Terra Amada & Querida: Joinville, Santa Catarina

Terra dos Ônibus Amarelos e da (finada) Busscar.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 13 de março de 2017

Fui mais uma vez a Joinville, Santa Catarina (segundo alguns ainda pertence ao Paraná, abordo essa questão mais abaixo).

E dessa vez levei a câmera, pra produzir esse ensaio fotográfico. Bastante incompleto, é verdade.

A Joinville germânica.

Bem fotografado, com calma e de dia, pude me focar somente no Portal e o Centro e imediações.

Já no apagar das luzes (literalmente!) chegamos ao mar, no Espinheiros (sim, Joinville tem mar. Muitos não sabem disso. Também volto ao tema).

E entre o Centro e o pequeno porto marítimo cliquei rapidamente alguns relances de uma vila de periferia, entre as Zonas Leste e Norte.

Cidade da Dança, Cidade das Flores (já desenhei uma Marília joinvillense, numa loja florida, seguindo a tradição alemã).

Melhor que nada. Um outro dia que eu retornar ampliamos a postagem. Aqui já serve como boa introdução.

Acabando de virar a marca do meio milhão de habitantes, Joinville é o município mais populoso de SC.

Mas não é a ‘maior cidade do estado’, como muitos erroneamente afirmam.

E é fácil entender o porque: cidade e município são conceitos diferentes. Podem coincidir, mas não necessariamente.

A famosa ‘Rua das Palmeiras’.

‘Cidade’ é a urbe, uma mancha urbana contígua, independente de divisões políticas.

Quando vários subúrbios metropolitanos conurbam com um núcleo, uma cidade passa a ser multi-municipal.

Assim fica fácil entender. É fato que no município de Joinville mora mais gente que no município de Florianópolis.

Ainda assim, a cidade que é a Grande Florianópolis abriga muito mais pessoas que a Grande Joinville, portanto a capital e seu entorno são a maior cidade de SC.

E a Beira-Rio no Centrão.

Seja como for, Joinville é o epicentro industrial de Santa Catarina, e por isso disparado o maior PIB do estado – simplesmente o dobro de Florianópolis!

E é a maior cidade do interior catarinense.

…………

Vamos descrevendo as imagens, aí a gente vai falando um pouco mais de Jvlle.

Sua origem é alemã, como é de domínio público. Isso fica evidente na arquitetura da cidade.

Mas há um outro detalhes numa dessas imagens em que aparecem os prédios típicos teutônicos:

Nas placas, abaixo da denominação atual da rua, estão grafados os nomes antigos que ela já teve ao redor de sua história.

É uma característica de S. Catarina. Já fotografei o mesmo em Florianópolis.

Na capital, de colonização açoriana, mesmo os nomes que já caíram em desuso são no idioma português.

Em boa parte do interior, antigamente as ruas e avenidas antes eram ‘weg’, ‘strasse’, etc. É o caso aqui:

Amplie a foto acima e verá:

Na atual esquina das ruas do Príncipe e XV de Novembro antigamente se encontravam a ‘Ziegeleistrasse’ e ‘Mittelweg’, respectivamente.

Alias ela mostra bem o comecinho da XV de Novembro, no Centrão.

A direita vemos o cruzamento dessa mesma via com a BR-101, já do outro lado do Portal.

Na foto a seguir, a placa é exatamente a mesma. Eu apenas girei a câmera pra direita.

E aí aparece o Moinho que há na entrada principal da cidade, visto agora melhor enquadrado.

Nele funciona uma chopperia, se não me engano

Ao lado do portal há um totem, onde está escrito “Bem-Vindo” em português e alemão. 

Mais abaixo na página há uma foto em que ele aparece claramente.

Aqui nos centremos no que há atrás dele:

Outra placa bi-língue, a que comemora a amizade entre Joinville e a cidade de Langenhagen, Alemanha.

Foi firmada entre os prefeitos, no ano de 1980.

Certamente em Langenhagen há outra equivalente, apenas na ordem invertida dos idiomas.

………..

Como é sabido, no Norte do continente europeu (Alemanha e imediações, como a Holanda) é muito forte o costume de andar de magrela.

Assim essa é outra herança germânica: Joinville é também a ‘Cidade do Pedal’.

Várias avenidas têm ciclovias (fotografei uma delas), e uma das atrações é o ‘Museu da Bicicleta’.

Por falar em museus, em imigrantes e em tempos idos:

Numa das pontas da ‘Rua das Palmeiras’ está o Museu da Imigração.

E bem no meio desse calçadão há uma série de totens em preto-&-branco contando a história do lugar.

Fotografei uma das placas, aquela que registra a passagem do Zepelim.

JOINVILLE-PR, OPS, DIGO SC –

Assim como, Energeticamente falando, Curitiba é a transição entre o Sul e o Sudeste, Joinville é a transição do Paraná e Santa Catarina.

Posto de outro modo: em muitos aspectos culturais Joinville é uma cidade paranaense.

Joinville é muito perto da capital do Paraná, apenas 130 km cobertos por pista dupla, então é muito influenciada por Curitiba.

Joinville é quase uma ‘filha espiritual’ de Curitiba.

Pra um curitibano, andar no Centro de Joinville é como estar em casa, tamanha a quantia de empresas curitibanas que têm filial lá.

Se uma imagem vale por mil palavras, observe a esquerda: o primeiro centro comercial (“shopping”) de Curitiba é também o primeiro de Joinville. Um exemplo entre muitos.

Na tomada acima outra avenida com ciclovia.

Mas nessa e na ao lado, quero chamar a atenção pra outro detalhe que Joinville herdou de Curitiba:

A pichação de muros – e agora também dos telhados.

O alfabeto, a nomenclatura dos grupos, o material, o ‘modus operandi’, toda a parafernália resumindo que é aplicada lá são xerox exato do que se faz por aqui.

Sendo que a ‘escola’ curitibana nesse quesito já havia sido ela mesma importada de São Paulo.

Alias devo dizer que a ‘arte’ de rabiscar essas insígnias inelegíveis ao leigo subiu muitíssimo de patamar – não é modo de falar – recentemente.

Quero dizer com isso o seguinte: até a última vez que eu havia ido a Jvlle (2013, 4 anos antes) já havia pichação ao nível do solo.

Porém ainda não era comum escalarem os prédios pra ‘assinarem’ os telhados. Agora se alastrou essa técnica.

ESPINHEIROS, ZONA LESTE – A “PRAIA” DE JOINVILLE –

Viram que tempestade se armou quando nós íamos pra periferia? Joinville tem problemas seríssimos com alagamentos, já eu falo mais disso.

Por hora, falemos do que vimos no subúrbio.

Subúrbio da Z/L da cidade, bairro Espinheiros. Onde o Mar e Joinville se encontram.

Muitos desconhecem esse fato, nem imaginam que Jvlle também é beijada pelo Oceano Atlântico.

Próximas 2: Avenida JK, na Zona Central.

Mas é. Nós nos perdemos numa esquina que não tinha sinalização pra quem é de fora, e fomos parar no Iririú.

Por isso cheguei no último momento possível de iluminação pra registrar o encontro entre Mar e Terra.

5 minutos a mais, e essas imagens não teriam saído. Deus Pai/Mãe permitiu e deu certo, ainda que no limite.

Pus “praia” entre aspas porque Joinville tem mar sim, mas praia não. Pois não há faixas de areia.

Como também acontece em Paranaguá e Antonina, no Paraná, Santo Domingo no Caribe, e diversas outras metrópoles ao redor do globo.

……….

De volta a Joinville. Hoje a cidade tem mar, mas um dia não teve.

Ainda na próximo ao Centro, fotografei um jardim decorado com estátuas (em Ponta Grossa-PR também).

Explico: o bairro de Espinheiros, que é uma ilha e o único que tem litoral, antes não pertencia a Joinville, mas ao vizinho município de São Francisco do Sul. 

Alias isso nos leva a uma característica única de Joinville: 

O município vai aumentando de tamanho, pois absorveu dois bairros que pertenciam a seus vizinhos a leste.

Espinheiros foi incorporado de São Chico, como acabo de dizer.

Próximas 3: periferia da cidade, ruas de terra, casas de madeira.

E partes do bairro da Itinga se desmembraram de Araquari e foram anexadas ao município de Joinville.

Curioso isso, não? Geralmente no Brasil acontece o contrário, os municípios perderem área com emancipações.

Itaperuçu se separou de Rio Branco do Sul, e Pinhais de Piraquara, pra citar dois exemplos da Grande Curitiba.

Em Joinville o caso foi distinto. Não houve emancipação, e sim transferência.

Ou seja, nenhum município novo foi criado, e sim bairros de municípios já existentes se mudaram pra jurisdição de outro município também já instalado há tempos.

…….

Estamos vendo cenas do subúrbio proletário.

Esse é o perfil médio dos bairros mais humildes da cidade.

Muitas casas de madeira pois é Sul do Brasil. E ainda há muitas ruas de terra, já falo mais disso.

Joinville tem pouquíssimas favelas. Apenas umas 5, e bem pequenas.

Ao lado (na única foto que não tirei pessoalmente, essa foi via ‘Google’ Mapas) uma delas.

Próximas 6: classe média na Zona Central. No texto seguimos falando do subúrbio.

Pra meio milhão de habitantes, não está mal.

A proporção de miseráveis por habitante é mais ou menos a mesma de Santiago do Chile.

E essa é ao lado de Montevidéu-Uruguai a capital latino-americana com menos desigualdade social.

De volta a Joinville, há um mito que a cidade não tem favelas. é mentira.

Existem sim algumas pequenas invasões miseráveis na cidade. São poucas, pequenas e bem afastadas. Mas existem.

Se concentram nos bairros Ulisses Guimarães Paranaguamirim, na divisa entre as Zonas Leste e Sul.

…….

Então está dito. Sim, Joinville tem mar, e tem algumas poucas favelas.

Ainda assim, indiscutivelmente são raras. Até as encostas dos morros de Joinville não são favelizadas.

Não pense que esse é o padrão de toda Santa Catarina, amigo.

Porque em Blumenau, na Grande Balneário Camboriú/Itajaí e na capital Florianópolis a situação é diametralmente distinta.

………

Comparando Joinville e Curitiba: a capital do Paraná tem muito mais miséria. 

Nas próximas 2, imediações da Avenida Beira-Rio. Aqui a prefeitura (também cliquei as de Curitiba e Assunção-Paraguai). A esquerda mais palmeiras, essas são na Beira-Rio como dito, e não na ‘Rua das Palmeiras’ que sai na JK, mostrada logo a seguir.

Incomparavelmente mais, inclusive em termos per capita.

Bem, como disse, proporcionalmente Joinville iguala Santiago e Montevidéu, as duas capitais com menos favelas da América Latina.

(Nota: Buenos Aires, ao contrário do que muitos ainda pensam, é bem diferente, e está coalhada de miseráveis.

Breve grande série com tudo isso ilustrado, uma vez que eu estou indo pra Argentina na mesma semana em que levanto essa postagem pro ar.)

Já Curitiba segue o mesmo padrão de Buenos Aires, com intensa desigualdade social.

Mesmo bem próximo ao Centro há duas grandes favelas, as Vilas Capanema e Parolin.

Ambas já urbanizadas mas a situação segue problemática em muitos quesitos.

E nas periferias da capital paranaense há mais favelas ainda, obviamente, inclusive em morros.

Próximas 2: flores na Zona Central. Essa sim mostra a ‘Rua das Palmeiras’, evidente.

Pra compensar, Joinville tem muito mais ruas ainda de terra que Curitiba.

Bem, a capital do Paraná já pavimentou quase 100% de suas vias.

Evidente, quando surge uma invasão as vias são de leito natural, ao menos no início.

Registrei recentemente algumas na Cidade Industrial e entorno, Zona Oeste.

Mas afora isso, mesmo nos bairros mais periféricos é difícil ver uma via sem pavimentação no município de Curitiba.

Elas ainda existem, mas é preciso caminhar bem no subúrbio pra encontrar.

A maior cidade do interior catarinense ainda está por dar esse passo.

……..

Já seguimos com o texto. Uma pausa pras flores da ‘Cidade das Flores’.

Indo pro Espinheiros, fotografei mais uma ‘amarelinho’ Busscar, ao fundo a tempestade que se formava (esq.). Primeiro falemos do busão. A Busscar, que era de Joinville, começou como Nielson, e até 1987 só fabricava ônibus rodoviários.

Nesse ano ela lançou o modelo Urbanus. Em 1989 veio a mudança de nome pra Busscar.

Nos anos 90 a Busscar se expandiu enormemente, abriu filiais na Colômbia. Nesse país vizinho, que visitei em 2011, a Busscar é um ícone, quase um mito.

No auge, os anos 90 e a 1ª década do novo século, 100% da frota de Joinville era Busscar (incluindo municipais e metropolitanos). Ou pelo menos 99%, houve uma vez que fui lá e haviam uns pouquíssimos Comil, e somente numa linha, a pra Vila Nova se não me engano.

Porém a coisa desandou, e a Busscar faliu no início da década de 10. Aí as viações de Joinville tiveram que comprar de fabricantes diversos.

Ainda me lembro do choque que tive em 2013 ao ir lá e ver pela primeira vez outras marcas em grande quantidade, especialmente Marcopolo, Neobus (que é Marcopolo) e Comil.

Agora, em 2017, a frota joinvillense conta com enorme presença de busos mais novos dessas 3 montadoras gaúchas citadas no parágrafo anterior.

Atualmente os ônibus de Joinville contam com uma película negra ao redor das janelas, o que não ocorria antes. Há muitos Marcopolos também, mas as fotos que fiz deles não ficaram boas.  Na foto acima um Comil, nas duas próximas veículos da Neobus.

A esquerda um municipal saindo do Terminal Central (onde recentemente foram vistos ônibus de Curitiba e Recife-PE, operando emprestados em ‘Tabela Trocada‘).

Note mais uma vez a placa de rua com o nome antigo em alemão.

É claro, ainda há muitos Busscar remanescentes de antes da quebra.  Quando escrevo esse texto (início de 2017) circulavam rumores que a Caio de São Paulo poderia comprar a Busscar. Veremos se a negociação se concretiza.

“PRIMEIRA CHUVA A ESQUERDA”: O CÉU DE JOINVILLE –

Esse ônibus mais escuros (e sem película negra ao redor dos vidros) são metropolitanos, de Joinville pra Araquari ou pra São Francisco do Sul via Araquari. São Chico é uma ilha, tem praia e porto, e é outra cidade, ou seja, embora próxima não é um subúrbio de Joinville, pois  conta com mais de 40 mil habitantes, e tem vida econômica e cultural própria. Já Araquari é bem menor, e emendada a Joinville pelo bairro da Itinga. Assim, podemos dizer que Araquari é o único subúrbio metropolitano da Grande Joinville. Em Araquari está a fábrica da BMW no Brasil, se alguém não sabe.

E quanto a chuva: Joinville tem um problema crônico de enchentes, como é sabido. Comprovamos isso na prática.

Viram a tempestade que se armava quando nos dirigíamos pro Espinheiros. Na volta choveu forte. Apenas 20 minutos, mais ou menos. Ao chegarmos ao Centro o céu já havia limpado.

Mas cobrou seu pedágio. O Centro estava bastante alagado. Fotografei, mas como o fiz a noite e num carro em movimento não deu pra aproveitar as imagens.

Entretanto quem conhece Joinville sabe que é assim mesmo. E não chegou a cair água por meia-hora, ressalto de novo.

Imagino como teria ficado a cidade com uma hora, ou pior, com duas horas de chuva forte.

Como os joinvillenses indicam como chegar a sua cidade pra quem sai de Curitiba? “Você pega a BR-101, na 1ª chuva a esquerda é Joinville”. Essa piada já resume a intensa relação que a cidade tem com as nuvens carregadas e o consequente aguaceiro que cai do céu.

Aterrissemos de novo ao nível do solo. Veja acima com quais ícones o jornal local A Notícia identifica a sessão ‘geral‘:

Em Santa Catarina os pontos de ônibus são numerados. Essa é a segunda parada da Rua João Colin. Fotografei o mesmo na capital.

Arquitetura alemã; Rua das Palmeiras; Bicicletas; Bailarinas; Flores; o Moinho; e o último desenho não consegui decodificar.

Assim é o ‘ethos’, o ‘mito formador’, assim a Alma de Joinville enxerga a si própria.

No entanto, é preciso fazer um adendo: obviamente a gênese da cidade é germânica.

Mas muitos que não foram até lá podem imaginar que até hoje a imensa maioria dos joinvillenses é loira de olhos azuis.

E se duvidar alguns ainda nem sequer se comunicam em português nas ruas. O estereótipo gruda forte na mente das pessoas. Porém nada poderia ser mais distante da realidade.

Na colagem, um pouco dos hábitos alimentares: um refrigerante local – por isso me refiro ao Norte de SC, esse aqui é feito em Blumenau; Uma lanchonete bem simples do Centrão oferece mostarda preta. Como é o mapa da mostarda no Brasil? No interior do Sul é universal, oferecem inclusive a preta como é o caso aqui. Em Curitiba e São Paulo a essa versão mais forte é mais difícil, mas a clara está sempre presente. Em Belo Horizonte-MG existe mostarda nas lanchonetes populares mas menos. Enquanto que em Brasília-DF já é improvável achar, e no Norte e Nordeste é praticamente inexistente onde servem o povão, comum só na Beira-Mar e centros de compras onde vão os turistas; – Por fim: os catarinenses adoram pôr milho e ervilha nos lanches. Vi o mesmo em em Mafra/Rio Negro, na divisa SC/PR.

O tempo passou, os descendentes de alemães se abrasileiraram, e, mais importante, novas levas de imigrantes americanizaram totalmente a cidade.

(Nota: mais uma vez lembro que por ‘americanos’ me refiro sempre ao continente América, e jamais aos EUA, cujos habitantes são os ianques ou estadunidenses.)

Como Curitiba, na segunda metade do século 20 Joinville foi fortemente povoada por imigrantes do interior do Paraná. Por exemplo:

No bairro Comasa antes de Espinheiros há um subúrbio da cidade chamado nada menos que “Vila Paranaense”, o que sintetiza a questão.

Em relação a esses paranaenses de nascimento e joinvillenses por adoção, parte dos antepassados deles já haviam vindo do Rio Grande do Sul, e desses a maioria são também descendentes de europeus.

Fechamos a parte sobre Joinville como abrimos: mostrando o Portal. Uma síntese de como a cidade se vê, homenageando a arquitetura alemã, as dançarinas da balé e as flores.

Porém boa parte veio do Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais, que já têm uma composição racial diferente. Tudo somado:

É claro que a maioria dos Homens e Mulheres de Joinville são brancos, não a maioria loiros mas de tez mais alva sim.

Entretanto, há minoria significativa de negros e mestiços.

Se alguém crê que Joinville lembra os Alpes da Áustria na sua composição racial, nada pode ser mais fora da realidade, repito.

Énessa tomada que aparecem as boas-vindas de forma bilíngue, que citei acima.

Breve farei um desenho ilustrando essa situação.

Portanto, tanto na classe média quanto na periferia, Joinville é ligada ao Paraná,

Óbvio que ela também é fortemente conectada a Santa Catarina em muitas dimensões além da política.

Acabamos de ver isso nos pontos de ônibus e na alimentação, por exemplo.

Não estou querendo ‘roubar’ a cidade do estado vizinho. O que quero dizer é que Joinville é um Portal de Energia, se você entende o que esse termo significa.

(Talvez por isso seu símbolo mais forte na dimensão física é exatamente um portal, e por isso pus acima manchete essa imagem).

Conectando Paraná e Santa Catarina, unindo essas duas sintonias pra que a transição seja suave.

(e de brinde) “Vamos a praia”: itapoá, santa catarina

Joinville tem mar, mas não tem praia. E como nós queríamos ir a praia, entrar no mar, a solução foi ir pra Itapoá.

Ao lado vemos o amanhecer de5 de março de 2017 no mar de Itapoá.

Trata-se de uma pequena e jovem cidade. São apenas 14 mil habitantes fixos. Boa parte das casas é de veraneio, sendo porção significativa delas de propriedade de curitibanos.

Itapoá, como Joinville, é bastante ligada ao Paraná. Várias lojas aqui de Curitiba anunciam que entregam “no Litoral do Paraná e Itapoá”.

Quase que anexando na prática a 1ª praia catarinense (no sentido norte-sul) ao estado ao lado.

Itapoá foi desmembrada de Garuva em 1989. Por sua vez, até 1962 tanto Garuva quanto Itapoá pertenciam a São Francisco do Sul.

Seja como for, notam que eu fotografei “as Flores e o Mar”.

E também o Sol nascendo no mar, o que eu já havia feito em Bombinhas, também no Litoral Norte de Santa Catarina.

Em Itapoá pegamos forte tempestade, como ocorrera na véspera em Joinville. Registrei ela se formando sobre o Oceano.

E depois, debaixo do temporal muito intenso, cliquei   mais algumas flores e o atracadouro de navios da cidade.

O porto está em ampliação, e portanto trazendo mais empregos a Itapoá – na esteira, mais moradores fixos.

Sendo no Sul do Brasil, claro que não faltariam casas de madeira a Itapoá.

Mesmo do carro em movimento, consegui enquadrar uma em qualidade suficiente pra publicar, e abaixo você confere.

Enfim, adaptando a música, “É bom passar uma tarde em Itapoá, ao Sol que arde em Itapoá”.

Nesse caso o Sol ardeu mesmo, mas só de manhã. De tarde ficou tudo cinza e dá-lhe água e raios desabando das nuvens.

Foi bom também. Eu Sou Taoista, e gosto da chuva. Fechou com chave de ouro nosso FDS em SC.

Deus Pai-Sol/Mãe-Chuva proverá”

da Beira-Rio a Beira-Mar

vou-ficar-linda-nesse-biquini

Beira-Rio: Rio/Mafra, divisa PR/SC.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 7 de fevereiro de 2017, um desenho inédito mesclado com outros do arquivo.

Começamos pelo inédito, produzido portanto em fevereiro de 2017:

Marília e Maurílio em Rio/Mafra.

Eles vão a praia, então ela está escolhendo um biquíni, enquanto ele fotografa um ônibus. 

ilha magia florianópolis fpolis sc catarina desenho ponte velha metal hercílio luz praia mar bermuda barbudo biquíni verde bolinhas morena cabelo caheado crespo marília maurílio casal brancas água

Beira-Mar: Florianópolis, a capital de SC.

A imagem é clara, ainda assim comentemos um pouco seu significado.

Rio/Mafra obviamente é a ‘cidade-gêmea’ formada pela fusão de Rio Negro-PR e Mafra-SC.

São dois municípios em estados diferentes (divididos pelo Rio Negro), mas a cidade é a mesma.

Resultando que os ônibus urbanos lá são inter-estaduais,

Maurílio é busólogo, e por isso fotografa o bichão.

Exatamente como ele já fez na Grécia.

grécia outra postagem: "Beira-Rio, Beira-Mar" atenas europa capelinha ônibus azulão maurílio desenho fotógrafo tirando fotos camiseta cinzaNa tomada ao lado vemos ele em ação em Atenas.

Alias clique na ligação em vermelho acima pra conferir a cena completa:

Ver por inteiro o velho azulão grego, que tem capelinha.placa-de-c-largo

……..

De volta a Rio Negro e Mafra. Um conglomerado daqui da Grande Curitiba comprou a viação local.

que-mulher-vaidosa

“Vou ficar linda de biquíni prateado!!!”

Por isso os busos  de Rio/Mafra operam com a pintura e inclusive as placas de Campo Largo.

Município que como todos sabem fica na Z/O da região metropolitana da capital.

E sem re-emplacar nem repintar eles dão mais um pega no interior.

De Curitiba pro Mundo” e “Tabela Trocada“, tudo ao mesmo tempo.

Nessa postagem da Grécia eu já desenhei Maurílio pegando um Viale.amor-eterno1

Dessa exata viação Campo Largo, indo precisamente pra esse subúrbio ocidental da capital

……….

Agora quanto a Marília. Ela adorou o biquíni prateado exposto no manequim na vitrine dessa loja de moda feminina.

E como notam acima já está se vendo arrasando dentro do Oceano com ele.

Na capital Florianópolis está bem quente.

milagre-da-vidaMas no interior ainda está friozinho, ela está de cachecol e tudo.

Marília é muito vaidosa.

Veja que ela está de unhas vermelhas (com “filha única” branca).

Mas pra ir ao litoral já se imaginou com as unhas em outra cor, azul. fruto-do-amor

………..

AGORA É UMA MENINA!!!

Abrindo os arquivos:

Uma sequência publicada (em emeio) em fevereiro de 2012.

Marília , ao lado de Maurílio, dando a luz a segunda filha do casal.

dando-tchauzinhoDentro da piscina aquecida.

Papai Maurílio ajuda a mamãe a se posicionar.

E eles mesmos puxam com muito cuidado o bebê pra fora do corpo da mãe e depois da banheira.

Nessa outra mensagem Marília no parto – também na água – do primeiro filho deles, esse um varão. rotina-de-mulher

……….

Fechando com um emeio que circulou em janeiro de 2014.

Marília dando “tchauzinho”.

Enlaçadinha e engraçadinha.

enlacadinhaAntes, em preto-&-branco, o trabalho de bastidores (“o preço de ser bela“):

Já com o brinco que ela vai usar no dia, mais uma vez Marília se depilando, pra poder usar blusa de alcinha no calor sem passar vergonha.

……..

Ao lado a mesma cena em outra escala.

Que Deus Ilumine toda Humanidade.

“Deus proverá”

Soteropolitano

cidade-baixaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 21 de janeiro de 2017

Os desenhos são inéditos.

as fotos são de um emeio que foi publicado em setembro de 2015.

Marília e Maurílio (e mais a filhinha deles) em Salvador, Bahia. Eles moram numa quitinete em cima de uma laje na última expansão da Cajazeiras. Já quase na divisa com Simões Filho. Se você conhece a capital da Bahia, sabe o que isso quer dizer.

De segunda a sexta Maurílio é motoqueiro, ganha a vida fazendo entregas. As vezes até faz bicos a noite numa pizzaria, na mesma função.

A direita vemos ele pilotando seu instrumento de trabalho, enfrentando o pesado trânsito da Avenida Suburbana.

E no domingo ele e a esposa foram passear no Centro, por isso a 1ª imagem mostra eles na Cidade Baixa, o famoso Elevador Lacerda ao fundo.

……..

Comentemos primeiro a cena em que está toda família: a menina ainda se alimenta dos peitos da mãe. Enquanto Marília amamenta, o maridão ‘papai fresco’ segura as bolsas, a do bebê e também a bolsa de Mulher da esposa, que é da Minnie e com bolinhas vermelhas.

caixa

Esse desenho não se relaciona com o texto. Marília trabalhando como caixa. Aqui, ela é de novo a típica representante do Sul do Brasil, loira natural. Com a camiseta de marca combinando com suas unhas laranjas. Fazer o que, se alguém tem que ser chique e elegante?

Ao lado eu mostro outra Marília, essa Sulista, cheia de charme. Pois bem. A Marília Nordestina também é sempre elegante. Ela não tem dinheiro pra comprar roupas de marca, na verdade nem mesmo se importa com isso.

Mas nem por isso ela é menos elegante. Veja, ela combinou o vestido com sua tatuagem pois ambos são floridos. E mais uma echarpe.Como na Bahia é muito quente pra usar no pescoço, ela amarrou na cintura.

Também fez a ‘mecha californiana‘, pras pontas de seu cabelo ficarem mais claras que a raiz.

Não tem jeito. Mesmo sendo uma dona-de-casa suburbana, Marília nunca deixa de ser charmosa. Tá no DNA dela….

Quanto a pequena princesa, mesmo quando deixar o berço ela terá que dormir por um bom tempo ainda no quarto dos pais.

É que a família aumentou mas o orçamento continua o mesmo. A casa deles é só a famosa ‘quarto-&-cozinha’. Há um pequeno banheiro, claro. Mas não há sala, lavanderia, quintal, garagem, e nenhum quarto extra. É preciso se adaptar a essa realidade.

Vamos aproveitar o busão (Busscar da Bahia Transportes Urbanos – B.T.U.) e mostrarmos algumas características da busologia baiana. Um dia farei uma mensagem onde ilustraremos com dezenas de fotos, mas por hora serve de aperitivo.

buzu

Busscar da BTU ainda na pintura livre.

Vou falar de um tempo que já se foi, da era pré-padronização de pintura e pré-letreiro eletrônico.  Num passado não muito distante, em Salvador, os ônibus tinham:

1) pintura livre; 2) entrada traseira e saída dianteira; 3) o letreiro menor, onde vinha o n° da linha, era vermelho.

Portanto não é porque esse ônibus é vermelho que o letreiro do número é da mesma cor, isso valia pra todas as empresas.

4) Quase todo o itinerário vinha no para-brisas, em épocas mais remotas pintado a mão com giz, e mais recentemente mais organizado numa grande placa ou adesivo. Nesse desenho pegamos a transição, há a placa mais organizada mas pra garantir escreveram ‘Paripe’ e ‘Lapa’ a mão.

E 5) existe uma letra (‘B’, nesse caso) também adesivada bem grande no vidro. Isso também ocorre em outras metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre-RS. É que nas grande avenidas passam dezenas de linhas de ônibus, então é preciso dividir elas por pontos diferentes:

a-familia-cresceu

Combinando o vestido com a tatuagem. Marília é sempre charmosa, mesmo com o orçamento apertado.

Algumas param no ponto ‘A’, outras no ‘B’, se tiver mesmo muitas abre-se o ‘C’ e mesmo a letra ‘D’ existe nos corredores mais carregados. As vezes são números, a função é a mesma.

Tem mais. Já que falamos da cor dos bichões da BTU. Essa foi uma das poucas viações que não adotou a “padronização branca” voluntária do começo desse milênio. 

Explico. Até o meio da década de 10, ainda era pintura livre na capital da Bahia, só padronizou oficialmente um pouco antes da Copa do Mundo-14.

No entanto, na década passada houve uma “padronização informal” na cor branca. A maioria das viações adotou uma pintura em que o branco era majoritário, embora houvesse detalhes em outras cores.

Foi voluntário, um acordo entre as viações talvez pra facilitar o remanejamento da frota entre elas. Não foi imposto pelo poder público. Logo, aderia quem quis. A maioria quis, e ficou sem cor em pelo menos metade do veículo (aqui vemos um exemplo da BarraMar).

Na época se comentava “em terra de gente negra, o ônibus é branco”. Bom, na África as vans de transporte coletivo são alvas, do outro lado do Oceano o mesmo espírito se manifestou na Boa Terra.

papai-maurilio

A família cresceu. Repito a imagem mas mudo o foco, dessa vez centro a câmera nele, pra gente ver melhor o sorriso de orelha-a-orelha de Maurílio quando está junto com as duas Mulheres de sua vida.

Pois bem. A BTU não quis participar, não aderiu a “padronização branca” informal. Seus busões continuaram multi-coloridos enquanto foi permitido por lei.

Agora, quando veio (pouco antes da Copa de futebol, como dito) a padronização ‘Integra Salvador’, aí a BTU entrou porque foi compulsória, importa pela prefeitura.

A ‘Integra’ também inverteu a entrada pra frente, em todas as viações obviamente.

…………………

Aqui acaba a parte inédita.

Pra encerrar enxerto um emeio publicado em 4 de setembro de 2015.

puxadinho no prédio: salvador também é (áfrica na) américa
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Perambués, Salvador.

Debatemos recentemente o fenômeno do “puxadinho no prédio” no Chile. E anteriormente na República Dominicana, apelidada “África na América”.

Veja bem. Não estou falando de puxadinho em casa, nem em “prédio artesanal” (‘subindo laje’), quando sobem um andar por vez. Isso existe em toda América Latina e boa parte de Ásia e África.

E sim quando há um prédio, legalmente construído, com alvará e tudo. E aí sem alvará alguém sobe mais um andar por conta – ou no caso chileno faz mais um cômodo suspenso. Isso eu só tinha visto nesses dois países.

Porém acabo de presenciar o mesmo em nossa Pátria Amada (via Google Mapas): bairro Perambués, periferia de Salvador da Bahia. Depois, indo pra outros bairros, constatei que a situação é a mesma na cidade inteira, ao menos na periferia. Veja que beleza!!! Salvador é América, óbvio. E como é. A própria essência Americana desdobrada na matéria.

salvador

Visto mais de perto.

Atualização de 2017: em julho de 2016, quase um ano depois do emeio acima, fui a Aparecida-SP. Lá também é comum adicionarem mais andares em prédios já prontos.

Embora no caso paulista como inclusive no Centro aí creio que a maioria dos prédios tem alvará pra reforma. Pode ser.

Mas a impressão é a mesma. Veja a matéria sobre a “Cidade da Fé”, fotografei a situação que relato acima. Deixando o interior paulista pra lá, vamos continuando pela Bahia. . . Pois o melhor estava por vir.

salvador-2Seguindo pela mesma rua em Perambués, olhe o que eu vi: pessoas andando sem nenhuma proteção na caçamba de caminhões. E não foi a única vez em Salvador que presencio isso. Exatamente como na República Dominicana, México e Colômbia. 

Ah, América querida. Por que você é assim???

“Deus proverá” 

Tabela Trocada

porto-alegre

Bi-articulado de Campinas emprestado em testes a Carris de Porto Alegre. Dá pra ver claramente os guindastes do porto ao fundo.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 19 de janeiro de 2017

Maioria das imagens baixadas da internet. Os créditos foram mantidos, e nas legendas eu dou a ligação pras fontes. As que forem de minha autoria identifico com um asterisco (*).

……….

Fiz uma postagem sobre os ônibus em testes. Acabo de ampliá-la com dezenas de novas fotos, com muitos busos brancos.

campinas

O mesmo veículo em definitivo em Campinas. Fonte da foto: sítio Tudo de Ônibus.

Também traçamos vários casos do mesmo ônibus sendo testado em diferentes partes desse imenso Brasil, confira.

E essa atual postagem também é ampliação daquela. Nosso tema de hoje é ‘Tabela Trocada’.

Pra quem não é íntimo do jargão da busologia, isso significa:

argentina rosário outras postagens: "BH, do Metrobel ao Move" e "Tabela Trocada" trol buso venda nova letreiro lona torino marcop ex- bh padrão verde vermelho faixa branca roda sem chapa

Tróleibus em Rosário, Argentina. Mas….. vai pra Venda Nova???? Tabela trocada, claro, originalmente era pra operar em BH.

Ônibus que deveriam estar cumprindo um determinado tipo de serviço, mas estão de maneira improvisada em outro.

Vamos nos focar em busos com pintura de uma cidade operando em outra. 

Seja emprestados em testes ou quando foram vendidos e o novo dono simplesmente não repintou.

Mas também aparecerão ônibus com ‘tabela trocada’ (‘Paese’, em SP) dentro da mesma cidade.

trol buso padrão venda nova lagoinha letreiro lona torino marcop era bh vermelho faixa branca sem chapa não operou 3 portas zero km fábrica

No meio dos anos 80, a capital de Minas ia re-implantar o trólei. Amplie pra ler, a linha iria dos terminais Venda Nova a Lagoinha. Nunca rodaram no Brasil.

Em todos os casos, vamos ver sempre a ‘tabela trocada’ (o ônibus em situação excepcional, emprestado ou vendido) e a ‘tabela original’ (ele na linha/cidade corretas).

………..

Veja a legenda das fotos acima:

Bi-articulado da viação Itajde Campinas-SP estreou primeiro em Porto Alegre-RS, pela Carris (placa: CUB-4651).

Na postagem sobre os busos em testes há outra foto dele no Rio Grande do Sul.

argentina rosário américa trol buso linha pintada k torino marcop era bh padrão vermelho faixa branca sem chapa árvore privado ecobus

Em Rosário mas ainda com a pintura original de Belo Horizonte. Fonte dessa e de outras fotos de tróleibus: sítio Tramz.com, especializado em transporte elétrico.

– E depois o exato mesmo veículo com seu dono definitivo, no interior paulista, a Viação Itajaí.

……….

E nas 3 fotos a seguir, até essa ao lado:

Tróleibus em Rosário, Argentina. Mas a linha vai pra Venda Nova?

É simples. Esses veículo (vide imagem acima) foram produzidos pra rodar em Belo Horizonte-MG.

Chegaram a comprar e pintar os veículos, e num pedaço da Cristiano Machado teve instalada a rede eletrificada.

recife-em-joinville

Próximas 2: Ônibus do SEI (Recife) no Terminal Central de Joinville, de partida pro Itaum. Essa e outras tomadas são oriundas do sítio Ônibus Brasil.com.

Mas não deu certo, esses ônibus elétricos vermelhos nunca rodaram no Brasil.

Após alguns anos sem uso no depósito, foram vendidos pra Argentina.

Quebraram muitos tabus lá: foram os únicos tróleis brasileiros exportados.

E ao mesmo tempo foram os únicos ônibus brasileiros que rodaram na Argentina, incluindo elétrico e a dísel.

Fiz uma radiografia completa dos tróleibus na América, onde eu conto melhor essa história com muitas fotos.

recife-em-joinville1Pro que nos interessa aqui, os tróleis foram pro país vizinho. Onde operaram a princípio sem serem repintados. Em alguns não trocaram sequer o letreiro.

…….

Acima e ao lado: o Sistema Estrutural Integrado (SEI) do Recife-PE agora tem linha até pro Itaum?SEI artic azul recife volvo torino marcop buso pernambuco faixa vertical verde vermelha amarela terminal cajueiro seco jaboatão chuva pista molhada reflexo kombi

Obviamente não. O buso foi emprestado, antes de seguir pra Pernambuco fez testes em Joinville-SC.

A direita um articulado azul do SEI ‘em casa’, em Jaboatão, Grande Recife.

Nota: esse Viale acabou sendo vendido pra Grande Curitiba.

joinvilleMas foi repintado antes de circular aqui, destino idêntico a dezenas de outros sanfonados recifenses. Portanto não configura ‘tabela trocada’, pois essa se refere ao improviso.

Se houve readequação a padronização da cidade-destino, a transação foi consolidada em definitivo.

……em-curitiba

Acima: também no Itaum, Joinville. Mas na lataria: “Piraquara”, e o ‘M’ do sistema metropolitano de Curitiba?

Esse já estava operando em Curitiba (direita) há um tempo e depois foi emprestado pro norte de Santa Catarina.

s-miguel-maUm caso diferente: geralmente os busos com pintura de uma cidade operando em outra são novos. Circulam em testes emprestados zero km, antes de irem pro seu dono definitivo.

Mas nesse caso esse bichão já estava em ação no Paraná, e foi por uns dias ajudar o estado vizinho. “De Curitiba pro mundo“, mais um caso.sao-miguel

Agora “de Resende-RJ pro mundo”, ou mais especificamente pra São Luís.

O grupo da viação São Miguel que opera nessa cidade do interior do estado do Rio também tem filiais na capital do Maranhão.

uberaba

Uberaba na padronização EMTU???

Um dia o conglomerado “trocou a tabela”:

Acima a esquerda o buso em situação emergencial em São Luís (fonte: sítio Sportbus Maranhão).

A direita em sua tabela de origem, em Resende, Rio de Janeiro, extraído da página Cia. de Ônibus.

………….

uberaba é no estado de são paulo?

então porque lá também tem emtu?????

metrop cinza verm azul marcop buso emtu santos baixada eletrônico interior litoral paulista sp placa motorista treinamento piracicabana tribus trucado 3 3º eixo

Nas próximas 4, um “Ataque dos Clones”. Padrão EMTU do governo Paulista em: 1)Santos (nesse caso um Tribus Urbano).

Certamente o caso mais clássico e conhecido (pelo menos no Sudeste Brasileiro) de tabela trocada são os busos da Piracicabana que circularam em Uberaba, Minas Gerais.

Ou deveríamos dizer Uberaba, São Paulo????

Como é sabido, perto da virada do milênio o governo de SP padronizou em azul os ônibus metropolitanos da Capital, Santos e Campinas.

Agora isso avança pelo estado, e abrange também Sorocaba, Vale do Paraíba, e quem sabe outras partes.

SP artic cinza verm azul marcop buso metrop emtu eletrônico ribeirão pires letreiro saltado saliente teto grande paulista metrop ex-ctba viação adesivada vidro para-brisas garag

2)Região Metropolitana da Capital Paulista.

Pois bem. Isso não é tabela trocada, porque é a pintura oficial dessas cidades.

É um “ataque dos clones”, tema de matéria que levanto pro ar em breve:

Quando várias cidades têm a mesma pintura, mas isso não é improviso, e sim uma decisão deliberada.

Mas Uberaba obviamente não pertence a São Paulo, e portanto não faz parte da padronização EMTU.

campinas3

3)Campinas.

A questão é que a Viação Piracicabana (grupo Constantino/Gol), que domina a Baixada Santista, também tem uma filial no Triângulo Mineiro.

E ela leva seus carros usados pra Minas Gerais, botando pra rodar sem se dar ao trabalho de repintar.

Ou ao menos fez isso por um bom tempo num passado recente. Assim é tabela trocada, pois se configura improviso – alguns diriam ‘desleixo’.

aparecida SP interior paulista metrop emtu buso busscar cinza pássaro marrom padronizada azul vermelho branco lona letreiro outra cor nome linha vale paraíba placa vidro para-brisas itinerário preço valor tarifa

4)Vale do Paraíba (*). Aparecida, julho de 2016. Como explicado, as imagens com asterisco são de minha autoria.

(Nota: flagramos na internet um micro Carolina também no interior mineiro, e igualmente com o “padrão” EMTU.

Mas esse não circula mais, é uma homenagem, “Energia nunca morre“, e não transporte urbano regular.)

………..

Não pense você que são só os ‘carros’ de tamanho normal que a Piracicabana leva pra Minas com a pintura de São Paulo.

E nem que a padronização EMTU é a única que tem o ‘privilégio’.uberaba-micro

A direita: micro rodando em Uberaba.

Mas…. com a pintura do sistema municipal de Praia Grande, na Baixada Santista.

Comprovamos abaixo:

micro-pg-2Em cena oriunda do sítio LitoralBus (de onde também vieram outras fotos), um desses micrinhos ‘em casa’:

Praia Grande, São Paulo.

……………campinas buso cmtc anhangüera anhanguera rodovia estrada p-b sp ajuda locaute 1989 frota emergência paese monob 2 vermelho jânio descrição página sítio internet comentários autor letreiro lona estádio

E já que falamos de Campinas.

A história do transporte coletivo na maior cidade do interior paulista é bastante tumultuada.

Greves, locautes, embates de empresários contra perueiros, de empresários contra a prefeitura, de perueiros contra a prefeitura, o cardápio é extenso.

Em 1989, houve um dos capítulos mais significativos desse conflito.

campinas-cmtc

Monobloco vermelho da CMTC em Campinas.

Várias empresas decretaram locaute, que é a greve de patrão.

Se recusaram a pôr os ônibus pra circular, e pra não terem que fazê-lo judicialmente retiraram a frota da cidade na calada da noite.

Um dia a situação ficou tão crítica que Campinas pediu arrego.

A prefeitura da capital mandou 100 monoblocos da CMTC pra ajudar.

sp anos década 80 paulista lona buso monob 1 vermelho jânio cmtc z/c correio z/c centrão vassoura ação logo emblema político lema propriedade povo

Mono vermelho da CMTC em casa, SP Capital.

Acima a direita o comboio na Anhangüera.

E a esquerda, já em Campinas, o secretário dessa cidade faz a vistoria, pra pôr a frota pra rodar.

O governo do estado também mandou mais 100 busões.

Na ocasião a EMTU tinha frota própria, pois era operadora, e não somente fiscalizadora como hoje.

campinas1Na mesma época (1989) uma das mais tradicionais viações campineiras, a CCTC, deixou o sistema.

A Companhia Campineira de Transporte Coletivo, apesar do nome parecido com a CMTC e CSTC, não era estatal, ao contrário das outras duas.

Ao contrário, a CCTC pertencia a Viação Cometa, que também teve um dia viações urbanas em SP Capital e Ribeirão Preto, no interior do mesmo estado. Agora nos foquemos na foto ao lado, vinda do blog Bus Camp. desenho

É a garagem da VCG (Viação Campos Gerais) em Campinas. Os busos das duas pontas vieram do espólio da CCTC. No meio, inteiro de amarelo, um buso com a pintura de Curitiba.

marechal lona buso ctba anos 80 rui barbosa guabirotuba ponto final amarelo convencional nimbus haraganoAdiciono a gravura (idêntica fonte já ligada acima) desse mesmo veículo.

E a esquerda operando em Curitiba, na Praça Rui Barbosa de saída pra Zona Leste.

Digo, eu não sei se é exatamente o mesmo carro, mas é um do mesmo lote.

testes poa - pintura bh

Ônibus de Belo Horizonte, já com a padronização ‘das Flechas’, operando em testes em Porto Alegre pela Carris.

Uma retificação ao desenho a direita: esse ônibus que foi pra Campinas não tinha 3 portas, somente 2.

E provavelmente não era motor traseiro mas dianteiro, como o que está a esquerda.

Justifico: não houveram Nimbus Haragano 3 portas em Curitiba.

Pois esse modelo é do fim dos anos 70, e a terceira porta só foi introduzida aqui (com exceção dos Expressos da Zona Oeste) em 1986.

Os Nimbus Haragano circularam na capital do Paraná em duas configurações:

azul linha placa lataria adesivada vidro buso bh lona metrobel ciferal flechas colada letreiro improviso saltado pra cima hospitais teto

‘Em casa’: Ciferal com as ‘Flechas’ em B.H. .

Expressos vermelhos, motor traseiro, 2 portas, a de saída no meio; e Convencionais amarelos, motor dianteiro, também 2 portas, a de saída no fundo.

Oras, vemos claramente na foto que ônibus ex-Curitiba tem porta nos fundos. Portanto foi um Convencional na origem (e não um ex-Expresso repassado pra Convencional).

Assim era motor dianteiro, igual ao amarelo visto na Rui Barbosa na foto acima a esquerda, isso se não for exatamente esse.

………

itajai-2999

Em Campinas, pintura curitibana dos Interbairros. N° 2999, que é reservado pros que estão em testes na Viação Itajaí.

E como esse curitibano foi parar em Campinas?

Como dizíamos acima, o fim dos anos 80 foi complicado nessa cidade paulista. Com a saída da CCTC, a coisa complicou de vez.

Assim a Viação Campos Gerais, de Ponta Grossa-PR, foi convidada a assumir algumas linhas.

Veja que os 2 busos das pontas ainda estão na pintura da CCTC, que se recusara a adotar a padronização EBTU (branco, com uma faixa indicando a região da linha).

Alguns dizem que a Campos Gerais é dos Gullin.

testes lona letreiro linha amarelo sp verde interbairros buso perus z/n santa brígida artic marcop viale ctbaGrupo que também controlam várias viações na Grande Curitiba, inclusive a finada Marechal que forneceu esse ônibus amarelo pra Campinas.

E sequer repintaram, configurando mais uma ‘tabela trocada’.

…………JR106 munic buso motor atrás traseiro ctba articulado sanfonado verde interbairros scania eletrônico torino marcop

Continuamos com a conexão SP Capital/Curitiba/Campinas.

Acima a direita (vide legenda) vimos articulado Interbairros de Curitiba em testes na maior metrópole do interior do estado de São Paulo, numerado 2999.

CMTC capital paulista lona buso sp mafersa verde interbairros z/s Ctba capital paulistaDo interior pra capital, o resto é igual:

Acima a esquerda um articulado da S. Brígida com o verde dos Interbairros de Curitiba vai pra Perus, Z/N de Sampa (fonte dessa e várias outras: Revista Portal do Ônibus).

A direita um outro sanfonado Interbairros, também Marcopolo, circulando aqui em Curitiba, esse na tabela correta.CMTC lona buso entrada frente sp convencional mafersa amarelo z/s Curitiba

Acima e ao lado:

CMTC’s verde e amarelo, que deveriam ter sido Interbairros e Convencionais aqui em Curitiba.

Não é modo de falar.

campinas anos 80 buso amélia padronizada pintura vidro preto branco faixa verde tuca caioEm 1987, a prefeitura curitibana lanço licitação pra adquirir 55 ônibus padrão (alongados, 3 portas, etc.)

A Mafersa ganhou a concorrência e produziu o material nas condições requeridas.

Mas a prefeitura de Curitiba cancelou a compra, não sei porque motivo.3 saia rosa blusa lona buso sp z/l azul viação são paulo caio amélia era ex- pintura campinas

Assim vários foram pra CMTC, que botou pra rodar sem repintar, e outros pra Vitória-ES.

………

Agora a conexão é só SP Capital/Campinas.

hibribus Fortaleza Ctba marcop verde híbrido placa chapa testes embarque invertido frente dianteira unifor campus universidade ceará nordeste volvo elétrico motor traseiro atrás vidro preto

De Curitiba a Fortaleza: Hibri-Bus curitibano estreou antes em testes na capital do Ceará.

A esquerda acima um Amélia na primeira padronização de pintura campineira:

Ônibus branco, com uma faixa colorida indicando pra que parte da cidade ele vai.

Agora segura essa bomba:

A direita um Amélia na mesma pintura. Mas circulando na Zona Leste da Capital.

hibribus hibri-bus Ctba marcop verde híbrido sem placa chapa volvo elétrico motor traseiro atrás vidro preto interbairros 1 z/c outra pintura fora padrão tribais arco escuro 2 cores tons

Hibri-Bus no Interbairros 1, que circunda a Zona Central da capital do Paraná.

Amplie e poderá ver que veio usado de Campinas, apagaram o logotipo e numeração.

Mas não repintaram pro padrão ‘Saia-&-Blusa’ paulistano então vigente. Improviso. Tabela trocada.

………

Já que estamos aqui na Capital Paulista, vamos ver uma ‘tabela trocada dentro do mesmo município.

Em 2003 foi implantado o padrão ‘Inter-Ligado’, que vigora até hoje.

buso sp i2 letreiro eletrônico z/n vidro preto azul branco inter-ligado caio metrô santanaA cidade foi dividida em 8 faixas, os busos têm a cor da região. A faixa 2 é azul escura, e fica na Zona Norte.

O consórcio responsável pelas linhas é a Sambaíba, a mesma que tem muita força em Campinas e região.

Ao lado um exemplo, a linha tem o ponto final na Estação do Metrô Santana. Prefixo 2, cor azul, Sambaíba, Z/N. Tabela normal.

tribus trucado 3 3º eixo z/s vidro preto i7 sp roxo interligado brancoA faixa 7 é roxa (ou violeta se preferir, ou ‘vinho’ como as Mulheres diriam), e fica na Zona Sul. A região do Capão Redondo, Jd. Ângela e entorno.

As linhas são do Consórcio 7, do Grupo Ruas, aquele que detêm 60% ou mais da frota paulistana.

Não é pouco, o total são 14 mil veículos portanto só as viações do Ruas (concentradas nas Zonas Sul e Leste, as mais populosas) têm perto de 8 mil ônibus.

trocado-spO grupo Ruas também é  desde os anos 90 dono da Caio – a montadora faliu, e só não fechou porque foi comprada pelo Ruas.

Logo 100% de sua frota é dessa encarroçadora, pois o conglomerado compra dele mesmo. Assim a Caio tem mercado pra lá de cativo.

A direita de costas um Apache Tribus do Consórcio 7: roxo, prefixo 7, eis a tabela normal.

Isto bem estabelecido (pros paulistanos é pleonasmo, falei pro resto do Brasil), vejamos a esquerda a tabela trocada:santo amaro lona z/s municip sp buso caio alfa faixa verde branco artic

Outro Apache da Sambaíba, e por isso com o azul da Zona Norte.

Mas emprestado pro Consórcio 7, e daí a numeração que começa com 7, e indo pro Terminal Santo Amaro, Zona Sul.

sao-paulo-em-itajai……….

Direita: também indo pro Terminal Santo Amaro e também Caio.

Um articulado Alfa, na pintura ‘Municipalizado’ dos ano 90. 

Os veículos maiores (articulados e tipo ‘padrão’ alongados‘) usavam faixa verde, os pitocos faixa vermelha.sao-paulo-em-itajai1

Pois bem. Em 1996, um articulado paulistano (branco, faixa verde) Volvo/Marcopolo foi testado em alguns lugares do Brasil antes de ficar em definitivo em SP.

Acima e ao lado (essas e outras pela página vindas da página EgonBus) o busão em Itajaí, Santa Catarina.

bauru-testesE a esquerda o mesmo veículo em Bauru, São Paulo.

Cumprindo a linha Octávio Rasi, que pelo visto é a ‘piloteira,’ a escolhida pra testar os carros novos que ainda não foram adquiridos em definitivo.

Outro detalhe: ainda pela ECCB, a famosa Empresa Circular Cidade de Bauru, que deixou muitas saudades.bauru

Paciência. Tudo muda, e a ECCB se foi.

Em seu lugar entraram outras viações como a Cidade Sem Limites e a Grande Bauru.

A direita vemos um Marcopolo da Grande Bauru, numa padronização de pintura da cidade.

cuiaba3E a esquerda:

Um buso ex-Bauru agora em Cuiabá, da Integração Transportes.

Alias a capital do Mato Grosso é famosa por absorver ônibus usados do Brasil inteiro e pôr pra circular sem repintar. cuiaba

A campeã nacional da ‘Tabela Trocada’.

Quando estive lá, no já distante ano de 2006, isso foi o que mais me chamou a atenção.

Vamos a mais exemplos, que são abundantes.

sjcA direita: Apache da Sol em Cuiabá. Ainda na padronização de São José dos Campos-SP.

Já a esquerda, o exato mesmo veículo na ‘tabela normal’, com seu antigo dono no interior paulista 

(Nota: alias vemos no buso atrás desse que em SJC ainda se usa escrever ‘Cidade’ quando a linha retorna ao Centro. cuiaba2

Décadas atrás foi assim também em SP Capital, Campinas, e quem sabe outras cidades, mas não mais a muito. Em SJC ainda é.)

……..

Tou só me aquecendo.

santos De branco e faixa azul, mais um Apache circulando em Cuiabá, pela Viação Sol. Agora com a pintura de Santos.

Mato a cobra e mostro o pau. Vemos ao lado o exato mesmo Apache.

Clicado anteriormente numa belíssima tomada na orla dessa importante cidade portuária paulista, e de brinde ainda ao pôr-do-Sol (ou talvez um nascer-do-Sol).cuiaba4

A conexão Santos/Cuiabá apenas se inicia.

A direita:

Da mesma Viação Sol, outro Apache em Cuiabá.

Ainda com a decoração visual santista

santos-2Como comprovado a esquerda, um desses bichões com a ‘tabela normal’ no Litoral Paulista.

Dessa vez não conseguimos o flagra do exato mesmo carro, até porque acima é Caio, ao lado trata-se de um Marcopolo.

Mas a pintura está aí registrada, é o que basta.cuiaba1

Pensa que é só Uberaba que tem EMTU sem pertencer ao estado de São Paulo? Pensa?

Então filma ao lado mais um da Viação Sol cuiabana.

………..

E por falar nisso voltamos pro interior paulista.

campinas2Esquerda:

Neobus da Viação Itajaí de Campinas. Número de teste tradicional, 2999

Com a pintura dos metropolitanos de Belo Horizonte.

Exemplificado a direita: metrop outra postagem: "Tabela Trocada" linha adesivada vidro buso bh laranja amarelo adesivado cidade administrativa sede governo estadual masdcarello eletrônico placa itinerário viaduto pichado pichação

Mascarello  na Grande B.H.

Abaixo um Marcopolo municipal de Belô, também laranja e amarelo.

Na capital de Minas, como em Curitiba, no SEI de Recife e muitas outras cidades, a cor do ônibus não indica pra onde ele vai.

amarelo buso bh eletrônico marcop letreiro menor lateral placa itinerário vidro hospitais transição azul flechas paese tabela trocada categoria errada 3 portasE sim a categoria da linha: expresso, alimentador, diametral, circular, radial,  inter-bairros, etc.

Não sei qual a categoria dos ônibus laranjas, sei que cada cor é uma categoria.

Mas vejam ao lado:

O buso é laranja. Mas a placa do itinerário é azul. FR071 8071 lona buso ctba frota pública volvo ciferal alvorada articulado chapa branca laranja propriedade povo provisório interbairros inter-bairros tabela trocada redentor terminal parado ponto final letreiro saliente cima

Logo, o buso é de uma categoria, mas está cumprindo linha de outra.

Mais uma ‘tabela trocada’ municipal.

A direita, um exemplo aqui de Curitiba.

interlig branco lona buso sp i3 Amarelo z/l vidro preto caio apache tribus trucado 3 3º eixo paese 2002 placa vidro itinerário letreiro reservado papel escrito mão improvisado linha colado vidro para-brisasArticulado laranja da Frota Pública da Urbs. Pela cor deveria fazer linhas do Expresso.

Por um tempo os Expressos foram laranjas, depois voltaram ao vermelho, pra quem não sabe.

Mas está fazendo linha de Interbairros, note a placa de itinerário verde atrás da porta.

sjp ex-carmo buso anos década 90 ctba livre lona marcop torino laranja sjp são josé pinhais tabela trocada ex-munic metrop terminal ponto final guadalupe quisisana padrão alongado motor atrás traseiro

Term. Guadalupe, Curitiba. Torino ex-Carmo, viação municipal, em linha intermunicipal pela Viação S. José dos Pinhais. Mudaram o n°, e o ‘Cid. de Curitiba’ por ‘Metropolitano’. Mas não tiraram o laranja dos alimentadores de Ctba. Carmo e S. José eram do mesmo dono. Na “licitação” de 2010, Carmo acabou e S. José assumiu suas linhas municipais da capital.

O ônibus que o ultrapassa, esse sim, está adequado a linhas de Interbairros.

………..

Acima: Tribus amarelo da Zona Leste de Sampa faz ‘Paese’ (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência).

Que é exatamente o jargão técnico paulistano pra ‘tabela trocada’.

Deveria estar numa linha, mas em situação emergencial está em outra.

Como ele não faz esse roteiro normalmente, na época da lona a linha não constava no letreiro.

operando expresso azul pinhais z/l ctba artic ex-recife era volvo torino marcop buso bege terminal guadalupe centrão z/c placa itinerário linha vidro para-brisas fora serviço paese tabela trocada improviso roda preta pintada ficha técnica portal página internetDaí a escrito ‘Reservado’ no local apropriado.

E você tem que saber a linha por uma placa improvisada no para-brisas.

Cara, beleza. Na época da lona era normal.

buso bh minas mg sinal esquina farol vermelho metrop linha pintada lata lateral improviso coberta fita-crepe mudada

Belo Horizonte, novembro de 2012 (*).

Mas filma isso a esquerda.

No mesmo Terminal Guadalupe (Centrão de Curitiba) falado na foto acima a direita:

Articulado vai partir pra Pinhais (na Zona Leste metropolitana). Mas você tem que saber isso por uma placa no vidro.

Já que onde deveria vir a linha está grafado ‘Fora de Operação’. Detalhe…. o letreiro é eletrônico.

buso Brasil RJ vidro preto Sto. Domingo RD carioca letreiro menor lateral linha

Santo Domingo, outubro de 2013 (*).

Não bastava simplesmente digitar a linha num teclado, como eu faço pra produzir esse texto?

Improviso na lona, vá lá, eu entendo. Agora, esse improviso no letreiro digital….

Sinceramente não pude compreender. Está registrado, cada um chegue a suas próprias conclusões.

……….

buso ex rio janeiro rj carioca assunção paraguai importado levado português letreiro niterói piratininga são lourenço san lorenzo z/l

Assunção, maio de 2013 (*).

Direita acima, aquele ônibus vermelho que só aparece parte da lateral:

Belo Horizonte, novembro de 2012 (essa é de minha autoria, por isso está asteriscada (*), como já dito):

Por falar em improviso, né?

Em Belô, e em Belém, por muitos anos a linha veio pintada na lateral ou adesivada no letreiro do veículo.

Portanto o ‘carro’ tem que ficar fixo nela, não dá pra mudar. Esse é o padrão em quase toda América Latina, ou era antes do letreiro eletrônico e das ondas de modernização.

itajai

Itajaí-SC (não confunda as fotos da Viação Itajaí de Campinas-SP com a cidade portuária catarinense, essa é o 2° caso): frota oriunda de B. Horizonte, ainda com a pintura de Minas (vide imagem de um com essa pintura em BH um pouco mais pro alto na página) na garagem da Coletivo Itajaí. No entanto, não sabemos se eles operaram assim ou foram repintados antes de ir a rua. Se receberam nova decoração conforme o padrão correto da cidade, não é tabela trocada. Numa garagem da Gde. Curitiba também foi flagrado um ex-BH, mas ele não rodou aqui como chegou, foi adequado a nosso padrão.

No Brasil porém não era assim, exceto nas capitais do Pará e de Minas. Nelas, enfatizando de novo, o carro ficava fixo na linha.

Mas e se precisasse mudar? Mete uma fita-crepe por cima da linha antiga e já era, como flagrei em B.H., em 2012.

Improviso? Tabela Trocada. Quem disse que não troca???

……….

Já que o tema é América Latina, emendamos essa (você já viu as fotos um pouco pra cima, busque pelas legendas):

Santo Domingo (Rep. Dominicana, Caribe), e Assunção (Paraguai), ambos no ano de 2013:

Busos cumprem linhas locais. 

Foram importados usados do Brasil, e sequer mexeram nos letreiros laterais que informam quais linhas eles cumpriam no Grande Rio:CMM

Respectivamente, como observado: “734- Madureira/Rio das Pedras” (municipal carioca) no Caribe, e “Piratininga” (Niterói) no Paraguai.

Direita: articulado Mega Neobus (aquele redondão que é a “re-encarnação do espírito” Monobloco) sai do T5, em Manaus  – prefixo em cor diferente porque é ‘Costa Norte Brasileira‘.

Antes de seguir pro Amazonas, essa safra fez testes em Salvador. Confira os bichões na Boa Terra, mas já na decoração manauara, com o ‘M’ de Manaus e tudo.

campo largo buso piedade neobus merced amarelo faixa branca cinza micrão 3 portas munic ctba z/oPra fechar, vamos ver mais algumas viações que operam na Grande Curitiba fazendo ‘tabela trocada’ no interior/litoral do Paraná e Santa Catarina.

Esquerda: pintura municipal de Campo Largo, subúrbio da Zona Oeste da capital do Paraná (fonte: página Ônibus in Brasil).

A viação é a Piedade, que pertence ao grupo Campo Largo.

porto união vitória buso amarelo marcop cinza ex- campo largo z/o ctba viale faixa interior paraná sc pr catarina divisa

Ônibus da Piedade em União da Vitória/PR.

Pois bem. Paraná e Santa Catarina compartilham 2 cidades-gêmeas, Rio-Mafra e ‘Porto União da Vitória‘.

Cada cidade-gêmea é composta por uma mesma cidade que se espraia por dois municípios, um em cada estado. Politicamente, estão separados.

Mas na prática formam uma e a mesma cidade em todos os outros aspectos: cultural, econômico, urbanístico, etc.

Ou seja, Rio Negro-PR e Mafra-SC formam uma única urbe, que é Rio-Mafra. Porto União-SC e União da Vitória-PR são uma e a mesma cidade, Porto União da Vitória.

porto união vitória buso amarelo marcop cinza ex- campo largo z/o ctba viale faixa interior paraná sc pr catarina divisa

Da mesma viação em Porto União/SC. Notam que as tomadas vieram do sítio IMP Ônibus.

No passado, em ambos os casos não havia divisão, sequer na esfera política. As cisões são herança da ‘Guerra do Contestado‘.

Pro que nos interessa aqui, a Campo Largo comprou as viações locais das duas cidades gêmeas, tanto ‘Rio-Mafra’ quanto ‘Porto União da Vitória’.

A divisa PR/SC agora é dela, inconteste. O que a guerra separou, o grupo Campo Largo voltou a unir, segundo alguns.

Os busos vão usados da região metropolitana da capital, e não são repintados pra operar no interior, como notam. buso rio-mafra outra postagem: "de Curitiba pro mundo" eletrônico amarelo marcop cinza ex- campo largo z/o ctba rio negro viale faixa interior paraná sc pr catarina divisa

Nas 2 fotos acima já vimos os ex-Gde. Curitiba (pintura municipal de C. Largo) dos dois lados da divisa em ‘Porto União da Vitória’

Ao lado: Mafra-SC, março de 2015 (*). Em foto clicada pessoalmente por mim, vemos mais um ex-Campo Largo, ainda na pintura original. 

buso rio-mafra outra postagem: "de Curitiba pro mundo" amarelo marcop faxinal ex-ctba negro eletrônicoMano, não apenas não re-pintaram. Não se deram o trabalho sequer de re-emplacar o veículo.

Eu tirei uma foto bem de perto, onde se lia na chapa “PR-Campo Largo”, acabei apagando sem publicar pois o espaço é limitado.

E esquerda também em Rio-Mafra um da mesma viação, dessa vez no padrão de Curitiba (*).

testes1

Próximas 2: ‘Super-Articulado’ Mercedes/Marcopolo (com 4° eixo, 23 metros e 220 pessoas, enquanto que em um sanfonado normal são 18 metros e 150 passageiros) em testes em Curitiba – amplie a foto ao lado pra ler a placa de São Bernardo do Campo (no ABC, Grande SP), sede da Mercedes. Essas do busão prateado e outras imagens vieram da página IvanBuss.

(Duas notas: 1-Até 2015 os sistemas municipal e metropolitano da capital eram o mesmo.

Mesmo após a separação da parte financeira várias linhas metropolitanas ainda usam as cores da capital.

A linha metropolitana mesmo Ctba/Campo Largo ainda é feita por ônibus amarelos, e é exatamente por isso que vemos esse na divisa PR/SC.

E 2- Sinceramente, não lembro se tirei a foto acima a esquerda em Rio Negro ou em Mafra.)

Mas não faz qualquer diferença, a maioria senão todas as linhas são inter-municipais, e portanto inter-estaduais.

Natural, pois, repetindo, Rio Negro e Mafra são uma e a mesma cidade, embora sejam 2 municípios distintos, um em cada estado.

testes

Tem portas dos dois lados. Como ele é cinza e as portas da esquerda são elevadas, poderia fazer linha de Ligeirinho. Se ele estivesse na linha Inter 2, não seria ‘Tabela Trocada’, entraria só na outra postagem, ‘Em Testes’. Mas ele está usando as portas da direita pra puxar a Inter-Bairros 2, que na tabela normal é verde. Então trocou a tabela.

Portanto o ônibus lá tem que ser ao mesmo tempo urbano e inter-estadual, assim como Foz do Iguaçu tem linha urbana e inter-nacional.

……….

Como foi bem ilustrado e explicado na matéria sobre os Ônibus Metropolitanos de Curitiba, 1992-Presente:

No começo dos anos 90 os busos inter-municipais da Grande Curitiba deixaram de ter pintura livre.

Foram padronizados em uni-color: a cidade foi dividida em várias faixas, cada uma com uma cor.

Assim pela cor você já saberia pra qual município suburbano vai aquela linha.bege graciosa lona são josé pinhais buso ctba metrop jardim ipê padrão longo busscar

Umas poucas linhas deveriam ser beges, excepcionalmente. Só que a exceção virou a regra.

Só a Viação São José dos Pinhais se manteve no esquema original e ainda é vermelha.

Todas as demais, incluso as outras empresas que também vão pra S. J. dos Pinhais, padronizaram toda sua frota em bege.

metropolitano lona buso paranaguá pgua graciosa caio apache pintura livre 3 portas roda pintada branco faixa verde emblema logo letreiro praia de leste adesivo feliz 2008 cortinas ano-novo paraná pr litoral interiorQue portanto é a cor arquétipa de ônibus metropolitano em Curitiba. Isto posto, vamos lá. A direita a tabela correta:

Pintura bege padronizada metropolitana de Curitiba, viação Graciosa em linha da Gde. Curitiba.

A Graciosa também atua no Litoral do Estado. E lá continua pintura livre.litoral

Veja a esquerda esse Apache que liga Paranaguá a outras cidades costeiras. 

Essa, por sua vez, é a tabela normal, branco e verde (cores e desenhos escolhidos pela empresa) perto do Oceano.

bege marcop buso ctba metrop br-116 terminal fazenda rio grande reunidas

Tabela correta: Reunidas Metropolitano na Gde. Curitiba. Padronizado bege com letra ‘M’.

Na maior parte do ano, fora da temporada, geralmente funciona assim mesmo.

Mas no auge do verão, quando o calor está no pico, o Litoral bomba de gente.

Aí o que acontece: a Graciosa desce parte da frota, pra ajudar por lá. E esses ‘carros’ extras trocam de tabela.

Acima a direita, Busscar da Graciosa vai pro balneário de Guaratuba. 

santa-catarina-livre

Tabela correta: Reunidas suburbano em Santa Catarina. Pintura livre.

Entretanto, bege padronizado e com o ‘M’ do sistema metropolitano da capital. Mais: escrito ‘São José dos Pinhais’ na lata.

Outro caso similar. A viação Reunidas tem sede em Santa Catarina. Mas ela opera também na Grande Curitiba.

Sua área de atuação é formada por alguns municípios bem distantes que ainda começam a se metropolizar de forma efeitiva.

santa-catarina

Tabela trocada: suburbano em SC, mas pintura do Metropolitano do PR.

Pois são tão longe que ainda são uma transição entre interior e subúrbio de metrópole.

Seja como for, observe acima a esquerda (onde aparece o terminal ao fundo) a tabela correta:

Marcopolo da Reunidas na Grande Curitiba. Bege, e com o ‘M’ de metropolitano

Como dito vemos o Terminal Fazenda Rio Grande, mas os busos da Reunidas não integram, só passam em frente mesmo.

piracicabana-sao-roque-7215

Como surgiram as R.M.’s de Sorocaba e Vale do Paraíba, a EMTU encampou várias linhas da Artesp. Mas a linha São Roque/Itapevi ainda é da Artesp (veja o adesivo do ‘S’ de Suburbano no vidro), e portanto ainda é pintura livre. E o que a Piracicabana (sempre ela!!!) fez? Botou buso com pintura EMTU fazendo linha da Artesp, apenas tiraram as faixas vermelhas e cinzas.

No entanto, a Reunidas também opera linhas suburbanas (pega estrada, mas é buso com catraca e 2 ou 3 portas) no interior do Paraná e Santa Catarina.

E ali não há padronização de pintura.

Acima a direita (vide legenda) um Marcopolo com pintura livre branco com detalhes em azul e vermelho, e o ‘Reunidas’ enorme.

Essa é a tabela correta pras linhas do interior.

Agora acima a ‘Tabela Trocada’. A linha é Três Barras/Canoinhas/SC.

Mas o buso é bege e tem a palavra ‘metropolitano’ e sua inicial ‘M’ grafados, padrão da Grande Curitiba.

O n° também tem o prefixo ’30’, estabelecido pela Comec (órgão estatal paranaense que regula o transporte metropolitano). Apenas a entrada foi invertida pra trás.kombi adapatado caseiro artesanal perua vw volkswagen verde branco alongada gancho pé-grande roda pneu 16 janelas limosine

……….

Aqui se encerra a matéria. Vamos aproveitar o embalo e pôr as ligações pras outras matérias que também foram atualizadas com várias fotos.

mercês Linha Turismo buso 1-and ctba vidro alongado adaptado maior símbolo jardineira motor atrás traseiro branco desenhos pontos turísticos praça tiradentes centrão z/c parado ponto final pessoas passageiros entrando subindo embarcando bonde bondinho ciferalGostou da Kombi Pé-Grande, com um gancho na frente e se tudo fosse pouco hiper-alongada com 16 janelas?

É trans-gênica, claro. Além dessa adicionei outras 3 Kombis (uma trucada, ou seja, Tribus), e outras 2 com reboque – que é outra Kombi cortada.

costa-rica

De Curitiba pro Mundo“, e fechando com chave de ouro: Caio ex-Curitiba na Costa Rica. Como no letreiro ainda diz “Inter-Bairros 2“, é tabela trocada. Fonte: sítio Bus-Planet (busos do mundo inteiro).

E além disso um ‘Pé-Grande Casa-Móvel’.

E essa jardineira na Linha Turismo? Atualizei a matéria contando ilustradamente a história de toda a frota que já operou e opera na Linha Turismo:

Jardineiras, ônibus 1-andar adaptado, ônibus 1-andar feito especialmente pra esse fim, e 2-andares.

Portanto desde as linhas que a precederam e geraram: Pro-Parque e Volta ao Mundo.

Que Deus Ilumine a Todos.

Ele-Ela proverá

Linha Turismo: a Curitiba que sai na TV

lado a, lado b: esse é o lado ‘a’ da cidade

outra postagem: "Linha Turismo, Curitiba Sai na TV" Parques mapa ctba desenho divisão zonas área verde itinerário roteiro traçadoPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 6 de janeiro de 2017

Em dezembro de 16, andei novamente na Linha Turismo.

E dessa vez eu fotografei os bairros pelos quais o ônibus passa. Digo, na matéria original (sem incluir atualizações) todas as fotos são de minha autoria, mas nem todas desse dia.

A imensa maioria sim, mas algumas imagens puxei do arquivo, afinal se eu já tinha aquela cena registrada por que repetir?

Museu Olho Centro Cívico z/c ctba oscar niemeyer escultura

Aqui e a esquerda o tótem: ‘Museu do Olho’ (Oscar Niemayer), Centro Cívico, Z/C.

Feitos esses apontamentos técnicos, bora de volta falar da Linha Turismo. Já levantei pra rede algumas flores que estão no roteiro.

No mapa vemos o trajeto do ônibus 2 andares. Como eu já disse antes e é notório: a Linha Turismo concentra 95% do trajeto nas Zonas Central, Oeste e Norte.

Na Zona Leste ela entra rapidíssima (só o Jardim Botânico) e a Sul ela ignora por completo.

……..

Em outros textos nós mostramos a parte da cidade que não é turística. Por exemplo, eis o ‘Portal da Zona Sul’, que não foi contemplada com a passagem desse ônibus.

totemAli estão ancoradas diversos ensaios fotográficos que fiz em bairros periféricos da Z/S.

Quem não é daqui vai então ficar sabendo o porquê do roteiro ter sido assim traçado.

……….

A periferia, não apenas a austral mas de toda Curitiba e Região Metropolitana, é abordada em outros ensaios.belem

No tema de hoje nós vamos ver a porção turística, rica, e arborizada da capital do Paraná.

Vou descrevendo o trajeto, bem ilustrado com fotos.

Quando eu já tiver feito outras postagens sobre aquele bairro, eu dou a ligação em vermelho.

arco-polonesTudo isto posto, vamos lá.

Eu comecei no ‘Museu do Olho’ (Oscar Niemayer), Centro Cívico, na Zona Central. Visto acima nas tomadas legendadas.

Cruzamos o Rio Belém (dir.).jd-schaffer-4

Acima, entrando num pequeno trecho da Mateus Leme, passamos sob o Portal Polonês.

Bem próximo ao Bosque João Paulo 2°.

jd-schafferFiz um desenho em que mostro o Belém, o Bosque do Papa e o Museu do Olho ao fundo.

Acima e nessa imagem ao lado: Jardim Schaffer.

Uma região de alto padrão, como notam, onde está o Bosque Alemão.

Não pude fotografar esse parque porque ele ficou a direita do ônibus.

pedreira ctba z/n abranches rua portões portão entrada portal bosqueE como vocês notam em várias tomadas, eu me sentei a esquerda do busão.

Pelo mesmo motivo não cliquei o Parque Tanguá, Jardim Botânico, entre outras paradas.

Peço desculpas, mas não havia como ficar trocando de banco, tive que escolher um assento e me fixar nele.

ópera arame abranches Z/N bosque teatro ponte metal ferro árvore verde parque lago águaSeja como for, o Schaffer (cujas algumas ruas têm nome de compositores de música clássica) não é um bairro independente, mas uma ‘vila’.

Uma vila de elite, claro. Ainda assim, os bairros a que o Schaffer pertence são a Vista Alegre e Pilarzinho, na divisa entre as Zonas Oeste e Norte.

Já pedi desculpas e expliquei porque não fotografei o Bosque Alemão e Parque Tanguá. parque são lourenço outra postagem: "Linha Turismo, Curitiba Sai na TV" z/n placa vertical ctba canal tótem totem árvore bosque banca lanchonete comércio trânsito avenida ladeira

Nas duas fotos acima vemos o Abranches.

A direita acima é o portão de entrada da Pedreira Paulo Leminski.

geminado-pilarzinhoE passarela dá acesso aquela construção tubular redonda entre o verde que é a Ópera de Arame.

A passarela também é de arame, e portanto vazada. Por isso criaram a ‘Faixa do Salto-Alto‘ no canto.

Já fiz matéria específica sobre a região, onde eu explico melhor a história.verde-4-pil

Curiosidades calçadistas femininas a parte, a rua da Pedreira e Ópera (João Gava) desemboca no Parque São Lourenço. Acima a direita o tótem dele.

Depois o busão retorna ao Pilarzinho.

As próximas 8 imagens (contando a partir dos sobrados geminados a esquerda) são desse grande e populoso bairro da Zona Norte.

pilarzinho-4Alias como veremos por seu considerável tamanho o Pilarzinho tem uma heterogeneidade social muito grande.

Antigamente o bairro já tinha sua porção mais central bem aburguesada. madeira-pilarzinho-3

Mas sua parte mais afastada do Centro, bem próxima de Tamandaré, era periferia mesmo.

Agora o aburguesamento avança rum ao subúrbio, então tudo convive:

pilarzinhoSobrados triplex de meio milhão de reais (ou mais), sobrados mais simples e prédios classe-média.

E ainda restam certas partes de periferia com casas simples de madeira e mesmo algumas favelas.

……..pilarzinho-5

Alguns detalhes se sobressaem:

Veja quanta área verde.

Nas Zonas Norte e Oeste Curitiba é uma das cidades mais arborizadas do mundo.

lote-pilarzinho-2Próximas 2 tomadas:

Ainda no Pilarzinho, vemos a periferia típica do Sul do Brasil. Como já falamos muitas vezes:

Casa de madeira;

lote-pilarzinho

Aqui se encerra a sequência do Pilarzinho.

Terreno enorme, dá pra fazer um campo de futebol;

– Muro baixo, ou mesmo uma cerquinha de madeira;

– Sem calçamento nem fora nem dentro do terreno.

Flagramos até um Fuca na ativa!, como você pode observar.

Mas tudo isso está mudando.

taboaoA Zona Oeste e em menor medida vários bairros da Norte concentram boa parte dos grandes terrenos ainda vagos dentro da cidade.

Fora dali, isso só acontecia até recentemente também no Uberaba (Zona Leste) e Xaxim (Zona Sul).

Por isso todos esses bairros foram os que mais cresceram nas últimas duas décadas e meia.

pq-tingui-3Exatamente por terem mais espaço disponível.

Repare que na foto acima da do Fusca o gigante terreno já tem placa de vende-se.

Logo será um condomínio, horizontal ou vertical.

A direita mais um prédio novo, no bairro Taboão, vizinho ao Pilarzinho. pq-tingui-7

……….

Vamos cruzar o Rio Barigüi.

E portanto saímos do Pilarzinho, Zona Norte, e voltamos a Vista Alegre e a Zona Oeste.

É a vez do Parque Tingüi, um dos muitos as margens do Barigüi.

pq-tingui-6Acima a esquerda exatamente a área verde ao redor do lago formado pelo represamento do Rio.

E depois duas pontinhas de madeira (uma pra pedestres e outra pra veículos) cruzando-o.

O Memorial Ucraniano (esq.) também fica no Pq. Tingüi.

Saindo do parque, vemos ao lado aquilo que te falei:

vista alegre z/o ctba sobrado condomínio fechado classe média alta moto céu nuvens eliteConstruções relativamente novas de classe alta e média-alta.

São recentes, como dito. A região era pobre antes do parque (pois é bem no subúrbio, a poucos metros de Tamandaré).

E ainda restam algumas casas bem humildes, onde se cria até galinhas, bordejando essa área verde.

Mas nada disso não dá pra ver do ônibus.

madeira-vista-alegre-2

Também Vista Alegre: sobrado bi-modal (alvenaria/madeira), muito comum no Chile, em Santos-SP e na Ucrânia.

……

Digo, essa ao lado do Tingüi não dá mesmo.

Mas logo a seguir a Linha Turismo entra em Santa Felicidade, e o mesmo se repete: 

Ainda há casas que criam galinhas, dentro da cidade.

Nas próximas duas tomadas abaixo (a mesma em escalas distintas) comprovamos o que falo.

criacao-de-galinhas

Próximas 8: Santa Felicidade, Z/O.

Ressalto, aqui é Santa Felicidade, já longe do Pq. Tingüi.

O Extremo Oeste da cidade ainda mantém pequena área rural.

Em outros bairros da Z/O (não atendidos pela Linha Turismo) ocorre o mesmo, e nesses eu fotografei melhor.

galinha-sf……..

Mudou o bairro, e até a ‘zona’ (de Norte pra Oeste).

Mas muitas cenas em S. Felicidade são similares as que víramos no Pilarzinho:

– Muita área verde;

– Terrenos enormes;lote-santa-felicidade

– Várias dessas matas e lotes com casas humildes já a venda;

– Moradias humildes sendo muitas e muitas na madeira;

Adensamento, aburguesamento com o surgimento lote-santa-felicidade-2de condomínios;

– E até pequenas invasões.

…….lote-santa-felicidade-3

Agora vamos falar das características próprias de Santa Felicidade (e seu vizinho menor Cascatinha, que fica no caminho):

É a região italiana da cidade por excelência.

vinicolaEntão a Av. Manoel Ribas concentra enormes restaurantes (onde se serve frango, polenta, maionese e massas), vinícolas e o comércio moveleiro.

Ao lado vemos uma casa de vinhos.madalosso

Mas a maior atração de S. Felicidade vem agora. ‘Maior’ não é figura de linguagem.

Eu disse que os restaurantes são enormes.

Pois bem. O Madalosso (dir.) é nada menos que o segundo maior do mundo.

buso-2Maior da América, maior de todo Hemisfério Ocidental, maior de todo Hemisfério Sul.

O Madalosso serve 4,6 mil pessoas, simultaneamente.

Isso em condições normais, aberto ao público em geral.

Segundo se diz, o recorde do Madalosso foi numa campanha eleitoral pra presidente, em que Maluf (sim, aquele Paulo Maluf) fechou a casa e pagou o jantar pra 5 mil pessoas.

portal-italiano

Próximas 2: Avenida Manoel Ribas, Cascatinha e imediações. Aqui o Portal Italiano.

Corre essa história, mas eu não posso confirmar se é verdade.

O que é fato comprovado é a capacidade normal de 4,6 mil. Maior que ele em todo planeta, só um restaurante que fica na Ásia, no Hemisfério Norte e Oriental.

Pra fecharmos a foto do restaurante, a direita mais pra cima: nota que os táxis em Curitiba são laranjas com quadriculado preto.

O subúrbio metropolitano de Tamandaré xerocou a pintura.

moveis-via-veneto

Loja de móveis.

A prefeitura de Curitiba não gosta dessa cópia que cheira a pirataria, mas não pode fazer nada.

Agora a imagem que aparece um busão amarelo, justamente voltando do Terminal Santa Felicidade:

Foi feita quase em frente ao Madalosso.

O que quero chamar a atenção aqui é que em seu trecho final a Manoel Ribas é de paralelepípedos, calçamento que já foi bem mais comum em Curitiba.

………..

pq-barigui

Parque e Rio Barigüi.

As 2 acima, onde aparecem o carro vermelho (esq.) e o Portal (dir.) estamos na Manoel Ribas, mas antes de chegar a Santa Felicidade.

O Portal Italiano fica nos fundos do Parque Barigüi.

Diz “Santa Felicidade”. Estamos a caminho dela, mas ali naquele ponto ainda não é esse bairro.

torre-teleparE sim a divisa das Mercês com Vista Alegre.

Assim que cruzamos o Rio Barigüi que nomeia o mais famoso parque de Curitiba (acima), entramos na Cascatinha, onde foi clicada a loja de móveis a esquerda.

………merces

Depois de Santa Felicidade o buso começa a retornar ao Centro.

Passa pelo Pq. Barigüi, como explicamos e clicamos acima.

sao-francisco-largoE aí passa novamente pelas Mercês. É isso que vamos ver a partir de agora.

Desculpe o pleonasmo. Se estamos avistando a Torre da Telepar (acima a esquerda) é cristalino que estamos nos aproximando das Mercês.

A direita o trecho mais central da Manoel Ribas, também nas mesmas Mercês.

centrao-8

Próximas 12: o Centro da Cidade.

Óbvio que a estatal Telepar já foi privatizada a muito, e não existe mais.

Mas o nome ficou. Eu já fotografei esse mesmo monumento duas vezes, em outras duas matérias sobre a Zona Oeste.

Na tomada acima, onde aparece a galera curtindo no bar, estamos no comecinho da Manoel Ribas, quase no Largo da Ordem, em frente ao Relógio das Flores.

Nesse trecho inicial a Manoel Ribas se chama Jaime Reis, mas a rua é a mesma. Detalhe: também de paralelepípedo.

Portanto ela tem cobertura empedrada nas duas pontas, o meio é de asfalto.

centrao-7Ainda falando da foto acima a esquerda em que as pessoas bebem nas mesas no prolongamento do Lgo. da Ordem:

Ali é o bairro São Francisco, umbilicalmente ligado ao bairro que se chama ‘Centro’ mesmo, ambos juntos formam o Centrão da cidade.

Foi no São Francisco que Marília viu uma placa de refrigerante antiga, e se lembrou de sua infância.

………

A partir da tomada acima e pelas próximas 12, o Centro de Curitiba. centrao-4

Onde a cidade começou, oficialmente. Porque na verdade a primeira povoação europeia de Curitiba foi no Bairro Alto, Zona Leste.

Mas não deu certo.

ed-italiaAssim o núcleo primordial da urbe (aquilo que na América Hispânica se chama “Praça de Armas”, no México o “Zócalo”) foi transferido pra Praça Tiradentes.

Nós já falaremos mais e mostraremos a Tiradentes. Na foto um pouco mais pra cima a direita, exatamente a que está legendada como “Próximas 12: o Centro…”, estamos perto da Rua 24 Horas.

A esquerda acima, onde há uma pichação em vermelho em primeiro plano, é a Praça Santos Andrade.

Onde ficam o Teatro Guaíra e o edifício-sede da UFPR.

tiradentes

Próximas 4: a Pça. Tiradentes, no Centrão.

Logo acima o Edifício Itália, por muitos anos foi o mais alto do Paraná.

……..

Agora sim: a  Praça Tiradentes.

Na foto ao lado vemos a Catedral de Curitiba.

Tem dias que esse canteiro de flores fica todo colorido, lindíssimo. Dessa vez está seco.

marco-zero-tiradentes-2Toda quilometragem de e pra Curitiba tem esse ‘Marco Zero’ que fica na Tiradentes como referência.

Há um similar na Praça da Sé, no Centro de SP.

Portanto quando se diz que 408 km separam as capitais, mais epspecificamente se está dizendo que essa é a distância da Tiradentes a Sé.

Voltando ao marco daqui de Ctba.:

Em cima há um mapa pra lá de simplificado, mostrando as saídas da cidade.

E em cada ponto cardeal um desenho dizendo pra onde vai a estrada se você seguir nesse sentido.

Como notam, fotografamos a face ocidental:

Tem o desenho das Cataratas e está escrito “Iguassu”. Na grafia antiga, ainda.

Direita: a Tiradentes não é o marco zero apenas da cidade.

É também o ponto inicial e final da Linha Turismo.

centrao-pichoDigo, ele é circular, você não é obrigado a desembarcar em lugar nenhum.

Exceto, claro, quando ele completa a última viagem nessa exata Pç. Tiradentes.

Nas viagens intermediárias, ele estaciona porém você não precisa descer.

Mas ali ele fica mais tempo parado pra acertar o horário, é o que se chama ‘ponto de regulagem’ na busologia.picho

A esquerda (também na Tiradentes) e a direita (em outra parte do Centrão, mais perto da Rui Barbosa), 2 prédios todo detonados pelos pichadores.

Fotografei a mesma cena ali pertinho, na Marechal Deodoro, e novamente em Caiobá (Matinhos-PR), Santos e Belo Horizonte-MG.

paco……….

Ao lado: Praça Generoso Marques, nos fundos da Tiradentes.

Em primeiro plano vemos o Museu do Paço Municipal.

rua-das-flores-palacio

Próximas 2: ‘Boca Maldita’ na ‘Rua das Flores’. Aqui vemos o Palácio Avenida.

Ali foi a sede da prefeitura de 1916 a 1969. A frente há uma estátua.

E na base desta há um mapa do Brasil em que o Paraná faz divisa com o Rio Grande do Sul (????).

Espantoso, não? Paraná e Santa Catarina travaram a sangrenta ‘Guerra do Contestado’.

Que justamente contestava territórios. Dependesse da vontade paranaense, Santa Catarina só teria o litoral.

Todo o atual Oeste Catarinense deveria pertencer ao Paraná segundo essa versão, cristalizada no mapa que há estampado nessa praça.

rua-das-flores-2

O primeiro Mc Donald’s de Curitiba (de 1989) está na Luis Xavier. Aos fundos as copas das árvores da Praça Osório.

Ainda sobre a Praça Generoso Marques. Ali era o ponto inicial das primeiras linhas de expresso, quando esse modal começou em 1974.

Depois, quando vieram mais linhas pra outras partes da cidade essa primazia foi pra Pça. Rui Barbosa, que é bem maior.

…………

Já vimos a famosa ‘Boca Maldita’, as últimas (ou primeiras, depende do sentido que você vai) quadras da ‘Rua das Flores‘.

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Próximas 2: Prado Velho, Zona Central. Aqui na João Negrão pontes em dois modais (a de trem desativada) sobre o Rio Água Verde.

Em 1972, Lerner transformou em calçadão a parte mais central da Rua XV de Novembro.

A primeira quadra da XV a partir da Praça Osório se chama Avenida Luis Xavier, por seu tamanho diminuto conhecida como ‘a menor avenida do mundo’.

No ‘Palácio Avenida’, visto na foto a direita um pouco mais pro alto (vide legenda) é que há aquele famoso coral de Natal promovido por um banco.

Começou com o Bamerindus, depois HSBC, e agora é do Bradesco. Muda o patrono, a tradição continua.

……

paiol

Um pouco pra frente na mesma rua, o Teatro Paiol. Aos fundos avistamos a linha dos prédios do Cristo Rei, Zona Leste.

Saímos do Centro. Mas continuamos na Zona Central. Duas tomadas na Rua João Negrão.

A direita acima ponte sobre o Rio Água Verde (afluente do Belém, deságua nele na Vila Capanema a poucas quadras dali).

Até o fim dos anos 80 havia uma linha férrea que ligava Curitiba a Araucária. Desativaram-na, mas a ponte ferroviária permaneceu de relíquia. belem-2

É sobre o trajeto desativado dessa linha que em 1991 surgiu a invasão ‘Ferrovila’, que é estreita mas muito, muito comprida, vai do Parolin na Zona Central até a Vila Nossa Senhora da Luz no CIC, Zona Sul.

Na tomada acima a esquerda já vimos o Teatro Paiol. Logo após esse marco o busão vai rapidamente pro comecinho da Zona Leste.

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A esquerda na imagem o prédio pertence ao bairro Jardim Botânico. Já os espigões a direita estão no Cristo Rei, e são os mesmos vistos atrás do Paiol, na foto acima.

Antes disso, na foto acima, ele cruza novamente o Rio Belém. Estamos no bairro Rebouças, Zona Central.

Essa cena foi captada atrás da Rodoviária, próxima ao estádio do Paraná Clube, que também se chama Vila Capanema como todos sabem.

Ali o Belém re-emerge, pois pra cruzar o Centro enfiaram ele pra baixo da terra.

……….

Não pude fotografar o parque Jardim Botânico, com sua famosíssima cúpula que também é de arame, pelo motivo que já lhes expliquei.anaconda

Na 2 imagens acima e ao lado, a Avenida Presidente Affonso Camargo, que divide os bairros Jardim Botânico do Cristo Rei.

Um dia tudo ali pertenceu ao Cajurú, mas não mais a muito.

A direita o tubo ‘Viaduto do Capanema. Vemos em 2° plano o prédio do moinho de trigo Anaconda.

centro-civicoAquele mesmo prédio que Maurílio via da sacada quando ele foi como Super-Homem numa festa a fantasia.

…………

O ônibus da Linha Turismo acaba de deixar a Zona Leste, onde sua estada foi brevíssima. 

Nas duas últimas tomadas já vemos de novo o Centro Cívico, Zona Central.

Acima quase na Avenida Cândido de Abreu, e ao lado um dos muitos prédios públicos do bairro, que foi alias criado pra isso como o nome indica.

centro-civico-2Portanto estamos chegando ao mesmo ponto que embarcamos, o Museu do Olho.

É hora de desembarcar e finalizar o relato. O roteiro de 2 horas e meia está concluído. Espero que vocês tenham gostado da viagem. 

jardineira

1-Pró-Parque: Jardineira (original) Verde.

1ª atualização, ainda em janeiro de 2017 (a partir daqui as fotos foram baixadas da internet):

HISTÓRIA DA LINHA TURISMO

Antes havia a linha “Pro-Parque”, operada por jardineiras verdes.

Ao lado jardineira na linha pro Parque Barigüi (essa e várias outras imagens oriundas da página Ônibus Brasil).

Na verdade esse verde acima não está mais em serviço ativo.

volta-ao-mundo

1-Volta ao Mundo: Jardineira (transgênica) em dois tons de anil/turquesa, com os desenhos dos pontos turísticos.

Não importa. Foi mantido exatamente como quando cumpria essa linha. Está preservado como um ‘museu vivo’.

Se acharmos uma foto de boa definição dele na ativa, adicionamos.

Ao mesmo tempo existia a linha “Volta ao Mundo”.

Essa era feita por antigos ônibus normais, que quando venciam sua vida útil no sistema convencional eram adaptados:

Tinham sua janela ampliada pra virarem jardineiras. A direita um desses Torinos adaptados. Numerado BV002.

turismo

2- Chegou a Linha Turismo. Repintaram de branco os ‘carros’. Mantém-se os desenhos das atrações turísticas da cidade.

A esquerda o mesmo veículo, de branco e renumerado, já na Linha Turismo,

Já falamos mais do tempo que a Turismo foi implantada. Antes vamos voltar a Gênese dela, a época das jardineiras.

Nas jardineiras que vieram assim de fábrica os bancos eram como nas praças, com tiras de madeira na horizontal. Amplie a imagem do ônibus verde-escuro pra comprovar.

Nas ‘transgênicas’ (adaptadas, antes eram convencionais) não, mantiveram-se os bancos de acrílico que os veículos já possuíam.

turismo-jardineira

Aqui e a esquerda: transição pra etapa 2, a Linha Turismo implantada. As antigas jardineiras verdes do Pro-Parque também são repintadas de branco. Ainda com os desenhos dos principais locais que os turistas querem ver em Curitiba.

………..

Depois as linhas Pró-Parque e Volta ao Mundo foram fundidas pra originarem a “Linha Turismo”.

No começo, antes de virem os busos 2-andares, aproveitaram a frota das linhas-gênese.

Nas duas fotos ao lado e logo abaixo, jardineiras que antes eram verdes no ‘Pro-Parque’.

E foram dessa forma repintadas de branco ao mudarem de modal.

Logo abaixo na na Pça. Tiradentes, e direita em outro ponto da cidade.

jardineira1A Linha Turismo pegou. Se tornou uma coqueluche, uma mania da cidade.

Assim começaram a vir ônibus zero km. No começo pintados de branco.

Depois, quando vieram os 2-andares, toda a frota, incluso os de 1 andar, foi re-decorada nesse tom de verde. 

turismo1

2- Ainda na transição pra Linha Turismo.

Já mostraremos tudo isso. Nas fotos até aqui ainda estão os busos oriundos das linhas anteriores, (Pro-Parque e Volta ao Mundo).

Aquelas que, repetindo, são a gênese da Turismo.

Portanto, até esse Monobloco ao lado os busões vieram usados, e foram repintados de branco.

A direita (na mesma Tiradentes) um Monobloco transgênico das Mercês, antes era Interbairros, e foi adaptado, aumentaram as janelas.

3- Consolidação: enfim 1°s ‘carros’ Zero Km.

Agora sim vamos mostrar o que já falamos lá em cima:

Com o sucesso definitivo da Linha Turismo, passam a vir veículos novos pra ela.

Que portanto já chegam de fábrica brancos e com as janelas nessa configuração.

Ainda estão presentes os desenhos dos pontos famosos da cidade na lateral.

mercês mt006 garagem Linha Turismo buso 1-and ctba verde árvore pinheiro prédios vidro alongado adaptado maior arco vermelho paralelepípedo hexagonal símbolo emblema lona letreiro jardineira comil motor atrás traseiro amarelo convencional

4- Ainda somente 1-andar, mas chega a pintura nesse tom entre verde e bege. Eliminam-se os ícones na lataria.

Um deles a esquerda, também na Tiradentes.

E ao lado quando adotou-se a nova pintura. Numa tomada vinda da página Tudo de Ônibus, vemos numa garagem um buso 1-andar.

………

Alguns poderiam pensar que esses de somente 1 andar foram aposentados. E portanto não circulam mais na Linha Turismo.

linha-turismo-curitiba

5- Como é hoje: a estrela principal, óbvio, são os 2-andares, mas nos dias de pico os de 1-andar estão na retaguarda, valentes.

Nada poderia ser mais distante de realidade. Sim, nos dias de menor movimento só rodam veículos 2-andares. 

Mas no pico (férias e feriadões), quando o negócio bomba, a Linha Turismo opera em comboio:

Na frente um 2-andares, mas na retaguarda os bons e velhos de 1-andar vão na cobertura.

Novamente na Praça Tiradentes, um par deles, um tem escada dentro o outro não.

“Deus proverá”

é Primavera em Curitiba

flores-jd-schaffer

Jardim Schaffer, divisa entre Vista Alegre e Pilarzinho (Zonas Oeste/Norte).

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro.

Levantado pra rede em 27 de dezembro de 2016

A 1ª parte composta de material inédito.

A 2ª foi publicada (em emeio) em novembro de 2013.

(Todas as postagens de ‘flores’ são dedicadas as Mulheres)

Linha Turismo buso 2-and ctba verde descoberto conversível rodo-ar mercês busscar z/n abranches pilarzinho vidro preto eletrônico

Ônibus-2-Andares da Linha Turismo do outro lado do Pilarzinho, na divisa com o Abranches.

Querida.

Mais uma vez vamos fazer uma mescla.

E ver imagens captadas em tempos e lugares diferentes.

Em 17 dezembro de 2016 (ainda na primavera, portanto, a 4 dias do fim dela), eu andei mais uma vez na Linha Turismo.

Já joguei a matéria completa desse rolê no ar.

Linha Turismo Parques mapa ctba desenho divisão zonas página internet urbs itinerário roteiro traçadoAqui, como Abertura do Trabalho vamos vendo algumas flores que eu fotografei pelo caminho.

Portanto obviamente essa é a parte inédita, produzida em no último mês do ano de 2016.flor-sf

Coloco o mapa da Linha Turismo, que como notam se concentra nas Zonas Oeste, Norte e Central.

Na Zona Leste ela entra rapidamente e a Sul ela ignorou por completo.

Considerações sócio-políticas a parte, aqui o que nos importa são as flores que adornam a cidade.

flor-2-schafferA direita a ‘Via Veneto’ (Av. Manoel Ribas), nos fundos do Parque Barigüi, bairro das Mercês, quase no Rio Barigüi que nomeia o Parque.

O curso d’água também divide as Mercês do bairro Cascatinha.

Portanto aqui estamos entre as Zonas Oeste e Central.

Acima essa árvore toda enfeitada de rosa é novamente no Jardim Schaffer.flores-centro-civico

Veja mais flores do Pilarzinho, nas suas 2 pontas, tanto a divisa com a Vista Alegre quanto, do outro lado, com o Abranches e São Lourenço.

flor-schafferJá o canteiro a direita é na Av. Cândido de Abreu, no Centro Cívico.

Bem em frente ao ponto em que o Rio Belém passa a ser subterrâneo pra cruzar o Centro.

Há outra matéria no ar, em que mostro as flores do Centro Cívico e dos vizinhos Bom Retiro e Ahú.marília loira sorridente feliz cabelo crespo tiara lacinho rosa laço colar branco pulseiras bijuteria vestido Regando Flores botinhas botas

E a esquerda encerramos as fotos tiradas em 2016 com outro canteiro, de volta ao mesmo Jd. Schaffer que fica entre o Pilarzinho e V. Alegre.

……………..

Ao lado uma gravura publicada em outubro de 2014:

Marília regando um canteiro de flores, numa postagem que se chamou exatamente “É Primavera: as Flores Brotaram”.

curitiba-nov-13-3Eu acabo de ampliá-la, e agora além desse desenho há vários outros

Feito esse adendo, voltemos a ver fotos da cidade florida.

Vamos agora a um emeio publicado em 13/11/13:

é primavera em curitiba

curitiba-nov-13-1

Próximas 3: Rebouças, bairro ao lado do Prado Velho, também Zona Central.

A tomada acima é no bairro Prado Velho, Zona Central.

Na lateral daquele hospital psiquiátrico, quase na esquina da Av. Marechal Floriano.

Eu adoro essas árvores de copas amarelas.

Especialmente porque nessa época do ano elas despejam uma chuva de pétalas douradas sobre você!!!

curitiba-nov-13-6Numa manifestação de carinho que só a Mãe-Natureza sabe mesmo fazer.

Já recebi algumas dessas chuvas áureas exatamente dessa árvore que vemos na foto, e de suas irmãs que moram na mesma rua e mesmo bairro.curitiba-nov-13-2

…………….

Eu disse na legenda acima que as próximas 3 tomadas eram no Rebouças.

A que está legendada não resta qualquer dúvidas, aparece a placa da Rua Engenheiros Rebouças, que nomeia o bairro.

curitiba-nov-13-4

Próximas 2: Canal Belém.

Mas nas outras duas (o hibisco rosa a esquerda e essa vermelha a direita) eu não tenho certeza absoluta.

Creio que sim, minha nítida impressão é que as cenas foram capturadas nas transversais ou paralelas da Marechal, mas sempre bem próximas a essa avenida.

Já fiz também uma matéria fotografando as flores da Zona Central, com foco no Centrão, Alto da Glória, Juvevê, Água Verde, C. Cívico, Rebouças e Parolin.

curitiba-nov-13-5

Vamos a outra parte da cidade: o Canal Belém, que divide as Zonas Leste e Sul (primeiro Guabirotuba da V. Hauer, e depois Uberaba do Boqueirão).

A tomada acima e ao lado são dali. Há outra mensagem também sobre as flores belenenses, mescladas com as de Rio Branco do Sul, no extremo Norte da Grande Curitiba.

E logo abaixo fechamos de novo no Centrão, fotografando a outra Marechal, dessa vez a Marechal Deodoro. Além das matérias já ligadas acima, há outra em que eu mostro as flores do Centro.

curitiba-nov-13Misturadas com as da Zonas Leste (de novo o Belém e mais o Jardim Social) e Oeste (outras das Mercês, e seguindo pro Campina do Siqueira e Mossunguê).

Beijos em teu Coração de Mulher.

Que Deus a Ilumine Infinitamente.

Deus proverá.

até Bayeux (Z/O de João Pessoa) tem “metrô”

zona-oeste-j-pessoa1

Subúrbio ferroviário na Zona Oeste da Grande João Pessoa.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 22 de setembro de 2013

………

Segue a série sobre João Pessoa.

Hoje, entre outros temas, falaremos um pouco sobre o futebol no estado da Paraíba.

E também mais sobre a rede de transportes da capital.

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Num cais improvisado, barqueiro faz a travessia do rio no Centro de Santa Rita (subúrbio metropolitano da Z/O).

Na primeira mensagem da série mostramos como é o sistema de ônibus atual.

Na segunda demos uma palhinha sobre a Setusa, estatal estadual frota pública que exsitiu nos anos 80 e 90.

Agora vamos pro modal ferroviário: a cidade conta com uma linha de trem suburbano.

Que liga a Zona Oeste a Zona Norte passando pelo Centro. Mas é bem precário.

Pois o ramal é compartilhado com carga, não atende a orla da Zona Leste, que é a parte rica e portanto o polo de empregos, e os intervalo entre os trens é de 1h20min.

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Nem tudo em S. Rita é precário. Quando estive lá, estava em obras o 1º prédio alto do município, de classe média, bem no Centro.

Ou seja, só há uma composição operando (bem pequena, tem uns 5 vagões), o mesmo trem vai e volta, não há outro.

A única vantagem é que irrisoriamente barato, apenas R$ 0,50 (os valores são sempre de setembro de 2013, quando estive lá).

Isso mesmo, por cinquenta centavos você pode cruzar toda a cidade.

Se fosse de ônibus, gastaria mais de 10 vezes esse valor.

Veja as fotos: logo acima da manchete o trem chegando na estação-terminal (ponto final) do subúrbio metropolitano de Santa Rita, Zona Oeste

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Cruzar toda cidade por R$ 0,50??? Sim, cinquenta centavos!!!! Parece piada mas é verdade. Isso é João Pessoa.

É uma locomotiva a dísel, incomparavelmente mais lento e mais poluente.

E isso tanto em termos sonoros quanto de fumaça. Perde feio pros modelos elétricos que existem nas capitais com sistema de transporte mais avançado.

Por exemplo, veja nessa postagem o trem suburbano de Belo Horizonte, que visitei uns meses antes. Também foi feito sobre uma linha de trem de carga.

Porém em Minas a linha foi triplicada, ou seja, há duas linhas pro sistema de passageiros e mais uma pra carga, assim não há compartilhamento.

trem-estacao-centralResultando que em BH o trem suburbano opera no mesmo nível de um metrô.

Voltemos a Paraíba. Lá, a situação é bem diferente, como estou relatando e é notório.

Observe ao lado a Estação Central, no Centro de João Pessoa. 

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Próximas 2: Centro de Santa Rita, aqui a Estação e depois uma panorâmica.

Na verdade, o bairro ali se chama Varadouro.

Em João Pessoa, há um bairro chamado “Centro” mesmo, vizinho ao Varadouro. Ambos juntos formam o Centrão da cidade.

Tanto que a Estação João Pessoa (ou seja a Central) do trem, e também o Terminal Central dos ônibus urbanos e igualmente a Rodoviária estão já no Varadouro.

Que na letra fria da lei é outro bairro, mas na prática o Varadouro e o Centrão são gêmeos siameses, inseparáveis, pois são em conjunto o coração da cidade.

santa-rita-z-oeste-gde-j-pessoa5Voltando a foto da Estação Central de trem um pouco mais acima a esquerda, vejam que bem no meio há um rapaz com uma camisa de futebol, alvi-negra.

Provavelmente é de um time da Paraíba mesmo, dois dos times com maior torcida do estado são alvi-negros. Falo mais disso abaixo.trem-parte-interna-j-pessoa

Por hora, nos fixemos no transporte. Ao lado o interior do velho trem.

É possível passar de um vagão pra outro. Nesse caso a porta está fechada porque é o último vagão.

estacao-s-rita-z-o-j-pessoaFaço essa observação porque na maioria das composições do metrô e trem de SP, por exemplo, não é possível passar de um vagão pra outro, exceto nos mais novos como na linha amarela.

Bem, em João Pessoa a composição é aberta internamente e é possível transitar por toda ela, de ponta-a-ponta. Alguns bancos estão quebrados.

manaira-z-leste-j-pessoa1

Manaíra, Zona Leste.

As janelas são gradeadas, talvez pra dificultar o trabalho dos vendedores ambulantes.

Vejam numa tomada um pouco mais pra cima na página a bilheteria, com a valor quase simbólico ali afixado.

A esquerda acima a Estação S. Rita, vista por fora.

Em 2011 andei de trem em Fortaleza e paguei R$ 1,00. Já achei barato.

Curiosamente no Ceará igualmente pra um subúrbio metropolitano da Zona Oeste, Caucaia nesse caso  – breve jogo também essa série no ar.

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Cabedelo, Zona Norte.

Dois anos depois, em João Pessoa é metade do que já era naquela época em Fortaleza.

Fui de ônibus do Centro da capital ao Centro de Santa Rita, nos confins da Z/O. A tarifa foi R$ 2,65 (set.13).

E voltei de trem, desembolsando R$ 0,50, menos de 20% do valor.

Você imagina isso, você pagar com uma moeda, e ainda receber outra de troco?

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Famosa trincheira do Centrão de Jampa. Dentro dela estava pichado “Volta, Setusa“.

Eu embarquei em Santa Rita e desci no Varadouro, no Centrão de João Pessoa.

Mas poderia ter seguido viagem até a Zona Norte, em Cabedelo.

E se alguém for de ônibus de Santa Rita a Cabedelo, terá que baldear e pagar as duas tarifas cheias.

Somando tudo mais de R$ 5,00, dez vezes o preço do trem, repetindo.

Ser barato é a única vantagem do trem joão-pessoense. Porque há poucos horários: intervalo de 80 minutos entre as viagens.

Ademais, não opera sábado a tarde nem domingo o dia inteiro. É barulhento e mal conservado. E o principal, não atinge a parte da cidade que tem mais empregos, a orla da Zona Leste.

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Em Santa Rita, Z/O da Gde. J. Pessoa, a periferia típica do Nordeste: casa térrea, sem muro, de alvenaria, e sem laje. Similar a periferia de Belém-PA, e embora a periferia do Sul seja bem distinta, também num lugar chamado S. Rita (Tatuquara, Z/S de Curitiba) fotografei uma Cohab muito parecida.

Tanto que uma moça lá falou que “João Pessoa não tem trem, na verdade. Tem um trem que liga Cabedelo a Santa Rita, mas nem passa em João Pessoa”.

Isso porque o Centro é longe da praia. Nos séculos pioneiros de sua fundação a orla era um ponto distante, onde os ricos iam passar férias (já falamos mais disso).

Então obviamente o Centro era mesmo o centro não apenas político mas também cultural, econômico e mesmo populacional da cidade.

Já no século 20 e muito mais no 21, no entanto, o eixo gravitacional de João Pessoa definitivamente se inclinou pra beira-mar.

O Centro é quem, inversamente, se tornou uma parte distante e esquecida da cidade, e segundo alguns, emocionalmente já nem mais faz parte dela.

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Centro de Santa Rita, Viação Sonho Dourado. Tá bom pra ti?

Talvez a menina tenha carregado nas tintas ao praticamente vetar o Centro como sendo parte da cidade – afinal é a gênese da mesma!!! – mas de fato ela está correta:

Na configuração que está o trem ajuda pouco mesmo pro transporte de massas, pois ele não leva as pessoas pra onde a maioria delas precisa ir.

Teria que haver alguma conexão com as praias da Zona Leste. As praias da Zona Norte ele atende, vem paralelo a beira-mar, poucas quadras da areia.

Mas a Zona Norte ainda não é tão desenvolvida. Digo, de uns anos pra cá, houve grande surto de progresso na região:

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Próximas 2: Manaíra, Zona Leste. Explosão de arranha-céus, muito luxo e riqueza.

As praias do Bessa (município de João Pessoa) e as vizinhas Intermares, Poço e Camboinhas, já em Cabedelo, começam a ver prédios altos sendo erguidos.

Esses bairros estão sendo transformados em classe média e média-alta. E eles são servidas pelo trem.

Mas ainda estão a anos-luz de Manaíra, Tambaú e Cabo Branco, onde não há a opção de vir pelos trilhos.

Inauguraram recentemente o Terminal de ônibus do Bessa, que inclusive integra algumas linhas metropolitanas. manaira-z-leste-j-pessoa3

Foi um avanço, sem dúvidas.

Mas é preciso fazer mais. É preciso que do Terminal do Bessa saia uma linha pra estação de trem, que é próxima. 

E que, uma vez o Bessa estando integrado com o trem, desse mesmo terminal exista outra linha, servida por articulados, que vá pela beira-mar, cortando toda a parte rica de João Pessoa. 

favela-bairro-dos-ipes-z-l-j-pessoa3

Mas logo ao lado está a favela do Bairro dos Ipês. Quando chove alaga tudo…

O que propus é simples de ser implementado, com custo zero, não exige nenhuma adaptação nas vias, é só querer.

Porque aí sim o trem seria muito utilizado. Já que agora como está é como se “nem passasse por João Pessoa”, como a moça bem resumiu o espírito prático da questão.

…………

Um subúrbio metropolitano da capital paraibana, na Zona Oeste, chama-se Bayeux.

Pronuncia-se ‘Baiê’. É um nome francês, há uma cidade com a mesma denominação na França. Segundo os moradores locais, “a Paraíba tem um charme europeu”. É mole?

zona-oeste-j-pessoaCuriosidades linguísticas a parte, o subúrbio da Zona Oeste é a parte pobre e esquecida de João Pessoa, que ainda aguarda a chegada do progresso.

Veja na foto ao lado uma favela da região. É a imagem em outra escala da mesma foto que já foi posicionada mais pra cima na página.

Pra que notem tanto o contexto quanto os detalhes: as casas são bem humildes mesmo, muitas senão a maioria ainda sem automóveis.

Lá na Paraíba um médico, que desenvolveu um trabalho social com os desvalidos e portanto conhece as partes pobres de João Pessoa a fundo, estranhou meu interesse.

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Dentro da água na Praia do Cabo Branco. Na sequência a linha de prédios do Tambaú e depois Manaíra.

Não compreendia porque eu sairia daqui do Sul do país pra fazer um turismo exótico nas favelas da sua terra. Ele disse: “as favelas são sempre parecidas, em qualquer parte do país”.

Respondi: “nada disso. As favelas do Nordeste são completamente diferentes das do Sul, e as do Sudeste igualmente são diferentes de ambas”.

Vamos aqui então comparar as favelas dessas 3 partes do Brasil, lembrando que em Salvador-BA é igual ao Sudeste mesmo estando fisicamente no Nordeste.

E Curitiba é o ‘portal’ entre o Sul e Sudeste, mescla característica de ambas regiões.

As favelas do Nordeste são compostas por casas térreas, de alvenaria, de telha de barro e a densidade é alta, uma residência emendada na outra.

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Outra praia chique, a de Manaíra.

As pessoas, em sua maioria, não possuem automóveis. As portas saem direto na via pública.

As favelas do Sudeste, por sua vez, são formadas por sobrados – que cresceram tanto, até o quarto e quinto andar, que já viraram prédios artesanais.

Assim, óbvio que as moradias nas favelas do Rio, SP e BH, além de Salvador, são de alvenaria (até os anos 60 eram de madeira, mas não mais a muito).

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Centrão de J. Pessoa. Casas pobres típicas do Nordeste brasileiro: minúsculas, de alvenaria, geminadas, porta pra rua (como também é no Chile e Argentina) e sem garagem, óbvio. Apenas nessa imagem estamos vendo 9 moradias, é isso mesmo, cada porta é uma casa independente, o varal é compartilhado.

E cobertas por eternit, e a densidade igualmente é alta. Sempre que possível, há muros separando o terreno da via pública.

Ainda falando das favelas do Sudeste, boa parte das casas hoje em dia têm carros, mesmo nas regiões mais pobres.

Ou seja, as favelas do Sudeste e Nordeste tem 2 pontos em comum (alvenaria e alta densidade) e 4 diferentes (no Nordeste exceto a Bahia há menos lajes, eternit, carros e muros).

Quanto ao Sul, em Curitiba as favelas e periferias se tornaram realmente muito parecidas com as do Sudeste, como já dito. Isso no município de Curitiba mesmo.

Nos subúrbios mais distantes da região metropolitana a coisa mudou menos, se vê a pobreza típica do Sul do Brasil. Ainda se parece com o interior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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No chão do mesmo local da foto a esquerda (repare a mesma casa verde-clara): lixo e esgoto a céu aberto, e em pleno Centro, não custa nada enfatizar.

E como é a periferia do Sul? As favelas são formadas por casas térreas, a maioria de madeira, cobertas por eternit.

A densidade é baixa, ou seja, muitas moradias tem quintais por serem afastadas umas das outras. E quando há quintal geralmente há uma cerquinha de madeira.

O índice de penetração dos automóveis é menor que em Curitiba e no Sudeste, mas maior que no Nordeste. 

As favelas do Sul são muito diferentes das do Nordeste em 4 quesitos:

Aqui predomina a madeira, a densidade é mais baixa, há mais automóveis e o morador cerca seu terreno, mesmo que improvisadamente.

Em comum entre Sul e Nordeste o fato que as casas só tem um único andar, a laje não invadiu com tanta força.

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Mesma esquina, Centro Velho de J. Pessoa.

Mais uma vez ressaltando que Curitiba ainda lembra um pouco o Sul nessa dimensão, mas também lembra muito o Sudeste.

Já as favelas do Sul e Sudeste têm 3 pontos que são diferentes (aqui há menos lajes e menos densidade, mas muito mais madeira).

E um em comum, e compartilham a característica de ter suas casas cobertas em eternit. As favelas do Sul tem menos carros que as do Sudeste, mas muito mais que as do Nordeste.

 Tudo isto posto, deixemos essa comparação teórica pra lé e voltemos a falar do que observei em campo, na Paraíba.

centro-j-pessoa1

Ainda no Centro Velho da capital, eis minha versão dessa tomada super-clássica.

Descrevo o município de Santa Rita, seu Centro e alguns bairros populares.

Em algumas partes, bastante lixo e esgoto a céu aberto, realidade que se repete em outras partes da Gde. J. Pessoa, bem como em diversas outras cidades pelo Brasil e América. 

Na periferia de João Pessoa ainda há casas de taipa, também chamada pau-a-pique. E muito mais no interior da Paraíba (que eu pude conhecer um pouco, numa breve viagem pelo litoral).

Pra quem não sabe como é, trata-se de um modelo de construção empírico do povão, que não utiliza tijolo, ripas de madeira nem cimento.

As moradias são feitas de barro seco, sustentando por galhos de árvores entrelaçados. Como a chuva vai levando partes da parede, é preciso sempre estar refazendo. Por isso mesmo, a existência desse tipo de moradia demonstra que o bairro é carente de recursos.

lagoa parque solon solón lucena centrão z/c prédios árvore bosque joão pessoa jp pb paraíba palmeira

Outro Super-Clássico: o Parque da Lagoa Solón de Lucena, no Centro.

Fortaleza e Belém são cidades em que a periferia é bem depauperada, comparadas ao Centro-Sul. E mesmo assim Fortaleza e Belém não têm mais casas de pau-a-pique.

Um dia tiveram, mas já foram substituídas todas por alvenaria, e no caso de Belém também madeira.

Entretanto, João Pessoa, e mais ainda as cidades do interior da Paraíba, isso ainda é relativamente frequente, vi várias. Em São Luiz-MA, também.

………..

João Pessoa começou num altiplano a 7 km da orla. No século 16 e até o século 19 não existiam carros, resultando que era relativamente distante.

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Manaíra, ao fundo aquele famoso hotel redondo em Tambaú, outro ícone de Jampa.

Os ricos começaram então a erguer casas de veraneio a beira-mar.

De segunda a sexta, moravam no atual Centro de João Pessoa.

E nos fins-de-semana iam pras suas casas de praia, em Manaíra, Tambaú e Cabo Branco.

Por isso a região foi ganhando contornos aristocráticos: os pobres se empilhavam nos cortiços no Centrão, e passavam bem longe da orla.

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Agora sim, eis o Centro de Santa Rita.

Quando o automóvel foi se popularizando, na primeira metade do século 20 e muito mais na segunda metade, as pessoas passaram a fixar residência permanente na orla.

E a ir trabalhar no Centro diariamente. Isso fez surgir a divisão espacial da cidade, sua porção dourada sendo o litoral da Zona Leste.

As Zonas Norte e Sul, mesmo ambas tendo praia, e a Zona Oeste, distante de mar, ficaram esquecidas, a orla da Zona Sul foi pouco ocupada, sendo ainda meio rural.

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Bayeux, também Zona Oeste.

E assim ficou por algumas décadas, quando a Paraíba não oferecia muitos empregos, os paraibanos emigravam pro Sudeste, Norte, Centro-Oeste e mesmo outros estados do Nordeste:

Quando fui a Fortaleza, constatei que há bastante paraibanos por lá, além de piauienses e maranhenses.

A Paraíba não tinha indústrias, e mesmo o ramo do turismo era muito mais fraco que nas “primas ricas” Recife, Salvador e Fortaleza.

Portanto havia grande êxodo, e boa parte dos que ficavam viviam mal, na verdade sobreviviam.

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Próximas 2: Varadouro, bairro que faz parte do Centro de João Pessoa.

Aí veio a virada do milênio, e mesmo que muito longe do ritmo necessário, ao menos uma lufada de progresso soprou, chegou a vez da periferia.

Foi então que a Paraíba deu grande salto evolutivo, e passou a criar empregos.

Veja quantos arranha-céus estão sendo feito simultaneamente em João Pessoa, e imagine quanto milhares de empregos com carteira assinada essa explosão gera.

Resultando que mesmo paraibanos e seus descendentes que viviam no Sudeste estão retornando. varadouro-centro-velho-j-pessoa1

Conversamos um pouco com o cobrador de ônibus em João Pessoa. Ele nasceu ali mesmo.

Quando tinha 3 anos, seus pais se mudaram pra Guaianazes, bairro na extremidade da Zona Leste de São Paulo, onde eu já estive também.

E na capital paulista ele se criou e teve o início de sua vida adulta, chegando a ter alguns empregos.

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Próximas 9: Centro de Santa Rita, alguns retratos que tirei na minha volta por lá.

Com 20 e poucos anos, ele decidiu retornar a João Pessoa, e deu certo, está empregado com carteira assinada.

Agora, ele deve ter um salário por volta de R$ 800 (set.2013).

É aqui que quero chegar: tenha em mente que a recuperação da Paraíba é notável, sem dúvidas.

Ainda assim, relativa. A Paraíba era absolutamente miserável, de certa forma ainda é, por isso as casas de taipa.

Comparado com o que era, melhorou muito. Antes, não haviam empregos estáveis com carteira assinada por lá, mesmo pagando poucosanta-rita-z-oeste-gde-j-pessoa4.

Era sub-emprego pra grande maioria. Atualmente empregos na faixa de R$ 700 a 900 há aos montes.

Mas acima de R$ 1.000, a situação muda muito, ainda são bem raros (lembre-se, os valores são sempre os de 2013).

Isso porque a Paraíba continua pouco industrializada.

s-rita-z-o-gde-j-pessoa-lixo-e-esgoto-a-ceu-abertoPernambuco e Bahia deram um salto notável nesse campo, em todos os ramos:

Automobilístico, metal-mecânico, químico/produtos de limpeza, alimentício, vestuário, logística pra transportes, etc.

No Ceará, esse salto não foi tão generalizado, mas no setor têxtil/calçadista foi pronunciado.santa-rita-z-oeste-gde-j-pessoa

A Paraíba, entretanto, ainda não se industrializou. Muitos empregos estão sendo criados em João Pessoa. Mas o que paga melhor é a construção civil.

O resto é o setor de serviços (comércio, turismo) e centros de chamada pras empresas que fazem vendas por telefone.

s-rita-z-o-gde-j-pessoa-esgoto-a-ceu-abertoNotoriamente a renda dos trabalhadores desses ramos de atividade é mais baixa que na indústria.

Quem sabe isso começa a mudar, e a Paraíba comece a se industrializar.

Como disse, fui ao Litoral Sul da Paraíba, na divisa com Pernambuco. Voltei a João Pessoa pela BR-101.centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa4

(A mesma que liga as duas principais cidades de Santa Catarina, Joinville a capital Florianópolis, corta o Brasil do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.)

Voltemos ao Nordeste. A BR-101 liga Recife a João Pessoa. Passei pelo trecho sul-paraibano dela, da divisa com Pernambuco até a capital estadual.

centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa1Foi duplicado pelo exército brasileiro, um projeto bacana, que desenvolveu muito a região e certamente teve custo mais baixo que se fosse feito pelas empreiteiras.

E isso puxou desenvolvimento, realmente. Já dentro de João Pessoa, na Zona Sul, surgiu um grande Distrito Industrial.

Diversos barracões novos estão ali, e muitos outros estão sendo erguidos, gerando um círculo virtuoso.centro-velho-j-pessoa

Ressalto que minha viagem se deu antes da Copa do Mundo de 2014, quando o Brasil ainda vivia os últimos espasmos de um ciclo de prosperidade.

De lá pra cá não sei como está a nascente expansão industrial paraibana.

centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa

Aqui fechamos a sequência de Santa Rita. Tenho que dizer, as vezes na periferia de J. Pessoa há muito lixo na rua.

Seja como for, quando estive lá ela dava seus primeiros passos.

Assim, quem sabe no futuro a Paraíba será mais industrializada.

Por hora, isso ainda está em semente.

Mas mesmo o avanço nos setores de turismo, construção e serviços já mudou João Pessoa.

Tanto que a riqueza não se circunscreve mais a Zona Leste. 

A Zona Norte, que também é a beira-mar, foi a primeira a se beneficiar dessa expansão:cabedelo-zona-norte-gde-j-pessoa

Ali também vem surgindo prédios e os bairros vem mudando de pacatos pra um perfil de classe média-alta.

A partir dessa a direita, e nas próximas 2 tomadas, vamos ver exatamente Cabedelo, na Zona Norte.

Que vem adquirindo um perfil mais burguês, ao menos na orla.

cabedelo-zona-norte-gde-j-pessoa1A orla da Zona Sul, que fora deixada quase intocada, agora está sendo urbanizada.

E isso tem um lado bom e um ruim, como já comentei em outra mensagem.

O subúrbio da Zona Sul, que não tem mar, também melhorou bastante.cabedelo-zona-norte-gde-j-pessoa2

E vê surgir vários prédios, esses ainda baixos, mas que são bem simbólicos da metamorfose da região.

Entretanto, a Zona Oeste, dizendo mais uma vez, ainda aguarda sua vez nessa esteira de progresso.

Ali ainda se concentram, perto da linha do trem, grandes bolsões de miséria. Com mais uma onda de desenvolvimento, essa realidade irá mudar: 

favela-bairro-dos-ipes-z-l-j-pessoa1

Aqui e a direita: ‘comunidade’ (ou ‘favela’, se preferir) do Bairro dos Ipês, Z/L, ao lado da opulência de Manaíra.

Podem ver pela foto que o subúrbio metropolitano de Santa Rita, na extremidade da Zona Oeste, breve terá seu primeiro edifício alto, com elevador. Mas por enquanto ainda é assim.

Selecionei fotos que mostram esse momento de contraste.

Já vimos mais pra cima na página justamente ainda em obras o primeiro prédio chique de Santa Rita.

O que demonstra que o município começa a ter uma ‘massa crítica’ de classe média pra esse tipo de empreendimento.

Mas duas quadras dali está a casa retratada que também já posicionei mais pro alto na matéria: favela-bairro-dos-ipes-z-l-j-pessoa

Sem muro, em que a família primeiro sobrevive e depois consome.

Resumindo, galera, assim é a Zona Oeste de ‘Jampa’. Que aguarda que essa mandala gire, e a vez dela chegue.

Uma parte distante, violenta e ainda com muito por fazer.

Mas que já tem um sistema de trem a servi-la. Bastante precário? Certamente.

riacho-poluido-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa

No Centro de S. Rita, um riacho poluído. Como eu já fotografei no Paraguai, México, e aqui em Curitiba vários, no Boqueirão (2 vezes) e também em pleno Jardim Social.

Melhor que nada. E, repito, o custo é só R$ 0,50. Por estar longe do ideal, não dá pra dizer que é metrô de fato, e por isso entre aspas:

Até Bayeux tem “metrô”…. Definitivamente, é só Curitiba que não tem…..

…………

Mais algumas curiosidades sobre a Paraíba:

Não pude nessa viagem ir a um estádio presenciar ‘in loco’ uma partida de futebol, como também não deu no México e no Pará. 

O principal time de João Pessoa é o Botafogo, cópia de um clube mais famoso (como é tradição no Paraguai).mascote-botafogo-paraiba

No caso é uma homenagem óbvia ao time carioca. Apenas a estrela do escudo é vermelha ao invés de branca, veja o mascote do Botafogo-PB ao lado.

Mas o uniforme é alvi-negro como a matriz, o nome das torcidas organizadas também é xerox.

Então, em 2013, quando visitei a Paraíba, o Botafogo-PB estava na quarta divisão do futebol nacional, a série ‘D’.

jp jampa joão pessoa paraíba pb buso marcop tribus trucado 3 3º eixo branco livre faixa verde vermelho são jorge estádio almeidão br-230 trans-amazônica transamazônica trânsito

Zona Oeste de J. Pessoa: Estádio Almeidão, onde joga o ‘Belo’ (Botafogo). A frente, na BR-230, passa um Tribus Urbano, que na PB são abundantes a beça.

Porém foi campeão do torneio, e desde 2014 até o momento que essa matéria sobe pro ar (2016) disputa a série ‘C’, a terceirona.

Em João Pessoa não há clássico, pois não há outro time grande.

As duas outras grandes forças do futebol paraibano estão na maior cidade do interior, Campina Grande.

O Treze, também alvi-negro, é o “Galo”.

Quando escrevi a matéria, estava na terceira divisão nacional, a série ‘C’, ainda na briga pra subir pra segundona.

Atualização: o Treze não subiu pra série ‘B’ em 2013.

quadra-16-lote-3-s-rita-z-o-j-pessoa

S. Rita: ‘Quadra 16, Lote 3’ pintado no muro, modelo de numeração típica da periferia (exceto no Centro-Oeste). Fotografei o mesmo no Pará.

Pior: no ano seguinte foi rebaixado pra série ‘D’, que disputou em 2015.

Porém, como sabem, a 4ª divisão nacional não tem vaga garantida, pra participar dela é preciso ir bem no campeonato estadual do mesmo ano.

Falei um pouco disso na série sobre o Pará, pois no mesmo ano de 2013 o Remo não chegou a final do estadual, logo não jogou nem mesmo a série ‘D’ nacional naquele ano.

Voltando a Paraíba. Em 2016 o mesmo ocorreu ao Treze, não disputou nenhum torneio nacional, ficou fora até da 4ª divisão.

Já o Campinense, rubro-negro, é a “Raposa”.

galo-x-raposa

Galo x Raposa: em Campina Grande-PB, como em Belo Horizonte-MG.

Como veem, em Campina Grande o duelo dos mascotes reflete um bem mais famoso, o de Belo Horizonte-MG, óbvio.

Em 2013 era o Campinense quem não estava em série alguma do brasileirão, era um “clube sem divisão”.

Mas nos anos de 14, 15 e 16 ele conseguiu sempre jogar a série ‘D’.

Resumindo e comparando o ano que o texto foi escrito com o ano que ele sobe pro ar: em 2013 Botafogo na 4ª, Treze na 3ª e o Campinense em nenhuma. Em 16, Botafogo na 3ª, Treze em nenhuma e Campinense na 4ª.

manaira-z-leste-j-pessoa

Manaíra.

……….

E quanto ao estadual, o Botafogo de João Pessoa vestiu a faixa de 2013 e levantou a taça quebrando um jejum de uma década. Repetiu o feito em 14, portanto bi-campeão, e é o maior vencedor, já ganhou 27 vezes.

O Campinense não deixou por menos e foi bi em 15/16, vem a seguir com 20 canecos. Já o Treze tem 15 títulos paraibanos, esses são os 3 maiores campeões.

fim-de-tarde-em-joao-pessoa-pb

Fechamos com esse belíssimo entardecer na Zona Norte, em Cabedelo ou bem próximo. Veja o mangue. João Pessoa, exatamente como sua vizinha Recife, é “a cidade do mangue”. Mas esse já é tema pra próxima matéria, que será a derradeira da série. Por hora, melhor deixar que essa imagem que vale por mil palavras fazer as honras e fechar com chave de ouro.

Não há ‘clássico da capital.  Treze x Campinense fazem o clássico de Campina Grande.

Mas o ‘Super-Clássico da Paraíba’ é Botafogo x Campinense. Chamado ‘Clássico Emoção’, pois são os dois maiores vencedores:

Tanto lideram os estaduais como dito acima, quanto nesse mesmo ano de 2013 ganharam os dois maiores títulos da história da Paraíba, o Botafogo foi campeão nacional (série ‘D’) e o Campinense levou a Liga do Nordeste.

Portanto a disputa ali opõe capital x interior.

No Brasil o maior clássico de cada estado sempre envolve dois grandes da capital. Na Paraíba é diferente, reflete o que ocorre no México e Colômbia.

Última nota: João Pessoa tentou ser uma das sedes da Copa do Mundo. Mas não deu. No Nordeste, houveram jogos em 4 cidades: as 3 maiores Salvador, Recife e Fortaleza e mais Natal-RN.

Deus proverá

“A Estrela Brilha”: bons tempos . . .

vicente carvalho guarujá outra postagem: "estrela Brilha" santos baixada interior litoral paulista sp periferia subúrbio quebrada carreta poça d'água reflexo terra bicudo motor saltado merced azul faixa 11-13 branco

Vic. de Carvalho, Guarujá, Gde. Santos-SP, entorno do Porto, nov.15: carretona Mercedes descansa entre um ‘container’ e outro (*).

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 27 de novembro de 2016.

Imensa maioria das imagens puxadas da internet.

Os créditos foram mantidos sempre que eles estavam impressos nas fotos.

Algumas são de minha autoria. Eu as identifico com um asterisco (*), como visto ao lado.

classico

Clássico dos Clássicos; chapa amarela.

Segue a seção de nostalgia do nosso canal de comunicação.

Já vimos os caminhões (e um pouco dos ônibus) Scania.

Agora vamos nos fixar nos Mercedes-Benz.

Majoritariamente nos caminhões.

Afinal já fizemos 3 matérias homenageando os ônibus Mercedes antigos, o mundialmente famoso ‘Monobloco’

São mateus sul interior paraná pr sms caminhão periferia 11-13 merced azul vende-se bicudo motor saltado frente

São Mateus do Sul-PR, agosto de 16 (*).

Veja aqui, aqui, e aqui.

Então hoje, repetindo, o foco principal serão os caminhões.

Embora sobre também mais uma palhinhas pros busos.

……….

Hoje e já há um bom tempo a liderança no mercado de transporte de cargas no Brasil pertence a Volkswagem.

carreta-branca

Fonte dessa e outras fotos: sítio Caminhão Antigo Brasil, visite.

Mas por décadas a Mercedes-Benz foi líder.

Verdade que nos pesados a Scania era mais forte, realmente.

Entretanto nos pitocos – ou seja, os que não são carretas – por décadas a Mercedes dominava inconteste.

Era um massacre:

amareloDas décadas de 60 a 90, pelo menos 80% dos veículos de carga nas estradas brasileiras eram esses redondos Mercedões.

Tanto que ‘caminhão’ e Mercedes eram quase sinônimos. A Estrela brilhava alto, muito alto.

…………….

ira3

Mercedão no Irã, com letreiro em persa.

E fora do Brasil? Estudando concluí que houveram outras nações em que a Mercedes foi tão forte quanto aqui. 

Por isso quero dizer que foi líder (ou uma das principais líderes) de mercado por décadas.

E assim os caminhões redondos estrelados têm tanta presença quanto no Brasil.

Citemos alguns desses países:

argentina4

Argentina.

– Alemanha, sede da Mercedes;

Holanda;

Equador;

Argentina e (seus vizinhos menores que são muito parecidos com ela) Paraguai e Uruguai;

– África do Sul;

– Os vizinhos Indonésia e Malásia;

– Irã e todos os países árabes do Oriente Médio e Norte da África;

– Honduras.

Uma das principais atrações dessa matéria será que mostraremos Mercedes pelo mundo todo.

Tanto quanto foi possível garimpar pela internet e uns poucos cliquei pessoalmente aqui na América.

miniatura

Esse é uma maquete; muito bem feita, alias.

Então faremos assim. Quando a foto for do estrangeiro, eu informo isso claramente na legenda.

Imagens sem legenda vocês sabem que foram capturadas no Brasil.

………

Acima falamos apenas das nações em que eu já pude comprovar que a Mercedes foi tão forte quanto no Brasil.

alemanha

Na Alemanha, sua terra-natal.

Obviamente a Mercedes teve presença em muito mais países do que os citados nessa lista.

Mas aí ou a participação foi secundária, ou então eu não tenho elementos pra comprovar se foi intensa ou não.

Caso algum leitor possua mais informações sobre o tema escreva nos comentários ou por emeio que eu retifico a matéria.

mercedes caminhão vermelho bicudo chile santiago

Santiago do Chile, março de 2015 (*).

Enfim, vamos a lista de algumas partes do mundo em que a Mercedes também teve boa aceitação, embora não necessariamente entre as mais populares do mercado:

– Espanha;

– Praticamente toda Europa;

– Boa parte da África Negra;

– Tailândia;

feira tráfego livre outra postagem: "Estrela Brilha" trânsito san são lourenço lorenzo z/l assunção paraguai caminhão merced azul 11-13

Assunção, Paraguai, maio de 2013: é dia de feira, como diz o Rappa (*).

Chile;

Colômbia;

República Dominicana;

América Central;

EUA;

– Oceania (Austrália e Nova Zelândia);

Um bom naco do globo, não?

Ainda assim, não pense que a Mercedes é onipresente como a Coca-Cola.

No México, por exemplo, os caminhões Mercedes são praticamente inexistentes, o que comprovei pessoalmente.

No Sul da Ásia (por isso me refiro a Índia) e Leste do mesmo continente (China, Japão e Coreia) ainda não pude ir até lá mas estudando pela internet me parece que a situação se repete.

……………frigorifico

Um fato pouco conhecido fora do meio automobilista/busólogo/estradeiro é que houveram 3 modelos de farol pelo mundo afora.

Me atenho somente somente aos faróis redondos. Obviamente a partir dos anos 80 passaram a ser dois faróis quadradinhos de cada lado emoldurados pela ‘máscara negra’ retangular. Não me refiro a esses.

E sim estou falando dos caminhões fabricados entre as décadas de 60, 70 e comecinho de 80. Os faróis eram redondos. Mas em 3 configurações.

europaExemplificando e visualizando fica mais fácil entender:

No Brasil os faróis ficavam ao lado da estrela, dentro daquele grande oval preto.

Esse desenho foi o predominante em várias outras partes do planeta, igualmente. equador3

Mas haviam outras duas opções:

Em alguns caminhões fabricados na Europa, o farol era no para-choques, como nota a esquerda.

Assim o oval negro ia até a lateral do veículo.

Não tivemos a oportunidade de ver isso em nossa Pátria Amada.

No Equador os Mercedões mais antigos também são assim, comprovado a direita.

espanha1Em verde ao lado um na Espanha, também nessa mesma configuração.

………

Só que não para por aí.

Existiu também uma terceira opção, que também não circulou no Brasil:alemanha4

Como nota a direita: o farol era acima do para-choques.

Mas não há oval a envolvê-lo. O instrumento de iluminação fica meio caído, solto. Claro que está bem fixo na lataria. Mas essa é a impressão que passa.

Esse bichão azul ao lado era igualmente alemão.

espanhaPra nós brasileiros parece improviso, né?

Parece que quebrou e consertaram meio mambebe.

Até porque há precedentes. Nos ônibus o povão não gostou do desenho exatamente do farol da Mercedes e alterou por conta. africa-talvez

Mas nos caminhões não foi esse o caso. Eles saíram de fábrica assim.

Acima um com farol ‘caído’ na Espanha, também na Europa obviamente.

E o amarelinho foi flagrado (provavelmente) na África. Alias aqui o farol direito caiu mesmo, ficou só o buraco (!!!). Idem o para-choques (!!!!!).

mapa

…………..

Analisemos agora uma outra forma de adaptação.

Os faróis são são os mesmos, mas no volante, oh, quanta diferença….

inglaterraVamos ver os Mercedões em países que usam a mão inglesa.

Neles você dirige pela esquerda na rua, logo o volante fica a direita dentro do veículo.

Pra conversa começar, veja o mapa puxado da Wikipédia.

africa-do-sulOs casos mais conhecidos são a Inglaterra e Japão  (que são ilhas).

Assim começamos mostrando essa carreta verde-escura (o detalhe é o para-choque branco) fotografada em Londres, Inglaterra.

Na Europa o mesmo se repete em outras pequenas duas ilhas, Chipre e Malta. Além desses, se dirige pela esquerda em mais 4 blocos ao redor do globo:

malasia-2

Malásia.

– Em 2 das Guianas e várias pequenas ilhas do Caribe;

– No sudoeste da África, encampando da África do Sul até o Quênia (na foto a esquerda uma caçamba azul nas ruas da África do Sul);

– Sul da Ásia, o ‘Sub-Continente Indiano’: a Índia e seus vizinhos como Paquistão, Bangladesh (esses dois foram parte da Índia até 1947), Nepal e Butão;

indonesia1– Região conhecida como ‘Ásia/Pacífico’, do Estreito de Malaca a Oceania (Tailândia, Indonésia, Malásia, Austrália, Nova Zelândia e diversas ilhas menores).

Na Índia e Japão a Mercedes não marcou muita presença, praticamente não existiu nessa época (2ª Metade do século 20).

australia1Vejamos então nas demais nações da ‘Ásia/Pacfico’, sempre com volante na direita:

A carreta-tanque branca é da Malásia, como a legenda já informou.

O bi-trem avermelhado é da vizinha Indonésia.

A Mercedes, digo de novo, foi e é muito forte nesses dois países, seus caminhões lá são tão comuns como no Brasil.nova-zelandia

Agora os dois cavalos, que estão sem carreta:

O verde acima é da Austrália, enquanto que o azul e branco ao lado da Nova Zelândia. Note a diferença:

Primeiro, a Mercedes existiu nessa época nessas duas ilhas que foram colônias britânicas (e que ainda trazem a bandeira do Reino Unido estampada em seus próprios pavilhões nacionais).

indonesia2

Próximas 2: Indonésia – velhos Mercedões (volante a direita) ainda na pista.

Mas sua participação no mercado foi pequena, similar quem sabe a que ela teve nos EUA e na própria Inglaterra.

Segundo, Austrália e Nova Zelândia são países muito ricos, obviamente.

Assim, esses Mercedões antigos, bem redondos, hoje são só objeto de carinho dos colecionadores, eles não rodam mais a décadas, como acontece também na Europa.indonesia4

É o caso aqui. As carretas foram fotografadas ambas em exposições de veículos antigos.

Pode notar que eles estão em gramados, há outras máquinas já aposentadas enfileiradas ao redor.

As pessoas estão sentadas em cadeiras e vemos barracas por perto.

Resumindo a questão: domingo no parque, dia de sol, a galera tomando um sorvete, curtindo o FDS, e vendo os caminhões antigos, pra relembrar sua infância.

australiaQuer programa melhor? Assim, ressaltando, na Austrália e Nova Zelândia os Mercedes não puxam mais carga a muito, muito tempo.

Viraram relíquia, peça de museu, que colecionador guarda e cuida com cuidado.

Tudo isso fica resumido na foto a esquerda:

asia

Tailândia: também direção a direita, e também com a cabine adaptada, como os da vizinha Malásia que veremos abaixo.

Cavalo verde-claro Mercedes em festa automobilística na Austrália.

Emplacado no estado de Vitória.

 A chapa preta indica exatamente isso:

É um veículo especial, de exposição, e não de uso no dia-a-dia.

Já na Indonésia e Malásia é bem diferente.

Os brutos com 30, 40 e mesmo 50 anos continuam na ativa, pois não há quem os substitua-os.

cara-chata-pitoco………

O mundo dá voltas….

Hoje praticamente todos os caminhões novos são cara-chatas, numa mesmice de dar tédio.

Não há mais personalidade, diferenciação entre as marcas. cara-chata-negra

Por isso estamos relembrando o ‘tempo bom’, os caminhões produzidos entre os anos 60 e 90.

Quando exatamente ao inverso os bicudos predominavam amplamente, o ‘cara-chatas’ é que eram minoria.

cara-chataIsso você já sabe. O que quero apontar agora é que (pelo menos no Brasil) os primeiros Mercedes eram cara-chata.

Os que foram produzidos nos anos 50, assim que a linha de produção da Mercedes foi inaugurada. alemanha3

Portanto na décadas de 80 e 90 eles é que eram a exceção, a ‘ovelha negra’.

Por isso vimos nas 3 tomadas acima os Cara-Chatas Pioneiros no Brasil, incluso 2 carretas.

O amarelo acima é o mais antigo de todos, porque o farol ainda era quadrado.

brasília df outra postagem: "Estrela Brilha" lona gama rodov pp teatro tcb nacional obras merced buso transgenia antigo velho papa-fila camelo carreta caminhão p-b anos 60 rodoviáriaE a direita: cara-chata bi-trem na Alemanha.

Notem que que décadas atrás na Europa já se usava pôr mais um eixo sob a cabine, configuração que só aportou no Brasil após a virada do milênio.

…..

Em preto-&-branco ao lado: argentina

Início de Brasília, anos 60. Uma carreta cara-chata ‘Papa-Fila’.

Encostado na Rodoviária P.P. no Centrão da Capital Federal.

Se preparando pra partir pro Gama. Ao fundo o Teatro Nacional ainda em construção.

vermelhoComo notaram, é um ‘Caminhão-Ônibus‘.

Abaixo discorreremos mais da interação entre esses dois modais, dessa vez na América Hispânica. Falando nos ‘hermanos’:

Acima um cara-chata na Argentina. No canto da mesma tomada outro Mercedes ‘bicudo’.chile

Ao lado um do Chile, com a placa no alto (e não no para-choques, no fim da matéria falamos mais disso). De transporte de gado.

………..

Vamos ver agora uma parte triste:

Os EUA promoveram algumas ações ‘desastradas’, pra dizer o mínimo, ao intervir (diretamente ou através do financiamento, treinamento e armamento de ‘rebeldes’) no Oriente Médio.

An Iraqi commercial dump truck moves through a vehicle check point operated by US Marine Corps (USMC) Marines assigned to F/Company, Battalion Landing Team (BLT), 2nd Battalion, 2nd Marines, 24th Marine Expeditionary Unit (MEU), Special Operations Capable (SOC) in Iraq, during Operation IRAQI FREEDOM.E creio que mesmo a maioria dos estadunidenses hoje consegue ver que foi um erro as invasões do Iraque, Líbia e Síria.

Por isso vemos a esquerda um Mercedão no Iraque sendo revistado por um soldado ianque.

FALLUJAH, Iraq – An Iraqi policeman directs heavy truck traffic aboard Fallujah's Entry Control Point-One "Alpha" Aug. 10. Marines with 1st Battalion, 6th Marine Regiment oversee Iraqi policemen with the Public Order Brigade as they search the thousands of automobiles and local citizens entering the city every day for weapons and contraband.A direita uma cena similar:

Faluja, Iraque ocupado. Um soldado guarda o portão ‘Alfa’ de entrada da cidade.

Esse militar é iraquiano, mas na época da foto ele recebia ordens dos estadunidenses.

siriaAlheio a confusão política, o motorista de uma caçamba azul tenta trabalhar.

Aguarda pacientemente (olhe o tamanho da fila atrás) pra adentrar em Faluja, pra carregar ou descarregar onde lhe foi determinado.libia-bengasi

Esquerda: vamos pro país vizinho mas a guerra é a mesma:

Carreta camuflada do Exército Sírio carrega blindado pra frente de combate, onde o semi-tanque é muito necessário.

Direita: fechando a trinca das ‘desastradas’ intervenções ianques, cavalo Mercedes em Bengazi, Líbia.

ira2Agora vamos pro outro lado Iraque, onde há um país que alguns ‘neo-conservadores’ dos EUA quiseram também invadir, mas felizmente não se concretizou: o Irã.

A esquerda mais um Mercedão militar, camuflado. Do Exército Iraniano.

Com direito a retrato do Aiatolá e tudo!!!, amplie pra ver. dinamarca

Graças a Deus, digo de novo, o Irã não foi invadido e ocupado.

Assim seus veículos militares são vistos apenas em desfiles comemorativos.

militarComo é o caso nessa oportunidade em que foi clicado, ao fundo as tribunas com as autoridades e o povão.

Com isso, fazemos de novo a transição pros países que estão em paz.

Mais dois caminhões que estão usando verde-oliva, pertencentes as forças armadas:

ira1Acima a direita (com aquela bolinha amarela frontal e lateral com o n° 10 dentro), do Exército da Dinamarca.

Também com o farol ‘caído’ que já falamos mais pro alto na página.

E a esquerda do Exército Brasileiro.

iraNa mensagem sobre os Scanias eu mostrei um Jacaré carreta carregando um tanque.

………

Vamos ver muitos outros do Oriente Médio região, onde, repito, a Mercedes foi imensamente popular.

Acima e a esquerda, Irã.arabia-saudita

O Irã não é árabe, é persa. E é xiita, enquanto em quase todos os países árabes a elite é sunita, embora por vezes boa parte do povo seja xiita.

Feita essa distinção, os persas são parecidos com os árabes, incluso a língua persa é distinta do árabe mas usa o mesmo alfabeto.

arabia-saudita1Acima e ao lado: Arábia Saudita.

A carreta laranja também sendo inspecionada por um segurança. Felizmente ele está desarmado, pois não há guerra por ali.

Na sequência horizontal abaixo 3 dos pequenos países vizinhos.

O primeiro é dos Emirados Árabes Unidos, os outros dois do Catar.

emirados-arabescatarcatar1

Curiosamente todos os 3 laranjas. Mais uma curiosidade, amplie a foto do meio pra conferir:

chile3

Chile.

Logo acima das duas estrelas, a maior principal e a menor acima dela, foi colado um enfeite.

Trata-se de mais duas estrelas da Mercedes, e no meio um emblema do Islã.

É uma tradição entre os caminhoneiros do Oriente Médio.

Indica que eles já estiveram na Arábia Saudita a trabalho.

miniatura

2 maquetes: com a mesma pintura da carreta chilena, e depois com o logo clássico da Kibon.

Nessa imagem acima do caminhão dos Emirados a definição é baixa, e não vai dar pra ver com nitidez.

Mas suba de novo a página e amplie a tomada do caminhão azul iraquiano entrando em Faluja.

Assim que o soldado liberar, é claro.

Pro que nos importa aqui, ele tem esse mesmo enfeite, e ali a definição é maior, vai dar pra reparar claramente.

miniatura1São curiosas essas tradições, não?

No Norte da Europa, e também no Brasil, os caminhoneiros adornavam a máquina com o bonequinho dos pneus Michelin.

De volta ao Oriente Médio. 3 do Egito:

egito1egitoegito2

Agora Jordânia:

jordaniajordania1jordania-aman

etiopia

Etiópia: nesse país o volante é a esquerda, exatamente como no Brasil.

Vamos pra África Negra. Eu disse, ou melhor é o mapa quem diz, que na África se usa mão inglesa, com o respectivo volante a direita, da África do Sul ao Quênia.

Ilustremos. Começamos com um caminhão da Coca-Cola na África do Sul, logo abaixo.

Ainda não fui a África, então essa eu puxei da internet. Mas eu fotografei a mesma cena em Valparaíso, Chile, em 2015.

Na sequência horizontal, o 1° é também da Áfica do Sul, os outros dois são do Quênia. Detalhes curiosos no caminhão sul-africano:

africa-do-sul1Rodas maiores, de Pé-Grande, propícias pra andar no barro;

Modelo anterior de emplacamento, 2 letras e 5 números, não era colorida;

O mesmo farol ‘caído‘, portanto vimos que na RSA houveram os dois modelos, no lugar ‘correto’ e esse.

africa-provquenia-mombassaquenia

madagascar

Madagascar. Nessa nação insular africana no Oceano Índico o volante também é na mesma configuração que no Brasil, a esquerda.

Ainda comentando do azulão acima: isso que é pegar pescado na fonte, diz aí? Literalmente na areia da praia, direto do produtor.

Se desse mais um pouco de ré o bichão entrava na água e os peixes pulavam direto pro baú refrigerado.

Assim dispensando o trabalho do pescador pegar o barco e puxar a rede….rs.

Quanto aos outros dois do Quênia (ainda me refiro, óbvio, a sequência horizontal acima);africa

O marrom tem o farol na mesma posição dos brasileiros.

E foi clicado em Mombassa, no litoral, maior cidade do país fora a capital Nairóbi, e onde há um importante porto.

Já o que está logo a seguir também tem farol ‘caído’ – assim percebemos que na África as duas configurações foram frequentes.

……..

Agora veja a foto a direita, clicada na África em nação não-identificada.

niger1Além da carga, os caminhões por lá levam também pessoas, que viajam precariamente agarradas sobre o lona, rezando pra não cair.

Digo, não é só na África. Na Colômbia, México e República Dominicana, aqui na América, constatei o mesmo.

Nos dois últimos eu fotografei, clique nas ligações e veja você mesmo. niger

No México não há Mercedes. Abaixo falaremos melhor da Colômbia e RD, quando mostraremos os caminhões de lá.

Por hora de volta a África. Segura essa bomba:

serra-leoaSaca só nas 2 tomadas acima como é o transporte no Níger. Excesso de peso, talvez???

Esse é um dos países menos desenvolvidos do mundo, não tem saída pro mar e seu território fica inteiro no Deserto do Saara. 

tanque-curitiba

Esse é brasileiro, emplacado aqui em Curitiba.

Se serve de consolo, na Índia e seus vizinhos ocorre o mesmo (dezenas de pessoas se espremendo no teto de caminhões, ônibus, trens e barcos), e esses países ficam na Ásia.

Por hora nosso tema é a África, e infelizmente teremos que voltar a falar de conflitos violentos.

Acima vemos um Mercedão branco saindo de um campo de refugiados em Serra Leoa.

Digo, essa imagem  foi tirada de um filme, que fala como o tráfico de diamantes alimenta as milícias das guerras civis africanas.

argentina33

Argentina.

Portanto talvez a cena não tenha ocorrido em Serra Leoa. Talvez tenha sido gravado em outra nação. 

Quem sabe o Quênia. Pois no caminhão branco o volante está a direita, como na Inglaterra.

E em Serra Leoa a direção é a esquerda, como no Brasil e maior parte do planeta.

Ou quem sabe esse caminhão, mesmo tendo o volante invertido em relação a mão de tráfego em Serra Leoa, tenha sido usado lá.

paraguai

Paraguai.

Serra Leoa é paupérrima e está destroçada por guerras. Falta tudo.

Se aparece um caminhão lá, eles não podem recusar por causa de um ‘detalhe’ como esse.

Eles botam pra correr o estradão, e se na hora de ultrapassar a coisa fica perigosa, bem, tudo em Serra Leoa é perigoso, se quiser ver assim. . .

Enfim, é uma película. Mas é possível que esse caminhão tenha sido usado em Serra Leoa, mesmo com o volante ao contrário? Sim, é possível.

equador44

Equador.

Não sendo verídico, é verossímel. Se é realidade exata ou ‘licença poética’ da produção só podemos especular.

Até porque há precedentes. No Caribe, nas Ilhas Virgens (tanto as Britânicas quanto as vizinhas Estadunidenses) a mão é inglesa, se dirige pela esquerda da rua.

Mas a imensa maioria dos veículos (tanto de passeio quanto ônibus e caminhões) são importados dos EUA, portanto com volante também a esquerda.

Totalmente inadequado pras configurações das pistas. Ultrapassagem só rezando muito, porque você não vê o sentido contrário. liberia

Só que eles não estão nem aí e usam assim mesmo. E olhe, esses pequenas colônias anglo-ianques caribenhas não estão em guerra. Serra Leoa está em guerra.

Então se vier usado um caminhão de outro país africano ou mesmo outro continente, eles dizem “manda aí”.

recolhendo-lixo

Caminhão de lixo, foto no Brasil.

Vimos acima do cavalo-mecânico amarelo argentino ao vermelho que está de farol aceso no Equador, 3 Mercedões na América.

Estes são só pra ilustrar, sem relação com o texto logo ao lado, mesmo caso dos 2 do Brasil a esquerda e logo abaixo

Voltemos pra África. Falávamos de Serra Leoa. A direita também amarelo um caminhão na vizinha Libéria. 

Repare que ele está adaptado, da cabine só deixaram o capô e o para-brisas.

Dali pra trás foi cortado fora, puseram no lugar umas portas artesanais de madeira, e uma plataforma sobre o salão de motorista/passageiros.

E esse será o gancho pra rumarmos de novo pra Ásia, então. Na sequência horizontal abaixo 3 da Malásia:

malasiamalasia2malasia36

turquia

Turquia.

Repare que em todos eles foi feita a exata mesma adaptação que na Libéria:

Arrancaram a porta – por vezes sem sequer substituir por outra artesanal – e implantaram aquela plataforma sobre a cabine.

Uma verdadeira tradição Ásio-Africana!!

………..rep-dominicana2

E por falar em África, em caminhões sem porta, e em caminhões de lixo, focamos agora em nossa querida América.

Digo, fisicamente na América, mas de certa forma continuamos na África.

rep-dominicanaA República Dominicana é a “África na América“, eu já disse isso antes.

Fotografei um caminhão de lixo na capital Santo Domingo operando sem portas, mas não era Mercedes.

Hoje vamos nos fixar nos Mercedes dominicanos (imagens baixadas da rede): o amarelo acima, e o branco ao lado.