3 anos de sucesso – em pleno carnaval!!!

12 de fevereiro de 2015. Surge a página O Caminhante. No Carnaval daquele ano.

12 de fevereiro de 2018. 212 mil acessos depois – de 98 países de todos os continentes – podemos dizer que o projeto deu certo. 

Não é tão pouco, eu trabalho sozinho e não publico nada que esteja na moda, alias nem acompanho mídia.

Compartilho com vocês as 10 postagens mais acessadas:

  1. Uma grande série sobre Curitiba: mapa com as regiões da cidade – campeoníssima absoluta, essa matéria já foi vista nada menos que 17 mil vezes;

  2. ‘Leste’, ‘Norte’, ‘Oeste’, ‘Sul’ e ‘Boqueirão’: ônibus de Curitiba, anos 80.– 11 mil;

  3. Abriu o baú: os ônibus metropolitanos de Curitiba antes da padronização – essas 3 são as com mais de 10 mil acessos;

  4. BR-116, BR-381, etc: como as rodovias são numeradas– 8 mil;

  5. Pra relembrar: os refrigerantes “daquele tempo” – 7 mil;

  6. ‘Saia-&-Blusa’: os ônibus paulistanos (1978-1991) – 6mil;

  7. do MetroBel ao Move (e o tróleibus quase voltou): B.H., cidade-modelo do transporte brasileiro – essas são as que superam as 5 mil visitas;

  8. Recordar é Viver: a Rodoviária de Curitiba “naquele tempo”… – 4 mil;
  9. ‘Guerra & Paz’: o futebol na Colômbia – 3 mil
  10. Ilha da Magia – e Continente também: Gde. Florianópolis, SC – 2 mil

A primeira postagem a subir ao ar (na 5ª-feira logo após a 4ª de Cinzas de 2015) chama-se “Tudo Azul”.

Comecei com Marília, é claro. Com Marília de salto-alto, alias.

O que é raro, pra não machucar a panturrilha ela quase não usa esse acessório, só em ocasiões especiais.

Nesse desenho, que inaugurou a publicação, Mari está de vestido celeste, daí o nome da mensagem.

……….

A página é de 2015. Mas eu comecei a desenhar Marília em 2011.

A direita, onde ela está passando batom, o retrato histórico da “1ª Marília”.

Na verdade não é exatamente a primeira gravura, houveram algumas antes.

Mas essa é aquela que eu escolhi pra marcar oficialmente o nascimento de Marília.

Portanto Marília é de 2011, a página de 2015.

Assim, antes mesmo do sítio ‘O Caminhante’ surgir, Marília (via emeio) já havia completado ‘3 Anos de Sucesso’, o que o blogue só atingiu em 2018.

Reformei essa postagem, adicionando desenhos novos.

Em 2015, lancei a página no Carnaval. Em 2018, na mesma data, é Carnaval de novo. Então pra marcarmos esse alinhamento, Maurílio e Marília fantasiados.

…………

212 mil visitas.

Obrigado a todos os leitores e leitoras, dos 98 países que já acessaram essa página. 

Que Deus Ilumine a todos os Homens e Mulheres da Terra.

“Ele-Ela proverá”

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a “Cidade Cinza”: fotografando a Zona Leste de São Paulo

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 7 de fevereiro, 2018.

Na verdade “fotografando a Vila Carrão”. Foi uma volta rápida, pelas Avenidas Aricanduva e Conselheiro Carrão e imediações.

Bem, ainda é Zona Leste, né? A amostra é pequena, verdade. Mesmo assim está aqui, minha primeira matéria na Z/L de Sampa.

Já há publicados retratos da Zona Sul e do Centro, e também da Zona Oeste. E breve virá mais, abaixo falo melhor disso.

A Zona Leste tem 3 cores de ônibus: amarelo (não-retratado nessa postagem), verde-escuro (dividido com a Zona Sul) e vermelho (a dísel exclusivos da Z/L, os tróleis rubros também compartilhados com a Z/S).

………..

E por que “a Cidade Cinza”? Por um alinhamento de fatores. Primeiro, e mais importante: oras, a Cidade de São Paulo é mesmo famosa por ser a própria “Selva de Pedra”.

Posto que é uma metrópole intensamente urbanizada, com poucas áreas verdes. E a Zona Leste, sendo subúrbio, tem ainda menos verde em suas ruas.

Olhe uma imagem de satélite da Grande SP (via ‘Google Mapas’, por exemplo).

Aí verá que o ponto em que as ruas são fartamente arborizadas é justamente a parte rica da cidade, a Zona Oeste e o começo da Zona Sul que lhe faz divisa.

A Zona Leste, a periferia da Zona Sul, a Zona Central (exceto os Jardins) e a Zona Norte (fora da parte que está avançando sobre a Serra da Cantareira) são ao contrário, todas elas têm poucos parques, e poucas árvores nas ruas.

……..

Mas o ensaio chama “Cidade Cinza” não apenas pelas coisas que foram criadas pelas mãos do Homem e da Mulher. Deus Pai e Mãe, o Criador Oni-Poderoso (e também um pouco Gozador) novamente fez mais uma das suas:

Apesar de ser verão, o dia estava fechado, o Firmamento todo nublado. Céu e Terra Vibrando na mesma Sintonia, ambos oscilando entre ’50 Tons de Cinza’.

Em outra capital do Sudeste – no caso Belo Horizonte, Minas Gerais – eu “Abri o Raio Vermelho“.

Prédios, céu cinza e os fios de tróleibus.

De maneira análoga, definitivamente esse dia na Z/L de S.P. estávamos ”Abrindo o Raio Prateado”.

Eu ia pôr como título “Onde o Sol Nasce: a Zona Leste de SP”, obviamente fazendo uma analogia com o fato que o Astro-Rei se levanta no Oriente.

Mas já há uma postagem chamada “Onde o Sol Nasce: João Pessoa, Paraíba”pois esta é a cidade mais oriental de toda América.

Ademais, esse dia em Sampa não havia Sol. Então ficou assim. Está bom também. Deus sabe o que faz.

…….

Façamos uma observação importante. É fato, no geral a Z/L é mais periférica se comparada a Z/O e a porção central da Z/S.

Ainda assim, a Vila Carrão não é um bairro de periferia. Ao contrário, tem um perfil bem de classe-média, e a quantia de prédios altos de bom padrão atesta inequivocamente.

Eu não sabia disso, não conhecia tão a fundo a região, descobri ‘in loco’ nesse dia.

Próximas 3: Avenida e Córrego Aricanduva.

…………….

Cheguei em SP pela Rodoviária do Tietê. E dali fui a pé até Moema, Zona Sul.

Fotografando meu trajeto, o Bom Retiro, Centrão e Jardins. Vi o melhor e o pior de São Paulo, e registrei. Breve sobe essa matéria pra rede.

………..

Comentemos mais algumas imagens (busque pelas legendas). Abaixo a direita praça na Vila Carrão. Destaquei o canteiro.

Aqui e sobre a manchete: nas margens da Av. Aricanduva há ainda algumas pequenas favelas.

Logo depois dela , os edifícios, o Céu todo acinzentado, e . . . os fios que alimentam os ônibus elétricos.

Certa vez eu andava em Moscou/Rússia (via ‘Google Mapas’, eu nunca fui fisicamente a Europa) e vi cena similar.

Pensei: “Aqui passa tróleibus”. De fato passava, fotografei-o.

Belas flores na praça, pra dar um pouco de colorido a esse dia tão cinza.

De volta a SP, 2018, dessa vez em carne-&-osso. Ocorreu o mesmo. Vendo as ruas, sabia o trajeto das linhas que contam com esse modal não-poluente.

Até a virada do milênio, a capital paulista tinha a maior rede de tróleibus do mundo excluindo a ex-URSS e a China.

Não mais. Os tróleis foram extintos nas Zonas Norte e Oeste, e também na Sul exceto a região do Ipiranga.

A única parte de São Paulo que ainda conta com ônibus elétricos é justamente a Zona Leste (além do Corredor ABC [ou ‘ABD’], metropolitano, que no Terminal S. Mateus faz integração com o sistema municipal).

Mesma cena: os edifícios, horizonte nublado e a alimentação dos ônibus elétricos.

E, como dito, na rede municipal o Ipiranga na Z/S. Mas o Ipiranga é divisa com a Z/L, então é a mesma rede, um ‘prolongamento’ dela.

Vermelho é a cor dos ônibus da Zona Leste. Exatamente por isso os tróleis do Ipiranga também são rubros,

Abaixo um tróleibus. Destaquei, além do itinerário, o valor da tarifa (2018): R$ 4,00. Em Curitiba é 4,25. Mais caro.

Vão longe os tempos que o transporte de Ctba. era melhor que o de SP. Hoje não mais. Alias vão longe os dias que o transporte de Ctba. era modelo. Breve falo mais disso.

Tróleibus moderníssimo. Há alguns até Tribus.

E a última imagem mostra um ônibus a dísel na Avenida Aricanduva.

É um Caio, claro, encarroçadora que domina inconteste o mercado paulistano – alhures já expliquei o porquê.

Destaquei o itinerário. Vai do Terminal do Metrô Carrão ao Jardim Nova Vitória, via Jardim da Conquista.

Utiliza a Avenida Mateo Bei, assim o ponto final só pode ser no bairro de São Mateus, extremidade da Zona Leste.

Curiosos os nomes das ruas dos Jardins da Conquista e Nova Vitória. O buso passa pelas travessas “Vereda Tropical” e “Somos Todos Iguais”.

Somos Todos Iguais. Com isso bem estabelecido, creio que podemos bater o martelo e encerrar.

“Deus proverá”

o Carro do Povo

Cidade do Cabo, África do Sul, abril/17 (*).

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 28 de janeiro de 2018

Continuando nossa Sessão Retrô e de Transgenia Automotiva.

Hoje vamos homenagear o carro mais vendido da história do planeta Terra. Claro que só pode ser o nosso querido Fusca.

Acapulco, México, junho/12 (*). 2 táxi-Fuscas, na outra pista mais 1 entre os ‘caminhões’ Disco-Bus (ônibus urbanos).

Foram nada menos que 21 milhões de unidades, de 1938 a 2003 (nota: oficialmente o Toyota Corolla e o VW Golf têm maior vendagem. Explico no decorrer da matéria porque ainda considero o Fusca o campeão).

O ‘Fuca’ foi o primeiro automóvel de milhões de brasileiros, mesmo na classe média.

E nas periferias ainda é o meio de transporte de muitas famílias.

…………..

“Se meu Fusca falasse”, sucesso nas telas nos anos 70 e 80. Da Califórnia, claro.

Maioria das fotos puxadas da internet, créditos mantidos sempre que impressos nas imagens, e quando possível passo a ligação pra fonte

As de minha autoria identifico com um (*), como visto acima.

Já cliquei esse modelo em 2 continentes, 6 países, 13 cidades e 16 municípios (pois uma cidade pode conter vários municípios).

Alemanha, 1937: eis o protóptipo.

Logo detalhamos melhor onde foram essas tomadas.

………..

ATUALIZAÇÃO (FEV.18):

Nosso colega que é especialista em tudo que é motorizado  acertadamente apontou:

Berlim, 1938: inicia produção em série, celebrada em desfile no Portão de Brademburgo.

Existem tantos estudos acerca dele, quanto existem apelidos carinhosos para ele“.

Os estudos, a parte técnica, ficam por conta de quem entende.

Assim, esse camarada mais pra baixo na página fará sua valiosa contribuição dos aspectos técnicos.

Nessa atualização eu vou dar alguns apelidos do ‘Fuca’ ao redor do planeta.

Berlim, atual: desfile de Fuscas (a Kombi pegou carona) no exato mesmo local.

Quase todos, por causa da forma redonda do carro, giram em torno de 2 arquétipos:

  1. Insetos que tem a casca oval, como o Fusca (melhor dizendo, o veículo é quem copiou os animais, afinal os insetos estão no planeta centenas de milhões de anos antes do Homem e da Mulher): ‘Besouro’, ‘Baratinha’, Joaninha’, Escaravelo‘;
  2. Outras formas redondas como ‘Bolha’, ‘Bola’, etc.

Além de dezenas de novas fotos, com muitas transgenias curiosas.

Há aquelas que funcionam de maneira insólita, outras são só arte/curiosidade.

Algumas delas hilárias. Aqui ao lado vocês já filmam a “FusCarroça” (???????).

Essa veio diretamente da Etiópia, África (mais detalhes no decorrer da matéria).

Panzer, usado pela máquina de guerra do ‘Reich’.

Como notam, o motor tem exatamente ‘1 (hum) cavalo de potência’!!

A direita um Panzer, o Fusca adaptado pro modal militar, como a legenda já informou.

Vide explicações técnicas nas duas colaborações de um colega especialista em automotores, aquele que escreve em azul.

Ele fez 3 intervenções, uma no meio da matéria, outra ao pé dela (a 2ª atualização de fev.18) e a última na seção de comentários.

……..

“Fusca-Galinheiro”.

Vamo que vamo. Como é popularmente chamado o “Fusca” em (a fonte é uma matéria sobre esse carro na Etiópia):

Portugal – Carochas (exatamente o inseto ‘escaravelho’, que é um tipo de besouro);

EquadorPichirilo (gíria que significa um ‘carro antigo’ ou ‘pequeno’, no Equador especificamente sinônimo de ‘Fusca’);

“Churras-Fusca”.

Espanha – Escarabajo (mais uma vez o inseto ‘escaravelho’, ou ‘besouro’ se preferir);

Brasil – Fafá (Referência a cantora Fafá de Belém.

Entre outros apelidos que o ‘Fuca’ teve, evidente. Aqui damos uma leve panorâmica, sem a menor pretensão de esgotar o assunto);

Libera a pista pro ‘Fusca-Avião’ decolar !!!

Itália – Maggiolinos (‘Besouro’, de novo); 

Áustria – Kugel Porsche (‘Bola do Porsche’:

Como será melhor detalhado logo abaixo, o engenheiro Ferdinand Porsche foi um dos criadores do Fusca, além é claro de ter fundado a marca que leva seu nome);  

– Finlândia – Kuplas (‘Bolha’);

Curitiba tem a ‘Ópera de Arame’. Em algum lugar existe o “Fusca de Arame”.

Malásia – Kereta Kura-Kura (‘Carro Tartaruga’);

Polônia – Garbus (‘Corcunda’);

Alemanha – Käfer (‘Besouro’);

Romênia – Broasca (‘Sapo’);

Rússia – Juchek (Não sei o significado.

Pois na internet tanto na busca quanto na tradução nada aparece, talvez haja erro de grafia);

‘Fusca-Dodge’.

Eslovênia – Hrošč (Mais um ‘Besouro’);

Turquia – Vosvos (Idem, o mesmo ‘Besouro’);

– Israel – Hiposhit (O tradutor sugere a grafia חיפושית.

Sendo dessa forma, trata-se de ainda outro ‘Besouro‘. Aqui terei que fazer duas notas:

Propaganda da ‘Sprite’: Fusca-Bola-de-Basquete. Na Hungria pré-União Europeia.

1.) Quem sabe falar inglês notou aqui um trocadilho não muito agradável, fazer o quê?

Como estamos falando do hebraico isso não importa. Mas esclareço que:

2.) Talvez essa denominação ‘Besouro’ não seja realmente exata.

Está aqui havendo um conflito, uma  fonte de informações deficiente.

Fusca-Guincho.

Vide a explicação completa no pé da matéria.

Voltamos a dar os apelidos do ‘Fuquinha’ ao redor do globo terrestre.)

Iugoslávia Buba (Dou um doce pra quem adivinhar: mais outro ‘Besouro’);

Todo embolado. Que rolo, hein?

Cuba – Huevito (‘Fusca’ ali é ‘Ovinho’.

A Ilha fugiu do mais massificado que é o nome do inseto.);

EUA – Beetle (Já voltamos ao lugar-comum. ‘Beetle’ é ‘Besouro’.

Obviamente os EUA são a nação hegemônica culturalmente a nível planetário.

A mítica chave. Quem se lembra??

Então talvez a denominação estadunidense é que tenha inspirado tantos outros países a chamarem ‘Fusca’ de ‘Besouro’ ou ‘Escaravelho’, que também é um besouro.);

França – Coccinelle (‘Joaninha’. Outro inseto. Ao menos não é ‘besouro’ . . .);

Indonésia – Kodok (‘Sapo’, como na Romênia);

“Corrida Maluca”: de malucos pelo ‘Fuca’.

– Noruega – Bobla  (Tá ficando repetitivo, não? Na Noruega é igualmente ‘Besouro’);

AfeganistãoFulox-e-baqa-e (Não consegui o significado.

Novamente, pode ter havido erro na digitação ou mesmo na tradução original, desprezando letras ou símbolos não-existentes no Ocidente.)

‘Fusca-Aracnídeo’.

Egito – Elkhonfesas (Idem acima.)

………..

A história geral do ‘Fuque’ é essa:

1936: (3 anos depois de Hitler assumir) surge o projeto de fazer um carro barato e robusto, pra motorizar de vez a Alemanha.

Gostou dessa? Aqui em Curitiba, ao fundo um ligeirinho e placas de rua. Um “Fusca-Tartaruga”, pois leva a casa nas costas.

A inspiração no Ford T ianque é óbvia.

(Nota: depois da Segunda Guerra, a França também teve a mesma ideia, ali foi o Citröen C3 quem cumpriu essa função.)

De volta a nosso tema de hoje, o regime lutava pra re-erguer uma nação que estava arrasada.

Derrotada na 1ª Guerra, tinha que pagar vultuosas indenizações aos vencedores, o que gerava desemprego e enorme insatisfação.

A Alemanha se encontrava endividada, acabara de sair do caos político e econômico da ‘República de Weimar’.

Eis o “Fusca-Tartaruga“!!! Do modelo novo. Na Malásia Fusca é ‘Carro-Tartaruga’, não precisa dessa brincadeira . . .

Como sabem, foi nessa época que em terras  germânicas ocorreu uma das maiores hiper-inflações da história da humanidade, senão a maior.

Assim, o regime convocou a VolksWagen pra colaborar.

Prontamente governo e a montadora estavam alinhados numa ideia:

A de que o Fusca fosse o carro da massa, o veículo que toda família proletária alemã pudesse possuir.

Rodovia do Xisto (BR-476), na Lapa-PR, agosto de 16 (*): flagrei outro desfile de Fuscas. Ao fundo uma Cohab recém-inaugurada.

Barato e de fácil manutenção, o próprio motorista faria os reparos mais básicos.

“Carro do Povo” é isso e não há outro, alias já eu falo mais do nome.

Por hora sigamos a Linha do Tempo;

1937: sai da fábrica o primeiro protóptipo (imagem acima, busque pela legenda).

Cortado ao meio???

Detalhe: não tinha janela traseira (parecia um sarcófago!) e a porta abria ao contrário.

Repare que a maçaneta está na parte da frente da porta, perto do capô.

Sim, é isso, a dinâmica pra entrar no veículo era a inversa de hoje.

Fusca é um verdadeiro Dinossauro!!!

A falta de janela logo foi corrigida (Obviamente. Alias o protótipo tampouco tinha faróis traseiros):

Os primeiros da produção em série já contavam com uma área envidraçada nos fundos, que depois só cresceu.

No entanto a maçaneta invertida permaneceu, nesse primeiro momento.

Você entrava se contorcendo, contornando a direção. Um detalhe insignificante, em verdade.

Nomeei “Fusca/Tanque-de-guerra”, por causa da esteira, mas esse veículo não é militar. O colega especialista opinou (vide ‘comentários’) que “deve ser adaptado pra andar na neve”.

Na dureza material que era a Alemanha da guerra e pós-guerra, importante era ter um carro.

Logo fazer um esforço pra entrar nele era um privilégio e não um estorvo;

1938: começa a produção em escala industrial. A Volks e o regime celebraram em grande estilo.

É feito um desfile com pompa e circunstância no Portão de Brademburgo.

Que é, como sabem, o epi-centro político e cultural da capital da Alemanha, e por consequência de toda nação (equivalente ao ‘Zócalo’ do México).

O ‘Fusca/Tanque-de-Guerra’ de verdade. Digo, o de verdade é o Panzer já visto acima, esse  é uma brincadeira, na frente não tem esteira e sim roda normal. No pé da matéria (2ª atualização de fev.18) os detalhes dessa transgenia.

De volta a Berlim, já no século 21 vemos novo desfile de Fuscas no mesmo local.

E vários desses Fuscas dirigidos por Mulheres (por exemplo o conversível vermelho, o 2° a esquerda).

Até uma Kombi foi de embalo no evento. Entrona, né???;

1939-1945: Segunda Grande Guerra Mundial, produção interrompida.

Obviamente toda Alemanha entrou no esforço de guerra, ao fim malogrado.

Esse é adaptado a neve, sem dúvidas.

As fábricas deixaram de produzir material civil pra se concentrar em artefatos bélicos.

A VolksWagen não foi exceção, encerrou nesses anos a fabricação de automóveis pra fazer veículos militares.

Segunda metade dos anos 40 em diante: a VW volta a produzir Fucas a todo vapor.

Na tomada abaixo fábrica da matriz da corporação na Alemanha, 1947.

Repare que a janela traseira ainda era pequena e partida.

Inclusive o modelo se espalha pelo mundo. Em 1951 chega ao Brasil, a princípio importado.

Começa a ser produzido em nossa Pátria Amada no ano  de 1959.

Vinha do Mar (Grande Valparaíso), litoral do Chile, abril de 2015 (*).

Comecinho dos anos 70: ao chegar a marca de 17 milhões o Fusca passa o Ford T estadunidense.

E se torna o veículo mais produzido da história do planeta. Se não me engano foi em 1972 essa façanha.

No total foram 21 milhões de Fuscas, o que ainda o mantém como mais vendido da Terra de todos os tempos, na prática sim senão na frieza dos números.

Promessa é dívida: mais pra baixo no texto falo em detalhes o que quero dizer com isso. Por hora sigamos com a história do ‘Besourinho’.

Fusca/Rolls-Royce???

1978: a Alemanha, matriz da VolksWagen, produz seu último Fusca. 1938-1978, 40 anos de sucesso.

1986: a saga do Fusca chega ao fim também no Brasil. Sim, eu sei, ainda houve uma retomada.

A pedido do então presidente Itamar Franco voltou em 1994, indo até 1996.

O motor era atrás, muitos jovens não sabem disso, nunca viram carro assim.

Mas foi apenas um espasmo, foram poucas unidades produzidas.

Creio que pode podemos oficializar a data de 86 como o encerramento.

Assim, em terras brasucas, foi 1959-1986, 27 anos de série, depois acrescidos de mais 3 de ‘espasmo’.

2003: o último Fusca é fabricado no México, único país que ainda tinha produção ativa.

O México é a Pátria-Fusca por excelência.

‘O que é bom nunca acaba’: a Volks lançou o ‘Novo Fusca’. Esse de motor dianteiro.

Em Acapulco, no recente ano de 2012, a imensa maioria dos táxis ainda eram desse modelo.

Mato a cobra e mostro o pau: na imagem abaixo (via ‘Google Mapas’) 8 Fuscas juntos.

2014, Acá (apelido de Acapulco): 8 é demais???? É Fusca, p*rra!!! Respeito a quem merece, o negócio é demais!

Também pudera. Na ocasião de minha viagem os Fuscas mais novos ainda não tinham uma década de uso.

Na capital, a Cidade do México, ainda haviam bastante táxi-Fucas.

Porém já não eram maioria. Falo de 2012, não custa frisar de novo.

Mas por décadas táxi na Cid. do México era sinônimo de Fusca, quando eles eram pintados em verde-claro (imagem ao lado).

Dos anos 70 (pelo menos, talvez antes) ao comecinho desse milênio, você chamava um táxi no México D.F..

De cada 10 vezes em 9 vinha um Fusca. Nada mal, não?

Mais de 3 décadas de virtual oni-presença no modal de uma das maiores metrópoles do planeta.

Só o Fuca mesmo pra (mais) essa façanha! Tiro meu chapéu.

Andei de Fusca-Táxi tanto na capital quanto no litoral do México. Ademais, é claro, não se restringe aos táxis.

A mesma preponderância se repete nos carros particulares, e de forma ainda mais acentuada.

Nas periferias e morros de todas as cidades mexicanas o Fusca ainda era o automóvel mais popular, o que movia o México.

Veja acima: favela em morro na Zona Leste da Grande Cidade do México, 2012.

Bairro Pedregal, Cid. do México, junho/12 (*)

Me embrenhei pelas quebradas desse país, que está em guerra civil, e se o governo nega o fato não muda.

No centro dessa tomada há um Fusca branco. Ainda falo da foto a esquerda, mais pra cima, com ruas de terra e todas as casas em tijolo cinza.

Outro exemplo. Acima e ao lado (a mesma em 2 escalas), bairro Pedregal, também periferia da Cidade do México.

No texto seguimos falando do México. Nas imagens vamos ver Fuscas também de outras partes: Pilarzinho, Z/N de Ctba., dez/2016 (*). Muitas casas de madeira pois é Sul do Brasil. Cliquei de dentro da Linha Turismo.

Um Fusca-Táxi ainda na ativa, agora eles são pintados assim, em roxo e bege.

Na verdade são 3 Fuscas na imagem, 2 táxis e um ‘civil’, de uso particular.

Tanto a favela em morro quanto o Pedregal são periferia, mas porções bem diferentes dentro da periferia, evidente.

A diferença é que onde há o Fuca branco é na Z/L, em outro município (região metropolitana) e numa favela bem feia em morro, ainda não-urbanizada.

Enquanto no segundo exemplo é na Zona Sul, dentro do município da capital mesmo. E periferia sim, veja quantas lajes artesanais subindo.

Mas não é morro nem invasão, e já conta com infra-estrutura básica como asfalto, ligações de água e luz regulares, etc. .

Santo Inácio, Zona Oeste de Curitiba, setembro de 2017 (*): cliquei vários ‘Fucas’ nesse dia, um deles o ‘Fuscão de Rallye’.

Ou seja, repetimos: embora ambos na periferia, em gradações completamente distintas.

Mas o carro é o mesmo. É a cara do México.

A vibração dos subúrbios mexicanos é exatamente essa, não há como fugir.

Mesmo hoje (2018) eles ainda são extremamente comuns.

“Fusca-Cross”: isso sim é ‘Fuscão de Rally’.

Embora claro cada ano que passa milhares saem de circulação.

Mas são tantos milhões de Fuscas no México que eles ainda estarão visíveis nas ruas até 2030.

Pelo menos, né? Quis ser modesto, talvez até por mais tempo.

É México? É Fusca!!!

Sobre o Tâmisa em Londres-Inglaterra. De um casal da Nova Zelândia que ao completar décadas de casado resolveu repetir o trajeto da lua-de-mel.

MINI-FUSCA, A TRADIÇÃO DO VALE DO PARAÍBA (SP) –

Quem já foi a Campos do Jordãos-SP (a cidade mais alta do Brasil, 1,6 km acima do nível do mar) sabe:

Ali é tradição um brinquedo pra crianças, o Mini-Fusca. Você paga e teu filho anda 15 minutos, ou algo assim.

Veja a sequência horizontal acima, um adulto empurra, como se fosse um carrinho de supermercado.

Há versões pra 2 crianças, em que só se pode sentar na frente.

Também na Inglaterra, Fusca conversível.

Volantes dos dois lados (empatou com o Volvo australiano e com o caminhão de lixo ianque).

E pra 4, lotação total, com nada menos que 4 volantes. Todos ‘dirigem’ ao mesmo tempo.

Há conversíveis e com teto. Há táxis. E há os Fuscas Rosas, exclusivos das meninas.

Tá bom pra ti ou quer mais variantes?

Nesse ‘Fusca/Casa Móvel’ (trailer’) pintaram a parte amputada da carroceria na lataria.

Agora, o que poucos sabem é que não se restringe a Campos.

É um clássico presente em boa parte do Vale do Paraíba.

Digo, já fui a Aparecida e a São José dos Campos, a ambas mais de uma vez.

Nessas cidades não vi Mini-Fuscas.

Fusca, brinquedo de crianças e adultos. Esse modelo anda de verdade, diferente dos que foram vistos acima

Mas vi no Centro de Pindamonhagaba, no ano de 2005. O mesmo esquema, na praça central, você paga e a criança usa uns minutos.

E pela internet descobri que também existem em Caçapava.

…………..

Falando um pouco da linguística agora.

VolksWagen quer dizer exatamente ‘Carro do Povo’ em alemão.

Dois clássicos juntos: o Jacaré (além da carga normal) ainda é cegonha de 3 Fucas.

Pronuncia-se ‘Folks-Vaguen’ no original. Como se sabe, a Inglaterra se diz uma nação ‘Anglo-Saxã’.

E por quê? Exatamente porque os invasores da Saxônia (Alemanha) colonizaram a ilha.

Nisso dominando mas também se fundindo com os habitantes originais, os anglos.

Sim, houve muita influência latina também. Afinal Londres foi fundada pelo Império Romano, no ano de 43 d.C. .

‘Fuscão Preto’: Bogotá, Colômbia, março de 2011 (*). Esse é civil, não assusta.

Portanto quase 40% das palavras da língua têm ancestralidade latina, e por isso muitas têm a raiz parecida com o português.

Ainda assim, a língua-matriz do idioma inglês é o alemão. Aqui voltamos ao tema de hoje:

Em alemão ‘Volks’ significa ‘povo’. Se pronuncia ‘folks’, lembre-se. Daí o termo inglês ‘Folks’, que tem exatamente o mesmo sentido.

Essa palavra penetrou até no português, formando o termo ‘Folclore’, ‘cultura do povo’.

Já ‘Wagen’ (pronuncia ‘vaguem’) é carro. Eis a origem da palavra ‘wagon’ (pronuncia ‘ueigom’) do inglês, que vai na mesma direção:

Também é relacionado a ‘carro’, vide que as peruas são as ‘station wagon’.

Em espanhol ‘vagón’, vibrando na mesma sintonia, que gerou o português ‘vagão’.

Tudo somado e considerado: VolksWagen, o ‘Carro do Povo’.

Antigamente havia até uma revenda Volks em Porto Alegre-RS chamada exatamente ‘Carro do Povo’, não sei se ainda existe.

“Uma Onda no Mar”: Fusca na ressaca, sob a famosa ponte ‘Golden Gate’ de São Francisco. Os Fuques foram extremamente populares na Califórnia/EUA.

………

Pra nos aprofundarmos no tema, eu “peço ajuda aos universitários” (lembra do ‘Show do Milhão’ do Sílvio Santos??)

Solicitei a participação de um camarada que é especialista em tudo que tem motor, e que já colaborou várias vezes com a página.

Ele não se furtou. Vejamos a análise dele, em azul como sempre (os ênfases são meus, O.M.):

Outro “Fusca-Casa Móvel” (‘trailer’).

Abordar o simpático Fusca, é tarefa medonha, meu caro.

O bichinho já foi virado e desvirado do avesso por muita gente competente, tecnicamente falando.

E mesmo sob os diversos prismas das multidisciplinas.

Bairro Valentina, Zona Sul de João Pessoa-PB, setembro de 2013 (*).

Design, ergonomia e mesmo a estética o alçaram a um status bastante alto nas mais diversas culturas em todo o globo. 

Existem tantos estudos acerca dele, quanto existem apelidos carinhosos para ele.

Procurarei me ater à alguns fatos relativamente pouco conhecidos.

Como por exemplo, a adoção do lay out, com o motor “pendurado” na traseira e refrigerado à ar.

“Fusca-Barco”??? É de matar os holandeses (e os paraibanos) de inveja!!! Agora só falta voar . . .

O que foi totalmente inspirado nos Tatra, da República Tcheca.

Esses eram carros os quais Hitler (que acredite, não manjava picas de mecânica) admirava por serem bastante robustos.

Na verdade a Tatra (não confundir com a indiana Tata), levou essa configuração às últimas consequências:

E por que não?? Taí o Heli-Fusca!!! Você já tinha visto híbrido de carro e helicóptero?

Fazendo até portentosos motores V8 desse jeito, em seus modelos de luxo, considerados até bastante inovadores.

Enfim, o Führer, incumbiu os principais engenheiros do Reich de criar o “carro do povo”.

Um fato pouco conhecido é que um dos ‘pais’ do Fusca é Ferdinand Porsche. Sim, o fundador da Prorsche.

O que poderia ser isso????

Voltando ao projeto do Fusca, as diretrizes eram claras.

O carro teria que ser da forma mais simples e barata possível dentro de especificações tão claras quanto sucintas:

Deveria transportar 4 adultos, circular nas novas rodovias a uma velocidade constante de 100 Km/h sem consumir muito combustível.

Rodoviária de Curitiba: essa cidade igualmente um dia teve maioria Táxis-Fusca. Porém no já distante ano de 1980.

Naturalmente, isto “batia” e se aplicava também à algumas requisições da Wehrmacht para um veículo operacional leve.

Veículo esse que seria o equivalente alemão aoJeep dos aliados.

A criação do Fusca era algo que poderia viabilizar a produção de veículos militares.

No Sudeste também: Zona Sul do Rio, 1982. Gabriela da CTC (com capelinha e pintura especial pras linhas integradas ao metrô). Do outro lado da rua, 3 táxis: 2 Fuscas e 1 Variant (fonte dessa e outras tomadas: portal Ônibus Brasil).

(Naturalmente os artefatos de combate têm seus níveis de exigência e capacidades mais altas, como veículos “todo terreno”).

Tudo isso com razoavelmente poucas alterações em um “projeto básico”.

Isto fica evidente quando notamos a quantidade de “derivados” tanto civis quanto militares que o Fusquinha teve.

E isso dentro e fora da Alemanha, durante e após a guerra.

E eis Marília dirigindo um Fuca-táxi amarelo do RJ (também ônibus em Ctba.).

Nunca é demais lembrar: o entre-eixos (a distância entre o eixo traseiro e o dianteiro) do Fusca e da Kombi é muito similar.

Muda praticamente – e só – a “casca”.

Isto também era possível pela adoção do chassis tipo “espinha dorsal”. Traduzindo da linguagem técnica, quer dizer:

Falando em Marília: ela e Maurílio (com uma Pepsi e a camisa do América) em Acapulco. Ao fundo um Táxi-Fusca, claro.

“Em uma plataforma que aceitava com relativa facilidade diversos tipos de desenhos de carroceria”.

O restante da rigidez estrutural do carro era garantido pelo próprio encarroçamento.

Resumindo: temos um motor simples (sem mangueiras, dutos e complexos sistemas de arrefecimento).

Acapulco, junho/12 (*): foto que originou o desenho.

E um chassi rodante igualmente muito simples.

Porém bastante inventivo e até bem resistente.

Próximas 3: Fusca-Porsche. Esse não é brincadeira, motor de Porsche mesmo, acelerava até nada menos que 210 km/hora.

Além de peças de acabamento e externas que podiam ser rapidamente substituídas em caso de avaria.

Isto posto, há dissertações bastante interessantes de Gilbert Simondon – notável filósofo francês.

Elas versam sobre a “concretude do objeto técnico”.

Produzido em 1973 por uma empresa especializada, está no Museu da Volks na Alemanha, ao lado de um Fusca original.

Que é a concepção do objeto e sua integração com o meio onde este está inserido.

Simondon cita a natureza como o mais completo exemplo deste raciocínio.

Pois sequer uma célula existe com apenas uma única funcionalidade apenas.

Essa concretude, versa sobre a escolha de tecnologias que em sua finalidade, entre si.

E em sua concepção e combinações, seriam capazes de possuir múltiplas funções.

Resultando em arranjos ao mesmo tempo simplificados, porém “perfeitos”.

Outro ‘Fusca-Porsche’: esse é uma brincadeira, só mudaram a carroceria de um jeito caseiro, o motor ainda é de Fuca.

Abri este hiato para falar de Simondon, pois um amigo – estudante de tecnologia – citou justamente o “Fuca”.

Segundo ele, como um bom exemplo de tentativa de engenharia, de chegar a este objetivo.

Pois o carro é interdependente do ar para poder funcionar, se manter na correta temperatura de operação e o utiliza mesmo para o conforto dos ocupantes.

Fusca-Picape.

Aliás, tanto o Fusca quanto os Tatras, figuram entre os primeiros carros a começarem a levar a sério questões aerodinâmicas.

Questões essas que, é fácil presumir, eram bastante empíricas no meio automobilístico dessa época.

E em outros modais, que adotaram mais o “estilo” stream line do que um desenvolvimento mais apurado dos fluxos de ar. 

Fusca-Tribus dianteiro, porta-malas alongado.

Voltando ao “VW Sedan” (nome “oficial” do nosso Fusca, que de sedã não tinha nada, estava mais para um cupê duas portas):

Algumas de suas peças, ao mesmo tempo em que são estruturais, respondem por outras funções.

Tais como permitir a montagem de suspensões e a instalação de outros equipamentos periféricos para a utilização correta do carro.

Fusca-Picape e Tribus ao mesmo tempo!

Intencional ou não, o arranjo mecânico que fornece a base para o Fusca tenta sempre buscar essa característica.

Com maior ou menor sucesso, é certo.

Do ponto de vista fabril, é evidente a intenção de diminuir custos e tempo na produção.

Tribus e limosine (alongado).

Entretanto, conceber as coisas dentro dessa visão mais, digamos, “holística”, é em contraparte, extremamente oneroso.

Pois eleva o custo de “pesquisa” e “desenvolvimento”.

E neste ponto há que se colocar uma grande interrogação.

Próximas 2: picape alongada (cabine dupla).

Em relação a viabilidade econômica advinda do volume dessa produção.

Pois ela jamais foi encontrada pelo “besouro” em seus primeiros anos de vida.

Há quem diga inclusive, que era um golpe, puro e simples.

Em processo de produção.

Segundo essa versão, o Fusca somente nasceu da necessidade de captar fundos para o custeio da máquina estatal e bélica do Reich.

Pois muitas famílias alemãs “entraram na fila” para adquirir o seu, pagaram adiantado a totalidade ou parcialidade.

E simplesmente jamais puseram as mãos em sua devida unidade.

Um Fusca dentro do outro (Etiópia).

O “VolksWagen” teria sido portanto, mera peça no arsenal de convencimento.

Muito bem empregado pelos Nacional Socialistas, resultando num verdadeiro engodo.

É interessante notar, que antes de ser o “novo cigarro”, os carros traziam uma perspectiva real de independência para a mobilidade humana

Outro táxi: Esse do Pará, mais especificamente Marabá, atolado na Trans-Amzônica (BR-230).

Na minha opinião ainda trazem, diga-se de passagem.

E o Fusca foi concebido também para ser “o” carro, ou o primeiro carro de muitas famílias, como de fato foi.

Mas somente após a guerra a gestão da VolksWagen passar a ter autonomia diante do Estado alemão.

Fusca/Pé-Grande‘: esse não encalha.

O capitalismo basicamente viabilizou a ideia, e transformou um “mico” em um produto rentável.

O que contribuiu inclusive para ressarcir as dívidas de guerra da Alemanha.

A “Fusqueta” contribuiu para motorizar as pessoas.

Contribuiu da mesma forma para criar uma cultura automobilística.

Fusca/Pé-Grande e conversível (vermelho como o inglês que tampouco tem teto).

E iniciou uma “jornada técnica” sem precedentes na era industrial moderna.

Pois se tornou inclusive matéria obrigatória nos cursos de mecânica de escolas técnicas até meados dos anos 2000.

Muita gente aprendeu a dirigir neles, nasceu neles, e até mesmo foi concebida no banco de trás de um deles (haha).

No mesmo tom rubro: no Canal Belém, Uberaba, Z/L de Ctba., fevereiro/2014 (*).

Mas algo pouco falado é que MUITA gente aprendeu conceitos básicos de mecânica com eles.

Para estes o Fusca “despertou” um interesse, abriu as portas de um conhecimento até então muito restrito.

E iniciou muitos e bons técnicos, operários e engenheiros, nas trilhas complexas e belas dessa atividade humana que manipula, estuda e entende as máquinas.

Adaptado pra 4 portas.

Sem falar que ele deu a estes, mais do que uma profissão:

Garantiu um sustento honesto, um trabalho que pôde “defender” seus filhos, e os filhos destes filhos.

Bueno, meu irmão. Não sou um “perito” no tema, como alguns apaixonados amigos meus, mas ainda creio que seja uma mensagem oportuna.

Pois há pouco foi comemorado o “dia do Fusca”.

E veja só que coisa: o bichinho é tão importante que ganhou até data comemorativa! Hahaha!

……….

Com essa bela gargalhada nosso amigo encerrou sua participação. Volto eu, O.M. .

Merecido o ‘Dia do Fusca’ (não sabia desse detalhe, e você?). 

Mais que um carro, o Fusca é uma lenda, um ícone que não desaparece jamais.

Fusca Rabo-de-Peixe (desenho em moda nos carros dos anos 50, explico pros mais novos).

Acima observamos um Fusca-Táxi nos anos 80 em Curitiba.

Mas há décadas não existem mais Fuscas-Táxis em Curitiba. Não importa.

A ideia ainda está viva na mente das pessoas, e eis a prova:

A direita um ímã de geladeira, propaganda do mesmo Tele-Táxi.

Ilustrado por . . .  um Fusca, e o que mais poderia ser?

“2-em-1”: grudados, compartilhando eixo e rodas. Versão em metal e 3D do Yin-Yan.

Definitivamente, ideias nunca morrem. Pois são Energia.

E Energia nunca se perde, apenas se transforma.

………

O “AMOR DA CALIFÓRNIA”: FUSCA EM SÃO FRANCISCO É SUPER-CLÁSSICO –

Dissemos numa legenda acima que os Fuscas foram imensamente populares na Califórnia, Costa Oeste dos EUA.

Furgão, o ‘Fus-Kombi’. Como nosso colega perito explicou, o entre-eixos é o mesmo, só muda a carroceria. Aqui fundiram as duas.

De fato assim foi. Existe um nicho próprio na internet pra mostrar Fuscas nas sinuosas ruas de São Francisco,

Por aí vocês calculam a popularidade dos ‘besourinhos’ na Costa Dourada ianque.

Eles realmente bombavam nos anos 60 a 80 – e quem sabe até 90.

Na galeria abaixo separei algumas dessas tomadas:

“CHAMA A POLÍCIA” –  Os Fucas a serviço da Lei. Algumas fotos são da página Fotos de Viaturas.

‘FUSCA AZUL’ NA ZONA OESTE –

Em setembro de 2017, produzi uma mensagem no Santo Inácio, na Zona Oeste de Curitiba.

É nesse bairro que fica (parcialmente) o Parque Barigüi, as margens do Rio de mesmo nome.

Esse é uma miniatura.

Pro que nos interessa aqui, definitivamente esse foi “o Dia do Fusca”.

Cliquei vários, a esquerda mais um na garagem da casa. Escrevi na ocasião:

Fotografei um amarelo todo preservado no estacionamento do Pq. Barigüi.

Fusca ‘Fora-de-Estrada’ do Japão (veja a chapa).

Depois o ‘Fuscão de Rally‘ numa casa de madeira na BR (esses dois estão numa colagem bem mais pro alto na página).

E mais dois nas ruas e garagens do bairro, esses sem serem fetiche, não estão preservados nem cheios de frases exóticas.

Simplesmente são ainda o meio de transporte da família (um deles é exatamente o no estacionamento da casa vermelha logo acima).

Fusca-Buggy.

Alias os dois são ‘Fusca Azul’ – eu não tive filhos, convivo pouco com crianças.

Mas quem tem filhos me informou que existe uma brincadeira chamada ‘Fusca Azul’.

Feita com duas ou mais pessoas, sejam só crianças ou as vezes entre crianças e um adulto:

Quando dois ou mais participantes estão juntos e aparece um carro dessa marca, quem vê primeiro grita “Fusca!!”, e ganha um ponto.

Cidade Industrial de Curitiba, Zona Oeste, julho de 2015 (*).

O de cor celeste é o trunfo, vale o dobro. Quem grita “Fusca Azul” ganha 2 pontos.

Bem, eu registrei 4 Fuscas, sendo 2 azuis. Marca aí meus pontos . . .

Vi mais um Fusca dentro de uma garagem, mas não deu pra fotografar.

Como teria que posicionar demais a câmera dentro da propriedade alheia, esse preferi pular”.

FusCaminhão, o Fuca que puxa carreta.

Definitivamente, aquele belo fim-de-tarde na Z/O foi ‘o Dia do Fuca’.

…………

AUMENTA/DIMINUI”: ESTÃO FAZENDO IÔ-IÔ COM OS FUSCAS –

Vimos acima (e abaixo virá mais um) o “Fusca/Rolls-Royce”.

Fusca-Limusine original, dos anos 80 (placa amarela), feito por indústria especializada.

É uma galhofa, claro. Botam um ‘focinho’ imitando o carro de luxo. Mas o veículo continua um Fusca.

Com toda sua simplicidade e robustez que o colega que escreve de azul explicou.

Mas agora vamos ver um ‘Fusca-Limusine’ (esq), e dessa vez sem gozação.

Não é o mesmo carro. Esse foi feito de forma artesanal, nesse milênio, por um funileiro de Pernambuco.

Trata-se de uma adaptação muito bem feita (fonte: enciclopédia Lexicar Brasil).

Foi criada pra ser oferecida ao presidente  Tancredo Neves.

Como, por motivo de doença, ele não chegou a assumir ficou sem andar no Fuque-Limusine. Uma pena…

……

Em andamento.

Não confunda. Como as legendas já informaram:

Os Fuscas-Limusines pretos vistos a esquerda e a direita não são o mesmo veículo.

Repetindo, o que está a esquerda mais pra cima (de chapa amarela) que seria de Tancredo foi produzido numa firma especializada.

‘Fusca/Mini’: ao contrário dos 2 anteriores que aumentaram, os próximos 2 Fuscas diminuíram. Nesse vemos até a massa que o cara usou pra colar a parte cortada.

Note que a janela do meio dele (onde fica a porta traseira) é mais retangular.

Já o que está a direita foi montado de forma caseira por um funileiro do interior de Pernambuco

O povo pernambucano é mesmo famoso por sua criatividade e irreverência.

E aqui de novo: com pouquíssimos recursos além de sua força de vontade, ele colou dois Fuscas, um no outro.

Veja na foto a esquerda acima o processo em andamento:

Esse está mais caprichado. Ficaram parecendo aqueles (caros) carrinhos que só cabem 2 pessoas.

O da frente e que cedeu o chassi é amarelo, o que foi enxertado atrás é laranja.

Daí a janela do meio (onde fica a porta de trás, como a imagem deixa claro) ser arredondada, pois originalmente ela era a janela da frente de outro carro, o laranja.

Afora esse pequeno detalhe, a limusine dele também ficou muito boa.

Tiro o chapéu pro talento e dedicação desse irmão, que fez uma bela homenagem ao Fusca, por isso o homenageio também.

……………

A direita, um Fusca com duas frentes.

Precisaram de dois carros pra fazer essa adaptação, obviamente.

Onde será que as traseiras foram parar?

Achamos! Inversamente, ao lado um Fusca com duas traseiras.

Em cada uma das montagens foram preciso dois carros.

Moto-Fusca.

E num se descartaram as partes da frente, e no outro as do fundo.

Assim, quem sabe nessas duas transgenias foram usadas metades dos mesmos dois carros?

Pode ser, né? Corrobora pra isso o fato que ambos são vermelhos.

………….

Ao lado os 2 clássicos redondos de motor traseiro: o busão Monobloco Mercedes e o Fuca.

(Nota: nesse caso tanto o carro quanto os ônibus da imagem são da C.M.T.C. .)

(A saudosa Companhia Municipal de Transportes Coletivos de São Paulo. Volta o texto original.)

Já coloquei dessa forma por conta disso. O Mono e a Fusqueta tinham isso em comum:

Aqui e acima da manchete: Zona Oeste de Santiago do Chile, março de 2015 (*).

Os demais carros eram quadrados e de motor dianteiro. Os demais ônibus também.

Mas os Fuscas e os Monoblocos, os super-clássicos das ruas brasileiras dos anos 60 a 80, eram redondos e com motor atrás.

Já fiz várias homenagens aos Monoblocos, confira aqui, aqui e aqui.

……….

E o segundo buso clássico que eu gosto mais é o Gabriela da Caio (que até o Papai-Noel dirigiu).

Várias das trangenias mostradas aqui com o Fusca foram feitas também com o Gabi (tanque-de-guerra, casa-móvel [‘trailer’], misto com caminhão, etc.)

………….

Em P-&-B, a fábrica, nos anos 50. Estimo essa data porque a janela traseira ainda é minúscula.

Então vamos, nas próximas 3 tomadas (sempre com uma dupla de Fuscas de diferentes idades em cada uma delas) acompanhar a evolução das janelas e faróis traseiros através dos tempos.

Direita: um de 1967 ao lado de um de 1938: o de 38 tinha faróis e janelas minúsculos (e o vidro ainda era partido).

Já nos anos 60 o vidro era normal, o farol era maior que nos pioneiros, mas ainda pequeno (médio, digamos).

Na tomada a esquerda (do blog Planeta Fusca) isso fica claro:

O amarelinho, de faróis médios, é dos anos 60, no máximo começo dos 70.

O branco, de faróis grandes e respiradouro pro motor, é da última leva, anos 80 – ou o ‘espasmo’ 94-96.

O reboque também é um Fusca cortado (já publiquei a mesma cena com Kombis).

(Por ‘última leva’ eu me refiro ao Brasil, no México a última leva foi até 2003 como já dito e é notório).

Direto da Rússia vem essa tomada acima:

Do azul dos anos 80 (farol e vidro grande) ao lado de um laranja dos anos 40 ou 50 (tudo pequeno).

Os dois extremos, mostrando como a ‘Baratinha’ evoluiu, de Gênese ao Zênite.

Mais 2 ‘limuosines’.

A ETIÓPIA RENASCE, E A PAIXÃO PELOS FUSCAS RENASCE JUNTO –

No fim do século passado, devastadas por secas e guerras, a Etiópia era um dos lugares mais desgraçados do planeta.

Não mais. Ajudada pela China, e num novo momento, a Etiópia vem renascendo das cinzas.

Claro que os problemas ainda são imensos. Natural, foram décadas de devastação intensa.

Mas o progresso é indiscutivelmente imenso, da mesma forma.

E na Etiópia a paixão pelos Fuscas está renascendo.

Lá, é um carro de luxo agora. Confira a matéria. E veja a galeria.

FUSCA E 11-13: MAIS DOIS CLÁSSICOS REDONDÕES JUNTOS –

A direita a Via Dutra nos anos 80. Já comentamos a imagem. Antes um adendo:

4 faróis quadradinhos? Inspirado no 11-13.

No geral eu não ligo pra automóveis, não tenho carro e ando mais a pé e de ônibus.

Mas se eu fiz essa postagem (e custou muito tempo e trabalho pra produzir) só pode significar uma coisa:

Se existe um carro que eu gosto, definitivamente é o Fuque!

Pouco me importo com automóveis, mas sou busólogo.

E qual meu busão preferido? O ‘Super-Clássico’ Mercedes Monobloco.

Com tudo isso, não ficou difícil sacar qual seria meu caminhão favorito, não?

Obviamente só pode ser o 11-13 da Mercedes.

Eu adoro veículos redondos, no modal que for!!

Outro ‘Fusca/Rolls-Royce’. E esse é oriental, da Tailândia, Camboja, aquela região da Indochina.

Isto posto, comentemos como prometido as fotos da Dutra e do Fusca rosa.

Começo pela BR-116, a antiga BR-2 do RJ ao RS antes dos militares.

Atualmente no trecho RJ/SP a ‘Rodovia Presidente Dutra’ ou simplificado ‘Via Dutra’.

Vemos, além de um Fusca branco no canto da cena, 6 Mercedes (4 deles azuis), sendo 5 bicudos e 1 cara-chata jurássico, daqueles dos anos 50.

SP, virada dos anos 70 p/ 80. Só dava Monobloco e Fusca nas ruas.

Dos 11-13 de motor saltado, 2 azuis têm 1 farol redondo de cada lado, entregando que foram produzidos antes de 1983.

1 azul e 1 vermelho têm dois faróis quadros de cada lado, portanto posteriores a 83.

Ou se anteriores foram adaptados pra parecerem mais novos, o que também ocorria.

Vocês entenderam, não? Em 1983, a Mercedes manteve inalterado o desenho da carroceria (redondo)

Mas o farol deixou de ser redondo, passou a ser quadrado. E ao invés de 1 passaram a ser 2 em cada lado.

Grande Rio (Niterói, do outro lado da Ponte), mesma época. Idem. O buso tem capelinha!!!

O que nos leva ao Fusca rosa: de 1 farol redondo, alguém pôs 2 quadrados.

Será que alguém poderia ter pensado que ele era um caminhão 11-13 . . . .

Voltamos a Dutra pra fechar esse tópico: bons tempos que os caminhões tinham motor saltado.

Aí cada marca tinha seu desenho, sua personalidade.

Próximas 3: Cid. do México, junho/12 (*). O azul é particular, uso privado de 1 família.

Hoje é tudo cara-chata, tudo igual. Na África do Sul é pior ainda:

Lá, além de ser tudo cara-chata, 90% dos caminhões são brancos. Nem na tonalidade há mais diferenciação.

E como arremate, além dos clássicos redondos há na pista da estrada também os clássicos quadradões:

Um Opalão preto, e um Galaxão também negro, no estilo ‘Vida Loka’.

1 táxi, agora são pintados de roxo e bege (*).

……….

ONDE EU JÁ FOTOGRAFEI PESSOALMENTE FUSCAS:

2 continentes:

América e África;

6 países:

Brasil obviamente, muitas vezes;

Mas por décadas os táxis na capital mexicana eram assim, verde-claros com tetos e janelas em branco (*) – e só dava Fusca. Esse não é mais táxi, foi vendido e agora também é particular. Como saiu de serviço, não foi repintado.

Mas fora de nossas fronteiras:

México (2012), Chile (2015), Colômbia (2011), Paraguai (2013) na América; e mais na África do Sul (2017);

13 cidades:

No Brasil em 6 (Grande Curitiba, Lapa e Matinhos no PR, Joinville em SC, Aparecida em SP, e João Pessoa na Paraíba).

No exterior mais 7:

Cidade do Cabo na África, Bogotá na Colômbia, Grande Assunção no Paraguai, na capital e Acapulco no México, e em Santiago e na Grande Valparaíso no Chile;

Cid. Cabo, Áfr. do Sul, abril/17 (*): mansão num subúrbio a moda ianque. O cara tem um Fuca porque quer, é relíquia, não necessidade.

17 municípios (pois, repetindo, uma cidade pode conter mais de um município):

Além dos já citados acima, Rio Branco do Sul (Zona Norte) e Piraquara (Zona Leste) na Grande Curitiba;

No exterior Vinha do Mar na Grande Valparaíso (Chile) e na capital do México tanto no México D.F. quanto num subúrbio metropolitano da Zona Leste.

E no bairro de Moema, Zona Sul da Cidade de São Paulo um Novo Fusca.

Já atualizei com essa tomada também, é a que fecha a matéria com chave de ouro.

……….

A direitaa: Fusca-Ligeirão???? E por isso é azul? Concorrendo com bi-articulado?

Sim, o Fusca, é mesmo multi-uso, não falta nem voar nem nadar como vimos acima.

Aqui no Terminal Hauer, fazendo a linha Boqueirão/ Carlos Gomes.

Explico: em dias de greves de ônibus a prefeitura cadastra carros particulares pra fazer lotação.

De tarde a greve acabou, os ônibus já voltaram (ao fundo).

Mas como a licença vale pro dia inteiro, os modais oficial (buso) e variante (Fuca) convivem nessa imagem.

……….

Esse humilde Mensageiro (escondi o rosto porque nosso foco é nas ideias, e não nas personalidades).

E qual a ideia? No dia que fiz essa matéria, estava com a camisa do . . . Fusca!

Tudo se alinhou (foto em Moema, bairro da Zona Sul de SP, de onde a matéria subiu pro ar).

Modelo de luxo: alongado atrás, teto solar e rodas traseiras encobertas.

……….

Por falar em ‘promessa é dívida’.

Abri a matéria dizendo que o Fusca ainda é mais vendido do planeta em todos os tempos.

Embora oficialmente esse posto pertença primeiro ao Toyota Corolla, e atrás dele o Golf.

Próximas 2: Fusca/Gol. Os dois maiores sucessos da Volks num só!

Disse que explicaria o porque desse paradoxo. Então vamos lá.

Enfatizando de novo, oficialmente lidera a lista o Toyota Corolla, com 40 milhões – e contando, ainda está sendo feito.

Seguido do Golf, da própria Volks, com 25 milhões, igualmente permanece ativo na linha de montagem.

Porém, está ocorrendo uma estratégia de mercado desonesta por parte das montadoras.

Explico o que quero dizer com isso:

O Corolla começou em 1966 e é fabricado até hoje (2018, quando escrevo).

Porém, apenas o nome se manteve. O desenho do carro, sua carroceria, mudou muito.

Mudou demais, um absurdo, se alterou tremendamente no decorrer dos anos.

Fusca-Utilitário.

E, oras, o que caracteriza um modelo de carro se não sua carroceria, sua forma???

Busque na internet um Corolla dos anos 60 e alinhe com um atual.

Ficará evidente que não se trata do mesmo carro, malgrado tenham o mesmo nome.

Zona Leste de Joinville, março de 2017 (*): vem um toró que alagou a cidade. O carro logo a minha frente é um Fusca marrom.

Portanto não são o mesmo carro, é simples assim.

Trata-se de uma estratégia mercadológica da corporação que o fabrica:

Manter ativo o mantra ‘Corolla’, mesmo tratando-se claramente de carros diferentes.

O mesmo ocorreu com o Golf, que se iniciou em 1974.

E até o momento que faço essa matéria continua em produção, dizendo de novo.

Hoje, infelizmente, várias montadoras adotaram essa estratégia desonesta, muda todo desenho do carro, e portanto é outro carro.

Ainda em Santa Catarina, na capital Florianópolis: vemos um Veneza da Limoense com Fusca bicolor azul-e-branco (avaiano?) – a fonte é o sítio Egon Bus.

Pois repito, o que caracteriza um modelo senão seu, hum…, modelo??

Outro modelo, outro carro, é simples assim. Se o nome se manteve, isso é uma trampa, e não temo dizê-lo.

Eu sinto muitas saudades dos anos 80 e 90. Explico a razão.

Naquela época, quando uma montadora mudava o desenho de um veículo, aposentava aquele nome e criava outro.

Lembra? Pra ficar na Volks mesmo, acabaram a Brasília, Passat, Santana, os nomes foram aposentados também. Isso é honestidade.

Rio Branco do Sul, Zona Norte da Gde. Curitiba, abril de 2014 (*). Uma flor, um Fiat 147 e – encoberto pelo cavalete – mais um Fusca bi-color, esse preto-e-amarelo (“torcedor do Criciúma?”, continuando a analogia com o futebol de SC).

Depois disso, entretanto, resolveram mudar constantemente o desenho da carroceria, mas mantendo a denominação.

Assim é fácil: agrupa modelos diferentes sob o mesmo nome, e diz que aquele ‘único modelo’ é o mais vendido da história. Mas na verdade não é!

Lembra do Gol dos anos 80, que era até quadrado?

Um simples exame visual deixa claro que ele e o ‘Gol’ contemporâneo não são o mesmo modelo de veículo, embora sejam xarás.

Grande Assunção, maio de 2013 (*). O Fuca amarelo está a direita, encoberto pelo carro escuro. Mas está lá. Laranja no chão de pedra?? Só pode ser no Paraguai!

Com o Uno da Fiat ocorre o mesmo, pra darmos mais um exemplo.

Oras, voltando a VW que é nosso foco de hoje:

Na Alemanha são vendidos carros chamados ‘Passat’ e ‘Variant’.

Nesse caso, ninguém tem a demência de dizer que é o mesmo modelo que o anterior homônimo.

Por que com o Gol, Golf, Uno, Corolla, entre outros, não ocorre o mesmo?

Valparaíso, Chile, abril de 2015 (*).

Com os ônibus, infelizmente, é igual. Pense no Torino atual.

O que ele tem a ver com o Torino pioneiro de quase 40 anos atrás?

Nada, óbvio. Pro seu crédito, digo que a GM até hoje age com mais clareza.

Recentemente, nessa década de 10, ela mudou todos os seus modelos. E todos vieram com novos nomes.

Juvevê, bairro entre as Zonas Central e Norte de Curitiba, anos 60: vários Fuscas trafegam por uma Av. João Gualberto ainda sem canaleta e de paralelepípedos (fonte: sítio Curitiba Antiga).

Amigos, eu não me importo com propaganda, e sim com fatos. Dando um exemplo em outra dimensão:

Já apontei que não reconheço como parte da ‘região metropolitana’ municípios muito distantes no interior que não guardam nenhuma relação urbanística com a capital.

Uma vez que muitos entraram apenas por interesses políticos (que quase nunca coincidem com os anseios populares, pois muitas vezes escusos) eu digo isso, incluso com mapas.

No campo automobilístico o mesmo se dá. Por isso repito, a regra é simples:

Torre da TV, Centro de Brasília-DF, anos 70. Monobloco, esse da Viplan ainda na pintura livre. Atrás vem . . . mais um Fucão (fonte: ‘Facebook’ Ônibus Antigos de Brasília).

Mesmo desenho, mesmo modelo, mesmo carro. Outro desenho, outro modelo, outro carro.

Se por razões mercadológicas o nome é o mesmo, não muda nada, são novamente interesses escusos ofuscando a verdade.

Ninguém vai negar que, de 1938 a 2003, todos os 21 milhões de Fuscas produzidos têm o mesmo desenho, portanto são o mesmo carro.

Claro, mudam detalhes pequenos como farol, frisos e janelas. Beleza. A carroceria ainda é a mesma.

O que faz dele o carro mais vendido da história, quando os ‘interesses escusos’ dos marqueteiros são afastados.

Centro de Curitiba, anos 60: Rua XV aberta ao trânsito, antes do calçadão (e da neve). Fusca azul-claro estacionado no canto inferior (perto do atual Mc Donald’s).

Existe o ‘Novo Fusca’. Ninguém diz que é o mesmo carro que o Fusca.

E olhe que o desenho é mais parecido com o ‘velho’ Fusca que os novos Corollas e Golfs comparados com os Corollas e Golfs dos anos 70.

Portanto, se quiserem, chamem o que sai das fábricas hoje de ‘Novo Corolla’ e ‘Novo Golf’, sendo esse seu desejo.

Mas eu não ratifico trampas e golpes publicitários, ao contrário, as retifico. Seja na dimensão que for.

Logo no começo da matéria vimos um desfile de Fuscas na Lapa-PR (*). Disse que atrás havia uma Cohab – na ocasião recém-inaugurada (suba a página e busque pela legenda). Pois bem. Aproximando a imagem vemos que na garagem de uma casa está parado um Fusca (também azul, parece que essa cor é mesmo a preferida).

O veredito: se você exige esse quesito básico do “mesmo desenho = mesmo carro”, o velho Fusca ainda é líder inconteste.

“Quebra sim, atropela não”, é o lema dos pichadores. Querendo dizer o seguinte:

Não piche por cima do que já está pichado, não seja invejoso e destrua o trabalho alheio.

Se você vir uma pichação num lugar difícil e quiser fazer mais bonito, chamar mais atenção, piche acima, ou seja mais alto, escale mais um andar.

Santos-SP, anos 60. Trólei antigo da SMTC (antes da CSTC) no Centro – depois essa pintura voltou como retrô. Atrás um Fusca, esse branco (fonte: sítio Tramz.com)

E aí sim deixe sua marca além da já está feita, sem danificar a original. “Quebra se for capaz, mas não atropela”.

O Fusca por enquanto ninguém quebrou o recorde. Então não vão atropelar.

Quando um único carro, como o mesmo desenho em todos os seus exemplares, vender mais de 21 milhões, eu corrijo a postagem. Pode me cobrar.

Até lá, o Querido e Amado Fusca continua sendo o carro mais vendido do planeta Terra, em todos os tempos.

‘Novo Fusca’ em Moema, Zona Sul de São Paulo Capital, janeiro de 2018 (*).

O ‘Carro do Povo’. Sempre e pra Todo Sempre, o Eterno Carro do Povo.

É o Fusca, poooooooooorrrrrraaaaa!!!! Tem que respeitar!!!!

Encerro esse Trabalho. Espero que vocês tenham gostado.

……..

Digo, aqui se encerrava o texto original. Mas inseri uma atualização, onde eu explico a questão da tradução do hebraico. E há também mais fotos abaixo dessa galeria.

Rebaixado: Fusca-Fórmula 1???

Em atualização de fevereiro/18, tenho que acrescentar um P.S.;

Eu disse acima que o termo ‘Besouro’ pra denomina ‘Fusca’ em Israel talvez não esteja correto.

Expliquemos então o porque:

Fórmula 1 não dá. Que tal ‘Fórmula Fusca’? Já vimos eles correndo na terra, aqui no asfalto.

 Falando nisso, aqui teremos que fazer algumas notas, porque a coisa complicou.

Então tenho que me explicar caso tenha passado uma informação errada.

A fonte é a matéria que já liguei acima, que está em português.

Portanto pode ter havido alguma dessas possibilidades, isoladas ou misturadas:

Hungria (nomeei a foto como ‘Holanda’ erroneamente), numa bela cena de outono.

– Erro de tradução;

– Simplificação de símbolos das línguas orientais não existentes no alfabeto latino;

– Ou mesmo incompreensão do significado original de uma palavra.

Por exemplo, o esloveno ‘Hrošč‘ está grafado simplesmente ‘Hrosc’:

Sem os acentos nas consoantes que não existem no português, mas existem nesse idioma eslavo.

Aparecida (‘do Norte’)-SP, julho de 2016 (*): a esq. na foto um Fusca branco na ‘Cidade da Fé’.

Nesse caso consegui apreender pela internet a grafia original correta.

Agora pode muito bem ter ocorrido o mesmo novamente.

A matéria diz que ‘Fusca’ em Israel se chama ‘Hiposhit’:

Nessa grafia em letras ocidentais mais uma vez não aparece nada.

SP: dois tróleis antigos, no canto da imagem mais um Fusca azul.

Vamos então traduzindo do hebraico pro próprio hebraico.

[Quero dizer com isso da grafia no alfabeto romano ocidental que talvez esteja errada pro alfabeto hebraico oriental.]

Agindo dessa forma, de ‘hiposhit’ chegamos em חיפושית.

E daí traduzindo חיפושית pro português chegamos em ‘Besouro’.

Recife: trólei na mesma pintura (porque ambos tiveram financiamento federal) sendo ultrapassado por um Fuque.

Ufa! Escrevi tudo isso pra vocês verem que não tão fácil ou simples escrever um blogue:

Pra chegar corretamente num único termo [ou ao menos o menos incorreto possível] veja que ‘via-crucis’, um trabalhão.

Mas como você leu, tudo valeu a pena.

SEGUNDA ATUALIZAÇÃO DE FEVEREIRO DE 18:

Nosso colega que escreve de azul atacou novamente. Perguntei a ele sobre o “Fusca/Tanque-de-Guerra” (visto logo abaixo), aquele que tem até mísseis pra ‘abater’ os alvos do inimigo. Tudo entre aspas porque se trata de uma brincadeira evidente. Ele me respondeu e enviou algumas imagens. Fogo no pavio:

Nas próximas 4 fotos, comentários de nosso colega: “imagino que você flagre o bom humor – típico europeu – que dá origem ao “meia lagarta” camuflado aqui. KKKKKKKKK”.

”   Hahaha. Eu li a extensa “espichada” que você deu na matéria. Já era bastante completa, mas agora é um tratado, mêo!

Seguinte, olhando as imagens que você mandou, naturalmente. Na tomada a direita, novamente, temos uma adaptação caseira, mas muito bem estudada e executada, até por conta de as esteiras serem exclusivamente no eixo traseiro.

Note que foi preciso montar uma estrutura bastante reforçada para aguentar o “tranco” do poderoso motor do bicho. Só fico pensando que o cara adicionou uma carga bastante pesada ao chassi.

Ele escreve sobre o T-34: “esse tanque é reputado como tendo sido o flagelo de Guderian em Kursk, e assim como o Sherman dos Estados Unidos, um forte fator a pesar quanto à vitória aliada”.

No mais, há muitos elementos de desenhos de tanques “de verdade” ali, tais como as extensões – “paralamas” – sobre as esteiras e mesmo as saídas de escape, que estranhamente me parecem uma “homenagem” ao famoso tanque T-34 soviético (esquerda), o que seria uma fina ironia.

Apesar da bandeira dos EUA nos mísseis, eu chutaria que essa imagem acima a direita foi tirada um encontro de VW na Alemanha mesmo ou até no Leste Europeu.

Note que as “blindagens” – provavelmente de fibra de vidro –  devem torná-lo bem complicado de manobrar (nem falo guiar mesmo, pois ele não deve andar muito rápido, por conta do atrito mecânico adicional a um carro que, digamos, já no original não é nenhum Usain Bolt).

Houve até uma Brasília que fez história em uma competição, entre Londres e Munique via África (?!?!) segundo o Flávio Gomes. Note que ela inclusive está com rodas de Puma… e é uma foto da época”.

Se você está tão interessado nas vertentes militares do Fusca, observe a principal delas, que é o Kübelwagen Type 82, na foto que te mando (é a que está identificada mais pro alto na página como ‘Panzer’, busque pela legenda).

Ele teve versões anfíbias e mesmo preparadas para terreno difícil apesar de eu desconhecer versões 4×4 – mas não me surpreenderia se alguém mais escolado me mostrasse.

Na verdade, as capacidades “fora de estrada” do Fusca (e de seus derivados) são amplamente reconhecidas. Mesmo o Puma (esse eu conheço bem né hahaha) foi relativamente bem sucedido em ralis tanto no Brasil quanto na Europa.

“Aliás, esse aqui me parece estar com um V8 central instalado, pois o diferencial ocupa praticamente todo o espaço de onde seria a ponta do câmbio no eixo traseiro (o motor ficaria atrás dessa estrutura, depois do eixo, ‘pendurado’)”.

De fato, o Fusca foi muito usado em provas de enorme sortimento.

E mesmo em modalidades extremas, como arrancada, com ou sem motor original, mas preparado – ou “envenenado” – como na foto ao lado.

 Bueno, fique com meu fraterno abraço, meu irmão. Vamo que vamo!”

…………..

Numa exposição de carros antigos em Águas de Lindóia-SP.

2ª ATUALIZAÇÃO DE FEVEREIRO DE 2018:

Um outro colega me mandou um emeio. Anexou a foto a direita e disse:

”    Que belo trabalho!!!! Faltou a famosa “rádio patrulha” de São Paulo….. tive que correr de várias.   ”

Agora não falta mais.

“Deus proverá”

Encontro das Águas

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 20 de janeiro de 2018

Mais um Maurílio soldado.

Dessa vez, soldado do Exército Paraguaio.

Ele está na ‘Tríplice Fronteira’:

Obviamente onde Brasil, Paraguai e Argentina se encontram.

ANOITECE EM COLOMBO: essa imagem não se relaciona com o texto. Já fiz uma matéria, como muitas fotos, mostrando o Pôr-do-Sol no Jardim Monza, em Colombo, Zona Norte da Grande Curitiba. Então agora uma versão em desenho, na qual esse humilde Mensageiro foi incluído. A Caminhada Continua: Maurílio no Jardim Monza (ou quem sabe um pouco mais a oeste, no Jd. Osasco, perto do Roça Grande). Em frente a uma casa de madeira, numa periferia do Sul do Brasil: também já retratei uma Marília adolescente na mesma situação, alias ela e suas 2 irmãs.

Vide a placa acima da manchete – ela foi clicada no lado brasileiro.

Como Maurílio é paraguaio, mais que isso um militar paraguaio, está desse lado da divisa, guardando sua nação.

Ao fundo dele, a direita vemos nossa Pátria Amada, e a esquerda a Argentina.

Retratei Foz do Iguaçu. Não a cidade, mas sim o aspecto geográfico que a nomeia:

O Rio entre o centro e a direita na imagem (no meio das duas partes em verde) é o Iguaçu, que em seu trecho final divide o Brasil da Argentina.

Já o Rio na parte debaixo do desenho (entre a porção cinza e as verdes) é o Paraná, que a montante do Iguaçu divide Brasil e Paraguai, e a jusante desse ponto Argentina e Paraguai.

Um “Encontro das Águas”: o Iguaçu é o maior rio do Paraná – nasce em Curitiba, e logo em seu início já absorve o maior Rio de Curitiba, que é claro o Belém.

E aqui na capital do estado nomeia justamente o palácio da sede do governo. Depois cruza todo território paranaense.

Vamos ver destaques da Tríplice Fronteira. Aqui e na próxima a ‘Ponte da Amizade’ Brasil/Paraguai, a construção nos anos 60.

E após isso chega ao fim de sua epopeia, e se dissolve no Rio Paraná, que apropriadamente nomeia o estado.

E ali as 3 nações-irmãs americanas também têm seu encontro. Por conta disso, em cada uma delas há o Marco das 3 fronteiras que vemos acima.

Todos em suas respectivas margens, juntos formam um triângulo. Amplie a imagem a esquerda pra ver melhor o que vou descrever abaixo.

Não é preciso legendar a imagem, o obelisco de cada país obviamente ostentas as respectivas cores nacionais:

O brasileiro verde-&-amarelo, o argentino azul claro e branco, e o paraguaio tricolor, azul escuro, branco e vermelho.

Os obeliscos brasileiro e argentino são idênticos, em forma de cunha, e foram inaugurados em 1902.

Foz abriga Itaipu, que já foi a maior usina hidrelétrica do mundo, também na fronteira Brasil/Paraguai.

O paraguaio é bem mais recente, de 1961, e diferente: além de retangular, tem o nome da nação num apêndice.

Na tomada do tótem argentino (no canto inferior esquerdo ainda da mesma colagem) vemos ao fundo os prédios do Centro da Cidade do Leste, Paraguai.

E dentro do Rio as balsas que ligam a Argentina ao Paraguai. Entre esses dois países ainda não há ponte, vejam vocês.

Até novembro de 1985 ali também era a balsa Argentina/Brasil. Pois foi quando a ponte (chamada “da Fraternidade”) que liga esses países foi inaugurada.

Cheguei a cruzar essa balsa Porto Iguaçu/Foz do Iguaçu, nesse exato ano de 85, poucos meses antes da ponte ser entregue.

Já a ponte Brasil/Paraguai (a “da Amizade”), é bem anterior, de 1965.

Numa nota brasileira vemos as Cataratas do Iguaçu, na fronteira Brasil/Argentina.

Portanto o Obelisco Paraguaio das 3 Fronteiras foi feito enquanto a ponte estava em obras.

O Marco do lado paraguaio é bem mais novo, repetindo. Em compensação nunca foi reformado.

Já os Obeliscos Brasileiro e Argentino foram reformados, mudaram o piso e fizeram outras melhorias.

Vemos isso claramente no lado brasileiro. Até o começo dessa década já existia o tótem, mas era só isso.

Em foto do sítio DBP Buss, uma jardineira na cidade argentina de Porto Iguaçu. A região tem transgenias busófilas curiosas…

Você podia se encostar e mesmo abraçar o monumento, e alguns faziam isso.

Era num ponto afastado do Centro de Foz do Iguaçu, sem nenhuma infra-estrutura de apoio ao turista.

Logo, pouquíssimas pessoas iam até o local, não havia atrativos além do tótem em si.

Agora, claro que ele continua no mesmo lugar, mas foi todo reformulado:

Construíram um laguinho incluso com iluminação noturna.

O soldado Maurílio. Já que o tema é esse, Pôr-do-Sol num Quartel do Exército Paraguaio que fotografei na capital Assunção, 2013.

Portanto ninguém mais pode chegar a pé até o monumento de cimento.

E ao redor fizeram estacionamento, restaurante, e um museu da colonização imitando uma missão jesuítica espanhola.

Afinal o estado argentino que faz divisa com Brasil e Paraguai é justamente as Missões.

Agora o Marco das 3 Fronteiras do lado brasileiro é uma atração turística de verdade.

Assim os guias de viagem passaram a incluí-lo em seus roteiros.

………

Encontro das Águas, Encontro das Nações Irmãs em Amizade e Fraternidade: 

Assim é Foz do Iguaçu, Porto Iguaçu e Cidade do Leste, a “Tríplice Fronteira”.

“Deus proverá”

capelinha – atual! -na tailândia, mais 19 fotos de fortaleza e demais atualizações de janeiro e dezembro

Escrevi uma matéria sobre a ‘capelinha’ nos ônibus, aquele letreiro menor no teto pro número da linha. Aqui em Curitiba, Santa Catarina e todo Nordeste não existiu. Mas foi absolutamente típico de São Paulo, Rio e Belém nos anos 70 e 80. Encontrada também em Porto Alegre, BH e Brasília. Traço brasileiríssimo da busologia, mas também presente em menor escala em outros países como ChileUruguai, Holanda, Grécia e Egito.

Pois bem. Em todas essas nações acima, Brasil incluído, existiu capelinha. Mas não existe mais há décadas. Segura essa: Só que na Tailândia ainda existe. Registrei a prova.

Se você já leu a matéria, busque (‘Control + f’) por ‘tailândia’ ou ‘atualização de janeiro de 2018’, aí vai direto ao foco. Se bem que pra quem gosta de ônibus sempre é bom relembrar as raridades, então vale conferir ao menos as fotos de novo.

……….

Mudei de casa e aí estava usando provisoriamente um outro computador. E nele produzi e joguei no ar a matéria sobre Fortaleza.

Hoje re-conectei meu computador, o que eu usava na minha (ex-) casa no Boqueirão e Uberaba. Então achei uma pasta onde estavam arquivadas quase 20 (19, sendo exato) fotos de Fortaleza. Atualizei a matéria com essas tomadas.

Essa acima, por exemplo, eu tirei numa repartição pública no Centro, com as bandeiras estadual, federal e municipal.

 

Tive que fazer uma foto-montagem (como na Marginal Tietê, em SP). Óbvio, né? Não dá pra duas bandeiras irem prum lado, e a terceira ir pra outro. Na matéria eu explico o porquê.

Se você já leu o texto (que não mudou) veja somente as imagens.

……….

Atualizei mais algumas matérias:

Flores do Juvevê & região. Estava no ar uma postagem com imagens do início de 2015. No fim de 2017 saquei mais fotos, e agora, 3 anos depois, amplio a mensagem. Quem conhece essa parte de Ctba. sabe que a imagem mostra um Hibisco na Moises Marcondes, que divide Juvevê e Ahu.

“Compraterapia”: vimos em outra postagem recente que Marília se deu um colar de Natal.Mas não só isso. Como a maioria das garotas, ela também adora comprar sapatos. Alias, ela adora o ritual de comprar em si mesmo. É a “compraterapia”. Então foi o que ela fez, saiu da loja com mais um par de calçados, e muitos elogios das vendedoras – falsos, é claro.

Ela sabe perfeitamente disso, que falam “você vai ficar linda” só visando a comissão da venda. Mas de vez em quando até esses ‘falsos elogios’ são bons. “Me engana que eu gosto” . .

Essa mesma postagem mostra uma imagem rara de Marília ainda criança, andando de bicicleta – “de rodinhas” e tudo – e várias outras dela já adulta, praticando esportes (inclusive andando de bicicleta de novo).

…………

– Ho, ho, ho… É Natal, e Papai-Noel veio pilotando um buso iluminado. Eu sei, o Natal passou. Já estamos em 2018, Mas pra quem é busólogo vale a pena conferir os ônibus com decoração natalina.

Várias fotos novas, de São Paulo (principalmente, todo estado, capital e interior – a direita Campinas), Rio de Janeiro (abaixo), Pernambuco, Santa Catarina;

ônibus do Grande Rio-RJ.

Além das que já estavam no ar de  SP, Paraná, Maranhão, Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco e Alagoas. Isso só ônibus urbanos. Mais alguns rodoviários e até caminhões.

………..

– Igualmente aumentei a matéria sobre a Rodoviária de Curitiba (damos uma palhinha também na de SP ).

Mais fotos de ônibus rodoviários, uma tomada rara do Guadalupe em 1957 – quando ainda rodoviária mesmo.

E também adicionei ônibus urbanos. Filma esse:

Gabriela da Redentor na Vila São Pedro, Xaxim, Zona Sul. Entrada por trás, pintura livre, numa imagem de boa definição.

Essa atualização é bem menor: adicionei Maurílio no desenho da Praia de Pajuçara, Maceió.

Como já está aqui o anúncio, segue junto.

Breve mais atualizações.

Febre Amarela

Pra gente começar 2018, compartilho com vocês o Painel de Controle da página.

Aqui estão todos os acessos d’O Caminhante (clique sobre a figura pra ampliar), desde que o sítio subiu ao ar fevereiro de 2015 até 03/01/18 por volta do meio-dia.

Estamos “Colorindo o Mundo”. Esse alias foi o título de mensagem similar que publiquei um ano atrás. Na época eu mesmo coloria o mapa de vermelho, agora o provedor fornece esse dado, em amarelo, daí o nome dessa atual mensagem.

Nesse último ano (2017) foram mais perto de 90 mil visitas, 45 mil visitantes. E o que mudou?

Eu fechei a Europa e América (continental) praticamente inteiras.

Brasil: 174 mil acessos, 6 dígitos.

Um ano atrás, entre todos os países europeus que nunca foram comunistas, minha página já havia sido lida em todas as nações – exceto duas, a Dinamarca e Finlândia. Sabe-se lá porque nunca havia tido um acesso um único acesso sequer dessas nações peninsulares.

Pois bem. Agora tive. Na Dinamarca estrearam e gostaram, já foram 7 visualizações em 2017. Na Finlândia permanece o primeiro e até agora único clique. Melhor que nada. Resultando que entre os europeus que nunca foram comunistas, fechei todos. Não há mais país algum que nunca tenha visto minha página.

CRUZANDO A CORTINA DE FERRO – Mas no Leste da Europa a presença do Caminhante/Mensageiro era bem mais fraca. Muito países nunca haviam acessado na história,  parte do mapa estava em branco.

EUA: 22 mil acessos, único país com 5 dígitos.

Claro que em 15 e 16 eu já havia tido leitores na Rússia, que é um país muito grande (tem 11 fusos horários, e bem mais de uma centena de milhões de habitantes) e várias outras como Romênia, Sérvia e mais algumas. Mas faltavam muitas.

Porém em 2017 Deus Pai e Mãe permitiu, e fizemos um arregaço no Leste da Europa também. A imensa maioria dos países do bloco ex-comunista agora já leu o que escrevi, faltam apenas alguns da ex-Ioguslávia, o resto já foram todos. Sendo mais específico, falta Bósnia e mais um ou outro bem pequeno, pois da Sérvia, Eslovênia e Croácia, por exemplo, já tive público.

Portugal: mil acessos, único com 4 dígitos

Sim, em vários países (Bulgária, Moldávia, Lituânia, Bielo-Rússia e Letônia) foi apenas um clique na história, todos em 17. Não é tão pouco, eu trabalho sozinho e não publico nada que esteja na moda, alias nem acompanho mídia.

E ainda assim posso dizer com orgulho que tive um leitor moldavo, um leitor bielo-russo, um leitor letão. Não são todos os escritores do mundo que podem afirmar o mesmo. A Croácia estreou com dois acessos no ano, a Ucrânia com 6.

Até o finzinho de 17, a Albânia nunca havia acessado minha página. Nos derradeiros dias do ano que findou alguém entrou – e gostou! Já voltou nos primeiros dias de 18. A Albânia foi a última aquisição da lista.

10 estreias na Europa, 8 no Leste e 2 no Oeste (totalizando todos do Oeste, repito).

Chile: 600 acessos.

Infelizmente o ‘WordPress’ contabilizou 41 acessos como “União Europeia”, aí não podemos saber de qual nação vieram.

AMÉRICA QUERIDA, (QUASE) DE PONTA-A-PONTA – A América, por motivos óbvios, é o continente em que minha página é mais lida. Natural, Eu Sou Americano, então normal que o grosso do público seja composto de Americanos e Americanas (me refiro ao continente por esse termo, e não aos EUA).

Ainda assim, faltam alguns países. Em 2017 tive o primeiro acesso de Porto Rico e Trindade & Tobago. De estreante na América foram esses dois. Mas na América, como na Europa, faltam poucas nações pra colorir o mapa inteiro.

França: quase 500 acessos.

Por isso me refiro a América continental, sem contar pequenas ilhas. Pois o Caribe tem 30 “nações”, sendo que a maioria não são países de verdade, mas protetorados (colônias) dos EUA, Inglaterra, França e outras metrópoles. Boa parte delas tem a população total menor que a de alguns bairros de Curitiba.

Assim, apenas as ilhas maiores e cuja população supera pelo menos a cifra da centena de milhar de habitantes é que pode ser comparada como uma nação de fato. Entre essas, já tive público em Porto Rico (apesar de razoável tamanho e população, essa é colônia ianque oficialmente) e dos dois lados da Ilha Espanhola – tenho público fiel tanto na República Dominicana (que visitei) como no vizinho Haiti. Nunca ninguém acessou de Cuba. Talvez minha página seja proibida lá – na China esse é o caso, O Caminhante é barrado em território chinês.

Alias o Haiti bombou nas estatísticas em 2017. Em 15 e 16 somados eram somente 3 acessos, no ano passado foram nada menos que 37 nada mal se você considerar que esse país é muito pobre e a internet em banda larga está longe de estar universalizada. E eu nunca estive no Haiti, portanto pouco (quase nada, melhor dizendo) escrevi sobre ele.

Argentina: 300 acessos.

2 estreias na América, ambas no Caribe.

ABRINDO NOVAS FRONTEIRAS NA ÁFRICA E ÁSIA – Esses são os dois continentes que tenho menor público. Bem, por outro lado quando a base é menor mesmo um avanço relativamente pequeno no absoluto representa muito no proporcional.  Como ali ainda há dezenas de nações nas quais nunca houve acessos,  na África a Ásia tive bom número de estreias em 2017. Entraram pela primeira vez na minha página no ano de 2017:

Nigéria, Líbia, São Tomé & Príncipe e Tunísia na África, Malásia, Iraque, Catar e Timor Leste na Ásia.

4 novos países na África, e mais 4 na Ásia, totalizando 8 nesses dois continentes de menor penetração.

Alemanha: igualmente 300 cliques.

TUDO SOMADO: 20 NOVOS PAÍSES FORAM PINTADOS DE AMARELO EM 17, sendo que a Nigéria tem quase 200 milhões de habitantes, Malásia, Iraque e Ucrânia superam 30 milhões cada. Países importantes, portanto, que vieram engrandecer a lista.

No maior país do mundo em PIB (em poder de compra, ou seja, o ianque ganha em dólar e gasta em dólar, o chinês ganha em yuan e gasta em yuan – se você medir todos os PIB’s convertendo tudo em dólares, o dos EUA é 50% maior. Mas se você não converter, e levar em conta o poder de compra na moeda local, o PIB da China já é maior, embora óbvio o per capita ianque ainda seja muito superior) e população, que é a China, minha página é proibida, aí claro não há acesso lá.

Digo isso porque tenho público em locais que o povo é chinês, mas que vivem sob diferente regime político (Macau, Hong Kong [esses dois pertencem a China, mas por terem sido incorporados recentemente mantém liberdades que a China Continental não possui], Taiwan e Cingapura).

Paraguai: também mais de 300 visitas.

Então se chineses dessas ilhas/cidades acessam minha página, é natural que a China Continental, tendo infinitamente mais chineses (muito mais de 1 bilhão pra ser exato) geraria pelo menos algum tráfego, se isso fosse permitido. Como não está ocorrendo só posso concluir que não é permitido.

………..

Deixando isso pra lá, quero destacar que na África do Sul houve igualmente uma explosão esse ano, como no Haiti. Até um ano atrás, só haviam 2 acessos na história, e em 17 foram nada menos que 42.

Ucrânia: uma das estreias de 2017.

Nesse caso é mais fácil entender. Eu estive na África do Sul em 17, e estou escrevendo uma série sobre esse país. Aí natural que alguns sul-africanos queiram saber o que achei da terra deles.

Na Líbia, que nunca havia acessado antes, foram 32 acessos em 17. Mas todos de uma vez. Na África do Sul e Haiti, houve um aumento gradual de público, distribuído entre várias pessoas, por um longo período de tempo. Portanto o tráfego tende a se manter no futuro. Na Líbia, um único usuário fez os 32 cliques, no mesmo dia.

Provavelmente ele acessou a matéria que falo dos Mercedes-Benz – essa marca foi muito popular em todo mundo árabe, como no Brasil. Inclusive há a foto de um Mercedão em Bengazi, na Líbia.

China: nenhum acesso. A página é proibida lá.

Esse deve ter sido o gancho. Atraído por essa foto, um cara que curte caminhões abriu várias imagens dessas máquinas estreladas pelo mundo. Depois desse dia não houve outro acesso da Líbia, e pode ficar sem haver por um bom tempo, meses ou mesmo anos.

…….

É isso aí. Bom 2018 pra todos os leitores e leitoras. Espero que prossigamos juntos nesse novo ano.

Que Deus Pai e Mãe Ilumine todos os seus Filhos e Filhas, em 18 e pela Eternidade.

“Deus proverá”

 

Noite Feliz

Por Maurílio Mendes, o Mensageiro

Publicado no Natal (25/12) de 2017

É Natal!

E Marília foi as compras.

Ela resolveu se dar de presente um colar.

Por isso vemos ela na loja, a vendedora falando:

Marília Mamãe-Noel.

“Nossa, você ficou linda!”, essas coisas. Vendedor tem que vender, né?

Mas nesse caso Marília concordou.

A menina levou sorte, vai ganhar a comissão. Marília vai levar o colar.

Não tem mais como não levar. Foi um ‘caso de amor’.

Ela ficou encantada quando se viu no espelho.

Até pôs as mãos no peito como é um gesto característico seu.

………….

E Maurílio é o Papai-Noel.

Aproveitando o embalo: Marília de Mamãe-Noel (dir.).

Ela é uma garota muito vaidosa, e que gosta de chamar a atenção pela aparência.

De forma positiva, claro, sem apelar.

Por isso ela alugou essa fantasia, pra passar assim a festa de família:

Agora de verdade, Papai-Noel na boleia de um busão em Maceió. Confira o sítio Maceió Bus, do autor dessa foto.

De mini-vestido vermelho, barras e alças brancas felpudas, gorrinho típico na mesma configuração, e até um grande cinto.

Fez bastante sucesso. As crianças adoraram, e, por que não dizer?, os marmanjos também:

Eles pediram de presente . . . a própria Mamãe-Noel !!!! Pode isso????

Pode, pois é tudo em tom de brincadeira entre amigos, óbvio. Até porque o coração dela já tem dono.

………..

Papai- e Mamãe-Noel trabalhando na Viação Veleiros – leia a página da empresa que explica o projeto.

Já que falamos dele, não esquecemos de Maurílio, evidente. Ele igualmente se vestiu a caráter, e fez as vezes do Papai-Noel.

Só que ao contrário dela que pôs a roupa em casa, entre família e amigos, Maurílio foi trabalhar fantasiado: 

Dirigindo um Gabriela da Real Alagoas (o desenho a esq. mais pra cima na postagem).

Obviamente vemos que nesse episódio ele mora em Maceió-AL, uma cidade que ele adora! Nas folgas vai curtir a Praia em Pajuçara.

Repito os desenhos em escala maior.

Não é modo de falar, nem figura de linguagem ou ficção. Várias cidades brasileiras adotaram a tradição de decorar os ônibus com neon no Natal.

Especialmente no estado de São Paulo e no Nordeste, mas também em outros estados do Sul e Sudeste.

E pelo menos em São Paulo e em Maceió acontece isso mesmo, Papai-Noel na boleia, e a Mamãe-Noel na catraca.

………

Em tempo: Marília também dirige ônibus – e táxi. Só que nesses casos ela ainda não foi fantasiada. Por enquanto. . . .

 Feliz Natal e Bom Ano Novo a todos e todas.

E que Deus Pai e Mãe Ilumine todos os seus Filhos e Filhas em 2018.

“Deus proverá”

Fortaleza: a Cidade do Sol, do Mar, das lagoas, do ‘Funk’ e dos Ônibus Azuis

Lado-a-lado, as estações de metrô e ônibus de Messejana, Fortaleza (r). Aqui já vemos 2 traços marcantes da cidade, as lagoas e os busos azuis – quando estive lá, em 2011, eram assim inteiramente celestes. Hoje são brancos mas com detalhes ainda em azul.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (via emeio) em 6 e 11 de setembro de 2011

Maioria das imagens clicadas pessoalmente por mim. As que foram baixada da internet eu identifico com um ‘(r)’ de ‘rede’, como visto ao lado.

Os créditos foram mantidos sempre que impressos nas imagens, e quando possível passo a ligação pras fontes.

Vamos concluir a série sobre a capital do Ceará. A viagem foi em agosto de 2011. Entre outras coisas, contarei sobre minhas voltas na periferia. Porém antes de irmos de vez pro subúrbio, falemos sobre alguns detalhes da alimentação.

Mercado no Centro de Caucaia, Zona Oeste metropolitana. No Ceará as pessoas ainda compram galinha viva no meio da rua – já em João Pessoa fotografei o comércio de bodes.

Em Fortaleza não há restaurantes em que você come a vontade por um preço fixo, o que me chamou muita atenção porque sou do Sul do Brasil.

Pra quem é do Nordeste e não conhece o Sul, ou vice-versa é do Sul mas não conhece o Nordeste, façamos a comparação:

Aqui no Centro de Curitiba (e em todos os seus bairros mais movimentados) há centenas de restaurantes onde você come tudo que quiser e puder, sem precisar pesar e repetindo quantas vezes quiser, porque o valor é igual pra todos.

Há uma rede que se chama Spich, por exemplo, com várias filiais espalhadas pela cidade, Centro e bairros. Ali, por R$ 4,50 (valor de 2011) você come a vontade, e uma comida de qualidade. (Notas: não estou fazendo propaganda, não ganho jabá pra falar isso. Cito apenas um exemplo que todos aqui em Ctba. conhecem. 

A Cidade das Lagoas: a da foto maior creio que seja a de Messejana, não posso dar certeza. A do destaque é na Zona Sul, também não estou certo em que bairro. As margens dela mais uma favela – lembre-se, no Nordeste as favelas são sempre de alvenaria e (com exceção total de Salvador e parcial de Recife) geralmente de casas térreas, as lajes apenas iniciam sua subida.

De fato o Spich é uma boa pra quem quer uma comida barata e saudável, tem bastante opções de salada, por exemplo.

Atualizando, no começo de 2017 o valor do Spich era R$ 6,95, ainda bem abaixo da média da cidade que oscila já perto dos R$ 10. Estabelecida essa referência, voltemos a Fortaleza.)

No Ceará, dizendo de novo, não existe o sistema de comer a vontade por um preço fixo. Há duas opções: se você mesmo se serve, precisa pesar pra ver quanto vai pagar. Se o preço é fixo, o prato também.

Atualização: depois dessa viagem, fui a Belém do Pará, João Pessoa-PB e Belo Horizonte-MG. Foi interessante porque aí pude comparar o Brasil nas suas 2 pontas, e também em seu centro.

Na Paraíba eu não me alimentei na rua, pois fiquei hospedado na casa de uma colega. Mas na Amazônia almocei sempre em restaurantes do povão. E aí vi: não é só em Fortaleza, em Belém tampouco há comida a vontade por preço fixo.

Bairro Jurema, em Caucaia.

Concluí que essa é a característica do Norte e Nordeste, sendo que aqui no Sul, dizendo de novo, é o exato oposto. Em B.H., vejam vocês, achei um sistema intermediário entre as pontas dessa nação-continente:

Ali em Minas você mesmo se serve a vontade, e não precisa pesar – mas não pode repetir, é o que couber no prato na sua única ide ao bifê. Os cartazes deixam claro como funciona: “sem balança – mas sem repetir”.

No meu último dia em Fortaleza achei no Centrão um restaurante bom e barato, $ 4,50 o prato feito (valores sempre de 2011, lembre-se).

Bem perto dali, as ruas internas do Conjunto Ceará, populoso bairro da Zona Oeste.

Outro detalhe é que a farinha de lá é muito mais grossa e escura. Quem é acostumado com a farinha branca e fina do Centro-Sul vai achar que está comendo pedra.

É assim mesmo, foi igual em João Pessoa, Belém e Manaus-AM. Creio que seja característica dos lugares mais quentes na porção setentrional do Brasil.

‘PÃO DE QUEIJO’ É BEM DISTINTO – 

Também o que no Centro-Sul chamamos por “pão-de-queijo” não existe no Ceará. Digo, o pão-de-queijo mineiro, como conhecemos por aqui, existe lá nas lanchonetes de classe média-alta, em “shoppings” e na beira da praia, onde há muitos turistas.

Aqui e sobre a manchete: contraste agudo, os prédios dos milionários ao lado do iate-clube em Meireles, e uma grande favela logo atrás (imagem obtida via ‘Google Mapas’).

Mas no Centro e na periferia eles desconhecem. Os hábitos alimentares variam muito mesmo de região pra região, né?

Por exemplo, em Manaus eles não servem batata-frita, exceto nas áreas turísticas, o que torna o prato extremamente caro.

Aqui em Curitiba o ‘prato-feito’ ou ‘p.f.’ mais comum é arroz, feijão, alface, tomate e um bife, as vezes vem também batata-frita, que no Centro-Sul é popular e barata.

Mas em Ponta Grossa, no interior do Paraná, sempre servem repolho ao invés de alface, devido a colonização russa, pois os eslavos adoram repolho. Em Belém o p.f. sempre contém macarrão, o que não vi em outras partes, ao menos não sendo compulsório como no Pará.

Próximas 4: a orla da Zona Leste, a porção rica da capital. Começamos com 2 de minha autoria.

Voltemos a Fortaleza. Lá ‘pão-de-queijo’ designa um outro salgado, seria equivalente uma esfirra fechada de queijo (talvez similar a popular ‘empanada’, que é salgado mais conhecido do Chile, Argentina, Paraguai e Bolívia).

É gostoso, e me ajudou bastante, pois eu não como nenhum tipo de carne. Então quando circulando pelas cidades (no Centrão e nos subúrbios, entre o povão) é bom quando encontro uma forma rápida e barata de me alimentar, o que nem sempre é fácil.

Na Colômbia, por exemplo, eles comem muita carne, não há salgados só de queijo. Teve dias que tive que almoçar um pedaço de bolo doce, e eu não gosto muito de doces nem mesmo na sobremesa, que dirá como prato principal.

Outra coisa. No Nordeste é vendida uma margarina com a fórmula diferente da que é comercializada no Centro-Sul, pois é muito mais resistente ao calor.

A que comprei é fabricada pela transnacional Bunge, em PernambucoFicou 2 dois fora da geladeira, no calor cearense. Não derreteu. Quando a coloquei na geladeira, aqui em Curitiba, entretanto, ela congelou.

Ou seja, uma margarina que dispensa refrigeração, e aguenta o calor quase desértico sem se liquefazer.Especialmente no interior, muita gente no Nordeste ainda não tem geladeira, e a Bunge adaptou a fórmula pra atender esse público.

………………..

Aqui e a direita, seguimos na mesma frequência, mas agora em duas cenas baixadas da rede: Praia de Meireles, onde moram os ricos. Ondas calmas pelo dique que afunda o calado pro porto, que é próximo – no Litoral do Chile eu fotografei um prédio vazado parecido com esse.

Voltemos a falar da cidade de Fortaleza. A Zona Leste é a parte rica. Falando em termos gerais, a elite e a alta-burguesia moram a leste do Centro, entre a orla e Parque do Cocó. Do parque pra baixo é periferia como no resto da cidade.

Digo, de uns tempos pra cá a outra margem desse bosque também vem se aburguesando mais, natural, pois há uma oferta maior de terrenos pra se construírem novos prédios.

Mas arredondando podemos dizer que o Parque do Cocó marca a divisa entre burguesia e periferia. Sim, ainda há uma porção mais cara nas imediações dele, mesmo na margem ‘de baixo’.

Mas logo a seguir a mesmo a Z/L passa a ter um perfil mais de subúrbio, que prevalece nas nas Zonas Oeste e Sul. Bem, agora, vamos falar exatamente do resto da cidade. Comecemos pelo núcleo principal. Os bairros ao redor do Centro de Fortaleza são densamente habitados, ao contrário do que ocorre em Curitiba.

Mais uma de Meireles (r). Aqui fica claro a ‘piscininha’, por isso me refiro a uma praia mansa, de mar calmo.

Novamente falarei um pouco da capital do Paraná pra termos base de comparação. Como viram pelos dados do Censo, nessa última década o Centro de Curitiba voltou a crescer. Mas os bairros da Zona Central, excluindo o próprio, continuam a minguar.

Rebouças, Parolin, Seminário, Jardim Social, Hugo Lange, São Francisco, Batel, Mercês, Prado Velho, entre outros, continuam a sofrer severo êxodo.

Rebouças mesmo tinha população maior em 1970, 41 anos atrás portanto, que hoje (2011). E isso que Prado Velho e Parolin abrigam grandes favelas, as Vilas Capanema e Parolin.

E as favelas (de Curitiba e toda parte) continuam a inchar, agora pra cima, com cada vez mais lajes sendo erguidas. Então você imagina como está grave a sangria de gente nas partes não-favelizadas dos bairros centrais da capital paranaense.

Praia do Futuro, a leste da cidade (r). Essa é de mar aberto, e portanto com ondas de verdade.

Em Fortaleza esse fenômeno de esvaziamento da Zona Central não existe. Digo, esse é minha observação empírica, e fiquei apenas 4 dias na cidade, qualquer análise tem uma base de dados pequena.

Não puxei os dados do Censo dos bairros de lá. Mas fiquei hospedado próximo ao Centro, e andei bastante a pé na região. Não há a impressão de ‘cidade-fantasma’ que tenho em partes do Rebouças e São Francisco, aqui em Ctba. .

Isso porque Fortaleza cresce num ritmo galopante, então não se pode se dar ao luxo de desperdiçar espaço. Fortaleza tinha 1,7 milhão no Censo de 1991. Em 2000 eram 2,1 milhões.

Agora em 2010 são 2,4 milhões de fortalezenses – ultrapassou Belo Horizonte, e hoje é quinto município mais populoso do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador-BA e Brasília (a capital federal também cresce muito, e também deixou BH pra trás).

Em compensação a Praia do Futuro, por ser afastada da Zona Central, quase não tem prédios, e há mesmo ainda grandes terrenos vagos em frente (r).

Curitiba, em comparação, tinha 1,3 milhão em 1991, 1,5 em 2000 e agora em 2010 somos 1,7 milhão de curitibanos. Ou seja, em 1991 Fortaleza tinha 400 mil pessoas a mais que Curitiba.

Atualmente a diferença é de 600 mil. Em compensação, a Região Metropolitana de Fortaleza é menor que a Região Metropolitana de Curitiba. Aqui estou dizendo que há menos municípios-dormitórios ao redor de Fortaleza do que ao redor de Curitiba.

O núcleo é maior lá, mas o subúrbio é maior aqui. Tudo somado, a Grande Fortaleza tem mais ou menos a mesma população da Grande Curitiba, cerca de 3,5 milhões de pessoas.

Repartição pública no Centro da capital, com as bandeiras do Ceará, Brasil e Fortaleza. Está claro que que fiz uma foto-montagem: não consegui uma tomada com as 3 abertas no ar ao mesmo tempo, então tirei mais de uma foto, recortei a bandeira do Ceará e colei nessa. A intenção não é enganar ninguém, e, bem, se fosse eu não teria a técnica nem o equipamento necessários pra fazer uma armação convincente. Além de vocês notarem as emendas, é claro que é impossível os pavilhões federal e municipal tremularem prum lado, e o estadual pro outro. O propósito é apenas vermos o símbolo das 3 esferas na mesma cena.

E ambas têm também mais ou menos o mesmo número de assassinatos, cerca de 1,8 mil por ano tanto na Grande Fortaleza quanto na Grande Curitiba. São duas cidades muito violentas.

Atualização: o texto é de 2011, dizendo de novo. Portanto os dados acima são de 2010, e esse foi o período mais violento da história de Curitiba.

Em 2010 somente o município de Ctba. teve 979 assassinatos (isso em nºs oficiais – na prática foram mais de mil, resultando os 1,8 mil do município + subúrbios metropolitanos).

Nessa década de 10 os assassinatos em Curitiba e região se reduziram bastante, no município agora é perto de metade do pico: em 2015 foram 449.

Portanto a capital do Paraná ainda é uma cidade muito violenta, mas bem menos do que já foi. Em Fortaleza, infelizmente, a violência ainda continua na estratosfera.

Em 2014 foram 1.989 homicídios, tanto em termos absolutos como relativos (proporcional a população) a capital mais violenta do Brasil.

Fortaleza teve mais assassinatos que São Paulo, cuja população é 5 vezes maior. Os índice de Fortaleza estão próximos aos das grandes metrópoles da África do Sul e México, que são países ainda mais violentos que o Brasil, e olhe que isso não é fácil.

Fortitudine”, a bandeira municipal com ‘Fortaleza’ em latim.

………………….

Abaixo reporto como o humor cearense sintetiza essa triste situação de conflagração urbana. Aqui continuemos a falar da população.

Se hoje (2011) o número de habitantes das duas cidades (núcleo mais subúrbios) se equivale, em 2020 a Grande Fortaleza será muito maior que a Grande Curitiba, pois cresce muito mais.

CAUCAIA, CORAÇÃO DA ZONA OESTE –

A Zona Leste é a parte rica, as Zonas Sul e Oeste de Fortaleza são as mais pobres e mais populosas. Tanto dentro do município quanto nos subúrbios. Não custa lembrar que Fortaleza não tem Zona Norte, pois essa é o Oceano. Assim os municípios mais povoados da Grande Fortaleza ficam pros lados ocidental e meridional da metrópole.

O texto ao lado fala de Caucaia, mas essa foto é no município de Fortaleza. Na capital do Ceará esse é o padrão, 90% das portarias são assim, 2 metros acima do solo. Quase uma guarnição militar, igual as torres de vigia dos quartéis. Certamente é impossível assaltantes renderem o porteiro dessa forma, pela visão que ele tem da rua, e por não ficar na linha de tiro. Ele não interage com visitantes face-a-face, apenas por interfone. Já conheci centenas de cidades por toda América (e até um pega na África), somente em Fortaleza eu vi isso, pelo menos nessa proporção epidêmica.

O maior é certamente é Caucaia, que fica no Coração da Zona Oeste da cidade. É um município muito grande, tanto em área quanto em população.

Pega um pedaço de litoral e vai margeando toda a divisa oeste do município de Fortaleza. Em Caucaia moravam 325 mil pessoas em 2010, segundo o Censo.

Hoje são bem mais, pois a taxa de crescimento populacional do Norte, Nordeste e Brasília permanece elevada, ao contrário do Centro-Sul.

Caucaia é o segundo município mais populoso, não apenas da Grande Fortaleza mas também de todo o estado do Ceará. A título de comparação, a maior cidade do interior, Juazeiro do Norte (terra do Padre Cícero) tem 249 mil habitantes.

Caucaia já é grande e cresce demais. Em 1991 tinha 165 mil habitantes, em 2000 250 mil e agora (censo de 10), dizendo de novo, 325 mil.

Resumindo dobrou em 20 anos. Crescimento explosivo. Caucaia é servida por trem de subúrbio, cujo trilho veem em fotos espalhadas pela página.

MARACANAÚ, O ORGULHO DA ZONA SUL 

Se a Zona Oeste é grande, a Zona Sul não fica pra trás. Ali está o município de Maracanaú, que é o mais industrializado da Grande Fortaleza. Estive lá na Zona Industrial.

Agora vemos Caucaia, mais uma no bairro de Jurema.

Há um Instituto Federal (antigamente chamados ‘Cefet’ em alguns estados) novinho em folha (quando estive lá, que foi em 2011, nunca custa reforçar). Maracanaú tinha 209 mil habitantes no censo do IBGE de 2010.

O que o torna o 4º município mais populoso do estado, atrás dos vizinhos Fortaleza e Caucaia, já citados, e Juazeiro do Norte (que, repito, com 249 mil habitantes no mesmo censo é a maior cidade do interior).

O 5º município mais povoado do estado, e segunda maior cidade do interior, é Sobral, com 188 mil pessoas. Mas nosso foco é a Grande Fortaleza. De volta pra lá.

Maracanaú também é servida por trem de subúrbio, mas este está desativado – por um bom motivo: a linha está sendo adaptada pra virar metrô (foi o que escrevi em 2011. Em 2017 o metrô já está funcionando há tempos, publiquei a matéria específica sobre o transporte no Ceará). 

Fortaleza: casas com grades na porta, mesmo perto do Centro. Aqui em Curitiba existe também essa cena, mas somente nos bairros mais afastados do subúrbio, muitas vezes na região metropolitana. No Ceará é mais generalizado. Tirei essa foto de dentro do trem. Outro detalhe é que esse é o perfil típico das casas mais humildes no Nordeste: pequenas, de alvenaria e com a saída direto pra rua, sem muro ou quintalem João Pessoa fotografei isso com melhor definição.

Aqui o foco é a população, como ela se divide nas regiões da cidade. Oficialmente a Grande Fortaleza é composta de 19 municípios.

Mas você sabe que essas decisões políticas muitas vezes não encontram respaldo na realidade, nos ‘fatos no solo’. Quero dizer com isso o seguinte:

As regiões metropolitanas das capitais vão sendo sucessivamente ampliadas, e com isso passam a abarcar municípios muito distantes.

Incluso alguns que não têm qualquer ligação urbanística ou econômica com a capital. Na prática, muitos municípios mais distantes são já no interior.

Próximos a capital sim, mas não estão conurbados, não estão conectados a ela. Somente no papel fazem parte da região metropolitana.

Foram incluídos por interesses políticos, que nem sempre – ou quase nunca – são os anseios e necessidades reais da população. Vou traçar mais um paralelo com o Paraná, pois aqui eu já exemplifiquei a situação em detalhes, com mapas e fotos dos ônibus que ligam as cidades:

Mesma cena na periferia, em Maracanaú, Zona Sul.

A Grande Curitiba é a maior região metropolitana da Brasil, em área. Vai desde a divisa com São Paulo no Vale do Ribeira até a divisa com Santa Catarina em Rio Negro.

Fortaleza passou pela mesma expansão. Em 1973 era formada por apenas mais 4 municípios além da capital, e todos faziam divisa com a mesma: 

Caucaia, Maranguape, Pacatuba, e Aquiraz. Na década de 80 Maracanaú e Eusébio se emanciparam respectivamente de Maranguape e Aquiraz, e portanto passaram a fazer parte também.

Até aqui todas ainda faziam divisa com a capital (embora o ponto de contato entre  Fortaleza e Aquiraz tenha ficado minúsculo com a separação de Eusébio, os municípios ainda se tocam perto da orla).

Não é a fronteira física por si mesma quem determina se um município é ou não região metropolitana. Piraquara não faz divisa com o município de Curitiba, mas a ‘Nascente do Sol e das Águas’ definitivamente é parte da Grande Curitiba.

Bairro Jurema, Caucaia: um comércio funcionando atrás das grades. Essa lanchonete está aberta, no entanto gradeada, o dono só abre se confia no freguês que chega. É muito comum essa cena na Grande Fortaleza, infelizmente. Aqui em Curitiba ocorre também mas é bem mais raro. Lá a situação é mais tensa. Só que na Colômbia é pior ainda, em Fortaleza é mais comum que Curitiba mas mesmo assim só na periferia. Em Bogotá e Medelím isso é corriqueiro mesmo no Centro e nos bairros mais abastados.

Mas há cidades que estão a algumas dezenas de quilômetros da capital, estão completamente separadas dela em termos urbanísticos (ou seja, é preciso pegar estrada).

Resultando que praticamente nenhum de seus habitantes migra pendularmente todos os dias pra trabalhar. Aí podemos ter certeza que não é região metropolitana de fato, só no papel.

Lapa, Rio Negro, todo o Vale do Ribeira e mais alguns municípios não são Grande Curitiba de fato, foram incluídos por outros fatores.

Retomando nosso foco, no Ceará ocorre o mesmo. Até 1992 todos os municípios da região metropolitana eram Grande Fortaleza de fato e direito.

Mas de lá pra cá, em sucessivas ampliações, foram incluídos repetindo cidades do interior, que não guardam relação urbanística com a capital.

Então podemos dizer que em termos práticos são realmente, com ‘fatos no solo’, parte da Grande Fortaleza: Caucaia, Maracanaú, Pacatuba, Maranguape, Itaitinga, Guaiúba, Eusébio e Aquiraz.

Caucaia, Maracanaú e Fortaleza são unha-&-carne. 3 municípios, mas uma só cidade, fazem totalmente parte da vida da capital.

Agora em Maracanaú. Passamos da Zona Oeste pra Zona Sul, mas a situação se repete: uma casa de internet pública (‘lan house’) funcionando, mas com portas gradeadas.

Caucaia e Maracanaú são praticamente bairros de Fortaleza em todos os quesitos exceto que cada uma delas tem sua prefeitura própria.

Você não percebe quando cruza o limite municipal, pois a área urbana é totalmente interligada.

Caucaia então está umbilicalmente ligada a capital, pois é vizinha do famoso Conjunto Ceará, bairro emblemático da Zona Oeste de Fortaleza.

Já num segundo anel, mas ainda bem conectadas no dia-a-dia do núcleo, há Pacatuba, Maranguape, Itaitinga e Guaúba na Zona Sul, e Eusébio e Aquiraz na Zona Leste.

Dessas Maranguape, a terra de Chico Anysio, é disparado a maior e mais conhecida, tinha 113 mil habitantes no último censo.

As demais já são mais uma “área de influência”, digamos. Próximas a capital, mas é preciso pegar estrada e sair do perímetro urbano pra chegar nelas. Como dito há outros municípios ainda mais distantes, que são Grande Fortaleza no papel mas não o são na prática.

……….

Próximas 2: o trilho do trem divide os bairros Jurema (Caucaia) e Conj. Ceará (Fortaleza).

Na Zona Oeste, dentro do município de Fortaleza, há o Terminal Antônio Bezerra, próximo da Avenida Bezerra de Menezes.

Os que são familiarizados com os grandes nomes do espiritismo kardecista sabem que Bezerra, que é cearense, foi um dos grandes nomes que ajudaram na difusão dessa religião em nosso país.

Resultando que alguns poderiam pensar que o nome da avenida se deve a influência espírita, assim como há a Rua Allan Kardec no Bom Retiro, Zona Norte de Curitiba – o próprio nome Bom Retiro, alias, é emprestado do hospital da Federação Espírita que por décadas foi ali localizado.

Mas não é pelo kardecismo que existe a Avenida Bezerra de Menezes em Fortaleza, ou ao menos não é somente por isso. Adolfo Bezerra de Menezes foi um dos cearenses mais ilustres da história, em muitos campos.

Afinal foi médico, militar, escritor, jornalista e político. Antônio Bezerra, que nomeia um bairro e um terminal da Zona Oeste, foi seu pai. Uma nobre dinastia cearense.

………

Fortaleza tem (em 2011) 7 terminais de ônibus. E 6 desses ficam na periferia. A exceção é Papicu, no coração da parte mais rica da cidade, a Costa Leste.

1989: começa uma nova era no transporte de Fortaleza (r). Chegam os 1ºs articulados, ainda na época que cada empresa ainda pintava seus ‘carros’ como queria. A pintura da estatal CTC era essa. Esse e o próximo são dois veículos (da mesma leva, o da foto seguinte foi re-pintado) de carroceria Thamco, fábrica que havia em Guarulhos, Grande São Paulo. Ficou famosa por fabricar os primeiros 2-andares brasileiros, mas a seguir, no meio dos anos 90, faliu. A Marcopolo comprou o espólio e a renomeou Neobus (a mesma que fabricou os novos ligeirões azuis de Curitiba, que quando escrevi esse emeio eram novidade), transferindo-a pra sua cidade-sede, Caxias do Sul-RS.

Por isso é muito movimentado, há linhas pra todos os outros terminais, pois ali é que estão boa parte dos empregos.

A linha Papicu-Conjunto Ceará, por exemplo, é extremamente sobrecarregada, pois liga um terminal que é no núcleo da Zona Leste ao coração da Zona Oeste, a região-dormitório.

OS ARTICULADOS SE FORAM, MAS VOLTARAM: A QUEDA E ASCENSÃO DO TRANSPORTE FORTALEZENSE

Nessa década de 10 Fortaleza investiu maciçamente no transporte coletivo. Foi uma revolução, de uma situação caótica a situação melhorou muito.

Já fiz matéria específica sobre o tema, onde discorro melhor, ilustrado com muitas fotos e mapas. Portanto aqui daremos somente uma breve rememorada.

Vejamos o que escrevi em 2011, que foi o que constatei lá. E depois atualizamos, pra vocês verem o quanto a coisa mudou pra melhor. Esse subtítulo acima, “Os articulados se foram mais voltaram”, só pode ter sido escrito numa atualização da matéria. E de fato o foi.

Atrás (destacado pela flecha) um ainda em pintura livre (r). O prefixo é em cor diferente porque Fortaleza é o epicentro da ‘Costa Norte’ Brasileira, que se espraia dali até Manaus.

Pois no emeio original, que mostrava como era a realidade no comecinho da década de 10, o sub-título era:

“NÃO HÁ ARTICULADOS, REGRESSÃO NO TRANSPORTE“. Relatei a época queessa linha (Papicu-Conj. Ceará, citada acima) deveria ser feita com articulados. Infelizmente não há ônibus articulados em Fortaleza, e essa é uma falha gritante do sistema.

Tampouco há canaletas (corredores) exclusivas, outro erro de planejamento. A foto abaixo a direita mostra a primeira pintura padronizada de Fortaleza, ou seja igual pra todas as empresas.

Até hoje se entra por trás em Fortaleza, isso não mudou – digo, inverteram pra frente, mas depois voltou pra trás. Veem aquelas flechas, que marcam a inauguração dos terminais, o começo da Rede Integrada.

A ‘Cidade dos Ônibus Azuis’: assim que desembarquei no aeroporto, minha primeira vista de Fortaleza, agosto de 2011: o céu e os busos, tudo celeste. Na época a cidade não tinha articulados nem corredores, e toda frota era nessa padronização ‘das Flechas’.

Eram a princípio 3 pinturas diferentes, conforme a categoria do buso (sistema adotado em Curitiba e tantas outras cidades), mas em poucos anos toda frota municipal, em todas as linhas receberam essa pintura ao lado.

Corredores exclusivos nunca existiram mesmo, agora articulados haviam, e não há mais.

Ou seja, aconteceu uma regressão. Havia uma viação pública estadual, a CTC, Companhia de Transporte Coletivo.

Os busólogos sabem que houve uma empresa com esse mesmo nome no Rio de Janeiro, e também era estatal. Por isso falamos em CTC-RJ e CTC-CE pra diferenciar.

Tanto a CTC-RJ quanto a CTC-CE tiveram ônibus articulados. Foram depois entretanto privatizadas. E hoje nem Fortaleza nem o Rio de Janeiro tem ônibus articulados. Uma regressão.

Antes/Depois (imagem via ‘Google Mapas’): Fortaleza não tinha corredores de ônibus. Agora tem. Aí sim!!!

Falemos um pouco de como tudo se deu. Os primeiros articulados de Fortaleza foram entregues em 1989. Era uma época de caos na cidade.

Na mesma época a prefeitura inaugurou os primeiros terminais integrados, padronizou a pintura dos ônibus e comprou os primeiros articulados da história.

Três grandes avanços. Depois disso, entretanto, o caos voltou a reinar. Com muitos desmandos, não houve mesmo como a companhia estatal sobreviver, foi privatizada na sequência.

Próximas 3: Maracanaú, Z/S metropolitana.

Com isso Fortaleza não tem mais articulados. Alias o Rio de Janeiro também não.

Tem mais. Estive em Belo Horizonte um ano e pouco depois de Fortaleza.

A época (2012) a capital mineira tampouco tinha articulados, exceto um uma única linha já saindo da cidade.

Os poucos sanfonados da capital mineira ligavam o metrô ao então recém-inaugurado palácio do governo, que é fora da zona urbana, a dezenas de quilômetros do Centro.

(Nota: alias alguns desses ônibus sanfonados belo-horizontinos vieram parar em Curitiba, eu os vejo passar daqui de minha janela. Volta o texto original). Triste, muito triste. Em 2011 e 12 assim era mesmo.

Aqui o Conjunto Novo Maracanaú.

Mas de lá pra cá houve um renascimento: tanto o Rio, B.H. e Fortaleza quanto várias outras metrópoles investiram muito no setor.

Inauguraram vários corredores exclusivos operados por articulados com modernas estações com embarque em nível. E o Rio e Fortaleza multiplicaram em muito a malha do transporte sobre trilhos.

…………

Pra fechar a parte dos ônibus, Fortaleza tem um transporte barato, a tarifa é R$ 2, e em duas horas do dia (das 9h as 10h e das 14h as 15h) é mais barato ainda, R$ 1,80, a chamada ‘hora social’.

Ainda periferia de Maracanaú. Imagem em baixa resolução, desculpe. Amarraram um bode pra pastar. Nesse dia estava uns 40º no Ceará. E o bichinho não tinha uma sombra pra se abrigar. Deu dó!  

Como dito, os valores são de 2011, em Curitiba como comparação era 2,50.

Atualizando, hoje (2017) em Ctba. é R$ 4,25 em qualquer tempo, em Fortaleza 3,20 a normal e 3 Reais nessas duas ‘horas sociais’.

Alias muito interessante essa política de dar desconto pra quem usa fora do horário de pico. Existe em diversos outros países, inclusive por exemplo a África do Sul.

De resto, andar de ônibus em Fortaleza é definitivamente muito mais barato que em Curitiba, em diversas formas.

Além da tarifa em si já ser bem mais em conta, e segundo, ainda mais na ‘hora social’, tem muito mais:

Próximas 3: anoitece no Conjunto Esperança, Mondubim, Zona Sul, dessa vez no município de Fortaleza.

Terceiro, lá ainda existe a tarifa domingueira, que é 2,60 (os dados nesse parágrafo e no abaixo são de 2017, e não 2011, pois escrevi esse trecho na hora de subir pro ar), vale inclusive em alguns feriados, enquanto a daqui foi extinta.

Quarto, o ‘Circular Centro’ de Fortaleza (lá chamado ‘Linha Central’) custa somente 40 centavos, enquanto aqui é quase oito vezes mais caro, 3 reais.

E quinto, lá os estudantes pagam menos de meia (como em diversos países, por exemplo o Chile). 

Enquanto em Ctba. esse benefício do meio-passe é difícil de conseguir, pois só vale pra quem mora e estuda no município e a família tenha renda de menos de 3 salários mínimos (no caso de filho único).

Ademais em Fortaleza a integração funciona melhor, pois além dos terminais integrados é possível pegar mais um ônibus fora do terminal sem pagar novamente.

Tudo isso é possível através da integração temporal no cartão – isso vale pra todos, não só estudantes. Fortaleza tem um sistema mais barato e mais integrado.

Em compensação, não há canaletas e nem articulados, uma falha grave. Isso era dessa forma em 2011. Mas agora há canaletas e articulados em Fortaleza. Já outro problema seríssimo que constatei uns anos atrás ainda permanece: 

Os ônibus tem 3 portas, mas a do meio não abre fora dos terminais – o que dificulta em muito a circulação no salão do veículo, especialmente no horário de pico. Minha última experiência em Fortaleza foi tétrica por causa disso . . .

A primeira cena que vi (e fotografei) assim que pisei em Fortaleza foi um ônibus azul, na época onipresentes, como já contei.

Pois bem. isso quando cheguei. Agora falando de quando fui embora. Meu voo decolava somente as 3 da manhã. Na última noite na cidade fui dar uma volta na Praia de Meireles, já depois das 9, estava lotada, pois a orla é bem policiada.

O Km 0 nacional da BR-116 é em Fortaleza. Essa foto é na periferia da cidade, perto dele. Depois a 116 recebe os nomes de ‘Rio/Bahia’, ‘Dutra’, Régis Bittencourt’, ‘Estrada Serrana’, ‘Federal’, entre outros.

 

O que faz com que até Mulheres sozinhas se sintam seguras pra andar por ali a noite. Aqui, pra mantermos o foco, saí do Terminal Papicu pouco antes das 10 da noite, rumo ao Aeroporto.

Quando deu 10 em ponto o busão parou em frente a um centro comercial (o “shopping” pra quem prefere em inglês). Assim o busão, que estava vazio, ficou hiper-lotado. Acima do que se pode descrever.

Eu sou busólogo, resultando que por vezes fico vendo fotos de ônibus urbanos ao redor do mundo. Um dia via a foto de um ônibus articulado que opera na Zona Sul de São Paulo.

Estava lotado. Um dos comentários dizia “está naquela hora bem ‘agradável’, tem gente até no colo do motorista”. Nesse caso era uma figura de linguagem, claro.

Próximas 2 (via ‘Google Mapas’): placas pintadas nas portas das favelas de Fortaleza. Essa é na capital mesmo, favela Servilux/Titãzinho, na Beira-Mar, Zona Leste, ao lado do porto, onde eu estive pessoalmente. O cara pôs um adesivo: “Proibida a entrada invejosos!!!” Pra garantir pintou a mão: “Seu olho gordo p/ mim é cégo (?????!!!!!!)” Tá bom pra ti ou quer mais?

Só que esse dia em Fortaleza não era figura de linguagem, estava quase acontecendo literalmente. Digo, no colo do motorista não tinha ninguém, obviamente, mas não faltou muito:

Tinha uma moça sentada no motor, a seu lado, dentro da grade, atrás do câmbio – cada vez que ele ia mudar a marcha ela precisava se desviar.

As pernas dela estavam encostadas nas do motorista, pra vocês visualizarem o que estava acontecendo.

E como o busão tem 3 portas mas a do meio não abre, foi um sufoco descer. Depois, em 2013, passei por uma experiência similar numa das vans na República Dominicana.

Tanto no Ceará em 2011 quanto no Caribe 2 anos depois foi um alívio quando enfim, após muito esforço, contorcionismo, empurra-empurra e pedidos de ‘licença’ eu afinal saltei do coletivo hiper-lotado…. Ufa!

Próximas 3: Planalto, em Caucaia. Com o esgoto correndo a céu aberto.

Pra fechar o tema do transporte relato como se distribuem pela cidade os terminais de ônibus. São sete terminais:

3 na Zona Oeste, a mais populosa e periférica: Siqueira, Conjunto Ceará e Antônio Bezerra, começando a partir da periferia e indo mais próximo ao Centro.

Na Zona Sul estão os terminais Parangaba e Lagoa, e na Zona Leste Messejana e Papicu, em ambos os casos falando primeiro os mais distantes.

Messejana atende também parte da Zona Sul, pois o terminal é bem próximo da BR-116, que é o que divide as Zona Leste e Sul.

Dessa forma, várias vilas da Zona Sul são atendidas por alimentadores do Messejana, assim como inversamente os terminais Vila Hauer e Sacomã ficam nas Zonas Sul de Curitiba e São Paulo e ambos atendem partes das respectivas Zonas Lestes.

Serra emoldura a Gde. Fortaleza ao fundo (aqui em Ctba. vemos a mesma cena).

E pra quem não sabe, a BR-116 (que depois é a Rio-Bahia, a Dutra, a Régis Bittencourt, Rodovia do Planalto em SC, a Federal na Gde. Porto Alegre-RS, entre outros nomes) tem seu quilômetro zero nacional em Fortaleza, na Zona Sul, no Aguanambi.

A Zona Leste da capital cearense é rica da orla ao parque, como já escrevi, e mais proletária abaixo do parque.

As Zonas Sul e Oeste têm por inteiro um perfil mais de classe trabalhadora, sendo a Zona Oeste a mais populosa da cidade.

Assim cruzamos a metrópole e estamos de volta a Zona Oeste. Na praça central do bairro Planalto, município de Caucaia, fotografei duas vans e um ônibus (dir.). Já falei do transporte em postagem a parte, o sabem. Aqui vamos apontar outro detalhe:

Praça central do Planalto, ponto final das linhas dos ônibus e vans.

Veja o esgoto a céu aberto. A Grande Fortaleza é quase toda asfaltada, incluindo os subúrbios metropolitanos.

É difícil ver rua de terra, exceto nos bairros muito distantes mesmo. Entretanto, a rede de esgoto não foi construída.

Vi a mesma cena em Manaus muitas vezes. Asfaltaram tudo, mas o esgoto corre na rua.

Atualização. Quando fui a Fortaleza, já havia ido a Manaus. Depois fotografei o mesmo em Belém e João Pessoa – e até mesmo aqui em Curitiba.

Porém ressalto que aqui em Ctba. é mais rara essa cena, só em algumas partes recém-invadidas do subúrbio. Não estou tapando o sol com a peneira, e quando me deparei, registrei e publiquei.

“Proibido jogar lixo”, diz o aviso na periferia da Gde. Fortaleza. Adivinhe? Aí mesmo é que jogam, embaixo da placa. Já flagrei o mesmo em Curitiba.

Mas na maior parte da cidade não há esgoto correndo na rua. Isso não é uma questão de preconceito, é um fato.

Bem, se serve de consolo, a Argentina que um dia foi o país mais rico e estruturado da América do Sul (ao lado do Uruguai) hoje também está numa situação bem precária nesse quesito.

Na periferia de suas maiores metrópoles – capital e interior – é o padrão a falta de saneamento básico. Agora retorno a Fortaleza e sua região metropolitana:

Andei por diversos bairros de Caucaia. Fui a Genipabu, que é bem distante, tive que pegar um micro-ônibus interno de linha municipal (não confunda com o Genipabu que há em Natal, pois a Genipabu do Rio Grande do Norte é uma praia lindíssima com dunas.

Barra do Rio Cocó na Praia do Futuro (r).

O Genipabu cearense é um subúrbio de metrópole, uma homenagem ao balneário potiguar. Não muito longe de Caucaia, mas dentro do município de Fortaleza, há o bairro Genibaú).

E, agora em Caucaia novamente, fui ao Centro (onde fotografei o mercado público onde se vendem galinhas vivas), em Jurema (que é divisa com o Conjunto Ceará em Fortaleza), e no Planalto.

Esse último é aquele bairro em o ônibus da empresa Vitória e as vans estão enfileirados (um pouco mais pra cima, a esquerda).

Genipabu, Caucaia: recentemente fizeram um ‘puxadinho’ pra garagem do 1º carro da história da família.

É de domínio público que a periferia fortalezense (tanto municipal quanto metropolitana) é violenta, não estou contando nenhuma novidade, infelizmente. 

Fui até lá conferir. Quando cheguei, a bordo de um desses coletivos, percebi que não era o único que ia lá pela primeira vez.

Um cara perguntou ao motorista (em Fortaleza se desce pela frente): “Aqui que é o Planalto?”. A resposta foi direta: Planalto. Mas pode chamar de Afeganistão”.

É só por Deus!!!

…………

Caucaia (via ‘Google Mapas’, mais uma vez), onde veem casas típicas da periferia da Grande Fortaleza: de alvenaria, térreas muito pequenas, com a porta direto na via pública, e sem garagem. Veja que as duas 1ªs sequer têm janela, é preciso abrir a porta pra arejar.

Como já dito e é notório, ao lado é o padrão na periferia nordestina – vejam vocês, a periferia do Chile e da Argentina é da mesma forma.

Faço a ressalva que em Salvador há bem menos casas térreas, ali predominam os ‘prédios artesanais‘ como no Sudeste.

A maioria dos fortalezenses (núcleo e subúrbios metropolitanos) ainda não tem carro, ao contrário do que ocorre no Centro-Sul.

Agora, entretanto, a renda dos trabalhadores vem subindo, e pela primeira vez essa massa dos subúrbios está comprando bens de consumo acima dos de primeira necessidade – o texto é de 2011, não custa reforçar.

Na época o Brasil ainda vivia uma onda de prosperidade, e na periferia do Nordeste pra muitas famílias era a primeira vez que havia alguma bonança.

Pichação no Centro de Fortaleza: o ‘alfabeto’ é importado do Rio de Janeiro, com algumas adaptações – se puxam mais os traços e se inserem mais desenhos, características em comum com Belém, cidade que Fortaleza é muito próxima espiritualmente.

Presenciei andando nas periferias muitas casas que originalmente não tinham garagem porque não havia necessidade.

Mas agora tinham um puxadinho pra guardar o carro (veja a foto a direita, um pouco acima, na legenda que diz “Genipabu”).

Pois (pela 1ª vez, repito) a renda da família aumentou um pouco acima das necessidades mais imediatas (roupas, água, luz, comida e produtos de limpeza).

Assim tiveram que improvisar um espacinho pro automóvel – usado e financiado, mas mesmo assim o primeiro da família.

………

Falando um pouco do povo da cidade. Oficialmente é de maioria parda, 57% se declararam assim no censo. Porém, ao contrário do que alguns poderiam pensar, há poucos negros na capital do Ceará, somente 5% da população.

Em Salvador e São Luiz do Maranhão, como é notório, os negros são maioria. Em Recife-PE são uma minoria grande, talvez tanto quanto em Belo Horizonte, por exemplo. Em Fortaleza, repito, há poucos negros. Não muito diferente de Curitiba, ao menos nesse quesito.

No Centro uma placa antiga da Cerveja Antarctica, ‘daquele tempo’. Já que o assunto dos refrigerantes antigos fez tanto sucesso, segue essa como sessão ‘retrô’. Em outra parte da cidade vi uma placa do finado Guaraná Brahma da mesma época, os anos 80. Só que nessa oportunidade estava sem a máquina. Quem tem idade suficiente se lembra que era o desenho de uma mão segurando uma garrafa do mesmo, aquela que era marrom, tipo anelada.

O tipo predominante tem a pele relativamente escura, mas não há origem africana. Fortaleza é a capital brasileira mais perto da Europa, em termos de milhas aéreas. Mas a proximidade é só física, não cultural.

A cidade não recebeu muita imigração europeia nem asiática de outros países exceto de Portugal, nossa ex-metrópole. Sua composição racial é basicamente uma mistura de portugueses (que já são mais escuros que os europeus do Norte e Leste do continente) com índios. 

A maioria dos fortalezenses é descendentes de pessoas que estão a séculos torrando no sol tropical que marca facilmente 40º de janeiro a janeiro.

Fortaleza tem 4 estações do ano: quente, mais quente, ainda mais quente e torrando. Então esse é o habitante médio, a tez queimada pelo Sol escaldante há séculos foi tornando-se mais ‘cor-de-cobre’.

…………..

No domingo que passei em Fortaleza fui – a pé desde o Centro – até a Praia do Futuro, o único dia que entrei no mar. Pois eu prefiro praias abertas, de ondas fortes, e as que existem perto do Centro são ‘piscininhas’, pois represadas pelo dique que forma o porto, como já dito. A Praia do Futuro é espetacular, e dispensa comentários.

Também no Centro, flagrei um caminhão aberto (com caçamba) recolhendo lixo. Vi o mesmo em Medelím-Colômbia.

Voltei a tarde pro Centro, onde fiquei hospedado, e aí rumei ao Conjunto Esperança, bairro Mondubim, Extremo da Zona Sul de Fortaleza. Um subúrbio afastado, com todos os problemas que isso representa.  Não tive medo.

Saí de lá após o anoitecer, como as fotos provam. Cheguei no Centro perto das 8. Perguntei ao motorista de ônibus como fazia pra chegar na Avenida Dom Manoel, onde estava hospedado. Umas 12 quadras dali.

Precisava ver o tumulto que se instalou no coletivo. Todos ficaram apavorados com a ideia que eu ia andar pouco mais de um quilometro a pé no Centro. 

Formou-se uma mini coletiva, o motorista e mais dois passageiros debatiam que ônibus eu deveria pegar pra chegar a meu destino, mas “que pelo amor de Deus, que eu em hipótese alguma fosse a pé”. “É muito perigoso, tem muito bandido, você vai ser assaltado com certeza” todos me diziam apavorados.

No bairro Jurema (Caucaia, Z/O) pichador provoca a polícia.

Agradeci a preocupação da galera, e perguntei umas duas vezes qual linha era mesmo que eu deveria pegar, pra que eles não desconfiassem que eu não compartilho do medo deles. Desci, e já nem lembrava qual linha era, pois não prestei atenção de fato.

Fui a pé. Perto da Catedral, alguém se aproximou. Era um sem-teto. Disse que não havia comido nada o dia inteiro. Dei a ele quarenta centavos.

Isso mesmo, R$ 0,40. Ele me agradeceu muitas vezes, e por fim pediu que Deus me abençoasse.

………….

Como já dissemos muitas vezes, no fim do regime militar houve grande impulso nos transportes e na habitação popular.

Aqui e esq.: Conjunto Ceará.

Por todo Brasil foram construídos grandes conjuntos, esses dias (no fim de 17) fiz matéria no Cj. Saturno, bairro Santo Inácio, na Zona Oeste de Curitiba.

Outros exemplos são o Conjunto Tiradentes, Alto Boqueirão, Zona Sul, e o Conjunto Mercúrio, Cajuru, Zona Leste, entre muitos outros.

Porém aqui os conjuntos foram bem menores que os do Sudeste e Nordeste. Já fui em quase todos esses conjuntos curitibanos, a maioria tem algumas ruas, entre um punhado e poucas dezenas.

Aqui em Curitiba, o maior de casas horizontais é certamente o Nossa Senhora da Luz, Cidade Industrial, Zona Sul. Pois bem, esse seria um conjunto médio em Fortaleza.

Também no CIC mas na Zona Oeste temos o Atenas/Augusta, uma cohab de prédios, com algumas dezenas de blocos.

Em Fortaleza, entretanto, na média os conjuntos são significativamente maiores que os daqui do Paraná.

O tamanho dos empreendimentos cearenses lembra mais os que foram erguidos no Rio (Cidade de Deus e Vila Aliança na Zona Oeste, pra citar 2 casos) e São Paulo (Cidade Tiradentes, Zona Leste, por ex.) na época.

A vista do quarto da pensão que fiquei, entre o Centro e a Praia de Iracema, chovia e fazia Sol ao mesmo tempo. Quanto a pensão, havia 7 camas no quarto (eu fiquei sozinho, a escolha era grande), custou R$ 15 a diária (valor de 2011, mas já era quase de graça mesmo naquela época) e a tranca ainda era com chave de metal, óbvio (bem, na Argentina ainda é com chave de metal mesmo em hotéis mais chiques).

Vemos a esquerda a rua 1040 do Cj. Ceará, pra dar uma ideia do tamanho do bairro, que teve quatro expansões, lá chamadas ‘etapas’.

No itinerário do ônibus diz Conjunto Ceará 1ª e 4ª Etapas, e por aí vai. A 4ª é a mais recente. Somando todas, ele é mais ou menos do tamanho do Bairro Novo, Sítio Cercado, Zona Sul de Curitiba.

Só que no Bairro Novo o governo não construiu as casas, apenas entregou os terrenos e cada um ergueu sua moradia como quis e pôde.

Em Fortaleza, ao contrário, as residências foram entregues prontas. Outro exemplo é Conjunto Esperança, bairro Mondubim, Zona Sul, onde também fui.

Esse é de prédios, ao contrário dos outros que são de casas. Uma hora estava em frente ao bloco 208 do Conjunto Esperança. Bloco 208, e não apartamento 208, veja bem.

Entre os anos 70 e 90, o governo do Ceará deu continuidade ao projeto de construir enormes conjuntos na periferia da cidade.

Próximas 3: Centro de Caucaia.

Entre os que eu visitei, cito os de nome Novo Maracanaú e Jereissati, ambos no município de Maracanaú, Zona Sul.

O Conjunto Jereissati, em especial, é muito grande, talvez do mesmo tamanho que o Conjunto Ceará, pois igualmente teve várias expansões ou etapas.

Creio que tem esse nome por ter sido construído pelo ex-governador Tasso Jereissati,

Distante dali e pertinho da orla está o Cidade 2000, onde também estive. É um bairro de periferia. Só que nesse caso isso quer dizer que é um lugar de classe proletária. 

Porque ele não fica na periferia, bem ao contrário, está bem no meio da Zona Leste, na parte mais rica da cidade.

Como se sabe, o Cidade 2000 fica próximo a Costa Leste (Mucuripe-Centro), onde moram os milionários, e ao lado (dá pra ir a pé) da Praia do Futuro, a mais bonita de Fortaleza.

Pra é familiarizado com a Zona Sul do Rio, o Cidade 2000 é o equivalente da Cruzada São Sebastião, que também é um conjunto pobre encravado no Leblon, entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o mar, no metro quadrado mais caro da cidade e do país.

E tanto a Cruzada quanto a Cidade 2000 não são invasões. Rio e Fortaleza tem ambas muitas favelas a beira-mar. Esses dois exemplos não são favelas, são conjuntos pra classe trabalhadora mas que foram construídos pelo estado.

Bem a frente da Cidade 2000 a construtora mineira MRV está fazendo mais um de seus empreendimentos.

E os prédios da MRV têm uma peculiaridade, como é notório: o desenho da fachada é igual no Brasil inteiro, então fica uma marca registrada. Aqui em Curitiba pra você financiar um apê da MRV precisa comprovar renda familiar de R$ 1,8 mil.

Lá em Fortaleza é R$ 1,4 mil, R$ 400 a menos portanto (os valores são de 2011, não custa relembrarmos). Natural, a média dos salários de Ctba. é mesmo mais alta.

Fortaleza e Belém são muito ligadas, e no futebol também. As torcidas organizadas são aliadas, criando uma rivalidade cruzada. Aqui o adesivo da Cearamor do Ceará e Terror Bicolor do Paysandu.

Tanto lá quanto aqui a MRV aceita renda informal, o que vem ajudando muitas famílias trabalhadoras a emergir pra classe média.

Outro detalhe é que as ruas dos conjuntos de Curitiba começaram sendo nomeados com letras e números, mas hoje já receberam nomes ‘normais’ de ruas, digamos assim.

Em Fortaleza é diferente, a imagem mostra que a Rua 1040 tem esse nome até hoje.

As avenidas principais do mesmo bairro, por sua vez, são letras. Avenida E, Avenida K, por aí vai.

………….

CEARÁ S.C.: 1ª DIVISÃO EM 2011; IDEM EM 2018 –

E agora a de seus arqui-rivais: Leões da T.U.F. do Fortaleza e Remoçada do Remo.

Pra fechar, uma nota sobre o futebol. Repito o que já disse antes: EU NÃO TORÇO PELO FORTALEZA, CEARÁ OU QUALQUER CLUBE NO BRASIL. VOU APENAS RELATAR OS FATOS COMO OCORRERAM, INDEPENDENTE DE MINHA VONTADE.

Quando estive em Fortaleza (agosto de 2011) a cidade estava vibrando em preto-&-branco. Relato parte do que escrevi a época, depois atualizamos:

A torcida do Ceará S.C. está pra lá de entusiasmada com a boa campanha do time.

Próximas 2, Centro de Fortaleza: riacho recebe esgoto não-tratado.

Que pelo visto vai garantir que o time dispute a primeira divisão pelo terceiro ano seguido. Não é um feito pequeno, o clube ficou de fora da série A por exatamente 30 anos, de 1979 a 2009. 

Vi centenas de pessoas com a camisa do “Vovô”, como o clube é carinhosamente chamado. É natural a euforia.

Dois dias antes de minha visita a Fortaleza, o Grêmio de Porto Alegre também esteve por lá. Levou 3×0.

Óbvio que havia também muita gente com a camisa de seu arqui-rival Fortaleza, que é tricolor nas cores branco, azul e vermelho, as mesmas do Paraná Clube, Bahia, entre outros.

Covardia! O arroio era relativamente limpo antes do ataque, depois mudou até de cor. De novo, já flagrei o mesmo aqui em Curitiba.

Mas é preciso notar que o Ceará está na primeira, o Fortaleza na distante terceira divisão.

Então natural que os torcedores alvi-negros estejam mais entusiasmados que os tricolores.

Então agora atualizemos pro que é vigente quando a matéria sobe pro ar (dez.17):

O Ceará, após 30 anos de ausência, retornou a 1ª em 2010, e conseguiu se manter nesse primeiro ano.

Em 2011 ele começou muito bem, fez um primeiro turno excelente, e quando estive lá (agosto), a galera refletia essa sintonia positiva.

No entanto a partir dali o fio virou, e o Ceará acabou rebaixado de novo a segunda nesse mesmo ano de 2011.

Porém em 2017 conseguiu novo acesso, e disputará novamente a primeira divisão em 2018, como é sabido por todos.

Cena triste: lixo na rua em Jurema, Caucaia. Infelizmente muito comum em várias partes de Fortaleza e região.

Tudo é cíclico, hoje é assim, mas durante um bom tempo foi o contrário. Nesse milênio, a primeira década foi totalmente do Fortaleza:

De 2000 a 2010 o tricolor ganhou nada menos que 9 estaduais, com um tetra, um tri e um bi-campeonato. 

E no mesmo período o “Leão” disputou a série A do nacional duas vezes, em 2003 e 2005. Enquanto o Ceará esteve no limbo. Mas nessa década de 10 se inverteu:

O Ceará já contabiliza 3 participações na 1ª divisão: 2010, 11 e 18. E em 2015 foi campeão da Copa do Nordeste, título que seu rival não possui. Ainda conquistou um tetra-campeonato estadual.

O Fortaleza estava na 3ª do Brasileirão em 2011, e permaneceu ali até 2017. Conseguiu o acesso, e em 2018 disputará a 2ª divisão.

Se a última impressão é que fica, uma bela flor também em Jurema, Caucaia.

Portanto permanece ainda um degrau abaixo do Ceará. No entanto, a supremacia no estado nesse milênio ainda é tricolor, são 11 títulos do Fortaleza contra 7 do Ceará.

………….

A série sobre Fortaleza está encerrada com chave de ouro.

Assim É. Que Deus ilumine toda humanidade.

Deus proverá”

Juvevê, a “Nascente da Zona Norte”

Hospital São Lucas, Juvevê: marco zero da An. Garibaldi e da Munhoz da Rocha.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 10 de dezembro de 2017

Maioria das imagens de minha autoria. As que não forem eu identifico nas legendas ou no corpo do texto.

…….

Nosso tema de hoje é o bairro do Juvevê, na divisa entre as Zonas Central e Norte de Curitiba.

Vamos dar uma pincelada também nos vizinhos Ahú e Centro Cívico.

Uma boa oportunidade pra gente relembrar o passado da região.

Panorâmica do Ahú, virada pros anos 70. A esquerda na imagem o Juvevê, ao fundo Alto da Glória e Centro.

Ali começa a Zona Norte, é sua nascente. Mas mais que isso.

No Juvevê estão também a nascente de 3 das principais vias da Z/N:

A Avenida Paraná começa na divisa do Juvevê com o Cabral.

Onde há a Igreja do Cabral e um tubo antes do terminal de mesmo nome. Isso muita gente sabe.

Ruas em estrela, traço do Juvevê (e também do Boqueirão, Z/S). Essa foto é via ‘Google Mapas’.

Mas retornando mais um tubo em direção ao Centro veremos que o Juvevê justifica a alcunha de ‘Nascente da Zona Norte’ em mais uma dimensão:

A Erasto Gaertner (que começa Munhoz da Rocha e termina Monteiro Tourinho) e a Anita Garibaldi são duas das principais avenidas de Curitiba.

Um ícone cai: em dezembro de 17 o Mercadorama do Juvevê deixou de existir. Por décadas foi um emblema do bairro, mas se tornou ‘Wal Mart’ (essa mega-corporação estadunidense já era proprietária da rede a tempos). Flagrei a mudança, quando o logo do Mercadorama com seu ‘M’ inconfundível já estava jogado no lixo. Coisas da Vida!

E elas cortam partes opostas e distantes da Zona Norte. Mas pouquíssima gente sabe que elas nascem exatamente no mesmo ponto, uma em frente a outra:

Em frente ao Hospital São Lucas, no Juvevê. Você conhecia esse fato?

Se sim, você também é um ‘urbenauta’, um profundo conhecedor da urbe, da metrópole, em seus mínimos detalhes.

Entretanto, repito, a imensa maioria das pessoas não sabe. Mas assim é. Veja a 1ª foto da página. O hospital já citado. Destaquei nos detalhes:

A minha direita, a placa do marco zero da Avenida Anita Garibaldi. A esquerda, do outro lado da via do Expresso. a do marco zero da Munhoz da Rocha.

Ambas no mesmo ponto da João Gualberto, a quadra cuja sua numeração vai de 1770 a 1910, fato também realçado nas tomadas.

…….

Já voltamos a essa questão. Antes vamos, em tomadas antigas (várias delas ainda em preto-&-branco), voltarmos no tempo.

Viajaremos pros anos 60 e 70, antes e logo depois da construção do ‘Sistema Trinário’:

A via segregada do ônibus Expresso no meio, ladeada por duas estreitas pistas laterais de carros pro tráfego local.

E a uma quadra de distância pra cada lado, as ‘vias rápidas’, pro trânsito pesado de automóveis e demais linhas de ônibus.

Segura essa: rara imagem da Avenida João Gualberto ainda sem a canaleta nos anos 60 (fonte: Curitiba Antiga).

Curitiba e Lima no Peru disputam qual foi a cidade que inaugurou a primeira canaleta exclusiva pra ônibus do planeta.

Ambos os sistemas ficaram prontos no meio dos anos 70.  Depois a capital peruana parou de investir em transporte coletivo.

Assim por quase 30 anos (do fim dos anos 80 ao começo da década de 10) a coisa foi confusa em Lima, no transporte coletivo e múltiplas outras dimensões.

Tanto que nessa década de 10 mesmo que ainda estamos (essa postagem é de dez.17) ainda circulavam lá Monoblocos produzidos nos anos 80.

Típica rua interna do bairro.

Agora Lima despertou e modernizou seu transporte coletivo, concluiu seu metrô que estava inacabado e inoperante.

Também retomou a operação dos corredores de ônibus, reformando e modernizando o sistema que igualmente esteve mal-utilizado por décadas, após um início glorioso.

O início da Anita: em sua primeira quadra é um calçadão.

Mas a história do transporte peruano contaremos com mais detalhes quem sabe em outro dia. Aqui nosso tema é Curitiba.

Dei essa pincelada somente por isso, já que vamos falar da inauguração dos sistema Expresso, ressaltei que o Peru teve a mesma iniciativa na mesma época.

Vimos acima a descida da João Gualberto (pra quem vem do Cabral, a subida pra quem vem do Centro) ainda sem a canaleta. A tomada é dos anos 60.

E a foto que veio antes dela foi tirada um pouco depois no meio dos 70, a pista exclusiva já pronta mas ainda utilizada por ônibus convencionais.

O começo da M. da Rocha: aberto aos carros mas quase sem trânsito.

Entre 74 e 76, ônibus convencionais operaram as atuais linhas de Expresso pela canaleta recém-inaugurada ou mesmo em fase de obras.

Esse busos ainda tinham entrada por trás, pintura livre (num padrão com listras horizontais em verde e amarelo) e motor dianteiro.

Nas obras da canaleta, e mesmo logo após a inauguração delas, eles primeiro fizeram improvisados as atuais linhas de Expresso.

Mesmo depois que chegaram os ônibus próprios do novo modal (vermelhos, embarque dianteiro, motor atrás e bancos de lado, costas pra janela e virados pro salão), por um tempo o velho e o novo co-existiram.

Quase no mesmo local, contraste entre o antigo e o novo. O casarão é tombado: no início do século 20 foi um armazém. Até recentemente era uma funerária, que se mudou pro Centro. Agora está vago (na verdade dizem que uma senhora reside no andar superior).

A partir de 77, quando aportaram ainda mais levas de Expressos propriamente ditos, é que foi tudo padronizado no vermelhão.

Já fiz matéria específica sobre o transporte de Curitiba nos anos 70, 80 e 90.

Onde tudo isso é explicado com imensa riqueza de detalhes, incluso com dezenas de fotos, confira.

…………

Isto posto, enxerto aqui o emeio de um colega que foi criado na divisa entre Ahú e Juvevê.

Como ele mesmo explicou, o prédio que ele morou fica no Ahú.

Mas a ‘vida social’ de sua família (compras, etc.) era feita no Juvevê. Reproduzo parte de suas palavras:

”   A Manoel Eufrásio é uma rua muito agradável, apesar do movimento intenso.

No casarão há placa antiga, de quando o idioma português tinha outra grafia.

Nos anos 80, acredite, essa era também uma rua onde se jogava bola.

Exatamente no ponto em frente à entrada do Parque Pinheiros e do Chácara Juvevê (a propósito, o lançamento desse empreendimento foi nos anos 70).

A Rua Emílio Cornelsen, então, nem se fala. Até 1992, mais ou menos, era uma rua sem saída.

Ela acabava num terreno baldio logo depois do meu ex-prédio (que é um dos primeiros dessa via).

A foto panorâmica do Ahú (mais pro topo da página, a direita) capturei da internet há anos, do sítio da Construtora Galvão.

Ela foi a responsável por vários desses conjuntos de apartamentos dessa região.

As ruas em estrela – 3 vias se cruzam, ao invés de 2: onde há pouco movimento fizeram essas praças (as flores da região estão nessa outra mensagem).

O primeiro deles foi justamente o que chamei de Parque Pinheiros.

Esse é famoso por sua torre grande de 15 andares e mais os quatro ou cinco menores de seis andares.

Creio que foram entregues em 1972 ou 1973.

Logo depois veio o Edifício Colibri e mais os dois menores ao lado.

Isso em 1976, com apartamentos construídos segundo a mesma planta do anterior.

Onde há mais trânsito é na raça – com 3 vias se encontrando, é perigoso cruzar as preferenciais. No meio da vemos a Via Rápida (sentido bairro). Destaquei com as flechas brancas: os dois carros que vêm nas transversais têm que cuidar não apenas dos que estão na preferencial, mas também um do outro. E ainda poderiam estar vindo carros em mais 2 lados. 3 ruas se encontram, sendo uma mão única e duas de mão dupla: pode acontecer de virem carros em 5 direções pra cruzar a mesma esquina simultaneamente. Quem planejou isso achou que era genial, mas se mostrou ser uma lambança daquelas!! Repito, no Boqueirão é igual. Em ambos os bairros aos poucos estão corrigindo (implantando rotatórias ou fazendo uma via sair em outra antes de ambas cruzarem a maior de todas), mas levará tempo até acertar tudo.

No fim dos anos 80, surgiram esses maiores da Manoel Eufrásio e aqueles azuis já no lado direito da Emílio.

Esses últimos sendo projetos para a elite da época, apartamentos de 4 quartos mais dependência de empregada.

Construído no mais alto padrão de acabamento e arquitetura disponíveis.

Os da Manoel Eufrásio, de cor avermelhada, já eram mais voltados para a classe média.

Pude comprovar uma vez que a planta dos apartamentos é praticamente a mesma dos dois conjuntos anteriores.

Apenas com uma ou outra modernização estrutural.

Voltando a falar da panorâmica em p-&b: imagino ser entre 1969 e 1970.

Pode-se notar que nem mesmo a Emílio Cornelsen está traçada, embora já exista uma clareira bem no início dela.

Restaurante homenageia a Pátria Amada.

Os edifícios do Parque Pinheiros já estão sendo levantados.

Estimei esses anos porque descobri que o Colégio Loureiro Fernandes foi inaugurado em 1968.

Pelo visto antes da própria Rua Marechal Mallet ser traçada na frente dessa citada escola.

 Além de que não se pode ver o Conjunto Residencial Juvevê, inagurado em 1970 na esquina da João Gualberto com a Constantino Marochi, já quase no Alto da Glória.

Próximas 2: casas de madeira pois é Sul do Brasil. No detalhe notamos que no edifício ao fundo alguém também ostentou a bandeira brasileira.

O mais interessante dessa foto, no entanto é ver que a rápida que liga ao Centro ainda não existe.

Repare bem, a Anita Garibaldi termina na João Gualberto.

Bem em frente ao Hospital São Lucas (à esquerda na foto, ponto já tão comentado nessa matéria), e nada parece cruzar ela antes.

A Campos Sales, aparentemente, começava junto à Manoel Eufrásio.

Provavelmente a “rápida” cortou aquele mato só naquela gestão do Jaime Lerner em que os expressos começaram a rodar, ali por 1974.   ”

Próximas 4: fotos feitas a partir do Juvevê, mas mostram casas e prédios no vizinho Ahú.

…………….

Aqui se encerram os preciosos apontamentos desse colega, volto eu, O. M. . Vamos a minha resposta a ele:

A rua que divide Juvevê e Ahú não é a Emílio Cornelsen como constatastes, mas a própria Manoel Eufrásio. 

Sim, é certo que na virada pros anos 70 as ‘Vias Rápidas’ não existiam, surgiram junto com as canaletas, e não por outro motivo Lerner chamou de ‘Sistema Trinário’.

Mais uma transição. Ainda existem velhas casas de madeira (em alguns casos com a fachada em alvenaria). Mas ao fundo já vemos subindo mais um prédio baixo de classe-média.

Lembra que nos primeiros Expressos (aqueles Marcopolo Venezas e Nimbus Haraganos) vinha a flecha tripla que mostrava justamente isso, antes do ‘Cidade de Curitiba’ surgir?

E por que essa matéria se chama “Nascente da Zona Norte”? 

Repetindo o que já foi dito acima (esse emeio circulou antes da postagem, foi o protótipo dela):

Oras, porque pouquíssima gente sabe, quase ninguém na verdade, que 3 das principais avenidas da Z/N nascem no mesmo ponto.

O conjuntos Chac. Juvevê e Pq. Pinheiros (ambos no Ahú, como dito) em 2014. O prédio que veem em obras já está pronto.

A Anita Garibaldi e a Munhoz da Rocha (depois Erasto Gaertner e Monteiro Tourinho) têm seu marco zero no exato mesmo lugar.

Em frente ao Hospital São Lucas na esquina da Manoel Eufrásio com a João Gualberto.

Isso já foi amplamente analisado. Agora vamos as novidades:

Em sua primeira quadra elas quase não têm tráfego. Bem, a 1ª quadra da Anita é calçadão.

Na Chácara Juvevê, mais uma bandeira nacional. Mas a foto é em 2014, na Copa (antes do vexatório 7×1): a Zona Norte em dia de jogo do Brasil.

Aí então o fluxo de veículos motorizados é zero mesmo, excetuando o acesso as garagens.

No local há inclusive uma feira noturna as 3ªs-feiras.

Do outro lado da J. Gualberto a situação não é tão diferente assim:

A quadra inaugural da Munhoz da Rocha é uma via calma, de paralelepípedos.

Mais uma das ‘alamedas’ (ruas arborizadas) internas do Juvevê.

Ela contorna o Hospital São Lucas já tão citado. Ali os carros podem passar a vontade, mas pouquíssimos o fazem. É uma rua bem tranquila.

Se ela não fosse ladeira e nosso colega criado na Emílio Cornelsen ainda morasse na região, ele poderia até hoje jogar bola no comecinho da Munhoz da Rocha.

Agora que estou morando no Juvevê, eu me juntaria a ele: bota 4 pedras fazendo as vezes de traves, um time de camisas, outro sem, 5 vira, 10 acaba e vamos nessa!

Próximas 2: a divisa com o Ahú. Estou no Juvevê, e os edifícios mais ao fundo também. Mas os prédios em 1º plano ficam já nesse vizinho bairro.

…….

Agora, se na 1ª quadra a Anita e a Munhoz da Rocha são calmas, calmíssimas, logo a seguir a situação se altera diametralmente:

Posto que aí a Anita e a Munhoz da Rocha são a Via Rápida por pouco mais de uma quadra (uma em cada Rápida, claro), antes de embicarem em rumos  opostos.

Você sabia disso, que a Anita Garibaldi e a Munhoz da Rocha são Vias Rápidas?

Nesse caso ainda estou no Juvevê mas só aparece o Ahú na imagem.

Se sim, novamente você é a minoria, a imensa maioria desconhece esse detalhe.

A Anita Garibaldi é a Rápida que vem pro Centro, no trecho daquela descida em que no alto havia a fábrica da Tip-Top.

Já a Munhoz da Rocha é a Rápida que vai pro bairro, logo após a subida onde fica o asilo São Vicente de Paulo.

……..

Um rápido relance no vizinho Centro Cívico. Vemos na colagem, da esq. p/ dir.: 1- “Reforço Escolar” (o emeio com a foto fez sucesso!); 2- Táxi de Pomerode, Santa Catarina, em frente ao ‘Museu do Olho’; e 3- a Rua Mateus Leme agora tem sentido único, em direção ao bairro. Inauguraram o binário com a Nilo Peçanha, que volta pro Centro – quando tirei essas fotos (dez.17), estava na 1ª semana da novidade.

A João Gualberto testemunha a nascente compartilhada da Anita e da Munhoz, como já dito muitas vezes e é notório. Isso em sua última quadra.

Aquela que leva a numeração de 1770 a 1910 como a placa comprovou, enfatizando novamente.

Ao concluir essa subida, chegamos a Praça São Paulo da Cruz, onde está a Igreja do Cabral.

Pois ali é justamente a divisa entre Juvevê e Cabral.

Amanhece no Juvevê, 2014. Vemos o mesmo Hospital São Lucas (foto de autoria de um colega).

Muda o nome do bairro, a avenida permanece a mesma mas igualmente cambia de denominação:

A partir dali começa a Avenida Paraná, nome que ela manterá até a Igreja de Santa Cândida, quando se tornará a Estrada Nova de Colombo (“Rodovia da Uva”).

……….

A Zona Norte é dividida em 2 setores:

– Pilarzinho e entorno, região até 2010 atendida pela finada Viação Marechal. Ali as linhas de ônibus começam com ‘1’. Por exemplo, o Jd. Kosmos é a 169, o Primavera 171;

– Boa Vista, Barreirinha, Santa Cândida, Abranches, Bacacheri e imediações. Até a “licitação” de 2010, essa era a área original de atuação da Viação Glória.

Prédios do Juvevê num gelado “Anoitecer na Zona Norte”, junho de 2014.

Onde as linhas começam pelo ainda pelo nº ‘1’ no Abranches, mas a partir da Barreirinha com ‘2’. Por ex. o Cabral-Osório é a 201, o N. Sra. de Nazaré 280.

Um dia ainda escreverei uma matéria mostrando o sistema na numeração das linhas de Ctba e São Paulo. Mas por hora de volta a nosso tema de hoje:

Pois bem. Como dito, as linhas pro Abranches embora já fossem da Glória desde décadas ainda começam com ‘1’.

O “Céu de Curitiba” emoldurando seus espigões. Em 1º plano o Juvevê, onde estou. Ao fundo enxergamos o Alto da XV e Cristo Rei, que ficam entre as Zonas Leste e Central (confira em qual ‘zona’ fica cada um dos 75 bairros de Curitiba).

Da parte ‘2’ da Z/N, as 3 principais avenidas são Munhoz da Rocha/E. Gaertner, Anita Garibaldi e Av. Paraná.

E dizendo ainda mais uma vez, todas começam juntas, no Juvevê, a ‘nascente’ delas.

Portanto o título está plenamente justificado. Digo, as duas primeiras juntas mesmo, frente-a-frente. E uma quadra depois somente a Av. Paraná.

No caso da Anita e M. da Rocha,  sua primeira quadra é calma, sua segunda quadra é via rápida (outro fato pouco conhecido).

A partir da 3ª quadra aí sim elas tomam a forma que são conhecidas da massa. Isso já foi dito.

Esse Pôr-do-Sol no Juvevê é mais recente, de dezembro de 2017. Assim fechamos a matéria com chave de ouro.

Recapitulei pra traçarmos um paralelo com a Zona Sul, onde residi mais tempo em Ctba. (15 anos).

A Av. Brasília – que divide o Novo Mundo do Capão Razo – é exatamente assim também:

Tem a nascente pouco conhecida e também na Estrutural do Expresso, sua 1ª quadra é calma, é Via Rápida por umas quadras, depois embica pro bairro e toma sua forma conhecida.

1ª ATUALIZAÇÃO (AINDA EM DEZ.17) –

A partir dessa ao lado, e daqui até o final, nenhuma imagem é de minha autoria.

Duas que são de 2006 foram clicadas pelo mesmo camarada que mandou a panorâmica do Ahú em 1969/70 e contou um pouco a história do bairro.

Identifico quais são essas na legenda. As demais, mais antigas, ele puxou da internet.

A direita: aérea do Juvevê, 1973.

O ‘Sistema Trinário’ de Lerner (uma canaleta exclusiva do Expresso, duas pistas locais ao lado, e um binário de Vias Rápidas a uma quadra) já está pronto, ou ao menos em obras.

Av. João Gualberto, 1939. Não sei o que são essas motos, provavelmente um desfile militar – naquela época não existiam ‘moto-clubes’ como hoje.

Repare que o bairro praticamente não tinha prédios. A Rua Euzébio da Motta (1ª paralela a Rápida pela direita, pra quem vai no sentido Centro) ainda tinha trechos de terra.

Acima: estádio Couto Pereira ainda sem os anéis superiores nas curvas, mas já em uso. Foto dos anos 60.

Importante: como eu já expliquei antes, eu não torço pelo Coritiba F.C.

E nem nenhum outro time de futebolexceto o Atlético Nacional de Medelím-Colômbia.

Av. João Gualberto, 2006.

Portanto não inicie uma discussão futebolística que não é o caso aqui. Nosso foco é relembrar o passado da metrópole.

Se um dia eu tiver acesso a uma imagem antiga interessante da Baixada, Vila Capanema, Pinheirão ou qualquer outro estádio, eu publico também.

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As imagens acima e ao lado são de 2006, e de autoria de nosso colega colaborador da página, como dito.

Eu relatei que naquele casarão funcionou uma funerária. Aqui a fachada ainda está pintada.

E a direita: a apenas 11 anos atrás (a postagem é de 17) ainda era rentável ter uma locadora, olhe o tamanho da ianque ‘BlockBuster’ na ocasião. As coisas mudam . . .

“Deu proverá”

Trem das Onze

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 4 de dezembro de 2017

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres

Marília vai viajar – e vai de trem. Ao lado ela esperando na plataforma da estação.

Infelizmente hoje o Brasil com raríssimas exceções não conta mais com esse modal pra longa distância, praticamente se resumiu somente a trens suburbanos.

Mesmo esses não são aproveitados no potencial que seria ideal.

Existem em raras cidades e na maioria delas são poucas linhas, em muitas delas uma só.

No passado existiu mesmo o lendário ‘Trem das Onze’ na Zona Norte de São Paulo, imortalizado na canção de mesmo nome.

Breve levanto pra página o que escrevi sobre o tema, mas hoje como adianto já vemos a Estação Jaçanã:

Aquela que o compositor da música saltava pois morava no bairro.

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Feito esse registro histórico, voltemos a ficção. Marília vai viajar de trem, cruzar o país.

Sim, no Brasil isso não seria possível. Mas em outras nações o transporte sobre trilhos ainda é a realidade.

Por exemplo, visitei Argentina e África do Sul em 2017. Em ambos a ligação entre suas principais metrópoles ainda conta com esse serviço.

Tentei nos dois casos utilizá-lo, mas por questões de agenda (não haviam viagens disponíveis nos dias que precisávamos) não foi possível.

Na Argentina fiz os deslocamentos internos de ônibus, e na África de avião.

Então vamos Marília viajando ao exterior, e lá indo de trem de uma cidade a outra.

Ela está toda elegante, com luvinhas brancas transparentes, como se estivesse num casamento.

Em sua mala, como notam na primeira imagem no topo da página, ela amarrou uma fita rosa, mesma cor de seu vestido, pra poder identificar na esteira do aeroporto quando é o caso.

magia cigana

Agora uma Marília cigana. Dançando.

Um casal cigano, na verdade. Pois seu marido Maurílio é quem toca pra ela dançar.

Já desenhei essa manifestação quando retratei Marília como “A Devota” de diversas religiões.

Nesse caso era um casal de umbandistas. E nada mais natural:

Afinal consideramos que os ciganos são uma das muitas linhas da Umbanda.

A religião tirou parte de seu rito justamente desse povo.

Que nos últimos séculos se estabeleceu no Leste Europeu, mas cuja origem é a Índia:

Esse país super-povoado que é a ‘Grande-Mãe’ de boa parte da humanidade.

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Por isso vemos (em 2 escalas) a Marília Cigana.

Cheia de colares, e de roupa vermelha. Sempre, né?

E dessa vez sem véu. Então aproveito o embalo e mostro mais duas Marílias ciganas, essas de véu.

Os desenhos vieram de outras postagens, clicando na ligação aparece em escala maior com mais detalhes:

Acima “A Cartomante”, lendo no baralho o destino de alguém.

E depois fazendo a Dança do Ventre.

“Deus proverá”