Noite Feliz

Por Maurílio Mendes, o Mensageiro

Publicado no Natal (25/12) de 2017

É Natal!

E Marília foi as compras.

Ela resolveu se dar de presente um colar.

Por isso vemos ela na loja, a vendedora falando:

Marília Mamãe-Noel.

“Nossa, você ficou linda!”, essas coisas. Vendedor tem que vender, né?

Mas nesse caso Marília concordou.

A menina levou sorte, vai ganhar a comissão. Marília vai levar o colar.

Não tem mais como não levar. Foi um ‘caso de amor’.

Ela ficou encantada quando se viu no espelho.

Até pôs as mãos no peito como é um gesto característico seu.

………….

E Maurílio é o Papai-Noel.

Aproveitando o embalo: Marília de Mamãe-Noel (dir.).

Ela é uma garota muito vaidosa, e que gosta de chamar a atenção pela aparência.

De forma positiva, claro, sem apelar.

Por isso ela alugou essa fantasia, pra passar assim a festa de família:

Agora de verdade, Papai-Noel na boleia de um busão em Maceió. Confira o sítio Maceió Bus, do autor dessa foto.

De mini-vestido vermelho, barras e alças brancas felpudas, gorrinho típico na mesma configuração, e até um grande cinto.

Fez bastante sucesso. As crianças adoraram, e, por que não dizer?, os marmanjos também:

Eles pediram de presente . . . a própria Mamãe-Noel !!!! Pode isso????

Pode, pois é tudo em tom de brincadeira entre amigos, óbvio. Até porque o coração dela já tem dono.

………..

Papai- e Mamãe-Noel trabalhando na Viação Veleiros – leia a página da empresa que explica o projeto.

Já que falamos dele, não esquecemos de Maurílio, evidente. Ele igualmente se vestiu a caráter, e fez as vezes do Papai-Noel.

Só que ao contrário dela que pôs a roupa em casa, entre família e amigos, Maurílio foi trabalhar fantasiado: 

Dirigindo um Gabriela da Real Alagoas (o desenho a esq. mais pra cima na postagem).

Obviamente vemos que nesse episódio ele mora em Maceió-AL, uma cidade que ele adora! Nas folgas vai curtir a Praia em Pajuçara.

Repito os desenhos em escala maior.

Não é modo de falar, nem figura de linguagem ou ficção. Várias cidades brasileiras adotaram a tradição de decorar os ônibus com neon no Natal.

Especialmente no estado de São Paulo e no Nordeste, mas também em outros estados do Sul e Sudeste.

E pelo menos em São Paulo e em Maceió acontece isso mesmo, Papai-Noel na boleia, e a Mamãe-Noel na catraca.

………

Em tempo: Marília também dirige ônibus – e táxi. Só que nesses casos ela ainda não foi fantasiada. Por enquanto. . . .

 Feliz Natal e Bom Ano Novo a todos e todas.

E que Deus Pai e Mãe Ilumine todos os seus Filhos e Filhas em 2018.

“Deus proverá”

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Fortaleza: a Cidade do Sol, do Mar, das lagoas, do ‘Funk’ e dos Ônibus Azuis

Lado-a-lado, as estações de metrô e ônibus de Messejana, Fortaleza (r). Aqui já vemos 2 traços marcantes da cidade, as lagoas e os busos azuis – quando estive lá, em 2011, eram assim inteiramente celestes. Hoje são brancos mas com detalhes ainda em azul.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (via emeio) em 6 e 11 de setembro de 2011

Maioria das imagens clicadas pessoalmente por mim. As que foram baixada da internet eu identifico com um ‘(r)’ de ‘rede’, como visto ao lado.

Os créditos foram mantidos sempre que impressos nas imagens, e quando possível passo a ligação pras fontes.

Vamos concluir a série sobre a capital do Ceará. A viagem foi em agosto de 2011. Entre outras coisas, contarei sobre minhas voltas na periferia. Porém antes de irmos de vez pro subúrbio, falemos sobre alguns detalhes da alimentação.

Mercado no Centro de Caucaia, Zona Oeste metropolitana. No Ceará as pessoas ainda compram galinha viva no meio da rua – já em João Pessoa fotografei o comércio de bodes.

Em Fortaleza não há restaurantes em que você come a vontade por um preço fixo, o que me chamou muita atenção porque sou do Sul do Brasil.

Pra quem é do Nordeste e não conhece o Sul, ou vice-versa é do Sul mas não conhece o Nordeste, façamos a comparação:

Aqui no Centro de Curitiba (e em todos os seus bairros mais movimentados) há centenas de restaurantes onde você come tudo que quiser e puder, sem precisar pesar e repetindo quantas vezes quiser, porque o valor é igual pra todos.

Há uma rede que se chama Spich, por exemplo, com várias filiais espalhadas pela cidade, Centro e bairros. Ali, por R$ 4,50 (valor de 2011) você come a vontade, e uma comida de qualidade. (Notas: não estou fazendo propaganda, não ganho jabá pra falar isso. Cito apenas um exemplo que todos aqui em Ctba. conhecem. 

A Cidade das Lagoas: a da foto maior creio que seja a de Messejana, não posso dar certeza. A do destaque é na Zona Sul, também não estou certo em que bairro. As margens dela mais uma favela – lembre-se, no Nordeste as favelas são sempre de alvenaria e (com exceção total de Salvador e parcial de Recife) geralmente de casas térreas, as lajes apenas iniciam sua subida.

De fato o Spich é uma boa pra quem quer uma comida barata e saudável, tem bastante opções de salada, por exemplo.

Atualizando, no começo de 2017 o valor do Spich era R$ 6,95, ainda bem abaixo da média da cidade que oscila já perto dos R$ 10. Estabelecida essa referência, voltemos a Fortaleza.)

No Ceará, dizendo de novo, não existe o sistema de comer a vontade por um preço fixo. Há duas opções: se você mesmo se serve, precisa pesar pra ver quanto vai pagar. Se o preço é fixo, o prato também.

Atualização: depois dessa viagem, fui a Belém do Pará, João Pessoa-PB e Belo Horizonte-MG. Foi interessante porque aí pude comparar o Brasil nas suas 2 pontas, e também em seu centro.

Na Paraíba eu não me alimentei na rua, pois fiquei hospedado na casa de uma colega. Mas na Amazônia almocei sempre em restaurantes do povão. E aí vi: não é só em Fortaleza, em Belém tampouco há comida a vontade por preço fixo.

Bairro Jurema, em Caucaia.

Concluí que essa é a característica do Norte e Nordeste, sendo que aqui no Sul, dizendo de novo, é o exato oposto. Em B.H., vejam vocês, achei um sistema intermediário entre as pontas dessa nação-continente:

Ali em Minas você mesmo se serve a vontade, e não precisa pesar – mas não pode repetir, é o que couber no prato na sua única ide ao bifê. Os cartazes deixam claro como funciona: “sem balança – mas sem repetir”.

No meu último dia em Fortaleza achei no Centrão um restaurante bom e barato, $ 4,50 o prato feito (valores sempre de 2011, lembre-se).

Bem perto dali, as ruas internas do Conjunto Ceará, populoso bairro da Zona Oeste.

Outro detalhe é que a farinha de lá é muito mais grossa e escura. Quem é acostumado com a farinha branca e fina do Centro-Sul vai achar que está comendo pedra.

É assim mesmo, foi igual em João Pessoa, Belém e Manaus-AM. Creio que seja característica dos lugares mais quentes na porção setentrional do Brasil.

‘PÃO DE QUEIJO’ É BEM DISTINTO – 

Também o que no Centro-Sul chamamos por “pão-de-queijo” não existe no Ceará. Digo, o pão-de-queijo mineiro, como conhecemos por aqui, existe lá nas lanchonetes de classe média-alta, em “shoppings” e na beira da praia, onde há muitos turistas.

Aqui e sobre a manchete: contraste agudo, os prédios dos milionários ao lado do iate-clube em Meireles, e uma grande favela logo atrás (imagem obtida via ‘Google Mapas’).

Mas no Centro e na periferia eles desconhecem. Os hábitos alimentares variam muito mesmo de região pra região, né?

Por exemplo, em Manaus eles não servem batata-frita, exceto nas áreas turísticas, o que torna o prato extremamente caro.

Aqui em Curitiba o ‘prato-feito’ ou ‘p.f.’ mais comum é arroz, feijão, alface, tomate e um bife, as vezes vem também batata-frita, que no Centro-Sul é popular e barata.

Mas em Ponta Grossa, no interior do Paraná, sempre servem repolho ao invés de alface, devido a colonização russa, pois os eslavos adoram repolho. Em Belém o p.f. sempre contém macarrão, o que não vi em outras partes, ao menos não sendo compulsório como no Pará.

Próximas 4: a orla da Zona Leste, a porção rica da capital. Começamos com 2 de minha autoria.

Voltemos a Fortaleza. Lá ‘pão-de-queijo’ designa um outro salgado, seria equivalente uma esfirra fechada de queijo (talvez similar a popular ‘empanada’, que é salgado mais conhecido do Chile, Argentina, Paraguai e Bolívia).

É gostoso, e me ajudou bastante, pois eu não como nenhum tipo de carne. Então quando circulando pelas cidades (no Centrão e nos subúrbios, entre o povão) é bom quando encontro uma forma rápida e barata de me alimentar, o que nem sempre é fácil.

Na Colômbia, por exemplo, eles comem muita carne, não há salgados só de queijo. Teve dias que tive que almoçar um pedaço de bolo doce, e eu não gosto muito de doces nem mesmo na sobremesa, que dirá como prato principal.

Outra coisa. No Nordeste é vendida uma margarina com a fórmula diferente da que é comercializada no Centro-Sul, pois é muito mais resistente ao calor.

A que comprei é fabricada pela transnacional Bunge, em PernambucoFicou 2 dois fora da geladeira, no calor cearense. Não derreteu. Quando a coloquei na geladeira, aqui em Curitiba, entretanto, ela congelou.

Ou seja, uma margarina que dispensa refrigeração, e aguenta o calor quase desértico sem se liquefazer.Especialmente no interior, muita gente no Nordeste ainda não tem geladeira, e a Bunge adaptou a fórmula pra atender esse público.

………………..

Aqui e a direita, seguimos na mesma frequência, mas agora em duas cenas baixadas da rede: Praia de Meireles, onde moram os ricos. Ondas calmas pelo dique que afunda o calado pro porto, que é próximo – no Litoral do Chile eu fotografei um prédio vazado parecido com esse.

Voltemos a falar da cidade de Fortaleza. A Zona Leste é a parte rica. Falando em termos gerais, a elite e a alta-burguesia moram a leste do Centro, entre a orla e Parque do Cocó. Do parque pra baixo é periferia como no resto da cidade.

Digo, de uns tempos pra cá a outra margem desse bosque também vem se aburguesando mais, natural, pois há uma oferta maior de terrenos pra se construírem novos prédios.

Mas arredondando podemos dizer que o Parque do Cocó marca a divisa entre burguesia e periferia. Sim, ainda há uma porção mais cara nas imediações dele, mesmo na margem ‘de baixo’.

Mas logo a seguir a mesmo a Z/L passa a ter um perfil mais de subúrbio, que prevalece nas nas Zonas Oeste e Sul. Bem, agora, vamos falar exatamente do resto da cidade. Comecemos pelo núcleo principal. Os bairros ao redor do Centro de Fortaleza são densamente habitados, ao contrário do que ocorre em Curitiba.

Mais uma de Meireles (r). Aqui fica claro a ‘piscininha’, por isso me refiro a uma praia mansa, de mar calmo.

Novamente falarei um pouco da capital do Paraná pra termos base de comparação. Como viram pelos dados do Censo, nessa última década o Centro de Curitiba voltou a crescer. Mas os bairros da Zona Central, excluindo o próprio, continuam a minguar.

Rebouças, Parolin, Seminário, Jardim Social, Hugo Lange, São Francisco, Batel, Mercês, Prado Velho, entre outros, continuam a sofrer severo êxodo.

Rebouças mesmo tinha população maior em 1970, 41 anos atrás portanto, que hoje (2011). E isso que Prado Velho e Parolin abrigam grandes favelas, as Vilas Capanema e Parolin.

E as favelas (de Curitiba e toda parte) continuam a inchar, agora pra cima, com cada vez mais lajes sendo erguidas. Então você imagina como está grave a sangria de gente nas partes não-favelizadas dos bairros centrais da capital paranaense.

Praia do Futuro, a leste da cidade (r). Essa é de mar aberto, e portanto com ondas de verdade.

Em Fortaleza esse fenômeno de esvaziamento da Zona Central não existe. Digo, esse é minha observação empírica, e fiquei apenas 4 dias na cidade, qualquer análise tem uma base de dados pequena.

Não puxei os dados do Censo dos bairros de lá. Mas fiquei hospedado próximo ao Centro, e andei bastante a pé na região. Não há a impressão de ‘cidade-fantasma’ que tenho em partes do Rebouças e São Francisco, aqui em Ctba. .

Isso porque Fortaleza cresce num ritmo galopante, então não se pode se dar ao luxo de desperdiçar espaço. Fortaleza tinha 1,7 milhão no Censo de 1991. Em 2000 eram 2,1 milhões.

Agora em 2010 são 2,4 milhões de fortalezenses – ultrapassou Belo Horizonte, e hoje é quinto município mais populoso do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador-BA e Brasília (a capital federal também cresce muito, e também deixou BH pra trás).

Em compensação a Praia do Futuro, por ser afastada da Zona Central, quase não tem prédios, e há mesmo ainda grandes terrenos vagos em frente (r).

Curitiba, em comparação, tinha 1,3 milhão em 1991, 1,5 em 2000 e agora em 2010 somos 1,7 milhão de curitibanos. Ou seja, em 1991 Fortaleza tinha 400 mil pessoas a mais que Curitiba.

Atualmente a diferença é de 600 mil. Em compensação, a Região Metropolitana de Fortaleza é menor que a Região Metropolitana de Curitiba. Aqui estou dizendo que há menos municípios-dormitórios ao redor de Fortaleza do que ao redor de Curitiba.

O núcleo é maior lá, mas o subúrbio é maior aqui. Tudo somado, a Grande Fortaleza tem mais ou menos a mesma população da Grande Curitiba, cerca de 3,5 milhões de pessoas.

Repartição pública no Centro da capital, com as bandeiras do Ceará, Brasil e Fortaleza. Está claro que que fiz uma foto-montagem: não consegui uma tomada com as 3 abertas no ar ao mesmo tempo, então tirei mais de uma foto, recortei a bandeira do Ceará e colei nessa. A intenção não é enganar ninguém, e, bem, se fosse eu não teria a técnica nem o equipamento necessários pra fazer uma armação convincente. Além de vocês notarem as emendas, é claro que é impossível os pavilhões federal e municipal tremularem prum lado, e o estadual pro outro. O propósito é apenas vermos o símbolo das 3 esferas na mesma cena.

E ambas têm também mais ou menos o mesmo número de assassinatos, cerca de 1,8 mil por ano tanto na Grande Fortaleza quanto na Grande Curitiba. São duas cidades muito violentas.

Atualização: o texto é de 2011, dizendo de novo. Portanto os dados acima são de 2010, e esse foi o período mais violento da história de Curitiba.

Em 2010 somente o município de Ctba. teve 979 assassinatos (isso em nºs oficiais – na prática foram mais de mil, resultando os 1,8 mil do município + subúrbios metropolitanos).

Nessa década de 10 os assassinatos em Curitiba e região se reduziram bastante, no município agora é perto de metade do pico: em 2015 foram 449.

Portanto a capital do Paraná ainda é uma cidade muito violenta, mas bem menos do que já foi. Em Fortaleza, infelizmente, a violência ainda continua na estratosfera.

Em 2014 foram 1.989 homicídios, tanto em termos absolutos como relativos (proporcional a população) a capital mais violenta do Brasil.

Fortaleza teve mais assassinatos que São Paulo, cuja população é 5 vezes maior. Os índice de Fortaleza estão próximos aos das grandes metrópoles da África do Sul e México, que são países ainda mais violentos que o Brasil, e olhe que isso não é fácil.

Fortitudine”, a bandeira municipal com ‘Fortaleza’ em latim.

………………….

Abaixo reporto como o humor cearense sintetiza essa triste situação de conflagração urbana. Aqui continuemos a falar da população.

Se hoje (2011) o número de habitantes das duas cidades (núcleo mais subúrbios) se equivale, em 2020 a Grande Fortaleza será muito maior que a Grande Curitiba, pois cresce muito mais.

CAUCAIA, CORAÇÃO DA ZONA OESTE –

A Zona Leste é a parte rica, as Zonas Sul e Oeste de Fortaleza são as mais pobres e mais populosas. Tanto dentro do município quanto nos subúrbios. Não custa lembrar que Fortaleza não tem Zona Norte, pois essa é o Oceano. Assim os municípios mais povoados da Grande Fortaleza ficam pros lados ocidental e meridional da metrópole.

O texto ao lado fala de Caucaia, mas essa foto é no município de Fortaleza. Na capital do Ceará esse é o padrão, 90% das portarias são assim, 2 metros acima do solo. Quase uma guarnição militar, igual as torres de vigia dos quartéis. Certamente é impossível assaltantes renderem o porteiro dessa forma, pela visão que ele tem da rua, e por não ficar na linha de tiro. Ele não interage com visitantes face-a-face, apenas por interfone. Já conheci centenas de cidades por toda América (e até um pega na África), somente em Fortaleza eu vi isso, pelo menos nessa proporção epidêmica.

O maior é certamente é Caucaia, que fica no Coração da Zona Oeste da cidade. É um município muito grande, tanto em área quanto em população.

Pega um pedaço de litoral e vai margeando toda a divisa oeste do município de Fortaleza. Em Caucaia moravam 325 mil pessoas em 2010, segundo o Censo.

Hoje são bem mais, pois a taxa de crescimento populacional do Norte, Nordeste e Brasília permanece elevada, ao contrário do Centro-Sul.

Caucaia é o segundo município mais populoso, não apenas da Grande Fortaleza mas também de todo o estado do Ceará. A título de comparação, a maior cidade do interior, Juazeiro do Norte (terra do Padre Cícero) tem 249 mil habitantes.

Caucaia já é grande e cresce demais. Em 1991 tinha 165 mil habitantes, em 2000 250 mil e agora (censo de 10), dizendo de novo, 325 mil.

Resumindo dobrou em 20 anos. Crescimento explosivo. Caucaia é servida por trem de subúrbio, cujo trilho veem em fotos espalhadas pela página.

MARACANAÚ, O ORGULHO DA ZONA SUL 

Se a Zona Oeste é grande, a Zona Sul não fica pra trás. Ali está o município de Maracanaú, que é o mais industrializado da Grande Fortaleza. Estive lá na Zona Industrial.

Agora vemos Caucaia, mais uma no bairro de Jurema.

Há um Instituto Federal (antigamente chamados ‘Cefet’ em alguns estados) novinho em folha (quando estive lá, que foi em 2011, nunca custa reforçar). Maracanaú tinha 209 mil habitantes no censo do IBGE de 2010.

O que o torna o 4º município mais populoso do estado, atrás dos vizinhos Fortaleza e Caucaia, já citados, e Juazeiro do Norte (que, repito, com 249 mil habitantes no mesmo censo é a maior cidade do interior).

O 5º município mais povoado do estado, e segunda maior cidade do interior, é Sobral, com 188 mil pessoas. Mas nosso foco é a Grande Fortaleza. De volta pra lá.

Maracanaú também é servida por trem de subúrbio, mas este está desativado – por um bom motivo: a linha está sendo adaptada pra virar metrô (foi o que escrevi em 2011. Em 2017 o metrô já está funcionando há tempos, publiquei a matéria específica sobre o transporte no Ceará). 

Fortaleza: casas com grades na porta, mesmo perto do Centro. Aqui em Curitiba existe também essa cena, mas somente nos bairros mais afastados do subúrbio, muitas vezes na região metropolitana. No Ceará é mais generalizado. Tirei essa foto de dentro do trem. Outro detalhe é que esse é o perfil típico das casas mais humildes no Nordeste: pequenas, de alvenaria e com a saída direto pra rua, sem muro ou quintalem João Pessoa fotografei isso com melhor definição.

Aqui o foco é a população, como ela se divide nas regiões da cidade. Oficialmente a Grande Fortaleza é composta de 19 municípios.

Mas você sabe que essas decisões políticas muitas vezes não encontram respaldo na realidade, nos ‘fatos no solo’. Quero dizer com isso o seguinte:

As regiões metropolitanas das capitais vão sendo sucessivamente ampliadas, e com isso passam a abarcar municípios muito distantes.

Incluso alguns que não têm qualquer ligação urbanística ou econômica com a capital. Na prática, muitos municípios mais distantes são já no interior.

Próximos a capital sim, mas não estão conurbados, não estão conectados a ela. Somente no papel fazem parte da região metropolitana.

Foram incluídos por interesses políticos, que nem sempre – ou quase nunca – são os anseios e necessidades reais da população. Vou traçar mais um paralelo com o Paraná, pois aqui eu já exemplifiquei a situação em detalhes, com mapas e fotos dos ônibus que ligam as cidades:

Mesma cena na periferia, em Maracanaú, Zona Sul.

A Grande Curitiba é a maior região metropolitana da Brasil, em área. Vai desde a divisa com São Paulo no Vale do Ribeira até a divisa com Santa Catarina em Rio Negro.

Fortaleza passou pela mesma expansão. Em 1973 era formada por apenas mais 4 municípios além da capital, e todos faziam divisa com a mesma: 

Caucaia, Maranguape, Pacatuba, e Aquiraz. Na década de 80 Maracanaú e Eusébio se emanciparam respectivamente de Maranguape e Aquiraz, e portanto passaram a fazer parte também.

Até aqui todas ainda faziam divisa com a capital (embora o ponto de contato entre  Fortaleza e Aquiraz tenha ficado minúsculo com a separação de Eusébio, os municípios ainda se tocam perto da orla).

Não é a fronteira física por si mesma quem determina se um município é ou não região metropolitana. Piraquara não faz divisa com o município de Curitiba, mas a ‘Nascente do Sol e das Águas’ definitivamente é parte da Grande Curitiba.

Bairro Jurema, Caucaia: um comércio funcionando atrás das grades. Essa lanchonete está aberta, no entanto gradeada, o dono só abre se confia no freguês que chega. É muito comum essa cena na Grande Fortaleza, infelizmente. Aqui em Curitiba ocorre também mas é bem mais raro. Lá a situação é mais tensa. Só que na Colômbia é pior ainda, em Fortaleza é mais comum que Curitiba mas mesmo assim só na periferia. Em Bogotá e Medelím isso é corriqueiro mesmo no Centro e nos bairros mais abastados.

Mas há cidades que estão a algumas dezenas de quilômetros da capital, estão completamente separadas dela em termos urbanísticos (ou seja, é preciso pegar estrada).

Resultando que praticamente nenhum de seus habitantes migra pendularmente todos os dias pra trabalhar. Aí podemos ter certeza que não é região metropolitana de fato, só no papel.

Lapa, Rio Negro, todo o Vale do Ribeira e mais alguns municípios não são Grande Curitiba de fato, foram incluídos por outros fatores.

Retomando nosso foco, no Ceará ocorre o mesmo. Até 1992 todos os municípios da região metropolitana eram Grande Fortaleza de fato e direito.

Mas de lá pra cá, em sucessivas ampliações, foram incluídos repetindo cidades do interior, que não guardam relação urbanística com a capital.

Então podemos dizer que em termos práticos são realmente, com ‘fatos no solo’, parte da Grande Fortaleza: Caucaia, Maracanaú, Pacatuba, Maranguape, Itaitinga, Guaiúba, Eusébio e Aquiraz.

Caucaia, Maracanaú e Fortaleza são unha-&-carne. 3 municípios, mas uma só cidade, fazem totalmente parte da vida da capital.

Agora em Maracanaú. Passamos da Zona Oeste pra Zona Sul, mas a situação se repete: uma casa de internet pública (‘lan house’) funcionando, mas com portas gradeadas.

Caucaia e Maracanaú são praticamente bairros de Fortaleza em todos os quesitos exceto que cada uma delas tem sua prefeitura própria.

Você não percebe quando cruza o limite municipal, pois a área urbana é totalmente interligada.

Caucaia então está umbilicalmente ligada a capital, pois é vizinha do famoso Conjunto Ceará, bairro emblemático da Zona Oeste de Fortaleza.

Já num segundo anel, mas ainda bem conectadas no dia-a-dia do núcleo, há Pacatuba, Maranguape, Itaitinga e Guaúba na Zona Sul, e Eusébio e Aquiraz na Zona Leste.

Dessas Maranguape, a terra de Chico Anysio, é disparado a maior e mais conhecida, tinha 113 mil habitantes no último censo.

As demais já são mais uma “área de influência”, digamos. Próximas a capital, mas é preciso pegar estrada e sair do perímetro urbano pra chegar nelas. Como dito há outros municípios ainda mais distantes, que são Grande Fortaleza no papel mas não o são na prática.

……….

Próximas 2: o trilho do trem divide os bairros Jurema (Caucaia) e Conj. Ceará (Fortaleza).

Na Zona Oeste, dentro do município de Fortaleza, há o Terminal Antônio Bezerra, próximo da Avenida Bezerra de Menezes.

Os que são familiarizados com os grandes nomes do espiritismo kardecista sabem que Bezerra, que é cearense, foi um dos grandes nomes que ajudaram na difusão dessa religião em nosso país.

Resultando que alguns poderiam pensar que o nome da avenida se deve a influência espírita, assim como há a Rua Allan Kardec no Bom Retiro, Zona Norte de Curitiba – o próprio nome Bom Retiro, alias, é emprestado do hospital da Federação Espírita que por décadas foi ali localizado.

Mas não é pelo kardecismo que existe a Avenida Bezerra de Menezes em Fortaleza, ou ao menos não é somente por isso. Adolfo Bezerra de Menezes foi um dos cearenses mais ilustres da história, em muitos campos.

Afinal foi médico, militar, escritor, jornalista e político. Antônio Bezerra, que nomeia um bairro e um terminal da Zona Oeste, foi seu pai. Uma nobre dinastia cearense.

………

Fortaleza tem (em 2011) 7 terminais de ônibus. E 6 desses ficam na periferia. A exceção é Papicu, no coração da parte mais rica da cidade, a Costa Leste.

1989: começa uma nova era no transporte de Fortaleza (r). Chegam os 1ºs articulados, ainda na época que cada empresa ainda pintava seus ‘carros’ como queria. A pintura da estatal CTC era essa. Esse e o próximo são dois veículos (da mesma leva, o da foto seguinte foi re-pintado) de carroceria Thamco, fábrica que havia em Guarulhos, Grande São Paulo. Ficou famosa por fabricar os primeiros 2-andares brasileiros, mas a seguir, no meio dos anos 90, faliu. A Marcopolo comprou o espólio e a renomeou Neobus (a mesma que fabricou os novos ligeirões azuis de Curitiba, que quando escrevi esse emeio eram novidade), transferindo-a pra sua cidade-sede, Caxias do Sul-RS.

Por isso é muito movimentado, há linhas pra todos os outros terminais, pois ali é que estão boa parte dos empregos.

A linha Papicu-Conjunto Ceará, por exemplo, é extremamente sobrecarregada, pois liga um terminal que é no núcleo da Zona Leste ao coração da Zona Oeste, a região-dormitório.

OS ARTICULADOS SE FORAM, MAS VOLTARAM: A QUEDA E ASCENSÃO DO TRANSPORTE FORTALEZENSE

Nessa década de 10 Fortaleza investiu maciçamente no transporte coletivo. Foi uma revolução, de uma situação caótica a situação melhorou muito.

Já fiz matéria específica sobre o tema, onde discorro melhor, ilustrado com muitas fotos e mapas. Portanto aqui daremos somente uma breve rememorada.

Vejamos o que escrevi em 2011, que foi o que constatei lá. E depois atualizamos, pra vocês verem o quanto a coisa mudou pra melhor. Esse subtítulo acima, “Os articulados se foram mais voltaram”, só pode ter sido escrito numa atualização da matéria. E de fato o foi.

Atrás (destacado pela flecha) um ainda em pintura livre (r). O prefixo é em cor diferente porque Fortaleza é o epicentro da ‘Costa Norte’ Brasileira, que se espraia dali até Manaus.

Pois no emeio original, que mostrava como era a realidade no comecinho da década de 10, o sub-título era:

“NÃO HÁ ARTICULADOS, REGRESSÃO NO TRANSPORTE“. Relatei a época queessa linha (Papicu-Conj. Ceará, citada acima) deveria ser feita com articulados. Infelizmente não há ônibus articulados em Fortaleza, e essa é uma falha gritante do sistema.

Tampouco há canaletas (corredores) exclusivas, outro erro de planejamento. A foto abaixo a direita mostra a primeira pintura padronizada de Fortaleza, ou seja igual pra todas as empresas.

Até hoje se entra por trás em Fortaleza, isso não mudou – digo, inverteram pra frente, mas depois voltou pra trás. Veem aquelas flechas, que marcam a inauguração dos terminais, o começo da Rede Integrada.

A ‘Cidade dos Ônibus Azuis’: assim que desembarquei no aeroporto, minha primeira vista de Fortaleza, agosto de 2011: o céu e os busos, tudo celeste. Na época a cidade não tinha articulados nem corredores, e toda frota era nessa padronização ‘das Flechas’.

Eram a princípio 3 pinturas diferentes, conforme a categoria do buso (sistema adotado em Curitiba e tantas outras cidades), mas em poucos anos toda frota municipal, em todas as linhas receberam essa pintura ao lado.

Corredores exclusivos nunca existiram mesmo, agora articulados haviam, e não há mais.

Ou seja, aconteceu uma regressão. Havia uma viação pública estadual, a CTC, Companhia de Transporte Coletivo.

Os busólogos sabem que houve uma empresa com esse mesmo nome no Rio de Janeiro, e também era estatal. Por isso falamos em CTC-RJ e CTC-CE pra diferenciar.

Tanto a CTC-RJ quanto a CTC-CE tiveram ônibus articulados. Foram depois entretanto privatizadas. E hoje nem Fortaleza nem o Rio de Janeiro tem ônibus articulados. Uma regressão.

Antes/Depois (imagem via ‘Google Mapas’): Fortaleza não tinha corredores de ônibus. Agora tem. Aí sim!!!

Falemos um pouco de como tudo se deu. Os primeiros articulados de Fortaleza foram entregues em 1989. Era uma época de caos na cidade.

Na mesma época a prefeitura inaugurou os primeiros terminais integrados, padronizou a pintura dos ônibus e comprou os primeiros articulados da história.

Três grandes avanços. Depois disso, entretanto, o caos voltou a reinar. Com muitos desmandos, não houve mesmo como a companhia estatal sobreviver, foi privatizada na sequência.

Próximas 3: Maracanaú, Z/S metropolitana.

Com isso Fortaleza não tem mais articulados. Alias o Rio de Janeiro também não.

Tem mais. Estive em Belo Horizonte um ano e pouco depois de Fortaleza.

A época (2012) a capital mineira tampouco tinha articulados, exceto um uma única linha já saindo da cidade.

Os poucos sanfonados da capital mineira ligavam o metrô ao então recém-inaugurado palácio do governo, que é fora da zona urbana, a dezenas de quilômetros do Centro.

(Nota: alias alguns desses ônibus sanfonados belo-horizontinos vieram parar em Curitiba, eu os vejo passar daqui de minha janela. Volta o texto original). Triste, muito triste. Em 2011 e 12 assim era mesmo.

Aqui o Conjunto Novo Maracanaú.

Mas de lá pra cá houve um renascimento: tanto o Rio, B.H. e Fortaleza quanto várias outras metrópoles investiram muito no setor.

Inauguraram vários corredores exclusivos operados por articulados com modernas estações com embarque em nível. E o Rio e Fortaleza multiplicaram em muito a malha do transporte sobre trilhos.

…………

Pra fechar a parte dos ônibus, Fortaleza tem um transporte barato, a tarifa é R$ 2, e em duas horas do dia (das 9h as 10h e das 14h as 15h) é mais barato ainda, R$ 1,80, a chamada ‘hora social’.

Ainda periferia de Maracanaú. Imagem em baixa resolução, desculpe. Amarraram um bode pra pastar. Nesse dia estava uns 40º no Ceará. E o bichinho não tinha uma sombra pra se abrigar. Deu dó!  

Como dito, os valores são de 2011, em Curitiba como comparação era 2,50.

Atualizando, hoje (2017) em Ctba. é R$ 4,25 em qualquer tempo, em Fortaleza 3,20 a normal e 3 Reais nessas duas ‘horas sociais’.

Alias muito interessante essa política de dar desconto pra quem usa fora do horário de pico. Existe em diversos outros países, inclusive por exemplo a África do Sul.

De resto, andar de ônibus em Fortaleza é definitivamente muito mais barato que em Curitiba, em diversas formas.

Além da tarifa em si já ser bem mais em conta, e segundo, ainda mais na ‘hora social’, tem muito mais:

Próximas 3: anoitece no Conjunto Esperança, Mondubim, Zona Sul, dessa vez no município de Fortaleza.

Terceiro, lá ainda existe a tarifa domingueira, que é 2,60 (os dados nesse parágrafo e no abaixo são de 2017, e não 2011, pois escrevi esse trecho na hora de subir pro ar), vale inclusive em alguns feriados, enquanto a daqui foi extinta.

Quarto, o ‘Circular Centro’ de Fortaleza (lá chamado ‘Linha Central’) custa somente 40 centavos, enquanto aqui é quase oito vezes mais caro, 3 reais.

E quinto, lá os estudantes pagam menos de meia (como em diversos países, por exemplo o Chile). 

Enquanto em Ctba. esse benefício do meio-passe é difícil de conseguir, pois só vale pra quem mora e estuda no município e a família tenha renda de menos de 3 salários mínimos (no caso de filho único).

Ademais em Fortaleza a integração funciona melhor, pois além dos terminais integrados é possível pegar mais um ônibus fora do terminal sem pagar novamente.

Tudo isso é possível através da integração temporal no cartão – isso vale pra todos, não só estudantes. Fortaleza tem um sistema mais barato e mais integrado.

Em compensação, não há canaletas e nem articulados, uma falha grave. Isso era dessa forma em 2011. Mas agora há canaletas e articulados em Fortaleza. Já outro problema seríssimo que constatei uns anos atrás ainda permanece: 

Os ônibus tem 3 portas, mas a do meio não abre fora dos terminais – o que dificulta em muito a circulação no salão do veículo, especialmente no horário de pico. Minha última experiência em Fortaleza foi tétrica por causa disso . . .

A primeira cena que vi (e fotografei) assim que pisei em Fortaleza foi um ônibus azul, na época onipresentes, como já contei.

Pois bem. isso quando cheguei. Agora falando de quando fui embora. Meu voo decolava somente as 3 da manhã. Na última noite na cidade fui dar uma volta na Praia de Meireles, já depois das 9, estava lotada, pois a orla é bem policiada.

O Km 0 nacional da BR-116 é em Fortaleza. Essa foto é na periferia da cidade, perto dele. Depois a 116 recebe os nomes de ‘Rio/Bahia’, ‘Dutra’, Régis Bittencourt’, ‘Estrada Serrana’, ‘Federal’, entre outros.

 

O que faz com que até Mulheres sozinhas se sintam seguras pra andar por ali a noite. Aqui, pra mantermos o foco, saí do Terminal Papicu pouco antes das 10 da noite, rumo ao Aeroporto.

Quando deu 10 em ponto o busão parou em frente a um centro comercial (o “shopping” pra quem prefere em inglês). Assim o busão, que estava vazio, ficou hiper-lotado. Acima do que se pode descrever.

Eu sou busólogo, resultando que por vezes fico vendo fotos de ônibus urbanos ao redor do mundo. Um dia via a foto de um ônibus articulado que opera na Zona Sul de São Paulo.

Estava lotado. Um dos comentários dizia “está naquela hora bem ‘agradável’, tem gente até no colo do motorista”. Nesse caso era uma figura de linguagem, claro.

Próximas 2 (via ‘Google Mapas’): placas pintadas nas portas das favelas de Fortaleza. Essa é na capital mesmo, favela Servilux/Titãzinho, na Beira-Mar, Zona Leste, ao lado do porto, onde eu estive pessoalmente. O cara pôs um adesivo: “Proibida a entrada invejosos!!!” Pra garantir pintou a mão: “Seu olho gordo p/ mim é cégo (?????!!!!!!)” Tá bom pra ti ou quer mais?

Só que esse dia em Fortaleza não era figura de linguagem, estava quase acontecendo literalmente. Digo, no colo do motorista não tinha ninguém, obviamente, mas não faltou muito:

Tinha uma moça sentada no motor, a seu lado, dentro da grade, atrás do câmbio – cada vez que ele ia mudar a marcha ela precisava se desviar.

As pernas dela estavam encostadas nas do motorista, pra vocês visualizarem o que estava acontecendo.

E como o busão tem 3 portas mas a do meio não abre, foi um sufoco descer. Depois, em 2013, passei por uma experiência similar numa das vans na República Dominicana.

Tanto no Ceará em 2011 quanto no Caribe 2 anos depois foi um alívio quando enfim, após muito esforço, contorcionismo, empurra-empurra e pedidos de ‘licença’ eu afinal saltei do coletivo hiper-lotado…. Ufa!

Próximas 3: Planalto, em Caucaia. Com o esgoto correndo a céu aberto.

Pra fechar o tema do transporte relato como se distribuem pela cidade os terminais de ônibus. São sete terminais:

3 na Zona Oeste, a mais populosa e periférica: Siqueira, Conjunto Ceará e Antônio Bezerra, começando a partir da periferia e indo mais próximo ao Centro.

Na Zona Sul estão os terminais Parangaba e Lagoa, e na Zona Leste Messejana e Papicu, em ambos os casos falando primeiro os mais distantes.

Messejana atende também parte da Zona Sul, pois o terminal é bem próximo da BR-116, que é o que divide as Zona Leste e Sul.

Dessa forma, várias vilas da Zona Sul são atendidas por alimentadores do Messejana, assim como inversamente os terminais Vila Hauer e Sacomã ficam nas Zonas Sul de Curitiba e São Paulo e ambos atendem partes das respectivas Zonas Lestes.

Serra emoldura a Gde. Fortaleza ao fundo (aqui em Ctba. vemos a mesma cena).

E pra quem não sabe, a BR-116 (que depois é a Rio-Bahia, a Dutra, a Régis Bittencourt, Rodovia do Planalto em SC, a Federal na Gde. Porto Alegre-RS, entre outros nomes) tem seu quilômetro zero nacional em Fortaleza, na Zona Sul, no Aguanambi.

A Zona Leste da capital cearense é rica da orla ao parque, como já escrevi, e mais proletária abaixo do parque.

As Zonas Sul e Oeste têm por inteiro um perfil mais de classe trabalhadora, sendo a Zona Oeste a mais populosa da cidade.

Assim cruzamos a metrópole e estamos de volta a Zona Oeste. Na praça central do bairro Planalto, município de Caucaia, fotografei duas vans e um ônibus (dir.). Já falei do transporte em postagem a parte, o sabem. Aqui vamos apontar outro detalhe:

Praça central do Planalto, ponto final das linhas dos ônibus e vans.

Veja o esgoto a céu aberto. A Grande Fortaleza é quase toda asfaltada, incluindo os subúrbios metropolitanos.

É difícil ver rua de terra, exceto nos bairros muito distantes mesmo. Entretanto, a rede de esgoto não foi construída.

Vi a mesma cena em Manaus muitas vezes. Asfaltaram tudo, mas o esgoto corre na rua.

Atualização. Quando fui a Fortaleza, já havia ido a Manaus. Depois fotografei o mesmo em Belém e João Pessoa – e até mesmo aqui em Curitiba.

Porém ressalto que aqui em Ctba. é mais rara essa cena, só em algumas partes recém-invadidas do subúrbio. Não estou tapando o sol com a peneira, e quando me deparei, registrei e publiquei.

“Proibido jogar lixo”, diz o aviso na periferia da Gde. Fortaleza. Adivinhe? Aí mesmo é que jogam, embaixo da placa. Já flagrei o mesmo em Curitiba.

Mas na maior parte da cidade não há esgoto correndo na rua. Isso não é uma questão de preconceito, é um fato.

Bem, se serve de consolo, a Argentina que um dia foi o país mais rico e estruturado da América do Sul (ao lado do Uruguai) hoje também está numa situação bem precária nesse quesito.

Na periferia de suas maiores metrópoles – capital e interior – é o padrão a falta de saneamento básico. Agora retorno a Fortaleza e sua região metropolitana:

Andei por diversos bairros de Caucaia. Fui a Genipabu, que é bem distante, tive que pegar um micro-ônibus interno de linha municipal (não confunda com o Genipabu que há em Natal, pois a Genipabu do Rio Grande do Norte é uma praia lindíssima com dunas.

Barra do Rio Cocó na Praia do Futuro (r).

O Genipabu cearense é um subúrbio de metrópole, uma homenagem ao balneário potiguar. Não muito longe de Caucaia, mas dentro do município de Fortaleza, há o bairro Genibaú).

E, agora em Caucaia novamente, fui ao Centro (onde fotografei o mercado público onde se vendem galinhas vivas), em Jurema (que é divisa com o Conjunto Ceará em Fortaleza), e no Planalto.

Esse último é aquele bairro em o ônibus da empresa Vitória e as vans estão enfileirados (um pouco mais pra cima, a esquerda).

Genipabu, Caucaia: recentemente fizeram um ‘puxadinho’ pra garagem do 1º carro da história da família.

É de domínio público que a periferia fortalezense (tanto municipal quanto metropolitana) é violenta, não estou contando nenhuma novidade, infelizmente. 

Fui até lá conferir. Quando cheguei, a bordo de um desses coletivos, percebi que não era o único que ia lá pela primeira vez.

Um cara perguntou ao motorista (em Fortaleza se desce pela frente): “Aqui que é o Planalto?”. A resposta foi direta: Planalto. Mas pode chamar de Afeganistão”.

É só por Deus!!!

…………

Caucaia (via ‘Google Mapas’, mais uma vez), onde veem casas típicas da periferia da Grande Fortaleza: de alvenaria, térreas muito pequenas, com a porta direto na via pública, e sem garagem. Veja que as duas 1ªs sequer têm janela, é preciso abrir a porta pra arejar.

Como já dito e é notório, ao lado é o padrão na periferia nordestina – vejam vocês, a periferia do Chile e da Argentina é da mesma forma.

Faço a ressalva que em Salvador há bem menos casas térreas, ali predominam os ‘prédios artesanais‘ como no Sudeste.

A maioria dos fortalezenses (núcleo e subúrbios metropolitanos) ainda não tem carro, ao contrário do que ocorre no Centro-Sul.

Agora, entretanto, a renda dos trabalhadores vem subindo, e pela primeira vez essa massa dos subúrbios está comprando bens de consumo acima dos de primeira necessidade – o texto é de 2011, não custa reforçar.

Na época o Brasil ainda vivia uma onda de prosperidade, e na periferia do Nordeste pra muitas famílias era a primeira vez que havia alguma bonança.

Pichação no Centro de Fortaleza: o ‘alfabeto’ é importado do Rio de Janeiro, com algumas adaptações – se puxam mais os traços e se inserem mais desenhos, características em comum com Belém, cidade que Fortaleza é muito próxima espiritualmente.

Presenciei andando nas periferias muitas casas que originalmente não tinham garagem porque não havia necessidade.

Mas agora tinham um puxadinho pra guardar o carro (veja a foto a direita, um pouco acima, na legenda que diz “Genipabu”).

Pois (pela 1ª vez, repito) a renda da família aumentou um pouco acima das necessidades mais imediatas (roupas, água, luz, comida e produtos de limpeza).

Assim tiveram que improvisar um espacinho pro automóvel – usado e financiado, mas mesmo assim o primeiro da família.

………

Falando um pouco do povo da cidade. Oficialmente é de maioria parda, 57% se declararam assim no censo. Porém, ao contrário do que alguns poderiam pensar, há poucos negros na capital do Ceará, somente 5% da população.

Em Salvador e São Luiz do Maranhão, como é notório, os negros são maioria. Em Recife-PE são uma minoria grande, talvez tanto quanto em Belo Horizonte, por exemplo. Em Fortaleza, repito, há poucos negros. Não muito diferente de Curitiba, ao menos nesse quesito.

No Centro uma placa antiga da Cerveja Antarctica, ‘daquele tempo’. Já que o assunto dos refrigerantes antigos fez tanto sucesso, segue essa como sessão ‘retrô’. Em outra parte da cidade vi uma placa do finado Guaraná Brahma da mesma época, os anos 80. Só que nessa oportunidade estava sem a máquina. Quem tem idade suficiente se lembra que era o desenho de uma mão segurando uma garrafa do mesmo, aquela que era marrom, tipo anelada.

O tipo predominante tem a pele relativamente escura, mas não há origem africana. Fortaleza é a capital brasileira mais perto da Europa, em termos de milhas aéreas. Mas a proximidade é só física, não cultural.

A cidade não recebeu muita imigração europeia nem asiática de outros países exceto de Portugal, nossa ex-metrópole. Sua composição racial é basicamente uma mistura de portugueses (que já são mais escuros que os europeus do Norte e Leste do continente) com índios. 

A maioria dos fortalezenses é descendentes de pessoas que estão a séculos torrando no sol tropical que marca facilmente 40º de janeiro a janeiro.

Fortaleza tem 4 estações do ano: quente, mais quente, ainda mais quente e torrando. Então esse é o habitante médio, a tez queimada pelo Sol escaldante há séculos foi tornando-se mais ‘cor-de-cobre’.

…………..

No domingo que passei em Fortaleza fui – a pé desde o Centro – até a Praia do Futuro, o único dia que entrei no mar. Pois eu prefiro praias abertas, de ondas fortes, e as que existem perto do Centro são ‘piscininhas’, pois represadas pelo dique que forma o porto, como já dito. A Praia do Futuro é espetacular, e dispensa comentários.

Também no Centro, flagrei um caminhão aberto (com caçamba) recolhendo lixo. Vi o mesmo em Medelím-Colômbia.

Voltei a tarde pro Centro, onde fiquei hospedado, e aí rumei ao Conjunto Esperança, bairro Mondubim, Extremo da Zona Sul de Fortaleza. Um subúrbio afastado, com todos os problemas que isso representa.  Não tive medo.

Saí de lá após o anoitecer, como as fotos provam. Cheguei no Centro perto das 8. Perguntei ao motorista de ônibus como fazia pra chegar na Avenida Dom Manoel, onde estava hospedado. Umas 12 quadras dali.

Precisava ver o tumulto que se instalou no coletivo. Todos ficaram apavorados com a ideia que eu ia andar pouco mais de um quilometro a pé no Centro. 

Formou-se uma mini coletiva, o motorista e mais dois passageiros debatiam que ônibus eu deveria pegar pra chegar a meu destino, mas “que pelo amor de Deus, que eu em hipótese alguma fosse a pé”. “É muito perigoso, tem muito bandido, você vai ser assaltado com certeza” todos me diziam apavorados.

No bairro Jurema (Caucaia, Z/O) pichador provoca a polícia.

Agradeci a preocupação da galera, e perguntei umas duas vezes qual linha era mesmo que eu deveria pegar, pra que eles não desconfiassem que eu não compartilho do medo deles. Desci, e já nem lembrava qual linha era, pois não prestei atenção de fato.

Fui a pé. Perto da Catedral, alguém se aproximou. Era um sem-teto. Disse que não havia comido nada o dia inteiro. Dei a ele quarenta centavos.

Isso mesmo, R$ 0,40. Ele me agradeceu muitas vezes, e por fim pediu que Deus me abençoasse.

………….

Como já dissemos muitas vezes, no fim do regime militar houve grande impulso nos transportes e na habitação popular.

Aqui e esq.: Conjunto Ceará.

Por todo Brasil foram construídos grandes conjuntos, esses dias (no fim de 17) fiz matéria no Cj. Saturno, bairro Santo Inácio, na Zona Oeste de Curitiba.

Outros exemplos são o Conjunto Tiradentes, Alto Boqueirão, Zona Sul, e o Conjunto Mercúrio, Cajuru, Zona Leste, entre muitos outros.

Porém aqui os conjuntos foram bem menores que os do Sudeste e Nordeste. Já fui em quase todos esses conjuntos curitibanos, a maioria tem algumas ruas, entre um punhado e poucas dezenas.

Aqui em Curitiba, o maior de casas horizontais é certamente o Nossa Senhora da Luz, Cidade Industrial, Zona Sul. Pois bem, esse seria um conjunto médio em Fortaleza.

Também no CIC mas na Zona Oeste temos o Atenas/Augusta, uma cohab de prédios, com algumas dezenas de blocos.

Em Fortaleza, entretanto, na média os conjuntos são significativamente maiores que os daqui do Paraná.

O tamanho dos empreendimentos cearenses lembra mais os que foram erguidos no Rio (Cidade de Deus e Vila Aliança na Zona Oeste, pra citar 2 casos) e São Paulo (Cidade Tiradentes, Zona Leste, por ex.) na época.

A vista do quarto da pensão que fiquei, entre o Centro e a Praia de Iracema, chovia e fazia Sol ao mesmo tempo. Quanto a pensão, havia 7 camas no quarto (eu fiquei sozinho, a escolha era grande), custou R$ 15 a diária (valor de 2011, mas já era quase de graça mesmo naquela época) e a tranca ainda era com chave de metal, óbvio (bem, na Argentina ainda é com chave de metal mesmo em hotéis mais chiques).

Vemos a esquerda a rua 1040 do Cj. Ceará, pra dar uma ideia do tamanho do bairro, que teve quatro expansões, lá chamadas ‘etapas’.

No itinerário do ônibus diz Conjunto Ceará 1ª e 4ª Etapas, e por aí vai. A 4ª é a mais recente. Somando todas, ele é mais ou menos do tamanho do Bairro Novo, Sítio Cercado, Zona Sul de Curitiba.

Só que no Bairro Novo o governo não construiu as casas, apenas entregou os terrenos e cada um ergueu sua moradia como quis e pôde.

Em Fortaleza, ao contrário, as residências foram entregues prontas. Outro exemplo é Conjunto Esperança, bairro Mondubim, Zona Sul, onde também fui.

Esse é de prédios, ao contrário dos outros que são de casas. Uma hora estava em frente ao bloco 208 do Conjunto Esperança. Bloco 208, e não apartamento 208, veja bem.

Entre os anos 70 e 90, o governo do Ceará deu continuidade ao projeto de construir enormes conjuntos na periferia da cidade.

Próximas 3: Centro de Caucaia.

Entre os que eu visitei, cito os de nome Novo Maracanaú e Jereissati, ambos no município de Maracanaú, Zona Sul.

O Conjunto Jereissati, em especial, é muito grande, talvez do mesmo tamanho que o Conjunto Ceará, pois igualmente teve várias expansões ou etapas.

Creio que tem esse nome por ter sido construído pelo ex-governador Tasso Jereissati,

Distante dali e pertinho da orla está o Cidade 2000, onde também estive. É um bairro de periferia. Só que nesse caso isso quer dizer que é um lugar de classe proletária. 

Porque ele não fica na periferia, bem ao contrário, está bem no meio da Zona Leste, na parte mais rica da cidade.

Como se sabe, o Cidade 2000 fica próximo a Costa Leste (Mucuripe-Centro), onde moram os milionários, e ao lado (dá pra ir a pé) da Praia do Futuro, a mais bonita de Fortaleza.

Pra é familiarizado com a Zona Sul do Rio, o Cidade 2000 é o equivalente da Cruzada São Sebastião, que também é um conjunto pobre encravado no Leblon, entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o mar, no metro quadrado mais caro da cidade e do país.

E tanto a Cruzada quanto a Cidade 2000 não são invasões. Rio e Fortaleza tem ambas muitas favelas a beira-mar. Esses dois exemplos não são favelas, são conjuntos pra classe trabalhadora mas que foram construídos pelo estado.

Bem a frente da Cidade 2000 a construtora mineira MRV está fazendo mais um de seus empreendimentos.

E os prédios da MRV têm uma peculiaridade, como é notório: o desenho da fachada é igual no Brasil inteiro, então fica uma marca registrada. Aqui em Curitiba pra você financiar um apê da MRV precisa comprovar renda familiar de R$ 1,8 mil.

Lá em Fortaleza é R$ 1,4 mil, R$ 400 a menos portanto (os valores são de 2011, não custa relembrarmos). Natural, a média dos salários de Ctba. é mesmo mais alta.

Fortaleza e Belém são muito ligadas, e no futebol também. As torcidas organizadas são aliadas, criando uma rivalidade cruzada. Aqui o adesivo da Cearamor do Ceará e Terror Bicolor do Paysandu.

Tanto lá quanto aqui a MRV aceita renda informal, o que vem ajudando muitas famílias trabalhadoras a emergir pra classe média.

Outro detalhe é que as ruas dos conjuntos de Curitiba começaram sendo nomeados com letras e números, mas hoje já receberam nomes ‘normais’ de ruas, digamos assim.

Em Fortaleza é diferente, a imagem mostra que a Rua 1040 tem esse nome até hoje.

As avenidas principais do mesmo bairro, por sua vez, são letras. Avenida E, Avenida K, por aí vai.

………….

CEARÁ S.C.: 1ª DIVISÃO EM 2011; IDEM EM 2018 –

E agora a de seus arqui-rivais: Leões da T.U.F. do Fortaleza e Remoçada do Remo.

Pra fechar, uma nota sobre o futebol. Repito o que já disse antes: EU NÃO TORÇO PELO FORTALEZA, CEARÁ OU QUALQUER CLUBE NO BRASIL. VOU APENAS RELATAR OS FATOS COMO OCORRERAM, INDEPENDENTE DE MINHA VONTADE.

Quando estive em Fortaleza (agosto de 2011) a cidade estava vibrando em preto-&-branco. Relato parte do que escrevi a época, depois atualizamos:

A torcida do Ceará S.C. está pra lá de entusiasmada com a boa campanha do time.

Próximas 2, Centro de Fortaleza: riacho recebe esgoto não-tratado.

Que pelo visto vai garantir que o time dispute a primeira divisão pelo terceiro ano seguido. Não é um feito pequeno, o clube ficou de fora da série A por exatamente 30 anos, de 1979 a 2009. 

Vi centenas de pessoas com a camisa do “Vovô”, como o clube é carinhosamente chamado. É natural a euforia.

Dois dias antes de minha visita a Fortaleza, o Grêmio de Porto Alegre também esteve por lá. Levou 3×0.

Óbvio que havia também muita gente com a camisa de seu arqui-rival Fortaleza, que é tricolor nas cores branco, azul e vermelho, as mesmas do Paraná Clube, Bahia, entre outros.

Covardia! O arroio era relativamente limpo antes do ataque, depois mudou até de cor. De novo, já flagrei o mesmo aqui em Curitiba.

Mas é preciso notar que o Ceará está na primeira, o Fortaleza na distante terceira divisão.

Então natural que os torcedores alvi-negros estejam mais entusiasmados que os tricolores.

Então agora atualizemos pro que é vigente quando a matéria sobe pro ar (dez.17):

O Ceará, após 30 anos de ausência, retornou a 1ª em 2010, e conseguiu se manter nesse primeiro ano.

Em 2011 ele começou muito bem, fez um primeiro turno excelente, e quando estive lá (agosto), a galera refletia essa sintonia positiva.

No entanto a partir dali o fio virou, e o Ceará acabou rebaixado de novo a segunda nesse mesmo ano de 2011.

Porém em 2017 conseguiu novo acesso, e disputará novamente a primeira divisão em 2018, como é sabido por todos.

Cena triste: lixo na rua em Jurema, Caucaia. Infelizmente muito comum em várias partes de Fortaleza e região.

Tudo é cíclico, hoje é assim, mas durante um bom tempo foi o contrário. Nesse milênio, a primeira década foi totalmente do Fortaleza:

De 2000 a 2010 o tricolor ganhou nada menos que 9 estaduais, com um tetra, um tri e um bi-campeonato. 

E no mesmo período o “Leão” disputou a série A do nacional duas vezes, em 2003 e 2005. Enquanto o Ceará esteve no limbo. Mas nessa década de 10 se inverteu:

O Ceará já contabiliza 3 participações na 1ª divisão: 2010, 11 e 18. E em 2015 foi campeão da Copa do Nordeste, título que seu rival não possui. Ainda conquistou um tetra-campeonato estadual.

O Fortaleza estava na 3ª do Brasileirão em 2011, e permaneceu ali até 2017. Conseguiu o acesso, e em 2018 disputará a 2ª divisão.

Se a última impressão é que fica, uma bela flor também em Jurema, Caucaia.

Portanto permanece ainda um degrau abaixo do Ceará. No entanto, a supremacia no estado nesse milênio ainda é tricolor, são 11 títulos do Fortaleza contra 7 do Ceará.

………….

A série sobre Fortaleza está encerrada com chave de ouro.

Assim É. Que Deus ilumine toda humanidade.

Deus proverá”

Juvevê, a “Nascente da Zona Norte”

Hospital São Lucas, Juvevê: marco zero da An. Garibaldi e da Munhoz da Rocha.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 10 de dezembro de 2017

Maioria das imagens de minha autoria. As que não forem eu identifico nas legendas ou no corpo do texto.

…….

Nosso tema de hoje é o bairro do Juvevê, na divisa entre as Zonas Central e Norte de Curitiba.

Vamos dar uma pincelada também nos vizinhos Ahú e Centro Cívico.

Uma boa oportunidade pra gente relembrar o passado da região.

Panorâmica do Ahú, virada pros anos 70. A esquerda na imagem o Juvevê, ao fundo Alto da Glória e Centro.

Ali começa a Zona Norte, é sua nascente. Mas mais que isso.

No Juvevê estão também a nascente de 3 das principais vias da Z/N:

A Avenida Paraná começa na divisa do Juvevê com o Cabral.

Onde há a Igreja do Cabral e um tubo antes do terminal de mesmo nome. Isso muita gente sabe.

Ruas em estrela, traço do Juvevê (e também do Boqueirão, Z/S). Essa foto é via ‘Google Mapas’.

Mas retornando mais um tubo em direção ao Centro veremos que o Juvevê justifica a alcunha de ‘Nascente da Zona Norte’ em mais uma dimensão:

A Erasto Gaertner (que começa Munhoz da Rocha e termina Monteiro Tourinho) e a Anita Garibaldi são duas das principais avenidas de Curitiba.

Um ícone cai: em dezembro de 17 o Mercadorama do Juvevê deixou de existir. Por décadas foi um emblema do bairro, mas se tornou ‘Wal Mart’ (essa mega-corporação estadunidense já era proprietária da rede a tempos). Flagrei a mudança, quando o logo do Mercadorama com seu ‘M’ inconfundível já estava jogado no lixo. Coisas da Vida!

E elas cortam partes opostas e distantes da Zona Norte. Mas pouquíssima gente sabe que elas nascem exatamente no mesmo ponto, uma em frente a outra:

Em frente ao Hospital São Lucas, no Juvevê. Você conhecia esse fato?

Se sim, você também é um ‘urbenauta’, um profundo conhecedor da urbe, da metrópole, em seus mínimos detalhes.

Entretanto, repito, a imensa maioria das pessoas não sabe. Mas assim é. Veja a 1ª foto da página. O hospital já citado. Destaquei nos detalhes:

A minha direita, a placa do marco zero da Avenida Anita Garibaldi. A esquerda, do outro lado da via do Expresso. a do marco zero da Munhoz da Rocha.

Ambas no mesmo ponto da João Gualberto, a quadra cuja sua numeração vai de 1770 a 1910, fato também realçado nas tomadas.

…….

Já voltamos a essa questão. Antes vamos, em tomadas antigas (várias delas ainda em preto-&-branco), voltarmos no tempo.

Viajaremos pros anos 60 e 70, antes e logo depois da construção do ‘Sistema Trinário’:

A via segregada do ônibus Expresso no meio, ladeada por duas estreitas pistas laterais de carros pro tráfego local.

E a uma quadra de distância pra cada lado, as ‘vias rápidas’, pro trânsito pesado de automóveis e demais linhas de ônibus.

Segura essa: rara imagem da Avenida João Gualberto ainda sem a canaleta nos anos 60 (fonte: Curitiba Antiga).

Curitiba e Lima no Peru disputam qual foi a cidade que inaugurou a primeira canaleta exclusiva pra ônibus do planeta.

Ambos os sistemas ficaram prontos no meio dos anos 70.  Depois a capital peruana parou de investir em transporte coletivo.

Assim por quase 30 anos (do fim dos anos 80 ao começo da década de 10) a coisa foi confusa em Lima, no transporte coletivo e múltiplas outras dimensões.

Tanto que nessa década de 10 mesmo que ainda estamos (essa postagem é de dez.17) ainda circulavam lá Monoblocos produzidos nos anos 80.

Típica rua interna do bairro.

Agora Lima despertou e modernizou seu transporte coletivo, concluiu seu metrô que estava inacabado e inoperante.

Também retomou a operação dos corredores de ônibus, reformando e modernizando o sistema que igualmente esteve mal-utilizado por décadas, após um início glorioso.

O início da Anita: em sua primeira quadra é um calçadão.

Mas a história do transporte peruano contaremos com mais detalhes quem sabe em outro dia. Aqui nosso tema é Curitiba.

Dei essa pincelada somente por isso, já que vamos falar da inauguração dos sistema Expresso, ressaltei que o Peru teve a mesma iniciativa na mesma época.

Vimos acima a descida da João Gualberto (pra quem vem do Cabral, a subida pra quem vem do Centro) ainda sem a canaleta. A tomada é dos anos 60.

E a foto que veio antes dela foi tirada um pouco depois no meio dos 70, a pista exclusiva já pronta mas ainda utilizada por ônibus convencionais.

O começo da M. da Rocha: aberto aos carros mas quase sem trânsito.

Entre 74 e 76, ônibus convencionais operaram as atuais linhas de Expresso pela canaleta recém-inaugurada ou mesmo em fase de obras.

Esse busos ainda tinham entrada por trás, pintura livre (num padrão com listras horizontais em verde e amarelo) e motor dianteiro.

Nas obras da canaleta, e mesmo logo após a inauguração delas, eles primeiro fizeram improvisados as atuais linhas de Expresso.

Mesmo depois que chegaram os ônibus próprios do novo modal (vermelhos, embarque dianteiro, motor atrás e bancos de lado, costas pra janela e virados pro salão), por um tempo o velho e o novo co-existiram.

Quase no mesmo local, contraste entre o antigo e o novo. O casarão é tombado: no início do século 20 foi um armazém. Até recentemente era uma funerária, que se mudou pro Centro. Agora está vago (na verdade dizem que uma senhora reside no andar superior).

A partir de 77, quando aportaram ainda mais levas de Expressos propriamente ditos, é que foi tudo padronizado no vermelhão.

Já fiz matéria específica sobre o transporte de Curitiba nos anos 70, 80 e 90.

Onde tudo isso é explicado com imensa riqueza de detalhes, incluso com dezenas de fotos, confira.

…………

Isto posto, enxerto aqui o emeio de um colega que foi criado na divisa entre Ahú e Juvevê.

Como ele mesmo explicou, o prédio que ele morou fica no Ahú.

Mas a ‘vida social’ de sua família (compras, etc.) era feita no Juvevê. Reproduzo parte de suas palavras:

”   A Manoel Eufrásio é uma rua muito agradável, apesar do movimento intenso.

No casarão há placa antiga, de quando o idioma português tinha outra grafia.

Nos anos 80, acredite, essa era também uma rua onde se jogava bola.

Exatamente no ponto em frente à entrada do Parque Pinheiros e do Chácara Juvevê (a propósito, o lançamento desse empreendimento foi nos anos 70).

A Rua Emílio Cornelsen, então, nem se fala. Até 1992, mais ou menos, era uma rua sem saída.

Ela acabava num terreno baldio logo depois do meu ex-prédio (que é um dos primeiros dessa via).

A foto panorâmica do Ahú (mais pro topo da página, a direita) capturei da internet há anos, do sítio da Construtora Galvão.

Ela foi a responsável por vários desses conjuntos de apartamentos dessa região.

As ruas em estrela – 3 vias se cruzam, ao invés de 2: onde há pouco movimento fizeram essas praças (as flores da região estão nessa outra mensagem).

O primeiro deles foi justamente o que chamei de Parque Pinheiros.

Esse é famoso por sua torre grande de 15 andares e mais os quatro ou cinco menores de seis andares.

Creio que foram entregues em 1972 ou 1973.

Logo depois veio o Edifício Colibri e mais os dois menores ao lado.

Isso em 1976, com apartamentos construídos segundo a mesma planta do anterior.

Onde há mais trânsito é na raça – com 3 vias se encontrando, é perigoso cruzar as preferenciais. No meio da vemos a Via Rápida (sentido bairro). Destaquei com as flechas brancas: os dois carros que vêm nas transversais têm que cuidar não apenas dos que estão na preferencial, mas também um do outro. E ainda poderiam estar vindo carros em mais 2 lados. 3 ruas se encontram, sendo uma mão única e duas de mão dupla: pode acontecer de virem carros em 5 direções pra cruzar a mesma esquina simultaneamente. Quem planejou isso achou que era genial, mas se mostrou ser uma lambança daquelas!! Repito, no Boqueirão é igual. Em ambos os bairros aos poucos estão corrigindo (implantando rotatórias ou fazendo uma via sair em outra antes de ambas cruzarem a maior de todas), mas levará tempo até acertar tudo.

No fim dos anos 80, surgiram esses maiores da Manoel Eufrásio e aqueles azuis já no lado direito da Emílio.

Esses últimos sendo projetos para a elite da época, apartamentos de 4 quartos mais dependência de empregada.

Construído no mais alto padrão de acabamento e arquitetura disponíveis.

Os da Manoel Eufrásio, de cor avermelhada, já eram mais voltados para a classe média.

Pude comprovar uma vez que a planta dos apartamentos é praticamente a mesma dos dois conjuntos anteriores.

Apenas com uma ou outra modernização estrutural.

Voltando a falar da panorâmica em p-&b: imagino ser entre 1969 e 1970.

Pode-se notar que nem mesmo a Emílio Cornelsen está traçada, embora já exista uma clareira bem no início dela.

Restaurante homenageia a Pátria Amada.

Os edifícios do Parque Pinheiros já estão sendo levantados.

Estimei esses anos porque descobri que o Colégio Loureiro Fernandes foi inaugurado em 1968.

Pelo visto antes da própria Rua Marechal Mallet ser traçada na frente dessa citada escola.

 Além de que não se pode ver o Conjunto Residencial Juvevê, inagurado em 1970 na esquina da João Gualberto com a Constantino Marochi, já quase no Alto da Glória.

Próximas 2: casas de madeira pois é Sul do Brasil. No detalhe notamos que no edifício ao fundo alguém também ostentou a bandeira brasileira.

O mais interessante dessa foto, no entanto é ver que a rápida que liga ao Centro ainda não existe.

Repare bem, a Anita Garibaldi termina na João Gualberto.

Bem em frente ao Hospital São Lucas (à esquerda na foto, ponto já tão comentado nessa matéria), e nada parece cruzar ela antes.

A Campos Sales, aparentemente, começava junto à Manoel Eufrásio.

Provavelmente a “rápida” cortou aquele mato só naquela gestão do Jaime Lerner em que os expressos começaram a rodar, ali por 1974.   ”

Próximas 4: fotos feitas a partir do Juvevê, mas mostram casas e prédios no vizinho Ahú.

…………….

Aqui se encerram os preciosos apontamentos desse colega, volto eu, O. M. . Vamos a minha resposta a ele:

A rua que divide Juvevê e Ahú não é a Emílio Cornelsen como constatastes, mas a própria Manoel Eufrásio. 

Sim, é certo que na virada pros anos 70 as ‘Vias Rápidas’ não existiam, surgiram junto com as canaletas, e não por outro motivo Lerner chamou de ‘Sistema Trinário’.

Mais uma transição. Ainda existem velhas casas de madeira (em alguns casos com a fachada em alvenaria). Mas ao fundo já vemos subindo mais um prédio baixo de classe-média.

Lembra que nos primeiros Expressos (aqueles Marcopolo Venezas e Nimbus Haraganos) vinha a flecha tripla que mostrava justamente isso, antes do ‘Cidade de Curitiba’ surgir?

E por que essa matéria se chama “Nascente da Zona Norte”? 

Repetindo o que já foi dito acima (esse emeio circulou antes da postagem, foi o protótipo dela):

Oras, porque pouquíssima gente sabe, quase ninguém na verdade, que 3 das principais avenidas da Z/N nascem no mesmo ponto.

O conjuntos Chac. Juvevê e Pq. Pinheiros (ambos no Ahú, como dito) em 2014. O prédio que veem em obras já está pronto.

A Anita Garibaldi e a Munhoz da Rocha (depois Erasto Gaertner e Monteiro Tourinho) têm seu marco zero no exato mesmo lugar.

Em frente ao Hospital São Lucas na esquina da Manoel Eufrásio com a João Gualberto.

Isso já foi amplamente analisado. Agora vamos as novidades:

Em sua primeira quadra elas quase não têm tráfego. Bem, a 1ª quadra da Anita é calçadão.

Na Chácara Juvevê, mais uma bandeira nacional. Mas a foto é em 2014, na Copa (antes do vexatório 7×1): a Zona Norte em dia de jogo do Brasil.

Aí então o fluxo de veículos motorizados é zero mesmo, excetuando o acesso as garagens.

No local há inclusive uma feira noturna as 3ªs-feiras.

Do outro lado da J. Gualberto a situação não é tão diferente assim:

A quadra inaugural da Munhoz da Rocha é uma via calma, de paralelepípedos.

Mais uma das ‘alamedas’ (ruas arborizadas) internas do Juvevê.

Ela contorna o Hospital São Lucas já tão citado. Ali os carros podem passar a vontade, mas pouquíssimos o fazem. É uma rua bem tranquila.

Se ela não fosse ladeira e nosso colega criado na Emílio Cornelsen ainda morasse na região, ele poderia até hoje jogar bola no comecinho da Munhoz da Rocha.

Agora que estou morando no Juvevê, eu me juntaria a ele: bota 4 pedras fazendo as vezes de traves, um time de camisas, outro sem, 5 vira, 10 acaba e vamos nessa!

Próximas 2: a divisa com o Ahú. Estou no Juvevê, e os edifícios mais ao fundo também. Mas os prédios em 1º plano ficam já nesse vizinho bairro.

…….

Agora, se na 1ª quadra a Anita e a Munhoz da Rocha são calmas, calmíssimas, logo a seguir a situação se altera diametralmente:

Posto que aí a Anita e a Munhoz da Rocha são a Via Rápida por pouco mais de uma quadra (uma em cada Rápida, claro), antes de embicarem em rumos  opostos.

Você sabia disso, que a Anita Garibaldi e a Munhoz da Rocha são Vias Rápidas?

Nesse caso ainda estou no Juvevê mas só aparece o Ahú na imagem.

Se sim, novamente você é a minoria, a imensa maioria desconhece esse detalhe.

A Anita Garibaldi é a Rápida que vem pro Centro, no trecho daquela descida em que no alto havia a fábrica da Tip-Top.

Já a Munhoz da Rocha é a Rápida que vai pro bairro, logo após a subida onde fica o asilo São Vicente de Paulo.

……..

Um rápido relance no vizinho Centro Cívico. Vemos na colagem, da esq. p/ dir.: 1- “Reforço Escolar” (o emeio com a foto fez sucesso!); 2- Táxi de Pomerode, Santa Catarina, em frente ao ‘Museu do Olho’; e 3- a Rua Mateus Leme agora tem sentido único, em direção ao bairro. Inauguraram o binário com a Nilo Peçanha, que volta pro Centro – quando tirei essas fotos (dez.17), estava na 1ª semana da novidade.

A João Gualberto testemunha a nascente compartilhada da Anita e da Munhoz, como já dito muitas vezes e é notório. Isso em sua última quadra.

Aquela que leva a numeração de 1770 a 1910 como a placa comprovou, enfatizando novamente.

Ao concluir essa subida, chegamos a Praça São Paulo da Cruz, onde está a Igreja do Cabral.

Pois ali é justamente a divisa entre Juvevê e Cabral.

Amanhece no Juvevê, 2014. Vemos o mesmo Hospital São Lucas (foto de autoria de um colega).

Muda o nome do bairro, a avenida permanece a mesma mas igualmente cambia de denominação:

A partir dali começa a Avenida Paraná, nome que ela manterá até a Igreja de Santa Cândida, quando se tornará a Estrada Nova de Colombo (“Rodovia da Uva”).

……….

A Zona Norte é dividida em 2 setores:

– Pilarzinho e entorno, região até 2010 atendida pela finada Viação Marechal. Ali as linhas de ônibus começam com ‘1’. Por exemplo, o Jd. Kosmos é a 169, o Primavera 171;

– Boa Vista, Barreirinha, Santa Cândida, Abranches, Bacacheri e imediações. Até a “licitação” de 2010, essa era a área original de atuação da Viação Glória.

Prédios do Juvevê num gelado “Anoitecer na Zona Norte”, junho de 2014.

Onde as linhas começam pelo ainda pelo nº ‘1’ no Abranches, mas a partir da Barreirinha com ‘2’. Por ex. o Cabral-Osório é a 201, o N. Sra. de Nazaré 280.

Um dia ainda escreverei uma matéria mostrando o sistema na numeração das linhas de Ctba e São Paulo. Mas por hora de volta a nosso tema de hoje:

Pois bem. Como dito, as linhas pro Abranches embora já fossem da Glória desde décadas ainda começam com ‘1’.

O “Céu de Curitiba” emoldurando seus espigões. Em 1º plano o Juvevê, onde estou. Ao fundo enxergamos o Alto da XV e Cristo Rei, que ficam entre as Zonas Leste e Central (confira em qual ‘zona’ fica cada um dos 75 bairros de Curitiba).

Da parte ‘2’ da Z/N, as 3 principais avenidas são Munhoz da Rocha/E. Gaertner, Anita Garibaldi e Av. Paraná.

E dizendo ainda mais uma vez, todas começam juntas, no Juvevê, a ‘nascente’ delas.

Portanto o título está plenamente justificado. Digo, as duas primeiras juntas mesmo, frente-a-frente. E uma quadra depois somente a Av. Paraná.

No caso da Anita e M. da Rocha,  sua primeira quadra é calma, sua segunda quadra é via rápida (outro fato pouco conhecido).

A partir da 3ª quadra aí sim elas tomam a forma que são conhecidas da massa. Isso já foi dito.

Esse Pôr-do-Sol no Juvevê é mais recente, de dezembro de 2017. Assim fechamos a matéria com chave de ouro.

Recapitulei pra traçarmos um paralelo com a Zona Sul, onde residi mais tempo em Ctba. (15 anos).

A Av. Brasília – que divide o Novo Mundo do Capão Razo – é exatamente assim também:

Tem a nascente pouco conhecida e também na Estrutural do Expresso, sua 1ª quadra é calma, é Via Rápida por umas quadras, depois embica pro bairro e toma sua forma conhecida.

1ª ATUALIZAÇÃO (AINDA EM DEZ.17) –

A partir dessa ao lado, e daqui até o final, nenhuma imagem é de minha autoria.

Duas que são de 2006 foram clicadas pelo mesmo camarada que mandou a panorâmica do Ahú em 1969/70 e contou um pouco a história do bairro.

Identifico quais são essas na legenda. As demais, mais antigas, ele puxou da internet.

A direita: aérea do Juvevê, 1973.

O ‘Sistema Trinário’ de Lerner (uma canaleta exclusiva do Expresso, duas pistas locais ao lado, e um binário de Vias Rápidas a uma quadra) já está pronto, ou ao menos em obras.

Av. João Gualberto, 1939. Não sei o que são essas motos, provavelmente um desfile militar – naquela época não existiam ‘moto-clubes’ como hoje.

Repare que o bairro praticamente não tinha prédios. A Rua Euzébio da Motta (1ª paralela a Rápida pela direita, pra quem vai no sentido Centro) ainda tinha trechos de terra.

Acima: estádio Couto Pereira ainda sem os anéis superiores nas curvas, mas já em uso. Foto dos anos 60.

Importante: como eu já expliquei antes, eu não torço pelo Coritiba F.C.

E nem nenhum outro time de futebolexceto o Atlético Nacional de Medelím-Colômbia.

Av. João Gualberto, 2006.

Portanto não inicie uma discussão futebolística que não é o caso aqui. Nosso foco é relembrar o passado da metrópole.

Se um dia eu tiver acesso a uma imagem antiga interessante da Baixada, Vila Capanema, Pinheirão ou qualquer outro estádio, eu publico também.

………

As imagens acima e ao lado são de 2006, e de autoria de nosso colega colaborador da página, como dito.

Eu relatei que naquele casarão funcionou uma funerária. Aqui a fachada ainda está pintada.

E a direita: a apenas 11 anos atrás (a postagem é de 17) ainda era rentável ter uma locadora, olhe o tamanho da ianque ‘BlockBuster’ na ocasião. As coisas mudam . . .

“Deu proverá”

Trem das Onze

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 4 de dezembro de 2017

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres

Marília vai viajar – e vai de trem. Ao lado ela esperando na plataforma da estação.

Infelizmente hoje o Brasil com raríssimas exceções não conta mais com esse modal pra longa distância, praticamente se resumiu somente a trens suburbanos.

Mesmo esses não são aproveitados no potencial que seria ideal.

Existem em raras cidades e na maioria delas são poucas linhas, em muitas delas uma só.

No passado existiu mesmo o lendário ‘Trem das Onze’ na Zona Norte de São Paulo, imortalizado na canção de mesmo nome.

Breve levanto pra página o que escrevi sobre o tema, mas hoje como adianto já vemos a Estação Jaçanã:

Aquela que o compositor da música saltava pois morava no bairro.

………

Feito esse registro histórico, voltemos a ficção. Marília vai viajar de trem, cruzar o país.

Sim, no Brasil isso não seria possível. Mas em outras nações o transporte sobre trilhos ainda é a realidade.

Por exemplo, visitei Argentina e África do Sul em 2017. Em ambos a ligação entre suas principais metrópoles ainda conta com esse serviço.

Tentei nos dois casos utilizá-lo, mas por questões de agenda (não haviam viagens disponíveis nos dias que precisávamos) não foi possível.

Na Argentina fiz os deslocamentos internos de ônibus, e na África de avião.

Então vamos Marília viajando ao exterior, e lá indo de trem de uma cidade a outra.

Ela está toda elegante, com luvinhas brancas transparentes, como se estivesse num casamento.

Em sua mala, como notam na primeira imagem no topo da página, ela amarrou uma fita rosa, mesma cor de seu vestido, pra poder identificar na esteira do aeroporto quando é o caso.

magia cigana

Agora uma Marília cigana. Dançando.

Um casal cigano, na verdade. Pois seu marido Maurílio é quem toca pra ela dançar.

Já desenhei essa manifestação quando retratei Marília como “A Devota” de diversas religiões.

Nesse caso era um casal de umbandistas. E nada mais natural:

Afinal consideramos que os ciganos são uma das muitas linhas da Umbanda.

A religião tirou parte de seu rito justamente desse povo.

Que nos últimos séculos se estabeleceu no Leste Europeu, mas cuja origem é a Índia:

Esse país super-povoado que é a ‘Grande-Mãe’ de boa parte da humanidade.

…….

Por isso vemos (em 2 escalas) a Marília Cigana.

Cheia de colares, e de roupa vermelha. Sempre, né?

E dessa vez sem véu. Então aproveito o embalo e mostro mais duas Marílias ciganas, essas de véu.

Os desenhos vieram de outras postagens, clicando na ligação aparece em escala maior com mais detalhes:

Acima “A Cartomante”, lendo no baralho o destino de alguém.

E depois fazendo a Dança do Ventre.

“Deus proverá”

Linha pintada no ‘Micro’ colorido; 3 cidades com troleibus; bom metrô e trem; poucos articulados e corredores: o Transporte na Argentina

Argentina (r): Meca do Tróleibus na Am. Latina – são 3 cidades, aqui um ex-Canadá em Mendonça.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 5 de novembro de 2017

Maioria das fotos de minha autoria. O que for baixado da internet eu identifico com um ‘(r)’ de ‘rede’, como visto ao lado.

Vamos falar da rede de transportes da Argentina.

De bate-pronto vamos dar um resumo da situação, depois vamos desenvolvendo.

Aqui e acima da manchete: Buenos Aires não tem tróleibus. Mas os ônibus a dísel são multi-coloridos, com itinerário pintado na lataria (igual a Lima).

Buenos Aires:

Excelente rede de trens suburbanos, uma dos melhores do mundo;

Metrô (um dos primeiros do planeta, 6 décadas antes do Brasil) razoável.

Atende boa parte da Capital Federal (‘CABA’, Cid. Autônoma de Bs. As.).

Mas essa é apenas a Zona Central da cidade que é a Grande Buenos Aires (‘Conurbado’), tendo menos de 20% da população.

Metrô de B. Aires, um dos 1ºs do mundo.

O metrô, por ser municipal, não entra na região metropolitana (‘AMBA’, Área Metrop. De Bs. As., que lá é em outro estado, a Província de Bs. As.).

Como sabem, na Argentina os estados são denominados ‘províncias’.

Logo, a periferia da capital é conhecida simplesmente como ‘A Província’. Nela vivem mais de 80% da população da Grande Buenos Aires.

Trem suburbano na Z/N da capital.

Essa imensa maioria não têm acesso ao metrô exceto via baldeação, portanto pagando duas vezes;

Ônibus: não há terminais e nem integração, seja física ou digital. Pouquíssimos articulados.

Não há padronização de pintura, os busos (lá chamados ‘micros’) são em pintura livre, com o itinerário pintado na lataria (o que também ocorre em Lima-Peru).

Corredor de ônibus MetroBus na Av. 9 de Julho, Centro de B. Aires. Não há integração.

Rede de corredores (chamada ‘MetroBus’) razoável, 50 km. Demorou muito pra ser implantada, apenas em 2011.

Portanto somente 6 anos quando o texto sobe pro ar em 17. Mas estão tirando o atraso, em expansão constante;

No sistema municipal e nas linhas metropolitanas que ligam o Centro ao subúrbio, todos os ônibus são de 3 portas e motor traseiro.

Bonde moderno em Mendonça.

Na periferia (as linhas internas metropolitanas que não entram na Cap. Federal), entretanto, vemos veículos de 2 portas e/ou motor dianteiro.

As linhas são conhecidas pelo número, e não pelo nome. Alguns busões alias só tem o nº no letreiro.

Esse também é o padrão na Itália, Paraguai e no Brasil no Rio de Janeiro e Santos-SP. Há outros países e cidades que isso ocorre, mas de cabeça me lembro desses.

‘Antes/Depois’ (r): as composições que rodam em Mendonça vieram usadas da fronteira EUA/México. Aqui vemos uma delas em ação no Hemisfério Norte.

Um dia houve tróleibus em Buenos Aires, mas não mais a muito. Em compensação no interior há 3 redes. O que faz com que a Argentina seja o país da América Latina com mais cidades contando com ônibus elétricos.

E o 2º da América, só atrás dos EUA que tem 4. No Brasil são 2 cidades: Grande SP e Santos. 3 sistemas, pois em SP há o municipal e o metropolitano. De volta a Argentina:

Córdoba (maior cidade do interior, e a mais importante, em termos políticos e econômicos):

Tróleibus: são apenas 3 linhas, exclusivamente com Mulheres ao volante.

Próximas 2: Tróleis em Mendonça. Da mesma leva ex-Canadá que o que vemos na 1ª foto da matéria, no alto da página. Agora eles foram repintados em apenas uma cor, não há mais nada escrito na lateral.

É uma viação estatal municipal, que também opera alguns ônibus a dísel.

A política é ter um quadro funcional 100% do sexo feminino como condutoras.

São as únicas motoristas Mulheres que vi na Argentina, incluindo elétrico e a combustão de carbono.

Nos ônibus particulares de Córdoba, Mendonça e Buenos Aires só vi Homens guiando.

E os tróleibus de Mendonça (dir.), que também são estatais, igualmente são dirigidos pelo sexo masculino. A capital Buenos Aires não tem viação pública.

A traseira. Nos detalhes: avisos no interior bi-língues em inglês e francês (apesar que Vancuver é Costa Oeste, não fala francês). E um cartaz que fotografei no Centro protestava contra a privatização.

Voltando aos tróleis de Córdoba, as motoristas são Mulheres, mas o acesso é livre a passageiros de ambos os sexos.

No México ocorre o contrário: há ônibus que só Mulheres podem utilizar (Homens com menos de 12 anos ou mais de 65, entre essas idades somente deficientes).

Mas a maioria dos motoristas dos ‘ônibus rosas’ mexicanos são Homens, alguns são guiados por Mulheres, mas são poucos.

Ônibus: não há pintura padronizada, corredores ou terminais, nem integração seja física ou temporal.

Articulado em Mendonça (viação Maipu). Proporcional a população, essa é a cidade com mais ‘sanfonados’ na Argentina.

A maioria dos ônibus contam com 3 portas, mas existem vários com 2.

Em Córdoba há mais articulados que em Buenos Aires, proporcional a população.

Como no Brasil e ao contrário de Buenos Aires, o itinerário não vem pintado na lataria.

No entanto, como na capital as linhas são mais conhecidas pelo número que pelo nome. Alguns ônibus de Córdoba igualmente só trazem o número no letreiro.

Moderno ônibus (viação Trapiche) de Mendonça, até com letreiro eletrônico. Mas tem somente 2 portas.

Pequena rede de trens suburbanos, apenas 1 linha. O detalhe lamentável é que a parte mais urbana esteja cancelada em 2017.

Pois estavam ocorrendo constantes apedrejamentos na favela chamada ‘Vila de Náilon’.

Antes o trem saía de uma estação bem central em Córdoba, parava numa outra ainda dentro desse município mas já na periferia.

Veja o canal pra escoar água dos Andes, típico de Mendonça (viação Maipu).

E dali seguia pra algumas cidades que são no interior do estado (‘província’) de Córdoba.

Não são mais região metropolitana, mas ficam próximas a capital.

Agora o trem já parte da estação da periferia rumo ao interior, não faz mais o pega urbano dentro da capital pra evitar o trecho problemático.

Digo, relato o que era verdade quando estive ali em março de 2017. Na ocasião a Argentina enfrentava dolorosa agonia política.

Próximas 3: trem suburbano de Córdoba.

Que se refletia nessa situação de normalização de apedrejamento do transporte coletivo, como já detalhei melhor na postagem ligada em vermelho acima.

Pode ser que quando você estiver lendo essas linhas a situação tenha sido normalizada. Faço votos pra que assim seja.

Tristeza: por constantes apedrejamentos eliminaram um trecho da linha.

Mendonça (4ª maior cidade argentina, 3ª do interior depois de Córdoba e Rosário):

Bonde moderno, implantado num antigo ramal de trens de carga. Funciona bem, um meio rápido, barato e não-poluente de ligar o Centro a populosos subúrbios da Zona Sul.

Detalhe: as composições foram importadas usadas da fronteira EUA/México. Antigamente operavam na linha que liga a Grande São Diego (Califórnia) a Tijuana.

Grades na janela pra evitar que o motorista seja atingido por pedras. Na África do Sul do ‘apartheid’ era assim, mas hoje não mais.

Presenciei em Mendonça uma que o letreiro não havia sido mudado, infelizmente não pude fotografar.

Tróleibus de uma viação estatal. Ao contrário de Córdoba, dirigidos por Homens. São 6 linhas, e o sistema passa por expansão e modernização.

Em 2013 foi inaugurada uma longa linha, de 13 km. E no ano seguinte outra, essa mais curta, até a universidade.

Articulado de Córdoba.

Alguns tróleibus são ex-Vancúver, Canadá. Os da linha 4 pra Dorrego, que foram os que eu andei e fotografei, se enquadram nesse caso.

Assim vemos que essa é uma tradição mendoncina, importar da América do Norte os veículos de seu transporte elétrico.

Também Córdoba, mesma viação. Na Argentina as linhas são conhecidas pelo nº, esse sequer tem o nome no letreiro.

Até recentemente havia também tróleis russos e alemães, esse últimos eram mais curtos e trucados (tribus, ou seja 3 eixos).

Não tenho certeza quanto aos russos, mas os tróleis alemães não circulam mais em Mendonça.

Já estão fora de serviço, flagrei vários deles sendo desmontados.

Eram vendidos como sucata num desmanche de beira de estrada na entrada da cidade, mas não deu tempo fotografar.

Tróleibus em Córdoba. São só 3 linhas, denominadas ‘A’, ‘B’ e ‘C. Viação estatal.

Em compensação, chegou uma nova leva de tróleis, e esses de fabricação argentina mesmo, ademais gerou empregos e tecnologia nacionais.

Ônibus: mesma situação do resto do país, sem terminais, integração ou padronização de pintura. Como em Córdoba, não há corredores, mas tampouco o itinerário é pintado na lataria.

O ponto negativo de Mendonça é que ali a maioria dos ônibus é motor na frente e de 2 portas, os de 3 são exceção.

Em compensação Mendonça é a cidade da Argentina com mais articulados, proporcional a população.

Todos os tróleis de Córdoba têm Mulheres ao volante.

Em Mendonça (ao menos nos a dísel) o número principal que você vê no letreiro não é o da linha, mas ‘tronco’, ou seja, da avenida principal que várias linhas pegam.

A linha mesmo vem num letreiro menor no para-brisas. Exemplificando é mais fácil entender, vide a tomada abaixo a direita.

Ali escrevi ‘corredor’, mas não no sentido de canaleta exclusiva, porque elas não existem no interior da Argentina.

‘Corredor’ aqui é no sentido usado na Rep. Dominicana, o eixo, a avenida principal que a linha passa (dado que um dia também foi mostrado em Belo Horizonte-MG).

 Mendonça (por isso 2 portas): o nº no letreiro maior é o tronco. A linha vem no letreiro menor, no vidro (Viação Avelar).

………

Rosário é a 3ª maior cidade argentina, a 2ª do interior após Córdoba.

E em termos de relevância política ambas disputam palmo-a-palmo quem tem mais influência.

Agora, como detalhe curioso aponto que no futebol Rosário é disparado o maior polo após a capital.

Rede de trens da Gde. Buenos Aires. Em vermelho a divisa entre a Cap. Federal (‘CABA’) e a ‘Província’ (‘AMBA’, a região metropolitana). Note que os próximos 2 mapas só mostram a ‘CABA’, ou seja dentro da linha rubra.

Das 132 edições de seu campeonato de futebol (quase sempre 2 por ano) Buenos Aires e seus subúrbios venceram 122.

Apenas 10 foram pro interior, e todas pra Rosário. Ademais, Buenos Aires (incluindo subúrbios) ganhou todas as 24 Libertadores da Argentina.

Somente em 2 vezes o interior da Argentina chegou a final da Libertadores, e as duas vezes foi novamente Rosário.

Escrevi tudo isso pra colocar que se nos campos político, econômico e cultural a rivalidade entre Córdoba e Rosário é intensa, no futebol não há comparação possível.

Esse esporte na Argentina se concentra 90% na capital. Do pouco que sobra pro interior, Rosário fica com praticamente tudo.

Rede de metrô.

Em termos nacionais Córdoba é praticamente irrelevante, e em Mendonça e demais cidades então os times só têm qualquer importância a nível local.

Já fiz matéria específica sobre o futebol, onde dou todos os detalhes, ricamente ilustrado.

Aqui só fiz esse adendo pra mostrar que nessa dimensão – que é a própria Alma da Argentina! – Rosário é o orgulho do interior:

Corredores de ônibus MetroBus.

A única cidade que faz alguma frente ao gigante que é Buenos Aires. Então voltando ao transporte, que é nosso tema atual.

Rosário também tem tróleibus. Incluso alguns ex-Belo Horizonte. Digo, eles foram produzidos e inclusive pintados pra rodar na capital mineira, mas não chegou a acontecer.

Ficaram anos parados num depósito, até que foram exportados pra Argentina. Já contei essa história outro dia, com muitas fotos.

Como não tive a oportunidade de ir a Rosário, não posso detalhar como funciona sua rede de ônibus, faço apenas esse adendo que lá também há veículos elétricos.

………

TETRA-MODAL: a favela Vila 31, no Centrão de B. Aires, fica atrás das estações de trem e ônibus, e pertinho do aeroporto e porto. Consegui numa tomada enquadrar o 4 modais (na África do Sul foram 3).

Como é sabido, essa vizinha nação teve seu período de glória na primeira metade do século 20.

Nessa época era considerada (ao lado do vizinho Uruguai) uma ilha europeia no oceano latino-americano.

Após a Segunda Guerra Mundial, entretanto, a Argentina entrou num novo ciclo, enfrentando severa decadência em várias dimensões:

Econômica, política, cultural, etc. O que a nivelou a mesma frequência dos demais vizinhos da América do Sul.

Veja bem: não estou dizendo que a Argentina está pior que o Brasil. Não.

Buenos Aires, o buso brilha refletindo o Sol. Linha 17, que eu cliquei as 17 horas do dia 17, que alinhamento, não? Pro que nos importa aqui, no itinerário pintado na lata vemos que ele passa pelo corredor MetroBus.

Diria que os dois países estão mais ou menos no mesmo nível, há pontos em que estamos a frente deles, e outros em que eles estão mais evoluídos.

A questão é que por um século, do fim do século 19 até a década de 80 do 20, não havia qualquer comparação possível.

A Argentina estava então milênios-luz a frente do Brasil, especialmente na coesão social.

Esse não é mais o caso. Repito, não estou afirmando que a Argentina é o pior país da América Latina ou mesmo do Sul. Mas está muito longe de ser o melhor.

Na Argentina os busos não têm catraca ou cobrador, você encosta o cartão na máquina (mas não há a evasão rampante do Chile). Falar nesse país trans-andino, tanto as chilenas como as argentinas a-d-o-r-a-m cachecóis e echarpes, como nota!

Indubitavelmente, houve uma queda de patamar. Agora estamos todos no mesmo barco, se quiser colocar assim.

Não por outro motivo denominei a série que retrata a Argentina como “Ascensão & Queda”.

Na Abertura da Série, que tem exatamente esse título, já tracei um panorama mais geral, multi-dimensional.

No tema de hoje, vamos nos focar especificamente nos transportes, que obviamente também seguem o que delineei acima

Já escrevi antes: o metrô de Buenos Aires (abreviada ‘Bs. As.’) é de 1913. Um dos mais antigos do mundo.

O de Londres-Inglaterra foi eletrificado (e portanto a partir daí considerado metrô) em 1890. O de Paris-França é de 1900, Nova Iorque-EUA inaugurou o seu em 1904.

A tomada anterior foi feita em Mendonça. Portanto a bela argentina de echarpe encosta na catraca eletrônica o cartão abaixo a esquerda. Vemos também os de Córdoba (no interior ambos se chamam ‘Red Bus’) e de B. Aires (‘Sube’).

Assim vemos que o metrô da capital argentina é apenas 13 anos mais novo que o da capital francesa, e veio menos de uma década depois da principal cidade estadunidense. 

Mais: o metrô de Buenos Aires (lá chamado ‘subte’, diminutivo de ‘subterrâneo’) foi o 1º de todo Hemisfério Sul, o 1º de toda América Latina.

E, se tudo fosse pouco, o 1º de um país de língua espanhola, pois mesmo o de Madri-Espanha chegou 6 anos depois dele.

O metrô de Lisboa-Portugal, que também é Europa Ocidental, só foi rodar em 1959.

Catraca de B. Aires pede que se ‘informe o destino’. Atrás os protestos que sacudiram o país no começo de 2017, mesmo tarde da noite eles seguiam.

Hoje a China tem os dois maiores sistemas de metrô do mundo, nas suas capitais política e econômica Pequim e Xangai.

Entretanto o metrô de Pequim é de 1965, e o de Xangai ainda mais novo, entrou em operação bem recentemente, em 1993.

Já que estamos na Ásia, Tóquio-Japão fez o seu em 1927, e o de Seul-Coreia do Sul é de 1974.

Hoje esses dois sistemas são infinitamente maiores que os de Buenos Aires.

Mas os portenhos contaram com esse conforto 14 anos antes que os japoneses, e 61 anos antes dos coreanos.

Há razões pra protestar: a Argentina está depauperada, e na periferia sua frota parece a de Cuba. Daqui pra baixo vamos combinar  o seguinte: quando a foto for no interior eu informo. Se não disser nada é em Buenos Aires, como é o caso aqui.

Somente no mesmo ano de 1974 o Brasil passou a contar com esse modal, quando São Paulo inaugurou sua primeira linha.

No México D.F. em 1969, pouquíssimo antes de SP e muitíssimo depois de Bs. As. .

O primeiro e até agora único metrô da Colômbia, o de Medelím, data de apenas 1995.

Assim fica evidente o passado glorioso da Argentina:

Muito próxima na Linha do Tempo de Londres, Nova Iorque e Paris, e a frente mesmo de Madri (a ex-colônia superou sua antiga metrópole). E décadas e décadas a frente de Portugal, Brasil, México, China e Colômbia.

Os táxis na Argentina oscilam entre o preto e o amarelo.

No entanto essa não é mais a situação do país, exatamente o oposto sendo verdadeiro.”

Modelo na primeira metade do século 20, a Argentina estagnou na segunda metade, marasmo que adentrou a 1ª metade do século 21.

O Brasil passou por ampla onda de modernização do transporte a partir da virada pros anos 80, processo ainda em andamento.

Depois dos anos 90, a América Latina nos acompanhou nessa vibração:

Por exemplo, Santiago do Chile foi a 1ª cidade hispano-americana a padronizar a pintura dos ônibus, em 1992 – foi a saudosa ‘Febre Amarela‘.

Centro de Buenos Aires: a chilena Metalpar tem boa fatia do mercado de carrocerias argentino.

Medelím inaugurou seu metrô no meio dessa mesma década, e depois expandiu-o via modal teleférico a morros inacessíveis a engenharia convencional.

Até os menores países países da América Central (tanto continentais quanto insulares, o Caribe) investiram pesado no ramo, fazendo metrô e modernizando os ônibus.

E a Argentina permanecia adormecida. Até o fim da década passada (o texto é de 17) já existia metrô e trem em Buenos Aires, óbvio.

Próximas 3: Retiro, Centrão de B. Aires. Ali é o ‘ponto zero’ da malha de transportes. Nessa foto a estação de trens (suburbanos e longa distância). A frente um buso da linha 115.

Mas a rede de ônibus da cidade se parecia muito com a de Assunção-Paraguai.

(Nota: não estou falando por preconceito. Estive no Paraguai em 2013, e constatei que a época ‘não haviam trem, metrô, corredores, articulados ou integração;

Mas haviam muitas jardineiras‘ [aqueles ônibus encarroçados em chassi de caminhão, com motor a frente].

E tampouco falo com desprezo. Ao contrário, Eu Amo o Paraguai, e agradeço muito a oportunidade que a Vida me deu de ter ido a sua capital.

Cruzando a rua está o Terminal Central (não-inegrado) de ônibus urbanos.

Além de várias vezes já ter visitado a Cidade do Leste, sua maior metrópole do interior.

Ainda assim, fatos são fatos. O Paraguai ainda não investiu na modernização do transporte. Haviam em 2013 planos de fazê-lo, e espero que tenham saído do papel.

Na quadra seguinte a Rodoviária.

Mas quando estive lá retratei a situação como a vi, e era essa.)

Pois bem. Em 2010 boa parte da América Latina, do Chile a Colômbia, Venezuela, Peru, México, América Central, já contava com modernos articulados que iam por canaletas exclusivas, com embarque em nível.

E em Buenos Aires . . ., bom já não haviam mais jardineiras, é certo.

Transição: a Argentina está mudando o emplacamento , a esq. o novo modelo.

Essas um dia foram oni-presentes na Argentina, mas nesse milênio já haviam sido eliminadas da capital (no fundão do interior ainda haviam alguns ‘heróis da resistência’).

Mas de resto, o sistema de ônibus da capital da Argentina se assemelhava muito a da capital do Paraguai:

Bi-trens são comuns no país (o Mercedes maior foi clicado chegando em Mendonça, os brancos do detalhe não tenho certeza).

Sem padronização de pintura, integração, corredores, terminais ou articulados. Ao menos, já tardiamente, nessa década houve um despertar.

Foi inaugurado o primeiro corredor – chamado ‘MetroBus’ como na Cidade do México e várias outras metrópoles pelo planeta.

Tróleibus na Argentina, em verde ativos, vermelho um dia existiu. A fonte é a Wikipédia.

E há alguns articulados. Muito poucos. Tão poucos que nem consegui fotografar.

Eles existem, sim, mas são raros, grosseiramente insuficientes pra uma megalópole de 12 milhões de pessoas.

Vi mais articulados na Zona Oeste de Buenos Aires. No corredor que leva ao bairro Liniers, na divisa de município, passaram alguns sanfonados.

Infelizmente nesse dia minha câmera estava sem bateria e não consegui registrar.

Mas no Centro de Buenos Aires, por exemplo, não passam articulados. E nem na maior parte da cidade.

Tróleibus em Rosário (r). Mas a linha é Venda Nova (BH-MG)???? Que ‘Tabela Trocada‘, hein? Nessa outra mensagem eu mostro toda linha do tempo dessa safra, de BH pra Rosário.

Fiquei 4 dias rodando com máquina na mão, e não deu certo clicar – e o motivo é esse, são muito poucos.

Ademais, no corredor os pontos não têm plataformas nem catracas. Ou seja, não há embarque em nível nem pré-pago – portanto não existe integração.

Simplesmente criaram uma pista exclusiva pros ônibus normais, curtos e de piso baixo, pararem.

Claro que houve vantagens, agora os coletivos não pegam congestionamentos nos trechos das grandes avenidas que têm MetroBus, e eles estão sendo ampliados.

Colagem mostra dezenas de busos urbanos de Buenos Aires. A maioria das marcas Agrale ou Mercedes-Benz.

Mas ainda é pouco. É preciso hierarquizar as linhas em troncais e alimentadoras.

Do Centro até alguns pontos-chaves em várias partes da cidade, as linhas precisam ser feitas por articulados que tenham corredores exclusivos em todo trajeto.

E desses pontos pras vilas, aí sim os ônibus pequenos podem continuar operando como alimentadores. Se houver a integração no cartão não há a necessidade de construção de terminais físicos.

Esse modelo é usado no mundo todo, do Brasil ao México, Guatemala, Indonésia, Turquia, China, até a Colômbia e Chile, pra citar apenas alguns.

A Argentina é quem ainda não despertou pra essa realidade tão óbvia. Vendo por outro lado, até somente 6 anos atrás (quando escrevo) nem o corredor não-integrado existia.

Aí era a raça mesmo, os ônibus duelando cm os automóveis nas vias entupidas do horário de pico. Se serve de consolo . . .

Já seguimos com o texto. Antes uma galeria de imagens com mais ônibus de Buenos Aires, quase sempre com a linha escrita na lataria:

Próximas 2: linha de bonde moderno abandonada no Centro de Buenos Aires.

Sobre a última foto: macaco vê, macaco imita. O nome do bairro é Palermo, mas os parvos chamam de ‘Palermo Soho’.

Porque pensam que vivem em Nova Iorque/EUA. Os macacos existem em nossa pátria também:

O Batel aqui em Ctba. é igualmente chamado ‘Batel Soho’ por alguns. Lamentável . . .

…………

Vamos falar mais alguns detalhes do que observei na minha estada na vizinha nação:

Ali crianças de mais de 3 pagam passagem. No Brasil é 6, o dobro. Diferença significativa, obviamente.

Outra plaquinha que está afixada em todos os ônibus argentinos:

“Proibido abrir as janelas no inverno ou em dias frios”.

Esse é o verdadeiro estado-babá, que trata os cidadãos como bebês incapazes, a quem tudo precisa ser dito nos mínimos detalhes.

A Linha Turismo de Córdoba é feita por um 2-andares inglês antigo – daí a porta na esquerda. Só tiraram o teto.

Oras, deixe que os próprios passageiros negociem entre si quando e quanto abrir de cada janela, não é papel do governo querer regular até isso.

………..

Nas carrocerias a chilena Metalpar tem boa fatia do mercado argentino. Isso já disse na legenda acima.

Entre os chassis, quase todos são Agrale ou Mercedes-Benz. Curioso isso, não? A Agrale é brasileira, com sede em Caxias do Sul-RS.

Hoje não existem mais ‘jardineiras‘ (ônibus em chassi de caminhão) nas grandes cidades argentinas. Mas por décadas eles reinaram absolutos. Viação de Bs. Aires relembra em adesivos o tempo que os ‘bicudinhos’ dominavam as ruas portenhas.

Mas aqui em nossa Pátria Amada quase não vemos ônibus Agrale. No entanto, em Buenos Aires eles são extremamente comuns.

Alias, no século passado era proibido a importação de ônibus pra Argentina.

Abriram uma exceção pros tróleibus Marcopolo brasileiros que iriam pra B. Horizonte, mas nunca foram.

Ficaram anos num pátio, quando foram exportados pra Rosário. Assim quebrando alguns tabus:

Foram os únicos tróleibus brasileiros a rodar no exterior, em qualquer país. Alias creio que essa situação se mantém inédita até hoje.

E segundo, por muito tempo eram os únicos ônibus brasileiros na Argentina, contando elétricos e a dísel.

Segura essa: em registro do sítio DBPBuss, uma jardineira operando na Argentina, no ano de 2009. Em Porto Iguaçu, fronteira com Brasil e Paraguai.

Essa reserva de mercado se foi. Hoje os ônibus brasileiros podem ser vendidos livremente nessa vizinha nação.

No mercado rodoviários eles são infinitamente comuns. Nos urbanos de tamanho normal existem porém são muito raros. Mas entre os micros embora longe de serem dominantes são comuns.

Eu mesmo andei (e fotografei) num micro brasileiro entre Córdoba e uma cidade do interior próxima.

……….

Na Argentina os ônibus não tem catraca física, apenas uma máquina onde você encosta o cartão pra que a passagem seja descontada.

Antiga jardineira do transporte urbano, agora transformada em uma casa-móvel.

Ainda assim, não há a evasão rampante de passagens como no Chile.

Contei com mais detalhes, incluso com fotos, quando voltei de lá: em Santiago, creio que quase um terço dos passageiros não pagam a tarifa.

Há campanhas com cartazes por toda a cidade, e também dentro dos coletivos, pra tentar diminuir essa situação, até agora sem muito sucesso.

No Chile os busos também não tem catraca, alias esse é o padrão pelo planeta, já falamos mais disso.

Linha 146 e o Banco da Nação na Pç. de Maio, Centro de Bs. As..

Na periferia da Zona Sul de Santiago, que é a parte mais ‘quente’ da cidade se é que me entendes, alguns micros alimentadores têm catraca.

E com isso a evasão se reduz significativamente, pra menos de 10%. Ainda assim, alguns jovens pulam a roleta.

………..

Não é o fato de ter ou não roleta física que determina o grau de evasão. Alias, a situação do Chile não tem paralelo com outros lugares.

Em todos os outros países que visitei, com exceção da República Dominicana nenhum outro tem roleta.

E em nenhum deles – incluindo a Argentina – há tanta gente que anda sem pagar como em Santiago.

Próximas 3: linhas especiais da Grande Buenos Aires. Todas elas fotografadas na Zona Norte (Palermo/Recoleta), a parte rica da cidade). A 57 é o ‘Expresso Palermo‘, ônibus urbano mas só 1 porta.

Mesmo no Litoral do Chile os micros não têm catraca, mas as pessoas pagam pela viagem corretamente.

Enfim. Como disse, só no Brasil e República Dominicana existe a profissão de cobrador de ônibus.

Nos demais ou a cobrança já é mesmo eletrônica (você encosta o cartão numa máquina) ou então você paga ao motorista.

……..

Hoje na Argentina é eletrônica, não se aceita mais dinheiro nos ônibus.

A 194 tem duas portas, mas também é diferenciada, com cortinas inclusive.

Mas no passado, antes da revolução digital, o usuário pagava em dinheiro, tinha que ser em moedas, e no valor correto.

O que gerava um problema seríssimo, pois se você não tinha o valor exato – em moedas de metal, repito, notas de papel não eram aceitasvocê não andava de ônibus.

Minha primeira viagem pra Argentina foi em 2017, então não presenciei essa situação lá. Mas parentes que viajaram anos atrás passaram por isso.

Essa é um ônibus de viagem, mas a linha é urbana, dentro da região metropolitana.

Antes de pegar o buso você tinha que rodar o comércio pedindo que a algum comerciante trocasse suas notas por moedas, e a maioria se recusava aliás.

Houve casos em que as pessoas tiveram que ir de táxi, pagando mais caro, pois não tinham trocado pro ônibus.

Não passei por isso na Argentina, mas no Hemisfério Norte sim. Fui a Nova Iorque/EUA em 1996. Ao lado do motorista havia um moedeiro:

Exatamente igual, você tinha que pagar a tarifa em moedas e sem sobras pois a máquina não dá troco.

Um belo fim-de-tarde no Centro de Avellaneda, Zona Sul da Grande Buenos Aires. Como em Córdoba, só há o nº da linha pintado no letreiro.

Digo, se colocasse a mais você podia viajar, mas perdia a diferença.

Já havia cartão, mas 21 anos atrás (nov.17 é quando escrevo, relembrando) mesmo nos EUA seu uso ainda era incipiente.

Depois fui ao México, em 2012. A mesma situação, havia o moedeiro, e você necessitava desembolsar o valor exato.

Guia de Buenos Aires traz além do itinerário a viação que faz os roteiros e sua pintura. Numa cidade de pintura livre em que praticamente cada linha é de uma cor, uma informação útil.

……….

A tarifa do metrô de Buenos Aires é única, independente de quanto você utiliza:

Você pode andar somente uma estação ou então percorrer uma linha inteira, fazer baldeação e a seguir andar outra linha inteira.

E tudo que há no meio desses extremos. Resumindo, tanto faz quantas estações você anda, se troca de composição ou não, paga a mesma quantia.

Mas nos ônibus e trens o preço varia conforme o trecho percorrido. Ao embarcar você diz onde vai descer, e é debitado de acordo. Isso nos ônibus.

Veja que na foto noturna em que mostro a catraca em primeiro plano e fora da janela um protesto em B. Aires, a roleta diz: “Informe destino”.

Próximo da divisa de Avellaneda com a Cap. Federal achei essa transgenia. No Brasil já flagramos caminhões que receberam cabine de ônibus. Mas na Argentina é de mão dupla: começou com um ônibus encarroçado em chassi de caminhão. No fim de sua vida útil voltou a ser caminhão! Mas mantiveram a porta do ônibus!!! Tudo vai e volta . . .

Em cima dela, se você ler com cuidado observa, um aviso explica: “Preencha o destino, e não o valor da passagem, pra não dar confusão”.

Nos trens você tem que passar o cartão tanto na entrada quanto na saída. Aí a máquina calcula quanto você percorreu, e desconta proporcionalmente do seu crédito.

Na maioria dos países a tarifa é proporcional a distância.

Nos micros e vans da Colômbia, México, Chile, nas linhas metropolitanas do México, na África do Sul em todos os modais, no metrô de Valparaíso-Chile, é sempre cobrado conforme o trecho que você utiliza.

Num dia bastante tumultuado, em que inclusive andei de camburão ao ser abordado pela polícia numa das periferias mais perigosas de Durbã/Áfr. do Sul, um dos problemas foi esse:

Ataque em Dupla: não foi apenas um, mas dois busos que viraram caminhões.

Ao descer do trem o fiscal constatou que por engano eu havia pago o valor errado da viagem, por não ter conseguido uma boa comunicação com o bilheteiro da estação central.

nos ônibus de Córdoba e Mendonça a tarifa é fixa como no Brasil.

Idem nos ônibus grandes municipais do Paraguai, Colômbia e México, nos metrôs desses últimos dois países, nos ônibus e metrôs de Santiago, na República Dominicana em todos os modais – nesses casos o valor é pré-determinado, independente do tanto que seja andado.

Em Córdoba. Palavras não são necessárias.

Bem, na Argentina, resumindo, só no metrô de Buenos Aires e nos ônibus municipais do interior é fixa.

Até nos ônibus grandes municipais da capital oscila conforme a distância.

Por falar no cartão, nas capitais da Argentina como do Chile ele te empresta o equivalente a duas viagens quando está esgotado.

Assim você vai pra casa e no dia seguinte chega a teu trabalho tranquilo.

Próximas 5, Córdoba. Aqui e a esq.: Ersa, creio ser a maior empresa. Logo 3, ‘Ataque em Bando‘. Um raro com 2 portas.

Aí tem o dia seguinte inteiro pra re-abastecer de créditos.

De forma que não precisa ficar rodando as vezes em horários e locais perigosos buscando um ponto de recarga. O Brasil deveria adotar essa solução.

……..

Em Buenos Aires todos os ônibus das linhas mais movimentadas têm 3 portas.

AuCor, Autobuses Córdoba, outra viação grande. Esse buso provavelmente é ex-Ersa, pois a pintura é a idêntica.

Apenas algumas internas do subúrbio, de uso local, ainda contam com veículos só com 2.

Em Córdoba quase todos com 3, mas ainda vemos os de 2 (a direita um deles). E Mendonça está bem pra trás, lá a regra ainda é 2, só alguns com 3.

Bem, nada é tão ruim que não possa piorar. Na África do Sul, pela herança inglesa, a imensa maioria dos busos só tem 1 porta, até 2 ocorre as vezes mas já é um luxo.

Viação Coniferal.

E 3 portas não existe exceto nos articulados. A circulação interna nos busões sul-africanos é horrorosa.

Empurra-empurra geral, e não é culpa das pessoas, afinal estão tentando entrar e sair pelo mesmo local.

Unindo então fluxo e contra fluxo. No 2-andares então é pior ainda, aquilo é um pesadelo.

Salão interno do tróleibus.

Já começa pela confusão na única porta que há – e onde o motorista ainda têm que cobrar a passagem e emitir o bilhete -, e boa parte do salão de baixo é tomado pela escada e motor.

Acrescente-se ainda a confusão na escada, onde o mesmo se repete: um espaço apertado, onde alguns querem ir num sentido, outros na mão oposta… aff!!!

Tenebroso. quando conseguimos enfim descer do 2-andares lotado no Centro de Joanesburgo foi um verdadeiro alívio. Enfim, nosso tema de hoje é a Argentina. Coloquei apenas pra traçarmos esse paralelo.

Garagem na periferia, ainda em Córdoba.

Se os busos 2 portas de Mendonça são ruins, comparados com os de 1 porta (e as vezes 2-andares) da África eles são um sonho.

Mais uma pausa pra fotos. Vimos acima busos da Ersa, AuCor e Coniferal de Córdoba. Seguimos nessa cidade, as mesmas viações.

Linha Turismo de B. Aires: também 2-andares conversível, mas esse é novo e feito na Argentina.

Um dia as jardineiras (ônibus com chassi de caminhão, o motor saltado a frente) dominaram toda América Hispânica, da Argentina e Chile ao México e tudo que há no meio.

Do Paraguai ao México, passando por Bolívia, Peru, Colômbia e toda América Central, elas ainda são muito comuns – na Colômbia e no México, presenciei pessoalmente, ainda fazem jardineiras zero km.

Próximas 2: metrô de Buenos Aires. Aqui a entrada na calçada, uma escada, parece Nova Iorque.

Mas na Argentina, Chile e Uruguai elas já não existem mais nas grandes cidades desde os anos 90.

Nos fundões do interior ainda encontrávamos algumas até pouquíssimo tempo atrás.

Em Porto Iguaçu (no estado argentino das Missões, na fronteira com Foz do Iguaçu/Brasil e Cidade do Leste/Paraguai) vi pessoalmente no ano de 2006 as jardineiras ainda na ativa.

E um sítio de busologia, o DBPBuss, registrou a cena, nessa mesma cidade, no ano de 2009, já publiquei a foto mais pro alto da página.

Falar no Paraguai, embora ali elas ainda existam aos montes, também caminha pro fim.

No Paraguai não se compram mais jardineiras zero km, ao contrário de México e Colômbia.

Mural na estação.

Quando as últimas jardineiras esgotarem sua vida útil como transporte urbano, se acabarão nas grandes cidades do Paraguai também.

O Panamá vive exatamente esse mesmo momento de transição. Tudo na vida é cíclico, e depois da Lua Cheia vem a Minguante e a seguir a Nova.

Alias é exatamente porque um dia todos os ônibus foram jardineiras que em Buenos Aires ônibus urbano é conhecido como ‘micro’.

Próximas 2: a viação municipal de Córdoba que opera os tróleis tem alguns a dísel (também guiados por Mulheres) como ‘frota reserva’. Circulam nos horários de pico, ou quando um elétrico quebra (veja o destaque da próxima imagem).

Pois as jardineiras são mais curtas que os ônibus normais, que já eram usados no modal de viagem, por exemplo.

Como os ônibus urbanos eram de tamanho menor, viraram simplesmente ‘os micros’.

Hoje não é mais assim. Atualmente os ônibus de Buenos Aires são iguais aos do Brasil. 

Incluso no comprimento. Mas o nome ‘micro’ ficou, refletindo essa fase do passado.

Em Acapulco-México, os ônibus urbanos são conhecidos como ‘caminhões’.

E o motivo é o mesmo, porque as jardineiras são construídas sobre e têm o motor de caminhão saltado a frente.

……………

TRENS MODERNOS E BARATOS – Um dos pontos extremamente positivos do transporte na Argentina é sua rede de trens.

Lá, ao contrário do Brasil, as pessoas ainda viajam sobre trilhos entre uma cidade e outra. É confortável e barato.

Garagem dos tróleis na periferia de Córdoba. Repare que na Argentina os ônibus elétricos não têm placa – em várias cidades do Brasil foi assim também por décadas, mas hoje não mais.

Tentei ter essa experiência, mas não foi possível por questões de escala, os dias que há as viagens (que não são diárias) não batiam com nossa programação. 

Assim fui de Buenos Aires a Mendonça, dali a Córdoba, e de volta a capital sempre de ônibus-leito.

Alias, já falo dos trens. Antes um adendo: andar de leito na Argentina é um luxo só, é como a 1ª classe dos aviões.

Nessa vizinha nação está consagrado o ‘serviço-cama’, que agora chegou no Brasil.

Ônibus suburbano (2 portas e vai parando no caminho, mas pega estrada pra ir pra cidades já fora da reg. metropolitana) na Rodoviária de Córdoba – essa é a rodoviária normal, de onde saem também os de longa distância.

As poltronas reclinam 180º, você deita na horizontal.

Há rodo-moça (em alguns casos rodo-moço), que serve café-da-manhã completo, temos a opção de leite com café, chocolate, chá ou – estamos no Pampa afinal! – chimarrão.

Pra me ambientar com o local, eu tomei chimarrão. Ademais na tela você pode ouvir música, ver filmes ou jogar.

A viagem passa rápido, eu disse, você se sente no avião. É caro, de fato, mas bom demais!

‘Rodoviária Suburbana’: bem no Centrão de Córdoba, e dali só partem linhas suburbanas (fotografei uma igual no Chile). Um micro é Comil brasileiro. Nessa foto encerramos os ônibus da cidade de Córdoba.

Em compensação, no banheiro você só pode urinar. Se precisar do ‘número 2’, é preciso avisar a rodo-moça (o), que o motorista encosta num posto. No Chile é exatamente igual.

……

Acima descrevi como é viajar de ônibus-leito, que fiz 3 vezes. Não pude andar de trem.

Mas quem o fez me disse que igualmente vale muito a pena.

Pra começar, é incrivelmente barato. Há 3 opções, o ‘toco-duro’, a ‘tudo-incluso’ e uma intermediária.

Rodoviária de Cosquín e imediações. Uma pequena cidade no interior do estado de Córdoba, próxima a capital. Vemos ônibus suburbanos, alguns das mesmas empresas já retratadas acima.

O ‘toco-duro’ é desconfortável, você tem que dormir e comer na poltrona, como nos ônibus convencionais.

Em compensação o valor é irrisório. Pra quem está sem grana ou quando a viagem for de dia é a melhor opção.

No ‘tudo-incluso’, você tem direito a uma poltrona pra ficar sentado durante o dia, a noite dorme numa cama – num vagão que tem quartos com beliche.

E as refeições são no vagão-restaurante. Esse colega me informou que tudo isso sai pelo mesmo valor do ônibus.

Como comparação, no Brasil há pouquíssimas opções de trem de longa distância disponíveis, e custam os olhos da cara.

Aqui em Curitiba, por exemplo, só é possível ir de trem a Paranaguá e outras cidades próximas no Litoral.

Mas é bem mais caro que o ônibus, que já não é barato.

……….

Já que estamos em Cosquín, essa é a estação de trens da cidade.

Ademais, vide o mapa mais pro alto na página, a rede de trens suburbanos de Buenos Aires é muito extensa.

Assim, você pode ir do Centro de Buenos Aires a alguns bairros dentro do município mesmo. Ou a municípios da região metropolitana.

Ou ainda a cidades do interior, que são próximas a capital mas já fora da Grande Buenos Aires.

Por exemplo, a ‘Cidade da Prata’ (‘La Plata’ no original). Essa é a capital do estado (‘província’) de Buenos Aires.

De volta a cidade de Córdoba, a capital do estado, dessa florida estação na periferia saem os trens pra Cosquín. Fui de trem e voltei de busão.

Como já explicamos antes, o município de B. Aires é o Distrito Federal: está dentro do estado de B. Aires, mas não pertence a ele.

Antigamente conhecida como ‘Capital Federal’, hoje chamada ‘CABA’, Cid. Autônoma de Bs. As., recapitulando, e o ‘Autônoma’ é justamente porque não está vinculada a nenhum estado.

Como já foi dito várias vezes e é notório, o município ‘autônomo’ de Bs. As. hoje é apenas a Região Central da metrópole.

Toda periferia fica na ‘Província’, ou seja, em outro estado, a Província de Buenos Aires. Cuja capital é a ‘Cidade da Prata’.

Essa alias foi planejada justamente pra isso, pra ser a capital estadual quando o Distrito Federal foi criado, no fim do século 19.

Próximas 2: Rodoviária do Retiro, Buenos Aires, belo fim-de-tarde de março de 17.

A ‘Cidade da Prata’ (‘La Plata’) fica a 55 km de Buenos Aires. Perto da capital, mas uma cidade a parte, não pertence a Gde. Buenos Aires.

Digo, futebolisticamente falando eu arrendondei e considerei a Cid. da Prata como um subúrbio da capital.

No século passado, quase todas as viações argentinas eram assim, multi-coloridas. Não mais, após uma reformulação agora são mais sóbrias. Essa manteve a vibração anterior.

No futebol sim, mas urbanística e socialmente falando a Prata é uma cidade a parte.

Ainda assim, é possível ir de trem suburbano (aqueles em que os bancos são de acrílico e você pode viajar em pé) até lá.

Bem mais barato que o ônibus, embora um pouco mais lento porque tem mais paradas.

Colagem com ônibus de viagem argentinos.

Ainda assim, como a distância é pequena a diferença de preço compensa os poucos minutos a mais.

Não pude ir a Cidade da Prata. Assim como nos trens de longa distância, reproduzo o que me foi passado por quem pôde realizar esse deslocamento.

………..

Viram na foto a ‘Estação Retiro’ de trens. Esse bairro, que fica na verdade no Centrão da capital, é o ponto focal da rede de transportes da Argentina, de forma tetra-modal:

Ali estão as estações de trens suburbanos e longa distância, o porto, o terminal de ônibus urbano e a rodoviária (várias das tomadas acima são ali).

Centro de Córdoba, março de 2017: caminhonete circula normalmente com um emplacamento que já foi extinto a 20 anos. Como é possível??

O aeroporto também fica próximo.

E no em uma parte invadida do pátio ferroviário (cada vez maior) está a favela Vila 31, uma das maiores da cidade – mas essa já é outra história.

Eu já disse isso, que todos os terminais estão concentrados no Retiro ou próximos a ele.

Aqui, o que quero colocar é que ‘Retiro’ é tão sinônimo de ‘rodoviária de Buenos Aires’ que é assim que vem escrito nas passagens e no letreiro dos ônibus de viagem.

Sim, você compra o bilhete, e nele não está escrito ‘Buenos Aires‘, a cidade a qual o ônibus se destina.

Próximas 3: bonde moderno de Mendonça. Aqui a galera no ponto. Não há catraca, você paga quando entra, depois o fiscal chega de surpresa e pede seu tíquete pra verificar.

E sim ‘Retiro‘, o bairro no qual a rodoviária fica localizada.

Portanto veem que virou um mantra, que ‘pegou’ não apenas no vocabulário da capital, mas até no interior.

…….

Como a colagem deixa claro, os táxis na Argentina oscilam entre o negro e o amarelo.

Em Buenos Aires é exatamente igual Santiago do Chile, corpo do carro negro e teto amarelo.

Um antigo vagão de carga virou ponto.

Isso no municipal da capital. Na região metropolitana cada município é livre pra escolher sua pintura.

Em Avellaneda, na Zona Sul, a terra do Independente e do Racing, eles são brancos.

Em Mendonça são as mesmas cores da capital, amarelo e preto, mas em mistura diferente. E Córdoba aboliu o preto, são inteiros dourados.

Mapa da rede.

Não custa lembrar, no Paraguai e Colômbia os táxis do país inteiro são amarelos, de todas as cidades.

De volta a Argentina e a Córdoba, apenas os táxis que você pega na rua são amarelos.

O tele-táxi, obviamente o que você pede por telefone, lá se chama ‘remí’.

E o mais curioso: tem outra cor, verde-claro. Todos são táxis. Acenando na rua é de uma cor, e discando, de outra

………

Já retomamos o texto. Vamos comentar um pouco das fotos que estamos vendo de Mendonça.

Fui a Z/S de Mendonça de bonde moderno, voltei nessa linha feita por articulados.Viação Cacique.

Acima pontos e mapa do bonde moderno, e a direita o articulado. Ambos os modais concorrem entre si.

Nas próximas 2 imagens abaixo vemos a Rodoviária de Mendonça.

……….

Voltamos a relatar o que observei lá: a Argentina está mudando o emplacamento.

Como dito, nas próximas 2 a Rodoviária de Mendonça. Em meio a ônibus de viagem um suburbano azul prepara-se pra encostar. A direita vários suburbanos, uma colagem.

Eu já havia percebido isso antes de ir até lá. Em fevereiro de 17, fui a Florianópolis-SC.

Na Praia de Canasvieiras (Norte da Ilha) haviam tantos argentinos que ali mesmo eu vi carros com o nova chapa.

Na Argentina nos últimos 20 anos, do fim dos anos 90 pra cá, vigora um modelo com 3 letras e 3 dígitos numéricos.

A partir de agora a chapa terá uma faixa azul em cima com o nome do país.

E serão mais letras, inclusive dizem que se quiser você poderá dispensar o números e escrever uma palavra.

Já é dessa maneira nos EUA e México, entre outros, como é domínio público.

Vila Carlos Paz, cidade no interior do estado de Córdoba parecida com Campos do Jordão-SP.

Não apenas na Argentina. Será padronizado em todo Merco-Sul.

Veremos no fim da matéria que o Uruguai também já está fazendo a mudança.

Mas o choque vem agora. Vi vários carros circulando na Argentina com o emplacamento que já foi abolido a duas décadas:

Selos de regulamentação colados na lataria.

A chapa era inteira preta, com 1 letra e 6 dígitos numéricos.

Não havia nada escrito além disso, nem o nome do país nem da cidade.

Os mais velhos, que tiveram a oportunidade de ir a Argentina até o começo dos anos 90 (ou, o que nesse caso dá no mesmo, pra Florianópolis no verão) se lembram bem.

Próximas 2: bairro Nunhes (‘Monumental de Nuñez‘), Z/N, parte rica de Buenos Aires. Aqui o corredor MetroBus.

Então, amigos. Esse modelo já foi extinto na virada do milênio, quem sabe antes.

Como esses carros podem circular dessa forma é um mistério que não pude compreender.

Afinal, nem há como multar um veículo desses se o motorista cometer uma barbeiragem.

Pois sequer há como digitar a chapa no maquinário eletrônico próprio pra registro da infração.

É como se víssemos hoje no Brasil um carro andando pelas ruas ainda com a chapa amarela, aquela de 2 letras, que foi aposentada na mesma época.

Perto dali, a estação de trens. O destino é ‘Tigre’ (na África do Sul não daria pra saber, lá o letreiro é numérico).

Impossível, não? Mas na Argentina vi vários, muitos deles consegui fotografar.

Sim, alguns estavam sendo sucateados, talvez não andem mais.

Na Argentina é comum deixar os carros batidos ou muito velhos simplesmente se decompondo na via pública, sem levar pro ferro-velho como seria correto.

Já falarei mais desse ponto. Aqui, o que nos interessa é:

Pontos de ônibus pelo país.

Mas alguns carros com o emplacamento antigo, já encerrado há 2 décadas, estavam rodando normalmente.

Vi um em Mendonça, inclusive estava sendo reformado.

No estado de Córdoba, todos os veículos comerciais (exceto ônibus municipais) têm que ter uma segunda chapa com registro estadual.

Portanto o dono estava usando ele normalmente, e pretendia continuar, pois investia dinheiro no veículo.

Infelizmente esse não pude fotografar, nesse dia mais uma vez minha câmera estava descarregada (ela viciou a bateria, perdi algumas fotos por isso infelizmente).

Mas Deus Abençoou, e no Centro de Córdoba fotografei claramente uma antiga picape D-20 Ford com essa chapa há muito desatualizada.

Ali sem qualquer margem pra discussão o veículo estava em uso.

Mais um bi-trem.

Mesmo com o emplacamento pra lá de irregular, e a foto comprova isso indubitavelmente.

Como isso é possível deixo pra algum amigo argentino explicar.

Bem, a Argentina está bem caótica, em múltiplas dimensões.

Isso é só um sintoma dessa confusão que engolfou a nação.

……….

Por outro lado nas dificuldades é que as pessoas se revelam.

Enquanto alguns aproveitam o tumulto pra tirar vantagens pra si, outros demonstram uma disposição incomum em ajudar os outros.

Mercedes com desnível no vidro: esse modelo foi muito vendido lá.

Usando o transporte coletivo na Argentina, vimos os dois lados da moeda.

O ponto negativo: na Argentina simplesmente não respeitam o banco pra deficientes, idoso, grávidas e gestantes. Veja a imagem acima:

Banco preferencial está sempre ocupado, e sempre por pessoas jovens e saudáveis.

Na foto inferior da colagem, há duas moças a direita no banco preferencial.

Mas o casal a esquerda está na mesma situação, a primeira fileira perto da porta é reservada.

Próximas 2: corredor MetroBus em frente ao estádio do S. Lourenço (torcedores chegam pro jogo sob muita chuva). A placa indica quais as linhas que passam ali.

Na Argentina não respeitam esse direito de quem necessita.

Sim, fiquei poucos dias lá, menos de 2 semanas. Mas andando de transporte coletivo o tempo todo.

A situação era sempre a mesma. Não muito diferente do Brasil, na verdade.

Em qualquer parte há ‘espíritos de porco’:

Aqueles que não se importam com ninguém, e sentam no assento preferencial sem necessitar.

Mesmo adolescentes e jovens adultos não sentem a menor cerimônia em ficar confortavelmente instalados enquanto quem precisa vai de pé.

Filma as jóias que circulam na Argentina. Aqui e a esq. são 2 Falcões, o próximo mesmo batido ao menos está bem conservado. Já esse . . .

…….

Por outro lado, em Mendonça o motorista do ônibus foi extremamente atencioso e prestativo conosco.

Nosso cartão não tinha créditos suficientes pra pagar a viagem.

Em Buenos Aires nesse caso o cartão te empresta o suficiente pra mais 2 viagens, mas pelo visto o interior ainda não aderiu a essa melhoria.

Assim sendo o motorista, que também é o cobrador, pelo regulamento poderia ter solicitado que a gente desembarcasse.

Carregasse o cartão, assim seguindo somente em outro ônibus.

Colagem com a Viação STM, Sociedade de Transportes de Mendonça.

Mas ele não fez isso. Ao contrário, nos explicou a situação.

Disse que seria preciso que outro passageiro creditasse no cartão dele.

E aí nos reembolsávamos em dinheiro a quem fizesse o favor.

Aí ele, o próprio motorista, fez o pedido a quem entrou a seguir.

A frota argentina está velha e sucateada. Dodge na Z/S da capital, sob o olhar de ‘Che’ Guevara.

Pagamos em espécie a passagem ao passageiro que regularizou a situação na catraca digital.

E pudemos voltar ao Centro de Mendonça com tranquilidade.

Na África do Sul esse nível de gentileza é o padrão do povo.

Trólei-tribus alemão que rodou em Mendonça (r) (foto de um Guevara. Parente do ‘Che’?).

Registro aqui que na Argentina deparamos com ele também.

…………

Em Mar do Prata é onde os portenhos passam suas férias de verão.

(Nota: me refiro claro aqueles que não vem pro Brasil, evidente – porque Baln. Camboriú e Florianópolis/SC eles dominaram, como se sabe).

Em desmanche próximo a Mendonça, vários ônibus Ciferal que há pouco ainda rodavam lá. No ferro-velho ao lado eu vi as carcaças os tróleibus-tribus alemães da foto anterior.

No original é ‘Mar del Plata’ (sabem que sempre que possível traduzo pro idioma português).

Por isso conhecida carinhosamente pelo apelido de ‘Mardel’.

Não visitei ‘Mardel’, portanto não a conheço pra poder escrever.

Mas pro tema que nos interessa aqui, que é o transporte, vi pela internet que Mar do Prata tem uma Linha Turismo.

E essa é feita por um ônibus que tem a carroceria que imita a de um bonde antigo (foto ao lado, puxada da internet).

Em Santos-SP há bondes antigos (e também modernos, o VLT), que foram restaurados e ainda rodam sobre trilhos.

Na Argentina, entretanto, não há bondes antigos. Inclusive veja a foto um pouco mais abaixo a direita que tirei no Centro de Buenos Aires, mostra os trilhos.

Comprovando que um dia ali realmente passou bonde (registrei a mesma cena em Assunção e Belém do Pará).

Um dia sim, mas não mais a muito. Em Mar do Prata tampouco há bondes.

Mas numa brincadeira, encarroçaram um ônibus a dísel e com pneus com uma carroceria de bondes. Isso já falamos.

O Ford Falcão na foi o ‘Carro do Terror’ na ditadura argentina (r).

Por conta disso ele traz uma inscrição pretenciosa:

Se auto-denomina “O Último Bonde”. Isso não é novidade, já está no ar a tempos em outra postagem.

Pois bem. O de ‘Mardel’ não é o último pseudo-bonde da Argentina. Em Mendonça há outros iguais, veja acima.

É o seguinte: Mendonça também tem sua Linha Turismo. Chama-se ‘Bonde das Compras’.

Falcão no Centro de B. Aires, sobre os trilhos onde um dia passaram bondes.

Pois igualmente é feita por ônibus com carrocerias de bondes antigos.

Esses eu pude ver e fotografar pessoalmente, apenas não andei nele.

……..

Outra seção de fotos. Já que falamos de Mendonça, vejamos mais busos dessa cidade andina.

UMA ‘ALMA MUSICAL’: IR A ARGENTINA FOI COMO VOLTAR AO MÉXICO –

Na Argentina eu comprovei como a Alma Hispano-Americana é a mesma, do Sul ao Norte do Continente

Quando fui ao México, em 2012, já havia lhes contado como o mexicano ama a música.

O tempo todo dentro do transporte coletivo há apresentações improvisadas.

Umas profissionais até com caixas de som e após a qual CD’s são vendidos.

Outras vezes um cara sozinho com um violão.

Buenos Aires: acima a linha 373, em azul a Viação São Vicente.

Andar de ônibus ou metrô no México jamais será monótono.

Pois bem. Na Argentina é igual. Acima consegui clicar o garoto com o violão no metrô de B. Aires. A cena se repetiu várias vezes.

Uma apresentação-solo, um casal cantando música romântica, ou mesmo uma banda completa.

Os vagões e estações do metrô da capital são um palco aberto a todos, basta tomar um espacinho e mandar ver.

No Chile é assim também, mas bem menos. Na Argentina e México infinitamente mais.

………

Calamidade! Na Argentina a frota está velha e batida. Ademais, é comum deixarem os carros que não servem mais (seja por acidente ou porque são antigos demais) simplesmente apodrecendo na rua, sem recolher ao pátio ou ferro-velho.

Vimos mais pra cima a esquerda um buso Mercedes (já aposentado do serviço regular) com desnível no vidro.

Esse detalhe é comum na Ásia (Japão), Na Argentina foi consagrado nesse modelo da Mercedes fabricado nos anos 80 e 90.

Meus parentes que foram pra lá perto da virada do milênio me trouxeram inúmeras fotos dos busos com esse desenho (na época) em linhas urbanas.

O tempo passou e hoje eles só fazem ‘escolar’, ‘rural’, transporte de bandas, etc.

………

Os caminhões bi-trem são muito comuns na Argentina.

Mas atenção: nesse vizinho país não existem os caminhões gigantescos com 30 metros e 2 engates, como os que se popularizaram no Brasil.

Explico: nas estradas de nossa Pátria Amada é careta e bi-trem, ambos ao mesmo tempo.

Ou seja: cavalo-mecânico, 1º engate, um compartimento grande de carga, 2º engate, outro compartimento grande de carga.

O LIXO DA FRANÇA É O LUXO DA ARGENTINA: É comum vermos nas ruas argentinas essas peruas (Citroën, Renault ou Fiat) fabricadas nos anos 60. Mas essa é ainda mais antiga, dos anos 50 (era nessa que Mafalda andava, veja um pouco abaixo).

Em outras palavras, são duas carretas grandes puxadas por um cavalo. Portanto 2 engates.

Na Argentina é diferente: é somente 1 engate sempre, 2 não existe.

Os caminhões são carreta ou bi-trem, jamais ambos ao mesmo tempo.

Lá ou é carreta normal, cavalo, um engate mais um somente compartimento grande de carga;

Ou então um caminhão pitoco, curto, um engate, e mais um compartimento de carga.

Carreta sem ser bi-trem, ou bi-trem sem ser carreta. É preciso escolher.

No Brasil é ‘tudo ao mesmo tempo agora’, carreta/bi-trem.

…………

Como dito na legenda um pouco acima e é notório: o Ford Falcão foi o ‘carro do terror’ da ditadura argentina.

É comum nas periferias da Argentina vermos carros amarrados, pra que não se desmanchem.

Ele não tinha ‘caçapa’, ou seja, não havia espaço pra presos.

Os infelizes que eram apanhados pela polícia política argentina iam pra delegacia (ou pro local de desova, se já estivessem mortos) no porta-malas.

Alias era por isso que o Falcão foi escolhido. Os militares diziam que ‘apertando cabiam 5 no porta-malas’.

Pensa que é brincadeira? Então segura aí.

Cruel? Evidente que sim. A ditadura argentina foi indescritivelmente cruel, muito, mas muito pior que a brasileira.

Tanto que lá houveram formas de tortura desconhecidas aqui, por isso Videla foi alcunhado ‘Pol Pot na América’. Desse período macabro já nos ocupamos outro dia.

Esse (na Zona Sul de Buenos Aires) botou até cadeado! Sempre é bom garantir . . . No México, um da mesma idade pôs cadeado no tanque, pra não roubarem o dísel.

Aqui o foco é o ramo do transporte. Ford é a marca-ícone da Argentina, a mais vendida da história.

Seu carro-chefe (literalmente) era o Falcão, que lá foi produzido por décadas, pelo menos dos anos 50 aos 70, e quem sabe até os 80.

Portanto o Falcão já era popular antes do golpe de estado de 1976. E permanece querido até hoje, apesar de ter sido impregnado com o estigma da repressão.

Bem, pra quem é de direita o Falcão é popular exatamente por ter sido o carro da ditadura, e não ‘apesar’ disso.

colapso: a frota da argentina parece a de cuba!!!!

o lixo da frança é mesmo o luxo da argentina: caros velhos e batidos circulando, outros apodrecendo na via pública

A Argentina empobreceu muito nessas últimas décadas, e sua frota reflete isso.

Os pais da Mafalda (ícone argentino) tinham uma peruinha Citroën 2CV, veja ao lado.

Agora pense nisso: esse desenho é dos anos 80, e o carro já era velho na época.

Colagem mostra o estado da frota argentina. Achei outros com a placa antiga, já aposentada a 2 décadas.

Alguns deles continuam na ativa hoje, 30 anos depois (veja o farol saltado, igual aquele vermelho que está um pouco acima a direita).

Mas atenção: a Argentina hoje é um país extremamente desigual.

Vão longe os tempos em que ela tinha o 2º menor Índice de Gini (que mede a concentração de renda) da América Latina, só acima do Uruguai.

Hoje a Argentina é tão desigual quanto Brasil e Colômbia:

Alguns multi-milionários de um lado, uma multidão que sobrevive apenas, e uma massa considerável de miseráveis, que nem isso conseguem.

Exemplo perfeito é o Porto Madeiro, o mais novo bairro de Buenos Aires, que surgiu na virada do milênio.

Falarei melhor dele em outro texto, mas aqui, pra dar uma adiantada, falo que um fato pouco conhecido é a favela que existe na ponta da ilha.

Precariedade: em Córdoba, pessoas sem proteção viajando na caçamba.

Atrás daqueles arranha-céus dos riquíssimos existe uma aglomeração de barracos miserável, sem saneamento básico.

Quase ninguém vê, e menos gente ainda se importa.

Isso reflete como está o país como um todo. Na dimensão automotiva o mesmo se manifesta, uma extrema desigualdade.

Muitos fazem o turismo ‘convencional’ da classe-média, indo apenas nos bairros chiques.

O Fiat 147 lá se chamou ‘Spazio’. Mais uma vez amarrado pra não cair o para-choques. Veja que na 2ª imagem da tomada do outro lado da rua há mais carros Fiat velhos.

Oscilando somente entre o aeroporto, hotel de luxo, centros de compras, museus, e restaurantes e ‘baladas’ caros.

Eu não julgo ninguém, e não estou criticando. Cada um faça o que quiser. Mas aí evidente que não verá o que estou apontando.

Pois na burguesia a frota argentina não difere da brasileira, em idade e estado de conservação.

Mas na periferia são brutalmente diferentes. Sim, claro que existem carros velhos no Brasil. Mas o nosso ‘velho’ são 20 e poucos anos, veículos produzidos nos anos 90.

São raros em nossas ruas automóveis dos anos 80, dos 70 já são são ‘elefantes brancos’ que vemos um a cada vários meses.

E não existem rodando no Brasil carros fabricados nos anos 60 e muito menos 50 – exceto nas mãos de colecionadores, aí são caríssimos, geralmente até com chapa preta.

Na Argentina, os carros ‘velhos’ tem o dobro dos nossos, ou mais: 40, 50 ou mesmo 60 anos. Sim, é isso.

Antigo e moderno: Dodge nas ruas de Porto Madeiro.

Nessa vizinha nação automóvel dos anos 80 já é relativamente novo nas periferias mais depauperadas, os dos anos 70 são o padrão, ainda são extremamente comuns os dos anos 60.

Não estou brincando nem exagerando. Já havia constatado isso assim que o ‘Google Mapas’ levantou a Argentina pro modo ‘visão de rua’.

Aí dei extensas voltas por lá, na época virtualmente, na tela do computador.

E então já escrevi-lhes um emeio com esse título, “Colapso, a frota da Argentina parece a de Cuba”, com muitas imagens.

Agora ‘in loco’ comprovei que de fato é assim, então aquele emeio será eliminado, não vou subí-lo pra página. Pois não é mais necessário, tirei as fotos ao vivo. 

Essa foto é no continente, com Porto Madeiro ao fundo. Mercedes e Scania. A frota argentina de caminhões é similar a brasileira, só no geral bem mais velha.

Não para por aí: levantei pro ar uma comparação entre Europa Ocidental e América do Sul em outra postagem.

Lá, eu mostrei que ‘o lixo da França é o luxo da Colômbia’.

Peruas Citroën e Renault dos anos 60 e 70, que na França literalmente foram partidas ao meio e servem apenas como decoração na Colômbia ainda rodam.

Pois bem. Nas periferias das cidades da Argentina essas mesmas peruas produzidas nas décadas de 60 ainda são o meio de transporte de várias famílias proletárias.

Tanto as duas marcas francesas citadas logo acima quanto uma italiana, Fiat. A esquerda uma Citroën (a foto está nomeada ‘Renault’ por ignorância minha, um colega retificou, vide os ‘comentários’ abaixo).

Os traços da Fiat eram mais arredondados e somente com 2 portas.

Em casos extremos carros até dos anos 50 igualmente ainda estão na rua. Cara, isso você não vê no Brasil, nem em sonhos. Fatos são fatos,  e aqui corroborados pelas fotos. Fiquei menos de duas semanas da Argentina.

E nesse curto intervalo fotografei várias peruinhas com mais de 50 anos ainda em circulação, agrupei algumas numa colagem ao lado

Repito, isso no Brasil não existe. Mesmo! Não custa enfatizar ainda mais uma vez:

Na Argentina as vezes vemos ainda veículos dos anos 50 – e não nas mãos de colecionadores burgueses, mas do povão, como meio de transporte.

Mais: como já dito nas legendas, na Argentina é comum simplesmente abandonarem na via pública os automóveis que não servem mais.

Seja porque enfim decidiram que está velho demais – aleluia! – ou porque sofreram P.T. (perda total) num acidente feio.

É tão corriqueiro que o dono de um carro antigo que estava na oficina na periferia da Zona Sul de Buenos Aires colocou um aviso no para-brisas (ao lado):

“Esse automóvel não está abandonado, está sendo consertado”, seguido de seu endereço e telefone, se alguém precisasse entrar em contato.

Frota velha e batida, como na República Dominicana. E como em Cuba os bichões com décadas e décadas de estrada, que em qualquer outro país estariam no museu, na Argentina seguem na pista.

Definitivamente, o lixo da França é o luxo da América do Sul, da Vila Buenos Aires em Medelím/Colômbia a Buenos Aires original no Delta do Prata.

Fisicamente nossa vizinha, um dia a Argentina parecia mais europeia que americana. Esse tempo já se foi há muito.

A Argentina literalmente despencou do sonho europeu, aterrizando de cara na realidade americana.

Bem-vinda Argentina querida, estávamos te esperando.

Como eu já disse antes: definitivamente, agora estamos todos no mesmo barco.

Deus quis assim.

……..

O texto encerrou, mas como fechamento ainda tem duas galerias de fotos. Começo ainda na Argentina, 4 caminhões brancos de modelos que também existiram no Brasil:

Como prometido, sobrou uma palhinha pro Uruguai (que vemos que vibra na mesma frequência que seu vizinho maior, a Argentina). Nunca estive nesse país, mas uma colega enviou as fotos diretamente de lá.

Deus Pai e Mãe proverá.

Flores do Barigüi

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 20 de outubro de 2017

As postagens de ‘Flores’ são dedicadas as Mulheres

Todas as fotos são de minha autoria, exceto a que está acima da manchete.

Essa tive que puxar da rede, pois na hora de definir a imagem de capa o provedor da página corta trechos da cena.

Assim não consegui uma tomada que pegasse tanto as flores quanto o lago.

…………

Isto posto, vamos começar.

Olá meninas, tudo bom com vocês?

No fim de setembro.17 estive no Parque Barigüi.

Essas imagens ao lado e acima eu cliquei pessoalmente, como todas daqui pra baixo.

E depois dei uma volta em um dos bairros que o compõem, o Santo Inácio, Zona Oeste.

Além disso, ampliei uma postagem antiga pra mostrar todo trajeto do Rio Barigüi em Curitiba (como já havia sido feito com o Belém).

Isso já sabem, as matérias estão no ar (sempre que a fonte é rosa como agora as ligações vão em azul).

Então hoje vamos ver as flores do Parque Barigüi e do Santo Inácio, ao redor dele.

Nas duas primeiras, as flores, o lago represado do rio, e os prédios (que já ficam no Bigorrilho, também Zona Oeste) ao fundo,

…………….

Acima alguns pinheiros que ficaram pra dentro de um condomínio de padrão elevado.

Evidenciando o novo perfil sócio-econômico da região ocidental da cidade.

E uma florida árvore provem um tapete vermelho pra quem passa na rua. Aconchegante, não?.

……….

A esquerda um mamoeiro carregado, isso em plena via pública.

Aqui no entorno do Rio Belém (divisa entre as Zonas Leste e Sul), onde vivo, existe a mesma cena.

Abaixo dele um roseiral – na tomada seguinte uma dessas rosas rubras em escala maior.

………………

Andando pelas ruas do Santo Inácio vi muitos outros canteiros ricamente ornamentados e bem-cuidados.

Vemos alguns exemplos nas próximas fotos. E também muitos sobrados elegantes e mansões todo floridos.

Muitas vezes com primaveras nos muros, como abaixo. Eu adoro as primaveras.

Essa espécie é minha flor favorita – depois dos hibiscos, claro.

Alias nesse dia não vi nenhum hibisco. Uma pena. Mas primaveras várias, compensou.

…………

O Santo Inácio não se aburguseou de todo.

Ainda restam vilas mais humildes, de moradia da classe trabalhadora.

E essas partes do bairro igualmente estavam lindas, cheia de flores.

Um exemplo a direita, onde cliquei essas belezuras alvas. Note que atrás há casas com telhado de eternit.

Mais imagens:

Muito lindo.

Em cor-de-rosa nós fechamos.

………..

Beijos em teu Coração de Mulher.

Que Deus a Ilumine Infinitamente.

“Deus proverá”

a “Viúva Negra”

A Marília original, ‘como a Natureza fez’: uma morena palito.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 7 de outubro de 2017

Todas as postagens de ‘Marília’ são dedicadas as Mulheres.

…….

Marília, quando jovem, teve um casamento infeliz. Seu marido não a respeitava: tinha várias amantes, traía-a com inúmeras outras Mulheres. E além disso era insensível com o que ela lhe pedia.

Pois não a via como sua companheira de verdade. Em sua visão egocêntrica, sua esposa não era uma pessoa com os mesmos direitos que ele. E isso fez muito mal a Marília.

Após anos procrastinando, ela finalmente resolveu se separar, quando os filhos já estavam mais crescidos.

“CORRIGINDO A NATUREZA”: DE UMA MORENA ‘PALITO’ PRA UMA LOIRA PEITUDA

“Agora vou ficar loira.”

Quando enfim se livrou desse peso, Marília ainda levou um tempo pra se recuperar do baque. Logo após o divórcio, ela estava deprimida.

Com a auto-estima em baixa. Se descuidou e não travava direito de sua aparência, e nem mesmo de sua saúde.

Assim ela ficou doente, de corpo e espírito, pois não via muita razão pra ser diferente.

Mas o tempo passa, e tudo muda. Marília se cansou de ficar nessa baixa frequência. Ela renasceu espiritualmente. “Daqui por diante, serei uma Nova Mulher”, ela prometeu a si mesma.

E pra espelhar seu espírito novo, ela decidiu modificar também seu corpo, pra dar um gás novo geral, em todas as dimensões.

Pra começar, ela fez o que sabia que tinha que ter feito a muito, mas agora foi: procurou o médico e tratou os problemas de saúde.

Pois esses eram somáticos, o corpo adoeceu por refletir um espírito enfraquecido.

Não foi só isso. Marília se renovou também na sua apresentação visual: primeiro, fez um implante de silicone nos seios, pra eles ficarem mais volumosos.

Aí ela foi ao salão de beleza e pintou seus longos fios, de negros pra loiros. Depois aproveitou o embalo e fez permanente no cabelo. Tudo isso vimos nas gravuras acima. Ao lado, o ‘antes/depois’.

………

E EIS A “VIÚVA NEGRA” –

Marília sempre foi vaidosa, desde criança. Na verdade desde o berço ela já tem as unhas pintadas.

Entretanto, quando esteve deprê, ela se deixou um pouco de lado essa parte também. Por aí vemos como esse casamento fatídico lhe mal.

A ‘Nova Marília‘: cabelos claros ondulados, e com ‘air bags’.

Pois essa era sua característica mais marcante desde a infância. Bom, natural, né? Se ela se deixou até adoecer, não ia ser pra estética que ela ia olhar com carinho.

Mas agora tudo isso é passado. Virou uma “Mulher de peito” (figurada e literalmente), cachinhos dourados, segura de si, ademais uma Mulher solteira.

“Agora Sou ‘A Viúva Negra’ “, ela se auto-definiu assim.

Seu ex-marido não desencarnou, ao contrário, ainda perambula por esse plano material que estamos. Mas pra Marília ele está morto, não existe mais. Não apenas a pessoa dele, como indivíduo.

E sim como arquétipo, como um padrão de comportamento se quiser definir assim. Querendo dizer com isso o seguinte: ela nunca mais vai ficar com um Homem egoísta, que não a respeite.

Marília é sensual e fogosa, e está bem viva. “Não sou ex-Mulher de ninguém”, ela brinca: “não é porque eu me divorciei que virei Homem. Ao contrário, Sou Mulher – e muito Mulher !!”. Ela gosta e sente falta da companhia Masculina. Mas desde que valha a pena, que isso esteja bem claro.

A “Viúva Negra”.

Marília paquera, joga charme, gosta de ser cantada (embora as vezes fique envergonhada, caso tenha dúvidas se o olhar é mesmo pra ela), dorme na casa de seu namorado, ou ele dorme na casa dela.

E quando ela está com alguém fica só com ele, pois Marília é Mulher de um Homem só. Porém, o pretendente tem que ser um Homem de corpo e Mente Masculinos, mas Coração sensível.

Ou seja: másculo sim (pois ela detesta os frescos e afetados que até se depilam, quem é a Energia Feminina do casal é ela). Mas ainda assim que Ame e apoie as Mulheres de Verdade, em carne e osso.

De cafajestes ela já está cansada, já quitou sua cota. E, mesmo que cumpra todos os critérios, ao menos por enquanto cada um em sua própria casa.

Dormem juntos em ocasiões especiais, mas diariamente não, exatamente pra magia não se esvair. Ela precisa desse recolhimento nesse momento de sua vida.

As pessoas perguntam se ela “não vai casar de novo?”. Marília responde: “Por quê não? Quem sabe um dia, né? Se o marido valer a pena, estou Aberta a possibilidade. Porém isso num futuro, próximo ou distante, Deus é quem Sabe o dia.

Porque por hora, usar véu . . .  só se for pra fazer a Dança do Ventre!!!! KKKK!!!”, ela se diverte. Por isso ela está de preto. Porque tão cedo não vai entrar num vestido branco de novo, ao menos não “aquele” vestido. Alias o que ela usou um dia já foi até cortado em dois.

Em escala maior.

E quem pode culpá-la? Marília já sofreu muito enredada em quem não valia a pena. Agora ela quer curtir essa Vibração de Ser a Sereia:

Encantar os Homens, mas eles é quem pulam em seu território, e não ela no deles.

……..

Que Deus Mãe e Pai a Ilumine pela Eternidade.

“Ela/Ele proverá”

a “Cidade Oculta” (e mais o Pq. Barigüi): Santo Inácio, Zona Oeste

Santo Inácio: casa de madeira, terreno enorme sem muro, bosque no fundo.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 30 de setembro de 2017

Depois de 15 anos morando na Zona Sul de Curitiba, me mudei pra parte oriental da cidade. Na verdade minha casa fica a 200 metros da antiga.

Mas como eu cruzei o Belém, troquei de bairro (do Boqueirão pro Uberaba) e também de ‘zona’. Estou lhes contando isso pelo seguinte:

No Santo Inácio fica o Parque Barigüi – digo, ele ocupa partes de 4 bairros. O S. Inácio é 1 deles.

Deus é mesmo o ‘Cara Gozador’, e quis Ele-Ela que minha primeira matéria publicada na Zona Leste fosse curiosamente retratando a Zona Oeste, a porção diametralmente oposta portanto.

Então chega dessa falação, e vamos ao nosso tema de hoje: Santo Inácio, Zona Oeste.

Um bairro pequeno (apenas 6 mil moradores no censo/10) e pouquíssimo conhecido.

A maioria dos curitibanos não sabe que um dos 75 bairros da nossa capital se chama ‘Santo Inácio’.

Por isso a ‘Cidade Oculta’ do título.

……..

fotografei e reportei a ‘parte alta’ dele, a divisa com Santa Felicidade, onde passa o busão Montana.

Já houveram bem mais, mas as grandes áreas verdes ainda são comuns.

Lá flagrei em pleno Brasil uma picape do Paraguai militando na eleição dos EUA. Pensa que é brincadeira mas não é, fotografei tudo, clica pra comprovar.

Tudo isso já está no ar, fui em 2014 lá. Agora de novo, dessa vez foi a ‘parte baixa’, onde passa o Saturno, divisa com o São Braz, perto da BR-277.

A Zona Oeste, por estar parcialmente desocupada até a década de 90, passa por intenso processo de urbanização e aburguesação desde então.

De quebra fotografei o parque mais famoso de Ctba. – o Barigüi óbvio. Alias a melhor referência é essa:

O Parque Barigüi fica (parcialmente, já detalho melhor) no Santo Inácio.

A Universidade Tuiuti e Faculdade Espírita também (essas de forma integral).

Por conta disso parte dos moradores do Santo Inácio dizem que moram “no Barigüi”.

Mas o Barigüi não é bairro: é o rio, e por conta disso um parque – o mais famoso da cidade, como o sabem.

Sintetizando a transição da Zona Oeste e do S. Inácio em particular: duas casas de madeira bem simples (uma delas secular), num terreno enorme. Ao fundo condomínio de elite com sobrados triplex, e depois um bosque.

E bem rio abaixo uma vila na periferia de Curitiba, que começa na Fazendinha e tem a maior parte de seu território na Cidade Industrial.

Já retratei a Vila Barigüi do subúrbio em 2 reportagens, que você acessa clicando nas ligações em vermelho.

Então bora de volta pro nosso tema atual, as imediações do Pq. Barigüi, região que nada tem a ver com a Vila Barigüi. Só compartilham o nome.

Porque são as margens do mesmo rio na Z/O (alias a postagem que originalmente só mostrava a Vila Barigüi e proximidades foi ampliada pra abarcar todo trajeto do Rio, do Pilarzinho a Caximba, de Tamandaré a Araucária), mas longe um do outro.

Voltando ao redor do parque, por causa dele muitos de seus moradores dizem que moram não no Santo Inácio, mas “no Barigüi” – só que esse bairro não existe.

Especialmente os ‘novos-ricos’ que se mudaram pra lá recentemente e vivem em condomínios fechados, já falo melhor disso. 

A Z/O é onde Curitiba mais se parece com Ponta Grossa-PR, ou (substituindo madeira por alvenaria) com B. Horizonte-MG.

Bom, a Zona Oeste é campeã de mudar nomes dos bairros, são vários casos:

O Bigorrilho e parte das Mercês eles chamam de “Champagnat”, o Mossunguê, partes do Campo Comprido e CIC eles dizem “Ecoville”.

Pois bem. Eu não reconheço e não ratifico esses modismos, ao contrário, retifico.

E não é que creia que as denominações sejam eternas, ao contrário.

Flores a margem do lago no Barigüi (fiz postagem a parte mostrando muitas mais, no parque e entorno).

Até 1992 o atual Jardim Botânico (começo da Zona Leste) se chamava Capanema (nome que ficou preservado pelo estádio e pela vila perto dele, antiga favela agora urbanizada).

Em plebiscito, os moradores optaram pela mudança, eu respeito a vontade deles.

Porque houve uma votação oficial, cujo resultado foi chancelado pela prefeitura.

Assim, de fato e direito o bairro agora é o ‘Jardim Botânico’. Firmeza total. Bem distinto é o que acontece na Zona Oeste.

Ali, nunca houve plebiscito algum. Simplesmente ao arrepio da lei alguns decidem entre eles mesmos que o nome anterior é ‘brega’, e “corrigem” pra um mais ‘chique’.

Mais uma vez o contraste.

Que seja. Mas não com minha participação nessa trampa. Até que haja câmbio oficial, sigo usando os nomes corretos:

Santo Inácio, Bigorrilho, Mercês, Campo Comprido, Mossunguê e Cidade Industrial são referidos exatamente assim.

……..

Falar nisso, o Parque Barigüi – que foi criado nos anos 70 – ocupa território de nada menos 4 bairros da Z/O:

Santo Inácio, Cascatinha, Mercês e mesmo uma pequena porção do Bigorrilho.

Na tomada a esquerda e nas próximas 6 em sequência, veremos exatamente essa área verde de lazer que é a ‘menina dos olhos’ de Curitiba:

Os esportistas fazendo exercício ao redor do lago que represa o rio de mesmo nome;

Não sei se ainda é o caso, mas no passado ali foi o habitat de jacarés (não os únicos jacarés que vivem soltos em Ctba.) por isso hoje vemos a estátua de um deles (cena igual a que cliquei em J. Pessoa-PB);

No detalhe um leão (que também fotografei na capital da África do Sul, breve no ar) que guarda a entrada de um restaurante;

Restaurante esse cujas mesas são sobre as águas, note o píer a direita na imagem ao lado;

Vemos também uma capivara (cena que me lembrou a Pampulha, em BH, onde igualmente cliquei esses bichos);

Já que entramos na seção que mostra os animais em carne-&-osso do Parque:

Ao lado os gansos que se refastelam com as pipocas;

Abaixo são os seres humanos quem se congregam comendo: vários parques da cidade contam com churrasqueiras públicas.

Ir no fim-de-semana comer um churrasco com salada de tomate e cebola é algo que está na essência do povo curitibano (ou até no meio de semana, por que não?, estive ali numa 3ª-feira e a galera marcava presença).

Eu mesmo fiz isso muitas e muitas vezes, em minha infância (hoje eu não como mais carne).

Apenas, como eu fui criado na Zona Norte, íamos nas churrasqueiras do Parque da Barreirinha – mais eventualmente nas que existem na Estrada da Graciosa;

Abaixo o Centro de Exposições, um dos mais famosos da cidade.