Cenas Paulistanas: o Centro e a Zona Sul de SP em imagens

Anoitece em São Paulo: Brooklin, Zona Sul, janeiro de 2014.

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 6 de janeiro de 2014

Essa mensagem é um Portal. Todas as matérias que forem feitas na Grande SP serão ancoradas aqui. Ao fim do texto passo as ligações pros outros textos.

…………..

Estive na Cidade de São Paulo e fotografei algumas cenas da metrópole, especialmente pra produzir essa mensagem.

Trata-se de partes das Zonas Central (o Centrão mesmo e o vizinho Bom Retiro) e Sul (Brooklin e Planalto Paulista). Dois bairros de classe média-alta – dessa vez, não fui a periferia.

Sampa 40º. Na verdade 32, mas parecia quarentinha: Berrini x Padre Antônio, Brooklin, Z/S.

Estava muito quente, as pessoas estavam derretendo de calor. Em duas imagens veem os termômetros que marcam 32º

Mas a sensação térmica por vezes chegava perto dos 40º (fotografei a mesma cena em Assunção/Paraguai, Belém-PA e Belo Horizonte-MG).

…………

BROOKLIN, A “TERRA QUEBRADA” –

Comecemos delineando de onde vem a denominação ‘Brooklin’. Como todos sabem, o Brooklyn original é na Cidade de Nova Iorque, EUA. Reproduzo agora pra vocês a explicação que me deram quando lá estive, em 1996:

Bom Retiro Z-Central SP

Bom Retiro, Centro de SP: maior polo de moda do Brasil.

Na ocasião em que os ingleses começaram a povoar o que hoje é o Brooklyn (já habitado por índios, negros e holandeses) este tinha um relevo muito acidentado, com vários morros.

Por isso era chamado de “A Terra Quebrada”, “Broken Land” em inglês, cujo acrônimo virou simplesmente “Brooklyn”,

Olhe, achei curioso saber que um dia o Brooklyn foi tão montanhoso a ponto de assim ter sido denominado. Assim a única conclusão possível é que ali as motoniveladoras trabalharam intensamente.

Planalto Paulista SP

Planalto Paulista, Z/S de SP: bairro rico e arborizado.

Porque o Brooklyn nova-iorquino atual de acidentado ou ‘quebrado’ nada tem, exatamente o oposto é verdadeiro, trata-se de uma das regiões mais planas do planeta:

Uma enorme planície densamente habitada por 2,5 milhões de Homens e Mulheres. A maioria negros, mas há minorias significativas:

Russos, boa parte deles judeus (no litoral do Brooklyn quase só moram brancos), americanos (América é um continente e não um país, nunca se esqueça), asiáticos e outras raças.

bi-articulado na Av. Berrini Brooklin SP

Bi-articulado Caio na Av. Berrini, Brooklin. No Natal esses bichões ficam iluminados.

Mas voltemos ao Brooklin paulistano. Tem esse nome precisamente porque ali havia uma colônia de estadunidenses.

Suas ruas mesclam alguns nomes indígenas nativos com os estados ianques.

Seja como for, é certo que está incrustado no coração da região mais rica de São Paulo, que é a Zona Sul próxima ao Centro e a Zona Oeste que lhe é vizinha.

Olha o trem: em SP o transporte coletivo hoje é levado a sério. Pena que nem sempre foi assim: o ‘Trem das Onze’ existiu mesmo, mas acabou…

A Zona Sul suburbana é, exatamente ao contrário, bastante pobre.

Mas ali na Zona Sul mais central estamos a galáxias de distâncias dos bairros Capão Redondo, Grajaú, Jardim Ângela, Americanópolis e outros da faixa suburbana.

Repetindo, a Zona Sul próxima ao Centro e a vizinha Zona Oeste são onde habita a classe média-alta que já foi várias vezes ao exterior.

(Nota: em janeiro de 16 fui novamente a SP, e visitei justamente as Zonas Oeste e Sul. Saíram 2 matérias, uma sobre a Vila Gomes e Jd. Bonfiglioli, na Z/O, e veja aqui o Céu em Moema e as flores do Butantã.)

Volta o texto original. Essa é a única porção da cidade em que as vias são arborizadas e floridas nessa metrópole que nas outras regiões – Centro incluído – é o próprio deserto de pedra e metal.

Viram a bichão encostando na plataforma da Estação Berrini de Trem no Brooklin; eis sua fachada.

Por estarem na parte mais rica da megalópole, o Brooklin e também o Planalto Paulista são a exceção, suas ruas são agradáveis e frescas, por conterem muitas árvores e flores.

………

o Bom Retiro é um bairro no núcleo da cidade, umbilicalmente ligado ao Centrão que lhe é vizinho.

Antiga colônia judaica e armênia, hoje é local de trabalho e moradia de coreanos e bolivianos, e mesmo de alguns africanos.

O Bom Retiro fica logo ao lado do Centro, entre ele e a Zona Norte. Em São Paulo. E em Curitiba também.

Brooklin SP Z-Sul1

Brooklin: também bairro rico e cheio de árvores floridas.

Voltando a focar no Bom Retiro paulistano: alternaram-se as raças que ali habitam, mas uma coisa não mudou:

O Bom Retiro é, em conjunto com o vizinho Brás, o polo têxtil de São Paulo.

São milhares de confecções e lojas de roupas, uma ao lado da outra, vai gente de boa parte do Brasil ali comprar no atacado pra revender, como é de conhecimento público.

Vejamos mais algumas cenas captadas no “Bonrra”, como o bairro é carinhosamente chamado.

elegante loira atravessa a Berrini SP

Beleza Paulistana: nem só as flores enfeitam o Brooklin, elegante loira atravessa uma Berrini que até parou pra vê-la desfilar, não?

Fiz uma postagem só de desenhos sobre Sampa, inclusive mostrando o Bom Retiro. E em outra gravura reproduzo a foto ao lado.

Comentemos melhor as imagens da matéria, várias delas não estão ao lado da descrição, busque pelas legendas. Vemos no decorrer da página:

Começamos a matéria pelo belo entardecer de sexta, 3/1/14, no Brooklin;

 – Em várias tomadas, as verdes alamedas e avenidas dos bairros do Planalto Paulista e Brooklin, Zona Sul;

-.Bi-articulado na Av. Engenheiro Luís Carlos Berrini, Brooklin. Essa avenida concentra enorme quantia de espigões comerciais de alto padrão – a sede paulista da TV Globo é ali, pra citar apenas um exemplo.

Av. Padre Antonio Brooklin SP

Av. Padre Antônio José dos Santos, Brooklin.

Em São Paulo os ônibus são pintados conforme os bairros que atendem. O padrão roxo pega uma parte da Zona Sul;

Abaixo: Centrão de São Paulo: prédios abandonados, sujeira, muitas grades nas janelas, sem-tetos, a coisa é bastante difícil.

Na 2ª tomada observe os restos das fogueiras que os mendigos fazem pra se aquecer a noite. Apocalipse Agora???

Nem é preciso me estender muito, as imagens falam por si mesmas. Em janeiro de 18 estive novamente na cidade, fiz nova matéria mostrando o melhor e o pior de S.P. .

Nem tudo é destruição, é claro. Vamos ver a parte pulsante, que funciona bem, do Centrão.

Centro SP prédioPRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES –

Seguindo na mesma frequência, retratei cenas belas e floridas do Centro.

Essas duas fotos do Anhagabaú, e apenas essas duas (na verdade a mesma em distintas escalas), eu tirei numa outra visita a SP, em junho de 13. Veja o que escrevi a época:

Uma linda árvore, toda florida, flores Centro SPenfeitando de rosa essa Hiléia Cinza de pedra e aço, fria e sem sentimento. Tem que ter Fé, que com Fé até no Lixão nasce a Flor”, diz a música. O poeta já sabia…..

…………

Esse enxerto é de uma mensagem que foi publicada em 13 de junho de 2013. A partir daqui e até o final voltamos pra que foi produzida 6 meses depois, em janeiro de 14.

Planalto Paulista SP Z-Sul2Vamos pra Zona Sul. No Planalto Paulista (ao lado) os nomes são todos indígenas, por ser vizinho ao bairro de Moema, que tem essa característica.

(Aqui em Curitiba ruas com nomes indígenas estão no Portão [Zona Sul] e bairros vizinhos. Confira essa e todas as outras ‘vilas temáticas’ da capital do Paraná.)

Nos focando novamente no Planalto Paulista, SP, notam que como no Brooklin as ruas estão impecavelmente limpas, fazendo agudo contraste com o Centrão.

Bem-Vindo ao Bom Retiro Z-Central SP

Bem-Vindo ao Bom Retiro, Z/ Central de SP.

De volta pra Zona Central, o Centrão e o vizinho Bom Retiro. Vemos (espalhado pela mensagem, busque pela legenda) o Edifício Banespa, antiga sede do banco estatal estadual.

O banco foi privatizado, mas o prédio continua a ser chamado assim. Bem no alto, a bandeira do estado.

Vimos que a sede da bolsa de valores fica num calçadão no Centro. Como aqui em Curitiba, parte dele se chama Rua 15 de Novembro.

Prédio todo pichado no Centrão de Sampa: fotografei o mesmo em B.H., Ctba., e nas 2 capitais do Chile.

No caso da XV paulistana, ali se concentram os bancos, e todos eles ostentam os pavilhões da pátria e estadual.

O Bom Retiro, com centenas de lojas de confecções – não é exagero – emendadas umas nas outras, e o burburinho do mar de gente que ali fazia as compras.

Os ônibus verde-escuros vão pra uma região da cidade entre as Zonas Leste e Sul, e os laranjas, ao contrário, servem a Zona Oeste.

Já os azul-escuros se dirigem a Zona Norte.

Av. Tiradentes Centro SP

Av. Tiradentes, liga o Centro a Z/N.

Uma periferia central: diversos bairros que ficam ao lado do Centrão de São Paulo são na verdade local de habitação popular, do classe operária.

Justamente porque aqueles que têm recursos fugiram dali há décadas.

As cenas foram captadas no Bom Retiro e imediações mas se repetem por toda a região (Barra Funda, Pari, Bexiga, etc):

Edifício Banespa, Centro de SP.

Sobrados e apartamentos velhos e minúsculos se espremem pra poder oferecer uma opção de moradia ao mesmo tampo barata e central.

Não há garagem, e só isso revela muito do ‘status’ social dessa parte da cidade;

Estamos de volta a Zona Sul, e de volta ao Brooklin. Na Avenida Berrini, mais um ônibus roxo, e esse com ar-condicionado (tomada logo abaixo).

Em São Paulo, há muitos veículos dotados desse conforto extra, e sem custos pro usuário, a tarifa é a mesma.

No Rio de Janeiro os ônibus com ar são mais caros, mas em São Paulo não. 

Em Curitiba não há ônibus com ar-condicionado (o texto é de 2014). Houve um ligeirinho da Viação Cidade Sorriso nessa configuração, mas já foi retirado da frota;

– A esquerda avistamos a favela Real Parque, ao lado de prédios de luxo.

Não é pra menos, do outro lado do Rio Pinheiros é o bairro do Morumbi, o reduto dos milionários – e também dos miseráveis, como observa.

Um contraste agudíssimo, não? São Paulo em Preto-&-Branco. Bem, é o padrão da América Latina. O mesmo se repete em Curitiba, Florianópolis-SC, no Chile e toda parte;

– Seguimos no Brooklin nessa sequência horizontal abaixo.

uma periferia central Bom Retiro

Próximas 2: Bom Retiro.

Na última cena da sequência, um programa bem interessante: empréstimo gratuito de bicicletas (vide atualização abaixo).

Fotografei a exata mesma cena em Santiago do Chile, e também em Santos-SP.

Você se cadastra, ganha um cartão com o qual pega a magrela, pedala e pode devolver no mesmo ciclo-ponto ou em outros espalhados pela cidade.

Creio que não seja de todo gratuito, há uma pequena taxa. Mas não chega nem a 1 real por dia, ou seja na prática é quase grátis mesmo. No México existe o mesmo programa, porém estatal, feito pela prefeitura da capital.

Prédio velhos, bastante pichação. B. Retiro é Centrão, né?

(Atualização: em 2014 era assim. Em 2018 mudou o programa, e não é mais gratuito. Apenas se você comprar o pacote anula agora sai menos de um real por dia. Se pegar pacotes menores [mensal, semanal ou mesmo avulso] há um custo maior, não é mais como antes.

Até o patrocinador não é mais o mesmo. Em São Paulo em 2014 e Santiago em 2015 era o Banco Itaú. Mas em Santos, no mesmo ano de 2015, o Itaú já não era mais quem bancava o esquema. Antes havia sido, mas não mais.

A capital seguiu o exemplo santista e rompeu com o banco também. Não sei se no Chile o Itaú ainda é o patrono ou se igualmente foi alterado. Volta o texto original de 2014.)

………..

Av. Indianópolis, Planalto Paulista.

De volta a SP, nesse trecho, a “Marginal Pinheiros” se chama oficialmente “Avenida das Nações Unidas”. Ninguém conhece esse segundo nome, só o primeiro.

É por ali que corre o trem retratado acima da manchete. A esquerda logo abaixo uma estação:

Um rio poluído, trem urbano, vias expressas, pontes, viadutos, prédios comerciais e residenciais de luxo em volta.

Se você já esteve em Medelím, na Colômbia, sabe que o cenário se repete idêntico lá, parece que foi xerocado. Quem não teve ainda a oportunidade pode ler os relatos das matérias que produzi quando voltei de lá;

…………..

Retornando a nosso tema de hoje que é a capital paulista:

– Já vimos a Avenida Padre Antônio José dos Santos, uma das principais do bairro. No topo da matéria uma elegante loira atravessa a Av. Berrini.

Não tirei essa foto propositadamente, nem vi que essa moça estava ali, queria apenas retratar o bairro. Mas que saiu assim:

Centro SP

Centro da cidade.

Ela bem no meio do enquadramento, sem trânsito, sem outros pedestres, com a rua só pra ela sem ter que dividir a atenção com carros e outras pessoas, então assim foi.

Uma homenagem a essa paulistana que tornava o Brooklin mais belo no ensolarado dia de sábado, 4/1/14;

– Abaixo, “Casa de Vila”, uma moradia absolutamente típica de São Paulo.

Uma rua sem saída passa por duas casas. Nos fundos, bem no meio da quadra, várias casas ao redor de um pátio.

Parece os condomínios fechados, hoje tão comuns em tantas cidades. Mas as vilas paulistanas antecedem os condomínios em muitas décadas.

Antes, as ruas não eram gradeadas, o acesso era livre. Com o aumento da violência, dos anos 90 pra cá é que as vilas ganharam portão e interfone.

 Mais duas ruas do Planalto Paulista com muitas árvores e flores.

Pq. Dom Pedro: porções do Centro de SP estão destruídas; em compensação o transporte coletivo vem evoluindo muito. Nessa matéria mostramos os dois lados, o que funciona bem e o que não funciona na área central da metrópole.

Pra fechar as demais postagens que têm a Capital Paulista como tema:

“Sampa, a mesma mão que constrói e destrói coisas belas” (maio de 18). S.P. em P.&B. – o melhor e o pior do Brasil, a poucas quadras de distância um do outro.

O “Apocalipse Agora” do Centrão, que em certas partes parece destruído pela hecatombe nuclear;

E ali do ladinho a “Cidade Verde”, os Jardins, a Paulista, Higienópolis, e o começo das Zonas Oeste e Sul, região que ao lado da Orla do Rio é onde mais concentra elite e alta burguesia no Brasil..

“A Cidade Cinza” – fotografando a Zona Leste (fevereiro/18). Na verdade o foco se restringe a Vila Carrão (ao lado) e Imediações. Mas não deixa de ser a primeira incursão na Z/L.

“Pixai por Nóis”??? (julho/16) – Breve ensaio fotográfico na Marginal Tietê e comecinho da Dutra (dir.).lema paulistano

Portanto pegando as Zonas Central e Norte – inclui algumas tomadas no subúrbio metropolitano de Guarulhos.

No Ninho das Cobras (janeiro/16) – Butantã, Zona Oeste, óbvio. Em 2016 os ônibus pra região são laranjas (abaixo).

jardim bonfiglioli bonfinholi placa itinerário interlig i8 branco eletrônico buso sp Laranja z/o caio motor traseiro atrás vidro pára-brisas paulistaFlores Paulistanas: o emeio principal seguiu junto com esse, em janeiro de 14. Dali são as flores do Bom Retiro, Brooklin e Planalto Paulista.

Há também 3 que tirei numa residência no Alto da Boa Vista (Z/ Sul) em maio de 2012, e repito as do Anhagabaú, clicadas em junho de 2013.

“Saia & Blusa” (setembro/11) – não, não é sobre roupa de Mulher. Bom Retiro SP Z/C outra postagem "Cenas paulistanas" flor vermelha prédio

Trata-se de uma das matérias mais lidas da página, que mostra em dezenas de fotos os ônibus paulistanos dos anos 70 até hoje, mas especialmente as décadas de 80 e 90.

Ao lado: Rio Pequeno, Zona Oeste, 1979. Transição da pintura livre (ao fundo) pro sistema Saia-&-Blusa. E esses busos passam pelo Butantã.

Em 1979 também eram laranjas, essa parte da Z/O tem a mesma cor nas duas padronizações, ‘Saia-&-Blusa’ (78-91) e ‘Interligado’ (2003-presente).

Selva de Pedra – só de desenhos, feitos entre 2008 e 2014.

O Céu de Moema (Z/S) e as Flores do Butantã – Tudo fotografado na mesma viagem de janeiro de 2016.desenho buso estação luz bom retiro centro z/c prédio sol céu sp

– ‘Beleza Paulistana‘ (março/14) – mais um desenho, dessa vez como já informado de uma elegante loira que parou a Berrini. Não é modo de falar.

Que Deus Ilumine a todos. 

Deus proverá”

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