a Curitiba que não sai na T.V.: Complexo da Caximba, ponta da Extremidade Sul

lado a, lado b: agora vejamos o ‘lado b’ da cidade

Ponto final do Vila Juliana – alimentador do Term. Pinheirinho – na Caximba: olhe quanta quiçaça (lixo e entulho) atrás do busão.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 5 de junho de 2017

Em dezembro de 2016, andei (mais uma vez) na Linha Turismo. Que se concentra, além óbvio da Zona Central que foi onde a cidade começou, nas Zonas Oeste e Norte, as partes ricas da metrópole.

Daí eu produzi uma matéria chamada Linha Turismo, a Curitiba que sai na TV.

Vamos ver por trás do veículo: realmente um lixão clandestino, pois estamos numa das maiores e mais novas favelas da cidade, o ‘Complexo da Caximba‘.

Então agora pra fazer o contraste vamos ver exatamente o contrário, a Curitiba que não sai na TV: bem-vindo a Caximba, a extremidade da Zona Sul.

As imagens dizem tudo: esse pedaço esquecido e pouco famoso da cidade está inchando descontroladamente com seguidas invasões desde 2010.

Se tornando um dos maiores bolsões de miséria da capital do Paraná. A situação realmente é crítica e vem se agravando.

………

Em escala maior: novas casas estão sendo erguidas o tempo todo no local.

Fiz uma postagem dizendo que o Tatuquara é a ‘Extremidade Sul’ de Curitiba. Bem, entre os bairros que têm mais de 50 mil moradores e que já eram urbanos na virada do milênio ele certamente é o mais meridional.

Mas depois dele vêm mais dois, o Campo de Santana – até uma década e meia atrás a maior parte rural, poucas vilas urbanas, mas hoje quase 100% urbano pois foi o que mais cresceu na década passada;

Mapa do ‘Complexo da Caximba‘, em azul a parte antiga, laranja o que é mais recente.

E a seguir a Caximba, que é o que mais cresce (ao menos em termos proporcionais) atualmente.

A Caximba é o único bairro de Curitiba que dista mais de 20 km do Centro. Portanto a própria ponta da Extremidade Sul.

Até o começo dessa década a Caximba ainda era basicamente uma parte rural, conhecida da maioria dos curitibanos somente por abrigar o aterro sanitário (lixão).

O aterro saiu dali, a parte de lixo doméstico foi pra região metropolitana, pro município de Fazenda Rio Grande (que também é Zona Sul, alias perto da Caximba).

E o depósito de de resíduos dos hospitais ficou no município de Curitiba, mas foi transferido pra Zona Oeste, na divisa entre CIC e São Miguel, nos fundos do ‘complexo’ das Vilas Conquista e Sabará.

Os Extremos Sul e Oeste de Curitiba ainda são rurais – nessa mensagem todas as fotos foram feitas na Caximba, claro. Detalhe que o cara escreveu “alho” corretamente, mas hesitou e ‘corrigiu’ pra ”alio”.

Alias, já falei sobre isso com muitas fotos:

Em 2012 e de novo em 2015 houve grande onda de invasões na região do Sabará e imediações.

E por isso as pessoas estão morando em solo contaminado com lixo hospitalar.

De volta a Caximba que é nosso tema de hoje.

Ainda existe uma Caximba rural, onde bois e cavalos pastam despreocupadamente, e agricultores vendem hortaliças ‘direto da roça’.

Existe uma Caximba em que os terrenos são enormes, há várias olarias ativas.

Precisa dizer mais?

E uma parte da população do bairro emergiu a média-alta burguesia, morando em elegantes sobrados.

Ao lado disso, a baixada do Rio Barigui (sim, o mesmo que rio acima abriga o parque mais famoso e “chique” da cidade) vem sofrendo grandes invasões, como dito se tornando uma das partes mais miseráveis de Curitiba.

Em 2010 houve a maior das ocupações do local. Batizada a princípio ‘Território Nacional’, depois foi rebatizada com uma data, “29 de Outubro”, aquela que ela foi fundada.

Essa é uma fortíssima tradição na Zona Sul de Curitiba.

Aqui e a direita: nem todo mundo na Caximba é pobre, óbvio. Na via principal do bairro (a Estrada Del. Bruno José de Almeida, antiga ‘Estrada da Caximba’) há residências de alto padrão, quase todas de descendentes dos pioneiros imigrantes da Itália, que acabaram ‘subindo na vida’.

Na própria Caximba, ali ao lado, há a vila ‘1º de Setembro’, e na divisa do Ganchinho com o Sítio Cercado há a vila ’23 de Agosto’. Na Caximba já haviam algumas pequenas ocupações irregulares:

Notadamente a 1º de Setembro que acabo de citar (do lado esquerdo da rua que liga Curitiba a Araucária), e a ‘Sapolândia’ (do lado direito, essa já na margem do rio, e por isso o nome, pois obviamente a várzea alaga com frequência), além de outras menores.

Porém as vilas eram próximas mas não unidas, haviam grandes terrenos vagos entre elas. Terrenos que foram ocupados em 2010.

Assim todas essas vilas antigas e menores se fundiram com a nova e maior, formando o que os cariocas chamam de ‘complexo’, e os mineiros ‘aglomerado’.

Surgiu o Complexo da Caximba/Aglomerado da Caximba, pra usarmos o léxico do Sudeste do país.

Então, recapitulando. Em 2010 surgiu a invasão ‘Território Nacional, a seguir renomeada ’29 de Outubro’, nomes que os moradores usavam. Mas conhecida pela população em geral simplesmente a ‘Favela da Caximba’.

Olaria na Caximba. Nesse bairro e em vários outros no Extremo Sul (Campo de Santana, Umbará e Ganchinho) elas são comuns.

Com a princípio 150 famílias (o que dá perto de 500 pessoas), logo a invasão inchou pra 4 mil moradores.

Acompanhamos tudo isso em nosso canal de comunicação, os pioneiros entre os leitores receberam os relatos ainda no modal do emeio.

Com a promoção pro modal da página fiz uma grande matéria sobre as invasões em Curitiba, que englobou diversos emeios.

Em 2014 saiu com grande alarde na imprensa que foi feita a desocupação da área, sendo retiradas mil famílias. 

Próximas 2: transição entre cidade e campo. Fora da favela os terrenos são enormes, ainda que as casas sejam humildes, de madeira. Isso vale também pros vizinhos bairros do Extremo Sul citados acima.

Eu pensei que era o fim do ‘Complexo da Caximba’, que toda a parte invadida havia sido removida.

Que o ‘Território Nacional’ havia tido apenas 4 anos incompletos de vida.

Imaginei que a maior parte do bairro tivesse voltado a ser de terrenos desabitados, com área verde.

Nada poderia ter sido mais distante da realidade.

Em fins de 2016, navegando pelo ‘Google’ Mapas, vi que a maior parte da região invadida em 2010 continuava ocupada.

Casas mais pobres porém fora da favela, a maioria também de descendentes de italianos, mas esses não se aburguesaram.

Ou seja, continuava com um emaranhado de ruas de terra sem nome e sem iluminação pública.

E com casas (a imensa maioria de madeira pois é Sul do Brasil) muito pobres.

Quase todas sem pintura, em meio a lixo, esgoto a céu aberto, fiação clandestina de eletricidade (gatos).

Fui checar se a filmagem fora feita antes ou depois de 2014, portanto antes ou depois da desocupação.

Pois obviamente se estivesse datado entre 10, 11, 12 ou 13 retrataria uma situação que talvez não existisse mais.

Pinheiros, e tem até pesque-pague (‘pesqueiro’).

Mesmo se fosse de 2014 eu iria conferir o mês, pra saber se antes ou depois da reintegração de posse.

Mas a rua principal foi filmada em “janeiro de 2016”. E nas esquinas se via que as casas continuavam lá, indo fundo no bairro.

Então a ocupação da Caximba não acabou. De fato retiraram mil famílias, mas já haviam muito mais de o dobro disso, e o restante ficou.

Mais uma tomada de uma Caximba e uma Curitiba ainda com sítios e fazendas.

Ademais, depois de 2014 novas invasões ocorreram, se re-assentando no espaço que havia sido desocupado.

Fui até o local, de carro, com familiares. Nesse dia não pude fotografar, demos apenas rápida volta na favela.

Suficiente pra ter certeza, agora com meus próprios olhos: sim, o ‘Complexo da Caximba’ ainda existe e está cada vez maior.

Como disse, a ocupação que começou com 150 famílias 4 anos depois já tinha mais de 2 mil. Metade saiu a força, metade ficou. A favela perdeu parte de suas quadras mas não se extinguiu. 

O ‘Dia dos Chevrolets’. Pude clicar 3 dessas antigas máquinas na ativa. Produzidos nos anos 70 (veja um deles quando novo em Curitiba, “naquele tempo” em que os ônibus ainda eram pintura livre), pois a décadas essa marca estadunidense deixou de fabricar pesados no Brasil (na Colômbia permanece atuando). O da foto maior rodando, mais uma foto na Del. Bruno de Almeida, os outros 2 parados dentro do ‘Complexo da Caximba’. O marrom é o ‘Bigode Grosso’, e está a venda por 13 mil. Pechincha ou não?, você me diz. E o azul tem o para-choque amarrado com fio, certamente o encaixe já quebrou. Mas o bichão taí, lutando, nunca desiste ! Alma Forte!!!!

E como uma hidra em que se você corta uma cabeça surgem outras, de lá pra cá vários moradores desalojados em 2014 voltaram, e outros chegaram pela 1ª vez.

A invasão cresce a todo vapor, como as imagens deixam claríssimo. Agora enfim deu certo de eu ir a pé e sozinho pra poder captar essas cenas.

No meio de 2017 a própria prefeitura estimou a população do ‘Complexo da Caximba’ (somando as vilas novas e antigas) em 7 mil pessoas. Fora do ‘Complexo’ devem morar mais quase mil pessoas na Caximba.

Somando portanto 8 mil, ou perto disso. Até 2020 serão bem mais de 8 mil, se houverem novas invasões 9 ou já beirando 10 mil.

Como a Caximba tinha somente 2 mil habitantes no Censo de 2010, sua população será quadruplicada, quem sabe quase quintuplicada, nessa década.

Configurando-se assim o bairro de Curitiba que mais cresce entre os censos de 10 e 20, pelo menos no quesito proporcional.

………

2010: surge a ocupação na Caximba, a princípio chamada ‘Território Nacional’ (daí a bandeira da Pátria Amada), depois ’29 de Outubro’. Essa é a única foto baixada da rede, todas as demais de minha autoria.

Natural. Curitiba cresce para o Sul, como eu já retratei em detalhes.

Na década de 90, os bairros da cidade que mais aumentaram sua população foram (os números são dos censos de 91 e 00):

Sítio Cercado (Z/S), de 52 pra 102 mil. Simplesmente dobrou, e olhe que a base não era tão pequena, mesmo assim ganhou nada menos que 50 mil pessoas.

Tudo por causa da implantação pela prefeitura (Cohab) do Bairro Novo, em 1992, que se consolidou nos anos seguintes.

Assim vemos que o Sítio, nos anos 90, teve altíssimo crescimento tanto em termos absolutos como proporcionais;

Daqui até o fim todas as imagens retratam o ‘Complexo da Caximba’. Repare que a rua não tem iluminação pública, toda a fiação que puxa luz pras casas é clandestina.

Cidade Industrial, de 116 pra 157 mil. Também acima de 50 mil curitibanos a mais nesse bairro.

A Cidade Industrial fica em sua maior parte na Zona Oeste, mas sua ponta austral está na Zona Sul.

No crescimento absoluto empatou com o Sítio Cercado, mas no proporcional foi bastante elevado (superando os 40%) porém ainda assim bem menos que o Sítio, já que em 1991 a CIC já tinha além do dobro de pessoas que o Sítio Cercado;

Uberaba, de 35 pra 60 mil, agregando 25 mil. Também em grande parte devido a volumosa onda de invasões ocorrida entre 1996 e 1998, com pico em 98.

Tampouco existe rede de saneamento básico. O esgoto corre a céu aberto (com cheiro forte mesmo num dia gelado como aquele que fui lá, imagine no calor).

Entre os bairros que já abrigavam pelo menos 5 mil moradores, teve o terceiro maior crescimento proporcional, 70%.

O Uberaba fica na Zona Leste, mas divisa com a Zona Sul, feita pelo Rio Belém. Eu moro no Boqueirão, Zona Sul. Estou a menos de uma quadra do Uberaba;

Tatuquara, Zona Sul, de 8,1 pra 36 mil, sendo acrescidas quase 28 mil pessoas.

Entre os com já no mínimo 5 mil, maior crescimento proporcional, mais que quadruplicou;

Acima falei dos bairros mais populosos, que já tinham pelo menos 5 mil moradores, e mesmo assim incharam muito nos anos 90, acrescendo entre 25 a 50 mil novos moradores cada.

Repetindo: sem rede de luz oficial – a noite um breu total -, fios clandestinos pras casas.

Malgrado a prefeitura negue de forma falsa, o município de Curitiba ainda conta com pequena Zona Rural em suas extremidades Oeste e Sul.

Como as fotos feitas na Caximba (Z/S) e Augusta e São Miguel (ambos Z/O) comprovem valendo mais que mil palavras.

Assim, obviamente haviam ali até o fim dos anos 80 vários bairros esparsamente habitados, com sua população contada em poucos milhares, ou mesmo na casa das centenas de pessoas em cada um.

E vários desses subúrbios que eram (e ainda são) a transição entre rural e urbano se tornaram mais urbanos na década de 90.

Lote a venda por 12 mil. Sem documentos, óbvio. Você não acha terreno escriturado no município de Curitiba por menos de 80 mil, mesmo nos bairros mais distantes.

Como a base inicial era baixa, eles tiveram logicamente altíssimo crescimento proporcional, malgrado terem ganho cada um apenas alguns milhares de habitantes.

O São Miguel teve o maior aumento em termos de porcentagem de toda cidade, de mil habitantes foi pra 4,9 mil, portanto praticamente quintuplicou.

Como já dito e é notório, S. Miguel é Zona Oeste. Mas não muito longe da Zona Sul, tanto que os alimentadores que o servem vão pra terminais da Z/S, ou ligam a Z/S a Z/O.

O Ganchinho, também Zona Sul, foi de 2,6 pra 7,3 mil. Bem mais que dobrou, não faltou muito pra triplicar.

Por toda a parte nova da invasão na baixada do rio se acham esses depósitos de entulho. Servem pra aterrar os terrenos, pois a terra originalmente é balofa (afunda ao pisar) e alagadiça. Natural, pois estamos na várzea do Barigüi.

A própria Caximba que vemos aqui triplicou na década de 90.

Tinha somente oitocentos e poucos moradores em 1991, ainda na casa dos 3 dígitos portanto. Em 2000 eram 2,4 mil caximbenses.

O Campo de Santana (que fisicamente fica entre Tatuquara e Caximba e assim obviamente também na Zona Sul) pulou de 4,1 pra 7,3 mil. Perto de 80% de aumento.

A base do C. de Santana já era bem maior que a da Caximba e S. Miguel. Enquanto esses outros dois oscilavam perto do 1º milhar, o Campo de Santana já tinha 4 vezes esse número.

Assim logicamente o crescimento proporcional foi menor.

Cena triste, amplie pra ver: pessoas reviram os resíduos, na busca de material reciclável. Mesmo nessas condições novas casas surgem o tempo todo, sinal que tem gente que necessita estar ali. Alguns dizem que Curitiba é de “primeiro mundo” . . . Piada sem graça! Alias, na Caximba me lembrei da Pratinha, uma das favelas mais miseráveis de Belém-PA.

Portanto dos 8 bairros que mais cresceram nos anos 90 (incluindo proporcional e absolutamente), 5 (Sítio Cercado, Tatuquara, Caximba, Ganchinho e Campo de Santana) ficam integralmente na Zona Sul.

Uberaba na Zona Leste, mas limítrofe a Sul. Cidade Industrial majoritariamente na Zona Oeste, mas um pequena porção também na Sul.

E São Miguel logo atrás da CIC, assim também na Z/O, mas não longe da Z/S.

Nenhum na Zona Norte, e nem mesmo na Z/O e Z/L mas próxima dela.

Próximas 2: sinalização não-oficial, feita pelos próprios moradores. Nessa placa imitaram o azul e o desenho da sinalização oficial, mas as letras são distintas.

…….

Após um grande pico nas décadas de 70, 80 e 90 (nesse ensaio analisamos somente a última dessas 3) o crescimento populacional de Curitiba arrefeceu bastante após a virada do milênio.

Essa situação que se repete na maioria das capitais do Centro-Sul. Falando especificamente da capital do Paraná:

Nos anos 90 dois bairros tiveram aumento de 50 mil pessoas cada, mais dois em pelo menos metade desse número.

Já na primeira década do milênio os quatro primeiros ganharam entre 12 a 20 mil, cada um deles. Respectivamente (nos censos de 2000 e 2010):

E aqui pintaram nas paredes. A rua principal da parte nova (de 2010) foi batizada “Av. do Comércio”. Aqui na esquina com a “1º de Setembro”. Essa, por sua vez, é a via principal de outra vila (nomeada com essa data) que já existia antes, e foi fundida com a nova invasão formando o ‘Complexo’. Detalhe: diz ‘cabeleireira‘, mas dentro há uma mesa de sinuca.

Campo de Santana, pulou de 7 pra 27 mil. Maior aumento absoluto e proporcional.

O único que atingiu 2 dezenas de milhares de novos habitantes, nada menos que quase quadruplicando sua população.

A razão pra isso que a partir de 2003 ali foi implantado o Rio Bonito.

Uma fazenda foi fracionada em milhares de lotes urbanos, se tornando parte da cidade.

Trata-se de um projeto similar ao Bairro Novo da década anterior, a única diferença é que o Rio Bonito é um empreendimento particular, e não da Cohab. 

Próximas 5: eu subi a rua 1º de Setembro. Quando saí da parte nova e entrei numa vila mais antiga que tem esse exato nome como já dito, a via passa a se chamar “Rua Principal”.

O vizinho Tatuquara continuou crescendo bem, e foi de 36 pra 52 mil curitibanos ali residentes.

Portanto 16 mil novos tatuquarenses em 10 anos, superando os 40% de aumento.

A Cidade Industrial veio logo atrás com 15 mil habitantes a mais, de 157 pra 172 mil. Se no absoluto quase empatou com o Tatuquara, no proporcional foi bem menor, por volta de 10%, pois a base era bem maior.

O auge do CIC foi antes, nos anos 80, quando o bairro ganhara impressionantes 70 mil novos moradores em apenas 10 anos.

Recorde que irá perdurar por toda história de Curitiba, e que também tornará o CIC pela eternidade o bairro mais populoso da cidade, salvo uma hecatombe nuclear.

Digo, do lado a direito da rua é a parte antiga, e que por isso já conta com rede de eletricidade oficial. A esquerda da via outra invasão bastante recente. Aqui já estamos numa parte mais alta, que não alaga. São muitas invasões pela região, umas recentes e outras não. Tudo agora ‘junto & misturado’.

– O Uberaba igualmente manteve um ritmo elevado por mais uma década, e pulou de 60 pra 72 mil pessoas ali vivendo.

12 mil a mais portanto, fechando a lista dos que aumentaram superando a dezena de milhar. No proporcional já não impressiona tanto, 20% de acréscimo.

– Afora o Campo de Santana que liderou no absoluto e proporcional, em termos percentuais depois vem a Augusta (Zona Oeste, ao lado do CIC e São Miguel) que passou de 3,6 pra 6,5 mil, crescendo mais de 80% na década.

A causa é que a prefeitura implantou ali diversas Cohabs, além de loteamentos particulares.

Houve também em 2003 uma grande invasão na divisa com o CIC, chamada inicialmente ‘Colina Verde’.

Postes de luz oficiais, sim. Mas também sem saneamento básico.

Também na Zona Oeste, o Mossunguê passou bem perto, faltou pouco pra atingir 70% de crescimento. Subiu de 5,6 pra 9,6 mil.

E nesse caso o crescimento foi majoritariamente na alta burguesia, classe alta e média-alta.

Como é sabido, ali foi implantado o que é conhecido pelo pomposo nome de ‘Ecoville’.

Trata-se da ‘Barra da Tijuca Curitibana’, um subúrbio afastado na Zona Oeste de prédios caros.

Só aqui não tem praia, óbvio (por curiosidade já que traçamos paralelos com o Rio, a ‘Copacabana Curitibana’ é o Parolin, na Zona Central – também sem mar, infelizmente).

De volta a Zona Sul, o Ganchinho subiu 50%, de 7,3 pra mais de 11 mil.

Igualmente emplacou a segunda década consecutiva se expandindo fortemente.

Ainda a “Rua Principal” da Vila 1º de Setembro.

Resumindo: um bairro da Zona Sul liderou com sobras tanto proporcional quanto absolutamente.

No absoluto, os que vem a seguir são ou na mesma Z/S (Tatuquara) ou respectivamente nas Zonas Oeste e Leste mas adjacentes ou com uma parte na Sul (CIC e Uberaba).

No proporcional, o 2º e 3º de maior elevação são na Zona Oeste, esses bem longe da parte austral da cidade. Mas a seguir mais Zona Sul.

Volta a parte nova na baixada do rio. Alias aqui e na próxima tomada exatamente o Barigüi, note que as construções as suas margens seguem incessantes.

………

E, disse tudo isso pra chegar aqui, a década de 10 ainda está longe de findar.

Mas é certo que a Caximba, que quadruplicará sua população nesses 10 anos, irá liderar no crescimento proporcional entre os 75 bairros (no absoluto vamos aguardar pra ver).

A esquerda na imagem Araucária. A direita Vila Sapolândia, Curitiba, uma vila anterior a 2010, mas que se uniu a parte nova no ‘Complexo da Caximba’.

Crescimento esse da Caximba que é conturbado, não restam dúvidas.

No ‘Complexo da Caximba’ a infra-estrutura é precaríssima, como notam e é notório pra quem conhece.

Bom, alguns criam que Curitiba estaria se ‘gentrificando’.

Mas 4 cenas da favela: sua alta densidade, os ‘gatos’, ruas de terra que enlameiam.

Ou seja, se aburguesando demasiadamente, empurrando a classe trabalhadora pra região metropolitana.

Nada pode ser mais distante da realidade, repito de novo.

Digo, sim, boa parte de Curitiba vem mesmo se aburguesando.

Mas na Caximba ainda há espaço pra pessoas das classes ‘D’ e ‘E’.

Aqueles que não podem pagar uma prestação habitacional e nem mesmo um aluguel barato.

Resumindo, aqueles que apenas sobrevivem primeiro, e depois, só depois de ter comida no prato, é que sonham em consumir qualquer supérfluo.

No Extremo Sul da cidade ainda há um local, apesar que bastante precário, que pode abrigar esses Homens e Mulheres que a sorte deserdou.

Curitiba cresce para o Sul. E nem sempre de forma ordeira, não custa enfatizar de novo.

Definitivamente, como dizem os ‘manos de rua’: “Zona Sul – aqui Curitiba é diferente”.

Vendo essas imagens, quem poderia duvidar???

Que Deus Pai e Mãe Ilumine a todos.

“Ele/Ela proverá” 

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Terra Amada & Querida: Joinville, Santa Catarina

Terra dos Ônibus Amarelos e da (finada) Busscar.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 13 de março de 2017

Fui mais uma vez a Joinville, Santa Catarina (segundo alguns ainda pertence ao Paraná, abordo essa questão mais abaixo).

E dessa vez levei a câmera, pra produzir esse ensaio fotográfico. Bastante incompleto, é verdade.

A Joinville germânica.

Bem fotografado, com calma e de dia, pude me focar somente no Portal e o Centro e imediações.

Já no apagar das luzes (literalmente!) chegamos ao mar, no Espinheiros (sim, Joinville tem mar. Muitos não sabem disso. Também volto ao tema).

E entre o Centro e o pequeno porto marítimo cliquei rapidamente alguns relances de uma vila de periferia, entre as Zonas Leste e Norte.

Cidade da Dança, Cidade das Flores (já desenhei uma Marília joinvillense, numa loja florida, seguindo a tradição alemã).

Melhor que nada. Um outro dia que eu retornar ampliamos a postagem. Aqui já serve como boa introdução.

Acabando de virar a marca do meio milhão de habitantes, Joinville é o município mais populoso de SC.

Mas não é a ‘maior cidade do estado’, como muitos erroneamente afirmam.

E é fácil entender o porque: cidade e município são conceitos diferentes. Podem coincidir, mas não necessariamente.

A famosa ‘Rua das Palmeiras’.

‘Cidade’ é a urbe, uma mancha urbana contígua, independente de divisões políticas.

Quando vários subúrbios metropolitanos conurbam com um núcleo, uma cidade passa a ser multi-municipal.

Assim fica fácil entender. É fato que no município de Joinville mora mais gente que no município de Florianópolis.

Ainda assim, a cidade que é a Grande Florianópolis abriga muito mais pessoas que a Grande Joinville, portanto a capital e seu entorno são a maior cidade de SC.

E a Beira-Rio no Centrão.

Seja como for, Joinville é o epicentro industrial de Santa Catarina, e por isso disparado o maior PIB do estado – simplesmente o dobro de Florianópolis!

E é a maior cidade do interior catarinense.

…………

Vamos descrevendo as imagens, aí a gente vai falando um pouco mais de Jvlle. Sua origem é alemã, como é de domínio público. Isso fica evidente na arquitetura da cidade (na África do Sul vi prédios similares).

Voltando ao Brasil, há um outro detalhes numa dessas imagens em que aparecem os prédios típicos teutônicos. A direita cartaz do Hercólobus (também já clicado no Chile).

Segundo a Ciência Oculta, um ‘planeta intruso’ que não faz parte do sistema solar, mas que passará perto da Terra nesse começo de milênio, ocasionando muitas mudanças no nosso planeta. Vamos ver no que dá . . .

Nas placas, abaixo da denominação atual da rua, estão grafados os nomes antigos que ela já teve ao redor de sua história. É uma característica de S. Catarina. Já fotografei o mesmo em Florianópolis.

Na capital, de colonização açoriana, mesmo os nomes que já caíram em desuso são no idioma português.

Em boa parte do interior, antigamente as ruas e avenidas antes eram ‘weg’, ‘strasse’, etc. É o caso aqui:

Amplie a foto acima e verá:

Na atual esquina das ruas do Príncipe e XV de Novembro antigamente se encontravam a ‘Ziegeleistrasse’ e ‘Mittelweg’, respectivamente.

Alias ela mostra bem o comecinho da XV de Novembro, no Centrão.

A direita vemos o cruzamento dessa mesma via com a BR-101, já do outro lado do Portal.

Na foto a seguir, a placa é exatamente a mesma. Eu apenas girei a câmera pra direita.

E aí aparece o Moinho que há na entrada principal da cidade, visto agora melhor enquadrado.

Nele funciona uma chopperia, se não me engano

Ao lado do portal há um totem, onde está escrito “Bem-Vindo” em português e alemão. 

Mais abaixo na página há uma foto em que ele aparece claramente.

Aqui nos centremos no que há atrás dele:

Outra placa bi-língue, a que comemora a amizade entre Joinville e a cidade de Langenhagen, Alemanha.

Foi firmada entre os prefeitos, no ano de 1980.

Certamente em Langenhagen há outra equivalente, apenas na ordem invertida dos idiomas.

………..

Como é sabido, no Norte do continente europeu (Alemanha e imediações, como a Holanda) é muito forte o costume de andar de magrela.

Assim essa é outra herança germânica: Joinville é também a ‘Cidade do Pedal’.

Várias avenidas têm ciclovias (fotografei uma delas), e uma das atrações é o ‘Museu da Bicicleta’.

Por falar em museus, em imigrantes e em tempos idos:

Numa das pontas da ‘Rua das Palmeiras’ está o Museu da Imigração.

E bem no meio desse calçadão há uma série de totens em preto-&-branco contando a história do lugar.

Fotografei uma das placas, aquela que registra a passagem do Zepelim.

JOINVILLE-PR, OPS, DIGO SC –

Assim como, Energeticamente falando, Curitiba é a transição entre o Sul e o Sudeste, Joinville é a transição do Paraná e Santa Catarina.

Posto de outro modo: em muitos aspectos culturais Joinville é uma cidade paranaense.

Joinville é muito perto da capital do Paraná, apenas 130 km cobertos por pista dupla, então é muito influenciada por Curitiba.

Joinville é quase uma ‘filha espiritual’ de Curitiba.

Pra um curitibano, andar no Centro de Joinville é como estar em casa, tamanha a quantia de empresas curitibanas que têm filial lá.

Se uma imagem vale por mil palavras, observe a esquerda: o primeiro centro comercial (“shopping”) de Curitiba é também o primeiro de Joinville. Um exemplo entre muitos.

Na tomada acima outra avenida com ciclovia.

Mas nessa e na ao lado, quero chamar a atenção pra outro detalhe que Joinville herdou de Curitiba:

A pichação de muros – e agora também dos telhados.

O alfabeto, a nomenclatura dos grupos, o material, o ‘modus operandi’, toda a parafernália resumindo que é aplicada lá são xerox exato do que se faz por aqui.

Sendo que a ‘escola’ curitibana nesse quesito já havia sido ela mesma importada de São Paulo.

Alias devo dizer que a ‘arte’ de rabiscar essas insígnias inelegíveis ao leigo subiu muitíssimo de patamar – não é modo de falar – recentemente.

Quero dizer com isso o seguinte: até a última vez que eu havia ido a Jvlle (2013, 4 anos antes) já havia pichação ao nível do solo.

Porém ainda não era comum escalarem os prédios pra ‘assinarem’ os telhados. Agora se alastrou essa técnica.

ESPINHEIROS, ZONA LESTE – A “PRAIA” DE JOINVILLE –

Viram que tempestade se armou quando nós íamos pra periferia? Joinville tem problemas seríssimos com alagamentos, já eu falo mais disso.

Por hora, falemos do que vimos no subúrbio.

Subúrbio da Z/L da cidade, bairro Espinheiros. Onde o Mar e Joinville se encontram.

Muitos desconhecem esse fato, nem imaginam que Jvlle também é beijada pelo Oceano Atlântico.

Próximas 2: Avenida JK, na Zona Central.

Mas é. Nós nos perdemos numa esquina que não tinha sinalização pra quem é de fora, e fomos parar no Iririú.

Por isso cheguei no último momento possível de iluminação pra registrar o encontro entre Mar e Terra.

5 minutos a mais, e essas imagens não teriam saído. Deus Pai/Mãe permitiu e deu certo, ainda que no limite.

Pus “praia” entre aspas porque Joinville tem mar sim, mas praia não. Pois não há faixas de areia.

Como também acontece em Paranaguá e Antonina, no Paraná, Santo Domingo no Caribe, e diversas outras metrópoles ao redor do globo.

……….

De volta a Joinville. Hoje a cidade tem mar, mas um dia não teve.

Ainda na próximo ao Centro, fotografei um jardim decorado com estátuas (em Ponta Grossa-PR também).

Explico: o bairro de Espinheiros, que é uma ilha e o único que tem litoral, antes não pertencia a Joinville, mas ao vizinho município de São Francisco do Sul. 

Alias isso nos leva a uma característica única de Joinville: 

O município vai aumentando de tamanho, pois absorveu dois bairros que pertenciam a seus vizinhos a leste.

Espinheiros foi incorporado de São Chico, como acabo de dizer.

Próximas 3: periferia da cidade, ruas de terra, casas de madeira.

E partes do bairro da Itinga se desmembraram de Araquari e foram anexadas ao município de Joinville.

Curioso isso, não? Geralmente no Brasil acontece o contrário, os municípios perderem área com emancipações.

Itaperuçu se separou de Rio Branco do Sul, e Pinhais de Piraquara, pra citar dois exemplos da Grande Curitiba.

Em Joinville o caso foi distinto. Não houve emancipação, e sim transferência.

Ou seja, nenhum município novo foi criado, e sim bairros de municípios já existentes se mudaram pra jurisdição de outro município também já instalado há tempos.

…….

Estamos vendo cenas do subúrbio proletário.

Esse é o perfil médio dos bairros mais humildes da cidade.

Muitas casas de madeira pois é Sul do Brasil. E ainda há muitas ruas de terra, já falo mais disso.

Joinville tem pouquíssimas favelas. Apenas umas 5, e bem pequenas.

Ao lado (na única foto que não tirei pessoalmente, essa foi via ‘Google’ Mapas) uma delas.

Próximas 6: classe média na Zona Central. No texto seguimos falando do subúrbio.

Pra meio milhão de habitantes, não está mal.

A proporção de miseráveis por habitante é mais ou menos a mesma de Santiago do Chile.

E essa é ao lado de Montevidéu-Uruguai a capital latino-americana com menos desigualdade social.

De volta a Joinville, há um mito que a cidade não tem favelas. é mentira.

Existem sim algumas pequenas invasões miseráveis na cidade. São poucas, pequenas e bem afastadas. Mas existem.

Se concentram nos bairros Ulisses Guimarães Paranaguamirim, na divisa entre as Zonas Leste e Sul.

…….

Então está dito. Sim, Joinville tem mar, e tem algumas poucas favelas.

Ainda assim, indiscutivelmente são raras. Até as encostas dos morros de Joinville não são favelizadas.

Não pense que esse é o padrão de toda Santa Catarina, amigo.

Porque em Blumenau, na Grande Balneário Camboriú/Itajaí e na capital Florianópolis a situação é diametralmente distinta.

………

Comparando Joinville e Curitiba: a capital do Paraná tem muito mais miséria. 

Nas próximas 2, imediações da Avenida Beira-Rio. Aqui a prefeitura (também cliquei as de Curitiba e Assunção-Paraguai). A esquerda mais palmeiras, essas são na Beira-Rio como dito, e não na ‘Rua das Palmeiras’ que sai na JK, mostrada logo a seguir.

Incomparavelmente mais, inclusive em termos per capita.

Bem, como disse, proporcionalmente Joinville iguala Santiago e Montevidéu, as duas capitais com menos favelas da América Latina.

(Nota: Buenos Aires, ao contrário do que muitos ainda pensam, é bem diferente, e está coalhada de miseráveis.

Breve grande série com tudo isso ilustrado, uma vez que eu estou indo pra Argentina na mesma semana em que levanto essa postagem pro ar.)

Já Curitiba segue o mesmo padrão de Buenos Aires, com intensa desigualdade social.

Mesmo bem próximo ao Centro há duas grandes favelas, as Vilas Capanema e Parolin.

Ambas já urbanizadas mas a situação segue problemática em muitos quesitos.

E nas periferias da capital paranaense há mais favelas ainda, obviamente, inclusive em morros.

Próximas 2: flores na Zona Central. Essa sim mostra a ‘Rua das Palmeiras’, evidente.

Pra compensar, Joinville tem muito mais ruas ainda de terra que Curitiba.

Bem, a capital do Paraná já pavimentou quase 100% de suas vias.

Evidente, quando surge uma invasão as vias são de leito natural, ao menos no início.

Registrei recentemente algumas na Cidade Industrial e entorno, Zona Oeste.

Mas afora isso, mesmo nos bairros mais periféricos é difícil ver uma via sem pavimentação no município de Curitiba.

Elas ainda existem, mas é preciso caminhar bem no subúrbio pra encontrar.

A maior cidade do interior catarinense ainda está por dar esse passo.

……..

Já seguimos com o texto. Uma pausa pras flores da ‘Cidade das Flores’.

Indo pro Espinheiros, fotografei mais uma ‘amarelinho’ Busscar, ao fundo a tempestade que se formava (esq.). Primeiro falemos do busão. A Busscar, que era de Joinville, começou como Nielson, e até 1987 só fabricava ônibus rodoviários.

Nesse ano ela lançou o modelo Urbanus. Em 1989 veio a mudança de nome pra Busscar.

Nos anos 90 a Busscar se expandiu enormemente, abriu filiais na Colômbia. Nesse país vizinho, que visitei em 2011, a Busscar é um ícone, quase um mito.

No auge, os anos 90 e a 1ª década do novo século, 100% da frota de Joinville era Busscar (incluindo municipais e metropolitanos). Ou pelo menos 99%, houve uma vez que fui lá e haviam uns pouquíssimos Comil, e somente numa linha, a pra Vila Nova se não me engano.

Porém a coisa desandou, e a Busscar faliu no início da década de 10. Aí as viações de Joinville tiveram que comprar de fabricantes diversos.

Ainda me lembro do choque que tive em 2013 ao ir lá e ver pela primeira vez outras marcas em grande quantidade, especialmente Marcopolo, Neobus (que é Marcopolo) e Comil.

Agora, em 2017, a frota joinvillense conta com enorme presença de busos mais novos dessas 3 montadoras gaúchas citadas no parágrafo anterior.

Atualmente os ônibus de Joinville contam com uma película negra ao redor das janelas, o que não ocorria antes. Há muitos Marcopolos também, mas as fotos que fiz deles não ficaram boas.  Na foto acima um Comil, nas duas próximas veículos da Neobus.

A esquerda um municipal saindo do Terminal Central (onde recentemente foram vistos ônibus de Curitiba e Recife-PE, operando emprestados em ‘Tabela Trocada‘).

Note mais uma vez a placa de rua com o nome antigo em alemão.

É claro, ainda há muitos Busscar remanescentes de antes da quebra.  Quando escrevo esse texto (início de 2017) circulavam rumores que a Caio de São Paulo poderia comprar a Busscar. Veremos se a negociação se concretiza.

“PRIMEIRA CHUVA A ESQUERDA”: O CÉU DE JOINVILLE –

Esse ônibus mais escuros (e sem película negra ao redor dos vidros) são metropolitanos, de Joinville pra Araquari ou pra São Francisco do Sul via Araquari. São Chico é uma ilha, tem praia e porto, e é outra cidade, ou seja, embora próxima não é um subúrbio de Joinville, pois  conta com mais de 40 mil habitantes, e tem vida econômica e cultural própria. Já Araquari é bem menor, e emendada a Joinville pelo bairro da Itinga. Assim, podemos dizer que Araquari é o único subúrbio metropolitano da Grande Joinville. Em Araquari está a fábrica da BMW no Brasil, se alguém não sabe.

E quanto a chuva: Joinville tem um problema crônico de enchentes, como é sabido. Comprovamos isso na prática.

Viram a tempestade que se armava quando nos dirigíamos pro Espinheiros. Na volta choveu forte. Apenas 20 minutos, mais ou menos. Ao chegarmos ao Centro o céu já havia limpado.

Mas cobrou seu pedágio. O Centro estava bastante alagado. Fotografei, mas como o fiz a noite e num carro em movimento não deu pra aproveitar as imagens.

Entretanto quem conhece Joinville sabe que é assim mesmo. E não chegou a cair água por meia-hora, ressalto de novo.

Imagino como teria ficado a cidade com uma hora, ou pior, com duas horas de chuva forte.

Como os joinvillenses indicam como chegar a sua cidade pra quem sai de Curitiba? “Você pega a BR-101, na 1ª chuva a esquerda é Joinville”. Essa piada já resume a intensa relação que a cidade tem com as nuvens carregadas e o consequente aguaceiro que cai do céu.

Aterrissemos de novo ao nível do solo. Veja acima com quais ícones o jornal local A Notícia identifica a sessão ‘geral‘:

Em Santa Catarina os pontos de ônibus são numerados. Essa é a segunda parada da Rua João Colin. Fotografei o mesmo na capital.

Arquitetura alemã; Rua das Palmeiras; Bicicletas; Bailarinas; Flores; o Moinho; e o último desenho não consegui decodificar.

Assim é o ‘ethos’, o ‘mito formador’, assim a Alma de Joinville enxerga a si própria.

No entanto, é preciso fazer um adendo: obviamente a gênese da cidade é germânica.

Mas muitos que não foram até lá podem imaginar que até hoje a imensa maioria dos joinvillenses é loira de olhos azuis.

E se duvidar alguns ainda nem sequer se comunicam em português nas ruas. O estereótipo gruda forte na mente das pessoas. Porém nada poderia ser mais distante da realidade.

Na colagem, um pouco dos hábitos alimentares: um refrigerante local – por isso me refiro ao Norte de SC, esse aqui é feito em Blumenau; Uma lanchonete bem simples do Centrão oferece mostarda preta. Como é o mapa da mostarda no Brasil? No interior do Sul é universal, oferecem inclusive a preta como é o caso aqui. Em Curitiba e São Paulo a essa versão mais forte é mais difícil, mas a clara está sempre presente. Em Belo Horizonte-MG existe mostarda nas lanchonetes populares mas menos. Enquanto que em Brasília-DF já é improvável achar, e no Norte e Nordeste é praticamente inexistente onde servem o povão, comum só na Beira-Mar e centros de compras onde vão os turistas; – Por fim: os catarinenses adoram pôr milho e ervilha nos lanches. Vi o mesmo em em Mafra/Rio Negro, na divisa SC/PR.

O tempo passou, os descendentes de alemães se abrasileiraram, e, mais importante, novas levas de imigrantes americanizaram totalmente a cidade.

(Nota: mais uma vez lembro que por ‘americanos’ me refiro sempre ao continente América, e jamais aos EUA, cujos habitantes são os ianques ou estadunidenses.)

Como Curitiba, na segunda metade do século 20 Joinville foi fortemente povoada por imigrantes do interior do Paraná. Por exemplo:

No bairro Comasa antes de Espinheiros há um subúrbio da cidade chamado nada menos que “Vila Paranaense”, o que sintetiza a questão.

Em relação a esses paranaenses de nascimento e joinvillenses por adoção, parte dos antepassados deles já haviam vindo do Rio Grande do Sul, e desses a maioria são também descendentes de europeus.

Fechamos a parte sobre Joinville como abrimos: mostrando o Portal. Uma síntese de como a cidade se vê, homenageando a arquitetura alemã, as dançarinas da balé e as flores.

Porém boa parte veio do Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais, que já têm uma composição racial diferente. Tudo somado:

É claro que a maioria dos Homens e Mulheres de Joinville são brancos, não a maioria loiros mas de tez mais alva sim.

Entretanto, há minoria significativa de negros e mestiços.

Se alguém crê que Joinville lembra os Alpes da Áustria na sua composição racial, nada pode ser mais fora da realidade, repito.

Énessa tomada que aparecem as boas-vindas de forma bilíngue, que citei acima.

Breve farei um desenho ilustrando essa situação.

Portanto, tanto na classe média quanto na periferia, Joinville é ligada ao Paraná,

Óbvio que ela também é fortemente conectada a Santa Catarina em muitas dimensões além da política.

Acabamos de ver isso nos pontos de ônibus e na alimentação, por exemplo.

Não estou querendo ‘roubar’ a cidade do estado vizinho. O que quero dizer é que Joinville é um Portal de Energia, se você entende o que esse termo significa.

(Talvez por isso seu símbolo mais forte na dimensão física é exatamente um portal, e por isso pus acima manchete essa imagem).

Conectando Paraná e Santa Catarina, unindo essas duas sintonias pra que a transição seja suave.

(e de brinde) “Vamos a praia”: itapoá, santa catarina

Joinville tem mar, mas não tem praia. E como nós queríamos ir a praia, entrar no mar, a solução foi ir pra Itapoá.

Ao lado vemos o amanhecer de5 de março de 2017 no mar de Itapoá.

Trata-se de uma pequena e jovem cidade. São apenas 14 mil habitantes fixos. Boa parte das casas é de veraneio, sendo porção significativa delas de propriedade de curitibanos.

Itapoá, como Joinville, é bastante ligada ao Paraná. Várias lojas aqui de Curitiba anunciam que entregam “no Litoral do Paraná e Itapoá”.

Quase que anexando na prática a 1ª praia catarinense (no sentido norte-sul) ao estado ao lado.

Itapoá foi desmembrada de Garuva em 1989. Por sua vez, até 1962 tanto Garuva quanto Itapoá pertenciam a São Francisco do Sul.

Seja como for, notam que eu fotografei “as Flores e o Mar”.

E também o Sol nascendo no mar, o que eu já havia feito em Bombinhas, também no Litoral Norte de Santa Catarina.

Em Itapoá pegamos forte tempestade, como ocorrera na véspera em Joinville. Registrei ela se formando sobre o Oceano.

E depois, debaixo do temporal muito intenso, cliquei   mais algumas flores e o atracadouro de navios da cidade.

O porto está em ampliação, e portanto trazendo mais empregos a Itapoá – na esteira, mais moradores fixos.

Sendo no Sul do Brasil, claro que não faltariam casas de madeira a Itapoá.

Mesmo do carro em movimento, consegui enquadrar uma em qualidade suficiente pra publicar, e abaixo você confere.

Enfim, adaptando a música, “É bom passar uma tarde em Itapoá, ao Sol que arde em Itapoá”.

Nesse caso o Sol ardeu mesmo, mas só de manhã. De tarde ficou tudo cinza e dá-lhe água e raios desabando das nuvens.

Foi bom também. Eu Sou Taoista, e gosto da chuva. Fechou com chave de ouro nosso FDS em SC.

Deus Pai-Sol/Mãe-Chuva proverá”

Linha Turismo: a Curitiba que sai na TV

lado a, lado b: esse é o lado ‘a’ da cidade

outra postagem: "Linha Turismo, Curitiba Sai na TV" Parques mapa ctba desenho divisão zonas área verde itinerário roteiro traçadoPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 6 de janeiro de 2017

Em dezembro de 16, andei novamente na Linha Turismo.

E dessa vez eu fotografei os bairros pelos quais o ônibus passa. Digo, na matéria original (sem incluir atualizações) todas as fotos são de minha autoria, mas nem todas desse dia.

A imensa maioria sim, mas algumas imagens puxei do arquivo, afinal se eu já tinha aquela cena registrada por que repetir?

Museu Olho Centro Cívico z/c ctba oscar niemeyer escultura

Aqui e a esquerda o tótem: ‘Museu do Olho’ (Oscar Niemayer), Centro Cívico, Z/C.

Feitos esses apontamentos técnicos, bora de volta falar da Linha Turismo. Já levantei pra rede algumas flores que estão no roteiro.

No mapa vemos o trajeto do ônibus 2 andares. Como eu já disse antes e é notório: a Linha Turismo concentra 95% do trajeto nas Zonas Central, Oeste e Norte.

Na Zona Leste ela entra rapidíssima (só o Jardim Botânico) e a Sul ela ignora por completo.

……..

Pois aqui, repetindo, é “a Curitiba que sai na TV”, o “Lado A” da cidade. Pra complementar essa matéria, veja o “Lado B”, exatamente o contrário, a “Curitiba “que não sai na TV”.

totemAlém desse, em vários outros textos nós mostramos a parte da cidade que não é turística. Por exemplo, eis o ‘Portal da Zona Sul’, que não foi contemplada com a passagem desse ônibus.

Ali estão ancoradas diversos ensaios fotográficos que fiz em bairros periféricos da Z/S. Quem não é daqui vai então ficar sabendo o porquê do roteiro ter sido assim traçado.

……….belem

A periferia, não apenas a austral mas de toda Curitiba e Região Metropolitana, é abordada em outros ensaios. No tema de hoje nós vamos ver a porção turística, rica, e arborizada da capital do Paraná.

Vou descrevendo o trajeto, bem ilustrado com fotos. Quando eu já tiver feito outras postagens sobre aquele bairro, eu dou a ligação em vermelho.

arco-polonesTudo isto posto, vamos lá.

Eu comecei no ‘Museu do Olho’ (Oscar Niemayer), Centro Cívico, na Zona Central. Visto acima nas tomadas legendadas.

Cruzamos o Rio Belém (dir.).jd-schaffer-4

Acima, entrando num pequeno trecho da Mateus Leme, passamos sob o Portal Polonês.

Bem próximo ao Bosque João Paulo 2°.

jd-schafferFiz um desenho em que mostro o Belém, o Bosque do Papa e o Museu do Olho ao fundo.

Acima e nessa imagem ao lado: Jardim Schaffer.

Uma região de alto padrão, como notam, onde está o Bosque Alemão.

Não pude fotografar esse parque porque ele ficou a direita do ônibus.

pedreira ctba z/n abranches rua portões portão entrada portal bosqueE como vocês notam em várias tomadas, eu me sentei a esquerda do busão.

Pelo mesmo motivo não cliquei o Parque Tanguá, Jardim Botânico, entre outras paradas.

Peço desculpas, mas não havia como ficar trocando de banco, tive que escolher um assento e me fixar nele.

ópera arame abranches Z/N bosque teatro ponte metal ferro árvore verde parque lago águaSeja como for, o Schaffer (cujas algumas ruas têm nome de compositores de música clássica) não é um bairro independente, mas uma ‘vila’.

Uma vila de elite, claro. Ainda assim, os bairros a que o Schaffer pertence são a Vista Alegre e Pilarzinho, na divisa entre as Zonas Oeste e Norte.

Já pedi desculpas e expliquei porque não fotografei o Bosque Alemão e Parque Tanguá. parque são lourenço outra postagem: "Linha Turismo, Curitiba Sai na TV" z/n placa vertical ctba canal tótem totem árvore bosque banca lanchonete comércio trânsito avenida ladeira

Nas duas fotos acima vemos o Abranches.

A direita acima é o portão de entrada da Pedreira Paulo Leminski.

geminado-pilarzinhoE passarela dá acesso aquela construção tubular redonda entre o verde que é a Ópera de Arame.

A passarela também é de arame, e portanto vazada. Por isso criaram a ‘Faixa do Salto-Alto‘ no canto.

Já fiz matéria específica sobre a região, onde eu explico melhor a história.verde-4-pil

Curiosidades calçadistas femininas a parte, a rua da Pedreira e Ópera (João Gava) desemboca no Parque São Lourenço. Acima a direita o tótem dele.

Depois o busão retorna ao Pilarzinho.

As próximas 8 imagens (contando a partir dos sobrados geminados a esquerda) são desse grande e populoso bairro da Zona Norte.

pilarzinho-4Alias como veremos por seu considerável tamanho o Pilarzinho tem uma heterogeneidade social muito grande.

Antigamente o bairro já tinha sua porção mais central bem aburguesada. madeira-pilarzinho-3

Mas sua parte mais afastada do Centro, bem próxima de Tamandaré, era periferia mesmo.

Agora o aburguesamento avança rum ao subúrbio, então tudo convive:

pilarzinhoSobrados triplex de meio milhão de reais (ou mais), sobrados mais simples e prédios classe-média.

E ainda restam certas partes de periferia com casas simples de madeira e mesmo algumas favelas.

……..pilarzinho-5

Alguns detalhes se sobressaem:

Veja quanta área verde.

Nas Zonas Norte e Oeste Curitiba é uma das cidades mais arborizadas do mundo.

lote-pilarzinho-2Próximas 2 tomadas:

Ainda no Pilarzinho, vemos a periferia típica do Sul do Brasil. Como já falamos muitas vezes:

Casa de madeira;

lote-pilarzinho

Aqui se encerra a sequência do Pilarzinho.

Terreno enorme, dá pra fazer um campo de futebol;

– Muro baixo, ou mesmo uma cerquinha de madeira;

– Sem calçamento nem fora nem dentro do terreno.

Flagramos até um Fuca na ativa!, como você pode observar.

Mas tudo isso está mudando.

taboaoA Zona Oeste e em menor medida vários bairros da Norte concentram boa parte dos grandes terrenos ainda vagos dentro da cidade.

Fora dali, isso só acontecia até recentemente também no Uberaba (Zona Leste) e Xaxim (Zona Sul).

Por isso todos esses bairros foram os que mais cresceram nas últimas duas décadas e meia.

pq-tingui-3Exatamente por terem mais espaço disponível.

Repare que na foto acima da do Fusca o gigante terreno já tem placa de vende-se.

Logo será um condomínio, horizontal ou vertical.

A direita mais um prédio novo, no bairro Taboão, vizinho ao Pilarzinho. pq-tingui-7

……….

Vamos cruzar o Rio Barigüi.

E portanto saímos do Pilarzinho, Zona Norte, e voltamos a Vista Alegre e a Zona Oeste.

É a vez do Parque Tingüi, um dos muitos as margens do Barigüi.

pq-tingui-6Acima a esquerda exatamente a área verde ao redor do lago formado pelo represamento do Rio.

E depois duas pontinhas de madeira (uma pra pedestres e outra pra veículos) cruzando-o.

O Memorial Ucraniano (esq.) também fica no Pq. Tingüi.

Saindo do parque, vemos ao lado aquilo que te falei:

vista alegre z/o ctba sobrado condomínio fechado classe média alta moto céu nuvens eliteConstruções relativamente novas de classe alta e média-alta.

São recentes, como dito. A região era pobre antes do parque (pois é bem no subúrbio, a poucos metros de Tamandaré).

E ainda restam algumas casas bem humildes, onde se cria até galinhas, bordejando essa área verde.

Mas nada disso não dá pra ver do ônibus.

madeira-vista-alegre-2

Também Vista Alegre: sobrado bi-modal (alvenaria/madeira), muito comum no Chile, em Santos-SP e na Ucrânia.

……

Digo, essa ao lado do Tingüi não dá mesmo.

Mas logo a seguir a Linha Turismo entra em Santa Felicidade, e o mesmo se repete: 

Ainda há casas que criam galinhas, dentro da cidade.

Nas próximas duas tomadas abaixo (a mesma em escalas distintas) comprovamos o que falo.

criacao-de-galinhas

Próximas 8: Santa Felicidade, Z/O.

Ressalto, aqui é Santa Felicidade, já longe do Pq. Tingüi.

O Extremo Oeste da cidade ainda mantém pequena área rural.

Em outros bairros da Z/O (não atendidos pela Linha Turismo) ocorre o mesmo, e nesses eu fotografei melhor.

galinha-sf……..

Mudou o bairro, e até a ‘zona’ (de Norte pra Oeste).

Mas muitas cenas em S. Felicidade são similares as que víramos no Pilarzinho:

– Muita área verde;

– Terrenos enormes;lote-santa-felicidade

– Várias dessas matas e lotes com casas humildes já a venda;

– Moradias humildes sendo muitas e muitas na madeira;

Adensamento, aburguesamento com o surgimento lote-santa-felicidade-2de condomínios;

– E até pequenas invasões.

…….lote-santa-felicidade-3

Agora vamos falar das características próprias de Santa Felicidade (e seu vizinho menor Cascatinha, que fica no caminho):

É a região italiana da cidade por excelência.

vinicolaEntão a Av. Manoel Ribas concentra enormes restaurantes (onde se serve frango, polenta, maionese e massas), vinícolas e o comércio moveleiro.

Ao lado vemos uma casa de vinhos.madalosso

Mas a maior atração de S. Felicidade vem agora. ‘Maior’ não é figura de linguagem.

Eu disse que os restaurantes são enormes.

Pois bem. O Madalosso (dir.) é nada menos que o segundo maior do mundo.

buso-2Maior da América, maior de todo Hemisfério Ocidental, maior de todo Hemisfério Sul.

O Madalosso serve 4,6 mil pessoas, simultaneamente.

Isso em condições normais, aberto ao público em geral.

Segundo se diz, o recorde do Madalosso foi numa campanha eleitoral pra presidente, em que Maluf (sim, aquele Paulo Maluf) fechou a casa e pagou o jantar pra 5 mil pessoas.

portal-italiano

Próximas 2: Avenida Manoel Ribas, Cascatinha e imediações. Aqui o Portal Italiano.

Corre essa história, mas eu não posso confirmar se é verdade.

O que é fato comprovado é a capacidade normal de 4,6 mil. Maior que ele em todo planeta, só um restaurante que fica na Ásia, no Hemisfério Norte e Oriental.

Pra fecharmos a foto do restaurante, a direita mais pra cima: nota que os táxis em Curitiba são laranjas com quadriculado preto.

O subúrbio metropolitano de Tamandaré xerocou a pintura.

moveis-via-veneto

Loja de móveis.

A prefeitura de Curitiba não gosta dessa cópia que cheira a pirataria, mas não pode fazer nada.

Agora a imagem que aparece um busão amarelo, justamente voltando do Terminal Santa Felicidade:

Foi feita quase em frente ao Madalosso.

O que quero chamar a atenção aqui é que em seu trecho final a Manoel Ribas é de paralelepípedos, calçamento que já foi bem mais comum em Curitiba.

………..

pq-barigui

Parque e Rio Barigüi.

As 2 acima, onde aparecem o carro vermelho (esq.) e o Portal (dir.) estamos na Manoel Ribas, mas antes de chegar a Santa Felicidade.

O Portal Italiano fica nos fundos do Parque Barigüi.

Diz “Santa Felicidade”. Estamos a caminho dela, mas ali naquele ponto ainda não é esse bairro.

torre-teleparE sim a divisa das Mercês com Vista Alegre.

Assim que cruzamos o Rio Barigüi que nomeia o mais famoso parque de Curitiba (acima), entramos na Cascatinha, onde foi clicada a loja de móveis a esquerda.

………merces

Depois de Santa Felicidade o buso começa a retornar ao Centro.

Passa pelo Pq. Barigüi, como explicamos e clicamos acima.

sao-francisco-largoE aí passa novamente pelas Mercês. É isso que vamos ver a partir de agora.

Desculpe o pleonasmo. Se estamos avistando a Torre da Telepar (acima a esquerda) é cristalino que estamos nos aproximando das Mercês.

A direita o trecho mais central da Manoel Ribas, também nas mesmas Mercês.

centrao-8

Próximas 12: o Centro da Cidade.

Óbvio que a estatal Telepar já foi privatizada a muito, e não existe mais.

Mas o nome ficou. Eu já fotografei esse mesmo monumento duas vezes, em outras duas matérias sobre a Zona Oeste.

Na tomada acima, onde aparece a galera curtindo no bar, estamos no comecinho da Manoel Ribas, quase no Largo da Ordem, em frente ao Relógio das Flores.

Nesse trecho inicial a Manoel Ribas se chama Jaime Reis, mas a rua é a mesma. Detalhe: também de paralelepípedo.

Portanto ela tem cobertura empedrada nas duas pontas, o meio é de asfalto.

centrao-7Ainda falando da foto acima a esquerda em que as pessoas bebem nas mesas no prolongamento do Lgo. da Ordem:

Ali é o bairro São Francisco, umbilicalmente ligado ao bairro que se chama ‘Centro’ mesmo, ambos juntos formam o Centrão da cidade.

Foi no São Francisco que Marília viu uma placa de refrigerante antiga, e se lembrou de sua infância.

………

A partir da tomada acima e pelas próximas 12, o Centro de Curitiba. centrao-4

Onde a cidade começou, oficialmente. Porque na verdade a primeira povoação europeia de Curitiba foi no Bairro Alto, Zona Leste.

Mas não deu certo.

ed-italiaAssim o núcleo primordial da urbe (aquilo que na América Hispânica se chama “Praça de Armas”, no México o “Zócalo”) foi transferido pra Praça Tiradentes.

Nós já falaremos mais e mostraremos a Tiradentes. Na foto um pouco mais pra cima a direita, exatamente a que está legendada como “Próximas 12: o Centro…”, estamos perto da Rua 24 Horas.

A esquerda acima, onde há uma pichação em vermelho em primeiro plano, é a Praça Santos Andrade.

Onde ficam o Teatro Guaíra e o edifício-sede da UFPR.

tiradentes

Próximas 4: a Pça. Tiradentes, no Centrão.

Logo acima o Edifício Itália, por muitos anos foi o mais alto do Paraná.

……..

Agora sim: a  Praça Tiradentes.

Na foto ao lado vemos a Catedral de Curitiba.

Tem dias que esse canteiro de flores fica todo colorido, lindíssimo. Dessa vez está seco.

marco-zero-tiradentes-2Toda quilometragem de e pra Curitiba tem esse ‘Marco Zero’ que fica na Tiradentes como referência.

Há um similar na Praça da Sé, no Centro de SP.

Portanto quando se diz que 408 km separam as capitais, mais epspecificamente se está dizendo que essa é a distância da Tiradentes a Sé.

Voltando ao marco daqui de Ctba.:

Em cima há um mapa pra lá de simplificado, mostrando as saídas da cidade.

E em cada ponto cardeal um desenho dizendo pra onde vai a estrada se você seguir nesse sentido.

Como notam, fotografamos a face ocidental:

Tem o desenho das Cataratas e está escrito “Iguassu”. Na grafia antiga, ainda.

Direita: a Tiradentes não é o marco zero apenas da cidade.

É também o ponto inicial e final da Linha Turismo.

centrao-pichoDigo, ele é circular, você não é obrigado a desembarcar em lugar nenhum.

Exceto, claro, quando ele completa a última viagem nessa exata Pç. Tiradentes.

Nas viagens intermediárias, ele estaciona porém você não precisa descer.

Mas ali ele fica mais tempo parado pra acertar o horário, é o que se chama ‘ponto de regulagem’ na busologia.picho

A esquerda (também na Tiradentes) e a direita (em outra parte do Centrão, mais perto da Rui Barbosa), 2 prédios todo detonados pelos pichadores.

Fotografei a mesma cena ali pertinho, na Marechal Deodoro, e novamente em Caiobá (Matinhos-PR), Santos e Belo Horizonte-MG.

paco……….

Ao lado: Praça Generoso Marques, nos fundos da Tiradentes.

Em primeiro plano vemos o Museu do Paço Municipal.

rua-das-flores-palacio

Próximas 2: ‘Boca Maldita’ na ‘Rua das Flores’. Aqui vemos o Palácio Avenida.

Ali foi a sede da prefeitura de 1916 a 1969. A frente há uma estátua.

E na base desta há um mapa do Brasil em que o Paraná faz divisa com o Rio Grande do Sul (????).

Espantoso, não? Paraná e Santa Catarina travaram a sangrenta ‘Guerra do Contestado’.

Que justamente contestava territórios. Dependesse da vontade paranaense, Santa Catarina só teria o litoral.

Todo o atual Oeste Catarinense deveria pertencer ao Paraná segundo essa versão, cristalizada no mapa que há estampado nessa praça.

rua-das-flores-2

O primeiro Mc Donald’s de Curitiba (de 1989) está na Luis Xavier. Aos fundos as copas das árvores da Praça Osório.

Ainda sobre a Praça Generoso Marques. Ali era o ponto inicial das primeiras linhas de expresso, quando esse modal começou em 1974.

Depois, quando vieram mais linhas pra outras partes da cidade essa primazia foi pra Pça. Rui Barbosa, que é bem maior.

…………

Já vimos a famosa ‘Boca Maldita’, as últimas (ou primeiras, depende do sentido que você vai) quadras da ‘Rua das Flores‘.

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Próximas 2: Prado Velho, Zona Central. Aqui na João Negrão pontes em dois modais (a de trem desativada) sobre o Rio Água Verde.

Em 1972, Lerner transformou em calçadão a parte mais central da Rua XV de Novembro.

A primeira quadra da XV a partir da Praça Osório se chama Avenida Luis Xavier, por seu tamanho diminuto conhecida como ‘a menor avenida do mundo’.

No ‘Palácio Avenida’, visto na foto a direita um pouco mais pro alto (vide legenda) é que há aquele famoso coral de Natal promovido por um banco.

Começou com o Bamerindus, depois HSBC, e agora é do Bradesco. Muda o patrono, a tradição continua.

……

paiol

Um pouco pra frente na mesma rua, o Teatro Paiol. Aos fundos avistamos a linha dos prédios do Cristo Rei, Zona Leste.

Saímos do Centro. Mas continuamos na Zona Central. Duas tomadas na Rua João Negrão.

A direita acima ponte sobre o Rio Água Verde (afluente do Belém, deságua nele na Vila Capanema a poucas quadras dali).

Até o fim dos anos 80 havia uma linha férrea que ligava Curitiba a Araucária. Desativaram-na, mas a ponte ferroviária permaneceu de relíquia. belem-2

É sobre o trajeto desativado dessa linha que em 1991 surgiu a invasão ‘Ferrovila’, que é estreita mas muito, muito comprida, vai do Parolin na Zona Central até a Vila Nossa Senhora da Luz no CIC, Zona Sul.

Na tomada acima a esquerda já vimos o Teatro Paiol. Logo após esse marco o busão vai rapidamente pro comecinho da Zona Leste.

cristo-rei-jd-botanico

A esquerda na imagem o prédio pertence ao bairro Jardim Botânico. Já os espigões a direita estão no Cristo Rei, e são os mesmos vistos atrás do Paiol, na foto acima.

Antes disso, na foto acima, ele cruza novamente o Rio Belém. Estamos no bairro Rebouças, Zona Central.

Essa cena foi captada atrás da Rodoviária, próxima ao estádio do Paraná Clube, que também se chama Vila Capanema como todos sabem.

Ali o Belém re-emerge, pois pra cruzar o Centro enfiaram ele pra baixo da terra.

……….

Não pude fotografar o parque Jardim Botânico, com sua famosíssima cúpula que também é de arame, pelo motivo que já lhes expliquei.anaconda

Na 2 imagens acima e ao lado, a Avenida Presidente Affonso Camargo, que divide os bairros Jardim Botânico do Cristo Rei.

Um dia tudo ali pertenceu ao Cajurú, mas não mais a muito.

A direita o tubo ‘Viaduto do Capanema. Vemos em 2° plano o prédio do moinho de trigo Anaconda.

centro-civicoAquele mesmo prédio que Maurílio via da sacada quando ele foi como Super-Homem numa festa a fantasia.

…………

O ônibus da Linha Turismo acaba de deixar a Zona Leste, onde sua estada foi brevíssima. 

Nas duas últimas tomadas já vemos de novo o Centro Cívico, Zona Central.

Acima quase na Avenida Cândido de Abreu, e ao lado um dos muitos prédios públicos do bairro, que foi alias criado pra isso como o nome indica.

centro-civico-2Portanto estamos chegando ao mesmo ponto que embarcamos, o Museu do Olho.

É hora de desembarcar e finalizar o relato. O roteiro de 2 horas e meia está concluído. Espero que vocês tenham gostado da viagem. 

jardineira

1-Pró-Parque: Jardineira (original) Verde.

1ª atualização, ainda em janeiro de 2017 (a partir daqui as fotos foram baixadas da internet):

HISTÓRIA DA LINHA TURISMO

Antes havia a linha “Pro-Parque”, operada por jardineiras verdes.

Ao lado jardineira na linha pro Parque Barigüi (essa e várias outras imagens oriundas da página Ônibus Brasil).

Na verdade esse verde acima não está mais em serviço ativo.

volta-ao-mundo

1-Volta ao Mundo: Jardineira (transgênica) em dois tons de anil/turquesa, com os desenhos dos pontos turísticos.

Não importa. Foi mantido exatamente como quando cumpria essa linha. Está preservado como um ‘museu vivo’.

Se acharmos uma foto de boa definição dele na ativa, adicionamos.

Ao mesmo tempo existia a linha “Volta ao Mundo”.

Essa era feita por antigos ônibus normais, que quando venciam sua vida útil no sistema convencional eram adaptados:

Tinham sua janela ampliada pra virarem jardineiras. A direita um desses Torinos adaptados. Numerado BV002.

turismo

2- Chegou a Linha Turismo. Repintaram de branco os ‘carros’. Mantém-se os desenhos das atrações turísticas da cidade.

A esquerda o mesmo veículo, de branco e renumerado, já na Linha Turismo,

Já falamos mais do tempo que a Turismo foi implantada. Antes vamos voltar a Gênese dela, a época das jardineiras.

Nas jardineiras que vieram assim de fábrica os bancos eram como nas praças, com tiras de madeira na horizontal. Amplie a imagem do ônibus verde-escuro pra comprovar.

Nas ‘transgênicas’ (adaptadas, antes eram convencionais) não, mantiveram-se os bancos de acrílico que os veículos já possuíam.

turismo-jardineira

Aqui e a esquerda: transição pra etapa 2, a Linha Turismo implantada. As antigas jardineiras verdes do Pro-Parque também são repintadas de branco. Ainda com os desenhos dos principais locais que os turistas querem ver em Curitiba.

………..

Depois as linhas Pró-Parque e Volta ao Mundo foram fundidas pra originarem a “Linha Turismo”.

No começo, antes de virem os busos 2-andares, aproveitaram a frota das linhas-gênese.

Nas duas fotos ao lado e logo abaixo, jardineiras que antes eram verdes no ‘Pro-Parque’.

E foram dessa forma repintadas de branco ao mudarem de modal.

Logo abaixo na na Pça. Tiradentes, e direita em outro ponto da cidade.

jardineira1A Linha Turismo pegou. Se tornou uma coqueluche, uma mania da cidade.

Assim começaram a vir ônibus zero km. No começo pintados de branco.

Depois, quando vieram os 2-andares, toda a frota, incluso os de 1 andar, foi re-decorada nesse tom de verde. 

turismo1

2- Ainda na transição pra Linha Turismo.

Já mostraremos tudo isso. Nas fotos até aqui ainda estão os busos oriundos das linhas anteriores, (Pro-Parque e Volta ao Mundo).

Aquelas que, repetindo, são a gênese da Turismo.

Portanto, até esse Monobloco ao lado os busões vieram usados, e foram repintados de branco.

A direita (na mesma Tiradentes) um Monobloco transgênico das Mercês, antes era Interbairros, e foi adaptado, aumentaram as janelas.

3- Consolidação: enfim 1°s ‘carros’ Zero Km.

Agora sim vamos mostrar o que já falamos lá em cima:

Com o sucesso definitivo da Linha Turismo, passam a vir veículos novos pra ela.

Que portanto já chegam de fábrica brancos e com as janelas nessa configuração.

Ainda estão presentes os desenhos dos pontos famosos da cidade na lateral.

mercês mt006 garagem Linha Turismo buso 1-and ctba verde árvore pinheiro prédios vidro alongado adaptado maior arco vermelho paralelepípedo hexagonal símbolo emblema lona letreiro jardineira comil motor atrás traseiro amarelo convencional

4- Ainda somente 1-andar, mas chega a pintura nesse tom entre verde e bege. Eliminam-se os ícones na lataria.

Um deles a esquerda, também na Tiradentes.

E ao lado quando adotou-se a nova pintura. Numa tomada vinda da página Tudo de Ônibus, vemos numa garagem um buso 1-andar.

………

Alguns poderiam pensar que esses de somente 1 andar foram aposentados. E portanto não circulam mais na Linha Turismo.

linha-turismo-curitiba

5- Como é hoje: a estrela principal, óbvio, são os 2-andares, mas nos dias de pico os de 1-andar estão na retaguarda, valentes.

Nada poderia ser mais distante de realidade. Sim, nos dias de menor movimento só rodam veículos 2-andares. 

Mas no pico (férias e feriadões), quando o negócio bomba, a Linha Turismo opera em comboio:

Na frente um 2-andares, mas na retaguarda os bons e velhos de 1-andar vão na cobertura.

Novamente na Praça Tiradentes, um par deles, um tem escada dentro o outro não.

“Deus proverá”

a Mulher do Sul

a-fazendeira

A Fazendeira.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 2 de janeiro de 2017

Vamos Abrir os Trabalhos do ano de 17. Dois desenhos inéditos e uma sequência que seguiu (por emeio) em 2014.

Começo pelos dois desenhos inéditos, produzidos portanto em janeiro de 2017.

Novamente vemos uma encarnação anterior de Marília: ela era fazendeira – falando mais apropriadamente, era esposa de um grande fazendeiro. Além da propriedade rural no interior, seu marido era também um ‘barão’.

Ele era um Homem importante igualmente na cidade, ocupando o cargo de  senador ou algo assim, um coronel ou caudilho influente na política regional. E eles viviam, junto com os filhos, numa fazenda cujo casarão principal era um sobrado de madeira, retratado acima.

prontinha-pra-sair

Pronta pra sair, Marília parece uma bonequinha. Com esse vestido cheio de rendas e babados, amarelo e laranja com os laços e fitas em rosa. E mais a sombrinha, pra não ficar ensopada de suor com tantas camadas de roupa. As luvas alvas são um charme a parte.

Obviamente há uma influência alemã na arquitetura, pois eles moravam no Sul do Brasil.

Não veja com as lentes de hoje, em que a madeira só é comum na periferia, e mesmo ali já se extinguiu em boa parte do país.

Mais de um século atrás, uma residência em matéria-prima vegetal podia ser de alto padrão, especialmente se fosse de 2 andares, como é o caso aqui.

A Casa-Grande da fazenda em que viviam Marília e sua família lembra um pouco as que existem até hoje no Leste Europeu.

De volta ao Brasil, eu já desenhei uma Marília camponesa, mas aquela não era rica e de família influente.

Essa daqui, ao contrário, era da elite rural do Brasil do começo do século 20. Ela está preparada pra ir acompanhar seu marido a cidade.

Também já desenhei Marília e suas 2 irmãs adolescentes crescendo numa casa de madeira no interior do Sul do Brasil. Quem sabe as 3 meninas são as netas dessa Marília fazendeira que vemos hoje, né?

no coração do brasil: goiânia, goiás

transurbAinda na ‘Máquina do Tempo‘, mas agora vamos avançar rapidamente pro fim do século 20:

Maurílio em frente um saudoso Monobloco. Da não menos saudosa Transurb. Se tudo fosse pouco, na super-clássica padronização ‘das Flechas’.

É claro que só poderemos estar em Goiânia, do fim dos anos 70 ao começo dos 90. goiania-goias

Maurílio esteve em Brasília-DF, esses dias. Aproveitando que é ali do lado, ele também passou em Goiás.

A linha vai pro Jardim Curitiba. Achei curioso estar do outro lado do Brasil e ver um bairro homenageando a cidade que eu moro.

usando-o-secadorVoltando a Goiânia, o Jd. Curitiba é um bairro de periferia no que lá eles chamam de ‘Zona Noroeste’. Mas eu diria que é Zona Norte.

Como eu expliquei na postagem sobre BH-MG, respeito os costumes nativos mas eu só divido as cidades em Zonas Central, Leste, Sul, Oeste e Norte.

…………..

Vamos agora abrir o baú do arquivo.

Reproduzo uma HQ que foi publicada em emeio em 20 de agosto de 2014.

a “guerra dos sexos”:

os homens não entendem a ‘via sacra feminina’

Maurílio e Marília vão sair juntos. uma-hora-cuidando-de-cabelo-haja-paciencia

Ele tomou banho, fez a barba e pegou a 1ª camiseta que estava mais por cima do armário.

Tempo que Maurílio levou pra se arrumar, tudo somado: aproximadamente 15 minutos.

Marília leva mais tempo pra se arrumar.

oh-duvida-cruelBeeeeeem mais tempo.

É isso que vamos ver agora.

Acima da manchete nós já observamos ela usando o secador.

Pois hoje é ‘dia de lavar o cabelo’.

Pra conversa começar:de-preto-por-baixo-violeta-por-cima

Maurílio nem sequer desconfia que ela, e a maioria das Mulheres, tem uma escala, em que dias lava, em que dias não.

Depois, a direita acima, é hora de pentear o cabelo.

Enquanto faz isso Marília prossegue em sua ‘Filosofia Feminina‘.

Só no banho e cuidar do cabelo já se foi quase uma hora.

raspando-minhas-pernasEnquanto isso, Maurílio ouve música na sala, bem sossegado….

Depois  ela vai escolher o vestido:

“Óh, meu Deus, que dúvida crueeeeeeelllll“.

Mas ao se ver no espelho, ela não teve dúvidas que seria o violeta.

Até porque ela já está de preto por baixo. raspando-os-bracos-e-acalmando-ele

Mas isso ele só vai descobrir na volta!!!

………..

Pronto, pelo menos ela já está vestida.

batom-bem-vermelho-que-hoje-eu-vou-ar-ra-sarMas ainda vem aquela que pra muitas Mulheres é a mais chata das ‘tarefas femininas’:

A depilação.

Com cuidado, Marília raspa as pernas e depois o braço.

E é chata mesmo.

Tanto que no inverno Marília se depila menos, como todas as garotas. abram-alas-la-vou-eu

Mas agora está quente.

Assim ela está ali, resignada, de gilete na mão.

Foi aí que, inadvertidamente, Maurílio cutucou a onça com a vara, curta, apressando-a.

Pra quê? Ela ficou mesmo uma fera.

E deu uns gritos pra ele se acalmar.

me-exibindo-pra-meu-maridinho“Haja Amor!!!”

Foi o que ela pôde pensar, de forma irônica.

A seguir ela passou batom.

E ‘voilá’:

Enfim taí Marília enfim pronta, de vestido tubinho e botas.maos-dadas-final-feliz

…………

Tempo total pra chegar nesse ponto: aproximadamente 2 horas.

Portanto 8 vezes mais que seu marido.

E por falar nele:

Aí Marília desceu as escadas pra encontrá-lo.

E exibiu o resultado de tanto esforço.

vestida-pra-matarOu seja, ela mesma, toda arrumada, pronta pra sair.

Perguntou se valeu a pena esperar.

Ele respondeu.

Lógico que sim, querida.

Valeu cada minuto, você está deslumbrante.”

Ainda fez uma auto-crítica:

“Desculpe ter te apressado.olhares-que-se-cruzam

É fato, os Homens ainda têm que caminhar muito pra Entender o Universo Feminino”.

………

Final Feliz.

Isso que é Amor Maior, não? E dessa vez sem ironias.

“Deus proverá”

Alfabeto Cirílico

no-leste-europeuPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 22 de dezembro de 2016

Maurílio na Ucrânia.

E o que é mais incrível: conversando com os nativos em ucraniano!!!

………praça vermelha maurílio desenho kremlin cúpulas frio casaco touca moscou rússia

Vocês já sabem que ele esteve na Rússia. Veja ao lado, Maurílio em pleno Kremlin. Depois ele passou por Londres também.

Mas antes de ir pra Inglaterra deu uma paradinha na Ucrânia, que afinal é ali do ladinho de Moscou.

Tá um inverno de rachar no Leste Europeu. Maurílio tá pensando:

em-ucranianoCaraca, mano. Tá russo o negócio por aqui… Que neve em Quiev, hein……..rs.”

Mas ele não se intimida, segue seu rolê e até mesmo leva uma ideia com os moradores da cidade na própria língua deles.

Pra quem não é versado em ucraniano, Maurílio perguntou que ônibus vai pra esse bairro, e onde ele pode tomá-lo.

O morador respondeu: “é fácil, é a linha número 9, passa bem no Centro da cidade”. sobrado-bi-modal

Outro detalhe: eis a arquitetura típica russa/ucraniana, os sobrados com essas cúpulas quase ovais.

E não por outro motivo o Kremlin guarda certa semelhança com as casas da região.

Nesse caso é um sobrado bi-modal, alvenaria embaixo e madeira em cima, como é muito comum também no Chile e em Santos-SP.

Na tomada acima isso fica mais claro, vemos melhor as ripas verticais de madeira.

…….desenho boneco neve maurílio canadá bandeira frio inverno

Voltando a viagem pra parte mais gelada da Europa em pleno inverno boreal:

Ainda bem que uns anos atrás Maurílio foi pro Canadá, onde pegou um frio similar.

Assim ele já tava acostumado com o termômetro pra baixo de 0°. Fez na ocasião até um boneco de neve!!!

Deus proverá

(mais um) Anoitece na Zona Norte: Jardim Monza, Colombo

crepusculoPor Maurílio Mendes, o Mensageiro

Publicado em 10 de dezembro de 2016

…….

Mais uma visita a Colombo.

Município que fica na Zona Norte da Grande Curitiba.

Fui ao bairro Jardim Monza.crepusculo-2

Fotografei o Pôr-do-Sol. Mais um na Z/N, como já foram vários.

Quanto ao Monza, trata-se de uma periferia, um subúrbio proletário da cidade.

Casas simples de gente trabalhadora.

casas-simples-3Muitas ruas de terra, como vê nas duas fotos acima.

No município de Curitiba, até uma década atrás as vias com pavimentação natural eram comuns.

Mas hoje são praticamente inexistentes.

Diversos outros municípios da RM igualmente estão quase totalmente asfaltados. casas-simples

Por exemplo: Araucária, São José dos Pinhais, Fazenda Rio Grande, Pinhais.

Nesses, repito, quase não há mais ruas de terra.

Mas em Colombo, como notam, elas ainda existem em grande número.

placaAs imagens deixam claro:

Moradias humildes, de madeira, sem muro.

Ou as vezes de alvenaria, mas sem garagem, como visto a direita.casas-simples-2

Assim é o Jardim Monza, Colombo, Zona Norte.

……….

Continuando o giro pelo bairro:

acima-do-comercioAo lado: casa acima do comércio.

Repare na porta no canto da imagem.

Está gradeada, ou seja, há uma segunda porta de ferro por sobre a de madeira.

Significa que a região tem arrombamentos frequentes.

avenidaBem, isso não é privilégio da Grande Curitiba.

Já fotografei a mesma cena em diversas partes da América:

Em uma favela em João Pesoa-PB, no Centrão de Belém-PA e S. Domingo-Rep. Dominicana.

E também no Chile, nesse caso tanto na periferia como em bairros de classe alta.

duplexTambém vi bastante em Fortaleza-CE, essa última breve eu subo a série pro ar.

…………

Por hora de volta a Colombo.

Continuamos a ver o Jd. Monza. terra-crepusculo

Na tomada acima, mais um sobrado ‘artesanal’:

Antes era uma casa térrea. Quando a família juntou o troquinho, tirou o telhado e ‘subiu a laje’.

Agora repare nas duas fotos abaixo:

Começam a subir alguns prédios.

contrasteSinal que a região vem se aburguesando um pouco.

Claro, nesse caso é a uma pequena burguesia, classe média-baixa e média-média.

Como eu já fotografei também no vizinho município de Almirante Tamandaré.

Voltamos a Colombo, a tomada a direita resume a situação:madeira-e-predio

Rua ainda sem asfalto, casa de madeira sem muro.

Mas um pombal de classe média já faz parte da paisagem, bem no cantinho da cena.

Mais imagens do Monza (clique sobre pra ampliar):

anoitecejd-monzapichacaorua-de-terra-2rua-de-terrasobrado

hortencia

Próximas 2: hortências e margaridas que adornam Colombo.

Em duas fotos da sequência acima (a 3ª e a 6ª) vemos pichação do Comando Norte da Império Alviverde.

Eu não torço pelo Coritiba. Apenas relato o que vi.

Se tivesse flagrado pichações dos Fanáticos ou da Fúria, fotografaria também.

Como no rolê de Tamandaré eu fotografei bandeiras do Atlético e do Coxa.

Em Belo Horizonte pichações e cartazes do Galo e do Cruzeiro.margarida

E em Belém bandeiras e pichações do Remo e do Paysandu, e também do Atlético Mineiro – em pleno Pará!!

Enfim, vocês entenderam. No futebol eu busco a neutralidade, não torço pra nenhum time no Brasil.

lojaApenas tenho uma simpatia pelo Nacional de Medelím-Colômbia.

Deixando o futebol de lado, cheguei ao Monza pela Estrada da Ribeira.

Ao lado: Lojas Coppel do Alto Maracanã, na referida estrada.

ribeira-3

Próximas 3: Estrada da Ribeira (BR-476), Colombo, fim de uma tarde chuvosa de dezembro de 2016.

Essa cadeia de lojas chegou poucos anos atrás e tomou conta da Grande Curitiba.

Quando fui ao México, vi por lá também, e estranhei.

Aí que me informaram: a cadeia de Lojas Coppel é mexicana.

Nessa postagem eu fotografei uma Coppel na matriz, na Cidade do México.

ribeira-2…………

Colombo tem 3 estradas:

– a BR-116, nesse trecho chamada ‘Régis Bittencourt’, a principal rodovia brasileira, que liga o Sul ao Sudeste e depois ao Nordeste;

estrada-da-ribeira – A Estrada da Ribeira, que é a BR-476, antiga ligação entre PR e SP antes de construírem a Régis.

É na Ribeira que estão os terminais Alto Maracanã e Guaraituba;

– E a “Estrada Nova de Colombo” ou “Rodovia da Uva” (PR-417), que liga a capital ao Centro do município. Na Estrada Nova fica o Terminal Roça Grande.

céu anoitece Colombo Z/n rio verde ctba noturna entardecer

……..

Pra fechar, ao lado: Rio Verde, Colombo, 2013. Essa foto pertence a outra postagem.

Pois é em outro bairro, e foi feita como indicado 3 anos antes. Mas como também mostra o entardecer em Colombo, insiro aqui também.

Que o Pai-Sol/Mãe-Lua Ilumine a todos.

Ele-Ela proverá

Pedreira, Ópera e o Belém: Abranches e São Lourenço, Zona Norte

opera

Próximas 2: Abranches, o bairro da Ópera de Arame (e da Pedreira Paulo Leminski). Com a “faixa do salto-alto” a direita da passarela.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 17 de novembro de 2016

Mais uma volta pela Zona Norte de Curitiba. Dessa vez agraciamos o bairro do Abranches.

Onde vivem 13 mil curitibanos, sendo o 7º bairro mais povoado da Z/N.

Isso não significa muito, pois ‘Curitiba Cresce pro Sul’.

Seja como for, deixa eu retomar meu relato. opera-de-arame-entrada

Fui, melhor dizendo, a uma pequena parte do Abranches, porque esse é um bairro muito comprido:

Vai da Pedreira Paulo Leminski e Ópera de Arame (perto do Parque São Lourenço) até o Contorno Norte, na divisa com Almirante Tamandaré.

pedreira

Principal portão da Pedreira, logo ao lado.

A região que eu visitei e fotografei é exatamente a da Pedreira e Ópera, na rua que divide o Abranches do Pilarzinho.

E pra fechar entrei no Parque São Lourenço, que já fica no bairro de mesmo nome.

Ali fotografei mais um pouco do Belém, o lago do parque e a o Rio logo após deixá-lo.

……

abranchesVeja o mapa ao lado: o Abranches é uma ‘tripa’ cortando a Z/N da cidade.

Assim, ele é um bairro que tem muitos ‘ecossistemas’ distintos entre si.

– A parte que eu visitei, subindo a Rua João Gava (essa é a que divide o Abranches do Pilarzinho) antigamente era mista, mas agora se aburguesa rapidamente:casas-antigas

Uma boa parte era de classe média-baixa, com muitas casas de madeira pois é Sul do Brasil (dir).

Lado-a-lado já haviam residências de alto padrão (esq.), de gente rica mesmo, com terrenos enormes.

alto-padrao-antiga1Mas haviam (e ainda há) muitos terrenos ainda vagos, abaixo um deles.

Por isso o bairro agora vem tendo muitas construções novas.

De forma que vem surgindo muitos condomínios fechados. bosque

Cujo valor das residências é elevado mas quase não há quintal. Natural, pois em um lote ergueram-se várias unidades.

A esquerda abaixo vemos a entrada de um deles, vizinho ao bosque.

condominioAntes o bosque (acima) era bem maior. Desmataram uma parte dele pra se construir esse empreendimento. É o “progresso”.

Então amigos resumindo nessa parte do Abranches atrás da Pedreira tudo convive:

casa-antiga-madeira

Casa antiga de madeira.

Casas simples antigas, mansões que também estão há um bom tempo ali, e agora surge uma multidão de condomínios de sobrados geminados.

Já retratei esse processo de aburguesamento (sempre através desses sobrados) de áreas que antes eram mais periféricas em diversas partes da cidade:

Boa Vista, Ahú, Bom Retiro e Cachoeira (Zona Norte), Uberaba (Zona Leste), Xaxim (Zona Sul), Campo Comprido (Zona Oeste), pra citar alguns.

alto-padrao-antiga

Ao lado de mansões com enorme quintal.

Até aqui falei apenas de uma parte do Abranches, aquela que fica atrás da Pedreira e Ópera;

Vejamos como são as outras partes do bairro, que eu não visitei nessa ocasião:

Atrás do Parque São Lourenço há uma região majoritariamente de classe média-alta, com caros sobrados triplex. Essa parte já está totalmente aburguesada;

– O ‘coração’ do Abranches, seu miolo central, é sua parte mais populosa:garag viação sul frota eletrônico artic buso ctba bege z/n caio milênio letreiro menor ex-bh belo horizonte lateral motor atrás traseiro ex-bh belo horizonte favela santa terezinha morro abranches z/n madeira encosta casa sem acabamento pintura tijolo duplex vários

A Vila Diana e imediações, a região que antigamente era o ponto final do ônibus Rocio (atualmente ampliado pra S. Cândida/S. Felicidade).

Ali ainda é majoritariamente um subúrbio proletário, de classe média-baixa, sem pobreza extrema mas sem alta burguesia tampouco;

E no extremo norte, na divisa com Tamandaré, existem algumas favelas bem feias, incluso em encostas. Aí sim é uma porção majoritariamente de periferia, embora também estejam começando a surgir condomínios fechados de classe alta.

ctba z/n divisa abranches cachoeira periferia quebrada eternit madeira casas sem acabamento pintura tijoloA maior e mais famosa das favelas do Abranches é de Santa Teresinha, que fica atrás da garagem da Viação do Sul.

A direita vemos a garagem. Essa é a única imagem de toda matéria puxada da rede (fonte: sítio Ônibus Brasil).

Em primeiro plano uma frota de articulados que veio usada, começaram sua vida útil em Belo Horizonte-MG.

turismo

A Linha Turismo passa pelo Abranches.

E ao fundo (ainda falamos da imagem em que aparecem os ônibus) vemos Santa Terezinha.

Curitiba também tem morro, eu já disse isso. Essa matéria aliás se refere ao bairro da Cachoeira, vizinho do Abranches.

Alias acima vemos exatamente a divisa Abranches x Cachoeira (pouco atrás do Parque da Nascente do Belém):

Eu estou na Cachoeira, e o telhado da casa em primeiro plano (no canto inferior esquerdo da imagem) também; mas aquela vila ao fundo está no Abranches.

terreno-enorme

Casas antigas, enorme lote no Abranches.

Porém num ponto muito longe do Parque São Lourenço, essa foto específica foi batida em janeiro de 16, as demais em novembro do mesmo ano.

Enfatizo: dessa vez (novembro) eu não passei nem perto da Cachoeira, e sim do Pilarzinho e São Lourenço.

E é esse roteiro que vamos continuar descrevendo a partir de agora. abranches1

A Rua João Gava, como já dito, divide o Pilarzinho do Abranches (veja abaixo as placas, a moderna em azul que traz o bairro, e as antigas verdes, dos anos 70).

placa-novaÉ nela que ficam a Pedreira e a Ópera. Porém ambas estão localizadas na margem do Abranches.

E não na do Pilarzinho (bairro que eu também já produzi uma matéria) como muitos pensam erroneamente.

Veja o mapa a direita, que está em maior escala que o que abre a matéria:placa-velha

Em vermelho o Abranches. Em seu território estão esses 2 pontos turísticos de Curitiba acima mencionados.

Alguns até falam “na Pedreira do Pilarzinho”. Está errado, é na “Pedreira do Abranches” (assim como o antigo “Presídio do Ahú” fica na verdade no Cabral).

pilarzinho-datadaDescendo a João Gava (sentido bairro-Centro) temos a direita o Pilarzinho,  e do outro lado da rua  Pedreira e depois a Ópera.

Essa foto ao lado foi feita no Pilarzinho, quase em frente a Pedreira. Note os sobrados de padrão melhor.

Repare também que a imagem está datada: estive lá no dia 5 de novembro de 2016.

Em 17 de novembro (dia que a matéria subiu pro ar), o grupo de roque ianque Guns n’Roses tocou em Curitiba, exatamente nessa Pedreira, 12 dias depois portanto.12-dias-acampados

Fotografei a capa desse sítio de notícias, podem conferir a fonte se quiserem.

12-dias-antesO que nos importa aqui é: 12 dias antes do espetáculo, os roqueiros já estavam acampados nos portões da Pedreira, esperando por sua abertura.

Ao lado ampliado, e abaixo em tomada mais panorâmica, comprovando que as barracas já estão no local da apresentação, quase duas semanas antes.12-dias-antes1

Isso que é dedicação, concordam?

………..

Agora a Ópera de Arame.

antiga-pedreira-operaVemos ao lado a montanha de pedra parcialmente dinamitada.

Pois como o nome indica o local é uma antiga pedreira de extração mineral. A Pedreira é na divisa com o Pilarzinho.

Outros 2 parques do Pilarzinho, próximos dali, também foram feitos em antigas pedreiras:

rua-da-pedreira-pilarzinho

Próximas 4: o lado do Pilarzinho da Rua João Gava, a rua da Pedreira: casas mais humildes ao lado de sobrados caros.

O Parque Tanguá e a Uni-Livre. E portanto também têm esses paredões que acabam em lagoas.

……..

O lago já está do lado da Ópera de Arame. 

Volte ao topo da página, e reveja a primeira imagem da matéria, exatamente a Ópera.

Eu disse lá que construíram a “faixa do salto-alto” a direita. É o seguinte:

Pra chegar a Ópera de Arame é preciso passar por sobre a água.

rua-da-pedreira-pilarzinho1Pra isso fizeram uma passarela, que é de arame como o teatro em si.

Portanto a passarela é vazada. Deve ter sido projetada por um Homem, alguém do sexo masculino. rua-da-pedreira-pilarzinho2

Digo isso pelo seguinte: pela passarela ser vazada, não dava pra passar de salto-alto sobre ela.

De forma que gerava uma cena hilária:

As madames, toda chiques em seus vestidos sociais, precisavam tirar os sapatos pra poder chegar ao teatro, cruzando a passarela descalças.

alto-padrao-nova-pilarzinhoLiteralmente, tinham que descer do salto….rs. Pra corrigir isso, chapearam a faixa da direita.

Agora sim, as elegantes curitibanas podem ir Ópera de traje de gala, sem passar o vexame de chegarem de pés no chão, desnudos.

abranchesÉ a “salto-faixa”. Ainda bem que antes tarde que nunca alguém considerou as necessidades do sexo feminino, não?

……..

Mais algumas cenas do Abranches:

rua-de-terraA direita os sobrados de alto padrão que ali pipocam.

Ao lado observamos que ainda há umas pouquíssimas ruas de terra, o que já é raríssimo em todo o município de Curitiba.

3 da Rua João Gava, o bosque fica no Pilarzinho e nas outras 2 a face do Abranches:

bosque1rua-da-pedreira-abranchesparque-sao-lourenco

parque-sao-lourenco1Sim, você viu certo: a chaminé ao fundo já está no Parque São Lourenço.

Daqui pra frente todas as fotos são nele, ou em seu entorno.

Ao lado a mesma chaminé vista de dentro do parque.

Dá uma calma muito grande o verde do lugar. lago

Eu me sentei pra descansar um pouco sob uma frondosa árvore as margens do lago, e ali terminei um livro.

O Parque São Lourenço foi construído onde era antes uma indústria química, uma fábrica de cola se não me engano.

pq-s-lourencoAtualmente no local há esse teatro retratado a esquerda.

O lago é formado pelo represamento do Rio Belém.

Na tomada a direita vemos exatamente o tótem e a barragem.

A partir dali o curso d’água volta a correr livre em direção ao Centro da cidade. totem1

Saindo seguindo rio abaixo passamos o portão e chegamos a rua.

Onde há o outro tótem, dessa vez o do Parque mesmo (abaixo).

E na última imagem vemos o Belém logo após deixar o São Lourenço, rumando ao Centro e dali as Zonas Sul e Leste.

………..

totemPra fecharmos a reportagem com chave de ouro: a Grande Assunção também tem seu Parque São Lourenço, sabia?

No subúrbio metropolitano de mesmo nome, na Zona Leste da capital paraguaia.rio-belem

Também tem um lago, é igualmente um local muito lindo, que a Grande Vida já me deu oportunidade de visitar e fotografar.

Que Deus Pai e Mãe Ilumine a todos os seus Filhos e Filhas.    

Ele-Ela proverá   

Rodovia do Xisto: Lapa e São Mateus do Sul, PR

ponte rio iguacu-smsPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 15 de agosto de 2016

Como o título já indicou, estive nas cidades de Lapa e São Mateus do Sul. cohab-lapa e passeio fusca

Pra isso, fui pela BR-476. Que nesse trecho se chama “Rodovia do Xisto”.

Abrimos com duas tomadas dessa estrada, uma em cada cidade:

portal sao mateus do sul

Portal de São Mateus.

A esquerda acima BR-476: ponte sobre o Rio Iguaçu na entrada de São Mateus do Sul.

E a direita chegando na Lapa. Uma enorme cohab recém-inaugurada na periferia da cidade.

Detalhe: naquele dia estava tendo um passeio de Fuscas.

Por isso vemos 2 deles, intercalados por um carro novo de padrão elevado.

panteao dos herois-lapa

Panteão do Heróis da Lapa. O canhão acima da manchete fica ali.

……….

As duas cidades guardam muita coisa em comum. São próximas, e sua população também é similar:

44 mil pessoas moram na Lapa, e 41 mil em São Mateus.

Oficialmente a Lapa faz parte da Região Metropolitana de Curitiba.

Trata-se de falsificação grotesca da realidade.

avenida principal-sms

Próximas 2: av. principal de S. Mateus do Sul.

A Lapa não tem qualquer característica que a torne subúrbio da metrópole conurbada da capital do estado e municípios vizinhos.

Como eu já expliquei com bem mais detalhes antes.

Embora encantadora, a Lapa não faz parte da Grande Curitiba na prática.

E sim do interior do Paraná.avenida principal1-sms

Entrou oficialmente por interesses políticos.

Que nem sempre guardam relação com a realidade, e aqui foi o caso.

Rio Negro, na divisa com Santa Catarina, passa pela mesma situação.

avenida principal-lapaE aqui vai a prova.

As próximas duas fotos, ao lado e logo abaixo, são a mesma em duas escalas.

Trata-se da avenida principal da Lapa.

Clique sobre pra ampliar a tomada direita:buso e flores-lapa

O busão que faz a linha Araucária/Lapa.

Da Expresso Maringá, empresa do grupo Constantino (Gol), que comprou a Viação Lapeana.

Pro que nos interessa aqui, é pintura livre.

casario antigo2-lapa

Próximas 3: casario antigo, Centro da Lapa.

Se a Lapa fosse mesmo região metropolitana, esse buso teria que ter pintura padronizada unicolor, em bege ou amarelo.

Pois assim são os ônibus metropolitanos. Esse não é metropolitano, embora diga isso na lataria.

Ele tem pintura livre exatamente porque é o que em São Paulo se chama ‘suburbano‘: mesmo com 2 (ou 3) portas e catraca, liga por rodovias cidades do interior próximas, mas que não são conurbadas.casario antigo-lapa

Eu tirei fotos melhores do busão (e das flores). Mas a bateria de minha câmera está ruim, não saiu. Por outro lado, nessa outra matéria há fotos do Araucária/Lapa em boa qualidade, puxadas da rede.

…………

Por muito tempo a Lapa teve baixo crescimento vegetativo. Pois não oferece uma gama muito ampla de empregos bem remunerados.

casario antigo1-lapaAssim os jovens emigram, vão morar em metrópoles maiores, que ofertam mais opções. Por isso a princípio foi uma surpresa constatar que o governo fez a essa cohab na Lapa (ao direita abaixo em escala maior).

Atualização: isso foi verdade por décadas. Mas quem sabe tenha começado a se alterar. No censo de 1991 a Lapa tinha 40 mil moradores. Na projeção de 2007 do IBGE, 41 mil.cohab-lapa

Portanto crescimento quase zero em mais de uma década e meia. No entanto, no censo de 10 foi pra 44, e na projeção pra 2015 47 mil pessoas.

Ao captar isso pelo sítio do IBGE já atualizei a matéria, poucos minutos depois dela ir pro ar.

herois da lapaDe posse desses novos dados, entendi o surgimento desse cohab: indica a mudança, a Lapa ganhou mais um bairro populoso porque sua população voltou a crescer.

……….

Se hoje a Lapa é uma pequena e pacata cidade do interior, saiba quem ainda não sabe:

Ela teve vital importância na implantação da República Brasileira. canhao - lapa

Trata-se do famoso ‘Cerco da Lapa’. A direita, repetindo, canhões (que eu já fotografei também na Rep. Dominicana) que adornam a parte externa.

Amplie a foto a esquerda pra ler a placa que há no ‘Panteão dos Heróis’: “A Revolução Federalista eclodiu no Sul do Brasil em 1893, nos primórdios da recém proclamada República.

Os revoltosos dirigiam-se para o norte, porém foram detidos na Lapa, em 1894.”

casa antiga madeira-sms

Aqui e a direita: sobrados de madeira muito antigos em São Mateus do Sul.

Já volta o texto. Antes, uma nota minha, O Mensageiro: o Paraná também é Sul do Brasil, evidentemente.

Por isso o autor quis dizer que a revolta começou no Rio Grande do Sul.

E por “dirigiam-se para o norte” significa que eles marchavam pra tomar a capital do país.

Então no Rio de Janeiro como todos sabem.

Pra isso teriam que passar pela Lapa. Não passaram.casarao madeira-sms

Os rebeldes acharam que seria facílimo, que a Lapa seria apenas mais uma escala numa longa viagem.

E que a luta mesmo seria na capital federal, as margens da Baía de Guanabara.

sobrado misto-sms

Também S. Mateus. Esse é misto, fachada de alvenaria, lateral de madeira.

Mas não foi. Volto a descrever o que está grafado na placa:

“O contingente de 639 Homens (…) resistiu bravamente ao cerco realizado por mais de 3 mil federalistas durante 26 dias.

(…) Não foram além do Paraná. A Lapa sepultou seus bravos heróis.

Mas a Lapa também cavou o túmulo da Revolução Federalista.

chimarrodromo-sms

São Mateus gosta de chimarrão. Aqui o ‘Chimarródromo’, bem no Centro. E a esquerda uma cuia gigante na periferia.

A Lapa deu a vitória a República.”

Ao fim, a Lapa caiu nas mãos dos revoltosos, afinal eles eram em número 5 vezes maior.

Mas os 26 dias que a Lapa resistiu foram vitais pra definir quem venceria a  guerra:

Foi o tempo que permitiu ao Comando-Geral do Exército reorganizar e rearmar suas fileiras, pra fazer frente a ameaça.

Com o quase mês que os rebeldes demoraram pra passar pela Lapa, a custosa vitória federalista nessa cidade foi a sua última. A República triunfou.

cuia gigante-sms………..

São Mateus é nas margens do Rio Iguaçu.

O maior e mais importante rio do Paraná, que não por outro motivo nomeia o palácio sede do governo do estado.

As suas margens, ainda dentro do perímetro urbano de Curitiba, está aquele que um dia foi o maior parque nacional urbano do Brasil. rio iguacu-sms

E que contém dentro dele diversos outros parques. Num deles está o Zoológico, em outro a foz do Belém, o maior rio da capital do estado.

De volta a São Mateus:

Bem no Centro está o Porto, no Iguaçu. A direita ponte sobre ele.

porto-smsVimos na primeira foto da matéria, no topo da página, foto feita sobre ela. Agora sob.

No passado, o transporte fluvial era muito mais comum.parque na barranca-sms

Aportavam ali embarcações de todos os tamanhos.

Inclusive uma barcaça que antes desbravou o Mississipi, EUA. Preservada no local.

parque na barranca1-smsAo lado do porto há um parque lindeiro, uma das maiores opções de lazer da cidade.

………..

Da ponte acima até essa a direita abaixo, essas 5 tomadas são dali.grafite no parque-sms

Podemos ver a galera pescando, passeando, namorando.

Mesmo num domingo frio de inverno Sul-Brasileiro.

E ao lado um grafite ‘relembrando o passado’, retratando barcos que ancoraram ali nos ‘bons tempos’.

centro-sms

Centro de S. Mateus.

(Nota: em Valparaíso-Chile eu cliquei cenas similares, grafites homenageando meios de transporte antigos.

Mas nesse caso terrestres, ou quase ‘aéreos’, pois um é um teleférico)

………..pouca violencia1-sms

Mais uma vez, voltemos ao Paraná que é nosso tema de hoje.

pouca violencia-smsConstatei que São Mateus do Sul é uma cidade pouco violenta, felizmente.

As 2 imagens, acima e ao lado, provam:

Casas de alto padrão não se dão sequer ao trabalho de fecharem seus portões. rodovia-sms

…………

Comentemos um pouco as fotos.

Vocês sabem, nem sempre o texto corresponde a imagem que está mais próxima, busque pelas legendas.

campus uepg-smsVemos no decorrer da página:

Caminhão Scania (direita): clicado perto do Porto e da Praça da Matriz, no Contorno da BR-476;

Falando na Praça da Matriz. Ali estão o campus da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) e a Catedral. detalhe uepg - sms

Primeiro falemos do prédio que abriga a UEPG, visto em 3 tomadas, acima e nas laterais.

fachada-uepgAcredito que tenha sido um seminário antes ou algo assim, pela santa que há na fachada.

A mesma construção sedia também a secretaria municipal de educação, como notamos.

Bem em frente, o principal templo católico da cidade.

Visto em 2 tomadas, nítido e com as flores que há em frente.

Mais a frente veremos mais flores de São Mateus. igreja

Ao lado do campus está o ‘Chimarródromo’, já vimos a imagem bem mais pro alto da página.

Na mesma praça está uma lojinha de artesanato que imita as casas construídas pelos poloneses.

igreja-flores-sms……….

– Em São Mateus do Sul existem as lanchonetes dentro de reboques automobilísticos (‘trailers’).

Veja a direita, não muito longe dessa praça. Como em qualquer cidade do interior:

Já fotografei a mesma cena em Guarapuava, também no Sul do estado. lanchonete-sms

……….

– Agora um pouco da periferia.

Estando no Sul do Brasil, em S. Mateus não poderiam faltar muitas casas de madeira.

madeira1-smsmadeira-smsmadeira horizontal-sms

artesanato-sms

Loja de artesanato.

Na última foto da sequência acima vemos uma casa em que em algumas paredes as toras estão na vertical, que é o dominante no Brasil e Chile.

E em outras na horizontal, que é o mais comum no Caribe. E aqui no Brasil somente no Amapá.

Nos outros estados, do Sul, Norte e mais Mato Grosso, Espírito Santo e São Paulo, a maioria das casas de madeira é na vertical, enfatizando.

portal contenda

Portal de Contenda. Não entramos na cidade, fotografei da estrada.

Apesar que eu já fotografei na horizontal no interior e Litoral do Paraná, Litoral de São Paulo e Chile.

……….

Se você seguir pela BR-476, chegará a outra ‘Cidade-Gêmea PR/SC’: ‘Porto União da Vitória‘.

Ou seja União da Vitória-PR/Porto União-SC.

Lá, embora ainda não sejam maioria, é a cidade brasileira em que mais há casas de madeira na horizontal.periferia beira-rio1-sms

Isso entre as que eu já visitei, ainda não tive a oportunidade de pisar no Amapá.

Não fotografei as casas de madeira de ‘Porto União da Vitória’. Mas fiz um desenho. periferia beira-rio-sms

– Ao lado e logo acima: bairro na periferia de São Mateus.

Exatamente as margens do Rio Iguaçu, essa rua de terra passa no vão da ponte visto acima.

Mais residências em madeira, como notam.fazendas ao fundo-sms

– A esquerda, ainda na periferia de São Mateus, outra cena típica do interior:

Você está bem dentro da cidade, mas se subir num ponto mais alto avistas as fazendas que cercam a área urbana.placa-sms

E a direita voltamos ao Centro. Uma placa de rua. Com um Passat na ativa!!

Na sequência horizontal abaixo, igualmente placas de rua no Centro, porém na Lapa. Elas trazem o nome antigo da via, como acontece em Santa Catarina.

placa1-lapaplaca2-lapaplaca-lapa

tapete de flores-smsAS FLORES DE SÃO MATEUS

Com esse tapete florido ao lado abrimos a seção que mostra as flores que adornam São Mateus do Sul. Clicadas na Praça e Avenida principais da cidade.

Clique sobre as tomadas pra ampliá-las, o mesmo vale pra todas, sempre.

tapete de flores1-smscanteiro-smscanteiro-sms1flores-smscanteiro2-smscanteiro3-sms

construcao antiga-smsMais cenas de São Mateus do Sul:

Próximas 2: construções antigas. Note que na esquina as duas ruas são de paralelepípedo, porém de tipos diferentes:casarao-sms

Ao lado o retangular clássico (no passado muito comum em toda parte, agora diminui mas ainda existe, incluso aqui em Curitiba);

E acima o hexagonal, dominante no Litoral do Paraná e S. Catarina, mas que aqui em Ctba. desconhecemos. 11-13 sms

Na foto ao lado: um caminhão guerreiro 11-13 azul descansa num bairro de periferia de São Mateus.

Veja outras postagens específicas mostrando centenas de caminhões antigos Scania e Mercedes, pelo mundo todo.

panteao dos herois1-lapa

Panteão dos Heróis da Lapa.

Falando em veículos clássicos – e redondos – mais pra cima vimos uma procissão de Fuscas.

Pra quem gosta dessas baratinhas, eu já fiz várias matérias sobre eles:

Um ensaio mostrando vários Táxis-Fuscas em Curitiba, especialmente na Rodoviária, em 1980.

igreja velha-lapa

Centro da Lapa. Antiga igreja matriz.

Na mesma matéria vemos fotos também do Rio de Janeiro e Cidade do México;

– Fotos de Acapulco, Litoral Mexicano, onde até hoje os Táxi-Fuscas são maioria; E os desenhos: dessa mesma cidade; e por fim Marília dirigindo um Fusca-Táxi no Rio .

Que Deus Ilumine a toda Humanidade.

“Deus proverá”

Periferia de Belém: a Terra é Firme, mas não muito

Roxo Zona Sul

Ônibus roxo: vai pra Zona Sul (e parte da Zona Central). Esse justamente pra Terra Firme. Por ser municipal de Belém, há o brasão da cidade, os metropolitanos têm a mesma pintura mas com outros símbolos no lugar do brasão.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Dois emeios, publicados em 21 e 26 de junho de 2013

Maioria das fotos feitas pessoalmente por mim. As que foram baixadas da internet eu identifico com um (r) de ‘rede’. Foram mantidos os créditos, sempre que eles estavam impressos nas imagens.

…..

Sigamos a falar da capital do Pará. Acima da manchete já vemos um aperitivo do que é a Terra Firme.

Começamos pelo emeio que seguiu em 26/06/13:

Azul - serve a Zona Leste

Azul: vai pra Zona Leste. No caso a Cid. Nova, Ananindeua, Z/L metropolitana, e por isso tem um desenho onde nos municipais há o brasão de Belém. A pintura é padronizada e a mesma pro municipal e metropolitano, repito.

Terra Firme é um bairro de Belém, na periferia da Zona Sul.

Fui a pé do Centro até lá, margeando toda a Costa do Rio Guamá, a região dos “Portos”.

Ao lado da Cidade Nova (Ananindeua, Zona Leste metropolitana) são dois dos mais emblemáticos bairros da periferia de Belém.

Ambos eu já conhecia por nome antes de ir lá.

Belem

No Norte do Brasil usa-se tanto a madeira quanto no Sul. Em Belém é comum palafitas nos arroios. Essa é perto da divisa com Ananindeua

A Cidade Nova é um conjunto planejado construído no fim do regime militar.

Pra tentar ordenar a  periferia belenense.

Então, a Terra Firme e imediações são bairros não-planejados.

Resultado de enormes invasões que surgiram a beira dos muitos igarapés que desaguam no Guamá.

Veja: casas construídas em estacas sobre um lodo, sem coleta de lixo e esgoto.

Cidade Nova (3)

Cidade Nova, Ananindeua. Como verão em várias fotos, a falta de saneamento é questão séria na Grande Belém.

Não é difícil imaginar o que acontece quando chove forte.

E em Belém chove forte todos os dias, de janeiro a janeiro sem falhar nenhum.

É incrível a quantia de pessoas que moram em palafitas na Grande Belém.

São dezenas de milhares (quem sabe centenas), é a moradia típica das favelas do Norte.

Vê também que a madeira é o material mais utilizado. No Norte do Brasil, há tantas casas de madeira quanto no outro extremo, no Sul.

Vendo essas imagens entende o título da mensagem: nas quebradas de Belém a beira dos rios, a Terra só é “Firme” no nome, e talvez em sonhos.

comercio atendendo gradeado……………

Belém é uma metrópole com taxa de criminalidade elevada.

Já estive em um bocado de cidades, em todas as partes do Brasil e da América.

E Belém está entre as que têm a maior proporção de comércios atendendo gradeados, a esquerda vemos mais um exemplo.

letreiro eletronico novo

Na Pres. Vargas, um buso verde, que vai pro começo da Zona Norte. Esse já com letreiro eletrônico portanto pode mudar a linha.

Na mesma proporção da Colômbia, a seguir o México e a seguir Santiago do Chile.

Entendam os amigos do Norte que eu não falo isso por racismo ou por achar que o Sul é melhor.

Exatamente ao contrário, a cidade que eu vivo, Curitiba, é igualmente extremamente violenta.

Especialmente no quesito de assassinatos, que é a forma mais extrema de violência contra alguém.

Curitiba tem também elevada quantia de roubos.

Laranja Zona Norte 2 anel

Laranja é uma faixa intermediária da Zona Norte, Pratinha e entorno. A linha vai pra lá, mas a foto é na Região Central, daí os espigões de classe média pipocando.

Agora, ainda assim com raríssimas exceções as vendinhas e mercearias do subúrbio curitibano não atendem atrás de grades.

Já em Belém é relativamente comum.

……………

NO TOPO DO MUNDO, MAIS COMPLEXO NINGUÉM FAZ: É A PICHAÇÃO EM BELÉM – 

Há um ramo da atividade humana que Belém atingiu o maior nível de complexidade de todo o planeta Terra: pichacao (5)

É a pichação de muros. Nas laterais vamos vendo exemplos.

Esse é um assunto que entendo a fundo, até porque fui pichador, e além disso estudo desde sempre.

pichacao (7)Portanto tenho conhecimento tanto empírico quanto teórico.

E lhes afirmo isso, em nenhum lugar do globo as letras do ‘alfabeto pichador’ atingiram tal desenvolvimento quanto lá.

o cara ta flutuando

Em duas escalas, a ‘re-decoração‘ do teto da sede do Liberal, no Centro.

…………..

Pra começar, Belém tem letra própria de pichação.

Em nosso país, só São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, além de Belém, criaram seu próprio estilo.

As demais cidades copiaram.

Veja: a pichação em Curitiba, Porto Alegre e todo o interior e litoral do estado de SP é pichacao (3)cópia exata da capital paulista.

Goiânia xeroca Brasília, que é ali perto. Belo Horizonte imita tanto o Rio quanto São Paulo.

Em Fortaleza se picha como no Rio de Janeiro. No Recife já volta a ser similar ao que ocorre em SP.

Amarelo - Zona Norte 3 anel

Fechando o esquema de cores, os ônibus amarelos vão pra parte mais periférica da Zona Norte, Icoaraci e a Ilha do Outeiro. Repare no itinerário adesivado no vidro. Essa também pode mudar a linha porque o letreiro já é eletrônico.

Já em Manaus você todos os estilos, do Rio, São Paulo e Brasília, mas nada inventado localmente.

Belém, dizendo de novo, não apenas inventou seu próprio estilo, como ele é o mais complexo do Brasil e do mundo:

Guarda alguma semelhança com São Paulo, de onde se originou.

Mas a seguir foi desdobrado ao infinito em termos de elaboração.

O aluno superou o mestre, em muito.

Jiboia Branca Ananindeua ZL

Esses micros com pintura diferente são os municipais de Ananindeua, Zona Leste.

………….

Veja as imagens:

Em Belém o tempo todo se insere na pichação desenhos e símbolos.

Rostos, asteriscos, animais, o emblema do ‘Batman’, passa o boi passa a boiada:

 O que você imaginar eles já tornaram realidade nos muros do Pará.

Terra Firme, Z/S (r) – como explicado, as imagens com esse ‘(r)’ são baixadas da rede.

São Paulo criou isso, mas em Belém essa manifestação atingiu seu zênite.

Belém, número 1 do planeta na pichação de muros. É a realidade.

É claro, em Belém também se picha tudo que é possível, do teto ao chão.

Igreja de Nazare

De dia e de noite, a Igreja de Nazaré.

Como qualquer metrópole que a pichação se pretenda ser levada a sério

Veja como ficou a cobertura do prédio do jornal ‘O Liberal’, bem no Centro.

Os manos re-estilizaram a fachada. “O Cara tá Flutuando”, parece que criou asas pra subir tão lá em cima.

E não foi pouco tempo que eles passaram nas alturas, na imagem a seguir em outra escala a “arte”.Igreja de Nazare - noite

Costuma-se também informar o bairro em que a gangue está sediada.

Técnica usada por vezes em outras cidades, mas lá muito mais.

Veja que em duas nas fotos está escrito CN6, iniciais da Cidade Nova 6, Ananindeua, Zona Leste metropolitana.

Marituba ZL

Menino-Deus‘, o símbolo de Marituba, na Zona Leste metropolitana.

Em outra imagem está grafado o numeral ’40’, referindo-se ao bairro 40 Horas, também em Ananindeua.

Outra característica típica belenense: o cara riscou sua parafernália característica e a seguir numerou a obra como ‘1ª via’.

Indicando que era sua estreia naquele muro, pra a seguir ameaçar: “Se pintar eu volto”. E eles voltam mesmo, picham o exato mesmo local, e tiram sarro: “2ª via. Eu avisei”.

Ligação externa, um sítio especializado sobre a pichação em Belém:

http://websta.me/n/pixo_belem

Pra quem curte um rabisco nos muros – e telhados!! – na Amazônia é assim que se faz.

DUBAI BRASILEIRA: BELÉM ENTRA EM NOVO CICLO DE PROGRESSO –

Como é sabido, desde a virada do milênio a economia de nosso país passa por um processo de descentralização.

Está se tornando mais justa, regiões antes esquecidas estão enfim tendo direito de participar um pouco mais do desenvolvimento.

so pode ser no Para

“Égua!!! Eu posso ter uma B.M.W.!!!” Só no Pará você verá um anúncio desses! A frente mais um micro de Ananindeua.

Lembre-se, escrevi bem antes da recessão que se instalou em 2015.

Então esses apontamentos ainda se referem ao final do ciclo de prosperidade que houve no país até o meio da decada de 10.

O Nordeste é o exemplo mais conhecido, inclusive já escrevi sobre isso.

Já há algum tempo, indústrias do Centro-Sul passaram a abrir filiais no Nordeste. Com a intensificação desse processo, começa a haver inversão:

Cidade Nova Ananindeua ZL1

Cidade Nova.

Algumas corporações estão fechando as antigas matrizes no Sul e Sudeste e transferindo toda a produção ‘lá pra cima’.

Tenho com frequência comprado produtos fabricados em Pernambuco e na Bahia.

E isso há poucas décadas era impensável.

A indústria calçadista gaúcha fechou quase todas as suas fábricas no Vale dos Sinos, Zona Norte da Grande Porto Alegre.

belém pará metrop lona branco faixa azul buso era ex sp paulista frente saltada comil tribus trucado 3 3º eixo placa itinerário vidro para-brisas desenhos índios indígenas amazônia vidro preto linha escrita amarelo letreiro sufico cor diferente outra costa norte

Esse buso (único Tribus Urbano que circulou no Pará) ostenta a 2ª pintura padronizada da Gde. Belém (r), adotada nos anos 90. Sufixo em cor diferente pois é a ‘Costa Norte’ Brasileira. Fonte: portal LucasRio.

E agora produz no Ceará.

No Rio Grande do Sul ficaram só os escritórios comerciais, jurídicos, de desenho.

Enfim, o colarinho branco. A linha de produção mesmo não está mais ali.

Hoje, mais gente se muda de São Paulo pro Nordeste que na mão inversa, numa reversão histórica do que predominou por todo século 20.

Assim as capitais nordestinas vem passando por grande surto desenvolvimentista.

E essa onda de prosperidade se espalhou por todo Nordeste, e também pelo Norte.

Sao Braz ZC transporte alternativo

Nem só de ônibus vive o transporte paraense. Enorme fila de vans no São Braz, Zona Central, fim-de-tarde. O chamado ‘transporte alternativo‘ lá ainda não plenamente legalizado e inserido no sistema, como em outras cidades. Outro detalhes: os táxis também são brancos.

Estive na capital do Pará em 1989. Ela multiplicou por 10 o número de arranha-céus nesse período.

Veja as fotos. A Zona Central de Belém eu nomeei “Dubai Brasileira”:

São novos edifícios por tudo que é parte, sempre altos, no número de andares e no padrão financeiro.

Há quadras que você vê 5 ou 6 prédios sendo erguidos simultaneamente.

Vários em obras, e vários recém-inaugurados.

Andando pelas ruas do Centro e bairros próximos dele em Belém, se vê uma quantia grande de edifícios, 90% deles erguidos já nesse milênio.

Com décadas de atraso a Zona Central de Belém está ficando verticalizada e com um número grande de pessoas de classe média-alta como ocorre há muito no Centro-Sul do país.

transporte, passado e presente

Bem no Centrão, entre o Ver-o-Peso e o Forte, mais uma van. Sobre os trilhos onde um dia passou o bonde (fotografei o mesmo no Paraguai). O velho e o novo juntos. Note que não necessariamente o novo é melhor, ao contrário, essas vans são precárias.

Pense no bairro Água Verde aqui em Curitiba, ou o Tatuapé em São Paulo.

Se tornaram um celeiro de espigões já 3 décadas atrás. Até que enfim está se materializando um equivalente em Belém. E não só no Centro.

A periferia de Belém, um lugar onde tudo é difícil como lhes mostrei e é notório, também passa por grande surto de verticalização e enriquecimento.

Claro que ali os apartamentos tem padrão bem mais modesto. Não importa.

A proporção da transformação que vem ocorrendo é a mesma.

Ananindeua é um subúrbio-dormitório pobre de uma metrópole que já é ela mesma na periferia econômica e política do país.

Breve onibus articulados

Em 2013 em obras, agora já entregue a 1ª fase, o Ligeirão de Belém – com tubos iguais aos de Curitiba.

Ainda assim estão fazendo grande centro comercial, cujo complexo abrigará 3 torres comerciais altas, supermercado e centros de lazer.

Sinal que nas imediações o povo está ganhando mais, pra poder arcar e bancar tudo isso.

Note quantos espigões brotando do solo. Verdade, eles não tem piscina, como os da Zona Central.

Ainda assim, são a prova de como Belém está mudando.

A mudança virá pra melhor. Eu tenho Fé.

Pela Lei dos Ciclos, vai chegar a vez do Norte brilhar mais intensamente nessa dimensão também.

branco letreiro eletrônico vidro preto motor tras buso artic laranja são braz neobus belém pará

Eis o Ligeirão, que liga o São Braz ao subúrbio (r). Um belo Neobus, não? Notam que a fonte é o sítio Ônibus Brasil.

…………..

Comentemos as fotos. Lembre-se, anteriormente essas postagens foram emeios, que têm dinâmica bem distinta.

Portanto nem sempre o texto corresponde a imagem que está mais perto. Busque pelas legendas, que estão corretas. Vemos no decorrer da página:

– O busão que vai pra Terra Firme. Roxo, pois serve a Zona Sul. Com o emblema de Belém bem no centro. 

Os ônibus municipais trazem o escudo da cidade, e nessa foto fica nítido;

BR-316 Ananindeua ZL palmeiras

BR-316 em Ananindeua. As palmeiras, símbolos de Belém, por toda parte. A outra ponta dessa rodovia é em Maceió.

– Bandeira do Atlético Mineiro pendurada na janela de um prédio. A torcida do Galo está com a corda toda, mesmo na distante e tórrida Belém.

O texto é de junho de 13, pouco tempo depois o time foi campeão de Libertadores.

Eu não torço pro Atlético-MG – alias quando estive em Minas fui no jogo do arqui-rival Cruzeiro.

Tampouco torço pra qualquer outro time, apenas retrato o que vi. As pichações já decodificamos;

– Breve Belém terá um corredor com pistas exclusivas pra ônibus, operada por articulados. Os tubos, iguais aos de Curitiba, já estão instalados.

economia cresce

Próximas 2: a economia de Belém está crescendo. Até Ananindeua está recebendo centros comerciais e torres de padrão mais elevado.

Como acabo de dizer, essa era a situação em 13. Agora o Ligeirão de Belém já está operando;

– Vemos a BR-316, saída de Belém. Vai até Maceió-AL.

Mas bem antes disso, na parte urbana da Grande Belém, ela liga a Zona Central aos subúrbios metropolitanos da Zona Leste.

Por isso, as ‘galeras’ (de torcidas de futebol e patotas de rua) que moram na Z/L em Belém se denominam “Comando BR”, pois pra atingir o Centro é inevitavelmente pela BR-316.

 Em Porto Alegre-RS, o equivalente é o “Comando Trem”, visto que os que moram na Zona Norte metropolitana (Canoas e o Vale dos Sinos) vão de trem urbano pro Centro da capital.economia cresce1

De volta a BR-316, Zona Leste da Grande Belém. Mais alguns detalhes dignos de nota: mesmo no sábado, tudo parado.

O desenvolvimento econômico chegou a Belém como um todo, e a Ananindeua em particular.

Veja quantos prédios altos surgindo. As palmeiras, símbolo de Belém, estão por toda parte;

 – Um ônibus acaba de deixar a rodoviária de Belém, e segue viagem rumo a Picos, no Piauí. Foto ao lado. Escrito ‘Picos/Belém’ porque não se deram ao trabalho de inverter o letreiro. Nesse dia ele fazia o sentido Belém/Picos.

parada na BR pra aguaO dia está muito quente, e em Ananindeua ele encosta pra quem começa a viagem ali poder embarcar.

Enquanto isso, os passageiros que já estão dentro descem pra tomar uma agüinha, pois o calor tá de lascar.

Esse veículo um dia pertenceu a Viação Itapemirim, mas não mais. Foi vendido pra uma empresa menor, local;

Terra Firme Zona Sul (5)

Terra Firme (r).

– Outro ponto curioso nessa mesma foto: note que uma placa indica “pousada”. Cuidado que não é o que aparenta.

Pousada’ em Belém é motel de alta rotatividade na zona ‘da luz vermelha’;

– Observe que traz um cartaz anunciando ‘amarração pro amor’, imagem a esquerda.

“Faço querer quem não te quer” promete, como se isso fosse possível mas deixa pra lá.

garrafadasEis uma manifestação universal, também já fotografei em Belo Horizonte e no Paraguai.

Aqui quero chamar a atenção pra outro detalhe:

Oferecerem ‘garrafadas’, remédios caseiros com ervas. Já falei – inclusive com fotos – bem melhor disso na matéria sobre a República Dominicana;

– Bem no Centro de Belém, um prédio do Inamps. Espera aí….Inamps?? Essa é velha, hein? E bota velha nisso.

Vila Esperanca Ananindeua ZL

Vila Esperança, bairro que fica próximo ao Centro de Ananindeua.

Todos conhecem o INSS, Instituto Nacional de Seguridade Social.

Mas só os mais velhos, de 30 e poucos anos pra cima, é que estão na matéria o tempo suficiente pra saber que o Inamps (Instituto Nacional de Previdência Social) é seu predecessor.

O Inamps encerrou as atividades no já distante ano de 1990 (quando Collor era presidente), e acabou juridicamente 3 anos depois.

Mas no Centro de Belém, ele ainda está na fachada, a vista de todos numa das principais avenidas Igarape Val-de-Cans Maracangalha ZNda cidade, em pleno 2013;

– Ao lado: o igarapé Val-de-Cans, que divide o bairro de mesmo nome (onde está o Aeroporto Internacional) do Maracangalha, Zona Norte de Belém.

Na primeira mensagem da série seguiu essa foto em outra escala, e viram que urubus e garças dividem o espaço no riacho. É Belém em Preto & Branco.

– Em Belém, a maioria dos postos de gasolina da periferia não tem lojas de conveniência, como podem ver a direita.nao tem loja de conveniencia

Pra quem mora no Centro-Sul é uma cena inusitadíssima. Afinal a gente se acostumou a ver todo tipo de comércio nos postos:

Lanchonetes, farmácias, lojas de conveniência, caixa eletrônico, lavanderias, e muito mais.

Olhe, é um centro comercial tão amplo que vende até combustível, sabia?

Assim nos é estranho ver um posto pelado, onde só se vendem dois produtos: gasolina e álcool, e nada mais.

Torcida Uniformizada Terror Bicolor

Destacado na pichação a sigla T.U.T.B.: ‘Torcida Uniformizada Terror Bicolor’, do Paysandu.

Não dá pra comprar salgadinhos nem bebidas, não dá pra sacar dinheiro, não dá pra fazer um lanche, não dá pra comprar remédio, só dá pra abastecer mesmo.

Os postos maiores na Zona Central, onde a renda é mais alta, e uns pouquíssimos na periferia, esses tem sim loja de conveniência e caixas eletrônicos, como é no resto do Brasil.

Mas a maioria é como observam (e esse é Petrobrás e numa avenida movimentada, de pista dupla), só tem as bombas mesmo e nada mais.

Como um dia foi no planeta inteiro, décadas atrás.

Torcida Organizada Remocada

E nessa a arqui-rival, a T.O.R.: Torcida Organizada Remoçada, do Clube do Remo.

Aliás: nesse mesmo ano de 2013 constatei que na República Dominicana exatamente o mesmo se dá, loja de conveniência só nos bairros mais ricos.

Bem vindos a Belém, “Portal da Amazônia” e nesse caso também um “Portal do Tempo”;

– 6 fotos da Terra Firme, Zona Sul (que puxei da rede), e 3 clicadas por mim na Vila Esperança, Centro de Ananindeua, Zona Leste metropolitana.

AMÉRICA QUERIDA, AMOR MAIOR: A SAGA DE DESBRAVAR SOZINHO E A PÉ AS ENTRANHAS DE UM CONTINENTE, E DEPOIS RELATAR

divisao da rede de transportes

Mapa de como são pintados os ônibus da Grande Belém. Fui eu quem elaborei pelo que observei, então embora esteja correto nas linhas gerais pode haver alguma pequena distorção em um bairro ou outro.

Nesse emeio publicado em 21 de junho de 2013 falaremos, entre outros temas, da rede de ônibus.

Em verdade boa parte das informações já foi sintetizada na legenda das fotos.

Vamo aí. Em Belém não há metrô, trens e muito menos bondes modernos. Tampouco há articulados e pistas exclusivas pra ônibus.

Qualquer modal ferroviário está completamente fora dos planos, por ora.

Mas em breve haverão articulados em pistas exclusivas, um corredor está sendo feito – com tubos exatamente iguais aos daqui de Curitiba – e a primeira fase já está quase pronta.

Nota: escrevi o que era realidade quando lá estive, por isso ressaltei a data muitas vezes.

buso

Em Belém – e também em Fortaleza – a catraca do busão é a esquerda. Como é sabido, o padrão universal é na direita, na face das portas.

Como já atualizado acima, o Ligeirão já está operando. Sabendo disso, volta o texto original.

Então logo Belém dará um salto de qualidade, desesperadamente necessário.

Porque por enquanto só operam lá ônibus convencionais, micro-ônibus e vans.

Exatamente igual a Assunção, Paraguai, onde eu havia estado um mês antes.

A capital do Pará é a única cidade do Brasil, creio eu, em que ainda há transporte clandestino, ou seja vans que operam sem qualquer controle ou fiscalização.

Azul - serve a Zona Leste1

Azul: Zona Leste, no caso de Belém a Região Metropolitana. Os de Ananindeua têm uma árvore desenhada.

……………

No Sul do Brasil nunca houve transporte clandestino.

Os que moram aqui e viajam pouco pra outras partes do país sequer sabem o que é isso.

Entretanto, em outros estados a partir dos anos 90 surgiram vans e kombis, operadas pelos próprios donos, concorrendo com o sistema regular.

Isso se tornou onipresente em todas as capitais e cidades maiores do interior, em todo Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

Cidade Nova mais uma favela

Próximas 4: Cidade Nova e imediações, Ananindeua.

Cheguei a usar esse modal em São Paulo, inclusive as kombis.

Era um problema seríssimo. Esses veículos não tinham manutenção adequada nem treinamento por parte dos proprietários/motoristas. Não cumpriam horário nem itinerários fixos.

E como precisavam fugir da fiscalização muitas vezes dirigiam de forma perigosa, entrando em vias paralelas de menor movimento pra escapar dos fiscais.

Diversos acidentes ocorriam, inclusive com mortes. O sistema reprimia, mas o problema não Cidade Nova Av. principal1terminava, e nem poderia acabar somente pela repressão, pois havia demanda.

Em bairros da periferia simplesmente não havia outra opção, então as pessoas utilizavam transporte irregular, mesmo sendo perigoso.

Por ser uma opção mais barata e em alguns casos a única.

Na última década, todas as cidades regularizaram o transporte clandestino, inserindo-o no sistema.Cidade Nova Av. principal

Em todo Brasil exceto no Sul (onde nunca houve) ele continua a existir, mas não é mais clandestino.

Os motoristas foram obrigados a formar cooperativas, e as cooperativas respondem perante o sistema como se fossem uma empresa. 

Têm que cumprir horário, itinerário e valor da tarifa fixos. Os veículos tem que passar por Cidade Nova Ananindeua ZLmanutenção, e os funcionários por treinamento.

Além disso, em muitas cidades não há mais vans ou kombis, só micro-ônibus.

Que são menores que os veículos convencionais, mas pelo menos você pode ficar de pé dentro deles.

Assim, as cooperativas não mais concorrem com as empresas regulares. Os dois modais agora se complementam, os ônibus maiores das empresas fazem as linhas-tronco, centro-periferia.

Dubai Brasileira e Curitiba do Norte

Dubai Brasileira’ e ‘ Curitiba do Norte‘: a capital paraense adotou os tubos da capital paranaense. Ademais, repito, é impressionante a quantia de prédios de classe média novos e em construção na Zona Central de Belém.

E os micros das cooperativas se encarregam das linhas locais, partindo dos terminais e avenidas principais da periferia até os pontos mais distantes, nas vilas, favelas e morros.

Vi pessoalmente essa situação, o antigo transporte clandestino agora inserido no sistema e com qualidade, em dezenas de cidades.

Como São Paulo capital, Campinas-SP, Santos-SP, Brasília-DF, Goiânia-GO, Cuiabá-MT, Manaus-AM, Belo Horizonte-MG e Fortaleza-CE, pra citar apenas algumas.

No Rio de Janeiro ainda há vans, andei nelas no mesmo ano de 2013. Nas avenidas principais da capital carioca circulam as que já esão legalizadas.

Nos fundões da Ilha do Governador vi ainda transporte que me pareceu entretanto não-legalizado, ou seja clandestino.

centro (2)

Próximas 2: Centrão de Belém.

Se assim for, o Rio resolveu em parte o problema das lotações ilegais, mas não de todo.

Entretanto, dizendo de novo, Belém ainda está por dar esse passo.

Lá ainda operam vans e kombis ‘como dá na telha’, sem qualquer tipo de controle ou fiscalização.

Digo, algumas que vão pra Região Metropolitana são cinzas e numeradas, o que indica que há pelo menos algum cadastramento junto aos órgãos responsáveis.centro

Mas as que operam dentro do município de Belém, e algumas que também são metropolitanas, são completamente brancas.

Sem nada que indique que qualquer pessoa ou órgão tenha alguma jurisdição sobre elas.

Um dia, pra ir de Icoaraci (Zona Norte) pro Centro eu utilizei esse modal, é claro, pois quando visito uma cidade sempre faço uma imersão total.

casa de madeira - muito comum

Aqui e a direita: na Grande Belém – e em todo Norte do Brasil – há muitas casas de madeira.

Vou pra ver como vivem seus habitantes, especialmente os da periferia. 

Cara, é horrível andar nessas vans, e não por outro motivo na maioria das cidades elas foram proibidas.

Você mal fica de pé, não há espaço pra circulação no interior do veículo – quando alguém lá de trás precisa descer é um horror, como não é difícil imaginar.

Na República Dominicana foi exatamente igual, voltei da Zona Oeste de Santo Domingo pro Centro num micro.

E tudo foi repetido ‘ipsis literis’. Bem, no México e Colômbia também andei de Kombi e van, respectivamente, e a situação não foi muito melhor não.casa de madeira - muito comum1

Voltando a Belém, cheguei a ver Kombis em que se abre janela de trás, e duas pessoas iam sentadas sobre o motor, com as pernas pra fora do veículo.

Numa situação calamitosa, mas ninguém parece se importar.

………………

praca CentroEnfim, seja como for, veja as vans operando em Belém. Em duas tomadas (uma delas a esq.) é  um único veículo, pela manhã, bem no Centro, perto do Ver-o-Peso.

Repare na outra foto (mais pra cima na pág.) que ainda vemos os trilhos dos bondes, que um dia ali fizeram seu ponto final, mas que já se retiraram de cena a décadas (em Assunção-Paraguai captei a exata mesma cena).

BR Centro de Ananindeua

Próximas 5: sequência tomada na BR-316, Ananindeua. Aqui é próximo ao Centro do município.

E também a fila de vans no bairro do São Braz, Zona Central. Nesse local é o terminal metropolitano, em frente a Rodoviária.

Outro detalhe. Veja nessa imagem logo acima a placa do Pálio verde. Tem as bandeiras do Pará e do Brasil.

Como disse na postagem anterior, essa é uma característica impressionante de Belém: voluntariamente, sem que nada obrigue, cerca de metade da frota tem suas placas adornadas assim.

Voltemos ao transporte coletivo. Lhes disse que apenas Ananindeua e Marituba estão conurbadas com Belém, e por isso formam com ela uma única cidade, região metropolitana da fato e direito.

BR-316 Ananindeua ZL

Tudo parado mesmo no sábado.

Assim os ônibus regulares pra essas cidades vão até o Centrão de Belém, até seu marco zero, as “docas” (o porto pra navios de grande calado) e o Ver-o-Peso.

Os ônibus pras demais cidades, mais distantes e ainda não de todo integradas a Belém, saem do São Braz, que é próximo ao Centro mas já fora dele.

O ponto final das linhas é de dentro da rodoviária mesmo (quando são ônibus de viagem) ou na praça em frente a mesma (ônibus urbanos e vans).

BR-316 Belem-PA a Maceio-AL

Essa foi de dentro do busão.

E as vans pra região metropolitana e cidades próximas (nesse modal incluindo as que vão pra Ananindeua e Marituba), tudo sai desse mesmo local, no São Braz.

Então aqui vê o fim da tarde, a fila de vans aguardando os passageiros, que iniciarão longa viagem pela BR-316 rumo a suas casas, que ficam em distantes subúrbios a leste da capital.

O ponto final do Ligeirão é ali também.

Na imagem há também vários táxis, já matamos esse coelho também com a mesma paulada: na Grande Belém os táxis são brancos, em todos os seus 3 municípios.

ate na periferia1

Ananindeua: Até na periferia da Gde. Belém surgem prédios altos de classe média, antes inexistentes ali.

……………..

Há também um modal de micro-ônibus, que é bem melhor que vans e kombis. Esse modal é como é no resto do Brasil.

Vários na foto ao lado, na BR-316. São municipais de Ananindeua (na mesma tomada os busos grandes azuis são metropolitanos).

Pequenas empresas e cooperativas operam linhas menores, mas nesse caso com fiscalização, horário e itinerários regulares.

Clicamos diversos micro-ônibus de linhas municipais de Ananindeua, Zona Leste metropolitana – um deles serve ao bairro Jibóia Branca (é isso mesmo),

os azuis predominam - estamos na Zona Leste

Fechando a sequência da BR-316, alguns busos metropolitanos.

Quase todos os micro-ônibus das cooperativas já regularizadas e as vans ainda clandestinas foram trazidas usadas de outros estados, a maioria do Rio e São Paulo.

Muitas vezes sequer fora re-emplacado no Pará ainda.

E cheguei a ver alguns desses veículos em que no letreiro ainda constava a linha que um dia eles cumpriram no Sudeste do Brasil.

Presenciei o mesmo no Paraguai e Rep. Dominicana, e lhes relatei inclusive com fotos.

O trajeto atualmente operado no Norte era indicado por uma plaquinha no vidro.

Vila Esperanca Ananindeua ZL1

Aqui e a direita: Vila Esperança, Ananindeua.

Ou mesmo informado verbalmente pelo cobrador quando encosta no ponto: “Castanheira via BR, tá saindo agora”.

No México, Rep. Dominicana e Colômbia, também há vans e kombis operando de maneira absolutamente precária

Mas pelo menos lá com alguma fiscalização, não são clandestinas.

Repetindo, no Paraguai, por outro lado, não há vans ou kombis, só ônibus e micro-ônibus, em que você pode ficar em pé e circular dentro deles com algum conforto.Vila Esperanca Ananindeua ZL2

……………..

Agora os ônibus regulares. Em Belém a pintura é padronizada e única, tanto pros municipais quanto pros metropolitanos.

Até onde sei, só há mais 4 cidades do Brasil em que isso ocorre: Curitiba, Goiânia-GO, Vitória-ES e Recife-PE.

Mas atenção. Nas outras 4, é a mesma pintura e o mesmo sistema, integrado. Ou seja, quem vem da região metropolitana tem acesso aos municipais da capital sem pagar de novo.

murado ate no 3 andar

Centrão de Belém: prédio vazio murado até no 3º andar, é mole ou quer mais?

Em Belém, apenas a pintura é unificada. Não há integração de qualquer tipo, nem municipal nem metropolitana. 

Não existem terminais de ônibus no Pará, e o cartão, ainda em fase de implantação, não dá desconto e muito menos isenção numa segunda viagem.

Desceu de um veículo, seja ônibus, micro ou van, paga valor integral pra usar outro.

Mais uma vez, relato o que presenciei ‘in loco’ em junho de 13. De lá pra cá foi implantada integração no cartão, embora não sei te dizer se em todas as linhas ou só em algumas. Se algum leitor tiver essa informação repasse que eu publico.

pichacao

Próximas 8: sequência com a pichação de Belém, que é a que tem o maior grau de complexidade do planeta. Estou falando de pichação mesmo, e não de grafite, entenda bem a diferença.

Pelo menos a tarifa é barata, R$ 2,20. É só esse valor mesmo, seja municipal de Belém ou pros seus subúrbios metropolitanos mais distantes.

Isso pros ônibus grandes, das empresas. Nos micro-ônibus das cooperativas e nas vans que são operadas pelos próprios donos, é ainda menos:

R$ 2,00, mesmo pra viagens bem longas que ligam municípios afastados de Belém ao terminal (não-integrado) do São Braz.

…………..

Em Assunção também é assim, uma tarifa relativamente barata e única, seja pros municipais ou metropolitanos.

E tanto faz se o metropolitano entra no município de Assunção (“Departamento Capital”, no jargão local) num trajeto radial, ou se, inversamente, liga municípios suburbanos entre si sem entrar na capital propriamente dita, num roteiro transversal.

pichacao 1 via

“1ª via, se pintar eu volto”. Quando picha, de novo o mesmo muro os caras registram como “2ª via – eu avisei que voltaria”.

Há muitos outros pontos em comum entre as capitais do Paraguai e do Pará. Ambas são cidades:

– planas, sem morros;

– como acabei de dizer, com tarifa única de ônibus, mesmo metropolitanas;

– em que não há integração na rede de transportes, mas ambas irão fazer corredores exclusivos pra articulados, onde será adotado sistema de alimentadores.

Em Belém a primeira fase será inaugurada logo, no Paraguai está em projeto;

pichacao (6)

Veja o nº ’40’, a direita. Indica que a galera mora no bairro 40 Horas, Ananindeua.

– bem pobres, América Latina de fato e direito, ainda aguardando sua vez de entrar na onda de progresso que beneficia parte da região;

– a margem de grandes rios, e tem neles sua razão de existir;

– com portos fluviais guardadas por esquadras da marinha;

– estão construindo portentosa Avenida Beira-Rio dotadas de parques e demais áreas de lazer, aprofundando sua ligação emocional com a Mãe-Água; e

– possuem miseráveis favelas as margens de seus cursos d’água, em que alguns de seus habitantes extraem do rio parte de sua alimentação, pescando.

TOR CN 6 CAM

A esquerda no muro: T.O.R., a torcida do Remo. A direita: CN6, Cid. Nova 6ª Expansão, também Ananindeua. Sem relação com a pichação, notamos que no conjunto mora um torcedor do Galo mineiro.

De forma que foi interessante fazer essas duas viagens em sequência, com menos de um mês de intervalo.

Na verdade eu fui pra Assunção por causa de Belém.

Explico: eu iria pro Pará em fevereiro, a passagem já estava até comprada, nunca havia sequer cogitado ir ao Paraguai.

Mas não deu certo viajar a Belém quando previsto, houveram incidentes que forçaram o cancelamento.

Então eu programei a viagem a Assunção como uma forma de compensar pela outra não ter vingado.

pichacao (2)

Também da CN6.

Foi muito legal, adorei conhecer essa nação vizinha a nossa, um ‘irmão menor’ do Brasil, nossas pátrias estão umbilicalmente ligadas, como já escrevi com mais detalhes.

Ainda assim, não desisti de ir a Belém. E no fim pude conhecer ambas, pelo que agradeço muito a Grande Vida.

E produzir essas séries, assim repartindo com vocês um pouco dessa Vibração, é uma forma de devolver ao Universo a Energia que Ele-Ela me permitiu entrar em contato.

……………….

Deixemos o Paraguai pra lá, afinal ele já foi minuciosamente relatado, e voltemos a falar da cidade de Belém.

pichacao (4)Foi fundada na confluência da Baía do Guajará (que é o Delta do Rio Tocantins, engrossado pelo Rio Araguaia que nele desaguou) com o Rio Guamá.

A baía está a oeste de Belém, o Guamá a sul. Por isso, Belém não tem Zona Oeste, sendo esta o Grande Rio.

Nele está o Porto de Belém (as “docas”), pra navios de grande calado trans-atlânticos, cargueiros e ocasionalmente de passageiros.pichacao (8)

E a seguir o Ver-o Peso. A partir daí, há um pequeno cabo, e depois dele entramos no Guamá, que tem nesse ponto sua foz.

Seguindo rio acima, há a região dos “portos”, onde ancoram embarcações menores, usadas pro transporte intra-amazônico, de carga e passageiros.

Entre o Centro e o Rio Guamá, fica a Zona Sul de Belém. Ela é pequena, por ser limitada fisicamente pelo rio, mas existe.

atropelo

Quando uma gangue ‘atropela’ o emblema de outra, é confronto na certa.

E justamente por ser mais próxima ao núcleo original da cidade, cresceu antes que as Zonas Norte e Leste.

……….

Até o começo dos anos 60 não se chegava a Belém por via terrestre.

Quando o presidente JK “O Egípcio”, o Visionário, construiu a capital Brasília e no mesmo embalo a Rodovia Belém-Brasília.

Enfim o Pará estava integrado a nação, quebrando um isolamento secular. Em outro texto falei mais da história de Belém.

Dubai Brasileira e T.U.T.B_

Mais 2 da Região Central de Belém com sua impressionante concentração de prédios sendo construídos ao mesmo tempo, ao lado de outros recém-prontos. Destaquei a pichação da torcida do Paysandu.

Verão ali que essa relativa alienação do resto do Brasil quase que desconectou o Pará de nossa pátria amada.

Aqui, o tema é a geografia. Houve a inauguração da Belém-Brasília no início dos anos 60, ligando o Pará ao Centro-Oeste, e por consequência ao Sudeste e Sul do Brasil.

Uma década depois, o regime militar concluiu a BR-316, que tem um de seus extremos justamente em Belém. Rumo a leste, ela passa pelo interior do Pará e Maranhão, chegando a Teresina-PI.

Continua a rasgar o sertão nordestino, e tem sua outra extremidade em Maceió-AL. Pronto, agora enfim o Norte estava também conectado ao Nordeste.

Assim a economia se desenvolveu, o que fez com que Belém inchasse descontroladamente. Aí, surgiram grandes favelas na Zona Sul, mais centrais

Dubai BrasileiraE os distantes subúrbios das Zonas Leste e Norte assumiram colossal proporção, rapidamente chácaras deram lugar a vilas, loteamentos e invasões.

A maioria sem nenhuma infra-estrutura, caos que apenas agora principia a ser amainado. E reforce-se o “principia”.

Os subúrbios da Zona Norte, alguns muito, muito distantes, estão dentro do município de Belém mesmo. Já a Zona Leste de Belém se configura nos subúrbios metropolitanos dos municípios de Ananindeua e Marituba.

ate na periferia

Até no subúrbio estão surgindo prédios de padrão mais elevado.

Veja o mapa no meio da matéria, mais pra cima: a Grande Belém foi dividida em 5 regiões, cada uma com um cor característica, pintada na lataria dos ônibus:

– Roxo: Zona Sul, e parte da Zona Central, dentro do município de Belém;

– Azul: Zona Leste, quase toda ela metropolitana, nos municípios de Ananindeua e Marituba;

Verde: um 1º anel na Zona Norte, mais central, no município de Belém;

– Laranja: um 2º anel na Zona Norte, intermediáriotambém no município de Belém;

– e por fim Amarelo: um 3º anel na Zona Norte, periférico, ainda mais uma vez pegando somente o município de Belém.

…………

letreiro fixo - sempre mesma linha

Por décadas, a linha vinha pintada no letreiro do ônibus em Belém – portanto o veículo tinha que ficar fixo nela, não havia como remanejar. Era assim também em B. Horizonte (nesse caso a linha era pintada na lataria) e em toda América Hispânica. O letreiro eletrônico vem dizimando isso em todas as cidades.

Essa divisão não é exata. Talvez os bairros do Marco, Castanheira, Marambaia e Mangueirão (nesse último está o estádio de mesmo nome) pudessem ser classificados como Zona Leste, e eles todos pertencem ao município de Belém.

Mas na hora de dividir não se levou isso em conta, e e todos eles ficaram dentro da região Verde, que é majoritariamente Zona Norte.

Além disso, observe: em preto estão as divisas de município, a linha mais grossa indica o município de Belém, e a mais fina são as fronteiras de Ananindeua e Marituba.

Veja que abaixo, bem no centro do mapa (a direita de onde está escrito ‘Curió-Utinga’ e abaixo de onde está grafado ‘Ananindeua’) há uma parte que pertence ao município de Belém, mas é azul.

É o bairro Águas Lindas. Embora de fato ele pertença a Belém, não há ligação direta dentro do município da capital. É preciso passar por Ananindeua.

itinerario no vidro

‘Paradouro’ na Av. Pirelli, Martituba, Z/L. Vários busões de diferentes linhas descansam antes do próximo pega. O do meio com letreiro eletrônico pode mudar de linha, os dois que o cercam têm que ficar fixos na que está pintada. A direita em escala maior.

Você está em Belém, entra em Ananindeua na BR-316, e ao virar a direita no acesso a Águas Lindas, retorna a Belém.

Por isso, os ônibus que vão até lá são azuis, e operados pelas empresas de Ananindeua.

Por toda a Zona Leste – e toda a Região Metropolitana, o que em Belém dá no mesmo – ser azul, essa é a cor mais comum de ônibus por lá.

A seguir, o amarelo, que cobre a parte mais populosa e distante da Zona Norte. 

Os menos comuns são o verde e o laranja, que cobrem partes intermediárias, menos extensas e menos populosas, da Zona Norte.

E como pode ver, na lataria vem pintado o nome do bairro (ou município) que a linha serve. É o bairro, não a vila. Logo, o ônibus pode fazer outra linha, desde que seja pra uma vila vizinha, no mesmo bairro ou município, que não fica errado.ponto final Marituba ZL

………….

Agora, não pense que essa divisão por cores é rigorosamente respeitada não, porque não é.

A mesma empresa por vezes tem linhas que cobrem regiões distintas. Assim, por vezes é preciso fazer remanejamento na logística dos veículos. Então você ônibus laranjas atendendo a região amarela, pra citar apenas um exemplo. Várias combinações são possíveis, obviamente.

Marituba simbolo da cidade

Menino-Deus, o símbolo de Marituba também vem impresso no busão.

Bem, isso de a empresa nem sempre pôr o ônibus de cor certa naquela linha ocorre em todas as cidades que há alguma padronização e a mesma empresa tem linhas de cores diferentes.

Em todas, sem falhar nenhuma.

Já vi ônibus operando com a cor errada praquela linha centenas de vezes aqui em Curitiba.

E também em São Paulo, Joinville-SC (quando lá tinha diferença por cor, agora não mais, é cor única pra todas as linhas), Blumenau-SC, Belo Horizonte.

Enfim é universal, a viação precisa remanejar os carros pra outra linha, então eles circulam mesmo quebrando o padrão. Acontece.

Praca do Sao Braz ZC

No São Braz, rumando a Terra Firme.

…………

Outro detalhe: em Belém, por muitas e muitas décadas a linha vinha pintada no para-brisas. Logo, o veículo só pode operar naquela linha.

Em Belo Horizonte é igual, lembram que relatei com fotos essa situação quando lá estive em novembro de 12.

E só nessas duas cidades é que é assim. Isso no Brasil. Porque na América Latina, esse é o padrão.

Do México a Argentina, em absolutamente todos os países a linha vem pintada no veículo, que portanto não pode se separar dela.ponto final Jd. Europa ZN

Quer dizer, em Belém e Belo Horizonte era assim.

Porque com o advento do letreiro eletrônico, a linha pode ser alterada literalmente com alguns cliques num teclado.

De forma que as capitais mineira e paraense vem se igualando ao resto do país, perdendo essa característica hispano-americana que era própria delas. 

trans-suburbio Sesi Ananindeua

Icoaraci/Cidade Nova, uma linha (pintada no vidro) que liga 2 pontos do subúrbio sem passar pelo Centro. Ao fundo o Sesi em Ananindeua.

Com a renovação da frota, que é um processo permanente, logo todos os ônibus dessas duas cidades terão letreiro eletrônico.

A esquerda logo acima  o ‘paradouro’ no ponto final das linhas do Jdim. Europa, Zona Norte e daí os bichões laranjas.

Alguns ainda com linha pintada, outros já eletrônicos.

Em verdade na América Hispânica vem ocorrendo o mesmo. Nas reformulações do transporte os busões novos também têm letreiro eletrônico, e também portanto podem servir qualquer linha.

Jd. Europa

Jardim Europa.

Fotografei “carros” (o jargão do meio pra ônibus, obviamente) modernos, que podem alternar entre qualquer linha da empresa num clique.

Em duas tomadas (uma logo acima) cliquei a transição, juntos estão veículos tanto do padrão antigo (“americano”) quanto do novo (“brasileiro”).

Agora, pode alternar de linha desde que seja pra uma vila vizinha, como expliquei acima. Pois o bairro ainda vem pintado na lataria.

Quando é preciso remanejar pra outra região da cidade, por vezes se cola um adesivo com o nome do novo destino contemplado. Ilustro esse fenômeno ao lado:mudou a linha

Antes, esse ‘carro’ servia ao bairro Tapanã, na Zona Norte. Foi remanejado pra região do Icoaraci, que também é Z/N mas bem mais pra frente.

Exatamente o mesmo ocorre em Belo Horizonte, e pelo mesmo motivo, porque vem pintado na lataria o destino.

E lá igualmente, quando é preciso mudar, se recorrem a adesivos, por vezes afixados de maneira completamente tosca e mambebe, só pra quebrar um galho mesmo.

Quem diria hein, cidades diametralmente tão diferentes em quase tudo: BH é bem mais rica; BH é montanhosa, Belém na planície;