Sampa: a mesma mão que constrói e destrói coisas belas

S.P. em P.&B.: o melhor e o pior do brasil, a poucas quadras de distância um do outro

Jardins, Zona Central de SP.

por Maurílio Mendes, O Mensageiro

publicado em 28 de maio de 2018

São Paulo. Principal metrópole financeira da América Latina.

Uma cidade riquíssima, que concentra em sua região metropolitana uma proporção desproporcional do PIB do Brasil.

Av. Radial Leste, Brás, Zona Central de SP.

Muita abundância, que se traduz em modernidade e amenidades pra sua imensa porção de classe média-alta.

Sobrando um pouco dessa prosperidade até pra periferia.

O sistema de transportes, por exemplo, vem se modernizando muito depois da virada do milênio.

Sem-tetos nas ilhas (praças) da Marginal Tietê.

E se ainda fica longe do ideal inegavelmente está infinitamente melhor que era até os anos 90 (já falaremos melhor disso).

Por outro lado, a Zona Central está em estado de calamidade em alguns pontos de tanta gente morando na rua.

Isso tem levado a múltiplos conflitos, em diversas dimensões.

Próximas 3: partes bonitas do Centro, não tão afetadas pela gangrena social. Aqui (e acima da manchete) o Teatro Municipal.

O Centro de São Paulo em alguns pontos está semi-destruído, parece que já passou pela hecatombe nuclear.

É com muito pesar que falo isso, pois eis uma cidade que Amo muito, do fundo de meu Coração, e a qual fui e sou ligado desde a infância.

Tanto que a página tem uma seção especial só pra Homenagear a maior metrópole brasileira.

Praça da Sé, onde há a Igreja-Matriz (Catedral) e o Marco-Zero da cidade.

Onde agrupo tudo que já escrevi (e desenhei, e fotografei) sobre lá. 

………

Encarnei em Brasília-DF mas morei toda minha vida em Curitiba.

Ainda assim, já fui bem mais de uma centena de vezes na minha vida a SP.

Essa matéria que você está lendo agora é fruto de uma viagem realizada no final de janeiro de 2018.

O Marco-Zero, que referencia as distâncias de e p/ S.P., há um mapa simplificado. Curitiba tem um igual, e também fica defronte a Catedral na Praça Tiradentes.

Na ocasião, fui também a Vila Carrão, na Zona Leste.

Essa porção oriental da cidade já foi mostrada num ensaio a parte.

Então agora vamos ver a Zona Central e um pouco de Moema, na parte rica da Zona Sul.

PARTE 1 – APOCALIPSE AGORA:

A BARRA-PESADÍSSIMA NO CENTRÃO E IMEDIAÇÕES

Marginal Tietê, com suas 12 pistas e ao fundo o estádio da Portuguesa.

Iniciamos nossa jornada. Cheguei a capital paulista de ônibus Cometa no meio da tarde.

E segui a pé pro meu destino, que era Moema (na Z/S como todos sabem).

Foram 3 horas caminhando sozinho, desbravando as entranhas da metrópole.

Em Sampa tudo é recorde, tudo é superlativo. Veja a esquerda, minha primeira visão da cidade:

Próximas 3: Bom Retiro (colado ao Centro), uma “periferia central”.

12 pistas de rolagem num único sentido na Marginal Tietê!!! Exagero??? Bem-vindo a São Paulo, irmão.

Já fiz ensaio fotográfico mostrando essa mesma Marginal e o comecinho da Dutra.

Foi produzido quando ali passei a caminho de Aparecida (“do Norte”) – a “Cidade da Fé” – no interior do estado, em julho de 2016.

“Jogadores Anônimos”, organização análoga aos Alcólicos Anônimos pras pessoas viciadas em jogos de azar.

As 12 pistas (de cada lado!) da Marginal foram minha primeira visão.

A segunda foi que mais uma vez constatei que diversas praças na Zona Central viraram acampamentos permanentes de sem-tetos.

Veja de novo a 3ª foto da matéria, mais pra cima na página.

Até mesmo as ilhas da Marginal estão ocupadas dessa forma (‘ilhas’ é o espaço entre as alças dos viadutos, o rio não tem ilhas dentro d’água, óbvio’).

Pra fazer graça emplacaram um bicicleta.

Já que estamos falando de pessoas que moram  na rua, uma nota:

Não vou entrar no mérito da discussão entre esquerda e direita sobre se a culpa é somente da sociedade e não do indivíduo, por um lado, ou somente do indivíduo e não da sociedade, por outro.

Próximas 4: mais algumas cenas tranquilas do Centrão, sem aspectos de destruição. Aqui o famoso Edifício Banespa, o banco foi privatizado mas o nome ficou.

Estou só reportando os efeitos, sem adentrar nas causas. O que é fato é:

A Zona Central de São Paulo está em estado de calamidade por conta desse problema.

Assim que cruzei a Marginal e adentrei a Av. Cruzeiro do Sul presenciei o final de um confronto entre a Guarda Civil e os craqueiros que infestam aquela região.

Não vi cenas de violência, felizmente, porque a operação estava terminando.

Palácio das Indústrias, perto do Pq. Dom Pedro, antiga sede da prefeitura. Nos anos 80 o poder público municipal se localizava no Pq. do Ibirapuera, região rica da Zona Sul. Justamente pra desenvolver o Centro levaram pra esse prédio que veem acima.

Cerca de 20 ou mais viaturas policiais já deixavam o local quando cheguei.

Notei que eles haviam ter dado o famoso ‘bacolejo’ na rapaziada usuária de craque.

Uma das craqueiras estava enlouquecida (desculpe o pleonasmo).

A Mulher, um farrapo humano de tão imunda, descabelada, desdentada, etc., gritava impropérios contra os guardas, e mostrava o dedo médio em riste.

Os policiais mostraram serenidade e a ignoraram, continuando a se retirar do local.

Estou sobre o Viaduto do Chá e fotografo o Palácio do Anhagabaú, atual sede da prefeitura. Fiz uma montagem na bandeira. É a mesma bandeira, mas nessa imagem não consegui pegar ela aberta. Cheguei mais perto, fotografei de novo e colei aqui. Já fiz algo similar em Fortaleza-CE.

Deus Pai e Mãe me poupou de presenciar um conflito violento, onde eu poderia receber até estilhaços.

Mas deu pra sentir o clima. Foi o ‘cartão de visitas’ da Zona Central da cidade.

……….

Claro que nem tudo na Zona Central é ruim. Boa parte dos bairros que cercam o Centrão de São Paulo são uma espécie de “periferia central”:

Uma região de moradias mais humildes. Não há problema algum nisso.

Final do Vale do Anhagabaú, ao fundo a Praça da Bandeira com… uma bandeira.

Não estou propondo nenhuma forma de elitização. Até porque seria difícil reverter essa tendência.

Em megalópoles como São Paulo os ricos se afastaram do Centro há décadas.

Não por outro motivo me espantei ao ver edifícios de elite no Centrão de Buenos Aires-Argentina, no bairro da Recoleta. Porque em São Paulo é o contrário:

Mesmo no coração da metrópole, o perfil é majoritariamente de classe trabalhadora, as pessoas vivem em casas e prédios muito velhos, a maioria sem garagem.

Continuamos no Centro (note o mesmo prédio visível também na tomada anterior).

Em outra visita que fiz a SP (janeiro de 2014) andei pelo Centro e Bom Retiro, documentando melhor a situação.

É o caso também de bairros como Brás, Mooca, Bexiga, Barra Funda, Bela Vista.

……..

Enfim, continuo a descrever meu passeio a pé. Veja a foto a esquerda.

Perto da Estação da Luz. As manchas pretas na parede são resquícios das fogueiras que os que dormem por ali fazem a noite. O prédio mais alto da imagem está invadido.

Havia uma enorme aglomeração de sem-tetos no Anhagabaú.

Não fotografei mais de perto pra não chamar a atenção, por motivos óbvios de segurança.

A prefeitura instalou dezenas de banheiros químicos portáteis pra tentar minorar o caos, pra não ser ao ar-livre mesmo.

O Centro de SP está parecendo as piores favelas da África do Sul.

Eis o prédio abandonado e invadido por quem não tem opção.

Não estou crucificando os moradores de rua como únicos culpados por essa lamentável situação que se tornou o coração da metrópole.

Creio que esses Homens e Mulheres em situação de risco sejam mais sintomas que a causa de uma sociedade profundamente doente que é como está nosso Amado Brasil hoje, infelizmente.

Portanto tampouco estou advogando qualquer solução violenta de remoção dessas pessoas a força.

Apenas que a situação está saindo do controle e todo mundo que pode está evitando o Centro isso é um fato também.

Aqui e a esquerda: Av. Radial Leste, entre o Tatuapé e o Parque Dom Pedro 2º.

Sem apontar culpados nem ter a pretensão de de indicar uma solução, relato apenas o quadro  como o testemunhei. E ele é tenebroso.

Veja o prédio invadido na foto acima a direita, e em escala maior acima a esquerda.

Que situação! E os varais comprovam que tem gente morando ali.

Indigno seria até como um canil pra animais. Absolutamente desolador ver pessoas viverem dessa forma.

Invadiram as calçadas, realidade calamitosa.

A prefeitura, em parceria com algumas corporações quem sabe, deveria reformar esse edifício.

Pra que ele oferecesse condições mínimas de salubridade a seus moradores.

Fotografei exatamente o mesmo em Joanesburgo, inclusive os varais.

Eu disse que o Centro de São Paulo está parecendo os guetos (sul-) africanos.

……….

Não apenas a África do Sul. Lembrei muito também de algumas cenas trágicas que vi na América Latina.

A direita pessoa revira o lixo perto da Rua 25 de Março.

Em busca de algo pra vender ou mesmo pra comer. Triste, muito triste.

Fotografei o mesmo em Joanesburgo e também em Buenos Aires.

Próximas 2: mais pessoas dormindo – em plena luz do dia – nas ruas. Aqui sob o Viaduto Santa Efigênia

E, bem, a Argentina igualmente atravessa severa crise social, política, econômica, multi-dimensional resumindo.

O Centro de Sampa, em várias partes, está parecendo o de Acapulco.

Lá quem pode também já abandonou o Centro a muito.

Andando no Anhagabaú me voltavam as lembranças do México, que visitei em 2012.

… e na estação de metrô.

Essa nação centro-americana também vive dias bem conturbados, em várias dimensões.

(Nota: sim, eu sei, oficialmente o México é América do Norte.

Mas se você analisar em termos sociais  ele se parece muito mais com Guatemala e Panamá que EUA e Canadá, então eu grafo como Centro-América.)

Na capital México D.F. alias fotografei uma favela parecida com essa da Radial Leste que veem acima, nos dois casos invadiram as calçadas.

……..

Tanta sujeira no Centro que não adianta varrer, equipes da prefeitura têm que usar jatos d’água de alta pressão com caminhões. Avenida Nove de Julho, Zona Central de S. Paulo, janeiro de 2018. Assim caminha a humanidade…

A situação está complicada, e não é de hoje. Quando falo que passei a pé pelo Centro e presenciei tudo isso, as pessoas que moram lá em São Paulo mesmo se arrepiam.

Falam “como você teve coragem? Aquela região é muito perigosa”. E de fato é.

Mas talvez seja minha missão na Terra documentar essas ‘zonas vermelhas’.

Fiz isso nas centenas de cidades que já visitei,  por boa parte da América e agora até da África.

Trabalho infantil nos Jardins. Fotografei o mesmo em Assunção. Mas não esqueça que o Paraguai desde que perdeu a guerra contra Brasil e Argentina nunca mais se recuperou plenamente. Entretanto nos Jardins estamos num dos bairros de renda per capita mais alta de toda América e do planeta. Outro detalhe: SP foi uma das capitais que mais demorou a padronizar a cor dos táxis. Desde os anos 70 (no máximo comecinho dos 80) Rio (amarelo), Curitiba (laranja), e Porto Alegre-RS (vermelho alaranjado, parecido com a cor do Scania Jacaré), entre outras, já tinham pintura padronizada, mas em São Paulo era livre. No começo dos anos 90, enfim, a capital paulista determinou que todos teriam que ser brancos.

Alias, dessa vez não foi nada, fiz esse trajeto de dia.

Em 2013, fui a Belém do Pará. Meu voo partiu e chegou de Cumbica/Guarulhos (na Grande SP, como é notório). Logo, fui de ônibus de Ctba. p/ SP. .

Cheguei a capital paulista no finalzinho da madrugada.

Estava noite alta ainda. E, a pé, sozinho e sem celular, eu fui andando, só eu e Deus.

Fiz o mesmo trajeto, do Tietê ao Centro.

Passei ali na Cracolândia, tudo escuro enfatizo mais uma vez.  Não havia ninguém nas ruas.

E com minha mochila as costas, minha bagagem pra ir ao Norte do Brasil, e mais câmera fotográfica,  dinheiro e cartão na carteira pra viagem.

Mas não senti medo. Senti a Proteção Divina de Deus Pai e Mãe, então prossegui.

Quando cheguei nas imediações do Terminal Metropolitano da Armênia (junto a estação de mesmo nome do metrô, antigamente chamada ‘Ponte Pequena’) começou a ter movimento.

Abriu o baú: na Avenida 9 de Julho flagrei tampas de bueiros de 2 estatais que foram privatizadas e desapareceram, a Telesp (cia. telefônica, estadual) e a saudosíssima C.M.T.C., a Cia. Municipal de Transporte Coletivo, ambas com seus logos clássicos. Acabaram imagens da barra-pesada no Centrão. Veremos a partir dessa foto, inclusive, coisas amenas.

A multidão operária desembarcava dos ônibus, vindos de seus distantes subúrbios, pra mais um dia de batente.

O céu ainda era penumbra total. A noite preferi não fotografar, por motivos de segurança.

Só quando eu já me aproximava do Anhagabaú pela Av. Tiradentes começou a amanhecer.

Aí vi uma cidade destruída. Muito lixo nas ruas, pois os craqueiros reviram as lixeiras de madrugada.

Como todos sabem, em busca de qualquer coisa que possa ser trocada por pedras. Passei ali e eram 6 da manhã.

Flores Paulistanas: essa tomada é de 2013.

A prefeitura limpava a avenida com caminhões-pipa cujas mangueiras emitem fortes jatos d’água.

Pra tirar das calçadas os vários dejetos deixados ali pelos usuários de drogas.

Fotografei essa situação, e cheguei a publicar por emeio (antes da da página começar, em 2015, o emeio era o modal pioneiro [2010-15] de nosso canal de comunicação).

Jardim-de-infância com letreiro em chinês (ao menos creio que seja, mas não descarto que possa ser coreano) perto do Anhagabaú e da 25 de Março. Lembrei da República Dominicana, onde cliquei cenas similares.

Mas preferi não subir essa constatação pra página O Caminhante.

Dessa passagem pelo Centro em 2013 publiquei apenas uma árvore florida no Anhagabaú (dir.), a parte corrosiva ficou de fora.

Repetindo o mesmo trajeto em 2018 vi como a situação piorou em apenas 5 anos.

Em 2013 a coisa estava bem feia no Centrão de madrugada, fato.

Próximas duas: pavilhões da Pátria Amada em comércios na Zona Sul – e essas não são montagem. Essa aqui na esquina da Ver. José Diniz com Joaquim Nabuco.

Mas de manhãzinha, antes dos trabalhadores chegarem, equipes da prefeitura faziam esse trabalho de limpeza pesada das ruas.

E assim pelo menos durante o dia o Centro era senão uma cópia da Suíça, China ou Japão, no mínimo habitável.

E fui várias vezes ao núcleo central da metrópole nesses 5 anos.

Em novembro de 2013 fiz uma pesquisa de rua no Bom Retiro sobre mobilidade (não por conta própria, contratado por um instituto).

E agora em Moema (aqui em Ctba. já cliquei o mesmo na divisa entre as Zonas Central e Norte e na BR-277 na Zona Oeste).

Pouco depois, logo nos primeiros dias do ano de 2014, eu e minha então esposa demos uma volta enorme pelo Centro.

Centro e imediações, incluindo Brás e Bom Retiro. Ficamos umas 3 horas ou mais andando.

Foi exatamente quando tirei as dezenas de fotos que viraram a matéria ‘Cenas Paulistanas’, como já informei antes.

Próximas 4: Moema, na Zona Sul.

Então, olhe, em 2013 e começo de 14 já víamos lixo, sem-tetos, meninos de rua pelas ruas da Zona Central. Mas não se compara ao que está agora.

Atualmente essa mesma limpeza com mangueira – onde além de água se joga água sanitária nas ruas pra dissolver um pouco as cracas – tem que ser feita várias vezes no dia.

Fotografei a operação na Avenida 9 de Julho, perto das 4 da tarde (busque pela legenda, um pouco mais acima na página).

Fiz parte do trajeto sob chuva.

5 anos atrás (escrevo em maio.18) durante o dia, enquanto os trabalhadores ocupam as ruas, tudo estava longe de ser perfeito, óbvio. 

Entretanto ao menos enquanto o Sol Iluminava a Terra havia algum tipo de civilização. Agora…”terra arrasada”. 

Apocalipse agora, Apocalipse Final. O Centrão de Sampa parece sobrevivente da Hecatombe Nuclear.

Citei 2013/14 porque nessa época cheguei a fotografar extensamente pra escrever.

Flagrei um Fusca, porém do modelo novo. Alias a matéria sobre os Fuscas foi levantada pra rede lá de S. Paulo.

Mas eu fui pra São Paulo de 2 a 4 vezes por ano, todos os anos de minha vida.

Em boa parte de minhas visitas eu vou ao Centro. Portanto vou acompanhando a situação de forma permanente, desde o começo dos anos 80.

E olhe, nunca vi a coisa tão feia como agora.

Não só lá. Curitiba passa pelo mesmo problema. Não vou nem por um minuto adentrar na lavagem cerebral que a capital paranaense é de “primeiro mundo”.

“A Cidade Verde”: ruas sempre arborizadas.

Porque não é. Aqui da mesma forma há problemas seríssimos sociais, incluso essa questão de moradores de rua também está grave.

Mas São Paulo, nesse ponto específico, está bem pior.

Bem, se serve de consolo, o “primeiro mundo” também sofre com esse moléstia.

Los Angeles nos EUA, que é uma metrópoles mais ricas do planeta, igualmente está com seu Centro em estado de calamidade pelo mesmo motivo.

Jardins, Zona Central.

Lá como aqui e no México estão acampando nas calçadas em plena  calçada, já retratei a situação (embora nesse caso somente via Visão de Rua do ‘Google Mapas’).

PARTE 2 – A “CIDADE VERDE”:

A REGIÃO RIQUÍSSIMA ENTRE AS ZONAS CENTRAL, OESTE E COMEÇO DA ZONA SUL

Praça Dom Gastão Liberal, sob ela está o túnel que une as Avenidas São Gabriel e Santo Amaro. Podemos dizer que é a divisa entre as Zonas Central e Sul.

Notam que já desde algumas fotos acima o tom mudou:

Agora estamos vendo a parte rica e arborizada da metrópole. Uma grande área contígua.

Que espraia pela Zona Central (Jardins e Av. Paulista), Zona Oeste (Pinheiros, Alto de Pinheiros, Perdizes, Vila Pompéia, Sumaré, Pacaembu, Lapa, Alto da Lapa) e o começo da Zona Sul (Itaim-Bibi, Vila Olímpia, V. Nova Conceição, Campo Belo, Moema, Brooklin, Alto da Boa Vista, Morumbi).

Aqui e a esquerda: Moema, Zona Sul.

Trata-se, ao lado da orla do Rio, a região que mais concentra alta-burguesia e elite em nosso país.

A Grande São Paulo tem outros pontos que reúnem os endinheirados: dentro do município da capital a parte do Tatuapé que é chamada de ‘Anália Franco’ na Zona Leste.

E na região metropolitana o ABC e as porções da Zona Oeste onde se localizam os grandes condomínios como ‘AlphaVille’ e Granja Viana.

Entre outros bairros e regiões, claro, não pretendo aqui nesse exíguo espaço esgotar o tema, apenas dar uma visão geral.

Mas a porção centro-austro-ocidental certamente é o maior, mais famoso e mais antigo dos bolsões de riqueza paulistanos. 

Precisamos dizer mais alguma coisa? São Paulo é uma cidade que concentra a grana.

Vamos falar um pouco do transporte coletivo. SP está uma cidade boa pra quem se locomove sem carro. São 363 km (maio.18) de rede de metrô e trem de subúrbio (as 2 redes formam 1 só, porque são integradas, com uma passagem você usa ambas). Aqui o metrô, ainda próximo a Marginal Tietê.

Não sei hoje quanto está o percentual, mas por boa parte do século passado a Grande SP detinha quase um quarto do PIB brasileiro.

Hoje certamente esse percentual é menor, outros estados e o interior do estado de SP se desenvolveram muito.

Mesmo assim, a Grande SP ainda é riquíssima, e em sua porção mais rica essa opulência fica evidente:

Nessa parte da cidade um rendimento mensal de R$ 10 mil é considerado insuficiente.

Ali perto o terminal de ônibus da Armênia (metropolitano e não-integrado), que concentra as linhas pra Guarulhos e região.

Enquanto em 90% do Brasil (mesmo na maior parte da Grande SP) ele seria astronômico.

Não custa lembrar pra pôr no contexto que o salário mínimo é R$ 954 (2018).

E na periferia de Curitiba (que também é uma cidade muito rica) um rendimento mensal de R$ 2,5 mil é tido como muito bom, bem acima da média da maioria das pessoas.

Na mesma região (entre a Estações do Metrô Tietê [onde fica a Rodoviária] e Armênia) vemos uma parada de ônibus que criaram um novo modal: híbridos entre rodoviários e urbanos. Pra quem não conhece a capital paulista, explico. São veículos rodoviários (mais altos, com ar-condicionado, bagageiro e bancos reclináveis estofados). Mas as linhas são urbanas (inter-municipais dentro da Grande SP, e as paradas são a poucas centenas de metros uma da outra). Tanto que a pintura não é livre, ao contrário padronizada pela EMTU. Veja na foto anterior como é a pintura metropolitana pra todo Estado de SP, nos veículos urbanos é azul, aqui é cinza, o resto é igual Fotografei o mesmo modal no Vale do Paraíba, em Aparecida

Estive nos EUA, na década de 90. Nessa década de 10 visitei uma boa parte da América Latina, as 5 regiões de nossa Pátria Amada e dei uma esticada até a África.

Além disso, já andei extensamente de modo virtual pelas cidades de todos os países que o ‘Google’ – e também seu concorrente russo, o ‘Yandex’ – já filmaram ao redor do globo.

Por isso afirmo: há lugares na Grande São Paulo em que parece que você está nos EUA, tanta riqueza e modernidade concentradas.

Em compensação, há regiões do Centro que parece que você está nas piores partes da África.

Nota: evidentemente que o desenvolvimento não é sempre linear.

Não pense que estou indo na onda da mídia de dizer que “EUA/Europa = automaticamente bom” e “África = automaticamente ruim”.

Nada disso. A África tem partes riquíssimasa ‘Riviera do Cabo’ e o Subúrbio de Sandton em Joanesburgo, por exemplo.

A “Linha Turismo” de SP, num belo 2-andares Volvo/Marcopolo. Destaquei a tarifa, R$ 40 (aqui em Ctba. [onde já fiz matéria completa] é 45, em maio.18), mas como em toda Linha Turismo você pode desembarcar e reembarcar várias vezes pagando uma vez só. Ao lado mais um táxi branco. Buso 2-andares vermelho em S. Paulo? Epa, eu já vi isso antes!!

Falo da África do Sul que visitei, mas há porções de prosperidade e desenvolvimento nos outros países também.

Não apenas em termos de riqueza, pois isso pode simplesmente significar concentração de renda.

Mas na África do Sul há projetos do governo que funcionam bem, beneficiando a população em geral, inclusive a maioria negra.

Exemplos são o Gautrem (entre Pretória e Joanesburgo) e a rede de ônibus da Cidade do Cabo.

E os EUA têm guetos horrorosos, tenebrosos também, Detroit é um caso clássico, como todos sabem.

Tróleibus no Viaduto do Chá. Essa pintura é exclusiva pra ônibus elétricos. Novo, veja no destaque a data de fabricação, característica do transporte paulistano. SP já teve uma das maiores quilometragens de troleibus do mundo, na virada do milênio possuía a maior rede do planeta excetuando a China e países da ex-URSS. Aí eliminaram os tróleis das Zonas Sul (exceto Ipiranga), Oeste e Norte. Os elétricos ainda existem na Zona Leste e no Ipiranga, que repetindo e como todos sabem é Zona Sul mas divisa com a Z/L.

Alias, há todo um nicho na internet especializado em mostrar a decadência da ‘cidade do automóvel’, que pasmem, já foi a metrópole mais rica do mundo nos anos 50.

Vai mito além. Já fiz toda uma série mostrando que a decadência econômica e social dos EUA é severíssima.

(Nota: o que me referi no parágrafo acima seguiu por emeio, esse material não subiu pra página.)

Algumas porções centrais de cidades viraram guetos gigantes, com condições de 3º mundo ou pior.

Exemplos são Nova Orleans (o furacão Katrina piorou tudo mas não é a única causa, nem mesmo a maior), Baltimore, Búfalo, Chicago, Filadélfia, Atlanta, Los Angeles, entre outras,

Na Zona Leste. Assim é a pintura-padrão dos ônibus paulistanos (já fiz matéria completa sobre o tema).

Então não estou repetindo a lavagem cerebral da mídia, que tudo nos EUA é bom, tudo na África é ruim.

Agora, óbvio, no geral somando tudo os EUA têm muito mais partes altamente desenvolvidas.

Ao menos na dimensão material (espiritualmente a história é outra mas não entro nesse mérito aqui).

Na Av. 9 de Julho, articulado na pintura-padrão. Em São Paulo os busos têm portas dos 2 lados, como sabem.

E o Continente Negro ainda tem boa parte de seus habitantes em condições indignas, de mera subsistência ou nem isso, mesmo no seu país mais rico que é a África do Sul.

Então temos essa situação na Zona Central de São Paulo e imediações:

Algumas coisas lembram o melhor dos EUA, outras remetem ao pior da África.

Em São Paulo 100% das linhas são integradas no cartão. Com uma passagem você anda em 4 ônibus, ou em 3 ônibus e ganha desconto pra usar a rede de metrô e trens. E são milhares de pontos de recarga: em todas as lotéricas, em todos os terminais de ônibus e estações de metrô. Além dos guichês, você pode usar o auto-serviço em máquinas como essa.

Separados por poucos quilômetros, as vezes por poucas quadras, o melhor e o pior do Brasil.

Obviamente o título dessa matéria faz referência a música ‘Sampa’, de Caetano Veloso.

E quando eu atravessava a metrópole, presenciando tudo isso, vinha ouvindo rádio. Não tocou Caetano, mas ele foi citado.

Vamos pôr no contexto de como tudo se deu: eu estava na Nove de Julho, nos Jardins.

Tinha acabado de sair do Centrão, com todo o caos que ele representa – o “Apocalipse Agora”.

Estava agora vendo o outro lado, a riqueza, o conforto, a modernidade, o centro das decisões – a “Cidade Verde”.

E ouvia um programa de música clássica, creio que na rádio Cultura. O apresentador num momento falou:

Mas tem mais: você pode recarregar seu cartão também dentro dos ônibus. E se não tiver cartão pode pagar em dinheiro (mas aí perde a integração; pra quem só usa uma linha não há problemas). Há 3 máquinas e 2 roletas, como veem. Uma máquina de recarga do cartão, uma máquina exclusiva pra quem paga de forma digital, e outra, onde fica o cobrador, ali pode ser tanto em espécie quanto no cartão. Em Santiago e Buenos Aires-Argentina o cartão também funciona bem, recarregável em qualquer vendinha, na capital do Chile também há integração em todas as linhas. Nas 3 cidades não há custos pra recarga. Digo isso porque em Curitiba o cartão não funciona bem. No Centro há vários pontos de recarga, mas nos bairros é praticamente inexistente. É cobrada uma taxa pelo serviço. E só há uma linha mais central e de maior demanda integrada no cartão, o Inter-bairros 1. Em Curitiba a integração ainda é basicamente somente nos terminais e tubos. Isso é anacrônico por vários motivos: está sobrecarregando as linhas do Expresso enquanto as Convencionais são sub-utilizadas; Obriga as pessoas a desviarem seus trajetos (lhes tomando tempo precioso e sobre-carregando os terminais) pra usar linhas integradas, quando há mais próximas linhas que não estão integradas mas deveriam; e o principal, a maioria das vilas do Pilarzinho (Zona Norte) não tem transporte integrado. As pessoas precisam pagar 4 tarifas por dia se precisam ir a outros bairros, pois os Convencionais só as leva até o Centro. O transporte de Curitiba foi modelo pro Brasil e mundo, dos anos 70 aos 90. De lá pra cá o nível caiu muito. Claro que muitas coisas ainda funcionam bem, por exemplo a integração metropolitana é um ponto forte. Mas muitos outros pontos deixam bastante a desejar, o cartão é um exemplo.

“Como disse Caetano Veloso, ‘é o mesmo Ser Humano quem constrói e destrói coisas belas’ “.

Tudo se alinhou. Eu estava em Sampa, e é exatamente o que acabara de presenciar.

Mais que isso, o que eu estava presenciando naquele exato momento:

Como o Homem e a Mulher de fato são capazes tanto do belíssimo como do tenebroso. E muitas vezes lado-a-lado.

Daí o “Preto-&-Branco” do título. Não se refere a ótica, ao contrário, todas as fotos são coloridas.

Mas sim num sentido simbólico, dos extremos estarem lado a lado, como no Yin-Yan.

Várias imagens mostram que a cidade melhorou muito sua rede de transportes.

Muito mesmo. Claro que ainda está longe do ideal, não vamos tapar sol com peneira.

Ainda assim, hoje o transporte coletivo paulistano está num nível de excelência comparando com outras capitais incluindo Curitiba.

Aqui na capital do Paraná várias das amenidades corriqueiras em SP seriam um sonho.

Aqui não há ar-condicionado, conexão de internet a bordo (‘wi-fi’) nem piso baixo, pra conversa começar.

O cartão tampouco funciona bem, leia na legenda da foto a direita.

E outras questões como pontualidade, conforto, planejamento, valor da tarifa, ampliação da rede, etc, também deixam a desejar.

Vários desses problemas se repetem em São Paulo, óbvio. Mas no geral os ônibus de lá estão melhores que os daqui. Sampa é moderna, e estende partes dessa modernidade mesmo pra sua periferia.

O articulado tem escadas pois na frente é piso-baixo. Alguns articulados do Sudeste vieram pra Curitiba, também fotografei-os.

Tudo somado, Curitiba é uma metrópole de 3º mundo.

Há alguns pontos bem-planejados como muita área verde.

O padrão de vida mesmo na periferia é razoável, em se tratando de América Latina.

Porém bem longe do que as pessoas imagem vendo a lavagem cerebral na TV.

Articulado tribus numa pintura cinza, específica, usada só em veículos que tenham algum diferencial, como sanfonados ou se pitocos um “Tribus Invertido” (trucado na frente). Na sequência vem um buso na pintura normal.

Tudo somado, aqui não há destaques superlativos nem positivos nem negativos. 

A cidade é rica mas também tem mais de 300 favelas, em vários de seus bairros.

E uma periferia esquecida, com muitos problemas, mesmo fora da favela.

Curitiba não é de “1º mundo”, como as mentiras midiáticas tentam impingir.

Entretanto, tampouco é de 4º mundo. Nosso Centro tem problemas sérios, mas não parece ter sido bombardeado.

Próximas 2: bi-articulados na 9 de Julho, pintura normal (portas dos 2 lados).

Já São Paulo é ao mesmo tempo tanto 1º quanto 4º mundo.

Um paradoxo. E as vezes convivendo lado-a-lado. Repare na última foto da matéria, abaixo a esquerda: 

Os pontos são no meio da pista.

Moderníssimo articulado tribus. Com coisas que os curitibanos só podem sonhar.

Vou repetir pra que fique bem claro: o bichão conta com ar-condicionado, piso baixo, ‘wi-fi’, tudo gratuito.

Confortos e mimos sem custos extras pro usuário, pela tarifa normal (ao contrário do Rio onde os ‘com ar’ são mais caros).

Mas veja ao fundo, que situação está uma boa porção da Zona Central.

A imagem ao lado vale por mil palavras. Não é preciso argumentar além disso. Eu encerro meu caso

“Alguma coisa acontece no meu Coração…”

Que Deus Ilumine a todos.

“Deus proverá”

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Chegou o Ligeirão Norte – depois de 5 anos….Ufa!

O tubo da Bento Viana, na Av. Sete de Setembro, é o ponto final na Zona Central.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro.

Publicado em 29 de março de 2018, 325 anos da fundação de Curitiba.

Maioria das tomadas de minha autoria; as que foram baixadas da internet eu identifico com um ‘(r)’, de ‘rede’.

Hoje (29/03/18, como acabo de dizer) é aniversário de Curitiba (pelo menos pela contagem oficial europeia, que só conta desde a chegada dos brancos).

Em comemoração, ontem enfim foi inaugurada a linha do Ligeirão Norte. Que liga Santa Cândida, na Zona Norte, a divisa da Água Verde e Batel, na Zona Central. Passando e parando pelos Terminais Boa Vista e Cabral, e pelos tubos Passeio Público, Central, Eufrásio Correia (onde há o centro comercial chamado Estação) e Osvaldo Cruz. Nos demais tubos o Ligeirão passa direto, sem encostar.

O outro ponto final é o Terminal Santa Cândida na Zona Norte da cidade.

Assim o trajeto que leva 40 minutos na linha paradora será feito em pouco mais da metade do tempo, 20 a 25 minutos.

Economizando de 15 a 20 minutos na ida e o mesmo tempo na volta, o trabalhador ganha mais de meia-hora pra ficar em casa com a família.

Sem pagar um centavo a mais por isso. Muito bom! E já não era sem tempo essa economia de tempo: depois de 5 anos de atraso a linha foi enfim entregue, as obras começaram em 2012!

A previsão de inauguração era 2013. Já com um ano de atraso, ficou pronto em 2014, e de lá pra cá 4 anos parado. Sim, é isso. Gastaram R$ 16 milhões, que até aqui não tinham servido pra nada. Finalmente foi posto pra funcionar. Antes tarde que nunca, né?

Fui no 1° dia de operação, veja a comunicação visual. Quando você ler os horários podem ser outros, consulte o sítio da Urbs.

Agora é possível ir do Norte de Curitiba a sua parte mais rica (que assim concentra os empregos no setor de serviços) muito mais rapidamente que antes.

Conforme a linha vá sendo ampliada pros terminais da Zona Sul (o eixo Portão, Capão Raso e Pinheirinho) a economia será ainda maior.

……..

Já damos mais detalhes de como funciona, obviamente ainda no primeiríssimo dia de operação fui conferir, e fotografei tudo. Antes vamos pôr no contexto.

Começo pelo mais importante, não estou fazendo campanha pelos políticos que concluíram essas obras (já falo melhor disso), vou apenas citar os fatos. Curitiba está vivendo uma boa era pro transporte, após muito tempo de abandono. De dois anos pra cá, essa é a segunda grande notícia.

Próximas 2: a “Rua da Discórdia” na Praça do Japão, por onde o ônibus a contorna. De forma absolutamente egoísta, alguns moradores do Batel (o bairro mais rico da cidade, pra quem não é de Curitiba) tentaram impedir a obra, o que inviabilizaria o Ligeirão. Um elitismo (quem mora no Batel não usa transporte coletivo, óbvio) absurdo e injustificável, não prejudicou em nada a praça: os busos nem mesmo param nela, ou seja, nem sequer trouxe povo pra Praça do Japão. A oposição ao Ligeirão por parte da elite não pode ser explicada de maneira racional, só mesmo entregando o caso aos psicólogos. Bem, em São Paulo e toda parte acontece o mesmo, no caso da capital paulista a alta burguesia tentou impedir o metrô em Higienópolis, também na Zona Central. Por que o ser humano é assim….

Pois no meio de 2016 o Terminal Roça Grande, em Colombo, enfim foi reformulado e passou a operar como um terminal de verdade.

Ele fica já na região metropolitana mas a poucas centenas de metros do S. Cândida na capital.

O Roça Grande ficou pronto e fechado por 3 anos, de 2006 a 2009. Aí foi inaugurado mas de forma errada:

Simplesmente as linhas que já passavam em frente ao terminal passaram a entrar nele, mas o trajeto não foi alterado.

Assim não se criaram opções de integração onde contava, das vilas de Colombo pra Área Central da capital.

Portanto, de 2009 a 2016 o Roça Grande não era um terminal de verdade, com linhas troncais e alimentadoras. Era um ‘ponto normal’ de luxo.

Se não agregava opções de integração não era usado, pois quem iria descer de um ônibus pra pegar outro que dali pro Centro tem o mesmo trajeto?

Em 16, isso mudou. Várias linhas foram seccionadas ali e viraram alimentadoras. O troncal pro Centro passou a ser feito por articulados. Logo no início de 17 ficou ainda melhor, aí a até a linha pro Centro de Colombo foi seccionada no Roça, então ele passou a ter bastante demanda.

Aqui vemos exatamente o bichão ladeando a praça pra retornar pra Z/N. Nos detalhes o letreiro e a inscrição ‘Ligeirão’ na lata.

Nosso tema de hoje é Santa Cândida, eu sei. Mas faço essa recapitulação do Roça Grande porque ambos são muito próximos, e agora estão corretamente interligados.

Com enfim o Roça Grande funcionando como deveria passaram a formar um eixo. Ou melhor, o Roça se integrou ao eixo que já contava com os Terminais do Cabral, Boa Vista e Santa Cândida.

Já fiz matéria específica sobre o Roça Grande com muitas fotos, confira. Aqui, voltando a contar a história pelo alto, no meio de 2017 ficou ainda mais completo:

Foi inaugurado o alimentador Santa Cândida/Roça Grande. Enfim integrando essa parte de Colombo (incluindo seu Centro, a ‘Sede’ no jargão) a rede da Grande Curitiba. E no fim desse mesmo ano de 2017 a linha passou a ser feita com articulados, novamente eu estive ali e documentei.

..

Depois de 5 anos de atraso, deu pressa pra inaugurar. Algumas obras de adaptação ainda eram feitas, aqui vemos onde os ‘sanfonados’ saem da canaleta na 7 de Setembro pra ao fazer o balão na Pça. do Japão voltarem por ela no sentido oposto.

Portanto essa região da cidade foi olhada com carinho. Os três maiores melhoramentos da rede em muito tempo foram ali. Como já dito:

Adequação do Roça Grande prum terminal de verdade, com linha troncal com articulados e as outras ex-convencionais viram alimentadoras – foi preciso esperar 10 anos;

Integração do Roça com a rede municipal e metropolitana da capital. Aqui foram 11 anos de luta até virar realidade;

– Agora no municipal de Curitiba, depois de 5 anos de espera – sendo 4 com a obra pronta inutilizada! – chegou o Ligeirão Norte.

Mas há mais: 

Foi criada a linha integrando o município de Quatro Barras (na Zona Leste da Gde. Curitiba, divisa com Zona Norte) ao mesmo Terminal Santa Cândida. Nesse caso então foram décadas de espera, nunca havia existido essa possibilidade dos quatro-barrrenses usarem a rede da capital sem pagar de novo também já reportei essa inovação com fotos;

Reportagem de T.V. no tubo da B. Viana.

Voltou a linha de Ligeirinho Colombo/CIC, que havia sido desmantelada em 2015.

E há ainda mais por vir:

Retomaram-se as obras da Linha Verde Norte/Leste (no jargão oficial apenas ‘Norte’. Digo Norte/Leste porque ela divide as duas regiões, Bairro Alto já é Zona Leste).

O trecho Sul da Linha Verde foi inaugurado no já distante ano de 2009. Portanto quando escrevo são 9 anos de espera pela conclusão. As obras ficaram paradas ou andaram a passos de cágado pelas últimas duas gestões, que pouco ou nada olharam pelo transporte coletivo.

E será feito o Terminal do Tatuquara, na Zona Sul, outro melhoramento que a cidade espera a duas décadas. A região (além do Tatuquara os vizinhos Campo de Santana e Caximba) entrou num crescimento populacional explosivo desde os anos 90, que ainda continua.

Do lado de fora do tubo, os colegas busólogos/repórteres por conta própria também cobriam o evento.

Resultando que já comporta e demanda há muito um terminal. Os últimos dois prefeitos sempre prometeram, mas nunca fizeram.

Quando essas duas coisas ficarem prontas (Linha Verde e Term. Tatuquara) e forem entregues, farei nova matéria sobre o tema.

…….

Agora deixa eu concluir meu aviso que comecei lá em cima. Os que tem a mente bem lavadinha por pesadas ideologias políticas acham que estou fazendo propaganda dos atuais mandatários. Eu não estou, tanto que nem citei o nome deles. Eu não voto. Voto nulo, desde 2010.

Não votei no atual prefeito, pois anulei. E não votarei nele em sua campanha de re-eleição, anularei de novo. Eu não voto em ninguém, não tenho partido. Digo, meu partido é o transporte coletivo. Não sou de direita nem de esquerda, sou ativista do transporte coletivo.

Aqui e a esquerda: Terminal do Cabral. Ressaltei os detalhes em escala ampliada.

Quem melhora o sistema de ônibus (e nas cidades que existem, também metrô, trem e VLT) eu reconheço. Quem detona eu detono também, é simples assim. 

As duas últimas gestões de Curitiba tiveram sim seus pontos positivos. Mas pro transporte coletivo foram péssimas, especialmente a última foi tenebrosa.

O que eu posso fazer? São fatos. Repito, não estou fazendo propaganda pro atual prefeito e governador. Não votei neles, não votarei (pra esses ou outros cargos), não cito sequer seus nomes.

Mas de 2016 pra cá eles promoveram essas ampliações que citei acima, e outras estão em andamento. Quando alguém melhora a rede de transporte eu apoio, minha ideologia é essa e não há outra.

……….

Nem tudo são flores. O atual prefeito prometeu voltar todas as linhas de Ligeirinho metropolitanas que foram cortadas em 2015. Até agora, só voltou a Colombo/CIC. A Barreirinha/São José e Fazendinha/Tamandaré ainda estão aguardando. Ele também prometeu a integração no cartão, e até agora nada.

O novos Ligeirões receberam uma numeração própria, o BE717 (da Glória) é o n° 9. Em Curitiba isso é novo. Outras cidades fazem isso há tempos, em São Paulo sempre que chegam novas composições pra CPTM (trem de subúrbio) elas também são numeradas com estardalhaço.

Além disso, na pressa de inaugurar o Ligeirão Norte ele foi implantado no Terminal Santa Cândida sem que o terminal fosse adaptado corretamente. Quem passa no Santa sabe, há uma plataforma inteira ociosa.

Inicialmente pretendiam colocar ali os pontos dos ligeirões, ou esse que ficou pronto agora ou o da Linha Verde que ainda está por chegar. Mas não foi feito. Empurraram o Ligeirão Norte pras mesmas estações do parador Santa Cândida/Capão Raso.

Enquanto isso, onde deveriam parar os ligeirões está servindo apenas de um banco gigante pras pessoas sentarem. Uma plataforma inteira ociosa, repito.

Onde os ônibus passam mas não param. Enquanto isso os alimentadores se espremem na outra plataforma, especialmente depois que criaram novas linhas pra Colombo. E as ligações pros terminais Roça Grande e Maracanã, no vizinho município, agora são operadas por articulados no pico.

No Terminal Santa Cândida. Repare até a grande sinalização no solo, “até míope lê” (como dizia um propaganda “daquele tempo”), não tem como confundir mesmo.

Um aperto totalmente desnecessário, já que a plataforma vizinha está vazia. Assim, ressalto ainda mais um vez, não tapo sol com peneira nem estou fazendo propaganda do prefeito, governador e seu grupo político.

Onde há problemas, aponto. Mas fatos são fatos, o transporte de Curitiba, municipal e metropolitano, deu uma renascida após duas décadas de abandono, e isso tem que ser mostrado.

o fim dos “azulões”: os busos celestes duraram pouco no sistema municipal de curitiba.

Tudo isso bem esclarecido, voltamos então a falar do Ligeirão Norte. Primeiro, ele é vermelho. E não mais azul como os Ligeirões da Zona Sul (Boqueirão e Pinheirinho/Carlos Gomes, ambos compartilham a Av. Marechal Floriano enquanto percorrem a Zona Central).

Próximas 3: Ligeirões azuis. Os novos Ligeirões da linha Santa Cândida/Pça. do Japão não são azuis, são vermelhos. Insiro aqui os “Azulões” (que fazem as Linhas Boqueirão e Pinheirinho/Carlos Gomes, ambas na Zona Sul) exatamente pra marcar o contraste. Essa imagem e a da direita no Terminal do Boqueirão.

Azul é a cor de ônibus mais comum pelo mundo. Sei disso porque sou busólogo, estudo o tema a fundo em todos os continentes. No entanto aqui em Curitiba o azul ‘não pegava’.

Me refiro ao sistema municipal. Curitiba por muito tempo teve ônibus azuis metropolitanos, tanto antes quanto depois da padronização dos anos 90.

Mas a partir do começo pro meio da primeira década do novo milênio não haviam mais metropolitanos azuis.

Aí, até 2011 não haviam mesmo coletivos celestes na capital do Paraná, nenhum modal (falo só de linhas regulares, sem incluir escolar, fretamento e outros).

Municipal nunca havia tido, e metropolitano antes sim mas não mais. Até que em 2011 vieram os bi-articulados azuis, Neobus. Um Marcopolo já com alguns anos de uso foi repintado no mesmo tom, caso único. Então nessa década de 10 Curitiba teve e tem ‘Azulões’.

29 de março de 2011. Começam os ‘Azulões’ em Curitiba. Esse no Terminal Boqueirão ainda sem placas, como notam. Como no caso do Ligeirão Norte, fui a campo já no primeiro dia de operação registrar a novidade, e foram várias: 1°, esse modelo da Neobus chegou como ‘maior ônibus do mundo’. 2°, Curitiba nunca havia tido busos celestes no sistema municipal, e quando esses chegaram já a quase uma década não tinham mais o metropolitano tampouco. Anteriormente os melhoramentos pra cidade eram entregues no aniversário da cidade, 29/03. Agora em 2018 optou-se pela véspera, dia 28/03. Não entendi o porquê.

E ainda os terá por alguns anos, os bi-articulados Neobus azuis ainda circularão até perto do meio da década de 20. Mas quando saírem de circulação uma era terá chegado ao fim. Paciência, é a vida, né?

Os expressos de Curitiba sempre foram vermelhos, começaram assim nos anos 70. Porém uma década depois, no fim dos nos 80, a ‘Frota Pública’ da Urbs veio na cor laranja.

No começo dos anos 90, tentaram mudar todos os expressos pra laranja, vários ‘carros’ (pitocos e sanfonados igualmente) foram re-paginados nesse tom mais claro.

Logo voltaram a serem vermelhos. Laranja ficou só pro alimentadores (até o fim dos anos 80 os alimentadores eram amarelos como os covencionais).

Na mesma época, em 1992, foi inaugurado o bi-articulado pro Boqueirão, na Zona Sul, com embarque em nível pelos tubos. Esses ‘carros’ (Ciferal e Marcopolo) eram cinzas, como os ligeirinhos que haviam começado um ano antes. Novamente a mudança não pegou.

Vermelho mesmo é a cor-arquétipo do Expresso curitibano. Logo o cinza ficou só pros Ligeirinhos, os Expressos voltaram ao rubro, tanto os novos já voltaram a vir assim como mesmo os da finada empresa Carmo citados no parágrafo acima que começaram prateados foram repintados de escarlate.

E em 2011 surgiu o azul. A terceira tentativa da cidade de ter Expressos não-escarlates. Como as outras duas anteriores, teve seu ciclo e veio a pique. Ainda há Ligeirões azuis, e certamente estarão entre nós por um tempo, enfatizando de novo. Mas os novos Expressos serão sempre vermelhos. Assim, dentro de alguns anos todos os veículos dessa categoria estarão novamente padronizados numa única cor.

Sempre rubros, independente da canaleta (corredor) que operem. E independente também de serem Paradores (encostando em todos os tubos) ou Ligeirões (pulam várias paradas e só encostam nos terminais e em alguns tubos selecionados).

Um “Marcopolo Azulão” (r) [como dito as tomadas baixada da rede são identificadas assim, créditos mantidos quando impressos nas imagens]. Você já viu isso???? Todos os Ligeirões azuis são Neobus, e chegaram zero km de fábrica já configurados nessa cor – exceto esse. Como pode ver, repintaram de celeste um antigo Marcopolo que já tinha uns anos de uso. Caso único, repito. Mais raro que “Marcopolo Azulão”, só um “Caio Marcopolo”, não é mesmo?

Resultando que Curitiba voltará a não ter ônibus azuis de novo, nem municipais nem metropolitanos, ao contrário da maioria das metrópoles do planeta. Coisas da Vida!

………..

Os Ligeirões voltaram ao vermelho por economia. Foi triste saber do fim dos Azulões, sentimentalmente (e ver esse ocaso se materializar em breve). Mas racionalmente faz sentido. Com uma cor específica só pros Ligeirões os custos aumentam, pois é preciso ter uma frota inteira diferenciada.

Além dos veículos que estão operando o dia todo, há também os que só rodam no pico, e os carros-reserva que ficam nas garagens e saem só quando outro quebra.

Com tudo isso tendo que ser azul somente pra poucas linhas, o gasto se amplia. Claro, mesmo nas linhas que hoje são feitas pelos ‘Azulões’, no horário de pico entram alguns vermelhos. Na busologia isso se chama ‘Tabela Trocada’, quando um ônibus que deveria rodar em uma linha opera outra de forma improvisada.

Então sim, hoje nas linhas Ligeirão Boqueirão e Pinheirinho/Carlos Gomes, que no geral (a ‘Tabela Correta’) são feitas exclusivamente por veículos azuis no meio do dia, nos horários de maior movimento alguns ‘carros’ vermelhos já acodem (‘Tabela Trocada’).

Mas daqui a um tempo, as renovações de frota farão com que todos os veículos novamente estejam padronizados em rubro, assim não haverá mais ‘Tabela Trocada’. Os ‘carros’ que ficarão fixos nas linhas de Ligeirão trazem essa indicação na lataria. Por isso serão fixos.

Entretanto a frota auxiliar (do pico e reserva) não tem nada marcado. Assim pode puxar tanto linhas de Ligeirão como Paradoras, e ninguém vai se espantar. Como medida de transição, os Ligeirões trarão uma pequena plaquinha em azul, na janela perto da porta de entrada (acima).

Joinville, terra da finada Busscar (r). Antigamente as ‘Linhas Diretas’ (os ligeirinhos deles, que só param em terminais e poucos pontos nas ruas – mas não há tubos, o embarque é por porta normal e o motorista cobra a passagem se não for direto terminal-a-terminal) eram azuis. Mas aí padronizaram toda frota em amarelo (lá como aqui, como economia de custos). No princípio, pro pessoal entender a transição, os busos que puxavam ‘Linhas Diretas’ vinha com um adesivo em azul. Agora foi eliminado, tem que olhar o letreiro mesmo.

Isso indicará a transição. Pras pessoas entenderam que aquela linha é de Ligeirão (que elas ainda ligam ao tom celeste) apesar da lataria vermelha.

O mesmo já foi feito em muitas cidades, eu tenho publicado aqui na página exemplos em Joinville-SC e Bogotá-Colômbia:

Lá, como aqui, as linhas eram operadas por ‘carros’ de uma cor. Quando mudou, adesivaram a frente do veículo com a cor antiga, pra ‘cair a ficha’ da galera.

Vejamos a esquerda um ônibus adesivado como transição na maior cidade do interior catarinense. E abaixo o mesmo na Colômbia.

Bem, no Piauí e no Rio Grande do Sul foi ainda mais intenso, ali bolaram uma pintura de transição entre o livre e padronizado.

……

Enfim amigos, voltando ao Paraná pra fechar. Dos anos 70 aos 90, Curitiba foi modelo de transporte não só pro Brasil mas pro mundo. O esquema de terminais e corredores exclusivos aqui criado foi copiado por nada menos que 250 cidades, em todos os continentes.

Na Colômbia os alimentadores do sistema Trans-Milênio foram no início padronizados em verde. Depois mudou pro azul (r). Portanto aqui foi na mão contrária, os busos passaram a ser celestes, e não deixaram de sê-lo como no Sul do Brasil. Mas a técnica pros usuários se adaptarem aos novos tempos foi a mesma, adesivaram o bichão com o nome e a cor antigos de sua categoria.

Mas a partir da segunda metade dos anos 90 houve estagnação, pararam de investir no setor. Outras metrópoles, por todo Brasil e mundo, se modernizaram, tiraram o atraso, algumas superaram Curitiba – entre outras a Cidade de São Paulo com certeza.

Foi um período difícil, em mais de duas décadas e meia no sistema municipal as únicas ampliações em larga escala de integração foram o Terminal Caiuá (fica no CIC, Zona Oeste) em 1999, que é o menor do sistema, e a Linha Verde Sul de 2009.

Após esse último melhoramento (o 1° trecho da Linha Verde, que acabo de falar) vieram duas gestões em que não apenas não houveram avanços como se acelerou o desmantelamento do que já existia.

A coisa ficou tão crítica que rolou uma reversão de polaridade: partes da África passaram a dispor de um sistema de ônibus e trem eficientes, enquanto alguns bairros do subúrbio de Curitiba contam agora com um padrão africano  de ‘qualidade’.

Voltamos as fotos de minha autoria no dia de estreia do Ligeirão Norte rubro em Curitiba pra fecharmos. Aqui na descida do Juvevê, e na próxima tomada no ponto final da Bento Viana, a esquerda na imagem vemos o Batel, a direita Água Verde.

(Nota: não vai aqui qualquer racismo, Amo a África e a Raça Negra Guerreira Original, mas a triste realidade é que a coisa em boa parte do Continente Negro é bem complicada, no transporte e todo resto.)

Curitiba estagnou, entrou num retrocesso. Mas começa a despertar novamente. Levou uma longa década, porém o Roça Grande virou um terminal de verdade, e passado mais um ano integrado a rede de Curitiba.

Depois de 9 anos parada ou praticamente, a Linha Verde Norte/Leste vai sair. Após 2 gestões que só prometeram, espera-se que nessa o Terminal Tatuquara vire realidade.

A conclusão da Linha Verde e o Terminal Tatuquara são apenas promessas, é verdade. Mas vamos aos fatos palpáveis. Pois além da re-adequação do Roça Grande no sistema metropolitano, o sistema municipal de Curitiba também renasce: passados 5 anos e meio do início da obra, sendo 4 anos com ela pronta e sem uso, chegou enfim o Ligeirão Norte.

A Revolução Voltou! Aleluia!

Quando a Reza é Forte, o Milagre vem!

Toda Glória e Louvor a Deus Oni-Poderoso.

“Ele/Ela proveio e proverá”

Trem das Onze

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 4 de dezembro de 2017

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres

Marília vai viajar – e vai de trem. Ao lado ela esperando na plataforma da estação.

Infelizmente hoje o Brasil com raríssimas exceções não conta mais com esse modal pra longa distância, praticamente se resumiu somente a trens suburbanos.

Mesmo esses não são aproveitados no potencial que seria ideal.

Existem em raras cidades e na maioria delas são poucas linhas, em muitas delas uma só.

No passado existiu mesmo o lendário ‘Trem das Onze’ na Zona Norte de São Paulo, imortalizado na canção de mesmo nome.

Breve levanto pra página o que escrevi sobre o tema, mas hoje como adianto já vemos a Estação Jaçanã:

Aquela que o compositor da música saltava pois morava no bairro.

………

Feito esse registro histórico, voltemos a ficção. Marília vai viajar de trem, cruzar o país.

Sim, no Brasil isso não seria possível. Mas em outras nações o transporte sobre trilhos ainda é a realidade.

Por exemplo, visitei Argentina e África do Sul em 2017. Em ambos a ligação entre suas principais metrópoles ainda conta com esse serviço.

Tentei nos dois casos utilizá-lo, mas por questões de agenda (não haviam viagens disponíveis nos dias que precisávamos) não foi possível.

Na Argentina fiz os deslocamentos internos de ônibus, e na África de avião.

Então vamos Marília viajando ao exterior, e lá indo de trem de uma cidade a outra.

Ela está toda elegante, com luvinhas brancas transparentes, como se estivesse num casamento.

Em sua mala, como notam na primeira imagem no topo da página, ela amarrou uma fita rosa, mesma cor de seu vestido, pra poder identificar na esteira do aeroporto quando é o caso.

magia cigana

Agora uma Marília cigana. Dançando.

Um casal cigano, na verdade. Pois seu marido Maurílio é quem toca pra ela dançar.

Já desenhei essa manifestação quando retratei Marília como “A Devota” de diversas religiões.

Nesse caso era um casal de umbandistas. E nada mais natural:

Afinal consideramos que os ciganos são uma das muitas linhas da Umbanda.

A religião tirou parte de seu rito justamente desse povo.

Que nos últimos séculos se estabeleceu no Leste Europeu, mas cuja origem é a Índia:

Esse país super-povoado que é a ‘Grande-Mãe’ de boa parte da humanidade.

…….

Por isso vemos (em 2 escalas) a Marília Cigana.

Cheia de colares, e de roupa vermelha. Sempre, né?

E dessa vez sem véu. Então aproveito o embalo e mostro mais duas Marílias ciganas, essas de véu.

Os desenhos vieram de outras postagens, clicando na ligação aparece em escala maior com mais detalhes:

Acima “A Cartomante”, lendo no baralho o destino de alguém.

E depois fazendo a Dança do Ventre.

“Deus proverá”

Linha pintada no ‘Micro’ colorido; 3 cidades com troleibus; bom metrô e trem; poucos articulados e corredores: o Transporte na Argentina

Argentina (r): Meca do Tróleibus na Am. Latina – são 3 cidades, aqui um ex-Canadá em Mendonça.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 5 de novembro de 2017

Maioria das fotos de minha autoria. O que for baixado da internet eu identifico com um ‘(r)’ de ‘rede’, como visto ao lado.

Vamos falar da rede de transportes da Argentina.

De bate-pronto vamos dar um resumo da situação, depois vamos desenvolvendo.

Aqui e acima da manchete: Buenos Aires não tem tróleibus. Mas os ônibus a dísel são multi-coloridos, com itinerário pintado na lataria (igual a Lima).

Buenos Aires:

Excelente rede de trens suburbanos, uma dos melhores do mundo;

Metrô (um dos primeiros do planeta, 6 décadas antes do Brasil) razoável.

Atende boa parte da Capital Federal (‘CABA’, Cid. Autônoma de Bs. As.).

Mas essa é apenas a Zona Central da cidade que é a Grande Buenos Aires (‘Conurbado’), tendo menos de 20% da população.

Metrô de B. Aires, um dos 1ºs do mundo.

O metrô, por ser municipal, não entra na região metropolitana (‘AMBA’, Área Metrop. De Bs. As., que lá é em outro estado, a Província de Bs. As.).

Como sabem, na Argentina os estados são denominados ‘províncias’.

Logo, a periferia da capital é conhecida simplesmente como ‘A Província’. Nela vivem mais de 80% da população da Grande Buenos Aires.

Trem suburbano na Z/N da capital.

Essa imensa maioria não têm acesso ao metrô exceto via baldeação, portanto pagando duas vezes;

Ônibus: não há terminais e nem integração, seja física ou digital. Pouquíssimos articulados.

Não há padronização de pintura, os busos (lá chamados ‘micros’) são em pintura livre, com o itinerário pintado na lataria (o que também ocorre em Lima-Peru).

Corredor de ônibus MetroBus na Av. 9 de Julho, Centro de B. Aires. Não há integração.

Rede de corredores (chamada ‘MetroBus’) razoável, 50 km. Demorou muito pra ser implantada, apenas em 2011.

Portanto somente 6 anos quando o texto sobe pro ar em 17. Mas estão tirando o atraso, em expansão constante;

No sistema municipal e nas linhas metropolitanas que ligam o Centro ao subúrbio, todos os ônibus são de 3 portas e motor traseiro.

Bonde moderno em Mendonça.

Na periferia (as linhas internas metropolitanas que não entram na Cap. Federal), entretanto, vemos veículos de 2 portas e/ou motor dianteiro.

As linhas são conhecidas pelo número, e não pelo nome. Alguns busões alias só tem o nº no letreiro.

Esse também é o padrão na Itália, Paraguai e no Brasil no Rio de Janeiro e Santos-SP. Há outros países e cidades que isso ocorre, mas de cabeça me lembro desses.

‘Antes/Depois’ (r): as composições que rodam em Mendonça vieram usadas da fronteira EUA/México. Aqui vemos uma delas em ação no Hemisfério Norte.

Um dia houve tróleibus em Buenos Aires, mas não mais a muito. Em compensação no interior há 3 redes. O que faz com que a Argentina seja o país da América Latina com mais cidades contando com ônibus elétricos.

E o 2º da América, só atrás dos EUA que tem 4. No Brasil são 2 cidades: Grande SP e Santos. 3 sistemas, pois em SP há o municipal e o metropolitano. De volta a Argentina:

Córdoba (maior cidade do interior, e a mais importante, em termos políticos e econômicos):

Tróleibus: são apenas 3 linhas, exclusivamente com Mulheres ao volante.

Próximas 2: Tróleis em Mendonça. Da mesma leva ex-Canadá que o que vemos na 1ª foto da matéria, no alto da página. Agora eles foram repintados em apenas uma cor, não há mais nada escrito na lateral.

É uma viação estatal municipal, que também opera alguns ônibus a dísel.

A política é ter um quadro funcional 100% do sexo feminino como condutoras.

São as únicas motoristas Mulheres que vi na Argentina, incluindo elétrico e a combustão de carbono.

Nos ônibus particulares de Córdoba, Mendonça e Buenos Aires só vi Homens guiando.

E os tróleibus de Mendonça (dir.), que também são estatais, igualmente são dirigidos pelo sexo masculino. A capital Buenos Aires não tem viação pública.

A traseira. Nos detalhes: avisos no interior bi-língues em inglês e francês (apesar que Vancuver é Costa Oeste, não fala francês). E um cartaz que fotografei no Centro protestava contra a privatização.

Voltando aos tróleis de Córdoba, as motoristas são Mulheres, mas o acesso é livre a passageiros de ambos os sexos.

No México ocorre o contrário: há ônibus que só Mulheres podem utilizar (Homens com menos de 12 anos ou mais de 65, entre essas idades somente deficientes).

Mas a maioria dos motoristas dos ‘ônibus rosas’ mexicanos são Homens, alguns são guiados por Mulheres, mas são poucos.

Ônibus: não há pintura padronizada, corredores ou terminais, nem integração seja física ou temporal.

Articulado em Mendonça (viação Maipu). Proporcional a população, essa é a cidade com mais ‘sanfonados’ na Argentina.

A maioria dos ônibus contam com 3 portas, mas existem vários com 2.

Em Córdoba há mais articulados que em Buenos Aires, proporcional a população.

Como no Brasil e ao contrário de Buenos Aires, o itinerário não vem pintado na lataria.

No entanto, como na capital as linhas são mais conhecidas pelo número que pelo nome. Alguns ônibus de Córdoba igualmente só trazem o número no letreiro.

Moderno ônibus (viação Trapiche) de Mendonça, até com letreiro eletrônico. Mas tem somente 2 portas.

Pequena rede de trens suburbanos, apenas 1 linha. O detalhe lamentável é que a parte mais urbana esteja cancelada em 2017.

Pois estavam ocorrendo constantes apedrejamentos na favela chamada ‘Vila de Náilon’.

Antes o trem saía de uma estação bem central em Córdoba, parava numa outra ainda dentro desse município mas já na periferia.

Veja o canal pra escoar água dos Andes, típico de Mendonça (viação Maipu).

E dali seguia pra algumas cidades que são no interior do estado (‘província’) de Córdoba.

Não são mais região metropolitana, mas ficam próximas a capital.

Agora o trem já parte da estação da periferia rumo ao interior, não faz mais o pega urbano dentro da capital pra evitar o trecho problemático.

Digo, relato o que era verdade quando estive ali em março de 2017. Na ocasião a Argentina enfrentava dolorosa agonia política.

Próximas 3: trem suburbano de Córdoba.

Que se refletia nessa situação de normalização de apedrejamento do transporte coletivo, como já detalhei melhor na postagem ligada em vermelho acima.

Pode ser que quando você estiver lendo essas linhas a situação tenha sido normalizada. Faço votos pra que assim seja.

Tristeza: por constantes apedrejamentos eliminaram um trecho da linha.

Mendonça (4ª maior cidade argentina, 3ª do interior depois de Córdoba e Rosário):

Bonde moderno, implantado num antigo ramal de trens de carga. Funciona bem, um meio rápido, barato e não-poluente de ligar o Centro a populosos subúrbios da Zona Sul.

Detalhe: as composições foram importadas usadas da fronteira EUA/México. Antigamente operavam na linha que liga a Grande São Diego (Califórnia) a Tijuana.

Grades na janela pra evitar que o motorista seja atingido por pedras. Na África do Sul do ‘apartheid’ era assim, mas hoje não mais.

Presenciei em Mendonça uma que o letreiro não havia sido mudado, infelizmente não pude fotografar.

Tróleibus de uma viação estatal. Ao contrário de Córdoba, dirigidos por Homens. São 6 linhas, e o sistema passa por expansão e modernização.

Em 2013 foi inaugurada uma longa linha, de 13 km. E no ano seguinte outra, essa mais curta, até a universidade.

Articulado de Córdoba.

Alguns tróleibus são ex-Vancúver, Canadá. Os da linha 4 pra Dorrego, que foram os que eu andei e fotografei, se enquadram nesse caso.

Assim vemos que essa é uma tradição mendoncina, importar da América do Norte os veículos de seu transporte elétrico.

Também Córdoba, mesma viação. Na Argentina as linhas são conhecidas pelo nº, esse sequer tem o nome no letreiro.

Até recentemente havia também tróleis russos e alemães, esse últimos eram mais curtos e trucados (tribus, ou seja 3 eixos).

Não tenho certeza quanto aos russos, mas os tróleis alemães não circulam mais em Mendonça.

Já estão fora de serviço, flagrei vários deles sendo desmontados.

Eram vendidos como sucata num desmanche de beira de estrada na entrada da cidade, mas não deu tempo fotografar.

Tróleibus em Córdoba. São só 3 linhas, denominadas ‘A’, ‘B’ e ‘C. Viação estatal.

Em compensação, chegou uma nova leva de tróleis, e esses de fabricação argentina mesmo, ademais gerou empregos e tecnologia nacionais.

Ônibus: mesma situação do resto do país, sem terminais, integração ou padronização de pintura. Como em Córdoba, não há corredores, mas tampouco o itinerário é pintado na lataria.

O ponto negativo de Mendonça é que ali a maioria dos ônibus é motor na frente e de 2 portas, os de 3 são exceção.

Em compensação Mendonça é a cidade da Argentina com mais articulados, proporcional a população.

Todos os tróleis de Córdoba têm Mulheres ao volante.

Em Mendonça (ao menos nos a dísel) o número principal que você vê no letreiro não é o da linha, mas ‘tronco’, ou seja, da avenida principal que várias linhas pegam.

A linha mesmo vem num letreiro menor no para-brisas. Exemplificando é mais fácil entender, vide a tomada abaixo a direita.

Ali escrevi ‘corredor’, mas não no sentido de canaleta exclusiva, porque elas não existem no interior da Argentina.

‘Corredor’ aqui é no sentido usado na Rep. Dominicana, o eixo, a avenida principal que a linha passa (dado que um dia também foi mostrado em Belo Horizonte-MG).

 Mendonça (por isso 2 portas): o nº no letreiro maior é o tronco. A linha vem no letreiro menor, no vidro (Viação Avelar).

………

Rosário é a 3ª maior cidade argentina, a 2ª do interior após Córdoba.

E em termos de relevância política ambas disputam palmo-a-palmo quem tem mais influência.

Agora, como detalhe curioso aponto que no futebol Rosário é disparado o maior polo após a capital.

Rede de trens da Gde. Buenos Aires. Em vermelho a divisa entre a Cap. Federal (‘CABA’) e a ‘Província’ (‘AMBA’, a região metropolitana). Note que os próximos 2 mapas só mostram a ‘CABA’, ou seja dentro da linha rubra.

Das 132 edições de seu campeonato de futebol (quase sempre 2 por ano) Buenos Aires e seus subúrbios venceram 122.

Apenas 10 foram pro interior, e todas pra Rosário. Ademais, Buenos Aires (incluindo subúrbios) ganhou todas as 24 Libertadores da Argentina.

Somente em 2 vezes o interior da Argentina chegou a final da Libertadores, e as duas vezes foi novamente Rosário.

Escrevi tudo isso pra colocar que se nos campos político, econômico e cultural a rivalidade entre Córdoba e Rosário é intensa, no futebol não há comparação possível.

Esse esporte na Argentina se concentra 90% na capital. Do pouco que sobra pro interior, Rosário fica com praticamente tudo.

Rede de metrô.

Em termos nacionais Córdoba é praticamente irrelevante, e em Mendonça e demais cidades então os times só têm qualquer importância a nível local.

Já fiz matéria específica sobre o futebol, onde dou todos os detalhes, ricamente ilustrado.

Aqui só fiz esse adendo pra mostrar que nessa dimensão – que é a própria Alma da Argentina! – Rosário é o orgulho do interior:

Corredores de ônibus MetroBus.

A única cidade que faz alguma frente ao gigante que é Buenos Aires. Então voltando ao transporte, que é nosso tema atual.

Rosário também tem tróleibus. Incluso alguns ex-Belo Horizonte. Digo, eles foram produzidos e inclusive pintados pra rodar na capital mineira, mas não chegou a acontecer.

Ficaram anos parados num depósito, até que foram exportados pra Argentina. Já contei essa história outro dia, com muitas fotos.

Como não tive a oportunidade de ir a Rosário, não posso detalhar como funciona sua rede de ônibus, faço apenas esse adendo que lá também há veículos elétricos.

………

TETRA-MODAL: a favela Vila 31, no Centrão de B. Aires, fica atrás das estações de trem e ônibus, e pertinho do aeroporto e porto. Consegui numa tomada enquadrar o 4 modais (na África do Sul foram 3).

Como é sabido, essa vizinha nação teve seu período de glória na primeira metade do século 20.

Nessa época era considerada (ao lado do vizinho Uruguai) uma ilha europeia no oceano latino-americano.

Após a Segunda Guerra Mundial, entretanto, a Argentina entrou num novo ciclo, enfrentando severa decadência em várias dimensões:

Econômica, política, cultural, etc. O que a nivelou a mesma frequência dos demais vizinhos da América do Sul.

Veja bem: não estou dizendo que a Argentina está pior que o Brasil. Não.

Buenos Aires, o buso brilha refletindo o Sol. Linha 17, que eu cliquei as 17 horas do dia 17, que alinhamento, não? Pro que nos importa aqui, no itinerário pintado na lata vemos que ele passa pelo corredor MetroBus.

Diria que os dois países estão mais ou menos no mesmo nível, há pontos em que estamos a frente deles, e outros em que eles estão mais evoluídos.

A questão é que por um século, do fim do século 19 até a década de 80 do 20, não havia qualquer comparação possível.

A Argentina estava então milênios-luz a frente do Brasil, especialmente na coesão social.

Esse não é mais o caso. Repito, não estou afirmando que a Argentina é o pior país da América Latina ou mesmo do Sul. Mas está muito longe de ser o melhor.

Na Argentina os busos não têm catraca ou cobrador, você encosta o cartão na máquina (mas não há a evasão rampante do Chile). Falar nesse país trans-andino, tanto as chilenas como as argentinas a-d-o-r-a-m cachecóis e echarpes, como nota!

Indubitavelmente, houve uma queda de patamar. Agora estamos todos no mesmo barco, se quiser colocar assim.

Não por outro motivo denominei a série que retrata a Argentina como “Ascensão & Queda”.

Na Abertura da Série, que tem exatamente esse título, já tracei um panorama mais geral, multi-dimensional.

No tema de hoje, vamos nos focar especificamente nos transportes, que obviamente também seguem o que delineei acima

Já escrevi antes: o metrô de Buenos Aires (abreviada ‘Bs. As.’) é de 1913. Um dos mais antigos do mundo.

O de Londres-Inglaterra foi eletrificado (e portanto a partir daí considerado metrô) em 1890. O de Paris-França é de 1900, Nova Iorque-EUA inaugurou o seu em 1904.

A tomada anterior foi feita em Mendonça. Portanto a bela argentina de echarpe encosta na catraca eletrônica o cartão abaixo a esquerda. Vemos também os de Córdoba (no interior ambos se chamam ‘Red Bus’) e de B. Aires (‘Sube’).

Assim vemos que o metrô da capital argentina é apenas 13 anos mais novo que o da capital francesa, e veio menos de uma década depois da principal cidade estadunidense. 

Mais: o metrô de Buenos Aires (lá chamado ‘subte’, diminutivo de ‘subterrâneo’) foi o 1º de todo Hemisfério Sul, o 1º de toda América Latina.

E, se tudo fosse pouco, o 1º de um país de língua espanhola, pois mesmo o de Madri-Espanha chegou 6 anos depois dele.

O metrô de Lisboa-Portugal, que também é Europa Ocidental, só foi rodar em 1959.

Catraca de B. Aires pede que se ‘informe o destino’. Atrás os protestos que sacudiram o país no começo de 2017, mesmo tarde da noite eles seguiam.

Hoje a China tem os dois maiores sistemas de metrô do mundo, nas suas capitais política e econômica Pequim e Xangai.

Entretanto o metrô de Pequim é de 1965, e o de Xangai ainda mais novo, entrou em operação bem recentemente, em 1993.

Já que estamos na Ásia, Tóquio-Japão fez o seu em 1927, e o de Seul-Coreia do Sul é de 1974.

Hoje esses dois sistemas são infinitamente maiores que os de Buenos Aires.

Mas os portenhos contaram com esse conforto 14 anos antes que os japoneses, e 61 anos antes dos coreanos.

Há razões pra protestar: a Argentina está depauperada, e na periferia sua frota parece a de Cuba. Daqui pra baixo vamos combinar  o seguinte: quando a foto for no interior eu informo. Se não disser nada é em Buenos Aires, como é o caso aqui.

Somente no mesmo ano de 1974 o Brasil passou a contar com esse modal, quando São Paulo inaugurou sua primeira linha.

No México D.F. em 1969, pouquíssimo antes de SP e muitíssimo depois de Bs. As. .

O primeiro e até agora único metrô da Colômbia, o de Medelím, data de apenas 1995.

Assim fica evidente o passado glorioso da Argentina:

Muito próxima na Linha do Tempo de Londres, Nova Iorque e Paris, e a frente mesmo de Madri (a ex-colônia superou sua antiga metrópole). E décadas e décadas a frente de Portugal, Brasil, México, China e Colômbia.

Os táxis na Argentina oscilam entre o preto e o amarelo.

No entanto essa não é mais a situação do país, exatamente o oposto sendo verdadeiro.”

Modelo na primeira metade do século 20, a Argentina estagnou na segunda metade, marasmo que adentrou a 1ª metade do século 21.

O Brasil passou por ampla onda de modernização do transporte a partir da virada pros anos 80, processo ainda em andamento.

Depois dos anos 90, a América Latina nos acompanhou nessa vibração:

Por exemplo, Santiago do Chile foi a 1ª cidade hispano-americana a padronizar a pintura dos ônibus, em 1992 – foi a saudosa ‘Febre Amarela‘.

Centro de Buenos Aires: a chilena Metalpar tem boa fatia do mercado de carrocerias argentino.

Medelím inaugurou seu metrô no meio dessa mesma década, e depois expandiu-o via modal teleférico a morros inacessíveis a engenharia convencional.

Até os menores países países da América Central (tanto continentais quanto insulares, o Caribe) investiram pesado no ramo, fazendo metrô e modernizando os ônibus.

E a Argentina permanecia adormecida. Até o fim da década passada (o texto é de 17) já existia metrô e trem em Buenos Aires, óbvio.

Próximas 3: Retiro, Centrão de B. Aires. Ali é o ‘ponto zero’ da malha de transportes. Nessa foto a estação de trens (suburbanos e longa distância). A frente um buso da linha 115.

Mas a rede de ônibus da cidade se parecia muito com a de Assunção-Paraguai.

(Nota: não estou falando por preconceito. Estive no Paraguai em 2013, e constatei que a época ‘não haviam trem, metrô, corredores, articulados ou integração;

Mas haviam muitas jardineiras‘ [aqueles ônibus encarroçados em chassi de caminhão, com motor a frente].

E tampouco falo com desprezo. Ao contrário, Eu Amo o Paraguai, e agradeço muito a oportunidade que a Vida me deu de ter ido a sua capital.

Cruzando a rua está o Terminal Central (não-inegrado) de ônibus urbanos.

Além de várias vezes já ter visitado a Cidade do Leste, sua maior metrópole do interior.

Ainda assim, fatos são fatos. O Paraguai ainda não investiu na modernização do transporte. Haviam em 2013 planos de fazê-lo, e espero que tenham saído do papel.

Na quadra seguinte a Rodoviária.

Mas quando estive lá retratei a situação como a vi, e era essa.)

Pois bem. Em 2010 boa parte da América Latina, do Chile a Colômbia, Venezuela, Peru, México, América Central, já contava com modernos articulados que iam por canaletas exclusivas, com embarque em nível.

E em Buenos Aires . . ., bom já não haviam mais jardineiras, é certo.

Transição: a Argentina está mudando o emplacamento , a esq. o novo modelo.

Essas um dia foram oni-presentes na Argentina, mas nesse milênio já haviam sido eliminadas da capital (no fundão do interior ainda haviam alguns ‘heróis da resistência’).

Mas de resto, o sistema de ônibus da capital da Argentina se assemelhava muito a da capital do Paraguai:

Bi-trens são comuns no país (o Mercedes maior foi clicado chegando em Mendonça, os brancos do detalhe não tenho certeza).

Sem padronização de pintura, integração, corredores, terminais ou articulados. Ao menos, já tardiamente, nessa década houve um despertar.

Foi inaugurado o primeiro corredor – chamado ‘MetroBus’ como na Cidade do México e várias outras metrópoles pelo planeta.

Tróleibus na Argentina, em verde ativos, vermelho um dia existiu. A fonte é a Wikipédia.

E há alguns articulados. Muito poucos. Tão poucos que nem consegui fotografar.

Eles existem, sim, mas são raros, grosseiramente insuficientes pra uma megalópole de 12 milhões de pessoas.

Vi mais articulados na Zona Oeste de Buenos Aires. No corredor que leva ao bairro Liniers, na divisa de município, passaram alguns sanfonados.

Infelizmente nesse dia minha câmera estava sem bateria e não consegui registrar.

Mas no Centro de Buenos Aires, por exemplo, não passam articulados. E nem na maior parte da cidade.

Tróleibus em Rosário (r). Mas a linha é Venda Nova (BH-MG)???? Que ‘Tabela Trocada‘, hein? Nessa outra mensagem eu mostro toda linha do tempo dessa safra, de BH pra Rosário.

Fiquei 4 dias rodando com máquina na mão, e não deu certo clicar – e o motivo é esse, são muito poucos.

Ademais, no corredor os pontos não têm plataformas nem catracas. Ou seja, não há embarque em nível nem pré-pago – portanto não existe integração.

Simplesmente criaram uma pista exclusiva pros ônibus normais, curtos e de piso baixo, pararem.

Claro que houve vantagens, agora os coletivos não pegam congestionamentos nos trechos das grandes avenidas que têm MetroBus, e eles estão sendo ampliados.

Colagem mostra dezenas de busos urbanos de Buenos Aires. A maioria das marcas Agrale ou Mercedes-Benz.

Mas ainda é pouco. É preciso hierarquizar as linhas em troncais e alimentadoras.

Do Centro até alguns pontos-chaves em várias partes da cidade, as linhas precisam ser feitas por articulados que tenham corredores exclusivos em todo trajeto.

E desses pontos pras vilas, aí sim os ônibus pequenos podem continuar operando como alimentadores. Se houver a integração no cartão não há a necessidade de construção de terminais físicos.

Esse modelo é usado no mundo todo, do Brasil ao México, Guatemala, Indonésia, Turquia, China, até a Colômbia e Chile, pra citar apenas alguns.

A Argentina é quem ainda não despertou pra essa realidade tão óbvia. Vendo por outro lado, até somente 6 anos atrás (quando escrevo) nem o corredor não-integrado existia.

Aí era a raça mesmo, os ônibus duelando cm os automóveis nas vias entupidas do horário de pico. Se serve de consolo . . .

Já seguimos com o texto. Antes uma galeria de imagens com mais ônibus de Buenos Aires, quase sempre com a linha escrita na lataria:

Próximas 2: linha de bonde moderno abandonada no Centro de Buenos Aires.

Sobre a última foto: macaco vê, macaco imita. O nome do bairro é Palermo, mas os parvos chamam de ‘Palermo Soho’.

Porque pensam que vivem em Nova Iorque/EUA. Os macacos existem em nossa pátria também:

O Batel aqui em Ctba. é igualmente chamado ‘Batel Soho’ por alguns. Lamentável . . .

…………

Vamos falar mais alguns detalhes do que observei na minha estada na vizinha nação:

Ali crianças de mais de 3 pagam passagem. No Brasil é 6, o dobro. Diferença significativa, obviamente.

Outra plaquinha que está afixada em todos os ônibus argentinos:

“Proibido abrir as janelas no inverno ou em dias frios”.

Esse é o verdadeiro estado-babá, que trata os cidadãos como bebês incapazes, a quem tudo precisa ser dito nos mínimos detalhes.

A Linha Turismo de Córdoba é feita por um 2-andares inglês antigo – daí a porta na esquerda. Só tiraram o teto.

Oras, deixe que os próprios passageiros negociem entre si quando e quanto abrir de cada janela, não é papel do governo querer regular até isso.

………..

Nas carrocerias a chilena Metalpar tem boa fatia do mercado argentino. Isso já disse na legenda acima.

Entre os chassis, quase todos são Agrale ou Mercedes-Benz. Curioso isso, não? A Agrale é brasileira, com sede em Caxias do Sul-RS.

Hoje não existem mais ‘jardineiras‘ (ônibus em chassi de caminhão) nas grandes cidades argentinas. Mas por décadas eles reinaram absolutos. Viação de Bs. Aires relembra em adesivos o tempo que os ‘bicudinhos’ dominavam as ruas portenhas.

Mas aqui em nossa Pátria Amada quase não vemos ônibus Agrale. No entanto, em Buenos Aires eles são extremamente comuns.

Alias, no século passado era proibido a importação de ônibus pra Argentina.

Abriram uma exceção pros tróleibus Marcopolo brasileiros que iriam pra B. Horizonte, mas nunca foram.

Ficaram anos num pátio, quando foram exportados pra Rosário. Assim quebrando alguns tabus:

Foram os únicos tróleibus brasileiros a rodar no exterior, em qualquer país. Alias creio que essa situação se mantém inédita até hoje.

E segundo, por muito tempo eram os únicos ônibus brasileiros na Argentina, contando elétricos e a dísel.

Segura essa: em registro do sítio DBPBuss, uma jardineira operando na Argentina, no ano de 2009. Em Porto Iguaçu, fronteira com Brasil e Paraguai.

Essa reserva de mercado se foi. Hoje os ônibus brasileiros podem ser vendidos livremente nessa vizinha nação.

No mercado rodoviários eles são infinitamente comuns. Nos urbanos de tamanho normal existem porém são muito raros. Mas entre os micros embora longe de serem dominantes são comuns.

Eu mesmo andei (e fotografei) num micro brasileiro entre Córdoba e uma cidade do interior próxima.

……….

Na Argentina os ônibus não tem catraca física, apenas uma máquina onde você encosta o cartão pra que a passagem seja descontada.

Antiga jardineira do transporte urbano, agora transformada em uma casa-móvel.

Ainda assim, não há a evasão rampante de passagens como no Chile.

Contei com mais detalhes, incluso com fotos, quando voltei de lá: em Santiago, creio que quase um terço dos passageiros não pagam a tarifa.

Há campanhas com cartazes por toda a cidade, e também dentro dos coletivos, pra tentar diminuir essa situação, até agora sem muito sucesso.

No Chile os busos também não tem catraca, alias esse é o padrão pelo planeta, já falamos mais disso.

Linha 146 e o Banco da Nação na Pç. de Maio, Centro de Bs. As..

Na periferia da Zona Sul de Santiago, que é a parte mais ‘quente’ da cidade se é que me entendes, alguns micros alimentadores têm catraca.

E com isso a evasão se reduz significativamente, pra menos de 10%. Ainda assim, alguns jovens pulam a roleta.

………..

Não é o fato de ter ou não roleta física que determina o grau de evasão. Alias, a situação do Chile não tem paralelo com outros lugares.

Em todos os outros países que visitei, com exceção da República Dominicana nenhum outro tem roleta.

E em nenhum deles – incluindo a Argentina – há tanta gente que anda sem pagar como em Santiago.

Próximas 3: linhas especiais da Grande Buenos Aires. Todas elas fotografadas na Zona Norte (Palermo/Recoleta), a parte rica da cidade). A 57 é o ‘Expresso Palermo‘, ônibus urbano mas só 1 porta.

Mesmo no Litoral do Chile os micros não têm catraca, mas as pessoas pagam pela viagem corretamente.

Enfim. Como disse, só no Brasil e República Dominicana existe a profissão de cobrador de ônibus.

Nos demais ou a cobrança já é mesmo eletrônica (você encosta o cartão numa máquina) ou então você paga ao motorista.

……..

Hoje na Argentina é eletrônica, não se aceita mais dinheiro nos ônibus.

A 194 tem duas portas, mas também é diferenciada, com cortinas inclusive.

Mas no passado, antes da revolução digital, o usuário pagava em dinheiro, tinha que ser em moedas, e no valor correto.

O que gerava um problema seríssimo, pois se você não tinha o valor exato – em moedas de metal, repito, notas de papel não eram aceitasvocê não andava de ônibus.

Minha primeira viagem pra Argentina foi em 2017, então não presenciei essa situação lá. Mas parentes que viajaram anos atrás passaram por isso.

Essa é um ônibus de viagem, mas a linha é urbana, dentro da região metropolitana.

Antes de pegar o buso você tinha que rodar o comércio pedindo que a algum comerciante trocasse suas notas por moedas, e a maioria se recusava aliás.

Houve casos em que as pessoas tiveram que ir de táxi, pagando mais caro, pois não tinham trocado pro ônibus.

Não passei por isso na Argentina, mas no Hemisfério Norte sim. Fui a Nova Iorque/EUA em 1996. Ao lado do motorista havia um moedeiro:

Exatamente igual, você tinha que pagar a tarifa em moedas e sem sobras pois a máquina não dá troco.

Um belo fim-de-tarde no Centro de Avellaneda, Zona Sul da Grande Buenos Aires. Como em Córdoba, só há o nº da linha pintado no letreiro.

Digo, se colocasse a mais você podia viajar, mas perdia a diferença.

Já havia cartão, mas 21 anos atrás (nov.17 é quando escrevo, relembrando) mesmo nos EUA seu uso ainda era incipiente.

Depois fui ao México, em 2012. A mesma situação, havia o moedeiro, e você necessitava desembolsar o valor exato.

Guia de Buenos Aires traz além do itinerário a viação que faz os roteiros e sua pintura. Numa cidade de pintura livre em que praticamente cada linha é de uma cor, uma informação útil.

……….

A tarifa do metrô de Buenos Aires é única, independente de quanto você utiliza:

Você pode andar somente uma estação ou então percorrer uma linha inteira, fazer baldeação e a seguir andar outra linha inteira.

E tudo que há no meio desses extremos. Resumindo, tanto faz quantas estações você anda, se troca de composição ou não, paga a mesma quantia.

Mas nos ônibus e trens o preço varia conforme o trecho percorrido. Ao embarcar você diz onde vai descer, e é debitado de acordo. Isso nos ônibus.

Veja que na foto noturna em que mostro a catraca em primeiro plano e fora da janela um protesto em B. Aires, a roleta diz: “Informe destino”.

Próximo da divisa de Avellaneda com a Cap. Federal achei essa transgenia. No Brasil já flagramos caminhões que receberam cabine de ônibus. Mas na Argentina é de mão dupla: começou com um ônibus encarroçado em chassi de caminhão. No fim de sua vida útil voltou a ser caminhão! Mas mantiveram a porta do ônibus!!! Tudo vai e volta . . .

Em cima dela, se você ler com cuidado observa, um aviso explica: “Preencha o destino, e não o valor da passagem, pra não dar confusão”.

Nos trens você tem que passar o cartão tanto na entrada quanto na saída. Aí a máquina calcula quanto você percorreu, e desconta proporcionalmente do seu crédito.

Na maioria dos países a tarifa é proporcional a distância.

Nos micros e vans da Colômbia, México, Chile, nas linhas metropolitanas do México, na África do Sul em todos os modais, no metrô de Valparaíso-Chile, é sempre cobrado conforme o trecho que você utiliza.

Num dia bastante tumultuado, em que inclusive andei de camburão ao ser abordado pela polícia numa das periferias mais perigosas de Durbã/Áfr. do Sul, um dos problemas foi esse:

Ataque em Dupla: não foi apenas um, mas dois busos que viraram caminhões.

Ao descer do trem o fiscal constatou que por engano eu havia pago o valor errado da viagem, por não ter conseguido uma boa comunicação com o bilheteiro da estação central.

nos ônibus de Córdoba e Mendonça a tarifa é fixa como no Brasil.

Idem nos ônibus grandes municipais do Paraguai, Colômbia e México, nos metrôs desses últimos dois países, nos ônibus e metrôs de Santiago, na República Dominicana em todos os modais – nesses casos o valor é pré-determinado, independente do tanto que seja andado.

Em Córdoba. Palavras não são necessárias.

Bem, na Argentina, resumindo, só no metrô de Buenos Aires e nos ônibus municipais do interior é fixa.

Até nos ônibus grandes municipais da capital oscila conforme a distância.

Por falar no cartão, nas capitais da Argentina como do Chile ele te empresta o equivalente a duas viagens quando está esgotado.

Assim você vai pra casa e no dia seguinte chega a teu trabalho tranquilo.

Próximas 5, Córdoba. Aqui e a esq.: Ersa, creio ser a maior empresa. Logo 3, ‘Ataque em Bando‘. Um raro com 2 portas.

Aí tem o dia seguinte inteiro pra re-abastecer de créditos.

De forma que não precisa ficar rodando as vezes em horários e locais perigosos buscando um ponto de recarga. O Brasil deveria adotar essa solução.

……..

Em Buenos Aires todos os ônibus das linhas mais movimentadas têm 3 portas.

AuCor, Autobuses Córdoba, outra viação grande. Esse buso provavelmente é ex-Ersa, pois a pintura é a idêntica.

Apenas algumas internas do subúrbio, de uso local, ainda contam com veículos só com 2.

Em Córdoba quase todos com 3, mas ainda vemos os de 2 (a direita um deles). E Mendonça está bem pra trás, lá a regra ainda é 2, só alguns com 3.

Bem, nada é tão ruim que não possa piorar. Na África do Sul, pela herança inglesa, a imensa maioria dos busos só tem 1 porta, até 2 ocorre as vezes mas já é um luxo.

Viação Coniferal.

E 3 portas não existe exceto nos articulados. A circulação interna nos busões sul-africanos é horrorosa.

Empurra-empurra geral, e não é culpa das pessoas, afinal estão tentando entrar e sair pelo mesmo local.

Unindo então fluxo e contra fluxo. No 2-andares então é pior ainda, aquilo é um pesadelo.

Salão interno do tróleibus.

Já começa pela confusão na única porta que há – e onde o motorista ainda têm que cobrar a passagem e emitir o bilhete -, e boa parte do salão de baixo é tomado pela escada e motor.

Acrescente-se ainda a confusão na escada, onde o mesmo se repete: um espaço apertado, onde alguns querem ir num sentido, outros na mão oposta… aff!!!

Tenebroso. quando conseguimos enfim descer do 2-andares lotado no Centro de Joanesburgo foi um verdadeiro alívio. Enfim, nosso tema de hoje é a Argentina. Coloquei apenas pra traçarmos esse paralelo.

Garagem na periferia, ainda em Córdoba.

Se os busos 2 portas de Mendonça são ruins, comparados com os de 1 porta (e as vezes 2-andares) da África eles são um sonho.

Mais uma pausa pra fotos. Vimos acima busos da Ersa, AuCor e Coniferal de Córdoba. Seguimos nessa cidade, as mesmas viações.

Linha Turismo de B. Aires: também 2-andares conversível, mas esse é novo e feito na Argentina.

Um dia as jardineiras (ônibus com chassi de caminhão, o motor saltado a frente) dominaram toda América Hispânica, da Argentina e Chile ao México e tudo que há no meio.

Do Paraguai ao México, passando por Bolívia, Peru, Colômbia e toda América Central, elas ainda são muito comuns – na Colômbia e no México, presenciei pessoalmente, ainda fazem jardineiras zero km.

Próximas 2: metrô de Buenos Aires. Aqui a entrada na calçada, uma escada, parece Nova Iorque.

Mas na Argentina, Chile e Uruguai elas já não existem mais nas grandes cidades desde os anos 90.

Nos fundões do interior ainda encontrávamos algumas até pouquíssimo tempo atrás.

Em Porto Iguaçu (no estado argentino das Missões, na fronteira com Foz do Iguaçu/Brasil e Cidade do Leste/Paraguai) vi pessoalmente no ano de 2006 as jardineiras ainda na ativa.

E um sítio de busologia, o DBPBuss, registrou a cena, nessa mesma cidade, no ano de 2009, já publiquei a foto mais pro alto da página.

Falar no Paraguai, embora ali elas ainda existam aos montes, também caminha pro fim.

No Paraguai não se compram mais jardineiras zero km, ao contrário de México e Colômbia.

Mural na estação.

Quando as últimas jardineiras esgotarem sua vida útil como transporte urbano, se acabarão nas grandes cidades do Paraguai também.

O Panamá vive exatamente esse mesmo momento de transição. Tudo na vida é cíclico, e depois da Lua Cheia vem a Minguante e a seguir a Nova.

Alias é exatamente porque um dia todos os ônibus foram jardineiras que em Buenos Aires ônibus urbano é conhecido como ‘micro’.

Próximas 2: a viação municipal de Córdoba que opera os tróleis tem alguns a dísel (também guiados por Mulheres) como ‘frota reserva’. Circulam nos horários de pico, ou quando um elétrico quebra (veja o destaque da próxima imagem).

Pois as jardineiras são mais curtas que os ônibus normais, que já eram usados no modal de viagem, por exemplo.

Como os ônibus urbanos eram de tamanho menor, viraram simplesmente ‘os micros’.

Hoje não é mais assim. Atualmente os ônibus de Buenos Aires são iguais aos do Brasil. 

Incluso no comprimento. Mas o nome ‘micro’ ficou, refletindo essa fase do passado.

Em Acapulco-México, os ônibus urbanos são conhecidos como ‘caminhões’.

E o motivo é o mesmo, porque as jardineiras são construídas sobre e têm o motor de caminhão saltado a frente.

……………

TRENS MODERNOS E BARATOS – Um dos pontos extremamente positivos do transporte na Argentina é sua rede de trens.

Lá, ao contrário do Brasil, as pessoas ainda viajam sobre trilhos entre uma cidade e outra. É confortável e barato.

Garagem dos tróleis na periferia de Córdoba. Repare que na Argentina os ônibus elétricos não têm placa – em várias cidades do Brasil foi assim também por décadas, mas hoje não mais.

Tentei ter essa experiência, mas não foi possível por questões de escala, os dias que há as viagens (que não são diárias) não batiam com nossa programação. 

Assim fui de Buenos Aires a Mendonça, dali a Córdoba, e de volta a capital sempre de ônibus-leito.

Alias, já falo dos trens. Antes um adendo: andar de leito na Argentina é um luxo só, é como a 1ª classe dos aviões.

Nessa vizinha nação está consagrado o ‘serviço-cama’, que agora chegou no Brasil.

Ônibus suburbano (2 portas e vai parando no caminho, mas pega estrada pra ir pra cidades já fora da reg. metropolitana) na Rodoviária de Córdoba – essa é a rodoviária normal, de onde saem também os de longa distância.

As poltronas reclinam 180º, você deita na horizontal.

Há rodo-moça (em alguns casos rodo-moço), que serve café-da-manhã completo, temos a opção de leite com café, chocolate, chá ou – estamos no Pampa afinal! – chimarrão.

Pra me ambientar com o local, eu tomei chimarrão. Ademais na tela você pode ouvir música, ver filmes ou jogar.

A viagem passa rápido, eu disse, você se sente no avião. É caro, de fato, mas bom demais!

‘Rodoviária Suburbana’: bem no Centrão de Córdoba, e dali só partem linhas suburbanas (fotografei uma igual no Chile). Um micro é Comil brasileiro. Nessa foto encerramos os ônibus da cidade de Córdoba.

Em compensação, no banheiro você só pode urinar. Se precisar do ‘número 2’, é preciso avisar a rodo-moça (o), que o motorista encosta num posto. No Chile é exatamente igual.

……

Acima descrevi como é viajar de ônibus-leito, que fiz 3 vezes. Não pude andar de trem.

Mas quem o fez me disse que igualmente vale muito a pena.

Pra começar, é incrivelmente barato. Há 3 opções, o ‘toco-duro’, a ‘tudo-incluso’ e uma intermediária.

Rodoviária de Cosquín e imediações. Uma pequena cidade no interior do estado de Córdoba, próxima a capital. Vemos ônibus suburbanos, alguns das mesmas empresas já retratadas acima.

O ‘toco-duro’ é desconfortável, você tem que dormir e comer na poltrona, como nos ônibus convencionais.

Em compensação o valor é irrisório. Pra quem está sem grana ou quando a viagem for de dia é a melhor opção.

No ‘tudo-incluso’, você tem direito a uma poltrona pra ficar sentado durante o dia, a noite dorme numa cama – num vagão que tem quartos com beliche.

E as refeições são no vagão-restaurante. Esse colega me informou que tudo isso sai pelo mesmo valor do ônibus.

Como comparação, no Brasil há pouquíssimas opções de trem de longa distância disponíveis, e custam os olhos da cara.

Aqui em Curitiba, por exemplo, só é possível ir de trem a Paranaguá e outras cidades próximas no Litoral.

Mas é bem mais caro que o ônibus, que já não é barato.

……….

Já que estamos em Cosquín, essa é a estação de trens da cidade.

Ademais, vide o mapa mais pro alto na página, a rede de trens suburbanos de Buenos Aires é muito extensa.

Assim, você pode ir do Centro de Buenos Aires a alguns bairros dentro do município mesmo. Ou a municípios da região metropolitana.

Ou ainda a cidades do interior, que são próximas a capital mas já fora da Grande Buenos Aires.

Por exemplo, a ‘Cidade da Prata’ (‘La Plata’ no original). Essa é a capital do estado (‘província’) de Buenos Aires.

De volta a cidade de Córdoba, a capital do estado, dessa florida estação na periferia saem os trens pra Cosquín. Fui de trem e voltei de busão.

Como já explicamos antes, o município de B. Aires é o Distrito Federal: está dentro do estado de B. Aires, mas não pertence a ele.

Antigamente conhecida como ‘Capital Federal’, hoje chamada ‘CABA’, Cid. Autônoma de Bs. As., recapitulando, e o ‘Autônoma’ é justamente porque não está vinculada a nenhum estado.

Como já foi dito várias vezes e é notório, o município ‘autônomo’ de Bs. As. hoje é apenas a Região Central da metrópole.

Toda periferia fica na ‘Província’, ou seja, em outro estado, a Província de Buenos Aires. Cuja capital é a ‘Cidade da Prata’.

Essa alias foi planejada justamente pra isso, pra ser a capital estadual quando o Distrito Federal foi criado, no fim do século 19.

Próximas 2: Rodoviária do Retiro, Buenos Aires, belo fim-de-tarde de março de 17.

A ‘Cidade da Prata’ (‘La Plata’) fica a 55 km de Buenos Aires. Perto da capital, mas uma cidade a parte, não pertence a Gde. Buenos Aires.

Digo, futebolisticamente falando eu arrendondei e considerei a Cid. da Prata como um subúrbio da capital.

No século passado, quase todas as viações argentinas eram assim, multi-coloridas. Não mais, após uma reformulação agora são mais sóbrias. Essa manteve a vibração anterior.

No futebol sim, mas urbanística e socialmente falando a Prata é uma cidade a parte.

Ainda assim, é possível ir de trem suburbano (aqueles em que os bancos são de acrílico e você pode viajar em pé) até lá.

Bem mais barato que o ônibus, embora um pouco mais lento porque tem mais paradas.

Colagem com ônibus de viagem argentinos.

Ainda assim, como a distância é pequena a diferença de preço compensa os poucos minutos a mais.

Não pude ir a Cidade da Prata. Assim como nos trens de longa distância, reproduzo o que me foi passado por quem pôde realizar esse deslocamento.

………..

Viram na foto a ‘Estação Retiro’ de trens. Esse bairro, que fica na verdade no Centrão da capital, é o ponto focal da rede de transportes da Argentina, de forma tetra-modal:

Ali estão as estações de trens suburbanos e longa distância, o porto, o terminal de ônibus urbano e a rodoviária (várias das tomadas acima são ali).

Centro de Córdoba, março de 2017: caminhonete circula normalmente com um emplacamento que já foi extinto a 20 anos. Como é possível??

O aeroporto também fica próximo.

E no em uma parte invadida do pátio ferroviário (cada vez maior) está a favela Vila 31, uma das maiores da cidade – mas essa já é outra história.

Eu já disse isso, que todos os terminais estão concentrados no Retiro ou próximos a ele.

Aqui, o que quero colocar é que ‘Retiro’ é tão sinônimo de ‘rodoviária de Buenos Aires’ que é assim que vem escrito nas passagens e no letreiro dos ônibus de viagem.

Sim, você compra o bilhete, e nele não está escrito ‘Buenos Aires‘, a cidade a qual o ônibus se destina.

Próximas 3: bonde moderno de Mendonça. Aqui a galera no ponto. Não há catraca, você paga quando entra, depois o fiscal chega de surpresa e pede seu tíquete pra verificar.

E sim ‘Retiro‘, o bairro no qual a rodoviária fica localizada.

Portanto veem que virou um mantra, que ‘pegou’ não apenas no vocabulário da capital, mas até no interior.

…….

Como a colagem deixa claro, os táxis na Argentina oscilam entre o negro e o amarelo.

Em Buenos Aires é exatamente igual Santiago do Chile, corpo do carro negro e teto amarelo.

Um antigo vagão de carga virou ponto.

Isso no municipal da capital. Na região metropolitana cada município é livre pra escolher sua pintura.

Em Avellaneda, na Zona Sul, a terra do Independente e do Racing, eles são brancos.

Em Mendonça são as mesmas cores da capital, amarelo e preto, mas em mistura diferente. E Córdoba aboliu o preto, são inteiros dourados.

Mapa da rede.

Não custa lembrar, no Paraguai e Colômbia os táxis do país inteiro são amarelos, de todas as cidades.

De volta a Argentina e a Córdoba, apenas os táxis que você pega na rua são amarelos.

O tele-táxi, obviamente o que você pede por telefone, lá se chama ‘remí’.

E o mais curioso: tem outra cor, verde-claro. Todos são táxis. Acenando na rua é de uma cor, e discando, de outra

………

Já retomamos o texto. Vamos comentar um pouco das fotos que estamos vendo de Mendonça.

Fui a Z/S de Mendonça de bonde moderno, voltei nessa linha feita por articulados.Viação Cacique.

Acima pontos e mapa do bonde moderno, e a direita o articulado. Ambos os modais concorrem entre si.

Nas próximas 2 imagens abaixo vemos a Rodoviária de Mendonça.

……….

Voltamos a relatar o que observei lá: a Argentina está mudando o emplacamento.

Como dito, nas próximas 2 a Rodoviária de Mendonça. Em meio a ônibus de viagem um suburbano azul prepara-se pra encostar. A direita vários suburbanos, uma colagem.

Eu já havia percebido isso antes de ir até lá. Em fevereiro de 17, fui a Florianópolis-SC.

Na Praia de Canasvieiras (Norte da Ilha) haviam tantos argentinos que ali mesmo eu vi carros com o nova chapa.

Na Argentina nos últimos 20 anos, do fim dos anos 90 pra cá, vigora um modelo com 3 letras e 3 dígitos numéricos.

A partir de agora a chapa terá uma faixa azul em cima com o nome do país.

E serão mais letras, inclusive dizem que se quiser você poderá dispensar o números e escrever uma palavra.

Já é dessa maneira nos EUA e México, entre outros, como é domínio público.

Vila Carlos Paz, cidade no interior do estado de Córdoba parecida com Campos do Jordão-SP.

Não apenas na Argentina. Será padronizado em todo Merco-Sul.

Veremos no fim da matéria que o Uruguai também já está fazendo a mudança.

Mas o choque vem agora. Vi vários carros circulando na Argentina com o emplacamento que já foi abolido a duas décadas:

Selos de regulamentação colados na lataria.

A chapa era inteira preta, com 1 letra e 6 dígitos numéricos.

Não havia nada escrito além disso, nem o nome do país nem da cidade.

Os mais velhos, que tiveram a oportunidade de ir a Argentina até o começo dos anos 90 (ou, o que nesse caso dá no mesmo, pra Florianópolis no verão) se lembram bem.

Próximas 2: bairro Nunhes (‘Monumental de Nuñez‘), Z/N, parte rica de Buenos Aires. Aqui o corredor MetroBus.

Então, amigos. Esse modelo já foi extinto na virada do milênio, quem sabe antes.

Como esses carros podem circular dessa forma é um mistério que não pude compreender.

Afinal, nem há como multar um veículo desses se o motorista cometer uma barbeiragem.

Pois sequer há como digitar a chapa no maquinário eletrônico próprio pra registro da infração.

É como se víssemos hoje no Brasil um carro andando pelas ruas ainda com a chapa amarela, aquela de 2 letras, que foi aposentada na mesma época.

Perto dali, a estação de trens. O destino é ‘Tigre’ (na África do Sul não daria pra saber, lá o letreiro é numérico).

Impossível, não? Mas na Argentina vi vários, muitos deles consegui fotografar.

Sim, alguns estavam sendo sucateados, talvez não andem mais.

Na Argentina é comum deixar os carros batidos ou muito velhos simplesmente se decompondo na via pública, sem levar pro ferro-velho como seria correto.

Já falarei mais desse ponto. Aqui, o que nos interessa é:

Pontos de ônibus pelo país.

Mas alguns carros com o emplacamento antigo, já encerrado há 2 décadas, estavam rodando normalmente.

Vi um em Mendonça, inclusive estava sendo reformado.

No estado de Córdoba, todos os veículos comerciais (exceto ônibus municipais) têm que ter uma segunda chapa com registro estadual.

Portanto o dono estava usando ele normalmente, e pretendia continuar, pois investia dinheiro no veículo.

Infelizmente esse não pude fotografar, nesse dia mais uma vez minha câmera estava descarregada (ela viciou a bateria, perdi algumas fotos por isso infelizmente).

Mas Deus Abençoou, e no Centro de Córdoba fotografei claramente uma antiga picape D-20 Ford com essa chapa há muito desatualizada.

Ali sem qualquer margem pra discussão o veículo estava em uso.

Mais um bi-trem.

Mesmo com o emplacamento pra lá de irregular, e a foto comprova isso indubitavelmente.

Como isso é possível deixo pra algum amigo argentino explicar.

Bem, a Argentina está bem caótica, em múltiplas dimensões.

Isso é só um sintoma dessa confusão que engolfou a nação.

……….

Por outro lado nas dificuldades é que as pessoas se revelam.

Enquanto alguns aproveitam o tumulto pra tirar vantagens pra si, outros demonstram uma disposição incomum em ajudar os outros.

Mercedes com desnível no vidro: esse modelo foi muito vendido lá.

Usando o transporte coletivo na Argentina, vimos os dois lados da moeda.

O ponto negativo: na Argentina simplesmente não respeitam o banco pra deficientes, idoso, grávidas e gestantes. Veja a imagem acima:

Banco preferencial está sempre ocupado, e sempre por pessoas jovens e saudáveis.

Na foto inferior da colagem, há duas moças a direita no banco preferencial.

Mas o casal a esquerda está na mesma situação, a primeira fileira perto da porta é reservada.

Próximas 2: corredor MetroBus em frente ao estádio do S. Lourenço (torcedores chegam pro jogo sob muita chuva). A placa indica quais as linhas que passam ali.

Na Argentina não respeitam esse direito de quem necessita.

Sim, fiquei poucos dias lá, menos de 2 semanas. Mas andando de transporte coletivo o tempo todo.

A situação era sempre a mesma. Não muito diferente do Brasil, na verdade.

Em qualquer parte há ‘espíritos de porco’:

Aqueles que não se importam com ninguém, e sentam no assento preferencial sem necessitar.

Mesmo adolescentes e jovens adultos não sentem a menor cerimônia em ficar confortavelmente instalados enquanto quem precisa vai de pé.

Filma as jóias que circulam na Argentina. Aqui e a esq. são 2 Falcões, o próximo mesmo batido ao menos está bem conservado. Já esse . . .

…….

Por outro lado, em Mendonça o motorista do ônibus foi extremamente atencioso e prestativo conosco.

Nosso cartão não tinha créditos suficientes pra pagar a viagem.

Em Buenos Aires nesse caso o cartão te empresta o suficiente pra mais 2 viagens, mas pelo visto o interior ainda não aderiu a essa melhoria.

Assim sendo o motorista, que também é o cobrador, pelo regulamento poderia ter solicitado que a gente desembarcasse.

Carregasse o cartão, assim seguindo somente em outro ônibus.

Colagem com a Viação STM, Sociedade de Transportes de Mendonça.

Mas ele não fez isso. Ao contrário, nos explicou a situação.

Disse que seria preciso que outro passageiro creditasse no cartão dele.

E aí nos reembolsávamos em dinheiro a quem fizesse o favor.

Aí ele, o próprio motorista, fez o pedido a quem entrou a seguir.

A frota argentina está velha e sucateada. Dodge na Z/S da capital, sob o olhar de ‘Che’ Guevara.

Pagamos em espécie a passagem ao passageiro que regularizou a situação na catraca digital.

E pudemos voltar ao Centro de Mendonça com tranquilidade.

Na África do Sul esse nível de gentileza é o padrão do povo.

Trólei-tribus alemão que rodou em Mendonça (r) (foto de um Guevara. Parente do ‘Che’?).

Registro aqui que na Argentina deparamos com ele também.

…………

Em Mar do Prata é onde os portenhos passam suas férias de verão.

(Nota: me refiro claro aqueles que não vem pro Brasil, evidente – porque Baln. Camboriú e Florianópolis/SC eles dominaram, como se sabe).

Em desmanche próximo a Mendonça, vários ônibus Ciferal que há pouco ainda rodavam lá. No ferro-velho ao lado eu vi as carcaças os tróleibus-tribus alemães da foto anterior.

No original é ‘Mar del Plata’ (sabem que sempre que possível traduzo pro idioma português).

Por isso conhecida carinhosamente pelo apelido de ‘Mardel’.

Não visitei ‘Mardel’, portanto não a conheço pra poder escrever.

Mas pro tema que nos interessa aqui, que é o transporte, vi pela internet que Mar do Prata tem uma Linha Turismo.

E essa é feita por um ônibus que tem a carroceria que imita a de um bonde antigo (foto ao lado, puxada da internet).

Em Santos-SP há bondes antigos (e também modernos, o VLT), que foram restaurados e ainda rodam sobre trilhos.

Na Argentina, entretanto, não há bondes antigos. Inclusive veja a foto um pouco mais abaixo a direita que tirei no Centro de Buenos Aires, mostra os trilhos.

Comprovando que um dia ali realmente passou bonde (registrei a mesma cena em Assunção e Belém do Pará).

Um dia sim, mas não mais a muito. Em Mar do Prata tampouco há bondes.

Mas numa brincadeira, encarroçaram um ônibus a dísel e com pneus com uma carroceria de bondes. Isso já falamos.

O Ford Falcão na foi o ‘Carro do Terror’ na ditadura argentina (r).

Por conta disso ele traz uma inscrição pretenciosa:

Se auto-denomina “O Último Bonde”. Isso não é novidade, já está no ar a tempos em outra postagem.

Pois bem. O de ‘Mardel’ não é o último pseudo-bonde da Argentina. Em Mendonça há outros iguais, veja acima.

É o seguinte: Mendonça também tem sua Linha Turismo. Chama-se ‘Bonde das Compras’.

Falcão no Centro de B. Aires, sobre os trilhos onde um dia passaram bondes.

Pois igualmente é feita por ônibus com carrocerias de bondes antigos.

Esses eu pude ver e fotografar pessoalmente, apenas não andei nele.

……..

Outra seção de fotos. Já que falamos de Mendonça, vejamos mais busos dessa cidade andina.

UMA ‘ALMA MUSICAL’: IR A ARGENTINA FOI COMO VOLTAR AO MÉXICO –

Na Argentina eu comprovei como a Alma Hispano-Americana é a mesma, do Sul ao Norte do Continente

Quando fui ao México, em 2012, já havia lhes contado como o mexicano ama a música.

O tempo todo dentro do transporte coletivo há apresentações improvisadas.

Umas profissionais até com caixas de som e após a qual CD’s são vendidos.

Outras vezes um cara sozinho com um violão.

Buenos Aires: acima a linha 373, em azul a Viação São Vicente.

Andar de ônibus ou metrô no México jamais será monótono.

Pois bem. Na Argentina é igual. Acima consegui clicar o garoto com o violão no metrô de B. Aires. A cena se repetiu várias vezes.

Uma apresentação-solo, um casal cantando música romântica, ou mesmo uma banda completa.

Os vagões e estações do metrô da capital são um palco aberto a todos, basta tomar um espacinho e mandar ver.

No Chile é assim também, mas bem menos. Na Argentina e México infinitamente mais.

………

Calamidade! Na Argentina a frota está velha e batida. Ademais, é comum deixarem os carros que não servem mais (seja por acidente ou porque são antigos demais) simplesmente apodrecendo na rua, sem recolher ao pátio ou ferro-velho.

Vimos mais pra cima a esquerda um buso Mercedes (já aposentado do serviço regular) com desnível no vidro.

Esse detalhe é comum na Ásia (Japão), Na Argentina foi consagrado nesse modelo da Mercedes fabricado nos anos 80 e 90.

Meus parentes que foram pra lá perto da virada do milênio me trouxeram inúmeras fotos dos busos com esse desenho (na época) em linhas urbanas.

O tempo passou e hoje eles só fazem ‘escolar’, ‘rural’, transporte de bandas, etc.

………

Os caminhões bi-trem são muito comuns na Argentina.

Mas atenção: nesse vizinho país não existem os caminhões gigantescos com 30 metros e 2 engates, como os que se popularizaram no Brasil.

Explico: nas estradas de nossa Pátria Amada é careta e bi-trem, ambos ao mesmo tempo.

Ou seja: cavalo-mecânico, 1º engate, um compartimento grande de carga, 2º engate, outro compartimento grande de carga.

O LIXO DA FRANÇA É O LUXO DA ARGENTINA: É comum vermos nas ruas argentinas essas peruas (Citroën, Renault ou Fiat) fabricadas nos anos 60. Mas essa é ainda mais antiga, dos anos 50 (era nessa que Mafalda andava, veja um pouco abaixo).

Em outras palavras, são duas carretas grandes puxadas por um cavalo. Portanto 2 engates.

Na Argentina é diferente: é somente 1 engate sempre, 2 não existe.

Os caminhões são carreta ou bi-trem, jamais ambos ao mesmo tempo.

Lá ou é carreta normal, cavalo, um engate mais um somente compartimento grande de carga;

Ou então um caminhão pitoco, curto, um engate, e mais um compartimento de carga.

Carreta sem ser bi-trem, ou bi-trem sem ser carreta. É preciso escolher.

No Brasil é ‘tudo ao mesmo tempo agora’, carreta/bi-trem.

…………

Como dito na legenda um pouco acima e é notório: o Ford Falcão foi o ‘carro do terror’ da ditadura argentina.

É comum nas periferias da Argentina vermos carros amarrados, pra que não se desmanchem.

Ele não tinha ‘caçapa’, ou seja, não havia espaço pra presos.

Os infelizes que eram apanhados pela polícia política argentina iam pra delegacia (ou pro local de desova, se já estivessem mortos) no porta-malas.

Alias era por isso que o Falcão foi escolhido. Os militares diziam que ‘apertando cabiam 5 no porta-malas’.

Pensa que é brincadeira? Então segura aí.

Cruel? Evidente que sim. A ditadura argentina foi indescritivelmente cruel, muito, mas muito pior que a brasileira.

Tanto que lá houveram formas de tortura desconhecidas aqui, por isso Videla foi alcunhado ‘Pol Pot na América’. Desse período macabro já nos ocupamos outro dia.

Esse (na Zona Sul de Buenos Aires) botou até cadeado! Sempre é bom garantir . . . No México, um da mesma idade pôs cadeado no tanque, pra não roubarem o dísel.

Aqui o foco é o ramo do transporte. Ford é a marca-ícone da Argentina, a mais vendida da história.

Seu carro-chefe (literalmente) era o Falcão, que lá foi produzido por décadas, pelo menos dos anos 50 aos 70, e quem sabe até os 80.

Portanto o Falcão já era popular antes do golpe de estado de 1976. E permanece querido até hoje, apesar de ter sido impregnado com o estigma da repressão.

Bem, pra quem é de direita o Falcão é popular exatamente por ter sido o carro da ditadura, e não ‘apesar’ disso.

colapso: a frota da argentina parece a de cuba!!!!

o lixo da frança é mesmo o luxo da argentina: caros velhos e batidos circulando, outros apodrecendo na via pública

A Argentina empobreceu muito nessas últimas décadas, e sua frota reflete isso.

Os pais da Mafalda (ícone argentino) tinham uma peruinha Citroën 2CV, veja ao lado.

Agora pense nisso: esse desenho é dos anos 80, e o carro já era velho na época.

Colagem mostra o estado da frota argentina. Achei outros com a placa antiga, já aposentada a 2 décadas.

Alguns deles continuam na ativa hoje, 30 anos depois (veja o farol saltado, igual aquele vermelho que está um pouco acima a direita).

Mas atenção: a Argentina hoje é um país extremamente desigual.

Vão longe os tempos em que ela tinha o 2º menor Índice de Gini (que mede a concentração de renda) da América Latina, só acima do Uruguai.

Hoje a Argentina é tão desigual quanto Brasil e Colômbia:

Alguns multi-milionários de um lado, uma multidão que sobrevive apenas, e uma massa considerável de miseráveis, que nem isso conseguem.

Exemplo perfeito é o Porto Madeiro, o mais novo bairro de Buenos Aires, que surgiu na virada do milênio.

Falarei melhor dele em outro texto, mas aqui, pra dar uma adiantada, falo que um fato pouco conhecido é a favela que existe na ponta da ilha.

Precariedade: em Córdoba, pessoas sem proteção viajando na caçamba.

Atrás daqueles arranha-céus dos riquíssimos existe uma aglomeração de barracos miserável, sem saneamento básico.

Quase ninguém vê, e menos gente ainda se importa.

Isso reflete como está o país como um todo. Na dimensão automotiva o mesmo se manifesta, uma extrema desigualdade.

Muitos fazem o turismo ‘convencional’ da classe-média, indo apenas nos bairros chiques.

O Fiat 147 lá se chamou ‘Spazio’. Mais uma vez amarrado pra não cair o para-choques. Veja que na 2ª imagem da tomada do outro lado da rua há mais carros Fiat velhos.

Oscilando somente entre o aeroporto, hotel de luxo, centros de compras, museus, e restaurantes e ‘baladas’ caros.

Eu não julgo ninguém, e não estou criticando. Cada um faça o que quiser. Mas aí evidente que não verá o que estou apontando.

Pois na burguesia a frota argentina não difere da brasileira, em idade e estado de conservação.

Mas na periferia são brutalmente diferentes. Sim, claro que existem carros velhos no Brasil. Mas o nosso ‘velho’ são 20 e poucos anos, veículos produzidos nos anos 90.

São raros em nossas ruas automóveis dos anos 80, dos 70 já são são ‘elefantes brancos’ que vemos um a cada vários meses.

E não existem rodando no Brasil carros fabricados nos anos 60 e muito menos 50 – exceto nas mãos de colecionadores, aí são caríssimos, geralmente até com chapa preta.

Na Argentina, os carros ‘velhos’ tem o dobro dos nossos, ou mais: 40, 50 ou mesmo 60 anos. Sim, é isso.

Antigo e moderno: Dodge nas ruas de Porto Madeiro.

Nessa vizinha nação automóvel dos anos 80 já é relativamente novo nas periferias mais depauperadas, os dos anos 70 são o padrão, ainda são extremamente comuns os dos anos 60.

Não estou brincando nem exagerando. Já havia constatado isso assim que o ‘Google Mapas’ levantou a Argentina pro modo ‘visão de rua’.

Aí dei extensas voltas por lá, na época virtualmente, na tela do computador.

E então já escrevi-lhes um emeio com esse título, “Colapso, a frota da Argentina parece a de Cuba”, com muitas imagens.

Agora ‘in loco’ comprovei que de fato é assim, então aquele emeio será eliminado, não vou subí-lo pra página. Pois não é mais necessário, tirei as fotos ao vivo. 

Essa foto é no continente, com Porto Madeiro ao fundo. Mercedes e Scania. A frota argentina de caminhões é similar a brasileira, só no geral bem mais velha.

Não para por aí: levantei pro ar uma comparação entre Europa Ocidental e América do Sul em outra postagem.

Lá, eu mostrei que ‘o lixo da França é o luxo da Colômbia’.

Peruas Citroën e Renault dos anos 60 e 70, que na França literalmente foram partidas ao meio e servem apenas como decoração na Colômbia ainda rodam.

Pois bem. Nas periferias das cidades da Argentina essas mesmas peruas produzidas nas décadas de 60 ainda são o meio de transporte de várias famílias proletárias.

Tanto as duas marcas francesas citadas logo acima quanto uma italiana, Fiat. A esquerda uma Citroën (a foto está nomeada ‘Renault’ por ignorância minha, um colega retificou, vide os ‘comentários’ abaixo).

Os traços da Fiat eram mais arredondados e somente com 2 portas.

Em casos extremos carros até dos anos 50 igualmente ainda estão na rua. Cara, isso você não vê no Brasil, nem em sonhos. Fatos são fatos,  e aqui corroborados pelas fotos. Fiquei menos de duas semanas da Argentina.

E nesse curto intervalo fotografei várias peruinhas com mais de 50 anos ainda em circulação, agrupei algumas numa colagem ao lado

Repito, isso no Brasil não existe. Mesmo! Não custa enfatizar ainda mais uma vez:

Na Argentina as vezes vemos ainda veículos dos anos 50 – e não nas mãos de colecionadores burgueses, mas do povão, como meio de transporte.

Mais: como já dito nas legendas, na Argentina é comum simplesmente abandonarem na via pública os automóveis que não servem mais.

Seja porque enfim decidiram que está velho demais – aleluia! – ou porque sofreram P.T. (perda total) num acidente feio.

É tão corriqueiro que o dono de um carro antigo que estava na oficina na periferia da Zona Sul de Buenos Aires colocou um aviso no para-brisas (ao lado):

“Esse automóvel não está abandonado, está sendo consertado”, seguido de seu endereço e telefone, se alguém precisasse entrar em contato.

Frota velha e batida, como na República Dominicana. E como em Cuba os bichões com décadas e décadas de estrada, que em qualquer outro país estariam no museu, na Argentina seguem na pista.

Definitivamente, o lixo da França é o luxo da América do Sul, da Vila Buenos Aires em Medelím/Colômbia a Buenos Aires original no Delta do Prata.

Fisicamente nossa vizinha, um dia a Argentina parecia mais europeia que americana. Esse tempo já se foi há muito.

A Argentina literalmente despencou do sonho europeu, aterrizando de cara na realidade americana.

Bem-vinda Argentina querida, estávamos te esperando.

Como eu já disse antes: definitivamente, agora estamos todos no mesmo barco.

Deus quis assim.

……..

O texto encerrou, mas como fechamento ainda tem duas galerias de fotos. Começo ainda na Argentina, 4 caminhões brancos de modelos que também existiram no Brasil:

Como prometido, sobrou uma palhinha pro Uruguai (que vemos que vibra na mesma frequência que seu vizinho maior, a Argentina). Nunca estive nesse país, mas uma colega enviou as fotos diretamente de lá.

Deus Pai e Mãe proverá.

Até Pacatuba (Z/S de Fortaleza) tem metrô . . .

2011: Fortaleza era a “Cidade dos Ônibus Azuis“, toda frota municipal era nessa padronização (*). Não haviam articulados, corredores, e muito menos metrô ou VLT. Foto no Aeroporto, assim que cheguei. Tudo azul, com esse céu do Nordeste como pano de fundo.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (via emeio) entre 2011 e 2014

Maioria das imagens puxadas da rede, créditos mantidos sempre que impresso nas fotos.

Quando a tomada for de minha autoria, identifico com um (*), como visto ao lado.

………..

Vou fazer uma coletânea do que eu publiquei sobre o transporte coletivo de Fortaleza.

Estive na capital do Ceará em agosto de 2011. Depois, acompanho a evolução via internet.

2017: 2 linhas de metrô operando. Digo, a Linha Sul pra Maracanaú (e Pacatuba) é metrô mesmo, inaugurou em 2012 e já está em operação comercial, em horário integral e cobrando tarifa.

Nota: tudo é relativo no Universo. Quando eu disser que Fortaleza é “cidade-modelo do transporte brasileiro”, não quero dizer que tudo funciona as mil maravilhas.

E sim que está sendo feito um esforço hercúleo de modernização. Comparando com o que era no começo da década de 10, mudou da água pro vinho.

A melhoria do transporte de Fortaleza salta aos olhos, e é isso que quero destacar. Evidente, falta muito a ser feito, mas a coisa está avançando a passos largos.

Isto posto, vamos aos textos. O primeiro é o que nomeou a matéria, e foi publicado em 3 de fevereiro de 2013.

até pacatuba tem metrô

Cavalos soltos nas ruas de Pacatuba-CE. Mas com metrô (dir. na imagem).

Você conhece a cidade de Pacatuba?

A não ser que você seja do Ceará, ou tenha parentes por lá, eu aposto que enormes são as chances que você não conheça esse lugar.

Pacatuba é uma cidade pequena, incrustada no semi-árido do sertão do Ceará, onde os cavalos ainda andam soltos, como pode ver na foto.

Não vamos tapar o sol com a peneira, Pacatuba é bastante depauperada.

Na periferia a falta de infra-estrutura é gritante, ainda há inclusive casas feitas de taipa (pau-a-pique).

Pois bem. Essa cidade, Pacatuba, Ceará, tem metrô, e podem ver a estação na mesma foto.

Acima ela na fase final de obras. A foto (via ‘Google Mapas’) é de fevereiro de 2012, em junho do mesmo ano iniciou-se a operação.

O Centro da cidade, a Zona Sul, e Maracanaú e Pacatuba, conectados pela Linha Sul.

…….

Pacatuba é tão distante de Fortaleza que já se configura numa transição:

Atual (2017): 1 linha de trem de subúrbio, 1 de metrô operando plenamente, 1 de VLT iniciando em testes, mais 1 de metrô em construção.

Fica no extremo da região metropolitana da capital, mas já pode ser considerada uma cidade do interior do estado.

E mesmo assim, esse subúrbio pobre e distante do Centro da capital, tem um sistema de transporte moderno e eficiente a conectá-lo ao núcleo.

Vamos fazer uma atualização, pra mostrar como está a situação em 2017. Repetindo o que já foi dito e é domínio público:

Fortaleza hoje tem 2 linhas de metrô, uma é metrô mesmo e operando plenamente (em vermelho no mapa), e a outra de VLT, que foi inaugurada no fim de julho de 17 (laranja).

Julho de 2017: começa a circular o VLT, a linha laranja. Por hora, em testes, os primeiros 5 km (em Santos-SP, em 2015, eu passei por isso, usei o VLT de lá que estava em testes).

Quando escrevo está um trecho (ressaltado de preto ao lado do laranja) já rodando, mas ainda em fase de testes, uma viagem por hora apenas das 8 da manhã ao meio-dia, e de forma gratuita.

mais uma linha do metrô em construção (azul), e outra, mostrada em verde, de trem suburbano, funciona mas de forma bem precária, uma viagem a cada 45 ou 50 minutos.

A rede de ônibus também vem sendo modernizada, desde 2014 Fortaleza conta novamente com articulados, que não existiam quando estive lá em 2011.

Por quase 2 décadas, Fortaleza não teve articulados. Em 2014 eles retornaram com força total.

Agora voltam os textos originais, feitos de 11 a 14. Repito o que escrevi a época, e no relato irão constar muitas coisas que já não são mais a realidade.

É exatamente pra dimensionarmos o quanto o transporte fortalezense evoluiu em poucos anos.

A cidade aproveitou as linhas de trens de carga e passou a operar trens de passageiros pros subúrbios Oeste e Sul, que é onde mora o povão.

Fortaleza, “Cidade das Lagoas”, e que agora conta com transporte moderno. Na periferia fizeram vários reservatórios pra que a cidade seja habitável, pois o clima é muito seco (mesma função do Lago Paranoá na capital federal). Ao lado vemos as estações do metrô e de ônibus.

Por um bom tempo, não existia metrô ou VLT, apenas 2 linhas precárias de trem de subúrbio.

Reconhecidamente, esse é um quebra-galho, funciona de forma bem precária, porque ainda compartilha a rede de trilhos com trens de carga.

A Zona Leste é a parte rica da cidade, do Centro a Praia do Futuro, passando pelas Praias de Iracema e Meireles. Nessa parte mais abastada não há trens de passageiros.

(Atualizando: agora ela será servida pelo VLT e outra linha de metrô). Mas por muito tempo os trens foram reservados pras partes mais pobres, as Zonas Oeste e Sul.

Antes/DepoisAv. Bezerra de Menezes em 2012: não havia qualquer prioridade pro transporte público, os busões dividiam a pista com os carros. 2016: quanta diferença! Os coletivos (muitos articulados) em pista exclusiva, estações com embarque elevado e pré-pago.

Em São Paulo, Rio, Belo Horizonte-MG e Porto Alegre-RS, também foram implantados trens suburbanos de passageiros em antigas linhas de carga.

Mas os modais não são compartilhados. Os trens de cargas, nesses ramais, ou foram desativados ou foram desviados.

Lembram-se, certamente, das fotos que lhes enviei de Belo Horizonte, quando estive lá, em novembro de 2012.

Uma estação de metrô, e bem ao lado, mas em infra-estrutura separada, os vagões cargueiros.

A linha foi triplicada: dois trilhos pra passageiros, um em cada sentido, e um pra carga, bem ao lado. Assim o trem de passageiros opera como um metrô normal, com a frequência que for preciso, no horário de pico uma partida a cada cinco ou dez minutos.

Registro raríssimo por 2 motivos, pra começar é um dos 1ºs articulados que chegaram ao Fortaleza voltar a ter esse modal, quando foram implantados os corredores e estações vistos acima (por isso as portas elevadas); e 2º), um dos poucos ‘sanfonados’ que existiu com a pintura ‘das Flechas‘ inteira azul. Logo a seguir veio a padronização em que os ‘carros’ ficaram brancos, somente o teto azul.

Em Fortaleza, João Pessoa-PB e Teresina-PI (e embora não posso dar certeza, creio que também em Maceió-AL e Natal-RN), a situação é distinta:

Pegaram a linha que era e ainda é usada pelas composições cargueiras e construíram-se estações de passageiros ao redor delas, sem duplicar e muito menos triplicar a linha.

Logo, os dois sentidos de trem de passageiros usam o mesmo trilho, e ainda o dividem com os trens de carga que permanecem ativos.

Resultado: só pode haver uma partida por hora de composições de passageiros.

Constatei isso pessoalmente. Cheguei na Estação Central do Ramal Oeste do trem de subúrbio de Fortaleza, e ela estava vazia, só havia eu e o segurança.

Centro de Fortaleza, 2011 (*): busos metropolitanos de partida pra Maranguape.

Porque o trem havia acabado de partir, esperei ali mais de 50 minutos.

Em João Pessoa ocorreu o mesmo, cheguei a Estação Santa Rita, subúrbio metropolitano da Zona Oeste, e havia um cartaz indicando que faltava uma hora pra composição partir.

Fui dar mais umas voltas pela cidade, e ainda assim esperei quase meia-hora na estação.

Em J. Pessoa a situação permanece a mesma. Mas em Fortaleza mudou. Após muito tempo com 2 linhas de trens de subúrbio precárias, as autoridades estão modificando esse quadro.

Centro de Caucaia, Zona Oeste da Gde. Fortaleza, 2011(*): micro da Vitória cumpre linha municipal.

Na minha viagem a capital cearense, só pude andar no ramal Oeste (que vai pra Caucaia). O ramal Sul estava desativado, porque estava em reformas.

Esse último é o que tem sua última estação já em Pacatuba, mas que atende basicamente – além da Zona Sul dentro do município de Fortaleza mesmo – o município de Maracanaú, que é bem mais populoso e bem mais próximo de Fortaleza.

E no que consistem essas reformas: em 2011 ele estava sendo ampliado e modernizado, pra poder ser transformado em metrô.

Trem suburbano pra Caucaia: esse ramal ainda não foi modernizado. Digo, as composições sim, agora são VLT’s com ar-condicionado. Mas a linha não foi duplicada, é uma viagem a cada 45 min. .

Iniciou a operação de testes em junho de 2012, sempre no mesmo esquema, 4 viagens por dia das 8 da manhã ao meio-dia, sem cobrança de passagem.

Em 2013 (quando fiz essa mensagem), está pronto e operando (embora na época ainda em modal de testes, a cobrança de tarifa e operação plena só veio gradualmente).

As estações foram ampliadas e modernizadas, agora contando com lojas, escada rolante, praça de alimentação, banheiros, etc.

A linha, como já havia ocorrido em Belo Horizonte, foi triplicada, duas paralelas pros trens de passageiros poderem se cruzar em sentidos opostos, e mais uma pra carga, que assim pode continuar sem perturbar o outro modal.

Estação Conjunto Ceará, Zona Oeste(*). Diz “Metrô de Fortaleza”, mas, não, o Ramal Oeste ainda não é metrô, longe disso.

……………

Observem abaixo o mapa do sistema. As linhas amarelas mostram como era a rede de trens de subúrbio, ramais Oeste e Sul, compartilhada com carga.

Foi assim por décadas, mas não mais. A parte em azul mostra as linhas de carga que é necessário construir, pra que onde opere pra pessoas seja exclusivo nesse modal. Esse mapa é antigo.

Quando fui lá, em agosto de 2011, vi que as obras estavam no estágio final.

As imagens de Pacatuba, que ilustram a mensagem, foram  filmadas pelo ‘Google’ em fevereiro de 12.

Até 2012: somente 2 linhas precárias de trem suburbano, sem VLT ou metrô. Ainda precisava fazer novo ramal pra desviar as composições cargueiras, o que foi feito 1º no trecho em azul, e depois no vermelho (que era só carga), agora é o VLT.

Por isso a estação ainda não estava operando. Mas agora está. Mais um ano se passou, e tudo ficou pronto.

O metrô de Fortaleza iniciou suas operações no meio de 2012, enfatizando.

E a estação-terminal, o ponto final da linha, é no bairro Vila das Flores, já no município de Pacatuba. Como abri o texto dizendo, Pacatuba-Ceará tem metrô.

Por enquanto (2013), em fase de testes. Os trens circulam somente das 8 da manhã ao meio dia de segunda a sexta, e por hora gratuitamente.

A previsão é que Ainda no primeiro semestre de 2013 se iniciasse a operação comercial, das 5 da manhã as 10:30 da noite, de domingo a domingo.

Abriu o baú: vamos relembrar o transporte de Fortaleza em fotos. Começamos com um tróleibus da CTC, virada dos anos 60 pra 70.

A partir daí então haverá cobrança de tarifa. Não sei se o cronograma foi cumprido conforme prometido em 2013, mas agora é realidade, atualizando.

………….

Não para por aí. Um dia, não se sabe quando, a Linha Oeste pra Caucaia também será modernizada e se tornará metrô.

E a Linha Leste (paralela a orla) está em obras – verdade seja dita, obras atrasadas, mas está indo.

No futuro serão 4 linhas, e aí sim, vai chegar a Zona Leste, a parte rica da cidade, onde estão boa parte dos empregos.

Voltando a falar do primeiro mapa mais pro alto na página e não desse logo acima: a linha mostrada em azul não existe, é só projeto mesmo por hora (quando escrevi, agora em obras, de qualquer forma ainda não existe).

Já a linha que está em laranja está pronta mas usada somente pra trens cargueiros, seu destino final é porto (atualizando, as composições de carga saíram, está virando o VLT).

Na virada dos anos 80 pra 90 veio uma onda de modernização. Chegaram os 1ºs articulados, pela saudosa estatal CTC-CE, ainda era pintura livre e numeração só de 3 dígitos nos busos.

Entretanto, pra haver metrô ali, novamente terá que ser triplicada, pra acomodar composições de carga e dois sentidos de trem de passageiros.

Se esse é um futuro distante, o que importa é que está se trabalhando pra que algum dia ele emerja a matéria. E em 2017 parte dele já emergiu.

…………

Agora quanto aos ônibus. Fortaleza tem 7 terminais, em que a integração é gratuita. É pouco, certamente. Só que agora não é preciso fazer mais um terminal sequer por lá. Porque agora Fortaleza conta com integração no cartão. Nos terminais, você troca de ônibus quantas vezes quiser, sem pagar. Isso é igual Curitiba.

Monobloco da Angelim ainda na pintura livre. Mas já com numeração de 5 dígitos (sendo o prefixo em cor diferente, modelo que Fortaleza inventou e que foi adotado em toda ‘Costa Norte Brasileira’). Outro detalhe: inverteram a entrada pra frente.

Só que em Fortaleza você pode descer na rua, fora do terminal, e igualmente pegar mais um ônibus sem pagar de novo, via cartão.

Com isso, 100% das linhas de Fortaleza são integradas. 100%. Não há zonas de sombra.

Em Curitiba há, sendo a maior delas a região do Pilarzinho (Zona Norte). Aqui, só uma linha de grande demanda é integrada no cartão, o Interbairros 1.

Igualmente pra ser justo, mostro lhes que o sistema de Fortaleza tem falhas graves (2013):

Não há ônibus articulados nem canaletas (corredores) exclusivas, e não há integração com a região metropolitana.

Início dos anos 90: 1ª padronização da pintura de Fortaleza (Fonte de várias imagens: sítio Ônibus Brasil). A princípio seriam 3 pinturas, de acordo com a categoria do serviço. Essa era a dos alimentadores, em mais um Monobloco da CTC, destaco o prefixo em cor distinta (‘Costa Norte’) e a entrada pela frente.

Bem, quanto ao segundo problema, o metrô amenizará em muito essa questão, justamente porque integrará Fortaleza com Maracanaú, Pacatuba entrando de brinde.

Já a falta de canaletas e articulados permanece como uma questão a resolver.

Atualização: isso também foi resolvido, ou ao menos começou a ser resolvido. Realmente o avanço pra frente de Fortaleza nessa década salta aos olhos.

A integração no cartão é inevitável. Até Porto Alegre e o Rio de Janeiro demoraram bastante mas já implantaram/estão implantando integração no cartão (lembre-se sempre, escrito em 2013).

Bato de novo nessa tecla porque em 2013 Curitiba ainda não havia despertado pra necessidade de integrar digitalmente, e não somente pelo modal físico do terminal.

Thamco Padrão (alongado, portas largas, motor traseiro) da Cialtra, eis os que eram ‘circulares’ (equivalentes aos Interbairros de Curitiba ou ‘Transversais’ de Porto Alegre) na 1ª padronização (essa e outras tomadas vieram do portal FortalBus). Embarque dianteiro e o prefixo em outro tom.

A capital do Paraná só tinha uma linha central de grande demanda integrada no cartão, digo de novo e quantas vezes forem preciso.

Afora isso apenas algumas outras nos confins da cidade, linhas pouco utilizadas pois atendem regiões esparsamente habitadas.

Pior. Mais 4 anos passaram, e ainda não há integração no cartão. Muito menos trem, metrô ou VLT.

…………..

No Nordeste, enquanto isso, a coisa fica melhor a cada dia.

De novo um articulado CTC da primeira leva, que acima vimos na pintura livre. Aqui ele foi repintado, esse era o 3º esquema de pintura da 1ª padronização, com flecha eram os ‘Troncais’, do Centro aos terminais. Aqui a transição, atrás um buso ainda com pintura livre. Seja como for, essa pintura acabou se impondo sobre as outras duas, e breve todos os busos municipais de Fortaleza, de todas as linhas, acabaram padronizados com esse desenho e cores. É mais um Thamco, esse Volvo Azulão.

Não é apenas na capital que o Ceará está investindo em sistemas rápidos, eficientes e não poluentes de transporte de massa. Conheça o “Metrô do Cariri” e o “Metrô de Sobral”.

O estado do Ceará tem nada menos que 3 cidades com transporte sobre trilhos: a Grande Fortaleza, Sobral e Juazeiro do Norte.

(Nota: ‘cidade’ é diferente de ‘município’. O estado de SP conta com transporte ferroviário urbano em grande escala em dezenas de municípios, mas em somente duas cidades, a Grande SP e a Baixada Santista).

Veja abaixo a imagem do “Metrô do Cariri” sobre a ponte. Na verdade não é metrô, mas VLT. Mas … parece um metrô, daí a alcunha.

Ainda assim, repito, trata-se de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Que liga os vizinhos municípios de Crato e Juazeiro do Norte, no sul do estado, bem longe da capital e do litoral portanto.

“Metrô do Cariri” (Juazeiro do Norte/Crato).

Mas veja, até cidades no fundão do sertão nordestino tem um transporte moderno e barato, a passagem quando consultei era apenas R$ 1.

….

Os VLT’s do interior cearense são lindos, certamente. Mas é preciso um contra-ponto:

São sub-utilizados, assim será que o investimento valeu a pena?

Aqui o VLT de Sobral, também no Sertão.

A previsão era de que cada sistema de VLT transportasse 5 mil passageiros por dia, mas a média fica no Cariri em 1,3 mil, menos de 1/3.

Em Sobral está melhor, é o dobro do de Juazeiro, são 2,6 mil usuários por dia, mas ainda assim metade do previsto inicialmente. Façamos a comparação.

A linha Roça Grande/S. Cândida, na Zona Norte da Grande Curitiba, tem 3 mil passageiros por dia.

Próximas 2: Estação Parangaba do Metrô em fase final de obras, agosto de 2011 (*)

No meio do dia é feita por somente 1 ‘carro’ não-articulado, no pico vem mais um dar uma ajuda.

Entenderam? Uma única linha de ônibus em Ctba (2 veículos no pico, unicamente 1 no resto da jornada) tem mais demanda que os VLT’s do interior do Ceará.

Claro, o trajeto é curto, por isso só 1 busão dá conta e o intervalo entre as viagens é meia-hora.

Os VLT’s do interior do Ceará percorrem uma distância muito maior, se a Roça/Santa fosse tão longa precisariam 4 ou 5 ‘carros’.

A questão não é a distância, e sim que os VLT’s de Sobral e Juazeiro são grosseiramente sub-utilizados, um mal consegue superar metade do que era esperado, outro não chega a um terço.

 Aí eu te pergunto: valeu a pena o investimento, ou foi mais uma obra faraônica como tantas no Brasil? Valeu gastar milhões pra implantar esses dois VLT’s no interior, que rodam vazios a maior parte do tempo?

E aqui a o local da Estação Benfica, também na Zona Sul (*).

A resposta é meio óbvia, não? Os investimentos no VLT e metrô de Fortaleza eu não contesto, só aplaudo.

Na capital a demanda é gigante, e a população merece essas melhorias. Por isso fiz essa matéria.

Mas no interior a situação é outra, e um corredor de ônibus (com ou sem paradas elevadas) seria suficiente. Mas não daria tantos votos, não é mesmo?

……

Aqui encerra-se o primeiro emeio (acrescido de material inédito), que data de 2013. Agora outro, publicado em 7 de setembro de 2011, logo que voltei de lá portanto.

o metrô vem aí: em Fortaleza, claro

De volta a capital, agora vou continuar contando minhas voltas pela cidade. Em Fortaleza amanhece uma hora mais cedo que na capital do Paraná, pouco antes das 5:30.

Entretanto, curiosamente anoitece no mesmo horário, por volta das 6:30 (isso não é científico, foi uma observação empírica, o mês era agosto, quase Primavera em Curitiba).

Mas voltemos pra manhã de sábado que eu estava no Ceará. Dormi num hotel barato próximo a Praia de Iracema, no Centro. Amanheceu e eu saí.

Tabela Trocada: veículo em testes em Fortaleza, com a pintura de Campinas-SP.

Eram seis horas da manhã de sábado. Sol alto e quente. Mas pelo horário não havia quase ninguém na rua, por motivos óbvios.

Tava eu lá, em pleno Centrão de Fortaleza, e ele quase deserto. As primeiras pessoas chegando pra trabalhar, as primeiras lanchonetes abrindo.

Comi 3 pães de queijo (a versão cearense é diferente da que vende no Centro-Sul do país, levantei pra rede a mensagem que falo da alimentação).

A seguir peguei o trem pra Zona Oeste, a mais pobre da cidade. O trem custa um real, e tem ar-condicionado.

Mais uma vez, essa é a atual pintura padronizada de Fortaleza.

Essa é a parte boa. Agora a parte ruim: ele funciona numa linha de compartilhada com trens de carga, que ainda por cima não é duplicada.

Por conta disso, só pode operar uma única composição, só ela vai e volta.

O trem é de hora em hora, nos horários de pico de 40 em 40 minutos. 

Em Testes: já que falamos de busos emprestados, eis um de Curitiba operando em Fortaleza por uns dias antes de vir pra cá. Entrada pela frente, pois a roleta está ali. Pra andar no Hibribus os cearenses tiveram que voltar a embarcar pela dianteira.

Como contei acima, cheguei e só havia o vigia na estação, pois levaria uma hora pra próxima viagem, o trem acabara de sair, e tinha que ir até Caucaia e voltar.

Fiquei quase meia-hora só eu e Deus (e o vigia, que também é Filho de Deus) na plataforma deserta (situação similar a que passei na África do Sul, quase 6 anos depois).

Voltando a Estação Central de Fortaleza, enfim começaram a chegar mais passageiros, a composição adentrou ao recinto.

Veio com bastante gente do subúrbio, aqueles que trabalham sábado no Centro.

O Hibribus em casa, aqui em Curitiba, puxando a linha Interbairros 1 – a única central e de maior demanda em Ctba que é integrada no cartão, enquanto em Fortaleza são todas, na cidade inteira.

Mas pra volta foi quase vazio, além de mim que era turista quem vai do Centro pro subúrbio antes das 8 da manhã de sábado? Peguei o de 7:45.

Felizmente era sábado, pois domingo esse horário não opera, é de duas em duas horas. Quem perde o das 7 tem que esperar até as 9:00.

Os vagões são limpos, confortáveis e seguros. Uma das poucas partes de Fortaleza que não é pichada. Observem as fotos, um pouco mais pra baixo na página.

Há seguranças em todas as estações, inclusive seguranças do sexo feminino, se for preciso revistar Mulheres. Os guardas andam armados.

Assim, pelo menos quando peguei, não haviam sem-teto, pedintes, vendedores nem ladrões no trem. As composições são velhas, mas estão reformadas, as portas funcionam perfeitamente, não há situações de risco.

Aqui e a direita: mais 2 do (sub-utilizado) “Metrô do Cariri” entre Juazeiro e Crato.

Dois anos depois, repito, andei no trem de subúrbio de João Pessoa, onde as condições são bem piores, na Paraíba não há ar-condicionado pra conversa começar.

A vantagem era o preço. Em Fortaleza, 1 real (agosto.11), enquanto que em João Pessoa era, é até difícil de crer mas é verdade, somente R$ 0,50, sim, cinquenta centavos (setembro.13).

Nos anos 90 andei em trens de subúrbio em São Paulo em que algumas portas não fechavam, o trem ia a toda a velocidade com portas abertas.

Hoje isso não ocorre mais, que fique bem claro. Então hoje os trens de São Paulo são seguros.

Mas um dia não foi assim, era o chamado “trem da morte”, cujo lema era “pague pra entrar, reze pra sair”, e eu presenciei essa situação pessoalmente.

Em Fortaleza deve ter ocorrido o mesmo, aposto que até os anos 90 os trens eram igualmente perigosos. Mas hoje não são, é o que importa.

De Volta pro Futuro“, ops, perdão, essa é uma postagem minha que também fala de Fortaleza. De Volta pro Passado, isso sim, e de volta a capital do Ceará. Começo dos anos 90: sanfonado da CTC na pintura livre toma um bom banho pra iniciar mais um dia de trabalho.

Os vagões foram reformados, mas a linha ainda não. É pista única, compartilhada nos dois sentidos.

Apenas em algumas estações a linha se divide, aí quando duas composições vem em sentido contrário nesses locais elas podem se cruzar com segurança.

Mas na maior parte do trecho é pista única. Isso e mais ser dividida com o trem de carga impede uma frequência maior.

Porque se houvesse a modernização, muito, mas muito mais gente usaria, como aconteceu na Linha Sul, virou metrô e ‘pegou’.

Outra deles, na 1ª padronização eram 3 pinturas, essa era uma delas. Na 2ª padronização essa pintura encampou tudo, todos os busos ficaram assim nos anos 90, recapitulando.

O METRÔ VEM AÍ, FORTALEZA ENTRA NOS TRILHOS  – 

(Que a linha pegou escrevi em 17. Volta o texto original de 2011, quando a Linha Sul estava em estágio final de obras) Acima falei da Linha Oeste, que está ativa como trem de subúrbio.

A Linha Sul está desativada, pois vai virar metrô. Seguem mais pra baixo na página (busque pelas legendas) fotos das estações, que já estão praticamente prontas.

A Estação Benfica fica na Zona Sul numa região ainda de classe média.

Próximas 6: virou o milênio e todos os busos de Fortaleza ficaram assim, na padronização “das Flechas” (origem da foto: página Ônibus do Nordeste). O prefixo continua em cor diferente. Em compensação, nessa época a cidade não teve articulados, num hiato triste e inexplicável.

A Estação Parangaba  fica bem mais ao sul, onde a cidade começa a virar subúrbio mesmo.

Ao lado do terminal de ônibus de mesmo nome (já em funcionamento há quase duas décadas, também fotografei, mais pra baixo na página).

A Estação Conjunto Esperança, é nos confins da Zona Sul, periferia típica, só que ainda no município de Fortaleza.

O metrô irá até o município de Maracanaú, onde eu havia ido na véspera, de ônibus, e sua última parada será em Pacatuba.

Atualizo mais uma vez: desde 2012 mudamos o tempo do verbo pro presente, vai até Maracanaú e Pacatuba.

‘Não pegou’ inverter o embarque. O povão do Ceará não gostou de entrar pela frente, voltou pra porta de trás. Como a Av. Leste-Oeste é a ‘Veira-Mar’ Oeste (na Rep. Dominicana se escreve mesmo com ‘v‘), esse busão vai ‘da Beira-Rio a Beira-Mar‘.

(Volta o original de 2011) As obras estão quase prontas, e na verdade já deveriam ter sido concluídas, está atrasada a inauguração.

Dizem que até 2012 vai. Vamos falar a verdade: as obras estão atrasadas, mesma situação que está ocorrendo em Salvador.

Nota: Salvador inaugurou o primeiro trecho curto de metrô a tempo da Copa, em 2014. A partir de 2016 já são duas linhas operando, somando 15 km.

……….

De volta ao que escrevi sobre Fortaleza, 2011: a primeira linha sai ano que vem, e a previsão é que até a Copa as obras da segunda linha estarão adiantadas.

Fortaleza: transporte barato (comparado com Curitiba certamente, apesar que lá a renda é menor também) e integrado duplamente, pela via eletrônica no cartão

Nova atualização: a previsão se cumpriu parcialmente. Em 2012 a Linha Sul ficou mesmo pronta, mas os VLT’s da segunda linha só foram pros trilhos (literalmente) em 17.

Obviamente no metrô a linha férrea será dupla, permitindo uma frequência normal de composições, ou seja, de no máximo 10 minutos no período de pico, e de até 20 nos demais horários.

Também está sendo construído um desvio pra linha de carga poder continuar operando sem atrapalhar o transporte de passageiros.

Na Linha Sul tudo isso está quase pronto. Assim que for inaugurada, e será antes da eleição do ano que vem, será a vez das outras linhas.

Fortaleza evoluiu nos transportes, enquanto Curitiba parou no tempo. Aqui só há uma rede de ônibus, que em quase 30 anos (desde 1993) quase não foi ampliada.

. . .  e também física no terminal. Próximas 2: Terminal da Parangaba, Zona Sul (*).

Com exceção da Linha Verde Sul, Terminal Caiuá e alguns terminais na região metropolitana, quase nada foi feito por aqui. E mesmo o que saiu foi a muito custo.

……….

Vamos a mais um emeio, esse circulou no dia 18 de outubro de 2014. Antes, repito a advertência. Tudo é relativo, e o termo ‘Cidade-Modelo’ exalta a grande evolução de Fortaleza nessa década.

Não estou afirmando que tudo está perfeito, mas sim que já foi muito pior, e nessa década a cidade renasceu. Isso esclarecido, fogo no pavio:

Agora Sim: Fortaleza, cidade-modelo do transporte brasileiro!!!

Como foi em 2011, os busos tinham a padronização ‘das Flechas‘ (*). Isso já disse, desculpe o pleonasmo. Repito aqui pra ressaltar que Belo Horizonte tinha uma pintura muito similar, na mesma época.

E boa notícia também: enfim, após longa ausência, os articulados voltaram a Fortaleza!!! E agora com ar-condionado !

Um colega me mandou a notícia que esses bichões começaram a operar na linha que liga os Terminais Antônio Bezerra, na Zona Oeste, ao de Messejana, na periferia da Zona Leste. Um trajeto perimetral, cortando todo o subúrbio da cidade.

http://www.opovo.com.br/app/fortaleza/2014/10/14/noticiafortaleza,3331134/onibus-articulado-comeca-a-operar-em-carater-experimental-nesta-quarta.shtml

Linha Oeste-Leste, de Antônio Bezerra ao Náutico. Hoje faz parte do corredor implantado pela prefeitura, na Z/Oeste corredores com plataformas elevadas como vimos na abertura da matéria. Na Z/Leste fizeram binários nas avenidas, que agora contam com faixa exclusiva pra ônibus. Como sabem, esse buso é municipal. Já verá porque enfatizo isso de novo.

As Zonas Oeste e Sul de Fortal são justamente as mais populosas e povoadas, onde mora o povão.

A Zona Leste é a parte rica a Beira-Mar, mas no subúrbio é periferia também, e a capital do Ceará não tem Zona Norte, pois essa é o Oceano Atlântico.

Assim se vê, como disse acima, que essa linha faz um arco na periferia da cidade. Mas não para por aí.

A próxima etapa, já em novembro, vai pôr articulados no corredor que vai ligar a Zona Oeste ao Centro.

Veículo metropolitano da Via Metro (*). A mesma pintura dos municipais, apenas muda o amarelo no lugar do azul. Mas os metropolitanos do Ceará são pintura livre, porque esse é similar? Porque é uma homenagem, uma ‘padronização voluntária’, um clone. Abaixo falo melhor disso.

Em breve, esse corredor será estendido ao Terminal do Papicu, na Zona Leste, a parte rica da cidade.

Aí você vai poder se deslocar do subúrbio-dormitório a oeste até o polo de empregos a leste de forma rápida, barata e eficiente.

Ainda sem o corredor exclusivo, vê que os articulados já estão indo até o Papicu, é exatamente ali que foi tomada a imagem logo abaixo.

E o melhor vem agora. Tudo isso por apenas R$ 2,20 (outubro de 14). Vale lembrar que em Fortaleza 100% das linhas são integradas.

Já mostro mais metropolitanos. Aqui, voltamos aos municipais da capital. Quando vieram os articulados mudou também a pintura, só o teto, frente e costas ficaram azul, a lateral agora é branca. Transição, atrás ainda inteiros de azul.

Pois há os terminais com integração física e depois, fora deles, você ainda pode pegar mais uma condução sem pagar de novo via integração temporal no cartão.

Pra não falar do metrô da Zona Sul, tema de inúmeros outros emeios nossos (todos eles agrupados aqui), que é uma belezura. Transporte barato, e de qualidade é isso.

Fortaleza é bem grande, apenas o município tem 2,5 milhões de habitantes.

Mais uma cena da transição: 2 micros, o da frente na nova pintura, atrás na antiga.

Atenção: se você digitar “população Fortaleza” no ‘Google’, vai aparecer 3,5 milhões.

Esse é o total da Grande Fortaleza, com os subúrbios metropolitanos incluídos.

Apenas o município-núcleo de Fortaleza mesmo ainda está na marca de 2,5 – retratei um erro que aconteceu em 2014, esse já foi corrigido.

Próximas 2: metropolitanos, pintura livre. Ambas de minha autoria, 2011. Aquele triângulo em amarelo é o símbolo do Detran-CE, que regula as linhas inter-municipais.

Mas em 08/08/17 quando edito pra jogar no ar substituíram um erro por outro:

Agora consta que Fortaleza tem 800 mil moradores somente. É mole?

……….

A volta dos articulados supre uma lacuna de décadas. Mas não é a primeira vez, é o retorno:

Na virada dos anos 80 pra 90, Fortaleza investiu na melhoria do transporte coletivo.

Comprou vários articulados pra então existente estatal CTC (Companhia de Transporte Coletivo).

E inaugurou alguns terminais, padronizou a pintura e mudou a entrada de trás pra frente.

Veem em várias imagens os sanfonados da saudosa CTC – esses ainda sem ar-condicionado.

A partir dos anos 90 as vans tomaram conta de Fortaleza (*), como também ocorreu em boa parte do Brasil, América e África. Legalizadas, se integraras ao sistema. Essas são municipais de Fortaleza (a imagem ficou escura, desculpe).

O tempo passou, a CTC foi privatizada, e Fortaleza deixou de ter articulados, por quase duas décadas.

Além disso, a entrada foi novamente revertida pra porta traseira, creio ser um caso único no Brasil, uma cidade mudar pra frente, não se adaptar e voltar pra trás.

Mas os terminais e a pintura padronizada permaneceram, ou seja, essa primeira onda de melhoria não foi de forma alguma perdida.

Mais recentemente surgiu nova onda de investimentos. Veio a Linha Sul do metrô, e breve outras também. E a integração no cartão.

Centro de Caucaia: as vans com faixa laranja são as metropolitanas.

Faltavam os corredores e articulados, ambos inexistentes quando lá estive em 2011, mas agora uma realidade.

Fortaleza, cidade-modelo do transporte brasileiro. Quem diria, hein???

……..

Isso que Fortaleza ainda conta com explosivo crescimento populacional, como as cidades do Sul e Sudeste um dia tiveram, mas não mais a muito.

Metrô de Fortaleza.

Uma pequena comparação com Curitiba deixará claro.

Aqui vou dar os dados somente dos municípios, sem incluir região metropolitana.

Em 2011 Curitiba tinha 1,7 milhão de habitantes, Fortaleza 2,4.

Rebelião! Uma viação de Fortaleza, a S. José do Ribamar, se recusou a adotar 2 padronizações, e manteve parte de sua frota na pintura livre. Abaixo falo com mais detalhes.

Em 1991 os números eram 1,3 milhão pra capital do Paraná, e 1,7 pra do Ceará.

Duas décadas depois, portanto a distância cresceu de 400 pra 700 mil moradores.

Fortaleza tende a estar beirando os 3 milhões em 2020, enquanto Curitiba não terá chegado ainda ao segundo milhão.

Esse parágrafos acima já são de outro emeio, escrito em 6 de setembro de 2011.

 aqui Fortaleza criou e o Rio copiou

Fortaleza se parece muito com o Rio de Janeiro em muitas coisas:

No gosto musical de boa parte da juventude do subúrbio  (o ‘funk’), na pichação e nas enormes favelas na Beira-Mar, ao lado dos ricaços.

Rio de Janeiro, RJ. Mas cópia de Fortaleza, CE.

Em alguns casos quase uma cópia exata. Mas num ponto a polaridade se reverteu:

Uma viação de ônibus carioca copiou exatamente a pintura que vigorava em Fortaleza nos anos 90.

Acima vemos um CTC que eu mesmo cliquei, em 2011.

Nessa época a ex-viação estatal já havia sido privatizada, e não fazia mais linhas urbanas.

Mas havia mantido alguns ‘carros’ pra outros modais (transporte de funcionários e escolar).

Pro que nos importa aqui, o CTC-CE está  decorado na primeira (e segunda) padronizações de Fortaleza.

Agora filma acima e ao lado: a Viação Bangu do RJ usou exatamente a mesma pintura.

Porque quis, na época era pintura livre nessa cidade do Sudeste. Outro clone, outra homenagem.

Agora foi Fortaleza quem criou, e o Rio copiou. Tudo vai e volta. Yin-Yan. Essa é a Lei da Natureza.

……

Agora veja esse flagrante raro a direita: Conjunto Esperança, Zona Sul de Fortaleza, 2011. Um buso ainda usando essa pintura antiga que o Rio gostou, em pleno ano de 2011.

Mais uma dos articulados pioneiros dos anos 90, na pintura livre da CTC (essa e outras vieram do MOB Ceará).

A linha é Conjunto Esperança/(Terminal) Siqueira. Esse bichão é um Svelto da Comil, encarroçadora que tem sede em Erechim-RS. Portanto cruzou a BR-116 de ponta-a-ponta, Rio Grande do Sul-Ceará, antes de começar a operar.

Eu sei, a foto ficou bem escura, era domingo a noite. Mas vale pelo flagra, dos milhares de busos que vi em Fortaleza nos 4 dias que fiquei lá esse era o único nessa pintura antiga – e consegui clicar .

Me refiro aos que ainda estavam na ativa pra transporte urbano regular. Fotografei o CTC no Centrão, mas aquele já está em outros modais, como expliquei acima.

…….

Comentemos diversas imagens espalhadas pela mensagem. Nem sempre estão ao lado do texto correspondente, busque pelas legendas.

Anteriormente essas postagens foram emeios, que têm logística bem diferente. Vemos no decorrer da matéria:

– Acima e ao lado: América, América.

Veem a praça central do bairro Planalto, município de Caucaia, Zona Oeste da Grande Fortaleza.

Em outra parte conto minha volta por esse lugar. Por hora nos fixemos nos ônibus. Como já escrevi muitas vezes em outros textos:

Aqui e a esquerda, agosto de 2011 (*): registrei a fase final de obras da Linha Sul do Metrô de Fortaleza.

É característica de nossa querida América que na praça central de qualquer bairro de periferia parem várias linhas de ônibus.

Curitiba foge a essa regra, aqui na periferia não ocorre de pontos finais se entrelaçarem.

Então no ponto final em algum subúrbio distante não ocorre de ficarem vários ônibus juntos (digo, já fotografei uma exceção em Rio Branco do Sul).

Mas nas outras cidades é o padrão. 

Você chega na praça principal de qualquer subúrbio e lá estão vários bichões enfileirados, esperando a hora de zarpar.

Vi essa cena muitas vezes em São Paulo, Belo Horizonte, João Pessoa, Belém-PA, Santos, Cuiabá-MT, Manaus-AM, Brasília-DF, México, Colômbia, Paraguai, Chile. Bem, obviamente Fortaleza é América.

Interior do trem suburbano pra Caucaia. Só havia eu quando cheguei, cliquei o mesmo em Durbã, na África do Sul.

Aqui (ainda me refiro as fotos em Caucaia) observam dois ônibus da empresa Vitória, esses são intermunicipais.

A definição não é boa, mas olhe com cuidado e veja o símbolo amarelo do Detran-CE no fundo da lataria, logo acima da cabeça da Mulher que passa ao lado.

Ainda na tomada a direita, são dois Marcopolos, essa encarroçadora gaúcha domina o mercado de Fortaleza, deve ter uns 70% da cidade.

O resto é dividido entre Caio, Busscar, Comil e até alguns da paranaense Mascarello, cuja sede é em Cascavel.

A esquerda (ainda falando da foto no Planalto) uma van, de cooperativa, agora legalizada. Também intermunicipal, ou seja, todos os coletivos da foto vão pro Centro de Fortaleza.

Fui pra Caucaia de trem, retornei num ônibus da Vitória. Em J. Pessoa fora o contrário, volta pelo trilho, ida via modal sobre pneus;

– Voltamos ao Centro de Caucaia, Zona Oeste da Gde. Fortaleza. Cliquei em imagens separadas duas vans de cooperativas, também intermunicipais, rumando pro Centro de Fortaleza. Uma está mais pro alto na página, essa aqui da Coopervans é a outra como já informado

Vitória da Iracema na pintura livre.

– Falar em micros, vimos bem pra cima na matéria um municipal de Caucaia, Zona Oeste.

Fui um desses que peguei pra ir ao bairro Genipabu, já na divisa com a zona rural.

Em outra mensagem relato como foi minha volta por lá.

Em 3 fotos as estações de metrô sendo construídas na Zona Sul, Estão quase prontas (agosto.11) – até as placas indicando ‘embarque’, ‘bilheteria’, etc., já estão estão instaladas.

Trem suburbano pra Caucaia.

Uma (tirei de dentro do ônibus em movimento, aí a qualidade não ficou primorosa) mostra Benfica, ainda em região de classe média.

Nas outras 2, Estação Parangaba. Como podem ver, nem está pronta ainda, mas já está inteira pichada, inclusive aquela parte alta a direita, que deve ficar a uns 5 metros do chão.

– Exatamente ao lado está o Terminal Parangaba de ônibus.

Próximas 2: Estação Central dos trens suburbanos de Fortaleza (*). Vazia pois é sábado perto das 7 da manhã. Por décadas daqui saíram os trens tanto pra Caucaia na Zona Oeste quanto Maracanaú na Zona Sul. Mas a Linha Sul virou metrô, agora aqui é o ponto final só pras composições da Z/O.

É o maior terminal da Zona Sul, e serve a diversas vilas e conjuntos pobres do Extremo Sul da cidade.

Inclusive alguns que ficam pra baixo do Anel Viário, equivalente dos Contornos de Curitiba e do Rodoanel de São Paulo.

Podem ver que há um busão esperando pra sair em direção ao Terminal Papicu, Zona Leste. Como já escrevi, esse fica no coração da parte rica da cidade.

Logo a linha Parangaba-Papicu é também extremamente sobrecarregada, por ligar a região-dormitório ao polo de empregos.

E deveria ser feita por articulados, mas esses não existem em Fortaleza, infelizmente.

Já o sabem, eles não existiam em 2011. A partir de 2014 voltaram, felizmente. Hoje a linha é feita por articulados.

Ponto final de ônibus em Maracanaú, Zona Sul metropolitana (abaixo, minha autoria). 

Novamente veem vários ônibus (amarelos) juntos esperando a hora de partir. É a América, afinal. Todos os veículos são Marcopolo.

O detalhe da ViaMetro, apelido da Viação Metropolitana, que atende Maracanaú. 

Observam que a pintura é igual aos municipais de Fortaleza, apenas é amarelo ao invés de azul-claro.

Na região metropolitana a pintura ainda é livre, cada empresa faz o que quiser.

A ViaMetro fez essa alusão aos municipais de Fortaleza porque quis, não é obrigada a tanto.

Voltamos a ver os trens, mas aqui na periferia da Zona Oeste (*). É a divisa entre o Cj. Ceará (Fortaleza) x Jurema (Caucaia).

É um clone, uma homenagem. Detalhe: em Florianópolis-SC aconteceu exatamente o mesmo, nos anos 80 e 90.

A capital de Santa Catarina, junto com as de Minas Gerais e Goiás, foi a primeira a padronizar a pintura dos ônibus metropolitanos, ainda no começo dos anos 90.

No caso catarinense, a padronização abarcou as linhas pra São José, Palhoça e Biguaçu (e também Gov. Celso Ramos, por ser feita pela mesma Viação Biguaçu).

As linhas pra Santo Amaro e Caldas da Imperatriz não tiveram sua pintura padronizada, pois na época (começo dos anos 80) a Grande Florianópolis era muito, mas muito menor em termos de população. Assim, Santo Amaro e Caldas ainda eram muito distantes da área urbanizada da metrópole. Mesmo Palhoça e Biguaçu, naquele tempo, não estavam totalmente conurbadas com São José.

Próximas 4 (via ‘Google Mapas’): Estação de Pacatuba do metrô em fase final de obras (fev.12).

Totalmente interligadas formando uma e a mesma cidade, onde você não percebia onde acabava uma e começava a outra, eram apenas Floripa e São José.

Palhoça e Biguaçu eram região metropolitana mas a área urbana não era emendada, ou seja, era preciso ainda pegar estrada e passar por regiões não-urbanizadas pra chegar nelas.

Santo Amaro e Caldas da Imperatriz então, ainda mais distantes, nem sequer faziam parte da região metropolitana.

A companhia “Metrô de Fortaleza” administra tanto o metrô mesmo quanto trem suburbano. No Conjunto Ceará fotografei a placa que diz “Metrô de Fortaleza”, mas lá não é metrô. Aqui na Z/S é metrô, de fato.

Eram cidades do interior catarinenses. Próximas a capital, mas já no interior, e não na região metropolitana.

Por isso, os busos da Viação Imperatriz não eram obrigados a adotar a padronização da CBTU, que emcampou os sistemas municipal e metropolitano de Floripa.

Mas mesmo assim a Imperatriz adotou, voluntariamente, uma pintura-clone, uma padronização voluntária, se quiser pôr assim, similar.

Apenas a faixa onde vinha o nome da empresa era azul-escura, ao invés de preto do padrão mandatório que todas as outras viações tiveram que adotar.