Evolução das línguas na Península Ibérica

1000

1000: Apogeu árabe, espremendo as línguas europeias. Basco é mais falado que o castelão. Aragonês é o menor de todos.

Por Maurílio Mendes “O Mensageiro”

Publicado em 8 de março de 2013

Então.

Vejam que interessante eu achei na internet. Como o título já indicou, a evolução das línguas na Península Ibérica.

Os mapas estão em inglês, mas não há segredo, ‘year’ é ‘ano’. Os nomes das línguas são parecidos em português, então você consegue captar.

‘Castelão’, ou ‘castelhano’, obviamente é o idioma espanhol moderno.

…………

1050

1050: línguas europeias começam expansão ao sul, tomando terreno dos mouros. O espaço está aberto pra todas crescerem.

A fonte é essa daqui (lá, o mapa está animado):

http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_catal%C3%A3

………..
Façamos alguns comentários.

Até agora, eu achava que o galego era oriundo do português, mais precisamente que era a fusão do português com o espanhol.

O galego nada mais é que o portunhol, falado na Galícia, região da Espanha ao norte de Portugal.

……….

1100

1100: demais idiomas forçam recuo árabe; aragonês se iguala as outras línguas, e cerca o basco, que já não tem pra onde crescer

Ou seja, eu pensava que o português havia surgido na região de Lisboa e tivesse indo subindo.

Ao chegar a Galícia o idioma português teria “copulado” com o idioma espanhol, e o filho dessa “cópula” fosse o galego.

Mas não foi assim que ocorreu. Na verdade foi o contrário, o idioma português é quem é o filho.

O galego surgiu no norte primeiro, paralelo ao espanhol, mas sem relação com o português.

A maior parte do que hoje é Portugal falava árabe, devido a invasão muçulmana. O galego foi descendo, e dele surgiu a língua portuguesa que utilizamos.

 ……………

1150

1150: ao chegar a Lisboa, o galego se torna o idioma português. Todas as línguas se expandem ao sul, tomando terreno berbére.

Um milênio atrás, o galego, o leonês, o castelão (dialeto que prevaleceu e se tornou a língua espanhola), o basco e catalão, cada um ocupava um território mais ou menos do mesmo tamanho no norte da península.

Todo o centro e sul dela falavam árabe.

Também no norte, havia uma língua menor, o aragonês. 

Observe que mais gente falava basco que castelão (espanhol). Só que o basco estagnou, foi a única língua que não se expandiu, ao contrário regrediu.

…………..

A partir daí, no que foi chamado de “Reconquista”, os cristãos ibéricos foram tomando território dos árabes/bérberes muçulmanos.

E assim, impondo também seu idioma. O que fez com que todas as línguas europeias crescessem – exceto o basco, como já dito.

1200

1200: árabe breve será extinto. Português e castelão são mais rápidos e chegam ao litoral sul. Auge do aragonês e leonês.

O aragonês, que era a menor das línguas, igualmente cresceu. Por isso o basco não teve pra onde se expandir, ficou cercado.

A princípio as línguas europeias tomaram espaço do idioma árabe, e não entre si.

O basco ficou ilhado no norte. Não havia território a sua volta onde se falasse árabe pra ele ‘reconquistar’.

Por outro lado, o galego, o leonês, o castelão (espanhol), o aragonês e o catalão, todos eles iniciaram a “Grande Marcha pro Sul”:

Se tornando o idioma utilizado em territórios onde os muçulmanos fossem sendo escorraçados.

………….

E assim foi por 2 séculos, os dois primeiros do milênio passado. As línguas citadas acima todas foram crescendo pro sul. Até aí, estava indefinido qual ganharia a corrida e se tornaria dominante.

O português/galego foi o primeiro a atingir a costa sul, agora é falado de costa-a-costa na Península Ibérica.

1300

1300: o castelão vence a corrida, cercando o português, aragonês, catalão, leonês (que não têm mais pra onde se expandir) e o árabe (que só tem um resquício ao sul)

Só que no próximo século (1200-1300) a corrida conheceu seu vencedor: o castelão (espanhol) cresceu mais nesse período, sendo o segundo a chegar de costa a costa.

O castelão abriu duas frentes, pra leste e pra oeste.

Com isso, ele ilhou o árabe, que se restringiu da faixa que vai de Gibraltar a Almería.

Bem, o domínio islâmico na Península Ibérica caminhava pro final.

Logo os muçulmanos seriam expulsos de vez, e o idioma árabe seria carta fora do baralho no continente europeu.

……….

Portanto a chegada do idioma castelão ao Mediterrâneo, tão ou mais importante que fazer o árabe recuar, foi que ele, o castelão, também cercou todos os seus rivais europeus.

1400

1400: o castelão consolidou sua expansão ao sul, cresce agora pro leste e oeste, forçando o recuo do leonês e aragonês

A partir daí, o português/galego, o leonês, o aragonês e o catalão não tinham mais território “virgem” (isto é, onde anteriormente era falado árabe) disponível pra conquistas.

O que significa que as línguas europeias teriam que brigar entre si, tomar território umas das outras.

E foi o que elas fizeram. O aragonês e o leonês começaram a recuar. O basco continuou seu declínio.

Um século depois, o castelão (espanhol) deu mais um passo decisivo pra vitória nessa disputa.

Se na Europa a coisa não se alterou tanto nos últimos 100 anos, fora dela sim.

………….

Começaram as grandes navegações, e o castelão se tornou idioma oficial da maior parte da América.

1500

1500: o idioma espanhol é imposto na América, e se consolida em sua terra-natal igualmente

Por isso hoje é falado como língua majoritária da Terra do Fogo (quase no Polo Sul) até Los Angeles-EUA.

Outro acontecimento marcante é que entre 1400 e 1500 os muçulmanos foram em definitivo derrotados.

Aproveitando o embalo, a coroa católica espanhola expulsou os judeus também.

…………

Mas era pouco pro castelão. A partir de 1600, ele invadiu toda a Península Ibérica, numa tentativa de sobrepujar os outros idiomas.

O grau de sucesso variou, como já veremos.

A primeira língua a ser batida em definitivo pelo castelão foi o árabe.

Em 1500 a Espanha já havia “Reconquistado” todo o país dos muçulmanos, então a elite, os funcionários do governo, todos eles já falavam o idioma do vencedor.

1600

1600: castelão toma toda a Penísula, inclusive Portugal (unido a Espanha pela realeza). O árabe quase some, as demais regiões se tornam bilingues.

Mas uma parte do povo num enclave ao sul ainda mantinha o árabe como idioma materno mesmo já sendo súditos do rei espanhol.

Politicamente o território pertencia a Espanha, mas, como resquício de quase 7 séculos em que o árabe foi predominante, o populacho ainda o utilizava.

Em 1600, entretanto, haviam só resquícios do idioma árabe, e em 1700 mais nada.

Só que o castelão invadiu toda a Península Ibérica, de ponta a ponta, inclusive onde hoje é Portugal, que como sabemos por um tempo foi anexado a Espanha.

A partir daí, as demais línguas não podiam mais pensar em se expandir, tinham que se concentrar em defender os territórios que possuíam.

Foi então que o castelão de um dialeto se tornou o idioma oficial espanhol, pois foi o vencedor da disputa.

1700

1700: Portugal reconquista a independência, o que garante soberania no idioma também. A Galícia fica na Espanha, fazendo com que português e galego comecem a se separar

…………..

Dizendo novamente, houve graus variados de sucesso nessa batalha do castelão contra todo o resto.

Em 1700, Portugal novamente era independente da Espanha.

O idioma português portanto teve sua sobrevivência assegurada, e seu território bem delimitado, inclusive politicamente.

Aqui na Zona Leste de Curitiba há um Bosque que homenageia nossa língua.

Mas tudo tem um porém. Se a língua portuguesa garantiu seu domínio sobre Portugal, a Galícia foi perdida.

Na divisão, ela ficou pra Espanha. Separando-se assim o idioma português do galego, do qual surgiu.

……….

1800

1800: há tempos não existe mais o árabe. Leonês e aragonês recuam cada vez mais.

Outras línguas não conseguiram se separar politicamente do Reino da Espanha, ficando portanto sitiadas, na defensiva.

O aragonês e o leonês foram sem dúvida os maiores perdedores, tiveram que abrir mão de tudo que haviam conquistado e recuaram pra sua região de origem.

E mesmo ali são escassos, hoje falados por uma parcela ínfima da população. Mesmo em Aragão e Leão, a maioria das pessoas fala castelão.

Já o catalão e o galego conseguiram sobreviver bem. Mantiveram o território conquistado, sendo suas regiões de origem bilíngues com o castelão.

Basta andar por Barcelona que alguém percebe como o catalão é uma língua viva. Em verdade há mais fachadas de loja em catalão que em castelão/espanhol.

Essa mensagem surgiu justamente porque percebi isso e fui pesquisar.

1900

1900: consolidação do castelão. Galícia, País Basco e Catalunha bilingues, têm sua língua nativa mas o espanhol é universal. Aragonês e leonês quase sumiram.

Enquanto isso, o basco (que nunca conseguiu se expandir, ao contrário recuou), após essa perda inicial ao menos manteve-se vivo.

Se saindo então melhor que o leonês e o aragonês, que após um crescimento não conseguiram manter nada, nem as conquistas e sequer seu território de origem.

Veja: onde é região bilíngue, a grossura das faixas indica se o povão de fato fala duas línguas ou se o espanhol reina absoluto e o idioma original caminha pra extinção.

Assim fica claro que na Galícia, Catalunha e País Basco os idiomas locais são predominantes ou pelo menos não correm risco de serem extintos a médio prazo.

………..

2000

Atualmente: leonês e aragonês são meras curiosidades históricas. Em toda Espanha o castelão é universal, mas em suas pontas parte da população é bilingue.

Fala-se espanhol também ali, e certamente todos o entendem.

Mas sempre perto da metade da população, no mínimo, fala o idioma nativo, de forma exclusiva ou então bilíngue.

Repetindo, uma simples volta pelo Centro de Barcelona provará o que estou afirmando.

Já em Aragão e Leão não é o caso, indicando que não é a maioria da população que usa o idioma local no cotidiano.

Nas cidades e entre os que tem menos de 40 anos, praticamente não há quem use o aragonês e leonês, se restringindo aos mais velhos que ainda residem na área rural.

Como último detalhe, observa-se que o catalão e o basco se mantém vivos como língua corrente e cotidiana de massas do lado espanhol da fronteira.

Na França eles não conseguiram demonstrar a mesma força, e ali caminham pra serem uma curiosidade linguística, e não algo prático, de uso das multidões.

………

Deus proverá”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s