a “Cidade Oculta” (e mais o Pq. Barigüi): Santo Inácio, Zona Oeste

Santo Inácio: casa de madeira, terreno enorme sem muro, bosque no fundo.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 30 de setembro de 2017

Depois de 15 anos morando na Zona Sul de Curitiba, me mudei pra parte oriental da cidade. Na verdade minha casa fica a 200 metros da antiga.

Mas como eu cruzei o Belém, troquei de bairro (do Boqueirão pro Uberaba) e também de ‘zona’. Estou lhes contando isso pelo seguinte:

No Santo Inácio fica o Parque Barigüi – digo, ele ocupa partes de 4 bairros. O S. Inácio é 1 deles.

Deus é mesmo o ‘Cara Gozador’, e quis Ele-Ela que minha primeira matéria publicada na Zona Leste fosse curiosamente retratando a Zona Oeste, a porção diametralmente oposta portanto.

Então chega dessa falação, e vamos ao nosso tema de hoje: Santo Inácio, Zona Oeste.

Um bairro pequeno (apenas 6 mil moradores no censo/10) e pouquíssimo conhecido.

A maioria dos curitibanos não sabe que um dos 75 bairros da nossa capital se chama ‘Santo Inácio’.

Por isso a ‘Cidade Oculta’ do título.

……..

fotografei e reportei a ‘parte alta’ dele, a divisa com Santa Felicidade, onde passa o busão Montana.

Já houveram bem mais, mas as grandes áreas verdes ainda são comuns.

Lá flagrei em pleno Brasil uma picape do Paraguai militando na eleição dos EUA. Pensa que é brincadeira mas não é, fotografei tudo, clica pra comprovar.

Tudo isso já está no ar, fui em 2014 lá. Agora de novo, dessa vez foi a ‘parte baixa’, onde passa o Saturno, divisa com o São Braz, perto da BR-277.

A Zona Oeste, por estar parcialmente desocupada até a década de 90, passa por intenso processo de urbanização e aburguesação desde então.

De quebra fotografei o parque mais famoso de Ctba. – o Barigüi óbvio. Alias a melhor referência é essa:

O Parque Barigüi fica (parcialmente, já detalho melhor) no Santo Inácio.

A Universidade Tuiuti e Faculdade Espírita também (essas de forma integral).

Por conta disso parte dos moradores do Santo Inácio dizem que moram “no Barigüi”.

Mas o Barigüi não é bairro: é o rio, e por conta disso um parque – o mais famoso da cidade, como o sabem.

Sintetizando a transição da Zona Oeste e do S. Inácio em particular: duas casas de madeira bem simples (uma delas secular), num terreno enorme. Ao fundo condomínio de elite com sobrados triplex, e depois um bosque.

E bem rio abaixo uma vila na periferia de Curitiba, que começa na Fazendinha e tem a maior parte de seu território na Cidade Industrial.

Já retratei a Vila Barigüi do subúrbio em 2 reportagens, que você acessa clicando nas ligações em vermelho.

Então bora de volta pro nosso tema atual, as imediações do Pq. Barigüi, região que nada tem a ver com a Vila Barigüi. Só compartilham o nome.

Porque são as margens do mesmo rio na Z/O (alias a postagem que originalmente só mostrava a Vila Barigüi e proximidades foi ampliada pra abarcar todo trajeto do Rio, do Pilarzinho a Caximba, de Tamandaré a Araucária), mas longe um do outro.

Voltando ao redor do parque, por causa dele muitos de seus moradores dizem que moram não no Santo Inácio, mas “no Barigüi” – só que esse bairro não existe.

Especialmente os ‘novos-ricos’ que se mudaram pra lá recentemente e vivem em condomínios fechados, já falo melhor disso. 

A Z/O é onde Curitiba mais se parece com Ponta Grossa-PR, ou (substituindo madeira por alvenaria) com B. Horizonte-MG.

Bom, a Zona Oeste é campeã de mudar nomes dos bairros, são vários casos:

O Bigorrilho e parte das Mercês eles chamam de “Champagnat”, o Mossunguê, partes do Campo Comprido e CIC eles dizem “Ecoville”.

Pois bem. Eu não reconheço e não ratifico esses modismos, ao contrário, retifico.

E não é que creia que as denominações sejam eternas, ao contrário.

Flores a margem do lago no Barigüi (fiz postagem a parte mostrando muitas mais, no parque e entorno).

Até 1992 o atual Jardim Botânico (começo da Zona Leste) se chamava Capanema (nome que ficou preservado pelo estádio e pela vila perto dele, antiga favela agora urbanizada).

Em plebiscito, os moradores optaram pela mudança, eu respeito a vontade deles.

Porque houve uma votação oficial, cujo resultado foi chancelado pela prefeitura.

Assim, de fato e direito o bairro agora é o ‘Jardim Botânico’. Firmeza total. Bem distinto é o que acontece na Zona Oeste.

Ali, nunca houve plebiscito algum. Simplesmente ao arrepio da lei alguns decidem entre eles mesmos que o nome anterior é ‘brega’, e “corrigem” pra um mais ‘chique’.

Mais uma vez o contraste.

Que seja. Mas não com minha participação nessa trampa. Até que haja câmbio oficial, sigo usando os nomes corretos:

Santo Inácio, Bigorrilho, Mercês, Campo Comprido, Mossunguê e Cidade Industrial são referidos exatamente assim.

……..

Falar nisso, o Parque Barigüi – que foi criado nos anos 70 – ocupa território de nada menos 4 bairros da Z/O:

Santo Inácio, Cascatinha, Mercês e mesmo uma pequena porção do Bigorrilho.

Na tomada a esquerda e nas próximas 6 em sequência, veremos exatamente essa área verde de lazer que é a ‘menina dos olhos’ de Curitiba:

Os esportistas fazendo exercício ao redor do lago que represa o rio de mesmo nome;

Não sei se ainda é o caso, mas no passado ali foi o habitat de jacarés (não os únicos jacarés que vivem soltos em Ctba.) por isso hoje vemos a estátua de um deles (cena igual a que cliquei em J. Pessoa-PB);

No detalhe um leão (que também fotografei na capital da África do Sul, breve no ar) que guarda a entrada de um restaurante;

Restaurante esse cujas mesas são sobre as águas, note o píer a direita na imagem ao lado;

Vemos também uma capivara (cena que me lembrou a Pampulha, em BH, onde igualmente cliquei esses bichos);

Já que entramos na seção que mostra os animais em carne-&-osso do Parque:

Ao lado os gansos que se refastelam com as pipocas;

Abaixo são os seres humanos quem se congregam comendo: vários parques da cidade contam com churrasqueiras públicas.

Ir no fim-de-semana comer um churrasco com salada de tomate e cebola é algo que está na essência do povo curitibano (ou até no meio de semana, por que não?, estive ali numa 3ª-feira e a galera marcava presença).

Eu mesmo fiz isso muitas e muitas vezes, em minha infância (hoje eu não como mais carne).

Apenas, como eu fui criado na Zona Norte, íamos nas churrasqueiras do Parque da Barreirinha – mais eventualmente nas que existem na Estrada da Graciosa;

Abaixo o Centro de Exposições, um dos mais famosos da cidade.

Nota: ocultei o nome da corporação. Não tenho nada contra propaganda ou patrocínio, mas comprar até o nome é diferente, prática abusiva que enjeito. O nome dos lugares não deveria ser vendido;

Fechamos com o Barigüi com o Portal, onde começa a ‘Alameda Ecológica Burle Marx’, que o atravessa. Do Parque voltamos a falar de seu entorno.

Até o surgimento do parque 4 décadas e pouco atrás, a região era periferia. E até os anos 90 permaneceu esparsamente habitada.

Por isso ainda há muitos bosques, muita área verde. De 2 décadas e pouco pra cá, entretanto, se urbanizou acentuadamente.

Quase dentro do parque essa casa. A galera que assina como ”THC” (maconha) ‘decorou’ o muro. Indicaram de onde são: Caiuá, CIC. Z/O.

E quase sempre as novas moradias exibem um elevado padrão econômico.

Assim, no Santo Inácio, tudo convive: antigo e novo, proletariado e alta burguesia, madeira e sobrados triplex, algumas vilas densas com partes com muito verde e terrenos enormes, alguns ainda sem muro.

E, tristemente, pra dar lugar a novos conjuntos de sobrados, os bosques e as casas antigas com terrenos gigantes estão vindo abaixo.

……..

Próximas 3: Conjunto Saturno, Santo Inácio. Aqui uma panorâmica.

Até os anos 90, a mancha urbana de Curitiba basicamente terminava no Rio Barigüi.

Depois dele já haviam, claro, regiões urbanizadas nos núcleos do Campo Comprido, Santa Felicidade e partes do CIC.

Mas pra chegar até eles era preciso passar por áreas não-urbanizadas, ou se preferir em outras palavras, por bosques e chácaras.

Aqui e a esquerda: duas casas que não foram mexidas na arquitetura original.

Mesmo depois da virada do milênio ainda havia haras na Rua Eduardo Sprada, no Campo Comprido, por exemplo. 

Até hoje a Zona Oeste é a menos habitada da cidade. Mas até 20 e poucos anos atrás, a maior parte de sua área ainda era não-ocupada, ou esparsamente ocupada.

Por concentrar tanto espaço disponível perto do Centro, a Z/O foi a que mais cresceu de lá pra cá – e, digo de novo, recebendo gente de padrão elevado de renda.

Com Fiat Oggi na porta, lembra dele?

O que detonou boa parte dos bosques. Mesmo assim, eles ainda existem em bom número, mais que em qualquer outra parte da cidade, porém a devastação prossegue em ritmo acelerado.

……….

Foi uma pena a devastação ecológica (que ademais é universal em nosso planeta).

Mas não se pode negar que foi acertada a decisão de aburguesar a Z/O, processo que a implantação do Parque Barigüi foi um marco fundamental.

Se o tema é carro antigo, aqui vemos o ‘Fuscão de Rally‘. É mole ou quer mais?

Não é difícil entender o porquê. A Zona Oeste é a mais montanhosa de Curitiba.

E até os anos 70 a maior parte das encostas estava desocupada, com vegetação nativa.

Lerner e a equipe viram que esse vazio urbano não permaneceria eternamente. Óbvio que Curitiba iria inchar.

O ‘Dia do Fuca’. Mais pra baixo falo melhor disso.

Assim, se houvessem muitas invasões na parte mais central da Zona Oeste, uma boa proporção delas seria em morros – não preciso gastar meu latim explicando o porquê essa situação é problemática.

Deu certo. Digo, de fato Curitiba inchou, e se encheu de favelas nas décadas de 70, 80 e 90 – eu mesmo morei 15 anos no Canal Belém, Boqueirão, que foi re-invadido no ano de 1990.

Olha o tamanho do lote, e mais um Fusca.

Óbvio que devemos lutar pra que a sociedade seja mais justa, e que um dia não hajam favelas.

Mas enquanto elas existem, se puder não ser no morro é melhor.

E também evidente que não deu pra evitar 100% as invasões em encostas.

Até pouquíssimo tempo atrás o Santo Inácio não tinha prédios. Agora surgiram alguns, sempre baixos, sem elevador.

Nos extremos das zonas Oeste e Norte – e há até um caso na Zona Sul, a Terra Santa/Tatuquara – aconteceu.

Mas a parte mais central da cidade foi preservada. Eu não sou elitista, não sou contra as favelas.

Por isso por 1 década e meia residi numa delas, e residi porque que quis.

Eu amo as favelas, não me interprete errado, e, bom, basta ler a matéria sobre minhas voltas nas periferias da África do Sul que dirimará qualquer dúvidas.

Universidade Tuiuti, marco do Stº. Inácio.

Quando digo que foi adequado que os morros mais centrais da Z/O não se favelizaram, isso é bom até pra população pobre.

Pois favelas centrais em morros sempre criam tensão. E nesses choques os próprios moradores das comunidades são os que mais sofrem.

Basta ver o que está ocorrendo no Rio de Janeiro (o texto é de set.17, quando a ‘Cidade Maravilhosa’ está pegando fogo, infelizmente – faço votos pra que as coisas se serenem, mas hoje é assim que tá).

a cidade oculta”: em buenos aires, isolada fisicamente; aqui em curitiba apenas pouco conhecida

Aqui e a direita: casas mais simples do S. Inácio emolduradas pelos luxuosos prédios do Mossunguê ao fundo.

Como relatei na minha série sobre a Argentina, na Zona Oeste de Buenos Aires, no bairro Vila Lugano, há uma favela que é conhecida como ‘Cidade Oculta’.

Isso porque nos anos 70 a ditadura de Rafael Videla mandou murá-la, pra que quem passasse pela auto-estrada não a visse.

Em Curitiba a coisa não foi tão cruel. Apenas existem alguns bairros nas periferias das Zonas Oeste e Norte que são praticamente desconhecidos da maioria da população.

São eles: São Miguel, Riviera, Butiatuvinha, Lamenha Pequena (homenagem ao ‘pai’ da Z/O) e São João no extremo da Zona Oeste.

Logo a seguir Taboão no extremo da Zona Norte. Todos eles formam uma área contígua na divisa do município.

É a Zona Oeste, caramba!!!

E o Santo Inácio. Esse não é no extremo da cidade, não se divide com outros municípios, todos os seus limites são com outros bairros da capital.

É Zona Oeste, mas relativamente central. Ainda assim, igualmente é desconhecido de boa parte da população da cidade.

…………

Um grande adensamento ocorreu perto da virada dos anos 70 pra 80. Como já escrevi muitas vezes antes:

Em seu apagar das luzes a ditadura militar investiu bastante em transporte coletivo e urbanismo.

Por acaso você sabia que que Curitiba tem uma rua chamada Mina do Ouro??? “Estrada da Mina do Ouro” !!!!, como se tudo fosse pouco. Só mesmo sendo um Caminhante pra minerar umas preciosidades dessas!!! Apesar que no Guabirotuba (Zona Leste) há uma ‘vila temática’ da mineração.

Surgiu o ‘Projeto Padrão’, que visava dar as grandes cidades ônibus mais confortáveis.

Já que até então os ônibus brasileiros eram produzidos sobre chassis de caminhão.

Ademais, foram financiados diversos corredores, terminais, redes de tróleibus (novos e reforma dos antigos).

E muitas cidades do Sudeste, Centro-Oeste e Sul tiveram a pintura padronizada. Tudo isso já descrevi alhures, com muitas fotos.

Falando agora da habitação, o governo militar construiu enormes conjuntos de cohabs nas periferias, e revitalizou o BNH (Banco Nacional da Habitação).

As cohabs de pombais (prédios baixos sem elevador) que são a marca registrada da periferia do Rio e São Paulo, por exemplo, são o cartão-de-visitas do projeto.

Em frente a Faculdade Espírita.

Em Curitiba foram também construídos alguns pombais. Cito de exemplo o grande conjunto conhecido como Atenas/Augusta, no bairro Cidade Industrial, também na Zona Oeste.

(Nota: o bairro CIC foi criado no começo dos anos 70, sendo desmembrado de vários outros.

Antes, onde fica o conjunto Augusta era no bairro Augusta, como o nome indica. Mas depois a C. Industrial surgiu engolfou essa porção.

Já o barracão está na BR-277.

Portanto, enfatizo, o conjunto Augusta não fica na Augusta mas na CIC, num paradoxo mas assim é.)

O Sítio Cercado, na Zona Sul, também ganhou vários pombais na época. Registro portanto que sim, foram construídas cohabs em pombais em Curitiba.

Mas bem menos que nas cidades do Sudeste, é o que quero apontar.

Condomínio de sobrados de alto padrão, mas quase sem quintal e com alto muro. Ao lado casa simples, mas quintal enorme e sem muro.

Até a virada do milênio, Curitiba tinha relativamente poucos pombais, proporcional a sua população.

Até que a prefeitura resolveu construir dezenas sobre dezenas de conjuntos de pombais.

Em todas as regiões da cidade, mas especialmente Sítio Cercado, Ganchinho (esses dois são vizinhos) e Tatuquara na Zona Sul e CIC na Oeste.

Então hoje eles são mais comuns na cidade, tornando sua periferia mais parecida com a do Sudeste. Porém até a virada do milênio eles eram mais raros.

Moradias humildes sem muro, terreno enorme em meio a bosque de pinheiros.

A razão é que em Curitiba deu-se preferência a conjuntos horizontais, de casas, disse tudo isso pra chegar nesse ponto.

Uma vez que pelo caráter mais europeizado do povo boa parte dos curitibanos prefere morar em casas (sejam térreas ou sobrados) que em prédios.

Assim, o regime militar em sua despedida construiu muitos e muitos conjuntos de casas na periferia.

Os exemplos são muitos: Parigot de Souza, no Sítio Cercado.

Exatamente vizinha a da foto acima. Aqui fica claro: casinha simples, de madeira (ainda está lá, mas por pouco tempo). O terreno já foi desmatado e nivelado – e aqui você vê bem o tamanho dele. Breve um conjunto de sobrados de alto padrão.

E vários com nomes relacionados a astrologia: Conjuntos Mercúrio (Cajuru, Z/L), Solar (Bacacheri, Z/N) e Saturno, no Santo Inácio.

Curiosamente, o Parigot homenageia um político, que foi governador do Paraná. Mas suas ruas são uma ‘vila temática’.

Ou seja, uma vila em que as ruas são nomeadas seguindo um tema específico.

E qual o tema do Parigot: exatamente a astrologia. Suas ruas se chamam ‘Sol’, ‘Lua’, ‘Plutão’, etc.

E logo ao lado, esse bosque a venda. Curitiba se torna cada vez menos verde, perde seu diferencial.

E a maior delas, que cruza todo Sítio Cercado (inclusive é a principal via da Vila Xapinhal do outro lado do bairro) é a Rua Marte.

Curioso não? Foram dezenas desses conjuntos em Curitiba, se eu for pensar com calma cito muito mais, em diversos bairros.

Mas dos 4 que eu lembrei primeiramente de cabeça (1 em cada ‘zona’ da cidade) 3 são relacionados a astrologia.

Próximas 3: condomínios de elite, o novo perfil do Santo Inácio.

E aquele que não é no nome o é no nome das ruas (alias, em Maipu, Zona Oeste de Santiago do Chile, visitei e fotografei uma cohab cujas ruas também são relacionadas aos astros e astrônomos).

Muitos dos pombais que foram feitos no Sudeste (por exemplo Cidade Tiradentes na Z/L de Sampa, e vários na Z/N e Z/O do Rio) continuam sendo periferia, pois são muito distantes.

Em Curitiba ocorreu um fenômeno distinto.

A área do município da capital do Paraná é muito, mas muito menor que suas colegas paulista e carioca.

Assim, vários conjuntos foram feitos no fim dos anos 70 em regiões que eram quase desabitadas, eram no fim da cidade na época. Algumas no limite entre as zonas rural e urbana, e nada mais natural, né?

Obviamente na Mina do Ouro.

Já que buscaram-se os enormes terrenos (que abrigariam dezenas ou mesmo centenas de residências cada) onde eles eram abundantes e assim mais em conta, pois quem faria uma cohab no Batel ou Jd. Social?

Mas 4 décadas depois a cidade cresceu muito, e várias partes que então eram periferia se encareceram de maneira acentuada.

Resultando que vários dos conjuntos feitos pela ditadura se aburguesaram tremendamente.

Ao lado dessas mansões de gente rica há um barraquinho num terreno invadido.

Hoje são inacessíveis a classe proletária, viraram média ou mesmo média-alta burguesia.

O Solar e o Mercúrio são exemplos perfeitos. Bem, o Bacacheri é hoje um bairro de perfil mais elevado mesmo, até por ser vizinho do Jardim Social já citado e do Cabral.

O Cajuru ainda é periferia, em sua maior parte, incluso com grandes favelas.

Aqui fica claro como o S. Inácio é íngreme, a diferença de altura do terreno e da rua (no detalhe é a casa vizinha).

A maioria já urbanizadas, não são mais barracos com gatos, mas são ‘as favelas do século 21’.

O Cajuru é muito grande, ao lado do CIC e Sítio Cercado os únicos bairros de Curitiba com mais de 100 mil moradores. 

Sendo extenso e densamente povoado, o Cajuru é heterogêneo, abriga diversos perfis em suas vilas e conjuntos, alguns radicalmente distintos entre si:

Uma vila mais popular.

Se as vilas Autódromo, Trindade, Acrópole, São Domingos, Moradias Cajuru entre outras são ainda regiões bem populares, no Mercúrio esse está longe de ser o caso.

O Mercúrio e o Solar são exemplos, dizendo de novo, de conjuntos de cohab que se aburguesaram.

E os moradores modificaram muito suas residências, cada um a seu gosto, nessas últimas 4 décadas.

Vai pra Saturno. Seria um ônibus-espacial??

Passando ali você não percebe que um dia as casas foram todas iguais.

Tudo somado, não são mais cohab, não são mais periferia.

Um dia abrigaram a classe trabalhadora, mas hoje cumprem o papel de regiões aburguesadas.

Próximas 3: a BR-277, em frente ao Pq. Barigüi, onde a estrada termina. Tirei uma foto parecida em Guarulhos, Gde. S. Paulo.

E tudo isso também se aplica ao Conjunto Saturno, no Santo Inácio.

Ali, hoje mora uma média e média-alta burguesia.

Mas a metamorfose maior ocorreu nos terrenos que estavam vagos, ou que abrigavam apenas uma casa simples num espaço enorme:

Nesses as construtoras compraram e ergueram conjuntos de sobrados duplex ou triplex, aí não de média-alta burguesia, mas alta mesmo, e até de elite.

………..

Comentemos um pouco as imagens espalhadas pela mensagem.

Vocês sabem, nem sempre a foto corresponde ao texto a seu lado, busque pelas legendas. Vemos no decorrer da matéria

O ônibus (espacial???) que faz a linha Saturno

Na Gde. Florianópolis-SC pontos de ônibus em concreto são comuns. Em Curitiba só em rodovias, e olhe lá (destaquei a bandeira da Pátria Amada que há numa empresa nessa mesma BR-277).

Trata-se do veículo numerado BA010 da Viação Glória, ex-AA010 da Marechal. Em pleno bairro Santo Inácio, Zona Oeste de Curitiba.

Por décadas e até 2010 quem atendia essa região da cidade era a Viação Curitiba.

Na “licitação” a Marechal assumiu parte de suas linhas. Depois essa última também saiu de cena e a Glória encampou.

Eu cresci, como dito acima, na Zona Norte de Curitiba, bairro Santa Cândida mais especificamente, na fatia da metrópole então servida pela Glória.

Se você me dissesse então que um dia eu veria os busos da Glória nos confins da Z/O eu ia mandar te internar num hospício – mas aqui estão eles! O mundo dá voltas . . . .;

Na mesma BR-277 um barracão abandonado. Na verdade são vários em sequência.

Já fotografei a mesma cena na Cachoeira, Zona Norte de Curitiba, e em Guarulhos, Zona Norte igualmente mas da Gde. São Paulo;

Acima, um riachinho, afluente do Rio Barigüi;

Ao lado e abaixo: muitas casas de madeira, pois é Sul do Brasil – no 2º caso entremeadas por um sobrado mais novo;

– Aquele rolê no Santo Inácio foi “o Dia dos Fuscas”:

Cliquei um amarelo todo preservado no estacionamento do Pq. Barigüi. Depois o ‘Fuscão de Rally‘ numa casa de madeira na BR.

Próximas 3: pequena favelinha (a ‘comunidade’ no jargão de alguns) no final da Estrada da Mina do Ouro – já urbanizada, a prefeitura asfaltou e nomeou oficialmente a rua que corta a vila.

E mais dois nas ruas e garagens do bairro, esses sem serem fetiche, não estão preservados nem cheios de frases exóticas – simplesmente são ainda o meio de transporte da família.

Alias os dois são ‘Fusca Azul’ – eu não tive filhos, convivo pouco com crianças (com exceção de uma sobrinha).

Mas quem tem filhos me informou que existe uma brincadeira chamada ‘Fusca Azul’.

Feita com duas ou mais pessoas, sejam só crianças ou as vezes entre crianças e um adulto:

Quando dois ou mais participantes estão juntos e aparece um carro dessa marca, quem vê primeiro grita “Fusca!!”, e ganha um ponto.

O de cor celeste é o trunfo, vale o dobro. Quem grita “Fusca Azul” ganha 2 pontos. Bem, eu registrei 4 Fuscas, sendo 2 azuis. Marca aí meus pontos . . .

Sempre com os prédios do Mossunguê (que eles dizem ‘Ecoville’) ao fundo.

Vi mais um Fusca dentro de uma garagem, mas como teria que posicionar demais a câmera dentro da propriedade alheia, esse preferi pular.

Eu gosto de Fuscas, o carro mais vendido da história da Terra.

Já cliquei esses redondinhos no México (óbvio), Chile, Colômbia, Paraguai e África do Sul (breve no ar).

Além de vários lugares de Curitiba e do Brasil em geral – aqui em nossa pátria só vou pôr uma ligação:

O desfile de um comboio de Fucas que presenciei na Rodovia do Xisto (BR-476), entre Lapa e São Mateus do Sul-PR.

Já fiz matéria sobre os Fuscas na República Dominicana (pois lá eles foram o ‘carro do terror’ da ditadura Trujillo), em Curitiba, e já os desenhei no México e Rio de Janeiro;

Deus proverá.

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a Curitiba que não sai na T.V.: Complexo da Caximba, ponta da Extremidade Sul

lado a, lado b: agora vejamos o ‘lado b’ da cidade

Ponto final do Vila Juliana – alimentador do Term. Pinheirinho – na Caximba: olhe quanta quiçaça (lixo e entulho) atrás do busão.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 5 de junho de 2017

Em dezembro de 2016, andei (mais uma vez) na Linha Turismo. Que se concentra, além óbvio da Zona Central que foi onde a cidade começou, nas Zonas Oeste e Norte, as partes ricas da metrópole.

Daí eu produzi uma matéria chamada Linha Turismo, a Curitiba que sai na TV.

Vamos ver por trás do veículo: realmente um lixão clandestino, pois estamos numa das maiores e mais novas favelas da cidade, o ‘Complexo da Caximba‘.

Então agora pra fazer o contraste vamos ver exatamente o contrário, a Curitiba que não sai na TV: bem-vindo a Caximba, a extremidade da Zona Sul.

As imagens dizem tudo: esse pedaço esquecido e pouco famoso da cidade está inchando descontroladamente com seguidas invasões desde 2010.

Se tornando um dos maiores bolsões de miséria da capital do Paraná. A situação realmente é crítica e vem se agravando.

………

Em escala maior: novas casas estão sendo erguidas o tempo todo no local.

Fiz uma postagem dizendo que o Tatuquara é a ‘Extremidade Sul’ de Curitiba. Bem, entre os bairros que têm mais de 50 mil moradores e que já eram urbanos na virada do milênio ele certamente é o mais meridional.

Mas depois dele vêm mais dois, o Campo de Santana – até uma década e meia atrás a maior parte rural, poucas vilas urbanas, mas hoje quase 100% urbano pois foi o que mais cresceu na década passada;

Mapa do ‘Complexo da Caximba‘, em azul a parte antiga, laranja o que é mais recente.

E a seguir a Caximba, que é o que mais cresce (ao menos em termos proporcionais) atualmente.

A Caximba é o único bairro de Curitiba que dista mais de 20 km do Centro. Portanto a própria ponta da Extremidade Sul.

Até o começo dessa década a Caximba ainda era basicamente uma parte rural, conhecida da maioria dos curitibanos somente por abrigar o aterro sanitário (lixão).

O aterro saiu dali, a parte de lixo doméstico foi pra região metropolitana, pro município de Fazenda Rio Grande (que também é Zona Sul, alias perto da Caximba).

E o depósito de de resíduos dos hospitais ficou no município de Curitiba, mas foi transferido pra Zona Oeste, na divisa entre CIC e São Miguel, nos fundos do ‘complexo’ das Vilas Conquista e Sabará.

Os Extremos Sul e Oeste de Curitiba ainda são rurais – nessa mensagem todas as fotos foram feitas na Caximba, claro. Detalhe que o cara escreveu “alho” corretamente, mas hesitou e ‘corrigiu’ pra ”alio”.

Alias, já falei sobre isso com muitas fotos:

Em 2012 e de novo em 2015 houve grande onda de invasões na região do Sabará e imediações.

E por isso as pessoas estão morando em solo contaminado com lixo hospitalar.

De volta a Caximba que é nosso tema de hoje.

Ainda existe uma Caximba rural, onde bois e cavalos pastam despreocupadamente, e agricultores vendem hortaliças ‘direto da roça’.

Existe uma Caximba em que os terrenos são enormes, há várias olarias ativas.

Precisa dizer mais?

E uma parte da população do bairro emergiu a média-alta burguesia, morando em elegantes sobrados.

Ao lado disso, a baixada do Rio Barigui (sim, o mesmo que rio acima abriga o parque mais famoso e “chique” da cidade) vem sofrendo grandes invasões, como dito se tornando uma das partes mais miseráveis de Curitiba.

Em 2010 houve a maior das ocupações do local. Batizada a princípio ‘Território Nacional’, depois foi rebatizada com uma data, “29 de Outubro”, aquela que ela foi fundada.

Essa é uma fortíssima tradição na Zona Sul de Curitiba.

Aqui e a direita: nem todo mundo na Caximba é pobre, óbvio. Na via principal do bairro (a Estrada Del. Bruno José de Almeida, antiga ‘Estrada da Caximba’) há residências de alto padrão, quase todas de descendentes dos pioneiros imigrantes da Itália, que acabaram ‘subindo na vida’.

Na própria Caximba, ali ao lado, há a vila ‘1º de Setembro’, e na divisa do Ganchinho com o Sítio Cercado há a vila ’23 de Agosto’. Na Caximba já haviam algumas pequenas ocupações irregulares:

Notadamente a 1º de Setembro que acabo de citar (do lado esquerdo da rua que liga Curitiba a Araucária), e a ‘Sapolândia’ (do lado direito, essa já na margem do rio, e por isso o nome, pois obviamente a várzea alaga com frequência), além de outras menores.

Porém as vilas eram próximas mas não unidas, haviam grandes terrenos vagos entre elas. Terrenos que foram ocupados em 2010.

Assim todas essas vilas antigas e menores se fundiram com a nova e maior, formando o que os cariocas chamam de ‘complexo’, e os mineiros ‘aglomerado’.

Surgiu o Complexo da Caximba/Aglomerado da Caximba, pra usarmos o léxico do Sudeste do país.

Então, recapitulando. Em 2010 surgiu a invasão ‘Território Nacional, a seguir renomeada ’29 de Outubro’, nomes que os moradores usavam. Mas conhecida pela população em geral simplesmente a ‘Favela da Caximba’.

Olaria na Caximba. Nesse bairro e em vários outros no Extremo Sul (Campo de Santana, Umbará e Ganchinho) elas são comuns.

Com a princípio 150 famílias (o que dá perto de 500 pessoas), logo a invasão inchou pra 4 mil moradores.

Acompanhamos tudo isso em nosso canal de comunicação, os pioneiros entre os leitores receberam os relatos ainda no modal do emeio.

Com a promoção pro modal da página fiz uma grande matéria sobre as invasões em Curitiba, que englobou diversos emeios.

Em 2014 saiu com grande alarde na imprensa que foi feita a desocupação da área, sendo retiradas mil famílias. 

Próximas 2: transição entre cidade e campo. Fora da favela os terrenos são enormes, ainda que as casas sejam humildes, de madeira. Isso vale também pros vizinhos bairros do Extremo Sul citados acima.

Eu pensei que era o fim do ‘Complexo da Caximba’, que toda a parte invadida havia sido removida.

Que o ‘Território Nacional’ havia tido apenas 4 anos incompletos de vida.

Imaginei que a maior parte do bairro tivesse voltado a ser de terrenos desabitados, com área verde.

Nada poderia ter sido mais distante da realidade.

Em fins de 2016, navegando pelo ‘Google’ Mapas, vi que a maior parte da região invadida em 2010 continuava ocupada.

Casas mais pobres porém fora da favela, a maioria também de descendentes de italianos, mas esses não se aburguesaram.

Ou seja, continuava com um emaranhado de ruas de terra sem nome e sem iluminação pública.

E com casas (a imensa maioria de madeira pois é Sul do Brasil) muito pobres.

Quase todas sem pintura, em meio a lixo, esgoto a céu aberto, fiação clandestina de eletricidade (gatos).

Fui checar se a filmagem fora feita antes ou depois de 2014, portanto antes ou depois da desocupação.

Pois obviamente se estivesse datado entre 10, 11, 12 ou 13 retrataria uma situação que talvez não existisse mais.

Pinheiros, e tem até pesque-pague (‘pesqueiro’).

Mesmo se fosse de 2014 eu iria conferir o mês, pra saber se antes ou depois da reintegração de posse.

Mas a rua principal foi filmada em “janeiro de 2016”. E nas esquinas se via que as casas continuavam lá, indo fundo no bairro.

Então a ocupação da Caximba não acabou. De fato retiraram mil famílias, mas já haviam muito mais de o dobro disso, e o restante ficou.

Mais uma tomada de uma Caximba e uma Curitiba ainda com sítios e fazendas.

Ademais, depois de 2014 novas invasões ocorreram, se re-assentando no espaço que havia sido desocupado.

Fui até o local, de carro, com familiares. Nesse dia não pude fotografar, demos apenas rápida volta na favela.

Suficiente pra ter certeza, agora com meus próprios olhos: sim, o ‘Complexo da Caximba’ ainda existe e está cada vez maior.

Como disse, a ocupação que começou com 150 famílias 4 anos depois já tinha mais de 2 mil. Metade saiu a força, metade ficou. A favela perdeu parte de suas quadras mas não se extinguiu. 

O ‘Dia dos Chevrolets’. Pude clicar 3 dessas antigas máquinas na ativa. Produzidos nos anos 70 (veja um deles quando novo em Curitiba, “naquele tempo” em que os ônibus ainda eram pintura livre), pois a décadas essa marca estadunidense deixou de fabricar pesados no Brasil (na Colômbia permanece atuando). O da foto maior rodando, mais uma foto na Del. Bruno de Almeida, os outros 2 parados dentro do ‘Complexo da Caximba’. O marrom é o ‘Bigode Grosso’, e está a venda por 13 mil. Pechincha ou não?, você me diz. E o azul tem o para-choque amarrado com fio, certamente o encaixe já quebrou. Mas o bichão taí, lutando, nunca desiste ! Alma Forte!!!!

E como uma hidra em que se você corta uma cabeça surgem outras, de lá pra cá vários moradores desalojados em 2014 voltaram, e outros chegaram pela 1ª vez.

A invasão cresce a todo vapor, como as imagens deixam claríssimo. Agora enfim deu certo de eu ir a pé e sozinho pra poder captar essas cenas.

No meio de 2017 a própria prefeitura estimou a população do ‘Complexo da Caximba’ (somando as vilas novas e antigas) em 7 mil pessoas. Fora do ‘Complexo’ devem morar mais quase mil pessoas na Caximba.

Somando portanto 8 mil, ou perto disso. Até 2020 serão bem mais de 8 mil, se houverem novas invasões 9 ou já beirando 10 mil.

Como a Caximba tinha somente 2 mil habitantes no Censo de 2010, sua população será quadruplicada, quem sabe quase quintuplicada, nessa década.

Configurando-se assim o bairro de Curitiba que mais cresce entre os censos de 10 e 20, pelo menos no quesito proporcional.

………

2010: surge a ocupação na Caximba, a princípio chamada ‘Território Nacional’ (daí a bandeira da Pátria Amada), depois ’29 de Outubro’. Essa é a única foto baixada da rede, todas as demais de minha autoria.

Natural. Curitiba cresce para o Sul, como eu já retratei em detalhes.

Na década de 90, os bairros da cidade que mais aumentaram sua população foram (os números são dos censos de 91 e 00):

Sítio Cercado (Z/S), de 52 pra 102 mil. Simplesmente dobrou, e olhe que a base não era tão pequena, mesmo assim ganhou nada menos que 50 mil pessoas.

Tudo por causa da implantação pela prefeitura (Cohab) do Bairro Novo, em 1992, que se consolidou nos anos seguintes.

Assim vemos que o Sítio, nos anos 90, teve altíssimo crescimento tanto em termos absolutos como proporcionais;

Daqui até o fim todas as imagens retratam o ‘Complexo da Caximba’. Repare que a rua não tem iluminação pública, toda a fiação que puxa luz pras casas é clandestina.

Cidade Industrial, de 116 pra 157 mil. Também acima de 50 mil curitibanos a mais nesse bairro.

A Cidade Industrial fica em sua maior parte na Zona Oeste, mas sua ponta austral está na Zona Sul.

No crescimento absoluto empatou com o Sítio Cercado, mas no proporcional foi bastante elevado (superando os 40%) porém ainda assim bem menos que o Sítio, já que em 1991 a CIC já tinha além do dobro de pessoas que o Sítio Cercado;

Uberaba, de 35 pra 60 mil, agregando 25 mil. Também em grande parte devido a volumosa onda de invasões ocorrida entre 1996 e 1998, com pico em 98.

Tampouco existe rede de saneamento básico. O esgoto corre a céu aberto (com cheiro forte mesmo num dia gelado como aquele que fui lá, imagine no calor).

Entre os bairros que já abrigavam pelo menos 5 mil moradores, teve o terceiro maior crescimento proporcional, 70%.

O Uberaba fica na Zona Leste, mas divisa com a Zona Sul, feita pelo Rio Belém. Eu moro no Boqueirão, Zona Sul. Estou a menos de uma quadra do Uberaba;

Tatuquara, Zona Sul, de 8,1 pra 36 mil, sendo acrescidas quase 28 mil pessoas.

Entre os com já no mínimo 5 mil, maior crescimento proporcional, mais que quadruplicou;

Acima falei dos bairros mais populosos, que já tinham pelo menos 5 mil moradores, e mesmo assim incharam muito nos anos 90, acrescendo entre 25 a 50 mil novos moradores cada.

Repetindo: sem rede de luz oficial – a noite um breu total -, fios clandestinos pras casas.

Malgrado a prefeitura negue de forma falsa, o município de Curitiba ainda conta com pequena Zona Rural em suas extremidades Oeste e Sul.

Como as fotos feitas na Caximba (Z/S) e Augusta e São Miguel (ambos Z/O) comprovem valendo mais que mil palavras.

Assim, obviamente haviam ali até o fim dos anos 80 vários bairros esparsamente habitados, com sua população contada em poucos milhares, ou mesmo na casa das centenas de pessoas em cada um.

E vários desses subúrbios que eram (e ainda são) a transição entre rural e urbano se tornaram mais urbanos na década de 90.

Lote a venda por 12 mil. Sem documentos, óbvio. Você não acha terreno escriturado no município de Curitiba por menos de 80 mil, mesmo nos bairros mais distantes.

Como a base inicial era baixa, eles tiveram logicamente altíssimo crescimento proporcional, malgrado terem ganho cada um apenas alguns milhares de habitantes.

O São Miguel teve o maior aumento em termos de porcentagem de toda cidade, de mil habitantes foi pra 4,9 mil, portanto praticamente quintuplicou.

Como já dito e é notório, S. Miguel é Zona Oeste. Mas não muito longe da Zona Sul, tanto que os alimentadores que o servem vão pra terminais da Z/S, ou ligam a Z/S a Z/O.

O Ganchinho, também Zona Sul, foi de 2,6 pra 7,3 mil. Bem mais que dobrou, não faltou muito pra triplicar.

Por toda a parte nova da invasão na baixada do rio se acham esses depósitos de entulho. Servem pra aterrar os terrenos, pois a terra originalmente é balofa (afunda ao pisar) e alagadiça. Natural, pois estamos na várzea do Barigüi.

A própria Caximba que vemos aqui triplicou na década de 90.

Tinha somente oitocentos e poucos moradores em 1991, ainda na casa dos 3 dígitos portanto. Em 2000 eram 2,4 mil caximbenses.

O Campo de Santana (que fisicamente fica entre Tatuquara e Caximba e assim obviamente também na Zona Sul) pulou de 4,1 pra 7,3 mil. Perto de 80% de aumento.

A base do C. de Santana já era bem maior que a da Caximba e S. Miguel. Enquanto esses outros dois oscilavam perto do 1º milhar, o Campo de Santana já tinha 4 vezes esse número.

Assim logicamente o crescimento proporcional foi menor.

Cena triste, amplie pra ver: pessoas reviram os resíduos, na busca de material reciclável. Mesmo nessas condições novas casas surgem o tempo todo, sinal que tem gente que necessita estar ali. Alguns dizem que Curitiba é de “primeiro mundo” . . . Piada sem graça! Alias, na Caximba me lembrei da Pratinha, uma das favelas mais miseráveis de Belém-PA.

Portanto dos 8 bairros que mais cresceram nos anos 90 (incluindo proporcional e absolutamente), 5 (Sítio Cercado, Tatuquara, Caximba, Ganchinho e Campo de Santana) ficam integralmente na Zona Sul.

Uberaba na Zona Leste, mas limítrofe a Sul. Cidade Industrial majoritariamente na Zona Oeste, mas um pequena porção também na Sul.

E São Miguel logo atrás da CIC, assim também na Z/O, mas não longe da Z/S.

Nenhum na Zona Norte, e nem mesmo na Z/O e Z/L mas próxima dela.

Próximas 2: sinalização não-oficial, feita pelos próprios moradores. Nessa placa imitaram o azul e o desenho da sinalização oficial, mas as letras são distintas.

…….

Após um grande pico nas décadas de 70, 80 e 90 (nesse ensaio analisamos somente a última dessas 3) o crescimento populacional de Curitiba arrefeceu bastante após a virada do milênio.

Essa situação que se repete na maioria das capitais do Centro-Sul. Falando especificamente da capital do Paraná:

Nos anos 90 dois bairros tiveram aumento de 50 mil pessoas cada, mais dois em pelo menos metade desse número.

Já na primeira década do milênio os quatro primeiros ganharam entre 12 a 20 mil, cada um deles. Respectivamente (nos censos de 2000 e 2010):

E aqui pintaram nas paredes. A rua principal da parte nova (de 2010) foi batizada “Av. do Comércio”. Aqui na esquina com a “1º de Setembro”. Essa, por sua vez, é a via principal de outra vila (nomeada com essa data) que já existia antes, e foi fundida com a nova invasão formando o ‘Complexo’. Detalhe: diz ‘cabeleireira‘, mas dentro há uma mesa de sinuca.

Campo de Santana, pulou de 7 pra 27 mil. Maior aumento absoluto e proporcional.

O único que atingiu 2 dezenas de milhares de novos habitantes, nada menos que quase quadruplicando sua população.

A razão pra isso que a partir de 2003 ali foi implantado o Rio Bonito.

Uma fazenda foi fracionada em milhares de lotes urbanos, se tornando parte da cidade.

Trata-se de um projeto similar ao Bairro Novo da década anterior, a única diferença é que o Rio Bonito é um empreendimento particular, e não da Cohab. 

Próximas 5: eu subi a rua 1º de Setembro. Quando saí da parte nova e entrei numa vila mais antiga que tem esse exato nome como já dito, a via passa a se chamar “Rua Principal”.

O vizinho Tatuquara continuou crescendo bem, e foi de 36 pra 52 mil curitibanos ali residentes.

Portanto 16 mil novos tatuquarenses em 10 anos, superando os 40% de aumento.

A Cidade Industrial veio logo atrás com 15 mil habitantes a mais, de 157 pra 172 mil. Se no absoluto quase empatou com o Tatuquara, no proporcional foi bem menor, por volta de 10%, pois a base era bem maior.

O auge do CIC foi antes, nos anos 80, quando o bairro ganhara impressionantes 70 mil novos moradores em apenas 10 anos.

Recorde que irá perdurar por toda história de Curitiba, e que também tornará o CIC pela eternidade o bairro mais populoso da cidade, salvo uma hecatombe nuclear.

Digo, do lado a direito da rua é a parte antiga, e que por isso já conta com rede de eletricidade oficial. A esquerda da via outra invasão bastante recente. Aqui já estamos numa parte mais alta, que não alaga. São muitas invasões pela região, umas recentes e outras não. Tudo agora ‘junto & misturado’.

– O Uberaba igualmente manteve um ritmo elevado por mais uma década, e pulou de 60 pra 72 mil pessoas ali vivendo.

12 mil a mais portanto, fechando a lista dos que aumentaram superando a dezena de milhar. No proporcional já não impressiona tanto, 20% de acréscimo.

– Afora o Campo de Santana que liderou no absoluto e proporcional, em termos percentuais depois vem a Augusta (Zona Oeste, ao lado do CIC e São Miguel) que passou de 3,6 pra 6,5 mil, crescendo mais de 80% na década.

A causa é que a prefeitura implantou ali diversas Cohabs, além de loteamentos particulares.

Houve também em 2003 uma grande invasão na divisa com o CIC, chamada inicialmente ‘Colina Verde’.

Postes de luz oficiais, sim. Mas também sem saneamento básico.

Também na Zona Oeste, o Mossunguê passou bem perto, faltou pouco pra atingir 70% de crescimento. Subiu de 5,6 pra 9,6 mil.

E nesse caso o crescimento foi majoritariamente na alta burguesia, classe alta e média-alta.

Como é sabido, ali foi implantado o que é conhecido pelo pomposo nome de ‘Ecoville’.

Trata-se da ‘Barra da Tijuca Curitibana’, um subúrbio afastado na Zona Oeste de prédios caros.

Só aqui não tem praia, óbvio (por curiosidade já que traçamos paralelos com o Rio, a ‘Copacabana Curitibana’ é o Parolin, na Zona Central – também sem mar, infelizmente).

De volta a Zona Sul, o Ganchinho subiu 50%, de 7,3 pra mais de 11 mil.

Igualmente emplacou a segunda década consecutiva se expandindo fortemente.

Ainda a “Rua Principal” da Vila 1º de Setembro.

Resumindo: um bairro da Zona Sul liderou com sobras tanto proporcional quanto absolutamente.

No absoluto, os que vem a seguir são ou na mesma Z/S (Tatuquara) ou respectivamente nas Zonas Oeste e Leste mas adjacentes ou com uma parte na Sul (CIC e Uberaba).

No proporcional, o 2º e 3º de maior elevação são na Zona Oeste, esses bem longe da parte austral da cidade. Mas a seguir mais Zona Sul.

Volta a parte nova na baixada do rio. Alias aqui e na próxima tomada exatamente o Barigüi, note que as construções as suas margens seguem incessantes.

………

E, disse tudo isso pra chegar aqui, a década de 10 ainda está longe de findar.

Mas é certo que a Caximba, que quadruplicará sua população nesses 10 anos, irá liderar no crescimento proporcional entre os 75 bairros (no absoluto vamos aguardar pra ver).

A esquerda na imagem Araucária. A direita Vila Sapolândia, Curitiba, uma vila anterior a 2010, mas que se uniu a parte nova no ‘Complexo da Caximba’.

Crescimento esse da Caximba que é conturbado, não restam dúvidas.

No ‘Complexo da Caximba’ a infra-estrutura é precaríssima, como notam e é notório pra quem conhece.

Bom, alguns criam que Curitiba estaria se ‘gentrificando’.

Mas 4 cenas da favela: sua alta densidade, os ‘gatos’, ruas de terra que enlameiam.

Ou seja, se aburguesando demasiadamente, empurrando a classe trabalhadora pra região metropolitana.

Nada pode ser mais distante da realidade, repito de novo.

Digo, sim, boa parte de Curitiba vem mesmo se aburguesando.

Mas na Caximba ainda há espaço pra pessoas das classes ‘D’ e ‘E’.

Aqueles que não podem pagar uma prestação habitacional e nem mesmo um aluguel barato.

Resumindo, aqueles que apenas sobrevivem primeiro, e depois, só depois de ter comida no prato, é que sonham em consumir qualquer supérfluo.

No Extremo Sul da cidade ainda há um local, apesar que bastante precário, que pode abrigar esses Homens e Mulheres que a sorte deserdou.

Curitiba cresce para o Sul. E nem sempre de forma ordeira, não custa enfatizar de novo.

Definitivamente, como dizem os ‘manos de rua’: “Zona Sul – aqui Curitiba é diferente”.

Vendo essas imagens, quem poderia duvidar???

Que Deus Pai e Mãe Ilumine a todos.

“Ele/Ela proverá” 

Terra Amada & Querida: Joinville, Santa Catarina

Terra dos Ônibus Amarelos e da (finada) Busscar.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 13 de março de 2017

Fui mais uma vez a Joinville, Santa Catarina (segundo alguns ainda pertence ao Paraná, abordo essa questão mais abaixo).

E dessa vez levei a câmera, pra produzir esse ensaio fotográfico. Bastante incompleto, é verdade.

A Joinville germânica.

Bem fotografado, com calma e de dia, pude me focar somente no Portal e o Centro e imediações.

Já no apagar das luzes (literalmente!) chegamos ao mar, no Espinheiros (sim, Joinville tem mar. Muitos não sabem disso. Também volto ao tema).

E entre o Centro e o pequeno porto marítimo cliquei rapidamente alguns relances de uma vila de periferia, entre as Zonas Leste e Norte.

Cidade da Dança, Cidade das Flores (já desenhei uma Marília joinvillense, numa loja florida, seguindo a tradição alemã).

Melhor que nada. Um outro dia que eu retornar ampliamos a postagem. Aqui já serve como boa introdução.

Acabando de virar a marca do meio milhão de habitantes, Joinville é o município mais populoso de SC.

Mas não é a ‘maior cidade do estado’, como muitos erroneamente afirmam.

E é fácil entender o porque: cidade e município são conceitos diferentes. Podem coincidir, mas não necessariamente.

A famosa ‘Rua das Palmeiras’.

‘Cidade’ é a urbe, uma mancha urbana contígua, independente de divisões políticas.

Quando vários subúrbios metropolitanos conurbam com um núcleo, uma cidade passa a ser multi-municipal.

Assim fica fácil entender. É fato que no município de Joinville mora mais gente que no município de Florianópolis.

Ainda assim, a cidade que é a Grande Florianópolis abriga muito mais pessoas que a Grande Joinville, portanto a capital e seu entorno são a maior cidade de SC.

E a Beira-Rio no Centrão.

Seja como for, Joinville é o epicentro industrial de Santa Catarina, e por isso disparado o maior PIB do estado – simplesmente o dobro de Florianópolis!

E é a maior cidade do interior catarinense.

…………

Vamos descrevendo as imagens, aí a gente vai falando um pouco mais de Jvlle. Sua origem é alemã, como é de domínio público. Isso fica evidente na arquitetura da cidade (na África do Sul vi prédios similares).

Voltando ao Brasil, há um outro detalhes numa dessas imagens em que aparecem os prédios típicos teutônicos. A direita cartaz do Hercólobus (também já clicado no Chile).

Segundo a Ciência Oculta, um ‘planeta intruso’ que não faz parte do sistema solar, mas que passará perto da Terra nesse começo de milênio, ocasionando muitas mudanças no nosso planeta. Vamos ver no que dá . . .

Nas placas, abaixo da denominação atual da rua, estão grafados os nomes antigos que ela já teve ao redor de sua história. É uma característica de S. Catarina. Já fotografei o mesmo em Florianópolis.

Na capital, de colonização açoriana, mesmo os nomes que já caíram em desuso são no idioma português.

Em boa parte do interior, antigamente as ruas e avenidas antes eram ‘weg’, ‘strasse’, etc. É o caso aqui:

Amplie a foto acima e verá:

Na atual esquina das ruas do Príncipe e XV de Novembro antigamente se encontravam a ‘Ziegeleistrasse’ e ‘Mittelweg’, respectivamente.

Alias ela mostra bem o comecinho da XV de Novembro, no Centrão.

A direita vemos o cruzamento dessa mesma via com a BR-101, já do outro lado do Portal.

Na foto a seguir, a placa é exatamente a mesma. Eu apenas girei a câmera pra direita.

E aí aparece o Moinho que há na entrada principal da cidade, visto agora melhor enquadrado.

Nele funciona uma chopperia, se não me engano

Ao lado do portal há um totem, onde está escrito “Bem-Vindo” em português e alemão. 

Mais abaixo na página há uma foto em que ele aparece claramente.

Aqui nos centremos no que há atrás dele:

Outra placa bi-língue, a que comemora a amizade entre Joinville e a cidade de Langenhagen, Alemanha.

Foi firmada entre os prefeitos, no ano de 1980.

Certamente em Langenhagen há outra equivalente, apenas na ordem invertida dos idiomas.

………..

Como é sabido, no Norte do continente europeu (Alemanha e imediações, como a Holanda) é muito forte o costume de andar de magrela.

Assim essa é outra herança germânica: Joinville é também a ‘Cidade do Pedal’.

Várias avenidas têm ciclovias (fotografei uma delas), e uma das atrações é o ‘Museu da Bicicleta’.

Por falar em museus, em imigrantes e em tempos idos:

Numa das pontas da ‘Rua das Palmeiras’ está o Museu da Imigração.

E bem no meio desse calçadão há uma série de totens em preto-&-branco contando a história do lugar.

Fotografei uma das placas, aquela que registra a passagem do Zepelim.

JOINVILLE-PR, OPS, DIGO SC –

Assim como, Energeticamente falando, Curitiba é a transição entre o Sul e o Sudeste, Joinville é a transição do Paraná e Santa Catarina.

Posto de outro modo: em muitos aspectos culturais Joinville é uma cidade paranaense.

Joinville é muito perto da capital do Paraná, apenas 130 km cobertos por pista dupla, então é muito influenciada por Curitiba.

Joinville é quase uma ‘filha espiritual’ de Curitiba.

Pra um curitibano, andar no Centro de Joinville é como estar em casa, tamanha a quantia de empresas curitibanas que têm filial lá.

Se uma imagem vale por mil palavras, observe a esquerda: o primeiro centro comercial (“shopping”) de Curitiba é também o primeiro de Joinville. Um exemplo entre muitos.

Na tomada acima outra avenida com ciclovia.

Mas nessa e na ao lado, quero chamar a atenção pra outro detalhe que Joinville herdou de Curitiba:

A pichação de muros – e agora também dos telhados.

O alfabeto, a nomenclatura dos grupos, o material, o ‘modus operandi’, toda a parafernália resumindo que é aplicada lá são xerox exato do que se faz por aqui.

Sendo que a ‘escola’ curitibana nesse quesito já havia sido ela mesma importada de São Paulo.

Alias devo dizer que a ‘arte’ de rabiscar essas insígnias inelegíveis ao leigo subiu muitíssimo de patamar – não é modo de falar – recentemente.

Quero dizer com isso o seguinte: até a última vez que eu havia ido a Jvlle (2013, 4 anos antes) já havia pichação ao nível do solo.

Porém ainda não era comum escalarem os prédios pra ‘assinarem’ os telhados. Agora se alastrou essa técnica.

ESPINHEIROS, ZONA LESTE – A “PRAIA” DE JOINVILLE –

Viram que tempestade se armou quando nós íamos pra periferia? Joinville tem problemas seríssimos com alagamentos, já eu falo mais disso.

Por hora, falemos do que vimos no subúrbio.

Subúrbio da Z/L da cidade, bairro Espinheiros. Onde o Mar e Joinville se encontram.

Muitos desconhecem esse fato, nem imaginam que Jvlle também é beijada pelo Oceano Atlântico.

Próximas 2: Avenida JK, na Zona Central.

Mas é. Nós nos perdemos numa esquina que não tinha sinalização pra quem é de fora, e fomos parar no Iririú.

Por isso cheguei no último momento possível de iluminação pra registrar o encontro entre Mar e Terra.

5 minutos a mais, e essas imagens não teriam saído. Deus Pai/Mãe permitiu e deu certo, ainda que no limite.

Pus “praia” entre aspas porque Joinville tem mar sim, mas praia não. Pois não há faixas de areia.

Como também acontece em Paranaguá e Antonina, no Paraná, Santo Domingo no Caribe, e diversas outras metrópoles ao redor do globo.

……….

De volta a Joinville. Hoje a cidade tem mar, mas um dia não teve.

Ainda na próximo ao Centro, fotografei um jardim decorado com estátuas (em Ponta Grossa-PR também).

Explico: o bairro de Espinheiros, que é uma ilha e o único que tem litoral, antes não pertencia a Joinville, mas ao vizinho município de São Francisco do Sul. 

Alias isso nos leva a uma característica única de Joinville: 

O município vai aumentando de tamanho, pois absorveu dois bairros que pertenciam a seus vizinhos a leste.

Espinheiros foi incorporado de São Chico, como acabo de dizer.

Próximas 3: periferia da cidade, ruas de terra, casas de madeira.

E partes do bairro da Itinga se desmembraram de Araquari e foram anexadas ao município de Joinville.

Curioso isso, não? Geralmente no Brasil acontece o contrário, os municípios perderem área com emancipações.

Itaperuçu se separou de Rio Branco do Sul, e Pinhais de Piraquara, pra citar dois exemplos da Grande Curitiba.

Em Joinville o caso foi distinto. Não houve emancipação, e sim transferência.

Ou seja, nenhum município novo foi criado, e sim bairros de municípios já existentes se mudaram pra jurisdição de outro município também já instalado há tempos.

…….

Estamos vendo cenas do subúrbio proletário.

Esse é o perfil médio dos bairros mais humildes da cidade.

Muitas casas de madeira pois é Sul do Brasil. E ainda há muitas ruas de terra, já falo mais disso.

Joinville tem pouquíssimas favelas. Apenas umas 5, e bem pequenas.

Ao lado (na única foto que não tirei pessoalmente, essa foi via ‘Google’ Mapas) uma delas.

Próximas 6: classe média na Zona Central. No texto seguimos falando do subúrbio.

Pra meio milhão de habitantes, não está mal.

A proporção de miseráveis por habitante é mais ou menos a mesma de Santiago do Chile.

E essa é ao lado de Montevidéu-Uruguai a capital latino-americana com menos desigualdade social.

De volta a Joinville, há um mito que a cidade não tem favelas. é mentira.

Existem sim algumas pequenas invasões miseráveis na cidade. São poucas, pequenas e bem afastadas. Mas existem.

Se concentram nos bairros Ulisses Guimarães Paranaguamirim, na divisa entre as Zonas Leste e Sul.

…….

Então está dito. Sim, Joinville tem mar, e tem algumas poucas favelas.

Ainda assim, indiscutivelmente são raras. Até as encostas dos morros de Joinville não são favelizadas.

Não pense que esse é o padrão de toda Santa Catarina, amigo.

Porque em Blumenau, na Grande Balneário Camboriú/Itajaí e na capital Florianópolis a situação é diametralmente distinta.

………

Comparando Joinville e Curitiba: a capital do Paraná tem muito mais miséria. 

Nas próximas 2, imediações da Avenida Beira-Rio. Aqui a prefeitura (também cliquei as de Curitiba e Assunção-Paraguai). A esquerda mais palmeiras, essas são na Beira-Rio como dito, e não na ‘Rua das Palmeiras’ que sai na JK, mostrada logo a seguir.

Incomparavelmente mais, inclusive em termos per capita.

Bem, como disse, proporcionalmente Joinville iguala Santiago e Montevidéu, as duas capitais com menos favelas da América Latina.

(Nota: Buenos Aires, ao contrário do que muitos ainda pensam, é bem diferente, e está coalhada de miseráveis.

Breve grande série com tudo isso ilustrado, uma vez que eu estou indo pra Argentina na mesma semana em que levanto essa postagem pro ar.)

Já Curitiba segue o mesmo padrão de Buenos Aires, com intensa desigualdade social.

Mesmo bem próximo ao Centro há duas grandes favelas, as Vilas Capanema e Parolin.

Ambas já urbanizadas mas a situação segue problemática em muitos quesitos.

E nas periferias da capital paranaense há mais favelas ainda, obviamente, inclusive em morros.

Próximas 2: flores na Zona Central. Essa sim mostra a ‘Rua das Palmeiras’, evidente.

Pra compensar, Joinville tem muito mais ruas ainda de terra que Curitiba.

Bem, a capital do Paraná já pavimentou quase 100% de suas vias.

Evidente, quando surge uma invasão as vias são de leito natural, ao menos no início.

Registrei recentemente algumas na Cidade Industrial e entorno, Zona Oeste.

Mas afora isso, mesmo nos bairros mais periféricos é difícil ver uma via sem pavimentação no município de Curitiba.

Elas ainda existem, mas é preciso caminhar bem no subúrbio pra encontrar.

A maior cidade do interior catarinense ainda está por dar esse passo.

……..

Já seguimos com o texto. Uma pausa pras flores da ‘Cidade das Flores’.

Indo pro Espinheiros, fotografei mais uma ‘amarelinho’ Busscar, ao fundo a tempestade que se formava (esq.). Primeiro falemos do busão. A Busscar, que era de Joinville, começou como Nielson, e até 1987 só fabricava ônibus rodoviários.

Nesse ano ela lançou o modelo Urbanus. Em 1989 veio a mudança de nome pra Busscar.

Nos anos 90 a Busscar se expandiu enormemente, abriu filiais na Colômbia. Nesse país vizinho, que visitei em 2011, a Busscar é um ícone, quase um mito.

No auge, os anos 90 e a 1ª década do novo século, 100% da frota de Joinville era Busscar (incluindo municipais e metropolitanos). Ou pelo menos 99%, houve uma vez que fui lá e haviam uns pouquíssimos Comil, e somente numa linha, a pra Vila Nova se não me engano.

Porém a coisa desandou, e a Busscar faliu no início da década de 10. Aí as viações de Joinville tiveram que comprar de fabricantes diversos.

Ainda me lembro do choque que tive em 2013 ao ir lá e ver pela primeira vez outras marcas em grande quantidade, especialmente Marcopolo, Neobus (que é Marcopolo) e Comil.

Agora, em 2017, a frota joinvillense conta com enorme presença de busos mais novos dessas 3 montadoras gaúchas citadas no parágrafo anterior.

Atualmente os ônibus de Joinville contam com uma película negra ao redor das janelas, o que não ocorria antes. Há muitos Marcopolos também, mas as fotos que fiz deles não ficaram boas.  Na foto acima um Comil, nas duas próximas veículos da Neobus.

A esquerda um municipal saindo do Terminal Central (onde recentemente foram vistos ônibus de Curitiba e Recife-PE, operando emprestados em ‘Tabela Trocada‘).

Note mais uma vez a placa de rua com o nome antigo em alemão.

É claro, ainda há muitos Busscar remanescentes de antes da quebra.  Quando escrevo esse texto (início de 2017) circulavam rumores que a Caio de São Paulo poderia comprar a Busscar. Veremos se a negociação se concretiza.

“PRIMEIRA CHUVA A ESQUERDA”: O CÉU DE JOINVILLE –

Esse ônibus mais escuros (e sem película negra ao redor dos vidros) são metropolitanos, de Joinville pra Araquari ou pra São Francisco do Sul via Araquari. São Chico é uma ilha, tem praia e porto, e é outra cidade, ou seja, embora próxima não é um subúrbio de Joinville, pois  conta com mais de 40 mil habitantes, e tem vida econômica e cultural própria. Já Araquari é bem menor, e emendada a Joinville pelo bairro da Itinga. Assim, podemos dizer que Araquari é o único subúrbio metropolitano da Grande Joinville. Em Araquari está a fábrica da BMW no Brasil, se alguém não sabe.

E quanto a chuva: Joinville tem um problema crônico de enchentes, como é sabido. Comprovamos isso na prática.

Viram a tempestade que se armava quando nos dirigíamos pro Espinheiros. Na volta choveu forte. Apenas 20 minutos, mais ou menos. Ao chegarmos ao Centro o céu já havia limpado.

Mas cobrou seu pedágio. O Centro estava bastante alagado. Fotografei, mas como o fiz a noite e num carro em movimento não deu pra aproveitar as imagens.

Entretanto quem conhece Joinville sabe que é assim mesmo. E não chegou a cair água por meia-hora, ressalto de novo.

Imagino como teria ficado a cidade com uma hora, ou pior, com duas horas de chuva forte.

Como os joinvillenses indicam como chegar a sua cidade pra quem sai de Curitiba? “Você pega a BR-101, na 1ª chuva a esquerda é Joinville”. Essa piada já resume a intensa relação que a cidade tem com as nuvens carregadas e o consequente aguaceiro que cai do céu.

Aterrissemos de novo ao nível do solo. Veja acima com quais ícones o jornal local A Notícia identifica a sessão ‘geral‘:

Em Santa Catarina os pontos de ônibus são numerados. Essa é a segunda parada da Rua João Colin. Fotografei o mesmo na capital.

Arquitetura alemã; Rua das Palmeiras; Bicicletas; Bailarinas; Flores; o Moinho; e o último desenho não consegui decodificar.

Assim é o ‘ethos’, o ‘mito formador’, assim a Alma de Joinville enxerga a si própria.

No entanto, é preciso fazer um adendo: obviamente a gênese da cidade é germânica.

Mas muitos que não foram até lá podem imaginar que até hoje a imensa maioria dos joinvillenses é loira de olhos azuis.

E se duvidar alguns ainda nem sequer se comunicam em português nas ruas. O estereótipo gruda forte na mente das pessoas. Porém nada poderia ser mais distante da realidade.

Na colagem, um pouco dos hábitos alimentares: um refrigerante local – por isso me refiro ao Norte de SC, esse aqui é feito em Blumenau; Uma lanchonete bem simples do Centrão oferece mostarda preta. Como é o mapa da mostarda no Brasil? No interior do Sul é universal, oferecem inclusive a preta como é o caso aqui. Em Curitiba e São Paulo a essa versão mais forte é mais difícil, mas a clara está sempre presente. Em Belo Horizonte-MG existe mostarda nas lanchonetes populares mas menos. Enquanto que em Brasília-DF já é improvável achar, e no Norte e Nordeste é praticamente inexistente onde servem o povão, comum só na Beira-Mar e centros de compras onde vão os turistas; – Por fim: os catarinenses adoram pôr milho e ervilha nos lanches. Vi o mesmo em em Mafra/Rio Negro, na divisa SC/PR.

O tempo passou, os descendentes de alemães se abrasileiraram, e, mais importante, novas levas de imigrantes americanizaram totalmente a cidade.

(Nota: mais uma vez lembro que por ‘americanos’ me refiro sempre ao continente América, e jamais aos EUA, cujos habitantes são os ianques ou estadunidenses.)

Como Curitiba, na segunda metade do século 20 Joinville foi fortemente povoada por imigrantes do interior do Paraná. Por exemplo:

No bairro Comasa antes de Espinheiros há um subúrbio da cidade chamado nada menos que “Vila Paranaense”, o que sintetiza a questão.

Em relação a esses paranaenses de nascimento e joinvillenses por adoção, parte dos antepassados deles já haviam vindo do Rio Grande do Sul, e desses a maioria são também descendentes de europeus.

Fechamos a parte sobre Joinville como abrimos: mostrando o Portal. Uma síntese de como a cidade se vê, homenageando a arquitetura alemã, as dançarinas da balé e as flores.

Porém boa parte veio do Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais, que já têm uma composição racial diferente. Tudo somado:

É claro que a maioria dos Homens e Mulheres de Joinville são brancos, não a maioria loiros mas de tez mais alva sim.

Entretanto, há minoria significativa de negros e mestiços.

Se alguém crê que Joinville lembra os Alpes da Áustria na sua composição racial, nada pode ser mais fora da realidade, repito.

Énessa tomada que aparecem as boas-vindas de forma bilíngue, que citei acima.

Breve farei um desenho ilustrando essa situação.

Portanto, tanto na classe média quanto na periferia, Joinville é ligada ao Paraná,

Óbvio que ela também é fortemente conectada a Santa Catarina em muitas dimensões além da política.

Acabamos de ver isso nos pontos de ônibus e na alimentação, por exemplo.

Não estou querendo ‘roubar’ a cidade do estado vizinho. O que quero dizer é que Joinville é um Portal de Energia, se você entende o que esse termo significa.

(Talvez por isso seu símbolo mais forte na dimensão física é exatamente um portal, e por isso pus acima manchete essa imagem).

Conectando Paraná e Santa Catarina, unindo essas duas sintonias pra que a transição seja suave.

(e de brinde) “Vamos a praia”: itapoá, santa catarina

Joinville tem mar, mas não tem praia. E como nós queríamos ir a praia, entrar no mar, a solução foi ir pra Itapoá.

Ao lado vemos o amanhecer de5 de março de 2017 no mar de Itapoá.

Trata-se de uma pequena e jovem cidade. São apenas 14 mil habitantes fixos. Boa parte das casas é de veraneio, sendo porção significativa delas de propriedade de curitibanos.

Itapoá, como Joinville, é bastante ligada ao Paraná. Várias lojas aqui de Curitiba anunciam que entregam “no Litoral do Paraná e Itapoá”.

Quase que anexando na prática a 1ª praia catarinense (no sentido norte-sul) ao estado ao lado.

Itapoá foi desmembrada de Garuva em 1989. Por sua vez, até 1962 tanto Garuva quanto Itapoá pertenciam a São Francisco do Sul.

Seja como for, notam que eu fotografei “as Flores e o Mar”.

E também o Sol nascendo no mar, o que eu já havia feito em Bombinhas, também no Litoral Norte de Santa Catarina.

Em Itapoá pegamos forte tempestade, como ocorrera na véspera em Joinville. Registrei ela se formando sobre o Oceano.

E depois, debaixo do temporal muito intenso, cliquei   mais algumas flores e o atracadouro de navios da cidade.

O porto está em ampliação, e portanto trazendo mais empregos a Itapoá – na esteira, mais moradores fixos.

Sendo no Sul do Brasil, claro que não faltariam casas de madeira a Itapoá.

Mesmo do carro em movimento, consegui enquadrar uma em qualidade suficiente pra publicar, e abaixo você confere.

Enfim, adaptando a música, “É bom passar uma tarde em Itapoá, ao Sol que arde em Itapoá”.

Nesse caso o Sol ardeu mesmo, mas só de manhã. De tarde ficou tudo cinza e dá-lhe água e raios desabando das nuvens.

Foi bom também. Eu Sou Taoista, e gosto da chuva. Fechou com chave de ouro nosso FDS em SC.

Deus Pai-Sol/Mãe-Chuva proverá”

Linha Turismo: a Curitiba que sai na TV

lado a, lado b: esse é o lado ‘a’ da cidade

outra postagem: "Linha Turismo, Curitiba Sai na TV" Parques mapa ctba desenho divisão zonas área verde itinerário roteiro traçadoPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 6 de janeiro de 2017

Em dezembro de 16, andei novamente na Linha Turismo.

E dessa vez eu fotografei os bairros pelos quais o ônibus passa. Digo, na matéria original (sem incluir atualizações) todas as fotos são de minha autoria, mas nem todas desse dia.

A imensa maioria sim, mas algumas imagens puxei do arquivo, afinal se eu já tinha aquela cena registrada por que repetir?

Museu Olho Centro Cívico z/c ctba oscar niemeyer escultura

Aqui e a esquerda o tótem: ‘Museu do Olho’ (Oscar Niemayer), Centro Cívico, Z/C.

Feitos esses apontamentos técnicos, bora de volta falar da Linha Turismo. Já levantei pra rede algumas flores que estão no roteiro.

No mapa vemos o trajeto do ônibus 2 andares. Como eu já disse antes e é notório: a Linha Turismo concentra 95% do trajeto nas Zonas Central, Oeste e Norte.

Na Zona Leste ela entra rapidíssima (só o Jardim Botânico) e a Sul ela ignora por completo.

……..

Pois aqui, repetindo, é “a Curitiba que sai na TV”, o “Lado A” da cidade. Pra complementar essa matéria, veja o “Lado B”, exatamente o contrário, a “Curitiba “que não sai na TV”.

totemAlém desse, em vários outros textos nós mostramos a parte da cidade que não é turística. Por exemplo, eis o ‘Portal da Zona Sul’, que não foi contemplada com a passagem desse ônibus.

Ali estão ancoradas diversos ensaios fotográficos que fiz em bairros periféricos da Z/S. Quem não é daqui vai então ficar sabendo o porquê do roteiro ter sido assim traçado.

……….belem

A periferia, não apenas a austral mas de toda Curitiba e Região Metropolitana, é abordada em outros ensaios. No tema de hoje nós vamos ver a porção turística, rica, e arborizada da capital do Paraná.

Vou descrevendo o trajeto, bem ilustrado com fotos. Quando eu já tiver feito outras postagens sobre aquele bairro, eu dou a ligação em vermelho.

arco-polonesTudo isto posto, vamos lá.

Eu comecei no ‘Museu do Olho’ (Oscar Niemayer), Centro Cívico, na Zona Central. Visto acima nas tomadas legendadas.

Cruzamos o Rio Belém (dir.).jd-schaffer-4

Acima, entrando num pequeno trecho da Mateus Leme, passamos sob o Portal Polonês.

Bem próximo ao Bosque João Paulo 2°.

jd-schafferFiz um desenho em que mostro o Belém, o Bosque do Papa e o Museu do Olho ao fundo.

Acima e nessa imagem ao lado: Jardim Schaffer.

Uma região de alto padrão, como notam, onde está o Bosque Alemão.

Não pude fotografar esse parque porque ele ficou a direita do ônibus.

pedreira ctba z/n abranches rua portões portão entrada portal bosqueE como vocês notam em várias tomadas, eu me sentei a esquerda do busão.

Pelo mesmo motivo não cliquei o Parque Tanguá, Jardim Botânico, entre outras paradas.

Peço desculpas, mas não havia como ficar trocando de banco, tive que escolher um assento e me fixar nele.

ópera arame abranches Z/N bosque teatro ponte metal ferro árvore verde parque lago águaSeja como for, o Schaffer (cujas algumas ruas têm nome de compositores de música clássica) não é um bairro independente, mas uma ‘vila’.

Uma vila de elite, claro. Ainda assim, os bairros a que o Schaffer pertence são a Vista Alegre e Pilarzinho, na divisa entre as Zonas Oeste e Norte.

Já pedi desculpas e expliquei porque não fotografei o Bosque Alemão e Parque Tanguá. parque são lourenço outra postagem: "Linha Turismo, Curitiba Sai na TV" z/n placa vertical ctba canal tótem totem árvore bosque banca lanchonete comércio trânsito avenida ladeira

Nas duas fotos acima vemos o Abranches.

A direita acima é o portão de entrada da Pedreira Paulo Leminski.

geminado-pilarzinhoE passarela dá acesso aquela construção tubular redonda entre o verde que é a Ópera de Arame.

A passarela também é de arame, e portanto vazada. Por isso criaram a ‘Faixa do Salto-Alto‘ no canto.

Já fiz matéria específica sobre a região, onde eu explico melhor a história.verde-4-pil

Curiosidades calçadistas femininas a parte, a rua da Pedreira e Ópera (João Gava) desemboca no Parque São Lourenço. Acima a direita o tótem dele.

Depois o busão retorna ao Pilarzinho.

As próximas 8 imagens (contando a partir dos sobrados geminados a esquerda) são desse grande e populoso bairro da Zona Norte.

pilarzinho-4Alias como veremos por seu considerável tamanho o Pilarzinho tem uma heterogeneidade social muito grande.

Antigamente o bairro já tinha sua porção mais central bem aburguesada. madeira-pilarzinho-3

Mas sua parte mais afastada do Centro, bem próxima de Tamandaré, era periferia mesmo.

Agora o aburguesamento avança rum ao subúrbio, então tudo convive:

pilarzinhoSobrados triplex de meio milhão de reais (ou mais), sobrados mais simples e prédios classe-média.

E ainda restam certas partes de periferia com casas simples de madeira e mesmo algumas favelas.

……..pilarzinho-5

Alguns detalhes se sobressaem:

Veja quanta área verde.

Nas Zonas Norte e Oeste Curitiba é uma das cidades mais arborizadas do mundo.

lote-pilarzinho-2Próximas 2 tomadas:

Ainda no Pilarzinho, vemos a periferia típica do Sul do Brasil. Como já falamos muitas vezes:

Casa de madeira;

lote-pilarzinho

Aqui se encerra a sequência do Pilarzinho.

Terreno enorme, dá pra fazer um campo de futebol;

– Muro baixo, ou mesmo uma cerquinha de madeira;

– Sem calçamento nem fora nem dentro do terreno.

Flagramos até um Fuca na ativa!, como você pode observar.

Mas tudo isso está mudando.

taboaoA Zona Oeste e em menor medida vários bairros da Norte concentram boa parte dos grandes terrenos ainda vagos dentro da cidade.

Fora dali, isso só acontecia até recentemente também no Uberaba (Zona Leste) e Xaxim (Zona Sul).

Por isso todos esses bairros foram os que mais cresceram nas últimas duas décadas e meia.

pq-tingui-3Exatamente por terem mais espaço disponível.

Repare que na foto acima da do Fusca o gigante terreno já tem placa de vende-se.

Logo será um condomínio, horizontal ou vertical.

A direita mais um prédio novo, no bairro Taboão, vizinho ao Pilarzinho. pq-tingui-7

……….

Vamos cruzar o Rio Barigüi.

E portanto saímos do Pilarzinho, Zona Norte, e voltamos a Vista Alegre e a Zona Oeste.

É a vez do Parque Tingüi, um dos muitos as margens do Barigüi.

pq-tingui-6Acima a esquerda exatamente a área verde ao redor do lago formado pelo represamento do Rio.

E depois duas pontinhas de madeira (uma pra pedestres e outra pra veículos) cruzando-o.

O Memorial Ucraniano (esq.) também fica no Pq. Tingüi.

Saindo do parque, vemos ao lado aquilo que te falei:

vista alegre z/o ctba sobrado condomínio fechado classe média alta moto céu nuvens eliteConstruções relativamente novas de classe alta e média-alta.

São recentes, como dito. A região era pobre antes do parque (pois é bem no subúrbio, a poucos metros de Tamandaré).

E ainda restam algumas casas bem humildes, onde se cria até galinhas, bordejando essa área verde.

Mas nada disso não dá pra ver do ônibus.

madeira-vista-alegre-2

Também Vista Alegre: sobrado bi-modal (alvenaria/madeira), muito comum no Chile, em Santos-SP e na Ucrânia.

……

Digo, essa ao lado do Tingüi não dá mesmo.

Mas logo a seguir a Linha Turismo entra em Santa Felicidade, e o mesmo se repete: 

Ainda há casas que criam galinhas, dentro da cidade.

Nas próximas duas tomadas abaixo (a mesma em escalas distintas) comprovamos o que falo.

criacao-de-galinhas

Próximas 8: Santa Felicidade, Z/O.

Ressalto, aqui é Santa Felicidade, já longe do Pq. Tingüi.

O Extremo Oeste da cidade ainda mantém pequena área rural.

Em outros bairros da Z/O (não atendidos pela Linha Turismo) ocorre o mesmo, e nesses eu fotografei melhor.

galinha-sf……..

Mudou o bairro, e até a ‘zona’ (de Norte pra Oeste).

Mas muitas cenas em S. Felicidade são similares as que víramos no Pilarzinho:

– Muita área verde;

– Terrenos enormes;lote-santa-felicidade

– Várias dessas matas e lotes com casas humildes já a venda;

– Moradias humildes sendo muitas e muitas na madeira;

Adensamento, aburguesamento com o surgimento lote-santa-felicidade-2de condomínios;

– E até pequenas invasões.

…….lote-santa-felicidade-3

Agora vamos falar das características próprias de Santa Felicidade (e seu vizinho menor Cascatinha, que fica no caminho):

É a região italiana da cidade por excelência.

vinicolaEntão a Av. Manoel Ribas concentra enormes restaurantes (onde se serve frango, polenta, maionese e massas), vinícolas e o comércio moveleiro.

Ao lado vemos uma casa de vinhos.madalosso

Mas a maior atração de S. Felicidade vem agora. ‘Maior’ não é figura de linguagem.

Eu disse que os restaurantes são enormes.

Pois bem. O Madalosso (dir.) é nada menos que o segundo maior do mundo.

buso-2Maior da América, maior de todo Hemisfério Ocidental, maior de todo Hemisfério Sul.

O Madalosso serve 4,6 mil pessoas, simultaneamente.

Isso em condições normais, aberto ao público em geral.

Segundo se diz, o recorde do Madalosso foi numa campanha eleitoral pra presidente, em que Maluf (sim, aquele Paulo Maluf) fechou a casa e pagou o jantar pra 5 mil pessoas.

Próximas 2: Av. Manoel Ribas, Cascatinha e imediações. Aqui o Portal Italiano.

Corre essa história, mas eu não posso confirmar se é verdade.

O que é fato comprovado é a capacidade normal de 4,6 mil. Maior que ele em todo planeta, só um restaurante que fica na Ásia, no Hemisfério Norte e Oriental.

Pra fecharmos a foto do restaurante, a direita mais pra cima: nota que os táxis em Curitiba são laranjas com quadriculado preto.

O subúrbio metropolitano de Tamandaré xerocou a pintura.

moveis-via-veneto

Loja de móveis.

A prefeitura de Curitiba não gosta dessa cópia que cheira a pirataria, mas não pode fazer nada.

Agora a imagem que aparece um busão amarelo, justamente voltando do Terminal Santa Felicidade:

Foi feita quase em frente ao Madalosso.

O que quero chamar a atenção aqui é que em seu trecho final a Manoel Ribas é de paralelepípedos, calçamento que já foi bem mais comum em Curitiba.

………..

Parque e Rio Barigüi.

As 2 acima, onde aparecem o carro vermelho (esq.) e o Portal (dir.) estamos na Manoel Ribas, mas antes de chegar a Santa Felicidade.

O Portal Italiano fica nos fundos do Parque Barigüi.

Diz “Santa Felicidade”. Estamos a caminho dela, mas ali naquele ponto ainda não é esse bairro.

torre-teleparE sim a divisa das Mercês com Vista Alegre.

Assim que cruzamos o Rio Barigüi que nomeia o mais famoso parque de Curitiba (acima), entramos na Cascatinha, onde foi clicada a loja de móveis a esquerda.

………merces

Depois de Santa Felicidade o buso começa a retornar ao Centro.

Passa pelo Pq. Barigüi, como explicamos e clicamos acima.

sao-francisco-largoE aí passa novamente pelas Mercês. É isso que vamos ver a partir de agora.

Desculpe o pleonasmo. Se estamos avistando a Torre da Telepar (acima a esquerda) é cristalino que estamos nos aproximando das Mercês.

A direita o trecho mais central da Manoel Ribas, também nas mesmas Mercês.

centrao-8

Próximas 12: o Centro da Cidade.

Óbvio que a estatal Telepar já foi privatizada a muito, e não existe mais.

Mas o nome ficou. Eu já fotografei esse mesmo monumento duas vezes, em outras duas matérias sobre a Zona Oeste.

Na tomada acima, onde aparece a galera curtindo no bar, estamos no comecinho da Manoel Ribas, quase no Largo da Ordem, em frente ao Relógio das Flores.

Nesse trecho inicial a Manoel Ribas se chama Jaime Reis, mas a rua é a mesma. Detalhe: também de paralelepípedo.

Portanto ela tem cobertura empedrada nas duas pontas, o meio é de asfalto.

centrao-7Ainda falando da foto acima a esquerda em que as pessoas bebem nas mesas no prolongamento do Lgo. da Ordem:

Ali é o bairro São Francisco, umbilicalmente ligado ao bairro que se chama ‘Centro’ mesmo, ambos juntos formam o Centrão da cidade.

Foi no São Francisco que Marília viu uma placa de refrigerante antiga, e se lembrou de sua infância.

………

A partir da tomada acima e pelas próximas 12, o Centro de Curitiba. centrao-4

Onde a cidade começou, oficialmente. Porque na verdade a primeira povoação europeia de Curitiba foi no Bairro Alto, Zona Leste.

Mas não deu certo.

ed-italiaAssim o núcleo primordial da urbe (aquilo que na América Hispânica se chama “Praça de Armas”, no México o “Zócalo”) foi transferido pra Praça Tiradentes.

Nós já falaremos mais e mostraremos a Tiradentes. Na foto um pouco mais pra cima a direita, exatamente a que está legendada como “Próximas 12: o Centro…”, estamos perto da Rua 24 Horas.

A esquerda acima, onde há uma pichação em vermelho em primeiro plano, é a Praça Santos Andrade.

Onde ficam o Teatro Guaíra e o edifício-sede da UFPR.

tiradentes

Próximas 4: a Pça. Tiradentes, no Centrão.

Logo acima o Edifício Itália, por muitos anos foi o mais alto do Paraná.

……..

Agora sim: a  Praça Tiradentes.

Na foto ao lado vemos a Catedral de Curitiba.

Tem dias que esse canteiro de flores fica todo colorido, lindíssimo. Dessa vez está seco.

marco-zero-tiradentes-2Toda quilometragem de e pra Curitiba tem esse ‘Marco Zero’ que fica na Tiradentes como referência.

Há um similar na Praça da Sé, no Centro de SP.

Portanto quando se diz que 408 km separam as capitais, mais epspecificamente se está dizendo que essa é a distância da Tiradentes a Sé.

Voltando ao marco daqui de Ctba.:

Em cima há um mapa pra lá de simplificado, mostrando as saídas da cidade.

E em cada ponto cardeal um desenho dizendo pra onde vai a estrada se você seguir nesse sentido.

Como notam, fotografamos a face ocidental:

Tem o desenho das Cataratas e está escrito “Iguassu”. Na grafia antiga, ainda.

Direita: a Tiradentes não é o marco zero apenas da cidade.

É também o ponto inicial e final da Linha Turismo.

centrao-pichoDigo, ele é circular, você não é obrigado a desembarcar em lugar nenhum.

Exceto, claro, quando ele completa a última viagem nessa exata Pç. Tiradentes.

Nas viagens intermediárias, ele estaciona porém você não precisa descer.

Mas ali ele fica mais tempo parado pra acertar o horário, é o que se chama ‘ponto de regulagem’ na busologia.picho

A esquerda (também na Tiradentes) e a direita (em outra parte do Centrão, mais perto da Rui Barbosa), 2 prédios todo detonados pelos pichadores.

Fotografei a mesma cena ali pertinho, na Marechal Deodoro, e novamente em Caiobá (Matinhos-PR), Santos e Belo Horizonte-MG.

paco……….

Ao lado: Praça Generoso Marques, nos fundos da Tiradentes.

Em primeiro plano vemos o Museu do Paço Municipal.

rua-das-flores-palacio

Próximas 2: ‘Boca Maldita’ na ‘Rua das Flores’. Aqui vemos o Palácio Avenida.

Ali foi a sede da prefeitura de 1916 a 1969. A frente há uma estátua.

E na base desta há um mapa do Brasil em que o Paraná faz divisa com o Rio Grande do Sul (????).

Espantoso, não? Paraná e Santa Catarina travaram a sangrenta ‘Guerra do Contestado’.

Que justamente contestava territórios. Dependesse da vontade paranaense, Santa Catarina só teria o litoral.

Todo o atual Oeste Catarinense deveria pertencer ao Paraná segundo essa versão, cristalizada no mapa que há estampado nessa praça.

rua-das-flores-2

O primeiro Mc Donald’s de Curitiba (de 1989) está na Luis Xavier. Aos fundos as copas das árvores da Praça Osório.

Ainda sobre a Praça Generoso Marques. Ali era o ponto inicial das primeiras linhas de expresso, quando esse modal começou em 1974.

Depois, quando vieram mais linhas pra outras partes da cidade essa primazia foi pra Pça. Rui Barbosa, que é bem maior.

…………

Já vimos a famosa ‘Boca Maldita’, as últimas (ou primeiras, depende do sentido que você vai) quadras da ‘Rua das Flores‘.

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Próximas 2: Prado Velho, Zona Central. Aqui na João Negrão pontes em dois modais (a de trem desativada) sobre o Rio Água Verde.

Em 1972, Lerner transformou em calçadão a parte mais central da Rua XV de Novembro.

A primeira quadra da XV a partir da Praça Osório se chama Avenida Luis Xavier, por seu tamanho diminuto conhecida como ‘a menor avenida do mundo’.

No ‘Palácio Avenida’, visto na foto a direita um pouco mais pro alto (vide legenda) é que há aquele famoso coral de Natal promovido por um banco.

Começou com o Bamerindus, depois HSBC, e agora é do Bradesco. Muda o patrono, a tradição continua.

……

paiol

Um pouco pra frente na mesma rua, o Teatro Paiol. Aos fundos avistamos a linha dos prédios do Cristo Rei, Zona Leste.

Saímos do Centro. Mas continuamos na Zona Central. Duas tomadas na Rua João Negrão.

A direita acima ponte sobre o Rio Água Verde (afluente do Belém, deságua nele na Vila Capanema a poucas quadras dali).

Até o fim dos anos 80 havia uma linha férrea que ligava Curitiba a Araucária. Desativaram-na, mas a ponte ferroviária permaneceu de relíquia. belem-2

É sobre o trajeto desativado dessa linha que em 1991 surgiu a invasão ‘Ferrovila’, que é estreita mas muito, muito comprida, vai do Parolin na Zona Central até a Vila Nossa Senhora da Luz no CIC, Zona Sul.

Na tomada acima a esquerda já vimos o Teatro Paiol. Logo após esse marco o busão vai rapidamente pro comecinho da Zona Leste.

cristo-rei-jd-botanico

A esquerda na imagem o prédio pertence ao bairro Jardim Botânico. Já os espigões a direita estão no Cristo Rei, e são os mesmos vistos atrás do Paiol, na foto acima.

Antes disso, na foto acima, ele cruza novamente o Rio Belém. Estamos no bairro Rebouças, Zona Central.

Essa cena foi captada atrás da Rodoviária, próxima ao estádio do Paraná Clube, que também se chama Vila Capanema como todos sabem.

Ali o Belém re-emerge, pois pra cruzar o Centro enfiaram ele pra baixo da terra.

……….

Não pude fotografar o parque Jardim Botânico, com sua famosíssima cúpula que também é de arame, pelo motivo que já lhes expliquei.anaconda

Na 2 imagens acima e ao lado, a Avenida Presidente Affonso Camargo, que divide os bairros Jardim Botânico do Cristo Rei.

Um dia tudo ali pertenceu ao Cajurú, mas não mais a muito.

A direita o tubo ‘Viaduto do Capanema. Vemos em 2° plano o prédio do moinho de trigo Anaconda.

centro-civicoAquele mesmo prédio que Maurílio via da sacada quando ele foi como Super-Homem numa festa a fantasia.

…………

O ônibus da Linha Turismo acaba de deixar a Zona Leste, onde sua estada foi brevíssima. 

Nas duas últimas tomadas já vemos de novo o Centro Cívico, Zona Central.

Acima quase na Avenida Cândido de Abreu, e ao lado um dos muitos prédios públicos do bairro, que foi alias criado pra isso como o nome indica.

centro-civico-2Portanto estamos chegando ao mesmo ponto que embarcamos, o Museu do Olho.

É hora de desembarcar e finalizar o relato. O roteiro de 2 horas e meia está concluído. Espero que vocês tenham gostado da viagem. 

jardineira

1-Pró-Parque: Jardineira (original) Verde.

1ª atualização, ainda em janeiro de 2017 (a partir daqui as fotos foram baixadas da internet):

HISTÓRIA DA LINHA TURISMO

Antes havia a linha “Pro-Parque”, operada por jardineiras verdes.

Ao lado jardineira na linha pro Parque Barigüi (essa e várias outras imagens oriundas da página Ônibus Brasil).

Na verdade esse verde acima não está mais em serviço ativo.

volta-ao-mundo

1-Volta ao Mundo: Jardineira (transgênica) em dois tons de anil/turquesa, com os desenhos dos pontos turísticos.

Não importa. Foi mantido exatamente como quando cumpria essa linha. Está preservado como um ‘museu vivo’.

Se acharmos uma foto de boa definição dele na ativa, adicionamos.

Ao mesmo tempo existia a linha “Volta ao Mundo”.

Essa era feita por antigos ônibus normais, que quando venciam sua vida útil no sistema convencional eram adaptados:

Tinham sua janela ampliada pra virarem jardineiras. A direita um desses Torinos adaptados. Numerado BV002.

turismo

2- Chegou a Linha Turismo. Repintaram de branco os ‘carros’. Mantém-se os desenhos das atrações turísticas da cidade.

A esquerda o mesmo veículo, de branco e renumerado, já na Linha Turismo,

Já falamos mais do tempo que a Turismo foi implantada. Antes vamos voltar a Gênese dela, a época das jardineiras.

Nas jardineiras que vieram assim de fábrica os bancos eram como nas praças, com tiras de madeira na horizontal. Amplie a imagem do ônibus verde-escuro pra comprovar.

Nas ‘transgênicas’ (adaptadas, antes eram convencionais) não, mantiveram-se os bancos de acrílico que os veículos já possuíam.

turismo-jardineira

Aqui e a esquerda: transição pra etapa 2, a Linha Turismo implantada. As antigas jardineiras verdes do Pro-Parque também são repintadas de branco. Ainda com os desenhos dos principais locais que os turistas querem ver em Curitiba.

………..

Depois as linhas Pró-Parque e Volta ao Mundo foram fundidas pra originarem a “Linha Turismo”.

No começo, antes de virem os busos 2-andares, aproveitaram a frota das linhas-gênese.

Nas duas fotos ao lado e logo abaixo, jardineiras que antes eram verdes no ‘Pro-Parque’.

E foram dessa forma repintadas de branco ao mudarem de modal.

Logo abaixo na na Pça. Tiradentes, e direita em outro ponto da cidade.

jardineira1A Linha Turismo pegou. Se tornou uma coqueluche, uma mania da cidade.

Assim começaram a vir ônibus zero km. No começo pintados de branco.

Depois, quando vieram os 2-andares, toda a frota, incluso os de 1 andar, foi re-decorada nesse tom de verde. 

turismo1

2- Ainda na transição pra Linha Turismo.

Já mostraremos tudo isso. Nas fotos até aqui ainda estão os busos oriundos das linhas anteriores, (Pro-Parque e Volta ao Mundo).

Aquelas que, repetindo, são a gênese da Turismo.

Portanto, até esse Monobloco ao lado os busões vieram usados, e foram repintados de branco.

A direita (na mesma Tiradentes) um Monobloco transgênico das Mercês, antes era Interbairros, e foi adaptado, aumentaram as janelas.

3- Consolidação: enfim 1°s ‘carros’ Zero Km.

Agora sim vamos mostrar o que já falamos lá em cima:

Com o sucesso definitivo da Linha Turismo, passam a vir veículos novos pra ela.

Que portanto já chegam de fábrica brancos e com as janelas nessa configuração.

Ainda estão presentes os desenhos dos pontos famosos da cidade na lateral.

mercês mt006 garagem Linha Turismo buso 1-and ctba verde árvore pinheiro prédios vidro alongado adaptado maior arco vermelho paralelepípedo hexagonal símbolo emblema lona letreiro jardineira comil motor atrás traseiro amarelo convencional

4- Ainda somente 1-andar, mas chega a pintura nesse tom entre verde e bege. Eliminam-se os ícones na lataria.

Um deles a esquerda, também na Tiradentes.

E ao lado quando adotou-se a nova pintura. Numa tomada vinda da página Tudo de Ônibus, vemos numa garagem um buso 1-andar.

………

Alguns poderiam pensar que esses de somente 1 andar foram aposentados. E portanto não circulam mais na Linha Turismo.

linha-turismo-curitiba

5- Como é hoje: a estrela principal, óbvio, são os 2-andares, mas nos dias de pico os de 1-andar estão na retaguarda, valentes.

Nada poderia ser mais distante de realidade. Sim, nos dias de menor movimento só rodam veículos 2-andares. 

Mas no pico (férias e feriadões), quando o negócio bomba, a Linha Turismo opera em comboio:

Na frente um 2-andares, mas na retaguarda os bons e velhos de 1-andar vão na cobertura.

Novamente na Praça Tiradentes, um par deles, um tem escada dentro o outro não.

“Deus proverá”

a Mulher do Sul

a-fazendeira

A Fazendeira.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 2 de janeiro de 2017

Vamos Abrir os Trabalhos do ano de 17. Dois desenhos inéditos e uma sequência que seguiu (por emeio) em 2014.

Começo pelos dois desenhos inéditos, produzidos portanto em janeiro de 2017.

Novamente vemos uma encarnação anterior de Marília: ela era fazendeira – falando mais apropriadamente, era esposa de um grande fazendeiro. Além da propriedade rural no interior, seu marido era também um ‘barão’.

Ele era um Homem importante igualmente na cidade, ocupando o cargo de  senador ou algo assim, um coronel ou caudilho influente na política regional. E eles viviam, junto com os filhos, numa fazenda cujo casarão principal era um sobrado de madeira, retratado acima.

prontinha-pra-sair

Pronta pra sair, Marília parece uma bonequinha. Com esse vestido cheio de rendas e babados, amarelo e laranja com os laços e fitas em rosa. E mais a sombrinha, pra não ficar ensopada de suor com tantas camadas de roupa. As luvas alvas são um charme a parte.

Obviamente há uma influência alemã na arquitetura, pois eles moravam no Sul do Brasil.

Não veja com as lentes de hoje, em que a madeira só é comum na periferia, e mesmo ali já se extinguiu em boa parte do país.

Mais de um século atrás, uma residência em matéria-prima vegetal podia ser de alto padrão, especialmente se fosse de 2 andares, como é o caso aqui.

A Casa-Grande da fazenda em que viviam Marília e sua família lembra um pouco as que existem até hoje no Leste Europeu.

De volta ao Brasil, eu já desenhei uma Marília camponesa, mas aquela não era rica e de família influente.

Essa daqui, ao contrário, era da elite rural do Brasil do começo do século 20. Ela está preparada pra ir acompanhar seu marido a cidade.

Também já desenhei Marília e suas 2 irmãs adolescentes crescendo numa casa de madeira no interior do Sul do Brasil. Quem sabe as 3 meninas são as netas dessa Marília fazendeira que vemos hoje, né?

no coração do brasil: goiânia, goiás

transurbAinda na ‘Máquina do Tempo‘, mas agora vamos avançar rapidamente pro fim do século 20:

Maurílio em frente um saudoso Monobloco. Da não menos saudosa Transurb. Se tudo fosse pouco, na super-clássica padronização ‘das Flechas’.

É claro que só poderemos estar em Goiânia, do fim dos anos 70 ao começo dos 90. goiania-goias

Maurílio esteve em Brasília-DF, esses dias. Aproveitando que é ali do lado, ele também passou em Goiás.

A linha vai pro Jardim Curitiba. Achei curioso estar do outro lado do Brasil e ver um bairro homenageando a cidade que eu moro.

usando-o-secadorVoltando a Goiânia, o Jd. Curitiba é um bairro de periferia no que lá eles chamam de ‘Zona Noroeste’. Mas eu diria que é Zona Norte.

Como eu expliquei na postagem sobre BH-MG, respeito os costumes nativos mas eu só divido as cidades em Zonas Central, Leste, Sul, Oeste e Norte.

…………..

Vamos agora abrir o baú do arquivo.

Reproduzo uma HQ que foi publicada em emeio em 20 de agosto de 2014.

a “guerra dos sexos”:

os homens não entendem a ‘via sacra feminina’

Maurílio e Marília vão sair juntos. uma-hora-cuidando-de-cabelo-haja-paciencia

Ele tomou banho, fez a barba e pegou a 1ª camiseta que estava mais por cima do armário.

Tempo que Maurílio levou pra se arrumar, tudo somado: aproximadamente 15 minutos.

Marília leva mais tempo pra se arrumar.

oh-duvida-cruelBeeeeeem mais tempo.

É isso que vamos ver agora.

Acima da manchete nós já observamos ela usando o secador.

Pois hoje é ‘dia de lavar o cabelo’.

Pra conversa começar:de-preto-por-baixo-violeta-por-cima

Maurílio nem sequer desconfia que ela, e a maioria das Mulheres, tem uma escala, em que dias lava, em que dias não.

Depois, a direita acima, é hora de pentear o cabelo.

Enquanto faz isso Marília prossegue em sua ‘Filosofia Feminina‘.

Só no banho e cuidar do cabelo já se foi quase uma hora.

raspando-minhas-pernasEnquanto isso, Maurílio ouve música na sala, bem sossegado….

Depois  ela vai escolher o vestido:

“Óh, meu Deus, que dúvida crueeeeeeelllll“.

Mas ao se ver no espelho, ela não teve dúvidas que seria o violeta.

Até porque ela já está de preto por baixo. raspando-os-bracos-e-acalmando-ele

Mas isso ele só vai descobrir na volta!!!

………..

Pronto, pelo menos ela já está vestida.

batom-bem-vermelho-que-hoje-eu-vou-ar-ra-sarMas ainda vem aquela que pra muitas Mulheres é a mais chata das ‘tarefas femininas’:

A depilação.

Com cuidado, Marília raspa as pernas e depois o braço.

E é chata mesmo.

Tanto que no inverno Marília se depila menos, como todas as garotas. abram-alas-la-vou-eu

Mas agora está quente.

Assim ela está ali, resignada, de gilete na mão.

Foi aí que, inadvertidamente, Maurílio cutucou a onça com a vara, curta, apressando-a.

Pra quê? Ela ficou mesmo uma fera.

E deu uns gritos pra ele se acalmar.

me-exibindo-pra-meu-maridinho“Haja Amor!!!”

Foi o que ela pôde pensar, de forma irônica.

A seguir ela passou batom.

E ‘voilá’:

Enfim taí Marília enfim pronta, de vestido tubinho e botas.maos-dadas-final-feliz

…………

Tempo total pra chegar nesse ponto: aproximadamente 2 horas.

Portanto 8 vezes mais que seu marido.

E por falar nele:

Aí Marília desceu as escadas pra encontrá-lo.

E exibiu o resultado de tanto esforço.

vestida-pra-matarOu seja, ela mesma, toda arrumada, pronta pra sair.

Perguntou se valeu a pena esperar.

Ele respondeu.

Lógico que sim, querida.

Valeu cada minuto, você está deslumbrante.”

Ainda fez uma auto-crítica:

“Desculpe ter te apressado.olhares-que-se-cruzam

É fato, os Homens ainda têm que caminhar muito pra Entender o Universo Feminino”.

………

Final Feliz.

Isso que é Amor Maior, não? E dessa vez sem ironias.

“Deus proverá”

Alfabeto Cirílico

no-leste-europeuPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 22 de dezembro de 2016

Maurílio na Ucrânia.

E o que é mais incrível: conversando com os nativos em ucraniano!!!

………praça vermelha maurílio desenho kremlin cúpulas frio casaco touca moscou rússia

Vocês já sabem que ele esteve na Rússia. Veja ao lado, Maurílio em pleno Kremlin. Depois ele passou por Londres também.

Mas antes de ir pra Inglaterra deu uma paradinha na Ucrânia, que afinal é ali do ladinho de Moscou.

Tá um inverno de rachar no Leste Europeu. Maurílio tá pensando:

em-ucranianoCaraca, mano. Tá russo o negócio por aqui… Que neve em Quiev, hein……..rs.”

Mas ele não se intimida, segue seu rolê e até mesmo leva uma ideia com os moradores da cidade na própria língua deles.

Pra quem não é versado em ucraniano, Maurílio perguntou que ônibus vai pra esse bairro, e onde ele pode tomá-lo.

O morador respondeu: “é fácil, é a linha número 9, passa bem no Centro da cidade”. sobrado-bi-modal

Outro detalhe: eis a arquitetura típica russa/ucraniana, os sobrados com essas cúpulas quase ovais.

E não por outro motivo o Kremlin guarda certa semelhança com as casas da região.

Nesse caso é um sobrado bi-modal, alvenaria embaixo e madeira em cima, como é muito comum também no Chile e em Santos-SP.

Na tomada acima isso fica mais claro, vemos melhor as ripas verticais de madeira.

…….desenho boneco neve maurílio canadá bandeira frio inverno

Voltando a viagem pra parte mais gelada da Europa em pleno inverno boreal:

Ainda bem que uns anos atrás Maurílio foi pro Canadá, onde pegou um frio similar.

Assim ele já tava acostumado com o termômetro pra baixo de 0°. Fez na ocasião até um boneco de neve!!!

Deus proverá

(mais um) Anoitece na Zona Norte: Jardim Monza, Colombo

crepusculoPor Maurílio Mendes, o Mensageiro

Publicado em 10 de dezembro de 2016

…….

Mais uma visita a Colombo.

Município que fica na Zona Norte da Grande Curitiba.

Fui ao bairro Jardim Monza.crepusculo-2

Fotografei o Pôr-do-Sol. Mais um na Z/N, como já foram vários.

Quanto ao Monza, trata-se de uma periferia, um subúrbio proletário da cidade.

Casas simples de gente trabalhadora.

casas-simples-3Muitas ruas de terra, como vê nas duas fotos acima.

No município de Curitiba, até uma década atrás as vias com pavimentação natural eram comuns.

Mas hoje são praticamente inexistentes.

Diversos outros municípios da RM igualmente estão quase totalmente asfaltados. casas-simples

Por exemplo: Araucária, São José dos Pinhais, Fazenda Rio Grande, Pinhais. Nesses, repito, quase não há mais ruas de terra.

Mas em Colombo, como notam, elas ainda existem em grande número.

placaRepare na foto acima. Curiosamente, eu cliquei uma casa muito parecida na África do Sul, periferia da Cidade do Cabo.

De volta ao Brasil e a Colombo. As imagens deixam claro:

Moradias humildes, de madeira, sem muro. Ou as vezes de alvenaria, mas sem garagem, como visto a direita.casas-simples-2

Assim é o Jardim Monza, Colombo, Zona Norte.

……….

Continuando o giro pelo bairro:

acima-do-comercioAo lado: casa acima do comércio.

Repare na porta no canto da imagem.

Está gradeada, ou seja, há uma segunda porta de ferro por sobre a de madeira.

Significa que a região tem arrombamentos frequentes.

avenidaBem, isso não é privilégio da Grande Curitiba.

Já fotografei a mesma cena em diversas partes da América:

Em uma favela em João Pesoa-PB, no Centrão de Belém-PA e S. Domingo-Rep. Dominicana.

E também no Chile, nesse caso tanto na periferia como em bairros de classe alta.

duplexTambém vi bastante em Fortaleza-CE, essa última breve eu subo a série pro ar.

…………

Por hora de volta a Colombo.

Continuamos a ver o Jd. Monza. terra-crepusculo

Na tomada acima, mais um sobrado ‘artesanal’:

Antes era uma casa térrea. Quando a família juntou o troquinho, tirou o telhado e ‘subiu a laje’.

Agora repare nas duas fotos abaixo:

Começam a subir alguns prédios.

contrasteSinal que a região vem se aburguesando um pouco.

Claro, nesse caso é a uma pequena burguesia, classe média-baixa e média-média.

Como eu já fotografei também no vizinho município de Almirante Tamandaré.

Voltamos a Colombo, a tomada a direita resume a situação:madeira-e-predio

Rua ainda sem asfalto, casa de madeira sem muro.

Mas um pombal de classe média já faz parte da paisagem, bem no cantinho da cena.

Mais imagens do Monza (clique sobre pra ampliar):

anoitecejd-monzapichacaorua-de-terra-2rua-de-terrasobrado

hortencia

Próximas 2: hortências e margaridas que adornam Colombo.

Em duas fotos da sequência acima (a 3ª e a 6ª) vemos pichação do Comando Norte da Império Alviverde.

Eu não torço pelo Coritiba. Apenas relato o que vi.

Se tivesse flagrado pichações dos Fanáticos ou da Fúria, fotografaria também.

Como no rolê de Tamandaré eu fotografei bandeiras do Atlético e do Coxa.

Em Belo Horizonte pichações e cartazes do Galo e do Cruzeiro.margarida

E em Belém bandeiras e pichações do Remo e do Paysandu, e também do Atlético Mineiro – em pleno Pará!!

Enfim, vocês entenderam. No futebol eu busco a neutralidade, não torço pra nenhum time no Brasil.

lojaApenas tenho uma simpatia pelo Nacional de Medelím-Colômbia.

Deixando o futebol de lado, cheguei ao Monza pela Estrada da Ribeira.

Ao lado: Lojas Coppel do Alto Maracanã, na referida estrada.

ribeira-3

Próximas 3: Estrada da Ribeira (BR-476), Colombo, fim de uma tarde chuvosa de dezembro de 2016.

Essa cadeia de lojas chegou poucos anos atrás e tomou conta da Grande Curitiba.

Quando fui ao México, vi por lá também, e estranhei.

Aí que me informaram: a cadeia de Lojas Coppel é mexicana.

Nessa postagem eu fotografei uma Coppel na matriz, na Cidade do México.

ribeira-2…………

Colombo tem 3 estradas:

– a BR-116, nesse trecho chamada ‘Régis Bittencourt’, a principal rodovia brasileira, que liga o Sul ao Sudeste e depois ao Nordeste;

estrada-da-ribeira – A Estrada da Ribeira, que é a BR-476, antiga ligação entre PR e SP antes de construírem a Régis.

É na Ribeira que estão os terminais Alto Maracanã e Guaraituba;

– E a “Estrada Nova de Colombo” ou “Rodovia da Uva” (PR-417), que liga a capital ao Centro do município. Na Estrada Nova fica o Terminal Roça Grande.

céu anoitece Colombo Z/n rio verde ctba noturna entardecer

……..

Pra fechar, ao lado: Rio Verde, Colombo, 2013. Essa foto pertence a outra postagem.

Pois é em outro bairro, e foi feita como indicado 3 anos antes. Mas como também mostra o entardecer em Colombo, insiro aqui também.

Que o Pai-Sol/Mãe-Lua Ilumine a todos.

Ele-Ela proverá

Pedreira, Ópera e o Belém: Abranches e São Lourenço, Zona Norte

opera

Próximas 2: Abranches, o bairro da Ópera de Arame (e da Pedreira Paulo Leminski). Com a “faixa do salto-alto” a direita da passarela.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 17 de novembro de 2016

Mais uma volta pela Zona Norte de Curitiba. Dessa vez agraciamos o bairro do Abranches.

Onde vivem 13 mil curitibanos, sendo o 7º bairro mais povoado da Z/N.

Isso não significa muito, pois ‘Curitiba Cresce pro Sul’.

Seja como for, deixa eu retomar meu relato. opera-de-arame-entrada

Fui, melhor dizendo, a uma pequena parte do Abranches, porque esse é um bairro muito comprido:

Vai da Pedreira Paulo Leminski e Ópera de Arame (perto do Parque São Lourenço) até o Contorno Norte, na divisa com Almirante Tamandaré.

pedreira

Principal portão da Pedreira, logo ao lado.

A região que eu visitei e fotografei é exatamente a da Pedreira e Ópera, na rua que divide o Abranches do Pilarzinho.

E pra fechar entrei no Parque São Lourenço, que já fica no bairro de mesmo nome.

Ali fotografei mais um pouco do Belém, o lago do parque e a o Rio logo após deixá-lo.

……

abranchesVeja o mapa ao lado: o Abranches é uma ‘tripa’ cortando a Z/N da cidade.

Assim, ele é um bairro que tem muitos ‘ecossistemas’ distintos entre si.

– A parte que eu visitei, subindo a Rua João Gava (essa é a que divide o Abranches do Pilarzinho) antigamente era mista, mas agora se aburguesa rapidamente:casas-antigas

Uma boa parte era de classe média-baixa, com muitas casas de madeira pois é Sul do Brasil (dir).

Lado-a-lado já haviam residências de alto padrão (esq.), de gente rica mesmo, com terrenos enormes.

alto-padrao-antiga1Mas haviam (e ainda há) muitos terrenos ainda vagos, abaixo um deles.

Por isso o bairro agora vem tendo muitas construções novas.

De forma que vem surgindo muitos condomínios fechados. bosque

Cujo valor das residências é elevado mas quase não há quintal. Natural, pois em um lote ergueram-se várias unidades.

A esquerda abaixo vemos a entrada de um deles, vizinho ao bosque.

condominioAntes o bosque (acima) era bem maior. Desmataram uma parte dele pra se construir esse empreendimento. É o “progresso”.

Então amigos resumindo nessa parte do Abranches atrás da Pedreira tudo convive:

casa-antiga-madeira

Casa antiga de madeira.

Casas simples antigas, mansões que também estão há um bom tempo ali, e agora surge uma multidão de condomínios de sobrados geminados.

Já retratei esse processo de aburguesamento (sempre através desses sobrados) de áreas que antes eram mais periféricas em diversas partes da cidade:

Boa Vista, Ahú, Bom Retiro e Cachoeira (Zona Norte), Uberaba (Zona Leste), Xaxim (Zona Sul), Campo Comprido (Zona Oeste), pra citar alguns.

alto-padrao-antiga

Ao lado de mansões com enorme quintal.

Até aqui falei apenas de uma parte do Abranches, aquela que fica atrás da Pedreira e Ópera;

Vejamos como são as outras partes do bairro, que eu não visitei nessa ocasião:

Atrás do Parque São Lourenço há uma região majoritariamente de classe média-alta, com caros sobrados triplex. Essa parte já está totalmente aburguesada;

– O ‘coração’ do Abranches, seu miolo central, é sua parte mais populosa:garag viação sul frota eletrônico artic buso ctba bege z/n caio milênio letreiro menor ex-bh belo horizonte lateral motor atrás traseiro ex-bh belo horizonte favela santa terezinha morro abranches z/n madeira encosta casa sem acabamento pintura tijolo duplex vários

A Vila Diana e imediações, a região que antigamente era o ponto final do ônibus Rocio (atualmente ampliado pra S. Cândida/S. Felicidade).

Ali ainda é majoritariamente um subúrbio proletário, de classe média-baixa, sem pobreza extrema mas sem alta burguesia tampouco;

E no extremo norte, na divisa com Tamandaré, existem algumas favelas bem feias, incluso em encostas. Aí sim é uma porção majoritariamente de periferia, embora também estejam começando a surgir condomínios fechados de classe alta.

ctba z/n divisa abranches cachoeira periferia quebrada eternit madeira casas sem acabamento pintura tijoloA maior e mais famosa das favelas do Abranches é de Santa Teresinha, que fica atrás da garagem da Viação do Sul.

A direita vemos a garagem. Essa é a única imagem de toda matéria puxada da rede (fonte: sítio Ônibus Brasil).

Em primeiro plano uma frota de articulados que veio usada, começaram sua vida útil em Belo Horizonte-MG.

turismo

A Linha Turismo passa pelo Abranches.

E ao fundo (ainda falamos da imagem em que aparecem os ônibus) vemos Santa Terezinha.

Curitiba também tem morro, eu já disse isso. Essa matéria aliás se refere ao bairro da Cachoeira, vizinho do Abranches.

Alias acima vemos exatamente a divisa Abranches x Cachoeira (pouco atrás do Parque da Nascente do Belém):

Eu estou na Cachoeira, e o telhado da casa em primeiro plano (no canto inferior esquerdo da imagem) também; mas aquela vila ao fundo está no Abranches.

terreno-enorme

Casas antigas, enorme lote no Abranches.

Porém num ponto muito longe do Parque São Lourenço, essa foto específica foi batida em janeiro de 16, as demais em novembro do mesmo ano.

Enfatizo: dessa vez (novembro) eu não passei nem perto da Cachoeira, e sim do Pilarzinho e São Lourenço.

E é esse roteiro que vamos continuar descrevendo a partir de agora. abranches1

A Rua João Gava, como já dito, divide o Pilarzinho do Abranches (veja abaixo as placas, a moderna em azul que traz o bairro, e as antigas verdes, dos anos 70).

placa-novaÉ nela que ficam a Pedreira e a Ópera. Porém ambas estão localizadas na margem do Abranches.

E não na do Pilarzinho (bairro que eu também já produzi uma matéria) como muitos pensam erroneamente.

Veja o mapa a direita, que está em maior escala que o que abre a matéria:placa-velha

Em vermelho o Abranches. Em seu território estão esses 2 pontos turísticos de Curitiba acima mencionados.

Alguns até falam “na Pedreira do Pilarzinho”. Está errado, é na “Pedreira do Abranches” (assim como o antigo “Presídio do Ahú” fica na verdade no Cabral).

pilarzinho-datadaDescendo a João Gava (sentido bairro-Centro) temos a direita o Pilarzinho,  e do outro lado da rua  Pedreira e depois a Ópera.

Essa foto ao lado foi feita no Pilarzinho, quase em frente a Pedreira. Note os sobrados de padrão melhor.

Repare também que a imagem está datada: estive lá no dia 5 de novembro de 2016.

Em 17 de novembro (dia que a matéria subiu pro ar), o grupo de roque ianque Guns n’Roses tocou em Curitiba, exatamente nessa Pedreira, 12 dias depois portanto.12-dias-acampados

Fotografei a capa desse sítio de notícias, podem conferir a fonte se quiserem.

12-dias-antesO que nos importa aqui é: 12 dias antes do espetáculo, os roqueiros já estavam acampados nos portões da Pedreira, esperando por sua abertura.

Ao lado ampliado, e abaixo em tomada mais panorâmica, comprovando que as barracas já estão no local da apresentação, quase duas semanas antes.12-dias-antes1

Isso que é dedicação, concordam?

………..

Agora a Ópera de Arame.

antiga-pedreira-operaVemos ao lado a montanha de pedra parcialmente dinamitada.

Pois como o nome indica o local é uma antiga pedreira de extração mineral. A Pedreira é na divisa com o Pilarzinho.

Outros 2 parques do Pilarzinho, próximos dali, também foram feitos em antigas pedreiras:

rua-da-pedreira-pilarzinho

Próximas 4: o lado do Pilarzinho da Rua João Gava, a rua da Pedreira: casas mais humildes ao lado de sobrados caros.

O Parque Tanguá e a Uni-Livre. E portanto também têm esses paredões que acabam em lagoas.

……..

O lago já está do lado da Ópera de Arame. 

Volte ao topo da página, e reveja a primeira imagem da matéria, exatamente a Ópera.

Eu disse lá que construíram a “faixa do salto-alto” a direita. É o seguinte:

Pra chegar a Ópera de Arame é preciso passar por sobre a água.

rua-da-pedreira-pilarzinho1Pra isso fizeram uma passarela, que é de arame como o teatro em si.

Portanto a passarela é vazada. Deve ter sido projetada por um Homem, alguém do sexo masculino. rua-da-pedreira-pilarzinho2

Digo isso pelo seguinte: pela passarela ser vazada, não dava pra passar de salto-alto sobre ela.

De forma que gerava uma cena hilária:

As madames, toda chiques em seus vestidos sociais, precisavam tirar os sapatos pra poder chegar ao teatro, cruzando a passarela descalças.

alto-padrao-nova-pilarzinhoLiteralmente, tinham que descer do salto….rs. Pra corrigir isso, chapearam a faixa da direita.

Agora sim, as elegantes curitibanas podem ir Ópera de traje de gala, sem passar o vexame de chegarem de pés no chão, desnudos.

abranchesÉ a “salto-faixa”. Ainda bem que antes tarde que nunca alguém considerou as necessidades do sexo feminino, não?

……..

Mais algumas cenas do Abranches:

rua-de-terraA direita os sobrados de alto padrão que ali pipocam.

Ao lado observamos que ainda há umas pouquíssimas ruas de terra, o que já é raríssimo em todo o município de Curitiba.

3 da Rua João Gava, o bosque fica no Pilarzinho e nas outras 2 a face do Abranches:

bosque1rua-da-pedreira-abranchesparque-sao-lourenco

parque-sao-lourenco1Sim, você viu certo: a chaminé ao fundo já está no Parque São Lourenço.

Daqui pra frente todas as fotos são nele, ou em seu entorno.

Ao lado a mesma chaminé vista de dentro do parque.

Dá uma calma muito grande o verde do lugar. lago

Eu me sentei pra descansar um pouco sob uma frondosa árvore as margens do lago, e ali terminei um livro.

O Parque São Lourenço foi construído onde era antes uma indústria química, uma fábrica de cola se não me engano.

pq-s-lourencoAtualmente no local há esse teatro retratado a esquerda.

O lago é formado pelo represamento do Rio Belém.

Na tomada a direita vemos exatamente o tótem e a barragem.

A partir dali o curso d’água volta a correr livre em direção ao Centro da cidade. totem1

Saindo seguindo rio abaixo passamos o portão e chegamos a rua.

Onde há o outro tótem, dessa vez o do Parque mesmo (abaixo).

E na última imagem vemos o Belém logo após deixar o São Lourenço, rumando ao Centro e dali as Zonas Sul e Leste.

………..

totemPra fecharmos a reportagem com chave de ouro: a Grande Assunção também tem seu Parque São Lourenço, sabia?

No subúrbio metropolitano de mesmo nome, na Zona Leste da capital paraguaia.rio-belem

Também tem um lago, é igualmente um local muito lindo, que a Grande Vida já me deu oportunidade de visitar e fotografar.

Que Deus Pai e Mãe Ilumine a todos os seus Filhos e Filhas.    

Ele-Ela proverá   

Rodovia do Xisto: Lapa e São Mateus do Sul, PR

ponte rio iguacu-smsPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 15 de agosto de 2016

Como o título já indicou, estive nas cidades de Lapa e São Mateus do Sul. cohab-lapa e passeio fusca

Pra isso, fui pela BR-476. Que nesse trecho se chama “Rodovia do Xisto”.

Abrimos com duas tomadas dessa estrada, uma em cada cidade:

portal sao mateus do sul

Portal de São Mateus.

A esquerda acima BR-476: ponte sobre o Rio Iguaçu na entrada de São Mateus do Sul.

E a direita chegando na Lapa. Uma enorme cohab recém-inaugurada na periferia da cidade.

Detalhe: naquele dia estava tendo um passeio de Fuscas.

Por isso vemos 2 deles, intercalados por um carro novo de padrão elevado.

panteao dos herois-lapa

Panteão do Heróis da Lapa. O canhão acima da manchete fica ali.

……….

As duas cidades guardam muita coisa em comum. São próximas, e sua população também é similar:

44 mil pessoas moram na Lapa, e 41 mil em São Mateus.

Oficialmente a Lapa faz parte da Região Metropolitana de Curitiba.

Trata-se de falsificação grotesca da realidade.

avenida principal-sms

Próximas 2: av. principal de S. Mateus do Sul.

A Lapa não tem qualquer característica que a torne subúrbio da metrópole conurbada da capital do estado e municípios vizinhos.

Como eu já expliquei com bem mais detalhes antes.

Embora encantadora, a Lapa não faz parte da Grande Curitiba na prática.

E sim do interior do Paraná.avenida principal1-sms

Entrou oficialmente por interesses políticos.

Que nem sempre guardam relação com a realidade, e aqui foi o caso.

Rio Negro, na divisa com Santa Catarina, passa pela mesma situação.

avenida principal-lapaE aqui vai a prova.

As próximas duas fotos, ao lado e logo abaixo, são a mesma em duas escalas.

Trata-se da avenida principal da Lapa.

Clique sobre pra ampliar a tomada direita:buso e flores-lapa

O busão que faz a linha Araucária/Lapa.

Da Expresso Maringá, empresa do grupo Constantino (Gol), que comprou a Viação Lapeana.

Pro que nos interessa aqui, é pintura livre.

casario antigo2-lapa

Próximas 3: casario antigo, Centro da Lapa.

Se a Lapa fosse mesmo região metropolitana, esse buso teria que ter pintura padronizada unicolor, em bege ou amarelo.

Pois assim são os ônibus metropolitanos. Esse não é metropolitano, embora diga isso na lataria.

Ele tem pintura livre exatamente porque é o que em São Paulo se chama ‘suburbano‘: mesmo com 2 (ou 3) portas e catraca, liga por rodovias cidades do interior próximas, mas que não são conurbadas.casario antigo-lapa

Eu tirei fotos melhores do busão (e das flores). Mas a bateria de minha câmera está ruim, não saiu. Por outro lado, nessa outra matéria há fotos do Araucária/Lapa em boa qualidade, puxadas da rede.

…………

Por muito tempo a Lapa teve baixo crescimento vegetativo. Pois não oferece uma gama muito ampla de empregos bem remunerados.

casario antigo1-lapaAssim os jovens emigram, vão morar em metrópoles maiores, que ofertam mais opções. Por isso a princípio foi uma surpresa constatar que o governo fez a essa cohab na Lapa (ao direita abaixo em escala maior).

Atualização: isso foi verdade por décadas. Mas quem sabe tenha começado a se alterar. No censo de 1991 a Lapa tinha 40 mil moradores. Na projeção de 2007 do IBGE, 41 mil.cohab-lapa

Portanto crescimento quase zero em mais de uma década e meia. No entanto, no censo de 10 foi pra 44, e na projeção pra 2015 47 mil pessoas.

Ao captar isso pelo sítio do IBGE já atualizei a matéria, poucos minutos depois dela ir pro ar.

herois da lapaDe posse desses novos dados, entendi o surgimento desse cohab: indica a mudança, a Lapa ganhou mais um bairro populoso porque sua população voltou a crescer.

……….

Se hoje a Lapa é uma pequena e pacata cidade do interior, saiba quem ainda não sabe:

Ela teve vital importância na implantação da República Brasileira. canhao - lapa

Trata-se do famoso ‘Cerco da Lapa’. A direita, repetindo, canhões (que eu já fotografei também na Rep. Dominicana) que adornam a parte externa.

Amplie a foto a esquerda pra ler a placa que há no ‘Panteão dos Heróis’: “A Revolução Federalista eclodiu no Sul do Brasil em 1893, nos primórdios da recém proclamada República.

Os revoltosos dirigiam-se para o norte, porém foram detidos na Lapa, em 1894.”

casa antiga madeira-sms

Aqui e a direita: sobrados de madeira muito antigos em São Mateus do Sul.

Já volta o texto. Antes, uma nota minha, O Mensageiro: o Paraná também é Sul do Brasil, evidentemente.

Por isso o autor quis dizer que a revolta começou no Rio Grande do Sul.

E por “dirigiam-se para o norte” significa que eles marchavam pra tomar a capital do país.

Então no Rio de Janeiro como todos sabem.

Pra isso teriam que passar pela Lapa. Não passaram.casarao madeira-sms

Os rebeldes acharam que seria facílimo, que a Lapa seria apenas mais uma escala numa longa viagem.

E que a luta mesmo seria na capital federal, as margens da Baía de Guanabara.

sobrado misto-sms

Também S. Mateus. Esse é misto, fachada de alvenaria, lateral de madeira.

Mas não foi. Volto a descrever o que está grafado na placa:

“O contingente de 639 Homens (…) resistiu bravamente ao cerco realizado por mais de 3 mil federalistas durante 26 dias.

(…) Não foram além do Paraná. A Lapa sepultou seus bravos heróis.

Mas a Lapa também cavou o túmulo da Revolução Federalista.

chimarrodromo-sms

São Mateus gosta de chimarrão. Aqui o ‘Chimarródromo’, bem no Centro. E a esquerda uma cuia gigante na periferia.

A Lapa deu a vitória a República.”

Ao fim, a Lapa caiu nas mãos dos revoltosos, afinal eles eram em número 5 vezes maior.

Mas os 26 dias que a Lapa resistiu foram vitais pra definir quem venceria a  guerra:

Foi o tempo que permitiu ao Comando-Geral do Exército reorganizar e rearmar suas fileiras, pra fazer frente a ameaça.

Com o quase mês que os rebeldes demoraram pra passar pela Lapa, a custosa vitória federalista nessa cidade foi a sua última. A República triunfou.

cuia gigante-sms………..

São Mateus é nas margens do Rio Iguaçu.

O maior e mais importante rio do Paraná, que não por outro motivo nomeia o palácio sede do governo do estado.

As suas margens, ainda dentro do perímetro urbano de Curitiba, está aquele que um dia foi o maior parque nacional urbano do Brasil. rio iguacu-sms

E que contém dentro dele diversos outros parques. Num deles está o Zoológico, em outro a foz do Belém, o maior rio da capital do estado.

De volta a São Mateus:

Bem no Centro está o Porto, no Iguaçu. A direita ponte sobre ele.

porto-smsVimos na primeira foto da matéria, no topo da página, foto feita sobre ela. Agora sob.

No passado, o transporte fluvial era muito mais comum.parque na barranca-sms

Aportavam ali embarcações de todos os tamanhos.

Inclusive uma barcaça que antes desbravou o Mississipi, EUA. Preservada no local.

parque na barranca1-smsAo lado do porto há um parque lindeiro, uma das maiores opções de lazer da cidade.

………..

Da ponte acima até essa a direita abaixo, essas 5 tomadas são dali.grafite no parque-sms

Podemos ver a galera pescando, passeando, namorando.

Mesmo num domingo frio de inverno Sul-Brasileiro.

E ao lado um grafite ‘relembrando o passado’, retratando barcos que ancoraram ali nos ‘bons tempos’.

centro-sms

Centro de S. Mateus.

(Nota: em Valparaíso-Chile eu cliquei cenas similares, grafites homenageando meios de transporte antigos.

Mas nesse caso terrestres, ou quase ‘aéreos’, pois um é um teleférico)

………..pouca violencia1-sms

Mais uma vez, voltemos ao Paraná que é nosso tema de hoje.

pouca violencia-smsConstatei que São Mateus do Sul é uma cidade pouco violenta, felizmente.

As 2 imagens, acima e ao lado, provam:

Casas de alto padrão não se dão sequer ao trabalho de fecharem seus portões. rodovia-sms

…………

Comentemos um pouco as fotos.

Vocês sabem, nem sempre o texto corresponde a imagem que está mais próxima, busque pelas legendas.

campus uepg-smsVemos no decorrer da página:

Caminhão Scania (direita): clicado perto do Porto e da Praça da Matriz, no Contorno da BR-476;

Falando na Praça da Matriz. Ali estão o campus da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) e a Catedral. detalhe uepg - sms

Primeiro falemos do prédio que abriga a UEPG, visto em 3 tomadas, acima e nas laterais.

fachada-uepgAcredito que tenha sido um seminário antes ou algo assim, pela santa que há na fachada.

A mesma construção sedia também a secretaria municipal de educação, como notamos.

Bem em frente, o principal templo católico da cidade.

Visto em 2 tomadas, nítido e com as flores que há em frente.

Mais a frente veremos mais flores de São Mateus. igreja

Ao lado do campus está o ‘Chimarródromo’, já vimos a imagem bem mais pro alto da página.

Na mesma praça está uma lojinha de artesanato que imita as casas construídas pelos poloneses.

igreja-flores-sms……….

– Em São Mateus do Sul existem as lanchonetes dentro de reboques automobilísticos (‘trailers’).

Veja a direita, não muito longe dessa praça. Como em qualquer cidade do interior:

Já fotografei a mesma cena em Guarapuava, também no Sul do estado. lanchonete-sms

……….

– Agora um pouco da periferia.

Estando no Sul do Brasil, em S. Mateus não poderiam faltar muitas casas de madeira.

madeira1-smsmadeira-smsmadeira horizontal-sms

artesanato-sms

Loja de artesanato.

Na última foto da sequência acima vemos uma casa em que em algumas paredes as toras estão na vertical, que é o dominante no Brasil e Chile.

E em outras na horizontal, que é o mais comum no Caribe. E aqui no Brasil somente no Amapá.

Nos outros estados, do Sul, Norte e mais Mato Grosso, Espírito Santo e São Paulo, a maioria das casas de madeira é na vertical, enfatizando.

portal contenda

Portal de Contenda. Não entramos na cidade, fotografei da estrada.

Apesar que eu já fotografei na horizontal no interior e Litoral do Paraná, Litoral de São Paulo e Chile.

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Se você seguir pela BR-476, chegará a outra ‘Cidade-Gêmea PR/SC’: ‘Porto União da Vitória‘.

Ou seja União da Vitória-PR/Porto União-SC.

Lá, embora ainda não sejam maioria, é a cidade brasileira em que mais há casas de madeira na horizontal.periferia beira-rio1-sms

Isso entre as que eu já visitei, ainda não tive a oportunidade de pisar no Amapá.

Não fotografei as casas de madeira de ‘Porto União da Vitória’. Mas fiz um desenho. periferia beira-rio-sms

– Ao lado e logo acima: bairro na periferia de São Mateus.

Exatamente as margens do Rio Iguaçu, essa rua de terra passa no vão da ponte visto acima.

Mais residências em madeira, como notam.fazendas ao fundo-sms

– A esquerda, ainda na periferia de São Mateus, outra cena típica do interior:

Você está bem dentro da cidade, mas se subir num ponto mais alto avistas as fazendas que cercam a área urbana.placa-sms

E a direita voltamos ao Centro. Uma placa de rua. Com um Passat na ativa!!

Na sequência horizontal abaixo, igualmente placas de rua no Centro, porém na Lapa. Elas trazem o nome antigo da via, como acontece em Santa Catarina.

placa1-lapaplaca2-lapaplaca-lapa

tapete de flores-smsAS FLORES DE SÃO MATEUS

Com esse tapete florido ao lado abrimos a seção que mostra as flores que adornam São Mateus do Sul. Clicadas na Praça e Avenida principais da cidade.

Clique sobre as tomadas pra ampliá-las, o mesmo vale pra todas, sempre.

tapete de flores1-smscanteiro-smscanteiro-sms1flores-smscanteiro2-smscanteiro3-sms

construcao antiga-smsMais cenas de São Mateus do Sul:

Próximas 2: construções antigas. Note que na esquina as duas ruas são de paralelepípedo, porém de tipos diferentes:casarao-sms

Ao lado o retangular clássico (no passado muito comum em toda parte, agora diminui mas ainda existe, incluso aqui em Curitiba);

E acima o hexagonal, dominante no Litoral do Paraná e S. Catarina, mas que aqui em Ctba. desconhecemos. 11-13 sms

Na foto ao lado: um caminhão guerreiro 11-13 azul descansa num bairro de periferia de São Mateus.

Veja outras postagens específicas mostrando centenas de caminhões antigos Scania e Mercedes, pelo mundo todo.

panteao dos herois1-lapa

Panteão dos Heróis da Lapa.

Falando em veículos clássicos – e redondos – mais pra cima vimos uma procissão de Fuscas.

Pra quem gosta dessas baratinhas, eu já fiz várias matérias sobre eles:

Um ensaio mostrando vários Táxis-Fuscas em Curitiba, especialmente na Rodoviária, em 1980.

igreja velha-lapa

Centro da Lapa. Antiga igreja matriz.

Na mesma matéria vemos fotos também do Rio de Janeiro e Cidade do México;

– Fotos de Acapulco, Litoral Mexicano, onde até hoje os Táxi-Fuscas são maioria; E os desenhos: dessa mesma cidade; e por fim Marília dirigindo um Fusca-Táxi no Rio .

Que Deus Ilumine a toda Humanidade.

“Deus proverá”

Periferia de Belém: a Terra é Firme, mas não muito

Roxo Zona Sul

Ônibus roxo: vai pra Zona Sul (e parte da Zona Central). Esse justamente pra Terra Firme. Por ser municipal de Belém, há o brasão da cidade, os metropolitanos têm a mesma pintura mas com outros símbolos no lugar do brasão.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Dois emeios, publicados em 21 e 26 de junho de 2013

Maioria das fotos feitas pessoalmente por mim. As que foram baixadas da internet eu identifico com um (r) de ‘rede’. Foram mantidos os créditos, sempre que eles estavam impressos nas imagens.

…..

Sigamos a falar da capital do Pará. Acima da manchete já vemos um aperitivo do que é a Terra Firme.

Começamos pelo emeio que seguiu em 26/06/13:

Azul - serve a Zona Leste

Azul: vai pra Zona Leste. No caso a Cid. Nova, Ananindeua, Z/L metropolitana, e por isso tem um desenho onde nos municipais há o brasão de Belém. A pintura é padronizada e a mesma pro municipal e metropolitano, repito.

Terra Firme é um bairro de Belém, na periferia da Zona Sul.

Fui a pé do Centro até lá, margeando toda a Costa do Rio Guamá, a região dos “Portos”.

Ao lado da Cidade Nova (Ananindeua, Zona Leste metropolitana) são dois dos mais emblemáticos bairros da periferia de Belém.

Ambos eu já conhecia por nome antes de ir lá.

Belem

No Norte do Brasil usa-se tanto a madeira quanto no Sul. Em Belém é comum palafitas nos arroios. Essa é perto da divisa com Ananindeua

A Cidade Nova é um conjunto planejado construído no fim do regime militar.

Pra tentar ordenar a  periferia belenense.

Então, a Terra Firme e imediações são bairros não-planejados.

Resultado de enormes invasões que surgiram a beira dos muitos igarapés que desaguam no Guamá.

Veja: casas construídas em estacas sobre um lodo, sem coleta de lixo e esgoto.

Cidade Nova (3)

Cidade Nova, Ananindeua. Como verão em várias fotos, a falta de saneamento é questão séria na Grande Belém.

Não é difícil imaginar o que acontece quando chove forte.

E em Belém chove forte todos os dias, de janeiro a janeiro sem falhar nenhum.

É incrível a quantia de pessoas que moram em palafitas na Grande Belém.

São dezenas de milhares (quem sabe centenas), é a moradia típica das favelas do Norte.

Vê também que a madeira é o material mais utilizado. No Norte do Brasil, há tantas casas de madeira quanto no outro extremo, no Sul.

Vendo essas imagens entende o título da mensagem: nas quebradas de Belém a beira dos rios, a Terra só é “Firme” no nome, e talvez em sonhos.

comercio atendendo gradeado……………

Belém é uma metrópole com taxa de criminalidade elevada.

Já estive em um bocado de cidades, em todas as partes do Brasil e da América.

E Belém está entre as que têm a maior proporção de comércios atendendo gradeados, a esquerda vemos mais um exemplo.

letreiro eletronico novo

Na Pres. Vargas, um buso verde, que vai pro começo da Zona Norte. Esse já com letreiro eletrônico portanto pode mudar a linha.

Na mesma proporção da Colômbia, a seguir o México e a seguir Santiago do Chile.

Entendam os amigos do Norte que eu não falo isso por racismo ou por achar que o Sul é melhor.

Exatamente ao contrário, a cidade que eu vivo, Curitiba, é igualmente extremamente violenta.

Especialmente no quesito de assassinatos, que é a forma mais extrema de violência contra alguém.

Curitiba tem também elevada quantia de roubos.

Laranja Zona Norte 2 anel

Laranja é uma faixa intermediária da Zona Norte, Pratinha e entorno. A linha vai pra lá, mas a foto é na Região Central, daí os espigões de classe média pipocando.

Agora, ainda assim com raríssimas exceções as vendinhas e mercearias do subúrbio curitibano não atendem atrás de grades.

Já em Belém é relativamente comum.

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NO TOPO DO MUNDO, MAIS COMPLEXO NINGUÉM FAZ: É A PICHAÇÃO EM BELÉM – 

Há um ramo da atividade humana que Belém atingiu o maior nível de complexidade de todo o planeta Terra: pichacao (5)

É a pichação de muros. Nas laterais vamos vendo exemplos.

Esse é um assunto que entendo a fundo, até porque fui pichador, e além disso estudo desde sempre.

pichacao (7)Portanto tenho conhecimento tanto empírico quanto teórico.

E lhes afirmo isso, em nenhum lugar do globo as letras do ‘alfabeto pichador’ atingiram tal desenvolvimento quanto lá.

o cara ta flutuando

Em duas escalas, a ‘re-decoração‘ do teto da sede do Liberal, no Centro.

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Pra começar, Belém tem letra própria de pichação.

Em nosso país, só São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, além de Belém, criaram seu próprio estilo.

As demais cidades copiaram.

Veja: a pichação em Curitiba, Porto Alegre e todo o interior e litoral do estado de SP é pichacao (3)cópia exata da capital paulista.

Goiânia xeroca Brasília, que é ali perto. Belo Horizonte imita tanto o Rio quanto São Paulo.

Em Fortaleza se picha como no Rio de Janeiro. No Recife já volta a ser similar ao que ocorre em SP.

Amarelo - Zona Norte 3 anel

Fechando o esquema de cores, os ônibus amarelos vão pra parte mais periférica da Zona Norte, Icoaraci e a Ilha do Outeiro. Repare no itinerário adesivado no vidro. Essa também pode mudar a linha porque o letreiro já é eletrônico.

Já em Manaus você todos os estilos, do Rio, São Paulo e Brasília, mas nada inventado localmente.

Belém, dizendo de novo, não apenas inventou seu próprio estilo, como ele é o mais complexo do Brasil e do mundo:

Guarda alguma semelhança com São Paulo, de onde se originou.

Mas a seguir foi desdobrado ao infinito em termos de elaboração.

O aluno superou o mestre, em muito.

Jiboia Branca Ananindeua ZL

Esses micros com pintura diferente são os municipais de Ananindeua, Zona Leste.

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Veja as imagens:

Em Belém o tempo todo se insere na pichação desenhos e símbolos.

Rostos, asteriscos, animais, o emblema do ‘Batman’, passa o boi passa a boiada:

 O que você imaginar eles já tornaram realidade nos muros do Pará.

Terra Firme, Z/S (r) – como explicado, as imagens com esse ‘(r)’ são baixadas da rede.

São Paulo criou isso, mas em Belém essa manifestação atingiu seu zênite.

Belém, número 1 do planeta na pichação de muros. É a realidade.

É claro, em Belém também se picha tudo que é possível, do teto ao chão.