Flores de Minas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 28 de novembro de 2012

Todas as postagens de ‘flores’ são dedicadas as Mulheres.

Fechamos a série sobre Minas Gerais com chave de ouro.

Querida.OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Belo Horizonte estava linda, toda enfeitada de flores.

Várias delas foram capturadas na Lagoa da Pampulha e imediações.

Mas nem todas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA da direita cliquei no Vilarinho, também na Zona Norte.

E a esquerda em Betim, Zona Oeste Metropolitana.

………….

Ao lado e na sequência horizontal abaixo:OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Mais flores cujas imagens retratam ao fundo a Lagoa-símbolo da capital de Minas e seu belo parque linear.

Clique sobre as fotos que elas aumentam, o mesmo vale pras de cima.

Em homenagem a seu espírito feminino e delicado.

hibisco rosaOLYMPUS DIGITAL CAMERAflores na Pampulha Zona Norte5OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

Mais flores, algumas delas também fotografadas nesse mesmo local, e outras espalhadas pela cidade. Eu adoro hibiscos. Especialmente os rosas!!

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Beijos de Luz em seu coração.

Deus proverá 

Serra e Papagaio, debaixo de temporal: abrindo o Raio Vermelho em BH

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 2 de dezembro de 2012

AVISO: EU NÃO TORÇO PELO CRUZEIRO. NEM PRO GALO, TAMPOUCO PRA QUALQUER OUTRO CLUBE.

FUI NO JOGO CRUZEIRO X CORITIBA PORQUE FOI ESSE QUE HOUVE EM BH ENQUANTO EU ESTAVA LÁ. TIVESSE A CHANCE IRIA TAMBÉM NA TORCIDA ATLETICANA. PORTANTO NÃO INICIE UMA DISCUSSÃO FUTEBOLÍSTICA, PORQUE NÃO É O CASO DE DEFENDER OU ATACAR NENHUM TIME, SÓ RELATO A VIAGEM.

Serra - BH - MG1

Aglomerado da Serra – B.H. (r).

Outra nota: a maioria das fotos, que retratam a cidade em geral, foi batida pessoalmente por mim.

Porém as que mostram cenas de futebol e das favelas Serra e Papagaio foram puxadas da rede. Por motivos óbvios de segurança eu optei por não levar a câmera nesse dia.

Eu identifico o que for da internet com um (r) de ‘rede’ entre parênteses, como visto acima.

Sem esse símbolo é de minha autoria. Isto posto, podemos começar a reproduzir o emeio, conforme ele seguiu aos contatos no fim de 2012.

capivaras na Lagoa da Pampulha

Muito verde e várias capivaras ao redor da Pampulha.

Falemos mais um pouco sobre Belo Horizonte.

Vou explicar o que quis dizer com o título: 

Na Ciência Oculta, se denomina ‘Raio Vermelho’ as vibrações mais densas (em sentido energético), mais cruas, mais instintivas, que por vezes descambam em violência.

Por isso o arco-íris começa no vermelho (maios denso) e termina no violeta (mais sutil).

bandeirao galoucura

Galoucura no Mineirão (r).

E o domingo que passei em BH foi dedicado justamente a explorar o lado mais ‘vermelho’ da cidade.

Visitei de manhã as duas favelas-ícone belo-horizontinas, o Aglomerado da Serra e o Morro do Papagaio.

bandeirao mafia azul

Máfia Azul no mesmo estádio (r).

…………

De tarde fui no ‘bonde’ da Máfia Azul assistir Cruzeiro x Coritiba. Tudo isso sozinho e a pé, e debaixo de muita, muita chuva, pra realçar as dificuldades físicas da tarefa.

Mais uma nota: eu não falo ‘favela’ em tom de desprezo ou preconceito, ok? Ao contrário, eu amo as favelas. Moro numa delas, na Zona Sul de Curitiba.

E conheço milhares de outras favelas e quebradas de periferia, nas 5 regiões do Brasil.

morro-do-papagaio

Aqui e acima da manchete: Morro do Papagaio (r).

E mais 7 países da América (México, Rep. Dominicana, Colômbia, Paraguai, Chile, EUA e Argentina – essa última apenas uma cidade fronteiriça com o Brasil).

(Uma atualização. Em março de 17 conheci melhor a Argentina: sua capital e maior metrópole, Buenos Aires; a maior cidade do interior, Córdoba; e 3ª maior cidade do interior, Mendonça.)

…………….

Bem próximo ao Centro de BH, está o “Aglomerado da Serra”. Há diversas vilas, entre outras São Lucas e Cafezal. Só que todas formam na prática formam uma favela só, gigantesca.

ingresso1

Ingresso de Cruzeiro x Coritiba, 25/11/12, penúltima rodada do Brasileirão/12. No Independência (“Caiu no Horto tá morto”) pois o Mineirão estava em reforma pra copa.

E por sua localização o Aglomerado da Serra é foco de diversos conflitos sociais, como não poderia deixar de ser diferente.

Uma vez que está ao lado do Centro e dos bairros mais caros daquilo que se chama ‘Centro-Sul’ (Savassi e entorno) da cidade,

Tanto a Serra quanto o Papagaio estão sendo urbanizados, processo que se repete em diversas cidades do mundo.

Estão recebendo infra-estrutura urbana como asfalto e regularização das ligações de luz e das escrituras.

ingresso

Ops, veja atrás: “Assento com visibilidade prejudicada“. Como assim??

Isso é excelente. Ainda que melhor estruturados fisicamente, obviamente num sentido ‘espiritual’ se quiser colocar assim esses morros ainda são favelas.

Eu não uso esse termo como pecha, como faz a direita. Mas eu tampouco mudo o termo pra ‘comunidade’, como faz a esquerda.

Favela é favela, pombas. Eu Amo as favelas e não por outro motivo moro numa delas, mas as coisas são o que são.

………

independencia

O estádio do América foi refeito, e refeito errado. Há barras de ferro em frente as cadeiras (r).

No Rio de Janeiro, quando várias favelas se juntam, formando uma só, se chama “Complexo”. Complexo do Alemão, Complexo da Maré, e por aí vai.

Antes de ir a BH, pensava que era o mesmo termo, por isso me referia a esse local como “Complexo da Serra”.

Entretanto, Belo Horizonte não tem “complexos” de favelas. Apenas porque lá essa manifestação se denomina “Aglomerado”. Então esqueça o “Complexo da Serra”.

Em lugar disso, bem-vindo ao “Aglomerado da Serra”, a favela-ícone, mãe de todas as favelas mineiras,a Rocinha de BH.

estadio_independencia

Dizem que é por causa da inclinação do anel, que foi mal-calculada e saiu muito aguda (r).

A Serra está logo a sul do Centro, na divisa entre as Zonas Central, Leste e Sul.

Saí cedo do hotel e fui a pé, passei por uma parte rica da Zona Central (falo disso depois) e logo começou a cair uma tempestade.

Prossegui assim mesmo. Há muito me reconciliei com a chuva, amo andar sentindo os pingos.

Não tenho guarda-chuva, pois não quero ser ‘guardado’ dessa Energia, e sim ser Um com ela. Eu Sou Taoista, se isso te diz algo. Yin-Yan.

independencia1

Não sei a causa, mas senti os efeitos. Bem como essa galera aqui (a foto é puxada da rede de outro jogo, não o que eu fui): você paga mais caro pra ficar no 2º anel que na geral (R$ 30 contra 20, valores de 2012) mas tem que ficar o tempo todo em pé, se sentar não vê nada.

E assim prossegui. Ensopado, mas feliz, lembrando de Medelím-Colômbia, onde também fiz uma enorme caminhada embaixo de uma tempestade.

Depois que escrevi esse texto, me encharquei em temporais também em Assunção, Belém do Pará, e muitos outros.

Aliás na capital paraguaia eu me molhei também no dia que fui a maior favela da cidade:

A Chacarita (‘Fazendinha’), que também fica ao lado do Centro.

……

A maioria das pessoas não se reconciliou com a chuva, e ela lhes incomoda. Mas há exceções.

Mais uma das margens da Lagoa da Pampulha. É tanto verde que parece que estou na área rural, a muitos km de BH. Mas que nada, é no coração da Zona Norte

Passei por um grupo de operários da Cemig (a estatal de energia elétrica) consertando um fio derrubado.

Eles estavam como eu, integrados a chuva, cantavam e riam, felizes, sabiamente aceitando o clima, ao invés de entrar em confronto com ele.

………..

Mais adiante, a ladeira ficou íngreme, e começou a favela, a maior e mais famosa da cidade, dizendo de novo. Fui serpentando por seus becos até chegar ao cume. 

Continuava chovendo, mas na favela as pessoas não se importam tanto com isso.

Bairro Colonial, em Contagem (Zona Oeste metropolitana).

Se as ruas do Centro ficaram desertas quando começou a chover, as vielas da Serra estavam cheias de gente. Aí comecei a descer pela outra face da encosta.

Continuava na ladeira, mas saí da favela. “Serra” é um bairro de Belo Horizonte, e não contém apenas pobreza.

“Aglomerado da Serra” é a favela, mas há partes do bairro de classe média e mesmo de classe alta. Subi pelo lado miserável, e desci pelo lado rico.

Lá embaixo, topei com duas moças que também já se reconciliaram com a chuva. Elas corriam, fazendo exercício.

Em BH por décadas os ônibus vieram com a linha pintada na lateral. Ou seja, não dá pra mudar. Mas e se for preciso deslocar o veículo pra outra linha? Cobre com fita-crepe. Que tal ficou?

Estavam encharcadas, as calças de ginástica e as camisetas grudadas em seus corpos torneados.

Mas elas estavam felizes, e continuavam sua corridinha como se nada estivesse acontecendo.

……………

Fui pela Avenida do Contorno (contornando o Centro, portanto, como o nome indica) até a Avenida Nossa Senhora do Carmo, que sai do Centro e vai pra Zona Sul.

Logo no começo dela, margeando a parte mais rica da cidade, há outra grande favela:

Milionários, Zona Oeste.

A segunda mais famosa de BH, o Morro do Papagaio, que conheço pelo nome desde criança, uma vez que sempre tive interesse nesse tema.

A chuva continuava. Por vezes virava uma tempestade, as vezes diminuía prum chuvisco, mas choveu a manhã inteira, sem nunca parar.

papagaio1

Morro do Papagaio, ao lado da parte mais rica da cidade, a divisa entre as Zonas Central e Sul (r).

……..

Chegando ao Papagaio, entrei em uma ladeira e cortei toda a favela por dentro.

Uma hora dois menores de idade, traficantes de droga, me abordaram e perguntaram se eu queria comprar maconha.

Disse que não, que eu não fumo, e que só estava mesmo dando uma volta. Não haviam revólveres a mostra. Se eles estavam armados, estava por baixo da camisa.

Não fiquei olhando pra me certificar. Pois obviamente inspecioná-los visualmente levantaria suspeitas que eu seria olheiro da polícia ou de grupo rival. Eu pretendia, exatamente o contrário, encerrar o diálogo o quanto antes. Disse que não era de BH e só queria ver como era o Papagaio.

Eles acharam meio estranho, e com razão. Domingo de manhã, um temporal desabando. Um cara que não é da cidade no meio dos becos do morro, e ‘só pra conhecer o lugar’. Ainda assim nossa conversa foi cordial.

Serra - BH1

Aérea do Aglomerado da Serra, não muito longe do Papagaio. Nas próximas 2: ao nível do solo aqueles pombais de cohab. Todas as fotos da Serra e Papagaio são baixadas da internet.

Me indicaram pra onde era a avenida, a saída da favela. Quando nos despedimos, falaram pra eu ‘voltar mais tarde, na hora do baile, pra ver as minas’, as garotas obviamente.

Agradeci o convite, mas não retornei mais ao Papagaio. Segui por onde me recomendaram, e ao voltar a Nossa Senhora do Carmo estava de volta ao “asfalto”. 

É modo de dizer, porque tanto a Serra quanto o Papagaio estão asfaltados agora. Seja como for, dali embarquei rumo ao Centro.

………..

Um arco de favelas “protegendo” o Centro – 

Como já disse, o Aglomerado da Serra é uma enorme favela, a sudeste do Centro, bem próximo dele. Seguindo um pouco no sentido horário, logo há o Morro do Papagaio, bem grande também, a sul do Centro.

Continuando no mesmo sentido, breve se Serra - BHchega no Morro das Pedras, a sudoeste do Centro.

São 3 grandes favelas em morro, que formam um arco e ‘vigiam’ a Zona Central, formando uma ‘barreira de proteção’ que abrange toda parte meridional do coração de BH, de sudeste a sudoeste.

Na parte boreal, há também uma favela em morro, a Pedreira Paulo Lopes. Mas ela é menor, menosSerra - BH - MG famosa e está isolada.

Talvez porque a parte norte do Centro de BH não precise da proteção de algum morro, pois ele mesmo é uma quebrada, uma parte bem degradada da cidade.

………………….

Várias fotos saíram ruins porque eu desregulei o contraste, desculpe. Segue pois melhor que nada. Bairro Justinópolis, Ribeirão das Neves, Z/N metropolitana. Traço da querida América, muitos busões juntos no ponto final do bairro, ‘mini-terminal’ informal. Já fotografei em Assunção, Santiago, Acapulco, Cid. México, Fortaleza, Curitiba, SP, Belém.

Explico. Olhe no mapa a área delimitada pela Avenida do Contorno, que é o Centro de Belo Horizonte.

Ele é bem inclinado. A parte sul é a mais elevada, tanto na geografia física quanto na humana.

Ou seja, de forma social e topograficamente. O sul do Centro é mais alto, e abriga os bairros mais ricos de BH, a região do bairro de Lourdes/Savassi.

A parte do meio é intermediária, topográfica e socialmente. É o Centro propriamente dito, onde está a Praça Raul Soares, aquela bola que é o marco zero de BH.

Continue seguindo ao norte, que tudo vai baixando, em relação ao nível do mar e também em termos de constituição social.

A parte norte do Centro é a baixada, onde fiquei. O eixo entre a Rodoviária e a Praça da Estação (onde um dia os trens que chegavam a cidade pararam; hoje é a Estação Central dos trens do metrô), é a boca do lixo, a “Cracolândia”, a zona de prostituição.

Belo Horizonte também é América. Busões parados vazios na Av. Vilarinho. O ponto final da linha “Venda Nova”. Alias, se você quiser ir de ônibus a esse bairro da Zona Norte de Belô, preste atenção num detalhe: se o letreiro disser “Venda Nova”, é essa linha com ponto final na rua, sem integração. Caso queira ir ao terminal Venda Nova pegar um alimentador sem pagar de novo, precisa ser o “Est. Venda Nova”.

A Vida é cheia de contrastes, não?

O Centro-Sul de BH é riquíssimo. E ainda assim, ou talvez por isso, cercado por 3 grandes favelas.

O Centro-Norte, se podemos usar esse termo, é bem mais pobre e conturbado, ele mesmo lembra uma favela. Em compensação há poucos morros favelizados por perto.

……………

Saindo das vielas do Morro do Papagaio, almocei, e depois fui dar uma volta, em outro bairro. 

De tarde, eu iria ao estádio do América, o Independência, na Zona Leste, presenciar Cruzeiro x Coritiba, pela penúltima rodada do campeonato brasileiro.

……….

Sempre que é possível, vou a estádios nas viagens. Já o fiz no Chile, Paraguai e Colômbia (nesse caso, duas vezes). Em novembro de 15, a Vila Belmiro em Santos. Em BH a Vida igualmente abriu essa possibilidade. Então embarquei

No bonde da Máfia Azul
placa nos pontos de onibus1

Próximas 2: nas principais avenidas há essas plaquinhas com itinerário.

Enfatizando ainda mais uma vez, eu iria a um jogo do Galo, se tivesse a chance. Mas em 2012 não tive, jogou como visitante nessa rodada. O jogo em casa durante minha estada foi Cruzeiro x Coxa.

(Nota: por outro lado, em 2017 eu vi o Atlético-PR jogar fora de casa, e não em qualquer lugar, mas na cidade de Buenos Aires, que concentra nada menos que 24 títulos da Libertadores.)

De volta a BH, 2012. Assim que cheguei a BH na quinta já corri a sede social do Cruzeiro, no Barro Preto (Zona Central) comprar o ingresso.

No momento da partida eu pretendia ir direto ao Independência sozinho.

O Mineirão estava em reformas pra ser sede da copa do mundo. E foi mesmo, foi ali que o Brasil tomou os eternamente inesquecíveis 7×1 da Alemanha. placa nos pontos de onibus

Entretanto, houve um problema. Agora já estamos no domingo  de manhã, dia do jogo. Estou subindo as favelas, debaixo de um toró.

Eu havia impresso um mapa de BH, que foi destruído pela tempestade. Então eu não sabia como chegar ao estádio, teria que pedir informação.

Após almoçar em algum bairro, embarquei num ônibus rumo ao Centro, pra resolver isso.

Contagem

E fui justamente ali, no ‘marco zero’ da parte baixa do Centrão, a Praça da Estação, que eu desembarquei do ônibus, pra resolver o que fazer.

Dei de cara com a concentração da Máfia Azul, a torcida organizada do Cruzeiro, se aglutinando pra seguir a pé pro embate.

Não precisaria mais pedir informação sobre como chegar ao Independência, afinal eles rumariam pra lá. Então decidi ir com eles. A pé, é claro. Continuava chovendo, com alguns breves intervalos estiados.

Confisco Zona Oeste (2)

Confisco, Z/O, divisa com Contagem.

Como é notório, as torcidas organizadas se reúnem em um ponto de concentração, e vão caminhando aos estádios.

Eu vou a campos de futebol desde que tinha 8 anos, e na adolescência assisti muitos os jogos, tanto aqui no Paraná quanto em São Paulo, no meio da torcida organizada.

Mas eu nunca havia ido ao estádio no ‘bonde’ deles. Então decidi participar dessa manifestação, pra ter essa experiência.

Zona Oeste, a beira da linha do trem.

…..……

Infelizmente, como é sabido, o nível de violência envolvendo a disputa Atlético x Cruzeiro está muito elevado, diversas mortes têm ocorrido.

Por isso por um tempo o maior clássico mineiro foi só de torcida única. Cruzeiro mandante, só gente de azul na arquibancada. Galo mandante, só galera alvi-negra.

comercio atras das grades

Comércio atendendo atrás de grades no subúrbio. Essa manifestação existe em BH, mas não é comum. Parecido com outras metrópoles brasileiras, e também Paraguai e Rep. Dominicana. Na Colômbia, Chile e México é pior.

Não pretendo dar destaque a violência. Mas infelizmente essa é a realidade, e citei pra por no contexto, pra que vocês dimensionem o que é estar no bonde da Máfia Azul, o que há envolvido.

Mesmo sem o jogo ser contra o arqui-rival Atlético, o nível de tensão é grande.

Até porque as torcidas dos times de Belo Horizonte e Curitiba são aliadas. A torcida do Coritiba, a Império Alvi-verde, é aliada da Galoucura.

E Os Fanáticos do Atlético Paranaense é aliada da Máfia Azul. A maior aliada da Máfia Azul, diga-se de passagem. Veja a esquerda a foto em que a Máfia picha “Os Fanáticos” por BH.

fanáticos máfia azul bh minas mg z/c centrão prédio edifício pichação picho teto céu azul limpo nuvens futebol torcida organizada aliança comandoQuando cheguei na concentração na Praça da Estação, vi que havia mais de uma dezena de membros da Máfia com camisas dos Fanáticos.

Portanto o Cruzeiro jogar contra o Coritiba envolve um nível de rivalidade alto, uma vez que esse time é apoiado pela Galoucura.

……..

Ribeirão das Neves

Então. Cheguei a Praça da Estação. O local estava cercado de policiais, inclusive da tropa de choque.

Alguns pareciam não se importar, e fumavam maconha ao lado de algumas viaturas. Os policiais fingiam que não viam, pra evitar confrontos.

Chegou um metrô, e mais alguns comandos da Máfia desceram da composição bradando seus hinos de guerra, no que foram acompanhados pelos que já estavam concentrados.

Barreiro, Z/O.

Alguns minutos depois, chegou mais um trem, mais alguns integrantes se juntaram ao grupo, e era hora de partir.

Quando o bando se pôs em movimento, o ônibus da tropa de choque ligou os motores e também zarpou, pra escoltá-lo.

Eu segui atrás deles, sem perdê-los de vista mas a uma distância segura, já fora do cordão de isolamento feito pela polícia, pra poder sair fora se houvesse alguma confusão.

Alias o último policial, que fechou o cordão de isolamento logo a minha frente, ia portando uma escopeta.

Confisco, também Z/O

Assim lá fomos nós, mais de mil pessoas, caminhando por Belo Horizonte, embaixo de muita chuva. 

Foi uma hora e pouco de caminhada. Eu era o último Homem dessa massa humana:

Perto o suficiente pra acompanhar os acontecimentos e também pra saber como chegar ao local da partida, mas longe o suficiente pra poder me dispersar em caso de confusão.

E confusão houve, já nas imediações do estádio. Mas já chego nessa parte.

Contagem

Primeiro vamos descrever o trajeto. Fomos pelo meio das avenidas, ignorando qualquer regra de trânsito.

Subimos um viaduto pelas faixas destinadas aos automóveis, eles é quem desviaram de nós. Literalmente, a rua era nossa.

A Máfia foi o tempo inteiro estourando rojões, no meio deles mesmos, com o risco enorme de alguém se machucar, mas ninguém parecia se importar.

Passamos em frente o batalhão da Rotam (Rondas Táticas Metropolitanas). Aí sim foi uma bateria de bombas que explodiu, em provocação.

U.S. do Confisco.

A torcida não atacou o quartel, não seriam tão burros. E sim explodiu os fogos de artifício numa sequência ensurdecedora, sem ter como alvo a sede da polícia.

Foi uma provocação velada a Rotam. Não um ataque aberto, que acabaria de forma trágica a Máfia.

Mas que as mentes se agitaram ao ver o quartel foi nítido. Sabiamente, a tropa de choque ignorou e não reagiu.

……….

Confisco, em frente ao postinho.

Quando entramos no túnel, foi um pandemônio sonoro. Todos gritaram ao mesmo tempo, e todos os carros acionaram as buzinas.

Parecia que eu havia voltado ao Caos Primordial, na Grande Explosão que formou fisicamente a parte do Universo que conhecemos.

Foi só uma intensa sensação sonora, mas sem riscos. Como havia ocorrido pouco antes em frente a Rotam, dentro do túnel houve muito barulho mas sem agressões a quem quer que seja.

Contagem

………

Porém nem tudo ficou apenas na ameaça. Eu estava preparado pra um tumulto.

Ele veio, já no entorno do Independência. Em alguma casa, alguém saiu na janela e gritou “Galo”.

A massa parou, e em meio a muitos xingamentos, alguém atirou algo em direção a casa, não sei se uma pedra ou mesmo uma fruta.

Esse ‘alfabeto‘ de pichação é o orgânico, originário de BH mesmo. Também se usa muito o ‘alfabeto’ de SP, BH é híbrida nesse sentido.

O fato é que a tropa de choque desembainhou os cassetetes e partiu pra cima. Correu gente pra onde foi possível. Eu me virei e corri também.

Mas como os gritos e a correria logo cessaram, percebi que a confusão havia sido contornada sem enfrentamentos.

A polícia prendeu um cara – que pode ter sido o autor da agressão ou simplesmente um bode expiatório – e o comboio retomou o rumo aos portões do estádio.

…………..

Falemos do independência propriamente dito. O estádio do América foi recém-reformado, e ficou pior que era. Isso porque no andar de cima há grades em todos os degraus, então se você fica sentado não consegue ver nada.

Colonial, em Contagem. Ao fundo a linha de prédios do Centro de B.H. .

Segundo me informaram, é por causa da inclinação, que é muito aguda. O fato é que alguém paga mais caro pra ficar no anel superior, mas tem que ficar o tempo inteiro de pé.

Vejam as imagens do ingresso. Nele já está assinalado que que a visibilidade é prejudicada, tipo “não aceitamos reclamações posteriores”.

E quanto a partida: as duas equipes não tiveram um bom ano (o texto é de 2012, lembre-se), e no Brasileirão se contentaram em escapar do rebaixamento.

Jd. Cristina Betim Z-Oeste metrop.2

Jd. Cristina, Betim. Amplie pra reparar no muro pichado no estilo que veio de SP: letras grandes, retas e bem separadas, feitas com rolinho de tinta.

O Coxa ainda chegou a final da Copa do Brasil e foi tri-campeão estadual, ou seja, o primeiro semestre foi salvo (até 2012 a final da Copa do Brasil era em junho. A partir de 13 foi pra novembro).

O Cruzeiro nem isso. Seu arqui-rival Atlético foi campeão mineiro invicto, e o Cruzeiro não foi bem em nenhuma das competições que disputou em 12.

De forma que sua alegria foi o fato que o Atlético perdeu o campeonato brasileiro, após ter disparado na liderança no 1º turno.

Ribeirão das Neves

Chegando ao estádio, logo após a confusão, torcedores do Cruzeiro ostentavam faixas (provavelmente roubadas) da torcida do Atlético-MG, que diziam “eu acredito, Galo campeão brasileiro 2012”.

Os torcedores do Cruzeiro repetiam com desdém “Eu acredito, eu acredito”, pois sua única alegria esse ano foi a derrota do rival pro Fluminense, que vestiu as faixas do certame.

Nas arquibancadas do Independência, o mesmo se repetia. Alguém entrou com uma faixa escrito “G-41”, alusão aos 41 anos que o Galo não conquista um título relevante fora de Minas Gerais.

Entorno da Lagoa da Pampulha, de alto padrão econômico.

Foi uma das maiores atrações da tarde, até pelo estádio estar pouco decorado.

Camisas de torcida organizada estão permitidas, a Máfia entrou uniformizada. Mas em Minas Gerais estão proibidas bandeiras, faixas e bateria de torcida organizada.

Tudo por conta da violência, que lá está em níveis muito altos.

Mais uma vez, esse relato era verdadeiro no fim de 2012, não necessariamente a coisa se manteve desde então. Nesse dia era assim.

betim

Municipal de Betim. Foto de minha autoria, não ficou muito boa. Veja tomada melhor, puxada da rede. Nos mais novos há um painel eletrônico do lado, com nome e nº da linha, e o preço. Nos municipais de BH e metropolitanos é o mesmo.

Alias falando em mudanças. Realmente a situação se alterou em 180º. No fim de 2012 a torcida do Cruzeiro vibrava que o Atlético não ganhava um título importante desde 1971.

Não imaginavam que já no ano seguinte – 2013 – o Galo venceria logo a Libertadores, pra findar o jejum em grande estilo.

Em 2014, a final da copa do Brasil teve suas duas partidas decisivas ali em BH.

Ida nesse exato Independência que estive, volta no Mineirão. O Atlético bateu duas vezes o arqui-rival Cruzeiro e foi o campeão.

Por outro lado, o time celeste foi bi-campeão brasileiro em 2013/14. Um biênio de ouro pro futebol mineiro.

contagem

Municipal de Contagem (r), custava R$ 2,70. Linha pintada na lata em busos novos. Só a última safra com letreiro eletrônico lateral, em 2012 raro. Fui num desses do Eldorado ao Colonial. Em BH moram 2,3 milhões, suas linhas mais caras (integradas) eram R$ 2,65. Por que Contagem (600 mil hab.) cobra mais por linhas não-integradas?

De volta ao texto de 2012: o Cruzeiro fez 1×0 logo no início, e o primeiro tempo foi bem fraco. Passado o intervalo, após o time azul ampliar, a partida melhorou muito.

O Coxa lutou como pôde pra reagir, e o Cruzeiro tentou golear. Já nos últimos minutos, Deivid diminuiu pro Coxa, acabou Cruzeiro 2×1.

Deivid foi ídolo do Cruzeiro no passado. Entretanto, talvez exatamente por isso, foi muito vaiado pela torcida local.

………….

Antes de seguirmos com o texto, breve pausa pra fotos.

Vamos ver em outra escala cenas que estão postadas no decorrer da página.

A direita, bairro Milionários, Z/O, município de BH.

Na sequência horizontal abaixo:

1) Confisco, também Zona Oeste; 2 e 3) Betim, com um ônibus municipal; 4) Colonial em Contagem, os edifícios altos da Zona Central de Belo Horizonte estão ao fundo.

Clique sobre as imagens pra ampliá-las, o mesmo vale pra todas:

Confisco Zona Oeste (3)Contagem Z-O Centro de BH ao fundo

Vamos a mais algumas curiosidades sobre Belo Horizonte. Lá se come muita pimenta, é uma terra quente, de povo moreno, afinal. No Chile, e muito mais no México, igualmente adoram esse condimento. 

Jardim São Luiz, Betim.

Mas mostarda é bem raro, senão inexistente. Só vi servirem ‘catchup’ e maionese nas lanchonetes.

Ainda sobre a comida: aqui em Curitiba há diversos restaurantes no Centrão e no subúrbio no chamado ‘bifê livre’.

Em que você paga um valor fixo por pessoa e se serve a vontade, quantas vezes quiser.

A carne são duas porções por pessoa, o resto você faz seu prato e repete o quanto queira.

Venda Nova, Z/N

Em Fortaleza, relatei quando estive lá, isso não existe. Não há comida a vontade por preço fixo na capital do Ceará. Se o preço é fixo, é prato feito, que já vem servido.

Se você se serve a vontade precisa pesar, e paga proporcional ao que comeu, o chamado ‘bifê por quilo’. Em Belém-PA constatei exatamente o mesmo.

Então, em Belo Horizonte há um modelo intermediário. Você mesmo faz teu prato, por um preço fixo, sem pesar.

BR-381 em Contagem. A famosa ‘Fernão Dias‘, vinda de São Paulo.

Pode se servir a vontade, mas apenas uma vez. “Sem balança, mas “sem repetir”vem escrito na fachada. Custa em torno de R$ 7,00 (em 2012).

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Falemos mais um pouco sobre os ônibus. Já fiz matéria específica, aqui é só pra pincelar mais alguns detalhes.

Os municipais de Belo Horizonte quase todos agora tem 3 portas. Curiosamente, o sistema metropolitano não adotou essa inovação.

Jd. Cristina Betim Z-Oeste metrop.

Jd. Cristina, Betim

Embora BH seja bastante pichada, o ato de riscar com objetos pontiagudos o vidro dos ônibus, tão comum em Curitiba e São Paulo, não pegou por lá.

Mostrei nessa outra postagem ligada acima que em Belo Horizonte há os micro-ônibus amarelos, os “suplementares”.

Antigos piratas, agora incorporados legalmente ao sistema. Então. Em Betim, na Zona Oeste da Grande BH, também há.

Já em Contagem e Ribeirão das Neves eu não vi. Não há alternativos inter-municipais, como são comuns em São Paulo, Campinas-SP, Rio de Janeiro e vários outro lugares.

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Táxis e ônibus ilegais proliferam; em bh a pirataria é alarmante

Vamos ver 3 imagens do bairro Colonial, em Contagem.

Mas há ainda problemas gravíssimos com táxis piratas, e ônibus rodoviários, em viagens de longa distância.

A questão dos táxis se quer saber eu já sabia antes de pisar em BH. Quando voltei de Fortaleza, em 2011, fiz escala em Confins. Não saí da sala de embarque.

Mas ouvi que o alto-falante ficava anunciando o tempo todo pra você não pegar táxis não-autorizados, indicando como saber se o serviço é oficial ou pirata: cor do veículo e da placa, local de abordagem e estacionamento, etc.

Ao desembarcar em BH, 1 ano depois, constatei que a situação é mesmo complicada.

Além dos avisos sonoros, no saguão há diversas placas, bi-língues português-inglês, orientando o que você deve fazer pra não utilizar um táxi não-autorizado.

Nunca presenciei pirataria nesse modal com tamanha severidade em nenhuma outra metrópole brasileira. Entretanto, em outros países é epidêmico.

Na Colômbia, República Dominicana, Paraguai e no México igualmente abundam avisos pra você não embarcar num pirata.

Mais 1 na Fernão Dias, Contagem.

………….

Há ainda ônibus piratas de viagem. E a ousadia dos que oferecem o serviço é impressionante.

Eles ficam em frente a Rodoviária, onde param os ônibus oficiais, anunciando os destinos, tipo “Ouro Preto e Mariana, está partindo agora”.

Tem mais. O governo do estado colocou placas imensas alertando os usuários pra não utilizarem ônibus-piratas.

Betim, Zona Oeste metropolitana

Pois bem. Os agenciadores dos piratas ficam exatamente embaixo dessas placas, até lhes protege do sol belo-horizontino, que é muito forte. É mole?

São Paulo também tem problemas com ônibus piratas de viagem. Mas é bem menos intenso, porque eles não ficam na rodoviária oficial.

Em São Paulo, os ônibus-piratas partem do Bom Retiro, próximo ao Centro, onde funcionou a antiga rodoviária até o começo dos anos 70, mas há 40 anos não é mais ali.

Serra - BH3

Agora mais 3 do Aglomerado da Serra, todas baixadas da internet.

Em São Paulo, cada um tem seu nicho bem delimitado. Há ônibus piratas de viagem, mas eles não concorrem com os oficiais. Se você quer utilizar o transporte clandestino, já vai direto onde eles saem.

Entretanto, se você opta por viajar com segurança num empresa autorizada, não é abordado ao entrar na rodoviária pela ‘concorrência’.

Ou seja, o que me impressionou em BH não foi tanto a existência de transporte clandestino de longa distância, manifestação que já havia presenciado no Centro de SP.

Mas a ousadia deste de tentar arrebatar no último minuto passageiros que optaram pelo transporte oficial.

E esses ‘coiotes’ se posicionam justamente sob a placa que alerta de sua ilegalidade.

Quase um ano depois que fui a BH visitei João Pessoa-PB (breve subo pra rede os textos das idas ao Nordeste).

Ali constatei o exato mesmo problema, coiotes pululam em frente a rodoviária e tentam aos brados arrebatar os passageiros pro transporte clandestino. Não vi, entretanto, táxis-piratas. Serra - BH2

Em Curitiba não há e nem nunca houve táxis nem ônibus piratas, sejam urbanos ou de longa distância.

………………

O calor em BH é tanto que no aeroporto há cadeiras e praça de alimentação ao ar livre.

morro-do-papagaio1

Fechamos com duas cenas do Morro do Papagaio, igualmente oriundas da rede.

É isso mesmo, na parte externa do complexo, a sombra mas sem paredes em volta.

Pra quem mora na gélida Curitiba (apesar que agora no verão está bem quente), foi um espanto.

  ………………….

É isso. Com essa mensagem, está encerrada a série.

Abrimos com os morros, concluímos com eles também.

A Saga da “Vida na Serra”?

É B.H., poooooooooooooommmmmmmmmmbas!!!papagaio

Toda a energia captada em Belo Horizonte acaba de ser transmutada e devolvida ao Universo.

Deus Pai/Mãe permitiu, está feito.

Deus proverá”

Metrô Cidade Industrial, Zona Oeste: é só mesmo em BH, uai

Avenida do Contorno, ao fundo o Centro.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 3 de dezembro de 2012

Vamos falar mais um pouco de Belo Horizonte-MG.

Como eu já disse antes, fiquei apenas 4 dias por lá, logo meu olhar será sempre superficial e forasteiro.

Se alguém tiver alguma observação ou retificação escreva nos comentários ou por emeio.

………….

Veremos em várias tomadas a “Copacabana dos Mineiros”, a Lagoa da Pampulha e o parque linear que a rodeia, na Zona Norte.

A cidade, que é planejada, foi inaugurada em 1897. Abaixo falamos mais do motivo que Minas mudou a capital.

Seu aniversário alias é daqui uns dias, em 12/12/12 BH completa 115 aninhos (veja a ‘data de publicação’ acima).

Belo Horizonte cresceu mais pra oeste e norte. Por isso as Zonas Oeste e Norte são muito maiores que as Zonas Leste e Sul.

Um adendo aqui. Eu só divido cidades em Zonas Central, Leste, Sul, Oeste e Norte. Não reconheço “Zona Noroeste”, “Sudoeste”, “Sudeste” ou “Nordeste”.

dialeto mineiro

Minas tem dialeto próprio, o ‘Mineirim‘. Em outros estados o diminutivo de Carlos é ‘Carlinhos’, lá é ‘Carlin’.

Assim as vezes eu divirjo de como os moradores falam. BH mesmo é o exemplo.

Lá se fala muito em Zona Noroeste, mas eu, embora respeitando os costumes locais, não endosso essa nomenclatura.

Estive no que se chama “Zona Noroeste” de Belo Horizonte. Mas aqui vou olhar o mapa antes de escrever.

Se o bairro estiver mais pra oeste, digo ‘Zona Oeste’. Se estiver mais a norte, vai pra ‘Zona Norte’. É simples assim.

transporte bh minas mg estação metrô cidade industrial z/o contagem divisa azul placa

É a Zona Oeste de BH, uai.

Em outras cidades ocorre o mesmo. Ipiranga é Z/S de SP, Vila Prudente é Z/L. Não existe “Zona Sudeste”.

…………….

Nomenclatura a parte, Belo Horizonte tem metrô.

Uma linha apenas, e ela liga justamente a Zona Oeste a Zona Norte passando pelo Centro e pelo começo da Zona Leste.

bairro Sapucaias Contagem Z-O metrop.

Bairro Sapucaias, Contagem, Zona Oeste metropolitana.

Recapitulando um pouco do que já foi falado anteriormente:

Embora seja apenas uma linha (grosseiramente insuficiente, portanto), pelo menos ela passa pelas regiões mais populosas da cidade.

Na verdade o “metrô” de Belo Horizonte é um trem de subúrbio.

É bem parecido com os trens de subúrbio de São Paulo, totalmente de superfície, e puxa energia de fios acima dele, e não dos trilhos, como ocorre no metrô.

Sem-teto no Centrão.

Ele opera na antiga linha de carga, só que não precisa compartilhar a via com o modal cargueiro, pois a via foi triplicada:

2 pistas férreas pro trem de passageiros (uma em cada sentido) e 1 pra carga.

Ao contrário de Fortaleza-CE, Teresina-PI e algumas outras cidades do Nordeste que tem trem de subúrbio, onde a linha é compartilhada pelos dois modais.

A Zona Norte vista do alto do morro do Jardim Europa.

Aí só pode correr 1 trem por hora, resultando num modal precário e sub-utilizado.

Andei nos trens de subúrbio nas capitais do Ceará e Paraíba, o preço da tarifa é baixo mas a qualidade idem. Fortaleza têm 2 linhas de trens de subúrbio.

Na que vai pra Maracanaú (Z/S) houve a ampliação e modernização pra metrô, esse sim um meio de transporte civilizado.

O outro ramal, que serve Caucaia (Z/O) ainda aguarda esse dia. Já estou jogando no ar a série sobre J. Pessoa, breve a de Fortaleza.

Av. Vilarinho, bairro Venda Nova, Z/N.

Enfatizo que o metrô de Belô funciona infinitamente melhor que os trens de subúrbios de Fortaleza (na linha não-modernizada), Teresina e J. Pessoa.

Pois nesses construíram-se estações, mas não duplicaram a linha. Em BH (e 1 linha de Fortaleza) isso foi feito, como é domínio público.

É operado pelo governo federal, como o de Porto Alegre e os do Nordeste.

O metrô e trens de São Paulo, pra quem não conhece, são do governo estadual, com uma linha operada pela iniciativa privada. No Rio de Janeiro, tanto o metrô quanto os trens foram privatizados.

…………

De novo, Sapucaias em Contagem.

Uma única linha é grosseiramente insuficiente, como disse acima e é notório. Mas já está um nível acima de Porto Alegre, por exemplo.

Na capital gaúcha, há igualmente somente uma linha, que sai do Centro e corta a Zona Norte até o fim da região metropolitana.

Radial, portanto. Em BH, pelo menos o trem corta duas regiões passando pelo Centro, sendo então diametral.

Na ponta oeste do ramal, há uma estação Cidade Industrial, fica na divisa entre os municípios de Belo Horizonte e Contagem.

Capivara na Pampulha

A que vem depois dela, a estação-terminal (ponto final) Eldorado, já está totalmente no município de Contagem.

E claro, Belo Horizonte, com uma única linha diametral grosseiramente insuficiente, está muitas décadas a frente de Curitiba.

Que não tem trem nem metrô e acho que nunca terá. Cidade Industrial é o bairro mais populoso de Curitiba, e fica na Zona Oeste. Deveria ter uma estação de metrô a servi-la, mas não tem.

Lagoa da Pampulha

Agora um contra-ponto. As águas da lagoa estão poluídas, e na Pampulha também habitam muitos urubus. Veja quantos deles eu captei nessa imagem.

Estação de metrô Cidade Industrial, Zona Oeste, operando a todo vapor. Eita trem bão.

Um sonho realizado. Pena que só em BH. Em Curitiba, nem pensar . . .

………….…

Agora falando dos ônibus, em Belo Horizonte (como em Curitiba) a integração sem custos se dá exclusivamente nos terminais, lá chamados ‘estações’.

Estive nas estações Venda Nova, Zona Norte, e Barreiro, Zona Oeste. Há mais umas seis ou sete espalhadas pela cidade.

Falamos melhor de como funciona o sistema de ônibus de Belo Horizonte nessa outra mensagem. Então não será necessário repetir tudo aqui.

O Centrão foi ‘decorado‘ pelos pichadores. Boa parte dos bairros teve o mesmo destino.

Só vou informar o quanto eram as tarifas em 2012. Há 3 patamares, R$ 2,65, R$ 1,85 e R$ 0,65.

A mais cara é pras linhas mais longas, Centro-periferia, ou periferia-periferia cruzando o Centro.

A intermediária é pras linhas locais, menores, sejam centrais ou do subúrbio.

Na mensagem que está ligada acima eu explico um sistema muito curioso:

Os terminais são integrados, ou seja, são fechados, há roleta pra entrar neles. Mas dentro, como há linhas de patamares diferentes de preço, há outra roleta, ‘um terminal dentro do terminal’, se quiser chamar assim.

Zona Oeste vista do Confisco

A Zona Oeste vista do bairro Confisco

Pra você passar da linha mais barata pra mais cara mas só pagar a diferença.

No sentido inverso, ou seja se você já pagou a linha mais cara, a integração é gratuita. Em Florianópolis eu presenciei o mesmo.

Já as linhas mais baratas de todas, aquelas que custavam somente 65 centavos, são as “Sobe o Morro”, que servem as grandes favelas próximas ao Centro.alternativo Av. Vilarinho Zona Norte

………..

Em BH há ainda micro-ônibus amarelos, alternativos. A direita um deles na Av. Vilarinho, amplie e lerá a placa: “Europa e Serra Verde a direita”.

Desses eu não falei muito na outra postagem, então vamos dar uma pincelada agora.

Essa e a seguinte: Jardim Europa, Zona Norte.

Antigamente eram piratas, quando circulavam vans e até kombis, sem qualquer controle ou fiscalização.

Foram incorporados ao sistema, os donos formaram cooperativas.

E as cooperativas respondem ao órgão fiscalizador como se fossem uma empresa.

Não são mais permitidas vans, e tem que cumprir horário, manutenção, etc.

B.H., M.G.: “A Vida no Morro

O cartão também é aceito. Tudo isso é igual ao que ocorreu em São Paulo.

A diferença é que em Belo Horizonte os alternativos não entram nos terminais – não são integrados, portanto.

Os micros só fazem linhas locais, circulares, nos bairros.

Não podem ir ao Centro nem unirem bairros distantes. Por isso o modal é chamado “Suplementar”.

Aqui e direita: Gameleira, Zona Oeste

……………

Agora a integração no cartão. Se você desce de um ônibus fora do terminal e pega outro, só paga metade da segunda passagem.

Ou seja, dois ônibus pelo preço de um e meio.

Só pra quem paga em cartão, em dinheiro não há essa possibilidade. Até pouco tempo atrás, em Porto Alegre-RS também era assim, duas viagens de ônibus pelo preço de uma e meia.

Atualmente não mais. Na capital gaúcha, agora no cartão você pega dois ônibus e só paga um. Na capital mineira, ainda permanece.

Integração plena, só no terminal, e aí em cartão ou dinheiro. Na rua, só meia integração, e só no cartão.

Se você pega um ônibus e um metrô, no cartão, igualmente ganha 50% de desconto na segunda passagem.

Isso é assim até hoje tanto em Belo Horizonte quanto em Porto Alegre.

…………….

municipal padrao antigo

Como já falamos e ilustramos amplamente, por décadas os ônibus de BH tinham a linha pintada na lataria, portanto o veículo tinha que ficar fixo nela. Aí houve mudança de pintura, onde entraram essas flechas (similar a que também vigorava em Fortaleza a época). Assim a linha continua na lateral, mas agora numa placa que pode ser removida.

Passemos pros ônibus metropolitanos de BH. No cartão, há a “meia integração” tanto entre dois ônibus metropolitanos quanto ônibus-metrô:

Pega duas conduções e só paga uma e meia. Não há integração entre ônibus metropolitanos com municipais.

A integração no cartão, o desconto de meia passagem pra segunda viagem, não vale pra ida e volta.

Ou seja, se vem de um bairro, não pode ter desconto pra voltar pro mesmo bairro.

Alias nos municipais isso funciona igual também. A bilhetagem é eletrônica, e o chip que há no cartão automaticamente autoriza ou veta o desconto.

………

Nos modelos mais novos há um painel eletrônico, que informa nome e código da linha, e também o valor da tarifa.

Os ônibus metropolitanos tem diversos patamares de passagem, conforme a distância percorrida.

O municipal de Belo Horizonte custa R$ 2,65, na tarifa mais elevada.

Os metropolitanos, se eles forem até o Centro de Belo Horizonte, são sempre bem mais caros que isso.

Dos bairros de Contagem (Zona Oeste) até o Centro de BH, por exemplo, são R$ 4,00. Bem salgado, obviamente. Entretanto, há um paliativo.

Próximas 2: os ônibus metropolitanos têm adesivada na lateral a imagem da nova sede do governo estadual.

Há bairros de BH que tem muitos empregos, e são distantes do Centro.

Então o cara que vem da Grande BH desce ali, não precisa seguir até o Centro.

Dessa forma paga menos. Porque a linha que faz ponto final nesse bairro é mais curta, e portanto mais barata.

Das vilas de Contagem ao Centro de BH o preço da viagem é R$ 4,00, como dito acima.

Entretanto a linha que liga essa mesma vila ao Barreiro (Z/O, já no município de B.H., mas longe do Centro) sai por R$ 3,00, ou até por 2,65, preço do municipal de BH.

E no Barreiro há muitos empregos, não é mesmo preciso seguir até o Centro. Na Zona Norte é o mesmo:

Várias linhas do norte da Grande BH (Rib. das Neves, Vespasiano, Sta. Luzia ou alguns bairros boreais de Contagem) fazem ponto final na Venda Nova ou na Pampulha.

E por isso custam menos. Claro, em todas as direções há os que fazem o trajeto todo, até o Centro, mas são mais caros.

Sapucaias, Contagem

Vocês entenderam, né? Há linhas metropolitanas que vem dos subúrbios em outros municípios e vão até o Centro de BH, e são bem caras.

Outras vem desses mesmos subúrbios e param dentro do município de Belo Horizonte. Custam substancialmente menos.

Pois o ponto final é bem antes do Centro, em bairros suburbanos que já se desenvolveram e oferecem uma boa gama de empregos, especialmente aqueles que exigem pouca qualificação.

Mais um morador de rua no Centro.

Permitindo a pessoas que residem nos bairros pobres metropolitanos trabalharem na capital mas pagarem menos, pois os trajetos são mais curtos.

……………….

Mais alguns detalhes sobre a cidade. É comum as casas na periferia plantarem e venderem couve. Somente uma curiosidade, que observei.

Próximas 3: obras do corredor exclusivo pra ônibus na Zona Norte.

Em Belo Horizonte há muitos negros, cerca de 30% da cidade. Me refiro aos negros mesmo, bem escuros.

Se você incluir os mulatos, os negros e pardos são maioria dos belo-horizontinos.

BH é mais escura que SP e um pouco mais clara que o Rio.

Com Curitiba a diferença é literalmente preto-no-branco: Curitiba é a capital mais branca do Brasil.

Tirei de dentro do busão em movimento.

………..

Como a renda vem aumentando na periferia, e na periferia de BH há muitos negros, está surgindo uma classe média negra.

Agora já é comum ver Homens e Mulheres negros dirigindo carros novos. Entretanto, é uma sociedade ainda extremamente desigual.

Sendo 30% da população, os negros são 80% dos lixeiros de Belo Horizonte.

Perto do Centro (em 2012) o corredor operava com veículos normais. Agora é com articulado e embarque em nível.

Vi vários caminhões em que todos os lixeiros eram negros. Observação empírica minha, e não estatística científica.

………….

Quando eu saía de BH, passei pelo Hospital Risoleta Neves. Logo a seguir pela Cidade Administrativa Tancredo Neves.

E afinal cheguei no Aeroporto Tancredo Neves, onde peguei o avião. É definitivamente a terra dos Neves.

Nos Confins do “Vetor Norte” –

Zona Oeste

O Aeroporto “Tancredo Neves” é na verdade o Aeroporto de Confins.

E assim ele continua sendo chamado por todos. Ele é realmente nos confins, são 40 km até o Centro.

Está completamente fora da cidade, em plena zona rural, não na Grande BH, mas já no interior de Minas Gerais.

O 2º aeroporto mais distante que já desembarquei, e olhe que já foram um número razoável, em vários países da América e as 5 regiões do Brasil.

No Centrão, ônibus verde no novo padrão de pintura.

Mais longe que esse, entre os que já usei, só Medelím-Colômbia, que fica a 50 km.

E como é preciso subir o morro, por vezes em pista única, leva bem mais de uma hora pra chegar a partir do Centro.

Voltemos a Confins. Esse aeroporto foi construído longe demais de BH. E por isso ficou sub-utilizado por muito tempo.

Agora o poder público vem voltando a atenção pra região, iniciativa que eles chamam de “Vetor Norte”, pra ver se Confins deixa de ser um “elefante branco”.

Algumas avenidas têm ciclovia no canteiro central. Essa é na Z/ Oeste.

Tempos atrás, cogitou-se inclusive transferir a sede do governo estadual pro pequeno e insignificante município de Confins, pra tornar o aeroporto mais atraente.

Agora isso praticamente foi feito. Digo, a sede do governo ainda fica dentro do município de Belo Horizonte.

Pois senão exigiria uma mudança na constituição estadual, pra poder alterar a capital. Mas por muito pouco, viu?

Bairro Eldorado, Contagem.

Ergueu-se a sede do governo no extremo do extremo do município de BH, dá a impressão de ser na região metropolitana, e quase é.

Basta atravessar a rodovia que você entra em Santa Luzia, e 100 metros a frente incia-se Vespasiano.

É um complexo enorme e moderno, pra desenvolver a Zona Norte, que na periferia é bastante pobre, e pra salvar o Aeroporto de Confins.

Bairro Confisco, Z/O.

Pois se ele é longe do Centro de BH, é perto da sede do governo do estado.

Enormes subúrbios a moda ianque como ‘Alphaville’ surgem na região.

Assim, a metrópole se espraia pro norte, agora não apenas sua parte mais depauperada.

Mas, ao contrário, pessoas com mais renda estão indo residir ali, muitos deles funcionários públicos.

Ainda assim alguns não se conformam. Segundo os detratores a Cidade Administrativa é mais um “elefante branco”.

Jardim Europa, Z/ Norte.

Ergueram um elefante branco pra fazer companhia ao primeiro.

Assim logo haverá uma manada desses monstros enormes, muito bonitos, mas de pouca utilidade prática, na visão dessas pessoas.

Um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais . . .”

Confins foi feito muito longe de BH, e pra amenizar, querer levar BH até ele. Por isso a sede do governo agora é ali. Não apenas o gabinete do governador, mas também as secretarias e diversos órgãos estatais.

12 mil pessoas trabalham diariamente na Cidade Administrativa, fora centenas de outras que a visitam pra tratam de temas burocráticos, do baixo ao alto escalão. Pra quem vai do Centro e de outras regiões da cidade que não a Norte ficou péssimo.

Venda Nova.

Há uma linha direta de ônibus articulados – os únicos articulados que vi em BH (isso em 2012, hoje a realidade é diferente) – ligando a sede do governo as estações de metrô e ônibus Vilarinho, que é o ponto final do metrô.

É de graça pros funcionários públicos lá lotados, basta apresentar o cartão funcional.

Melhora mas não ameniza muito. Seja como for, está feito. A sede do governo é lá e não vai mudar.

Inclusive está estampada em todos os ônibus metropolitanos, os que já adotaram a pintura nova. É quase como se fosse mudança de capital ao estilo da que levou o Distrito Federal do Rio pra Brasília.

Bairro Sapucaias, Contagem.

Assim se vê que Minas Gerais tem vocação pra levar a sede do governo pro interior.

JK é mineiro, afinal, e a própria Belo Horizonte, quando foi erguida, se situava num local ermo e pobre do estado.

A nova capital foi prali justamente pra desenvolver essa região.

Belo Horizonte, Brasília, e agora o Vetor Norte. Uma longa linhagem de mudanças de capital pra desenvolver regiões esquecidas pelo progresso. “Ó Minas Gerais…”

Aqui e a direita: Zona Oeste, as margens de uma rodovia.

……………………

Comentemos as fotos. Nem sempre a descrição ao lado corresponde a imagem mais próxima.

Busque pelas legendas, que estão corretas. Vemos no decorrer da página:

A Lagoa da Pampulha. Em destaque o estádio do Mineirão e a Igreja da Pampulha.

Já mandei essas cenas em outras escalas em outras mensagens, as ligações estão ativas acima.

O parque em volta do lago é um local muito bonito, não por outro motivo JK projetou-o pra ser a ‘Copacabana dos mineiros’.

Mas as águas estão muito poluídas. Observe a quantia de urubus. Na área verde em seu entorno moram também muitas capivaras.

Várias imagens do Centro.

………….

Placa na Av. Vilarinho diz pra você não passar nem perto dali em dias de chuva forte. Pois então ela se transforma no “Rio Vilarinho“, na boca do povo. Há avisos similares em diversas vias da cidade.

Algumas avenidas da cidade têm ciclovia. Fotografei uma na Zona Oeste.

Pra prefeito, vote no “Carlin” , diz a placa. No dialeto mineiro, eles comem o final do diminutivo das palavras.

Em outros lugares, esse seria o “Carlinhos”. Lá, é o “Carlin”.

Sozinho”, em Minas Gerais, é “sozim”, “carinho” é “carim”. “Estou tão sozim, preciso tanto de carim”, alguém poderia compôr uma música. E assim vai.

Em tempo. Aqui estamos no município de Contagem, Zona Oeste da Grande BH. Carlin ganhou a votação;

Micro amarelo ‘Suplementar’ corta a mesma Vilarinho. Como o céu está bem limpo, não houve riscos nesse dia.

3 cenas do Jardim Europa, Zona Norte de Belo Horizonte. Saí do ônibus no alto do morro, vejam a cidade lá de cima, e vim descendo-o a pé.

Veem partes favelizadas junto com outras mais remediadas, e algumas de classe média;

Ao chegar lá embaixo, saí na Avenida Vilarinho, bairro Venda Nova.

Como observam, ela tem placas dizendo que não deve ser usada quando chove forte, pois se torna o “Rio Vilarinho”.

As enchentes são de fato fortes, vi moradores comentando delas. Todas as outras avenidas de BH que ficam nas baixadas ostentam o mesmo aviso;

Próximas 2: Lagoa da Pampulha.

Onde há uma grade a frente da avenida (tiradas na passarela sobre ela), estamos na Gameleira, Zona Oeste, ao lado do metrô de mesmo nome.

O ônibus metropolitano visto na avenida se dirige ao bairro Nacional, em Contagem, também Zona Oeste;

Mais algumas favelas na Zona Oeste, no município de BH.

………….

O sistema de ônibus em Belo Horizonte é relativamente precário (o texto é de 2012, lembre-se).

Não há articulados (exceto os que vão pra Cidade Administrativa, que têm inclusive pintura exclusiva pra eles), e por serem poucos terminais, há poucas opções de integração. Até pouco tempo atrás, não haviam corredores (canaletas) exclusivos.

Essa e a direita: bairros de classe elevada na Zona Norte, bem próximo as margens da Lagoa.

Mas tudo isso está mudando.

Alguns corredores foram inaugurados recentemente, e estão sendo ampliados. As imagens deixam claro.

Também está sendo construído um trecho onde irão operar articulados e bi-articulados, com plataformas elevadas com embarque pré-pago e em nível.

Como o Trans-Milênio de Bogotá-Colômbia e a Linha Verde aqui de Curitiba.

Atualização: agora já está operando, é o sistema Move. De volta ao texto original.

Escrito antes da inauguração do Move, quando ele estava em obras. E aí só cabia especular como funcionariam as opções de integração.

Alias, nem é preciso sair de Minas Gerais pra ver um sistema modelo de ônibus.

Mais uma da Av. Vilarinho

Em Uberlândia, há anos que já há esse sistema de estações elevadas, com terminais de integração e corredores exclusivos pra articulados.

Basta a capital mineira copiar a maior cidade do interior, eu escrevi a época. E assim de fato foi feito.

…………….

Fotografamos algumas regiões em que há casas melhores, nas ruas em ladeira arborizadas. São os bairros ricos as margens da Lagoa da Pampulha, Zona Norte.

Aqui e a esquerda: Centro da cidade.

5 fotos do bairro Sapucaias, em Contagem, Zona Oeste metropolitana. A MRV acaba de fazer um conjunto gigante por lá.

Com mais de 40 blocos de prédios divididos em vários condomínios. A sede da MRV é em Minas Gerais, como todos sabem.

Alias, além de Sapucaias, há em BH também um bairro (e um ônibus) chamado Cachoeirinha.

Se você conhece a Grande Porto Alegre-RS, já entendeu porque estou fazendo essa observação.

Vejam o bairro do Confisco, Zona Oeste, no município de Belo Horizonte mas já na divisa com Contagem.

O bairro de Eldorado, Contagem, em frente ao metrô, no coração da Zona Oeste.

……….

Antes de fecharmos, insiro em bloco algumas imagens que não ficaram das melhores, pois eu errei no contraste da iluminação.

Vemos a direita um busão metropolitano sob o viaduto, indo pra Z/N. E a esquerda um municipal no Centrão de Belô.

Na sequência horizontal abaixo (clique sobre que as fotos aumentam, o mesmo vale pra todas):

1) Estação de ônibus Venda Nova, Z/N. Em Ctba, SP, Florianópolis e muitas outras cidades diríamos ‘terminal’.

2) Estação de metrô Cid. Industrial, Z/O. A placa informa “Destino: Eldorado”, em Contagem.

3) Mais uma de Contagem. Bairro Sapucaias.

bh minas mg estação metrô cidade industrial z/o contagem divisa destino eldorado placa plataforma pessoas esperando passageiros

Deus proverá”

do MetroBel ao Move (e o tróleibus quase voltou): B.H., cidade-modelo do transporte brasileiro

B.H. - Move1

Move: moderníssimo corredor operando na Cristiano Machado. Na foto ainda em testes, mas atualmente rodando.

Por Maurílio Mendes, ‘O Mensageiro’

Levantado pra rede em 1º de agosto de 2015

Publicado (em emeios) em 2012 e 2014, acrescido de material inédito.

………..

Todas as fotos foram puxadas da rede, exceto uma. Informo qual na legenda. Os créditos foram mantidos, sempre que eles estavam impressos nas fotos.

bh (2)

MetroBel: 1ª padronização, começo dos 80. Incluiu metropolitanos. Veja o letreiro menor, dentro do vidro, como nos ônibus de viagem – típico de BH e Campinas-SP

Os direitos autorais pertencem aos autores e sítios que publicaram, eu só estou reproduzindo citando a fonte.

Vamos falar sobre como o transporte coletivo em Belo Horizonte-MG evoluiu através dos tempos.

Pra isso vou fazer uma compilação do que já escrevi sobre o tema.                                     

Até o começo dos anos 80, como em todos os lugares, era pintura livre, sem integração, articulados, corredores ou terminais.

Como já escrevi muitas vezes e é notório, no apagar de suas luzes o regime militar promoveu grande onda de modernização no transporte. Várias cidades padronizaram então a pintura de seus ônibus.

metro BH2

Metrô de BH

A maioria delas, a princípio, apenas no sistema municipal.

Mas B.H., Goiânia e Florianópolis padronizaram numa tacada o municipal e o metropolitano.

Em BH essa iniciativa se chamou ‘MetroBel’, exatamente porque incluía a região metropolitana.

…….

Belo Horizonte4

2ª padronização: adotam-se essas flechas. Só pros municipais. Atrás vem um ainda no padrão MetroBel.

No mesmo embalo, tentaram fazer com que os tróleibus retornassem a Belô.

Onde eles haviam circulado até a virada pros anos 70.

A Avenida Cristiano Machado, que liga o Centro a Zona Norte, teve instalada rede eletrificada própria pra esse fim.

E os veículos foram entregues, parecia que estava tudo certo, só faltava pôr pra rodar.

……………

Belo Horizonte7

3ª padronização, vigente: unicolor mas em dois tons, abaixo uma linha de prédios com símbolos da cidade. Só os municipais.

Mas não estava. A obra parou, os tróleibus de BH modernos nunca circularam pela cidade.

Após 6 anos parados num pátio, foram exportados pra Rosário, Argentina.

A princípio alguns operaram nesse vizinho país ainda com ‘Venda Nova’ no itinerário, traindo a origem.

Veja a matéria completa desse modal por toda América.

……….

trol buso padrão venda nova lagoinha letreiro lona torino marcop era bh vermelho faixa branca sem chapa não operou 3 portas zero km fábrica

O tróleibus ia voltar. A Cristiano Machado recebeu os fios, os veículos foram entregues, pintadinhos…

Em compensação implantaram uma linha expressa (hoje gostam de chamar de ‘BRT’, usando uma sigla em inglês) com ônibus a dísel no trajeto que seria feito pelos tróleis.

E alguns terminais de ônibus foram construídos.

Também foi feito um moderno metrô, utilizando um ramal de carga, que foi triplicado:

Agora correm 3 linhas paralelas, uma pra carga e duas pra passageiros, uma em cada sentido.

………

argentina rosário outras postagens: "BH, do Metrobel ao Move" e "Tabela Trocada" trol buso venda nova letreiro lona torino marcop ex- bh padrão verde vermelho faixa branca roda sem chapa

. . . mas não voltou. A obra parou, os busos ficaram 6 anos zero km e parados num pátio. Até que foram pra Rosário. Operando na Argentina, mas na linha está escrito ‘Venda Nova’. “Tabela Trocada” internacional.

Quando estive lá, em 2012, essa era a situação. Haviam alguns pontos positivos, e outros ainda aguardando melhorias.

Um quesito falho é que só uma linha tinha articulados, e ela era praticamente fora da cidade.

Explico: a extremidade da Zona Norte de Belo Horizonte é bem pobre, e nisso incluímos tanto o município de Belô mesmo quanto os circunvizinhos.

…………..

Pra desenvolver a região, o governo de Minas transferiu sua sede pra lá.

uninorte_001

Pra compensar, em BH fizeram uma linha expressa com veículos a dísel.

Fica ainda no município de BH, mas no seu ponto mais extremo setentrional, na divisa com Santa Luzia e Vespasiano.

É muito, mas muito longe do Centro de BH, alias a intenção é essa.

Assim, em 2012 a única linha que tinha articulados em toda Grande BH é a que ligava um terminal de metrô/ônibus na Zona Norte a sede do governo.

Incluso era de graça pra funcionários públicos, bastava apresentar a carteira funcional.             

cidade administrativa1

Em 2012, os únicos articulados de BH eram esses, 1 linha especial pra sede do governo estadual, que é na zona rural da capital. Esse ônibus hoje circula na Grande Curitiba.

Era muito pouco, obviamente, uma metrópole de mais de 5 milhões só ter uma linha com ônibus articulados, e que pra piorar opera na borda da cidade.

Por isso estava em obras na mesma Cristiano Machado que receberia os tróleibus mas acabou não recebendo um moderno corredor exclusivo pra ônibus, com estações futurísticas.

É o sistema ‘Move’, que agora já está operando.

……….

Esse é um apanhado geral, escrito quando levanto a matéria pra rede em 2015. Vamos agora começar a mesclar os emeios anteriores.

subsídio na tarifa pros mais pobres: B.H. ensina como faz

metropolitano

2ª padronização metropolitana, quando separou da municipal

Publicado em 31 de julho de 2014

Vamos comparar Curitiba e BH. Precisamos desse contexto pra depois analisarmos o transporte coletivo.

Antes, uma pincelada geral. Politicamente B.H. é muito mais relevante que Curitiba.

Basta dizer que o próximo presidente do Brasil poderá ser uma Mulher ou um Homem. Mas uma coisa é líquida e certa, será um mineiro. Mais: será um belo-horizontino.

metro1

3ª padronização metropolitana, vigente atualmente.

(Escrevi antes da re-eleição de Dilma, em que só se sabia que ou ela ou Aécio ganharia o pleito. Ambos são de BH, foi o que eu quis dizer.)

Mas Curitiba é mais rica. Mesmo em termos absolutos o PIB de Curitiba é maior que o de Belo Horizonte (aqui contando só os municípios, sem os subúrbios metropolitanos).

Como BH tem 700 mil habitantes a mais (2,4 milhões contra 1,7), fazendo o cálculo não é difícil entender que o PIB per capita curitibano é muito maior que o belo-horizontino.

BH- micro complementar

Ex-clandestino, agora legalizado e inserido no sistema como ‘Suplementar’. São mais baratos e só fazem linhas curtas, locais.

Curitiba na verdade tem o 4º PIB do Brasil, atrás apenas das metrópoles-esteio da Pátria que são São Paulo e o Rio, e a capital federal Brasília.

B.H. vem logo a seguir. Isso em números absolutos.

Proporcional a população a distância aumenta, já que Vitória-ES é a primeira, Curitiba a 5ª, Belo Horizonte a nona, apenas.

Se você inclui a região metropolitana, a coisa se equilibra um pouco a favor de Minas Gerais. A Grande B.H. é bem maior e mais rica que a Grande Curitiba.

Belo Horizonte-MG - 1982

A 1ª padronização foi no começo dos anos 80. O inglês Donald Hudson esteve no Brasil e documentou. Vamos no decorrer da matéria divulgando o trabalho dele, clique pra ampliar e ver os detalhes e comentários do autor. Aqui a transição: um São Remo padronizado, um Ciferal ainda pintura livre. Repare no logo da Coca-Cola ao fundo, que nunca mudou em mais de 100 anos.

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Vamos pro transporte coletivo, que é o que nos interessa aqui.

Visitei Belo Horizonte em novembro de 2012, vou falar do que observei na época.

O valor das tarifas citado aqui é o que era vigente em julho de 2014, quando eu pesquisei o tema pela última vez.

Anteriormente eu escrevi que os valores citados nesse texto eram os de 2012. Essa informação está incorreta.

Está no ar outro texto escrito assim que voltei de lá. Nesse sim podemos ver quanto custava o ônibus em BH em 2012.

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Sigamos. Além da implantação do ‘Move’, não estou a par de outras modificações.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Clicado por mim ‘in loco’, nov.12: em BH o buso tem a linha pintada na lateral. Mas e se precisa fazer outra linha? Hum … Cobre a linha com fita crepe!! Ficou bom? Responde você.

Em 4 quesitos, o sistema de transportes de lá era pior que o de Curitiba:

Não há integração plena com a Região Metropolitana.

– Há pouquíssimos terminais

– Não havia corredores exclusivos, com embarque em nível

– Não existiam ônibus articulados, só cabritada pitoca. Nos anos 90 e começo dos 2000 houveram, mas haviam sido eliminados, exceto na linha pra sede do governo.

Mas atenção: vi que estava em estágio avançado de obras, e agora já está funcionando, o sistema “Move”, como retratado nas imagens.

Agora há articulados que vão por vias segregadas.

transbetim

Municipal de Betim, Z/O da Grande BH

E as plataformas de embarque parecem saídos dos filmes de ficção científica de tão modernas.

Similares as que há em Bogotá-Colômbia, e também ali em Minas mesmo, em Uberlândia.

Por enquanto é um corredor só, mas outros virão.

Assim, dos 4 pontos em que Curitiba batia B.H., dois se foram, ao menos parcialmente, por isso não sublinhei.

veneza expresso buso bh livre vermelho bege padrão alongado anos 70 80 calota

Veneza Expresso da Real, pintura livre.

Realmente a falta de terminais e de integração plena com a R.M. ainda são problemas pra serem resolvidos no futuro, espero que não muito remoto.

Ou então que se faça a integração total no cartão, aí dispensa a construção de terminais físicos. 

Os usuários metropolitanos também podem ser beneficiados pela integração plena tarifária no cartão, se houver vontade política pra tanto.

veneza

Mesma linha, viação e modelo (e quem sabe mesmo veículo) agora já na pintura padronizada.

Vamos agora ver onde Belo Horizonte estava a frente de Curitiba:

Há uma linha de metrô, que liga a Zona Oeste a Zona Norte.

Passando pelo Centro da cidade. Belo Horizonte é um ‘L’ ao contrário, cresceu justamente pra oeste e norte.

As Zonas Leste e Sul existem, mas são bem pequenas.

De forma que o metrô serve justamente as partes mais povoadas da cidade.

B.H. 1982 o velho e o novo

Transição: um Nimbus TR na pintura livre, seguido de um já padronizado Metrobel São Remo.

Tarifa social. As duas maiores e mais famosas favelas de Belo Horizonte são o Aglomerado da Serra e o Morro do Papagaio.

Estive em ambas, alias no mesmo dia, um domingo chuvoso, fui a pé, conhecendo a Zona Centro-Sul de BH.

Que é a mais rica mas ao mesmo tempo pontilhada por esses bolsões de miséria.

As duas maiores favelas de BH são próximas ao Centro. Então o que acontece:

Cada uma delas é servida por uma linha de micro-ônibus que custa apenas R$ 0,65. 

B.H. - Move

Move

Ou seja, vai e volta por irrisórios 1,30. Em Florianópolis-SC há um modelo similar, é o ônibus “Sobe-Morro”.

Curitiba também tem duas grandes favelas próximas ao Centro, as Vilas Capanema e Parolin.

Poderia, e deveria, copiar esse benefício aos mais carentes vigente nas capitais de Minas e da Santa “e bela” Catarina. Mas não é o caso, infelizmente.

metrop linha adesivada vidro buso bh laranja amarelo adesivado cidade administrativa sede governo estadual masdcarello eletrônico placa itinerário viaduto pichado pichação

Metropolitano atual.

Integração no cartão, ainda que parcial. 

Ao contrário de São Paulo, Manaus-AM, Porto Alegre-RS, Fortaleza-CE e tantas, tantas outras, em BH há integração no cartão, mas não é plena.

Ali, há 50% de desconto na segunda passagem. Em compensação, vale também pro metrô. E o metrô é uma bagatela, só R$ 1,80.

Belo Horizonte6

Municipal atual

………

Ou seja, se você pegar uma linha de bairro, que é mais barata que as que vão pro Centro (já toco nesse ponto) e depois o metrô, paga somente R$ 2,95.

Também há integração com a região metropolitana no cartão. Novamente, parcial.

BH 1982 transicao

Gabriela da Paraense. Donald observou: linha 1202 pelo Metrobel, 4 dígitos. No padrão antigo era 126, nº ainda grafada no letreiro, 3 dígitos portanto.

Você pega um ônibus metropolitano e depois um municipal de BH, ou o metrô, e ganha 50% de desconto na segunda tarifa. É melhor que nada.

O que me motivou a escrever essa mensagem: em Belo Horizonte há um modelo de “Aldeamento”:

As linhas menores, que só ficam no bairro, são mais baratas.

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Funciona assim: as linhas estruturais, que ligam o Centro a periferia, custam R$ 2,85.

contagem

Municipal de Contagem, também Zona Oeste da Grande BH, padrão atual.

Já nas menores, que ficam apenas no bairro (seja na parte rica e central da cidade ou nos subúrbios afastados) você desembolsa bem menos, somente R$ 2,05.

O terminal tem integração física, você pega dois ônibus só com uma passagem.

Mas, veja você, ele tem duas roletas. Uma externa, e outra interna, que separa as linhas mais baratas das mais caras.

Assim, ao trocar de uma pra outra você só paga a diferença. E ali não precisa cartão, pode ser feito no dinheiro, há bilheteria.

Você sai de casa, em alguma vila. Paga R$ 2,05. Chega ao terminal.

gabriela-bh2

Gabi já no MetroBel. De novo peço que repare que imita um ônibus de viagem, o letreiro da linha é pequeno e dentro do vidro, ocasionando teto inclinado. Em BH teve demais isso, em Campinas também. Não conheço outros casos.

Se você trabalhar ali por perto e sabe que os terminais de ônibus sempre estão em polos de empregos, mesmo na periferia – você sai do terminal, não pega outro busão.

Na volta, paga os mesmos R$ 2,05 pra ir pra casa.

Se, no entanto, precisar ir pro Centro: sai de casa, paga R$ 2,05.

No terminal você arca apenas com a diferença, mais RS 0,80. Repito, não precisa cartão. Dá pra pagar em dinheiro vivo. Vai pro Centro.

Na volta, paga R$ 2,85 na catraca da linha mais cara. Quando chega no terminal integra com o alimentador sem pagar nada.

metropolitano

Na 2ª padronização metropolitana do DER-MG houve também essa pintura azul e branca.

No terminal, você usa duas conduções e só paga uma. Se forem de duas faixas diferentes, paga a tarifa mais cara. 

Até aqui é igual a Curitiba. Sim, um pouco mais caro. Em Belo Horizonte a tarifa maior está R$ 2,85, aqui a tarifa única é R$ 2,70.

(Atualização importante: escrevi essa matéria exatamente 1 ano e 1 dia atrás, em julho de 14.

Em 1º de agosto de 15 a tarifa de Curitiba está em R$ 3,30, porque sofreu nada menos que 3 reajustes em menos de 1 ano.)

Mas como eu não sei quanto é a tarifa agora em Minas, vamos voltar ao texto original.

garagem

Conexão BH/Ctba. Esse ia pra sede do governo de Minas, Z/Norte. Agora continua na Z/N mas da Gde. Curitiba, olha ele no pátio da Viação Colombo antes de ser repintado. 1º articulado piso baixo de toda RMC.

Ainda que tenham havido pequenos câmbios, a estrutura geral do que escrevi permanece verdadeira.

Então, com os valores na época praticados, realmente aqui era mais barato. Mas atenção que as aparências enganam.

Pois B.H. é muito maior que Curitiba. São 700 mil Homens e Mulheres a mais que moram lá, o que faz com que a cidade tenha muito, mas muito mais bairros.

Belo Horizonte é a soma de Curitiba mais São José dos Campos-SP, e sabe que SJC não é pequena.

Logo, sendo BH muito mais extensa, o ônibus roda muito mais, assim tem que ser mais caro.

contagem

Antiga pintura do municipal de Contagem.

……..

A vantagem de B.H. é a tarifa menor, de “aldeamento”. Pois cobra proporcional ao que você utiliza. Anda muito, paga mais. Usa menos, tem o desconto correspondente.

Permite, se você fica menos tempo no busão, pagar apenas R$ 2,05.

E esses ônibus alimentadores ligam os subúrbios mais afastados a regiões bem mais desenvolvidas.

Ainda que na periferia, mas que dispõem de muitas opções de empregos.

Belo Horizonte-MG - 1982 [2]

Mais um Gabriela, esse indo pro Riacho. Totalmente ainda no padrão antigo: pintura livre, linha com 3 dígitos, sem adesivo e sem estar pintada na lata.

Se conhece os bairros da Venda Nova na Zona Norte ou o Barreiro na Zona Oeste desnecessário se faz explicar melhor. São longe do Centro, certamente.

Mas tem de tudo, bancos, lojas de todos os tipos, faculdades, academias, restaurantes, parques, o que você pensar está lá.

Logo, nem é mesmo preciso ir pro Centro. E sendo assim você paga menos, R$ 4,10 ida e volta.

Aqui em Curitiba não há essa possibilidade.

Muita gente vai das vilas do Tatuquara, Sítio Cercado e CIC até os bairros do Pinheirinho ou Capão Raso.

Metropolitano B.H. 1982 [2]

Repita-se tudo que descrevi da foto a direita, só muda a linha: saindo pro Flamengo, Contagem, Z/O metropolitana.

Não seguem até o Centro, e pra que?, se seus empregos estão ali, na Zona Sul mesmo.

Ainda assim, mesmo usando o ônibus num trajeto menor, tem que se pagar R$ 5,40 pra ir e voltar.

Viu como morar no subúrbio de Belo Horizonte é mais vantajoso e econômico que no subúrbio de Curitiba?

Pelo menos no quesito transporte coletivo, que é nosso foco.

Assim, num círculo virtuoso, B.H. incentiva o desenvolvimento descentralizado, fortalece o comércio local, do subúrbio.

Coloca renda no bolso do trabalhador mais pobre, que ele gasta em seu próprio bairro.

B.H. - Metropolitano

Metropolitano atual

Desafoga as linhas radiais, as mais carregadas do sistema.

E de quebra contribui pra um planeta melhor, pois é menos ônibus rodando, menos dísel sendo queimado e indo pra atmosfera.

E eu nem falei do metrô . . .

Mas nesse outro texto eu falo. 

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O transporte de Curitiba está ruim. Muita propaganda, mas pouco está sendo feito de verdade.

contagem1

Falando em Contagem, mais um na pintura antiga. Integrado ao metrô …

Não há metrô, não há integração no cartão (exceto em 3 linhas, sendo só uma central e de grande demanda).

Fora que a Linha Verde Leste/Norte está há 6 (agora 7) anos com as obras paradas. E não se fazem novos terminais

A coisa está feia mesmo. Pra piorar, desmantelam o que funcionava bem. Eliminou-se o “aldeamento”.

Joguei no ar essa mensagem. Até os anos 90 Curitiba tinha um sistema que permitia um desconto pra viagens mais curtas.

Não existe mais. Mas na Colômbia está funcionando, e muito bem.

metro BH1

… pois uma das estações terminais do metrô é no Eldorado, já em Contagem.

Assim, os sistemas de Belo Horizonte e Bogotá operam melhor pra quem mora em seus subúrbios. 

………….

Vejamos como a pintura dos ônibus de Belo Horizonte evoluiu através dos tempos.

Publicado em 1º de dezembro de 2012

Até os anos 70, a pintura dos ônibus era livre em todas as cidades, ou seja, cada empresa pintava sua frota como bem entendesse.

metro BH

E a outra é no Vilarinho, Z/N

Já no fim da ditadura, na virada dos anos 70 pra 80, o governo federal tomou a iniciativa de padronizar a pintura dos ônibus em várias capitais do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Então Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Campinas (que não é capital mas entrou junto), Belo Horizonte, Brasília e Goiânia assim o fizeram.

O Rio, Vitória, os dois Mato Grossos, o Norte e o Nordeste ficaram pra depois.

integrado

1ª padronização MetroBel: pintura exclusiva pras linhas integradas ao metrô. No Rio isso ainda existe.

Vitória, Recife, Fortaleza, Aracaju, Campo Grande, Belém, (bem como cidades médias do interior como Londrina, Joinville, Blumenau, São José dos Campos) todas elas entre muitas outras também padronizaram suas pinturas entre os anos 90 e os 2000.

O Rio e Manaus foram ainda mais tardios, e só agora, no começo da década de 10, é que fizeram isso.

Um pouco depois, no meio da mesma década, está sendo a vez de Salvador e Florianópolis.

B.H. - Metropolitano3

Metropolitano atual

A capital de SC foi uma das pioneiras em nossa pátria na padronização.

Mas depois abandonou-a.

………………….

B.H. 1982 [1]

Mais um Veneza ainda na pintura livre, indo pra Zona Oeste da cidade.

E agora novamente Floripa adota a pintura única. Está na transição.

Já há muitos busos com a novo padrão, mas ainda se vê vários com o antigo, livre.

Complementando o que abre acima, joguei no ar matéria completa, com muitas fotos, mostrando todas as fases e matizes do transporte em Florianópolis, dos anos 70 a atualidade.

…………….

De volta a Belo Horizonte, que é o que nos interessa aqui.

metro

Próximas 2: 2ª padronização metropolitana

O primeiro padrão, o MetroBel, foi pintar os ônibus em uma única cor, similar ao que foi feito em Curitiba, de acordo com a categoria a que ele pertence.

1ª padronização – Metrobel:

– Municipal e metropolitano idênticos;

Veículos numa cor só com duas faixas indicando o itinerário, mostrando as principais avenidas que a linha passa.

Pode até parecer incrível pra quem é de fora. Mas veja o Monobloco azul a esquerda (logo belo horizonte micraoabaixo do micrão branco e amarelo metropolitano).

Só de ver as duas faixinhas abaixo do vidro os belo-horizontinos dos anos 80 e 90 decodificavam o itinerário básico daquela linha.

Pois cada grande avenida da cidade tinha seu próprio tom.

Era possível indicar duas delas, logo você batias o olho e já sabia o grosso do trajeto.

monobloco

Mono MetroBel

A parte dessas faixas menores, as cores escolhidas pro corpo principal dos veículos foram azul, vermelho e amarelo.

Vigorou até o fim dos anos 90, e ainda há uns veículos circulando assim.

(Texto de 2012. Provavelmente agora já foram todos aposentados.)

Só que mais que isso: o nome da linha vinha escrito na lataria.

Ou seja, o ônibus precisava ficar fixo naquela linha.

Impedindo de remanejar a frota conforme a necessidade.

Em Belém-PA isso ocorreu igualmente – leia matéria específica com muitas fotos:

Apenas lá a linha vinha pintada no letreiro (que portanto não tinha lona por dentro), e não na lataria.

……….

2ª padronização:

– Separação dos sistemas municipal e metropolitano;

metropolitano (2)

Metropolitano atual

No municipal, eliminam-se as faixas que indicam o trajeto e colocam-se flechas no lugar (similares as que haviam na mesma época nos busos de Fortaleza-CE);

E surge a cor verde-claro. Os municipais permanecem de uma só cor, mas com as mudanças enunciadas acima. 

No começo desse milênio os busos metropolitanos passam a ter pintura diferente, não mais uni-color.

Tornaram-se brancos em cima. E na parte debaixo azuis, amarelos, verde-musgos ou vermelhos.

metropolitano der-mg buso placa número itinerário bh adesivada vidro lona busscar volvo vermelho branco faixa metrô z/o escrito amarelo linha minas tribus trucado 3 3º eixo

Trucado metropolitano.

Ou seja, o metropolitano usa ainda as mesmas tonalidades do municipal pras mesmas categorias (amarelo é circular, por exemplo), apenas não é mais exatamente iguais pois adicionaram o branco.

Agora os modais municipal e metropolitano de BH se espelham, mas não são idênticos, é isso.

Resultando que os busos (municipais) de BH então ficaram azuis, vermelhos, amarelos e verdes unicolores, conforme a categoria que operam.

Os metropolitanos idem, mas não mais unicolores, há uma blusa alva pra distinguir do municipal, dizendo de novo. Mas nos dois modais permaneceu o costume de pintar a linha, impedindo-o de operar em outra.

B.H. - Move3

Move.

Só mais recentemente adotou-se a solução de colocar a linha através de uma placa, que pode ser removida.

Aí, até que enfim, os ônibus de BH podem operar em qualquer linha da empresa, como é em boa parte do mundo.

Mas há alguns veículos mais velhos que ainda trazem a linha pintada na lataria, especialmente os metropolitanos.

Na maior parte da América Latina é assim.

Belo Horizonte-MG - 1982 ainda pintura livre

Dois Gabrielas que ainda não haviam aderido ao Metrobel.

Cada ‘carro’ fica fixo numa determinada linha.Veja exemplos no México, Paraguai, República Dominicana, Chile e Colômbia.

Em Belém e Belô por décadas foi igual, mas o letreiro eletrônico acabou com essa peculiaridade.

………..

3ª padronização:

– O ônibus permanece unicolor mas ganha dois tons:

Abaixo, mais escuro, está um desenho estilizado da linha de prédios e pontos turísticos da cidade (como a Igreja da Pampulha). E mais:

azul

Próximas 3: Metropolitanos atuais.

Desaparecem as flechas (Fortaleza igualmente mudou sua pintura, e as flechas lá também se foram);

De volta a BH, a cor vermelha, surgida na gênese da padronização, deixa de existir;

O azul e o amarelo foram mantidos desde que a padronização começou, décadas atrás.

O verde, que inexistia nos primórdios e surgiu na penúltima mudança, continua, e tomou o seu lugar.Belo Horizonte

……….

Agora o número e nome da linha são indicados por um painel luminoso.

Ou seja, que pode ser mudado a vontade, conforme a necessidade. Belo Horizonte chegou a modernidade.

B.H. - Metropolitano5Ainda se veem muitos ônibus do segundo padrão.

E cheguei a ver (no finzinho de 2012) um ainda do primeiro, que já foi abandonado a mais de uma década.

………

antigo

Bichão fabricado nos anos 60, mas que chegou a operar pelo MetroBel

Os metropolitanos também mudam a pintura, e adotam um desenho que faz o contraste entre duas cores. 

Podem ser o branco atrás e vermelho na frente, amarelo na porção traseira e laranja na dianteira;

Ou então unicolores ou em azul ou em verde, em ambos os casos num tom mais escuro atrás e mais claro na frente.

Em qualquer caso o desenho de contraste entre as cores é o mesmo, como as fotos mostram.

Metropolitano B.H. 1982

Ciferal antes de ser repaginado pro padrão Metrobel. No Centrão, saindo pra Contagem.

E em todos na lateral há a foto da nova sede do governo mineiro, falada acima.

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Os articulados e alongados padrão do ‘Move’ têm sua própria pintura, como notam.

Além de todos esses modais, há também micros amarelos, os antigos piratas, agora legalizados e integrados ao sistema.

Só fazem linhas locais, no bairro. São mais baratos; e por tudo isso chamados “Suplementares”.

testes

Todo branco: em testes, claro.

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Agora segura essa:

Nos ônibus urbanos a coisa foi regularizada e inserida no sistema com sucesso, isso é muito bom.

Em compensação nos táxis e ônibus de viagem a pirataria em BH é alarmante.

Pra fechar, enxertamos outro emeio.

bh, 1982: o MetroBel decola. Quebra tudo aí, Donald!!!

Belo Horizonte3

Municipal atual. Atrás um azul no padrão anterior.

Publicado em 17 de agosto de 2014

Em 1982, o britânico Donald Hudson passou férias nas 3 maiores capitais do Sudeste (Rio, SP e BH).

Tirou centenas de fotos de ônibus, algumas de BH estão espalhadas pela página, veja as legendas.

Fiz esse emeio (e outros) no momento que seu trabalho estava sendo levantado pra rede.

B.H. Trovao Azul Abriu o bau

MetroBel

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Donald Hudson pegou bem a época da transição pro MetroBel.

Há tomadas do velho (pintura livre, multi-colorida, cada viação escolhia como pintar).

E do novo (unicor uniforme, igual pra todas as empresas incluso – nessa época, hoje não é mais – as metropolitanas), as vezes ambos na mesma captura.

……

Eis alguns exemplos espalhados pela página:

Belo Horizonte2

2ª padronização municipal

São Remo Circular amarelo na Avenida do Contorno, aquela que enche nas canções do Skank.

As linhas circulares amarelas basicamente percorrem a Contorno, claro dando algumas entradas nos bairros próximos.

Mas a espinha dorsal é ela. São o equivalente do Interbairros 1 aqui de Curitiba, ou do T1 (Transversal 1) de Porto Alegre-RS.

Belo Horizonte1

Também 2ª padrão, o das flechas, similar a Fortaleza na época.

Esse São Remo tem a mais belo-horizontina das peculiaridades busólogas:

O letreiro onde vai a linha é pequeno, dentro do para-brisas, como ocorre nos veículos de viagem.

Por isso o teto é inclinado pra baixo. 

No modal urbano, o letreiro é grande e acima do vidro, fazendo com que o teto seja reto.

bh

Gabrielas do início do Metrobel. Esse ainda não foi repintado, mas a linha já tem 4 dígitos e foi adesivada no vidro.

Mas em B.H. não, caramba. Ali, e também em Campinas-SP, nessas duas cidades e somente nessas duas, era comum o letreiro de viagem em busões urbanos. 

Pra fechar essa foto: atrás um Ciferal (“Companhia Industrial de Ferro e Alumínio”, muito prazer) ainda na pintura livre.

E com capelinha (aquele letreiro menor no teto onde vai o número da linha, acima do letreiro maior com o nome da mesma).

Característica indelével do Sudeste Brasileiro, que Porto Alegre-RS também adotou. Pegamos a transição, um “carro” de cada padrão.

Belo Horizonte-MG

E 4 repintados. Esse tem letreiro normal, acima do para-brisas.

A padronização Metrobel dizimou a capelinha em Belo Horizonte. Já veremos o porque.

Mais uma foto-portal entre o velho e o novo: a frente um Nimbus TR-3 da Viação Santa Fé ainda na pintura livre multi-colorida. 

Atrás outro São Remo já na Metrobel unicolor padronizada.

Voltemos ao busão da frente:

gabriela-bh

3 no ‘padrão BH’, menor e dentro do vidro.

Na linha 1504, com numeração já no padrão Metrobel, 4 dígitos ou 3 dígitos e uma letra, e reproduzida num adesivo bem grande no vidro da frente e pintada na lataria lateral. 

O que obrigava o veículo a se fixar numa linha, enfatizando de novo.

Antes do Metrobel, como já veremos, as linhas tinham 3 dígitos, e não eram adesivadas no vidro e muito menos pintadas na lateral.

……………BH 1982 capelinha desativada

Táqui, irmão. A esquerda um busão da Santo Agostinho fazendo a linha de Vera Cruz a Santa Maria.

Ainda com capelinha presente, mas já desativada.

Pois pela regulamentação Metrobel era obrigatório o adesivo com o número da linha, outra peculiaridade 100% belo-horizontina.

Depois copiada – parcialmente – por Manaus-AM.bh1

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As duas mais belo-horizontinas das peculiaridades busólogas se encontram na foto do Gabriela da Viação Paraense, mostrada bem mais pra cima na matéria:

Letreiro pequeno como nos ônibus de viagem, e, depois do padrão Metrobel, linha adesivada no para-brisas e pintada na lateral. B.H. 1982 veja o logo da Pepsi

Assim, só pode fazer a mesma linha, no caso a Dom Cabral, que por isso está pintada no veículo.

…………

Direita: Marcopolo Veneza da São Bernardo já no azul da Metrobel. (Destaquei o logo da Pepsi, que nos anos 80 era o clássico tricolor, pra abrirmos o baú em todas as dimensões. Ao contrário da arqui-rival Coca, a Pepsi muda o tempo inteiro sua comunicação visual).

gabriela-bh1De volta a falar dos busos que é o tema de hoje: a cor do veículo indica a categoria: radial, diametral, direto, semi-direto, circular, etc. E as duas faixinhas pra onde ele vai.

Algumas cidades padronizaram os ônibus por categoria de serviço (expresso, alimentador, etc). Curitiba é o exemplo maior.

Outras por região da cidade (Zona Leste, Zona Sul, etc), padrão tornado clássico por São Paulo. No modelo Metrobel, uniram os dois num só.

BH 1982 Rodoviario MetropolitanoEsquerda: esse é um Monobloco de viagem, parado justamente na Rodoviária, portanto não afetado pela mudança da Metrobel.

Incluí aqui porque embora uma linha rodoviária é interna da Grande Belo Horizonte, ligando a capital ao subúrbio metropolitano de Betim, também Z/O após Contagem.

Viu? Você pode ir de BH a Betim por 3 modais:

cidade administrativa

Ia pra Cid. Administrativa. Linha diferenciada, extinta e incorporada ao Move. Reforço a informação, esse veículo hoje está em Curitiba, confira ele uni-color bege padrão Comec.

1) de ônibus urbano:

Onde você vai de pé se não houver mais bancos, o embarque é na rua, sob sol e chuva, em compensação é muito mais barato;

2) de ônibus rodoviário:

Só vai sentado em bancos estofados e reclináveis, e espera o veículo também sentado e ao abrigo do tempo, por outro lado desembolsa muito mais;

3) e também de metrô – nesse caso parcialmente, a estação final é no Eldorado, próximo a Cidade Industrial, divisa de Belo Horizonte e Contagem.

B.H. - Metropolitano2

Metropolitano atual

Dali tem que baldear pro busão. Mas metade do trajeto foi pelo trilho. Melhor que nada.

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‘Deus proverá’

“A Vida no Morro”: Belo Horizonte, Minas Gerais

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Igreja da Pampulha

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 1º de dezembro de 2012

…………

As séries sobre República Dominicana, México, Chile, Paraguai e Colômbia estão no ar.

Assim vou começar a também subir pra rede minhas viagens dentro da Pátria Amada.

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Agora vista da outra margem da lagoa de mesmo nome, na Zona Norte.

Inicio por Belo Horizonte, onde fui em novembro de 2012 – veja a data da publicação por emeio. No fim da matéria ancoro ligações pra todas as matérias dessa série.

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Mais duas notinhas aos amigos de Minas: 1º, o uso da palavra ‘morro’ não é pejorativo, mas ao contrário, carinhoso.

Eu gosto de periferia, de subúrbio, e não por outro motivo moro numa ‘comunidade’ de beira de rio da Zona Sul de Curitiba.

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Avenida do Contorno

E, o mais importante, estive por apenas 4 dias em B.H. . 

Assim naturalmente meu olhar será forasteiro e superficial.

Vou passar apenas minhas impressões da cidade.

Se você tiver alguma retificação escreva – polidamente, claro – nos comentários ou por emeio.

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Estação do metrô Cidade Industrial, Zona Oeste, divisa com Contagem

BH tem cerca de 4,5 milhões de habitantes, contando a área metropolitana. Só no município-núcleo, são 2,3 milhões.

Como comparação, a Grande Curitiba tem pouco mais de 3 milhões, sendo 1,8 milhão no município central.

A Grande São Paulo tem perto de 20 milhões, sendo quase 12 no núcleo, o município de São Paulo.

bh

……………

Belo Horizonte é uma cidade planejada.

Por isso no Centro – delimitado pela famosa Avenida do Contorno – o traçado das avenidas forma um tabuleiro de xadrez com mais algumas vias em perpendicular.

Na verdade o que hoje é esse Centro no plano inicial do fim do século 19 seria a cidade inteira.

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Festa da Galoucura: muito ‘funk’, muito samba. É B.H., né?

Só que depois metrópole cresceu sem controle.

Então bairros e mais bairros surgiram após o Contorno, que passou a contornar só o núcleo central da urbe e não mais ela toda.

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E bota ‘sem controle’ nisso.

Belo Horizonte é um Rio de Janeiro sem mar, no tocante a quantia de favelas.

São muitas e muitas favelas, boa parte delas em morro.

Aqui e a direita: morro no Barreiro, Zona Oeste

Em todos os bairros, no Centro, na Savassi (o bairro mais rico da cidade), e em toda parte.

Bem, Florianópolis-SC é assim também. É o padrão da América.

Aliás, a “Vida no Morro – parte 2” é Valparaíso, Chile (e com o mesmo título fiz também matérias sobre Rio Branco do Sul, na Gde. Curitiba, e Ponta Grossa, no interior do Paraná).

Em Minas fotografei várias dessas favelas, e estive em algumas.OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A cidade cresceu muito mais pra oeste e pra norte. É, portanto, um “L” invertido, com a perninha horizontal puxada pra esquerda, ao invés da direita.

Resultando que as maiores regiões da cidade são as Zonas Oeste e Norte. Nisso ela também é igual ao Rio de Janeiro, que também cresceu mais pra oeste e norte.

BH 37 graus

B.H. 40º – ou quase. Tava quente, cara. Muito, muito quente.

Na capital carioca, a Zona Sul, limitada e orneada pela costa, é pequena e rica, e não há Zona Leste.

Em BH, foi a montanha quem delimitou o crescimento pra sul e leste. Entretanto, há Zona Sul e Zona Leste em Belo Horizonte.

Apenas elas são bem menores que as Zonas Norte e Oeste.

Os dois municípios mais populosos da região metropolitana estão na Zona Oeste:

os piores de Belo Centro

Centrão: “os piores de Belô” detonaram o prédio, amplie pra ler no teto do edifício. Cliquei a mesma cena em SP e aqui em Curitiba.

Contagem, com mais de 600 mil habitantes – maior que Londrina-PR e Joinville-SC, e mais ou menos com a mesma população de Osasco (que também fica na Z/O da Gde. SP).

E depois Betim, onde está a fábrica da Fiat, que tem uns 380 mil habitantes.

Como comparação, o município mais populoso da Grande Curitiba é São José dos Pinhais, que não atingiu ainda 280 mil pessoas.

Ou seja, o segundo município mais populoso da Grande BH tem mais de 100 habitantes a mais que o primeiro da Grande Curitiba.

Voltando a Grande Belo Horizonte, após os dois maiores, que estão na Zona Oeste, os dois a seguir estão na Zona Norte, e são Ribeirão das Neves, com quase 300 mil, e Santa Luzia, como mais de 200 mil.

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Bairro Milionários, Zona Oeste.

Assim vemos que tanto dentro do município quanto na área metropolitana, Belo Horizonte cresceu mais a norte e oeste que a leste e sul.

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BELO HORIZONTE, “CIDADE DO FUNK” –

Como Fortaleza-CE, Belo Horizonte também é “a Cidade do ‘Funk’”. Esse é certamente de longe o estilo mais ouvido entre a rapaziada.

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Mais uma da lagoa. Destacado o Estádio Mineirão, por isso chamado “Gigante da Pampulha“.

Pra ilustrar sonoramente a mensagem, mando duas músicas que tratam do mesmo tema, o “ABC de BH”, em que os cantores vão desfilando as vilas, favelas e periferias.

Essas duas músicas são bem tranquilas, pode abrir sem medo, não há descrições de matanças ou putaria.

Se quiser incorporar o estilo de BH, tem que ouvir. Ir a Belo Horizonte e não ouvir ‘funk’ é como ir a Veneza-Itália e não andar naqueles barquinhos.

É o espírito da cidade, razão e espelho mesmo dela ser.

http://www.downlivre.net/escutando/Gv-Wj52IAts/MC_SEAL_ABC_DAS_COMUNIDADES_BH_(DJ_TREB_PESADAO)ID:_126*46627

https://www.youtube.com/watch?v=Gv-Wj52IAts – essas duas são a mesma música, o artista é da Máfia Azul. Agora segue mais uma, de outro cantor mas no mesmo estilo, que foi postada pela Galoucura. As letras falam da periferia da cidade, e não de futebol ou torcidas organizadas.

https://www.youtube.com/watch?v=9QAcr65BN30

Venda Nova Zona Norte3

Venda Nova, Zona Norte

Nas quebradas, e elas são muitas, só dá esse tipo de música, algumas com letras muito, muito piores que essas duas que anexei.

É certo, ouve-se muito sertanejo e samba também. Agora, ‘rap’ é bem mais raro, e roque praticamente inexistente, ao menos nos subúrbios e morros.

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Uma pichação da Torcida Os Fanáticos, daqui de Curitiba, em pleno Centrão de BH. Mas foi alguém de lá mesmo que fez, e não daqui. As torcidas do Atlético-PR e do Cruzeiro são aliadas. Quem pichou ‘Os Fanáticos’, foi o Tiago, do 1º Comando da Máfia Azul, torcida do Cruzeiro, como está indicado acima, 1º CMA. Mais sobre essa aliança Ctba/B.H. na postagem em que eu abordo o futebol.

Isso, é claro, é influência carioca. Alias, Belo Horizonte é muito influenciada tanto pelo Rio quanto por São Paulo.

As 3 maiores capitais do Sudeste formam um triângulo, se influenciam muito entre si, em todas as direções.

Some-se a isso o fato que em Belo Horizonte há muitos nordestinos.

E que também a cidade está quase no meio do caminho entre São Paulo e a capital federal Brasília – quando eu falar da pichação, verão como isso se manifesta.

Muitos já definiram Minas Gerais como a “pedra angular” de nossa pátria amada.

E assim de fato é. Próxima tanto das capitais mais importantes do Sudeste quanto da Bahia e do eixo Brasília-Goiânia,

Minas Gerais e sua capital Belo Horizonte são a essência da alma brasileira, tanto ou até mais que o Rio.

Mediadora entre o Leste e o Oeste, entre o Sul e o Norte. Eis o papel de BH.

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manequim gordo

Um manequim bem gordão, veja que curioso. São comuns lá os manequins engraçados. Na versão feminina, as mulheres-manequins são magras, mas estão fazendo caretas, com a língua pra fora, etc. Infelizmente não pude fotografar.

Belo Horizonte é inteira pichada.

Como o são todas metrópoles brasileiras, de Porto Alegre a Manaus, como o são as metrópoles ianques e também as mexicanas, e como é Bogotá-Colômbia.

As fotos mostram. Voltando a BH, há dois estilos de pichação, que se alternam nos muros. Um é cópia exata do de São Paulo, o outro foi formado localmente.

No ‘alfabeto’ paulistano, também adotado em Curitiba, Porto Alegre e todo o interior de SP, as letras são grandes, duras, retas e separadas.

No estilo criado em BH, as letras são menores, estão juntas e são mais curvas. É uma mescla do que se faz no Rio e em Brasília, já que ela está entre ambas, fisicamente e na hora de rabiscar muros também.

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Pichação no Centro, com o ‘alfabeto’ importado de SP.

Como em São Paulo, os pichadores de BH adornam sua obra com trechos de letras de música, por exemplo:

“Aí promotor, o pesadelo voltou”, “sob o olhar sanguinário do vigia”, “quem tem seda?”, “somos quem podemos ser”, e por aí vai.

Como característica local, cada grupo de pichadores tem um lema.

Um deles são “os Piores de Belô” (esse eu fotografei), outro são “os Pestes da (Zona) Leste”, há também “os Loucos de Betim”, vocês já entenderam, passa o boi, passa a boiada.

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Trago seu amor”. Esse anúncio, tão falso quanto promissor, está assim, pintado em muros de forma gigante, por toda Belo Horizonte. As cartomantes anunciam seu trabalho pela cidade inteira, em letras garrafais. Fazer o que, né?

Um último detalhe. Belo Horizonte parece estar em outra dimensão do tempo.

Já a algumas semanas os pichadores estão escrevendo ‘2013’ nos muros.

E quando estive lá era, reforçando, novembro de 2012, ainda faltavam 40 dias pro ano novo.

É mais uma coisa xerocada de SP. Na capital paulista, assim que dezembro começa os pichadores começam a datar sua obra como se tivessem feito-a no ano seguinte.

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A Lagoa da Pampulha é o símbolo de BH.

Foi construída por Juscelino Kubitschek, quando ele foi prefeito de lá, na primeira metade do século 20. Essa cidade é carente de belezas naturais, então JK idealizou o que ele definiu como a “Copacabana dos mineiros”.

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Centro da cidade.

A ‘joia da coroa’ é a igreja da Pampulha, oficialmente Igreja de São Francisco de Assis, projetada por Niemeyer.

Deu trabalho alias pra ela se tornar mesmo uma igreja.

O arcebispo de BH enjeitava o presente, por sua arquitetura muito moderna, exógena ao conservadorismo vigente em sua mente.

Portanto se recusava a sacramentar o local e transformá-lo de fato num local de culto religioso, o que magoou muito JK.

Barreiro, Z/O

Levou um bom tempo pra igreja da Pampulha deixar de ser apenas mais uma das obras de JK/Niemeyer.

E virar de fato um templo, mas afinal deu certo.

Não sei se o arcebispo abriu a cabeça ou se foi preciso esperar ele ceder o posto a seu sucessor.

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Comentemos as fotos, espalhadas pela mensagem, nem sempre ao lado da descrição – busque pelas legendas. Todas tiradas por mim exceto uma, a do Morro do Papagaio.

Abrimos justamente com a Igreja da Pampulha, cartão-postal de BH.

Ao lado mais uma vista do lago, que é artificial.

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Nessa foto do metrô já deixamos a Zona Oeste e voltamos ao Centro.

Reparem na ousadia de Niemeyer.

Assim não é difícil compreender porque a arquidiocese se recusou durante muito tempo a consagrar esse que parecia um ‘presente de grego’.

Termômetro marca 37º. É isso mesmo, na quinta e sexta da semana que estive lá estava um calor senegalês em BH, até o pessoal de lá mesmo não estava aguentando.

Entre maio e junho de 2013 eu passaria pela mesma situação em Assunção, Paraguai, e Belém do Pará.

Inclusive também fotografei o termômetro em ambas, mas nelas não atingiu os 37º. Em fevereiro de 17, entretanto, fui a Florianópolis. E lá também estava um forno, fotografei o termômetro – igualou a marca dos 37 de BH.

Em B.H. vi várias mulheres de guarda-chuva, utilizando-o como guarda-sol.

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A Avenida Vilarinho, no famoso bairro da Venda Nova, Zona Norte.

Alias na saída de um colégio a garotada tirava sarro de uma senhora que tentava se proteger assim. Gritavam pra ela “Cadê a chuva?”. Você sabe como são as crianças.

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Várias fotos de favela em morro no também famoso bairro do Barreiro, Zona Oeste, inclusive a que está sobre a manchete.

A cidade cresceu sobre a serra, sobre a montanha. Há muitas e muitas favelas em encostas espalhadas por BH, no Centro e periferias.

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Também na Venda Nova

E mesmo onde não há favelas, ou seja onde é de classe média, a topografia da cidade é muito acidentada.

Os morros, favelizados ou não, estão por toda parte.

Ou melhor é a cidade que se assentou sobre onde eles já estavam.

É a “Vida no Morro”.

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Em muitos emeios já comentei que Curitiba deveria ter metrô, mas não tem. Pois bem. O bairro mais populoso de Curitiba é a Cidade Industrial, e fica na Zona Oeste.

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Centrão de B.H. pichado: essas letras redondas são o ‘alfabeto’ orgânico, ou seja criado ali em Minas mesmo.

Num deles mandei a foto, que puxei da rede a época, da Estação de Metrô Cidade Industrial, Zona Oeste, já operando.

Só que a de Belo Horizonte. Em Curitiba, só no sonho.

Assim, quando fui fisicamente a BH, fiz questão de descer nessa estação.

Apenas pra tirar essa foto, agora ao vivo, feita pelas minhas próprias mãos.

Aqui está. Metrô Cidade Industrial, Zona Oeste, é uma realidade. Pena que só em Belo Horizonte….

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Lagoa da Pampulha

Mais sobre o metrô de BH em outro texto.

E aqui uma radiografia completa do sistema de ônibus, municipal e metropolitano.

E nessa postagem que eu falo de ônibus trucados (c/ 3º eixo) há vários Tribus Urbanos belo-horizontinos, um deles indo exatamente pra Estação de Metrô Cidade Industrial.

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Falar no Centrão, alguns retratos nada glamorosos dele. Eu fiquei na cracolândia, na ‘boca do lixo’ de BH. Há muitos sem-teto, e por vezes muito lixo nas ruas.

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Contagem, Zona Oeste metropolitana

Pra irem tendo uma ideia, reparem que bem no meio da foto em que aparecem 2 motos e 1 ônibus há um sem-teto deitado.

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Voltamos a ver a Lagoa da Pampulha. Destacado com uma seta vermelha, o Estádio do Mineirão.

Está fechado pra reformas, será uma das sedes da copa. Mais sobre o futebol em outro momento.

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Centro.

Nota de 2015: O texto é de 2012, quando estive em Minas.

De fato o Mineirão foi sede da copa, o Brasil jogou duas vezes lá, na 2ª partida disputada no Mineirão tivemos a derrota mais fragorosa de nossa história.

Com os 7×1 sofridos pra Alemanha, caímos na semifinal de maneira vexaminosa.

Esse massacre está fazendo 1 ano exatamente na data que levanto essa mensagem pra rede.

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OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de passamos pela ‘Toca da Raposa’, uma das sedes do Cruzeiro EC, na Pampulha (Zona Norte).

Eu não torço pro Galo, e nem pro Cruzeiro, não torço pra nenhum time. Estou falando da música (no cartaz da festa) e da cidade, e não de futebol.

Não inicie uma discussão futebolística porque aqui não é o espaço adequado pra tanto.

A direita voltamos a Venda Nova, também Zona Norte. Veem ao fundo mais uma favela no morro (sãoOLYMPUS DIGITAL CAMERA centenas delas, espalhadas por todos os cantos da cidade).

E em primeiro plano uma loja de roupas femininas com um nome bem sugestivo, o “Sexo Frágil”. É mole?

Como reparam, algumas vezes eu coloco a mesma foto em mais de uma escala, pra que apreciem tanto os detalhes quanto o conjunto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEncerramos com uma das imagens mais belas de toda a série, flores com a Lagoa da Pampulha ao fundo.

Aliás a mensagem sobre as floresquase todas tomadas na Pampulha e imediações, mas há flores até de Betim – foi a que abriu a série no modal de emeio (publicada ainda em novembro), e a que fechou agora na página.

Outras mensagens da série, todas elas publicadas em dezembro de 2012:

Serra e Papagaio, debaixo de muita chuva.

papagaio1

Morro do Papagaio. Fonte: internet.

No mesmo dia eu fui nos 2 morros mais famosos da cidade. E a tarde no Estádio Independência, seguindo o ‘bonde’ da torcida organizada. Tudo a pé e sob um toró épico.

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Metrô Cidade Industrial operando: só mesmo em BH .

Falo mais um pouco sobre o transporte; e também outros aspectos da cidade, por exemplo o ‘Mineirim’, o modo peculiar dos mineiros falarem, que já é quase um dialeto da língua portuguesa.

ingresso1……….

– Do MetroBel ao Move – e o tróleibus quase voltou: o transporte em BH.

Uni material desmembrado dessa mensagem ‘Vida no Morro’, outros emeios de 2014 e mais um trecho inédito.

Que Deus ilumine a toda humanidade.

Ele-Ela proverá”