Onde a “América” começou: República Dominicana

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”A República Dominicana

Publicado em 28 de outubro de 2013

Essa mensagem é o portal da série que retrata minha viagem a República Dominicana (abreviada RD).

No pé da página as ligações pra todas as mensagens que a compõem. 

Todas as fotos foram feitas pessoalmente por mim, exceto as 3 de Fuscas da polícia, baixadas da rede.

Pátria Amada na República Dominicana

Pátria Amada na República Dominicana.

Ali foi o primeiro assentamento europeu na América, de 1496.

Tão logo os castelões (espanhóis) lograram expulsar os árabes da Península Ibérica, se aventuraram pra esse lado do Oceano.

…………..

Cristóvão Colombo ao cruzar o Atlântico primeiro aportou numa ilha que pertence a atual Bahamas, nas imediações.

América

América Querida.

Em 1494 ele chegou a Ilha Espanhola (que contém a Rep. Dominicana e o Haiti).

E dois anos depois seu irmão Bartolomeu Colombo, que auxiliava Cristóvão nas empreitadas, fundou a cidade de Santo Domingo.

Até hoje está a ali a “Casa de Colombo”, sede do primeiro governo colonialista espanhol no novo mundo.

Foi erguido por Diego Colombo, filho de Cristóvão, que chegou em 1509 como vice-rei espanhol nas “Índias”, como o Caribe era chamado.

Já que a princípio Cristóvão Colombo julgou ter chegado a Índia na Ásia.

Entretanto, obviamente a América não foi “descoberta” por Colombo nem por europeu algum.

Posto que ela já era habitada há dezenas de milênios por povos não-europeus, como os maias, incas e astecas, diversas tribos indígenas oriundas da Ásia e mesmo os viquingues escandinavos aqui estiveram antes dele.

Farol a Colombo Sto. Dgo. Leste RD3

Farol a Colombo.

Colombo apenas tomou posse do continente em nome de uma potência europeia.

É que nossa cultura confunde história da raça europeia com a história da humanidade.

O nome “América” mesmo é oriundo da colonização europeia, e por isso está entre aspas.

Farol a Colombo Sto. Dgo. Leste RD1

Farol a Colombo – Sto. Domingo Leste.

…….

Seja como for, por conta disso o Centro Velho de Santo Domingo (chamado “Cidade Colonial”), que era totalmente murado, é patrimônio cultural da Humanidade pela Unesco.

Ainda há vestígios das muralhas e dos portões que a cruzavam.

Observe as imagens, clique sobre que elas se ampliam, o mesmo vale pra todas.

Vemos, por baixo e por cima, uma antiga fortaleza que guardava Santo Domingo, e depois uma igreja, a seguir volta o canhão em escala maior.

antiga muralha Cid. Colonial Sto. Dgo. RDantiga fortaleza que guardava a cidade Sto. Dgo. RD1Cidade Colonial Centro Sto. Dgo. RD5antiga fortaleza que guardava a cidade Sto. Dgo. RD

Eu virei a câmera pra esquerda, e cliquei flores tanto ao lado dessa igreja quanto do canhão.

………..

Essa fortaleza era pra impedir ataques de piratas, inclusive e principalmente os que eram financiados pela Inglaterra. Por isso Santo Domingo tinha grossas muralhas guarnecidas pro múltiplas baterias de canhões a protegê-la.

Cidade Colonial Centro Sto. Dgo. RD6

Cidade Colonial.

Mas em uma oportunidade não foi suficiente, e um famoso pirata inglês tomou a cidade, hasteando a bandeira inglesa no que hoje é chamado de Casa de Colombo, a sede do vice-reinado espanhol.

Entretanto, a Espanha estava bem estruturada no Caribe e retomou o controle.

Houveram invasões francesas a RD, igualmente. A Espanha, ao final, conseguiu repelir todas e manter a República Dominicana.

saída oeste da Cidade Colonial proc. da República 1844 Sto. Dgo. RD

Local de proclamação da república, 1844.

A primeira independência dominicana da Espanha veio em 1821, mas no ano seguinte o Haiti (que então era bem mais forte que hoje) unificou a ilha a força sob seu comando.

Em 1844 a República Dominicana consegue a segunda independência e declara a república.

Em 1861, a Espanha reconquista e reanexa a nação. A terceira independência dominicana (a segunda da Espanha) não tarda, chega em 1865.

Mas em 1916 vem a primeira ocupação estadunidense, que só termina em 1924. Nesse período os EUA criam a temida “Guarda Nacional”, um esquadrão da morte que faz desaparecer os inimigos da ditadura ianque.

‘fuscão preto’: o terror dos anos trujillo, o ‘menino de ouro’ da cia

fuscao preto

Sub-sede do S.I.M. – Serviço de Inteligência Militar, a polícia política – no Aerop. Intern. das Américas (sigla AILA, em espanhol). No auge do terror Trujillo, os Fuscões Pretos da ditadura representavam a morte certa, e muito dolorosa, pra quem era apanhado por eles.

Se você tem um amigo dominicano, não cante pra ele ‘Fuscão Preto’, grande sucesso da música brasileira.

Isso fará o dominicano passar mal, pois lhe trará péssimas recordações.

Explico: logo em 1930 a CIA articula novo golpe e põe no poder Rafael Trujillo, oriundo justamente da Guarda Nacional.

Na época, a polícia dominicana contava com enorme frota de Fuscas.

Hoje a Volkswagen tem ínfima participação no mercado automobilístico dominicano, é praticamente inexistente. Mas no meio do século passado não era assim.

Isso era especialmente verdadeiro nas forças de segurança.

As viaturas comuns, que patrulhavam a cidade atrás de assaltantes, batedores de carteira, pequenos traficantes, eram Fuscas pintados de azul e branco.

museu da policia-sto. dgo.-rd

Museu da Polícia Nacional, Sto. Dgo. Logo na entrada há um Fuca, que por décadas foi o modelo de preferência dessa força. Eu passei em frente mas não entrei. No entanto, vi esse carro de lá da rua.

Entretanto, as viaturas da polícia política, que caçava os dissidentes que criticavam o ‘generalíssimo’, eram Fuscas inteiro pretos, negros como a noite – cumpriram lá o papel que a Veraneio fez aqui.

De volta aos anos de chumbo trujillistas na RD:

Se você topasse com o Fuscão Preto dos capangas de Trujillo, seu coração ficaria mesmo em pedaços – não em termos poéticos mas na dimensão literal, física.

Aqueles que o ‘Fuscão Preto’ enredava dificilmente voltavam vivos, e se voltassem eram tão torturados que preferiam ter morrido.

Em sua megalomania, ele inclusive mudou o nome da capital. Enquanto esteve no poder (1930-1961) Santo Domingo se chamava “Cidade Trujillo”.

preservado

Esse foi preservado, é visto aqui em foto recente. Repetindo, as 3 fotos de viaturas foram baixadas da internet.

Aqui encontramos mais uma coisa em comum com o Paraguai.

No período da ditadura de “Dom Alfredo” (1954-89), a atual Cidade do Leste foi rebatizada em seu nome, “Presidente Stroessner”.

Mas ao menos o ‘generalíssimo’ paraguaio mudou o nome de uma cidade do interior. A capital continuou sendo chamada ‘Assunção’.

………….

Trujillo era ainda mais megalomaníaco, e mudou já de uma vez a capital pro seu nome.

Ele era mesmo o dono do país, ou assim se via, e massacrava quem discordasse de sua tomada de posse de uma nação inteira.

Era conhecido pela alcunha de “Homem de Gelo”, ele quase não suava.

No meio do dia, com Sol a pino, o calor dominicano é de lascar. É saárico mesmo.

Ninguém aguenta ficar ao ar-livre, e quem não tem escolha sua em bicas, fica ensopado de tanto suor.

Mas Trujillo, curiosamente, era imune a essa sensação térmica, a todos os demais tão aguda.

Era famoso pelas cerimônias que fazia nos horários mais quentes do dia, em que todos estavam derretendo, encharcados de suor, mas ele estava impecável.

Mas não apenas isso. Ele era um assassino frio e implacável, o “Homem de Gelo” nessa dimensão também.

Cidade Colonial Centro Sto. Dgo. RD1

Cidade Colonial.

Calcula-se que cerca de mil pessoas tenham morrido assassinadas nos ‘anos de chumbo’, o período mais sangrento da ditadura militar brasileira:

A década a partir do proclamação do AI-5, em dezembro de 1968, até a Anistia, em fins da década de 70. Mortos pelas forças de repressão, e mais ocasionalmente pelas guerrilhas que as combatiam.

Pois bem. Na ditadura dominicana foram mortas 50 mil pessoas, sendo que a população dominicana é 5% da nossa. Logo, proporcional ao número de habitantes, Trujillo matou mil vezes mais que os conflitos da ditadura brasileira. É isso que você leu.

Apenas no famoso “Massacre do Perejil”, em 1937, ele executou 30 mil haitianos que viviam como refugiados na República Dominicana.

Mas mesmo se você excluir os estrangeiros a repressão dominicana ainda eliminou a sangue frio 20 mil dominicanos, o que ainda é per capita 400 vezes pior do que ocorreu em nossa Pátria Amada.

África na América RD19

África na América: 90% dos dominicanos são negros e mulatos.

Trujillo fica no poder até março de 1961, quando foi assassinado por armas enviadas pela própria CIA, que foi quem o colocou e manteve no cargo.

Mas que por temer que sua altíssima impopularidade detonasse nova revolução ao estilo da feita por Fidel e Che em Cuba, 2 anos antes, resolveu ajudar os dominicanos a eliminarem o ditador.

Numa emboscada, metralharam seu carro – estamos em 1961, as limusines presidenciais ainda não eram blindadas.

Atingido por várias balas, Rafael Trujillo não resiste e deixa a presidência vitalícia da RD ao deixar também esse plano material.

É enterrado no Panteão dos Heróis Dominicanos, ao lado dos mártires que tombaram nas lutas pelas sucessivas guerras de independência dessa pequena e sofrida nação.

beira-mar mas sem praia Sto. Dgo. RD

Beira-mar mas sem praia: Santo Domingo.

Ramfis Trujillo, filho do ditador morto, assume o poder com sanha de vingança, e determina que a polícia política ache e judie bastante dos assassinos do pai.

Assim foi feito, um a um os Homens que participaram do assassinato do ditador são caçados, severamente torturados e depois eles mesmos também mortos.

Mas por pressão popular Ramfis tem que deixar o cargo, nos últimos meses desse mesmo ano de 1961.

Como humilhação maior, e obrigado a exumar o cadáver de seu pai e retirá-lo do Panteão Nacional dos Heróis. Os despojos de Rafael Trujillo são enterrados na França. Sabe-se lá porque, foram novamente exumados e hoje estão na Espanha.

O cara já foi enterrado 3 vezes, em 3 países diferentes, em 2 continentes. É mole???

Cidade Colonial Centro Sto. Dgo. RD8

Cidade Colonial (Centro Velho).

Assume um presidente civil, Juan Bosch, eleito em 1962. Entretanto, em golpe de estado em 1963 ele é derrubado pela CIA. Assume uma junta militar.

A sociedade se mobiliza pra tentar reconduzir Bosch ao cargo, o que faz com que em 1965, a República Dominicana entre em guerra civil.

Os EUA invadem novamente com mais de 42 mil soldados, e re-ocupa a nação até o ano seguinte.

Ao sairem deixam no palácio mais um ditador, Joaquim Balaguer, que ficou 12 no comando do país. Ele era um dos auxiliares mais fiéis a Trujillo. 

África na América Ponta das Canas RD1

Ponta das Canas, interior da República Dominicana.

E portanto seu governo foi continuação da longa ditadura Trujillo/CIA:

Iniciada em 1914 e que com breves períodos de democracia só finda em 1978. Desde então há democracia constitucional.

………………

Há 9,5 milhões de Homens e Mulheres vivendo na RD. A capital Santo Domingo concentra 2,8 milhões deles.

Por isso incluo os subúrbios metropolitanos. A parte central da cidade é o Distrito Nacional, equivalente ao nosso Distrito Federal, onde vivem pouco mais que 900 mil dominicanos.

África na América RD2

Santo Domingo Leste. Mais fotos desse ponto de ônibus aqui.

Exatamente como na Argentina, em que a Capital Federal Buenos Aires está dentro da província de Buenos Aires.

E como no México, onde o Distrito Federal que é a Cidade do México está dentro do estado do México.

Na República Dominicana o Distrito Nacional que é o município de Santo Domingo está cercado pela província (estado) de Santo Domingo.

E alguns dos municípios limítrofes a capital federal lhes são homônimos acrescidos posição geográfica. Eis a composição da cidade, núcleo mais subúrbios:

– O Distrito Nacional, que é a Zona Central da metrópole, Santo Domingo propriamente dito, quase 1 milhão de habitantes. Trata-se do Distrito Federal deles, uma unidade da federação.

pelada de beisebol - só mesmo no Caribe RD

Pelada de beisebol – só mesmo no Caribe. Ainda assim, em São Paulo fotografei cena parecida, meninos de pele morena jogando com tacos em plena rua. Mas era outro esporte.

– Santo Domingo Oeste, 280 mil hab.

– Santo Domingo Norte, 321 mil

– Santo Domingo Leste, 787 mil

Los Alcarrizos, a norte, 199 mil esses 4 pertencem a província (estado) de Santo Domingo, outra unidade da federação (U.F.). E por fim:

– São Cristóvão, 220 mil pessoas;

– Baixos de Haina, com 80 mil; esses dois ficam na província de São Cristóvão, portanto uma terceira U.F. .

Uma única cidade, mas que se divide em 7 municípios que ficam em 3 diferentes unidades da federação. Em 3 diferentes ‘estados’, se você usar a linguagem vulgar que considera o Distrito Federal como um estado.

Até 2001, entretanto, não era assim. O Distrito Nacional então englobava toda a atual província de Santo Domingo, ou seja, era muito maior. Era como se todo o estado brasileiro de Goiás fosse o Distrito Federal.

beira-mar mas sem praia Sto. Dgo. RD1

Santo Domingo.

Voltando a RD, viram que não havia possibilidade do Distrito Nacional ser tão amplo, e por isso houve o seccionamento, a área central da cidade virou o novo Distrito Nacional.

A periferia e a área rural do entorno se tornaram um novo estado da federação, a província de Santo Domingo, cercando mas a parte da capital federal.

Além de Sto. Dgo. (como a capital é abreviada), as maiores cidades da Rep. Dominicana são Santiago, no norte do país, com 550 mil pessoas.

E a seguir a Cidade Romana (‘La Romana’ no original em espanhol), no leste da ilha, onde vivem 224 mil dominicanos – por essa última eu passei de dentro do ônibus, mas não cheguei a descer.

………..

Ponta das Canas RD1

Ponta das Canas, interior da RD.

A República Dominicana é um país totalmente de 4º mundo. O governo funciona de forma absolutamente precária.

E depende de doações tanto da classe empresarial quanto da comunidade internacional.

O que cria um sistema de apadrinhamento e patronagem pra tarefas tão básicas quanto construir postos policiais e de saúde, e mesmo pra operar semáforos de rua.

Auto-Pista das Américas Sto. Dgo. Leste

Flores na Auto-Pista das Américas, Santo Domingo Leste.

……….

Não é exagero ou modo de falar. Verão nas fotos em outro emeio um posto de saúde doado por empresários.

E vi (mas não pude fotografar) um semáforo que identificava qual empresa pagava a energia elétrica necessária pra operação dele.

Além disso, são frequentes equipes de ajuda humanitária da ONU, não militares como há no vizinho Haiti, mas sim civis da FAO, e também da União Europeia.

A Ilha Espanhola (Haiti e RD) é a África na América. O Haiti é ainda mais pobre, mas na RD a situação também é complicada.

cidade arborizada e florida Sto. Dgo1. RD

Periferia arborizada e florida.

O Haiti é 97% negro, segundo algumas fontes. Pois bem. Na vizinha República Dominicana, o escurecimento é só um pouco menor: 90% são negros ou mulatos.

………….

Eu não sou branco, sou “americano”, e essa é uma etnia a parte. Explico: América é um continente, não um país.

E nós, os habitantes do continente América, temos grande influência europeia, evidente.

Mas também temos marcante herança indígena e negra que a Europa (EUA incluído) simplesmente não possui.

Cidade Colonial Centro Sto. Dgo. RD

Cidade Colonial.

Nós Americanos não somos ‘ocidentais’, pois esse termos se refere a países onde a raça caucasiana é amplamente majoritária, física e espiritualmente:

Além da Europa, os EUA, Canadá, Israel e Austrália/Nova Zelândia.

Na América Latina temos outra cultura, outro modo de ver o Universo e de nos relacionarmos com ele.

Como é a cultura que define a raça, e não melanina, nós Americanos (os chamados ‘latinos’ nos EUA) não somos brancos, ainda quando o tom de pele nosso é alvo.

É meu caso. Eu Sou Americano. Portanto não sou ‘branco’.

…………

Ainda assim, minha pele é clara. Então. Chegando de ônibus urbano no bairro Los Frailes, Zona Leste metropolitana de Santo Domingo, aconteceu comigo uma situação que já havia ocorrido a um tio meu em Salvador-BA:

Eu era a única pessoa de tez alva em meio a um mar de gente negra e mulata.

Há muitos dominicanos pobres de pele mais clara, mas pelo nariz e cabelo você vê que são mulatos claros. Pois brancos mesmo você vê na classe média e ainda assim poucos, maioria branca só bairro da elite, na Zona Oeste.

antiga fortaleza ao fundo o porto Sto. Dgo. RD

Flores na fortaleza da Cid. Colonial (Centro).

A República Dominicana é mais negra que Salvador. Na capital baiana, os negros e mulatos são 80%.

A elite e a classe média-alta são brancas, a periferia majoritariamente negra, mas mesmo ali há alguns brancos pobres.

Se você escolher ao acaso 10 pessoas num subúrbio pobre de Salvador, digamos que uns 4 serão negros bem escuros, 4 serão mestiços em diversos níveis e haverão 2 brancos.

……….

Já na República Dominicana, os negros e mulatos são 90%. Vou ser específico aqui: na periferia das cidades da RD, não há brancos.

Não há. A elite dominicana é branca. Mas mesmo na classe média-alta os negros e mulatos superam os brancos que ainda existem em reduzido número.

E no subúrbio (classe média-baixa e favelas) não há descendentes de europeus.

É algo raro na América. Em Bogotá-Colômbia e Cidade do México, há poucos brancos na periferia (nesses casos maioria indígena), mas bem mais que na RD.

No Paraguai os brancos são maioria, mesmo entre a classe baixa. No Chile os brancos são maioria no litoral e na capital é quase meio-a-meio com os indígenas.

cidade arborizada e florida Sto. Dgo. RD

Periferia arborizada e florida.

De volta a S. Domingo: cheguei no país e fui primeiro pra periferia, só vi negros e mestiços o dia inteiro, nada de caucasiano, nenhum sequer mesmo, não é maneira de falar.

A noite, fui num supermercado no Centro. Só aí me deparei com dominicanos brancos, levei até um susto. Eles existem, mas em ínfima minoria, mesmo na classe média.

…………..

Um detalhe muito, muito triste: é indescritível a quantia de lixo que há pelas ruas e também praias, bosques e riachos da República Dominicana.

Veja abaixo que desgraça. Infelizmente esse é o padrão por boa parte do país, só o bairro da elite na Zona Oeste é limpo, o resto é trágico de tanta sujeira, inclusive no Centro da cidade.

lixo na rua Sto. Dgo. Leste RDlixo na praia Centro Sto. Dgo. RD1

O trânsito é um caos, poucos usam cinto de segurança e capacete, e os motoqueiros não respeitam qualquer lei, entram sempre pela contra-mão.

Cidade Colonial Sto. Dgo. RD Patrimônio da Humanidade

Cidade Colonial, Patrimônio da Humanidade.

Tudo somado, a Ilha Espanhola (Haiti + República Dominicana) é a própria África na América.

Andando pelas ruas de S. Domingo, eu tinha dificuldades em lembrar que estava em território americano, essa informação tinha que ser inserida no sistema artificialmente, pela mente.

A sensação visual/auditiva intrínseca, natural, inclusive composta pelo saárico calor da região equatorial terrestre, era que eu me encontrava em Lagos-Nigéria ou Dacar-Senegal.

Atualização de maio.17. Por outro lado, veja. 3 anos e pouco depois de ir a RD, eu fui mesmo a África. A África do Sul, que é África, óbvio, os negros são maioria.Mas há uma minoria significativa de brancos, e por serem ingleses em sua maioria (ao menos nas grandes cidades) eles vivem como na anglosfera.

Assim na Cidade do Cabo eu tinha a nítida sensação de estar na Califórnia-EUA. Estava na América em 2013, e parecia que era na África. Quando fui mesmo a África, parecia que estava em outra parte da América. Como é a Vida….

ponte estaiada sobre o Rio Ozama Sto. Dgo. RD

Ponte estaiada sobre o Rio Ozama.

Volta o texto original. Creio que a RD é o único país no mundo que reúne ao mesmo tempo fala hispânica e maioria negra.

As outras nações caribenhas que tem o grosso da população formada por negros (Haiti, Jamaica e outras menores) se comunicam em outros idiomas.

Já os demais países hispano-fônicos americanos não contam com maioria negra.

Embora alguns como Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Venezuela, Porto Rico e outros tenham minorias negras significativas.

A Espanha não conseguiu amealhar colônias na África. A República Dominicana veio então pra preencher essa lacuna.

……..

Ponte Flutuante, porto e Cid. Colonial fim de tarde Sto. Dgo. RD

Ponte Flutuante, porto e Cid. Colonial num belo fim de tarde em Santo Domingo, 2013.

Comentemos mais um pouco das fotos, algumas já vistas acima, identifique pela legenda:

Bandeiras dominicana e da Pátria Amada expostas na capital dominicana Santo Domingo.

No caso do estandarte brasileiro, por minha iniciativa, fui eu quem levei e é meu irmão quem segura. Ao fundo a muralha que cercava a cidade, o Rio Ozama e o porto.

Mapa da América querida. Sem a América do Norte, pois EUA e Canadá em espírito ainda são Europa.

Farol a Colombo, uma construção exótica em parceria do governo e da igreja. Foi ali que cliquei a bandeira da imagem que abre a série. O Toyota branco bem no centro é o Papa-Móvel, usado pelo papa João Paulo 2º na última de suas 3 visitas a Rep. Dominicana, em 1992.

Distrito Nacional visto de Sto. Dgo. Leste RD

Rio Ozama. Estou na província (estado) de Santo Domingo. Na outra margem é o Distrito Nacional, o D.F. deles.

 A fortaleza que guarnecia a casa sede do governo colonial espanhol

Cidade Colonial, o Centro Velho de Santo Domingo, justamente a parte que era murada pra evitar invasão estrangeira.

Hoje patrimônio da humanidade pela Unesco, por ser a gênese da saga (alguns diriam o ‘saque’) europeia no novo mundo.

Restos da muralha. No portão foi proclamada a segunda independência (essa, do Haiti), e de quebra a república, em 1844.

África na América: 90% da população dominicana é negra e mestiça. Na periferia, 100%. Numa das fotos estamos na cidade de Ponta das Canas, que é no litoral e tem praias. As demais na capital, que é a beira-mar mas quase não tem praias.

pelada de beisebol em frente ao Farol a Colombo RD

Pelada de beisebol em frente ao Farol a Colombo.

Veja por que: a água bate numa formação rochosa, não há faixa de areia. Pra se banhar no mar os dominicanos têm que pegar a estrada. Em outra mensagem falo mais disso.

Vemos a Ponte Flutuante: ela é móvel, e quando grandes navios precisam subir rio adentro é removida pelos guindastes nela instalados.

A casa de máquinas é guardada por soldados do exército. Todo o país é intensamente militarizado, como o são México e Colômbia.

Veículos pesados não podem passar pela Ponte Flutuante, precisam pegar aquela paralela, bem maior e estaiada, que também observam nas imagens.

Ponta das Canas RD3

Ponta das Canas.

Santo Domingo é uma cidade muito florida e arborizada. Vendo a periferia de cima de dentro do metrô, o que se vê é um tapete verde.

Ao nível da rua, muitas flores se sobressaem.

Os retratos mostram a Auto-Pista das Américas, que liga a capital primeiro ao aeroporto – que também se chama “Das Américas” – e depois as praias que ficam no leste do país.

Meninos jogam beisebol na rua. Essa é a paixão nacional, não se joga futebol na Rep. Dominicana, Laço Brancoao menos não em larga escala. O beisebol é onipresente, se pratica bastante basquete também.

Praia em Ponta das Canas, no leste do país. São 3 horas de viagem até a capital. Veja muitas fotos desse bonito lugar.

E fechamos com o Laço Branco. Na República Dominicana está havendo uma campanha pelo fim da violência contra a Mulher.

Pede-se que os Homens usem o laço branco, pra mostrar que apoiam essa ideia. Então aqui vai minha colaboração.

………..

Tudo somado: O que lhes mostrei foi o que vi, e por isso relato.

Ponte Flutuante sobre Rio Ozama Sto. Dgo. RD

Ponte Flutuante sobre o Rio Ozama.

O que escrevi nos parágrafos acima são fatos, a República Dominicana é um lugar confuso e pobre, por vezes mesmo bastante sujo.

Ainda assim, eu Amo a República Dominicana como ela é, porque Amo a Mãe-África.

E não deixaria de Amá-la quando ela se manifesta em território americano. O Amor quando verdadeiro é incondicional.

……….

Ponte Flutuante casa de máquinas Sto. Dgo. RD

Ponte Flutuante no Rio Ozama – Santo Domingo.

Nunca fui a Europa, e nem a Buenos Aires, e nem ao Uruguai, nem tenho planos de fazê-lo a médio prazo.

Quem sabe um dia, o futuro pertence ao Pai-Mãe. Mas por hora ainda não fui, e nem planejo visitar esses lugares, porque sua vibração não me atrai.

Entretanto, já fui a República Dominicana. Ao Paraguai. Ao México. A Colômbia. Ao Chile. E aos 4 quadrantes da Pátria Amada Brasil.

Porque Amo, acima de tudo e abaixo de nada, nossa querida América.

Cidade arborizada e florida: Sto. Dgo. RD.

Amor Maior.

Eu Sou O Mensageiro,

O Americano”.

……….

Série sobre a República Dominicana. Essa é a Abertura.

2ª mensagem: metrô moderno, vans nada modernas, táxi-lotação e até ‘Onças’: o transporte em S. Domingo.

3ª mensagem: “Vamos a Praia”. É dia de domingo em Santo Domingo

4ª mensagem: “África na América”

5ª mensagem: Ozama e Izabela se encontram: Santo Domingo é assim

6ª mensagem: Ponta das Canas: é o Caribe, afinal

……….

Que Deus Ilumine a todos.

Ele-Ela proverá

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