afirmo: há lugares na Grande São Paulo em que parece que você está nos EUA, tanta riqueza e modernidade concentradas.

Em compensação, há regiões do Centro que parece que você está nas piores partes da África.

Nota: evidentemente que o desenvolvimento não é sempre linear.

Não pense que estou indo na onda da mídia de dizer que “EUA/Europa = automaticamente bom” e “África = automaticamente ruim”.

Nada disso. A África tem partes riquíssimasa ‘Riviera do Cabo’ e o Subúrbio de Sandton em Joanesburgo, por exemplo.

A “Linha Turismo” de SP, num belo 2-andares Volvo/Marcopolo. Destaquei a tarifa, R$ 40 (aqui em Ctba. [onde já fiz matéria completa] é 45, em maio.18), mas como em toda Linha Turismo você pode desembarcar e reembarcar várias vezes pagando uma vez só. Ao lado mais um táxi branco.

Falo da África do Sul que visitei, mas há porções de prosperidade e desenvolvimento nos outros países também.

Não apenas em termos de riqueza, pois isso pode simplesmente significar concentração de renda.

Mas na África do Sul há projetos do governo que funcionam bem, beneficiando a população em geral, inclusive a maioria negra.

Exemplos são o Gautrem (entre Pretória e Joanesburgo) e a rede de ônibus da Cidade do Cabo.

E os EUA têm guetos horrorosos, tenebrosos também, Detroit é um caso clássico, como todos sabem.

Tróleibus no Viaduto do Chá. Essa pintura é exclusiva pra ônibus elétricos. Novo, veja no destaque a data de fabricação, característica do transporte paulistano. SP já teve uma das maiores quilometragens de troleibus do mundo, na virada do milênio possuía a maior rede do planeta excetuando a China e países da ex-URSS. Aí eliminaram os tróleis das Zonas Sul (exceto Ipiranga), Oeste e Norte. Os elétricos ainda existem na Zona Leste e no Ipiranga, que repetindo e como todos sabem é Zona Sul mas divisa com a Z/L.

Alias, há todo um nicho na internet especializado em mostrar a decadência da ‘cidade do automóvel’, que pasmem, já foi a metrópole mais rica do mundo nos anos 50.

Vai mito além. Já fiz toda uma série mostrando que a decadência econômica e social dos EUA é severíssima.

(Nota: o que me referi no parágrafo acima seguiu por emeio, esse material não subiu pra página.)

Algumas porções centrais de cidades viraram guetos gigantes, com condições de 3º mundo ou pior.

Exemplos são Nova Orleans (o furacão Katrina piorou tudo mas não é a única causa, nem mesmo a maior), Baltimore, Búfalo, Chicago, Filadélfia, Atlanta, Los Angeles, entre outras,

Na Zona Leste. Assim é a pintura-padrão dos ônibus paulistanos (já fiz matéria completa sobre o tema).

Então não estou repetindo a lavagem cerebral da mídia, que tudo nos EUA é bom, tudo na África é ruim.

Agora, óbvio, no geral somando tudo os EUA têm muito mais partes altamente desenvolvidas.

Ao menos na dimensão material (espiritualmente a história é outra mas não entro nesse mérito aqui).

Na Av. 9 de Julho, articulado na pintura-padrão. Em São Paulo os busos têm portas dos 2 lados, como sabem.

E o Continente Negro ainda tem boa parte de seus habitantes em condições indignas, de mera subsistência ou nem isso, mesmo no seu país mais rico que é a África do Sul.

Então temos essa situação na Zona Central de São Paulo e imediações:

Algumas coisas lembram o melhor dos EUA, outras remetem ao pior da África.

Em São Paulo 100% das linhas são integradas no cartão. Com uma passagem você anda em 4 ônibus, ou em 3 ônibus e ganha desconto pra usar a rede de metrô e trens. E são milhares de pontos de recarga: em todas as lotéricas, em todos os terminais de ônibus e estações de metrô. Além dos guichês, você pode usar o auto-serviço em máquinas como essa.

Separados por poucos quilômetros, as vezes por poucas quadras, o melhor e o pior do Brasil.

Obviamente o título dessa matéria faz referência a música ‘Sampa’, de Caetano Veloso.

E quando eu atravessava a metrópole, presenciando tudo isso, vinha ouvindo rádio. Não tocou Caetano, mas ele foi citado.

Vamos pôr no contexto de como tudo se deu: eu estava na Nove de Julho, nos Jardins.

Tinha acabado de sair do Centrão, com todo o caos que ele representa – o “Apocalipse Agora”.

Estava agora vendo o outro lado, a riqueza, o conforto, a modernidade, o centro das decisões – a “Cidade Verde”.

E ouvia um programa de música clássica, creio que na rádio Cultura. O apresentador num momento falou:

Mas tem mais: você pode recarregar seu cartão também dentro dos ônibus. E se não tiver cartão pode pagar em dinheiro (mas aí perde a integração; pra quem só usa uma linha não há problemas). Há 3 máquinas e 2 roletas, como veem. Uma máquina de recarga do cartão, uma máquina exclusiva pra quem paga de forma digital, e outra, onde fica o cobrador, ali pode ser tanto em espécie quanto no cartão. Em Santiago e Buenos Aires-Argentina o cartão também funciona bem, recarregável em qualquer vendinha, na capital do Chile também há integração em todas as linhas. Nas 3 cidades não há custos pra recarga. Digo isso porque em Curitiba o cartão não funciona bem. No Centro há vários pontos de recarga, mas nos bairros é praticamente inexistente. É cobrada uma taxa pelo serviço. E só há uma linha mais central e de maior demanda integrada no cartão, o Inter-bairros 1. Em Curitiba a integração ainda é basicamente somente nos terminais e tubos. Isso é anacrônico por vários motivos: está sobrecarregando as linhas do Expresso enquanto as Convencionais são sub-utilizadas; Obriga as pessoas a desviarem seus trajetos (lhes tomando tempo precioso e sobre-carregando os terminais) pra usar linhas integradas, quando há mais próximas linhas que não estão integradas mas deveriam; e o principal, a maioria das vilas do Pilarzinho (Zona Norte) não tem transporte integrado. As pessoas precisam pagar 4 tarifas por dia se precisam ir a outros bairros, pois os Convencionais só as leva até o Centro. O transporte de Curitiba foi modelo pro Brasil e mundo, dos anos 70 aos 90. De lá pra cá o nível caiu muito. Claro que muitas coisas ainda funcionam bem, por exemplo a integração metropolitana é um ponto forte. Mas muitos outros pontos deixam bastante a desejar, o cartão é um exemplo.

“Como disse Caetano Veloso, ‘é o mesmo Ser Humano quem constrói e destrói coisas belas’ “.

Tudo se alinhou. Eu estava em Sampa, e é exatamente o que acabara de presenciar.

Mais que isso, o que eu estava presenciando naquele exato momento:

Como o Homem e a Mulher de fato são capazes tanto do belíssimo como do tenebroso. E muitas vezes lado-a-lado.

Daí o “Preto-&-Branco” do título. Não se refere a ótica, ao contrário, todas as fotos são coloridas.

Mas sim num sentido simbólico, dos extremos estarem lado a lado, como no Yin-Yan.

Várias imagens mostram que a cidade melhorou muito sua rede de transportes.

Muito mesmo. Claro que ainda está longe do ideal, não vamos tapar sol com peneira.

Ainda assim, hoje o transporte coletivo paulistano está num nível de excelência comparando com outras capitais incluindo Curitiba.

Aqui na capital do Paraná várias das amenidades corriqueiras em SP seriam um sonho.

Aqui não há ar-condicionado, conexão de internet a bordo (‘wi-fi’) nem piso baixo, pra conversa começar.

O cartão tampouco funciona bem, leia na legenda da foto a direita.

E outras questões como pontualidade, conforto, planejamento, valor da tarifa, ampliação da rede, etc, também deixam a desejar.

Vários desses problemas se repetem em São Paulo, óbvio. Mas no geral os ônibus de lá estão melhores que os daqui. Sampa é moderna, e estende partes dessa modernidade mesmo pra sua periferia.

O articulado tem escadas pois na frente é piso-baixo. Alguns articulados do Sudeste vieram pra Curitiba, também fotografei-os.

Tudo somado, Curitiba é uma metrópole de 3º mundo.

Há alguns pontos bem-planejados como muita área verde.

O padrão de vida mesmo na periferia é razoável, em se tratando de América Latina.

Porém bem longe do que as pessoas imagem vendo a lavagem cerebral na TV.

Articulado tribus numa pintura cinza, específica, usada só em veículos que tenham algum diferencial, como sanfonados ou se pitocos um “Tribus Invertido” (trucado na frente). Na sequência vem um buso na pintura normal.

Tudo somado, aqui não há destaques superlativos nem positivos nem negativos. 

A cidade é rica mas também tem mais de 300 favelas, em vários de seus bairros.

E uma periferia esquecida, com muitos problemas, mesmo fora da favela.

Curitiba não é de “1º mundo”, como as mentiras midiáticas tentam impingir.

Entretanto, tampouco é de 4º mundo. Nosso Centro tem problemas sérios, mas não parece ter sido bombardeado.

Próximas 2: bi-articulados na 9 de Julho, pintura normal (portas dos 2 lados).

Já São Paulo é ao mesmo tempo tanto 1º quanto 4º mundo.

Um paradoxo. E as vezes convivendo lado-a-lado. Repare na última foto da matéria, abaixo a esquerda: 

Os pontos são no meio da pista.

Moderníssimo articulado tribus. Com coisas que os curitibanos só podem sonhar.

Vou repetir pra que fique bem claro: o bichão conta com ar-condicionado, piso baixo, ‘wi-fi’, tudo gratuito.

Confortos e mimos sem custos extras pro usuário, pela tarifa normal (ao contrário do Rio onde os ‘com ar’ são mais caros).

Mas veja ao fundo, que situação está uma boa porção da Zona Central.

A imagem ao lado vale por mil palavras. Não é preciso argumentar além disso. Eu encerro meu caso

“Alguma coisa acontece no meu Coração…”

Que Deus Ilumine a todos.

“Deus proverá”

atualizações: álbum de figurinhas, Buenos Aires, Chapecó e Salvador

Galera. enquanto vamos trabalhando em novas matérias, vamos também atualizando algumas que já estão no ar.

Como já havia acontecido com Fortaleza, achei uma pasta escondida no fundo dos arquivos com dezenas (perto de 40) fotos de Buenos Aires não publicadas. Atualizei a mensagem com elas.

O texto não mudou. Se você já leu a matéria, passe o olho sobre as imagens, aí você abre somente aquelas fotos (antigas e novas) que te interessar.

A direita o novo e riquíssimo bairro de Porto Madeiro, no Centro.

Como o nome indica, ali era parte do porto. Não param mais navios no canal, ao contrário, suas margens agora abrigam apês, lojas e restaurantes – tudo pra quem pode pagar muito bem, é claro.

Nem tudo em Buenos Aires é tão chique, tão elegante. a esquerda a favela da Vila 31, ali pertinho, também no Centrão, a poucas centenas de metros de Porto Madeiro.

A moça lava roupas na sua “área de serviço” improvisada na sacada. Isso porque ela e família moram num “prédio artesanal”. falando claramente: antes era uma casa térrea.

como acontece nas favelas do Brasil lá idem: o proprietário vai “enchendo lajes”, subindo andares por conta, sem que ninguém fiscalize ou controle.

assim cada andar vira uma moradia independente, com uma escada caracol por fora do imóvel. você sabe como é. É a Argentina em preto-&-branco.

a direita: eles tomam chimarrão em toda a parte no vizinho país. nas ruas, nos parques, dirigindo. a esquerda belo fim-de-tarde no subúrbio metropolitano de Vicente Lopes, Z|N de Buenos Aires.

……….

Deixamos a Argentina pra trás e voltamos a Pátria amada. Mas não muito. vamos pra Chapecó (bem pertinho da Argentina), a cidade que deu o primeiro articulado pra Santa Catarina, em 1988.

Atualizei essa matéria com novas tomadas (crédito dessas imagens: EgonBus – “A história do ônibus catarinense contada em fotos”). Da época do “Lotação Chapecó”, primeiro com Kombis, depois com ônibus grandes.

Sobrou até uma palhinha pro Paraná. também no Oeste: adicionei um Incasel de Foz do Iguaçu, do mesmo modelo visto acima em SC. E Foz também é fronteira com a Argentina.

………..

E Chapecó, além do 1º articulado de SC, nos deu também o 1º “ônibus” trucado (“Tribus”) do Brasil, que ligava essa cidade a Xanxerê. 

Entre aspas claro porque trata-se de uma Rural Willys (que também fabricava o Jipe) que o dono adaptou com 3º eixo (esq.).

A fonte é o sítio da viação, a Turiscoll.

………….

UM SONHO DE METAL: MAURÍLIO E MARÍLIA EM 2 RODAS… NA BOA TERRA!!

Atualizei também a postagem dos desenhos de Maurílio e Marília em Salvador.

Aumentei a historinha com vários desenhos do arquivo.

Dei um tom mais feminino a história, focando mais em Marília. Agora ela também é motoqueira, entre outros acontecimentos lá relatados.

vamos completar esse álbum de figurinhas?

a mundialmente famosa Coleção de Figurinhas do ciclé Ploc Gigante.

Uma espécie de ‘livro Guiness informal’,  que retratava os gigantes da época.

agora na “vida real”, vamos adicionar fotos ilustrando as figurinhas.

vou adicionando as fotos. Quando não conseguir do tema exato, vou pôr o mais similar possível.

Essa foto-galeria vou completando com o tempo, conforme vá baixando da internet as imagens. Confira as figurinhas que eu já consegui, e já colei no album.

 

 

 

 

 

1º de Maio, Dia dos Trabalhadores e Trabalhadoras

Por Maurílio Mendes, o Mensageiro

Publicado em 1º de Maio de 2018, Dia do Trabalhador e Trabalhadora.

Por conta da data, vamos fazer uma homenagem, mostrando Marília e Maurílio trabalhando.

Mais ela, porque nessa dimensão dos desenhos eu foco mais na Energia Feminina. Mas há tomadas dele pegando no batente também.

Pra isso fiz uma compilação nos arquivos.

Marília executiva, trabalhando no computador até na hora do almoço.

Assim ao lado das imagens eu vou colocando a ligação pra matéria original, e a data que o desenho foi feito.

……….

Começamos os trabalhos, já que hoje é Dia do Trabalho, com Marília trabalhando em casa de família.

Uma família rica, que fornece até uniforme pra ela.

O desenho foi publicado (via emeio) em 1º de Maio de 2012 (essa atual postagem que você lê agora marca o 6º aniversário da gravura portanto).

Próximas 2: Maurílio bombeiro.

Subiu pra página em 26 de maio de 2015, na postagem chamada ‘Magia Feminina’.

Lá eu escrevi: “1º de Maio, Dia da Trabalhadora“, exatamente pra homenagear as trabalhadoras domésticas.

…….

Não vai qualquer machismo, claro, de representar as Mulheres somente em profissões braçais.

Pra equilibrar, a direita acima Marília como Mulher de negócios.

Executiva, diretora de uma corporação, ou profissional liberal de sucesso. Bem remunerada. Mas muito exigida também.

Tão ocupada que não tem tempo de relaxar, nem na hora do almoço.

Ela mal acabou seu prato mas já ligou o computador pra voltar a trabalhar.

Toma o sorvete já vendo e adiantando os compromissos e tarefas da tarde. Imagem de julho de 2017, na mensagem “Rosa-Choque”.

…….

Chegou a vez de Maurílio. Duas cenas dele trabalhando como bombeiro.

Primeiro em ação, combatendo um incêndio que eclodiu em alguma parte da cidade.

E no retrato 3×4 em preto-&-branco ele orgulhoso do dever cumprido, ainda de capacete mas sem a máscara de oxigênio.

Obviamente só poderia ter sido publicado na mensagem que se chama “Servir & Proteger”, de junho de 2017.

……….

No decorrer da página ainda veremos outras cenas de Maurílio como militar.

Marília pilotando um ônibus urbano.

Agora uma Marília como caixa, num mercado. Desenho de março de 2012.

A mensagem tem o título da fala dela: “São Dezenove Reais e oitenta centavos”.

……….

Maurílio na boleia de um caminhão.

E também um Táxi-Fusca.

E não qualquer caminhão obviamente, mas o “clássico dos clássicos”:

Um Jacaré Scania – aquela marca que quem ouviu uma vez o ronco não esquece jamais.

Feito em junho de 2015. Claro que só poderia subir pro ar como “O Rei da Estrada”.

Repare na camiseta de posto dele.

Mais pra baixo aparecerá Marília, sua esposa, usando uma delas também.

……..

Agora Marília trabalhando como motorista.

E duplamente, num ônibus  e num táxi.

O busão é de Pinhais, na Zona Leste da Grande Curitiba.

E o táxi, que é um Fusca (o carro mais querido da história da humanidade), do Rio de Janeiro.

Marília, “A Rainha das Ruas”, agosto de 2016.

……..

“Imobiliária, bom dia”.

Desenho de setembro de 2014.

Marília telefonista. Na versão sem e com óculos, pra você decidir como ela fica melhor.

Na verdade ela está atendendo o telefone.

Mas ela não é telefonista ou secretária, é isso sim uma agente imobiliária.

Profissão que está sendo dominada pelas Mulheres.

Fato que constatei, além do Brasil, também na República Dominicana e África do Sul.

………

“Correio” – desenho de outubro de 2017.

Publicado na postagem “O Preço de Ser Bela”.

……….

Aqui retratamos Maurílio e Marília trabalhando ao mesmo tempo.

Ele é fotógrafo profissional, ela modelo.

Estão produzindo uma campanha publicitária pruma marca de refrigerante.

Maurílio adora tirar fotos, especialmente de sua Amada Marília.

Quando eles podem então trabalhar juntos é melhor ainda.

Desenho de dezembro de 2016, que atualizou a mensagem “Em Dose Dupla”.

……….

“Sobe” – agosto de 2016: Marília trabalhando como ascensorista.

Uma profissão que quase não existe mais. Mas não esqueça do ‘quase’.

Embora esteja praticamente extinta, não acabou de todo.

Em 2016 fui a um hospital de Curitiba, e havia sim uma ascensorista.

Então que fique registrado, na segunda metade da segunda década do século 21 ainda tinha gente que ganhava a vida assim:

Fechada no elevador apertando os botões pros passageiros serem poupados dessa função.

E Marília é sempre feminina, chique e charmosa, mesmo o dia inteiro sentada num banquinho enquadrada numa caixa de metal. Tanto que o executivo gostou dela….

……..

“Soteropolitano” (janeiro de 2017):

Maurílio é “moto-boy”, faz entregas de moto. Passa o dia montado no seu instrumento de trabalho sob Sol forte nas ruas de Salvador-BA.

A direita vemos ele enfrentando o trânsito pesado na Avenida Suburbana.

……….

Desenho de setembro de 2012:

Marília trabalhando de garçonete (ou copeira). Ela tem que usar esse uniforme azul, o que ela não gosta. Mas são ossos do ofício.

Pra compensar, ela usa vestidos bem coloridos pra ir e voltar do serviço.

Por isso a postagem se chamava originalmente “Toda Roxinha – em Rebelião Feminina e Silenciosa contra o Uniforme.”

……..

Pra ficarmos na mesma frequência, ela de novo de uniforme azul. Mas agora ainda menos feminino:

É uma farda. Em março de 2014, retratei Marília trabalhando como segurança.

A mesma situação, mas ainda mais forte, uma roupa ainda menos feminina, como dito e é notório.

Por isso quando está em casa ela abusa dos vestidos multi-coloridos, maquiagem, bijuteria e cabelos soltos. 

Assim, a mensagem se chamou “Dia de Trabalho, Dia de Folga”.

……..

Acima e ao lado, vamos ver agora Maurílio de farda, servindo ao Exército.

Em dezembro de 16, no Exército Vermelho do Povo Chinês (esq).

em janeiro de 18, do Exército do Paraguai. Guardando o “Encontro das Águas” da Tríplice Fronteira (dir.).

(Nota: alias tanto a cidade de Foz do Iguaçu no Brasil quanto de Cidade do Leste no Paraguai – que são fronteiriças e ligadas pela Ponte da Amizade – foram justamente fundadas como guarnições militares pra defender os respectivos territórios nacionais.)

………….

A esquerda e acima da manchete: Marília no ofício de (mani e) pedicure.

Lutando, pra que suas clientes possam brilhar, serem admiradas pela aparência.

Por isso está também na mensagem “O Preço de Ser Bela”.

……….

De volta ao transporte.  A direita acima, direto de Maceió, Alagoas:

Maurílio também dirige ônibus. E vestido de Papai-Noel.

Desenho de agosto de 2016, inserido na mensagem “Áureos Tempos”.

E na catraca, Marília de cobradora. Mostrada assim em maio de 2012.

A cobradora (“trocadora” em várias partes do Brasil) não deixa de ser uma caixa.

Assim emendamos com duas cenas dela como caixa.

Dessa vez sem estar dentro de um veículo em movimento.

Acima no banco, feito em janeiro de 2016.

E exatamente um ano depois (jan.17) essa ao lado:

Marília sempre elegante, combinando a maquiagem, unhas e roupa, tudo no mesmo tom:

O Raio Laranja. E ela olha que ela nem é holandesa….

………

“Tudo Bem Limpinho” (junho de 2014):

Mais uma vez Marília como faxineira, de luvinhas e tudo.

Muitas vezes ela usa luvas, geralmente brancas, quando quer ficar bem elegante, se sentindo uma princesa (ou mesmo sendo uma de verdade, em encarnações anteriores).

Mas aqui as luvas são por motivo diferente, obrigação profissional mesmo.

Em mais uma homenagem as Mulheres que fazem serviço doméstico, fiz em fevereiro de 2015 esse retrato em Preto-&-Branco.

Aqui o cabelo está preso, pra ela poder trabalhar. Na rua ela solta. E, vejam vocês, bateu uma rajada de vento e levantou tudo. Ela se sentiu a própria Medusa. Mulher dramática……

…….

Falar em cabelo, vamos voltar ao “Templo Feminino”: o salão de beleza.

Em imagem de janeiro de 2014 (também em P&B) Marília depilando a perna de outra Mulher. Puxando a cera….aiiiii!!!

E agora em cores, cena de novembro de 2013.

Nota: aqui vou inserir várias imagens em que estão duas Mulheres.

A princípio, o foco é que Marília seria quem contrata e recebe o serviço.

Mas bem pode ser o contrário, por que não?

Alias eu já escrevi isso na postagem “Em Dose Dupla”, que hospeda essa gravura acima:

“Marília sendo depilada no salão. Ou não, né? Sendo 2 Mulheres, também pode ser que Marília é a depiladora, trabalhando aplicando a cera numa cliente.”

A mesma lógica se aplica as cabeleireiras. Quando desenhei, pensei a princípio em Marília como quem senta na cadeira e tem seu cabelo pintado – ou ampliado, como ao lado.

Mas podemos bem inverter, e dizer que Marília é a prestadora do serviço.

Onde ela está clareando o cabelo da “viúva Negra” (sua cliente se auto-intitulou assim após deixar um casamento infeliz) é de outubro de 2017.

E a profissional loira colocando aplique na morena que se arrependeu de cortar muito curto é de outubro de 2015.

“COMPRA-TERAPIA”

Vamos as compras? Mas pra isso é preciso que haja alguém do outro lado do balcão pra nos atender.

Se aplica a mesma lógica que delineei acima. A princípio fiz Marília como a compradora.

Mas perfeitamente podemos vê-la como a vendedora.

Mais dois retratos em P-&-B. A direita ela vendendo bijuterias foi publicado no Natal de 2017.

E a esquerda na loja de roupas 3 anos antes, logo após o Natal de 2014.

……….

“FIU-FIU”.

Voltando pra cor, mais uma de Maurílio.

Como peão-de-obra. No horário de almoço, descansando.

Digo, mais ou menos. Também mexendo com as moças que passam, assobiando e soltando cantadas baratas (desenho de março de 2012).

………

Maurílio trabalha num prédios que está sendo erguido.

Marília, indiretamente, também. Vendendo café, refri e salgados (junho de 2016).

Na hora da folga dos operários ela encosta o carro em frente a obra.

Eles saíram cedo de casa, vivem em distantes subúrbios.…Vida dura!

O café de muitos é no canteiro de obra, em mesinhas improvisadas que ela traz no porta-malas. Marília faz esse bico pra reforçar o orçamento da família.

………..

Julho de 2012: Maurílio chega cansado e sujo do trabalho. Uniforme cheio  de graxa.

ela está toda perfumada, cheirosa, com o vestido floral verde que acabou de comprar….

Mas mesmo assim Marília vai recebê-lo de braços abertos.

Definitivamente….É o Amor!!!!

……….

Falando em flores: Maurílio, o Jardineiro Fiel (janeiro de 2015).

Ok, jardineiro tem que trabalhar de uniforme, e não de bermuda e descalço.

Digamos que ele é caseiro de alguma chácara, então. Quando o patrão não está ele pode ficar mais a vontade.

O importante é que o serviço seja feito, que (entre outras tarefas) que o pomar, plantas e flores da Fazenda estejam sempre bem-cuidados.

…………

“A CURADORA“: dois retratos de Doutora Marília como médica, enfermeira ou terapeuta.

Ambos de 2016. Acima de setembro, ao lado de março.

Repare na aura rosa dela, uma Energia Feminina, de cuidado com os outros, suas Mãos de Luz.

“O CURADOR”: mas claro, os Homens também podem exercer com muito carinho e competência a Missão de Curadores.

Ao lado, de abril de 2016, Dr. Maurílio. Ele já encerrou o expediente.

Sua esposa, que está grávida, veio buscá-lo pra irem pra casa.

Eu errei na angulação dessa foto. A cabeça deles ficou muito grande, as pernas muito pequenas.

Próximas 3: Marília atleta profissional, começando pela canoagem.

Eles ficaram parecendo anões. Que coisa, né?

Acontece. Alias esse é o que a psicologia chama de ‘ato falho’, quando através de um erro involuntariamente você revela um pouco do inconsciente.

Por que tantos desenhos de médicos, enfermeiras e hospitais em 2016?

Porque eu tive um problema sério de saúde nessa época.

Até fiquei 4 dias internado pelo SUS num hospital do Bairro Alto, Zona Leste de Curitiba.

E meu problema foi justamente nas pernas. Talvez essa a razão que elas saíram pequenas na imagem. Jung explica…

Tem mais: o nome do médico, Dr. Maurílio, não é em minha própria homenagem.

Na triagem da UPA (24h) do Centrão, o médico que conseguiu meu internamento – que foi o que salvou minha perna – era meu xará. 

Embora Maurílio não seja meu nome real, só o de guerra.  E daí foi batizado o personagem que ilustra essas páginas.

Mas o médico era realmente meu xará, mesmo na ‘vida real’.

………

3 retratos de Marília praticando esportes. Mas não uma pelada de fim-de-semana.

E sim atleta profissional, que vive disso, com a bandeira da Pátria Amada no uniforme e tudo. 

Já vimos ela remando, literalmente (janeiro de 2017). Praticando canoagem.

Depois ginástica olímpica, representando o Brasil no Pan-Americano de 2015, em Toronto, no Canadá (imagem de julho daquele ano).

E Marília Faixa-Preta, lutadora de artes marciais (janeiro de 2016). Apenas o quimono dela tem flores e borboletas. Pois Marília é uma “menina-menina”, e tudo nela é feminino.

Dessa vez aconteceu o problema inverso do médico e sua esposa:

A perna de Marília carateca também ficou desproporcional, mas dessa vez comprida demais.

Como eu disse, acontece….Fazer o quê?

……….

A Marília faixa-preta está na postagem que se chama “A Cigana Leu o meu Destino”.

A direita o desenho que intitulou a mensagem: Marília Cartomante.

Uma profissão heterodoxa, esotérica. Ainda assim, um ganha-pão.

Uma arte majoritariamente feminina, a de compreender e decifrar as Energias sutis do Plano Astral.

Majoritariamente sim, mas 100% não. Há Homens médiuns, que trabalham em Centros Espíritas (kardecistas e de umbanda).

Mas a esquerda Marília aí sim numa profissão exclusivamente feminina:

Professor de ioga.

Fazendo a dança do ventre. Seu corpo parece uma cobra, sinuoso, se remexendo com a música.

Ela avisa: “Estou de véu sim, mas….não estou casando” (junho de 2016).

……….

Por falar em víboras….não podíamos deixar de retratar a “Rivalidade Feminina”, tão comum nos ambientes de trabalho.

Marília ficou uns dias sem tirar as sobrancelhas. As colegas do trabalho não perdoaram. 

Ela está ‘por aqui’ com essas ‘Meninas-Veneno’ (setembro de 2017).

E vai fazer elas morderem a própria língua….ui…vão acabar no hospital!

Quem sabe aquela loira que vimos acima sendo atendida pela doutora não é essa colega de trabalho de Mari, após provar de sua própria peçonha?

……….

Pra irmos finalizando, Maurílio e Marília como professores de ioga.

Maurílio também é atleta (março de 2015). Lutador de boxe, os braços tão sarados!

Veja a ‘asana’ (‘postura’) “invertida”. Pra chegar nesse ponto de apoiar o corpo totalmente na cabeça tem que ser um grande Mestre, já está mesmo dando aulas (dezembro de 2015).

Bem, ele já foi a Índia. Só falta agora levitar…..

Marília também já foi a Índia, várias vezes.

Alias essa loira ioguina  que desenhei em julho de 2017 é uma homenagem a uma Mulher que existiu de verdade na matéria, e ela trabalhava como professora de ioga.

Estou a vontade porque meu marido está na estrada. Mas a noite quando ele chegar vou estar im-pe-cá-vel!!!”.

Trata-se de uma australiana que Infelizmente foi assassinada pela polícia em Mineápolis, EUA. Lamentável…

………

E fechamos com uma Marília dona-de-casa, a “Rainha do Lar” (abril de 2015). Que também é uma ocupação muito nobre, não reconhecida como deveria.

Usando a camiseta de posto que ela ganhou do marido caminhoneiro. Só que como ela é costureira, customizou em cima e embaixo, torou as mangas e barra.

Pra roupa mais masculina possível ficar feminina e delicada, como ela….

Que Deus Pai e Mãe Ilumine todos os Trabalhadores e Trabalhadoras do planeta, nesse Dia do Trabalho e pra Todo Sempre.

“Deus proverá”

Joanesburgo, a “Metrópole Global Africana”

gauteng: o menor estado (província) da áfrica do sul: mas seu centro populacional, econômico e político

Panorâmica do Centro de Joanesburgo. Como as cidades da África do Sul seguem o padrão urbanístico ianque, há poucos prédios altos, quase todos comerciais. Exceto quando indicado, as fotos mostram sempre Joanesburgo. Quando for de outra cidade eu aviso explicitamente, estamos combinados.

Por Maurílio Mendes – O Mensageiro

Publicado em 20 de abril de 2018

Maioria das imagens de minha autoria. O que for baixado da internet eu identifico com um ‘(r)’, de ‘rede’.

Seguindo nossa série sobre a África do Sul, vamos falar hoje sobre sua maior cidade, Joanesburgo.

Gauteng é o menor estado da África do Sul. Tem apenas 18 mil km2, menor portanto que Sergipe, o menor estado brasileiro, que conta com 21 mil k2.

Mas Gauteng é o estado mais populoso, rico e desenvolvido. O Centro populacional, econômico e político da nação. 

Infelizmente é preciso dizer: o Centrão está muitíssimo decadente, virou um gueto gigante. Em certas partes há muita sujeira.

A Cidade do Cabo é mais conhecida, mais turística, e definitivamente mais bela.

Mas o coração industrial e comercial do país ainda é Joanesburgo, como dito e é notório a maior cidade sul-africana – pros íntimos chamada ‘Joburgo’. Ela também é a capital estadual de Gauteng.

Pretória, a capital executiva do país, é praticamente um subúrbio de Joanesburgo. E, não nos esqueçamos, pela colonização inglesa as cidades sul-africanas são muito parecidas com as dos EUA.

Não há brancos no Centro de Joanesburgo. Não há, zero, nenhum mesmo. Veja o povo no Centro da cidade. No Cabo e Pretória é diferente, ali os Centros são integrados. Mas os de Joburgo e Durbã são auto-segregados, os brancos simplesmente não pisam ali.

Assim, quando eu falo na série africana ‘subúrbio’ não é periferia, como no Brasil.

Mas ao contrário, é no mesmo sentido estadunidense, reduto da elite e classe média-alta.

A população sul-africana é 55 milhões de pessoas. Dessas, cerca de 8 milhões vivem na Grande Joanesburgo.

Outras estatísticas já colocam acima de 10 esse número. Se você incluir Pretória, são 13 milhões. Bem, 13 milhões é exatamente a população do estado de Gauteng.

O ‘Novo Centro’ de Joanesburgo é o subúrbio (no sentido ianque do termo) de Sandton, na Zona Norte. Ali estão a sede das corporações, a bolsa de valores. É o metro quadrado comercial mais caro de toda África.

Afinal você pode ampliar a escala dessa forma e considerar como Grande Joanesburgo todas as cidades num raio de 70 km do Centro desta.

Aí realmente todos os municípios do estado passam a ser parte da região metropolitana da capital, por ele ser pequeno em área.  Já voltamos a falar da divisão política sul-africana.

Agora, apenas pra pôr no contexto, o sítio ‘City Population’ (em inglês e alemão), especializado em estatísticas do mundo todo, coloca a população de ‘Joburgo’ exatamente nessa cifra de 13 milhões.

De ser assim, Joanesburgo é a 26ª maior cidade do mundo, empatada com o Rio de Janeiro.

Praça da Igreja, Centro de Pretória, epi-centro político da nação, o equivalente sul-africano da Praça dos 3 Poderes no Brasil, do Zócalo mexicano e da Praça de Maio argentina. Na época da antiga República do TransVaal (país independente estabelecido pelos descendentes de holandeses no século 19, engolido pela Inglaterra quando esta venceu a 2ª Guerra dos Bôeres) o palácio presidencial era nessa praça.

E a 3ª metrópole do continente africano, atrás de Cairo (Egito) e Lagos (Nigéria), ambas com 18 milhões cada.

Mas Joanesburgo certamente é muito mais rica e desenvolvida que ambas.

O Cairo é uma das cidades do mundo que mais recebem turistas, por conta das Pirâmides.

E Lagos concentra sua economia na exploração de recursos minerais, como petróleo e diamantes.

Mas a parte desses dois respectivos carros-chefes, a economia do Cairo e Lagos é ainda bastante sub-desenvolvida, as condições sociais idem.

Joanesburgo é bem mais rica, industrializada, de economia diversificada, e tem uma burguesia média e alta infinitamente maior, sem comparação possível.

Daí o apelido da cidade, a “Metrópole Global Africana”.

Agora o Palácio Presidencial é umas quadras pra cima, já saindo da Zona Central. Bem em frente há um leão estilizado, que faz as vezes de um banco. No destaque um outro mais realista, bem no Centrão (fotografei um parecido no Pq. Barigüi, em Ctba.).

Querendo dizer que a cidade está no mesmo nível de Nova Iorque-EUA, Moscou-Rússia, Londres-Inglaterra, Paris-França, Pequim e Xangai (ambas na China) e Tóquio-Japão.

Obviamente não chega a tanto. Mas ainda assim é o principal centro financeiro e industrial da África.

Digamos que Joanesburgo têm uma importância similar a São Paulo, Rio, Cidade do México, Buenos Aires (Argentina), Seul (Coreia do Sul), Teerã (Irã), Mumbai (a ex-Bombaim, Índia), Jacarta (Indonésia), Cingapura, Bancoque (Tailândia), entre outras.

Ou seja, a nível global mesmo Joanesburgo está num segundo patamar, ao lado das capitais financeiras de outros países que são influentes em termos regionais sim mas planetários não é pra tanto.

Voltamos a ver Joanesburgo. Nas próximas 7, o Centrão da cidade, com o que ele tem de peculiar e de barra pesada. Aqui: vendedor de perucas no mercadão. Muitas africanas têm dificuldade em cuidar dos cabelos, porque eles são muito crespos. Várias radicalizam, raspam a cabeça e passa a usar peruca. Bem, esse é um camelô, em plena via pública, e veja quantas opções de modelos. Por aí você avalia o tamanho da demanda.

Entretanto não se pode negar que Joburgo é uma metrópole importante sim, a mais importante de toda África.

Não quer dizer que não hajam problemas. Ao contrário, eles são muitos, já falaremos deles.

Ainda assim, o subúrbio de Santon, na Zona Norte da Grande Joanesburgo, tem o metro quadrado mais caro da África. Os prédios comerciais mais valorizados do continente estão ali.

Tanto dinheiro e tanta riqueza concentrados num espaço pequeno. Sandton é rico porque Joanesburgo e região são muito ricos. São, repito, apenas 18 mil km2 no estado de Gauteng.

A África do Sul tem mais 8 estados. O maior deles disparado é o Cabo Setentrional, com 372 mil km2. Todas as outras sete unidades da federação oscilam entre 75 e 168 km2.

..

Cabeleireiros trabalham em plena via pública no Centrão! Sim, é o que você está vendo: o ‘salão’ se resuma a duas cadeiras na calçada, não há sequer uma tenda pra cobrir. Os africanos em geral, e as africanas ainda muito mais, cuidam muito de seus cabelos. Os Homens a maioria usa bem curto ou mesmo raspado, mas as Mulheres fazem tranças, apliques, chapinhas….No Centrão e nas periferias cabeleireiro (geralmente por conta própria) é a profissão mais comum da África do Sul, disparado.

Na África do Sul os estados se chamam ‘províncias‘ (como na Argentina, que visitei um mês antes).

Na época do finado e nada saudoso ‘apartheid’, a divisão política era diferente. Pra começar a conversa haviam os ‘bantustões’.

Tratava-se de guetos rurais que o regime racista dizia serem ‘países independentes’. Nenhuma outra nação do mundo inteiro ratificou esse circo, por razões que a extrema opressão racial estava por demais evidente.

Mas os dirigentes racistas insistiam. Um dia eles pretenderam confinar toda população negra nos bantustões, quisessem os negros ou não.

Mesmo quando viu que não era viável deportar a força dezenas de milhões de pessoas, a farsa das ‘nações soberanas’ que seriam os bantustões permaneceu:

A África do Sul na época chegou até a trocar ‘embaixadas’ com alguns bantustões.

Não é só cortar (e trançar, e alisar….) o cabelo que você pode fazer nas calçadas. O Centrão Velho de Joanesburgo é um camelódromo gigante.

Contra todas as evidências, o regime branco racista do ‘apartheid’ mantinha a ficção que os bantustões eram ‘países’ independentes.

E que portanto todos os negros deveriam exercer seus direitos políticos neles.

Os negros que “optassem por permanecer” na África do Sul seriam então tratados como “estrangeiros”, como ‘trabalhadores convidados’ em solo sul-africano.

Pode isso, um povo que já está numa terra a milênios ser declarado ‘estrangeiro’ em sua própria nação? Pois foi o que o regime do ‘apartheid’ fez.

E, acrescentemos, as semelhanças com o que Israel faz agora são evidentes. Essa situação não pode perdurar pra sempre.

Na África do Sul no final dos anos 70 e por todo os anos 80 explodiram revoltas e protestos contra o ‘apartheid’, feitos por negros e brancos, dentro do país e a nível global.

Prédio abandonado. Joanesburgo é a única cidade da África do Sul que tem grafite e pichação em larga escala. Ainda assim, muito, mas muito menos que na América (Brasil, EUA, México, Colômbia, República Dominicana, Chile). Em Joanesburgo, se nosso continente for a base de comparação, há bem pouca ‘arte’ nos muros. Mas existe. No Cabo, Durbã e Pretória é praticamente inexistente.

O regime a princípio partiu pra linha-dura, mas não teve jeito, teve que ceder.

Mandela foi solto em 1990, e 4 anos depois se tornou o primeiro presidente negro sul-africano.

De lá pra cá todos os seus sucessores são também negros, e nada mais natural, se os negros e mulatos formam 90% da população.

Já contei essa história com mais detalhes na abertura da série.

Aqui fiz uma breve recapitulação pra voltarmos a falar das atuais províncias (estados) sul-africanas.

Haviam os bantustões, onde o ‘apartheid’ pretendeu um dia confinar todos os negros. Depois da queda do regime racista eles foram incorporados ao território sul-africano.

Rea Vaya (“estamos em movimento”, na gíria local), moderna rede de ônibus expressos – canaletas [corredores] exclusivas, articulados, embarque em nível pré-pago em futuristas estações elevadas. Funciona bem, onde existe. Fomos do Centro a Soweto, na Zona Oeste, nesses ônibus (esse aqui um Marcopolo brasileiro). O problema é que são pouquíssimas linhas, grosseiramente insuficiente pruma metrópole de quase 10 milhões e que não tem metrô, só trem. Estão corrigindo isso, outros corredores estão sendo construídos em várias avenidas da cidade.

Falando agora das províncias em que os apenas os brancos eram cidadãos (os negros e indianos que habitavam nelas não tinham direitos políticos), elas eram apenas 4 no regime racista:

Cabo (que ocupava 55% da área da nação, toda sua porção ocidental), Natal, Estado Livre Laranja (os africâneres são holandeses, e essa é a cor da família real da Holanda, vide o uniforme da seleção) e TransVaal.

Com a chegada da democracia, o Estado Livre Laranja e Natal quase não sofreram alteração nos territórios, apenas mudaram de nome:

Agora é só ‘Estado Livre’, o ‘Laranja’ se foi; e Natal, com a incorporação do bantustão de KwaZulu teve o nome fundido pra KwaZulu-Natal.

Mas as províncias do Cabo e TransVaal foram retalhadas. No Cabo surgiram 3, o nome se manteve, apenas acrescentou-se a posição geográfica: Cabo Setentrional, Cabo Oriental, Cabo Ocidental.

Pela rede de transportes ser ineficiente, quem move o povão mesmo são as vans, quase todas elas brancas – mas os motoristas/ proprietários são os negros. Alias eles tiveram que fazer uma guerra pra poderem entrar no Centro e nos bairros ricos, onde estão os empregos. Um conflito sangrento mesmo, morreu muita gente, entrou pra história da África do Sul como “As Guerras do Transporte”. Bem, os africanos nativos venceram, e o dinheiro do deslocamento diário da massa trabalhadora agora fica dentro da comunidade. Veja um mar alvo de vans no Centrão de Joburgo, levando os proletários de volta pras suas distantes periferias no fim-de-tarde.

Na antiga província de TransVaal (tinha esse nome pois fica após o Rio Vaal, pra quem vem do litoral) tudo mudou, agora são 4 estados onde antes era um. Gauteng ficou com as maiores cidades, a parte mais rica e populosa, quase não tem área rural.

Ao redor dela se desmembraram os estados do Noroeste, Limpopo e Mpumalanga. Essas últimas 3 províncias (oriundas da Província do TransVaal, repetindo) e mais o Cabo Setentrional (vindo da Província do Cabo) não têm cidades grandes.

As quatro maiores cidades sul-africanas, as que têm mais de 1 milhão cada, são Joanesburgo, Cidade do Cabo (Cabo Ocidental), Durbã  (Kwa-Zulu-Natal) e Pretória, visitei todas elas.

Depois vem, pela ordem (não tive a oportunidade de ver pessoalmente nenhuma): Porto Elizabete (876 mil), Pietermaritzburg (475 mil, KwaZulu-Natal), Blomfontein (464 mil, Estado Livre, a capital judicial da nação) e Londres Leste (295 mil, ela e Porto Elizabete são no Cabo Oriental, e ambas no Oceano Índico).

Joanesburgo e Pretória ficam em Gauteng, e por alguns parâmetros são consideradas parte de uma mesma cidade. Faz sentido. São muito perto. Apenas 65 km as separam. 1 hora e 15 minutos dirigindo (já detalho mais esses pontos). Pretória é ao norte de Joanesburgo.

“Joburgo”, apelido oficial de Joanesburgo. E a BMW é uma paixão sul-africana, mesmo na periferia.

E a parte rica de Joburgo é a Zona Norte e a Zona Leste, claro há alguns bolsões de miséria (inclusive fui num dos mais famosos, chamado Alexandra) porque é 3° mundo. Mas no geral o padrão na Z/N e Z/L é alto.

Nas Zonas Oeste e Sul está a periferia. Não por acaso a periferia mais emblemática da cidade – e de todo continente africano, uma das mais do planeta – se chama ‘Soweto’, que são as iniciais em inglês de ‘Assentamento Sudoeste’.

Mas da perifa falamos depois. Aqui o foco é a parte verde da metrópole, onde moram os burgueses, até o fim do ‘apartheid’ só brancos, hoje ao lado deles há uma emergente burguesia negra.

Museu do ‘Apartheid’ (tomada de autoria de meus familiares): nos tristes tempos do regime racista, esse era o ‘caveirão’. Como notam, um verdadeiro tanque de guerra, que quando haviam revoltas adentrava nos bairros negros passando por cima de tudo e de todos.

A urbanização é no modelo estadunidense, ou seja a classe média quase não mora em prédios, só em casas, naquelas ruas sem saída arborizadas que você vê tanto nos filmes dos EUA.

Portanto a cidade vai se espalhando, ocupando uma área enorme.

Assim, os subúrbios mais boreais de Joanesburgo emendam nos subúrbios mais austrais de Pretória.

Há vários casos em que dentro da mesma casa o marido trabalha em Joburgo, a esposa em Pretória ou vice-versa.

Por isso se você quiser adotar uma classificação mais ampla dá pra dizer que Pretória é um subúrbio da Grande Joanesburgo.

Joanesburgo é fogo, mano! Não é modo de falar. A luta contra o ‘apartheid’ se centrou ali. Mas se os negros por vezes se uniram pra derrubar o inimigo, em outras oportunidades brigaram violentamente entre si. Aqui, um militante negro é queimado vivo por outro, de partido rival – lá as alianças são geralmente étnicas, zulus de um lado, xhozas de outro, e quando eles se desentendem você está vendo o resultado. Muito sangue correu pro ‘apartheid’ cair, e repito, diversas vezes negros matando negros. Bem, o ‘micro-ondas‘ (não o da sua cozinha, mas sim o ato brutal de incendiar um inimigo vivo entre pneus), depois tão popularizado pelos conflitos entre traficantes do Rio, foi inventado na África do Sul. Triste, mito triste (foto extraída do livro “O Clube do Bangue-Bangue”).

Como é no estilo ianque de vida, as pessoas são acostumadíssimas a dirigir 20, 30 ou 40 quilômetros pra chegar a seu trampo, e a mesma distância na volta.

Alias se você quiser dispensar o carro desde 2010 é possível.

Por conta da Copa do Mundo de futebol que foi lá – a 1ª por enquanto única da África – Pretória e Joanesburgo agora são ligadas pelo moderníssimo Gautrem.

Já fiz matéria específica sobre o transporte coletivo na África do Sul, em que os dois grandes destaques são o Gautrem e a rede integrada de ônibus da Cidade do Cabo.

descrevi tudo em detalhes, com dezenas de fotos. Aqui, resumindo, a parte rica da Grande Joanesburgo são as Zonas Leste e Norte.

Oras, na Z/L está o Aeroporto Internacional Tambo, principal porta de entrada de todo Sul da África incluindo países vizinhos.

E a norte está Pretória, que é a capital executiva do país – a África do Sul tem 3 capitais:

O Congresso fica na Cidade do Cabo e o Supremo Tribunal na pequena cidade de Bloemfontein, no interior (no Estado Livre, como já dito).

Colagem mostra o Centro de Joanesburgo. Em sentido horário: mercado ao ar-livre, ressaltei a bandeira de Gana; Prédio com o endereço bi-língue em inglês e africâner, herança do ‘apartheid’; muitas vezes há muita sujeira nas ruas, é tanto lixo que essa escadaria (que dava acesso a uma estação de trem) foi desativada. E isso em pleno Centro da cidade! Vi essa mesma cena na Grande Buenos Aires (uma escada na estação de trem interditada, porque virou depósito de lixo clandestino e abrigo de sem-tetos), mas pelo menos na Argentina eu estava bem na periferia, perto de Cidadela, na Zona Oeste, uma das partes mas barra-pesadas da cidade. Aqui em Joanesburgo é em no coração do Centro!, pode isso? E no destaque uma muçulmana de véu e tudo, cena muito comum lá.

Portanto o Gautrem tem um trajeto limitado, sim. Deveria ser bem maior.

Mas estrategicamente localizado, interliga o Centro de Joanesburgo, o aeroporto, os subúrbios da Z/N (dos quais o principal é Sandton, já descrevo melhor) e alguns da Z/L , Pretória.

Tudo unido por esse trem, que, olhe, tem padrão de primeiríssimo mundo.

Gostaria que as principais cidades brasileiras tivessem seus aeroportos conectados ao Centro dessa forma.

O Gautrem não deve nada ao que opera na China, Japão e Alemanha. É de cair o queixo. E não serve só pra quem vai viajar.

Ele conecta toda porção boreal e parte da oriental da Grande Joanesburgo, Pretória incluída, como acabo de dizer e é notório.

Assim dezenas de milhares de pessoas de classe-média, que têm carrões caros, passaram a deixar eles em casa durante a semana, e vão trabalhar de transporte coletivo.

Até porque o Gautrem tem um sistema de ônibus alimentadores integrados, se você pegar ônibus + trem tem um bom desconto, a passagem não pesa no bolso.

Mesmo pra quem mora mais longe e não tem alimentador, o Gautrem oferece integração trem + carro.

Revista inglesa de negócios publica sua radiografia anual sobre a economia e política na África. O presidente da China ocupa o dobro de espaço que seu colega dos EUA. Não é preciso argumentar além disso pra entender que rumo o planeta está tomando no século 21.

Todas as estações do subúrbio têm edifícios-garagem anexos, você pode contratar o serviço por mês que sai bem mais em conta.

Vai de carro até ali, de trem até o Centro de Pretória Joanesburgo, ou mais comumente até Sandton.

Na volta o trajeto inverso, volta guiando pra casa. Em vez de dirigir 50 km por dia dirige 10, e sai muito mais barato. Intensamente usado.

……….

Ainda assim, claro que a imensa maioria das pessoas ainda opta pelo transporte individual que queima mais carbono, garantindo a destruição do meio-ambiente.  

Estamos falando do ser humano, afinal. Por isso um trajeto de 65 quilômetros leva uma hora e quinze, porque o trânsito é muito intenso.

E lá eles medem as distâncias em quilômetros mesmo, e não em milhas. É curioso isso, sabe?

A África do Sul é colonização inglesa. Você dirige pela esquerda, obviamente a chamada ‘mão inglesa’.

Eles (os brancos pelo menos) adoram ‘rugby’ e críquete, esportes que só são populares na Inglaterra e suas ex-colônias como Austrália e Nova Zelândia.

Filma o padrão das casas do subúrbio de ‘SaxonWold’, Zona Norte. Tá bom pra ti?

No caso do ‘rugby’ é jogado um pouco na França também, mas é do lado da Inglaterra.  

E tanto negros quanto brancos sul-africanos adoram futebol, como na Inglaterra e inverso dos EUA. 

Não só nos esportes. Como dito nas legendas das fotos, os sul-africanos amam ‘peixe-com-batata’, o prato nacional inglês.

Nos EUA essa receita é quase ignorada, o prato nacional estadunidense é o ‘Big Mac’ (que, justiça seja feita, também é muito apreciado na África e na própria Inglaterra).

Cenas das auto-estrdas urbanas, os prédios da Zona Central ao fundo. Nos destaques uma flor, e grades no viaduto pra não jogarem pedras nos carros da pista inferior visando assaltá-los. A África do Sul é bela mas também é fera! Bem, pra ser justo, aqui na América não é diferente, tanto América Latina (Brasil incluído, claro) quanto já presenciei a mesma cena nos EUA.

Na linguagem é o mesmo. A escrita e a pronúncia do inglês sul-africano é totalmente britânica. Totalmente.

Eles escrevem ‘centre’, por exemplo, como na Grã-Bretanha, enquanto nos EUA é ‘center’.

Isso, dos dois lados do Oceano, pra ‘centro de lazer’, ‘centro de estudos’, ‘centro de compras’.

Já o Centro da cidade é o ‘CBD’ (‘Central Business District’) na Inglaterra, África do Sul e outras ex-colônias britânicas.

Esse termo, essa sigla, não existe nos EUA, ali é ‘DownTown’.

Digamos que numa roda estejam três pessoas conversando, um ianque, um inglês e um sul-africano.

Você vai claramente distinguir o nativo dos EUA, mas entre os outros dois você vai ter dificuldades de diferenciar quem veio daonde. 

Joanesburgo foi uma cidade fundada pela e pra mineração de ouro, no fim do século 19.

Ressaltei tudo isso pra dizer o seguinte:

A África do Sul se parece muito mais com a Inglaterra que os EUA. Muito mais, sem comparação possível.

Mas a África do Sul adota o sistema métrico de medidas, e não o inglês.

As distâncias na África do Sul são calculadas em quilômetros, não em milhas. O peso dos secos e molhados em quilos e litros, não em libras ou onças.

Auto-estrada dentro da cidade, os prédios do Centro ao fundo. Como as cidades sul-africanas são no estilo urbanístico estadunidense, eles são acostumados a dirigir grandes distâncias todos os dias.

Os EUA rejeitaram muito do que veio de sua pátria-fundadora: o lado que os carros andam nas ruas, os esportes, a língua eles mudaram o quanto puderam. Mas o sistema de libras e milhas eles mantiveram.

Na África do Sul é o inverso. Mantiveram intacta boa parte da herança colonial nas outras dimensões, mas adotaram o sistema métrico.

Digo, mais ou menos. Eles medem em quilômetros? Sim. Mas eles pensam em quilômetros? Não.

E como eles pensam? Como eles medem a distância de uma cidade a outra? Em minutos.

Próximas 4: os subúrbios da Zona Norte, a parte rica e arborizada de Joanesburgo. A estrada que vimos acima a esquerda liga o Centro a eles.

Eles não dizem: “Pretória fica a 65 quilômetros de Joanesburgo”.

Nada disso. Eles falam “Pretória fica a uma hora e quinze de Joanesburgo”. Eles medem a distância não pela dimensão espacial, mas pela temporal.

Pelo tempo que a pessoa passa com a bunda no carro pra chegar de uma cidade a outra.

Nisso são iguais aos ianques (nunca fui a Europa, então não sei como é na Inglaterra).

Fomos de mini-van do hotel no Centro de Joanesburgo ao Aeroporto Tambo.

Perguntei a distância ao motorista, que era negro. Ele disse: “40 minutos”.

Perguntei: “em quilômetros?”. Ele respondeu: “não sei, aqui nós só sabemos calcular em tempo de viagem”.

O padrão das casas é esse, mansões que ocupam quadra inteira, ou quase.

………..

MAMAS & PAPAS”: NA ÁFRICA DO SUL TODOS DE CABELO BRANCO SÃO ‘MAMÃES’ E ‘PAPAIS’

Alias houve um choque cultural nesse mesmo trajeto que descrevo.

Viajávamos eu, minha mãe e uma amiga dela, que não tem filhos.

Há muitos plátanos – a árvore típica do Canadá e de Campos do Jordão-SP. No outono (quando estive lá) formam-se vários tapetes de folhas.

Os negros, como se sabe, são uma raça de sangue-quente, abertos, calorosos, totalmente o oposto da frieza nórdica que caracteriza os caucasianos.

Os negros adoram conversar, pegam amizade rápido. Íamos na mini-van. O motorista chamava as duas Mulheres de ‘mamas’.

Quando eu informei a ele que uma delas não era mãe (não apenas não era minha mãe; ela não teve filhos nessa encarnação) ele foi enfático pedindo pra eu não corrigi-lo.

Explicou: “aqui na África todas as Mulheres mais velhas são Mamas. E todos os Homens mais velhos são Papas. É uma forma de respeito”. Entendi. É o equivalente do ‘dona’ e ‘seo’ do português, como em ‘Dona Maria’ e ‘Sêo Jorge’.

20 de abril de 2017: desenho feito e levantado pra rede lá de Joanesburgo. Exatamente 1 ano depois essa atual postagem sobe ao ar.

Depois dessa explicação, o desenho que fiz e levantei pro ar lá do Centro de Joanesburgo se tornou ainda mais válido (dir.). E eles se chama, como seria diferente?, exatamente “Mama-África”!

Tá certo. Vivendo e Aprendendo…

………..

DA ‘CIDADE DE JOÃO’ A ‘CIDADE DE JÓ’.

Joanesburgo quer dizer ‘Cidade de João’ (abaixo falo mais disso), algo como ‘Joanópolis’. Mas como seu apelido é ‘Joburgo’, acabou se tornando a ‘Cidade de Jó’ (ou de ‘Jô’).

Seja como for, ela foi fundada numa ‘corrida ao ouro’. No fim do século 19, na mesma época do ‘Velho-Oeste’ Estadunidense, e exatamente da mesma maneira. Se você viu filmes de faroeste, sabe como foi.

Como já escrevi com mais detalhes, a colonização branca da África do Sul começou pelo litoral.

Em 1679 os holandeses erguem o Forte da Boa Esperança na Cidade do Cabo (1ª construção europeia em toda África), pensando assim garantir a posse da Colônia do Cabo da Boa Esperança.

O moderníssimo Gautrem liga Joanesburgo a Pretória. Aqui estamos quase chegando exatamente a Pretória, fomos de Uber pela rodovia e voltamos nesse trem.

E por um século funciona. Mas no fim do século 18 a Inglaterra chega com grande esquadra, e exige a capitulação do Cabo.

Os holandeses resistem bravamente, mas a marinha inglesa não era conhecida como ‘Soberana dos 7 Mares’ a toa.

Após sangrentos combates navais, o Cabo cai sob jugo da Coroa Britânica.

Parte dos holandeses ruma ao interior. Estabelecem duas repúblicas independentes em 1852 e 1854:

Respectivamente a República Sul-Africana (não confundir com o país atual, que é a República da África do Sul) e o Estado Livre Laranja.

Já que falamos no passado, na história, essa era a bandeira da África do Sul na era do ‘apartheid’ (r). Trazia dentro dela a bandeira do Reino Unido, e das duas repúblicas independentes fundadas pelo africâneres (holandeses) que o próprio Reino Unido derrotou na Guerra do Bôeres, e incorporou a força a seu império: a República do TransVaal e o Estado Livre Laranja.

O Estado Livre fica antes do Rio Vaal, e a República Sul-Africana depois, por isso comumente referida como ‘República do TransVaal’.

Em 1855 Pretória é fundada, pra ser a capital da ‘República do TransVaal’. O nome da cidade ao contrário do que alguns poderiam pensar nada tem a ver com a palavra ‘preto’.

Pretória não é ‘Cidade dos Negros’, exatamente ao contrário, por um século e meio Pretória foi ‘a Cidade dos Brancos’, representou a opressão contra a raça negra que a fez escrava em seu próprio país.

Digo, agora na democracia desde 94 todos os ocupantes da sala principal no Palácio Presidencial são negros, mas por muito tempo os africanos nativos só entravam no Palácio pra fazer a limpeza e servir água e cafezinho.

Pretória é uma homenagem ao holandês André Pretório (eu aportugueso todos os nomes, lembre-se), que derrotou os zulus na famosa ‘Batalha do Rio Sangrento’, e estabeleceu o domínio europeu nesse pedaço da África.

Bandeira atual da África do Sul democrática, pós-‘apartheid’, na Cidade do Cabo, com a Mesa-Montanha ao fundo  (r): mantiveram as faixas azul e vermelha (quase alaranjada) da herança europeia, e introduziram um ‘y’ horizontal nas cores preta, amarela e verde, que combinadas com o vermelho representam a raça negra.

O filho de André, Martino Pretório, foi o 1º presidente da ‘República do TransVaal’. Ele comprou algumas fazendas, e em 1855 construiu e inaugurou Pretória como capital.

Em 1880 a Inglaterra exige a anexação das duas repúblicas holandesas no sul da África.

Com a negação delas, vem a primeira ‘Guerra dos Bôeres’, que a Inglaterra perde.

A República do TransVaal e o Estado Livre Laranja permanecem independentes.

Em 1886 Joanesburgo é fundada, por conta da mineração de ouro como já dito.

Em 1899 a Inglaterra retorna com força total, e decide praticar ‘terra-arrasada’ pra forçar os africâneres (holandeses) a se renderem.

Voltamos pra Joanesburgo. ‘Casas’ de zinco em Soweto, Zona Oeste. As favelas sul-africanas são chamadas de ‘Cidades de Lata’, pois os barracos são de metal (no Chile também é comum).

Aí, como dito acima, que a Coroa Britânica inventa o campo de concentração, trancafiando ali dezenas de milhares de Mulheres e crianças.

A batalha foi sangrenta mas os boêres perderam. As Repúblicas do TransVaal e do Estado Livre Laranja viram colônias do Império Britânico, ‘onde jamais o sol se punha’.

Quando foi formada a moderna África do Sul (ainda dependente do Império Britânico), em 1910, a antiga República do Transvaal virou o estado (província) do TransVaal, o Estado Livre Laranja manteve o nome mas também virou uma província da República da África do Sul.

Do outro lado da metrópole a situação é bem mais amena, digamos assim. Vemos os subúrbios dos milionários na Zona Norte de Joanesburgo. Só mansões, muitas ruas sequer têm calçadas pois ninguém passa a pé ali.

E, relembrando, a África do Sul foi colônia da Inglaterra até 1931. Assim ainda por mais 2 décadas manteve-se a Rainha inglesa Elizabete como chefe de estado.

(Nota: essa situação permanece no Canadá, Austrália e Nova Zelândia – essas 2 nações insulares da Oceania até hoje têm a bandeira do Reino Unido dentro de suas respectivas bandeiras, e a causa é essa.

Esses 3 países são independentes na prática sim, mas no papel ainda pertencem ao Reino Unido.)

Então. Quando se tornou independente em 1931, a África do Sul igualmente estava atrelada ao Reino Unido.

As únicas pessoas que você nas ruas são os empregados das mansões. Essas duas moças simpáticas trabalham na casa em frente, estão no seu horário de lanche (veja a Coca-Cola aberta) e foram tomar um ar. Quando viram que eu tirava fotos pediram pra eu clicar elas também. Está aqui, atendido o pedido. Os negros sul-africanos são muito quentes e calorosos, adoram interagir com estranhos. Em Durbã e Pretória também aconteceu de pessoas pedirem pra serem fotografadas ao me verem de câmera na mão.

Em 1960 organizou-se um plebiscito onde se perguntava se queriam a decretação da república (só os brancos puderam votar, era o ápice do ‘apartheid’).

Em todas as províncias exceto em Natal o ‘sim’ ganhou. Veja os resultados:

Estado Livre Laranja: sim, 76% (ali a presença holandesa era a mais forte como até o nome indica, a inglesa mais fraca, até hoje a proporção se mantém);

TransVaal: sim, 55% (grande presença inglesa, ainda assim maioria africâner [holandesa]);

Cabo da Boa Esperança: sim, 50,2% (praticamente empatado, refletindo o equilíbrio entre africâneres e ingleses);

Natal: não, 73% (o Natal é o reduto dos ingleses, ali há poucos africâneres, historicamente e hoje menos ainda.

A língua africâner é inexistente na comunicação oficial de Durbã [no governo e mídia], falada privadamente por algumas famílias, mas em público não);

África do Sudoeste: sim, 62%.

Nota sobre o último tópico: a não ser que tenha estudado história da África, você não conhece essa província (estado) da África do Sul. Natural. Hoje a antiga “África do Sudoeste” é a nação independente da Namíbia.

Linha de prédios do Centro (tirei de um quadro que há num hotel, nesse caso vazio).

Era colônia alemã. Em 1915, no embalo da 1ª Guerra Mundial (que a Alemanha perdeu) a Inglaterra incorpora o território a África do Sul, que também era colônia sua como vimos acima.

Quando a África do Sul ficou independente de fato em 1931 – e depois de direito em 1961, após o plebiscito delineado acima – manteve a África do Sudoeste como colônia.

Antes ambas pertencentes ao Reino Unido. Quando a África do Sul se separa a ‘África de Sudoeste’ vai junto no pacote. Tirando a opressão aos negros nativos, entre os brancos a adaptação é suave. Afinal, etnicamente –  e até linguisticamente – holandeses e alemães têm grandes semelhanças.

Bairro da Riviera, essa não é da do Cabo, e sim da Zona Norte de Joanesburgo. Detaquei o sufixo da internet: ‘co.za’.

O africâner é um dialeto do holandês. E a língua holandesa pro sua vez derivou da alemã num passado já remoto.

Mas ainda são bem parecidas (como os idiomas português e o italiano são parecidos).

Por exemplo, ‘cidade’ em alemão é ‘stadt’. Em holandês e africâner, ‘stad’.

Assim, ficou fácil pros africâneres colonizarem a vizinha África do Sudoeste também, depois que os alemães já haviam se imposto ali.

‘Peixe-com-Batatas-Fritas’ no Centro de Pretória. O prato nacional da Inglaterra é extremamente apreciado na África do Sul também. Bem, a Inglaterra é uma ilha pequena, nada dista mais que algumas dezenas de quilômetros do mar. Já Gauteng é bem distante do litoral. Mas o gosto trazido pelos colonizadores pegou ali também.

A ‘África do Sudoeste’ se separou da África do Sul apenas em 1990.

Adotando o nome de Namíbia pra começar sua vida como nação a parte,

Quando já sopravam fortemente os ventos que derrubariam o ‘apartheid’ (esse foi o ano em que Mandela foi solto, por exemplo) 

Digo, relativa independência. Pois a moeda da Namíbia é o Rand sul-africano.

A mesma da África do Sul? Exatamente, o Rand é emitido e controlado pelo Banco Central da África do Sul (passei na frente dele em Pretória, e fotografei-o, imagem logo abaixo).

Oras, não é difícil entender que uma nação que tem sua moeda emitida e controlada por outra ainda não deixou de ser colônia onde mais importa, que é a economia.

Ainda no Centrão de Pretória, aquele arranha-céu é a sede do Banco Central sul-africano. Em primeiro plano duas vans, no resto do país as da marca Toyota são quase oni-presentes. Em Gauteng (Joanesburgo e Pretória) há muitas VolksWagen também. Vemos uma de cada marca nessa imagem, a rubra é VW.

Além disso, entre as línguas oficiais dessa jovem pátria ainda estão o alemão e o africâner, além do inglês e 6 idiomas nativos africanos.

Seja como for, no papel a Namíbia é soberana desde 1990.

Mas em 1961 ela era oficialmente parte da África do Sul, e votou a favor da separação total da Inglaterra.

………

Já que falamos em línguas. Os domínios de internet na África do Sul geralmente tem o sufixo ‘co.za’. No Brasil é ‘com.br’.

Você sabe o porque do ‘co’, sem o ‘m’, e do ‘z’? Trata-se mais uma vez de influência dos dois grupos de europeus majoritários no país.

Já que voltamos ao transporte coletivo, em Joanesburgo e Pretória nas vans não há indicação de qual linha cumprem, nem verbal nem escrita. É o passageiro quem sinaliza pra onde quer ir, fazendo sinal com as mãos como linguagem surdo-muda. Se a van for por bairro que ele quer, o motorista encosta. Senão passa direto.

Nos EUA, e por consequência na maior parte do mundo, o domínio comercial é denominado ‘com’. Porém no Reino Unido se usa ‘co’.

E as vezes invertida a ordem, ‘uk.co’. A África do Sul aderiu também ao ‘co’, excluindo o ‘m’.

E o ‘z’ vem do holandês. ‘Sul’ em holandês – e por consequência também em africâner – é ‘zuid’. ‘

Zuid-Korea’ é a Coreia do Sul. ‘Zuid-Afrika’, portanto, a África do Sul.

Tudo somado: “tal empresa.co.za”.

De volta a Joanesburgo, vamos ver 3 estádios, Esse é onde foi disputada a Copa do Mundo de 2010, na divisa das Zonas Central, Oeste e Sul, entre o Centro e Soweto.

……….

Como prometido, explicando sobre os nomes das cidades. De Pretória já escrevemos acima.

Joanesburgo é obviamente ‘a Cidade de João’, que se escreve ‘Johannes’ (e se pronuncia algo como ‘iórrãnes’) em holandês e africâner, que é como todos sabem um dialeto do idioma holandês.

Mas qual João a cidade foi batizada em homenagem?

Não se sabe. Logo que Joanesburgo foi fundada a região passou por duas guerras entre ingleses e africâneres pelo domínio da região, as chamadas ‘Guerras dos Bôeres’.

Esse é em Soweto, Zona Oeste. Os negros da África do Sul amam futebol, e detestam ‘rugby’. Os dois times mais populares de futebol do país são de Soweto, os Piratas de Orlando e o ‘Kaiser Chiefs’ – foi neles que a banda inglesa se inspirou pra criar seu nome, ela quem copiou o time africano, e não o contrário. Durante a Copa, esse Estádio de Orlando (nome do bairro) foi usado como CT de algumas seleções.

Alias foi nessa oportunidade que a Inglaterra inventou o campo de concentração.

Já falamos com mais detalhes da violenta história sul-africana em outra postagem.

Pro nosso tema de hoje, houveram muitas confusões no período – guerras sempre envolvem pilhagens, tumultos generalizados e incêndios, você sabe como é.

Alguns feitos pelas tropas inimigas, outros pela população que tem fome, e outros ainda por quadrilhas de criminosos.

Assim, no meio desse caos, os arquivos oficiais que registraram a fundação da cidade se perderam. João, óbvio. Mas qual João? Ninguém sabe.

Também na Z/Central mas do lado oposto, na divisa com as Zonas Norte e Leste, está o Parque Ellis, geralmente de rugby, mas recebe partidas de futebol, também hospedou jogos da Copa de 2010.

Segundo a Wikipédia, há assim 5 Homens chamados ‘João’ que podem ter sido os homenageados: 

Christiaan Johannes Joubert, secretário do governador-geral Hendrik Dercksen, responsável pela mineração.

Não custa lembrar que a extração de minérios era não apenas a principal atividade econômica.

Mas nas primeiras décadas a própria razão da cidade existir;

Catador de papel no bairro ‘Wynberg’, Z/N.

Stephanus Johannes Paulus Kruger (mais conhecido como Paulo Kuger), presidente da República Sul-Africana entre 1883 – 1900.

Nota: mais uma vez, não confundir com a atual República da África do Sul.

Kruger foi presidente do que era um país independente, mas que depois foi incorporado pela Inglaterra se tornou a ex-província (estado) do Transvaal na era do ‘apartheid’.

Próximas 7: Sandton , o ‘Centro Novo’ de Joanesburgo, um subúrbio da Z/Norte. Pra ali foram as sedes das corporações depois que o Centrão ficou inviável.

E a província do TransVaal por sua vez foi desmembrada nos atuais estados de Gauteng, Noroeste, Limpopo e Mpumalanga.

Desculpe ter que ficar enfatizando esses fatos repetidamente. Mas como há essa confusão de nomes, acaba sendo necessário.

Johannes Meyer, um dos primeiros colonizadores, que teve papel destacado no governo, é outra possibilidade; ainda são lembrados:

Johannes Rissik;

– e Johannes Joubert.

Vemos um busão (fabricado pela Caio aqui no Brasil) alimentador do Gautrem. Essa rede de transporte coletivo a burguesia usa, pois é barato, limpo, seguro, rápido e eficiente. Pena que sejam poucas linhas. A frente mais duas vans, essas são as preferidas do povão.

Esses dois últimos fizeram parte de uma comissão que foi a Inglaterra pra negociar a regularização da concessão de companhias mineradoras.

………..

Já que falamos acima mais um pouco da questão automobilística: o VolksWagen Golf é o carro mais vendido da história da África do Sul, com 577 mil unidades.

Considerando que a população deles é 4 vezes menor que a nossa, isso equivaleria a mais ou menos 2,3 milhões de vendagem no Brasil.

Nota importante: hoje a indústria automobilística partiu pra uma estratégia desonesta, a de não aposentar mais os nomes dos modelos.

O desenho muda demais, ou seja, não é o mesmo carro. Mas tem o mesmo nome de mercado, praquele termo aparecer na estatística como um dos mais vendidos da história.

Visualizando é mais fácil entender. Pense no modelo do que chamam “Gol” atual no Brasil. Agora se lembre de como era o Gol nos anos 80. 

Essa simples comparação visual basta pra ficar claro que não é o mesmo modelo. O desenho da carroceria se alterou profundamente. E o que caracteriza um modelo senão seu desenho?

O “Gol” atual não é o mesmo modelo do Gol pioneiro, é simples assim.

O bairro comercial mais rico da África”, dizem os anúncios imobiliários.

A denominação foi mantida pra distorcer as estatísticas, mas se não é o mesmo modelo não é o mesmo carro.

O mesmo acontece com o “Uno” e diversos nomes de vários fabricantes.

Por isso, quando eu classifico os carros mais vendidos da história, eu reconheço como mesmo modelo apenas os veículos que têm o mesmo desenho de carroceria.

Claro que alguns detalhes podem mudar, como tamanho das lanternas e janelas. Evidente.

Agora, a carroceria tem que ser a mesma. Oras, quem vai negar que o Fusca manteve sempre o mesmo desenho, de 1938 quando surgiu na Alemanha a 2003 quando deixou de existir no México? 

Ninguém, é óbvio. Por isso, com 21 milhões de unidades produzidas com idêntica carroceria, o ‘Fuca’ ainda é o carro mais vendido da história da Terra, em termos reais, mentiras propagandológicas a parte.

Sandton já concentra muita riqueza, e vai concentrar ainda mais. Veja quanto prédios sendo erguidos lado-a-lado. Cada vez mais a burguesia muda seus escritórios pra ali, incluindo a crescente burguesia negra.

Pois bem. Isto bem esclarecido, o Golf é o carro mais vendido da história da África do Sul.

Foram 577 mil exemplares, repetindo. Isso em 31 anos, de 1978 a 2009.

577 milhares de cópias do mesmo carro, com o mesmo desenho, o Golf 1, que foi produzido na Alemanha de 1974 a 1983, e na África do Sul, digo novamente, de 78 a 2009.

Esse Golf 1 não foi vendido no Brasil, então se você não for um aficcionado automobilista provavelmente não o conhece.

Mas nem todo mundo que trampa em Santon é bem de vida. A classe operária (copeiras, porteiros, balconistas, etc.) almoça um salgado nessa “praça de alimentação” ao ar-livre – isso quem não leva marmita.

Ele era quadradão, como eram os carros dos anos 70, quando ele foi projetado.

Ou melhor, ele é quadradão. Pois na África do Sul ainda há centenas de milhares deles circulando

Afinal, quando escrevo esse texto (2018) os mais novos ainda sequer completaram uma década de uso.

Vá num morro, numa favela plana, num loteamento de periferia ou num gueto central da África do Sul.

E no fim-de-tarde quem pode volta a pé pra casa. Estamos falando de uma caminhada de uma hora a hora e meia pra ida, mesmo tempo pra volta. A periferia da África do Sul é muito pobre, orçamento apertado, cada trocado ajuda. Eu acompanhei a galera nesse dia, fomos de Sandton a Alexandra a pé (claro, cada um foi pro seu bairro, eu segui a turma de Alexandra).

O ‘carro do povo’ ali ainda é o Golf modelo 1, e ainda o será por mais duas décadas pelo menos.

Façamos uma recapitulação comparando os dois modelos mais vendidos da história da VolksWagen.

Na Alemanha, o Fusca começou em 1938. O primeiro Golf (modelo 1, óbvio) saiu da fábrica em 1974.

Estava iniciada a transição. Assim, em 1978 a Alemanha deixa de produzir Fuscas.

Em 1983, a Alemanha aposenta o Golf 1 e lança o Golf 2.

Museu de História Natural em Pretória, no jardim há vários esqueletos de dinossauros.

Na África do Sul o Fusca começa em 1951, e se encerra em 1979, um ano depois da Alemanha, portanto.

Foram feitas 288 mil unidades do Fuquinha em solo sul-africano.

O Fusca foi aposentado na África do Sul apenas um ano depois do lançamento do Golf 1 por ali.

Próximas 9: Centro de Pretória.

A ‘baratinha’ foi um sucesso na África do Sul, são comuns até hoje, quase 4 décadas após o fim da produção.

Vi Fuscas nas 3 cidades que estive, Joanesburgo, Durbã e Cidade do Cabo, daí você calcula o quanto foi popular.

Mas o Golf lá foi um sucesso maior ainda, vendeu mais que o dobro de seu antecessor. Já voltamos a África do Sul.

Apenas pra pôr o Brasil no contexto, onde o Fusca foi feito de 1959 a 1986, com mais um breve espasmo de 1994 a 96. Foram vendidos aqui 3,3 milhões de Fuscas.

E em nossa Pátria Amada não houve Golf 1 nem 2. O Golf só chegou aqui em 1995, já no modelo 3, que era bem mais redondo que o 1 – repito, não são o mesmo carro, só o nome é igual.

E como aqui havia o Gol, o Golf era um carro mais luxuoso, um degrau acima.

O basicão era o Gol, o Golf era pra quem podia pagar um pouco mais e queria mais conforto, mais acessórios, melhor acabamento.

Por isso, quando digo aos colegas brasileiros que o Golf é o carro mais vendido da história da África do Sul, algumas pessoas têm dificuldade de assimilar.

Pois, de forma natural, pensam no Golf brasileiro, que estreou aqui já tardiamente e visando um público de mais elevado poder aquisitivo.

De volta a África. Lá nunca houve Gol, que alias foi desenhado no Brasil segundo li na internet agora.

Na África do Sul o Golf era o basicão, era o carro do povo, o modelo mais barato e portanto o mais vendido.

Recapitulando, o Golf 1 estreou na Alemanha em 1974, e aposentou o Fusca em 1978.

Em 1983 foi a vez do próprio Golf 1 quadradão ser aposentado na Alemanha, substituído pelo Golf 2.

O plano inicial era aposentar o Gol 1 também na África do Sul, mas a situação tomou o rumo contrário.

O Golf 1 em seus 6 primeiros anos já se consolidara como sucesso absoluto de vendas em território sul-africano.

Tanto que a matriz alemã da Volks deu carta branca pra filial fazer algumas inovações.

Por exemplo, o Golf sul-africano foi lançado já na versão 4 portas, antes que isso acontecesse na Europa. Mas o melhor ainda estava por vir.

Enfatizando de novo, em 83 a matriz alemã encerra a produção do Golf 1, quando começa o Golf 2.

Ali igualmente existe muito comércio ambulante no calçadão.

O planejamento inicial determinava que a fábrica da África do Sul desse o mesmo passo no ano seguinte.

Mas nem tudo acontece como é planejado nos gabinetes, não é mesmo?

Exatamente no ano 84 explode em Joanesburgo a segunda grande revolta estudantil contra o ‘apartheid‘.

Já contamos com muito mais detalhes essa história antes.

Ao contrário de Joanesburgo e Durbã, no Centro de Pretória há brancos. Poucos, mas existem. Veja ponto de ônibus da época do ‘apartheid’, bi-língue em inglês e africâner.

Pro que nos interessa aqui que é só o ramo automobilístico, a comunidade internacional impõe um embargo a África do Sul.

Assim fica dificultada senão impossibilitada a importação de maquinário industrial.

Impedindo a modernização necessária nas máquinas da fábrica da Volks que seria necessária pro atualizar do Golf 1 pro 2.

As faixas vermelhas demarcam o corredor exclusivo de ônibus, Pretória também conta com esse modal moderno com embarque pré-pago em estações em nível.

Ademais, o boicote por motivos óbvios causa um empobrecimento geral de toda sociedade sul-africana. Certamente que tudo isso foi justo. Óbvio.

O boicote internacional foi muito útil pra auxiliar a luta dos negros (e de alguns brancos conscientes) que por fim derrubou o ‘apartheid’.

Então não estou lamentando o boicote, de forma alguma, foi justíssimo, uma forma de pressão totalmente apropriada.

Ainda assim, o efeito (desejado alias) foi esse, tornou mais difícil fazer negócios dentro da África do Sul.

Ainda na Z/Central de Pretória, pra quem não quer ‘peixe-com-batatas’ há milho cozido, preparado e servido na própria calçada. Nas ruas de todo país se vende muita banana também, você compra, descasca e come ali mesmo, já descarta a casca e está alimentado.

E isso tanto devido a falta de material adequando como devido a queda de poder aquisitivo da população.

Na guerra, um urubu é frango” diz o dito popular. Em momentos de crise, melhor não inventar, e fazer o básico, pois se o básico sair já está muito bom.

E foi isso que a Volks fez. Ao invés de lançar o Golf 2, relançou o Golf 1, dando uma repaginada nele.

O desenho da carroceria se manteve exatamente o mesmo.

Mas foi lançada uma versão que aqui no Brasil era conhecida como “Pé-de-Boi”: um carro mais cru, sem acessórios.

Mais uma do Palácio Presidencial.

Que cumpria o objetivo de permitir que as pessoas se deslocassem nele com conforto mas sem luxo.

O “Pé-de-Boi” não tinha tapetes, rádio, no painel só haviam os itens mais básicos. 

Tinha somente marcador de velocidade e da gasolina no tanque.

Portanto se excluiram ‘supérfluos’ como quem sabe o marcador de giros do motor e talvez até o odômetro.

Bem em frente ao Palácio começa (ou termina) a “Avenida do Governo”. Há uma praça, na esquina com a Rua Madiba, que é o apelido de Nélson Mandela. Um canhão adorna o local.

No Brasil alguns ‘Pé-de-Bois’ não tinham tampouco maçaneta externa do lado do passageiro:

O motorista precisava entrar primeiro e abrir por dentro a outra porta, não sei se na África foi assim também.

Não sei se o Golf ‘urubu-é-frango’ sul-africano tinha ou não maçaneta externa nas portas do passageiro.

O que sei é que era um ‘Pé-de-Boi’: um modelo que já deveria inclusive ter sido aposentado ganhou sobre-vida, desprovido de ‘luxo’, mantendo só o essencial.

Ia ser chamado ‘Econo-Golf’, pra ressaltar a economia. Mas pesquisas de mercado detectaram ser pouco atraente ao público esse nome. Foi batizado de ‘Golf-Citi’.

Voltamos ao Centro, esquina das Ruas Madiba (Mandela) e Steve Biko, ativista negro anti-‘apartheid’ que morreu torturado nas masmorras do regime racista, um mártir da liberdade negra que por décadas foi sonho e hoje é a realidade. Com essa encerramos (por hora) as imagens de Pretória.

Na África do Sul eles gostam de escrever ‘city’ com ‘i’ no final.

Basta ver que a rede integrada de ônibus da Cid. do Cabo se chama ‘My Citi’.

Seja como for, nasceu aí um campeão de vendas. Também pra baratear custos, ele só era produzido em 3 opções de pintura.

Um anúncio resuma a questão: “Golf Citi. Disponível em vermelho, amarelo e azul. Em verde não temos, infelizmente”.

Mais tarde, lançaram a versão preta, aí ficaram 4 possibilidades.

E fez sucesso, mesmo se restringindo a 3 (depois 4)  cores.

Voltamos a Joanesburgo. As sul-africanas negras levam seus bebês nas costas.

Somente o Golf-Citi vendeu 377 mil carros (equivalente a pouco mais de 1,5 milhão o Brasil).

Levando as vendas do Golf 1 na África do Sul (somando o Citi e os outros que tinham a mesma lataria mas mais acessórios) a 577 mil (o que daria 2,4 milhões em nosso mercado, como dito).

Vá num bairro popular do México. Verá uma profusão de Fuscas. Na África do Sul, em bairros de perfil social similar, um mar de Golfs, a maior parte deles Citis.

……

Eu não sou ligado a carros, sou busólogo e sou Caminhante, ando mais a pé e de transporte coletivo.

Colagem mostra um pouco dos hábitos alimentares sul-africanos: sendo um caldeirão de raças e culturas, a culinária tinha que refletir essa diversidade. Na geladeira do apê que fique em Joanesburgo haviam molhos e temperos de influência indiana, alemã e inglesa. A mostarda alemã diz ‘quente’, mas nem tanto assim, não diferente da mostarda escura holandesa que vende no Brasil. Mas a mostarda inglesa….não é quente, é fervendo. Aquilo é pimenta pura, eu comi um pouco no pão, até passei mal, fiquei vermelho como um pimentão, engasguei, saiam lágrimas dos olhos. Entendi porque os ingleses bateram os alemães nas duas guerras mundiais, porque seus culhões são (ou eram pelo menos) mais grossos; depois vemos um mel, embalagem em português pois é moçambicano; mercadinho com fachada da Pepsi no Centro de Pretória. Uma cena raríssima, a Coca-Cola é oni-presente no país e domina 99% dos letreiros de comércios. Existe Pepsi lá, eu tomei, mas é mais difícil achar – bem, no Brasil também é; registrei mais um peixe-com-batatas, esse em Joanesburgo; e fecho o giro com um alimento que é feito por uma corporação sul-africana no vizinho e pequeno país chamado Suazilândia. É uma das nações menos desenvolvidas do mundo, mediterrânea, totalmente dependente da África do Sul pra tudo. As indústrias sul-africanas abrem filiais lá pois os salários são mais baixos, os impostos, burocracia e direitos trabalhistas quase inexistentes. Destaquei o selo Halaal, que é o “Kosher dos Muçulmanos”. Na África do Sul há enorme comunidade islâmica, quase todos os alimentos são ‘Halaal’.

Por isso, um ano atrás (17), até eu fazer 40 anos, eu nunca na minha vida havia entrado em uma BMW.

E tampouco em um carro Mercedes – só nos ônibus, milhões de vezes.

Mas carros não. Pois essas marcas alemãs são caras no Brasil.

Eu não tenho amigos ricos, alias vários de meus camaradas ou nem sequer dirigem ou como eu o fazem muito raramente.

Mas na África do Sul Mercedes e BMW são mais baratos, mais comuns.

Andei pela primeira vez em ambos lá do outro lado do Oceano, já com mais de 40.

Outro modal que eu estreei em solo africano foi o Uber. Aqui no Brasil rarissimamente ando de táxi, o que inclui Uber.

Até porque nem tenho celular, não tenho como chamar o Uber. Mas lá na África andei várias vezes.

Inclusive ficamos hospedados no bairro ‘Killarney’, entre a Zona Central e a Norte de Joanesburgo. Chamamos um Uber pra ir ao Centro.

Quando chegávamos endereço desejado, ele falou: “eu deixo vocês na quadra de trás. Nessa rua tem muito taxista, e eles não aceitam Uber”.

É. Lá também tem esses conflitos, que também já presenciei na América.

Todos sabemos que estão ocorrendo confrontos de taxistas contra motoristas e passageiros do Uber no Brasil, inclusive aqui em Curitiba.

Em Buenos Aires, a entrada da Rodoviária do Retiro, no Centro da capital argentina, estava (março de 2017, um mês antes de eu ir a África) forrada de cartazes que diziam: “Uber: ilegal!”.

E na África essa situação se repete. Bem, esse é apenas um dos muitos conflitos que se desenrolam no Centro de Joanesburgo.

…………..

Universidade Nacional, chegando em Pretória.

Falar em mercado automobilístico, vamos citar outros sucessos de vendas na África do Sul:

Um é o Toyota Corolla (o modelo antigo deve ser o segundo ou terceiro carro mais vendido do país, atrás do Golf 1 e quem sabe do Fusca) os Mercedes antigos e as BMW’s.

Os veículos novos da Mercedes fazem sucesso lá também, sem dúvidas.

Voltando a Joburgo, na Zona Central, campus da Universidade de Joanesburgo.

Tanto os caríssimos mesmo quanto os destinados a média-burguesia.

Mas aqui quero chamar a atenção pra aqueles  Mercedes antigos, aqueles compridões, quem tem perto de 40 vai se lembrar:

Eram o luxo dos luxos no Brasil nos anos 80. A importação de carros era bem mais difícil, e entre os importados esse Mercedes liderava disparado. Era o topo de linha por aqui na época, rivalizados de perto pelos Alfa-Romeus.

Hotel de luxo no Centro de Joanesburgo abandonado, símbolo da decadência da região. Já contei a história completa aqui.

Mas tanto os Mercedes antigos quanto os Alfa-Romeus desapareceram a muito das ruas brasileiras.

Pois bem. Na África do Sul eles (os Mercedes velhos) ainda são comuns.

Na época do ‘apartheid’ era ‘carro de branco’, apenas os caucasianos podiam bancar, e nem todos eles, só os mais aburguesados.

(Nota: embora bem menos que os negros, existem os brancos pobres, trabalhadores braçais, na África do Sul.)

Quer saber por que a classe-média (inclusive a burguesia negra) abandonou o Centro Velho de Joanesburgo? Então eu vou mostrar. Foi porque ele virou um gueto gigante. Não tenho nada contra a periferia, exatamente ao contrário, eu não sou burguês, sou suburbano. Eu moraria nesse prédio na boa. Mas quem é burguês não curte muito esse estilo, digamos assim….

Voltando a nosso tema de hoje, vários desses Mercedes ainda circulam na África do Sul, enfatizo ainda mais uma vez.

É uma paixão do povo de lá, creio que no pós-‘apartheid’ compartilhada por todas as raças.

No Paraguai e nos países árabes (Palestina, Síria, Líbano, entre outros) é o mesmo.

Eles simplesmente adoram carros Mercedes, aqueles grandões, quadrados.

Adoram. Não importa se é velho, se está caindo aos pedaços – e alguns estão mesmo, não é modo de falar.

Não importa o ano e o estado de conservação. Importa que tenha a Estrelinha.

No Paraguai comprovei pessoalmente, quando estive lá em 2013.

Mas tem coisa pior. Repare nesse edifício. Está abandonado, a maioria dos apês em ruínas. Mas alguns estão habitados, tem gente que vive ali (destaquei as roupas no varal) por falta de opção.

Nos demais via internet. Alias os árabes e povos vizinhos como os persas amam também caminhões Mercedes-Benz.

Fiz matéria explicando com muitas dezenas de imagens a proliferação dos Mercedes de carga pesados no mundo. Recapitulemos onde eles tiveram mais penetração:

Alemanha e imediações no Norte da Europa (Holanda e Escandinávia especialmente), Cone Sul da América (Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai), África Negra (incluída África do Sul, embora ela seja multi-racial), Equador e América Central, Oriente Médio (incluindo Irã) e Ásia de Monções (Indonésia, Malásia, em menor escala Tailândia).

Mas voltemos aos automóveis de passeio. Na África do Sul, Paraguai e Oriente Médio, e também no Brasil porque não dizermos?, o carro antigo, quadrado, foi uma coqueluche.

Com a diferença que no Brasil eles praticamente acabaram, nos demais ainda estão em grande número nas ruas. Sinal que eles amam os Mercedes mais que a gene, dura constatação….

Outra marca muito vendida na África do Sul é a BMW, como é notório. Creio que lá seja mais em conta que aqui.

Próximas 3: muitos camelôs por todo Centro Velho da cidade.

No Brasil, como todos sabem, B.M. (e Mercedes) é sinônimo de automóvel de luxo, uma limosine.

Na África do Sul esse mesmo modelo que aqui é caríssimo lá não tem preço tão astronômico. Claro que não é popular, não é pra tanto.

Rivalizar com o Golf-Citi? Nem pensar!!! Mas a BMW lá se não é dos modelos mais baratos tampouco é dos mais caros.

Essa constatação não é científica, é empírica. Digo isso pelo que observei, não consultei tabelas.

Vi várias (tanto ao vivo quanto via Visão de Rua do ‘Google Mapas’) BMW’s nas periferias, nos bairros de gente trabalhadora. Nas favelas não, mas um pouquinho acima delas sim.

Essa tirei de dentro do busão Rea Vaya, recém-chegado de Soweto.

Por exemplo, andava eu (esse via ‘Google Mapas’) por uma cohab bem na periferia de Durbã. Quebrada, irmão. Moradia de classe operária mesmo.

E haviam algumas B.M.’s nas ruas, paradas em casas simples, daquelas que o morador faz um puxadinho pra garagem na laje (as casas nesse caso são na ladeira, abaixo do nível da rua).

Cheguei inclusive a mostrar isso a minha ex-eposa (na época ainda éramos casados).

E uma imagem que resume a questão eu presenciei com meus próprios olhos, fui eu quem cliquei:

Ninguém recolhe o lixo nem corta o mato por aqui. E estamos no coração da cidade. Note mais 2 muçulmanas de véu.

Estava num bairro popular da Zona Central de Pretória. Havia uma serralheria nos fundos do terreno.

Negócio familiar, de alguém que trabalha sozinho ou com parentes, no máximo um ajudante de fora.

Tudo era bem simples, nos fundos de outra casa, a nada requintada placa que anuncia o negócio parecia pintada a mão.

Mas o carro parado na frente era…outra BMW. Coisa de sul-africano. Fotografei pra registrar pela eternidade (busque pela legenda).

Galera na fila pra embarcar nas vans no final de tarde, Centro de Joburgo.

………….

Já prosseguimos com o texto. Pausa pra uma foto-galeria mostrando a história de Joanesburgo.

Fotografei de quadros que estavam expostos no teto, logo a angulação não ajudou na iluminação.

O texto era tri-língue, inglês francês e africâner. Foi formulado no começo do século 20. Logo, quando falar ali em ‘anos 90’ (‘nineties’), são os anos 90 do século 19, e não o do 20, lembre-se disso.

Mas nem tudo são problemas. Há o Centro Novo, visto nessa e nas próximas 2 fotos. Esse é limpo, organizado, e pelo menos de dia, bastante seguro. Aqui a burguesia frequenta. Mas apenas a burguesia negra.

Como eu já delineei em mensagens anteriores e recapitulei nas legendas das fotos dessa atual matéria:

O Centrão Velho de Joburgo é um gueto gigante. Não há brancos ali. Não há, simplesmente não há. Zero, nada, nenhum.

Bem, na parte velha que está horrorosa, tenebrosa não há ninguém de classe-média, da raça que for.

Pois hoje, como já escrevi diversas vezes e é notório, existe uma nascente burguesia negra.

E ela não é despresível nem invisível, marca presença tanto numericamente quanto em termos de renda. É muito comum ver Homens e Mulheres negros e negras dirigindo carrões caríssimos:

Picapes, utilitários, BMW’s, Audis e Mercedes dos modelos mais luxuosos, e não somente dos que já se se popularizaram.

Pois bem. Esses burgueses negros também evitam a parte velha do Centrão. Tanto quanto seus colegas brancos. E compreensivelmente, porque em alguns locais a situação está de arrepiar:

Placa indica que nessa região são proibidos camelôs. É a parte nova e civilizada do Centro da cidade, um contraste total com a parte mais antiga.

Muito lixo, violência, camelôs por toda parte, prédios abandonados, invadidos, em certos pontos odor forte de urina. Situação tensa. Eu não exagero quando digo que é um ‘gueto’.

No gueto do Centrão só tem gente do povão, sem recursos. E todos de pele escura. Muitos nativos sul-africanos mesmo, mas muitos imigrantes de outros países da África.

A África do Sul é um país de 3º mundo, certamente, como estamos mostrando na série (ainda virá a matéria sobre Durbã, breve no ar).

Mas boa parte da África é de 4º ou mesmo 5º mundo. Se existir o 5º mundo, é nas partes mais esquecidas do Continente Negro que ele se manifesta.

Se você já conhece a situação, sabe o que estou dizendo. Mas se não, você não vai querer saber agora como são as condições de vida da maioria do povo na Libéria, Serra Leoa, Somália, Sudão do Sul, partes do Congo e Nigéria, entre outros. A coisa é de chorar.

Mercearia em Soweto, Zona Oeste.

Por isso a África do Sul drena imigrantes da África inteira. O chamado “1º mundo” (entre muitas aspas, porque sabemos bem como eles obtiveram e mantém sua riqueza) deveria agradecer muito a África do Sul.

Pois se esses africanos não estivessem ali estariam na Europa ou (mais raramente) EUA.

Colagem mostra o Centro de Pretória e imediações. Em sentido horário: 1) Mantiveram no nome que os brancos deram a cidade, mas a prefeitura metropolitana (como se fosse a do ‘condado’ nos EUA) foi rebatizada Tshwane, o nome negro da região; 2) pastor prega no Centrão. Ele gritava a plenos pulmões o Apocalipse. Ninguém lhe dava atenção; 3) mais um plátano; 4) tótem da Estação de trem de Pretória; 5) de volta ao Centrão, notamos os trilhos onde um dia passou bonde mas não mais a muito (fotografei o mesmo em Belém-PA, no Paraguai e Argentina). Destaquei no detalhe que o rapaz está com a camisa alvi-negra do time de futebol Orlando Piratas, de Joanesburgo; e o ‘Museu do TransVaal’ já no nome começa a preservar a história da região, esse era o nome do estado na época do ‘apartheid’, quando ele era bem maior.

Com todas as favelas e com todos os seus problemas, a periferia das metrópoles sul-africanas é muito, mas muito mais rica que os rincões isolados africanos.

O taxista nos contou que os imigrantes de nações mais pobres se espantam que a África do Sul conta com ruas e estradas – mesmo que nem sempre elas estejam no melhor estado de conservação.

No interiorzão africanos, muitas vezes nem isso há. Bem, nem estrada nem nada, em partes do Continente Negro as pessoas ainda vivem como a milênios atrás:

Em chochas no deserto ou na selva, criando cabras e contando apenas com Deus pra velar por elas.

Então a África do Sul conta com pequena comunidade lusófona entre os trabalhadores braçais (oriundos majoritariamente de Moçambique e Angola).

Eu mesmo conversei em português com um moçambicano, um pedreiro que reformava o prédio onde fiquei hospedado em Durbã.

Mas a comunidade mais comum de imigrantes é proveniente do Golfo da Guiné (o Oeste Africano). Os nigerianos tomaram conta do Centro de Joanesbuburgo, eles dizem por lá.

Próximas 3: Zona Central de Pretória.

‘Inclusive agora quase que monopolizando o tráfico de drogas’, acrescentam.

Evidente que a imensa maioria dos nigerianos que migram é honesta. Evidente.

Mas tenha em conta que bastam algumas dezenas de pessoas pra formar uma quadrilha que domina um território inteiro.

Certamente há algumas dezenas de milhares de nigerianos nos guetos da Zona Central de Joanesburgo.

Se 0,1% deles forem desonestos, já dá uma turma da pesada, e de fato assim ocorre.

Também é comum vermos bandeiras de Gana pela África do Sul, indicando que muitos ganeses estão por ali.

‘Pick’n Pay’ é uma rede nacional de mercados, e significa exatamente ‘Peg-&-Pag’, como existia no Brasil (essa só quem é “daquele tempo” vai lembrar…). De volta ao Centro de Pretória, na África do Sul a venda de bebida alcoólica é mais regulada que aqui, por isso muitas redes têm uma loja própria só pra isso. É o caso aqui.

Vi pessoalmente (e fotografei) uma delas no Mercadão Central de Joburgo. E via ‘Google Mapas’ presenciei outra numa favela da Cidade do Cabo.

……

Há uma parte do Centro de Joanesburgo limpa e segura, como já falamos acima.

Ali há sim pessoas de classe-média, mas mesmo assim só os de pele escura.

Os euro-descendentes não vão mesmo ao Centro, mesmo na parte agradável dele.

Olhe, as ruas são limpas e seguras, pelo menos durante o dia – já a noite é melhor não andar a pé ali, mas isso é igual no Brasil também.

Não há camelôs, não há lixo nas ruas, não há rodas de desocupados nas esquinas em frente aos bares e mercadinhos. 

Próximas 3: Soweto, a periferia mais emblemática da África, na Zona Oeste de Joanesburgo. Aqui uma favela, as ‘casas’ são de zinco. Em verde os banheiros químicos que o governo instala, pra não ser ao ar-livre mesmo.

Lojas e restaurantes caros se destinam senão a elite certamente a média e alta burguesia.

Homens e Mulheres da raça negra, elegantemente vestidos, ali trabalham e no almoço e fim-da-tarde comem e congregam nos restaurantes e lanchonetes.

Mas mesmo nessa parte limpa e elegante do Centro não há brancos.

Os caucasianos se auto-impuseram um ‘apartheid invertido’, e não pisam mais no Centro, incluindo onde ele é limpo e seguro.

A África do Sul está fazendo um esforço hercúleo pra urbanizar as favelas, já construiu milhões de moradias decentes por todo país. A casa é de alvenaria, porque foi entregue assim. Mas quando faz um puxadinho….o cara volta pro zinco! Você sai da ‘Cidade de Lata’, mas ela não sai de você!!

Os euro-descendentes migraram prum ‘Novo Centro’ que eles implantaram na Zona Norte da cidade.

Há um subúrbio (no sentido ianque do termo) chamado Sandton.

É ali que os brancos trabalham, pois eles moram na região.

Claro, não só brancos. Não há mais ‘apartheid’, felizmente, então ninguém pode ser impedido de entrar em parte alguma por causa de sua raça. 

Ademais, digo ainda mais uma vez, existe uma burguesia negra.

Outra favela em Soweto, note quanta pedra nos telhados pra eles não irem com o vento.

E eles também trabalham em Sandton, afinal é onde o dinheiro está.

Então há negros em Sandton. Evidente que sim. Mas nesse bairro os brancos ainda são numerosos, creio que ainda a maioria, pois se concentram ali.

A bolsa de valores da África do Sul, por exemplo, foi há muito transferida do Centrão pra Sandton. Todos os hotéis mais caros e centros de convenções e de compras, idem.

Colagem mostra um pouco do que vemos nas ruas de Joanesburgo, incluindo a rodovia pra Pretória (em sentido horário a partir do carro preto): 1) o Golf modelo 1, automóvel mais vendido da história da África do Sul; 2) belo ‘Galaxão’ antigo; 3) Toyota Corolla do modelo antigo, também mito popular por lá; 4) na África do Sul eles amam carros Mercedes. São tantos que acabei andando neles pela 1ª vez em minha vida; 5) ao lado de um Audi escuro vemos um Mercedes branco daqueles antigos, quadradões. Ainda há vários deles circulando; 6) caminhão bi-trem, também bastante frequentes nas estradas (99% dos caminhões sul-africanos são cara-chata, e 90% são brancos); e ao centro um ônibus 2-andares da Metrobus.

Explorando novamente a região via ‘Google Mapas’ um ano depois que estive fisicamente nela, constatei alguns anúncios que comprovam o ‘espírito’ de Sandton.

Um deles dizia: “invista no bairro que tem o metro quadrado mais valorizado de toda África.”

E outro era da BMW. Estava grafado: “O Lobo de Todas as Ruas”.

Uma referência ao o filme “O Lobo da Rua do Muro”, que mostra como é por dentro o esquema de pilhagem global que é conhecido como ‘bolsa de valores’.

Em inglês forma um trocadilho, pois o título da película é “The Wolf of Wall Street”.

O cartaz da montadora alemã anunciava seu produto como “The Wolf of All Streets”.

É mole? O filme denuncia a ganância e a imoralidade da Rua do Muro. Mas pros publicitários que bolaram a campanha essas são virtudes (????).

Assim é o ser humano….

…………

Mais uma pausa pra outras duas foto-galerias.

Iniciamos pelas linhas de prédios do Centro de Joanesburgo, fotografados a nível do solo. A direita a mesma cena mas cliquei do alto de um daqueles arranha-céus.

E agora os subúrbios da Zona Norte. Algumas partes de elite, outras de classe-média, e há bairros mais populares.

Nas próximas 2, de volta ao Centro de Pretória: aqui uma imagem reflete bem os contrastes da África do Sul. Um possante Mercedes do modelo novo, bem caro, cruza com um outro ‘carro’, esse de tração humana, trata-se de um catador de papel.

Bem, como já contei antes, bem perto desse riquíssimo subúrbio de Sandton há uma grande favela chamada Alexandra (lá pronuncia ‘Alec-zandra’).

Uma boca-quente, um dos pontos mais problemáticos da cidade, e isso desde os tempos do ‘apartheid’.

Mais uma vez: é evidente que a imensa maioria dos Homens e Mulheres de Alexandra (e de qualquer favela) são trabalhadores honrados e dignos.

Eu sei muito bem disso, ninguém precisa me falar.

Morei 15 anos numa favela de Curitiba (trata-se do Canal Belém, no bairro do Boqueirão, na Zona Sul).

Serralheria na Zona Central de Pretória, negócio pequeno, nos fundos, o barracão precário, é um lutador, o cara se vira como pode mesmo. Mas o carro é BMW.

Então sei. A imensa maioria são pessoas decentes, que lutam contra muitas dificuldades pra sustentarem suas famílias, mas não esmorecem e nunca perdem a Fé em Deus.

Ainda assim em toda favela existem criminosos, e isso também é um fato, que não adianta tapar sol com peneira.

Em Alexandra é assim também. Pra fecharmos o texto que já está bem longo, vou resumir  aqui uma história que já relatei mais detalhadamente em outra postagem.

Mas o final da matéria será inédito, ainda não contei em parte alguma.

No fim-de-tarde, uma fila de trabalhadores braçais saem de Sandton, e vão a pé pra suas casas pra economizar o VT.

São os peões da construção, jardineiros, porteiros, seguranças, copeiras, domésticas, cabeleireiras, depiladoras, balconistas, caixas, ascensoristas (ops, esse cargo não existe mais…), resumindo a galera que rala, ganha o pão de cada dia com o suor de seu rosto.

Próximas 3: Zona Norte de Joanesburgo, “a cidade que tem medo”. Fecharam a rua ao tráfego, exatamente como ocorre no Brasil.

Uma boa parte deles mora em Alexandra. Já havia mesmo planejado ir de Sandton a Alexandra.

Quando vendo o mapa fiz o roteiro desse meu rolê a pé, desse trabalho de campo pra ver como é a maior metrópole da África do Sul, o plano era exatamente esse mesmo.

Pra ver os dois lados. A elite e a favela. O bairro mais caro da África, bem perto de uma das piores favelas da cidade.

Então fui. Junto com a massa. Eu era o único de pele clara.

Já é um condomínio fechado, mas olhe quantas camadas de cerca elétrica.

(Nota: eu me considero ‘pardo’ por razões Espirituais, pois ‘branco’ é europeu, e eu não sou europeu.

Eu Sou Americano, do Continente América,  o que é classificado como ‘Hispânico’ nos EUA, o Latino, da Raça Latina. Ainda assim, minha tez é alva.)

Deixamos Sandton, fomos pelo acostamento da auto-estrada. Claro, os grupos vão se dividindo, cada um vai pro seu bairro.

Eu segui no embalo da galera que rumava a Alexandra.

Passamos pelo bairro de ‘Wynberg’, um subúrbio industrial, muitos barracões, um centro de compras popular. 

Na entrada dele há esse monumento curioso, visto a direita: uma Kombi queimada.

Subúrbios de Pretória.

Ao chegar na praça que divide ‘Wynberg’ de Alexandra…caramba, irmão!!!!

Tomei um tremendo choque. E não é pra menos. Me deparo com uma cena de guerra. Não é modo de falar.

A praça estava ocupada militarmente, por uns 30 ou mesmo mais camburões da polícia.

Embaixo do rodado de um deles, um corpo coberto com lençol.

Daqui até o fim: Zona Norte de Joanesburgo (foi ali que fiquei, por isso foi mais fotografada). Aqui o bairro de Alexandra, perto da favela que descrevo no texto.

Pensei que tinha havido um tiroteio. Mas depois lendo pelo jornal constatei que uma viatura atropelou e matou uma menina, pré-adolescente que voltava da escola.

Além daquela saturação na praça, todas as entradas da favela contavam com mais uma viatura fazendo pressão.

Os policiais cuidavam de salvar suas próprias vidas.

Dois anos antes (em 2015), ali em Joburgo mesmo, uma viatura atropelou dois jovens. A multidão fez justiça com as próprias mãos e queimou vivos os dois policiais. Não é maneira de falar.

Pichação na passarela, na saída pra Sandton e Pretória.

…………

Lamentável. Passei pela favela ocupada, saí de novo por ‘Wynberg’.

E peguei uma avenida em direção a parte mais central da Zona Norte, onde eu estava.

Vi a periferia da cidade e seus contrastes, agora fora da favela.

Parque Central de Sandton.

Os prédios, alguns bem cuidados e floridos, outros bem derrubados, comércio popular.

Um trânsito infernal na avenida, as pessoas nos pontos esperando vans e ônibus, aqueles que moram muito longe e não dá pra ir a pé.

O Sol se pondo. Era meu último dia na África. Como havia feito no Chile, eu ia caminhando e fazendo uma reflexão.

Aqui e a direita: na África do Sul eles usam infinitamente mais energia do Sol que no Brasil. Mil vezes mais, sem comparação possível. Casas de todos os padrões sociais têm painel solar. Veja esse conjuntão nas bordas da Zona Norte de Joanesburgo. Bem perifa, moradia da massa, sem luxo nenhum. Mas todas as residências com esse equipamento.

Agradecendo a Deus Pai e Mãe por ter me dado a oportunidade de conhecer outro continente.

Nessa parte mais periférica, muito povão nas ruas. Quando fui chegando a meu destino adentrei de novo na parte rica da cidade.

No estilo dos subúrbios ianques. Parecido com o bairro do Morumbi em São Paulo, pra quem conhece:

O bairro lá se chama ‘Houghton Estates’. Só mansão atrás de mansão. Cada vez mais ruas que foram fechadas ao tráfego.

Botaram grades, você não entra mais se não for morador (ou explicitamente convidado de um morador).

Uma colagem, o da Z/N é no mesmo bairro a esquerda. Mas veja o mesmo na Zona Oeste, em Soweto. A quantia de pedras em cima do telhado não deixa dúvidas a qual classe social aquelas moradias pertencem. Mas ao lado das pedras…painel solar!

Ninguém passa a pé nessas ruas, eu andava sozinho, só eu e Deus.

Nas vias internas não há comércio, não há linhas de ônibus, não há nada.

As calçadas (onde elas existem, que nem sempre é o caso) absolutamente desertas.

Eu andava as vezes mais de uma hora sem cruzar com ninguém.

Mas as ruas cheias de carros, e carros caros. O dia virando noite.

África do Sul em Preto-&-Branco. No fundo, um subúrbio de altíssimo padrão, onde mora a alta burguesia, que ainda é majoritariamente branca (embora não mais exclusivamente assim). Na frente um cartaz do McDonald’s anuncia o…. McFlava. Peraí, que tal de ‘McFlava’ é esse???? Trata-se da palavra ‘flavour’ (‘sabor’) em ebonês, um dialeto do inglês que é falado pelos negros mais jovens e menos instruídos da África (não apenas África do Sul, todo país anglófono como Nigéria idem), EUA, e nações do Caribe insulares de colonização britânica como Jamaica. O Ebonês tem gramática mais simples, menos preposições, abrevia-se muito, muita gíria. Uma de suas principais características é que eles não conseguem falar o ‘r’ no final das palavras, por isso o ‘flavour’ vira ‘flava’.

Cheguei na auto-estrada, já próximo do bairro que em que fiquei hospedado.

Quase lá. Bastava somente contornar um campo de golfe e chegava em casa.

Estava cansado (foram 6 horas caminhando sem parar, percorri uma boa parte da Zona Norte de Joanesburgo a pé) mas feliz pela missão cumprida.

Havia visto tudo. Os subúrbios ricos e de classe média. A periferia. As favelas. Até dentro de camburão eu andei em Durbã, como já contei no outro texto.

Ali em Joburgo mesmo, o contraste agudo, o Centrão que virou gueto com seus arranha-céus abandonados, nenhum branco nas ruas.

Sandton, o ‘Novo Centro’, com seus arranha-céus, todos eles ocupados a preço de ouro, o metro quadrado mais caro da África.

A favela de Alexandra, ocupada militarmente pra rapaziada não fazer micro-ondas com os policiais.

Muita gente nas ruas em toda periferia, mas ali no local que estava cercado pela polícia nem dava pra andar.

Centro do subúrbio de ‘Rosebank’. Entre o Centro e Sandton, cumpre a mesma função que esse último, mas numa escala menor.

Pois a multidão obviamente se aglomerou pra acompanhar a perícia retirar o corpo.

Em Hougton, a mesma cena que eu já havia visto em ‘Rosebank’ e ‘Saxonwold’, na ida:

Redutos de milionários, ruas cheias de carro mas ninguém a pé, andava mais de um hora antes de cruzar com alguém.

Ia lembrando de tudo isso, no acostamento da rodovia, já de noite, ao lado do campo de golfe.

Há muitos deles na África do Sul, centenas de vezes mais que no Brasil.

Placa bi-língue (inglês de um lado, africâner de outro), herança do ‘apartheid‘.

Pela herança inglesa, a burguesia sul-africana adora golfe.

Cada subúrbio deles tem vários campos, como nos EUA e totalmente diferente do Brasil, repetindo.

Ou seja, um reduto da elite. Mas pra completar o contraste, pra resumir numa imagem os paradoxos que esse país chamado África do Sul:

Viram na foto anterior que o Sol está se pondo. Fechamos com duas imagens da região. Era meu último dia na África. O Sol (Logos) encerrava mais um ciclo de trabalho, e eu também.

Encostados na grade havia um acampamento de sem-tetos.

E quatro ou cinco deles se aqueciam em volta de uma fogueira.

Encostados, repito, na grade que vetava sua passagem prum ambiente que fisicamente estava perto.

Mas em termos sociais parecia outra galáxia, o campo de golfe dos bem-nascidos e bem-conectados.

Aquilo era a África do Sul.

Onde a parte mais tecnológica e rica do Norte da Europa se encontra com a parte mais miserável do Golfo da Guiné. Inglaterra e Holanda separadas por uma cerca de Libéria e Serra Leoa.

Definitivamente….o mundo num só país!!!

Eu encerro meu caso. Que Deus Abençoe a todos.

“Deus proverá”

Descendo do Salto

São 2 desenhos inéditos, feitos em abril de 18. Começamos falando desse

VIAGEM PRO PASSADO: A CURITIBA DOS ANOS 80 E 90

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 14 de abril de 2018

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres

Marília grávida. E posando com o sapatinho do bebê (ela está esperando uma menina).

O cenário é a Ópera de Arame, no bairro Abranches, Zona Norte de Curitiba.

Mas espera aí: por que então ela está segurando seus próprios calçados na outra mão?

o outro é esse, Marília toma refri enquanto espera seu táxi, ela acaba de comprar um vestido. Abaixo comentamos melhor.

É simples: porque essa foto não foi tirada hoje, quando há a “Faixa do Salto-Alto” num dos cantos da ponte.

E sim logo que o teatro foi  inaugurado, no começo dos anos 90. A Ópera não se chama “de Arame”por acaso.

Não é só a estrutura que é de metal armado. A passarela de acesso também é.

Assim em 1992, quando ela abriu as cortinas pela 1ª vez, não havia como ir do portão de entrada até a plateia usando salto-alto.

Antes/Depois: não dava pra ir de salto no começo dos anos 90. Até que implantaram a ‘Salto-Faixa‘.

Aquelas Mulheres chiques chegavam ali, em seus sapatos de salto.

Mas não podiam prosseguir, porque os as pontas do salto se enroscavam, elas podiam cair e até se machucar, torcendo o pé ou algo pior.

Mais de perto, Marília com os sapatos da mãe (ela mesma) e da filha.

Aí…não havia jeito, tinham que “Descer do Salto”. Literalmente, não é maneira de falar.

Imagine a cena, elas ali, elengantérrimas, todas produzidas dos pés a cabeça: tinham ido ao salão fazer unha e cabelo, vestido social, e … salto-alto.

Mas o salto não passava. Elas tinham que tirá-los, e chegarem descalças ao teatro.

Iam segurando os sapatos nas mãos. Quem presenciou nunca vai esquecer, era até cômico de ver!

Obviamente essa situação não podia perdurar, tanto constrangimento.

Assim fizeram a ‘Faixa do Salto-Alto’ no canto da passarela, como dito antes e é notório.

Essa imagem não se relaciona com o texto: Marília grávida na China com Maurílio.

Observe a foto acima a esquerda, o ‘Antes’ (baixada da internet) e o ‘Depois’ (tirada por mim em 2016).

Soldaram uma chapa, assim agora é possível ir de salto na Ópera.

Felizmente a prefeitura considerou as necessidades femininas. Ufa!

Entretanto, vocês sabem,  aqui estamos numa ‘volta no tempo’.

Marília tirou esse retrato 25 anos atrás, sua filha já está adulta.

Porém na ocasião da gravidez, quando foi aos muitos parques da Zona Norte da cidade (a maioria deles então recém-inaugurados) pra fazer esse ensaio, não havia a ‘Salto-Faixa’ ainda.

E Marília não sabia. Aí ela também teve que ‘descer do salto’, literalmente.

Claro, ela podia ter tirado a foto descalça sim mas com a outra mão livre.

Agora vamos falar da gravura de Marília tomando um refri. Vocês viram acima que ela espera o táxi pra ir pra casa após comprar um vestido. Ela já está se imaginando de roupa nova….Coisa de Mulher, né?

O sapato dela não precisava ter aparecido se eles não quisessem mostrá-lo, alias.

Pois o fotógrafo (seu marido Maurílio, e quem mais seria?) podia simplesmente tê-la enquadrado da canela pra cima, ninguém nem ia saber desse detalhe.

Mas já que aconteceu assim, Marília desceu do salto fisicamente sim, mas não perdeu a pose.

Ela embarcou na brincadeira, não perdeu a oportunidade:

O sapatinho da menina numa mão, o dela na outra. 1, 2, 3, diga ‘xis’, foi.

Tá registrado pra Eternidade o momento. 

………..

COMPRA-TERAPIA: “NADA COMO UM VESTIDINHO NOVO PRA GENTE SE SENTIR LÁ EM CIMA”, PENSA MARÍLIA.

Pra fechar, como a legenda acima já indicou, falemos do desenho de Marília esperando o táxi, como uma sacola numa mão e uma garrafa de refri na outra.

Voltamos ainda mais no tempo. Aos anos 80. Quando os Fuscas dominavam as ruas do Brasil, inclusive nos táxis.

E o logo da Pepsi era o Tri-Color Clássico, branco, azul e vermelho dentro de uma bola.

(Nota: Coca-Cola é estabilidade, Pepsi é mudança.

O logo da Coca nunca se alterou, desde 1886 quando foi criado.

A filha de Marília: quando ela estava no útero, a mãe adorava tomar Pepsi. Mas a menina nasceu gostando do Taí! Que ironia, não? Deus é um cara gozador e adora brincadeiras…..

O da Pepsi muda o tempo todo, já são 10 no total. Pior que dinheiro brasileiro em épocas  de hiper-inflação.

A Coca só muda sua apresentação visual se…. for pra ficar igual a Pepsi!!! Pronto, falei!

Se você não viu esse flagrante total pessoalmente confira ele agora.)

……..

 Voltando a Marília. A sacola é de uma loja de moda feminina.

Ela foi comprar um vestido bem bonito, pra estrear num  dia muito especial.

Marília e Maurílio no México, em foto recente (2012). O táxi também é Fusca, o refri também Pepsi (com logo novo), mas dessa vez ele quem toma.

Já deu  certo. Ela chamou um táxi (a vendedora pediu a corrida no fixo da loja, na época não existia celular)  porque a ocasião merece esse luxo:

Mari não vai aguentar esperar o ônibus. Já que investiu no visual, gasta um pouco mais e tem esse conforto. Está ansiosa pra chegar em casa e se ver no espelho de vestido novo. E que garota não estaria?

No fim-de-semana vai sair com seu Amor, e vai com a roupa nova, óbvio. Ela vai ficar linda nesse vestido floral de verão, você não acha?

Deus Proverá.

Chegou o Ligeirão Norte – depois de 5 anos….Ufa!

O tubo da Bento Viana, na Av. Sete de Setembro, é o ponto final na Zona Central.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro.

Publicado em 29 de março de 2018, 325 anos da fundação de Curitiba.

Maioria das tomadas de minha autoria; as que foram baixadas da internet eu identifico com um ‘(r)’, de ‘rede’.

Hoje (29/03/18, como acabo de dizer) é aniversário de Curitiba (pelo menos pela contagem oficial europeia, que só conta desde a chegada dos brancos).

Em comemoração, ontem enfim foi inaugurada a linha do Ligeirão Norte. Que liga Santa Cândida, na Zona Norte, a divisa da Água Verde e Batel, na Zona Central. Passando e parando pelos Terminais Boa Vista e Cabral, e pelos tubos Passeio Público, Central, Eufrásio Correia (onde há o centro comercial chamado Estação) e Osvaldo Cruz. Nos demais tubos o Ligeirão passa direto, sem encostar.

O outro ponto final é o Terminal Santa Cândida na Zona Norte da cidade.

Assim o trajeto que leva 40 minutos na linha paradora será feito em pouco mais da metade do tempo, 20 a 25 minutos.

Economizando de 15 a 20 minutos na ida e o mesmo tempo na volta, o trabalhador ganha mais de meia-hora pra ficar em casa com a família.

Sem pagar um centavo a mais por isso. Muito bom! E já não era sem tempo essa economia de tempo: depois de 5 anos de atraso a linha foi enfim entregue, as obras começaram em 2012!

A previsão de inauguração era 2013. Já com um ano de atraso, ficou pronto em 2014, e de lá pra cá 4 anos parado. Sim, é isso. Gastaram R$ 16 milhões, que até aqui não tinham servido pra nada. Finalmente foi posto pra funcionar. Antes tarde que nunca, né?

Fui no 1° dia de operação, veja a comunicação visual. Quando você ler os horários podem ser outros, consulte o sítio da Urbs.

Agora é possível ir do Norte de Curitiba a sua parte mais rica (que assim concentra os empregos no setor de serviços) muito mais rapidamente que antes.

Conforme a linha vá sendo ampliada pros terminais da Zona Sul (o eixo Portão, Capão Raso e Pinheirinho) a economia será ainda maior.

……..

Já damos mais detalhes de como funciona, obviamente ainda no primeiríssimo dia de operação fui conferir, e fotografei tudo. Antes vamos pôr no contexto.

Começo pelo mais importante, não estou fazendo campanha pelos políticos que concluíram essas obras (já falo melhor disso), vou apenas citar os fatos. Curitiba está vivendo uma boa era pro transporte, após muito tempo de abandono. De dois anos pra cá, essa é a segunda grande notícia.

Próximas 2: a “Rua da Discórdia” na Praça do Japão, por onde o ônibus a contorna. De forma absolutamente egoísta, alguns moradores do Batel (o bairro mais rico da cidade, pra quem não é de Curitiba) tentaram impedir a obra, o que inviabilizaria o Ligeirão. Um elitismo (quem mora no Batel não usa transporte coletivo, óbvio) absurdo e injustificável, não prejudicou em nada a praça: os busos nem mesmo param nela, ou seja, nem sequer trouxe povo pra Praça do Japão. A oposição ao Ligeirão por parte da elite não pode ser explicada de maneira racional, só mesmo entregando o caso aos psicólogos. Bem, em São Paulo e toda parte acontece o mesmo, no caso da capital paulista a alta burguesia tentou impedir o metrô em Higienópolis, também na Zona Central. Por que o ser humano é assim….

Pois no meio de 2016 o Terminal Roça Grande, em Colombo, enfim foi reformulado e passou a operar como um terminal de verdade.

Ele fica já na região metropolitana mas a poucas centenas de metros do S. Cândida na capital.

O Roça Grande ficou pronto e fechado por 3 anos, de 2006 a 2009. Aí foi inaugurado mas de forma errada:

Simplesmente as linhas que já passavam em frente ao terminal passaram a entrar nele, mas o trajeto não foi alterado.

Assim não se criaram opções de integração onde contava, das vilas de Colombo pra Área Central da capital.

Portanto, de 2009 a 2016 o Roça Grande não era um terminal de verdade, com linhas troncais e alimentadoras. Era um ‘ponto normal’ de luxo.

Se não agregava opções de integração não era usado, pois quem iria descer de um ônibus pra pegar outro que dali pro Centro tem o mesmo trajeto?

Em 16, isso mudou. Várias linhas foram seccionadas ali e viraram alimentadoras. O troncal pro Centro passou a ser feito por articulados. Logo no início de 17 ficou ainda melhor, aí a até a linha pro Centro de Colombo foi seccionada no Roça, então ele passou a ter bastante demanda.

Aqui vemos exatamente o bichão ladeando a praça pra retornar pra Z/N. Nos detalhes o letreiro e a inscrição ‘Ligeirão’ na lata.

Nosso tema de hoje é Santa Cândida, eu sei. Mas faço essa recapitulação do Roça Grande porque ambos são muito próximos, e agora estão corretamente interligados.

Com enfim o Roça Grande funcionando como deveria passaram a formar um eixo. Ou melhor, o Roça se integrou ao eixo que já contava com os Terminais do Cabral, Boa Vista e Santa Cândida.

Já fiz matéria específica sobre o Roça Grande com muitas fotos, confira. Aqui, voltando a contar a história pelo alto, no meio de 2017 ficou ainda mais completo:

Foi inaugurado o alimentador Santa Cândida/Roça Grande. Enfim integrando essa parte de Colombo (incluindo seu Centro, a ‘Sede’ no jargão) a rede da Grande Curitiba. E no fim desse mesmo ano de 2017 a linha passou a ser feita com articulados, novamente eu estive ali e documentei.

..

Depois de 5 anos de atraso, deu pressa pra inaugurar. Algumas obras de adaptação ainda eram feitas, aqui vemos onde os ‘sanfonados’ saem da canaleta na 7 de Setembro pra ao fazer o balão na Pça. do Japão voltarem por ela no sentido oposto.

Portanto essa região da cidade foi olhada com carinho. Os três maiores melhoramentos da rede em muito tempo foram ali. Como já dito:

Adequação do Roça Grande prum terminal de verdade, com linha troncal com articulados e as outras ex-convencionais viram alimentadoras – foi preciso esperar 10 anos;

Integração do Roça com a rede municipal e metropolitana da capital. Aqui foram 11 anos de luta até virar realidade;

– Agora no municipal de Curitiba, depois de 5 anos de espera – sendo 4 com a obra pronta inutilizada! – chegou o Ligeirão Norte.

Mas há mais: 

Foi criada a linha integrando o município de Quatro Barras (na Zona Leste da Gde. Curitiba, divisa com Zona Norte) ao mesmo Terminal Santa Cândida. Nesse caso então foram décadas de espera, nunca havia existido essa possibilidade dos quatro-barrrenses usarem a rede da capital sem pagar de novo também já reportei essa inovação com fotos;

Reportagem de T.V. no tubo da B. Viana.

Voltou a linha de Ligeirinho Colombo/CIC, que havia sido desmantelada em 2015.

E há ainda mais por vir:

Retomaram-se as obras da Linha Verde Norte/Leste (no jargão oficial apenas ‘Norte’. Digo Norte/Leste porque ela divide as duas regiões, Bairro Alto já é Zona Leste).

O trecho Sul da Linha Verde foi inaugurado no já distante ano de 2009. Portanto quando escrevo são 9 anos de espera pela conclusão. As obras ficaram paradas ou andaram a passos de cágado pelas últimas duas gestões, que pouco ou nada olharam pelo transporte coletivo.

E será feito o Terminal do Tatuquara, na Zona Sul, outro melhoramento que a cidade espera a duas décadas. A região (além do Tatuquara os vizinhos Campo de Santana e Caximba) entrou num crescimento populacional explosivo desde os anos 90, que ainda continua.

Do lado de fora do tubo, os colegas busólogos/repórteres por conta própria também cobriam o evento.

Resultando que já comporta e demanda há muito um terminal. Os últimos dois prefeitos sempre prometeram, mas nunca fizeram.

Quando essas duas coisas ficarem prontas (Linha Verde e Term. Tatuquara) e forem entregues, farei nova matéria sobre o tema.

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Agora deixa eu concluir meu aviso que comecei lá em cima. Os que tem a mente bem lavadinha por pesadas ideologias políticas acham que estou fazendo propaganda dos atuais mandatários. Eu não estou, tanto que nem citei o nome deles. Eu não voto. Voto nulo, desde 2010.

Não votei no atual prefeito, pois anulei. E não votarei nele em sua campanha de re-eleição, anularei de novo. Eu não voto em ninguém, não tenho partido. Digo, meu partido é o transporte coletivo. Não sou de direita nem de esquerda, sou ativista do transporte coletivo.

Aqui e a esquerda: Terminal do Cabral. Ressaltei os detalhes em escala ampliada.

Quem melhora o sistema de ônibus (e nas cidades que existem, também metrô, trem e VLT) eu reconheço. Quem detona eu detono também, é simples assim. 

As duas últimas gestões de Curitiba tiveram sim seus pontos positivos. Mas pro transporte coletivo foram péssimas, especialmente a última foi tenebrosa.

O que eu posso fazer? São fatos. Repito, não estou fazendo propaganda pro atual prefeito e governador. Não votei neles, não votarei (pra esses ou outros cargos), não cito sequer seus nomes.

Mas de 2016 pra cá eles promoveram essas ampliações que citei acima, e outras estão em andamento. Quando alguém melhora a rede de transporte eu apoio, minha ideologia é essa e não há outra.

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Nem tudo são flores. O atual prefeito prometeu voltar todas as linhas de Ligeirinho metropolitanas que foram cortadas em 2015. Até agora, só voltou a Colombo/CIC. A Barreirinha/São José e Fazendinha/Tamandaré ainda estão aguardando. Ele também prometeu a integração no cartão, e até agora nada.

O novos Ligeirões receberam uma numeração própria, o BE717 (da Glória) é o n° 9. Em Curitiba isso é novo. Outras cidades fazem isso há tempos, em São Paulo sempre que chegam novas composições pra CPTM (trem de subúrbio) elas também são numeradas com estardalhaço.

Além disso, na pressa de inaugurar o Ligeirão Norte ele foi implantado no Terminal Santa Cândida sem que o terminal fosse adaptado corretamente. Quem passa no Santa sabe, há uma plataforma inteira ociosa.

Inicialmente pretendiam colocar ali os pontos dos ligeirões, ou esse que ficou pronto agora ou o da Linha Verde que ainda está por chegar. Mas não foi feito. Empurraram o Ligeirão Norte pras mesmas estações do parador Santa Cândida/Capão Raso.

Enquanto isso, onde deveriam parar os ligeirões está servindo apenas de um banco gigante pras pessoas sentarem. Uma plataforma inteira ociosa, repito.

Onde os ônibus passam mas não param. Enquanto isso os alimentadores se espremem na outra plataforma, especialmente depois que criaram novas linhas pra Colombo. E as ligações pros terminais Roça Grande e Maracanã, no vizinho município, agora são operadas por articulados no pico.

No Terminal Santa Cândida. Repare até a grande sinalização no solo, “até míope lê” (como dizia um propaganda “daquele tempo”), não tem como confundir mesmo.

Um aperto totalmente desnecessário, já que a plataforma vizinha está vazia. Assim, ressalto ainda mais um vez, não tapo sol com peneira nem estou fazendo propaganda do prefeito, governador e seu grupo político.

Onde há problemas, aponto. Mas fatos são fatos, o transporte de Curitiba, municipal e metropolitano, deu uma renascida após duas décadas de abandono, e isso tem que ser mostrado.

o fim dos “azulões”: os busos celestes duraram pouco no sistema municipal de curitiba.

Tudo isso bem esclarecido, voltamos então a falar do Ligeirão Norte. Primeiro, ele é vermelho. E não mais azul como os Ligeirões da Zona Sul (Boqueirão e Pinheirinho/Carlos Gomes, ambos compartilham a Av. Marechal Floriano enquanto percorrem a Zona Central).

Próximas 3: Ligeirões azuis. Os novos Ligeirões da linha Santa Cândida/Pça. do Japão não são azuis, são vermelhos. Insiro aqui os “Azulões” (que fazem as Linhas Boqueirão e Pinheirinho/Carlos Gomes, ambas na Zona Sul) exatamente pra marcar o contraste. Essa imagem e a da direita no Terminal do Boqueirão.

Azul é a cor de ônibus mais comum pelo mundo. Sei disso porque sou busólogo, estudo o tema a fundo em todos os continentes. No entanto aqui em Curitiba o azul ‘não pegava’.

Me refiro ao sistema municipal. Curitiba por muito tempo teve ônibus azuis metropolitanos, tanto antes quanto depois da padronização dos anos 90.

Mas a partir do começo pro meio da primeira década do novo milênio não haviam mais metropolitanos azuis.

Aí, até 2011 não haviam mesmo coletivos celestes na capital do Paraná, nenhum modal (falo só de linhas regulares, sem incluir escolar, fretamento e outros).

Municipal nunca havia tido, e metropolitano antes sim mas não mais. Até que em 2011 vieram os bi-articulados azuis, Neobus. Um Marcopolo já com alguns anos de uso foi repintado no mesmo tom, caso único. Então nessa década de 10 Curitiba teve e tem ‘Azulões’.

29 de março de 2011. Começam os ‘Azulões’ em Curitiba. Esse no Terminal Boqueirão ainda sem placas, como notam. Como no caso do Ligeirão Norte, fui a campo já no primeiro dia de operação registrar a novidade, e foram várias: 1°, esse modelo da Neobus chegou como ‘maior ônibus do mundo’. 2°, Curitiba nunca havia tido busos celestes no sistema municipal, e quando esses chegaram já a quase uma década não tinham mais o metropolitano tampouco. Anteriormente os melhoramentos pra cidade eram entregues no aniversário da cidade, 29/03. Agora em 2018 optou-se pela véspera, dia 28/03. Não entendi o porquê.

E ainda os terá por alguns anos, os bi-articulados Neobus azuis ainda circularão até perto do meio da década de 20. Mas quando saírem de circulação uma era terá chegado ao fim. Paciência, é a vida, né?

Os expressos de Curitiba sempre foram vermelhos, começaram assim nos anos 70. Porém uma década depois, no fim dos nos 80, a ‘Frota Pública’ da Urbs veio na cor laranja.

No começo dos anos 90, tentaram mudar todos os expressos pra laranja, vários ‘carros’ (pitocos e sanfonados igualmente) foram re-paginados nesse tom mais claro.

Logo voltaram a serem vermelhos. Laranja ficou só pro alimentadores (até o fim dos anos 80 os alimentadores eram amarelos como os covencionais).

Na mesma época, em 1992, foi inaugurado o bi-articulado pro Boqueirão, na Zona Sul, com embarque em nível pelos tubos. Esses ‘carros’ (Ciferal e Marcopolo) eram cinzas, como os ligeirinhos que haviam começado um ano antes. Novamente a mudança não pegou.

Vermelho mesmo é a cor-arquétipo do Expresso curitibano. Logo o cinza ficou só pros Ligeirinhos, os Expressos voltaram ao rubro, tanto os novos já voltaram a vir assim como mesmo os da finada empresa Carmo citados no parágrafo acima que começaram prateados foram repintados de escarlate.

E em 2011 surgiu o azul. A terceira tentativa da cidade de ter Expressos não-escarlates. Como as outras duas anteriores, teve seu ciclo e veio a pique. Ainda há Ligeirões azuis, e certamente estarão entre nós por um tempo, enfatizando de novo. Mas os novos Expressos serão sempre vermelhos. Assim, dentro de alguns anos todos os veículos dessa categoria estarão novamente padronizados numa única cor.

Sempre rubros, independente da canaleta (corredor) que operem. E independente também de serem Paradores (encostando em todos os tubos) ou Ligeirões (pulam várias paradas e só encostam nos terminais e em alguns tubos selecionados).

Um “Marcopolo Azulão” (r) [como dito as tomadas baixada da rede são identificadas assim, créditos mantidos quando impressos nas imagens]. Você já viu isso???? Todos os Ligeirões azuis são Neobus, e chegaram zero km de fábrica já configurados nessa cor – exceto esse. Como pode ver, repintaram de celeste um antigo Marcopolo que já tinha uns anos de uso. Caso único, repito. Mais raro que “Marcopolo Azulão”, só um “Caio Marcopolo”, não é mesmo?

Resultando que Curitiba voltará a não ter ônibus azuis de novo, nem municipais nem metropolitanos, ao contrário da maioria das metrópoles do planeta. Coisas da Vida!

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Os Ligeirões voltaram ao vermelho por economia. Foi triste saber do fim dos Azulões, sentimentalmente (e ver esse ocaso se materializar em breve). Mas racionalmente faz sentido. Com uma cor específica só pros Ligeirões os custos aumentam, pois é preciso ter uma frota inteira diferenciada.

Além dos veículos que estão operando o dia todo, há também os que só rodam no pico, e os carros-reserva que ficam nas garagens e saem só quando outro quebra.

Com tudo isso tendo que ser azul somente pra poucas linhas, o gasto se amplia. Claro, mesmo nas linhas que hoje são feitas pelos ‘Azulões’, no horário de pico entram alguns vermelhos. Na busologia isso se chama ‘Tabela Trocada’, quando um ônibus que deveria rodar em uma linha opera outra de forma improvisada.

Então sim, hoje nas linhas Ligeirão Boqueirão e Pinheirinho/Carlos Gomes, que no geral (a ‘Tabela Correta’) são feitas exclusivamente por veículos azuis no meio do dia, nos horários de maior movimento alguns ‘carros’ vermelhos já acodem (‘Tabela Trocada’).

Mas daqui a um tempo, as renovações de frota farão com que todos os veículos novamente estejam padronizados em rubro, assim não haverá mais ‘Tabela Trocada’. Os ‘carros’ que ficarão fixos nas linhas de Ligeirão trazem essa indicação na lataria. Por isso serão fixos.

Entretanto a frota auxiliar (do pico e reserva) não tem nada marcado. Assim pode puxar tanto linhas de Ligeirão como Paradoras, e ninguém vai se espantar. Como medida de transição, os Ligeirões trarão uma pequena plaquinha em azul, na janela perto da porta de entrada (acima).

Joinville, terra da finada Busscar (r). Antigamente as ‘Linhas Diretas’ (os ligeirinhos deles, que só param em terminais e poucos pontos nas ruas – mas não há tubos, o embarque é por porta normal e o motorista cobra a passagem se não for direto terminal-a-terminal) eram azuis. Mas aí padronizaram toda frota em amarelo (lá como aqui, como economia de custos). No princípio, pro pessoal entender a transição, os busos que puxavam ‘Linhas Diretas’ vinha com um adesivo em azul. Agora foi eliminado, tem que olhar o letreiro mesmo.

Isso indicará a transição. Pras pessoas entenderam que aquela linha é de Ligeirão (que elas ainda ligam ao tom celeste) apesar da lataria vermelha.

O mesmo já foi feito em muitas cidades, eu tenho publicado aqui na página exemplos em Joinville-SC e Bogotá-Colômbia:

Lá, como aqui, as linhas eram operadas por ‘carros’ de uma cor. Quando mudou, adesivaram a frente do veículo com a cor antiga, pra ‘cair a ficha’ da galera.

Vejamos a esquerda um ônibus adesivado como transição na maior cidade do interior catarinense. E abaixo o mesmo na Colômbia.

Bem, no Piauí e no Rio Grande do Sul foi ainda mais intenso, ali bolaram uma pintura de transição entre o livre e padronizado.

……

Enfim amigos, voltando ao Paraná pra fechar. Dos anos 70 aos 90, Curitiba foi modelo de transporte não só pro Brasil mas pro mundo. O esquema de terminais e corredores exclusivos aqui criado foi copiado por nada menos que 250 cidades, em todos os continentes.

Na Colômbia os alimentadores do sistema Trans-Milênio foram no início padronizados em verde. Depois mudou pro azul (r). Portanto aqui foi na mão contrária, os busos passaram a ser celestes, e não deixaram de sê-lo como no Sul do Brasil. Mas a técnica pros usuários se adaptarem aos novos tempos foi a mesma, adesivaram o bichão com o nome e a cor antigos de sua categoria.

Mas a partir da segunda metade dos anos 90 houve estagnação, pararam de investir no setor. Outras metrópoles, por todo Brasil e mundo, se modernizaram, tiraram o atraso, algumas superaram Curitiba – entre outras a Cidade de São Paulo com certeza.

Foi um período difícil, em mais de duas décadas e meia no sistema municipal as únicas ampliações em larga escala de integração foram o Terminal Caiuá (fica no CIC, Zona Oeste) em 1999, que é o menor do sistema, e a Linha Verde Sul de 2009.

Após esse último melhoramento (o 1° trecho da Linha Verde, que acabo de falar) vieram duas gestões em que não apenas não houveram avanços como se acelerou o desmantelamento do que já existia.

A coisa ficou tão crítica que rolou uma reversão de polaridade: partes da África passaram a dispor de um sistema de ônibus e trem eficientes, enquanto alguns bairros do subúrbio de Curitiba contam agora com um padrão africano  de ‘qualidade’.

Voltamos as fotos de minha autoria no dia de estreia do Ligeirão Norte rubro em Curitiba pra fecharmos. Aqui na descida do Juvevê, e na próxima tomada no ponto final da Bento Viana, a esquerda na imagem vemos o Batel, a direita Água Verde.

(Nota: não vai aqui qualquer racismo, Amo a África e a Raça Negra Guerreira Original, mas a triste realidade é que a coisa em boa parte do Continente Negro é bem complicada, no transporte e todo resto.)

Curitiba estagnou, entrou num retrocesso. Mas começa a despertar novamente. Levou uma longa década, porém o Roça Grande virou um terminal de verdade, e passado mais um ano integrado a rede de Curitiba.

Depois de 9 anos parada ou praticamente, a Linha Verde Norte/Leste vai sair. Após 2 gestões que só prometeram, espera-se que nessa o Terminal Tatuquara vire realidade.

A conclusão da Linha Verde e o Terminal Tatuquara são apenas promessas, é verdade. Mas vamos aos fatos palpáveis. Pois além da re-adequação do Roça Grande no sistema metropolitano, o sistema municipal de Curitiba também renasce: passados 5 anos e meio do início da obra, sendo 4 anos com ela pronta e sem uso, chegou enfim o Ligeirão Norte.

A Revolução Voltou! Aleluia!

Quando a Reza é Forte, o Milagre vem!

Toda Glória e Louvor a Deus Oni-Poderoso.

“Ele/Ela proveio e proverá”