Fortaleza: epicentro da Costa Norte do Brasil

anoitece

Fortaleza é linda (r).

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (em emeios) em 25 e 26 de agosto de 2011

Maioria das imagens clicada por mim. No entanto, as que aparecem os prédios na Beira-Mar em Meireles e Mucuripe e a do ônibus em Manaus foram puxadas da internet. Eu identifico com um (r) de ‘rede’, como visto ao lado.

contraste

Mas o contraste social é agudo: grande favela quase a Beira-Mar, em frente ao Iate-Clube e aos prédios mais caros do Ceará. Em boa parte do Nordeste, mesmo nas favelas as casas são cobertas com telhas de barro – e não com eternit, como no Centro-Sul. Imagem capturada via ‘Google Mapas’.

Vou escrever agora os relatos de minha viagem a Fortaleza-CE.

Fiquei 3 dias e meio, de sexta depois do almoço até a madrugada de terça. Essa mensagem é o Portal da Série. Ao fim do texto eu ancoro ligação pras outras postagens, conforme eu as vá jogando no ar.

………

A cidade é o epicentro da Costa Norte Brasileira, daí o título. Talvez nunca tenham ouvido esse termo, então explico:

Em Fortaleza o oceano fica ao norte, por isso cunhei a expressão “Costa Norte Brasileira”, que vai de logo após Natal-RN até o Pará.

Na maior parte do Sul do país, do Espírito Santo a Natal e também no estado do Amapá o Oceano está a leste, enquanto que nos estados de São Paulo e o Rio de Janeiro geralmente o mar fica ao sul das cidades, como na Baixada Santista por exemplo.

avenida-leste-oeste-no-centro

A Avenida Leste-Oeste, no Centro. Apesar do nome ela liga o Centro a Costa Oeste, ou seja, não entra no Leste da cidade.

A origem do termo é baseada a princípio na posição do continente em  relação as massas de água do planeta. Porém, o conceito é também social.

Pois a ‘Costa Norte’ é também um modo como os Homens e Mulheres vivem e se relacionam entre si e com o ambiente. É uma ‘Sintonia’, se você se dá bem com essa palavra.

Já exemplifiquei quando fiz uma matéria sobre ônibus, com muitas fotos: Fortaleza, Teresina-PI, São Luís-MA, Belém-PA e Manaus-AM têm (ou tiveram até recentemente) uma característica única, comum a todas elas mas somente a elas:

A de pôr o prefixo do veículo em cor diferente No exemplo da foto ao lado, o sufixo está em azul-escuro, mas o prefixo em rubro. O que prova o que eu disse, a ‘Costa Norte’ também pode ser analisada pela geografia humana, e não somente pela geografia física.

aeroporto-z-sul

A Cidade dos Ônibus Azuis – e dos prefixos em outro tom. Os ônibus e o céu, tudo azul em Fortaleza, em tomada feita no Aeroporto. A pintura dos coletivos é padronizada e única pra cidade inteira. Em 2011 era assim, agora a frente e o teto são em azul-claro, mas o corpo lateral do veículo é branco. Vou falar aqui do que presenciei a época: nos horários de pico ainda circulavam alguns veículos mais velhos, com a pintura no padrão antigo, o 1° padronizado, e, o mais curioso, uma viação era rebelde e mantinha parte de sua frota na pintura livre, resistindo – de forma parcial – a 2 padronizações. No total, 99% dos ônibus estavam assim como veem na imagem.

Voltando a capital do Ceará. Por conta da posição do Oceano, Fortaleza não tem Zona Norte, apenas as Zonas Leste, Central, Oeste, e Sul.

Há praias nas Zonas Oeste, Central e Leste – exceto na Zona Sul, portanto, e nada mais natural, se o mar fica ao norte. A parte mais rica da cidade é a Zona Leste. Abra o mapa no ‘Google’ Mapas.

Verá que os prédios se concentram nos bairros de Iracema, Aldeota, Meireles, Varjota, Mucuripe, Cocó e Papicu. Todos a Leste do Centro, entre este e o cais do porto.

Fortaleza é uma cidade muito pobre, muito mais que as capitais do Centro-Sul, naturalmente. Não falo isso com desprezo ou preconceito.

Primeiro porque eu gosto periferia, e não por outro motivo quis vir morar no Canal Belém, uma ‘comunidade’, pra usar o termo em voga em alguns círculos.

Trata-se de uma antiga invasão, parcialmente urbanizada mas ainda não legalizada. Na beira do rio de mesmo nome no Boqueirão, subúrbio da Zona Sul de Curitiba.

Assim, repito, não é preconceito. Mas fatos são fatos, e nada adianta tentar ocultá-los com a peneira grossa.

Ainda as tomadas no pátio do Aeroporto. Observem que todos os ônibus tem 3 portas (exceto micros) mas a do meio só abre nos terminais. Falarei muito mais do transporte em textos futuros.

Contra números não há argumentos. Oficialmente, 33% da população fortalezense mora em favelas. Em capitais mais austrais do país como Curitiba, São Paulo e Florianópolis-SC, esse número fica perto de 10%.

Já em Fortaleza se repete o mesmo padrão dominante na maior parte da América Latina.

Visitei Manaus 11 meses antes, e Bogotá e Medelím (Colômbia) 4 meses antes de ir ao Ceará, e vi cenas similares.

Depois desse texto (que é de 2011), fui ao México, Paraguai, Pará, Paraíba e República Dominicana.

E em todos esses lugares vi mais uma vez como a América Latina ainda é um continente onde a imensa maiorias das pessoas pouco mais que sobrevive.

Bem no Centro, um busão no padrão antigo de pintura. Como já disse, no horário de pico circulam alguns nessa padronização visual. Mas esse veículo especificamente está aposentado. Pois como podem ver é da empresa CTC. Essa era uma viação estatal, do governo estadual. Não existe mais pra linhas regulares, foi privatizada. Ainda há uns poucos ônibus com seu nome pintado, mas não opera transporte urbano. Creio que leva alunos ou funcionários do governo estadual. Voltarei ao tema em outras postagens, breve no ar. O que importa aqui é essa pintura. Foi a primeira padronizada, quando foram inaugurados os terminais de integração, no começo dos anos 90.

O Centro-Sul Brasileiro (de Brasília-DF ao Sul e maior parte do Sudeste), a Bacia do Prata (Argentina e Uruguai) e o Chile são as partes onde a classe média é um pouco maior.

Mesmo assim óbvio ponteadas por grandes bolsões de pobreza.

Não estou negando que existe miséria nessa parte mais rica da América Latina, que fique bem claro. Alias, se eu quiser ver tudo isso em estado bruto, basta andar duas quadras de minha casa.

Como eu disse, minha vila é uma invasão, partes já urbanizadas, mas outras partes ainda não. No Chile, em São Paulo, em Florianópolis, em todos os lugares que vou, eu documento a concentração de renda.

Agora, é incontestável que no Nordeste e Norte Brasileiros, no Centro e Norte da América do Sul, e em toda a América Central (México e Caribe incluídos) a situação é ainda mais dramática. Nessas partes a classe média é minoria mesmo.

A grande maioria luta primeiro pra ter o básico pra comer e vestir, e depois é que pensa em consumir qualquer supérfluo.

Essa situação vem se alterando pra melhor desde que o milênio mudou, felizmente. Muitas favelas estão sendo urbanizadas, a renda dos trabalhadores vem aumentando. Constatei isso no Amazonas, na Colômbia e agora novamente no Ceará (escrevi em 2011, enfatizando, quando o Brasil ainda vivia um ciclo de prosperidade que durou até a Copa do Mundo-14).

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Ônibus metropolitanos em seu ponto final no Centro, esperando o momento de zarpar pro município de Maranguape, na Grande Fortaleza, onde nasceu Chico Anysio. Apenas os ônibus municipais de Fortaleza são no padrão azul que viram acima. Os metropolitanos ainda têm pintura livre.

Mas muito ainda resta por ser feito, é o que quero dizer. Séculos de abandono demandarão pelo menos algumas décadas de trabalho árduo pra que a situação se equilibre.

Na série sobre a Colômbia, escrevi que a maioria dos turistas que vai a Bogotá não vê a extensão da pobreza porque fica apenas na parte rica da cidade (lá a Zona Norte).

Em Fortaleza ocorre o mesmo. Boa parte dos visitantes se restringe aos bairros da orla Leste da cidade, não andam de ônibus e muito menos a pé.

Eu fui conhecer essa parte mais abastada, óbvio. Mas além disso percorri, a pé e sozinho, favelas e a Cracolândia do Centro, mesmo a noite, pra vermos “o lado ‘A‘ e também o lado ‘B’ ” da metrópole.

……..…

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Praia do Mucuripe (r).

Voltemos a descrever como Fortaleza se organiza. A parte rica se instalou na Avenida Beira-Mar (esse é seu nome oficial) e adjacências, a Leste do Centro.

Ao lado do Centro da cidade está a Praia de Iracema. Depois vem Meireles e Mucuripe. Todas são represadas por diversos diques, que eu creio estão ali por causa do porto.

Então são praticamente lagoinhas, sem ondas. E essa é a região que concentra os prédios mais caros do Ceará.

Seguindo a sequência, chegamos ao cais do porto. Rodeando ele estão algumas grandes favelas. É curioso andar no bairro do Mucuripe, estão ali como dito os prédios dos milionários, e logo ao lado uma enorme favela.

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Minha 1ª imagem de Fortaleza, o Aeroporto Pinto Martins, na Zona Sul. Ao fundo a linha de prédios das Zonas Leste e Central.

Pra quem já passou na Zona Sul do Rio, e viu a Rocinha entre a Gávea e São Conrado, é a mesma cena, apenas a favela de Fortaleza é plana.

Após o complexo portuário está a Praia do Futuro. Essa sim é em litoral aberto, com ondas fortes. A Praia do Futuro fica no estremo Leste de Fortaleza, já desenhei ‘Marília & Maurílio’ andando de mãos dadas nela.

De volta a ‘vida real’, por ser mais distante do Centro foi a princípio ignorada pela especulação imobiliária. Assim quase não tem prédios.

Na verdade ainda não foi ocupada de todo, algumas quadras tem mesmo poucas casas.

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Essa imagem eu tirei em Santa Catarina, 2016. Já entenderão porque coloquei aqui a Bandeira da Pátria Amada.

Agora as construtoras começam a erguer muitos empreendimentos ali. É que o espaço disponível pra novas obras naquela região tradicional da elite já citada está se esgotando.

Então é preciso haver uma expansão. E aí estão se olhando pra áreas que antes não eram procuradas.

É um fenômeno universal e natural, e já descrevi e fotografei com detalhes como ele está se desenrolando na cidade de Santos, num texto anterior.

Então, em Fortaleza ocorre o mesmo. O eixo Iracema-Papicu está saturado, de forma que é preciso expandi-lo. A Praia do Futuro assim começa a encarecer, e vai deixar de ser periferia em breve.

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Bandeira do Ceará. Dos 27 pavilhões estaduais (na verdade 26 estados + DF), o cearense é o que mais se assemelha ao da nação.

A COSTA OESTE DESPERTA

A Zona Oeste é o oposto da Leste. É uma região de periferia mesmo na Beira-Mar. Nas praias da Zona Oeste infelizmente não deu tempo de eu ir, só fui na Zona Oeste longe do mar, onde passa o trem pra Caucaia.

Mas vi como é pelo satélite e fotos. A cidade negligenciou a Costa Oeste, só olhou pra Costa Leste.

Entretanto a situação também começa a se alterar. Estão sendo erguido prédios de luxo na Zona Oeste, pela primeira vez na história de Fortaleza. Esse fenômeno se repete Brasil afora, do perfil de classe média e média-alta se expandirem pra onde era antes periferia.

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Panorâmica da parte rica da capital (r).

Em Santos é exatamente igual, Leste rico, Oeste pobre. E também forçadas por motivos econômicos as construtoras começam a quebrar um preconceito de décadas.

Descrevi e fotografei o que ocorre no Litoral Paulista em matéria específica.

De volta ao Nordeste, até a parte longe do mar de Fortaleza (a Zona Sul e e a porção meridional da Zona Leste) começam a receber prédios de classe média. Embora aí sejam ‘pombais’, prédios baixos sem elevador (no estilo de conjuntos tornado clássico em todo país pela construtora MRV, fotografei um deles na Zona Oeste da Gde. Belo Horizonte-MG).

Dois anos depois de Fortaleza, fui novamente ao Nordeste, a João Pessoa. Em Santa Rita, um distante e bem pauperizado subúrbio metropolitano da Zona Oeste, vi em obras o primeiro prédio alto do município. Sinal que essa periferia começa a ter gente com dinheiro o suficiente pra subir (literalmente) de padrão.

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Próximas 3: as únicas fotos que eu tirei do mar foram na Praia de Iracema, no Centro.

Não se restringe ao Brasil esse despertar. No texto original eu já havia escrito que Bogotá passa por idêntico processo.

Lá, a parte rica é a Zona Norte, Oeste intermediária e Sul o subúrbio proletário, há favelas na cidade inteira mas as meridionais são gigantescas.

Então, na capital da Colômbia o espaço na Zona Norte esgotou, aí começam a surgir prédios de classe média-alta na Zona Oeste e de classe média-baixa na Zona Sul.

E depois disso fui a República Dominicana, e vi o mesmo. É o inverso de Fortaleza, a Orla Oeste é a dos milionários, a Leste a periferia. Fotografei o primeiro (em fase final de obra) prédio alto residencial de Santo Domingo Leste, na verdade de toda Santo Domingo fora da Zona Oeste.

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Mesmo local, girei a câmera pro lado.

Outro detalhe é que há pouquíssimos condomínios fechados de casas em Fortaleza. Basicamente na Zona Leste, por enquanto (o texto é de 2011, e reflete o que vi na época. A situação pode ter se alterado).

A capital do Ceará é ao mesmo tempo indescritivelmente quente, com um contraste muito grande entre as classes sociais e mesmo entre as partes belas e as nem tão belas assim.

Bom, todas as cidades têm seu lado A e seu lado B, mesmo aquelas do chamado “1º mundo”.

Fortaleza é a cidade do ‘funk’, a cidade das lagoas, do Sol, do Mar, e dos ônibus azuis.

Tudo emoldurado pela serra ao fundo. Com um Centro que renasce, símbolo de um Nordeste que passou décadas ou mesmo séculos esquecido, e que agora começa a despertar.

praia-de-iracema-centro

Aqui fiz uma colagem. Desculpe, não saiu do mesmo ângulo, então você vê grosseiramente o encaixe no chão. Seja como for, eis Praia de Iracema, no Centro, perto de onde fiquei. Como praia mesmo quase não é utilizada, a faixa de areia é minúscula e não tem ondas. Todas as vezes que fui lá estava deserta. Essa parte da cidade é mais frequentada a noite, pois é a região boêmia. Perto do mar há as casas noturnas, e seguindo mais pro Centro existe o entorno do Centro Cultural Dragão do Mar, onde há diversos bares, parecido com o Largo da Ordem, em Curitiba. Focando de novo em Fortaleza, essa era uma região que estava feia e decadente. Foi revitalizada, num processo similar ao que ocorreu no Pelourinho, Salvador. Na orla da Zona Central de Fortaleza ainda há partes bem feias e sujas, com favelas e a zona portuária (não é o porto principal, que é a Leste, e sim uma extensão dele, bem no Centro). Mas há também uma região que aflorou novamente, e voltou a ser frequentada pela classe média: o local é policiado e limpo, há muita música ao ar livre, de graça. Eu fui, e gostei.

………………

Vamos continuando o relato. Abra o ‘Google Mapas’ e vá localizando o que estou descrevendo. A Zona Leste é onde moram os ricos, margeando a orla.

Estou me referindo aqui ao triângulo formado pelos bairros Iracema, Mucuripe e Cocó. Só que mesmo dentro dessa parte selecionada há grandes favelas.

Cito de exemplo uma que vai margeando a linha do trem – nessa região é só trem de carga, nas Zonas Sul e Oeste há trem de passageiros que está sendo transformado em metrô.

Falamos disso na sequência. Aqui voltemos ao contraste entre favela e prédios de milionários. A favela corta toda a parte rica da cidade. Mas é pequena, pois estreita, só na beira da linha mesmo.

Só que se aproximando do porto ela engrossa. Observe as fotos que estão espalhadas pela página: a praia (sem ondas, como já falei) e os prédios. Cada apê ali vale fácil alguns milhões.

Mas dê uma voltinha no bairro. Duas quadras dali começa a favela. E nesse ponto não é só nas margens do trilho não. A favela do bairro Mucuripe é gigante.

Favela a beira-mar, como a segunda imagem da matéria, bem mais pro alto na página, já ilustrou. Estamos nas imediações do porto e do iate clube. É o limite entre área rica e subúrbio. Dali pra frente começa a periferia.

Vamos olhar agora na outra dimensão, o sentido norte-sul. Pra ficar mais claro, veja o Parque Ecológico do Cocó no mapa. Da orla até esse bosque é onde mora a elite. Pra baixo dele é tudo periferia, mesmo o que for Zona Leste.

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Praia de Meireles (r). No Litoral do Chile fotografei outro prédio com vão livre – e lá veio de brinde um 11-13 Mercedes.

Fui nos bairros Messejana (esse é no coração da Z/L), Aerolândia e Tancredo Neves (são vizinhos e ficam ao lado do Aeroporto, já na divisa com a Z/S).

São o subúrbio da cidade, mesmo sendo a leste, porque são longe do mar.

Atualização: constato pelo ‘Google’ Mapas que a parte mais rica da cidade já ultrapassou o Parque do Cocó.

Uma região de prédios de padrão médio-alto está se formando as margens do bosque, mas do lado oposto ao mar, no bairro Guararapes, antes de Edson Queiróz.

E inclusive próximo a Messejana também está surgindo um núcleo de prosperidade, da pequena-burguesia suburbana. O mesmo ocorre em outras partes da cidade, nas Zonas Oeste e Sul.

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De volta a Fortaleza. Próximas 5: vamos ver as ruas da parte menos glamurosa da Zona Central, o Centro Velho no entorno do porto. Desculpe o dedão na frente da câmera. Mal aí. Pra compensar… um 11-13 de brinde!

Como em Santo Domingo, Santos e diversas outras metrópoles, a prosperidade não se restringe mais somente a Beira-Mar e imediações.

Isso é bom, claro. Ainda assim, mesmo agora ponteada por esses nichos de espigões mais abastados, a divisão da cidade entre burguesia e periferia basicamente se mantém.

As sementes são exceções que confirmam a regra, ou, se estiver mesmo ocorrendo uma mudança a largo prazo, ela levará ainda décadas pra se consolidar.

Voltemos a favela do Mucuripe. Pra quem não conhece Fortaleza, localize no mapa a Avenida dos Jangadeiros. Vá mais pra direita. Verá o cais do porto e seu complexo industrial.

É da Petrobrás aquela instalação. Após o porto há outra favela, e o detalhe curioso é que aqui vi algo que nunca tinha presenciado pessoalmente:

A ‘filial’ do porto perto do Centro. A doca principal é a leste, no Mucuripe. Mas há outros locais onde os navios atracam,  numa extensão do complexo principal.

Uma favela (chamada Titanzinho e Servilux, entre outros nomes) a beira-mar. A ‘comunidade’, como alguns preferem dizer, se formou literalmente nas areias da praia.

Já conhecia essa realidade (exatamente essa ao lado do porto, outras na Z/O de Fortaleza, e em outras cidades, como a ‘Brasília Teimosa’ do Recife-PE) pelas fotos de satélite.

Mas é realmente impressionante de ver ao vivo, passar por entre os becos. Quando o vento leva mais areia pra dentro da favela, ela fica dentro das dunas.

Se acumula muita areia, os moradores retiram com pás, pros carros poderem passar. Fui pelas Ruas Leite Barbosa e Ponta Mar, essa última marca o limite entre a vila e a parte da praia não ocupada.

A via é só residencial. Comércio, só mercearias pros próprios moradores. De qualquer forma, talvez essa cena esteja com os dias contados. As casas já estão numeradas pela Cohab e creio que deve haver remoção, até por ali ser área da Marinha.

NOTA: EU NÃO TORÇO PELO FORTALEZA, CEARÁ OU QUALQUER CLUBE NO BRASIL. VOU APENAS RELATAR OS FATOS COMO OCORRERAM, INDEPENDENTE DE MINHA VONTADE. Observem um muro todo grafitado pela torcida Cearamor, do Ceará S.C.. Nem o poste foi poupado, como é comum no Chile e outros países americanos. Fortaleza estava tingida de preto e branco, a galera alvinegra estava pra lá de entusiasmada com a permanência, pelo 2º ano seguido, do ‘Vozão‘ – como o clube é carinhosamente chamado – na primeira divisão, especialmente porque o arqui-rival Fortaleza estava na distante 3ª divisão. No entanto, no mesmo ano de 2011 o Ceará caiu e está na 2ª divisão. Ainda assim, o Fortaleza até agora não conseguiu sair da 3ª. Repito, não estou provocando ninguém, só contando os fatos. Breve mais sobre o futebol local.

Vamos pro outro lado da cidade. Na Costa Oeste de Fortaleza é o contrário, não há ricos por ali. Até mesmo na bordejando o oceano é periferia.

Veja no mapa que desde o cartódromo César Cals até o Rio Ceará que marca a divisa de município só há bairros populares.

Creio que boa parte da área foi invadida um dia, hoje em processo de urbanização. Nos bairros Pirambu, Cristo Redentor e Barra do Ceará.

Nessa parte infelizmente não pude ir pessoalmente, o estudo teve que ser pelas imagens de satélite do ‘Google’.

(Outra atualização: em 2011 quando fiz a matéria o Ceará ainda não havia sido jogado no ar no modo ‘Visão de Rua’ do ‘Google’.

Agora foi. Então dá pra andar – virtualmente pelo menos – nas estreitas ruas das vilas humildes litorâneas da Z/O, o que já fiz extensamente).

Bem próximo ao Centro há uma pequena favela que se chama ‘Oitão Preto’ – pra quem não sabe, ‘oitão’ significa revolver.

Essa eu visitei. É perto da praia mas não dentro dela, há Avenida Leste-Oeste entre as casas e a areia.

Como curiosidade, já falamos acima que Recife também tem sua favela a beira-mar. Chama-se Brasília Teimosa, e fica, vejam só, entre o Centro e o bairro de Boa Viagem, Zona Sul.

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Próximas 2: prédio que em 2011 estava abandonado. Perto do Centro, mas não exatamente nele. Ao lado dele, a Favela do Oitão Preto, já citada. Como é muito comum em toda parte, de Curitiba a Buenos Aires, essa favela foi invadida em área de domínio da rede ferroviária. Atrás dela está a estação central dos trens de subúrbio. Falo sobre eles em outra mensagem, breve no ar.

Pra quem não é inteirado sobre geopolítica recifense, essa é a praia mais cara da cidade, reduto dos milionários pernambucanos.

Brasília Teimosa ficou famosa quando foi escolhida como símbolo do combate a miséria, e então ela foi urbanizada.

Os moradores que estavam em situação de maior risco foram removidos pra casas bem construídas em locais apropriados. Vamos ver se seus colegas fortalezenses um dia terão a mesma sorte.

………….

NÃO HÁ ETERNIT, SÓ TELHA

Em Fortaleza não há casa de eternit, só de telhas. Explico. Como Já falamos muitas vezes, nas regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, e também na Bahia, as casas na periferia são de eternit, que é mais barato.

Nessas regiões supra-citadas apenas os bairros de classe média pra cima utilizam telhas de cerâmica. Inclusive vendo imagens de satélite sei a renda do bairro pela proporção eternit/telha:

Focando só no edifício agora (perdão, a imagem turvou). Disse que ele esteve abandonado, assim era quando cliquei. Agora está sendo reformado pra servir de escola de turismo. Muito bom. Outra coisa que mudou de 2011 pra cá. Quando passei pela Avenida Leste-Oeste, esse era seu nome oficial. Posteriormente foi renomeada ‘Avenida Presidente Castelo Branco’. Castelo Branco era cearense, se alguém não sabe.

Só ou majoritariamente eternit, é periferia com certeza, uma invasão ou loteamentos populares. Só telhas de cerâmica, ao contrário, a renda é muito alta.

Bem, em Fortaleza essa técnica não funciona. Como acabei de dizer, mesmo nas piores favelas dessa cidade (e também de Natal, João Pessoa-PB, São Luiz e Teresina) todas as casas são de telhas de cerâmica.

Todas. Porque o sol é muito, muito forte, quem não foi até lá não tem noção. Então o cara precisa gastar o que não tem pra não morar dentro de um forno.

Recife é uma transição. Quem pode utiliza telhas, mesmo nas favelas, mas há casa de eternit.

Numa proporção bem menor que nas outras regiões, mas já bem mais que o eixo João Pessoa-São Luís.

E no Norte, mesmo sendo um calor saárico, o eternit volta a predominar nos subúrbios. Dureza, cara. E olhe que mesmo o eternit já é melhor que outros países:

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Próximas 5: Centrão da cidade. Há muitos prédios abandonados em Fortaleza. Esse é no coração do Centro. O detalhe é o logotipo da ‘Atlantic’, que operou no Brasil até 1993, 18 anos antes dessa imagem portanto. Em Belém fotografei um prédio que dizia na fachada ‘Inamps‘ (órgão antecessor do INSS), que foi extinto no mesmo ano da Atlantic.

Na Colômbia, Chile, Porto Rico, México, boa parte da América Latina resumindo – e também na África do Sul – o telhado das favelas é majoritariamente de zinco.

Um metal, que portanto faz com que as casas sejam geladas no frio e tórridas no calor.

Pior: em menor escala na Colômbia e México, porém no Chile, Argentina e África do Sul muito mais comum, até a parede de algumas casas é de zinco.

Nas favelas na Colômbia, África do Sul e México, porém na Argentina e Chile mesmo em casas pobres fora das favelas, no Centrão por exemplo.

Nas ligações em vermelho relatei tudo com mais detalhes, nos países que eu visitei escrevi extensas séries, com muitas fotos.

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Muitos camelôs, vendendo de tudo. O Centro é apinhado deles, dificultando a circulação. O que se repete em outras partes, até no Chile que é mais rico. Mas no México é epidêmico.

Sobre Porto Rico escrevi rapidamente algumas impressões que vi pelo ‘Google‘, não estive lá ainda. Argentina e África do Sul em breve.

…………

Já que falamos no clima, vamos elaborar mais um pouco sobre isso. É notório que Fortaleza é muito quente, o ano inteiro.

Lá não há variação térmica, é calor de janeiro a janeiro.

As estações do ano, segundo um jornal local, são ‘quente’, ‘mais quente’, ‘ainda mais quente’ e ‘fervendo’. Falando sério agora, como ocorre de Salvador-BA até a Amazônia e Caribe, eles dividem o ano em ‘inverno’ e ‘verão’. 

O calor sempre acima dos 30º é o mesmo em tempo integral, perto de 40º nos dias extremos.

O que muda é a quantia de chuvas. ‘Inverno’ é a estação chuvosa, e ‘verão’ a seca.

E no Ceará seca é seca mesmo. O sertão, que sobrevoei, não tem árvores nem rios permanentes.

Seguimos vendo o Centrão. Reparem na placa de rua: em cima, grande, está escrito somente como a via é conhecida, nesse caso “Guilherme”. Abaixo, menor, o nome completo, “Rua Guilherme Rocha”.

Vale pra boa parte do Nordeste, alias. Depois que cruzei o Rio São Francisco, o qual identifiquei claramente, acho que só fui ver áreas verdes já na costa do Atlântico. O interior é clima semi-desértico, não é modo de falar.

Fortaleza é mais amena que o sertão por ser emoldurada por uma serra, o que suaviza um pouco o calor por reter pelo menos um pouco da umidade.

A Grande Fortaleza é cortada por diversos rios, o que possibilita que a vegetação floresça. As cidades do interior do Ceará em sua maioria não podem se dar a esse luxo.

……..

Cena triste: em algumas partes do Centro de Fortaleza há muito lixo na rua.

Mesmo com rios e lagoas, que amenizam a secura, o calor é muito forte. Saí sexta de Curitiba e aqui estava 8º. Frio e chuva, todo mundo com muitas camadas de roupas.

Troquei de avião em São Paulo, onde estava uns 18º. As pessoas usavam casacos ainda, mas já bem mais leves.

Aterrissei na capital do Ceará e os termômetros marcavam 30º. Todo mundo estava com o mínimo de roupa possível.

Domingo e segunda estava mais quente ainda, superou os 35º brincando. Até na sombra estava calor.

noturna

Noturna da orla (r).

Se já esteve num lugar assim sabe o que quero dizer. Em Fortaleza só de madrugada a temperatura baixa dos 20º.

Amanhece quase uma hora mais cedo que aqui, por volta de 5:30, embora anoiteça na mesma hora, por volta de 6:30, um fenômeno curioso.

Lembre-se, estive lá em agosto. Fortaleza é perto do Equador, quase não sente a rotação da Terra sobre o Sol, o calor e horários que o Sol nasce/se põe são constantes de janeiro a janeiro.

Já Curitiba está na zona temperada, pra baixo do Trópico de Capricórnio, logo aqui tudo varia bastante.12 horas de dia claro, com o Sol surgindo e se pondo perto de 6:30, ocorre próximo do Equinócio da Primavera.

Caio Vitória metropolitano (daí a pintura livre), também vai pra Maranguape.

Feito esse adendo astronômico do Paraná, de volta a falar do Ceará. Seis da manhã os termômetros já passaram dos 20º, e só baixarão disso de novo na madrugada seguinte.

Das 10 da manhã as 5 da tarde é sempre acima de 30º. Só quando chove fica mais ameno. Na segunda de manhã (22/08/11) que eu estive lá mesmo choveu. A tarde o sol voltou com força total.

Quando anoitece ainda demora pra baixar dos 25º. Nesse exato dia datado acima eram oito da noite e o termômetro marcava 28º. E estava quente de fato, mesmo o Sol tendo se recolhido há horas. 

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Casa pichada no Centro. Fortaleza é inteirinha pichada, como são alias todas as grandes cidades brasileiras. O ‘alfabeto’ de Fortaleza é muitíssimo parecido com o do Rio, as letras pequenas, redondas e juntas.

Tudo mundo estava nas ruas, com cadeira de praia, curtindo a brisa que vem do Atlântico, que ameniza um pouco a sensação de estar dentro de uma sauna.

É Fortaleza, afinal.

Digo isso porque muitos que não conhecem o Nordeste imaginam que ele é inteiro assim tórrido, uniformemente.

Nada poderia ser mais distante da realidade. Fortaleza abre a chamada ‘Costa Norte’, como iniciei a matéria falando.

Na ‘Costa Leste’, ou seja de Salvador a Natal, o calor é bem mais gentil com o povo. Bem mais. Lhes relatei com detalhes quando estive na Paraíba, 2 anos depois do Ceará.

fortaleza

Mais 3 da belíssima orla fortalezense (r), focando no Astro-Rei que se recolhe (ou se levanta). Se você gosta da mistura do Sol e Mar, veja o ensaio que eu produzi em Santos.

João Pessoa tem uma temperatura muito mais agradável, ao menos pra quem mora em casas que foram construídas de forma planejada por arquitetos, adaptadas ao ambiente (com pé-direito alto, forradas e ventiladas).

Inclusive uma das matérias dessa série se chamou “João Pessoa é uma mãe, uma cidade verde e de clima ameno“. O contraste com Fortaleza é agudo nesse quesito.

………..

Fortaleza em vários aspectos lembra bastante o Rio de Janeiro. Na música, na pichação e diversos outros aspectos. Fortaleza ouve muito ‘funk’, como no Rio.

orlaA única diferença é que Fortaleza não tem morros, as favelas são todas planas, sem exceção. De resto há várias coisas iguais ao Rio, a capital cearense é muito influenciada pela carioca.

O mesmo cenário, prédios de altíssimo luxo em frente a praia. Duas quadras pra frente está a favela. “Morro” e asfalto, lado a lado. E todos, os garotos da favela a elite, as vezes jogando bola juntos na areia.por-do-sol

Falamos na foto mais pra cima a esquerda da pichação. Assim como a música da galera, a ‘arte’ de rabiscar muros na capital do Ceará é inspirada do estilo praticado no Rio.

Pra quem não sabe, o Brasil tem três grandes ‘escolas’ da pichação, que são Rio, São Paulo e Brasília.

Na forma criada na capital federal (e usada também em Goiânia), digamos que se fundiram as outras duas, as letras são grandes como em SP, mas redondas como no Rio.

BR-116 mapa rodovia estrada rrégis bittencourt dutra rio bahia federal poa rs ctba sp rj fortaleza

O marco zero nacional da BR-116 (principal rodovia brasileira) é em Fortaleza.

Pois as 2 maiores metrópoles do país no Sudeste adotam ‘alfabetos’ opostos.

No estilo criado em S. Paulo, adotado no interior do estado, no Recife, em Curitiba e Porto Alegre-RS (com a adição de muitos desenhos também em Belém), as letras são grandes, duras e separadas.

Por vezes ocupam toda a extensão do muro, então uma letra pode ter até dois metros de altura. O modelo criado no Rio é o contrário.

As letras são pequenas, redondas e juntas. Em Fortaleza é assim também, Apenas eles adicionam uns traços muito compridos ao redor dos nomes, como acontece também em Salvador.

………..

transmanaus amazonas buso marcop caio alfa torino artic azul ex- ctba prefixo

Ônibus ex-Curitiba agora rodando em Manaus. O prefixo é em outra cor por influência de Fortaleza. A fonte dessa imagem é sítio Ônibus Brasil.

Enfim, amigos, como abertura é suficiente. Outras mensagens da série:

 – Prefixo em Cor Diferente: Costa Norte Brasileira (produzida em setembro de 2011, logo após meu retorno de lá):

Como já dito, Fortaleza criou e Teresina, São Luís, Belém e Manaus adotaram a ideia de escrever o prefixo dos ônibus em outra cor, característica delas e só delas.

– “De Volta pro Futuro” (julho de 2013), esse é um desenho:

Marília e Maurílio passeando na Praia do Futuro, a que tem as ondas mais fortes de Fortaleza.

Deus proverá

“João Pessoa é uma mãe”: uma cidade verde, de clima ameno e relativamente limpa

de Miramar ao Miramangue: João Pessoa é assim

muito-verde-periferia-j-pessoaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (em dois emeios) em setembro de 2013.

O primeiro é de 05/09/2013.

Com essa mensagem fechamos a série sobre João Pessoa. mangabeira-valentina-z-s-j-pessoa

É uma das cidades mais verdes do Brasil, e em verdade de todo o planeta. Já conheci uma boa porção da América.

Comprovam a tomada acima (não lembro qual bairro).

E especialmente essas duas ao lado e abaixo, que fotografei na Zona Sul: muitas árvores, mal vemos a cidade.

muito-verde-z-sul-j-pessoa1Enxergamos algumas construções, mas sempre envoltas num cinturão verde enorme. 

Os 4 lugares mais arborizados que já estive são João Pessoa, Curitiba, Maringá-PR e Assunção-Paraguai.

Em oposição, as menos arborizadas, as que parecem um deserto de concreto e metal, são a Cidade do México, Fortaleza-CE e, em menor medida, São Paulo.bayeux-z-oeste-gde-j-pessoa

Alias João Pessoa e Assunção se parecem muito em outro quesito: a periferia de ambas é meio rural, meio urbana.

As pessoas moram na cidade, e trabalham em ramos urbanos da economia: indústria, comércio, etc.

Ainda assim, por vezes residem em pequenas chácaras e ali criam animais e cultivam hortas e pomares.

bois-pastam-no-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoaA direita por exemplo bovinos em Bayeux (tirada de dentro do trem).

A esquerda a mesma cena no Centro de Santa Rita.

Curitiba é tão arborizada quanto as capitais da Paraíba e do Paraguai, mas aqui não há essa fusão entre rural e urbano.

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Próximas 2: Pedras na Praia de Ponta Seixas, Extremo Leste da América.

Nos subúrbios mais afastados já urbanizados de Curitiba, ninguém cria animais, nem mesmo galinhas ou patos.

Claro, toda regra tem suas exceções (fotografei algumas aves nos extremos das Zonas Oeste e Norte, dentro da cidade).

E mais pra frente, sim, ainda há pequenos sítios e chácaras no município de Curitiba, mas aí já fora da cidade. Há zona rural e zona urbana, separadas.

A fronteira é mais clara. Como é em São Paulo (no Capão Redondo não há gente que cria galinha, em Parelheiros há) e na imensa maioria das cidades.

piscina-natural-ponta-seixas-j-pessoaMas João Pessoa e Assunção (nessa mensagem abordo especificamente esse tema no Paraguai) são diferentes, talvez por serem mais pobres.

Por décadas, conviveram com desemprego crônico estrutural.

Por isso, suas populações suburbanas deram um jeito de se auto-alimentar, gerar ali mesmo uma fonte de proteínas e também de renda.muito-verde-z-sul-j-pessoa

Vejam as fotos (antes das da praia): bois (retratados) e porcos (não consegui clicar, mas vi também) criados dentro da área urbana.

Tudo isso nos subúrbios metropolitanos de Bayeux, perto da linha do trem, e no Centro de Santa Rita, ambos na Zona Oeste.

cabras-vendidas-vivas-s-rita-z-o-j-pessoaMas não é só na Região Metropolitana.

Acima uma plantação de bananas em pleno Mangabeira, o bairro mais populoso de João Pessoa, na Zona Sul.

A esquerda: no Centro de Santa Rita uma loja que vende animais vivos, galinhas e cabras.mercado-publico-de-s-rita-z-o-j-pessoa1

Que ali são comprados pra serem engordados e posteriormente abatidos nas chácaras da região.

Em 2017 fui a África. Podemos dizer que é a cabra quem manteve e mantém o Continente Negro vivo nos tempos de fome aguda. É tradição criarem esses bichos em plena cidade, fotografei em Durbã, África do Sul.

………….

Bem, cruzemos de novo o Oceano e vejamos nas próximas duas fotos o mercado de Santa Rita, Gde. J. Pessoa. Que lá ainda é mercado mesmo.

mercado-publico-de-s-rita-z-o-j-pessoaIsso quer um dizer um lugar onde o povão do subúrbio compra alimentos a granel (ou seja, por quilo, não-industrializados e não embalados) e animais vivos pra fazer o rancho e preparar o almoço.

Pelo exemplo contrário ficará mais fácil entender: os mercado municipais de Curitiba e São Paulo (também o de Santiago do Chile), em oposição, se aburguesaram completamente.

Turistas endinheirados tiram fotos, em São Paulo comem aquele famoso sanduíche de mortadela que nem fecha de tão recheado, umas 5 ou 6 fatias em cada pão.

Aqui em Curitiba essa transição foi ainda mais pronunciada, o mercado passou por algumas reformas e mais parece um centro comercial da elite e burguesia.

Inclusive com uma praça de alimentação com chão de mármore e apresentações ao vivo de MPB. Entretenimento pra classe média, sem dúvidas.

O contraste com o Nordeste é agudo, onde o mercado ainda é usado pela massa proletária pra comprar animais que são abatidos na hora, como um dia foi no planeta inteiro.

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Favela Maria de Nazaré, entre o Grotão e Funcionários, Zona Sul.

Vi isso em Caucaia, um subúrbio da Zona Oeste de Fortaleza (breve jogo essa série no ar), dois anos antes, e agora de novo num subúrbio da Zona Oeste de João Pessoa.

………….

Já lhes disse que o clima de João Pessoa é muito mais ameno que o de outras capitais, como Fortaleza, Belém-PA, Manaus-AM, Cuiabá-MT e Teresina-PI, e segundo alguns mesmo que o do Rio de Janeiro.

Por dois fatores: pela cidade ser arborizada, e por essa região do litoral do Nordeste Brasileiro ser protegida por uma cadeia de montanhas, a Serra da Borborema.

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Muito verde no trecho urbano da BR-230, a “Trans-Amazônica”.

Pois ela retém a umidade que chega do oceano e cria uma zona fresca, com rios perenes e chuvas frequentes – um clima mais parecido com o prevalente no Centro-Sul, digamos assim.

Depois da serra, vem o chamado Sertão, o semi-arido, aí sim, clima desértico ou quase, onde água potável o ano inteiro é uma miragem.

Mas entre o Litoral com chuvas frequentes e o Sertão há uma região de transição, a famosa “Zona da Mata” em Pernambuco, que na Paraíba se denomina “Brejo”.

Voltando a capital, João Pessoa é muito verde, suas partes ricas e pobres são ponteadas por bosques, mangues e riachos, como observam nas imagens. Assim, de dia é quente mas agradável, e a noite até friozinho

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Parte rica e verticalizada da capital.

O contraste com Fortaleza é gritante. Não há uma barreira topográfica escudando a capital do Ceará e mantendo-a úmida.

A cidade foi erguida sobre o deserto, é muito mais tórrida e seca que a da Paraíba.

Fortaleza, lhes descrevi (em emeios, breve na página) e fotografei quando lá estive, é “a Cidade das Lagoas”, em toda periferia foram construídos lagos artificiais, pro lugar não se tornar inabitável.

No Ceará o clima semi-desértico vai até a beira-mar, não há transição. Fortaleza só tem um bosque urbano, o Parque do Cocó, na Zona Leste, que como em João Pessoa é a parte rica da cidade.

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Próximas 5: João Pessoa tem muitas árvores, em todos os seus bairros.

O que faz com que na capital do Ceará o termômetro ferva até com Lua alta, só refresca de madrugada mesmo.

Entre 10 da manhã e 3 da tarde, com o sol a pino, supera os 40º com facilidade, ninguém consegue ficar ao ar-livre.

E mesmo bem depois do anoitecer você se sente no Saara, eram 9 da noite e o termômetro marcava 29º. Até aqui ainda estou falando de Fortaleza, pra fazer o contraste.

…………

periferia-bastante-verdeJoão Pessoa é uma cidade relativamente limpa.

Digo, em vários pontos o esgoto corre a céu aberto, incluso no Centro,

Infelizmente esse é o padrão de todo Norte/Nordeste, e América Latina incluindo Argentina.

Mas em relação a sujeira nas ruas, a coisa é bem melhor que em algumas outras cidades. joao-pessoa-pb1

Claro que tudo é relativo. Em certos locais há bastante lixo em João Pessoa, e quando vi fotografei (mais pra baixo nessa matéria mesmo exemplos).

Nada é perfeito, óbvio. Ainda assim, nesse ponto, J. Pessoa se destaca positivamente. Já vi coisa pior. Muito pior. Agora temos que falar de um ponto que está complicado em João Pessoa: a taxa de criminalidade está elevada,

muito-verde-periferia-j-pessoa1 Como de resto infelizmente é igual em boa parte do Norte/Nordeste, e também aqui em Curitiba.

Em 2012 houveram 518 assassinatos apenas no município de João Pessoa.

O que dividido pelos 700 e poucos mil moradores dá a elevadíssima taxa de 71 mortes pra cada 100 mil habitantes. Acima de 50 já é estatisticamente considerado como índices de guerra.

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Essa aqui é perto da Ponta Seixas.

São Paulo tem apenas 10 assassinatos pra cada 100 mil. Ou seja proporcionalmente é sete vezes mais calma que a capital paraibana.

Nos subúrbios metropolitanos, houveram perto de 140 mortes em Santa Rita, 45 em Bayeux (ambos Zona Oeste) e 60 em Cabedelo (Zona Norte). Totalizando quase 770 homicídios no ano na Grande João Pessoa.

Assassinatos aproximados per capita: Santa Rita perto de 115 por 100 mil, Cabedelo 100 por 100 mil, esses dois números dignos de estado de calamidade pública. E Bayeux se o dado estiver correto 45 por 100 mil, bastante elevado ainda mas o mais baixo da Gde. João Pessoa incluindo a capital.

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Bairro Bancários, quase na divisa entre as Zonas Sul e Leste.

Nos casos dos subúrbios metropolitanos os números estão arredondados, por eu não ter podido obter a estatística precisa.

Um pouco mais ou pouco menos, é isso aí, e dá pra ter uma boa noção. Já escrevi muitas vezes e é notório:

Nos anos 80 e 90, as capitais mais violentas do Brasil eram (não necessariamente por essa ordem) Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória-ES e Recife-PE

Nessas cidades a matança era equivalente a uma guerra, similares ao Afeganistão atual, e não é figura de linguagem mas estatisticamente exato.

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Próximas 6: Valentina, Zona Sul.

Porém, desde a virada do milênio a coisa mudou. As 4 acima citadas diminuíram seus índices de assassinatos.

São Paulo e Rio drasticamente. Na capital paulista a queda foi de 80%.

Tanto que proporcional a população São Paulo é a capital estadual menos violenta do Brasil, entre todas as 27.Vamos diferenciar diversos tipos de crimes.

No quesito de assaltos a mão armada, a capital paulista continua extremamente violenta. Aqui, estou falando de homicídios, e não de roubos.

valentina-zona-sul-j-pessoa1Em termos de assassinatos, de uma pessoa tirar a vida intencionalmente de outra, a violência em SP se reduziu e muito.

O município de São Paulo chegou a ter bem mais de 5 mil homicídios/ano, na virada do milênio, e agora tem perto de 1,2 mil. valentina-zona-sul-j-pessoa4

Dividido pelos 11 milhões que ali tem sua moradia, dá um índice de 10 por 100 mil, similar a de algumas capitais europeias. 

Hoje São Paulo tem menos mortes per capita que Florianópolis-SC, que historicamente ocupou esse posto por décadas.

valentina-zona-sul-j-pessoa3Já Vitória e Recife também tiveram queda nos índices de assassinatos, mas por hora ainda não tão pronunciada.

Estão melhores do que um dia foram, mas continuam entre as capitais mais violentas do Brasil.

E nessa triste competição ganharam a companhia de Curitiba, Belém, Manaus e quase todas as capitais do Nordeste.valentina-zona-sul-j-pessoa2

O Norte e Nordeste, além de Curitiba aqui no Sul, tirou do Sudeste o posto de polo maior dos homicídios em nosso país, processo que teve seu auge na virada da década.

De 2010 pra cá, os assassinatos caíram 20% tanto em Curitiba quanto em Belém, num promissor sinal que essa tenebrosa onda quem sabe começa a arrefecer.

valentina-zona-sul-j-pessoa5Tomara. Mas por hora é assim que está. Esse é o contexto: tristemente o Nordeste  se tornou extremamente violento.

E também pela Paraíba estar ao lado e ser uma ‘filha espiritual’ de Pernambuco (um dia compartilharam até a bandeira), João Pessoa não pôde escapar de ser tragada nesse ciclo de matanças.

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Bairro Funcionários, também Z/S.

………..

Quando cheguei a cidade, fui de táxi até a casa da anfitriã que lá me hospedou. O taxista era recifense.

Portanto com seu padrão de comparação curtido por anos vivendo na capital de Pernambuco – uma das cidades mais violentas do planeta há décadas.

Resultando que pra ele João Pessoa lhe parece uma cidade segura, e nada mais natural. Então ele definiu assim:

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Próximas 5: Mangabeira, bairro mais populoso da cidade, vizinho do Valentina.

Comparada com Recife, João Pessoa é uma mãe, de tão pacata”.

E quem pode dizer que ele está errado? Realmente, com Recife fica difícil comparar, até a violenta Curitiba se torna um pouco mais gentil vista por esse prisma.

Em Maceió a coisa também está complicada, tanto que em 2012 (o texto é de 2013) a Força Nacional interveio pra ver se os índices baixam um pouco.

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Mesma cena em outra escala.

A questão é que, as capitais pernambucana e alagoana a parte, João Pessoa é violenta.

Bem mais que Curitiba, Fortaleza e Salvador, que já não são nada calmas, o oposto sendo verdadeiro.

Ainda assim, mantive a frase do taxista no título da mensagem. Pacata João Pessoa não é. No entanto é muito verde, e relativamente limpa.

Uma cidade carinhosa com seus habitantes, que são seus filhos. Como o taxista, que é recifense por nascimento e joão-pessoense por escolha, colocou: “uma mãe de cidade”.

mangabeira-z-sul-j-pessoa4…….

Agora vamos pra outro emeio, que circulou em 27 de setembro de 2013.

O arroz-com-feijão tem no Norte e Nordeste gosto diferente que no Sul e Sudeste. Notei a mesma coisa na Paraíba, no Pará e no Amazonas. mangabeira-z-sul-j-pessoa1

Aí perguntei pra ela a razão: é o coentro, que é adicionado como tempero, hábito de lá.

……

João Pessoa é, como sua vizinha Recife, a “cidade dos mangues”. Estão por toda parte. 

mangabeira-z-sul-j-pessoaVários deles estão preservados e continuam a cumprir seu papel de porto seguro pra reprodução da flora e fauna nativas. Entretanto, algumas favelas foram erguidas sobre mangues aterrados.

Quando chove forte, o mangue alaga, obviamente (na 1ª mensagem da série pus fotos da favela do Bairro dos Ipês [ao lado da riquíssima Manaíra], na Zona Leste, inundada).

O que eles chamam de ‘maré’, mesmo sendo água doce e parada. Como diz a música de um grupo recifense, “Tomar banho de canal quando a maré encher”.

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Próximas 4: favela (ou “comunidade”) Maria de Nazaré, Zona Sul.

Perto da orla de João Pessoa, na Zona Leste, sua parte rica, há um bairro chamado ‘Miramar’.

Do lado oposto da cidade, na Zona Oeste metropolitana, sua porção degradada, há uma favela chamada ‘Miramangue’.

Pra fazer o contraste entre Leste e Oeste, que na capital da Paraíba parecem galáxias distintas. Por aí você vê quanto os mangues estão inseridos inclusive na cultura popular local.

…………..

favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoa1Em João Pessoa há muito transporte clandestino, inclusive rodoviário. Fui de ônibus urbano pro Centro, e desci no Terminal Central, que é em frente a rodoviária.

Assim que transpus suas catracas e ganhei a via pública, me assustei com uma gritaria infernal:

Bora pra Recife, bora pra Recife”, dizia um. “Natal, Natal, já tá saindo”, berrava outro, “Campina Grande, Campina Grande”, bradava ainda mais um, e muitos outros, todos juntos.favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoa4

Cada um anunciando seu transporte clandestino pra uma cidade da região, no interior da Paraíba ou nos vizinhos Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Evidente, esses agenciadores piratas tentavam drenar o público que planejava se dirigir a rodoviária e comprar passagem no guichê de uma das empresas legalmente estabelecidas.

favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoaA algazarra é tamanha que impressiona os desavisados, como era meu caso. Um caos sonoro. Já havia presenciado exatamente a mesma cena em Belo Horizonte-MG.

………….

 A população da capital da Paraíba tem no geral um tom de pele moreno. Quase metade das pessoas se auto-denominam ‘pardos’ no censo. Mas eu diria que os pardos são bem uns 70% da população.

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Funcionários, próximo a Mª de Nazaré.

Agora, é porque lá é bastante calor o ano inteiro (amenizado um pouco pelo verde, umidade e brisa, mas mesmo assim), não há inverno por estar muito perto do Equador.

O que faz com que as pessoas vão escurecendo a sua tez, naturalmente. O povão joão-pessoense é moreno-escuro, na média.

Na maioria, são descendentes de brancos pobres, portugueses, que foram empardecendo com o sol quase equatorial.

Negros descendentes de africanos há alguns mas não muitos, se quer saber. Na mesma proporção que Manaus e Curitiba, ou seja, pouco mais que 10% da população. Talvez um pouco mais, mas certamente nada tão significativo.

………….

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Próximas 5: bairro Geisel, pra encerrar esse rolê na Zona Sul da capital paraibana.

Em todo o Sudeste (nesse caso com raríssimas exceções) e Nordeste brasileiros, e também no eixo Brasília/Goiás, não há casas de madeira, como já comentamos muitas vezes.

Elas são extremamente comuns no Sul e no Norte, e presentes em menor número no Mato Grosso. A Paraíba não foge a essa regra. Quase que 100% das residências de João Pessoa são de alvenaria.

Mesmo nas favelas – alias as favelas nordestinas são sempre de alvenaria, ao contrário do Sul do país. Digo, há na Paraíba ainda algumas casas de taipa, ou pau-a-pique, mas fora isso é só tijolo.

Além disso, quase 100% das moradias de João Pessoa são cobertas por telhas de barro. Por ser muito calor, o eternit de amianto é quase inexistente, porque senão a casa vira um inferno de tão tórrida. O cara gasta o que tem e o que não tem pra por telhas.bairro-geisel-z-sul-j-pessoa

Já falamos muitas vezes de como os telhados se dividem no Brasil. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e também na Bahia, na periferia a grande maioria das casas são de eternit.

Não apenas nas favelas. Conjuntos construídos por grandes empreiteiras, com escritura e asfalto, água e luz regularizadas, também são cobertos dessa forma, que é mais barato.

Apenas a classe média-alta e os ricos usam telhas, um luxo apenas decorativo nessa região menos quente.

bairro-do-geisel-z-sul-j-pessoa2Em Pernambuco, é a transição. As favelas piores do Recife são de eternit. Mas a periferia fora da favela já é de telha.

Da Paraíba até São Luiz-MA, mesmo nas favelas mais miseráveis as casas são de telha, simplesmente porque é calor demais.

No Norte, mesmo sendo muito quente, o eternit volta a predominar. Bom, nada é tão ruim que não possa piorar. Nas favelas da Colômbia e do Chile ainda há barracos de zinco.bairro-do-geisel-z-sul-j-pessoa1

Vi isso com meus próprios olhos, muitos casos em que as paredes e o telhado feitas com restos de tapumes e folhas de metal.

Alias no Chile mesmo fora das favelas. Como nas notórias “Cidades de Lata”, as favelas metálicas sul-africanas.

…..

geisel-z-sul-joao-pessoaSabe aquele sorvetinho em que congelam o ki-suco e põem num saquinho? Na Paraíba se chama ‘Din-Din’.

Pelo que estou observando pelo ‘google’ mapas, no Amazonas também – não reparei nesse detalhe quando lá estive. Já aqui em Curitiba se chama ‘Xup-Xup’,

 No Rio é o ‘Sacolé’ (mesmo termo empregado lá pra pequena dose de drogas, porque tanto o entorpecente quanto o sorvete são embalados num plástico pequeno com a boca amarrada).

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Entre Ponta Seixas e Cabo Branco, Z/L.

E no Pará é o nome mais engraçado de todos, é o ‘Chopp’, ou ‘choppinho’.

Se você estiver em Belém e alguém te convidar pra ‘tomar um choppinho’, não imagine a mesa de bar forrada de copos com a cerveja recém-saída do barril, acompanhada de várias porções de petiscos.

Nada disso. Trata-se de um singelo sorvete vendido num saquinho.

………

Comentemos as imagens. Você sabe, nem sempre o texto ao lado se refere a cena que está mais perto, busque pelas legendas. Vemos as seguintes fotos espalhadas pela página:

avenida-sem-calcada-cabo-branco-j-pessoa– Grande área verde, inclusive com plantação de bananas, na região mais povoada do município de João Pessoa, os bairros Mangabeira e Valentina, Zona Sul;

– Acima (em 1° plano uma flor) e ao lado Cabo Branco e imediações, Zona Leste, também muitíssimo arborizado.

O detalhe negativo é a falta de calçadas, obrigando os pedestres a duelarem contra os carros por um espaço na rua;piscina-natural-na-ponta-seixas-ao-fundo-manaira-j-pessoa2

– A Praia da Ponta Seixas (dir.), como já dito muitas vezes e é notório o ponto mais oriental de toda América, com suas piscinas naturais formadas pelos arrecifes;

O que permite que pescadores exerçam seu ofício sozinhos e sem nenhum equipamento especial ou tecnologia, mantendo o mesmo estilo de vida de dezenas de milênios.

garcas-e-cavalo-no-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa– Cavalos e garças (mesma tomada em 2 escalas) convivem em harmonia no Centro de Santa Rita, Zona Oeste da Grande João Pessoa.

No mesmo local, do outro lado da rua, são os bovinos quem se refastelam com o verde prado paraibano;

– Bois pastando também em Bayeux, também na Z/O mas bem longe de onde onde está o cavalo (as fotos dos bois estão mais pro alto na matéria).garcas-e-cavalo-no-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa1

Isso pra vocês verem o quanto é frequente criar animais no meio da cidade em João Pessoa;

– Cabras igualmente são bichos urbanos por lá. Como é notório pra todos que conhecem a cultura nordestina, os caprinos são um “faz-de-tudo” no Sertão:

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Centro Velho de João Pessoa.

Fornecem comida, pele pra confecção de roupas, companhia e guarda das casas, e se preciso até meio de transporte de cargas.

Tendo 1001 utilidades, são o ‘bombril’ dos animais, substituindo suínos, bovinos, ovinos, caninos e por vezes até os asininos.

Vimos o mercado de Santa Rita. No Nordeste, os mercadões não se aburguesaram como no Centro-Sul, o povão ainda faz o rancho comprando alimentos a granel e animais vivos ali;mulher-se-protege-do-sol-j-pessoa

– Mulher se resguarda do Sol (dir.). E nem foi a única na Paraíba. A exata mesma cena já presenciada nas viagens a Belo Horizonte, Belém e República Domincana.

Vejo muito, nas cidades mais quentes, pessoas sob guarda-sóis, e são sempre Mulheres.

penha-entre-z-sul-e-leste-j-pessoa-pbNunca vi um Homem se protegendo dessa forma (talvez por nós usarmos bonés). Em João Pessoa isso se repetiu.

A capital paraibana é muito mais fresca que Belém, então vi muito menos gente se escondendo do Sol dessa forma.

Digamos que o calor de João Pessoa equivale ao de Belo Horizonte. Se o número de Mulheres abrigadas em guarda-sóis é o parâmetro, essa é a proporção exata;limpeza-centro-j-pessoa

– A imagem de Nossa Senhora da Penha (acima) guarda o bairro de mesmo nome, na orla da Zona Sul de João Pessoa, logo após a Ponta Seixas.

Um lugar bucólico, poucos carros, muitas árvores, tudo a poucos passos de praias deslumbrantes – já falo mais disso;

lixo-no-centro-j-pessoa– Acima e ao lado, uma equipe da prefeitura recolhe o lixo e entulho, bem no Centro. É tanto que precisaram usar um trator.

Não apenas ali, mas (abaixo) sujeira também no Cabo Branco, Zona Leste, a duas quadras do mar.

Eu disse que João Pessoa é relativamente limpa. De fato. Ainda assim, como todas as cidades, tem pontos muito sujos;lixo-na-rua-cabo-branco-z-l-j-pessoa

– Note na tomada em que aparece o caminhão mais um rapaz com uma camisa de futebol alvi-negra.

Como já comentamos antes, essas são as cores de dois dos times de maior torcida no estado, o Botafogo de João Pessoa e o Treze de Campina Grande;

ponta-seixas-z-l-j-pessoa1– Próximas 3: bairro da Ponta Seixas, uma quadra do mar:

A orla da Zona Leste é badalada, a da Zona Sul é pacata, em alguns pontos quase rural. A Praia da Ponta Seixas, que divide ambas, já é a transição.

Veja, algumas casas são muito elegantes, mas o bairro é calmo e arborizado, e ainda não foi de todo ocupado. Incluso algumas ruas ainda tem pavimentação natural. Não há trânsito ou qualquer tipo de comércio.bairro-ponta-seixas-j-pessoa

A poucos metros do mar, e a poucas centenas de metros do Cabo Branco e Altiplano, dois dos bairros mais ricos de J.P., não custa lembrar;

– Anoitece na Zona Sul de João Pessoa.

Vários dos bairros da região começaram como enormes conjuntos habitacionais que depois se consolidaram e mesmo alguns elevaram-se a classe média.

ponta-do-seixas-j-pessoa2O bairro do Geisel surgiu com a Cohab de prédios Conjunto Residencial Presidente Ernesto Geisel. Retratado na foto abaixo (se reparar com cuidado vê o nome dele escrito no muro).

Alias peço desculpe pelo enquadramento deficitário. É que essa imagem e várias outras tirei de dentro de veículos em movimento.

O gaúcho Geisel foi o penúltimo presidente do regime militar. Quem o sucedeu, e portanto enfim passou a faixa a um civil, foi o carioca João Figueiredo. Pois bem. João Figueiredo é filho de Euclides e Valentina Figueiredo cohab-geisel-j-pessoa-z-sul

– Não muito longe do bairro Ernesto Geisel, também na Zona Sul, há o bairro “Valentina” pros íntimos, mas cujo nome completo é Conjunto Valentina Figueiredo.

Valentina é o 2° bairro mais populoso de João Pessoa, e vizinho do 1°, que é Mangabeira,esse surgiu sobre uma fazenda em que se plantavam mangabas, como o nome indica.

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Próximas 4: Anoitece na Zona Sul.

Portanto os dois maiores bairros em população são emendados, configurando em conjunto a porção mais povoada da capital, disparado.

Alguns bairros homenageiam os generais-presidentes porque a urbanização da região começou justamente no fim do regime militar.

Além do Geisel e Valentina Figueiredo, bem pertinho na mesma Zona Sul há o Costa e Silva e Loteamento Presidente Médici.

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Geisel.

Em outra parte da cidade o campus da UFPB fica no Conjunto Castelo Branco.

Como ocorreu em diversas capitais, já no seu apagar das luzes, no encerramento de seu período no Palácio do Planalto os militares enfim investiram um pouco na área social:

Melhoraram a rede de transportes de diversas cidades (feito amplamente já comentado por mim em mensagens anteriores) e construiram cohabs.

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Próximas 2: Valentina.

Elas eram em locais ermos, fora da então mancha urbana prevalente, na época área rural que começou a se tornar urbana com a construção desse enormes conjuntos.

Assim, voltando especificamente a Paraíba, vários bairros da Zona Sul de João Pessoa surgiram nessa ocasião.

Outro que começou como conjunto e depois evoluiu a categoria de bairro independente, com toda a gama de serviços, é o ‘Funcionários’.conjunto-valentina-figueiredo-z-s-j-pessoa

Que certamente foi erguido pra ser um meio de moradia subsidiada a empregados no serviço público. Existe também o bairro Bancários, de origem análoga, mas específica pra servidores dos bancos.

De volta aos bairro ‘Funcionários’, Z/S de Jampa. Entre ele e o vizinho bairro do Grotão, está a favela Maria de Nazaré.

Como veem pelas legendas das imagens, estive em todos esses locais, e registrei como são.

– Fechamos a série como abrimos, com as praias lindíssimas que enfeitam a capital da Paraíba.

praia-da-ponta-seixas-j-pessoa1Aqui, mais uma vez a da Ponta Seixas, o ponto mais oriental da América, e que portanto recebe o primeiro raio de Sol em todo continente.

Com imagens como essas, nem há como dizer qualquer outra coisa.

Então só me resta despedir. Eis como vi a Paraíba. Do Miramar ao Miramangue, da Zona Leste a Zona Oeste, João Pessoa é assim.pescando-na-ponta-seixas-j-pessoa2

Que Deus ilumine toda a Humanidade.

Paz a todos.

Deus proverá”

Soteropolitano

cidade-baixaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 21 de janeiro de 2017

Os desenhos são inéditos.

as fotos são de um emeio que foi publicado em setembro de 2015.

Marília e Maurílio (e mais a filhinha deles) em Salvador, Bahia. Eles moram numa quitinete em cima de uma laje na última expansão da Cajazeiras. Já quase na divisa com Simões Filho. Se você conhece a capital da Bahia, sabe o que isso quer dizer.

De segunda a sexta Maurílio é motoqueiro, ganha a vida fazendo entregas. As vezes até faz bicos a noite numa pizzaria, na mesma função.

A direita vemos ele pilotando seu instrumento de trabalho, enfrentando o pesado trânsito da Avenida Suburbana.

E no domingo ele e a esposa foram passear no Centro, por isso a 1ª imagem mostra eles na Cidade Baixa, o famoso Elevador Lacerda ao fundo.

……..

Comentemos primeiro a cena em que está toda família: a menina ainda se alimenta dos peitos da mãe. Enquanto Marília amamenta, o maridão ‘papai fresco’ segura as bolsas, a do bebê e também a bolsa de Mulher da esposa, que é da Minnie e com bolinhas vermelhas.

caixa

Esse desenho não se relaciona com o texto. Marília trabalhando como caixa. Aqui, ela é de novo a típica representante do Sul do Brasil, loira natural. Com a camiseta de marca combinando com suas unhas laranjas. Fazer o que, se alguém tem que ser chique e elegante?

Ao lado eu mostro outra Marília, essa Sulista, cheia de charme. Pois bem. A Marília Nordestina também é sempre elegante. Ela não tem dinheiro pra comprar roupas de marca, na verdade nem mesmo se importa com isso.

Mas nem por isso ela é menos elegante. Veja, ela combinou o vestido com sua tatuagem pois ambos são floridos. E mais uma echarpe.Como na Bahia é muito quente pra usar no pescoço, ela amarrou na cintura.

Também fez a ‘mecha californiana‘, pras pontas de seu cabelo ficarem mais claras que a raiz.

Não tem jeito. Mesmo sendo uma dona-de-casa suburbana, Marília nunca deixa de ser charmosa. Tá no DNA dela….

Quanto a pequena princesa, mesmo quando deixar o berço ela terá que dormir por um bom tempo ainda no quarto dos pais.

É que a família aumentou mas o orçamento continua o mesmo. A casa deles é só a famosa ‘quarto-&-cozinha’. Há um pequeno banheiro, claro. Mas não há sala, lavanderia, quintal, garagem, e nenhum quarto extra. É preciso se adaptar a essa realidade.

Vamos aproveitar o busão (Busscar da Bahia Transportes Urbanos – B.T.U.) e mostrarmos algumas características da busologia baiana. Um dia farei uma mensagem onde ilustraremos com dezenas de fotos, mas por hora serve de aperitivo.

buzu

Busscar da BTU ainda na pintura livre.

Vou falar de um tempo que já se foi, da era pré-padronização de pintura e pré-letreiro eletrônico.  Num passado não muito distante, em Salvador, os ônibus tinham:

1) pintura livre; 2) entrada traseira e saída dianteira; 3) o letreiro menor, onde vinha o n° da linha, era vermelho.

Portanto não é porque esse ônibus é vermelho que o letreiro do número é da mesma cor, isso valia pra todas as empresas.

4) Quase todo o itinerário vinha no para-brisas, em épocas mais remotas pintado a mão com giz, e mais recentemente mais organizado numa grande placa ou adesivo. Nesse desenho pegamos a transição, há a placa mais organizada mas pra garantir escreveram ‘Paripe’ e ‘Lapa’ a mão.

E 5) existe uma letra (‘B’, nesse caso) também adesivada bem grande no vidro. Isso também ocorre em outras metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre-RS. É que nas grande avenidas passam dezenas de linhas de ônibus, então é preciso dividir elas por pontos diferentes:

a-familia-cresceu

Combinando o vestido com a tatuagem. Marília é sempre charmosa, mesmo com o orçamento apertado.

Algumas param no ponto ‘A’, outras no ‘B’, se tiver mesmo muitas abre-se o ‘C’ e mesmo a letra ‘D’ existe nos corredores mais carregados. As vezes são números, a função é a mesma.

Tem mais. Já que falamos da cor dos bichões da BTU. Essa foi uma das poucas viações que não adotou a “padronização branca” voluntária do começo desse milênio. 

Explico. Até o meio da década de 10, ainda era pintura livre na capital da Bahia, só padronizou oficialmente um pouco antes da Copa do Mundo-14.

No entanto, na década passada houve uma “padronização informal” na cor branca. A maioria das viações adotou uma pintura em que o branco era majoritário, embora houvesse detalhes em outras cores.

Foi voluntário, um acordo entre as viações talvez pra facilitar o remanejamento da frota entre elas. Não foi imposto pelo poder público. Logo, aderia quem quis. A maioria quis, e ficou sem cor em pelo menos metade do veículo (aqui vemos um exemplo da BarraMar).

Na época se comentava “em terra de gente negra, o ônibus é branco”. Bom, na África as vans de transporte coletivo são alvas, do outro lado do Oceano o mesmo espírito se manifestou na Boa Terra.

papai-maurilio

A família cresceu. Repito a imagem mas mudo o foco, dessa vez centro a câmera nele, pra gente ver melhor o sorriso de orelha-a-orelha de Maurílio quando está junto com as duas Mulheres de sua vida.

Pois bem. A BTU não quis participar, não aderiu a “padronização branca” informal. Seus busões continuaram multi-coloridos enquanto foi permitido por lei.

Agora, quando veio (pouco antes da Copa de futebol, como dito) a padronização ‘Integra Salvador’, aí a BTU entrou porque foi compulsória, importa pela prefeitura.

A ‘Integra’ também inverteu a entrada pra frente, em todas as viações obviamente.

…………………

Aqui acaba a parte inédita.

Pra encerrar enxerto um emeio publicado em 4 de setembro de 2015.

puxadinho no prédio: salvador também é (áfrica na) américa
salvador1

Perambués, Salvador.

Debatemos recentemente o fenômeno do “puxadinho no prédio” no Chile. E anteriormente na República Dominicana, apelidada “África na América”.

Veja bem. Não estou falando de puxadinho em casa, nem em “prédio artesanal” (‘subindo laje’), quando sobem um andar por vez. Isso existe em toda América Latina e boa parte de Ásia e África.

E sim quando há um prédio, legalmente construído, com alvará e tudo. E aí sem alvará alguém sobe mais um andar por conta – ou no caso chileno faz mais um cômodo suspenso. Isso eu só tinha visto nesses dois países.

Porém acabo de presenciar o mesmo em nossa Pátria Amada (via Google Mapas): bairro Perambués, periferia de Salvador da Bahia. Depois, indo pra outros bairros, constatei que a situação é a mesma na cidade inteira, ao menos na periferia. Veja que beleza!!! Salvador é América, óbvio. E como é. A própria essência Americana desdobrada na matéria.

salvador

Visto mais de perto.

Atualização de 2017: em julho de 2016, quase um ano depois do emeio acima, fui a Aparecida-SP. Lá também é comum adicionarem mais andares em prédios já prontos.

Embora no caso paulista como inclusive no Centro aí creio que a maioria dos prédios tem alvará pra reforma. Pode ser.

Mas a impressão é a mesma. Veja a matéria sobre a “Cidade da Fé”, fotografei a situação que relato acima. Deixando o interior paulista pra lá, vamos continuando pela Bahia. . . Pois o melhor estava por vir.

salvador-2Seguindo pela mesma rua em Perambués, olhe o que eu vi: pessoas andando sem nenhuma proteção na caçamba de caminhões. E não foi a única vez em Salvador que presencio isso. Exatamente como na África do Sul, República Dominicana, México e Colômbia. 

Ah, América querida. Por que você é assim???

“Deus proverá” 

A Devota

procissaoPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 9 de janeiro de 2017

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres.

Vamos mostrar, como o título indica, Marília como devota, expressando sua Fé.

Deus Pai e Mãe é Oni-Presente.

Portanto o espectro da forma de Devotá-lo(a) pode ser muito aberto.centro-de-umbanda

Tanto quanto é a heterogeneidade que os Homens e Mulheres manifestam pelo planeta, em todas as dimensões.

Por isso Marília nessa postagem terá diferentes raças.

Pra refletir um pouco essa ampla gama de venerar o Criador Deus Pai e Mãe.

Acima: Marília numa procissão a Santa Morte na Cidade do México.dentro-da-igreja

– A seguir: Marília num Centro de Umbanda, rendendo Homenagens aos Orixás.

E também Marília dentro de uma Igreja Cristã, no Sul do Brasil.

………….

Apesar que são auto-explicativas, comentemos um pouco o que cada imagem representa.

Comecemos por essa que está a direita.

igrejaMarília foi rezar na Igreja-Matriz de São Bento do Sul, Santa Catarina.

Fiz dois desenhos, um pra mostrar a parte externa do templo.

E depois a Devota Marília dentro dele.

……….

Esses dias pus na página um desenho em que Marília é avó, e se encanta com seu netinho recém-nascido nos braços.marilia-bisavo

Pois bem. Essa Marília do retrato de hoje já é bisavó.

Viúva, seu Amado Maurílio já retornou pro Outro Lado há alguns anos.

Ela necessita até de um porretinho (bengala) pra ajudá-la a caminhar.

Mas Marília continua vaidosa: pinta as unhas, usa bijuteria, e até uma saia na altura dos joelhos – curtíssima pra uma senhora na sua idade!

a-devota-india

Claro que ela aceita a velhice, e não tenta parecer jovem, tanto que os cablos são naturalmente brancos. Apenas ela gosta, sempre gostou, de se produzir.

Ela não se arruma pra que outras pessoas, os Homens, a vejam. Se enfeita assim pra ela mesma, porque ela se sente bem.

Marília é vaidosa desde o berço, desde que sua bicicleta ainda tinha rodinhas, e enquanto Deus a manter na matéria, assim ela prosseguirá.

………..

Falemos um pouco mais da Marília Mexicana, que cultua a Santa Morte.

Certamente é estranha pra nós brasileiros essa forma de ter Fé, e foi esse o choque que eu tive quando vi esqueletos nos altares do México.santa-morte

Mas na América Central, o que inclui o México – se considerarmos a geografia humana, e não a física – é absolutamente normal cultuar a Santa Morte.

Tudo é uma questão de ponto de vista. Fiz uma matéria que analisa e ilustra em detalhes a situação.

É simples a explicação. Na Índia há o culto a “Deusa Negra” Kali. Oras, como se sabe, os Americanos Nativos vieram da Ásia.

Na classe média, os Latino-Americanos se creem europeus (ou ianques, o que dá no mesmo).

a-devota-negraMas o povão Hispano-Americano é muito mais asiático que europeu. Muito mais, incluso na aparência. E também no modo de vida.

Oras, quando Santa Morte ressurgiu entre os Aztecas (depois sincretizado com o catolicismo, embora o Vaticano não aprove) eles simplesmente estão fazendo o que seus antepassados faziam na Índia, milênios atrás.

………

Em mais uma Homenagem a Mama-África, agora a Marília Umbandista. 

Em seu vestido branco, e seus colares e guias. Seu cabelo esvoaçando. No culto a Iemanjá e demais Orixás do Panteão.batucando-tambor

E não nos esqueçamos de Maurílio tocando o tambor, parte fundamental dos cultos afro-brasileiros.

………

Nomeei a imagem da Marília segurando o Altar de Santa Morte como “Índia”.

Tem um duplo sentido. Tanto Santa Morte é Kali metamorfoseada, e Kali veio da Índia. Como também é Índia de indígena, Americana Nativa.

E a Umbandista pus como “Negra”. Como todos sabem, a Umbanda tem como fonte o Candomblé, que é originário do Golfo da Guiné, África. Daí o nome das Entidades ser em Iorubá, a língua falada na Nigéria.

lata d'água cabeça Marília negra depilada lenço regata azul colar corrente pingente cruz crucifixo petrobrásJá a Cristã é caucasiana, do Sul do Brasil.

Falei em termos arquétipos, simbólicos. Nossa Querida América é um caldeirão de raças e culturas (Ásia + África + Europa + Americanos Nativos, tudo está aqui), e obviamente a religião de alguém não é determinada pela sua raça física.

Daí o Maurílio que batuca o instrumento musical no Centro de Umbanda ser branco de olhos verdes. Alias, aqui em Curitiba, a imensa maioria dos Umbandistas são fisicamente brancos, posto que nossa cidade é majoritariamente branca.

Acima, uma Marília negra e cristã. Carregando uma lata na cabeça. Esse retrato tem sua própria mensagem, abra pra você ver ela de corpo inteiro. camponesa marília morena lenço cabeça cabelos regata laranja crucifixo cruz corrente pingente colar sem maquiagem

Entre a categoria ‘Desenhos’ é a 3ª postagem mais acessada.

Ao lado uma Marília também branca mas não normanda (norte-europeia), uma camponesa humilde. Morena, um tipo bem latino. Novamente com o crucifixo no pescoço. 

Igualmente essa gravura tem sua própria postagem, ela está segurando seu filho recém-nascido nos braços.

Deus proverá” – Sendo Oni-Presente, Ele-Ela pode ser Cultuado(a) pela forma que nos for mais familiar.

a Mulher do Sul

a-fazendeira

A Fazendeira.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 2 de janeiro de 2017

Vamos Abrir os Trabalhos do ano de 17. Dois desenhos inéditos e uma sequência que seguiu (por emeio) em 2014.

Começo pelos dois desenhos inéditos, produzidos portanto em janeiro de 2017.

Novamente vemos uma encarnação anterior de Marília: ela era fazendeira – falando mais apropriadamente, era esposa de um grande fazendeiro. Além da propriedade rural no interior, seu marido era também um ‘barão’.

Ele era um Homem importante igualmente na cidade, ocupando o cargo de  senador ou algo assim, um coronel ou caudilho influente na política regional. E eles viviam, junto com os filhos, numa fazenda cujo casarão principal era um sobrado de madeira, retratado acima.

prontinha-pra-sair

Pronta pra sair, Marília parece uma bonequinha. Com esse vestido cheio de rendas e babados, amarelo e laranja com os laços e fitas em rosa. E mais a sombrinha, pra não ficar ensopada de suor com tantas camadas de roupa. As luvas alvas são um charme a parte.

Obviamente há uma influência alemã na arquitetura, pois eles moravam no Sul do Brasil.

Não veja com as lentes de hoje, em que a madeira só é comum na periferia, e mesmo ali já se extinguiu em boa parte do país.

Mais de um século atrás, uma residência em matéria-prima vegetal podia ser de alto padrão, especialmente se fosse de 2 andares, como é o caso aqui.

A Casa-Grande da fazenda em que viviam Marília e sua família lembra um pouco as que existem até hoje no Leste Europeu.

De volta ao Brasil, eu já desenhei uma Marília camponesa, mas aquela não era rica e de família influente.

Essa daqui, ao contrário, era da elite rural do Brasil do começo do século 20. Ela está preparada pra ir acompanhar seu marido a cidade.

Também já desenhei Marília e suas 2 irmãs adolescentes crescendo numa casa de madeira no interior do Sul do Brasil. Quem sabe as 3 meninas são as netas dessa Marília fazendeira que vemos hoje, né?

no coração do brasil: goiânia, goiás

transurbAinda na ‘Máquina do Tempo‘, mas agora vamos avançar rapidamente pro fim do século 20:

Maurílio em frente um saudoso Monobloco. Da não menos saudosa Transurb. Se tudo fosse pouco, na super-clássica padronização ‘das Flechas’.

É claro que só poderemos estar em Goiânia, do fim dos anos 70 ao começo dos 90. goiania-goias

Maurílio esteve em Brasília-DF, esses dias. Aproveitando que é ali do lado, ele também passou em Goiás.

A linha vai pro Jardim Curitiba. Achei curioso estar do outro lado do Brasil e ver um bairro homenageando a cidade que eu moro.

usando-o-secadorVoltando a Goiânia, o Jd. Curitiba é um bairro de periferia no que lá eles chamam de ‘Zona Noroeste’. Mas eu diria que é Zona Norte.

Como eu expliquei na postagem sobre BH-MG, respeito os costumes nativos mas eu só divido as cidades em Zonas Central, Leste, Sul, Oeste e Norte.

…………..

Vamos agora abrir o baú do arquivo.

Reproduzo uma HQ que foi publicada em emeio em 20 de agosto de 2014.

a “guerra dos sexos”:

os homens não entendem a ‘via sacra feminina’

Maurílio e Marília vão sair juntos. uma-hora-cuidando-de-cabelo-haja-paciencia

Ele tomou banho, fez a barba e pegou a 1ª camiseta que estava mais por cima do armário.

Tempo que Maurílio levou pra se arrumar, tudo somado: aproximadamente 15 minutos.

Marília leva mais tempo pra se arrumar.

oh-duvida-cruelBeeeeeem mais tempo.

É isso que vamos ver agora.

Acima da manchete nós já observamos ela usando o secador.

Pois hoje é ‘dia de lavar o cabelo’.

Pra conversa começar:de-preto-por-baixo-violeta-por-cima

Maurílio nem sequer desconfia que ela, e a maioria das Mulheres, tem uma escala, em que dias lava, em que dias não.

Depois, a direita acima, é hora de pentear o cabelo.

Enquanto faz isso Marília prossegue em sua ‘Filosofia Feminina‘.

Só no banho e cuidar do cabelo já se foi quase uma hora.

raspando-minhas-pernasEnquanto isso, Maurílio ouve música na sala, bem sossegado….

Depois  ela vai escolher o vestido:

“Óh, meu Deus, que dúvida crueeeeeeelllll“.

Mas ao se ver no espelho, ela não teve dúvidas que seria o violeta.

Até porque ela já está de preto por baixo. raspando-os-bracos-e-acalmando-ele

Mas isso ele só vai descobrir na volta!!!

………..

Pronto, pelo menos ela já está vestida.

batom-bem-vermelho-que-hoje-eu-vou-ar-ra-sarMas ainda vem aquela que pra muitas Mulheres é a mais chata das ‘tarefas femininas’:

A depilação.

Com cuidado, Marília raspa as pernas e depois o braço.

E é chata mesmo.

Tanto que no inverno Marília se depila menos, como todas as garotas. abram-alas-la-vou-eu

Mas agora está quente.

Assim ela está ali, resignada, de gilete na mão.

Foi aí que, inadvertidamente, Maurílio cutucou a onça com a vara, curta, apressando-a.

Pra quê? Ela ficou mesmo uma fera.

E deu uns gritos pra ele se acalmar.

me-exibindo-pra-meu-maridinho“Haja Amor!!!”

Foi o que ela pôde pensar, de forma irônica.

A seguir ela passou batom.

E ‘voilá’:

Enfim taí Marília enfim pronta, de vestido tubinho e botas.maos-dadas-final-feliz

…………

Tempo total pra chegar nesse ponto: aproximadamente 2 horas.

Portanto 8 vezes mais que seu marido.

E por falar nele:

Aí Marília desceu as escadas pra encontrá-lo.

E exibiu o resultado de tanto esforço.

vestida-pra-matarOu seja, ela mesma, toda arrumada, pronta pra sair.

Perguntou se valeu a pena esperar.

Ele respondeu.

Lógico que sim, querida.

Valeu cada minuto, você está deslumbrante.”

Ainda fez uma auto-crítica:

“Desculpe ter te apressado.olhares-que-se-cruzam

É fato, os Homens ainda têm que caminhar muito pra Entender o Universo Feminino”.

………

Final Feliz.

Isso que é Amor Maior, não? E dessa vez sem ironias.

“Deus proverá”

até Bayeux (Z/O de João Pessoa) tem “metrô”

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Subúrbio ferroviário na Zona Oeste da Grande João Pessoa.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 22 de setembro de 2013

………

Segue a série sobre João Pessoa.

Hoje, entre outros temas, falaremos um pouco sobre o futebol no estado da Paraíba.

E também mais sobre a rede de transportes da capital.

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Num cais improvisado, barqueiro faz a travessia do rio no Centro de Santa Rita (subúrbio metropolitano da Z/O).

Na primeira mensagem da série mostramos como é o sistema de ônibus atual.

Na segunda demos uma palhinha sobre a Setusa, estatal estadual frota pública que exsitiu nos anos 80 e 90.

Agora vamos pro modal ferroviário: a cidade conta com uma linha de trem suburbano.

Que liga a Zona Oeste a Zona Norte passando pelo Centro. Mas é bem precário.

Pois o ramal é compartilhado com carga, não atende a orla da Zona Leste, que é a parte rica e portanto o polo de empregos, e os intervalo entre os trens é de 1h20min.

1-predio-de-s-rita-z-o-j-pessoa

Nem tudo em S. Rita é precário. Quando estive lá, estava em obras o 1º prédio alto do município, de classe média, bem no Centro.

Ou seja, só há uma composição operando (bem pequena, tem uns 5 vagões), o mesmo trem vai e volta, não há outro.

A única vantagem é que irrisoriamente barato, apenas R$ 0,50 (os valores são sempre de setembro de 2013, quando estive lá).

Isso mesmo, por cinquenta centavos você pode cruzar toda a cidade.

Se fosse de ônibus, gastaria mais de 10 vezes esse valor.

Veja as fotos: logo acima da manchete o trem chegando na estação-terminal (ponto final) do subúrbio metropolitano de Santa Rita, Zona Oeste

r-050-tarifa-do-trem-suburbano-j-pessoa

Cruzar toda cidade por R$ 0,50??? Sim, cinquenta centavos!!!! Parece piada mas é verdade. Isso é João Pessoa.

É uma locomotiva a dísel, incomparavelmente mais lento e mais poluente.

E isso tanto em termos sonoros quanto de fumaça. Perde feio pros modelos elétricos que existem nas capitais com sistema de transporte mais avançado.

Por exemplo, veja nessa postagem o trem suburbano de Belo Horizonte, que visitei uns meses antes. Também foi feito sobre uma linha de trem de carga.

Porém em Minas a linha foi triplicada, ou seja, há duas linhas pro sistema de passageiros e mais uma pra carga, assim não há compartilhamento.

trem-estacao-centralResultando que em BH o trem suburbano opera no mesmo nível de um metrô.

Voltemos a Paraíba. Lá, a situação é bem diferente, como estou relatando e é notório.

Observe ao lado a Estação Central, no Centro de João Pessoa. 

trem-a-disel-joao-pessoa-s-rita-z-o

Próximas 2: Centro de Santa Rita, aqui a Estação e depois uma panorâmica.

Na verdade, o bairro ali se chama Varadouro.

Em João Pessoa, há um bairro chamado “Centro” mesmo, vizinho ao Varadouro. Ambos juntos formam o Centrão da cidade.

Tanto que a Estação João Pessoa (ou seja a Central) do trem, e também o Terminal Central dos ônibus urbanos e igualmente a Rodoviária estão já no Varadouro.

Que na letra fria da lei é outro bairro, mas na prática o Varadouro e o Centrão são gêmeos siameses, inseparáveis, pois são em conjunto o coração da cidade.

santa-rita-z-oeste-gde-j-pessoa5Voltando a foto da Estação Central de trem um pouco mais acima a esquerda, vejam que bem no meio há um rapaz com uma camisa de futebol, alvi-negra.

Provavelmente é de um time da Paraíba mesmo, dois dos times com maior torcida do estado são alvi-negros. Falo mais disso abaixo.trem-parte-interna-j-pessoa

Por hora, nos fixemos no transporte. Ao lado o interior do velho trem.

É possível passar de um vagão pra outro. Nesse caso a porta está fechada porque é o último vagão.

estacao-s-rita-z-o-j-pessoaFaço essa observação porque na maioria das composições do metrô e trem de SP, por exemplo, não é possível passar de um vagão pra outro, exceto nos mais novos como na linha amarela.

Bem, em João Pessoa a composição é aberta internamente e é possível transitar por toda ela, de ponta-a-ponta. Alguns bancos estão quebrados.

manaira-z-leste-j-pessoa1

Manaíra, Zona Leste.

As janelas são gradeadas, talvez pra dificultar o trabalho dos vendedores ambulantes.

Vejam numa tomada um pouco mais pra cima na página a bilheteria, com a valor quase simbólico ali afixado.

A esquerda acima a Estação S. Rita, vista por fora.

Em 2011 andei de trem em Fortaleza e paguei R$ 1,00. Já achei barato.

Curiosamente no Ceará igualmente pra um subúrbio metropolitano da Zona Oeste, Caucaia nesse caso  – breve jogo também essa série no ar.

fim-de-tarde-cabedelo-z-n-gde-j-pessoa

Cabedelo, Zona Norte.

Dois anos depois, em João Pessoa é metade do que já era naquela época em Fortaleza.

Fui de ônibus do Centro da capital ao Centro de Santa Rita, nos confins da Z/O. A tarifa foi R$ 2,65 (set.13).

E voltei de trem, desembolsando R$ 0,50, menos de 20% do valor.

Você imagina isso, você pagar com uma moeda, e ainda receber outra de troco?

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Famosa trincheira do Centrão de Jampa. Dentro dela estava pichado “Volta, Setusa“.

Eu embarquei em Santa Rita e desci no Varadouro, no Centrão de João Pessoa.

Mas poderia ter seguido viagem até a Zona Norte, em Cabedelo.

E se alguém for de ônibus de Santa Rita a Cabedelo, terá que baldear e pagar as duas tarifas cheias.

Somando tudo mais de R$ 5,00, dez vezes o preço do trem, repetindo.

Ser barato é a única vantagem do trem joão-pessoense. Porque há poucos horários: intervalo de 80 minutos entre as viagens.

Ademais, não opera sábado a tarde nem domingo o dia inteiro. É barulhento e mal conservado. E o principal, não atinge a parte da cidade que tem mais empregos, a orla da Zona Leste.

periferia-j-pessoa-s-rita-z-o

Em Santa Rita, Z/O da Gde. J. Pessoa, a periferia típica do Nordeste: casa térrea, sem muro, de alvenaria, e sem laje. Similar a periferia de Belém-PA, e embora a periferia do Sul seja bem distinta, também num lugar chamado S. Rita (Tatuquara, Z/S de Curitiba) fotografei uma Cohab muito parecida.

Tanto que uma moça lá falou que “João Pessoa não tem trem, na verdade. Tem um trem que liga Cabedelo a Santa Rita, mas nem passa em João Pessoa”.

Isso porque o Centro é longe da praia. Nos séculos pioneiros de sua fundação a orla era um ponto distante, onde os ricos iam passar férias (já falamos mais disso).

Então obviamente o Centro era mesmo o centro não apenas político mas também cultural, econômico e mesmo populacional da cidade.

Já no século 20 e muito mais no 21, no entanto, o eixo gravitacional de João Pessoa definitivamente se inclinou pra beira-mar.

O Centro é quem, inversamente, se tornou uma parte distante e esquecida da cidade, e segundo alguns, emocionalmente já nem mais faz parte dela.

centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa2

Centro de Santa Rita, Viação Sonho Dourado. Tá bom pra ti?

Talvez a menina tenha carregado nas tintas ao praticamente vetar o Centro como sendo parte da cidade – afinal é a gênese da mesma!!! – mas de fato ela está correta:

Na configuração que está o trem ajuda pouco mesmo pro transporte de massas, pois ele não leva as pessoas pra onde a maioria delas precisa ir.

Teria que haver alguma conexão com as praias da Zona Leste. As praias da Zona Norte ele atende, vem paralelo a beira-mar, poucas quadras da areia.

Mas a Zona Norte ainda não é tão desenvolvida. Digo, de uns anos pra cá, houve grande surto de progresso na região:

manaira-z-leste-j-pessoa2

Próximas 2: Manaíra, Zona Leste. Explosão de arranha-céus, muito luxo e riqueza.

As praias do Bessa (município de João Pessoa) e as vizinhas Intermares, Poço e Camboinhas, já em Cabedelo, começam a ver prédios altos sendo erguidos.

Esses bairros estão sendo transformados em classe média e média-alta. E eles são servidas pelo trem.

Mas ainda estão a anos-luz de Manaíra, Tambaú e Cabo Branco, onde não há a opção de vir pelos trilhos.

Inauguraram recentemente o Terminal de ônibus do Bessa, que inclusive integra algumas linhas metropolitanas. manaira-z-leste-j-pessoa3

Foi um avanço, sem dúvidas.

Mas é preciso fazer mais. É preciso que do Terminal do Bessa saia uma linha pra estação de trem, que é próxima. 

E que, uma vez o Bessa estando integrado com o trem, desse mesmo terminal exista outra linha, servida por articulados, que vá pela beira-mar, cortando toda a parte rica de João Pessoa. 

favela-bairro-dos-ipes-z-l-j-pessoa3

Mas logo ao lado está a favela do Bairro dos Ipês. Quando chove alaga tudo…

O que propus é simples de ser implementado, com custo zero, não exige nenhuma adaptação nas vias, é só querer.

Porque aí sim o trem seria muito utilizado. Já que agora como está é como se “nem passasse por João Pessoa”, como a moça bem resumiu o espírito prático da questão.

…………

Um subúrbio metropolitano da capital paraibana, na Zona Oeste, chama-se Bayeux.

Pronuncia-se ‘Baiê’. É um nome francês, há uma cidade com a mesma denominação na França. Segundo os moradores locais, “a Paraíba tem um charme europeu”. É mole?

zona-oeste-j-pessoaCuriosidades linguísticas a parte, o subúrbio da Zona Oeste é a parte pobre e esquecida de João Pessoa, que ainda aguarda a chegada do progresso.

Veja na foto ao lado uma favela da região. É a imagem em outra escala da mesma foto que já foi posicionada mais pra cima na página.

Pra que notem tanto o contexto quanto os detalhes: as casas são bem humildes mesmo, muitas senão a maioria ainda sem automóveis.

Lá na Paraíba um médico, que desenvolveu um trabalho social com os desvalidos e portanto conhece as partes pobres de João Pessoa a fundo, estranhou meu interesse.

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Dentro da água na Praia do Cabo Branco. Na sequência a linha de prédios do Tambaú e depois Manaíra.

Não compreendia porque eu sairia daqui do Sul do país pra fazer um turismo exótico nas favelas da sua terra. Ele disse: “as favelas são sempre parecidas, em qualquer parte do país”.

Respondi: “nada disso. As favelas do Nordeste são completamente diferentes das do Sul, e as do Sudeste igualmente são diferentes de ambas”.

Vamos aqui então comparar as favelas dessas 3 partes do Brasil, lembrando que em Salvador-BA é igual ao Sudeste mesmo estando fisicamente no Nordeste.

E Curitiba é o ‘portal’ entre o Sul e Sudeste, mescla característica de ambas regiões.

As favelas do Nordeste são compostas por casas térreas, de alvenaria, de telha de barro e a densidade é alta, uma residência emendada na outra.

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Outra praia chique, a de Manaíra.

As pessoas, em sua maioria, não possuem automóveis. As portas saem direto na via pública.

As favelas do Sudeste, por sua vez, são formadas por sobrados – que cresceram tanto, até o quarto e quinto andar, que já viraram prédios artesanais.

Assim, óbvio que as moradias nas favelas do Rio, SP e BH, além de Salvador, são de alvenaria (até os anos 60 eram de madeira, mas não mais a muito).

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Centrão de J. Pessoa. Casas pobres típicas do Nordeste brasileiro: minúsculas, de alvenaria, geminadas, porta pra rua (como também é no Chile e Argentina) e sem garagem, óbvio. Apenas nessa imagem estamos vendo 9 moradias, é isso mesmo, cada porta é uma casa independente, o varal é compartilhado.

E cobertas por eternit, e a densidade igualmente é alta. Sempre que possível, há muros separando o terreno da via pública.

Ainda falando das favelas do Sudeste, boa parte das casas hoje em dia têm carros, mesmo nas regiões mais pobres.

Ou seja, as favelas do Sudeste e Nordeste tem 2 pontos em comum (alvenaria e alta densidade) e 4 diferentes (no Nordeste exceto a Bahia há menos lajes, eternit, carros e muros).

Quanto ao Sul, em Curitiba as favelas e periferias se tornaram realmente muito parecidas com as do Sudeste, como já dito. Isso no município de Curitiba mesmo.

Nos subúrbios mais distantes da região metropolitana a coisa mudou menos, se vê a pobreza típica do Sul do Brasil. Ainda se parece com o interior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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No chão do mesmo local da foto a esquerda (repare a mesma casa verde-clara): lixo e esgoto a céu aberto, e em pleno Centro, não custa nada enfatizar.

E como é a periferia do Sul? As favelas são formadas por casas térreas, a maioria de madeira, cobertas por eternit.

A densidade é baixa, ou seja, muitas moradias tem quintais por serem afastadas umas das outras. E quando há quintal geralmente há uma cerquinha de madeira.

O índice de penetração dos automóveis é menor que em Curitiba e no Sudeste, mas maior que no Nordeste. 

As favelas do Sul são muito diferentes das do Nordeste em 4 quesitos:

Aqui predomina a madeira, a densidade é mais baixa, há mais automóveis e o morador cerca seu terreno, mesmo que improvisadamente.

Em comum entre Sul e Nordeste o fato que as casas só tem um único andar, a laje não invadiu com tanta força.

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Mesma esquina, Centro Velho de J. Pessoa.

Mais uma vez ressaltando que Curitiba ainda lembra um pouco o Sul nessa dimensão, mas também lembra muito o Sudeste.

Já as favelas do Sul e Sudeste têm 3 pontos que são diferentes (aqui há menos lajes e menos densidade, mas muito mais madeira).

E um em comum, e compartilham a característica de ter suas casas cobertas em eternit. As favelas do Sul tem menos carros que as do Sudeste, mas muito mais que as do Nordeste.

 Tudo isto posto, deixemos essa comparação teórica pra lé e voltemos a falar do que observei em campo, na Paraíba.

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Ainda no Centro Velho da capital, eis minha versão dessa tomada super-clássica.

Descrevo o município de Santa Rita, seu Centro e alguns bairros populares.

Em algumas partes, bastante lixo e esgoto a céu aberto, realidade que se repete em outras partes da Gde. J. Pessoa, bem como em diversas outras cidades pelo Brasil e América. 

Na periferia de João Pessoa ainda há casas de taipa, também chamada pau-a-pique. E muito mais no interior da Paraíba (que eu pude conhecer um pouco, numa breve viagem pelo litoral).

Pra quem não sabe como é, trata-se de um modelo de construção empírico do povão, que não utiliza tijolo, ripas de madeira nem cimento.

As moradias são feitas de barro seco, sustentando por galhos de árvores entrelaçados. Como a chuva vai levando partes da parede, é preciso sempre estar refazendo. Por isso mesmo, a existência desse tipo de moradia demonstra que o bairro é carente de recursos.

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Outro Super-Clássico: o Parque da Lagoa Solón de Lucena, no Centro.

Fortaleza e Belém são cidades em que a periferia é bem depauperada, comparadas ao Centro-Sul. E mesmo assim Fortaleza e Belém não têm mais casas de pau-a-pique.

Um dia tiveram, mas já foram substituídas todas por alvenaria, e no caso de Belém também madeira.

Entretanto, João Pessoa, e mais ainda as cidades do interior da Paraíba, isso ainda é relativamente frequente, vi várias. Em São Luiz-MA, também.

………..

João Pessoa começou num altiplano a 7 km da orla. No século 16 e até o século 19 não existiam carros, resultando que era relativamente distante.

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Manaíra, ao fundo aquele famoso hotel redondo em Tambaú, outro ícone de Jampa.

Os ricos começaram então a erguer casas de veraneio a beira-mar.

De segunda a sexta, moravam no atual Centro de João Pessoa.

E nos fins-de-semana iam pras suas casas de praia, em Manaíra, Tambaú e Cabo Branco.

Por isso a região foi ganhando contornos aristocráticos: os pobres se empilhavam nos cortiços no Centrão, e passavam bem longe da orla.

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Agora sim, eis o Centro de Santa Rita.

Quando o automóvel foi se popularizando, na primeira metade do século 20 e muito mais na segunda metade, as pessoas passaram a fixar residência permanente na orla.

E a ir trabalhar no Centro diariamente. Isso fez surgir a divisão espacial da cidade, sua porção dourada sendo o litoral da Zona Leste.

As Zonas Norte e Sul, mesmo ambas tendo praia, e a Zona Oeste, distante de mar, ficaram esquecidas, a orla da Zona Sul foi pouco ocupada, sendo ainda meio rural.

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Bayeux, também Zona Oeste.

E assim ficou por algumas décadas, quando a Paraíba não oferecia muitos empregos, os paraibanos emigravam pro Sudeste, Norte, Centro-Oeste e mesmo outros estados do Nordeste:

Quando fui a Fortaleza, constatei que há bastante paraibanos por lá, além de piauienses e maranhenses.

A Paraíba não tinha indústrias, e mesmo o ramo do turismo era muito mais fraco que nas “primas ricas” Recife, Salvador e Fortaleza.

Portanto havia grande êxodo, e boa parte dos que ficavam viviam mal, na verdade sobreviviam.

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Próximas 2: Varadouro, bairro que faz parte do Centro de João Pessoa.

Aí veio a virada do milênio, e mesmo que muito longe do ritmo necessário, ao menos uma lufada de progresso soprou, chegou a vez da periferia.

Foi então que a Paraíba deu grande salto evolutivo, e passou a criar empregos.

Veja quantos arranha-céus estão sendo feito simultaneamente em João Pessoa, e imagine quanto milhares de empregos com carteira assinada essa explosão gera.

Resultando que mesmo paraibanos e seus descendentes que viviam no Sudeste estão retornando. varadouro-centro-velho-j-pessoa1

Conversamos um pouco com o cobrador de ônibus em João Pessoa. Ele nasceu ali mesmo.

Quando tinha 3 anos, seus pais se mudaram pra Guaianazes, bairro na extremidade da Zona Leste de São Paulo, onde eu já estive também.

E na capital paulista ele se criou e teve o início de sua vida adulta, chegando a ter alguns empregos.

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Próximas 9: Centro de Santa Rita, alguns retratos que tirei na minha volta por lá.

Com 20 e poucos anos, ele decidiu retornar a João Pessoa, e deu certo, está empregado com carteira assinada.

Agora, ele deve ter um salário por volta de R$ 800 (set.2013).

É aqui que quero chegar: tenha em mente que a recuperação da Paraíba é notável, sem dúvidas.

Ainda assim, relativa. A Paraíba era absolutamente miserável, de certa forma ainda é, por isso as casas de taipa.

Comparado com o que era, melhorou muito. Antes, não haviam empregos estáveis com carteira assinada por lá, mesmo pagando poucosanta-rita-z-oeste-gde-j-pessoa4.

Era sub-emprego pra grande maioria. Atualmente empregos na faixa de R$ 700 a 900 há aos montes.

Mas acima de R$ 1.000, a situação muda muito, ainda são bem raros (lembre-se, os valores são sempre os de 2013).

Isso porque a Paraíba continua pouco industrializada.

s-rita-z-o-gde-j-pessoa-lixo-e-esgoto-a-ceu-abertoPernambuco e Bahia deram um salto notável nesse campo, em todos os ramos:

Automobilístico, metal-mecânico, químico/produtos de limpeza, alimentício, vestuário, logística pra transportes, etc.

No Ceará, esse salto não foi tão generalizado, mas no setor têxtil/calçadista foi pronunciado.santa-rita-z-oeste-gde-j-pessoa

A Paraíba, entretanto, ainda não se industrializou. Muitos empregos estão sendo criados em João Pessoa. Mas o que paga melhor é a construção civil.

O resto é o setor de serviços (comércio, turismo) e centros de chamada pras empresas que fazem vendas por telefone.

s-rita-z-o-gde-j-pessoa-esgoto-a-ceu-abertoNotoriamente a renda dos trabalhadores desses ramos de atividade é mais baixa que na indústria.

Quem sabe isso começa a mudar, e a Paraíba comece a se industrializar.

Como disse, fui ao Litoral Sul da Paraíba, na divisa com Pernambuco. Voltei a João Pessoa pela BR-101.centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa4

(A mesma que liga as duas principais cidades de Santa Catarina, Joinville a capital Florianópolis, corta o Brasil do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.)

Voltemos ao Nordeste. A BR-101 liga Recife a João Pessoa. Passei pelo trecho sul-paraibano dela, da divisa com Pernambuco até a capital estadual.

centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa1Foi duplicado pelo exército brasileiro, um projeto bacana, que desenvolveu muito a região e certamente teve custo mais baixo que se fosse feito pelas empreiteiras.

E isso puxou desenvolvimento, realmente. Já dentro de João Pessoa, na Zona Sul, surgiu um grande Distrito Industrial.

Diversos barracões novos estão ali, e muitos outros estão sendo erguidos, gerando um círculo virtuoso.centro-velho-j-pessoa

Ressalto que minha viagem se deu antes da Copa do Mundo de 2014, quando o Brasil ainda vivia os últimos espasmos de um ciclo de prosperidade.

De lá pra cá não sei como está a nascente expansão industrial paraibana.

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Aqui fechamos a sequência de Santa Rita. Tenho que dizer, as vezes na periferia de J. Pessoa há muito lixo na rua.

Seja como for, quando estive lá ela dava seus primeiros passos.

Assim, quem sabe no futuro a Paraíba será mais industrializada.

Por hora, isso ainda está em semente.

Mas mesmo o avanço nos setores de turismo, construção e serviços já mudou João Pessoa.

Tanto que a riqueza não se circunscreve mais a Zona Leste. 

A Zona Norte, que também é a beira-mar, foi a primeira a se beneficiar dessa expansão:cabedelo-zona-norte-gde-j-pessoa

Ali também vem surgindo prédios e os bairros vem mudando de pacatos pra um perfil de classe média-alta.

A partir dessa a direita, e nas próximas 2 tomadas, vamos ver exatamente Cabedelo, na Zona Norte.

Que vem adquirindo um perfil mais burguês, ao menos na orla.

cabedelo-zona-norte-gde-j-pessoa1A orla da Zona Sul, que fora deixada quase intocada, agora está sendo urbanizada.

E isso tem um lado bom e um ruim, como já comentei em outra mensagem.

O subúrbio da Zona Sul, que não tem mar, também melhorou bastante.cabedelo-zona-norte-gde-j-pessoa2

E vê surgir vários prédios, esses ainda baixos, mas que são bem simbólicos da metamorfose da região.

Entretanto, a Zona Oeste, dizendo mais uma vez, ainda aguarda sua vez nessa esteira de progresso.

Ali ainda se concentram, perto da linha do trem, grandes bolsões de miséria. Com mais uma onda de desenvolvimento, essa realidade irá mudar: 

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Aqui e a direita: ‘comunidade’ (ou ‘favela’, se preferir) do Bairro dos Ipês, Z/L, ao lado da opulência de Manaíra.

Podem ver pela foto que o subúrbio metropolitano de Santa Rita, na extremidade da Zona Oeste, breve terá seu primeiro edifício alto, com elevador. Mas por enquanto ainda é assim.

Selecionei fotos que mostram esse momento de contraste.

Já vimos mais pra cima na página justamente ainda em obras o primeiro prédio chique de Santa Rita.

O que demonstra que o município começa a ter uma ‘massa crítica’ de classe média pra esse tipo de empreendimento.

Mas duas quadras dali está a casa retratada que também já posicionei mais pro alto na matéria: favela-bairro-dos-ipes-z-l-j-pessoa

Sem muro, em que a família primeiro sobrevive e depois consome.

Resumindo, galera, assim é a Zona Oeste de ‘Jampa’. Que aguarda que essa mandala gire, e a vez dela chegue.

Uma parte distante, violenta e ainda com muito por fazer.

Mas que já tem um sistema de trem a servi-la. Bastante precário? Certamente.

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No Centro de S. Rita, um riacho poluído. Como eu já fotografei no Paraguai, México, e aqui em Curitiba vários, no Boqueirão (2 vezes) e também em pleno Jardim Social.

Melhor que nada. E, repito, o custo é só R$ 0,50. Por estar longe do ideal, não dá pra dizer que é metrô de fato, e por isso entre aspas:

Até Bayeux tem “metrô”…. Definitivamente, é só Curitiba que não tem…..

…………

Mais algumas curiosidades sobre a Paraíba:

Não pude nessa viagem ir a um estádio presenciar ‘in loco’ uma partida de futebol, como também não deu no México e no Pará. 

O principal time de João Pessoa é o Botafogo, cópia de um clube mais famoso (como é tradição no Paraguai).mascote-botafogo-paraiba

No caso é uma homenagem óbvia ao time carioca. Apenas a estrela do escudo é vermelha ao invés de branca, veja o mascote do Botafogo-PB ao lado.

Mas o uniforme é alvi-negro como a matriz, o nome das torcidas organizadas também é xerox.

Então, em 2013, quando visitei a Paraíba, o Botafogo-PB estava na quarta divisão do futebol nacional, a série ‘D’.

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Zona Oeste de J. Pessoa: Estádio Almeidão, onde joga o ‘Belo’ (Botafogo). A frente, na BR-230, passa um Tribus Urbano, que na PB são abundantes a beça.

Porém foi campeão do torneio, e desde 2014 até o momento que essa matéria sobe pro ar (2016) disputa a série ‘C’, a terceirona.

Em João Pessoa não há clássico, pois não há outro time grande.

As duas outras grandes forças do futebol paraibano estão na maior cidade do interior, Campina Grande.

O Treze, também alvi-negro, é o “Galo”.

Quando escrevi a matéria, estava na terceira divisão nacional, a série ‘C’, ainda na briga pra subir pra segundona.

Atualização: o Treze não subiu pra série ‘B’ em 2013.

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S. Rita: ‘Quadra 16, Lote 3’ pintado no muro, modelo de numeração típica da periferia (exceto no Centro-Oeste). Fotografei o mesmo no Pará.

Pior: no ano seguinte foi rebaixado pra série ‘D’, que disputou em 2015.

Porém, como sabem, a 4ª divisão nacional não tem vaga garantida, pra participar dela é preciso ir bem no campeonato estadual do mesmo ano.

Falei um pouco disso na série sobre o Pará, pois no mesmo ano de 2013 o Remo não chegou a final do estadual, logo não jogou nem mesmo a série ‘D’ nacional naquele ano.

Voltando a Paraíba. Em 2016 o mesmo ocorreu ao Treze, não disputou nenhum torneio nacional, ficou fora até da 4ª divisão.

Já o Campinense, rubro-negro, é a “Raposa”.

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Galo x Raposa: em Campina Grande-PB, como em Belo Horizonte-MG.

Como veem, em Campina Grande o duelo dos mascotes reflete um bem mais famoso, o de Belo Horizonte-MG, óbvio.

Em 2013 era o Campinense quem não estava em série alguma do brasileirão, era um “clube sem divisão”.

Mas nos anos de 14, 15 e 16 ele conseguiu sempre jogar a série ‘D’.

Resumindo e comparando o ano que o texto foi escrito com o ano que ele sobe pro ar: em 2013 Botafogo na 4ª, Treze na 3ª e o Campinense em nenhuma. Em 16, Botafogo na 3ª, Treze em nenhuma e Campinense na 4ª.

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Manaíra.

……….

E quanto ao estadual, o Botafogo de João Pessoa vestiu a faixa de 2013 e levantou a taça quebrando um jejum de uma década. Repetiu o feito em 14, portanto bi-campeão, e é o maior vencedor, já ganhou 27 vezes.

O Campinense não deixou por menos e foi bi em 15/16, vem a seguir com 20 canecos. Já o Treze tem 15 títulos paraibanos, esses são os 3 maiores campeões.

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Fechamos com esse belíssimo entardecer na Zona Norte, em Cabedelo ou bem próximo. Veja o mangue. João Pessoa, exatamente como sua vizinha Recife, é “a cidade do mangue”. Mas esse já é tema pra próxima matéria, que será a derradeira da série. Por hora, melhor deixar que essa imagem que vale por mil palavras fazer as honras e fechar com chave de ouro.

Não há ‘clássico da capital.  Treze x Campinense fazem o clássico de Campina Grande.

Mas o ‘Super-Clássico da Paraíba’ é Botafogo x Campinense. Chamado ‘Clássico Emoção’, pois são os dois maiores vencedores:

Tanto lideram os estaduais como dito acima, quanto nesse mesmo ano de 2013 ganharam os dois maiores títulos da história da Paraíba, o Botafogo foi campeão nacional (série ‘D’) e o Campinense levou a Liga do Nordeste.

Portanto a disputa ali opõe capital x interior.

No Brasil o maior clássico de cada estado sempre envolve dois grandes da capital. Na Paraíba é diferente, reflete o que ocorre no México e Colômbia.

Última nota: João Pessoa tentou ser uma das sedes da Copa do Mundo. Mas não deu. No Nordeste, houveram jogos em 4 cidades: as 3 maiores Salvador, Recife e Fortaleza e mais Natal-RN.

Deus proverá

As Flores mais Orientais da América: da Paraíba

flor-mais-oriental-de-america-ponta-seixas-j-pessoaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (em emeios) em 11 de setembro de 2013

(Todas as postagens de ‘Flores’ são dedicadas as Mulheres)

Segue a série sobre a Paraíba.flores-j-pessoa-pb

Acima vemos a flor mais oriental de toda América.

Em João Pessoa está o extremo leste de todo continente, como é notório.

É a Ponta Seixas. E essa amarela acima está na Ponta Seixas.

flores-j-pessoa-pb2Quase dentro do mar como se nota na imagem.

Resultando que ela é a flor que recebe diariamente o primeiro raio de Sol de toda América.

………..

A maioria das tomadas desse ensaio foi feita no bairro Cabo Branco e imediações, Zona Leste.flores-j-pessoa-pb3

Pois é ali que fiquei hospedado.

Por exemplo, acima (repetida sobre a manchete) e ao lado:

As calmas ruas do Cabo branco.

flores-j-pessoa-pb1 E ao fundo os espigões em construção do Altiplano.

………

Mas nem todas.

Eu fotografei pela cidade inteira. flores-jacare-rm-j-pessoa-pb

Essa logo acima e as 2 próximas foram clicadas na Praia do Jacaré.

Em, Cabedelo, Zona Norte metropolitana.

Onde há a famosíssma ‘apresentação do Bolero de Ravel ao Pôr-do-Sol’.

flores-jacare-rm-j-pessoa-pb1Vemos a feira de artesanato e os bares e restaurantes que existem  no local.

…………

Na sequência horizontal abaixo: voltamos ao Cabo Branco:

flores-j-pessoa-pb5flores-j-pessoa-pb6flores-j-pessoa-pb9

flores-j-pessoa-pb14Da Zona Leste vamos cruzar toda cidade e ir direto pra Zona Oeste da Gde. João Pessoa.

Ver uma sequência batida em Santa Rita.

Numa bela praça florida não muito longe da estação de trem.

flores-j-pessoa-pb11Flores de todas as cores: amarelas vermelhas, violetas, esse bege alaranjado.

Pra quem gosta dessa manifestação da natureza, um espetáculo de encher os olhos.

Na sequência abaixo, ainda estamos em Santa Rita, Zona Oeste:

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flores-j-pessoa-pb4Pra encerrarmos, mais algumas na Zona Leste, Cabo Branco, Ponta Seixas e imediações.

Na foto ao lado ao fundo o Oceano Atlântico.

E na 3ª da sequência mais uma vez o bosque na encosta que separa o Cabo Branco do Altiplano.

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Que Deus a Ilumine Eternamente.

“Deus proverá”

N. Sra. das Neves, Philipéia, Fredericoburgo, Cid. da Paraíba: até J. Pessoa ser morto na Cid. de Maurício

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Centro de João Pessoa. A cidade foi fundada longe do mar, num planalto, cujo um dos flancos era protegido pelo Rio Paraíba. Veja quanto verde, mesmo perto do Centrão (r).

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 21 de setembro de 2013

A maioria das fotos foi clicada pessoalmente por mim.

Algumas, entretanto, foram baixadas da rede pra complementar (créditos mantidos sempre que estavam impressos nas imagens).

Identifico as que vieram da internet com um (r) de ‘rede’, como visto ao lado.

Vamos continuar falando da Paraíba.

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‘Bolero ao Pôr-do-Sol’, uma das atrações da capital paraibana: todos os dias quando o Astro-Rei se recolhe, um artista entra num barco e toca o Bolero de Ravel numa praia fluvial quase na foz do mesmo Rio Paraíba visto acima. Na Praia de Jacaré, subúrbio metropolitano de Cabedelo, Zona Norte (r).

João Pessoa tem 431 anos quando levanto a página pro ar (2016). Tinha 428 quando fiz o texto, em 2013. A cidade foi fundada ainda no século 16, em 1585.

Como é do conhecimento de todos, por mais de dois séculos o Brasil se restringiu ao que estava a leste do tratado de Tordesilhas.

A quase totalidade das atuais regiões Sul, Norte e Centro-Oeste sequer pertenciam a coroa portuguesa.

Pois estavam a oeste da referida linha, e foram abertas e colonizadas pelos lusos bem depois.

Veja: Manaus-AM só foi fundada em 1669, Curitiba em 1693, Macapá-AP em 1758 e Porto Alegre-RS em 1772.

No século 16, Portugal ainda tinha esperanças de formar um império global, como os EUA têm hoje.

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1817 (Brasil ainda pertencia a Portugal): explode em Pernambuco a chamada ‘Revolução dos Padres’. Paraíba e Ceará aderem. Paraíba e Pernambuco, que são vizinhos e umbilicalmente ligados, adotam bandeiras-expelho pra marcar a insurreição. Essa é a bandeira paraibana de 1817, fundo branco, a cruz pela participação da igreja, o Sol e o arco-íris pra mostrar que dias melhores virão, e no alto as três estrelas são as três províncias rebeldes, PE, PB e CE.

Por isso suas possessões americanas se resumiam a colônias de exploração e exportação – e não de povoamento – no litoral do Sudeste, Nordeste e Pará.

É a isso que o que viria a ser nossa nação-continente se resumia.

É nesse contexto que João Pessoa surgiu. Foi fundada longe do mar.

Eram tempos perigosos, quando você não podia deixar uma cidade desguarnecida.

Certamente os portugueses tinham bem vivo na mente o que havia acontecido a Buenos-Aires-Argentina:

Que fora fundada a beira-mar em 1536 e destruída em ataque indígena em poucos meses.

Então pra iniciar uma colônia na orla teria que ser erguido um forte militar primeiro.

bandeira-pernambucana_revolta_1817

Bandeira de Pernambuco adotada na revolta de 1817: similar a da Paraíba, apenas o fundo é azul e o Sol não tem rosto; as 3 estrelas estão ali, igualmente. Fonte: página da ‘Wikipédia’ sobre a insurreição.

De certo não haviam efetivos, humanos e financeiros, pra Portugal poder bancar implantar o núcleo de João Pessoa a beira-mar.

Então buscou-se um refúgio seguro um pouco continente adentro.

O povoamento original se deu num planalto, num altiplano, protegido por um grande rio a oeste. Assim ficava viável defendê-lo.

Pois tinha-se visão privilegiada de eventuais invasões que chegassem por qualquer lado, incluso pelo oceano.

Possibilitando tempo hábil pra estratégia de defesa ser vitoriosa. Diz a teoria militar:

pernambuco-atual

Bandeira de Pernambuco atual, com 1 estrela: manteve-se o estandarte insurgente, apenas agora só há a estrela de Pernambuco mesmo, as que aludiram a participação da Paraíba e Ceará se foram.

Quando há uma batalha em desnível topográfico, ou seja, com um exército morro acima e outro morro abaixo, quem está mais ao alto sempre vence.

A não ser que a discrepância de forças seja gritante demais. Em condições normais, com mais ou menos o mesmo número de Homens em armas, quem está no alto triunfa invariavelmente.

Pela própria ação da lei da gravidade, é muito mais fácil empurrar ladeira abaixo os invasores que tomar as posições bem fortificadas no alto da colina.

Assim, muito bem guardada pelas condições do relevo, João Pessoa veio ao mundo. Não com esse nome, claro.

A atual capital da Paraíba, como veem no título, já teve 5 nomes em sua história. Não perca a conta:

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Voltamos a Paraíba. Essa é a bandeira que vigorou de 1907 até 1930, quando João Pessoa foi assassinado.

1) Começou como “Cidade Real Nossa Senhora das Neves” (1585-1588), como fora batizada pelos portugueses. Como sempre se tratando dos ibéricos, um nome católico.

2) No fim do século 16, as monarquias espanhola e portuguesa se unificaram no período histórico chamado “união ibérica”.

A cidade teve seu nome mudado pra Filipéia (1588-1634) na grafia da época, Philipéia.

Na verdade alteraram o prefixo, saiu o ‘Cidade Real’ e o nome ficou “Philipéia de Nossa Senhora das Neves”. Pra homenagear o rei espanhol Felipe que, pela fusão das casas reais, acumulava o título de rei de Portugal. 

3) Veio a Holanda, invadiu e abocanhou boa parte do Nordeste brasileiro. Fundou a Nova Holanda, que tinha capital em Recife-PE.

paraíba pb bandeira paraibana antiga estadual négo grafia acento nego

1930: o governador da Paraíba, J. Pessoa, é abatido a tiros no Recife (acima da manchete um jornal com essa manchete). A bandeira é mudada em sua homenagem, o preto do luto, o vermelho de seu sangue, e o ‘nego’ pelo veto dele em aderir a Oligarquia paulista, se aliando a oposição. Essa é a grafia antiga, atualmente não há mais o acento.

O comandante de tudo era Maurício de Nassau, que renomeou Recife em homenagem a si mesmo, virou a “Cidade de Maurício”, “Mauristad” no original.

Natal-RN foi rebatizada ‘Nova Amsterdã’. Assim a América teve por um tempo duas ‘Novas Amsterdãs’.

Pois a atual Nova Iorque-EUA também pertencia a Holanda, e tinha a mesma denominação.

Ao fim os holandeses foram expulsos da maior parte da América, tanto do Sul quanto do Norte, e nenhuma das ‘Novas Holandas’ vingou.

Os holandeses, enquanto ali dominaram, alteraram também o nome da atual João Pessoa.

Que passou a se chamar Fredericoburgo (1634-1654). No original, ‘Frederikstad’.

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Próximas 5: Praia do Jacaré. É ali que há o espetáculo de música ao anoitecer. Aqui vemos a estátua dos bichos. Depois o Sol baixando, a florida feira de artesanato e bares e restaurantes que há no local.

Portugal nunca se conformara com essa invasão, e sempre organizara guerra de guerrilhas pra tentar fazer os holandeses se retirarem.

Se a Nova Holanda vingasse, seria o fim do império luso na América.

Outras potências europeias viriam na sequência tomar mais território de Portugal, incentivadas pelo sucesso holandês.

Mas mesmo que não desencadeasse ações-espelho, a Nova Holanda em si mesma era o fim do sonho português.

Até por ser do lado de Salvador. Os holandeses, alias, tentaram duas vezes invadir a atual capital baiana, que era a então capital do território português na América:

jacare-cabedelo-z-norte-j-pessoa-pbUma antes de tomar Recife e fundar a Nova Holanda, e outra depois, tentando ampliá-la, deixando claro que o objetivo dos holandeses era mesmo a expulsão de Portugal da América.

Não por acaso Maurício de Nassau nomeava até a capital da Nova Holanda, pois ele era definitivamente o cabeça da empreitada. jacare-cabedelo-z-norte-j-pessoa-pb2

Antes de sua chegada e principalmente enquanto ele esteve no comando, a Holanda só perdeu duas batalhas: justamente as duas tentativas frustradas de se apossar de Salvador.

Que é muito bem defendida por estar numa península, frustrando ataques por terra. A invasão tem que ser por mar, e aí basta um forte com potentes canhões pra pôr a pique os navios inimigos.

jacare-cabedelo-z-norte-j-pessoa-pb3Assim, ele tentou 2 vezes, a Bahia não caiu em mãos holandesas. Mas de resto, Maurício de Nassau e seus antecessores venceram todos os outros confrontos militares contra Portugal.

Estendendo a Nova Holanda dos atuais Sergipe até o Maranhão, todo o atual Nordeste exceto a Bahia, resumindo. Entretanto, pra sorte de Portugal (e posteriormente do Brasil), a coroa holandesa não teve essa visão.

jacare-cabedelo-z-norte-j-pessoa

Flores da Paraíba’: nessa tomada encerramos Jacaré, Cabedelo.

E Maurício de Nassau foi demitido do comando das ‘Indias Ocidentais’ holandesas, a empresa do governo holandês pra explorar as colônias americanas.

Teve que voltar pra Europa. Acharam que sob sua direção a Nova Holanda não dava tanto lucro quanto poderia.

Não consideraram que ele tinha que defender militarmente o território, antes de desenvolvê-lo economicamente.

Pois as investidas de Portugal eram permanentes, fustigavam o tempo inteiro a Nova Holanda. Na intenção que até que cansados das baixas em termos humanos e financeiros os holandeses achassem melhor fazer as malas e ir embora.

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Ali perto: anoitece na BR-230, a Trans-Amazônica. Nesse trecho ela é de pista dupla, pois uma importante via da Gde. J. Pessoa, ligando a Zona Norte a Zona Oeste.

Maurício de Nassau era excelente urbanista, melhorou muito o Recife, construindo pontes, canais, bibliotecas, jardim botânico – e por isso é cultuado em Pernambuco até hoje.

Era também excelente analista militar. De fato não conseguiu tomar a capital da colônia lusa, mas não consideraram que essa cidade era bem mais fortificada por sediar o governo, fora que a geografia ajuda.

Mas exceto por Salvador enquanto ele esteve ali em incursões fulminantes furou facilmente as defesas e a seguir repeliu os contra-ataques de Portugal.

A Holanda saiu vitoriosa em todas as batalhas, ofensivas e defensivas, em que tomou e resguardou seu território. Portanto, o retorno de Maurício pra Europa foi um erro fatal, sob o ponto de vista do invasor.

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Próximas 3, vamos pro Centrão. Parque Solón de Lucena com sua famosa lagoa, e, igualmente típica, a fila de ônibus contornando o lago rumo ao ponto final.

Sem o mentor da ocupação holandesa, que inclusive nomeava a capital, as forças portuguesas ganharam novo fôlego.

E enfim começaram a virar o jogo, fazendo os holandeses pela primeira vez recuarem.

Assim, o exército português avançou rumo a batalha final, que era a tomada da cidade do Recife, capital da Nova Holanda, pros holandeses chamada ‘Mauriciópolis’.

As tropas portuguesas eram mestiças. Haviam portugueses mesmo, aliados a índios, negros e brancos pobres nascidos no Brasil.

Na famosíssima Batalha de Guararapes (1648-49), já nas cercanias do Recife, Portugal enfim bateu a Holanda numa batalha importante, após longa série de derrotas.

pq-solon-de-lucena-centro-j-pessoa1Na prática, aí acabou a Nova Holanda. Alguns holandeses ainda permaneceram por aqui, mas já sabendo que o fim era inevitável.

Em 1654, enfim os últimos holandeses se retiraram, dissolvendo de forma oficial a possessão. Em 1661, a Holanda ratifica, no papel, a soberania portuguesa.

O Brasil existe pela Batalha de Guararapes. fila-de-busoes-contornando-a-lagoa-centro-novo-j-pessoa

O fim da Nova Holanda, e a retomada de todo o Nordeste pra Portugal, foi um recado claro a todas as potências europeias:

A coroa lusa não pouparia esforços pra manter o que hoje é o Brasil sob sua guarda. A Batalha de Guararapes é a Gênese do exército brasileiro, seu maior orgulho.

Por tudo isso, por ser o combate que fez com que nosso país existisse.

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Falei do transporte em outra mensagem, com muitas fotos. Mas damos uma pincelada. A implantação do Terminal Central urbano integrado, perto da virada do milênio, amenizou bastante a vida das pessoas, porque assim é possível ir de bairros em partes opostas da cidade pagando só uma vez.

Já que enfim reverteu uma enorme sequência de derrotas contra um adversário mais estruturado, e por ter tido em suas fileiras a presença de todas as raças em suas tropas.

Assim como a Batalha de Riachuelo na Guerra contra o Paraguai é o orgulho da marinha, dois séculos depois.

A história sobre a por nós chamada ‘Guerra do Paraguai’, pros paraguaios a ‘Grande Guerra’ ou ‘Guerra de 1870’ eu já contei com mais detalhes em texto específico.

Voltando ao Nordeste e ao século 17, assim a “Cidade Maurício” deixou de existir, voltou a se chamar Recife.

A atual capital paraibana também perdeu o nome holandês, Federicoburgo.

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Entrando está um “carro” da Trans-Nacional, viação que pertence a Unitrans. Em 2012 foi inaugurado o segundo terminal integrado no bairro do Bessa, Zona Norte, que atende também algumas vilas vizinhas mas que já ficam em outro município, Cabedelo. É a primeira integração metropolitana em João Pessoa. Falei só como referência do Term. Bessa, onde não deu tempo de eu ir e portanto não foi fotografado. A imagem mostra o Term. principal no Centro da cidade.

4) Foi renomeada Paraíba, (1654-1930) (‘Parahyba’ na grafia original). Portanto, entre todos os nomes que já teve incluindo o atual, foi o que permaneceu mais tempo, 276 anos.

O tempo passou, o Brasil ficou independente de Portugal e por fim aboliu a monarquia.

Veio o século 20, quando as oligarquias paulista e mineira, como todos sabem, se uniram pra implantar o que ficou conhecido como “República do Café-com-Leite”.

Onde a presidência era rateada entre esses dois estados, aludindo ao fato que o café era o esteio da economia de São Paulo.

E Minas Gerais era então o maior centro produtor de alimentos do país, incluindo numerosíssimo rebanho leiteiro.

Um presidente paulista passava a faixa a um mineiro, que depois devolvia o favor. Só que, em 1929, a oligarquia paulista resolve romper as regras do jogo. O presidente da república era paulista, Washington Luís (nascido no estado do Rio mas fez sua carreira em São Paulo, por isso o vulgo “Paulista de Macaé”).

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João Pessoa teve também uma viação estatal de ônibus. Chamava-se Setusa e era estadual. A frota era composta majoritariamente por Monoblocos dos modelos 2 e 3. Foi criada tardiamente, já nos anos 80. Oferecia a passagem mais barata que nas empresas privadas, e por isso desagradou as grandes viações. Foi sua sentença de morte, teve vida curta, menos de 10 anos e logo foi privatizada. O grupo Unitrans, que domina o transporte na Paraíba, a engolfou. No Centro de João Pessoa, há pichações pedindo “Volta, Setusa”. Dificilmente o pedido virará realidade. Fonte da foto: sítio Ônibus Brasil.

Assim, um mineiro teria que sucedê-lo, entretanto ele escolhe o também paulista Júlio Prestes.

Foi o fim, já tardio, da era “Café-com-Leite”. Outros estados, como o Rio Grande do Sul e os do Nordeste, já estavam mesmo cansados dessa charada.

Traída, a oligarquia mineira se alia aos coronéis nordestinos e gaúchos exigindo “renovação”.

Os paulistas, evidentemente, representavam então o ‘status quo’, e queriam reter a presidência.

Começam então em 1929 tentar aliciar as oligarquias locais estaduais pra que apoiassem Júlio Prestes.

Aqui retornamos a Paraíba. Sua capital se chamava Parahyba (a “Cidade da Paraíba” pra não confundir com o estado) desde 1654 com o fim da Nova Holanda.

O governador era João Pessoa, sobrinho de Epitácio Pessoa, que havia sido presidente da república.

Embora Epitácio Pessoa fosse paraibano, seu mandato está inserido no contexto do “Café-com-Leite”.

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Outro Mono da Setusa, dessa vez do último modelo fabricado pela Mercedes. Fonte dessa e de outras imagens: Portal Ônibus Paraibanos.

Pois ele fora eleito pra um mandato-tampão por causa da morte do presidente paulista Rodrigues Alves.

Tanto que Epitácio Pessoa fora apoiado pela oligarquia mineira, e passou a faixa a um mineiro.

Ou seja, o mandato de Epitácio Pessoa na prática manteve a alternância entre São Paulo e Minas na presidência.

Até que, como já dito, em 1929 o “Paulista de Macaé” Washington Luís quebra o acordo e escolhe outro paulista pra seu sucessor.

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Vários Setusa, sempre Mercedes-Benz Monoblocos, dos 2 modelos (r).

Minas Gerais enfim entende o que os outros estados sentiam com aquele joguinho de cartas marcadas e muda pro lado dos que clamavam pelo “novo”.

Mas São Paulo, no poder, queria manter o “velho”, e passa a tentar costurar acordos visando esse fim. Consulta o governador da Paraíba, João Pessoa.

Entretanto, a oligarquia paraibana já estava comprometida com o outro lado.

Assim, João Pessoa comunica a São Paulo o veto do endosso paraibano a Júlio Prestes.

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Os táxis do município de João Pessoa são brancos. No subúrbios de Bayeux (Zona Oeste) e Cabedelo (Zona Norte), também. Já no subúrbio de Santa Rita (Zona Oeste), alguns são brancos, mas há também de outras cores.

“Nego o apoio”, dizia o telegrama que se tornou épico, e daí o “Nego” da bandeira.

Muito mais que se negar a se aliar a São Paulo, a Paraíba embarcou de corpo e alma do outro lado.

O gaúcho Getúlio Vargas resolveu assumir a frente de uma chapa de oposição, e João Pessoa foi justamente escolhido como candidato a vice.

Eram tempos conturbados. João Pessoa era o governador paraibano, numa época que o coronelismo reinava inconteste.

Não apenas no Nordeste, também no Sul e Sudeste, não vai aqui nenhum tipo de racismo ou de tentar propagandear uma falsa superioridade moral do Centro-Sul. O próprio Getúlio Vargas é a prova, o legítimo ‘caudilho’, o termo sulista pra ‘coronel’, mostrando o quanto o autoritarismo oligárquico era o corrente também no Sul.

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Falar nesses subúrbios e nos transporte, João Pessoa tem trem de subúrbio. Conto melhor incluso com fotos em outra mensagem. A estação-terminal norte é em Cabedelo, passa pela capital e depois rumo ao oeste por Bayeux e Santa Rita (r).

Mas no Nordeste igualmente, podemos afirmar sem medo de errar.

João Pessoa era um Homem de sua época, afinal. Era um ‘coronel’, que mantinha o poder por qualquer meio necessário.

Uma das coisas que ele fez foi mandar sua polícia política invadir a casa de um adversário político, João Dantas.

João Pessoa teve inclusive a baixeza de mandar publicar nos jornais as cartas íntimas de João Dantas trocadas com sua amante, pra humilhá-lo e provocá-lo.

Irado ao ver suas atividades de alcova expostas a vista de todos, João Dantas assassinou João Pessoa no Recife, em 1930.

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Porto de João Pessoa, na Foz do Rio Paraíba, Cabedelo. Na parte inferior da foto o cais de onde sai o buso-balsa, a mais paraibana das transgenias busófilas (r).

Pouco mais de um mês depois, a capital da Paraíba é renomeada pra lembrar esse ato, passando a ter sua atual denominação.

Evidente, em 1930 Recife já voltara a se chamar “Recife” há quase 3 séculos.

Coloquei que “J. Pessoa foi morto na ‘Cidade de Maurício’ “ apenas porque como esse texto trata um pouco de história, usei esse chamativo, pois muitos não sabem desse detalhe.

Mas que já estava encerrado há muito, fiz uma ‘fusão temporal’.

Seja como for, não foi apenas o nome da capital que foi cambiado. A bandeira da Paraíba também foi mudada.

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Matando o a cobra e mostrando o pau: o buso-balsa Cabedelo/Lucena(r).

Antes, era verde e branca. Passou a ser vermelha e preta.

Justamente pra lembrar, respectivamente, “o sangue derramado de João Pessoa” e “o luto da Paraíba”.

Tanto a Paraíba quanto todo o Brasil entraram num turbilhão de violência.

Vários adversários políticos de João Pessoa foram também assassinados por milícias comandadas pelos coronéis, pra vingar a morte do governador.

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Aérea da península onde está a Z/ Norte da Gde. J. Pessoa, alguns bairros ainda na capital e os demais em Cabedelo: espremida entre o Rio Paraíba (dir.) e o Oceano Atlântico (esq.). Nota-se os navios no cais do porto (r).

A nível nacional, Getúlio Vargas manipulou habilmente a comoção gerada pela morte de seu vice.

E engendrou o golpe que depôs Washington Luís, assumindo a presidência, de onde só sairia em 1945, longuíssimos 15 anos depois portanto.

……….

Assim fácil é ver que a morte de João Pessoa é a pedra fundamental da ditadura do ‘Estado Novo’ de Vargas.

Tanto o nome da capital quanto a bandeira estadual se remetem a esse assassinato, e há grupos que querem o fim disso:

Lutando por um plebiscito estadual pra Paraíba retomar sua bandeira verde e branca, e que João Pessoa volte a se chamar “Paraíba”, ou até mesmo na grafia original, ‘Parahyba’ com ‘h’ e ‘y’.

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João Pessoa, cidade pras pessoas. Todos os dias, das 5 as 8 da manhã a Beira-Mar é fechada pra carros, liberada pra pedaladas e caminhadas – em pleno horário de pico e na parte mais cara da cidade! Lá o Sol nasce antes, essa tomada foi feita 5:34 da manhã no Cabo Branco, Zona Leste.

Aproveitando o embalo, numa imagem vemos uma bandeira anterior ainda do estado.

Os mais atentos notarão que se assemelha muito a atual bandeira de Pernambuco, apenas falta o fundo azul e são 3 estrelas ao invés de uma.

Exatamente. Espiritual e materialmente, Pernambuco é a “mãe” da Paraíba. Inclusive houve épocas que a Paraíba perdeu a autonomia política e foi anexada a ao estado vizinho.

Na ocasião em que essa foi a bandeira da Paraíba, mais uma vez as trajetória dela e de Pernambuco se entrelaçaram.

Eclodiu em 1817 uma rebelião no Recife, comandada pelos frades. A Paraíba e o Ceará aderiram.

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Várias outras avenidas, no mesmo horário (5 as 8), cedem a faixa da esquerda pras bicicletas, os carros têm que se espremer. Todos os dias, e não apenas domingo como em outras capitais. Essa é a moderna via que liga a Zona Leste a Zona Sul.

Pernambuco e Paraíba então adotaram bandeiras-espelho, ícones da insurgência:

A cruz por causa da igreja, o sol e o arco-íris representando os dias melhores que viriam, e as 3 estrelas foram os 3 estados (então “províncias”) rebeldes.

A única diferença é que a da Paraíba era sobre fundo branco como veem aqui, enquanto em Pernambuco a metade superior era azul.

Na atual bandeira pernambucana, só há uma estrela porque as referências a aos estados vizinhos foram eliminadas.

Mas todo o resto se manteve. Já a Paraíba abandonou por completo as homenagens a esse levante em sua bandeira.

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Nem tudo é tão perfeito, entretanto. Um ponto negativo: uma avenida sem calçadas, obrigando as pessoas a andarem pelo meio da rua. E eu pensava que essa cena só existia em Brasília-DF e nos EUA (notadamente Los Angeles). A esquerda, o bosque que separa o Cabo Branco do Altiplano. No meio do dia essa via e a Beira-Mar formam binário, ou seja, cada uma em mão única prum lado. Das 5 as 8, com a da orla fechada pra carros, essa vira mão-dupla. Estreita, sem calçadas e indo carro pra todo lado, um risco pros pedestres.

………

Mais alguns pontos que observei por lá:

– Afora as praias, o cartão-postal de João Pessoa é o Parque Solón de Lucena, bem no Centro, com sua famosíssima lagoa adornada por palmeiras.

Mostrado claramente em algumas fotos, numa delas com os ônibus a contornar o lago, rumo ao Terminal Central.

Notem que há pouquíssimos prédios altos ao redor, o Centrão por ser distante do oceano é na verdade uma parte mais pobre e esquecida da cidade.

Os espigões da cidade se concentram perto da orla, mas não na Beira-Mar porque é proibido, como é de domínio público. Em diversas tomadas isso fica claro:

Nas primeiras quadras a partir do mar, só edifícios baixos.

Permitindo que mesmo os bairros em torno das praias mais chiques de João Pessoa sejam pacatos, quase interioranos em alguns trechos, casas térreas com largos quintais adornados por árvores floridas.

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Contraste social: ao lado do riquíssimo bairro e praia de Manaíra (os espigões ao fundo) está o bairro São José, cuja favela é conhecida também como “Chatuba“, espelhando a original da Baixada Fluminense (r).

Nesse quesito, Ir a João Pessoa é quase como entrar num túnel do tempo, e ver como eram as demais metrópoles litorâneas até os anos 50 e 60. Vejam quanta área verde.

Bem, ‘Jampa’ é muito verde, a arborização não é exclusividade da orla da Zona Leste que é a parte abastada.

Os bairros mais miseráveis do subúrbio também são ricamente arborizados.

Falamos melhor disso em outro texto.

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Bayeux, Zona Oeste (r).

Vemos abaixo o bairro do Altiplano, também Zona Leste. Ali, os arranha-céus estão liberados, e vem brotando em ritmo frenético, como cogumelos após a chuva.

Uma Dubai brasileira, alias fenômeno parecido com o que observei em Belém alguns meses antes, também em 2013.

Voltando ao Nordeste, em várias oportunidades observam a calma do Cabo Branco comparada ao frenessi construtivo do Altiplano, que lhe vem logo acima;

……….

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Altiplano, Zona Leste.

– Uma outra coisa muito legal da capital da Paraíba:

A cidade prioriza pedestres e ciclistas em detrimento dos automóveis. A beira-mar é vedada a veículos automotores, todos os dias, das 5:00 as 8:00 da manhã.

Lembre-se, João Pessoa é a “cidade em que o Sol nasce”, a mais oriental da América.

Portanto onde clareia primeiro no continente. 5:00 da matina já é dia claro, como já mostramos com muitas fotos em outra postagem ligada em vermelho acima.

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Nas quadras próximas ao mar é proibido prédios altos, o que mantém a cidade fresca. Aqui em Manaíra, também Zona Leste.

Durante essas 3 primeiras horas do dia, nem pensar em entrar dirigindo na Avenida Cabo Branco.

A pista está liberada pros Homens e Mulheres relaxarem um pouco, caminhando ou pedalando.

Nesse mesmo horário, algumas avenidas ganham ciclo-faixa. Os monstros de metal, também conhecidos por “carros”, precisam recuar só pras faixas da direita.

Porque a da esquerda é exclusiva pro pedal. Isso todos os dias, e não apenas domingo como ocorre em outras capitais;

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Próximas 2: na Z/ Norte o mesmo regulamento aplicado, perto do mar só prédio baixo

…………

– Além do Sol, outra coisa nasce em João Pessoa: a Rodovia Trans-Amazônica.

Alguns estranham, falando ‘mas a Paraíba é longe pra caramba da Amazônia”. De fato é longe mesmo.

Ainda assim, a BR-230, muitíssimo mais conhecida como “Trans-Amazônica”, tem seu marco zero na capital paraibana.

zona-norte-j-pessoa1Começa mais precisamente no subúrbio metropolitano de Cabedelo, na Zona Norte da cidade.

Primeiro, liga exatamente os municípios de Cabedelo (onde fica o porto) e João Pessoa.

Ali, a BR-230 embica pra oeste, e portanto conecta o Centro as Zonas Oeste e Sul da metrópole, tanto no município de João Pessoa mesmo quanto nos vizinhos Bayeux e Santa Rita.

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Estou dentro do mar na Praia de Cabo Branco (Z/L). Na orla o limite de andares é respeitado; as construtoras, imobiliárias e hotéis perdem muito dinheiro com essa lei.

Ou seja, corta toda a cidade da Zona Norte a Zona Oeste, num trajeto paralelo a linha de trem de subúrbio.

A seguir, a BR-230 conecta as duas principais cidades da Paraíba, a capital a Campina Grande.

Segue sempre rumo a oeste, e aí rasga o sertão nordestino pelos estados do Ceará, Piauí e Maranhão.

Até entrar no Norte, passando por Tocantins e Pará até ter seu final nos confins do Amazonas.

……………….

– O apelido de João Pessoa é ‘Jampa’, como o de São Paulo é ‘Sampa’;

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Próximas 4: Cabo Branco. Aqui o plano diretor de Jampa fica nítido. Prédio em construção, mas atingiu sua altura máxima de 6 pisos, veja que já fizeram a cobertura. Ao fundo, no Altiplano, aí sim espigões com mais de 30 e mesmo perto de 40 andares.

– Em João Pessoa quase não se picha muros. Há um pouco, mas por ser irrelevante, não me ocupei de fotografar e comentar;

– Aqui, tratei da história de João Pessoa a partir da colonização europeia.

Evidente, lá como em todo continente América, Homens e Mulheres de outras raças já habitavam a milênios antes dos europeus aportarem.

Mas como não tenho muitas informações desse período, nos restringimos ao que é mais conhecido de todos.

Ainda assim, reitero aqui que não tenho visão eurocêntrica da história da humanidade.

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Assim, as ruas são sossegadas e residenciais mesmo a poucas quadras do mar. Muito verde, muita calma, poucos carros.

Se não abordei o que aconteceu antes de 1585, é por ignorância, e não por considerar a linearidade europeia a única válida.

…………

– Em João Pessoa quase não há condomínios fechados. De uns tempos pra cá começaram a surgir alguns de alto padrão. Mas de classe média e médiabaixa, não existem.

Em contraste, em diversas outras cidades como Curitiba, São Paulo, Santiago do Chile e principalmente Belém, Cidade do México e Lima-Peru, eles são extremamente comuns.

casa-florida-cabo-branco-z-l-j-pessoaMesmo no Centrão e nos bairros mais degradados dos subúrbios.

Onde tem uma rua sem saída, nessas cidades acima citadas, as pessoas metem um portão e só entra morador. Então, em João Pessoa essa manifestação ainda não chegou.

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Pode isso? Em pleno Cabo Branco, casa simples com amplo quintal florido (a esq. acima em escala maior).

……………….

Comentemos rapidamente as fotos espalhadas pela página. Você sabe, nem sempre o texto ao lado se refere a imagem mais próxima.

Busque pelas legendas, que elas estão corretas. Vemos no decorrer da mensagem:

– Praia de Ponta Seixas, o ponto mais oriental da América, com suas piscinas naturais características.

Nessa foto que mostra a Ponta Seixas (mais pra baixo na página) os prédios ao fundo estão justamente na Praia de Manaíra retratada mais pra cima;

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Picãozinho: uma das piscinas naturais do litoral de João Pessoa (em Maceió-AL  igualmente elas são comuns) (r).

– Imagens parecidas com as que seguiram na matéria anterior:

O primeiro raio de Sol da América, por volta das 5 da manhã.

Veremos numa sequência horizontal abaixo exatamente a primeira aparição do astro em todo continente americano.

Logo que ele saiu da nuvem que o encobria.

Infelizmente, por estar um pouco nublado, não pude vê-lo sair exatamente do mar. Coisas da vida;

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Avenida, praia e bairro de Cabo Branco.

– Mais uma vez chamo sua atenção a proibição de prédios altos nas quadras próximas ao mar, mostrada em várias cenas.

Essa lei é vigente igualmente no subúrbio metropolitano de Cabedelo, Zona Norte.

E faz com que mesmo os bairros com m2 mais caro de João Pessoa tenham ainda um ar bucólico, interiorano, casas térreas com largos quintais floridos;

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Praia de Manaíra, Zona Leste. Os prédios ao fundo já ficam no vizinho município de Cabedelo, Zona Norte.

a BR-230, a famosa Trans-Amazônica, começa em João Pessoa.

Tem esse nome porque após cortar o Nordeste ela rasga parte da floresta, nos estados do Pará e Amazonas, no Norte.

Numa foto que está postada abaixo, estamos quase no marco zero da rodovia, no município de Cabedelo, Zona Norte da Grande João Pessoa. Nessa tomada ela ainda está com pista simples.

Logo a seguir é duplicada, e assim ela percorre a distância entre Cabedelo e o município de Santa Rita, na Zona Oeste, passando pelos municípios de João Pessoa e Bayeux.anoitece-br-230-j-pessoa1

Como notam, em duas tomadas (1 delas ao lado) o Sol já está se pondo, numa bonita cena. Mas o melhor ainda estava por vir. Nos dirigíamos na ocasião pra um lugar chamado

Praia de Jacaré, em Cabedelo. É o por-do-Sol mais famoso de João Pessoa, uma atração turística da cidade.

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Mais um Monobloco da finada Setusa.

Trata-se da proximidade do delta de um grande rio, o mesmo que um pouco acima protege o Centrão da cidade.

Há ali várias lojas que vendem artesanato, cafés, bares, restaurantes, tudo muito florido.

E todos os dias, quando o astro vai se recolher, um cara toca o Bolero de Ravel de dentro de um barco.

www.vimeo.com/9606024quase-km-zero-da-trans-amazonica-cabedelo-z-n-j-pessoa

http://mais.uol.com.br/view/ivm20o369pqa/por-do-sol-na-praia-do-jacare–pb-04029C3172D88173A6?types=A&

É isso aí. Depois dessa podemos fechar com chave de ouro.

………

Assim eu encerrei o emeio. Na página ainda vamos ver algumas fotos.

br-230-trans-amazonica-cabedelo-z-norteAcima e ao lado 2 cenas de BR-230 em Cabedelo.

Acima bem no comecinho dela, quase no Km Zero, quando ela ainda é pista simples.

E a esquerda um pouco mais pra frente, já no trecho duplicado.

Na sequência abaixo: bairro Cabo Branco.

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praia-da-ponta-seixas-j-pessoa2Ao lado a Ponta Seixas, o ponto mais oriental de todo continente Americano.

Abaixo mais tomadas do Altiplano. Na 1ª cena vemos também o Cabo Branco, que é onde estou quando cliquei.

E nas outras duas o Altiplano visto por outros ângulos, em fotos feitas de dentro do carro em movimento, como alias diversas outras do ensaio.

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piscina-natural-na-ponta-seixas-ao-fundo-manaira-j-pessoaAo lado pescador na Ponta Seixas, ao fundo a linha de prédios de Manaíra.

Na sequência abaixo: 1 e 2) Amanhecer no Atlântico captado no Cabo Branco, logo ao lado da Ponta Seixas, 5 da manhã; 3 a 5) Virei pra trás, o Cabo Branco, os prédios mais altos ao fundo no Altiplano; e 6) João Pessoa, não lembro em qual bairro cliquei.

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Que Deus ilumine a todos.

Paz a toda humanidade.

Deus proverá”

“Meu Deus, mas que Cidade Linda!!!”

esplanadaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Levantado pra página em 21 de setembro de 2016

Dois desenhos inéditos, acrescidos de material publicado (em emeio) nos anos de 2012 e 2013.

Começamos pelo material inédito, produzido em setembro de 2016:

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Mulher Fatal”: desenho de abril de 2012, sem relação com o texto ao lado. Marília ‘vestida pra matar‘, dançando na balada, usando um vestido negro hiper-transparente.

“O Bom Filho a Casa Torna”: Maurílio em Brasília, Distrito Federal.

Foi nessa cidade que eu encarnei. Já fiz um desenho dela, do Sol Nascendo na ‘3ª Ponte’ sobre o Lago Paranoá.

E agora com a presença desse Humilde Mensageiro

No viaduto da Rodoviária P.P., tendo ao fundo a Esplanada dos Ministérios.

A direita, obviamente, a Catedral. Bem no centro a Praça dos 3 Poderes, que abriga o Congresso aqui retratado.

E também a mais alta bandeira do mundo, que é a imagem-ícone da página.

Tem mais: aproveitando que estava no Centro-Oeste, Maurílio foi também a Goiânia-GO.

Em tempo: Maurílio está de camisa verde. Ele comprou outra, pra substituir aquela que deu de presente de aniversário pra sua esposa Marília. 

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Por falar nela: Marília teve um problema de saúde e teve que ir pro hospital ser operada.

Gravura também inédita, feita em setembro de 2016.

Ela recém voltou do centro cirúrgico, e acaba de acordar.

Por isso ela está meio grogue, por ainda estar um pouco sedada.enfermeira-e-paciente

Mas a enfermeira já está cuidando dela com bastante carinho.

Tranquilizando-a, avisando que a operação correu maravilhosamente bem, foi tudo dentro do esperado.

A moça que está trabalhando de branco, óbvio. Enquanto Marília está usando uma daquelas camisolas de hospital.

visual-de-veraoJá fiz duas postagens sobre a área de saúde:

‘A Curadora’ e ‘O Curador’, homenageando as trabalhadoras e trabalhadores que usam branco pra cuidar de quem ficou doente. Então agora invertemos o foco pra paciente.

VISUAL DE VERÃO

Ao lado: em desenho de dezembro de 2013, Marília de ‘shorts’ e camisetinha regata. 

Rosinha, é claro, porque ela é uma menina.

E mais que isso, cheia de coraçõezinhos pulsando, pra mostrar que ela é muito meiga, delicada e carinhosa. ritual-feminino

A direita: Marília mais uma vez cumprindo seu ‘ritual de Mulher. Retrato de agosto de 2013.

…………

E fechamos com o desenho dela na balada em escala maior.

Pra que reparem nos detalhes, a bijuteria e sua maquiagem.

estrela-da-noiteAfinal, ela teve um trabalho imenso pra se produzir, inclusive raspando cuidadosamente os braços como está mostrado acima.

Marília é uma moça vaidosa que gosta de ser vista e comentada.

“Minha Luz Ilumina a Noite”, diz ela. Convencida, não?

“Deus proverá”

‘Onde o Sol Nasce’: João Pessoa, Paraíba

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Praia do Cabo Branco, pouco depois das 5 da manhã: o Sol surge do Atlântico. J. Pessoa é a 1ª cidade da América a vê-lo.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (em emeio) em 15 de setembro de 2013.

Levantado pra rede em 15 de setembro de 2016, exatamente 3 anos depois.

Abrimos a Série sobre a Paraíba. Essa mensagem é um Portal. Ao final do texto ancoro as ligações pras outras matérias da série, conforme eu as vá jogando no ar.

A imensa maioria das fotos é de minha autoria. Há, entretanto, uma de um colega, outra puxada da rede e alguns postais antigos. Eu identifico na legenda. Toda essa falação feita, vamos nessa iniciar o texto:

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Ponta Seixas, a Extremidade Leste da América. Ao fundo a linha de prédios da orla da Zona Leste, a parte rica de J. Pessoa.

Estive em João Pessoa-PB. E agora vou contar o que observei por lá.

João Pessoa é a “Terra do Sol Nascente” americana. Ali está a Ponta Seixas, ponto mais oriental da América.

Portanto a cidade que recebe o primeiro raio de Sol de todo continente, exatamente o que retratei em várias nas fotos.

O céu começa a clarear pouco depois das 4:30 da manhã, por volta de 15 pras 5 o Sol inicia seu aparecimento, e logo depois das 5 da manhã ele já está todo mais alto que o horizonte e forte.

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Cabo Branco e ao fundo o Altiplano, Z/ Leste.

A Grande João Pessoa, núcleo mais subúrbios metropolitanos, tem por volta de 1 milhão de habitantes.

Os municípios que a compõem são, por ordem de tamanho populacional (os dados são do censo de 2010):

– João Pessoa, 723 mil moradores

– Santa Rita (Zona Oeste), 120 mil

– Bayeux – pronuncia-se ‘Baiê’ – (Zona Oeste), 99 mil

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Praia de Manaíra, também na Zona Leste.

– Cabedelo (Zona Norte), 57 mil

– Conde (Zona Sul), 21 mil.

A Paraíba no total tem 3,7 milhões. A maior cidade do interior é Campina Grande, onde residem 385 mil pessoas.

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O ponto mais oriental da América se chama Ponta Seixas, como é conhecimento público.

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Cabo Branco, exatamente 5 da manhã: começa a clarear o dia 05/09/13. Os primeiros raios foram pouco depois das 4 e meia.

Eu estava na Praia de Cabo Branco, ao lado dele. Numa imagem (abaixo a direita) temos precisamente a Ponta Seixas vista do Cabo Branco.

Em outra tomada, estou no mesmo local, olhando pra direção oposta, e há mais uma (ao lado) em que estou chegando a praia.

Eram 5 da manhã, e eu via o primeiro raio de Sol da América.

Em qualquer parte do continente que você estivesse, se estivesse olhando pro céu nesse exato minuto você viu apenas um breu. Mas em João Pessoa já clareava.

Infelizmente estava ligeiramente nublado, e não pude ver o Sol saindo exatamente do mar.

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Assim que cheguei na praia (a tomada foi 5:03): olhando pro oeste ainda estava escuro.

Tirei uma foto que retrata quando enfim ele venceu as nuvens e se mostrou, em sua Glória e Esplendor. Passava um pouco das 5:20.

Em outra mensagem segue uma foto tomada minutos antes:

A primeira visão do Sol em toda América naquele dia, quando ele ainda estava um pouco mais fraco.

Escolhi esta pra abrir a série porque ele já se mostra mais avermelhado.

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Ainda 5:03: virei pra direita olhando pro leste, e o firmamento já estava claro. Aqui vemos (a partir do Cabo Branco) a Ponta Seixas.

Vemos várias cenas em que estou na Ponta Seixas.

Acima do barranco passa uma avenida, e ali há um mirante com um marco comemorativo.

A praia tem um arrecife de corais, o que faz com que ela não tenha ondas. É uma piscina natural, o que permite que pescadores pesquem manualmente caranguejos, etc.

As Praias mais famosas e badaladas de João Pessoa são as do Cabo Branco – onde fiquei – , Tambaú e Manaíra.

Todas elas são vizinhas e ficam na Zona Leste, são a região mais abastada de João Pessoa, onde se concentram os arranha-céus e a classe alta e média-alta.

Agora, algo muito importante: os arranha-céus não são a beira-mar, é proibido. Nas primeiras quadras a partir da orla, só se pode fazer prédios de 6 andares no máximo.

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“O Sol Nasce Primeiro” é o mote oficial de Jampa, propagandeado nas camisetas vendidas aos turistas.

Os espigões só se iniciam a uma distância grande da praia. É isso que mantém João Pessoa fresquinha:

A brisa que vem do mar penetra na cidade, não é bloqueada pro um paredão de concreto como ocorre em outros locais.

João Pessoa é uma cidade pra pessoas. Que, pelo menos nesse ponto, fez seu zoneamento pensando no todo, rejeitando o dinheiro das construtoras.

Há outros exemplos, falo deles em outras mensagens que já estão no ar. Outro detalhe significativo:

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Praia Central de Cabedelo, Z/Norte metropolitana.

João Pessoa (carinhosamente chamada ‘Jampa‘ ou J.P.) é uma das cidades mais verdes que já estive, ao lado de Curitiba e Assunção-Paraguai.

A imensa quantia de bosques e a proibição de arranha-céus a beira-mar faz com que a capital da Paraíba tenha o clima ameno.

Lá é muito, mas muito mais fresco que em Manaus-AM, Belém-PA, Fortaleza-CE, Teresina-PI e Cuiabá-MT. Nem há como comparar.

Estive em todas elas, são um forno, você se sente sendo derretido vivo quando o Sol está no pico.

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Cabo Branco.

Em João Pessoa, bem ao contrário, a temperatura é bastante agradável, quente sem ser tórrida.

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João Pessoa tem Zona Leste. Tem as Zonas Norte, Leste, Sul e Oeste, como Curitiba, São Paulo e a maioria das cidades que não são na praia.

Porém as cidades de praia geralmente não tem uma das ‘Zonas’. J.P. tem todas elas.

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Próximas 5: Praia da Ponta Seixas. Por um arrecife de corais, a praia é uma piscina natural, sem ondas. Vemos aqui um pescador trabalhando sozinho, e ao fundo mais uma vez os prédios da orla da parte rica da cidade. Nas tomadas abaixo em escala maior.

O que quero dizer com isso é: o Centro de João Pessoa é afastado da praia.

Geralmente quando uma cidade é no litoral, o Centro é perto da água, pois é ali que a cidade começa. E assim, uma das ‘zonas’ não existe.

Exemplificando fica mais fácil entender. Rio de Janeiro, Recife-PE, Aracaju-SE, Chicago-EUA, todas elas não têm Zona Leste.

Pois essa estaria dentro d’água, o mar nas duas primeiras, um rio em Aracaju e o lago na cidade ianque.

Manaus e Maceió-AL não tem Zona Sul, Belém e Porto Alegre-RS não tem Zona Oeste, e Fortaleza não tem Zona Norte.

praia-de-ponta-seixas-manaira-e-tambauSempre pelo mesmo motivo, a cidade começou perto da água, seja mar, rio ou lago, e assim não dá pra cidade crescer numa direção geográfica, precisa ocupar as outras 3.

Já cidades que surgem longe de lagos, rios, mares ou montanhas crescem pras 4 direções. Como disse acima:

São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte-MG, Londrina-PR, Campinas-SP, Goiânia-GO, entre muitas outras, todas elas tem Zonas Leste, Sul, Oeste e Norte. pescando-na-ponta-seixas-j-pessoa1

A cidade começou num lugar plano, seco e limpo, e pode se espraiar pra todos lados, sem impedimentos.

Então. O Centro de João Pessoa é, repito, afastado da orla. Assim, mesmo tendo o Oceano a leste, há bairros entre ele e o Centro, configurando-se uma Zona Leste.

ponta-seixas-ponto-mais-oriental-da-america-j-pessoaEscrevi tudo isso pra dizer que João Pessoa teve seu núcleo pioneiro longe do mar. Você visualizando isso, ficará fácil entender como a cidade se desenvolveu.

Abra o ‘google’ mapas e vá acompanhando o que vou descrever.

As Praias da Zona Leste (Cabo Branco, Tambaú e Manaíra) são a parte rica da cidade.

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Aqui fechamos as imagens da Praia de Ponta Seixas.

Seguindo a orla a norte, passamos pelo Jardim Oceania e chegamos na Praia e bairro do Bessa.

Ali já é uma região bem mais tranquila, com muitas áreas por urbanizar (ainda há ruas de terra no Bessa, por exemplo, não longe do mar), não de renda tão elevada.

Embora atualmente esteja havendo um ‘transbordamento’ da parte mais chique prali também, então estão começando a surgir prédios altos onde antes nem mesmo muitas casas haviam.

João Pessoa está se desenvolvendo muito.

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Agora vamos ver o bairro da Ponta Seixas. Além de ser o ponto mais oriental da América (como já dito várias vezes), a Ponta Seixas é digamos um ‘Portal’: João Pessoa é uma cidade de uma lado da Ponta, e se transforma em outra completamente distinta do outro lado. Explico. A Ponta Seixas separa a Zona Leste da Zona Sul. A Zona Leste é a parte rica da capital paraibana, então a orla é extremamente urbanizada, chique, tudo tomado por concreto e asfalto, etc. Mas a Zona Sul é diferente. Digo, há o subúrbio da Z/S, a região de Mangabeira e Valentina, etc, que é subúrbio de metrópole, densamente urbanizado. Mas a orla da Zona Sul não é urbanizada, vejam vocês, é o que quero dizer. Mesmo ao lado do mar as ruas são de terra, calmas, sem comércio, só há casas térreas. E muita área verde, muito espaço ainda vago. Eis a prova, aqui estou na quadra do mar. A rua é sem pavimentação, não prédios, comércio, linhas de ônibus, agito, balada, nada. O litoral da Zona Sul de Jampa parece uma cidadezinha do interior.

Lembram-se do que lhes descrevi de Belém, que está uma “Dubai Brasileira”, com dezenas de prédios altos, tanto na estatura quanto na renda, sendo erguidos ao mesmo tempo?

Então, é a mesma coisa. Estive em João Pessoa e Belém em 1989 e agora em 2013. É chocante a mudança. Passaram-se 24 anos, mas parece que mudamos de galáxia.

Por todo século 20, a Paraíba foi um dos lugares mais pobres do país, daí a emigração em massa pro Sudeste e depois também para Brasília.

Pois morar num barraco de papelão nas favelas do Rio, São Paulo e da Capital Federal era considerada uma ascensão social impossível na Paraíba.

Até os anos 90, sua capital tinha pouquíssimos prédios altos, porque tinha uma classe média ínfima.

A coisa mudou. João Pessoa enriquece e se verticaliza a passos gigantes, como Belém, Teresina, Natal, Manaus, etc.

Por isso uma certa pujança não mais se circunscreve a trindade Cabo Branco, Tambaú e Manaíra, na Zona Leste.

A expansão de prosperidade começa a atingir a Zona Norte, que vem na sequência.

Assim, os balneários e bairros do Beça e Intermares começam a se verticalizar, e a possuir perfil de classe média.

E mesmo nos subúrbios mais miseráveis de João Pessoa a coisa melhorou bastante.

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Aqui e a esquerda: bairro da Ponta Seixas, muita área verde, sem asfalto, sem comércio, sem prédios, ao lado do mar, enfatizo de novo porque é incrível: você cruza o cabo, anda algumas centenas de metros, mas parece que viajou centenas de quilômetros. Um pouco mais pra frente há até algumas chácaras.

Já chegamos lá. A região mais pobre de João Pessoa é a Zona Oeste, a parte afastada do mar. Falaremos dela a seguir. Por hora, de volta a orla:

Até 20 anos atrás, a cidade quase não tinha prédios altos – digo, é óbvio que já haviam vários. Mas eram poucos comparados com o que há atualmente, é o que quero dizer.

A riqueza se espraiou pelo Norte/Nordeste, e agora a Zona Leste da capital paraibana parece Dubai, de tanto arranha-céu sendo levantado simultaneamente.

Tanto que foi preciso expandir a parte rica da cidade pra Zona Norte. Jardim Oceania, Bessa e Intermares também estão mudando muito.

Deixando de ser subúrbios pacatos e depauperados, onde haviam chácaras, grandes terrenos e só casas térreas pra serem inseridos no circuito elegante litorâneo da cidade.

ponta-seixas-z-l-j-pessoaBessa e Oceania ficam no município de João Pessoa, são os únicos dois bairros da Zona Norte municipal.

Logo após entramos no município de Cabedelo, onde fica Intermares. Cabedelo era, como toda a periferia de João Pessoa, uma parte esquecida até pouquíssimo tempo atrás.

Mas agora achou sua vez na esteira da prosperidade. A sorte de Cabedelo é que é também no litoral.

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Ao fundo vemos Cabedelo, Z/ Norte, com as instalações do porto. Em outra mensagem falarei melhor da região, com várias fotos. Essa tomada é de autoria de um colega.

Já os municípios de Bayeux e Santa Rita (na Zona Oeste), por não terem praia, ainda aguardam o dia que a pujança aportará ali também.

É gritante a diferença entre as Zonas Leste e Oeste de João Pessoa. A Leste, na orla, é rica, embora ponteada por enormes bolsões de miséria.

Estive na Favela do Ipês, onde a situação é desesperadora de forma multidimensional.

E essa invasão (que é sobre o mangue) fica na Z/L, logo atrás de enorme templo de consumo, um centro comercial.

Além dela, há muitas outras favelas dentro da área mais rica da cidade, como ocorre no Rio de Janeiro e em todos os lugares.

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Antigo cartão-postal: Parque da Lagoa Solón de Lucena, Centrão de J.P., anos 80. Não se modificou muito. por ser longe da praia ainda não há muitos prédios altos. Em compensação, veja quanta área verde. e estamos no entorno do marco zero da cidade.

Mas, invasões a parte, a Zona Leste é a região dourada de João Pessoa.

E mais recentemente a Zona Norte, que lhe é vizinha e também tem praia, está pegando uma fatia do bolo.

Já a Zona Oeste é o legítimo “subúrbio ferroviário”, onde o povão foi jogado.

A Zona Oeste dentro do município de João Pessoa, como a Zona Norte, é pequena. Se circunscreve a região dos bairros Alto do Mateus, Ilha do Bispo, Cruz das Armas, etc. 

A maior parte da Zona Oeste da cidade se compõe dos municípios de Bayeux e Santa Rita, que vem na sequência.

A coisa melhorou um pouco, mas a caminhada apenas principia. Há muito ainda por fazer. 

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Outro postal: orla de João Pessoa, provavelmente virada dos anos 70 pros 80.

Em outras mensagens conto mais de minha voltas pela região, inclusive com fotos.

Nota: eu fiquei pouquíssimos dias na capital paraibana. Assim, eu estou dividindo os bairros em ‘Zona Oeste’, ‘Zona Norte’, etc, olhando pelo mapa.

Pode ser que minha classificação divirja daquela que os moradores adotam. Se alguém fizer alguma retificação eu incluo aqui na matéria.

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Em tomada puxada da rede, vemos a orla hoje. Em 1º plano a direita o Cabo Branco. A esquerda o Altiplano. Veja que perto do mar não são permitidos prédios altos, pra não matar a brisa marítima que refresca a cidade.

A Zona Sul também é bem extensa e povoada, e essa é quase que somente municipal, ou seja, sem região metropolitana.

Há o município do Conde, mas ele é pequeno, só moram 20 mil pessoas.

Já dentro do município de João Pessoa mesmo, na Zona Sul é que estão os bairros mais populosos da cidade, como Mangabeira, que tem mais de 100 mil habitantes.

Diversos bairros vizinhos começaram como enormes Cohabs e conjuntos populares, como Geisel, Valentina, Funcionários, etc.

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Voltam as tomadas de minha autoria, e vamos ver uma parte triste. Próximas 2: estive na favela do Bairro dos Ipês, um bolsão de miséria incrustado na riquíssima Zona Leste, bem perto do ‘shopping’ Manaíra. Mas a situação é que presenciam aqui, tudo estava alagado por uma chuva forte que ocorrera na véspera.

Entretanto, e isso que é curioso, a Zona Sul só é densamente povoada longe do mar. Ela também tem litoral, mas a orla da Zona Sul não se desenvolveu.

A beira-mar ainda se acham bairros pacatos e esparsamente habitados, com ruas de terra e apenas casas térreas.

Há vilas mesmo que ainda parecem zona rural, com chácaras e enormes terrenos, a poucos metros da praia, parece até uma miragem.

Especialmente se considerarmos que estamos ao lado a Zona Leste hiper-valorizada e já toda ocupada.

Repare no bairro Portal do Sol no ‘google’ mapas.

Já pelo satélite você nota que é uma área ainda por urbanizar, há pouquíssimas casas por quadra, e mesmo quadras inteiras vagas.

alagamento-favela-dos-ipes-z-l1E estamos ao lado do Altiplano, bairro que tem o m2 mais caro da cidade.

Três fotos mostram o bairro da Ponta Seixas, que margeia a praia de mesmo nome e a ponta em si, o extremo oriente da América.

Veja: ruas de terra, com muitos terrenos vagos, muito verde, só casas térreas, sem comércio, sem trânsito. E estamos na quadra da praia.

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Dentro da Unidade de Saúde, cena triste: inundada, situação precária.

Pelo que eu te falei. A cidade enriqueceu na Zona Leste (Altiplano, Cabo Branco, Tambaú e Manaíra), e a parte degradada, suburbana, foi pras Zonas Norte e Oeste, e pra Zona Sul longe do mar.

A orla da Zona Sul ficou por desenvolver num momento futuro, resultando que nos bairros Portal do Sol, Ponta do Seixas e Penha ainda é uma parte pacata, meio que rural mesmo da Penha pra frente.

Mas tudo isso vem mudando. A Zona Leste já atingiu boa parte de seu potencial.

Logo, a parte mais rica da cidade começa a se espraiar. Primeiro pra Zona Norte, começam a