da Lua Crescente a Lua Cheia: Branco, Rosa & Vermelho

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Essa imagem é baixada da rede. As demais de minha autoria.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 18 de fevereiro de 2017

Esses dias tratamos da simbologia das religiões europeias pré-cristãs. Comparando as fases da Lua com os ciclos da vida da Mulher:

Branco: representa a Lua Crescente, sua infância e juventude (a “Primavera da Vida”, se quiser outra simbologia). Geralmente se conclui com o casamento;

Vermelho: Lua Cheia, o ápice de sua missão encarnacional. Sua  vida adulta (o “Verão”). A carreira profissional e a maternidade, quando os filhos são pequenos;

Negro: Lua Minguante, a velhice (o “Outono“). Quando a Mulher se torna avó, mãe duas vezes. Alias na outra postagem eu mostrei justamente Marília vovó, segurando seu netinho.

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“Estou de Véu“: Marília de Vestido Branco.

Lembre-se, trata de um modo de ver o mundo totalmente diferente da concepção judaica-cristã. Resultando que a cor negra e a velhice não têm conotação negativa.

Pois os celtas e normandos criam na re-encarnação, ou seja que a vida é Eterna e cíclica, portanto não há um final.

Depois do inverno sempre vem outra primavera. De forma que pode-se viver cada fase com plenitude, extraindo o melhor que ela tem a dar.

Assim, ao contrário, é muito valorizada a Sabedoria que vem com a idade, malgrado a eventual debilidade do corpo físico.

Por essa Simbologia, depois da Lua Minguante vem a Lua Nova (o “Inverno”), que é o desencarne, o período que a Alma passa fora da matéria, esperando pra voltar.

Nota: não estou tentando convencer ninguém de nada. Se você não crê na re-encarnação é seu direito. Estamos apenas Trabalhando com uma Ciência e Filosofia completamente distintas  das que são dominantes atualmente.

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Marília de Vestido Rosa.

É aqui que quero chegar. Vamos prosseguir com essa analogia. Como já dito antes, da outra vez foquei na Lua Minguante, a cor negra.

Hoje vamos ver a passagem da Lua Crescente pra Cheia, do branco pro vermelho, com o rosa de transição.

 ……….

Recapitulando, o branco representa a juventude, o amadurecimento. Fase que não obrigatoriamente mas muitas vezes tem seu Zênite no casamento.

Na União com a Alma que lhe reflete estando do lado contrário, Masculino. Daí o retrato de Marília no altar beijando seu Amado – e agora marido – Maurílio. Mulher apaixonada sempre fecha os olhinhos pra beijar.

……….

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Marília de Vestido Vermelho. Digo, até agora a pouco ela estava usando ele.

A transição entre o branco e vermelho, a cor rosa que lhes é intermediária. O Rosa é o oposto do Azul que representa o Masculino, portanto representa o Feminino que atrai – consciente ou inconscientemente – os Homens.

O vestido é curto e decotado. Por isso Marília fica recebendo cantadas. Um cara que passou dirigindo deu uma assobiada pra ela.

Maurílio ficou bravo, e tentou chamar a atenção dela, como vemos na gravura abaixo. Marília não está nem aí. Ela gosta da roupa, e vai continuar a usá-la quando tiver vontade.

eu-me-mordo-de-ciumes

Você fica uma graça quando está bravinho, ri-ri”, Marília pensou com ela mesma.

Na verdade ela até se diverte com a cena de ciúmes. Ele está irritado, então ela se calou pra não enfezá-lo mais. Mas sozinha ela pensou:

“Se soubesse que você fica uma gracinha quando está brabinho, ri-ri”. Marília sabe que quando o Homem Amado reclama do tamanho do vestido da Mulher é parte do Amor de um casal, como a música já definiu.

Coloquei abaixo a esquerda mais uma imagem dela pra repararmos no detalhe dos sapatos, que é o mesmo par porém de cores invertidas.

Não é, óbvio, que ela pegou um pé de cada par. O modelo é assim. Coisas de um Espírito Feminino que gosta de ser visto e comentado.

……………..

mulher-apaixonada

Branco: Gênese da ligação Homem/Mulher.

E agora o Vermelho. Eis a cor do fogo, da paixão, dos instintos. Consequentemente também dos instintos sexuais, que unem Homem e Mulher. Marília sabe disso desde a outra encarnação.

Marília saiu com um vestido vermelho. Tão decotado quanto aquele rosa. Maurílio ficou bravo igual. Vejamos o diálogo deles:

Mari, por qual motivo você insiste em usar esse vestido, afinal de contas???

– Porque eu gosto dele, oras bolas. Por que mais seria?

molequinha

Rosa: Amadurecimento da relação Masculino/Feminino.

– Mas eu não gosto.

Ôpa, espera aí. Até aqui Marília estava achando graça dos ciúmes dele. Mas agora Maurílio cruzou uma linha. Então ela respondeu de forma inequivocamente firme:

Alto lá. Por acaso meu maridinho estaria tentando censurar sua querida esposa??? Eu ouço e respeito tua opinião, mas em última análise quem define como eu me visto sou euzinha mesma! Pensei que isso já estivesse claro pra ti. Diante da ênfase dela, Maurílio sentiu que havia extrapolado, e se calou.

Afinal os argumentos que “o marido tem direitos sobre a Mulher” ou que “o Homem tem uma imagem a zelar” já fazem parte do século retrasado, no máximo os primórdios do passado.

Marília venceu a batalha, e o soube. Por isso ela foi uma vencedora magnânima, e já buscou uma reconciliação. Assim ela mostrou um outro lado da questão:

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Vermelho: Zênite na União do casal.

“Querido, você devia se orgulhar de ter uma Mulher desejada. Eu sou louca por ti, sou tua e somente tua, e tu o sabes. Se os outros Homens olham pra mim, e daí? Eles só podem olhar. Você que é meu marido é quem pode aproveitar tudo isso, então que tal a gente fazer isso já?”

Assim aconteceu o que veem na última cena. O vestido ficou pendurado na cama. Tudo acabou como começou, Marília de olhinhos fechados nos braços de seu Amor Maurílio. Final Feliz.

“Deus proverá”

“¡ Bamos a la Playa !”: Canasvieiras e Beira-Mar Norte, Florianópolis

beira-mar-norte

Beira-Mar Norte, começo da noite de 04/02/17.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 11 de fevereiro de 2017

Fui novamente a Florianópolis.

Dessa vez no verão, e deu praia.

Digo isso porque a última vez que eu havia ido lá foi em junho de 2015.

E naquela ocasião não pude ir ao mar.canasvieiras-lotada

Abra a matéria que relata essa viagem anterior a capital de Santa Catarina.

Posto que essa matéria anterior é onde eu descrevo melhor a cidade em vários aspectos como a observei: urbanismo, transporte, etc.

floripa-tudo-azulEsse atual texto é portanto somente um complemento daquele.

Dessa vez estava muito quente, assim o Oceano foi o caminho natural a seguir.

Estive em Canasvieiras, no Norte da Ilha (acima e ao lado).

Essa é definitivamente “a Praia do Merco-Sul”.

A areia e o mar estavam lotados de banhistas, e olhe, brasileiros e argentinos dividiam o público em números mais ou menos iguais.invasao-argentina

Mesmo nós estando “em casa”. Na teoria.

Porque constatei lá que em Canas os ‘hermanos’ também se sentem em casa. Em múltiplas dimensões:

em-espanhol Dezenas de milhares de argentinos mais abastados agora tem casa de veraneio em Santa Catarina, muitos na capital e outros em Balneário Camboriú.

Assim passam as férias de verão todos os anos em nosso país.

Veja a direita: a quantia de placas de carros do país vizinho era impressionante nas imediações da orla.

O comércio (de todos os tamanhos, das redes de eletromóveis aos camelôs) também se adaptou a realidade, evidente.em-espanhol1

Acima um camelô na praia já anuncia seu produto em espanhol.

Ao lado vemos o cartaz de uma grande cadeia de lojas fazendo o mesmo, na SC-401, a rodovia que leva ao Norte de Floripa.

a-praia-do-merco-sulEsse outro vendedor ambulante pôs tremulando a bandeira da Pátria Amada ao lado das do Uruguai e Argentina.

A argentina está no meio das outras duas.

Infelizmente ela murchou no momento que cliquei e não quis aparecer na imagem.

Mas ampliando a foto você nota o estandarte argentino no centro do mastro.

………

Disse acima que muitos argentinos que estão bem financeiramente já têm uma segunda casa no Brasil. Mas não é só a alta burguesia da nação vizinha que passa as férias aqui.

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Próximas 4: Canasvieiras, o centrinho comercial, as ruas residenciais e a praia.

Alguns de classe média mas não tão afortunados vêm de carro, mesmo não tendo propriedades no Brasil.

Esses ficam em hotéis ou casas alugadas ou de amigos/parentes.

E há mesmo os mais humildes, de classe trabalhadora, que fazem a viagem de ônibus, a opção mais desconfortável mas a mais em conta.

canasvieirasVi parados nas ruas de Canas diversos busões argentinos, infelizmente não deu certo fotografar.

Tudo somado: a praia era dos gringos. Na banquinha de petiscos tocava cúmbia.

Pra quem não sabe do que se trata, é o ritmo musical preferido entre o povão na Argentina, Paraguai e parte da Bolívia.

A versão mais comum lembra nosso sertanejo, nem tanto no ritmo mas nas letras com certeza.canasvieiras1

Há uma variante mais acelerada chamada ‘cúmbia suburbana’, em tradução livre.

Nesse caso as letras falam da vida nas favelas e periferias, o equivalente deles do ‘rap’.

Isso na temática, a melodia é completamente diferente.

canasvieiras-bandeira-brasileira

Fechando as fotos da Praia de Canasvieiras, já esse camelô só tinha bandeiras do Brasil.

Posto que a Argentina e esses seus vizinhos detestam ‘rap’, ao contrário da maior parte da América que adora, incluindo o Chile.

Falei um pouco da paixão repeira chilena, que é pouco conhecida entre burguesia, quando retornei de lá, em 2015.

Voltando a cúmbia, essa eu descrevi e exemplifiquei quando estive no Paraguai, em 2013.

na-estrada-sc-401

Próximas 5: SC-401, que liga a Zona Central ao Norte da Ilha.

Assim que estava: muita, muita gente falando castelhano, igualando ou superando os que se comunicavam em português. Até a música era no idioma estrangeiro.

Mesmo ‘jogando em casa’ nós perdíamos o duelo entre as línguas ibéricas.

Daí eu tive que pôr inclusive o título das matéria em espanhol, pegando carona num grande sucesso dos anos 80 é, a gente está ficando velho!!!

ex-pedagio

Tentaram instalar um pedágio urbano, as cancelas foram construídas, mas não vingou. A população se mobilizou, e a praça de cobrança foi desativada, a passagem é livre.

Estou fazendo esse adendo pelo seguinte: Eu Sou o Policarpo Quaresma do Século 21.

Traduzo tudo pro português, evito tanto ao máximo usar palavras de outros idiomas.

Inclusive eu já me desenhei com a camisa do Independente da Argentina.

Um leitor corrigiu a grafia pra “Independiente, com ‘i’ “.

Respondi a ele que eu estudei espanhol, sei perfeitamente disso (você pode conferir nosso diálogo na seção de comentários dessa matéria).

favela-monte-verde

Aqui e a esquerda: ainda na mesma estrada, bairro Monte Verde, onde há uma favela (ou ‘comunidade’) no morro.

E portanto não foi por engano que eu grafei sem o ‘i’, e sim porque por ideologia eu escrevo tudo em português.

Agora, em Canas eu tive que abrir uma exceção. A ocasião mereceu. 

E quanto ao ‘b’. Em espanhol não existe o som de ‘v’. Já fiz matéria específica sobre isso, exemplificando da Califórnia-EUA ao Uruguai.

Nesse caso, escrever ‘bamos’ ou ‘vamos’ pronuncia-se igualmente ‘bamos’.

morro-monte-verdeBreve mostro mostro que a linguística invadiu até o conflito das torcidas de futebol.

Eu fui a Argentina um mês e pouco depois dessa viagem a SC. de forma que esse fim-de-semana em Floripa já serviu de aquecimento.

chegando-no-cic

Fechando a sequência da SC-401, bairro João Paulo, já quase chegando na Beira-Mar Norte.

………

Falando nisso, volte as 3 tomadas do bairro de Canasvieiras, mais pro alto na página.

Vemos o centrinho comercial, depois as ruas residenciais.

Notam os paralelepípedos hexagonais.

Modal de pavimentação praticamente inexistente na Grande Curitiba, mas comum no Litoral do Paraná, como já retratei mais de uma vez.

flanelinha

Num semáforo da Beira-Mar o cara me solta essa: “A criminalidade está grande (em Fpolis), mas minha vontade de vencer honestamente é maior”. Tá bom pra ti ou quer mais???

E na Grande Florianópolis ele é majoritário.

Só perde pro asfalto, claro, que é usado nas vias de maior movimento.

Mas nas ruas de bairro, seja de burguesia ou periferia, é o mais usado.

Na outra matéria sobre Floripa muitas fotos de vias pavimentadas assim, também em Santa Mônica e em São José, no Continente.

floripa-quase-40-graus

Sol a pino sem nuvem nem vento: quase 40°.

…………..

Floripa 40 Graus (ou quase): O termômetro marca 37° (dir.). Mas a sensação térmica era perto ou acima de 40.

Já fotografei termômetros quando estava calor demais em São Paulo, Belo Horizonte-MG e Assunção.

Pois bem. O recorde foi precisamente os 37° em BH, que Florianópolis acaba de igualar, superando portanto as capitais paulista e paraguaia.

trindade

Bairro da Trindade.

Como veem, não havia uma nuvem no céu e nada, nadica de nada, de vento.

Estava uma massa de ar quente sobre a capital e todo Litoral Norte de SC.

No dia seguinte, quando retornamos, o clima esteve infernalmente tórrido até Joinville.pichacao-curitibana-no-viaduto

Só melhorou quando subimos a Serra já chegando em Curitiba.

trindade-e-favela

Trindade, na encosta do morro outra favela.

E por falar na capital do Paraná, o viaduto do CIC (acesso a SC-401) foi detonado por pichadores daqui de Curitiba. Em Florianópolis quase não há pichação.

E lá C.I.C. é o ‘Centro Integrado de Cultura’, e não óbvio a Cidade Industrial de Curitiba que estamos acostumados aqui.

ô vida boa: vendo o sol se pôr na beira-mar norte

Sabadão, quando o Astro-Rei começou a se recolher, anoitece-em-florianopolisnos dirigimos a avenida mais rica da capital catarinense:

No mapa, oficialmente as Avenidas Jornalista Rubens de Arruda Ramos e Governador Irineu Bornhausen.

fim-de-tarde-na-beira-marMas conhecida intimamente por todos simplesmente como a “Beira-Mar Norte“.

………

Digo, nem todos que moram na Beira-Mar são abastados, exatamente ao contrário, há uma favela de palafitas sobre o mangue.

Já falo mais disso, incluso com fotos.

Por hora curtamos o crepúsculo, o Sol cedendo passagem pra ‘sua esposa’, a Lua, que já estava presente sobre o Mar. fim-de-tarde-na-beira-mar1

Lindo demais, né?

Cenário perfeito pra caminhar, namorar, conversar com os amigos, comer uns petiscos, pra quem curte tomar um choppinho.

Ou simplesmente sentar na barranca do Oceano e meditar sobre a Beleza do Universo.

anoitece-na-beira-mar-norteA esquerda eu virei a câmera em direção ao bairro.

Um casal caminha, se exercitando e namorando ao mesmo tempo.

Na tomada abaixo eu girei a câmara 90°.

Vemos novamente uma grande favela que se espraia por todo Maciço do Antão e Morro da Cruz.

avenida-morro-e-favelaÉ a mesma ‘comunidade’ que vemos no bairro da Trindade numa imagem um pouco mais pra cima na matéria.

Ou melhor dizendo complexo/aglomerado de comunidades.

barquinhos-na-baia-nortePorque a coisa é grande, com breves interrupções ocupa toda a cadeia de montanhas da Zona Central da cidade.associacao-de-pescadores

Na outra matéria sobre Floripa eu tirei outras fotos, desde as favelas que ficam bem no Centrão até esse mesmo ponto da Trindade.

Lá eu também fotografei barquinhos na Baía Sul. A esquerda, a mesma cena na Baía Norte.

favela2Esses da Baía Norte, ali na Beira-Mar, pertencem a APPC:

Associação de Pescadores da Ponta do Coral, como a placa registra.

Um nome pomposo pra uma realidade não muito bonita.

Trata-se de uma favela em palafitas sobre o mangue.

Registrei algumas imagens.favela3

A qualidade não ficou 100% pois já anoitecia, algumas árvores encobrem a a visão.

E eu tive que ser rápido, me espreitando como pude onde a vista clareava um pouco.

favela1Mas dá pra ter uma noção da situação.  Cara, é uma cena muito impressionante, teve que ser retratada.

Na parte mais rica da cidade.

Ao lado de prédios em que em muitos deles o valor dos apês supera fácil a marca do milhão. favela

Mesmo aonde não chega a tanto, você não acha um apartamento modesto (2 quartos, 1 vaga na garagem) na Beira-Mar Norte por menos de meio milhão.

E do outro lado da avenida pessoas morando nessas condições. Tudo bem, são pescadores, há um componente cultural, mas não deixa de ser chocante.

anoitece-na-br……….

De brinde: o anoitecer na BR-101, a “Beira-Mar Brasileira”.

No trajeto até Floripa, minha esposa veio tirando algumas fotos.

Selecionei algumas delas pra fecharmos a matéria.

Portanto a partir dessa que está ao lado até o final as cenas não mostram Florianópolis, e sim o Norte de Santa Catarina, sempre visto a partir dessa rodoviaitapema

Começou a anoitecer depois que passamos Itajaí/Balneário Camboriú, e o crepúsculo durou até Itapema.

A direita é Itapema. Acima não sei exatamente qual cidade, pois eu dirigia enquanto ela fotografava.

Na sequência abaixo eu informo na legenda os locais.

Encerrando com chave de ouro: ela fotografou essa idêntica espécie de flores, na mesma serra, mas em outra estrada, a BR-277, que também liga Ctba. ao litoral, porém ao Litoral do Paraná.

Deus proverá

“João Pessoa é uma mãe”: uma cidade verde, de clima ameno e relativamente limpa

de Miramar ao Miramangue: João Pessoa é assim

muito-verde-periferia-j-pessoaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (em dois emeios) em setembro de 2013.

O primeiro é de 05/09/2013.

Com essa mensagem fechamos a série sobre João Pessoa. mangabeira-valentina-z-s-j-pessoa

É uma das cidades mais verdes do Brasil, e em verdade de todo o planeta. Já conheci uma boa porção da América.

Comprovam a tomada acima (não lembro qual bairro).

E especialmente essas duas ao lado e abaixo, que fotografei na Zona Sul: muitas árvores, mal vemos a cidade.

muito-verde-z-sul-j-pessoa1Enxergamos algumas construções, mas sempre envoltas num cinturão verde enorme. 

Os 4 lugares mais arborizados que já estive são João Pessoa, Curitiba, Maringá-PR e Assunção-Paraguai.

Em oposição, as menos arborizadas, as que parecem um deserto de concreto e metal, são a Cidade do México, Fortaleza-CE e, em menor medida, São Paulo.bayeux-z-oeste-gde-j-pessoa

Alias João Pessoa e Assunção se parecem muito em outro quesito: a periferia de ambas é meio rural, meio urbana.

As pessoas moram na cidade, e trabalham em ramos urbanos da economia: indústria, comércio, etc.

Ainda assim, por vezes residem em pequenas chácaras e ali criam animais e cultivam hortas e pomares.

bois-pastam-no-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoaA direita por exemplo bovinos em Bayeux (tirada de dentro do trem).

A esquerda a mesma cena no Centro de Santa Rita.

Curitiba é tão arborizada quanto as capitais da Paraíba e do Paraguai, mas aqui não há essa fusão entre rural e urbano.

praia-da-ponta-seixas-j-pessoa

Próximas 2: Pedras na Praia de Ponta Seixas, Extremo Leste da América.

Nos subúrbios mais afastados já urbanizados de Curitiba, ninguém cria animais, nem mesmo galinhas ou patos.

Claro, toda regra tem suas exceções (fotografei algumas aves nos extremos das Zonas Oeste e Norte, dentro da cidade).

E mais pra frente, sim, ainda há pequenos sítios e chácaras no município de Curitiba, mas aí já fora da cidade. Há zona rural e zona urbana, separadas.

A fronteira é mais clara. Como é em São Paulo (no Capão Redondo não há gente que cria galinha, em Parelheiros há) e na imensa maioria das cidades.

piscina-natural-ponta-seixas-j-pessoaMas João Pessoa e Assunção (nessa mensagem abordo especificamente esse tema no Paraguai) são diferentes, talvez por serem mais pobres.

Por décadas, conviveram com desemprego crônico estrutural.

Por isso, suas populações suburbanas deram um jeito de se auto-alimentar, gerar ali mesmo uma fonte de proteínas e também de renda.muito-verde-z-sul-j-pessoa

Vejam as fotos (antes das da praia): bois (retratados) e porcos (não consegui clicar, mas vi também) criados dentro da área urbana.

Tudo isso nos subúrbios metropolitanos de Bayeux, perto da linha do trem, e no Centro de Santa Rita, ambos na Zona Oeste.

cabras-vendidas-vivas-s-rita-z-o-j-pessoaMas não é só na Região Metropolitana.

Acima uma plantação de bananas em pleno Mangabeira, o bairro mais populoso de João Pessoa, na Zona Sul.

A esquerda: no Centro de Santa Rita uma loja que vende animais vivos, galinhas e cabras.mercado-publico-de-s-rita-z-o-j-pessoa1

Que ali são comprados pra serem engordados e posteriormente abatidos nas chácaras da região.

………….

Bem, vejamos nas próximas duas fotos o mercado de Santa Rita. Que lá ainda é mercado mesmo.

mercado-publico-de-s-rita-z-o-j-pessoaIsso quer um dizer um lugar onde o povão do subúrbio compra alimentos a granel (ou seja, por quilo, não-industrializados e não embalados) e animais vivos pra fazer o rancho e preparar o almoço.

Pelo exemplo contrário ficará mais fácil entender: os mercado municipais de Curitiba e São Paulo (também o de Santiago do Chile), em oposição, se aburguesaram completamente.

Turistas endinheirados tiram fotos, em São Paulo comem aquele famoso sanduíche de mortadela que nem fecha de tão recheado, umas 5 ou 6 fatias em cada pão.

Aqui em Curitiba essa transição foi ainda mais pronunciada, o mercado passou por algumas reformas e mais parece um centro comercial da elite e burguesia.

Inclusive com uma praça de alimentação com chão de mármore e apresentações ao vivo de MPB. Entretenimento pra classe média, sem dúvidas.

O contraste com o Nordeste é agudo, onde o mercado ainda é usado pela massa proletária pra comprar animais que são abatidos na hora, como um dia foi no planeta inteiro.

favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoa3

Favela Maria de Nazaré, entre o Grotão e Funcionários, Zona Sul.

Vi isso em Caucaia, um subúrbio da Zona Oeste de Fortaleza (breve jogo essa série no ar), dois anos antes, e agora de novo num subúrbio da Zona Oeste de João Pessoa.

………….

Já lhes disse que o clima de João Pessoa é muito mais ameno que o de outras capitais, como Fortaleza, Belém-PA, Manaus-AM, Cuiabá-MT e Teresina-PI, e segundo alguns mesmo que o do Rio de Janeiro.

Por dois fatores: pela cidade ser arborizada, e por essa região do litoral do Nordeste Brasileiro ser protegida por uma cadeia de montanhas, a Serra da Borborema.

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Muito verde no trecho urbano da BR-230, a “Trans-Amazônica”.

Pois ela retém a umidade que chega do oceano e cria uma zona fresca, com rios perenes e chuvas frequentes – um clima mais parecido com o prevalente no Centro-Sul, digamos assim.

Depois da serra, vem o chamado Sertão, o semi-arido, aí sim, clima desértico ou quase, onde água potável o ano inteiro é uma miragem.

Mas entre o Litoral com chuvas frequentes e o Sertão há uma região de transição, a famosa “Zona da Mata” em Pernambuco, que na Paraíba se denomina “Brejo”.

Voltando a capital, João Pessoa é muito verde, suas partes ricas e pobres são ponteadas por bosques, mangues e riachos, como observam nas imagens. Assim, de dia é quente mas agradável, e a noite até friozinho

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Parte rica e verticalizada da capital.

O contraste com Fortaleza é gritante. Não há uma barreira topográfica escudando a capital do Ceará e mantendo-a úmida.

A cidade foi erguida sobre o deserto, é muito mais tórrida e seca que a da Paraíba.

Fortaleza, lhes descrevi (em emeios, breve na página) e fotografei quando lá estive, é “a Cidade das Lagoas”, em toda periferia foram construídos lagos artificiais, pro lugar não se tornar inabitável.

No Ceará o clima semi-desértico vai até a beira-mar, não há transição. Fortaleza só tem um bosque urbano, o Parque do Cocó, na Zona Leste, que como em João Pessoa é a parte rica da cidade.

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Próximas 5: João Pessoa tem muitas árvores, em todos os seus bairros.

O que faz com que na capital do Ceará o termômetro ferva até com Lua alta, só refresca de madrugada mesmo.

Entre 10 da manhã e 3 da tarde, com o sol a pino, supera os 40º com facilidade, ninguém consegue ficar ao ar-livre.

E mesmo bem depois do anoitecer você se sente no Saara, eram 9 da noite e o termômetro marcava 29º. Até aqui ainda estou falando de Fortaleza, pra fazer o contraste.

…………

periferia-bastante-verdeJoão Pessoa é uma cidade relativamente limpa.

Digo, em vários pontos o esgoto corre a céu aberto, incluso no Centro,

Infelizmente esse é o padrão de todo Norte/Nordeste, e América Latina incluindo Argentina.

Mas em relação a sujeira nas ruas, a coisa é bem melhor que em algumas outras cidades. joao-pessoa-pb1

Claro que tudo é relativo. Em certos locais há bastante lixo em João Pessoa, e quando vi fotografei (mais pra baixo nessa matéria mesmo exemplos).

Nada é perfeito, óbvio. Ainda assim, nesse ponto, J. Pessoa se destaca positivamente. Já vi coisa pior. Muito pior. Agora temos que falar de um ponto que está complicado em João Pessoa: a taxa de criminalidade está elevada,

muito-verde-periferia-j-pessoa1 Como de resto infelizmente é igual em boa parte do Norte/Nordeste, e também aqui em Curitiba.

Em 2012 houveram 518 assassinatos apenas no município de João Pessoa.

O que dividido pelos 700 e poucos mil moradores dá a elevadíssima taxa de 71 mortes pra cada 100 mil habitantes. Acima de 50 já é estatisticamente considerado como índices de guerra.

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Essa aqui é perto da Ponta Seixas.

São Paulo tem apenas 10 assassinatos pra cada 100 mil. Ou seja proporcionalmente é sete vezes mais calma que a capital paraibana.

Nos subúrbios metropolitanos, houveram perto de 140 mortes em Santa Rita, 45 em Bayeux (ambos Zona Oeste) e 60 em Cabedelo (Zona Norte). Totalizando quase 770 homicídios no ano na Grande João Pessoa.

Assassinatos aproximados per capita: Santa Rita perto de 115 por 100 mil, Cabedelo 100 por 100 mil, esses dois números dignos de estado de calamidade pública. E Bayeux se o dado estiver correto 45 por 100 mil, bastante elevado ainda mas o mais baixo da Gde. João Pessoa incluindo a capital.

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Bairro Bancários, quase na divisa entre as Zonas Sul e Leste.

Nos casos dos subúrbios metropolitanos os números estão arredondados, por eu não ter podido obter a estatística precisa.

Um pouco mais ou pouco menos, é isso aí, e dá pra ter uma boa noção. Já escrevi muitas vezes e é notório:

Nos anos 80 e 90, as capitais mais violentas do Brasil eram (não necessariamente por essa ordem) Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória-ES e Recife-PE

Nessas cidades a matança era equivalente a uma guerra, similares ao Afeganistão atual, e não é figura de linguagem mas estatisticamente exato.

valentina-zona-sul-j-pessoa

Próximas 6: Valentina, Zona Sul.

Porém, desde a virada do milênio a coisa mudou. As 4 acima citadas diminuíram seus índices de assassinatos.

São Paulo e Rio drasticamente. Na capital paulista a queda foi de 80%.

Tanto que proporcional a população São Paulo é a capital estadual menos violenta do Brasil, entre todas as 27.Vamos diferenciar diversos tipos de crimes.

No quesito de assaltos a mão armada, a capital paulista continua extremamente violenta. Aqui, estou falando de homicídios, e não de roubos.

valentina-zona-sul-j-pessoa1Em termos de assassinatos, de uma pessoa tirar a vida intencionalmente de outra, a violência em SP se reduziu e muito.

O município de São Paulo chegou a ter bem mais de 5 mil homicídios/ano, na virada do milênio, e agora tem perto de 1,2 mil. valentina-zona-sul-j-pessoa4

Dividido pelos 11 milhões que ali tem sua moradia, dá um índice de 10 por 100 mil, similar a de algumas capitais europeias. 

Hoje São Paulo tem menos mortes per capita que Florianópolis-SC, que historicamente ocupou esse posto por décadas.

valentina-zona-sul-j-pessoa3Já Vitória e Recife também tiveram queda nos índices de assassinatos, mas por hora ainda não tão pronunciada.

Estão melhores do que um dia foram, mas continuam entre as capitais mais violentas do Brasil.

E nessa triste competição ganharam a companhia de Curitiba, Belém, Manaus e quase todas as capitais do Nordeste.valentina-zona-sul-j-pessoa2

O Norte e Nordeste, além de Curitiba aqui no Sul, tirou do Sudeste o posto de polo maior dos homicídios em nosso país, processo que teve seu auge na virada da década.

De 2010 pra cá, os assassinatos caíram 20% tanto em Curitiba quanto em Belém, num promissor sinal que essa tenebrosa onda quem sabe começa a arrefecer.

valentina-zona-sul-j-pessoa5Tomara. Mas por hora é assim que está. Esse é o contexto: tristemente o Nordeste  se tornou extremamente violento.

E também pela Paraíba estar ao lado e ser uma ‘filha espiritual’ de Pernambuco (um dia compartilharam até a bandeira), João Pessoa não pôde escapar de ser tragada nesse ciclo de matanças.

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Bairro Funcionários, também Z/S.

………..

Quando cheguei a cidade, fui de táxi até a casa da anfitriã que lá me hospedou. O taxista era recifense.

Portanto com seu padrão de comparação curtido por anos vivendo na capital de Pernambuco – uma das cidades mais violentas do planeta há décadas.

Resultando que pra ele João Pessoa lhe parece uma cidade segura, e nada mais natural. Então ele definiu assim:

mangabeira-z-sul-j-pessoa2

Próximas 5: Mangabeira, bairro mais populoso da cidade, vizinho do Valentina.

Comparada com Recife, João Pessoa é uma mãe, de tão pacata”.

E quem pode dizer que ele está errado? Realmente, com Recife fica difícil comparar, até a violenta Curitiba se torna um pouco mais gentil vista por esse prisma.

Em Maceió a coisa também está complicada, tanto que em 2012 (o texto é de 2013) a Força Nacional interveio pra ver se os índices baixam um pouco.

mangabeira-z-sul-j-pessoa5

Mesma cena em outra escala.

A questão é que, as capitais pernambucana e alagoana a parte, João Pessoa é violenta.

Bem mais que Curitiba, Fortaleza e Salvador, que já não são nada calmas, o oposto sendo verdadeiro.

Ainda assim, mantive a frase do taxista no título da mensagem. Pacata João Pessoa não é. No entanto é muito verde, e relativamente limpa.

Uma cidade carinhosa com seus habitantes, que são seus filhos. Como o taxista, que é recifense por nascimento e joão-pessoense por escolha, colocou: “uma mãe de cidade”.

mangabeira-z-sul-j-pessoa4…….

Agora vamos pra outro emeio, que circulou em 27 de setembro de 2013.

O arroz-com-feijão tem no Norte e Nordeste gosto diferente que no Sul e Sudeste. Notei a mesma coisa na Paraíba, no Pará e no Amazonas. mangabeira-z-sul-j-pessoa1

Aí perguntei pra ela a razão: é o coentro, que é adicionado como tempero, hábito de lá.

……

João Pessoa é, como sua vizinha Recife, a “cidade dos mangues”. Estão por toda parte. 

mangabeira-z-sul-j-pessoaVários deles estão preservados e continuam a cumprir seu papel de porto seguro pra reprodução da flora e fauna nativas. Entretanto, algumas favelas foram erguidas sobre mangues aterrados.

Quando chove forte, o mangue alaga, obviamente (na 1ª mensagem da série pus fotos da favela do Bairro dos Ipês [ao lado da riquíssima Manaíra], na Zona Leste, inundada).

O que eles chamam de ‘maré’, mesmo sendo água doce e parada. Como diz a música de um grupo recifense, “Tomar banho de canal quando a maré encher”.

favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoa2

Próximas 4: favela (ou “comunidade”) Maria de Nazaré, Zona Sul.

Perto da orla de João Pessoa, na Zona Leste, sua parte rica, há um bairro chamado ‘Miramar’.

Do lado oposto da cidade, na Zona Oeste metropolitana, sua porção degradada, há uma favela chamada ‘Miramangue’.

Pra fazer o contraste entre Leste e Oeste, que na capital da Paraíba parecem galáxias distintas. Por aí você vê quanto os mangues estão inseridos inclusive na cultura popular local.

…………..

favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoa1Em João Pessoa há muito transporte clandestino, inclusive rodoviário. Fui de ônibus urbano pro Centro, e desci no Terminal Central, que é em frente a rodoviária.

Assim que transpus suas catracas e ganhei a via pública, me assustei com uma gritaria infernal:

Bora pra Recife, bora pra Recife”, dizia um. “Natal, Natal, já tá saindo”, berrava outro, “Campina Grande, Campina Grande”, bradava ainda mais um, e muitos outros, todos juntos.favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoa4

Cada um anunciando seu transporte clandestino pra uma cidade da região, no interior da Paraíba ou nos vizinhos Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Evidente, esses agenciadores piratas tentavam drenar o público que planejava se dirigir a rodoviária e comprar passagem no guichê de uma das empresas legalmente estabelecidas.

favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoaA algazarra é tamanha que impressiona os desavisados, como era meu caso. Um caos sonoro. Já havia presenciado exatamente a mesma cena em Belo Horizonte-MG.

………….

 A população da capital da Paraíba tem no geral um tom de pele moreno. Quase metade das pessoas se auto-denominam ‘pardos’ no censo. Mas eu diria que os pardos são bem uns 70% da população.

bairro-funcionarios-z-sul-j-pessoa1

Funcionários, próximo a Mª de Nazaré.

Agora, é porque lá é bastante calor o ano inteiro (amenizado um pouco pelo verde, umidade e brisa, mas mesmo assim), não há inverno por estar muito perto do Equador.

O que faz com que as pessoas vão escurecendo a sua tez, naturalmente. O povão joão-pessoense é moreno-escuro, na média.

Na maioria, são descendentes de brancos pobres, portugueses, que foram empardecendo com o sol quase equatorial.

Negros descendentes de africanos há alguns mas não muitos, se quer saber. Na mesma proporção que Manaus e Curitiba, ou seja, pouco mais que 10% da população. Talvez um pouco mais, mas certamente nada tão significativo.

………….

bairro-do-geisel-z-sul-j-pessoa

Próximas 5: bairro Geisel, pra encerrar esse rolê na Zona Sul da capital paraibana.

Em todo o Sudeste (nesse caso com raríssimas exceções) e Nordeste brasileiros, e também no eixo Brasília/Goiás, não há casas de madeira, como já comentamos muitas vezes.

Elas são extremamente comuns no Sul e no Norte, e presentes em menor número no Mato Grosso. A Paraíba não foge a essa regra. Quase que 100% das residências de João Pessoa são de alvenaria.

Mesmo nas favelas – alias as favelas nordestinas são sempre de alvenaria, ao contrário do Sul do país. Digo, há na Paraíba ainda algumas casas de taipa, ou pau-a-pique, mas fora isso é só tijolo.

Além disso, quase 100% das moradias de João Pessoa são cobertas por telhas de barro. Por ser muito calor, o eternit de amianto é quase inexistente, porque senão a casa vira um inferno de tão tórrida. O cara gasta o que tem e o que não tem pra por telhas.bairro-geisel-z-sul-j-pessoa

Já falamos muitas vezes de como os telhados se dividem no Brasil. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e também na Bahia, na periferia a grande maioria das casas são de eternit.

Não apenas nas favelas. Conjuntos construídos por grandes empreiteiras, com escritura e asfalto, água e luz regularizadas, também são cobertos dessa forma, que é mais barato.

Apenas a classe média-alta e os ricos usam telhas, um luxo apenas decorativo nessa região menos quente.

bairro-do-geisel-z-sul-j-pessoa2Em Pernambuco, é a transição. As favelas piores do Recife são de eternit. Mas a periferia fora da favela já é de telha.

Da Paraíba até São Luiz-MA, mesmo nas favelas mais miseráveis as casas são de telha, simplesmente porque é calor demais.

No Norte, mesmo sendo muito quente, o eternit volta a predominar. Bom, nada é tão ruim que não possa piorar. Nas favelas da Colômbia e do Chile ainda há barracos de zinco.bairro-do-geisel-z-sul-j-pessoa1

Vi isso com meus próprios olhos, muitos casos em que as paredes e o telhado feitas com restos de tapumes e folhas de metal.

Alias no Chile mesmo fora das favelas. Como nas notórias “Cidades de Lata”, as favelas metálicas sul-africanas.

…..

geisel-z-sul-joao-pessoaSabe aquele sorvetinho em que congelam o ki-suco e põem num saquinho? Na Paraíba se chama ‘Din-Din’.

Pelo que estou observando pelo ‘google’ mapas, no Amazonas também – não reparei nesse detalhe quando lá estive. Já aqui em Curitiba se chama ‘Xup-Xup’,

 No Rio é o ‘Sacolé’ (mesmo termo empregado lá pra pequena dose de drogas, porque tanto o entorpecente quanto o sorvete são embalados num plástico pequeno com a boca amarrada).

ponta-do-seixas-j-pessoa1

Entre Ponta Seixas e Cabo Branco, Z/L.

E no Pará é o nome mais engraçado de todos, é o ‘Chopp’, ou ‘choppinho’.

Se você estiver em Belém e alguém te convidar pra ‘tomar um choppinho’, não imagine a mesa de bar forrada de copos com a cerveja recém-saída do barril, acompanhada de várias porções de petiscos.

Nada disso. Trata-se de um singelo sorvete vendido num saquinho.

………

Comentemos as imagens. Você sabe, nem sempre o texto ao lado se refere a cena que está mais perto, busque pelas legendas. Vemos as seguintes fotos espalhadas pela página:

avenida-sem-calcada-cabo-branco-j-pessoa– Grande área verde, inclusive com plantação de bananas, na região mais povoada do município de João Pessoa, os bairros Mangabeira e Valentina, Zona Sul;

– Acima (em 1° plano uma flor) e ao lado Cabo Branco e imediações, Zona Leste, também muitíssimo arborizado.

O detalhe negativo é a falta de calçadas, obrigando os pedestres a duelarem contra os carros por um espaço na rua;piscina-natural-na-ponta-seixas-ao-fundo-manaira-j-pessoa2

– A Praia da Ponta Seixas (dir.), como já dito muitas vezes e é notório o ponto mais oriental de toda América, com suas piscinas naturais formadas pelos arrecifes;

O que permite que pescadores exerçam seu ofício sozinhos e sem nenhum equipamento especial ou tecnologia, mantendo o mesmo estilo de vida de dezenas de milênios.

garcas-e-cavalo-no-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa– Cavalos e garças (mesma tomada em 2 escalas) convivem em harmonia no Centro de Santa Rita, Zona Oeste da Grande João Pessoa.

No mesmo local, do outro lado da rua, são os bovinos quem se refastelam com o verde prado paraibano;

– Bois pastando também em Bayeux, também na Z/O mas bem longe de onde onde está o cavalo (as fotos dos bois estão mais pro alto na matéria).garcas-e-cavalo-no-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa1

Isso pra vocês verem o quanto é frequente criar animais no meio da cidade em João Pessoa;

– Cabras igualmente são bichos urbanos por lá. Como é notório pra todos que conhecem a cultura nordestina, os caprinos são um “faz-de-tudo” no Sertão:

centro-j-pessoa

Centro Velho de João Pessoa.

Fornecem comida, pele pra confecção de roupas, companhia e guarda das casas, e se preciso até meio de transporte de cargas.

Tendo 1001 utilidades, são o ‘bombril’ dos animais, substituindo suínos, bovinos, ovinos, caninos e por vezes até os asininos.

Vimos o mercado de Santa Rita. No Nordeste, os mercadões não se aburguesaram como no Centro-Sul, o povão ainda faz o rancho comprando alimentos a granel e animais vivos ali;mulher-se-protege-do-sol-j-pessoa

– Mulher se resguarda do Sol (dir.). E nem foi a única na Paraíba. A exata mesma cena já presenciada nas viagens a Belo Horizonte, Belém e República Domincana.

Vejo muito, nas cidades mais quentes, pessoas sob guarda-sóis, e são sempre Mulheres.

penha-entre-z-sul-e-leste-j-pessoa-pbNunca vi um Homem se protegendo dessa forma (talvez por nós usarmos bonés). Em João Pessoa isso se repetiu.

A capital paraibana é muito mais fresca que Belém, então vi muito menos gente se escondendo do Sol dessa forma.

Digamos que o calor de João Pessoa equivale ao de Belo Horizonte. Se o número de Mulheres abrigadas em guarda-sóis é o parâmetro, essa é a proporção exata;limpeza-centro-j-pessoa

– A imagem de Nossa Senhora da Penha (acima) guarda o bairro de mesmo nome, na orla da Zona Sul de João Pessoa, logo após a Ponta Seixas.

Um lugar bucólico, poucos carros, muitas árvores, tudo a poucos passos de praias deslumbrantes – já falo mais disso;

lixo-no-centro-j-pessoa– Acima e ao lado, uma equipe da prefeitura recolhe o lixo e entulho, bem no Centro. É tanto que precisaram usar um trator.

Não apenas ali, mas (abaixo) sujeira também no Cabo Branco, Zona Leste, a duas quadras do mar.

Eu disse que João Pessoa é relativamente limpa. De fato. Ainda assim, como todas as cidades, tem pontos muito sujos;lixo-na-rua-cabo-branco-z-l-j-pessoa

– Note na tomada em que aparece o caminhão mais um rapaz com uma camisa de futebol alvi-negra.

Como já comentamos antes, essas são as cores de dois dos times de maior torcida no estado, o Botafogo de João Pessoa e o Treze de Campina Grande;

ponta-seixas-z-l-j-pessoa1– Próximas 3: bairro da Ponta Seixas, uma quadra do mar:

A orla da Zona Leste é badalada, a da Zona Sul é pacata, em alguns pontos quase rural. A Praia da Ponta Seixas, que divide ambas, já é a transição.

Veja, algumas casas são muito elegantes, mas o bairro é calmo e arborizado, e ainda não foi de todo ocupado. Incluso algumas ruas ainda tem pavimentação natural. Não há trânsito ou qualquer tipo de comércio.bairro-ponta-seixas-j-pessoa

A poucos metros do mar, e a poucas centenas de metros do Cabo Branco e Altiplano, dois dos bairros mais ricos de J.P., não custa lembrar;

– Anoitece na Zona Sul de João Pessoa.

Vários dos bairros da região começaram como enormes conjuntos habitacionais que depois se consolidaram e mesmo alguns elevaram-se a classe média.

ponta-do-seixas-j-pessoa2O bairro do Geisel surgiu com a Cohab de prédios Conjunto Residencial Presidente Ernesto Geisel. Retratado na foto abaixo (se reparar com cuidado vê o nome dele escrito no muro).

Alias peço desculpe pelo enquadramento deficitário. É que essa imagem e várias outras tirei de dentro de veículos em movimento.

O gaúcho Geisel foi o penúltimo presidente do regime militar. Quem o sucedeu, e portanto enfim passou a faixa a um civil, foi o carioca João Figueiredo. Pois bem. João Figueiredo é filho de Euclides e Valentina Figueiredo cohab-geisel-j-pessoa-z-sul

– Não muito longe do bairro Ernesto Geisel, também na Zona Sul, há o bairro “Valentina” pros íntimos, mas cujo nome completo é Conjunto Valentina Figueiredo.

Valentina é o 2° bairro mais populoso de João Pessoa, e vizinho do 1°, que é Mangabeira,esse surgiu sobre uma fazenda em que se plantavam mangabas, como o nome indica.

anoitece-zona-sul-j-pessoa

Próximas 4: Anoitece na Zona Sul.

Portanto os dois maiores bairros em população são emendados, configurando em conjunto a porção mais povoada da capital, disparado.

Alguns bairros homenageiam os generais-presidentes porque a urbanização da região começou justamente no fim do regime militar.

Além do Geisel e Valentina Figueiredo, bem pertinho na mesma Zona Sul há o Costa e Silva e Loteamento Presidente Médici.

anoitece-no-geisel-z-s-j-pessoa

Geisel.

Em outra parte da cidade o campus da UFPB fica no Conjunto Castelo Branco.

Como ocorreu em diversas capitais, já no seu apagar das luzes, no encerramento de seu período no Palácio do Planalto os militares enfim investiram um pouco na área social:

Melhoraram a rede de transportes de diversas cidades (feito amplamente já comentado por mim em mensagens anteriores) e construiram cohabs.

anoitece-valentina-z-sul-j-pessoa

Próximas 2: Valentina.

Elas eram em locais ermos, fora da então mancha urbana prevalente, na época área rural que começou a se tornar urbana com a construção desse enormes conjuntos.

Assim, voltando especificamente a Paraíba, vários bairros da Zona Sul de João Pessoa surgiram nessa ocasião.

Outro que começou como conjunto e depois evoluiu a categoria de bairro independente, com toda a gama de serviços, é o ‘Funcionários’.conjunto-valentina-figueiredo-z-s-j-pessoa

Que certamente foi erguido pra ser um meio de moradia subsidiada a empregados no serviço público. Existe também o bairro Bancários, de origem análoga, mas específica pra servidores dos bancos.

De volta aos bairro ‘Funcionários’, Z/S de Jampa. Entre ele e o vizinho bairro do Grotão, está a favela Maria de Nazaré.

Como veem pelas legendas das imagens, estive em todos esses locais, e registrei como são.

– Fechamos a série como abrimos, com as praias lindíssimas que enfeitam a capital da Paraíba.

praia-da-ponta-seixas-j-pessoa1Aqui, mais uma vez a da Ponta Seixas, o ponto mais oriental da América, e que portanto recebe o primeiro raio de Sol em todo continente.

Com imagens como essas, nem há como dizer qualquer outra coisa.

Então só me resta despedir. Eis como vi a Paraíba. Do Miramar ao Miramangue, da Zona Leste a Zona Oeste, João Pessoa é assim.pescando-na-ponta-seixas-j-pessoa2

Que Deus ilumine toda a Humanidade.

Paz a todos.

Deus proverá”

(mais um) Anoitece na Zona Norte: Jardim Monza, Colombo

crepusculoPor Maurílio Mendes, o Mensageiro

Publicado em 10 de dezembro de 2016

…….

Mais uma visita a Colombo.

Município que fica na Zona Norte da Grande Curitiba.

Fui ao bairro Jardim Monza.crepusculo-2

Fotografei o Pôr-do-Sol. Mais um na Z/N, como já foram vários.

Quanto ao Monza, trata-se de uma periferia, um subúrbio proletário da cidade.

Casas simples de gente trabalhadora.

casas-simples-3Muitas ruas de terra, como vê nas duas fotos acima.

No município de Curitiba, até uma década atrás as vias com pavimentação natural eram comuns.

Mas hoje são praticamente inexistentes.

Diversos outros municípios da RM igualmente estão quase totalmente asfaltados. casas-simples

Por exemplo: Araucária, São José dos Pinhais, Fazenda Rio Grande, Pinhais.

Nesses, repito, quase não há mais ruas de terra.

Mas em Colombo, como notam, elas ainda existem em grande número.

placaAs imagens deixam claro:

Moradias humildes, de madeira, sem muro.

Ou as vezes de alvenaria, mas sem garagem, como visto a direita.casas-simples-2

Assim é o Jardim Monza, Colombo, Zona Norte.

……….

Continuando o giro pelo bairro:

acima-do-comercioAo lado: casa acima do comércio.

Repare na porta no canto da imagem.

Está gradeada, ou seja, há uma segunda porta de ferro por sobre a de madeira.

Significa que a região tem arrombamentos frequentes.

avenidaBem, isso não é privilégio da Grande Curitiba.

Já fotografei a mesma cena em diversas partes da América:

Em uma favela em João Pesoa-PB, no Centrão de Belém-PA e S. Domingo-Rep. Dominicana.

E também no Chile, nesse caso tanto na periferia como em bairros de classe alta.

duplexTambém vi bastante em Fortaleza-CE, essa última breve eu subo a série pro ar.

…………

Por hora de volta a Colombo.

Continuamos a ver o Jd. Monza. terra-crepusculo

Na tomada acima, mais um sobrado ‘artesanal’:

Antes era uma casa térrea. Quando a família juntou o troquinho, tirou o telhado e ‘subiu a laje’.

Agora repare nas duas fotos abaixo:

Começam a subir alguns prédios.

contrasteSinal que a região vem se aburguesando um pouco.

Claro, nesse caso é a uma pequena burguesia, classe média-baixa e média-média.

Como eu já fotografei também no vizinho município de Almirante Tamandaré.

Voltamos a Colombo, a tomada a direita resume a situação:madeira-e-predio

Rua ainda sem asfalto, casa de madeira sem muro.

Mas um pombal de classe média já faz parte da paisagem, bem no cantinho da cena.

Mais imagens do Monza (clique sobre pra ampliar):

anoitecejd-monzapichacaorua-de-terra-2rua-de-terrasobrado

hortencia

Próximas 2: hortências e margaridas que adornam Colombo.

Em duas fotos da sequência acima (a 3ª e a 6ª) vemos pichação do Comando Norte da Império Alviverde.

Eu não torço pelo Coritiba. Apenas relato o que vi.

Se tivesse flagrado pichações dos Fanáticos ou da Fúria, fotografaria também.

Como no rolê de Tamandaré eu fotografei bandeiras do Atlético e do Coxa.

Em Belo Horizonte pichações e cartazes do Galo e do Cruzeiro.margarida

E em Belém bandeiras e pichações do Remo e do Paysandu, e também do Atlético Mineiro – em pleno Pará!!

Enfim, vocês entenderam. No futebol eu busco a neutralidade, não torço pra nenhum time no Brasil.

lojaApenas tenho uma simpatia pelo Nacional de Medelím-Colômbia.

Deixando o futebol de lado, cheguei ao Monza pela Estrada da Ribeira.

Ao lado: Lojas Coppel do Alto Maracanã, na referida estrada.

ribeira-3

Próximas 3: Estrada da Ribeira (BR-476), Colombo, fim de uma tarde chuvosa de dezembro de 2016.

Essa cadeia de lojas chegou poucos anos atrás e tomou conta da Grande Curitiba.

Quando fui ao México, vi por lá também, e estranhei.

Aí que me informaram: a cadeia de Lojas Coppel é mexicana.

Nessa postagem eu fotografei uma Coppel na matriz, na Cidade do México.

ribeira-2…………

Colombo tem 3 estradas:

– a BR-116, nesse trecho chamada ‘Régis Bittencourt’, a principal rodovia brasileira, que liga o Sul ao Sudeste e depois ao Nordeste;

estrada-da-ribeira – A Estrada da Ribeira, que é a BR-476, antiga ligação entre PR e SP antes de construírem a Régis.

É na Ribeira que estão os terminais Alto Maracanã e Guaraituba;

– E a “Estrada Nova de Colombo” ou “Rodovia da Uva” (PR-417), que liga a capital ao Centro do município. Na Estrada Nova fica o Terminal Roça Grande.

céu anoitece Colombo Z/n rio verde ctba noturna entardecer

……..

Pra fechar, ao lado: Rio Verde, Colombo, 2013. Essa foto pertence a outra postagem.

Pois é em outro bairro, e foi feita como indicado 3 anos antes. Mas como também mostra o entardecer em Colombo, insiro aqui também.

Que o Pai-Sol/Mãe-Lua Ilumine a todos.

Ele-Ela proverá

Pai-Sol, Mãe-Lua: o Céu de Bombinhas-SC

sol-nasce-bombasPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 1º de outubro de 2016

Como falei com detalhes na outra postagem, fui a Bombinhas, no Litoral Norte de Santa Catarina.

Lá mostramos fotos da cidade e das praias.

Nessa mensagem então vamos nos focar no Céu: crepusculo-zimbros

O Amanhecer e Anoitecer em Bombinhas.

Vamos comentando as imagens:

Acima da manchete placa de rua e ao fundo a Lua Cheia, no início da noite.

barco-amanheceNa 1ª foto da página os primeiros raios de Sol de um novo dia refletidos no mar.

Acima o pôr-do-Sol na Praia de Zimbros.

………

Vamos ver fotos tiradas exatamente do mesmo local, quando o dia começa e quando ele termina.barco-anoitece

Começamos por essa onde aparece o barquinho. Acima quando o dia começa. Ao lado com ele terminando.

Agora eu andei uns passos. E estou a frente da embarcação. Mas a praia e as montanhas ao fundo são as mesmas.

praia-amanheceRepetimos o mesmo procedimento:

A esquerda Sol nascendo.

Abaixo ele se pondo.

Em setembro, o Sol nasce em Bombinhas perto das 6 da manhã.praia-anoitece

Essas duas tomadas a esquerda acima, a do barco e da serra, foram clicadas exatamente as 6:04 do dia 16/09/16.

Olhando pra oeste (onde o Sol se recolhe, atrás daquela montanha como visto a direita) ainda estava escuro.

amanhece-praiaMirando um pouco mais ao oriente, já começava a clarear.

A esquerda e nas próximas 3 tomadas o amanhecer nessa praia, as fotos em sequência pouco depois das 6 da matina.

Pois bem. Fui a João Pessoa também em setembro, porém do ano de 2013.amanhece-praia2

Foi bom ter ido a capital da Paraíba no mesmo mês que em Bombinhas, e ter fotografado o Sol nascendo na praia em ambas.

Pois aí nós vamos poder, comparando as imagens, ver nitidamente o relevo do litoral brasileiro.

amanhece-praia1Quero dizer com isso o seguinte: em João Pessoa o Sol saiu de trás do mar exatamente uma hora antes, as 5 da manhã.

E sendo os dois ensaios em setembro, a Terra estava na mesma posição em relação ao Astro-Rei.

Em J. Pessoa está a Ponta Seixas, o ponto mais oriental de toda América.caminhada-manhazinha

Assim ela é a cidade que amanhece primeiro em todo continente.

Em relação a Santa Catarina, exatamente uma hora antes, como vimos.

praia-lua-cheia……..

Atenção: estou apenas citando João Pessoa, porque a viagem pra lá também foi em setembro, o que faz a comparação ficar científica.

Mas as fotos nessa matéria são todas de Bombinhas.

A direita acima ainda o começo de um novo dia, assim que clareou de tudo as pessoas começaram a fazer caminhada nas areias da praia.mariscal-lua-cheia

E a esquerda, no mesmo local mas o começo da noite anterior, já com a Lua alta.

Fotos bem parecidas com aquelas que eu tirei no Mar do Caribe, em Ponta das Canas, República Dominicana.

De volta a SC: alias a Lua estava linda, bem cheia, redondona, no Auge do seu Poder Feminino.lua-mariscalE ela saiu ainda de dia, com o céu bem claro.

A direita acima a Praia de Zimbros: vejam o Firmamento totalmente iluminado, ainda. Mas a Mãe-Lua já alta.

E nas duas na sequência, a esquerda e direita, estou voltando de Zimbros pra Bombas.

Vemos a mesma coisa, a Lua ainda de dia.lua-amarrada

Ao lado, veja que curioso: parece que a Lua está amarrada no fio de luz.

Tirei de dentro do carro em movimento, a foto saiu por acaso sem planejar.

Logo abaixo, panorâmica do alto do morro ao entardecer. Foto parecida com aquelas que eu tirei na Região Metropolitana da capital Florianópolis.

Na sequência horizontal que vem no encerramento (clique sobre pra ampliar, o mesmo vale pra todas): 1)  Ladeada pelo Satélite Natural da Terra, a placa da avenida principal de Bombas, 6 da manhã, eu a caminho da praia que é na quadra seguinte;

panoramica-fim-de-tarde2, 3 e 4) Zimbros, Pôr-do-Sol: a placa dando as direções, depois aquelas mesmas casas cuja porta dá dentro d’água, e por fim uma cena parecida com a já mostrada na outra postagem, mas dessa vez aparece um pássaro voando;

5) Mariscal, também fim-de-tarde; 6) outra do crepúsculo vespertino na avenida; 7) voltando de Zimbros, Sol se pondo; 8) Anoitece e na mesma esquina 9) Amanhece em Bombas.

placa-lua-cheiaplaca-mariscalpalmeira-zimbrospassaro-zimbrosanoitece-mariscalavenida av. principal paralelepípedo litoral bombas bombinhas sc catarina prédios burguesia classse média alta entardecer anoitecer céu árvore palmeirafim-de-tardeavenida-anoiteceamanhece-avenida

Que Deus Pai-Sol/Mãe-Lua Ilumine a todos.

Ele-Ela proverá

‘Onde o Sol Nasce’: João Pessoa, Paraíba

primeiro-raio-de-sol-da-america-j-pessoa-z-leste3

Praia do Cabo Branco, pouco depois das 5 da manhã: o Sol surge do Atlântico. J. Pessoa é a 1ª cidade da América a vê-lo.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (em emeio) em 15 de setembro de 2013.

Levantado pra rede em 15 de setembro de 2016, exatamente 3 anos depois.

Abrimos a Série sobre a Paraíba. Essa mensagem é um Portal. Ao final do texto ancoro as ligações pras outras matérias da série, conforme eu as vá jogando no ar.

A imensa maioria das fotos é de minha autoria. Há, entretanto, uma de um colega, outra puxada da rede e alguns postais antigos. Eu identifico na legenda. Toda essa falação feita, vamos nessa iniciar o texto:

praia-da-ponta-seixas-e-manaira-j-pessoa

Ponta Seixas, a Extremidade Leste da América. Ao fundo a linha de prédios da orla da Zona Leste, a parte rica de J. Pessoa.

Estive em João Pessoa-PB. E agora vou contar o que observei por lá.

João Pessoa é a “Terra do Sol Nascente” americana. Ali está a Ponta Seixas, ponto mais oriental da América.

Portanto a cidade que recebe o primeiro raio de Sol de todo continente, exatamente o que retratei em várias nas fotos.

O céu começa a clarear pouco depois das 4:30 da manhã, por volta de 15 pras 5 o Sol inicia seu aparecimento, e logo depois das 5 da manhã ele já está todo mais alto que o horizonte e forte.

…..

praia-do-cabo-branco-e-ao-fundo-altiplano-j-pessoa1

Cabo Branco e ao fundo o Altiplano, Z/ Leste.

A Grande João Pessoa, núcleo mais subúrbios metropolitanos, tem por volta de 1 milhão de habitantes.

Os municípios que a compõem são, por ordem de tamanho populacional (os dados são do censo de 2010):

– João Pessoa, 723 mil moradores

– Santa Rita (Zona Oeste), 120 mil

– Bayeux – pronuncia-se ‘Baiê’ – (Zona Oeste), 99 mil

praia-de-manaira-z-leste-j-pessoa

Praia de Manaíra, também na Zona Leste.

– Cabedelo (Zona Norte), 57 mil

– Conde (Zona Sul), 21 mil.

A Paraíba no total tem 3,7 milhões. A maior cidade do interior é Campina Grande, onde residem 385 mil pessoas.

……….

O ponto mais oriental da América se chama Ponta Seixas, como é conhecimento público.

primeiro-raio-de-sol-da-america-j-pessoa-z-leste

Cabo Branco, exatamente 5 da manhã: começa a clarear o dia 05/09/13. Os primeiros raios foram pouco depois das 4 e meia.

Eu estava na Praia de Cabo Branco, ao lado dele. Numa imagem (abaixo a direita) temos precisamente a Ponta Seixas vista do Cabo Branco.

Em outra tomada, estou no mesmo local, olhando pra direção oposta, e há mais uma (ao lado) em que estou chegando a praia.

Eram 5 da manhã, e eu via o primeiro raio de Sol da América.

Em qualquer parte do continente que você estivesse, se estivesse olhando pro céu nesse exato minuto você viu apenas um breu. Mas em João Pessoa já clareava.

Infelizmente estava ligeiramente nublado, e não pude ver o Sol saindo exatamente do mar.

joao-pessoa-4h45min-comeca-a-amanhecer

Assim que cheguei na praia (a tomada foi 5:03): olhando pro oeste ainda estava escuro.

Tirei uma foto que retrata quando enfim ele venceu as nuvens e se mostrou, em sua Glória e Esplendor. Passava um pouco das 5:20.

Em outra mensagem segue uma foto tomada minutos antes:

A primeira visão do Sol em toda América naquele dia, quando ele ainda estava um pouco mais fraco.

Escolhi esta pra abrir a série porque ele já se mostra mais avermelhado.

………….

joao-pessoa-amanhece

Ainda 5:03: virei pra direita olhando pro leste, e o firmamento já estava claro. Aqui vemos (a partir do Cabo Branco) a Ponta Seixas.

Vemos várias cenas em que estou na Ponta Seixas.

Acima do barranco passa uma avenida, e ali há um mirante com um marco comemorativo.

A praia tem um arrecife de corais, o que faz com que ela não tenha ondas. É uma piscina natural, o que permite que pescadores pesquem manualmente caranguejos, etc.

As Praias mais famosas e badaladas de João Pessoa são as do Cabo Branco – onde fiquei – , Tambaú e Manaíra.

Todas elas são vizinhas e ficam na Zona Leste, são a região mais abastada de João Pessoa, onde se concentram os arranha-céus e a classe alta e média-alta.

Agora, algo muito importante: os arranha-céus não são a beira-mar, é proibido. Nas primeiras quadras a partir da orla, só se pode fazer prédios de 6 andares no máximo.

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“O Sol Nasce Primeiro” é o mote oficial de Jampa, propagandeado nas camisetas vendidas aos turistas.

Os espigões só se iniciam a uma distância grande da praia. É isso que mantém João Pessoa fresquinha:

A brisa que vem do mar penetra na cidade, não é bloqueada pro um paredão de concreto como ocorre em outros locais.

João Pessoa é uma cidade pra pessoas. Que, pelo menos nesse ponto, fez seu zoneamento pensando no todo, rejeitando o dinheiro das construtoras.

Há outros exemplos, falo deles em outras mensagens que já estão no ar. Outro detalhe significativo:

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Praia Central de Cabedelo, Z/Norte metropolitana.

João Pessoa (carinhosamente chamada ‘Jampa‘ ou J.P.) é uma das cidades mais verdes que já estive, ao lado de Curitiba e Assunção-Paraguai.

A imensa quantia de bosques e a proibição de arranha-céus a beira-mar faz com que a capital da Paraíba tenha o clima ameno.

Lá é muito, mas muito mais fresco que em Manaus-AM, Belém-PA, Fortaleza-CE, Teresina-PI e Cuiabá-MT. Nem há como comparar.

Estive em todas elas, são um forno, você se sente sendo derretido vivo quando o Sol está no pico.

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Cabo Branco.

Em João Pessoa, bem ao contrário, a temperatura é bastante agradável, quente sem ser tórrida.

………….

João Pessoa tem Zona Leste. Tem as Zonas Norte, Leste, Sul e Oeste, como Curitiba, São Paulo e a maioria das cidades que não são na praia.

Porém as cidades de praia geralmente não tem uma das ‘Zonas’. J.P. tem todas elas.

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Próximas 5: Praia da Ponta Seixas. Por um arrecife de corais, a praia é uma piscina natural, sem ondas. Vemos aqui um pescador trabalhando sozinho, e ao fundo mais uma vez os prédios da orla da parte rica da cidade. Nas tomadas abaixo em escala maior.

O que quero dizer com isso é: o Centro de João Pessoa é afastado da praia.

Geralmente quando uma cidade é no litoral, o Centro é perto da água, pois é ali que a cidade começa. E assim, uma das ‘zonas’ não existe.

Exemplificando fica mais fácil entender. Rio de Janeiro, Recife-PE, Aracaju-SE, Chicago-EUA, todas elas não têm Zona Leste.

Pois essa estaria dentro d’água, o mar nas duas primeiras, um rio em Aracaju e o lago na cidade ianque.

Manaus e Maceió-AL não tem Zona Sul, Belém e Porto Alegre-RS não tem Zona Oeste, e Fortaleza não tem Zona Norte.

praia-de-ponta-seixas-manaira-e-tambauSempre pelo mesmo motivo, a cidade começou perto da água, seja mar, rio ou lago, e assim não dá pra cidade crescer numa direção geográfica, precisa ocupar as outras 3.

Já cidades que surgem longe de lagos, rios, mares ou montanhas crescem pras 4 direções. Como disse acima:

São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte-MG, Londrina-PR, Campinas-SP, Goiânia-GO, entre muitas outras, todas elas tem Zonas Leste, Sul, Oeste e Norte. pescando-na-ponta-seixas-j-pessoa1

A cidade começou num lugar plano, seco e limpo, e pode se espraiar pra todos lados, sem impedimentos.

Então. O Centro de João Pessoa é, repito, afastado da orla. Assim, mesmo tendo o Oceano a leste, há bairros entre ele e o Centro, configurando-se uma Zona Leste.

ponta-seixas-ponto-mais-oriental-da-america-j-pessoaEscrevi tudo isso pra dizer que João Pessoa teve seu núcleo pioneiro longe do mar. Você visualizando isso, ficará fácil entender como a cidade se desenvolveu.

Abra o ‘google’ mapas e vá acompanhando o que vou descrever.

As Praias da Zona Leste (Cabo Branco, Tambaú e Manaíra) são a parte rica da cidade.

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Aqui fechamos as imagens da Praia de Ponta Seixas.

Seguindo a orla a norte, passamos pelo Jardim Oceania e chegamos na Praia e bairro do Bessa.

Ali já é uma região bem mais tranquila, com muitas áreas por urbanizar (ainda há ruas de terra no Bessa, por exemplo, não longe do mar), não de renda tão elevada.

Embora atualmente esteja havendo um ‘transbordamento’ da parte mais chique prali também, então estão começando a surgir prédios altos onde antes nem mesmo muitas casas haviam.

João Pessoa está se desenvolvendo muito.

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Agora vamos ver o bairro da Ponta Seixas. Além de ser o ponto mais oriental da América (como já dito várias vezes), a Ponta Seixas é digamos um ‘Portal’: João Pessoa é uma cidade de uma lado da Ponta, e se transforma em outra completamente distinta do outro lado. Explico. A Ponta Seixas separa a Zona Leste da Zona Sul. A Zona Leste é a parte rica da capital paraibana, então a orla é extremamente urbanizada, chique, tudo tomado por concreto e asfalto, etc. Mas a Zona Sul é diferente. Digo, há o subúrbio da Z/S, a região de Mangabeira e Valentina, etc, que é subúrbio de metrópole, densamente urbanizado. Mas a orla da Zona Sul não é urbanizada, vejam vocês, é o que quero dizer. Mesmo ao lado do mar as ruas são de terra, calmas, sem comércio, só há casas térreas. E muita área verde, muito espaço ainda vago. Eis a prova, aqui estou na quadra do mar. A rua é sem pavimentação, não prédios, comércio, linhas de ônibus, agito, balada, nada. O litoral da Zona Sul de Jampa parece uma cidadezinha do interior.

Lembram-se do que lhes descrevi de Belém, que está uma “Dubai Brasileira”, com dezenas de prédios altos, tanto na estatura quanto na renda, sendo erguidos ao mesmo tempo?

Então, é a mesma coisa. Estive em João Pessoa e Belém em 1989 e agora em 2013. É chocante a mudança. Passaram-se 24 anos, mas parece que mudamos de galáxia.

Por todo século 20, a Paraíba foi um dos lugares mais pobres do país, daí a emigração em massa pro Sudeste e depois também para Brasília.

Pois morar num barraco de papelão nas favelas do Rio, São Paulo e da Capital Federal era considerada uma ascensão social impossível na Paraíba.

Até os anos 90, sua capital tinha pouquíssimos prédios altos, porque tinha uma classe média ínfima.

A coisa mudou. João Pessoa enriquece e se verticaliza a passos gigantes, como Belém, Teresina, Natal, Manaus, etc.

Por isso uma certa pujança não mais se circunscreve a trindade Cabo Branco, Tambaú e Manaíra, na Zona Leste.

A expansão de prosperidade começa a atingir a Zona Norte, que vem na sequência.

Assim, os balneários e bairros do Beça e Intermares começam a se verticalizar, e a possuir perfil de classe média.

E mesmo nos subúrbios mais miseráveis de João Pessoa a coisa melhorou bastante.

……….

ponta-seixas-ambiente-bucolico-quasde-a-beira-mar

Aqui e a esquerda: bairro da Ponta Seixas, muita área verde, sem asfalto, sem comércio, sem prédios, ao lado do mar, enfatizo de novo porque é incrível: você cruza o cabo, anda algumas centenas de metros, mas parece que viajou centenas de quilômetros. Um pouco mais pra frente há até algumas chácaras.

Já chegamos lá. A região mais pobre de João Pessoa é a Zona Oeste, a parte afastada do mar. Falaremos dela a seguir. Por hora, de volta a orla:

Até 20 anos atrás, a cidade quase não tinha prédios altos – digo, é óbvio que já haviam vários. Mas eram poucos comparados com o que há atualmente, é o que quero dizer.

A riqueza se espraiou pelo Norte/Nordeste, e agora a Zona Leste da capital paraibana parece Dubai, de tanto arranha-céu sendo levantado simultaneamente.

Tanto que foi preciso expandir a parte rica da cidade pra Zona Norte. Jardim Oceania, Bessa e Intermares também estão mudando muito.

Deixando de ser subúrbios pacatos e depauperados, onde haviam chácaras, grandes terrenos e só casas térreas pra serem inseridos no circuito elegante litorâneo da cidade.

ponta-seixas-z-l-j-pessoaBessa e Oceania ficam no município de João Pessoa, são os únicos dois bairros da Zona Norte municipal.

Logo após entramos no município de Cabedelo, onde fica Intermares. Cabedelo era, como toda a periferia de João Pessoa, uma parte esquecida até pouquíssimo tempo atrás.

Mas agora achou sua vez na esteira da prosperidade. A sorte de Cabedelo é que é também no litoral.

cabedelo

Ao fundo vemos Cabedelo, Z/ Norte, com as instalações do porto. Em outra mensagem falarei melhor da região, com várias fotos. Essa tomada é de autoria de um colega.

Já os municípios de Bayeux e Santa Rita (na Zona Oeste), por não terem praia, ainda aguardam o dia que a pujança aportará ali também.

É gritante a diferença entre as Zonas Leste e Oeste de João Pessoa. A Leste, na orla, é rica, embora ponteada por enormes bolsões de miséria.

Estive na Favela do Ipês, onde a situação é desesperadora de forma multidimensional.

E essa invasão (que é sobre o mangue) fica na Z/L, logo atrás de enorme templo de consumo, um centro comercial.

Além dela, há muitas outras favelas dentro da área mais rica da cidade, como ocorre no Rio de Janeiro e em todos os lugares.

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Antigo cartão-postal: Parque da Lagoa Solón de Lucena, Centrão de J.P., anos 80. Não se modificou muito. por ser longe da praia ainda não há muitos prédios altos. Em compensação, veja quanta área verde. e estamos no entorno do marco zero da cidade.

Mas, invasões a parte, a Zona Leste é a região dourada de João Pessoa.

E mais recentemente a Zona Norte, que lhe é vizinha e também tem praia, está pegando uma fatia do bolo.

Já a Zona Oeste é o legítimo “subúrbio ferroviário”, onde o povão foi jogado.

A Zona Oeste dentro do município de João Pessoa, como a Zona Norte, é pequena. Se circunscreve a região dos bairros Alto do Mateus, Ilha do Bispo, Cruz das Armas, etc. 

A maior parte da Zona Oeste da cidade se compõe dos municípios de Bayeux e Santa Rita, que vem na sequência.

A coisa melhorou um pouco, mas a caminhada apenas principia. Há muito ainda por fazer. 

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Outro postal: orla de João Pessoa, provavelmente virada dos anos 70 pros 80.

Em outras mensagens conto mais de minha voltas pela região, inclusive com fotos.

Nota: eu fiquei pouquíssimos dias na capital paraibana. Assim, eu estou dividindo os bairros em ‘Zona Oeste’, ‘Zona Norte’, etc, olhando pelo mapa.

Pode ser que minha classificação divirja daquela que os moradores adotam. Se alguém fizer alguma retificação eu incluo aqui na matéria.

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Em tomada puxada da rede, vemos a orla hoje. Em 1º plano a direita o Cabo Branco. A esquerda o Altiplano. Veja que perto do mar não são permitidos prédios altos, pra não matar a brisa marítima que refresca a cidade.

A Zona Sul também é bem extensa e povoada, e essa é quase que somente municipal, ou seja, sem região metropolitana.

Há o município do Conde, mas ele é pequeno, só moram 20 mil pessoas.

Já dentro do município de João Pessoa mesmo, na Zona Sul é que estão os bairros mais populosos da cidade, como Mangabeira, que tem mais de 100 mil habitantes.

Diversos bairros vizinhos começaram como enormes Cohabs e conjuntos populares, como Geisel, Valentina, Funcionários, etc.

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Voltam as tomadas de minha autoria, e vamos ver uma parte triste. Próximas 2: estive na favela do Bairro dos Ipês, um bolsão de miséria incrustado na riquíssima Zona Leste, bem perto do ‘shopping’ Manaíra. Mas a situação é que presenciam aqui, tudo estava alagado por uma chuva forte que ocorrera na véspera.

Entretanto, e isso que é curioso, a Zona Sul só é densamente povoada longe do mar. Ela também tem litoral, mas a orla da Zona Sul não se desenvolveu.

A beira-mar ainda se acham bairros pacatos e esparsamente habitados, com ruas de terra e apenas casas térreas.

Há vilas mesmo que ainda parecem zona rural, com chácaras e enormes terrenos, a poucos metros da praia, parece até uma miragem.

Especialmente se considerarmos que estamos ao lado a Zona Leste hiper-valorizada e já toda ocupada.

Repare no bairro Portal do Sol no ‘google’ mapas.

Já pelo satélite você nota que é uma área ainda por urbanizar, há pouquíssimas casas por quadra, e mesmo quadras inteiras vagas.

alagamento-favela-dos-ipes-z-l1E estamos ao lado do Altiplano, bairro que tem o m2 mais caro da cidade.

Três fotos mostram o bairro da Ponta Seixas, que margeia a praia de mesmo nome e a ponta em si, o extremo oriente da América.

Veja: ruas de terra, com muitos terrenos vagos, muito verde, só casas térreas, sem comércio, sem trânsito. E estamos na quadra da praia.

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Dentro da Unidade de Saúde, cena triste: inundada, situação precária.

Pelo que eu te falei. A cidade enriqueceu na Zona Leste (Altiplano, Cabo Branco, Tambaú e Manaíra), e a parte degradada, suburbana, foi pras Zonas Norte e Oeste, e pra Zona Sul longe do mar.

A orla da Zona Sul ficou por desenvolver num momento futuro, resultando que nos bairros Portal do Sol, Ponta do Seixas e Penha ainda é uma parte pacata, meio que rural mesmo da Penha pra frente.

Mas tudo isso vem mudando. A Zona Leste já atingiu boa parte de seu potencial.

Logo, a parte mais rica da cidade começa a se espraiar. Primeiro pra Zona Norte, começam a surgir prédios altos ali também.

Mas os subúrbios da Zona Oeste e da Zona Sul longe do mar também progridem, favelas vem sendo urbanizadas e bairros que só subsistiam começam a adentrar na classe média.

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O problema não se restringe a favela, ao contrário é geral. Talvez pela urbanização descontrolada, J. Pessoa tem seríssimos problemas de drenagem que geram inundações severas. Próximas 2: Cabo Branco, bairro de classe alta. Chovera na madrugada de 3ª. Na 4ª perto da hora do almoço, após um dia e meio de sol forte sem chuva, os pontos alagados persistiam.

Nessa metamorfose das classes C, D e E tão debatida em nosso país, mas que em João Pessoa é muito gráfica.

Pois ali quase a totalidade das pessoas eram dessas classes desfavorecidas até pouco tempo.

Assim, vem surgindo prédios, por hora baixos, sem elevador, mas já de classe média, por ali.

Atualização: o texto é de 2013, quando o Brasil ainda vivia grande onda de prosperidade criada na virada do milênio.

A partir de 2015 a economia entrou em recessão, assim obviamente a velocidade com que a periferia se aburguesa também se reduziu.

Ainda assim, o que está feito está feito. Nesse década e pouco que o Brasil cresceu a periferia mudou muito seu perfil, e isso não volta mais atrás.alagamento-cabo-branco-z-l1

Quem vai a Mangabeira, no subúrbio da Zona Sul de Jampa, encontra hoje um bairro muito, mas muito diferente do que existia digamos em 1993. Retorna o texto original.

E a orla da Zona Sul também está se valorizando muito. Breve, ficará pra trás esse ar bucólico.

Quem não comprou terreno ali na época que era barato, não comprará mais, a não ser que despenhe altíssimo capital.

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Em outros pontos da cidade a situação é ainda pior. As próximas 3 tomadas mostram a Zona Norte, e já no final da tarde de 4ª, portanto quase dois dias depois da chuva. E certas ruas continuavam intransitáveis.

Na Zona Sul está sendo feita a ‘alphaville’ de João Pessoa. Um bairro planejado, chamado Cidade Jardim, está sendo erguido, e vai mudar pra sempre essa face da cidade.

Grandes condomínios fechados já despontam ali, manifestação até há pouco desconhecida na Paraíba.

O governo vem incentivando esse movimento, está a duplicar a avenida que corta a região, e construiu um centro de convenções ali.

Tudo isso tem um lado bom e um lado ruim, na verdade. Certamente vai gerar muito emprego e renda. Mas as consequências sociais e ambientais serão severas.

Ocorrerá o que se chama ‘gentrificação’, a elitização de um bairro atraindo uma classe mais alta, expulsando a classe mais baixa que morava antes no local. alagamento-z-norte-j-pessoa

A Zona Sul litorânea de J. Pessoa é local de moradia de uma classe mais humilde, que pode residir perto tanto da praia quanto do polo de empregos da cidade.

Com a valorização que vem na esteira da especulação imobiliária, os que pagam aluguel serão imediatamente expulsos pros subúrbios.

alagamento-cabedelo-z-norte-j-pessoaE mesmo os que são donos de seus terrenos acabam vendendo e saindo. Além disso, vai se cimentar vários bosques e riachos.

Nem é preciso me estender no caos térmico e de falta d’água que essa decisão gera. Infelizmente, o dinheiro fala mais alto.

João Pessoa resistiu a tentação de erguer espigões na beira-mar, mas aqui sucumbiu.

jp jampa joão pessoa paraíba pb buso marcop tribus trucado 3 3º eixo branco livre faixa verde vermelho são jorge estádio almeidão br-230 trans-amazônica transamazônica trânsito

A partir daqui vamos ver os ônibus de J. Pessoa. Na Paraíba há muitos Tribus Urbanos (ônibus trucado com 3 eixos). No vizinho Rio Grande do Norte e em São Paulo, também. Já fiz matéria sobre isso, com dezenas de fotos de Tribus por todo o Brasil. Falando agora especificamente dessa imagem, é um São Jorge, linha municipal, fotografado na BR-230 (Trans-Amazônica) em frente ao Estádio Almeidão, Zona Oeste.

A orla da Zona Sul deveria ser considerada área de preservação permanente, e quem já mora ali tem direito adquirido, claro.

Mas deveriam dificultar ao máximo a construção de novos empreendimentos no local.

Nas Zonas Leste e Norte, que já estão urbanizadas e portanto o impacto ambiental já está feito, não falta espaço pra moradias de luxo.

Elas deveriam se restringir a essas regiões onde já não há mais mata nativa. O governo, entretanto, incentiva o oposto, a ocupação de áreas ainda virgens.

Ocupação ‘controlada’, segundo eles, com ‘correto manejo de resíduos’. Entretanto não há como desmatar ‘controladamente’, ou o bosque está ali ou não está.

E os bosques vem sendo derrubados para dar lugar a condomínios fechados.

Não tenho nada contra os condomínios fechados nem contra a alta burguesia. Apenas creio que os novos condomínios não deveriam ser feitos em área de preservação, eliminando bosques, mangues e riachos.

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Esse é também municipal, da Trans-Nacional (opera também no interior, em Campina Grande). Antes vinha o nome da viação na lateral, agora está pintado ‘Unitrans’, o consórcio. A pintura ainda é da Trans-Nacional, uma faixa tricolor verde, vermelha e azul. Fotografado na Zona Sul.

Repito, não falta espaço nas Zonas Leste e Norte de JP para esses novos empreendimentos, são áreas nobres (especialmente a Z/L), perto do mar, e ali o impacto ambiental seria significativamente menor.

Não precisariam destroçar a Zona Sul, que perto do oceano ainda é bucólica, parece uma cidade do interior. Enfim, o dinheiro compra mesmo tudo, então que seja …

…………..

E olhe, mesmo sem essa “Cidade Jardim”, que será uma pujança econômica mas uma desgraça ambiental/social, João Pessoa já tem seríssimos problemas ambientais.

Chegamos lá, na madrugada de 4/09/13, sob forte temporal, com diversos pontos de inundação. Aí, amanheceu, e parou de chover. 

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Esse é municipal, da Reunidas. Essa viação e a Trans-Nacional formam o consórcio Unitrans, e, digo de novo, antes vinha a viação na lateral, agora nos municipais o consórcio. Mas, assim como o que está a esquerda acima, o buso ainda não foi repintado, ainda ostenta a pintura da Reunidas, um retângulo com faixas onduladas em vermelho e azul. Clicado em Cruz das Armas, Zona Oeste.

Mas o alagamento persistiu por todo o dia, o dia seguinte, e nos locais mais críticos mesmo por ainda mais um dia.

Totalizando nada menos que 3 dias de ruas inundadas. E isso sob Sol bem forte.

Um mês depois, presenciei exatamente o mesmo em Santo Domingo, República Dominicana.

De volta a Paraíba, vejam as fotos, tiradas já quase 2 dias depois do temporal. Sol a pino, sem nuvens, mas diversos bairros da cidade embaixo d’água.

Fui na favela que fica no bairro dos Ipês. É uma enorme ocupação irregular, logo atrás do centro comercial de Manaíra. 

A situação pavorosa vocês podem ver por si mesmos em 3 imagens, a parte baixa da favela foi aterrada sobre o mangue.

Quando vem tempestade, o mangue retoma o que é dele. Nada mais natural.

…………..

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Com fusão ou sem fusão? Com fusão! Veja, esse busão da Unitrans já foi repintado. Fundiram os emblemas das duas viações: manteve-se o retângulo na parte traseira da Reunidas, mas adicionou-se uma faixa verde no meio, pra manter o tricolor da Trans-Nacional. Detalhe: em 2013 em J. Pessoa ainda se entrava por trás (como em Salvador-BA e Fortaleza-CE), mas era o momento da transição, estavam começando a inverter pra frente, vi alguns busos no novo padrão com um adesivo no para-brisas informando a mudança. Foto no Tambaú, Zona Leste.

Uma das imagens eu captei em um posto de saúde da periferia da cidade.

Condições precaríssimas, quanta infiltração, o tamanho da poça no chão, e não está mais chovendo a muitas horas.

Tudo é difícil, os funcionários e a comunidade por vezes têm que fazer vaquinha pra insumos básicos como gás de cozinha, água de garrafão, etc, e também pequenas reformas para tapar goteiras.

Além disso, há muita violência, membros da própria favela ao redor destelham o local pra roubar o que for possível (e por isso as infiltrações).

Recentemente dois guardas municipais pediram pra ser transferidos dali porque são ameaçados por criminosos.

Em João Pessoa – ao contrário de Curitiba, Belém, São Paulo e Foz do Iguaçu-PR entre outras – os guardas ainda trabalham desarmados.

Nota aos amigos da Paraíba: foi o que presenciei ‘in loco’ em setembro de 2013, sendo relatado por moradores e trabalhadores da U.S.. 

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Sanfonado da Unitrans (já com pintura fundida) ruma ao então (set.13) recém-inaugurado Terminal Integrado do Bessa, Zona Norte. Essa linha é municipal, mas do terminal partem linhas metropolitanas pros bairros de Cabedelo mais próximos da capital. Só a Unitrans e a São Jorge têm veículos articulados.

Entendam que não escrevo isso com objetivos políticos, de apoiar ou atacar a situação ou a oposição.

O texto sobe pro ar poucas semanas antes da eleição municipal de 16, mas não há relação de causa e efeito.

Eu voto nulo aqui em Curitiba, e sequer sei quem é o atual prefeito de João Pessoa, muito menos quem são os candidatos a sucedê-lo.

E ao jogar isso no ar não pretendo puxar votos para nenhum deles.

Apenas meu compromisso é, em todas cidades que visito e também naquela que eu vivo, relatar o que eu vi.

E o que eu vi com meus próprios olhos em João Pessoa foi isso. Volta o texto original. 

Com condições naturais e humanas muito longe do ideal, não é a toa que há epidemias de doenças facilmente preveníveis e já erradicadas de outros locais.

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Ônibus da Reunidas. Linha metropolitana, portanto aqui não há a inscrição ‘Unitrans’. Foto no Centrão, vai pra Cabedelo, Zona Norte. A frente um Wilson, também metropolitano, que vai pra Zona Oeste.

As pessoas comentavam de parentes e amigos que estão morrendo de leptospirose, moléstia medieval mas que continua a ceifar vidas nas favelas de João Pessoa, em pleno século 21.

E algumas favelas são em plena Zona Leste, perto da orla e dos centros comerciais, cercadas por um oceano de opulência…

……….

Falemos do sistema de transportes de João Pessoa. Há uma linha transversal de trem de subúrbio, que atende as Zonas Oeste e Norte passando pelo Centro.

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Mesmo local da anterior, virei a direita e invertemos a ordem: um Wilson, no meio um encoberto pelo caminhão, ao fundo fazendo a curva um Reunidas, todos metropolitanos.

Mas ele não passa pela Zona Leste, que é o polo de empregos da cidade, e por isso tem pouca utilidade. Falo dele em outro texto, inclusive com fotos.

Aqui, vamos comentar dos ônibus. João Pessoa tem dois terminais de integração, um no Centro e outro na Zona Norte.

Esse último inaugurado recentemente (repito, tudo que escrevo remete ao que era realidade em setembro de 13, pode ter havido alterações que não estou a par).

De forma que você pode pegar duas linhas pagando apenas uma. Além disso, há ônibus articulados nos trajetos de maior demanda.

O novíssimo Terminal do Bessa, na Zona Norte, permite integração inclusive com algumas linhas metropolitanas que atendem o vizinho município de Cabedelo.

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Viação Santa Maria, que tem linhas municipais e metropolitanas (pro Conde) na Zona Sul.

Um melhoramento excelente, pois agora os moradores dos bairros Intermares e Renascer, nesse citado município, tem acesso ao sistema municipal de João Pessoa.

Em João Pessoa ainda vigora pintura livre, ou seja, cada viação pinta seus veículos como bem entender, não há padronização, nem municipal nem metropolitana.

No sistema municipal se entra por trás, e no metropolitano pela frente. Apesar que agora começam a alterar a entrada pra frente no municipal também.

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Viação Marcos da Silva, municipal, foto no Cabo Branco, Z/Leste, perto da Ponta Seixas.

A passagem municipal integrada de João Pessoa é R$ 2,20 (set.13, não custa enfatizar ainda mais uma vez), baixou R$ 0,10 na onda de protestos que sacudiu o país no meio desse ano de 2013.

A passagem metropolitana varia conforme a distância. Fui de ônibus até o distante subúrbio de Santa Rita, na Zona Oeste. Paguei R$ 2,65.

Os ônibus municipais dos subúrbios metropolitanos são incomparavelmente mais baratos, oscilando entre R$ 1,10 a R$ 0,75.

Em João Pessoa, como sói ocorrer em todos os locais, o transporte público é altamente concentrado em pouquíssimas mãos privadas. No passado houve uma viação estatal, a Setusa, que foi extinta. Falo melhor dela, inclusive com fotos, em outra mensagem. Centremos fogo no que existe:

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Outra pintura da Wilson, metropolitana, liga o Centro de J.P. a Bayeux, Zona Oeste.

O grupo A. Cândido tem as três maiores empresas, Trans-Nacional, São Jorge e Reunidas, e ainda a Santa Maria, esta última de menor porte.

Isso na capital da Paraíba. O grupo também tem viações em Campina Grande-PB e Natal.

Alias o transporte de CG apresenta alguns modais curiosos: ali operam até Jipe-Neys!

Falando especificamente de J. Pessoa: a Santa Maria e São Jorge conservam o nome próprio.

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Santa Rita, metropolitano, vai até o município de mesmo nome, também Z/O.

Mas a Reunidas e Trans-Nacional eles fundiram sob a denominação Unitrans.

Até pouco tempo atrás, eles colocavam o nome da empresa (Reunidas ou Trans-Nacional) na lateral do veículo.

Agora vem somente a inscrição ‘Unitrans’, como se fosse um consórcio, o nome específico da viação está só na traseira.

Isso nas linhas municipais de J. Pessoa. Pois que a Unitrans opera tanto transporte municipal quanto metropolitano.

Nas linhas inter-municipais a viação ainda vem identificada. Já a São Jorge só opera no sistema municipal.

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Viação Madacaruense, municipal.

A Unitrans e a São Jorge (que pertencem ao mesmo grupo) são as maiores, e dominam a maior parte de João Pessoa, e são as duas únicas que possuem articulados.

Há também algumas viações menores, como Mandacaru, Marcos da Silva e Santa Maria (repito, essa última também do grupo A. Cândido, da Unitrans).

As duas primeiras só tem linhas municipais de João Pessoa, e a Santa Maria municipais e também metropolitanas.

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Há as empresas que só operam no sistema metropolitano, ou seja, ligam João Pessoa aos municípios vizinhos, mas não operam linhas municipais da capital.

Fotografei várias delas, identifico nas legendas.

onibus-alternativo-mun-s-rita-z-o-j-pessoaNo município de João Pessoa, não há transporte clandestino. Mas na região metropolitana aparentemente .

Veja as fotos acima e ao lado, tiradas no Centro de Santa Rita: veículos que não pertencem a empresa alguma, simplesmente alguém comprou e botou pra rodar.

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Próximas 3: vários São Jorge, linhas municipais. Esse indo pro Muçumagro, Z/S. Entrada já pela dianteira, invertida.

Sem qualquer fiscalização pelos órgãos públicos. Pelo menos custa só R$ 0,75 (set.13).

Nota a esquerda que inclusive um deles tem placa cinza – pra ser regular teria que ser vermelha – e se chama “transporte popular” (??????????).

Tá bom pra ti ou quer mais?

……..

Comentemos rapidamente as fotos dos ônibus, aí falo um pouco mais das viações. Busque pelas legendas. Vimos os veículos das viações:

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Já esse vai pro subúrbio das Zonas Oeste e Sul, bairros Geisel e Alto do Mateus via Cruz das Armas e UFPB. O letreiro de lona também é nesse estilo carioca que está sendo descrito ao lado.

Marcos da Silva, que é independente, de porte menor. Só municipal. Linha Cabo Branco. Opera na orla, a parte rica da Zona Leste;

Mandacaruense, que é independente, de porte menor. Só municipal. Linha Mandacaru via Ilha do Bispo. Opera na Zona Leste, mas não na orla, e sim numa parte mais pobre.

Na verdade eu diria que o bairro de Mandacaru fica entre as Zonas Central e Leste. Já a Ilha do Bispo é Zona Oeste. 

Amplie o Mandacaruense pra reparar que o letreiro, ainda de lona, tem a linha escrita em duas camadas: ‘Mandacaru’ em cima, e ‘via Ilha do Bispo’ formando uma meia-lua por baixo:

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Ponto final do bairro Valentina, Z/ Sul.

Estilo que o Rio de Janeiro criou e consagrou nos anos 70 e 80, e, como Energia nunca morre, ainda se faz presente em outras partes do Brasil.

Nesse São Jorge a esquerda logo acima o mesmo se repete, ‘Geisel/Alto do Mateus’ por cima, e na meia-lua em vermelho ‘via  Av. Epitácio Pessoa’;

Santa Maria. Sua área de atuação é a Zona Sul, na orla. Opera tanto o sistema municipal quanto metropolitano, pra vilas que já ficam no município do Conde.

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Viação Sonho Dourado, municipal de Stª Rita, subúrbio metropolitano da Zona Oeste.

As 3 viações acima (Stª Maria, Mandacaruense e Marcos da Silva) não tem articulados;

São Jorge. Essa é de porte grande, e tem articulados, infelizmente não deu certo fotografar.

Opera só sistema municipal, nos subúrbios das Zonas Sul (longe do mar) e Oeste. 

Vimos bem pra cima um veículo trucado (com 3º eixo) fazendo a rótula na BR-230 em frente ao estádio Almeidão.

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Micro ‘Opcional’, Almeida, metropolitano. O ônibus é menor mas a tarifa é maior.

E a direita logo acima o ponto final no bairro Valentina, Zona Sul.

Vários bichões esperando juntos a hora de zarpar, como já lhes falei infinitas vezes, característica indelével de nossa querida América.

Que eu já fotografei no México (capital e interior), Chile, Paraguai, e aqui no Brasil em S. Paulo, B. Horizonte, Belém e até na Grande Curitiba.

Retornando a JP, aqui só vem 2, mas há 4, estou dentro de outro e há mais um num ponto cego a câmera.

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Outro Almeida metropolitano, esse de tamanho e preço normais. Serve Bayeux, Z/O.

Logo acima do ponto final já havíamos visto um outro indo pro Muçumagro, Zona Sul, com letreiro eletrônico e com a entrada já cambiada pra porta da frente.

Percebe que esse como vários outros ônibus vem escrito “integração”, indicando que para no terminal onde é possível pegar outra linha sem pagar de novo.

Unitrans, que domina João Pessoa, e tem presença também no interior da Paraíba e mesmo no Rio Grande do Norte. Opera municipal e metropolitano;

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Viação das Graças, metropolitano.

Todas as fotos de ônibus metropolitanos foram tiradas no Centrão de João Pessoa, em frente a Rodoviária.

Acima falamos das viações municipais de João Pessoa. Resumindo, há duas gigantes do mesmo dono, a Unitrans e a São Jorge. São as duas únicas que atendem vários bairros, e por isso as 2 únicas com articulados.

A S. Jorge só municipal, e a Unitrans municipal e metropolitano, pra Cabedelo (nos metropolitanos ainda consta ‘Reunidas’ na lataria, enfatizando: a esq. um exemplo).

onibus-reunidas-metropolitanoAs viações Marcos da Silva, Mandacaruense e Santa Maria são menores, operam menos linhas. A Stª Maria municipal e metropolitano, as outras duas só municipais.

Agora vamos falar das empresas independentes metropolitanas, de porte pequeno. Todas as viações citadas abaixo vão pra Zona Oeste (Bayeux e Santa Rita):

Wilson. A linha fotografada vai pra Tambay, bairro de Bayeux;

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FORTE DOS REIS MAGOS, NATAL, EM POSTAL DOS ANOS 80: eu não estive no Rio Grande do Norte nessa viagem de 2013. Mas como é próximo a Paraíba, são imagens antigas e não daria pra fazer uma postagem só pra publicar essas 2 fotos, segue de brinde.

Santa Rita, que serve o município de mesmo nome;

Almeida, que opera na região do bairro Mario Andreazza, Bayeux. Além do ‘carro’ convencional, de tamanho maior, registrei também um micro ‘Opcional’ da Almeida.

Esse modal tem ar-condicionado e bancos estofados, e só se pode viajar sentado. Por tudo isso, é mais caro.

Seguirá pro bairro Sesi, em Bayeux. Note, mais uma vez, o estilo carioca de letreiro, o ‘Sesi’ em meia-lua sob o ‘Circular’;

Viação das Graças, também vai pra Bayeux;

Agora, estou no Centro de Santa Rita, um subúrbio metropolitano da Zona Oeste, perto da estação de trem. Ali cliquei:

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Idem: Natal, em tomada dos anos 80.

– Ônibus municipal de Santa Rita da viação Sonho Dourado. Esse é de uma empresa estabelecida, e custa somente R$ 1,10;

– E dois sem empresa, transporte aparentemente clandestino, o micro branco que vai pra Tibiri, e o Vitória com chapa cinza “Transporte Popular”.

penha divisa z/s z/l joão pessoa pb jp paraíba estátua

Penha, entre as Zonas Sul e Leste.

………………………

Está aberta a série sobre a Paraíba, toda ela publicada em setembro de 2013:

“João Pessoa é uma Mãe”, assim definiu o taxista (recifense de nascimento) que me levou do aeroporto. Um pouco do clima, vegetação, e muitas fotos da periferia.

Até Bayeux tem “metrô: minha ida ao subúrbio da Zona Oeste (Bayeux e Santa Rita) de trem. A tarifa é simbólica, R$ 0,50.

santa sta. rita z/o estação joão pessoa jp pb paraíba jampa trem transporte ebtu cbtu locomotiva díselFalamos rapidamente também do futebol na Paraíba, afinal 2013 foi justamente mais glorioso da história, quando esse estado levou seus dois maiores títulos, a série D do Nacional e a Copa do Nordeste.

N. Sra. das Neves, Philipéia, Fredericoburgo, Cid. da Paraíba: até J. Pessoa ser morto na Cid. de Maurício. Contamos um pouco da história do estado, os 5 nomes que J. Pessoa já teve. paraiba

No embalo mostramos 2 bandeiras anteriores paraibanas, até ela chegar ao atual modelo ao lado (De propósito com grafia antiga, atualmente o acento foi eliminado);

“Terras do Tribus Urbano”: a Paraíba, ao lado do vizinho Rio Grande do Norte e de São Paulo, concentram os ônibus trucados (com 3º eixo) no Brasil.flores joão pessoa j.p. jp jampa pb paraíba violeta primavera árvore cabo branco z/l vermelha burguesia classe média alta elite prédio construção obra altiplano barranco encosta vários dubai

– “Flávia, Paraibana e Beijoqueira“. Fiz um desenho que mostra uma cena que ocorreu comigo num posto de saúde da periferia da capital paraibana.

Flores da Paraíba: João Pessoa toda florida e enfeitada. Essa ao lado foi clicada no Cabo Branco, ao fundo o Altiplano.

Deus proverá”

Vielas da Vila Maria, Deusa-Lua, Primavera Eterna, Afeganistão ao lado de ‘Beverly Hills’: assim é a Colômbia.

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Aqui e acima da manchete: Chía, a Deusa-Lua, Grande Mãe, o Lado Feminino de Deus Pai e Mãe. Homenageada com uma cidade em seu nome na Grande Bogotá, onde eu estive.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Subido pra rede em 23 de agosto de 2016

Publicado (em emeios) em 20 e 30 de abril de 2011.

Nessa mensagem nenhuma foto é de minha autoria. As de Cartagena (Litoral) foram clicadas por meus familiares, o resto puxei da rede.

Fechando a Série sobre a Colômbia, solto 2 emeios. O 1º se chamou “Nas Vielas da Vila Maria, Bogotá”, e é de 20-04-11:

Vamos lá retratar mais alguns aspectos da Colômbia, esse vizinho tão fascinante e tão pouco conhecido de nós brasileiros.

Talvez muitos nem tenham se atentado pro fato que a Colômbia é um país do Hemisfério Norte:

cartagena colômbia água oceano praia prédios classe média alta elite burguesia beira-mar orla litoral céu azul limpo linha prédios

Passeio de barco por Cartagena, Litoral da Colômbia. De um lado espigões de luxo onde vivem os muito ricos.

Apenas uma pequena parte do país é ao sul do Equador, e não há nenhuma cidade grande ou média ali. 90% do território e 99% da população colombiana fica ao norte dessa linha que divide a Terra no meio. 

………….

Há igrejas evangélicas nas favelas e periferias de Bogotá e Medelím, é claro. Mas numa proporção infinitamente menor que aqui.

Nos subúrbios aqui no Brasil você chega a ver 3 ou 4 igrejas evangélicas na mesma quadra, as vezes parede a parede, ou frente a frente.

Lá nem de longe o fenômeno atinge essa proporção. Diria que há uma igreja a cada 3 quadras.

cartagena mar barco água palafita barcos cais marina colômbia favela pobreza quebrada subúrbio periferia varal roupas negro rapaz

Mesmo canal em Cartagena: só olhar pro lado e verá pavorosas favelas em palafitas abrigando os que nada têm.

Nota: fui a Colômbia em 2011. Na sequência, em 12 ao México, 13 Paraguai e República Dominicana e 15 ao Chile.

Apenas na Rep. Dominicana a proporção de igrejas neo-pentencostais atinge a mesma proporção que aqui.

Nos demais países bem menos. Bom, no Chile a imensa maioria da população ainda é católica praticante, como foi no Brasil até os anos 80.

Voltando a Colômbia, há templos evangélicos, mas numa proporção menor que no Brasil. Dentre as igrejas que lá estão a brasileira Universal é uma das mais fortes.

Assim se vê que as duas maiores empresas brasileiras (Petrobrás e Universal) estão bem fincadas em solo colombiano (da Petrobrás já falei melhor em outra mensagem).

cartagena colômbia água oceano praia prédios classe média alta elite burguesia beira-mar orla litoral céu azul limpo linha prédios marinha navio barco porto base naval

Nas próximas 2 mais um pouco do agudo contraste em Cartagena: milionários

………..

Discorrendo agora sobre algo completamente distinto, nem toda Colômbia aderiu ainda aos caminhões de lixo na forma como conhecemos aqui:

Onde o veículo é feito especialmente pra esse fim, portanto tem um compactador que vai comprimindo o que é jogado dentro.

Estou falando do caminhão de lixo comum, que todos conhecem. Há alguns deles na Colômbia, os vi.

cartagena mar barco água palafita barcos cais marina colômbia favela pobreza quebrada subúrbio periferia

ao lado dos miseráveis. Na Colômbia o Afeganistão está ao lado de ‘Beverly Hills‘ (como também ocorre no Brasil, Chile, Rep. Dominicana e várias partes do mundo)

Mas não em toda parte. Andava num bairro de elite em Medelím, pra milionários mesmo.

E o lixo estava sendo recolhido com um caminhão comum (!!!). Sim, estou me referindo aqueles com caçamba, abertos em cima.

Um cara jogava os sacos, e outro, em cima do caminhão, ia amassando o volume com os pés e com uma pá. Chovia, ainda por cima.

Parece inacreditável, mas presenciei. Já vi a mesma cena em Cancun, no México – nesse caso pela internet via Visão de Rua do ‘Google’ Mapas.

………..

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Próximas 3: na cidade de mesmo nome na Grande Bogotá, a estátua de Chía, a Deusa-Lua, a Grande-Mãe da Humanidade. Segundo a Mitologia Americana, Chía foi um Grande Espírito que encarnou como Mulher pra pregar a Palavra de Deus na Terra. Passada essa fase material de sua missão, ela Ascendeu aos Céus, e hoje na forma da Lua continua a Iluminar os Homens e Mulheres.

FRANGO, MILHO E FEIJÃO, A BASE DA CULINÁRIAFoi difícil pra mim me alimentar na Colômbia. Eu não como carne, de nenhum tipo. E esse povo é extremamente carnívoro.

Digo, quando estava com minha família, parávamos pra almoçar em restaurantes, aí não havia problema, pedíamos os pratos e do meu eu simplesmente cedia a carne pra eles.

Porém muitos dias estava sozinho, eles iam ver outras coisas e eu subir os morros e favelas.

Pelo tempo ser curto, não parava pra comer, tentava fazê-lo na rua. Aqui no Brasil me viro bem, sempre há uma pastelaria onde como pastel de queijo.

Lá entretanto, não há salgados sem carne. Alguns dias tive que almoçar bolinhos doces.

Assim é culinária colombiana, sempre com muita carne. Preferem o frango, mas a carne de boi também é muito popular, seguida pela do porco.

Quase não se come peixe em Bogotá e Medelím. Pois estão no alto dos Andes, onde não há como pescar, e o transporte é caro e difícil.

Na Amazônia Colombiana a situação deve ser diferente, a julgar pelo que vi na Amazônia Brasileira. Estive em Manaus em setembro de 2010, onde o peixe (que eu também não como) é a base da alimentação. Com certeza do lado colombiano da selva funciona igual.

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Como vê, Chía está bem na frente da Catedral. Duas formas distintas de ver o Criador, e ambas são igualmente válidas.

No litoral da Colômbia o peixe também deve ser mais frequente. Não pude ir até lá, tive que voltar antes.

Minha família foi a Cartagena, como já informado na legenda das fotos, clicadas por eles.

Entre os cereais, a base da alimentação é o milho e o feijão. Se faz tudo com milho por lá, farinha, bolinhos, o que imaginar.

E como aqui o feijão é prato nacional. Isso é América, e nós americanos comemos feijão. Sendo a Colômbia coração e essência da cultura americana, lá se come todos os dias.

Arroz nem tanto. Eles gostam também, mas é pedido separado, pois alguns comem feijão com milho (em forma de farinha ou bolinhos), dispensando então o arroz.chia

Seja como for, com milho, arroz ou puro, o feijão é a paixão colombiana. Só que é diferente do que comemos aqui. Os grãos são muito maiores, o triplo do nosso.

O feijão da Colômbia é do mesmo tamanho ou até maior que o ‘feijão cavalo’, aquele servido no Brasil como salada.

Só que lá eles comem quente esses feijões gigantes. Maior e mais forte, é avermelhado, e tem um gosto mais pronunciado.

Talvez porque lá se coma mais pimenta. Um povo de sangue quente, indígena, pouco europeizado – me refiro ao povo mesmo, a elite é bem europeizada, como em toda a parte.

cartagena mar barco água palafita barcos cais marina colômbia favela pobreza quebrada subúrbio periferia

Próximas 12 tomadas: vamos ver muitas fotos de Cartagena. As duas primeiras são ainda das favelas no mangue. Depois várias do Centro Histórico, que era murado pra evitar ataques de piratas.

MÚSICA, SÓ EM ESPANHOLO povo colombiano quase não ouve ‘rock’, nem qualquer música que não seja em espanhol. Eles praticamente não ouvem música em inglês.

O ritmo preferido deles é aquele bem latino mesmo, parecido com o que é chamado ‘cumbia’ na Argentina.

Sabe aquela música que vemos nos filmes sobre Cuba? É por aí que a coisa vai, uma música caribenha, de corpo e alma americana.

A parte instrumental é essa música caribenha, as letras são iguais ao nosso sertanejo, ‘chorei tanto quando me deixou’, e por aí vai.

Nas quebradas, se ouve muito ‘rap’ também, mas sempre ‘rap’ em espanhol.

………

Mesmo os que têm mais renda e acesso a estudo também dão preferência a música no seu próprio idioma. cartagena mar barco água palafita barcos cais marina colômbia favela pobreza quebrada subúrbio periferia

Em Bogotá, estávamos no bairro universitário, reduto cultural burguês. Saímos eu sexta a noite para curtir um pouco do ar fresco da noite bogotana.

Fomos a uma praça onde haviam vários bares, parecida com o Largo da Ordem no Centro de Curitiba ou com a Vila Madalena na Zona Oeste de São Paulo e a Lapa no Rio.

Pois bem. Até os bares destinados a jovens de classe média tocavam música em espanhol. Menos um. Mas esse tinha umas dez bandeiras da Inglaterra na fachada, se assumia nitidamente como um ‘pub’:

cartagena colômbia lagoa água palácio linha prédios elite burguesia classe média altaEsse era seu diferencial, exatamente pra concentrar o não muito numeroso público colombiano que aprecia música em outras línguas.

Ou seja, pra tocar música em inglês, tem que ser notadamente inglês. Já no caminho pro hotel, paramos em um bar menor, quase um mercadinho. Estava tocando ‘rap’ – em espanhol, óbvio.

Mais uma atualização: a Colômbia é assim, e eu diria que a República Dominicana também. Nesses países quase não se ouve roque, nem música em inglês em geral.

Mas no México e Chile é totalmente diferente. Nessas duas últimas nações já curtem bastante o roque e outros ritmos populares nos EUA/Europa (como a música eletrônica), exatamente como no Brasil.

…………cartagena colômbia muralha Colonial forte fortaleza murado prédio trânsito avenida

E PRÉDIOS TAMBÉM Os prédios na Colômbia são todos em espanhol, de todas as classes sociais. Não há por lá edifícios chamados dream life”, “queen elizabeth”, “hyde park” ou “hudson river”.

Os nomes dos conuntos são todos pomposos, mas sempre em seu idioma:

Jardines de la reina (jardins da rainha)”, “cerro rico (morro bonito)”, “lomas (colinas) verdes”, “portal del bosque”, e assim por diante. E o que aqui chamamos “shopping center”, lá é, bem, ‘centro comercial’.

cartagena colômbia palácio torre construção prédio antigoNo México, vi nas viagens seguintes, é assim também. Já no Paraguai é como no Brasil, há sim em Assunção prédios com nomes em inglês.

…….

Claro que também se copia muito os EUA na Colômbia.

Algumas lojas nos bairros caros tem um neon escrito ‘open’, assim, em inglês, e numa periferia, havia um brexó com roupas usadas vindas dos EUA, e isso era propagandeado como se fosse enorme vantagem.

AS RUAS NUMERADASHá outras influências estadunidenses no país. A capital se chama Bogotá D.C., imitando Washington D.C.. Mais abaixo desenvolvemos mais esse tema. Por hora falaremos de outra questão: as ruas numeradas.cartagena colômbia muralha Colonial forte fortaleza murado prédio igreja

É um sistema similar ao de Nova Iorque. Na maior cidade estadunidense, como é notório, há as ruas e avenidas, ambas identificadas por números.

As ruas cortam a cidade no sentido leste-oeste, e a numeração começa logo acima do Centro, que é no extremo sul da ilha de Manhattan.

As avenidas cortam a cidade no sentido sul-norte, e a numeração começa no leste.

Voltemos a Colômbia. Falei um pouco sobre o sistema numerado das ruas de Nova Iorque porque foi copiado pelas cidades colombianas:

cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado construção antiga sacada varanda céu azul limpo torre igrejaAs ruas cortam a cidade de leste a oeste. Como se sabe, se chamam “calles” em espanhol. Bem no Centro de Bogotá há a rua (calle) 1.

A sua primeira paralela ao norte se chama rua 2. Ao sul eles acrescentam o ‘s’ pra diferenciar, a primeira paralela ao sul é a rua 1-S.

O que em Nova Iorque seriam as avenidas na Colômbia são as “Carreras”, que cortam a cidade de sul a norte. A numeração começa no Centro.

cartagena colômbia Colonial estátua torre igreja sobrado casa antiga

Ainda estamos vendo Cartagena.

Como em Bogotá o Centro é no pé da montanha, só há cidade a oeste dele, e não a leste (por essa impossibilidade física, Bogotá não tem Zona Leste).

Então só é carrera 1, carrera 2, não há carrera 1-L, porque não é preciso. E as as ruas transversais são chamadas assim mesmo, ‘transversais’.

Algumas vias mais importantes têm nome, mas não deixam de ter número. A (já citada em outra mensagem) Avenida Chile, onde fica a bolsa de valores, é a calle 72.

A Avenida Caracas, por onde passa o principal eixo do Transmilênio, é a Carrera 14. Note que na Colômbia as vias numeradas se chamam ‘calles’ (sul-norte), ‘carreras’ (leste-oeste) ou ‘transversais’ (diagonais).

cartagena colômbia Colonial prédio construção antiga galeria comercial comércio canteiro planta lojasO nome avenida‘ não guarda relação com a posição e portanto com esse nomenclatura oficial.

Resultando que uma ‘avenida’ pode ser tanto uma calle quanto uma carrera, dependendo se são no sentido oeste-leste ou sul-norte.

O sistema é quadriculado, simples e fácil de aprender. Pois em condições normais nunca uma calle cruza com outra calle, nem carrera com carrera.cartagena colômbia Colonial ponte táxi taxi amarelo árvore palmeira trânsito avenida

O ideal e mais comum é que toda esquina seja de uma carrera com uma calle, ou de uma delas ou ambas com uma transversal.

Claro, as vezes uma via faz uma curva, aí complica. Então as vezes a carrera 30 cruza a carrera 29, o que não deveria acontecer, mas acontece. São exceções, porém.

cartagena colômbia Colonial estátua ponte trânsito avenidaE quando surge uma nova rua entre duas já existentes? Aí vira a rua 56-A, por exemplo. Se surge mais uma paralela entre a 56 e a 57, vira 56-B, e assim por diante.

Se for ao sul do Centro, entre a 56-S e a 57-S, vira a 56-S-A.

Na parte plana da cidade, há alguns casos que fogem a norma, como citei acima, mas tudo funciona bem. cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado plantas construção antiga bandeira

O caldo engrossa mesmo nas favelas, na numeração das ruas como em diversos outros aspectos.

O sistema foi bolado em Nova Iorque afinal, que tem guetos bem feios, mas não tem favelas com ruas irregulares e muito menos morros.

Já a Colômbia tem favelas. São muitas, e são na encosta da montanha, tanto em Medelím e Bogotá como também em Cali (onde não fui), entre outras cidades.

Se na cidade plana as vezes existe a rua 15-A e mais raramente 15-B, nas favelas é comum a 15-H, 15-J, as vezes são becos de uma quadra, mas a numeração é seguida.

O problema é que no morro, além de surgirem muitas ruas sem controle como cogumelos após a chuva, elas são muito sinuosas, fazem curvas.

vila maria

Próximas 4: Vila Maria, perto da divisa entre as Zonas Norte e Oeste de Bogotá (via ‘Google’ Mapas).

Até porque precisam se adaptar a topografia irregular do lugar. Só que a numeração quadriculada, que é regular, tenta então se adaptar a esse caos.

Não dá certo, claro, daí com frequência calle cruza calle, carrera cruza carrera, a carrera 70 (que deveria estar entre as carreras 69 e 71) está entre a 72-E e a calle 18-J, a confusão é geral.

Bem, favela é favela, na Colômbia ou em toda parte.

AS PERIFERIAS PLANASAlém dos morros, também há na Colômbia periferias planas.vila maria1 

Fora não haver risco de desabamento – o que já uma tremenda vantagem, claro – não se diferenciam tanto assim das favelas nas encostas.

O governo fez por todo país enormes conjuntos residenciais, de casas geminadas, pra população de baixa renda.

Muitos nem sequer tem garagem ou mesmo ruas, tampouco há quintal ou muro, as portas saem na via pública.

vila maria2Em algumas dessas vilas se chega a porta das casas por passagens onde só se entra a pé ou no máximo de moto.

Em outras cohabs há sim ruas. Mas são muito estreitas.

E cada morador modificou a vontade sua residência, pondo por conta própria novas lajes e erguendo tanto mais andares quanto o tamanho da família exigiu e orçamento permitiu. As imagens são auto-explicativas: Estamos na América, afinal.

Tudo somado, os conjuntos ganharam aspecto de favelas, e erradicar as favelas era exatamente o que eles pretendiam, tendo porém o efeito oposto na prática.  vila maria3   

Se você passa de carro na frente pensa que é uma invasão, pois é o que aparentam ser.

Porque as ruas são mais estreitas e as casas geminadas, muito mais próximas.

cartagena colômbia Colonial sobrado igreja

Próxima 7: voltamos a Cartagena.

Me embrenhei nas vielas de vários desses conjuntos favelizados pra ver como é por dentro essa ‘zonaproibida’.

Um deles é a Vila Maria, na Zona Norte de Bogotá, que nomeou a mensagem.

………….

Emendamos outro emeio, que se chamou “Da Deusa-Lua a Primavera Eterna”.

Foi publicado 10 dias depois, em 30 de abril de 2011.

Já demos uma pincelada antes, agora falemos melhor do sotaque.

Pra quem não é versado em linguística, o idioma castelão (espanhol) se divide basicamente em 3 vertentes conforme a pronúncia:cartagena colômbia Colonial estátua ponte

– O espanhol ‘europeu’, usado onde ele surgiu, a Espanha obviamente;

– O espanhol ‘pratense’, na Argentina, Uruguai e Paraguai;

– E o espanhol ‘andino’, falado no Chile, Colômbia, Peru, Equador, Venezuela, América Central e México.

cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado grades flores construção antigaAs letras “j” e “g”, na Colômbia e em toda parte, são pronunciadas como nosso “r”.

Cartagena se lê Cartarrena. ‘Joven’ se diz ven, ‘mujer’ se pronuncia murrér, e assim vai. É universal, nas 3 vertentes é o mesmo.

O que o espanhol andino (o corrente na Colômbia) tem de distinto dos outros dois é que os dois ‘eles’ se pronunciam como jota. E o ‘ypsilion’ seguido de vogal também.

Exemplificando fica mais fácil entender. Peguemos as palavras Barranquilla e Medellín (cidades do litoral e dos Andes colombianos) e ‘ayer’, ‘ontem’ em português:

– No castelão europeu se fala o ‘ll’ como nosso ‘lh’, e o ‘y’ como nosso ‘i’. Assim, um cidadão espanhol leria “Barranquilha”, Medelhin” e ”aier”;cartagena colômbia muralha Colonial murado igreja

– Na região da bacia do Rio da Prata (Uruguai, Argentina e mais o Paraguai), ambos têm som do nosso “ch”. Assim eles diriam “Barranquicha”, “Medechin” e “acher”;

Na Colômbia, entretanto, se diz “Barranquija”, “Medejin” e “ajer”.

Há uma avenida em Bogotá chamada Boyacá. Homenageia uma batalha decisiva da guerra de independência, que foi longa e cruel.

Ao contrário do Brasil, em que Dom Pedro I decretou a separação quase em consenso com Portugal. Lá não, o negócio foi tenso. Como é sabido, o venezuelano Simão Bolívar é um dos grandes ‘Libertadores da América’:

cartagena colômbia prédio grades luminária antiga colonial bandeiraHerói da independência da Colômbia, Venezuela, Bolívia, Peru, Equador e Panamá (este último pertencia a Colômbia, até virem os ianques e separarem pra poderem dominar o Canal).

Então, em Boyacá suas tropas impuseram uma derrota definitiva aos soldados da coroa espanhola. Batalha essa que foi homenageada pela avenida.

E como eu dizia acima, se fosse em Madri essa avenida seria pronunciada Boiacá. Se fosse em Montevidéu, Bochacá.

Mas como ela fica em Bogotá, a gravação do Transmilênio, numa marcante voz feminina anuncia: “próxima parada, Abenida Bojacá”.

Se alguém não sabe, o espanhol não tem o som de ‘v‘. E isso não só na Colômbia, em toda parte. Tanto cartagena colômbia sacada centro histórico colonial sobrado grades flores construção antiga casase escreva com ‘v’ ou com ‘b’, se pronuncia ‘b’.

Na Zona Sul de Santiago do Chile há um bairro que homenageia as capitais brasileiras. Há as ruas Maceió, Bello Horizonte, e também a rua Curitiva, com ‘v’.

Na verdade oficialmente é com ‘b’, mas o povão muitas vezes troca pelo ‘v’, pois dá no mesmo.

Avenida se escreve com ‘v’ em espanhol, mas se fala ‘abenida’. O libertador americano também se pronuncia Simón Bolibar.

Os espanhol não têm vários sons que temos em português: ‘z’, se fala sempre como se fosse dois “s”, por isso os micro-ônibus se escrevem ‘busetas’ mas se pronuncia ‘bucetas’, trocadilho que já foi explicado em outra mensagem;

cartagena colômbia prédio banco arcos antiga colonial bandeira‘V’ se fala como ‘b’, por isso avenida se diz ‘a benda’ quando algo está com placa de venda; ‘j’ e ‘g’ se pronuncia como dois “r”, assim júnior é “rúnior”. Tudo isso em todos os países que falam espanhol.

E no espanhol andino “ll” e “y” antes de vogal se pronuncia como nosso “j”. Tudo somado, Abenida Bojacá, como a gravação informa.

Da linguística a geografia, acrescento que tanto Bogotá quanto Medelím têm bairros chamados “Brasília”, em homenagem a nossa capital federal.

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Mapa da Grande Bogotá. Veja em vermelho que a capital e Soacha uniram suas áreas urbanas, ou seja a cidade é a mesma embora mude o estado. Em azul subúrbios menores da Grande Bogotá.

………..

Falemos mais de Bogotá, cujo nome oficial é Bogotá D.C., por influência estadunidense, óbvio. Isso é o que debateremos agora.

DE SANTAFÉ A D.C.Até 20 anos atrás (quando fiz o texto, agora em 2016 já são 25) a cidade se chamava Santafé de Bogotá.

Não houve erro de digitação, ‘Santafé’ era uma palavra só. Seguindo o padrão de colonização ibérica.

Quando uma cidade era fundada, colocavam primeiro um nome católico (geralmente o santo do dia) seguido de um nome indígena, ou pelo menos um nome não católico.

mapa-bogota

Eis aqui o original, com o nome das meso-regiões do Estado de Cundinamarca. Ressalto: das meso-regiões, e não dos municípios. A fonte é a página da Cundinamarca na ‘Wikipédia’.

A cidade de São Paulo, por exemplo, foi fundada em 25 de janeiro de 1554, sendo nomeada São Paulo de Piratininga, unindo o nome pelo qual os indígenas conheciam o local com o patrono católico daquela data.

O Rio de Janeiro se chamava São Sebastião do Rio de Janeiro (pois os portugueses chegaram em janeiro, e pensaram que a Baía da Guanabara era um rio, como é domínio público);

Salvador era São Salvador da Bahia, Curitiba era a Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.

E Bariloche, a famosa estância turística argentina, se chamava São Carlos de Bariloche. Entre muitíssimos outros exemplos. Santafé de Bogotá segue esse padrão.

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Aqui e a esquerda: na cidade de mesmo nome, Chía, a Deusa que se materializou como Mulher e depois como a Lua. Em suas duas representações, de pedra como uma humana protegendo sua cria (que são todos os Homens e Mulheres da Humanidade) e no Espaço Sideral, numa escala Maior ainda fazendo o o mesmo gesto, abraçando a Terra, a Humanidade.

Na época colonial, a cidade foi mais conhecida como Santafé. Pois Bogotá, nome indígena da região, era como era chamada uma das cidades da região metropolitana, atualmente nomeada Funza.

Na Colômbia, os estados são denominados ‘departamentos’, assim como na Argentina e na França são ‘províncias’.

Até 1991, Santafé de Bogotá pertencia do estado (departamento) de Cundinamarca, do qual era capital, concomitante com a função de ser capital federal.

A cidade de Bogotá era um “distrito especial” de Cundinamarca, e não um município comum como todos os outros, por abrigar a sede da União.

Mas, repetindo, ainda que com esse ‘status’ diferenciado, pertencia a Cundinamrca, era inclusive sua capital.

Na Constituição Colombiana de 1991, o “distrito especial” foi elevado a “Distrito Capital”, e este ganhou autonomia em relação a Cundinamarca. Entretanto permanece sendo sua capital.

chia2Se você achou o negócio confuso (Bogotá ainda é capital da Cundinamarca mesmo sendo autônoma a ela), eu também achei, mas é assim que funciona. Cito para vocês o que está escrito na página da ‘Wikipédia’ em espanhol:

La relación entre Bogotá y Cundinamarca es compleja pues aunque el primero es capital del segundo, sólo comparten los Tribunales de justicia de Bogotá y Cundinamarca.

cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado grades flores construção antiga

Próximas 15: voltamos a ver o Centro Histórico de Cartagena.

Por el contrario, ni el gobernador ni la asamblea departamental tienen jurisdicción sobre Bogotá ni son elegidos por los bogotanos. ”

Ou seja: o poder judiciário é unificado, comum a Bogotá e a Cundinamarca.

Mas os poderes executivo e legislativo de Cundinamarca se situam em Bogotá, entretanto não são eleitos nem tem jurisdição sobre os habitantes de Bogotá (????).

É como se Brasília além de capital federal fosse capital do estado de Goiás, mesmo sem pertencer a ele.

………..

Tumulto administrativo a parte, vamos prosseguir. Resolveram criar o Distrito Federal. No Brasil e no México, ele tem esse nome.

cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado igreja construção antiga calçadão poça pombas aves pássaros reflexo águaNa Colômbia, entretanto, ele se chama Distrito Capital, abreviado D.C., parafraseando a capital estadunidense, Washington D.C.

O fato é que há vinte anos o antigo município de Santafé de Bogotá virou o distrito federal, renomeado Bogotá D.C., e ganhou autonomia em relação ao estado de Cundinamarca.

Mas sua região metropolitana não.

As cidades-dormitório nos subúrbios da metrópole não entraram pro Distrito Capital, continuam na Cundinamarca.cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado construção antiga luminária grade flor árvore primavera rosa

O que resulta que centenas de milhares de trabalhadores moram em uma unidade da federação e trabalham em outra.

Bogotá é uma metrópole bi-estadual, como tantas outras ao redor do globo.

O núcleo, o município de Bogotá, é o Distrito Capital. Os subúrbios metropolitanos pertencem a outra unidade da federação.

cartagena colômbia Colonial construção antiga arcosA cidade é a mesma, em termos urbanísticos, econômicos e culturais. Mas politicamente são esferas de governo separadas.

Todos os subúrbios estão a oeste do Distrito Capital. Pois a leste é montanha. Bogotá não tem Zona Leste nem sequer municipal, muito menos metropolitana.

Então as cidades satélites formam um arco, do sudoeste ao noroeste do núcleo. A maior delas é Soacha. Essa é a única que já uniu sua área urbana ao do núcleo (vide mapa).

Ou seja, você muda de município (e até de estado) mas não sai da área urbana da cidade que é a Grande Bogotá. Se não ler as placas não percebe a divisa. cartagena colômbia Colonial torre igreja construção antiga

Soacha é parte integrante da Zona Sul bogotana, que é a mais pobre e violenta. Eu fui até lá, é claro.

Um ramal do Transmilênio (linhas de ônibus articulados que vão por corredores exclusivos) está sendo construído, que vai enfim integrar esse município pobre a rede de transporte da capital.

Atualização: embora com muito atraso, enfim o Transmilênio chegou a Soacha. Abordamos melhor esse assunto, com muitas fotos, em outra mensagem.

Só isso já está levando muito progresso a Soacha, diversos prédios de classe média estão sendo erguidos ao lado da estrada por onde vão passar os articulados vermelhos.

cartagena colômbia estátua escultura arte metal ferro costureira colonial pombas aves pássaros

Dentro do (murado) Centro Histórico de Cartagena, duas esculturas homenageando os trabalhadores: aqui, a Costureira

É uma situação universal, onde se implantam grandes eixos de transporte coletivo a terra valoriza demais.

Veja os espigões que estão pipocando ao lado do bonde moderno da Baixada (em Santos mesmo e no vizinho São Vicente).

De volta a Bogotá, outra vantagem é que os alimentadores são gratuitos.

Assim o pessoal da periferia de Soacha que quiser ir apenas até o Centro da cidade (sem continuar até Bogotá, é o que quero dizer) poderá ir e voltar sem pagar nada, o que fortalecerá o comércio dessa região tão carente.

……….

cartagena colômbia estátua escultura arte metal ferro ambulante camelô vendedor bicicleta costureira colonial pombas aves pássaros

…e agora o Vendedor Ambulante.

As outras cidades da Grande Bogotá são menores, e não são conurbadas com a capital.

Ou seja, nesse caso você vê nitidamente que está mudando de cidade, tem que pegar estrada e passa por áreas verdes até chegar ao outro núcleo urbano.

É uma viagem perigosa. Como passa por rodovias, em áreas ainda rurais, o micro-ônibus (as ‘bucetas’, e isso quer dizer exatamente ‘micro-ônibus’) pega tranquilamente 80 ou 90 km/h.

Porém as vezes ele simplesmente não fecha a porta. Enfia o pé, e a porta aberta.

cartagena colômbia táxi taxi amarelo prédio ambulante camelô vendedor comidas alimento

Seguimos nas próximas 8 vendo o Centro de Cartagena. Aqui a parte mais moderna, fora da muralha. Na Colômbia todos os táxis são amarelos, em todas as cidades – no Paraguai também!!!

Se alguém cair nessa velocidade é fatal. Segurança não é prioridade na Colômbia. Por vezes, você precisa embarcar e desembarcar do ônibus com ele em movimento.

O mesmo já havia presenciado na Cidade do Leste, Paraguai.

Deixa eu voltar a falar da Grande Bogotá. Eu estive, além de Soacha, nas cidades de Zipaquirá e Chía, e sem descer do ônibus também conheci Cota, Facatativá, Mosquera e Madri.

Zipaquirá (popularmente ‘Zipa’, e fala-se ‘Sipa’, pois espanhol não tem som de ‘z’) está a 50 km da capital, a norte dela.

A Zona Norte é a mais rica de Bogotá, então na estrada que liga essas duas cidades estão surgindo inúmeros condomínios fechados de alta renda.

Chegando em Zipa, ela tem um Centro colonial, de ruas estreitas, uma parte plana mais moderna, com prédios de classe média, e do outro lado do Centro uma enorme favela subindo a encosta do morro. cartagena colômbia prédio grades luminária antiga

Nessa cidade há uma mina abandonada, que virou museu. Dentro dela, embaixo da terra, há uma catedral feita inteira de sal.

Não estive na mina, dei uma volta pela cidade e regressei a Bogotá. Meus familiares entraram.

CHÍA, A DEUSA LUAChía e Cota são menores, mais calmas e mais próximas da capital. São regiões bem de classe média.

Por isso quero dizer que são subúrbios proletários: sem alta burguesia, mas também sem muitas favelas.

Existem também ainda muitas chácaras (lembram muito a Vila Alemã, subúrbio de Valparaíso, que visitei em 2015).

cartagena colômbia prédio colonial antigo sacada varanda céu azulEm Cota não desci do ônibus, então falarei um pouco de Chía.

Embora pertencente a Grande Bogotá, por ser um pouco afastada da área urbana da capital Chía lembra uma cidade do interior da Colômbia.

Pacata, cheia de conjuntinhos habitacionais, sem extremos, ou seja, não possui milionários nem miseráveis, um centrinho com comércio popular.

Um ótimo lugar para morar, se você tiver emprego ali mesmo.

Porque se deslocar para Bogotá todos os dias é difícil, pela distância e trânsito pesado. Enfim, vida de subúrbio afastado, tão comum em nossa pátria também.cartagena colômbia Colonial prédio construção antiga sobrado

Chía significa a Deusa-Lua na cultura indígena americana. É a parte feminina de Deus, tão negligenciada pela teologia tradicional.

Chía é uma enviada do Todo Poderoso, projeção Dele-Dela, que desceu a Terra materializada como uma linda Mulher.

Pra ensinar nossa humanidade tão ignorante a elevar um pouco seu pensamento.

Uma Profeta Feminina, como Jesus, Buda, Zoroastro, Maomé, Moisés e tantos outros encarnaram em corpo de Homem para Iluminar a massa. Só que Chia encarnou em corpo de Mulher.

Cumprida sua missão entre nós, ela ascendeu aos Céus novamente, e se materializou na forma da Lua, e assim é cultuada pela simbologia americana.

A Lua representa a metade Feminina de Deus, assim como o Sol representa a metade Masculina. Na simbologia, ambos tem igual valor, as metades se completam pra que o Universo possa existir.

cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado igreja construção antigaPra finalizar, voltando a falar das cidades suburbanas de Bogotá, já rumando pra Medelím, passei nas cidades de Mosquera, Madri e Facatativá (carinhosamente Faca).

É uma parte pobre. Mesmo os bairros planos a margem da rodovia são humildes, muitos são invasões. E assim como em Zipa, em Faca há uma enorme favela subindo a montanha.

Bem, favelas em morro e em todos os lugares é que não falta na Colômbia.

Em Bogotá, fiquei no bairro Chapinero, numa região de classe média pra média-alta, na Zona Norte, que é a parte mais rica da cidade. Mesmo assim a duas quadras de onde estava há uma favela.

Já lhes contei minhas voltas por lá. Agora é só pra relatar um detalhe curioso. Parte da favela do Chapinero ocupava os vãos e gramados abaixo e ao lado de um complexo de viadutos que há no local.

cartagena colômbia baianas mulheres negras vendedoras frutas comida melancia ambulante barraquinha banquinha rua vestidos coloridos lenços

Não é só Salvador que tem ‘baianas‘. Óbvio que em Cartagena elas não são baianas no sentido gentílico, pois são caribenhas. Mas  falando em termos de cultura, veja como a manifestação é semelhante.

Então. Um cara invadiu a ilha do viaduto. Área pública, obviamente. Mas mesmo assim ele colocou uma placa no “seu” terreno: “não entre, propriedade particular”. É mole?

…………..

OS DEPARTAMENTOSAgora falemos um pouco dos estados (departamentos) da Colômbia. Me aterei aqueles pelos quais passei.

Bogotá é o Distrito Capital, está dentro do estado de Cundinamarca, sendo sua capital mesmo sendo autônoma a ele (?). Já disse que não entendi também, mas é assim.

A Grande Bogotá está em Cundinamarca, aí de fato e direito. Bogotá está a 250 km apenas de Medelím, em linha reta, mas a viagem de ônibus leva 10 horas.

Medelím e Bogotá estão no alto dos Andes, mas ir por via terrestre é preciso descer e depois tornar a subir a montanha. Porque se cruza o vale do Rio Madalena.

cartagena colômbia casa centro histórico colonial sobrado grades flores construção antigaEsse é o “rio de integração nacional”. A Colômbia só existe como país unificado por causa dele:

Pois na época da colonização se formaram dois núcleos distintos:

Um no alto dos Andes (cujas cidades principais formam o triângulo Bogotá-Medelím-Cali), que vivia da mineração;

E outro no litoral – as maiores cidades são Cartagena (a ‘pequena Cartago’), e Barranquilla – , que se sustentava mais com agricultura e comércio marítimo, inclusive comércio de escravos.

Se não houvesse o Rio Madalena a ligá-las, na época da descolonização (princípios do século 19) essas duas partes teriam se separado em pequenos países independentes, como ocorreu na América Central.cartagena colômbia centro histórico colonial pássaros pombas poça água reflexo prédio construção antiga

……..

Então. Feito esse registro histórico do rio, conto meu trajeto aquele dia que fui de ônibus entre a capital e a maior cidade do interior da Colômbia.

Saímos da rodoviária de Bogotá. Cruzando o Rio Bogotá que a nomeia, deixamos o Distrito Capital pra entrarmos em Cundinamarca.

Aí começa descer. É tão íngreme que o ônibus vai a uma média de 30 km/h. Lembra a Estrada da Graciosa, aqui no Paraná, ou a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.

bogotá colômbia luzes montanha serra panorâmica noite noturna céu mata árvore monserrate monte serra igreja iluminada

A partir daqui todas as imagens baixadas da rede: essa é uma noturna de Bogotá.

Com a diferença fundamental que aqui no Brasil estas são vias turísticas, e lá é simplesmente a principal rodovia do país, que conecta suas duas maiores cidades.

Já imaginou a Via Dutra com velocidade média de 30 km/h, com a viagem entre São Paulo e Rio levando 10 horas? É a realidade deles.

Bogotá e Medelím distam 250 km em linha reta. De avião dá 45 minutos de voo. Mas por tanta curva, a estrada tem 400 km.

medelím medellín colômbia panorâmica morros encosta metrô transporte elevado trem prédios classe média alta

Medelím.

Que levam um dia inteiro, de manhãzinha até quase o anoitecer, para serem vencidos.

Como observamos, boa parte dos veículos de carga eram caminhões-tanque, ou seja, que carregam combustível. Isso porque em boa parte do interior não há refinarias de petróleo, o que torna tudo difícil.

Precisam ir buscar gasolina na capital, só que viajando nesse passo de tartaruga.

meu-cabo serra montanha periferia cali colômbia panorâmica morros encosta ladeira favela pobreza quebrada subúrbio teleférico bondinho transporte duplex sem acabamento pintura tijolo alimentador ônibus

Cali.

Ademais os trechos sinuosos no meio da selva, onde os caminhões precisam quase parar pra fazer as curvas, são ideais pra tocaias das guerrilhas que se escondem na mata.

O risco é pra todos os caminhões e não apenas pros que carregam gasolina. Por isso o exército está presente em vários pontos da estrada.

Antigamente era bem pior, haviam bem mais ataques, e carros caros também eram alvo, seus donos sequestrados. Aa virada do milênio ninguém da elite e classe média viajava por via terrestre, só de avião.

Hoje a coisa amainou muito, e durante a luz do dia é seguro viajar por terra na Colômbia.

Mama Quilla-Luna

Dessa até o fim: Chía, a Deusa-Lua.

CRUZANDO 3 VEZES O MADALENAE aí fomos descendo, serpenteando os Andes. Cruzamos pela primeira vez o Rio Madalena, entrando no estado de Tolima.

Esse estado nomeia o time de mesmo nome, que ficou conhecido no Brasil por em 2011 ter eliminado o Corinthians na pré-Libertadores.

Quando eu estive na Colômbia, isso tinha recém-acontecido.

………….

Voltando a viagem, cruzamos o rio e entramos na cidade de Honda, Tolima.

Toda a região é muito quente. aquario

Bogotá e Medelím têm ambas uma temperatura agradável o ano todo, por serem muito altas.

Bogotá, mais de 2.600 metros acima do nível do mar, é a terceira capital mais alta do mundo:

Só perde pras capitais da Bolívia (La Paz) e Equador (Quito).

diosa-chiaMas o vale do Rio Madalena é baixo, e por ser emparedado entre os Andes esquenta ainda mais.

Tanto que os restaurantes de beira de estrada simplesmente não têm paredes.

É isso mesmo, só tem o teto e colunas sutentando-o, é tudo aberto.

Paramos pra comer já depois das 4 da tarde. Fazia perto de 35º, tudo mundo suava em bicas.

Prossigamos. Dentro do estado de Tolima, seguimos paralelo ao rio.

Ao cruzarmos um outro curso fluvial, menor, entramos no estado de Caldas. DIOSA CHIA

Já esse estado sedia o Once Caldas, que em 2004 venceu a Libertadores, eliminando o São Paulo na semi e o Boca Juniors na final. 

As outras duas Libertadores da Colômbia são do Nacional de Medelím, de 1989 e de 2016, ano que essa matéria subiu pro ar.

Voltando ao texto original de 2011, o Once Caldas era o então campeão nacional (desde 2002 a Colômbia têm dois campeões por ano), e em 2011 disputava de novo a Libertadores.

……………

Falar em cursos fluviais, vi algo muito triste na Colômbia, que me preocupou muito:

luaVários riachos estão secando. Passamos por várias pontes que cruzavam leitos secos, cadáveres de rios.

Em plena Amazônia, e olhe que agora é a estação das chuvas por lá.

Tanto que estão ocorrendo desabamentos nas favelas nas encostas de morros das grandes cidades.

Agora voltemos narrar a viagem. Estamos no estado de Caldas.

Após a cidade de La Dorada, cruzamos novamente o Rio Madalena.Chia6

E retornamos pro estado de Cundinamarca, muitas horas de temos deixado-o. 

Ao transpor um outro rio menor, entramos no estado de Boyacá, onde Bolívar derrotou as tropas espanholas.

Seguindo sempre ao norte, viramos a esquerda e passamos pela terceira vez sobre o Madalena.

Ali é proibido tirar fotos ou filmar as pontes e o rio, pois é zona militar de combates ativos entre exército e manifestaras guerrilhas da Farc.

Dos dois lados haviam soldados com metralhadoras.

Então ao cruzar pela 3ª e derradeira vez o Madalena, entramos no estado de Antioquia, cuja capital é Medelím.

O nome é em homenagem a cidade de Antioquia que fica na atual Turquia, fundada em 300 a.C., citada na Bíblia.

Aí foi só subir a serra de novo que lá pelas 9 da noite chegamos a Medelím, a cidade da eterna primavera, como é conhecida.Deusa

Há outros apelidos, não tão sublimes. Mas essa parte relato em outro texto. 

……………

A Série sobre a Colômbia acaba de ser toda levantada para rede. Trabalho encerrado com sucesso.

Graças a Deus Pai e Mãe que permitiu, está feito.

Que Deus ilumine a todos.

Deus proverá”

“Passando no Arco-Íris”: Dom Augusto virou Augusta, Zona Oeste

escola

Colônia Augusta, denominação atual, com ‘a’, nome feminino, de Mulher, evidentemente.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 15 de julho de 2016

Vamos falar um pouco do bairro da Augusta, na Zona Oeste de Curitiba.

E também de um trecho da vizinha Cidade Industrial, são umbilicalmente ligadas, não dá pra separar.

Como já dito antes, foi o governador do Paraná Lamenha Lins (na época o cargo se chamava ‘presidente da província’) quem ‘criou’ a Zona Oeste da cidade.

Grande região metropolitana antigo velho anos década sjp frg 1950 timoneira colôna argelina augusto augusta z/o z/n mapa ctba 1953

Nem sempre foi assim. Amplie pra ler que o nome original era Colônia Augusto, com ‘o’, homenageando um Homem, o neto varão do Imperador Dom Pedro.

Delineando diversas colônias agrícolas no que então era mata virgem, pra acolher os imigrantes europeus, especialmente italianos e poloneses.

Uma delas era a Colônia Augusto. O nome do bairro era masculino pois era em honra do neto varão do Imperador Dom Pedro.

Sabe-se lá porque, depois de morto ‘passaram Dom Augusto no arco-íris’, e o bairro virou Augusta, nome de Mulher.

‘De futuro Imperador a Imperatriz’. Dom Augusto deve estar se revirando no túmulo, agitado com essa ‘homenagem’ recebida. Coisas da vida…

Veja o mapa ao lado. Nessa outra postagem eu falo mais de como era a Grande Curitibana década de 50. Além do fato que Dom Augusto ainda não usava saias:

Fazenda Rio Grande pertencia a São José dos Pinhais, um francês que havia morado na África tinha uma vaca chamada ‘Cherry’, e o Hospital Evangélico apenas iniciava sua construção, entre outras curiosidades.

passauna………

Voltemos ao tema de hoje. Seja como for, o bairro se consolidou como Augusta, no feminino.

Seu ponto mais famoso é o Parque do Passaúna (visto ao lado e acima da manchete), com o mirante que dá vista belíssima a represa de mesmo nome, de 1991.

zona rural

Agricultura inclusive com estufa na Augusta. O Extremo da Zona Oeste de Curitiba ainda é rural. Na Zona Sul idem.

A Augusta é um bairro extenso e pouco povoado (6 mil habitantes somente, no Censo de 10).

Por isso ainda possui bastante área rural.

Em verdade a maior parte do bairro é ocupado por chácaras, plantações e mata nativa, mais que por vilas e conjuntos urbanos.

No ano de 2003, entretanto, grande invasão na divisa com a Cidade Industrial alterou um pouco o jeito até então pacato da Augusta.

Entre 2012 e 15, foi a vez do vizinho São Miguel – que tem o mesmo perfil – passar por uma onda de surgimento de novas favelas.

augusta-cic-colina verde

‘Colina Verde’, ‘Vera Cruz 2’, ou ainda (pra Tribuna) ‘Invasão do Caiuá’: ocupação de 2003 na divisa entre Augusta e CIC. Essa foto mostra a parte que é na CIC.

Voltando a Augusta, na última década surgiram lá um loteamento particular e várias cohabs (tanto de prédios quanto horizontais).

Aliados a invasão, isso deu um toque um pouco mais urbano a Augusta.

……….

Como dito acima, o Rio Passaúna foi represado na virada dos anos 80 para 90. Surgiu a Represa do Passaúna.

Que hoje fornece água potável para Zona Oeste e parte da Zona Sul (até o Sítio Cercado).

cohab-augusta-z-oeste1

Cohab na Augusta, ao lado da Colina Verde.

O resto da Zona Sul e as Zonas Leste, Central e Norte são atendidas pela Represa do Iraí, que fica na parte leste da região metropolitana.

Recentemente se inauguraram novas represas na divisa entre São José dos Pinhais e Piraquara, numa região próxima, aumentando a capacidade do Sistema do Iraí.

Deixemos o leste para lá e vamos do volta pro Oeste, galera:

O Parque do Passaúna, que margeia a represa, é de 1991. Assim hoje os bairros Augusta e S. Miguel têm diversas ruas que são sem saída pois terminam no lago.

augusta -nvasao e cohab

A ocupação irregular – nesse tomada o lado que fica na Augusta – e ao fundo os pombais típicos dos conjuntos da Cohab.

No passado cruzavam o Rio Passaúna – que então não era represado logo não tinha lago – e saíam nos vizinhos municípios de Araucária e Campo Largo.

Hoje não tenho mais, mas cheguei a possuir um mapa dos anos 80 que mostrava isso.

Seja como for, veio a represa, que só tem uma ponte, a da Rua Eduardo Sprada.

Essa rua continua em Campo Largo como Avenida Mato Grosso, a principal do bairro Ferraria.

rua da divisa augusta-cic

A Rua Lodovico Kaminski divide a Augusta da Cidade Industrial (CIC) em alguns trechos.

Tem esse nome porque antes da construção da BR-277 (‘Rodovia do Café’) a Eduardo Sprada era a saída pro Oeste do Paraná.

E consequentemente depois dele o estado do Mato Grosso – vale lembrar que o Mato Grosso do Sul ainda não existia pois é de 1979.

Deixando o passado para lá e nos focando de novo no presente, a Eduardo Sprada/Av. Mato Grosso é a única que atualmente suplanta o Rio Passaúna.

As demais, dizendo novamente, agora findam na represa.

por-do-sol1

O Sol se Põe no Oeste: fim de mais um dia, visto na Represa (e Parque) do Passaúna.

………

Notam que a Augusta ainda tem boa parte de sua área ocupada por pequenos sítios que se dedicam a agricultura.

A prefeitura diz que oficialmente Curitiba não tem área rural. É mentira, e as imagens mostram.

No vizinho São Miguel cliquei o mesmo. Os Extremos Oeste e Sul do município ainda têm porções rurais, embora outras sejam totalmente urbanas.

placa

Curitiba não gosta do nome ‘estrada’ pra vias urbanas. Aí fica esse pleonasmo tão curitiboca, ‘Rua Estrada’.

Até a virada do milênio a Augusta era ainda mais rural, e ainda menos habitada.

Havia então apenas uma única grande vila urbana, a São José, na divisa com Campo Largo ao lado da Edurado Sprada.

E logo em frente ao Frigorífico (da Frimesa) que nomeia uma linha de ônibus que serve a região mais um conjunto, mas esse bem menor, ocupa somente 4 quadras.

O ponto final do busão era exatamente então em frente a entrada do barracão dessa indústria de laticínios.

Nesse trecho, a Rua Lodovico Kaminski divide a Augusta (do lado esquerdo, para quem sai do Terminal do Caiuá) da CIC.

augusta - area desabitada

Augusta: extensa área desabitada dentro do município de Curitiba.

Logo após o frigorífico, em 2003, surgiu uma grande invasão que fica dos dois lados da Lodovico Kaminski, já mostrada nas fotos acima.

Portanto, embora forme uma única vila contígua, sua metade oriental está na Cid. Industrial, a ocidental na Augusta.

A Tribuna do Paraná chamava o local de ‘Invasão do Caiuá’.

que dá pra fazer campo de futebol, cerquinha de madeira: é o Sul do Brasil, caramba!!!

Foto na ‘Rua/Estrada’ Colônia Augusta. Nas partes antigas do bairro mesmo onde mora gente sobra espaço. Casa de madeira, quintal enorme que dá pra fazer um campo de futebol, cerquinha quase simbólica: é o Sul do Brasil, caramba!!!

Os moradores deram o nome de Colina Verde – não confundir com o conjunto de mesmo nome no Bairro Alto, Zona Leste, do outro lado da cidade.

Ou então de Vera Cruz 2. Já existia bem ali ao lado o conjunto Vera Cruz, na CIC, vizinho do Conjunto Cauiá que nomeia o terminal.

Assim acrescentaram o ‘2’ para mostrar que é uma expansão, fazendo com que as pessoas localizem fácil.

……….

Logo após o Colina Verde ou Vera Cruz 2 a prefeitura fez uma grande cohab de predinhos.

Seguindo há um loteamento feito pela iniciativa privada, o Moradias Passaúna. E depois há outra cohab, essa de casas, chamada Moradias Aquarela.

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Na parte nova é diferente, a coisa é bem mais densa, a metrópole chegou com tudo. Aqui a ocupação irregular na Lodovico Kaminski, a esquerda CIC, direita Augusta. Bem, se estamos no CIC nada mais natural que a ‘Cidade da Laje’ predomine.

Tudo isso aconteceu na última década e meia, já no século 21. O que fez com que a Augusta mais que dobrasse de população.

Pois se ela tinha 6 mil habitantes em 2010, hoje certamente tem mais de 7 mil.

Já que vários conjuntos que hoje estão plenamente habitados não estavam prontos 6 anos atrás.

E no Censo de 2000 a Augusta concentrava em seus limites somente 3,6 Homens e Mulheres.

Portanto dobrou em uma década e meia, graças a iniciativa da prefeitura em fazer grandes cohabs por lá.

Com tudo isso aumentou em muito a oferta de transporte público.

augusta

Moradias Passaúna, loteamento popular particular, portanto não é invasão, e não tem nenhum pedaço no CIC, inteiro na Augusta. Mas por ser uma parte mais nova, a densidade é bastante elevada.

A linha Frigorífico foi estendida em mais dois pontos, o primeiro no Moradias Passaúna e o segundo no Aquarela.

Atualização: em 8 de agosto de 2016 a linha muda de nome, de Fazendinha/Caiuá/Firgorífico passa a se chamar Fazendinha/Caiuá/Fórum. O horário e trajeto permanece igual.

Além disso a linha Vila Marisa agora também tem um ramal que atende o mesmo trajeto, ambas se sobrepõe pro tempo de espera no ponto ser menor.

……..

Bem em frente aos prédios, do outro lado da rua, outra iniciativa do poder público desenvolveu e urbanizou a região:

Trata-se do Fórum da Cidade Industrial, também inaugurado recentemente (foto logo abaixo), que, como acabo de dizer, inclusive renomeou a linha de ônibus.

divisa augusta-cicDepois da Aquarela a cidade acaba, a Lodovico Kaminski continua em meio a área verde. Ao fazer uma curva a esquerda se torna a Ângelo Marqueto.

Ali passa um outro ônibus, o Vila Marqueto. Esse é de hora em hora, só há um ‘carro’ na linha. O ponto final é na entrada do Parque Passaúna.buso p- campo largo

Essa linha serve também a Vila São José, a maior da Augusta, com perto de metade ou mais de sua população.

A direita o busão Dona Fina, metropolitano, vai pra vila de mesmo nome em Campo Largo, aquela que vemos na outra margem da represa nas tomadas panorâmicas.

Até 2015 os sistemas metropolitano e municipal da capital eram o mesmo. Assim essa linha se chamava São José/Dona Fina.

escada

Escada de acesso ao mirante no Passaúna: trilha em meio ao verde do parque.

Passava dentro da Vila São José antes de cruzar o limite municipal. Agora foi separada.

Os moradores da Vila São José, que fica no município de Curitiba, saíram perdendo com a divisão.

Pois o Dona Fina, metropolitano,  passa a cada 25 minutos, e no pico em média a cada 16. 

Já o Vila Marqueto, municipal, passa de hora em hora, incluso no horário de pico.

Confira você mesmo. Eis o sítio municipal com a tabela do V. Marqueto:

conjunto-augusta

Até a virada do milênio a Augusta só tinha 2 conjuntos urbanos: a Vila S. José que é bem maior (que estou falando ao lado mas não foi fotografada); e esse aqui mostrado, bem pequeno (4 quadras aproximadamente), em frente ao Frigorífico.

http://urbs.curitiba.pr.gov.br/horario-de-onibus/825

E aqui o sítio metropolitano com o horário do Dona Fina:

http://www.cartaometrocard.com.br/ConsultaHorario.asp

Mato a cobra e mostro o pau, irmão. Está aí mais uma vez provado: a maior vila do bairro da Augusta tem ônibus de hora em hora, mesmo no pico.

Enquanto a vila que é vizinha, só que fica na região metropolitana, tem de 25 em 25 minutos, e no pico menos de 20 minutos.

Curitiba, a ‘Cidade-Holograma’, criou um mito que o transporte coletivo aqui é “de primeiríssimo mundo”, quase um Reino de Deus materializado na Terra.

augusta-sem nome oficial

Aí surgiu a invasão (note a rua sem nome oficial, já registrei a exata mesma cena na Cachoeira, Zona Norte)…

Trata-se de uma mentira grotesca, que não guarda qualquer base na realidade.

Curitiba foi modelo de transporte coletivo nos já distantes anos 70 e 80.

Hoje é modelo de de como a arrogância leva a decadência.

Mas encobre isso com grossa lavagem cerebral.

cohab-augusta-z-oeste

as Cohabs (de prédios e outra de casas)…

Contra números não há argumentos. Vila São José, Augusta, Curitiba: tempo de espera no ponto, 1 hora. Sim, é isso. 1 hora. Mesmo as 6 da tarde.

Vila Dona Fina, Campo Largo, logo ao lado. Espera no ponto: 25 minutos, perto de 15 as 6 da tarde.

É só um exemplo. Posso te citar se quiser diversas vilas que têm ônibus somente de hora em hora.

E inclusive algumas que não têm ônibus, em tempo algum.

augusta2

e esse loteamento, dando uma cara mais urbana ao bairro da Augusta.

Simplesmente a vila não é servida por transporte coletivo. Incrível mas é a Verdade.

………….

Vamos ver mais algumas cenas da Augusta. Indo pro Parque Passaúna:

Nas 2 primeiras a rua que dá acesso, ainda pouco urbanizada como notam.

Na 3ª tomada o tótem e arco de madeira sob o qual é preciso passar. Clique sobre as fotos pra ampliá-las, o mesmo vale pra todas.

chacaras-augustaaugusta - area desabitada1portal e totem

Ao lado e na sequência horizontal:cidade da laje

A ocupação Colina Verde/ Vera Cruz 2.

A direita e a 1ª abaixo, na margem da Cidade Industrial. As duas que vem depois do outro lado da rua, portanto dentro do território da Augusta.

augusta-cicaugusta1-sem nome oficialaugusta-colina verde

O belíssimo Pôr-do-Sol na Represa, um dos maiores espetáculos dessa cidade.

Em Porto Alegre-RS o Sol se põe na água, mesmo a cidade não tendo litoral. Aqui em Ctba. isso é o mais perto que chegamos.

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Ao lado e na sequência horizontal: augusta3

Conjunto Passaúna.

Percebe-se algumas casas de padrão melhor, mesmo sendo último bairro da cidade em sua porção ocidental.

Na 1ª tomada mais algumas Flores do Poente.

augusta5augusta4augusta1

revoada passarosAo lado revoada de pássaros no Contorno Sul, na CIC, próximo a Augusta. Na sequência horizontal, de volta ao Parque Passaúna.

1) Gangue de pichadores redecorou a escada: “Caxa Baxa” é um termo do filme Cidade de Deus, e que eu já vi (via ‘Google’ Mapas) pichado até em Porto-Portugal;

2) Mata no Parque, vista do mirante que foi pichado; 3) Refinaria da Petrobrás que fica em Auracária, próxima a barragem da Represa do Passaúna – já fotografei essa mesma tocha bem mais de perto, do Tatuquara, apenas com o Rio Barigüi a me separar de Araucária.

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Cenas da Augusta: 1) Mais um bosque, só que já está a venda, logo será um condomínio horizontal, cena que já registrei também no Uberaba (Z/L), Cachoeira (Z/N) e Santo Inácio (Z/O); 2 e 3) Casas de madeira, a última foto é a mesma já vista mais pra cima em outra escala;

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Tomadas do bonito entardecer no Contorno Sul, Cid. Industrial, nas proximidades da Augusta:

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Conjunto Caiuá, Cidade Industrial, próximo do Contorno Sul e da Augusta.

A fábrica da Volvo fica no Contorno Sul (trecho urbano da BR-376), Cidade Industrial de Curitiba, esquina com a Eduardo Sprada (pertinho do bairro da Augusta).

No ‘Museu do Transporte’ que fica dentro do complexo há um Ligeirão ‘decolando’ e estourando a parede do barracão.

A 1ª foto é via ‘Google’ Mapas, de toda essa matéria a única que não é de minha autoria.

Pois as que tirei do local (as 2 seguintes) não ficaram boas, batidas de dentro do carro em movimento.

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