“¡ Bamos a la Playa !”: Canasvieiras e Beira-Mar Norte, Florianópolis

beira-mar-norte

Beira-Mar Norte, começo da noite de 04/02/17.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 11 de fevereiro de 2017

Fui novamente a Florianópolis.

Dessa vez no verão, e deu praia.

Digo isso porque a última vez que eu havia ido lá foi em junho de 2015.

E naquela ocasião não pude ir ao mar.canasvieiras-lotada

Abra a matéria que relata essa viagem anterior a capital de Santa Catarina.

Posto que essa matéria anterior é onde eu descrevo melhor a cidade em vários aspectos como a observei: urbanismo, transporte, etc.

floripa-tudo-azulEsse atual texto é portanto somente um complemento daquele.

Dessa vez estava muito quente, assim o Oceano foi o caminho natural a seguir.

Estive em Canasvieiras, no Norte da Ilha (acima e ao lado).

Essa é definitivamente “a Praia do Merco-Sul”.

A areia e o mar estavam lotados de banhistas, e olhe, brasileiros e argentinos dividiam o público em números mais ou menos iguais.invasao-argentina

Mesmo nós estando “em casa”. Na teoria.

Porque constatei lá que em Canas os ‘hermanos’ também se sentem em casa. Em múltiplas dimensões:

em-espanhol Dezenas de milhares de argentinos mais abastados agora tem casa de veraneio em Santa Catarina, muitos na capital e outros em Balneário Camboriú.

Assim passam as férias de verão todos os anos em nosso país.

Veja a direita: a quantia de placas de carros do país vizinho era impressionante nas imediações da orla.

O comércio (de todos os tamanhos, das redes de eletromóveis aos camelôs) também se adaptou a realidade, evidente.em-espanhol1

Acima um camelô na praia já anuncia seu produto em espanhol.

Ao lado vemos o cartaz de uma grande cadeia de lojas fazendo o mesmo, na SC-401, a rodovia que leva ao Norte de Floripa.

a-praia-do-merco-sulEsse outro vendedor ambulante pôs tremulando a bandeira da Pátria Amada ao lado das do Uruguai e Argentina.

A argentina está no meio das outras duas.

Infelizmente ela murchou no momento que cliquei e não quis aparecer na imagem.

Mas ampliando a foto você nota o estandarte argentino no centro do mastro.

………

Disse acima que muitos argentinos que estão bem financeiramente já têm uma segunda casa no Brasil. Mas não é só a alta burguesia da nação vizinha que passa as férias aqui.

centrinho-de-canas

Próximas 4: Canasvieiras, o centrinho comercial, as ruas residenciais e a praia.

Alguns de classe média mas não tão afortunados vêm de carro, mesmo não tendo propriedades no Brasil.

Esses ficam em hotéis ou casas alugadas ou de amigos/parentes.

E há mesmo os mais humildes, de classe trabalhadora, que fazem a viagem de ônibus, a opção mais desconfortável mas a mais em conta.

canasvieirasVi parados nas ruas de Canas diversos busões argentinos, infelizmente não deu certo fotografar.

Tudo somado: a praia era dos gringos. Na banquinha de petiscos tocava cúmbia.

Pra quem não sabe do que se trata, é o ritmo musical preferido entre o povão na Argentina, Paraguai e parte da Bolívia.

A versão mais comum lembra nosso sertanejo, nem tanto no ritmo mas nas letras com certeza.canasvieiras1

Há uma variante mais acelerada chamada ‘cúmbia suburbana’, em tradução livre.

Nesse caso as letras falam da vida nas favelas e periferias, o equivalente deles do ‘rap’.

Isso na temática, a melodia é completamente diferente.

canasvieiras-bandeira-brasileira

Fechando as fotos da Praia de Canasvieiras, já esse camelô só tinha bandeiras do Brasil.

Posto que a Argentina e esses seus vizinhos detestam ‘rap’, ao contrário da maior parte da América que adora, incluindo o Chile.

Falei um pouco da paixão repeira chilena, que é pouco conhecida entre burguesia, quando retornei de lá, em 2015.

Voltando a cúmbia, essa eu descrevi e exemplifiquei quando estive no Paraguai, em 2013.

na-estrada-sc-401

Próximas 5: SC-401, que liga a Zona Central ao Norte da Ilha.

Assim que estava: muita, muita gente falando castelhano, igualando ou superando os que se comunicavam em português. Até a música era no idioma estrangeiro.

Mesmo ‘jogando em casa’ nós perdíamos o duelo entre as línguas ibéricas.

Daí eu tive que pôr inclusive o título das matéria em espanhol, pegando carona num grande sucesso dos anos 80 é, a gente está ficando velho!!!

ex-pedagio

Tentaram instalar um pedágio urbano, as cancelas foram construídas, mas não vingou. A população se mobilizou, e a praça de cobrança foi desativada, a passagem é livre.

Estou fazendo esse adendo pelo seguinte: Eu Sou o Policarpo Quaresma do Século 21.

Traduzo tudo pro português, evito tanto ao máximo usar palavras de outros idiomas.

Inclusive eu já me desenhei com a camisa do Independente da Argentina.

Um leitor corrigiu a grafia pra “Independiente, com ‘i’ “.

Respondi a ele que eu estudei espanhol, sei perfeitamente disso (você pode conferir nosso diálogo na seção de comentários dessa matéria).

favela-monte-verde

Aqui e a esquerda: ainda na mesma estrada, bairro Monte Verde, onde há uma favela (ou ‘comunidade’) no morro.

E portanto não foi por engano que eu grafei sem o ‘i’, e sim porque por ideologia eu escrevo tudo em português.

Agora, em Canas eu tive que abrir uma exceção. A ocasião mereceu. 

E quanto ao ‘b’. Em espanhol não existe o som de ‘v’. Já fiz matéria específica sobre isso, exemplificando da Califórnia-EUA ao Uruguai.

Nesse caso, escrever ‘bamos’ ou ‘vamos’ pronuncia-se igualmente ‘bamos’.

morro-monte-verdeBreve mostro mostro que a linguística invadiu até o conflito das torcidas de futebol.

Eu fui a Argentina um mês e pouco depois dessa viagem a SC. de forma que esse fim-de-semana em Floripa já serviu de aquecimento.

chegando-no-cic

Fechando a sequência da SC-401, bairro João Paulo, já quase chegando na Beira-Mar Norte.

………

Falando nisso, volte as 3 tomadas do bairro de Canasvieiras, mais pro alto na página.

Vemos o centrinho comercial, depois as ruas residenciais.

Notam os paralelepípedos hexagonais.

Modal de pavimentação praticamente inexistente na Grande Curitiba, mas comum no Litoral do Paraná, como já retratei mais de uma vez.

flanelinha

Num semáforo da Beira-Mar o cara me solta essa: “A criminalidade está grande (em Fpolis), mas minha vontade de vencer honestamente é maior”. Tá bom pra ti ou quer mais???

E na Grande Florianópolis ele é majoritário.

Só perde pro asfalto, claro, que é usado nas vias de maior movimento.

Mas nas ruas de bairro, seja de burguesia ou periferia, é o mais usado.

Na outra matéria sobre Floripa muitas fotos de vias pavimentadas assim, também em Santa Mônica e em São José, no Continente.

floripa-quase-40-graus

Sol a pino sem nuvem nem vento: quase 40°.

…………..

Floripa 40 Graus (ou quase): O termômetro marca 37° (dir.). Mas a sensação térmica era perto ou acima de 40.

Já fotografei termômetros quando estava calor demais em São Paulo, Belo Horizonte-MG e Assunção.

Pois bem. O recorde foi precisamente os 37° em BH, que Florianópolis acaba de igualar, superando portanto as capitais paulista e paraguaia.

trindade

Bairro da Trindade.

Como veem, não havia uma nuvem no céu e nada, nadica de nada, de vento.

Estava uma massa de ar quente sobre a capital e todo Litoral Norte de SC.

No dia seguinte, quando retornamos, o clima esteve infernalmente tórrido até Joinville.pichacao-curitibana-no-viaduto

Só melhorou quando subimos a Serra já chegando em Curitiba.

trindade-e-favela

Trindade, na encosta do morro outra favela.

E por falar na capital do Paraná, o viaduto do CIC (acesso a SC-401) foi detonado por pichadores daqui de Curitiba. Em Florianópolis quase não há pichação.

E lá C.I.C. é o ‘Centro Integrado de Cultura’, e não óbvio a Cidade Industrial de Curitiba que estamos acostumados aqui.

ô vida boa: vendo o sol se pôr na beira-mar norte

Sabadão, quando o Astro-Rei começou a se recolher, anoitece-em-florianopolisnos dirigimos a avenida mais rica da capital catarinense:

No mapa, oficialmente as Avenidas Jornalista Rubens de Arruda Ramos e Governador Irineu Bornhausen.

fim-de-tarde-na-beira-marMas conhecida intimamente por todos simplesmente como a “Beira-Mar Norte“.

………

Digo, nem todos que moram na Beira-Mar são abastados, exatamente ao contrário, há uma favela de palafitas sobre o mangue.

Já falo mais disso, incluso com fotos.

Por hora curtamos o crepúsculo, o Sol cedendo passagem pra ‘sua esposa’, a Lua, que já estava presente sobre o Mar. fim-de-tarde-na-beira-mar1

Lindo demais, né?

Cenário perfeito pra caminhar, namorar, conversar com os amigos, comer uns petiscos, pra quem curte tomar um choppinho.

Ou simplesmente sentar na barranca do Oceano e meditar sobre a Beleza do Universo.

anoitece-na-beira-mar-norteA esquerda eu virei a câmera em direção ao bairro.

Um casal caminha, se exercitando e namorando ao mesmo tempo.

Na tomada abaixo eu girei a câmara 90°.

Vemos novamente uma grande favela que se espraia por todo Maciço do Antão e Morro da Cruz.

avenida-morro-e-favelaÉ a mesma ‘comunidade’ que vemos no bairro da Trindade numa imagem um pouco mais pra cima na matéria.

Ou melhor dizendo complexo/aglomerado de comunidades.

barquinhos-na-baia-nortePorque a coisa é grande, com breves interrupções ocupa toda a cadeia de montanhas da Zona Central da cidade.associacao-de-pescadores

Na outra matéria sobre Floripa eu tirei outras fotos, desde as favelas que ficam bem no Centrão até esse mesmo ponto da Trindade.

Lá eu também fotografei barquinhos na Baía Sul. A esquerda, a mesma cena na Baía Norte.

favela2Esses da Baía Norte, ali na Beira-Mar, pertencem a APPC:

Associação de Pescadores da Ponta do Coral, como a placa registra.

Um nome pomposo pra uma realidade não muito bonita.

Trata-se de uma favela em palafitas sobre o mangue.

Registrei algumas imagens.favela3

A qualidade não ficou 100% pois já anoitecia, algumas árvores encobrem a a visão.

E eu tive que ser rápido, me espreitando como pude onde a vista clareava um pouco.

favela1Mas dá pra ter uma noção da situação.  Cara, é uma cena muito impressionante, teve que ser retratada.

Na parte mais rica da cidade.

Ao lado de prédios em que em muitos deles o valor dos apês supera fácil a marca do milhão. favela

Mesmo aonde não chega a tanto, você não acha um apartamento modesto (2 quartos, 1 vaga na garagem) na Beira-Mar Norte por menos de meio milhão.

E do outro lado da avenida pessoas morando nessas condições. Tudo bem, são pescadores, há um componente cultural, mas não deixa de ser chocante.

anoitece-na-br……….

De brinde: o anoitecer na BR-101, a “Beira-Mar Brasileira”.

No trajeto até Floripa, minha esposa veio tirando algumas fotos.

Selecionei algumas delas pra fecharmos a matéria.

Portanto a partir dessa que está ao lado até o final as cenas não mostram Florianópolis, e sim o Norte de Santa Catarina, sempre visto a partir dessa rodoviaitapema

Começou a anoitecer depois que passamos Itajaí/Balneário Camboriú, e o crepúsculo durou até Itapema.

A direita é Itapema. Acima não sei exatamente qual cidade, pois eu dirigia enquanto ela fotografava.

Na sequência abaixo eu informo na legenda os locais.

Encerrando com chave de ouro: ela fotografou essa idêntica espécie de flores, na mesma serra, mas em outra estrada, a BR-277, que também liga Ctba. ao litoral, porém ao Litoral do Paraná.

Deus proverá

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