“Vamos a Praia”: é dia de domingo em Santo Domingo

Veira-Mar Leste Sto. Dgo. RD

Santo Domingo: litoral sem praia. No Paraná há cidades na mesma situação.

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 20 de novembro de 2013

Continuamos a jogar no ar a série sobre a República Dominicana.

……….

Deus é um cara gozador e adora brincadeiras”, diz a música. De fato.

Sua Justiça Infinita, baseada na Oni-Ciência e Oni-Amor, certamente é infalível, disso não há dúvidas. Mas que a forma que o Pai-Mãe molda o Universo material por vezes é irônica, isso é mesmo. 

Auto-Pista das Américas Sto. Dgo. Leste1

Auto-Pista das Américas. O canteiro central é todo florido em algumas partes, um canteiro de fato.

Santo Domingo, a capital dominicana, é um exemplo. Uma metrópole de 3 milhões de pessoas, a grande maioria muito sofridos pela vida dura da sobrevivência material.

Um povo que adora praia. Adora. Vivem numa cidade a beira-mar, e não qualquer mar mas sim no paradisíaco Caribe. Ainda assim, Santo Domingo é uma cidade a beira-mar…. mas quase sem praias.

Porque o mar encontra a terra em formações rochosas, sem faixa de areia.

Veja cenas da orla, os ‘mini-fiordes’ e depois a Auto-Pista das Américas, a Beira-Mar  (‘Malecón’ no jargão local). Clique sobre as cenas que elas aumentam, o mesmo vale pra todas.

Veira-Mar Leste perto do porto Sto. Dgo. RD1Veira-Mar Leste perto do porto Sto. Dgo. RDAuto-Pista das Américas a beira-mar Sto. Dgo. Leste

anoitece em Santo Domingo RD

Rio Ozama, com o porto.

……….

Digo, há uma praia na Zona Leste e umas 3 na Zona Oeste.

Lembre, o Centro, onde a cidade começou (e também a “América”, do ponto de vista europeu) fica na foz do Rio Ozama.

Assim, a cidade não tem Zona Sul, pois a sul está o mar.

Por consequência, a Zona Norte existe mas não tem litoral, que ‘beija’ a metrópole a leste e oeste.

parque margeando a Auto-pista das Américas Sto. Dgo. RD

Parque margeando a Auto-pista das Américas

Logo a leste do porto, que também fica na foz do rio, há uma pequena praia.

Mas é particular, pertence ao clube dos oficiais da marinha, de uso exclusivo deles. A sede do comando naval dominicano é em frente, só cruzar a rua.

De qualquer forma a praia é poluída, os oficiais e suas famílias não se banham ali.

Veja o Centrão, a Cidade Colonial, com suas placas de rua características. Algumas partes estão em ruínas.

pedaço da cidade em ruínas Sto. Dgo. RDantiga R. Sto. Antônio Cid. Colonial RDCidade Colonial Centro Sto. Dgo. RD2

Pra oeste, perto do Centro e também se afastando dele, há umas poucas praias, e são públicas. No entanto, estão igualmente poluídas, tanto as águas quanto pelo lixo na areia.

Cid. Colonial 'mini market' RD

Cid. Colonial: veja que o letreiro do mercadinho diz ‘mini-market’, em inglês

Tirando esse “pequeno detalhe”, o Malecón Oeste, a orla, é um local muito agradável de se caminhar, logo cedinho e no fim de tarde. 

Há parques, academias ao ar-livre, bares e restaurantes pra todos os gostos e bolsos.

Com o Sol a pino não dá, afinal estamos muito perto do Equador, e a coisa ferve, ninguém aguenta ficar longe da sombra.

……..

Bairro Chinês Centro Sto. Dgo. RD4

Bairro Chinês no Centro de Sto. Dgo.

Tudo somado, Santo Domingo não tem praias, ao menos não praias utilizáveis.

Ainda assim, os dominicanos adoram entrar no mar. Então o que eles fazem?

Sábado e domingo bem cedo embarcam nos ônibus rumo as praias que são próximas a capital, mas já fora dela.

Vão e voltam no mesmo dia, pra não pagar hospedagem. Isso o povão.

Quem tem dinheiro vai de carro, em praias bem mais distantes e aí dorme lá, tem casa de veraneio ou então a conta do hotel não é uma preocupação.

Do meio que puder arcar, o fato é que se é fim de semana o dominicano entra no mar, pra ali deixar suas preocupações cotidianas.

Vamos vendo imagens do Bairro Chinês, no Centro da capital. Já falamos mais da região. Repare nos cartazes que sequer são bilíngues, ao contrário, só em caracteres orientais mesmo.

Bairro Chinês Centro Sto. Dgo. RD salão de belezaBairro Chinês Centro Sto. Dgo. RD2cartazes em chinês Sto. Dgo. RDBairro Chinês Centro Sto. Dgo. RD3letreiro bilingue Bairro Chinês Sto. Dgo. RDBairro Chinês Centro Sto. Dgo. RD1

…….

Bairro Chinês Centro Sto. Dgo. RD

Bairro Chinês

A parte famosa do litoral dominicano é a leste da capital. Onde o Mar do Caribe se encontra com Oceano Atlântico aberto, está um complexo hoteleiro/turístico.

Destinado a atender turistas bem como a classe média-alta dominicana.

Estive ali também, e falamos mais dessa parte em outra postagem. Aqui, o foco é como a população da capital vive.

A imensa maioria dos habitantes de Santo Domingo não vai até ali como turistas, embora alguns vão pra trabalhar nos hotéis e restaurantes.

Damos os detalhes na ligação que está em vermelho. Por hora, vamos ver como se divertem os dominicanos de menor poder aquisitivo. Vão de ônibus – muitos em péssimo estado de conservação – pra praias mais próximas.

Av. Espanha - Malecón Leste Sto. Dgo. RD

Av. Espanha – é a Beira-Mar próxima ao Centro.

A mais procurada pelo povão chama-se Boca Chica, a apenas 30 km de Santo Domingo, logo após o Aeroporto Internacional das Américas.

Várias linhas de ônibus urbanos, com passagem acessível portanto, conectam essa praia ao Centro, e nos fins-de-semana eles circulam lotados.  Ademais, são 30 km do Centro.

Dos populosos subúrbios da Zona Leste a distância é menor, alguns deles já estão mais da metade do caminho a frente.

……….

Presenciei exatamente a mesma situação em Belém do Pará, em junho (de 13). A diferença que ali era beira-rio, e não beira-mar. Confira a matéria específica.

De resto é igual, uma metrópole muito quente, na orla, mas sem praias, e na folga semanal o povão se espreme em precários ônibus urbanos pra poder entrar dentro d’água.

Mais que presenciar, nesse caso eu participei, fui de busão me banhar na Ilha do Mosqueiro.

Auto-Pista das Américas a beira-mar Sto. Dgo. Leste2

Auto-Pista das Américas

Isso no Pará, encarei o modal mais barato, pois estava sozinho.

Na República Dominicana, não fui a praia de busão. Ao menos não de ônibus urbano, nas praias perto da capital.

Estava com minha família, então nós fizemos como os dominicanos de classe média, fomos de ônibus de viagem.

Certamente bem melhor que os usados pela massa trabalhadora. E nos hospedamos num hotel que não era de luxo, mas bem confortável, nas praias da ponta da ilha, distantes de metrópole.

Cidade Colonial Sto. Dgo. RD Patrimônio da Humanidade1

Cidade Colonial – declarada pela Unesco Patrimônio da Humanidade

Resumindo, em cada viagem eu vivenciei a realidade uma classe social. No Pará, fui a praia junto com os que vivem no subúrbio, e no Caribe junto com a classe média.

Comprovei que as populações das capitais do Pará e da República Dominicana vivem realidades parecidas:

Metrópoles bem pobres, na orla, mas sem praia, porém o povão adora praia.

E por isso na folga se espremem em veículos precários pra pegar a estrada e ir banhar-se a 30 km do Centro.

Vamos a Praia”: é dia de domingo em Santo Domingo. E também em Belém do Pará.

…………

Centro Sto. Dgo. RD9

Casa de madeira e banca de apostas, dois traços marcantes da R.D.

EXISTEM CASAS DE MADEIRA: SANTO DOMINGO É MESMO A ATLANTA (EUA) INSULAR –

Na República Dominicana, como no Sul e Norte do Brasil, como no Chile, nas Missões e Terra do Fogo na Argentina, e mais raramente no Paraguai, existem muitas casas de madeira.

Inversamente, no Sudeste, Nordeste e o eixo Brasília-Goiás, e também no México e Colômbia e na maior parte da Argentina, esse tipo de construção é inexistente, com raríssimas exceções.

Já debatemos amplamente esse tema, o que se um povo conta ou não com esse tipo de construção. Confira uma radiografia completa da situação em toda América.

casa de madeira Sto. Dgo. RD

Toras na horizontal, como no Sul dos EUA

Mas note bem a diferença: na América do Sul, as casas de madeira tem as ripas encaixadas na posição vertical.

Moro em uma casa de madeira, e estou vendo isso exatamente a meu lado.

Na República Dominicana, as madeiras são colocadas horizontalmente. No Sul dos EUA é igual, também há muitas casas de madeira, e horizontais.

Andava esses dias (“google mapas”) por Atlanta, Geórgia-EUA, e vi várias.

Um único estado brasileiro adotou o modal horizontal: o Amapá, vejam vocês

Colocar as madeiras verticalmente devia ser o modelo predominante na Itália na época do Grande Êxodo Europeu, no fim do século 19. Na Inglaterra e todo Norte do continente vigorava a configuração horizontal, que foi repetido no “bom e velho” Sul ianque, e também na República Dominicana.

Sim, eu sei, lá a colonização foi espanhola. Mas eles imitam muito os EUA, desde sempre, até por ser muito perto fisicamente. Foi o caso aqui também.

Centro Sto. Domingo RD

Centro de S. Domingo.

O resultado é que existem muitas casas de madeira em Santo Domingo. São sempre bem pobres, minúsculas e sem manutenção.

É difícil ver uma em bom estado. Imagine quanto cupim há naquele calor equatorial, pra começar a conversa.

…………..

PEQUIM AMERICANA: BEM-VINDO AO BAIRRO CHINÊS –

Na República Dominicana há enorme colônia chinesa, de origem antiga mas que continua a ser engrossada por enorme fluxo migratório.

Santo Domingo é a Lagos (Nigéria) Americana, mas nesse bairro se parece mais com a versão ocidental de Pequim.

O Bairro Chinês (visto nas fotos ao lado) bem no Centro de Santo Domingo, lembra um pouco a Liberdade do Centro paulistano.

Entretanto com a enorme ressalva que grande leva de japoneses veio pro Brasil há um século, masBairro Chinês Centro Sto. Dgo. RD5 desde então não chegaram novos imigrantes do país nipônico.

Com os chineses na RD, a situação é muito, mas muito distinta.

Há raízes históricas, os pioneiros, mas continuam ano a ano a chegar milhares de chineses a Santo Domingo, pra ali fazer a vida.

……….

cartazes em chinês Sto. Dgo. RD1Assim, os chineses dominaram o comércio do Centrão da cidade. Muito além do Bairro Chinês.

Em seu epicentro, os letreiros são bilíngues chinês-espanhol, e mesmo alguns são monolíngues, só em chinês, sem espanhol.

Mas fora do Bairro Chinês, por todo o Centro de Santo Domingo, boa parte das lojas, de diversos ramos de atividade mas especialmente de vestuário, são de chineses.

E o letreiro não é em chinês, é em espanhol mesmo. Digamos assim, os chineses cumprem na Rep. Dominicana o papel reservado aos semitas (árabes e judeus) em outros países, o Brasil como exemplo.

E a maioria dos restaurantes populares dominicanos são de chineses, não apenas do Bairro Chinês, não apenas do Centro mas também da periferia, por toda Santo Domingo, mais ainda, mesmo em todo o interior da nação, é tudo deles.

…………..

Barrio Chino 'car wash' Sto. Dgo. RD

Bairro chinês: letreiro escrito ‘car wash’.

É tanto chinês que eu arrisco dizer que já é a segunda etnia mais presente em Santo Domingo, atrás apenas dos negros.

Quero dizer com isso o seguinte: devem haver mais chineses que descendentes de espanhóis de pele clara na capital dominicana.

Isso porque os brancos são poucos, e concentrados na elite e classe média-alta, já os chineses são em número cada vez maior e se espalhando por toda parte.

Olhe, se a afirmativa acima ainda não é exata, ela o será em pouquíssimo tempo.

Se hoje, em 2013, ainda houverem mais brancos descendentes de espanhóis que chineses na RD, em 2023 certamente haverão mais chineses, pois eles continuam a chegar, enquanto há muito não imigram espanhóis pra RD.

Cidade Colonial Centro Sto. Dgo. RD7

Cidade Colonial

Fora brancos de origem espanhola, e mesmo eles não são tantos assim, não há outras etnias euro-asiáticas em número significativo na República Dominicana.

Pois pra lá não foram grandes levas de europeus, japoneses ou árabes.

Mas o ‘mar chinês’ compensa tudo. Apontei que no Paraguai por enquanto quase não há chineses.

Bem, como eu lhes disse, creio que não há povos tão opostos no planeta quanto o paraguaio e o dominicano, e isso é verdadeiro nessa dimensão também.

………….

Falemos das fotos, várias delas já mostradas acima, busque pela legenda (essas postagens originalmente foram emeios, que têm um formato diferente):

invasão chinesa Sto. Dgo. RD

Ônibus bilíngue – invasão chinesa na RD

Cidade Colonial, Centro de Santo Domingo, primeira povoação europeia em toda a América, por conta disso o bairro é patrimônio cultural da humanidade pela Unesco.

Onde a “América” começou’, pelo menos na versão europeia da história. Ali as placas de rua são diferentes do resto da cidade.

Fora da Cidade Colonial, as vias são nomeadas por uma tira de metal no poste, viram imagens na outra mensagem.

No Centro Histórico, entretanto, há cuidadosas peças de azulejo, personalizadas, como veem numa sequência acima. Por vezes trazendo mesmo o nome anterior, histórico, da via, como é o caso aqui.

Centro Sto. Dgo. RD

Centro da cidade

A proximidade com os EUA faz com que muitos pequenos comércios ostentem o nome em inglês.

Viram na  foto que registra a alvorada notam que o mercadinho traz escrito “mini-market” na fachada. No Bairro Chinês há um ‘car wash’, e por aí vai.

Vários quarteirões da Cidade Colonial estão em ruínas. 

Essa parte lembra muito o Centro Velho de Havana. Bem, é o Caribe, né? As ilhas têm muito em comum, em Cuba também há casas de madeira.

Há quarteirões no Centrão em Fortaleza-CE, Belém-PA e Assunção-Paraguai muito parecidos, mal-cuidados. E pelo mesmo motivo em todas elas.

Os países ricos e as cidades mais ricas dos países pobres como Curitiba, São Paulo, Buenos Aires-Argentina, Cidade do México Cid. Colonial pedaços em ruínas Sto. Dgo. RDe mais recentemente mesmo Bogotá-Colômbia, Salvador da Bahia e Recife-PE, todas essas capitais já restauraram seu núcleo original.

Que virou atração turística e local de moradia pra artistas, e também pra pessoas de classe média que moram sozinhas e casais sem filhos.

Porém, as metrópoles mais pobres ainda não tiveram essa opção, por falta de recursos.

Mais cenas da Zona Central de Santo Domingo, mas agora fora da Cidade Colonial.

Começamos, nas duas primeiras, vendo o mesmo local sob forte temporal e no dia seguinte, com tempo seco mas ainda com poças do estrago da véspera.

Centro Sto. Dgo. RD14Centro Sto. Dgo. RD14muitas grades Centro Sto. Dgo. RD1muitas grades Centro Sto. Dgo. RD

Placa de preferencial escrito “Pare”. E o que tem isso demais? É simples: está escrito na língua nativa. Parece óbvio, mas não é. Na Europa, independente do país, todas as placas de preferencial vem escrito ‘Stop’, em inglês.

farol do porto Sto. Dgo. Leste RD1Aqui e abaixo: Farol pra orientar os navios. O Cais do Porto, onde o Rio Ozama deságua no Mar do Caribe, vimos acima. Ao lado dele um parque na Beira-Mar.

Do lado direito do rio é o Distrito Nacional (o Distrito Federal deles), o município de Santo Domingo propriamente dito.

Do lado esquerdo é o município de Santo Domingo Leste, que já fica na província (estado) de Santo Domingo. Uma mesma cidade, totalmente unificada, mas que os bairros se espraiam de forma bi- (e até tri-) estadual.

parque do Malecón Leste Sto. Dgo. RDAutopista das Américas, a via expressa que liga o Centro ao Aeroporto de mesmo nome, a cerca de vinte e poucos km.

Há uma pista marginal pro tráfego local. Vai margeando o mar, mas sem praias como já sabem. Entre o asfalto e a água há ao invés de areia uma faixa de vegetação, um bonito parque.

Em Curitiba não é tão diferente assim . . .

De volta a RD: mais perto do Centro, a Beira-Mar não é mais uma estrada, e sim uma avenida farol do porto Sto. Dgo. Leste RDnormal, de trânsito urbano, mais lento, com sinais.

Trata-se da Avenida Espanha, infinitamente mais conhecida por Malecón Leste – ‘malecón’ é justamente a Beira-Mar, nossa “Avenida Atlântica”.

A Zona Oeste, mais rica, é a única que tem prédios altos em toda Santo Domingo. Não há prédios com mais de 4 andares (com elevador portanto) em toda Zona Leste, nem Zona Norte, e tampouco no Centrão.

Mas isso breve vai mudar. Veem aqui em fase final de obras os primeiros prédios altos da Zona Lesteprimeiros prédios da Zona Leste em obras Sto. Dgo. RD1, alias os primeiros prédios altos de toda a cidade fora da riquíssima Zona Oeste.

Sinal que a riqueza dominicana começa a ser melhor distribuída, afinal, e surge uma – por enquanto pequena – classe média fora do reduto tradicional.

Nesse ponto há uma semelhança muito grande com o bairro que eu moro, Boqueirão, Zona Sul de Curitiba. Explico.

Perto de minha casa estão sendo construídos os primeiros prédios altos, com elevador, do Boqueirão inteiro incluindo todas as suas avenidas. Mais: será o primeiro espigão da Marechal inteira fora do Centro, incluindo todos os bairros que ela cruza e não são poucos.

primeiros prédios da Zona Leste em obras Sto. Dgo. RDResumindo: No Malecón de Santo Domingo Leste e na Marechal aqui no Boqueirão, o mesmo fenômeno:

O primeiro conjunto de prédios não apenas de uma avenida importante, mas mais que isso, de toda uma região grande da cidade.

O mais incrível: os conjuntos são muito parecidos, no número de blocos, altura e pintura. Confira aqui. É a mesma Energia se desdobrando em dois pontos tão distintos da América, quase ao mesmo tempo.

Os da RD são um pouco mais velhos, estive lá no fim de 2013, devem estar prontos, enquanto os do Boqueirão estão na fase finalíssima de obras (quando escrevo isso, início de 2015). Mas a diferença é bem pequena.

Cidade Colonial Centro Sto. Dgo. RD4

Cidade Colonial

O parque no Malecón Leste, fotografado tanto mais perto do Centro na Avenida Espanha quanto mais distante na Autopista das Américas.

Muito bonito, muitas árvores, com pista de caminhada meio ao verde, bancos e praças pra descansar. As garças adoram esse local, já lhes mandei fotos delas.

Trata-se da ‘Veira-Mar’, com ‘v’. Como se sabe, em espanhol ‘v’ e ‘b’ pronuncia-se ‘b’, indistintamente. Assim, esse câmbio consonantal é comum em todos os países hispano-falantes, incluindo os EUA.

Agora, se você quiser saber das particularidades do espanhol falado especificamente na RD, eu abordo o tema aqui.

 ………….

Centro Sto. Dgo. RD3

Centro de Sto. Dgo.

Bairro Chinês, Centro de Santo Domingo. Constatam muitos letreiros bilíngues – inclusive a sinalização vial – e outros nem isso, apenas em chinês mesmo.

Outro detalhe são as enormes estátuas relacionadas creio a cultura religiosa chinesa, quase em tamanho real, colocadas nas calçadas, como notam numa imagem.

Na mesma tomada, uma placa anuncia um lava-carros, como é o corrente na RD: em inglês escrito portanto ‘car wash’.

Nas fotos, veja que os chineses estão criando raízes em amplos setores da economia dominicana, o ônibus não está no Bairro Chinês, e não é exclusivo pra chineses, mas destinado ao público em geral. 

Cidade Colonial Distrito Nacional RD

Cidade Colonial

No parque a beira-mar do Malecón Leste, bem perto do Porto, há um farol. Não sei se ainda ativo.

Casas de madeira são muito presentes na RD, ripas horizontais como no Sul dos EUA.

Bem pobres, lá esse modal habitacional é utilizado apenas pelos que tem menos recursos. As moradias são minúsculas, e muitas sequer possuem janelas, só portas.

Pelo imenso calor que faz em Santo Domingo, isso te obriga a manter as portas abertas, acabando com a privacidade da família.

Saída da cidade pela Autopista das Américas. A placa informa que o aeroporto internacional está a 12 km.

metrópole a beira-mar mas sem praias Sto. Dgo. RDE com mais 7 você chega na praia de Boca Chica, a mais próxima da capital, e portanto a mais frequentada pelos dominicanos pobres.

Pela proximidade dos navios denota que estamos perto do porto, e por consequência, do Centro.

………….

casas de madeira Sto. Dgo. RDPUXADINHO NUM PRÉDIO”?????? – NA REP. DOMINICANA, O SURREAL É O NORMAL –

Preste bem a atenção na cena ao lado: no prédio ao fundo o andar de cima tem paredes de material distinto dos que lhe estão abaixo.

Significa que foi construído depois. Isso é comum na República Dominicana.

Aqui estamos no Centro, o nível econômico é baixo, e já está feito. Porém, andando por um bairro de periferia da Zona Oeste de Santo Domingo, eu presenciei uma reforma similar em pleno andamento: o prédio, de classe média com garagem e portaria, estava pronto, e sendo habitado.

Ainda assim, o dono resolveu adicionar mais um andar, e assim o fez. Resultando que o edifício ganhou um pavimento a mais do que o projeto aprovado pela prefeitura previa. É óbvio que não há alvartá da obra, é tudo por baixo do pano.

Eu lhes disse, na República Dominicana o surreal é o normal.

Cidade Colonial lixo na rua Centro Sto. Dgo. RD

Cidade Colonial

Só poderia ser na nação que é o ponto de encontro entre a América e a África.

…….

Agora segura essa: na ‘europeia’ Santiago do Chile, o puxadinho no prédio é infinitamente mais comum.

O que eu vi no Caribe seria só o aperitivo pro que me esperava do outro lado dos Andes . . .

Que Deus, o ‘cara gozador’, ilumine a todos.

Ele-Ela proverá” – as vezes, de forma bem irônica……

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s