da ‘Guerra dos Táxis’ ao Gautrem: o transporte na África do Sul, da barbárie ao moderníssimo

Acima da manchete: Gautrem, de primeiríssimo mundo, que interliga Joanesburgo, Pretória e o aeroporto internacional. Aqui: sistema de ônibus ‘Minha Cidade’, no Cabo, que não fica atrás.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 1º de julho, 2017.

Maioria das imagens de minha autoria. Identifico nas legendas o que foi baixado da internet.

Vamos falar da rede de transportes na África do Sul. Esse é um país de contrastes, de paradoxos.

Faz parte da África, como até o nome indica, e é de maioria negra. Mas de certa forma ir a África do Sul é também como ir a Europa (os brancos de lá são brancos de verdade. Pele, cabelos e olhos muito claros. 90% são loiros, os olhos azuis e verdes predominam). 

Sendo uma ponte entre Europa e África, a África do Sul não poderia escapar de escapar de ter em si os dois mundos, com todos os conflitos que isso traz.

Rea Vaya‘, o equivalente em Joanesburgo. Funciona bem, mas a rede é muito pequena.

Em outra mensagem já falamos do infame ‘apartheid’, que findou em 1994 com a eleição de Mandela presidente.

No transporte esse paradoxo se manifesta da mesma forma. Encontramos desde os moderníssimos sistemas de ônibus e trens até gente sendo transportada em caçambas de caminhões.

E o pior: muito sangue correu. No período após o ‘apartheid’, os negros explodiram numa revolta que ficou conhecida como “as Guerras do Transporte”, ou ‘Guerra dos Táxis’ no original. Eles queriam o direito de gerir seu próprio transporte coletivo, e assim incendiaram centenas de ônibus.

Centrão de Joanesburgo: mas o modal mais usado do país são as vans (que eles chamam de ‘táxis’). Quase todas são brancas e Toyotas, mas não necessariamente.

E – é triste mas tenho que dizer – balearam e mataram diversos motoristas, quase todos também negros, em Durbã alguns indianos, que igualmente têm pele escura e igualmente foram vítimas do ‘apartheid’.

Quando estava em vigor o macabro regime racista, os negros não eram vistos como seres humanos, e isso dentro de sua própria terra.

Os bairros e favelas que os negros moravam muitas vezes não eram servidos por ônibus, haviam algumas linhas de trem – que eram e ainda são péssimas.

Av. Vitória, Cid. do Cabo, mesma cena. A frente um modelo novo, com farol quadrado o mais antigo, (quase) sempre Toyotas e alvas.

Porém da estação pra sua casa, e muitas vezes eram vários kms, eles tinham que ir a pé. Nos bairros que contavam com ônibus, a situação não mudava muito.

Os busões passavam pela rodovia (ou pela avenida principal em zonas mais urbanizadas) mas não entravam nas vilas.

Resumindo que a situação era a mesma do trem, uma longa caminhada do pouco transporte coletivo disponível até em casa.

Por isso, mesmo quando o ‘apartheid’ ainda vigia, os negros começaram uma rede de transportes própria: vans percorriam os meandros das vilas, favelas e em Durbã também os morros.

Em Pretória, a capital. Nessa aqui há a capelinha de ‘táxi’. “Patrocinado pela mamãe e papai”, diz o adesivo. Outro detalhe: a Toyota vende tanto na África do Sul que fez esse adereço, a bandeira personalizada.

E deixavam os moradores na estação de trem ou na rodovia, onde passava ônibus pro Centro, ou pras áreas industriais, ou pros subúrbios ricos.

Resumindo, ao descer da van operada informalmente também por um negro, a massa trabalhadora acessava enfim o transporte oficial pra seguir viagem pra onde estavam seus empregos.

O ‘apartheid’ tolerava essa situação, pois não prejudicava em nada os brancos, e amenizava um pouco o sofrimento da massa negra.

Entretanto, e entenda isso claramente, as vans não podiam sair do gueto. Da vila ao estação de trem ou ao trevo na rodovia, ok. Mas ali é o limite.

O transporte operado e gerenciado pelos próprios negros em hipótese alguma podia chegar ao Centro da cidade, e muito, mas muito menos, aos bairros ricos onde os brancos viviam.

Enquanto o ‘apartheid’ vigorou, os negros não tinham escolha, pois qualquer contestação era respondida de forma extremamente violenta pelo regime racista.

Gautrem no Aeroporto Internacional O.R. Tambo, por isso a maioria dos passageiros são brancos.

Extremamente. Vocês viram o ‘caveirão’ que a polícia usava pra entrar nas favelas quando haviam distúrbios.

Pense que esse verdadeiro tanque de guerra era usado contra pessoas desarmadas pois os negros não podiam ter armas de fogo por razões óbvias.

Mas quando o ‘apartheid’ caiu, gradualmente desde o fim dos anos 80 e em definitivo em 1994, os negros bradaram:

“People Mover”, a semente da modernização de Durbã. Só 3 linhas curtas por enquanto.

“Agora é nossa vez! Queremos que nosso transporte seja gerido e gere receitas pro nosso próprio povo”.

Portanto os negros exigiam que suas vans, os ‘táxis’ em seu jargão, pudessem ir até o Centro.

Pra que dessa forma o negro usasse e pagasse uma condução só, ademais fizesse a viagem sentado.

Os donos das viações de ônibus resistiam, sejam brancos ou em Durbã muitas delas eram (e ainda são) de propriedade de indianos.

Centrão da Cidade do Cabo.

Sejam de que raça for, quem se beneficiava do ‘status quo’ naturalmente iria se opor a sua modificação.

Aí os negros partiram pra revolta armada. Incendiaram centenas de ônibus, em várias cidades do país.

Em casos mais extremos, metralharam os veículos em movimento, com os passageiros dentro.

Dezenas de pessoas morreram nos levantes, centenas mais ficaram feridas. A princípio o estado reprimiu. Mas a massa negra não iria ceder.

Tri-modal: na Cidade do Cabo, em 1º plano um trem de passageiros; no meio uma estação com ônibus articulado, e ao fundo o porto. Só faltou um avião. Na Argentina (breve no ar) eu fotografei o tetra-modal: pneus, trilhos, ar e água.

Após mais de um século de ‘apartheid’, sem nenhum direito em seu próprio continente, os negros decidiram que teriam direito em usar seu próprio meio de transporte.

Foi o poder público quem acabou cedendo. Era inevitável, que os negros conduziriam mesmo suas vans pelo itinerário que quisessem sendo legal ou não.

Assim as prefeituras resolveram legalizar as vans, optando pelo mal menor e cessando o banho de sangue que já estava grande demais.

Todas as grandes cidades da África do Sul têm um trem de subúrbio (chamado ‘Metrorail’) que é péssimo, e por isso quase não é utilizado. Em Durbã (local dessa foto) e na Cidade do Cabo eu andei, em Joanesburgo não deu tempo.

Com isso, várias viações menores quebraram, em Durbã várias empresas operadas de pai pra filho pelos indianos há 3 gerações acabaram saindo de atividade.

No país inteiro a situação se repetiu, embora aí os donos tivessem outras etnias. 

Escrevemos em outra mensagem que a história do transporte coletivo de Campinas-SP é tumultuada e violenta.

De fato assim é. Ocorreram ríspidos embates entre prefeitura, viações e perueiros, como muitos protestos, fechamento de avenidas e rodovias, e locautes.

O que se repetiu em diversos países da América Latina.

Sempre que o poder público tentou melhorar o sistema de ônibus, os operadores independentes dos micros protestaram, fecharam avenidas e garagens, entoaram palavras de ordem.

Estação de ônibus no Centro da Cid. do Cabo.

Presenciei esse movimento pessoalmente em Acapulco, México, 2012.

No Chile ocorreu o mesmo, na Colômbia e Peru foi ainda pior:

Muitas vezes sindicatos aliados a grupos criminosos incendiaram ônibus, do Transmilênio em Bogotá e da finada estatal peruana Enatru respectivamente.

Ônibus 2-andares (linha não-integrada) no Centro de Joanesburgo.“Praça Gandhi” é o Terminal Central. Só 1 porta, imagine como é circulação aí dentro no horário de pico? Um “Deus-nos-acuda”.

Mas em nenhum lugar da América a situação se compara ao que ocorreu na África do Sul.

Lá o termo “Guerras do Transporte” não é força de expressão, foi uma guerra mesmo com vários mortos.

A situação se amainou um pouco desde o pico na virada do milênio, mas não se encerrou.

As “Guerras do Transporte” continuam ceifando vidas, nesse país que é tão belo, mas também tão conflagrado, dividido, injusto e violento.

Veja, em 2015 (somente dois anos atrás portanto no momento que escrevo) mais uma vez os motoristas de vans partem pro ataque:

Fazem barricadas, apedrejam ônibus e mesmo disparam contra um ônibus em movimento, acertando uma passageira e segundo um relato também o motorista, que teria falecido no local.

http://www.news24.com/SouthAfrica/News/Putco-bus-shot-at-during-taxi-protest-20150703

No andar de cima até que estava tranquilo, o problema é o de baixo. Todos os passageiros são negros, com exceção de 1 Mulher branca. Nessa outra postagem há foto de mais um veículo 2-andares.

……

Então há gravíssimos problemas com violência política. Fato. 

Mas inquestionavelmente as coisas melhoraram muitíssimo na África do Sul. 

Na época do ‘apartheid’ as janelas dos ônibus e trens tinham que ser protegidas por grades (veja as fotos um pouco mais pra baixo na página).

Pra pelo menos o motorista não ser atingido por pedras e desgovernar o veículo.

Já que quando rolavam revoltas, atacavam ferozmente o transporte coletivo.

‘Golden Arrow‘ (‘Flecha Dourada’), a maior viação da Cidade do Cabo. Nas linhas não-integradas vigora a pintura livre. A mesma empresa opera também linhas integradas do ‘Minha Cidade’, aí com pintura padronizada.

Repito porque é importante, e já entenderão porque de tanta ênfase:

Atualmente os busos e trens da África do Sul não são mais assim, não é mais necessário.

Mas agora virá o choque: nos dias de hoje, a Argentina está igual a África do Sul no seu período mais sombrio.

Estão apedrejando ônibus e trens o tempo todo em Córdoba, Buenos Aires e demais cidades grandes de nossa vizinha nação, linhas estão sendo canceladas pra evitar os locais mais quentes.

E, sim, hoje os trens da Argentina têm grades na janelas, como nos seus tempos mais difíceis a África do Sul também os teve, mas não mais a muito.

Rolou uma ‘reversão de polaridade’. A África do Sul era sinônimo global de problemas políticos, e lá as coisas se acalmaram um pouco, tiraram a grade.

A Argentina, que era conhecida como uma nação próspera e tranquila, passou pela ‘ascensão e queda’, e precisou colocar as grades.

Claro que as coisas estão muito longe de serem perfeitas na África do Sul. Veja a foto a direita:

Interior de um ônibus da Golden Arrow, de linha não-integrada.

Aqui se paga em dinheiro, e o motorista é também o cobrador. Ele fica numa cabine blindada, pra evitar assaltos.

Há uma pequena janelinha pra ele pegar o dinheiro e te dar o troco e bilhete, como nas casas lotéricas (esq.).

O motorista entra e sai por uma porta de uso exclusivo, a direita do veículo.

…………

Apesar das ‘Guerras do Transporte’, Durbã ainda conta com dezenas de viações independentes.

Boa parte delas de propriedade de indianos, e eles adoram decorar seus ônibus.

Veja ao lado grafite que há na traseira de um deles. Clique pra ampliar, nessa escala você não está vendo nada.

É uma obra de arte: pintada a mão, cada buso tem uma gravura diferente, não é produção em série. Merece ser apreciada.

Agora filma a esquerda:

Colagem mostra dezenas de viações independentes de Durbã, sempre que eu identifiquei o nome anotei ao lado.

Nas raças escuras (o que inclui africanos, asiáticos e americanos) os donos gostam de personalizar ao máximo cada veículo.

Por exemplo a viação Dehal’s (de indianos) teve 3 ‘carros’ fotografados:

Um deles é o ‘Riquinho’, outro o ‘Esperto’, e mais um o ‘Sonhador’. Como se cada buso fosse vivo e tivesse sua própria personalidade.

Muito lixo nos trilhos em Durbã. Em outra postagem verão a cracolândia que há no local.

Outra coisa. Repare que o letreiro está sempre desativado, a linha vem numa placa no para-brisas.

Nos EUA, Anglosfera e Europa Ocidental a linha sempre vem no letreiro, nunca no para-brisas.

Em vários pontos da América Latina, África, Ásia e Europa Oriental o oposto, letreiro apagado, informação no vidro como aqui.

E no Brasil e outros países uma transição, a linha no letreiro mas o itinerário no para-brisas. Há lugares como a África do Sul em que os dois modelos convivem.

………

Falando agora especificamente do modal ferroviário: todas as grandes metrópoles do país têm extensa rede de trens de subúrbios.

No Aeroporto Tambo, cartaz do Gautrem só enfatiza as ligações pra Pretória e Sandtom, ignora Joanesburgo. Alguns dizem que “o Apartheid continua”. Abaixo explico o porquê.

Mas eles são tenebrosos, e não usados por ninguém exceto os mais miseráveis entre os miseráveis.

Lembram os similares que existem na Índia, Egito e Bangladesh, e todos foram construídos pelos ingleses.

Por outro lado, a capital administrativa do país (Pretória) é ligada a maior metrópole da nação (Joanesburgo) – e ambas ao aeroporto internacional da região – pelo moderníssimo Gautrem.

Próximas 7: vamos ver as vans, o modal mais popular do país. Fotografei o Centrão de diversas metrópoles inundado delas. Começo em Joanesburgo.

Esse sim parece um pedaço da Suíça, Suécia, China, Japão ou Alemanha transplantado pro solo africano.

Mas pra lembrar que estamos mesmo na África, o modal mais usado são as vans, que eles chamam de ‘táxi’, e que são quase todas brancas, embora existam as coloridas também.

Pra que as vans tivesse trânsito livre em toda parte, falando literal e figuradamente também, é que o sangue correu.

Durbã.

Deu certo, as vans se impuseram como escolha da massa.

………..

Vamos resumir a situação:

Vans (quase sempre) brancas chamadas de ‘táxi’:

Pretória, o prédio ao fundo é o Banco Central (‘Banco da Reserva’) Sul-Africano.

Oni-presentes, o modal mais usado em todas as cidades da África do Sul e, aqui podemos generalizar, da África como um todo.

Quase todas são Toyota (tanto as antigas quanto as novas), e quase todas são brancas. 

Claro, existem outras cores e marcas – em Pretória especificamente há muitas Volkswagen, e nas outras cidades também há variações.

Na tomada a direita, em Joanesburgo, vemos 3 verdes.

Mas se você vir uma van, a chance que seja alva e dessa montadora japonesa é 90%.

Em terra de gente negra, o transporte é branco”.

Cid. do Cabo. Também Z/ Central, mas aqui não no Centrão e sim na orla, num bairro bem caro.

Não só na África do Sul, em boa parte do continente é assim, é uma vibração africana.

E isso se refletiu na mais africana das cidades brasileiras, que é Salvador óbvio.

Durante 2 décadas (anos 90-quase meio da década de 10) a capital baiana passou por uma ‘padronização informal’.

Sem que o poder público exigisse, voluntariamente a maioria das viações de ônibus adotaram pinturas em que o branco cobria a maior parte da lataria.

Na Av. Vitória (bairro ‘Woodstoock’, bem mais popular mas também Zona Central do Cabo), ônibus e vans duelam por público. O povo prefere as vans, pouco mais caro mas vai sentado.

Haviam detalhes (na ‘saia’ e em faixas) que as diferenciavam, ainda assim no veículo predominava o alvo.

Depois que estudei a África entendi o porquê, esse modelo veio de lá.

Voltando a RAS (“República da África do Sul”), o custo médio de uma viagem em van é 17 Rands.

Com o câmbio é quase 4 Rands pra 1 Real, isso dá R$ 4,30.

A passagem de ônibus em Curitiba é R$ 4,25, portanto você vê que é equivalente. Os valores são sempre de maio.17, quando estive lá.

Claro que varia conforme a cidade, e dentro da cidade conforme a linha. Mas a média é essa.

EM GAUTENG, LINGUAGEM DE SURDO-MUDOS –

Em Durbã e na Cidade do Cabo, o cobrador vem gritando na janela o destino da van, como também ocorre na América.

No Cabo, em todos os para-brisas há também uma placa com a mesma informação (comprovamos tudo isso ao lado).

Putco, viação que opera linhas não-integradas em Joanesburgo (onde cliquei esse Tribus), Pretória e outras cidades da região.

Portanto não há como confundir, até um estrangeiro pode pegar uma van lá, e foi o que eu fiz.

Em Durbã, algumas poucas vans tem a placa com itinerário no vidro, a maioria não. Mas o cobrador anunciando aos brados não falha nunca, de qualquer forma não tem como errar.

Também andei de van em Durbã, mas não por minha vontade, foi uma situação atípica.

Eu fui pra periferia de trem, aquele que funciona precariamente, no decorrer da matéria descrevo incluso com fotos como foi minha ‘descida as trevas’, e não é modo de falar, é literal.

Nas próximas 2 imagens vemos Pretória: Marcopolo brasileiro do sistema integrado Areyeng. A direita a estação.

Desembarquei numa periferia, e subi um morro favelizado a pé. Quando estava quase entrando na estação pra voltar pro Centro, a polícia me abordou. Irei contar essa história com detalhes na próxima postagem.

Aqui, pra tornar curta uma longa aventura, eles não permitiram que eu voltasse de trem, e me deram uma carona – no camburão! – até outra parte do bairro, onde me puseram numa van pra que eu fizesse a viagem de retorno.

Portanto mesmo sem ter planejado, andei de van em Durbã também.

Voltando ao que dizia antes, em Durbã e no Cabo o cobrador informa aos berros o destino, no Cabo sempre e em Durbã as vezes essa mesma informação vem no vidro.

No estado de Gauteng (Joanesburgo e Pretória), entretanto, não há os avisos nem o sonoro e nem o visual. Nada. Não tem placa no vidro, nem ninguém te avisando o destino.

Você está no ponto de parada, passam dezenas de vans indo pra lugares diferentes, mas você aparentemente não tem como saber qual linha cada uma delas cumpre.

Ainda em Pretória, um velho Mercedão 2-andares permanece na ativa. Essa linha é não-integrada.

Aquilo me intrigou. Oras, alguma forma de identificação teria que ter, obviamente.

Alguém sugeriu que em determinada avenida todas as linhas vão pro mesmo lugar, hipótese que descartei imediatamente. “Certamente não é dessa forma”, eu disse a pessoa.

Salão de um buso ‘Golden Arrow’, Cid. do Cabo. 5 fileiras de bancos (3 a direita, 2 a esquerda), resultando que o corredor é minúsculo. Como pro embarque e desembarque só há 1 porta, a circulação interna é péssima no horário de pico.

A cidade é enorme, e não há como fazer essa especialização, tem que haver troncos de transporte, e portanto por boa parte do itinerário destinos diferentes compartilham do mesmo trajeto”.

A solução foi inquirir um morador local. Perguntamos ao taxista: “se não há placa nem cobrador indicando o itinerário, como o passageiro pode saber pra onde a van vai?” Ele nos explicou:

É o passageiro quem informa ao motorista pra onde ele quer ir, com um sinal com os dedos. O motorista para ou não conforme ele esteja ou não cumprindo aquela linha que o passageiro precisa tomar.”

E esses sinais são feitos na linguagem de surdo-mudos. No cartaz abaixo eu estou exemplificando aleatoriamente (não são os signos corretos, é só pra vocês pegarem o jeito):

Se o passageiro levanta um dedo ele quer ir pro Centro; 2 dedos, até a estação de trens; se ele deita a mão na horizontal, vai pra determinada cidade da região metropolitana.

Loucura, não? Rolou uma reversão de polaridade, pois vai na mão inversa:

Pça. Gandhi, Centrão de Joanesburgo. De dentro do 2-andares fotografei 2 Torinos (esses de 1 andar) da Metrobus. O de trás inteiro adesivado. Essa aberração em várias partes do Brasil foi proibida mas em outras ainda existe. No Chile e México, entre outros, igualmente é permitido.

É o passageiro quem indica o trajeto, e o motorista quem precisa ler a comunicação.

O que torna o sistema impermeável pra forasteiros. Só quem pega a van todos os dias no mesmo local sabe o código, pois óbvio, ele não é único pra toda metrópole, varia pra cada corredor.

Por exemplo (mais uma vez, falo aleatoriamente só pra pegarmos o pé da situação), na Zona Oeste 1 dedo pode indicar que você vai pra Soweto, enquanto na Zona Norte pra Sandton, e na Zona Central pra Praça Gandhi, bem no Centrão da metrópole.

Assim, mesmo um negro que nasceu e morou toda a vida em Joanesburgo só conhece o sinal das linhas que ele pega cotidianamente.

Gente sendo transportada em caçambas abertas.

Se ele é da Zona Oeste, e for pegar uma van nas Zonas Sul ou Leste, ou mesmo na própria Oeste mas em outro bairro, seu conhecimento não servirá de nada, pois cada corredor tem seu código próprio.

Terá que perguntar a quem já está no ponto. Felizmente esse é o menor dos problemas.

Formiguinhas: o modal de transporte mais antigo da humanidade ainda é muito usado na África do Sul. Quero dizer o seguinte: muita gente volta pra casa a pé, caminhando mais de uma hora sob sol. Fotos na Zona Norte de Joanesburgo, no fim do texto eu descrevo em detalhes.

O sul-africano é extremamente cordial (sobre o que também falarei melhor em texto futuro, breve), e está sempre disposto a ajudar os outros.

Quem tem boca vai a Roma, e quem tem boca não pega a van errada em Joburgo (apelido de Joanesburgo) e Pretória. Mas é preciso perguntar.

Pois a rede de vans desenvolveu uma linguagem própria, vedada a intrusos. Curioso, não?

Já estudei o sistema de transporte de muitas dezenas de países (alguns visitei, a imensa maioria pela internet) e nunca tinha visto um ‘sistema fechado’ como esse.

Torino Mercedes: ‘Rea Vaya’, Centro de Joanesburgo.

Mas assim é, tudo tem a 1ª vez. Se funciona bem pra eles, quem somos nós pra termos ideias ‘melhores’?

Ônibus modernos: articulados, embarque pré-pago em nível em estações fechada, corredores exclusivos, especialização com linhas-tronco e alimentadores.

Existem na Cidade do Cabo, Joanesburgo e Pretória. Infelizmente Durbã ainda não passou por essa modernização.

Na Cidade do Cabo se chama no original em inglês ‘My Citi’, obviamente ‘Minha Cidade’, mas com ‘i’ no fim ao invés de ‘y’.

Tribus da KZT no Terminal Central não-integrado de Durbã.

Você passa o cartão na entrada e na saída, pois paga por quilômetro utilizado (em várias cidades do mundo ônibus e metrôs são assim também, em Valparaíso/Chile comprovei pessoalmente, em Seul/Coreia do Sul li pela internet).

É de primeiríssimo mundo, e utilizado pela classe média, de todas as raças.

Nas linhas que servem os bairros mais abastados, você vê mais brancos que negros nos micro-ônibus, situação única na África do Sul.

Sim, o Cabo é a cidade mais branca da África do Sul e de toda África, 1/3 de seus moradores são euro-descendentes, em Durbã e Joanesburgo a participação deles é metade da do Cabo.

Colagem mostra o mesmo terminal. Serve também de garagem, camelódromo e abrigo de sem-tetos. Vide no fim do texto descrição do que ocorre ali.

Mas o Cabo é disparado a cidade mais integrada da África do Sul, você vê brancos andando nas ruas do Centro aos montes.

Parece que está na Europa ou América (não me refiro aos EUA, ou pelo menos não somente aos EUA, América é um continente).

No Centro de Durbã e Joanesburgo não há brancos. Nenhum, nada, zero, inexistente.

Pois não é uma questão de quantidade, e sem de qualidade. Embora menos que no Cabo, há mais de um milhão de brancos tanto em Durbã quanto Joanesburgo. 

Nas próximas 7 vemos a Estação Central de Trens de Durbã: sombria (literalmente) viagem no ‘Metrorail’.  Fica no subterrâneo, e quase não tem iluminação, o breu é total.

As praias de Durbã são integradas, ali você vê o quão numerosos são os caucasianos na cidade.

Nos subúrbios elitizados a moda ianque afastados da Zona Central, os brancos são maioria nas ruas, vi isso pessoalmente em Sandton, Z/N de Joanesburgo.

E, há exceções evidente, mas no geral você também vê pouquíssimos brancos nos ônibus urbanos de Joanesburgo e Durbã.

Pois o sistema não chega com a qualidade necessária aos bairros mais elitizados.

Claro, a linha que só percorre o trajeto entre o Centro e a orla em Durbã (da qual falo abaixo), nessa há vários euro-descendentes.

Repito pra ficar claro, ou melhor dizendo, está escuro pra cacete, Uma cena trevosa.

O mesmo vale pros alimentadores do Gautrem em Joanesburgo. São as exceções que confirmam a regra, até porque ambas são linhas integradas.

No geral, em Joanesburgo e Durbã, a classe média agora multi-racial usa carro, os pobres (quase todos negros, alguns poucos brancos, em Durbã há também indianos) usam ônibus.

No Cabo é diferente. Como seu sistema de ônibus é moderníssimo e não deve nada aos melhores da América e Europa, a classe média o utiliza.

Modernos articulados ligam o Centro a terminais na periferia, em corredores exclusivos e com estações com embarque em plataformas elevadas.

Vejam com com vossos próprios olhos, em dia útil não quase ninguém na Estação Central de Durbã, e são umas 10 plataformas enfileiradas.

Eles têm 3 portas a direita (pois na África do Sul é mão inglesa, mas as estações são no fluxo contrário do tráfego, como os ligeirinhos de Curitiba).

Os que fazem linhas somente em corredores não têm portas na esquerda.

Mas em alguns pontos mais afastados da cidade ainda não há corredores exclusivos, então mesmo articulados têm que ter portas a esquerda, no nível da rua.

Ônibus de tamanho normal puxam as linhas de média demanda.

2 portas a direita pra usar nas estações, mas 1 a esquerda, pois eles também são usados nas linhas alimentadoras mais carregadas.

Estou me repetindo pra enfatizar bem: estação escura e pouquíssimo utilizada, aqui consegui achar uns gatos pingados.

E os micros se encarregam das linhas menos movimentadas. 1 porta em cada lado, elevada a direita e rebaixada a esquerda.

Olhe, se a linha é servida por micro não é uma questão de tamanho do trajeto, nem se é central ou não.

Mas sim do número de passageiros, no caso da ‘Riviera’ e dos morros entram também outros fatores na logística.

Explico. Há linhas que servem os bairros centrais, abastados. Boa parte deles são em morros.

A Cidade do Cabo parece a Califórnia, a elite e alta-burguesia é que moram em ladeiras, os pobres ficam nas partes planas da cidade.

Veja, quando subi no vagão só havia eu. Depois vieram mais umas 2 ou 3 pessoas.

Você conhece (mesmo que somente por fotos e filmes) como é São Francisco ou ‘Hollywood/Beverly Hills’ em Los Angeles (obviamente ambas na Califórnia/EUA)?

Então, a Cidade do Cabo é exatamente igual.

No bairro ‘Baía do Campo’, de elite na Zona Sul do Cabo, eu me senti em Hollywood, só faltou me deparar com o Robert de Niro.

Fiquei hospedado em ‘Woodstock’, na Zona Central da mesma cidade.

Pra piorar, o trem andou 2 estações e recolheu. Desci nessa outra, que também estava deserta. Os prédios ao fundo ficam no bairro ‘Musgrave’, a ‘Cidade Alta’ de Durbã, uma região de classe média-alta (que também visitei) num morro logo ao lado do Centro.

Ali parecia demais que eu havia me tele-transportado pra São Francisco, porque é idêntico.

Então. As linhas alimentadoras que servem a Baía do Campo e ‘Woodstock’ naturalmente são servidas por micros.

Primeiro porque ficaria difícil ônibus grande fazer todas aquelas curvas em ladeira, muitas ruas são estreitas e sinuosas.

Segundo porque a demanda é menor. Como em todos os lugares do mundo uma parte dos burgueses sul-africanos usam transporte público se ele for eficiente.

Próximas 3: Centro de Joanesburgo (nessa cidade não andei de trens, só fotografei). Aqui a Estação Parque, a Central, principal da cidade, tri-modal ferroviária: ‘Metrorail’, Gautrem e trem de longa distância.

Mas mesmo assim não em grande número, a maioria sempre irá preferir o conforto de seus próprios automóveis de bancos estofados e ar-condicionado.

Na orla da Zona Sul é o mesmo. Nesse caso a distância pega, é muito longe do Centro, poucos usam ônibus.

A região da ‘Riviera do Cabo‘ é belíssima, uma sinuosa estrada se espreme entre as montanhas e o mar.

Mansões dos multi-milionários (com teleféricos particulares) ocupam as íngremes ladeiras, muitos Porches pelas ruas.

É uma beleza indescritível, tem que ver pra crer, por isso percorri a pé a Riviera pra produzir um ensaio fotográfico.

Aqui e próxima a esquerda: Estação Faraday, também Centro de Joburgo, essa é só trem de subúrbio.

Mas, não é difícil entender o porquê, ali não há como pôr ônibus grandes, os micros dão conta do recado.

Como dito, você passa o cartão quando entra. E quando sai de novo.

Como as catracas têm GPS, o sistema calcula a quilometragem que você percorreu, e cobra de acordo.

Essa cobrança multi-nivelada não é tão injusta como parece a primeira vista por nós brasileiros.

Final de tarde de um dia útil, o ônibus 2-andares já mostrado acima estava lotado até a boca, foi dificílimo sair dele de tão cheio. Mas na Estação Faraday não havia ninguém pra tomar o trem.

Vale lembrar que as cidades sul-africanas são diferentes das brasileiras, pois aqui seguimos o modelo americano (do continente América) de urbanismo.

Enquanto a África do Sul se espelha na escola anglo-ianque. 

Portanto, na África do Sul os subúrbios mais distantes são abastados, como já disse muitas vezes e é notório.

Consequentemente, os mais pobres vivem em bairros relativamente centrais.

Assim a quilometragem que eles usam do ônibus não é tão elevada, a tarifa não sai cara pra eles.

Portanto você só embarca se possuir cartão com crédito, cada um tem que ter o seu.

Próximas 5: estação de trens ‘Woodstock’, Zona Central da Cidade do Cabo (ao fundo as montanhas características).

Mas é feito na hora nas estações, fácil e rápido de conseguir e recarregar.

Nos pontos, em todos na Zona Central e nas principais avenidas na periferia, há uma tabela de horários.

Você chega e já sabe exatamente quantos minutos faltam pro busão aportar.

Assim se vê que ainda têm 20 minutos, pode ir a esquina tomar um sorvete, por exemplo, não precisa ficar de pé ali.

Em várias paradas há também mapas, locais e da rede como um todo.

Repare os mesmos detalhes: 1) a linha é ‘2531’. Pra onde vai esse trem? Só quem pega ele todo dia sabe; 2) a estação está deserta, num dia útil; 3) agora que o ‘apartheid’ acabou, não há grade no vidro.

O sistema de transporte ‘Minha Cidade’ do Cabo é amplo.

Vai até Atlântida, que fica a 40 km, já é uma pequena cidade do interior.

Próxima a metrópole mas não fisicamente ligada a ela, é preciso pegar estrada.

Atlântida é pobre, conjuntinhos humildes de casas e prédios, mas sem favelas.

Então, e mesmo esse distante pedaço da Grande Cidade do Cabo, já no limite entre subúrbio da metrópole e interior, é servido por ônibus integrado da rede.

Na foto anterior era depois do almoço, ninguém na estação. Nessa é 6 da tarde, pleno horário de pico, tem meia dúzia de gente esperando o trem pra periferia. Aqui e nas 2 a seguir, repare no belo Pôr-do-Sol !

Nos horários de pico há busos diretos do Centro pra Atlântida. 

Nos demais horários e FDS é preciso baldear em um terminal no meio do caminho.

Em outros bairros ocorre o mesmo, linhas diretas quando há mais movimento, seccionadas nos horários de menor demanda. Mas isso é assim no mundo todo, óbvio.

Tudo somado, o sistema da Cidade do Cabo é excelente, eu tiro o chapéu.

Mas, também por ainda estar no começo, há várias partes da cidade que ainda não são servidas por esse modal mais moderno, ou são servidas de forma insuficiente.

Ali, as vans ainda predominam, secundadas pelos ônibus não-integrados.

Falamos do “Minha Cidade” no Cabo porque é disparado o que melhor funciona, então me centrei nele.

Joanesburgo e Pretória têm sistemas similares.

Em Joburgo se chama chamado ‘Rea Vaya’ (“estamos em movimento” na gíria de um dialeto local).

Fomos até Soweto com ele, comprando a passagem unitária como relatado abaixo.

Não há problemas pra adquirir o bilhete como em Pretória, e onde existe a rede funciona bem.

Próximas 4: continuamos na Cidade do Cabo, mas agora na Estação Central – que também é um camelódromo !!

Porém a rede é pequena. Diversos bairros de Joanesburgo não contam ainda com ela.

Proporcionalmente ao tamanho das cidades, o ‘Rea Vaya’ é bem menor que o ‘Minha Cidade’ do Cabo.

Estão corrigindo isso, há várias obras de ampliação do Rea Vaya em andamento, mas por enquanto é assim que tá.

Em Joanesburgo não sei se o cartão definitivo de plástico é feito ali.

Sempre igual, quase ninguém esperando o trem.

Mas nas bilheterias das próprias estações é possível comprar um cartão de papel que vale só pra uma viagem.

É um pouco mais caro, mas você não fica na mão. Foi o que fizemos.

Ainda assim, igualmente você tem que apresentar o bilhete na catraca na hora de sair da estação ou do ônibus. No Cabo também é possível comprar essa passagem pra só 1 deslocamento.

Ainda a Estação Central do Cabo, um trem grafitado. Joanesburgo é a única cidade da África do Sul que tem pichação e grafite nas ruas, e também nos trens. No Cabo e Durbã, nas ruas quase nada, nos trens há um pouco.

Em Pretória o sistema se chama Areyeng. Não há articulados. Sem problemas, a cidade é bem menor então se dispensam mesmo os sanfonados.

Entretanto, não é possível pagar a passagem na bilheteria da estação sem o cartão.

E ele não é vendido ali, nem o definitivo nem um provisório pra uma viagem. Isso é uma falha do sistema.

Nós indicaram onde se comprava, mas a fila virava a esquina, cena desanimadora.

Mesma foto que aparece os camelôs, mas agora com o foco no trem: 1) a linha é 3522, você sabe o destino? Eu também não, só quem usa todo dia decorou qual nº é o seu; e 2) Essa é uma velha locomotiva da época do ‘apartheid‘: quando haviam revoltas, a galera apedrejava o transporte coletivo. Por isso as grades nas janelas. Hoje não é mais assim, suba a página e veja que os trens novos não têm mais grades, a África do Sul embora com altos índices de violência avançou na busca da paz.

Portanto em Pretória nós não pudemos testar o sistema de ônibus mais moderno, acabamos andando num ônibus alimentador do Gautrem, que é um sistema a parte.

NA ÁFRICA DO SUL, QUEM VIAJA DE AVIÃO SUBSIDIA O TRANSPORTE PÚBLICO

Certamente o Gautrem é o transporte público mais moderno da África do Sul, pois ele seria moderno até na Alemanha!

Entre os ônibus, o posto é da rede “Minha Cidade” do Cabo, que também é de nível global, emparelhando com os melhores da Europa, América e Leste da Ásia.

E o Gautrem e o ‘Minha Cidade’ têm algo em comum além de seu alto nível de excelência:

Ambos são integrados ao modal aéreo, têm estações nos respectivos aeroportos internacionais.

Mas pra usar essa comodidade é preciso abrir bem a carteira.

Nas outras cidades 90% das vans são Toyota. Em Pretória, embora a maioria seja dessa marca japonesa, pelo menos um terço a quase metade é Volkswagen, além dessa colorida atrás vem outra VW branca. Estamos em frente ao Banco Central Sul-Africano, que emite o Rand, moeda oficial do país e mais 3 nações vizinhas.

A passagem de quem usa a Estação Aeroporto tanto do Gautrem quanto do ‘Minha Cidade’ é muito, mas muito mais cara que a tarifa convencional.

E não é uma questão de distância, mas sim de uma opção mesmo de política pública de quem tem dinheiro pra viajar de avião ajudar a subsidiar o custo do transporte coletivo de quem não tem esse privilégio.

Sim, tanto no Gautrem como no Minha Cidade a tarifa é calculada conforme a distância e horário que você usa.

Porém pra usar a Estação Aeroporto em ambos há um asterisco na tabela de preços. Ali, repito, não entra no cálculo o número de quilômetros rodados.

Mas sim o fato deliberado que o poder público decidiu que quem tem mais vai ajudar quem tem menos.

Passes de transporte na África do Sul,  anotei cidade e modal, amplie pra ver.

Pois você pode ir muito mais longe, mas se não for pro aeroporto pagará mais barato.

Exemplificando é mais fácil visualizar (um Real vale mais ou menos 4 Rands [maio.17], eu já fiz as conversões pra facilitar):

Do Centro de Joanesburgo ao subúrbio de Sandton sai 8 Reais no pico e R$ 5,75 fora dele.

Pra ir ao Aeroporto é muito mais caro, do Centro até ali são 37 reais.

No entanto, quase em frente ao aeroporto, apenas cruzando a rodovia, há estação Rhodesfield.

Se você descer nela, dá só 12,50 reais, ou seja 1/3 do preço.

Terminal Central de vans na Cid. do Cabo, com a Montanha-Mesa ao fundo. Essa vai pro distante subúrbio de Atlântida.

Muita gente faz isso, desce em Rhodesfield (de mala e tudo) e cruza a rodovia a pé, pela passarela.

Economiza 50 reais na ida e volta.

No Cabo não tem Gautrem – obviamente, pois até o nome (‘Gautrain’ no original) indica que ele pertence ao estado de Gauteng.

Enquanto a Cidade do Cabo fica no Cabo Ocidental. Mas pra ir de ônibus ‘Minha Cidade’ ao aeroporto é o mesmo esquema:

Fui a Atlântida de ônibus, aqui o terminal.

Bem mais caro que a tarifa normal. Estávamos em 3 pessoas. Pra chegarmos de busão pra Zona Central sairia 90 reais.

Fomos de táxi (clandestino, em outra mensagem breve eu conto mais), ficou 10 reais mais barato.

Voltando ao Gautrem, já que estamos falando de suas tarifas. Como já dito e ilustrado no decorrer da página, essa companhia ferroviária opera seus próprios ônibus alimentadores.

Você pode usar só o ônibus, só o trem ou ambos. Só o trem já dei alguns preços acima como exemplos.

Articulado Tribus da ‘Golden Arrow’, Cid. do Cabo.

Se você pegar somente o buso, custa R$ 5,25 no horário de pico e 3,50 fora dele.

Mas usando os dois modais, o ônibus sai por R$ 2 no pico, e apenas 30 centavos nos outros horários.

……..

Durbã ainda não revolucionou seu transporte coletivo, o negócio ali ainda está bastante atrasado.

Essa foi baixada da internet: articulado do ‘Rea Vaya’, Joanesburgo.

Há ônibus grandes, até mesmo uns poucos articulados.

Mas não há corredores exclusivos, integração, setorização entre linhas-tronco e alimentadoras, o trem é grosseiramente sub-utilizado pois funciona de modo horroroso.

Resultado: algumas poucas vilas e bairros são servidos por ônibus em linhas radiais (Centro-bairro em linha reta).

Todos vão pro Centro, se sobrepondo nas grandes avenidas e portanto concorrendo entre si.

Além de gerar congestionamentos e poluição.

Numa colagem (fonte: sítio Bus-Planet, créditos mantidos), vemos 5 ônibus dos anos 80 pra 90, ‘apartheid’ ainda vigorava. Daí todos com grades nos vidros, Detalhes: as 4 fotos acima são da cidade de Porto Elizabete, que eu não tive a oportunidade de visitar. Os 2 de baixo são da Cidade do Cabo, a antiga pintura da ‘Golden Arrow/Flecha Dourada’, quando ela era, bom, dourada! O da esquerda não está em linha regular, está escrito em inglês, africâner e (prov.) xhosa algo como ‘Cartão-Transporte’. O da direita sim, de partida pro bairro ‘Mowbray’.

Mas o grosso do transporte é por vans. Nessas obviamente todos os problemas se repetem ampliados:

Somente linhas radiais, nada de integração.

Se você quiser ir de um bairro pra outro tem que pagar duas vezes.

Além do custo ao passageiro, isso gera um custo a cidade.

Pois forma-se um caos na Zona Central.

Ela fica apinhada com um mar de vans brancas disputando passageiros entre si e contra os poucos ônibus que há.

Digo, há em Durbã o sistema ‘People Mover’ (algo como ‘Move-o-Povo’).

É o começo da modernização dos ônibus na cidade. São todos novos, com piso baixo.

E são as únicas linhas integradas:

Você paga mais caro, e têm que solicitar ao motorista (que também é o cobrador).

Mas é possível comprar um passe válido pro dia inteiro.

Os dois extremos da linha 109 da Cid. do Cabo. Aqui parada no ponto inicial no Centro, o terminal Adderley . . .

Aí você pode entrar em qualquer buso do ‘Move-Povo’, quantas vezes quiser, até a meia-noite.

(Nota: faleia ‘1/2 noite’ como força do hábito. Na verdade a última viagem do ‘People Mover’ é bem antes disso, no máximo as 22h, por ser um serviço mais elitizado.)

Porém não há corredor exclusivo, articulados e muito menos estações com embarque pré-pago em nível.

São apenas 3 linhas, uma percorre as imediações da beira-mar e outras duas ligam a orla ao Centro.

. . . e agora no ponto final, no distante bairro da Baía Hout (no ponto um muçulmano praticante, que incluso cobre a cabeça).

Ônibus não-integrados:

Todas as cidades sul-africanas ainda contam com esse modal.

Diversas viações com pintura livre, fazendo linhas radiais (Centro-periferia) não-integradas.

Portanto não há linhas circulares que interliguem as diferentes partes da cidade sem passar pelo Centro.

Se você precisa ir de um bairro a outro tem que pagar duas vezes.

Já que abrimos o baú, vamos ver mais duas fotos antigas, ambas igualmente baixadas da rede, da época que a África do Sul tinha tróleibus. Aqui em Joanesburgo: virada dos 80 pros 90, finzinho do ‘apartheid’, só brancos podiam usar esse tribus, troleibus e 2-andares, tudo junto e misturado!

Há viações enormes como ‘Golden Arrow’ (‘Flecha Dourada’) na Cidade do Cabo e a Putco em Joanesburgo, Pretória e diversas outras cidades da região.

Essas duas citadas acima têm centenas ou mesmo milhares de ônibus, atendem dezenas de linhas.

E outras bem menores, que só fazem uma ou duas linhas, e têm de somente 1 a 5 ou 10 veículos na frota, e tudo que há no meio entre esses extremos.

Não tem muito o que descrever, é pintura livre, ônibus de apenas uma porta, você compra a passagem do motorista que também é o cobrador.

Nesses busos você igualmente paga conforme a distância percorrida:

Durbã, bem antes, década de 50. Mesma cena, tribus, 2-andares e trólei, também só pra caucasianos, o ‘apartheid‘ oficial estava em seus primeiros anos.

O motorista pergunta até onde você vai e cobra de acordo, te dá um bilhetinho de papel com essas informações impressas.

Há alguns articulados nas linhas de maior demanda, isso em nas 3 cidades, Cabo, Joanesburgo e Durbã.

Trem de subúrbio com padrão de primeiro mundo:

Liga Joanesburgo a seus subúrbios ao norte, e até o aeroporto e a capital Pretória.

Não estou brincando nem exagerando. O Gautrem tem nada menos que 98,6% de pontualidade, ritmo norte-europeu ou leste-asiático.

As poltronas são anatômicas e estofadas, e não há super-lotação.

As cidades da África do Sul, urbanisticamente falando, são iguais as dos EUA.

Próximas 2: ônibus não-integrados de Pretória.

Claro, há inúmeras favelas miseráveis que não existem nos EUA. 

Mas o resto é igual, os ricos e a classe média-alta moram em subúrbios só de casas afastados do Centro.

A parte mais rica de Joanesburgo é a Zona Norte.

Na época do infeliz ‘apartheid’, os subúrbios elitizados eram 100% brancos.

Pretória também é conhecida como Tshwane, abaixo explico a razão.

Hoje são mistos, há numerosa classe média e média-alta negra.

O ‘apartheid’ político acabou, e por isso os bairros de elite hoje contam com numerosa participação negra.

Mas o ‘apartheid’ econômico permanece. Se preferir de outra forma, a África do Sul continua um país de 3º mundo.

Portanto uma ilha que é a minoria que pertence a burguesia (agora composta por brancos e negros) está cercada por oceano de pessoas da classe trabalhadora, a imensa maioria negros.

Viação ‘Country Cruiser‘ (“cruza a nação”, ou “cruza o sertão”, a palavra ‘country’ pode ser tanto ‘país’ quanto ‘campo, interior’). A frente sujeira e comércio pra lá de informal. Assim você flagra como é o Centrão de Durbã. Sentiu o drama?

Pro transporte, que é que nos interessa aqui, a malha do Gautrem é pequena. Mas concentrada exatamente na parte rica da cidade.

Ademais, ônibus alimentadores ligam (com tarifa integrada) os bairros do entorno a estação férrea.

Portanto permite que agora a classe média e média-alta possa também usar trens pra ir trabalhar.

Isso é cidadania. País rico e justo não é o que pobre usa transporte individual, mas o que o burguês usa transporte coletivo.

Claro, é só um começo. Numa nação ainda extremamente injusta como a África do Sul, são poucos os casos que a burguesia usa trem e ônibus.

Ainda Pretória, integrado do Areyeng. Carroceria fabricada pela Caio no Brasil, vai desmontada de navio e é finalizada pela Busmark 2000 na África do Sul, que muda alguns detalhes como o farol em relação ao modelo que circula aqui.

Mas é um bom começo. Até 2010/2012 (anos da inauguração gradual do Gautrem) nem isso existia.

Tem mais: como já dito, o Gautrem tem sua rede de ônibus alimentadores. Esses também são novos

Óbvio que nem tudo é perfeito, a ‘revolução’ ainda está nos estágios iniciais.

O Gautrem é de primeiríssimo mundo, o verdadeiro ‘Estado de Arte’.

Mas a malha é pequena, há somente duas linhas:

Uma grande linha norte-sul de Joanesburgo a Pretória (passando pelos subúrbios a moda ianque onde mora a classe média-alta na Z/N de Joanesburgo).

Garagens de ônibus. Na imagem anotei as cidades.

Ela e se interliga a um outro ramal leste-oeste, que une a linha-tronco ao aeroporto internacional e os subúrbios que ficam circunvizinhos a ele (na Z/L mas próxima a Z/N).

Obviamente é muito pouco pra uma metrópole que tem de 7 a segundo algumas fontes já 10 milhões de habitantes.

Próximas 2: Transportes Durbã. Aqui um Torino brasileiro.

Isso somente na Grande Joanesburgo, e se adicionarmos a Grande Pretória (que é muito próxima) dá de pelo menos 10 a 12 milhões de pessoas nessa megalópole estendida.

Ademais o Gautrem se concentra na parte rica da cidade, ignora a periferia.

Trens de subúrbio precários (‘Metrorail’): existem em todas as metrópoles, Joanesburgo, Pretória, Cidade do Cabo, Durbã, Porto Elizabete e Londres do Leste.

Mesma viação, outro modelo, ao lado de 2 vans.

Mas em todas elas a qualidade é péssima. No Cabo e Durbã comprovei pessoalmente. É disso que falarei agora.

“DESCIDA A ESCURIDÃO”: A SOMBRIA (LITERALMENTE) VIAGEM NO ‘METRORAIL’

Estação Central de Pretória, como a de Joburgo tri-modal férrea: Gautrem, ‘Metrorail’ e trem de longa distância.

Vou documentar minha viagem nos trens de subúrbio (‘Merorail’).

Eles são horríveis, em todas as cidades, ninguém usa exceto quem não tem escolha.

Já foi difícil comprar o bilhete, você tem que informar onde vai descer.

Mas eu e o bilheteiro não nos entendíamos, meu inglês não é tão bom – e nem o dele, eu acrescentaria.

Não confunda: no texto ao lado falo da estação do ‘Metrorail’ de Durbã. Na imagem a estação do ‘Metrorail’ de Pretória, com trem executivo pra Joanesburgo (falo sobre ele abaixo).

Tive que mostrar o mapa, uma passageira na fila ajudou, no fim foi, entrei na estação.

Quando vi a escada pra descer a plataforma, achei que era engano:

Estava tão escura que parecia que a estação estivesse fechada.

Mas era ali mesmo. Chegando lá embaixo, veja (nas fotos mais pro alto da página) que breu total na plataforma . . . .

Eu era estrangeiro, tom de pele diferente dos nativos (portanto todos viam que eu era turista).

Estava praticamente sozinho naquele lugar que os próprios moradores locais não têm coragem de pisar.

Joanesburgo, Viação Gauteng, que também possui articulados. Linha – não-integrada – escrita numa placa no vidro, letreiro eletrônico apagado. Mais pra cima no texto já comentei sobre isso.

Em partes da estação um forte cheiro de mijo pois os banheiros estavam trancados com cadeado.

Todo mundo falou pra eu não ir, porque era perigoso demais, era o retrato do inferno.

Ao chegar ali, vi que as pessoas têm razão em evitar o ‘Metrorail’. Pensei: “Caramba, é de fato macabro.

Mas não vou desistir, afinal, se não for perigoso, não é jornalismo.

Vou prosseguir e cumprir a missão que me propus, e Deus Pai e Mãe me ajudará e me Iluminará na tarefa”.

De fato Ele/Ela me Guiou e protegeu, poucos horas depois fui parar num camburão da polícia. Mas não me aconteceu nada de ruim, foi só uma experiência exótica, que breve jogo no ar.

Terminal dos alimentadores do Gautrem na Estação de Pretória. Há ônibus com só 1 e com 2 portas.

Bem, de volta a Estação de Central dos trens de Durbã, só mesmo o Criador pra Iluminar aquele local.

Porque se depender da Cia. Férrea da África do Sul (chamada ‘Prasa’, numa sigla em inglês) tá difícil.

Ela parece não achar necessário pôr mais lâmpadas na plataforma onde as pessoas esperam a condução.

Alimentador do Gautrem (em meio a muitas vans) no Centro de Pretória. Alias no letreiro diz “Pta. CBD”. ‘Pta’ é Pretória, óbvio. CBD é o termo inglês que significa ‘Centro da Cidade’, é a sigla de ‘Central Business District‘. Nos EUA se fala ‘Downtown’, não? Então, em várias ex-colônias britânicas se diz ‘CBD’.

Repito, é no subterrâneo. Pra alguém acessar tem que ir em sentido descendente pelas escadas.

E há pouquíssima iluminação artificial. Resultando que é literalmente uma ‘descida a escuridão’, não é modo de falar.

Cheguei e havia um trem parado. Mas não vi ninguém entrando, espiei pela porta não tinha ninguém dentro.

Então não seria eu o primeiro a entrar, eu era mais ‘peixe fora d’água’ impossível.

Estação do Areyeng em Pretória.

Vai que o trem ia recolher, sei lá. Ele partiu quase vazio, eu fiquei na plataforma, também quase vazia e muito escura.

Perto de meia-hora depois chegou outro. Aí já haviam mais umas 4 ou 5 pessoas nos bancos aguardando.

Entrei, vagão deserto, depois subiram mais algumas poucas pessoas, bem menos de 10.

Cidade do Cabo. Nos pontos nas avenidas principais do ‘Minha Cidade’ há mapas (também usando o termo ‘CBD’, destaquei) e tabela de horários.

O trem andou 2 estações e recolheu, todo mundo teve que descer.

O fiscal que deu essa informação era branco.

Sinal que há brancos pobres, que fazem trabalho braçal, nessa nação.

Na estação onde tive que ficar esperando mais quase uma hora por outro trem.

Joanesburgo (tirei as fotos contra a luz, assim a definição saiu baixa): acima 2 alimentadores Gauteng, Caios brasileiros, um tem 2 portas (raro na África do Sul) e outro somente 1. Abaixo, em branco, linhas convencionais não-integradas. A esquerda viação independente Amogelang, Torino brasileiro. A direita um Putco (que já vimos mais pra cima na pintura tradicional laranja. Sabe-se lá porque, esse ‘carro’ está descorado).

Novamente, não há ninguém nas plataformas.

Depois peguei o trem errado, porque na África do Sul o letreiro do trem não traz o destino, mas sim um código.

Um número, que só quem pega todo dia sabe pra onde está indo aquela composição.

Pelo menos aí o trem (errado) que tomei estava mais cheio, algumas dezenas de pessoas, pra não ficar tão sub-utilizado. Camelôs vendem de tudo lá dentro.

As estações assustam, principalmente as desertas e sem iluminação. Mas dentro do trem em si, olhe, não é nada diferente do que temos no Brasil.

Andei várias vezes nos trens de subúrbio de São Paulo nos anos 90 (eu era um adolescente), quando eles ainda não haviam sido modernizados.

A situação era idêntica da África hoje, quem podia evitava.

Mato a cobra e mostro o pau: eis mais um Putco na Z/N de Joanesburgo, esse na decoração de escolha normal da viação.

Atualmente os trens da CPTM melhoraram bastante, mas algumas linhas (as pra Franco da Rocha e Itapevi certamente) ainda estão longe do padrão ideal.

Tudo somado, nesse quesito também o Brasil está bem próximo da África do Sul.

……..

A rede de Metrorail é bem extensa no Cabo, Durbã e Joanesburgo/Pretória (nessas duas últimas é uma só rede, pois as cidades são próximas).

Putco em Pretória.

Todas com várias linhas que se cruzam formando uma malha.

Nas duas cidades que ficam no estado do Cabo Oriental (Porto Elizabete e Londres Leste) só há uma linha em cada.

O ‘Metrorail’ era o ‘trem dos negros’ na época do ‘apartheid’, agora é o ‘trem dos pobres’ – que no ‘Metrorail’ são todos negros então  especificamente nesse caso nada mudou ainda.

Pois com o regime de segregação racial oficial, os negros (e indianos em Durbã) eram os pobres, os brancos eram a burguesia.

Joanesburgo, 20/04/17. No Centrão um Torino brasileiro da Metrobus.

Como já dito muitas vezes, na era ‘pós-apartheid’, a burguesia é multi-racial, brancos, negros e indianos (esses últimos só são numerosos em Durbã).

Mas a periferia ainda é quase toda negra, as piores favelas 100% negras.

Mas mesmo nessas piores favelas quem pode vai de van (‘táxi’). Só usa o ‘Metrorail’ quem não tem mesmo dinheiro pra ir de van.

Z/N de Joanesburgo, Metrobus da Caio com “chapéu”, decoração que faz sucesso no Chile, México e em São Paulo, mas em Curitiba só se vier usado de fora. Já expliquei, a Busmark finaliza a montagem lá na África, mudando alguns detalhes, mas é um Caio.

Alguns dizem que no modal ferroviário o ‘apartheid’ continua.

Fizeram o Gautrem que liga os subúrbios ricos de Joanesburgo e Pretória ao aeroporto.

Sinceramente, vendo o anúncio do Gautrem tive que dar alguma razão a esses críticos:

Como podem ver em foto mais pra cima na página (busque pela legenda), o cartaz só mostra as conexões pra Pretória e Sandton.

Portanto ignora o Joanesburgo e sua Estação Central, chamada “Parque”.

Oras, Sandton é digamos “o Novo Centro” de Joanesburgo.

Nas mesmas duas pinturas, Metrobus em Pretória.

Partes do Centrão de Joanesburgo sofrem com severa decadência urbana. Falarei disso melhor com muitas fotos em outra postagem, em breve.

Aqui, pra irmos adiantando, resumo que, as corporações retiraram suas sedes do Centrão.

Joanesburgo, viação Stabus. ‘Stadt’ é ‘cidade’ em alemão. A língua holandesa num passado remoto se originou na alemã. Assim, em holandês e africâner (dialeto do holandês) ‘cidade’ é ‘stad’, daí o nome da companhia.

E transferiram pra Sandton, um antigo subúrbio que acabou se tornando o novo núcleo econômico da cidade, ao menos pros brancos.

Em Sandton os brancos são maioria nas ruas, ou ao menos perto disso, pois é ali que eles trabalham. Pois bem.

Voltando ao transporte que é o que nos importa hoje, o anúncio do Gautrem só mostrava a conexão até Sandton e ignorava por completo Joanesburgo, que queiram ou não ainda é a maior cidade do país.

Há a linha até o Centro de Joanesburgo. Na hora de construir o Gautrem, a cidade não foi menosprezada.

Dois busos brasileiros (Marcopolo e Caio) da Stabus em Pretória. Vocês enenderam, não? As empresas de que operam em Joanesburgo o fazem também em Pretória, as duas cidades são muito próximas.

Mas o foi na hora de anunciar o serviço. Só falam de Sandton, como se só Sandton importasse.

Bem, no trajeto Aeroporto-Sandton há muitos negros no Gautrem, mas os passageiros caucasianos são mais numerosos.

Em Sandton a maioria dos brancos desembarca, dali eles vão de carro (as estações têm estacionamento justamente pra atrair esse público) ou táxi pra suas casas que são em subúrbios elitizados próximos.

Mais um Marcopolo brasileiro, do “Minha Cidade” no Cabo. A porta da esquerda pra embarque/desembarque na rua, a direita 2 elevadas pra uso nas estações.

De Santon ao Centro de Joanesburgo os negros predominam amplamente no trem, e segundo esses ativistas é por isso que esse trecho não foi considerado digno de aparecer na propaganda.

Repito, não há como lhes quitar uma boa dose de razão.

………

Já que tocamos no ponto do ‘apartheid’. Viram acima que a região metropolitana de Pretória agora se chama “Tshwane”. Vamos entender o porque:

Quando o ‘apartheid’ acabou, os negros exigiram que os estados, ruas e cidades tivessem também nomes africanos, e não somente europeus.

Colagem com vários ‘Golden Arrow‘, também do Cabo como já sabem.

Como não dava pra renomear todas as cidades, acharam um meio termo curioso:

A cidade  continua sendo ‘Pretória’, mas a região metropolitana agora é ‘Tshwane’.

E na África do Sul como já dito a região metropolitana é a 4ª esfera administrativa (como o ‘condado’ nos EUA), tem sua própria prefeitura, ao contrário do Brasil.

Próximas 4: o Terminal Central da Cid. do Cabo, onde param as linhas convencionais, não-integradas. Aqui e a direita só os brancos e verdes da ‘Golden Arrow’.

Em Durbã é o mesmo, a cidade ainda é Durbã, mas a prefeitura metropolitana é de ‘eThekwini’. 

O nome ‘Pretória‘  ao contrário do que alguns imaginam nada tem a ver com a palavra ‘preto’. Exatamente ao contrário:

Homenageia André Pretorius, um holandês (africâner) branco que massacrou os nativos zulus pra ajudar a estabelecer o domínio branco na África do Sul.

…….

Busque nas legendas mais pra cima a foto do trem executivo Pretória/Joanesburgo.

Alias, nem todo ‘Metrorail’ é ruim. Esse serviço específico (notem a locomotiva moderna) tem qualidade, pois ali é concorrência direta com o Gautrem:

As linhas têm os mesmos pontos inicial/final e correm lado-a-lado.

Os azul-claros da viação Sibanye.

Então se o ‘Metrorail’ for péssimo como nos outros ramais aí que ninguém usa mesmo.

Esse ‘Metrorail’ é o único de padrão melhor, a exceção que confirma a regra.

Portanto:

Em Joanesburgo:

Busos de ambas as empresas citadas acima.

– Trem moderno com ônibus alimentadores (infelizmente malha pequena);

– Trem suburbano precário;

– Rede de ônibus integrada moderna (reduzida mas em ampliação);

– Ônibus 2-andares (isso não necessariamente é bom, leia abaixo o que achei da experiência);

Idem. Ao fundo as montanhas. Na África do Sul a maioria dos ônibus tem pequena porta a direita, de uso somente do motorista. Há uns buracos na lataria pra ele apoiar os pés pra entrar e sair.

Na Cidade do Cabo:

– Trem suburbano precário;

Rede de ônibus integrada moderna (bastante ampla);

Em Durbã:

– Somente trem suburbano precário, não há outras melhorias exceto em semente;

Veja mais pra cima na página (busque pela legenda) fotos do Terminal Central (não-integrado) de Durbã:

Entre dois busos da empresa Umlazi, vários sem-teto dormem. Essa ainda é a realidade do transporte nessa cidade.

Quadro das linhas. Aqui encerramos as fotos do terminal não-integrado do Cabo.

Como as pessoas se locomovem muito mais de vans (que eles chamam ‘táxis’), há pouca demanda pra ônibus.

Resultando que muitos busões no meio do dia ficam parados, o terminal serve mais de garagem, camelódromo, salão de bilhar (vi 3 mesas de sinuca).

E – como notam – abrigo dos moradores de rua. Fechamos Durbã.

Em Pretória:

– Trem moderno com ônibus alimentadores (infelizmente malha pequena);

– Trem suburbano precário;

De dentro da estação de trens, o Centro de Durbã.

– Rede de ônibus integrada moderna (adequada ao tamanho da cidade);

Ônibus 2-andares.

Claro, todas as cidades têm vans e ônibus não-integrados, alguns até articulados

Pra gente ir encerrando, como dito acima em Joanesburgo e Pretória ainda há algumas linhas de ônibus servidas por veículos 2-andares, mais uma herança inglesa.

Pontos em Pretória e Durbã.

Em Pretória só vi um desses veículos, e bem antigo.

Mas em Joanesburgo ainda são vários, a maioria brasileiros, fabricados pela Marcopolo.

Vários  sim, mas comparativamente ao tamanho da cidade são poucos.

Colagem mostra a Mynah, viação de Durbã. Nos detalhes a ave que é símbolo da empresa, e abaixo dela a ‘capelinha’ no vidro, o marcador que mostra o número da linha. A direita embaixo mais um Torino brasuca.

Felizmente. Ônibus 2-andares é ideal pra linhas turísticas, quando são poucos passageiros endinheirados que estão passeando, sem horário a cumprir.

Aí só vai gente sentada, reduzindo os problemas de circulação.

Vou dizer com todas as letras: ônibus 2-andares não são adequados pro transporte de massas, de linhas carregadas usadas pendularmente pela classe trabalhadora.

Pra essas linhas é preciso articulados, que não têm escada, aí você dinamiza o fluxo no interior do veículo:

Todo mundo entra pela frente e vai se dirigindo pra trás, onde há muito espaço pra se acomodar e várias opções pra sair.

Acabaram as fotos da África do Sul. Aproveitando o embalo, vamos mostrar um pouco da modernização em outras partes do continente. As fotos, repito a ligação, vieram do sítio Bus-Planet. Começamos pela Etiópia. Essa nação,uma das mais pobres da África e da Terra, antigamente tinha seus ônibus caindo aos pedaços – não é modo de falar. A China chegou pra ajudar. Agora circulam ali modernos articulados com letreiro eletrônico. Você conta nos dedos de uma mão os países africanos com articulados: além da África do Sul, sei da Tunísia. Talvez tenham mais um ou dois, mas não mais que isso. Desde 2015 a Etiópia entrou no clube, graças a China.

Pois num 2-andares a escada toma boa parte do espaço do salão interior, onde é feito o embarque/desembarque e cobrança de passagem.

Ademais, a própria escada já é um gargalo de circulação, se alguém está subindo e outro vem descendo, quem sobe tem que recuar.

Pra piorar mais ainda, a imensa maioria dos ônibus  sul-africanos só tem uma porta. Você imagina o cenário: dia útil, 5 e pouco da tarde. 

Praça Gandhi, onde fica o Terminal Central das linhas não-integradas de Joanesburgo.

Chega o busão 2-andares. O próprio motorista é o cobrador.

Ele tem que perguntar onde cada um vai (pois a tarifa é conforme a distância percorrida).

Depois pegar teu dinheiro, devolver o troco e o bilhetinho que comprova que você pagou o valor certo.

Até Adis-Abeba tem metrô! Na verdade um VLT. Construído e operado (a princípio) pela China. Já escrevi amplamente sobre a transformação da Etiópia, leia a matéria. Envolve muito mais que o transporte, essa nação africana é o símbolo da mudança do eixo da Terra, dos EUA/Europa pra China/Eurásia (Rússia, Índia e região).

Você vai lá pra cima, pois o vagão de baixo é minúsculo, o motorista a frente, a escada no meio e o motor atrás, quase não sobra espaço pros passageiros.

Chega a hora de descer e você tem que ir se espremendo no corredor e na escada.

Tem gente sentada nos degraus, o vagão de baixo está lotado até o limite, não cabe mais uma pessoas sequer. 

E só tem uma única porta lá na frente, você tem que ir achando um espacinho, pedindo licença, empurrando.

Na verdade, 90% das cidades da África nem mesmo contam com ônibus de tamanho normal, o transporte é sempre por vans, moto-táxis e no interior em caçamba de caminhão. 1/3 dos países não têm nenhum ônibus grande sequer em linhas regulares, nenhum no país inteiro. E na maioria das nações da África eles só existem na capital e no máximo na maior cidade do interior. Exemplifiquemos por Ruanda, que pra agravar tudo nos anos 90 ainda passou por um genocídio tenebroso, digno de Pol Pot. No século 20 até os anos 80, Ruanda tinha alguns ônibus grandes na capital, situação que espelhava todo continente. Mas o genocídio nesse caso particular e mais os “ajustes” do FMI em diversos países minaram essa realidade. Dos anos 90 até 2013, Ruanda só contava com vans no transporte coletivo, como visto acima.

Pra piorar, como só tem uma porta, tem gente que acabou de entrar e vem no sentido contrário.

Com muita luta você enfim desce. Ufa!!! A sensação é a de sair do inferno. Eu passei por isso, pra poder lhes contar como é.

Andar em ônibus 2-andares pra linhas de massa é um pesadelo. São Paulo e mais 3 cidades (o subúrbio metropolitano de Osasco, na Zona Oeste da Grande São Paulo, Goiânia-GO e Recife-PE) fizeram o teste.

Eu era criança, mas cheguei a andar várias vezes no 2-andares paulistanos. Foi horroroso, e isso que no Brasil o buso tinha 3 portas. Imagine na África que é uma só.

Agora, por outro lado em 2015 pra ir do Centro ao Aeroporto de Santiago/Chile eu fui de 2-andares. Trata-se de uma linha diferenciada, prum público de maior poder aquisitivo.

Aí sem problemas, o buso vai vazio, você sobe e desce com calma a escada, e circula no salão sem atropelar ninguém nem ser atropelado.

Depois da virada do milênio (de 2006 a 2011) houveram tentativas de modernizar o transporte, e foram re-introduzidos ônibus grandes na capital Quigali. Mas não deu certo, não aguentaram a pressão das vans, e quebraram. Em 2013, entretanto, o governo lançou com força total um plano de modernização do transporte em Quigali. Com ajuda de quem? Obviamente da China. Hoje, Ruanda voltou a ter ônibus grandes em circulação, o que já é luxo na África. E são todos chineses.

O mesmo vale pras diversas ‘Linhas Turismo’, já andei várias vezes nesses 2-andares aqui em Curitiba, e em 2012 também na Cidade do México

……..

Claro, muita gente é transportada ainda em caçambas de caminhonetes, sem nenhuma proteção.

Vi e fotografei o mesmo em vários países da América Latina, incluso no Brasil.

Tem mais, o modal mais antigo de transporte da humanidade ainda é amplamente usado na África do Sul: ir a pé.

Quem vive longe vai do trabalho pra casa (pela ordem de preferência) de van, ônibus ou trem.

Quigali foi dividida em 4 regiões. Cada uma tem uma cor, aqui vemos 2 delas. Atualmente a capital de Ruanda além de ônibus grandes tem pintura padronizada, horário e itinerário regulamentados. Na época das vans, nas grandes avenidas no horário de pico haviam centenas delas enfileiradas, brigando pelos passageiros. Mas nos bairros mais distantes em qualquer horário, e na cidade toda a noite e nos fins-de-semana, não havia opções de transporte público. Agora os ônibus circulam por toda parte, das 6 da manhã as 10 da noite, todos os dias.

Mas quem mora até 10 km do trampo volta caminhando. Sim, caminhando. 

Andar 1 hora a hora e meia, ralar o dia inteiro, e depois mais 60 a 90 minutos camelando é o padrão lá, muito mais comum que se pensa.

Presenciei isso pessoalmente. Fim de tarde, cheguei no subúrbio elitizado de Sandton. Na verdade trata-se do ‘Centro Novo’ de Joburgo. 

Como dito acima, o Centrão enfrenta severa decadência urbana, assim as corporações transferiram suas sedes pra Sandton.

Os prédios comerciais que importam estão todos ali, no Centrão é só comércio popular.

Por isso fui conhecer Sandton, e dali iria pra favela de Alexandra, que fica próxima. “Próxima” eu quero dizer que são 6 km, 1 hora a pé.

Esse busão exemplifica a mudança de Ruanda. Foi importado usado de Portugal, onde pertencia a um time de futebol. E foi posto pra rodar sem sequer ser repintando. Com a modernização de 2013, ele pelo menos teve sua pintura padronizada no padrão de Quigali (exceto o escudo, que mantiveram). Até 2014 fez linha regular, aí transferido pra ‘Escolar’.

E a pé a galera foi. Quando deixava Sandton, notei uma fila indiana enorme de trabalhadores negros.

Me juntei a eles, e lá fomos nós, caminhando, num agradável fim-de-tarde em Joanesburgo.

Acessamos a rodovia e continuamos, pelo acostamento.

Éramos uma fila de formiguinhas. Eu era o único de pele clara, o único turista.

Todos os demais era gente que pegou no pesado o dia todo.

E aí depois de ganhar o dia com o suor de seu rosto resolveram poupar o dinheiro do VT.

Antigas cooperativas de van puderam continuar no sistema, mas agora têm que cumprir horário e itinerário, e não mais operar quando e onde dá na telha. No Centro só são permitidos ônibus grandes e micro-ônibus. As vans continuam na ativa, mas só fazem as linhas alimentadoras na periferia que sobem os morros, vilas e favelas, além das rotas no subúrbio afastado semi-rural.

Qualquer trocado a mais no orçamento ajuda.

A África é  pobre. Sim, Joburgo é uma das cidades mais ricas do continente.

Mas Alexandra é um de seus bairros mais pobres, em verdade uma grande favela.

Depois, em outra avenida, vi que muito mais gente fazia o mesmo.

Eles estavam em outros trajetos, indo pra outros bairros. O destino era distinto mas o meio de chegar lá ra o mesmo.

É, filho. Essa ainda é realidade de milhões. Caminhar, depender das próprias pernas.

Reversão de polaridade: partes da África com padrão de Curitiba, partes de Curitiba com padrão da África. Segura essa bomba: na Z/Oeste, aos domingos a prefeitura de Curitiba fundiu 3 alimentadores em 1 linha: Augusta, S. José e V. Marqueto. Assim 1 carro faz o serviço de 3, o intervalo entre as viagens é de 1 hora e 24 minutos – tabela ‘rural’ em plena zona urbana, alias no bairro mais povoado da metrópole. A África evolui, Curitiba involui….

Se a crise apertar no Brasil e outros continentes, eu vi o nosso futuro aquele dia em Joanesburgo.

……..

Pra arrematar: nenhuma cidade da África do Sul (e nem de toda África) tem tróleibus atualmente.

Tiveram no passado, e era tróleibus, 2-andares e Tribus tudo num só. Mas acabou.

E nenhuma cidade sul-africana tem metrô ou VLT, que é um ‘metrô leve’.

Esse modal existe em outras partes da África.

Inclusive a ex-miserável Etiópia, como visto acima.

Portanto nesse quesito a desenvolvida África do Sul come poeira.

……..

Que Deus Pai e Mãe Abençoe a África, e todos os Homens e Mulheres da Terra.

Ele/Ela proverá.

“Trovão Azul” & “Domingo no Parque”, em B.H.

Metal em Minas.

Por Maurílio Mendes, o Mensageiro

Publicado em 26 de junho de 2017

Um Maurílio metaleiro, e mineiro. Morador de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Pegando condução pra ir pra Zona Oeste. Mas não qualquer coisa, e sim um Trovão Azul da época que ‘Volvo era Volvo’.

Tem mais: um Amélia que era “Ônibus de Verdade“.

Tem mais ainda: no saudoso padrão Metrobel, e “em frente ao parque”.

Em uma das muitas matérias sobre busologia no sítio, publiquei a foto ao lado (extraída da página Bus MG).

Pensando Nela . . .

Um colega, que morou em BH, se emocionou em lembrar sua infância. Foi ele quem falou que a tomada foi feita “em frente do Parque”.

Quando eu disse que desenharia a cena, novas recordações afloraram em sua mente. Eis suas palavras:

”   Rá, era demais ouvir a resfolegante respiração deles, bem mais ágeis e rápidos do que seria de se supor, descendo a ladeira!

Ah, e os cheiros? Final da tarde, começando a abrir as florzinhas “damas da noite”, aquele cheiro açucarado, o piso de ardósia, e os  Mercedões rugindo pela rua…

 Oh, Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais!   “

Daí o título, fazendo alusão a outras postagens: “Trovão Azul” e “Domingo no Parque“.

………..

Enfim. Maurílio está indo pra Z/O de B.H. pra ver sua namorada Marília, que também é roqueira. Ademais, ela é uma menina que adora pintar o cabelo de rosa. Ou as vezes de azul.

Um Amor em Rosa & Azul. Mas as roupas de ambos são pretas, pois a trilha sonora é o bom e velho ‘Rock’n Roll’.

Vamos pro Oeste, galera.

o ‘apartheid’ acabou.

Próxima parada, África do Sul.

Por 40 anos (1948-1988 aprox.), durante o infame regime racista, eram proibidos por lei os relacionamentos entre um Homem e uma Mulher de raças distintas.

Camisa do Kaiser Chiefs, time mais popular da África do Sul – os negros adoram futebol.

A legislação previa longas penas de prisão pra ambos, mas na prática um negro que ‘ousasse’ sequer pegar na mão de uma branca seria linchado ou executado no mesmo momento.

Já escrevi em detalhes sobre esse triste período da história sul-africana. Mas hoje tudo isso é passado, as pessoas são livres pra viverem seu Amor, independente dos tons de pele serem diferentes.

Inclusive fotografei vários casais inter-raciais nas orlas de Durbã e da Cidade do Cabo. Agora minha versão com as próprias mãos da mesma cena.

A Marília loira é africâner, o que significa que étnica, cultural e linguisticamente ela é holandesa. Enquanto que seu marido, o  Maurílio sul-africano, está com a camisa do time mais popular do país, o Kaiser Chiefs.

Muitos conhecem a banda inglesa Kaiser Chiefs. O que várias pessoas não sabem é que os músicos britânicos se inspiraram no clube africano, homenageando-o. Assim é. Kaiser Chiefs (auri-negro, ou seja, amarelo-&-preto) e Orlando Pirates (alvi-negro)  são as preferências nacionais, os que dividem a massa na África do Sul.

“Café-com-Leite”.

E eles fazem o maior clássico de Soweto (são ambos dali), de Joanesburgo e de toda nação. É o ‘derby’ (no termo em inglês ) nacional.

Novamente contrário a imagem distorcida que muitos têm, a África do Sul ama futebol. A maioria negra com certeza. Sim, os brancos se dividem entre o ‘rugby’ e o futebol, com preferência pelo primeiro mas muitos gostam também do segundo.

Porém os nativos africanos não têm coração partido, não têm lealdade dividida. Pra eles, o esporte preferido é disparado o futebol, como é na maior parte do continente e do planeta.

Já desenhei Maurílio com camisas (ou adereços como boné e tatuagens) de times da Colômbia, México, Equador, Argentina, Paraguai, Chile, Uruguai, França, Itália e Alemanha. Agora é a vez do ‘Continente-Mãe’ da Humanidade. 

do oriente ao ocidente

Muçulmana devota. Mas extremamente feminina e vaidosa, colorida da cabeça aos pés.

Vamos na mão inversa agora. Acima mostramos uma descendente de holandeses fora da Europa, numa nação de pele majoritariamente escura. Vejamos o outro lado da moeda, mais um casal inter-racial.

Ela é mais clara, ele é pardo. Mas que compartilham a mesma religião, são muçulmanos. Nasceram e moram em Amsterdã, a capital dos ‘Países Baixos’.

Os ancestrais deles vieram do Oriente: da Turquia, Afeganistão, Indonésia, enfim, algum país islâmico da Ásia.

Mas a Marília e Maurílio retratados aqui são tão holandeses quanto os moinhos de vento, os aterros no mar e os canais de Amsterdã (alias eles passam na ponte sobre um deles).

Uma vez que os europeus nativos não querem mais ter filhos, têm que importar mão-de-obra. Assim os bairros proletários centrais das grandes cidades oeste-europeias estão ficando um pouco mais coloridos, digamos assim.

Num ponto de ônibus da Cidade do Cabo, África do Sul, fotografei um muçulmano muito parecido com o ‘Maurílio’ holandês que eu desenhei: esse de carne-&-osso também é descendente de asiáticos (nesse caso Índia, Paquistão ou Bangladesh), tem pele parda, cobre a cabeça e usa roupas ocidentais (calça).

Já desenhei uma Marília holandesa da gema, etnicamente falando, sobre essa mesma ponte de Amsterdã. Aquela é ruiva, olhos azuis, a pele alva como a neve, e anda de bicicleta. 

Uma holandesa “típica”?? Bem, até o século 20 certamente a que tem tez e olhos claríssimos era o próprio retrato da Holanda.

No século 21, entretanto, essa de turbante é tão representativa quanto, ao menos na Zona Central de Amsterdã, Roterdã e as outras grandes cidades.

O Maurílio muçulmano também cobre a cabeça, e a barba enorme, quase até o peito mas sem bigode, igualmente é representativa de seu grupo étnico.

Mudemos o foco pra Mulher, pois a Energia Feminina é sempre mais bela e colorida que a Masculina, na dimensão do vestuário certamente:

Essa holandesa de ascendência na Ásia segue os preceitos ortodoxos de sua religião, por isso os membros e a cabeça são cobertos, só os parentes dentro da casa podem ver seus cabelos e seus braços.

Ainda assim, o lenço e o vestido são multi-coloridos, e ela está maquiada e com as unhas – do pé e da mão – pintadas.

A Holanda – e a Europa – estão mudando !!

Pois Marília, na raça, continente ou religião que for, nunca deixa de ser extremamente feminina em sua aparência.

É possível uma Mulher ser muçulmana praticante, e ainda assim vaidosa.

Seu turbante florido materializa um estado de espírito, o ‘encontro de dois mundos’, o islâmico e o feminino, do qual essa Marília é a síntese.

“Deus proverá”

Terra Amada & Querida: Joinville, Santa Catarina

Terra dos Ônibus Amarelos e da (finada) Busscar.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 13 de março de 2017

Fui mais uma vez a Joinville, Santa Catarina (segundo alguns ainda pertence ao Paraná, abordo essa questão mais abaixo).

E dessa vez levei a câmera, pra produzir esse ensaio fotográfico. Bastante incompleto, é verdade.

A Joinville germânica.

Bem fotografado, com calma e de dia, pude me focar somente no Portal e o Centro e imediações.

Já no apagar das luzes (literalmente!) chegamos ao mar, no Espinheiros (sim, Joinville tem mar. Muitos não sabem disso. Também volto ao tema).

E entre o Centro e o pequeno porto marítimo cliquei rapidamente alguns relances de uma vila de periferia, entre as Zonas Leste e Norte.

Cidade da Dança, Cidade das Flores (já desenhei uma Marília joinvillense, numa loja florida, seguindo a tradição alemã).

Melhor que nada. Um outro dia que eu retornar ampliamos a postagem. Aqui já serve como boa introdução.

Acabando de virar a marca do meio milhão de habitantes, Joinville é o município mais populoso de SC.

Mas não é a ‘maior cidade do estado’, como muitos erroneamente afirmam.

E é fácil entender o porque: cidade e município são conceitos diferentes. Podem coincidir, mas não necessariamente.

A famosa ‘Rua das Palmeiras’.

‘Cidade’ é a urbe, uma mancha urbana contígua, independente de divisões políticas.

Quando vários subúrbios metropolitanos conurbam com um núcleo, uma cidade passa a ser multi-municipal.

Assim fica fácil entender. É fato que no município de Joinville mora mais gente que no município de Florianópolis.

Ainda assim, a cidade que é a Grande Florianópolis abriga muito mais pessoas que a Grande Joinville, portanto a capital e seu entorno são a maior cidade de SC.

E a Beira-Rio no Centrão.

Seja como for, Joinville é o epicentro industrial de Santa Catarina, e por isso disparado o maior PIB do estado – simplesmente o dobro de Florianópolis!

E é a maior cidade do interior catarinense.

…………

Vamos descrevendo as imagens, aí a gente vai falando um pouco mais de Jvlle. Sua origem é alemã, como é de domínio público. Isso fica evidente na arquitetura da cidade (na África do Sul vi prédios similares).

Voltando ao Brasil, há um outro detalhes numa dessas imagens em que aparecem os prédios típicos teutônicos. A direita cartaz do Hercólobus (também já clicado no Chile).

Segundo a Ciência Oculta, um ‘planeta intruso’ que não faz parte do sistema solar, mas que passará perto da Terra nesse começo de milênio, ocasionando muitas mudanças no nosso planeta. Vamos ver no que dá . . .

Nas placas, abaixo da denominação atual da rua, estão grafados os nomes antigos que ela já teve ao redor de sua história. É uma característica de S. Catarina. Já fotografei o mesmo em Florianópolis.

Na capital, de colonização açoriana, mesmo os nomes que já caíram em desuso são no idioma português.

Em boa parte do interior, antigamente as ruas e avenidas antes eram ‘weg’, ‘strasse’, etc. É o caso aqui:

Amplie a foto acima e verá:

Na atual esquina das ruas do Príncipe e XV de Novembro antigamente se encontravam a ‘Ziegeleistrasse’ e ‘Mittelweg’, respectivamente.

Alias ela mostra bem o comecinho da XV de Novembro, no Centrão.

A direita vemos o cruzamento dessa mesma via com a BR-101, já do outro lado do Portal.

Na foto a seguir, a placa é exatamente a mesma. Eu apenas girei a câmera pra direita.

E aí aparece o Moinho que há na entrada principal da cidade, visto agora melhor enquadrado.

Nele funciona uma chopperia, se não me engano

Ao lado do portal há um totem, onde está escrito “Bem-Vindo” em português e alemão. 

Mais abaixo na página há uma foto em que ele aparece claramente.

Aqui nos centremos no que há atrás dele:

Outra placa bi-língue, a que comemora a amizade entre Joinville e a cidade de Langenhagen, Alemanha.

Foi firmada entre os prefeitos, no ano de 1980.

Certamente em Langenhagen há outra equivalente, apenas na ordem invertida dos idiomas.

………..

Como é sabido, no Norte do continente europeu (Alemanha e imediações, como a Holanda) é muito forte o costume de andar de magrela.

Assim essa é outra herança germânica: Joinville é também a ‘Cidade do Pedal’.

Várias avenidas têm ciclovias (fotografei uma delas), e uma das atrações é o ‘Museu da Bicicleta’.

Por falar em museus, em imigrantes e em tempos idos:

Numa das pontas da ‘Rua das Palmeiras’ está o Museu da Imigração.

E bem no meio desse calçadão há uma série de totens em preto-&-branco contando a história do lugar.

Fotografei uma das placas, aquela que registra a passagem do Zepelim.

JOINVILLE-PR, OPS, DIGO SC –

Assim como, Energeticamente falando, Curitiba é a transição entre o Sul e o Sudeste, Joinville é a transição do Paraná e Santa Catarina.

Posto de outro modo: em muitos aspectos culturais Joinville é uma cidade paranaense.

Joinville é muito perto da capital do Paraná, apenas 130 km cobertos por pista dupla, então é muito influenciada por Curitiba.

Joinville é quase uma ‘filha espiritual’ de Curitiba.

Pra um curitibano, andar no Centro de Joinville é como estar em casa, tamanha a quantia de empresas curitibanas que têm filial lá.

Se uma imagem vale por mil palavras, observe a esquerda: o primeiro centro comercial (“shopping”) de Curitiba é também o primeiro de Joinville. Um exemplo entre muitos.

Na tomada acima outra avenida com ciclovia.

Mas nessa e na ao lado, quero chamar a atenção pra outro detalhe que Joinville herdou de Curitiba:

A pichação de muros – e agora também dos telhados.

O alfabeto, a nomenclatura dos grupos, o material, o ‘modus operandi’, toda a parafernália resumindo que é aplicada lá são xerox exato do que se faz por aqui.

Sendo que a ‘escola’ curitibana nesse quesito já havia sido ela mesma importada de São Paulo.

Alias devo dizer que a ‘arte’ de rabiscar essas insígnias inelegíveis ao leigo subiu muitíssimo de patamar – não é modo de falar – recentemente.

Quero dizer com isso o seguinte: até a última vez que eu havia ido a Jvlle (2013, 4 anos antes) já havia pichação ao nível do solo.

Porém ainda não era comum escalarem os prédios pra ‘assinarem’ os telhados. Agora se alastrou essa técnica.

ESPINHEIROS, ZONA LESTE – A “PRAIA” DE JOINVILLE –

Viram que tempestade se armou quando nós íamos pra periferia? Joinville tem problemas seríssimos com alagamentos, já eu falo mais disso.

Por hora, falemos do que vimos no subúrbio.

Subúrbio da Z/L da cidade, bairro Espinheiros. Onde o Mar e Joinville se encontram.

Muitos desconhecem esse fato, nem imaginam que Jvlle também é beijada pelo Oceano Atlântico.

Próximas 2: Avenida JK, na Zona Central.

Mas é. Nós nos perdemos numa esquina que não tinha sinalização pra quem é de fora, e fomos parar no Iririú.

Por isso cheguei no último momento possível de iluminação pra registrar o encontro entre Mar e Terra.

5 minutos a mais, e essas imagens não teriam saído. Deus Pai/Mãe permitiu e deu certo, ainda que no limite.

Pus “praia” entre aspas porque Joinville tem mar sim, mas praia não. Pois não há faixas de areia.

Como também acontece em Paranaguá e Antonina, no Paraná, Santo Domingo no Caribe, e diversas outras metrópoles ao redor do globo.

……….

De volta a Joinville. Hoje a cidade tem mar, mas um dia não teve.

Ainda na próximo ao Centro, fotografei um jardim decorado com estátuas (em Ponta Grossa-PR também).

Explico: o bairro de Espinheiros, que é uma ilha e o único que tem litoral, antes não pertencia a Joinville, mas ao vizinho município de São Francisco do Sul. 

Alias isso nos leva a uma característica única de Joinville: 

O município vai aumentando de tamanho, pois absorveu dois bairros que pertenciam a seus vizinhos a leste.

Espinheiros foi incorporado de São Chico, como acabo de dizer.

Próximas 3: periferia da cidade, ruas de terra, casas de madeira.

E partes do bairro da Itinga se desmembraram de Araquari e foram anexadas ao município de Joinville.

Curioso isso, não? Geralmente no Brasil acontece o contrário, os municípios perderem área com emancipações.

Itaperuçu se separou de Rio Branco do Sul, e Pinhais de Piraquara, pra citar dois exemplos da Grande Curitiba.

Em Joinville o caso foi distinto. Não houve emancipação, e sim transferência.

Ou seja, nenhum município novo foi criado, e sim bairros de municípios já existentes se mudaram pra jurisdição de outro município também já instalado há tempos.

…….

Estamos vendo cenas do subúrbio proletário.

Esse é o perfil médio dos bairros mais humildes da cidade.

Muitas casas de madeira pois é Sul do Brasil. E ainda há muitas ruas de terra, já falo mais disso.

Joinville tem pouquíssimas favelas. Apenas umas 5, e bem pequenas.

Ao lado (na única foto que não tirei pessoalmente, essa foi via ‘Google’ Mapas) uma delas.

Próximas 6: classe média na Zona Central. No texto seguimos falando do subúrbio.

Pra meio milhão de habitantes, não está mal.

A proporção de miseráveis por habitante é mais ou menos a mesma de Santiago do Chile.

E essa é ao lado de Montevidéu-Uruguai a capital latino-americana com menos desigualdade social.

De volta a Joinville, há um mito que a cidade não tem favelas. é mentira.

Existem sim algumas pequenas invasões miseráveis na cidade. São poucas, pequenas e bem afastadas. Mas existem.

Se concentram nos bairros Ulisses Guimarães Paranaguamirim, na divisa entre as Zonas Leste e Sul.

…….

Então está dito. Sim, Joinville tem mar, e tem algumas poucas favelas.

Ainda assim, indiscutivelmente são raras. Até as encostas dos morros de Joinville não são favelizadas.

Não pense que esse é o padrão de toda Santa Catarina, amigo.

Porque em Blumenau, na Grande Balneário Camboriú/Itajaí e na capital Florianópolis a situação é diametralmente distinta.

………

Comparando Joinville e Curitiba: a capital do Paraná tem muito mais miséria. 

Nas próximas 2, imediações da Avenida Beira-Rio. Aqui a prefeitura (também cliquei as de Curitiba e Assunção-Paraguai). A esquerda mais palmeiras, essas são na Beira-Rio como dito, e não na ‘Rua das Palmeiras’ que sai na JK, mostrada logo a seguir.

Incomparavelmente mais, inclusive em termos per capita.

Bem, como disse, proporcionalmente Joinville iguala Santiago e Montevidéu, as duas capitais com menos favelas da América Latina.

(Nota: Buenos Aires, ao contrário do que muitos ainda pensam, é bem diferente, e está coalhada de miseráveis.

Breve grande série com tudo isso ilustrado, uma vez que eu estou indo pra Argentina na mesma semana em que levanto essa postagem pro ar.)

Já Curitiba segue o mesmo padrão de Buenos Aires, com intensa desigualdade social.

Mesmo bem próximo ao Centro há duas grandes favelas, as Vilas Capanema e Parolin.

Ambas já urbanizadas mas a situação segue problemática em muitos quesitos.

E nas periferias da capital paranaense há mais favelas ainda, obviamente, inclusive em morros.

Próximas 2: flores na Zona Central. Essa sim mostra a ‘Rua das Palmeiras’, evidente.

Pra compensar, Joinville tem muito mais ruas ainda de terra que Curitiba.

Bem, a capital do Paraná já pavimentou quase 100% de suas vias.

Evidente, quando surge uma invasão as vias são de leito natural, ao menos no início.

Registrei recentemente algumas na Cidade Industrial e entorno, Zona Oeste.

Mas afora isso, mesmo nos bairros mais periféricos é difícil ver uma via sem pavimentação no município de Curitiba.

Elas ainda existem, mas é preciso caminhar bem no subúrbio pra encontrar.

A maior cidade do interior catarinense ainda está por dar esse passo.

……..

Já seguimos com o texto. Uma pausa pras flores da ‘Cidade das Flores’.

Indo pro Espinheiros, fotografei mais uma ‘amarelinho’ Busscar, ao fundo a tempestade que se formava (esq.). Primeiro falemos do busão. A Busscar, que era de Joinville, começou como Nielson, e até 1987 só fabricava ônibus rodoviários.

Nesse ano ela lançou o modelo Urbanus. Em 1989 veio a mudança de nome pra Busscar.

Nos anos 90 a Busscar se expandiu enormemente, abriu filiais na Colômbia. Nesse país vizinho, que visitei em 2011, a Busscar é um ícone, quase um mito.

No auge, os anos 90 e a 1ª década do novo século, 100% da frota de Joinville era Busscar (incluindo municipais e metropolitanos). Ou pelo menos 99%, houve uma vez que fui lá e haviam uns pouquíssimos Comil, e somente numa linha, a pra Vila Nova se não me engano.

Porém a coisa desandou, e a Busscar faliu no início da década de 10. Aí as viações de Joinville tiveram que comprar de fabricantes diversos.

Ainda me lembro do choque que tive em 2013 ao ir lá e ver pela primeira vez outras marcas em grande quantidade, especialmente Marcopolo, Neobus (que é Marcopolo) e Comil.

Agora, em 2017, a frota joinvillense conta com enorme presença de busos mais novos dessas 3 montadoras gaúchas citadas no parágrafo anterior.

Atualmente os ônibus de Joinville contam com uma película negra ao redor das janelas, o que não ocorria antes. Há muitos Marcopolos também, mas as fotos que fiz deles não ficaram boas.  Na foto acima um Comil, nas duas próximas veículos da Neobus.

A esquerda um municipal saindo do Terminal Central (onde recentemente foram vistos ônibus de Curitiba e Recife-PE, operando emprestados em ‘Tabela Trocada‘).

Note mais uma vez a placa de rua com o nome antigo em alemão.

É claro, ainda há muitos Busscar remanescentes de antes da quebra.  Quando escrevo esse texto (início de 2017) circulavam rumores que a Caio de São Paulo poderia comprar a Busscar. Veremos se a negociação se concretiza.

“PRIMEIRA CHUVA A ESQUERDA”: O CÉU DE JOINVILLE –

Esse ônibus mais escuros (e sem película negra ao redor dos vidros) são metropolitanos, de Joinville pra Araquari ou pra São Francisco do Sul via Araquari. São Chico é uma ilha, tem praia e porto, e é outra cidade, ou seja, embora próxima não é um subúrbio de Joinville, pois  conta com mais de 40 mil habitantes, e tem vida econômica e cultural própria. Já Araquari é bem menor, e emendada a Joinville pelo bairro da Itinga. Assim, podemos dizer que Araquari é o único subúrbio metropolitano da Grande Joinville. Em Araquari está a fábrica da BMW no Brasil, se alguém não sabe.

E quanto a chuva: Joinville tem um problema crônico de enchentes, como é sabido. Comprovamos isso na prática.

Viram a tempestade que se armava quando nos dirigíamos pro Espinheiros. Na volta choveu forte. Apenas 20 minutos, mais ou menos. Ao chegarmos ao Centro o céu já havia limpado.

Mas cobrou seu pedágio. O Centro estava bastante alagado. Fotografei, mas como o fiz a noite e num carro em movimento não deu pra aproveitar as imagens.

Entretanto quem conhece Joinville sabe que é assim mesmo. E não chegou a cair água por meia-hora, ressalto de novo.

Imagino como teria ficado a cidade com uma hora, ou pior, com duas horas de chuva forte.

Como os joinvillenses indicam como chegar a sua cidade pra quem sai de Curitiba? “Você pega a BR-101, na 1ª chuva a esquerda é Joinville”. Essa piada já resume a intensa relação que a cidade tem com as nuvens carregadas e o consequente aguaceiro que cai do céu.

Aterrissemos de novo ao nível do solo. Veja acima com quais ícones o jornal local A Notícia identifica a sessão ‘geral‘:

Em Santa Catarina os pontos de ônibus são numerados. Essa é a segunda parada da Rua João Colin. Fotografei o mesmo na capital.

Arquitetura alemã; Rua das Palmeiras; Bicicletas; Bailarinas; Flores; o Moinho; e o último desenho não consegui decodificar.

Assim é o ‘ethos’, o ‘mito formador’, assim a Alma de Joinville enxerga a si própria.

No entanto, é preciso fazer um adendo: obviamente a gênese da cidade é germânica.

Mas muitos que não foram até lá podem imaginar que até hoje a imensa maioria dos joinvillenses é loira de olhos azuis.

E se duvidar alguns ainda nem sequer se comunicam em português nas ruas. O estereótipo gruda forte na mente das pessoas. Porém nada poderia ser mais distante da realidade.

Na colagem, um pouco dos hábitos alimentares: um refrigerante local – por isso me refiro ao Norte de SC, esse aqui é feito em Blumenau; Uma lanchonete bem simples do Centrão oferece mostarda preta. Como é o mapa da mostarda no Brasil? No interior do Sul é universal, oferecem inclusive a preta como é o caso aqui. Em Curitiba e São Paulo a essa versão mais forte é mais difícil, mas a clara está sempre presente. Em Belo Horizonte-MG existe mostarda nas lanchonetes populares mas menos. Enquanto que em Brasília-DF já é improvável achar, e no Norte e Nordeste é praticamente inexistente onde servem o povão, comum só na Beira-Mar e centros de compras onde vão os turistas; – Por fim: os catarinenses adoram pôr milho e ervilha nos lanches. Vi o mesmo em em Mafra/Rio Negro, na divisa SC/PR.

O tempo passou, os descendentes de alemães se abrasileiraram, e, mais importante, novas levas de imigrantes americanizaram totalmente a cidade.

(Nota: mais uma vez lembro que por ‘americanos’ me refiro sempre ao continente América, e jamais aos EUA, cujos habitantes são os ianques ou estadunidenses.)

Como Curitiba, na segunda metade do século 20 Joinville foi fortemente povoada por imigrantes do interior do Paraná. Por exemplo:

No bairro Comasa antes de Espinheiros há um subúrbio da cidade chamado nada menos que “Vila Paranaense”, o que sintetiza a questão.

Em relação a esses paranaenses de nascimento e joinvillenses por adoção, parte dos antepassados deles já haviam vindo do Rio Grande do Sul, e desses a maioria são também descendentes de europeus.

Fechamos a parte sobre Joinville como abrimos: mostrando o Portal. Uma síntese de como a cidade se vê, homenageando a arquitetura alemã, as dançarinas da balé e as flores.

Porém boa parte veio do Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais, que já têm uma composição racial diferente. Tudo somado:

É claro que a maioria dos Homens e Mulheres de Joinville são brancos, não a maioria loiros mas de tez mais alva sim.

Entretanto, há minoria significativa de negros e mestiços.

Se alguém crê que Joinville lembra os Alpes da Áustria na sua composição racial, nada pode ser mais fora da realidade, repito.

Énessa tomada que aparecem as boas-vindas de forma bilíngue, que citei acima.

Breve farei um desenho ilustrando essa situação.

Portanto, tanto na classe média quanto na periferia, Joinville é ligada ao Paraná,

Óbvio que ela também é fortemente conectada a Santa Catarina em muitas dimensões além da política.

Acabamos de ver isso nos pontos de ônibus e na alimentação, por exemplo.

Não estou querendo ‘roubar’ a cidade do estado vizinho. O que quero dizer é que Joinville é um Portal de Energia, se você entende o que esse termo significa.

(Talvez por isso seu símbolo mais forte na dimensão física é exatamente um portal, e por isso pus acima manchete essa imagem).

Conectando Paraná e Santa Catarina, unindo essas duas sintonias pra que a transição seja suave.

(e de brinde) “Vamos a praia”: itapoá, santa catarina

Joinville tem mar, mas não tem praia. E como nós queríamos ir a praia, entrar no mar, a solução foi ir pra Itapoá.

Ao lado vemos o amanhecer de5 de março de 2017 no mar de Itapoá.

Trata-se de uma pequena e jovem cidade. São apenas 14 mil habitantes fixos. Boa parte das casas é de veraneio, sendo porção significativa delas de propriedade de curitibanos.

Itapoá, como Joinville, é bastante ligada ao Paraná. Várias lojas aqui de Curitiba anunciam que entregam “no Litoral do Paraná e Itapoá”.

Quase que anexando na prática a 1ª praia catarinense (no sentido norte-sul) ao estado ao lado.

Itapoá foi desmembrada de Garuva em 1989. Por sua vez, até 1962 tanto Garuva quanto Itapoá pertenciam a São Francisco do Sul.

Seja como for, notam que eu fotografei “as Flores e o Mar”.

E também o Sol nascendo no mar, o que eu já havia feito em Bombinhas, também no Litoral Norte de Santa Catarina.

Em Itapoá pegamos forte tempestade, como ocorrera na véspera em Joinville. Registrei ela se formando sobre o Oceano.

E depois, debaixo do temporal muito intenso, cliquei   mais algumas flores e o atracadouro de navios da cidade.

O porto está em ampliação, e portanto trazendo mais empregos a Itapoá – na esteira, mais moradores fixos.

Sendo no Sul do Brasil, claro que não faltariam casas de madeira a Itapoá.

Mesmo do carro em movimento, consegui enquadrar uma em qualidade suficiente pra publicar, e abaixo você confere.

Enfim, adaptando a música, “É bom passar uma tarde em Itapoá, ao Sol que arde em Itapoá”.

Nesse caso o Sol ardeu mesmo, mas só de manhã. De tarde ficou tudo cinza e dá-lhe água e raios desabando das nuvens.

Foi bom também. Eu Sou Taoista, e gosto da chuva. Fechou com chave de ouro nosso FDS em SC.

Deus Pai-Sol/Mãe-Chuva proverá”

da Beira-Rio a Beira-Mar

vou-ficar-linda-nesse-biquini

Beira-Rio: Rio/Mafra, divisa PR/SC.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 7 de fevereiro de 2017, um desenho inédito mesclado com outros do arquivo.

Começamos pelo inédito, produzido portanto em fevereiro de 2017:

Marília e Maurílio em Rio/Mafra.

Eles vão a praia, então ela está escolhendo um biquíni, enquanto ele fotografa um ônibus. 

ilha magia florianópolis fpolis sc catarina desenho ponte velha metal hercílio luz praia mar bermuda barbudo biquíni verde bolinhas morena cabelo caheado crespo marília maurílio casal brancas água

Beira-Mar: Florianópolis, a capital de SC.

A imagem é clara, ainda assim comentemos um pouco seu significado.

Rio/Mafra obviamente é a ‘cidade-gêmea’ formada pela fusão de Rio Negro-PR e Mafra-SC.

São dois municípios em estados diferentes (divididos pelo Rio Negro), mas a cidade é a mesma.

Resultando que os ônibus urbanos lá são inter-estaduais,

Maurílio é busólogo, e por isso fotografa o bichão.

Exatamente como ele já fez na Grécia.

grécia outra postagem: "Beira-Rio, Beira-Mar" atenas europa capelinha ônibus azulão maurílio desenho fotógrafo tirando fotos camiseta cinzaNa tomada ao lado vemos ele em ação em Atenas.

Alias clique na ligação em vermelho acima pra conferir a cena completa:

Ver por inteiro o velho azulão grego, que tem capelinha.placa-de-c-largo

……..

De volta a Rio Negro e Mafra. Um conglomerado daqui da Grande Curitiba comprou a viação local.

que-mulher-vaidosa

“Vou ficar linda de biquíni prateado!!!”

Por isso os busos  de Rio/Mafra operam com a pintura e inclusive as placas de Campo Largo.

Município que como todos sabem fica na Z/O da região metropolitana da capital.

E sem re-emplacar nem repintar eles dão mais um pega no interior.

De Curitiba pro Mundo” e “Tabela Trocada“, tudo ao mesmo tempo.

Nessa postagem da Grécia eu já desenhei Maurílio pegando um Viale.amor-eterno1

Dessa exata viação Campo Largo, indo precisamente pra esse subúrbio ocidental da capital

……….

Agora quanto a Marília. Ela adorou o biquíni prateado exposto no manequim na vitrine dessa loja de moda feminina.

E como notam acima já está se vendo arrasando dentro do Oceano com ele.

Na capital Florianópolis está bem quente.

milagre-da-vidaMas no interior ainda está friozinho, ela está de cachecol e tudo.

Marília é muito vaidosa.

Veja que ela está de unhas vermelhas (com “filha única” branca).

Mas pra ir ao litoral já se imaginou com as unhas em outra cor, azul. fruto-do-amor

………..

AGORA É UMA MENINA!!!

Abrindo os arquivos:

Uma sequência publicada (em emeio) em fevereiro de 2012.

Marília , ao lado de Maurílio, dando a luz a segunda filha do casal.

dando-tchauzinhoDentro da piscina aquecida.

Papai Maurílio ajuda a mamãe a se posicionar.

E eles mesmos puxam com muito cuidado o bebê pra fora do corpo da mãe e depois da banheira.

Nessa outra mensagem Marília no parto – também na água – do primeiro filho deles, esse um varão. rotina-de-mulher

……….

Fechando com um emeio que circulou em janeiro de 2014.

Marília dando “tchauzinho”.

Enlaçadinha e engraçadinha.

enlacadinhaAntes, em preto-&-branco, o trabalho de bastidores (“o preço de ser bela“):

Já com o brinco que ela vai usar no dia, mais uma vez Marília se depilando, pra poder usar blusa de alcinha no calor sem passar vergonha.

……..

Ao lado a mesma cena em outra escala.

Que Deus Ilumine toda Humanidade.

“Deus proverá”

Soteropolitano

cidade-baixaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 21 de janeiro de 2017

Os desenhos são inéditos.

as fotos são de um emeio que foi publicado em setembro de 2015.

Marília e Maurílio (e mais a filhinha deles) em Salvador, Bahia. Eles moram numa quitinete em cima de uma laje na última expansão da Cajazeiras. Já quase na divisa com Simões Filho. Se você conhece a capital da Bahia, sabe o que isso quer dizer.

De segunda a sexta Maurílio é motoqueiro, ganha a vida fazendo entregas. As vezes até faz bicos a noite numa pizzaria, na mesma função.

A direita vemos ele pilotando seu instrumento de trabalho, enfrentando o pesado trânsito da Avenida Suburbana.

E no domingo ele e a esposa foram passear no Centro, por isso a 1ª imagem mostra eles na Cidade Baixa, o famoso Elevador Lacerda ao fundo.

……..

Comentemos primeiro a cena em que está toda família: a menina ainda se alimenta dos peitos da mãe. Enquanto Marília amamenta, o maridão ‘papai fresco’ segura as bolsas, a do bebê e também a bolsa de Mulher da esposa, que é da Minnie e com bolinhas vermelhas.

caixa

Esse desenho não se relaciona com o texto. Marília trabalhando como caixa. Aqui, ela é de novo a típica representante do Sul do Brasil, loira natural. Com a camiseta de marca combinando com suas unhas laranjas. Fazer o que, se alguém tem que ser chique e elegante?

Ao lado eu mostro outra Marília, essa Sulista, cheia de charme. Pois bem. A Marília Nordestina também é sempre elegante. Ela não tem dinheiro pra comprar roupas de marca, na verdade nem mesmo se importa com isso.

Mas nem por isso ela é menos elegante. Veja, ela combinou o vestido com sua tatuagem pois ambos são floridos. E mais uma echarpe.Como na Bahia é muito quente pra usar no pescoço, ela amarrou na cintura.

Também fez a ‘mecha californiana‘, pras pontas de seu cabelo ficarem mais claras que a raiz.

Não tem jeito. Mesmo sendo uma dona-de-casa suburbana, Marília nunca deixa de ser charmosa. Tá no DNA dela….

Quanto a pequena princesa, mesmo quando deixar o berço ela terá que dormir por um bom tempo ainda no quarto dos pais.

É que a família aumentou mas o orçamento continua o mesmo. A casa deles é só a famosa ‘quarto-&-cozinha’. Há um pequeno banheiro, claro. Mas não há sala, lavanderia, quintal, garagem, e nenhum quarto extra. É preciso se adaptar a essa realidade.

Vamos aproveitar o busão (Busscar da Bahia Transportes Urbanos – B.T.U.) e mostrarmos algumas características da busologia baiana. Um dia farei uma mensagem onde ilustraremos com dezenas de fotos, mas por hora serve de aperitivo.

buzu

Busscar da BTU ainda na pintura livre.

Vou falar de um tempo que já se foi, da era pré-padronização de pintura e pré-letreiro eletrônico.  Num passado não muito distante, em Salvador, os ônibus tinham:

1) pintura livre; 2) entrada traseira e saída dianteira; 3) o letreiro menor, onde vinha o n° da linha, era vermelho.

Portanto não é porque esse ônibus é vermelho que o letreiro do número é da mesma cor, isso valia pra todas as empresas.

4) Quase todo o itinerário vinha no para-brisas, em épocas mais remotas pintado a mão com giz, e mais recentemente mais organizado numa grande placa ou adesivo. Nesse desenho pegamos a transição, há a placa mais organizada mas pra garantir escreveram ‘Paripe’ e ‘Lapa’ a mão.

E 5) existe uma letra (‘B’, nesse caso) também adesivada bem grande no vidro. Isso também ocorre em outras metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre-RS. É que nas grande avenidas passam dezenas de linhas de ônibus, então é preciso dividir elas por pontos diferentes:

a-familia-cresceu

Combinando o vestido com a tatuagem. Marília é sempre charmosa, mesmo com o orçamento apertado.

Algumas param no ponto ‘A’, outras no ‘B’, se tiver mesmo muitas abre-se o ‘C’ e mesmo a letra ‘D’ existe nos corredores mais carregados. As vezes são números, a função é a mesma.

Tem mais. Já que falamos da cor dos bichões da BTU. Essa foi uma das poucas viações que não adotou a “padronização branca” voluntária do começo desse milênio. 

Explico. Até o meio da década de 10, ainda era pintura livre na capital da Bahia, só padronizou oficialmente um pouco antes da Copa do Mundo-14.

No entanto, na década passada houve uma “padronização informal” na cor branca. A maioria das viações adotou uma pintura em que o branco era majoritário, embora houvesse detalhes em outras cores.

Foi voluntário, um acordo entre as viações talvez pra facilitar o remanejamento da frota entre elas. Não foi imposto pelo poder público. Logo, aderia quem quis. A maioria quis, e ficou sem cor em pelo menos metade do veículo (aqui vemos um exemplo da BarraMar).

Na época se comentava “em terra de gente negra, o ônibus é branco”. Bom, na África as vans de transporte coletivo são (quase sempre) alvas, do outro lado do Oceano o mesmo espírito se manifestou na Boa Terra.

papai-maurilio

A família cresceu. Repito a imagem mas mudo o foco, dessa vez centro a câmera nele, pra gente ver melhor o sorriso de orelha-a-orelha de Maurílio quando está junto com as duas Mulheres de sua vida.

Pois bem. A BTU não quis participar, não aderiu a “padronização branca” informal. Seus busões continuaram multi-coloridos enquanto foi permitido por lei.

Agora, quando veio (pouco antes da Copa de futebol, como dito) a padronização ‘Integra Salvador’, aí a BTU entrou porque foi compulsória, importa pela prefeitura.

A ‘Integra’ também inverteu a entrada pra frente, em todas as viações obviamente.

…………………

Aqui acaba a parte inédita.

Pra encerrar enxerto um emeio publicado em 4 de setembro de 2015.

puxadinho no prédio: salvador também é (áfrica na) américa
salvador1

Perambués, Salvador.

Debatemos recentemente o fenômeno do “puxadinho no prédio” no Chile. E anteriormente na República Dominicana, apelidada “África na América”.

Veja bem. Não estou falando de puxadinho em casa, nem em “prédio artesanal” (‘subindo laje’), quando sobem um andar por vez. Isso existe em toda América Latina e boa parte de Ásia e África.

E sim quando há um prédio, legalmente construído, com alvará e tudo. E aí sem alvará alguém sobe mais um andar por conta – ou no caso chileno faz mais um cômodo suspenso. Isso eu só tinha visto nesses dois países.

Porém acabo de presenciar o mesmo em nossa Pátria Amada (via Google Mapas): bairro Perambués, periferia de Salvador da Bahia. Depois, indo pra outros bairros, constatei que a situação é a mesma na cidade inteira, ao menos na periferia. Veja que beleza!!! Salvador é América, óbvio. E como é. A própria essência Americana desdobrada na matéria.

salvador

Visto mais de perto.

Atualização de 2017: em julho de 2016, quase um ano depois do emeio acima, fui a Aparecida-SP. Lá também é comum adicionarem mais andares em prédios já prontos.

Embora no caso paulista como inclusive no Centro aí creio que a maioria dos prédios tem alvará pra reforma. Pode ser.

Mas a impressão é a mesma. Veja a matéria sobre a “Cidade da Fé”, fotografei a situação que relato acima. Deixando o interior paulista pra lá, vamos continuando pela Bahia. . . Pois o melhor estava por vir.

salvador-2Seguindo pela mesma rua em Perambués, olhe o que eu vi: pessoas andando sem nenhuma proteção na caçamba de caminhões. E não foi a única vez em Salvador que presencio isso. Exatamente como na África do Sul, República Dominicana, México e Colômbia. 

Ah, América querida. Por que você é assim???

“Deus proverá” 

Tabela Trocada

porto-alegre

Bi-articulado de Campinas emprestado em testes a Carris de Porto Alegre. Dá pra ver claramente os guindastes do porto ao fundo.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 19 de janeiro de 2017

Maioria das imagens baixadas da internet. Os créditos foram mantidos, e nas legendas eu dou a ligação pras fontes. As que forem de minha autoria identifico com um asterisco (*).

……….

Fiz uma postagem sobre os ônibus em testes. Acabo de ampliá-la com dezenas de novas fotos, com muitos busos brancos.

campinas

O mesmo veículo em definitivo em Campinas. Fonte da foto: sítio Tudo de Ônibus.

Também traçamos vários casos do mesmo ônibus sendo testado em diferentes partes desse imenso Brasil, confira.

E essa atual postagem também é ampliação daquela. Nosso tema de hoje é ‘Tabela Trocada’.

Pra quem não é íntimo do jargão da busologia, isso significa:

argentina rosário outras postagens: "BH, do Metrobel ao Move" e "Tabela Trocada" trol buso venda nova letreiro lona torino marcop ex- bh padrão verde vermelho faixa branca roda sem chapa

Tróleibus em Rosário, Argentina. Mas….. vai pra Venda Nova???? Tabela trocada, claro, originalmente era pra operar em BH.

Ônibus que deveriam estar cumprindo um determinado tipo de serviço, mas estão de maneira improvisada em outro.

Vamos nos focar em busos com pintura de uma cidade operando em outra. 

Seja emprestados em testes ou quando foram vendidos e o novo dono simplesmente não repintou.

Mas também aparecerão ônibus com ‘tabela trocada’ (‘Paese’, em SP) dentro da mesma cidade.

trol buso padrão venda nova lagoinha letreiro lona torino marcop era bh vermelho faixa branca sem chapa não operou 3 portas zero km fábrica

No meio dos anos 80, a capital de Minas ia re-implantar o trólei. Amplie pra ler, a linha iria dos terminais Venda Nova a Lagoinha. Nunca rodaram no Brasil.

Em todos os casos, vamos ver sempre a ‘tabela trocada’ (o ônibus em situação excepcional, emprestado ou vendido) e a ‘tabela original’ (ele na linha/cidade corretas).

………..

Veja a legenda das fotos acima:

Bi-articulado da viação Itajde Campinas-SP estreou primeiro em Porto Alegre-RS, pela Carris (placa: CUB-4651).

Na postagem sobre os busos em testes há outra foto dele no Rio Grande do Sul.

argentina rosário américa trol buso linha pintada k torino marcop era bh padrão vermelho faixa branca sem chapa árvore privado ecobus

Em Rosário mas ainda com a pintura original de Belo Horizonte. Fonte dessa e de outras fotos de tróleibus: sítio Tramz.com, especializado em transporte elétrico.

– E depois o exato mesmo veículo com seu dono definitivo, no interior paulista, a Viação Itajaí.

……….

E nas 3 fotos a seguir, até essa ao lado:

Tróleibus em Rosário, Argentina. Mas a linha vai pra Venda Nova?

É simples. Esses veículo (vide imagem acima) foram produzidos pra rodar em Belo Horizonte-MG.

Chegaram a comprar e pintar os veículos, e num pedaço da Cristiano Machado teve instalada a rede eletrificada.

recife-em-joinville

Próximas 2: Ônibus do SEI (Recife) no Terminal Central de Joinville, de partida pro Itaum. Essa e outras tomadas são oriundas do sítio Ônibus Brasil.com.

Mas não deu certo, esses ônibus elétricos vermelhos nunca rodaram no Brasil.

Após alguns anos sem uso no depósito, foram vendidos pra Argentina.

Quebraram muitos tabus lá: foram os únicos tróleis brasileiros exportados.

E ao mesmo tempo foram os únicos ônibus brasileiros que rodaram na Argentina, incluindo elétrico e a dísel.

Fiz uma radiografia completa dos tróleibus na América, onde eu conto melhor essa história com muitas fotos.

recife-em-joinville1Pro que nos interessa aqui, os tróleis foram pro país vizinho. Onde operaram a princípio sem serem repintados. Em alguns não trocaram sequer o letreiro.

…….

Acima e ao lado: o Sistema Estrutural Integrado (SEI) do Recife-PE agora tem linha até pro Itaum?SEI artic azul recife volvo torino marcop buso pernambuco faixa vertical verde vermelha amarela terminal cajueiro seco jaboatão chuva pista molhada reflexo kombi

Obviamente não. O buso foi emprestado, antes de seguir pra Pernambuco fez testes em Joinville-SC.

A direita um articulado azul do SEI ‘em casa’, em Jaboatão, Grande Recife.

Nota: esse Viale acabou sendo vendido pra Grande Curitiba.

joinvilleMas foi repintado antes de circular aqui, destino idêntico a dezenas de outros sanfonados recifenses. Portanto não configura ‘tabela trocada’, pois essa se refere ao improviso.

Se houve readequação a padronização da cidade-destino, a transação foi consolidada em definitivo.

……em-curitiba

Acima: também no Itaum, Joinville. Mas na lataria: “Piraquara”, e o ‘M’ do sistema metropolitano de Curitiba?

Esse já estava operando em Curitiba (direita) há um tempo e depois foi emprestado pro norte de Santa Catarina.

s-miguel-maUm caso diferente: geralmente os busos com pintura de uma cidade operando em outra são novos. Circulam em testes emprestados zero km, antes de irem pro seu dono definitivo.

Mas nesse caso esse bichão já estava em ação no Paraná, e foi por uns dias ajudar o estado vizinho. “De Curitiba pro mundo“, mais um caso.sao-miguel

Agora “de Resende-RJ pro mundo”, ou mais especificamente pra São Luís.

O grupo da viação São Miguel que opera nessa cidade do interior do estado do Rio também tem filiais na capital do Maranhão.

uberaba

Uberaba na padronização EMTU???

Um dia o conglomerado “trocou a tabela”:

Acima a esquerda o buso em situação emergencial em São Luís (fonte: sítio Sportbus Maranhão).

A direita em sua tabela de origem, em Resende, Rio de Janeiro, extraído da página Cia. de Ônibus.

………….

uberaba é no estado de são paulo?

então porque lá também tem emtu?????

metrop cinza verm azul marcop buso emtu santos baixada eletrônico interior litoral paulista sp placa motorista treinamento piracicabana tribus trucado 3 3º eixo

Nas próximas 4, um “Ataque dos Clones”. Padrão EMTU do governo Paulista em: 1)Santos (nesse caso um Tribus Urbano).

Certamente o caso mais clássico e conhecido (pelo menos no Sudeste Brasileiro) de tabela trocada são os busos da Piracicabana que circularam em Uberaba, Minas Gerais.

Ou deveríamos dizer Uberaba, São Paulo????

Como é sabido, perto da virada do milênio o governo de SP padronizou em azul os ônibus metropolitanos da Capital, Santos e Campinas.

Agora isso avança pelo estado, e abrange também Sorocaba, Vale do Paraíba, e quem sabe outras partes.

SP artic cinza verm azul marcop buso metrop emtu eletrônico ribeirão pires letreiro saltado saliente teto grande paulista metrop ex-ctba viação adesivada vidro para-brisas garag

2)Região Metropolitana da Capital Paulista.

Pois bem. Isso não é tabela trocada, porque é a pintura oficial dessas cidades.

É um “ataque dos clones”, tema de matéria que levanto pro ar em breve:

Quando várias cidades têm a mesma pintura, mas isso não é improviso, e sim uma decisão deliberada.

Mas Uberaba obviamente não pertence a São Paulo, e portanto não faz parte da padronização EMTU.

campinas3

3)Campinas.

A questão é que a Viação Piracicabana (grupo Constantino/Gol), que domina a Baixada Santista, também tem uma filial no Triângulo Mineiro.

E ela leva seus carros usados pra Minas Gerais, botando pra rodar sem se dar ao trabalho de repintar.

Ou ao menos fez isso por um bom tempo num passado recente. Assim é tabela trocada, pois se configura improviso – alguns diriam ‘desleixo’.

aparecida SP interior paulista metrop emtu buso busscar cinza pássaro marrom padronizada azul vermelho branco lona letreiro outra cor nome linha vale paraíba placa vidro para-brisas itinerário preço valor tarifa

4)Vale do Paraíba (*). Aparecida, julho de 2016. Como explicado, as imagens com asterisco são de minha autoria.

(Nota: flagramos na internet um micro Carolina também no interior mineiro, e igualmente com o “padrão” EMTU.

Mas esse não circula mais, é uma homenagem, “Energia nunca morre“, e não transporte urbano regular.)

………..

Não pense você que são só os ‘carros’ de tamanho normal que a Piracicabana leva pra Minas com a pintura de São Paulo.

E nem que a padronização EMTU é a única que tem o ‘privilégio’.uberaba-micro

A direita: micro rodando em Uberaba.

Mas…. com a pintura do sistema municipal de Praia Grande, na Baixada Santista.

Comprovamos abaixo:

micro-pg-2Em cena oriunda do sítio LitoralBus (de onde também vieram outras fotos), um desses micrinhos ‘em casa’:

Praia Grande, São Paulo.

……………campinas buso cmtc anhangüera anhanguera rodovia estrada p-b sp ajuda locaute 1989 frota emergência paese monob 2 vermelho jânio descrição página sítio internet comentários autor letreiro lona estádio

E já que falamos de Campinas.

A história do transporte coletivo na maior cidade do interior paulista é bastante tumultuada.

Greves, locautes, embates de empresários contra perueiros, de empresários contra a prefeitura, de perueiros contra a prefeitura, o cardápio é extenso.

Em 1989, houve um dos capítulos mais significativos desse conflito.

campinas-cmtc

Monobloco vermelho da CMTC em Campinas.

Várias empresas decretaram locaute, que é a greve de patrão.

Se recusaram a pôr os ônibus pra circular, e pra não terem que fazê-lo judicialmente retiraram a frota da cidade na calada da noite.

Um dia a situação ficou tão crítica que Campinas pediu arrego.

A prefeitura da capital mandou 100 monoblocos da CMTC pra ajudar.

sp anos década 80 paulista lona buso monob 1 vermelho jânio cmtc z/c correio z/c centrão vassoura ação logo emblema político lema propriedade povo

Mono vermelho da CMTC em casa, SP Capital.

Acima a direita o comboio na Anhangüera.

E a esquerda, já em Campinas, o secretário dessa cidade faz a vistoria, pra pôr a frota pra rodar.

O governo do estado também mandou mais 100 busões.

Na ocasião a EMTU tinha frota própria, pois era operadora, e não somente fiscalizadora como hoje.

campinas1Na mesma época (1989) uma das mais tradicionais viações campineiras, a CCTC, deixou o sistema.

A Companhia Campineira de Transporte Coletivo, apesar do nome parecido com a CMTC e CSTC, não era estatal, ao contrário das outras duas.

Ao contrário, a CCTC pertencia a Viação Cometa, que também teve um dia viações urbanas em SP Capital e Ribeirão Preto, no interior do mesmo estado. Agora nos foquemos na foto ao lado, vinda do blog Bus Camp. desenho

É a garagem da VCG (Viação Campos Gerais) em Campinas. Os busos das duas pontas vieram do espólio da CCTC. No meio, inteiro de amarelo, um buso com a pintura de Curitiba.

marechal lona buso ctba anos 80 rui barbosa guabirotuba ponto final amarelo convencional nimbus haraganoAdiciono a gravura (idêntica fonte já ligada acima) desse mesmo veículo.

E a esquerda operando em Curitiba, na Praça Rui Barbosa de saída pra Zona Leste.

Digo, eu não sei se é exatamente o mesmo carro, mas é um do mesmo lote.

testes poa - pintura bh

Ônibus de Belo Horizonte, já com a padronização ‘das Flechas’, operando em testes em Porto Alegre pela Carris.

Uma retificação ao desenho a direita: esse ônibus que foi pra Campinas não tinha 3 portas, somente 2.

E provavelmente não era motor traseiro mas dianteiro, como o que está a esquerda.

Justifico: não houveram Nimbus Haragano 3 portas em Curitiba.

Pois esse modelo é do fim dos anos 70, e a terceira porta só foi introduzida aqui (com exceção dos Expressos da Zona Oeste) em 1986.

Os Nimbus Haragano circularam na capital do Paraná em duas configurações:

azul linha placa lataria adesivada vidro buso bh lona metrobel ciferal flechas colada letreiro improviso saltado pra cima hospitais teto

‘Em casa’: Ciferal com as ‘Flechas’ em B.H. .

Expressos vermelhos, motor traseiro, 2 portas, a de saída no meio; e Convencionais amarelos, motor dianteiro, também 2 portas, a de saída no fundo.

Oras, vemos claramente na foto que ônibus ex-Curitiba tem porta nos fundos. Portanto foi um Convencional na origem (e não um ex-Expresso repassado pra Convencional).

Assim era motor dianteiro, igual ao amarelo visto na Rui Barbosa na foto acima a esquerda, isso se não for exatamente esse.

………

itajai-2999

Em Campinas, pintura curitibana dos Interbairros. N° 2999, que é reservado pros que estão em testes na Viação Itajaí.

E como esse curitibano foi parar em Campinas?

Como dizíamos acima, o fim dos anos 80 foi complicado nessa cidade paulista. Com a saída da CCTC, a coisa complicou de vez.

Assim a Viação Campos Gerais, de Ponta Grossa-PR, foi convidada a assumir algumas linhas.

Veja que os 2 busos das pontas ainda estão na pintura da CCTC, que se recusara a adotar a padronização EBTU (branco, com uma faixa indicando a região da linha).

Alguns dizem que a Campos Gerais é dos Gullin.

testes lona letreiro linha amarelo sp verde interbairros buso perus z/n santa brígida artic marcop viale ctbaGrupo que também controlam várias viações na Grande Curitiba, inclusive a finada Marechal que forneceu esse ônibus amarelo pra Campinas.

E sequer repintaram, configurando mais uma ‘tabela trocada’.

…………JR106 munic buso motor atrás traseiro ctba articulado sanfonado verde interbairros scania eletrônico torino marcop

Continuamos com a conexão SP Capital/Curitiba/Campinas.

Acima a direita (vide legenda) vimos articulado Interbairros de Curitiba em testes na maior metrópole do interior do estado de São Paulo, numerado 2999.

CMTC capital paulista lona buso sp mafersa verde interbairros z/s Ctba capital paulistaDo interior pra capital, o resto é igual:

Acima a esquerda um articulado da S. Brígida com o verde dos Interbairros de Curitiba vai pra Perus, Z/N de Sampa (fonte dessa e várias outras: Revista Portal do Ônibus).

A direita um outro sanfonado Interbairros, também Marcopolo, circulando aqui em Curitiba, esse na tabela correta.CMTC lona buso entrada frente sp convencional mafersa amarelo z/s Curitiba

Acima e ao lado:

CMTC’s verde e amarelo, que deveriam ter sido Interbairros e Convencionais aqui em Curitiba.

Não é modo de falar.

campinas anos 80 buso amélia padronizada pintura vidro preto branco faixa verde tuca caioEm 1987, a prefeitura curitibana lanço licitação pra adquirir 55 ônibus padrão (alongados, 3 portas, etc.)

A Mafersa ganhou a concorrência e produziu o material nas condições requeridas.

Mas a prefeitura de Curitiba cancelou a compra, não sei porque motivo.3 saia rosa blusa lona buso sp z/l azul viação são paulo caio amélia era ex- pintura campinas

Assim vários foram pra CMTC, que botou pra rodar sem repintar, e outros pra Vitória-ES.

………

Agora a conexão é só SP Capital/Campinas.

hibribus Fortaleza Ctba marcop verde híbrido placa chapa testes embarque invertido frente dianteira unifor campus universidade ceará nordeste volvo elétrico motor traseiro atrás vidro preto

De Curitiba a Fortaleza: Hibri-Bus curitibano estreou antes em testes na capital do Ceará.

A esquerda acima um Amélia na primeira padronização de pintura campineira:

Ônibus branco, com uma faixa colorida indicando pra que parte da cidade ele vai.

Agora segura essa bomba:

A direita um Amélia na mesma pintura. Mas circulando na Zona Leste da Capital.

hibribus hibri-bus Ctba marcop verde híbrido sem placa chapa volvo elétrico motor traseiro atrás vidro preto interbairros 1 z/c outra pintura fora padrão tribais arco escuro 2 cores tons

Hibri-Bus no Interbairros 1, que circunda a Zona Central da capital do Paraná.

Amplie e poderá ver que veio usado de Campinas, apagaram o logotipo e numeração.

Mas não repintaram pro padrão ‘Saia-&-Blusa’ paulistano então vigente. Improviso. Tabela trocada.

………

Já que estamos aqui na Capital Paulista, vamos ver uma ‘tabela trocada dentro do mesmo município.

Em 2003 foi implantado o padrão ‘Inter-Ligado’, que vigora até hoje.

buso sp i2 letreiro eletrônico z/n vidro preto azul branco inter-ligado caio metrô santanaA cidade foi dividida em 8 faixas, os busos têm a cor da região. A faixa 2 é azul escura, e fica na Zona Norte.

O consórcio responsável pelas linhas é a Sambaíba, a mesma que tem muita força em Campinas e região.

Ao lado um exemplo, a linha tem o ponto final na Estação do Metrô Santana. Prefixo 2, cor azul, Sambaíba, Z/N. Tabela normal.

tribus trucado 3 3º eixo z/s vidro preto i7 sp roxo interligado brancoA faixa 7 é roxa (ou violeta se preferir, ou ‘vinho’ como as Mulheres diriam), e fica na Zona Sul. A região do Capão Redondo, Jd. Ângela e entorno.

As linhas são do Consórcio 7, do Grupo Ruas, aquele que detêm 60% ou mais da frota paulistana.

Não é pouco, o total são 14 mil veículos portanto só as viações do Ruas (concentradas nas Zonas Sul e Leste, as mais populosas) têm perto de 8 mil ônibus.

trocado-spO grupo Ruas também é  desde os anos 90 dono da Caio – a montadora faliu, e só não fechou porque foi comprada pelo Ruas.

Logo 100% de sua frota é dessa encarroçadora, pois o conglomerado compra dele mesmo. Assim a Caio tem mercado pra lá de cativo.

A direita de costas um Apache Tribus do Consórcio 7: roxo, prefixo 7, eis a tabela normal.

Isto bem estabelecido (pros paulistanos é pleonasmo, falei pro resto do Brasil), vejamos a esquerda a tabela trocada:santo amaro lona z/s municip sp buso caio alfa faixa verde branco artic

Outro Apache da Sambaíba, e por isso com o azul da Zona Norte.

Mas emprestado pro Consórcio 7, e daí a numeração que começa com 7, e indo pro Terminal Santo Amaro, Zona Sul.

sao-paulo-em-itajai……….

Direita: também indo pro Terminal Santo Amaro e também Caio.

Um articulado Alfa, na pintura ‘Municipalizado’ dos ano 90. 

Os veículos maiores (articulados e tipo ‘padrão’ alongados‘) usavam faixa verde, os pitocos faixa vermelha.sao-paulo-em-itajai1

Pois bem. Em 1996, um articulado paulistano (branco, faixa verde) Volvo/Marcopolo foi testado em alguns lugares do Brasil antes de ficar em definitivo em SP.

Acima e ao lado (essas e outras pela página vindas da página EgonBus) o busão em Itajaí, Santa Catarina.

bauru-testesE a esquerda o mesmo veículo em Bauru, São Paulo.

Cumprindo a linha Octávio Rasi, que pelo visto é a ‘piloteira,’ a escolhida pra testar os carros novos que ainda não foram adquiridos em definitivo.

Outro detalhe: ainda pela ECCB, a famosa Empresa Circular Cidade de Bauru, que deixou muitas saudades.bauru

Paciência. Tudo muda, e a ECCB se foi.

Em seu lugar entraram outras viações como a Cidade Sem Limites e a Grande Bauru.

A direita vemos um Marcopolo da Grande Bauru, numa padronização de pintura da cidade.

cuiaba3E a esquerda:

Um buso ex-Bauru agora em Cuiabá, da Integração Transportes.

Alias a capital do Mato Grosso é famosa por absorver ônibus usados do Brasil inteiro e pôr pra circular sem repintar. cuiaba

A campeã nacional da ‘Tabela Trocada’.

Quando estive lá, no já distante ano de 2006, isso foi o que mais me chamou a atenção.

Vamos a mais exemplos, que são abundantes.

sjcA direita: Apache da Sol em Cuiabá. Ainda na padronização de São José dos Campos-SP.

Já a esquerda, o exato mesmo veículo na ‘tabela normal’, com seu antigo dono no interior paulista 

(Nota: alias vemos no buso atrás desse que em SJC ainda se usa escrever ‘Cidade’ quando a linha retorna ao Centro. cuiaba2

Décadas atrás foi assim também em SP Capital, Campinas, e quem sabe outras cidades, mas não mais a muito. Em SJC ainda é.)

……..

Tou só me aquecendo.

santos De branco e faixa azul, mais um Apache circulando em Cuiabá, pela Viação Sol. Agora com a pintura de Santos.

Mato a cobra e mostro o pau. Vemos ao lado o exato mesmo Apache.

Clicado anteriormente numa belíssima tomada na orla dessa importante cidade portuária paulista, e de brinde ainda ao pôr-do-Sol (ou talvez um nascer-do-Sol).cuiaba4

A conexão Santos/Cuiabá apenas se inicia.

A direita:

Da mesma Viação Sol, outro Apache em Cuiabá.

Ainda com a decoração visual santista

santos-2Como comprovado a esquerda, um desses bichões com a ‘tabela normal’ no Litoral Paulista.

Dessa vez não conseguimos o flagra do exato mesmo carro, até porque acima é Caio, ao lado trata-se de um Marcopolo.

Mas a pintura está aí registrada, é o que basta.cuiaba1

Pensa que é só Uberaba que tem EMTU sem pertencer ao estado de São Paulo? Pensa?

Então filma ao lado mais um da Viação Sol cuiabana.

………..

E por falar nisso voltamos pro interior paulista.

campinas2Esquerda:

Neobus da Viação Itajaí de Campinas. Número de teste tradicional, 2999

Com a pintura dos metropolitanos de Belo Horizonte.

Exemplificado a direita: metrop outra postagem: "Tabela Trocada" linha adesivada vidro buso bh laranja amarelo adesivado cidade administrativa sede governo estadual masdcarello eletrônico placa itinerário viaduto pichado pichação

Mascarello  na Grande B.H.

Abaixo um Marcopolo municipal de Belô, também laranja e amarelo.

Na capital de Minas, como em Curitiba, no SEI de Recife e muitas outras cidades, a cor do ônibus não indica pra onde ele vai.

amarelo buso bh eletrônico marcop letreiro menor lateral placa itinerário vidro hospitais transição azul flechas paese tabela trocada categoria errada 3 portasE sim a categoria da linha: expresso, alimentador, diametral, circular, radial,  inter-bairros, etc.

Não sei qual a categoria dos ônibus laranjas, sei que cada cor é uma categoria.

Mas vejam ao lado:

O buso é laranja. Mas a placa do itinerário é azul. FR071 8071 lona buso ctba frota pública volvo ciferal alvorada articulado chapa branca laranja propriedade povo provisório interbairros inter-bairros tabela trocada redentor terminal parado ponto final letreiro saliente cima

Logo, o buso é de uma categoria, mas está cumprindo linha de outra.

Mais uma ‘tabela trocada’ municipal.

A direita, um exemplo aqui de Curitiba.

interlig branco lona buso sp i3 Amarelo z/l vidro preto caio apache tribus trucado 3 3º eixo paese 2002 placa vidro itinerário letreiro reservado papel escrito mão improvisado linha colado vidro para-brisasArticulado laranja da Frota Pública da Urbs. Pela cor deveria fazer linhas do Expresso.

Por um tempo os Expressos foram laranjas, depois voltaram ao vermelho, pra quem não sabe.

Mas está fazendo linha de Interbairros, note a placa de itinerário verde atrás da porta.

sjp ex-carmo buso anos década 90 ctba livre lona marcop torino laranja sjp são josé pinhais tabela trocada ex-munic metrop terminal ponto final guadalupe quisisana padrão alongado motor atrás traseiro

Term. Guadalupe, Curitiba. Torino ex-Carmo, viação municipal, em linha intermunicipal pela Viação S. José dos Pinhais. Mudaram o n°, e o ‘Cid. de Curitiba’ por ‘Metropolitano’. Mas não tiraram o laranja dos alimentadores de Ctba. Carmo e S. José eram do mesmo dono. Na “licitação” de 2010, Carmo acabou e S. José assumiu suas linhas municipais da capital.

O ônibus que o ultrapassa, esse sim, está adequado a linhas de Interbairros.

………..

Acima: Tribus amarelo da Zona Leste de Sampa faz ‘Paese’ (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência).

Que é exatamente o jargão técnico paulistano pra ‘tabela trocada’.

Deveria estar numa linha, mas em situação emergencial está em outra.

Como ele não faz esse roteiro normalmente, na época da lona a linha não constava no letreiro.

operando expresso azul pinhais z/l ctba artic ex-recife era volvo torino marcop buso bege terminal guadalupe centrão z/c placa itinerário linha vidro para-brisas fora serviço paese tabela trocada improviso roda preta pintada ficha técnica portal página internetDaí a escrito ‘Reservado’ no local apropriado.

E você tem que saber a linha por uma placa improvisada no para-brisas.

Cara, beleza. Na época da lona era normal.

buso bh minas mg sinal esquina farol vermelho metrop linha pintada lata lateral improviso coberta fita-crepe mudada

Belo Horizonte, novembro de 2012 (*).

Mas filma isso a esquerda.

No mesmo Terminal Guadalupe (Centrão de Curitiba) falado na foto acima a direita:

Articulado vai partir pra Pinhais (na Zona Leste metropolitana). Mas você tem que saber isso por uma placa no vidro.

Já que onde deveria vir a linha está grafado ‘Fora de Operação’. Detalhe…. o letreiro é eletrônico.

buso Brasil RJ vidro preto Sto. Domingo RD carioca letreiro menor lateral linha

Santo Domingo, outubro de 2013 (*).

Não bastava simplesmente digitar a linha num teclado, como eu faço pra produzir esse texto?

Improviso na lona, vá lá, eu entendo. Agora, esse improviso no letreiro digital….

Sinceramente não pude compreender. Está registrado, cada um chegue a suas próprias conclusões.

……….

buso ex rio janeiro rj carioca assunção paraguai importado levado português letreiro niterói piratininga são lourenço san lorenzo z/l

Assunção, maio de 2013 (*).

Direita acima, aquele ônibus vermelho que só aparece parte da lateral:

Belo Horizonte, novembro de 2012 (essa é de minha autoria, por isso está asteriscada (*), como já dito):

Por falar em improviso, né?

Em Belô, e em Belém, por muitos anos a linha veio pintada na lateral ou adesivada no letreiro do veículo.

Portanto o ‘carro’ tem que ficar fixo nela, não dá pra mudar. Esse é o padrão em quase toda América Latina, ou era antes do letreiro eletrônico e das ondas de modernização.

itajai

Itajaí-SC (não confunda as fotos da Viação Itajaí de Campinas-SP com a cidade portuária catarinense, essa é o 2° caso): frota oriunda de B. Horizonte, ainda com a pintura de Minas (vide imagem de um com essa pintura em BH um pouco mais pro alto na página) na garagem da Coletivo Itajaí. No entanto, não sabemos se eles operaram assim ou foram repintados antes de ir a rua. Se receberam nova decoração conforme o padrão correto da cidade, não é tabela trocada. Numa garagem da Gde. Curitiba também foi flagrado um ex-BH, mas ele não rodou aqui como chegou, foi adequado a nosso padrão.

No Brasil porém não era assim, exceto nas capitais do Pará e de Minas. Nelas, enfatizando de novo, o carro ficava fixo na linha.

Mas e se precisasse mudar? Mete uma fita-crepe por cima da linha antiga e já era, como flagrei em B.H., em 2012.

Improviso? Tabela Trocada. Quem disse que não troca???

……….

Já que o tema é América Latina, emendamos essa (você já viu as fotos um pouco pra cima, busque pelas legendas):

Santo Domingo (Rep. Dominicana, Caribe), e Assunção (Paraguai), ambos no ano de 2013:

Busos cumprem linhas locais. 

Foram importados usados do Brasil, e sequer mexeram nos letreiros laterais que informam quais linhas eles cumpriam no Grande Rio:CMM

Respectivamente, como observado: “734- Madureira/Rio das Pedras” (municipal carioca) no Caribe, e “Piratininga” (Niterói) no Paraguai.

Direita: articulado Mega Neobus (aquele redondão que é a “re-encarnação do espírito” Monobloco) sai do T5, em Manaus  – prefixo em cor diferente porque é ‘Costa Norte Brasileira‘.

Antes de seguir pro Amazonas, essa safra fez testes em Salvador. Confira os bichões na Boa Terra, mas já na decoração manauara, com o ‘M’ de Manaus e tudo.

campo largo buso piedade neobus merced amarelo faixa branca cinza micrão 3 portas munic ctba z/oPra fechar, vamos ver mais algumas viações que operam na Grande Curitiba fazendo ‘tabela trocada’ no interior/litoral do Paraná e Santa Catarina.

Esquerda: pintura municipal de Campo Largo, subúrbio da Zona Oeste da capital do Paraná (fonte: página Ônibus in Brasil).

A viação é a Piedade, que pertence ao grupo Campo Largo.

porto união vitória buso amarelo marcop cinza ex- campo largo z/o ctba viale faixa interior paraná sc pr catarina divisa

Ônibus da Piedade em União da Vitória/PR.

Pois bem. Paraná e Santa Catarina compartilham 2 cidades-gêmeas, Rio-Mafra e ‘Porto União da Vitória‘.

Cada cidade-gêmea é composta por uma mesma cidade que se espraia por dois municípios, um em cada estado. Politicamente, estão separados.

Mas na prática formam uma e a mesma cidade em todos os outros aspectos: cultural, econômico, urbanístico, etc.

Ou seja, Rio Negro-PR e Mafra-SC formam uma única urbe, que é Rio-Mafra. Porto União-SC e União da Vitória-PR são uma e a mesma cidade, Porto União da Vitória.

porto união vitória buso amarelo marcop cinza ex- campo largo z/o ctba viale faixa interior paraná sc pr catarina divisa

Da mesma viação em Porto União/SC. Notam que as tomadas vieram do sítio IMP Ônibus.

No passado, em ambos os casos não havia divisão, sequer na esfera política. As cisões são herança da ‘Guerra do Contestado‘.

Pro que nos interessa aqui, a Campo Largo comprou as viações locais das duas cidades gêmeas, tanto ‘Rio-Mafra’ quanto ‘Porto União da Vitória’.

A divisa PR/SC agora é dela, inconteste. O que a guerra separou, o grupo Campo Largo voltou a unir, segundo alguns.

Os busos vão usados da região metropolitana da capital, e não são repintados pra operar no interior, como notam. buso rio-mafra outra postagem: "de Curitiba pro mundo" eletrônico amarelo marcop cinza ex- campo largo z/o ctba rio negro viale faixa interior paraná sc pr catarina divisa

Nas 2 fotos acima já vimos os ex-Gde. Curitiba (pintura municipal de C. Largo) dos dois lados da divisa em ‘Porto União da Vitória’

Ao lado: Mafra-SC, março de 2015 (*). Em foto clicada pessoalmente por mim, vemos mais um ex-Campo Largo, ainda na pintura original. 

buso rio-mafra outra postagem: "de Curitiba pro mundo" amarelo marcop faxinal ex-ctba negro eletrônicoMano, não apenas não re-pintaram. Não se deram o trabalho sequer de re-emplacar o veículo.

Eu tirei uma foto bem de perto, onde se lia na chapa “PR-Campo Largo”, acabei apagando sem publicar pois o espaço é limitado.

E esquerda também em Rio-Mafra um da mesma viação, dessa vez no padrão de Curitiba (*).

testes1

Próximas 2: ‘Super-Articulado’ Mercedes/Marcopolo (com 4° eixo, 23 metros e 220 pessoas, enquanto que em um sanfonado normal são 18 metros e 150 passageiros) em testes em Curitiba – amplie a foto ao lado pra ler a placa de São Bernardo do Campo (no ABC, Grande SP), sede da Mercedes. Essas do busão prateado e outras imagens vieram da página IvanBuss.

(Duas notas: 1-Até 2015 os sistemas municipal e metropolitano da capital eram o mesmo.

Mesmo após a separação da parte financeira várias linhas metropolitanas ainda usam as cores da capital.

A linha metropolitana mesmo Ctba/Campo Largo ainda é feita por ônibus amarelos, e é exatamente por isso que vemos esse na divisa PR/SC.

E 2- Sinceramente, não lembro se tirei a foto acima a esquerda em Rio Negro ou em Mafra.)

Mas não faz qualquer diferença, a maioria senão todas as linhas são inter-municipais, e portanto inter-estaduais.

Natural, pois, repetindo, Rio Negro e Mafra são uma e a mesma cidade, embora sejam 2 municípios distintos, um em cada estado.

testes

Tem portas dos dois lados. Como ele é cinza e as portas da esquerda são elevadas, poderia fazer linha de Ligeirinho. Se ele estivesse na linha Inter 2, não seria ‘Tabela Trocada’, entraria só na outra postagem, ‘Em Testes’. Mas ele está usando as portas da direita pra puxar a Inter-Bairros 2, que na tabela normal é verde. Então trocou a tabela.

Portanto o ônibus lá tem que ser ao mesmo tempo urbano e inter-estadual, assim como Foz do Iguaçu tem linha urbana e inter-nacional.

……….

Como foi bem ilustrado e explicado na matéria sobre os Ônibus Metropolitanos de Curitiba, 1992-Presente:

No começo dos anos 90 os busos inter-municipais da Grande Curitiba deixaram de ter pintura livre.

Foram padronizados em uni-color: a cidade foi dividida em várias faixas, cada uma com uma cor.

Assim pela cor você já saberia pra qual município suburbano vai aquela linha.bege graciosa lona são josé pinhais buso ctba metrop jardim ipê padrão longo busscar

Umas poucas linhas deveriam ser beges, excepcionalmente. Só que a exceção virou a regra.

Só a Viação São José dos Pinhais se manteve no esquema original e ainda é vermelha.

Todas as demais, incluso as outras empresas que também vão pra S. J. dos Pinhais, padronizaram toda sua frota em bege.

metropolitano lona buso paranaguá pgua graciosa caio apache pintura livre 3 portas roda pintada branco faixa verde emblema logo letreiro praia de leste adesivo feliz 2008 cortinas ano-novo paraná pr litoral interiorQue portanto é a cor arquétipa de ônibus metropolitano em Curitiba. Isto posto, vamos lá. A direita a tabela correta:

Pintura bege padronizada metropolitana de Curitiba, viação Graciosa em linha da Gde. Curitiba.

A Graciosa também atua no Litoral do Estado. E lá continua pintura livre.litoral

Veja a esquerda esse Apache que liga Paranaguá a outras cidades costeiras. 

Essa, por sua vez, é a tabela normal, branco e verde (cores e desenhos escolhidos pela empresa) perto do Oceano.

bege marcop buso ctba metrop br-116 terminal fazenda rio grande reunidas

Tabela correta: Reunidas Metropolitano na Gde. Curitiba. Padronizado bege com letra ‘M’.

Na maior parte do ano, fora da temporada, geralmente funciona assim mesmo.

Mas no auge do verão, quando o calor está no pico, o Litoral bomba de gente.

Aí o que acontece: a Graciosa desce parte da frota, pra ajudar por lá. E esses ‘carros’ extras trocam de tabela.

Acima a direita, Busscar da Graciosa vai pro balneário de Guaratuba. 

santa-catarina-livre

Tabela correta: Reunidas suburbano em Santa Catarina. Pintura livre.

Entretanto, bege padronizado e com o ‘M’ do sistema metropolitano da capital. Mais: escrito ‘São José dos Pinhais’ na lata.

Outro caso similar. A viação Reunidas tem sede em Santa Catarina. Mas ela opera também na Grande Curitiba.

Sua área de atuação é formada por alguns municípios bem distantes que ainda começam a se metropolizar de forma efeitiva.

santa-catarina

Tabela trocada: suburbano em SC, mas pintura do Metropolitano do PR.

Pois são tão longe que ainda são uma transição entre interior e subúrbio de metrópole.

Seja como for, observe acima a esquerda (onde aparece o terminal ao fundo) a tabela correta:

Marcopolo da Reunidas na Grande Curitiba. Bege, e com o ‘M’ de metropolitano

Como dito vemos o Terminal Fazenda Rio Grande, mas os busos da Reunidas não integram, só passam em frente mesmo.

piracicabana-sao-roque-7215

Como surgiram as R.M.’s de Sorocaba e Vale do Paraíba, a EMTU encampou várias linhas da Artesp. Mas a linha São Roque/Itapevi ainda é da Artesp (veja o adesivo do ‘S’ de Suburbano no vidro), e portanto ainda é pintura livre. E o que a Piracicabana (sempre ela!!!) fez? Botou buso com pintura EMTU fazendo linha da Artesp, apenas tiraram as faixas vermelhas e cinzas.

No entanto, a Reunidas também opera linhas suburbanas (pega estrada, mas é buso com catraca e 2 ou 3 portas) no interior do Paraná e Santa Catarina.

E ali não há padronização de pintura.

Acima a direita (vide legenda) um Marcopolo com pintura livre branco com detalhes em azul e vermelho, e o ‘Reunidas’ enorme.

Essa é a tabela correta pras linhas do interior.

Agora acima a ‘Tabela Trocada’. A linha é Três Barras/Canoinhas/SC.

Mas o buso é bege e tem a palavra ‘metropolitano’ e sua inicial ‘M’ grafados, padrão da Grande Curitiba.

O n° também tem o prefixo ’30’, estabelecido pela Comec (órgão estatal paranaense que regula o transporte metropolitano). Apenas a entrada foi invertida pra trás.kombi adapatado caseiro artesanal perua vw volkswagen verde branco alongada gancho pé-grande roda pneu 16 janelas limosine

……….

Aqui se encerra a matéria. Vamos aproveitar o embalo e pôr as ligações pras outras matérias que também foram atualizadas com várias fotos.

mercês Linha Turismo buso 1-and ctba vidro alongado adaptado maior símbolo jardineira motor atrás traseiro branco desenhos pontos turísticos praça tiradentes centrão z/c parado ponto final pessoas passageiros entrando subindo embarcando bonde bondinho ciferalGostou da Kombi Pé-Grande, com um gancho na frente e se tudo fosse pouco hiper-alongada com 16 janelas?

É trans-gênica, claro. Além dessa adicionei outras 3 Kombis (uma trucada, ou seja, Tribus), e outras 2 com reboque – que é outra Kombi cortada.

costa-rica

De Curitiba pro Mundo“, e fechando com chave de ouro: Caio ex-Curitiba na Costa Rica. Como no letreiro ainda diz “Inter-Bairros 2“, é tabela trocada. Fonte: sítio Bus-Planet (busos do mundo inteiro).

E além disso um ‘Pé-Grande Casa-Móvel’.

E essa jardineira na Linha Turismo? Atualizei a matéria contando ilustradamente a história de toda a frota que já operou e opera na Linha Turismo:

Jardineiras, ônibus 1-andar adaptado, ônibus 1-andar feito especialmente pra esse fim, e 2-andares.

Portanto desde as linhas que a precederam e geraram: Pro-Parque e Volta ao Mundo.

Que Deus Ilumine a Todos.

Ele-Ela proverá

Linha Turismo: a Curitiba que sai na TV

lado a, lado b: esse é o lado ‘a’ da cidade

outra postagem: "Linha Turismo, Curitiba Sai na TV" Parques mapa ctba desenho divisão zonas área verde itinerário roteiro traçadoPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 6 de janeiro de 2017

Em dezembro de 16, andei novamente na Linha Turismo.

E dessa vez eu fotografei os bairros pelos quais o ônibus passa. Digo, na matéria original (sem incluir atualizações) todas as fotos são de minha autoria, mas nem todas desse dia.

A imensa maioria sim, mas algumas imagens puxei do arquivo, afinal se eu já tinha aquela cena registrada por que repetir?

Museu Olho Centro Cívico z/c ctba oscar niemeyer escultura

Aqui e a esquerda o tótem: ‘Museu do Olho’ (Oscar Niemayer), Centro Cívico, Z/C.

Feitos esses apontamentos técnicos, bora de volta falar da Linha Turismo. Já levantei pra rede algumas flores que estão no roteiro.

No mapa vemos o trajeto do ônibus 2 andares. Como eu já disse antes e é notório: a Linha Turismo concentra 95% do trajeto nas Zonas Central, Oeste e Norte.

Na Zona Leste ela entra rapidíssima (só o Jardim Botânico) e a Sul ela ignora por completo.

……..

Pois aqui, repetindo, é “a Curitiba que sai na TV”, o “Lado A” da cidade. Pra complementar essa matéria, veja o “Lado B”, exatamente o contrário, a “Curitiba “que não sai na TV”.

totemAlém desse, em vários outros textos nós mostramos a parte da cidade que não é turística. Por exemplo, eis o ‘Portal da Zona Sul’, que não foi contemplada com a passagem desse ônibus.

Ali estão ancoradas diversos ensaios fotográficos que fiz em bairros periféricos da Z/S. Quem não é daqui vai então ficar sabendo o porquê do roteiro ter sido assim traçado.

……….belem

A periferia, não apenas a austral mas de toda Curitiba e Região Metropolitana, é abordada em outros ensaios. No tema de hoje nós vamos ver a porção turística, rica, e arborizada da capital do Paraná.

Vou descrevendo o trajeto, bem ilustrado com fotos. Quando eu já tiver feito outras postagens sobre aquele bairro, eu dou a ligação em vermelho.

arco-polonesTudo isto posto, vamos lá.

Eu comecei no ‘Museu do Olho’ (Oscar Niemayer), Centro Cívico, na Zona Central. Visto acima nas tomadas legendadas.

Cruzamos o Rio Belém (dir.).jd-schaffer-4

Acima, entrando num pequeno trecho da Mateus Leme, passamos sob o Portal Polonês.

Bem próximo ao Bosque João Paulo 2°.

jd-schafferFiz um desenho em que mostro o Belém, o Bosque do Papa e o Museu do Olho ao fundo.

Acima e nessa imagem ao lado: Jardim Schaffer.

Uma região de alto padrão, como notam, onde está o Bosque Alemão.

Não pude fotografar esse parque porque ele ficou a direita do ônibus.

pedreira ctba z/n abranches rua portões portão entrada portal bosqueE como vocês notam em várias tomadas, eu me sentei a esquerda do busão.

Pelo mesmo motivo não cliquei o Parque Tanguá, Jardim Botânico, entre outras paradas.

Peço desculpas, mas não havia como ficar trocando de banco, tive que escolher um assento e me fixar nele.

ópera arame abranches Z/N bosque teatro ponte metal ferro árvore verde parque lago águaSeja como for, o Schaffer (cujas algumas ruas têm nome de compositores de música clássica) não é um bairro independente, mas uma ‘vila’.

Uma vila de elite, claro. Ainda assim, os bairros a que o Schaffer pertence são a Vista Alegre e Pilarzinho, na divisa entre as Zonas Oeste e Norte.

Já pedi desculpas e expliquei porque não fotografei o Bosque Alemão e Parque Tanguá. parque são lourenço outra postagem: "Linha Turismo, Curitiba Sai na TV" z/n placa vertical ctba canal tótem totem árvore bosque banca lanchonete comércio trânsito avenida ladeira

Nas duas fotos acima vemos o Abranches.

A direita acima é o portão de entrada da Pedreira Paulo Leminski.

geminado-pilarzinhoE passarela dá acesso aquela construção tubular redonda entre o verde que é a Ópera de Arame.

A passarela também é de arame, e portanto vazada. Por isso criaram a ‘Faixa do Salto-Alto‘ no canto.

Já fiz matéria específica sobre a região, onde eu explico melhor a história.verde-4-pil

Curiosidades calçadistas femininas a parte, a rua da Pedreira e Ópera (João Gava) desemboca no Parque São Lourenço. Acima a direita o tótem dele.

Depois o busão retorna ao Pilarzinho.

As próximas 8 imagens (contando a partir dos sobrados geminados a esquerda) são desse grande e populoso bairro da Zona Norte.

pilarzinho-4Alias como veremos por seu considerável tamanho o Pilarzinho tem uma heterogeneidade social muito grande.

Antigamente o bairro já tinha sua porção mais central bem aburguesada. madeira-pilarzinho-3

Mas sua parte mais afastada do Centro, bem próxima de Tamandaré, era periferia mesmo.

Agora o aburguesamento avança rum ao subúrbio, então tudo convive:

pilarzinhoSobrados triplex de meio milhão de reais (ou mais), sobrados mais simples e prédios classe-média.

E ainda restam certas partes de periferia com casas simples de madeira e mesmo algumas favelas.

……..pilarzinho-5

Alguns detalhes se sobressaem:

Veja quanta área verde.

Nas Zonas Norte e Oeste Curitiba é uma das cidades mais arborizadas do mundo.

lote-pilarzinho-2Próximas 2 tomadas:

Ainda no Pilarzinho, vemos a periferia típica do Sul do Brasil. Como já falamos muitas vezes:

Casa de madeira;

lote-pilarzinho

Aqui se encerra a sequência do Pilarzinho.

Terreno enorme, dá pra fazer um campo de futebol;

– Muro baixo, ou mesmo uma cerquinha de madeira;

– Sem calçamento nem fora nem dentro do terreno.

Flagramos até um Fuca na ativa!, como você pode observar.

Mas tudo isso está mudando.

taboaoA Zona Oeste e em menor medida vários bairros da Norte concentram boa parte dos grandes terrenos ainda vagos dentro da cidade.

Fora dali, isso só acontecia até recentemente também no Uberaba (Zona Leste) e Xaxim (Zona Sul).

Por isso todos esses bairros foram os que mais cresceram nas últimas duas décadas e meia.

pq-tingui-3Exatamente por terem mais espaço disponível.

Repare que na foto acima da do Fusca o gigante terreno já tem placa de vende-se.

Logo será um condomínio, horizontal ou vertical.

A direita mais um prédio novo, no bairro Taboão, vizinho ao Pilarzinho. pq-tingui-7

……….

Vamos cruzar o Rio Barigüi.

E portanto saímos do Pilarzinho, Zona Norte, e voltamos a Vista Alegre e a Zona Oeste.

É a vez do Parque Tingüi, um dos muitos as margens do Barigüi.

pq-tingui-6Acima a esquerda exatamente a área verde ao redor do lago formado pelo represamento do Rio.

E depois duas pontinhas de madeira (uma pra pedestres e outra pra veículos) cruzando-o.

O Memorial Ucraniano (esq.) também fica no Pq. Tingüi.

Saindo do parque, vemos ao lado aquilo que te falei:

vista alegre z/o ctba sobrado condomínio fechado classe média alta moto céu nuvens eliteConstruções relativamente novas de classe alta e média-alta.

São recentes, como dito. A região era pobre antes do parque (pois é bem no subúrbio, a poucos metros de Tamandaré).

E ainda restam algumas casas bem humildes, onde se cria até galinhas, bordejando essa área verde.

Mas nada disso não dá pra ver do ônibus.

madeira-vista-alegre-2

Também Vista Alegre: sobrado bi-modal (alvenaria/madeira), muito comum no Chile, em Santos-SP e na Ucrânia.

……

Digo, essa ao lado do Tingüi não dá mesmo.

Mas logo a seguir a Linha Turismo entra em Santa Felicidade, e o mesmo se repete: 

Ainda há casas que criam galinhas, dentro da cidade.

Nas próximas duas tomadas abaixo (a mesma em escalas distintas) comprovamos o que falo.

criacao-de-galinhas

Próximas 8: Santa Felicidade, Z/O.

Ressalto, aqui é Santa Felicidade, já longe do Pq. Tingüi.

O Extremo Oeste da cidade ainda mantém pequena área rural.

Em outros bairros da Z/O (não atendidos pela Linha Turismo) ocorre o mesmo, e nesses eu fotografei melhor.

galinha-sf……..

Mudou o bairro, e até a ‘zona’ (de Norte pra Oeste).

Mas muitas cenas em S. Felicidade são similares as que víramos no Pilarzinho:

– Muita área verde;

– Terrenos enormes;lote-santa-felicidade

– Várias dessas matas e lotes com casas humildes já a venda;

– Moradias humildes sendo muitas e muitas na madeira;

Adensamento, aburguesamento com o surgimento lote-santa-felicidade-2de condomínios;

– E até pequenas invasões.

…….lote-santa-felicidade-3

Agora vamos falar das características próprias de Santa Felicidade (e seu vizinho menor Cascatinha, que fica no caminho):

É a região italiana da cidade por excelência.

vinicolaEntão a Av. Manoel Ribas concentra enormes restaurantes (onde se serve frango, polenta, maionese e massas), vinícolas e o comércio moveleiro.

Ao lado vemos uma casa de vinhos.madalosso

Mas a maior atração de S. Felicidade vem agora. ‘Maior’ não é figura de linguagem.

Eu disse que os restaurantes são enormes.

Pois bem. O Madalosso (dir.) é nada menos que o segundo maior do mundo.

buso-2Maior da América, maior de todo Hemisfério Ocidental, maior de todo Hemisfério Sul.

O Madalosso serve 4,6 mil pessoas, simultaneamente.

Isso em condições normais, aberto ao público em geral.

Segundo se diz, o recorde do Madalosso foi numa campanha eleitoral pra presidente, em que Maluf (sim, aquele Paulo Maluf) fechou a casa e pagou o jantar pra 5 mil pessoas.

portal-italiano

Próximas 2: Avenida Manoel Ribas, Cascatinha e imediações. Aqui o Portal Italiano.

Corre essa história, mas eu não posso confirmar se é verdade.

O que é fato comprovado é a capacidade normal de 4,6 mil. Maior que ele em todo planeta, só um restaurante que fica na Ásia, no Hemisfério Norte e Oriental.

Pra fecharmos a foto do restaurante, a direita mais pra cima: nota que os táxis em Curitiba são laranjas com quadriculado preto.

O subúrbio metropolitano de Tamandaré xerocou a pintura.

moveis-via-veneto

Loja de móveis.

A prefeitura de Curitiba não gosta dessa cópia que cheira a pirataria, mas não pode fazer nada.

Agora a imagem que aparece um busão amarelo, justamente voltando do Terminal Santa Felicidade:

Foi feita quase em frente ao Madalosso.

O que quero chamar a atenção aqui é que em seu trecho final a Manoel Ribas é de paralelepípedos, calçamento que já foi bem mais comum em Curitiba.

………..

pq-barigui

Parque e Rio Barigüi.

As 2 acima, onde aparecem o carro vermelho (esq.) e o Portal (dir.) estamos na Manoel Ribas, mas antes de chegar a Santa Felicidade.

O Portal Italiano fica nos fundos do Parque Barigüi.

Diz “Santa Felicidade”. Estamos a caminho dela, mas ali naquele ponto ainda não é esse bairro.

torre-teleparE sim a divisa das Mercês com Vista Alegre.

Assim que cruzamos o Rio Barigüi que nomeia o mais famoso parque de Curitiba (acima), entramos na Cascatinha, onde foi clicada a loja de móveis a esquerda.

………merces

Depois de Santa Felicidade o buso começa a retornar ao Centro.

Passa pelo Pq. Barigüi, como explicamos e clicamos acima.

sao-francisco-largoE aí passa novamente pelas Mercês. É isso que vamos ver a partir de agora.

Desculpe o pleonasmo. Se estamos avistando a Torre da Telepar (acima a esquerda) é cristalino que estamos nos aproximando das Mercês.

A direita o trecho mais central da Manoel Ribas, também nas mesmas Mercês.

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Próximas 12: o Centro da Cidade.

Óbvio que a estatal Telepar já foi privatizada a muito, e não existe mais.

Mas o nome ficou. Eu já fotografei esse mesmo monumento duas vezes, em outras duas matérias sobre a Zona Oeste.

Na tomada acima, onde aparece a galera curtindo no bar, estamos no comecinho da Manoel Ribas, quase no Largo da Ordem, em frente ao Relógio das Flores.

Nesse trecho inicial a Manoel Ribas se chama Jaime Reis, mas a rua é a mesma. Detalhe: também de paralelepípedo.

Portanto ela tem cobertura empedrada nas duas pontas, o meio é de asfalto.

centrao-7Ainda falando da foto acima a esquerda em que as pessoas bebem nas mesas no prolongamento do Lgo. da Ordem:

Ali é o bairro São Francisco, umbilicalmente ligado ao bairro que se chama ‘Centro’ mesmo, ambos juntos formam o Centrão da cidade.

Foi no São Francisco que Marília viu uma placa de refrigerante antiga, e se lembrou de sua infância.

………

A partir da tomada acima e pelas próximas 12, o Centro de Curitiba. centrao-4

Onde a cidade começou, oficialmente. Porque na verdade a primeira povoação europeia de Curitiba foi no Bairro Alto, Zona Leste.

Mas não deu certo.

ed-italiaAssim o núcleo primordial da urbe (aquilo que na América Hispânica se chama “Praça de Armas”, no México o “Zócalo”) foi transferido pra Praça Tiradentes.

Nós já falaremos mais e mostraremos a Tiradentes. Na foto um pouco mais pra cima a direita, exatamente a que está legendada como “Próximas 12: o Centro…”, estamos perto da Rua 24 Horas.

A esquerda acima, onde há uma pichação em vermelho em primeiro plano, é a Praça Santos Andrade.

Onde ficam o Teatro Guaíra e o edifício-sede da UFPR.

tiradentes

Próximas 4: a Pça. Tiradentes, no Centrão.

Logo acima o Edifício Itália, por muitos anos foi o mais alto do Paraná.

……..

Agora sim: a  Praça Tiradentes.

Na foto ao lado vemos a Catedral de Curitiba.

Tem dias que esse canteiro de flores fica todo colorido, lindíssimo. Dessa vez está seco.

marco-zero-tiradentes-2Toda quilometragem de e pra Curitiba tem esse ‘Marco Zero’ que fica na Tiradentes como referência.

Há um similar na Praça da Sé, no Centro de SP.

Portanto quando se diz que 408 km separam as capitais, mais epspecificamente se está dizendo que essa é a distância da Tiradentes a Sé.

Voltando ao marco daqui de Ctba.:

Em cima há um mapa pra lá de simplificado, mostrando as saídas da cidade.

E em cada ponto cardeal um desenho dizendo pra onde vai a estrada se você seguir nesse sentido.

Como notam, fotografamos a face ocidental:

Tem o desenho das Cataratas e está escrito “Iguassu”. Na grafia antiga, ainda.

Direita: a Tiradentes não é o marco zero apenas da cidade.

É também o ponto inicial e final da Linha Turismo.

centrao-pichoDigo, ele é circular, você não é obrigado a desembarcar em lugar nenhum.

Exceto, claro, quando ele completa a última viagem nessa exata Pç. Tiradentes.

Nas viagens intermediárias, ele estaciona porém você não precisa descer.

Mas ali ele fica mais tempo parado pra acertar o horário, é o que se chama ‘ponto de regulagem’ na busologia.picho

A esquerda (também na Tiradentes) e a direita (em outra parte do Centrão, mais perto da Rui Barbosa), 2 prédios todo detonados pelos pichadores.

Fotografei a mesma cena ali pertinho, na Marechal Deodoro, e novamente em Caiobá (Matinhos-PR), Santos e Belo Horizonte-MG.

paco……….

Ao lado: Praça Generoso Marques, nos fundos da Tiradentes.

Em primeiro plano vemos o Museu do Paço Municipal.

rua-das-flores-palacio

Próximas 2: ‘Boca Maldita’ na ‘Rua das Flores’. Aqui vemos o Palácio Avenida.

Ali foi a sede da prefeitura de 1916 a 1969. A frente há uma estátua.

E na base desta há um mapa do Brasil em que o Paraná faz divisa com o Rio Grande do Sul (????).

Espantoso, não? Paraná e Santa Catarina travaram a sangrenta ‘Guerra do Contestado’.

Que justamente contestava territórios. Dependesse da vontade paranaense, Santa Catarina só teria o litoral.

Todo o atual Oeste Catarinense deveria pertencer ao Paraná segundo essa versão, cristalizada no mapa que há estampado nessa praça.

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O primeiro Mc Donald’s de Curitiba (de 1989) está na Luis Xavier. Aos fundos as copas das árvores da Praça Osório.

Ainda sobre a Praça Generoso Marques. Ali era o ponto inicial das primeiras linhas de expresso, quando esse modal começou em 1974.

Depois, quando vieram mais linhas pra outras partes da cidade essa primazia foi pra Pça. Rui Barbosa, que é bem maior.

…………

Já vimos a famosa ‘Boca Maldita’, as últimas (ou primeiras, depende do sentido que você vai) quadras da ‘Rua das Flores‘.

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Próximas 2: Prado Velho, Zona Central. Aqui na João Negrão pontes em dois modais (a de trem desativada) sobre o Rio Água Verde.

Em 1972, Lerner transformou em calçadão a parte mais central da Rua XV de Novembro.

A primeira quadra da XV a partir da Praça Osório se chama Avenida Luis Xavier, por seu tamanho diminuto conhecida como ‘a menor avenida do mundo’.

No ‘Palácio Avenida’, visto na foto a direita um pouco mais pro alto (vide legenda) é que há aquele famoso coral de Natal promovido por um banco.

Começou com o Bamerindus, depois HSBC, e agora é do Bradesco. Muda o patrono, a tradição continua.

……

paiol

Um pouco pra frente na mesma rua, o Teatro Paiol. Aos fundos avistamos a linha dos prédios do Cristo Rei, Zona Leste.

Saímos do Centro. Mas continuamos na Zona Central. Duas tomadas na Rua João Negrão.

A direita acima ponte sobre o Rio Água Verde (afluente do Belém, deságua nele na Vila Capanema a poucas quadras dali).

Até o fim dos anos 80 havia uma linha férrea que ligava Curitiba a Araucária. Desativaram-na, mas a ponte ferroviária permaneceu de relíquia. belem-2

É sobre o trajeto desativado dessa linha que em 1991 surgiu a invasão ‘Ferrovila’, que é estreita mas muito, muito comprida, vai do Parolin na Zona Central até a Vila Nossa Senhora da Luz no CIC, Zona Sul.

Na tomada acima a esquerda já vimos o Teatro Paiol. Logo após esse marco o busão vai rapidamente pro comecinho da Zona Leste.

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A esquerda na imagem o prédio pertence ao bairro Jardim Botânico. Já os espigões a direita estão no Cristo Rei, e são os mesmos vistos atrás do Paiol, na foto acima.

Antes disso, na foto acima, ele cruza novamente o Rio Belém. Estamos no bairro Rebouças, Zona Central.

Essa cena foi captada atrás da Rodoviária, próxima ao estádio do Paraná Clube, que também se chama Vila Capanema como todos sabem.

Ali o Belém re-emerge, pois pra cruzar o Centro enfiaram ele pra baixo da terra.

……….

Não pude fotografar o parque Jardim Botânico, com sua famosíssima cúpula que também é de arame, pelo motivo que já lhes expliquei.anaconda

Na 2 imagens acima e ao lado, a Avenida Presidente Affonso Camargo, que divide os bairros Jardim Botânico do Cristo Rei.

Um dia tudo ali pertenceu ao Cajurú, mas não mais a muito.

A direita o tubo ‘Viaduto do Capanema. Vemos em 2° plano o prédio do moinho de trigo Anaconda.

centro-civicoAquele mesmo prédio que Maurílio via da sacada quando ele foi como Super-Homem numa festa a fantasia.

…………

O ônibus da Linha Turismo acaba de deixar a Zona Leste, onde sua estada foi brevíssima. 

Nas duas últimas tomadas já vemos de novo o Centro Cívico, Zona Central.

Acima quase na Avenida Cândido de Abreu, e ao lado um dos muitos prédios públicos do bairro, que foi alias criado pra isso como o nome indica.

centro-civico-2Portanto estamos chegando ao mesmo ponto que embarcamos, o Museu do Olho.

É hora de desembarcar e finalizar o relato. O roteiro de 2 horas e meia está concluído. Espero que vocês tenham gostado da viagem. 

jardineira

1-Pró-Parque: Jardineira (original) Verde.

1ª atualização, ainda em janeiro de 2017 (a partir daqui as fotos foram baixadas da internet):

HISTÓRIA DA LINHA TURISMO

Antes havia a linha “Pro-Parque”, operada por jardineiras verdes.

Ao lado jardineira na linha pro Parque Barigüi (essa e várias outras imagens oriundas da página Ônibus Brasil).

Na verdade esse verde acima não está mais em serviço ativo.

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1-Volta ao Mundo: Jardineira (transgênica) em dois tons de anil/turquesa, com os desenhos dos pontos turísticos.

Não importa. Foi mantido exatamente como quando cumpria essa linha. Está preservado como um ‘museu vivo’.

Se acharmos uma foto de boa definição dele na ativa, adicionamos.

Ao mesmo tempo existia a linha “Volta ao Mundo”.

Essa era feita por antigos ônibus normais, que quando venciam sua vida útil no sistema convencional eram adaptados:

Tinham sua janela ampliada pra virarem jardineiras. A direita um desses Torinos adaptados. Numerado BV002.

turismo

2- Chegou a Linha Turismo. Repintaram de branco os ‘carros’. Mantém-se os desenhos das atrações turísticas da cidade.

A esquerda o mesmo veículo, de branco e renumerado, já na Linha Turismo,

Já falamos mais do tempo que a Turismo foi implantada. Antes vamos voltar a Gênese dela, a época das jardineiras.

Nas jardineiras que vieram assim de fábrica os bancos eram como nas praças, com tiras de madeira na horizontal. Amplie a imagem do ônibus verde-escuro pra comprovar.

Nas ‘transgênicas’ (adaptadas, antes eram convencionais) não, mantiveram-se os bancos de acrílico que os veículos já possuíam.

turismo-jardineira

Aqui e a esquerda: transição pra etapa 2, a Linha Turismo implantada. As antigas jardineiras verdes do Pro-Parque também são repintadas de branco. Ainda com os desenhos dos principais locais que os turistas querem ver em Curitiba.

………..

Depois as linhas Pró-Parque e Volta ao Mundo foram fundidas pra originarem a “Linha Turismo”.

No começo, antes de virem os busos 2-andares, aproveitaram a frota das linhas-gênese.

Nas duas fotos ao lado e logo abaixo, jardineiras que antes eram verdes no ‘Pro-Parque’.

E foram dessa forma repintadas de branco ao mudarem de modal.

Logo abaixo na na Pça. Tiradentes, e direita em outro ponto da cidade.

jardineira1A Linha Turismo pegou. Se tornou uma coqueluche, uma mania da cidade.

Assim começaram a vir ônibus zero km. No começo pintados de branco.

Depois, quando vieram os 2-andares, toda a frota, incluso os de 1 andar, foi re-decorada nesse tom de verde. 

turismo1

2- Ainda na transição pra Linha Turismo.

Já mostraremos tudo isso. Nas fotos até aqui ainda estão os busos oriundos das linhas anteriores, (Pro-Parque e Volta ao Mundo).

Aquelas que, repetindo, são a gênese da Turismo.

Portanto, até esse Monobloco ao lado os busões vieram usados, e foram repintados de branco.

A direita (na mesma Tiradentes) um Monobloco transgênico das Mercês, antes era Interbairros, e foi adaptado, aumentaram as janelas.

3- Consolidação: enfim 1°s ‘carros’ Zero Km.

Agora sim vamos mostrar o que já falamos lá em cima:

Com o sucesso definitivo da Linha Turismo, passam a vir veículos novos pra ela.

Que portanto já chegam de fábrica brancos e com as janelas nessa configuração.

Ainda estão presentes os desenhos dos pontos famosos da cidade na lateral.

mercês mt006 garagem Linha Turismo buso 1-and ctba verde árvore pinheiro prédios vidro alongado adaptado maior arco vermelho paralelepípedo hexagonal símbolo emblema lona letreiro jardineira comil motor atrás traseiro amarelo convencional

4- Ainda somente 1-andar, mas chega a pintura nesse tom entre verde e bege. Eliminam-se os ícones na lataria.

Um deles a esquerda, também na Tiradentes.

E ao lado quando adotou-se a nova pintura. Numa tomada vinda da página Tudo de Ônibus, vemos numa garagem um buso 1-andar.

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Alguns poderiam pensar que esses de somente 1 andar foram aposentados. E portanto não circulam mais na Linha Turismo.

linha-turismo-curitiba

5- Como é hoje: a estrela principal, óbvio, são os 2-andares, mas nos dias de pico os de 1-andar estão na retaguarda, valentes.

Nada poderia ser mais distante de realidade. Sim, nos dias de menor movimento só rodam veículos 2-andares. 

Mas no pico (férias e feriadões), quando o negócio bomba, a Linha Turismo opera em comboio:

Na frente um 2-andares, mas na retaguarda os bons e velhos de 1-andar vão na cobertura.

Novamente na Praça Tiradentes, um par deles, um tem escada dentro o outro não.

“Deus proverá”