Quatro Barras/Santa Cândida, “Mar a Vista” em Barra Velha-SC: atualizações na página

Boa notícia:

Enfim Quatro Barras foi integrada a rede de terminais de Curitiba.

Começou a operar a linha 4 Barras/Santa Cândida.

Já no segundo dia de operações fui lá conferir.

Coloquei na postagem sobre Roça Grande/Colombo.  Se você já leu essa matéria, busque (‘Control+f’) por ‘Quatro Barras’ ou ‘novembro de 2017’, aí vai direto a atualização.

……….

OUTRAS ATUALIZAÇÕES DA PÁGINA:

“MAR A VISTA”: BARRA VELHA, SANTA CATARINA.

Saindo de Ctba. pela BR’s 101/376 em direção ao litoral catarinense.

Onde você vê o Oceano pela 1ª vez é em Barra Velha.

Exatamente a cena ao lado.

Então. fomos a Barra Velha, e fotografamos a cidade.

Assim atualizei a postagem sobre o Litoral Norte de SC (que também inclui uma matéria sobre o Litoral Norte de SP).

A ”FÚRIA DA NATUREZA” –

Alias em Barra Velha o Mar se revoltou e subiu, levando junto muitas casas.

Várias delas parcialmente, mas algumas moradias Netuno/Iemanjá levaram inteiras, não sobrou nada.

Fazer o que? Nós apenas retratamos a situação.

Pra amenizar, fotografamos também as partes bonitas de Barra Velha, essa estátua do surfista é a única Masculina, ao lado de muitas Femininas (uma delas exatamente de Iemanjá, mas há uma até da Liberdade).

 

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Linha pintada no ‘Micro’ colorido; 3 cidades com troleibus; bom metrô e trem; poucos articulados e corredores: o Transporte na Argentina

Argentina (r): Meca do Tróleibus na Am. Latina – são 3 cidades, aqui um ex-Canadá em Mendonça.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 5 de novembro de 2017

Maioria das fotos de minha autoria. O que for baixado da internet eu identifico com um ‘(r)’ de ‘rede’, como visto ao lado.

Vamos falar da rede de transportes da Argentina.

De bate-pronto vamos dar um resumo da situação, depois vamos desenvolvendo.

Aqui e acima da manchete: Buenos Aires não tem tróleibus. Mas os ônibus a dísel são multi-coloridos, com itinerário pintado na lataria (igual a Lima).

Buenos Aires:

Excelente rede de trens suburbanos, uma dos melhores do mundo;

Metrô (um dos primeiros do planeta, 6 décadas antes do Brasil) razoável.

Atende boa parte da Capital Federal (‘CABA’, Cid. Autônoma de Bs. As.).

Mas essa é apenas a Zona Central da cidade que é a Grande Buenos Aires (‘Conurbado’), tendo menos de 20% da população.

Metrô de B. Aires, um dos 1ºs do mundo.

O metrô, por ser municipal, não entra na região metropolitana (‘AMBA’, Área Metrop. De Bs. As., que lá é em outro estado, a Província de Bs. As.).

Como sabem, na Argentina os estados são denominados ‘províncias’.

Logo, a periferia da capital é conhecida simplesmente como ‘A Província’. Nela vivem mais de 80% da população da Grande Buenos Aires.

Trem suburbano na Z/N da capital.

Essa imensa maioria não têm acesso ao metrô exceto via baldeação, portanto pagando duas vezes;

Ônibus: não há terminais e nem integração, seja física ou digital. Pouquíssimos articulados.

Não há padronização de pintura, os busos (lá chamados ‘micros’) são em pintura livre, com o itinerário pintado na lataria (o que também ocorre em Lima-Peru).

Corredor de ônibus MetroBus na Av. 9 de Julho, Centro de B. Aires. Não há integração.

Rede de corredores (chamada ‘MetroBus’) razoável, 50 km. Demorou muito pra ser implantada, apenas em 2011.

Portanto somente 6 anos quando o texto sobe pro ar em 17. Mas estão tirando o atraso, em expansão constante;

No sistema municipal e nas linhas metropolitanas que ligam o Centro ao subúrbio, todos os ônibus são de 3 portas e motor traseiro.

Bonde moderno em Mendonça.

Na periferia (as linhas internas metropolitanas que não entram na Cap. Federal), entretanto, vemos veículos de 2 portas e/ou motor dianteiro.

As linhas são conhecidas pelo número, e não pelo nome. Alguns busões alias só tem o nº no letreiro.

Esse também é o padrão na Itália, Paraguai e no Brasil no Rio de Janeiro e Santos-SP. Há outros países e cidades que isso ocorre, mas de cabeça me lembro desses.

‘Antes/Depois’ (r): as composições que rodam em Mendonça vieram usadas da fronteira EUA/México. Aqui vemos uma delas em ação no Hemisfério Norte.

Um dia houve tróleibus em Buenos Aires, mas não mais a muito. Em compensação no interior há 3 redes. O que faz com que a Argentina seja o país da América Latina com mais cidades contando com ônibus elétricos.

E o 2º da América, só atrás dos EUA que tem 4. No Brasil são 2 cidades: Grande SP e Santos. 3 sistemas, pois em SP há o municipal e o metropolitano. De volta a Argentina:

Córdoba (maior cidade do interior, e a mais importante, em termos políticos e econômicos):

Tróleibus: são apenas 3 linhas, exclusivamente com Mulheres ao volante.

Próximas 2: Tróleis em Mendonça. Da mesma leva ex-Canadá que o que vemos na 1ª foto da matéria, no alto da página. Agora eles foram repintados em apenas uma cor, não há mais nada escrito na lateral.

É uma viação estatal municipal, que também opera alguns ônibus a dísel.

A política é ter um quadro funcional 100% do sexo feminino como condutoras.

São as únicas motoristas Mulheres que vi na Argentina, incluindo elétrico e a combustão de carbono.

Nos ônibus particulares de Córdoba, Mendonça e Buenos Aires só vi Homens guiando.

E os tróleibus de Mendonça (dir.), que também são estatais, igualmente são dirigidos pelo sexo masculino. A capital Buenos Aires não tem viação pública.

A traseira. Nos detalhes: avisos no interior bi-língues em inglês e francês (apesar que Vancuver é Costa Oeste, não fala francês). E um cartaz que fotografei no Centro protestava contra a privatização.

Voltando aos tróleis de Córdoba, as motoristas são Mulheres, mas o acesso é livre a passageiros de ambos os sexos.

No México ocorre o contrário: há ônibus que só Mulheres podem utilizar (Homens com menos de 12 anos ou mais de 65, entre essas idades somente deficientes).

Mas a maioria dos motoristas dos ‘ônibus rosas’ mexicanos são Homens, alguns são guiados por Mulheres, mas são poucos.

Ônibus: não há pintura padronizada, corredores ou terminais, nem integração seja física ou temporal.

Articulado em Mendonça (viação Maipu). Proporcional a população, essa é a cidade com mais ‘sanfonados’ na Argentina.

A maioria dos ônibus contam com 3 portas, mas existem vários com 2.

Em Córdoba há mais articulados que em Buenos Aires, proporcional a população.

Como no Brasil e ao contrário de Buenos Aires, o itinerário não vem pintado na lataria.

No entanto, como na capital as linhas são mais conhecidas pelo número que pelo nome. Alguns ônibus de Córdoba igualmente só trazem o número no letreiro.

Moderno ônibus (viação Trapiche) de Mendonça, até com letreiro eletrônico. Mas tem somente 2 portas.

Pequena rede de trens suburbanos, apenas 1 linha. O detalhe lamentável é que a parte mais urbana esteja cancelada em 2017.

Pois estavam ocorrendo constantes apedrejamentos na favela chamada ‘Vila de Náilon’.

Antes o trem saía de uma estação bem central em Córdoba, parava numa outra ainda dentro desse município mas já na periferia.

Veja o canal pra escoar água dos Andes, típico de Mendonça (viação Maipu).

E dali seguia pra algumas cidades que são no interior do estado (‘província’) de Córdoba.

Não são mais região metropolitana, mas ficam próximas a capital.

Agora o trem já parte da estação da periferia rumo ao interior, não faz mais o pega urbano dentro da capital pra evitar o trecho problemático.

Digo, relato o que era verdade quando estive ali em março de 2017. Na ocasião a Argentina enfrentava dolorosa agonia política.

Próximas 3: trem suburbano de Córdoba.

Que se refletia nessa situação de normalização de apedrejamento do transporte coletivo, como já detalhei melhor na postagem ligada em vermelho acima.

Pode ser que quando você estiver lendo essas linhas a situação tenha sido normalizada. Faço votos pra que assim seja.

Tristeza: por constantes apedrejamentos eliminaram um trecho da linha.

Mendonça (4ª maior cidade argentina, 3ª do interior depois de Córdoba e Rosário):

Bonde moderno, implantado num antigo ramal de trens de carga. Funciona bem, um meio rápido, barato e não-poluente de ligar o Centro a populosos subúrbios da Zona Sul.

Detalhe: as composições foram importadas usadas da fronteira EUA/México. Antigamente operavam na linha que liga a Grande São Diego (Califórnia) a Tijuana.

Grades na janela pra evitar que o motorista seja atingido por pedras. Na África do Sul do ‘apartheid’ era assim, mas hoje não mais.

Presenciei em Mendonça uma que o letreiro não havia sido mudado, infelizmente não pude fotografar.

Tróleibus de uma viação estatal. Ao contrário de Córdoba, dirigidos por Homens. São 6 linhas, e o sistema passa por expansão e modernização.

Em 2013 foi inaugurada uma longa linha, de 13 km. E no ano seguinte outra, essa mais curta, até a universidade.

Articulado de Córdoba.

Alguns tróleibus são ex-Vancúver, Canadá. Os da linha 4 pra Dorrego, que foram os que eu andei e fotografei, se enquadram nesse caso.

Assim vemos que essa é uma tradição mendoncina, importar da América do Norte os veículos de seu transporte elétrico.

Também Córdoba, mesma viação. Na Argentina as linhas são conhecidas pelo nº, esse sequer tem o nome no letreiro.

Até recentemente havia também tróleis russos e alemães, esse últimos eram mais curtos e trucados (tribus, ou seja 3 eixos).

Não tenho certeza quanto aos russos, mas os tróleis alemães não circulam mais em Mendonça.

Já estão fora de serviço, flagrei vários deles sendo desmontados.

Eram vendidos como sucata num desmanche de beira de estrada na entrada da cidade, mas não deu tempo fotografar.

Tróleibus em Córdoba. São só 3 linhas, denominadas ‘A’, ‘B’ e ‘C. Viação estatal.

Em compensação, chegou uma nova leva de tróleis, e esses de fabricação argentina mesmo, ademais gerou empregos e tecnologia nacionais.

Ônibus: mesma situação do resto do país, sem terminais, integração ou padronização de pintura. Como em Córdoba, não há corredores, mas tampouco o itinerário é pintado na lataria.

O ponto negativo de Mendonça é que ali a maioria dos ônibus é motor na frente e de 2 portas, os de 3 são exceção.

Em compensação Mendonça é a cidade da Argentina com mais articulados, proporcional a população.

Todos os tróleis de Córdoba têm Mulheres ao volante.

Em Mendonça (ao menos nos a dísel) o número principal que você vê no letreiro não é o da linha, mas ‘tronco’, ou seja, da avenida principal que várias linhas pegam.

A linha mesmo vem num letreiro menor no para-brisas. Exemplificando é mais fácil entender, vide a tomada abaixo a direita.

Ali escrevi ‘corredor’, mas não no sentido de canaleta exclusiva, porque elas não existem no interior da Argentina.

‘Corredor’ aqui é no sentido usado na Rep. Dominicana, o eixo, a avenida principal que a linha passa (dado que um dia também foi mostrado em Belo Horizonte-MG).

 Mendonça (por isso 2 portas): o nº no letreiro maior é o tronco. A linha vem no letreiro menor, no vidro (Viação Avelar).

………

Rosário é a 3ª maior cidade argentina, a 2ª do interior após Córdoba.

E em termos de relevância política ambas disputam palmo-a-palmo quem tem mais influência.

Agora, como detalhe curioso aponto que no futebol Rosário é disparado o maior polo após a capital.

Rede de trens da Gde. Buenos Aires. Em vermelho a divisa entre a Cap. Federal (‘CABA’) e a ‘Província’ (‘AMBA’, a região metropolitana). Note que os próximos 2 mapas só mostram a ‘CABA’, ou seja dentro da linha rubra.

Das 132 edições de seu campeonato de futebol (quase sempre 2 por ano) Buenos Aires e seus subúrbios venceram 122.

Apenas 10 foram pro interior, e todas pra Rosário. Ademais, Buenos Aires (incluindo subúrbios) ganhou todas as 24 Libertadores da Argentina.

Somente em 2 vezes o interior da Argentina chegou a final da Libertadores, e as duas vezes foi novamente Rosário.

Escrevi tudo isso pra colocar que se nos campos político, econômico e cultural a rivalidade entre Córdoba e Rosário é intensa, no futebol não há comparação possível.

Esse esporte na Argentina se concentra 90% na capital. Do pouco que sobra pro interior, Rosário fica com praticamente tudo.

Rede de metrô.

Em termos nacionais Córdoba é praticamente irrelevante, e em Mendonça e demais cidades então os times só têm qualquer importância a nível local.

Já fiz matéria específica sobre o futebol, onde dou todos os detalhes, ricamente ilustrado.

Aqui só fiz esse adendo pra mostrar que nessa dimensão – que é a própria Alma da Argentina! – Rosário é o orgulho do interior:

Corredores de ônibus MetroBus.

A única cidade que faz alguma frente ao gigante que é Buenos Aires. Então voltando ao transporte, que é nosso tema atual.

Rosário também tem tróleibus. Incluso alguns ex-Belo Horizonte. Digo, eles foram produzidos e inclusive pintados pra rodar na capital mineira, mas não chegou a acontecer.

Ficaram anos parados num depósito, até que foram exportados pra Argentina. Já contei essa história outro dia, com muitas fotos.

Como não tive a oportunidade de ir a Rosário, não posso detalhar como funciona sua rede de ônibus, faço apenas esse adendo que lá também há veículos elétricos.

………

TETRA-MODAL: a favela Vila 31, no Centrão de B. Aires, fica atrás das estações de trem e ônibus, e pertinho do aeroporto e porto. Consegui numa tomada enquadrar o 4 modais (na África do Sul foram 3).

Como é sabido, essa vizinha nação teve seu período de glória na primeira metade do século 20.

Nessa época era considerada (ao lado do vizinho Uruguai) uma ilha europeia no oceano latino-americano.

Após a Segunda Guerra Mundial, entretanto, a Argentina entrou num novo ciclo, enfrentando severa decadência em várias dimensões:

Econômica, política, cultural, etc. O que a nivelou a mesma frequência dos demais vizinhos da América do Sul.

Veja bem: não estou dizendo que a Argentina está pior que o Brasil. Não.

Buenos Aires, o buso brilha refletindo o Sol. Linha 17, que eu cliquei as 17 horas do dia 17, que alinhamento, não? Pro que nos importa aqui, no itinerário pintado na lata vemos que ele passa pelo corredor MetroBus.

Diria que os dois países estão mais ou menos no mesmo nível, há pontos em que estamos a frente deles, e outros em que eles estão mais evoluídos.

A questão é que por um século, do fim do século 19 até a década de 80 do 20, não havia qualquer comparação possível.

A Argentina estava então milênios-luz a frente do Brasil, especialmente na coesão social.

Esse não é mais o caso. Repito, não estou afirmando que a Argentina é o pior país da América Latina ou mesmo do Sul. Mas está muito longe de ser o melhor.

Na Argentina os busos não têm catraca ou cobrador, você encosta o cartão na máquina (mas não há a evasão rampante do Chile). Falar nesse país trans-andino, tanto as chilenas como as argentinas a-d-o-r-a-m cachecóis e echarpes, como nota!

Indubitavelmente, houve uma queda de patamar. Agora estamos todos no mesmo barco, se quiser colocar assim.

Não por outro motivo denominei a série que retrata a Argentina como “Ascensão & Queda”.

Na Abertura da Série, que tem exatamente esse título, já tracei um panorama mais geral, multi-dimensional.

No tema de hoje, vamos nos focar especificamente nos transportes, que obviamente também seguem o que delineei acima

Já escrevi antes: o metrô de Buenos Aires (abreviada ‘Bs. As.’) é de 1913. Um dos mais antigos do mundo.

O de Londres-Inglaterra foi eletrificado (e portanto a partir daí considerado metrô) em 1890. O de Paris-França é de 1900, Nova Iorque-EUA inaugurou o seu em 1904.

A tomada anterior foi feita em Mendonça. Portanto a bela argentina de echarpe encosta na catraca eletrônica o cartão abaixo a esquerda. Vemos também os de Córdoba (no interior ambos se chamam ‘Red Bus’) e de B. Aires (‘Sube’).

Assim vemos que o metrô da capital argentina é apenas 13 anos mais novo que o da capital francesa, e veio menos de uma década depois da principal cidade estadunidense. 

Mais: o metrô de Buenos Aires (lá chamado ‘subte’, diminutivo de ‘subterrâneo’) foi o 1º de todo Hemisfério Sul, o 1º de toda América Latina.

E, se tudo fosse pouco, o 1º de um país de língua espanhola, pois mesmo o de Madri-Espanha chegou 6 anos depois dele.

O metrô de Lisboa-Portugal, que também é Europa Ocidental, só foi rodar em 1959.

Catraca de B. Aires pede que se ‘informe o destino’. Atrás os protestos que sacudiram o país no começo de 2017, mesmo tarde da noite eles seguiam.

Hoje a China tem os dois maiores sistemas de metrô do mundo, nas suas capitais política e econômica Pequim e Xangai.

Entretanto o metrô de Pequim é de 1965, e o de Xangai ainda mais novo, entrou em operação bem recentemente, em 1993.

Já que estamos na Ásia, Tóquio-Japão fez o seu em 1927, e o de Seul-Coreia do Sul é de 1974.

Hoje esses dois sistemas são infinitamente maiores que os de Buenos Aires.

Mas os portenhos contaram com esse conforto 14 anos antes que os japoneses, e 61 anos antes dos coreanos.

Há razões pra protestar: a Argentina está depauperada, e na periferia sua frota parece a de Cuba. Daqui pra baixo vamos combinar  o seguinte: quando a foto for no interior eu informo. Se não disser nada é em Buenos Aires, como é o caso aqui.

Somente no mesmo ano de 1974 o Brasil passou a contar com esse modal, quando São Paulo inaugurou sua primeira linha.

No México D.F. em 1969, pouquíssimo antes de SP e muitíssimo depois de Bs. As. .

O primeiro e até agora único metrô da Colômbia, o de Medelím, data de apenas 1995.

Assim fica evidente o passado glorioso da Argentina:

Muito próxima na Linha do Tempo de Londres, Nova Iorque e Paris, e a frente mesmo de Madri (a ex-colônia superou sua antiga metrópole). E décadas e décadas a frente de Portugal, Brasil, México, China e Colômbia.

Os táxis na Argentina oscilam entre o preto e o amarelo.

No entanto essa não é mais a situação do país, exatamente o oposto sendo verdadeiro.”

Modelo na primeira metade do século 20, a Argentina estagnou na segunda metade, marasmo que adentrou a 1ª metade do século 21.

O Brasil passou por ampla onda de modernização do transporte a partir da virada pros anos 80, processo ainda em andamento.

Depois dos anos 90, a América Latina nos acompanhou nessa vibração:

Por exemplo, Santiago do Chile foi a 1ª cidade hispano-americana a padronizar a pintura dos ônibus, em 1992 – foi a saudosa ‘Febre Amarela‘.

Centro de Buenos Aires: a chilena Metalpar tem boa fatia do mercado de carrocerias argentino.

Medelím inaugurou seu metrô no meio dessa mesma década, e depois expandiu-o via modal teleférico a morros inacessíveis a engenharia convencional.

Até os menores países países da América Central (tanto continentais quanto insulares, o Caribe) investiram pesado no ramo, fazendo metrô e modernizando os ônibus.

E a Argentina permanecia adormecida. Até o fim da década passada (o texto é de 17) já existia metrô e trem em Buenos Aires, óbvio.

Próximas 3: Retiro, Centrão de B. Aires. Ali é o ‘ponto zero’ da malha de transportes. Nessa foto a estação de trens (suburbanos e longa distância). A frente um buso da linha 115.

Mas a rede de ônibus da cidade se parecia muito com a de Assunção-Paraguai.

(Nota: não estou falando por preconceito. Estive no Paraguai em 2013, e constatei que a época ‘não haviam trem, metrô, corredores, articulados ou integração;

Mas haviam muitas jardineiras‘ [aqueles ônibus encarroçados em chassi de caminhão, com motor a frente].

E tampouco falo com desprezo. Ao contrário, Eu Amo o Paraguai, e agradeço muito a oportunidade que a Vida me deu de ter ido a sua capital.

Cruzando a rua está o Terminal Central (não-inegrado) de ônibus urbanos.

Além de várias vezes já ter visitado a Cidade do Leste, sua maior metrópole do interior.

Ainda assim, fatos são fatos. O Paraguai ainda não investiu na modernização do transporte. Haviam em 2013 planos de fazê-lo, e espero que tenham saído do papel.

Na quadra seguinte a Rodoviária.

Mas quando estive lá retratei a situação como a vi, e era essa.)

Pois bem. Em 2010 boa parte da América Latina, do Chile a Colômbia, Venezuela, Peru, México, América Central, já contava com modernos articulados que iam por canaletas exclusivas, com embarque em nível.

E em Buenos Aires . . ., bom já não haviam mais jardineiras, é certo.

Transição: a Argentina está mudando o emplacamento , a esq. o novo modelo.

Essas um dia foram oni-presentes na Argentina, mas nesse milênio já haviam sido eliminadas da capital (no fundão do interior ainda haviam alguns ‘heróis da resistência’).

Mas de resto, o sistema de ônibus da capital da Argentina se assemelhava muito a da capital do Paraguai:

Bi-trens são comuns no país (o Mercedes maior foi clicado chegando em Mendonça, os brancos do detalhe não tenho certeza).

Sem padronização de pintura, integração, corredores, terminais ou articulados. Ao menos, já tardiamente, nessa década houve um despertar.

Foi inaugurado o primeiro corredor – chamado ‘MetroBus’ como na Cidade do México e várias outras metrópoles pelo planeta.

Tróleibus na Argentina, em verde ativos, vermelho um dia existiu. A fonte é a Wikipédia.

E há alguns articulados. Muito poucos. Tão poucos que nem consegui fotografar.

Eles existem, sim, mas são raros, grosseiramente insuficientes pra uma megalópole de 12 milhões de pessoas.

Vi mais articulados na Zona Oeste de Buenos Aires. No corredor que leva ao bairro Liniers, na divisa de município, passaram alguns sanfonados.

Infelizmente nesse dia minha câmera estava sem bateria e não consegui registrar.

Mas no Centro de Buenos Aires, por exemplo, não passam articulados. E nem na maior parte da cidade.

Tróleibus em Rosário (r). Mas a linha é Venda Nova (BH-MG)???? Que ‘Tabela Trocada‘, hein? Nessa outra mensagem eu mostro toda linha do tempo dessa safra, de BH pra Rosário.

Fiquei 4 dias rodando com máquina na mão, e não deu certo clicar – e o motivo é esse, são muito poucos.

Ademais, no corredor os pontos não têm plataformas nem catracas. Ou seja, não há embarque em nível nem pré-pago – portanto não existe integração.

Simplesmente criaram uma pista exclusiva pros ônibus normais, curtos e de piso baixo, pararem.

Claro que houve vantagens, agora os coletivos não pegam congestionamentos nos trechos das grandes avenidas que têm MetroBus, e eles estão sendo ampliados.

Colagem mostra dezenas de busos urbanos de Buenos Aires. A maioria das marcas Agrale ou Mercedes-Benz.

Mas ainda é pouco. É preciso hierarquizar as linhas em troncais e alimentadoras.

Do Centro até alguns pontos-chaves em várias partes da cidade, as linhas precisam ser feitas por articulados que tenham corredores exclusivos em todo trajeto.

E desses pontos pras vilas, aí sim os ônibus pequenos podem continuar operando como alimentadores. Se houver a integração no cartão não há a necessidade de construção de terminais físicos.

Esse modelo é usado no mundo todo, do Brasil ao México, Guatemala, Indonésia, Turquia, China, até a Colômbia e Chile, pra citar apenas alguns.

A Argentina é quem ainda não despertou pra essa realidade tão óbvia. Vendo por outro lado, até somente 6 anos atrás (quando escrevo) nem o corredor não-integrado existia.

Aí era a raça mesmo, os ônibus duelando cm os automóveis nas vias entupidas do horário de pico. Se serve de consolo . . .

Já seguimos com o texto. Antes uma galeria de imagens com mais ônibus de Buenos Aires, quase sempre com a linha escrita na lataria:

Próximas 2: linha de bonde moderno abandonada no Centro de Buenos Aires.

Sobre a última foto: macaco vê, macaco imita. O nome do bairro é Palermo, mas os parvos chamam de ‘Palermo Soho’.

Porque pensam que vivem em Nova Iorque/EUA. Os macacos existem em nossa pátria também:

O Batel aqui em Ctba. é igualmente chamado ‘Batel Soho’ por alguns. Lamentável . . .

…………

Vamos falar mais alguns detalhes do que observei na minha estada na vizinha nação:

Ali crianças de mais de 3 pagam passagem. No Brasil é 6, o dobro. Diferença significativa, obviamente.

Outra plaquinha que está afixada em todos os ônibus argentinos:

“Proibido abrir as janelas no inverno ou em dias frios”.

Esse é o verdadeiro estado-babá, que trata os cidadãos como bebês incapazes, a quem tudo precisa ser dito nos mínimos detalhes.

A Linha Turismo de Córdoba é feita por um 2-andares inglês antigo – daí a porta na esquerda. Só tiraram o teto.

Oras, deixe que os próprios passageiros negociem entre si quando e quanto abrir de cada janela, não é papel do governo querer regular até isso.

………..

Nas carrocerias a chilena Metalpar tem boa fatia do mercado argentino. Isso já disse na legenda acima.

Entre os chassis, quase todos são Agrale ou Mercedes-Benz. Curioso isso, não? A Agrale é brasileira, com sede em Caxias do Sul-RS.

Hoje não existem mais ‘jardineiras‘ (ônibus em chassi de caminhão) nas grandes cidades argentinas. Mas por décadas eles reinaram absolutos. Viação de Bs. Aires relembra em adesivos o tempo que os ‘bicudinhos’ dominavam as ruas portenhas.

Mas aqui em nossa Pátria Amada quase não vemos ônibus Agrale. No entanto, em Buenos Aires eles são extremamente comuns.

Alias, no século passado era proibido a importação de ônibus pra Argentina.

Abriram uma exceção pros tróleibus Marcopolo brasileiros que iriam pra B. Horizonte, mas nunca foram.

Ficaram anos num pátio, quando foram exportados pra Rosário. Assim quebrando alguns tabus:

Foram os únicos tróleibus brasileiros a rodar no exterior, em qualquer país. Alias creio que essa situação se mantém inédita até hoje.

E segundo, por muito tempo eram os únicos ônibus brasileiros na Argentina, contando elétricos e a dísel.

Segura essa: em registro do sítio DBPBuss, uma jardineira operando na Argentina, no ano de 2009. Em Porto Iguaçu, fronteira com Brasil e Paraguai.

Essa reserva de mercado se foi. Hoje os ônibus brasileiros podem ser vendidos livremente nessa vizinha nação.

No mercado rodoviários eles são infinitamente comuns. Nos urbanos de tamanho normal existem porém são muito raros. Mas entre os micros embora longe de serem dominantes são comuns.

Eu mesmo andei (e fotografei) num micro brasileiro entre Córdoba e uma cidade do interior próxima.

……….

Na Argentina os ônibus não tem catraca física, apenas uma máquina onde você encosta o cartão pra que a passagem seja descontada.

Antiga jardineira do transporte urbano, agora transformada em uma casa-móvel.

Ainda assim, não há a evasão rampante de passagens como no Chile.

Contei com mais detalhes, incluso com fotos, quando voltei de lá: em Santiago, creio que quase um terço dos passageiros não pagam a tarifa.

Há campanhas com cartazes por toda a cidade, e também dentro dos coletivos, pra tentar diminuir essa situação, até agora sem muito sucesso.

No Chile os busos também não tem catraca, alias esse é o padrão pelo planeta, já falamos mais disso.

Linha 146 e o Banco da Nação na Pç. de Maio, Centro de Bs. As..

Na periferia da Zona Sul de Santiago, que é a parte mais ‘quente’ da cidade se é que me entendes, alguns micros alimentadores têm catraca.

E com isso a evasão se reduz significativamente, pra menos de 10%. Ainda assim, alguns jovens pulam a roleta.

………..

Não é o fato de ter ou não roleta física que determina o grau de evasão. Alias, a situação do Chile não tem paralelo com outros lugares.

Em todos os outros países que visitei, com exceção da República Dominicana nenhum outro tem roleta.

E em nenhum deles – incluindo a Argentina – há tanta gente que anda sem pagar como em Santiago.

Próximas 3: linhas especiais da Grande Buenos Aires. Todas elas fotografadas na Zona Norte (Palermo/Recoleta), a parte rica da cidade). A 57 é o ‘Expresso Palermo‘, ônibus urbano mas só 1 porta.

Mesmo no Litoral do Chile os micros não têm catraca, mas as pessoas pagam pela viagem corretamente.

Enfim. Como disse, só no Brasil e República Dominicana existe a profissão de cobrador de ônibus.

Nos demais ou a cobrança já é mesmo eletrônica (você encosta o cartão numa máquina) ou então você paga ao motorista.

……..

Hoje na Argentina é eletrônica, não se aceita mais dinheiro nos ônibus.

A 194 tem duas portas, mas também é diferenciada, com cortinas inclusive.

Mas no passado, antes da revolução digital, o usuário pagava em dinheiro, tinha que ser em moedas, e no valor correto.

O que gerava um problema seríssimo, pois se você não tinha o valor exato – em moedas de metal, repito, notas de papel não eram aceitasvocê não andava de ônibus.

Minha primeira viagem pra Argentina foi em 2017, então não presenciei essa situação lá. Mas parentes que viajaram anos atrás passaram por isso.

Essa é um ônibus de viagem, mas a linha é urbana, dentro da região metropolitana.

Antes de pegar o buso você tinha que rodar o comércio pedindo que a algum comerciante trocasse suas notas por moedas, e a maioria se recusava aliás.

Houve casos em que as pessoas tiveram que ir de táxi, pagando mais caro, pois não tinham trocado pro ônibus.

Não passei por isso na Argentina, mas no Hemisfério Norte sim. Fui a Nova Iorque/EUA em 1996. Ao lado do motorista havia um moedeiro:

Exatamente igual, você tinha que pagar a tarifa em moedas e sem sobras pois a máquina não dá troco.

Um belo fim-de-tarde no Centro de Avellaneda, Zona Sul da Grande Buenos Aires. Como em Córdoba, só há o nº da linha pintado no letreiro.

Digo, se colocasse a mais você podia viajar, mas perdia a diferença.

Já havia cartão, mas 21 anos atrás (nov.17 é quando escrevo, relembrando) mesmo nos EUA seu uso ainda era incipiente.

Depois fui ao México, em 2012. A mesma situação, havia o moedeiro, e você necessitava desembolsar o valor exato.

Guia de Buenos Aires traz além do itinerário a viação que faz os roteiros e sua pintura. Numa cidade de pintura livre em que praticamente cada linha é de uma cor, uma informação útil.

……….

A tarifa do metrô de Buenos Aires é única, independente de quanto você utiliza:

Você pode andar somente uma estação ou então percorrer uma linha inteira, fazer baldeação e a seguir andar outra linha inteira.

E tudo que há no meio desses extremos. Resumindo, tanto faz quantas estações você anda, se troca de composição ou não, paga a mesma quantia.

Mas nos ônibus e trens o preço varia conforme o trecho percorrido. Ao embarcar você diz onde vai descer, e é debitado de acordo. Isso nos ônibus.

Veja que na foto noturna em que mostro a catraca em primeiro plano e fora da janela um protesto em B. Aires, a roleta diz: “Informe destino”.

Próximo da divisa de Avellaneda com a Cap. Federal achei essa transgenia. No Brasil já flagramos caminhões que receberam cabine de ônibus. Mas na Argentina é de mão dupla: começou com um ônibus encarroçado em chassi de caminhão. No fim de sua vida útil voltou a ser caminhão! Mas mantiveram a porta do ônibus!!! Tudo vai e volta . . .

Em cima dela, se você ler com cuidado observa, um aviso explica: “Preencha o destino, e não o valor da passagem, pra não dar confusão”.

Nos trens você tem que passar o cartão tanto na entrada quanto na saída. Aí a máquina calcula quanto você percorreu, e desconta proporcionalmente do seu crédito.

Na maioria dos países a tarifa é proporcional a distância.

Nos micros e vans da Colômbia, México, Chile, nas linhas metropolitanas do México, na África do Sul em todos os modais, no metrô de Valparaíso-Chile, é sempre cobrado conforme o trecho que você utiliza.

Num dia bastante tumultuado, em que inclusive andei de camburão ao ser abordado pela polícia numa das periferias mais perigosas de Durbã/Áfr. do Sul, um dos problemas foi esse:

Ataque em Dupla: não foi apenas um, mas dois busos que viraram caminhões.

Ao descer do trem o fiscal constatou que por engano eu havia pago o valor errado da viagem, por não ter conseguido uma boa comunicação com o bilheteiro da estação central.

nos ônibus de Córdoba e Mendonça a tarifa é fixa como no Brasil.

Idem nos ônibus grandes municipais do Paraguai, Colômbia e México, nos metrôs desses últimos dois países, nos ônibus e metrôs de Santiago, na República Dominicana em todos os modais – nesses casos o valor é pré-determinado, independente do tanto que seja andado.

Em Córdoba. Palavras não são necessárias.

Bem, na Argentina, resumindo, só no metrô de Buenos Aires e nos ônibus municipais do interior é fixa. Até nos ônibus grandes municipais da capital oscila conforme a distância.

Por falar no cartão, nas capitais da Argentina como do Chile ele te empresta o equivalente a duas viagens quando está esgotado.

Assim você vai pra casa e no dia seguinte chega a teu trabalho tranquilo.

Próximas 5, Córdoba. Aqui e a esq.: Ersa, creio ser a maior empresa. Logo 3, ‘Ataque em Bando‘. Um raro com 2 portas.

Aí tem o dia seguinte inteiro pra re-abastecer de créditos.

De forma que não precisa ficar rodando as vezes em horários e locais perigosos buscando um ponto de recarga. O Brasil deveria adotar essa solução.

……..

Em Buenos Aires todos os ônibus das linhas mais movimentadas têm 3 portas.

AuCor, Autobuses Córdoba, outra viação grande. Esse buso provavelmente é ex-Ersa, pois a pintura é a idêntica.

Apenas algumas internas do subúrbio, de uso local, ainda contam com veículos só com 2.

Em Córdoba quase todos com 3, mas ainda vemos os de 2 (a direita um deles). E Mendonça está bem pra trás, lá a regra ainda é 2, só alguns com 3.

Bem, nada é tão ruim que não possa piorar. Na África do Sul, pela herança inglesa, a imensa maioria dos busos só tem 1 porta, até 2 ocorre as vezes mas já é um luxo.

Viação Coniferal.

E 3 portas não existe exceto nos articulados. A circulação interna nos busões sul-africanos é horrorosa.

Empurra-empurra geral, e não é culpa das pessoas, afinal estão tentando entrar e sair pelo mesmo local.

Unindo então fluxo e contra fluxo. No 2-andares então é pior ainda, aquilo é um pesadelo.

Salão interno do tróleibus.

Já começa pela confusão na única porta que há – e onde o motorista ainda têm que cobrar a passagem e emitir o bilhete -, e boa parte do salão de baixo é tomado pela escada e motor.

Acrescente-se ainda a confusão na escada, onde o mesmo se repete: um espaço apertado, onde alguns querem ir num sentido, outros na mão oposta… aff!!!

Tenebroso. quando conseguimos enfim descer do 2-andares lotado no Centro de Joanesburgo foi um verdadeiro alívio. Enfim, nosso tema de hoje é a Argentina. Coloquei apenas pra traçarmos esse paralelo.

Garagem na periferia, ainda em Córdoba.

Se os busos 2 portas de Mendonça são ruins, comparados com os de 1 porta (e as vezes 2-andares) da África eles são um sonho.

Mais uma pausa pra fotos. Vimos acima busos da Ersa, AuCor e Coniferal de Córdoba. Seguimos nessa cidade, as mesmas viações.

Linha Turismo de B. Aires: também 2-andares conversível, mas esse é novo e feito na Argentina.

Um dia as jardineiras (ônibus com chassi de caminhão, o motor saltado a frente) dominaram toda América Hispânica, da Argentina e Chile ao México e tudo que há no meio.

Do Paraguai ao México, passando por Bolívia, Peru, Colômbia e toda América Central, elas ainda são muito comuns – na Colômbia e no México, presenciei pessoalmente, ainda fazem jardineiras zero km.

Próximas 2: metrô de Buenos Aires. Aqui a entrada na calçada, uma escada, parece Nova Iorque.

Mas na Argentina, Chile e Uruguai elas já não existem mais nas grandes cidades desde os anos 90.

Nos fundões do interior ainda encontrávamos algumas até pouquíssimo tempo atrás.

Em Porto Iguaçu (no estado argentino das Missões, na fronteira com Foz do Iguaçu/Brasil e Cidade do Leste/Paraguai) vi pessoalmente no ano de 2006 as jardineiras ainda na ativa.

E um sítio de busologia, o DBPBuss, registrou a cena, nessa mesma cidade, no ano de 2009, já publiquei a foto mais pro alto da página.

Falar no Paraguai, embora ali elas ainda existam aos montes, também caminha pro fim.

No Paraguai não se compram mais jardineiras zero km, ao contrário de México e Colômbia.

Mural na estação.

Quando as últimas jardineiras esgotarem sua vida útil como transporte urbano, se acabarão nas grandes cidades do Paraguai também.

O Panamá vive exatamente esse mesmo momento de transição. Tudo na vida é cíclico, e depois da Lua Cheia vem a Minguante e a seguir a Nova.

Alias é exatamente porque um dia todos os ônibus foram jardineiras que em Buenos Aires ônibus urbano é conhecido como ‘micro’.

Próximas 2: a viação municipal de Córdoba que opera os tróleis tem alguns a dísel (também guiados por Mulheres) como ‘frota reserva’. Circulam nos horários de pico, ou quando um elétrico quebra (veja o destaque da próxima imagem).

Pois as jardineiras são mais curtas que os ônibus normais, que já eram usados no modal de viagem, por exemplo.

Como os ônibus urbanos eram de tamanho menor, viraram simplesmente ‘os micros’.

Hoje não é mais assim. Atualmente os ônibus de Buenos Aires são iguais aos do Brasil. 

Incluso no comprimento. Mas o nome ‘micro’ ficou, refletindo essa fase do passado.

Em Acapulco-México, os ônibus urbanos são conhecidos como ‘caminhões’.

E o motivo é o mesmo, porque as jardineiras são construídas sobre e têm o motor de caminhão saltado a frente.

……………

TRENS MODERNOS E BARATOS – Um dos pontos extremamente positivos do transporte na Argentina é sua rede de trens.

Lá, ao contrário do Brasil, as pessoas ainda viajam sobre trilhos entre uma cidade e outra. É confortável e barato.

Garagem dos tróleis na periferia de Córdoba. Repare que na Argentina os ônibus elétricos não têm placa – em várias cidades do Brasil foi assim também por décadas, mas hoje não mais.

Tentei ter essa experiência, mas não foi possível por questões de escala, os dias que há as viagens (que não são diárias) não batiam com nossa programação. 

Assim fui de Buenos Aires a Mendonça, dali a Córdoba, e de volta a capital sempre de ônibus-leito.

Alias, já falo dos trens. Antes um adendo: andar de leito na Argentina é um luxo só, é como a 1ª classe dos aviões.

Nessa vizinha nação está consagrado o ‘serviço-cama’, que agora chegou no Brasil.

Ônibus suburbano (2 portas e vai parando no caminho, mas pega estrada pra ir pra cidades já fora da reg. metropolitana) na Rodoviária de Córdoba – essa é a rodoviária normal, de onde saem também os de longa distância.

As poltronas reclinam 180º, você deita na horizontal.

Há rodo-moça (em alguns casos rodo-moço), que serve café-da-manhã completo, temos a opção de leite com café, chocolate, chá ou – estamos no Pampa afinal! – chimarrão.

Pra me ambientar com o local, eu tomei chimarrão. Ademais na tela você pode ouvir música, ver filmes ou jogar.

A viagem passa rápido, eu disse, você se sente no avião. É caro, de fato, mas bom demais!

‘Rodoviária Suburbana’: bem no Centrão de Córdoba, e dali só partem linhas suburbanas (fotografei uma igual no Chile). Um micro é Comil brasileiro. Nessa foto encerramos os ônibus da cidade de Córdoba.

Em compensação, no banheiro você só pode urinar. Se precisar do ‘número 2’, é preciso avisar a rodo-moça (o), que o motorista encosta num posto. No Chile é exatamente igual.

……

Acima descrevi como é viajar de ônibus-leito, que fiz 3 vezes. Não pude andar de trem.

Mas quem o fez me disse que igualmente vale muito a pena.

Pra começar, é incrivelmente barato. Há 3 opções, o ‘toco-duro’, a ‘tudo-incluso’ e uma intermediária.

Rodoviária de Cosquín e imediações. Uma pequena cidade no interior do estado de Córdoba, próxima a capital. Vemos ônibus suburbanos, alguns das mesmas empresas já retratadas acima.

O ‘toco-duro’ é desconfortável, você tem que dormir e comer na poltrona, como nos ônibus convencionais.

Em compensação o valor é irrisório. Pra quem está sem grana ou quando a viagem for de dia é a melhor opção.

No ‘tudo-incluso’, você tem direito a uma poltrona pra ficar sentado durante o dia, a noite dorme numa cama – num vagão que tem quartos com beliche.

E as refeições são no vagão-restaurante. Esse colega me informou que tudo isso sai pelo mesmo valor do ônibus.

Como comparação, no Brasil há pouquíssimas opções de trem de longa distância disponíveis, e custam os olhos da cara.

Aqui em Curitiba, por exemplo, só é possível ir de trem a Paranaguá e outras cidades próximas no Litoral.

Mas é bem mais caro que o ônibus, que já não é barato.

……….

Já que estamos em Cosquín, essa é a estação de trens da cidade.

Ademais, vide o mapa mais pro alto na página, a rede de trens suburbanos de Buenos Aires é muito extensa.

Assim, você pode ir do Centro de Buenos Aires a alguns bairros dentro do município mesmo. Ou a municípios da região metropolitana.

Ou ainda a cidades do interior, que são próximas a capital mas já fora da Grande Buenos Aires.

Por exemplo, a ‘Cidade da Prata’ (‘La Plata’ no original). Essa é a capital do estado (‘província’) de Buenos Aires.

De volta a cidade de Córdoba, a capital do estado, dessa florida estação na periferia saem os trens pra Cosquín. Fui de trem e voltei de busão.

Como já explicamos antes, o município de B. Aires é o Distrito Federal: está dentro do estado de B. Aires, mas não pertence a ele.

Antigamente conhecida como ‘Capital Federal’, hoje chamada ‘CABA’, Cid. Autônoma de Bs. As., recapitulando, e o ‘Autônoma’ é justamente porque não está vinculada a nenhum estado.

Como já foi dito várias vezes e é notório, o município ‘autônomo’ de Bs. As. hoje é apenas a Região Central da metrópole.

Toda periferia fica na ‘Província’, ou seja, em outro estado, a Província de Buenos Aires. Cuja capital é a ‘Cidade da Prata’.

Essa alias foi planejada justamente pra isso, pra ser a capital estadual quando o Distrito Federal foi criado, no fim do século 19.

Próximas 2: Rodoviária do Retiro, Buenos Aires, belo fim-de-tarde de março de 17.

A ‘Cidade da Prata’ (‘La Plata’) fica a 55 km de Buenos Aires. Perto da capital, mas uma cidade a parte, não pertence a Gde. Buenos Aires.

Digo, futebolisticamente falando eu arrendondei e considerei a Cid. da Prata como um subúrbio da capital.

No século passado, quase todas as viações argentinas eram assim, multi-coloridas. Não mais, após uma reformulação agora são mais sóbrias. Essa manteve a vibração anterior.

No futebol sim, mas urbanística e socialmente falando a Prata é uma cidade a parte.

Ainda assim, é possível ir de trem suburbano (aqueles em que os bancos são de acrílico e você pode viajar em pé) até lá.

Bem mais barato que o ônibus, embora um pouco mais lento porque tem mais paradas.

Colagem com ônibus de viagem argentinos.

Ainda assim, como a distância é pequena a diferença de preço compensa os poucos minutos a mais.

Não pude ir a Cidade da Prata. Assim como nos trens de longa distância, reproduzo o que me foi passado por quem pôde realizar esse deslocamento.

………..

Viram na foto a ‘Estação Retiro’ de trens. Esse bairro, que fica na verdade no Centrão da capital, é o ponto focal da rede de transportes da Argentina, de forma tetra-modal:

Ali estão as estações de trens suburbanos e longa distância, o porto, o terminal de ônibus urbano e a rodoviária (várias das tomadas acima são ali).

Centro de Córdoba, março de 2017: caminhonete circula normalmente com um emplacamento que já foi extinto a 20 anos. Como é possível??

O aeroporto também fica próximo.

E no em uma parte invadida do pátio ferroviário (cada vez maior) está a favela Vila 31, uma das maiores da cidade – mas essa já é outra história.

Eu já disse isso, que todos os terminais estão concentrados no Retiro ou próximos a ele.

Aqui, o que quero colocar é que ‘Retiro’ é tão sinônimo de ‘rodoviária de Buenos Aires’ que é assim que vem escrito nas passagens e no letreiro dos ônibus de viagem.

Sim, você compra o bilhete, e nele não está escrito ‘Buenos Aires‘, a cidade a qual o ônibus se destina.

Próximas 3: bonde moderno de Mendonça. Aqui a galera no ponto. Não há catraca, você paga quando entra, depois o fiscal chega de surpresa e pede seu tíquete pra verificar.

E sim ‘Retiro‘, o bairro no qual a rodoviária fica localizada.

Portanto veem que virou um mantra, que ‘pegou’ não apenas no vocabulário da capital, mas até no interior.

…….

Como a colagem deixa claro, os táxis na Argentina oscilam entre o negro e o amarelo.

Em Buenos Aires é exatamente igual Santiago do Chile, corpo do carro negro e teto amarelo.

Um antigo vagão de carga virou ponto.

Isso no municipal da capital. Na região metropolitana cada município é livre pra escolher sua pintura.

Em Avellaneda, na Zona Sul, a terra do Independente e do Racing, eles são brancos.

Em Mendonça são as mesmas cores da capital, amarelo e preto, mas em mistura diferente. E Córdoba aboliu o preto, são inteiros dourados.

Mapa da rede.

Não custa lembrar, no Paraguai e Colômbia os táxis do país inteiro são amarelos, de todas as cidades.

De volta a Argentina e a Córdoba, apenas os táxis que você pega na rua são amarelos.

O tele-táxi, obviamente o que você pede por telefone, lá se chama ‘remí’. E tem outra cor, verde-claro.

……….

A Argentina está mudando o emplacamento. Eu já havia percebido isso antes de ir até lá. Em fevereiro de 17, fui a Florianópolis-SC.

Na Praia de Canasvieiras (Norte da Ilha) haviam tantos argentinos que ali mesmo eu vi carros com o nova chapa.

Fui a Z/S de Mendonça de bonde moderno, voltei nessa linha feita por articulados.Viação Cacique.

Na Argentina nos últimos 20 anos, do fim dos anos 90 pra cá, vigora um modelo com 3 letras e 3 dígitos numéricos.

A partir de agora a chapa terá uma faixa azul em cima com o nome do país.

E serão mais letras, inclusive dizem que se quiser você poderá dispensar o números e escrever uma palavra, como é nos EUA e México, entre outros.

Vila Carlos Paz, cidade no interior do estado de Córdoba parecida com Campos do Jordão-SP.

Não apenas na Argentina. Será padronizado em todo Merco-Sul, o Uruguai também já está fazendo a mudança.

Mas o choque vem agora. Vi vários carros circulando na Argentina com o emplacamento que já foi abolido a duas décadas:

Selos de regulamentação colados na lataria.

A chapa era inteira preta, com 1 letra e 6 dígitos numéricos.

Não havia nada escrito além disso, nem o nome do país nem da cidade.

Os mais velhos, que tiveram a oportunidade de ir a Argentina até o começo dos anos 90 (ou, o que nesse caso dá no mesmo, pra Florianópolis no verão) se lembram bem.

Próximas 2: bairro Nunhes (‘Monumental de Nuñez‘), Z/N, parte rica de Buenos Aires. Aqui o corredor MetroBus.

Então, amigos. Esse modelo já foi extinto na virada do milênio, quem sabe antes.

Como esses carros podem circular dessa forma é um mistério que não pude compreender.

Afinal, nem há como multar um veículo desses se o motorista cometer uma barbeiragem.

Pois sequer há como digitar a chapa no maquinário eletrônico próprio pra registro da infração.

É como se víssemos hoje no Brasil um carro andando pelas ruas ainda com a chapa amarela, aquela de 2 letras, que foi aposentada na mesma época.

Perto dali, a estação de trens. O destino é ‘Tigre’ (na África do Sul não daria pra saber, lá o letreiro é numérico).

Impossível, não? Mas na Argentina vi vários, muitos deles consegui fotografar.

Sim, alguns estavam sendo sucateados, talvez não andem mais.

Na Argentina é comum deixar os carros batidos ou muito velhos simplesmente se decompondo na via pública, sem levar pro ferro-velho como seria correto.

Já falarei mais desse ponto. Aqui, o que nos interessa é:

Pontos de ônibus pelo país.

Mas alguns carros com o emplacamento antigo, já encerrado há 2 décadas, estavam rodando normalmente.

Vi um em Mendonça, inclusive estava sendo reformado.

No estado de Córdoba, todos os veículos comerciais (exceto ônibus municipais) têm que ter uma segunda chapa com registro estadual.

Portanto o dono estava usando ele normalmente, e pretendia continuar, pois investia dinheiro no veículo.

Infelizmente esse não pude fotografar, nesse dia mais uma vez minha câmera estava descarregada (ela viciou a bateria, perdi algumas fotos por isso infelizmente).

Mas Deus Abençoou, e no Centro de Córdoba fotografei claramente uma antiga picape D-20 Ford com essa chapa há muito desatualizada.

Ali sem qualquer margem pra discussão o veículo estava em uso.

Mais um bi-trem.

Mesmo com o emplacamento pra lá de irregular, e a foto comprova isso indubitavelmente.

Como isso é possível deixo pra algum amigo argentino explicar.

Bem, a Argentina está bem caótica, em múltiplas dimensões.

Isso é só um sintoma dessa confusão que engolfou a nação.

……….

Por outro lado nas dificuldades é que as pessoas se revelam.

Enquanto alguns aproveitam o tumulto pra tirar vantagens pra si, outros demonstram uma disposição incomum em ajudar os outros.

Mercedes com desnível no vidro: esse modelo foi muito vendido lá.

Usando o transporte coletivo na Argentina, vimos os dois lados da moeda.

O ponto negativo: na Argentina simplesmente não respeitam o banco pra deficientes, idoso, grávidas e gestantes. Veja a imagem acima:

Banco preferencial está sempre ocupado, e sempre por pessoas jovens e saudáveis.

Na foto inferior da colagem, há duas moças a direita no banco preferencial.

Mas o casal a esquerda está na mesma situação, a primeira fileira perto da porta é reservada.

Próximas 2: corredor MetroBus em frente ao estádio do S. Lourenço (torcedores chegam pro jogo sob muita chuva). A placa indica quais as linhas que passam ali.

Na Argentina não respeitam esse direito de quem necessita.

Sim, fiquei poucos dias lá, menos de 2 semanas. Mas andando de transporte coletivo o tempo todo.

A situação era sempre a mesma. E não me diga que no Brasil é igual porque não é.

É claro que aqui como em qualquer parte há ‘espíritos de porco’:

Aqueles que não se importam com ninguém, e sentam no assento preferencial sem necessitar.

Sabe, eu tenho carro mas quase nunca o utilizo.

Me locomovo somente de ônibus, praticamente.

E sempre vejo, aqui em Curitiba:

Filma as jóias que circulam na Argentina. Aqui e a esq. são 2 Falcões, o próximo mesmo batido ao menos está bem conservado. Já esse . . .

O ônibus está cheio, todos os bancos não-preferenciais ocupados.

Várias pessoas de pé. Mas muita gente não senta nos bancos reservados.

Deixam vários deles vazios a espera de quem é de direito.

Em São Paulo quando comento isso já me relataram que a situação é a mesma.

Repito, sempre há exceções. Mas no Brasil muita gente respeita.

Próximas 2: Rodoviária de Mendonça. Em meio a ônibus de viagem um suburbano azul prepara-se pra encostar. A esquerda vários suburbanos, uma colagem.

Na Argentina a coisa vai na mão inversa:

Mesmo adolescentes e jovens adultos não sentem a menor cerimônia em ficar confortavelmente instalados enquanto quem precisa vai de pé.

…….

Por outro lado, em Mendonça o motorista do ônibus foi extremamente atencioso e prestativo conosco.

Nosso cartão não tinha créditos suficientes pra pagar a viagem.

Em Buenos Aires nesse caso o cartão te empresta o suficiente pra mais 2 viagens, mas pelo visto o interior ainda não aderiu a essa melhoria.

Colagem com a Viação STM, Sociedade de Transportes de Mendonça.

Assim sendo o motorista, que também é o cobrador, pelo regulamento poderia ter solicitado que a gente desembarcasse.

Carregasse o cartão, assim seguindo somente em outro ônibus.

Mas ele não fez isso. Ao contrário, nos explicou a situação.

Disse que seria preciso que outro passageiro creditasse no cartão dele.

A frota argentina está velha e sucateada. Dodge na Z/S da capital, sob o olhar de ‘Che’ Guevara.

E aí nos reembolsávamos em dinheiro a quem fizesse o favor.

Aí ele, o próprio motorista, fez o pedido a quem entrou a seguir.

Pagamos em espécie a passagem ao passageiro que regularizou a situação na catraca digital.

Trólei-tribus alemão que rodou em Mendonça (r) (foto de um Guevara. Parente do ‘Che’?).

E pudemos voltar ao Centro de Mendonça com tranquilidade.

Na África do Sul esse nível de gentileza é o padrão do povo.

Registro aqui que na Argentina deparamos com ele também.

………

Em Mar do Prata é onde os portenhos passam suas férias de verão – aquele que não vem pro Brasil, evidente.

Em desmanche próximo a Mendonça, vários ônibus Ciferal que há pouco ainda rodavam lá. No ferro-velho ao lado eu vi as carcaças os tróleibus-tribus alemães da foto anterior.

No original é ‘Mar del Plata’ (sabem que sempre que possível traduzo pro idioma português). Por isso apelidada ‘Mardel’.

Não visitei ‘Mardel’, portanto não a conheço pra poder escrever.

Mas pro tema que nos interessa aqui, que é o transporte, vi pela internet que Mar do Prata tem uma Linha Turismo.

E essa é feita por um ônibus que tem a carroceria que imita a de um bonde antigo (foto ao lado, puxada da internet).

Em Santos-SP há bondes antigos (e também modernos, o VLT), que foram restaurados e ainda rodam sobre trilhos.

Na Argentina, entretanto, não há bondes antigos. Inclusive veja a foto um pouco mais abaixo a direita que tirei no Centro de Buenos Aires, mostra os trilhos.

Comprovando que um dia ali realmente passou bonde (registrei a mesma cena em Assunção e Belém do Pará).

Um dia sim, mas não mais a muito. Em Mar do Prata tampouco há bondes.

Mas numa brincadeira, encarroçaram um ônibus a dísel e com pneus com uma carroceria de bondes. Isso já falamos.

O Ford Falcão na foi o ‘Carro do Terror’ na ditadura argentina (r).

Por conta disso ele traz uma inscrição pretenciosa:

Se auto-denomina “O Último Bonde”. Isso não é novidade, já está no ar a tempos em outra postagem.

Pois bem. O de ‘Mardel’ não é o último pseudo-bonde da Argentina. Em Mendonça há outros iguais, veja acima.

É o seguinte: Mendonça também tem sua Linha Turismo. Chama-se ‘Bonde das Compras’.

Falcão no Centro de B. Aires, sobre os trilhos onde um dia passaram bondes.

Pois igualmente é feita por ônibus com carrocerias de bondes antigos.

Esses eu pude ver e fotografar pessoalmente, apenas não andei nele.

……..

Outra seção de fotos. Já que falamos de Mendonça, vejamos mais busos dessa cidade andina.

UMA ‘ALMA MUSICAL’: IR A ARGENTINA FOI COMO VOLTAR AO MÉXICO –

Na Argentina eu comprovei como a Alma Hispano-Americana é a mesma, do Sul ao Norte do Continente

Quando fui ao México, em 2012, já havia lhes contado como o mexicano ama a música.

O tempo todo dentro do transporte coletivo há apresentações improvisadas.

Umas profissionais até com caixas de som e após a qual CD’s são vendidos.

Outras vezes um cara sozinho com um violão.

Buenos Aires: acima a linha 373, em azul a Viação São Vicente.

Andar de ônibus ou metrô no México jamais será monótono.

Pois bem. Na Argentina é igual. Acima consegui clicar o garoto com o violão no metrô de B. Aires. A cena se repetiu várias vezes.

Uma apresentação-solo, um casal cantando música romântica, ou mesmo uma banda completa.

Os vagões e estações do metrô da capital são um palco aberto a todos, basta tomar um espacinho e mandar ver.

No Chile é assim também, mas bem menos. Na Argentina e México infinitamente mais.

………

Calamidade! Na Argentina a frota está velha e batida. Ademais, é comum deixarem os carros que não servem mais (seja por acidente ou porque são antigos demais) simplesmente apodrecendo na rua, sem recolher ao pátio ou ferro-velho.

Vimos mais pra cima a esquerda um buso Mercedes (já aposentado do serviço regular) com desnível no vidro.

Esse detalhe é comum na Ásia (Japão), Na Argentina foi consagrado nesse modelo da Mercedes fabricado nos anos 80 e 90.

Meus parentes que foram pra lá perto da virada do milênio me trouxeram inúmeras fotos dos busos com esse desenho (na época) em linhas urbanas.

O tempo passou e hoje eles só fazem ‘escolar’, ‘rural’, transporte de bandas, etc.

………

Os caminhões bi-trem são muito comuns na Argentina.

Mas atenção: nesse vizinho país não existem os caminhões gigantescos com 30 metros e 2 engates, como os que se popularizaram no Brasil.

Explico: nas estradas de nossa Pátria Amada é careta e bi-trem, ambos ao mesmo tempo.

Ou seja: cavalo-mecânico, 1º engate, um compartimento grande de carga, 2º engate, outro compartimento grande de carga.

O LIXO DA FRANÇA É O LUXO DA ARGENTINA: É comum vermos nas ruas argentinas essas peruas (Citroën, Renault ou Fiat) fabricadas nos anos 60. Mas essa é ainda mais antiga, dos anos 50 (era nessa que Mafalda andava, veja um pouco abaixo).

Em outras palavras, são duas carretas grandes puxadas por um cavalo. Portanto 2 engates.

Na Argentina é diferente: é somente 1 engate sempre, 2 não existe.

Os caminhões são carreta ou bi-trem, jamais ambos ao mesmo tempo.

Lá ou é carreta normal, cavalo, um engate mais um somente compartimento grande de carga;

Ou então um caminhão pitoco, curto, um engate, e mais um compartimento de carga.

Carreta sem ser bi-trem, ou bi-trem sem ser carreta. É preciso escolher.

No Brasil é ‘tudo ao mesmo tempo agora’, carreta/bi-trem.

…………

Como dito na legenda um pouco acima e é notório: o Ford Falcão foi o ‘carro do terror’ da ditadura argentina.

É comum nas periferias da Argentina vermos carros amarrados, pra que não se desmanchem.

Ele não tinha ‘caçapa’, ou seja, não havia espaço pra presos.

Os infelizes que eram apanhados pela polícia política argentina iam pra delegacia (ou pro local de desova, se já estivessem mortos) no porta-malas.

Alias era por isso que o Falcão foi escolhido. Os militares diziam que ‘apertando cabiam 5 no porta-malas’.

Pensa que é brincadeira? Então segura aí.

Cruel? Evidente que sim. A ditadura argentina foi indescritivelmente cruel, muito, mas muito pior que a brasileira.

Tanto que lá houveram formas de tortura desconhecidas aqui, por isso Videla foi alcunhado ‘Pol Pot na América’. Desse período macabro já nos ocupamos outro dia.

Esse (na Zona Sul de Buenos Aires) botou até cadeado! Sempre é bom garantir . . . No México, um da mesma idade pôs cadeado no tanque, pra não roubarem o dísel.

Aqui o foco é o ramo do transporte. Ford é a marca-ícone da Argentina, a mais vendida da história.

Seu carro-chefe (literalmente) era o Falcão, que lá foi produzido por décadas, pelo menos dos anos 50 aos 70, e quem sabe até os 80.

Portanto o Falcão já era popular antes do golpe de estado de 1976. E permanece querido até hoje, apesar de ter sido impregnado com o estigma da repressão.

Bem, pra quem é de direita o Falcão é popular exatamente por ter sido o carro da ditadura, e não ‘apesar’ disso.

colapso: a frota da argentina parece a de cuba!!!!

o lixo da frança é mesmo o luxo da argentina: caros velhos e batidos circulando, outros apodrecendo na via pública

A Argentina empobreceu muito nessas últimas décadas, e sua frota reflete isso.

Os pais da Mafalda (ícone argentino) tinham uma peruinha Citroën 2CV, veja ao lado.

Agora pense nisso: esse desenho é dos anos 80, e o carro já era velho na época.

Colagem mostra o estado da frota argentina. Achei outros com a placa antiga, já aposentada a 2 décadas.

Alguns deles continuam na ativa hoje, 30 anos depois (veja o farol saltado, igual aquele vermelho que está um pouco acima a direita).

Mas atenção: a Argentina hoje é um país extremamente desigual.

Vão longe os tempos em que ela tinha o 2º menor Índice de Gini (que mede a concentração de renda) da América Latina, só acima do Uruguai.

Hoje a Argentina é tão desigual quanto Brasil e Colômbia:

Alguns multi-milionários de um lado, uma multidão que sobrevive apenas, e uma massa considerável de miseráveis, que nem isso conseguem.

Exemplo perfeito é o Porto Madeiro, o mais novo bairro de Buenos Aires, que surgiu na virada do milênio.

Falarei melhor dele em outro texto, mas aqui, pra dar uma adiantada, falo que um fato pouco conhecido é a favela que existe na ponta da ilha.

Precariedade: em Córdoba, pessoas sem proteção viajando na caçamba.

Atrás daqueles arranha-céus dos riquíssimos existe uma aglomeração de barracos miserável, sem saneamento básico.

Quase ninguém vê, e menos gente ainda se importa.

Isso reflete como está o país como um todo. Na dimensão automotiva o mesmo se manifesta, uma extrema desigualdade.

Muitos fazem o turismo ‘convencional’ da classe-média, indo apenas nos bairros chiques.

O Fiat 147 lá se chamou ‘Spazio’. Mais uma vez amarrado pra não cair o para-choques. Veja que na 2ª imagem da tomada do outro lado da rua há mais carros Fiat velhos.

Oscilando somente entre o aeroporto, hotel de luxo, centros de compras, museus, e restaurantes e ‘baladas’ caros.

Eu não julgo ninguém, e não estou criticando. Cada um faça o que quiser. Mas aí evidente que não verá o que estou apontando.

Pois na burguesia a frota argentina não difere da brasileira, em idade e estado de conservação.

Mas na periferia são brutalmente diferentes. Sim, claro que existem carros velhos no Brasil. Mas o nosso ‘velho’ são 20 e poucos anos, veículos produzidos nos anos 90.

São raros em nossas ruas automóveis dos anos 80, dos 70 já são são ‘elefantes brancos’ que vemos um a cada vários meses.

E não existem rodando no Brasil carros fabricados nos anos 60 e muito menos 50 – exceto nas mãos de colecionadores, aí são caríssimos, geralmente até com chapa preta.

Na Argentina, os carros ‘velhos’ tem o dobro dos nossos, ou mais: 40, 50 ou mesmo 60 anos. Sim, é isso.

Antigo e moderno: Dodge nas ruas de Porto Madeiro.

Nessa vizinha nação automóvel dos anos 80 já é relativamente novo nas periferias mais depauperadas, os dos anos 70 são o padrão, ainda são extremamente comuns os dos anos 60.

Não estou brincando nem exagerando. Já havia constatado isso assim que o ‘Google Mapas’ levantou a Argentina pro modo ‘visão de rua’.

Aí dei extensas voltas por lá, na época virtualmente, na tela do computador.

E então já escrevi-lhes um emeio com esse título, “Colapso, a frota da Argentina parece a de Cuba”, com muitas imagens.

Agora ‘in loco’ comprovei que de fato é assim, então aquele emeio será eliminado, não vou subí-lo pra página. Pois não é mais necessário, tirei as fotos ao vivo. 

Essa foto é no continente, com Porto Madeiro ao fundo. Mercedes e Scania. A frota argentina de caminhões é similar a brasileira, só no geral bem mais velha.

Não para por aí: levantei pro ar uma comparação entre Europa Ocidental e América do Sul em outra postagem.

Lá, eu mostrei que ‘o lixo da França é o luxo da Colômbia’.

Peruas Citroën e Renault dos anos 60 e 70, que na França literalmente foram partidas ao meio e servem apenas como decoração na Colômbia ainda rodam.

Pois bem. Nas periferias das cidades da Argentina essas mesmas peruas produzidas nas décadas de 60 ainda são o meio de transporte de várias famílias proletárias.

Tanto as duas marcas francesas citadas logo acima quanto uma italiana, Fiat. A esquerda uma Citroën (a foto está nomeada ‘Renault’ por ignorância minha, um colega retificou, vide os ‘comentários’ abaixo).

Os traços da Fiat eram mais arredondados e somente com 2 portas.

Em casos extremos carros até dos anos 50 igualmente ainda estão na rua. Cara, isso você não vê no Brasil, nem em sonhos. Fatos são fatos,  e aqui corroborados pelas fotos. Fiquei menos de duas semanas da Argentina.

E nesse curto intervalo fotografei várias peruinhas com mais de 50 anos ainda em circulação, agrupei algumas numa colagem ao lado

Repito, isso no Brasil não existe. Mesmo! Não custa enfatizar ainda mais uma vez:

Na Argentina as vezes vemos ainda veículos dos anos 50 – e não nas mãos de colecionadores burgueses, mas do povão, como meio de transporte.

Mais: como já dito nas legendas, na Argentina é comum simplesmente abandonarem na via pública os automóveis que não servem mais.

Seja porque enfim decidiram que está velho demais – aleluia! – ou porque sofreram P.T. (perda total) num acidente feio.

É tão corriqueiro que o dono de um carro antigo que estava na oficina na periferia da Zona Sul de Buenos Aires colocou um aviso no para-brisas (ao lado):

“Esse automóvel não está abandonado, está sendo consertado”, seguido de seu endereço e telefone, se alguém precisasse entrar em contato.

Frota velha e batida, como na República Dominicana. E como em Cuba os bichões com décadas e décadas de estrada, que em qualquer outro país estariam no museu, na Argentina seguem na pista.

Definitivamente, o lixo da França é o luxo da América do Sul, da Vila Buenos Aires em Medelím/Colômbia a Buenos Aires original no Delta do Prata.

Fisicamente nossa vizinha, um dia a Argentina parecia mais europeia que americana. Esse tempo já se foi há muito.

A Argentina literalmente despencou do sonho europeu, aterrizando de cara na realidade americana.

Bem-vinda Argentina querida, estávamos te esperando.

Como eu já disse antes: definitivamente, agora estamos todos no mesmo barco.

Deus quis assim.

……..

O texto encerrou, mas como fechamento ainda tem duas galerias de fotos. Começo ainda na Argentina, 4 caminhões brancos de modelos que também existiram no Brasil:

Como prometido, sobrou uma palhinha pro Uruguai (que vemos que vibra na mesma frequência que seu vizinho maior, a Argentina). Nunca estive nesse país, mas uma colega enviou as fotos diretamente de lá.

Deus Pai e Mãe proverá.

Flores do Barigüi

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 20 de outubro de 2017

As postagens de ‘Flores’ são dedicadas as Mulheres

Todas as fotos são de minha autoria, exceto a que está acima da manchete.

Essa tive que puxar da rede, pois na hora de definir a imagem de capa o provedor da página corta trechos da cena.

Assim não consegui uma tomada que pegasse tanto as flores quanto o lago.

…………

Isto posto, vamos começar.

Olá meninas, tudo bom com vocês?

No fim de setembro.17 estive no Parque Barigüi.

Essas imagens ao lado e acima eu cliquei pessoalmente, como todas daqui pra baixo.

E depois dei uma volta em um dos bairros que o compõem, o Santo Inácio, Zona Oeste.

Além disso, ampliei uma postagem antiga pra mostrar todo trajeto do Rio Barigüi em Curitiba (como já havia sido feito com o Belém).

Isso já sabem, as matérias estão no ar (sempre que a fonte é rosa como agora as ligações vão em azul).

Então hoje vamos ver as flores do Parque Barigüi e do Santo Inácio, ao redor dele.

Nas duas primeiras, as flores, o lago represado do rio, e os prédios (que já ficam no Bigorrilho, também Zona Oeste) ao fundo,

…………….

Acima alguns pinheiros que ficaram pra dentro de um condomínio de padrão elevado.

Evidenciando o novo perfil sócio-econômico da região ocidental da cidade.

E uma florida árvore provem um tapete vermelho pra quem passa na rua. Aconchegante, não?.

……….

A esquerda um mamoeiro carregado, isso em plena via pública.

Aqui no entorno do Rio Belém (divisa entre as Zonas Leste e Sul), onde vivo, existe a mesma cena.

Abaixo dele um roseiral – na tomada seguinte uma dessas rosas rubras em escala maior.

………………

Andando pelas ruas do Santo Inácio vi muitos outros canteiros ricamente ornamentados e bem-cuidados.

Vemos alguns exemplos nas próximas fotos. E também muitos sobrados elegantes e mansões todo floridos.

Muitas vezes com primaveras nos muros, como abaixo. Eu adoro as primaveras.

Essa espécie é minha flor favorita – depois dos hibiscos, claro.

Alias nesse dia não vi nenhum hibisco. Uma pena. Mas primaveras várias, compensou.

…………

O Santo Inácio não se aburguseou de todo.

Ainda restam vilas mais humildes, de moradia da classe trabalhadora.

E essas partes do bairro igualmente estavam lindas, cheia de flores.

Um exemplo a direita, onde cliquei essas belezuras alvas. Note que atrás há casas com telhado de eternit.

Mais imagens:

Muito lindo.

Em cor-de-rosa nós fechamos.

………..

Beijos em teu Coração de Mulher.

Que Deus a Ilumine Infinitamente.

“Deus proverá”

Rio Barigüi, seus parques e suas favelas.

Galera, já estava no ar uma postagem que mostrava algumas fotos da Fazendinha e CIC, nas regiões próximas ao Rio Barigüi.

Pois bem. Aproveitei o mesmo endereço, mas refiz a mensagem inteira. Multipliquei por 20.É na verdade uma postagem nova:

Agora mostramos todo o trajeto do Rio Barigüi em Curitiba, do Parque Tanguá no Pilarzinho (extremo da Zona Norte) a gigante invasão que surgiu nessa década na Caximba (extremo da Zona Sul).

E claro, sem esquecer da Zona Oeste, pois Barigüi É Z/O, por definição. É o    Rio-Arquétipo da parte ocidental da metrópole, consagrado pelo parque de mesmo nome.

Clique na ligação em vermelho (ou nas fotos, que também são ligações) pra conferir.

Já havia feito um trabalho similar com o Belém; agora chegou a vez do Barigüi. Merecido, não?

 

a “Viúva Negra”

A Marília original, ‘como a Natureza fez’: uma morena palito.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 7 de outubro de 2017

Todas as postagens de ‘Marília’ são dedicadas as Mulheres.

…….

Marília, quando jovem, teve um casamento infeliz. Seu marido não a respeitava: tinha várias amantes, traía-a com inúmeras outras Mulheres. E além disso era insensível com o que ela lhe pedia.

Pois não a via como sua companheira de verdade. Em sua visão egocêntrica, sua esposa não era uma pessoa com os mesmos direitos que ele. E isso fez muito mal a Marília.

Após anos procrastinando, ela finalmente resolveu se separar, quando os filhos já estavam mais crescidos.

“CORRIGINDO A NATUREZA”: DE UMA MORENA ‘PALITO’ PRA UMA LOIRA PEITUDA

“Agora vou ficar loira.”

Quando enfim se livrou desse peso, Marília ainda levou um tempo pra se recuperar do baque. Logo após o divórcio, ela estava deprimida.

Com a auto-estima em baixa. Se descuidou e não travava direito de sua aparência, e nem mesmo de sua saúde.

Assim ela ficou doente, de corpo e espírito, pois não via muita razão pra ser diferente.

Mas o tempo passa, e tudo muda. Marília se cansou de ficar nessa baixa frequência. Ela renasceu espiritualmente. “Daqui por diante, serei uma Nova Mulher”, ela prometeu a si mesma.

E pra espelhar seu espírito novo, ela decidiu modificar também seu corpo, pra dar um gás novo geral, em todas as dimensões.

Pra começar, ela fez o que sabia que tinha que ter feito a muito, mas agora foi: procurou o médico e tratou os problemas de saúde.

Pois esses eram somáticos, o corpo adoeceu por refletir um espírito enfraquecido.

Não foi só isso. Marília se renovou também na sua apresentação visual: primeiro, fez um implante de silicone nos seios, pra eles ficarem mais volumosos.

Aí ela foi ao salão de beleza e pintou seus longos fios, de negros pra loiros. Depois aproveitou o embalo e fez permanente no cabelo. Tudo isso vimos nas gravuras acima. Ao lado, o ‘antes/depois’.

………

E EIS A “VIÚVA NEGRA” –

Marília sempre foi vaidosa, desde criança. Na verdade desde o berço ela já tem as unhas pintadas.

Entretanto, quando esteve deprê, ela se deixou um pouco de lado essa parte também. Por aí vemos como esse casamento fatídico lhe mal.

A ‘Nova Marília‘: cabelos claros ondulados, e com ‘air bags’.

Pois essa era sua característica mais marcante desde a infância. Bom, natural, né? Se ela se deixou até adoecer, não ia ser pra estética que ela ia olhar com carinho.

Mas agora tudo isso é passado. Virou uma “Mulher de peito” (figurada e literalmente), cachinhos dourados, segura de si, ademais uma Mulher solteira.

“Agora Sou ‘A Viúva Negra’ “, ela se auto-definiu assim.

Seu ex-marido não desencarnou, ao contrário, ainda perambula por esse plano material que estamos. Mas pra Marília ele está morto, não existe mais. Não apenas a pessoa dele, como indivíduo.

E sim como arquétipo, como um padrão de comportamento se quiser definir assim. Querendo dizer com isso o seguinte: ela nunca mais vai ficar com um Homem egoísta, que não a respeite.

Marília é sensual e fogosa, e está bem viva. “Não sou ex-Mulher de ninguém”, ela brinca: “não é porque eu me divorciei que virei Homem. Ao contrário, Sou Mulher – e muito Mulher !!”. Ela gosta e sente falta da companhia Masculina. Mas desde que valha a pena, que isso esteja bem claro.

A “Viúva Negra”.

Marília paquera, joga charme, gosta de ser cantada (embora as vezes fique envergonhada, caso tenha dúvidas se o olhar é mesmo pra ela), dorme na casa de seu namorado, ou ele dorme na casa dela.

E quando ela está com alguém fica só com ele, pois Marília é Mulher de um Homem só. Porém, o pretendente tem que ser um Homem de corpo e Mente Masculinos, mas Coração sensível.

Ou seja: másculo sim (pois ela detesta os frescos e afetados que até se depilam, quem é a Energia Feminina do casal é ela). Mas ainda assim que Ame e apoie as Mulheres de Verdade, em carne e osso.

De cafajestes ela já está cansada, já quitou sua cota. E, mesmo que cumpra todos os critérios, ao menos por enquanto cada um em sua própria casa.

Dormem juntos em ocasiões especiais, mas diariamente não, exatamente pra magia não se esvair. Ela precisa desse recolhimento nesse momento de sua vida.

As pessoas perguntam se ela “não vai casar de novo?”. Marília responde: “Por quê não? Quem sabe um dia, né? Se o marido valer a pena, estou Aberta a possibilidade. Porém isso num futuro, próximo ou distante, Deus é quem Sabe o dia.

Porque por hora, usar véu . . .  só se for pra fazer a Dança do Ventre!!!! KKKK!!!”, ela se diverte. Por isso ela está de preto. Porque tão cedo não vai entrar num vestido branco de novo, ao menos não “aquele” vestido. Alias o que ela usou um dia já foi até cortado em dois.

Em escala maior.

E quem pode culpá-la? Marília já sofreu muito enredada em quem não valia a pena. Agora ela quer curtir essa Vibração de Ser a Sereia:

Encantar os Homens, mas eles é quem pulam em seu território, e não ela no deles.

……..

Que Deus Mãe e Pai a Ilumine pela Eternidade.

“Ela/Ele proverá”

a “Cidade Oculta” (e mais o Pq. Barigüi): Santo Inácio, Zona Oeste

Santo Inácio: casa de madeira, terreno enorme sem muro, bosque no fundo.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 30 de setembro de 2017

Depois de 15 anos morando na Zona Sul de Curitiba, me mudei pra parte oriental da cidade. Na verdade minha casa fica a 200 metros da antiga.

Mas como eu cruzei o Belém, troquei de bairro (do Boqueirão pro Uberaba) e também de ‘zona’. Estou lhes contando isso pelo seguinte:

No Santo Inácio fica o Parque Barigüi – digo, ele ocupa partes de 4 bairros. O S. Inácio é 1 deles.

Deus é mesmo o ‘Cara Gozador’, e quis Ele-Ela que minha primeira matéria publicada na Zona Leste fosse curiosamente retratando a Zona Oeste, a porção diametralmente oposta portanto.

Então chega dessa falação, e vamos ao nosso tema de hoje: Santo Inácio, Zona Oeste.

Um bairro pequeno (apenas 6 mil moradores no censo/10) e pouquíssimo conhecido.

A maioria dos curitibanos não sabe que um dos 75 bairros da nossa capital se chama ‘Santo Inácio’.

Por isso a ‘Cidade Oculta’ do título.

……..

fotografei e reportei a ‘parte alta’ dele, a divisa com Santa Felicidade, onde passa o busão Montana.

Já houveram bem mais, mas as grandes áreas verdes ainda são comuns.

Lá flagrei em pleno Brasil uma picape do Paraguai militando na eleição dos EUA. Pensa que é brincadeira mas não é, fotografei tudo, clica pra comprovar.

Tudo isso já está no ar, fui em 2014 lá. Agora de novo, dessa vez foi a ‘parte baixa’, onde passa o Saturno, divisa com o São Braz, perto da BR-277.

A Zona Oeste, por estar parcialmente desocupada até a década de 90, passa por intenso processo de urbanização e aburguesação desde então.

De quebra fotografei o parque mais famoso de Ctba. – o Barigüi óbvio. Alias a melhor referência é essa:

O Parque Barigüi fica (parcialmente, já detalho melhor) no Santo Inácio.

A Universidade Tuiuti e Faculdade Espírita também (essas de forma integral).

Por conta disso parte dos moradores do Santo Inácio dizem que moram “no Barigüi”.

Mas o Barigüi não é bairro: é o rio, e por conta disso um parque – o mais famoso da cidade, como o sabem.

Sintetizando a transição da Zona Oeste e do S. Inácio em particular: duas casas de madeira bem simples (uma delas secular), num terreno enorme. Ao fundo condomínio de elite com sobrados triplex, e depois um bosque.

E bem rio abaixo uma vila na periferia de Curitiba, que começa na Fazendinha e tem a maior parte de seu território na Cidade Industrial.

Já retratei a Vila Barigüi do subúrbio em 2 reportagens, que você acessa clicando nas ligações em vermelho.

Então bora de volta pro nosso tema atual, as imediações do Pq. Barigüi, região que nada tem a ver com a Vila Barigüi. Só compartilham o nome.

Porque são as margens do mesmo rio na Z/O (alias a postagem que originalmente só mostrava a Vila Barigüi e proximidades foi ampliada pra abarcar todo trajeto do Rio, do Pilarzinho a Caximba, de Tamandaré a Araucária), mas longe um do outro.

Voltando ao redor do parque, por causa dele muitos de seus moradores dizem que moram não no Santo Inácio, mas “no Barigüi” – só que esse bairro não existe.

Especialmente os ‘novos-ricos’ que se mudaram pra lá recentemente e vivem em condomínios fechados, já falo melhor disso. 

A Z/O é onde Curitiba mais se parece com Ponta Grossa-PR, ou (substituindo madeira por alvenaria) com B. Horizonte-MG.

Bom, a Zona Oeste é campeã de mudar nomes dos bairros, são vários casos:

O Bigorrilho e parte das Mercês eles chamam de “Champagnat”, o Mossunguê, partes do Campo Comprido e CIC eles dizem “Ecoville”.

Pois bem. Eu não reconheço e não ratifico esses modismos, ao contrário, retifico.

E não é que creia que as denominações sejam eternas, ao contrário.

Flores a margem do lago no Barigüi (fiz postagem a parte mostrando muitas mais, no parque e entorno).

Até 1992 o atual Jardim Botânico (começo da Zona Leste) se chamava Capanema (nome que ficou preservado pelo estádio e pela vila perto dele, antiga favela agora urbanizada).

Em plebiscito, os moradores optaram pela mudança, eu respeito a vontade deles.

Porque houve uma votação oficial, cujo resultado foi chancelado pela prefeitura.

Assim, de fato e direito o bairro agora é o ‘Jardim Botânico’. Firmeza total. Bem distinto é o que acontece na Zona Oeste.

Ali, nunca houve plebiscito algum. Simplesmente ao arrepio da lei alguns decidem entre eles mesmos que o nome anterior é ‘brega’, e “corrigem” pra um mais ‘chique’.

Mais uma vez o contraste.

Que seja. Mas não com minha participação nessa trampa. Até que haja câmbio oficial, sigo usando os nomes corretos:

Santo Inácio, Bigorrilho, Mercês, Campo Comprido, Mossunguê e Cidade Industrial são referidos exatamente assim.

……..

Falar nisso, o Parque Barigüi – que foi criado nos anos 70 – ocupa território de nada menos 4 bairros da Z/O:

Santo Inácio, Cascatinha, Mercês e mesmo uma pequena porção do Bigorrilho.

Na tomada a esquerda e nas próximas 6 em sequência, veremos exatamente essa área verde de lazer que é a ‘menina dos olhos’ de Curitiba:

Os esportistas fazendo exercício ao redor do lago que represa o rio de mesmo nome;

Não sei se ainda é o caso, mas no passado ali foi o habitat de jacarés (não os únicos jacarés que vivem soltos em Ctba.) por isso hoje vemos a estátua de um deles (cena igual a que cliquei em J. Pessoa-PB);

No detalhe um leão (que também fotografei na capital da África do Sul, breve no ar) que guarda a entrada de um restaurante;

Restaurante esse cujas mesas são sobre as águas, note o píer a direita na imagem ao lado;

Vemos também uma capivara (cena que me lembrou a Pampulha, em BH, onde igualmente cliquei esses bichos);

Já que entramos na seção que mostra os animais em carne-&-osso do Parque:

Ao lado os gansos que se refastelam com as pipocas;

Abaixo são os seres humanos quem se congregam comendo: vários parques da cidade contam com churrasqueiras públicas.

Ir no fim-de-semana comer um churrasco com salada de tomate e cebola é algo que está na essência do povo curitibano (ou até no meio de semana, por que não?, estive ali numa 3ª-feira e a galera marcava presença).

Eu mesmo fiz isso muitas e muitas vezes, em minha infância (hoje eu não como mais carne).

Apenas, como eu fui criado na Zona Norte, íamos nas churrasqueiras do Parque da Barreirinha – mais eventualmente nas que existem na Estrada da Graciosa;

Abaixo o Centro de Exposições, um dos mais famosos da cidade.

Nota: ocultei o nome da corporação. Não tenho nada contra propaganda ou patrocínio, mas comprar até o nome é diferente, prática abusiva que enjeito. O nome dos lugares não deveria ser vendido;

Fechamos com o Barigüi com o Portal, onde começa a ‘Alameda Ecológica Burle Marx’, que o atravessa. Do Parque voltamos a falar de seu entorno.

Até o surgimento do parque 4 décadas e pouco atrás, a região era periferia. E até os anos 90 permaneceu esparsamente habitada.

Por isso ainda há muitos bosques, muita área verde. De 2 décadas e pouco pra cá, entretanto, se urbanizou acentuadamente.

Quase dentro do parque essa casa. A galera que assina como ”THC” (maconha) ‘decorou’ o muro. Indicaram de onde são: Caiuá, CIC. Z/O.

E quase sempre as novas moradias exibem um elevado padrão econômico.

Assim, no Santo Inácio, tudo convive: antigo e novo, proletariado e alta burguesia, madeira e sobrados triplex, algumas vilas densas com partes com muito verde e terrenos enormes, alguns ainda sem muro.

E, tristemente, pra dar lugar a novos conjuntos de sobrados, os bosques e as casas antigas com terrenos gigantes estão vindo abaixo.

……..

Próximas 3: Conjunto Saturno, Santo Inácio. Aqui uma panorâmica.

Até os anos 90, a mancha urbana de Curitiba basicamente terminava no Rio Barigüi.

Depois dele já haviam, claro, regiões urbanizadas nos núcleos do Campo Comprido, Santa Felicidade e partes do CIC.

Mas pra chegar até eles era preciso passar por áreas não-urbanizadas, ou se preferir em outras palavras, por bosques e chácaras.

Aqui e a esquerda: duas casas que não foram mexidas na arquitetura original.

Mesmo depois da virada do milênio ainda havia haras na Rua Eduardo Sprada, no Campo Comprido, por exemplo. 

Até hoje a Zona Oeste é a menos habitada da cidade. Mas até 20 e poucos anos atrás, a maior parte de sua área ainda era não-ocupada, ou esparsamente ocupada.

Por concentrar tanto espaço disponível perto do Centro, a Z/O foi a que mais cresceu de lá pra cá – e, digo de novo, recebendo gente de padrão elevado de renda.

Com Fiat Oggi na porta, lembra dele?

O que detonou boa parte dos bosques. Mesmo assim, eles ainda existem em bom número, mais que em qualquer outra parte da cidade, porém a devastação prossegue em ritmo acelerado.

……….

Foi uma pena a devastação ecológica (que ademais é universal em nosso planeta).

Mas não se pode negar que foi acertada a decisão de aburguesar a Z/O, processo que a implantação do Parque Barigüi foi um marco fundamental.

Se o tema é carro antigo, aqui vemos o ‘Fuscão de Rally‘. É mole ou quer mais?

Não é difícil entender o porquê. A Zona Oeste é a mais montanhosa de Curitiba.

E até os anos 70 a maior parte das encostas estava desocupada, com vegetação nativa.

Lerner e a equipe viram que esse vazio urbano não permaneceria eternamente. Óbvio que Curitiba iria inchar.

O ‘Dia do Fuca’. Mais pra baixo falo melhor disso.

Assim, se houvessem muitas invasões na parte mais central da Zona Oeste, uma boa proporção delas seria em morros – não preciso gastar meu latim explicando o porquê essa situação é problemática.

Deu certo. Digo, de fato Curitiba inchou, e se encheu de favelas nas décadas de 70, 80 e 90 – eu mesmo morei 15 anos no Canal Belém, Boqueirão, que foi re-invadido no ano de 1990.

Olha o tamanho do lote, e mais um Fusca.

Óbvio que devemos lutar pra que a sociedade seja mais justa, e que um dia não hajam favelas.

Mas enquanto elas existem, se puder não ser no morro é melhor.

E também evidente que não deu pra evitar 100% as invasões em encostas.

Até pouquíssimo tempo atrás o Santo Inácio não tinha prédios. Agora surgiram alguns, sempre baixos, sem elevador.

Nos extremos das zonas Oeste e Norte – e há até um caso na Zona Sul, a Terra Santa/Tatuquara – aconteceu.

Mas a parte mais central da cidade foi preservada. Eu não sou elitista, não sou contra as favelas.

Por isso por 1 década e meia residi numa delas, e residi porque que quis.

Eu amo as favelas, não me interprete errado, e, bom, basta ler a matéria sobre minhas voltas nas periferias da África do Sul que dirimará qualquer dúvidas.

Universidade Tuiuti, marco do Stº. Inácio.

Quando digo que foi adequado que os morros mais centrais da Z/O não se favelizaram, isso é bom até pra população pobre.

Pois favelas centrais em morros sempre criam tensão. E nesses choques os próprios moradores das comunidades são os que mais sofrem.

Basta ver o que está ocorrendo no Rio de Janeiro (o texto é de set.17, quando a ‘Cidade Maravilhosa’ está pegando fogo, infelizmente – faço votos pra que as coisas se serenem, mas hoje é assim que tá).

a cidade oculta”: em buenos aires, isolada fisicamente; aqui em curitiba apenas pouco conhecida

Aqui e a direita: casas mais simples do S. Inácio emolduradas pelos luxuosos prédios do Mossunguê ao fundo.

Como relatei na minha série sobre a Argentina, na Zona Oeste de Buenos Aires, no bairro Vila Lugano, há uma favela que é conhecida como ‘Cidade Oculta’.

Isso porque nos anos 70 a ditadura de Rafael Videla mandou murá-la, pra que quem passasse pela auto-estrada não a visse.

Em Curitiba a coisa não foi tão cruel. Apenas existem alguns bairros nas periferias das Zonas Oeste e Norte que são praticamente desconhecidos da maioria da população.

São eles: São Miguel, Riviera, Butiatuvinha, Lamenha Pequena (homenagem ao ‘pai’ da Z/O) e São João no extremo da Zona Oeste.

Logo a seguir Taboão no extremo da Zona Norte. Todos eles formam uma área contígua na divisa do município.

É a Zona Oeste, caramba!!!

E o Santo Inácio. Esse não é no extremo da cidade, não se divide com outros municípios, todos os seus limites são com outros bairros da capital.

É Zona Oeste, mas relativamente central. Ainda assim, igualmente é desconhecido de boa parte da população da cidade.

…………

Um grande adensamento ocorreu perto da virada dos anos 70 pra 80. Como já escrevi muitas vezes antes:

Em seu apagar das luzes a ditadura militar investiu bastante em transporte coletivo e urbanismo.

Por acaso você sabia que que Curitiba tem uma rua chamada Mina do Ouro??? “Estrada da Mina do Ouro” !!!!, como se tudo fosse pouco. Só mesmo sendo um Caminhante pra minerar umas preciosidades dessas!!! Apesar que no Guabirotuba (Zona Leste) há uma ‘vila temática’ da mineração.

Surgiu o ‘Projeto Padrão’, que visava dar as grandes cidades ônibus mais confortáveis.

Já que até então os ônibus brasileiros eram produzidos sobre chassis de caminhão.

Ademais, foram financiados diversos corredores, terminais, redes de tróleibus (novos e reforma dos antigos).

E muitas cidades do Sudeste, Centro-Oeste e Sul tiveram a pintura padronizada. Tudo isso já descrevi alhures, com muitas fotos.

Falando agora da habitação, o governo militar construiu enormes conjuntos de cohabs nas periferias, e revitalizou o BNH (Banco Nacional da Habitação).

As cohabs de pombais (prédios baixos sem elevador) que são a marca registrada da periferia do Rio e São Paulo, por exemplo, são o cartão-de-visitas do projeto.

Em frente a Faculdade Espírita.

Em Curitiba foram também construídos alguns pombais. Cito de exemplo o grande conjunto conhecido como Atenas/Augusta, no bairro Cidade Industrial, também na Zona Oeste.

(Nota: o bairro CIC foi criado no começo dos anos 70, sendo desmembrado de vários outros.

Antes, onde fica o conjunto Augusta era no bairro Augusta, como o nome indica. Mas depois a C. Industrial surgiu engolfou essa porção.

Já o barracão está na BR-277.

Portanto, enfatizo, o conjunto Augusta não fica na Augusta mas na CIC, num paradoxo mas assim é.)

O Sítio Cercado, na Zona Sul, também ganhou vários pombais na época. Registro portanto que sim, foram construídas cohabs em pombais em Curitiba.

Mas bem menos que nas cidades do Sudeste, é o que quero apontar.

Condomínio de sobrados de alto padrão, mas quase sem quintal e com alto muro. Ao lado casa simples, mas quintal enorme e sem muro.

Até a virada do milênio, Curitiba tinha relativamente poucos pombais, proporcional a sua população.

Até que a prefeitura resolveu construir dezenas sobre dezenas de conjuntos de pombais.

Em todas as regiões da cidade, mas especialmente Sítio Cercado, Ganchinho (esses dois são vizinhos) e Tatuquara na Zona Sul e CIC na Oeste.

Então hoje eles são mais comuns na cidade, tornando sua periferia mais parecida com a do Sudeste. Porém até a virada do milênio eles eram mais raros.

Moradias humildes sem muro, terreno enorme em meio a bosque de pinheiros.

A razão é que em Curitiba deu-se preferência a conjuntos horizontais, de casas, disse tudo isso pra chegar nesse ponto.

Uma vez que pelo caráter mais europeizado do povo boa parte dos curitibanos prefere morar em casas (sejam térreas ou sobrados) que em prédios.

Assim, o regime militar em sua despedida construiu muitos e muitos conjuntos de casas na periferia.

Os exemplos são muitos: Parigot de Souza, no Sítio Cercado.

Exatamente vizinha a da foto acima. Aqui fica claro: casinha simples, de madeira (ainda está lá, mas por pouco tempo). O terreno já foi desmatado e nivelado – e aqui você vê bem o tamanho dele. Breve um conjunto de sobrados de alto padrão.

E vários com nomes relacionados a astrologia: Conjuntos Mercúrio (Cajuru, Z/L), Solar (Bacacheri, Z/N) e Saturno, no Santo Inácio.

Curiosamente, o Parigot homenageia um político, que foi governador do Paraná. Mas suas ruas são uma ‘vila temática’.

Ou seja, uma vila em que as ruas são nomeadas seguindo um tema específico.

E qual o tema do Parigot: exatamente a astrologia. Suas ruas se chamam ‘Sol’, ‘Lua’, ‘Plutão’, etc.

E logo ao lado, esse bosque a venda. Curitiba se torna cada vez menos verde, perde seu diferencial.

E a maior delas, que cruza todo Sítio Cercado (inclusive é a principal via da Vila Xapinhal do outro lado do bairro) é a Rua Marte.

Curioso não? Foram dezenas desses conjuntos em Curitiba, se eu for pensar com calma cito muito mais, em diversos bairros.

Mas dos 4 que eu lembrei primeiramente de cabeça (1 em cada ‘zona’ da cidade) 3 são relacionados a astrologia.

Próximas 3: condomínios de elite, o novo perfil do Santo Inácio.

E aquele que não é no nome o é no nome das ruas (alias, em Maipu, Zona Oeste de Santiago do Chile, visitei e fotografei uma cohab cujas ruas também são relacionadas aos astros e astrônomos).

Muitos dos pombais que foram feitos no Sudeste (por exemplo Cidade Tiradentes na Z/L de Sampa, e vários na Z/N e Z/O do Rio) continuam sendo periferia, pois são muito distantes.

Em Curitiba ocorreu um fenômeno distinto.

A área do município da capital do Paraná é muito, mas muito menor que suas colegas paulista e carioca.

Assim, vários conjuntos foram feitos no fim dos anos 70 em regiões que eram quase desabitadas, eram no fim da cidade na época. Algumas no limite entre as zonas rural e urbana, e nada mais natural, né?

Obviamente na Mina do Ouro.

Já que buscaram-se os enormes terrenos (que abrigariam dezenas ou mesmo centenas de residências cada) onde eles eram abundantes e assim mais em conta, pois quem faria uma cohab no Batel ou Jd. Social?

Mas 4 décadas depois a cidade cresceu muito, e várias partes que então eram periferia se encareceram de maneira acentuada.

Resultando que vários dos conjuntos feitos pela ditadura se aburguesaram tremendamente.

Ao lado dessas mansões de gente rica há um barraquinho num terreno invadido.

Hoje são inacessíveis a classe proletária, viraram média ou mesmo média-alta burguesia.

O Solar e o Mercúrio são exemplos perfeitos. Bem, o Bacacheri é hoje um bairro de perfil mais elevado mesmo, até por ser vizinho do Jardim Social já citado e do Cabral.

O Cajuru ainda é periferia, em sua maior parte, incluso com grandes favelas.

Aqui fica claro como o S. Inácio é íngreme, a diferença de altura do terreno e da rua (no detalhe é a casa vizinha).

A maioria já urbanizadas, não são mais barracos com gatos, mas são ‘as favelas do século 21’.

O Cajuru é muito grande, ao lado do CIC e Sítio Cercado os únicos bairros de Curitiba com mais de 100 mil moradores. 

Sendo extenso e densamente povoado, o Cajuru é heterogêneo, abriga diversos perfis em suas vilas e conjuntos, alguns radicalmente distintos entre si:

Uma vila mais popular.

Se as vilas Autódromo, Trindade, Acrópole, São Domingos, Moradias Cajuru entre outras são ainda regiões bem populares, no Mercúrio esse está longe de ser o caso.

O Mercúrio e o Solar são exemplos, dizendo de novo, de conjuntos de cohab que se aburguesaram.

E os moradores modificaram muito suas residências, cada um a seu gosto, nessas últimas 4 décadas.

Vai pra Saturno. Seria um ônibus-espacial??

Passando ali você não percebe que um dia as casas foram todas iguais.

Tudo somado, não são mais cohab, não são mais periferia.

Um dia abrigaram a classe trabalhadora, mas hoje cumprem o papel de regiões aburguesadas.

Próximas 3: a BR-277, em frente ao Pq. Barigüi, onde a estrada termina. Tirei uma foto parecida em Guarulhos, Gde. S. Paulo.

E tudo isso também se aplica ao Conjunto Saturno, no Santo Inácio.

Ali, hoje mora uma média e média-alta burguesia.

Mas a metamorfose maior ocorreu nos terrenos que estavam vagos, ou que abrigavam apenas uma casa simples num espaço enorme:

Nesses as construtoras compraram e ergueram conjuntos de sobrados duplex ou triplex, aí não de média-alta burguesia, mas alta mesmo, e até de elite.

………..

Comentemos um pouco as imagens espalhadas pela mensagem.

Vocês sabem, nem sempre a foto corresponde ao texto a seu lado, busque pelas legendas. Vemos no decorrer da matéria

O ônibus (espacial???) que faz a linha Saturno

Na Gde. Florianópolis-SC pontos de ônibus em concreto são comuns. Em Curitiba só em rodovias, e olhe lá (destaquei a bandeira da Pátria Amada que há numa empresa nessa mesma BR-277).

Trata-se do veículo numerado BA010 da Viação Glória, ex-AA010 da Marechal. Em pleno bairro Santo Inácio, Zona Oeste de Curitiba.

Por décadas e até 2010 quem atendia essa região da cidade era a Viação Curitiba.

Na “licitação” a Marechal assumiu parte de suas linhas. Depois essa última também saiu de cena e a Glória encampou.

Eu cresci, como dito acima, na Zona Norte de Curitiba, bairro Santa Cândida mais especificamente, na fatia da metrópole então servida pela Glória.

Se você me dissesse então que um dia eu veria os busos da Glória nos confins da Z/O eu ia mandar te internar num hospício – mas aqui estão eles! O mundo dá voltas . . . .;

Na mesma BR-277 um barracão abandonado. Na verdade são vários em sequência.

Já fotografei a mesma cena na Cachoeira, Zona Norte de Curitiba, e em Guarulhos, Zona Norte igualmente mas da Gde. São Paulo;

Acima, um riachinho, afluente do Rio Barigüi;

Ao lado e abaixo: muitas casas de madeira, pois é Sul do Brasil – no 2º caso entremeadas por um sobrado mais novo;

– Aquele rolê no Santo Inácio foi “o Dia dos Fuscas”:

Cliquei um amarelo todo preservado no estacionamento do Pq. Barigüi. Depois o ‘Fuscão de Rally‘ numa casa de madeira na BR.

Próximas 3: pequena favelinha (a ‘comunidade’ no jargão de alguns) no final da Estrada da Mina do Ouro – já urbanizada, a prefeitura asfaltou e nomeou oficialmente a rua que corta a vila.

E mais dois nas ruas e garagens do bairro, esses sem serem fetiche, não estão preservados nem cheios de frases exóticas – simplesmente são ainda o meio de transporte da família.

Alias os dois são ‘Fusca Azul’ – eu não tive filhos, convivo pouco com crianças (com exceção de uma sobrinha).

Mas quem tem filhos me informou que existe uma brincadeira chamada ‘Fusca Azul’.

Feita com duas ou mais pessoas, sejam só crianças ou as vezes entre crianças e um adulto:

Quando dois ou mais participantes estão juntos e aparece um carro dessa marca, quem vê primeiro grita “Fusca!!”, e ganha um ponto.

O de cor celeste é o trunfo, vale o dobro. Quem grita “Fusca Azul” ganha 2 pontos. Bem, eu registrei 4 Fuscas, sendo 2 azuis. Marca aí meus pontos . . .

Sempre com os prédios do Mossunguê (que eles dizem ‘Ecoville’) ao fundo.

Vi mais um Fusca dentro de uma garagem, mas como teria que posicionar demais a câmera dentro da propriedade alheia, esse preferi pular.

Eu gosto de Fuscas, o carro mais vendido da história da Terra.

Já cliquei esses redondinhos no México (óbvio), Chile, Colômbia, Paraguai e África do Sul (breve no ar).

Além de vários lugares de Curitiba e do Brasil em geral – aqui em nossa pátria só vou pôr uma ligação:

O desfile de um comboio de Fucas que presenciei na Rodovia do Xisto (BR-476), entre Lapa e São Mateus do Sul-PR.

Já fiz matéria sobre os Fuscas na República Dominicana (pois lá eles foram o ‘carro do terror’ da ditadura Trujillo), em Curitiba, e já os desenhei no México e Rio de Janeiro;

Deus proverá.

Menina-Veneno

Marília ficou sem fazer a sobrancelha, por uns dias. Pra quê? Virou alvo dos comentários maldosos das colegas.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 7 de Setembro de 2017, independência da Pátria Amada

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres

Marília ficou uns dias sem fazer as sobrancelhas.

E esse pequeno detalhe estético gerou ácidos diálogos com suas colegas de trabalho – as “recalcadas”, na pecha que Marília se refere a elas.

E certamente é recíproco, as outras moças também devem vê-la em termos não mais elogiosos.

Digo, as garotas pensam isso umas das outras , mas não falam.

Pra se vingar, ela preparou uma armadilha: pegou uma pinça e afinou as sobrancelhas (“estava mesmo precisando”, ela admite)…

Nas suas trocas de farpas, elas se chamam por “querida” ou “amiga” – e mesmo “Meu Amor”!!!

A ‘Ironia Feminina’ no que ela tem de melhor, na verdade de pior: acidez revestida de falsidade.

Nas legendas nós vamos contando esse episódio, enquanto no corpo do texto filosofamos do porque disso ocorrer dessa forma.

……..

… só que nesse exato dia foi trabalhar de óculos escuros, pra que as ‘recalcadas’ pensassem que ela “tinha algo a esconder”. Deu certíssimo, as ‘invejosas’ falaram exatamente o que Marília queria.

As Mulheres competem muito entre si, vocês sabem melhor do que eu. E a arma usada é sempre a malícia, a intriga.

Em todos os escritórios que trabalham várias gurias é a mesma coisa: formam-se panelinhas antagônicas, cujo passatempo de suas membros é desancar as ‘rivais’.

Sem que isso gere um enfrentamento direto. As vezes falando pelas costas.

Em outras oportunidades frente-a-frente mas com comentários maldosos, sem que a coisa desande pra agressão física.

………..

Não é nenhum tipo de machismo o que estou afirmando aqui.

Afirmaram na frente de várias pessoas que a sobrancelha dela estava grossa. Mas não estava. Engoliram o próprio veneno.

Até porque o Homem, quando quer tirar satisfações, faz bem pior.

90% dos assassinatos, e quase todas as guerras e ditaduras sangrentas da história da humanidade foram comandadas pelo sexo Masculino (a matéria que produzi sobre a África do Sul ilustra bem).

Então não estou de forma alguma criticando as Mulheres e dizendo que nós Homens “amamos mais o próximo”, porque exatamente o oposto é que é verdadeiro.

O Homem sempre partiu pra agressão física contra seu oponente (outros Homens, as Mulheres e mesmo crianças) toda vez que julgou que sairia vitorioso do embate.

Vou inserir aqui desenhos que não se referem diretamente ao texto ao lado, mas que por algum motivo se relacionam ao tema. Começo mostrando que não é a 1ª vez que Marília (de amarelo) fica com as sobrancelhas sem tirar. Mas aqui ela era uma adolescente tímida, e uma amiga mais experiente lhe deu uma ‘aula de feminilidade’.

Daí natural que a Mulher, até pra se defender, tenha desenvolvido a malícia, pra derrubar um adversário sem necessitar entrar em choque físico com ele.

………

Então, repito, não almejo criticar as Mulheres, ao contrário, toda a série sobre ‘Marília’ visa homenageá-las. Mesmo nas características femininas não tão ‘iluminadas’.

Nós seres humanos, de ambos os sexos, com raras exceções não somos Iluminados. Ao contrário, como o Yin-Yan mostra, Luz e trevas convivem em nós.

Pelo motivo que for, o fato é que muitas Mulheres do século 21 são maliciosas. E usam e abusam da ironia pra acertar suas “Rivalidade Femininas’.

Marília fica até roxa de raiva com a provocação.

Aqui nós voltamos a Marília e suas colegas da outra panelinha que há no local de trabalho.

Veja: sim, Marília está com as sobrancelhas grossas. Porém “o que as outras têm a ver com isso, afinal???”, Mari não se conforma.

Nenhum Homem lhe criticou por sua aparência. Mas as Mulheres . . . affffff!!!

Não é a primeira vez que tiram sarro de Marília por excesso de pêlos em seu corpo, um namorado fez o mesmo. Bem, ele virou ex-namorado por causa disso. Pelo menos ele Marília pôde mandar sumir de sua vida, poder que ela não tem com as colegas – teve que bolar essa vingança.

Falam da “Amazônia”, passam as mãos em suas próprias sobrancelhas como notam a direita, colocam pinças e panfletos dos salões de beleza em sua mesa, chegam mesmo a imitar macacos.

Não falta criatividade pra criar novos métodos de irritá-la.

“Se essas invejosas usassem todo esse talento pra trabalhar, ajudando a resolver os problemas da firma . . .”. ela pensa.

E conclui: “elas já seriam as presidentes, no mínimo diretoras da corporação, teriam sua própria sala lá na matriz”.

As “recalcadas” não são o único espinho na vida profissional de Marília. Ela detesta ter que trabalhar nesse uniforme azul. Por isso abusa das bijuterias, esmalte e maquiagem, pra feminilidade vencer a uniformização celeste.

Marília espuma de raiva, mas não pode fazer nada, esse tipo sutil de assédio não é criminalizado.

“Grrrr… Se ela mordesse a língua, seria internada num hospital em estado gravíssimo”, ela pensa.

“Taí a solução”, lhe veio um estalo: “O jeito é fazer essa _______ (impublicável) engolir seu próprio veneno”. Assim foi feito.

“Quem ri por último ri melhor, ‘queridinha’. KKKKKK” – eram as gargalhadas silenciosas de Marília ao virar o jogo, ao vexar publicamente quem fazia isso com ela.

……….

Pra sermos imparciais, temos que reconhecer que tudo no Universo é relativo.

Pras outras garotas, pode ser que Marília é quem seja a ‘Serpente Venenosa‘.

Marília comprando vestidos. Aqui também há uma certa “falsidade feminina”, a vendedora também usa palavras doces que ela não Sente em seu Coração, só visa vender. Mas como não há acidez, Marília aprecia ouvir os ‘falsos elogios’: “Ui! Me Engana que Eu Gosto”.

Afinal, reconheçamos, Mari não é mais bondosa com as rivais que elas com ela. Também usa de ironia, falando em ‘Amor’ quando está na verdade fervendo de ódio, daí o “Menina-Veneno” do título.

Pode mesmo ser. Seja como for, um dia é da caça, outro da caçadora.  Hoje, foi Marília quem desferiu um tiro certeiro, e levou a cabeça de sua rival como troféu.

Pode ser que outro dia seja o contrário, afinal o confronto perene e não-racional é exatamente o que caracteriza as ‘Rivalidades Femininas’.

Só acaba quando uma sai da firma. Como nem Marília nem suas inimigas pretendem sair, vamos ver o que acontece amanhã.

Aquela que for mais ágil com as palavras ri por último, a outra morde a própria língua. Quem viver verá.

Deus Mãe e Pai proverá.

Khayelitsha É África: só eu e Deus na “Zona de Perigo”

Durbã, África do Sul, abril de 2017: pela 1ª vez na vida andei de camburão – mas eu não fui preso, os policias me deram uma ‘carona’.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 5 de setembro de 2017

Maioria das imagens batida pessoalmente por mim (incluso essa ao lado, dentro do camburão da polícia em Durbã – não é brincadeira nem montagem!)

Identifico na legenda o que veio da internet.

……

Galera, custou mas solto mais uma matéria. E não qualquer uma, vamos relatar minhas voltas na ‘Zona Vermelha’ da África do Sul.

África do Sul é fogo, mano!!! Não é maneira de falar. O ”Micro-Ondas” (prender uma pessoa entre pneus e incendiar), depois tão popularizado pelas favelas cariocas, foi inventado lá. Soweto, 1990, ainda no ‘apartheid’: um negro queima outro negro. Xhosas e Zulus se mataram entre si violentamente no fim do regime racista. Embora bem amenizadas, as guerras de negros x negros ainda persistem. Essas fotos em P-&-B com legendas vieram do livro “O Clube do Bangue-Bangue” (‘The Bang-Bang Club’, no original). Abaixo a página a capa e mais detalhes. Aqui já valeu pra abrirmos os trabalhos, pra vocês saberem com que vibração estamos lidando.

PARTE 2: DEMOCRACIA – MAS O PAÍS AINDA SANGRA

Bota ‘vermelha’ nisso. Na África do Sul a violência urbana está na estratosfera, exatamente como no Brasil.

Em 2015 a Cidade do Cabo teve mais de 2,4 mil assassinatos. São 3,7 milhões de habitantes, portanto taxa de 65 por 100 mil.

O Cabo é uma cidades mais lindas do mundo, já mostrei um pouco nessa matéria, breve subirá outra.

Mas com esses números dignos de uma guerra, também uma das mais violentas do planeta, ao lado de Fortaleza-CE e Maceió-AL no Brasil, Baltimore, Detroit e Nova Orleans nos EUA, e várias metrópoles da Colômbia, Venezuela, México e América Central.

Joanesburgo e Durbã estão um pouco menos pior. A violência ainda é altíssima, em ambas além de 30 por 100 mil.

O que as coloca próximas ou um pouco acima do que acontece em Belo Horizonte-MG, Curitiba, Porto Alegre-RS, e o Rio de Janeiro.

(Ressalto que os dados que eu tenho do Rio são de 2014, e infelizmente houve piora de 3 anos pra cá.)

Quase pousando: veja o tamanho das favelas que cercam o Aeroporto na Cidade do Cabo. Todas as casas são de zinco, as famosíssimas ‘Cidades de Lata’ sul-africanas.

Tudo somado, vemos que África do Sul e Brasil estão empatados nessa triste competição. O pânico que as pessoas sentem aqui e lá também é o mesmo.

Andei até de camburão em Durbã, e está relacionado a esse pavor da violência. Mas já chegamos lá. Vamos antes fazer uma recapitulação de como a coisa atingiu nesse ponto:

O ‘apartheid’ oficialmente durou de 1948 a 1994, menos de meio século. Mas na prática 1 século inteiro.

Desde que os brancos pisaram lá, em fins do século 19, existiram leis que proibiam os não-brancos (negros, indianos, chineses) de ocuparem cargos públicos e no clero.

Outra favela da Cidade do Cabo, agora ao nível do solo: um ‘duplex’ de latão.

Em alguns lugares os não-brancos não podiam nem mesmo usar as calçadas, tinham que andar pelo meio das ruas dividindo espaço com os carros.

E numa república africâner (o Estado Livre Laranja, holandês, que depois virou um estado da África do Sul quando os ingleses invadiram) os indianos não podiam sequer residir. O Estado era ‘Livre de Indianos’.

Somente pra eles atravessarem o estado de passagem já era necessário um visto especial.

Favela em Soweto, Joanesburgo, no mesmo modal. Atrás uma cohab que já visava urbanizar o bairro, mas novas invasões tornam a missão ‘o Trabalho de Sísifo‘. Mais pra baixo na página veremos mais fotos desse local. Imagina como é morar numa casa de metal com teto baixo, sem forro e sem janelas. Um pouco quente no verão, será? Quase um ‘micro-ondas’.

Inclusive foi por causa disso que Gandhi (sim, ‘aquele’ Gandhi) viveu 21 anos na África do Sul.

E ali começou sua militância – o plano inicial era ficar apenas uns meses e não se envolver com política.

Mas ele se envolveu porque já havia ‘apartheid’, embora sem esse nome.

Nesses 3 exemplos acima estou falando da virada do século 19 pro 20, meio século antes do ‘apartheid’ oficial portanto.

Claro, depois que esse veio, aí tudo piorou de vez.

Aqui e a esquerda: ‘Cracolândia’ nos trilhos de trem no Centrão de Durbã. Os nóias já moram nessas barracas, é a ‘Cohab da Droga’.

Contei essa história com muito mais detalhes em matéria específica. Aqui o que nos importa é: por todo século 20 os negros (e também os indianos) resistiram ao regime racista.

Nos anos 60 o CNA (Congresso Nacional Africano) iniciou uma ofensiva capitaneada por Nélson Mandela.

Os ‘robozinhos’ saem de buracos nas paredes, como ratos.

Mas logo esse grande líder (que depois viria a ser o primeiro presidente negro sul-africano) foi preso, junto com outros cabeças da resistência negra.

Assim a primeira metade dos anos 70 foi calma. Uma calma injusta, óbvio, os negros como escravos em sua própria terra.

Paz sem voz não é paz, é medo”, como alguém bem definiu.

Klaarwater, Grande Durbã: na maior parte das favelas sul-africanas não há qualquer saneamento, as casas não têm água, que precisa ser buscada numa bica na entrada da favela – Lata d’Água na Cabeça.

Em 1976 explode a ‘Revolta Estudantil de Soweto’, Joanesburgo. A partir daí a África do Sul nunca mais se acalmou.

E já se vão 41 anos no momento que levanto essa matéria pro ar. Em 1984 nova revolta eclode. Assim, na segunda metade dos anos 80 a coisa explode de vez.

O ‘apartheid’, na pessoa do presidente P. W. Botha, abole algumas leis racistas, como por exemplo a que proibia casamentos inter-raciais, e a que impedia negros de possuírem casas na maior parte do território sul-africano.

Também Durbã (essa via ‘Google Mapas’): aqui fica claro, a torneira pro pessoal pegar água. Em verde os banheiros químicos, aqueles que no Brasil são alugados pra obras. As favelas da África do Sul não têm redes de saneamento básico, enfatizo outra vez, então colocam isso aí como paliativo, pra não ser ao ar-livre mesmo. E o esgoto correndo a céu aberto.

Em compensação, o regime racista parte pra ofensiva total contra a resistência negra.

Internamente milhares sobre milhares de ativistas são presos e severamente torturados, dezenas ou mesmo centenas assassinados.

Externamente, a Força Aérea Sul-Africana bombardeia vários países vizinhos, que abrigavam células de grupos políticos banidos na África do Sul.

Mas não adianta nada, a hora chegara. Em 1989 Botha, o “Grande Crocodilo” como era chamado, é afastado, por problemas de saúde.

Voltam as tomadas de minha autoria. Favela em Soweto, Joanesburgo. Novamente em verde os banheiros químicos.

Assume em seu lugar Frederico De Klerk (eu aportugueso os nomes sempre que possível, lembre-se). Ele inicia o desmantelamento do ‘apartheid‘:

Solta Mandela e vários outros presos políticos, legaliza os sindicatos, partidos e demais organizações negras, e prepara o caminho pra democracia.

Ainda Joanesburgo, mas agora na Zona Central: atrás da garagem da Metrobus, mais uma favela – de novo os banheiros químicos em verde.

A extrema-direita dos brancos racistas reage, e inicia uma campanha de terrorismo pra frear a abertura.

De Klerk, pra não levar a culpa sozinho caso a nação fosse esfacelada num banho de sangue, consulta a população num plebiscito (exclusivo pra brancos) se a transição deve continuar.

Felizmente a maioria dos brancos sul-africanos estavam cansados do ‘apartheid’, e referenda nas urnas a iniciativa de De Klerk.

No Centrão de Joburgo há muitos prédios vagos – vários deles invadidos, como esse aqui.

Assim o processo segue, e culmina na eleição de Mandela pra presidente em 1994.

Tudo isso já contei com mais detalhes antes, repetindo. O que é relevante pro nosso tema de hoje:

Na virada pros anos 90 os negros perdem a paciência de vez, e também partem pra ofensiva final.

Intensificam as ações políticas pra queda do ‘apartheid’, o que é excelente e justíssimo, óbvio.

Esse prédio popular (varais no teto, tradição sul-africana) também é atrás da garagem de ônibus.

É cristalinamente evidente que um povo oprimido tem todo o direito de lutar pra romper seus grilhões.

Porém há um efeito colateral: no ano de 1990 os negros iniciam uma guerra entre si. A África do Sul tem diversas tribos africanas na composição de sua população.

Basta dizer que são 11 línguas oficiais, o inglês e o africâner (dialeto do holandês) de origem europeia, as demais 9 são africanas nativas (todas elas agora representadas no dinheiro da nação).

Próximas 2: pedintes no Centro de Durbã. 90% dos sem-teto sul-africanos são negros. Nesse sinal haviam vários, mais alguns na transversal, mesmo sob chuva. Sejam da raça que forem, os que pedem esmola nos faróis do país sempre fazem esse mesmo gesto com as mãos juntas, dizendo ‘pelo Amor de Deus me ajude!’.

Então são várias etnias de negros. Mas as duas principais são o Zulu e o Xhosa.

E na reta final do ‘apartheid’, os negros compreensivelmente estavam no limite, por isso zulus e xhosas iniciam uma guerra uns contra os outros.

Sim, negros contra negros. A coisa foi muito sangrenta.

Houveram fins-de-semana em que os mortos se contaram as dezenas em cada uma das muitas favelas de Joanesburgo e demais cidades do país.

Embora minoria, há sem-tetos caucasianos na África do Sul. Em todas as cidades, mas notadamente em Durbã, onde vi vários, fotografei esse. A definição não ficou das melhores pois cliquei de um ônibus em movimento, e que ainda tinha película nos vidros, escurecendo a cena. Mas amplie e observe com cuidado e lerá que o cartaz dele inicia-se com “Please Help…”.

Sim, os negros também combateram as tropas do ‘apartheid’, óbvio. Mas igualmente se combateram entre si, encarniçadamente.

Eu não conhecia os detalhes dessa história, se quer saber. Mas no apartamento que eu fiquei em Joanesburgo havia um livro, chamado “O Clube do Bangue-Bangue” (‘The Bang-Bang Club’, no original).

Foi escrito por 2 fotojornalistas. Eles e outros 2 cobriram a guerra na África do Sul nos últimos 4 anos do ‘apartheid’ (1990/1994).

Um deles foi morto com um tiro exatamente no meio dessa guerra, com um tiro numa rua de Joanesburgo, em 1994.

Outro se afastou, se eu não me engano acabou se suicidando, não tenho certeza. O fato que ele saiu do grupo.

Sobraram 2, que escreveram o livro, publicando fotos de autoria dos 4 que trabalharam juntos no período crítico.

Eu não pude ler o livro, não houve tempo. A obra é extensa, e fiquei apenas 4 dias nesse apê, andando pelas ruas quase o tempo todo.

Se eu fosse dedicar o tempo necessário pra apreciar esse relato, não poderia eu mesmo ter feito minhas próprias investigações de campo.

Paciência. Se um dia achar esse livro no Brasil, ou na internet, o lerei. Lá na África não teve como. Mas eu fotografei as imagens mais impactantes, e as reproduzo aqui.

Uma imagem que correu o mundo (também do livro). Março de 1994: grupo da extrema direita foi se intrometer no regime de um bantustão. Esses 4 Homens foram executados pelas tropas do bantustão. 3 já estão caídos sem vida, mas o último ainda implora misericórdia, em vão.

Por essas chocantes cenas nós captamos o grau de ferocidade que foi liberado nas ruas sul-africanas no ocaso desse regime racista que jamais deveria ter existido pra conversa começar.

Muito sangue correu, tanto no enfrentamento de negros contra brancos, como dos próprios negros entre si.

O choque político entre as raças não existe mais. O ‘apartheid’ acabou. Os negros estão no poder político.

E uma porção significativa da população nativa de pele escura ascendeu a burguesia, há hoje bairros de elite habitados majoritariamente por negros.

No entanto as favelas ainda são 100% negras. Ou 98%.

Bairro Killarney, Zona Norte de Joanesburgo: assim é a reciclagem na África do Sul. Não há separação prévia, tudo é jogado junto, reciclável junto com lixo de cozinha e banheiro. Alguns infelizes miseráveis, que dependem disso pra sobreviver, têm que abrir as lixeiras, separar o que recicla (veja o grande saco branco aberto atrás dele, é ali que ele joga o que vai aproveitar), e fechar de novo. Digo, em alguns bairros ricos há coleta seletiva com separação prévia, mas é raro. No geral é como veem aqui.

Há algumas favelas formadas por brancos, mas são raríssimas. No geral elas são quase sempre reservadas aos de pele escura.

Compõe o problema que a África do Sul, sendo o país mais desenvolvido da África, recebe imigrantes ilegais de todo continente.

A convivência entre estrangeiros e sul-africanos nem sempre é pacífica, criou-se aí mais um foco de tensão de negros x negros.

A classe média é integrada, desde a classe média-baixa até na média-alta há negros e brancos (em Durbã também indianos).

A elite ainda é majoritariamente branca, e há sim brancos pobres (especialmente na Cidade do Cabo), embora minoria.

Ou seja, os brancos sul-africanos ainda detém grande parte dos privilégios econômicos que amealharam em um século de hegemonia tirânica.

Próximas 2: orla da Zona Sul da Cidade do Cabo (a “Riviera”). Um lugar belíssimo, mansões de milionários espremidas entre o morro e o mar. É de cair o queixo de tão lindo!, confira esse ensaio. Várias casas têm seu teleférico particular, é mole ou quer mais?

Ainda assim, a população branca sul-africana vem diminuindo, vários estão emigrando pra diversas partes da anglosfera (EUA, Inglaterra, Austrália).

Seja como for, criou-se uma acomodação entre negros e brancos. Malgrado a tensão política, não há derramamento de sangue atualmente.

O mesmo não se pode dizer entre os próprios negros. Entenda, não é uma questão racial, e sim social.

Não estou sendo racista, e dizendo que o branco é mais pacífico, exatamente o contrário é verdadeiro.

Mas a concentração de renda é altíssima. A mesmo cena, rapaz negro revira o lixo em busca de algo reciclável pra revender.

Primeiro, a raça branca é quem comanda o capitalismo global, e é a raça branca quem mata milhões em suas guerras de pilhagem mundo afora.

Apenas no Iraque foram mais de 2 milhões de mortos contando desde 1991 (alguns falam em 3), e no Vietnã mais de 4 milhões, pra citar apenas 2 guerras de agressão dos EUA.

Segundo, os brancos já se mataram muito entre si, na Europa e em toda parte. A história da Europa é de grande derramamento de sangue, até a Segunda Guerra Mundial.

Próximas 3: veremos 3 favelas diferentes em Soweto, Zona Oeste de Joanesburgo.

Apenas nas últimas décadas os europeus se acalmaram um pouco e não se matam tanto entre si.

Agora dirigem suas baterias contra países mais fracos que não podem se defender, como fizeram com a Líbia em 2011.

Além disso, no Sul do Brasil é sabido que  a periferia das grandes e médias cidades têm enorme contingente de euro-descendentes.

Observe as pedras pro telhado não voar com o vento, manifestação universal que eu também fotografei na Argentina (breve no ar).

E ali brancos matam brancos com a mesma frequência que negros matam negros na África do Sul.

O mesmo ocorre nos EUA, milhares de caucasianos são assassinados todo ano por outros caucasianos.

No passado, brancos guerrearam entre si de forma absolutamente brutal, na Europa e também na África.

Ainda Soweto. A frente uma invasão, as casas ao fundo não pertencem a favela. Destaquei o painel solar. Na África do Sul a reciclagem ainda engatinha. Em compensação, o uso de energia solar é mil vezes mais desenvolvido que no Brasil. Mesmo a periferia, mesmo na borda da favela.

Se alguém não sabe, foram os ingleses quem inventaram o campo de concentração. E inventaram na África do Sul, prendendo os holandeses na ‘Guerra dos Bôeres’.

Prendendo os civis, eu digo. Homens não-combatentes e Mulheres. A mãe de P. W. Botha (penúltimo [e ultra-racista] presidente branco sul-africano) foi encarcerada pelo Exército Britânico num campo de concentração.

Mesmo sendo do sexo feminino e não tomando parte nos combates. Ao lado dela foram outras dezenas de milhares.

Mesmo na África do Sul contemporânea, os brancos ainda cometem assassinatos entre si. Quando estava na Cidade do Cabo, a mídia sensacionalista deva grande destaque ao julgamento de um sul-africano de ascendência europeia.

Ele era acusado de ter chacinado toda sua família – com golpes de machado, nada menos. O para-atleta caucasiano sul-africano André Pistorious também foi condenado e preso por matar sua igualmente alvíssima namorada.

Próximas 10: vamos mostrar Atlântida (‘Atlantis’ no original). Uma cidade pequena e pobre. Ainda pertence a região metropolitana da Cidade do Cabo, mas é bem distante, são 40 km, é preciso pegar mais de 1 hora de estrada. Começo mais uma vez destacando o painel solar. Na África do Sul usar a energia do Sol não é brincadeira de burguês, quase um passatempo de de gente rica. Não. Veja a imagem, uma casa simples, na periferia de um subúrbio afastado e esquecido. Ainda assim, utilizando esse modal.

Escrevi todos os parágrafos acima pra mostrar que não, eu não sou racista. Não estou dizendo que os de pele clara são pacíficos ou civilizados, e que os de pele escura são brutalizados por serem instintivos.

É uma questão social, e não racial. Onde brancos habitam em grande número as favelas, se matam entre si em profusão, por exemplo aqui em Curitiba.

E nos bairros negros da alta-burguesia, na África do Sul ou toda parte, os homicídios são raríssimos quando não inexistentes.

Claro, também não estou dizendo que quem tem dinheiro é mais evoluído espiritualmente, porque o contrário geralmente é que é verdadeiro.

Quem acompanha meus textos há mais tempo sabe muito bem o que penso das Oligarquias, a ianque e todas as outras.

Apenas é um fato, os barões oligacarcas muitas vezes eliminam outros seres humanos, mas rarissimamente o fazem com as próprias mãos.

Periferia típica sul-africana (muito parecida com a do Paraguai). O carro é Golf, já falo mais disso

Podemos discutir filosoficamente as razões disso, mas não podemos negar que é assim.

As vezes acontece, recentemente os casos Nardoni e em 1988 o da ‘Rua Cuba’ no Brasil e o próprio Pistorious na África do Sul são as exceções que confirmam a regra.

Com essas poucas exceções, os bairros ricos e de classe média-alta quase não têm assassinatos, no continente do mundo que forem e habitados por qualquer raça.

Esses muros pré-moldados fazem sucesso lá. No Brasil idem. No bairro que fui criado (Santa Cândida, Z/N de Ctba) haviam casas que utilizavam.

Enquanto que as favelas e guetos são quase sempre violentos, em toda parte e independente do tom de pele majoritário.

……….

Desculpe toda essa justificativa, é só pra que não tenham a impressão errada e achem que sou racista ou qualquer coisa do tipo. Eu não sou. Apenas analiso os fatos. E os fatos são:

As favelas e periferias da África do Sul estão imersas em um banho de sangue.

Casa nº 64. A próxima a esquerda é a 62, e a 1ª a direita é a 66. Na África do Sul a numeração é diferente do Brasil. Bauru-SP segue um sistema único (também adotado na Colômbia), em que as quadras são numeradas, e aí as casas são contadas em relação a quadra e não a rua. Brasília-DF também criou um novo modal, digamos até um novo paradigma, pois Brasília é uma cidade peculiar em múltiplas dimensões. Mas no geral no Brasil as moradias são numeradas conforme a metragem da rua ou avenida. Na África do Sul é diferente, repito. De um lado da rua são as pares, do outro ímpares. Isso é igual no Brasil. Mas na África do Sul a numeração não segue metragem. A 1ª casa do lado ímpar é a ‘1’, depois vem a ‘3’, a seguir a ‘5’, e assim vai. Idem na outra face: a primeira casa é ‘2’, sua vizinha é a ‘4’, etc. Pra fechar esse tema, revelo que minha rua, a ‘Ciclovia’, segue o modelo sul-africano. Mas aqui é ocupação irregular (Canal Belém, Boqueirão), logo a numeração também é irregular.

O que começou como uma rebelião contra o ‘apartheid’ rapidamente desandou pra um violento acerto de contas entre as tribos negras, processo que embora amainado ainda não terminou.

Some-se a isso a violência comum, “que não envolve política”. Entre aspas porque todo processo social é político.

Quando países como África do Sul e Brasil (e boa parte da América Latina e também dos EUA) se tornam extramente violentos, as causas são políticas, e a solução também o será.

Mas por “não envolver política” eu digo por não envolver grupos e objetivos políticos, apenas quadrilhas comuns brigando por butins ou territórios.

Ou então cidadãos trabalhadores mas que quando embriagados/drogados matam suas esposas ou outros Homens no bar por motivos fúteis.

O resultado é esse aqui: Cidade do Cabo, 2.451 homicídios em 2015. Com uma população de 3,7 milhões, dá 65 mortes/ano por 100 mil moradores. Índices de guerra.

Nesse caso é a população da ‘prefeitura metropolitana’. A divisão política da África do Sul é diferente da nossa, lá há 4 esferas de governo, e não 3 como aqui.

O que seria o ‘condado’ dos EUA na África do Sul tem sua própria gestão, a ‘prefeitura metropolitana’ que citei acima.

Joanesburgo, 4,4 milhões, teve 1.344 mortes intencionais no mesmo ano, 30 por 100 mil.

Nesse caso não inclui toda região metropolitana, pois a Grande Joanesburgo já tem quase 10 milhões, bem mais de 8 com certeza.

O governo entregou uma casa de cohab, de alvenaria. O cara faz por conta no fundo um ‘puxadinho’, de papelão e madeirite.

Durbã teve 1.237 assassinatos no período. Com 3,4 milhões na ‘prefeitura metropolitana’ de eThekwini, temos 35 pra 100 mil.

(Nota: eis o nome nativo pra ‘Durbã’, assim mesmo, com a inicial minúscula e a letra maiúscula no meio da palavra, obviamente a gramática zulu é bem diferente da ocidental.)

Todas as grandes cidades sul-africanas são bastante violentas. Vou analisar só as 3 maiores. Vejamos como a coisa oscilou no decorrer das últimas décadas.

Há 3 termos pra dizer ‘mercearia’ ou ‘mercadinho’ na África do Sul: ‘Tuck Shop’, ‘Take-Aways’ ou ‘Superette’. Outro detalhe: a Coca-Cola é oni-presente no país. Seu logo está em 90% das fachadas dos mercadinhos, mas não apenas isso. Seu braço é tão comprido que mesmo várias floriculturas, farmácias, enfim, estabelecimentos que não vendem alimentos como atividade principal, têm seu letreiro pago pela Coca-Cola. Falo melhor dos refris, incluso com fotos, em outra postagem (breve).

Primeiro, houve uma reversão de polaridade. Historicamente, entre as 3, Joanesburgo sempre foi a mais violenta, desde a era do ‘apartheid’.

E a Cidade do Cabo a mais calma. Agora houve uma inversão, como vimos.

Durbã, por outro lado, estava em segundo antes, e se mantém. As pontas é que trocaram de lado.

E crítica como a coisa está, já foi pior. A virada dos 80 pros 90, o apagar das luzes do ‘apartheid’, marcou a explosão da violência, que se manteve e se acentuou no mandato de Nélson Mandela.

Quando virou o milênio, Durbã tinha mais que o dobro, quase o triplo da violência atual. Chegou a registrar 80 assassinatos por 100 mil habitantes.

Ou seja, está crítico mas já foi muito, mas muito pior, calamitoso no sentido exato do termo.

Ainda estamos em Atlântida, próximo a Cid. do Cabo. Vamos ver agora as cohabs em pombais, que são muito comuns lá. Nesse caso, como o teto é com telhado e não com laje, o varal é no chão.

A mesma redução se deu em Joanesburgo. Já o Cabo ainda está por dar esse passo, ali a violência está no pico, infelizmente.

………

Comparemos com o Brasil, nesse caso os dados são de 2014:

Fortaleza, com 1.989 homicídios, tristemente ocupou o triste recorde de município mais violento do Brasil, em termos absolutos.

Proporcional a população, 73 por 100 mil, pior que a África do Sul.

Puxadinho no prédio, como também fazem no Chile.

Maceió é um pouco menos pior, 69/100 mil. No ano anterior fora mais sinistro.

Em 13 a capital de Alagoas teve nada menos que a pavorosa taxa de 81 assassinatos pra cada 100 mil habitantes.

Salvador em 14 teve 1.397 casos. Como a população é bem maior que a de Fortaleza, ficou em 48 por 100 mil.

Aqui fechamos Atlântida, na Gde. Cidade do Cabo. Muito, mas muito parecido com o Chile, me senti de volta em Maipú, Z/O de Santiago.

Em 2013 a capital da Bahia havia virado acima de 50.

Em São Luiz do Maranhão em 2013 foram quase 70 mortos por 100 mil habitantes, em 14 houve boa redução pra 61.

Ainda assim, apenas um pouco a menos que o aquilo que a Cidade do Cabo teve no ano seguinte.

Segura essa: clínica alerta contra “falsos médicos vendendo pílulas na rua e dizendo que trabalham aqui“. Em pleno Centrão de Joanesburgo. Isso também é a África do Sul, amigos!

Em Curitiba em 2014 houveram 30 mortes por 100 mil moradores. Índice altíssimo, apenas um pouco melhor que na África do Sul. Mas que já foi bem mais macabro.

No ano de 2010 Curitiba teve 979 assassinatos, o que fez com que o número por 100 mil ficasse em 55 (breve levanto pra rede levantamento detalhado desse desastroso período):

Atrás apenas de Maceió, João Pessoa-PB, Vitória-ES, Recife-PE e São Luiz.

Alias Maceió em 2010 virou acima de 100 por 100 mil, ou seja, eram tantas mortes lá que de cada mil maceioenses mais de um foi assassinado naquele ano.

Até a Força Nacional Federal teve que intervir pra baixar um pouco essa carnificina.

No Sudeste, Belo Horizonte teve 24 de seus moradores assassinados pra cada grupo de 100 mil em 2014, no Rio foram 20.

Sem-tetos dormem pelas ruas e praias do país. Na orla do Cabo uma Mulher branca, os demais africanos nativos.

Embora lamentavelmente na capital carioca tenha havido novo aumento de lá pra cá.

E São Paulo hoje é a capital menos violenta do Brasil, pelo menos no quesito de um ser humano tirar intencionalmente a vida de outro.

Foram 1.360 desses crimes em 2014. Mas divididos por 11 milhões de habitantes vemos que o índice é 11 por 100 mil, número que não faria feio na Europa.

Bairro ‘Woodstock’, Z/C do Cabo, onde ficamos hospedados. Logo atrás de onde dorme o sem-teto da foto anterior mora uma família que mostra solidariedade a Palestina. Pelos negros sul-africanos (e também os indianos) terem sofrido por tanto tempo o ‘apartheid’, em várias partes há protestos pela forma com que Israel trata os palestinos. Organizações sionistas contra-atacam e espalham cartazes dizendo que Israel é “democracia”.

Nota: eu sei, em termos de roubos a maior metrópole brasileira continua violentíssima. Eu sei. Aqui falo somente do quesito de assassinatos.

Não é agradável quando alguém lhe tira seus bens de forma violenta – definitivamente não é.

Ainda assim é óbvio que ter a oportunidade encarnatória interrompida violentamente é bem mais traumático.

Então embora falte muito por fazer, precisamos reconhecer que pelo menos nesse ponto importantíssimo houve avanços.

Não apenas em São Paulo, diversas cidades brasileiras hoje estão mais calmas em relação aos anos 90 e 2000, mas SP teve a maior redução.

A capital paulista já teve 5 mil assassinatos por ano, hoje fica pouco acima do 1º milhar.

Bem, teve menos assassinatos que Durbã, cuja população é mais de 3 vezes menor.

……….

Brancos no Centro do Cabo, onde eles são muito comuns. No Centro do Durbã e Joanesburgo não há caucasianos. Simplesmente não há.

Portanto essa é a situação. O Sul, Sudeste e Centro-Oeste Brasileiros são violentos, mas um pouco melhores que a África do Sul.

Enquanto que o Norte e Nordeste de nossa pátria têm no geral índices similares as maiores metrópoles sul-africanas.

Curiosamente, hoje a periferia da Cidade do Cabo é bem mais sangrenta que as de Durbã e Joanesburgo. Mas seu Centro é mais civilizado.

A Cidade do Cabo é cidade mais integrada da África do Sul. No Cabo você brancos aos montes no Centro. Aos montes.

Fotografei uma viatura no Centro de Durbã. Vejam o que é o ‘6º Sentido’: já visitei centenas e quem sabe milhares de cidades em boa parte do Brasil, vários países da América e agora África. Nunca havia fotografado um carro de polícia, porque esse não é um tema que me interesse estudar. Em Durbã, o fiz. Mal sabia eu que 2 dias depois estaria dentro de um deles, coisa que igualmente nunca havia me ocorrido. Digo, eu não sabia conscientemente, mas de alguma maneira, em outra dimensão, eu sabia, e por isso houve a foto. É possível prever o futuro, não?

Não apenas o brancos ainda moram no Centro, como também trabalham ali, e não têm medo de sair as ruas.

Em Pretória, ainda que em escala menor, a situação se repete. Retratei na foto acima a direita.

Já em Joanesburgo e Durbã é completamente o oposto. Não há brancos nos Centrões de Joanesburgo e Durbã. Não há, simplesmente não há. Zero, nada, nenhum.

Logicamente toda regra tem exceção. Se você for muitas vezes ao Centro dessas metrópoles, muito de vez em quando você vai trombar com um euro-descendente, é evidente.

Vai acontecer, não é proibido, então a norma não é absoluta. Mas será raríssimo, é mais fácil você achar uma nota elevada de dinheiro que uma família de brancos no núcleo central dessas metrópoles.

Digo, há alguns sem-teto brancos, especialmente em Durbã. A imensa maioria dos sem-tetos sul-africanos são negros, eu diria que 95%.

Não deu outra. Aqui estou eu, pela 1ª vez na vida dentro de uma jaula. Mais abaixo no texto dou os detalhes.

Porém há alguns caucasianos. Fotografei uma Mulher sem-teto que dormia numa praia da Cidade do Cabo, viram acima.

Mas, digo ainda mas uma vez, em Durbã foi a cidade que mais vi moradores de rua euro-descendentes, de pele alva. Vários.

Inclusive eu andava por uma rua da parte barra-pesada do Centrão de Durbã, e um sem-teto branco, sem que eu pedisse, veio me orientar:

Os sul-africanos são muito calorosos, e gostam que tirem fotos deles. No Centro de Pretória, quando essa moça viu que eu clicava a cidade, pediu que eu registrasse seu retrato, situação que se repetiu em Durbã e Joanesburgo. Atrás dela a vitrine mostrava vestidos de noiva. Ela disse “aqui não, porque eu já sou casada”. Demos uns passos pro lado e “1, 2, 3, diga ‘xis’ “, e aqui está ela, fazendo poses com as mãos e tudo mais.

“Não entre nessa rua, é muito perigoso”, ele apontou numa direção na esquina. “Muito perigoso”, enfatizou.

Além dele, vi outros mendigos caucasianos nessa cidade, um deles morava sob as marquises no mesmo bairro que ficamos.

Claro, mesmo em Durbã a imensa maioria dos que não têm casa são negros. Apenas ali há uma minoria significativa de brancos, que não vi nas outras cidades.

Isso estou falando de moradores de rua. Eles são (praticamente) os únicos brancos no Centrão de Durbã.

As praias de Durbã são plenamente integradas, negros, brancos, indianos, todos estão ali, incluso há casais inter-raciais.

Estava num restaurante da orla de Durbã, e era curioso. Nas próximas 4 mesas haviam 2 famílias de negros, 1 de brancos e 1 de indianos.

Nas areias, dentro d’água e no calçadão todos convivem em plena harmonia.

Fotografei a direita uma escola particular que levou seus alunos de pele alvíssima pra uma aividade a beira-mar.

Mas no Centrão, só negros e indianos, nenhum branco (exceto sem-tetos, aqui não me refiro a eles).

Joanesburgo não tem mar, então não vi nenhum branco no Centro, nem mesmo dormindo nas ruas.

Comércio atendendo gradeado em Joanesburgo. Mesmo de dia, mesmo no Centrocomo na Colômbia (nota: a cliente tinha um defeito físico na cabeça, por isso ocultei ainda que ela estivesse de costas).

E, sim, boa parte do Centrão de Joburgo está bem detonado, ali nem os negros de classe média vão, só a ralé.

Vou explicar pra vocês entenderem. O Centrão de Joanesburgo pode ser dividido em 2 partes, Centro Velho e Centro Novo.

O Centro Velho é horroroso. Um gueto enorme. Muito lixo nas ruas, muito crime, forte cheiro de urina em algumas partes, casas e prédios abandonados, vários deles invadidos.

Camelôs, confusão total. Ali, repito, nem mesmo os negros que são de classe média têm coragem de frequentar. É só povão mesmo, muitos deles nem são sul-africanos:

Por toda Soweto essas placas de rua contam a história do ‘apartheid‘. Amplie pra ler, o nome (acrônimo de ‘South-Western Township’, algo como ‘Assentamento Sudoeste‘) foi escolhido em 1963 após um debate de 4 anos. Em 68 decidiram que as Mulheres não poderiam ser proprietárias de casas. Não pude ler ou fotografar mais porque não andamos a pé em Soweto, fomos de ônibus urbano normal, sem qualquer guia ou acompanhante, mas nem saímos do terminal, dali retornamos ao Centro. Essas foram as que consegui clicar do veículo em movimento. Pude ler de relance que outra placa dizia “Um lugar onde se passava fome”.

Nigerianos principalmente, mas imigrantes também de vários outros países africanos tomaram conta de vários quarteirões pra si.

Em muitas ocasiões a convivência com os sul-africanos não é pacífica, diversas campanhas contra a xenofobia tentam pacificar os ânimos, nem sempre com sucesso.

Já o Centro Novo de Joanesburgo é limpo e civilizado. Hotéis, restaurantes e comércio sofisticados garantem uma freguesia requintada:

Homens e Mulheres em roupas e carros caros. Ali, os camelôs são proibidos, e os garis deixam ruas e jardins impecáveis.

Mas mesmo nessa parte agradável e mais segura não há brancos, só negros.

Aqui e a direita, catadores de material reciclável. Esse em Soweto, Joanesburgo – a frente dele as oni-presentes vans, quase todas são brancas e Toyota como essa.

E não é que não existam brancos na Grande Joanesburgo. Ao contrário, são 1,5 milhão de Homens e Mulheres de ascendência europeia.

Isso se você aceitar a cifra de 10 milhões de habitantes, que eu acho que é correta.

É que os brancos de Joanesburgo se impuseram um auto-‘apartheid’:

Vivem e trabalham nos subúrbios a moda ianque nas Zonas Norte e Leste da cidade, deixando o Oeste, Sul e o Centro pros negros.

Mesma cena em Pretória, catador de lixo perto de van Toyota branca. Embora ali essa marca também predomine, em Pretória – e somente em Pretória – há expressiva minoria Volkswagen, curiosamente cliquei 2 da mesma cor.

(Nota: não muito diferente dos brancos de Acapulco. Os ricos – única classe social que os brancos são maioria no México – moram e trabalham nos subúrbios próximos ao aeroporto. 

Acapulco é uma baía cercada e portanto emoldurada por uma serra. A elite mora ‘do outro lado do morro’, e jamais cruza a montanha.

Pra não se misturar com o povão, que tem pele bem escura mas não como afro-descendente, e sim índios, amero-descendente.)

Cracolândia no Centro de Durbã – ao perceber minha atividade jornalística, um noiado correu até mim e intimou: “Ei, ei, por quê essas fotos? Qual o problema?” Rapidamente lhe dei alguns trocados e ele se acalmou.

Atravessamos o Oceano de novo, de volta a Joburgo. Não por acaso SoWeTo’ é a sigla em inglês pra ‘South-Western Townshp’ (Assentamento Sudoeste).

Pois no ‘apartheid’ o Sul e o Oeste eram onde moravam os africanos nativos.

Mas na época do regime racista, os brancos trabalhavam no Centro, pois a polícia altamente militarizada ‘mantinha os negros no seu lugar’.

Depois da democratização essa intensa repressão não foi mais possível, os negros tomaram posse de suas cidades e passaram a usufruir mais o Centrão.

Antes eles trabalhavam ali, mas qualquer aglomeração de negros fora do local de trabalho era debandada de forma rápida pelas forças de segurança. Agora os africanos nativos são livres pra circularem e se associarem onde e como quiserem. Em ‘retaliação’, hoje são os brancos quem não pisam mais por ali.

Sim, com a ascensão de uma recém-surgida alta-burguesia negra, as mesmas divisões de classe surgiram dentro da raça negra:

Também Centrão de Durbã. A África do Sul está num movimento de substituir os nomes de rua europeus por africanos. Nessa esquina os dois logradouros já cambiaram: a “Doctor Pixley KaSeme Street” é a antiga ‘West St.’. Cruzando aqui com a “Dorothy Nyembe Street”, que antes se chamava ‘Gardiner St.’

Os mais ricos ficam de um lado do Centro, os mais pobres junto com os imigrantes de outros países da África de outro.

A cor da pele pode ser a mesma, mas como a classe é diferente, fica cada um na sua, num ‘mini-apartheid’ interno.

Mas em relação aos brancos a divisão espacial é ainda mais acentuada. Se entre negros pobres e ricos cada um fica no seu lugar no Centro, os brancos não vão mais ao Centro, enfatizo ainda mais uma vez.

Os brancos atualmente trabalham em Sandton, um subúrbio da Zona Norte a moda ianque que é o ‘Novo Centro’ de Joburgo, ao menos pros de pele clara.

Evidente, há negros em Sandton também, agora não se pode mais impedir a entrada deles em qualquer parte. Mas ali ainda há maioria branca.

No Centro de Pretória esse movimento fica ainda mais evidente. Risca ‘Church St.’, não existe mais. A via agora se chama “Stanza Bopape St.”. A transversal é a Rua Steve Biko. Como nessa a mudança é mais antiga as pessoas já assimilaram, não existe a denominação anterior. Mas obviamente essa via (que já existia, é antiga pois estamos bem no Centrão) não tinha esse nome no tempo do ‘apartheid’, uma vez que Steve Biko era inimigo do regime, alias foi severamente torturado e morreu em consequências dos ferimentos que sofreu nas delegacias da polícia política racista (‘SAP’) sul-africana.

No Centrão, seja na parte limpa ou na suja, não há brancos, digo de novo pra encerrarmos Joanesburgo. Agora, no Centrão do Cabo há, e aos montes.

Pelo que lhe falei, Joburgo e Durbã são segregadas. Não legalmente, e agora invertido. Os brancos podem ir ao Centro se quiserem, mas preferem ‘não, obrigado’.

Viajei por via aérea de Joanesburgo a Durbã. No avião e no aeroporto, os brancos eram maioria.

Pois entre a classe média-alta nessas duas cidades os euro-descendentes ainda são maioria, embora não mais oni-presentes como antes.

Apenas optaram pela auto-segregação. ‘Consciência pesada deles’, me disseram os negros quando perguntei do tema.

A Cidade do Cabo não é segregada, disse tudo isso pra chegar a esse ponto.

Os brancos não apenas trabalham no Centro, como transitam sem medo pelas ruas. Mais: eles ainda moram nas imediações.

De volta a Durbã. Na Zona Central da cidade há esse centro administrativo que congrega diversas secretarias municipais. Antigamente na ‘Rua do Forte Velho’, que homenageava a fortaleza construída pelos ingleses, que lhes ajudou a vencer várias guerras contra os holandeses e os negros. O prédio continua no mesmo lugar, mas a avenida agora se chama “K. E. Masinga Rd”. Outro detalhe é idioma. Notam que a construção pública, da época do ‘apartheid’, era bi-língue em inglês e africâner. Porém depois da democratização baniram o africâner de Durbã, toda comunicação visual é em inglês e zulu. As placas antigas permanecem, mas nas novas não existe mais africâner, reitero. Um ‘apartheid’ invertido, antes o africâner era compulsório, o zulu banido, agora é ao contrário. Não precisa proscrever uma pra outra entrar, a comunicação poderia ser tri-língue, inglês, zulu e africâner, contemplando a todos. Alias, o semáforo em frente a esse prédio é assim, a única placa tri-língue que vi em toda Durbã, além da fachada de um quartel do exército.

Coloco isso porque os brancos vão as praias do Centro de Durbã, mas não residem nem remotamente perto. Vão de carro.

No Centro do Cabo é diferente. Digo, a maior parte  dos de pele clara moram em subúrbios segregados – não politicamente mas em termos econômicos:

Não é proibido por lei um negro morar nesse bairros de elite. Simplesmente a maioria deles não têm dinheiro pra fazê-lo.

Então, retomando, boa porção da classe média euro-descendente vive em subúrbios afastados, e, sim, se locomovem de automóvel até seus escritórios no Centro.

Mas não todos. Está sendo feito um bairro pra ricos, muito parecido com o Porto Madeiro de Buenos Aires, se você conhece a capital argentina.

São elegantes prédios com canais artificiais entre eles, o que permite aos moradores remarem estando literalmente na porta de suas casas. Uma ‘Veneza (Itália) moderna’.

Dando um tempo pra política e vendo coisas mais belas e amenas. E bota beleza nisso!! Emoldurada por esse belíssimo firmamento celeste, a Mesa-Montanha – que é um ‘Chacra de Gaia’, a Mãe-Terra, se você tem ‘ouvidos de ouvir’. Aos pés dela, pra levar a galera até a bilheteria do teleférico, um buso do sistema de transportes ‘Minha Cidade’. Céu e um moderno ônibus, tudo azulmesma cena que fotografei no Chile, apenas lá era articulado e aqui micro.

Os brancos sul-africanos adoram caiaques, se você não sabe. Vi vários praticando esse esporte, nas praias do Cabo e Durbã, e nos subúrbios abastados de todas as cidades.

Pois bem. A Cidade do Cabo não apenas é a menos segregada de todas, como ela quer des-segredar ainda mais.

Por isso está fazendo esse bairro pra elite, em pleno Centro. Como a elite ainda é majoritariamente branca, isso mostra que o Cabo quer mais brancos em seu Centro.

Vamos colocar de forma mais apropriada: não é uma questão de raça, mas de classe. O Cabo quer os ricos morando no Centro. Uma boa parcela deles serão brancos.

Mas com o crescimento expressivo da alta-burguesia negra (que tende a aumentar e se consolidar nas próximas décadas) vários dos habitantes desses prédios de luxo serão negros.

Agora com céu nublado, mais uma tomada do bairro ‘Woodstock’, Z/C do Cabo. A herança norte-europeia (inglesa e holandesa) está evidente no conjuntinho de casas alinhadas. A cidade é numa península, alias é exatamente o que ‘cabo’ quer dizer. Por isso, em qualquer parte das Zonas Sul e Central (e começo da Leste e Norte, não existe Z/O pois seria dentro do mar) você vê a cadeia de montanhas como espetacular pano de fundo.

Segregação econômica sem dúvidas, pois a África do Sul é 3º Mundo.

Mas racial não. Se você pode pagar, brancos, negros, mulatos, indianos, orientais, todos são bem-vindos ao Centro do Cabo.

É a situação ideal? Óbvio que não. Mas considere o passado da África do Sul (em que a lei separava brancos de negros, mestiços e indianos, com privilégios pros primeiros).

E compare com as outras cidades sul-africanas atuais (auto-segregação imposta pelos brancos).

Além disso, por seguir o modelo de urbanização ianque, geralmente os ricos e a classe-média alta moram muito longe do Centro, e só se locomovem de automóvel.

O mesmo céu sem nuvens, e de novo um ônibus, agora 2-andares. Centro de Joanesburgo: Praça Gandhi, o terminal das linhas (não-integradas) da viação Metrobus, proprietária desse Volvo/ Marcopolo brasileiro, que dorme na garagem que vimos acima, em cujos fundos há a favela.

Ali no Cabo estão atraindo pessoas que, ao contrário, muitos deles darão prioridade pro deslocamento a pé, de bicicleta e mesmo de ônibus. Sim, existe a segregação econômica.

Mas sem segregação racial nem espacial, gente com bastante dinheiro de todas as raças vai a pé trabalhar, pois é só atravessar a rua. Os tons de pele convivem e não queimam carbono.

Dentro das atuais condições, é um avanço. Não podemos deixar a utopia travar o avanço do que é possível nesse momento. Pois esse avanço será a semente de avanços maiores no futuro.

O Centrão da Cidade do Cabo tem partes feias e sujas, claro, é uma metrópole conturbada e injusta de 3º Mundo.

Mas é muito mais limpo e seguro que os Joanesburgo e Durbã, sem comparação possível. E por isso a classe média, de todas as raças, se sente a vontade por ali.

………