África do Sul, o Mundo num só País

O ‘apartheid’ acabou! Nos tempos tenebrosos do regime racista eram proibidos os casais inter-raciais. Na época essas garotas brancas seriam condenadas a muitos anos de cadeia. Os rapazes negros, embora a lei previsse a mesma pena, na verdade seriam linchados no mesmo instante, naquele exato local. Hoje elas e eles são livres pra viverem seu Amor.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 25 de maio de 2017

Mensagem-Portal sobre a África do Sul (ao fim do texto ancoro as ligações pras demais postagens da série).

Vamos falar sobre a luta secular pra pôr fim ao regime de discriminação racial.

No Novo Milênio, sob democracia, novos desafios:

Reduzir a violência urbana, que está na estratosfera, e também a desigualdade social, igualmente gigante.

1989: ‘apartheid’ vigente, praia em Durbã só pra brancos. Placa em inglês, africâner e zulu. Na língua nativa dos negros, ‘Durbã’ se chama ‘Ethekwini‘, breve falo mais em outra mensagem. Essa e outras imagens vieram da Wikipédia, créditos atribuídos como pedido.

Imensa maioria das fotos de minha autoria. As que vierem de outras fontes identifico na legenda.

PARTE 1: ‘APARTHEID’, INÍCIO E FINAL

A ida a África do Sul foi minha primeira viagem inter-continental. Eu nunca fui a Europa ou a Ásia. Digo, indo a África do Sul de certa forma eu estive também na Inglaterra, Índia e Califórnia/EUA.

Pelo seguinte: a República da África do Sul (abreviada R.A.S.) tem enorme população branca e indiana.

Os descendentes de indianos estão reunidos basicamente em Durbã.

Dos quase 3,5 milhões de habitantes dessa região metropolitana, meio milhão têm ascendência na Índia (o que inclui os atuais Paquistão e Bangladesh, e esses 2 são majoritariamente muçulmanos, já falo mais disso)

O que torna Durbã ‘a maior cidade indiana do mundo fora da Índia‘.

A influência dos europeus é ainda maior. Os brancos são 10% da população sul-africana. Mas eles estão concentrados nas classes média-alta e elite.

Por um século ademais eles tiveram hegemonia absoluta na África do Sul impondo o ‘apartheid’ (‘manter separado’ em africâner, ‘heid’ tem raiz parecida com a palavra inglesa ‘hold’).

Orla de Durbã, hoje. Negros e brancos caminham juntos e brincam como irmãos. Claro que nem tudo é perfeito, mas comparado com o que era… Outro detalhe: veja como os brancos na África do Sul são brancos mesmo, loiros de olhos claros.

O regime que oprimiu as outras raças oficialmente começou em 1948, mas na prática desde que os colonizadores europeus pisaram lá em massa, em fins do século 19 – e início dos massacres data do século 17 .

Mais abaixo falamos melhor disso. Aqui, dando essa primeira pincelada, obviamente não é difícil entender que os brancos moldaram a África do Sul a sua imagem e semelhança, em todos as dimensões.

Tem mais: os europeus que foram pra lá são norte-europeus (‘normandos’), bem diferentes física e culturalmente dos sul-europeus (‘latinos’) que povoaram a América Latina.

Nelson Mandela, Avatar Sul-Africano, ‘Pai da Pátria’. Cultuado como santo por lá, esse quadro está na casa que fiquei na Cid. do Cabo.

Os brancos da sul-africanos têm a pele bem alva, quase sem mistura de sangue de outras raças. A maioria das pessoas têm olhos claros, verdes ou azuis.

Urbanisticamente falando, a África do Sul é totalmente parte da Anglosfera: pouca gente mora em prédios altos. Assim as cidades têm pouquíssimos edifícios, geralmente se resumem aos que são comerciais no Centro.

E mais uma leva de prédios residenciais na beira-mar (nas cidades que têm mar, óbvio. As que não têm aí menos prédios ainda).

Os ricos e a burguesia moram em subúrbios exatamente iguais aos dos EUA, só casas em ruas sem-saída, sem comércio na vizinhança.

Tem mais. Na Cidade do Cabo, quem tem dinheiro mora nos morros, os pobres no plano. Como na Califórnia-EUA.

Resumindo: se você esteve nos EUA, você sabe como são as cidades da África do Sul.

1-Antigas províncias (estados) da África do Sul do ‘apartheid’: Cabo (que ocupava mais da metade do país); Estado Livre Laranja; Trasnvaal (esses 2 eram ex-repúblicas africâneres que foram incorporadas ao Império Britânico na Guerra Anglo-Boer); e Natal; 2-As mesmas províncias com os ‘bantustões’; 3-Re-organização pós-‘apartheid’: Estado Livre Laranja vira apenas ‘Estado Livre’, cai a referência a Holanda; Natal vira Kwa-Zulu Natal (nesses dois só muda o nome, as fronteiras não se alteram nada ou quase nada); o Cabo é dividido em três, agora são Cabo Oriental, Cabo Ocidental e Cabo do Norte; Transvaal é dividido em quatro: Gauteng ao redor de Joanesburgo e Pretória, a menor mas a mais povoada província sul-africana; Noroeste; e Transvaal do Norte e Transvaal do Leste; 4-Como é hoje: Transvaal do Norte vira Limpopo, a capital também tem nome alterado de Pieterburg pra Polokwane; Transvaal do Leste se torna Mpumalanga; e a capital do Noroeste tem o nome mudado de Mmabatho pra Mafikeng. Mmabatho e Mafikeng são dois municípios que pertencem a mesma cidade, apenas antes a sede do governo era num e agora é no outro.

Óbvio, na RAS há muitas e muitas favelas miseráveis, nos EUA não. Mas de resto é igual.

Durbã é de certa forma exceção. Digo, ali há também os subúrbios a moda ianque, tanto planos quanto em ladeiras.

Mas em Durbã há favelas no morro. Por isso a ‘América na África’ – breve texto específico.

E existem também muitos prédios altos tanto a beira-mar quanto num morro de classe média-alta bem perto do Centro.

E obviamente a maioria negra e ‘de cor’, livre do ‘apartheid’ há mais de 2 décadas, vem se fazendo ouvir, inclusive economicamente.

Por quase oito décadas os indianos foram tão pobres e explorados quanto os negros nativos.

Desde que foram levados da Índia pra serem semi-escravos do Império Britânico, até o terceiro quarto do século 20.

Mas há 4 décadas os indianos vêm ascendendo muito na escala social.

Eles também sofreram ‘apartheid’. Só que quando o regime racista viu que ia cair, flexibilizou a opressão contra os indianos ainda nos anos 80.

Jornal no idioma zulu. Comprei num mercadinho dum bairro popular de Durbã. O caixa era negro. Perguntei “que língua é essa?” Ele não sabia. Veja bem, um negro, e não é que ele não sabia traduzir. Não sabia sequer que idioma era. Quem me informou foi o anfitrião do apartamento que fiquei, que é indiano e muçulmano. Eis a torre de babel que é a África do Sul…

Assim uma massa dos descendentes asiáticos pôde ‘pular o muro’ da discriminação e migrar pros subúrbios que oferecem vida mais confortável. De forma que em Durbã especialmente há uma alta e média-burguesia indiana, há subúrbios de elevado estrato em que eles predominam.

Com a queda do ‘apartheid’ em 1994, vários negros seguiram o mesmo caminho.

Hoje há uma pequena elite e uma numerosa classe média-alta formada por africanos nativos.

É comum subúrbios de ricos a moda ianque habitados por negros, e você os vê aos montes dirigindo os carrões mais caros, BMW’s, Mercedes, Audis, a lista toda.

………..

Ademais, há muitos brancos pobres, de classe trabalhadora. Nas favelas e piores bairros mais afastados a população é 100% de negros. Na elite são 90% brancos.

Ou seja, os extremos são segregados. A classe ‘E’ só tem negros, a classe ‘A’ ainda é um privilégio quase que exclusivo dos brancos.

Mas toda classe média, as classes ‘B’, ‘C’ e ‘D’, tem gente de todas as raças.

Museu do ‘Apartheid‘, Joanesburgo: filma só o caveirão do regime racista, que a polícia usava pra entrar nas favelas negras quando havia distúrbios. Faz parecer pequenos seus similares do Chile e Colômbia.

Você vê brancos em serviços braçais/repetitivos, como encanadores, balconistas, que não exigem estudo e pagam pouco.

Se pegar um ônibus pra periferia, você já está nos bairros humildes, onde moram os assalariados em casas e apartamentos simples, desprovidos de qualquer luxo.

E ainda há descendentes de europeus no busão.

Só quando no terminal você troca pro alimentador que vai pras favelas e piores cohabs é que só há negros.

E, repito, o contrário também é verdadeiro, também vemos hoje muitos africanos nativos de pele bem escura em posições de destaque.

Democracia! Soweto, Joanesburgo, África do Sul, 2017: parte dos negros ascendeu a alta e média-alta burguesias. Veja a picape que esse aqui dirige. É comum hoje ver Homens e Mulheres negros no comando dessas máquinas. Nos tempo do regime racista eles nem eram considerados seres humanos.

Negros morando em mansões que contam com piscinas e com empregadas (também negras, claro) de uniforme.

Observe a foto ao lado, que vale por mil palavras.

……….

A África do Sul tem 55 milhões de habitantes. As 4 maiores cidades são as únicas que ultrapassam 1 milhão.

Eis a população delas, incluindo região metropolitana (censo de 2011, dados do sítio citypopulation.de):

– Joanesburgo, 7,8 milhões (segundo outras fontes, já chega a 10 milhões);

– Cidade do Cabo, 3,4 milhões (4 milhões pela Wikipédia);

Eis a prova: essas crianças negras não estão rezando. É que na época do ‘apartheid’ muitas escolas negras sequer tinham carteiras, os alunos tinham que escrever no chão. As 2 imagens no Museu do ‘Apartheid’ (essa e a do caveirão) são de autoria de meus familiares.

– Durbã, 2,7 milhões (3,3 milhões, idem).

Pretória, 1,7 milhão.

Eu pude conhecer todas elas.

………

A África do Sul é uma colcha de retalhos linguística. São nada menos que 11 idiomas oficiais.

O inglês é universal, a ‘língua franca’, o único falado por todos os seus habitantes, de todas as raças.

Nos tempos do ‘apartheid’ eram duas línguas oficiais, as faladas pelos brancos.

Bairro Baía ‘Hout’, extremo sul da Cidade do Cabo. Uma foca bem grande interage com o público, ao fundo a marina e as montanhas. Mais uma clicada pelos membros de minha família, a última. Daqui pra baixo tudo de minha autoria.

Além do inglês obviamente o africâner, que é um dialeto do holandês (na verdade se assemelha muito ao holandês medieval).

Ainda hoje o africâner é mais falado que o inglês como língua materna, entre os euro-descendentes.

Com a democracia, os idiomas que os negros usam também ganharam ‘status’ oficial. Embora sejam nove, as mais comuns são o xhosa e o zulu.

Todas moedas da África do Sul trazem no verso a inscrição no nome da nação em duas línguas.

Nas notas está escrito ‘Banco Central da África do Sul’ em inglês na frente (no original ‘Reserve Bank’, ‘Banco da Reserva [Financeira]’ ou ‘Banco do Tesouro’, se preferir. Passei em frente a sede dele em Pretória).

Ir a África do Sul é como ir a Inglaterra. Praça Gandhi, que é o terminal central do Metrobus em Joanesburgo. 2-Andares Volvo Marcopolo de fabricação brasileira se prepara pra levar a galera pros distantes subúrbios da metrópole. Como comentou um colega, os pobres estão subindo na vida, “vendo o mundo pelo alto”.

E atrás novamente em 2 línguas, na de 10 rands em africâner e uma língua negra, nas demais sempre idiomas nativos africanos.

Entre os brancos, mais gente fala africâner como língua-mãe que inglês.

Mas quem fala inglês só fala inglês, é mono-língue, não entende nenhum outro idioma, e isso vale pros negros e brancos.

Assim, os que têm o africâner ou idiomas nativos da África como 1ª língua têm que saber também inglês.

Sejam da raça que for, quando as pessoas estão somente entre os da sua etnia (especialmente em casa, mas também num círculo fechado de amigos) falam em sua própria língua.

Templo hindu no Centro de Durbã: visitar a África do Sul é como ir a Índia.

Quando é preciso falar com mais gente, por exemplo no trabalho, todos se comunicam em inglês.

Obviamente, como dito, algumas pessoas brancas e negras já têm essa como língua-mãe, aí a usam mesmo em casa. 

Os que falam africâner se concentram no Costa Ocidental. Na Cidade do Cabo, o africâner é a 1ª língua de nada menos que 22% da população.

A imensa maioria brancos, mas embora mais raro há uns poucos negros que a usam também, pois foram educados nela na época do ‘apartheid’.

A ‘Riviera’ da Cidade do Cabo: ir a África do Sul é como ir as parte mais bonitas do Mediterrâneo (Itália, ou Grécia).

Nessa cidade o inglês predomina amplamente pois é o idioma nativo da maior parte dos negros. Digo, dos ‘mulatos’.

No Oeste da RAS são majoritários os que se auto-denominam ‘mestiços’ ou ‘mulatos’ no censo.

Eles são negros, e assim eram considerados pelo ‘apartheid’, certamente. Mas já houve grande miscigenação entre as diferentes tribos nativas africanas.

Pela mistura, a conexão com as línguas africanas se perdeu, aí eles usam o inglês, praticamente todos, e uns poucos o africâner, como já dito.

‘Woodstoock’, Cidade do Cabo: região de classe média na ladeira, com casinhas geminadas. Na África do Sul você se sente em em São Francisco, Califórnia/EUA.

A língua negra mais falada no Cabo é o xhosa, com apenas 2,7 % da população que a usam em casa.

Já a Costa Oriental sul-africana é território dos ingleses, sempre foi, desde a colonização.

Em Durbã apenas 3% dos habitantes têm o africâner como idioma-materno.

O Leste do país é de maioria negra, inclusive estatisticamente.

Quero dizer com isso que no censo as pessoas se definem assim, como ‘negros’, e não como ‘mulatos’ ou ‘mestiços’.

Bairro ‘Baía do Campo’, Cidade do Cabo. Reduto da elite, com mansões no morro. Eu estava na África do Sul, mas parecia que era em ‘Beverly Hills’ ou ‘Hollywood’, em Los Angeles, também na Califórnia/EUA.

Por isso o zulu é o 1º idioma de um terço da população. Mesmo o xhosa é o escolhido de 6%, mais que o dobro do Cabo.

O Cabo é, definitivamente, a cidade mais integrada racialmente, a mais multi-cultural, da África do Sul e diria de toda África.

Ali, os brancos são 1/3 das pessoas, portanto há inclusive muito mais brancos pobres.

Em Joanesburgo e Durbã os brancos são somente 12 e 15%, respectivamente, aí só numerosos nas classes alta é média-alta.

Bem, em Durbã há quase o dobro de indianos que brancos, pra você ter uma ideia.

Muçulmanas na praia em Durbã. 3 delas estão de burca negra que só mostra os olhos, 1 delas com o rosto a vista. Na África do Sul. Mas se me dissessem que eu estava no Afeganistão não teria como duvidar. Os muçulmanos entram no mar de roupas em Durbã, tanto Homens quanto Mulheres. Bem, pessoas de outras raças/religiões também fazem o mesmo nessa cidade, é tradição local.

Já veremos como isso se desdobra em outras dimensões. Na linguística, a Cidade do Cabo é a única tri-língue.

As comunicações da prefeitura são em inglês, xhosa e africâner. O lema da cidade é: “Progredindo. Todos Juntos.”

……..

Todos Juntos. Um lema bonito. Evidente que na prática as coisas não são tão simples, ainda há imensos problemas. Mas no passado foi ainda pior.

Como estamos falando do ser humano, que infelizmente sempre foi e ainda é belicoso por natureza, as raças brigam muito.

Tanto umas contra as outras como entre si, dentro de suas próprias etnias.

Na África do Sul não é diferente. Alias, ali foram inventadas duas coisas macabras pra humanidade:

Na África do Sul são os ricos que moram nos morros, como na Califórnia. Os pobres vivem em favelas, conjuntos geminados ou cohabs de pequenos prédios (pombais), a construção varia mas sempre no plano. Porém Durbã é exceção. Há bairros de elite nas encostas, sim. Mas também há muitas favelas, como nas periferias do Rio, SP, BH-MG, Salvador-BA, partes de Curitiba, Colômbia, México, Chile, Bolívia, Peru Venezuela. Durbã é a ‘América na África’ (foto via ‘Google’ Mapas).

O campo de concentração (depois amplamente usado na Europa por Hitler, Stalin e outros);

E o ‘micro-ondas’, quando uma pessoa é presa dentro de pneus encharcados com gasolina sobre os quais é ateado fogo.

Hoje a raça branca já não agride tanto ela mesma:

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial já são 70 anos sem que um país da Europa Ocidental invada outro, fato inédito em sua violenta história.

E bota ‘violenta’ nisso, por milênios culminando a 2ª Guerra os brancos se combateram violentamente entre si, pra ver quem amealhava mais poder sobre os outros.

Não quer dizer que os brancos se tornaram pacíficos, apenas agora eles atacam outras raças, geralmente de países mais fracos que não podem se defender.

Montanha-Mesa, Cidade do Cabo: bondinho sobe um morro famoso, símbolo da cidade e do país. Me lembrei muitíssimo de quando fui ao Rio de Janeiro.

Vide as intervenções dos EUA (em vários casos em conluio com Inglaterra e França) no Iraque, Líbia e Síria.

Mais de 2 milhões morreram nessas guerras, mais de 10 milhões ficaram amputados/ viúvas(os)/órfãos/refugiados internou ou externos.

Então, não, os brancos não passaram a ser brandos. Apenas agora eles agridem aos outros como sempre fizeram, mas entre eles mesmos não mais.

Mas no passado não foi assim, a raça branca duelava muito, e de forma muito violenta, inclusive dentro de seus próprios povos.

Golfistas na Zona Norte da Cidade do Cabo. Os ricos da África do Sul adoram golfe, há cem vezes mais campos desse esporte lá que no Brasil. Nos EUA é exatamente igual. É a ‘Anglosfera’.

A África do Sul não passou imune a essa situação.

Desde o século 17 ingleses e holandeses brigaram entre si, e contra os negros nativos, pra poderem dominar o país.

Os negros resistiram bravamente, derrotando os invasores brancos em várias ocasiões.

Porém evidentemente os europeus tinham armas muito, mas muito superiores aos africanos, e acabaram prevalecendo.

Por exemplo, o Rei Zulu Shaka ficou famoso por inventar uma lança afiada.

Gostou da Mercedes da Isabel??? E que tal a do ‘Vegeta‘, que é conversível. O Wilson é mais modesto e se contenta com um modelo mais simples, enquanto no Centro de Durbã alguém está ouvindo ‘Rumores’. Vocês entenderam, né? Na África do Sul, como nos EUA, você pode escolher a placa do teu carro. Tem mais. Lá eles a-d-o-r-a-m Mercedes e BMW, é paixão nacional. Não só os ricos, os pobres também. Veja que na foto maior, aquele belo anoitecer em Joanesburgo, eu também estou numa Mercedes, a estrelinha ressaltada em amarelo. Em outra mensagem falarei melhor disso.

Que lhe garantiu a vitória em numerosas batalhas contra outras tribos negras, desprovidas dessa tecnologia (justiça seja feita e não vamos idealizar, a raça negra também massacrou seus próprios irmãos, e infelizmente a situação persiste, como veremos mais adiante).

Mas contra os rifles e canhões brancos suas lanças e escudos pouco puderam fazer, além de retardar um pouco a queda.

Em 1679 foi inaugurado pelos africâneres o forte conhecido como ‘Castelo da Boa Esperança’.

Trata-se da primeira construção europeia na África do Sul, na época a beira-mar, hoje depois de sucessivos aterros está a centenas de metros da orla.

O que garantiu pouco mais de um século de domínio.

Porém em 1795 a Inglaterra exige a rendição da Colônia (holandesa) do Cabo e sua anexação ao Império Britânico.

Os holandeses se negam, e resistem o quanto podem mas o Cabo cai acuado por invasão de enorme esquadra da Real Marinha Inglesa.

Em 1804 a Holanda brevemente retoma o controle, mas dois anos depois em nova invasão a Inglaterra assume em definitivo o comando da Cidade do Cabo e da colônia que o circunda, o que a princípio incluía até a atual Namíbia.

E eis a prova: Atlântida, subúrbio do Extremo Norte na Grande Cid. do Cabo. Moradia muito pobre, mas tem um Mercedes velho na garagem. No Paraguai (e vários páises árabes) a paixão por essa marca é a mesma. Mas tem mais: casa de madeira? E com toras na horizontal? Por acaso viemos parar no Caribe, ou no Sul dos EUA???

Assim os holandeses vão pro interior e ali estabelecem duas repúblicas independentes

Entre os Rios Laranja (‘Oranje’ no original holandês/africâner, a cor da Casa Real Holandesa e daí o uniforme da seleção desse país) e Vaal é criado o ‘Estado Livre Laranja’ (‘Orange Free State’ em inglês).

E após o Rio Vaal a República Sul-Africana, também chamada de ‘República do Transvaal’.

Não confunda, obviamente, a ‘República Sul-Africana’ holandesa/ africâner/boer com o país atual, já vamos chegar lá e ver como a presente República da África do Sul foi formada.

Primeiro voltemos ao século 19. Os holandeses foram derrotados no litoral, perderam o Cabo em 1795 e Natal, do outro lado, já era bastião inglês.

Ainda Atlântida, Cid. do Cabo: residência muito pobre de alvenaria, rua de terra, sozinha no quintal grande, sem laje e sem muro. Me belisca: ou eu estou sonhando ou eu voltei mesmo ao Paraguai!!

Assim migraram e no fundão do interior fundaram suas duas repúblicas independentes que, sendo o ser humano como é, também guerrearam entre si.

Mas o perigo maior estava por vir. Em 1877 a Inglaterra anexa também o Estado Livre Laranja e a República do Transvaal.

Em 1880 os colonizadores ‘boeres’ (holandeses) se revoltam, e estoura a Primeira Guerra Anglo-Boer.

Ela dura apenas 4 meses, até o começo do ano seguinte com vitória boer, as repúblicas holandesas reconquistam a independência.

Não dura muito. Em 1886 é descoberto ouro na região, e daí fundada a cidade de Joanesburgo.

Soweto, Joanesburgo. Favelas com casas de zinco. Me deu a nítida sensação de estar de volta aos morros de Valparaíso, Chile.

Obviamente a Coroa Britânica não vai deixar que outros enriqueçam com o metal. Assim em 1899 se inicia a Segunda Guerra Anglo-Boer.

Agora a luta foi renhida e cruel. A Inglaterra está disposta a ganhar a qualquer custo. E por isso lança mão de uma nova técnica:

Prende a população civil das cidades inimigas conquistadas em campos de concentração, especialmente Mulheres e crianças.

Voltamos a Atlântida, Cabo. Mas continuamos no Chile. Puxadinho no Prédio??? Você já sabe, é a marca registrada da Zona Oeste de Santiago, fotografei vários assim.

Veja mais abaixo a foto (busque pela legenda), tropas inglesas se dirigem com cavalaria e canhões pra ocupar a nascente cidade de Joanesburgo.

Conhecendo a crueldade inglesa, os comandantes de Joanesburgo optam por entregar a cidade sem lutar.

Não teve jeito, a Inglaterra conquistas as repúblicas boêres e unifica a África do Sul sob seu comando, como uma colônia.

Em 1909 é decretada independência formal pelo parlamento inglês, com a consequente criação da União Sul-Africana em 1910.

Plátanos na Zona Norte de Joanesburgo. Na África do Sul você se sente no Canadá ou em partes frias da América do Sul, como Campos do Jordão-SP, S. Catarina, Argentina ou Chile.

Mas a “independência” é apenas no papel, literalmente ‘pra inglês ver’.

A África do Sul continua colônia inglesa, apenas em 1931 vem a independência de fato.

De 1931 a 1960 a África do Sul fica na mesma situação que o Canadá, Austrália e Nova Zelândia estão até hoje: é independente na prática. Mas o chefe de estado ainda é a rainha (ou rei) da Grã-Bretanha.

Em 1961 em plebiscito nacional (apenas os brancos puderam votar) por pequena margem são cortados em definitivo os laços com a Inglaterra.

Casa com dezenas de painéis solares na Zona Norte de Joanesburgo. Na África do Sul o uso da energia do Sol está mil vezes mais avançado que no Brasil. Casas de todas as classes sociais, inclusive cohabs muito pobres (veremos fotos em outra postagem), fazem uso intenso desse modal. Com tanto cuidado com a Natureza, eu me senti na Alemanha.

Proclamada a ‘República da África do Sul’, a monarca em Londres enfim deixa de ser a chefe de estado sul-africano.

A província de Natal (atual Kwa-Zulu/Natal depois da incorporação do bantustão Kwa-Zulu) foi a única a votar ‘não’, pois ali os ingleses sendo maioria queriam permanecer ligados formalmente a Inglaterra.

Alias a rixa entre ingleses e africâneres na África do Sul é antiga. Em tempos passados, resolvida via aprisionamento da população civil rival em campos de concentração.

Hoje a situação é mais pacífica mas um certo ressentimento permanece. 

Derivado de modos diferentes de verem sua permanência na África, uma situação temporária pra uns e permanente pra outros.

Já que é pra falar da vibração Norte-Europeia, segura essa: a costa da Cidade do Cabo já sofreu sucessivos aterros, tomando espaço do mar. Veja essa imagem (desculpe a coluna na frente, eu estava dentro do terminal de ônibus e o painel é fora, não tive como evitar). As ruas são a área urbanizada da cidade em 1884, hoje é cem vezes maior, isso é apenas o Centro atualmente. Aquela estrela bem no meio é o Castelo da Boa Esperança, fortaleza construída pelos holandeses, já explicada acima. Até o fim do século 19 ela ainda era a beira-mar, a costa então era a linha azul-escura. Em 1920 já havia o primeiro aterro, a costa está naquela linha de azul de tom médio. E em 2013 muito mais terra havia sido tomada do Oceano, o terminal que eu estou está identificado por aquele ponto vermelho. Portanto um século atrás eu estaria dentro do mar nesse exato local. É como se eu estivesse na Holanda. Bem, a África do Sul e muito mais a Cidade do Cabo foram colonizados (também) por holandeses.

Explico. Os africâneres chamam os ingleses pejorativamente, perdão pelo termo chulo, de ‘pinto de sal’.

Isso quer dizer o seguinte. Os africâneres se veem como ‘descendentes de holandeses’, e não como ainda sendo holandeses.

Claro que valorizam sua cultura – até demais, tanto que a impuseram a força aos negros por um século.

Mas os africâneres cortaram seus laços atuais com a Holanda, com a Europa em geral. Eles agora se definem como sul-africanos.

Já os ingleses se recusam a cortar seus laços com a Inglaterra, e ficam numa ‘lealdade dividida’.

Não sabem ser sul-africanos de corpo & alma, pois ainda querem permanecer súditos da rainha.

Mesmo tendo nascido, sido criados e morado toda vida na África, se recusam a deixar ir seus laços com a ilha do outro lado do planeta da qual vieram seus bisavós.

Por isso têm o, desculpe novamente, ‘pinto de sal’.

Pois segundo os aficâneres, os ingleses ficam com um pé na Europa, outro na África, daí seu genital molha no mar e se torna salgado.

……….

Bem, após a matança da Guerra Anglo-Boer da virada do século 19 pro 20, os brancos entenderam que estavam condenados a viver juntos no mesmo país.

Como já dito, os ricos da África do Sul moram como os dos EUA: em casas (geralmente sobrados) nos subúrbios com calmas ruas sem saída, gramados a frente, se possível sem muro. Aqui é Z/N da Cidade do Cabo, perto da Praia da Lagoa e Praia do Pôr-do-Sol. Note a ausência de calçadas.

Independente de gostar ou não da Inglaterra. Portanto se uniram pra oprimir os negros e demais pessoas “de cor”.

Repito que oficialmente o ‘apartheid’ iniciou em 1948. Mas na prática desde o século 19. Lembre-se:

Quando chegaram a África do Sul vindos da Índia (ambos então parte do Império Britânico) os indianos eram tão pobres quantos os negros nativos.

E tinham os mesmos direitos que eles, ou seja nenhum.

As repúblicas “livres” Laranja e do Transvaal só eram livres pros brancos.

No Transvaal inclusive a lei dizia que não-brancos não podem ocupar cargos nem na administração pública nem nas igrejas.

Em Durbã, garotos de uma escola vão jogar bola na praia. Negros e brancos juntos, pois a legislação racista acabou. Aqui quero chamar a atenção novamente pro fato que na África do Sul os brancos são sempre alvíssimos, pele, olhos e cabelos – todos na foto são loiros! Não são mestiços, morenos como os ‘brancos’ do Sul da Europa e América Latina. Na África do Sul (nesse ponto ao menos) você está no Norte da Europa: Holanda, Alemanha, Inglaterra e Escandinávia.

Os indianos que foram morar no Transvaal tinham por lei que residir em bairros (na verdade favelas) exclusivos pra eles, designados pelas autoridades.

Além disso, eles não podiam trabalhar na mineração, e tampouco andar nas calçadas, tinham que caminhar pelo meio das ruas. E toda essa legislação data de 1885.

No Estado “Livre” Laranja era ainda pior. O governo branco simplesmente baniu a entrada de indianos.

Nenhum indiano podia morar no Estado Laranja, e mesmo pra atravessá-lo de passagem era necessário um visto especial.

Depois que a Inglaterra bateu as repúblicas boêres em 1902 e as incorporou a sua colônia sul-africana a situação permaneceu inalterada.

Cidade Alta’ de Durbã, um bairro (‘Musgrave‘, pronuncia ‘Mâsgreive’) num morro de classe alta e média-alta na Zona Central. Ir a África do Sul é como ir a Alemanha (ou a Joinville-SC). Nem todos os morros de Durbã são tão elitizados, como já vimos acima.

Afinal, mesmo em Natal (que era possessão inglesa) a situação era a mesma.

Ainda em 1888 foram formuladas leis que obrigavam os indianos a terem autorização da polícia (‘passes’) pra circular pela cidade.

E em toda África do Sul, boer ou inglesa, antes ou depois da Guerra Anglo-Boer, as pessoas ‘de cor’ não podiam entrar em diversos locais públicos.

Isso valia pra negros, indianos, chineses e qualquer não-europeu.

Pra você se sentir mesmo no Norte da Europa: comprei na Cidade do Cabo, mas o leite vem escrito em holandês. Na verdade africâner, que oficialmente é uma língua, mas na prática um dialeto do holandês (80% das palavras são idênticas nos dois idiomas, ou tem mínimas diferenças de grafia). 99,99% dos alimentos na África do Sul vem escritos em inglês, que é a língua que todos os seus habitantes (de todas as raças) falam. Muitas vezes em inglês, português e francês pra ser exportado pra toda África. Mas em africâner nenhum, apenas esse laticínio quis ressaltar sua origem dessa forma. As caixinhas de papelão do longa vida são bi-língues inglês e africâner, os saquinhos de plástico são também nos dois idiomas, mas não na mesma embalagem. Cada saquinho é ou em inglês ou africâner.

Eles nem sequer podiam caminhar pelas calçadas, precisavam ir pelo meio da rua com risco iminente de atropelamento.

Muita gente não sabe, mas aquele que foi batizado ao nascer Mohandas Gandhi viveu 21 anos na África do Sul. E foram os primeiros anos de sua vida adulta.

Ali ele iniciou sua luta política, e ali na África do Sul ele se tornou conhecido como ‘Mahatma’ Gandhi.

Uma pista pra quem não conhece a língua sânscrita. ‘Maha’ = ‘Grande’; ‘Atma’ = ‘Alma’. Logo ‘Mahatma’ significa ‘A Grande Alma’, ou se preferir algo similar a ‘Iluminado’, ‘Ungido’, pra usar as terminologias budista e cristã.

Gandhi era de família abastada, por isso na juventude foi estudar advocacia em Londres, nada menos que a capital do império que subjugava tanto a Índia quanto a África do Sul.

Ao retornar formado pra casa, um de seus primeiros trabalhos foi ser enviado a Durbã pra representar alguns ricos comerciantes muçulmanos indianos.

(Algumas notas. A ‘Índia’ de então incluía os atuais Bangladesh e Paquistão, logo muitos eram muçulmanos, situação que ainda persiste até hoje.

A África do Sul tem enorme comunidade muçulmana. Parte dela é formada por imigrantes [negros] de outros países da África, e também por sul-africanos negros convertidos.

Entretanto o grosso é de ‘indianos’, assim chamados, mas se os outros países já fosse independentes seriam conhecidos como bengalis ou paquistaneses.

Assim como no Brasil o termo ‘turco’ se refere basicamente a sírios e libaneses, então sob jugo do Império Otomano [turco]. Em várias partes do mundo as fronteiras de um século e pouco atrás eram diferentes das atuais.

Segundo, embora a imensa maioria dos indianos da África do Sul fosse pobre, evidentemente haviam também representantes da elite, que estavam ali por sua livre vontade.)

Zona Norte, Cidade do Cabo, perto da praia: subúrbio rico na lagoa, cada casa pode ter seu cais e barco particular. Nos EUA (especialmente na Flórida) é assim também.

Gandhi aportou em 1893, pra passar poucos meses. O que ele não sabia é que brevemente um acontecimento mudaria sua vida pra sempre.

E por ele Ser um Grande Avatar da Humanidade por consequência cambiaria também a trajetória do planeta.

Sendo de família de posses, e representando clientes idem, nada mais natural que ele viajasse de primeira classe nos trens.

Porém ainda nesse mesmo ano ele fazia uma viagem ferroviária, quando foi solicitado a sair da primeira classe, por não ser branco.

Eis meu almoço num domingo (de pouco Sol) na Beira-Mar de Durbã: arroz indiano, bastante apimentado. Bota bastante nisso! Na África eu comi como no Sul da Ásia.

Gandhi se recusou, afinal ele pagara a passagem, tanto quanto os euro-descendentes que se incomodaram em sentar ao lado de um asiático. E era advogado, conhecia a lei e seus direitos.

Pois bem. Assim o trem parou e ele foi posto pra fora, simplesmente porque sua pele era escura.

E teve que retornar a pé pra cidade, Pietmaritzburg (que era e ainda é capital de Natal, agora Kwa-Zulu Natal).

Ali morreu Mohandas Gandhi, o advogado que pensava em representar seus clientes, e Nasceu Mahatma Gandhi:

O Avatar cuja missão na Terra era lutar contras as injustiças, onde elas ocorressem. Seu ‘cliente’ a partir dali era a Humanidade.

Logo em frente ao restaurante, no calçadão da ‘Praia Norte’ de Durbã (mais chique que a ‘Praia Sul’, depois explico melhor) você pode andar de riquixá, uma carroça que é puxada não por um animal mas por um ser humano. Antes de domesticarem os cavalos, eram assim que as classes se diferenciavam: os ricos se locomoviam sentados, puxados por outras pessoas. A pequena classe-média e a imensa maioria de pobres andava a pé, enquanto que os miseráveis eram vendidos como escravos e eles quem puxavam os outros. Isso a milênios atrás, então ao ver essa cena eu atravessei um portal não só do espaço mas também do tempo. Trata-se de uma pitada da Índia enxertada na África. Bem, a água que vemos ao fundo é do Oceano Indiano (ou ‘Índico’), então não está tão longe assim. África do Sul, 2017 d.C.. Mas, cá entre nós, parece a Índia 5.000 antes do Cristo.

Tanto que Gandhi já se preparava pra deixar a África do Sul e voltar a Índia em definitivo, em fins do mesmo ano de 1893.

A rica comunidade indiana de Durbã organizou uma festa de despedida.

E ele já estava de malas prontas e passagem de navio comprada pra deixar a África.

Mas informaram Gandhi que o parlamento branco de Natal preparava um pacotaço de leis racista contra os indianos, além das leis que estavam em vigor e não eram poucas.

Pediram a ele que ficasse e liderasse a luta contra a discriminação. Gandhi disse:

“Fico. Contem comigo”. Assim, uma estada de pouco meses se ampliou pra mais de 2 décadas.

Provavelmente Gandhi não teria ficado se não tivesse sido enxotado do trem como um leproso ou um bicho peçoenhento, mesmo tendo direito de ir na 1ª classe.

Ele ficou. A África do Sul mudou Gandhi, e depois ele mudou a África do Sul, a Índia, o Império Britânico e toda Terra.

Pois foi figura-chave no movimento pra Conscientizar as pessoas que era errado nações mais poderosas subjugarem as mais fracas.

Centrão de Joanesburgo: imóvel abandonado todo grafitado com o ‘alfabeto’ criado em Nova Iorque. Se você pensou que estamos no Bronx (bairro pobre e negro dessa cidade ianque, como se sabe), você não está de todo errado. Joanesburgo é a única cidade da África do Sul que tem pichação e grafite, mesmo assim bem menos que na América Latina e EUA. Nas demais metrópoles sul-africanas quase inexistente.

Ainda em Durbã fundou e liderou uma frente de combate ao racismo.

Depois mudou-se pra Joanesburgo, onde organizou uma marcha que serviu de treino pra famosa ‘Marcha do Sal’ feita depois na Índia, que foi a pá de cal no domínio injusto britânico por lá.

Gandhi foi preso 4 vezes na África do Sul, e no total cumpriu 7 meses encarcerado nos presídios sul-africanos.

Foi mais um ensaio pro que viria na Índia, onde ele viveria mais de 3 anos e meio atrás das grades.

……….

Em Durbã, Gandhi foi vizinho de um dos fundadores do Congresso Nacional Africano (CNA, em inglês ANC), John Langalibalele Dube.

“Bronx a Beira-Mar”: continuamos na vibração nova-iorquina. Na África do Sul há favelas e bairros pobres afastados do Centro das cidades (literalmente na ‘periferia’) como na América Latina? Sim, há. Mas também é muito comum o gueto central, modelo que predomina na Europa, EUA e Anglosfera. Fiquei no bairro ‘Praia Sul’, em Durbã. É exatamente esse caso. O prédio que veem na imagem é vizinho ao que me hospedei, mesma quadra. Trata-se de quitinetes pra massa, classe trabalhadora. É integrado, moram brancos, mas imensa maioria de negros e indianos. E, surpresa, na quadra do mar. Na ‘Praia Sul’ não há alta burguesia nem elite, só povão e no máximo pequena burguesia. A ‘Praia Norte’ é mais cara, ali há edifícios de alto padrão. Mas na ‘Praia Sul’ não, é um gueto na orla, daí o apelido que eu dei.

Ambos trocaram muitas ideias e se influenciaram mutuamente.

Afinal tanto indianos quanto negros sofriam da mesma repressão.

Agora, se qualitativamente os migrantes da Ásia igualmente eram discriminados, óbvio que quantitativamente os nativos da África foram as maiores vítimas do regime racista.

Se já existia antes de 1948, a partir dessa data com a oficialização o ‘apartheid’ só veio a piorar.

Entre 1949 e 50 a legislação básica racista foi delineada: foram aprovadas as leis proibiam primeiro casamentos entre brancos e não-brancos, e depois qualquer relação sexual.

As penas de prisão eram de até 7 anos pros membros dos dois sexos.

Mas no caso de um Homem negro ser apanhado com uma Mulher branca, a punição mais provável era mais imediata, o linchamento nas mãos da multidão.

Igualmente veio a lei de ‘classificação populacional’. Cada sul-africano foi enquadrado em uma das 4 categorias, ‘branco’, ‘negro’, ‘mestiço’ ou ‘indiano’.

Na prática a 1ª denominava os brancos, e as outras 3 o que coletivamente eram os ‘não-brancos’.

Eu fui ao Bronx original (NY), em 1996. De volta a África, outra da Praia Sul, Durbã, o “Bronx a Beira-Mar”.  A galera tem que congregar na rua, não há espaços de lazer nem no prédio nem no bairro (exceto o calçadão da orla).

Na teoria todas as raças deveriam permanecer separadas.

Só que o que ocorria era que o estado pouco se importavam quando os não-brancos interagiam entre si.

Apenas o relacionamento entre os brancos e qualquer pessoa ‘de cor’ é que era severamente regulado.

Sempre em favor do branco evidentemente.

Mais do que classificar, a lei estabelecia juridicamente em quis áreas do país cada raça podia viver.

Bairro da elite na Z/N de Joanesburgo, África do Sul. Só mansões residenciais, sem comércio. Detalhe: sem calçadas em qualquer lado da rua. Se você já foi aos EUA, sabe que lá é assim também, esses dois países não são feitos pra andar a pé, só de carro.

Houveram mais de 3 milhões de deslocamentos forçados, quando alguém vivia numa área que foi designada pra outra raça.

As vezes uma família já estava a séculos numa região. Pouco importava.

Policiais fortemente armados apareciam ao amanhecer, todos só tinham tempo de carregar o que pudesse ser levado nas mãos.

A seguir as pessoas eram postas em caminhões e relocadas pra onde o governo determinasse.

A imensa maioria dos relocados eram de negros, mas os indianos também passaram por isso. E houveram raríssimos casos em que alguns brancos também tiveram que se mudar contra a vontade.

Acima falamos em esportes, e em anglosfera. Garotos alvos como a neve jogam ‘rugby’ na praia em Durbã. Se eu estivesse na Inglaterra, Austrália ou Nova Zelândia a cena seria a mesma. Pela herança inglesa, a África do Sul se parece muito até com a Oceania!

Pois suas terras ficaram dentro do território pra onde o governo expeliria os negros após expulsá-los das cidades.

Por exemplo: nenhum negro poderia residir dentro dos limites do município de Joanesburgo.

Exatamente por isso eles se formaram sua base em Soweto (sigla de ‘Assentamento Sudoeste’ em inglês), que era na região metropolitana.

Quando o ‘apartheid’ acabou os municípios foram unificados dentro da mesma prefeitura metropolitana.

E hoje Soweto faz parte de Joanesburgo com muito orgulho, pelo papel ativo que desempenhou na resistência.

Subúrbios elitizados de Joanesburgo: “Estate” significa ‘bairro’. Daí veio o termo ‘Real Estate’, (‘imobiliária’), usado tanto na Inglaterra quanto EUA. Agora, somente ‘Estate’ como ‘bairro’, na Inglaterra e África do Sul sim mas nos EUA não.

(Nota: a África do Sul, como os EUA, tem ativa uma 4ª esfera administrativa que não existe no Brasil, a da ‘prefeitura metropolitana’, o ‘condado’ nos EUA.

No nosso país, existem as ‘regiões metropolitanas’ mas eles não têm administração própria, são os governos estaduais quem cuidam delas, nem sempre de forma eficaz.

Na África do Sul, ao contrário, existe uma esfera de governo específica.

Pois bem. A prefeitura metropolitana de Joanesburgo incorpora Soweto e diversos outros subúrbios [ricos e pobres, majoritariamente negros, brancos ou mistos] sob o mesmo corpo executivo/legislativo.

Assim, Soweto e Joanesburgo, embora permaneçam municípios separados numa esfera menor, fazem parte da mesma cidade mesmo juridicamente. Volta o texto original.)

Mais herança inglesa. Restaurante no Centro de Pretória serve ‘peixe & batatas-fritas‘. O prato mais popular das Ilhas Britânicas também é o preferido de milhões de sul-africanos.

Logo a seguir foram criados os ‘bantustões’, onde os negros deveriam residir, sendo expulsos da África do Sul.

‘Bantu’ é a raiz etno-linguística a que pertencem os negros sul-africanos.

‘Istão’ significa ‘terra’ em persa e idiomas vizinhos, por isso tantos países na Ásia Central se chamam ‘Paquistão’, ‘Afeganistão’, ‘Tajiquistão’, ‘Casaquistão’, etc.

O ‘bantustão’ portanto é a ‘terra dos bantus’, e ali eles devem viver, deixando a África do Sul pros brancos, era a lógica do regime.

A princípio esse era o nome oficial do programa, depois alterado pra ‘terra-natal’.

A ideia inicial dos cabeças do ‘apartheid’ era relocar, amigavelmente ou a força se preciso, todos os negros pra algum dos bantustões.

Agora a herança ianque, Mc Donald’s também no Centro de Pretória. A África do Sul adora a ‘comida-rápida’ dos EUA, todas as cadeias ianques são oni-presentes lá. Especialmente a KFC, que vende frango frito. Como os negros do Caribe e do Sul dos EUA, os sul-africanos amam essa receita. Mas, bem, aí provavelmente foi na mão contrária, os negros de certo já comiam carne de galinha encharcada em muita gordura de má qualidade (o colesterol foi pra estratosfera!) na África antes de virem pra América.

Aí eles exerceriam seus direitos políticos ali, parando de reivindicar o voto ou qualquer outra coisa na África do Sul.

Porém rapidamente a elite branca viu que esse plano não seria possível.

Posto que os brancos são uma pequena parte da população sul-africana, e ainda por cima concentrados na elite.

Logo, a economia sul-africana entraria em colapso sem a mão-de-obra negra, e não iria demorar.

Assim os brancos desistiram de remover a força todos os negros, mas não desistiram de negar-lhes a cidadania sul-africana.

Cada Homem e Mulher negro foi denominado cidadão de algum dos 10 bantustões, contra sua vontade. E portanto numa canetada deixaram de serem sul-africanos.

A classificação era arbitrária e superficial. Muitos negros foram denominados ‘cidadãos’ de um bantustão que eles não tinham qualquer ligação.

“Velho Oeste Ianque”? Quase! Na verdade Centro de Joanesburgo. Essa também foi uma cidade fundada na ‘Corrida ao Ouro’, que surgiu quando esse metal foi descoberto na região, mais ou menos na mesma época de suas congêneres nos EUA (2ª metade do século 19). O trenzinho da mina está ali pra lembrar essa origem.

Pois eram habitados por tribos diversas da sua. Ao serem removidos pra lá, aí sim eles se tornaram estrangeiros nesse ‘país’. 

País que só existia na cabeça dos que faziam o ‘apartheid’ e de seus colaboradores negros, os caciques da tribos que administravam o bantustão.

Oras, o bem-estar dos negros expulsos da RAS não era o objetivo desse repatriamento, e sim sua desaparição, se não física ao menos política.

Dos milhões de negros que foram relocados a força, centenas de milhares foram pra terras que eles nunca haviam pisado, e onde não tinham nenhum parente.

Dizendo de novo, não por caridade mas por impossibilidade prática o regime cancelou o plano de deportar todos os negros pros bantustões.

Centrão de Durbã (muitos camelôs, falo melhor da região em breve): propaganda muçulmana escrita – também – em árabe. Aqui a África do Sul lembrou muito a Arábia Saudita.

Mas ainda assim retirou a cidadania sul-africana de todos eles.

Os negros poderiam então continuar vivendo e trabalhando na África do Sul, mas como ‘trabalhadores convidados’.

Precisavam de uma autorização especial pra ter sua casa, que obviamente só poderia ser nos bairros exclusivos pra negros, onde os serviços públicos eram praticamente inexistentes.

Ademais, precisavam de um ‘passe’ expedido pela polícia, e ele só valia pra circularem no bairro que trabalhavam. Camburões da polícia circulavam nos elegantes bairros brancos, exigindo o ‘passe’ dos negros.

Centro Novo da Cidade do Cabo, um bairro planejado que está sendo construído agora pra classe alta e média-alta, no coração da cidade. Me senti de volta a Buenos Aires-Argentina (que visitei 1 mês antes), onde ocorreu exatamente o mesmo com a implantação do Porto Madeiro, 2 décadas atrás. Mas peraí: morar em frente a um canal, onde a rua é água e você chega de barco em casa (como esse rapaz poderia estar fazendo)? Por acaso estamos em Veneza/Itália??? Ou (se você substituir o rio por mar) quem sabe em Bombinhas-SC?

Os que não tinham, ou estava vencido ou fora do território, eram presos imediatamente.

Numa canetada, os negros viraram estrangeiros em seu próprio país, na terra que eles residem a dezenas de milênios.

Além disso, as Mulheres negras eram ainda mais perseguidas.

Em muitos casos apenas o marido recebia autorização pra trabalhar, e portanto pra entrar nas cidades.

As esposas e crianças ficavam numa espécie de prisão domiciliar no bantustão.

Mesmo nos poucos bairros urbanos que era autorizada a presença permanente feminina, as Mulheres não podiam por lei serem proprietárias de uma casa.

Ou seja, sua presença nas cidades estava condicionada ao casamento, fosse esse bom ou ruim.

Não é segredo pra ninguém que na época a nefasta prática do marido bater na esposa era ainda mais generalizada que hoje.

Bando de aves que me parecem flamingos e pelicanos curtem o Pôr-do-Sol numa das muitas lagoas da Zona Norte da Cidade do Cabo. Haviam várias outras espécies, entre elas um animal rosa lindíssimo, mas essas fotos não focaram, tirei de dentro de um ônibus em alta velocidade e eles estavam distantes. Em outras mensagens solto mais tomadas das aves africanas, inclusive uma bela revoada. Aqui que nos importa é: você está dentro da cidade, mas vê o tempo todo pássaros exóticos em bandos? A África do Sul também tem um pouco da Amazônia.

O que muitas vezes gerava uma escolha difícil as negras:

Ficarem confinadas em áreas rurais remotas onde as oportunidades de renda e educação eram zero, ou morar numa favela ao lado de um marido que abusa delas.

…….

Obviamente a comunidade negra resistiu. Nelson Mandela era sua figura mais emblemática, e por isso ficou 27 anos preso.

Mandela passou muito tempo na solitária, e ele e todos os outros presos eram obrigados a ficar quebrando pedras durante todo dia. Não é figura de linguagem.

Obviamente o trabalho deles não servia pra nada, mas era um fim em si mesmo, o de tornar a vida dos prisioneiros o mais dura possível, literalmente.

Mandela também é um Avatar, uma das ‘Grandes Almas’ da Humanidade. Homem inteligente e conciliador, se formou na cadeia num curso a distância promovido por uma universidade inglesa.

Também estudou africâner pra se comunicar com os carcereiros, o que ocasionou em certa simpatia por parte deles.

Já que falamos de nossa Pátria Amada: a África do Sul tem uma relação curiosa com o idioma que usamos aqui. Ninguém fala português lá, exceto imigrantes de ex-colônias lusas na África. Ainda assim, diversas coisas na África do Sul são escritas em português, como se estivéssemos no Brasil. Num muro no Centrão de Durbã (perto da Estação de Trem) alguém pichou “Tem Suicida”. Alguns especularam que foi um moçambicano ou angolano . . .

Mandela prioriza a não-violência, e buscava a colaboração dos brancos que se opunham ao ‘apartheid’.

Mas ele entendia também que se o regime repressor fechasse absolutamente todas as portas pra oposição pacífica, um pouco de violência se tornava necessária pra chamar a atenção pras reivindicações e forçar o governo a negociar.

Na prisão Mandela e os membros de seu grupo, o CNA, conviveram com os presos do grupo BPC, a qual Steve Biko pertencia. 

O BPC era mais radical, e rejeitava colaboração com os brancos mesmo que eles se opusessem ao ‘apartheid’, pois segundo Biko isso ‘domesticava a resistência negra’.

Biko negava ser racista anti-branco, teve amigos euro-descendentes incluindo um jornalista que escreveu sua biografia.

. . . mas veja esse prédio. A beira-mar, num dos bairros mais caros da Cidade do Cabo (aqui não é gueto, nem um pouco parecido com a ‘Praia Sul’ de Durbã). Não foi angolano quem nomeou e mora nele, (nada contra os angolanos, você entende o que quero dizer). E mesmo assim o nome está em português. Há muitos outros exemplos, especialmente no ramo da alimentação mas não somente. Em outra postagem mostro mais fotos e falamos melhor da linguística. Aqui o que nos importa é os brasileiros nos sentimos em casa na África do Sul.

Além de ter se relacionado sexualmente com algumas Mulheres caucasianas.

Mas ele alegava, não sem razão, que os brancos propunham estratégias muito suaves pra combater o ‘apartheid’, que não faziam sentido aos negros e não iriam aliviar seu problema. Disse Biko:

O branco controla o ‘apartheid’, e pretende através de outra corrente controlar também a luta anti-‘apartheid’.

Assim o negro se torna cada vez mais marginalizado, mesmo dentro do movimento pra derrubar o regime do qual ele é a maior vítima”.

O mesmo Biko arrematou sua filosofia: “o branco liberal não é inimigo, é um amigo. Mas as estratégias de combate dos negros devem ser formuladas pelos próprios negros”.

Mandela, ao contrário, aceitava qualquer ajuda, viesse ela de quem fosse. Mas ele respeitava a posição de Biko e seus camaradas, vendo neles soldados da mesma causa, e tinha também bom relacionamento com eles atrás das grades.

………

Alias nosso país descobriu alguns nichos em que é o que fazemos considerado ‘estado de arte’, a própria excelência, a referência do setor. Famoso é o caso em que academias ao redor do planeta dizem ensinar ‘Jiu-jitsu Brasileiro’, sendo verdade ou não. Numa vibração mais feminina, esse salão de beleza no Centro de Durbã promete deixar as africanas “com o cabelo das brasileiras“. Outros salões prometiam o mesmo na depilação.

Com a prisão de Mandela e outros nos anos 60 a resistência perdeu força. Assim o começo dos anos 70 foi calmo.

Uma calma injusta, claro, os negros escravos dentro de sua própria terra (“paz sem voz não é paz, é medo“, como alguém definiu).

A situação breve se alteraria. A ‘calma injusta’ logo cederia lugar a justa revolta de quem era oprimido em seu próprio continente pelos que vieram de outro continente.

Os negros não tinham mesmo direito a terem aulas em suas línguas nativas.

Ademais, a educação era precaríssima, nem carteiras muitos deles não tinham.

Assim eles queriam ao menos ter as poucas aulas a que tinham direito em inglês.

O regime racista, entretanto, pretendia obrigar a universalização do idioma africâner.

Mesmo contra a vontade dos negros, que viam no africâner a materialização linguística do ‘apartheid’.

Centrinho da ‘Praia Sul’ de Durbã. Repito os detalhes que já apontei acima: 1) Trata-se de um bairro ainda que na orla mas mesmo assim popular, pro povão e não pra burguesia; 2) Durbã tem mais prédios altos que as outras cidades sul-africanas; 3) O inglês na África é britânico, e por isso grafado ‘Centre‘. Nos EUA se escreve ‘Center‘, como você sabe.

Natural, ao impor sua língua a força em outro povo, os boeres queriam mostrar aos negros mais uma vez que eles, os negros, não eram seres humanos.

E assim cada vez que abrissem a boca se lembrariam que eles não podiam sequer escolher a língua com a qual se comunicavam.

Exatamente porque era cruel é que o ‘apartheid’ não abriu mão.

No meio da década o ministério da educação determinou que metade das disciplinas seriam em africâner, quisessem os negros ou não.

Aí atingiu o limite, Soweto explodiu no ‘Motim Linguístico de 76’.

Os estudantes negros se recusaram a ver essas aulas na língua do opressor, daquele que os tornou estrangeiros dentro de seu próprio país.

Ainda Zona Central de Durbã: posto de gasolina embaixo de um prédio. Lá é comum, vi vários. Só presenciei isso em outras duas cidades, Porto Alegre-RS e Buenos Aires. Definitivamente a África do Sul tem também um pezinho na América Latina . . .

E saíram as ruas, bradando “queremos aulas em inglês”, e cantando as músicas de seus povos.

A revolta foi pacífica. Mas a polícia foi chamada e abriu fogo na multidão, matando oficialmente perto de 170 pessoas, várias delas adolescentes.

Números não-oficiais falam em 700 mortos apenas em Soweto, a seguir a revolta se espalhou pelo país com muito mais de mil vítimas fatais.

A África do Sul entrou num turbilhão que não se acalmou mais.

Ufa! Definitivamente a África do Sul é mesmo ‘O Mundo num só País’. Mas pra gente não esquecer que estamos na África, agora vamos ver algumas coisas típicas de lá, ou que existem também em outras partes do 3º Mundo mas certamente na África igualmente. Pra começar: cabras dentro da cidade, nesse caso numa das periferias de Durbã. É a cabra quem mantém a África viva, pois é uma espécie muito resistente, que precisa de pouca água. E tem mil-&-uma-utilidades. Desse animal se extrai comida, couro, meio de transporte, guarda a casa (se invadir seu território eles são bravos como um ‘pit-bull’), fornece renda, companhia e ocupação as pessoas. Nos demais países as África Negra (Senegal, Gana, Botsuana, Lesoto, Suazilândia por exemplo) os caprinos são oni-presentes nos bairros mais humildes, mesmo no Centro das cidades. Quase todas as casas têm um cercadinho pra criação deles. Como a África do Sul é bem mais rica que todos eles, as cabras não passam nem perto das Zonas Centrais das cidades, mesmo os guetos mais pobres. Mas nas favelas mais afastadas do subúrbios as vemos. Aqui no bairro ‘Klaarwater’, um dos morros pobres que cercam Durbã. Vi esses bichos, vivos,  a venda também na Gde. João Pessoa-PB.

Em 1977, Steve Biko foi preso, severamente torturado (permaneceu 20 dias nu e acorrentado, ao ser transferido foi também nu).

A seguir morreu na cadeia em decorrência das lesões.

Os movimentos negros viram que era hora de intensificar as ações, pra forçar a queda do regime.

Ao mesmo tempo, muitos brancos sul-africanos que eram contra o ‘apartheid’ e pessoas de diversas raças em vários países também aumentaram a pressão sobre o governo com ações de conscientização global sobre a injustiça que era a África do Sul.

O regime sentiu os golpes, e partiu pro contra-ataque. Ainda em 1976 decretou a ‘independência’ de 4 dos 10 bantustões.

A partir de agora eles eram oficialmente ‘países independentes’, e ali é que os negros deveriam viver e procurar votar em quem lhes aprouvesse.

Deixando de uma vez de exigir o mesmo da África do Sul, de onde ‘nem eram cidadãos’ segundo o discurso oficial.

Pra reforçar a farsa os cabeças do ‘apartheid’ tiveram a desfaçatez de abrirem embaixadas sul-africanas nas capitais desses ‘países’. Ninguém engoliu.

Nenhuma nação do mundo reconheceu os bantustões como pátrias a parte, todo mundo vendo a jogada pelo que era:

Uma covarde tentativa de mascarar a realidade e adiar o inevitável, que era conceder plenos direitos a população negra.

Pessoas viajando sem proteção nas caçambas. Muito comum na África do Sul, e também no México, Colômbia e República Dominicana. Embora menos frequente, vi e fotografei também na Argentina (breve sobe pro ar). No Brasil e Chile, ao menos nas grandes cidades, foi comum no passado, hoje quase não maisainda ocorre mas é raro.

Outra farsa foi, numa tentativa de ‘dividir pra dominar’, no começo dos anos 80 criar um parlamento ‘tricameral’. Até então o parlamento oficial sempre fora exclusivo branco, não-brancos não podiam votar nem se candidatar.

Como os negros eram maioria da população oprimida, e a resistência ao regime buscava unificar os oprimidos, o ‘apartheid’ criou um ‘parlamento’ pros indianos e outro pros mestiços/mulatos.

Oficialmente ‘negros’, ou os que se definem como ‘mulatos’, na prática são todos negros. E boa parte dos indianos também têm a pele marrom.

Vimos casais inter-raciais em Durbã em que você tinha que ver o cabelo e o nariz pra saber qual dos dois tinha ascendência asiática, e qual africana, pois o tom da tez era sempre bem carregado na melanina. Mesmo a maioria dos indianos que não são tão escuros quanto os africanos certamente o são muito, mas muito mais pardos que os alvíssimos brancos normandos sul-africanos.

Bairros caros da orla da Cidade do Cabo. ‘Esplanade’ e ‘Promenade’ são palavras do inglês britânico pra designar o que nós chamamos de ‘Beira-Mar’. Por curiosidade, os equivalentes no idioma espanhol: no Paraguai e Argentina o termo é ‘Costanera’, no México ‘Costera’, e no Caribe o ‘Malecón’.

E até o fim dos anos 70, na época já há quase um século portanto, os brancos tratavam todos os não-brancos como um mesmo ‘pacote’, e assim teriam continuado a fazê-lo se dependesse de sua escolha, pois desprezavam todos igualmente.

Agora, com o ‘apartheid’ na defensiva a criação do um ‘parlamento’ de fachada sem qualquer poder real (pros indianos e mulatos sim mas não pros negros) não visava demonstrar qualquer apreço ou mudança de opinião dos brancos sobre aqueles que eles concederam essa ‘bênção’.

Sua jogada intentava apenas dividir a resistência, rachando-a no meio ao isolar os dois grupos ‘agraciados’ dos oficialmente negros.

Na teoria cada parlamento cuidaria dos assuntos relativos a suas respectivas raças – a África do Sul era então parlamentarista, o cargo de presidente era apenas formal. E os assuntos que dissessem respeito ao país como um todo teriam que ser decididos “em conjunto”.

Duas fotos da virada do século 19 pro 20: o escritório de direito do jovem advogado Mahatma Gandhi em Joanesburgo, 1905 (originada da Wikipédia, créditos mantidos).

No entanto, através de diversas artimanhas o parlamento dos brancos continuava a ser o único que tinha poder de fato.

Se houvesse consenso se louvava a ‘participação democrática’ de indianos e mestiços.

Mas em caso de divergências a casa dos caucasianos dava sempre a palavra final no que era importante.

Era outra jogada de cartas marcadas, uma tentativa de se criar um ‘bantustão’ legislativo pros mulatos e indianos, e assim, digo de novo pois é o óbvio, afastá-los da resistência.

Além disso queriam acalmar também os brancos sul-africanos anti-apartheid e a comunidade internacional, dizendo que as ‘reformas’ (que não reformavam nada na prática) haviam ‘se iniciado’. 

Pouco antes, na 2ª Guerra Anglo-Boer, tropas inglesas se dirigem pra ocupar Joanesburgo. Num acordo a cidade se entregou sem resistir, evitando o banho de sangue.

Mais uma vez, não colou. Numa eleição, apenas 6% dos indianos foram votar.

E a nos outros países a pressão pra boicotar a África do Sul só aumentava.

Os grupos negros também partiam pra ações cada vez mais ousadas, incluso com táticas de guerrilha, pra tornar os bairros negros ingovernáveis e forçar mudanças:

Em 1984 explode nova revolta em Soweto.

Cidade do Cabo, oficialmente tri-língue: inglês, xhosa e africâner. Essa é a porta de um ônibus. Inverti a imagem no computador, como nota pela data, senão o resto da foto é quem sairia da direita pra esquerda.

Em desespero, nesse mesmo ano o regime aboliu o parlamentarismo e adotou o presidencialismo.

Onde um Homem implanta as ações que achar necessárias sem longas discussões legislativas.

A África do Sul, como dito, era parlamentarista desde a independência da Inglaterra, em 1960. Não mais.

O primeiro-ministro Pieter Williem Botha (conhecido como P.W. Botha) extingue seu próprio cargo e assume a presidência.

Em 1986 decreta estado de emergência. Logo a seguir a força aérea sul-africana bombardeia as capitais dos países vizinhos Zâmbia, Botsuana e Zimbábue, por eles abrigarem exilados sul-africanos que lutavam contra o ‘apartheid’.

Terreno do ‘Forte Velho’ de Durbã, construído pelos ingleses em 1812. Hoje um parque/museu.

Nenhuma dessas ações adianta nada, o momento chegara. As ações do ‘apartheid’ apenas apressam seu fim.

Acuado, Botha desmantela algumas das piores leis racistas, como as que proibiam casamentos e bairros inter-raciais.

Mas lança uma cruzada contra todos os ativistas negros. Milhares de pessoas são presas sem mandato e severamente torturadas.

Mais um casal inter-racial. Os pombinhos vinham de mãos dadas, curtindo o belo entardecer a Beira-Mar perto do centro da Cidade do Cabo. Aí ela largou da mão dele pra mexer no celular, daí imagens em duas escalas.

Rotineiramente a polícia abre fogo em manifestantes desarmados, centenas morrem. Ao mesmo tempo, a África do Sul está isolada econômica e culturalmente na comunidade internacional.

O banimento dos times e seleções sul-africanas “exclusivas pra brancos” de qualquer participação internacional esportiva, em todas as modalidades, era uma realidade.

Isso doía na Alma dos atletas. Os brancos provavam de seu próprio remédio, e isso abriu os olhos de muitos deles.

Botha se declara sempre favorável ao ‘apartheid’, que segundo ele faz parte das leis naturais e portanto é permanente, a resistência ao regime é fútil. Mas as coisas saem do controle, inclusive em sua própria saúde.

Praça no Centro de Joanesburgo decorada com estátuas de uma família de veados, me refiro ao bicho claro. Nos detalhes em outra escala: na quadra não há trave, só cestas. Então a galera bate um basquete. E ao fundo enorme bandeira sul-africana que há num prédio, observe no canto de cima direito da imagem maior o azul que compõe a parte interior do pavilhão.

Em 1989, Botha sofre um derrame e é obrigado a sair da presidência. Assume o reformista Frederik de Klerk.

No ano seguinte ele legaliza os grupos de oposição e liberta Mandela, entre outros.

Saturada de um século de opressão sendo meio século de forma aberta, a África do Sul entra em caos.

Grupos de extrema-direita partem pra campanhas terroristas, assassinando ativistas que lutavam pelo fim do regime racista.

As favelas negras entram em um turbilhão de violência que durou uma década, em sua fase mais intensa – porque embora amenizado o problema permanece grave até hoje.

Muita gente não sabe disso, mas os negros sul-africanos adoram futebol. Veja, ainda na mesma praça (note a bandeira ao fundo). Se a quadra não tem trave, eles improvisam um campinho em qualquer espaço vago. O que vale é a bola rolar de pé-em-pé. Muitos, repito, pensam que na África do Sul “o esporte nacional é o ‘rugby’ “. É um clichê, e não poderia ser mais falso. De fato, os brancos gostam, e se dividem entre futebol e ‘rugby’. Porém os negros, que são a imensa maioria do país,  não dão qualquer bola pro ‘rugby’, é só no futeba mesmo.

E como vemos pelas fotos de um livro (que serão levantadas pra página em breve), muitas vezes os negros se matavam entre si de forma feroz, com pedras e pauladas, ou queimando vivos seus adversários.

Eu disse que o ‘micro-ondas’ foi inventado na África do Sul. Ou pelo menos popularizado pro mundo todo lá, trazido de alguma guerra civil da África.

Diante de tantos problemas, de Klerk organiza em 1992 plebiscito pra que a população decida por ela mesma se as reformas devem prosseguir.

Só os brancos podem votar, ainda estamos no ‘apartheid’, mesmo que em seus últimos dias. Botha, seu antecessor na presidência, faz vigorosa campanha pelo ‘não’.

Novamente sai derrotado. Com vitória esmadora do ‘sim’, a abertura prossegue – até porque não há mais como voltar atrás.

O muito ricos (quase todos brancos) jogam também polo. Funcionário apara a grama. Só nesse clube na ‘Riviera do Cabosão 3 campos seguidos, ou seja, tem bastante gente que curte esse esporte elitizado lá. Mas também fala sério: tem coisa melhor que jogar vendo essa água cristalina do Atlântico ao fundo??

Portanto em 27 de abril de 1994 ocorrem as primeiras eleições democráticas. Mandela é eleito o primeiro presidente democrático da África do Sul, cargo que ocupa até 1999.

………

O ‘apartheid’ político acabou, partido Congresso Nacional Africano de Mandela está no poder desde 94. O ‘apartheid’ econômico e cultural se amenizou, parte dos negros ascenderam a alta-burguesia.

Tem mais: hoje há bairros com mansões onde eles predominam. E as 9 línguas bantus mais populares são idiomas oficiais da África do Sul.

Mas diversos problemas permanecem, não os menores deles índices astronômicos de violência urbana e desigualdade social.

Além disso, em várias cidades os brancos agora se impuseram um ‘auto-apartheid’ e não andam nas ruas do Centro de Durbã e Joanesburgo, ali só vemos pessoas ‘de cor’.

Nota de 100 rands com a inscrição ‘Banco Central da África do Sul’ em 2 idiomas bantus (negros). Acabaram os tempos em que apenas inglês e africâner eram as línguas oficiais, e pior, o governo queria empurras o africâner goela abaixo nos negros, sem que fosse do interesse deles se comunicar nesse idioma.

Se tudo fosse pouco, há um novo turbilhão varrendo a nação, alguns querem derrubar o presidente Jacob Zuma, outros querem que ele permaneça até o fim do mandato, gerando grande instabilidade política.

São os desafios do novo milênio, agora sob democracia. A queda do ‘apartheid’ não foi o fim da luta por uma África do Sul mais justa, mas o começo. Muito resta por fazer. É isso que veremos no próximo texto.

Continua…

……

Outras matérias da série:

Na ‘época do apartheid’ o dinheiro sul-africano vinha somente em inglês e africâner. Essa é de 94, justo o ano de transição pra democracia. No apê que fiquei em Joanesburgo, havia um pote com centenas de moedas e notas, algumas raríssimas, de vários países da África e Ásia. Fotografei e atualizei a matéria sobre a grana.

“Mama-África”, um desenho: Marília e Maurílio africanos, em Soweto.

Produzido e levantado pro ar em Joanesburgo, 20/04/2017. Abrimos a Série da África lá da África.

A Riviera do Cabo (maio.17): Ensaio fotográfico mostrando a orla da Zona Sul da Cidade do Cabo.

Que é uma das cidades mais lindas do mundo e esse é seu pedaço mais encantador. Definitivamente “palavras não são necessárias“.

Solo Sagrado (também maio.17): Mais desenhos, Maurílio beijando o chão dessa mesma Beira-Mar da Cidade do Cabo, mas já na Zona Central; Uma Marília indiana no mar em Durbã – de roupa e tudo!, como é tradição na cidade. Ela está de vestido verde floral, o biquíni por baixo; Além de mais um de Marília no Brasil.

“Deus proverá”

Solo Sagrado

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 11 de maio de 2017

Maurílio na Cidade do Cabo, África do Sul. É notório que a Montanha-Mesa ali localizada é um chacra da Mãe-Terra.

Os Estudantes Sabem o que isso significa: um Portal de Energias, um encontro entre dimensões. Bem, é exatamente isso que é essa cidade. No Cabo da Boa Esperança que a nomeia é onde os Oceanos Atlântico e Índico se unem.

Portanto ali é o “Encontro das Águas”, e também o Encontro entre o Leste e o Oeste do Planeta.

Diante dessa Vibração tão Forte, Maurílio se ajoelhou e beijou o Solo Sagrado da Terra-Mãe-África. Mama-África, é claro.

Sim, há na orla da Cidade do Cabo aquele óculos gigante, que vemos a esquerda no desenho e na foto acima.

a flor do amor

Continuamos no ‘Solo Sagrado’, falando do Amor a terra e a Terra.

Marília se casou jovem, ainda adolescente. E então foi morar numa casa simples da periferia.

Ela foi feliz nesse lugar, ao lado do seu marido e dos filhos que nasceram e cresceram ali.

Mas depois eles se mudaram de cidade, e Marília ficou muitos anos sem voltar ao bairro em que residiu. 

Um dia, numa visita a sua cidade-natal, ela já com 40 e poucos anos passou em frente a mesma casa que ela viveu.

E onde passou tão bons momentos do início de sua vida adulta.

Estava vaga, sem ninguém morando. Aí Marília teve uma ideia:

Foi a uma floricultura e comprou um broto de rosas.

A seguir ela plantou as rosas na frente da casa. Pra simbolizar que ali sua Energia Feminina se Abriu.

Consagrando o local onde o Amor entre uma Mulher e um Homem teve sua Florada.

a diva de durbã

De volta a África do Sul. E da Terra pra Água.

Uma Marília Indiana, no Oceano Indiano (ou ‘Índico’). A “Diva de Durbã”.

Durbã é a maior cidade indiana fora da Índia. A colônia é enorme, fotografei até um templo hindu, breve jogo no ar.

E Durbã é no Oceano que nos chamamos de Índico, mas no inglês – que é a língua falada lá – se chama Oceano Indiano.

Tem mais: em Durbã é comum as pessoas entrarem no mar de roupas (situação que já presenciei em Acapulco-México). Por isso Marília de vestido florido, biquíni preto por baixo. De qualquer raça e até embaixo d’água Marília nunca perde o charme:

De roupa no mar. Mas com as unhas e bijuteria impecáveis. Sempre, né?

As unhas são invertidas, uma clara outra escura, e invertendo as mãos também, na direita o dedão é claro, na esquerda escuro.

(Nota: existe na internet uma menina que se denomina ‘a Diva de Durbã’. Meu desenho não se relaciona com o trabalho dela, exceto que eu confesso que me inspirei pelo nome.)

Solo Sagrado, Oceano Sagrado. Muito Respeito e Amor pela Mãe-África, e pela Mãe-Índia.

Nos mares do Cabo e Durbã, definitivamente Tudo se Alinha, Tudo se Encontra.

Hare Rama, Hare Sita = Louvado é Deus Pai e Mãe.

A Riviera do Cabo; palavras não são necessárias

Todas as imagens são da orla da Cidade do Cabo, África do Sul, abril de 2017.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 10 de maio de 2017

Abrimos a Série sobre a África.

Digo, a primeira mensagem foi feita lá mesmo em Joanesburgo, um desenho.

Mas de matérias maiores, com fotos e textos, começamos agora.

O funcionário do clube apara a grama do campo de polo. Mais tarde os ricaços montam em seus cavalos de raça e disputam mais uma partida, com o mar ao fundo.

E começamos bem, mostrando logo a parte mais bonita da África do Sul, a ‘Riviera do Cabo’.

Batizei a série ‘O Mundo num só País’, porque exatamente isso é que é essa nação, uma mistura de África, Europa e (em menor medida) até mesmo Ásia.

Esse era o lema oficial nos tempos do ‘apartheid’. O regime racista caiu, felizmente (em outros textos falaremos mais disso, breve).

Mas a África do Sul continua sendo ‘O Mundo num só País’.

Por África do Sul você se sente na Inglaterra ou nos EUA, porque as cidades são dessa escola de urbanismo. Com exceção das favelas, é claro.

As montanhas, as mansões nas encostas a moda da Califórnia-EUA, e em 1º plano um ônibus da moderníssima rede de transportes ‘Minha Cidade’ (falo mais em outros textos).

No bairro que nos hospedamos na Cid. do Cabo – chamado ‘Woodstock’ – eu me sentia em São Francisco-EUA.

Eu nunca fui a essa metrópole ianque, mas de ver pelos filmes e ‘Google’ Mapas sei como é.

E no Cabo eu parecia que estava lá, de verdade. Pois era isso que meus olhos me diziam, pela sensação visual.

Eu precisava me lembrar ‘manualmente’, digamos assim, inserir na minha mente a informação racional que eu estava na África, porque a dimensão sensorial me dizia o contrário.

A garagem e a entrada são no telhado.

Curioso, não? Uma vez  eu estava na América – na República Dominicana – mas minha interpretação penta-sensorial (visual, térmica, sonora, olfativa, gustativa) me dizia que eu estava na África.

Dessa vez eu estava mesmo na África, mas parecia que estava aqui na América.

E a Cidade do Cabo é, primeiro, a cidade mais bonita da África do Sul, e uma das mais belas do planeta. Isso já disse.

Segundo, a Cidade do Cabo é mais integrada em termos raciais. Se preferir de outra forma, é a que há mais brancos pelas ruas do Centro e dos bairros de periferia.

As moradias são bem abaixo do nível da rua.

Em Durbã e Joanesburgo, não há brancos no Centro nem na periferia.

Eles só ficam nos subúrbios de classe média-alta e na praia (no caso de Durbã, Joanesburgo não tem mar).

Pretória tem vários brancos no Centro, é bem menos segregada que as outras duas acima.

Mas ainda são ínfima minoria, vemos com frequência mas ainda assim não é tão comum.

Esse é o acesso a uma praia pública, também por sinuosas escadarias.

Já na Cidade do Cabo é diferente. O Centrão, o começo da periferia e a orla são plenamente integrados, você vê pessoas de todas as raças de forma abundante.

Não é que Joanesburgo e Durbã tenham poucos brancos, exatamente ao contrário.

Eles são muitos, viajei de avião entre essas cidades, e ali os de pele alva eram maioria.

Mas os caucasianos se impuseram uma auto-segregação, moram e trabalham em subúrbios a moda ianque afastados da cidade.

Nas praias de Durbã, como dito, não há auto-segregação. Ali todas as raças convivem em harmonia. Mas só ali, os brancos não frequentam o Centrão.

Nessa é preciso subir muitos degraus pra acessar a casa. Dispensa a academia.

Como Joanesburgo não tem mar, se você não for aos bairros que os brancos moram você não vê brancos.

Entretanto, em Pretória e muito mais na Cidade do Cabo, a coisa é bem mais harmônica.

No Centro do Cabo você se sente na América (que é um continente, não me refiro aos EUA), ou na Europa, com pessoas de todas as raças andando lado-a-lado e convivendo nas ruas.

Terceiro, boa parte da orla do Cabo são espremidos pelas montanhas.  

Vai uma B.M.W., vem um Porsche. Pouco antes, dois Porsches se cruzaram.

Assim se nos bairros a leste do Centro eu me sentia na Califórnia, nos a oeste dele a sensação exata é a de estar nas partes mais bonitas do Mediterrâneo, na Itália ou nas Ilhas da Grécia.

Ruas sinuosas se equilibrando na encostas, mansões e prédios de milionários se espremendo entre o morro e o Oceano. Eu estava na “Riviera do Cabo”.

 Sem nunca ter ido fisicamente a Califórnia, no Cabo eu estava na Califórnia. E sem nunca ter ido a Europa (exceto na ficção) eu estava na Riviera, digo de novo.

Mais um Porsche. Um das maiores concentrações de milionários do mundo. Me perguntaram se na África existe riqueza. Respondi: “Viche! Você nem imagina quanto…”

Então me calo, porque já falei demais. Nem é preciso dizer nada, as imagens dizem tudo.

A série sobre a África será longa: já fiz mais um desenho de Maurílio beijando o solo da Cid. do Cabo, e de uma Marília indiana em Durbã. Nos demais textos descreverei com detalhes o que vi lá, em todas dimensões:

O transporte, futebol, urbanismo, favelas, o céu, as flores, os vários idiomas.

Contaremos sobre a campanha pra ‘impedir’ o presidente Zuma, a dolorosa luta contra o ‘apartheid’ e a difícil adaptação a democracia, a violência urbana.

Agora vem uma Mercedes preta. Só dá essas máquinas, você fica zonzo se tentar contar….

Não acabou não: veremos Durbã, Pretória, Joanesburgo incluindo Soweto, o Oceano Atlântico, o Oceano Índico (que têm seu encontro no Cabo da Boa Esperança).

Conto com detalhes a ‘carona’ que eu ganhei no camburão, os demais bairros da Cidade do Cabo. Tudo isso e muito mais, em breve.

Mas hoje, pra começarmos bem, a ‘Riviera do Cabo’. Palavras não são necessárias. Como eles dizem na África do Sul, “Aproveite”.

Está Aberta a Série. Que Deus Ilumine a todos.

“Deus proverá”

Mama-África

JOANESBURGO, ÁFRICA DO SULMarília e Maurílio em Soweto.

Toda rosa tem espinhos. Eles realçam a beleza da Flor.

Aqui na África o povo sabe disso melhor que ninguém. A luta foi árdua pra poderem ser livres, o jugo do ‘apartheid’ foi cruel.

Muito sangue correu, muitas lágrimas lustraram a pele escura dos Homens e Mulheres da Raça-Matriz da Terra. Mas a vitória veio.

Um grande ciclo se abriu pra África, e pra toda humanidade. E, pra esse humilde Mensageiro, um Grande Ciclo Alvoresceu em plena África.

Em 20 de abril de 2017 essa postagem sobe pro ar

Joanesburgo, África do Sul, Mãe-Africa, 2017. A Vida Continua. Sempre Continua.

Graças a Deus Mãe e Pai, que proveio e Proverá.

uma Volta no Tempo: dinheiro carimbado (e não só no Brasil)

você já viu nota de 5 bilhões???? exato, $ 5.000.000.000,00!!!! confira a atualização abaixo

1000 cruzados

Mil Cruzados. Essa moeda surgiu em 1986

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 6 de novembro de 2015

Fui a casa de alguns colegas que têm pequenas coleções de dinheiro antigo. 

Assim aproveitamos pra fazer uma matéria sobre o tema monetário ao redor do mundo.

Alias a América Latina viveu terremotos nos anos 80 e 90 nesse campo, como quem tem acima de 30 anos lembra perfeitamente.

1000 cruzados carimbo 1 cruzado novo

… mas em apenas 3 anos não valia mais nada. A solução? Corta 3 zeros e carimba “1 Cruzado Novo”.

A transição do regime militar pro civil e o começo da democracia foram extremamente tumultuados, econômica e politicamente.

Nos governos Figueiredo e Sarney, e também no do depois impedido Collor, que passou passou a vez pra seu vice Itamar concluir o mandato, tudo era complicado.

A coisa chacoalhava, o dinheiro evaporava. Haja carimbo!!!

A hiper-inflação de mais de 1.000% ao ano fazia com que a cada poucos anos a moeda brasileira mudasse, cortavam 3 zeros da anterior.

bolivia 500 mil pesos carimbo 0,50

A Bolívia foi mais radical: cortaram 6 zeros de uma vez. Você tinha meio milhão no bolso. Numa “mágica” virou 50 centavos.

Pra aproveitar as mesmas notas que já estavam em circulação, elas eram carimbadas com a nova denominação do dinheiro.

Daí a foto acima da manchete, a mesma nota com JK em 3 versões:

100 mil cruzeiros sem carimbo, carimbada anunciando a mudança.

E por fim já impressa 100 cruzados. Uma imagem que vale por mil palavras.

………

sorocaba

Sorocaba, anos 80: o cobrador de um Monobloco 1 da Vima segura um bolo de cédulas de mil cruzeiros do Barão do Rio Branco. Foi por causa dessa nota que surgiu a expressão ‘1 Barão’, equivalente a Cr$ 1000, como um colega apontou. Essa foto é a única baixada da internet. Veio do ‘Facebook’ Acervobus Sorocaba TCS. Tem centenas de fotos de busões sorocabanos dos anos 70, 80 e 90. Se você é de Sorocaba ou conheceu essa pujante cidade paulista nessa época, você vai enfartar de tantas lembranças!!! Eu recomendo.

Na verdade essa confusão foi aguda nos anos 80 e 90, mas de resto crônica por todo século 20.

Veja a história de nossa unidade monetária desde que os ‘réis’ foram abandonados, em 1942:

– 1942: Acaba a época dos ‘mil réis’. Chega o Cruzeiro.

– 1967: Chega o ‘Cruzeiro Novo’. Veja a nota carimbada.

– 1970: Retorna o ‘Cruzeiro’.

– 1986 (a partir daqui eu já tenho idade pra acompanhar pessoalmente e me lembro): Sarney lança o ‘Cruzado’.

– 1989: o mesmo presidente agora implanta o ‘Cruzado Novo’.

– 1990: Mais uma volta do ‘Cruzeiro’, com Fernando Collor

– 1993: Após o impedimento deste, seu vice e sucessor Itamar Franco inaugura o ‘Cruzeiro Real’.

Em 1970 e 90 houve apenas mudança de nome, sem desvalorização monetária.

Nas demais oportunidades foram cortados 3 zeros de cada vez.

Até que em 1994 2.750 Cruzeiros passam a valer 1 ‘Real’, vigente até hoje.

Na sequência abaixo as notas da foto de abertura, clique pra ampliar, o mesmo vale pra todas:

1 cruzeiro notas novas sem usar

Alguém guardou por perto de 40 anos uma pilha de notas de 1 Cruzeiro sem usá-las. Estão novinhas, como saíram da prensa.

…………..

E tem mais: outros países passaram por processos similares. Veja nota da Bolívia, também carimbada.

Visitei a casa de alguns colegas que têm pequenas coleções de cédulas que já foram extintas.

Do Brasil e outras nações da América e Europa.

Assim, essa é nossa pauta de hoje, o papel-moeda de várias partes do globo. Tudo dos anos 80 pra trás.

A amostra não é muito representativa, é fato.

20 cruzeiros diferença entre fabricacao ianque e inglesa

Antes de ter sua própria Casa da Moeda, o Brasil imprimia suas notas no estrangeiro. A cor variava, conforme a fonte. Assim a mesma nota podia ser azul (impressa nos EUA) ou vermelha (na Inglaterra).

Esse ensaio não pretende, de forma alguma, ser uma análise completa do tema. Só um esboço.

Apenas eu quis jogar no ar essas imagens que eu captei pessoalmente.

Em alguns casos até nem ficou tão nítido, e não pude perceber na hora.

Quando fui editar já não tinha mais as notas a disposição pra refazer. Isto posto, vamos lá:

Brasil: muitas versões dos extintos Cruzeiro e Cruzado, incluindo variações como ‘Cruzeiro Novo’, ‘Cruzado Novo’, etc.

10 cruzeiros antigos carimbo 1 centavo

A hiper-inflação foi aguda nos anos 80 e 90. Mas o problema foi crônico em todo século 20. Quando  as notas ainda eram importadas da Inglaterra já se usava a ‘carimbada’.

Argentina: há fotos do Austral, que já teve sua carreira encerrada.

E outras do Peso Argentino. Porém eu não sei se é do Peso atual ou do que existiu antes do finado Austral.

Bolívia e Peru: vemos seu dinheiro extinto, o Peso Boliviano e o Inti Peruano.

Atualmente em vigor a moeda que se chama simplesmente ‘Boliviano’, e no Peru o Novo Sol.

Paraguai, Chile e Uruguai: as cédulas mostradas aqui são de Guarani Paraguaio, e os Pesos Chileno e Uruguaio.

São os nomes atuais de suas unidades monetárias. Mas eu não sei se as notas aqui vistas valem alguma coisa, talvez já tenha havido desvalorização aguda.

Florim holandês acabou. Virou parte do Euro.

Ou então quem sabe a moeda já tenha sido extinta, veio outra que também acabou.

E numa terceira moeda o nome antigo tenha sido reativado.

Por diversas vezes em sua história o dinheiro brasileiro se chamou ‘Cruzeiro’, mas não é sempre a mesma moeda, e sim várias, o nome vai e volta.

Pode ser que nos vizinhos tenha ocorrido o mesmo, ou não.

O Paraguai é a ‘Nação Guarani’. Esse idioma é mais falado lá que o espanhol. Sua unidade financeira têm esse nome também, visto ao lado.

Várias ex-colônias da Espanha na América – e uma na Ásia – têm seu dinheiro com o mesmo nome, o ‘Peso’:

México, República Dominicana, Chile, Colômbia, Argentina, Uruguai, Cuba e do outro lado do Oceano Pacífico as Filipinas.

espanha 1 peseta

Finada Peseta espanhola: curioso a diferença de tamanho entre as cédulas, a menor é quase quadrada.

E esses são os países em que um dia a unidade monetária nacional também se chamou ‘Peso’, mas não mais:

Bolívia, como já dito;

Guiné-Bissau (também na margem oposta de outro Oceano: é uma ex-colônia portuguesa na África);

E EUA (obviamente o ‘Peso’ não era a moeda oficial.

Mas segundo a wikipédia ele foi aceito nas terras ianques até 1857).

Alias a nota carimbada da Bolívia é exatamente do momento que o Peso cedeu lugar ao ‘Boliviano’.

100 cruzeiros

No começo dos anos 80 o dinheiro brasileiro podia ser virado de ponta-cabeça, dava no mesmo.

Foram cortados nada menos que 6 zeros de 1 vez, a nota de 500 mil Pesos passou a valer 0,50 Boliviano.

No Brasil os cortes sempre foram metade disso, 3 zeros de cada vez.

Feito esse adendo, vamos voltar a falar das nações que têm suas moedas retratadas nessa postagem:

Portugal, Itália, Espanha, França e Holanda: Vemos aqui respectivamente os Escudos, Liras, Pesetas, Francos e Florins. Todos extintos pra dar passagem ao Euro.

italia mil liras

Extintas Liras italianas: também confeccionadas em diferentes medidas.

EUA e Inglaterra: os Dólares e Libras mostrados ainda valem, pois ambos têm economia estável.

Não vou debater aqui quantas intervenções essas nações fizeram no estrangeiro pra que suas moedas fossem tão poderosas.

………..

Falando especificamente de nossa Pátria Amada agora, há dinheiro de 3 etapas distintas:

1) Como é notório, éramos os “Estados Unidos do Brasil” até 1969.

peru 50 intis

Intis do Peru: sucedeu o ‘Sol’, e antecedeu o ‘Novo Sol’.

Não tínhamos nossa própria Casa da Moeda, a grana que circulava aqui era impressa na Inglaterra e EUA.

Incluso repare que as notas tinham diferença forte de tonalidade conforme a origem:

O exemplar de 20 Cruzeiros inglês é avermelhado, o ianque azulado.

2) Virada dos anos 70 pra 80.

Detalhe curioso é que um dos colegas (que eu visitei e que me emprestou sua coleção pra fotografia) tinha uma pilha de notas de 1 Cruzeiro novinhas, sem usar.

argentina 100 austrais

Austral da Argentina (1985-1991). Antes dele era o ‘Peso’. Depois dele, é o ‘Peso’ de novo. Não é só no Brasil que os nomes das moedas vão e voltam.

Parece incrível mas é verdade, o dinheiro está zerado:

4 décadas depois permanece como foi sacado de algum banco – na época sequer haviam caixas eletrônicos.

3) Fim dos anos 80 e começo dos 90: Confusão total, amigos. Total. A cada 3 anos ou menos cortam-se 3 zeros.

Ou seja mil cruzeiros valem 1 cruzado, e assim vai.

Na passagem pro Real a desvalorização foi mais aguda, mil cruzeiros passaram a significar pouco mais de R$ 0,30. 1 Real valia, como já dito, 2.750 Cruzeiros Reais.

No entanto, 1 Cruzeiro Real valia mil Cruzeiros/Cruzados Novos, que por sua vez cada um deles valia mil Cruzados. Seguindo a sequência, 1 Cruzado valia mil Cruzeiros.

bolivia 100 mil pesos

Descontinuado Peso Boliviano, esse sem carimbo. Veja aqui e no verso ao lado que a nota é um cheque emitido pelo governo, manda-se ‘pagar ao portador a quantia impressa‘, como se a nota em si não fosse o pagamento.

Portanto se todos essas desvalorizações forem somadas, você entende que 1 Real, implantado em 1994, valia nada menos que 2,75 trilhões dos Cruzeiros que circularam até 1986.

É isso mesmo. Em apenas 8 anos essa foi a perda de valor da unidade monetária nacional.

Hiper-inflação digna da Alemanha de Weimar, não?

…………

Agora em 2015 o Brasil está passando por uma ‘crise’, dizem. De fato está.

Entretanto, se você comparar a economia hoje em que temos a mesma moeda há 21 anos . . .bolivia 100 mil pesos[1]

 . . . com a época de minha infância, em que em apenas 8 anos tivemos 6 moedas diferentes.

Sendo que houveram 4 desvalorizações que cortaram 12 zeros e ainda depreciaram a moeda num fator de 2,7 acima de tudo, . . .

. . . a única conclusão possível é que avançamos um pouco como nação.

10 cruzeiros

Outros países inclusive o Brasil adotaram o mesmo conceito: “se pagará ao portador a quantia de…”. Ou seja, a nota garante retirar no banco um determinado valor, não é ela mesma esse valor.

Tanto que atualmente já faz uma geração que não há ‘choques econômicos’.

E por isso uma matéria que fala de mudanças monetárias é etiquetada como ‘relembrando o passado’.

Os mais novos precisam buscar em artigos de mídia e nos livros escolares as moedas anteriores a atual, pois nunca presenciaram um câmbio.

Esses dias vi um casal de adolescentes conversando no ônibus que ‘seus pais lhes contam como antes a moeda mudava a cada poucos anos’.

espanha 5 pesetas

Antigamente o dinheiro tinha que ter lastro. Pra emitir essa nota de 5 Pesetas o Banco Central da Espanha tinha que ter em seus cofres essa quantia em ouro ou prata. Valia pro mundo todo. Até que em 1973 Nixon acabou com o lastro pro Dólar. Hoje o dinheiro não tem mais lastro, nada o banca exceto decretos. Por isso bolhas estouram gerando graves crises, incluso no “1º mundo” (EUA/Europa e satélites).

Eles achavam curioso, pois nunca viram nada parecido, se lhes dissessem que isso na verdade ocorreu em Burkina-Faso ou mesmo em Marte pra eles daria no mesmo:

Algo teórico, que pode ser interessante ou não, mas que não muda em nada a vida deles.

Antigamente isso não era teoria, aula de história ou uma curiosidade que mães e pais contavam pra entreter e educar os filhos, mas nossa realidade cotidiana.

Sem entrar no mérito partidário, sem defender ou atacar as gestões do PT e do PSDB, o fato inquestionável é que houve progresso.

Dinheiro carimbado “1000 antigos = 1 novo” agora só na internet e no museu.

uma nota de 5 bilhões de dólares (sim, $ 5.000.000.000,00)??? vou te passar um “agro-cheque” muito, mas muito especial!!!

Atualização de maio.17: fui a África do Sul, estou aos poucos levantando pra rede a série sobre esse país.

No apartamento que fiquei em Joanesburgo, meu anfitrião tinha um pote cheio de cédulas e moedas.

De vários países da África, e alguns da Ásia e até Europa.

Brasil, Bolívia, Argentina e muitos outros mais recentemente, Alemanha no entre-guerras, vários países já passaram pela praga da hiper-inflação.

Mas veja o que o Zimbábue, na África, vem enfrentando atualmente.

Esquerda, acima: 1994, nota de 10 dólares.

As cédulas ainda estavam em 2 dígitos, como é no Brasil e maioria dos países do mundo.

Direita, acima: 2001, 500 dólares.

Já entrou no terceiro dígito. Um pouco mais incomum, mas ocorre em várias nações.

Coroas da Dinamarca. Ainda existem, esse país preferiu por não aderir ao Euro.

Agora as duas na sequência (esquerda e direita, ambas acima, respectivamente):

2008. As notas agora são na casa das dezenas e centenas de milhões.

Como em apenas 7 anos passamos de 2 pra 8 ou 9 dígitos?

Próximas 5: nações da África Central e Austral. Essas são moedas de Uganda.

Mas fica pior. Ainda em 2008 já circulavam as notas de 10 dígitos (!!!).

Ou seja, já no terreno do bilhão, como vemos logo abaixo da manchete do capítulo.

Aí foi preciso tornar o dinheiro de fato um cheque, não apenas simbolicamente mas de fato.

Explico. Como falamos a pouco e é notório, no começo o dinheiro tinha que ter lastro.

Quênia.

Assim, a nota não tinha valor por si mesma, mas indicava que a pessoa tinha direito aquele valor.

Se preferir de outra forma, a cédula era um cheque que o governo emitia.

O portador poderia ir a alguma agência e sacar do Banco Central aquela quantia em ouro, prata ou outro minério nobre.

Leão ilustra cédula da Tanzânia.

Pois pra emitir aquele cheque o governo tinha que ter em seus cofres a respectiva quantia em metal precioso.

E, repito, se quisesse o dono de uma cédula podia de fato redimir o valor dela, levando pra sua casa a quantia equivalente do metal.

Por isso a inscrição “o Banco Central pagará ao portador a quantia”, presente em tantos países, mesmo na Europa.

Congo (capital em Kinshasa). 2º maior país da África. Não confunda com o vizinho que também se chama Congo, e cuja a capital é na cidade de Brazaville, já falo desse.

Mas com o tempo o lastro do dinheiro caiu. Nos EUA em 73, todos os países seguiram o exemplo. Hoje, o dinheiro não é garantido por nada.

Exceto pela palavra dos governos que os emitem, que não é muito confiável pra dizer o mínimo. . . .

Assim, o conceito da nota ser um cheque do governo é apenas simbólica.

A cédula agora é o valor em si mesmo, não há mais aquela quantia de metal nos cofres.

Dinheiro do pequeno Malaui, cuja área é pouco maior que a de Pernambuco.

Isso já sabem. Desculpe me repetir, mas é preciso pôr n contexto, pra entendermos o que ocorre no Zimbábue hoje:

Essa pequena e sofrida nação africana está enfrentando não apenas hiper-inflação, mas eu diria uma super-hiper-ultra-mega-inflação.

Assim as cédulas voltaram a ser cheques: o dinheiro tem data de expedição, e data de validade. Você tem que gastar até o dia indicado nela, ou ela caduca.

Se ficar com ela após a data indicada, “perdeu, mano”. Ela não vale mais nada.

Você tem cinco bilhões na mão, ou assim acha, porque na verdade não tem nada.

Voltamos a ver outros países africanos. Na frente águia nas notas da Zâmbia.

E o prazo é exíguo, apenas um semestre. Veja o exemplo acima: a nota foi emitida no primeiro dia do ano de 2008. E só vale até junho.

Quando começou julho, ela não servia mais pra nada.

Dinheiro com prazo de vencimento??? Essa você não conhecia!!!

Cédula de 10 dígitos, que vence em algumas semanas. Vou te passar um agro-cheque muito especial…

Moedas de Botsuana.

Nesse país todo mundo é bilionário, mas também (quase) todo mundo é miserável.

Bem-vindo ao Zimbábue!!!

AS COMUNIDADES ECONÔMICAS AFRICANAS: COMEÇAMOS PELA AUSTRAL, DOMINADA PELO RAND

Há na África dois blocos de países que utilizam moedas cunhadas por bancos centrais estrangeiros. Uma, na África Ocidental e Central, é na prática ainda colônia da França.

Já chegamos lá. 1º a comunidade austral, dominada pela África do Sul. O rand é a moeda da África do Sul (a direita nota de 100). Isso todos sabem.

Fato menos conhecido é que o rand é a unidade monetária legal também de 3 países vizinhos, a Namíbia, Lesoto e Suazilândia.

No papel, cada um deles tem sua própria moeda, o dólar da Namíbia, o Lilangeni na Suazilândia e o Loti no Lesoto.

Belos jardins do edifício-sede do Banco Central da África do Sul em Pretória. Essa instituição é quem emite e controla o rand, que também é a moeda de 3 países vizinhos.

Mas é apenas no papel. O rand é a moeda legal de todos eles. Digo, suas moedas nacionais existem, e circulam nos respectivos territórios.

Porém o rand também circula em todos eles e é por lei, também moeda nacional. E a conversão é de um pra um.

Portanto dá no mesmo usar o rand ou as respectivas unidades nacionais.

Veja bem, amigos, é uma situação diferente de quando uma moeda é na prática amplamente aceita em outro país, mas sem paridade e sem reconhecimento jurídico.

Próximas 3: moedas nacionais da Namíbia, Suazilândia e Lesoto, que existem apenas como alegoria. Como a paridade é de 1/1 com o rand, na prática a moeda deles é o rand. Aqui uma nota de 10 dólares da Namíbia.

Exemplificando fica mais fácil entender. Estive no México em 2012. A moeda mexicana é o peso, como sabem.

Acapulco é um balneário que vive do turismo, e a imensa maioria dos turistas estrangeiros são estadunidenses.

Como o dólar ianque é bem mais forte que o peso (e há estadunidenses aos montes na cidade) o dólar ianque é moeda corrente em Acapulco.

Você pode usar o dólar pra tudo, pagar o táxi, hotéis, cafezinho, jornal numa banca, um sombreiro pra trazer de lembrança.

Centavos de Lilangeni, moeda da Suazilândia.

Porém, é uma situação que se dá na prática sim, mas juridicamente não.

O dólar dos EUA não é a moeda oficial do México, e não há paridade no câmbio, ele pode flutuar muito.

Quando estive lá, em 2012, um dólar valia 14 pesos. Hoje vale 18. Portanto o peso se desvalorizou quase 30% em 5 anos.

Lesoto. O singular é 1 Loti. Mas no plural é outra palavra, vemos moedas de 2 e 5 Maloti.

Na África Austral é diferente. O rand é juridicamente a moeda oficial da Namíbia, Lesoto e Suazilândia.

Cada um deles têm sua própria moeda, mas apenas por fachada.

A paridade entre elas e o rand é de um pra um e sempre o será, pelo menos enquanto o acordo estiver vigente.

Portanto na Namíbia se algo custa 17 dólares da Namíbia, você pode pagar com uma nota de 20 rands, de 20 dólares da Namíbia, ou com uma nota de 10 de cada.

Moedas dos Emirados Árabes Unidos, obviamente cunhadas em árabe.

E o troco pode vir em rands, dólares da Namíbia ou uma combinação de ambos. O mesmo vale no Lesoto e Suazilândia.

Claro, o dólar da Namíbia só vale na Namíbia, você não pode usá-lo no Lesoto, Suazilândia ou na África do Sul.

O loti (no plural ‘maloti’, muda a palavra) só vale no Lesoto, é inútil na Suazilândia, África do Sul ou Namíbia.

Já o rand tem o mesmo valor nos 4 países, pode cruzar as fronteiras circulando normalmente.

A Namíbia é um dos países mais jovens do mundo. Era uma colônia alemã até a 1ª Guerra Mundial.

Jordânia: escrito em árabe, também. Já verá porque estou ressaltando o idioma.

Aí passou a pertencer a África do Sul, onde ficou até 1990.

Portanto o ‘apartheid’ também valeu lá. Em outro texto falaremos melhor disso.

Em 1990, como dito, a Namíbia se tornou independente.

E é de fato um país autônomo, na dimensão política. Economicamente, entretanto, continua atrelado a África do Sul.

Dinheiro do Afeganistão. Agora que a porca torce o rabo. Pensa que está escrito mais uma vez em árabe? Pois não é o caso. A língua afegã é o pashtum. Sim, o alfabeto é o árabe, mas o idioma é outro. Assim como diversas línguas ocidentais usam o mesmo alfabeto, o latino, mas os idiomas podem ser tão diferentes quanto o português é distinto do polonês, alemão ou africâner. Voltando ao Oriente, além do próprio idioma árabe, também utilizam o alfabeto árabe o idioma persa (Irã), o pashtum do Afeganistão e outras línguas menores.

Já a Suazilândia e Lesoto só são independentes no papel. São ‘países’ pequenos e muito pobres, sem saída pro mar.

A Suazilândia ao menos também tem fronteira com Moçambique. Lesoto está totalmente cercado pela África do Sul.

E ambos na prática são quase que colônias do vizinho maior, inclusive na dimensão política.

Tanto que em 1998 a África do Sul (com auxílio de Botsuana) ocupou militarmente o Lesoto pra promover um golpe de estado, com grande banho de sangue que deixou a capital em ruínas.

Veja bem. Em 1998 não havia mais ‘apartheid’. O presidente sul-africano era Nelson Mandela.

Mas ainda assim ele agiu exatamente como agiam os presidentes brancos antes dele:

Todos esses 14 países em verde e vermelho utilizam como moeda o Franco CFA, que é emitido e lastreado pela França, na teoria ex-metrópole de 12 deles e na prática atual metrópole de todos os 14.

Intervindo militarmente em um país vizinho na teoria ‘soberano’, pra impor sua vontade. O Lesoto aprendeu uma dura lição.

E concluiu com amargura que “o ‘apartheid’ só acabou pros negros dentro da África do Sul.

Pra nós, que também somos negros e nativos da África, nada mudou”.

Por conta disso. Estejam os brancos ou negros no poder, a África do Sul vê o Lesoto como uma colônia.

E de fato na prática é mesmo assim que a coisa funciona, daí o rand ser a moeda local.

C.F.A.: “COLÔNIAS DA FRANÇA NA ÁFRICA”; OPS, FOI MAL: ESQUECI QUE NO PAPEL A SIGLA AGORA DIZ “COMUNIDADE FRANCÓFONA NA ÁFRICA” – NA VERDADE NADA MUDOU

Franco CFA, a moeda neo-colonial francesa usada em 14 países da África.

Agora a comunidade econômica africana dominada pela França.

Veja o mapa. 14 países da África utilizam uma moeda cunhada na (e para o benefício da) França, o Franco CFA.

Na teoria são duas moedas diferentes, uma na zona vermelha, outra na verde, e não pode haver mistura.

Mas na prática elas valem exatamente o mesmo, então as cédulas e moedas de ambas são utilizadas livremente em qualquer dos 14 países.

Já informei na manchete acima que teoricamente o ‘C’ não é mais de ‘colônias’, como foi oficialmente no passado. Agora quer dizer ‘comunidade’.

Madagascar: ex-colônia francesa que abandonou o Franco CFA. De 1960 até 2004 o país teve uma situação muito curiosa pois contou simultaneamente com duas moedas nacionais, o Ariari (nome de origem árabe recuperado do período pré-colonial) e o Franco Malgache (emitido localmente, e não na ex-metrópole). Por isso as notas traziam as 2 denominações. Porém na prática 1 Ariari valia 5 Francos Malgaches, de forma fixa. Logo era apenas uma moeda. Ainda assim, tinha 2 nomes e 2 cotações, tudo isso impresso nas notas. Em 2005 o Franco Malgache acabou, pois Madagascar não queria mais uma moeda cujo nome remetesse a França. Desde então o Ariari está soberano.

Diz o grupo de ‘rap’ estadunidense ‘Public Enemy’: “Nós (os negros dos EUA) gostamos de chamar os bairros que moramos de ‘comunidades’.

Oras, como nós não temos o controle sobre os aspectos culturais, políticos e econômicos dessas ‘comunidades’, o nome mais correto seria ‘senzalas’ “.

O mesmo vale aqui. Ter sua própria moeda é uma característica indispensável pra uma nação ser um estado independente de fato.

Todo o país que não controla sua própria moeda só é independente no papel, na prática permanece (ou passa a ser) uma colônia de quem controla seu dinheiro.

12 ex-colônias da França (“ex????”) usam o Franco CFA: Camarões, Senegal, Costa do Marfim, Mali, República Centro-Africana, Benim, Gabão, Chade, Níger, Burkina-Faso, Togo e o Congo cuja capital é Brazaville.

A eles se uniram o Guiné-Bissau (ex-colônia portuguesa) e o Guiné Equatorial (ex-colônia espanhola), totalizando 14 os países que o utilizam.

‘Pula’, o dinheiro de Botsuana. Significa ‘chuva’. O centavo é o ‘Thebe’, que quer dizer ‘gota’, tudo mostrando a importância da água nesse país muito seco. Toda África Austral tem clima árido, breve subo as fotos. Até 1976 Botsuana era mais um que usava o Rand da vizinha África do Sul, quando resolveu imprimir sua própria moeda.

Note que existem 2 Congos. O com capital em Kinshasa é bem maior, e foi ex-colônia belga. Antigamente chamado Zaire.

Tem sua própria moeda, o Frango Congolês, já mostrada nessa matéria mais pra cima na página.

Ao lado dele está o Congo com a capital em Brazaville. Esse Congo ex-colônia francesa é que usa o Franco CFA.

Detalhe curioso é que não apenas os países, mas até as capitais são vizinhas. Kinshasa e Brazaville estão frente-a-frente.

Cada uma fica numa margem do Rio Congo, e seriam duas partes da mesma cidade se o país fosse o mesmo. Deixando a geografia de lado e voltando o foco pra economia, nosso tema de hoje.

Próximas 3: ‘Metical’ é o dinheiro de Moçambique. Repare que há notas de papel e de plástico, as plásticas tem um círculo transparente no canto.

Guiné, Mauritânia e Madagascar também já pertenceram a união.

Mas tomaram a sensata decisão de sair pra poderem emitir o dinheiro que circula em seu território. O Mali saiu mas voltou.

Curioso isso, não? Desde que adotou o Euro, a França não controla mais sua própria moeda, mas ainda controla a de outros 14 países da África, e mais alguns na Polinésia.

Nota (de plástico) de 100 meticais.

Obviamente os defensores do Franco CFA dizem que ele traz “estabilidade” pra África.

Estabilidade sim, mas em benefício de quem?

Obviamente dos (“ex”???) senhores coloniais europeus. Não se resume a economia. A França intervém militarmente o tempo todo na África.

A de 200 é de papel.

Em 2011 houve o trágico golpe de estado na Líbia, feito pela França, Inglaterra e EUA usando a ‘Al-Qaeda’ de fachada.

Depois disso o exército francês aproveitou o embalo e já que estava por ali promoveu invasões na República Centro-Africana e Chade, entre outros.

Tropas francesas ficam estacionadas permanentemente nessas e outras nações, assim como os EUA têm bases militares em mais de 100 países de todos os continentes.

Tudo muda pra nada mudar, eis a única conclusão possível . . .

………..

Vamos ver muitas imagens. Ao lado dinheiro de Bangladesh, na Ásia.

Casaquistão.

Até 1947 a Índia (então colônia britânica) englobava os atuais Índia, Bangladesh e Paquistão.

Quando houve a independência da Inglaterra, Índia e Paquistão se separaram.

Mas o Paquistão da época incluía Bangladesh, que se chamava ‘Paquistão Oriental’.

Próximas 2: Tajiquistão, frente & verso.

Em 1971 veio nova independência, e enfim Bangladesh se tornou uma nação a parte.

Ainda assim, a língua bengali ali falada usa um alfabeto que é uma ligeira variação do devanagari, o mesmo usado nas línguas hindi (a principal da Índia) e nepalesa.

……..

Falando em alfabetos orientais, adicionei notas do Casaquistão e Tajiquistão. Trata-se de duas ex-repúblicas da finada URSS.

Na dimensão da linguística, ambos permanecem ligados a Rússia. Pois se comunicam pelo alfabeto cirílico, usado na Rússia e seus vizinhos como Ucrânia.

Mas no Leste Europeu eles são eslavos. Na Ásia Central, malgrado o mesmo alfabeto, os povos são morenos cor-de-cobre e de olhos puxados, como a nota a direita acima deixa claro.

Verso da nota afegã mostrada mais pra cima.

Já fiz um desenho retratando os Homens e Mulheres das Estepes da Ásia, das quais Casaquistão e Tajiquistão fazem parte.

………

A África do Sul tem 11 línguas oficiais. O inglês é falado por todos, de todas as raças, e por isso vem a frente.

Além dele, vários brancos usam o africâner (dialeto do holandês) e os negros igualmente têm suas próprias línguas, as principais são o xhosa e o zulu, há mais 7. Cada nota traz no verso a inscrição “Banco Central da África do Sul” em 2 idiomas, o mesmo ocorre nas moedas.

Ao lado a que tem o rosto do Juscelino em 3 versões:

Original, carimbada e com 3 zeros a menos e novo nome. Agora vejamos um pouco mais do dinheiro estrangeiro:

Peseta da Espanha. Na 1ª nota também está escrito “se pagará ao portador”.

Outra coisa. Está datada, foi adquirida em Múrcia, 25/01/71.

Seguimos. Bangladesh, Casaquistão e Jordânia obviamente são na Ásia. As demais na África. Na legenda o país.

Mais da Europa: 1) o verso do Florim Holandês; 2 e 3) Escudo Português; 4 e 5) Franco Francês; 6 a 8) Lira Italiana. Todas morreram com o Euro; do 9 ao fim) Libra Inglesa, essa ainda vale.

Mais uma sessão da África. Novamente as informações estão impressas nas próprias fotos.

 uruguai - 10 pesosChegamos a nossa querida América:

A esquerda Peso do Uruguai, direita em escala maior o carimbo na nota boliviana atestando que ela acaba de ser desvalorizada em nada menos que 6 zeros.

No ‘carrossel’ abaixo: 1 e 2) Peso Chileno; 3 a 5) Finado Intis Peruano;

6 a 8) Voltamos aos Pesos Uruguaios (algumas cédulas estavam em péssimo estado, mantenho pois melhor que nada, situação que irá se repetir no dinheiro brasileiro e paraguaio); bolivia carimbo 0,50

9 e 11) Pesos e Austrais da Argentina; 12 e 13) Dólar Estadunidense; 14 a 18) Guaranis do Paraguai; 19 a 21) o extinto Peso da Bolívia.

Clique sobre as imagens pra aumentá-las, o mesmo vale pra todas.

Fechando a África. Ao lado o verso do “Agro-cheque Especial” de 5 bilhões do Zimbábue.

Abaixo as 9 primeiras de Zâmbia (na frente sempre a águia), depois volta o Zimbábue, notas desde 10 – dez mesmo, não 10 mil ou 10 milhões – até 250 milhões.

1 cruzeiro notas novas sem usar[1]E agora o dinheiro brasileiro. A esquerda mais uma daquelas notas novinhas de 1 Cruzeiro.

Essa série é do fim da década de 70, cheguei a ver pessoalmente no começo dos 80.

A direita uma série um pouco posterior, do meio dos 80, logo antes do Cruzado.5 mil cruzeiros

Veja que os valores são mais altos, antes havia nota de 1 Cruzeiro, agora elas estão na casa das centenas e milhares, 1 único Cruzeiro não comprava mais nada.

Alias por isso 1000 Cruzeiros viraram 1 Cruzado no último dia de fevereiro de 1986.

A esquerda mais um carimbo ampliado.

10000 cruzeiros carimbo 10 cruzados[1]E na sequência horizontal voltamos mais no tempo, pra época dos ‘Estados Unidos do Brasil’.

Agora separadamente, perceba mais uma vez a diferença de entonação entre o produto de fabricação britânica e estadunidense.

Na nota de 50 Cruzeiros ocorrerá novamente o mesmo caso. Depois valores diversos, frente e verso, vários deles carimbados.

Mais cédulas da 1ª metade da década de 80, pré-Cruzado. Aquelas que a frente já está postada acima jogo o verso. As demais de frente e de costas. Essa é a série que pode ser lida de ponta-cabeças:

E fechamos com os oito anos (86-94) em que nossa moeda teve 6 nomes e se desvalorizou nada menos que numa proporção de 2,7 trilhões pra 1.

“Deus proverá”

Pátria Amada, Brasil

pátria amada santiago chile janela bandeira prédio andes cordilheira fim tarde pôr sol brasil cidade crepúsculoPor Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado originalmente em 23 de abril de 2015, e atualizado a cada nova viagem.

Nosso Pavilhão Nacional nos 4 quadrantes das Nações-Irmãs Americanas – e também dando uma esticadinha até a África…

Sempre levado e fotografado por mim. Por isso obviamente são outras pessoas que seguram as bandeiras.valparaiso

Começamos a esquerda por Santiago do Chile, março de 2015. Bem no Centrão da cidade, com os Andes ao fundo.

A direita:

Alguns dias depois, mas já em abril, sobre o Porto de Valparaíso, Oceano Pacífico Sul, no litoral desse país.

……….

Próximas 3 na África do Sul.

De um porto pra outro porto.

Do Oceano Pacífico pro Oceano Índico!

A esquerda, Durbã.

Essa viagem foi em abril/maio de 2017.

Ao lado:

20 de Abril de 2017.

Joanesburgo, Terra-Mãe África.

No alto de um prédio no Centro dessa que é a maior metrópole do país

Pra encerrarmos o Continente Negro:

Cidade do Cabo (esq.).

Em 2º plano as montanhas que são a marca registrada dessa metrópole de beleza espetacular.

nossa bandeira em Mexico D.F.………..

Voltando a América. E logo em grande estilo.

Na Cidade do Sol”, junho de 2012 (dir.). 

Evidente que trata-se do México, D.F. .

Estamos bem no Zócalo, a ‘praça de armas’, epicentro político da nação.bandeira do brasil pátria S. Domingo RD

Ao fundo a Catedral.

…………….

Onde a “América” começou:

1bandeiraCidade Colonial de Santo Domingo, República Dominicana. Outubro de 2013, acima.

……….

A periferia de Medelím, Colômbia, é inteira tomada por enormes favelas que cobrem todos os morros que cercam o Centro. 

A esquerda na imagem: Obelisco, Buenos Aires, Argentina, março de 2017. Infelizmente esqueci de levar a bandeira, aí desenhei essa de improviso pra tradição não se quebrar.

A direita uma delas na Zona Oeste dessa cidade, abril de 2011.

Daí não por acaso a ferocidade em tempos idos dos cartéis comandados por Pablo e outros do mesmo calibre.

Estão numa tentativa de integrar esses subúrbios a vida cívica normal do país.

Por isso, construíram teleféricos que interligam essas vilas ao moderníssimo metrô.

E vem dando certo, louvado é Deus. Fomos conferir pessoalmente, sem medo de entrar bandeira brasil pátria brasília df 3 poderesnaquela que é uma das partes mais violentas de todo planeta.

Melhorou muito, é certo. Mas também é certo que a Caminhada apenas principia, a situação ainda é crítica.

Isso não nos refreou, repito. Levantei pra rede tudo que vi por lá.

ploc Brasília bandeira brasil pavilhão…………

Ajo inspirado pelo fato que:

A bandeira mais alta do mundo é a nossa. Está em nossa capital, Brasília D.F., a direita. É a imagem de abertura da página.

Essa foto não é de minha autoria, puxei da rede.

………

Ao lado a figurinha dos recordes do Ploc Gigante.

“Deus proverá”

Lata d’Água na Cabeça

lata d'água Marília negra saia roupa colorida depilada

Coisa de Mulher Negra

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em junho de 2014.

(Todas as postagens de ‘Marília’ são dedicadas as Mulheres)

Todos já vimos aqueles famosos quadros em que Mulheres negras levam pesados volumes na cabeça, em latas ou bacias, muitas vezes sem usar as mãos pra ajudar no equilíbrio.

Alguns pensam que é folclore, ficção, um meio poético e artístico de imaginar algo que não existe.

Pois bem. Não é ficção, é a Realidade.

Na República Dominicana comprovei que de fato as Mulheres negras andam pelas ruas com pesadas latas na cabeça, geralmente sem segurar.lata d'água Marília negra depilada

Uma colega que esteve na África confirmou. Ela escreveu:

”    Em Mindelo (pra quem não sabe, pertence a Cabo Verde, nação 100% insular) eu vi muiiiitas pessoas levando cestas e cestos carregados na cabeça, de frutas e outras coisas p/ vender, de tralha p/ carregar, tudo….    “

Digo, não apenas Mulheres, alguns Homens também. Pessoas de ambos os sexos, da raça negra ou mulatos, andam com latas na cabeça.

mamãe gêmeos bebês nenes filhos peitos seios amamentando leite colar bijuteria negra blusa rosa marília dobro

Essa imagem não se relaciona com o texto. Alias ela tem sua própria postagem. Mas como é também uma homenagem a ‘Mama África‘ insiro aqui.

Embora não exclusivamente, ainda assim quase todas Mulheres.

Definitivamente um talento feminino, que alguns Homens também possuem, mas que no geral é mesmo “Coisa de Mulher”.

Então aqui vai mais essa homenagem a Mama-África, e todas as suas Filhas e Filhos espalhados pela diáspora:

Marília “carregando lata”. Fotografei essa manifestação quando lá estive.

Então agora desenho, pra abordagem ficar multi-dimensional e fecharmos o círculo.

“Deus proverá”