“Baixada Paranaense”: Rio Branco do Sul, Zona Norte

Vida no Morro - Rio Branco do Sul1

Vida no Morro – Rio Branco do Sul: precisa dizer mais???

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 4 de abril de 2014

Continuando minhas andanças pela cidade, fui a Rio Branco do Sul (RBS, abreviado).

Município na extremidade da Zona Norte da Grande Curitiba. 

……….

Por suas condições sociais, a região de Rio Branco do Sul, Itaperuçu, Almirante Tamandaré e Campo Magro é conhecida informalmente como ‘Baixada Paranaense’, como na manchete.

Campo Magro é Z/O, mas é vizinho e se separou de Tamandaré.bem-vindo

Porém esse é um paralelo com a geografia humana, que analisa o modo de viver dos Homens e Mulheres.

E não com a geografia física que se circunscreve ao terreno.

calcario - Rod. dos Minerios

Rodovia dos Minérios, com mais uma mineradora de calcário

De fato a vida dos paranaenses que habitam essa parte da Grande Curitiba tem similaridade com Nova Iguaçu, Meriti, Belford Roxo, Caxias, etc, enfim a Baixada Fluminense.

Mas esse subúrbio ao norte da capital fluminense é plano, e daí ser a ‘Baixada’, obviamente. Enquanto o subúrbio ao norte da capital paranaense é na serra.

Então nossa ‘Baixada’ tem um sentido figurado, social, e não literal, topográfico.

Centro de Rio Branco

Centro de Rio Branco, a via principal da cidade

Originalmente o título do emeio era “Vida no Morro”, por esse motivo.

Houveram 4 emeios nomeados assim: Belo Horizonte-MG, Valparaíso-Chile, RBS e Ponta Grossa-PR.

Quando a comunicação era por esse modal, não havia problema repetir a manchete.

Ao contrário, eu fazia de propósito pra remeter ao que saíra antes. Mas na página não dá pra ser da mesma forma.

Então BH, o Chile e mais a mensagem sobre Ponta Grossa se mantiveram como ‘Vida no Morro’, enquanto Rio Branco fala agora da ‘Baixada’.

fabrica de cimento

Fábrica de cimento, uma das maiores do Brasil.

…..

Mais uma vez esclareço que a palavra ‘morro’  não tem caráter detrator, bem ao contrário.

Primeiro e mais importante porque eu gosto de periferia.

E também porque, oras, a palavra “morro” define com perfeição as condições de RBS, duplamente:

Tanto no sentido topográfico quanto urbanístico. Rio Branco do Sul1

Trata-se de um subúrbio distante e depauperado da metrópole que se espreme onde é possível em meio a uma cadeia de montanhas.

As imagens são auto-explicativas, RBS é sobe-desce o tempo todo.

Como já dito, quando fui a Belo Horizonte, em novembro de 12, usei o mesmo título pra abrir a série de emeios que relatou a viagem.

ex-estacao, posto serviço militar

Ex-estação ferroviária, agora é posto do serviço militar.

E olhe que Minas Gerais é o terceiro estado mais rico do Brasil.

Ainda assim, sua capital se espraia sobre uma Serra, não por acaso esse é o nome de um de seus bairros mais ricos, mas onde também fica seu maior aglomerado de favelas.

Portanto “Serra” é um mantra por lá, sintetiza Belô “em preto & branco”, ou seja nos extremos.

Com esse estado de coisas, nada mais justo que denominar “A Vida no Morro” a saga belo-horizontina.

E se é assim em BH, muito mais o é em RBS. 

…………..

riacho e antiga ponte ferroviaria

A ponte não passa trem há muito, agora é só um cartão-postal.

A “BLUMENAU DO PARANÁ” 

Quis re-ativar o mesmo título de Minas Gerais, pois é esse é um dos traços de nosso canal de comunicação.

No modal do emeio. Na página, mudou a manchete mas fica a referência.

Mas a comparação é imprecisa, pois embora a periferia de Belo Horizonte seja montanhosa, o Centro é relativamente plano.

Centro RBS

Mais uma do Centro

Entretanto, há uma outra cidade importante que, essa sim, Rio Branco do Sul espelha de forma exata

Ao menos na topografia: Blumenau, Santa Catarina.

Caso conheça o epicentro da cultura alemã no Brasil, sabe que lá mesmo o Centro está esmagado pelas montanhas, os espaços planos são raros.

Por isso cada pedacinho disponível no Vale do Rio Itajaí foi milimetricamente ocupado.

terminal ônibus rurais

O município é gigante em área. Desse terminalzinho não-integrado saem os ônibus que servem a extensa área rural.

Andando pela Avenida Beira-Rio blumenauense, sempre me impressiono como a cidade foi achando um ladinho no meio da serra pra ir se instalando. 

No Centro e muito mais na periferia desse importantíssimo centro industrial catarinense, a urbe se adere a encosta.

Amiúde de forma precária, num duelo permanente que por vezes termina de forma fatal, como a tragédia de 2008 mostrou.

onibus rural - 1 horario por dia

‘São Pedro via Canelão‘ é a linha. Só tem uma viagem por dia, as 3 da tarde.

Então, Rio Branco do Sul é assim também.

Cada vez que passo pela Rua Carlos Pioli, sua principal via, me lembro de minhas visitas ao Norte de Santa Catarina, pois o cenário é incrivelmente parecido.

“Belo Horizonte do Sul”, “Blumenau do Paraná”: bem-vindos a Rio Branco do Sul. 

………………

Vida no Morro - Rio Branco do Sul

A casa está quase desabando no barranco. Não há fechadura, é usada corrente e cadeado.

A atividade econômica que move o município é a extração e transformação mineral. São mais de 30 indústrias de calcário. 

Além de uma fábrica de cimento, uma das maiores do Brasil, que tem um ramal ferroviário exclusivo pra escoar sua produção.

Visto por esse ângulo é fácil compreender porque a estrada que conecta Rio Branco do Sul a Curitiba se chama “Rodovia dos Minérios”, não é mesmo?

Rio Branco do Sul5……………..

Falemos das fotos espalhadas pela matéria.

Lembre-se, nem sempre a descrição corresponde a imagem que está ao lado, busque pelas legendas.

municipal

Ônibus municipal, que serve as vilas. Esse não é rural, ou seja, circula o dia inteiro pois não sai do perímetro urbano.

Logo na estrada da cidade vemos a antiga estação ferroviária.

Não existe mais trem de passageiros pra Rio Branco, só de carga pra indústria de cimento.

Assim, a estação é ocupada por instalações militares:

A plataforma de embarque é grupamento da PM, e a sede administrativa virou o posto de recrutamento do exército pro serviço militar obrigatório.

Notam nessa última construção o emblema da RVPSC, iniciais da “Rede de Viação Paraná-Santa Catarina”, integrante da extinta Rede Ferroviária Federal – RFFSA.

Rio Branco do Sul3

Serpenteando entre as ladeiras.

Nessa outra postagem, mais duas estações desativadas das mesma via férrea: Cachoeira/Tamandaré, e Estribo Ahú/município de Curitiba.

De volta a RBS, bem próximo da antiga estação está mais um resquício do passado: uma ponte desativada.

Há muito não passam trens sobre ela, as composições cargueiras usam outro caminho, por fora do Centro.

CTBA-RBS

Esse é metropolitano, portanto vem pra Curitiba.

Mais uma firma de calcário. A Rodovia é mesmo dos Minérios.

A planta da indústria cimenteira, que conta com ramal exclusivo ferroviário.

Motivo pelo qual os trens ainda não abandonaram Rio Branco (e toda a Zona Norte da Grande Curitiba) em definitivo.

ex-estacao, posto policia militar

Antiga estação de trens, agora grupamento da polícia militar

Aqui, bem no Centro, é o ponto final das linhas de ônibus rurais.

Que servem ao interior do município, bastante extenso e que ainda conta com boa parte de sua população vivendo da agricultura de subsistência.

Como podem ver, só há uma viagem por dia em cada sentido:

riacho no Centro - Rio Branco do Sul

Próximas 4: Centro de RBS. Um riacho, seu relevo bem acidentado – os morros começam bem atrás da av. principal, retratada logo abaixo.

Das vilas pro Centro de manhãzinha, o cara chega, resolve suas idas ao médico, banco, prefeitura, etc, e pega o retorno que sai sempre perto das 4 da tarde.

 Várias cenas dos busões serpenteando nas estreitas e íngremes vias de Rio Branco.

Os micros são do serviço municipal, os demais metropolitanos.

Mas todos eles urbanos, os aqui fotografados não se enquadram na categoria dos rurais que descrevi acima, não confunda.

Centro de Rio Branco1Termino o retrato por onde comecei a caminhada:

Eis o ponto final das linhas que servem Rio Branco do Sul, o “Caic”,

Assim chamado porque no local houve (não sei se ainda há, não reparei) uma dessas escolas integrais.Centro RBS1

Daquelas que foram implantadas na gestão do presidente alagoano que teve seu mandato interrompido por processo de impedimento.

Eu desci do que está atrás.

O da frente é um ‘micrão’ que não vem pra Curitiba, segue ao vizinho município de Itaperuçu, desmembrado de Rio Branco nos anos 90.

Vários ônibus de linhas diferentes mas com o mesmo ponto final, esperando juntos pra zarpar:

Uma cena tão comum, e tão retratada por mim, em nossa querida América (Santiago, Assunção, Santo Domingo, México, B. Horizonte, S. Paulo, Belém-PA). 

E que enfim ganha sua versão curitibana, abaixo a direitaCaic - ponto final

Fechando com chave de ouro, melhor não poderia ser. 

…………

Abaixo mais tomadas da periferia.

Rio Branco do Sul6Rio Branco do SulRio Branco do Sul2Rio Branco do Sul4'Vida no Morro' - Rio Branco do Sul1rio-branco-do-sul-z-norte

rio branco sul z/n ctba periferia subúrbio quebrada pobreza morro bosque mata árvore céu nublado nuvens rbsmadeira ladeiraClique sobre que as fotos aumentam, o mesmo vale pra todas.

Espero que tenham gostado demais esse relato.

Que Deus Pai-Mãe Ilumine a todos.

“Ele-Ela proverá”

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