Negócio da China

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 17 de agosto de 2017

Maurílio e Marília na China.

Em P-&-B, eles observando a famosa linha de prédios do Centro de Xangai, na outra margem do rio.

Ela estava quase dando a luz a filha do casal. Como a gravidez corria bem, arriscaram a viagem inter-continental.

Deu tudo certo, a menina teve o privilégio de visitar o Oriente ainda no útero.

Ao passarem pela capital Pequim, foram conhecer a Muralha.

Segundo se diz, a única obra feita pelas mãos do Homem e da Mulher que é visível da Lua.

Não sei é verdade. Mas pelo menos é verossímil, o Grande Muro é realmente colossal.

………..

Tudo na China é colossal.

Pequim e Xangai, suas capitais política e econômica, têm as duas maiores redes de metrô do mundo.

Noturna da capital Pequim.

Não tem jeito, o Eixo da Terra está se inclinando pra Ásia.

A passagem de bastão da Civilização Europeia (da qual os EUA são parte, alias são o ápice) pra Civilização Asiática não apenas é inevitável.

Como é inclusive um processo benéfico. É a Cura da Mãe-Terra.

A cena clássica da Beira-Rio de Xangai.

Já desenhei uma Marília no metrô de Pequim. Mas aquela era local, uma chinesa nativa:

Olhos negros e pele cor-de-cobre, como podem conferir na cena dela parada na estação, a esquerda acima.

a Marília de hoje é brasileira, ruiva.

………

MÃES E FILHAS –

Em nossa incursão anterior “Do Ocidente ao Oriente”, fomos mais uma vez a Índia.

Desenhei uma Marília Indiana com sua filha, andando pela cidade, e elas encontraram uma ‘Vaca Sagrada’, solta nas ruas como é tradição lá.

Dessa vez a Marília é brasileira e, grávida, visitou a China. Me repito, isso foi dito acima.

Pois bem. A menina nasceu, ruiva como a mãe.

O tempo nunca para de passar, e alguns anos a frente vemos a filha de Marília e Maurílio num aniversário de criança.

Uma ‘coelhinha‘, com a tiara de orelha de bichinhos, como está na moda entre as pequenas.

Ela e os amiguinhos, de ambos os sexos, estão brincando na piscina de bolinhas, que a garotada adora.

Mas agora vamos deixar os meninos de lado, e mostrar uma brincadeira que (por motivos óbvios) só as gurias fizeram:

Elas pegaram as bolinhas de plástico e puseram sob as roupas, simulando já possuírem seios.

“Olha, mamãe, já estou mocinha”, chamaram suas progenitoras pra conferir o resultado.

Algumas delas até apertaram seus recém-adquiridos peitos de Mulher, pra conferir como eles estavam ‘volumosos’.

………

Nos focamos bastante na Energia Feminina, da gravidez as brincadeiras de menina.

Pra equilibrar, vamos ver um pouco da Energia Masculina.

Marília e Maurílio foram jogar futebol. Sim, as vezes ela joga junto com os Homens, pois nem sempre há quórum pra fechar dois times femininos. Isso já sabem, eu já levantei esse desenho em outra postagem.

A diferença aqui é que eles estão tatuados:

Marília tem uma sereia na perna, e Maurílio um escorpião no peito.

O ‘XERIFÃO’ DA ZAGA: A ‘COZINHA’ TEM DONO –

Dessa vez os times estavam uniformizados, daí Maurílio vestiu a camisa verde que trazia nas mãos no caminho. Assim os adversários não viram sua tatuagem. Mas eles logo entenderam a metáfora do escorpião:

Maurílio joga na zaga. E joga bem. Domina com maestria a arte de dar carrinhos, Energia Masculina por excelência.

Ele é um Homem alto e encorpado, e sabe usar a força e a inteligência pra dar o golpe na hora certa. E sem ser falta.

Se você conhece as regras desse jogo, o sabes: pegando antes na bola não é infração, não importa que o o jogador do outro time acabe voando longe com o impacto.

Em escala maior o casal na Muralha da China, a “Coelhinha” quase vindo ao mundo.

Na imagem a direita eu fiz inclusive a ‘aura’, mostrando a força da perna de Maurílio no lance, e como o atacante sentiu:

De fato ele foi arremessado a 2 metros de distância. Mas não foi falta. Mais: foi dentro da área, e não foi pênalti, só escanteio.

O centro-avante do time azul estava de cara pro gol, ele e a pelota que sobrou limpinha a seus pés. Já até visualizava a comemoração, era só empurrar pras redes.

Ops . . . pense outra vez. Não deu tempo. Como um raio, Maurílio surgiu nas pernas dele, tal qual um escorpião dando o bote. Já que no carinho o defensor fica na horizontal no solo e suas pernas parecem o ferrão, a analogia com o bicho é perfeita.

Marília é quem explica: “Sou delicada como uma Sereia. E Maurílio é letal como um Escorpião”.

Não vai aqui qualquer machismo. A Sereia, como sabem, é tão letal quanto uma serpente, tubarão ou qualquer predador temido.

Apenas a Sereia derruba suas presas de um modo feminino, atraindo-as até ela, e não se lançando sobre. Exatamente como faz a Tarântula (a “Viúva Negra”), que, bem, é outro símbolo da Feminilidade Mortal.

E Deus Pai e Mãe (eu disse que não há qualquer machismo) proverá.

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“Sou muito Mulher!!! Não são uns cabelinhos no braço que vão mudar isso!”

“Deus, tou parecendo um macaquinho. Ou pior, um… um Homem!! Ri-ri”. Marília, dramática, se diverte ao ver seu braço sem raspar.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Levantado pra pra página em 7 de julho de 2017 (07/07/17)

Publicado (via emeio) nos invernos de 2013 e 2014

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres, essa especialmente.

Nessa mensagem as ligações estão em verdepois o azul indica a fala dos namorados de Marília.

Curitiba é a capital mais fria do Brasil. Em 2017, como em praticamente todos os anos, o inverno está sendo congelante. Assim Marília, como fazem quase todas as Mulheres, se depila menos no frio.

“Que nada. Sou Mulher, e muito Mulher!”

Mesmo quando está mais quente essa já é a tarefa mais chata da ‘Via Sacra Feminina‘. Com os termômetros lá embaixo então piora tudo, os pelos não saem direito, coça, a gilete ou a cera irritam a pele.

A mesma dificuldade que os Homens têm de se barbear com baixas temperaturas. Mas deixemos a dimensão Masculina pra outra hora, pois aqui chegamos a mais uma aventura de Marília (o desenho acima e ao lado são de um emeio de 9 de maio de 2014).

Num dia de manhã, inverno curitibano no auge, temperatura pouco acima do 0º. Marília sai do banho, olha pros seus braços que estão ‘ao natural’. Sempre dramática com relação a sua aparência, ela pensa:

“Deus, que floresta, a Amazônia está longe de se extinguir! Tou parecendo um gorila. Ou pior: um … um Homem! Ri-ri.” Mas ela se consola: “Tou atrasada, não dá tempo de raspar, vai assim mesmo”.

Na rua, com umas quatro camadas de roupa a cobrir seu corpo, ela ri do fato de dizer que parecia Homem.

“A gente vai sair hoje. Mas se ele for diferente do outro [que nem gosto de lembrar], não será problema. Daqui a pouco eu descubro”.

Que nada, Sou Mulher, e muito Mulher! Não por outro motivo tou de saia nesse frio. Não são uns cabelinhos no braço que vão mudar isso“. Ademais, Marília  pondera:

“Com tanto casaco ninguém vai ver mesmo. Meus pelinhos tão mais escondidos que a fórmula da Coca-Cola, kkkkk”, ela dá risadas.

A seguir Marília recorda um fato importante: “Digo, talvez alguém me veja assim, como uma francesa; ele (seu Grande Amor Maurílio, claro) ficou de me pegar no escritório pra gente sair”.

“Se ele gostar de mim de verdade, sabe que eu não sou um manequim, sempre naturalmente lisinho, então isso não será problema”. Vai ser um teste definitivo pra ver se o namoro continua. Ela espera que sim, que seu atual não seja um boçal quanto o ex.

“da água pro vinho”: de um namo conquistador barato pra outro que entende as mulheres

“Mari, o inverno deixou você bem relaxadinha com a depilação, né?” “Cafajeste machista! 3 meses sem me procurar, me liga de surpresa, e queria que até sob neve eu tivesse como uma princesa te esperando???”

Marília está traumatizada, uma vez ela terminou com um rolo seu por causa desse motivo, sabia? É isso que vamos ver agora.

Nevou em Curitiba em 1975. Após essa data se passaram 38 anos até nevar de novo em 23 de julho de 2013. Fiz o desenho a direita  em 27/07/13, somente 4 dias depois portanto.

(Nota: no retrato original a garota está só de calcinha. Por computador Marília ‘vestiu’ um sutiã, pra não exibir os seios em público. No detalhe em escala maior que mostra ‘os pelinhos da discórdia’, a alça não aparece.)

Os próximos 3 desenhos não se relacionam com o texto. Esse (repetido acima da manchete) mostra Marília como uma dona-de-casa. Seu marido é caminhoneiro. Como está sozinha em casa, ela não está das mais chiques, inclusive espaçando a depilação. Mas ele já ligou dizendo que vem jantar em casa. “Vou estar impecável pra recebê-lo”, ela assegura. A noite promete!

Então vocês viram como estava frio no Paraná no inverno de 2013. Uns meses antes, Marília viveu ‘um Amor de Verão‘. Um daqueles romances rápidos que acontecem na praia, e que “não sobem a serra“.

Ou assim esse rapaz de olhos verdes e que não é calvo (o paquera de Marília nas noites de carinho passadas a beira-mar) planejava, usar ela e a seguir descartá-la. Um conquistador, um ‘Casanova’ moderno.

Mas Marília era uma moça ingênua, romântica, e acreditou nas promessas dele de que ficariam juntos. Quando voltaram a capital, adivinha?

Ele não ligava mais pra Marília, geralmente não atendia mais as chamadas dela, e quando o fazia inventava desculpas pra não se verem.

Marília, apesar dele não merecer, sentia sua falta, e lágrimas lhe corriam pela face Coisa de menina apaixonada, claro, mesmo que pela pessoa errada. Parou de telefonar pra não se humilhar mais, mas no fundo ainda ansiava que ele a procurasse.

Até que em julho, no auge do frio, praticamente embaixo de neve e não é modo de falar, ele entrou em contato e pediu pra vê-la. Provavelmente nenhuma das outras com quem ele se divertia estava disponível, aí como um estepe o rapaz se lembrou de Marília.

Marília se arrepia só de pensar em ter que raspar as pernas nesse frio!

Marília estava sem ninguém, e com o clima congelando – e portando ela coberta de casacos da cabeça aos pés – ela estava sem depilar seu corpo.

Como ele ligou no meio da tarde já marcando pro mesmo dia, não houve tempo dela se preparar como gostaria.

Ingenuamente no seu ‘Coração de Mulher’ apaixonado, Marília achou que ele gostava dela, então isso seria o menor dos detalhes, que “o importante era estarem juntos”.

Doloroso engano! Quando já estavam sem-roupa, ele ergueu os braços dela e resolveu fazer graça: “Pôxa, Marília, você já foi bem mais cuidadosa com a depilação, hein? O inverno deixou você bem relaxadinha…”

“Veneno de Mulher”: Marília ficou uns dias sem fazer a sobrancelha, e suas colegas de trabalho não perdoaram. O namorado tirou sarro de Marília porque ela pulou a depilação e virou ex por causa disso. Marília bem que gostaria de ter o mesmo poder de nunca mais ver essas ‘recalcadas’, mas não pode fazer nada – exceto bolar uma vingança pra serpente morder sua própria língua. É a ‘Rivalidade Feminina’, que não perdoa deslizes na aparência da outra.

Pra quê? Cutucou a onça com a vara curta. Ela já tava ressentida de ter sido abandonada, mas por gostar dele acabaram se vendo quando ele enfim a procurou.

É o Coração de Mulher, que Ama as vezes mesmo sem reciprocidade. Agora, abandonada e ainda cobrada, aí não. Isso é demais.

Quem fala o que quer ouve o que não quer. Então ela disparou: Seu cafajeste machista!!! Primeiro, fica mais de 3 meses sem lembrar que eu existo, e eu fiquei sozinha, não tava com ninguém.

Se ao menos me chamasse com um dia de antecedência, claro que eu teria me arrumado.

Mas não. Depois de um século você surge do nada, no auge do frio – até nevando está! – e queria o quê, que eu estivesse como uma princesa te esperando?

No fim foi bom. Ela ficou furiosa, e enfim rompeu as ilusões. Ele (cinicamente como sempre) pediu desculpas, até passaram a noite juntos. Mas foi a última.

O resto de Amor que ela sentia acabou ali. No dia seguinte cedo ela riscou o telefone dele das agendas (de papel e do celular) e decidiu que estava encerrado em definitivo. Tem mais: os Homens estão dispensados de passarem lâminas, cera quente e ‘laser’ em seus corpos.

Maurílio foi de surpresa ver Marília. Ela morreu de vergonha porque não esperava visitas, então estava ‘a vontade’.

Assim, que tenham pelo menos um pouco de tolerância com as Mulheres – especialmente quando está nevando ou perto disso!

No seu caso particular, Marília decidiu que jamais voltaria a ficar com outro Homem machista, fútil e preso somente as aparências materiais.

Não me interprete mal. Marília não reclama de se depilar. Sim, no inverno ela espaça um pouco, como quase todas as Mulheres também fazem o mesmo.

Mas no calor, pra usar roupas de alcinha ou tomara-que-caia, evidentemente ela está sempre impecável. Mesmo no frio, nas primeiras paqueradas com um rapaz é óbvio que ela vai lisinha como uma seda vê-lo.

Isso quando o encontro é programado com antecedência, e ela sente que vale a pena investir na relação. Agora, o cara a evita por um tempão, chega de surpresa, e ainda quer fazer piadas as custas dela. “Vai se catar”, Marília ficou furiosa.

“Oras, por que tanto drama? Vamos ver o que você esconde com tanto afinco”.

E o garoto de olhos verdes virou só uma amarga lembrança. O tempo passou e ela conheceu Maurílio, que é calvo e de olhos castanho-claros. Eles estão se curtindo, Maurílio gosta de Marília de verdade, e está só com ela. Ela sente isso.

Um dia, como vemos nos 3 últimos desenhos (feitos em 26/08/14), Maurílio foi visitar sua Amada de surpresa. Como apesar do inverno esquentou um pouquinho, e ela não contava ver nem a ele nem a ninguém, Marília estava de ‘shorts’, regata, mas sem se depilar.

Ela ficou quente e rubra de tanta vergonha, e tentou tapar seus bracinhos peludos. Mas delicadamente ele pegou suas mãos e ergueu-as. Marília tremeu, pois veio-lhe a mente a lembrança anterior.

A exata mesma cena, ela sem se depilar, o rapaz segura e levanta seus braços. “É agora, não tem jeito”. Sem escolha, Marília cedeu. “Bem, ao menos dependendo do que ele falar descubro se é igual ao outro (urgh!, que descanse em paz!!!) ou se é mais gentil”.

“Querido, estou …tou um pimentão de vermelha!”. “Mas Mari, você tá uma graça com esse ‘charme europeu’…rs’.

Maurílio foi gentil. Fez uma brincadeira com ela, como visto ao lado. Marília ficou encantada. Viu que a Vida sorriu pra ela.

De um machista que só se aproveita das Mulheres ela agora tem um namo que se empatiza o sexo feminino.

Final feliz, ela no colo dele, de braços e pernas (em “estado bruto”) pro ar. “Ufa! Esse sim entendeu que eu não sou de plástico.

Homem que gosta de Mulher de verdade gosta da gente em carne e osso. E, de vez em quando, até com uns pelinhos……kkkkk!!!!”

Deus proverá

“Trovão Azul” & “Domingo no Parque”, em B.H.

Metal em Minas.

Por Maurílio Mendes, o Mensageiro

Publicado em 26 de junho de 2017

Um Maurílio metaleiro, e mineiro. Morador de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Pegando condução pra ir pra Zona Oeste. Mas não qualquer coisa, e sim um Trovão Azul da época que ‘Volvo era Volvo’.

Tem mais: um Amélia que era “Ônibus de Verdade“.

Tem mais ainda: no saudoso padrão Metrobel, e “em frente ao parque”.

Em uma das muitas matérias sobre busologia no sítio, publiquei a foto ao lado (extraída da página Bus MG).

Pensando Nela . . .

Um colega, que morou em BH, se emocionou em lembrar sua infância. Foi ele quem falou que a tomada foi feita “em frente do Parque”.

Quando eu disse que desenharia a cena, novas recordações afloraram em sua mente. Eis suas palavras:

”   Rá, era demais ouvir a resfolegante respiração deles, bem mais ágeis e rápidos do que seria de se supor, descendo a ladeira!

Ah, e os cheiros? Final da tarde, começando a abrir as florzinhas “damas da noite”, aquele cheiro açucarado, o piso de ardósia, e os  Mercedões rugindo pela rua…

 Oh, Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais!   “

Daí o título, fazendo alusão a outras postagens: “Trovão Azul” e “Domingo no Parque“.

………..

Enfim. Maurílio está indo pra Z/O de B.H. pra ver sua namorada Marília, que também é roqueira. Ademais, ela é uma menina que adora pintar o cabelo de rosa. Ou as vezes de azul.

Um Amor em Rosa & Azul. Mas as roupas de ambos são pretas, pois a trilha sonora é o bom e velho ‘Rock’n Roll’.

Vamos pro Oeste, galera.

o ‘apartheid’ acabou.

Próxima parada, África do Sul.

Por 40 anos (1948-1988 aprox.), durante o infame regime racista, eram proibidos por lei os relacionamentos entre um Homem e uma Mulher de raças distintas.

Camisa do Kaiser Chiefs, time mais popular da África do Sul – os negros adoram futebol.

A legislação previa longas penas de prisão pra ambos, mas na prática um negro que ‘ousasse’ sequer pegar na mão de uma branca seria linchado ou executado no mesmo momento.

Já escrevi em detalhes sobre esse triste período da história sul-africana. Mas hoje tudo isso é passado, as pessoas são livres pra viverem seu Amor, independente dos tons de pele serem diferentes.

Inclusive fotografei vários casais inter-raciais nas orlas de Durbã e da Cidade do Cabo. Agora minha versão com as próprias mãos da mesma cena.

A Marília loira é africâner, o que significa que étnica, cultural e linguisticamente ela é holandesa. Enquanto que seu marido, o  Maurílio sul-africano, está com a camisa do time mais popular do país, o Kaiser Chiefs.

Muitos conhecem a banda inglesa Kaiser Chiefs. O que várias pessoas não sabem é que os músicos britânicos se inspiraram no clube africano, homenageando-o. Assim é. Kaiser Chiefs (auri-negro, ou seja, amarelo-&-preto) e Orlando Pirates (alvi-negro)  são as preferências nacionais, os que dividem a massa na África do Sul.

“Café-com-Leite”.

E eles fazem o maior clássico de Soweto (são ambos dali), de Joanesburgo e de toda nação. É o ‘derby’ (no termo em inglês ) nacional.

Novamente contrário a imagem distorcida que muitos têm, a África do Sul ama futebol. A maioria negra com certeza. Sim, os brancos se dividem entre o ‘rugby’ e o futebol, com preferência pelo primeiro mas muitos gostam também do segundo.

Porém os nativos africanos não têm coração partido, não têm lealdade dividida. Pra eles, o esporte preferido é disparado o futebol, como é na maior parte do continente e do planeta.

Já desenhei Maurílio com camisas (ou adereços como boné e tatuagens) de times da Colômbia, México, Equador, Argentina, Paraguai, Chile, Uruguai, França, Itália e Alemanha. Agora é a vez do ‘Continente-Mãe’ da Humanidade. 

do oriente ao ocidente

Muçulmana devota. Mas extremamente feminina e vaidosa, colorida da cabeça aos pés.

Vamos na mão inversa agora. Acima mostramos uma descendente de holandeses fora da Europa, numa nação de pele majoritariamente escura. Vejamos o outro lado da moeda, mais um casal inter-racial.

Ela é mais clara, ele é pardo. Mas que compartilham a mesma religião, são muçulmanos. Nasceram e moram em Amsterdã, a capital dos ‘Países Baixos’.

Os ancestrais deles vieram do Oriente: da Turquia, Afeganistão, Indonésia, enfim, algum país islâmico da Ásia.

Mas a Marília e Maurílio retratados aqui são tão holandeses quanto os moinhos de vento, os aterros no mar e os canais de Amsterdã (alias eles passam na ponte sobre um deles).

Uma vez que os europeus nativos não querem mais ter filhos, têm que importar mão-de-obra. Assim os bairros proletários centrais das grandes cidades oeste-europeias estão ficando um pouco mais coloridos, digamos assim.

Num ponto de ônibus da Cidade do Cabo, África do Sul, fotografei um muçulmano muito parecido com o ‘Maurílio’ holandês que eu desenhei: esse de carne-&-osso também é descendente de asiáticos (nesse caso Índia, Paquistão ou Bangladesh), tem pele parda, cobre a cabeça e usa roupas ocidentais (calça).

Já desenhei uma Marília holandesa da gema, etnicamente falando, sobre essa mesma ponte de Amsterdã. Aquela é ruiva, olhos azuis, a pele alva como a neve, e anda de bicicleta. 

Uma holandesa “típica”?? Bem, até o século 20 certamente a que tem tez e olhos claríssimos era o próprio retrato da Holanda.

No século 21, entretanto, essa de turbante é tão representativa quanto, ao menos na Zona Central de Amsterdã, Roterdã e as outras grandes cidades.

O Maurílio muçulmano também cobre a cabeça, e a barba enorme, quase até o peito mas sem bigode, igualmente é representativa de seu grupo étnico.

Mudemos o foco pra Mulher, pois a Energia Feminina é sempre mais bela e colorida que a Masculina, na dimensão do vestuário certamente:

Essa holandesa de ascendência na Ásia segue os preceitos ortodoxos de sua religião, por isso os membros e a cabeça são cobertos, só os parentes dentro da casa podem ver seus cabelos e seus braços.

Ainda assim, o lenço e o vestido são multi-coloridos, e ela está maquiada e com as unhas – do pé e da mão – pintadas.

A Holanda – e a Europa – estão mudando !!

Pois Marília, na raça, continente ou religião que for, nunca deixa de ser extremamente feminina em sua aparência.

É possível uma Mulher ser muçulmana praticante, e ainda assim vaidosa.

Seu turbante florido materializa um estado de espírito, o ‘encontro de dois mundos’, o islâmico e o feminino, do qual essa Marília é a síntese.

“Deus proverá”

Servir & Proteger

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 8 de junho de 2017

Maurílio bombeiro.

Ao lado em ação.

Lutando pra extinguir as chamas que eclodiram num prédio em alguma parte da cidade.

E a direita um retrato 3×4. 

Missão cumprida, o incêndio está debelado.

Vidas e patrimônio foram preservados, graças a ação desses que realmente se dedicam a ‘Servir & Proteger’ a sociedade.

Aí, numa hora de descontração, foi registrada essa cena dele sorrindo, pra consagrar pela Eternidade.

“na pequena água”: um momento místico de união com deus mãe e pai

Apagado o fogo, podemos serenar a mente dessa preocupação.

E assim podemos nos focar numa Energia um pouco mais Feminina.

Marília está numa chácara, numa pequena fazenda.

E ali ela foi ao campo colher flores.

Com raiz e tudo, pois depois ela vai enxertar os ramos no jardim que há na soleira de sua casa.

Ao passar sobre o riacho, ela se lembrou que um pouco rio abaixo há uma pequena cachoeira.

Aí Marília não teve dúvidas: deixou suas roupas e o cesto de flores na margem, e entrou se banhar nela.

O dia está frio, tanto que o vestido e blusa são longos, cobrindo toda a extensão de suas pernas e braços.

E a água está gelada, claro, pois é um riacho de serra, cheio de pedras.

Mas não importa. Esse momento pra Marília é Místico, quase uma Auto-Iniciação se quiser ver assim.

De maneira que esse estado de Espírito transcende qualquer sensação material.

Uma vez que Deus não é somente ‘o Pai’, mas Pai e Mãe de todos os seres humanos, em verdade de tudo que há no Universo.

E a Água – assim como as Flores – representam a porção Feminina da Fonte Maior.

Assim nada mais natural que ao banhar nessas águas geladas Marília se Sinta Uma com o Criador, e com todo o Cosmos em suas Infinitas dimensões.

É como se a Filha retornasse a Casa Materno/Paterna após longa peregrinação.

Um Samadhi no Pequeno Rio.

Experiência que seu Grande Amor Maurílio também já vivenciou.

Namastê.

Hare Rama, Hare Sita.

Louvado é Deus Pai e Mãe.

Solo Sagrado

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 11 de maio de 2017

Maurílio na Cidade do Cabo, África do Sul. É notório que a Montanha-Mesa ali localizada é um chacra da Mãe-Terra.

Os Estudantes Sabem o que isso significa: um Portal de Energias, um encontro entre dimensões. Bem, é exatamente isso que é essa cidade. No Cabo da Boa Esperança que a nomeia é onde os Oceanos Atlântico e Índico se unem.

Portanto ali é o “Encontro das Águas”, e também o Encontro entre o Leste e o Oeste do Planeta.

Diante dessa Vibração tão Forte, Maurílio se ajoelhou e beijou o Solo Sagrado da Terra-Mãe-África. Mama-África, é claro.

Sim, há na orla da Cidade do Cabo aquele óculos gigante, que vemos a esquerda no desenho e na foto acima.

a flor do amor

Continuamos no ‘Solo Sagrado’, falando do Amor a terra e a Terra.

Marília se casou jovem, ainda adolescente. E então foi morar numa casa simples da periferia.

Ela foi feliz nesse lugar, ao lado do seu marido e dos filhos que nasceram e cresceram ali.

Mas depois eles se mudaram de cidade, e Marília ficou muitos anos sem voltar ao bairro em que residiu. 

Um dia, numa visita a sua cidade-natal, ela já com 40 e poucos anos passou em frente a mesma casa que ela viveu.

E onde passou tão bons momentos do início de sua vida adulta.

Estava vaga, sem ninguém morando. Aí Marília teve uma ideia:

Foi a uma floricultura e comprou um broto de rosas.

A seguir ela plantou as rosas na frente da casa. Pra simbolizar que ali sua Energia Feminina se Abriu.

Consagrando o local onde o Amor entre uma Mulher e um Homem teve sua Florada.

a diva de durbã

De volta a África do Sul. E da Terra pra Água.

Uma Marília Indiana, no Oceano Indiano (ou ‘Índico’). A “Diva de Durbã”.

Durbã é a maior cidade indiana fora da Índia. A colônia é enorme, fotografei até um templo hindu, breve jogo no ar.

E Durbã é no Oceano que nos chamamos de Índico, mas no inglês – que é a língua falada lá – se chama Oceano Indiano.

Tem mais: em Durbã é comum as pessoas entrarem no mar de roupas (situação que já presenciei em Acapulco-México, nesses 2 casos no exterior em larga escala. Também fotografei isso no Paraná). Por isso Marília de vestido florido, biquíni preto por baixo. De qualquer raça e até embaixo d’água Marília nunca perde o charme:

De roupa no mar. Mas com as unhas e bijuteria impecáveis. Sempre, né?

As unhas são invertidas, uma clara outra escura, e invertendo as mãos também, na direita o dedão é claro, na esquerda escuro.

(Nota: existe na internet uma menina que se denomina ‘a Diva de Durbã’. Meu desenho não se relaciona com o trabalho dela, exceto que eu confesso que me inspirei pelo nome.)

Solo Sagrado, Oceano Sagrado. Muito Respeito e Amor pela Mãe-África, e pela Mãe-Índia.

Nos mares do Cabo e Durbã, definitivamente Tudo se Alinha, Tudo se Encontra.

Hare Rama, Hare Sita = Louvado é Deus Pai e Mãe.

Tundra Nevada

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 27 de abril de 2017

Maurílio e Marília nas estepes da Sibéria, Rússia.

Sob uma nevasca muito forte, como notam.

Natural, eles estão no Polo Norte da Terra, bem acima do Círculo Polar Ártico.

………

Maurílio é acostumado a enfrentar temperaturas muito frias:

No Canadá ele fez até um boneco de neve.

Porém ali ele estava perto do Círculo Polar, mas ainda abaixo dele.

Em Labrador, no Canadá, está caindo neve. Mas bem pouquinho.

Em outra oportunidade ele foi esquiar de férias nos Alpes, na Áustria.

Dessa vez sequer está nevando, o céu está limpo.

Nevou a noite, e está bem frio. Mas de dia não.

…….

Na Ucrânia (que por décadas junto com a Rússia e e diversas outras nações eram parte do mesmo país, a URSS) fora onde ele havia visto a camada de neve mais grossa, cobriu até o carro.

Abra a postagem pra ver, ele conversando na língua nativa – no alfabeto cirílico!, oriental – com o dono da casa.

E Maurílio já havia ido a Rússia antes.

Bem, a imagem em frente as cúpulas multi-coloridas do Kremlin é auto-explicativa.

Aqui está bem frio, ele também está de touca, mas no momento o céu está limpo. Não vemos o chão, pra saber se há neve acumulada.

Falei tudo isso pra ressaltar o que vocês já perceberam: dessa vez na Sibéria é a nevasca mais forte de todas.

Está nevando durante o dia, com Sol. E não apenas a noite.

Pois se Labrador-Canadá é perto do Polo Norte, as estepes da tundra siberiana estão no Polo Norte. Não estão ‘próximas a ele’, mas são exatamente o próprio.

É a 1ª vez que desenho Marília na neve. Ela mora na capital mais fria do Brasil, Curitiba óbvio. Onde é absolutamente normal temperaturas próximas de 0º, mas neve é raríssimo, só 3 vezes em um século. A última em 2013 mas só no Extremo Sul da cidade com intensidade , no resto da metrópole quase nada ou mesmo nada (no interior foi diferente, nevou bem forte). Assim, vou nas laterais Marília toda encasacada no inverno curitibano. Os desenhos são de outras postagens, clique nas ligações em vermelho pra ver os originais onde ela aparece de corpo inteiro.

Mas Marília e Maurílio estão acostumados com o clima, que outros considerariam ‘hostil’.

Pra eles não, é harmônico e natural. Pois eles são esquimós. Daí a pele vermelha e os olhos puxados do casal a direita acima.

Eles não estão a turismo no Extremo Norte da Sibéria, não estão se encantando com a paisagem exótica, pois pra eles não é nada exótica, é sua terra-natal.

Nas regiões polares a agricultura não é possível, pelo frio intenso.

Resultando que obviamente os esquimós são caçadores, pois sua comida e vestuário são obtidos assim, daí a lança na mão de Maurílio.

Entretanto, leve em conta que os Esquimós Peles-Vermelhas vivem em Plena Harmonia com a Natureza, pois se veem como parte dela, Sendo Um com a Mãe-Terra.

Só matam o que for estritamente necessário pra não morrerem de fome e frio, exatamente como fazem os animais.

Oras, é conhecida a relação de Amor e Harmonia entre os Peles-Vermelhas e o bisão, que lhes serve de comida e abrigo contra o frio.

Exatamente por isso pra exterminar os índios os colonizadores europeus na América do Norte exterminaram primeiro o bisão.

No Ártico, a Palavra Vale. Olho-no-olho, não precisa contrato escrito. E a Harmonia entre tudo e todos é a Lei.

A maioria dos Homens e Mulheres das regiões temperadas e tropicais, bem ao contrário, tem na trapaça e ganância seu modo de vida.

Vivem a enganar – e sempre que possível explorar e mesmo matar desnecessariamente [veja a guerra das torcidas de futebol] – seus semelhantes.

E veem a Natureza como algo a ser domado e subjugado.

Tristes tempos, triste civilização. Mas . . . não precisa ser dessa forma grotesca.

Do Extremo geográfico da Terra vem a lição que nós podemos ser menos extremados na nossa visão.

E viver em Harmonia com todos os Irmãos e Irmãs, com a Natureza e com o Cosmos.

Que os Anjos digam Amém. No Ártico, é assim desde Sempre.

………

Mensagem produzida no Brasil mas levantada pra rede a partir da Cidade do Cabo, África do Sul.

“Deus proverá”

Mama-África

JOANESBURGO, ÁFRICA DO SULMarília e Maurílio em Soweto.

Toda rosa tem espinhos. Eles realçam a beleza da Flor.

Aqui na África o povo sabe disso melhor que ninguém. A luta foi árdua pra poderem ser livres, o jugo do ‘apartheid’ foi cruel.

Muito sangue correu, muitas lágrimas lustraram a pele escura dos Homens e Mulheres da Raça-Matriz da Terra. Mas a vitória veio.

Um grande ciclo se abriu pra África, e pra toda humanidade. E, pra esse humilde Mensageiro, um Grande Ciclo Alvoresceu em plena África.

Em 20 de abril de 2017 essa postagem sobe pro ar

Joanesburgo, África do Sul, Mãe-Africa, 2017. A Vida Continua. Sempre Continua.

Graças a Deus Mãe e Pai, que proveio e Proverá.

“Voka” x “Riber”: no futebol da Argentina, a guerra invadiu a linguística

“RiBer Plate”???? É assim que o Boca se refere ao inimigo, com ‘B‘ gigante, desde que ele disputou a série B em 2012. A torcida do River risca a letra ‘B’, óbvio. Pra devolver o favor eles grafam Boca como ‘Voka’, a pronúncia é a mesma. Abaixo falo melhor desses ‘câmbios consonantais’.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 17 de abril de 2017

Maioria das fotos de minha autoria. As que foram baixadas da internet eu identifico com um (r) de ‘rede’.

Como abri a série dizendo (e é notório), a Argentina foi  riquíssima pela maior parte do século 20, até algumas décadas depois da segunda guerra mundial.

Essa não é mais a realidade, agora ela é um país plenamente latino-americano, com tudo que isso representa.

Isso porque nos últimos 40 ou 50 anos houve uma decadência severa, e multi-dimensional: em termos econômicos, políticos, sociais e mesmo culturais.

Agora, existe um ponto que a Argentina não decaiu nem um pouco, o futebol. Ao contrário, nesse campo (literalmente) essa nação continua sendo a potência que sempre foi.

Aqui e acima da manchete: a cidade de Buenos Aires (incluindo os subúrbios) ganhou nada menos que 24 Libertadores. Pra sentir a Alma Portenha, fui ver São Lourenço x Atlético Paranaense por essa competição. Eu não sou torcedor do CAP, já esclareço. Apenas esse foi o jogo que deu certo eu ir.

Argentina É futebol, eu disse na mensagem passada. Assim de fato a coisa se manifesta:

Das 57 Libertadores eles ganharam 24. E esse fluxo vencedor de títulos se mantém constante, desde que a competição começou em 1960.

Não é difícil entender as razões. A primeira é que realmente os caras sabem jogar bola. E a segunda é que a Argentina é um país bem menor que o Brasil, não tem campeonato estadual.

Terceiro, com o futebol concentrado desproporcionalmente na capital e seus subúrbios. Assim, ganhar o campeonato argentino é quase como ganhar aqui o campeonato estadual:

“Rei de Copas”: apenas o Independente de Avellaneda, também chamado “Diabo Rubro”, levou 7 Libertadores.

Os times que brigam pela taça são todos da mesma cidade, ou no máximo de cidades tão próximas que você vai de ônibus urbano ao estádio adversário.

Por isso, desde que a Libertadores começou eles dão a vida pra ganhá-la. Nas 3 primeiras décadas, o Brasil desprezou essa competição, que então ficou restrita a uma disputa entre Argentina e Uruguai.

Com uma população que é 20% da nossa, os argentinos ganharam 50% a mais de Copas Libertadores de clubes que o Brasil (24 x 17, os dados são sempre de abril.2017, quando faço o texto).

E quase 100% a mais de Copas América de seleções (14 x 8, embora nesse quesito específico eles estejam em jejum desde 1993, enquanto nesse período o Brasil levantou 4 canecos).

Claro, faça-se o adendo que na competição máxima de seleções que é a Copa do Mundo o Brasil é hegemônico não apenas continental como globalmente, foi campeão 5 vezes

“Mão de Deus“: nosso foco são as disputas entre clubes. Mas dando uma pincelada nas seleções, contra a Inglaterra em 1986 Maradona fez 2 gols épicos, um esse que vocês estão presenciando, só o juiz não viu. Como esse jogo foi no México, eu falo dele na postagem sobre o futebol mexicano.

Contra 2 do vizinho paíso último título deles foi no México em 1986, quando Maradona marcou até gol de mão (dir.).”

……….

Ainda assim na América o domínio alvi-celeste é incontestável. Que os argentinos sabem jogar é auto-explicativo. Falemos então da concentração na capital.

No Paraguai, Chile (nesses 2 já fiz matérias específicas sobre o tópico), Peru e Uruguai o modelo é exatamente o mesmo, se você fizer uma disputa metropolitana da capital mais alguns subúrbios, na prática eis o campeonato nacional.

Meu ingresso pra ver São Lourenço x “Paranaense”: como sabem, o CAP aqui em Curitiba é conhecido como “Atlético“, e nacionalmente “Atlético Paranaense” pra diferenciar do Atlético Mineiro. Mas na Argentina e por consequência nos demais países hispânicos, o CAP é o “Paranaense”. Não é difícil entender o porque, já que na Argentina quase todos os times se chamam ‘Clube Atlético’: Clube Atlético River Plate, Clube Atlético Boca Jrs., Clube Atlético Independente, Clube Atlético São Lourenço de Almagro, Clube Atlético Belgrano, Clube Atlético Talleres, etc. Dos 30 times na 1ª atualmente, nada menos que 21 são ‘Clube Atlético’, que assim é um prefixo, e não o nome do time. Aplicando a mesma lógica ao CAP, ficou como “Paranaense”.

Alias por um tempo houve na Argentina esse campeonato chamado ‘metropolitano’, e ele tinha a mesma importância do nacional.

Esse país já teve muitas formas de disputa em seu certame nacional, abaixo faremos um resumo das diversas fórmulas que já foram usadas.

Aqui, o que quero ressaltar é que na Argentina e várias outras pátrias acima citadas o futebol basicamente se resume a capital. Mas isso está longe de ser universal.

Na Colômbia e México o super-clássico nacional opõe capital x interior (repetindo o modelo europeu), como descrevi com detalhes em outras oportunidades. Alias os 3 títulos da Libertadores colombianos foram ganhos pelo interior.

No Equador, alguns dizem que o super-clássico nacional nem envolve a capital, é Barcelona x Emelec, ambos de Guayaquil – mas a única Libertadores equatoriana foi ganha pela capital Quito.

Enquanto na Bolívia a capital La Paz é o polo principal, os dois maiores vencedores são dali, mas o interior é muito forte também – por exemplo o único tetra-campeão boliviano é de Cochabamba.

Maurílio como torcedor do Independente. Abra a postagem pra ver o desenho inteiro, ele está trepado sobre o alambrado, que é como os líderes de torcida veem a partida na Argentina. Uma nota: eu traduzo sempre que que possível tudo pro português, alias nessa postagem mesmo vocês esse debate com um leitor que fez essa retificação.

…….

De volta a nosso foco de hoje. Citei esses países acima pra pôr no contexto, fazendo o contraste. Na Argentina, entretanto, esse esporte basicamente se resume a Buenos Aires e imediações.

Dos 30 participantes da 1ª divisão em 2017, 60% são da Grande Buenos Aires (“Bs. As.”) e da cidade de La Plata.

Leve em conta que em 2015 o campeonato argentino passou por massiva ampliação, exatamente pra aumentar a presença do interior.

Nesse ano de 20 passaram a ser 30 participantes. Logo, de 2 turnos reduziu pra turno único. Apenas os maiores clássicos de cada região se repetem pra inverter o mando.

Os clubes foram emparelhados em duplas contra seu maior rival: Boca x River, Independente x Racing, Rosário Central x Newell’s, etc; nas oportunidades em que não há um clássico da cidade aí vai contra o time da cidade mais perto.

Quando eram 20 times, quase 80% deles eram da capital, região metropolitana e La Plata, que não é região metropolitana mas quase. Exemplifico nos mapas.

Observe os mapas (confira a fonte deles aqui): quando eram apenas 20 times, quase 80% eram da capital. Pegamos o ano de 2008 como exemplo que é típico: apenas 6 do interior enfrentando 14 times de Buenos Aires  no campeonato ‘argentino’. Ou seria melhor dizer ‘campeonato portenho’?,

Um adendo. Como explicado na postagem anterior e é notório, o município de Bs. As. fica dentro da província de Buenos Aires, mas não pertence a ela.

Assim como quando o Rio era nossa capital até 1960 o município do Rio de Janeiro (então nosso D.F.) ficava dentro do estado do Rio de Janeiro mas não pertencia a ele.

Então. E La Plata é a capital da província (pra nós seria chamado ‘estado’) de Buenos Aires. Dista apenas 55 km da capital federal.

Não faz parte da área urbana da Grande Buenos Aires, mas está muito próxima, é um subúrbio estendido. La Plata tem com Buenos Aires mais ou menos a mesma relação que Jundiaí tem com São Paulo, se quiser ver assim.

Nesse texto sobre futebol quando eu falar “Buenos Aires” ou “capital” isso inclui a região metropolitana e mais a cidade de La Plata, que não é região metropolitana mas falta muito pouco pra isso. Esclarecido, vamos lá.

Em 2015 passaram a ser 30 times. Aí a capital ficou com ‘apenas’ 60% deles.

Entre os campeões a supremacia da capital é ainda mais pronunciada. Depois que iniciou-se o profissionalismo (de 1931 pra cá, muitas vezes eram 2 campeonatos no mesmo ano) foram 131 troféus.

121 deles conquistados por Buenos Aires, mais de 91% portanto. De cada 10 edições, 9 taças ficam na vizinhança.

Está claro: ganhar o campeonato argentino pros clubes da capital é como ganhar o paulista ou carioca pros clubes brasileiros. Logo é preciso alçar voos mais altos pra coisa ter alguma graça.

E qual é essa esfera mais alta? A Libertadores, evidente. Resultado: o Independente de Avellaneda tem 7, o Boca 6, Estudantes de La Plata 4, River Plate 3, pra citar somente os multi-campeões.

1960-1988: disputa particular uruguai x argentina
1989-presente: a decadência uruguaia sim; argentina não

Mural do Belgrano em Córdoba: manifestação oni-presente no vizinho Chile, comum em Córdoba já numa proporção menor e inexistente em Buenos Aires e demais cidades argentinas. Ou há muitos poucos, vejo na internet, mas ao vivo não presenciei, e rodei 4 dias na capital argentina.

O domínio já foi ainda mais acentuado. A Libertadores da América se divide em 2 períodos, 1960-1988; e 1989-presente.

Explico. Até o fim dos anos 80, Libertadores significava na prática “Campeão do Rio da Prata”.

Já que ela era pouco mais que uma ‘recopa’ entre argentinos e uruguaios.

Como se sabe, nas 3 primeiras décadas o Brasil desprezou a Liberta. Por exemplo, o Santos de Pelé venceu a 3ª e a 4ª edição da competição, sendo bi em 1962/63.

Postes pintados, também em Córdoba e também pela torcida do Belgrano. Em relação aos postes, repete-se o que falei dos murais na legenda anterior: no Chile em toda parte, em Córdoba um pouco, em Buenos Aires não há – nesse caso não vi sequer pela internet.

Mas depois o clube, numa decisão que se arrende amargamente até hoje, achou que era mais lucro excursionar pela Europa.

Resultando que preferiu não mais disputar esse campeonato, ou pelo menos não com o time principal.

Tivesse centrado forças no torneio continental americano, o Santos fatalmente seria tetra, penta e quem sabe até hexa campeão da Libertadores.

Não foi assim que ocorreu. O alvi-negro praiano e todos os outros times brasileiros voltaram as costas pro principal certame do continente.

Argentinos e uruguaios agradeceram, e o transformam numa disputa particular deles.

Idem, ibidem. Mural e poste na mesma cena.

Em 1988, de 29 taças a Argentina tinha 15 (mais da metade!!!), o Uruguai (que é uma nação muito pequena) nada menos que 8 (5 do Penharol e 3 do Nacional). 

O Brasil somente 5 (um terço da Argentina e bem menos que o Uruguai), o Paraguai 1, nenhum outro país havia vencido.

A coisa era tão aberta que por 12 anos seguidos (1964-75) a taça ficou alternando entre Buenos Aires e Montevidéu somente.

Próximas 2: pichações nas ruas de Córdoba.

O Independente foi tetra seguido (72-75), o Estudantes de La Plata foi tri (68-70), sendo que em 1969/70 foi bi-campeão invicto. Todas essas façanhas permanecem inigualadas até hoje.

Porém, em 1989 a trajetória da Libertadores fez uma curva, que afetou o Uruguai negativamente e Brasil e mais 4 nações positivamente.

Em 1988, o Uruguai tinha 8 taças, o Brasil 5. Mais que isso: Brasil, Paraguai, Colômbia, Chile e Equador somados tinham apenas 6. De lá pra cá o Uruguai não ganhou mais nenhuma – já se vão 29 anos de jejum. Somados, esses 5 países acima deram 19 voltas olímpicas nesse espaço de tempo.

Aqui vemos homenagens aos dois clubes.Yuta’, que o torcedor do Belgrano gostaria de matar, significa polícia. No Chile o termo é o mesmo, e também do outro lado dos Andes alguns gostariam de eliminá-la.

O Brasil venceu 12, é o maior campeão do período (a Argentina levou mais 9). Colômbia 3, Paraguai 2, Chile e Equador 1 cada.

……..

Portanto: o Brasil, depois que voltou os olhos pra Libertadores, foi o vencedor dessas quase 3 décadas, 12 taças contra 9 da Argentina.

Como a diferença era de 3/1, a distância diminuiu muito mas eles seguem com larga vantagem.

O Raio se espalhou pelo continente. Essas 4 outras nações que somadas só haviam vestido a faixa uma única vez o fizeram mais 7 vezes, dessa forma multiplicando por 8 seu quinhão de conquistas.

Estádio Olímpico Mario Kempes, Zona Oeste de Córdoba, segundo maior do país, construído pra Copa de 78. No dia que fiz esse texto (Domingo de Páscoa/17) se enfrentaram ali Talleres x Belgrano pela 1ª divisão, o que não ocorria há 15 anos.

O Uruguai parou no tempo. Entrou numa decadência cruel. Mas a Argentina não decaiu (ao menos no futebol), é isso que quero apontar.

Os anos 90 e 10 (até 17, quando escrevo) foram de preponderância brasileira, é certo. Mas a primeira década do século foi novamente argentina com 5 títulos, sendo 4 só do Boca.

Quando Boca e River (ou ‘Voka’ e ‘Riber’, já falo dessa parte) disputam mais um super-clássico, estão em campo nada menos que 9 Libertadores.

Sede do Talleres (se pronuncia “Tachéres”) no Centro de Córdoba.’Taller’ significa ‘oficina’. Oficina de qualquer coisa, pode ser desde oficina mecânica até oficina de artesanato. No caso, são as oficinas de trens, pois o clube foi fundado pelos trabalhadores que operavam e consertavam as locomotivas. Da mesma forma, em Ponta Grossa-PR há o Operário Ferroviário, cujo estádio fica no bairro Oficinas (da ex-RFFSA), na Zona Sul.

Avellaneda é um subúrbio da Zona Sul da Grande Buenos Aires, que sedia dois clubes, Independente e Racing. Pois bem.

Os dois já deram a volta olímpica no torneio máximo continental, o Independente nada menos que 7 vezes, ainda é o ‘Rei de Copas’. Até o ‘clássico suburbano’ opõe ambos times campeões da América. Isso é Buenos Aires, amigo.

……….

Agora, o futebol argentino não mingou com a virada pros anos 90. Mas seu maior campeão da Libertadores sim, esse murchou. O Independente tem 7 taças – mas a última foi no já distante ano de 1984.

Nesse ano, em que logrou sua sétima vitória, o River era virgem, nunca tinha ganho. O Boca tinha 2 taças.

Quando o novo milênio adentrou os dois maiores clubes argentinos estavam empatados, 2 pra cada.

Voltando a Buenos Aires, aqui está a sede do Racing no Centro de Avellaneda. Como o rival Independente jogava no dia e os estádios são a poucas centenas de metros dali, uma viatura da polícia faz a guarda, pra evitar problemas.

Aí veio a impressionante década de 2000. O Boca foi campeão 4 vezes, totalizando 6, bi em 2000/01, e de novo 03 e 07.

E com isso está nos calcanhares do Independente. O River, após quase 20 anos de jejum, levou de novo em 2015, e agora tem 3, ainda metade de seu arqui-rival.

……..

Em relação aos títulos nacionais, aí a vantagem é do River, que venceu 35 vezes, 10 a mais que o Boca que vem logo atrás. O Independente tem 14, São Lourenço 12, e o Vélez Sarsfield 10.

São os únicos que atingem os 2 dígitos. São Lourenço e Vélez ganharam a Libertadores uma vez, em 2014 e 1994 respectivamente.

Por ter sido mais vezes campeão argentino, o River Plate se diz “o maior da Argentina, muito longe dos outros”. Cada um diz o que quer, não necessariamente sendo verdade.

Pouco antes de clicar a imagem acima, eu passei em frente aos estádios. Aqui a multidão faz fila pra adentrar as arquibancadas do campo do Independente.

Na Argentina, o que conta é Libertadores, que o Boca tem o dobro. O certame nacional é chamado pejorativamente por lá de “navegação de cabotagem”.

Eu não tenho qualquer preferência pelo Boca, exatamente ao contrário, o time que tenho alguma simpatia na Argentina é o Independente.

Não gosto do Boca Juniors, nem um pouco, ressalto de novo. Só que números são números. ‘Só idiotas discutem com números’, diz o ditado.

A torcida do Boca é disparado a maior, com 30% dos argentinos sendo ‘xeneizes’, o apelido deles – é uma corrutela de ‘genoveses’.

Dando uns passos pra frente, não vemos mais o estádio do Independente, vermelho como o clube. Mas está óbvio que estamos na frente dele, pois ainda vemos a mesma galera na fila. Agora há o do rival Racing ao fundo, também nas cores do clube, nesse caso azul-claro.

O River vem logo a seguir com 20% da preferência nacional. A alcunha do River é ‘Milionário’.

São os dois gigantes, contra eles não há competição possível em termos de torcida. O 3º clube mais popular da Argentina é o Independente (o ‘Diabo Rubro’), escolha de 5% dos argentinos. 

Esse número já foi muito maior, a decadência do clube tem cobrado um alto preço, como é natural.

Repito, em 1984 o Diabo tinha 7 Libertadores, contra 2 do Boca e River somados. De lá pra cá não ganhou mais, e viu o Boca levar 4, o River mais 3.

O River não por acaso se auto-define como ‘o Milionário’. Foi fundado no bairro da Boca, o mesmo de seu arqui-rival.

Invertendo as posições: agora estou defronte o campo do Racing, ao fundo o do Independente, como as cores de cada um deixam claro.

Mas a muitas décadas se transferiu pra Zona Norte, que é a parte rica de Buenos Aires. O Boca é da Zona Sul, a porção pobre da cidade.

A Zona Norte, no município de Buenos Aires (ou seja, sem incluir região metropolitana), simplesmente não tem nenhuma favela.

Nenhuma. Buenos Aires está coalhada da favelas, e elas assustadoramente triplicaram nesse milênio. Todas nas Zonas Sul, Oeste e Central – Bs. As. não tem Zona Leste.

Camaradagem: o Racing abriu sua bilheteria pra torcida do rival Independente.

Abordei o assunto da miséria na capital argentina na outra postagem, com fotos, gráficos e mapas. Aqui só volto ao tema pra dizer que de fato o Boca é ‘time do povo’.

Enquanto o River domina entre os que tem mais acesso a renda e educação, e a localização dos estádios reflete isso.

Claro que a correspondência não é 100%. Muita gente prefere o River na periferia, e outros torcem pelo Boca mesmo sendo da elite e alta-burguesia. Não é 100%. Mesmo assim, nas favelas o Boca domina amplamente, alias de várias das enormes favelas da capital e região metropolitana dá pra ir a pé a ‘Bombonera’.

Os estádios são a 400 metros um do outro. E Avellaneda está inteira decorada com o ‘fantasminha vermelho da B‘, a torcida do Racing comemora o recente rebaixamento do Independente.

Essa preferência da massa, dos descamisados, se reflete nas demais quebradas e periferias pelo resto do país, independente da distância física pro estádio, é claro.

Já o ‘Monumental de Nunhez’ está incrustrado nos bairros mais elegantes e arborizados da cidade (na verdade fica no vizinho bairro de Belgrano, mas como é divisa com Nunhez, o nome pegou assim).

E esse extrato social elevado é o único em que o River tem maioria. Outra coisa: entre os mais velhos (acima de 60 anos) e entre as Mulheres o River também ganha. Quanto mais jovem e pobre, maior a distância a favor do Boca.

Ou seja: você está numa favela. Vem um garoto, de boné na cabeça. Ele usa uma camisa de futebol. A chance que seja do Boca ou do River é na proporção de 4 pra 1 a favor do Boca.

Mesmo recado na pichação: a “Guarda Imperial” Zona Oeste do Racing desenha o ‘B’ de chifres e escarlate, o Diabo caiu afinal.

………

A capital (com seus subúrbios) domina amplamente o futebol argentino. Levou todas as Libertadores do país, e 121 dos 131 títulos nacionais. Isso já disse.

O que quero adicionar aqui é que o interior da Argentina, em relação ao futebol, praticamente se resuma a uma única cidade: Rosário.

O interior ganhou 10 vezes, e todas as 10 por Rosário, 6 pelo Newell’s Old Boys e 4 pelo seu arqui-rival Rosário Central.

River x Boca (r), o ‘Super-Clássico‘ que para um país (esse aqui não se sabe se é de futebol ou polo aquático). Como dito na abertura, as tomadas com o ‘(r)’ são baixadas da internet.

Rosário também a única cidade do interior que chegou a final da Libertadores. 2 vezes (1988 e 92), ambas com o Newell’s. Perdeu ambas.

Mas essas façanhas são mais que suficiente pra colocar o Newell’s como maior time do interior da Argentina, disparado. E Rosário como a maior cidade do interior, ao menos quando o quesito é esse esporte.       

Novamente: não tenho qualquer preferência pelo Newell’s, apenas analiso os números. Por outro lado, o Rosário Central venceu a Copa Conmebol de 1995.

Como se lembra quem tem idade pra tanto, esse era um torneio secundário, uma espécie de 2ª divisão da Libertadores, precursor da atual Copa Sul-Americana que cumpre esse papel hoje.

Das 131 taças do certame nacional, Boca e River levaram juntos 60, quase 45% somente pra 2 times. O campeonato argentino não é apenas concentrado na capital, mas é concentrado nesse clássico.

A Argentina ganhou 3 vezes a Conmebol, e sempre com clubes menores, fora do circuito. O Talleres de Córdoba e o Lanús da Grande Buenos Aires também contam com essa façanha no currículo.

………

Córdoba é a maior cidade do interior, em termos de população. Rosário é a segunda, pouco atrás, e na sequência vem Mendonça.

Visitei Córdoba e Mendonça, infelizmente Rosário não deu pra ir. Mas pro futebol Córdoba e Mendonça são praticamente irrelevantes, alias todo o interior é irrelevante exceto Rosário.

Esse ano (2017) Córdoba terá seu clássico Talleres x Belgrano pela primeirona nacional. Fato raríssimo, faziam 15 anos que não ocorria.

Drones sobre o estádio no dia do jogo (r), . . . .

Esse times disputaram a 1ª divisão em 21 e 17 oportunidades respectivamente, mas em poucos anos os dois ao mesmo tempo.

O clássico foi disputado no dia que escrevo essas linhas, Domingo de Páscoa/17. Acabou empatado em 1×1, o que manteve o Belgrano em 29º e penúltimo lugar.

Pra completar o circo dos horrores pro clube, a torcida do Belgrano cometeu um crime monstruoso na arquibancada, atirou pelo vão da escada um rapaz de 26 anos, tudo foi filmado e as cenas correram o mundo.

Ele sofreu traumatismo craniano e acabou desencarnando no hospital. Pra piorar, depois descobriram que ele torcedor do próprio Belgrano, e não do rival Talleres como pensaram na hora. A briga não era por futebol, quem disse que o rapaz era da torcida inimiga mentiu por uma rixa antiga. Sem saber disso a ‘barra-brava’ do Belgrano assassinou um dos seus. ‘Fogo amigo’.

. . . um cara com a letra ‘B‘ na camisa na arquibancada (r), . . .

Bem, a violência nos estádios é universal na América Latina, quando estive na Colômbia vi cenas similares pela TV nos clássicos de Cali e Medelím.

E aqui no Brasil os cadáveres perecidos em guerras de torcidas se contam as centenas nessas últimas 3 décadas, numa realidade amaríssima.

Voltemos a Argentina. O Talleres subiu de novo somente esse ano, depois de 12 anos na 2ª e mesmo 3ª divisões.

Seu arqui-rival Belgrano está na 6ª temporada no torneio principal do país, mas deve cair esse ano. Quando eu estava na Argentina, vi pela TV o Belgrano vencer em casa o Racing de Avellaneda por 2×0. Era a sétima rodada, e foi somente a 1ª vitória do time cordobês.

. . . e infinitas pichações pela cidade: o Boca não cansa de relembrar ao River seu rebaixamento.

Até então eram 3 empates e 3 derrotas, estava em último. Com o triunfo subiu pra penúltimo, o que não ajuda muito. 4 semanas depois, se mantinha no mesmo lugar.

Na Grande Mendonça é ainda pior, só há um clube na primeira, o Godoy Cruz. Há muito a cidade não vê um clássico local pela série A argentina. 

Se serve de consolo, como dito acima o Talleres de Córdoba já venceu um torneio internacional, a Copa Conmebol de 1999.

A final, vejam vocês, foi contra o CSA de Alagoas. Também chegaram a semifinal o Desportivo Concepção do Chile e o São Raimundo do Amazonas. Foi a última edição da Copa Conmebol.

‘voka’ x ‘riber’; rosário ‘bentral’; e o ‘paranaense’ de ‘curitiva’

No idioma espanhol, como se sabe, não há a pronúncia da letra ‘v’. Se escrevendo com essa letra ou com ‘b’, pronuncia-se tudo como se fosse ‘b’.

Veja ao lado: nossa bagagem não chegou conosco a Buenos Aires, só 2 dias depois. Eis a reclamação no guichê da Gol feita no aeroporto central de Bs. As., o Aero-Parque.

A viação aérea é brasileira, mas essa ficha foi preenchida na Argentina, por um funcionário argentino da empresa.

Quando eu estava na Argentina, esse país enfrentou o Chile pelas eliminatórias no Monumental de Nunhez. O time da casa jogou muito mal, e venceu por 1×0 graças a um pênalti duvidoso (diz a própria imprensa local) aos 16 do 1º. Sete minutos antes anularam um gol do Chile. Vi pela TV em Córdoba.

Perguntou que cidade morávamos, e respondemos ‘Curitiba’. O rapaz não teve dúvidas: mandou ver ‘Curitivano papel, porque pra ele a pronúncia é idêntica.

Isto posto, podemos entender porque a briga das torcidas nesse país vizinho invadiu a linguística:

Além de mais títulos na Libertadores e maior número de fãs, o Boca é o único clube que nunca foi rebaixado, que sempre disputou a 1ª divisão do profissional.

O River lhe fazia companhia até 2011. Mas nesse ano caiu, e teve que jogar a série B. Resultado: desde então a torcida do Boca só grafa o River como ‘Riber’ Plate.

O que obviamente os ‘milionários’ odeiam. Volte ao topo da página e observe a primeira imagem, logo abaixo da manchete. Alguém do Boca grafou ‘RiBer’ no muro, propositadamente exagerando no ‘B’, que ficou gigante óbvio, pois é esse o ponto nevrálgico que enerva o inimigo. 

Córdoba: um torcedor do Talleres pintou o símbolo do clube sob a palavra ‘loucura’. Um rival do Belgrano profanou, dizendo ‘loucura de galinhas’. Na América Hispânica, é essa pecha que as torcidas tentam impôr sobre os adversários. Por isso o ‘T’ virou ‘G’, de ‘Galleres’, soma de ‘Talleres’ com ‘Gallinas’. ‘Peito Frio‘ também é uma expressão castelhana que quer dizer que o jogador não tem sangue quente, a camisa ‘não esquenta’ no peito, aí tanto faz ganhar ou perder.

Enervou mesmo. Algum torcedor do River foi lá e tentou com todas as suas forças riscar a letra ‘B’, como se sua vida – ou ao menos sua honra – dependesse de ocultar esse símbolo gráfico.

Não adianta nada, claro. Os boquenses continuam a proliferar o mantra ‘Riber’ por todas as partes da cidade, um pouco mais pra cima a esquerda mais um exemplo: “River vende fumo, você foi pra (série) B’, é o que está escrito nessa porta de loja.

Pra compensar, a torcida ‘milionária’ do River grafa o rival como ‘Voka’. A pronúncia é a mesma de ‘Boca’. Nesse caso não há correlações com rebaixamentos, já que infelizmente pro River o Boca jamais foi rebaixado.

Simplesmente se paga na mesma moeda. ‘Vocês distorcem a grafia do nosso time, nós distorcemos do seu’, é a lógica de quem criou e espalha o termo ‘Voka’.

Na Argentina, a briga futebolística definitivamente descambou pra dimensão da linguística. O combate é pra mudar as letras no nome do adversário. Os gramados, arquibancadas, ‘adesivos’ na internet (“memes”) e muros se tornaram muito pouco . . . .

Próximas 12: vamos ver mais algumas cenas que eu captei no Novo Gasômetro, estádio do São Lourenço na Z/Sul de B. Aires. Aqui a bateria da ‘Gloriosa’ no aquecimento. Por enquanto sem os saxofonistas.

……….

Não é só no Super-Clássico que essa situação acontece. Estive na Vila Carlos Paz, no interior da província de Córdoba.

A uma hora de ônibus da capital estadual, é uma espécie de ‘Campos do Jordão (SP)’ argentina.

Na verdade Carlos Paz é ainda mais bela que C. do Jordão, pois nessa cidade argentina além das montanhas há um rio que vira um lago bem no Centro.

Em Carlos Paz eu me senti na Suíça, se quer saber. Breve subo as fotos que tirei por lá. Aqui nosso tema é futebol. A Vila Carlos Paz está a 40 km do Centro de Córdoba, você faz um bate-volta, sai cedo e volta a noite se quiser.

No alambrado: na Argentina é assim que os cabeças da barra-brava (torcida organizada) veem o jogo, sempre trepados nas grades. Por isso desenhei Maurílio na mesma posição.

De Rosário a distância decuplica, ou seja são 400 km. Então é preciso pernoitar.

Mesmo assim, muitos rosarinos visitam Carlos Paz. Comprovei isso pelas pichações nos muros, a guerra entre as torcidas do Rosário Central e Newell’s Old Boys (sigla ‘N.O.B.’ nos pichos).

Pois bem. Exatamente na orla, na parte mais bonita da cidade, estava grafado Rosário “B”entral, com o ‘B’ bem grande e destacado.

Aí não tem a ver com a linguística. Simplesmente um torcedor do Newell’s ressaltava o recente rebaixamento do rival.

O Rosário já caiu 4 vezes, mas a última é bem recente, já em 2010, e ele levou 3 anos na série B.

Poucos minutos antes da bola rolar, a banda vai pra arquibancada. No destaque mais um rapaz agarrado a grade, eles ficam o jogo inteiro ali, e não somente pra pôr as faixas como alguém poderia pensar.

O Newell’s também já foi pra segundona, mas está ininterruptamente na primeira desde 1964.

……….

No Clássico Suburbano de Avellaneda o mesmo se repete. O Boca é o único que nunca caiu, repetindo. Até 2011, River e Independente de Avellaneda lhe faziam companhia.

O River teve que disputar a segundona em 2012. No ano que ele retornou pra primeira divisão, em 2013, foi a vez do Independente ser rebaixado. Agora todos caíram, exceto o Boca Juniors. 

Os famosos guarda-sóis não iriam mesmo faltar, nada é mais argentino que isso!

Em Avellaneda os dois rivais já estiveram na série B. O Racing foi rebaixado em 1983, e ficou 3 anos antes de voltar.

Os torcedores do Diabo Rubro até hoje comemoram essa data, vi camisetas alusivas a esse fato, dizendo “Proibido Esquecer”.

Porém agora a maré virou. Nessa década de 10 foi a vez do Independente jogar a segunda. Conseguiu subir no 1º ano.

Ainda assim, a torcida azul do Racing não perdoa, evidente. Avellaneda está inteira pichada com um fantasminha em vermelho com a letra ‘B’.

A foto acima da manchete.

Agora um detalhe curioso: a rivalidade entre Racing e Independente é acirradíssima dentro de campo.

E as pichações nos muros, camisetas e cânticos deixam claro. Mas fora dele os clubes se ajudam.

Os estádios são na mesma quadra, de um você vê o outro. Fui pra Zona Sul de Buenos Aires num sábado a tarde.

Conheci os bairros de Parque Patrícios, Nova Pompéia e Barracas, rumo a famosa favela da Vila 21.

Portão da ‘Cidade Esportiva‘ do S. Lourenço. Chovia muito, veja as capas amarelas.

Cruzei o Riachuelo, mudando de estado e município, do Distrito Federal pra Avellaneda, na província de Buenos Aires.

Chegando ao Centro de Avellaneda, vi uma multidão caminhando com camisas vermelhas, e logo concluí que iam ao jogo do Independente.

Resolvi acompanhá-los até o portão do estádio, embora eu não poderia entrar porque não tinha dinheiro suficiente.

Ainda assim me imiscuí entre a rapaziada e fui, pra pelo menos sentir o clima. Chegamos as imediações do ‘Estádio Libertadores da América’. Sim, esse é o nome oficial da praça desportiva, pra lembrar a todos quem é o ‘Rei de Copas’.

dentro do complexo, em 1º plano um campo de treinamento, ao fundo o estádio.

Mesmo não podendo passar pra arquibancada, foi bom estar ali. Camelôs e bares vendiam churrasco, sanduíches e cerveja.

A banda fazia o aquecimento, com seus bumbos e saxofones característicos. A galera bradava seus gritos de guerra.

Vi os ônibus que trouxeram os comboios do interior. Eram veículos na configuração urbana, com 2 (ou 3) portas e bancos fixos de acrílico.

Próximas 2: quando adentrei o estádio, 1 hora antes do jogo, por isso está vazio. Quando a bola rolou, as retas encheram. A curva oposta continuou vazia. Choveu muito, Buenos Aires tinha diversas vias sitiadas por protestos e na rodada anterior o São Lourenço levou 4×0 do Flamengo no Rio. Tudo isso afastou o público.

Imagine ficar horas e horas sentado naqueles tocos duros, haja paixão!

No Brasil, os comboios das torcidas são em ônibus de viagem, em que o banco é maior, estofado e reclina, um pouquinho que seja.

Como disse acima: os estádios são vizinhos. Eu estava ali, entre a massa vermelha, que adentrava os portões do campo do Independente.

Como pano de fundo da cena estava o estádio do Racing, que é maior.

Saí dali, me dirigindo ao Centro de Avellaneda. Já anoitecia, e como não poderia mesmo ir pra arquibancada queria aproveitar os últimos raios de Sol pra conhecer um pouco mais da cidade.

Repare nas barreiras na arquibancada, pra impedir a ‘avalanche’, comemoração do gol em que tudo mundo corria em direção ao alambrado, causando esmagamento.

Antes passei exatamente em frente o campo do rival Racing.

Os torcedores do Independente faziam o mesmo trajeto, mas no sentido oposto.

Pois bem. A bilheteria do Racing estava aberta. . . porém a serviço do ‘inimigo’.

Eram os torcedores do Independente quem compravam ingressos pra ver seu time.

Pois o Racing jogava fora na rodada, e não no mesmo dia, tudo pra evitar encontros das torcidas adversárias. 

Com a bola rolando. O São Lourenço, mandante, jogou com o uniforme titular escuro. O CAP, visitante, veio de branco.

O que ocorre é o seguinte. A polícia isolou várias quadras ao redor do estádio do Independente, só passava pela barreira quem já tinha ingresso em mãos.

Eu pude conhecer o estádio ao menos por fora porque eu vim mais cedo e por um acesso secundário, onde a polícia ainda não havia fechado.

Porém na avenida principal, a que vinha do Centro, estava interditado exceto pra quem já tinha o bilhete adquirido.

Tive que pedir licença pro policial, ele abriu pra mim a porta dos deficientes, pra que eu pudesse sair enquanto a multidão entrava. Como eu estava saindo, obviamente não houve complicações. Mas ninguém podia entrar sem ingresso.

Torcida do Atlético-PR presente em Buenos Aires. Eles levaram 2 bandeiras do Brasil, infelizmente essas fotos desfocaram.

E quem não havia comprado não mais podia fazê-lo no estádio do Independente, já que a bilheteria fica dentro da zona fechada. Então como fazê-lo?

O Racing deu uma mãozinha, e abriu as suas próprias bilheterias aos que deixaram pra última hora. Uma camaradagem interessante, inimigos dentro das 4 linhas, parceiros fora delas.

……….

Fechamos (por hora) a sequência dentro do estádio do São Lourenço. São os saxofonistas, agora a orquestra está completa.

Qual o povo mais fanático por futebol no mundo? O argentino? Não, é o chileno.

Digo, na arquibancada são iguais. O torcedor argentino é passional, e suas ‘hinchadas’ são famosas por nunca pararem de cantar. De fato assim é.

Veja a prova: a própria torcida do São Lourenço levanta pra rede um vídeo de uma final que eles perderam por 3×0. O resultado dentro de campo importa menos, o fundamental é que o ‘alento’ na arquibancada nunca pare.

Fui ver São Lourenço x Atlético Paranaense pela Libertadores, 3 dias antes desse sábado em Avellaneda. Já eu conto melhor. Aqui é só pra dizer que chovia a cântaros, o São Lourenço perdeu em casa, e passou o jogo inteiro perdendo, já que o gol do CAP foi logo aos 3 do primeiro.

Aqui e a direita: Zona Sul de Buenos Aires: a torcida do Furacão (esse é o nome do time, não é apelido) homenageia um de seus ídolos.

Ainda assim, a torcida do São Lourenço não parou um minuto de pular e cantar, a plenos pulmões. Voltando a pergunta que eu fiz, dentro do estádio não há diferença, fato. Mas nas ruas o chileno faz questão de se manifestar de forma mais expressiva.

Como eu já contei com muitas fotos quando retornei de lá, no Chile a guerra de torcidas é poste-a-poste. No Centro das cidades não porque a burguesia não se interessa por isso.

Mas assim que você entra nos bairros mais humildes – mesmo aqueles bem centrais, em que você pode ir a pé do Centrão e comprovei isso pessoalmente – e muito mais nas quebradas distantes do subúrbio, todos os postes do bairro são pintados com as cores de algum time.

Todos os postes, todos os bairros, todo o subúrbio e também a parte mais proletária da Zona Central. Além disso, são famosos mundialmente os ‘murais’ chilenos:

Furacão Capo” (chefão da máfia, e por analogia aqui o dono do bairro), e “São Silêncio de Amargo”, provocação ao vizinho São Lourenço de Almagro. Pelo futebol argentino ser muito centrado na Grade Buenos Aires, as rivalidades dos bairros ou municípios suburbanos vizinhos são as mais fortes. O Furacão é próprio time suburbano, como o Olaria, Bangu ou América no Rio. A torcida do Furacão tem birra com quem está mais perto, que é o São Lourenço, fazem ‘o clássico da Zona Sul’. Os fãs do Furacão pouco se importam com o Vélez Sarsfield, por exemplo, já que esse está distante, na Z/Oeste.

Grafites em que as torcidas expressam sua paixão com muitas cores, alguns obras de arte, outros bem toscos, mas todas as pinturas de muro inteiro servindo ao propósito de mostrar quem é ‘o dono’ daquele bairro.

Em Santiago e Valparaíso, os murais e postes decorados estão por toda parte, obras de todas as torcidas. Pois bem. Na Argentina não é assim. 

Em Buenos Aires e Mendonça há bastante pichações de futebol sim, como no Brasil. Mas murais e postes decorados não há.

Como informei na legenda acima: vejo fotos na internet dos murais de futebol em Buenos Aires. Então eles existem, sim. Mas em número reduzidíssimo.

Fiquei 4 dias em Buenos Aires, e o tempo todo circulando pela metrópole, Centro, burguesia e periferia. Não vi nenhum mural, nem mesmo perto dos estádios do São Lourenço e dos dois em Avellaneda.

Fiquei os mesmo 4 dias em Santiago, vi centenas de murais em diversos bairros, tantos que perdi a conta. Fotografei dezenas, ainda pude me dar ao luxo de excluir boa parte e só publicar os mais gráficos.

Rivalidade em Córdoba (r): o Estádio Mário Kempes (em tomadas do mesmo ângulo) ocupado pelas torcidas do Belgrano e Talleres, respectivamente.

Em apenas um dia e meio na Grande Valparaíso (esse município mais Vinha do Mar) vi mais murais que em nos 4 dias em Buenos Aires.

Então eles existem na capital argentina? Sim. Mas pouquíssimos. Os murais que eu fotografei do São Lourenço são dentro do estádio, sob a arquibancada. Na rua não existem.

Em Córdoba já muito mais que na capital. Em vários bairros há postes pintados e murais. Lembra mais o Chile, mas bem em proporção bem menor que do outro lado dos Andes.

Dentro desse mesmo campo, Talleres de camisa listrada, Belgrano com a mais clara.

Andei por vários bairros da periferia cordobesa, especialmente na Zona Oeste, inclusive passei exatamente em frente ao Estádio Olímpico de Córdoba ‘Mário Kempes’ que vemos nas 2 fotos a esquerda.

Que é o segundo maior da Argentina só após o Monumental de Nunhez do River Plate. E mesmo ali e nos bairros vizinhos não haviam grafites ou postes decorados.

Em vários outros lugares o mesmo se repetia, pichações certamente em abundância, mas outras manifestações mais elaboradas existentes mas bem mais raras.

Córdoba lembra um pouco a gana do Chile já de forma diluída, e nas outras cidades argentinas há muita pichação mas nada (ou quase nada) além disso.

……..

Zona Sul de Buenos Aires, mas no muro há pichação do Desportivo Cali da Colômbia. Isso é comum na América Hispânica, ver emblemas de times de outros países.

Como o mapa já informou: o campeonato profissional começou em 1931. Até 1938 apenas com times da Grande Buenos Aires e de La Plata, que dista apenas 55 km da capital, enfatizando de novo.

Em 39 é admitida a participação de equipes do interior da província de Buenos Aires, e também da província de Rosário, que é vizinha.

Ou seja, a importância de Rosário no futebol nacional é histórica, data de muitas décadas.

Em 1967 enfim é criado o torneio nacional, aberto a todos. A partir daí passam a ser dois campeonatos por ano.

O nacional e um outro chamado ‘metropolitano’, que continua a ser disputado somente pelos times de Buenos Aires (capital e interior) e Rosário.

Mas muito mais das equipes locais, é claro. Avellaneda, Zona Sul. As torcidas do Racing e Independente disputam quem comanda a distante Zona Oeste. Disse que os times pequenos têm rivalidades apenas locais, e assim é. Mas esses dois são grandes, logo têm torcida na cidade inteira, e também no interior. Por isso os clubes de Avellaneda discutem quem domina um outro município da região metropolitana, que fica a 22 km dali.

Como o futebol na Argentina é grosseiramente concentrado nessas praças na prática os dois torneios tinham a mesma importância.

Repetindo, Buenos Aires e Rosário detém 100% dos títulos, mesmo depois que a disputa foi aberta a outras cidades, o que já data de 1967 num campeonato e 1980 em ambos. 

Isso porque em 1980 o metropolitano passa a incluir 3 times de Córdoba, Talleres, Racing (o local, e não o de Buenos Aires óbvio) e Instituto.

Assim vai até 1985. Portanto, repetindo, no período 1967-85 são dois campeões por ano.

Na temporada 1985/86 é extinto o metropolitano, e tudo unificado no novo campeonato nacional, agora aberto a todos os clubes.

Próximas 5, ainda pelas ruas de Avellaneda. A pichação em letra clara é de futebol. C.A.I. (Independente) é quem assina, e ameaça: “Racing puto, aqui no bairro mando eu”. Em primeiro plano, em letra escura, outro conflito não relacionado ao futebol, alguém pede “Menos La Beriso, mais rock!”. ‘La Beriso’ é uma banda de música romântica que é dali de Avellaneda.

Por 6 anos, até 1991, houve apenas uma disputa por ano. De 1991/92 até 2012 voltam a ser duas disputas por ano, a ‘Abertura’ e ‘Fechamento’ (modelo que ainda é usado na maioria dos países sul-americanos).

Porém agora não há mais discriminação, os dois campeonatos são abertos a todos os times do país. A partir de 2014 volta a ser um torneio por ano, pra igualar o calendário europeu.

……….

Fecho a matéria contando como comecei minha visita ao país. No Chile ir ao jogo foi a última coisa que fiz no estrangeiro, na Argentina inverteu, foi a primeira.

“no bico do corvo”: ‘ciclone’ x ‘furacão’ no ‘templo divino’.

Chegamos a Buenos Aires uma quarta já do meio pro fim-da-tarde. Estávamos num inferno astral.

Estádio do Racing. Repare no esgoto que corre a céu aberto, a infra-estrutura na Argentina está precária, breve falo mais disso.

Nosso voo foi mudado em São Paulo, assim nossa bagagem não foi pra Argentina, como dito acima.

Tudo atrasou bastante, o próprio avião já pousou mais tarde, perdemos muito tempo na fila do câmbio e registrando a queixas das malas.

Pra piorar, a cidade estava em caos. Chovia adoidado, e a Argentina passa por uma rebelião (por enquanto basicamente pacífica, os episódios de violência existem mas nesse início de movimento não são fatais) que tenta derrubar o governo.

Tudo já foi descrito na primeira matéria da série, breve me aprofundo mais. 

Escudos do Independente: na parede . . .

Pro que nos importa aqui, haviam protestos fechando o tráfego pela cidade inteira. Tudo somado, entramos no apartamento que ficamos hospedados no Centrão já 5 da tarde, quando era pra ter sido logo depois do almoço.

Havia planejado ver São Lourenço x Atlético Paranaense. Não sou torcedor do CAP nem de qualquer outro clube, já disse muitas vezes.

Foi apenas o jogo que se abriu, que ocorreu enquanto eu estava lá, então fui. Assim como, pra equilibrar talvez, também já vi o Coxa em outra cidade, no Independência em Belo Horizonte-MG, 2012.

Outra coisa: na Argentina e toda América Hispânica o CAP não é chamado de ‘Atlético’, mas de ‘Paranaense’. Já expliquei o porque na legenda da foto do ingresso, no alto da página.

. . . e num velho caminhão. Colapso! A frota da Argentina parece a de Cuba. Nessa matéria dezenas de fotos.

De volta a Buenos Aires. O São Lourenço é um clube médio, já campeão da América, e tem mais de 10 títulos ‘de cabotagem’ (nacionais).

Mais ou menos no mesmo nível do Veléz Sarsfielda da Zona Oeste, e dos dois clubes de Avellaneda na Zona Sul.

Ou seja, a muitas léguas de River e Boca. Mas estava de bom tamanho. Se o São Lourenço não é gigante, também não é pequeno, então dava pra pegar o espírito.

Além disso, eu sendo de Curitiba seria interessante ver uma partida do Atlético em outro país, mesmo sem ser torcedor desse time. 

Caixa d’água no Centro de Avellaneda tem o nome de todos os times da cidade, desde os pequenos até os 2 grandes lado-a-lado. Os torcedores do Racing e Independente reciprocamente se auto-denominam ‘capo’ e seus rivais de ‘puto‘. E por que ‘Racing’, ‘Newell’s Old Boys’, ‘River Plate’, ou seja, tantos times com nome em inglês? É simples, já contei quando fui ao Chile, a imigração britânica foi infinitamente maior na Argentina e Chile que no Brasil. E os britânicos foram quem fundaram vários clubes nesses países.

Então lá fui eu rumo ao Gasômetro. Planejava chegar cedo ao apê, comer, trocar de roupa e com calma estudar o roteiro e ir ao estádio de transporte coletivo ou mesmo a pé.

Sou acostumado a caminhar muitas horas seguidas, então não só isso não seria um problema como seria uma solução, eu já ia conhecendo a cidade.

Deu tudo errado, e o planejamento foi literalmente por água abaixo. Estava só com uma camiseta, sem nenhum casaco. Sem almoço.

Pelo horário avançado, chuva pesada, horário de pico e mais a cidade estando sitiada pelos piqueteiros, tudo somado a meu desconhecimento das linhas de ônibus e metrô, não dava mais pra ir por conta própria.

Tive que pegar um táxi que cobrou bem caro, nada menos que 100 reais do Centro ao estádio, que não é tão distante assim, na Zona Sul da capital. 

Mas não desisti, persisti ‘contra tudo e contra todos’: Estava sem almoçar, só comera um sanduichinho minúsculo no avião. Eu como bastante, peso pouco mais de 100 kg.

Então praticamente em jejum há 12 horas, estava com fome mesmo. E muito, muito frio. Saí do Brasil apenas de camiseta, pois estava quente.

Buenos Aires esfria muito no fim-de-tarde no outono, todo mundo veste casacos, mas eu não tinha com o que me abrigar pois a mala não veio. Chovia demais. Então lá estava eu, com fome, roupa encharcada que o vento frio me dava a sensação de estar no Polo Sul (ou quem sabe no Polo Norte?).

Ufa!!! São Lourenço campeão da Libertadores/2014. Acabou a piada mais antiga do futebol da Argentina. As iniciais do Clube Atlético São Lourenço de Almagro são ‘C.A.S.L.A.’. Como ele era o único grande sem esse título, os rivais diziam que a sigla era de ‘Clube Ainda Sem Libertadores da América’. Agora não mais, informa o mural no estádio.

Se tudo fosse pouco, o entorno do estádio é uma parte bastante perigosa da cidade. Bem em frente há uma enorme favela, uma das maiores da capital, o que já ajuda compor o cenário. Todos recomendaram não andar pelas ruas sob risco iminente de ser roubado.

Assim, enfrentando fome, frio, chuva, possibilidade de assaltos e uma cidade paralisada por protestos, cheguei ao Novo Gasômetro, o estádio do São Lourenço. Fica no bairro portenho de Flores.

Alias falando em roubos, o estádio anterior era na época simplesmente ‘o Gasômetro’, mas o terreno foi confiscado pela ditadura militar, e hoje abriga um supermercado Carrefour.

Passei em frente, o taxista me mostrou o local e contou a história. O clube até hoje não perdoa a ‘mão-grande’, e quem perdoaria? Há um movimento muito forte pra que o espaço seja devolvido ao São Lourenço, e ali se erga novamente o estádio. “Voltaremos a Boedo”, é o mantra mais forte de sua torcida.

Ao lado uma imagem que resume a luta, um menino com a camisa do time no estacionamento do mercado. Quando seu pai tinha a mesma idade, nesse exato local era a entrada do estádio, veja o vídeo.

O time foi fundado em 1908, e sua antiga sede ficava no bairro de Almagro, daí o nome. Mas depois o bairro de Boedo foi seccionado de Almagro, por isso o São Lourenço de Almagro quer voltar a Boedo. Incluso já é lei municipal. Veremos se será cumprida.

Mais um grafite: São Lourenço é ‘o Corvo’. Também é conhecido como ‘Ciclone‘. Seu rival da Z/Sul é o Furacão, daí o clássico ‘Ciclone x Furacão’. Quando o CAP – que também é o ‘Furacão’ – jogou lá, o emparelhamento se repetiu. Em tempo: o Cerro Portenho de Assunção tem as mesmas cores, mesmo escudo e mesmo apelido de Ciclone, ‘clonou’ o S. Lourenço, prática comum no Paraguai.

Deixemos a história pra lá e falemos de 2017, quando fui ao Novo Gasômetro. Ainda precisava providenciar o ingresso. Bem, essa parte foi mais fácil que eu esperava.

Assim que entrei no complexo esportivo de propriedade do clube (que inclui também ginásio, piscinas, quadras de tênis e diversos outros campos usado pra treino) fui abordado por vários cambistas.

Como chovia muito – e portanto a audiência seria muito abaixo da esperada – eles desovavam as entradas pelo preço de custo. O que não era barato. Pra não-sócios (lá o termo é ‘convidado’) a entrada custa 400 pesos, ou seja 80 reais.

Fui a jogos no Chile e Paraguai, paguei o equivalente a 20 e 10 reais respectivamente.  Tudo bem que já passou um tempinho, fazem 2 anos que estive no Estádio da Praia Grande em Valparaíso e 4 no Defensores do Chaco em Assunção.

Voltando a Argentina, o jogo do Independente era ainda mais salgado, 50 reais pra não-sócios. O futebol na Argentina está todo voltado pra que apenas sócios frequentem as canchas. Pra você ser sócio do São Lourenço custa apenas 330 pesos ou 66 reais por mês, ou seja menos que um ingresso unitário pros não-sócios.

A mesma ave no ponto em frente ao estádio do ramal sudoeste do sistema de ônibus Metro-Bus. Nessa mensagem mostro em detalhes o transporte na Argentina.

Um detalhe importante: no Brasil, vários campos de futebol passaram pro um processo de modernização. E em muitos casos parecem teatros, com amplos estacionamentos, butiques, praças de alimentação e em alguns casos banheiros com mármore.

O exemplo é o Maracanã, que abrigou 200 mil pessoas, e hoje tem capacidade pra um terço disso, eliminaram a famosa geral que era onde ficava o povão, a massa folclórica de descamisados que vinha de trem.

Na América Hispânica, esse está longe de ser o caso. Os estádios não foram reformados, e ainda contam com a mesma parca estrutura de décadas atrás. No Gasômetro do São Lourenço o aquecimento da torcida é no vão embaixo da arquibancada, que está cheia de goteiras.

De volta a Avellaneda. Se o tema é transporte coletivo, agora segura essa: a massa do ‘Diabo Rubro’ chega ao estádio. Ao fundo o trem suburbano.

Pra se alimentar, há uma tosca lanchonete em que você se espreme num balcão de concreto pra comprar pão com bife ou linguiça, comida altamente calórica e gordurosa. E pra beber? Copos de plástico com Coca-Cola.

Cheguei ali ensopado, com frio e fome, como já expliquei. Não podia comer nada pois não tinha dinheiro.

A “Gloriosa”, a ‘barra-brava’ (torcida organizada) do São Lourenço, estava se agrupando, faltava hora e pouco pra bola rolar.

A princípio havia um forte cheiro de carne de segunda sendo assada, pois estávamos ao lado da lanchonete. Quando a rapaziada da Gloriosa formou a roda, o odor dominante foi substituído pelo de maconha.

Também em frente do campo do Independente.

A bateria começou a tocar. Os bumbos e pratos são no mesmo instrumento, ou seja um tambor com um prato colado acima.

O cara fica com um bastão na direita e outro prato na esquerda, e toca os dois ao mesmo tempo.

Poucos minutos antes do apito inicial, passamos pra arquibancada. Aí adentraram os saxofones. Toda torcida da Argentina conta com uma orquestra de saxofonistas.

Aqui e a esquerda: Racing x Independente, o ‘Clássico de Avellaneda’, ‘Clássico Suburbano‘, e também o ‘Clássico da Zona Sul’ – o metropolitano da Z/S, o municipal é São Lourenço x Furacão como dito acima.

Logo aos 3 minutos o time brasileiro abriu o placar, por ironia o tento foi marcado por um argentino (Lucho González), de cabeça.

Eu fotografava a torcida e não vi o gol, que acabou sendo o único da partida. No segundo tempo o time da casa bateu um pênalti pra fora.

Como dito acima, a torcida do São Lourenço cantou, pulou e batucou o tempo inteiro, mesmo numa noite fria e chuvosa, mesmo perdendo desde o começo.

Já havia passado pelo mesmo na Colômbia e Chile (no Paraguai fui ver um time pequeno, e o gigante Defensores do Chaco estava deserto. Além disso, nesse caso fiquei no lado oposto ao da torcida organizada).

Mas faltava vivê-lo na Argentina, em Buenos Aires, cidade que contando com os subúrbios concentra nada menos que 24 Libertadores. Valeu a pena enfrentar todas as dificuldades materiais.

É sempre um clima tenso. Jogadores de ambas as equipes se enfrentam ‘olho-no-olho‘ (r).

É uma experiência de arrepiar. De arrepiar, mano. Lágrimas de emoção escorriam dos olhos, e todos os pelos do corpo se eriçavam (veja o vídeo ligado mais pro alto na página pra saber como é a festa da torcida).

Eu ali, no ‘Templo Divino’ – me refiro a que o Papa é torcedor declarado do São Lourenço, há murais relativos a esse fato. ‘Contra tudo e contra todos’, eu chegara ali.

Frio, chuva, fome, forte cheiro de linguiça barata e de erva – ainda mais barata – no ar. Olhando pro lado, via os ‘prédios artesanais’ da favela em frente, que já atingem o 3º ou 4º andar.

No meio daquela massa que pulava e cantava, especialmente quando entoavam os cânticos relativos a conquista da Libertadores, sonho centenário do time enfim realizado. A bateria batendo forte.

“Agante Boca”, no Centro de Buenos Aires. Na verdade o autor quis dizer ‘aguante’, literalmente ‘aguente’, mas no léxico esportivo castelhano significa ‘torcida’. ‘No tienes aguante’ quer dizer ‘teu time não tem torcida’. Um rival adicionou o clássico ‘puto’.

É Transcendental. Buenos Aires É futebol. Naquele momento, eu tive uma espécie de ‘Samadhi’, se você sabe o que é isso. 

Captava a Essência da Alma Argentina, de seu Logos. E (por alguns momentos que fosse) eu era parte dela, era Um com essa Vibração. 

Se no dia seguinte cedo eu tivesse pegado um avião e voltado pro Brasil sem ter visto mais nada da Argentina, a viagem (com todos os seus inúmeros problemas até ali) já teria valido a pena.

…………

Que Deus Ilumine a Todos.

“Deus proverá

Perfume de Mulher


Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 18 de março de 2017

BUENOS AIRES – Maurílio e Marília na Argentina. Dançando tango, é claro.

Obviamente, emprestei nome da mensagem de um filme muito conhecido.

Como sabem, em cuja uma das cenas mais famosas o Homem, que é cego, tira uma moça pra dançarem tango no meio do salão.

Na primeira matéria da série sobre a Argentina, fotografei um casal fazendo uma performance pública na Feira da São Telmo, Centro Velho da capital

Agora voltemos aos desenhos: ainda por conta do título, vamos ver Marília se arrumando pra essa noite. Pra estar bem perfumada na hora que seus corpos se unirem na dança.

…….

Passamos pra uma outra história, o casal de pombinhos andando de braços dados na rua.

Marília não está grávida. É que ela é uma Mulher muito fofinha, digamos assim.

No passado, a sociedade era muito machista, então o padrão de beleza era muito rigoroso com sexo feminino.

Nos Homens, era aceito com mais naturalidade um pouco de ‘barriga de cerveja’.

Mas as moças tinham que ter o corpo parecido com a Gisele Bündchen pra não serem ostracizadas.

Assim como era tabu uma Mulher ficar com um Homem muitos anos mais novo, enquanto que o contrário era visto com naturalidade.

A situação se alterou bastante. É claro que ainda estamos muito longe do ideal, mas os 2 tabus se amainaram consideravelmente.

Já que trata do mesmo tema, insiro desenho dos arquivos. Mais uma vez, Marília sendo rodopiada na pista de dança, nos braços de Maurílio. Essa postagem, que se chama ‘Baila Comigo’, foi publicada em dezembro de 2016.

Agora está ficando mais frequente vermos viúvas ou divorciadas com companheiros de 10, 15 ou 20 anos mais jovens que elas. Como os Homens sempre fizeram, alias.

Além disso, os Homens começam a descobrir o valor das ‘Grandes Mulheres’. Nada mais natural.

Uma garota pode ser charmosa, feminina, cativante, e ainda assim estar um pouco distante do que a mídia afirma que é o padrão “ideal”, o único aceitável, pra todas as pessoas.

As pessoas são diferentes, logo os corpos serão diferentes. É preciso centrar mais na essência e não somente na aparência.

Refletindo essa tendência, desenhei essa Marília. Ela é totalmente feminina, bastante vaidosa e por isso toda produzida:

De camiseta transparente e enfeitada com pedras brilhantes, brincos enormes e uma saia rodada vermelha que combina com a ‘lingerie’, que está visível através de sua blusinha branca.

Muitíssimo bem acompanhada de seu Amor Maurílio.

Veja que ele, ao contrário, tem os músculos bastante definidos.

Mas isso não impede que ele goste e deseje sua esposa do jeito que ela é.

Os opostos se atraem, quem sabe.

Sinal dos tempos . . .

………

Mensagem levantada pra rede do Centro da Cidade de Buenos Aires, Argentina.

“Deus proverá”

Gênese Revisitada

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 7 de março de 2017

Na configuração atual do planeta, as partes que o Homem e a Mulher habitam a mais tempo são a África, China e Índia.

São dessa forma a Gênese da Grande Epopeia Humana na Terra, daí o título.

Do Continente Negro e do Extremo Oriente nos ocupamos em outros momentos. Aqui, nosso foco é a Velha-Mãe Índia.

Os povos que hoje povoam a Europa (e portanto cuja cultura é predominante a nível global, nesse ciclo) antes de chegar ali um dia passaram pela Índia, muitos e muitos milênios atrás.

E é por isso que na linguística se fala em ramo de idiomas Indo-Europeu.

Assim vamos ver Maurílio e Marília em suas voltas pela Índia.

Acima ‘Marília, a Indiana’. Em frente ao templo Taj Mahal.

E a direita Maurílio como um Iniciado Hundu. Ele está tão avançado na Meditação do Rig-Veda que está conseguindo até levitar. “Mais Leve que o Ar”.

Agora Marília montada num elefante. Ela e o animal estão ricamente paramentados a caráter pra algum desfile tradicional indiano.

Cheios de adereços florais. Não apenas Marília está maquiada, mas o paquiderme igualmente.

……….

Voltemos a nossa Pátria Amada. Vamos ver nosso casal de pombinhos praticando – separadamente – a Ioga:

Essa Arte Milenar de Expansão de Consciência que veio da Índia.

Como aqui eles são brasileiros e estão em casa, ambos estão vestidos com roupas ocidentais, aquelas que nós usamos no nosso dia-a-dia:

Ela de calça de ginástica, aquelas justas mas bastante flexíveis, e ele veste bermuda.

Bem, o Maurílio Indiano também está de bermuda, alias quem sabe a mesma, de cor cinza.

Mas lá ele está somente de bermuda e não faz mais a barba a anos. Aqui ele se barbeia e está de camiseta.

O Maurílio brasileiro frequenta uma academia, praticando a postura ‘Invertida’. Enquanto que Marília está no gramado, numa aula pública e gratuita de ioga, passando o domingo no parque.

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Por fim, repito em escala maior os retratos de Marília em frente ao Taj Mahal pra que possamos reparar nos detalhes. 

vestida-a-caraterE detalhes é que esses desenhos mais têm. Tanto o templo quanto a calça dela são amplamente ornamentados.

Alias, pela imagem ser comprida eu tive que fazer uma colagem pra podermos ver as pernas sem que máquina perdesse o foco do seu rosto.

Namastê.

Hare Rama, Hare Sita.

Em português: “Louvado é Deus Pai e Mãe”.

OM.