África na América: República Dominicana

chora mãe-áfrica: dos dois lados do oceano,

segue a saga da raça guerreira

brasão

Brasão Nacional

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 14 e 23 de novembro; e também 3 de dezembro de 2013

Nessa postagem eu junto 3 emeios, um que já estava no ar e foi reformatado e outros dois que ainda não haviam sido levantados pra página.

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Integra a série sobre a República Dominicana.      

Farol a Colombo Sto. Dgo. Leste RD

As próximas 3 imagens foram tomadas no Farol a Colombo, em Santo Domingo Leste

Como já disse e é notório, é um país africano no coração da América. 90% da população é negra.

Alguns bem escuros e outros em diferentes graus de mestiçagem, mas sempre com cabelo crespo e nariz largo.

E é uma nação totalmente de quarto mundo.

O bairro da elite, na Zona Oeste de Santo Domingo, é o único lugar da RD em que as ruas são limpas e as coisas em geral funcionam bem.

Já a massa negra não tem esse recurso, e é obrigada a viver em meio a um sistema onde nada funciona como deveria e tudo “vai como dá”.

Farol a Colombo Sto. Dgo. Leste RD4

Ao fundo o Centro da cidade

Mesmo desse lado do Oceano, segue a Saga da Raça Guerreira, Mãe-África continua a ser maltratada, a chorar, mas nunca desiste de lutar.

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Doenças medievais ainda matam muita gente na República Dominicana.

O país enfrenta epidemias de cólera e dengue, e há campanhas pra que a população se conscientize que só deve comer comida limpa e bem-cozida e não deixar água parada.

A cólera está matando também em boa parte da América Central, México incluído.

Pra complicar ainda mais o Caribe é a rota dos furacões. A mídia vem pedindo pra população se manter estocada em casa comida e água potável pra alguns dias, pro caso do pior ocorrer e ser decretado toque de recolher.

Não bastasse tudo isso, o país é extremamente violento, como toda nação centro-americana. Em toda América Central (México incluído, repito) e Norte da América do Sul, a coisa está difícil.

'Bendita Seja América' Sto. Dgo. Leste

‘Bendita Seja América’, é o que está na fachada. Veja a flor mais de perto.

México, Jamaica, Honduras, Guatemala, Porto Rico, Haiti, República Dominicana, Nicarágua, Panamá, Colômbia, Venezuela, esses países concentram quase todas as cidades mais violentas do planeta, ao lado do Brasil e África do Sul.

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Falando especificamente da RD, li no jornal que num fim de semana de agosto ocorreram 19 assassinatos.

É um índice elevado, principalmente se considerando que a maior parte deles foi na região metropolitana da capital Santo Domingo.

Na periferia também é comum comércios atenderem atrás das grades, embora numa proporção comércio gradeado Sto. Dgo. RDmenor que na Colômbia e México.

Veja a direita uma vendinha operando nessas condições, no subúrbio da capital dominicana.

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Há 3 tipos de polícia nas ruas de Santo Domingo:

Polícia metropolitana, civil, e de responsabilidade do governo local. Cuida de pequenos delitos, patrulha o calçadão e a orla, etc. Inclusive conta com uma divisão especial de proteção ao turista em que os policiais são bilíngues. Mais pra baixo na matéria veremos um de seus postos.

Polícia Nacional, também civil mas da alçada federal, como o nome indica. Investiga crimes mais expressivos como roubos, tráfico, etc. Essas duas polícias acima citadas andam com armas leves guardadas no coldre. E contam com pequena participação feminina.

Beira-Mar Oeste [Malecón] Sto. Dgo. RD

Classe alta na Beira-Mar Oeste [Malecón]

Polícia Militar. Federal, são soldados do exército e marinha. Exclusivamente masculina, trata da “segurança nacional”, seja lá o que for isso.

Seus comboios circulam pelas quebradas com metralhadoras em punho.

Duplas, quartetos e sextetos de soldados montam posição em toda parte:

Nas auto-estradas, sedes governamentais, na garagem da viação de ônibus, na casa de máquinas da ponte flutuante, enfim toda parte. Dá a impressão de guerra civil.

Como disse, é igual ao México e Colômbia. Já o Paraguai é mais calmo, só há soldados nos pontos realmente nevrálgicos como sedes do governo, bancos e embaixadas, mas não nas ruas.

praia poluída e de uso restrito Sto. Dgo. RD

Praia privativa dos oficiais da marinha – não é usada por ser poluída

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Tudo somado, vocês vem que a coisa é complicada. Mãe-África chora e sofre.

Mas nem tudo é tristeza. Mesmo sob tantas condições penosas, o dominicano é um povo alegre e quente, que adora se congregar na via pública.

Andando pelas ruas da periferias no fim de tarde, quando o calor é mais ameno, em cada quadra você vê várias rodas.

Os Homens e Mulheres se reúnem pra conversar, dar risada. O ‘pombal’, aqueles predinhos de cohab baixos, sem elevador, são típicos do país. Pois bem.

Há tanta gente nas ruas que mesmo as escadas dos prédios se transformam em ponto de encontro, em sala de estar. Debruçam-se nos corrimões, e ali ficam, a ver o movimento e tomar refrigerantes, sempre falando alto.

É um traço da raça caribenha negra. Os haitianos que moram no Brasil fazem o mesmo.

Cohab Santo Domingo Leste RD

Aqui e ao lado: Cohab em Santo Domingo Leste, moradia típica do país

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Não há dois povos tão diferentes no mundo quanto o paraguaio e o dominicano. Compartilham o idioma e as dificuldades econômicas e políticas. As semelhanças param aí.

Estou jogando no ar a série que escrevi sobre o Paraguai. Veja quais foram minhas impressões.

No Paraguai, a maioria das pessoas são brancas. Um povo frio, fechado e reservado, que se recolhe cedo e pouco fala com desconhecidos.

Na República Dominicana os brancos são raríssimos. As pessoas são, inversamente, quentes, expansivas e sociais, todos são bem-vindos as rodas de conversa na praça ou escada da cohab.

periferia Sto. Dgo. Leste RD

Essa é uma parte pobre da cidade, porém bem perto do Centro

Nenhum é ‘melhor’, cada um é como é. Sem julgar, aponto as diferenças. O futebol serve como exemplo.

Pros paraguaios é a paixão nacional. Na República Dominicana é simplesmente ignorado.

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Já retomamos o texto. Aqui uma pausa pra vermos cenas do distante bairro Los Frailes (L.F.), Zona Leste.

Portanto, a  cohab vista dos dois lados não é perto da sequência abaixo, que registra, repito, um subúrbio afastado.

quadra pública - não se joga futebol RD

Quadra pública não tem traves: não se joga futebol na Rep. Dominicana

Tanto a cohab quanto Los Frailes são na Z/L, e são pobres. Mas os predinhos são encostados no Centrão, enquanto L.F. é no fim da cidade.

Clique sobre as fotos que elas se ampliam, o mesmo vale pra todas.

Não é uma favela onde os barracos se amontoem, ainda assim um subúrbio pobre e sem nenhuma infra-estrutura.

Algumas casas são de zinco, outras de papelão. Sobrevivência, irmão. Chora, Mãe-África!!!

Na 4ª cena uma garagem de micro-ônibus. Ao fundo o Oceano. Los Frailes é assim:

periferia Sto. Dgo. RD1periferia Sto. Dgo. RD8periferia Sto. Dgo. RD2periferia, garagem de ônibus e o mar Sto. Dgo. Leste RD

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BEISEBOL, DOMINÓ E BARBEARIA, AS PAIXÕES NACIONAIS –

Na RD, em qualquer sombra haverá uma roda de dominó. Jogam por horas a fio, especialmente os mais velhos, gritam amistosamente entre si como se fosse um truco.

posto de gasolina - s- loja de conveniência RD

Posto sem loja de conveniência: apenas os do Centro têm esse luxo. Os do subúrbio, como esse, não têm. O dominicano é pobre e pouco sobra do orçamento pra supérfluos.

Os garotos preferem o beisebol. Da Venezuela até os EUA, passando por todas as ilhas, esse esporte é extremamente popular.

Em Santo Domingo, vi várias vezes os meninos fazendo ‘pelada’ de beisebol no asfalto. Coisa que não tinha presenciado sequer nos EUA.

Pra alegria da massa, a República Dominicana é a atual campeã mundial da modalidade.

Vencendo o arqui-rival Porto Rico na final do terceiro campeonato mundial, realizado em março nos EUA.

O basquete vem a seguir na preferência popular. Veem nas fotos que as quadras públicas não tem trave, só cesta.

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SANTO DOMINGO: LAGOS DO OESTE, ATLANTA DO SUL –

igreja - periferia Sto. Dgo. RD

Aqui e abaixo, a esquerda: igrejas evangélicas na periferia da cidade

Santo Domingo é a filial de Lagos-Nigéria (a maior cidade de maioria negra no mundo) na América, e é também a “Atlanta Caribenha”,

A capital do estado sulista da Geórgia é o ícone-mor da cultura negra estadunidense.

Queimada, pilhada e arrasada pelas tropas nortistas na guerra civil ianque (saga imortalizada pelo “E o vento levou”), Atlanta renasceu e prosperou novamente.

Então, em Santo Domingo a prosperidade material ainda está por vir. Mas espiritualmente ela se vê como a “irmã mais nova” de Atlanta.

igreja e roupas no muro Sto. Dgo. RDVocê já viu os filmes do diretor negro nova-iorquino Spike Lee? Se sim, de certa forma você já esteve na República Dominicana.

Nos bairros negros de Nova Iorque a barbearia é um centro comunitário, um ponto de encontro.

Muito mais que apenas aparar as madeixas, os Homens afro-descendentes dos EUA vão ao barbeiro pra conviver, conversar, participar da vida no bairro. Os dominicanos também.

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periferia Santo Domingo RD

Bairro distante, mas de classe média na Z/L. Escada pra fora: abaixo é uma moradia, acima outra separada, as vezes as famílias mal se conhecem.

Pras outras raças não é assim. As Mulheres, em todo o planeta eu creio, adoram o salão de beleza.

Mas na nossa cultura brasileira e também em muitas outras não há um equivalente masculino.

Pois bem. Pros negros das Américas do Norte e Central não é assim.

Nos EUA, e também na República Dominicana, a barbearia é um centro de convivência social pra ambos os sexos.

Por isso em Santo Domingo você vê em toda a parte salões de beleza pras Mulheres, como é universal.

Mas também barbearias, igualmente em toda parte. Muitas delas dizem na placa: “exclusivamente masculinas”. A barbearia, na República Dominicana, é quase um lugar sacro.

Veja nessa outra postagem uma foto. Ali está mostrado o cartaz em criolo haitiano, que falo abaixo.

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Outro ponto em comum: os negros dominicanos, como os do Sul dos EUA, simplesmente adoram frango frito.

Os pedaços de carne vem encharcados de gordura e negros de tantas vezes que óleo já foi re-aproveitado. Servidos com farofa em embalagens de isopor, pra viagem.

Cohab típica do país Sto. Dgo. Leste RD

Cohab, Sto. Dgo. Leste

Os restaurantes da periferia da RD são quase todos de chineses.

Anuncia-se ‘comida crioula e chinesa’. Seja o dono chinês ou não, funciona assim: há um bifê, mas a comida está atrás de um vidro.

Os funcionários do estabelecimento perguntam o que você quer e fazem seu prato.

O almoço típico dominicano consiste em arroz e feijão, salada, alguma verdura quente e, óbvio, frango frito.

Custa 120 pesos, equivalente a 6 reais. De cortesia uma jarra de água, o país é muito quente. Consome-se tanto feijão quanto no Brasil, afinal estamos na América. Outro rasgo típico americano é que tudo é temperado com coentro.

Cohab Santo Domingo Leste RD1

Essa cohab é um bairro pobre logo ao lado do Centro

Curiosamente na República Dominicana não se come muita pimenta, ao contrário do que alguém poderia imaginar.

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Já seguimos descrevendo a culinária. Vamos dar uma pausa pra ver as pichações.

Risos…. desculpe interromper o almoço pra falar de uma coisa de mau gosto. Mas é que o propósito é analisar a Rep. Dominicana no preto e no branco, então vamos lá.

Começamos pelo ‘3 y 2’, fortíssima gangue de rua local, sua insígnia está amplamente difundida por diversos bairros da capital.

Na segunda foto, o alfabeto criado localmente. Já na 3ª cena vemos um exemplo (redondo, de preto, quase no chão) de letra importada de Nova Iorque-EUA.

E por fim na última tomada o “atropelo”, uma galera risca a marca de outra. São rivais. Quando há o encontro a porrada come.

3 y 2 - gangue de rua local Sto. Dgo. RDpichação Santo Domingo RDpichação - alfabeto local e nova-iorquino RDpichação 'atropelo' guerra de gangues Sto. Dgo. RD

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mulher de guarda-sol - cena universal RD

Mulher de guarda-sol. Calor infernal no Caribe de janeiro a janeiro. Em Belém do Pará idem, também fotografei.

De volta pra mesa: os dominicanos do povão não usam garfo e faca, mas sim com garfo e colher.

Não há o que cortar, o frango vem em pedaços. Se preciso eventualmente eles usam os dentes.

Nos restaurantes de classe média pra cima colocam na mesa garfo, colher e faca, aí fica ao gosto do freguês o apoio ao garfo.

Outra receita muito comum é o pastel frito, exatamente igual ao brasileiro. Só vi essa receita na RD e agora no Chile.

Nos EUA, Colômbia, México e Paraguai não existe, os salgados são servidos assados.

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Falemos das fotos, várias delas não estão ao lado da descrição, busque pela legenda:

África na América Ponta das Canas RD

Ponta das Canas, RD: garoto de classe média indo pro treino de beisebol, uniformizado. Os meninos pobres jogam descamisados nas ruas.

África na América: vejam o povo nas ruas, quase todos são negros ou mulatos. Pouco se usa capacete e os garotos adoram beisebol, um deles está indo ou voltando do treino.

Fotografei na cidade de Ponta das Canas, no Leste da RD, e na capital.

Tudo alagado, abaixo a direita: desabou forte temporal, que fez as ruas de Santo Domingo virarem rios.

A enxurrada formou até ondas, e arrastou o lixo que há na via pública.

Vemos alguns ‘pica-pollo’, pontos de venda de frango frito picado. ‘A melhor comida chinesa e crioula’.

Há desde lanchonetes mais estruturadas até banquinhas de estrada onde a precariedade é total, nesse último caso é vendido assado, e não frito. Clicamos as cenas na rodovia que liga a capital as rua virou rio Sto. Dgo. RDpraias orientais do país.

Numa imagem ainda dentro do perímetro urbano de Santo Domingo e por fim outra na cidade de São Pedro de Macoris, já no Leste dominicano.

Nesse caso, com propaganda da Kola Real, refrigerante muito consumida lá

frango assado na rua RD

Na beira da rodovia, frango assado. Note a precariedade e improviso do local

Santo Domingo tem pouquíssimas praias urbanas. Pois em quase toda a orla o mar bate em pedras, não há faixa de areia.

A Zona Oeste é a parte rica da capital: único lugar em que as ruas são limpas, há prédios altos, os semáforos funcionam e você vê muitos brancos nas ruas.

LUXO, CASSINOS E CAMINHADAS: É A “VEIRA-MAR” DOMINICANA –

Um branco rico passeia a beira-mar, de camisa amarela.

O parque a beira-mar é um lugar agradável, muito usado no começo e fim do dia. Com o Sol a pino fica vazio pois o calor é demais.

Malecón Oeste Sto. Dgo. RD

Malecón Oeste de Santo Domingo. Mas parece Las Vegas . . .

Apostas em jogos de azar são uma mania dominicana. Pela periferia e Centrão são onipresentes as casas de jogo.

No ‘Malecón’ Oeste, o padrão é bem mais elevado, hotéis-cassinos pra elite local e turistas da grana. Aqui Santo Domingo lembra Las Vegas.

‘Malecón’, termo caribenho também usado em Cuba, é a nossa Beira-Mar. Ou, como visto abaixo a esquerda: “Veira-Mar”, nome de um prédio luxuoso.

No idioma espanhol, o ‘v’ tem som de ‘b’. Logo, escrever ‘veira’ ou ‘beira’ é o mesmo.

'Veira-Mar' Sto. Dgo. RD

Quer morar a Veira-Mar ????

Uma chuvarada que alagou toda a cidade. Mais de um dia depois os pontos inundados perduravam.

LATA D’ÁGUA NA CABEÇA –

Certamente você já viu quadros em que Mulheres negras levam volumes na cabeça. Pois bem. Na República Dominicana isso não é apenas arte, mas a vida cotidiana.

Por vezes Homens também mas quase sempre as Mulheres mesmo. Já desenhei minha versão dessa cena.

As dominicanas adoram touca. Sabe como aqui no Brasil as moças que trabalham em restaurantes cobrem o cabelo? Então, na RD as Mulheres usam esse apetrecho porque gostam, e não por obrigação profissional.

Observe abaixo aquele casal (apesar da foto não estar nítida), estão com suas melhores roupas. Ele está de terno sob quase 40º, ela de touquinha. Porque é chique !!!

Lata d’Água na Cabeça: não é lenda nem arte, na RD é a realidade.

As Mulheres dominicanas, como também ocorre em outras partes, estão firmando presença no ramo imobiliário. Foto abaixo, a direita.

As garças brancas estão por toda a parte de Santo Domingo.

Galinhas soltas nas ruas. É o prato preferido da nação. Na periferia, as pessoas criam os animais dispensando de comprá-los no mercado.

participação feminina no mercado de trabalho RD

Mulherada marcando presença no mercado imobiliário dominicano: veja que as 4 corretoras são do sexo feminino.

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‘Colmado’ significa mercearia, mercadinho, na RD. Quando o estabelecimento aumenta de tamanho vira ‘super-colmado’, ou ‘super-col.’ abreviado.

De touquinha na cabeça: as dominicanas são chiques e charmosas. Na verdade é um gosto da raça negra caribenha.

Não fui ao Haiti, ainda. Mas agora, depois que escrevi esse texto, começaram a vir muitos haitianos pro Brasil.

Pois bem. Assim constatei que as haitianas também andam assim nas ruas.

Veja as fotos que eu tirei na República Dominicana. Esse é o estilo das caribenhas:

África na América RD9touca na cabeça RD

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galinhas soltas - cena comum Sto. Dgo. RD

Galinhas soltas – comum em Sto. Dgo.

Seção aviária: como dito acima, é muito comum as pessoas criarem galinhas soltas nas ruas em Santo Domingo. Pois esse é o prato nacional.

Já em Curitiba é raríssimo, a cidade é totalmente diferente da RD.

Mas como Eu Sou o Caminhante, desbravador dessa metrópole conheço cada palmo dela.

E sei onde há galinhas soltas na capital do Paraná, também. Não é bafo, mato a cobra e mostro o pau.

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Agora as garças. Em Santo Domingo há muitas no parque a ‘veira-mar’. Em duas escalas:

garça, muito comum em Santo Domingo RDgarça e mar ao fundo RD

Adivinha: eu sei onde há colônias de garças brancas em Curitiba também. Da Nascente do Barigüi a Foz do Belém, não há ponto dessa cidade em que eu já não estive.

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amanhece em Santo Domingo-RD1Mais cenas bonitas do decorrer da matéria, busque pelas legendas: Santo Domingo é uma cidade bela e agradável, por muito arborizada e florida.

Numa tomada estou na orla da Zona Leste, fotografando o Porto (que é bem no Centro) e ao fundo os espigões da rica Zona Oeste.

A esquerda: Um belo amanhecer na Cidade Colonial, Centro de Santo Domingo, o primeiro local habitado por europeus em toda América.

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Malecón Oeste Sto. Dgo. RD1

Zona Oeste de S. Dgo., a beira-mar

Essas mensagens foram originalmente emeios. Aqui vou emendar dois numa mesma postagem.

A RD é um país relativamente industrializado. Cerca de metade dos alimentos e produtos de limpeza consumidos na nação são fabricado ali mesmo.

A título de comparação, no Paraguai esse índice não chega a 10%, e no Brasil é o inverso, 90% é nacional. Ou seja, a RD está bem no meio.

colmado - mercearia RD

como explicado acima: ‘Colmado’ significa mercearia. Essa vendinha é da Dona Mercedes, no subúrbio.

Ela é um polo industrial, as corporações trans-nacionais têm muitas fábricas em solo dominicano. Exportando boa parte da produção pra toda América Central.

Isso pra indústria leve. Pra ramos mais pesados, como o metal-mecânico, aí a República Dominicana depende totalmente de importações.

Principalmente dos EUA, México e Ásia.

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Kola Real - refri dominicano

em todos os colmados se vende Kola Real, um refri dominicano muito gostoso, bem docinho.

Você conhece o bairro ‘Washington Heights’, em Nova Iorque-EUA? É um reduto de dominicanos.

Eles se concentram ali, no extremo norte da Ilha de Manhattan, divisa com o Bronx, já bem acima do Harlem.

É uma das quebradas mais pobres, violentas e sujas da cidade, o que comprovei pessoalmente.

O OUTRO LADO DA MOEDA: HAITIANOS ILEGAIS NA REP. DOMINICANA –

Em 1996, quando visitei pela segunda e última vez os EUA, fui conhecer o efeito: estive pessoalmente no ‘Paraíso Dominicano’ em Nova Iorque. Agora em 2013 fui a fonte, a República Dominicana mesmo.

Malecón Oeste Sto. Dgo. RD2

Aqui e próximas imagens: a Zona Oeste é a parte rica e limpa da capital Santo Domingo

Essa nação tem uma característica peculiaríssima:

Está nas duas pontas da migração ilegal. Há grande comunidade dominicana nos EUA, e de lá enviam dinheiro a RD.

Por outro lado, há enorme contingente de haitianos ilegais na República Dominicana. E inversamente eles dali mandam dinheiro a seu país natal.

Nas obras os cartazes que informam aos operários as normas de segurança no trabalho são bilíngues, em crioulo e espanhol.

Malecón Oeste Sto. Dgo. RD4

Apenas na elite você vê dominicanos brancos. De camisa amarela, um dos poucos caucasianos ricos do país passeia na Beira-Mar, domingo de manhã. Bem ao lado um sem-teto negro descamisado entra no mar poluído, É a RD em Preto-&-Branco.

Em todos os lugares (no campo e nas cidades) que haja peãozada na RD a comunicação será nos dois idiomas. Porque a concentração de haitianos entre a ralé é imensa.

A República Dominicana é um país pobre, e com infra-estrutura precária. Entretanto, o Haiti é absurdamente ainda mais pobre.

Quadro que só se agravou com o terremoto de 2010, que matou 120 mil pessoas e acabou de dizimar o pouco de infra-estrutura que havia por lá.

Isso piorou o problema da imigração ilegal haitiana pra Rep. Dominicana. Gerando uma convulsão política em ambas as vizinhas nações.

Recentemente, a suprema corte dominicana decretou que as pessoas que nasceram na República Dominicana entretanto que são filhos de pais haitianos em situação irregular não são cidadãos dominicanos.

E portanto não tem quaisquer direitos políticos ou civis.

Zona Oeste Sto. Dgo. RD3

mansões e carrões, em tom vermelho pra impressionar o sexo oposto: bem-vindo a Zona Oeste

Essa decisão, bastante polêmica, jogou essas pessoas num limbo jurídico. São nascidos e criados na República Dominicana, boa parte deles nunca sequer pisou no Haiti.

Agora eles são apátridas, se a RD resolver expulsá-los o Haiti não poderá recebê-los pois eles não são haitianos.

O Haiti já não dá conta sequer de quem já está ali, nem em sonhos poderá acolher mais refugiados.

De forma que a vida dessas pessoas está completamente indefinida, suspensa, estão esperando pra ver o que acontece.

Enquanto os políticos discutem eles são jogados de um lado a outro. Como um fardo pesado. Um poeta já musicou essa situação.

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Na periferia da República Dominicana todos os telhados são de zinco. Enquanto no Brasil são de eternit de amianto (no Nordeste de telha). A diferença é significativa.

O metal é condutor de calor. A República Dominicana é muito quente, por ser perto do Equador. O telhado de zinco torna as residências um verdadeiro forno, o que torna impossível ficar dentro dela nas horas mais quentes. Não por acaso os dominicanos adoram se reunir na rua.

Zona Oeste Sto. Dgo. RD1

Ruas calmas com espigões de altíssimo luxo que 99% dos dominicanos só podem sonhar: Z/ Oeste de Santo Domingo

Nas favelas da RD até a parede dos barracos é de folha de zinco, mostrando a miséria extrema que predomina, lembra muito a África do Sul e suas “Cidades de Lata”.

No Chile as casas de zinco são ainda mais comuns, mesmo fora das favelas.

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De volta a RD, estão observando ao lado a Zona Oeste, onde mora a elite. Vamos cruzar a cidade e também todo o espectro social e ir pra Zona Leste.

Veremos mais cenas da periferia de Santo Domingo. Vilas miseráveis, sem qualquer infra-estrutura, convivem as vezes lado-a-lado com outras melhor estruturadas, onde mora a classe média-baixa.

Clique sobre que as fotos aumentam, o mesmo vale sempre.

periferia Sto. Dgo. RD5periferia Sto. Dgo. RD4periferia Santo Domingo RD2periferia Sto. Dgo. RD6

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África na América RD

Centro da cidade: veja o tom de pele do dominicano médio.

A “ILHA DO AMOR”: A MÚSICA NA REPÚBLICA DOMINICANA –

O dominicano é um povo quente e emocional, e a música que eles ouvem reflete isso.

Entre os mais velhos, a preferência absoluta é pela Salsa & Merengue, de estilo romântico.

Essa é a música típica do Centro da América, muito ouvida do Peru ao México, passando pela América Central, continental e insular. Na RD só dá isso.

As letras são iguais ao nosso sertanejo, apenas o ritmo é diferente. As canções sempre giram entre os encontros e desencontros amorosos entre ambos os sexos.

temporal Santo Domingo RD

Vamos vendo mais cenas do toró que desabou e alagou boa parte da cidade

Veja um exemplo:

http://www.youtube.com/watch?v=BuPt0SqSdcc

Os dominicanos gostam muito de festejar na rua, em altíssimo volume.

Estávamos hospedados bem no Centro, então na noite de sábado pra domingo quase não conseguimos dormir.

Pelo intenso barulho que vinha das ruas, que só amainou depois das 4 da manhã.

formou até ondas Centro Sto. Dgo. RD

Cheguei a S. Dgo. sob chuva que causou estragos; o mesmo ocorreu em Belém-PA e João Pessoa-PB

Passei exatamente pela mesma situação em Belo Horizonte-MG em novembro-12.

De forma que aquela noite quente em Santo Domingo foi como entrar numa máquina do tempo.

Já no Paraguai é o exato oposto, nessa dimensão também. O paraguaio é introvertido e se recolhe cedo.

Fiquei bem no Centrão de Assunção, num lugar parecido onde me hospedei em BH e Santo Domingo.

Em Minas e na RD o barulho ia até depois da meia-noite no meio de semana, e até amanhecer no fim-de-semana. Já em Assunção não havia qualquer barulho, não havia uma viv’Alma nas ruas após o anoitecer. Mesmo na noite de sábado pra domingo.

Claro que há baladas no país, e quem curte esse tipo de coisa tem onde ir. Mas não há bares no Centrão com música ao vivo, nem multidão nas ruas curtindo a noite.

tudo alagado Sto. Dgo. RD

O temporal visto nessas imagens não é o da minha chegada, mas outro no dia seguinte. Foram vários enquanto estive lá, chove muito pelo clima equatorial.

Volto a te dizer: não há povos tão opostos no mundo quanto o paraguaio e o dominicano.

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Agora, surgiu nos EUA nos anos 80 e se espalhou por todo o continente um novo estilo, o ‘rap’.

Eis outra ‘música americana’:

Muito popular em todo continente – especialmente EUA, Brasil, México, Colômbia, Venezuela, Chile, Equador e toda América Central – o que inclui a Rep. Dominicana.

cidade alagada Sto. Dgo. RD

alagou toda a cidade, e levou 2 dias pra secar tudo. Essa foto foi tirada mais de 24 horas depois da chuva que veem acima, as poças permanecem. A RD não tem nenhuma infra-estrutura, o resultado está aí.

Então na internet pululam ‘duelos’ de repeiros de diversos países centro-americanos.

A rivalidade mais acirrada é certamente México x Porto Rico, que são as duas nações onde o ‘rap’ é mais desenvolvido.

AVISO: EU NÃO VI POR INTEIRO OS VÍDEOS DAS LIGAÇÕES ABAIXO, APENAS DEI UMA OLHADA POR ALTO PRA VER QUE SE TRATA DE CLIPES MUSICAIS.

PORTANTO EU NÃO SEI O CONTEÚDO COMPLETO DESSAS LIGAÇÕES. PODE SER QUE CONTENHAM MATERIAL OFENSIVO/DE MAU GOSTO.

AFINAL É ‘RAP’, E É AMÉRICA CENTRAL. A COISA POR LÁ É INSTINTIVA.

ABRA POR SUA PRÓPRIA RESPONSABILIDADE, NÃO ACEITAMOS RECLAMAÇÕES POSTERIORES.

http://www.youtube.com/watch?v=6FQbhnOhwbA

http://www.youtube.com/watch?v=hgP7SvAuBmk&list=RD6FQbhnOhwbA

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Obelisco no Malecón Zona Oeste Sto. Dgo. RD

Obelisco no Malecón da Zona Oeste; os dominicanos adoram obeliscos

Mas também são comuns os embates musicais entre República Dominicana x Porto Rico.

São países próximos e muito parecidos, insulares, de grande população negra, muito quentes, muito influenciados pelos EUA.

Por isso, por serem tão parecidos, são arqui-arqui-rivais.

No beisebol especialmente, mas no ‘rap’ com a mesma gana e intensidade.

http://www.youtube.com/watch?v=IRlkn-JToKs

http://www.youtube.com/watch?v=uBiNBjdd0Tg

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parque no Malecón Oeste Sto. Dgo. RD

Belo parque no Malecón Oeste

De vez em quando os repeiros dominicanos se animam e partem pra voos maiores:

Desafiam pra ‘guerra lirical’ países maiores, continentais.

Rep. Dominicana x Venezuela:

http://www.youtube.com/watch?v=uvFdBk6M1Yo

http://www.youtube.com/watch?v=-_JarcT0z5Q

Rep. Dominicana x México:

http://www.youtube.com/watch?v=H3S1wubp4TA

http://www.youtube.com/watch?v=tJSBVoBXQW8

parque a beira-mar Zona Oeste Sto. Dgo. RD

mais uma do parque

E aqui um que compila músicos da Rep. Dominicana, México, Porto Rico e Cuba.

http://www.youtube.com/watch?v=zvDoZaIRQJo

Pra fechar o ‘rap’, uma lista só de clipes dominicanos.

http://www.youtube.com/watch?v=r6W4c-HjmP0&list=PLEB5A59DCA5BD3DFF

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praia urbana poluída Zona Oeste Sto. Dgo. RD

Uma das poucas praias urbanas de S. Domingo, na Z/Oeste. Não usada por estar com muito lixo na areia e água.

Quer dizer, não vamos fechar de tudo. Porque, como diz um ‘rap’ brasileiro, “a música negra é uma grande árvore, que dá muitos frutos”.

Depois da virada do milênio, surgiu justamente na América Central um novo estilo, o “Reggaeton”. Que é um cruzamento do ‘rap’, ‘reggae’, salsa e música eletrônica.

https://vimeo.com/131339150

https://vimeo.com/97802765

http://www.dailymotion.com/video/x2qgwp9

Os mais jovens adoram essa música, os mais velhos detestam. É o ‘Reggaeton’. Eis a América Central como ela é, sem máscaras. Ela é assim:

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praia urbana poluída Zona Oeste Sto. Dgo. RD1

Idem a legenda a direita.

UMA NAÇÃO QUE SERÁ BILÍNGUE, AO MENOS NA CLASSE MÉDIA –

Hoje, o idioma falado na República Dominicana é o espanhol.

Dentro de mais 20 ou 30 anos (uma geração, portanto), o país falará inglês e espanhol – pelo menos na classe média e elite.

Isso porque todas as escolas particulares da República Dominicana oferecem educação bilíngue.

Desde o jardim-de-infância, e fazem questão de enunciar isso já em inglês nas fachada.

…………

porto e ao fundo a Zona Oeste Sto. Dgo. RD

Agora estamos na Z/Leste: vemos o porto e ao fundo os espigões da Z/Oeste.

Pra irmos fechando, vou contar a volta que dei em meu último dia por lá. Saí da Cidade Colonial, o Centro Velho.

Peguei a Avenida Duarte, cruzei todo o Centro Novo, o Centrão da cidade propriamente dito, com suas grandes avenidas e lojas.

Por fim cheguei até a Zona Norte, num bairro residencial que eu havia ido de metrô 4 dias antes.

Bem no Centrão, o que chama a atenção é a quantia indescritível de camelôs. Que vendem tudo que possa imaginar, roupas, comida, cds, e mesmo manequins de loja.

pica-pollo - frango frito e comida chinesa RD

Aqui e a direita, dois ‘pica-pollos’, restaurantes populares que vendem frango frito picado, o prato nacional.

O desemprego na República Dominicana é altíssimo e cada um se vira como vai podendo. O fato é que a calçada fica praticamente intransitável de tanta barraca de ambulantes.

Já havia visto o mesmo no Centro da Cidade do México, em 2012. Mas na RD há um agravante:

Se passa alguém de pele mais clara, os cambistas já veem que você não é dominicano e ficam oferecendo câmbio de moedas.

A cada esquina um deles vinha me dizer “troco dólar”.

restaurante do povão tudo chinês São Pedro RD

Esse aqui no interior, e o da esquerda no subúrbio da capital. Mas ambos na mesma rodovia, que liga S. Dgo. ao leste da ilha.

Quanto as lojas estabelecidas, boa parte é de propriedade dos chineses.

Nos ramos vestuário maioria e restaurantes populares quase todos. E isso que ali não é o “Bairro Chinês”.

Creio que breve todo o Centro de S. Domingo será um imenso Bairro Chinês, na verdade. Isso se não dominarem o país inteiro.

Veja a foto a direita, tirada na cidade de São Pedro de Macoris, litoral da RD, fora da capital S. Dgo. portanto:

“Costa China”, já indica que é na orla e que o dono tem olhinhos puxados.

……..

Santo Domingo cidade arborizada RD

Santo Domingo: cidade arborizada . . .

Voltando a descrever o dia que caminhei a pé até a Zona Norte. No Centrão era um fervo, tumulto total.

A seguir o burburinho amainou, pois avancei mais um pouco e o perfil do bairro mudou. Embora estivesse ainda na Zona Central a região ao meu redor já era residencial.

Aqui não aconteceu nada digno de nota. O melhor ainda estava por vir:

Santo Domingo Leste

. . . e muito florida, mesmo no subúrbio. Aqui voltamos a Santo Domingo Leste

Quando a Avenida Duarte acaba, quase na margem do Rio Isabela, há um mercado público, a Ceasa local.

Caminhões e carroças chegam direto da roça carregados de alimentos, e os estendem no chão, sobre lonas. Ali mesmo, na via pública, os compradores chegam, negociam e levam.

Se você já viu fotos ou vídeos de como são os mercados públicos de Lagos-Nigéria ou de qualquer outra metrópole africana: olhe, é igual, sem tirar nem pôr.

Tudo somado, a única conclusão possível é: África + América = República Dominicana, muito prazer.

Deus quis assim….

…………

Acima se encerra mais um emeio, vamos enxertar o saidero.

tudo limpo e funcionando - é a Zona Oeste Sto. Dgo. RD1

Vamos ver diversas tomadas da Zona Oeste, a parte rica da cidade.

Falei na abertura da série sobre o terror que foram as 3 longas décadas que Rafael Trujillo comandou a nação com mão-de-ferro, empossado pelos EUA.

Agora quero frisar que a ditadura de Trujillo, além da CIA, contou com o apoio de outro grupo muito poderoso na República Dominicana: a igreja católica.

Veja que a Bíblia e a cruz estão presentes no brasão dominicano, e mesmo o nome do país vem de uma ordem religiosa católica.

E a igreja apoiava Trujillo. No auge de seu poder, os padres falavam nas missas “Deus no Céu e Trujillo na Terra”. Vai vendo . . .

………..

UMA NAÇÃO EXTREMAMENTE RELIGIOSA: A REPÚBLICA DA IGREJA DOMINICANA, AO LADO DO BRASIL, É UM BASTIÃO DO CRISTIANISMO NA AMÉRICA –

Zona Oeste Sto. Dgo. RD2

Z/O

Como disse acima, as raízes da religiosidade dominicana são históricas, o nome do país se deve a ordem dominicana que lá se instalou.

E no brasão há a Bíblia, a cruz e os dizeres “Deus, pátria e liberdade”.

João Paulo 2º a visitou 3 vezes em seu papado, o que é incrível se você considerar que a RD só tem 10 milhões de habitantes.

Mesmo hoje a maioria de sua população ainda é religiosa praticante, o que a torna uma exceção na América.

Um dos monumentos mais famosos de Santo Domingo é o “Farol a Colombo”, uma construção exótica em parceira do governo e da igreja, que lembra um pouco uma pirâmide maia.

Zona Oeste Sto. Dgo. RD

Z/O

Onde na entrada tremulam dezenas de bandeiras do país (a primeira imagem desse emeio, e também do emeio que abriu a série, foram captadas lá).

E na fachada há o nome de todos os países americanos. Incluso aqueles minúsculos do Caribe que você nunca ouviu falar, e por fim a sentença:

Bendita Seja América”.

…………….

Os dominicanos são profundamente religiosos. É comum as pessoas, logo antes de saírem dos ônibus urbanos, dizerem “quer Deus abençoe a todos”. Dezenas de passageiros respondem “Amém”, em coro uníssono.

Zona Oeste beira-mar Sto. Dgo. RD

Assim é a Z/O.

Na periferia de Santo Domingo, há tantas igrejas evangélicas quanto nas periferias brasileiras.

Não pense que esse é o padrão na América Latina porque nada pode ser mais distante da realidade.

No Paraguai, México e Colômbia há infinitamente menos igrejas que aqui, mesmo nas piores favelas desses países elas existem mas numa proporção indescritivelmente mais minguada.

(Nota escrita em 2015: No Chile há menos igrejas evangélicas que no Brasil e RD.

Mas em compensação lá a igreja católica ainda é fortíssima, tem um poder que nas outras nações [incluindo a nossa] já se esvaiu a décadas. Mas do Chile falo outra hora, pois fui lá em 2015.

Voltemos ao texto sobre a RD, que é de 2013, e portanto só compara a RD com Brasil, México, Colômbia e Paraguai, que são os países que eu já havia visitado, quando produzi esse material.)

……….

periferia Sto. Dgo. RD

Já a Z/L é assim…

Todos os que já andaram nas favelas e quebradas dos subúrbios brasileiros não puderam deixar de se impressionar com a quantia de igrejas evangélicas:

As vezes numa quadra você vê 3 ou 4 delas, até mesmo parede-a-parede. Como disse acima, na Colômbia, Paraguai e México não é assim.

Andei nas piores quebradas desses 3 países:

Em suas vielas, morros, charcos, em que as casas são erguidas sobre depósitos de lixos, mangues, encostas de rios, sob fios de alta tensão.

Enfim, o que tu imaginar de mais fodido, eu estive lá. E haviam igrejas evangélicas, claro. Mas poucas, e bem distantes umas das outras, uma por vila, não mais que isso, não concorrem entre si.

Já na República Dominicana a situação é igual a aqui. Por isso disse que ela e o Brasil são os bastiões do cristianismo praticante, enquanto diversos outros povos já partiram pra uma indiferença nesse quesito.

……….

Falemos das fotos, várias delas já mostradas acima, identifique pela legenda:

Santo Domingo vista do Farol a Colombo RDA esquerda, o recém-citado “Farol a Colombo”, um dos marcos de Santo Domingo, no município metropolitano de Santo Domingo Leste.

Igrejas evangélicas em qualquer portinha na periferia, uma cena que os brasileiros reconheceriam como familiar.

Lembre-se que em outro emeio já foi mais uma imagem retratando uma igreja, junto com uma farmácia do outro lado da rua.

As maiores igrejas brasileiras, como Universal e Deus é Amor, estão presentes na República Dominicana, vi as sedes centrais delas bem no Centro, em antigos cinemas. Outro detalhe interessante numa das fotos que mostra uma igreja:

Repare que alguém lavou diversas calças ‘jeans’ e as pendurou no muro, ao alcance de quem passa na rua. O que mostra que não há muitos ladrões no bairro, e isso que estou bem na periferia de Santo Domingo Leste.

km 12 - como no Paraguai RD

O “km 12” da Auto-Pista nomeia também o bairro ao lado da rodoviacomo no Paraguai.

Em azul e branco: Posto da Polícia de atendimento ao Turista – Poli-Tur.

É um esquadrão especial da polícia nacional, em que os policiais são bi-língues, treinados pra atender com cortesia quem visita a ilha.

Esses postos, antigos reboques de automóvel de metal agora cimentados ao solo, são comuns no Centro da cidade, e não apenas da polícia turística.

A única praia de toda a Zona Leste de Santo Domingo. Privativa do Clube dos Oficiais da Marinha. Ninguém se banha nela, por estar poluída. Ao fundo o porto, e em último plano os espigões da Zona Oeste.

Praia na Zona Oeste de Santo Domingo, que possui tem 3 ou 4 praias públicas. Nelas o acesso é livre ao público, mas estão igualmente inutilizáveis pela enorme quantia de lixo nas areias e no mar.

De forma que na prática essa metrópole de 3 milhões não conta com praias urbanas, ao menos não em condições de uso. Pra se banhar no mar os dominguenses pegam a estrada, com destino a Boca Chica.

periferia Sto. Dgo. Leste RD1

Los Frailes.

Quem pode pagar um pouco mais vai mais longe, até Ponta das Canas.

Outros detalhes que podem ser vistos nessas fotos: como já lhes disse, na RD os veículo só tem placas atrás, na frente fica vazio;

Mercearia, mercadinho, é “colmado”, abreviado “col.”. Por isso ao fundo, o “Col. La Simpatía”; ‘Kola Real’ é um refrigerante local, muito apreciado.

…………

A esquerda, estamos na periferia da Zona Leste.

Podemos ver pela foto abaixo que, embora ainda estejamos em 2013, a campanha pras eleições dominicanas de 2016 está em pleno andamento. Júlio Romero já se projeta domo prefeito do município de Santo Domingo Leste pro período 16-20, sem saber se isso será ratificado nas urnas.

Na RD as eleições são alinhadas, ou seja, todas as esferas são renovadas simultaneamente. Os mandatos são de 4 anos. Ainda não findou sequer o primeiro ano de governo dos que foram votados em 2012.

política Sto. Domingo Leste RDMas a oposição, em todos os níveis do prefeito ao presidente, já está dizendo que na próxima votação é melhor mudar. Coisas da política . . .

………….

Vimos acima exemplos de pichação de muros em Santo Domingo. Na capital dominicana também existe pichação. Menos que nas metrópoles brasileiras, colombianas, mexicanas e ianques, mas há.

Já lhes disse algumas vezes que não há povos tão diferentes no mundo quanto o dominicano e o paraguaio, dois países que visitei em 2013. Nessa dimensão isso é igualmente verdadeiro.

Há pichação em ambas as capitais, mas de modais distintos: em Assunção, só há pichações de torcidas de futebol. Gangues de rua, demarcando território, praticamente inexistente. Relatei com mais detalhes, incluindo com muitas fotos, quando lá estive.

Em Santo Domingo é o oposto, a pichação é só de gangues de rua que dominam algum bairro, se desconhece o fenômeno de escrever algo no muro relativo a qualquer evento desportivo.

tudo limpo e funcionando - é a Zona Oeste Sto. Dgo. RD

Tudo limpinho, até o semáforo de pedestres funciona: é a Z/O, irmão.

Na palmeira a beira-mar alguém grafou “3 y 2”. Trata-se de uma das maiores galeras de Santo Domingo, sua assinatura está presente por toda metrópole.

Em outra tomada captada subsequente vemos a influência ianque: as letras menores, no meio do muro, são do ‘alfabeto’ originado localmente.

Já aqueles letras redondas quase no chão são o estilo importado de Nova Iorque-EUA. A esquerda mais um detalhe que veio dos EUA:

Pichar veículos é uma característica tão estadunidense quanto a torta de maçã e os drones. Tão nova-iorquina, diria mais. Vi muitos veículos pichados pessoalmente quando fui a Miami e Nova Iorque, no meio da década de 90.

Depois esse ‘modus operandi’ se espalhou por boa parte do planeta, chegou ao Brasil, ao Chile, México, e, aqui está a prova, também a República Dominicana.

pichar veículos - modelo ianque Sto. Dgo. RDComo notam, o mesmo cara que pichou o muro assinou também a caminhonete, a cor e grafia são idênticas.

………

Várias imagens são de Santo Domingo Leste, município que equivale a Zona Leste da metrópole que é a Grande Santo Domingo.

Já vimos muita coisa acima, identifique pelas legendas. Entretanto, tenha claro que as cenas vistas aqui são típicas do subúrbio, e se repetem na Zona Norte e mesmo nas Zonas Oeste e Central nos bairros que não da elite.

Agora contando especificamente desse rolê na Z/L, peguei um ônibus verdinho da viação estatal federal OMSA, na Avenida México, no Centro, na praça que abriga o palácio presidencial. Desci no ponto final, 14 quilômetros depois, no bairro de Los Frailes.

Voltei a pé pro Centro, levou quase a tarde inteira. De forma que conheci em detalhes a Zona Leste, ao menos a parte dela perto da orla.

Farol a Colombo Sto. Dgo. Leste RD2

Bandeira no Farol a Colombo.

Esse pedaço oriental de Santo Domingo tem porções bem pobres, como veem nas fotos, mas sem favelas. Algumas casas são miseráveis, de latões.

Mas não há invasões, as ruas são regulares e nomeadas, a maioria já com asfalto, cada casa tem seu terreno amplo e bem delimitado.

Em outros dias, passei no meio a enormes favelas, nas Zonas Oeste e Norte.

Iguais as brasileiras, em morros e com os barracos empilhados uns nos outros, sem ruas, apenas com becos. São muitas favelas em Santo Domingo, e bem feias. Infelizmente não deu certo fotografar. Mas se conhece as favelas brasileiras, lá é igual.

Disse que a Zona Oeste é a parte rica de Santo Domingo, e assim é.

Entretanto, isso se refere aos bairros que são a oeste do Centro mas próximos dele, os que ficam ainda dentro do Distrito Nacional (o Distrito Federal local), o município de Santo Domingo propriamente dito.

Os bairros da Zona Oeste mais distantes, que ficam no município de Santo Domingo Oeste, na província (estado) de Santo Domingo, são de subúrbio, e a periferia da Zona Oeste é tão quebrada quanto a das Zonas Norte e Leste.

base da polícia Sto. Dgo. RD

Base da polícia

No Centrão também há umas partes bem feias, como já viram em fotos.

Voltemos a Z/L. Os bairros que passei, começando por Los Frailes, tem partes pobres mas sem favelas.

Nem de todo pobre, também. Quarteirões bem degradados convivem lado a lado com outros de classe média.

É comum as vezes com uma quadra de distância se alternarem vilas em que as pessoas apenas sobrevivem com outras bem melhores.

Em que há belos sobrados de classe média e mesmo média-alta. Algumas fotos são as mais gráficas nesse sentido, inclusive mostrando ruas de terra. A vida é cheia de contrastes.

………….

Veem nas sequências que emparelhei acima uma rua que já teve trechos asfaltados e outras ainda aguardam essa benfeitoria, estão na terra batida.

Pra ir a praia é preciso exatamente pegar um micro-ônibus e seguir até Boca Chica, o balneário mais perto da capital. Pelo menos ali em Los Frailes já estamos na metade do caminho, é o ‘Km 14’ da Autopista, e Boca Chica fica a 30 do Centro.

Agudo o contraste. Fotografei uma casa bem pobre sem muro com um carro velho na garagem. Perto dali há uma quadra com residências de padrão bem mais alto.

periferia Santo Domingo RD3

Periferia da Z/L, porém de classe-média

Em várias cenas observam casas ‘de laje’. Uma família mora embaixo, em cima é outra residência separada, em que vive outra família, e por vezes nem mesmo se conhecem.

Por isso a escada é fora, pra quem mora na parte superior não passar sequer no quintal dos vizinhos. Eis uma cena comum nas quebradas brasileiras, e também no México e Colômbia.

No Paraguai, entretanto, não é assim. A periferia de Assunção é totalmente horizontal.

O conceito de ‘prédio artesanal’, em que famílias diferentes compartilham um mesmo sobrado, não existe em solo paraguaio. Ali, cada família vive no seu próprio lote, mesmo que por vezes em pobreza extrema.

Visto no decorrer da matéria:

Esses enormes conjuntos de cohabs, os pombais, predinhos de 3 a 5 andares sem elevador, são típicos da República Dominicana, capital e interior. Aqui estamos ainda na Zona Leste, mas já bem próximo ao Centro.

praia privativa, porto e Z-Oeste Sto. Dgo. RD

Praia privativa, porto e ao fundo a Zona Oeste.

É mais um ponto que a periferia dominicana lembra a estadunidense.

Se conhece um pouco da geopolítica ianque sabe que nos EUA essa é a indelével construção dos bairros pobres.

Os negros dominicanos veem os filmes e seriados mostrando a vida dos negros e hispânicos ianques.

Que se passam em Nova Iorque, Miami, Chicago, Los Angeles, Atlanta, Dallas, etc, e se sentem morando também nessas metrópoles, mesmo que apenas em pensamento:

Fisicamente continuam em Santo Domingo, as vezes nunca saíram da Ilha Espanhola, mas sonhar não custa nada.

Os canais de TV aberta ianque são retransmitidos na República Dominicana, em inglês mesmo, sem legendas. Por isso, tanto os negros dos subúrbios quanto os poucos brancos de classe média-alta e elite na RD são muito influenciados pela cultura estadunidense.

Quando estive no Paraguai em maio (de 2013), constatei que ocorre um processo similar, ali as emissoras brasileiras e argentinas são sintonizadas nas telas como se estivessem em suas terras natais. Logo o que afeta o Brasil e Argentina acaba reverberando em terras paraguaias, igualmente.

placas de rua Sto. Dgo. RD

Placa indicando a rua. ADN quer dizer o equivalente a “Governo do Distrito Federal”.

Os paraguaios acompanham o futebol brasileiro.

E sabem quem são os campeões estaduais carioca e paulista, por exemplo, mas nós não sabemos quem é o campeão paraguaio.

…………

Comércio atendendo atrás das grades.

Como já disse antes, cena relativamente comum em Santo Domingo, onde o problema é mais intenso que no Brasil, mas menos intenso que no México, Chile e Colômbia.

“Km 12”, diz a placa. Em Santo Domingo, isso é muito mais que apenas uma referência rodoviária de distância já percorrida: é o nome mesmo do bairro que margeia a pista. As pessoas dizem “eu moro no km 12”, como eu digo que moro “no Boqueirão”.

No Paraguai é assim também. Enfim algo que une essas duas nações, de resto tão diferentes.

Posto na periferia, sem loja de conveniência. Já havia visto o mesmo em Belém-PA. Nessas duas cidades, apenas os postos na Zona Central, onde mora a classe média, tem outros tipos de comércio em anexo. No subúrbio é ‘pelado’, só se vende combustível mesmo.

…………

Veja o cartãozinho de ‘Turismo Médico’, muito comum nos países americanos que são fisicamente turismo médicopróximos dos EUA, caso do México e também da República Dominicana.

Não ficou tão nítido assim mas dá pra ler: em inglês, a clínica anuncia seus serviços, faz questão de ressaltar que é membro da Associação de Dentistas Estadunidenses.

Mas que seus serviços podem custar até 70% menos que nos EUA, e que trabalha nos fins-de-semana e feriados ianques. O endereço também vem em inglês, veja, o número (no caso 6) antes do nome da rua e por fim veem o ‘St.’, abreviação de ‘street’.

Nesse caso particular, fica no bairro Piantini, de classe média-alta, na Zona Oeste de Santo Domingo. E se auto-define como “especialista em turismo dental”.

Mas está longe de se restringir a essa clínica específica, há todo um nicho de mercado pra turismo médico, não apenas odontológico mas em todos os ramos.

Zona Oeste beira-mar Sto. Dgo. RD2No caso dominicano o público-alvo são os ianques que vivem no Sudeste dos EUA, da Geórgia e Carolinas ao Texas, passando pela Flórida, o arco em torno do Golfo do México e imediações.

Pois dali são pouquíssimas horas de voo até Santo Domingo. De Miami não é nem duas horas, leva 1h45min pra ser exato.

Como é sabido, qualquer tratamento de saúde em solo ianque é caríssimo, pois esse país tem intensa regulamentação governamental, com custos cumulativos, resultando que a conta final sai bem salgada.

Por isso os dentistas e médicos dominicanos exploram esse nicho. O cara vai lá e se gradua nos EUA, ou faz um exame de equivalência, pra poder ter registro na classe profissional.

Depois abre um clínica num bairro elegante de Santo Domingo, na Zona Oeste claro. Única parte da cidade em que os brancos são maioria (retratada a esquerda e abaixo). E aí dirige seus esforços de propaganda pra atrair clientela estadunidense.

Pois há milhões de cidadãos ianques de classe média que querem sair de férias, mas também precisam fazer um tratamento de saúde, nos dentes ou em qualquer outra parte do corpo. Como a medicina privada nos EUA é caríssima, ele terá que optar entre um ou outro.

Zona Oeste Sto. Dgo. RD4

Zona Oeste, aqui a República Dominicana é diferente

Exceto se for pra República Dominicana, México ou outra nação centro-americana. Aí pode unir o útil ao agradável. Sai de Dallas, Miami ou Atlanta sexta a noite.

Sábado de manhã passeia na praia, almoça num dos melhores restaurantes da parte turística da cidade. Depois vai ao dentista, ou ao médico.

Se o tratamento for complexo, e portanto mais caro, apenas o que ele economiza em relação ao que pagaria nos EUA já custeia a viagem, ou seja ela sai de graça.

A noite ainda passa jogando nos luxuosos hotéis-cassinos da orla dominguense. Como o profissional de saúde tem seu diploma reconhecido nos EUA, o cliente se sente se seguro, e aproveita pra ter uma segunda lua-de-mel.

Em Tijuana-México, que é na fronteira com os EUA, isso é ainda mais pronunciado. São Diego-Califórnia é ali ao lado, e mesmo de Los Angeles (que tem quase 20 milhões de habitantes na área metropolitana) são menos de duas horas de viagem por carro.

periferia Sto. Dgo. RD3

Já a Zona Leste mostra o padrão pra maioria de seu povo.

Portanto a clientela potencial de estadunidenses dispostos a a fazer turismo médico em Tijuana é enorme. Os mexicanos entenderam e exploram essa veia.

Um pouco afastado da confusão que é o Centro de Tijuana, há um bairro suburbano formado apenas por clínicas que atendem os ianques.

Largas avenidas arborizadas são margeadas por mansões que abrigam consultórios e mini-hospitais que cobrem todos os ramos da medicina.                                          

Os ianques vão, se tratam, mesmo se operam ali, ficando hospedados se houver maior complexidade, e depois voltam, pagando uma fração do que seria desembolsado nos EUA.

Nas cidades fronteiriças do Norte do México (que pode ser atingido do Sul/Sudoeste dos EUA em curtas viagens de automóvel cuja checagem na alfândega é simplificada e por amostragem pros que são cidadãos ianques) há bairros inteiros construídos pra esse público. barraco de papelão Zona Leste Sto. Dgo. RD

Já nos demais países centro-americanos, em que é preciso ir de avião (e portanto enfrentar mais problemas burocráticos e cuja vistoria pela polícia de fronteira é bem mais complexa), a coisa não se desdobrou a esse ponto.

Mas existe e é significativa. 

………….

Ao longo da matéria retratei desde barracos na periferia da Z/ Leste de Santo Domingo (ao lado mais um exemplo) até prédios de luxo na orla da Z/ Oeste da mesma cidade. Tomadas que valem por milhares de palavras:

Flagrante está o contraste entre o leste e o oeste, falando em termos físico-densos – a divisão espacial das classes sociais nessa cidade – como também simbólicos, e aí se generaliza não apenas pra Santo Domingo mas pra toda humanidade.

amanhece em Santo Domingo-RDBem, o turismo médico também desnuda quão profundos podem ser os desníveis sociais:

É mais barato o cara pegar um avião e ir pra outro país, pagando deslocamento, hospedagem e diversas taxas alfandegárias, que se tratar no mesmo bairro que vive.

A diferença de poder econômico entre os seres humanos, tanto comparando países diferentes como dentro do mesmo país, é tão abismal que gerou essa situação.

A Vida é contraditória. O Preto e o Branco se alternam, de forma multi-dimensional. Por isso, nada mais natural que encerrar com a mesma cena da Cidade Colonial, visão de minha janela enquanto estive lá,  retratada no escuro e no claro.amanheceu em Santo Domingo-RD

Que Deus Pai-Mãe (Fonte Única do Preto, do Branco e de todo Cinza) ilumine a todos.

Ele-Ela proverá”

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