Até Pacatuba (Z/S de Fortaleza) tem metrô . . .

2011: Fortaleza era a “Cidade dos Ônibus Azuis“, toda frota municipal era nessa padronização (*). Não haviam articulados, corredores, e muito menos metrô ou VLT. Foto no Aeroporto, assim que cheguei. Tudo azul, com esse céu do Nordeste como pano de fundo.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (via emeio) entre 2011 e 2014

Maioria das imagens puxadas da rede, créditos mantidos sempre que impresso nas fotos.

Quando a tomada for de minha autoria, identifico com um (*), como visto ao lado.

………..

Vou fazer uma coletânea do que eu publiquei sobre o transporte coletivo de Fortaleza.

Estive na capital do Ceará em agosto de 2011. Depois, acompanho a evolução via internet.

2017: 2 linhas de metrô operando. Digo, a Linha Sul pra Maracanaú (e Pacatuba) é metrô mesmo, inaugurou em 2012 e já está em operação comercial, em horário integral e cobrando tarifa.

Nota: tudo é relativo no Universo. Quando eu disser que Fortaleza é “cidade-modelo do transporte brasileiro”, não quero dizer que tudo funciona as mil maravilhas.

E sim que está sendo feito um esforço hercúleo de modernização. Comparando com o que era no começo da década de 10, mudou da água pro vinho.

A melhoria do transporte de Fortaleza salta aos olhos, e é isso que quero destacar. Evidente, falta muito a ser feito, mas a coisa está avançando a passos largos.

Isto posto, vamos aos textos. O primeiro é o que nomeou a matéria, e foi publicado em 3 de fevereiro de 2013.

até pacatuba tem metrô

Cavalos soltos nas ruas de Pacatuba-CE. Mas com metrô (dir. na imagem).

Você conhece a cidade de Pacatuba?

A não ser que você seja do Ceará, ou tenha parentes por lá, eu aposto que enormes são as chances que você não conheça esse lugar.

Pacatuba é uma cidade pequena, incrustada no semi-árido do sertão do Ceará, onde os cavalos ainda andam soltos, como pode ver na foto.

Não vamos tapar o sol com a peneira, Pacatuba é bastante depauperada.

Na periferia a falta de infra-estrutura é gritante, ainda há inclusive casas feitas de taipa (pau-a-pique).

Pois bem. Essa cidade, Pacatuba, Ceará, tem metrô, e podem ver a estação na mesma foto.

Acima ela na fase final de obras. A foto (via ‘Google Mapas’) é de fevereiro de 2012, em junho do mesmo ano iniciou-se a operação.

O Centro da cidade, a Zona Sul, e Maracanaú e Pacatuba, conectados pela Linha Sul.

…….

Pacatuba é tão distante de Fortaleza que já se configura numa transição:

Atual (2017): 1 linha de trem de subúrbio, 1 de metrô operando plenamente, 1 de VLT iniciando em testes, mais 1 de metrô em construção.

Fica no extremo da região metropolitana da capital, mas já pode ser considerada uma cidade do interior do estado.

E mesmo assim, esse subúrbio pobre e distante do Centro da capital, tem um sistema de transporte moderno e eficiente a conectá-lo ao núcleo.

Vamos fazer uma atualização, pra mostrar como está a situação em 2017. Repetindo o que já foi dito e é domínio público:

Fortaleza hoje tem 2 linhas de metrô, uma é metrô mesmo e operando plenamente (em vermelho no mapa), e a outra de VLT, que foi inaugurada no fim de julho de 17 (laranja).

Julho de 2017: começa a circular o VLT, a linha laranja. Por hora, em testes, os primeiros 5 km (em Santos-SP, em 2015, eu passei por isso, usei o VLT de lá que estava em testes).

Quando escrevo está um trecho (ressaltado de preto ao lado do laranja) já rodando, mas ainda em fase de testes, uma viagem por hora apenas das 8 da manhã ao meio-dia, e de forma gratuita.

mais uma linha do metrô em construção (azul), e outra, mostrada em verde, de trem suburbano, funciona mas de forma bem precária, uma viagem a cada 45 ou 50 minutos.

A rede de ônibus também vem sendo modernizada, desde 2014 Fortaleza conta novamente com articulados, que não existiam quando estive lá em 2011.

Por quase 2 décadas, Fortaleza não teve articulados. Em 2014 eles retornaram com força total.

Agora voltam os textos originais, feitos de 11 a 14. Repito o que escrevi a época, e no relato irão constar muitas coisas que já não são mais a realidade.

É exatamente pra dimensionarmos o quanto o transporte fortalezense evoluiu em poucos anos.

A cidade aproveitou as linhas de trens de carga e passou a operar trens de passageiros pros subúrbios Oeste e Sul, que é onde mora o povão.

Fortaleza, “Cidade das Lagoas”, e que agora conta com transporte moderno. Na periferia fizeram vários reservatórios pra que a cidade seja habitável, pois o clima é muito seco (mesma função do Lago Paranoá na capital federal). Ao lado vemos as estações do metrô e de ônibus.

Por um bom tempo, não existia metrô ou VLT, apenas 2 linhas precárias de trem de subúrbio.

Reconhecidamente, esse é um quebra-galho, funciona de forma bem precária, porque ainda compartilha a rede de trilhos com trens de carga.

A Zona Leste é a parte rica da cidade, do Centro a Praia do Futuro, passando pelas Praias de Iracema e Meireles. Nessa parte mais abastada não há trens de passageiros.

(Atualizando: agora ela será servida pelo VLT e outra linha de metrô). Mas por muito tempo os trens foram reservados pras partes mais pobres, as Zonas Oeste e Sul.

Antes/DepoisAv. Bezerra de Menezes em 2012: não havia qualquer prioridade pro transporte público, os busões dividiam a pista com os carros. 2016: quanta diferença! Os coletivos (muitos articulados) em pista exclusiva, estações com embarque elevado e pré-pago.

Em São Paulo, Rio, Belo Horizonte-MG e Porto Alegre-RS, também foram implantados trens suburbanos de passageiros em antigas linhas de carga.

Mas os modais não são compartilhados. Os trens de cargas, nesses ramais, ou foram desativados ou foram desviados.

Lembram-se, certamente, das fotos que lhes enviei de Belo Horizonte, quando estive lá, em novembro de 2012.

Uma estação de metrô, e bem ao lado, mas em infra-estrutura separada, os vagões cargueiros.

A linha foi triplicada: dois trilhos pra passageiros, um em cada sentido, e um pra carga, bem ao lado. Assim o trem de passageiros opera como um metrô normal, com a frequência que for preciso, no horário de pico uma partida a cada cinco ou dez minutos.

Registro raríssimo por 2 motivos, pra começar é um dos 1ºs articulados que chegaram ao Fortaleza voltar a ter esse modal, quando foram implantados os corredores e estações vistos acima (por isso as portas elevadas); e 2º), um dos poucos ‘sanfonados’ que existiu com a pintura ‘das Flechas‘ inteira azul. Logo a seguir veio a padronização em que os ‘carros’ ficaram brancos, somente o teto azul.

Em Fortaleza, João Pessoa-PB e Teresina-PI (e embora não posso dar certeza, creio que também em Maceió-AL e Natal-RN), a situação é distinta:

Pegaram a linha que era e ainda é usada pelas composições cargueiras e construíram-se estações de passageiros ao redor delas, sem duplicar e muito menos triplicar a linha.

Logo, os dois sentidos de trem de passageiros usam o mesmo trilho, e ainda o dividem com os trens de carga que permanecem ativos.

Resultado: só pode haver uma partida por hora de composições de passageiros.

Constatei isso pessoalmente. Cheguei na Estação Central do Ramal Oeste do trem de subúrbio de Fortaleza, e ela estava vazia, só havia eu e o segurança.

Centro de Fortaleza, 2011 (*): busos metropolitanos de partida pra Maranguape.

Porque o trem havia acabado de partir, esperei ali mais de 50 minutos.

Em João Pessoa ocorreu o mesmo, cheguei a Estação Santa Rita, subúrbio metropolitano da Zona Oeste, e havia um cartaz indicando que faltava uma hora pra composição partir.

Fui dar mais umas voltas pela cidade, e ainda assim esperei quase meia-hora na estação.

Em J. Pessoa a situação permanece a mesma. Mas em Fortaleza mudou. Após muito tempo com 2 linhas de trens de subúrbio precárias, as autoridades estão modificando esse quadro.

Centro de Caucaia, Zona Oeste da Gde. Fortaleza, 2011(*): micro da Vitória cumpre linha municipal.

Na minha viagem a capital cearense, só pude andar no ramal Oeste (que vai pra Caucaia). O ramal Sul estava desativado, porque estava em reformas.

Esse último é o que tem sua última estação já em Pacatuba, mas que atende basicamente – além da Zona Sul dentro do município de Fortaleza mesmo – o município de Maracanaú, que é bem mais populoso e bem mais próximo de Fortaleza.

E no que consistem essas reformas: em 2011 ele estava sendo ampliado e modernizado, pra poder ser transformado em metrô.

Trem suburbano pra Caucaia: esse ramal ainda não foi modernizado. Digo, as composições sim, agora são VLT’s com ar-condicionado. Mas a linha não foi duplicada, é uma viagem a cada 45 min. .

Iniciou a operação de testes em junho de 2012, sempre no mesmo esquema, 4 viagens por dia das 8 da manhã ao meio-dia, sem cobrança de passagem.

Em 2013 (quando fiz essa mensagem), está pronto e operando (embora na época ainda em modal de testes, a cobrança de tarifa e operação plena só veio gradualmente).

As estações foram ampliadas e modernizadas, agora contando com lojas, escada rolante, praça de alimentação, banheiros, etc.

A linha, como já havia ocorrido em Belo Horizonte, foi triplicada, duas paralelas pros trens de passageiros poderem se cruzar em sentidos opostos, e mais uma pra carga, que assim pode continuar sem perturbar o outro modal.

Estação Conjunto Ceará, Zona Oeste(*). Diz “Metrô de Fortaleza”, mas, não, o Ramal Oeste ainda não é metrô, longe disso.

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Observem abaixo o mapa do sistema. As linhas amarelas mostram como era a rede de trens de subúrbio, ramais Oeste e Sul, compartilhada com carga.

Foi assim por décadas, mas não mais. A parte em azul mostra as linhas de carga que é necessário construir, pra que onde opere pra pessoas seja exclusivo nesse modal. Esse mapa é antigo.

Quando fui lá, em agosto de 2011, vi que as obras estavam no estágio final.

As imagens de Pacatuba, que ilustram a mensagem, foram  filmadas pelo ‘Google’ em fevereiro de 12.

Até 2012: somente 2 linhas precárias de trem suburbano, sem VLT ou metrô. Ainda precisava fazer novo ramal pra desviar as composições cargueiras, o que foi feito 1º no trecho em azul, e depois no vermelho (que era só carga), agora é o VLT.

Por isso a estação ainda não estava operando. Mas agora está. Mais um ano se passou, e tudo ficou pronto.

O metrô de Fortaleza iniciou suas operações no meio de 2012, enfatizando.

E a estação-terminal, o ponto final da linha, é no bairro Vila das Flores, já no município de Pacatuba. Como abri o texto dizendo, Pacatuba-Ceará tem metrô.

Por enquanto (2013), em fase de testes. Os trens circulam somente das 8 da manhã ao meio dia de segunda a sexta, e por hora gratuitamente.

A previsão é que Ainda no primeiro semestre de 2013 se iniciasse a operação comercial, das 5 da manhã as 10:30 da noite, de domingo a domingo.

Abriu o baú: vamos relembrar o transporte de Fortaleza em fotos. Começamos com um tróleibus da CTC, virada dos anos 60 pra 70.

A partir daí então haverá cobrança de tarifa. Não sei se o cronograma foi cumprido conforme prometido em 2013, mas agora é realidade, atualizando.

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Não para por aí. Um dia, não se sabe quando, a Linha Oeste pra Caucaia também será modernizada e se tornará metrô.

E a Linha Leste (paralela a orla) está em obras – verdade seja dita, obras atrasadas, mas está indo.

No futuro serão 4 linhas, e aí sim, vai chegar a Zona Leste, a parte rica da cidade, onde estão boa parte dos empregos.

Voltando a falar do primeiro mapa mais pro alto na página e não desse logo acima: a linha mostrada em azul não existe, é só projeto mesmo por hora (quando escrevi, agora em obras, de qualquer forma ainda não existe).

Já a linha que está em laranja está pronta mas usada somente pra trens cargueiros, seu destino final é porto (atualizando, as composições de carga saíram, está virando o VLT).

Na virada dos anos 80 pra 90 veio uma onda de modernização. Chegaram os 1ºs articulados, pela saudosa estatal CTC-CE, ainda era pintura livre e numeração só de 3 dígitos nos busos.

Entretanto, pra haver metrô ali, novamente terá que ser triplicada, pra acomodar composições de carga e dois sentidos de trem de passageiros.

Se esse é um futuro distante, o que importa é que está se trabalhando pra que algum dia ele emerja a matéria. E em 2017 parte dele já emergiu.

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Agora quanto aos ônibus. Fortaleza tem 7 terminais, em que a integração é gratuita. É pouco, certamente. Só que agora não é preciso fazer mais um terminal sequer por lá. Porque agora Fortaleza conta com integração no cartão. Nos terminais, você troca de ônibus quantas vezes quiser, sem pagar. Isso é igual Curitiba.

Monobloco da Angelim ainda na pintura livre. Mas já com numeração de 5 dígitos (sendo o prefixo em cor diferente, modelo que Fortaleza inventou e que foi adotado em toda ‘Costa Norte Brasileira’). Outro detalhe: inverteram a entrada pra frente.

Só que em Fortaleza você pode descer na rua, fora do terminal, e igualmente pegar mais um ônibus sem pagar de novo, via cartão.

Com isso, 100% das linhas de Fortaleza são integradas. 100%. Não há zonas de sombra.

Em Curitiba há, sendo a maior delas a região do Pilarzinho (Zona Norte). Aqui, só uma linha de grande demanda é integrada no cartão, o Interbairros 1.

Igualmente pra ser justo, mostro lhes que o sistema de Fortaleza tem falhas graves (2013):

Não há ônibus articulados nem canaletas (corredores) exclusivas, e não há integração com a região metropolitana.

Início dos anos 90: 1ª padronização da pintura de Fortaleza (Fonte de várias imagens: sítio Ônibus Brasil). A princípio seriam 3 pinturas, de acordo com a categoria do serviço. Essa era a dos alimentadores, em mais um Monobloco da CTC, destaco o prefixo em cor distinta (‘Costa Norte’) e a entrada pela frente.

Bem, quanto ao segundo problema, o metrô amenizará em muito essa questão, justamente porque integrará Fortaleza com Maracanaú, Pacatuba entrando de brinde.

Já a falta de canaletas e articulados permanece como uma questão a resolver.

Atualização: isso também foi resolvido, ou ao menos começou a ser resolvido. Realmente o avanço pra frente de Fortaleza nessa década salta aos olhos.

A integração no cartão é inevitável. Até Porto Alegre e o Rio de Janeiro demoraram bastante mas já implantaram/estão implantando integração no cartão (lembre-se sempre, escrito em 2013).

Bato de novo nessa tecla porque em 2013 Curitiba ainda não havia despertado pra necessidade de integrar digitalmente, e não somente pelo modal físico do terminal.

Thamco Padrão (alongado, portas largas, motor traseiro) da Cialtra, eis os que eram ‘circulares’ (equivalentes aos Interbairros de Curitiba ou ‘Transversais’ de Porto Alegre) na 1ª padronização (essa e outras tomadas vieram do portal FortalBus). Embarque dianteiro e o prefixo em outro tom.

A capital do Paraná só tinha uma linha central de grande demanda integrada no cartão, digo de novo e quantas vezes forem preciso.

Afora isso apenas algumas outras nos confins da cidade, linhas pouco utilizadas pois atendem regiões esparsamente habitadas.

Pior. Mais 4 anos passaram, e ainda não há integração no cartão. Muito menos trem, metrô ou VLT.

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No Nordeste, enquanto isso, a coisa fica melhor a cada dia.

De novo um articulado CTC da primeira leva, que acima vimos na pintura livre. Aqui ele foi repintado, esse era o 3º esquema de pintura da 1ª padronização, com flecha eram os ‘Troncais’, do Centro aos terminais. Aqui a transição, atrás um buso ainda com pintura livre. Seja como for, essa pintura acabou se impondo sobre as outras duas, e breve todos os busos municipais de Fortaleza, de todas as linhas, acabaram padronizados com esse desenho e cores. É mais um Thamco, esse Volvo Azulão.

Não é apenas na capital que o Ceará está investindo em sistemas rápidos, eficientes e não poluentes de transporte de massa. Conheça o “Metrô do Cariri” e o “Metrô de Sobral”.

O estado do Ceará tem nada menos que 3 cidades com transporte sobre trilhos: a Grande Fortaleza, Sobral e Juazeiro do Norte.

(Nota: ‘cidade’ é diferente de ‘município’. O estado de SP conta com transporte ferroviário urbano em grande escala em dezenas de municípios, mas em somente duas cidades, a Grande SP e a Baixada Santista).

Veja abaixo a imagem do “Metrô do Cariri” sobre a ponte. Na verdade não é metrô, mas VLT. Mas … parece um metrô, daí a alcunha.

Ainda assim, repito, trata-se de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Que liga os vizinhos municípios de Crato e Juazeiro do Norte, no sul do estado, bem longe da capital e do litoral portanto.

“Metrô do Cariri” (Juazeiro do Norte/Crato).

Mas veja, até cidades no fundão do sertão nordestino tem um transporte moderno e barato, a passagem quando consultei era apenas R$ 1.

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Os VLT’s do interior cearense são lindos, certamente. Mas é preciso um contra-ponto:

São sub-utilizados, assim será que o investimento valeu a pena?

Aqui o VLT de Sobral, também no Sertão.

A previsão era de que cada sistema de VLT transportasse 5 mil passageiros por dia, mas a média fica no Cariri em 1,3 mil, menos de 1/3.

Em Sobral está melhor, é o dobro do de Juazeiro, são 2,6 mil usuários por dia, mas ainda assim metade do previsto inicialmente. Façamos a comparação.

A linha Roça Grande/S. Cândida, na Zona Norte da Grande Curitiba, tem 3 mil passageiros por dia.

Próximas 2: Estação Parangaba do Metrô em fase final de obras, agosto de 2011 (*)

No meio do dia é feita por somente 1 ‘carro’ não-articulado, no pico vem mais um dar uma ajuda.

Entenderam? Uma única linha de ônibus em Ctba (2 veículos no pico, unicamente 1 no resto da jornada) tem mais demanda que os VLT’s do interior do Ceará.

Claro, o trajeto é curto, por isso só 1 busão dá conta e o intervalo entre as viagens é meia-hora.

Os VLT’s do interior do Ceará percorrem uma distância muito maior, se a Roça/Santa fosse tão longa precisariam 4 ou 5 ‘carros’.

A questão não é a distância, e sim que os VLT’s de Sobral e Juazeiro são grosseiramente sub-utilizados, um mal consegue superar metade do que era esperado, outro não chega a um terço.

 Aí eu te pergunto: valeu a pena o investimento, ou foi mais uma obra faraônica como tantas no Brasil? Valeu gastar milhões pra implantar esses dois VLT’s no interior, que rodam vazios a maior parte do tempo?

E aqui a o local da Estação Benfica, também na Zona Sul (*).

A resposta é meio óbvia, não? Os investimentos no VLT e metrô de Fortaleza eu não contesto, só aplaudo.

Na capital a demanda é gigante, e a população merece essas melhorias. Por isso fiz essa matéria.

Mas no interior a situação é outra, e um corredor de ônibus (com ou sem paradas elevadas) seria suficiente. Mas não daria tantos votos, não é mesmo?

……

Aqui encerra-se o primeiro emeio (acrescido de material inédito), que data de 2013. Agora outro, publicado em 7 de setembro de 2011, logo que voltei de lá portanto.

o metrô vem aí: em Fortaleza, claro

De volta a capital, agora vou continuar contando minhas voltas pela cidade. Em Fortaleza amanhece uma hora mais cedo que na capital do Paraná, pouco antes das 5:30.

Entretanto, curiosamente anoitece no mesmo horário, por volta das 6:30 (isso não é científico, foi uma observação empírica, o mês era agosto, quase Primavera em Curitiba).

Mas voltemos pra manhã de sábado que eu estava no Ceará. Dormi num hotel barato próximo a Praia de Iracema, no Centro. Amanheceu e eu saí.

Tabela Trocada: veículo em testes em Fortaleza, com a pintura de Campinas-SP.

Eram seis horas da manhã de sábado. Sol alto e quente. Mas pelo horário não havia quase ninguém na rua, por motivos óbvios.

Tava eu lá, em pleno Centrão de Fortaleza, e ele quase deserto. As primeiras pessoas chegando pra trabalhar, as primeiras lanchonetes abrindo.

Comi 3 pães de queijo (a versão cearense é diferente da que vende no Centro-Sul do país, breve levanto pra rede a mensagem que falo da alimentação).

A seguir peguei o trem pra Zona Oeste, a mais pobre da cidade. O trem custa um real, e tem ar-condicionado.

Mais uma vez, essa é a atual pintura padronizada de Fortaleza.

Essa é a parte boa. Agora a parte ruim: ele funciona numa linha de compartilhada com trens de carga, que ainda por cima não é duplicada.

Por conta disso, só pode operar uma única composição, só ela vai e volta. O trem é de hora em hora, nos horários de pico de 40 em 40 minutos. 

Em Testes: já que falamos de busos emprestados, eis um de Curitiba operando em Fortaleza por uns dias antes de vir pra cá. Entrada pela frente, pois a roleta está ali. Pra andar no Hibribus os cearenses tiveram que voltar a embarcar pela dianteira.

Como contei acima, cheguei e só havia o vigia na estação, pois levaria uma hora pra próxima viagem, o trem acabara de sair, e tinha que ir até Caucaia e voltar.

Fiquei quase meia-hora só eu e Deus (e o vigia, que também é Filho de Deus) na plataforma deserta (situação similar a que passei na África do Sul, quase 6 anos depois).

Voltando a Estação Central de Fortaleza, enfim começaram a chegar mais passageiros, a composição adentrou ao recinto.

Veio com bastante gente do subúrbio, aqueles que trabalham sábado no Centro.

O Hibribus em casa, aqui em Curitiba, puxando a linha Interbairros 1 – a única central e de maior demanda em Ctba que é integrada no cartão, enquanto em Fortaleza são todas, na cidade inteira.

Mas pra volta foi quase vazio, além de mim que era turista quem vai do Centro pro subúrbio antes das 8 da manhã de sábado? Peguei o de 7:45.

Felizmente era sábado, pois domingo esse horário não opera, é de duas em duas horas. Quem perde o das 7 tem que esperar até as 9:00.

Os vagões são limpos, confortáveis e seguros. Uma das poucas partes de Fortaleza que não é pichada. Observem as fotos, um pouco mais pra baixo na página.

Há seguranças em todas as estações, inclusive seguranças do sexo feminino, se for preciso revistar Mulheres. Os guardas andam armados.

Assim, pelo menos quando peguei, não haviam sem-teto, pedintes, vendedores nem ladrões no trem. As composições são velhas, mas estão reformadas, as portas funcionam perfeitamente, não há situações de risco.

Aqui e a direita: mais 2 do (sub-utilizado) “Metrô do Cariri” entre Juazeiro e Crato.

Dois anos depois, repito, andei no trem de subúrbio de João Pessoa, onde as condições são bem piores, na Paraíba não há ar-condicionado pra conversa começar.

A vantagem era o preço. Em Fortaleza, 1 real (agosto.11), enquanto que em João Pessoa era, é até difícil de crer mas é verdade, somente R$ 0,50, sim, cinquenta centavos (setembro.13).

Nos anos 90 andei em trens de subúrbio em São Paulo em que algumas portas não fechavam, o trem ia a toda a velocidade com portas abertas.

Hoje isso não ocorre mais, que fique bem claro. Então hoje os trens de São Paulo são seguros.

Mas um dia não foi assim, era o chamado “trem da morte”, cujo lema era “pague pra entrar, reze pra sair”, e eu presenciei essa situação pessoalmente.

Em Fortaleza deve ter ocorrido o mesmo, aposto que até os anos 90 os trens eram igualmente perigosos. Mas hoje não são, é o que importa.

De Volta pro Futuro“, ops, perdão, essa é uma postagem minha que também fala de Fortaleza. De Volta pro Passado, isso sim, e de volta a capital do Ceará. Começo dos anos 90: sanfonado da CTC na pintura livre toma um bom banho pra iniciar mais um dia de trabalho.

Os vagões foram reformados, mas a linha ainda não. É pista única, compartilhada nos dois sentidos.

Apenas em algumas estações a linha se divide, aí quando duas composições vem em sentido contrário nesses locais elas podem se cruzar com segurança.

Mas na maior parte do trecho é pista única. Isso e mais ser dividida com o trem de carga impede uma frequência maior.

Porque se houvesse a modernização, muito, mas muito mais gente usaria, como aconteceu na Linha Sul, virou metrô e ‘pegou’.

Outra deles, na 1ª padronização eram 3 pinturas, essa era uma delas. Na 2ª padronização essa pintura encampou tudo, todos os busos ficaram assim nos anos 90, recapitulando.

O METRÔ VEM AÍ, FORTALEZA ENTRA NOS TRILHOS  – 

(Que a linha pegou escrevi em 17. Volta o texto original de 2011, quando a Linha Sul estava em estágio final de obras) Acima falei da Linha Oeste, que está ativa como trem de subúrbio.

A Linha Sul está desativada, pois vai virar metrô. Seguem mais pra baixo na página (busque pelas legendas) fotos das estações, que já estão praticamente prontas.

A Estação Benfica fica na Zona Sul numa região ainda de classe média.

Próximas 6: virou o milênio e todos os busos de Fortaleza ficaram assim, na padronização “das Flechas” (origem da foto: página Ônibus do Nordeste). O prefixo continua em cor diferente. Em compensação, nessa época a cidade não teve articulados, num hiato triste e inexplicável.

A Estação Parangaba  fica bem mais ao sul, onde a cidade começa a virar subúrbio mesmo.

Ao lado do terminal de ônibus de mesmo nome (já em funcionamento há quase duas décadas, também fotografei, mais pra baixo na página).

A Estação Conjunto Esperança, é nos confins da Zona Sul, periferia típica, só que ainda no município de Fortaleza.

O metrô irá até o município de Maracanaú, onde eu havia ido na véspera, de ônibus, e sua última parada será em Pacatuba.

Atualizo mais uma vez: desde 2012 mudamos o tempo do verbo pro presente, vai até Maracanaú e Pacatuba.

‘Não pegou’ inverter o embarque. O povão do Ceará não gostou de entrar pela frente, voltou pra porta de trás. Como a Av. Leste-Oeste é a ‘Veira-Mar’ Oeste (na Rep. Dominicana se escreve mesmo com ‘v‘), esse busão vai ‘da Beira-Rio a Beira-Mar‘.

(Volta o original de 2011) As obras estão quase prontas, e na verdade já deveriam ter sido concluídas, está atrasada a inauguração.

Dizem que até 2012 vai. Vamos falar a verdade: as obras estão atrasadas, mesma situação que está ocorrendo em Salvador.

Nota: Salvador inaugurou o primeiro trecho curto de metrô a tempo da Copa, em 2014. A partir de 2016 já são duas linhas operando, somando 15 km.

……….

De volta ao que escrevi sobre Fortaleza, 2011: a primeira linha sai ano que vem, e a previsão é que até a Copa as obras da segunda linha estarão adiantadas.

Fortaleza: transporte barato (comparado com Curitiba certamente, apesar que lá a renda é menor também) e integrado duplamente, pela via eletrônica no cartão

Nova atualização: a previsão se cumpriu parcialmente. Em 2012 a Linha Sul ficou mesmo pronta, mas os VLT’s da segunda linha só foram pros trilhos (literalmente) em 17.

Obviamente no metrô a linha férrea será dupla, permitindo uma frequência normal de composições, ou seja, de no máximo 10 minutos no período de pico, e de até 20 nos demais horários.

Também está sendo construído um desvio pra linha de carga poder continuar operando sem atrapalhar o transporte de passageiros.

Na Linha Sul tudo isso está quase pronto. Assim que for inaugurada, e será antes da eleição do ano que vem, será a vez das outras linhas.

Fortaleza evoluiu nos transportes, enquanto Curitiba parou no tempo. Aqui só há uma rede de ônibus, que em quase 30 anos (desde 1993) quase não foi ampliada.

. . .  e também física no terminal. Próximas 2: Terminal da Parangaba, Zona Sul (*).

Com exceção da Linha Verde Sul, Terminal Caiuá e alguns terminais na região metropolitana, quase nada foi feito por aqui. E mesmo o que saiu foi a muito custo.

……….

Vamos a mais um emeio, esse circulou no dia 18 de outubro de 2014. Antes, repito a advertência. Tudo é relativo, e o termo ‘Cidade-Modelo’ exalta a grande evolução de Fortaleza nessa década.

Não estou afirmando que tudo está perfeito, mas sim que já foi muito pior, e nessa década a cidade renasceu. Isso esclarecido, fogo no pavio:

Agora Sim: Fortaleza, cidade-modelo do transporte brasileiro!!!

Como foi em 2011, os busos tinham a padronização ‘das Flechas‘ (*). Isso já disse, desculpe o pleonasmo. Repito aqui pra ressaltar que Belo Horizonte tinha uma pintura muito similar, na mesma época.

E boa notícia também: enfim, após longa ausência, os articulados voltaram a Fortaleza!!! E agora com ar-condionado !

Um colega me mandou a notícia que esses bichões começaram a operar na linha que liga os Terminais Antônio Bezerra, na Zona Oeste, ao de Messejana, na periferia da Zona Leste. Um trajeto perimetral, cortando todo o subúrbio da cidade.

http://www.opovo.com.br/app/fortaleza/2014/10/14/noticiafortaleza,3331134/onibus-articulado-comeca-a-operar-em-carater-experimental-nesta-quarta.shtml

Linha Oeste-Leste, de Antônio Bezerra ao Náutico. Hoje faz parte do corredor implantado pela prefeitura, na Z/Oeste corredores com plataformas elevadas como vimos na abertura da matéria. Na Z/Leste fizeram binários nas avenidas, que agora contam com faixa exclusiva pra ônibus. Como sabem, esse buso é municipal. Já verá porque enfatizo isso de novo.

As Zonas Oeste e Sul de Fortal são justamente as mais populosas e povoadas, onde mora o povão.

A Zona Leste é a parte rica a Beira-Mar, mas no subúrbio é periferia também, e a capital do Ceará não tem Zona Norte, pois essa é o Oceano Atlântico.

Assim se vê, como disse acima, que essa linha faz um arco na periferia da cidade. Mas não para por aí.

A próxima etapa, já em novembro, vai pôr articulados no corredor que vai ligar a Zona Oeste ao Centro.

Veículo metropolitano da Via Metro (*). A mesma pintura dos municipais, apenas muda o amarelo no lugar do azul. Mas os metropolitanos do Ceará são pintura livre, porque esse é similar? Porque é uma homenagem, uma ‘padronização voluntária’, um clone. Abaixo falo melhor disso.

Em breve, esse corredor será estendido ao Terminal do Papicu, na Zona Leste, a parte rica da cidade.

Aí você vai poder se deslocar do subúrbio-dormitório a oeste até o polo de empregos a leste de forma rápida, barata e eficiente.

Ainda sem o corredor exclusivo, vê que os articulados já estão indo até o Papicu, é exatamente ali que foi tomada a imagem logo abaixo.

E o melhor vem agora. Tudo isso por apenas R$ 2,20 (outubro de 14). Vale lembrar que em Fortaleza 100% das linhas são integradas.

Já mostro mais metropolitanos. Aqui, voltamos aos municipais da capital. Quando vieram os articulados mudou também a pintura, só o teto, frente e costas ficaram azul, a lateral agora é branca. Transição, atrás ainda inteiros de azul.

Pois há os terminais com integração física e depois, fora deles, você ainda pode pegar mais uma condução sem pagar de novo via integração temporal no cartão.

Pra não falar do metrô da Zona Sul, tema de inúmeros outros emeios nossos (todos eles agrupados aqui), que é uma belezura. Transporte barato, e de qualidade é isso.

Fortaleza é bem grande, apenas o município tem 2,5 milhões de habitantes.

Mais uma cena da transição: 2 micros, o da frente na nova pintura, atrás na antiga.

Atenção: se você digitar “população Fortaleza” no ‘Google’, vai aparecer 3,5 milhões.

Esse é o total da Grande Fortaleza, com os subúrbios metropolitanos incluídos.

Apenas o município-núcleo de Fortaleza mesmo ainda está na marca de 2,5 – retratei um erro que aconteceu em 2014, esse já foi corrigido.

Próximas 2: metropolitanos, pintura livre. Ambas de minha autoria, 2011. Aquele triângulo em amarelo é o símbolo do Detran-CE, que regula as linhas inter-municipais.

Mas em 08/08/17 quando edito pra jogar no ar substituíram um erro por outro:

Agora consta que Fortaleza tem 800 mil moradores somente. É mole?

……….

A volta dos articulados supre uma lacuna de décadas. Mas não é a primeira vez, é o retorno:

Na virada dos anos 80 pra 90, Fortaleza investiu na melhoria do transporte coletivo.

Comprou vários articulados pra então existente estatal CTC (Companhia de Transporte Coletivo).

E inaugurou alguns terminais, padronizou a pintura e mudou a entrada de trás pra frente.

Veem em várias imagens os sanfonados da saudosa CTC – esses ainda sem ar-condicionado.

A partir dos anos 90 as vans tomaram conta de Fortaleza (*), como também ocorreu em boa parte do Brasil, América e África. Legalizadas, se integraras ao sistema. Essas são municipais de Fortaleza (a imagem ficou escura, desculpe).

O tempo passou, a CTC foi privatizada, e Fortaleza deixou de ter articulados, por quase duas décadas.

Além disso, a entrada foi novamente revertida pra porta traseira, creio ser um caso único no Brasil, uma cidade mudar pra frente, não se adaptar e voltar pra trás.

Mas os terminais e a pintura padronizada permaneceram, ou seja, essa primeira onda de melhoria não foi de forma alguma perdida.

Mais recentemente surgiu nova onda de investimentos. Veio a Linha Sul do metrô, e breve outras também. E a integração no cartão.

Centro de Caucaia: as vans com faixa laranja são as metropolitanas.

Faltavam os corredores e articulados, ambos inexistentes quando lá estive em 2011, mas agora uma realidade.

Fortaleza, cidade-modelo do transporte brasileiro. Quem diria, hein???

……..

Isso que Fortaleza ainda conta com explosivo crescimento populacional, como as cidades do Sul e Sudeste um dia tiveram, mas não mais a muito.

Metrô de Fortaleza.

Uma pequena comparação com Curitiba deixará claro.

Aqui vou dar os dados somente dos municípios, sem incluir região metropolitana.

Em 2011 Curitiba tinha 1,7 milhão de habitantes, Fortaleza 2,4.

Rebelião! Uma viação de Fortaleza, a S. José do Ribamar, se recusou a adotar 2 padronizações, e manteve parte de sua frota na pintura livre. Abaixo falo com mais detalhes.

Em 1991 os números eram 1,3 milhão pra capital do Paraná, e 1,7 pra do Ceará.

Duas décadas depois, portanto a distância cresceu de 400 pra 700 mil moradores.

Fortaleza tende a estar beirando os 3 milhões em 2020, enquanto Curitiba não terá chegado ainda ao segundo milhão.

Esse parágrafos acima já são de outro emeio, escrito em 6 de setembro de 2011.

 aqui Fortaleza criou e o Rio copiou

Fortaleza se parece muito com o Rio de Janeiro em muitas coisas:

No gosto musical de boa parte da juventude do subúrbio  (o ‘funk’), na pichação e nas enormes favelas na Beira-Mar, ao lado dos ricaços.

Rio de Janeiro, RJ. Mas cópia de Fortaleza, CE.

Em alguns casos quase uma cópia exata. Mas num ponto a polaridade se reverteu:

Uma viação de ônibus carioca copiou exatamente a pintura que vigorava em Fortaleza nos anos 90.

Acima vemos um CTC que eu mesmo cliquei, em 2011.

Nessa época a ex-viação estatal já havia sido privatizada, e não fazia mais linhas urbanas.

Mas havia mantido alguns ‘carros’ pra outros modais (transporte de funcionários e escolar).

Pro que nos importa aqui, o CTC-CE está  decorado na primeira (e segunda) padronizações de Fortaleza.

Agora filma acima e ao lado: a Viação Bangu do RJ usou exatamente a mesma pintura.

Porque quis, na época era pintura livre nessa cidade do Sudeste. Outro clone, outra homenagem.

Agora foi Fortaleza quem criou, e o Rio copiou.

Tudo vai e volta. Yin-Yan. Essa é a Lei da Natureza.

……

Agora veja esse flagrante raro a direita: Conjunto Esperança, Zona Sul de Fortaleza, 2011.

Mais uma dos articulados pioneiros dos anos 90, na pintura livre da CTC (essa e outras vieram do MOB Ceará).

Um buso ainda usando essa pintura antiga que o Rio gostou, em pleno ano de 2011. Eu sei, a foto ficou bem escura, era domingo a noite.

Mas vale pelo flagra, dos milhares de busos que vi em Fortaleza nos 4 dias que fiquei lá esse era o único nessa pintura antiga – e consegui clicar .

Me refiro aos que ainda estavam na ativa pra transporte urbano regular. Fotografei o CTC no Centrão, mas aquele já está em outros modais, como expliquei acima.

…….

Comentemos diversas imagens espalhadas pela mensagem. Nem sempre estão ao lado do texto correspondente, busque pelas legendas.

Anteriormente essas postagens foram emeios, que têm logística bem diferente. Vemos no decorrer da matéria:

– Acima e ao lado: América, América.

Veem a praça central do bairro Planalto, município de Caucaia, Zona Oeste da Grande Fortaleza.

Ainda irei contar minha volta por esse lugar, breve no ar. Por hora nos fixemos nos ônibus. Como já escrevi muitas vezes em outros textos:

Aqui e a esquerda, agosto de 2011 (*): registrei a fase final de obras da Linha Sul do Metrô de Fortaleza.

É característica de nossa querida América que na praça central de qualquer bairro de periferia parem várias linhas de ônibus.

Curitiba foge a essa regra, aqui na periferia não ocorre de pontos finais se entrelaçarem.

Então no ponto final em algum subúrbio distante não ocorre de ficarem vários ônibus juntos (digo, já fotografei uma exceção em Rio Branco do Sul).

Mas nas outras cidades é o padrão. 

Você chega na praça principal de qualquer subúrbio e lá estão vários bichões enfileirados, esperando a hora de zarpar.

Vi essa cena muitas vezes em São Paulo, Belo Horizonte, João Pessoa, Belém-PA, Santos, Cuiabá-MT, Manaus-AM, Brasília-DF, México, Colômbia, Paraguai, Chile. Bem, obviamente Fortaleza é América.

Interior do trem suburbano pra Caucaia. Só havia eu quando cheguei, cliquei o mesmo em Durbã, na África do Sul.

Aqui (ainda me refiro as fotos em Caucaia) observam dois ônibus da empresa Vitória, esses são intermunicipais.

A definição não é boa, mas olhe com cuidado e veja o símbolo amarelo do Detran-CE no fundo da lataria, logo acima da cabeça da Mulher que passa ao lado.

Ainda na tomada a direita, são dois Marcopolos, essa encarroçadora gaúcha domina o mercado de Fortaleza, deve ter uns 70% da cidade.

O resto é dividido entre Caio, Busscar, Comil e até alguns da paranaense Mascarello, cuja sede é em Cascavel.

A esquerda (ainda falando da foto no Planalto) uma van, de cooperativa, agora legalizada. Também intermunicipal, ou seja, todos os coletivos da foto vão pro Centro de Fortaleza.

Fui pra Caucaia de trem, retornei num ônibus da Vitória. Em J. Pessoa fora o contrário, volta pelo trilho, ida via modal sobre pneus;

– Voltamos ao Centro de Caucaia, Zona Oeste da Gde. Fortaleza. Cliquei em imagens separadas duas vans de cooperativas, também intermunicipais, rumando pro Centro de Fortaleza. Uma está mais pro alto na página, essa aqui da Coopervans é a outra como já informado

Vitória da Iracema na pintura livre.

– Falar em micros, vimos bem pra cima na matéria um municipal de Caucaia, Zona Oeste.

Fui um desses que peguei pra ir ao bairro Genipabu, já na divisa com a zona rural.

Em outra mensagem, breve, relato com fotos como foi minha volta por lá.

Em 3 fotos as estações de metrô sendo construídas na Zona Sul, Estão quase prontas (agosto.11) – até as placas indicando ‘embarque’, ‘bilheteria’, etc., já estão estão instaladas.

Trem suburbano pra Caucaia.

Uma (tirei de dentro do ônibus em movimento, aí a qualidade não ficou primorosa) mostra Benfica, ainda em região de classe média.

Nas outras 2, Estação Parangaba. Como podem ver, nem está pronta ainda, mas já está inteira pichada, inclusive aquela parte alta a direita, que deve ficar a uns 5 metros do chão.

– Exatamente ao lado está o Terminal Parangaba de ônibus.

Próximas 2: Estação Central dos trens suburbanos de Fortaleza (*). Vazia pois é sábado perto das 7 da manhã. Por décadas daqui saíram os trens tanto pra Caucaia na Zona Oeste quanto Maracanaú na Zona Sul. Mas a Linha Sul virou metrô, agora aqui é o ponto final só pras composições da Z/O.

É o maior terminal da Zona Sul, e serve a diversas vilas e conjuntos pobres do Extremo Sul da cidade.

Inclusive alguns que ficam pra baixo do Anel Viário, equivalente dos Contornos de Curitiba e do Rodoanel de São Paulo.

Podem ver que há um busão esperando pra sair em direção ao Terminal Papicu, Zona Leste. Como já escrevi, esse fica no coração da parte rica da cidade.

Logo a linha Parangaba-Papicu é também extremamente sobrecarregada, por ligar a região-dormitório ao polo de empregos.

E deveria ser feita por articulados, mas esses não existem em Fortaleza, infelizmente.

Já o sabem, eles não existiam em 2011. A partir de 2014 voltaram, felizmente. Hoje a linha é feita por articulados.

Ponto final de ônibus em Maracanaú, Zona Sul metropolitana (abaixo, minha autoria). 

Novamente veem vários ônibus (amarelos) juntos esperando a hora de partir. É a América, afinal. Todos os veículos são Marcopolo.

O detalhe da ViaMetro, apelido da Viação Metropolitana, que atende Maracanaú. 

Observam que a pintura é igual aos municipais de Fortaleza, apenas é amarelo ao invés de azul-claro.

Na região metropolitana a pintura ainda é livre, cada empresa faz o que quiser.

A ViaMetro fez essa alusão aos municipais de Fortaleza porque quis, não é obrigada a tanto.

Voltamos a ver os trens, mas aqui na periferia da Zona Oeste (*). É a divisa entre o Cj. Ceará (Fortaleza) x Jurema (Caucaia).

É um clone, uma homenagem. Detalhe: em Florianópolis-SC aconteceu exatamente o mesmo, nos anos 80 e 90.

A capital de Santa Catarina, junto com as de Minas Gerais e Goiás, foi a primeira a padronizar a pintura dos ônibus metropolitanos, ainda no começo dos anos 90.

No caso catarinense, a padronização abarcou as linhas pra São José, Palhoça e Biguaçu (e também Gov. Celso Ramos, por ser feita pela mesma Viação Biguaçu).

As linhas pra Santo Amaro e Caldas da Imperatriz não tiveram sua pintura padronizada, pois na época (começo dos anos 80) a Grande Florianópolis era muito, mas muito menor em termos de população. Assim, Santo Amaro e Caldas ainda eram muito distantes da área urbanizada da metrópole. Mesmo Palhoça e Biguaçu, naquele tempo, não estavam totalmente conurbadas com São José.

Próximas 4 (via ‘Google Mapas’): Estação de Pacatuba do metrô em fase final de obras (fev.12).

Totalmente interligadas formando uma e a mesma cidade, onde você não percebia onde acabava uma e começava a outra, eram apenas Floripa e São José.

Palhoça e Biguaçu eram região metropolitana mas a área urbana não era emendada, ou seja, era preciso ainda pegar estrada e passar por regiões não-urbanizadas pra chegar nelas.

Santo Amaro e Caldas da Imperatriz então, ainda mais distantes, nem sequer faziam parte da região metropolitana.

A companhia “Metrô de Fortaleza” administra tanto o metrô mesmo quanto trem suburbano. No Conjunto Ceará fotografei a placa que diz “Metrô de Fortaleza”, mas lá não é metrô. Aqui na Z/S é metrô, de fato.

Eram cidades do interior catarinenses. Próximas a capital, mas já no interior, e não na região metropolitana.

Por isso, os busos da Viação Imperatriz não eram obrigados a adotar a padronização da CBTU, que emcampou os sistemas municipal e metropolitano de Floripa.

Mas mesmo assim a Imperatriz adotou, voluntariamente, uma pintura-clone, uma padronização voluntária, se quiser pôr assim, similar.

Apenas a faixa onde vinha o nome da empresa era azul-escura, ao invés de preto do padrão mandatório que todas as outras viações tiveram que adotar.

Contei essa história da Imperatriz na Grande Florianópolis, que já está bem ilustrada nessa outra mensagem específica, porque há um paralelo com o que a Via Metro fez na Grande Fortaleza.

De volta ao Ceará que é nosso tópico hoje, lá a entrada por trás é o padrão, tanto nos municipais de Fortaleza quanto metropolitanos.

Exceto nos micros, pois esses não tem cobrador e o motorista quem cobra a passagem.

Mostrei acima a “rebelião” da Viação São José do Ribamar, que se recusou a adotar a padronização em parte de sua frota.

O sítio FortalBus é quem faz as apresentações: verde eram os ‘alimentadores’.

É isso mesmo. Até a virada pros anos 90, era pintura livre em Fortaleza.

Aí veio a 1ª padronização, a princípio com 3 pinturas diferentes, uma pra cada categoria, ‘alimentadores’, ‘circulares’ e ‘troncais’.

(Vamos relembrar nas próximas 4 fotos, na verdade vocês já sabem, é apenas uma desculpa pra vermos mais ônibus antigos.)

Em laranja, as linhas ‘circulares‘. Amplie pra ver que a palavra ‘saída’ sobre a porta está numa plaquinha. Inverteram a entrada pra frente, não deu certo, voltou pra trás. Nesse buso havia recém sido revertido.

Depois a segunda padronização, quando todos os busos foram pintados como os antigos troncais da fase anterior.

Sim, a partir desse ponto, tanto os antigos alimentadores como os circulares, todos receberam a pintura dos troncais.

E a seguir a 3ª padronização. Em que todos os busos, novamente independente de categoria, ficaram azul-claros com duas flechas, em azul-escuro e vermelho.

Pois bem. A S. J. do Ribamar não aderiu a nenhuma das 3. Uma porção de sua frota continuou na pintura livre.

Comprovei isso pessoalmente em 2011. Todos os ônibus municipais de Fortaleza, de todas as viações, eram azulzinhos. Com exceção da S. J. do Ribamar.

Em azul com flechas, os ‘troncais‘, Centro/terminais. Por ‘durou até 1999’ o autor quer dizer que as pinturas de alimentadores e circulares não duraram nada, todos os ônibus independente da linha ficaram nessa pintura na 2ª metade dos anos 90.

Alguns dessa viação estavam padronizados, como na foto do aeroporto no topo da página. Mas outros não, seguiam amarelos e verdes. Não fotografei esses, infelizmente.

Mas você viram que achei na internet uma foto datada, de 2009, 17 anos depois da primeira padronização portanto. E ali está, um S. J. do Ribamar na pintura livre.

Fiz uma colagem, e adicionei duas fotos da garagem ou paradouros da Ribamar, alguns busos na pintura livre, outros na padronizada.

Até aqui alguém poderia dizer que ainda era ‘fase de transição’, e que os ônibus seriam repintados, ou logo substituídos por outros com a pintura nova.

‘Antes/Depois’ – e aqui vemos a prova. Vitória Volvo da CTC chegou na pintura ‘Circular’, e com entrada pela frente. Ele (digo, não sei se o mesmo ‘carro’, mas no mínimo outro igual, do mesmo lote) logo recebeu a pintura do seria troncal, mas ficou única pra cidade inteira. E voltou a entrar por trás.

Até pode ser. Mas a foto datada, de 2009, mostra que não era esse o caso mesmo. Que a S. J. do Ribamar não pretendia mesmo aderir a padronização, e de fato não aderiu de forma total.

Resistiu as 3 primeiras. Quando veio a 4ª padronização (lateral branca e frente e teto azuis) aí não teve jeito:

Com duas décadas de atraso a São José do Ribamar teve que padronizar integralmente sua frota, como todas as outras viações.

Novamente, no Sul do Brasil houve um caso similar. Ainda no começo dos anos 80, Porto Alegre adotou a padronização da CBTU.

(Nota: que foi igual a que foi implantada em Florianópolis, Brasília, Campinas e Maceió, o veículo branco com uma faixa colorida entregando a região que ele vai.)

Na capital gaúcha, o modelo foi batizado ”Radiais Urbanas”, e na lataria vinha escrito R.U. 30, R.U.12, etc, .

Voltando mais no tempo, alguns ainda na pintura livre. Mais um Monobloco, esse da Transpessoa – ainda com prefixo de somente 3 dígitos.

Isso pra indicar qual parte da cidade aquela linha serve, ou seja, a numeração era ainda mais detalhada que a cor da faixa pois uma cor de faixa continha várias R.U.’s.

Pois bem. A Viação Cambará se recusou a aderir.

Presenciei isso pessoalmente nas minhas primeiras idas a Porto Alegre, no início dos anos 90:

Todos os busos, de todas as viações, padronizados. Digo, nem todos, né?

Posto que na Cambará ainda era pintura livre, como a S. J. do Ribamar em Fortaleza.

Vitória da Viação Fortaleza.

Mas a rebelião da Cambará, como a da Ribamar, também chegou ao fim.

A partir de 96, Porto Alegre adotou a segunda padronização, a “Eletrocardiograma”, que durou 2 décadas, até o meio da década de 10.

a Cambará também teve que padronizar sua frota, como todas as outras já haviam feito uma década e meia antes.

Outro Vitória da Viação Brasília (imagem numa parceria do Ônibus Brasil com o sítio Ônibus Paraibanos).

Curioso isso, não? Tanto em Fortaleza como no Sul temos exemplos de viações metropolitanas que não eram obrigadas a padronizar sua pintura, mas o fizeram voluntariamente:

Numa solidariedade decoraram sua frota parecida com a padronização que vigia na capital, a Via Metro no Ceará e a Imperatriz em Santa Catarina.

Por outro lado, duas viações municipais, a S. J. do Ribamar em Fortaleza e a Cambará em P. Alegre eram obrigadas a padronizar.

Mas simplesmente não o fizeram. “A lei não pegou”. Só depois de um bom tempo foram enquadradas. Como é o Ser Humano: alguns padronizam sem serem obrigados, ouros sendo obrigados não o fazem. Coisas da Vida . . . .

 em testes: grande sp, campinas, sorocaba, londrina, até ficar em definitivo em fortaleza

Trata-se desse bichão. Aqui de costas, já em Fortaleza mas ainda de branco. Abaixo veremos toda evolução dele.

Vimos acima busos que já pertenciam a Curitiba e Campinas, inclusive já pintados pra operar aqui no Sul e Sudeste, mas sendo testados antes em Fortaleza.

Agora é um outro caso. Um articulado que ainda não tinha dono, e por isso o fabricante o levou pra uma peregrinação de testes pelo Brasil.

Também rodou em Campinas, e também rodou no Paraná. Mas nesse caso, antes de aportar no Ceará. Sempre na cor branca, indicando isso, que ele estava disponível.

A última cidade foi Fortaleza. Que gostou dele, adquiriu-o, e por isso pintou-o com sua padronização, consolidando a posse. Repare que é sempre a mesma chapa, AUQ-2559.

Pra finalizar, um último emeio que tratou do tema. O produzi em 17 de fevereiro de 2013. Quando estouraram aqueles protestos no Brasil inteiro pela redução das passagens de ônibus. É uma situação que já não faz mais parte de nosso dia-a-dia, mas mantenho aqui pra registrarmos qual foi a reação de Fortaleza.

Outro Vitória ainda na pintura livre. Em várias fotos eu destaco o prefixo em cor diferente. digo de novo, uma característica de Fortaleza que se espalhou até Teresina, São Luiz, Belém, Manaus e mesmo Brasília!

E aproveitamos pra relembrar como era o transporte na cidade a época, visualizando dessa maneira o quanto ela evoluiu em apenas 4 anos e meio (jogo a matéria pro ar em agosto de 17)

Dizia o emeio (fev.13): foi anunciado essa semana que a tarifa de ônibus em Curitiba será reajustada pra 3 reais.

Ao mesmo tempo, em Fortaleza o preço da passagem também vai mudar. Mas, vejam vocês, será reduzido, voltará pra 2 reais.

Atualização: Curitiba cedeu aos protestos, e igualmente acabou reduzindo a tarifa em 2013. Mas a seguir os aumentos voltaram com força total. Quando subo a postagem pra rede, o ônibus em Fortaleza custa R$ 3,20. Em Curitiba R$ 4,25. É uma diferença considerável, que não se explica por um melhor serviço, já que não é esse o caso:

Aqui e a esquerda: monoblocos da São José do Ribamar. Nessa época não tinha rebelião, era pintura livre pra todas as viações.

Registrei na matéria sobre o transporte na África que alguns bairros mais afastados de Curitiba no domingo têm ônibus somente a cada 84 minutos.

Sim, uma hora e 24 minutos, praticamente uma hora e meia de intervalo. Serviço com padrão da África, daí foi acertada a matéria em que essa nota foi publicada.

E por ‘África’ eu não estou me rendendo ao estereótipo nem falando do que não conheço. Exatamente ao contrário, a Grande Vida (‘Deus’) me deu oportunidade de ir a ao Continente Negro.

Aproveitei bem. Lá dechavei a fundo o transporte nas 4 maiores cidades sul-africanas, Joanesburgo, Cidade do Cabo, Durbã e Pretória. Registrei o que há de bom e de ruim. Há muita coisa moderníssima na África, os trens que ligam Joanesburgo a Pretória são de Primeiríssimo Mundo. Os ônibus da Cidade do Cabo não ficam atrás.

Não fariam feio nos países mais avançados e com melhor sistemas de transporte como China, Japão e Alemanha. Mas óbvio, séculos de atraso levam pelo menos algumas décadas pra serem corrigidos.

Há muita coisa precária na África, e bota precária nisso. Bem, em Curitiba há também muita coisa avançada, mas muitas partes estão regredindo.

Em Fortaleza há muita coisa a ser resolvida, mas está havendo um avanço inegável nessa década. Então, repito, é injustificável o transporte de Curitiba ser tão mais caro que o de Fortaleza.

……………….

Belo Vitória ‘Padrão‘ (alongado, portas largas, o motor é no fundo ou sob o piso pra não estorvar o embarque/ desembarque) da CTC. No Século 20 ‘Volvo era Volvo’, né . . .

Feita essa atualização, volta o que escrevi no começo de 2013. Abaixo, o que respondi ao colega que me enviou esse emeio:

Pois é cara, estive em Fortaleza há pouco mais de um ano, e conheci toda a rede de transportes da cidade, de ponta a ponta. De forma que posso falar com propriedade de como funciona.

A passagem voltando pra 2 reais é a prova que é possível fazer um transporte barato e 100% integrado.

………

Fortaleza tem integração em duplo modal, nos terminais e no cartão. O que põe por terra a falácia de Curitiba que não quer abandonar o modelo de terminais. Não precisa abandonar, pode manter e ainda integrar no cartão, como alias a linha Interbairros 1 é integrada no cartão.

Outro Vitória da CTC, mas esse é o ‘cabritão’: motor dianteiro, portas estreitas, tudo pra atrapalhar. Só faltava ter somente 2 portas (pode ser pior: na África do Sul a maioria dos busões tem somente 1 porta!).

Quando estive lá, eram 7 terminais em Fortaleza. Pouco, é verdade. Entretanto, com a integração no cartão, não é preciso construir nem um terminal a mais sequer.

É assim: os 7 já dão conta de boa parte da demanda, ligam as vilas da periferia com a Região Central, e como há linhas de um terminal a outro, as diferentes partes da cidade também estão conectadas.

Ainda assim, havia zonas de sombra. Agora não mais. Pois agora você pode trocar de condução no terminal, sem pagar de novo.

No terminal você embarca pela frente (pois na na rua quando você vai girar a catraca em Fortaleza ainda se entra por trás).

Próximas 3: ônibus em testes em Fortaleza, de branco. Esse adicionou as flechas azul e vermelha da padronização da época. O outro inteiro alvo, com chapas verdes.

E depois ainda descer em qualquer ponto, pegar qualquer outra linha, embarcar pelo fundo, girar a catraca, mas não paga nada, é a integração temporal.

Tudo isso, como você colocou, por R$ 2. Tem mais. Fora dos horários de pico, é mais barato, por exemplo das 9 da manhã as 11, e das 2 as 4 da tarde, você só paga 1,90.

Não lembro exatamente as horas exatas e nem o valor, estou exemplificando aleatoriamente.

O fato é que fora do horário de pico há um desconto. Justamente pra incentivar quem puder se deslocar em horários de menor demanda. Em diversos outros países, inclusive a África do Sul, também é assim.

……..

Tudo isso só vale pro município de Fortaleza, a região metropolitana não é integrada. Entretanto, há o metrô, que é barato, rápido, eficiente, e integra a Zona Sul, tanto metropolitana quanto municipal.

Na Zona Oeste, há o trem, que não é rápido nem eficiente, mas ao menos é barato, e também integra os subúrbios, inclusive metropolitanos. E o trem da Zona Oeste um dia será elevado a metrô também.

Mas há outro ponto muito importante. No censo de 2010, Fortaleza, apenas o município, tinha 2,3 milhões de habitantes. 

Essa já é praticamente a população da Grande Curitiba, município mais região metropolitana, que tem acesso a rede integrada.

Posto que o município de Curitiba tinha 1,7 milhão, na mesma época, e apenas parte da RM de Curitiba é integrada, boa parte não é.

E repetindo, o bairro do Pilarzinho na Zona Norte é município de Curitiba, mas boa parte dele não tem acesso a rede integrada. Sim, passa o Interbairros 2 nas vias principais. Mas não há alimentadores nas vilas, só convencionais.

Ciferal da saudosa CTC-CE.

Muita gente entra nos convencionais não-integrados, paga passagem, anda pouquíssimos pontos, desce, pega o Interbairros 2 pra ter acesso a terminais, pagando de novo.

São 4 passagens por dia. Em Fortaleza, com a integração no cartão, isso não acontece.

Portanto mesmo lá sendo apenas municipal a integração e aqui parcialmente metropolitana, a população que é atendida pela rede integrada nas capitais do Ceará e do Paraná é a mais ou menos a mesma.

Mascarello azulzinho.

E lá de forma muito, mas muito mais barata.

Eu encerro meu caso.

Que Deus Ilumine a todos.

Ele-Ela proverá.

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da ‘Guerra dos Táxis’ ao Gautrem: o transporte na África do Sul, da barbárie ao moderníssimo

Acima da manchete: Gautrem, de primeiríssimo mundo, que interliga Joanesburgo, Pretória e o aeroporto internacional. Aqui: sistema de ônibus ‘Minha Cidade’, no Cabo, que não fica atrás.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 1º de julho, 2017.

Maioria das imagens de minha autoria. Identifico nas legendas o que foi baixado da internet.

Vamos falar da rede de transportes na África do Sul. Esse é um país de contrastes, de paradoxos.

Faz parte da África, como até o nome indica, e é de maioria negra. Mas de certa forma ir a África do Sul é também como ir a Europa (os brancos de lá são brancos de verdade. Pele, cabelos e olhos muito claros. 90% são loiros, os olhos azuis e verdes predominam). 

Sendo uma ponte entre Europa e África, a África do Sul não poderia escapar de escapar de ter em si os dois mundos, com todos os conflitos que isso traz.

Rea Vaya‘, o equivalente em Joanesburgo. Funciona bem, mas a rede é muito pequena.

Em outra mensagem já falamos do infame ‘apartheid’, que findou em 1994 com a eleição de Mandela presidente.

No transporte esse paradoxo se manifesta da mesma forma. Encontramos desde os moderníssimos sistemas de ônibus e trens até gente sendo transportada em caçambas de caminhões.

E o pior: muito sangue correu. No período após o ‘apartheid’, os negros explodiram numa revolta que ficou conhecida como “as Guerras do Transporte”, ou ‘Guerra dos Táxis’ no original. Eles queriam o direito de gerir seu próprio transporte coletivo, e assim incendiaram centenas de ônibus.

Centrão de Joanesburgo: mas o modal mais usado do país são as vans (que eles chamam de ‘táxis’). Quase todas são brancas e Toyotas, mas não necessariamente.

E – é triste mas tenho que dizer – balearam e mataram diversos motoristas, quase todos também negros, em Durbã alguns indianos, que igualmente têm pele escura e igualmente foram vítimas do ‘apartheid’.

Quando estava em vigor o macabro regime racista, os negros não eram vistos como seres humanos, e isso dentro de sua própria terra.

Os bairros e favelas que os negros moravam muitas vezes não eram servidos por ônibus, haviam algumas linhas de trem – que eram e ainda são péssimas.

Av. Vitória, Cid. do Cabo, mesma cena. A frente um modelo novo, com farol quadrado o mais antigo, (quase) sempre Toyotas e alvas.

Porém da estação pra sua casa, e muitas vezes eram vários kms, eles tinham que ir a pé. Nos bairros que contavam com ônibus, a situação não mudava muito.

Os busões passavam pela rodovia (ou pela avenida principal em zonas mais urbanizadas) mas não entravam nas vilas.

Resumindo que a situação era a mesma do trem, uma longa caminhada do pouco transporte coletivo disponível até em casa.

Por isso, mesmo quando o ‘apartheid’ ainda vigia, os negros começaram uma rede de transportes própria: vans percorriam os meandros das vilas, favelas e em Durbã também os morros.

Em Pretória, a capital. Nessa aqui há a capelinha de ‘táxi’. “Patrocinado pela mamãe e papai”, diz o adesivo. Outro detalhe: a Toyota vende tanto na África do Sul que fez esse adereço, a bandeira personalizada.

E deixavam os moradores na estação de trem ou na rodovia, onde passava ônibus pro Centro, ou pras áreas industriais, ou pros subúrbios ricos.

Resumindo, ao descer da van operada informalmente também por um negro, a massa trabalhadora acessava enfim o transporte oficial pra seguir viagem pra onde estavam seus empregos.

O ‘apartheid’ tolerava essa situação, pois não prejudicava em nada os brancos, e amenizava um pouco o sofrimento da massa negra.

Entretanto, e entenda isso claramente, as vans não podiam sair do gueto. Da vila ao estação de trem ou ao trevo na rodovia, ok. Mas ali é o limite.

O transporte operado e gerenciado pelos próprios negros em hipótese alguma podia chegar ao Centro da cidade, e muito, mas muito menos, aos bairros ricos onde os brancos viviam.

Enquanto o ‘apartheid’ vigorou, os negros não tinham escolha, pois qualquer contestação era respondida de forma extremamente violenta pelo regime racista.

Gautrem no Aeroporto Internacional O.R. Tambo, por isso a maioria dos passageiros são brancos.

Extremamente. Vocês viram o ‘caveirão’ que a polícia usava pra entrar nas favelas quando haviam distúrbios.

Pense que esse verdadeiro tanque de guerra era usado contra pessoas desarmadas pois os negros não podiam ter armas de fogo por razões óbvias.

Mas quando o ‘apartheid’ caiu, gradualmente desde o fim dos anos 80 e em definitivo em 1994, os negros bradaram:

“People Mover”, a semente da modernização de Durbã. Só 3 linhas curtas por enquanto.

“Agora é nossa vez! Queremos que nosso transporte seja gerido e gere receitas pro nosso próprio povo”.

Portanto os negros exigiam que suas vans, os ‘táxis’ em seu jargão, pudessem ir até o Centro.

Pra que dessa forma o negro usasse e pagasse uma condução só, ademais fizesse a viagem sentado.

Os donos das viações de ônibus resistiam, sejam brancos ou em Durbã muitas delas eram (e ainda são) de propriedade de indianos.

Centrão da Cidade do Cabo.

Sejam de que raça for, quem se beneficiava do ‘status quo’ naturalmente iria se opor a sua modificação.

Aí os negros partiram pra revolta armada. Incendiaram centenas de ônibus, em várias cidades do país.

Em casos mais extremos, metralharam os veículos em movimento, com os passageiros dentro.

Dezenas de pessoas morreram nos levantes, centenas mais ficaram feridas. A princípio o estado reprimiu. Mas a massa negra não iria ceder.

Tri-modal: na Cidade do Cabo, em 1º plano um trem de passageiros; no meio uma estação com ônibus articulado, e ao fundo o porto. Só faltou um avião. Na Argentina (breve no ar) eu fotografei o tetra-modal: pneus, trilhos, ar e água.

Após mais de um século de ‘apartheid’, sem nenhum direito em seu próprio continente, os negros decidiram que teriam direito em usar seu próprio meio de transporte.

Foi o poder público quem acabou cedendo. Era inevitável, que os negros conduziriam mesmo suas vans pelo itinerário que quisessem sendo legal ou não.

Assim as prefeituras resolveram legalizar as vans, optando pelo mal menor e cessando o banho de sangue que já estava grande demais.

Todas as grandes cidades da África do Sul têm um trem de subúrbio (chamado ‘Metrorail’) que é péssimo, e por isso quase não é utilizado. Em Durbã (local dessa foto) e na Cidade do Cabo eu andei, em Joanesburgo não deu tempo.

Com isso, várias viações menores quebraram, em Durbã várias empresas operadas de pai pra filho pelos indianos há 3 gerações acabaram saindo de atividade.

No país inteiro a situação se repetiu, embora aí os donos tivessem outras etnias. 

Escrevemos em outra mensagem que a história do transporte coletivo de Campinas-SP é tumultuada e violenta.

De fato assim é. Ocorreram ríspidos embates entre prefeitura, viações e perueiros, como muitos protestos, fechamento de avenidas e rodovias, e locautes.

O que se repetiu em diversos países da América Latina.

Sempre que o poder público tentou melhorar o sistema de ônibus, os operadores independentes dos micros protestaram, fecharam avenidas e garagens, entoaram palavras de ordem.

Estação de ônibus no Centro da Cid. do Cabo.

Presenciei esse movimento pessoalmente em Acapulco, México, 2012.

No Chile ocorreu o mesmo, na Colômbia e Peru foi ainda pior:

Muitas vezes sindicatos aliados a grupos criminosos incendiaram ônibus, do Transmilênio em Bogotá e da finada estatal peruana Enatru respectivamente.

Ônibus 2-andares (linha não-integrada) no Centro de Joanesburgo.“Praça Gandhi” é o Terminal Central. Só 1 porta, imagine como é circulação aí dentro no horário de pico? Um “Deus-nos-acuda”.

Mas em nenhum lugar da América a situação se compara ao que ocorreu na África do Sul.

Lá o termo “Guerras do Transporte” não é força de expressão, foi uma guerra mesmo com vários mortos.

A situação se amainou um pouco desde o pico na virada do milênio, mas não se encerrou.

As “Guerras do Transporte” continuam ceifando vidas, nesse país que é tão belo, mas também tão conflagrado, dividido, injusto e violento.

Veja, em 2015 (somente dois anos atrás portanto no momento que escrevo) mais uma vez os motoristas de vans partem pro ataque:

Fazem barricadas, apedrejam ônibus e mesmo disparam contra um ônibus em movimento, acertando uma passageira e segundo um relato também o motorista, que teria falecido no local.

http://www.news24.com/SouthAfrica/News/Putco-bus-shot-at-during-taxi-protest-20150703

No andar de cima até que estava tranquilo, o problema é o de baixo. Todos os passageiros são negros, com exceção de 1 Mulher branca. Nessa outra postagem há foto de mais um veículo 2-andares.

……

Então há gravíssimos problemas com violência política. Fato. 

Mas inquestionavelmente as coisas melhoraram muitíssimo na África do Sul. 

Na época do ‘apartheid’ as janelas dos ônibus e trens tinham que ser protegidas por grades (veja as fotos um pouco mais pra baixo na página).

Pra pelo menos o motorista não ser atingido por pedras e desgovernar o veículo.

Já que quando rolavam revoltas, atacavam ferozmente o transporte coletivo.

‘Golden Arrow‘ (‘Flecha Dourada’), a maior viação da Cidade do Cabo. Nas linhas não-integradas vigora a pintura livre. A mesma empresa opera também linhas integradas do ‘Minha Cidade’, aí com pintura padronizada.

Repito porque é importante, e já entenderão porque de tanta ênfase:

Atualmente os busos e trens da África do Sul não são mais assim, não é mais necessário.

Mas agora virá o choque: nos dias de hoje, a Argentina está igual a África do Sul no seu período mais sombrio.

Estão apedrejando ônibus e trens o tempo todo em Córdoba, Buenos Aires e demais cidades grandes de nossa vizinha nação, linhas estão sendo canceladas pra evitar os locais mais quentes.

E, sim, hoje os trens da Argentina têm grades na janelas, como nos seus tempos mais difíceis a África do Sul também os teve, mas não mais a muito.

Rolou uma ‘reversão de polaridade’. A África do Sul era sinônimo global de problemas políticos, e lá as coisas se acalmaram um pouco, tiraram a grade.

A Argentina, que era conhecida como uma nação próspera e tranquila, passou pela ‘ascensão e queda’, e precisou colocar as grades.

Claro que as coisas estão muito longe de serem perfeitas na África do Sul. Veja a foto a direita:

Interior de um ônibus da Golden Arrow, de linha não-integrada.

Aqui se paga em dinheiro, e o motorista é também o cobrador. Ele fica numa cabine blindada, pra evitar assaltos.

Há uma pequena janelinha pra ele pegar o dinheiro e te dar o troco e bilhete, como nas casas lotéricas (esq.).

O motorista entra e sai por uma porta de uso exclusivo, a direita do veículo.

…………

Apesar das ‘Guerras do Transporte’, Durbã ainda conta com dezenas de viações independentes.

Boa parte delas de propriedade de indianos, e eles adoram decorar seus ônibus.

Veja ao lado grafite que há na traseira de um deles. Clique pra ampliar, nessa escala você não está vendo nada.

É uma obra de arte: pintada a mão, cada buso tem uma gravura diferente, não é produção em série. Merece ser apreciada.

Agora filma a esquerda:

Colagem mostra dezenas de viações independentes de Durbã, sempre que eu identifiquei o nome anotei ao lado.

Nas raças escuras (o que inclui africanos, asiáticos e americanos) os donos gostam de personalizar ao máximo cada veículo.

Por exemplo a viação Dehal’s (de indianos) teve 3 ‘carros’ fotografados:

Um deles é o ‘Riquinho’, outro o ‘Esperto’, e mais um o ‘Sonhador’. Como se cada buso fosse vivo e tivesse sua própria personalidade.

Muito lixo nos trilhos em Durbã. Em outra postagem verão a cracolândia que há no local.

Outra coisa. Repare que o letreiro está sempre desativado, a linha vem numa placa no para-brisas.

Nos EUA, Anglosfera e Europa Ocidental a linha sempre vem no letreiro, nunca no para-brisas.

Em vários pontos da América Latina, África, Ásia e Europa Oriental o oposto, letreiro apagado, informação no vidro como aqui.

E no Brasil e outros países uma transição, a linha no letreiro mas o itinerário no para-brisas. Há lugares como a África do Sul em que os dois modelos convivem.

………

Falando agora especificamente do modal ferroviário: todas as grandes metrópoles do país têm extensa rede de trens de subúrbios.

No Aeroporto Tambo, cartaz do Gautrem só enfatiza as ligações pra Pretória e Sandtom, ignora Joanesburgo. Alguns dizem que “o Apartheid continua”. Abaixo explico o porquê.

Mas eles são tenebrosos, e não usados por ninguém exceto os mais miseráveis entre os miseráveis.

Lembram os similares que existem na Índia, Egito e Bangladesh, e todos foram construídos pelos ingleses.

Por outro lado, a capital administrativa do país (Pretória) é ligada a maior metrópole da nação (Joanesburgo) – e ambas ao aeroporto internacional da região – pelo moderníssimo Gautrem.

Próximas 7: vamos ver as vans, o modal mais popular do país. Fotografei o Centrão de diversas metrópoles inundado delas. Começo em Joanesburgo.

Esse sim parece um pedaço da Suíça, Suécia, China, Japão ou Alemanha transplantado pro solo africano.

Mas pra lembrar que estamos mesmo na África, o modal mais usado são as vans, que eles chamam de ‘táxi’, e que são quase todas brancas, embora existam as coloridas também.

Pra que as vans tivesse trânsito livre em toda parte, falando literal e figuradamente também, é que o sangue correu.

Durbã.

Deu certo, as vans se impuseram como escolha da massa.

………..

Vamos resumir a situação:

Vans (quase sempre) brancas chamadas de ‘táxi’:

Pretória, o prédio ao fundo é o Banco Central (‘Banco da Reserva’) Sul-Africano.

Oni-presentes, o modal mais usado em todas as cidades da África do Sul e, aqui podemos generalizar, da África como um todo.

Quase todas são Toyota (tanto as antigas quanto as novas), e quase todas são brancas. 

Claro, existem outras cores e marcas – em Pretória especificamente há muitas Volkswagen, e nas outras cidades também há variações.

Na tomada a direita, em Joanesburgo, vemos 3 verdes.

Mas se você vir uma van, a chance que seja alva e dessa montadora japonesa é 90%.

Em terra de gente negra, o transporte é branco”.

Cid. do Cabo. Também Z/ Central, mas aqui não no Centrão e sim na orla, num bairro bem caro.

Não só na África do Sul, em boa parte do continente é assim, é uma vibração africana.

E isso se refletiu na mais africana das cidades brasileiras, que é Salvador óbvio.

Durante 2 décadas (anos 90-quase meio da década de 10) a capital baiana passou por uma ‘padronização informal’.

Sem que o poder público exigisse, voluntariamente a maioria das viações de ônibus adotaram pinturas em que o branco cobria a maior parte da lataria.

Na Av. Vitória (bairro ‘Woodstoock’, bem mais popular mas também Zona Central do Cabo), ônibus e vans duelam por público. O povo prefere as vans, pouco mais caro mas vai sentado.

Haviam detalhes (na ‘saia’ e em faixas) que as diferenciavam, ainda assim no veículo predominava o alvo.

Depois que estudei a África entendi o porquê, esse modelo veio de lá.

Voltando a RAS (“República da África do Sul”), o custo médio de uma viagem em van é 17 Rands.

Com o câmbio é quase 4 Rands pra 1 Real, isso dá R$ 4,30.

A passagem de ônibus em Curitiba é R$ 4,25, portanto você vê que é equivalente. Os valores são sempre de maio.17, quando estive lá.

Claro que varia conforme a cidade, e dentro da cidade conforme a linha. Mas a média é essa.

EM GAUTENG, LINGUAGEM DE SURDO-MUDOS –

Em Durbã e na Cidade do Cabo, o cobrador vem gritando na janela o destino da van, como também ocorre na América.

No Cabo, em todos os para-brisas há também uma placa com a mesma informação (comprovamos tudo isso ao lado).

Putco, viação que opera linhas não-integradas em Joanesburgo (onde cliquei esse Tribus), Pretória e outras cidades da região.

Portanto não há como confundir, até um estrangeiro pode pegar uma van lá, e foi o que eu fiz.

Em Durbã, algumas poucas vans tem a placa com itinerário no vidro, a maioria não. Mas o cobrador anunciando aos brados não falha nunca, de qualquer forma não tem como errar.

Também andei de van em Durbã, mas não por minha vontade, foi uma situação atípica.

Eu fui pra periferia de trem, aquele que funciona precariamente, no decorrer da matéria descrevo incluso com fotos como foi minha ‘descida as trevas’, e não é modo de falar, é literal.

Nas próximas 2 imagens vemos Pretória: Marcopolo brasileiro do sistema integrado Areyeng. A direita a estação.

Desembarquei numa periferia, e subi um morro favelizado a pé. Quando estava quase entrando na estação pra voltar pro Centro, a polícia me abordou. Irei contar essa história com detalhes na próxima postagem.

Aqui, pra tornar curta uma longa aventura, eles não permitiram que eu voltasse de trem, e me deram uma carona – no camburão! – até outra parte do bairro, onde me puseram numa van pra que eu fizesse a viagem de retorno.

Portanto mesmo sem ter planejado, andei de van em Durbã também.

Voltando ao que dizia antes, em Durbã e no Cabo o cobrador informa aos berros o destino, no Cabo sempre e em Durbã as vezes essa mesma informação vem no vidro.

No estado de Gauteng (Joanesburgo e Pretória), entretanto, não há os avisos nem o sonoro e nem o visual. Nada. Não tem placa no vidro, nem ninguém te avisando o destino.

Você está no ponto de parada, passam dezenas de vans indo pra lugares diferentes, mas você aparentemente não tem como saber qual linha cada uma delas cumpre.

Ainda em Pretória, um velho Mercedão 2-andares permanece na ativa. Essa linha é não-integrada.

Aquilo me intrigou. Oras, alguma forma de identificação teria que ter, obviamente.

Alguém sugeriu que em determinada avenida todas as linhas vão pro mesmo lugar, hipótese que descartei imediatamente. “Certamente não é dessa forma”, eu disse a pessoa.

Salão de um buso ‘Golden Arrow’, Cid. do Cabo. 5 fileiras de bancos (3 a direita, 2 a esquerda), resultando que o corredor é minúsculo. Como pro embarque e desembarque só há 1 porta, a circulação interna é péssima no horário de pico.

A cidade é enorme, e não há como fazer essa especialização, tem que haver troncos de transporte, e portanto por boa parte do itinerário destinos diferentes compartilham do mesmo trajeto”.

A solução foi inquirir um morador local. Perguntamos ao taxista: “se não há placa nem cobrador indicando o itinerário, como o passageiro pode saber pra onde a van vai?” Ele nos explicou:

É o passageiro quem informa ao motorista pra onde ele quer ir, com um sinal com os dedos. O motorista para ou não conforme ele esteja ou não cumprindo aquela linha que o passageiro precisa tomar.”

E esses sinais são feitos na linguagem de surdo-mudos. No cartaz abaixo eu estou exemplificando aleatoriamente (não são os signos corretos, é só pra vocês pegarem o jeito):

Se o passageiro levanta um dedo ele quer ir pro Centro; 2 dedos, até a estação de trens; se ele deita a mão na horizontal, vai pra determinada cidade da região metropolitana.

Loucura, não? Rolou uma reversão de polaridade, pois vai na mão inversa:

Pça. Gandhi, Centrão de Joanesburgo. De dentro do 2-andares fotografei 2 Torinos (esses de 1 andar) da Metrobus. O de trás inteiro adesivado. Essa aberração em várias partes do Brasil foi proibida mas em outras ainda existe. No Chile e México, entre outros, igualmente é permitido.

É o passageiro quem indica o trajeto, e o motorista quem precisa ler a comunicação.

O que torna o sistema impermeável pra forasteiros. Só quem pega a van todos os dias no mesmo local sabe o código, pois óbvio, ele não é único pra toda metrópole, varia pra cada corredor.

Por exemplo (mais uma vez, falo aleatoriamente só pra pegarmos o pé da situação), na Zona Oeste 1 dedo pode indicar que você vai pra Soweto, enquanto na Zona Norte pra Sandton, e na Zona Central pra Praça Gandhi, bem no Centrão da metrópole.

Assim, mesmo um negro que nasceu e morou toda a vida em Joanesburgo só conhece o sinal das linhas que ele pega cotidianamente.

Gente sendo transportada em caçambas abertas.

Se ele é da Zona Oeste, e for pegar uma van nas Zonas Sul ou Leste, ou mesmo na própria Oeste mas em outro bairro, seu conhecimento não servirá de nada, pois cada corredor tem seu código próprio.

Terá que perguntar a quem já está no ponto. Felizmente esse é o menor dos problemas.

Formiguinhas: o modal de transporte mais antigo da humanidade ainda é muito usado na África do Sul. Quero dizer o seguinte: muita gente volta pra casa a pé, caminhando mais de uma hora sob sol. Fotos na Zona Norte de Joanesburgo, no fim do texto eu descrevo em detalhes.

O sul-africano é extremamente cordial (sobre o que também falo melhor nesse texto), e está sempre disposto a ajudar os outros.

Quem tem boca vai a Roma, e quem tem boca não pega a van errada em Joburgo (apelido de Joanesburgo) e Pretória. Mas é preciso perguntar.

Pois a rede de vans desenvolveu uma linguagem própria, vedada a intrusos. Curioso, não?

Já estudei o sistema de transporte de muitas dezenas de países (alguns visitei, a imensa maioria pela internet) e nunca tinha visto um ‘sistema fechado’ como esse.

Torino Mercedes: ‘Rea Vaya’, Centro de Joanesburgo.

Mas assim é, tudo tem a 1ª vez. Se funciona bem pra eles, quem somos nós pra termos ideias ‘melhores’?

Ônibus modernos: articulados, embarque pré-pago em nível em estações fechada, corredores exclusivos, especialização com linhas-tronco e alimentadores.

Existem na Cidade do Cabo, Joanesburgo e Pretória. Infelizmente Durbã ainda não passou por essa modernização.

Na Cidade do Cabo se chama no original em inglês ‘My Citi’, obviamente ‘Minha Cidade’, mas com ‘i’ no fim ao invés de ‘y’.

Tribus da KZT no Terminal Central não-integrado de Durbã.

Você passa o cartão na entrada e na saída, pois paga por quilômetro utilizado (em várias cidades do mundo ônibus e metrôs são assim também, em Valparaíso/Chile comprovei pessoalmente, em Seul/Coreia do Sul li pela internet).

É de primeiríssimo mundo, e utilizado pela classe média, de todas as raças.

Nas linhas que servem os bairros mais abastados, você vê mais brancos que negros nos micro-ônibus, situação única na África do Sul.

Sim, o Cabo é a cidade mais branca da África do Sul e de toda África, 1/3 de seus moradores são euro-descendentes, em Durbã e Joanesburgo a participação deles é metade da do Cabo.

Colagem mostra o mesmo terminal. Serve também de garagem, camelódromo e abrigo de sem-tetos. Vide no fim do texto descrição do que ocorre ali.

Mas o Cabo é disparado a cidade mais integrada da África do Sul, você vê brancos andando nas ruas do Centro aos montes.

Parece que está na Europa ou América (não me refiro aos EUA, ou pelo menos não somente aos EUA, América é um continente).

No Centro de Durbã e Joanesburgo não há brancos. Nenhum, nada, zero, inexistente.

Pois não é uma questão de quantidade, e sem de qualidade. Embora menos que no Cabo, há mais de um milhão de brancos tanto em Durbã quanto Joanesburgo. 

Nas próximas 7 vemos a Estação Central de Trens de Durbã: sombria (literalmente) viagem no ‘Metrorail’.  Fica no subterrâneo, e quase não tem iluminação, o breu é total.

As praias de Durbã são integradas, ali você vê o quão numerosos são os caucasianos na cidade.

Nos subúrbios elitizados a moda ianque afastados da Zona Central, os brancos são maioria nas ruas, vi isso pessoalmente em Sandton, Z/N de Joanesburgo.

E, há exceções evidente, mas no geral você também vê pouquíssimos brancos nos ônibus urbanos de Joanesburgo e Durbã.

Pois o sistema não chega com a qualidade necessária aos bairros mais elitizados.

Claro, a linha que só percorre o trajeto entre o Centro e a orla em Durbã (da qual falo abaixo), nessa há vários euro-descendentes.

Repito pra ficar claro, ou melhor dizendo, está escuro pra cacete, Uma cena trevosa.

O mesmo vale pros alimentadores do Gautrem em Joanesburgo. São as exceções que confirmam a regra, até porque ambas são linhas integradas.

No geral, em Joanesburgo e Durbã, a classe média agora multi-racial usa carro, os pobres (quase todos negros, alguns poucos brancos, em Durbã há também indianos) usam ônibus.

No Cabo é diferente. Como seu sistema de ônibus é moderníssimo e não deve nada aos melhores da América e Europa, a classe média o utiliza.

Modernos articulados ligam o Centro a terminais na periferia, em corredores exclusivos e com estações com embarque em plataformas elevadas.

Vejam com com vossos próprios olhos, em dia útil não quase ninguém na Estação Central de Durbã, e são umas 10 plataformas enfileiradas.

Eles têm 3 portas a direita (pois na África do Sul é mão inglesa, mas as estações são no fluxo contrário do tráfego, como os ligeirinhos de Curitiba).

Os que fazem linhas somente em corredores não têm portas na esquerda.

Mas em alguns pontos mais afastados da cidade ainda não há corredores exclusivos, então mesmo articulados têm que ter portas a esquerda, no nível da rua.

Ônibus de tamanho normal puxam as linhas de média demanda.

2 portas a direita pra usar nas estações, mas 1 a esquerda, pois eles também são usados nas linhas alimentadoras mais carregadas.

Estou me repetindo pra enfatizar bem: estação escura e pouquíssimo utilizada, aqui consegui achar uns gatos pingados.

E os micros se encarregam das linhas menos movimentadas. 1 porta em cada lado, elevada a direita e rebaixada a esquerda.

Olhe, se a linha é servida por micro não é uma questão de tamanho do trajeto, nem se é central ou não.

Mas sim do número de passageiros, no caso da ‘Riviera’ e dos morros entram também outros fatores na logística.

Explico. Há linhas que servem os bairros centrais, abastados. Boa parte deles são em morros.

A Cidade do Cabo parece a Califórnia, a elite e alta-burguesia é que moram em ladeiras, os pobres ficam nas partes planas da cidade.

Veja, quando subi no vagão só havia eu. Depois vieram mais umas 2 ou 3 pessoas.

Você conhece (mesmo que somente por fotos e filmes) como é São Francisco ou ‘Hollywood/Beverly Hills’ em Los Angeles (obviamente ambas na Califórnia/EUA)?

Então, a Cidade do Cabo é exatamente igual.

No bairro ‘Baía do Campo’, de elite na Zona Sul do Cabo, eu me senti em Hollywood, só faltou me deparar com o Robert de Niro.

Fiquei hospedado em ‘Woodstock’, na Zona Central da mesma cidade.

Pra piorar, o trem andou 2 estações e recolheu. Desci nessa outra, que também estava deserta. Os prédios ao fundo ficam no bairro ‘Musgrave’, a ‘Cidade Alta’ de Durbã, uma região de classe média-alta (que também visitei) num morro logo ao lado do Centro.

Ali parecia demais que eu havia me tele-transportado pra São Francisco, porque é idêntico.

Então. As linhas alimentadoras que servem a Baía do Campo e ‘Woodstock’ naturalmente são servidas por micros.

Primeiro porque ficaria difícil ônibus grande fazer todas aquelas curvas em ladeira, muitas ruas são estreitas e sinuosas.

Segundo porque a demanda é menor. Como em todos os lugares do mundo uma parte dos burgueses sul-africanos usam transporte público se ele for eficiente.

Próximas 3: Centro de Joanesburgo (nessa cidade não andei de trens, só fotografei). Aqui a Estação Parque, a Central, principal da cidade, tri-modal ferroviária: ‘Metrorail’, Gautrem e trem de longa distância.

Mas mesmo assim não em grande número, a maioria sempre irá preferir o conforto de seus próprios automóveis de bancos estofados e ar-condicionado.

Na orla da Zona Sul é o mesmo. Nesse caso a distância pega, é muito longe do Centro, poucos usam ônibus.

A região da ‘Riviera do Cabo‘ é belíssima, uma sinuosa estrada se espreme entre as montanhas e o mar.

Mansões dos multi-milionários (com teleféricos particulares) ocupam as íngremes ladeiras, muitos Porches pelas ruas.

É uma beleza indescritível, tem que ver pra crer, por isso percorri a pé a Riviera pra produzir um ensaio fotográfico.

Aqui e próxima a esquerda: Estação Faraday, também Centro de Joburgo, essa é só trem de subúrbio.

Mas, não é difícil entender o porquê, ali não há como pôr ônibus grandes, os micros dão conta do recado.

Como dito, você passa o cartão quando entra. E quando sai de novo.

Como as catracas têm GPS, o sistema calcula a quilometragem que você percorreu, e cobra de acordo.

Essa cobrança multi-nivelada não é tão injusta como parece a primeira vista por nós brasileiros.

Final de tarde de um dia útil, o ônibus 2-andares já mostrado acima estava lotado até a boca, foi dificílimo sair dele de tão cheio. Mas na Estação Faraday não havia ninguém pra tomar o trem.

Vale lembrar que as cidades sul-africanas são diferentes das brasileiras, pois aqui seguimos o modelo americano (do continente América) de urbanismo.

Enquanto a África do Sul se espelha na escola anglo-ianque. 

Portanto, na África do Sul os subúrbios mais distantes são abastados, como já disse muitas vezes e é notório.

Consequentemente, os mais pobres vivem em bairros relativamente centrais.

Assim a quilometragem que eles usam do ônibus não é tão elevada, a tarifa não sai cara pra eles.

Portanto você só embarca se possuir cartão com crédito, cada um tem que ter o seu.

Próximas 5: estação de trens ‘Woodstock’, Zona Central da Cidade do Cabo (ao fundo as montanhas características).

Mas é feito na hora nas estações, fácil e rápido de conseguir e recarregar.

Nos pontos, em todos na Zona Central e nas principais avenidas na periferia, há uma tabela de horários.

Você chega e já sabe exatamente quantos minutos faltam pro busão aportar.

Assim se vê que ainda têm 20 minutos, pode ir a esquina tomar um sorvete, por exemplo, não precisa ficar de pé ali.

Em várias paradas há também mapas, locais e da rede como um todo.

Repare os mesmos detalhes: 1) a linha é ‘2531’. Pra onde vai esse trem? Só quem pega ele todo dia sabe; 2) a estação está deserta, num dia útil; 3) agora que o ‘apartheid’ acabou, não há grade no vidro.

O sistema de transporte ‘Minha Cidade’ do Cabo é amplo.

Vai até Atlântida, que fica a 40 km, já é uma pequena cidade do interior.

Próxima a metrópole mas não fisicamente ligada a ela, é preciso pegar estrada.

Atlântida é pobre, conjuntinhos humildes de casas e prédios, mas sem favelas.

Então, e mesmo esse distante pedaço da Grande Cidade do Cabo, já no limite entre subúrbio da metrópole e interior, é servido por ônibus integrado da rede.

Na foto anterior era depois do almoço, ninguém na estação. Nessa é 6 da tarde, pleno horário de pico, tem meia dúzia de gente esperando o trem pra periferia. Aqui e nas 2 a seguir, repare no belo Pôr-do-Sol !

Nos horários de pico há busos diretos do Centro pra Atlântida. 

Nos demais horários e FDS é preciso baldear em um terminal no meio do caminho.

Em outros bairros ocorre o mesmo, linhas diretas quando há mais movimento, seccionadas nos horários de menor demanda. Mas isso é assim no mundo todo, óbvio.

Tudo somado, o sistema da Cidade do Cabo é excelente, eu tiro o chapéu.

Mas, também por ainda estar no começo, há várias partes da cidade que ainda não são servidas por esse modal mais moderno, ou são servidas de forma insuficiente.

Ali, as vans ainda predominam, secundadas pelos ônibus não-integrados.

Falamos do “Minha Cidade” no Cabo porque é disparado o que melhor funciona, então me centrei nele.

Joanesburgo e Pretória têm sistemas similares.

Em Joburgo se chama chamado ‘Rea Vaya’ (“estamos em movimento” na gíria de um dialeto local).

Fomos até Soweto com ele, comprando a passagem unitária como relatado abaixo.

Não há problemas pra adquirir o bilhete como em Pretória, e onde existe a rede funciona bem.

Próximas 4: continuamos na Cidade do Cabo, mas agora na Estação Central – que também é um camelódromo !!

Porém a rede é pequena. Diversos bairros de Joanesburgo não contam ainda com ela.

Proporcionalmente ao tamanho das cidades, o ‘Rea Vaya’ é bem menor que o ‘Minha Cidade’ do Cabo.

Estão corrigindo isso, há várias obras de ampliação do Rea Vaya em andamento, mas por enquanto é assim que tá.

Em Joanesburgo não sei se o cartão definitivo de plástico é feito ali.

Sempre igual, quase ninguém esperando o trem.

Mas nas bilheterias das próprias estações é possível comprar um cartão de papel que vale só pra uma viagem.

É um pouco mais caro, mas você não fica na mão. Foi o que fizemos.

Ainda assim, igualmente você tem que apresentar o bilhete na catraca na hora de sair da estação ou do ônibus. No Cabo também é possível comprar essa passagem pra só 1 deslocamento.

Ainda a Estação Central do Cabo, um trem grafitado. Joanesburgo é a única cidade da África do Sul que tem pichação e grafite nas ruas, e também nos trens. No Cabo e Durbã, nas ruas quase nada, nos trens há um pouco.

Em Pretória o sistema se chama Areyeng. Não há articulados. Sem problemas, a cidade é bem menor então se dispensam mesmo os sanfonados.

Entretanto, não é possível pagar a passagem na bilheteria da estação sem o cartão.

E ele não é vendido ali, nem o definitivo nem um provisório pra uma viagem. Isso é uma falha do sistema.

Nós indicaram onde se comprava, mas a fila virava a esquina, cena desanimadora.

Mesma foto que aparece os camelôs, mas agora com o foco no trem: 1) a linha é 3522, você sabe o destino? Eu também não, só quem usa todo dia decorou qual nº é o seu; e 2) Essa é uma velha locomotiva da época do ‘apartheid‘: quando haviam revoltas, a galera apedrejava o transporte coletivo. Por isso as grades nas janelas. Hoje não é mais assim, suba a página e veja que os trens novos não têm mais grades, a África do Sul embora com altos índices de violência avançou na busca da paz.

Portanto em Pretória nós não pudemos testar o sistema de ônibus mais moderno, acabamos andando num ônibus alimentador do Gautrem, que é um sistema a parte.

NA ÁFRICA DO SUL, QUEM VIAJA DE AVIÃO SUBSIDIA O TRANSPORTE PÚBLICO

Certamente o Gautrem é o transporte público mais moderno da África do Sul, pois ele seria moderno até na Alemanha!

Entre os ônibus, o posto é da rede “Minha Cidade” do Cabo, que também é de nível global, emparelhando com os melhores da Europa, América e Leste da Ásia.

E o Gautrem e o ‘Minha Cidade’ têm algo em comum além de seu alto nível de excelência:

Ambos são integrados ao modal aéreo, têm estações nos respectivos aeroportos internacionais.

Mas pra usar essa comodidade é preciso abrir bem a carteira.

Nas outras cidades 90% das vans são Toyota. Em Pretória, embora a maioria seja dessa marca japonesa, pelo menos um terço a quase metade é Volkswagen, além dessa colorida atrás vem outra VW branca. Estamos em frente ao Banco Central Sul-Africano, que emite o Rand, moeda oficial do país e mais 3 nações vizinhas.

A passagem de quem usa a Estação Aeroporto tanto do Gautrem quanto do ‘Minha Cidade’ é muito, mas muito mais cara que a tarifa convencional.

E não é uma questão de distância, mas sim de uma opção mesmo de política pública de quem tem dinheiro pra viajar de avião ajudar a subsidiar o custo do transporte coletivo de quem não tem esse privilégio.

Sim, tanto no Gautrem como no Minha Cidade a tarifa é calculada conforme a distância e horário que você usa.

Porém pra usar a Estação Aeroporto em ambos há um asterisco na tabela de preços. Ali, repito, não entra no cálculo o número de quilômetros rodados.

Mas sim o fato deliberado que o poder público decidiu que quem tem mais vai ajudar quem tem menos.

Passes de transporte na África do Sul,  anotei cidade e modal, amplie pra ver.

Pois você pode ir muito mais longe, mas se não for pro aeroporto pagará mais barato.

Exemplificando é mais fácil visualizar (um Real vale mais ou menos 4 Rands [maio.17], eu já fiz as conversões pra facilitar):

Do Centro de Joanesburgo ao subúrbio de Sandton sai 8 Reais no pico e R$ 5,75 fora dele.

Pra ir ao Aeroporto é muito mais caro, do Centro até ali são 37 reais.

No entanto, quase em frente ao aeroporto, apenas cruzando a rodovia, há estação Rhodesfield.

Se você descer nela, dá só 12,50 reais, ou seja 1/3 do preço.

Terminal Central de vans na Cid. do Cabo, com a Montanha-Mesa ao fundo. Essa vai pro distante subúrbio de Atlântida.

Muita gente faz isso, desce em Rhodesfield (de mala e tudo) e cruza a rodovia a pé, pela passarela.

Economiza 50 reais na ida e volta.

No Cabo não tem Gautrem – obviamente, pois até o nome (‘Gautrain’ no original) indica que ele pertence ao estado de Gauteng.

Enquanto a Cidade do Cabo fica no Cabo Ocidental. Mas pra ir de ônibus ‘Minha Cidade’ ao aeroporto é o mesmo esquema:

Fui a Atlântida de ônibus, aqui o terminal.

Bem mais caro que a tarifa normal. Estávamos em 3 pessoas. Pra chegarmos de busão pra Zona Central sairia 90 reais.

Fomos de táxi (clandestino, em outra mensagem breve eu conto mais), ficou 10 reais mais barato.

Voltando ao Gautrem, já que estamos falando de suas tarifas. Como já dito e ilustrado no decorrer da página, essa companhia ferroviária opera seus próprios ônibus alimentadores.

Você pode usar só o ônibus, só o trem ou ambos. Só o trem já dei alguns preços acima como exemplos.

Articulado Tribus da ‘Golden Arrow’, Cid. do Cabo.

Se você pegar somente o buso, custa R$ 5,25 no horário de pico e 3,50 fora dele.

Mas usando os dois modais, o ônibus sai por R$ 2 no pico, e apenas 30 centavos nos outros horários.

……..

Durbã ainda não revolucionou seu transporte coletivo, o negócio ali ainda está bastante atrasado.

Essa foi baixada da internet: articulado do ‘Rea Vaya’, Joanesburgo.

Há ônibus grandes, até mesmo uns poucos articulados.

Mas não há corredores exclusivos, integração, setorização entre linhas-tronco e alimentadoras, o trem é grosseiramente sub-utilizado pois funciona de modo horroroso.

Resultado: algumas poucas vilas e bairros são servidos por ônibus em linhas radiais (Centro-bairro em linha reta).

Todos vão pro Centro, se sobrepondo nas grandes avenidas e portanto concorrendo entre si.

Além de gerar congestionamentos e poluição.

Numa colagem (fonte: sítio Bus-Planet, créditos mantidos), vemos 5 ônibus dos anos 80 pra 90, ‘apartheid’ ainda vigorava. Daí todos com grades nos vidros, Detalhes: as 4 fotos acima são da cidade de Porto Elizabete, que eu não tive a oportunidade de visitar. Os 2 de baixo são da Cidade do Cabo, a antiga pintura da ‘Golden Arrow/Flecha Dourada’, quando ela era, bom, dourada! O da esquerda não está em linha regular, está escrito em inglês, africâner e (prov.) xhosa algo como ‘Cartão-Transporte’. O da direita sim, de partida pro bairro ‘Mowbray’.

Mas o grosso do transporte é por vans. Nessas obviamente todos os problemas se repetem ampliados:

Somente linhas radiais, nada de integração.

Se você quiser ir de um bairro pra outro tem que pagar duas vezes.

Além do custo ao passageiro, isso gera um custo a cidade.

Pois forma-se um caos na Zona Central.

Ela fica apinhada com um mar de vans brancas disputando passageiros entre si e contra os poucos ônibus que há.

Digo, há em Durbã o sistema ‘People Mover’ (algo como ‘Move-o-Povo’).

É o começo da modernização dos ônibus na cidade. São todos novos, com piso baixo.

E são as únicas linhas integradas:

Você paga mais caro, e têm que solicitar ao motorista (que também é o cobrador).

Mas é possível comprar um passe válido pro dia inteiro.

Os dois extremos da linha 109 da Cid. do Cabo. Aqui parada no ponto inicial no Centro, o terminal Adderley . . .

Aí você pode entrar em qualquer buso do ‘Move-Povo’, quantas vezes quiser, até a meia-noite.

(Nota: faleia ‘1/2 noite’ como força do hábito. Na verdade a última viagem do ‘People Mover’ é bem antes disso, no máximo as 22h, por ser um serviço mais elitizado.)

Porém não há corredor exclusivo, articulados e muito menos estações com embarque pré-pago em nível.

São apenas 3 linhas, uma percorre as imediações da beira-mar e outras duas ligam a orla ao Centro.

. . . e agora no ponto final, no distante bairro da Baía Hout (no ponto um muçulmano praticante, que incluso cobre a cabeça).

Ônibus não-integrados:

Todas as cidades sul-africanas ainda contam com esse modal.

Diversas viações com pintura livre, fazendo linhas radiais (Centro-periferia) não-integradas.

Portanto não há linhas circulares que interliguem as diferentes partes da cidade sem passar pelo Centro.

Se você precisa ir de um bairro a outro tem que pagar duas vezes.

Já que abrimos o baú, vamos ver mais duas fotos antigas, ambas igualmente baixadas da rede, da época que a África do Sul tinha tróleibus. Aqui em Joanesburgo: virada dos 80 pros 90, finzinho do ‘apartheid’, só brancos podiam usar esse tribus, troleibus e 2-andares, tudo junto e misturado!

Há viações enormes como ‘Golden Arrow’ (‘Flecha Dourada’) na Cidade do Cabo e a Putco em Joanesburgo, Pretória e diversas outras cidades da região.

Essas duas citadas acima têm centenas ou mesmo milhares de ônibus, atendem dezenas de linhas.

E outras bem menores, que só fazem uma ou duas linhas, e têm de somente 1 a 5 ou 10 veículos na frota, e tudo que há no meio entre esses extremos.

Não tem muito o que descrever, é pintura livre, ônibus de apenas uma porta, você compra a passagem do motorista que também é o cobrador.

Nesses busos você igualmente paga conforme a distância percorrida:

Durbã, bem antes, década de 50. Mesma cena, tribus, 2-andares e trólei, também só pra caucasianos, o ‘apartheid‘ oficial estava em seus primeiros anos.

O motorista pergunta até onde você vai e cobra de acordo, te dá um bilhetinho de papel com essas informações impressas.

Há alguns articulados nas linhas de maior demanda, isso em nas 3 cidades, Cabo, Joanesburgo e Durbã.

Trem de subúrbio com padrão de primeiro mundo:

Liga Joanesburgo a seus subúrbios ao norte, e até o aeroporto e a capital Pretória.

Não estou brincando nem exagerando. O Gautrem tem nada menos que 98,6% de pontualidade, ritmo norte-europeu ou leste-asiático.

As poltronas são anatômicas e estofadas, e não há super-lotação.

As cidades da África do Sul, urbanisticamente falando, são iguais as dos EUA.

Próximas 2: ônibus não-integrados de Pretória.

Claro, há inúmeras favelas miseráveis que não existem nos EUA. 

Mas o resto é igual, os ricos e a classe média-alta moram em subúrbios só de casas afastados do Centro.

A parte mais rica de Joanesburgo é a Zona Norte.

Na época do infeliz ‘apartheid’, os subúrbios elitizados eram 100% brancos.

Pretória também é conhecida como Tshwane, abaixo explico a razão.

Hoje são mistos, há numerosa classe média e média-alta negra.

O ‘apartheid’ político acabou, e por isso os bairros de elite hoje contam com numerosa participação negra.

Mas o ‘apartheid’ econômico permanece. Se preferir de outra forma, a África do Sul continua um país de 3º mundo.

Portanto uma ilha que é a minoria que pertence a burguesia (agora composta por brancos e negros) está cercada por oceano de pessoas da classe trabalhadora, a imensa maioria negros.

Viação ‘Country Cruiser‘ (“cruza a nação”, ou “cruza o sertão”, a palavra ‘country’ pode ser tanto ‘país’ quanto ‘campo, interior’). A frente sujeira e comércio pra lá de informal. Assim você flagra como é o Centrão de Durbã. Sentiu o drama?

Pro transporte, que é que nos interessa aqui, a malha do Gautrem é pequena. Mas concentrada exatamente na parte rica da cidade.

Ademais, ônibus alimentadores ligam (com tarifa integrada) os bairros do entorno a estação férrea.

Portanto permite que agora a classe média e média-alta possa também usar trens pra ir trabalhar.

Isso é cidadania. País rico e justo não é o que pobre usa transporte individual, mas o que o burguês usa transporte coletivo.

Claro, é só um começo. Numa nação ainda extremamente injusta como a África do Sul, são poucos os casos que a burguesia usa trem e ônibus.

Ainda Pretória, integrado do Areyeng. Carroceria fabricada pela Caio no Brasil, vai desmontada de navio e é finalizada pela Busmark 2000 na África do Sul, que muda alguns detalhes como o farol em relação ao modelo que circula aqui.

Mas é um bom começo. Até 2010/2012 (anos da inauguração gradual do Gautrem) nem isso existia.

Tem mais: como já dito, o Gautrem tem sua rede de ônibus alimentadores. Esses também são novos

Óbvio que nem tudo é perfeito, a ‘revolução’ ainda está nos estágios iniciais.

O Gautrem é de primeiríssimo mundo, o verdadeiro ‘Estado de Arte’.

Mas a malha é pequena, há somente duas linhas:

Uma grande linha norte-sul de Joanesburgo a Pretória (passando pelos subúrbios a moda ianque onde mora a classe média-alta na Z/N de Joanesburgo).

Garagens de ônibus. Na imagem anotei as cidades.

Ela e se interliga a um outro ramal leste-oeste, que une a linha-tronco ao aeroporto internacional e os subúrbios que ficam circunvizinhos a ele (na Z/L mas próxima a Z/N).

Obviamente é muito pouco pra uma metrópole que tem de 7 a segundo algumas fontes já 10 milhões de habitantes.

Próximas 2: Transportes Durbã. Aqui um Torino brasileiro.

Isso somente na Grande Joanesburgo, e se adicionarmos a Grande Pretória (que é muito próxima) dá de pelo menos 10 a 12 milhões de pessoas nessa megalópole estendida.

Ademais o Gautrem se concentra na parte rica da cidade, ignora a periferia.

Trens de subúrbio precários (‘Metrorail’): existem em todas as metrópoles, Joanesburgo, Pretória, Cidade do Cabo, Durbã, Porto Elizabete e Londres do Leste.

Mesma viação, outro modelo, ao lado de 2 vans.

Mas em todas elas a qualidade é péssima. No Cabo e Durbã comprovei pessoalmente. É disso que falarei agora.

“DESCIDA A ESCURIDÃO”: A SOMBRIA (LITERALMENTE) VIAGEM NO ‘METRORAIL’

Estação Central de Pretória, como a de Joburgo tri-modal férrea: Gautrem, ‘Metrorail’ e trem de longa distância.

Vou documentar minha viagem nos trens de subúrbio (‘Merorail’).

Eles são horríveis, em todas as cidades, ninguém usa exceto quem não tem escolha.

Já foi difícil comprar o bilhete, você tem que informar onde vai descer.

Mas eu e o bilheteiro não nos entendíamos, meu inglês não é tão bom – e nem o dele, eu acrescentaria.

Não confunda: no texto ao lado falo da estação do ‘Metrorail’ de Durbã. Na imagem a estação do ‘Metrorail’ de Pretória, com trem executivo pra Joanesburgo (falo sobre ele abaixo).

Tive que mostrar o mapa, uma passageira na fila ajudou, no fim foi, entrei na estação.

Quando vi a escada pra descer a plataforma, achei que era engano:

Estava tão escura que parecia que a estação estivesse fechada.

Mas era ali mesmo. Chegando lá embaixo, veja (nas fotos mais pro alto da página) que breu total na plataforma . . . .

Eu era estrangeiro, tom de pele diferente dos nativos (portanto todos viam que eu era turista).

Estava praticamente sozinho naquele lugar que os próprios moradores locais não têm coragem de pisar.

Joanesburgo, Viação Gauteng, que também possui articulados. Linha – não-integrada – escrita numa placa no vidro, letreiro eletrônico apagado. Mais pra cima no texto já comentei sobre isso.

Em partes da estação um forte cheiro de mijo pois os banheiros estavam trancados com cadeado.

Todo mundo falou pra eu não ir, porque era perigoso demais, era o retrato do inferno.

Ao chegar ali, vi que as pessoas têm razão em evitar o ‘Metrorail’. Pensei: “Caramba, é de fato macabro.

Mas não vou desistir, afinal, se não for perigoso, não é jornalismo.

Vou prosseguir e cumprir a missão que me propus, e Deus Pai e Mãe me ajudará e me Iluminará na tarefa”.

De fato Ele/Ela me Guiou e protegeu, poucos horas depois fui parar num camburão da polícia. Mas não me aconteceu nada de ruim, foi só uma experiência exótica, já está no ar a matéria em que dou todos os detalhes.

Terminal dos alimentadores do Gautrem na Estação de Pretória. Há ônibus com só 1 e com 2 portas.

Bem, de volta a Estação de Central dos trens de Durbã, só mesmo o Criador pra Iluminar aquele local.

Porque se depender da Cia. Férrea da África do Sul (chamada ‘Prasa’, numa sigla em inglês) tá difícil.

Ela parece não achar necessário pôr mais lâmpadas na plataforma onde as pessoas esperam a condução.

Alimentador do Gautrem (em meio a muitas vans) no Centro de Pretória. Alias no letreiro diz “Pta. CBD”. ‘Pta’ é Pretória, óbvio. CBD é o termo inglês que significa ‘Centro da Cidade’, é a sigla de ‘Central Business District‘. Nos EUA se fala ‘Downtown’, não? Então, em várias ex-colônias britânicas se diz ‘CBD’.

Repito, é no subterrâneo. Pra alguém acessar tem que ir em sentido descendente pelas escadas.

E há pouquíssima iluminação artificial. Resultando que é literalmente uma ‘descida a escuridão’, não é modo de falar.

Cheguei e havia um trem parado. Mas não vi ninguém entrando, espiei pela porta não tinha ninguém dentro.

Então não seria eu o primeiro a entrar, eu era mais ‘peixe fora d’água’ impossível.

Estação do Areyeng em Pretória.

Vai que o trem ia recolher, sei lá. Ele partiu quase vazio, eu fiquei na plataforma, também quase vazia e muito escura.

Perto de meia-hora depois chegou outro. Aí já haviam mais umas 4 ou 5 pessoas nos bancos aguardando.

Entrei, vagão deserto, depois subiram mais algumas poucas pessoas, bem menos de 10.

Cidade do Cabo. Nos pontos nas avenidas principais do ‘Minha Cidade’ há mapas (também usando o termo ‘CBD’, destaquei) e tabela de horários.

O trem andou 2 estações e recolheu, todo mundo teve que descer.

O fiscal que deu essa informação era branco.

Sinal que há brancos pobres, que fazem trabalho braçal, nessa nação.

Na estação onde tive que ficar esperando mais quase uma hora por outro trem.

Joanesburgo (tirei as fotos contra a luz, assim a definição saiu baixa): acima 2 alimentadores Gauteng, Caios brasileiros, um tem 2 portas (raro na África do Sul) e outro somente 1. Abaixo, em branco, linhas convencionais não-integradas. A esquerda viação independente Amogelang, Torino brasileiro. A direita um Putco (que já vimos mais pra cima na pintura tradicional laranja. Sabe-se lá porque, esse ‘carro’ está descorado).

Novamente, não há ninguém nas plataformas.

Depois peguei o trem errado, porque na África do Sul o letreiro do trem não traz o destino, mas sim um código.

Um número, que só quem pega todo dia sabe pra onde está indo aquela composição.

Pelo menos aí o trem (errado) que tomei estava mais cheio, algumas dezenas de pessoas, pra não ficar tão sub-utilizado. Camelôs vendem de tudo lá dentro.

As estações assustam, principalmente as desertas e sem iluminação. Mas dentro do trem em si, olhe, não é nada diferente do que temos no Brasil.

Andei várias vezes nos trens de subúrbio de São Paulo nos anos 90 (eu era um adolescente), quando eles ainda não haviam sido modernizados.

A situação era idêntica da África hoje, quem podia evitava.

Mato a cobra e mostro o pau: eis mais um Putco na Z/N de Joanesburgo, esse na decoração de escolha normal da viação.

Atualmente os trens da CPTM melhoraram bastante, mas algumas linhas (as pra Franco da Rocha e Itapevi certamente) ainda estão longe do padrão ideal.

Tudo somado, nesse quesito também o Brasil está bem próximo da África do Sul.

……..

A rede de Metrorail é bem extensa no Cabo, Durbã e Joanesburgo/Pretória (nessas duas últimas é uma só rede, pois as cidades são próximas).

Putco em Pretória.

Todas com várias linhas que se cruzam formando uma malha.

Nas duas cidades que ficam no estado do Cabo Oriental (Porto Elizabete e Londres Leste) só há uma linha em cada.

O ‘Metrorail’ era o ‘trem dos negros’ na época do ‘apartheid’, agora é o ‘trem dos pobres’ – que no ‘Metrorail’ são todos negros então  especificamente nesse caso nada mudou ainda.

Pois com o regime de segregação racial oficial, os negros (e indianos em Durbã) eram os pobres, os brancos eram a burguesia.

Joanesburgo, 20/04/17. No Centrão um Torino brasileiro da Metrobus.

Como já dito muitas vezes, na era ‘pós-apartheid’, a burguesia é multi-racial, brancos, negros e indianos (esses últimos só são numerosos em Durbã).

Mas a periferia ainda é quase toda negra, as piores favelas 100% negras.

Mas mesmo nessas piores favelas quem pode vai de van (‘táxi’). Só usa o ‘Metrorail’ quem não tem mesmo dinheiro pra ir de van.

Z/N de Joanesburgo, Metrobus da Caio com “chapéu”, decoração que faz sucesso no Chile, México e em São Paulo, mas em Curitiba só se vier usado de fora. Já expliquei, a Busmark finaliza a montagem lá na África, mudando alguns detalhes, mas é um Caio.

Alguns dizem que no modal ferroviário o ‘apartheid’ continua.

Fizeram o Gautrem que liga os subúrbios ricos de Joanesburgo e Pretória ao aeroporto.

Sinceramente, vendo o anúncio do Gautrem tive que dar alguma razão a esses críticos:

Como podem ver em foto mais pra cima na página (busque pela legenda), o cartaz só mostra as conexões pra Pretória e Sandton.

Portanto ignora o Joanesburgo e sua Estação Central, chamada “Parque”.

Oras, Sandton é digamos “o Novo Centro” de Joanesburgo.

Nas mesmas duas pinturas, Metrobus em Pretória.

Partes do Centrão de Joanesburgo sofrem com severa decadência urbana. Falei disso melhor com muitas fotos em outra postagem.

Aqui, pra irmos adiantando, resumo que, as corporações retiraram suas sedes do Centrão.

Joanesburgo, viação Stabus. ‘Stadt’ é ‘cidade’ em alemão. A língua holandesa num passado remoto se originou na alemã. Assim, em holandês e africâner (dialeto do holandês) ‘cidade’ é ‘stad’, daí o nome da companhia.

E transferiram pra Sandton, um antigo subúrbio que acabou se tornando o novo núcleo econômico da cidade, ao menos pros brancos.

Em Sandton os brancos são maioria nas ruas, ou ao menos perto disso, pois é ali que eles trabalham. Pois bem.

Voltando ao transporte que é o que nos importa hoje, o anúncio do Gautrem só mostrava a conexão até Sandton e ignorava por completo Joanesburgo, que queiram ou não ainda é a maior cidade do país.

Há a linha até o Centro de Joanesburgo. Na hora de construir o Gautrem, a cidade não foi menosprezada.

Dois busos brasileiros (Marcopolo e Caio) da Stabus em Pretória. Vocês enenderam, não? As empresas de que operam em Joanesburgo o fazem também em Pretória, as duas cidades são muito próximas.

Mas o foi na hora de anunciar o serviço. Só falam de Sandton, como se só Sandton importasse.

Bem, no trajeto Aeroporto-Sandton há muitos negros no Gautrem, mas os passageiros caucasianos são mais numerosos.

Em Sandton a maioria dos brancos desembarca, dali eles vão de carro (as estações têm estacionamento justamente pra atrair esse público) ou táxi pra suas casas que são em subúrbios elitizados próximos.

Mais um Marcopolo brasileiro, do “Minha Cidade” no Cabo. A porta da esquerda pra embarque/desembarque na rua, a direita 2 elevadas pra uso nas estações.

De Santon ao Centro de Joanesburgo os negros predominam amplamente no trem, e segundo esses ativistas é por isso que esse trecho não foi considerado digno de aparecer na propaganda.

Repito, não há como lhes quitar uma boa dose de razão.

………

Já que tocamos no ponto do ‘apartheid’. Viram acima que a região metropolitana de Pretória agora se chama “Tshwane”. Vamos entender o porque:

Quando o ‘apartheid’ acabou, os negros exigiram que os estados, ruas e cidades tivessem também nomes africanos, e não somente europeus.

Colagem com vários ‘Golden Arrow‘, também do Cabo como já sabem.

Como não dava pra renomear todas as cidades, acharam um meio termo curioso:

A cidade  continua sendo ‘Pretória’, mas a região metropolitana agora é ‘Tshwane’.

E na África do Sul como já dito a região metropolitana é a 4ª esfera administrativa (como o ‘condado’ nos EUA), tem sua própria prefeitura, ao contrário do Brasil.

Próximas 4: o Terminal Central da Cid. do Cabo, onde param as linhas convencionais, não-integradas. Aqui e a direita só os brancos e verdes da ‘Golden Arrow’.

Em Durbã é o mesmo, a cidade ainda é Durbã, mas a prefeitura metropolitana é de ‘eThekwini’. 

O nome ‘Pretória‘  ao contrário do que alguns imaginam nada tem a ver com a palavra ‘preto’. Exatamente ao contrário:

Homenageia André Pretorius, um holandês (africâner) branco que massacrou os nativos zulus pra ajudar a estabelecer o domínio branco na África do Sul.

…….

Busque nas legendas mais pra cima a foto do trem executivo Pretória/Joanesburgo.

Alias, nem todo ‘Metrorail’ é ruim. Esse serviço específico (notem a locomotiva moderna) tem qualidade, pois ali é concorrência direta com o Gautrem:

As linhas têm os mesmos pontos inicial/final e correm lado-a-lado.

Os azul-claros da viação Sibanye.

Então se o ‘Metrorail’ for péssimo como nos outros ramais aí que ninguém usa mesmo.

Esse ‘Metrorail’ é o único de padrão melhor, a exceção que confirma a regra.

Portanto:

Em Joanesburgo:

Busos de ambas as empresas citadas acima.

– Trem moderno com ônibus alimentadores (infelizmente malha pequena);

– Trem suburbano precário;

– Rede de ônibus integrada moderna (reduzida mas em ampliação);

– Ônibus 2-andares (isso não necessariamente é bom, leia abaixo o que achei da experiência);

Idem. Ao fundo as montanhas. Na África do Sul a maioria dos ônibus tem pequena porta a direita, de uso somente do motorista. Há uns buracos na lataria pra ele apoiar os pés pra entrar e sair.

Na Cidade do Cabo:

– Trem suburbano precário;

Rede de ônibus integrada moderna (bastante ampla);

Em Durbã:

– Somente trem suburbano precário, não há outras melhorias exceto em semente;

Veja mais pra cima na página (busque pela legenda) fotos do Terminal Central (não-integrado) de Durbã:

Entre dois busos da empresa Umlazi, vários sem-teto dormem. Essa ainda é a realidade do transporte nessa cidade.

Quadro das linhas. Aqui encerramos as fotos do terminal não-integrado do Cabo.

Como as pessoas se locomovem muito mais de vans (que eles chamam ‘táxis’), há pouca demanda pra ônibus.

Resultando que muitos busões no meio do dia ficam parados, o terminal serve mais de garagem, camelódromo, salão de bilhar (vi 3 mesas de sinuca).

E – como notam – abrigo dos moradores de rua. Fechamos Durbã.

Em Pretória:

– Trem moderno com ônibus alimentadores (infelizmente malha pequena);

– Trem suburbano precário;

De dentro da estação de trens, o Centro de Durbã.

– Rede de ônibus integrada moderna (adequada ao tamanho da cidade);

Ônibus 2-andares.

Claro, todas as cidades têm vans e ônibus não-integrados, alguns até articulados

Pra gente ir encerrando, como dito acima em Joanesburgo e Pretória ainda há algumas linhas de ônibus servidas por veículos 2-andares, mais uma herança inglesa.

Pontos em Pretória e Durbã.

Em Pretória só vi um desses veículos, e bem antigo.

Mas em Joanesburgo ainda são vários, a maioria brasileiros, fabricados pela Marcopolo.

Vários  sim, mas comparativamente ao tamanho da cidade são poucos.

Colagem mostra a Mynah, viação de Durbã. Nos detalhes a ave que é símbolo da empresa, e abaixo dela a ‘capelinha’ no vidro, o marcador que mostra o número da linha. A direita embaixo mais um Torino brasuca.

Felizmente. Ônibus 2-andares é ideal pra linhas turísticas, quando são poucos passageiros endinheirados que estão passeando, sem horário a cumprir.

Aí só vai gente sentada, reduzindo os problemas de circulação.

Vou dizer com todas as letras: ônibus 2-andares não são adequados pro transporte de massas, de linhas carregadas usadas pendularmente pela classe trabalhadora.

Pra essas linhas é preciso articulados, que não têm escada, aí você dinamiza o fluxo no interior do veículo:

Todo mundo entra pela frente e vai se dirigindo pra trás, onde há muito espaço pra se acomodar e várias opções pra sair.

Acabaram as fotos da África do Sul. Aproveitando o embalo, vamos mostrar um pouco da modernização em outras partes do continente. As fotos, repito a ligação, vieram do sítio Bus-Planet. Começamos pela Etiópia. Essa nação,uma das mais pobres da África e da Terra, antigamente tinha seus ônibus caindo aos pedaços – não é modo de falar. A China chegou pra ajudar. Agora circulam ali modernos articulados com letreiro eletrônico. Você conta nos dedos de uma mão os países africanos com articulados: além da África do Sul, sei da Tunísia. Talvez tenham mais um ou dois, mas não mais que isso. Desde 2015 a Etiópia entrou no clube, graças a China.

Pois num 2-andares a escada toma boa parte do espaço do salão interior, onde é feito o embarque/desembarque e cobrança de passagem.

Ademais, a própria escada já é um gargalo de circulação, se alguém está subindo e outro vem descendo, quem sobe tem que recuar.

Pra piorar mais ainda, a imensa maioria dos ônibus  sul-africanos só tem uma porta. Você imagina o cenário: dia útil, 5 e pouco da tarde. 

Praça Gandhi, onde fica o Terminal Central das linhas não-integradas de Joanesburgo.

Chega o busão 2-andares. O próprio motorista é o cobrador.

Ele tem que perguntar onde cada um vai (pois a tarifa é conforme a distância percorrida).

Depois pegar teu dinheiro, devolver o troco e o bilhetinho que comprova que você pagou o valor certo.

Até Adis-Abeba tem metrô! Na verdade um VLT. Construído e operado (a princípio) pela China. Já escrevi amplamente sobre a transformação da Etiópia, leia a matéria. Envolve muito mais que o transporte, essa nação africana é o símbolo da mudança do eixo da Terra, dos EUA/Europa pra China/Eurásia (Rússia, Índia e região).

Você vai lá pra cima, pois o vagão de baixo é minúsculo, o motorista a frente, a escada no meio e o motor atrás, quase não sobra espaço pros passageiros.

Chega a hora de descer e você tem que ir se espremendo no corredor e na escada.

Tem gente sentada nos degraus, o vagão de baixo está lotado até o limite, não cabe mais uma pessoas sequer. 

E só tem uma única porta lá na frente, você tem que ir achando um espacinho, pedindo licença, empurrando.

Na verdade, 90% das cidades da África nem mesmo contam com ônibus de tamanho normal, o transporte é sempre por vans, moto-táxis e no interior em caçamba de caminhão. 1/3 dos países não têm nenhum ônibus grande sequer em linhas regulares, nenhum no país inteiro. E na maioria das nações da África eles só existem na capital e no máximo na maior cidade do interior. Exemplifiquemos por Ruanda, que pra agravar tudo nos anos 90 ainda passou por um genocídio tenebroso, digno de Pol Pot. No século 20 até os anos 80, Ruanda tinha alguns ônibus grandes na capital, situação que espelhava todo continente. Mas o genocídio nesse caso particular e mais os “ajustes” do FMI em diversos países minaram essa realidade. Dos anos 90 até 2013, Ruanda só contava com vans no transporte coletivo, como visto acima.

Pra piorar, como só tem uma porta, tem gente que acabou de entrar e vem no sentido contrário.

Com muita luta você enfim desce. Ufa!!! A sensação é a de sair do inferno. Eu passei por isso, pra poder lhes contar como é.

Andar em ônibus 2-andares pra linhas de massa é um pesadelo. São Paulo e mais 3 cidades (o subúrbio metropolitano de Osasco, na Zona Oeste da Grande São Paulo, Goiânia-GO e Recife-PE) fizeram o teste.

Eu era criança, mas cheguei a andar várias vezes no 2-andares paulistanos. Foi horroroso, e isso que no Brasil o buso tinha 3 portas. Imagine na África que é uma só.

Agora, por outro lado em 2015 pra ir do Centro ao Aeroporto de Santiago/Chile eu fui de 2-andares. Trata-se de uma linha diferenciada, prum público de maior poder aquisitivo.

Aí sem problemas, o buso vai vazio, você sobe e desce com calma a escada, e circula no salão sem atropelar ninguém nem ser atropelado.

Depois da virada do milênio (de 2006 a 2011) houveram tentativas de modernizar o transporte, e foram re-introduzidos ônibus grandes na capital Quigali. Mas não deu certo, não aguentaram a pressão das vans, e quebraram. Em 2013, entretanto, o governo lançou com força total um plano de modernização do transporte em Quigali. Com ajuda de quem? Obviamente da China. Hoje, Ruanda voltou a ter ônibus grandes em circulação, o que já é luxo na África. E são todos chineses.

O mesmo vale pras diversas ‘Linhas Turismo’, já andei várias vezes nesses 2-andares aqui em Curitiba, e em 2012 também na Cidade do México

……..

Claro, muita gente é transportada ainda em caçambas de caminhonetes, sem nenhuma proteção.

Vi e fotografei o mesmo em vários países da América Latina, incluso no Brasil.

Tem mais, o modal mais antigo de transporte da humanidade ainda é amplamente usado na África do Sul: ir a pé.

Quem vive longe vai do trabalho pra casa (pela ordem de preferência) de van, ônibus ou trem.

Quigali foi dividida em 4 regiões. Cada uma tem uma cor, aqui vemos 2 delas. Atualmente a capital de Ruanda além de ônibus grandes tem pintura padronizada, horário e itinerário regulamentados. Na época das vans, nas grandes avenidas no horário de pico haviam centenas delas enfileiradas, brigando pelos passageiros. Mas nos bairros mais distantes em qualquer horário, e na cidade toda a noite e nos fins-de-semana, não havia opções de transporte público. Agora os ônibus circulam por toda parte, das 6 da manhã as 10 da noite, todos os dias.

Mas quem mora até 10 km do trampo volta caminhando. Sim, caminhando. 

Andar 1 hora a hora e meia, ralar o dia inteiro, e depois mais 60 a 90 minutos camelando é o padrão lá, muito mais comum que se pensa.

Presenciei isso pessoalmente. Fim de tarde, cheguei no subúrbio elitizado de Sandton. Na verdade trata-se do ‘Centro Novo’ de Joburgo. 

Como dito acima, o Centrão enfrenta severa decadência urbana, assim as corporações transferiram suas sedes pra Sandton.

Os prédios comerciais que importam estão todos ali, no Centrão é só comércio popular.

Por isso fui conhecer Sandton, e dali iria pra favela de Alexandra, que fica próxima. “Próxima” eu quero dizer que são 6 km, 1 hora a pé.

Esse busão exemplifica a mudança de Ruanda. Foi importado usado de Portugal, onde pertencia a um time de futebol. E foi posto pra rodar sem sequer ser repintando. Com a modernização de 2013, ele pelo menos teve sua pintura padronizada no padrão de Quigali (exceto o escudo, que mantiveram). Até 2014 fez linha regular, aí transferido pra ‘Escolar’.

E a pé a galera foi. Quando deixava Sandton, notei uma fila indiana enorme de trabalhadores negros.

Me juntei a eles, e lá fomos nós, caminhando, num agradável fim-de-tarde em Joanesburgo.

Acessamos a rodovia e continuamos, pelo acostamento.

Éramos uma fila de formiguinhas. Eu era o único de pele clara, o único turista.

Todos os demais era gente que pegou no pesado o dia todo.

E aí depois de ganhar o dia com o suor de seu rosto resolveram poupar o dinheiro do VT.

Antigas cooperativas de van puderam continuar no sistema, mas agora têm que cumprir horário e itinerário, e não mais operar quando e onde dá na telha. No Centro só são permitidos ônibus grandes e micro-ônibus. As vans continuam na ativa, mas só fazem as linhas alimentadoras na periferia que sobem os morros, vilas e favelas, além das rotas no subúrbio afastado semi-rural.

Qualquer trocado a mais no orçamento ajuda.

A África é  pobre. Sim, Joburgo é uma das cidades mais ricas do continente.

Mas Alexandra é um de seus bairros mais pobres, em verdade uma grande favela.

Depois, em outra avenida, vi que muito mais gente fazia o mesmo.

Eles estavam em outros trajetos, indo pra outros bairros. O destino era distinto mas o meio de chegar lá ra o mesmo.

É, filho. Essa ainda é realidade de milhões. Caminhar, depender das próprias pernas.

Reversão de polaridade: partes da África com padrão de Curitiba, partes de Curitiba com padrão da África. Segura essa bomba: na Z/Oeste, aos domingos a prefeitura de Curitiba fundiu 3 alimentadores em 1 linha: Augusta, S. José e V. Marqueto. Assim 1 carro faz o serviço de 3, o intervalo entre as viagens é de 1 hora e 24 minutos – tabela ‘rural’ em plena zona urbana, alias no bairro mais povoado da metrópole. A África evolui, Curitiba involui….

Se a crise apertar no Brasil e outros continentes, eu vi o nosso futuro aquele dia em Joanesburgo.

……..

Pra arrematar: nenhuma cidade da África do Sul (e nem de toda África) tem tróleibus atualmente.

Tiveram no passado, e era tróleibus, 2-andares e Tribus tudo num só. Mas acabou.

E nenhuma cidade sul-africana tem metrô ou VLT, que é um ‘metrô leve’.

Esse modal existe em outras partes da África.

Inclusive a ex-miserável Etiópia, como visto acima.

Portanto nesse quesito a desenvolvida África do Sul come poeira.

……..

Que Deus Pai e Mãe Abençoe a África, e todos os Homens e Mulheres da Terra.

Ele/Ela proverá.

“Trovão Azul” & “Domingo no Parque”, em B.H.

Metal em Minas.

Por Maurílio Mendes, o Mensageiro

Publicado em 26 de junho de 2017

Um Maurílio metaleiro, e mineiro. Morador de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Pegando condução pra ir pra Zona Oeste. Mas não qualquer coisa, e sim um Trovão Azul da época que ‘Volvo era Volvo’.

Tem mais: um Amélia que era “Ônibus de Verdade“.

Tem mais ainda: no saudoso padrão Metrobel, e “em frente ao parque”.

Em uma das muitas matérias sobre busologia no sítio, publiquei a foto ao lado (extraída da página Bus MG).

Pensando Nela . . .

Um colega, que morou em BH, se emocionou em lembrar sua infância. Foi ele quem falou que a tomada foi feita “em frente do Parque”.

Quando eu disse que desenharia a cena, novas recordações afloraram em sua mente. Eis suas palavras:

”   Rá, era demais ouvir a resfolegante respiração deles, bem mais ágeis e rápidos do que seria de se supor, descendo a ladeira!

Ah, e os cheiros? Final da tarde, começando a abrir as florzinhas “damas da noite”, aquele cheiro açucarado, o piso de ardósia, e os  Mercedões rugindo pela rua…

 Oh, Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais!   “

Daí o título, fazendo alusão a outras postagens: “Trovão Azul” e “Domingo no Parque“.

………..

Enfim. Maurílio está indo pra Z/O de B.H. pra ver sua namorada Marília, que também é roqueira. Ademais, ela é uma menina que adora pintar o cabelo de rosa. Ou as vezes de azul.

Um Amor em Rosa & Azul. Mas as roupas de ambos são pretas, pois a trilha sonora é o bom e velho ‘Rock’n Roll’.

Vamos pro Oeste, galera.

o ‘apartheid’ acabou.

Próxima parada, África do Sul.

Por 40 anos (1948-1988 aprox.), durante o infame regime racista, eram proibidos por lei os relacionamentos entre um Homem e uma Mulher de raças distintas.

Camisa do Kaiser Chiefs, time mais popular da África do Sul – os negros adoram futebol.

A legislação previa longas penas de prisão pra ambos, mas na prática um negro que ‘ousasse’ sequer pegar na mão de uma branca seria linchado ou executado no mesmo momento.

Já escrevi em detalhes sobre esse triste período da história sul-africana. Mas hoje tudo isso é passado, as pessoas são livres pra viverem seu Amor, independente dos tons de pele serem diferentes.

Inclusive fotografei vários casais inter-raciais nas orlas de Durbã e da Cidade do Cabo. Agora minha versão com as próprias mãos da mesma cena.

A Marília loira é africâner, o que significa que étnica, cultural e linguisticamente ela é holandesa. Enquanto que seu marido, o  Maurílio sul-africano, está com a camisa do time mais popular do país, o Kaiser Chiefs.

Muitos conhecem a banda inglesa Kaiser Chiefs. O que várias pessoas não sabem é que os músicos britânicos se inspiraram no clube africano, homenageando-o. Assim é. Kaiser Chiefs (auri-negro, ou seja, amarelo-&-preto) e Orlando Pirates (alvi-negro)  são as preferências nacionais, os que dividem a massa na África do Sul.

“Café-com-Leite”.

E eles fazem o maior clássico de Soweto (são ambos dali), de Joanesburgo e de toda nação. É o ‘derby’ (no termo em inglês ) nacional.

Novamente contrário a imagem distorcida que muitos têm, a África do Sul ama futebol. A maioria negra com certeza. Sim, os brancos se dividem entre o ‘rugby’ e o futebol, com preferência pelo primeiro mas muitos gostam também do segundo.

Porém os nativos africanos não têm coração partido, não têm lealdade dividida. Pra eles, o esporte preferido é disparado o futebol, como é na maior parte do continente e do planeta.

Já desenhei Maurílio com camisas (ou adereços como boné e tatuagens) de times da Colômbia, México, Equador, Argentina, Paraguai, Chile, Uruguai, França, Itália e Alemanha. Agora é a vez do ‘Continente-Mãe’ da Humanidade. 

do oriente ao ocidente

Muçulmana devota. Mas extremamente feminina e vaidosa, colorida da cabeça aos pés.

Vamos na mão inversa agora. Acima mostramos uma descendente de holandeses fora da Europa, numa nação de pele majoritariamente escura. Vejamos o outro lado da moeda, mais um casal inter-racial.

Ela é mais clara, ele é pardo. Mas que compartilham a mesma religião, são muçulmanos. Nasceram e moram em Amsterdã, a capital dos ‘Países Baixos’.

Os ancestrais deles vieram do Oriente: da Turquia, Afeganistão, Indonésia, enfim, algum país islâmico da Ásia.

Mas a Marília e Maurílio retratados aqui são tão holandeses quanto os moinhos de vento, os aterros no mar e os canais de Amsterdã (alias eles passam na ponte sobre um deles).

Uma vez que os europeus nativos não querem mais ter filhos, têm que importar mão-de-obra. Assim os bairros proletários centrais das grandes cidades oeste-europeias estão ficando um pouco mais coloridos, digamos assim.

Num ponto de ônibus da Cidade do Cabo, África do Sul, fotografei um muçulmano muito parecido com o ‘Maurílio’ holandês que eu desenhei: esse de carne-&-osso também é descendente de asiáticos (nesse caso Índia, Paquistão ou Bangladesh), tem pele parda, cobre a cabeça e usa roupas ocidentais (calça).

Já desenhei uma Marília holandesa da gema, etnicamente falando, sobre essa mesma ponte de Amsterdã. Aquela é ruiva, olhos azuis, a pele alva como a neve, e anda de bicicleta. 

Uma holandesa “típica”?? Bem, até o século 20 certamente a que tem tez e olhos claríssimos era o próprio retrato da Holanda.

No século 21, entretanto, essa de turbante é tão representativa quanto, ao menos na Zona Central de Amsterdã, Roterdã e as outras grandes cidades.

O Maurílio muçulmano também cobre a cabeça, e a barba enorme, quase até o peito mas sem bigode, igualmente é representativa de seu grupo étnico.

Mudemos o foco pra Mulher, pois a Energia Feminina é sempre mais bela e colorida que a Masculina, na dimensão do vestuário certamente:

Essa holandesa de ascendência na Ásia segue os preceitos ortodoxos de sua religião, por isso os membros e a cabeça são cobertos, só os parentes dentro da casa podem ver seus cabelos e seus braços.

Ainda assim, o lenço e o vestido são multi-coloridos, e ela está maquiada e com as unhas – do pé e da mão – pintadas.

A Holanda – e a Europa – estão mudando !!

Pois Marília, na raça, continente ou religião que for, nunca deixa de ser extremamente feminina em sua aparência.

É possível uma Mulher ser muçulmana praticante, e ainda assim vaidosa.

Seu turbante florido materializa um estado de espírito, o ‘encontro de dois mundos’, o islâmico e o feminino, do qual essa Marília é a síntese.

“Deus proverá”

Soteropolitano

cidade-baixaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 21 de janeiro de 2017

Os desenhos são inéditos.

as fotos são de um emeio que foi publicado em setembro de 2015.

Marília e Maurílio (e mais a filhinha deles) em Salvador, Bahia. Eles moram numa quitinete em cima de uma laje na última expansão da Cajazeiras. Já quase na divisa com Simões Filho. Se você conhece a capital da Bahia, sabe o que isso quer dizer.

De segunda a sexta Maurílio é motoqueiro, ganha a vida fazendo entregas. As vezes até faz bicos a noite numa pizzaria, na mesma função.

A direita vemos ele pilotando seu instrumento de trabalho, enfrentando o pesado trânsito da Avenida Suburbana.

E no domingo ele e a esposa foram passear no Centro, por isso a 1ª imagem mostra eles na Cidade Baixa, o famoso Elevador Lacerda ao fundo.

……..

Comentemos primeiro a cena em que está toda família: a menina ainda se alimenta dos peitos da mãe. Enquanto Marília amamenta, o maridão ‘papai fresco’ segura as bolsas, a do bebê e também a bolsa de Mulher da esposa, que é da Minnie e com bolinhas vermelhas.

caixa

Esse desenho não se relaciona com o texto. Marília trabalhando como caixa. Aqui, ela é de novo a típica representante do Sul do Brasil, loira natural. Com a camiseta de marca combinando com suas unhas laranjas. Fazer o que, se alguém tem que ser chique e elegante?

Ao lado eu mostro outra Marília, essa Sulista, cheia de charme. Pois bem. A Marília Nordestina também é sempre elegante. Ela não tem dinheiro pra comprar roupas de marca, na verdade nem mesmo se importa com isso.

Mas nem por isso ela é menos elegante. Veja, ela combinou o vestido com sua tatuagem pois ambos são floridos. E mais uma echarpe.Como na Bahia é muito quente pra usar no pescoço, ela amarrou na cintura.

Também fez a ‘mecha californiana‘, pras pontas de seu cabelo ficarem mais claras que a raiz.

Não tem jeito. Mesmo sendo uma dona-de-casa suburbana, Marília nunca deixa de ser charmosa. Tá no DNA dela….

Quanto a pequena princesa, mesmo quando deixar o berço ela terá que dormir por um bom tempo ainda no quarto dos pais.

É que a família aumentou mas o orçamento continua o mesmo. A casa deles é só a famosa ‘quarto-&-cozinha’. Há um pequeno banheiro, claro. Mas não há sala, lavanderia, quintal, garagem, e nenhum quarto extra. É preciso se adaptar a essa realidade.

Vamos aproveitar o busão (Busscar da Bahia Transportes Urbanos – B.T.U.) e mostrarmos algumas características da busologia baiana. Um dia farei uma mensagem onde ilustraremos com dezenas de fotos, mas por hora serve de aperitivo.

buzu

Busscar da BTU ainda na pintura livre.

Vou falar de um tempo que já se foi, da era pré-padronização de pintura e pré-letreiro eletrônico.  Num passado não muito distante, em Salvador, os ônibus tinham:

1) pintura livre; 2) entrada traseira e saída dianteira; 3) o letreiro menor, onde vinha o n° da linha, era vermelho.

Portanto não é porque esse ônibus é vermelho que o letreiro do número é da mesma cor, isso valia pra todas as empresas.

4) Quase todo o itinerário vinha no para-brisas, em épocas mais remotas pintado a mão com giz, e mais recentemente mais organizado numa grande placa ou adesivo. Nesse desenho pegamos a transição, há a placa mais organizada mas pra garantir escreveram ‘Paripe’ e ‘Lapa’ a mão.

E 5) existe uma letra (‘B’, nesse caso) também adesivada bem grande no vidro. Isso também ocorre em outras metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre-RS. É que nas grande avenidas passam dezenas de linhas de ônibus, então é preciso dividir elas por pontos diferentes:

a-familia-cresceu

Combinando o vestido com a tatuagem. Marília é sempre charmosa, mesmo com o orçamento apertado.

Algumas param no ponto ‘A’, outras no ‘B’, se tiver mesmo muitas abre-se o ‘C’ e mesmo a letra ‘D’ existe nos corredores mais carregados. As vezes são números, a função é a mesma.

Tem mais. Já que falamos da cor dos bichões da BTU. Essa foi uma das poucas viações que não adotou a “padronização branca” voluntária do começo desse milênio. 

Explico. Até o meio da década de 10, ainda era pintura livre na capital da Bahia, só padronizou oficialmente um pouco antes da Copa do Mundo-14.

No entanto, na década passada houve uma “padronização informal” na cor branca. A maioria das viações adotou uma pintura em que o branco era majoritário, embora houvesse detalhes em outras cores.

Foi voluntário, um acordo entre as viações talvez pra facilitar o remanejamento da frota entre elas. Não foi imposto pelo poder público. Logo, aderia quem quis. A maioria quis, e ficou sem cor em pelo menos metade do veículo (aqui vemos um exemplo da BarraMar).

Na época se comentava “em terra de gente negra, o ônibus é branco”. Bom, na África as vans de transporte coletivo são (quase sempre) alvas, do outro lado do Oceano o mesmo espírito se manifestou na Boa Terra.

papai-maurilio

A família cresceu. Repito a imagem mas mudo o foco, dessa vez centro a câmera nele, pra gente ver melhor o sorriso de orelha-a-orelha de Maurílio quando está junto com as duas Mulheres de sua vida.

Pois bem. A BTU não quis participar, não aderiu a “padronização branca” informal. Seus busões continuaram multi-coloridos enquanto foi permitido por lei.

Agora, quando veio (pouco antes da Copa de futebol, como dito) a padronização ‘Integra Salvador’, aí a BTU entrou porque foi compulsória, importa pela prefeitura.

A ‘Integra’ também inverteu a entrada pra frente, em todas as viações obviamente.

…………………

Aqui acaba a parte inédita.

Pra encerrar enxerto um emeio publicado em 4 de setembro de 2015.

puxadinho no prédio: salvador também é (áfrica na) américa
salvador1

Perambués, Salvador.

Debatemos recentemente o fenômeno do “puxadinho no prédio” no Chile. E anteriormente na República Dominicana, apelidada “África na América”.

Veja bem. Não estou falando de puxadinho em casa, nem em “prédio artesanal” (‘subindo laje’), quando sobem um andar por vez. Isso existe em toda América Latina e boa parte de Ásia e África.

E sim quando há um prédio, legalmente construído, com alvará e tudo. E aí sem alvará alguém sobe mais um andar por conta – ou no caso chileno faz mais um cômodo suspenso. Isso eu só tinha visto nesses dois países.

Porém acabo de presenciar o mesmo em nossa Pátria Amada (via Google Mapas): bairro Perambués, periferia de Salvador da Bahia. Depois, indo pra outros bairros, constatei que a situação é a mesma na cidade inteira, ao menos na periferia. Veja que beleza!!! Salvador é América, óbvio. E como é. A própria essência Americana desdobrada na matéria.

salvador

Visto mais de perto.

Atualização de 2017: em julho de 2016, quase um ano depois do emeio acima, fui a Aparecida-SP. Lá também é comum adicionarem mais andares em prédios já prontos.

Embora no caso paulista como inclusive no Centro aí creio que a maioria dos prédios tem alvará pra reforma. Pode ser.

Mas a impressão é a mesma. Veja a matéria sobre a “Cidade da Fé”, fotografei a situação que relato acima. Deixando o interior paulista pra lá, vamos continuando pela Bahia. . . Pois o melhor estava por vir.

salvador-2Seguindo pela mesma rua em Perambués, olhe o que eu vi: pessoas andando sem nenhuma proteção na caçamba de caminhões. E não foi a única vez em Salvador que presencio isso. Exatamente como na África do Sul, República Dominicana, México e Colômbia. 

Ah, América querida. Por que você é assim???

“Deus proverá” 

Tabela Trocada

porto-alegre

Bi-articulado de Campinas emprestado em testes a Carris de Porto Alegre. Dá pra ver claramente os guindastes do porto ao fundo.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 19 de janeiro de 2017

Maioria das imagens baixadas da internet. Os créditos foram mantidos, e nas legendas eu dou a ligação pras fontes. As que forem de minha autoria identifico com um asterisco (*).

……….

Fiz uma postagem sobre os ônibus em testes. Acabo de ampliá-la com dezenas de novas fotos, com muitos busos brancos.

campinas

O mesmo veículo em definitivo em Campinas. Fonte da foto: sítio Tudo de Ônibus.

Também traçamos vários casos do mesmo ônibus sendo testado em diferentes partes desse imenso Brasil, confira.

E essa atual postagem também é ampliação daquela. Nosso tema de hoje é ‘Tabela Trocada’.

Pra quem não é íntimo do jargão da busologia, isso significa:

argentina rosário outras postagens: "BH, do Metrobel ao Move" e "Tabela Trocada" trol buso venda nova letreiro lona torino marcop ex- bh padrão verde vermelho faixa branca roda sem chapa

Tróleibus em Rosário, Argentina. Mas….. vai pra Venda Nova???? Tabela trocada, claro, originalmente era pra operar em BH.

Ônibus que deveriam estar cumprindo um determinado tipo de serviço, mas estão de maneira improvisada em outro.

Vamos nos focar em busos com pintura de uma cidade operando em outra. 

Seja emprestados em testes ou quando foram vendidos e o novo dono simplesmente não repintou.

Mas também aparecerão ônibus com ‘tabela trocada’ (‘Paese’, em SP) dentro da mesma cidade.

trol buso padrão venda nova lagoinha letreiro lona torino marcop era bh vermelho faixa branca sem chapa não operou 3 portas zero km fábrica

No meio dos anos 80, a capital de Minas ia re-implantar o trólei. Amplie pra ler, a linha iria dos terminais Venda Nova a Lagoinha. Nunca rodaram no Brasil.

Em todos os casos, vamos ver sempre a ‘tabela trocada’ (o ônibus em situação excepcional, emprestado ou vendido) e a ‘tabela original’ (ele na linha/cidade corretas).

………..

Veja a legenda das fotos acima:

Bi-articulado da viação Itajde Campinas-SP estreou primeiro em Porto Alegre-RS, pela Carris (placa: CUB-4651).

Na postagem sobre os busos em testes há outra foto dele no Rio Grande do Sul.

argentina rosário américa trol buso linha pintada k torino marcop era bh padrão vermelho faixa branca sem chapa árvore privado ecobus

Em Rosário mas ainda com a pintura original de Belo Horizonte. Fonte dessa e de outras fotos de tróleibus: sítio Tramz.com, especializado em transporte elétrico.

– E depois o exato mesmo veículo com seu dono definitivo, no interior paulista, a Viação Itajaí.

……….

E nas 3 fotos a seguir, até essa ao lado:

Tróleibus em Rosário, Argentina. Mas a linha vai pra Venda Nova?

É simples. Esses veículo (vide imagem acima) foram produzidos pra rodar em Belo Horizonte-MG.

Chegaram a comprar e pintar os veículos, e num pedaço da Cristiano Machado teve instalada a rede eletrificada.

recife-em-joinville

Próximas 2: Ônibus do SEI (Recife) no Terminal Central de Joinville, de partida pro Itaum. Essa e outras tomadas são oriundas do sítio Ônibus Brasil.com.

Mas não deu certo, esses ônibus elétricos vermelhos nunca rodaram no Brasil.

Após alguns anos sem uso no depósito, foram vendidos pra Argentina.

Quebraram muitos tabus lá: foram os únicos tróleis brasileiros exportados.

E ao mesmo tempo foram os únicos ônibus brasileiros que rodaram na Argentina, incluindo elétrico e a dísel.

Fiz uma radiografia completa dos tróleibus na América, onde eu conto melhor essa história com muitas fotos.

recife-em-joinville1Pro que nos interessa aqui, os tróleis foram pro país vizinho. Onde operaram a princípio sem serem repintados. Em alguns não trocaram sequer o letreiro.

…….

Acima e ao lado: o Sistema Estrutural Integrado (SEI) do Recife-PE agora tem linha até pro Itaum?SEI artic azul recife volvo torino marcop buso pernambuco faixa vertical verde vermelha amarela terminal cajueiro seco jaboatão chuva pista molhada reflexo kombi

Obviamente não. O buso foi emprestado, antes de seguir pra Pernambuco fez testes em Joinville-SC.

A direita um articulado azul do SEI ‘em casa’, em Jaboatão, Grande Recife.

Nota: esse Viale acabou sendo vendido pra Grande Curitiba.

joinvilleMas foi repintado antes de circular aqui, destino idêntico a dezenas de outros sanfonados recifenses. Portanto não configura ‘tabela trocada’, pois essa se refere ao improviso.

Se houve readequação a padronização da cidade-destino, a transação foi consolidada em definitivo.

……em-curitiba

Acima: também no Itaum, Joinville. Mas na lataria: “Piraquara”, e o ‘M’ do sistema metropolitano de Curitiba?

Esse já estava operando em Curitiba (direita) há um tempo e depois foi emprestado pro norte de Santa Catarina.

s-miguel-maUm caso diferente: geralmente os busos com pintura de uma cidade operando em outra são novos. Circulam em testes emprestados zero km, antes de irem pro seu dono definitivo.

Mas nesse caso esse bichão já estava em ação no Paraná, e foi por uns dias ajudar o estado vizinho. “De Curitiba pro mundo“, mais um caso.sao-miguel

Agora “de Resende-RJ pro mundo”, ou mais especificamente pra São Luís.

O grupo da viação São Miguel que opera nessa cidade do interior do estado do Rio também tem filiais na capital do Maranhão.

uberaba

Uberaba na padronização EMTU???

Um dia o conglomerado “trocou a tabela”:

Acima a esquerda o buso em situação emergencial em São Luís (fonte: sítio Sportbus Maranhão).

A direita em sua tabela de origem, em Resende, Rio de Janeiro, extraído da página Cia. de Ônibus.

………….

uberaba é no estado de são paulo?

então porque lá também tem emtu?????

metrop cinza verm azul marcop buso emtu santos baixada eletrônico interior litoral paulista sp placa motorista treinamento piracicabana tribus trucado 3 3º eixo

Nas próximas 4, um “Ataque dos Clones”. Padrão EMTU do governo Paulista em: 1)Santos (nesse caso um Tribus Urbano).

Certamente o caso mais clássico e conhecido (pelo menos no Sudeste Brasileiro) de tabela trocada são os busos da Piracicabana que circularam em Uberaba, Minas Gerais.

Ou deveríamos dizer Uberaba, São Paulo????

Como é sabido, perto da virada do milênio o governo de SP padronizou em azul os ônibus metropolitanos da Capital, Santos e Campinas.

Agora isso avança pelo estado, e abrange também Sorocaba, Vale do Paraíba, e quem sabe outras partes.

SP artic cinza verm azul marcop buso metrop emtu eletrônico ribeirão pires letreiro saltado saliente teto grande paulista metrop ex-ctba viação adesivada vidro para-brisas garag

2)Região Metropolitana da Capital Paulista.

Pois bem. Isso não é tabela trocada, porque é a pintura oficial dessas cidades.

É um “ataque dos clones”, tema de matéria que levanto pro ar em breve:

Quando várias cidades têm a mesma pintura, mas isso não é improviso, e sim uma decisão deliberada.

Mas Uberaba obviamente não pertence a São Paulo, e portanto não faz parte da padronização EMTU.

campinas3

3)Campinas.

A questão é que a Viação Piracicabana (grupo Constantino/Gol), que domina a Baixada Santista, também tem uma filial no Triângulo Mineiro.

E ela leva seus carros usados pra Minas Gerais, botando pra rodar sem se dar ao trabalho de repintar.

Ou ao menos fez isso por um bom tempo num passado recente. Assim é tabela trocada, pois se configura improviso – alguns diriam ‘desleixo’.

aparecida SP interior paulista metrop emtu buso busscar cinza pássaro marrom padronizada azul vermelho branco lona letreiro outra cor nome linha vale paraíba placa vidro para-brisas itinerário preço valor tarifa

4)Vale do Paraíba (*). Aparecida, julho de 2016. Como explicado, as imagens com asterisco são de minha autoria.

(Nota: flagramos na internet um micro Carolina também no interior mineiro, e igualmente com o “padrão” EMTU.

Mas esse não circula mais, é uma homenagem, “Energia nunca morre“, e não transporte urbano regular.)

………..

Não pense você que são só os ‘carros’ de tamanho normal que a Piracicabana leva pra Minas com a pintura de São Paulo.

E nem que a padronização EMTU é a única que tem o ‘privilégio’.uberaba-micro

A direita: micro rodando em Uberaba.

Mas…. com a pintura do sistema municipal de Praia Grande, na Baixada Santista.

Comprovamos abaixo:

micro-pg-2Em cena oriunda do sítio LitoralBus (de onde também vieram outras fotos), um desses micrinhos ‘em casa’:

Praia Grande, São Paulo.

……………campinas buso cmtc anhangüera anhanguera rodovia estrada p-b sp ajuda locaute 1989 frota emergência paese monob 2 vermelho jânio descrição página sítio internet comentários autor letreiro lona estádio

E já que falamos de Campinas.

A história do transporte coletivo na maior cidade do interior paulista é bastante tumultuada.

Greves, locautes, embates de empresários contra perueiros, de empresários contra a prefeitura, de perueiros contra a prefeitura, o cardápio é extenso.

Em 1989, houve um dos capítulos mais significativos desse conflito.

campinas-cmtc

Monobloco vermelho da CMTC em Campinas.

Várias empresas decretaram locaute, que é a greve de patrão.

Se recusaram a pôr os ônibus pra circular, e pra não terem que fazê-lo judicialmente retiraram a frota da cidade na calada da noite.

Um dia a situação ficou tão crítica que Campinas pediu arrego.

A prefeitura da capital mandou 100 monoblocos da CMTC pra ajudar.

sp anos década 80 paulista lona buso monob 1 vermelho jânio cmtc z/c correio z/c centrão vassoura ação logo emblema político lema propriedade povo

Mono vermelho da CMTC em casa, SP Capital.

Acima a direita o comboio na Anhangüera.

E a esquerda, já em Campinas, o secretário dessa cidade faz a vistoria, pra pôr a frota pra rodar.

O governo do estado também mandou mais 100 busões.

Na ocasião a EMTU tinha frota própria, pois era operadora, e não somente fiscalizadora como hoje.

campinas1Na mesma época (1989) uma das mais tradicionais viações campineiras, a CCTC, deixou o sistema.

A Companhia Campineira de Transporte Coletivo, apesar do nome parecido com a CMTC e CSTC, não era estatal, ao contrário das outras duas.

Ao contrário, a CCTC pertencia a Viação Cometa, que também teve um dia viações urbanas em SP Capital e Ribeirão Preto, no interior do mesmo estado. Agora nos foquemos na foto ao lado, vinda do blog Bus Camp. desenho

É a garagem da VCG (Viação Campos Gerais) em Campinas. Os busos das duas pontas vieram do espólio da CCTC. No meio, inteiro de amarelo, um buso com a pintura de Curitiba.

marechal lona buso ctba anos 80 rui barbosa guabirotuba ponto final amarelo convencional nimbus haraganoAdiciono a gravura (idêntica fonte já ligada acima) desse mesmo veículo.

E a esquerda operando em Curitiba, na Praça Rui Barbosa de saída pra Zona Leste.

Digo, eu não sei se é exatamente o mesmo carro, mas é um do mesmo lote.

testes poa - pintura bh

Ônibus de Belo Horizonte, já com a padronização ‘das Flechas’, operando em testes em Porto Alegre pela Carris.

Uma retificação ao desenho a direita: esse ônibus que foi pra Campinas não tinha 3 portas, somente 2.

E provavelmente não era motor traseiro mas dianteiro, como o que está a esquerda.

Justifico: não houveram Nimbus Haragano 3 portas em Curitiba.

Pois esse modelo é do fim dos anos 70, e a terceira porta só foi introduzida aqui (com exceção dos Expressos da Zona Oeste) em 1986.

Os Nimbus Haragano circularam na capital do Paraná em duas configurações:

azul linha placa lataria adesivada vidro buso bh lona metrobel ciferal flechas colada letreiro improviso saltado pra cima hospitais teto

‘Em casa’: Ciferal com as ‘Flechas’ em B.H. .

Expressos vermelhos, motor traseiro, 2 portas, a de saída no meio; e Convencionais amarelos, motor dianteiro, também 2 portas, a de saída no fundo.

Oras, vemos claramente na foto que ônibus ex-Curitiba tem porta nos fundos. Portanto foi um Convencional na origem (e não um ex-Expresso repassado pra Convencional).

Assim era motor dianteiro, igual ao amarelo visto na Rui Barbosa na foto acima a esquerda, isso se não for exatamente esse.

………

itajai-2999

Em Campinas, pintura curitibana dos Interbairros. N° 2999, que é reservado pros que estão em testes na Viação Itajaí.

E como esse curitibano foi parar em Campinas?

Como dizíamos acima, o fim dos anos 80 foi complicado nessa cidade paulista. Com a saída da CCTC, a coisa complicou de vez.

Assim a Viação Campos Gerais, de Ponta Grossa-PR, foi convidada a assumir algumas linhas.

Veja que os 2 busos das pontas ainda estão na pintura da CCTC, que se recusara a adotar a padronização EBTU (branco, com uma faixa indicando a região da linha).

Alguns dizem que a Campos Gerais é dos Gullin.

testes lona letreiro linha amarelo sp verde interbairros buso perus z/n santa brígida artic marcop viale ctbaGrupo que também controlam várias viações na Grande Curitiba, inclusive a finada Marechal que forneceu esse ônibus amarelo pra Campinas.

E sequer repintaram, configurando mais uma ‘tabela trocada’.

…………JR106 munic buso motor atrás traseiro ctba articulado sanfonado verde interbairros scania eletrônico torino marcop

Continuamos com a conexão SP Capital/Curitiba/Campinas.

Acima a direita (vide legenda) vimos articulado Interbairros de Curitiba em testes na maior metrópole do interior do estado de São Paulo, numerado 2999.

CMTC capital paulista lona buso sp mafersa verde interbairros z/s Ctba capital paulistaDo interior pra capital, o resto é igual:

Acima a esquerda um articulado da S. Brígida com o verde dos Interbairros de Curitiba vai pra Perus, Z/N de Sampa (fonte dessa e várias outras: Revista Portal do Ônibus).

A direita um outro sanfonado Interbairros, também Marcopolo, circulando aqui em Curitiba, esse na tabela correta.CMTC lona buso entrada frente sp convencional mafersa amarelo z/s Curitiba

Acima e ao lado:

CMTC’s verde e amarelo, que deveriam ter sido Interbairros e Convencionais aqui em Curitiba.

Não é modo de falar.

campinas anos 80 buso amélia padronizada pintura vidro preto branco faixa verde tuca caioEm 1987, a prefeitura curitibana lanço licitação pra adquirir 55 ônibus padrão (alongados, 3 portas, etc.)

A Mafersa ganhou a concorrência e produziu o material nas condições requeridas.

Mas a prefeitura de Curitiba cancelou a compra, não sei porque motivo.3 saia rosa blusa lona buso sp z/l azul viação são paulo caio amélia era ex- pintura campinas

Assim vários foram pra CMTC, que botou pra rodar sem repintar, e outros pra Vitória-ES.

………

Agora a conexão é só SP Capital/Campinas.

hibribus Fortaleza Ctba marcop verde híbrido placa chapa testes embarque invertido frente dianteira unifor campus universidade ceará nordeste volvo elétrico motor traseiro atrás vidro preto

De Curitiba a Fortaleza: Hibri-Bus curitibano estreou antes em testes na capital do Ceará.

A esquerda acima um Amélia na primeira padronização de pintura campineira:

Ônibus branco, com uma faixa colorida indicando pra que parte da cidade ele vai.

Agora segura essa bomba:

A direita um Amélia na mesma pintura. Mas circulando na Zona Leste da Capital.

hibribus hibri-bus Ctba marcop verde híbrido sem placa chapa volvo elétrico motor traseiro atrás vidro preto interbairros 1 z/c outra pintura fora padrão tribais arco escuro 2 cores tons

Hibri-Bus no Interbairros 1, que circunda a Zona Central da capital do Paraná.

Amplie e poderá ver que veio usado de Campinas, apagaram o logotipo e numeração.

Mas não repintaram pro padrão ‘Saia-&-Blusa’ paulistano então vigente. Improviso. Tabela trocada.

………

Já que estamos aqui na Capital Paulista, vamos ver uma ‘tabela trocada dentro do mesmo município.

Em 2003 foi implantado o padrão ‘Inter-Ligado’, que vigora até hoje.

buso sp i2 letreiro eletrônico z/n vidro preto azul branco inter-ligado caio metrô santanaA cidade foi dividida em 8 faixas, os busos têm a cor da região. A faixa 2 é azul escura, e fica na Zona Norte.

O consórcio responsável pelas linhas é a Sambaíba, a mesma que tem muita força em Campinas e região.

Ao lado um exemplo, a linha tem o ponto final na Estação do Metrô Santana. Prefixo 2, cor azul, Sambaíba, Z/N. Tabela normal.

tribus trucado 3 3º eixo z/s vidro preto i7 sp roxo interligado brancoA faixa 7 é roxa (ou violeta se preferir, ou ‘vinho’ como as Mulheres diriam), e fica na Zona Sul. A região do Capão Redondo, Jd. Ângela e entorno.

As linhas são do Consórcio 7, do Grupo Ruas, aquele que detêm 60% ou mais da frota paulistana.

Não é pouco, o total são 14 mil veículos portanto só as viações do Ruas (concentradas nas Zonas Sul e Leste, as mais populosas) têm perto de 8 mil ônibus.

trocado-spO grupo Ruas também é  desde os anos 90 dono da Caio – a montadora faliu, e só não fechou porque foi comprada pelo Ruas.

Logo 100% de sua frota é dessa encarroçadora, pois o conglomerado compra dele mesmo. Assim a Caio tem mercado pra lá de cativo.

A direita de costas um Apache Tribus do Consórcio 7: roxo, prefixo 7, eis a tabela normal.

Isto bem estabelecido (pros paulistanos é pleonasmo, falei pro resto do Brasil), vejamos a esquerda a tabela trocada:santo amaro lona z/s municip sp buso caio alfa faixa verde branco artic

Outro Apache da Sambaíba, e por isso com o azul da Zona Norte.

Mas emprestado pro Consórcio 7, e daí a numeração que começa com 7, e indo pro Terminal Santo Amaro, Zona Sul.

sao-paulo-em-itajai……….

Direita: também indo pro Terminal Santo Amaro e também Caio.

Um articulado Alfa, na pintura ‘Municipalizado’ dos ano 90. 

Os veículos maiores (articulados e tipo ‘padrão’ alongados‘) usavam faixa verde, os pitocos faixa vermelha.sao-paulo-em-itajai1

Pois bem. Em 1996, um articulado paulistano (branco, faixa verde) Volvo/Marcopolo foi testado em alguns lugares do Brasil antes de ficar em definitivo em SP.

Acima e ao lado (essas e outras pela página vindas da página EgonBus) o busão em Itajaí, Santa Catarina.

bauru-testesE a esquerda o mesmo veículo em Bauru, São Paulo.

Cumprindo a linha Octávio Rasi, que pelo visto é a ‘piloteira,’ a escolhida pra testar os carros novos que ainda não foram adquiridos em definitivo.

Outro detalhe: ainda pela ECCB, a famosa Empresa Circular Cidade de Bauru, que deixou muitas saudades.bauru

Paciência. Tudo muda, e a ECCB se foi.

Em seu lugar entraram outras viações como a Cidade Sem Limites e a Grande Bauru.

A direita vemos um Marcopolo da Grande Bauru, numa padronização de pintura da cidade.

cuiaba3E a esquerda:

Um buso ex-Bauru agora em Cuiabá, da Integração Transportes.

Alias a capital do Mato Grosso é famosa por absorver ônibus usados do Brasil inteiro e pôr pra circular sem repintar. cuiaba

A campeã nacional da ‘Tabela Trocada’.

Quando estive lá, no já distante ano de 2006, isso foi o que mais me chamou a atenção.

Vamos a mais exemplos, que são abundantes.

sjcA direita: Apache da Sol em Cuiabá. Ainda na padronização de São José dos Campos-SP.

Já a esquerda, o exato mesmo veículo na ‘tabela normal’, com seu antigo dono no interior paulista 

(Nota: alias vemos no buso atrás desse que em SJC ainda se usa escrever ‘Cidade’ quando a linha retorna ao Centro. cuiaba2

Décadas atrás foi assim também em SP Capital, Campinas, e quem sabe outras cidades, mas não mais a muito. Em SJC ainda é.)

……..

Tou só me aquecendo.

santos De branco e faixa azul, mais um Apache circulando em Cuiabá, pela Viação Sol. Agora com a pintura de Santos.

Mato a cobra e mostro o pau. Vemos ao lado o exato mesmo Apache.

Clicado anteriormente numa belíssima tomada na orla dessa importante cidade portuária paulista, e de brinde ainda ao pôr-do-Sol (ou talvez um nascer-do-Sol).cuiaba4

A conexão Santos/Cuiabá apenas se inicia.

A direita:

Da mesma Viação Sol, outro Apache em Cuiabá.

Ainda com a decoração visual santista

santos-2Como comprovado a esquerda, um desses bichões com a ‘tabela normal’ no Litoral Paulista.

Dessa vez não conseguimos o flagra do exato mesmo carro, até porque acima é Caio, ao lado trata-se de um Marcopolo.

Mas a pintura está aí registrada, é o que basta.cuiaba1

Pensa que é só Uberaba que tem EMTU sem pertencer ao estado de São Paulo? Pensa?

Então filma ao lado mais um da Viação Sol cuiabana.

………..

E por falar nisso voltamos pro interior paulista.

campinas2Esquerda:

Neobus da Viação Itajaí de Campinas. Número de teste tradicional, 2999

Com a pintura dos metropolitanos de Belo Horizonte.

Exemplificado a direita: metrop outra postagem: "Tabela Trocada" linha adesivada vidro buso bh laranja amarelo adesivado cidade administrativa sede governo estadual masdcarello eletrônico placa itinerário viaduto pichado pichação

Mascarello  na Grande B.H.

Abaixo um Marcopolo municipal de Belô, também laranja e amarelo.

Na capital de Minas, como em Curitiba, no SEI de Recife e muitas outras cidades, a cor do ônibus não indica pra onde ele vai.

amarelo buso bh eletrônico marcop letreiro menor lateral placa itinerário vidro hospitais transição azul flechas paese tabela trocada categoria errada 3 portasE sim a categoria da linha: expresso, alimentador, diametral, circular, radial,  inter-bairros, etc.

Não sei qual a categoria dos ônibus laranjas, sei que cada cor é uma categoria.

Mas vejam ao lado:

O buso é laranja. Mas a placa do itinerário é azul. FR071 8071 lona buso ctba frota pública volvo ciferal alvorada articulado chapa branca laranja propriedade povo provisório interbairros inter-bairros tabela trocada redentor terminal parado ponto final letreiro saliente cima

Logo, o buso é de uma categoria, mas está cumprindo linha de outra.

Mais uma ‘tabela trocada’ municipal.

A direita, um exemplo aqui de Curitiba.

interlig branco lona buso sp i3 Amarelo z/l vidro preto caio apache tribus trucado 3 3º eixo paese 2002 placa vidro itinerário letreiro reservado papel escrito mão improvisado linha colado vidro para-brisasArticulado laranja da Frota Pública da Urbs. Pela cor deveria fazer linhas do Expresso.

Por um tempo os Expressos foram laranjas, depois voltaram ao vermelho, pra quem não sabe.

Mas está fazendo linha de Interbairros, note a placa de itinerário verde atrás da porta.

sjp ex-carmo buso anos década 90 ctba livre lona marcop torino laranja sjp são josé pinhais tabela trocada ex-munic metrop terminal ponto final guadalupe quisisana padrão alongado motor atrás traseiro

Term. Guadalupe, Curitiba. Torino ex-Carmo, viação municipal, em linha intermunicipal pela Viação S. José dos Pinhais. Mudaram o n°, e o ‘Cid. de Curitiba’ por ‘Metropolitano’. Mas não tiraram o laranja dos alimentadores de Ctba. Carmo e S. José eram do mesmo dono. Na “licitação” de 2010, Carmo acabou e S. José assumiu suas linhas municipais da capital.

O ônibus que o ultrapassa, esse sim, está adequado a linhas de Interbairros.

………..

Acima: Tribus amarelo da Zona Leste de Sampa faz ‘Paese’ (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência).

Que é exatamente o jargão técnico paulistano pra ‘tabela trocada’.

Deveria estar numa linha, mas em situação emergencial está em outra.

Como ele não faz esse roteiro normalmente, na época da lona a linha não constava no letreiro.

operando expresso azul pinhais z/l ctba artic ex-recife era volvo torino marcop buso bege terminal guadalupe centrão z/c placa itinerário linha vidro para-brisas fora serviço paese tabela trocada improviso roda preta pintada ficha técnica portal página internetDaí a escrito ‘Reservado’ no local apropriado.

E você tem que saber a linha por uma placa improvisada no para-brisas.

Cara, beleza. Na época da lona era normal.

buso bh minas mg sinal esquina farol vermelho metrop linha pintada lata lateral improviso coberta fita-crepe mudada

Belo Horizonte, novembro de 2012 (*).

Mas filma isso a esquerda.

No mesmo Terminal Guadalupe (Centrão de Curitiba) falado na foto acima a direita:

Articulado vai partir pra Pinhais (na Zona Leste metropolitana). Mas você tem que saber isso por uma placa no vidro.

Já que onde deveria vir a linha está grafado ‘Fora de Operação’. Detalhe…. o letreiro é eletrônico.

buso Brasil RJ vidro preto Sto. Domingo RD carioca letreiro menor lateral linha

Santo Domingo, outubro de 2013 (*).

Não bastava simplesmente digitar a linha num teclado, como eu faço pra produzir esse texto?

Improviso na lona, vá lá, eu entendo. Agora, esse improviso no letreiro digital….

Sinceramente não pude compreender. Está registrado, cada um chegue a suas próprias conclusões.

……….

buso ex rio janeiro rj carioca assunção paraguai importado levado português letreiro niterói piratininga são lourenço san lorenzo z/l

Assunção, maio de 2013 (*).

Direita acima, aquele ônibus vermelho que só aparece parte da lateral:

Belo Horizonte, novembro de 2012 (essa é de minha autoria, por isso está asteriscada (*), como já dito):

Por falar em improviso, né?

Em Belô, e em Belém, por muitos anos a linha veio pintada na lateral ou adesivada no letreiro do veículo.

Portanto o ‘carro’ tem que ficar fixo nela, não dá pra mudar. Esse é o padrão em quase toda América Latina, ou era antes do letreiro eletrônico e das ondas de modernização.

itajai

Itajaí-SC (não confunda as fotos da Viação Itajaí de Campinas-SP com a cidade portuária catarinense, essa é o 2° caso): frota oriunda de B. Horizonte, ainda com a pintura de Minas (vide imagem de um com essa pintura em BH um pouco mais pro alto na página) na garagem da Coletivo Itajaí. No entanto, não sabemos se eles operaram assim ou foram repintados antes de ir a rua. Se receberam nova decoração conforme o padrão correto da cidade, não é tabela trocada. Numa garagem da Gde. Curitiba também foi flagrado um ex-BH, mas ele não rodou aqui como chegou, foi adequado a nosso padrão.

No Brasil porém não era assim, exceto nas capitais do Pará e de Minas. Nelas, enfatizando de novo, o carro ficava fixo na linha.

Mas e se precisasse mudar? Mete uma fita-crepe por cima da linha antiga e já era, como flagrei em B.H., em 2012.

Improviso? Tabela Trocada. Quem disse que não troca???

……….

Já que o tema é América Latina, emendamos essa (você já viu as fotos um pouco pra cima, busque pelas legendas):

Santo Domingo (Rep. Dominicana, Caribe), e Assunção (Paraguai), ambos no ano de 2013:

Busos cumprem linhas locais. 

Foram importados usados do Brasil, e sequer mexeram nos letreiros laterais que informam quais linhas eles cumpriam no Grande Rio:CMM

Respectivamente, como observado: “734- Madureira/Rio das Pedras” (municipal carioca) no Caribe, e “Piratininga” (Niterói) no Paraguai.

Direita: articulado Mega Neobus (aquele redondão que é a “re-encarnação do espírito” Monobloco) sai do T5, em Manaus  – prefixo em cor diferente porque é ‘Costa Norte Brasileira‘.

Antes de seguir pro Amazonas, essa safra fez testes em Salvador. Confira os bichões na Boa Terra, mas já na decoração manauara, com o ‘M’ de Manaus e tudo.

campo largo buso piedade neobus merced amarelo faixa branca cinza micrão 3 portas munic ctba z/oPra fechar, vamos ver mais algumas viações que operam na Grande Curitiba fazendo ‘tabela trocada’ no interior/litoral do Paraná e Santa Catarina.

Esquerda: pintura municipal de Campo Largo, subúrbio da Zona Oeste da capital do Paraná (fonte: página Ônibus in Brasil).

A viação é a Piedade, que pertence ao grupo Campo Largo.

porto união vitória buso amarelo marcop cinza ex- campo largo z/o ctba viale faixa interior paraná sc pr catarina divisa

Ônibus da Piedade em União da Vitória/PR.

Pois bem. Paraná e Santa Catarina compartilham 2 cidades-gêmeas, Rio-Mafra e ‘Porto União da Vitória‘.

Cada cidade-gêmea é composta por uma mesma cidade que se espraia por dois municípios, um em cada estado. Politicamente, estão separados.

Mas na prática formam uma e a mesma cidade em todos os outros aspectos: cultural, econômico, urbanístico, etc.

Ou seja, Rio Negro-PR e Mafra-SC formam uma única urbe, que é Rio-Mafra. Porto União-SC e União da Vitória-PR são uma e a mesma cidade, Porto União da Vitória.

porto união vitória buso amarelo marcop cinza ex- campo largo z/o ctba viale faixa interior paraná sc pr catarina divisa

Da mesma viação em Porto União/SC. Notam que as tomadas vieram do sítio IMP Ônibus.

No passado, em ambos os casos não havia divisão, sequer na esfera política. As cisões são herança da ‘Guerra do Contestado‘.

Pro que nos interessa aqui, a Campo Largo comprou as viações locais das duas cidades gêmeas, tanto ‘Rio-Mafra’ quanto ‘Porto União da Vitória’.

A divisa PR/SC agora é dela, inconteste. O que a guerra separou, o grupo Campo Largo voltou a unir, segundo alguns.

Os busos vão usados da região metropolitana da capital, e não são repintados pra operar no interior, como notam. buso rio-mafra outra postagem: "de Curitiba pro mundo" eletrônico amarelo marcop cinza ex- campo largo z/o ctba rio negro viale faixa interior paraná sc pr catarina divisa

Nas 2 fotos acima já vimos os ex-Gde. Curitiba (pintura municipal de C. Largo) dos dois lados da divisa em ‘Porto União da Vitória’

Ao lado: Mafra-SC, março de 2015 (*). Em foto clicada pessoalmente por mim, vemos mais um ex-Campo Largo, ainda na pintura original. 

buso rio-mafra outra postagem: "de Curitiba pro mundo" amarelo marcop faxinal ex-ctba negro eletrônicoMano, não apenas não re-pintaram. Não se deram o trabalho sequer de re-emplacar o veículo.

Eu tirei uma foto bem de perto, onde se lia na chapa “PR-Campo Largo”, acabei apagando sem publicar pois o espaço é limitado.

E esquerda também em Rio-Mafra um da mesma viação, dessa vez no padrão de Curitiba (*).

testes1

Próximas 2: ‘Super-Articulado’ Mercedes/Marcopolo (com 4° eixo, 23 metros e 220 pessoas, enquanto que em um sanfonado normal são 18 metros e 150 passageiros) em testes em Curitiba – amplie a foto ao lado pra ler a placa de São Bernardo do Campo (no ABC, Grande SP), sede da Mercedes. Essas do busão prateado e outras imagens vieram da página IvanBuss.

(Duas notas: 1-Até 2015 os sistemas municipal e metropolitano da capital eram o mesmo.

Mesmo após a separação da parte financeira várias linhas metropolitanas ainda usam as cores da capital.

A linha metropolitana mesmo Ctba/Campo Largo ainda é feita por ônibus amarelos, e é exatamente por isso que vemos esse na divisa PR/SC.

E 2- Sinceramente, não lembro se tirei a foto acima a esquerda em Rio Negro ou em Mafra.)

Mas não faz qualquer diferença, a maioria senão todas as linhas são inter-municipais, e portanto inter-estaduais.

Natural, pois, repetindo, Rio Negro e Mafra são uma e a mesma cidade, embora sejam 2 municípios distintos, um em cada estado.

testes

Tem portas dos dois lados. Como ele é cinza e as portas da esquerda são elevadas, poderia fazer linha de Ligeirinho. Se ele estivesse na linha Inter 2, não seria ‘Tabela Trocada’, entraria só na outra postagem, ‘Em Testes’. Mas ele está usando as portas da direita pra puxar a Inter-Bairros 2, que na tabela normal é verde. Então trocou a tabela.

Portanto o ônibus lá tem que ser ao mesmo tempo urbano e inter-estadual, assim como Foz do Iguaçu tem linha urbana e inter-nacional.

……….

Como foi bem ilustrado e explicado na matéria sobre os Ônibus Metropolitanos de Curitiba, 1992-Presente:

No começo dos anos 90 os busos inter-municipais da Grande Curitiba deixaram de ter pintura livre.

Foram padronizados em uni-color: a cidade foi dividida em várias faixas, cada uma com uma cor.

Assim pela cor você já saberia pra qual município suburbano vai aquela linha.bege graciosa lona são josé pinhais buso ctba metrop jardim ipê padrão longo busscar

Umas poucas linhas deveriam ser beges, excepcionalmente. Só que a exceção virou a regra.

Só a Viação São José dos Pinhais se manteve no esquema original e ainda é vermelha.

Todas as demais, incluso as outras empresas que também vão pra S. J. dos Pinhais, padronizaram toda sua frota em bege.

metropolitano lona buso paranaguá pgua graciosa caio apache pintura livre 3 portas roda pintada branco faixa verde emblema logo letreiro praia de leste adesivo feliz 2008 cortinas ano-novo paraná pr litoral interiorQue portanto é a cor arquétipa de ônibus metropolitano em Curitiba. Isto posto, vamos lá. A direita a tabela correta:

Pintura bege padronizada metropolitana de Curitiba, viação Graciosa em linha da Gde. Curitiba.

A Graciosa também atua no Litoral do Estado. E lá continua pintura livre.litoral

Veja a esquerda esse Apache que liga Paranaguá a outras cidades costeiras. 

Essa, por sua vez, é a tabela normal, branco e verde (cores e desenhos escolhidos pela empresa) perto do Oceano.

bege marcop buso ctba metrop br-116 terminal fazenda rio grande reunidas

Tabela correta: Reunidas Metropolitano na Gde. Curitiba. Padronizado bege com letra ‘M’.

Na maior parte do ano, fora da temporada, geralmente funciona assim mesmo.

Mas no auge do verão, quando o calor está no pico, o Litoral bomba de gente.

Aí o que acontece: a Graciosa desce parte da frota, pra ajudar por lá. E esses ‘carros’ extras trocam de tabela.

Acima a direita, Busscar da Graciosa vai pro balneário de Guaratuba. 

santa-catarina-livre

Tabela correta: Reunidas suburbano em Santa Catarina. Pintura livre.

Entretanto, bege padronizado e com o ‘M’ do sistema metropolitano da capital. Mais: escrito ‘São José dos Pinhais’ na lata.

Outro caso similar. A viação Reunidas tem sede em Santa Catarina. Mas ela opera também na Grande Curitiba.

Sua área de atuação é formada por alguns municípios bem distantes que ainda começam a se metropolizar de forma efeitiva.

santa-catarina

Tabela trocada: suburbano em SC, mas pintura do Metropolitano do PR.

Pois são tão longe que ainda são uma transição entre interior e subúrbio de metrópole.

Seja como for, observe acima a esquerda (onde aparece o terminal ao fundo) a tabela correta:

Marcopolo da Reunidas na Grande Curitiba. Bege, e com o ‘M’ de metropolitano

Como dito vemos o Terminal Fazenda Rio Grande, mas os busos da Reunidas não integram, só passam em frente mesmo.

piracicabana-sao-roque-7215

Como surgiram as R.M.’s de Sorocaba e Vale do Paraíba, a EMTU encampou várias linhas da Artesp. Mas a linha São Roque/Itapevi ainda é da Artesp (veja o adesivo do ‘S’ de Suburbano no vidro), e portanto ainda é pintura livre. E o que a Piracicabana (sempre ela!!!) fez? Botou buso com pintura EMTU fazendo linha da Artesp, apenas tiraram as faixas vermelhas e cinzas.

No entanto, a Reunidas também opera linhas suburbanas (pega estrada, mas é buso com catraca e 2 ou 3 portas) no interior do Paraná e Santa Catarina.

E ali não há padronização de pintura.

Acima a direita (vide legenda) um Marcopolo com pintura livre branco com detalhes em azul e vermelho, e o ‘Reunidas’ enorme.

Essa é a tabela correta pras linhas do interior.

Agora acima a ‘Tabela Trocada’. A linha é Três Barras/Canoinhas/SC.

Mas o buso é bege e tem a palavra ‘metropolitano’ e sua inicial ‘M’ grafados, padrão da Grande Curitiba.

O n° também tem o prefixo ’30’, estabelecido pela Comec (órgão estatal paranaense que regula o transporte metropolitano). Apenas a entrada foi invertida pra trás.kombi adapatado caseiro artesanal perua vw volkswagen verde branco alongada gancho pé-grande roda pneu 16 janelas limosine

……….

Aqui se encerra a matéria. Vamos aproveitar o embalo e pôr as ligações pras outras matérias que também foram atualizadas com várias fotos.

mercês Linha Turismo buso 1-and ctba vidro alongado adaptado maior símbolo jardineira motor atrás traseiro branco desenhos pontos turísticos praça tiradentes centrão z/c parado ponto final pessoas passageiros entrando subindo embarcando bonde bondinho ciferalGostou da Kombi Pé-Grande, com um gancho na frente e se tudo fosse pouco hiper-alongada com 16 janelas?

É trans-gênica, claro. Além dessa adicionei outras 3 Kombis (uma trucada, ou seja, Tribus), e outras 2 com reboque – que é outra Kombi cortada.

costa-rica

De Curitiba pro Mundo“, e fechando com chave de ouro: Caio ex-Curitiba na Costa Rica. Como no letreiro ainda diz “Inter-Bairros 2“, é tabela trocada. Fonte: sítio Bus-Planet (busos do mundo inteiro).

E além disso um ‘Pé-Grande Casa-Móvel’.

E essa jardineira na Linha Turismo? Atualizei a matéria contando ilustradamente a história de toda a frota que já operou e opera na Linha Turismo:

Jardineiras, ônibus 1-andar adaptado, ônibus 1-andar feito especialmente pra esse fim, e 2-andares.

Portanto desde as linhas que a precederam e geraram: Pro-Parque e Volta ao Mundo.

Que Deus Ilumine a Todos.

Ele-Ela proverá

até Bayeux (Z/O de João Pessoa) tem “metrô”

zona-oeste-j-pessoa1

Subúrbio ferroviário na Zona Oeste da Grande João Pessoa.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 22 de setembro de 2013

………

Segue a série sobre João Pessoa.

Hoje, entre outros temas, falaremos um pouco sobre o futebol no estado da Paraíba.

E também mais sobre a rede de transportes da capital.

cais-e-balsa-imporvisados-s-rita-z-o-j-pessoa

Num cais improvisado, barqueiro faz a travessia do rio no Centro de Santa Rita (subúrbio metropolitano da Z/O).

Na primeira mensagem da série mostramos como é o sistema de ônibus atual.

Na segunda demos uma palhinha sobre a Setusa, estatal estadual frota pública que exsitiu nos anos 80 e 90.

Agora vamos pro modal ferroviário: a cidade conta com uma linha de trem suburbano.

Que liga a Zona Oeste a Zona Norte passando pelo Centro. Mas é bem precário.

Pois o ramal é compartilhado com carga, não atende a orla da Zona Leste, que é a parte rica e portanto o polo de empregos, e os intervalo entre os trens é de 1h20min.

1-predio-de-s-rita-z-o-j-pessoa

Nem tudo em S. Rita é precário. Quando estive lá, estava em obras o 1º prédio alto do município, de classe média, bem no Centro.

Ou seja, só há uma composição operando (bem pequena, tem uns 5 vagões), o mesmo trem vai e volta, não há outro.

A única vantagem é que irrisoriamente barato, apenas R$ 0,50 (os valores são sempre de setembro de 2013, quando estive lá).

Isso mesmo, por cinquenta centavos você pode cruzar toda a cidade.

Se fosse de ônibus, gastaria mais de 10 vezes esse valor.

Veja as fotos: logo acima da manchete o trem chegando na estação-terminal (ponto final) do subúrbio metropolitano de Santa Rita, Zona Oeste

r-050-tarifa-do-trem-suburbano-j-pessoa

Cruzar toda cidade por R$ 0,50??? Sim, cinquenta centavos!!!! Parece piada mas é verdade. Isso é João Pessoa.

É uma locomotiva a dísel, incomparavelmente mais lento e mais poluente.

E isso tanto em termos sonoros quanto de fumaça. Perde feio pros modelos elétricos que existem nas capitais com sistema de transporte mais avançado.

Por exemplo, veja nessa postagem o trem suburbano de Belo Horizonte, que visitei uns meses antes. Também foi feito sobre uma linha de trem de carga.

Porém em Minas a linha foi triplicada, ou seja, há duas linhas pro sistema de passageiros e mais uma pra carga, assim não há compartilhamento.