Flores Paulistanas

Bom Retiro SP Zona CentralPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Todas as postagens de ‘Flores’ são dedicadas as Mulheres.

Levantado pra rede em 18 de julho de 2016

Publicado (em emeios) entre 2012 e 2014Bom Retiro SP Zona Central1

Flores da Cidade de São Paulo pra ti, todas clicadas por mim.

Em dois  bairros da Zona Central, o Vale do Anhagabaú no Centrão e o vizinho Bom Retiro.

A acima e ao lado são do Bom Retiro.

árvore prédio 2 postagens: "Cenas Paulistanas" e "Flores Paulistanas" caixa banco flores Centrão z/c SP anhagabaú violetaE três bairros da Zona Sul, Brooklin, Planalto Paulista e Alto da Boa Vista.

Começamos pelo emeio principal, publicado em 5 de janeiro de 2014.

Essa viagem, que fiz nos primeiros dias de 14, está mostrada nessa postagem a parte.árvore prédio 2 postagens: "Cenas Paulistanas" e "Flores Paulistanas" flores Centrão z/c SP anhagabaú violeta

Os bairros, o calor imenso que fazia, os ônibus, o trem, a Marginal, um relance da favela, pichações, a loira que parou a Berrini e até os sem-teto.

Então aqui a gente pode se focar só nas flores.

Acima a mesma imagem em duas escalas: Brooklin - SP Zona Sul2

Uma árvore rosa no Vale do Anhagabaú. O emeio é de junho de 2013, mas foi incluído na mesma postagem de janeiro/14.

………..

Ao lado e na sequência horizontal abaixo: Brooklin, Zona Sul. A 1ª, roxa, é a que está acima da manchete.

Brooklin - SP Zona Sul1Brooklin - SP Zona SulBrooklin - SP Zona Sul3

Planalto Paulista - SP Zona Sul4…………

Agora o Planalto Paulista.

Também na Zona Sul, evidentemente.

Clique sobre pra aumentar a imagem, o mesmo vale pra todas.

Planalto Paulista - SP Zona Sul2Planalto Paulista - SP Zona Sul5Planalto Paulista - SP Zona Sul6Planalto Paulista - SP Zona Sul3Planalto Paulista - SP Zona Sul1Planalto Paulista - SP Zona Sul

E encerramos com mensagem do dia 20 de maio de 2012. Clicadas numa residência do Alto da Boa Vista, Zona Sul.

flor flor1 flor2

Nessa outra mensagem, mais flores de SP: as que fotografei no Butantã, Zona Oeste.

Que Deus a Ilumine Eternamente.

“Deus proverá”

Anúncios

No Ninho das Cobras: Butantã, Zona Oeste de S.P.

panoramica

Aqui e a direita: panorâmica do bairro Butantã. Prédios de padrão mais alto junto com pombais de uma cohab, dentro do bosque. Bem no canto da outra foto a caixa d’água.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 26 de janeiro de 2016

Estive no bairro do Butantã, Zona Oeste de Sampa.

Nesse curto ensaio fotográfico vamos mostrar um pouco da região. Na psique da massa ‘Butantã’ é quase sinônimo de ‘cobras’.

Por exemplo, quando minha esposa quer se referir a um grupo de pessoas maldosas, afeitas a intriga, fofocas e críticas excessivas, ela fala: “é o Butantã”.

……….panoramica1

Por conta, claro do Instituto Butantã, que realmente se dedica a estudar esses répteis e outros bichos peçonhentos como aranhas.

Se você conhece alguém que já foi mordido por serpente e recebeu soro anti-ofídico no hospital, então, esse soro provavelmente foi feito ali, no Instituto Butantã.

bonfinholi1

Região arborizada e de classe média-alta, como veremos nas próximas imagens.

É aberto a visitação. Há um museu e viveiros, onde podemos ver diversas espécies desses animais venenosos.

É um programa interessante, que fiz algumas vezes, em viagens anteriores pra SP.

……….

Ali ao lado está o campus da USP – Universidade de São Paulo.

A USP e o Instituto Butantã tiveram origem na mesma fazenda. O campus ficou com a maior parte, e sobrou uma pontinha pro Instituto.bonfinholi

………..

A Zona Oeste é a mais rica de SP, junto com o comecinho da Zona Sul, que lhe é vizinha.

Essa parte endinheirada da Z/S eu já retratei 2 anos atrás, junto com o Centrão.

cidade verde1Então bora de volta pra parte ocidental da metrópole. Há muitas árvores, que na periferia de SP são raríssimas.

A Z/O é a ‘Cidade Verde’ em SP. A parte arborizada da cidade.

Não por coincidência, nas 3 padronizações da pintura dos ônibus (‘Saia-&-Blusa’, ‘Municipalizado’ e ‘Interligado’) o verde ficou pra Z/O. buso

Na postagem ligada em vermelho eu abordo extensamente a busologia paulistana, ricamente ilustrado com dezenas de fotos. Então aqui vamos resumir:

Em uma oportunidade toda Z/O foi verde, e em 2 (incluso atualmente como vê a direita) uma faixa foi/é verde e a outra, justamente onde está o Butantã, laranja.

verdeA Lapa, que o coração e arquétipo da Z/O, é e sempre foi verde, reconhecendo e deixando patente a vibração predominante nessa porção da metrópole.

“A Cidade Verde”, em quesito de arborização, e na busologia igualmente.

………….vila gomes

Estive na Vila Gomes e Jardim Bonfiglioli.

A V. Gomes é uma região mista: sobrados e edifícios de elevado padrão convivem com cohabs e pequenos cortiços.

tacoNas laterais exemplos dessa parte mais popular do Butantã: prédios e casas sem acabamento, comércio sem muito requinte.

Sequer há uma fachada caprichada anunciando o estabelcimento, apelou-se pra cartazes afixados junto a grade.vila gomes1

A esquerda garotos de pele morena jogam taco nas ruas.

Obviamente os meninos de renda elevada se divertem apenas em ambientes fechados, muito bem protegidos por altos muros e seguranças armados.

Pros filhos dos burgueses, brincar na rua nem pensar!, é o tabu dos tabus.

butanta1Portanto até essa partida de taco que eu flagrei demonstra um pouco do tom proletário  da Vila Gomes.

Duas notas: 1) o jogo que em SP se denomina ‘taco’ no Sul do Brasil é conhecido por ‘bete-ombro’.

Esporte que eu joguei muito na minha infância nas ruas de anti-pó precário de Santa Cândida, na Zona Norte de Ctba.butanta2

E 2), essa cena em SP me lembrou da República Dominicana.

Onde também vi meninos de pele parda/negra brincando com tacos no meio do trânsito, parando o jogo quando algum carro passa. Só que lá era beisebol.

jd. bonfinholi………

Já o Jardim Bonfiglioli (pronuncia-se ‘Bonfinholi’) é uma região mais homogênea.

Predominantemente de classe média-alta, aqueles sobrados geminados de bom padrão. ladeira

Ali não há cortiços nem brincadeira de taco na rua.

Independente da variação de renda, o Butantã é muito acidentado topograficamente.

É uma monte de ladeiras, sobe-e-desce constante.

geminadosAs imagens nas laterais resumem com maestria como é a situação.

…………

O rolê foi bem curto, então não há como me estender muito.

Creio que essas imagens serviram já pra darmos uma pitada na porção ocidental da maior cidade brasileira. ponto final

Vamos vendo mais fotos do Butantã, comento alguns detalhes mais significativos.

Esquerda, acima: veja que beleza de árvore florida.

Fiz uma postagem só pra mostrar as Flores do Butantã (de lambuja entrou também o Céu em Moema, na Zona Sul, longe dali).

O ponto final do ônibus Vila Gomes (direita), Quem sabe no Natal esses bichões vão ser todo iluminados com neon, como é tradição em SP?

suburbioDe volta ao tema de hoje, flagrei um Caio e um Marcopolo juntos esperam pra partir.

Cena que já retratei (não necessariamente com esses modelos, claro) no México, Chile, Paraguai, Belo Horizonte-MG, Belém-PA e até Curitiba.

A linha vai pro Centro via Rebouças e Paulista. A passagem (jan.16) custa R$ 3,80.

ladeira1…………..

Esquerda: cena típica paulistana, o portão faz uma curva pro ‘bumbum’ do carro caber.

Pois no subúrbio de SP os terrenos são muito apertados.

Assim cada metro quadrado é cobrado a preço de ouro, vale tudo pro automóvel da família butantaficar protegido.

Aqui em Curitiba esse tipo particular de solução arquitetônica não é necessário.

Por décadas os terrenos da periferia de nossas cidades eram enormes:

Muitas um gramadão enorme que dava pra jogar bola.butanta3

Casa de madeira e sem muro, ou uma cerquinha simples também de madeira.

Tudo muda, Curitiba vem mudando.

A cidade vem se adensando e hoje as casas bem no subúrbio não tem mais esse quintal tão generoso.

muro baixoMas tampouco é tão apertado a ponto de necessitar avançar um pouco na calçada pro carro caber.

Esquerda: casa de muro baixo, cena raríssima em SP.

Fechamos com mais algumas tomadas, clique sobre pra ampliar. O mesmo vale pra todas

cidade verdelinha de prediosbutanta4placapracadetalhe buso

“Deus proverá”

‘Saia-&-Blusa’: os ônibus paulistanos (1978-1991)

mais além e aquém: o transporte coletivo em são paulo, 1970-atualidade

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”capa

Levantado pra rede em 20 de abril de 2015

Publicado em emeios em 2011 e 2014, com ampla revisão no momento de subir pro ar

……….

Nas últimas postagens joguei na página vários retratos de Marília.

transição saia-e-blusa pra municipalizado

Início dos anos 90: transição do saia-e-blusa pra municipalizado. Vemos 2 Monoblocos na garagem da Brasil Luxo (Zona Norte). A esquerda no padrão vigente desde 1978, a direita no que foi usado até 2002.

Mas aqui, ao contrário do que o título poderia dar a entender, não tem nada a ver as roupas das Mulheres (há uma outra mensagem chamada ‘Saia-&-Blusa, que aí sim fala disso)

Mas aqui “Saia-&-Blusa” foi como ficou conhecida a pintura dos ônibus em São Paulo no período 1978-1991, como o título indica.

(Notas: A maioria das fotos foi puxada da rede, boa parte veio do sítio ligado abaixo.

Se você quiser conhecer os busos paulistanos nos anos do 80 e 90 certamente é a melhor fonte.

………..

7saia laranja z-o + munic

Idem: agora 2 Amélias, um em cada padrão de pintura, na garagem da Viação Castro, Zona Oeste. A placa está bem alta, quase no vidro, traço típico do Sudeste nos anos 80.

http://www.revistaportaldoonibus.com/bancodeimagem/index.php?cat=3

Veja a capa da página acima. Ali eles esquematizam as mudanças que vamos falar aqui.)

Outras páginas de onde foram puxadas foto: Ônibus Brasil; Lexicar Brasil; Busscarlos; Tramz.com (especializado em transporte elétrico na América Latina); Ônibus de Campinas/Portal InterBuss; Veículos em Geral.

Os créditos estão mantidos, como solicitado.

Duas imagens foram clicadas pessoalmente por mim, eu informo na legenda.

Importante: nem sempre as fotos correspondem a descrição mais próxima ao lado.

Busque pelas legendas, elas estão corretas.

livre-gatusa

Gatusa em pintura livre: foto feita antes de 1978, portanto. No Pacaembu apenas posando pra foto, a linha não passa por ali.

………….

Já chegamos lá. Aproveitando o embalo, vamos mostrar também como eram os busões antes da padronização saia-e-blusa ser adotada.

E como eles ficaram depois que ela foi abandonada. Como foram portanto as 3 padronizações que vieram depois dela:

Municipalizada 1991-2003 (nessa década e pouco teve 4 sub-fases), feita pela prefeita Luíza Erundina, e mantida nos governos de Maluf e Pitta;

Estrela da Marta, a pintura mais breve da história da cidade. 

1978-1991

Padrão Saia-&-Blusa, 1978-1991: a cor de baixo, a saia, era compulsória conforme a região que ônibus servisse.

Só durou alguns meses em 2003 devido a péssima repercussão – como o nome indica fruto da gestão Marta Suplicy;

E por fim o Interligado, implantado em 2003 também por Marta, mantido por Serra, Kassab e Haddad, portanto vigente na atualidade.

Assim como o sub-título indica é mais amplo que 1978-1991. Vamos cobrir o período 1970-2015, que é quando o texto foi escrito.

Se um dia a cidade mudar de novo a pintura dos ônibus eu atualizo a postagem. Enquanto isso não acontecer, é 1970-Atualidade.

O Interligado foi inspirado no ‘Saia-&-Blusa’.

Adaptações no estilo, o mesmo espírito se mantém, de pintar os ônibus conforme a região da cidade que eles operam.

………..

todo branco cmtc

SP nunca teve padrão de pintura inteiro branco. Ainda assim, em diversos momentos circularam ‘ovelhas brancas‘. Aqui um Mono 3 da estatal CMTC, virada dos 80 pra 90, pouco antes dela ser vendida.

De volta ao texto principal, elaborado a partir de um emeio publicado em 1º de setembro de 2011.

Falemos especificamente do ‘Saia-&-Blusa’, em vigor na década de 80:

O nome é porque os veículos eram bi-colores, com faixas horizontais.

A metade de baixo (a ‘saia’) era compulsória e indicava pra que parte da cidade aquela linha vai.

Portanto haviam várias empresas que compartilhavam a saia, por servirem bairros vizinhos.

6saia vermelha Zona Sul

Vitórias da Gatusa.

A porção superior (a ‘blusa’) era livre, cada empresa decorava como queria. Implantada pelo prefeito Olavo Setúbal, e mantida nas gestões Covas e Jânio.

Assim a blusa de escolha da viação, sua assinatura que a caracterizava. Era raro duas viações dividirem a mesma blusa, mas ocorreram alguns casos.

A saia era obrigatória, imposta pela prefeitura. A blusa era livre, repetindo.

Portanto quando duas empresas da mesma região optavam por usar a mesma blusa obviamente ficavam idênticas.

Tânia [3]

Monobloco da Tânia.

Como minha base sempre foi a Zona Sul por ser onde mora minha família, detalho melhor a região 6 desse modelo que vigorava na minha infância.

Pois estou mais familiarizado com os meandros da Z/S em geral, e mais especificamente essa faixa em que os busos tinham saia vermelha.

Por isso, abaixo eu enxerto um outro emeio, escrito em 2014, em que trato especificamente de um caso desses:

papa-fila-massari

Papa-Fila CMTC em frente ao Mappin da Praça Ramos no Centrão, em tomada provavelmente dos anos 60.

Tânia e Gatusa, na faixa 6, eram idênticas, ambas de saia vermelha (porque eram obrigadas) e blusa azul-escuro (porque elas queriam que fosse assim).

Então como saber qual é qual? O povão não conseguia, é Trabalho pra especialista. É aí que a gente entra.

Veja os Amélias de ambas emparelhados abaixo. Nos anos 70 a 90 a Caio batizava seus modelos com nomes de Mulher, como é sabido. No decorrer da matéria mais exemplos, pelas laterais.

Agora que a onça bebe água: Tânia x Gatusa; mesma saia, mesma blusa; como diferenciar???

Gatusa [5]Tânia

Publicado em 28 de agosto de 2014

Abrimos o baú: pra alegria dos busólogos, vamos relembrar essa manifestação na Cidade de São Gatusa [1]Paulo de 30 anos atrás.

Desdobraremos a análise de um sistema que já se extinguiu a longos 24 anos num nível de detalhamento que chega a ser inacreditável.

Num momento de meados dos anos 80, eram 28 viações em SP. Já dissemos que a “saia” era padronizada, enquanto a “blusa” era livre.

Por conta disso, eram raríssimos os casos em que duas empresas dividiram exatamente a mesma pintura.

Vamos falar exatamente de um desses casos, o das Viações Tânia e Gatusa (Garagem Tânia [2]Americanópolis de Transportes S.A.).

Ambas eram vermelhas na saia, azul escuro na blusa, como as cores desse emeio. Havia ainda, pra dar um charme, uma fitinha vermelha abaixo da janela.

Seguindo o praralelo com o vestuário feminino, era um cinto da cor da saia pra contratar e realçar a blusa.

Um ponto importante: Não se deixe enganar pelo nome. Apesar do “Americanópolis” em sua razão social, a Gatusa não passava nem perto desse bairro. Que também é na Gatusa [2]Zona Sul mas ficava na região da saia azul-clara.

Próxima a Cidade Ademar, Jardim Míriam, Divisa de Diadema, Vila Joaniza, Aeroporto de Congonhas, Vila Santa Catarina, esses lados.

A Tânia, e também a Gatusa, iam a outra parte da Z/S, onde fica o Brooklin, Vila Olímpia, Alto da Boa Vista e Santo Amaro.

E, enfatizando ainda mais uma vez, eram idênticas, na ‘saia’ e na ‘blusa’. Como diferenciar uma da outra, então?

Tânia 6 sp lona merced buso z/s saia blusa vermelha azul caio 6 amélia bandeira brooklin paulista

Amélia da Tânia de saia vermelha e blusa azul. Curioso, tudo remete a nomes e vestuário femininos: o modelo, a viação e a pintura.

Simples: a Gatusa pintava também as rodas e para-choques de vermelho, e ostentava propaganda na lataria.

Na Tânia, essas peças eram cinzas, originais de fábrica, e não havia publicidade lateral.

…………

Ambas dividiam também o prefixo 17. Os carros da Gatusa eram de 17.001 a 17.499, enquanto a Tânia pegava de 17.500 a 17.999.

Das quase 30 empresas que existiam naquela época, apenas 4 mantém o mesmo nome. A Gatusa é uma delas. As outras são a Gato Preto, a Santa Brígida (ambas da Zona Oeste) e a Tupi (também da Zona Sul).

Gatusa [3]Várias outras continuam operando nas mesmas garagens, e são dos mesmos donos. Mas mudaram a razão social.

Por exemplo a Brasil Luxo e a Nações Unidas, ambas da Zona Norte, atualmente assinam ‘Sambaíba’. Já eram do mesmo dono, agora têm o mesmo nome fantasia.

SP trol branco neobus z/s buso z/s santo amaro

Neobus ‘ovelha branca’: tróleibus inteiro alvo no Corredor Santo Amaro, começo dos anos 2000. Foto duplamente raríssima: 1º, os ônibus brancos são esporádicos, surgem muito de vez em quando, e 2º não há mais rede elétrica na Avenida Santo Amaro.

Mas esse é tema pra outro dia.

……..

Por hoje tá bom, né?

A “Enciclopédia do Transporte Urbano Brasileiro” acaba de ter mais um capítulo publicado.

………

Encerra-se o enxerto de 2014, voltemos ao texto de 2011, agora explico como toda essa discussão começou.

Escrevi uma mensagem sobre os ônibus na Costa Norte brasileira (de Fortaleza-CE a Manaus-AM).

Um colega que morou em São Paulo me respondeu o seguinte:

“Você me fez lembrar de quando as cores dos ônibus identificavam claramente as regiões para as quais eles se dirigiam na cidade de são paulo facilitando a vida de pessoas que não sabiam ler…”

interligado

Interligado, adotado em 2003 e ainda em vigor: note que há semelhanças com o ‘Saia-&-Blusa’ mas também diferenças.

………


O que se segue é minha tréplica (escrita em 2011, quando mandei o emeio, e revisada e ampliada em 2015, quando levanto pra rede.)

São Paulo ainda usa um esquema em que os ônibus são pintados por região.

E eu te mostro o mapa (ao lado) do sistema Interligado, adotado na gestão da Marta Suplicy, anos 2000.

Veja que as regiões vão de 1 a 8.

Zona Norte: 1 e 2, verde-claro e azul-escuro;

Zona Leste: 3, 4 e 5. Abarca de forma integral as regiões 3 e 4 (amarela e vermelha) e divide a 5 (verde-escuro) com a Zona Sul.

cmtc anos 70-80

Monobloco CMTC, pintura azul dos anos 70. Foto: 1982

Zona Sul: 5, 6 e 7. A 5, verde-escuro, compartilhada com a Z/L, como acabo de dizer. E exclusiva pra Z/S as regiões 6 e 7 (azul-claro e roxo).

A Zonas Leste e Sul são as maiores em área e população de Sampa, além de concentrarem a imensa maioria das vilas mais pobres do subúrbio distante.

Por isso nelas o uso de ônibus é o mais carregado e complexo da cidade. Assim tem 5 faixas pra dividir entre si, duas exclusivas pra cada e mais uma que repartem meio-a-meio.

Já a Z/O, inversamente, é a menor e mais rica, onde menos gente depende de transporte coletivo. Logo:

– a Zona Oeste ficou com a região 8, pintada de laranja.

1saia marrom zona norte

Vamos ver uma por uma as saias do padrão que existiu entre 1978 e 1991: Saia Marrom é faixa 1 do Saia-&-Blusa, Gabriela da Viação Alto do Pari, Zona Norte

…………

Tracemos um histórico do transporte paulistano. Até 78, era pintura livre, ou seja, cada empresa pintava como queria.

Nesse ano, houve a primeira padronização, conhecida como saia-e-blusa.

Na gestão do prefeito Olavo Setúbal.

A cidade foi dividida em 9 zonas.

Parecido com agora, só que era uma região a mais.

2saia amarela zona leste

Saia amarela: faixa 2, Veneza da Penha-São Miguel, Zona Leste.

1: Z/ Norte, saia marrom

– 2: Z/ Leste, saia amarela

– 3: também Z/Leste, saia rosa.

Ou assim deveria ser.

Mas talvez por machismo os empresários resistiram a pintar sua frota de rosa.

ônibus em cor-de-rosa, nem pensar: isso é mesmo tabu!!!

tabuPor isso essa região específica foi a única que a padronização foi desrespeitada.

E o que é mais curioso: uma das empresas da região era exatamente a Viação Tabu. Cuja cor de baixo dos ônibus deveria ser rosa. Mas não era.

…………..

Houve exceções. Abaixo dois exemplos que a saia era mesmo rosa:

buso sp cmtc monob azul fuscas

Monobloco da CMTC na pintura dos anos 70, vigorou até os 80.

Um Veneza do Consórcio Pompéia/Tabu (essa foto parece ter sido colorizada artificialmente em computador).

No começo do ‘saia-e-blusa’, era comum duas empresas compartilharem uma linha, por isso em alguns veículos vinha o nome de ambas.

Depois, nos anos 80, isso acabou, cada buso só tinha o nome de 1 viação.

livre pre-78

Retificação: esse ‘carro’ é da Auto Viação São Luiz que operava inter-municipal no ABC, e não da Empresa São Luiz Viação que operava o municipal na Z/S de SP.

Talvez a Pompéia (que anteriormente operava na Zona Oeste, daí seu nome) não tivesse nada contra o rosa.

Por isso seu veículo compartilhado com a Tabu não houve o tabu.

E direita um Gabi da saudosa C.A.T.C., Cia. Auxiliar de Transporte Coletivo.

Foto do igualmente memorável Donald Hudson.

Um inglês que prestou grandes serviços a busologia brasileira.

3saia rosa zona leste13saia rosa zona leste

Veja. A parte debaixo da lataria devia ser rosa, e em raríssimos casos o era. Mas muito mais frequentemente o ônibus era pintado de laranja, vermelho e mesmo roxo.

Rosa mesmo muito poucos, digo de novo.

3saia rosa era pra ser zona leste43saia rosa era pra ser zona leste33saia rosa era pra ser zona leste23saia rosa era pra ser zona leste3saia rosa era pra ser zona leste5vila ema

………….

4saia azul escura zona sul

Saia azul-escura: faixa 4, Veneza da Bristol, Zona Sul

Todos esses ônibus são da faixa 3 (Zona Leste) e deveriam estar rosas por baixo.

Mas respectivamente os Vitórias da Transleste e Paulista são laranja-escuros, bem como o Thamco da Vila Ema.

O Amélia da Tabu e o Gabriela da V. S. Paulo usam vermelho (que pertence a Zona Sul).

E o Mono da Santo Estevão é laranja-claro, cor que pertence a Zona Oeste.

Realmente pintar os busos de rosa foi um dos maiores tabus da busologia paulistana.

livre - bola branca

2 pinturas livres pré-78: Bola Branca (Z/S), e Penha-S. Miguel (Z/L) (esq.)

………..

Entretanto, vejam vocês:

No Chile não há esse conflito.

Em Santiago, como em SP, os ônibus são pintados conforme a parte da cidade que operam.

Uma das faixas da Transantiago é rosa. E assim são seus ônibus, sem polêmicas.

livre pintura pre 78 [1]Mas vai além. Quando, nos anos 90 e 00, a frota da cidade era amarela, tinha gente que pintava de rosa por conta própria, sem ser obrigado.

………….

Feito esse grande adendo, voltemos a falar de SP 1978/1991, como era dividido o ‘saia-&-blusa’.

5saia azul clara zona sul

saia azul-clara: Gabi do consórcio Mar Paulista/Canaã, faixa 5, Zona Sul. Dá-lhe Donald Hudson. Mete ficha, quebra tudo aí cumpádi !!!

– 4: Z/Sul, saia azul-escura

– 5: novamente Z/ Sul, saia azul-clara

– 6: ainda Z/S, saia vermelha

– 7: Z/Oeste, saia laranja

– 8: Z/Oeste, saia verde-escura.

(Como a Z/O é bem pequena, algumas linhas laranjas ‘transbordavam’ pra vizinha Zona Sul, enquanto outras em verde-escuro ‘invadiam’ o começo da Zona Norte.)

– 9: Z/Norte, saia verde-clara.

…………

intercâmbio busólogo: sp e campinas

3saia rosa era pra ser zona leste1Já seguimos falando da capital. Antes vamos fazer um adendo.

Olhando com calma, vi que esse Amélia da Viação São Paulo (que opera na Z/L da capital) na verdade está com a pintura de vigorava em Campinas na mesma época. campinas anos 80

Como estamos falando e é notório, nos início dos anos 80 Campinas padronizou a pintura da frota, no embalo de várias capitais que fizeram o mesmo.

campinasLá não é capital mas por ser a principal cidade do interior do estado mais rico da pátria, é maior e mais rica que a maioria das capitais de estado.

Assim entrou no mesmo embalo. A pintura adotada foi essa, branco com uma faixa horizontal colorida.

campinas

Campinas ainda com pintura livre na 1ª metade dos anos 80: a Viação Campos Elísios decorava sua frota imitando a CMTC paulistana, apenas ao invés de dois tons de azul era marrom por baixo e bege em cima.

Cada viação de Campinas ficou com uma cor. A TUCA (Transp. Urbanos Campinas) abracou esse verde-claro.

Um de seus Amélias foi vendido a Viação São Paulo, e rodou na capital sem ser repintado.

Clique nas imagens que elas se ampliam.

Aí você poderá ver que no buso que está na capital havia o logo com a letra ‘T’, que simbolizava a rede integrada campineira.

campinasAo lado um Ciferal laranja da VBTU – Viação Bonavita de Transportes Urbanos.

Essa é de melhor definição que os TUCA’s acima. Assim podemos reparar melhor.

Já que falamos de Campinas, nada melhor que matar a cobra e mostrar o pau.

………….

Não para por aí: vimos na foto a direita que antes da padronização da pintura uma viação de Campinas xerocava de forma exata o desenho da CMTC paulistana, mudando apenas a cor.

locaute campinas

1989: frota da CMTC chega a Campinas pra operação de emergência (em SP isso se chama ‘Paese’). Leia a descrição do ocorrido pelo próprio autor, clicando pra ampliar.

É um caso distinto do que é descrito acima.

A Viação S. Paulo, da capital, tinha sua própria pintura, e comprou um, e somente um, ônibus de Campinas, que operou sem repintar de maneira provisória, temporária.

Já a Campos Elísios de Campinas optou por imitar a CMTC, em todos os seus veículos, de forma permanente.

……..

E ainda não é tudo.

Em 1989, a CMTC operou por uns dias em Campinas, você sabia dessa?

A história do transporte campineiro é extremamente tumultuada. Foram constantes os conflitos de perueiros contra viações oficiais, e de ambos contra o poder público.

z-o sp

Transição: Rio Pequeno, Z/O de SP, 1979. Mono 1 da Castro e da Sta. Madalena já na pintura Saia-&-Blusa, padronizada. No início desse sistema, era comum duas viações dividirem o ‘carro’. Nos anos 80 isso não ocorreria mais. De volta a 79, vemos atrás dois ainda no desenho livre, aguardando a re-pintura.

Em diversas oportunidades a prefeitura precisou tomar medidas drásticas pra garantir que os ônibus circulassem em segurança.

Muitas e muitas vezes viaturas da PM precisaram escoltar os busões pelas ruas.

Em 1986 a prefeitura teve que encampar algumas viações. 3 anos depois, em 1989, nova confusão:

Com exceção de uma, as demais viações oficiais de Campinas decretam locaute,  e se recusam a fazer frota circular.

A cidade pede socorro. A prefeitura da capital então envia 100 busões da CMTC. O governo do estado faz o mesmo e manda mais uma centena da frota da EMTU.

Por isso vemos os Monos vermelhinhos da CMTC rasgando a Anhangüera rumo a Campinas.

munic 3a. fase articulado

Essa pintura amarela era exclusiva pra ônibus maiores que o normal: articulados, bi-articulados ou pelo menos os veículos ‘Padrão’ alongados.

Hoje tanto a CMTC quanto a EMTU foram privatizadas, então esse mega-Paese não seria possível.

Os campineiros que rezem pra que a era dos locautes tenha se encerrado.

…………

De volta a falar do ‘saia & blusa’ paulistano.

Vamos na sequência horizontal abaixo ver a faixa 6 do Saia-&-Blusa (Z/S) no atacado.

Amélia da Jurema (nota atrás mais um Amélia de ‘saia’, e um Vitória já Municipalizado); Ciferal da São Luiz e por fim, de costas, Gabriela e Veneza da Bola Branca.

6saia vermelha Zona Sul16saia vermelha Zona Sul26saia vermelha Zona Sul3

7saia laranja Zona Oeste

Faixa 7 do Saia-&-Blusa, garagem da Castro na Zona Oeste. Última tomada desse Gabriela nessa pintura, já está sendo preparado pra ficar branco com faixa vermelha; veja ao lado um Amélia sendo ‘Municipalizado’

Notamos que a Zona Norte pegava as regiões 1 e 9, o início e fim da contagem.

Indicando que o marco-zero da medida era bem no meio da Z/N, e não na divisa entre Z/O e Z/N, como seria mais lógico.

Bem, o erro foi corrigido, no atual padrão a Z/N tem as faixas 1 e 2, a Z/O fecha a contagem com a 8.

Comparando os dois sistemas, vemos que algumas cores coincidem com atualmente:

Verde-claro era Z/N, amarelo era Z/L, azul-claro era Z/S, laranja era Z/O. Todas essas cores do Interligado estão exatamente onde estavam no Saia-&-Blusa’.

Mas outras não. Vermelho era Zona Sul e agora é Leste, verde-escuro era Z/O agora é Leste e Sul, azul-escuro era Z/S, passou pra Z/N.

8saia verde escura zona oeste

Monobloco da Gato Preto circula na faixa 8; saia verde-escura, indo pra Lapa, Zona Oeste

As cores rosa e marrom foram eliminadas.

Talvez num caso pra se evitarem rebeldia contra um tom muito identificado com o sexo feminino, quem sabe?

E entrou pro sistema a cor roxa.

………….

De volta aos anos 80:

A CMTC (estatal municipal privatizada nos anos 90) operava na cidade inteira. Exatamente por ser estatal não se circunscrevia uma faixa específica.

9saia verde clara zona norte

Voltamos a Zona Norte, faixa 9. Monobloco da TUSA Transportes Urbanos.

Logo tinha sua própria pintura (em Porto Alegre é assim até hoje).

Em outras palavras, estava liberada do ‘saia-e-blusa’, vestia seus ônibus como bem entendesse.

Alias, não apenas a CMTC tinha sua própria pintura, no singular. Ela tinha suas próprias pinturas, no plural. Pois cada prefeito mudava pra deixar sua marca.

Ademais, só a CMTC tinha tróleibus, o que gerava um novo padrão de pintura:

Anos 80: Tróleibus fabricado nos EUA nos anos 50 ainda roda pela CMTC. Pintura ‘Amarelinha CBTU‘. Com a mesma pintura que existiu em Santos, Rib. Preto e Recife.

O Amarelinho CBTU, que também vigorou nos tróleibus outras 3 cidades brasileiras, duas no estado de SP e outra no Nordeste. 

A história dos ônibus elétricos no Brasil está melhor dechavada numa mensagem a parte.

Estória curiosa: abaixo, uma leva de Mafersas viria pra Curitiba, e já estavam pintados com as cores daqui.

A venda gorou e pararam na CMTC, que operou os bichões sem repintar.

O da esquerda era pra ser convencional aqui, o da direita Interbairros. Nunca pisaram em terras paranaenses, acabaram na viação estatal de Sampa, como notamos.

CMTC era pra ser Curitiba1cmtc era pra ser curitiba

Nessa outra matéria eu aponto um caso diferente: ônibus que rodaram muito tempo em Curitiba, mas depois foram repintados e vendidos pra outras cidades.

sp 80 outra postagem "Saia & Blusa" paulista lona buso monob 1 3 folhas vermelho jânio cmtc garag

Dois Monoblocos “Vermelho Jânio” na garagem da CMTC, virada pros anos 90.0 O da frente é da década de 70, o do fundo era novinho a época.

Voltando a nosso tema de hoje que é a Cidade de São Paulo, o fato é que a CMTC era liberada do padrão saia-e-blusa, e teve diversas pinturas.

A que eu mais gostava, não apenas nessa viação mas é a pintura de ônibus que eu mais gosto em todas as cidades, em todos os tempos, é que ficou conhecida como “Trovão Azul”, implantada por Olavo Setúbal em 1978

(junto com o saia-e-blusa que as particulares foram obrigadas a adotar) e que foi mantida por Covas, portanto vigorou em todos os anos 80.

Quem veio a minha casa já viu a maquete que eu fiz de papel (a esquerda). É exatamente um Monobloco 1 Trovão Azul CMTC.

maquete cmtc buso azul brancoNão fui só eu que gostei. Essa pintura foi copiada de Manaus a Grande Porto Alegre.

Clique na ligação em vermelho e veja o Trovão Azul de Sul a Norte do Brasil, o Sudeste foi só sua Gênese, mas o bichão é um Lázaro, uma Fênix.

Nota: a CMTC adorava os redondões, teve centenas de Monos na frota. Falo mais desse modelo com muitas fotos aqui , aqui e aqui.

…………

cmtc anos 70-80 trol

Dois tróleibus dos anos 50 operando já nos anos 90: mais uma transição, o da frente pintado no padrão dos anos 70, o do fundo já ‘Municipalizado’. Últimos dias da estatal CMTC

Jânio não mudou o padrão dos ônibus particulares, ou seja a ‘Saia-e-Blusa’ permaneceu vigente. Mas os estatais da CMTC ele coloriu inteiros de escarlate.

Daí o nome “Vermelho Jânio’ que se consagrou na busologia.

Um amarelo e um verde. Se acha que são parecidos com os de Curitiba, saiba que não é por acaso.

Na divisa entre as décadas de 80 e 90, a capital do Paraná encomendou diversos ônibus a fábrica da Mafersa, que ficava na Grande Belo Horizonte (a seguir faliu).

Sabe-se lá porque, esse lote nunca chegou a Curitiba, indo parar nas mãos da CMTC.

sp

Monobloco com pintura livre (pré-78) da Empresa de Ônibus Alto da Mooca, já extinta .

Assim ela teve esses que estavam destinados a serem convencionais e interbairros aqui, mas desviaram o caminho.

Houveram também laranjas e vermelhos que seriam alimentadores e expressos curitibanos.

…………

Já retomamos o texto. Uma pausa pra fotos.

Já escrevi que em Curitiba mesmo os ônibus em teste têm que que estar pintados no padrão daqui.Anos 90: Mafersa em testes em SP, com a pintura original de fábrica.

Em outras partes do país as regras são mais brandas. Então é comum operarem em período de testes ônibus já pintados com padrão de outras cidades.

pintura de teste

Anos 90: Mafersa em testes em SP, com a pintura original de fábrica.

Pois já estão vendidos pra lá, mas antes de serem entregues são oferecidos experimentalmente por uns poucos dias a uma empresa de outro local.

Tudo somado: você nunca verá – a não ser que mude a legislação – ônibus em teste em Curitiba com a pintura de Fortaleza ou de São Paulo. Mas a recíproca não é verdadeira:

Já vimos um Interbairros aqui de Ctba. como amostra grátis em Fortaleza antes, só pra deixar um gostinho na boca do povo do Ceará.

testes sp cor de ctbaE agora essa: articulado já pintado na mesma cor verde de Interbairros daqui em testes em São Paulo.

Hoje faz parte da frota curitibana.

Já o vi várias vezes cumprindo as linhas Interbairros 2 e 3. Com a placa ‘DBC’ mesmo, pois o primeiro licenciamento foi no ABC Paulista.

Mas antes, por uns dias como testes, pela Santa Brígida, indo pro distante – bota distância nisso!!! – bairro de Perus, na Zona Norte de Sampa.

Mas já quase divisa com Caieras. Eu disse que é longe…. 

Acima vimos um trólei com 3 décadas de uso nessa pintura pela CMTC em SP, anos 80. Agora um Ciferal no mesmo padrão, mas esse foi comprado zero e é ‘padrão’: 3 portas largas, mais alto e alongado.

…………..

Esquerda: Esse padrão de amarelo com faixas em bege e laranja só foi usado em trólebus. E não só em São Paulo, veja só.

Já expliquei na outra postagem: essa pintura indicava que o ônibus foi comprado (ou reformado) com dinheiro federal, através da extinta CBTU – Companhia Brasileira de Transportes Urbanos.

Então trólebus idênticos circularam em Recife-PE e Ribeirão Preto e Santos-SP.

munic 1a. fase

1ª pintura ‘Municipalizada’, início dos anos 90. Esse é um Thamco da Penha-São Miguel, Zona Leste.

………

A prefeita Luíza Erundina, no começo da década de 90, implantou a pintura do sistema Municipalizado.

Tem esse nome porque mudou-se a forma que as empresas recebiam.

Antes elas ficavam com as passagens, a partir desse novo modelo a prefeitura arrecada tudo que passa pela catraca e paga as empresas por quilômetro rodado.

Em Curitiba é assim que ainda funciona, desde o fim dos anos 80.

munic 2a. azul zona sul cmtc oda

segura essa: até o ODA (Ônibus 2 Andares) entrou na dança e recebeu as faixas como ‘municipalizado’ nos anos 90. Foi a 1ª vez que a CMTC teve que padronizar sua pintura, o que pras particulares era compulsório desde 78. 1ª e última, logo a CMTC foi vendida.

Mas em SP não mais. Depois foi revertido de volta ao modelo antigo. 

Mais duradoura foi a pintura ‘municipalizada’. Erundina criou novo padrão pros ônibus, branco com uma faixa vermelha, inclusive pra CMTC.

Digo, não é tão simples assim. O ‘municipalizado’ teve 4 fases:

1) No começo, branco com faixa vermelha pra todos os veículos,

De todas as empresas – privadas e a estatal – sem diferenciação por região. A primeira e única vez na história de São Paulo em que os ônibus foram iguais pra cidade inteira. Veja foto acima, a direita.

m-aberração

Aberração! Na virada do milênio, final do ‘Municipalizado’, houveram ônibus inteiro ‘envelopados’, descaracterizando o padrão municipal. Hoje é proibido propaganda na lataria. No México, EUA e Chile ainda existe esse absurdo.

2) Logo houveram algumas mudanças. Adotou-se um grande “M” na lateral, de municipalizado. E ele era novamente pintado conforme a região:

a Zona Sul azul;

– Leste amarela;

– Oeste verde;

– e Norte marrom.

Na frente e atrás um pedaço da faixa era da mesma cor.

Veja. Respectivamente: Mono da CMTC, Z/O.

Vitória particular, Z/S, outro Mono (bem mais novo) também CMTC, Z/L e fechando com Amélia da Viação Parada Inglesa, Z/N. Sempre com o ‘M’ na lateral

munic 2a verde zona oeste cmtcmunic 2a. azul Zona Sulmunic 2a. amarelo Zona Lestemunic 2a. marrom zona norte

…………

munic 3a. fase verde zona oesteEm 1993 Maluf assume a prefeitura e privatiza a CMTC. Desde então toda a frota de SP é particular.

3) Surge a terceira caracterização do ‘Municipalizado’.

O ‘M’ se vai, no lugar entra o logotipo de cada viação na lateral. A frente e atrás se mantém a faixa com a cor da região. munic 3a. verde zona oeste trol

Veja a esquerda logo acima um Ciferal, sem o ‘M’, mas na frente a faixa verde, pois é da Zona Oeste.

A direita, também da Z/O, um tróleibus antigo ainda circulando nos anos 90. Na lateral o logo da empresa que o adquirira da CMTC recém-vendida.

Mais exemplos. Clique sobre as fotos que elas se ampliam, o mesmo vale pra todas:

buso

Tomada de minha autoria, atual modelo Interligado. Faixa laranja. Butantã, Zona Oeste, 2016.

Ciferal Alvorada, azul Z/S. Pela placa ‘K’ e janela que abre embaixo se vê que esse veículo veio usado do Rio de Janeiro.

Depois um Comil (motor e chassi Ford, raridade, essa montadora fez ônibus por pouquíssimo tempo no Brasil) amarelo da Z/L.

Um Thamco da Nações Unidas marrom Z/N, e mais um tróleibus dos anos 50  na ativa nos anos 90, verde da Z/O.

Todos os veículos são particulares, inclusive o tróleibus. Quando a CMTC existia o modal não-poluente era exclusivo dela, mas aqui já fora privatizada.

Nos anos 2000 novos desdobramentos: a rede elétrica foi bem desmantelada e hoje não há mais tróleibus na Zona Oeste nem na Norte, só na Leste e um pedacinho da Sul, como já dito.

munic 3a. fase azul zona sulmunic 3a. fase amarelo zona lestemunic 3a. fase marrom zona nortemunic 3a. fase verde trol1

trolei velho munic sp buso branco vermelho z/o

Mais um tról antigo: já sem o ‘M’ na lateral, mas ainda sem logo e nem nome da empresa. Significa que a foto é de 1993, logo após a privatização da CMTC. O novo dono ainda não tivera tempo de assinar sua propriedade recém-adquirida.

…………

De volta aos anos 90, as mudanças na pintura do Municipalizado não pararam pela exclusão do ‘M’ e inserção do logo da empresa.

Pois a partir de agora apenas os ônibus a dísel de tamanho normal são caracterizados assim.

Os a gás natural passam a ser inteiro azul-claros, e os articulados e bi-articulados adotam o amarelo.

Vemos dois Caio curtos (Alfa e Apache) e um Viale Marcopolo assim pintados, nessa caracterização peculiar pros veículos especiais nessa 3ª fase do ‘Municipalizado’.

…………..

munic 3a. fase gasmunic 3a. fase bi-articuladomunicipalizado amarelo

municipalizado azulNa verdade, como vemos a esquerda, a princípio queriam pintar todos os ônibus curtos de azul claro.

A foto comprova, está pintado ‘Básico’ na lataria.

Ou seja, não é alongado (padrão), não é gás natural, é busão tamanho normal a dísel, sem qualquer diferencial

Mas, cara, isso não pegou. Nunca vi um ônibus azul escrito ‘Básico’. Nunca vi. Eu vou pra SP várias vezes por ano, e Sou Busólogo, estudar a busologia é o que faço.

tiradentes

Moderníssimo ‘Expresso Tiradentes‘, – que será melhor analisado em mensagem que breve jogo pro ar. É um Mondego Piso Baixo. Acaba de chegar a Ctba – vindo usado de B.H. – o 1º Mondego da cidade, que é também o 1º articulado piso baixo da história de Ctba.

‘Gás natural’ azul e sanfonados e bi-sanfonados amarelos cansei de ver, milhares de vezes.

Então lhes afirmo: a ideia de que os ônibus a dísel tamanho normais fossem azuis nunca existiu na prática.

Foi só um protótipo, um piloto, que foi usado em pouquíssimos veículos, por pouquíssimo tempo.

Uma ideia. que foi testada, mas não vingou, logo foi abandonada.

Por isso é o mesmo que dizermos que não existiu na prática. Achei agora na internet essa imagem, e publico como registro histórico.

legalizado cooperativa

Início do milênio: os ônibus clandestinos são legalizados. Formam cooperativas e são inseridos no sistema. A princípio recebem pintura branca com detalhes em azul pra mostrar que estão regulares. Como esse Torino que vai pro Jd. Elba, Z/L.

Mas reitero: isso não existiu em larga escala, a ponto de ser detectado sem microscópio.

………..

Feita essa adição, volta o texto original. Nesses bichões azuis e amarelos havia um mesmo logotipo a adorná-los.

Pra reforçar a mensagem ainda trazem escrito na frente ‘Gás Natural’ ou ‘(Bi) Articulado’.

E não mais indicam qual região da cidade aquela linha vai.

Ou seja, dividiu-se a frota conforme o padrão, os ônibus pelados, sem nenhum extra, são brancos com faixa vermelha com detalhe indicando a ‘Zona’ que pertencem. 

kombi

A mesma situação: quando começou a regularização do transporte clandestino, as Kombis também receberam faixas azuis. Antes disso não tinham qualquer regulamentação, eram de qualquer cor.

Já os que têm sanfona, ou que não poluem, são unicolores sem faixa e sem indicar pra onde vão.

O preço é sempre o mesmo, na tarifa não há qualquer variação, é só na pintura.

4) Na última etapa da padronização ‘Municipalizada’ todos os ônibus voltam a ser brancos com uma faixa.

Os de tamanho normal a dísel não se alteraram, ainda são com faixa vermelha principal e uma pequena faixa na frente e atrás mostrando a região.

estrela da marta

Apache com “Estrela da Marta”: pintura mais fugaz da história. Leia mais abaixo.

Mas os articulados, bi-articulados e também os ônibus ‘padrão’ são pintados com faixa verde, sem a faixamenor a frente e atrás indicando a região.

Vemos mais dois Alfas e um Mafersa.

Um tem sanfona, os outros não mas são alongados, uns metros maiores que os veículos comuns.

Por isso eles têm faixa verde, sem dizer pra que parte da cidade vão.

Como já disse acima, tróleibus na Avenida Santo Amaro agora só por fotos.

munic 4a. fase verde articmunic 4a. fase verdemunic 4a. fase verde trol

z/s SP trol artic Trovão Azul caio cmtc bandeira buso sanfona

Em 1985 a CMTC comprou 2 tróleibus articdulados, um da Caio (numerado 8000) e outro da Marcopolo (numerado 8001). Eis o Caio na Praça da Bandeira, Centrão, cumprindo a linha 6500 pro Terminal Santo Amaro (Z/S), também inaugurado naquele ano.

Já falamos em outras postagens, ônibus ‘padrão’ é um veículo maior, que tem um padrão melhor pros passageiros.

Além de um pouco mais compridos são mais largos e altos, contam com 3 portas e motor central ou traseiro.

Os veículos convencionais, mais baratos, têm o motor ao lado do motorista, o que atrapalha o embarque e circulação no salão do veículo.

Esses se mantém como descrito na etapa anterior. Brancos, faixa vermelha, com detalhe da região.

Já os especiais (com sanfona ou então alongados quando não-articulados) agora são brancos com faixa, igualmente. Mas faixa verde, e sem indicar a região.

trol-art genese trovão cmtc

o mesmo bichão 8000 agora de costas. Abaixo falaremos bastante dele.

Exaltando novamente, a tarifa é a mesma. Quando eu disse que os convencionais são ‘mais baratos’ me refiro ao custo pro frotista adquirir o veículo.

Os alongados e articulados obviamente custam mais pro empresário mas isso não é repassado pro usuário final.

………….

Já voltamos pro texto. Antes veja que sequência fantástica:

A história do transporte em São Paulo resumida num único ônibus, o primeiro tróleibus-articulado do Brasil.

CMTC Trovao azul

Aqui o 8001 da Marcopolo. Ao lado e na sequência abaixo eu não me refiro a esse veículo, mas ao 8000 que começou como Caio e depois ‘mudou de time’, virou também Marcopolo

1) Comprado pela CMTC no meio da década de 80, encarroçado pela Caio no modelo Amélia, como aliás o letreiro indica.

Recebe o número 8000 e o padrão de pintura “Trovão Azul”, pois a viação estatal é dispensada do “Saia-&-Blusa” compulsório as particulares. Entrada por trás.

2) 1991: Erundina implanta o “Municipalizado”. O 8000 é pintado nesse padrão, a princípio só faixa vermelha, sem indicar qual parte da cidade serve.

Pela primeira vez a CMTC tem que padronizar como as viações privadas. Ainda se entra por trás.

3) 2ª etapa do ‘Municipalizado‘.

Portanto ele ganha o ‘M’ e faixa azul na frente, pois sua linha vai pra Zona Sul. Ainda é da CMTC, mas por pouco tempo. A entrada foi mudada pra frente.

biartic Berrini buso Brooklin SP z/s interligado roxo branco caio

Esse bi-articulado Caio é já do padrão Interligado, faixa 7 roxa – Zona Sul. Não é o mesmo mesmo veículo que estou falando ao lado. Foto feita em 2014 pessoalmente por mim na Avenida Berrini, Brooklin. Fotografei mais coisas na mesma esquina.

4) etapa do ‘Municipalizado’.

Da pintura nesse padrão, eu me refiro. Porque Maluf ‘desmunicipalizou’ a arrecadação financeira do sistema.

O ‘M’ lateral sumiu, e surgiu espaço pra entrar o logo da viação.

Está em branco porque, como no trólei acima, a CMTC acabara de ser vendida.

O novo dono ainda não teve tempo de implantar seu nome e símbolo na lataria da frota recém-comprada.

A numeração do veículo ainda é 8000, e ainda tem a mesma carroceria Amélia da Caio com a qual saiu de fábrica.

5) 4ª e última etapa do ‘Municipalizado’.

SP trol roxo branco interlig neobus z/s buso estrela marta

Acima vimos tróleibus todo branco Neobus na linha 6500-Santo Amaro/Bandeira. Agora no mesmo modelo, mesma linha, mas já no Interligado. Só lembranças . . . A faixa 7 roxa não tem mais elétricos.

Como dito acima, os articulados e alongados recebem faixa verde, sem indicar a região.

O novo dono já pintou seu logo onde um dia houvera o da gloriosa CMTC, agora só por fotos.

Ainda é um Caio, e ainda 8000. Por pouco tempo, como já veremos.

6) A programação visual alvi-verde é a mesma. Mas ele foi re-encarroçado. Tiraram a Amélia Caio e botaram uma Torino da Marcopolo no lugar.

Pra quem não é especialista em busologia, essa prática é comum, especialmente em SP.

O chassi e o motor são os mesmos, ainda é o mesmo ônibus. Por isso mantém o mesmo número, 8000. Agora o bichão tem ar-condicionado. E foi pra Zona Leste.

Na Cidade de São Paulo os tróleibus não tinham placas até os anos 90. Pode reparar que até aqui o para-choque está virgem, sem esse adereço de metal a adorná-lo.

7) Virou o milênio, acabou a pintura ‘Municipalizada’ em vigor há uma década.

O 8000 também ganhou na lataria as “Estrelas da Marta”. Por pouquíssimo tempo.

A repercussão na sociedade foi péssima, e nem teria como ser de outra forma. Logo a pintura foi mudada. Mas existiu e alguém clicou, eternizando-a.

Detalhe que o bichão voltou pra Zona Sul, puxou os últimos dias da rede elétrica do corredor Santo Amaro, que logo a seguir foi eliminada pela mesma Marta.

Já mudou de pintura 5 vezes; já mudou de carroceria; de dono, já teve o embarque invertido pra frente; começou na Z/S, foi pra Z/L e voltou pra Sul. E, ao ser mudada a legislação, teve que afinal ser emplacado.

i-1 Verde Claro Zona Norte

Sistema Interligado, criado em 2003, ainda vigora: faixa 1 verde-clara, Zona Norte. Amplie pra que esse Alfa tem uma faixa verde horizontal logo acima do friso, pois é da Santa Brígida, empresa oficial.

Mas o número ainda é o mesmo, 8000 – acrescido de prefixos, não importa. A pedra fundamental ainda está lá.

8) Pra se recuperar de sua pintura ‘estrelada’ que pegou mal, Marta criou o Sistema Interligado.

O mesmo ônibus foi repaginado nesse padrão. E de vermelho, sinal que ele voltou pra Zona Leste.

Tem mais:

Nessa nova re-configuração, ao mudar mais uma vez de dono, ele enfim foi re-numerado. Deixou de ser o 8000, agora é o 4-1486.

Mas ainda é o mesmo bichão velho de guerra, fabricado em 1985 e que circulou pelo menos até 2005. página de busologia

Por isso a placa dele é ‘CDL-8000’, numa justíssima homenagem. Respeito a quem merece.

Há mais uma prova. Veja ao lado a reprodução da página de busologia de onde tirei boa parte das  imagens dessa matéria.

A esquerda há seção “Mais fotos desse veículo”. Nesse caso tive até que reduzir a escala pra caberem todas: do 1 ao 8

Não perca a conta, amigo. Do 1 ao 8, é sempre o mesmo busão em roupagens diferentes.

20 anos na ativa, sem pedir descanso. Alma Forte é isso.

Vamos ver tudo isso na prática. Clique sobre as cenas pra ampliá-las. Atualização de maio/16: consegui no sítio Ônibus Brasil ainda mais uma versão do mesmo trólei-articulado, é a que ele está inteiro vermelho. Agora já são 9!!! Ô bicho versátil!

trol-art genese trovão cmtc18000trol-art munic 1a fase cmtctrol artic sp cmtc munic caio buso vermelho branco z/strol-art munic 2. azul zona sul1 cmtctrol-art munic 4a. fase verdetrolei artic munic verde sp marcop busotrol-art re-enc estrela da martatrol-art marcop z-l sp

i1-verde claro-cooperativa Zona Oeste

As cooperativas foram integradas ao Sistema Interligado. Veja esse Apache também faixa 1 Z/N: só há uma diferença na pintura, nos cooperados na frente e atrás é metade branco, e não há uma faixinha horizontal na lateral.

Na última década do milênio passado o transporte em São Paulo entra em caos.

Os ônibus piratas se espalham por toda cidade, o que também ocorreu em todas as metrópoles do Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte do Brasil.

Apenas no Sul escapou dessa manifestação.

Dos ônibus oficiais, das viações cadastradas, vem outra aberração: pipocam os veículos com propagandas por inteiro.

Sim, também houve isso em outras partes do planeta, vi foto de um canadense igualzinho.

Felizmente hoje isso é proibido, pelo menos em São Paulo, a frota paulistana atualmente não ostenta propaganda.

…….…

buso sp zona norte azul branco inter-ligado caio metrô santana

Faixa 2, também Zona Norte: Caio Milênio da Sambaíba azul-escuro indo pro Metrô Santana.

Em 2002 Marta Suplicy vence a eleição. Sua gestão teve pontos muitos bons pro transporte, e outros nem tão bons assim.

Marta dobrou o número de terminais; 

e ainda implantou a integração no cartão, que Curitiba também deveria adotar.

Desde então 100% das linhas de São Paulo são integradas.

Pois com uma passagem você pode pegar até 4 ônibus em 2 horas (posteriormente ampliado pra 3 horas), ou 3 ônibus, se fizer uso do sistema de trem e metrô.

buso azul branco interligado sp z/c bom retiro caio

Apache cooperado, também faixa 2: foto clicada pessoalmente por mim no Bom Retiro, Centro de SP, em janeiro de 2014

Ela também integrou e regularizou o transporte clandestino ao sistema.

Agora os perueiros formam cooperativas, e as cooperativas atuam como se fossem uma empresa.

Assim precisam cumprir horário e itinerário, fazer conservação e limpeza dos veículos. Em outras cidades cidades como Belo Horizonte ocorreu o mesmo.

Voltando a descrever SP, no primórdios, os primeiros ônibus alternativos legalizados eram inteiro brancos com detalhes em azul.

Atualmente são pintados iguais aos que são das viações oficiais, com um pequeno detalhamento que explico abaixo.

……….

i3-Amarelo Zona Leste

Faixa 3 do Interligado, amarelo, Zona Leste. Apache de empresa oficial.

Como contra-ponto, ela quase acabou com os trólebus: eliminou a rede nas Zonas Oeste, Norte e boa parte da Sul.

Hoje só há rede significativa pra ônibus elétricos na Zona Leste, além de um pequeno ramal na Zona Sul já na divisa com a Z/L.

Me refiro ao sistema municipal. Paralelo e integrado a ele há uma rede metropolitana de tróleibus que corta o ABC.

Outros ideias nem tão felizes de Marta:

Implantou portas na esquerda nos ônibus. Ter entrada e saída dos dois lados atrapalha a circulação dentro do salão do veículo, sem benefício real aos usuários;

i3- amarelo cooperativa Zona Leste

Mesma faixa, mesmo modelo. Mas esse Apache é cooperado. Há cooperativas nas 8 faixas, embora eu só tenha mostrado 3 exemplos.

Fora o fato que ela mudou a pintura, e pretendia adornar toda a frota com o símbolo de sua gestão.

Vimos busos padronizados no tema que ficou conhecido como “Estrela da Marta”.

A repercussão negativa foi tamanha que em poucos meses foi mudada, se tornando o padrão de pintura mais fugaz da história de São Paulo.

Como disse a gestão de Marta foi bi-polar no que se refere ao transporte coletivo: ótima em certos pontos e péssima em outros.

…..

i-4 Vermelho Zona Leste

Outro Apache, também Zona Leste, mas agora faixa 4, vermelha. Empresa oficial, daqui pra frente não há mais cooperados.

Obrigada a retirar sua estrelinha da lataria da frota, implantou a pintura do sistema Interligado, sobre o que já falei.

Como vê, nosso colega que não mora mais lá não sabia, mas São Paulo tem até hoje pintura de acordo com a região.

Porto Alegre-RS, Brasília-DF, Rio de Janeiro e Santiago do Chile também.

…………

As outras cidades que padronizam os ônibus, entretanto, adotaram o modelo de Curitiba. Ou seja, a pintura não é por região mas por tipo de serviço: Expresso, Interbairros, Alimentador, etc. 

buso verm interlig SP caio Z/L

Milênio tróleibus. Ou está fora de serviço ou está fazendo linha metropolitana em São Bernardo numa exceção, talvez deu problema na rede do ABC e ele foi ajudar. É comum em SP o socorro entre modais e esferas diferentes, se chama ‘Paese’. Em dias normais ele opera na Zona Leste do município de SP, faixa 4 do Interligado, a única que tem tróleibus atualmente. Na verdade a rede adentra também na faixa 5 descrita abaixo, mas os tróleis são sempre vermelhos.

Exemplos, entre muitos outros, são Blumenau-SC, Recife-PE, Vitória-ES, Belo Horizonte-MG, Londrina, Paranaguá, Ponta Grossa (as 3 no PR), etc.

Na verdade a primeira padronização de BH indicava tanto a categoria quanto a região da cidade.

É isso mesmo, foi 2-em-1.

Como eles conseguiram isso?

Se você não conhece o sistema MetroBel, clique na ligação que lá está explicado.

Até Los Angeles (EUA) entrou no rol.

Primeiro caso da história que um país do eixo euro-estadunidense adota uma padronização no transporte criada no Sul do planeta.

Nota escrita em 2015: A Grande Recife tem dois sistemas de transporte, que operam paralelamente.

i-5 Verde Escuro Zona Sul & Zona Leste

A faixa 5 é metade na Zona Leste, metade na Sul. Esse apache vem da Vila Prudente, Z/L, em direção ao Metrô Liberdade, no Centro.

Um deles é o SEI – Sistema Estrutual Integrado, com corredores, linhas expressas e terminais, de onde saem os alimentadores pro subúrbio.

No SEI os ônibus são padronizados no modelo de Curitiba, desde os anos 90.

…………..

Mas quanto as linhas que não fazem parte do SEI a pintura era livre até 2015.

Era. Agora foi padronizada no modelo paulistano:

tribus invertido - sp

Esse Marcopolo já está no Interligado, comprovado pelos logos desse sistema e do Consórcio 7, que surgiu com ele. Mas por ser um veículo diferenciado (está trucado – só que ao contrário!) teve pintura exclusiva pra ele, toda prateada.

Os ônibus são pintados não conforme o tipo de serviço mas sim de acordo com a região.

Ou seja Recife terá dois modelos paralelos, um inspirado no modelo de Curitiba, e outro no de São Paulo.

…….

Vamos ver mais 2 faixas do interligado:

Esquerda, Apache azul-claro da faixa 6.

Depois Alfa Articulado roxo da 7, ambas na Zona Sul.

A faixa 7 é a maior de todas, por isso concentra o maior número de articulados e bi-articulados.

i6-Azul Claro Zona SulPois pega alguns dos subúrbios mais povoados da cidade.

Como Capão Redondo, Jardim Ângela, Jardim São Luiz, Valo Velho e imediações.

Notam as portas também na esquerda.

Não, a foto não está invertida pelo computador. Isso é normal em SP.i-7 Roxo Zona Sul

…………..

Só pra arrematar:

Nosso colega falou que os ônibus padronizados por região auxiliam os analfabetos, porque pela cor ele já sabe se vai pra perto de sua casa.

i8-Laranja Zona Oeste

Alfa laranja, faixa 8 Zona Oeste. Esse vai pra Cidade Universitária, ou seja, entra no campus da USP que fica no bairro do Butantã.

Os metrôs de Recife e Medellin (Colômbia) vão além nesse conceito: têm mapas que são acessíveis aos analfabetos.

Cada estação tem um símbolo. 

A que é perto da Catedral tem uma igreja, a perto do estádio tem um pé chutando uma bola, e por aí vai.

………..

Que Deus ilumine sua caminhada

Deus proverá”

‘Selva de Pedra’: retratos da Cidade de São Paulo

bom retiro, centro de sp

Estação da Luz no Bom Retiro, SP. Desenho de abril de 2014.

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Levantado pra rede em 20 de março de 2015

Desenhado entre 2008 e 2014; não publicado em emeios anteriormente

………

Segue a seção só de desenhos.

Clique sobre que as imagens aumentam.

Sampa

“Selva de Pedra”: não sei a data exata do desenho, mas é entre 2008 e 2010

A qualidade não é das melhores, reconheço. Mas como existir é mais importante que ser perfeito, jogo no ar assim mesmo.

Tenho 3 cidades em meu coração: Brasília, a que me viu nascer, Curitiba, a cidade que me adotou, na qual morei toda minha vida. Veja a Ponte J.K., no Lago Norte, Brasília, e diversos desenhos de Curitiba.

E nessa atual mensagem, focamos em São Paulo. Onde não nasci nem nunca morei, mas que também tenho grande ligação, de forma Multi-Dimensional. luz bom retiro centro sp

Começamos, logo no topo da página, com um retrato de abril de 14: a Estação da Luz no Bom Retiro, Centrão de São Paulo.

Ao lado uma foto dela, puxada da rede, não é de minha autoria. Entretanto, em janeiro de 14 eu estive por lá, e fotografei o Bom Retiro, o Centrão que lhe é vizinho (são gêmeos-siameses) e partes da Zona Sul.

Dois anos depois, em Moema e no Butantã. Zonas Sul e Oeste, obviamente. Confira.

1988-2008: nada mudou mas algo mudou

São Paulo - década de 80Vejamos agora dois desenhos feitos em 2008, mostrando a mesma esquina, mas o da direita a retrata como ela era na década de 80, e a esquerda, abaixo, o mesmo local em 2008.

Trata-se do cruzamento da Rua Professor Filadelfo Azevedo com a Avenida Santo Amaro, no bairro Vila Nova Conceição, Zona Sul, próximo ao Parque do Ibirapuera.

Na cena que se passa em 1988, vemos dois Caio Amélia, um da Viação São Luiz e outro da Tânia.

São Paulo - década de 00O tempo passou, surgiu o transporte clandestino, que depois foi legalizado. Os alternativos se organizaram em cooperativas, e foram inseridos no sistema.

Com isso a malha se ampliou e várias vilas de periferia que não eram servidas por linhas de ônibus agora o são.buso ônibus outras postagens: "Scania, ouviu nunca esquece", "Selva de Pedra" e "Volvo era Volvo" motor traseiro atrás scania CMTC trovão azul branco faixa marcop z/c z/l sp paulista torino desenho maurílio ponto acenando pegando camisa amarela jeans estaca vermelho jânio padrão alongado 3 portas terminal term. s. são mateus parque pq. dom d. pedro centrão capital

Não por outro motivo o buso laranja cooperado vai pra Paraisópolis (essa linha existe de verdade).

Essa como sabem é uma das maiores favelas da cidade, que fica no Morumbi, o bairro mais rico de Sampa, na Zona Sul. Contraste social agudo, como em Curitiba, como em Porto Alegre e toda parte.

Além disso, os articulados – raridade na década de 80 – hoje são absolutamente comuns em SP, e mesmo os bi-articulados.

os-pombinhos-e-a-cidade

Marília e Maurílio se beijam na cobertura de um prédio no Centrão. Esse desenho é de outra postagem, em que eu mostro ela trabalhando como garçonete, e daí esse uniforme azul

Então algo mudou no transporte paulistano nas duas décadas que passaram entre 1988 e 2008. Mas algo permanece rigorosamente igual: o domínio absoluto da Caio.

A maior encarroçadora do Brasil, e também do mundo, é a Marcopolo de Caxias do Sul-RS.

Da Marcopolo é o Torino CMTC Trovão Azul que Maurílio está pegando no Centrão, rumo a Z/L.

Mas na maior cidade do Brasil quem manda ainda é a Companhia Americana Industrial de Ônibus, cujas iniciais formam a sigla C.A.I.O. . Em outra postagem explico o porquê.

‘Deus proverá’

‘Beleza Paulistana’: Abram Alas que Eu Vou Passar

Desfilando na BerriniPor Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 14 de março de 2015

(Todas as postagens de ‘Marília’ são dedicadas as Mulheres)

……

Olá querida, tudo bom?

Mais uma Marília loira. 

loira avenida Berrini vazia SP brooklin z/s mulher

Parar a Berrini: não é pra qualquer uma, né amiga???

Mas dessa vez não do Sul do Brasil. E sim do Sudeste.

Uma Marília Paulistana. Linda & Loira, a Berrini simplesmente parou pra vê-la passar.

Não é modo de falar. Veja a foto a direita, essa moça existe de verdade.

……

Linda & LoiraFui a São Paulo em janeiro de 14.

Percorri os bairros do Brooklin e Planalto Paulista, na Zona Sul, e mais o o Bom Retiro e Centrão.

Especialmente pra produzir um ensaio, já publicado aqui nesse canal.

marília loira amando roupa colorida flores coração

Daqui pra baixo os desenhos não mais se relacionam com o texto ao lado. Começamos por esse que se chama “Amor de Mulher”: Marília está Amandooutubro de 2014.

Pois bem. O Planalto e a Zona Central não são nosso tema aqui. Quando eu estava no Brooklin fui fotografar a Berrini.

Não tive a menor intenção de clicar essa loira, em verdade nem sequer vi que ela estava ali.

Só reparei na hora de jogar no ar.

Então não foi minha intenção produzir essa cena, ela saiu porque a Vida quis assim.

E já que veio dessa Fonte, só me restou divulgar. Eu repito, fui retratar a avenida, nem vi a garota.

Ainda assim tudo se alinhou pra foto ficar muito legal. Primeiro, é uma loira vistosa mesmo.

Tem mais. Ela ficou bem no meio do enquadramento.

Mas o mais incrível está por vir: a avenida parou pra vê-la passar. marília loira amando coração

São 10:30 da manhã de um quente e movimentado dia do verão de 2014.

Abra o ensaio na ligação acima e verá que as ruas estão cheias de carros e pessoas. Aqui, porém, não há ninguém nem na calçada nem na pista. “Blecaute”, talvez???

marília cabelo castanho grávida laço vestido vermelho

Enlaçadinha: A Vida Continua março de 2014.

Se a causa é natural ou sobre-natural não sei. Sei o que todos estamos vendo:

A Berrini se aquietou por um minuto, especialmente pra que essa loira paulistana desfilasse, usasse  a faixa de pedestres como uma SPFW particular.

Antes de concluirmos, um adendo:

Os Homens que pararam pra vê-la passar, quase quebraram o pescoço fazendo fiu-fiu, não imaginam o trabalho de bastidores pra se estar assim, bela e formosa, parando a avenida.

Mas valeu a pena o esforço. Parar uma das avenida mais movimentadas da cidade, e usá-la como sua passarela ?

Não é pra qualquer uma, né amiga?

marília cabelo castanho laço vestido vermelho“Abram alas, que eu vou passar”, pede a Marília Paulistana. E é obedecida. É só pra quem pode. Não é pra quem quer …

……….

Antes de encerrarmos: nessa postagem em que eu mostro alguns dos primeiros desenhos de Marília, há uma outra Marília Paulistana.

E também na Zona Sul. Mas num bairro bem distinto, o Capão Redondo, em frente ao metrô com uma amiga.

“Deus proverá”

Cenas Paulistanas: o Centro e a Zona Sul de SP em imagens

anoitece em São Paulo

Anoitece em São Paulo: Brooklin, Zona Sul, janeiro de 2014

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 6 de janeiro de 2014

Essa mensagem é um Portal. Todas as matérias que forem feitas na Grande SP serão ancoradas aqui. Ao fim do texto passo as ligações pros outros textos.

…………..

Estive na Cidade de São Paulo e fotografei algumas cenas da metrópole, especialmente pra produzir essa mensagem.

Trata-se de partes das Zonas Central (o Centrão mesmo e o vizinho Bom Retiro) e Sul (Brooklin e Planalto Paulista).

Dois bairros de classe média-alta – dessa vez, não fui a periferia.

Berrini x Padre Antônio Brooklin SP

Sampa 40º. Na verdade 32, mas parecia quarentinha: Berrini x Padre Antônio, Brooklin, Z/S

Estava muito quente, as pessoas estavam derretendo de calor. Em duas imagens veem os termômetros que marcam 32º

Mas a sensação térmica por vezes chegava perto dos 40º (fotografei a mesma cena em Assunção/Paraguai, Belém-PA e Belo Horizonte-MG).

…………

BROOKLIN, A “TERRA QUEBRADA” –

Comecemos delineando de onde vem a denominação ‘Brooklin’.

Como todos sabem, o Brooklyn original é na Cidade de Nova Iorque, EUA. Reproduzo agora pra vocês a explicação que me deram quando lá estive, em 1996:

Bom Retiro Z-Central SP

Bom Retiro, Centro de SP: maior polo de moda do Brasil

na ocasião em que os ingleses começaram a povoar o que hoje é o Brooklyn (já habitado por índios, negros e holandeses) este tinha um relevo muito acidentado, com vários morros.

Por isso era chamado de “A Terra Quebrada”, “Broken Land” em inglês, cujo acrônimo virou simplesmente “Brooklyn”,

Olhe, achei curioso saber que um dia o Brooklyn foi tão montanhoso a ponto de assim ter sido denominado.

Assim a única conclusão possível é que ali as motoniveladoras trabalharam intensamente.

Porque o Brooklyn nova-iorquino atual de acidentado ou ‘quebrado’ nada tem, exatamente o oposto é verdadeiro, trata-se de uma das regiões mais planas do planeta:

Planalto Paulista SP

Planalto Paulista, Z/S de SP: bairro rico e arborizado

Uma enorme planície densamente habitada por 2,5 milhões de Homens e Mulheres.

A maioria negros, mas há minorias significativas:

Russos, boa parte deles judeus (no litoral do Brooklyn quase só moram brancos), americanos (América é um continente e não um país, nunca se esqueça), asiáticos e outras raças.

……….

bi-articulado na Av. Berrini Brooklin SP

Bi-articulado Caio na Av. Berrini, Brooklin. No Natal esses bichões ficam iluminados

Mas voltemos ao Brooklin paulistano. Tem esse nome precisamente porque ali havia uma colônia de estadunidenses.

Suas ruas mesclam alguns nomes indígenas nativos com os estados ianques.

Seja como for, é certo que está incrustado no coração da região mais rica de São Paulo.

Que é a Zona Sul próxima ao Centro e a Zona Oeste que lhe é vizinha.

Estação Berrini CPTM SP

Olha o trem: em SP o transporte coletivo é levado a sério

A Zona Sul suburbana é, exatamente ao contrário, bastante pobre.

Mas ali na Zona Sul mais central estamos a galáxias de distâncias dos bairros Capão Redondo, Grajaú, Jardim Ângela, Americanópolis e outros da faixa suburbana.

Repetindo, a Zona Sul próxima ao Centro e a vizinha Zona Oeste são onde habita a classe média-alta que já foi várias vezes ao exterior.

(Nota: em janeiro de 16 fui novamente a SP, e visitei justamente as Zonas Oeste e Sul. Saíram 2 matérias, uma sobre a Vila Gomes e Jd. Bonfiglioli, na Z/O, e veja aqui o Céu em Moema e as flores do Butantã.)

Volta o texto original. Essa é a única porção da cidade em que as vias são arborizadas e floridas nessa metrópole que nas outras regiões – Centro incluído – é o próprio deserto de pedra e metal.

Estação de Trem Brooklin SP Z-Sul

Viram a bichão encostando na plataforma da Estação Berrini de Trem no Brooklin; eis sua fachada

Por estarem na parte mais rica da megalópole, o Brooklin e também o Planalto Paulista são a exceção, suas ruas são agradáveis e frescas, por conterem muitas árvores e flores.

………

o Bom Retiro é um bairro no núcleo da cidade, umbilicalmente ligado ao Centrão que lhe é vizinho.

Antiga colônia judaica e armênia, hoje é local de trabalho e moradia de coreanos e bolivianos, e mesmo de alguns africanos.

O Bom Retiro fica logo ao lado do Centro, entre ele e a Zona Norte. Em São Paulo. E em Curitiba também.

Brooklin SP Z-Sul1

Brooklin: também bairro rico e cheio de árvores floridas

Voltando a focar no Bom Retiro paulistano: alternaram-se as raças que ali habitam, mas uma coisa não mudou:

O Bom Retiro é, em conjunto com o vizinho Brás, o polo têxtil de São Paulo.

São milhares de confecções e lojas de roupas, uma ao lado da outra, vai gente de boa parte do Brasil ali comprar no atacado pra revender, como é de conhecimento público.

Vejamos algumas cenas captadas no “Bonrra”, como o bairro é carinhosamente chamado.

Começamos pela sede da Rota, a tropa de elite da polícia militar. Mais abaixo há falarei melhor dos ônibus.

Mercado Municipal Centro SPmuito calor em SPindo p- Zonas Leste e Oesteesse vai pra Zona NorteBom Retiro Z-Central SP1mar de gente Bom Retiro SP

Veja alguns desenhos sobre Sampa, inclusive mostrando o Bom Retiro.

………

Comentemos mais as fotos, várias delas não estão ao lado da descrição, veja pela legenda:

Começamos a matéria pelo belo entardecer de sexta, 3/1/14, no Brooklin

 Em várias tomadas, as verdes alamedas e avenidas dos bairros do Planalto Paulista e Brooklin, Zona Sul.

Bi-articulado na Av. Engenheiro Luís Carlos Berrini, Brooklin.

Essa avenida concentra enorme quantia de espigões comerciais de alto padrão – a sede paulista da TV Globo é ali, pra citar apenas um exemplo.

Av. Padre Antonio Brooklin SP

Av. Padre Antônio José dos Santos, Brooklin.

Em São Paulo os ônibus são pintados conforme os bairros que atendem. O padrão roxo pega uma parte da Zona Sul.

Abaixo: Centrão de São Paulo: prédios abandonados, sujeira, muitas grades nas janelas, sem-tetos, a coisa é bastante difícil.

Na 4ª tomada observe os restos das fogueiras que os mendigos fazem pra se aquecer a noite. Apocalipse Agora???

Nem é preciso me estender muito, as imagens falam por si mesmas (clique sobre que elas aumentam, o mesmo vale pras demais).

sujeira na rua Centro SPsem-teto dorme na frente de delegacia Centro SPmuita sujeira e sem-tetos Centrão SPCalçadão Rua 15 de Novembro SPbolsa de valores Centro SPAvenida Mercúrio Centro SP

Na 5ª imagem vemos o calçadão da Rua 15 de Novembro, próximo a Praça da Sé. A seguir, nas imediações, a Bolsa de Valores, Centro de SP: proliferação de pavilhões da Pátria e do estado.

Na última tomada a Avenida Mercúrio, bem no Centrão.

Centro SP prédio

Vale do Anhagabaú

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES –

O Centrão de SP também tem suas partes belas e floridas.

Essas duas fotos do Anhagabaú, e apenas essas duas (na verdade a mesma em duas escalas), eu tirei numa outra visita a SP, em junho de 13.

Veja o que escrevi a época:

Uma linda árvore, toda florida, flores Centro SPenfeitando de rosa essa Hiléia Cinza de pedra e aço, fria e sem sentimento. Tem que ter Fé, que com Fé até no Lixão nasce a Flor”, diz a música. O poeta já sabia……

……….

Esse enxerto é de uma mensagem que foi publicada em 13 de junho de 2013. A partir daqui e até o final voltamos pra que foi produzida 6 meses depois, em janeiro de 14.

Planalto Paulista SP Z-Sul2Vamos pra Zona Sul. No Planalto Paulista (ao lado) os nomes são todos indígenas, por ser vizinho ao bairro de Moema, que tem essa característica.

Aqui em Curitiba ruas com nomes indígenas estão no Portão (Zona Sul) e bairros vizinhos. Confira essa e todas as outras ‘vilas temáticas’ da capital do Paraná.

Nos focando novamente no Planalto Paulista, SP, notam que como no Brooklin as ruas estão impecavelmente limpas, fazendo agudo contraste com o Centrão.

Bem-Vindo ao Bom Retiro Z-Central SP

Bem-Vindo ao Bom Retiro, Z/ Central de SP.

De volta pra Zona Central, o Centrão e o vizinho Bom Retiro. Vemos (espalhado pela mensagem, busque pela legenda) o Edifício Banespa, antiga sede do banco estatal estadual.

O banco foi privatizado, mas o prédio continua a ser chamado assim. Bem no alto, a bandeira do estado.

Vimos que a sede da bolsa de valores fica num calçadão no Centro. Como aqui em Curitiba, parte dele se chama Rua 15 de Novembro.

No caso da XV paulistana, ali se concentram os bancos, e todos eles ostentam os pavilhões da pátria e estadual.

prédio abandonado Centrão de SP

Prédio todo pichado no Centrão de Sampa: fotografei o mesmo em B.H., Ctba, e nas 2 capitais do Chile.

O Bom Retiro, com centenas de lojas de confecções – não é exagero – emendadas umas nas outras, e o burburinho do mar de gente que ali fazia as compras.

Os ônibus verde-escuros vão pra uma região da cidade entre as Zonas Leste e Sul, e os laranjas, ao contrário, servem a Zona Oeste.

Já os azul-escuros se dirigem a Zona Norte.

Uma periferia central: diversos bairros que ficam ao lado do Centrão de São Paulo são na verdade local de habitação da ralé, justamente porque quem tem recursos fugiu dali há décadas.

………

Av. Tiradentes Centro SP

Av. Tiradentes, liga o Centro a Z/N

As cenas foram captadas no Bom Retiro e imediações mas se repetem por toda a região (Barra Funda, Pari, Bexiga, etc):

Sobrados e apartamentos velhos e minúsculos se espremem pra poder oferecer uma opção de moradia ao mesmo tampo barata e central.

Não há garagem, e só isso revela muito do ‘status’ social dessa parte da cidade.

Edifício Banespa Centro SP

Edifício Banespa, Centro de SP

Estamos de volta a Zona Sul, e de volta ao Brooklin.

Na Avenida Berrini, mais um ônibus roxo, e esse com ar-condicionado (tomada logo abaixo, a esquerda).

Em São Paulo, há muitos veículos dotados desse conforto extra, e sem custos pro usuário, a tarifa é a mesma.

No Rio de Janeiro, os ônibus com ar são mais caros, mas em São Paulo não. 

Em Curitiba não há ônibus com ar-condicionado. Houve um ligeirinho da Viação Cidade Sorriso nessa Berrini busão c- ar-condicionado SPconfiguração, mas já foi retirado da frota.

Falemos da sequência horizontal de 6 imagens.

Seguimos no Brooklin. Os dois ônibus azul-claros estão em frente a estação de trem, esperando a hora de zarpar.

A praça florida que veem primeiro é ali pertinho.

Brooklin SP Z-Sulponto final estação de trem Brooklin SPchegando na Marginal Pinheiros SPruas arborizadas e floridas Brooklin SPNova Independência Brooklin SPFavela Real Parque Morumbi SP

Na penúltima cena, após foto do Banco do Brasil, estamos na Avenida Nova Independência.

uma periferia central Bom Retiro

Próximas 2: Bom Retiro.

E por fim avistamos a favela Real Parque, ao lado de prédios de luxo.

Não é pra menos, do outro lado do Rio Pinheiros é o bairro do Morumbi, o reduto dos milionários – e também dos miseráveis, como observa.

Um contraste agudíssimo, não? São Paulo em Preto & Branco.

Bem, é o padrão da América Latina. O mesmo se repete em Curitiba, Florianópolis-SC, e no Chile.

SP CentroAbaixo a direita, um programa bem interessante: empréstimo gratuito de bicicletas.

Fotografei a exata mesma cena em Santiago do Chile.

Você se cadastra, ganha um cartão com o qual pega a magrela, pedala e pode devolver no mesmo ciclo-ponto ou em outros espalhados pela cidade.

use grátis uma bicicleta SPCreio que não seja de todo gratuito, há uma pequena taxa. Mas não chega nem a 1 real por dia, ou seja na prática é quase grátis mesmo.

No México existe o mesmo programa, porém estatal, feito pela prefeitura da capital.

………..

Av. Indianópolis SP Z-Sul

Av. Indianópolis, Planalto Paulista

De volta a SP, nesse trecho, a “Marginal Pinheiros” se chama oficialmente “Avenida das Nações Unidas”.

Ninguém conhece esse segundo nome, só o primeiro.

É por ali que corre o trem retratado acima da manchete. A direita logo abaixo uma estação:

Um rio poluído, trem urbano, vias expressas, pontes, viadutos, prédios comerciais e residenciais de luxo em volta.

Se você já esteve em Medelím, na Colômbia, sabe que o cenário se repete idêntico lá, parece que foi xerocado.Av. Nações Unidas [Marg. Pinheiros] SP Z-Sul

Quem não teve ainda a oportunidade pode ler os relatos das matérias que produzi quando voltei de lá.

De volta a Sampa, já vimos a Avenida Padre Antônio José dos Santos, uma das principais do bairro.

No topo da matéria uma elegante loira atravessa a Av. Berrini. Não tirei essa foto propositadamente, nem vi que essa moça estava ali, queria apenas retratar o bairro.

Centro SP

Centro da cidade

Mas já que saiu assim, ela bem no meio do enquadramento, sem trânsito, sem outros pedestres, com a rua só pra ela sem ter que dividir a atenção com carros e outras pessoas, então assim foi:

Uma homenagem a essa paulistana que tornava o Brooklin mais belo no ensolarado dia de sábado, 4/1/14.

A direita abaixo, “Casa de Vila”, uma moradia típica de São Paulo. Uma rua sem saída passa por duas casas.

Nos fundos, bem no meio da quadra, várias casas ao redor de um pátio.'vila' - moradia típica de SP

Parece os condomínios fechados, hoje tão comuns em tantas cidades. Mas as vilas paulistanas antecedem os condomínios em muitas décadas.

Antes, as ruas não eram gradeadas, o acesso era livre. Com o aumento da violência, dos anos 90 pra cá é que as vilas ganharam portão e interfone.

 Mais duas ruas do Planalto Paulista com muitas árvores e flores.

ruas arborizadas e floridas Plan. Paulista SPPlanalto Paulista SP Z-SulPlanalto Paulista SP Z-Sul1Planalto Paulista SP Z-Sul5Planalto Paulista SP Z-Sul3Planalto Paulista SP Z-Sul6

lema paulistanoPra fechar as demais postagens que têm a Capital Paulista como tema:

“Pixai por Nóis”??? (julho/16) – Breve ensaio fotográfico na Marginal Tietê e comecinho da Dutra, Zonas Central e Norte – inclui algumas tomadas no subúrbio metropolitano de Guarulhos.

jardim bonfiglioli bonfinholi placa itinerário interlig i8 branco eletrônico buso sp Laranja z/o caio motor traseiro atrás vidro pára-brisas paulistaNo Ninho das Cobras (janeiro/16) – Butantã, Zona Oeste, óbvio. Em 2016 os ônibus pra região são laranjas.

Flores Paulistanas: o emeio principal seguiu junto com esse, em janeiro de 14. Dali são as flores do Bom Retiro, Brooklin e Planalto Paulista. Há também 3 que tirei numa residência no Alto da Boa Vista (Z/ Sul) em maio de 2012, e repito as do Anhagabaú, clicadas em junho de 2013.Bom Retiro SP Z/C outra postagem "Cenas paulistanas" flor vermelha prédio

“Saia & Blusa” (setembro/11) – não, não é sobre roupa de Mulher. Trata-se de uma das matérias mais lidas da página, que mostra em dezenas de fotos os ônibus paulistanos dos anos 70 até hoje, mas especialmente as décadas de 80 e 90.

z/o sp 1979 década 70 rio pequeno buso monob 1 laranja faixa marrom castro consórcio santa madalena início saia blusa atrás livre capelinha branco faixa vermelha transição padronizada placa itinerário frente integração metrô sb7Ao lado: Rio Pequeno, Zona Oeste, 1979. Transição da pintura livre (ao fundo) pro sistema Saia-&-Blusa. E esses busos passam pelo Butantã. Em 1979 também eram laranjas, essa parte da Z/O tem a mesma cor nas duas padronizações, ‘Saia-&-Blusa’ (78-91) e ‘Interligado’ (2003-presente).

Selva de Pedra – só de desenhos, feitos entre 2008 e 2014.

O Céu de Moema (Z/S) e as Flores do Butantã – Tudo fotografado na mesma viagem de janeiro de 2016.desenho buso estação luz bom retiro centro z/c prédio sol céu sp

– ‘Beleza Paulistana‘ (março/14) – mais um desenho, dessa vez de uma elegante loira que parou a Berrini. Não é modo de falar.

Que Deus Ilumine a todos. 

Deus proverá”

Ano Novo, Vida Nova

Por Maurílio Mendes,”O Mensageiro”

Re-ordenado em 28 de fevereiro de 2017, com diversos desenhos inéditos

(Todas as postagens de ‘Marília’ são dedicadas as Mulheres)

……….

Começamos por 3 imagens inéditas, produzidas em fevereiro de 2017.

Marília tinha o cabelo bastante comprido. Enorme, ia até quase o umbigo dela.

Mas aí ela resolveu ter um novo visual, e cortou bem mais curto.

Ainda no começo do ano ela brigou com o namorado, e terminaram. Então ela passou a tesoura pra ‘começar de novo’, pra descartar a Energia do ciclo anterior que não lhe serve mais.

Ano novo, vida nova. E, se Deus quiser, também um namorado novo”, ela pensou.

Tudo bem que no calendário já estamos concluindo o 2° mês de 2017.

Ah, mas não dizem que o ano só se inicia mesmo depois do Carnaval? Então, ainda está em tempo de eu começar 2017 novinha em folha, ri-ri…”, ela se diverte.

Marília está se referindo ao fato que eu fiz esse desenho e levantei pra página na 3ª feira de Carnaval.

Seja como for, aí está o ‘antes/depois’. Primeiro o cabelo cobria os peitos e boa parte da barriga. Agora mal chega nos ombros.

apaixonadosEu disse que ela cortou bem mais curto. ‘Curto’ pro padrão das Mulheres, obviamente.

Marília é uma ‘menina/menina’, que curte ao máximo expressar a Energia Feminina de seu corpo. Por isso ela jamais vai cortar seu cabelo como Homem.

Digo, ela fez isso uma vez, mas se arrependeu amargamente, e pôs até aplique pra voltar a se sentir como gosta, enquanto os fios naturais não crescem de volta.

………

Ao lado: uma outra fase da vida de Marília, em que ela já é muito bem-casada com seu Amado Maurílio.

os-pombinhos-e-a-cidade

“O Amor e a Cidade” – a Selva de Pedra.

Vamos abrir a câmera e ver onde está rolando esse beijo apaixonado:

No Centro da Cidade de São Paulo. Marília é garçonete num dos restaurantes da região.

Nem deu tempo dela tirar o uniforme. Maurílio só esperou ela bater o cartão e a levou pra cobertura, pra namorarem um pouco.

Agora vejamos a postagem original (emeio publicado em 8 de setembro de 2012):

Toda Roxinha: rebelião feminina e silenciosa contra o uni-forme

eis-sua-agua

Sou garçonete.

Por obrigação profissional Marília precisa usar uniforme, o que ela detesta.

Como dito acima, Marília adora expressar Feminilidade, em todos os detalhes.

Assim que acaba seu turno ela imediatamente vai ao vestiário e bota uma roupa mais alegre, mais chamativa.

Só mesmo a pedido de seu Grande Amor Maurílio ela adia esse gesto.

Ela gosta de se vestir de forma multi-colorida, em que a roupa reflita seu estado de espírito do dia.

Poucas coisas oprimem tanto seu Espírito Feminino  quanto ter se vestir da mesma forma única, uni-forme, todos os dias.

E ter que se vestir da mesma forma única, uni-forme, que as outras pessoas que tem o mesmo cargo que ela.

Por isso aqui vê Marília em rebelião feminina e silenciosa contra o uni-forme.

Unhas azuis, usando muitas pulseiras, e enquanto está no metrô a caminho do serviço com um vestido roxo chamativo ao extremo.

Pra compensar o vestido azul clarinho nada chamativo que é seu traje profissional.

sou-garconeteOssos do ofício . . .

………..

Nessa outra postagem, vamos encontrar Marília trabalhando como caixa, também de uniforme azul.

E também dando um jeito de expressar sua feminilidade apesar do vestuário padronizado.muitas pulseiras e unhas azuis

Beijos em teu Coração de Mulher.

Que Deus a Ilumine Infinitamente.

“Deus proverá”