Dormindo com o Inimigo

parabéns, nacional medelím: bi-campeão da américa (1989-2016)

opostos que se atraem

Opostos que se Atraem.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 19 de março de 2016

Um casal colombiano de pombinhos Marília & Maurílio.

Moradores da Favela 13, no bairro São Xavier, Zona Oeste de Medelím. Já falamos mais disso. Por hora toquemos no ponto mais importante:

Eles se Amam muito. Corações e Almas Unidos, que Pulsam juntos tornando-se Um, Imagem e Semelhança de Deus Pai-Mãe.

Mas no futebol estão em lados opostos: Maurílio é  torcedor do Clube Atlético Nacional. 

nacional campeao da america

O ‘Maurílio’ colombiano explode de felicidade. Seu Nacional torna a América Verde, pela segunda vez: 1989, 2016. É o terceiro título da Colômbia, igualando o Paraguai.

Já Marília prefere o arqui-rival, o Desportivo Independente Medelím, conhecido simplesmente por ‘Medelím’. 

O dia que a cidade para pra ver vermelhos e verdes se enfrentarem (dir.) é um dos poucos momentos que o casal se separa.

 Cada um segue pra seu lado da arquibancada:

Maurílio vai pro curva Sul do Atanásio Girardot.

Já Marília toma o rumo da Norte, inclusive ela é do Comando Feminino da torcida organizada Rexixtência Norte (‘Resistência’, mas eles preferem substituir o ‘S’ pelo ‘X’).

clássico paísa montanhês montanha serra futebol colômbia esporte times clubes rivalidade desportivo independente medelím atlético nacional azul vermelho verde branco atanásio girardot partida jogo

Nacional x Independente Medelím: ‘Clássico da Montanha‘ colombiano, ou ‘Clássico Paísa‘, se preferir.

……

Eles têm personalidades opostas não apenas na escolha de seus clubes do coração: 

Maurílio é calmo e bonachão, e gosta do Nacional mas não integra a ‘barra-brava’, a torcida organizada ‘Os do Sul’ do Nacional.

Ademais, ele é completamente desligado de sua aparência física e não por outro motivo está acima do peso, pois prefere os prazeres da mesa aos do espelho.

Inversamente, Marília é impetuosa e elétrica. Assim, como dito, ela é linha de frente da ‘barra-brava’ Rexixtência Norte. ‘Norte’ e ‘Sul’ se refere as curvas atrás de cada gol que as facções ocupam na arquibancada, e não as Zonas Norte e Sul da cidade.

olhares que se cruzam

Postobon’ é um refrigerante muito popular na Colômbia. Quando faço camisas de futebol eu excluo os patrocínios, mas nesse caso por ser algo típico do gosto colombiano mantive excepcionalmente.

E ela é extremamente vaidosa e ciosa de sua apresentação corporal, e sente-se bem ao ser admirada por sua feminilidade, Arte que sabe manipular com maestria.

Bastante periguete, de novo tatuada, com roupas hiper-justas. É uma garota, não?

…………

Em Medelím, como em Buenos Aires, as favelas são numeradas. 

Digo, na capital argentina as favelas são numeradas mesmo. As Vilas ’21’ (na divisa com Avellaneda) e ’31’ (em pleno Centrão) são duas das maiores e mais famosas. Visitei ambas, e fotografei, em alguns casos correndo graves riscos.

Já em Medelím são os bairros que são numerados, e a palavra do espanhol colombiano pra bairro é ‘Comuna‘. Só que a classe média não usa nem esse termo e muito menos a numeração. Assim as quebradas nos morros é que herdaram a parafernália.

favela da comuna 13 - medelimO bairro São Xavier (onde se encontram as linhas ‘B’ e ‘J’ do metrô, de trem normal e metrô-cabo respectivamente), na Zona Oeste, é a ‘Comuna 13’.

Mas no asfalto essa denominação é inútil, por inócua. Assim quando se fala na ‘Favela que fica na Comuna 13’, é o mesmo que dizer ‘Comuna 13’, e já se sabe que é a favela.

………..

Pra fechar. Essa moça existe de verdade. Em abril de 2011, a Grande Vida me deu a oportunidade de presenciar ‘in loco’ o ‘Clássico da Montanha’ Nacional x Medelím.

favela da comuna 13 - medelim1

Favela da Comuna 13 – bairro São Xavier, Zona Oeste, Medelím, América. É ‘perigoso’, segundo alguns…

Aguardava eu nos portões do Atanásio o início da partida quando vi chegar uma menina como desenho aqui: pele morena de índia, camiseta regata rasgada por ela mesma.

E, exatamente como na gravura, na roupa estava com letra de pichação o nome da favela que ela morava, que é também o comando da torcida organizada.

Somente a tatuagem de rosa eu adicionei por minha conta, pra dar um tempero ainda mais picante.

……..

Já ‘Maurílio’ obviamente sou eu mesmo, embora minha pele não seja escura assim, fica como licença poética. Já disse muitas vezes que não torço pra nenhum time de futebol, nem no Brasil tampouco no exterior. Apenas gosto de ir a estádios.

Yin-Yan preto branco símbolo arquétipo bola círculo desenhoMas eu tenho uma simpatia pela Nacional da Colômbia, porque eu Amo demais a cidade de Medelím.

Maurílio pode usar camisa azul no México, Equador e Itália, pode comprar um boné preto e branco no Paraguai e no Chile pode até mesmo se tatuar com um escudo também alvi-negro.

Porém na Colômbia, é verde-e-branco, sempre e pra todo sempre. 

Pra compensar, fiz minha ‘alma gêmea’ Marília de azul e vermelho, pra me refletir inversamente, e tudo ficar completo, como no Yin-Yan. Yin-Yan velas azul rosa

Opostos que se atraem, pra se complementarem mutuamente: Homem e Mulher, Verde e Vermelho, Calmaria e Tempestade.

Eis o Tao Indizível, e não há outro. Se preferir no léxico do Ocidente, eis a Lei de Deus Pai e Mãe de todos nós.

………

Marília adora futebol, e ela joga também, além de torcer.

Já que tocamos no terreno do futebol, além das ligações que já foram ativadas acima nessa postagem eu desenhei Marília em duas situações diferentes:

Com a camisa de dois arqui-rivais do Rio, o Flamengo e o Fluminense – e também com uma amiga na arquibancada junto com a Camisa 12 do Internacional.

Que Ele/Ela Ilumine a todos seus Filhos e Filhas.

“Deus proverá”

Baixada Multi-Modal: bonde moderníssimo (VLT), bonde antigo, ônibus elétricos e a dísel, micros brancos e vans que sobem os morros.

vlt na estacaobonde no pontofazendo a bola da independenciapintura antigamicro-sv1van-santos

metropolitano

Azuis são metropolitanos, que em todo estado de SP têm essa mesma pintura. No caso específico da Baixada, a viação é a Piracicabana (grupo Gol), a mesma que opera os municipais de Santos, em ambos os modais 100% Marcopolo.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 24 de novembro de 2015

A sequência acima (clique sobre as fotos pra ampliá-las) vale por milhares de palavras.

Mostra bem a diversidade de meios de transportes disponíveis a população da Grande Santos-SP, a famosa Baixada Santista.

Tróleibus: Santos e São Paulo são as únicas cidades do Brasil que ainda têm esse modal ativo.

Na capital do estado a rede é bem extensa, são duas redes (uma municipal e outra metropolitana) na verdade que se somam.

guaruja

Municipal do Guarujá, ao inverso, é 100% Caio.

Em Santos, que é nosso tópico de hoje, a rede elétrica já foi infinitamente maior.

Hoje reduzida a apenas uma linha, a 20, que liga as Praças Mauá e Independência. Ou seja o Centro a Praia do Gonzaga via Avenida Ana Costa.

Bonde moderno, ou V.L.T. (veículo leve sobre trilhos): Uma linha ligando Santos a São Vicente está em fase de obras, mas já opera em testes. Andamos nela.

Além de Santos, há VLT’s no Brasil em Maceió-AL e no interior do Ceará.

micro na velha, normal na nova

Santos: atrás na velha pintura, a frente nova.

E está em obras (em alguns casos em ritmo muuuuuuuito lento) em Cuiabá-MT, Brasília-DF e Rio de Janeiro.

Em Maceió era um trecho de trem de subúrbio, que foi substituído por essas composições mais modernas.

Diz-se que há planos de fazer a mesma troca em Recife-PE.

Na Colômbia não há esse marasmo. O primeiro VLT do país já está rodando em Medelím.

seletivo

Seletivo em Santos.

Em nossa Pátria Amada, bonde moderno pioneiro dos pioneiros foi em Campinas-SP, inaugurado em 1990. Porém durou apenas 5 anos e foi desativado.

Bonde antigo: (até onde eu sei) Santos e o Rio de Janeiro são as únicas partes do Brasil que ainda utilizam esse modal.

No Rio, o famoso bondinho de Santa Teresa opera ininterruptamente desde o século 19.

Já Santos desativou toda sua rede na segunda metade do século 20 e ficou décadas sem bondes. Essa atual linha foi re-inaugurada em 2002.

pintura antiga e bonde do gonzaga

Pintura antiga, sendo substituída, do municipal de Santos. Ao fundo o ‘Bonde do Gonzaga’ (esse não sai do lugar) e um belo Pôr-do-Sol na Praia.

Ônibus a dísel em tamanho normal:

Intermunicipais, e também os municipais de Santos, Guarujá, Cubatão e Praia Grande. Em São Vicente não. Já digo o porquê.

Micro-ônibus brancos: os municipais de São Vicente.

Como dito acima, S.V. um dia teve ônibus municipais em tamanho normal. Porém não mais.

transicao 2 pinturas

Transição: o de trás está na nova pintura.

Posto que o município é umbilicalmente ligado a Santos, compartilham a mesma ilha, em verdade a cidade é uma e a mesma.

Sendo então Santos o núcleo, o polo de empregos, e S.V. um subúrbio deste.

Assim, o grosso da população vicentina se desloca diariamente a Santos pra trabalhar.

Os ônibus metropolitanos são de tamanho normal pra atender esse público, e breve vem o VLT em operação comercial.

cartao 4 viagens

Cartão-transporte. Mas é possível pagar o ônibus em dinheiro vivo.

A demanda por ônibus interna de São Vicente, dos bairros pro Centro do município, é dessa forma naturalmente menor. Portanto os micros e vans dão conta do recado.

Vans que sobem o morro: no Centro de Santos há esse modal, linhas curtas pros muitos morros das imediações.

As vans não circulam em outras partes da cidade. Não passam pela orla, por exemplos. São trajetos locais destinados a esse público específico.

…………

embarque vlt

Galera embarcando no VLT, São Vicente.

Dado esse panorama geral, falemos um pouco mais de cada um dos modais.

Os ônibus (elétricos e dísel) não têm cobrador, a preferência é que as pessoas usem cartão e girem a catraca eletronicamente.

Mas você pode pagar em dinheiro vivo pro motorista na hora.

Em várias cidades de Santa Catarina funciona assim também.

interior bonde moderno - vlt

Interior do trem.

Já aqui em Curitiba, estupidamente, os micros só aceitam cartão, e são poucos os lugares que você pode recarregar.

No domingo, no subúrbio, certamente você não achará um ponto de recarga. Resultando que não poderá andar de ônibus, se perto de tua casa só passar micro.

Terá que ir a pé, mesmo tendo dinheiro pra pagar, mesmo vendo o ônibus na tua cara, mesmo tendo o cartão em mãos, se esse estiver sem crédito.

Longe vão os dias que Curitiba inovava e era modelo nacional e mesmo mundial do transporte coletivo. Saudades . . .

placa horario itinerario

Placa com horário e itinerário nos pontos.

Ultimamente as mudanças ou são apenas cosméticas (o Hibribus, ou então o Azulão, chamado  ‘maior ônibus do mundo‘) – ou seja não agregam nada ao usuário.

Ou pior são mesmo daninhas trazendo prejuízo a quem pega busão, como exemplo a eliminação da possibilidade de se pagar em dinheiro ao motorista.

……..

De volta a Santos, cidade que ainda se esforça pra melhorar o transporte coletivo. O panfleto diz que o bonde antigo é ‘um museu vivo’, e de fato assim é.

O que quero apontar é que, embora não se propagandeie dessa forma, o tróleibus de Santos é igualmente um museu vivo e ambulante.

placa no ponto

No Centrão há essa versão mais simples.

São do modelo Mafersa, fabricados nos anos 80 ou no máximo um pouco depois. Já têm portanto 30 anos de pista ou quase isso.

E foram mantidos com diversas características originais:

O letreiro é de lona e traz a indicação da linha simplesmente como “Circular”. A pintura é a mesma a muito tempo.

No passado os ônibus a dísel em Santos também foram nessa pintura, e também diziam “Circular” no letreiro.

placa indicando espera

Agora segura essa: encoste teu celular que ele informa quantos minutos faltam pro buso passar – em tempo real pois puxa do GPS instalado no veículo.

Pois em Santos, como no Rio, as linhas de ônibus são conhecidas pelo seu número, e não pelo nome.

Portanto um dia toda a frota era igual, tanto a porção dela elétrica quanto a dísel.

Mas nos a dísel já vieram duas novas pinturas. Os tróleibus se aferraram e cristalizaram nessa.

E também os a dísel hoje contam com letreiro eletrônico. Portanto, embora muitos passageiros ainda chamem a linha pela sua numeração, no ônibus vem o itinerário.

placa itinerario tarifa stos

Placa com itinerário e adesivo com a tarifa.

……

Veja as fotos espalhadas pela matéria. A linha 42 vai pro Terminal (do Valongo, o único da cidade) “via Av. Ana Costa, Praias, Af. Pena e Cais do Porto”.

O letreiro fica alternando o roteiro, eu cliquei quando dizia ‘Praias’.

placa itinerario tarifa1

Versão dos metropolitanos – a tarifa é salgada.

Se fosse algumas décadas atrás (anos 80, 90 e começo dos 2000) o letreiro – de lona – diria “42-Circular”.

Essa informação extra viria apenas na plaquinha no para-brisas. Com o advento do letreiro eletrônico foi possível sofisticar.

Mas no trólei optaram por manter a lona, lembrança viva do passado. Porque quiseram, seria barato trocar prum digital.

placa itinerario-sv

Municipais de São Vicente.

E também a frota já teve várias pinturas, tanto elétricos quanto a dísel.

Antes, quando o desenho mudava, todos os ônibus acompanhavam, independente do combustível.

Ou seja, essa tróleibus da mesma forma já teve várias pinturas. Pois, enfatizo de novo, quando a cidade trocava o padrão, tanto elétricos quanto dísel eram repaginados na nova configuração.

Só que agora decidiram que o tróleibus é imune a essa mudança.

placa itinerario guaruja

Municipais do Guarujá.

Os a dísel são repintados, e nesse momento mesmo estamos vivendo uma transição, observam em duas imagens o velho e o novo convivendo.

Tem mais: pra começar a conversa, é curioso ver em 2015 um ônibus no transporte urbano regular ainda com placa começando com ‘C’.

van-stos-itinerario

E essa das vans de Santos.

Já que a maioria da frota já está no ‘E’ e ‘F’. O do Guarujá acima já é um ônibus mais velho,  e é ‘D’.

Veja mais pro alto na matéria que o mais novo do Guarujá também começa com ‘F’.

Placa ‘C’ só mesmo no trólei. Mas um detalhe pra compor.

Em tudo, da placa a pintura a lona ao indicativo de ‘Circular’, os tróleis permanecem iguais. Um museu vivo.

……….

valorizacao sv

Veremos 2 da estação em São Vicente: o VLT ajuda a desenvolver o subúrbio.

É tradição entre as viações fazerem os ônibus elétricos circularem muito tempo. Em São Paulo mesmo também há tróleis de 30 anos.

E em São Paulo, Santos, Recife e Araraquara-SP nos anos 90 e mesmo pouco depois da virada do milênio haviam dezenas de tróleibus fabricados ainda nos anos 50.

Que portanto já tinham mais de 50 anos de pista (ou quase isso) mas continuavam na ativa.

No Chile até hoje operam bichões com 70 anos. Mesmo nos EUA os tróleis ficam décadas e décadas na ativa.bonde moderno

Confira as matérias completas, com muitas fotos.

Então busões elétricos longevos não é exceção, mas o padrão. Santos também faz parte dessa larga tradição da busologia mundial.

Digo, Curitiba e também Florianópolis nunca tiveram tróleis. Aí foram os heróis a dísel mesmo quem ficaram 3 décadas na pista. Em Mandaguari-PR já são 4 décadas. E contando!!!

………….

estacao - santos

E essa é em Santos.

No fim do século 20 a Baixada teve trem de subúrbio entre Santos e São Vicente.

Mas foi desativado, se não me engano em 1999.

Desde então as linhas estavam abandonadas, tomadas pelo mato e pelo lixo.

Aproveitando-se exatamente esse leito estão sendo feitas as linhas e estações do bonde moderno.

trilho ecologico

Trilhos do trem ecológicos, não cimentaram o gramado.

Em novembro de 2015, quando estive lá, já está pronto o trecho entre o Canal 1, em Santos, a Barreiros em São Vicente.

Opera em regime de testes: período reduzido e sem cobrança de tarifa.

Em janeiro de 2016, quando o trajeto terá sido estendido pro Canal 2, começa a operação comercial, paga e em horário integral.

No futuro a linha vai chegar até o Centro/Porto de Santos, e já se projeta futuras ampliações:

vlt - bonde moderno

Em fase final de obras no Canal 1.

De um lado pra parte continental de S.V. e também Praia Grande, e de outro pro Guarujá – nesse caso é preciso que seja feito um túnel sob o canal do mar, pois ali é o porto.

Bem, há planos de se construir mesmo esse túnel, que será bi-modal, não apenas pros trens mas também pra automóveis.

Vamos ver no que vai dar.

obras - bonde moderno

Já se trabalha na expansão pro Canal 2.

O que já é realidade é que o VLT vem impulsionando em muito o crescimento da periferia, tanto no município de Santos mesmo quanto em São Vicente.

Era uma parte esquecida da cidade, pouco atrativa pro mercado imobiliário.

Predominavam casinhas de vila geminadas sem garagem ou quintal, e predinhos baixos sem elevador. Classe média-baixa, resumindo.

E na encosta do morro e imediações algumas favelas.

Agora tudo mudou. Modernos espigões surgem as margens da linha de trem.

linha abandonada-2011

Próximas 2 via ‘Google Mapas’. 2011: trilho do trem abandonado, juntando mato e lixo.

Pois as pessoas não se importam em morar um pouco mais longe de onde estão os empregos, desde que haja transporte eficiente e barato pra elas acessarem seus locais de trabalho.

E com essa nova classe média se instalando no subúrbio, o subúrbio também se eleva.

Pois pra prover os serviços que os burgueses necessitam há uma melhora na renda da região como um todo, como novas ofertas de empregos.

obras-2015

Exato mesmo local (próximo a divisa Stos/SV) em 2015, em obras.

Claro que não é somente por causa do VLT que há essa arrancada, mas que ele ajuda, ajuda mesmo.

………..

Quanto aos ônibus a dísel, tamanho normal e micros. Nos municipais de Santos e metropolitanos há o monopólio de uma viação do grupo Gol.

O que faz com o transporte seja caro: R$ 3,25 pros municipais e 3,80 pros subúrbios metropolitanos mais próximos.

trilho bonde moderno

Voltam as tomadas de minha autoria. Outro trecho da linha férrea.

São valores elevados. A área urbanizada do município de Santos é pequena.

Aqui em Curitiba a tarifa é R$ 3,30, o que em muitos casos inclui baldeações gratuitas pra Região Metropolitana.

Oras, a Grande Curitiba é infinitamente maior que o município de Santos.

Logo, aqui você paga 5 centavos a mais mas fica muito mais tempo no busão. Sem comparação possível.

E 3,80 de Santos pros bairros insulares de São Vicente é simplesmente um absurdo. Quem conhece a geografia da Baixada vai visualizar, pros demais informo agora:

primeiro vlt de sp

1º VLT do estado“, diz o governo de SP. Segundo alguns, “apagaram o VLT de Campinas da memória”. Mas eu registrei que ele existiu.

Santos e São Vicente dividem a mesma ilha, a Ilha de São Vicente.

Os municípios são umbilicalmente ligados, a cidade é uma só apesar da divisão política, como disse acima.

Assim os bairros insulares de S.V. são nada mais que o subúrbio santista, ficam muito próximos das Praias, do Centro e do Porto de Santos.

Portanto o valor de R$ 3,80 é realmente despropositado. Pros bairros mais próximos de Cubatão a tarifa é essa também.

Esse é um ponto negativo que preciso apontar.

Santos trol lona linha numérica número circular mafersa azul branco buso praça independência

Da Praça Independência…

Retificação: de Santos pros bairros continentais de São Vicente, e também pros mais próximos de Cubatão e Praia Grande, a tarifa também é R$ 3,80.

Anteriormente eu escrevi erroneamente que era acima de 4 reais, porque eu não conheço as linhas da Baixada, e me confundi ao observar ‘in loco’.

Consultando agora a página da EMTU desfaço o erro.

3,80 de Santos pra São Vicente, P.G. e Cubatão ainda é um valor elevadíssimo.

na praca maua

… pra Praça Mauá, via Ana Costa. Eis o trajeto da linha 20, a única eletrificada em todo Brasil fora da Grande SP. Veja os trilhos do bonde no meio da rua.

Especialmente pra quem não cruza a ponte, ou seja, fica dentro da ilha só mudando o município. Então o espírito do que escrevi permanece.

Mas como o valor estava errado acerto agora.

E pros bairros mais distantes de S.V., Cubatão e Praia Grande aí sim o preço é sempre acima de 4 reais. Bastante caro.

No passado houve uma viação estatal em Santos, a C.S.T.C. (Cia. Santista de Transporte Coletivo, anteriormente chamada SMTC, “Sistema Municipal de Transp. Col.”).

E várias viações particulares, tanto no municipal quanto metropolitano.

Tudo foi privatizado e concentrado nas mãos de uma corporação, que por isso faz o que quer.

Santos - metrop

Metropolitano trucado, com 3º eixo.

………

Outro ponto ruim é que não há uma linha de ônibus sequer conectando Santos e Guarujá.

São municípios tão próximos, e tão interligados, mas que não podem ser acessados de um pra outro via transporte coletivo.

A não ser usando 3 viagens em 2 modais (ônibus municipal de Santos, balsa e municipal do Guarujá), e em cada baldeação pagando de novo.

O que torna você ir de uma a outra sem carro uma aventura cara, penosa e demorada.

bonde no ponto1

Na mesma Pç. Mauá, o bonde antigo parado.

Há planos de se fazer um túnel submarino, e aí levar o metrô (VLT, na verdade) que já liga Santos e S.V. até o Guarujá. Eu espero realmente que essa ideia saia do papel.

A população da Baixada merece um jeito de se deslocar por transporte público entre seus dois municípios mais importantes.

………

Como já delineei acima, em S.V. só há micros municipais, e eles são brancos. Digo, há variações na pintura, mas sempre sobre fundo alvo.

logo no bonde

Logo da ‘SMTC’ no bondinho.

Já os municipais de Santos (micros e grandes) são verdes.

Essa situação me lembrou a busologia da Cidade do México, que visitei em junho de 2012.

Lá também os municipais do núcleo são verdes, no subúrbio brancos.

Alias, igualmente pintura variada mas sempre sobre fundo alvo. Claro, a comparação não é exata.

No México os metropolitanos (ou seja, que ligam Centro ao subúrbio) são brancos, e os internos do subúrbio também.

Na Baixada os metropolitanos são azuis (como são azuis os metropolitanos em todo estado de São Paulo), só os internos de S.V. são brancos. Ainda assim há uma semelhança inegável.

painel bonde

Painel do bonde.

………

Como ponto positivo do serviço prestado pela Piracicabana/Gol destaco que a tarifa é cara mas ao menos o sistema é bem digitalizado.

Nos pontos há uma placa digital em que você encosta teu celular e fica sabendo, em tempo real, quanto tempo falta pro teu ônibus chegar.

Pois acessa essa informação através do GPS que cada veículo possui.

placa

Ao lado placa comemorativa.

Na periferia não há esse melhoramento. Ainda assim em qualquer parte da cidade tudo isso também pode ser consultado diretamente no sítio da viação.

Aqui em Curitiba por uns meses a prefeitura também disponibilizou esse serviço mas estranhamente foi desativado.

……….

De volta a Baixada. Todos os ônibus municipais de Santos, e também os do Guarujá, têm rede de internet gratuita disponível (‘wi-fi’). Curitiba ainda aguarda essa melhoria.

interior do bonde

Interior do bonde: até as propagandas da época foram preservadas.

Nos metropolitanos, e também nos municipais de S.V. e nas vans ‘sobe-morro’ de Santos ainda não.

………..

Santos só tem um terminal integrado, como já dito, o do Valongo, ao lado da Rodoviária, próximo ao Centro e Cais.

Outro ponto positivo é que certas linhas metropolitanas agora entram no terminal. anuncio bonde1

Assim quem mora em alguns bairros insulares de São Vicente de manhã pega o busão metropolitano, paga R$ 3,80.

Troca no terminal sem pagar de novo. E vai pra onde está seu emprego, em Santos.

anuncio bondeDe tarde o cara pega o municipal de Santos rumo ao terminal. Desembolsa R$ 3,25. Ali baldeia de graça pro metropolitano.

Então somando tudo esse morador de São Vicente gastou em média R$ 3,52 por viagem pra usar o transporte integrado da Grande Santos.

Não é barato, mas já é bem melhor que 3,80.

……………

micro-sv

Municipal de São Vicente.

No Guarujá não impera a Piracicabana. Quem opera ali é a Trans-Litoral, antigamente chamada ‘Viação Guarujá’.

Detalhe: em Santos só há ônibus Marcopolo, tanto municipais quanto metropolitanos.

Pois a Piracicabana (que monopoliza os dois modais) padronizou sua frota com essa marca.

A exceção são os tróleis Mafersa. Mas nos dísel é 100% Marcopolo, não há um que não seja.

Já a Trans-Litoral do Guarujá é 100% Caio. Curioso como a Energia opera por oposição, não?

estacao

Estação do VLT.

Em minhas idas anteriores a Baixada (1986, 2000, 2005, 2006) não havia monopólio de carroceria em nenhuma viação.

Haviam muito mais viações, inclusive a estatal CSTC, e uma diversidade imensa de marcas de ônibus.

Digo, em 2000 já era monopólio da Piracicabana no municipal, e 2005 e 06 municipal e metropolitano. Mas ela então comprava Caio.

Inversamente, a Trans-Litoral também se abastecia com vários fabricantes diferentes. Quando Santos eliminou os Caio, o Guarujá fez o inverso e eliminou os não-Caio.

ingresso bonde antigo1

Ingresso do bonde antigo.

………

Falemos do bonde antigo. Como é notório, foi re-inaugurado em 2002.

Todos os veículos foram restaurados, e mantém todas as características originais:

Bancos, sistema de tração, anúncios internos (além dos postados nessa mensagem, veja nessa outra um do refrigerante Grapette).

praca maua

Na mesma Praça Mauá, buso em pintura nova. Com ar-condicionado e ‘wi-fi’.

E mais o  logo da SMTC (nome da antiga estatal municipal de transporte, a partir 1976 até a privatização nos anos 90 chamada CSTC) na lataria.

Na oportunidade que tomei o bonde estavam havendo obras no Centro e por isso o trajeto temporariamente fora encurtado:

Embarcamos e desembarcamos na Praça Mauá, não houve paradas intermediárias.

Porém vejo no ingresso que em períodos normais é possível saltar e subir em outros 3 locais. A tarifa é R$ 6, acima de 60 anos paga metade.

Uma guia turística foi explicando um pouco da história da cidade.

pintura nova

Esse está na orla.

………

Santos tem também os micro-ônibus ‘Seletivos’.

Com ar-condicionado, bancos estofados que reclinam um pouco e só se pode viajar sentado.

Enfim, padrão de ônibus de viagem no serviço urbano. São mais caros, R$ 3,90.

A demanda pelos seletivos deve cair um pouco, pois os ônibus convencionais novos também estão vindo com ar-condicionado, como pode ver nas fotos logo acima.

seletivo1

Micro do modal seletivo.

Santos é muito, muito quente. Vi o termômetro marcando 27º de madrugada, meia-noite e treze pra ser mais exato.

Ao meio-dia estava perto dos 35, e nos falaram que em janeiro a temperatura sobe ainda mais, abeira ou ultrapassa os 40º.

Então busão com ar é um conforto muito apreciado pelos usuários.

Vários deles desembolsavam a mais pelo seletivo pra não ir torrando nos convencionais sem ar.

interior do troleibus

Interior do trólei Mafersa.

A partir do momento que o serviço mais barato também oferece esse aprimoramento, a tendência é que parte dos passageiros migre pra ele.

Especialmente aqueles que tem a sorte de pegar linhas que não vão pra periferia, ou seja o busão circula mais vazio.

……….

Uma das linhas que é feita pelo modal seletivo é a ‘Linha Turismo’ da cidade. Não pegamos dessa vez, mas em 2006 sim.

micro-sv2

São Vicente.

Igualmente uma moça que trabalha pra prefeitura como guia foi narrando os pontos mais significativos da viagem.

E pra fechar: na Praia do Gonzaga também há um bondinho.

Mas esse não está ativo, não tem como sair do lugar já que não há trilhos nem fiação elétrica por perto.

estacao-sv

Estação de V.L.T.

Funciona como posto de informações ao turista.

Bem, aqui em Curitiba na Rua XV de Novembro (a famosíssima ‘Rua das Flores‘ no Centrão) também tem um bondinho parado (veja ele sob neve) que serve agora a outros propósitos.

No passado foram 2, houve por um tempo um também na Praça Tiradentes, em frente a Catedral.

De volta a Santos: o ‘Bonde do Gonzaga’ não sai do lugar. Mas ele igualmente foi inteirinho restaurado e exibe as características originais, como motorização, anúncios, etc.

metropolitano-sv

Buso metropolitano.

Mostrarei esse bondinho da orla em outra mensagem, pois ele é uma atração turística e ponto de referência sim.

Porém não faz parte da rede de transportes, que foi nosso tema de hoje. Já que não transporta ninguém.

Espero que vocês tenham gostado do relato. Agradecendo sua atenção, me despeço deixando vocês com mais imagens (clique sobre pra ampliar):

1) Trólei; 2 e 3) Bonde antigo, e seu ingresso; 4 e 5) Plaquinhas informativas nos pontos de Santos e no vidro dos metropolitanos, respectiv.; 6) municipal do Guarujá; 7 até o final) o VLT

museu vivobondeingresso bonde antigoplaca horario itinerario1placa itinerario tarifaguaruja1vlt - bonde moderno1estacao1interior bonde moderno

Que Deus Ilumine a todos.

“Deus proverá”

Curitiba cresce para o Sul

10 mais

10 bairros mais povoados de Curitiba, os que têm mais de 50 mil habitantes. Todos são ao sul do Centro.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado entre 2010 e 2014

Mas uma vez vamos fazer um apanhado de muitos emeios.

E com isso traçarmos um pouco do passado e presente da Zona Sul, que é maior da cidade, tanto em área quanto população.

…………

Começo pelo emeio que intitulou essa postagem, publicado em 1º de agosto de 2010.

A Zona Sul tem 37,5% da população de Curitiba.

Sendo os outros 62,5% dividido pelas zonas Oeste, Norte, Central e Leste.

mapa

13 bairros mais populosos (acima de 40 mil hab.): nenhum é na Zona Norte. Nessa matéria sobre o Boqueirão há um arquivo mais completo, com esse mapa dos 10 mais desde o censo de 70. A fonte é o sítio do Ippuc.

Confira matéria específica, a Abertura dessa Série sobre Curitiba, com dados de todos os bairros e municípios da RM, além de muitos mapas.

Como mostra o mapa acima, os 10 bairros mais populosos de Curitiba ficam ao sul do Centro (em preto, como referência).

A Água Verde é Zona Central e majoritariamente de classe média. Os demais 9 formam um arco contíguo, da Zona Oeste (CIC) a Zona Leste (Uberaba e Cajuru).

Nada menos que 6 são integralmente na Zona Sul.


E mais um parcialmente, pois a Cid. Industrial é majoritariamente Z/O, mas sua ponta austral é Z/S.

……….

Vamos ampliar um pouco a escala, e ver quais bairros têm mais de 40 mil habitantes. São 13.

9 ficam na Zona Sul, sendo 7 integralmente e na sua periferia. Como dito acima, 1/3 do CIC é Zona Sul, 2/3 Zona Oeste.

pavimentacao-04

Mapa mostra que pavimentação (se é que havia alguma) cada rua de Curitiba tinha em 2005.

O Portão é na Zona Sul mas ainda próximo a Zona Central, sendo majoritariamente de classe média.

Porém, 7 ficam no subúrbio, e embora todos eles tenham minorias razoáveis de classe média, a maioria é mesmo de classes mais humildes.

Completam o time, pela Z/S: Pinheirinho, Xaxim, Novo Mundo, Boqueirão, Sítio Cercado, Alto Boqueirão e Tatuquara.

Os outros 3 estão na Zona Leste: Cajuru, Uberaba e Bairro Alto.

Vale observar, repetindo, que dos 13 maiores bairros 12 estão sul do Centro.

7 integralmente e 1 parcialmente na Zona Sul, 1 na Zona Central, 1 (parcialmente) na Zona Oeste e 3 na Zona Leste. Nenhum na Zona Norte, e na Zona Oeste só o CIC.

……….

Portão (Zona Sul). Foto de 2000. No 1º plano o terminal e Centro Cultural, na época ainda ativo. Em 2010, quando fiz essa matéria, esses espaço estava fechado pra reforma há anos. Atualmente foi re-inaugurado. Inclusive o Cine Guarani, da Fundação Cultural, que fechou as portas em 2005 mas reabriu em 2012. A seguir vê-se a Avenida República Argentina. Hoje há bem mais prédios, pois essa década e meia foi de verticalização intensa. Os edifícios mais altos cercam a via do expresso pelos dois lados, com a Av. República Argentina formando uma espécie de ‘grand canyon’. Mas além dessa espinha dorsal as construções são bem mais baixas. Na foto a esquerda explico o porquê.

Vamos agora falar do mapa a esquerda, logo acima.

Mostra que tipo de revestimento tinham as ruas do município de Curitiba em 2005, se é que havia alguma.

Lembre-se entretanto que houve intenso trabalho nesse sentido nessa última década, e hoje quase não há mais vias de terra batida em Curitiba.

Veja aqui matérias que eu fiz no Pilarzinho, e também na Cachoeira (ambos na Z/N) e igualmente no Tatuquara (Z/S) onde ainda existem algumas. 1 década atrás, entretanto, a coisa era bem diferente:

90% das ruas estão no primeiro caso, enquanto 10% ainda são de terra – chamada pela prefeitura de ‘saibro’.

Vamos simplificar aquela confusa legenda, falando dos tipos mais comuns:

Vermelho: asfalto. Onipresente na região central, na periferia só era encontrado nas avenidas principais.

Algumas poucas vilas do subúrbio tinham o privilégio de serem todas asfaltadas.

Cito por alto alguns exemplos:

Vila Nossa Senhora da Luz (Cidade Industrial, Z/ Sul), Conjunto Mercúrio e Vila Oficinas (ambos Cajuru, Z/ Leste), Colina Verde (Bairro Alto, Z/ Leste), Conjunto Solar e Vila Esperança (Bacacheri e Atuba, respectivamente, os 2 na Z/ Norte).

Centro e Batel - Zona Central

Zona Central: em 1º plano o Centro, onde é possível fazer espigões com altura ilimitada e por isso eles se espalham pra todos os lados. Nos demais bairros, somente na ‘zona estrutural’ do zoneamento, entre as vias rápidas, a rua do expresso de espinha dorsal. A foto mostra: no Batel e Água Verde (ao fundo)  a altura das torres cai bruscamente. Há uma estreita fileira de arranha-céus entre as Avs. Visconde de Guarapuava e Silva Jardim, com a Sete de Setembro de eixo primordial.

Note que o mapa retrata o que ocorria em 2005. De lá pra cá a situação se modificou muito.

A prefeitura agora não usa mais anti-pó, que provou ser ‘o barato que sai caro’. Então, as novas ruas quando recebem pavimentação é direto com asfalto.

Por exemplo, o Bairro Novo (Sítio Cercado, Zona Sul). Agora está asfaltado em sua maior parte, e com asfalto de verdade.

Em 2005 só tinha asfalto nas suas duas vias principais (ruas Tijucas do Sul e são José dos Pinhais). 

Amarelo: anti-pó. Onipresente na periferia, 5 anos atrás e ainda hoje (‘hoje’ é 2010, lembre-se, data da produção desse escrito).

Foi um dos maiores erros de nossa cidade. Nas décadas de 70 e 80, cobriu-se todo o subúrbio com esse pavimento.

Terra Santa Tatuquara Zona Sul1

23 de setembro de 2011: o dia em que eu me tornei profeta. Explico. A Vila Terra Santa, no Tatuquara, não era servida por nenhuma linha de ônibus. A própria legislação da prefeitura diz que ‘todas áreas densamente habitadas do município devem ser atendidas por ônibus, a não mais de 500 metros de caminhada, em média”. A Terra Santa foi invadida em 1999, e era uma das favelas mais pavorosas da cidade. Não é mais. Foi urbanizada (na imagem, as obras de abertura, asfaltamento e regularização das ruas). Mas até 2012 continuava sem ter uma linha de ônibus sequer. Em 23/09/11, como disse acima, eu denunciei essa situação com um emeio intitulado: “Descaso a Terra Santa, imoral e ilegal“.

Os técnicos da prefeitura julgaram ter achado a solução ideal, barata e que acabaria com as ruas de terra.

A questão é que, algumas décadas atrás, poucas pessoas nos bairros mais afastados tinham carros. 

E as famílias que possuíam esse que na época era um verdadeiro luxo pras classes trabalhadoras se limitavam a um veículo por residência.

Com o desenrolar da história, hoje até os que moram em favelas tem transporte próprio, como é sabido.

Os bairros de classe média baixa contam com 2 ou mesmo 3 automóveis por família.

Assim, o anti-pó – feito pra suportar apenas tráfego leve – se esmigalhou.

Deixando as ruas que possuem esse ‘benefício’ mais esburacadas do se fossem de terra.

Sei bem do que estou falando pois moro no Boqueirão, na Zona Sul.

Meu bairro e o vizinho Uberaba (já na Zona Leste) estão em estado verdadeiramente calamitoso, situação que se repete em boa parte da cidade.

Tatuquara

Não me limitei a apontar o problema e já dei a solução. Eu mesmo colori esse mapa. Em azul-escuro a BR-116, como referência. Escrevi a época: “Há o ônibus Dalagassa, que sai do Terminal Pinheirinho. Ele só vai até a entrada da vila Terra Santa, que não é servida por linhas de ônibus. Então a Dalagassa deveria ser estendida, entrar umas 7 quadras na vila, o que daria 3 pontos a mais, pra atender essa população. Em amarelo a Vila Terra Santa. Em vermelho parte do trajeto atual da linha Dalagassa, depois que ela entra no Tatuquara. Em azul-claro a extensão que já deveria ter sido feita. Agora não há mais desculpas pra Terra Santa continuar ignorada. Não é mais invasão. A prefeitura regularizou a vila. Só o ônibus ainda não chegou.”

O anti-pó é o ‘novo saibro’, e será preciso asfaltar tudo de novo.

Todo o esforço das décadas de 70 e 80 foi jogado no lixo. A prefeitura vem asfaltando algumas ruas, mas o trabalho vai ser longo.

O que eles julgaram ser a solução na verdade era o problema.

É claro que a prefeitura não podia prever o futuro, e não a culpo por isso. O barato saiu caro, amigos.

Atualização: em 2015 o trabalho de substituir o anti-pó por asfalto avançou.

As vias secundárias do Boqueirão/Uberaba, e boa parte do subúrbio, continuam de anti-pó, e portanto continuam esburacadas.

Mas as ruas principais, mesmo na periferia, receberam asfalto. Onde passa ônibus com certeza.

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Verde: terra. Na época, os três maiores bolsões sem pavimento eram na Zona Sul. A esquerda do mapa, abaixo está o Rio Bonito, no bairro Campo de Santana.

Terra Santa

5 de setembro de 2012: a prefeitura acabou fazendo exatamente o que eu sugeri. Compare esse mapa, que é oficial da Urbs, com o que eu desenhei um ano antes, a esquerda. São praticamente iguais. Certamente o emeio que eu escrevi não chegou a prefeitura, minha lista de contatos é pequena e a mensagem não deve ter circulado a ponto de atingir os canais oficiais. Então eles fizeram essa ampliação da linha Dalagassa, que agora atende a Terra Santa, não porque eu pedi óbvio, mas porque é o mais lógico. E eu, entendendo um pouco de urbanismo e transporte, pude prever antes de acontecer. O emeio foi intitulado: “A Terra Santa agora tem ônibus; só pode ser um milagre”. E acabava assim: “Quer melhor lugar pra se fazer profecias que a Terra Santa, pombas??

Logo acima dele vem a metade ocidental do Tatuquara. De amarelo, com anti-pó, é o Jardim da Ordem, mais antigo.

Suas expansões na época ainda estavam com suas ruas sem qualquer pavimento. Algumas vilas da região que poderia citar são:

Santa Rita, Santa Cecília, Jardim Ludovica, Jardim Paraná, Monteiro Lobato e Vila Evangélica.

Não confundir o Jd. Paraná do Tatuquara com o do Capão Raso (também Z/S), que será citado abaixo.

Mais a direita há uma grande área com as ruas em verde. É o já citado Bairro Novo.

As 3 regiões hoje estão asfaltadas em sua maior parte, e a prefeitura vem desenvolvendo um trabalho intenso pra pavimentar logo o que falta.

Marrom: terra em ocupação irregular. As manchas se concentravam nas Zonas Leste (Cajuru e Uberaba) e Oeste (Cidade Industrial).

Azul claro: paralelepípedos em pedras retangulares. Em 2005 eram poucas calçadas dessa forma e hoje são ainda menos, pois asfalto está sendo posto por cima das pedras.

Azul escuro: ‘paralelepípedos’ em blocos hexagonais ou retangulares de concreto. alto boqueirao Modal praticamente inexistente em Curitiba.

Há uma concentração de 5 ruas juntas, no Alto Boqueirão (Z/S). Como visto a esquerda.

Porém é uma área desabitada, pois está dentro do Parque Nacional do Iguaçu, próximo ao Zoológico.

Não há muitas casas ali, e por ser uma área de preservação ambiental a construção delas é proibida no local. Uma situação curiosa, sabe?

alto boqueirao1

Aqui e acima a esquerda é a mesma foto em escalas diferentes: vemos o Alto Boqueirão, no meio do Pq. Nacional, algumas ruas em blocos de concreto.

Concretaram com blocos uma região que não é habitada, e por lei não pode sê-la.

Então estão lá, essas 5 ruas pavimentadas, mas não mora ninguém, é no meio de um bosque.

Tirando essa ‘vila fantasma’ no meio da floresta, você conta nos dedos quantas ruas há com blocos de concreto em Curitiba inteira.

Há mais 2 no vizinho Boqueirão, e outras 2 na Zona Leste (Jd. Botânico e Cajuru).

Em Florianópolis, entretanto, a pavimentação com blocos de concreto é o modal padrão, na classe média e subúrbios igualmente.

sao francisco z-c

Não confunda: já agora está sendo mostrada a Rua Sen. Xavier da Silva – São Francisco, Zona Central. Uma das poucas da cidade em que ainda há paralelepípedo, dessa vez em pedra mesmo.

Já fotografei e comentei tudo isso direto da Ilha (e Continente) da Magia, clique na ligação em vermelho pra conferir.

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Rosa: rua cimentada. Ainda mais raro aqui em Ctba. No México, e ainda mais no Chile, por outro lado, é o modal dominante.

Mas faço a ressalva que depois de 2005 (quando esse mapa foi confeccionado) concretaram algumas vias da cidade. A que eu moro é uma delas.

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Boqueirão Zona Sul z/s flores canal belém rua concreto cimento periferia favela quebrada

Rua ‘Ciclovia’, Boqueirão. Pavimentada em cimento, uma das pouquíssimas da cidade. Bem, aqui é ocupação irregular, não foi a prefeitura quem fez, e sim os próprios moradores por nossa conta.

Curitiba cresceu pra sul. Ia fazer apenas um pequeno comentário sobre o mapa da pavimentação e acabei escrevendo bem mais do que imaginava. Mas é fato:

A Zona Sul curitibana está caminhando pra se cumprir aqui o papel da Zona Norte no Rio de Janeiro.

Afastada do núcleo econômico e cultural da cidade, mas sede do núcleo populacional. E se tornando um núcleo cultural alternativo, rivalizando com a cidade ‘oficial’. 

E é por isso que a prefeitura asfaltou nesses últimos 5 anos a maior parte da áreas que estavam em verde nesse mapa, escrevi tudo isso pra chegar nesse ponto.

Terra Santa Tatuquara Zona Sul

Outra tomada das obras de regularização da Terra Santa.

…………

Aqui se encerra o 1º emeio.

A cidade se expandiu mais pro Sul. Entretanto, note que depois da virada do milênio o crescimento populacional de Curitiba se reduziu drasticamente.

De 2% ao ano nas décadas de 80 e 90 caiu pra metade disso.

Em nova troca de emeios com esse mesmo colega, tocamos nesse ponto e aproveitamos pra destrinchar um pouco mais o desenvolvimento da porção meridional da metrópole.

do Neoville ao Lago Azul: a Saga da Zona Sul prossegue‏

Rua Pedro Gusso

Neoville’, na Cidade Industrial. A direita do ‘clarão’ há um córrego. Cruzando-o, adentramos no Capão Raso.

Publicado em 14 de janeiro de 2014

Esse mesmo rapaz me escreveu falando de dois pontos distintos da Zona Sul de Curitiba:

O loteamento Neoville, que fica no bairro Cidade Industrial e o Parque Lago Azul, localizado entre os bairros Umbará e Ganchinho.

Eis o emeio dele:

“ Seguinte, quero te fazer uma pergunta sobre certa região da cidade.

Estava no Google, na vista aérea, e deparei-me com um clarão entre o Novo Mundo e o CIC (miolo). Fica entre as Ruas Pedro Gusso; José Alcides de Lima; João Rodrigues Pinheiro (segmento da Manoel Valdomiro de Macedo); José Oribes da Costa; e ao lado do Parque Bosque do Trabalhador.

pq. industrial2

Próximas 3: em escala maior as tomadas de satélite da divisa entre CIC e Capão Raso. Destaquei em vermelho a favela do Parque Industrial, que é uma das únicas duas favelas de todo Capão Raso. Abaixo falo mais dela.


Enfim, acho que você conhece o lugar, mas vou mandar uma imagem para ficar mais rápido.

Você sabe porque deste clarão? E o porque este clarão durante tanto tempo na cidade? O que está previsto para ser construído?

Porque ainda não teve invasões? Passa algum busão por lá? Por que está tudo asfaltado? O que acontece na região?

Esse Parque Lago Azul, você já conhece? E quanto ao local de descarte (de pneus) da Prefeitura?”

………pq. industrial1

Abaixo, minha resposta: o clarão que viu no ‘Google’ é o loteamento Neoville, bairro Cidade Industrial, Zona Sul. Veja o sítio deles.

http://www.neoville.com.br/

pq. industrialFica realmente na CIC, e não Novo Mundo, como ‘informam’ erroneamente. Trata-se da mania curitibaníssima de maquiar e “corrigir” a localização dos bairros.

Na própria imagem que mandou está mostrado, é o Córrego do Parque Industrial que divide os dois bairros. Veja: a direita, densamente urbanizado, é o Capão Raso, e a esquerda, o clarão, o Neoville, é CIC.

Lago Azul - Umbara Z-S Curitiba

Aqui e a esquerda: bairro do Umbará. Placa no Pq. Lago Azul e posto de coleta de pneus. Fotos de autoria do colega que me mandou o emeio, eu não estive ainda nesse parque, só conheço pelo ‘Google’ Mapas.

Seja como for, o Neoville é um dos maiores loteamentos de Curitiba, tem cerca de 1 milhão de metros quadrados. E é de padrão não-popular.

Ou seja, o maior lançamento imobiliário pra classe média em 50 anos, desde a criação do Jardim Social (Zona Leste) nos anos 60.

O terreno ficou décadas ocioso, até que foi lançado em 2007.

Veja a matéria da Gazeta: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=1302304

………

Vamos respondendo as perguntas. O terreno pertence a família Canet, a mesma que deu ao Paraná um governador ‘biônico’.

GE DIGITAL CAMERAÉ uma área enorme, e a família optou por não utilizá-la por décadas. Sempre passava lá e me espantava, aquela fazenda dentro do bairro mais povoado de Curitiba.

Por isso esse clarão, por tanto tempo. Porque os donos quiseram que assim fosse, esperaram a valorização máxima pra só aí fracionar.

O Neoville tem 3 opções: estão sendo construídos conjuntos de sobrados e apartamentos, e também lotes, onde o proprietário é quem decide como erguer sua moradia, por sua conta.

'neoville' - CIC - 2014

‘Neoville’, CIC, 2014: Curitiba cresce menos, a procura por lotes é infinitamente menor que um dia foi. As pessoas preferem comprar casas ou apartamentos prontos. Essa foto resume a situação: 7 anos depois de lançado o ‘Neoville’ ainda tem enormes espaços vagos. A solução foi erguer prédios. Pra isso, sim, há demanda elevada.

Mas lembre-se, é de padrão elevado, por isso a metragem mínima é 360 m2, muito acima dos 100 m2 que predomina nas bordas da cidade.

Não teve invasões e nem terá, ninguém brinca com cachorro grande. As linhas de ônibus são:

No núcleo do empreendimento, a Pedro Gusso, passam o Bosch e Carbomafra, que ligam os terminais Capão Raso e CIC.

Na parte baixa, nos fundos do Neoville, passa o Interbairros 4, que liga os terminais do Pinheirinho e CIC.

Por fim, está tudo asfaltado pelo que falei, é um empreendimento de alto padrão, e não pra ralé.

Na lógica de quem constrói e habita o ‘Neoville’, o povão que procure o fundão da região metropolitana pra morar, e só venham ao Neoville trabalhar.

CIC - ao fundo Pq. Industrial, Capao Raso3

‘Neoville’, CIC – ao fundo Parque Industrial, Capão Raso

……..

Agora, o Neoville representa a mudança de Curitiba. Nossa cidade, e todas as cidades do Centro-Sul Brasileiro no geral, crescem hoje muito menos que no passado.

Por isso o Neoville, 6 anos depois de lançado (o texto é do comecinho de 2014), ainda tem enormes espaços vagos, e o comércio ainda não se instalou por lá.

CIC - ao fundo Pq. Industrial, Capao Raso

Girando a câmera pra esquerda (é modo de falar, as tomadas vieram do ‘Google’ Mapas. Seja como for, repare na mesma moto) vemos melhor a favelinha do Parque Industrial.

Planejado pra abrigar 20 mil pessoas, por hora conseguiu amealhar 10% dessa cifra, apenas.

Em ciclos anteriores, tudo já estaria tomado, e já se estaria fazendo a expansão do Neoville, talvez nem sequer a primeira expansão.

Atualmente não é mais necessário. Veja a população do município de Curitiba (ou seja, sem região metropolitana) nos censos:

– 1960: 361 mil

– 1970: 624 mil

CIC - ao fundo Pq. Industrial, Capao Raso1

Me mantendo parado no mesmo local da cena acima, apenas aumentando a aproximação: o Parque Industrial é assim.

– 1980: 1,052 milhão

– 1991: 1,313 milhão

– 2000: 1,586 milhão

– 2010: 1,751 milhão

Arredondando os cálculos, você vê que Curitiba cresceu:

– na década de 60: 7,2% ao ano

CIC - ao fundo Pq. Industrial, Capao Raso2

Cena triste: muito lixo jogado na rua.

– 70: 6,9% ao ano

– 80: 2,4% ao ano

– 90: 2% ao ano

– 2000: 1% ao ano

Evidente que o crescimento africano dos anos 60/70 de 7% ao ano não poderia mesmo perdurar, e nos anos 80/90 foi drasticamente reduzido pra perto de 2%/ano.

Ainda assim, desde a virada do milênio houve nova queda, e muito acentuada. Agora, Curitiba cresce somente 1% por ano. 10% por década. Não faz muito tempo, esse número se aproximava do acréscimo populacional anual.

Por isso não há nem de longe a demanda por lotes como um dia houve, e assim o Neoville patina pra decolar. Por isso não são mais lançados loteamentos populares no subúrbio.

…….

buso caio laranja terminal lona pinheirinho Dalagassa Ctba Zona Sul z/s

Terminal Pinheirinho: Dalagassa se prepara pra mais um pega rumo ao Tatuquara.

Curitiba ainda cresce? Sim. Mas agora as pessoas optam por comprar casas e apartamentos prontos.

A família hoje é composta por Homem e Mulher que trabalham, então eles financiam no banco, por muitas décadas que seja.

Preferem assim a comprar lote vago e ter todo o trabalho de arranjar pedreiro, etc. Nem na periferia há demanda pra loteamentos.

Agora, conjuntos de prédios e casas, esses ainda saem muitos, e logo são ocupados.

O bairro Tatuquara, no Extremo da Zona Sul, personifica com maestria essa mudança, se anda por lá sabe. Nos anos 90 e até metade dos 2000, a cada 6 meses saía um loteamento novo, e logo era ocupado, como um formigueiro.

tatuquara

Demorou pra começar, mas depois da 1ª a prefeitura agora faz sucessivas ampliações do trajeto da linha Dalagassa. A 2ª foi poucos meses depois da 1ª, acrescentaram dois pontos a mais. Esse mapa mostra a 3ª extensão do itinerário da Dalagassa, em 2015.

Na última década (a partir de 2005), isso cessou. Agora, a prefeitura e construtoras particulares fazem conjuntos, tanto verticais quanto horizontais, e pra isso há procura.

Mas vender lote vago é furada, ninguém mais quer. A cidade parou de se expandir horizontalmente, não mais galga áreas rurais pra torná-las urbanas.

Ainda aumenta, sim. Mas agora se adensa, se verticaliza, um terreno onde havia uma casa se torna conjunto de sobrados ou um predinho.

Ainda derrubam-se bosques, e no Tatuquara mesmo a sanha das motosserras está implacável. Mas o que surge no lugar é um conjunto, não um loteamento, é o que quis dizer.

A lenta ocupação do Neoville, ainda “um clarão” já seis anos depois de lançado, reflete esse processo, num estrato de classe média.

Tanto que os donos estão optando por fazer mais prédios e sobrados que o inicialmente previsto.

Na mesma Rua Pedro Gusso, pouco antes do ‘Neoville’, há uma invasão no Novo Mundo, ocupada em 2002 – um pouco antes da eleição, como de resto tantas em Curitiba.

Um último detalhe: como já dito muitas vezes, a Cidade Industrial, por ser muito grande, é o único bairro de Curitiba que está em duas regiões, o CIC Sul é Zona Sul, enquanto o CIC Central e CIC Norte são acolhidos pela Zona Oeste.

tatuquara - onibus dalagassa

É que na região a prefeitura fez mais algumas cohabs, que também são atendidas pelo busão Dalagassa.

Isso vocês já sabem. Coloquei de novo pra gente fazer o ‘gps’ do Neoville. Nele, e no vizinho Campo Alegre, ainda é Zona Sul.

Mas ali pertinho, no começo da Av. das Indústrias (a principal do Neoville, no mapa nomeada Fernando de Souza Costa) começa a Zona Oeste.

…….

Agora o Parque Lago Azul, que fica entre os bairros Umbará e Ganchinho, também na Zona Sul mas bastante distante da Cidade Industrial.

Vila Guilherme

No mesmo emeio de 5 de setembro de 2012 eu comentei de outra extensão de itinerário ocorrida no Extremo Sul da cidade. A linha Futurama/Sítio Cercado foi ampliada e passou a ter trajeto circular pra atender a região da Vila Guilherme e imediações, no Umbará e Ganchinho (não muito longe do Lago Azul que está sendo descrito no texto ao lado). Trata-se de um loteamento de classe média-baixa – mas não uma invasão portanto – que teve sua primeira etapa iniciada por volta de 2003 e sua expansão, a Vila Guilherme 2, é de 2006 ou 07, mais ou menos. E até 2012, como a Terra Santa, não tinha nenhuma linha de ônibus a servi-la. Enfim, com muito atraso, a prefeitura olhou pras bordas da Zona Sul, que são distantes do Centro mas também fazem parte de Curitiba.

As margens do Rio Iguaçu foram intensamente exploradas pra extração de barro e areia, matéria-prima pra construção obviamente, e por isso estão completamente degradas ambientalmente. 

No local, que pega a periferia das Zonas Sul e Leste de Curitiba, formaram-se as cavas:

Resultantes dos buracos deixados pelas máquinas que retiraram dali a cobertura mineral original.

Com as chuvas e transbordamentos do rio, as cavas encheram-se permanentemente e tornaram-se lagos artificiais.

Onde a população pobre das muitas vilas populares da região banha-se nos dias de intenso calor.

Por isso, as cavas são chamadas de “a Praia da Zona Sul”, posto que essa é o subúrbio de classe trabalhadora.

Segundo esse conceito, quem mora em outras regiões, mais abastadas, desce a serra pra curtir o mar, enquanto a Zona Sul tem que se virar ali nas imediações mesmo.

Claro, tudo isso era antes, quando um casal de pedreiro e diarista ganhava apenas pro arroz-com-feijão.

Hoje a classe trabalhadora viaja até de avião, então é claro que eles hoje também alugam casas no litoral e vão banhar-se no Atlântico.

Ainda assim, as cavas continuam a ser usadas. Apenas agora elas são uma opção a mais, e não a única opção.

Seja como for, a “Praia da Zona Sul (e da Zona Leste)” ainda recebe banhistas.

Na linguagem empolada da prefeitura, a “praia dos piás”. Uma região intensamente dilapidada ambientalmente, e por consequência socialmente.

aérea Bairro Novo Z/S

O Bairro Novo também tem seu ‘Grand Cannyon de Prédios‘. Só que aqui são pombais de cohab.

A construção desse parque Lago Azul, uma parceria público-privada, é uma tentativa de compensar a várzea do Rio Iguaçu por tanto dano que lhe foi causado pela atividade extrativa mineral.

Pegaram uma parte do terreno que foi destruído pelas olarias em tantas décadas de atividade exploratória e fizeram benfeitorias, incluindo o replantio de alguma mata nativa.

Uma boa iniciativa, sem dúvidas, mas não nos esqueçamos que 95% da área destruída pela mineração permanece abandonada, utilizada apenas pelos banhistas das cavas.

cohab prédio ctba z/s periferia pombal Bairro Novo Z/S sítio cercado

Mesma região, agora a nível do solo.

Fora que a extração de areia e barro não se encerrou, ao contrário, continua e num ritmo cada vezmais intenso.

Agradável como deve ser esse parque – te disse que não estive lá pessoalmente – não deixa de ser uma máscara a uma realidade cada dia mais cruel.

……..

Pra fechar. Não tenho informações sobre esse posto de coleta de pneus. Estou sabendo disso agora, através de você.

…………

Já que falamos do Bairro Novo, emendo outro emeio.

da V. Parolin a V. N. S. da Luz, eis a Ferrovila; e o Bairro Novo não é bairro, malgrado o nome

curitiba

Bairro Novo, uma cohab de 1992; E a Ferrovila, invasão ocorrida em 7 de setembro de 1991.

Publicado em 10 de outubro de 2013

Sigo a reprodução de minha troca de correspondência com esse colega, que igualmente é estudioso da cidade.

Vamos falar um pouco de da história de dois pedaços da Zona Sul de Curitiba:

– O Bairro Novo que fica no Sítio Cercado;

– E a Ferrovila, a vila mais comprida da cidade, que corta toda a Zona Sul ladeando inclusive trechos das Zonas Oeste e Central.

Exatamente o enorme tamanho da Ferrovila gerou o debate, pela dúvida de seus limites exatos.

………….

Esse camarada que também pesquisa o tema disse que esteve no Córrego da Ferrovila, que margeia uma vila de mesmo nome na Cidade Industrial, Zona Sul.

Por conta disso, ele me escreveu o que se segue (os ênfases são meus):

ferrovila e bairro novo

Em escala maior, apenas a parte austral da cidade. O Bairro Novo está em verde-claro, no Sítio Cercado. Repare as divisões em ‘A’, ‘B’, e ‘C’. Já Ferrovila atual está em vermelho. Em azul um trecho invadido e depois removido, e em laranja as vilas que ela se uniu.

Eu te mandei aquele texto sobre o Córrego da Ferrovila. Então, um colega respondeu dizendo: “nossa não sabia que a Ferrovila era lá. Eu pensava que era em outro lugar”

Aí me deparei que eu também não sei exatamente de onde e até onde vai a tal Ferrovila.

Será que você poderia fazer um mapinha e me mostrar começo e fim do que se pode considerar a Ferrovila?

Outra coisa: Por que chamam o tal Bairro Novo assim sendo que ele fica no bairro Sítio Cercado? E por que de Bairro Novo A, B, C…, o alfabeto inteiro? ”

……………

Abaixo minha resposta. Então cara, onde você falou, nesse local da CIC (Zona Sul) é de fato a Ferrovila. E no “outro lugar” que seu amigo imaginou também. É que ele certamente não sabe desse detalhe:

Campo de Santana Zona Sul

1º de maio de 2013. Em outro emeio, comentamos mais uma extensão de itinerário de um alimentador da Zona Sul. Escrevi: Linha Rurbana, Campo de Santana. Mais um ponto acrescentado, atendendo mais gente. Como é notório, “Rurbana” quer dizer “Rural + Urbana”. Não é brincadeira, havia (não sei se ainda há) ali uma comunidade religiosa chamada Rurbana, e essa é a origem do nome.

A Ferrovila é a vila mais comprida de Curitiba. Vai do Parolin (Zona Central), perto da Av. Marechal Floriano, até a CIC (Zona Sul), depois do terminal de mesmo nome, passando pelos bairros Vila Guaíra (Zona Central), Portão (Zona Sul) e Fazendinha (Zona Oeste).

Na verdade ela justamente divide a Zona Sul primeiro da Zona Central e depois da Zona Oeste. 

É o seguinte: até o fim dos anos 80 havia ali uma linha férrea, por isso o nome. 

Passe ali perto do terminal do Portão, verá ainda alguns trilhos remanescentes nos cruzamentos.

Alias, um trecho da rua que é o endereço da Ferrovila ainda é “Estrada de Ferro Curitiba-Araucária”, não passa trem ali há tempos mas o nome ficou.

Essa estrada de ferro saía da Rodoferrovária, ia pela João Negrão (ao lado do Teatro Paiol mantiveram de recordação uma ponte ferroviária sobre o Rio Água Verde) e após cruzar a Marechal embicava a oeste.

Quando retiraram a linha férrea, a prefeitura almejava fazer conjuntos habitacionais no local, em convênio com grandes corporações, que financiariam os apartamentos a seu quadro funcional. 

campo de santana - vila rurbana

Entretanto, longe vão os dias que o Campo de Santana, na Extremidade da Zona Sul, tinha algo de rural. A prefeitura vem fazendo ali uma enorme Cohab, vários conjuntos de prédios, mil apartamentos no total. Justamente por isso a linha de ônibus foi ampliada, pra atender esse público-alvo.

Uma das escolhidas pra parceria era o então existente Bamerindus, que chegou a ser o 3º banco privado do Brasil e que tinha sede aqui em Curitiba, como sabe.

E de fato alguns prédios foram erguidos, um desses conjuntos dá pra ver da Marechal:

Aqueles pombais (prédios baixos, sem elevador) na V. Hauer logo antes do viaduto sobre a Linha Verde (antiga BR-116).

Na Vila Guaíra, pouco a frente na antiga Ferrovila, há outro trecho com prédios.

Porém, no feriadão de 7 de setembro de 1991, promoveram uma das maiores invasões urbanas da história de Curitiba: 

Justamente a Ferrovila, em todo o terreno vago antes ocupado pela ferrovia que ainda não tinha prédios, do Parolin ao CIC.

Vila do Papelao, Capao Raso Z-Sul

26 de janeiro de 2014. Ainda esse mesmo colega leu reportagem sobre uma tal de ‘Favela do Papelão’, no Capão Raso. Que ele “nunca ouviu falar”. Perguntou se eu conheço esse lugar. Sim, eu conheço.

O trecho em branco na Guaíra é justamente onde não foi tomado, porque ali já haviam prédios.

……….

Pois a Ferrovila com seu enorme trajeto (é fina mas muito comprida) fundiu-se com várias favelas que há em seu caminho.

Ampliando-as e tornando tudo ainda mais complicado. Em vermelho no mapa, a Ferrovila, e em laranja as demais vilas que ela uniu e ampliou.

Vila do Papelao, Capao Raso Z-Sul1

Vila (ou Favela) do Papelão. Na mídia as vezes sai como ‘Xaxim‘. Mas como ela está no lado ocidental da a antiga BR-116 já pertence ao Capão Raso. Agora a via foi renomeada ‘Linha Verde’, como sabem. Tem mais: o nome oficial dessa vila é Jardim Paraná. Vila (ou ‘Favela’) do Papelão é só pros íntimos, praqueles que conhecem a Z/S como sua própria casa.

Lembre-se, estou aqui falando do mapa da Ferrovila, bem pra cima na matéria, e não das fotos ao lado, que têm sua própria legenda.

De volta a descrever a Ferrovila e imediações. Hoje essas vilas foram urbanizadas, e melhoraram muito. Mas em 1991 não era assim.

– Ela começa ampliando e fundindo-se com a Vila Parolin, que fica no bairro de mesmo nome (óbvio) e também no vizinho Vila Guaíra, na Zona Central.

A seguir a Ferrovila entra no Portão, foi a primeira favela do bairro.

Conversei com pessoas que ali moravam quando a Ferrovila surgiu, ela mudou demais o Portão, que até então era homogeneamente de classe média.

A convivência entre diferentes setores da população nem sempre é pacífica, como é sabido, especialmente quando surge uma invasão num bairro conservador curitibano.

Em 2007 em nova onda de invasões surgiram mais 3 favelas na divisa do Portão e Santa Quitéria, o chamado ‘Complexo da Portelinha’, 3 vilas gêmeas que se fundiram a uma favela mais antiga que havia ali.

Porém a Portelinha, de 2007, é longe da Ferrovila. Voltemos a discorrer o trajeto dessa última: 

– No Portão ela ia até a República Argentina e a Avenida Presidente Kennedy. Onde hoje está o centro comercial ‘Paladium’ era parte da invasão. Nunca esquecerei o dia, em 1994, que passei nessa esquina e vi a Ferrovila, eu não sabia que que no coração do Portão havia uma favela.

Vila do Papelao, Capao Raso Z-Sul2

Próximas 3: vamos vendo algumas tomadas da Vila do Papelão (via ‘Google Mapas’) e enquanto isso vou contando a história dela. Vi essa vila nascer, nos anos 90, e ainda me lembro quando, antes disso, aquele terreno era vago.

Então, essa quadra acabou sendo o único trecho até hoje removido da Ferrovila, todos os demais permaneceram. Está em azul no desenho.

– Ainda no Portão mas já do lado ocidental da avenida do expresso, a Ferrovila retoma, e na divisa com o Novo Mundo funde-se e amplia outra grande e problemática favela, a Vila Uberlândia. 

Cada uma é num bairro, mas a fronteira é só teórica, a favela é a mesma.

Quando a Ferrovila entra na Fazendinha, funde-se do outro lado da divisa (no Novo Mundo) com mais uma favela, a Vila Maria, pertencente mas já um pouco separada do “Complexo” da Uberlândia.

– Aí a Ferrovila segue seu rumo a oeste, passando pelo bairro da Fazendinha, e depois Cidade Industrial, paralela a Rua João Bettega. 

Em seu último trecho, ela ainda funde-se e amplia a Vila Nossa Senhora da Luz, justamente o trecho que esteve esse colega.

A Nossa Senhora da Luz não é uma invasão, nunca foi. Exatamente ao contrário, é uma cohab, a 1ª cohab de Curitiba, feita justamente pra remover diversas favelas que então haviam na cidade.

Ainda assim a N.S.L. é uma vila de subúrbio, as casas têm escritura, mas de resto não se diferencia tanto assim das favelas depois que elas recebem um pouco de infra-estrutura.

Amigos, já disse muitas vezes e repito: eu gosto da periferia. Não falo com desprezo, exatamente ao contrário. Moro numa invasão da Zona Sul, e conheço milhares sobre milhares de favelas e quebradas de subúrbio, pelos 4 quadrantes da América.

Vila do Papelao, Capao Raso Z-Sul3

No começo era maior, na época da invasão havia mais uma fileira de casas, chegava até a pista de rolamento da BR mesmo, essas moradias foram retiradas mais ou menos 10 anos atrás (no meio da década de 2000), ficou o pessoal da baixada, do vale do rio.

Leia minha minhas incursões nas favelas de Belo Horizonte-MG, Florianópolis-SC, México, Paraguai, Chile, Rep. Dominicana.

Bem como aqui em Curitiba (fora as que já estão ligadas acima, e breve subo mais pra rede).

Quando viajo, não vou a museus e muito menos aos centros de compras (‘shoppings’), nem faço os programas que a classe média adora.

Ao contrário, vou de transporte coletivo ao subúrbio porque amo o subúrbio.

Ainda assim, as coisas são o que são. Eu não mudo o termo pra ‘comunidade’ tentando tapar o sol com a peneira grossa.

Nas favelas, e em diversas vilas de subúrbio mesmo não sendo invasões, os problemas sociais proliferam. ‘Pensamento positivo’ ou ‘novilíngua’ não alteram essa realidade.

A Nossa Senhora da Luz, ainda que as casas tenham escritura, em alguns aspectos pouco se diferencia de uma favela.

Tem altíssima densidade, ruas curtas e estreitas (na época, foi projetada pra pessoas que não tinham automóveis, e imaginava-se que não viriam a ter), serviços públicos precários, criminalidade, tudo isso é igual a qualquer invasão de mesmo porte.

Vila do Papelao, Capao Raso Z-Sul4

Vila do Papelão. Essa e a do Parque Industrial, mostrada acima, são as duas únicas favelas de todo Capão Raso. Curioso isso não? Um bairro de periferia, mas que escapou de ter invasões em larga escala. Tem o mesmo número de favelas que o Portão, que é bem mais central e de classe média-alta. Bem, todos os seus vizinhos têm muito, mas muito mais invasões que C. Raso: Novo Mundo (a norte), Xaxim (a leste) e Pinheirinho (a sul). Leve-se em conta que o Novo Mundo é mais próximo do Centro, e mesmo assim mais degradado nesse sentido. Se você pegar o bairro que limita então o C. Raso a oeste é um desbronco de favelas, mais de 50, pois trata-se da Cidade Industrial de Curitiba.

E foi ali que a Ferrovila foi desaguar, após principiar no Parolin.

Taí cara, serpenteando por toda a Zona Sul e ainda pegando trechinhos das Zonas Central e Oeste, eis a Ferrovila.

Agora urbanizada, não mais favela, mas ainda nossa vila mais comprida.

………….

O Bairro Novo foi criado em 1992 (um ano após a Ferrovila portanto).

Ele é uma vila, uma cohab. parte do Sítio Cercado. Pegaram uma enorme fazenda, transferiram a posse dela ao poder público municipal e dividiram em cerca de 10 mil lotes.

Por ser tão grande, é quase como se um novo bairro tivesse surgido, daí ser chamado assim.

Ainda assim, esse é o nome “comercial”, de guerra, e não alterou a condição jurídica. Permaneceu como território sítio-cercadense, não houve desmembramento.

Assim como as Vilas Olaria, Aliança e Califórnia pertencem ao bairro da Santa Cândida (Zona Norte).

Assim como as Vilas Trindade, Autódromo, São Domingos, Acrópole, Centenário, Oficinas pertencem ao bairro do Cajuru (Zona Leste).

São alguns exemplos entre muitos. Igualmente o Bairro Novo, apesar da denominação ‘bairro’, é uma vila que pertence ao bairro Sítio Cercado.

Rótula balão rotatória trânsito Tatuquara Z/S ctba anoitece setembro 2014 entardecer céu periferia sol nuvens

Agora vamos ver 2 tomadas da Rótula do Tatuquara.

Como foi uma área enorme que surgiu ao mesmo tempo, a princípio as ruas não tinham nome.

O endereçamento era “Quadra 10, lote 41”. Só que apenas isso não resolvia, o lugar era gigantesco e estava surgindo muito rápido no meio do nada.

Você leu livros sobre a construção de Brasília ou então sobre o Velho Oeste Estadunidense?

Mesma coisa. Assim, toda essa enorme Cohab foi dividida no meio, Bairro Novo ‘A’ a direita e ‘B’ a esquerda – no mapa. Você indo ‘por terra’, é o contrário, o ‘B’ a direita e ‘A’ a esquerda.

Rótula Tatuquara ctba z/s periferia subúrbio placa trânsito fio alta tensão torres

Após sua 3ª ampliação, o ônibus Dalagassa agora passa por aqui.

E então houve nova sub-divisão, pois só ‘A’ e ‘B’ ainda não ajudava tanto. Todo o Bairro Novo foi seccionado em “Áreas” numeradas.

…………

Antes de nomearem as ruas, e mesmo após esse gesto formal, até ele ‘pegar’ de vez no Consciente Coletivo, as linhas “Bairro Novo” ‘A’ e ‘B’ tinham seu itinerário escrito assim na plaquinha:

Terminal Sítio Cercado

Xaxim Sítio Cercado bairro novo z/s árvore jardim maringá ctba zona sul

Daqui até o final: Bairro Novo. Essa e a da esquerda são panorâmicas pois foram feitas no vizinho Jardim Maringá, Xaxim.

Rua São José dos Pinhais

Áreas 1, 2, 4, 6, 7 e 11 (um deles); ou

Áreas 3, 5, 8, 9 e 10 (no outro)

Esses não são os números exatos, estou exemplificando de cabeça e não consultando um documento da época.

Aí, na segunda metade dos anos 90, o nome das ruas foi se cristalizando na mente das pessoas, e essa divisão numérica – mais uma característica que aproximava o Bairro Novo de Brasília, alias – foi abandonada.

Mas tecnicamente ainda existe nos mapas da prefeitura, o Bairro Novo ainda é sub-dividido no papel Xaxim Sítio Cercado bairro novo z/s árvore jardim maringá ctba zona sulentre conjuntos numerados, por exemplo “Moradias Sítio Cercado 5”, “ Moradias Sítio Cercado 10”.

De vez em quando os manos da quebrada tem acesso a um mapa com esse detalhe.

E passam a pichar nos muros “Sítio 10”, demarcando território. Já presenciei esse detalhe várias vezes.

Bairro Novo Z/S ctba Sítio Cercado periferia

Rua São José dos Pinhais.

O Bairro Novo ‘C’ veio depois.

As linhas Bairro Novo ‘A’ e ‘B’ foram criadas assim que o loteamento – e consequentemente o Terminal do ônibus do Sítio Cercado, que veio pra atendê-lo – surgiu, em 1992.

Já a linha Bairro Novo ‘C’ é de 2000, e portanto sempre teve seu itinerário escrito com ruas nomeadas, sem os números ‘a la’ Brasília.

Bairro Novo Zona Sul madeira Z/S ctba Sítio Cercado periferia

Muitas casas no mesmo quintal.

Como já dito acima, se em 2005 o Bairro Novo só tinha revestimento nas suas ruas principais, hoje ele está inteiro asfaltado, e bastante adensado.

É a ‘Cidade da Laje’, a ‘Grande Planície Curitibana’.

…………

Taí pessoal.

Do ‘Neoville’ a Ferrovila, do Bairro Novo a Terra Santa, da Vila do Papelão a Rurbana.

Bairro Novo Z/S ctba Sítio Cercado periferia duplex

Se não há espaço pro lado enche a laje e sobe pra cima.

Definitivamente prossegue a saga da Zona Sul.

………

Que Deus Pai-Mãe Ilumine a toda humanidade.

Esteja sempre em Paz.

“Deus proverá”

Buso-trem, buso-barco brasuca, bonde 2 andares: mais transgenia mundo afora

alexandria-egito

Alexandria, Egito – amplie pra ler o letreiro que indica a linha em árabe.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 13 de agosto de 2015.

Composto da maior parte de material inédito, porém acrescido de alguns emeios de 2014.

……..

Todas as fotos puxadas da rede.

Os créditos foram mantidos sempre que estavam impressos.

Os direitos autorais pertencem aos autores e sítios que publicaram, eu só reproduzo citando as fontes.

tribus invertido - sp

‘Tribus invertido’: surgiu em SP na década passada. Ônibus trucado há vários Brasil afora, especialmente em SP e no Nordeste. Agora, o que dizer desse que é ao contrário, os dois eixos são a frente? Assim ambos giram com o volante. Creio que foi o 1º nessa configuração no nosso país. Mereceu pintura especial, exclusiva pra ele, toda prateada: se fosse pelo padrão normal, ele seria roxo e branco, como todos do ‘interligado’. Fora que é híbrido (motor elétrico e a dísel), tem piso baixo e ar-condicionado. Por tudo isso tem um ar futurista, parece uma nave espacial que veio outra galáxia mais avançada. Fonte dessa e de outras fotos: sítio Ônibus Brasil.

………

Segue a série sobre a Transgenia Automotiva.

Começamos por um emeio de 14 de novembro de 2014:

Alexandria não abriga mais a tempos a famosa biblioteca que a consagrou. 
 

Em compensação, ainda tem um sistema de bondes operando.

O que não deixa de ser uma lembrança do passado. 

Isso eu já sabia.

O que descobri agora, e compartilho com vocês seguindo nossa série que retrata o transporte coletivo pelo globo, é a existência desse curioso veículo:

Um bonde dois andares, certamente herança da colonização inglesa no Egito.

Só faltava essa . . .

…………

bimodaltrilho? asfalto? pro buso-trem, tanto faz . . .

Em 1995, surgiu na cidade-gêmea ‘Porto União da Vitória’ (Porto União-SC/União da Vitória/PR) o Bis-Bus.

Um veículo rodo-ferroviário.

Ônibus normal, que anda nas ruas, com pneus. Bis-bus

Mas com algo mais.

Ao se posicionar sobre um trilho de trem, o motorista aciona uma alavanca e’, ‘voilá’:

rodoferroviarioO negócio se transforma numa litorina (um mini-trem, em que o vagão é também a locomotiva).

Assim ele podia utilizar a ferrovia da (então) RFFSA, que corta a cidade-gêmea, e que só é usado por trens uma vez ao dia.

Veja ele nas ruas, a esquerda ao lado da manchete.abandonado

E a direita, e logo acima, nas ferrovias.

No começo o bichão teve placas azuis, pelo seu caráter peculiar.

…………

bis-busVeja ao lado o que sobrou.

A esquerda uma foto mais recente.

Em que o bichão está em estado ainda mais avançado de decomposição.

E o autor informa o que foi feito do motor dele, amplie pra ler.onibus-trem

Pois infelizmente o trabalho desses pioneiros não foi compreendido.

Alias como frequentemente acontece na humanidade.

bisAssim só foi feito mesmo esse único exemplar experimental.

Não houve continuidade no projeto.

Nem nessa e muito menos em outras cidades.

Uma pena.

Bis-bus1Pois há centenas ou mesmo milhares de cidades mundo afora que tem trilhos de trem sub-utilizados ou mesmo abandonados.

Mas não teve jeito. O Bis-Bus foi abandonado e hoje apodrece num terreno baldio.

bi-modal

Aqui ainda estava sem placas, de qualquer cor. Depois do azul ele ganhou chapas vermelhas, como um ônibus normal.

Não deixe de conferir essa página, que é uma das fontes dessa matéria:

Revista Portal do Ônibus.

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Uma vez que o tema é bi-modalidade, vamos relembrar.

Já falamos sobre o ônibus-barco que há na Holanda.

Então se prepare pro que vem aí.

buso-anfibioterra? água? dá no mesmo. conheça o anfíbio verde-amarelo

Vamos dar uma volta pela Zona Sul do Rio?

O ponto de partida é a Urca.

Ao pé do Pão-de-Açúcar e buso-anfibio3seu bondinho mundialmente famoso.

Até aqui nada diferente de tantas e tantas opções de giros turísticos que há por lá.

Nessa que é uma das cidades que mais recebe turistas no mundo.

onibus-barcoA novidade vem agora:

A 1ª metade do passeio é por terra. A 2ª pelas águas da Baía da Guanabara.

E não é preciso fazer baldeação entre os modais. onibus-barco1

Pois trata-se do buso-barco brasileiro, um veículo anfíbio (bi-modal).

Como seus colegas dos Países Baixos.

………

buso-barco3Na verdade notamos que há dois modelos diferentes em ação no Rio.

Veja uma das fontes:

https://inbustransportonibus.wordpress.com/2014/03/25/o-primeiro-onibus-anfibio-do-pais-a-circular-no-rj/

………buso-barco

Mais algumas fotos dos ônibus anfíbios em ação na Cidade Maravilhosa.

Clique sobre as imagens pra ampliá-las, o mesmo vale pra todas.

buso-barco2onibus-anfibiobuso-anfibio2

chileATUALIZAÇÃO AGOSTO/16:

Muitas cidades até hoje não adotaram a 3ª porta, os busos ainda têm somente 2.

Quando o Gabriela era fabricado (fim dos anos 70/começo dos 80) era dificílimo 3ª porta, 99% dos Gabrielas (não-articulados) têm somente 2. chile1

Nessa matéria sobre ônibus elétricos estão mostrados Gabrielas Tróleibus de Araraquara-SP 3 portas, o que já é raro.

E o que dizer de Gabriela pitoco (não-articulado) de 4 portas???? Sim, eu disse 4 portas!!! Pois no Chile existiu… A fonte é o sítio A Todo Bus Chile.

É um Scania, claro.

brasilia-1967Agora segura essa cena (extraída do blog DF Memória Transportes): Brasília, 1967. Frota de Papa-Filas na Rodoviária do Plano Piloto.

O da frente vai pra Taguatinga via Núcleo Bandeirante (Ceilândia sequer existia). fnm-cenario

Um atrás segue por Gama Via Eixo. Carretas com cavalo FNM. Todos os motoristas usam gravata, bons tempos.

Nessa outra postagem, mais fotos dos Papa-Filas candangos, incluso uma raríssima colorida.

ATUALIZAÇÃO OUTUBRO/16:

FNM-ESTÚDIO FOTOGRÁFICO E BI-ARTICULADO VOADOR QUE É FACHADA DE MUSEU

fnm-cenario-2Acima vimos um FNMzão velho de guerra funcionando até como ‘avô’ do ônibus articulado em Brasília.

O FNM é o caminhão-semente brasileiro. Quem iniciou a arte de puxar carga nas nossas rodovias.

Pois bem. Graças a essa transgenia presente num posto em Registro-SP, qualquer um pode saber como é dirigir uma dessas máquinas:

Ao menos de mentirinha: nessa transgenia, a frente de um FNM é um cenário, como se fosse num estúdio de cinema.placa

Acima, o rosto do que que um dia foi um caminhão, pela frente e por trás.

Por onde você pode subir e alguém tira uma foto sua pelo para-brisas (inexistente, alias) na boleia do bichão. E acima a placa que há no local.

……..

Logo abaixo há um articulado Volvo Marcopolo que virou discoteca.

'google' mapas museu transporte - fábrica volvo ctba z/o cidade industrial cic ligeirão ônibus buso vermelho marcop saltando decolando voando estourando saindo parede barracãoVejam agora a frente de um de mesmo modelo se revoltou e saiu da fábrica voando, arrebentando a parede do barracão.

Trata-se da fachada do Museu de Segurança no Transporte. Que fica no mesmo terreno da fábrica, no bairro Cidade Indsustrial, Zona Oeste de Curitiba.museu transporte - fábrica volvo ctba z/o cidade industrial cic ligeirão ônibus buso vermelho marcop saltando decolando voando estourando saindo parede barracão

A foto ao lado é de minha autoria, mas saiu tremida pois tirei de um carro em movimento. Acima a mesma cena puxada via ‘Google Mapas’.

disco-bus…………

Volta o texto original. Eis um buso-discoteca: Bi-articulado ex-Curitiba, agora com um uso inusitado no interior de Minas Gerais.

Alias pelo visto isso é comum por lá.onibus-discoteca

Não é o primeiro que sai daqui e em MG é adaptado do transporte de massas pro lazer da moçada.

Sem vidros, como o outro, que virou ‘trem-bala’. Já esse aqui está na ‘Batida do Pancadão’.  Em outra escala a direita, amplie pra ler a ficha técnica.

jipe-nei brasuca…………

Em Acapulco, famoso balneário do México, existe o mundialmente famoso ‘disco-bus’.

É um caso diferente, são jardineiras que ainda operam no transporte urbano regular.

Mas que são decorados ao extremo, tem sistema de luzes e som, telões. Discotecas ambulantes.REDENTOR - HR015

Que ainda puxam linhas urbanas normais, dizendo de novo.

Andei neles em 2012. Levantei o texto pra página, fique ligado.

………

Esquerda, acima: mais um ‘Jipe-nei‘. Esse é brasileiro. em Caruaru-PE.

torino busscar

Torino da Busscar???? Uma transgenia dessas só mesmo em Apucarana, Norte do Paraná. Na Grande Curitiba flagrei um Torino da Caio. Parece que todo mundo fabrica Torino menos a Marcopolo…

Transgenia interessantíssima, misto de jipe e ônibus.

Um modal de transporte asiático por excelência.

E que aqui na América existe no Sertão da Paraíba e Pernambuco, e também em Cali-Colômbia.

……….

Direita, em vermelho: Transgenia Curitibana.

Com a implantação dos tubos adaptaram alguns ônibus normais:

Excluíram a roleta e 3 portas traseiras. E no lugar implantaram 2 elevadas.

Brest-Franca

Brest-França: eu andava pelo cais do porto quando avistei um ônibus 2-andares vermelho parado. Me aproximei…

………….

Hummm, toda essa conversa tá dando uma fome . . .

Que tal um lanchinho?

E pra isso vamos até o buso 2 andares que está parado ali perto do porto:

Cruzou o Canal: o ônibus-restaurante europeu (ainda) resiste 

Publicado em 13 de julho de 2014.

Brest-Franca1

. . . e constatei que atualmente é uma lanchonete.

Já fizemos uma série mostrando os restaurantes que funcionam/funcionaram em aviões no Sul do Brasil, nos estados do Paraná e Santa Catarina . 

Seguimos na mesma temática, sem que eu planejasse.

Andava eu (Visão de Rua/’Google’ Mapas) pelo Porto de Brest, na França. Quando me deparei com isso aí:

Um ônibus 2 andares vermelhão, que um dia foi do transporte urbano de Londres-Inglaterra.

transgenico

Já voltamos pra Europa. Antes observe esse transgênico no Norte do Brasil. Você já tinha visto retro-escavadeira andando de ônibus Tudo tem a 1ª vez…

Agora cruzou o Canal da Mancha. Ali mesmo onde aportou ele ficou, foi adaptado e atualmente serve lanches.
…………….

Tem capacidade pra 30 pessoas.

No andar de baixo está a cozinha e o caixa e algumas mesas, no de cima mais mesas e um balcão com cadeiras.

Nos dias quentes, colocam-se também algumas mesas e cadeiras de plástico no pátio a frente, como notam. 

Brest-Franca cais do portoEsse veículo não é um cenário, uma montagem.

É de fato um ônibus, que realmente transportou gente pela capital inglesa. Por isso as portas são a esquerda. 

…………….

salao

Vista do segundo andar.

Assim, caso um dia você esteja em Brest, na Bretanha Francesa, e queira comer alguma coisa, já sabe onde ir.

Mas se quiser apreciar essa curiosidade, seja rápido.

O ônibus-restaurante está a venda. E se é assim, é porque não está rendendo o suficiente.

Se a maré não mudar logo, ou se não aparecer outro idealista pra tocar o projeto, breve esse singular empreendimento deixará de existir. 

Quem sabe até já deixou: quando mandei o emeio, exatamente 1 ano e 1 mês atrás, ativei 3 ligações que falavam dele.

posto-avancado

Nos anos 90, um Nimbus Haragano que fora Expresso nos anos 70 e 80 foi chumbado ao solo e virou um posto de atendimento da prefeitura de Curitiba, na Praça Rui Barbosa, no Centrão. Fonte: A Folha do Omnibus.

Mas agora fui testar pra jogar na página, e as 3 morreram. Sinal que a fonte delas, o buso-restaurante, pode não existir mais igualmente. Ele estava a venda, repito.

………..

Há precedentes. As vezes os sonhos morrem. Na América, alguém já tentou tocar uma lanchonete num ônibus pitoresco adaptado.

Mas o Trabalho de um Sonhador chegou ao seu ponto final. E foi banido pra Sibéria . . .

Atualização de janeiro de 17:

kombis transgênicas e ‘casa-móvel pé-grande’

trailer-pe-grandeFalando em Sibéria: nessa outra matéria sobre transgenia mostramos o ‘Pé-Grande’ russo, um ônibus com rodas enormes.

Portanto preparado pra enfrentar as estepes da Sibéria no inverno, quando a neve cobre tudo, e na primavera, quando o desgelo dessa torna tudo um lamaçal.

Então segura essa a direita: casa móvel pé-grande, você já viu?

kombi1

E isso daqui???????????

Pra família que gosta de viajar sem precisar de hotel, simplesmente encosta em qualquer canto e ali dorme.

Agora eles podem conhecer a Sibéria, o Alasca, a Groenlândia, a Ucrânia no inverno, qualquer lugar que neve muito.

Ou podem ir a Amazônia na época de chuvas, ou outra parte do mundo que  tenha mais lama que estrada. Até pequenos rios ele cruza dispensando ponte. Com o Pé-Grande-Casa-Móvel, não há limites.

kombi-tribus

Kombi-Tribus.

SEÇÃO DAS KOMBIS AGORA – Já que o tema é Pé-Grande, dá só uma olhada a esquerda acima (!!!!) O que seria isso? Não, falando sério: o que é issooooooooooo?????????

Um Pé-Grande Kombi esticada como uma centopéia. Segundo o Ploc Gigante, aquele que um dia foi o maior carro do mundo tinha 9 metros, e 4 janelas. Essa tem 16 janelas !!!!!!!!!!!!!!!

Cara, não sei se é brincadeira, ou se é sério quem fez esse veículo e porquê. Achei na rede, e levantei pra página. Cada um que tire suas próprias conclusões

kombi

Uma coisa puxa a outra”, dizia a ‘frase de caminhoneiro’ no para-choque de um bi-trem. Aqui, uma Kombi puxa a outra.

……..

Já fiz uma matéria sobre os Tribus, os ônibus trucados (com 3° eixo). Na verdade lá nós vimos que o 1° Tribus brasileiro foi uma perua Rural Willys. Mas e Kombi Tribus? 

Curiosamente, as duas Kombis acima são na mesma cor, verde-claro com janelas brancas. Essa mesma configuração de pintura é usada até hoje no transporte urbano da Cidade do México, no sistema municipal.

Na Região Metropolitana mais ainda, mas aí as Kombis são brancas, inclusive eu peguei elas.

E fechamos com as Kombis com reboque. Digo, reboque é normalíssimo, e isso por si não geraria pauta pra matéria. Mas…. os reboques também são Kombis, cortadas ao meio ou ainda menores.kombi-reboque

Como só tem um eixo, elas não podem sair do engate, porque senão tombam pra frente ou pra trás. E, detalhe, mantiveram a frente e traseira originais.

Eu encerro meu caso.

“Deus proverá”

“Zona de Bomba”????? Calma, são só os bombeiros no Chile

vinha - interior do chile1

Chile, o país do vinho. As margens da estrada que liga a capital ao litoral são dezenas de vinhas.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 22 de julho de 2015

Seguimos falando sobre o Chile.

Todas as fotos foram tiradas pessoalmente por mim.

Exceto óbvio a que está acima da manchete, claramente identificada como captada via ‘Google’ Mapas. Começando por ela, então.

porto de val1

Porto de Valparaíso

Vou enxertar partes de um emeio que escrevi mais de dois anos antes de eu pisar em solo chileno, quando eu conhecia esse país apenas pela internet.

Zona de Bomba????? Calma, as aparências enganam…
centro-stgo2

Centro de Santiago

Publicado em 29 de janeiro de 2013.

Andava eu por Santiago do Chile via Visão de Rua do ‘Google’ Mapas quando, num bairro de classe média alta, vi uma placa que alertava:

“Zona de Bomba”. Como assim????.

Evidentemente, “Zona de bomba” deveria ter outro sentido, que não atentados terroristas.

hospital militar zona leste

Hospital Militar de Santiago, na Zona Leste. Ao fundo os Andes.

De fato assim é. Fui pesquisar, e pelo visto esse termo espanta todos os brasileiros que visitam esse país trans-andino. A ponto que um deles já esclareceu:

Zona de bomba”, no Chile, significa simplesmente “corpo de bombeiros”.

Menos mal….

As aparências enganam, não é mesmo?

………..

classe alta zl1

Bairro de classe alta, também Z/L de Santiago.

Acaba aqui o emeio de 2013, retorna o material inédito feito em 2015.

Repare como em todas as tomadas o céu está absolutamente azul, sem nenhuma nuvem. O Chile é muito seco, quase não chove.

A vegetação que adorna suas cidades se daria muito bem no interior do Nordeste ou, melhor ainda, no Altiplano Boliviano, seco e frio como o Chile.

………

centro-val1

Centro de Valparaíso, com suas muitas ladeiras.

Alias, no Chile há comunidades boliviana e peruana muito grandes. E também, em bem menor medida, colombiana.

Fazendo uma comparação com a Argentina, onde há muitos paraguaios, muitos bolivianos, poucos peruanos e praticamente nenhum colombiano.

Então, no Chile igualmente há muitos bolivianos (tanto quanto na Argentina), muitos peruanos (muito mais que na Argentina).

E alguns colombianos (poucos, mas ainda assim mais que na Argentina).

ave. peru beira-mar vinha

Avenida Peru, a beira-mar elegante de Vinha do Mar, Grande Valparaíso.

Em compensação, no Chile quase não há paraguaios, que existem em enorme número na Argentina.

No Chile há pouquíssimos negros.

90% dos afro-descententes que você vê nas ruas chilenas são colombianos

E alguns são brasileiros. Mas nossos patrícios que vão morar no Chile (de todas as raças) quase todos são de classe média pra cima.

Já os colombianos são pessoas simples, semi-analfabetos que vão fazer serviços braçais na construção civil e coisas do gênero.

ima-de-geladeira

Os chilenos adoram vinho, a bebida é até ímã de geladeira.

Novamente isso inclui gente de todos os tons de pele, há muitos colombianos brancos, e eles também emigram pro Chile.

O que eu quis dizer é que há poucos chilenos negros, a maior parte dos que estão lá são estrangeiros.

……….

Há um setor do Centro Velho de Santiago que concentra a comunidade peru-boliviana.

vinha

Vinha do Mar

Existem lado-a-lado no calçadão dezenas de centrais telefônicas onde você pode fazer ligações internacionais pelo preço de local (aproveitei e liguei pra minha esposa no Brasil).

E vários restaurantes típicos desses países. O preço é popular, muitos dos clientes são os próprios imigrantes.

Mas a massa trabalhadora chilena também come ali, pois é o que cabe no seu orçamento.

vinha do mar - chile

Vinha do Mar, a orla rica vista de um dos muitos morros da cidade.

No Mercado Municipal de Santiago também há muitos restaurantes bolivio-peruanos, mas esses são caros, direcionados aos turistas.

Nós não almoçamos neles, andamos algumas quadras e achamos um restaurante dominicano.

Veja que curioso. Eu fui a República Dominicana em 2013, e claro comi muitas vezes a culinária popular deles, porque fazia as refeições em restaurantes do povão.

favela - interior do chile

Favela no interior do país, as margens da auto-estrada

E agora, um ano e meio depois, num país que quase não tem negros, fui de novo a uma casa típica dominicana.

Acrescento que algo que nos chamou a atenção foi que não apenas nesse, mas em todos os restaurantes, bares e casas noturnas chilenos há um cartaz na porta que deixa bem claro:

ave. peru beira-mar vinha1

Beira-mar na parte rica de Vinha, pavimentada em concreto.

O estabelecimento se reserva o direito de impedir a entrada de pessoas, conforme julgue conveniente”.

Ou seja, gente sem camisa, embriagada, ou que de qualquer outra forma apresente comportamento dissonante, todos serão barrados na entrada, é uma prerrogativa legal do comerciante.

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vida no morro valpo1

Favela em morro de Valparaíso. Rua de concreto.

Já que estamos na culinária, eu creio que no Chile eles não têm muito costume de comer azeite de oliva.

Fomos numa pizzaria. Refinada, essa não tinha nada a ver com os restaurantes mais simples do calçadão onde almoçam os imigrantes. Ao contrário.

Num bairro de classe média, com quadros na parede, ambiente de meia-luz, mesas na calçada.

Não era de luxo, mas não era simples e nem barato, você entendeu.

maipu zona oeste

Maipú, periferia da Zona Oeste de Santiago: rua cimentada.

Pedimos azeite. O cara demorou uma eternidade, achamos que ele tinha ido moer as azeitonas.

E no fim . . . o garçom trouxe numa tigela um pouco de óleo de soja. É mole?

E não foi falha na comunicação. Eu sei, ‘aceite’ significa nossa palavra ‘azeite’, e também a palavra ‘óleo’.

classe alta zl3

Bairro elitizado na Z/L de Santiago: rua de concreto.

Tanto o óleo comestível quanto o que se põe no motor do carro. 

Mas nós explicamos, e oras, no Brasil é padrão em toda pizzaria o azeite já fica na mesa, nem é preciso pedir.

Pedimos, e explicamos bem, mas não veio, pior, veio outra coisa.

…………

Voltemos a falar dos imigrantes. Na capital Santiago há um número muito elevado cozinha peruana-valdeles.

O Chile é muito mais rico que os vizinhos que ele bateu na ‘Guerra do Pacífico‘.

Assim acolhe uma porção significativa de peruanos e bolivianos que vão lá trabalhar.

Em Valparaíso essa concentração é bem menor, mas existe. Fotografei um restaurante no Centrão dessa cidade portuária (esquerda).

bombeiros-vAlias se alguma construção da Zona Central de Valpo pegar fogo vão ligar pra “Bomba Espanha”:

Trata-se de um grupamento do corpo de bombeiros local, visto ao lado.

Corporação que em sua fundação, no século 19, teve grande impulso dos imigrantes britânicos, por isso os nomes de várias estações são em inglês.

centro-stgo

Centro de Santiago. No Chile o concreto é mais comum que asfalto. Centro, classe alta, média e periferia, capital e interior.

O Chile sofre enorme influência da Inglaterra. Tanto quanto na Argentina, e muito mais que no Brasil.

Pra nossa Pátria Amada vieram poucos ingleses no século 19.

Mas pras cidades portenhas da Argentina e Chile (Buenos Aires e Valparaíso) foram muitos.

Exatamente por isso o nome de boa parte dos clubes de futebol dessas nações são anglófilos, como ocorre com os bombeiros.

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Garagem do sistema Transantiago, na Zona Leste.

Deixando a Argentina pra lá, que não é nosso foco hoje, todo Chile foi muito moldado em seu ‘ethos’ pela Inglaterra.

Urbanisticamente falando Santiago é uma cidade britânica, pontilhada de conjuntinhos geminados, como já mostrei melhor em outra oportunidade.

centro-val4

Aqui e a direita, Centro de Valparaíso

Ainda assim, na composição racial Santiago é muito mais americana que Valparaíso.

Por isso quero dizer mais indígena. Na capital os ameríndios são 40% do total de pessoas, mais ou menos.

O litoral é mais branco no geral, ali os descendentes de americanos nativos são cerca de um terço.

E mais inglês em particular, na Grande Valparaíso nota-se mais que em Santiago os resquícios da cultura britânica levada pelos marinheiros inglesescentro2-val

Em compensação, urbanisticamente Valpo é América pura, é 100% americana da corpo e alma, tomada que é por centenas de favelas que se empilham por seus morros.

………

clube palestino-santComentemos as imagens (clique sobre que elas aumentam).

Lembre-se, nem sempre a descrição corresponde a foto que está mais perto, busque sempre pela legenda.

…………ass. moradores-vinha

Acima: Clube Palestino.

Aqui é a sede social, num bairro de classe média-alta entre o Centro e a Zona Norte de Santiago, ao pé do morro São Cristóvão.

zona oeste

Zona Oeste de Santiago

Eles têm um time de futebol, fui ver uma partida dessa equipe no estádio, em Valparaíso.

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Direita: Associação de moradores do bairro Britânica, em Vinha do Mar, Grande Valparaíso.

Eu fiquei hospedado no ‘Bairro dos Ingleses’, no município de Valparaíso. cohab - vinha4

Tudo isso mostra o quão arraigada é a presença dos súditos da rainha Elizabete no litoral do Chile.

…………

cohab - vinhaTem mais. Visitamos (a pé) uma cohab no alto do morro em Vinha do Mar.

Não é perto da ‘Britânica’, vista acima. Pois a Britânica é no pé do morro, próximo ao Centro, ainda na parte plana da cidade. cohab - vinha1

A cohab que nós fomos é, ao contrário, na Cidade Alta, no alto da montanha.

A associação de moradores (direita) chama-se ‘John Neary’, mais um britânico evidentemente.

passarinhos zona oeste

Zona Oeste de Santiago

Mas não para por aí. Fomos em dois conjuntos, vizinhos.

O primeiro é de sobrados geminados, como visto nas fotos ao lado.

Se você conhece a periferia das cidades do Reino Unido e da Irlanda (ainda que só por fotos e filmes, como é meu caso) sabe que o cenário é idêntico, sem tirar nem pôr.

porto de val

Em outra escala, a avenida que margeia o Porto de Valparaíso

Abaixo mais cenas da cohab de sobradinhos em Vinha.

Um cara ergueu a parte de cima do sobrado de madeira.

Ficando misto, pois o andar de baixo é alvenaria.

Essa hibridização de modais é muito comum na periferia do Chile, verão mais exemplos nessa outra postagem.

Voltando a cohab de Vinha, veja a vista que os moradores têm:

cohab - vinha2cohab - vinha3cohab - vinha5

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cohab sem muros - vinhaE depois fomos, logo ao lado, a uma cohab de prédios baixos, os pombais. Iguais as milhares que há nas periferias das cidades brasileiras.

Mas com uma diferença fundamental: ela ainda não é cercada. Qualquer um pode entrar e passear por seu pátio, estacionamento, parquinho, praça, mirante. 

cohab sem muros1 - vinha

Fica no alto do morro, e tem uma praça com belo mirante.

E de fato foi o que fizemos. Foi uma volta no tempo. Até o começo dos anos 90 os prédios no Brasil (em Curitiba pelo menos) não tinham grades.

Você podia fazer exatamente isso que fizemos no Chile, usufruir das áreas comuns do condomínio mesmo sem ser morador, e sem ser convidado de nenhum morador.

Mas atenção: a imensa maioria dos edifícios no Chile é cercada, e muitíssimo bem cercada.

praca - cohab - vinhaMandarei muitas fotos na próxima mensagem:

Seja de classe média ou no subúrbio 99% dos prédios desse país tem muros e cercas altas e afiadas a protegê-los.

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madeira z-leste

Casa de madeira na Zona Leste de Santiago.

Não pensa que o Chile é um oásis de tranquilidade porque esse está muitíssimo longe de ser o caso.

Em Santiago, em Valparaíso e mesmo na própria Vinha do Mar em todos os outros conjuntos há muros e portaria.

E só entra quem for devidamente autorizado. Esse aberto é a exceção de confirma a regra.

rodoviaria-sant……………

Vamos ver agora a Rodoviária Central de Santiago.

Como já disse em outra mensagem, são duas na cidade:rodoviaria-sant2

A Central, que é a que foi fotografada aqui. Dali saem ônibus pra todo Chile e pros países vizinhos americanos.

Mais uma linha pro Aeroporto, feita por 2 viações, uma delas têm aqueles busos dois andares.

E a há a Rodoviárias “dos Passarinhos” na Zona Oeste.

aeroporto-rodoviariaTem esse nome porque fica na avenida de mesmo nome. Todas as linhas partem da Estação Central. Todas, sem exceção.

Mas as linhas que saem da cidade pelo oeste fazem rodoviaria-sant1uma segunda parada nos Passarinhos.

Assim quem é da região não precisa ir ao Centro, embarca ali mesmo. Isso vale pros busões que seguem rumo ao litoral e também o que vai pro aeroporto.

onibus chines no chileTraçando um paralelo com São Paulo, é como se as linhas pra Baixada Santista partissem do Tietê, cruzassem a capital pelas Marginais.

E parassem no Jabaquara antes de pegarem a Imigrantes/Anchieta.

fuscas-vinha

Coleção de Fuscas em Vinha do Mar. Ao lado um micro urbano da Grande Valparaíso.

Não é assim que acontece no caso paulista, os busos saem direto do Jabaquara, se você for ao Tietê querendo ir pra praia perderá a viagem.

No Chile é diferente, você pode embarcar em qualquer uma das rodoviárias.

Essa mamata é pra poucas linhas, a maioria delas é só na Central. Mas pra ir pra praia é possível.

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interior do chile

Pequena cidade no interior do Chile, não sei o nome, fotografei do busão em movimento.

As duas maiores viações do Chile são a Tur Bus, com sua frota verde clarinho, e a Pullman Bus, que pinta os ônibus de …, de …., ah sei lá como dizer.

As Mulheres são melhores pra definir tons de cores.

Como eu sou Homem, vou simplificar: é da cor que vocês estão vendo na foto acima, meio vermelho, meio bege, sei lá, é isso que você vê na foto, repito. 

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vinha4

Orla de Vinha do Mar

Detalhes: primeiro, buso Zhong Tong, fabricação chinesa óbvio.

Na República Dominicana também fui da capital ao litoral em ônibus chinês. O mundo está mudando.

De volta ao Chile, os rodoviários são chineses e brasileiros.

E, segundo, assim que você adentra no veículo vê uma placa no banheiro: “Exclusivo pra urinar”. Ou seja, fazer o ‘número 2’ a bordo nem pensar.

vinha - interior do chileSe você estiver apurado e necessitar, é pra avisar o motorista que ele para num posto. Me informaram que na Argentina é exatamente igual.

…………vinha - interior do chile3

Além daquela cidadezinha que não sei o nome mostrada acima, fotografei diversas vinhas no caminho entre a capital e o litoral.

Não por acaso o ‘Guarujá Chileno’ chama-se ‘Vinha do Mar’. Eu traduzo tudo, vocês sabem. ‘Vinha’ é exatamente originada de ‘vinho’, e não do verbo ‘vir’.

passeio a cavalo-vinha……………

Esquerda: passeio de carroça nas áreas turísticas de Vinha.

No Brasil não temos esse costume. Mas em diversos países é comum.

patriotismo valpo

O chileno é um povo hiper-nacionalista. Veja essa favela em Valparaíso, as casas caindo no barranco. Mas a bandeira está ali, orgulhosa.

Se você já foi a Nova Iorque-EUA, ou viu filmes dessa cidade, sabe que essas carroças existem as centenas no Parque Central.

Bem, eu fui a Nova Iorque, fui ao Parque Central, vi as carroças, mas lá não andei nelas. No Chile, igualmente, eu apenas observei, sem utilizar.

Mas em Acapulco-México eu andei. Foi uma experiência interessante.

…………

Digo, andar de carroça não é novidade pra mim.

bandeiras na favela - stgo

Na capital é o mesmo. Barraco miserável em Santiago. Com um pavilhão pátrio em cada lado do portão, pra guardar bem a passagem.

Meus sogros são agricultores, e moram até hoje num pequeno sítio no interior do Paraná.

Então já muitas vezes me locomovi em veículos de tração animal.

Mas dentro da cidade, como uma coisa turística, eu vi nos EUA e Chile mas não usei, e no México vi e usei.

…………..

Em Vinha do Mar alguns bairros têm as ruas numeradas, tipo “Rua 1 Oeste”, a seguinte é a 2, etc.

Como em Nova Iorque, mas adiciona-se após o numeral a posição geográfica em relação ao passagem-stgoCentro: Norte, Leste, etc.

Já em Santiago, na periferia, há uma avenida principal.

As transversais, as vias locais, ou são numeradas, ou repetem o nome da principal mais um número ou letra.

passagem-stgo1Exemplificando é mais fácil entender. A principal da vila é a Rua Camarões. A ‘Passagem nº 1′ é a primeira transversal depois obviamente vem a 2.

Se surgir mais uma rua entre ambas vira a ‘Transversal 1 1/2.’. Isso mesmo. Transversal ‘Um e meio’.

………..beira-mar ruas numeradas vinha

Acima, a Av. José Arrieta. As transversais têm o mesmo nome, vai subindo aquelas letras embaixo.

A próxima transversal leva a identificação E, F, G. E assim vai.

alto-valpo

Valparaíso

A direita a Av. Peru, a beira-mar de Vinha. Cruzando com a “Rua 6 Norte“.

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Em outras mensagens já vimos a favela que há no morro São Cristóvão, entre o Centro e a Zona Norte, uma das poucas favelas de toda Grande Santiago.

terminal zona oeste

Terminal urbano na Zona Oeste de Santiago.

Então abaixo cenas do entorno não-favelizado da mesma montanha. Clique sobre pra ampliar.

1) O São Cristóvão visto bem do Centrão.

2) Estamos nos aproximando dele, foto tirada ao sopé no Centro.

Um bairro boêmio e de classe média-baixa, cheio de bares, repúblicas de estudantes e cortiços, parecido com a Lapa-RJ.

3 e 4) Estou contornando-o. Aqui já é uma região de classe média-alta, onde fica a sede do Clube Palestino, cuja foto vemos no topo da página. No comecinho da Zona Norte, ainda perto do Centro.

centro - s. cristovaocentro monte s. cristovaozona norte - morro s. cristovaozona norte

suburbios oeste-sant

Subúrbios a moda estadunidense no extremo Oeste da Grande Santiago, já fora da cidade.

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Agora vejam como é o subúrbio da Zona Norte, também no pé do morro mas já bem distante do Centro, no fim da montanha.

1) Bairro de classe média logo na descida da ladeira.

2) Uma região bem mais humilde que há logo depois. As ruas sempre de cimento.

Aquelas casas simples, de alvenaria, com saída pra rua, são a periferia típica do Chile, e também da Argentina.

zona sul area industrial

Zona Sul de Santiago, uma área industrial.

3 e 4) Uma avenida comercial nas redondezas. Sempre as montanhas ao fundo, é a paisagem normal em Santiago.

Esse não é o monte São Cristóvão, que está a minhas costas, e nem os Andes, que são longe dali. É uma outra cadeia que emoldura a cidade no sentido boreal.

5) Já estou chegando no Centro onde há esses prédios.

E 6), estou de volta a Zona Central. Logo depois que captei essa tomada cruzei o Rio Mapocho, ou seja o coração da cidade.

zona norte pe do morrozona norte1zona norte3zona norte2zona norte4zona norte-central

…………….zona leste

A Zona Leste de Santiago, porção elitizada da capital chilena.

Mas que também tem casas mais humildes, como a vista a direita.

vida no morro valpo

Valparaíso, a “vida no morro”.

Agora a sequência horizontal abaixo:

Avenida ‘Diagonal Oriente’. 

Como o nome indica, corta toda a Z/L, de sua porção extrema (1ª foto) que já fica na subida da Cordilheira até o Centrão (2ª).

Tem fluxo reversível, de manhã é periferia-Centro, inverte no pico da tarde.

diagonal oriente-suburbiozona leste-centralclasse alta zl4classe alta zl2classe alta zl

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Zona Central de Santiago:

zona central-stgocentro-stgo1centro-sant

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Passamos pro Centro de Valparaíso. Clique sobre pra ampliar.

centro1-valcentro-valcentro-val2centro-val3valpo-centrocentro-val5centro-val6lata - centro - valhercobolus centro - valcentro-val7

fusca centro valRepare na antepenúltima tomada um prédio de zinco, modal muito comum no Chile.

E na penúltima um cartaz da Gnose (Doutrina muito forte na Colômbia) alerta pra chegada de ‘Hercóbolus’:

Um ‘planeta intruso’ ao sistema solar que segundo muitos creem provocará grandes desequilíbrios na Terra. É esperar pra ver . . .madeira-valpo

Voltando aos temas terrenos, flagrei mais um guerreiro Fuca, também no Centrão de Valpo.

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Periferia de Valparaíso, morro no bairro São Roque. Começando a direita por essa casa de madeira.

Alguém pintou no muro o nome da rua, e fez questão de inclusive indicar que é mão única, como nas placas oficiais. Depois uma via de terra, uma das poucas do Chile que não foram ainda cimentadas.

placa de rua valpoterra-valpovalpovalpo1valpo2valpo3

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E fechamos com a orla de Vinha do Mar.

vinha1vinha2vinha3

Que Deus Ilumine ao Chile, e a toda humanidade.

“Deus proverá”

1953: vaca “Cherry” e seu dono argelino; Augusto tinha piu-piu; e FRG era SJP‏

Grande Curitiba, 1953

Grande Curitiba, 1953: a área urbana era só a mancha escura na Zona Central. Clique pra ampliar e ler os detalhes.

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 11 de janeiro de 2013

Vejam um mapa do município de Curitiba e imediações de 1953.

A imagem foi modificada por mim pra ressaltar algumas coisas que mudaram:

Todos sabem que o nome Bacacheri (Zona Norte) vem de um animal, a vaca Cherry.

Da época que ali haviam chácaras.

O dono de um pequeno sítio tinha um desses bichos, chamada “Cherry” (‘Querida’, em francês).

Como é notório, os espanhóis pronunciam a letra “v” como se fosse “b”.

Escrever ‘Curitiba’ ou ‘Curitiva’ pra um hispano-falante dá no mesmo, se fala igualmente Curitiba. Vaca 'Cherry'

Logo, um espanhol (ou português oriundo de região fronteiriça com a Espanha) chamava o animal de “baca Cherry”, que foi simplificado pra “Bacacheri”.

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Argelia1Essa história é relativamente famosa.

Menos famoso é o fato que parte do Bacacheri já se chamou “Colônia Argelina”, e nesse mapa consta essa denominação.

Isso porque, na primeira metade do século 20, o Bacacheri foi povoado por algumas famílias de franceses.

Boa parte deles havia vivido antes na Argélia, então colônia da França.

Argelia

Argélia

De forma que a região, na época área rural, cinturão verde fora da cidade, foi batizada homenageando os colonos franceses recém-egressos desse território africano.

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Vejam que em 1953 três municípios que fazem limite com Curitiba eram bem maiores:

São José dos Pinhais (SJP) incluía os atuais municípios de Mandirituba e Fazenda Rio Grande (FRG).

Praça Rui Barbosa ctba centro z/c p-b aérea antiga anos 50

Praça Rui Barbosa, no Centro, anos 50. Veja mais fotos retrô no sítio Curitiba Antiga.

Dia desses, comentei que Fazenda Rio Grande (Zona Sul metropolitana) havia pertencido ao município de São José dos Pinhais. De fato assim se deu.

Um colega que não conhecia esse pormenor comentou que Fazenda Rio Grande se separou de Mandirituba, em 1992, e é verdade.

A questão é que a própria Mandirituba já havia se separado de São José, em 1960.

Como esse mapa é dos anos 50, aqui São José dos Pinhais vai até Araucária.

anos 50 buso velho jurássico ctba p-b são josé pinhais sjp 1 porta

Correção: anteriormente eu escrevi que esse era um “ônibus da Auto Viação São José na década de 50”. Um colega me retificou: “O ônibus da foto não pertenceu à Auto Viação São José Ltda de São José dos Pinhais-PR. Esta empresa nos anos 50/60 era denominada Auto Viação Santo Antonio – (de) São Jose dos Pinhais. Pertencia a família Zen, muito tradicional por aqui. Nesta época a empresa utilizava basicamente modelos da fabricante paulista CAIO com motorização Mercedes-Benz.” De fato. O amigo tem razão. O veículo retratado acima foi da Auto Viação São José de Urussanga-Santa Catarina. Eu creio que esse ônibus já esteja aposentado. Quem sabe? Coloco em dúvida porque nessa mesma Urussanga ainda há (em 2016) na ativa 2 busos fabricados em 1976, portanto com 40 anos de pista. Sim, é isso: 4 décadas de uso, e ainda contando!!!

Eu mesmo marquei o limite que foi instituído em 1960, entre São José e Mandirituba (1960-1992).

E, depois que Fazenda se tornou independente de Mandirituba, entre São José dos Pinhais e Fazenda Rio Grande (1992-presente).

Também em 1992, o distrito de Pinhais se tornou município, se separando de Piraquara (esses dois ficam na Zona Leste da Grande Curitiba). Observa os nomes no mapa.

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Timoneira é o atual Almirante Tamandaré, na Zona Norte metropolitana.

Além da mudança de nome, houve aqui mais um seccionamento.

Da linha vermelha pra esquerda, hoje ali é Campo Magro, que se separou de Almirante Tamandaré em 1996.

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Algumas outras curiosidades:

– O atual Capão Raso (Zona Sul) aqui é nomeado “Capão Grande”.

O bairro que hoje se chama Sítio Cercado (também Zona Sul) aqui está grafado Boa Vista.

1914

Mapa de 1914 em que o nome ‘Argelina‘ também está presente. Veja essa outra matéria com diversos mapas antigos, do meio do século 19 ao meio do século 20.

Só veio a ser conhecido por Sítio Cercado depois, quando o dono do que era uma grande chácara – justamente chamada “Sítio Cercado” por ser cercado por pequenos rios – começou a dividir e vender sua propriedade como lotes urbanos.

Ainda na Zona Sul, vejam que há 2 “Xaxim”. Um é o atual Xaxim mesmo , e esse nome se manteve.

Acima dele, onde hoje estão partes da Vila Fanny, Vila Hauer e mesmo o norte do Xaxim, tudo isso era chamado então de “Xaxim Cercado”.

Nessa matéria eu falo mais de antigos nomes dos bairros e municípios da Grande Curitiba.

………..

Já demos conta da “Baca Cherry” e da “Colônia Argelina”, e também de FRG e SJP. O que significa então aquele “Augusto tinha piu-piudo título?

onibus Sao Jose dos Pinhais anos 80[1]

Agora sim um ônibus da Auto Viação São José dos Pinhais. Embora num período mais recente: esse Monoboloco deve ser dos anos 70, e circulou nessa configuração até os anos 80. Veja outro Monobloco, bem mais novo, mesma viação e pintura, em foto colorida dos anos 90.

Pra falar disso, vamos agora pra Zona Oeste. Ali há um bairro que se chama atualmente Augusta, um nome de Mulher obviamente.

Entretanto, no mapa diz Colônia Augusto, homenageando um Homem. Ops, alguma coisa estranha aconteceu aqui….

De fato aconteceu.

O governador Lamenha Lins formou diversas colônias agrícolas na Zona Oeste.

Que então era área rural. Pra acolher a leva de imigrantes que chegavam da Europa (especialmente italianos e polneses).

Ele criou a Colônia Dom Pedro, na divisa entre os municípios de Curitiba e Campo Largo, e, um pouco abaixo Lamenha Lins homenageou o primeiro neto de Dom Pedro. Homem virou Mulher

Um neto Homem, varão, chamado Dom Augusto. Aí surgiu a Colônia Augusto, e em 1953, como constatam, ela ainda tinha seu nome original. 

A imagem não está bem nítida, mas se você prestar bem atenção dá pra ver.

Entretanto, algum tempo depois, sabe-se lá porque, resolveram transformar Dom Augusto em Augusta, feminizando seu nome.

E por isso uma cena do filme “Pele que Habito”, de Almodóvar, a direita.

Pra quem não viu, é a história de um Homem que foi sequestrado, e, contra sua vontade, transformado em Mulher.

De forma completa, cirurgicamente.

Com Dom Augusto o mesmo se deu, depois de morto. ‘Cortaram o piu-piu’ do neto de Dom Pedro. Que coisa, né?

Mas esse mapa prova que o nome original do bairro era masculino.

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1959: início da construção do Hospital Evangélico, no Bigorrilho, Zona Oeste.

………..

Também na Zona Oeste há um outro caso igual, de uma pessoa que virou nome de bairro após ‘passar pelo arco-íris’.

Mas aí na mão inversa, masculinizaram uma Mulher. Surgiu o bairro do Bigorrilho, ex-Bigorrilha.

Joguei no ar essa postagem também.

Deus proverá”

Bagé (quase) não tem casa de madeira, as Missões têm: a 4ª Dimensão “transborda” a 3ª

Bagé-Brasil1

Bagé-RS: Única cidade do Sul do Brasil que (quase) não tem casas de madeira

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 30 de dezembro de 2014

Nota: por ‘3ª Dimensão’ eu me refiro a dimensão material.

Já a chamada ‘4ª Dimensão’ é o Plano Mental da Humanidade.

O Inconsciente Coletivo da psicologia, onde as ideias ficam estocadas aguardando a hora de se materializarem.

bage

Bagé

Isto esclarecido será fácil entender o que quis dizer por ‘transbordamento’.

É simples: todo o Sul do Brasil (e também o Norte) tem muitas casas de madeira na periferia. 

Veja algumas fotos de Guarapuava, Sul do Paraná, e também Sul do Brasil.

No Chile igualmente.

Porto Iguaçu - Missões - Argentina1

Porto Iguaçu, Missões: a Argentina só tem casas de madeira em suas pontas.

Entretanto, a Argentina e seus vizinhos menores que são muito influenciados por ela, o Paraguai e o Uruguai, por outro lado quase não têm casas de madeira.

A periferia típica deles, e também do Nordeste Brasileiro, são moradias pequenas muito humildes, e frequentemente sem quintal, com saída direto pra rua.

Mas sempre de alvenaria, esse é o ponto.

Pois bem. Há uma exceção pra cada lado: o estado argentino das Missões tem muitas casas de madeira.

continente

América: onde tem e onde não tem casa de madeira. Clique sobre o mapa pra ler os detalhes. Ao lado em escala maior.

É um pedaço do Brasil dentro da Argentina, Energeticamente falando.

Porém: a cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul, quase não tem residências em madeira.

É, vice-versa, um pedaço da Argentina dentro do Brasil.

Entenda que atenho a dimensão específica de como as residências são construídas.

Não estou analisando outros rasgos de comportamento (como preferências políticas, culinária, etc) de cada um desses povos, até porque nem tenho elementos pra isso.

………

Assim, fechando bem o foco só pra esse aspecto da cultura, podemos afirmar sem medo quer há um “transbordamento”:

Na 4ª Dimensão, no Plano das cone sulIdeias, no Arquétipo, o Brasil tem casas de madeira, a Argentina não tem.

E no geral é assim mesmo quando a coisa se manifesta na 3ª.

……..

Bagé-RS-Brasil1

Bagé: casas sempre em alvenaria

Mas há uma exceção pra cada lado, cada faixa de Frequência no Arquétipo ‘invadiu’ o território da outra na matéria.

É como se as dimensões não tivessem sido bem ‘coladas’, entende?

Grande Buenos Aires-Argentina

Favela na Grande Buenos Aires: a Argentina não tem casa de madeira, exceto nas Missões e Terra do Fogo.

Fiz essa descoberta muito interessante via ‘Google’ Mapas nos últimos dias de 2014.

Vamos ver tudo isso na prática. Observemos a periferia dessas cidades:

Os arrebaldes de Bagé, em seus bairros mais miseráveis, como observam:

Ruas de terra, esgoto a céu aberto, casas minúsculas sem muros e sem revestimento.

Grande Buenos Aires-Argentina2

Grande Buenos Aires: muita pobreza. Mas moradias sempre em alvenaria. Sempre, sem exceção.

E sempre em alvenaria. Digo, há algumas moradias em madeira esparsas, não teria como a manifestação ser inexistente. Mas são raríssimas.

Bagé é a ‘ovelha negra’. O resto do Rio Grande do Sul segue o mesmo padrão do Sul (e Norte) do Brasil.

A capital Porto Alegre e Caxias do Sul, Erechim, Passo Fundo e Santa Maria, algumas das principais cidades do interior:

Todas elas têm residências de madeira em profusão em seus subúrbios.

O mesmo vale pra Uruguaiana, que fica já na divisa com a Argentina, basta cruzar o rio, e não muito longe do Uruguai como o nome indica.

Mas nessa dimensão, e em muitas outras, é uma cidade totalmente brasileira, sul-brasileira.

favela Córdoba-Argentina1

Favela em Córdoba, interior da Argentina (veja o carroceiro): as casas são todas de cimento. Todas elas, enfatizo de novo.

Fotografei todas pela tela do computador.

Em cada tomada aparece duas ou mais casas de madeira vizinhas, o que evidencia o quanto elas são comuns nos bairros mais humildes.

As vezes eu repito a imagem em escala maior por motivos de clareza, o ‘Google’ fez alterações no programa que vieram pra pior.

Seja como for, você dificilmente conseguirá achar duas casas de madeira vizinhas em Bagé, porque uma já não é tão fácil de ver. A única cidade de todo Sul Brasileiro que isso ocorre.

Córdoba-Argentina1

Outro subúrbio pobre de Córdoba: rua de terra, casa bem simples, sem muro nem acabamento. Mas sempre construída em alvenaria.

E você definitivamente não conseguirá achar duas casas de madeira juntas em Buenos Aires, Córdoba ou Mendonça.

Se achar uma já será um grande feito.

Porém com o avanço das filmagens do ‘Google’ pudemos estudar melhor.

E aí localizei o mesmo fenômeno na outra ponta do país. Aí o jeito foi fazer mais uma

ATUALIZAÇÃO: A TERRA DO FOGO TAMBÉM TEM CASA DE MADEIRA

polo sul2Na cidade de Ushuaia, capital do estado (província) argentino de Terra do Fogo, também há casas de madeira. Aos montes.

São tantas que vi um bairro de madeira, como mostrado a esquerda.

Pra quem não sabe, Ushuaia é conhecida como ‘a Cidade mais Austral dopolo sul Mundo’. Ela já é quase no Polo Sul, pois está muito próxima do Estreito de Magalhães, que divide a América da Antártica.

E ali, repito, há aos montes residências em matéria-prima vegetal. De todos os padrões, tanto miseráveis quanto classes média e média-alta.

Então, meus amigos e amigas, vamos colocar da seguinte forma:

polo sul1Em seu centro geográfico, político, econômico e cultural – o eixo Buenos Aires-Rosário-Córdoba-Mendonça a Argentina não tem casas de madeira.

Talvez você ache uma ou outra, mas é raríssimo, praticamente inexistente.

Agora, nas extremidades da nação elas existem. Nas pontas nordeste (Missões) e sul (Terra do Fogo) intensamente, e em menor medida na ponta norte (Tucumã e região). 

grande montevideu

Grande Montevidéu: sim, o Uruguai tem casa de madeira. Mas são muito raras. A periferia típica do país é assim, em tijolo, seguindo o modelo de Buenos Aires.

Resumindo: no Centro do país não, mas na periferia sim.

Mas oras, então vejam bem:

No centro econômico, político e cultural do Brasil (o triângulo Rio-SP-BH no Sudeste e mais Brasília) igualmente não há casa de madeira. Em uma de suas pontas (o Nordeste) também não.

No entanto, em duas de suas pontas, as Regiões Sul e Norte, as casas de madeira são incrivelmente abundantes.

campos do jordao

Campos do Jordão

No Centro não, mas nos extremos do país sim. Portanto em última análise Brasil e Argentina meio que coincidem nessa manifestação, não é mesmo?

A diferença é que o Brasil é indescritivelmente maior que a Argentina, em área, população, economia e importância política no mundo.

Então as nossas pontas Norte e Sul, onde há casas de madeira, são muito maiores que as pontas da Argentina, onde esse fenômeno também existe.

grande cuiaba

Grande Cuiabá, Mato Grosso

Mudada a escala, estamos lidando com a mesma Lei.

…….

Retornando ao texto original, de volta a Pátria Amada. 

Porto Alegre eu já fui diversas vezes, então eu vi essa manifestação pessoalmente, em campo.

Quanto ao interior gaúcho busquei a ajuda do ‘Google’ Mapas.

Bagé-Brasil2

Em Bagé, no Brasil, é assim também: mesmo a extrema pobreza é sempre na alvenaria.

Que as Missões, inversamente, é o único estado argentino que tem casas de madeira eu sei desde 2006.

E sem precisar de internet, quando dei uma volta por Porto Iguaçu, a única cidade argentina que conheço ‘in loco’ (atualização: foi assim até março de 2017. Nesse mês fiz uma viagem até Buenos Aires, Córdoba e Mendonça. Aí comprovei também ‘in loco’, essas 3 metrópoles não têm mesmo casa de madeira).

Isso antes do ‘Google’ Mapas existir mesmo nos EUA (as filmagens começaram lá em 2007), e muito, mas muito antes dos países em questão serem agraciados:

O Brasil só foi filmado em 2010, a Argentina em 2013.

Veja abaixo (essa descrição corresponde as fotos enfileiradas na horizontal. As que estão nos lados têm suas próprias legendas):

Bagé-RS-Brasil2

Bagé-Brasil: valeta aberta, miséria em estado bruto. Mas casa de concreto.

É só Bagé que não tem casas de madeira. Todas as outras cidades gaúchas têm aos  montes – é o Sul do Brasil, afinal.

Sem precisar andar muito achei sempre 2 ou mais casas de madeira vizinhas, isso se repete em todos os bairros da periferia.

Tanto quanto no PR, SC, Amazônia (veja as fotos que tirei em Belém-PA) e interior do Chile (na capital Santiago existe mas menos).

Bagé-Brasil3

Bagé

As duas primeiras na Grande Porto Alegre, no subúrbio metropolitano de Novo Hamburgo e depois numa das ilhas do município da capital mesmo.

3 e 4) Caxias do Sul, maior cidade do interior, na Serra próxima a capital e ao litoral.

A mesma cena em duas escalas. Logo 3 casas de madeira vizinhas, que é pra não deixar dúvidas.

5) Santa Maria, no Centro geográfico do estado. De novo: 3 moradias em madeira lado-a-lado. O Sul do Brasil é assim, amigos.

6) Passo Fundo, no Norte do RS.

Grande Buenos Aires-Argentina1

Grande Buenos Aires: pobreza extrema, mas não há madeira

7 e 8) Em duas escalas, Erechim, também Norte, entre Passo Fundo e S. Catarina.

Note a rua pavimentada com pedras irregulares. Herança alemã.

É o padrão no Paraguai, capital e interior. No Brasil, presente no interior do Sul,

Em Curitiba, que é bem sulista e bem germânica no geral, isso não existe. Mas nos fundões do PR, SC e RS se acha.

Veja mais um exemplo no interior gaúcho, dessa vez no litoral.

Córdoba-Argentina3

Córdoba, Argentina: sem muro, sem pintura. Mas de tijolo.

………..

Voltando ao foco que são as casas de madeira, fechamos com Uruguaiana, na ‘Fronteira Oeste’.

Do outro lado do Rio é Passo dos Livres, Argentina.

É uma cidade-gêmea, na verdade uma mesma urbe que se espalha por dois países.

Há linhas de ônibus urbanas, com 2 portas e catraca, a unir os dois países.

favela Córdoba-Argentina

De novo a favela de Córdoba. O automóvel já bem rodado requer sua aposentadoria, mas não há recursos pra substituí-lo, então ele segue na ativa, queimando o asfalto.

Ou seja, Uruguaiana está umbilicalmente ligada a Argentina.

Mas é uma cidade totalmente brasileira, sul-brasileira. E por isso tem construções em madeira.

Mesmo na fronteira com essa nação-irmã, prevalece nossa vibração, e não a deles.

É só Bagé que não possui casa de madeira, o resto o Sul do Brasil é forrado delas.

Clique sobre as fotos pra aumentá-las, o mesmo vale pra todas.

Porto Alegre (R.M.)Porto Alegrecaxias do sulcaxias do sul1Santa Mariapasso fundoerechimerechim1uruguaiana

……….

Córdoba-Argentina4

Outra de Córdoba, maior cidade do interior da Argentina. Rua de terra, sem muro. Mas a casa é de concreto, vocês já sabem que é sempre assim.

Pra fazer o contraste.

Mais fotos de Bagé. Fisicamente no Brasil, arquitetonicamente emprestou o estilo argentino:

Pobreza as vezes aguda. Mas sempre no tijolo.

Pra conversa começar:

veja o Corcelzinho 1 com décadas de bons serviços prestados, também pedindo um merecido descanso.

Mas por enquanto adiado, é a única locomoção da família.

Bagé-RS-BrasilBagé-BrasilBagé-RS-Brasil4

……….

Agora veja a exceção contrária, as Missões.

Porto Iguaçu - Missões - ArgentinaPousadas - Missões - ArgentinaPousadas - Missões - Argentina1

………….

Valparaízo - Chile

A periferia de Valparaíso, Chile, parece muito a do Sul do Brasil: em morros e com casas de madeira.

Na 1ª imagem da sequência acima, Porto Iguaçu, na ‘Tríplice Fronteira’.

Depois a capital estadual, a cidade de Pousadas. Suas favelas tem casas de madeira.

As Missões é aquela ‘pontinha’ da Argentina espremida entre o Brasil e o Paraguai.

Sua segunda maior cidade é exatamente Porto Iguaçu, ligada por ônibus urbanos e balsa a Foz do Iguaçu-Brasil e Cidade do Leste-Paraguai. 

Pois a 3 formam uma só cidade. Uma metrópole tri-nacional.

Já a capital estadual Pousadas, mais a oeste, igualmente é na fronteira, mas só com 1 país.

Também é uma cidade bi-nacional, sua irmã-gêmea do outro lado do rio é Encarnação, Paraguai.

Ambas essas cidades missioneiras tem inúmeras casas de madeira, como podem comprovar.

A periferia pousadense é bem diferente das demais cidades argentinas exatamente porque ali se emprega esse modal, e no resto da nação ele é praticamente desconhecido, mesmo nas favelas.

Campos do Jordão-SP-Brasil1

A cidade do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste que mais tem casas de madeira é Campos do Jordão-SP. Esse modal é tão comum ali quanto no Sul e Norte do Brasil.

………..

Analisemos Buenos Aires e Córdoba. 

Observamos bem acima na página (busque pela legenda) um subúrbio bem depauperado da capital e da maior cidade do interior.

‘Montevidéu’ é apenas o nome da rua, não confunda, aqui estamos na Grande Buenos Aires, não no Uruguai.

Repete-se ‘ipsis literis’ o que narrei acima de Bagé: vias sem asfalto, valetas a céu aberto, casas minúsculas sem muro e sem acabamento.

Onde aparece um carroceiro chegamos a uma das maiores favelas de todo o interior da Argentina, em Córdoba. Mas novamente sempre de tijolo e cimento, nunca madeira.

Vitória-ES-Brasil1

Vitória é a capital que mais tem casa de madeira no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.

……..

Comento o mapa que fiz mostrando onde na América há casas de madeira, e onde não há.

– Sul e Norte do Brasil: amplamente presentes. Com a exceção de Bagé.

Embora façamos a ressalva que esse modal vem diminuindo aqui também.

santos

Santos

Já falei sobre isso em textos que analiso tanto os bairros mais centrais quanto a periferia de Curitiba, como a cidade vem se tornando mais parecida com o Sudeste e seus sobrados artesanais.

– Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste brasileiros: praticamente inexistentes.

Até os anos 70 a madeira era muito comum no Sudeste e Centro-Oeste. Veja essa matéria em que falo disso bem melhor, com fotos.

Campos do Jordão-SP-Brasil

Campos do Jordão, SP. Amplie pra ver várias outras casas de madeira pela vizinhança.

poucas exceções (vou citar algumas que eu sei; se alguém conhecer mais informe que eu retifico):

Cuiabá-MT, Vitória-ES, Marília, Santos e principalmente Campos do Jordão (as 3 últimas no estado de SP, obviamente).

Nas 4 primeiras se acham ainda casas de madeira, mas são poucas.

Nota: que há casas de madeira em Marília eu descobri depois, por isso não está nos mapas acima. Vide atualização mais pra baixo da página. Volta o texto original:

Valparaízo - Chile2

Valparaíso, Chile: a imagem fala tudo sobre como é a periferia dessa cidade, casas de madeira (e também de latão) empilhadas no morro. Essa foto puxei da rede; veja matéria com dezenas de fotos feitas pessoalmente por mim em campo. Note o poste pintando com as cores do time de futebol, o Univ. do Chile.

Agora, em Campos do Jordão é tão comum quanto no Sul do Brasil.

Essa é a cidade mais alta de toda a pátria (1,6 mil metros acima do mar), e tem muito mais pobreza que aparenta aos turistas.

Nas encostas opostas da montanha, aquelas que você não vê quando anda pela avenida principal, há diversas favelas. Ali a madeira é aparece em bom número.

– Argentina, Uruguai e Paraguai: raríssimas, com exceção das Missões e Terra do Fogo.

Em Assunção-Paraguai e também no Extremo Norte da Argentina (Tucumã, na divisa com Bolívia) há casas de madeira. No Uruguai, capital e interior, idem.

favela Morro São Gerônimo Centro Velho assunção rio paraguai marinha quartel general militar sede comando maior forças armadas

Casa de madeira no Centro de  Assunção, Paraguai.

Bem poucas, mas você encontra.

…………

Veja ao lado, essa foto e uma de Santos-SP são de minha autoria. Todas as demais eu puxei da internet.

Como o ‘Google’ ainda não filmou o Paraguai, o jeito foi ir lá em carne e osso. E eu fui.

Nessa pesquisa de campo ficou nítido: as casas de madeira são raras no Paraguai. Mas existem.

grande montevideu

Grande Montevidéu

Fotografei uma delas na favela Morro São Gerônimo, Centro Velho de Assunção, logo atrás do Quartel-General da Marinha Paraguaia (guarita amarela com teto verde).

……..

Escrevi na postagem original: “Não posso dar mais detalhes do Uruguai porque nunca estive lá e o ‘Google’ ainda não o filmou.”

Atualização em dezembro de 15: ainda não fui ao Uruguai. Mas o ‘Visão de Rua’ do ‘Google’ Mapas sim. Então constato: o Uruguai tem casa de madeira. Bastante esparso, muito difícil de ver, mas você encontra.

interior do Uruguai

Interior do Uruguai: logo 2 juntas.

Digamos assim, é no mesmo patamar de Assunção, ou se preferir exemplos brasileiros num nível similar a Vitória ou Cuiabá.

Há residências de matéria-prima vegetal, mas são raríssimas. É preciso caminhar bastante pra encontrar, mas uma hora você acha. Atualizei inclusive os mapas acima.

Digo isso porque em Buenos Aires não há mesmo esse modal. Não há. Em Montevideu e interior do Uruguai segue-se 95% o padrão argentino (exceto Missões), de alvenaria. Mas há um pouco de madeira isolada. Volta o texto original.

Vinha do Mar - Chile

Vinha do Mar, Gde. Valparaíso, Chile

Chile: predomínio absoluto da madeira nas quebradas, como no Norte e Sul Brasileiros,

Isso no interior

…………..

Em Santiago menos.

Vitória-ES-Brasil

Vitória, ES

Porque a capital foi intensamente remodelada por Pinochet e seus sucessores.

E hoje é uma cidade inglesa urbanisticamente falando.

Sendo sua periferia composta quase que exclusivamente por conjuntos habitacionais de alvenaria. 

Em que as moradias são geminadas e idênticas.

Valparaízo - Chile1

Valparaíso: várias casas de madeira vizinhas, é o padrão do interior do Chile, tanto quanto no sul do Brasil e Amazônia. Maioria na posição vertical, mas há horizontais também. Note a rua em concreto, típico do Chile e México.

Mas em algumas favelas da cidade, onde o rigor construtivo não teve chance de se enraizar, ainda se vê muita madeira.

Abra a matéria sobre Santiago (ligada em vermelho acima), onde explico bem melhor com muitas fotos tiradas ‘in loco’.

Escrevi isso no fim de 2014, antes de ir fisicamente pro Chile, apenas estudando-o pelo que o ‘Google’ filmara.

Ao pisar lá, em março/abril de 2015, comprovei que é exatamente dessa forma mesmo.

– Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela e todo Istmo da América Central, México incluído:

Praticamente 100% das casas de alvenaria, com presenças pontuais da madeira nos pequenos países da América Central Continental.

No México e Colômbia estive pessoalmente e posso lhes assegurar que as casas de madeira ali são inexistentes.

O Peru já foi filmado pelo ‘Google’ e constatei que a situação se repete.

……….

grande vitoria

Grande Vitória

Atualização:

Andando melhor pelo ‘Google Mapas’, na Colômbia, México e Peru há algumas casas de madeira, porém sempre e somente nas favelas mais desgraçadas, e nas partes mais pobres da favela, as mais afastadas, recém-invadidas.

Porém é muito, mas muito pouco mesmo. Infinitamente menos que Uruguai e Paraguai, e nesses 2 já podemos dizer 95% é de alvenaria. Então fica a ressalva.

ushuaia

Terra do Fogo, Argentina.

Há, entre os mais miseráveis dos mais miseráveis, algumas raríssimas casas de madeira no México e Peru.

Mas é tão difícil de achar que o mapa e a análise que fiz permanecem válidos, no geral.

Agora quase toda América do Sul foi filmada.

Ainda não vi nenhuma casa de madeira na Bolívia e Equador. Nenhuma sequer.

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Próximas 2: Marília-SP tem casa de madeira. Mais pra baixo atualização com outras fotos.

……….

Já na América Central é mais comum. Em todo o Caribe (América Central Insular) há muitas casas de madeira.

O que vi pessoalmente na República Dominicana e por fotos nas demais nações.

Assim, é claro que isso ‘transborda’ um pouco pro Panamá, Costa Rica, Honduras, etc. marilia5

E também um pouco pra Colômbia. No Centro da Colômbia, em todo o país exceto no litoral, não há casas de madeira. Mas vi agora pelo ‘Google Mapas’ que na costa caribenha existe.

Natural, não? Se esse modal é comum no Caribe, nada mais lógico que esteja presente também no Caribe Colombiano, mesmo que esse tenha uma boa parte continental e não seja de todo insular.

Santos-SP-Brasil1

Santos

– Caribe e Guianas: firme presença da madeira.

– América do Norte (EUA e Canadá): casas de madeira frequentes.

No passado eram mais, o Sul ianque era quase inteiro de madeira até depois da segunda guerra mundial, especialmente na área rural.

De lá pra cá a situação mudou muito e hoje a madeira embora ainda comum já não predomina em parte alguma do país.

Grande Macapá-AP

Grande Macapá, Amapá: toras de madeira na posição horizontal

Obviamente conheço a América do Norte bem menos que a do Sul, então a análise não será tão detalhada.

As casas de madeira existem nos EUA e Canadá, isso posso afirmar.

Mas não irei decupar por região, deixo isso pra quem tiver mais conhecimento que eu sobre essas nações.

……………

AMÉRICA DO SUL: NA VERTICAL; CENTRAL E DO NORTE: NA HORIZONTAL –

madeira azul são vicente Santos

São Vicente, Grande Santos-SP.

Mais um detalhe:

No Brasil e Chile as toras são encaixadas alinhadas verticalmente. No Caribe, EUA e Canadá o inverso, horizontal.

Há algumas exceções:

Em Porto Rico (colônia ianque no Caribe, como todos sabem) é na vertical, já na América do Sul no estado do Amapá (veja fotos mais pra baixo), no Brasil, e nas Guianas, que lhe são vizinhas, predomina o modelo horizontal.

Temos novamente uma inversão de polaridade: Porto Rico, fisicamente no Caribe, pertence a América do Sul em termos de Energia, ao menos nessa dimensão.

Já o Amapá e as Guianas é o inverso, fisicamente no continente Sul-Americana, mas é como se fossem ilhas do Caribe.

Em Porto União-SC (cidade-gêmea com União da Vitória-PR) também vi muitas casas de madeira horizontais.

Vinha do Mar - Chile1Não chega a ser maioria, o modelo vertical vence por pouco, mas há muitas horizontais também. Fiz um desenho retratando essa situação.

Atualização: no Chile se repete a situação de Porto União. Na periferia de Valparaíso a madeira predomina, em Santiago menos mas existe. Isso já disse antes.

A novidade é que constatei que a maior parte é na vertical, mas há uma minoria significativa na horizontal.

porto-rico2

Próximas 4: São João, Porto Rico.

Veja a foto acima: Vinha do Mar, Gde. Valparaíso – Chile.   

ATUALIZAÇÃO DE DEZEMBRO DE 16:

EM PORTO RICO É VERTICAL

Enfim o ‘Google Mapas’ adicionou novos países ao modo ‘Visão de Rua’.

porto-rico1Na verdade não são países, mas duas colônias ianques no Caribe: Porto Rico e as Ilhas Virgens Estadunidenses.

Situação política a parte, o que nos interessa aqui é:

Em Porto Rico a madeira é na vertical, como na América do Sul. porto-rico

Sendo mais específico São João, a capital porto-riquenha, foi bastante mexida. Fizeram grande intervenção urbanística. Então a maior parte da periferia é formada por conjuntos.

porto-rico3Exatamente como aconteceu em Santiago e também na Malásia, na Ásia.

Há poucos bairros ‘orgânicos’, em que cada morador fez sua casa conforme seu gosto e/ou orçamento. Portanto Porto Rico já não tem mais tantas casas de madeira como um dia teve.ilhas-virgens

Mas onde elas estão presentes, a imensa maioria é na vertical.

Já nas Ilhas Virgens Estadunidenses (a direita) volta a vigorar a disposição na horizontal, predominante no Caribe e no próprio EUA

…………..

ATUALIZAÇÃO DE AGOSTO DE 16: MARÍLIA-SP

Marília tem casa de madeira.

Não estou me referindo a Marília-personagem, que eu uso pra desenhar o Mundo das Mulheres.

E sim a cidade de mesmo nome no interior paulista, óbvio.

Ali há bastante residências em matéria-prima vegetal.

marilia12

Na ‘vida real’, a cidade de Marília.

Claro que são ínfima minoria comparada com as de alvenaria. Se Marília ficasse no Sul ou Norte do Brasil, seria insignificante a quantia de suas casas de madeira.

Mas pro Sudeste é bem alto, eu diria na mesma proporção de Santos e Vitória, e só abaixo de Campos do Jordão.

Tanto é comum que várias vezes vemos duas lado-a-lado, cena só encontrada nas porções austral e boreal da Pátria Amada, e em sua cidade mais alta (C. do Jordão).

Mato a cobra e mostro o pau: com vocês Marília, SP.

marilia3marilia7marilia10

marilia2

Próximas 9: Marília.

Nota: sabe-se lá porque, em alguns casos o ‘Google’ Mapas ao invés de escrever ‘Marília-São Paulo’, escreveu só ‘São Paulo’.

Ou seja, deveria ter identificado sua imagem na cidade e estado que ela foi tomada, mas grafou só o estado.

Quando isso ocorreu eu aumentei o mapinha que fica no canto inferior esquerdo das imagens.marilia8

Aí vocês podem constatar claramente em que bairro de Marília fica aquela rua em questão.

………….

marilia1Seja como for, é só Marília que tem casa de madeira, e não toda região.

Pra me certificar, fui dar uma volta (via ‘Google’ Mapas) na vizinha Bauru. E constatei:marilia4

Várias vilas da periferia bauruense tem muitas pobreza sim, mas residências em madeira não.

Pra fechar, vamos enxertar outro emeio que trata do mesmo tema:

mariliaCaribe Brasileiro: é o Amapá, claro  

Publicado em 18 de julho de 2014

Onde é o Caribe Brasileiro?marilia6

Segundo alguns, em São Luiz-MA. E se você analisar pelo gosto musical é certamente verdadeiro.

Porém, pela arquitetura, é o Amapá.

marilia11Porque ali as casas de madeira – que na periferia são maioria, como em toda Amazônia – são na horizontal.

O único estado do Brasil que isso ocorre. marilia13

………….

Em Santo Domingo, República Dominicana, vi muito esse padrão horizontal.

marilia14

Embora o texto ao lado fale do Amapá, até essa imagem ainda vemos Marília-SP.

Em Cuba e Sul dos EUA, sei por fotos que também é comum.

O ‘Google’ Mapas ainda não filmou as Guianas.

Mas por fotos que chegam de lá vemos igualmente predomina o mesmo estilo.

AmapáEntão o Amapá (bandeira ao lado) tem algo em comum com as Guianas? Muito mais que você imagina.

Mais que se assemelhar, é um fato pouco conhecido que o Amapá é uma Guiana.

No passado eram 5 Guianas, sabia dessa?

Macapá-AP1

Daqui até o final, Grande Macapá (município da capital mesmo ou o subúrbio metropolitano de Santana): sempre madeira na horizontal no Amapá.

1) Guiana Espanhola, incorporada pela Venezuela. Uma cidade do estado venezuelano de Bolívar se chama exatamente “Cidade Guiana”;

2) Guiana Inglesa, hoje o país que se chama ‘Guiana’;

3) Guiana Holandesa, a atual nação do Suriname;

4) Guiana Francesa, permanece colônia. Incluso sua moeda é o Euro, pois é ainda território oficial da França;

Grande Macapá-AP1E 5) Guiana Portuguesa, incorporada pelo Brasil com o nome de ‘Amapá’.

………….

Fisicamente na América do Sul, em termos de Energia, de cultura do povo, de raça, as Guianas são América Central, são parte do Caribe.Macapá-AP2

E, por alguns pontos de vista pelo menos, o Amapá ainda faz parte das Guianas, honrando sua origem. 

Portanto o Amapá também é Caribe.

Macapá-APDaí suas casas de madeira na horizontal, como podem ver.

Deus proverá”

do Arco-Íris restou o Rubro, o resto virou bege: ônibus metropolitanos de Curitiba, 1992-presente

bege articulado piraquara

Metropolitano de Curitiba. Bege, atual. Nesse caso pra Piraquara, Zona Leste.

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 29 de abril de 2015

(Nota: Quase todas imagens oriundas da rede. Os créditos estão mantidos, como solicitado.

Uma foto é de minha autoria, clicada em janeiro de 2016. Eu informo na legenda.

Ao fim da matéria eu anexo as ligações pras páginas que serviram de fontes.)

………..

bege tamandaré

Metropolitano bege, atual. Esse aqui vai pra Alm. Tamandaré, Zona Norte.

Como é domínio público, os ônibus metropolitanos não-integrados de Curitiba são todos beges.

Com exceção dos da Viação São José dos Pinhais, que são vermelhos.

E alguns da Castelo Branco, que são verdes.

Algumas pessoas gostariam de saber a razão desse mistério.

vermelho sao jose3

Metropolitano, atual. Apenas os da Viação São José dos Pinhais são vermelhos.

É simples:

Oras, é porque as empresas quiseram que fosse assim.

A São José prefere ser a ‘ovelha vermelha’, se manter diferente.

A Castelo quis até 2012, de lá pra cá ela mudou de ideia e se adequou ao padrão mais comum:

Vem pintando seus ‘carros’ de bege.

Ainda há uns poucos verdes, mas por pouquíssimo tempo.

cisne multi-colorido

Fim dos anos 70: Cisne na pintura livre da Marechal. Puxando a linha Comendador Roseira/Bom Retiro. Veja no amarelo a esquerda, pintura padronizada, a linha com mesmo nome, ainda.

…………

Logo todos os metropolitanos serão beges (ou amarelos no padrão de Curitiba) com exceção da São José.

Agora, isso não responde muita coisa, certo? Por que as empresas ficaram unicolores? Por que a São José acabou vermelha?

E por que todas as outras optaram pelo bege?

Esse é nosso tema de hoje: a padronização da pintura dos metropolitanos promovida em 1992 pelo governo Requião.

cisne amarelo

Mesma safra: Mesmo modelo, viação e linha ainda com mesmo nome, agora na pintura padronizada. Pouco depois essa linha passou a se chamar Bom Retiro/PUC.

VIRADA DOS 70 PROS 80: PADRONIZAÇÃO NOS MUNICIPAIS –

Curitiba padronizou a pintura de seus ônibus municipais no comecinho dos anos 80.

Eu me mudei pra Santa Cândida (Zona Norte) no ano de 1981 (eu tinha 4 anos). 

Então a linha que hoje é a 280-Nossa Senhora de Nazaré tinha outro nome e outro código: 204-Boa Vista/Nazaré.

bege graciosa

Metropolitano de Curitiba. Atual. Também vai pra S. José dos Pinhais (Z/ Leste), mas como é de outra viação volta o bege.

Realmente a linha serve e atravessa todo o bairro da Boa Vista, mas vai além.

Como seu ponto final é em Santa Cândida, houve a mudança.

Nomes a parte, quero lhes contar que quase todos os ‘carros’ da linha já estavam padronizados de amarelo.

Mas lá por 1982 ainda havia um deles que ostentava a pintura antiga, livre e multicolorida: 

Com várias faixas verdes, cinza e a amarelas se alternando. Logo foi também pintado de unicolor amarelo.

bege colombo

Metropolitano de Curitiba. Atual. Mais um bege, esse é da Viação Colombo, município de mesmo nome, na Z/ Norte.

Vejam dois Cisnes Incasel da Marechal, um na pintura livre outro na padronizada.

A pintura livre da Glória era bem parecida. 

Alias a pintura ‘livre’ de Curitiba não era tão livre assim, as empresas adornavam seus carros todas elas de maneira similar:

Sempre com faixas verde e amarelas, algumas só nessas duas cores, outras (como Glória e Marechal) incluíam também o cinza, mas verde-e-amarelo estava sempre ali.