Vielas da Vila Maria, Deusa-Lua, Primavera Eterna, Afeganistão ao lado de ‘Beverly Hills’: assim é a Colômbia.

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Aqui e acima da manchete: Chía, a Deusa-Lua, Grande Mãe, o Lado Feminino de Deus Pai e Mãe. Homenageada com uma cidade em seu nome na Grande Bogotá, onde eu estive.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Subido pra rede em 23 de agosto de 2016

Publicado (em emeios) em 20 e 30 de abril de 2011.

Nessa mensagem nenhuma foto é de minha autoria. As de Cartagena (Litoral) foram clicadas por meus familiares, o resto puxei da rede.

Fechando a Série sobre a Colômbia, solto 2 emeios. O 1º se chamou “Nas Vielas da Vila Maria, Bogotá”, e é de 20-04-11:

Vamos lá retratar mais alguns aspectos da Colômbia, esse vizinho tão fascinante e tão pouco conhecido de nós brasileiros.

Talvez muitos nem tenham se atentado pro fato que a Colômbia é um país do Hemisfério Norte:

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Passeio de barco por Cartagena, Litoral da Colômbia. De um lado espigões de luxo onde vivem os muito ricos.

Apenas uma pequena parte do país é ao sul do Equador, e não há nenhuma cidade grande ou média ali. 90% do território e 99% da população colombiana fica ao norte dessa linha que divide a Terra no meio. 

………….

Há igrejas evangélicas nas favelas e periferias de Bogotá e Medelím, é claro. Mas numa proporção infinitamente menor que aqui.

Nos subúrbios aqui no Brasil você chega a ver 3 ou 4 igrejas evangélicas na mesma quadra, as vezes parede a parede, ou frente a frente.

Lá nem de longe o fenômeno atinge essa proporção. Diria que há uma igreja a cada 3 quadras.

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Mesmo canal em Cartagena: só olhar pro lado e verá pavorosas favelas em palafitas abrigando os que nada têm.

Nota: fui a Colômbia em 2011. Na sequência, em 12 ao México, 13 Paraguai e República Dominicana e 15 ao Chile.

Apenas na Rep. Dominicana a proporção de igrejas neo-pentencostais atinge a mesma proporção que aqui.

Nos demais países bem menos. Bom, no Chile a imensa maioria da população ainda é católica praticante, como foi no Brasil até os anos 80.

Voltando a Colômbia, há templos evangélicos, mas numa proporção menor que no Brasil. Dentre as igrejas que lá estão a brasileira Universal é uma das mais fortes.

Assim se vê que as duas maiores empresas brasileiras (Petrobrás e Universal) estão bem fincadas em solo colombiano (da Petrobrás já falei melhor em outra mensagem).

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Nas próximas 2 mais um pouco do agudo contraste em Cartagena: milionários

………..

Discorrendo agora sobre algo completamente distinto, nem toda Colômbia aderiu ainda aos caminhões de lixo na forma como conhecemos aqui:

Onde o veículo é feito especialmente pra esse fim, portanto tem um compactador que vai comprimindo o que é jogado dentro.

Estou falando do caminhão de lixo comum, que todos conhecem. Há alguns deles na Colômbia, os vi.

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ao lado dos miseráveis. Na Colômbia o Afeganistão está ao lado de ‘Beverly Hills‘ (como também ocorre no Brasil, Chile, Rep. Dominicana e várias partes do mundo)

Mas não em toda parte. Andava num bairro de elite em Medelím, pra milionários mesmo.

E o lixo estava sendo recolhido com um caminhão comum (!!!). Sim, estou me referindo aqueles com caçamba, abertos em cima.

Um cara jogava os sacos, e outro, em cima do caminhão, ia amassando o volume com os pés e com uma pá. Chovia, ainda por cima.

Parece inacreditável, mas presenciei. Já vi a mesma cena em Cancun, no México – nesse caso pela internet via Visão de Rua do ‘Google’ Mapas.

………..

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Próximas 3: na cidade de mesmo nome na Grande Bogotá, a estátua de Chía, a Deusa-Lua, a Grande-Mãe da Humanidade. Segundo a Mitologia Americana, Chía foi um Grande Espírito que encarnou como Mulher pra pregar a Palavra de Deus na Terra. Passada essa fase material de sua missão, ela Ascendeu aos Céus, e hoje na forma da Lua continua a Iluminar os Homens e Mulheres.

FRANGO, MILHO E FEIJÃO, A BASE DA CULINÁRIAFoi difícil pra mim me alimentar na Colômbia. Eu não como carne, de nenhum tipo. E esse povo é extremamente carnívoro.

Digo, quando estava com minha família, parávamos pra almoçar em restaurantes, aí não havia problema, pedíamos os pratos e do meu eu simplesmente cedia a carne pra eles.

Porém muitos dias estava sozinho, eles iam ver outras coisas e eu subir os morros e favelas.

Pelo tempo ser curto, não parava pra comer, tentava fazê-lo na rua. Aqui no Brasil me viro bem, sempre há uma pastelaria onde como pastel de queijo.

Lá entretanto, não há salgados sem carne. Alguns dias tive que almoçar bolinhos doces.

Assim é culinária colombiana, sempre com muita carne. Preferem o frango, mas a carne de boi também é muito popular, seguida pela do porco.

Quase não se come peixe em Bogotá e Medelím. Pois estão no alto dos Andes, onde não há como pescar, e o transporte é caro e difícil.

Na Amazônia Colombiana a situação deve ser diferente, a julgar pelo que vi na Amazônia Brasileira. Estive em Manaus em setembro de 2010, onde o peixe (que eu também não como) é a base da alimentação. Com certeza do lado colombiano da selva funciona igual.

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Como vê, Chía está bem na frente da Catedral. Duas formas distintas de ver o Criador, e ambas são igualmente válidas.

No litoral da Colômbia o peixe também deve ser mais frequente. Não pude ir até lá, tive que voltar antes.

Minha família foi a Cartagena, como já informado na legenda das fotos, clicadas por eles.

Entre os cereais, a base da alimentação é o milho e o feijão. Se faz tudo com milho por lá, farinha, bolinhos, o que imaginar.

E como aqui o feijão é prato nacional. Isso é América, e nós americanos comemos feijão. Sendo a Colômbia coração e essência da cultura americana, lá se come todos os dias.

Arroz nem tanto. Eles gostam também, mas é pedido separado, pois alguns comem feijão com milho (em forma de farinha ou bolinhos), dispensando então o arroz.chia

Seja como for, com milho, arroz ou puro, o feijão é a paixão colombiana. Só que é diferente do que comemos aqui. Os grãos são muito maiores, o triplo do nosso.

O feijão da Colômbia é do mesmo tamanho ou até maior que o ‘feijão cavalo’, aquele servido no Brasil como salada.

Só que lá eles comem quente esses feijões gigantes. Maior e mais forte, é avermelhado, e tem um gosto mais pronunciado.

Talvez porque lá se coma mais pimenta. Um povo de sangue quente, indígena, pouco europeizado – me refiro ao povo mesmo, a elite é bem europeizada, como em toda a parte.

MÚSICA, SÓ EM ESPANHOLO povo colombiano quase não ouve ‘rock’, nem qualquer música que não seja em espanhol. Eles praticamente não ouvem música em inglês.

Acima o feijão consumido na Colômbia, abaixo o tipo mais comum no Brasil. A imagem é auto-explicativa, o feijão de lá é do tamanho do ‘feijão-cavalo’ nosso, mas não é salada, é cozido e comido com arroz, como aqui. Só muda – bastante! – a dimensão.

O ritmo preferido deles é aquele bem latino mesmo, parecido com o que é chamado ‘cumbia’ na Argentina.

Sabe aquela música que vemos nos filmes sobre Cuba? É por aí que a coisa vai, uma música caribenha, de corpo e alma americana.

A parte instrumental é essa música caribenha, as letras são iguais ao nosso sertanejo, ‘chorei tanto quando me deixou’, e por aí vai.

Nas quebradas, se ouve muito ‘rap’ também, mas sempre ‘rap’ em espanhol.

………

Mesmo os que têm mais renda e acesso a estudo também dão preferência a música no seu próprio idioma.

Em Bogotá, estávamos no bairro universitário, reduto cultural burguês. Saímos eu sexta a noite para curtir um pouco do ar fresco da noite bogotana.

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Próximas 12 tomadas: vamos ver muitas fotos de Cartagena. As duas primeiras são ainda das favelas no mangue. Depois várias do Centro Histórico, que era murado pra evitar ataques de piratas.

Fomos a uma praça onde haviam vários bares, parecida com o Largo da Ordem no Centro de Curitiba ou com a Vila Madalena na Zona Oeste de São Paulo e a Lapa no Rio.

Pois bem. Até os bares destinados a jovens de classe média tocavam música em espanhol. Menos um. Mas esse tinha umas dez bandeiras da Inglaterra na fachada, se assumia nitidamente como um ‘pub’:

Esse era seu diferencial, exatamente pra concentrar o não muito numeroso público colombiano que aprecia música em outras línguas.

Ou seja, pra tocar música em inglês, tem que ser notadamente inglês. Já no caminho pro hotel, paramos em um bar menor, quase um mercadinho. Estava tocando ‘rap’ – em espanhol, óbvio. 

Mais uma atualização: a Colômbia é assim, e eu diria que a República Dominicana também. Nesses países quase não se ouve roque, nem música em inglês em geral. cartagena mar barco água palafita barcos cais marina colômbia favela pobreza quebrada subúrbio periferia

Mas no México e Chile é totalmente diferente. Nessas duas últimas nações já curtem bastante o roque e outros ritmos populares nos EUA/Europa (como a música eletrônica), exatamente como no Brasil.

…………

E PRÉDIOS TAMBÉM Os prédios na Colômbia são todos em espanhol, de todas as classes sociais. Não há por lá edifícios chamados dream life”, “queen elizabeth”, “hyde park” ou “hudson river”.

cartagena colômbia lagoa água palácio linha prédios elite burguesia classe média altaOs nomes dos conuntos são todos pomposos, mas sempre em seu idioma:

Jardines de la reina (jardins da rainha)”, “cerro rico (morro bonito)”, “lomas (colinas) verdes”, “portal del bosque”, e assim por diante. E o que aqui chamamos “shopping center”, lá é, bem, ‘centro comercial’.

No México, vi nas viagens seguintes, é assim também. Já no Paraguai é como no Brasil, há sim em Assunção prédios com nomes em inglês.

…….cartagena colômbia muralha Colonial forte fortaleza murado prédio trânsito avenida

Claro que também se copia muito os EUA na Colômbia.

Algumas lojas nos bairros caros tem um neon escrito ‘open’, assim, em inglês, e numa periferia, havia um brexó com roupas usadas vindas dos EUA, e isso era propagandeado como se fosse enorme vantagem.

AS RUAS NUMERADASHá outras influências estadunidenses no país. A capital se chama Bogotá D.C., imitando Washington D.C..

cartagena colômbia palácio torre construção prédio antigoMais abaixo desenvolvemos mais esse tema. Por hora falaremos de outra questão: as ruas numeradas.

É um sistema similar ao de Nova Iorque. Na maior cidade estadunidense, como é notório, há as ruas e avenidas, ambas identificadas por números.

As ruas cortam a cidade no sentido leste-oeste, e a numeração começa logo acima do Centro, que é no extremo sul da ilha de Manhattan. cartagena colômbia muralha Colonial forte fortaleza murado prédio igreja

As avenidas cortam a cidade no sentido sul-norte, e a numeração começa no leste.

Voltemos a Colômbia. Falei um pouco sobre o sistema numerado das ruas de Nova Iorque porque foi copiado pelas cidades colombianas:

cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado construção antiga sacada varanda céu azul limpo torre igrejaAs ruas cortam a cidade de leste a oeste. Como se sabe, se chamam “calles” em espanhol. Bem no Centro de Bogotá há a rua (calle) 1.

A sua primeira paralela ao norte se chama rua 2. Ao sul eles acrescentam o ‘s’ pra diferenciar, a primeira paralela ao sul é a rua 1-S.

O que em Nova Iorque seriam as avenidas na Colômbia são as “Carreras”, que cortam a cidade de sul a norte. A numeração começa no Centro.

cartagena colômbia Colonial estátua torre igreja sobrado casa antiga

Ainda estamos vendo Cartagena.

Como em Bogotá o Centro é no pé da montanha, só há cidade a oeste dele, e não a leste (por essa impossibilidade física, Bogotá não tem Zona Leste).

Então só é carrera 1, carrera 2, não há carrera 1-L, porque não é preciso. E as as ruas transversais são chamadas assim mesmo, ‘transversais’.

Algumas vias mais importantes têm nome, mas não deixam de ter número. A (já citada em outra mensagem) Avenida Chile, onde fica a bolsa de valores, é a calle 72.

A Avenida Caracas, por onde passa o principal eixo do Transmilênio, é a Carrera 14. Note que na Colômbia as vias numeradas se chamam ‘calles’ (sul-norte), ‘carreras’ (leste-oeste) ou ‘transversais’ (diagonais).

cartagena colômbia Colonial prédio construção antiga galeria comercial comércio canteiro planta lojasO nome avenida‘ não guarda relação com a posição e portanto com esse nomenclatura oficial.

Resultando que uma ‘avenida’ pode ser tanto uma calle quanto uma carrera, dependendo se são no sentido oeste-leste ou sul-norte.

O sistema é quadriculado, simples e fácil de aprender. Pois em condições normais nunca uma calle cruza com outra calle, nem carrera com carrera.cartagena colômbia Colonial ponte táxi taxi amarelo árvore palmeira trânsito avenida

O ideal e mais comum é que toda esquina seja de uma carrera com uma calle, ou de uma delas ou ambas com uma transversal.

Claro, as vezes uma via faz uma curva, aí complica. Então as vezes a carrera 30 cruza a carrera 29, o que não deveria acontecer, mas acontece. São exceções, porém.

cartagena colômbia Colonial estátua ponte trânsito avenidaE quando surge uma nova rua entre duas já existentes? Aí vira a rua 56-A, por exemplo. Se surge mais uma paralela entre a 56 e a 57, vira 56-B, e assim por diante.

Se for ao sul do Centro, entre a 56-S e a 57-S, vira a 56-S-A.

Na parte plana da cidade, há alguns casos que fogem a norma, como citei acima, mas tudo funciona bem. cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado plantas construção antiga bandeira

O caldo engrossa mesmo nas favelas, na numeração das ruas como em diversos outros aspectos.

O sistema foi bolado em Nova Iorque afinal, que tem guetos bem feios, mas não tem favelas com ruas irregulares e muito menos morros.

Já a Colômbia tem favelas. São muitas, e são na encosta da montanha, tanto em Medelím e Bogotá como também em Cali (onde não fui), entre outras cidades.

Se na cidade plana as vezes existe a rua 15-A e mais raramente 15-B, nas favelas é comum a 15-H, 15-J, as vezes são becos de uma quadra, mas a numeração é seguida.

O problema é que no morro, além de surgirem muitas ruas sem controle como cogumelos após a chuva, elas são muito sinuosas, fazem curvas.

vila maria

Próximas 4: Vila Maria, perto da divisa entre as Zonas Norte e Oeste de Bogotá (via ‘Google’ Mapas).

Até porque precisam se adaptar a topografia irregular do lugar. Só que a numeração quadriculada, que é regular, tenta então se adaptar a esse caos.

Não dá certo, claro, daí com frequência calle cruza calle, carrera cruza carrera, a carrera 70 (que deveria estar entre as carreras 69 e 71) está entre a 72-E e a calle 18-J, a confusão é geral.

Bem, favela é favela, na Colômbia ou em toda parte.

AS PERIFERIAS PLANASAlém dos morros, também há na Colômbia periferias planas.vila maria1 

Fora não haver risco de desabamento – o que já uma tremenda vantagem, claro – não se diferenciam tanto assim das favelas nas encostas.

O governo fez por todo país enormes conjuntos residenciais, de casas geminadas, pra população de baixa renda.

Muitos nem sequer tem garagem ou mesmo ruas, tampouco há quintal ou muro, as portas saem na via pública.

vila maria2Em algumas dessas vilas se chega a porta das casas por passagens onde só se entra a pé ou no máximo de moto.

Em outras cohabs há sim ruas. Mas são muito estreitas.

E cada morador modificou a vontade sua residência, pondo por conta própria novas lajes e erguendo tanto mais andares quanto o tamanho da família exigiu e orçamento permitiu. As imagens são auto-explicativas: Estamos na América, afinal.

Tudo somado, os conjuntos ganharam aspecto de favelas, e erradicar as favelas era exatamente o que eles pretendiam, tendo porém o efeito oposto na prática.  vila maria3   

Se você passa de carro na frente pensa que é uma invasão, pois é o que aparentam ser.

Porque as ruas são mais estreitas e as casas geminadas, muito mais próximas.

cartagena colômbia Colonial sobrado igreja

Próxima 7: voltamos a Cartagena.

Me embrenhei nas vielas de vários desses conjuntos favelizados pra ver como é por dentro essa ‘zonaproibida’.

Um deles é a Vila Maria, na Zona Norte de Bogotá, que nomeou a mensagem.

………….

Emendamos outro emeio, que se chamou “Da Deusa-Lua a Primavera Eterna”.

Foi publicado 10 dias depois, em 30 de abril de 2011.

Já demos uma pincelada antes, agora falemos melhor do sotaque.

Pra quem não é versado em linguística, o idioma castelão (espanhol) se divide basicamente em 3 vertentes conforme a pronúncia:cartagena colômbia Colonial estátua ponte

– O espanhol ‘europeu’, usado onde ele surgiu, a Espanha obviamente;

– O espanhol ‘pratense’, na Argentina, Uruguai e Paraguai;

– E o espanhol ‘andino’, falado no Chile, Colômbia, Peru, Equador, Venezuela, América Central e México.

cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado grades flores construção antigaAs letras “j” e “g”, na Colômbia e em toda parte, são pronunciadas como nosso “r”.

Cartagena se lê Cartarrena. ‘Joven’ se diz ven, ‘mujer’ se pronuncia murrér, e assim vai. É universal, nas 3 vertentes é o mesmo.

O que o espanhol andino (o corrente na Colômbia) tem de distinto dos outros dois é que os dois ‘eles’ se pronunciam como jota. E o ‘ypsilion’ seguido de vogal também.

Exemplificando fica mais fácil entender. Peguemos as palavras Barranquilla e Medellín (cidades do litoral e dos Andes colombianos) e ‘ayer’, ‘ontem’ em português:

– No castelão europeu se fala o ‘ll’ como nosso ‘lh’, e o ‘y’ como nosso ‘i’. Assim, um cidadão espanhol leria “Barranquilha”, Medelhin” e ”aier”;cartagena colômbia muralha Colonial murado igreja

– Na região da bacia do Rio da Prata (Uruguai, Argentina e mais o Paraguai), ambos têm som do nosso “ch”. Assim eles diriam “Barranquicha”, “Medechin” e “acher”;

Na Colômbia, entretanto, se diz “Barranquija”, “Medejin” e “ajer”.

Há uma avenida em Bogotá chamada Boyacá. Homenageia uma batalha decisiva da guerra de independência, que foi longa e cruel.

Ao contrário do Brasil, em que Dom Pedro I decretou a separação quase em consenso com Portugal. Lá não, o negócio foi tenso. Como é sabido, o venezuelano Simão Bolívar é um dos grandes ‘Libertadores da América’:

cartagena colômbia prédio grades luminária antiga colonial bandeiraHerói da independência da Colômbia, Venezuela, Bolívia, Peru, Equador e Panamá (este último pertencia a Colômbia, até virem os ianques e separarem pra poderem dominar o Canal).

Então, em Boyacá suas tropas impuseram uma derrota definitiva aos soldados da coroa espanhola. Batalha essa que foi homenageada pela avenida.

E como eu dizia acima, se fosse em Madri essa avenida seria pronunciada Boiacá. Se fosse em Montevidéu, Bochacá.

Mas como ela fica em Bogotá, a gravação do Transmilênio, numa marcante voz feminina anuncia: “próxima parada, Abenida Bojacá”.

Se alguém não sabe, o espanhol não tem o som de ‘v‘. E isso não só na Colômbia, em toda parte. Tanto cartagena colômbia sacada centro histórico colonial sobrado grades flores construção antiga casase escreva com ‘v’ ou com ‘b’, se pronuncia ‘b’.

Na Zona Sul de Santiago do Chile há um bairro que homenageia as capitais brasileiras. Há as ruas Maceió, Bello Horizonte, e também a rua Curitiva, com ‘v’.

Na verdade oficialmente é com ‘b’, mas o povão muitas vezes troca pelo ‘v’, pois dá no mesmo.

Avenida se escreve com ‘v’ em espanhol, mas se fala ‘abenida’. O libertador americano também se pronuncia Simón Bolibar.

Os espanhol não têm vários sons que temos em português: ‘z’, se fala sempre como se fosse dois “s”, por isso os micro-ônibus se escrevem ‘busetas’ mas se pronuncia ‘bucetas’, trocadilho que já foi explicado em outra mensagem;

cartagena colômbia prédio banco arcos antiga colonial bandeira‘V’ se fala como ‘b’, por isso avenida se diz ‘a benda’ quando algo está com placa de venda; ‘j’ e ‘g’ se pronuncia como dois “r”, assim júnior é “rúnior”. Tudo isso em todos os países que falam espanhol.

E no espanhol andino “ll” e “y” antes de vogal se pronuncia como nosso “j”. Tudo somado, Abenida Bojacá, como a gravação informa.

Da linguística a geografia, acrescento que tanto Bogotá quanto Medelím têm bairros chamados “Brasília”, em homenagem a nossa capital federal.

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Mapa da Grande Bogotá. Veja em vermelho que a capital e Soacha uniram suas áreas urbanas, ou seja a cidade é a mesma embora mude o estado. Em azul subúrbios menores da Grande Bogotá.

………..

Falemos mais de Bogotá, cujo nome oficial é Bogotá D.C., por influência estadunidense, óbvio. Isso é o que debateremos agora.

DE SANTAFÉ A D.C.Até 20 anos atrás (quando fiz o texto, agora em 2016 já são 25) a cidade se chamava Santafé de Bogotá.

Não houve erro de digitação, ‘Santafé’ era uma palavra só. Seguindo o padrão de colonização ibérica.

Quando uma cidade era fundada, colocavam primeiro um nome católico (geralmente o santo do dia) seguido de um nome indígena, ou pelo menos um nome não católico.

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Eis aqui o original, com o nome das meso-regiões do Estado de Cundinamarca. Ressalto: das meso-regiões, e não dos municípios. A fonte é a página da Cundinamarca na ‘Wikipédia’.

A cidade de São Paulo, por exemplo, foi fundada em 25 de janeiro de 1554, sendo nomeada São Paulo de Piratininga, unindo o nome pelo qual os indígenas conheciam o local com o patrono católico daquela data.

O Rio de Janeiro se chamava São Sebastião do Rio de Janeiro (pois os portugueses chegaram em janeiro, e pensaram que a Baía da Guanabara era um rio, como é domínio público);

Salvador era São Salvador da Bahia, Curitiba era a Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.

E Bariloche, a famosa estância turística argentina, se chamava São Carlos de Bariloche. Entre muitíssimos outros exemplos. Santafé de Bogotá segue esse padrão.

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Aqui e a esquerda: na cidade de mesmo nome, Chía, a Deusa que se materializou como Mulher e depois como a Lua. Em suas duas representações, de pedra como uma humana protegendo sua cria (que são todos os Homens e Mulheres da Humanidade) e no Espaço Sideral, numa escala Maior ainda fazendo o o mesmo gesto, abraçando a Terra, a Humanidade.

Na época colonial, a cidade foi mais conhecida como Santafé. Pois Bogotá, nome indígena da região, era como era chamada uma das cidades da região metropolitana, atualmente nomeada Funza.

Na Colômbia, os estados são denominados ‘departamentos’, assim como na Argentina e na França são ‘províncias’.

Até 1991, Santafé de Bogotá pertencia do estado (departamento) de Cundinamarca, do qual era capital, concomitante com a função de ser capital federal.

A cidade de Bogotá era um “distrito especial” de Cundinamarca, e não um município comum como todos os outros, por abrigar a sede da União.

Mas, repetindo, ainda que com esse ‘status’ diferenciado, pertencia a Cundinamrca, era inclusive sua capital.

Na Constituição Colombiana de 1991, o “distrito especial” foi elevado a “Distrito Capital”, e este ganhou autonomia em relação a Cundinamarca. Entretanto permanece sendo sua capital.

chia2Se você achou o negócio confuso (Bogotá ainda é capital da Cundinamarca mesmo sendo autônoma a ela), eu também achei, mas é assim que funciona. Cito para vocês o que está escrito na página da ‘Wikipédia’ em espanhol:

La relación entre Bogotá y Cundinamarca es compleja pues aunque el primero es capital del segundo, sólo comparten los Tribunales de justicia de Bogotá y Cundinamarca.

cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado grades flores construção antiga

Próximas 15: voltamos a ver o Centro Histórico de Cartagena.

Por el contrario, ni el gobernador ni la asamblea departamental tienen jurisdicción sobre Bogotá ni son elegidos por los bogotanos. ”

Ou seja: o poder judiciário é unificado, comum a Bogotá e a Cundinamarca.

Mas os poderes executivo e legislativo de Cundinamarca se situam em Bogotá, entretanto não são eleitos nem tem jurisdição sobre os habitantes de Bogotá (????).

É como se Brasília além de capital federal fosse capital do estado de Goiás, mesmo sem pertencer a ele.

………..

Tumulto administrativo a parte, vamos prosseguir. Resolveram criar o Distrito Federal. No Brasil e no México, ele tem esse nome.

cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado igreja construção antiga calçadão poça pombas aves pássaros reflexo águaNa Colômbia, entretanto, ele se chama Distrito Capital, abreviado D.C., parafraseando a capital estadunidense, Washington D.C.

O fato é que há vinte anos o antigo município de Santafé de Bogotá virou o distrito federal, renomeado Bogotá D.C., e ganhou autonomia em relação ao estado de Cundinamarca.

Mas sua região metropolitana não.

As cidades-dormitório nos subúrbios da metrópole não entraram pro Distrito Capital, continuam na Cundinamarca.cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado construção antiga luminária grade flor árvore primavera rosa

O que resulta que centenas de milhares de trabalhadores moram em uma unidade da federação e trabalham em outra.

Bogotá é uma metrópole bi-estadual, como tantas outras ao redor do globo.

O núcleo, o município de Bogotá, é o Distrito Capital. Os subúrbios metropolitanos pertencem a outra unidade da federação.

cartagena colômbia Colonial construção antiga arcosA cidade é a mesma, em termos urbanísticos, econômicos e culturais. Mas politicamente são esferas de governo separadas.

Todos os subúrbios estão a oeste do Distrito Capital. Pois a leste é montanha. Bogotá não tem Zona Leste nem sequer municipal, muito menos metropolitana.

Então as cidades satélites formam um arco, do sudoeste ao noroeste do núcleo. A maior delas é Soacha. Essa é a única que já uniu sua área urbana ao do núcleo (vide mapa).

Ou seja, você muda de município (e até de estado) mas não sai da área urbana da cidade que é a Grande Bogotá. Se não ler as placas não percebe a divisa. cartagena colômbia Colonial torre igreja construção antiga

Soacha é parte integrante da Zona Sul bogotana, que é a mais pobre e violenta. Eu fui até lá, é claro.

Um ramal do Transmilênio (linhas de ônibus articulados que vão por corredores exclusivos) está sendo construído, que vai enfim integrar esse município pobre a rede de transporte da capital.

Atualização: embora com muito atraso, enfim o Transmilênio chegou a Soacha. Abordamos melhor esse assunto, com muitas fotos, em outra mensagem.

Só isso já está levando muito progresso a Soacha, diversos prédios de classe média estão sendo erguidos ao lado da estrada por onde vão passar os articulados vermelhos.

cartagena colômbia estátua escultura arte metal ferro costureira colonial pombas aves pássaros

Dentro do (murado) Centro Histórico de Cartagena, duas esculturas homenageando os trabalhadores: aqui, a Costureira

É uma situação universal, onde se implantam grandes eixos de transporte coletivo a terra valoriza demais.

Veja os espigões que estão pipocando ao lado do bonde moderno da Baixada (em Santos mesmo e no vizinho São Vicente).

De volta a Bogotá, outra vantagem é que os alimentadores são gratuitos.

Assim o pessoal da periferia de Soacha que quiser ir apenas até o Centro da cidade (sem continuar até Bogotá, é o que quero dizer) poderá ir e voltar sem pagar nada, o que fortalecerá o comércio dessa região tão carente.

……….

cartagena colômbia estátua escultura arte metal ferro ambulante camelô vendedor bicicleta costureira colonial pombas aves pássaros

…e agora o Vendedor Ambulante.

As outras cidades da Grande Bogotá são menores, e não são conurbadas com a capital.

Ou seja, nesse caso você vê nitidamente que está mudando de cidade, tem que pegar estrada e passa por áreas verdes até chegar ao outro núcleo urbano.

É uma viagem perigosa. Como passa por rodovias, em áreas ainda rurais, o micro-ônibus (as ‘bucetas’, e isso quer dizer exatamente ‘micro-ônibus’) pega tranquilamente 80 ou 90 km/h.

Porém as vezes ele simplesmente não fecha a porta. Enfia o pé, e a porta aberta.

cartagena colômbia táxi taxi amarelo prédio ambulante camelô vendedor comidas alimento

Seguimos nas próximas 8 vendo o Centro de Cartagena. Aqui a parte mais moderna, fora da muralha. Na Colômbia todos os táxis são amarelos, em todas as cidades – no Paraguai também!!!

Se alguém cair nessa velocidade é fatal. Segurança não é prioridade na Colômbia. Por vezes, você precisa embarcar e desembarcar do ônibus com ele em movimento.

O mesmo já havia presenciado na Cidade do Leste, Paraguai.

Deixa eu voltar a falar da Grande Bogotá. Eu estive, além de Soacha, nas cidades de Zipaquirá e Chía, e sem descer do ônibus também conheci Cota, Facatativá, Mosquera e Madri.

Zipaquirá (popularmente ‘Zipa’, e fala-se ‘Sipa’, pois espanhol não tem som de ‘z’) está a 50 km da capital, a norte dela.

A Zona Norte é a mais rica de Bogotá, então na estrada que liga essas duas cidades estão surgindo inúmeros condomínios fechados de alta renda.

Chegando em Zipa, ela tem um Centro colonial, de ruas estreitas, uma parte plana mais moderna, com prédios de classe média, e do outro lado do Centro uma enorme favela subindo a encosta do morro. cartagena colômbia prédio grades luminária antiga

Nessa cidade há uma mina abandonada, que virou museu. Dentro dela, embaixo da terra, há uma catedral feita inteira de sal.

Não estive na mina, dei uma volta pela cidade e regressei a Bogotá. Meus familiares entraram.

CHÍA, A DEUSA LUAChía e Cota são menores, mais calmas e mais próximas da capital. São regiões bem de classe média.

Por isso quero dizer que são subúrbios proletários: sem alta burguesia, mas também sem muitas favelas.

Existem também ainda muitas chácaras (lembram muito a Vila Alemã, subúrbio de Valparaíso, que visitei em 2015).

cartagena colômbia prédio colonial antigo sacada varanda céu azulEm Cota não desci do ônibus, então falarei um pouco de Chía.

Embora pertencente a Grande Bogotá, por ser um pouco afastada da área urbana da capital Chía lembra uma cidade do interior da Colômbia.

Pacata, cheia de conjuntinhos habitacionais, sem extremos, ou seja, não possui milionários nem miseráveis, um centrinho com comércio popular.

Um ótimo lugar para morar, se você tiver emprego ali mesmo.

Porque se deslocar para Bogotá todos os dias é difícil, pela distância e trânsito pesado. Enfim, vida de subúrbio afastado, tão comum em nossa pátria também.cartagena colômbia Colonial prédio construção antiga sobrado

Chía significa a Deusa-Lua na cultura indígena americana. É a parte feminina de Deus, tão negligenciada pela teologia tradicional.

Chía é uma enviada do Todo Poderoso, projeção Dele-Dela, que desceu a Terra materializada como uma linda Mulher.

Pra ensinar nossa humanidade tão ignorante a elevar um pouco seu pensamento.

Uma Profeta Feminina, como Jesus, Buda, Zoroastro, Maomé, Moisés e tantos outros encarnaram em corpo de Homem para Iluminar a massa. Só que Chia encarnou em corpo de Mulher.

Cumprida sua missão entre nós, ela ascendeu aos Céus novamente, e se materializou na forma da Lua, e assim é cultuada pela simbologia americana.

A Lua representa a metade Feminina de Deus, assim como o Sol representa a metade Masculina. Na simbologia, ambos tem igual valor, as metades se completam pra que o Universo possa existir.

cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado igreja construção antigaPra finalizar, voltando a falar das cidades suburbanas de Bogotá, já rumando pra Medelím, passei nas cidades de Mosquera, Madri e Facatativá (carinhosamente Faca).

É uma parte pobre. Mesmo os bairros planos a margem da rodovia são humildes, muitos são invasões. E assim como em Zipa, em Faca há uma enorme favela subindo a montanha.

Bem, favelas em morro e em todos os lugares é que não falta na Colômbia.

Em Bogotá, fiquei no bairro Chapinero, numa região de classe média pra média-alta, na Zona Norte, que é a parte mais rica da cidade. Mesmo assim a duas quadras de onde estava há uma favela.

Já lhes contei minhas voltas por lá. Agora é só pra relatar um detalhe curioso. Parte da favela do Chapinero ocupava os vãos e gramados abaixo e ao lado de um complexo de viadutos que há no local.

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Não é só Salvador que tem ‘baianas‘. Óbvio que em Cartagena elas não são baianas no sentido gentílico, pois são caribenhas. Mas  falando em termos de cultura, veja como a manifestação é semelhante.

Então. Um cara invadiu a ilha do viaduto. Área pública, obviamente. Mas mesmo assim ele colocou uma placa no “seu” terreno: “não entre, propriedade particular”. É mole?

…………..

OS DEPARTAMENTOSAgora falemos um pouco dos estados (departamentos) da Colômbia. Me aterei aqueles pelos quais passei.

Bogotá é o Distrito Capital, está dentro do estado de Cundinamarca, sendo sua capital mesmo sendo autônoma a ele (?). Já disse que não entendi também, mas é assim.

A Grande Bogotá está em Cundinamarca, aí de fato e direito. Bogotá está a 250 km apenas de Medelím, em linha reta, mas a viagem de ônibus leva 10 horas.

Medelím e Bogotá estão no alto dos Andes, mas ir por via terrestre é preciso descer e depois tornar a subir a montanha. Porque se cruza o vale do Rio Madalena.

cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado grades flores construção antigaEsse é o “rio de integração nacional”. A Colômbia só existe como país unificado por causa dele:

Pois na época da colonização se formaram dois núcleos distintos:

Um no alto dos Andes (cujas cidades principais formam o triângulo Bogotá-Medelím-Cali), que vivia da mineração;

E outro no litoral – as maiores cidades são Cartagena (a ‘pequena Cartago’), e Barranquilla – , que se sustentava mais com agricultura e comércio marítimo, inclusive comércio de escravos.

Se não houvesse o Rio Madalena a ligá-las, na época da descolonização (princípios do século 19) essas duas partes teriam se separado em pequenos países independentes, como ocorreu na América Central.cartagena colômbia centro histórico colonial pássaros pombas poça água reflexo prédio construção antiga

……..

Então. Feito esse registro histórico do rio, conto meu trajeto aquele dia que fui de ônibus entre a capital e a maior cidade do interior da Colômbia.

Saímos da rodoviária de Bogotá. Cruzando o Rio Bogotá que a nomeia, deixamos o Distrito Capital pra entrarmos em Cundinamarca.

Aí começa descer. É tão íngreme que o ônibus vai a uma média de 30 km/h. Lembra a Estrada da Graciosa, aqui no Paraná, ou a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.

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A partir daqui todas as imagens baixadas da rede: essa é uma noturna de Bogotá.

Com a diferença fundamental que aqui no Brasil estas são vias turísticas, e lá é simplesmente a principal rodovia do país, que conecta suas duas maiores cidades.

Já imaginou a Via Dutra com velocidade média de 30 km/h, com a viagem entre São Paulo e Rio levando 10 horas? É a realidade deles.

Bogotá e Medelím distam 250 km em linha reta. De avião dá 45 minutos de voo. Mas por tanta curva, a estrada tem 400 km.

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Medelím.

Que levam um dia inteiro, de manhãzinha até quase o anoitecer, para serem vencidos.

Como observamos, boa parte dos veículos de carga eram caminhões-tanque, ou seja, que carregam combustível. Isso porque em boa parte do interior não há refinarias de petróleo, o que torna tudo difícil.

Precisam ir buscar gasolina na capital, só que viajando nesse passo de tartaruga.

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Cali.

Ademais os trechos sinuosos no meio da selva, onde os caminhões precisam quase parar pra fazer as curvas, são ideais pra tocaias das guerrilhas que se escondem na mata.

O risco é pra todos os caminhões e não apenas pros que carregam gasolina. Por isso o exército está presente em vários pontos da estrada.

Antigamente era bem pior, haviam bem mais ataques, e carros caros também eram alvo, seus donos sequestrados. Aa virada do milênio ninguém da elite e classe média viajava por via terrestre, só de avião.

Hoje a coisa amainou muito, e durante a luz do dia é seguro viajar por terra na Colômbia.

Mama Quilla-Luna

Dessa até o fim: Chía, a Deusa-Lua.

CRUZANDO 3 VEZES O MADALENAE aí fomos descendo, serpenteando os Andes. Cruzamos pela primeira vez o Rio Madalena, entrando no estado de Tolima.

Esse estado nomeia o time de mesmo nome, que ficou conhecido no Brasil por em 2011 ter eliminado o Corinthians na pré-Libertadores.

Quando eu estive na Colômbia, isso tinha recém-acontecido.

………….

Voltando a viagem, cruzamos o rio e entramos na cidade de Honda, Tolima.

Toda a região é muito quente. aquario

Bogotá e Medelím têm ambas uma temperatura agradável o ano todo, por serem muito altas.

Bogotá, mais de 2.600 metros acima do nível do mar, é a terceira capital mais alta do mundo:

Só perde pras capitais da Bolívia (La Paz) e Equador (Quito).

diosa-chiaMas o vale do Rio Madalena é baixo, e por ser emparedado entre os Andes esquenta ainda mais.

Tanto que os restaurantes de beira de estrada simplesmente não têm paredes.

É isso mesmo, só tem o teto e colunas sutentando-o, é tudo aberto.

Paramos pra comer já depois das 4 da tarde. Fazia perto de 35º, tudo mundo suava em bicas.

Prossigamos. Dentro do estado de Tolima, seguimos paralelo ao rio.

Ao cruzarmos um outro curso fluvial, menor, entramos no estado de Caldas. DIOSA CHIA

Já esse estado sedia o Once Caldas, que em 2004 venceu a Libertadores, eliminando o São Paulo na semi e o Boca Juniors na final. 

As outras duas Libertadores da Colômbia são do Nacional de Medelím, de 1989 e de 2016, ano que essa matéria subiu pro ar.

Voltando ao texto original de 2011, o Once Caldas era o então campeão nacional (desde 2002 a Colômbia têm dois campeões por ano), e em 2011 disputava de novo a Libertadores.

……………

Falar em cursos fluviais, vi algo muito triste na Colômbia, que me preocupou muito:

luaVários riachos estão secando. Passamos por várias pontes que cruzavam leitos secos, cadáveres de rios.

Em plena Amazônia, e olhe que agora é a estação das chuvas por lá.

Tanto que estão ocorrendo desabamentos nas favelas nas encostas de morros das grandes cidades.

Agora voltemos narrar a viagem. Estamos no estado de Caldas.

Após a cidade de La Dorada, cruzamos novamente o Rio Madalena.Chia6

E retornamos pro estado de Cundinamarca, muitas horas de temos deixado-o. 

Ao transpor um outro rio menor, entramos no estado de Boyacá, onde Bolívar derrotou as tropas espanholas.

Seguindo sempre ao norte, viramos a esquerda e passamos pela terceira vez sobre o Madalena.

Ali é proibido tirar fotos ou filmar as pontes e o rio, pois é zona militar de combates ativos entre exército e manifestaras guerrilhas da Farc.

Dos dois lados haviam soldados com metralhadoras.

Então ao cruzar pela 3ª e derradeira vez o Madalena, entramos no estado de Antioquia, cuja capital é Medelím.

O nome é em homenagem a cidade de Antioquia que fica na atual Turquia, fundada em 300 a.C., citada na Bíblia.

Aí foi só subir a serra de novo que lá pelas 9 da noite chegamos a Medelím, a cidade da eterna primavera, como é conhecida.Deusa

Há outros apelidos, não tão sublimes. Mas essa parte relato em outro texto. 

……………

A Série sobre a Colômbia acaba de ser toda levantada para rede. Trabalho encerrado com sucesso.

Graças a Deus Pai e Mãe que permitiu, está feito.

Que Deus ilumine a todos.

Deus proverá”

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