Marília, a “Mulher de Fogo”; A Eterna Mulher de Fogo

maurilio e marilia

A “Bela Época“, segundo alguns. Há outra postagem que aborda o mesmo tem: eles eram fazendeiros, ele além do mais era senador, uma figura importante também na cidade.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 20 de maio de 2016

Uma volta no tempo: Vamos ver uma encarnação anterior de Maurílio e Marília.

Um século atrás, como notam pelas roupas de época. E quanta roupa, hein?

Tudo era muito diferente, pros dois sexos. Ambos se cobriam da cabeça aos pés. Inclusive com chapéus, a sóbria cartola masculina, o modelo feminino era quase sempre enfeitado com flores.

Os Homens estavam sempre de gravata. Mas pras Mulheres era pior, muito pior. Numa época extremamente repressiva, o sexo feminino tinha sua liberdade amplamente restringida. Até mesmo fisicamente.

Eram tantas camadas e peças de roupas que as Mulheres tinham que usar que era difícil até mesmo movimentar-se pelas ruas. Veja que Marília precisa ficar segurando as barras do seu vestido pra poder caminhar. 

segurando as barrasdo meu vestido

Segurando meu vestido“: Marília toda empetecada, uma bonequinha viva, erguendo as barras pra poder caminhar.

De luvas brancas, saia com várias camadas, cheia de flores, babados e laços de todos os tamanhos. Marília parece uma bonequinha. Imagine que saco é se manter enfeitada ao extremo o tempo todo.

Apenas porque a “sociedade” decidiu que tem que ser assim. Mas não havia escolha, então Marília segue enquadrada no papel social feminino da época.

Ai é que entra um porém. Obviamente ela não tem o poder de se rebelar abertamente contra a rígida etiqueta social vigente naquele tempo. Mas Marília não se dá por vencida facilmente:

Pois ela usa sua inteligência e sensibilidade femininas pra barganhar, pra manobrar, pra ter algum espaço de ser ela mesma, ainda que cumprindo as exigências que lhe são impostas.

Quero dizer com isso o seguinte. Essa Marília de fins do século 19 e começo do 20 tem um vestido vermelho. Que ela usa em dias especiais, quando ela quer ser notada como uma Mulher, e não como um objeto.

Seu marido reclama e a censura, pois obviamente essa cor muito quente atrai mais olhares masculinos pra sua esposa do que ele gostaria. Mas não tem jeito, ela usa mesmo assim.

nos dois de chapeu

A Eterna “Mulher de Fogo”.

Com sua intuição e sensibilidade, habilidades tão femininas que as Mulheres desenvolveram nos duros tempos que eram oprimidas, ela sabe ser manhosa e reticente o suficiente pra dobrar a resistência dele.

Afinal, Marília é uma boa esposa pra Maurílio. Em todas as épocas e encarnações, Marília é e sempre foi Mulher de um Homem só. O vestido vermelho não tem nada a ver com promiscuidade. “Sou tua esposa, e somente tua”, ela lhe diz.

“Mas me vestir assim é uma das poucas chances que eu tenho de melhorar minha auto-estima, afinal o que mais eu posso fazer além de ser uma dona-de-casa recatada e comportada? Por isso pelo menos essa chance de ser vista, de mostrar que eu tenho uma personalidade, é importante pra mim”, Marília argumenta.

santa felicidade 1878 z/o ctba rural igreja p-b carroça rural colônia manoel ribas terra rua foto antiga passado

Próximas 2: vemos como era o ambiente na época dessa encarnação passada de Marília e Maurílio.

E Maurílio acaba cedendo. Ele tem bom Coração, vem de uma família liberal – tanto quanto as circunstâncias permitem, claro – e no fundo não acha mesmo justo a forma com que as Mulheres eram reprimidas na época.

Ele não gosta quando ela sai nesse tom escarlate, porque ele acaba sendo alvo de comentários maldosos – infundados, é certo. Entretanto você sabe como é a língua do povo, mais venenosa que uma cobra.

Mas por dar razão ao que ela diz, ele abre mão de parte de sua imagem perante a sociedade pra que sua Mulher possa sentir-se um pouco viva, nesse ambiente tão repressivo. Isso é o Amor Verdadeiro.

Assim lá vão eles pelas ruas. Maurílio muito elegante de terno, gravata e cartola. Numa cor escura sóbria, neutra. Marília também está elegante, de chapéu e luvinhas. Mas numa cor nada sóbria, um vermelho quente e vivo como a lava de um vulcão.

santa felicidade 1920 z/o ctba rural igreja p-b carroça rural colônia manoel ribas terra rua foto antiga passado Marília, a “Mulher de Fogo”. A Eterna Mulher de Fogo, em todas as épocas, em todas as encarnações.

Mas com uma ressalva, que ela mesma vai explicar: “O Homem que eu Amo, eu queimo sem machucar” .

“Deus proverá”

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