‘Cinema de cachorro’, a Cumbia, ‘Estrela que Brilha’, laranja no chão de pedra: o Paraguai visto por dentro

Rodovia nº 2 Fernando de la Mora ZL

Rodovia Nacional nº 2, chegando na capital: divisa entre subúrbios metropolitanos de Fernando de la Mora e São Lourenço, na Zona Leste da Grande Assunção

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 27 de maio de 2013

Segue a série sobre o Paraguai.

O país não é muito violento, embora bastante pobre.

Assunção é uma cidade relativamente calma– pelo menos se o Brasil e a América Latina forem a base de comparação.

Tem uma média de 60 a 65 assassinatos por ano.

Há vários bairros de Curitiba (CIC, Sítio Cercado e Cajuru, e quem sabe o Tatuquara) que têm cada um deles mais assassinatos que Assunção inteira.

paixão paraguaia na Rodovia 2 ZL

Na mesma estrada, um carro Mercedes, paixão dos paraguaios, bem como dos árabes e sul-africanos. Fernando de la Mora, Zona Leste.

Mesmo tendo de 1/3 a 1/5 da população da capital paraguaia, no caso do Tatuquara 1/10.

Aqui eu me refiro ao município, não tenho os dados da região metropolitana.

Seja como for, Londrina-PR, com mais ou menos a mesma população, teve 111 assassinatos em 2012. Novamente só o município-núcleo.

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Fernando de la Mora ZL metro

Agora uma via interna, local, de Fernando de la Mora: de pedra, o padrão do Paraguai; a direita veem uma laranja, há muitas laranjeiras públicas nessa região, os vizinhos não vencem chupar tanta fruta, que acaba apodrecendo no chão.

(Atualização: escrevi esse texto em 2013, relativo aos dados de 2012.

Em 2014 diminuiu um pouco, felizmente. Ainda assim, Londrina teve 93 homicídios em 14, 50% acima da média de Assunção.)

(Volta o texto original. Pelos últimos dados disponíveis a época que eram os de 2012) Assunção tinha metade da taxa de assassinatos de uma cidade de mesmo porte brasileira.

E Londrina, em termos de violência urbana, representa bem o Brasil:

Não é especialmente calma, como algumas cidades do interior catarinense (Joinville e Blumenau, pro exemplo), nem é especialmente violenta, como as cidades do Nordeste infelizmente se tornaram.

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prédio público bandeira

Do piso ao teto, bandeiras em prédio público de Assunção: povo patriótico e nacionalista

Tampouco há muitos assaltos em Assunção. Por lá não existem condomínios fechados, o que já é excelente sinal.

Passei no enclave dos milionários paraguaios, que fica numa região contígua próxima ao Centro, no começo das Zonas Leste e Norte.

Mesmo as mansões com piscina têm saída direto pra via pública.

No dia que estava vindo embora, vi um pouco de TV de manhã cedo. O jornal noticiava com grande alarde um furto que houve na periferia de Assunção.

O morador chegou em casa e encontrou-a arrombada, levaram seus eletrodomésticos. Fizeram uma matéria grande, entrevistaram demoradamente o dono da casa, policiais, vizinhos.

Pátria Amada

Av. Brasil no Centro de Assunção

Veja bem: foi um furto. E na quebrada, casa de classe média baixa.

Não foi sequestro, latrocínio, assassinato, nem mesmo roubo, em que a vítima é rendida na ponta de revólver ou faca. Não foi nada disso. Foi um furto, e na periferia.

E se mereceu tanto destaque, é porque crimes mais graves que esses são relativamente raros.

Rodovia nº 2 São Lourenço

De novo na Rodovia nº 2, divisa entre S. Lourenço e Fernando de la Mora. Agora olhando sentido interior, a Cidade do Leste está a 318 km

Há assassinatos na cidade? Há. Pouco mais que um por semana.

5 a 6 num mês. A Grande Curitiba chegou a ter 5 ou 6 assassinatos por dia, em 2010.

Sim, a população da Grande Curitiba é 6 vezes maior que do município de Assunção. Mas veja bem, chegou a 30 vezes mais mortes, em termos absolutos.

O que em termos proporcionais indica que Curitiba era, em 2010, 5 vezes mais violenta que Assunção.

Hoje, felizmente, o número de assassinatos reduziu um pouco em Curitiba. Ainda assim, ela é o triplo, ou pelo menos o dobro mais violenta que Assunção. Se considerarmos apenas o município de Curitiba, sem a região metropolitana, a proporção se mantém.

isto é América

Ônibus urbano paraguaio todo decorado por dentro. Fotografei o mesmo em Acapulco-México e Belém-PA: o motorista faz do salão do veículo sua sala de estar. Isto é América. Leia mais sobre o transporte em Assunção.

Voltando a capital paraguaia, onde se mexe com dinheiro (bancos) há sempre seguranças particulares. Nas sedes do governo (ministérios, etc) há soldados do exército.

Todos portando armamento pesado. Mas fora desses dois locais, não se vê gente com fortemente armada nas ruas.

Em outros países latino-americanos é bem diferente.

Soldados do exército estão em todas as partes na Colômbia.

No México e Rep. Dominicana, além disso, comboios do exército, polícia federal e mesmo da marinha passam o tempo inteiro pelas principais avenidas. Dá uma verdadeira sensação de guerra.

veteranos da Guerra do Chaco

Sede da União dos Veteranos da Guerra do Chaco (1932-35)

Bem, Colômbia e México enfrentam de fato insurreições armadas, e na República Dominicana há o problema sério de milícias de criminosos.

Pois bem. O Paraguai não está em guerra, e não passa por nada disso.

Então não se veem essas cenas, exceto repito em bancos e em locais onde se reúnem ministros de estado, congressistas e o presidente.

De resto, a cidade é calma. Não há a tensão que está presente a cada minuto em boa parte da América Latina.

Vila Elisa Zona Sul metro1

Distante subúrbio de Vila Elisa, Z/ Sul: ruas de pedra. A torcida do Olímpia pintou os postes de preto e branco.

(Atualização: depois que escrevi esse texto fui a Rep. Dominicana no mesmo ano de 2013, e já a adicionei acima porque a situação é a mesma dos outros dois.

Em 2015 fui ao Chile. Vejam vocês, ali também há um clima de tensão muito maior que no Paraguai.

Dou mais umas pinceladas sobre esse tema em outra mensagem, acesse a ligação em vermelho abaixo.

Mas já adianto: o Chile é muito mais rico que o Paraguai. Muito mais, sem comparação possível.

Ainda assim, o Chile enfrenta também um problema de insurreição por grupos armados, o que faz com que uma polícia militarizada a guisa de exército ocupe permanentemente as ruas.

Univ. Nacional - Rota 2 - Z-L metrop.

Em frente ao campus da Universidade Nacional, na Rodovia nº 2, Zona Leste metropolitana

Em escala menor que no México, Colômbia e Rep. Dominicana?

Sim, certamente, no Chile não há chacinas no atacado, nem é preciso operações com apoio da força aérea pra recuperar território.

Ainda assim em Santiago os ataques das guerrilhas anarquistas é uma constante, e frequentemente são fatais.

Por isso as forças de segurança ficam o tempo todo em alerta, reciprocamente.

O Paraguai, enfatizo ainda mais uma vez, não passa por esse tipo de situação.)

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Parque São Lourenço1

Parque São Lourenço, no Centro do município de mesmo nome, Zona Leste da Grande Assunção.

Assunção não é calma apenas de dia. Também o é de noite.

Depois das 10 da noite e principalmente na madrugada, o Centro de Assunção é um deserto. Não se vê viv’alma nas ruas.

Eu fiquei no coração da cidade, em seu núcleo, no olho do furacão. As vezes acordava de madrugada e olhava pela janela.

Não se via um movimento, não se escutava um barulho. Isso mesmo nas noites de sexta e sábado. E olhe que o clima ajuda, lá é calor ano todo, mesmo de madruga é uma temperatura amena, bem agradável.

Parque São Lourenço2

Aqui e abaixo, a esquerda, mais cenas do Parque São Lourenço. O de Assunção, não o de Curitiba, ok?

Novamente vou comparar com Belo Horizonte, que visitei em novembro (de 12).

Fiquei num pedaço muito similar do Centro, uma parte velha, feia e suja do núcleo original da cidade, exatamente igual a Assunção.

As semelhanças param aí.

Em termos do povo gostar ou não de congregar nas ruas, com música alta, não há duas cidades tão diferentes no mundo quanto as capitais mineira e paraguaia.

Em BH, o fervo nas ruas, barulho de música, carros, gente conversando alto, dando gargalhadas, ia até uma da manhã. Isso no meio de semana. Nas noites de sexta e sábado, foi madrugada adentro, Parque São Lourençoa cidade simplesmente não dormiu.

Acordei 5 da manhã no sábado. O Centrão de BH pulsava de gente, os últimos boêmios resistiam a ir embora.

A música rolando, a todo volume, até por isso tive dificuldade em dormir.

Atualização: na República Dominicana é exatamente igual em Minas. Também ficamos numa parte velha, feia e suja do Centrão, e novamente foi difícil senão impossível dormir de sábado pra domingo, de tanta algarraza nas ruas.

Em Assunção, bem ao contrário, eu dormi como um anjo.

Vila Elisa Zona Sul metro2

Vila Elisa, Z/S metropolitana: sintetiza a periferia típica de Assunção: casa bem pobre, de alvenaria, térrea, com quintal enorme, uma moradia por terreno. A cidade é plana, quase sem prédios, e não há sobrados artesanais “Cidade da Laje” como em outros países da América. As casas de madeira existem mas são raras.

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Em Manaus-AM e Fortaleza-CE é igual a Belô. Na capital cearense não fiquei no núcleo do Centrão. Me hospedei perto dele, mas um pouco mais afastado.

Mas quando andei a pé no Centro, vi o fervo, música ao vivo, gente andando na praia, etc. Em Manaus também, as pessoas gostam de se congregar em bares, ouvindo música, etc.

Nada disso ocorre no Paraguai. Claro que que há baladas. Mas em ambientes fechados, em que se vai de carro.

Quem quer curtir a noite, curte. O que estou dizendo é que não há essa coisa espontânea, de ir a um barzinho ouvir música, paquerar, fazer novos amigos.

É tradição no Paraguai ficar em via pública, tomando tererê (chimarrão gelado). Isso sim, eles ficam mesmo, botam as cadeiras na calçada e conversam, de dia e no começo da noite também.

Mas só entre amigos e família, sem música. Quem quer conhecer gente diferente, pega o carro e vai pras casas noturnas. As pessoas se recolhem cedo, no máximo uma roda de de tererê em família.

Centro4

Centro de Assunção, final de tarde

O paraguaio é um povo fechado e conservador. Lhes disse, é de maioria da raça branca, o que lhes dá esse traço de personalidade.

Assunção, embora uma metrópole, tem ares de cidade do interior. Todo comércio fecha sábado as duas da tarde. Todo, exceto supermercados.

Não precisa esperar anoitecer. O Centro de Assunção, sábado depois das 3 e domingo dia todo, é absolutamente deserto.

Não ficam sequer as lanchonetes abertas, você não tem onde comprar um lanche. A Grande Assunção tem fisicamente 1,6 milhões de habitantes. Mas o espírito é o mesmo que se tivesse 160 mil.

Veja, até as concessionárias de carro baixam as portas sábado depois do almoço e só reabrem segunda cedo. Você visualiza isso? Ainda mais que aqui no Brasil as revendedoras de veículos trabalham domingo a domingo, inclusive fazendo feirões.

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Falei do tererê. É onipresente o hábito de ingerir essa bebida por lá.

Os paraguaios tomam tererê o tempo todo, sozinhos e em grupo. Frentistas fazem uma roda enquanto não atendem clientes. Motoristas de ônibus e carros tragam a bomba em pleno trânsito, quando o sinal fecha.

As pessoas se sentam na calçada e ficam horas tomando. É universal, em todas as classes sociais.

Vila Aurélia ZL DF2

Vila Aurélia, Zona Leste, já dentro do município de Assunção. Rua de pedra.

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Tomei uma vez junto com uma família, no sábado.

Andava pela rua no subúrbio e queria almoçar. Entrei em uma lanchonete familiar, e por eu não comer carne a dona (uma senhora) e sua filha já adulta puxaram conversa.

Pelo espanto que provoquei nas duas, concluí que os vegetarianos devem ser bem raros por lá.

Conversei mais um pouco com elas, e logo chegou um Homem, que pela aparência devia ser o marido da mais velha e pai da mais moça.

Av. Mal. Solano Lopez ZC

Av. Mal. Solano Lopez, Zona Central

E ele veio com uma garrafa térmica e uma cuia (lá se chama “guampa”) de tererê, e começou a tomar. Pedi pra tomar um pouco também, afinal esse é o mais paraguaio dos hábitos.

Então assim foi. Já havia tomado tererê na Cidade do Leste, 11 anos antes, compartilhado com o motorista do ônibus urbano que eu estava, e agora o fiz de novo.

Contei isso a eles, falei também que iria no dia seguinte visitar a Favela da Fazendinha (‘Chacarita’ no original, a maior e mais barra-pesada de Assunção).

Com o que o eles se espantaram ainda mais que o fato que eu não como carne.

Vila Aurélia ZL DF

Outra da Vila Aurélia

Esse diálogo com essa família foi a única vez que interagi com a população local.

De resto fiz minha jornada basicamente em silêncio, interrompido por uma ou outra frase que troquei esporadicamente.

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O hábito de tomar erva-mate está tão associado aos gaúchos no imaginário coletivo que muitas pessoas julgam ser originário do pampa.

pavimento em pedra V. Morra-ZL

Vila Morra, entre as Zonas Central e Leste: bairro de elite, só mansões e casas amplas. Ainda assim a rua é de pedra, no Paraguai esse calçamento é universal, não depende de classe.

Mas não é nada disso, ele surgiu no centro da América do Sul, através dos índios guaranis. Ou seja, no Paraguai e imediações.

Não por outro motivo a planta tem nome científico de Ilex Paraguariensis. Depois é que o costume “desceu” pros pampas.

Lá se enraizou de maneira muito forte, bem, a cuia de chimarrão é o ícone supremo do Rio Grande do Sul.

E de fato eles tomam chimarrão o tempo todo, até dentro do supermercado e dirigindo.

Mas é como a relação entre o Brasil e o futebol. Esse esporte não surgiu aqui, mas se tornou nosso símbolo.

Vila Morra ZL placa em espanhol

Mais uma da V. Morra. A placa de ‘pare’ está no idioma local. Na Europa é sempre em inglês, ‘Stop’, independente do país.

Com a erva-mate é o mesmo. Adotada pelos gaúchos de todo coração, é paraguaia de nascimento. E é tão tomada no Paraguai quanto o é no Rio Grande do Sul.

No Mato Grosso do Sul, que foi justamente a região disputada com o Paraguai na guerra, também se toma muito tererê.

Aqui perto mora uma família que veio de Campo Grande-MS. Sempre os vejo, com as cadeiras no meio da rua, tomando tererê.

Mesmo após a guerra, muitos paraguaios se refugiaram no território que acabou ficando pro Brasil.

E isso acabou enraizando nos sul-matogrossenses o costume guarani do tererê. Então a erva-mate é igualmente apreciada tanto no Paraguai e Mato Grosso do Sul (gelada) como no Rio Grande do Sul e Santa Catarina (fervendo).

letreiro ainda brasileiro - SL - ZL

Assunção: antes esse buso fazia a linha Piratininga, em Niterói, Grande RJ. Nem sequer tiraram o letreiro.

A diferença térmica se deve ao clima das regiões, óbvio. Embora no pampa gaúcho seja muito quente no verão, é muito frio no inverno.

Já na baixada em que ficam Paraguai e Mato Grosso do Sul (uma parte do qual um dia foi povoado por paraguaios) o verão é muito, muito quente, e o inverno relativamente ameno.

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Lhes mandei no emeio anterior a foto do termômetro marcando 34º em Assunção (logo jogo no ar). Uma hora, chegou aos 36º.

nem tiraram o adesivo

Também em Assunção, mas antes era carioca: ainda há o adesivo da prefeitura do Rio de Janeiro.

Essa foi a temperatura que fez 5ª, 6ª e sábado. No domingo e na segunda, o tempo ficou nublado, e com chuva, então esfriou bastante. Mas isso porque antes estava muito quente.

Mesmo nublado e com chuva, a temperatura ficou em torno dos 24º, ou seja, as pessoas saiam sem casaco as ruas.

Tudo isso porque Assunção fica num enorme vale, a Planície Central Sul-Americana, entre os Andes e a Serra do Mar.

Segunda, seis da manhã, liguei a TV. Passam canais argentinos na TV a cabo do Paraguai.

Em Assunção marcavam 19º. Em Buenos Aires, 13º. E a capital argentina também é no nível do mar. Mas por ser bem mais ao sul, e sem montanhas de ambos os lados, esfria bem mais que o interior do continente (atualização: em março de 2017 fui a Argentina. De fato a capital é bem mais fria que Córdoba e Mendonça, no interior).

passagens de ônibus já utilizadas

Em Assunção a maioria dos ônibus não tem catraca, esse é o boleto que comprova que você pagou.

O vale central sul-americano torna-se uma estufa natural pras cidades que estão em sua bacia, e Assunção está no epicentro da mesma.

Por conta disso, se vê na periferia placas nas casas dizendo “vende-se gelo”. Muito comum, vi dezenas.

As pessoas aproveitam o clima quente pra engordar um pouco o orçamento. Em Belo Horizonte há várias casas vendendo couve. Cada povo tem seus costumes.

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patriotismo SL1

Bandeira do Paraguai em São Lourenço, Z/L metropolitana. Veja o poste pintado nas cores do time local de futebol, no caso vermelho e branco. Existe isso no Paraguai, Equador e na Argentina, mas não muito. Agora, no Chile é fortíssimo.

Voltamos a comida. Foi fácil eu me alimentar no Paraguai.

Em compensação na Colômbia foi muito difícil. Quando ia em restaurantes não teve problemas, eu simplesmente descartava a carne e comia o resto.

Mas muitas vezes eu estava na rua, e queria algo rápido, pra não interromper minha caminhada de exploração das ruas. E aí não tinha nenhum salgado sem carne.

Por vezes tive que almoçar bolos doces, o que eu não gosto. Isso na Colômbia.

No México foi tranquilo, porque eles gostam muito de sanduíches, lá chamados ‘tortas’ – não confundir com ‘tortillas’, que é outro prato.

Eu chegava nas lanchonetes mexicanas e pedia ‘torta’ de ovos. Dizia “só não como carne, de resto pode por tudo. Pode por pimenta (‘picante’, no jargão local) também – eu estava no México, afinal – mas não muito’.

Agora enfim voltando ao Paraguai, foi parecido como havia sido no México. Os paraguaios também gostam muito de sanduíches, lá chamado assim mesmo, apenas com ‘w’ no lugar do ‘u’. O termo ‘torta’, no Paraguai, significa bolos doces.

De forma que eu pedia os ‘sandwiches’, sem precisar dizer nada que não como carne – exceto naquela vez que dialoguei com a família, descrita acima. E simplesmente arrancava o presunto e atirava aos cachorros que vagam pelas ruas de Assunção– eles nunca passaram tão bem, eu creio.

prédios públicos

Nacionalismo: edifícios governamentais de Assunção sempre embandeirados com a tricolor.

Assim eu comia o pão com queijo, alface, tomate e maionese. As vezes eu achava sanduíche só de ovo, já sem carne. Sem problemas, sem ter que explicar nada.

Lá também é muito comum as ‘empanadas’. Como é sabido, trata-se de uma espécie de pastel, só que é assado.

Uma receita típica do Cone Sul, e portanto também apreciada na Bolívia, Chile, Argentina e Uruguai.

As mais comuns são de presunto & queijo; e também de frango, essas onipresentes. Nas lanchonetes maiores há também de ovo, aí eu pude comer. Assim pode-se concluir que os paraguaios gostam muito de comer ovo

patriotismo SL

Entre o povão também: casa bem pobre em São Lourenço (Z/L) com a bandeira em destaque

No Paraguai há empanadas em toda parte, mas sempre assadas. Não há empanadas fritas. Já no Chile (e também na Argentina) a assada é a mais comum, disparado, mas há empanadas fritas.

Empanada frita é exatamente o que aqui no Brasil conhecemos por ‘pastel’. Além da Pátria Amada já comi essa receita nos botequinhos do Chile e República Dominicana.

Mas não existe no Paraguai, voltando a nosso tema de hoje. Eu dizia que os paraguaios gostam muito de comer ovos.

CINEMA DE CACHORRO”: OS PARAGUAIOS SIMPLESMENTE ADORAM FRANGO ASSADO –

Domingo pouco antes do almoço eu caminhava na Av. Artigas, rumo a Zona Norte, após ‘emergir’ da favela Chacarita e seus banhados.

Você sabe que aqui no Brasil sábado e domingo as padarias e mercadinhos de periferia vendem frango assado, preparado naquele forno apelidado “televisão de cachorro”.

Então, lá é o mesmo, mas numa proporção indescritivelmente mais ampla. O forno é similar, mas 4 ou 5 vezes maior que o nosso. Na “TV de cachorro” brasileira, creio que vão sendo preparados uns 20 frangos por vez. No modelo paraguaio são cerca de 150.

Seguindo a proporção, teríamos que batizar o aparelho de “cinema de cachorro”.

E cada lanchonete tinha uns 3 desses em operação simultânea, um ao lado do outro. Ou seja, enquanto aqui no Brasil um ponto de venda assa 20, alguns 40 frangos por vez, em Assunção mais de meio milhar de frangos eram preparados em cada lanchonete.

Paraguai

Pavilhão Pátrio

E eram muitas, enfileiradas na avenida, tinham fila, mesmo num domingo chuvoso. Não é nem uma só “sala de cinema de cachorro”, é um verdadeiro ‘multiplex’.

Os super-mercados, por exemplo, tem uma seção especial em seu estacionamento, com caixa em separado, pra vender frango assado.

Outra coisa: quando já está quase pronto, o frango é partido ao meio e inserem no vão um pedaço bem grande de mandioca, que assa junto e pega o gosto.

Afora isso, eu não cheguei a almoçar ou jantar em restaurantes, então não conheço nada da culinária deles além do que descrevi.

O café da manhã do hotel é como no Brasil, pão com geleia, presunto, queijo, bolo, etc. O México segue o modelo estadunidense, já no café da manhã se servem pratos quentes: ovos mexidos, pratos assados, é um almoço completo.

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Em Assunção há partes bem sujas, com muito lixo pela rua. Centro e periferia igualmente. Há pouquíssimas lixeiras públicas, então é claro que os resíduos são descartados em via pública.

Outro ponto precário: pra quem não conhece muito bem a cidade é o terror dirigir em Assunção. As ruas simplesmente não tem nenhuma placa indicando o caminho, diferente daqui e do mundo todo. Apenas nas rodovias, já meio fora da cidade, há algumas placas, como as que fotografei aqui. Dentro da cidade praticamente nenhuma. Cada um que se vire.

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A ESTRELA BRILHA: COMO ENTRE OS ÁRABES, O CARRO MERCEDES É A PAIXÃO PARAGUAIA –

Nunca fui ao Oriente Médio, mas por fotos e pelos relatos de quem foi sei que os carros da Mercedes-Benz são a preferência nacional no Líbano e na Palestina.

Vila Aurélia ZL DF1

Vila Aurélia, Zona Leste, município de Assunção. Rua de pedra.

Não precisa ser novo nem bem-cuidado, precisa ter a Estrelinha na frente.

Pode estar velho e caindo aos pedaços, se for Mercedes é admirado e cobiçado pela rapa. Então, no Paraguai é assim também.

Atualização de junho.17: continuo sem ter ido a Ásia (que inclui o Oriente Médio). Mas, em minha 1ª viagem inter-continental, fui a África do Sul. E lá eu constatei que ocorre o mesmo, eles adoram Mercedes – e nesse caso também B.M.W. .

Voltando ao Paraguai. Afora isso, não analisei quais marcas são as preferidas desse vizinho páis. Até por ser uma tarefa hercúlea. O Paraguai não tem indústria automobilística, importou 100% de sua frota. Até aí nada demais. A Terra tem mais de 200 nações, e poucas dezenas delas produzem seus próprios carros.

A grande maioria apenas importa. O Uruguai igualmente trouxe de fora 100% dos veículos que por lá circulam, pra dar apenas um exemplo também próximo a nós. No Paraguai tudo se complica porque boa parte da frota não é apenas importada, mas também roubada ou contrabandeada de outros países.

Até uma década atrás, 80% era irregular. Carros roubados ou no mínimo importados sem licença vindos do (pela ordem) Brasil, Argentina e mesmo Europa, além de outros países americanos, circulavam livremente por lá.

Desde então o governo fez um esforço pra tentar melhorar essa questão, dificultando um pouco a legalização de veículos sem nota fiscal. A coisa melhorou um pouco mas não se resolveu de tudo, e levará tempo ainda. E o Paraguai importa, de forma quente ou fria, veículos do mundo todo, de boa parte da América, e Ásia e Europa. Há revendas lá que anunciam “importação direto da Coreia e Japão”.

Lambaré ZS metro1

Lambaré, Zona Sul metropolitana. A rua é sempre de pedra no Paraguai.

Resumindo tudo, a questão automobilística no Paraguai é o verdadeiro ‘saco de gatos’, um ‘samba do crioulo doido’, e nem gastei energia tentando decodificar.

Entre os caminhões, isso eu reparei melhor, a composição da frota é relativamente parecida com a brasileira, o que inclui muitos Mercedes-Benz.

Até porque boa parte dos veículos que rodam nas ruas e estradas paraguaias foi importada daqui, de formas legais ou por baixo do pano.

Falando de outra coisa, na Colômbia, Rep. Dominicana e México é muito comum ver pessoas andando desprotegidas na caçamba de caminhões, sem ter no que se segurar e sem nenhuma proteção.

No Paraguai não vi nada disso, pelo menos nesse quesito eles tem mais respeito pela vida humana. No Chile isso tampouco ocorre. Agora, no Paraguai moto é veículo familiar. É o padrão vermos o casal e mais 2 ou 3 crianças se equilibrando como podem numa motoca, os filhos se segurando precariamente nos pais.

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Vi em Assunção fios de alta-tensão protegidos por uma grade na torre, pra impedir que alguém suba nela. Só em Israel (nesse caso por fotos) havia presenciado coisa igual.

Vila Elisa Zona Sul metro3

Distante subúrbio de V. Elisa, nos confins da Z/ Sul: uma rua é de pedra, a outra via ainda não tem qualquer calçamento.

CUMBIA, A MÚSICA DO CHACO E DO PAMPA: O RITMO NACIONAL PARAGUAIO (E TAMBÉM BOLIVIANO E NORTE-ARGENTINO) –

Disse que na Colômbia praticamente não se ouve música que não seja em espanhol. Já no México (e obviamente no Brasil) escutamos muita coisa em inglês.

Então, no Paraguai é assim também, se ouve muito roque e outros estilos euro-estadunidenses em inglês. Há muita música brasileira também, desde a refinada até a de péssima qualidade.

‘Funk’ e sertanejo brasileiros estão por toda parte por lá.

Quanto ao que é orgânico, temos a Cumbia. É música típica do Pampa e do Chaco, portanto a preferida na Bolívia e Paraguai, capital e interior em todas as classes sociais, e também no interior da Argentina e favelas de Buenos Aires.

A classe média bonarense prefere o tango, como é sabido. Ou assim foi um dia, não sei se os jovens ainda se ligam nisso tão fortemente como antes. Como aqui o tema é o Paraguai, dá-lhe Cumbia. Ouça:

https://www.youtube.com/watch?v=xzSlYVa2SvA

https://www.youtube.com/watch?v=xzSlYVa2SvA&list=RDxzSlYVa2SvA#t=289

https://www.youtube.com/watch?v=-shpxdvBWwQ

Vila Aurélia ZL DF3

Vila Aurélia, Z/L

Tem até a versão em castelhano cumbiado do “pense em mim, chore por mim, não, não chores por ele”, vejam vocês.

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No Chile não se ouve cumbia, e sim salsa, música popular também no Peru, Equador, Colômbia e América Central.

Há semelhanças, mas também há diferenças entre cumbia e salsa. Pois a Cordilheira dos Andes funciona como um divisor racial muito potente entre os índios sul-americanos.

Os indígenas, e consequentemente a cultura popular, da Argentina, Paraguai e Bolívia são de um tipo.

Já os indígenas chilenos, e portanto o modo de viver do povo, são similares não a Argentina, que lhe é próxima fisicamente mas distante espiritualmente, mas sim a Colômbia e Peru, que estão ‘afastados na matéria mas unidos pelo Coração’.

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Andava eu pela Zona Norte de Assunção, perto do Jardim Botânico, quando vi ruínas de um grande barracão que estava queimado. Fui pesquisar e descobri que se passou enorme tragédia:

Lambaré ZS

Lambaré, Z/S metropolitana

Em 2004 um hiper-mercado que ali existia pegou fogo. Quase 400 pessoas morreram queimadas e/ou pisoteadas.

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Comentemos as fotos que estão espalhadas pela matéria. Nem sempre as imagens correspondem ao texto ao lado, busque pela legenda.

RUAS DE PEDRA CHEIAS DE LARANJAS: É A PERIFERIA DE ASSUNÇÃO –

Lambaré ZS metro

Mais uma de Lambaré

No Paraguai as ruas são calçadas com pedras. É o padrão no país, asfalto só nas vias principais. Nos bairros, sejam ricos ou pobres, é assim.

Não é paralelepípedo, pois nesse caso o minério é cortado de forma regular, em retângulos.

No Paraguai as pedras são colocadas na rua ‘in natura’, em formato absolutamente irregular. Com o peso do tráfego elas assentam, e a pista se torna lisa.

É um traço alemão, lhes disse que há forte herança germânica no Paraguai, afora os espanhóis a única etnia europeia lá presente. Na Alemanha e todo Centro-Leste europeu (Polônia, Rússia, o Báltico) foi muito comum no passado, agora substituído por asfalto.

Centro

Centro de Assunção

Mas no Paraguai ainda é o dominante. Também encontrado bem no interiorzão do Sul do Brasil, onde igualmente há muitos alemães. Veja um pouco abaixo a foto de Erechim-RS.

Em Curitiba essa pavimentação com pedras inexiste.

A título de comparação, no México e Chile eles preferem concretar as ruas.

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Fernando de la Mora ZL metro2Estive no município de Fernando de la Mora, Zona Leste da Grande Assunção, mostrado ao lado. De lá veio também a foto que está bem acima, perto da abertura da matéria:

Uma laranja estragando. Outra cena frequente, há muitas laranjeiras em via pública, que produzem mais frutos que os vizinhos conseguem comer. Resultando que muitos caem e formam um tapete sobre a pista, onde apodrecem até se decomporem.

Laranjas sobre a pedra: sem dúvida estamos no Paraguai.

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Avenida Brasil ZC[1]

Outra tomada da Avenida Brasil no Centro de Assunção

Um partido paraguaio tem exatamente o mesmo símbolo do PDT brasileiro, uma mão segurando uma rosa.

No México há um PT, que tem mesmo nome e emblema daquele que ocupa a presidência no Brasil, uma estrela vermelha.

Abaixo, a direita, um protesto contra a perda do “espírito natalino”: “Natal é Jesus, não Papai-Noel”.

Imagens do bairro Vila Aurélia, na Zona Leste, já dentro do município de Assunção, mas quase divisa com Fernando de la Mora.

Trata-se de uma região mais humilde. Novamente, repare as ruas revestidas apenas com pedras.

Assim como os carros, os ônibus que circulam no Paraguai foram na sua imensa maioria importados do Brasil, de forma legal ou não. Veja esse aqui, do transporte coletivo regular de Assunção. Veio do Rio de Janeiro. Não se preocuparam sequer em arrancar os adesivos internos.

Mais um ex-carioca: ainda é visível a linha em que o ônibus operava em solo brasileiro, no caso “01-Piratininga”. Também do Grande Rio, do outro lado da ponte, de Niterói.

Natal é Jesus

“Natal é Jesus!!!”: no Paraguai, alguém não gosta do Papai-Noel…

Veja a exata mesma cena na República Dominicana.

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Os paraguaios gostam de personalizar os ônibus, por dentro e por fora. É uma característica de toda América Hispânica, do México ao Chile.

Na abertura da série (já ativada a ligação no topo da matéria) vimos as pinturas dos ônibus de Assunção, nada padronizadas.

Aqui veem o interior, o recinto ao redor do motorista. Dou mais detalhes de como funciona a rede de transportes de Assunção em outra mensagem que logo jogo no ar.

erechim

Erechim-Brasil: no interior do Sul de nossa pátria também há pavimentação de ruas com pedras irregulares

Por hora, vejam alguns bilhetes já utilizados. Só servem como comprovante, e não pra pegar outro ônibus. Modelo comum em toda América Hispânica.

Vemos a Vila Morra, entre as Zonas Central e Leste, dentro do município de Assunção.

Esse é um bairro de padrão bem elevado, de classe média-alta e elite. E mesmo ali essa característica tão paraguaia, as ruas de pedra.

Uma placa escrito “pare”, em espanhol. Ter a placa de preferencial na língua local é um privilégio americano. 

No Brasil, República Dominicana e no Chile, também é “Pare”. No México está grafado “Alto”, e na parte francesa do Canadá, “Arrêt”. Já no norte canadense vem em inglês e também nos idiomas esquimós.

Vila Aurélia ZL DF4

Vila Aurélia, Z/L de Assunção

Parece óbvio isso, a de que a placa está escrita na língua que o povo fala, mas não é: na Europa as placas de “Pare”, em todos os países, estão escritas em inglês, “Stop”.

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Observe a Vila Elisa, Zona Sul metropolitana. Tanto faz se o bairro é rico ou pobre, as ruas são de pedra.

Novamente, a periferia do Paraguai é esparsamente habitada, as casas mesmo que bem pobres tem quintais imensos, cria-se animais soltos, há muita área verde, enfim, é uma transição entre cidade e campo.

A periferia de Assunção é inteira plana, praticamente não há prédios, mesmo que baixos.

Rodovia nº 2 Fdo

O mesmo Mercedão da abertura da matéria. Aqui em outra escala, pra vocês poderem ver a Rodovia Nacional nº 2, que corta o país de oeste a leste. Aqui ainda estamos na Grande Assunção: município de Fernando de la Mora, Zona Leste.

Também não há os sobrados artesanais em que uma família vive em cima e outra embaixo.

Coisa tão comum no Brasil e toda América Central Estendida (Peru, Colômbia, Venezuela e Equador ao México, passando pela América Central propriamente dita, ilhas e continente.)

Nas favelas de Buenos Aires há sobrados artesanais, mesmo prédios artesanais, em que cada família diferente ocupa um andar, as vezes nem se conhecem.

As favelas da capital argentina estão muito inchadas, o que está levando a acelerada verticalização. Tudo reflexo da grave crise econômica e política que o país passa.

O Paraguai no geral é muito parecido com a Argentina. Mas nisso é diferente, nesse quesito a Argentina acompanha o Brasil e o Norte da América do Sul e América Central. O Paraguai ainda não entrou nessa onda.

Veja a foto na Vila Elisa bem mais pra cima na matéria, que aquela moradia representa com perfeição a classe baixa paraguaia.

igual ao PDT brasileiro

um partido no Paraguai que tem o mesmo símbolo do PDT brasileiro, uma mão que segura uma rosa. No México há um PT cujo emblema é uma estrela vermelha.

No município de Assunção (o D.F. deles, a Zona Central da metrópole) os terrenos são menores.

Já nos distantes subúrbios metropolitanos são bem mais amplos pois o m2 é infinitamente mais barato.

Mas tenham quintais grandes ou pequenos, é sempre uma casa por terreno, não existe o compartilhamento tão comum em outras partes da América.

Mesmo nas favelas, não existe “encher laje” no Paraguai. Simplesmente não é da cultura do povo.

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Os paraguaios, por sua história de guerras, são extremamente nacionalistas. A bandeira pátria está por toda parte.

Fernando de la Mora ZL metro1

Fernando de la Mora, (Z/Leste metropolitana): rua de pedra

Os prédios públicos se ‘vestem’ com com as cores nacionais do teto ao chão. Nas casas é igualmente frequente, das mansões até as taperas.

Não tanto quanto no Chile, onde esse costume é ainda mais pronunciado, mas ainda assim bastante.

As sedes do governo são no Distrito Federal (Departamento Capital no léxico local).

Já as cenas da bandeira na casa e nas ruas estamos no município de São Lourenço, Zona Leste metropolitana.

Falar nesse município, a Grande Assunção também tem um Parque São Lourenço. Quem é de Curitiba já entendeu a referência (Falar nisso, fiz duas matérias mostrando o Pq. S. Lourenço da Zona Norte de Curitiba, uma focada no Rio Belém que forma seu lago, e outra sobre o bairro e o entorno).

Bora de volta pra Assunção: vemos dois retratos da Avenida Brasil, e depois um da Avenida Marechal Lopez, tudo na Zona Central.

divisa Lambaré x V. Elisa ZS metro

Divisa entre os municípios de Vila Elisa e Lambaré (após o portal), Zona Sul metropolitana

Vemos cenas de Vila Elisa, Zona Sul da Grande Assunção. Um subúrbio bem pobre, o fim da cidade. Observe uma quadra de ‘pelada’, mas não de futebol e sim de vôlei.

Escritório dos veteranos da Guerra do Chaco (1932-35), contra a Bolívia e que terminou com vitória paraguaia.

Essa guerra impactou tanto o país quanto a “Grande Guerra” de 1865-70, pra nós brasileiros a “Guerra do Paraguai”. Referências a ambas estão por todas as partes.

A Guerra do Chaco, foi, obviamente, pela posse desse território. Sabem que o estádio principal do país é o “Defensores do Chaco”. Há também uma Avenida em Assunção com o mesmo nome. Mas não para por aí.

campo de pelada de vôlei VE Zs

Campo de pelada de vôlei. Vila Elisa, Zona Sul da Gde. Assunção.

Todos os que participaram do esforço bélico são amplamente reconhecidos no Paraguai.

Há também uma avenida (e uma empresa de ônibus) chamada “Motoristas do Chaco”.

Uma outra rua que é a “Músicos do Chaco”, enfim o Paraguai sangrou pra ter o Chaco, duas vezes, e por isso se orgulha muito de tudo que vem dele.

O Itaú tomou conta do Paraguai. Veja a direita. No Chile ele avança a passos largos, e segundo me disseram na Argentina idem. Imperialismo em verde-amarelo, quem diria?

tá dominado

Assunção. Veja esse banco se expandindo também no Chile.

Cenas da Rodovia Nacional nº 2, que sai de Assunção, e após mudar de nome no meio do trajeto corta todo o país, de oeste e leste.

Findando na Cidade do Leste, portanto ligando as duas principais cidades paraguaias.

Aqui ela está ainda em seu trecho urbano, dentro da Grande Assunção.

Em frente a Universidade Nacional, em São Lourenço, Zona Leste metropolitana, onde veem o carro Mercedes e os ônibus urbanos.

Fotografei também a divisa de São Lourenço com Fernando de la Mora.

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amanhece Centrão

Amanhece no Centro de Assunção, maio de 2013

Mais um limite municipal, mas do outro lado da cidade.

É a divisa entre Vila Elisa (onde estava quando cliquei) e Lambaré, do outro lado da rua, após o portal. Zona Sul metropolitana.

Depois, cenas de Lambaré, as ruas mais calmas – sempre de pedra – e as mais movimentadas, asfaltadas.

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anoitece Centrão

Anoitece, no mesmo local

Fechando com chave de ouro, o Sol se levantando e se pondo, respectivamente.

Como eu via da janela de meu quarto do hotel.

Deus proverá”

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