Servir & Proteger

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 8 de junho de 2017

Maurílio bombeiro.

Ao lado em ação.

Lutando pra extinguir as chamas que eclodiram num prédio em alguma parte da cidade.

E a direita um retrato 3×4. 

Missão cumprida, o incêndio está debelado.

Vidas e patrimônio foram preservados, graças a ação desses que realmente se dedicam a ‘Servir & Proteger’ a sociedade.

Aí, numa hora de descontração, foi registrada essa cena dele sorrindo, pra consagrar pela Eternidade.

“na pequena água”: um momento místico de união com deus mãe e pai

Apagado o fogo, podemos serenar a mente dessa preocupação.

E assim podemos nos focar numa Energia um pouco mais Feminina.

Marília está numa chácara, numa pequena fazenda.

E ali ela foi ao campo colher flores.

Com raiz e tudo, pois depois ela vai enxertar os ramos no jardim que há na soleira de sua casa.

Ao passar sobre o riacho, ela se lembrou que um pouco rio abaixo há uma pequena cachoeira.

Aí Marília não teve dúvidas: deixou suas roupas e o cesto de flores na margem, e entrou se banhar nela.

O dia está frio, tanto que o vestido e blusa são longos, cobrindo toda a extensão de suas pernas e braços.

E a água está gelada, claro, pois é um riacho de serra, cheio de pedras.

Mas não importa. Esse momento pra Marília é Místico, quase uma Auto-Iniciação se quiser ver assim.

De maneira que esse estado de Espírito transcende qualquer sensação material.

Uma vez que Deus não é somente ‘o Pai’, mas Pai e Mãe de todos os seres humanos, em verdade de tudo que há no Universo.

E a Água – assim como as Flores – representam a porção Feminina da Fonte Maior.

Assim nada mais natural que ao banhar nessas águas geladas Marília se Sinta Uma com o Criador, e com todo o Cosmos em suas Infinitas dimensões.

É como se a Filha retornasse a Casa Materno/Paterna após longa peregrinação.

Um Samadhi no Pequeno Rio.

Experiência que seu Grande Amor Maurílio também já vivenciou.

Namastê.

Hare Rama, Hare Sita.

Louvado é Deus Pai e Mãe.

a Curitiba que não sai na T.V.: Complexo da Caximba, ponta da Extremidade Sul

lado a, lado b: agora vejamos o ‘lado b’ da cidade

Ponto final do Vila Juliana – alimentador do Term. Pinheirinho – na Caximba: olhe quanta quiçaça (lixo e entulho) atrás do busão.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 5 de junho de 2017

Em dezembro de 2016, andei (mais uma vez) na Linha Turismo. Que se concentra, além óbvio da Zona Central que foi onde a cidade começou, nas Zonas Oeste e Norte, as partes ricas da metrópole.

Daí eu produzi uma matéria chamada Linha Turismo, a Curitiba que sai na TV.

Vamos ver por trás do veículo: realmente um lixão clandestino, pois estamos numa das maiores e mais novas favelas da cidade, o ‘Complexo da Caximba‘.

Então agora pra fazer o contraste vamos ver exatamente o contrário, a Curitiba que não sai na TV: bem-vindo a Caximba, a extremidade da Zona Sul.

As imagens dizem tudo: esse pedaço esquecido e pouco famoso da cidade está inchando descontroladamente com seguidas invasões desde 2010.

Se tornando um dos maiores bolsões de miséria da capital do Paraná. A situação realmente é crítica e vem se agravando.

………

Em escala maior: novas casas estão sendo erguidas o tempo todo no local.

Fiz uma postagem dizendo que o Tatuquara é a ‘Extremidade Sul’ de Curitiba. Bem, entre os bairros que têm mais de 50 mil moradores e que já eram urbanos na virada do milênio ele certamente é o mais meridional.

Mas depois dele vêm mais dois, o Campo de Santana – até uma década e meia atrás a maior parte rural, poucas vilas urbanas, mas hoje quase 100% urbano pois foi o que mais cresceu na década passada;

Mapa do ‘Complexo da Caximba‘, em azul a parte antiga, laranja o que é mais recente.

E a seguir a Caximba, que é o que mais cresce (ao menos em termos proporcionais) atualmente.

A Caximba é o único bairro de Curitiba que dista mais de 20 km do Centro. Portanto a própria ponta da Extremidade Sul.

Até o começo dessa década a Caximba ainda era basicamente uma parte rural, conhecida da maioria dos curitibanos somente por abrigar o aterro sanitário (lixão).

O aterro saiu dali, a parte de lixo doméstico foi pra região metropolitana, pro município de Fazenda Rio Grande (que também é Zona Sul, alias perto da Caximba).

E o depósito de de resíduos dos hospitais ficou no município de Curitiba, mas foi transferido pra Zona Oeste, na divisa entre CIC e São Miguel, nos fundos do ‘complexo’ das Vilas Conquista e Sabará.

Os Extremos Sul e Oeste de Curitiba ainda são rurais – nessa mensagem todas as fotos foram feitas na Caximba, claro. Detalhe que o cara escreveu “alho” corretamente, mas hesitou e ‘corrigiu’ pra ”alio”.

Alias, já falei sobre isso com muitas fotos:

Em 2012 e de novo em 2015 houve grande onda de invasões na região do Sabará e imediações.

E por isso as pessoas estão morando em solo contaminado com lixo hospitalar.

De volta a Caximba que é nosso tema de hoje.

Ainda existe uma Caximba rural, onde bois e cavalos pastam despreocupadamente, e agricultores vendem hortaliças ‘direto da roça’.

Existe uma Caximba em que os terrenos são enormes, há várias olarias ativas.

Precisa dizer mais?

E uma parte da população do bairro emergiu a média-alta burguesia, morando em elegantes sobrados.

Ao lado disso, a baixada do Rio Barigui (sim, o mesmo que rio acima abriga o parque mais famoso e “chique” da cidade) vem sofrendo grandes invasões, como dito se tornando uma das partes mais miseráveis de Curitiba.

Em 2010 houve a maior das ocupações do local. Batizada a princípio ‘Território Nacional’, depois foi rebatizada com uma data, “29 de Outubro”, aquela que ela foi fundada.

Essa é uma fortíssima tradição na Zona Sul de Curitiba.

Aqui e a direita: nem todo mundo na Caximba é pobre, óbvio. Na via principal do bairro (a Estrada Del. Bruno José de Almeida, antiga ‘Estrada da Caximba’) há residências de alto padrão, quase todas de descendentes dos pioneiros imigrantes da Itália, que acabaram ‘subindo na vida’.

Na própria Caximba, ali ao lado, há a vila ‘1º de Setembro’, e na divisa do Ganchinho com o Sítio Cercado há a vila ’23 de Agosto’. Na Caximba já haviam algumas pequenas ocupações irregulares:

Notadamente a 1º de Setembro que acabo de citar (do lado esquerdo da rua que liga Curitiba a Araucária), e a ‘Sapolândia’ (do lado direito, essa já na margem do rio, e por isso o nome, pois obviamente a várzea alaga com frequência), além de outras menores.

Porém as vilas eram próximas mas não unidas, haviam grandes terrenos vagos entre elas. Terrenos que foram ocupados em 2010.

Assim todas essas vilas antigas e menores se fundiram com a nova e maior, formando o que os cariocas chamam de ‘complexo’, e os mineiros ‘aglomerado’.

Surgiu o Complexo da Caximba/Aglomerado da Caximba, pra usarmos o léxico do Sudeste do país.

Então, recapitulando. Em 2010 surgiu a invasão ‘Território Nacional, a seguir renomeada ’29 de Outubro’, nomes que os moradores usavam. Mas conhecida pela população em geral simplesmente a ‘Favela da Caximba’.

Olaria na Caximba. Nesse bairro e em vários outros no Extremo Sul (Campo de Santana, Umbará e Ganchinho) elas são comuns.

Com a princípio 150 famílias (o que dá perto de 500 pessoas), logo a invasão inchou pra 4 mil moradores.

Acompanhamos tudo isso em nosso canal de comunicação, os pioneiros entre os leitores receberam os relatos ainda no modal do emeio.

Com a promoção pro modal da página fiz uma grande matéria sobre as invasões em Curitiba, que englobou diversos emeios.

Em 2014 saiu com grande alarde na imprensa que foi feita a desocupação da área, sendo retiradas mil famílias. 

Próximas 2: transição entre cidade e campo. Fora da favela os terrenos são enormes, ainda que as casas sejam humildes, de madeira. Isso vale também pros vizinhos bairros do Extremo Sul citados acima.

Eu pensei que era o fim do ‘Complexo da Caximba’, que toda a parte invadida havia sido removida.

Que o ‘Território Nacional’ havia tido apenas 4 anos incompletos de vida.

Imaginei que a maior parte do bairro tivesse voltado a ser de terrenos desabitados, com área verde.

Nada poderia ter sido mais distante da realidade.

Em fins de 2016, navegando pelo ‘Google’ Mapas, vi que a maior parte da região invadida em 2010 continuava ocupada.

Casas mais pobres porém fora da favela, a maioria também de descendentes de italianos, mas esses não se aburguesaram.

Ou seja, continuava com um emaranhado de ruas de terra sem nome e sem iluminação pública.

E com casas (a imensa maioria de madeira pois é Sul do Brasil) muito pobres.

Quase todas sem pintura, em meio a lixo, esgoto a céu aberto, fiação clandestina de eletricidade (gatos).

Fui checar se a filmagem fora feita antes ou depois de 2014, portanto antes ou depois da desocupação.

Pois obviamente se estivesse datado entre 10, 11, 12 ou 13 retrataria uma situação que talvez não existisse mais.

Pinheiros, e tem até pesque-pague (‘pesqueiro’).

Mesmo se fosse de 2014 eu iria conferir o mês, pra saber se antes ou depois da reintegração de posse.

Mas a rua principal foi filmada em “janeiro de 2016”. E nas esquinas se via que as casas continuavam lá, indo fundo no bairro.

Então a ocupação da Caximba não acabou. De fato retiraram mil famílias, mas já haviam muito mais de o dobro disso, e o restante ficou.

Mais uma tomada de uma Caximba e uma Curitiba ainda com sítios e fazendas.

Ademais, depois de 2014 novas invasões ocorreram, se re-assentando no espaço que havia sido desocupado.

Fui até o local, de carro, com familiares. Nesse dia não pude fotografar, demos apenas rápida volta na favela.

Suficiente pra ter certeza, agora com meus próprios olhos: sim, o ‘Complexo da Caximba’ ainda existe e está cada vez maior.

Como disse, a ocupação que começou com 150 famílias 4 anos depois já tinha mais de 2 mil. Metade saiu a força, metade ficou. A favela perdeu parte de suas quadras mas não se extinguiu. 

O ‘Dia dos Chevrolets’. Pude clicar 3 dessas antigas máquinas na ativa. Produzidos nos anos 70 (veja um deles quando novo em Curitiba, “naquele tempo” em que os ônibus ainda eram pintura livre), pois a décadas essa marca estadunidense deixou de fabricar pesados no Brasil (na Colômbia permanece atuando). O da foto maior rodando, mais uma foto na Del. Bruno de Almeida, os outros 2 parados dentro do ‘Complexo da Caximba’. O marrom é o ‘Bigode Grosso’, e está a venda por 13 mil. Pechincha ou não?, você me diz. E o azul tem o para-choque amarrado com fio, certamente o encaixe já quebrou. Mas o bichão taí, lutando, nunca desiste ! Alma Forte!!!!

E como uma hidra em que se você corta uma cabeça surgem outras, de lá pra cá vários moradores desalojados em 2014 voltaram, e outros chegaram pela 1ª vez.

A invasão cresce a todo vapor, como as imagens deixam claríssimo. Agora enfim deu certo de eu ir a pé e sozinho pra poder captar essas cenas.

No meio de 2017 a própria prefeitura estimou a população do ‘Complexo da Caximba’ (somando as vilas novas e antigas) em 7 mil pessoas. Fora do ‘Complexo’ devem morar mais quase mil pessoas na Caximba.

Somando portanto 8 mil, ou perto disso. Até 2020 serão bem mais de 8 mil, se houverem novas invasões 9 ou já beirando 10 mil.

Como a Caximba tinha somente 2 mil habitantes no Censo de 2010, sua população será quadruplicada, quem sabe quase quintuplicada, nessa década.

Configurando-se assim o bairro de Curitiba que mais cresce entre os censos de 10 e 20, pelo menos no quesito proporcional.

………

2010: surge a ocupação na Caximba, a princípio chamada ‘Território Nacional’ (daí a bandeira da Pátria Amada), depois ’29 de Outubro’. Essa é a única foto baixada da rede, todas as demais de minha autoria.

Natural. Curitiba cresce para o Sul, como eu já retratei em detalhes.

Na década de 90, os bairros da cidade que mais aumentaram sua população foram (os números são dos censos de 91 e 00):

Sítio Cercado (Z/S), de 52 pra 102 mil. Simplesmente dobrou, e olhe que a base não era tão pequena, mesmo assim ganhou nada menos que 50 mil pessoas.

Tudo por causa da implantação pela prefeitura (Cohab) do Bairro Novo, em 1992, que se consolidou nos anos seguintes.

Assim vemos que o Sítio, nos anos 90, teve altíssimo crescimento tanto em termos absolutos como proporcionais;

Daqui até o fim todas as imagens retratam o ‘Complexo da Caximba’. Repare que a rua não tem iluminação pública, toda a fiação que puxa luz pras casas é clandestina.

Cidade Industrial, de 116 pra 157 mil. Também acima de 50 mil curitibanos a mais nesse bairro.

A Cidade Industrial fica em sua maior parte na Zona Oeste, mas sua ponta austral está na Zona Sul.

No crescimento absoluto empatou com o Sítio Cercado, mas no proporcional foi bastante elevado (superando os 40%) porém ainda assim bem menos que o Sítio, já que em 1991 a CIC já tinha além do dobro de pessoas que o Sítio Cercado;

Uberaba, de 35 pra 60 mil, agregando 25 mil. Também em grande parte devido a volumosa onda de invasões ocorrida entre 1996 e 1998, com pico em 98.

Tampouco existe rede de saneamento básico. O esgoto corre a céu aberto (com cheiro forte mesmo num dia gelado como aquele que fui lá, imagine no calor).

Entre os bairros que já abrigavam pelo menos 5 mil moradores, teve o terceiro maior crescimento proporcional, 70%.

O Uberaba fica na Zona Leste, mas divisa com a Zona Sul, feita pelo Rio Belém. Eu moro no Boqueirão, Zona Sul. Estou a menos de uma quadra do Uberaba;

Tatuquara, Zona Sul, de 8,1 pra 36 mil, sendo acrescidas quase 28 mil pessoas.

Entre os com já no mínimo 5 mil, maior crescimento proporcional, mais que quadruplicou;

Acima falei dos bairros mais populosos, que já tinham pelo menos 5 mil moradores, e mesmo assim incharam muito nos anos 90, acrescendo entre 25 a 50 mil novos moradores cada.

Repetindo: sem rede de luz oficial – a noite um breu total -, fios clandestinos pras casas.

Malgrado a prefeitura negue de forma falsa, o município de Curitiba ainda conta com pequena Zona Rural em suas extremidades Oeste e Sul.

Como as fotos feitas na Caximba (Z/S) e Augusta e São Miguel (ambos Z/O) comprovem valendo mais que mil palavras.

Assim, obviamente haviam ali até o fim dos anos 80 vários bairros esparsamente habitados, com sua população contada em poucos milhares, ou mesmo na casa das centenas de pessoas em cada um.

E vários desses subúrbios que eram (e ainda são) a transição entre rural e urbano se tornaram mais urbanos na década de 90.

Lote a venda por 12 mil. Sem documentos, óbvio. Você não acha terreno escriturado no município de Curitiba por menos de 80 mil, mesmo nos bairros mais distantes.

Como a base inicial era baixa, eles tiveram logicamente altíssimo crescimento proporcional, malgrado terem ganho cada um apenas alguns milhares de habitantes.

O São Miguel teve o maior aumento em termos de porcentagem de toda cidade, de mil habitantes foi pra 4,9 mil, portanto praticamente quintuplicou.

Como já dito e é notório, S. Miguel é Zona Oeste. Mas não muito longe da Zona Sul, tanto que os alimentadores que o servem vão pra terminais da Z/S, ou ligam a Z/S a Z/O.

O Ganchinho, também Zona Sul, foi de 2,6 pra 7,3 mil. Bem mais que dobrou, não faltou muito pra triplicar.

Por toda a parte nova da invasão na baixada do rio se acham esses depósitos de entulho. Servem pra aterrar os terrenos, pois a terra originalmente é balofa (afunda ao pisar) e alagadiça. Natural, pois estamos na várzea do Barigüi.

A própria Caximba que vemos aqui triplicou na década de 90.

Tinha somente oitocentos e poucos moradores em 1991, ainda na casa dos 3 dígitos portanto. Em 2000 eram 2,4 mil caximbenses.

O Campo de Santana (que fisicamente fica entre Tatuquara e Caximba e assim obviamente também na Zona Sul) pulou de 4,1 pra 7,3 mil. Perto de 80% de aumento.

A base do C. de Santana já era bem maior que a da Caximba e S. Miguel. Enquanto esses outros dois oscilavam perto do 1º milhar, o Campo de Santana já tinha 4 vezes esse número.

Assim logicamente o crescimento proporcional foi menor.

Cena triste, amplie pra ver: pessoas reviram os resíduos, na busca de material reciclável. Mesmo nessas condições novas casas surgem o tempo todo, sinal que tem gente que necessita estar ali. Alguns dizem que Curitiba é de “primeiro mundo” . . . Piada sem graça! Alias, na Caximba me lembrei da Pratinha, uma das favelas mais miseráveis de Belém-PA.

Portanto dos 8 bairros que mais cresceram nos anos 90 (incluindo proporcional e absolutamente), 5 (Sítio Cercado, Tatuquara, Caximba, Ganchinho e Campo de Santana) ficam integralmente na Zona Sul.

Uberaba na Zona Leste, mas limítrofe a Sul. Cidade Industrial majoritariamente na Zona Oeste, mas um pequena porção também na Sul.

E São Miguel logo atrás da CIC, assim também na Z/O, mas não longe da Z/S.

Nenhum na Zona Norte, e nem mesmo na Z/O e Z/L mas próxima dela.

Próximas 2: sinalização não-oficial, feita pelos próprios moradores. Nessa placa imitaram o azul e o desenho da sinalização oficial, mas as letras são distintas.

…….

Após um grande pico nas décadas de 70, 80 e 90 (nesse ensaio analisamos somente a última dessas 3) o crescimento populacional de Curitiba arrefeceu bastante após a virada do milênio.

Essa situação que se repete na maioria das capitais do Centro-Sul. Falando especificamente da capital do Paraná:

Nos anos 90 dois bairros tiveram aumento de 50 mil pessoas cada, mais dois em pelo menos metade desse número.

Já na primeira década do milênio os quatro primeiros ganharam entre 12 a 20 mil, cada um deles. Respectivamente (nos censos de 2000 e 2010):

E aqui pintaram nas paredes. A rua principal da parte nova (de 2010) foi batizada “Av. do Comércio”. Aqui na esquina com a “1º de Setembro”. Essa, por sua vez, é a via principal de outra vila (nomeada com essa data) que já existia antes, e foi fundida com a nova invasão formando o ‘Complexo’. Detalhe: diz ‘cabeleireira‘, mas dentro há uma mesa de sinuca.

Campo de Santana, pulou de 7 pra 27 mil. Maior aumento absoluto e proporcional.

O único que atingiu 2 dezenas de milhares de novos habitantes, nada menos que quase quadruplicando sua população.

A razão pra isso que a partir de 2003 ali foi implantado o Rio Bonito.

Uma fazenda foi fracionada em milhares de lotes urbanos, se tornando parte da cidade.

Trata-se de um projeto similar ao Bairro Novo da década anterior, a única diferença é que o Rio Bonito é um empreendimento particular, e não da Cohab. 

Próximas 5: eu subi a rua 1º de Setembro. Quando saí da parte nova e entrei numa vila mais antiga que tem esse exato nome como já dito, a via passa a se chamar “Rua Principal”.

O vizinho Tatuquara continuou crescendo bem, e foi de 36 pra 52 mil curitibanos ali residentes.

Portanto 16 mil novos tatuquarenses em 10 anos, superando os 40% de aumento.

A Cidade Industrial veio logo atrás com 15 mil habitantes a mais, de 157 pra 172 mil. Se no absoluto quase empatou com o Tatuquara, no proporcional foi bem menor, por volta de 10%, pois a base era bem maior.

O auge do CIC foi antes, nos anos 80, quando o bairro ganhara impressionantes 70 mil novos moradores em apenas 10 anos.

Recorde que irá perdurar por toda história de Curitiba, e que também tornará o CIC pela eternidade o bairro mais populoso da cidade, salvo uma hecatombe nuclear.

Digo, do lado a direito da rua é a parte antiga, e que por isso já conta com rede de eletricidade oficial. A esquerda da via outra invasão bastante recente. Aqui já estamos numa parte mais alta, que não alaga. São muitas invasões pela região, umas recentes e outras não. Tudo agora ‘junto & misturado’.

– O Uberaba igualmente manteve um ritmo elevado por mais uma década, e pulou de 60 pra 72 mil pessoas ali vivendo.

12 mil a mais portanto, fechando a lista dos que aumentaram superando a dezena de milhar. No proporcional já não impressiona tanto, 20% de acréscimo.

– Afora o Campo de Santana que liderou no absoluto e proporcional, em termos percentuais depois vem a Augusta (Zona Oeste, ao lado do CIC e São Miguel) que passou de 3,6 pra 6,5 mil, crescendo mais de 80% na década.

A causa é que a prefeitura implantou ali diversas Cohabs, além de loteamentos particulares.

Houve também em 2003 uma grande invasão na divisa com o CIC, chamada inicialmente ‘Colina Verde’.

Postes de luz oficiais, sim. Mas também sem saneamento básico.

Também na Zona Oeste, o Mossunguê passou bem perto, faltou pouco pra atingir 70% de crescimento. Subiu de 5,6 pra 9,6 mil.

E nesse caso o crescimento foi majoritariamente na alta burguesia, classe alta e média-alta.

Como é sabido, ali foi implantado o que é conhecido pelo pomposo nome de ‘Ecoville’.

Trata-se da ‘Barra da Tijuca Curitibana’, um subúrbio afastado na Zona Oeste de prédios caros.

Só aqui não tem praia, óbvio (por curiosidade já que traçamos paralelos com o Rio, a ‘Copacabana Curitibana’ é o Parolin, na Zona Central – também sem mar, infelizmente).

De volta a Zona Sul, o Ganchinho subiu 50%, de 7,3 pra mais de 11 mil.

Igualmente emplacou a segunda década consecutiva se expandindo fortemente.

Ainda a “Rua Principal” da Vila 1º de Setembro.

Resumindo: um bairro da Zona Sul liderou com sobras tanto proporcional quanto absolutamente.

No absoluto, os que vem a seguir são ou na mesma Z/S (Tatuquara) ou respectivamente nas Zonas Oeste e Leste mas adjacentes ou com uma parte na Sul (CIC e Uberaba).

No proporcional, o 2º e 3º de maior elevação são na Zona Oeste, esses bem longe da parte austral da cidade. Mas a seguir mais Zona Sul.

Volta a parte nova na baixada do rio. Alias aqui e na próxima tomada exatamente o Barigüi, note que as construções as suas margens seguem incessantes.

………

E, disse tudo isso pra chegar aqui, a década de 10 ainda está longe de findar.

Mas é certo que a Caximba, que quadruplicará sua população nesses 10 anos, irá liderar no crescimento proporcional entre os 75 bairros (no absoluto vamos aguardar pra ver).

A esquerda na imagem Araucária. A direita Vila Sapolândia, Curitiba, uma vila anterior a 2010, mas que se uniu a parte nova no ‘Complexo da Caximba’.

Crescimento esse da Caximba que é conturbado, não restam dúvidas.

No ‘Complexo da Caximba’ a infra-estrutura é precaríssima, como notam e é notório pra quem conhece.

Bom, alguns criam que Curitiba estaria se ‘gentrificando’.

Mas 4 cenas da favela: sua alta densidade, os ‘gatos’, ruas de terra que enlameiam.

Ou seja, se aburguesando demasiadamente, empurrando a classe trabalhadora pra região metropolitana.

Nada pode ser mais distante da realidade, repito de novo.

Digo, sim, boa parte de Curitiba vem mesmo se aburguesando.

Mas na Caximba ainda há espaço pra pessoas das classes ‘D’ e ‘E’.

Aqueles que não podem pagar uma prestação habitacional e nem mesmo um aluguel barato.

Resumindo, aqueles que apenas sobrevivem primeiro, e depois, só depois de ter comida no prato, é que sonham em consumir qualquer supérfluo.

No Extremo Sul da cidade ainda há um local, apesar que bastante precário, que pode abrigar esses Homens e Mulheres que a sorte deserdou.

Curitiba cresce para o Sul. E nem sempre de forma ordeira, não custa enfatizar de novo.

Definitivamente, como dizem os ‘manos de rua’: “Zona Sul – aqui Curitiba é diferente”.

Vendo essas imagens, quem poderia duvidar???

Que Deus Pai e Mãe Ilumine a todos.

“Ele/Ela proverá” 

“Amiga, vamos a toalete?”

Amplie pra ler o diálogo delas.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Levantado pra rede em 29 de maio de 2017, com 2 desenhos inéditos e outro publicado (em emeio) em 26 de dezembro de 2013.

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres.

Começamos pelo inédito, produzido em maio de 2017.

Hoje vamos retratar mais uma das características tipicamente femininas: a de ir ao banheiro em duplas.

Marília (de blusa preta e com o cabelo preso em coque) saiu com vários amigos, foram tomar umas cervejas.

No bar um rapaz gostou dela, e ficava olhando-a, esperando uma oportunidade pra conversarem. Marília percebeu, e gostou dele também. Mas como ela é muito tímida, não sabia o que fazer.

“Aaaaaiiii, amigaaaaahhh … Tou um pimentão de tanta vergonha!!!”, diz Marília.

Já foi bem pior, na adolescência ela era totalmente sem jeito pra se arrumar, quando recebeu uma ajuda de uma colega.

Agora pelo menos se produzir ela sabe. Mas nesse momento ficou com vergonha, não tinha ideia como agir.

E como ela não dava uma abertura, o rapaz também não iria chegar a mesa falar com ela no meio de uma roda.

Pois se for pra levar um fora tem que ser só a dois, e não em público obviamente.  Aí ficava esse impasse, ele olhando pra ela, Marília corava e tentava desviar o olhar. Resumindo, ambos viram que a atração era mútua mas a situação não saía do lugar.

Esse é o desenho de dezembro de 2013: Marília e sua amiga se arrumando pra sair. “Invejadas pelas Mulheres, Desejadas pelos Homens, lá vamos nós”, elas se divertem. Meio pretensioso, não? Bem, ‘garotas serão garotas’, como dizem.

A melhor amiga dela, percebendo o que estava rolando, chamou Marília pra irem juntas “retocar a maquiagem”. Propositadamente ela escolheu que ambas passassem perto do balcão, pra medirem a reação dele.

Assim, enquanto realçavam feminilidade frente ao espelho foi a hora da amiga confrontar Marília. “Mari, por acaso você não tá vendo que aquele gatinho tá vidrado em ti?”

Marília, como dito uma moça tímida, ficou rubra tal qual um tomate, e sentiu um calor por todo corpo como se estivesse num forno: “Ai amiga, eu tou achando que sim, mas … e se for só impressão???”

“Larga de ser boba, guria. Não notou que ele quase caiu da cadeira quando você passou perto dele???”, respondeu sua amiga, que a seguir arrematou:

“Faz o seguinte: eu volto pra mesa, e você vai pro balcão e pede uma cerveja. Joga um charme, solta teus cabelos, garanto que antes de você lembrar o número do teu RG ele já puxa a cadeira e senta do teu lado. Querida, nessa dúvida é que não dá pra ficar, teu coraçãozinho tá quase saindo pela boca de tanta emoção.

Na pior das hipóteses, se ele não for falar contigo você leva a cerveja pra mesa e pelo menos desencana, curte o resto da noite sem ter um enfarte. Mas eu garanto pra ti que ele vai “.

E assim realmente se deu. A intuição feminina delas não furou. Logo Marília teve que retocar de novo o batom, porque esse borrou todo, se você entende o que eu digo…

cunhadinhas

Acima outro retrato inédito, portanto também de maio de 17.  Desenhei uma vez Marília com sua prima, na postagem que por isso se chamou “Priminhas”. Dessa vez vemos ela com outra Mulher de sua família. A esposa de seu irmão, portanto a sua cunhada.

Agora Marília já é casada. Mas seguimos na mesma frequência, ela sendo aconselhada e ajudada por uma outra Mulher mais experiente no traquejo com o Mundo Masculino.

A cunhada (de cabelo bi-color [rosa e violeta] e unhas idem, negras e brancas) e o sobrinho. Usando um maiô do Mickey que ela adora. (Já Marília tem uma blusa da Minnie).

Pois Marília está passando por uma crise em seu casamento. Pra espairecer um pouco e decidir o que fazer, ela pediu uma licença em seu trabalho e foi visitar seu irmão.

Marília mora no Sul da Alemanha, quase nos Alpes que fazem fronteira com a Áustria. É inverno na Europa, ela pegou o trem sob neve.

O irmão dela mora com a esposa e 3 filhos em Rostock, no Norte do mesmo país, onde o frio não é tão rigoroso.

Na verdade faz um veranico no Báltico, assim se o mar não esquentou a ponto de se banhar nele, ao menos dá pra molhar os pezinhos.

Ao contrário de Marília, seu irmão e a esposa estão vivendo muito bem. Eles se gostam, se respeitam, estão em harmonia.

A esposa é dona-de-casa. Como o marido está bem-empregado, ela decidiu ficar no lar curtindo e cuidando das 3 crianças que ainda são pequenas.

Marília admira a felicidade de sua cunhada, pois ela não está se sentindo numa fase tão colorida assim.

Assim nos 10 dias que passou lá, essa foi a rotina de Marília: de manhã as Mulheres ficavam em casa, faziam o almoço, essas coisas.

De tarde elas andavam pela cidade, várias vezes foram a praia. Aproveitaram o tempo juntas e falaram sobre “as coisas de Mulher”. Marília casara jovem, com o primeiro namorado, e por isso não tinha muita experiência com os Homens.

Rolou uma empatia feminina muito forte, sua cunhada era mais descolada e vivida. Não devemos julgar pela sua aparência escandalosa. Os cabelos são de menina, mas a Alma é de Mulher. E ela se compadeceu do sofrimento da outra. Gostou de Marília como se ela quem fosse sua irmã, e não irmã do marido.

Assim a cunhada falou sobre sua vida, coisas que nunca havia contado antes. Que hoje ela era feliz com o marido, mas que também já tinha tido crises no relacionamento.

Além disso, que antes dele já tinha tido namorados que ela insistia e coisa não andava, aí foi melhor romper. Saber de tudo isso animou Marília, ela viu que era possível ser feliz depois de um momento infeliz numa relação, quer ficassem juntos, quer não.

Panorâmica da orla de Rostock, Alemanha. Ao fundo a praia onde as cunhadas passaram bons momentos com as crianças (imagem via ‘Google’ Mapas).

Ao anoitecer o marido, irmão de Marília, chegava e todos jantavam juntos, no fim-de-semana ele a levou pra conhecer cidades próximas que ela nunca tinha ido.

Sua cunhada está de bem com a vida, bem-casada e bem-amada. Como ela ainda é jovem e não trabalha fora, pôde se dar ao luxo de pintar seu cabelo de rosa, com as pontas em violeta.

Marília está na vibração oposta, se sentindo mal-casada e mal-amada. Daí ela até aparou os cabelos, mal cobrem seu pescoço, pra simbolizar a poda de uma árvore que depois irá renascer.

………..

A Beira-Rio’ de Rostock, tão charmosa quanto a Beira-Mar. Foto puxada da rede, eu nunca fui a Europa.

Foram bons esses dias na praia. Ela descansou e refletiu bastante. Marília gostaria de ter um casamento como o de seu irmão:

Em que Homem e Mulher formam um conjunto Harmonioso. Mas ela sente que as coisas estão indo no rumo oposto.

Assim Marília resolveu que ao voltar pra casa vai conversar seriamente com seu marido. Caso ele esteja disposto ambos farão um esforço mútuo pra compreenderem um ao outro, e se entenderem,

Se der certo, prosseguirão juntos. Mas  do contrário cada um tomará seu próprio rumo.

Uma hora as lágrimas dela secam e ela, como a cobra que troca de pele, estará pronta pra recomeçar renovada. Uma coisa Marília já resolveu:

Em outra escala, as meninas se aprontando em casa pra irem ‘aprontar’ na rua.

Quando ela voltar a visitar seu irmão, cunhada e sobrinhos no verão (e aí puder se banhar no Oceano, como ela adora) ela não estará mais num casamento infeliz. Ou a relação estará sendo boa pra ambos, ou ela será de novo uma Mulher solteira. Vamos ver no que vai dar.

…….

Beijos em teu Coração de Mulher.

“Deus proverá”

Solo Sagrado

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 11 de maio de 2017

Maurílio na Cidade do Cabo, África do Sul. É notório que a Montanha-Mesa ali localizada é um chacra da Mãe-Terra.

Os Estudantes Sabem o que isso significa: um Portal de Energias, um encontro entre dimensões. Bem, é exatamente isso que é essa cidade. No Cabo da Boa Esperança que a nomeia é onde os Oceanos Atlântico e Índico se unem.

Portanto ali é o “Encontro das Águas”, e também o Encontro entre o Leste e o Oeste do Planeta.

Diante dessa Vibração tão Forte, Maurílio se ajoelhou e beijou o Solo Sagrado da Terra-Mãe-África. Mama-África, é claro.

Sim, há na orla da Cidade do Cabo aquele óculos gigante, que vemos a esquerda no desenho e na foto acima.

a flor do amor

Continuamos no ‘Solo Sagrado’, falando do Amor a terra e a Terra.

Marília se casou jovem, ainda adolescente. E então foi morar numa casa simples da periferia.

Ela foi feliz nesse lugar, ao lado do seu marido e dos filhos que nasceram e cresceram ali.

Mas depois eles se mudaram de cidade, e Marília ficou muitos anos sem voltar ao bairro em que residiu. 

Um dia, numa visita a sua cidade-natal, ela já com 40 e poucos anos passou em frente a mesma casa que ela viveu.

E onde passou tão bons momentos do início de sua vida adulta.

Estava vaga, sem ninguém morando. Aí Marília teve uma ideia:

Foi a uma floricultura e comprou um broto de rosas.

A seguir ela plantou as rosas na frente da casa. Pra simbolizar que ali sua Energia Feminina se Abriu.

Consagrando o local onde o Amor entre uma Mulher e um Homem teve sua Florada.

a diva de durbã

De volta a África do Sul. E da Terra pra Água.

Uma Marília Indiana, no Oceano Indiano (ou ‘Índico’). A “Diva de Durbã”.

Durbã é a maior cidade indiana fora da Índia. A colônia é enorme, fotografei até um templo hindu, breve jogo no ar.

E Durbã é no Oceano que nos chamamos de Índico, mas no inglês – que é a língua falada lá – se chama Oceano Indiano.

Tem mais: em Durbã é comum as pessoas entrarem no mar de roupas (situação que já presenciei em Acapulco-México). Por isso Marília de vestido florido, biquíni preto por baixo. De qualquer raça e até embaixo d’água Marília nunca perde o charme:

De roupa no mar. Mas com as unhas e bijuteria impecáveis. Sempre, né?

As unhas são invertidas, uma clara outra escura, e invertendo as mãos também, na direita o dedão é claro, na esquerda escuro.

(Nota: existe na internet uma menina que se denomina ‘a Diva de Durbã’. Meu desenho não se relaciona com o trabalho dela, exceto que eu confesso que me inspirei pelo nome.)

Solo Sagrado, Oceano Sagrado. Muito Respeito e Amor pela Mãe-África, e pela Mãe-Índia.

Nos mares do Cabo e Durbã, definitivamente Tudo se Alinha, Tudo se Encontra.

Hare Rama, Hare Sita = Louvado é Deus Pai e Mãe.

A Riviera do Cabo; palavras não são necessárias

Todas as imagens são da orla da Cidade do Cabo, África do Sul, abril de 2017.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 10 de maio de 2017

Abrimos a Série sobre a África.

Digo, a primeira mensagem foi feita lá mesmo em Joanesburgo, um desenho.

Mas de matérias maiores, com fotos e textos, começamos agora.

O funcionário do clube apara a grama do campo de polo. Mais tarde os ricaços montam em seus cavalos de raça e disputam mais uma partida, com o mar ao fundo.

E começamos bem, mostrando logo a parte mais bonita da África do Sul, a ‘Riviera do Cabo’.

Batizei a série ‘O Mundo num só País’, porque exatamente isso é que é essa nação, uma mistura de África, Europa e (em menor medida) até mesmo Ásia.

Esse era o lema oficial nos tempos do ‘apartheid’. O regime racista caiu, felizmente (esse texto já está no ar; breve falaremos sobre os desafios do novo milênio, sob democracia).

Mas a África do Sul continua sendo ‘O Mundo num só País’.

Por África do Sul você se sente na Inglaterra ou nos EUA, porque as cidades são dessa escola de urbanismo. Com exceção das favelas, é claro.

As montanhas, as mansões nas encostas a moda da Califórnia-EUA, e em 1º plano um ônibus da moderníssima rede de transportes ‘Minha Cidade’ (falo mais em outros textos).

No bairro que nos hospedamos na Cid. do Cabo – chamado ‘Woodstock’ – eu me sentia em São Francisco-EUA.

Eu nunca fui a essa metrópole ianque, mas de ver pelos filmes e ‘Google’ Mapas sei como é.

E no Cabo eu parecia que estava lá, de verdade. Pois era isso que meus olhos me diziam, pela sensação visual.

Eu precisava me lembrar ‘manualmente’, digamos assim, inserir na minha mente a informação racional que eu estava na África, porque a dimensão sensorial me dizia o contrário.

A garagem e a entrada são no telhado.

Curioso, não? Uma vez  eu estava na América – na República Dominicana – mas minha interpretação penta-sensorial (visual, térmica, sonora, olfativa, gustativa) me dizia que eu estava na África.

Dessa vez eu estava mesmo na África, mas parecia que estava aqui na América.

E a Cidade do Cabo é, primeiro, a cidade mais bonita da África do Sul, e uma das mais belas do planeta. Isso já disse.

Segundo, a Cidade do Cabo é mais integrada em termos raciais. Se preferir de outra forma, é a que há mais brancos pelas ruas do Centro e dos bairros de periferia.

As moradias são bem abaixo do nível da rua.

Em Durbã e Joanesburgo, não há brancos no Centro nem na periferia.

Eles só ficam nos subúrbios de classe média-alta e na praia (no caso de Durbã, Joanesburgo não tem mar).

Pretória tem vários brancos no Centro, é bem menos segregada que as outras duas acima.

Mas ainda são ínfima minoria, vemos com frequência mas ainda assim não é tão comum.

Esse é o acesso a uma praia pública, também por sinuosas escadarias.

Já na Cidade do Cabo é diferente. O Centrão, o começo da periferia e a orla são plenamente integrados, você vê pessoas de todas as raças de forma abundante.

Não é que Joanesburgo e Durbã tenham poucos brancos, exatamente ao contrário.

Eles são muitos, viajei de avião entre essas cidades, e ali os de pele alva eram maioria.

Mas os caucasianos se impuseram uma auto-segregação, moram e trabalham em subúrbios a moda ianque afastados da cidade.

Nas praias de Durbã, como dito, não há auto-segregação. Ali todas as raças convivem em harmonia. Mas só ali, os brancos não frequentam o Centrão.

Nessa é preciso subir muitos degraus pra acessar a casa. Dispensa a academia.

Como Joanesburgo não tem mar, se você não for aos bairros que os brancos moram você não vê brancos.

Entretanto, em Pretória e muito mais na Cidade do Cabo, a coisa é bem mais harmônica.

No Centro do Cabo você se sente na América (que é um continente, não me refiro aos EUA), ou na Europa, com pessoas de todas as raças andando lado-a-lado e convivendo nas ruas.

Terceiro, boa parte da orla do Cabo são espremidos pelas montanhas.  

Vai uma B.M.W., vem um Porsche. Pouco antes, dois Porsches se cruzaram.

Assim se nos bairros a leste do Centro eu me sentia na Califórnia, nos a oeste dele a sensação exata é a de estar nas partes mais bonitas do Mediterrâneo, na Itália ou nas Ilhas da Grécia.

Ruas sinuosas se equilibrando na encostas, mansões e prédios de milionários se espremendo entre o morro e o Oceano. Eu estava na “Riviera do Cabo”.

 Sem nunca ter ido fisicamente a Califórnia, no Cabo eu estava na Califórnia. E sem nunca ter ido a Europa (exceto na ficção) eu estava na Riviera, digo de novo.

Mais um Porsche. Um das maiores concentrações de milionários do mundo. Me perguntaram se na África existe riqueza. Respondi: “Viche! Você nem imagina quanto…”

Então me calo, porque já falei demais. Nem é preciso dizer nada, as imagens dizem tudo.

A série sobre a África será longa: já fiz mais um desenho de Maurílio beijando o solo da Cid. do Cabo, e de uma Marília indiana em Durbã. Nos demais textos descreverei com detalhes o que vi lá, em todas dimensões:

O transporte, futebol, urbanismo, favelas, o céu, as flores, os vários idiomas.

Contaremos sobre a campanha pra ‘impedir’ o presidente Zuma, a dolorosa luta contra o ‘apartheid’ e a difícil adaptação a democracia, a violência urbana.

Agora vem uma Mercedes preta. Só dá essas máquinas, você fica zonzo se tentar contar….

Não acabou não: veremos Durbã, Pretória, Joanesburgo incluindo Soweto, o Oceano Atlântico, o Oceano Índico (que têm seu encontro no Cabo da Boa Esperança).

Conto com detalhes a ‘carona’ que eu ganhei no camburão, os demais bairros da Cidade do Cabo. Tudo isso e muito mais, em breve.

Mas hoje, pra começarmos bem, a ‘Riviera do Cabo’. Palavras não são necessárias. Como eles dizem na África do Sul, “Aproveite”.

Está Aberta a Série. Que Deus Ilumine a todos.

“Deus proverá”

a Princesa e as Flores

”princesa”‘ marília: castelo, carruagem – e flores – na praia mais aristocrática do chile

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 14 de abril de 2017

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres.

Marília foi ao Chile, e também a Joinville-SC (acima da manchete, fechamos a matéria com essa parte).

Portanto comecemos pelo outro país, que ela conheceu junto com seu Amado marido Maurílio.

Visitaram a Grande Valparaíso, o que inclui o famoso balneário de Vinha do Mar.

(Nota: eu traduzo tudo pro português, vocês sabem. ‘Vinha’ é fazenda de vinho, e não conjugação do verbo vir.)

Linguística a parte, Vinha é a praia mais aristocrática do Chile.

Dá uma olhada a direita o prédio que eu flagrei na beira-mar, tem seu lago particular.

“Vinha, a Cidade Bela”.

É ali que a elite da capital passa as férias, onde a ‘juventude dourada’ vai pra ver e ser vista no verão.

Enquanto ele foi dar uma volta em outras partes da cidade, ela foi conhecer essa orla que é toda cheia de flores.

De carruagem. E há um realmente castelo ornando uma pequena península.

Aí com tudo compondo esse ambiente de sonhos, Marília não pôde resistir em se sentir uma verdadeira princesa. E quem resistiria?

……..

Sobre a carruagem não é preciso explicar, várias cidades turísticas contam com elas.

Princesa Marília.

Já as vi pessoalmente além de Vinha em Nova Iorque-EUA no Parque Central, e andei numa delas em Acapulco-México.

E, sim, Vinha do Mar tem um castelo de verdade, que eu fotografei acima e desenhei a direita.

Foi inaugurado perto da virada do século 19 pro 20, por um imigrante alemão muito rico, que queria relembrar desse lado do Oceano um pouco de sua Europa natal.

Ele precisou de um alvará especial, pois no Chile como no Brasil é proibido construir diretamente na praia. Foi concedida, ele fez sua obra, e ali residiu até desencarnar.

Até os postes são floridos em Vinha do Mar. Em Bombinhas-SC, Brasil, também.

Sua viúva continuou na mansão-castelo, mas modificou-a, entre várias mudanças demoliu 2 de suas 3 torres originais, restou 1 de lembrança.

Após o desencarne dela também, o castelo alternou períodos vago com os que funcionou como museu.

E desde o começo de século 21 abriga órgãos da secretaria de turismo da prefeitura de Vinha do Mar.

………

A partir dessa imagem, já estamos vendo Joinville-SC (óbvio, pelo Portal), onde eu também desenhei Marília, abaixo.

Enfim, agora já que já está explicado o castelo e carruagem, falemos da “princesa”.

Marília já havia tido essa sensação antes, quando foi a Los Angeles-EUA.

E, nas colinas de ‘Hollywood’, ela não teve como não se sentir uma das estrelas do cinema (a diferença é que aí o conto de fadas era contemporâneo, e não ‘uma volta no tempo‘).

Mas não pense que ela é uma menina bobinha, que vive num mundo de sonhos sem conhecer a realidade.

A ‘Rua das Palmeiras‘ no Centro de Joinville, sempre com muitas flores.

Exatamente ao contrário. Antes de ir a pra ‘Hollywood’, Marília foi no Centrão de Los Angeles, na Cracolândia, na ‘boca-do-lixo’ da cidade.

Que é uma das maiores concentrações de sem-tetos e viciados do mundo. Um ‘vale dos leprosos’ bíblico em pleno século 21.

Então Marília viu perfeitamente as injustiças do sistema, fez esse ‘dever de casa’, tem sua mente analítica bem crítica e desenvolvida. Precisamente por isso a postagem se chamou ‘o Luxo & o Lixo’.

Agora, o desenvolvimento da Razão não precisa matar a Emoção.

Tendo bem claro como as coisas são, não custa também a gente sonhar, de vez em quando se deixar levar pelo que elas poderiam ser.

Bem-Vindo a Cidade das Flores”, já é anunciado na entrada da cidade.

Assim foi em ‘Hollywood’, e assim foi no Chile. Marília estava ali, andando de carruagem, apenas apreciando a paisagem enquanto o cocheiro a conduz. E há bastante pra apreciar:

O castelo ao fundo. Vendo flores até quando você olha pra cima, no alto dos postes. Aquela praia em que as moradias têm seus lagos particulares.

Tudo foi compondo o cenário. Quem não gostaria de ser uma princesa, por alguns minutos que seja?

Depois de todo esse encanto, o dia continuou mágico: Marília encontrou de novo seu “príncipe”, pôs um biquíni – com a bandeira do Brasil – prendeu o cabelo em maria-chiquinha e foram ambos comer churros, nessa exata mesma praia que ela passou em frente de carruagem.

 a cidade das flores: joinville, santa catarina

Voltamos a Pátria Amada, e logo nessa parte tão bonita. Uma Marília joinvillense. Alguns se espantariam por eu ter retratado ela negra.

O nome comercial é fictício. Se houver uma loja chamada assim em Joinville ou qualquer outra cidade é somente uma coincidência, não estou fazendo propaganda.

Oras, embora a maioria dos moradores dessa cidade sejam de pele clara, uma minoria bastante significativa tem outro fenótipo. Muito mais do que você imagina vendo somente o estereótipo. 

O tempo passa. Após a primeira onda de colonização – de fato essa sim germânica – vieram outras, que mudaram a composição da população.

Uma porção elevada de Joinville é imigrante do interior do Paraná. Sendo que os antepassados desses norte-paranaenses vieram majoritariamente do Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais.

Por isso a Marília joinvillense cor-de-ébano. Pé-Vermelha de nascimento, e barriga-verde de coração.

………

Namorando um vestido na vitrine – que é adornada por muitas flores, mantendo a tradição alemã. Ela a-ado-ra comprar roupas, especialmente vestidos. Na medida certa, evidente. Ela nem carrega cartão de crédito, só de débito ou dinheiro vivo, assim não contrai dívidas, só leva o que pode pagar.

“Vou ficar lindinha de rosa!!!”

Como eu disse acima, Marília é bastante perspicaz. Ela não é uma garota estúpida, porque ela não é estúpida.

Mas . . . é uma garota. E portanto (sem exageros, claro) ela ama esse ritual de escolher, experimentar, e depois usar um vestido que lhe chama a atenção.

O desenvolvimento da Mente não precisa negar a Emoção, repito. A Mulher pode ser independente, segura de si. E ainda apreciar expressar a Energia Feminina, você não concorda?

……….

Beijos em teu Coração de Mulher.

“Deus Mãe e Pai proverá”

Terra Amada & Querida: Joinville, Santa Catarina

Terra dos Ônibus Amarelos e da (finada) Busscar.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 13 de março de 2017

Fui mais uma vez a Joinville, Santa Catarina (segundo alguns ainda pertence ao Paraná, abordo essa questão mais abaixo).

E dessa vez levei a câmera, pra produzir esse ensaio fotográfico. Bastante incompleto, é verdade.

A Joinville germânica.

Bem fotografado, com calma e de dia, pude me focar somente no Portal e o Centro e imediações.

Já no apagar das luzes (literalmente!) chegamos ao mar, no Espinheiros (sim, Joinville tem mar. Muitos não sabem disso. Também volto ao tema).

E entre o Centro e o pequeno porto marítimo cliquei rapidamente alguns relances de uma vila de periferia, entre as Zonas Leste e Norte.

Cidade da Dança, Cidade das Flores (já desenhei uma Marília joinvillense, numa loja florida, seguindo a tradição alemã).

Melhor que nada. Um outro dia que eu retornar ampliamos a postagem. Aqui já serve como boa introdução.

Acabando de virar a marca do meio milhão de habitantes, Joinville é o município mais populoso de SC.

Mas não é a ‘maior cidade do estado’, como muitos erroneamente afirmam.

E é fácil entender o porque: cidade e município são conceitos diferentes. Podem coincidir, mas não necessariamente.

A famosa ‘Rua das Palmeiras’.

‘Cidade’ é a urbe, uma mancha urbana contígua, independente de divisões políticas.

Quando vários subúrbios metropolitanos conurbam com um núcleo, uma cidade passa a ser multi-municipal.

Assim fica fácil entender. É fato que no município de Joinville mora mais gente que no município de Florianópolis.

Ainda assim, a cidade que é a Grande Florianópolis abriga muito mais pessoas que a Grande Joinville, portanto a capital e seu entorno são a maior cidade de SC.

E a Beira-Rio no Centrão.

Seja como for, Joinville é o epicentro industrial de Santa Catarina, e por isso disparado o maior PIB do estado – simplesmente o dobro de Florianópolis!

E é a maior cidade do interior catarinense.

…………

Vamos descrevendo as imagens, aí a gente vai falando um pouco mais de Jvlle. Sua origem é alemã, como é de domínio público. Isso fica evidente na arquitetura da cidade (na África do Sul vi prédios similares).

Voltando ao Brasil, há um outro detalhes numa dessas imagens em que aparecem os prédios típicos teutônicos. A direita cartaz do Hercólobus (também já clicado no Chile).

Segundo a Ciência Oculta, um ‘planeta intruso’ que não faz parte do sistema solar, mas que passará perto da Terra nesse começo de milênio, ocasionando muitas mudanças no nosso planeta. Vamos ver no que dá . . .

Nas placas, abaixo da denominação atual da rua, estão grafados os nomes antigos que ela já teve ao redor de sua história. É uma característica de S. Catarina. Já fotografei o mesmo em Florianópolis.

Na capital, de colonização açoriana, mesmo os nomes que já caíram em desuso são no idioma português.

Em boa parte do interior, antigamente as ruas e avenidas antes eram ‘weg’, ‘strasse’, etc. É o caso aqui:

Amplie a foto acima e verá:

Na atual esquina das ruas do Príncipe e XV de Novembro antigamente se encontravam a ‘Ziegeleistrasse’ e ‘Mittelweg’, respectivamente.

Alias ela mostra bem o comecinho da XV de Novembro, no Centrão.

A direita vemos o cruzamento dessa mesma via com a BR-101, já do outro lado do Portal.

Na foto a seguir, a placa é exatamente a mesma. Eu apenas girei a câmera pra direita.

E aí aparece o Moinho que há na entrada principal da cidade, visto agora melhor enquadrado.

Nele funciona uma chopperia, se não me engano

Ao lado do portal há um totem, onde está escrito “Bem-Vindo” em português e alemão. 

Mais abaixo na página há uma foto em que ele aparece claramente.

Aqui nos centremos no que há atrás dele:

Outra placa bi-língue, a que comemora a amizade entre Joinville e a cidade de Langenhagen, Alemanha.

Foi firmada entre os prefeitos, no ano de 1980.

Certamente em Langenhagen há outra equivalente, apenas na ordem invertida dos idiomas.

………..

Como é sabido, no Norte do continente europeu (Alemanha e imediações, como a Holanda) é muito forte o costume de andar de magrela.

Assim essa é outra herança germânica: Joinville é também a ‘Cidade do Pedal’.

Várias avenidas têm ciclovias (fotografei uma delas), e uma das atrações é o ‘Museu da Bicicleta’.

Por falar em museus, em imigrantes e em tempos idos:

Numa das pontas da ‘Rua das Palmeiras’ está o Museu da Imigração.

E bem no meio desse calçadão há uma série de totens em preto-&-branco contando a história do lugar.

Fotografei uma das placas, aquela que registra a passagem do Zepelim.

JOINVILLE-PR, OPS, DIGO SC –

Assim como, Energeticamente falando, Curitiba é a transição entre o Sul e o Sudeste, Joinville é a transição do Paraná e Santa Catarina.

Posto de outro modo: em muitos aspectos culturais Joinville é uma cidade paranaense.

Joinville é muito perto da capital do Paraná, apenas 130 km cobertos por pista dupla, então é muito influenciada por Curitiba.

Joinville é quase uma ‘filha espiritual’ de Curitiba.

Pra um curitibano, andar no Centro de Joinville é como estar em casa, tamanha a quantia de empresas curitibanas que têm filial lá.

Se uma imagem vale por mil palavras, observe a esquerda: o primeiro centro comercial (“shopping”) de Curitiba é também o primeiro de Joinville. Um exemplo entre muitos.

Na tomada acima outra avenida com ciclovia.

Mas nessa e na ao lado, quero chamar a atenção pra outro detalhe que Joinville herdou de Curitiba:

A pichação de muros – e agora também dos telhados.

O alfabeto, a nomenclatura dos grupos, o material, o ‘modus operandi’, toda a parafernália resumindo que é aplicada lá são xerox exato do que se faz por aqui.

Sendo que a ‘escola’ curitibana nesse quesito já havia sido ela mesma importada de São Paulo.

Alias devo dizer que a ‘arte’ de rabiscar essas insígnias inelegíveis ao leigo subiu muitíssimo de patamar – não é modo de falar – recentemente.

Quero dizer com isso o seguinte: até a última vez que eu havia ido a Jvlle (2013, 4 anos antes) já havia pichação ao nível do solo.

Porém ainda não era comum escalarem os prédios pra ‘assinarem’ os telhados. Agora se alastrou essa técnica.

ESPINHEIROS, ZONA LESTE – A “PRAIA” DE JOINVILLE –

Viram que tempestade se armou quando nós íamos pra periferia? Joinville tem problemas seríssimos com alagamentos, já eu falo mais disso.

Por hora, falemos do que vimos no subúrbio.

Subúrbio da Z/L da cidade, bairro Espinheiros. Onde o Mar e Joinville se encontram.

Muitos desconhecem esse fato, nem imaginam que Jvlle também é beijada pelo Oceano Atlântico.

Próximas 2: Avenida JK, na Zona Central.

Mas é. Nós nos perdemos numa esquina que não tinha sinalização pra quem é de fora, e fomos parar no Iririú.

Por isso cheguei no último momento possível de iluminação pra registrar o encontro entre Mar e Terra.

5 minutos a mais, e essas imagens não teriam saído. Deus Pai/Mãe permitiu e deu certo, ainda que no limite.

Pus “praia” entre aspas porque Joinville tem mar sim, mas praia não. Pois não há faixas de areia.

Como também acontece em Paranaguá e Antonina, no Paraná, Santo Domingo no Caribe, e diversas outras metrópoles ao redor do globo.

……….

De volta a Joinville. Hoje a cidade tem mar, mas um dia não teve.

Ainda na próximo ao Centro, fotografei um jardim decorado com estátuas (em Ponta Grossa-PR também).

Explico: o bairro de Espinheiros, que é uma ilha e o único que tem litoral, antes não pertencia a Joinville, mas ao vizinho município de São Francisco do Sul. 

Alias isso nos leva a uma característica única de Joinville: 

O município vai aumentando de tamanho, pois absorveu dois bairros que pertenciam a seus vizinhos a leste.

Espinheiros foi incorporado de São Chico, como acabo de dizer.

Próximas 3: periferia da cidade, ruas de terra, casas de madeira.

E partes do bairro da Itinga se desmembraram de Araquari e foram anexadas ao município de Joinville.

Curioso isso, não? Geralmente no Brasil acontece o contrário, os municípios perderem área com emancipações.

Itaperuçu se separou de Rio Branco do Sul, e Pinhais de Piraquara, pra citar dois exemplos da Grande Curitiba.

Em Joinville o caso foi distinto. Não houve emancipação, e sim transferência.

Ou seja, nenhum município novo foi criado, e sim bairros de municípios já existentes se mudaram pra jurisdição de outro município também já instalado há tempos.

…….

Estamos vendo cenas do subúrbio proletário.

Esse é o perfil médio dos bairros mais humildes da cidade.

Muitas casas de madeira pois é Sul do Brasil. E ainda há muitas ruas de terra, já falo mais disso.

Joinville tem pouquíssimas favelas. Apenas umas 5, e bem pequenas.

Ao lado (na única foto que não tirei pessoalmente, essa foi via ‘Google’ Mapas) uma delas.

Próximas 6: classe média na Zona Central. No texto seguimos falando do subúrbio.

Pra meio milhão de habitantes, não está mal.

A proporção de miseráveis por habitante é mais ou menos a mesma de Santiago do Chile.

E essa é ao lado de Montevidéu-Uruguai a capital latino-americana com menos desigualdade social.

De volta a Joinville, há um mito que a cidade não tem favelas. é mentira.

Existem sim algumas pequenas invasões miseráveis na cidade. São poucas, pequenas e bem afastadas. Mas existem.

Se concentram nos bairros Ulisses Guimarães Paranaguamirim, na divisa entre as Zonas Leste e Sul.

…….

Então está dito. Sim, Joinville tem mar, e tem algumas poucas favelas.

Ainda assim, indiscutivelmente são raras. Até as encostas dos morros de Joinville não são favelizadas.

Não pense que esse é o padrão de toda Santa Catarina, amigo.

Porque em Blumenau, na Grande Balneário Camboriú/Itajaí e na capital Florianópolis a situação é diametralmente distinta.

………

Comparando Joinville e Curitiba: a capital do Paraná tem muito mais miséria. 

Nas próximas 2, imediações da Avenida Beira-Rio. Aqui a prefeitura (também cliquei as de Curitiba e Assunção-Paraguai). A esquerda mais palmeiras, essas são na Beira-Rio como dito, e não na ‘Rua das Palmeiras’ que sai na JK, mostrada logo a seguir.

Incomparavelmente mais, inclusive em termos per capita.

Bem, como disse, proporcionalmente Joinville iguala Santiago e Montevidéu, as duas capitais com menos favelas da América Latina.

(Nota: Buenos Aires, ao contrário do que muitos ainda pensam, é bem diferente, e está coalhada de miseráveis.

Breve grande série com tudo isso ilustrado, uma vez que eu estou indo pra Argentina na mesma semana em que levanto essa postagem pro ar.)

Já Curitiba segue o mesmo padrão de Buenos Aires, com intensa desigualdade social.

Mesmo bem próximo ao Centro há duas grandes favelas, as Vilas Capanema e Parolin.

Ambas já urbanizadas mas a situação segue problemática em muitos quesitos.

E nas periferias da capital paranaense há mais favelas ainda, obviamente, inclusive em morros.

Próximas 2: flores na Zona Central. Essa sim mostra a ‘Rua das Palmeiras’, evidente.

Pra compensar, Joinville tem muito mais ruas ainda de terra que Curitiba.

Bem, a capital do Paraná já pavimentou quase 100% de suas vias.

Evidente, quando surge uma invasão as vias são de leito natural, ao menos no início.

Registrei recentemente algumas na Cidade Industrial e entorno, Zona Oeste.

Mas afora isso, mesmo nos bairros mais periféricos é difícil ver uma via sem pavimentação no município de Curitiba.

Elas ainda existem, mas é preciso caminhar bem no subúrbio pra encontrar.

A maior cidade do interior catarinense ainda está por dar esse passo.

……..

Já seguimos com o texto. Uma pausa pras flores da ‘Cidade das Flores’.

Indo pro Espinheiros, fotografei mais uma ‘amarelinho’ Busscar, ao fundo a tempestade que se formava (esq.). Primeiro falemos do busão. A Busscar, que era de Joinville, começou como Nielson, e até 1987 só fabricava ônibus rodoviários.

Nesse ano ela lançou o modelo Urbanus. Em 1989 veio a mudança de nome pra Busscar.

Nos anos 90 a Busscar se expandiu enormemente, abriu filiais na Colômbia. Nesse país vizinho, que visitei em 2011, a Busscar é um ícone, quase um mito.

No auge, os anos 90 e a 1ª década do novo século, 100% da frota de Joinville era Busscar (incluindo municipais e metropolitanos). Ou pelo menos 99%, houve uma vez que fui lá e haviam uns pouquíssimos Comil, e somente numa linha, a pra Vila Nova se não me engano.

Porém a coisa desandou, e a Busscar faliu no início da década de 10. Aí as viações de Joinville tiveram que comprar de fabricantes diversos.

Ainda me lembro do choque que tive em 2013 ao ir lá e ver pela primeira vez outras marcas em grande quantidade, especialmente Marcopolo, Neobus (que é Marcopolo) e Comil.

Agora, em 2017, a frota joinvillense conta com enorme presença de busos mais novos dessas 3 montadoras gaúchas citadas no parágrafo anterior.

Atualmente os ônibus de Joinville contam com uma película negra ao redor das janelas, o que não ocorria antes. Há muitos Marcopolos também, mas as fotos que fiz deles não ficaram boas.  Na foto acima um Comil, nas duas próximas veículos da Neobus.

A esquerda um municipal saindo do Terminal Central (onde recentemente foram vistos ônibus de Curitiba e Recife-PE, operando emprestados em ‘Tabela Trocada‘).

Note mais uma vez a placa de rua com o nome antigo em alemão.

É claro, ainda há muitos Busscar remanescentes de antes da quebra.  Quando escrevo esse texto (início de 2017) circulavam rumores que a Caio de São Paulo poderia comprar a Busscar. Veremos se a negociação se concretiza.

“PRIMEIRA CHUVA A ESQUERDA”: O CÉU DE JOINVILLE –

Esse ônibus mais escuros (e sem película negra ao redor dos vidros) são metropolitanos, de Joinville pra Araquari ou pra São Francisco do Sul via Araquari. São Chico é uma ilha, tem praia e porto, e é outra cidade, ou seja, embora próxima não é um subúrbio de Joinville, pois  conta com mais de 40 mil habitantes, e tem vida econômica e cultural própria. Já Araquari é bem menor, e emendada a Joinville pelo bairro da Itinga. Assim, podemos dizer que Araquari é o único subúrbio metropolitano da Grande Joinville. Em Araquari está a fábrica da BMW no Brasil, se alguém não sabe.

E quanto a chuva: Joinville tem um problema crônico de enchentes, como é sabido. Comprovamos isso na prática.

Viram a tempestade que se armava quando nos dirigíamos pro Espinheiros. Na volta choveu forte. Apenas 20 minutos, mais ou menos. Ao chegarmos ao Centro o céu já havia limpado.

Mas cobrou seu pedágio. O Centro estava bastante alagado. Fotografei, mas como o fiz a noite e num carro em movimento não deu pra aproveitar as imagens.

Entretanto quem conhece Joinville sabe que é assim mesmo. E não chegou a cair água por meia-hora, ressalto de novo.

Imagino como teria ficado a cidade com uma hora, ou pior, com duas horas de chuva forte.

Como os joinvillenses indicam como chegar a sua cidade pra quem sai de Curitiba? “Você pega a BR-101, na 1ª chuva a esquerda é Joinville”. Essa piada já resume a intensa relação que a cidade tem com as nuvens carregadas e o consequente aguaceiro que cai do céu.

Aterrissemos de novo ao nível do solo. Veja acima com quais ícones o jornal local A Notícia identifica a sessão ‘geral‘:

Em Santa Catarina os pontos de ônibus são numerados. Essa é a segunda parada da Rua João Colin. Fotografei o mesmo na capital.

Arquitetura alemã; Rua das Palmeiras; Bicicletas; Bailarinas; Flores; o Moinho; e o último desenho não consegui decodificar.

Assim é o ‘ethos’, o ‘mito formador’, assim a Alma de Joinville enxerga a si própria.

No entanto, é preciso fazer um adendo: obviamente a gênese da cidade é germânica.

Mas muitos que não foram até lá podem imaginar que até hoje a imensa maioria dos joinvillenses é loira de olhos azuis.

E se duvidar alguns ainda nem sequer se comunicam em português nas ruas. O estereótipo gruda forte na mente das pessoas. Porém nada poderia ser mais distante da realidade.

Na colagem, um pouco dos hábitos alimentares: um refrigerante local – por isso me refiro ao Norte de SC, esse aqui é feito em Blumenau; Uma lanchonete bem simples do Centrão oferece mostarda preta. Como é o mapa da mostarda no Brasil? No interior do Sul é universal, oferecem inclusive a preta como é o caso aqui. Em Curitiba e São Paulo a essa versão mais forte é mais difícil, mas a clara está sempre presente. Em Belo Horizonte-MG existe mostarda nas lanchonetes populares mas menos. Enquanto que em Brasília-DF já é improvável achar, e no Norte e Nordeste é praticamente inexistente onde servem o povão, comum só na Beira-Mar e centros de compras onde vão os turistas; – Por fim: os catarinenses adoram pôr milho e ervilha nos lanches. Vi o mesmo em em Mafra/Rio Negro, na divisa SC/PR.

O tempo passou, os descendentes de alemães se abrasileiraram, e, mais importante, novas levas de imigrantes americanizaram totalmente a cidade.

(Nota: mais uma vez lembro que por ‘americanos’ me refiro sempre ao continente América, e jamais aos EUA, cujos habitantes são os ianques ou estadunidenses.)

Como Curitiba, na segunda metade do século 20 Joinville foi fortemente povoada por imigrantes do interior do Paraná. Por exemplo:

No bairro Comasa antes de Espinheiros há um subúrbio da cidade chamado nada menos que “Vila Paranaense”, o que sintetiza a questão.

Em relação a esses paranaenses de nascimento e joinvillenses por adoção, parte dos antepassados deles já haviam vindo do Rio Grande do Sul, e desses a maioria são também descendentes de europeus.

Fechamos a parte sobre Joinville como abrimos: mostrando o Portal. Uma síntese de como a cidade se vê, homenageando a arquitetura alemã, as dançarinas da balé e as flores.

Porém boa parte veio do Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais, que já têm uma composição racial diferente. Tudo somado:

É claro que a maioria dos Homens e Mulheres de Joinville são brancos, não a maioria loiros mas de tez mais alva sim.

Entretanto, há minoria significativa de negros e mestiços.

Se alguém crê que Joinville lembra os Alpes da Áustria na sua composição racial, nada pode ser mais fora da realidade, repito.

Énessa tomada que aparecem as boas-vindas de forma bilíngue, que citei acima.

Breve farei um desenho ilustrando essa situação.

Portanto, tanto na classe média quanto na periferia, Joinville é ligada ao Paraná,

Óbvio que ela também é fortemente conectada a Santa Catarina em muitas dimensões além da política.

Acabamos de ver isso nos pontos de ônibus e na alimentação, por exemplo.

Não estou querendo ‘roubar’ a cidade do estado vizinho. O que quero dizer é que Joinville é um Portal de Energia, se você entende o que esse termo significa.

(Talvez por isso seu símbolo mais forte na dimensão física é exatamente um portal, e por isso pus acima manchete essa imagem).

Conectando Paraná e Santa Catarina, unindo essas duas sintonias pra que a transição seja suave.

(e de brinde) “Vamos a praia”: itapoá, santa catarina

Joinville tem mar, mas não tem praia. E como nós queríamos ir a praia, entrar no mar, a solução foi ir pra Itapoá.

Ao lado vemos o amanhecer de5 de março de 2017 no mar de Itapoá.

Trata-se de uma pequena e jovem cidade. São apenas 14 mil habitantes fixos. Boa parte das casas é de veraneio, sendo porção significativa delas de propriedade de curitibanos.

Itapoá, como Joinville, é bastante ligada ao Paraná. Várias lojas aqui de Curitiba anunciam que entregam “no Litoral do Paraná e Itapoá”.

Quase que anexando na prática a 1ª praia catarinense (no sentido norte-sul) ao estado ao lado.

Itapoá foi desmembrada de Garuva em 1989. Por sua vez, até 1962 tanto Garuva quanto Itapoá pertenciam a São Francisco do Sul.

Seja como for, notam que eu fotografei “as Flores e o Mar”.

E também o Sol nascendo no mar, o que eu já havia feito em Bombinhas, também no Litoral Norte de Santa Catarina.

Em Itapoá pegamos forte tempestade, como ocorrera na véspera em Joinville. Registrei ela se formando sobre o Oceano.

E depois, debaixo do temporal muito intenso, cliquei   mais algumas flores e o atracadouro de navios da cidade.

O porto está em ampliação, e portanto trazendo mais empregos a Itapoá – na esteira, mais moradores fixos.

Sendo no Sul do Brasil, claro que não faltariam casas de madeira a Itapoá.

Mesmo do carro em movimento, consegui enquadrar uma em qualidade suficiente pra publicar, e abaixo você confere.

Enfim, adaptando a música, “É bom passar uma tarde em Itapoá, ao Sol que arde em Itapoá”.

Nesse caso o Sol ardeu mesmo, mas só de manhã. De tarde ficou tudo cinza e dá-lhe água e raios desabando das nuvens.

Foi bom também. Eu Sou Taoista, e gosto da chuva. Fechou com chave de ouro nosso FDS em SC.

Deus Pai-Sol/Mãe-Chuva proverá”

Fortaleza: epicentro da Costa Norte do Brasil

anoitece

Fortaleza é linda (r).

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (em emeios) em 25 e 26 de agosto de 2011

Maioria das imagens clicada por mim. No entanto, as que aparecem os prédios na Beira-Mar em Meireles e Mucuripe e a do ônibus em Manaus foram puxadas da internet. Eu identifico com um (r) de ‘rede’, como visto ao lado.

contraste

Mas o contraste social é agudo: grande favela quase a Beira-Mar, em frente ao Iate-Clube e aos prédios mais caros do Ceará. Em boa parte do Nordeste, mesmo nas favelas as casas são cobertas com telhas de barro – e não com eternit, como no Centro-Sul. Imagem capturada via ‘Google Mapas’.

Vou escrever agora os relatos de minha viagem a Fortaleza-CE.

Fiquei 3 dias e meio, de sexta depois do almoço até a madrugada de terça. Essa mensagem é o Portal da Série. Ao fim do texto eu ancoro ligação pras outras postagens, conforme eu as vá jogando no ar.

………

A cidade é o epicentro da Costa Norte Brasileira, daí o título. Talvez nunca tenham ouvido esse termo, então explico:

Em Fortaleza o oceano fica ao norte, por isso cunhei a expressão “Costa Norte Brasileira”, que vai de logo após Natal-RN até o Pará.

Na maior parte do Sul do país, do Espírito Santo a Natal e também no estado do Amapá o Oceano está a leste, enquanto que nos estados de São Paulo e o Rio de Janeiro geralmente o mar fica ao sul das cidades, como na Baixada Santista por exemplo.

avenida-leste-oeste-no-centro

A Avenida Leste-Oeste, no Centro. Apesar do nome ela liga o Centro a Costa Oeste, ou seja, não entra no Leste da cidade.

A origem do termo é baseada a princípio na posição do continente em  relação as massas de água do planeta. Porém, o conceito é também social.

Pois a ‘Costa Norte’ é também um modo como os Homens e Mulheres vivem e se relacionam entre si e com o ambiente. É uma ‘Sintonia’, se você se dá bem com essa palavra.

Já exemplifiquei quando fiz uma matéria sobre ônibus, com muitas fotos: Fortaleza, Teresina-PI, São Luís-MA, Belém-PA e Manaus-AM têm (ou tiveram até recentemente) uma característica única, comum a todas elas mas somente a elas:

A de pôr o prefixo do veículo em cor diferente No exemplo da foto ao lado, o sufixo está em azul-escuro, mas o prefixo em rubro. O que prova o que eu disse, a ‘Costa Norte’ também pode ser analisada pela geografia humana, e não somente pela geografia física.

aeroporto-z-sul

A Cidade dos Ônibus Azuis – e dos prefixos em outro tom. Os ônibus e o céu, tudo azul em Fortaleza, em tomada feita no Aeroporto. A pintura dos coletivos é padronizada e única pra cidade inteira. Em 2011 era assim, agora a frente e o teto são em azul-claro, mas o corpo lateral do veículo é branco. Vou falar aqui do que presenciei a época: nos horários de pico ainda circulavam alguns veículos mais velhos, com a pintura no padrão antigo, o 1° padronizado, e, o mais curioso, uma viação era rebelde e mantinha parte de sua frota na pintura livre, resistindo – de forma parcial – a 2 padronizações. No total, 99% dos ônibus estavam assim como veem na imagem.

Voltando a capital do Ceará. Por conta da posição do Oceano, Fortaleza não tem Zona Norte, apenas as Zonas Leste, Central, Oeste, e Sul.

Há praias nas Zonas Oeste, Central e Leste – exceto na Zona Sul, portanto, e nada mais natural, se o mar fica ao norte. A parte mais rica da cidade é a Zona Leste. Abra o mapa no ‘Google’ Mapas.

Verá que os prédios se concentram nos bairros de Iracema, Aldeota, Meireles, Varjota, Mucuripe, Cocó e Papicu. Todos a Leste do Centro, entre este e o cais do porto.

Fortaleza é uma cidade muito pobre, muito mais que as capitais do Centro-Sul, naturalmente. Não falo isso com desprezo ou preconceito.

Primeiro porque eu gosto periferia, e não por outro motivo quis vir morar no Canal Belém, uma ‘comunidade’, pra usar o termo em voga em alguns círculos.

Trata-se de uma antiga invasão, parcialmente urbanizada mas ainda não legalizada. Na beira do rio de mesmo nome no Boqueirão, subúrbio da Zona Sul de Curitiba.

Assim, repito, não é preconceito. Mas fatos são fatos, e nada adianta tentar ocultá-los com a peneira grossa.

Ainda as tomadas no pátio do Aeroporto. Observem que todos os ônibus tem 3 portas (exceto micros) mas a do meio só abre nos terminais. Falarei muito mais do transporte em textos futuros.

Contra números não há argumentos. Oficialmente, 33% da população fortalezense mora em favelas. Em capitais mais austrais do país como Curitiba, São Paulo e Florianópolis-SC, esse número fica perto de 10%.

Já em Fortaleza se repete o mesmo padrão dominante na maior parte da América Latina.

Visitei Manaus 11 meses antes, e Bogotá e Medelím (Colômbia) 4 meses antes de ir ao Ceará, e vi cenas similares.

Depois desse texto (que é de 2011), fui ao México, Paraguai, Pará, Paraíba e República Dominicana.

E em todos esses lugares vi mais uma vez como a América Latina ainda é um continente onde a imensa maiorias das pessoas pouco mais que sobrevive.

Bem no Centro, um busão no padrão antigo de pintura. Como já disse, no horário de pico circulam alguns nessa padronização visual. Mas esse veículo especificamente está aposentado. Pois como podem ver é da empresa CTC. Essa era uma viação estatal, do governo estadual. Não existe mais pra linhas regulares, foi privatizada. Ainda há uns poucos ônibus com seu nome pintado, mas não opera transporte urbano. Creio que leva alunos ou funcionários do governo estadual. Voltarei ao tema em outras postagens, breve no ar. O que importa aqui é essa pintura. Foi a primeira padronizada, quando foram inaugurados os terminais de integração, no começo dos anos 90.

O Centro-Sul Brasileiro (de Brasília-DF ao Sul e maior parte do Sudeste), a Bacia do Prata (Argentina e Uruguai) e o Chile são as partes onde a classe média é um pouco maior.

Mesmo assim óbvio ponteadas por grandes bolsões de pobreza.

Não estou negando que existe miséria nessa parte mais rica da América Latina, que fique bem claro. Alias, se eu quiser ver tudo isso em estado bruto, basta andar duas quadras de minha casa.

Como eu disse, minha vila é uma invasão, partes já urbanizadas, mas outras partes ainda não. No Chile, em São Paulo, em Florianópolis, em todos os lugares que vou, eu documento a concentração de renda.

Agora, é incontestável que no Nordeste e Norte Brasileiros, no Centro e Norte da América do Sul, e em toda a América Central (México e Caribe incluídos) a situação é ainda mais dramática. Nessas partes a classe média é minoria mesmo.

A grande maioria luta primeiro pra ter o básico pra comer e vestir, e depois é que pensa em consumir qualquer supérfluo.

Essa situação vem se alterando pra melhor desde que o milênio mudou, felizmente. Muitas favelas estão sendo urbanizadas, a renda dos trabalhadores vem aumentando. Constatei isso no Amazonas, na Colômbia e agora novamente no Ceará (escrevi em 2011, enfatizando, quando o Brasil ainda vivia um ciclo de prosperidade que durou até a Copa do Mundo-14).

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Ônibus metropolitanos em seu ponto final no Centro, esperando o momento de zarpar pro município de Maranguape, na Grande Fortaleza, onde nasceu Chico Anysio. Apenas os ônibus municipais de Fortaleza são no padrão azul que viram acima. Os metropolitanos ainda têm pintura livre.

Mas muito ainda resta por ser feito, é o que quero dizer. Séculos de abandono demandarão pelo menos algumas décadas de trabalho árduo pra que a situação se equilibre.

Na série sobre a Colômbia, escrevi que a maioria dos turistas que vai a Bogotá não vê a extensão da pobreza porque fica apenas na parte rica da cidade (lá a Zona Norte).

Em Fortaleza ocorre o mesmo. Boa parte dos visitantes se restringe aos bairros da orla Leste da cidade, não andam de ônibus e muito menos a pé.

Eu fui conhecer essa parte mais abastada, óbvio. Mas além disso percorri, a pé e sozinho, favelas e a Cracolândia do Centro, mesmo a noite, pra vermos “o lado ‘A‘ e também o lado ‘B’ ” da metrópole.

……..…

mucuripe

Praia do Mucuripe (r).

Voltemos a descrever como Fortaleza se organiza. A parte rica se instalou na Avenida Beira-Mar (esse é seu nome oficial) e adjacências, a Leste do Centro.

Ao lado do Centro da cidade está a Praia de Iracema. Depois vem Meireles e Mucuripe. Todas são represadas por diversos diques, que eu creio estão ali por causa do porto.

Então são praticamente lagoinhas, sem ondas. E essa é a região que concentra os prédios mais caros do Ceará.

Seguindo a sequência, chegamos ao cais do porto. Rodeando ele estão algumas grandes favelas. É curioso andar no bairro do Mucuripe, estão ali como dito os prédios dos milionários, e logo ao lado uma enorme favela.

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Minha 1ª imagem de Fortaleza, o Aeroporto Pinto Martins, na Zona Sul. Ao fundo a linha de prédios das Zonas Leste e Central.

Pra quem já passou na Zona Sul do Rio, e viu a Rocinha entre a Gávea e São Conrado, é a mesma cena, apenas a favela de Fortaleza é plana.

Após o complexo portuário está a Praia do Futuro. Essa sim é em litoral aberto, com ondas fortes. A Praia do Futuro fica no estremo Leste de Fortaleza, já desenhei ‘Marília & Maurílio’ andando de mãos dadas nela.

De volta a ‘vida real’, por ser mais distante do Centro foi a princípio ignorada pela especulação imobiliária. Assim quase não tem prédios.

Na verdade ainda não foi ocupada de todo, algumas quadras tem mesmo poucas casas.

bandeira

Essa imagem eu tirei em Santa Catarina, 2016. Já entenderão porque coloquei aqui a Bandeira da Pátria Amada.

Agora as construtoras começam a erguer muitos empreendimentos ali. É que o espaço disponível pra novas obras naquela região tradicional da elite já citada está se esgotando.

Então é preciso haver uma expansão. E aí estão se olhando pra áreas que antes não eram procuradas.

É um fenômeno universal e natural, e já descrevi e fotografei com detalhes como ele está se desenrolando na cidade de Santos, num texto anterior.

Então, em Fortaleza ocorre o mesmo. O eixo Iracema-Papicu está saturado, de forma que é preciso expandi-lo. A Praia do Futuro assim começa a encarecer, e vai deixar de ser periferia em breve.

bandeira ceará

Bandeira do Ceará. Dos 27 pavilhões estaduais (na verdade 26 estados + DF), o cearense é o que mais se assemelha ao da nação.

A COSTA OESTE DESPERTA

A Zona Oeste é o oposto da Leste. É uma região de periferia mesmo na Beira-Mar. Nas praias da Zona Oeste infelizmente não deu tempo de eu ir, só fui na Zona Oeste longe do mar, onde passa o trem pra Caucaia.

Mas vi como é pelo satélite e fotos. A cidade negligenciou a Costa Oeste, só olhou pra Costa Leste.

Entretanto a situação também começa a se alterar. Estão sendo erguido prédios de luxo na Zona Oeste, pela primeira vez na história de Fortaleza. Esse fenômeno se repete Brasil afora, do perfil de classe média e média-alta se expandirem pra onde era antes periferia.

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Panorâmica da parte rica da capital (r).

Em Santos é exatamente igual, Leste rico, Oeste pobre. E também forçadas por motivos econômicos as construtoras começam a quebrar um preconceito de décadas.

Descrevi e fotografei o que ocorre no Litoral Paulista em matéria específica.

De volta ao Nordeste, até a parte longe do mar de Fortaleza (a Zona Sul e e a porção meridional da Zona Leste) começam a receber prédios de classe média. Embora aí sejam ‘pombais’, prédios baixos sem elevador (no estilo de conjuntos tornado clássico em todo país pela construtora MRV, fotografei um deles na Zona Oeste da Gde. Belo Horizonte-MG).

Dois anos depois de Fortaleza, fui novamente ao Nordeste, a João Pessoa. Em Santa Rita, um distante e bem pauperizado subúrbio metropolitano da Zona Oeste, vi em obras o primeiro prédio alto do município. Sinal que essa periferia começa a ter gente com dinheiro o suficiente pra subir (literalmente) de padrão.

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Próximas 3: as únicas fotos que eu tirei do mar foram na Praia de Iracema, no Centro.

Não se restringe ao Brasil esse despertar. No texto original eu já havia escrito que Bogotá passa por idêntico processo.

Lá, a parte rica é a Zona Norte, Oeste intermediária e Sul o subúrbio proletário, há favelas na cidade inteira mas as meridionais são gigantescas.

Então, na capital da Colômbia o espaço na Zona Norte esgotou, aí começam a surgir prédios de classe média-alta na Zona Oeste e de classe média-baixa na Zona Sul.

E depois disso fui a República Dominicana, e vi o mesmo. É o inverso de Fortaleza, a Orla Oeste é a dos milionários, a Leste a periferia. Fotografei o primeiro (em fase final de obra) prédio alto residencial de Santo Domingo Leste, na verdade de toda Santo Domingo fora da Zona Oeste.

praia-de-iracema-centro1

Mesmo local, girei a câmera pro lado.

Outro detalhe é que há pouquíssimos condomínios fechados de casas em Fortaleza. Basicamente na Zona Leste, por enquanto (o texto é de 2011, e reflete o que vi na época. A situação pode ter se alterado).

A capital do Ceará é ao mesmo tempo indescritivelmente quente, com um contraste muito grande entre as classes sociais e mesmo entre as partes belas e as nem tão belas assim.

Bom, todas as cidades têm seu lado A e seu lado B, mesmo aquelas do chamado “1º mundo”.

Fortaleza é a cidade do ‘funk’, a cidade das lagoas, do Sol, do Mar, e dos ônibus azuis.

Tudo emoldurado pela serra ao fundo. Com um Centro que renasce, símbolo de um Nordeste que passou décadas ou mesmo séculos esquecido, e que agora começa a despertar.

praia-de-iracema-centro

Aqui fiz uma colagem. Desculpe, não saiu do mesmo ângulo, então você vê grosseiramente o encaixe no chão. Seja como for, eis Praia de Iracema, no Centro, perto de onde fiquei. Como praia mesmo quase não é utilizada, a faixa de areia é minúscula e não tem ondas. Todas as vezes que fui lá estava deserta. Essa parte da cidade é mais frequentada a noite, pois é a região boêmia. Perto do mar há as casas noturnas, e seguindo mais pro Centro existe o entorno do Centro Cultural Dragão do Mar, onde há diversos bares, parecido com o Largo da Ordem, em Curitiba. Focando de novo em Fortaleza, essa era uma região que estava feia e decadente. Foi revitalizada, num processo similar ao que ocorreu no Pelourinho, Salvador. Na orla da Zona Central de Fortaleza ainda há partes bem feias e sujas, com favelas e a zona portuária (não é o porto principal, que é a Leste, e sim uma extensão dele, bem no Centro). Mas há também uma região que aflorou novamente, e voltou a ser frequentada pela classe média: o local é policiado e limpo, há muita música ao ar livre, de graça. Eu fui, e gostei.

………………

Vamos continuando o relato. Abra o ‘Google Mapas’ e vá localizando o que estou descrevendo. A Zona Leste é onde moram os ricos, margeando a orla.

Estou me referindo aqui ao triângulo formado pelos bairros Iracema, Mucuripe e Cocó. Só que mesmo dentro dessa parte selecionada há grandes favelas.

Cito de exemplo uma que vai margeando a linha do trem – nessa região é só trem de carga, nas Zonas Sul e Oeste há trem de passageiros que está sendo transformado em metrô.

Falamos disso na sequência. Aqui voltemos ao contraste entre favela e prédios de milionários. A favela corta toda a parte rica da cidade. Mas é pequena, pois estreita, só na beira da linha mesmo.

Só que se aproximando do porto ela engrossa. Observe as fotos que estão espalhadas pela página: a praia (sem ondas, como já falei) e os prédios. Cada apê ali vale fácil alguns milhões.

Mas dê uma voltinha no bairro. Duas quadras dali começa a favela. E nesse ponto não é só nas margens do trilho não. A favela do bairro Mucuripe é gigante.

Favela a beira-mar, como a segunda imagem da matéria, bem mais pro alto na página, já ilustrou. Estamos nas imediações do porto e do iate clube. É o limite entre área rica e subúrbio. Dali pra frente começa a periferia.

Vamos olhar agora na outra dimensão, o sentido norte-sul. Pra ficar mais claro, veja o Parque Ecológico do Cocó no mapa. Da orla até esse bosque é onde mora a elite. Pra baixo dele é tudo periferia, mesmo o que for Zona Leste.

meireles

Praia de Meireles (r). No Litoral do Chile fotografei outro prédio com vão livre – e lá veio de brinde um 11-13 Mercedes.

Fui nos bairros Messejana (esse é no coração da Z/L), Aerolândia e Tancredo Neves (são vizinhos e ficam ao lado do Aeroporto, já na divisa com a Z/S).

São o subúrbio da cidade, mesmo sendo a leste, porque são longe do mar.

Atualização: constato pelo ‘Google’ Mapas que a parte mais rica da cidade já ultrapassou o Parque do Cocó.

Uma região de prédios de padrão médio-alto está se formando as margens do bosque, mas do lado oposto ao mar, no bairro Guararapes, antes de Edson Queiróz.

E inclusive próximo a Messejana também está surgindo um núcleo de prosperidade, da pequena-burguesia suburbana. O mesmo ocorre em outras partes da cidade, nas Zonas Oeste e Sul.

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De volta a Fortaleza. Próximas 5: vamos ver as ruas da parte menos glamurosa da Zona Central, o Centro Velho no entorno do porto. Desculpe o dedão na frente da câmera. Mal aí. Pra compensar… um 11-13 de brinde!

Como em Santo Domingo, Santos e diversas outras metrópoles, a prosperidade não se restringe mais somente a Beira-Mar e imediações.

Isso é bom, claro. Ainda assim, mesmo agora ponteada por esses nichos de espigões mais abastados, a divisão da cidade entre burguesia e periferia basicamente se mantém.

As sementes são exceções que confirmam a regra, ou, se estiver mesmo ocorrendo uma mudança a largo prazo, ela levará ainda décadas pra se consolidar.

Voltemos a favela do Mucuripe. Pra quem não conhece Fortaleza, localize no mapa a Avenida dos Jangadeiros. Vá mais pra direita. Verá o cais do porto e seu complexo industrial.

É da Petrobrás aquela instalação. Após o porto há outra favela, e o detalhe curioso é que aqui vi algo que nunca tinha presenciado pessoalmente:

A ‘filial’ do porto perto do Centro. A doca principal é a leste, no Mucuripe. Mas há outros locais onde os navios atracam,  numa extensão do complexo principal.

Uma favela (chamada Titanzinho e Servilux, entre outros nomes) a beira-mar. A ‘comunidade’, como alguns preferem dizer, se formou literalmente nas areias da praia.

Já conhecia essa realidade (exatamente essa ao lado do porto, outras na Z/O de Fortaleza, e em outras cidades, como a ‘Brasília Teimosa’ do Recife-PE) pelas fotos de satélite.

Mas é realmente impressionante de ver ao vivo, passar por entre os becos. Quando o vento leva mais areia pra dentro da favela, ela fica dentro das dunas.

Se acumula muita areia, os moradores retiram com pás, pros carros poderem passar. Fui pelas Ruas Leite Barbosa e Ponta Mar, essa última marca o limite entre a vila e a parte da praia não ocupada.

A via é só residencial. Comércio, só mercearias pros próprios moradores. De qualquer forma, talvez essa cena esteja com os dias contados. As casas já estão numeradas pela Cohab e creio que deve haver remoção, até por ali ser área da Marinha.

NOTA: EU NÃO TORÇO PELO FORTALEZA, CEARÁ OU QUALQUER CLUBE NO BRASIL. VOU APENAS RELATAR OS FATOS COMO OCORRERAM, INDEPENDENTE DE MINHA VONTADE. Observem um muro todo grafitado pela torcida Cearamor, do Ceará S.C.. Nem o poste foi poupado, como é comum no Chile e outros países americanos. Fortaleza estava tingida de preto e branco, a galera alvinegra estava pra lá de entusiasmada com a permanência, pelo 2º ano seguido, do ‘Vozão‘ – como o clube é carinhosamente chamado – na primeira divisão, especialmente porque o arqui-rival Fortaleza estava na distante 3ª divisão. No entanto, no mesmo ano de 2011 o Ceará caiu e está na 2ª divisão. Ainda assim, o Fortaleza até agora não conseguiu sair da 3ª. Repito, não estou provocando ninguém, só contando os fatos. Breve mais sobre o futebol local.

Vamos pro outro lado da cidade. Na Costa Oeste de Fortaleza é o contrário, não há ricos por ali. Até mesmo na bordejando o oceano é periferia.

Veja no mapa que desde o cartódromo César Cals até o Rio Ceará que marca a divisa de município só há bairros populares.

Creio que boa parte da área foi invadida um dia, hoje em processo de urbanização. Nos bairros Pirambu, Cristo Redentor e Barra do Ceará.

Nessa parte infelizmente não pude ir pessoalmente, o estudo teve que ser pelas imagens de satélite do ‘Google’.

(Outra atualização: em 2011 quando fiz a matéria o Ceará ainda não havia sido jogado no ar no modo ‘Visão de Rua’ do ‘Google’.

Agora foi. Então dá pra andar – virtualmente pelo menos – nas estreitas ruas das vilas humildes litorâneas da Z/O, o que já fiz extensamente).

Bem próximo ao Centro há uma pequena favela que se chama ‘Oitão Preto’ – pra quem não sabe, ‘oitão’ significa revolver.

Essa eu visitei. É perto da praia mas não dentro dela, há Avenida Leste-Oeste entre as casas e a areia.

Como curiosidade, já falamos acima que Recife também tem sua favela a beira-mar. Chama-se Brasília Teimosa, e fica, vejam só, entre o Centro e o bairro de Boa Viagem, Zona Sul.

favela-oitao-preto-centro

Próximas 2: prédio que em 2011 estava abandonado. Perto do Centro, mas não exatamente nele. Ao lado dele, a Favela do Oitão Preto, já citada. Como é muito comum em toda parte, de Curitiba a Buenos Aires, essa favela foi invadida em área de domínio da rede ferroviária. Atrás dela está a estação central dos trens de subúrbio. Falo sobre eles em outra mensagem, breve no ar.

Pra quem não é inteirado sobre geopolítica recifense, essa é a praia mais cara da cidade, reduto dos milionários pernambucanos.

Brasília Teimosa ficou famosa quando foi escolhida como símbolo do combate a miséria, e então ela foi urbanizada.

Os moradores que estavam em situação de maior risco foram removidos pra casas bem construídas em locais apropriados. Vamos ver se seus colegas fortalezenses um dia terão a mesma sorte.

………….

NÃO HÁ ETERNIT, SÓ TELHA

Em Fortaleza não há casa de eternit, só de telhas. Explico. Como Já falamos muitas vezes, nas regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, e também na Bahia, as casas na periferia são de eternit, que é mais barato.

Nessas regiões supra-citadas apenas os bairros de classe média pra cima utilizam telhas de cerâmica. Inclusive vendo imagens de satélite sei a renda do bairro pela proporção eternit/telha:

Focando só no edifício agora (perdão, a imagem turvou). Disse que ele esteve abandonado, assim era quando cliquei. Agora está sendo reformado pra servir de escola de turismo. Muito bom. Outra coisa que mudou de 2011 pra cá. Quando passei pela Avenida Leste-Oeste, esse era seu nome oficial. Posteriormente foi renomeada ‘Avenida Presidente Castelo Branco’. Castelo Branco era cearense, se alguém não sabe.

Só ou majoritariamente eternit, é periferia com certeza, uma invasão ou loteamentos populares. Só telhas de cerâmica, ao contrário, a renda é muito alta.

Bem, em Fortaleza essa técnica não funciona. Como acabei de dizer, mesmo nas piores favelas dessa cidade (e também de Natal, João Pessoa-PB, São Luiz e Teresina) todas as casas são de telhas de cerâmica.

Todas. Porque o sol é muito, muito forte, quem não foi até lá não tem noção. Então o cara precisa gastar o que não tem pra não morar dentro de um forno.

Recife é uma transição. Quem pode utiliza telhas, mesmo nas favelas, mas há casa de eternit.

Numa proporção bem menor que nas outras regiões, mas já bem mais que o eixo João Pessoa-São Luís.

E no Norte, mesmo sendo um calor saárico, o eternit volta a predominar nos subúrbios. Dureza, cara. E olhe que mesmo o eternit já é melhor que outros países:

abandonado-centro1

Próximas 5: Centrão da cidade. Há muitos prédios abandonados em Fortaleza. Esse é no coração do Centro. O detalhe é o logotipo da ‘Atlantic’, que operou no Brasil até 1993, 18 anos antes dessa imagem portanto. Em Belém fotografei um prédio que dizia na fachada ‘Inamps‘ (órgão antecessor do INSS), que foi extinto no mesmo ano da Atlantic.

Na Colômbia, Chile, Porto Rico, México, boa parte da América Latina resumindo – e também na África do Sul – o telhado das favelas é majoritariamente de zinco.

Um metal, que portanto faz com que as casas sejam geladas no frio e tórridas no calor.

Pior: em menor escala na Colômbia e México, porém no Chile, Argentina e África do Sul muito mais comum, até a parede de algumas casas é de zinco.

Nas favelas na Colômbia, África do Sul e México, porém na Argentina e Chile mesmo em casas pobres fora das favelas, no Centrão por exemplo.

Nas ligações em vermelho relatei tudo com mais detalhes, nos países que eu visitei escrevi extensas séries, com muitas fotos.

camelos-centro

Muitos camelôs, vendendo de tudo. O Centro é apinhado deles, dificultando a circulação. O que se repete em outras partes, até no Chile que é mais rico. Mas no México é epidêmico.

Sobre Porto Rico escrevi rapidamente algumas impressões que vi pelo ‘Google‘, não estive lá ainda. Argentina e África do Sul em breve.

…………

Já que falamos no clima, vamos elaborar mais um pouco sobre isso. É notório que Fortaleza é muito quente, o ano inteiro.

Lá não há variação térmica, é calor de janeiro a janeiro.

As estações do ano, segundo um jornal local, são ‘quente’, ‘mais quente’, ‘ainda mais quente’ e ‘fervendo’. Falando sério agora, como ocorre de Salvador-BA até a Amazônia e Caribe, eles dividem o ano em ‘inverno’ e ‘verão’. 

O calor sempre acima dos 30º é o mesmo em tempo integral, perto de 40º nos dias extremos.

O que muda é a quantia de chuvas. ‘Inverno’ é a estação chuvosa, e ‘verão’ a seca.

E no Ceará seca é seca mesmo. O sertão, que sobrevoei, não tem árvores nem rios permanentes.

Seguimos vendo o Centrão. Reparem na placa de rua: em cima, grande, está escrito somente como a via é conhecida, nesse caso “Guilherme”. Abaixo, menor, o nome completo, “Rua Guilherme Rocha”.

Vale pra boa parte do Nordeste, alias. Depois que cruzei o Rio São Francisco, o qual identifiquei claramente, acho que só fui ver áreas verdes já na costa do Atlântico. O interior é clima semi-desértico, não é modo de falar.

Fortaleza é mais amena que o sertão por ser emoldurada por uma serra, o que suaviza um pouco o calor por reter pelo menos um pouco da umidade.

A Grande Fortaleza é cortada por diversos rios, o que possibilita que a vegetação floresça. As cidades do interior do Ceará em sua maioria não podem se dar a esse luxo.

……..

Cena triste: em algumas partes do Centro de Fortaleza há muito lixo na rua.

Mesmo com rios e lagoas, que amenizam a secura, o calor é muito forte. Saí sexta de Curitiba e aqui estava 8º. Frio e chuva, todo mundo com muitas camadas de roupas.

Troquei de avião em São Paulo, onde estava uns 18º. As pessoas usavam casacos ainda, mas já bem mais leves.

Aterrissei na capital do Ceará e os termômetros marcavam 30º. Todo mundo estava com o mínimo de roupa possível.

Domingo e segunda estava mais quente ainda, superou os 35º brincando. Até na sombra estava calor.

noturna

Noturna da orla (r).

Se já esteve num lugar assim sabe o que quero dizer. Em Fortaleza só de madrugada a temperatura baixa dos 20º.

Amanhece quase uma hora mais cedo que aqui, por volta de 5:30, embora anoiteça na mesma hora, por volta de 6:30, um fenômeno curioso.

Lembre-se, estive lá em agosto. Fortaleza é perto do Equador, quase não sente a rotação da Terra sobre o Sol, o calor e horários que o Sol nasce/se põe são constantes de janeiro a janeiro.

Já Curitiba está na zona temperada, pra baixo do Trópico de Capricórnio, logo aqui tudo varia bastante.12 horas de dia claro, com o Sol surgindo e se pondo perto de 6:30, ocorre próximo do Equinócio da Primavera.

Caio Vitória metropolitano (daí a pintura livre), também vai pra Maranguape.

Feito esse adendo astronômico do Paraná, de volta a falar do Ceará. Seis da manhã os termômetros já passaram dos 20º, e só baixarão disso de novo na madrugada seguinte.

Das 10 da manhã as 5 da tarde é sempre acima de 30º. Só quando chove fica mais ameno. Na segunda de manhã (22/08/11) que eu estive lá mesmo choveu. A tarde o sol voltou com força total.

Quando anoitece ainda demora pra baixar dos 25º. Nesse exato dia datado acima eram oito da noite e o termômetro marcava 28º. E estava quente de fato, mesmo o Sol tendo se recolhido há horas. 

pichacao-centro

Casa pichada no Centro. Fortaleza é inteirinha pichada, como são alias todas as grandes cidades brasileiras. O ‘alfabeto’ de Fortaleza é muitíssimo parecido com o do Rio, as letras pequenas, redondas e juntas.

Tudo mundo estava nas ruas, com cadeira de praia, curtindo a brisa que vem do Atlântico, que ameniza um pouco a sensação de estar dentro de uma sauna.

É Fortaleza, afinal.

Digo isso porque muitos que não conhecem o Nordeste imaginam que ele é inteiro assim tórrido, uniformemente.

Nada poderia ser mais distante da realidade. Fortaleza abre a chamada ‘Costa Norte’, como iniciei a matéria falando.

Na ‘Costa Leste’, ou seja de Salvador a Natal, o calor é bem mais gentil com o povo. Bem mais. Lhes relatei com detalhes quando estive na Paraíba, 2 anos depois do Ceará.

fortaleza

Mais 3 da belíssima orla fortalezense (r), focando no Astro-Rei que se recolhe (ou se levanta). Se você gosta da mistura do Sol e Mar, veja o ensaio que eu produzi em Santos.

João Pessoa tem uma temperatura muito mais agradável, ao menos pra quem mora em casas que foram construídas de forma planejada por arquitetos, adaptadas ao ambiente (com pé-direito alto, forradas e ventiladas).

Inclusive uma das matérias dessa série se chamou “João Pessoa é uma mãe, uma cidade verde e de clima ameno“. O contraste com Fortaleza é agudo nesse quesito.

………..

Fortaleza em vários aspectos lembra bastante o Rio de Janeiro. Na música, na pichação e diversos outros aspectos. Fortaleza ouve muito ‘funk’, como no Rio.

orlaA única diferença é que Fortaleza não tem morros, as favelas são todas planas, sem exceção. De resto há várias coisas iguais ao Rio, a capital cearense é muito influenciada pela carioca.

O mesmo cenário, prédios de altíssimo luxo em frente a praia. Duas quadras pra frente está a favela. “Morro” e asfalto, lado a lado. E todos, os garotos da favela a elite, as vezes jogando bola juntos na areia.por-do-sol

Falamos na foto mais pra cima a esquerda da pichação. Assim como a música da galera, a ‘arte’ de rabiscar muros na capital do Ceará é inspirada do estilo praticado no Rio.

Pra quem não sabe, o Brasil tem três grandes ‘escolas’ da pichação, que são Rio, São Paulo e Brasília.

Na forma criada na capital federal (e usada também em Goiânia), digamos que se fundiram as outras duas, as letras são grandes como em SP, mas redondas como no Rio.

BR-116 mapa rodovia estrada rrégis bittencourt dutra rio bahia federal poa rs ctba sp rj fortaleza

O marco zero nacional da BR-116 (principal rodovia brasileira) é em Fortaleza.

Pois as 2 maiores metrópoles do país no Sudeste adotam ‘alfabetos’ opostos.

No estilo criado em S. Paulo, adotado no interior do estado, no Recife, em Curitiba e Porto Alegre-RS (com a adição de muitos desenhos também em Belém), as letras são grandes, duras e separadas.

Por vezes ocupam toda a extensão do muro, então uma letra pode ter até dois metros de altura. O modelo criado no Rio é o contrário.

As letras são pequenas, redondas e juntas. Em Fortaleza é assim também, Apenas eles adicionam uns traços muito compridos ao redor dos nomes, como acontece também em Salvador.

………..

transmanaus amazonas buso marcop caio alfa torino artic azul ex- ctba prefixo

Ônibus ex-Curitiba agora rodando em Manaus. O prefixo é em outra cor por influência de Fortaleza. A fonte dessa imagem é sítio Ônibus Brasil.

Enfim, amigos, como abertura é suficiente. Outras mensagens da série:

 – Prefixo em Cor Diferente: Costa Norte Brasileira (produzida em setembro de 2011, logo após meu retorno de lá):

Como já dito, Fortaleza criou e Teresina, São Luís, Belém e Manaus adotaram a ideia de escrever o prefixo dos ônibus em outra cor, característica delas e só delas.

– “De Volta pro Futuro” (julho de 2013), esse é um desenho:

Marília e Maurílio passeando na Praia do Futuro, a que tem as ondas mais fortes de Fortaleza.

Deus proverá

pra não dizer que não falei das flores

rosasPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (via emeio) em 3 de dezembro de 2011

Todas as postagens de ‘Flores’ são dedicadas as Mulheresctba flores hortências azul rosa

………

Curitiba, meu Amor Maior. 

O Amor não precisa cegar. Curitiba é uma violenta e problemática metrópole do 3° mundo.

floresJá fiz diversas matérias mostrando suas periferias e algumas favelas:

Tatuquara, Sítio Cercado, Cachoeira, Uberaba /Boqueirão, Parolin, Caximba, entre outras .

Em várias postagens eu mostrei que nas periferias há muito lixo nas ruas e nos rios.OLYMPUS DIGITAL CAMERA

E breve subo pro ar um levantamento mostrando que Curitiba se tornou bastante violenta.

No fim de 2011, eu acabara de produzir uma série de reportagens retratando mais uma vez tudo isso.

Esse emeio foi o que fechou a série.

imagem-026E por isso o título, “Pra não dizer que não falei das flores.” Escrevi:

Se a última impressão é a que fica, mostro-lhes Curitiba toda florida.

Sob um certo aspecto, cidades são almas femininas:imagem-036

Adoram se enfeitar, e serem reconhecidas e elogiadas pelo quanto estão belas.

Assim essa é minha forma de homenagear essa moça que é Curitiba.

imagem-037Que eu amo do fundo de meu Coração, acima de tudo e abaixo de nada.

Curitiba, em algumas partes, está bem suja, e bastante violenta.

Isso em nada altera meu sentimento.imagem-024

O Amor, quando é Verdadeiro, não impõe condições.

Assim É e Eternamente o Será.

imagem-045………..

Nota: as fotos foram tiradas em 3 partes da cidade (nas ligações sublinhadas mais flores das mesmas regiões):

1- Na beira ou próximo ao Rio Belém (Boqueirão/Uberaba, divisa das Zonas Sul e Leste);linha-verde

2- Bem no miolo da Zona Sul (Sítio Cercado e bairros vizinhos como Xaxim e a seguir Capão Raso).

Ao lado uma na Linha Verde (BR-476, antiga 116), exatamente entre Xaxim e C. Raso, próximo a ‘Vila do Papelão;

santa-candida3- Na Zona Norte, no bairro Santa Cândida (esq.).

O emeio foi mandado em dezembro de 2011, mas o ensaio foi produzido no dia 12 de agosto de 2011.

Exatamente uma semana antes de eu embarcar pra Fortaleza.imagem-035

Digo isso pois a Abertura da série sobre o Ceará será a próxima postagem que subirá pro ar, ainda essa semana.

………

Por enquanto de volta a Curitiba, vamos ver uma sequência clicada no Sítio Cercado:

Mais 3 da Zona Sul. As 2 primeiras do Boqueirão, ao lado de minha casa. A outra entre o Sítio Cercado e Capão Raso, não lembro o local exato, pode ser nesses bairros ou no Xaxim, que fica entre eles.

Do outro lado da cidade, algumas que provavelmente são de Santa Cândida.

De volta as imediações do Belém, bairro do Uberaba. As duas 1ªs eu nomeei ‘Boqueirão’, mas acho que foi do outro lado do Rio, numa delas vemos o Boqueirão ao fundo porém eu estava na margem oposta.

imagem-025

Essas são as Flores que fotografei nesse dia.

Beijos em teu Coração de Mulher.

Que Deus Mãe e Pai a Ilumine Infinitamente.

“Ela/Ele proverá”

“¡ Bamos a la Playa !”: Canasvieiras e Beira-Mar Norte, Florianópolis

beira-mar-norte

Beira-Mar Norte, começo da noite de 04/02/17.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 11 de fevereiro de 2017

Fui novamente a Florianópolis.

Dessa vez no verão, e deu praia.

Digo isso porque a última vez que eu havia ido lá foi em junho de 2015.

E naquela ocasião não pude ir ao mar.canasvieiras-lotada

Abra a matéria que relata essa viagem anterior a capital de Santa Catarina.

Posto que essa matéria anterior é onde eu descrevo melhor a cidade em vários aspectos como a observei: urbanismo, transporte, etc.

floripa-tudo-azulEsse atual texto é portanto somente um complemento daquele.

Dessa vez estava muito quente, assim o Oceano foi o caminho natural a seguir.

Estive em Canasvieiras, no Norte da Ilha (acima e ao lado).

Essa é definitivamente “a Praia do Merco-Sul”.

A areia e o mar estavam lotados de banhistas, e olhe, brasileiros e argentinos dividiam o público em números mais ou menos iguais.invasao-argentina

Mesmo nós estando “em casa”. Na teoria.

Porque constatei lá que em Canas os ‘hermanos’ também se sentem em casa. Em múltiplas dimensões:

em-espanhol Dezenas de milhares de argentinos mais abastados agora tem casa de veraneio em Santa Catarina, muitos na capital e outros em Balneário Camboriú.

Assim passam as férias de verão todos os anos em nosso país.

Veja a direita: a quantia de placas de carros do país vizinho era impressionante nas imediações da orla.

O comércio (de todos os tamanhos, das redes de eletromóveis aos camelôs) também se adaptou a realidade, evidente.em-espanhol1

Acima um camelô na praia já anuncia seu produto em espanhol.

Ao lado vemos o cartaz de uma grande cadeia de lojas fazendo o mesmo, na SC-401, a rodovia que leva ao Norte de Floripa.

a-praia-do-merco-sulEsse outro vendedor ambulante pôs tremulando a bandeira da Pátria Amada ao lado das do Uruguai e Argentina.

A argentina está no meio das outras duas.

Infelizmente ela murchou no momento que cliquei e não quis aparecer na imagem.

Mas ampliando a foto você nota o estandarte argentino no centro do mastro.

………

Disse acima que muitos argentinos que estão bem financeiramente já têm uma segunda casa no Brasil. Mas não é só a alta burguesia da nação vizinha que passa as férias aqui.

centrinho-de-canas

Próximas 4: Canasvieiras, o centrinho comercial, as ruas residenciais e a praia.

Alguns de classe média mas não tão afortunados vêm de carro, mesmo não tendo propriedades no Brasil.

Esses ficam em hotéis ou casas alugadas ou de amigos/parentes.

E há mesmo os mais humildes, de classe trabalhadora, que fazem a viagem de ônibus, a opção mais desconfortável mas a mais em conta.

canasvieirasVi parados nas ruas de Canas diversos busões argentinos, infelizmente não deu certo fotografar.

Tudo somado: a praia era dos gringos. Na banquinha de petiscos tocava cúmbia.

Pra quem não sabe do que se trata, é o ritmo musical preferido entre o povão na Argentina, Paraguai e parte da Bolívia.

A versão mais comum lembra nosso sertanejo, nem tanto no ritmo mas nas letras com certeza.canasvieiras1

Há uma variante mais acelerada chamada ‘cúmbia suburbana’, em tradução livre.

Nesse caso as letras falam da vida nas favelas e periferias, o equivalente deles do ‘rap’.

Isso na temática, a melodia é completamente diferente.

canasvieiras-bandeira-brasileira

Fechando as fotos da Praia de Canasvieiras, já esse camelô só tinha bandeiras do Brasil.

Posto que a Argentina e esses seus vizinhos detestam ‘rap’, ao contrário da maior parte da América que adora, incluindo o Chile.

Falei um pouco da paixão repeira chilena, que é pouco conhecida entre burguesia, quando retornei de lá, em 2015.

Voltando a cúmbia, essa eu descrevi e exemplifiquei quando estive no Paraguai, em 2013.

na-estrada-sc-401

Próximas 5: SC-401, que liga a Zona Central ao Norte da Ilha.

Assim que estava: muita, muita gente falando castelhano, igualando ou superando os que se comunicavam em português. Até a música era no idioma estrangeiro.

Mesmo ‘jogando em casa’ nós perdíamos o duelo entre as línguas ibéricas.

Daí eu tive que pôr inclusive o título das matéria em espanhol, pegando carona num grande sucesso dos anos 80 é, a gente está ficando velho!!!

ex-pedagio

Tentaram instalar um pedágio urbano, as cancelas foram construídas, mas não vingou. A população se mobilizou, e a praça de cobrança foi desativada, a passagem é livre.

Estou fazendo esse adendo pelo seguinte: Eu Sou o Policarpo Quaresma do Século 21.

Traduzo tudo pro português, evito tanto ao máximo usar palavras de outros idiomas.

Inclusive eu já me desenhei com a camisa do Independente da Argentina.

Um leitor corrigiu a grafia pra “Independiente, com ‘i’ “.

Respondi a ele que eu estudei espanhol, sei perfeitamente disso (você pode conferir nosso diálogo na seção de comentários dessa matéria).

favela-monte-verde

Aqui e a esquerda: ainda na mesma estrada, bairro Monte Verde, onde há uma favela (ou ‘comunidade’) no morro.

E portanto não foi por engano que eu grafei sem o ‘i’, e sim porque por ideologia eu escrevo tudo em português.

Agora, em Canas eu tive que abrir uma exceção. A ocasião mereceu. 

E quanto ao ‘b’. Em espanhol não existe o som de ‘v’. Já fiz matéria específica sobre isso, exemplificando da Califórnia-EUA ao Uruguai.

Nesse caso, escrever ‘bamos’ ou ‘vamos’ pronuncia-se igualmente ‘bamos’.

morro-monte-verdeBreve mostro mostro que a linguística invadiu até o conflito das torcidas de futebol.

Eu fui a Argentina um mês e pouco depois dessa viagem a SC. de forma que esse fim-de-semana em Floripa já serviu de aquecimento.

chegando-no-cic

Fechando a sequência da SC-401, bairro João Paulo, já quase chegando na Beira-Mar Norte.

………

Falando nisso, volte as 3 tomadas do bairro de Canasvieiras, mais pro alto na página.

Vemos o centrinho comercial, depois as ruas residenciais.

Notam os paralelepípedos hexagonais.

Modal de pavimentação praticamente inexistente na Grande Curitiba, mas comum no Litoral do Paraná, como já retratei mais de uma vez.

flanelinha

Num semáforo da Beira-Mar o cara me solta essa: “A criminalidade está grande (em Fpolis), mas minha vontade de vencer honestamente é maior”. Tá bom pra ti ou quer mais???

E na Grande Florianópolis ele é majoritário.

Só perde pro asfalto, claro, que é usado nas vias de maior movimento.

Mas nas ruas de bairro, seja de burguesia ou periferia, é o mais usado.

Na outra matéria sobre Floripa muitas fotos de vias pavimentadas assim, também em Santa Mônica e em São José, no Continente.

floripa-quase-40-graus

Sol a pino sem nuvem nem vento: quase 40°.

…………..

Floripa 40 Graus (ou quase): O termômetro marca 37° (dir.). Mas a sensação térmica era perto ou acima de 40.

Já fotografei termômetros quando estava calor demais em São Paulo, Belo Horizonte-MG e Assunção.

Pois bem. O recorde foi precisamente os 37° em BH, que Florianópolis acaba de igualar, superando portanto as capitais paulista e paraguaia.

trindade

Bairro da Trindade.

Como veem, não havia uma nuvem no céu e nada, nadica de nada, de vento.

Estava uma massa de ar quente sobre a capital e todo Litoral Norte de SC.

No dia seguinte, quando retornamos, o clima esteve infernalmente tórrido até Joinville.pichacao-curitibana-no-viaduto

Só melhorou quando subimos a Serra já chegando em Curitiba.

trindade-e-favela

Trindade, na encosta do morro outra favela.

E por falar na capital do Paraná, o viaduto do CIC (acesso a SC-401) foi detonado por pichadores daqui de Curitiba. Em Florianópolis quase não há pichação.

E lá C.I.C. é o ‘Centro Integrado de Cultura’, e não óbvio a Cidade Industrial de Curitiba que estamos acostumados aqui.

ô vida boa: vendo o sol se pôr na beira-mar norte

Sabadão, quando o Astro-Rei começou a se recolher, anoitece-em-florianopolisnos dirigimos a avenida mais rica da capital catarinense:

No mapa, oficialmente as Avenidas Jornalista Rubens de Arruda Ramos e Governador Irineu Bornhausen.

fim-de-tarde-na-beira-marMas conhecida intimamente por todos simplesmente como a “Beira-Mar Norte“.

………

Digo, nem todos que moram na Beira-Mar são abastados, exatamente ao contrário, há uma favela de palafitas sobre o mangue.

Já falo mais disso, incluso com fotos.

Por hora curtamos o crepúsculo, o Sol cedendo passagem pra ‘sua esposa’, a Lua, que já estava presente sobre o Mar. fim-de-tarde-na-beira-mar1

Lindo demais, né?

Cenário perfeito pra caminhar, namorar, conversar com os amigos, comer uns petiscos, pra quem curte tomar um choppinho.

Ou simplesmente sentar na barranca do Oceano e meditar sobre a Beleza do Universo.

anoitece-na-beira-mar-norteA esquerda eu virei a câmera em direção ao bairro.

Um casal caminha, se exercitando e namorando ao mesmo tempo.

Na tomada abaixo eu girei a câmara 90°.

Vemos novamente uma grande favela que se espraia por todo Maciço do Antão e Morro da Cruz.

avenida-morro-e-favelaÉ a mesma ‘comunidade’ que vemos no bairro da Trindade numa imagem um pouco mais pra cima na matéria.

Ou melhor dizendo complexo/aglomerado de comunidades.

barquinhos-na-baia-nortePorque a coisa é grande, com breves interrupções ocupa toda a cadeia de montanhas da Zona Central da cidade.associacao-de-pescadores

Na outra matéria sobre Floripa eu tirei outras fotos, desde as favelas que ficam bem no Centrão até esse mesmo ponto da Trindade.

Lá eu também fotografei barquinhos na Baía Sul. A esquerda, a mesma cena na Baía Norte.

favela2Esses da Baía Norte, ali na Beira-Mar, pertencem a APPC:

Associação de Pescadores da Ponta do Coral, como a placa registra.

Um nome pomposo pra uma realidade não muito bonita.

Trata-se de uma favela em palafitas sobre o mangue.

Registrei algumas imagens.favela3

A qualidade não ficou 100% pois já anoitecia, algumas árvores encobrem a a visão.

E eu tive que ser rápido, me espreitando como pude onde a vista clareava um pouco.

favela1Mas dá pra ter uma noção da situação.  Cara, é uma cena muito impressionante, teve que ser retratada.

Na parte mais rica da cidade.

Ao lado de prédios em que em muitos deles o valor dos apês supera fácil a marca do milhão. favela

Mesmo aonde não chega a tanto, você não acha um apartamento modesto (2 quartos, 1 vaga na garagem) na Beira-Mar Norte por menos de meio milhão.

E do outro lado da avenida pessoas morando nessas condições. Tudo bem, são pescadores, há um componente cultural, mas não deixa de ser chocante.

anoitece-na-br……….

De brinde: o anoitecer na BR-101, a “Beira-Mar Brasileira”.

No trajeto até Floripa, minha esposa veio tirando algumas fotos.

Selecionei algumas delas pra fecharmos a matéria.

Portanto a partir dessa que está ao lado até o final as cenas não mostram Florianópolis, e sim o Norte de Santa Catarina, sempre visto a partir dessa rodoviaitapema

Começou a anoitecer depois que passamos Itajaí/Balneário Camboriú, e o crepúsculo durou até Itapema.

A direita é Itapema. Acima não sei exatamente qual cidade, pois eu dirigia enquanto ela fotografava.

Na sequência abaixo eu informo na legenda os locais.

Encerrando com chave de ouro: ela fotografou essa idêntica espécie de flores, na mesma serra, mas em outra estrada, a BR-277, que também liga Ctba. ao litoral, porém ao Litoral do Paraná.

Deus proverá