Essa é a ‘Cara do Brasil’: Rio de Janeiro, Cidade-Maravilhosa

Praia de Copacabana: o Rio de Janeiro continua lindo!, sem dúvidas. Mas o contraste social é gritante: o morro do Cantagalo/Pavão-Pavãozinho é uma grande favela quase a beira-mar, ao lado do m2 mais caro do Brasil, a orla de Ipanema, Copacabana e bairros vizinhos.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 13 de outubro de 2020

Mensagem-portal da viagem ao Rio de Janeiro. No fim da matéria ancoro as demais reportagens, conforme eu as vá publicando.

Quase todas as fotos de minha autoria. As que forem baixadas da internet identifico com um ‘(r)’, de ‘rede’.

……..

Aquele Abraço: mural no Centro com a famosa canção que retrata a cidade que é “a cara do Brasil”.

O que falar da “Cidade-Maravilhosa”?, já tão cantada e decantada em verso e prosa…

Ainda assim aceito o desafio, e farei uma série de matérias relatando o que observei nesses quase 6 dias que passei no Rio.

UMA CIDADE ABSOLUTAMENTE MARAVILHOSA; MAS . . . SOB OCUPAÇÃO MILITAR –

Sabe o Yin-Yan, aquela bola metade escura e metade clara em que as metades se entrelaçam?

É o Oráculo-Mor do Universo, e se isso fosse possível resumiria numa imagem como as Leis da Energia (que regulam toda a Vida, em todas as dimensões) funcionam.

SOB OCUPAÇÃO MILITARPraia de Ipanema, feriado de 7 de Setembro de 2020: várias viaturas da Polícia Militar e Guarda Municipal fazem pressão na orla, pra manter a ordem. O Rio de Janeiro está inteiro assim, fortemente ocupado pelas forças de segurança, pra tentar impedir assaltos no asfalto e invasões nos morros; Como vê, a força-tarefa envolve todas as esferas, afinal obviamente a P.M. é do governo estadual, e a Guarda Municipal é gerida pela prefeitura como o nome indica. Quando é preciso ações mais pesadas nos morros, Exército, Marinha e Aeronáutica  (a esfera federal) também participam – vide próx. imagem.

“O Preto e o Branco vem juntos”, o que quer dizer que as partes boas e ruins muitas vezes caminham lado-a-lado.

Funciona assim sempre, mas em nenhum lugar esse contraste é tão óbvio quanto no Rio.

Não estou contando o segredo do Santo Graal, estou?

Como diz a música Rio 40º, é a “capital do melhor e do pior do Brasil“.

Acho que não poderia haver melhor definição que essa.

Então isso é o que mais chama a atenção no Rio de Janeiro:

Um lugar deslumbrante, espetacular, a própria “Cidade-Maravilhosa” mesmo e não poderia haver outra.

GUERRA NA CIDADE – Favela da Rocinha, Zona Sul do Rio, setembro de 2017 (*): 4 mil Homens das 3 Forças Armadas (mil na linha de frente e mais 3 mil na retaguarda) com dezenas de blindados – verdadeiros tanques de guerra, como vê na imagem – e helicópteros sobem a Rocinha, pra apoiar grande operação das Polícias Civil e Militar que visava pacificar a favela após dias de tiroteios entre facções do tráfico, que assustaram a Zona Sul. Como dito, fotos com ‘(*)’ são puxadas da internet, nesse caso a fonte é a ‘Wikipédia’.

Por outro lado, com problemas gravíssimos de segurança pública. Bota ‘gravíssimos’ nisso.

Alias essa parte já se deteriorou tanto que os tumultos se tornaram crônicos, ou seja permanentes.

Em setembro de 2020, quando lá estive, o que vi foi uma cidade sob ocupação militar:

Uma força-tarefa que reúne duas esferas – municipal e estadual – satura as Zonas Sul e Central de polícia.

(Nota: não tive tempo de ir a Zona Norte infelizmente, e na Zona Oeste só estive na Praia da Barra.

Então sinceramente não sei como estava a situação no subúrbio.)

Vamos então olhar esse Rio de Janeiro, ‘lado A & lado B‘, suas belezas e suas mazelas. Aqui, em foto tirada no Cristo Redentor, vemos o Pão de Açúcar obviamente, abaixo dele a Urca, e o bairro de Botafogo. Mais uma vez o agudo contraste, repare quantos barquinhos ancorados na baía; no entanto (também no bairro de Botafogo) na encosta do morro, repare na parte que tem sombra, a favela de Santa Marta/Dona Marta, aquela em o cantor estadunidense ‘Michael Jackson’ gravou um clipe. Do outro lado da Baía de Guanabara, visualizamos ainda Niterói.

Seja como for, o que presenciei já foi bastante impressionante.

Viaturas ocupam todas as partes da Zona Sul, o tempo todo, e no Centro a presença também é  intensa.

Pra tentar reduzir, temporariamente que seja, os assaltos e tiroteios entre traficantes, que tiveram grande explosão no inverno de 2020.

Quando preciso, até a esfera federal – as Forças Armadas – também participa dos cercos as favelas, como nota na imagem a direita.

Farei matéria específica completa sobre essa parte, outro dia.

Por hora, vamos dar um panorama geral da cidade e em breve nos aprofundamos na questão da (in)segurança pública.

………

Agora invertemos: vemos o Cristo Redentor do alto do Pão de Açucar (estava bem nublado no dia que subi o bondinho, outro dia conto mais).

Trata-se, como todos sabem, da 2ª maior cidade do Brasil.

O Grande Rio tem pouco mais que 12 milhões de habitantes.

(Foram contados 11,7 milhões no Censo de 10, a projeção pra 2020 é de 12,7. Logo teremos os resultados do Censo de 2020.)

Os Arcos da Lapa, no Centro (sobre eles passa o bonde de Santa Teresa, só o Rio e Santos-SP têm linhas de bonde antigo ainda ativas no Brasil, mas esse do Rio é o único que vem sendo operado de forma contínua desde o século 19 – o de Santos havia sido desativado em 1971 e retornou somente em 2000).

Somente na capital, o município do Rio, são 6 milhões de pessoas (6,3 no censo, 6,7 é a projeção pra 2020).

O Rio de Janeiro é de um espetáculo natural indescritível.

E eu diria mesmo “incomparável”, em escala global.

Tudo isso por boa parte da cidade – e certamente nos seus bairros mais caros – ficar espremida entre a serra e o mar.

Aqui e a esq.: escultura de areia na Praia de Copacabana mostra os 3 símbolos maiores do Rio, o Cristo Redentor, os Arcos da Lapa e o Pão de Açúcar – o autor se deu ao trabalho de pôr mesmo um teleférico suspenso entre os morros, como ampliei no detalhe.

No meio da cidade há uma grande cadeia de montanhas, o Maciço da Tijuca. Eis a glória do Rio, que lhe confere sua beleza singular.  

Os dois símbolos maiores do Rio estão no alto de morros: me refiro, evidente, ao Cristo Redentor no Corcovado e o bondinho no Pão de Açucar.

O imponente Cristo pode ser visto pela maior parte da cidade (na África do Sul a Cidade do Cabo tem a Mesa-Montanha, que cumpre o mesmo papel; bem, como o Rio o Cabo é outra cidade linda mas cheia de problemas e contrastes sociais).

No meio da imagem a escultura de areia que descrevi na legenda anterior. O Rio é belo, mas repleto de contradições: no canto esquerdo da foto vemos alguns sem-teto dormindo na praia, a luz do dia. Ao fundo o Forte de Copacabana, que sofreu o famoso motim dos “18 do Forte”, liderado pelo tenente Siqueira Campos. Repare também no desenho da calçada da orla, outro ícone indelével da cidade. Tem mais: veja as bandeiras de alguns países sul-americanos (Chile, Uruguai e Colômbia) numa ‘banquinha’ da praia. É comum esses comércios ambulantes desfraldarem os pavilhões dos países cujos turistas que estão no Rio, que eles tentam atrair pra consumir ali – já cliquei a mesma cena em Florianópolis.

Nada mais natural, posto que a montanha do Corcovado que o sustenta tem 750 metros de altura.

Fotografei-o em diversos pontos da Zona Sul (infelizmente o tempo foi curto e não pude visitar a Zona Norte, como já informei).

Por outro lado, de certa forma essa geografia é também uma provação.

Não é difícil entender o porquê. A cidade fica muito quente, falando de forma literal e também figurada.

Aqui uma tomada melhor do calçadão de Copacabana, com seu marcante desenho ondulado. Retratados igualmente o mesmo prédio da 1ª foto da matéria, no topo da página – dessa vez a favela do Pavão/Pavãozinho não aparece; uma carreta Scania ‘cara-chata; e as famosas ‘bancas’ ou ‘barracas’, barzinhos e lanchonetes já dentro da praia, muito procurados pra petiscos e um choppinho, pra quem aprecia. No detalhe uma banca na areia com a bandeira do Pará ao lado de escudos do Remo e Paysandu, há muitos paraenses no Rio – também é frequente as banquinhas ostentarem bandeiras de clubes de futebol, sejam do Rio, outros estados brasileiros como nesse caso, ou do exterior.

Fisicamente no subúrbio do Rio faz muito calor, pois ele está numa espécie de estufa entre duas cadeias de montanhas:

O Maciço da Tijuca quase a beira-mar e a Serra do Mar um pouco mais adiante, no alto da qual ficam Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, etc.

A orla ainda é mais fresca, pois recebe a brisa marítima que alivia o calor.

Mesmo assim quando estive lá em alguns dias a temperatura beirava os 35º – olhe que oficialmente ainda estávamos no inverno, afinal a primavera começa no dia 22 de setembro.

No entanto, o subúrbio carioca é muito, mas muito quente. Justamente pelo que acabo de dizer acima, ele se localiza entre 2 serras.

Isso causa uma estufa que faz com que os termômetros fervam. Um mês depois disso, em outubro de 20, o calor chegou a nada menos que 43º!!!

Segundo diz quem morou nas duas cidades, o Rio é mais quente que Salvador-Bahia (cidade sobre a qual também escreverei bastante em breve).

Aliado a isso, há também uma situação social explosiva. Todos sabem, novamente não vou contar nenhum segredo.

Nos feriados (nesse caso era 7 de Setembro) e fins-de-semana a avenida beira-mar fica fechada pro tráfego de veículos, sendo liberada a pedestres e ciclistasem João Pessoa-PB é ainda melhor, lá é diariamente das 5 as 8h. Voltando ao Rio, veja que em Copacabana esse posto de gasolina reproduz na parede a calçada, de tão famosa ela é.

A encosta dos morros foi ocupada de maneira completamente desordenada. Com isso, o Rio tem favelas em quase todos os bairros.

A princípio eu havia escrito “com exceção talvez da Urca”. Só que mesmo a Urca tem uma pequena favela na divisa com Botafogo.

(Embora a Urca seja segundo alguns o bairro mais seguro do Rio, questão que me aprofundarei outro dia.)

Não tem jeito, são praticamente onipresentes. No Centro, na orla, ao lado dos bairros mais ricos, ou seja, por toda parte.

Duas notas: 1) como já disse muitas vezes, eu não falo ‘favela’ com desprezo burguês. Gosto de periferia, e gosto das favelas.

Não sou de direita. Sei muito bem, na prática inclusive, que a imensa maioria das pessoas que moram em favelas e periferias são honestos e batalhadores.

O desenho ondulado no piso das 2 praias da Zona Sul que são ‘a Cara do Rio’, Copacabana e Ipanema evidente (na Barra, que fica na Z/Oeste, é diferente) é símbolo até do Campeonato Carioca de futebol. Uma imagem vale por mil palavras, não preciso dizer mais nada.

Agora, também não sou de esquerda. Então não vamos tapar o sol com a peneira.

Eu me recusei a substituir o termo favela por ‘comunidade’.

Sim, desse modo manda o dogma de uma estranha ‘novilíngua’.

Dogmas esses que hoje predominam na academia e boa parte da mídia.

Ainda assim, quando escrevo “comunidade”, o faço sempre entre aspas.

Bandeiras do Brasil, Alemanha e Israel na Praia de ‘Copa‘. O fluxo de turistas estrangeiros no Rio em setembro de 2020 não chegava a 10% do habitual, por conta do ‘corona-vírus‘. Viagens entre Brasil e EUA estavam proibidas, entre Brasil e Argentina havia sido liberado a menos de uma semana e ainda engatinhava, e pra Europa haviam voos mas apenas 2 ou 3 por dia, quando o normal seriam 2 ou 3 por hora. Copacabana estava bem vazia. Por um lado isso barateou em muito as coisas, paguei uma diária de casal num hotel com piscina a 4 quadras do mar por apenas R$ 84 (15 dólares, portanto quase de graça; na ocasião US$ 1 = pouco mais de R$ 5, a passagem de ônibus no Rio era R$ 4,05, em Curitiba R$ 4,50), as refeições nos restaurantes de Copa também saíam por cerca de metade do que seria pago em condições normais (estrogonofe bem servido pra 2 pessoas, com suco natural, por volta de R$ 50 a 60). Por outro lado, o Rio vive do turismo. Vários hotéis estavam fechados, muitos deles em definitivo, com as entradas já muradas. Se a situação não se normalizar em breve o desemprego irá pra estratosfera, com consequências sociais terríveis.

Pra indicar que é um sinônimo da palavra ‘favela’, e não seu sucessor. 

Eu gosto de favelas e periferias. Ainda assim, repito, não tapemos o sol com a peneira.

A presença de favelas em todos os bairros da cidade é uma situação altamente explosiva.

Não preciso explicar isso pra ninguém, e muito menos pros cariocas.

E assim de fato se dá. A cidade ferve, não apenas nos termômetros que medem a temperatura física, mas também em termos sociais. 

2ª nota: é claro que Curitiba também tem favelas. E como as têm!

No município da capital do PR são cerca de 300, e eu conheço todas elas, uma por uma.

Não apenas no mapa mas por dentro, andando em suas ruas e becos.

Curitiba não é Europa, muito longe dissoe olhe que a Europa também tem suas próprias favelas e seus problemas sociais crescentes.

Seja como for, a capital paranaense é uma metrópole da América Latina, como tudo que isso acarreta.

Aqui há desigualdade social, as vezes aguda. Há violência urbana, evidente.

Alguns meses atrás, eu e minha companheira inclusive sofremos um assalto na Zona Norte da cidade.

Clique pra ampliar a panorâmica, fiz uma colagem com 3 tomadas captadas do alto do Cristo mostrando o Centro e começo da Zona Norte: no canto esquerdo da imagem o Estádio do Maracanã; a seguir vários prédios do bairro da Tijuca – que é longe da praia, não confundir com a Barra da Tijuca; no meio da foto vemos duas favelas em morros, mais perto da Baía da Guanabara o Morro da Providência, que oficialmente é a 1ª favela do Brasil, de 1897 (em breve conto a história dessa e de outras favelas famosas cariocas), e logo abaixo o maior Complexo da favelas da Zona Central, que engloba os morros e favelas São Carlos, da Mineira, Zinco, Fallet, Fogueteiro, entre outros nomes. A direita o Centro, e no alto da imagem a Ponte Rio-Niterói, que com seus 14 km já foi a maior do mundo.

Então em Curitiba e todas as cidades brasileiras e podemos dizer em boa parte do planeta a questão da violência urbana é aguda.

Curitiba tem centenas de favelas, em diferentes graus de urbanização.

E ocorrem assaltos frequentes por toda cidade, Centro, burguesia e periferia.

Agora, e esse é o ponto, aqui a periferia é, bem, na periferia.

Porta de comércio em Copacabana mostra os símbolos do Rio: Estádio do Maracanã – que já sediou 2 finais de Copa do Mundo, façanha que só ele e o Estádio Azteca no México conseguiram; Cristo Redentor de braços abertos; Arcos da Lapa, sobre os quais passa o bondinho de Santa Teresa, também retratado no desenho; a orla da Zona Sul e sua calçada característica (por aí você vê o apreço que o carioca tem por esse desenho ondulado); e o Pão de Açúcar.

Na periferia geográfica da cidade, bem longe óbvio da Região Central que concentra a classe média-alta

A capital paranaense tem duas grandes antigas favelas perto do Centro, Vila Parolin e Vila Capanema.

Agora foram urbanizadas, mas alguns problemas permanecem.

A questão da violência certamente é uma delas. É o Brasil, amigos.

No geral, entretanto, as favelas de Curitiba são distantes do Centro.

E embora algumas delas sejam em ladeiras (a começar pela Vila Parolin supra-citada), nenhuma delas é em encosta de montanhas.

Em São Paulo, Brasília-DF e muitas outras cidades, o mesmo se repete.

(Digo, na Zona Norte de Sampa há algumas favelas na encosta da montanha, no caso a Serra da Cantareira.

A imagem acima da manchete, Cristo Redentor de braços abertos no alto do Corcovado, Abençoando a Cidade-Maravilhosa. Nas próximas 3 imagens, ele visto de diversos pontos de Zona Sul.

Só que são bem afastadas do Centro e dos bairros mais caros.)    

Há gravíssimos problemas sociais, evidente que sim. Quem tentaria negar?

Entretanto os bairros mais “quentes” da cidade (se é que me entendes) ficam nos arrebaldes, “longe dos olhos, longe do coração”.

No Rio, e também em Florianópolis-SC, Santos-SP e Vitória-ES, é diferente.

Nessas 4 cidades, todas no litoral do Atlântico (fora o Rio alias as outras 3 são ilhas), há uma grande cadeia de montanhas no centro – geográfico – do município.

Assim, os bairros ocupam a área plana disponível entre os morros e a água.

Copacabana.

Além disso, várias encostas estão bastante favelizadas.

O que faz com que existam favelas na orla, em alguns casos quase na beira-mar mesmo.

Voltando a falar especificamente do Rio de Janeiro, que é nosso foco hoje.

Praticamente todos os bairros da cidade têm grandes favelas.

Lagoa Rodrigo de Freitas: até 1971 naquele morro do centro da imagem havia a Favela da Catacumba – contarei melhor essa história na próxima mensagem da série (nota: essa é mais uma colagem, e como em todas as colagens que faço você percebe as emendas entre as fotos; a intenção não é enganar ninguém, e se fosse eu não teria os equipamentos e técnicas necessários pra tanto, viso apenas mostrar uma visão mais panorâmica, que não seria possível em uma única tomada).

Seja nos morros (na região das Zonas Sul, Central e boa parte da Norte) ou planas (na Zona Oeste e alguns pontos da Norte).

Se tudo isso fosse pouco, o Rio de Janeiro, como não é segredo pra ninguém, tem um problema gravíssimo com o enraizamento de facções criminosas nos morros, favelas e periferias

O problema vem desde os anos 80 (em breve farei outro texto abordando o assunto com mais detalhes). 

Tomemos por exemplo o bairro de Copacabana na Zona Sul.

Jardim de Alá, parque ao redor do canal que liga a Lagoa ao mar, e que divide Ipanema (dir.) do Leblon (esq.). Há muitos sem-tetos no local, e inclusive revestiram uma das margens de areia como nota, então me dá a impressão que o local é usado como uma espécie de praia dos moradores de rua

Antigamente, no meio do século 20, era a parte mais cara da cidade, ao lado da vizinha Ipanema.

(Isso antes da ascensão da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, como reduto da classe média-alta e elite.)

A questão é que boa parte da burguesia foi pra Barra, mas ‘Copa’ ainda retém o status de um bairro de classe média e média-alta.

Ainda que a maior parte dos que são milionários já tenha preferido migrar pra condomínios fechados com maior segurança na orla da Zona Oeste.

Bem em frente ao Jardim de Alá está a Cruzada de São Sebastião, que é uma cohab popular. Portanto um bairro de periferia encravado na região mais cara do Rio e do Brasil. Os moradores da Cruzada têm empregos perto, essa é a vantagem. Em compensação, seu custo de vida é altíssimo, comparado a seu salário certamente, pois precisam pagar os preços do Leblon nos produtos e serviços que consomem, que são significativamente mais altos que nos morros e subúrbios. Mais uma faceta dos múltiplos contrastes cariocas.

Igualmente, falaremos melhor sobre a Barra em outra ocasião. Por hora, fiquemos em Copa.

Mesmo sem a hegemonia do passado, ainda é um bairro caro.

Comparado com a Zona Central e os subúrbios das Z/N e Z/O certamente.

Pois bem. A ponta de Copacabana mais próxima do Centro é a Praia do Leme, como sabem (“Do Leme ao Pontal” da música famosa).

No Leme, praticamente a beira-mar, está a favela dos morros Babilônia e Chapéu-Mangueira.

(Sim, o nome é derivado do Morro da Mangueira na Zona Norte, em breve contarei com mais detalhes.)

Em outra colagem, a Praia do Leblon, sempre com sua calçada característica. Na encosta do morro ao fundo a favela do Vidigal.

No meio de Copa, dessa vez um pouco afastado da praia, temos outro complexo de favelas na encosta, o Morro dos Cabritos/Ladeira dos Tabajaras.

E na divisa com Ipanema há mais um morro com uma grande favela, a maior das 3 de Copa, o morro do Cantagalo/Pavão-Pavãozinho.

Em escala maior, o Vidigal. A beira-mar e ao lado do bairro de m2 mais caro do Brasil, o próprio Vidigal, ainda que seja uma favela, é um lugar caro de se morar. Segundo levantamento da revista Exame, um imóvel de 100 m2 ali sai por nada menos que  R$ 800 mil, mesmo preço do Centro e mais caro que em todos bairros da Zona Norte e Zona Oeste exceto a Barra, mas acima do Recreio dos Bandeirantes – os dados são de 2014. Mesmo que tenha havido ligeira alteração nos nos números de lá pra cá, o quadro geral permanece.

Sendo que a Babilônia/Chapéu-Mangueira e Cantagalo/Pavão-Pavãozinho podem ser vistas até mesmo das areias da praia.

E também da maior parte das ruas próximas. Uma realidade que não pode ser ignorada.

Além do mais, se você for da orla da Zona Sul (Copacabana, Ipanema/Leblon) pra orla da Zona Oeste (Barra/Recreio dos Bandeirantes) terá que passar perto dos morros do Vidigal e Rocinha.

Babilônia/Chapéu-Mangueira, Cantagalo/Pavão-Pavãozinho e Cabritos/Tabajaras são favelas entre médias a pequenas.

Ou seja, têm alguns milhares de moradores em cada uma delas.

a Rocinha e o Vidigal são favelas bem grandes. Grandes mesmo.

O Vidigal tem algumas dezenas de milhares de habitantes.

Outra panorâmica do Centro feita do Cristo, dessa vez mais fechado nele, sem mostrar a Zona Norte. No alto de novo a Ponte Rio-Niterói. Bem no meio da imagem uma favela no morro, mas logo abaixo vemos que nem todas as encostas das montanhas da cidade estão favelizadas; ao contrário, algumas abrigam bairros de classe média, que têm inclusive temperatura mais amena que os outros bairros que ficam a nível do mar, por serem mais altos e mais arborizados. Numa cidade que os termômetros ultrapassam bastante os 40o com frequência, é um alívio estar num ambiente mais fresco.

E a Rocinha é ainda maior, quase de uma centena de milhar.

Nota: são comuns os relatos totalmente descabidos que a Rocinha teria, sozinha, ‘meio milhão de habitantes’.

Trata-se de um despropósito óbvio. A população total do município do Rio é de 6 milhões.

Então basta você olhar no mapa e ver a área que a Rocinha ocupa em relação ao total.

Assim ficará evidente que não é possível que a Rocinha concentre quase 10% dos cariocas.

Não é possível, e dizendo de novo, uma simples mirada no mapa deixa isso cristalino.

Muitos brasileiros têm problema crônico com os números.

Próximas 8: algumas tomadas do Centrão do Rio. Aqui a Igreja da Candelária, em cujas escadarias em 1993 ocorreu a matança de 8 menores de rua que ali dormiam.

E o desarranjo no relato de quanta gente mora nesse morro demonstra isso.

No censo de 10, o IBGE contou 69 mil pessoas vivendo na Rocinha.

Um ‘censo das favelas’ do governo do estado fixou o número um pouco acima, perto de 100 mil.

São por volta de 30 mil moradias na Rocinha, logo algo entre 70 a 100 mil moradores fica perto da realidade.

No entanto, a Rocinha não tem ‘200, 300 ou mesmo 500 mil habitantes’, como alguns falam sem atentar pra consequência de suas palavras.

Bem em frente a igreja, vemos que até hoje o local é escolhido como abrigo por sem-tetos.

Convenhamos, entre 70 a 100 mil moradores não é pouca coisa.

Trata-se ainda de uma das maiores favelas do mundo, a segunda maior do Rio.

Atrás do Complexo da Maré na Zona Norte que abriga perto de 120 mil pessoas.

Alias essa é a situação em todo Centro: em plena luz do dia, várias pessoas dormem nas calçadas – em algumas partes o odor de urina e outros dejetos é bem forte.

Há duas formas de ir da Z/S a Barra, e por qualquer uma deles você terá que passar na frente do Vidigal ou da Rocinha:

1) Pela Av. Niemayer, que segue ao lado da praia e até mesmo sobre ela em alguns pontos (é um elevado, um grande viaduto, pra quem não conhece).

Nesse caso você irá cruzar o Vidigal, até porque é a via de acesso a favela.

2) Via Auto-Estrada Lagoa/Barra. Nesse caso, após o túnel Zuzu Angel você sai na Rocinha.

Avenida Getúlio Vargas, a principal via do Centro, no cruzamento com a Avenida Rio Branco, em cujo piso vemos os trilhos do VLT.

Sim, a maior parte da favela você não vê, pois ela está sobre o morro que o túnel corta por baixo.

No entanto, mesmo o finalzinho da Rocinha, que você vê quando sai do túnel, já é bastante impressionante.

Mais uma vez repito, praqueles que têm sua mente bem lavadinha pelas ideologias em voga na academia/mídia possam entender:

Eu gosto de periferia, e gosto de favelas. Não falo com desprezo pela Rocinha, e nem por nenhuma favela.

Placa dessa famosa esquina. No Rio as placas de rua trazem uma breve biografia da pessoa, data ou local homenageado – recentemente Santos, no Litoral Paulista, adotou a mesma prática.

Ainda assim, as coisas são como são, e não como gostaríamos que fossem.

Favela é favela, chamá-la de “comunidade” não ameniza essa dura realidade.

A Rocinha é uma favela, e isso não deixa de ser reparado por quem passa ali.

Ao menos pelo 99% das pessoas que não estão tão atreladas aos dogmas pregados com fervor religioso na “comunicação” e “educação” (entre aspas por algum motivo, deixo pra você decifrar).

Eis o VLT (‘Veículo Leve sobre Trilhos’) carioca. O Centro está bastante degradado, esse bonde moderno, que é limpo e eficiente, é uma tentativa de recuperação da região – breve publico matéria específica sobre o transporte.

E é impressionante passar pela Auto-Estrada e ver ali a Rocinha, ‘em toda sua Glória e Poder’ se podemos chamar assim.

Ocupando lugar de destaque entre os bairros mais caros do Rio de Janeiro.

……

Além disso, a composição racial do Rio de Janeiro é mais parecida com a de Minas e boa parte do Nordeste, ou seja, uma proporção alta de negros e mulatos.

Próximo do chamado ‘Saara’ está o comércio popular. Várias ruas estão tomadas por camelôs.

Não vai aqui nenhum racismo, ao contrário. Amo a Raça Negra Original.

Já fui a África  e também a República Dominicana (que é a “África na América“).

Nunca fui a Europa e nem mesmo ao Uruguai (país que embora tenha uma minoria negra significativa certamente é mais associado a raça branca).

Retratei inúmeras vezes ‘Marília e Maurílio’ como negros.

Próximo a Praça 15, de onde saem as barcas pra Niterói, do outro lado da Guanabara.

E esse casal de personagens é uma representação de minha Alma, afinal sou eu quem os desenho. 

Então, enfatizando ainda mais uma vez e quantas se fizerem preciso, não vai aqui nenhum racismo.

Ainda assim, é evidente que existe um contraste entre Sul x Sudeste/Nordeste.

Óbvio que a composição racial do Rio (e também de Minas, Pernambuco e muito mais da Bahia e Maranhão) é bem distinta da capital do Paraná, onde eu morei toda minha vida.     

Vamos cruzar a Baía da Guanabara e ir pra Niterói. Várias tomadas foram tiradas de dentro de um ônibus em movimento, essa e a seguir sobre a Ponte Rio-Niterói. Aqui vemos o Centro de ‘Niquíti‘ (apelido carinhoso de Niterói, pra quem não sabe).

Não é um juízo de valor, entenda bem isso. Não é questão de eleger um modelo como melhor ou pior.

Nosso país, e o mundo todo em verdade, está cego por uma intensa polarização arraigada.

Polarização política enorme, que ultrapassa os limites do ódio.

E está agravando todos os conflitos, que já não são pequenos.

Ainda na ponte podemos observar grandes favelas nos morros que cercam o Centro de Niterói. Óbvio que os problemas que assolam o Rio – e o Brasil todo, além de boa parte do mundo, alias – se repetiriam aqui, e como seria diferente? Um outro detalhe, vemos os guindastes do porto. O Porto do Rio é o 2o maior do Brasil atrás do de Santos. O Porto de Niterói do outro lado da Guanabara é independente do Rio, mas estando tão próximo faz parte de um mesmo complexo portuário, digamos assim.

A extrema-direita cultua a raça branca normanda, enquanto a extrema-esquerda cultua a raça negra africana.

Vamos nos manter neutros nesse confronto. Curitiba não é melhor ou pior que o Rio, BH, Recife-PE, Salvador da Bahia e São Luís do Maranhão por ter uma composição racial distinta.

Entretanto, é diferente, sem dúvidas. Só que Curitiba (e boa parte do Sul em geral) que são a exceção, com sua população majoritariamente de pele mais clara.

(Um adendo: embora o que chamamos ‘brancos’ no Brasil são – e somos, porque me incluo nessa conta – mulatos-claros.

Se o Rio tem a Av. Pres. Vargas, Niterói também possui suas grandes avenidas no Centro – no detalhe a pichação no alto do prédio, tema sobre o qual também me estenderei futuramente.

Os ‘brancos’ do Brasil e América Latina quase todos não seríamos brancos nos EUA, Europa Ocidental e Anglosfera.

E com razão. Porque não somos brancos, no sentido de normandos/arianos.

Somos Latinos. Somos América, América Latina.

E os Latinos não somos brancos, mesmo os que temos a pele mais clara).

Você entendeu. No Hemisfério Norte os ‘brancos’ brasileiros são outra raça, os Latinos.

A Câmara Municipal de Niterói tem o escudo do Estado do Rio de Janeiro, isso porque está no prédio que um dia abrigou a Assembleia Legislativa quando Niterói era a capital estadual, até 1975 (também falarei mais disso numa próxima matéria).

Ainda assim, o que aqui no Brasil se classifica como ‘branco’ é ampla maioria no Sul,

Embora certamente hajam minorias negras/indígenas significativas.

No Rio não é assim. O Rio é uma cidade mestiça por natureza, com os negros com uma proporção alta da população.

Em verdade diria que o Rio é uma cidade de maioria mulata/mestiça.

Na orla os brancos são majoritários, nos morros os negros se não são maioria são quase.

Praça da República no Centro de Niterói. Importante espaço cívico que abriga diversos órgãos públicos. Estou na escadaria da Câmara vista na tomada anterior e registrando a Biblioteca Municipal, pra citar apenas 2. Ampliei nos detalhes a fachada da Biblioteca, a estátua que há em frente e uma parte da favela mais famosa do Centro de ‘Niquíti’, o ‘Morro do Estado‘.

Perguntamos então: e no subúrbio, que afinal é que concentra pelo menos 2/3 da população carioca?

Bem, nos subúrbios das Zonas Norte e Oeste o tipo majoritário é o que mistura o sangue das raças-formadoras da Pátria Amada.

Como diz outra canção: Uns de pele clara, outros mais escura. Mas todos viemos da mesma mistura”. 

E já que o tema é a música, pense no cantor Marcelo D2, que foi vocalista da banda ‘Planet Hemp‘ e depois partiu pra carreira-solo.

Se tivesse que escolher o carioca típico numa imagem, o biotipo majoritário, seria o D2.

Próx. 2: o Porto do Rio. Nessa visto da Ponte Rio-Niterói, ao fundo o Centro da capital do estado.

Um mulato de pele clara, a ‘Cara do Rio‘. O Rio é assim.

Muitos negros, e maioria mestiça. Ali, os brancos é que são a minoria.

Conhece a música “A Cara do Brasil”? – gravada, entre outros, por Ney Matogrosso.

Agora inverteu: estamos na Zona Central, em 2º plano a famosa ponte que cruza a Baía da Guanabara.

Ela fala dos múltiplos contrastes dessa nação-continente.

O Brasil em preto-&-branco. Pergunta a letra dela (eu mudei a ordem das estrofes):

O Brasil é o que tem talher de prata?

Ou aquele que só come com a mão?

Ou será que o Brasil é o que não come? 

O Brasil gordo na contradição?

Seguimos na mesma região perto das docas. Aqui e abaixo cenas dos morros (favelizados) da parte central da cidade.

O Brasil é o homem que tem sede?

Ou quem vive da seca do sertão?

Ou será que o Brasil dos dois é o mesmo?

O que vai e o que vem na contramão?

Me bateu a pergunta, meio a esmo: na verdade, o Brasil o que será?

São os Trens da Alegria de Brasília?

Ou os trens de subúrbio da Central?

Qual a cara da cara da nação? ”

E assim vai. O autor vai desfilando as múltiplas contradições.

2 tomadas noturnas da Praia de Copacabana.

Não esquecendo nem do futebol, comparando as seleções nas Copas de 82 – que jogou bonito e perdeu – e de 94 – que jogou feio e ganhou.

(Breve explicação pra quem não é muito ligado nesse esporte, ou então é muito novo e não presenciou:

Tanto o Brasil de 82 quanto o de 94 fez seu último jogo na Copa contra a Itália.

Em 82, na Espanha, fomos eliminados perdendo por 3×2 num jogaço memorável.

Já em 94 a decisão do título Brasil x Itália foi o 1º 0x0 da história numa final de Copas do Mundo.

O Brasil acabou vencendo nos pênaltis e levou a taça.)       

Já basta de futebol. Dei essa pincelada no esporte só pra pôr no contexto.

Nas próximas 3 imagens, continuamos em Copacabana. Aqui e na a seguir, vemos ruas públicas que receberam grades ou cancelas e guaritas, transformando-se em condomínios fechados.

Voltemos a falar das disparidades sociais, que são o foco tanto da música quanto desse texto.

A certa altura, Ney Matogrosso fuzila, perguntando afinal qual é a ‘Cara do Brasil‘:

Quem vê, do Vidigal, o mar e as ilhas?

Ou quem das ilhas vê o Vidigal? ”

……..

Pois bem. Fui da Barra a Copa de ônibus, passando portanto perto da Rocinha e aos pés do Vidigal.

Alguns têm medo de assaltos (e justificadamente, não estou ironizando)…

Houve um momento de tensão, quando alguns meninos da uma dessas favelas invadiram o ônibus.

Eram meninos mesmo, bem crianças, e ao levarem uma dura do motorista não criaram problemas. Depois eu conto essa história melhor.

Aqui, pra resumir, eles queriam apenas uma carona pra Praia do Leblon.

Era feriado, fim-de-tarde e eles iriam curtir o pôr-do-sol na orla da Zona Sul.

enquanto outros estão mais preocupados em ter algo pra comer: velho caminhão recolhe reciclagem nas ruas de Copa – o “alta costura” na loja do fundo apenas aumenta a ironia.

Andando pelos bairros mais caros do Rio num fim-de-semana prolongado pela comemoração da Independência, eu via toda aquela mistura.

Todos interagem, todos se misturam. O mar e as areias são de todos:

Da classe média e média-alta que vive nos prédios de Copacabana e Ipanema, que vão a praia a pé;

Do pessoal dos morros da Zona Sul, que também chega a pé;

Os edifícios de classe média-alta de São Conrado.

De quem vem do subúrbio de transporte coletivo – esse público aumentou muito desde a virada do milênio.

Pois as opções de metrô e ônibus melhoraram muito de lá pra cá (farei matéria específica sobre o tema, em breve);

Dos turistas, muitos deles estrangeiros (por outro lado, seu número estava bem limitado na ocasião.

Favela da Rocinha em 1º plano, ao fundo os prédios de São Conrado, que fotografei a nível do solo na imagem anterior (*). Definitivamente, muitos contrastes por toda parte.

Estávamos na epidemia do Corona-vírus, que restringiu a maior parte do fluxo turístico, nacional e internacional);

E dos moradores de classe-média dos bairros longe da orla, que vêm de carro.

Na praia, é tudo ‘junto e misturado’. Vendo isso, pensei: “o Rio é mesmo ‘a Cara do Brasil’ ”.

Ao passar pelo Vidigal, então, a lembrança dessa canção se consolidou na minha mente.

“Anoitece no Rio” tirado dentro do bondinho do Pão de Açucar. O Astro-Rei encerra mais um ciclo de Trabalho e fazemos o mesmo, fechando essa primeira matéria da série.

Taí. Num estalo, surgiu o título da matéria, e não pode haver outra:

Essa é a ‘Cara do Brasil’ – Rio de Janeiro, Cidade-Maravilhosa.

Assim É. 

……….

Continua…. 

“Deus proverá”

Seguuuuura, Peão!!!

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 2 de setembro de 2020

Numa homenagem ao interior do Brasil, Maurílio e Marília fazendeiros, trabalhando no campo.

Ao lado vemos ele tocando a boiada. E também tocando o berrante.

Maurílio é o peão de boiadeiro. Seguuuuura, peão!!!

Passa o boi, passa a boiada, diz o ditado. Ele comanda tudo montado num imponente cavalo branco.

Marília igualmente monta, e muito bem, ela é amazona.

Mais que isso. Quando tem cavalgadas, ela tem a honra de ser a porta-bandeira da Pátria Amada (dir.).

E isso usando saias! Que  é bem larga, pra que ela possa pôr um pé em cada lado do animal.

…………

Já que o tema é vestuário, a esq. repito o detalhe da camisa xadrez de Maurílio.

Chamo a atenção agora pra próxima imagem, logo abaixo.

O dia está quente, ele está com o peito nu. O chapéu ele mantém sobre a cabeça.

Não dispensa esse acessório, evidente, como todo bom caubói.

E onde foi parar a camisa de Maurílio? Amarrada na cintura de Marília, tinha reparado nisso?

Ela sente mais frio que seu companheiro, por isso pegou a vestimenta emprestada.

No entanto no meio do dia esquentou bastante, e por isso agora nenhum deles necessita dessa peça de flanela.

Ao fundo, a sede da fazenda. É um sobrado de madeira.

Uma construção centenária, que está com a família a algumas gerações.

A direita acima vemos Marília e seu marido Maurílio.

A esquerda a avó dela, que também se chamava Marília, em frente a mesma casa, em imagem do começo do século 20.

Ao lado vemos os quadros na estante da casa, 3 gerações se passaram:

As fotos em preto-&-branco da Marília vovó, sozinha e com seu companheiro.

E em cores a Marília menina, também ao lado de seu amor.

É notório que é um costume o filho Homem ter o nome do pai, só acrescido dos sufixos ‘Júnior’ ou ‘Filho’.

A filha ter no nome de sua mãe, no entanto, não acontece.

Por outro lado, é comum a neta ser batizada como xará de sua própria avó.

É o caso aqui. Marília tem o mesmo nome de sua ancestral de 2 gerações antes.

A Marília mais velha, a avó, é vista a esquerda um século atrás com seu marido, segurando as barras de seu vestido.

Ela está toda cheia de babados, laços, muitas camadas de roupa, é difícil até de andar pelas ruas.

A vestimenta masculina também era bem mais formal, ele usa gravata e cartola.

Na imagem acima atualmente, a Marília mais nova, a neta. Muita coisa mudou, não?

Ele está sem camisa, ela de tomara-que-caia. Não precisa mais levantar as saias pra poder caminhar.

O casal está tomando chimarrão – ou seria um tererê, por estarem num lugar de clima quente?

Aqui e na próx.: São Mateus do Sul-PR. Até a caixa d’água remete a cuia de chimarrão. E no Centro há o ‘Chimarródromo‘ (esq.): você só precisa providenciar a cuia e a erva. A água fervente é por conta da curiosa máquina instalada na praça principal da cidade.

Seja como for, eles gostam de tomar a erva na cuia, quente ou fria.

Quando Maurílio foi ao Uruguai, repetiu o mesmo gesto lá (acima).

Alias, diga-se de passagem que Marília é nascida no Sul do Brasil, pois foi aqui que seus antepassados se fixaram quando imigraram, um século e pouco atrás.

A fazenda ainda é pertence aos descendentes desse pioneiros, por isso o sobrado de madeira da sede ainda está de pé, apenas repintado.

E ali Mari foi criada, no interior do Paraná. No entanto, quando ficou adulta ela foi, como tantos sulistas, ajudar a abrir a chamada ‘Fronteira Oeste’ da agricultura brasileira.

Dessa forma, a família comprou uma fazenda maior, no Mato Grosso ou estados vizinhos como Rondônia, Goiás ou Tocantins.

E assim foi ela, imigrou pra divisa entre Centro-Oeste e Norte do Brasil.

Foi lá que conheceu Maurílio, que era peão numa das fazendas que ela administrava.

Foi amor a primeira vista. Apesar da diferença de classe social pois ela era a patroa dele, eles compartilham o gosto pelo campo. Se apaixonaram e casaram.

Maurílio nunca tinha vindo pro Sul. Quando vieram ver a família dela, o que ele mais gostou foi do chimarródromo e da caixa d’água em forma de cuia que ele viu em São Mateus do Sul-PR, cidade próxima a fazenda que Marília fora criada (fotos acima).

O resultado? A família está crescendo, como vemos ao lado. Uma nova geração de caubóis está sendo criada, com as raízes na terra

“Deus proverá”

Flores no Portão (e Água Verde)

Todas as imagens: flores nas ruas dos bairros Água Verde e Portão (Curitiba), fevereiro de 2020.

Por Maurílio Mendes, o Mensageiro

Publicado em 17 de agosto de 2020

Todas as postagens de ‘Flores’ são dedicadas as Mulheres.

Estive nos vizinhos bairros da Água Verde e Portão – vamos mostrar as flores que fotografei por ali.

Eles ficam na divisa da Zona Central com a Zona  Sul de Curitiba, evidente.

Ambos são bastante populosos, ambos acima dos 50 mil habitantes.

Assim estão entre os 10 maiores bairros da cidade em número de moradores.

A Água Verde é disparado o bairro com mais habitantes da Zona Central, bem acima inclusive do próprio Centro.

A. Verde e Portão ficam as margens da República Argentina.

Hibisco Rosa.

Essa Avenida (que homenageia a nação sul-americana que nos faz divisa a sudoeste) é a via Estrutural do Eixo Sul-1 do sistema de ônibus Expressos.

Nas proximidades do Eixo Trinário (canaleta do Expresso e ‘Vias Rápidas’ que o ladeiam) a Água Verde e Portão têm bastante prédios altos.

Na tomada a direita vemos inclusive um pinheiro, árvore-símbolo do Paraná.

Porém da cidade e seu sistema de transportes já falamos em outras oportunidades.

Já fiz matéria específica, com muitas fotos, mostrando como são os bairros Água Verde e Portão.

Aqui vamos focar nas flores que adornam essa região.

Um pouco mais pro alto na página minha flor favorita, o Hibisco Rosa, “a Flor do Amor“.

Acima e ao lado, a praça que há em frente ao Cemitério da Água Verde, na avenida de mesmo nome.

Curitiba tem 75 bairros. Alias, diga-se de passagem, a Água Verde é o único deles em que a avenida principal tem o mesmo nome do bairro.

Em outras metrópoles (como São Paulo) isso é extremamente comum.

Entretanto, aqui na capital paranaense essa é a exceção, não a regra.

Seja como for, vamos manter nosso foco no tema de hoje:

Notamos que a praça em frente ao cemitério da Água Verde está bastante enfeitada, com flores de diversas cores.

Os cemitérios, na verdade. Pois além do Cemitério Municipal, ao seu lado temos o Cemitério Israelita (judeu).

……..

Da Água Verde  vamos pro Portão: nas 2 fotos acima retrato o Centro Cultural do Portão.

Na 1ª tomada dessa mini-sequência a entrada dos fundos do Centro.

Que fica em frente a uma ampla praça (a porta principal fica na República Argentina, ao lado do Terminal do Portão).

E a seguir vemos em detalhes essa curiosa flor roxa que adorna o local.

A direita: um prédio da região tem um poço em frente ao jardim.

Como já mostrei em detalhes na matéria sobre os bairros.

Trata-se de um simulacro, uma brincadeira apenas.

Não sai água dali, o corpo do ‘poço’ são apenas pneus pintados com uma cobertura de telha.

Nem existe furo na terra. Mas ficou um arranjo curioso, não acham?

Agora vamos nas 2 próximas fotos ver a mesma cena com enquadramento diferente.

A esquerda bonitas flores vermelhas, numa rua residencial na divisa dos bairros Portão e Água Verde.

O foco é na cidade ao fundo, vemos com clareza o contorno dos prédios e carros.

A direita está invertido, agora a flor está bem definida.

O pano de fundo que ficou ligeiramente embaçado, como perceberam.

…..

Algumas rosas, agora. Acima rubras, e ao lado alvas.

Essas últimas entrelaçadas a grade de alguma residência, obviamente.

Exatamente como a foto acima da manchete (repetida na próxima imagem).

Daí surgiu a ideia do título da postagem, ‘Flores no Portão’.

Anteriormente pensei em nomear essa mensagem como ‘Portal das Flores‘.

Isso porque há pessoas fora de Curitiba que pensam que o bairro Portão se chama ‘Portal’ – curioso, não? Mas é verdade.

Por conta disso, eu iria fazer o referido trocadilho.

No entanto, gostei da cena a esquerda, e aí mudei pro tema que acabou sendo escolhido, ‘Flores no Portão’.

Ao lado, agora vejam que as flores estão na janela.

E novamente oscilando entre o cor-de-rosa e vermelho.

Agora mantendo essas 2 tonalidades acima, e ainda acrescentando o branco, temos esse canteiro mostrado ao lado.

………….

Fechamos com mais flores que captei nas ruas desses dois bairros:

Ao lado retratadas perto do mesmo condomínio que aparece uma vez na galeria acima.

…..

Espero que tenha gostados das flores que fotografei.

Beijos em teu Coração de Mulher.

Deus Pai e Mãe proverá.

Bi-articulados no Brasil: Curitiba, São Paulo, Campinas e Goiânia (no passado também Rio e Manaus)

bi-articulados na América: Colômbia, México, Equador e Guatemala

(em Cuba já operou em testes)

Curitiba, 1992: começam os bi-articulados no Brasil. Esse é o 1º que rodou em nossa nação, por isso recebeu a numeração 001.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (via emeio) em 4 de fevereiro de 2013; e numa série no blogue “De Busão pelo Mundãoentre novembro de 2018 a abril de 2020

Maioria das imagens baixada das internet, créditos mantidos sempre que impressos nas mesmas;

As tomadas que forem de minha autoria identifico com um asterisco ‘(*)’.

Os ônibus bi-articulados são a marca registrada de Curitiba, seu cartão-postal.

São Paulo, 1995: a maior metrópole de nosso país passa a ser a 2ª cidade brasileira com bi-articulados. Essa foto na Avenida Paulista é só de demonstração, pode ver que o veículo está vazio. Essa linha não passa por ali, alias acho que até hoje na Paulista não trafegam bi-articulados.

De fato essa foi a primeira cidade do mundo que contou com esse modal em escala industrial:

Já começou com 33 exemplares e hoje são mais de uma centena de unidades, operando em várias linhas.

Na capital do Paraná os bi-articulados surgiram em 1992, sendo os primeiros em nossa nação.

São Paulo veio logo a seguir, ainda no meio dos anos 90 (prov. 1995).

E hoje contabiliza acima de duas centenas de veículos desse tipo.

Já no século 21, Goiânia-GO, Campinas-SP, Manaus-AM e o Rio de Janeiro também passaram a contar com o modal.

2005: Goiânia adquire seus primeiros bi-articulados (igualmente amarelos e do modelo Caio ‘Top Bus‘, como os de SP na tomada anterior). A linha vem pintada no letreiro, o veículo fica fixo nela – fonte dessa e várias imagens: sítio Ônibus Brasil.

Na maior cidade do interior paulista e na capital goiana eles ainda rodam (escrevo em 2020).

No Rio e Manaus, por outro lado, essa foi a realidade em momentos distintos da década de 10 que se encerrou.

Não mais, todavia. Em ambas os bi-articulados foram extintos.

São Paulo, Curitiba, Campinas e Goiânia, além do Rio quando ali existiram, compram seus veículos 0km.

Em Manaus eles chegaram usados, oriundos de Curitiba e São Paulo.

Em 2010 Campinas passou a ter esses modernos ônibus em suas ruas. Eis as 4 cidades onde ainda rodam no Brasil (2020).

Na América, os bi-articulados existem na Colômbia, México, e mais recentemente foram implantados no Equador e Guatemala. Em Cuba um exemplar rodou em testes.

Apenas na América Latina, como observou. EUA e Canadá nunca contaram com esse modal.

Na Europa eles são comuns igualmente, sendo encontrados em vários países.

Apenas Pequim na China conta com esses ônibus de 2 sanfonas em toda Ásia.

E por enquanto eles ainda não estrearam em solo africano, tampouco na Oceania.

Manaus teve bi-articulados, já foram extintos.

Na internet circulam notícias, datadas de 2015, que Luanda/Angola na África iria contar com esse modal.

É comprovado que bi-articulados foram exportados (do Brasil e da Europa) pra esse país, tanto 0km quanto usados.

Entretanto, não consegui ter certeza se o sistema de fato entrou em operação.

(O que está publicado na rede mundial de computadores fala apenas que ‘Luanda terá bi-articulados’. Em lugar algum mostram os busos em ação.)

Por 4 anos o Rio de Janeiro também fez parte do clube. Ali eles circularam de 2014 a 2018 (essa e outras tomadas são do acervo do sítio SportBus Maranhão).

Caso se confirme, é Luanda a 1º e até onde sei única cidade com bi-articulados em toda África.

Já falaremos de tudo isso com mais detalhes. Antes vamos a uma breve história dos ônibus bi-articulados.

Eles surgiram na Alemanha e na China, ainda na 1ª metade dos anos 80.

Pra chegar lá, vamos começar do começo, primeiro falar do modelo articulado.

No Rio foram apenas 2 exemplares, o Marcopolo visto acima e esse Neobus.

Esse busão (agora me refiro ao que tem apenas 1 sanfona) surgiu também na Europa, na 1ª metade dos anos 70.

Na América, o primeiro articulado rodou em 1974, em Lima, no Peru.

Sim, é isso. A capital peruana foi a pioneira em todo continente, incluindo EUA e Canadá.

Os articulados limenhos (os 1ºs articulados americanos não custa repetir) foram fabricados no Leste Europeu pela Ikarus, empresa que tem sede na então comunista Hungria.

2020: Rio Branco-AC implantará em breve seu sistema de bi-articulados, o veículo é ex-RJ – o mesmo visto na tomada anterior – e já está na capital acreana, pintado nas cores da padronização local

Lima e Curitiba foram as duas primeiras cidades do mundo que contaram com sistema de ônibus ‘Expresso‘:

Por isso me refiro aos corredores exclusivos, onde os ônibus não precisam disputar espaço com o congestionamento causado pelos carros.

Tanto Lima quanto Curitiba inauguraram seus corredores exclusivos em 1974, com diferença de poucos meses. 

Até hoje há divergências sobre qual das duas teria começado primeiro. Por outro lado, sobre um ponto não restam quaisquer dúvidas.

Em Bogotá/Colômbia, os bi-articulados começaram em 2009 (esse um Marcopolo/Volvo brasileiro).

Curitiba contou com os ‘Expressos’ em 74. Mas no início sem articulados, só com ônibus ‘tocos‘ (tamanho normal, sem articulação).

Aqui, os primeiros articulados só chegaram em 1981.

7 anos depois da inauguração do corredor, dentro da década de 80 portanto.

Em Lima, já em 74 o corredor exclusivo foi inaugurado com articulados. 

A Cid. do México também conta com o modal.

Portanto a capital do Peru não foi a 1ª cidade do mundo a ter articulados, foi apenas a 1ª cidade fora da Europa a fazê-lo, pois no ‘Velho Continente’ eles já existiam.

E disputa-se ainda se foi Lima ou Curitiba a pioneira cidade do mundo a ter corredores exclusivos.

Entretanto, um recorde é incontestável: a capital peruana certamente foi a primeira em todo planeta a ter simultaneamente ônibus articulados rodando em corredores exclusivos pra ônibus.

2015: chegou a vez de Quito/Equador.

Em 1981 o Brasil começou a produzir articulados, a princípios com chassis/motores Volvo e Scania, e carrocerias Caio e Marcopolo.

Em terras brasileiras, eles foram se popularizar mesmo a partir dos anos 90.

Acima falei dos articulados, com apenas 1 sanfona. Agora voltemos a falar dos bi-articulados, com 2.

A Cidade da Guatemala é a mais recente na América a contar com esses bichões (nessa foto e na do Equador e Colômbia, acima, vemos Marcopolos/Volvo brasileiros).

No seguinte a fabricação do pioneiro articulado brasileiro, em 1982 portanto, surgiu o bi-articulado.

Alemanha e China, como dito, fizeram protótipos mas na ocasião não houve produção em larga escala.

na segunda metade dos anos 80, a francesa Renaut lançou o primeiro bi-articulado que seria fabricado em escala industrial.

O modelo foi apelidado de ‘Mega-Bus‘, e rodou em testes por várias cidades da França e Suíça.

Em 2015 um bi-articulado usado vindo da Europa foi testado em Havana/Cuba (no detalhe a chapa). Porém não ficou em definitivo, sendo devolvido – a direita do busão vemos um daqueles velhos automóveis ianques dos anos 50, muito comuns em Cuba.

No entanto, apenas a cidade francesa de Bordô se interessou.

(‘Bordeaux’ no original, cujo nome batizou o vinho e também a tonalidade ótica homônimos.)

A prefeitura local e encomendou 10 unidades, que foram entregues em 1989.

Dessa forma Bordô foi 1º lugar no mundo que o modal de bi-articulados se consolidou.

Por isso me refiro a contar com várias unidade de forma permanente, e não somente um exemplar temporário em testes.

Bi-articulado de Campinas, já com a pintura do Inter-Camp, rodando em Porto Alegre-RS (‘Tabela Trocada’: o busão opera em linha ou até cidade distinta da que foi programado).

De lá pra cá eles tomaram a Europa, e hoje há bi-articulados em diversos países: França, Alemanha, Holanda, Suíça, Luxemburgo, República Checa, Espanha e Suécia, pelo menos.

Mais um detalhe: na Suíça há tróleibus bi-articulados, combinação única em todo planeta até onde sei (digo, em Nancy, na França, também houve esse tipo de busão. Mas é bem perto da fronteira suíça).

Na Ásia apenas a capital chinesa Pequim dispõe de bi-articulados, não custa dizer ainda mais uma vez.

O mesmo veículo Caio que foi emprestado ao Rio Grande do Sul (dir.), agora circulando em Campinas mesmo (imagem pertencente ao sítio Tudo de Ônibus).

E apenas bem recentemente, a partir do fim da década de 10 (de século 21 evidente) – tanto que não consegui achar fotos deles em ação.

Esse modal ainda não estreou na Oceania, África e nem na América do Norte.

Por ‘América do Norte’ me refiro a EUA e Canadá, os países anglo-saxônicos.

O México por ser latino tenho que classificar como América Central.

Bordô, França: 1ª cidade do mundo a ter ao menos uma dezena de bi-articulados, em 1989 (o da foto talvez seja bem mais recente).

Disputas geo-linguísticas a parte, Estados Unidos e seu vizinho Canadá não contam ainda com bi-articulados, e nunca os tiveram.

Li na internet que há planos que uma cidade canadense os implante.

Ainda que se realize será só a partir da segunda metade da década de 20.

Por hora (2020), jamais um ônibus desse tipo rodou as ruas ianque-canadenses. Veremos se a situação se altera no futuro.

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM” – Mauá, região metropolitana de São Paulo, 2009. Esse subúrbio metropolitano (que fica entre a Zona Leste e o ‘Grande ABC’) ia passar a contar com bi-articulados em suas linhas municipais mais carregadas. A viação local comprou 2 busões usados, oriundos do sistema municipal da capital, e os reformou. Inclusive repintando, um deles nessa chamativa padronização que vigorava no município a época. Ia…mas não foi! Nunca aconteceu. Porque a prefeitura não permitiu, alegando que a topografia de Mauá, cheia de morros com suas vias estreitas, não favorece a operação de bi-articulados. Assim os veículos foram revendidos novamente sem sequer terem sido utilizados em território mauaense.

O fato é que é a América Latina que é, ao lado da Europa, a terra dos bi-articulados por excelência.

Em Bogotá na Colômbia eles estrearam em 2009, sendo acredito a 1ª cidade do mundo fora do Brasil e Europa a ter esse modal.

A seguir foi a vez da Cidade do México, e a partir do meio dos anos 10 eles chegaram em Quito no Equador e a Cidade da Guatemala.

Estive na Colômbia em 2011, e no México em 2012. Não presenciei bi-articulados em ação em nenhuma das duas capitais.

No começo dos anos 10 era mesmo difícil um turista ver os bi-articulados na Colômbia: eles eram poucos, e operavam somente no horário de pico.

Como eu passei poucos dias em Bogotá, não coincidiu de eu cruzar com um deles.

Pro que nos importa aqui, Bogotá inaugurou seu moderníssimo sistema de ônibus Trans-Milênio no ano de 2000. A princípio só com articulados, de sanfona única.

Os ônibus bogotenhos eram unicolores nesse 1º ciclo de padronização.

Zurique, Suíça: tróleibus/bi-articulado. Tá bom pra ti?

Os ‘Expressos’ de lá eram e ainda são em vermelho, como os daqui de Curitiba que a inspirou.

Os Alimentadores eram na época verdes, embora depois tenham mudado pro azul.

Quando os primeiros bi-articulados foram entregues eram também uniciolores em vermelho.

Bi-articulado no Term. da Praça da Bíblia, na pintura atual da MetroBus de Goiânia.

Ou seja, toda a lataria do  busão no mesmo tom, sem destaques coloridos.

Mais recentemente chegaram mais bi-articulados, e então eles passaram a ter pintura própria, diferenciada dos articulados.

Agora os que tem uma única articulação permanecem unicolores em vermelho.

Próximas 5: bi-articulados Viale Marcopolo em São Paulo, a 1ª leva que chegou ainda em 1995. Aqui – e acima da manchete – 0km na apresentação, tinha pintura exclusiva, vinha escrito ‘Biarticulado’ na frente, e o letreiro eletrônico era o de primeira geração, aquele que as bolinhas amarelas formavam a palavra – era de difícil visualização, especialmente a noite (essa e outras tomadas pertencem ao sítio Portal do Ônibus).

Enquanto os que têm duas ainda tem o fundo no mesmo rubro. No entanto agora com grandes detalhes em amarelo, como a frente do busão.

Em Bogotá, México D.F., Guatemala e Quito é o legítimo sistema que Curitiba batizou como ‘Expresso‘ (hoje se usa a sigla em inglês ‘BRT’):

As linhas troncais, que têm maior demanda, são feitas por articulados ou bi-articulados em corredores exclusivos, e ligam o Centro (ou a orla no caso do litoral) ao subúrbio em corredores exclusivos.

Os terminais garantem (por via física ou digital) a integração gratuita com alimentadores, que servem as vilas, loteamentos e morros da periferia.

De preferência os ônibus (bi) articulados param em estações com embarque elevado e pré-pago, mas não necessariamente.

Nos final dos anos 90 e começo dos 2000, era comum em SP (todo o estado) a propaganda cobrir o veículo por inteiro. Felizmente isso hoje é proibido – embora em outros países como Chile, México, EUA e Canadá ainda aconteça. Seja como for, na frente que é o único espaço que o anunciante não galgou, vemos que se mantém a pintura original, incluso com a inscrição que se trata de um ‘Biarticulado“.

Se percorrerem corredores exclusivos, livres de congestionamento, o sistema já flui o suficiente pra justificar sua implantação.

Recapitulei o esquema básico acima até sendo redundante.

Todos os que têm algum conhecimento de urbanismo sabem como funciona um sistema de transporte de massa sobre pneus.

O que nos importa aqui é: na Colômbia, México, Equador e Guatemala, os bi-articulados são do modal ‘Expresso’, com corredores, alimentadores e integração.

Aqui no Brasil também em Curitiba, São Paulo e Goiânia funciona assim também.

Pra compensar, depois os bichões ganharam essa pintura especial: na lataria há o trajeto da linha. Como esses busões maiores precisam ficar restritos aos corredores (porque em meio ao tráfego normal eles mais atrapalham que ajudam) só podem fazer as linhas-tronco, por isso o roteiro pode vir pintado que não irá mudar.

(Não conheço a fundo Campinas pra informar se ali os bi-articulados seguem 100% de seu trajeto pelos corredores ou se em algum trecho vão por ruas normais, com embarque a direita em nível do solo.)

Portanto em todas essas cidades os bi-articulados chegaram pra ficar.

Não são algo temporário, e sim uma característica permanente da cidade.

Em Cuba, entretanto, sua capital Havana testou um ônibus bi-articulado, por volta de 2015.

Veio usado da Europa, e após algum tempo foi devolvido. Não vingou, e não é pra menos.

Já com a pintura do Inter-Ligado (faixa 6, azul-clara, Zona Sul). Na frente ainda a inscrição “Biarticulado“.

O sistema de transporte da cidade não conseguiu extrair desse tipo longo de veículo o melhor que ele pode oferecer.

Como se sabe, por décadas Havana teve o famoso ‘camelo’:

Um cavalo-mecânico de caminhão puxava uma carreta, só que ao invés de carga a carroceria era de ônibus.

No Brasil, esse modal (ônibus puxado por um caminhão pesado) foi muito popular nos anos 50 e 60. Era o famoso ‘Papa-Fila’.

Faixa 7, roxa, do Inter-Ligado (tiraram o letreiro eletrônico e voltou pra lona, pelo que falei, a 1ª geração do eletrônico era de difícil leitura). Também Z/S, alias no início só a Zona Sul tinha bi-articulados.

O bichão bombava, obteve muito sucesso no Rio, São Paulo e Brasília especialmente.

Existiu também no interior do Rio Grande do Sul, mais recentemente circulou um exemplar em Manaus.

Na década de 70, o ‘Papa-Fila’ foi substituído pelo também famoso ‘Romeu-&-Julieta‘.

Trata-se de um ônibus normal, não-articulado, mas que no horário de pico tinha um reboque engatado nele.

A vantagem do ‘Romeu-&-Julieta’ é que o segundo vagão só operava no horário de pico.

Próximas 4: eis o 1º bi-articulado do Brasil, de Curitiba. Fabricado em 1992, carroceria Ciferal, motor e chassis Volvo. Na fase de testes era vermelho e tinha essa frente.

A desvantagem é que precisava de 2 cobradores, um pra cada vagão.

Do ‘Romeu-&-Julieta‘ e do ‘Papa-Fila‘ já falei em outras oportunidades, com muitas fotos.

Aqui, citei apenas pra vocês terem bem clara a linha do tempo:

Nos anos 50 e 60, as linhas mais carregadas de algumas metrópoles brasileiras eram atendidas por ‘Papa-Filas‘.

Na hora de operar, decidiram que os 1ºs bi-articulados (do eixo Boqueirão, Z/Sul) seriam cinzas. A frente foi mudada pra esse modelo arredondado. Os da Ciferal não tinham letreiro pra linha, mas não fazia diferença, pois ele só fazia uma linha, nos tubos só parava a linha Boqueirão, não tinha como confundir. Recebeu nº ED001, como já dito.

Na década de 70 algumas delas adotaram a solução do ‘Romeu…’.

E a partir dos anos 80 vem o articulado, com uma sanfona.

Que se consolida a nível nacional a partir dos anos 90 e após a virada do milênio.

Em 1992 surge o bi-articulado em Curitiba, com 2 sanfonas. São Paulo segue o mesmo exemplo a partir de (aprox.) 1995.

Em Cuba a realidade foi completamente outra, é o que quero dizer.

As linhas mais movimentadas da capital Havana foram servidas por décadas pelos ‘Papa-Filas‘.

Depois foi pintado de vermelho e recebeu letreiro, pois em 1999 começou a linha Circular Sul, assim em alguns tubos entre a antiga BR-116 e o Term. Boqueirão param 2 linhas (na ocasião da foto ele já foi aposentado e aguarda restauração).

Nessa ilha caribenha o ‘Papa-Filas’ tem o apelido de ‘Camelo‘, como todos sabem.

Isso porque a carroceria do ônibus, que é a carreta do caminhão, tem o teto cheio de curvas.

Pro chão do salão de passageiros poder se adaptar aos eixos do veículo, que afinal foi feito pra levar carga e não gente.

Pois bem. Na segunda metade dos anos 10 do século 21, após décadas de serviços prestados, os ‘Camelos’ cubanos começam enfim a ser aposentados

O governo cubano adotou o sistema ‘MetroBus’ em Havana.

Em 2003, a Carmo deixou de operar bi-articulados. Sua frota bi-sanfonada foi emprestada a outras viações, e recebeu o prefixo ‘VD‘, pra indicar esse empréstimo. Em seu último ciclo pelas ruas da cidade, o 1º bi-articulado do Brasil rodou como ‘VD001‘.

Sim, é o mesmo nome empregado em várias outras cidades ao redor do planeta.

Como por ex. Goiânia, Cid. do México, Joanesburgo-África do Sul e Buenos Aires-Argentina.

Seja como for, em algum momento já no novo milênio Havana começou a disciplinar sua rede de ônibus.

Que até então era mais pra orgânica, sem planejamento muito detalhado.

Primeiro definiram várias ‘linhas-tronco’ do sistema, padronizando a pintura (outra novidade) na cor da linha.

Recapitulando, em 1992 começou o bi-articulado no Brasil, com a linha Boqueirão pra Z/S de Ctba. . A princípio busões cinzas, pra marcar que eles usavam estações-tubo. Os da Marcopolo tinham letreiro, o notam.

A princípio, os ‘Camelos’ foram integrados ao ‘MetroBus‘, repintados e assim puderam continuar a rodar.

Com o avanço do planejamento, entretanto, foram comprados ônibus articulados (com uma só articulação) pra substituir as velhas carretas com carroceria de busão.

Agora (o texto é do começo da década de 20, lembre-se) você ainda pode ver os famosos Camelos’ em Cuba.

No entanto apenas no interior, fazendo o modal ‘rural‘ transportando estudantes e trabalhadores no campo e pequenas cidades.

Os da Ciferal não tinham letreiro, mas não necessitava, só havia uma linha. Em 1995 foi inaugurada outra linha, mas não parava nos mesmos tubos, não tinha como pegar errado. Esse é o ED012, cinza e sem letreiro (a fonte da imagem é o portal Memória Gaúcha).

E nesse contexto que chegou o único bi-articulado cubano.

Veio usado da Europa, e circulou por um tempo nas ruas de Havana.

Entretanto, em Cuba o bi-articulado não contava com corredores exclusivos.

Muito menos com estações elevadas e terminais de integração.

Seguia pelas ruas normais, parando pra embarque e desembarque a direita, a nível do solo.

Assim sem o suporte necessário um bi-articulado não rende o esperado.

O mesmo ‘carro’, repintado e com letreiro. Depois que começou a linha Circular Sul – que ele exatamente está cumprindo – aí precisava o nome da linha escrito, pois então há duas opções em alguns tubos.

Pois se tiver que disputar espaço com os carros se torna lento, pelo seu grande comprimento e área de giro.

Essa é a razão pelo qual sua passagem por Cuba foi temporária.

Por outro lado, os articulados foram implantados com sucesso em Havana.

…………

Tudo isso posto, posso enfim reproduzir o emeio que deu origem a essa matéria.

Próximas 5: São Paulo. Nosso colega (que reproduzo a correspondência no texto) não havia registrado o fato, mas SP já conta com bi-articulados desde 1995. Esse é um dos primeiros, agora um Caio, modelo ‘Top Bus’, sendo apresentado 0km sem chapas, pintura própria pra ônibus mais longos.

Foi publicado em 4 de fevereiro de 2013Deixa eu explicar o contexto.

um colega que é paulistano, mas se radicou em Curitiba há algumas décadas.

Ele não sabia que sua cidade-natal já contava com bi-articulados.

Resultando que se espantou de ver um busão desse tipo rodando em São Paulo.

Veja a mensagem que recebi (os ênfases são meus):

“  Rua Romilda Margarida Gabriel, São Paulo, Brasil.

Aqui e na foto abaixo, o mesmo modelo ‘Top Bus’ já na pintura do ‘Inter-Ligado‘. Primeiro rara cena de buso bi-sanfonado na faixa 3, amarela, da Zona Leste de Sampa (no começo eles se concentraram na Zona Sul).

Entra neste endereço ai no ‘Google’ e anda na direção da Av. 9 de Julho, dobre a esquerda.

Parece que tem um biarticulado na foto. Um biarticulado? Em São Paulo? É isso mesmo?

Respondi a ele que São Paulo tem centenas, no plural, de ônibus bi-articulados.

São 207, a maior frota do Brasil desse modelo em números absolutos (já foram 259 no meio da década de 10).

São Paulo e Curitiba certamente têm a maior frota bi-sanfonada da América.

Justamente agora um na Z/S.

E provavelmente do mundo todo, afinal na Europa eles existem em várias cidades mas em poucas linhas em cada uma.

Pois lá o grosso do transporte de massa é feito pelo modal ferroviário (metrô, trens e bondes modernos).

Tudo somado, arrisco afirmar que as capitais do PR e SP são os 2 únicos lugares do mundo em que a frota bi-articulada se conta na casa dos 3 dígitos.

Voltamos aos Marcopolos. Esse teve uma pintura específica, exclusiva pra ele mesmo, fora de qiualquer padrão do sistema.

Ou seja mais de 100 em cada uma. 155 em Ctba. e 207 em SP, nos dados mais recentes que tenho.

Em Goiânia são 30 que chegaram em 2011. Antes eram apenas 5. Em Campinas são 10.

Já falarei melhor de tudo isso. Por hora, sigamos com com nosso apanhado.

Algumas cidades da Europa, e quem sabe também na China, contaram com bi-articulados em testes ainda nos anos 80.

O mesmo modelo Marcopolo, já na pintura Inter-Ligado, faixa 7, Zona Sul.

Porém não foi aprovado em nenhuma. Parecia ser um conceito a frente de seu tempo.

Exceto em Bordô/França, onde foram encomendados 10 bi-articulados ‘MegaBus’ Renalt.

Sendo portanto essa a 1ª cidade a ter vários busos bi-sanfonados (uma dezena, no caso) de forma definitiva.

Próximas 3: Bogotá, Colômbia. Os primeiros bi-articulados chegaram em 2009, e no começo eram unicolores em vermelho, como os articulados comuns do sistema Trans-Milênio.

Ali em Bordô eles operavam em apenas uma linha, a de nº 7.

Em 1992, eles chegaram a Curitiba e são a marca registrada da cidade.

Não é pra menos. Ctba. elevou o conceito do ônibus bi-articulado a um novo patamar, em nível global.

Já vieram 33 logo de cara, sendo portanto a primeira cidade do mundo a ter algumas dezenas deles.

Depois surgiu essa pintura, exclusiva pra ônibus que tenha 2 sanfonas, onde a frente é amarela. Esse e o anterior são Busscar, montadora com sede em Jonville-SC que fechou em 2012 (reabriu em 2018 comprada pela Caio, mas apenas pra carrocerias rodoviárias, urbanas não). Antes disso ela abriu uma unidade na Colômbia e se tornou um ícone por lá, inclusive quando a matriz brasileira faliu a filial colombiana continuou produzindo.

E não somente uma dezena, no singular, como em Bordô.

Em termos proporcionais, na relação de bi-articulados comparada com a frota total, Curitiba é a cidade do Brasil (e do mundo) que mais tem bi-articulados.

No texto original escrevi: aqui são pouco mais de 150 bi-articulados (155, quando consultei), e a frota total é de 1,9 mil veículos.

Assim não é difícil ver que 8% dos ônibus curitibanos são bi-articulados.

Certamente nenhuma outra cidade do mundo passa nem remotamente perto disso.

Agora criaram essa variante, que lembra um pouco um carro de bombeiros (esse é um Marcopolo, também brasileiro).

Nota: esse dado de 1,9 mil ônibus é de 2013, e pra toda a Rede Integrada.

Que inclui não apenas o município da capital mas boa parte da região metropolitana também.

Explico: até 2015, a prefeitura da capital gerenciava também boa parte das linhas inter-municipais.

Nesse ano houve o rompimento, as linhas metropolitanas voltaram pro governo do estado.

Apenas uma linha inter-municipal tem bi-articulados, a Pinhais/Rui Barbosa, que liga o Centro a Zona Leste. Não sei quantos ‘carros’ operam nela.

PONTO FINALem 2019, Curitiba teve que leiloar como sucata 30 bi-articulados fabricados em 1995 (leia matéria no sítio oficial da prefeitura). O lote anterior, de 1992, teve o mesmo destino. Quando foram a venda, eles já tinham documentação baixada, e vários não tinham sequer motor, tiveram que ser guinchados pro pátio; ou seja, não podiam voltar legalmente as ruas, e muitos estavam mesmo impossibilitados fisicamente de fazê-lo. O bi-articulado tem 2 pontos fracos: 1) Sua mobilidade é limitada, como comentamos melhor no corpo do texto; e 2) Sem mercado – não tem valor de revenda, as 4 cidades que o utilizam no Brasil compram seus veículos 0km. Portanto ao esgotar seu primeiro ciclo na cidade de origem, o bi-articulado não tem muito pra onde ir. No passado, Manaus comprava bi-articulados usados, mas agora não conta mais com esse modal. Rio Branco-AC, também na Amazônia, recentemente comprou um desses busos ex-RJ, mas até pelo tamanho da cidade se ela vier a adquirir mais exemplares serão poucos.

Então se você levar isso em conta percebe que se considerar só a frota municipal a proporção de bi-articulados em relação ao total é ainda mais alta.

Repito que não sei quantos busos desse tipo fazem a única linha metropolitana em Curitiba que conta com eles.

Ainda assim, consideremos que a frota total (municipal + metropolitana) é de pouco mais de 150 exemplares.

Desses certamente pelo menos uns 130 fazem exclusivamente linhas municipais da capital.

Como são 1,5 mil ônibus nesse modal, assim chegamos no que escrevi acima:

Perto de 8% da frota curitibana é bi-articulada, recorde mundial absoluto.

Os bi-articulados de Curitiba surgiram cinzas. Isso porque em 1991 a prefeitura implantou o Ligeirinho.

Como sabem, nesse modal as paradas são nas famosas ‘estações-tubo’.

Super-Articulado” – 1 articulação, mas vagão traseiro alongado – Caio/Mercedes-Benz do Inter-Ligado paulistano (fonte da imagem: portal Ônibus Paraibanos). São Paulo e  Curitiba têm algumas coisas em comum quando se trata de ônibus de grande comprimento. Primeiro, essas 2 cidades têm juntas 90% dos bi-articulados do Brasil. E ambas não irão desistir dos bi-articulados, mas irão recalibrar a relação que têm com eles. São Paulo vem migrando do bi-articulado pro “Super-Articulado”, e mais recentemente Ctba. também adotou o mesmo movimento. Repito, os bi-articulados não estão sendo nem serão abandonados, mas ficarão restritos as linhas/horários de maior movimento. Mesmo linhas ‘Expressos’/troncais serão feitas por ‘Super-Articulados’ no entre-pico, com os bi-articulados operando apenas nos picos em muitos casos.

Que contam com embarque pré-pago e elevado em nível. As portas do busão são a esquerda.

No entanto, obviamente as linhas dos Ligeirinhos no começo só eram feitas por ônibus ‘pitocos’, não-articulados.

No novo milênio surgiram algumas linhas de Ligeirinho articuladas. Nos anos 90 era diferente, todos os Ligeirinhos eram ‘tocos’.

Digo de novo, o Ligeirinho começou em 1991. No ano seguinte, em 92 portanto, chegou o bi-articulado.

Como ele também usa as estações-tubo, no começo também vieram cinzas, pra ressaltar pra população o detalhe do embarque pré-pago e em nível.

No entanto, a cor cinza nos bi-articulados teve vida curta.

Em 1992 começou o bi-articulado no eixo Boqueirão, na Zona Sul, nessa cor.

Já em 1995 foi implantado o bi-articulado no eixo Sul-Norte, entre o terminais do Pinheirinho (Z/S) e Santa Cândida (Z/N), passando pelo Centro.

Marcopolo exportado pra Angola. Na lataria está escrito ‘BRT – Luanda‘, capital desse país. Em 2015 havia planos de implantar os bi-articulados na cidade. Caso tenha sido concretizado (o que não consegui confirmar) trata-se do 1º e até onde sei único sistema que conta com bi-articulados na África.

E os ‘latões’ que chegaram voltaram a ser vermelhos. Na 2ª metade dos anos 90, mesmo os bi-articulados da viação Carmo, que eram cinzas, foram repintados de vermelho.

Já voltamos a esse tema, da cor da lataria. Antes, sigamos a linha do tempo:

Em 1992 surge o primeiro eixo de bi-articulados em Curitiba, ligando o Boqueirão na Zona Sul ao Centro (terminais Boqueirão, Carmo e Vila Hauer);

1995: surge o segundo eixo, o Norte-Sul. Conecta o Eixo Sul (terminais Pinheirinho, Capão Raso e Portão) ao Eixo Norte (terminais Cabral, Boa Vista e Santa Cândida), passando pelo Centro.

2011: surgem os bi-articulados chamados de “Maior Ônibus do Mundo“, por terem 28 metros, contra 25 de um modelo normal. E eles vieram azuis, cor que nunca havia existido no sistema municipal de Ctba. .

1999: inaugurado o eixo Circular Sul. Como o nome indica, une em forma de círculo os dois eixos da Zona Sul (Boqueirão e Pinheirinho).

Na ponta superior, o corredor exclusivo, a ‘canaleta’, percorre a divisa das Zonas Central e Sul, do Portão ao Hauer via Vilas Guaíra e Lindóia

(Trajeto paralelo a uma linha de trem que um dia transportou passageiros, e que foi desativada nos anos 80 – em seu trajeto surgiu a Ferrovila, em 1991.)

"Enciclopédia do Transporte Urbano"

Não perdurou. A partir de 2018 os bi-articulados voltaram ao vermelho, por medida de economia. Aqui vemos o 1º dia de operação do Ligeirão Norte (200-S. Cândida/Pç. do Japão): pra marcar esse fato eles tinham a inscrição ‘Ligeirão’ na lataria, posteriormente retirada (*) – como explicado, as tomadas com ‘(*)’ são de minha autoria.

Na ponta inferior, interligou o Extremo Sul (Terminal Sítio Cercado) a rede de bi-articulados.

2000: os bi-articulados começam a operar no Eixo Leste-Oeste.

Uma linha une os terminais da Zona Oeste (Campo Comprido e Campina do Siqueira) aos da Zona Leste (Centenário, Oficinas e Capão da Imbuia), via Centro.

Do Centro a Zona Leste é criada uma segunda linha, o único Expresso metropolitano, portanto a única linha inter-municipal que tem bi-articulados: Pinhais/Rui Barbosa.

Do Centro ao Capão da Imbuia compartilha trajeto e tubos com a Centenário/Campo Comprido. 

Após o Capão da Imbuia há a bi-furcação, a linha municipal segue pro bairro do Cajuru e a metropolitana muda de município, entra em Pinhais.

Agora os Ligeirões que são vermelhos têm essas plaquinhas azuis na frente e laterais, pra galera se acostumar (*).

2009: surgem os Ligeirões. O 500-Ligeirão Boqueirão tem o mesmo trajeto da 503-Boqueirão (parador), mas com menos paradas como o nome indica.

Já a 550-Pinheirinho/Carlos Gomes vai pela Linha Verde, a antiga BR-116.

Essa passa a ser a mais nova canaleta (‘corredor exclusivo’) da cidade.

Em algum momento na década de 20 será inaugurado a extensão da Linha Verde.

Com novas linhas de bi-articulados ligando o Centro e a Zona Sul as Zonas Norte e Leste.

Vamos mostrar a diferença de um bi-articulado comum, que mede 25 metros, pra o “Maior Ônibus do Mundo”, que tem 28. Esse Marcopolo (prov. de 1995) é um comum: o motorista fica ao lado da porta 1.

Agora voltamos a falar da cor dos busões. Ainda viria mais uma tentativa de mudarem a caracterização dos Expressos, e ela também fracassou.

Vamos contar como foi. Azul é certamente a cor de ônibus mais comum, e isso em nível planetário.

Ainda assim, em todo século 20 e pela 1ª década do século 21 Curitiba não tinha busos municipais nessa cor. Eu disse ‘municipais’. Metropolitanos sim, haviam várias viações que usavam o celeste.

Aqui um “Maior do Mundo” (Neobus ano 2011): obviamente as portas precisam ficar na mesma distância uma da outra, ou o busão não conseguiria abrí-la nos tubos. O condutor agora fica muito a frente da 1ª porta – foto no bairro Campina do Siqueira, Zona Oeste (*).

Incluso uma delas, justamente a que serve Pìnhais (Zona Leste, como dito e é notório), se chama Expresso Azul por que seus ônibus eram, bem, azuis, evidente.

No começo dos anos 90 o governo do estado padronizou a pintura das linhas metropolitanas.

Todos os busões ficaram unicolores, com a cor de cada região da cidade pra qual a linha ia.

A região de Pinhais e Piraquara (que até pouco tempo antes eram o mesmo município, Pinhais pertenceu a Piraquara até 1992) ganhou justamente o tom azul.

Então seja na pintura livre ou no 1º ciclo da padronizada, Curitiba teve sim ônibus em azul.

A mesma transição em SP: Viale da 1ª leva desses bi-sanfonados, ainda com a inscrição atestanto isso na frente.

Metropolitanos. Mas municipais não, digo mais uma vez. Até que em 2011 essa situação se alterou.

Foi quando chegou a nova leva de bi-articulados Neobus, então consagrados como “Maior Ônibus do Mundo”.

Não é difícil entender o porque. Desde que foram criados nos anos 80 até 2011, os bi-articulados tinham cerca de 25 metros de comprimento. O “Maior do Mundo” veio com 28 metros.

Até então, o motorista ficava ao lado da porta 1, na configuração adotada aqui em Ctba. .

Caio ‘Top Bus’ da mesma viação Cidade Dutra. Na capital paulista as portas são ao nível do solo, então elas podem variar de posição. Mas repare nos 2 últimos vagões, o do meio e o do fundo, como estão muito mais compridos.

Nesses Neobus (e a seguir nos Marcopolo e Caio que se seguiram) o veículo ganhou 3 metros mais a frente.

Significando que ainda há alguns bancos entre a porta 1 e a cabine do condutor.

Além disso, eles vieram azuis. A primeira vez que Curitiba tem seu transporte coletivo municipal nessa cor, não custa enfatizar mais uma vez.

Só que não durou. Os novos bi-articulados adquiridos a partir de 2018 voltaram ao vermelho, por questões de economia. Os Expressos de Curitiba nasceram vermelhos, e assim permanecem. Já tentaram por 3 vezes mudar a cor deles:

Na Avenida 9 de Julho: nesse ângulo fica bastante evidente como vagões de trás cresceram (*).

1) Em 1987 chegou a ‘Frota Pública’. Foram 88 articulados (com 1 só sanfona, antes do bi-articulado).

Eles vieram laranjas. A seguir pintaram os Expressos das viações particulares.

Tanto articulados quanto ‘pitocos’ (não-articulados) também em laranja.

Não deu certo. Em pouco tempo os Expressos retornaram ao vermelho. Mas a cor laranja não saiu do sistema.

Próximas 3: bi-articulados no México, que adotou em larga escala os ônibus com dupla articulação a partir de 2018. O sistema é gerenciado pela estatal federal MetroBus, e operado por viações particulares.

Explico. Até 1988 os Alimentadores eram amarelos, mesma cor dos convencionais.

Quem herdou a cor laranja foram justamente os Alimentadores, que assim passaram a ter cor própria.

E, vejam vocês, a partir das renovações de frota de 2018 os Convencionais também passaram a ser laranjas.

Novamente pra economizar dinheiro, pois ter menos opções de decoração sai mais barato, por motivos óbvios.

Detalhe: portas lado-a-lado (na Colômbia é assim também). Há 2 fabricantes, esse modelo é produzido localmente.

Curioso, não? Até 1988 os Alimentadores não tinham sua própria cor, eram amarelos como os Convencionais.

Por 30 anos, de 88 a 18, Alimentador era laranja, Convencional amarelo.

Depois inverteu. A partir de 2018, são os Convencionais quem não dispõem mais de cor específica, passaram a ser laranjas como os Alimentadores.

Quando a renovação da frota for concluída, a cor amarela sairá do sistema. O laranja, que veio mais tarde, lhe subjugou.

Também circulam lá Neobus brasileiros.

(Em Belo Horizonte ocorreu algo similar: uma cor que veio depois, o verde, na padronização seguinte substituiu uma mais antiga, o vermelho.)

Em outras oportunidades já nos ocupamos da capital mineira, com muitas fotos. Aqui nosso foco é Curitiba. Eu dizia que o laranja acabou com a cor amarela, se tornou dominante.

Nos Convencionais sim. Nos Expressos, que é nosso foco aqui, não. A partir de 1987/88 os Expressos passaram a ser laranjas, primeiro a ‘Frota Pública’ articulada, depois todos os ‘carros’. Mas voltaram ao vermelho.

Próximas 2: Antes/Depois. O mesmo bi-articulado em São Paulo

2) Em 1992 os bi-articulados do eixo Boqueirão, na Zona Sul, foram apresentados cinzas.

Entretanto os do eixo Norte-Sul, em 1995, já voltaram ao vermelho.

Na sequência até os bi-articulados da Carmo, nos eixos do Boqueirão e Circular Sul (ambos na Zona Sul, como o nome do 2º indica), também retornaram ao vermelho.

3) Em 2011 os bi-articulados ‘Ligeirões‘ das linhas 503-Boqueirão e 550-Pinheirinho/Carlos Gomes (via Linha Verde, a antiga BR-116) vieram azuis.

… e agora em Manaus.

Ambas as linhas acima são na Zona Sul, que é disparado a mais populosa de Curitiba.

É por isso que as inovações do transporte começam por ali.

Seja como for, a leva de 2011 foi a primeira e última, e portanto a única, de bi-articulados azuis.

A capital amazonense trazia esses busões usados, quando lá existiram. Agora vamos na mão inversa, começo mostrando um ‘latão’ ex-Curitiba operando na Amazônia.

A partir das renovações de frota sub-sequentes, novamente os Expressos voltaram ao vermelho.

Quando os bi-articulados Neobus azuis forem aposentados, o que ocorrerá em algum momento da década de 20, Curitiba deixará de ter ônibus azuis, e agora tanto no municipal quanto metropolitano.

Não tem jeito. Expresso em Curitiba é vermelho. Já tentaram mudar 3 vezes, sempre voltam ao rubro que é seu território por excelência.

O mesmo “monstro de metal” quando ainda estava no Paraná, parado em frente ao Passeio Público.

……….

“GUERRA DE GIGANTES: DO BI-ARTICULADO AO SUPER-ARTICULADO” –

São Paulo, como dito acima, também tem centenas de bi-articulados.

Como lá a frota total, incluindo todos os modelos, é de 14 mil ônibus – aqui só o município, excluindo região metropolitana – proporcionalmente é certo que Curitiba tem bem mais.

Minha versão dessa cena, um bi-sanfonado Marcopolo em frente ao parque mais antigo da cidade (inaugurado em 1886).

Ainda assim, embora eu não tenha os números exatos pra afirmar cientificamente, acredito que em números absolutos a frota paulistana de bi-articulados é a maior do mundo. Do Brasil não restam dúvidas que sim.

Na capital paulista são 207 (dados mais recentes que tenho, consultei em 2020) ônibus com 2 sanfonas.

Já foram 259 no meio da década de 10, dizendo ainda mais uma vez.

Houve uma pequena redução porque concluiu-se que os bi-articulados devem ficar restritos aos corredores exclusivos.

Aqui e a direita: tróleibus/bi-articulado do ‘Fura-Filas, projeto que foi testado nos anos 90 em SP. Não foi aprovado.

As linhas que ainda não contam com esse melhoramento são atendidas ou por ônibus normais, sem nenhuma articulação, ou por articulados, com somente uma.

Em São Paulo esse processo já está bastante avançado.

No decorrer da década de 10 o número de bi-articulados caiu quase 20%.

Já a frota de articulados, com uma sanfona, cresceu astronômicos 80% no período:

Foi de cerca de 1,4 mil pra 2,3 mil busos. Boa parte deles são “Super-Articulados“.

Vamos entender o que significa esse termo. Trata-se de um veículo com uma só sanfona, visto em imagem mais acima na página (busque pela legenda).

Porém que é alongado, tem 23 metros. Leva 200 passageiros.

O corredor totalmente suspenso sobre o Rio Tamanduateí, no entanto, não foi perdido – e hoje é operado por veículos a dísel (alguns deles bi-articulados) e elétricos mas que dispensam fiação. É o “Expresso Tiradentes”.

Vejamos as medidas e capacidade de passageiros dos veículos sanfonados:

Articulado comum: 17 a 20 metros, de 120 a 150 pessoas a bordo.

1 sanfona (articulação), 3 eixos geralmente – algumas versões de 20 metros contam com 4 eixos.

Só que são raros os articulados comuns de 20 metros e 4 eixos. A maioria tem 17 metros, o vagão traseiro é curto;

– “Super-Articulado”: 23 metros, 200 passageiros, 1 sanfona, 4 eixos, ambos os vagões alongados;

Aqui e na próxima: moderno sistema ‘Trans-Milênio’ de Bogotá, com corredores exclusivos, estações com embarque pré-pago elevado e alimentadores – as linhas-tronco são feitas por articulados (1 sanfona, unicolores em vermelho) e bi-articulados (majoritariamente vermelhos mas com grandes detalhes em amarelo).

Bi-articulado comum: 25 metros, leva 220 pessoas, 4 eixos;

Bi-Articulado “Maior Ônibus do Mundo“, produzido a partir de 2011: 28 metros, até 250 passageiros, 4 eixos, vagão dianteiro alongado.

Assim não é difícil ver que um “Super-Articulado”, apesar de ter uma só sanfona, está mais perto de um bi-articulado comum que de um articulado comum.

Só que ele é mais barato que um bi-articulado mesmo na hora de adquirir 0km.

E na revenda então nem se compara. O bi-articulado é útil enquanto na ativa.

Porém se torna um ‘elefante branco’ após ter sua vida útil encerrada na cidade de origem, ninguém compra.

Ops…o que descrevi acima é a pintura normal dos ônibus bogotenhos. Quando os pichadores da cidade botam suas mãos em qualquer coisa, ‘redecoram‘ dessa forma.

Ou ele tem sua última articulação cortada (o que também custa dinheiro pra fazer) e é vendido como articulado comum, ou mesmo vai pra sucata.

O “Super-Articulado” não tem esse problema. Roda alguns anos na metrópole que o comprou novo.

A seguir vai pra uma capital de menor porte, ou mesmo pra alguma grande cidade do interior.

De 1992 a 2015, somente a Volvo fabricava chassis com 2 articulações no Brasil, de lá pra cá a Scania entrou no mercado.

na Cidade da Guatemala o sistema, igualmente moderno, se chama ‘TransMetro‘ (nessa imagem não há busos de 2 articulações, apenas de 1. Coloquei apenas pra vocês verem o corredor e as estações).

A Mercedes-Benz contra-atacou lançando o “Super-Articulado”.

E deu totalmente certo a tacada. São Paulo já fez a migração.

A partir da renovação da frota de 2019, Curitiba intensifica o mesmo movimento.

Na linha Circular Sul (a única de Expresso que não vai pro Centro, fica restrita a Zona Sul como o nome indica) essa já é a realidade há tempos:

No meio do dia apenas articulados, com uma sanfona. Os bi-articulados chegam no pico, pra ajudar nas viagens mais carregadas.

Agora sim, bi-articulado guatemalteco (fabricação brasileira, na verdade).

E mesmo a linha que liga o Boqueirão ao Centro está de uns tempos pra cá sendo operada de forma mista:

Há bi-articulados, que convivem com os ‘Super-Articulados’.

No futuro, as linhas do eixo Norte-Sul contarão igualmente com ‘super-articulados‘.

Pra baratear os custos do sistema (sendo sincero, não sei como está a situação no eixo Leste-Oeste).

OS “VD’s” – VEÍCULOS EMRESTADOS. Vemos (essa e outras imagens são pertencente ao portal Ônibus de Curitiba) articulado Marcopolo ex-viação Carmo. Está emprestado a outra empresa, por isso o prefixo ‘VD’ – originalmente era ‘ED‘.Pra entendermos como a situação se desdobrou pra chegar ali, recapitulemos o começo: os primeiros bi-articulados de Curitiba  eram cinzas, como é notório. Por 3 anos (1992-1995) só existiu nesse modal a linha 503-Boqueirão, que liga o Centro (local da foto) com esse populoso bairro da Zona Sul, onde eu morei por 15 anos. Os primeiros bi-articulados vieram em dois modelos. Marcopolo, e haviam também os Ciferal. A Marcopolo acabara de adquirir então metade do capital da Ciferal. Em 2000, completou a transação e se tornou proprietária de 100% da Ciferal. Seja como for, antes disso, ambas fabricaram os primeiros bi-articulados, como acabei de dizer. Os da Marcopolo vieram com letreiro, onde está escrito “Boqueirão”. Os da Ciferal, veja você, vieram sem letreiro. É isso mesmo, o vidro era liso, como se fosse de um carro, ou caminhão. Isso porque os bi-articulados a princípio só operavam uma linha. Em 1995 eles passaram a circular no outro eixo da Zona Sul, pro bairro e Terminal do Pinheirinho. Só que o trajeto é distinto. Assim, na canaleta do Boqueirão, continuava a existir só uma linha, não havia como pegar errado, logo ainda não precisa de letreiro com linha. Em 1999, entretanto, surgiu a linha Circular Sul, justamente que une os eixos e Terminais do Boqueirão e Pinheirinho, via Sítio Cercado na ponta mais periférica e via Vila Guaíra na extremidade central. Resultando que as linhas Boqueirão e Circular Sul, ambas operadas por bi-articulados, passaram a compartilhar uma parte de seus trajetos, entre o Terminal Boqueirão até o cruzamento com a antiga BR-116, hoje Linha Verde, no bairro do Parolin. Portanto a partir de agora os ônibus precisam ter letreiro indicando a linha. Nos antigos Ciferal, que não contavam com esse equipamento, na frente implantaram um letreiro completo (apenas menor e na parte de baixo do vidro, como nos ônibus de viagem), de lona. Porém nos vidros laterais, perto das portas foi preciso improvisar um letreiro de metal, onde uma placa era colocada, mostrando se o ônibus estava cumprindo a linha Boqueirão ou a Circular Sul. Só quem é busólogo pra guardar um detalhe desses na mente. Fazer o que? Em 2003, como dito, a Carmo deixou de operar ônibus com sanfona, seja com 1 ou 2. Sua frota (bi) articulada foi repassada as demais empresas, e ganhou o prefixo ‘VD‘.

………..

Alias como contamos na legenda de uma foto mais pro alto na página, Mauá (na Grande SP) vetou os bi-articulados em 2009.

Por hora, voltemos a falar da capital do estado. Articulados, com somente uma sanfona, São Paulo tem mais de 2 milhares de exemplares, como acabo de relatar e é notório.

Mais precisamente 2,3 mil deles. Com isso, é quase certo que a frota paulistana de articulados seja também a maior do mundo, em números absolutos. Só que nosso tema hoje é o busão bi-sanfonado.

São Paulo foi a 2ª cidade no Brasil e também a 2ª fora da Europa a adotar o bi-articulado, logo após Curitiba, assim que eles surgiram, no começo dos anos 90.

Os bi-articulados paulistanos pioneiros tinham pintura específica pra eles, eram amarelos.

Tudo isso já disse. Vamos então as novidades. No começo dos anos 90, mais precisamente em 1992, a prefeitura eliminou a padronização de ônibusSaia-&-Blusa‘, que vigorava desde 1978.

E adotou a padronização ‘Municipalizado’, que ficou vigente até 2003.

Por esse modelo, a princípio todos os busos da cidade tinham a mesma pintura, brancos com uma faixa vermelha.

No meio dos anos 90 foram surgindo diversas variações: pros busos ‘tocos’ (não-articulados) a dísel e elétricos (tróleibus) manteve-se o descrito acima.

No entanto adicionou-se uma pequena faixa menor colorida a frente e atrás, que indicava qual parte da cidade a linha ia.

Houve um novo desdobramento: por um tempo, os busos ‘tocos’ a gás natural, e também os mais compridos (‘padrão’ alongados [‘padron’], articulados e bi-articulados) a dísel ganharam pintura própria.

Enquanto as outras linhas seguiram brancos com faixas vermelhas, esses que citei no parágrafo acima (a gás e com sanfonas ou pelo menos ‘padrão’) tinham um outro esquema:

Eram unicolores, com uma figura geométrica estilizada bem grande na lateral. Os a gás natural eram inteiro em azul-claro. Já os demais, de comprimento maior, ficaram amarelos.

E foi assim que os bi-articulados surgiram em SP, amarelos portanto.

Essa diferenciação não vingou, exceto pros busões a gás. Esses sim ficaram azul-claros por um bom tempo.

VOLTAM OS “VD’s”; E VOLTA A CHAPA BRANCA – Essa situação descrita na foto anterior, dos VD’s ex-Carmo, perdurou de 2003 a 2006, mais ou menos. Porém, a partir de 2006 surgiu uma nova leva de “VD’s”, e esses tinham chapa-branca (nota: com o padrão de emplacamento ‘Merco-Sul’ que está sendo implantado, todos os veículos, particulares e públicos, leves e pesados, têm placas com fundo branco, muda a cor das letras pra diferenciar essas situações específicas. Mas nos modelos de emplcamento que vigoraram por 5 décadas [de 1970 a aprox. 2019] ‘chapa-branca’ indicava propriedade pública, esclareço pros mais jovens que não presenciaram os emplacamentos antigos). Sigamos. Veja o VD971 fazendo a linha Circular Sul, também pela Cid. Sorriso. O ‘V’ no prefixo (ao invés do ‘G’ que é o código dessa empresa) e a placa branca se devem ao fato que depois que os bi-articulados vencem a vida útil passam a ser propriedade da prefeitura. Continuam sendo operado pelas viações particulares, mas são agora parte do erário municipal. Como ocorria com a antiga ‘Frota Pública’ implantada pelo Requião. A diferença é que Frota Pública foi pública desde o início, comprada pela prefeitura. Os ‘VD’s’, como esses busos são chamados, foram adquiridos pelas empresas privadas. E em nome delas permaneceram em sua 1ª década. Passaram pro patrimônio estatal apenas a partir do 11º ano de existência no sistema. Enfim, isso explica a chapa branca. Tanto que foi a prefeitura quem leiloou esse lote, quando ele não tinha mais como rodar.

No entanto as linhas troncais, feitas por veículos maiores (articulados e ‘padrão’ alongados) logo foram repintados.

Ganharam faixa verde sobre fundo alvo, sem a faixinha menor indicando a região.

Resultando que se os bi-articulados surgiram amarelos, enfatizando de novo, logo viraram brancos com faixa verde.

No começo os bi-articulados em São Paulo eram pouquíssimos, quase uma relíquia.

E só operavam na Zona Sul, a mais populosa da metrópole.

Só já nesse milênio esse tipo de ônibus foi se massificar por lá, quando passou a operar também na Zona Leste.

Agora o processo está consolidado, o bi-articulado é um veículo tão típico de São Paulo quanto o é de Curitiba.

……….

Outras 2 cidades no Brasil tem bi-articulados: Goiânia e Campinas, vocês sabem.

Rio e Manaus já os tiveram, mas não é mais realidade. Em Rio Branco-AC o será em breve.

No entanto até o momento que a matéria sobe pro ar (2020) ainda não aconteceu.

Falemos um pouco de cada uma delas. Afora as pioneiras Curitiba e São Paulo, Goiânia é a terra em que esse tipo de busão está melhor enraizado.

Os primeiros bi-articulados goianos foram adquiridos em 2005.

No começo eram apenas 5, da marca Caio, e tinham cor amarela. Rodavam somente nos horários de pico.

Aqui e na próxima, mais exemplos de ‘VD’s’: busos que por estarem com a vida útil vencida passaram a ser propriedade pública. Veja que na ficha técnica o sítio que publicou colocou corretamente as empresas como ‘Urbs (pref. de Ctba.)/Exp. Azul.

Em 2011 chegaram mais 30 bi-articulados, dessa vez de carroceria Neobus (que pertence 40% a Marcopolo).

Alias nessa leva foram nada menos que 90 veículos pesados:

Além dos 30 bi-articulados que acabo de falar, viram também 60 articulados, com uma só sanfona.

Dessa vez todos na cor azul. São operados pela empresa do governo estadual MetroBus, que até 1997 se chamava Transurb.

Uma das poucas viações estatais do Brasil que escapou da onda de privatizações dos anos 90.

Vemos claramente as placas brancas.

Também escaparam a vizinha TCB, de Brasília-DF, e da Carris de Porto Alegre-RS.

No entanto, agora no começo da década de 20 estão novamente falando em privatizar a MetroBus. Veremos o que acontece.

O fato é Goiânia sempre foi uma cidade pioneira no transporte coletivo.

Curitiba inaugurou seu sistema de ônibus ‘Expressos’ em 1974, como sabem.

Sendo assim a 1ª cidade do Brasil e ao lado de Lima/Peru a 1ª do mundo a fazê-lo.

Sistema ‘Via-Livre’, do Recife-PE. Originalmente previa a utilização de bi-articulados, e caso se concretizasse seriam os primeiros do Nordeste. Não aconteceu, acabaram adotando apenas articulados (1 sanfona), e mais recentemente até veículos não-articulados.

Pois bem. Goiânia veio logo a seguir, e já em 1976 implantou o ‘Eixo Anhangüera‘, onde os ônibus tem sua pista exclusiva.

Até hoje essa é a espinha dorsal do transporte na capital de Goiás.

Alias recentemente o ‘Eixo Anhangüera’ foi ampliado pra atender também a região metropolitana.

Nada mais natural se a viação que o administra e opera é do governo estadual.

Tomada aérea dos anos 90 mostra frota 0km na fábrica da Volvo, no bairro Cidade Industrial de Curitiba, na Zona Oeste – pela pintura unicolor rubra vê que eles operaram na mesma cidade que foram fabricados.

………..

Em 2010 foi a vez de Campinas. Uma dezena de bi-articulados rodam pelas ruas da maior cidade do interior paulista.

Ali, as encarroçadoras são as marcas Marcopolo, Caio e finada Busscar.

No século 20, apenas Curitiba e São Paulo tiveram bi-articulados.

Goiânia se juntou a elas com 5 busões em 2005, e a partir de 2011 com dezenas desses ‘monstros de metal’.

São Paulo ameaçou abandonar a padronização ‘Inter-Ligado‘ (na qual os busões têm a cor da região da cidade que servem) por essa unicolor cinza pra todas as linhas. No fim se criou uma nova pintura, intermediária: o fundo é cinza, mas há detalhes nas cores do ‘Inter’… .

Na 2ª metade da 1ª década do século 21, Manaus também passou a contar com eles.

Ali eram veículos usados, ex-Curitiba e São Paulo. O estado de conservação por vezes deixava a desejar. 

Quando estive lá, em 2010, vi que o transporte de Manaus precisava de uma modernização, malgrado contasse com articulados e bi-articulados.

Não havia padronização nas pinturas e sequer no local de entrada, se é pela frente ou por trás.

Escrevi no texto original (a seguir retifico) que nessa épocaem Fortaleza-CE e Salvador-BA você entra por trás nos ônibus, como um dia foi no Brasil todo.

Só que nessas capitais nordestinas era padronizado, você entra por trás em todos os ônibus, em todas as linhas”.

Posteriormente ambas essas capitais nordestinas inverteram a entrada pra frente.

Seja como for, que quero colocar aqui é que em Manaus, em 2010, presenciei algo que eu nunca vi:

O mesmo veículo, agora operando em Realeza, Sudoeste do PR. Quase mantiveram o mesmo nº, virou o ‘BDO122’. E aproveitaram até a inscrição ‘Cidade de Curitiba‘, apenas tiraram o nome da capital e colocaram o da sua nova casa, no interior.

Dava a impressão que cada empresa escolhia se você embarca por trás ou pela frente.

De forma que quem é de fora da cidade só ia saber se aquela linha era por trás ou pela frente quando o ônibus encostava.

Isso valia pra veículos de todos os tamanhos, normais e também ou poucos articulados e bi-articulados que lá rodavam.

Por aí você imagina como era o transporte coletivo manauara.

Agora parando no tubo. Você sabia disso, que Realeza-PR também tem bi-articulados, com direito a estação-tubo e tudo?

Entretanto, com a entrada dessa nova década de 10, a coisa mudou.

Por ser a capital do Amazonas uma das sedes da Copa do Mundo que ocorreu no Brasil em 2014.

Manaus vem passando por uma necessária modernização em seu sistema de ônibus.

Isso escrevi na ocasião (2013, antes da Copa). Agora o processo já avançou bastante, vejamos o texto original.

Quito conta com tróleibus-articulados, corredores exclusivos e estações elevadas com embarque pré-pago. Sim, esse só tem 1 sanfona. É apenas pra você verem a moderna rede de transportes da capital equatoiriana.

Enfim, a pintura dos ônibus foi unificada, padronizada pra todas as viações.

E eu creio que a entrada também foi padronizada pela frente.

Foram comprados centenas de ônibus novos, a maior aquisição da história da cidade.

Entre eles dezenas de articulados – aqui, me refiro a veículo com uma só sanfona, não são bi-articulados portanto.

Quem sabe um dia veremos bi-articulados zero km na Amazônia também.

Vejam que beleza: aqui e na próx. tomada, os bi-articulados (a dísel) Volvo/Marcopolo brasileiros que agora operam nos corredores de Quito.

No momento Manaus não tem mais bi-articulados, nem adquiridos novos nem usados.

Em 2014, justamente no ano da Copa que teve sua finalíssima no Maracanã, o Rio estreou seus primeiros bi-articulados.

Foram apenas 2, um Neobus e um Marcopolo, e pouco duraram, infelizmente.

Na 2ª metade dos anos 10 o Brasil adentrou novamente em crise política e econômica.

Portas elevadas dos 2 lados.

O Rio de Janeiro sentiu bastante essa queda aguda, nem tem como ser diferente.

Passada a Copa e também a Olimpíada que igualmente foi lá em 2016, o financiamento federal e estadual diminuiu.

O transporte coletivo foi bastante afetado. Os bi-articulados pararam de rodar em terras cariocas no ano de 2018.

O Rio teve bi-articulados, por pouquíssimo tempo, como conto ao lado. Um dos busões que operou em terras cariocas foi repintado e irá estrear em Rio Branco do Acre.

Chegaram apenas em 2014, eram somente 2, e duraram meros 4 anos.

A história dos ônibus longos no Rio foi curta, paradoxalmente. Bem, a padronização de pintura dos ônibus lá também foi a mais breve da história.

Já que o tema é esse, adiciono aqui o texto publicado da matéria sobre o Rio de Janeiro publicada no blogue “De Busão pelo Mundão” (resumindo algumas das informações já faladas acima).

Fiz uma série sobre os bi-articulados no Brasil, que originou essa matéria que acabam de ler.

Mais 2 imagens dos bi-articulados de Mauá, na Grande SP, que foram comprados, reformados e pintados, mas nunca rodaram. Aqui uma foto de frente do Marcopolo que já vimos de costas mais pro alto na página

A postagem sobre o Rio foi publicada dia 29 de novembro de 2019.

Rio de Janeiro, década de 10. Mostro a foto de um bi-articulado Volvo Neobus.

Indo pro Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, Zona Oeste (já postada nessa atual matéria, bem no início dela no alto da página). 

Pertencente ao modal de ônibus Expressos (agora se usa a sigla em inglês ‘BRT’) TransCarioca e suas expansões.

O Rio teve bi-articulados entre 2014 e 2018, mas eles já deixaram de operar na ‘Cidade Maravilhosa’.

Próx. 3: bi-articulados Caio ‘Top Bus‘. Amarelo também de Mauá, em outra decoração.

O Rio de Janeiro passou por grande modernização no transporte no começo da década de 10.

Por conta da Olimpíada de 16 (que foi lá) e da Copa do Mundo de 14 (cuja grande final também foi ali, no Maracanã, excelso palco do futebol mundial).

No começo desse milênio o Rio não tinha sequer articulados.

Muitos menos ônibus Expressos e estações com embarque em nível, nem padronização de pintura.

Aqui e esq. municipais de SP, acima indo pro Terminal da Varginha, Zona Sul (essa é autoria do Cosme BusManíaco).

(Uso o termo ‘Expresso’ no sentido curitibano, se referindo a articulados operando em canaletas exclusivas;

Como dito e é notório atualmente emprega-se a sigla ‘BRT’.)

Tudo isso foi implantado, e como vimos no ano da Copa do Mundo começaram inclusive a rodar modernos bi-articulados.

Ultimamente busos de 2 sanfonas chegaram a Zona Leste, no caso indo p/ São Mateus.

Das marcas Marcopolo e Neobus – a Neobus é 40% de propriedade da Marcopolo.

………..

Apenas 4 cidades do Brasil contam com bi-articulados atualmente: São Paulo, Curitiba, Campinas e Goiânia.

O Rio e Manaus fizeram parte dessa seleta lista em algum momento, mas não mais.

No começo dessa milênio várias capitais importantíssimas do Brasil não tinham sequer articulados, com uma sanfona somente.

Mais uma imagem do bi-articuldo de Campinas rodando em Porto Alegre pela Carris (pertencente ao sítio Via Circular).

Na época, o Rio de JaneiroBelo Horizonte-MGSalvadorFortaleza (entre outras) não contavam com articulados.

Digo, visitei BH em 2012Haviam sim articulados, mas numa única linha, que inclusive tinha pintura própria

A que ligava as estações de metrô e ônibus do Vilarinho a Cidade Administrativa, a sede do governo do estado.

Que é bem distante, ainda no município de Belô mas no extremo norte dele, na divisa com Santa Luzia e Vespasiano.

Essa linha (Vilarinho/Cid. Adm.), pelo seu caráter especial, tinha pintura específica.

E era de graça pros funcionários públicos que lá trabalham, bastava apresentar a carteira funcional.

Porém pras linhas normais, que eram tarifadas, a capital mineira não tinha nem ônibus articulado, muito menos bi-articulado.

Até 2011, os bi-articulados de Ctba. eram todos vermelhos. Aí chegou a leva da Neobus azul – esse clicado no Terminal do Boqueirão, Zona Sul, no 1º dia de operação, em 2011, ainda sem placas (*). Todos os bia-articulados azuis são Neobus, e vieram 0km já nessa cor.

Já Manaus, vejam vocês, tinha tanto articulados quanto bi-articulados.

Faço a ressalva que várias das capitais citadas acima também modernizaram sua rede de transportes.

Quando estive em B.H. em 2012 o Move estava na fase final de obras.

Agora já está operando, com articulados, corredores exclusivos, e estações modernas com embarque em nível pré-pago. 

A linha Vilarinho/Cid. Adm. (a única que tinha sanfonados quando fui lá) foi incorporada ao Move, e virou alimentadora do mesmo. 

Em Fortaleza idemAlém de corredores exclusivos, articulados e estações com embarque elevado, uma linha de trem de subúrbio virou metrô, e a segunda linha de metrô – com VLT – entrou em funcionamento.

Todos, exceto um. Esse Marcopolo era vermelho (na imagem seguinte ele na cor original) e ficou celeste. Foi o único de toda frota a ser repintado.

A capital baiana implantou o sistema Integra Salvador, que padronizou a pintura e mudou a entrada pela frente. 

Creio que a cidade até hoje não tenha articulados (eles existiram nos anos 80 e 90, mas nesse milênio só rodaram poucos exemplares em testes, inclusive alguns que iam pra Manaus).

Em compensação, Salvador já conta com 2 linhas de metrô.

Uma modernização também se deu no Rio. Foram inaugurados os modernos corredores do sistema Trans-Carioca.

Então agora a Cidade Maravilhosa tem – como a capital mineira – articulados, corredores exclusivos e estações modernas com embarque em nível pré-pago.

Os articulados fazem as linhas-tronco, mais longas, e ônibus curtos ou micros os alimentadores locais, com integração tarifária.

A linha Pinhais/Rui Barbosa é a única minter-municipal que conta com ônibus de 2 sanfonas na capital do PR – daí o ‘M’ de ‘Metropolitano’.

O metrô também passou por significativa ampliação, chegando a Barra da Tijuca, na Zona Oeste.

Atualização: no final da década, após a Olimpíada de 2016 que lá foi sediada, o Rio de Janeiro passou a enfrentar sérias dificuldades.

Isso repercutiu também no transporte coletivo, como não poderia deixar de acontecer.

Marcopolo que virou museu ambulante, decorado com a bandeira da Pátria Amada.

Tanto que a cidade deixou de contar com bi-articulados. Os articulados continuam operando.

Além disso, o Rio despadronizou a pintura, voltou a pintura livre.

Primeiro nos ‘carros’ que têm ar-condicionado. Isso só acontece no Rio. Em todas as demais cidades ter ar-condicionado não é desculpa pra não ter que cumprir a padronização de pintura.

Mais um desses bichões rasgando a Avenida 9 de Julho, SP, em tomada de 2018 (*).

A seguir toda a frota, com e sem ar, foi despadronizada. Enfim, é assim que as coisas estão.

Até o começo desse milênio o transporte carioca estava com sérios problemas.

Houveram grandes avanços. Infelizmente a padronização de pintura e os bi-articulados não puderam ser mantidos

Divisa quádrupla: nessa esquina se encontram os bairros da Boa Vista, Santa Cândida, Bacacheri e Vila Tingüi, na Zona Norte de Curitiba. 2 bi-sanfonados vermelhos rumam ao Centro da cidade.

Ainda assim os articulados, os corredores exclusivos e estações com embarque pré-pago em nível e a ampliação do metrô chegaram pra ficar.

Fazendo um balanço, podemos dizer que a década de 10 foi positiva.

SÉRIE COMPLETA “BI-ARTICULADOS NO BRASIL” NO BLOGUE ‘DE BUSÃO PELO MUNDÃO’

(entre parênteses a data de publicação):

O Sol se Põe no Oeste“: próximo ao Rio Barigüi (nesse trecho divide o Camp. do Siqueira do Mossunguê na Zona Oeste) outro desses bichões também se dirige ao Centro (*).

– SÃO PAULO (11/03/2020);

– CURITIBA (09/10/2019);

– GOIÂNIA (29/04/2020);

– CAMPINAS (22/04/2019);

RIO DE JANEIRO (29/11/2019);

– MANAUS (23/11/2018);

Cidade de Luzerna, típico cenário dos Alpes.

Agora  várias galerias de imagens dos bi-articulados pelo mundo. Primeiro na Europa, lembrando sempre que eles surgiram nesse continente, ainda nos anos 80.

(Na China na mesma época houveram protótipos, mas os bichões até hoje não se popularizaram nesse país asiático.)

Na Suíça são comuns os tróleibus bi-articulados. Então começamos por eles, ao lado e nas 2 primeiras imagens do carrossel abaixo.

Voltando a América, como sabem um bi-articulado usado europeu operou em Havana, por volta de 2015.

Campinas, São Paulo. Única cidade que não é capital a ter esse modal (iniciaram as operações em 2010).

Goiânia, onde, repetindo, esses bichões começaram em 2005.

São Paulo, 2ª cidade do Brasil a contar com eles, e que hoje possui (prov.) a maior frota do mundo.

A tomada ao lado é de minha autoria, foi feita no Brooklin, Zona Sul, em 2014.

Na galeria abaixo voltamos as imagens baixadas da rede. Todos são Caio, incluindo o da esq. .

Vamos falar novamente de Curitiba. Recapitulando a linha do tempo:

“Deus proverá”

Água Verde, o maior bairro central (e o vizinho Portão)

Curitiba: os 10 bairros mais povoados da cidade, a Água Verde é o 9º e destes o único perto do Centro (em preto), alias Água Verde e Centro compartilham uma divisa de 1 quadra.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 20 de Abril de 2020

Maioria das imagens de minha autoria. As que forem baixadas da internet identifico com um ‘(r)’ de ‘rede’, créditos mantidos quando impressos nas mesmas.

Vamos falar hoje da Água Verde, e também de seu vizinho Portão.

A. Verde, com pouco mais de 50 mil habitantes, é o 9º bairro com mais moradores em Curitiba.

O mais povoado da Zona Central, e também o que tem maior população entre os que são de maioria de classe-média (fora da periferia portanto) – vide o mapa acima.

Av. 7 de Setembro, 2018 (no dia da inauguração do Ligeirão Norte): a direita na imagem a Água Verde, a esquerda o Batel.

Sua característica marcante é ser um bairro bastante arborizado e verticalizado.

As canaletas do Expresso (termo curitibano pros ‘corredores exclusivos’) são ladeadas por prédios altos.

Pois em termos urbanísticos essas seriam a ‘orla’ de Curitiba.

Quero dizer com isso o seguinte: onde são os prédios mais caros do Rio de Janeiro, e de todas as cidades que têm praia? Na Beira-Mar, óbvio.

Já nas ruas internas do bairro, o perfil típico é esse, prédios baixos

Onde são os prédios mais caros de Curitiba? Ao lado do corredor de ônibus.

Cada cidade tem sua ‘orla’ peculiar, e parece que essa é a nossa.

Nas vias menores, internas do bairro, edifícios mais baixos, muitos sem elevador.

Uma vez que ali o zoneamento não permite tantos andares em cada empreendimento.

e com muitas árvores, tanto na Água Verde como em partes de seu vizinho Portão.

Sempre bastante arborizadas. Não é só a “Água” que é “Verde”, suas ruas também o são.

Alias, o nome do bairro vem do Rio Água Verde, que tem sua nascente ali (abaixo falo melhor dele).

Além de tudo isso, a Água Verde sedia 2 cemitérios, um municipal e um ‘israelita’ (judeu).

E o estádio do Athletico, a Arena da Baixada, que foi sede da copa do mundo de 2014.

Arena da Baixada: próximo dela começa o Rio Água Verde que nomeia o bairro (r).

……..

O Portão, apesar de vizinho, já fica localizado na Zona Sul.

Sendo este, o Portão, bem mais heterogêneo que a Água Verde.

Claro que a A. Verde ainda tem algumas casas mais simples, várias delas de madeira pois é Sul do Brasil.

Em outra panorâmica, o Terminal do Portão (a esq. o Centro Cultural). É uma foto antiga, hoje há mais prédios na região (r). Na prox. imagem, voltando ao nível do sol e as fotos de minha autoria, o Centro Cultural do Portão.

Ela é bem grande em extensão territorial, especialmente considerando que é bairro central.

A Água verde inclusive faz divisa com o Centro, sabia disso?

Em apenas uma quadra: na Av. 7 de Setembro, entre as ruas Brigadeiro Franco e Des. Motta.

Indo no sentido Seminário, a direita está o centro comercial (“shopping”, pra quem prefere em inglês) Curitiba – que fica no Centro, e não no Batel como alguns pensam.

Do lado esquerda da Sete é Água Verde. Portanto existe uma divisa Centro/Água Verde.

Porém a Água Verde ‘desce’ bastante pro sul, tanto que chega até o Portão.

Na divisa desses dois últimos bairros (Portão/Água Verde) está a ‘Vila Temática’ dos Estados.

Onde as ruas têm nomes dos estados brasileiros, como o nome indica.

Ao lado, obviamente, a placa da Rua Maranhão, no Portão.

Alias essa ‘vila temática’ se estende por 4 bairros, além desses 2 também a Vila Guaíra e Parolin, ambos na Z/C.

Na mesma ‘vila temática’ dos Estados, esquina da Rua Goiás com Marquês do Paraná: placas antigas verdes, usadas nos anos 60 e 70.

Do Parolin já falei melhor outro dia, aqui nosso foco é a Água Verde.

Eu dizia antes, esse é um bairro relativamente grande em área.

Divide com o Centro. Mas tem trechos bem distantes dele.

Um dia, muitos anos atrás, eu estava na A. Verde, nessa ‘vila temática‘.

Agora cruzamento da mesma Mq. do Paraná com Av. Água Verde: um dos únicos casos em Ctba. que a avenida principal tem o nome do bairro (os outros dois são o vizinho Batel, também na Z/C, e o Ganchinho, no extremo da Z/S) – em SP e outras cidades é bem mais comum.

Mais precisamente na Rua Pará, se a memória não me trai.

Perguntei ao morador da casa se ele achava a Avenida 7 de Setembro muito longe dali (eu pedia uma carona, na verdade).

Ele respondeu sem margens a dúvidas: “Claro que é longe, é lá no Centro“.

Entendi que não iria ganhar uma carona até lá, até a República Argentina sim, mas até a Sete estava fora de questão.

E o que há nessa esquina mostrada na foto anterior? Os 2 cemitérios da Água Verde, o ‘israelita’ em 1º plano (no detalhe o portal) e ao fundo o Cemitério Municipal.

Isso não vem ao caso aqui, estou contando essa história só pra vocês dimensionarem.

Vale lembrar que tanto a Rua Pará quanto a Sete de Setembro ficam no mesmo bairro, a A. Verde que falamos aqui.

No entanto, parecem ser muito distantes uma da outra, e de fato são.

Por isso, a Água Verde tem uma extensão bastante considerável.

E até os anos 60 e mesmo 70 do século passado (o 20, claro) partes da Água Verde ainda eram periferia.

Comércio com nome do bairro em frente ao ‘campo santo’, emoldurado pelos edifícios da República Argentina.

Ainda há resquícios dessa época, vistos nas casas de madeira, e mesmo de alvenaria, mas de padrão mais modesto.

Dos anos 80 pra cá, entretanto, foram já 4 décadas de aburguesamento intenso.

Resultando que se sim, ainda há algumas moradias mais humildes, elas são a exceção.

A Água Verde é majoritariamente de classe-média pra média-alta.

Enquanto que o Portão tem partes de classe-média, certamente.

Praça em frente ao cemitério.

Especialmente em torno do terminal e da canaleta de ônibus.

Ainda assim, ele também é um bairro extenso fisicamente.

E como já está mais afastado do Centro, tem um perfil distinto da Água Verde.

Digo, onde ambos os bairros se encontram eles são parecidos.

Igreja do Portão. Notam um bi-articulado chegando ao tubo. O ponto seguinte, no sentido bairro, é o terminal de mesmo nome – visto na próxima foto, agora ao nível do chão.

Na divisa com a Água Verde, o Portão é quase indistinto dela:

Prédios elegantes, de bom padrão, muitas ruas muito bem arborizadas.

No entanto, em seu extremo ocidental, no limite com a Fazendinha, ainda conserva algumas vilas que poderíamos classificar como ‘periferia‘.

É a região chamada ‘Portão Oeste’, que é diferente do ‘centrinho’ do Portão ao lado de seu terminal, onde ele encontra com Água Verde e Vila Izabel.

Além disso, o Portão tem algumas favelas, em graus diferentes de urbanização. Estou me refirindo, evidentemente, a Ferrovila e a Portelinha.

A primeira foi invadida no feriadão de 7 de Setembro, em 1991, e a segunda no “Março Vermelho” de 2007.

Abaixo contarei melhor a história de cada uma delas.

……….

Dê uma olhada na 1ª figura da matéria, aquele mapa – o Centro está pintado de preto como referência.

Aqui temos uma ideia do padrão econômico da Água Verde. Uma quitinete sai por quase R$ 200 mil, enquanto a cobertura está 730 mil (valores de fev.20. Como comparação, na ocasião tanto um Dólar estadunidense quanto uma passagem de ônibus de Curitiba custavam R$ 4,50. Já a tarifa em SP era 4,40).

Em cores, temos os 10 bairros mais populosos de Curitiba, pelo Censo de 2010.

Eram os que nessa contagem tinham mais de 50 mil habitantes (já falo melhor disso).

A disposição salta aos olhos: dos 10, nada menos que 9 são na periferia da cidade.

E todos eles são limítrofes entre si, reparou?

Formam um arco contínuo, do CIC na Zona Oeste, passando por 6 bairros da Zona Sul, e na outra ponta o Uberaba e Cajuru na Zona Leste.

Claro que ainda há casas mais simples na Água Verde (e comecinho do Portão que lhe é vizinho), várias delas de madeira. Aqui há uma na frente e outra nos fundos.

Apenas um deles é próximo ao Centro – trata-se da Água Verde.

Dos outros 9, vários são no limite do município, na divisa com os subúrbios metropolitanos.

Evidente que quase todos eles têm grandes porções de classe-média.

E até alguns bolsões de classe média-alta são encontrados nesses bairros.

VIAGEM NO TEMPO” – Agência de viagens (no Batel, divisa com Água Verde) tem na sua fachada os logotipos de 3 cias. aéreas: TransBrasil (que faliu em 2001), Vasp (fechou em 2005) e Varig (acabou em 2007). E pelo menos até 2019 a fachada ainda estava assim – imagem vai ‘Google Mapas’.

(Por exemplo, a região que chamam de ‘Ecoville’ na Cidade Industrial, e ‘Santa Bárbara’ no Uberaba.)

Ainda assim, no geral esses 9 bairros são majoritariamente de periferia.

A maior parte de suas populações é de classe trabalhadora.

Então. E a Água Verde tem um perfil diferente dos demais.

Primeiro, ela faz divisa com o Centro – em apenas 1 quadra, mas faz.

Segundo, ela é bastante verticalizada. Nas canaletas do Expresso (Avenidas 7 de Setembro e República Argentina) com espigões mais altos.

Seguindo na mesma balada, oficina com os logotipos somente das montadoras que existiam no Brasil nos anos 80 e começo dos 90: Volks, GM, Ford e Fiat (essa até já mudou a logmarca). A Água Verde parece estar em uma dimensão paralela.

E nas vias internas com prédios mais baixos, vários deles de até 4 andares, sem elevador portanto.

(Há também os que oscilam entre 6 a 12 andares, e então contam com esse equipamento.)

Terceiro e mais importante, é um bairro de majoritariamente de classe-média e média-alta.

Natural, pois a Água Verde é vizinha do Batel, que é o bairro de renda mais elevada de Curitiba.

De forma que um pouco da riqueza do Batel ‘transborda’ pra ela.

Prédio tem como decoração a imitação de um poço. É só brincadeira, não sai água dali.

Assim é a Água Verde: muitos prédios, sendo na parte interna do bairro a maioria deles mais baixos.

Ruas muito arborizadas, tudo é muito bonito, mas o preço do metro quadrado é considerável.

10 bairros de Curitiba têm mais de 50 mil pessoas morando em cada um deles.

Sim, eu sei. A matéria sobe pra rede em abril de 2020. A contagem foi feita em 2010, já um pouco desatualizada.

No entanto, são os dados do último censo. E censo é a contagem mais fiel, a única que vai de casa em casa.

Aqui e a dir.: ainda há alguns terrenos antigos, enormes, com casas mais simples, que por enquanto não viraram prédios. Resistirão por quanto tempo?

Projeções as vezes erram feio, por isso nem busquei saber se havia alguma projeção mais atual.

Em 2020 haverá novamente um censo. Aí saberemos melhor qual é a população de cada bairro de forma mais atualizada.

Seja, como for, os números vão mudar um pouco, mas o quadro principal não se altera:

Os 10 bairros mais populosos são ao sul do Centro – pois “Curitiba Cresce para o Sul”.

9 na periferia, embora alguns deles tenham porções elitizadas.

E apenas 1 na Zona Central e de perfil majoritário de classe-média, justamente a Água Verde.

Além disso, o bairro abriga a Arena da Baixada, do Athletico Paranaense.

É um dos estádios mais modernos do Brasil, e não falo isso por paixão clubística.

Panorâmica da Zona Central (r): Centro em 1º plano, no meio da imagem Batel e Água Verde.

Eu certamente não sou atleticano (apesar de ter ido assistir um jogo do CAP pela Libertadores/2017 em Buenos Aires/Argentina.

Pra equilibrar, também já presenciei no estádio uma partida do Coritiba em Belo Horizonte-MG, contra o Cruzeiro em 2012.

Simplesmente eu gosto de futebol, quando viajo e tenho oportunidade vou ao estádio, independente de que time jogue).

Aqui e na próx. imagem: comecinho da Rep. Argentina, logo após a Pça. do Japão (r). Essa foto na 1ª década do século 21.

Não sou torcedor desse nem de qualquer time, não inicie aqui discussão clubística porque não é o espaço pra isso.

Estou falando do time pra falar da cidade. Isto posto, sigamos.

O Athletico tem sede nesse bairro, repetindo o que todos sabem.

O paradoxo é: o CAP fica na Água Verde, mas é rubro-negro.

Seu arqui-rival, o Coritiba (apelidado ‘Coxa’), é que é verde, verde-&-branco alias.

Agora na virada dos anos 70 pra 80 – haviam muito menos prédios; o Expresso havia acabado de começar. Vemos um Veneza-Expresso indo, e um Haragano vindo (fonte dessa e outra imagem: a Folha do Omnibus).

O Couto Pereira, estádio do Coxa, também é conhecido como ‘Alto da Glória‘, porque está localizado no bairro de mesmo nome.

Igualmente fica na Zona Central, mas do outro lado, ao norte do Centro – bem próximo ao Juvevê, que é onde moro atualmente.

Voltando a Baixada do CAP. Bem perto do estádio fica a nascente do Rio Água Verde, que nomeou o bairro.

O rio foi canalizado e corre subterrâneo a maior parte de seu percurso.

Agora bem na Praça do Japão, uma década mais tarde, fim dos anos 80: exceto os prédios e a própria praça, tudo aqui retratado não existe mais, vide explicação no texto (foto do sítio Ônibus Brasil).

Sua foz é no Rio Belém, o maior rio de Curitiba (nasce e tem sua foz dentro do município da capital do estado).

O Rio Água Verde deságua nele perto da Vila Capanema, antiga favela agora urbanizada, que fica entre os bairros Prado Velho e Jardim Botânico.

……..

Na Água Verde, próximo a divisa com o Batel, está a Praça do Japão, ícone desses 2 bairros. 

E essa praça é o ponto final da mais nova linha de Expresso de Curitiba (escrevo em 2020):

Próximas 4 tomadas: Praça do Japão, 2018.

200-Ligeirão Santa Cândida/Pça. Do Japão, criada em 2018.

Também conhecida como ‘Ligeirão Norte’, porque liga os terminais da Z/N (além do S. Cândida, o Boa Vista e o Cabral) a região central.

Ao lado o bi-articulado contorna a praça pra retornar a Zona Norte.

Posteriormente esse ligeirão será estendido aos terminais do eixo Sul-1: Portão, Capão Raso e Pinheirinho.

Totem quadri-língue (japonês, português, inglês e alemão) deseja ‘Paz na Terra‘.

Quando isso acontecer, ele passará a ser o Ligeirão Norte/Sul.

Disse na legenda da foto a direita acima que “tudo aqui retratado não existe mais“. De fato assim é:

Não há mais ponto de ônibus na praça, apenas perto dela;

Os Expressos começaram vermelhos, tinham virado laranjas, mas depois voltaram ao vermelho;

– Vemos articulado da ‘Frota Pública’ da Urbs, a única tentativa de Curitiba da história de ter ônibus com ‘chapa-branca‘ – me refiro a veículos de propriedade estatal.

Já se encerrou a muito, toda a frota voltou a ser propriedade privada;

A Ciferal, que fabricou essa carroceria, faliu e foi incorporada pela Marcopolo;

– E por fim vem que o busão vai pro Terminal Cidade Industrial (CIC):

No entanto, desde a implantação do bi-articulado em 1995, o Terminal CIC deixou de contar com Expressos, agora só com Ligeirinhos pra ligá-lo direto ao Centro.

Memorial da Imigração Japonesa (r). A seguir um desenho da mesma cena.

Nota: o termo “chapa-branca”, supra-citado, se refere a que por 5 décadas a frota que pertencia ao governo, em qualquer esfera, tinha a placa na cor alva pra indicar isso.

Foi assim no emplacamento que vigorou de 1970 ao começo da década de 90 (2 letras, 4 números) e no que o sucedeu, do início dos anos 90 a virada pra década de 20 do séc. 21 (3 letras, 4 números).

Os automóveis particulares tinham placa amarela no primeiro padrão, e cinza no segundo.

A frota pesada e comercia (caminhões, ônibus, táxis), contava com placas vermelhas nos dois padrões.

Agora, no atual emplacamento padrão ‘Merco-Sul’, todas as chapas têm o fundo branco.

Muda apenas a cor da letra pra indicar frota particular (preto), comercial (vermelho) ou oficial (azul).

Quem presenciou “aquele tempo” conhece a expressão ‘chapa-branca’, a explicação é pros mais jovens entenderem.

……….

Falei acima da Vila Capanema. A Zona Central de Curitiba tem 2 grandes antigas favelas.

Mapa mostrando a Ferrovila, falaremos bastante dele no texto.

Agora urbanizadas, mas alguns problemas permanecem como é notório:

Uma é a Vila Capanema, como acabamos de comentar. O Rio Água Verde tem ali sua foz, digo mais uma vez, mas o Capanema não é perto do bairro A. Verde. 

A outra grande “comunidade” (antiga favela) da Z/C é a Vila Parolin. Essa sim é vizinha da Água Verde.

Logo abaixo da Vila Parolin está o começo de outra vila, a Ferrovila que igualmente citamos mais pro alto no texto.

Essa, a Ferrovila, tem um trecho no Portão. Onde hoje é o centro comercial ‘Palladium’ inclusive era parte da invasão.

Já publiquei em outra matéria essa história:

Mapa russo do ‘Yandex’ ainda mostra Curitiba como se estivesse ativa a linha férrea que originou a Ferrovila – está ‘um pouco’ atrasado, essa ferrovia foi desativada no fim dos anos 80. Seja como for, aqui podem conferir o trajeto dela, onde surgiu a Ferrovila. Captei a tomada em julho de 18, note a temperatura de 5º, Curitiba estava tendo um inverno gelado – como sempre, alias.

A Ferrovila é a vila mais comprida de Curitiba, sem sombra de dúvidas.

Vai do Parolin (Zona Central), perto da Av. Marechal Floriano, até a CIC (nessa parte é Zona Sul), depois do terminal de mesmo nome.

Passando pelos bairros Vila Guaíra (Zona Central), Portão (Zona Sul) e Fazendinha (Zona Oeste).

Na verdade ela justamente divide a Zona Sul primeiro da Zona Central e depois da Zona Oeste. 

É o seguinte: até o fim dos anos 80 havia ali uma linha férrea, por isso o nome (vide mapa a esq.). 

Passe ali perto do terminal do Portão, verá ainda alguns trilhos remanescentes nos cruzamentos.

Alias, um trecho da rua que é o endereço da Ferrovila ainda é “Estrada de Ferro Curitiba-Araucária”.

O terreno NÃO está a venda” – aqui em Ctba. é a 1ª vez que vejo esse aviso. Na Colômbia é muito comum, na África também.

Evidente, não passam mais trens ali há tempos mas o nome ficou.

Essa estrada de ferro saía da Rodoferrovária, ia pela João Negrão (ao lado do Teatro Paiol mantiveram de recordação uma ponte ferroviária sobre o Rio Água Verde) e após cruzar a Marechal embicava a oeste.

Quando retiraram a linha férrea, a prefeitura almejava fazer conjuntos habitacionais no local.

Mamoeiro na via pública.

Tudo isso em convênio com grandes corporações, que financiariam os apartamentos a seu quadro funcional

Uma das empresas escolhidas pra parceria era o então existente Bamerindus.

Esse que chegou a ser o 3º banco privado do Brasil e que tinha sede aqui em Curitiba, como sabem.

E de fato alguns prédios foram erguidos, um desses conjuntos dá pra ver da Marechal Floriano, no Parolin (abaixo):

Aqueles pombais (prédios baixos, sem elevador) logo antes do viaduto sobre a Linha Verde (antiga BR-116).

Na Vila Guaíra, pouco a frente na antiga Ferrovila, há outro trecho com prédios.

Prédio no Parolin: projeto – em parceria com iniciativa privada – era ocupar toda Ferrovila com esses conjuntos; não deu tempo.

Porém, no feriadão de 7 de setembro de 1991, promoveram uma das maiores invasões urbanas da história de Curitiba, e certamente a mais famosa:

Justamente a Ferrovila, em todo o terreno vago antes ocupado pela ferrovia que ainda não tinha prédios.

E isso, amigos, do Parolin ao CIC. Passando, repito mais uma vez, pela Vila Guaíra, Portão e Fazendinha.

O trecho em branco no mapa na Guaíra é justamente onde não foi tomado.

Próx. 2: fundos do Centro Cultural Portão, cuja frente é pra Av. Rep. Argentina. Aqui  flor roxa.

Porque ali já haviam prédios, enfatizando ainda mais uma vez.

A Ferrovila tem um enorme trajeto (é fina mas muito comprida).

Assim ela fundiu-se com várias favelas – em graus variados de urbanização – que encontra pelo seu caminho.

Ampliando-as e tornando tudo ainda mais complicado do que já estava.

Bela praça, ampla e arborizada (lembra as praças do interior da Argentina, que sempre são bem grandes).

Hoje essas vilas foram urbanizadas, e melhoraram muito.

Só que em 1991 não era assim, ao contrário, era bem diferente.

Em vermelho no mapa um pouco mais pra cima a direita, a Ferrovila.

E na cor laranja desenhei as demais vilas que ela uniu e ampliou.

Aqui e a esq.: no Portão há uma ‘mini vila temática‘ com as cidades do Litoral do PR. 1º a Rua Paranaguá, a seguir Morretes.

Ela começa ampliando e fundindo-se com a Vila Parolin.

Uma das “comunidades” mais emblemáticas de toda cidade.

Ela fica no bairro de mesmo nome (óbvio) e também no vizinho Vila Guaíra, na Zona Central.

A seguir a Ferrovila entra no Portão, foi a primeira favela do bairro.

Conversei com pessoas que ali moravam quando a Ferrovila surgiu.

Ela mudou o perfil do Portão, que até então era homogeneamente de classe média.

Torino (ainda na época da placa de 2-letras) na extinta linha de Expresso Cabral/Portão – não confindir com a atual Cabral/Portão, que é alimentadora e vai por fora da ‘canaleta’. Época de transição, os Expressos eram vermelhos, ficaram laranjas na época da ‘Frota Pública‘ (a dir. um articulado Ciferal) e por fim voltaram ao vermelho. Bem, agora há a linha de Expresso Cabral/Capão Raso.

A convivência entre diferentes setores da população nem sempre é pacífica, como é sabido.

Especialmente quando surge uma invasão num bairro de padrão mais elevado.

Em 2007 em nova onda de invasões surgiram mais 3 favelas na divisa do Portão e Santa Quitéria.

O chamado ‘Complexo da Portelinha’ (falarei melhor disso logo abaixo):

3 vilas gêmeas que se fundiram a uma favela mais antiga que havia ali.

Porém a Portelinha, de 2007 como dito, é longe da Ferrovila. Voltemos a discorrer o trajeto dessa última

No Portão ela ia até a República Argentina e a Avenida Presidente Kennedy.

Garagem da Redentor: em 1º plano um Monobloco (adaptado pra 3 portas, veio de fábrica com 2). Note que está escrito ‘Convencional’: nos anos 90 era assim, vinha a categoria da linha na lateral, uma informação redundante, a cor do veículo já informa isso. Atrás, e por isso adicionei essa foto, um Amélia na linha convencional Portão (não confundir com o Expresso, essa não entra no terminal; e hoje é feita por micrões).

O terreno onde hoje está o centro comercial (“shopping”, pra quem prefere em inglês) ‘Palladium’ também foi ocupado, dizendo de novo.

Nunca esquecerei o dia, em 1994, que passei nessa esquina e vi a Ferrovila, eu não sabia que que no coração do Portão havia uma favela.

Então, essa quadra acabou sendo o único trecho até hoje removido da Ferrovila, todos os demais permaneceram. Está em azul no desenho.

Ainda no Portão mas já do lado ocidental da avenida do expresso, a Ferrovila retoma.

Na divisa com o Novo Mundo funde-se e amplia outra grande antiga favela (sendo urbanizada), a Vila Uberlândia. 

Triplex muito antigo na Água Verde, o porão tem até saída pra rua lateral.

Cada uma é num bairro, mas a fronteira é só teórica, na prática Ferrovila e Uberlândia são a mesma vila nesse trecho.

Quando a Ferrovila entra na Fazendinha, funde-se do outro lado da divisa (no Novo Mundo) com mais uma antiga favela, a Vila Maria.

Que é pertencente mas já um pouco separada do “Complexo” da Uberlândia.

Moradia em madeira, bem antiga.

Aí a Ferrovila segue seu rumo a oeste, passando pelo bairro da Fazendinha.

E depois Cidade Industrial, paralela a Rua João Bettega, principal via que une esses 2 bairros.

Em seu último trecho, ela ainda funde-se e amplia a Vila Nossa Senhora da Luz, justamente o trecho que esteve esse colega.

Conjunto moderno, de classe média-alta, com o nome do bairro.

A Nossa Senhora da Luz (N.S.L.) não é uma invasão, e nunca foi.

Exatamente ao contrário, é uma cohab, a 1ª cohab de Curitiba.

Feita justamente pra remover diversas favelas que então haviam na cidade.

Ainda assim a N.S.L. é uma vila de subúrbio, as casas têm escritura, mas é uma região de periferia, com tudo que isso acarreta.

Amigos, já disse muitas vezes e vou repetir: eu gosto da periferia.

Não falo com desprezo, nem um pouco. Exatamente ao contrário.

Aqui e na tomada seguinte, o contraste: residências antigas e mais simples em 1º plano, emolduradas pelos edifícios que surgem em ritmo elevado desde os anos 80.

“Moro numa invasão da Zona Sul“, escrevi quando fiz o texto. Atualizando em 2020, eu me mudei do Canal Belém em 2017.

Então temos que pôr o verbo no passado: eu morei 15 anos no Canal Belém, uma invasão do Boqueirão.

Morei ali porque eu quis morar, porque eu gosto de periferia.

Conheço milhares sobre milhares de favelas e subúrbios, pelos 4 quadrantes da América – e agora até da África.

Tem até rede na garagem. Isso é que é vida!

Leia minha minhas incursões nas favelas e periferias de  Argentina, Colômbia, México, Paraguai, Chile, Rep. Dominicana.

Agora no Brasil: Belo Horizonte-MG, Santos-SP, Florianópolis-SC, João Pessoa-PB, Belém-PA, Fortaleza-CE.

Bem como aqui em Curitiba: Rio Branco do Sul, Colombo e Cachoeira na Zona Norte.

As ruas da Água Verde/Portão são assim, sempre muito arborizadas.

Caximba, Tatuquara e Bairro Novo na Zona Sul, São Miguel e Augusta (ambas na divisa com a Cidade Industrial) na Zona Oeste, entre outras andanças.

Quando viajo, não vou a museus e muito menos aos centros de compras (‘shoppings’).

Nem faço os programas que as pessoas de classe-média adoram.

Ao contrário, vou de transporte coletivo ao subúrbio porque amo o subúrbio, digo mais uma vez.

Prédios mais baixos nas ruas internas (esse com a bandeira da Pátria Amada na janela).

Ainda assim, as coisas são o que são, que se pode fazer?

Eu não mudo o termo pra ‘comunidade’ tentando tapar o sol com a peneira grossa.

Isto posto, retomando. A Vila Nossa Senhora da Luz nunca foi uma favela.

Não muda o fato que é uma vila de periferia, sem sombra de dúvidas.

Entre as rápidas e canaleta surgem os edifícios mais altos.

E foi ali que a Ferrovila foi desaguar, após principiar no Parolin.

Taí cara, serpenteando por toda a Zona Sul e ainda pegando trechinhos das Zonas Central e Oeste, eis a Ferrovila.

Agora urbanizada, não mais favela, mas ainda nossa vila mais comprida.

………..

Portanto até 1991 o Portão não tinha grande favelas em seu território. De 1991 a 2007 houve apenas uma, a Ferrovila.

Vila com muitas casas no quintal, comum na periferia mas raro na Zona Central; ainda assim, existem algumas, como essa na Água Verde.

Pois em março de 2007 foram 4 invasões simultâneas na Zona Oeste e imediações. Uma, no Campo Comprido, foi retirada.

Bem próximo dali ocorreram outras três invasões na divisa entre os bairros Santa Quitéria e Portão.

(Sendo duas delas na S. Quitéria e uma outra no Portão).

As 3 são vizinhas e se configuram como uma massa só.

Sobrado de padrão relativamente elevado, prédio baixo e outro em construção ao fundo.

Muda apenas o lado da Rua Rezala Simão, que divide os bairros.

Pelo menos parte da invasão também se deu em terrenos de propriedade da falida construtora Cidadela.

Situação que alias se repete muito pela cidade, não é difícil entender o porque.

Pois os terrenos estão em um vácuo jurídico de massa falida.

Via Rápida na Água Verde (sentido Centro), quase na divisa com Portão.

O que dificulta bastante ações de reintegrações de posse.

O local é chamado de Portelinha, em homenagem a uma novela da Globo.

Na qual Antônio Fagundes vive um líder sem-teto que organiza uma ocupação com esse nome.

Também veio unir seu território com invasões mais antigas que existiam no local.

Final de tarde na Avenida República Argentina, Água Verde.

………

Agora, já que tocamos nesse tema, há de se acrescentar uma coisa.

Sim, o Portão pode não ter tido grandes favelas até 1991, e até 2007 só a Ferrovila.

No entanto, em bairros próximos ao Portão haviam sim invasões.

Uma era bem pequena, no bairro Santa Quitéria, Zona Oeste.

Aqui e a dir.: Pinheiro, árvore-símbolo do PR.

As 3 simultâneas que surgiram na divisa do Portão e Santa Quitéria, em 2007, vieram se somar a essa.

E no bairro Novo Mundo, na Zona Sul, há a Vila Uberlândia.

Ela não fica no Portão, mas por pouco. É na divisa entre esse bairro e o Novo Mundo, já no território desse último.

Tanto que o alimentador Uberlândia sai do Terminal do Portão.

Esse tem elevador, certamente.

A Vila Uberlândia se une com a Ferrovila, como já dito acima.

……..

Enfim, meus amigos, assim é a Água Verde, e a parte do Portão que lhe é próxima:

Uma região no geral com perfil de classe-média e média-alta.

Tudo isso se reflete na quantia de centros comerciais (‘shoppings‘).

Edifício novo e com muitos andares, no detalhe os varais na sacada.

São 3 num espaço de poucas quadras, muito próximos entre si.

O pioneiro, entre esses dois bairros, foi o Água Verde, em 1988.

Vieram depois e se instalaram ali perto, nas imediações do Terminal do Portão, o ‘Palladium’ e o Ventura (até 2017 chamado ‘Total’).

No entanto, A. Verde e Portão ainda têm resquícios de quando não haviam se aburguesado tanto, até os anos 70 e 80.

Se eu tivesse que definir a região em poucas palavras, diria isso:

Outra casa de madeira, com cactus na frente.

Ruas internas muito arborizadas, calmas e com prédios baixos.

Edifícios altos e um comércio muito desenvolvido na canaleta do Expresso e entre as rápidas.

Creio que essa imagem resume bem. Falar em imagens, mais cenas desses bairros: