Encanto Multi-Dimensional: a Cidade do Cabo (e do Vinho), um Chacra da Terra

A ‘Mesa-Montanha’ – um Chacra da Terra – é conectada ao Centro e ao resto da cidade pelo moderno sistema de transporte.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 20 de fevereiro de 2018

Quase todas as imagens de minha autoria. O que for baixado da internet eu identifico com um ‘(r)’, de rede. Créditos mantidos quando impresso nas fotos.

Seguindo nossa série sobre a África do Sul, hoje vamos falar mais a fundo sobre a Cidade do Cabo.

Joanesburgo, sobre quem escrevi com mais detalhes em postagem específica, é a maior metrópole do país, e seu epi-centro econômico e político.

Uma cidade muito rica: mansão nos ‘Subúrbios da Zona Norte’ ostenta Audis prateados – “um é pouco, dois é bom“.

Os destinos políticos do país são basicamente decididos em ‘Joburgo’. Fato.

A luta pra derrubar o ‘apartheid’ (desde a ápoca de Gandhi), por exemplo, foi centrada ali.

Mas em múltiplas dimensões o Cabo é principal cidade da África do Sul. Citemos algumas:

– Pra conversa começar, é certamente a cidade mais bonita do país, e uma das mais bonitas do mundo, espremida entre o morro e o mar;

Mas de altíssima concentração de renda: entre as Zonas Norte e Leste, flagrei essa favela, um das muitas da cidade.

– É disparado o principal destino turístico sul-africano. E acredito que o 2° de toda África atrás de Cairo no Egito;

Sediando o Congresso, é uma das capitais da nação (O Chile tem 2 capitais: Santiago executiva e judiciária, Valparaíso parlamentar.

Na África do Sul são 3: em Pretória o Palácio Presidencial, o Cabo capital legislativa, o Supremo Tribunal é na pequena cidade de Bloemfontein);

É a cidade mais integrada da África do Sul hoje. Ali, negros e brancos convivem em (relativa) harmonia. Entre parênteses o ‘relativa’ porque claro que nem tudo no Cabo é um mar-de-rosas.

Castelo do Cabo, feito pelos holandeses em 1679, primeira construção europeia na África. Pra compensar tantos séculos de domínio caucasiano, em abril de 17 havia uma exposição de “História Des-colonizada da 2ª Guerra”.

Mas nas outras metrópoles sul-africanas a coisa é pior. Muito pior, nos Centrões de Durbã e Joanesburgo há um ‘apartheid invertido’: simplesmente não há brancos;

A Cidade do Cabo é tri-língue. Toda comunicação oficial é em inglês, africâner e xhoza.

Veja a direita a porta de um ônibus, ao fundo belo Pôr-do-Sol: integraram os negros, mas sem oprimir os brancos.

No resto da África do Sul, lamentavelmente, não houve essa sensatez:

Ali eles sumariamente eliminaram o africâner da maior parte da comunicação governamental.

Substituindo-o pelos idiomas negros nativos. Novamente vemos o ‘apartheid invertido’ em ação;

– Mas não é só questão de raça, e sim também de classe: o Centro da Cidade do Cabo é civilizado.

O ponto mais marcante do Cabo é que não importa onde você esteja na cidade, você sempre enxerga as montanhas ao fundo. Aqui o Centrão.

Portanto, frequentado – e habitado! – pela classe média, tanto brancos quanto a nascente burguesia negra.

Nos Centrões de Durbã e Jonesburgo, mais uma vez, não funciona dessa forma, abaixo explico melhor;

– Pela corrente de mar gelada que vem do Polo Sul, a Cidade do Cabo tem no geral temperatura amena, contando com verões suaves e invernos frios, em plena costa africana.

Região de classe média-alta próxima ao bairro ‘Woodstock’, Zona Central.

O que a torna diferenciada da maioria das grandes cidades do continente, nesse quesito também;

– Somando clima e herança europeia: a Cidade do Cabo também é uma “Cidade do Vinho”.

Nisso se parece com Mendonça, na Argentina (que visitei um mês antes e sobre a qual igualmente ainda escreverei melhor, em breve);

O sistema de transporte por ônibus da Cidade do Cabo é exemplar, certamente o melhor da África e um dos melhores do mundo.

Indo pra Zona Norte, em primeiro plano o ‘Distrito Industrial’.

Muito bom mesmo,  no mesmo nível dos mais avançados da Europa, Ásia e América –  e eis um assunto que entendo a fundo;

– Por último, mas não menos importante: a Cidade do Cabo é um ‘Chacra da Mãe-Terra:

A Mesa-Montanha cumpre um papel fundamental na rede etérica que equilibra a Energia do planeta.

O riquíssimo bairro “Ponta Verde”, colado ao Centro (com seu famoso trenzinho de brinquedo do parque de diversões).

Quem conhece Ciência Oculta sabe o que estou falando;

Assim, eis a Cidade do Cabo: um epi-centro de suma importância, na 3ª e igualmente na 4ª e 5ª Dimensões.

…………..

Então falemos um pouco mais sobre a cidade, com isso recapitulando um pouco do que já foi escrito nas outras mensagens da série e adicionando novas impressões.

A Cidade do Cabo foi construída, como seu nome já entrega, ao redor de um cabo.

Agora indo pra Zona Sul.

E o que é um ‘cabo’, geograficamente falando? Um península onde a terra avança sobre o mar.

Como esse cabo é montanhoso, a cena mais marcante da Cidade do Cabo é essa (como a legenda já falou):

Não importa em que parte da cidade você esteja, sempre enxerga a serra emoldurando ao fundo.

Bairro (de elite, veja mais um Audi) ‘Campo da Baía’, começo da Zona Sul.

Os primeiros europeus a pisarem na África do Sul foram os portugueses, a caminho da Índia.

A cidade de Durbã (que também terá uma matéria própria, em breve) foi fundada como ‘Porto Natal’.

Os ingleses, quando conquistaram a região, a denominaram – numa hibridização dos idiomas – de ‘Port Natal’.

E o estado a qual ela pertence se chamou ‘Natal’ até o fim do ‘apartheid’.

Aí houve a incorporação do bantustão de KwaZulu, e o estado atualmente se denomina KwaZulu-Natal, pra agradar negros e brancos.

Extremidade da Zona Sul, bairro ‘Baía Hout’, também de alto padrão.

Veja que a palavra ‘Natal’, em português mesmo, permanece até hoje.

Mas da Costa Leste sul-africana trataremos outro dia. Hoje nosso tema é a Costa Oeste.

Até a metade do milênio passado não havia como ir da Europa ao Oriente por via marítima.

Assim as elites europeias, pra importar as especiarias e demais produtos orientais, tinham que recorrer a intermediários árabes.

Nesse mesmo ‘Baía Hout’, outra favela.

Esses comerciantes operavam pela ‘Rota da Seda’ (que agora a China está fazendo uma nova versão).

No século 15, Portugal foi a primeira nação a chegar a Índia pelo mar, contornando a África – obviamente o Canal de Suez não existia.

E pra isso tiveram que passar pelo ‘Cabo da Boa Esperança’, que separa os Oceanos Atlântico e Índico.

Khayelitscha (r), bairro de periferia (com várias favelas) na extremidade da Zona Leste.

Exatamente onde hoje está a Cidade do Cabo, já voltamos pra ela.

Aqui, traçando mais um paralelo histórico, pouco depois os portugueses foram os primeiros europeus a chegarem a América.

(Ao menos oficialmente, alguns dizem que os ‘vikings’ da Escandinávia já havia estado aqui milênios antes.

Nossa bandeira na África; ao fundo sempre as famosas montanhas do Cabo.

Mas como disso ainda não há registros incontestáveis, cristalizou-se no consciente coletivo que foi mesmo Portugal o pioneiro.)

Primeiros a contornar a África, primeiros a cruzar um grande Oceano como o Atlântico.

Definitivamente os lusos dominaram os mares na virada do milênio passado.

Trata-se da Honra-Maior de Portugal, seu próprio mito formador, e por isso em tudo que é português reproduz-se as caravelas.

(Veja o escudo do Vasco da Gama, por exemplo, alias Vasco foi outro navegador.)

Vinho sul-africano com rótulo em português.

No caminho pra África, a Coroa Portuguesa deixou raízes na costa africana, é lógico.

E eles estiveram no Cabo, também. A ‘Mesa-Montanha’, símbolo-mor da cidade, era então chamada de ‘Taboa do Cabo’.

Mais que isso: não é só uma curiosidade histórica, as sementes lusas germinaram e ainda rendem frutos na África do Sul.

Até hoje usam-se termos em português nas fachadas, no Cabo particularmente no ramo da alimentação. Não apenas ali:

prédios com nome em português, fotografei um deles no bairro da Costa Verde, Zona Central do Cabo, um dos mais ricos da cidade.

Em Pretória flagrei a palavra ‘Munitoria’ num espaço público. Portanto esse fenômeno está arraigado em toda África do Sul.

A rede de lanchonetes Nando’s (um ‘Mc Donald’s local’) está presente em todas as maiores cidades sul-africanas.

Linha-Turismo da Cidade do Cabo.

E, bem, Nando’s mesmo já é em português, e eles colocam ‘Bom Dia’ em todas as suas lojas.

Mas na Cidade do Cabo a presença de termos em português é especialmente forte, principalmente como nome de restaurantes.

Veja a colagem acima a esquerda. Especialmente restaurantes na Cid. do Cabo, repetindo.

Mas também exemplos em fachadas de estabelecimentos de outras atividades, e em outras cidades.

Estádio em que houve jogos da Copa/2010; no terreno ao redor um campo de golfe.

A direita um rótulo de vinho. E, não, esse não está assim por ser ‘pra exportação’.

É fato, a maioria dos alimentos produzidos na África do Sul têm rótulo tri-língue, em inglês, francês e português, pois assim pode ser exportado pra África inteira.

Mas aqui não é esse o caso. Até porque não foi exportado, fotografei-o dentro da África do Sul mesmo.

Subúrbios da Z/N: na parte rica da cidade, Mulher branca se exercita numa bicicleta (atrás mais um campo de golfe).

Em Durbã cliquei frases em português no Centrão. Alguém me disse: “ah, deve ter sido um angolano ou moçambicano quem pichou”.

Pode ser. Aquela era a cracolândia de Durbã, não muito longe de onde um noiado me abordou e tive um diálogo tenso com ele.

Então pode ser que nas redondezas morem alguns trabalhadores braçais imigrantes dos países lusófonos africanos.

Não longe dali, mas na porção de periferia do Cabo, negros são transportados em caçambas e compram em feiras em que os produtos ficam expostos no chão. É a África do Sul em Preto-&-Branco, meu irmão . . . P.S.: na vitrine da concessionária 2 Fuscas, carro que a Cid. do Cabo adora!

Alias, em Durbã mesmo falei em português com um deles, eu entrei no elevador e havia 3 negros.

Pedreiros, reformavam o prédio. Eles dialogavam em inglês.

Me perguntaram, e quando informei ser brasileiro, conversei eu e um deles em português, ele era moçambicano.

Então, sim, há alguns falantes lusófonos na África do Sul.

Mas são pouquíssimos, e se concentram na classe operária.

Aérea da cidade (r). Ao fundo a Mesa-Montanha, a esquerda o Centro e depois o porto, aquela bola é o estádio, a frente dele o bairro da Ponta Verde.

Na classe média, porém, quase não há sul-africanos que saibam o idioma com o qual estou escrevendo esse texto.

E mesmo assim há prédios de luxo e muitos, muitos restaurantes que o utilizam. Por que? Porque é chique, oras.

Por isso: no Brasil falamos português, e os edifícios e as vitrines das lojas da burguesia são em inglês.

Bondinho sobe pra Mesa-Montanha.

Na África do Sul é inverso, eles falam (entre outras línguas) o inglês, mas dá ‘status’ usar alguns termos em português.

Como é a Vida, não? Deus é um cara Gozador, e por vontade Dele/Dela tudo mesmo é relativo no Universo

………..

Os portugueses passaram por ali, mas não ficaram. Visavam o Oriente, onde também estabeleceram colônias: Macau que só devolvida a China em 1999, Timor Leste se separou de Portugal em 1975 (e da Indonésia, que o anexou, em 2002).

Colagem (você percebe a emenda) mostra a cidade de cima. Onde há os edifícios altos (comerciais) é o Centro, lá chamado por isso pelo termo britânico ‘C.B.D.’, ‘Central Business District’. Vemos o estádio e logo após ele, encoberto pela montanha, a Ponta Verde. A Cidade do Cabo é bela…

Mumbai, na Índia, era chamada até há pouco de Bombaim. Na verdade o nome não mudou, apenas a grafia. ‘Mumbai’ é como os indianos pronunciavam ‘Bombaim’.

E qual a origem do nome ‘Bombaim’? Por sua vez, já uma corruptela de ‘Boa Baía’, que é como os portugueses chamaram o entreposto que eles fundaram ali.

Falei tudo isso pra mostrar que os portugueses passaram pela África do Sul antes de qualquer outro povo europeu.

…mas também é fera!!! Agora filma as “Cidades de Lata” – o nome é porque nas favelas sul-africanas os barracos são de zinco, parede e telhados. Essa aqui eu cliquei do avião, portanto nas cercanias do Aeroporto, Zona Leste.

Mas ali eles não tiveram interesse em derrotar os nativos e fixar uma colônia. Miravam mais longe.

Assim os primeiros brancos a colonizarem a região foram os holandeses, subjugando os negros habitantes originais da terra.

Em 1679 a Coroa Holandesa concluiu o ‘Castelo da Boa Esperança‘ – pra guarnecer o Cabo da Boa Esperança, que ela considerava sua posse agora.

O Castelo, assim, é a primeira construção europeia de toda África, marcando assim o início da colonização caucasiana do Continente Negro.

Quando foi inaugurado, no fim do século 17, era um forte a beira-mar. Mas com sucessivos aterros hoje o Castelo está algumas centenas de metros terra adentro.

Caminhão 11-13 Mercedão que eu ainda consegui flagrar, mesmo estando num ônibus em movimento e sem estar com a câmera preparada (veja a janela do busão). O bichão é preto e bicudo, cena do passado. Hoje (quase) todos os caminhões da África do Sul são brancos e cara-chata.

Nisso o Cabo apenas imita a própria Holanda, afinal foi colonizada por holandeses – e pra isso subjugando militarmente os negros. 

Mas não tardaria, e os holandeses provariam de seu próprio remédio amargo: o Castelo da Boa Esperança garantiu a posse da Colônia do Cabo por um século apenas.

Em fins do século 18, a Inglaterra chega e exige a capitulação.

Os holandeses resistem, a Real Marinha Britânica reforça o ataque com enorme esquadra, e o Cabo cai, passando pra Inglaterra.

Parte dos holandeses migra pro interior, derrotando os negros e fundando colônias:

Estaleiro ao lado do Centro.

A do Estado Livre Laranja (a cor Real holandesa, lembre-se do uniforme da seleção de futebol) e do Trans-Vaal, como o nome indica após o Rio Vaal (conhecida como ‘República Sul-Africana’, não confundir com o país atual que é a ‘República da África do Sul’).

Na virada do século 19 pro 20, a rivalidade anglo-holandesa na África do Sul volta a ferver, e estouram as duas ‘Guerras dos Bôeres’.

Foi nessa ocasião que a Inglaterra inventa o campo de concentração, prendendo nele civis, os Homens não-combatentes, junto com as Mulheres, crianças e velhos.

O famoso farol do rico bairro da Ponta Verde. É útil a noite. De dia, a Mesa-Montanha é um farol natural, vista a dezenas de kms mar adentro.

Viu? No consciente coletivo Hitler, Stalin, Mao e Pol Pot é quem estão associados a palavra ‘campo de concentração’, e de fato eles fizeram intensivo uso desse instrumento.

Mas quem o criou foi a Inglaterra, nunca te esqueças disso, porque isso a maioria das pessoas ignora.

No fim a Inglaterra bate novamente no campo de batalha os descendentes de holandeses, e unifica toda África do Sul como sua colônia.

Próximas 6: a orla na Ponta Verde. Aqui, a burguesia fazendo exercício no calçadão (“nem parece que estamos na África”, na definição de um morador negro local).

Isso cria um ressentimento intenso entre os ingleses e os bôeres (africâneres, os sul-africanos de ascendência holandesa), que persiste até hoje.

Apenas pra consolidar o ‘apartheid’ contra a resistência negra é que africâneres e ingleses se unem na África do Sul, enfim se descobrindo como ‘brancos’ em comum.

Ou seja, quando os negros foram dizimados no campo de batalha, os europeus brigaram ferozmente entre si, inclusive encerrando civis no campo de concentração.

Apenas quando os negros se levantaram de novo é que os brancos se uniram, subitamente valorizando mais as coisas que os uniam que as que os separavam.

Essa parceria entre os descendentes de europeus se acentuou mais ainda no fim do século 20.

A partir da ‘Revolta Estudantil de Soweto em 76′, que foi duplicada em 1984, o ‘apartheid’ entra na defensiva.

Os negros renovam sua ofensiva, agora apoiada pela opinião pública internacional e mesmo uma porção significativa dos brancos sul-africanos.

Aí, pra tentar impedir a queda do regime racista, as elites inglesas e africâneres juntam suas forças.

Nesse trecho não dá pra entrar direito no mar, a água é gelada e há musgos. Mas as pessoas aproveitam pra caminhar na areia.

Não adianta nada, o fim chegara, em 1990 Mandela é libertado, e em 1994 ele assume como 1º presidente negro da nação.

Alias Mandela estava preso, como sabem, num presídio de segurança máxima localizado na Ilha Robben, na costa da Cidade do Cabo.

Então o regime racista caiu, felizmente. Já contamos essa história com mais detalhes antes.

Um pai levou o filho pra molhar os pés, observados por uma colônia de gaivotas.

Aqui, é apenas pra reforçar o fato que os europeus brigaram violentamente entre si, na África também. Violentamente. E ficou até hoje um ressentimento.

Até hoje os africâneres lembram das crueldades que os ingleses fizeram contra eles.

Eles só não tocam no ponto que eles fizeram exatamente o mesmo contra os negros, mas essa já é outra história.

Ainda a orla central do Cabo, na África do Sul (como nos EUA) você pode personalizar a placa de seu carro – a verde que diz ‘ZN’ não é ‘Zona Norte’ óbvio, mas Zulu/Natal, ou seja, esse veículo cinza cruzou todo país de ponta-a-ponta. E o outro carro é um Novo Fusca.

Até porque, como dito, após os negros terem tomado o poder eles, os negros, se vingaram.

E impuseram algumas medidas de ‘apartheid invertido contra os brancos:

No Cabo não, mas nas outras cidades baniram o africâner da comunicação oficial.

E no Cabo e toda parte impuseram ‘cotas raciais’, mesmo na iniciativa privada e muito mais na governamental.

Cotas raciais era exatamente o que ‘apartheid’ fazia, porém a favor dos brancos.

Com mais essa colagem, fechamos (por hora) a Ponta Verde. Eu disse que o parque da Beira-Mar tem uma arte peculiar, veja essa curiosíssima estátua de um rinoceronte, vide a próxima foto pra explicação; Depois observamos um casal, ele entrou no mar pra praticar um esporte em que você rema de pé num caiaque, modalidade muito popular (entre os brancos) na África do Sul. Sua esposa/namorada o espera na areia; E por fim placas, nos detalhes as cenas ampliadas.

Assim, quando os negros fazem o mesmo, ninguém chama de ‘apartheid’. Mas é.

O ser humano é sempre o ser humano, e o poder cega e corrompe. Negros, brancos, todos são iguais.

Não estou tomando partido de nenhum lado, apenas relatando o óbvio:

Quando oprimidos, todas as raças clamam por ‘justiça’.

Mas uma vez no poder todas as raças agem igualmente de forma desumana:

Você só identifica o paquiderme de longe (r). A estátua tem várias camadas, apenas quando você atinge essa distância elas se encaixam pra fazer sentido. De mais perto fica desconexo, abstrato

Exigem e se possível impõem privilégios pra si mesmas. O poder corrompe.

…………

Enfim, contei tudo isso pra mostrar que a Cidade do Cabo é a Gênese e ainda hoje o Zênite dos africêneres (holandeses) na África do Sul.

Como a língua africâner é um dialeto da holandesa, podemos dizer que o Cabo é a maior cidade holandesa fora da Holanda, assim como Durbã é maior cidade indiana fora da Índia.

Um pouco mais da periferia, então. Estamos na auto-estrada, indo pra Atlântida, afastado município da Zona Norte. Mas aqui ainda é dentro da Cidade do Cabo. Nas dunas, entre a rodovia e o mar, uma miserável favela surgiu: casas de zinco no meio da areia, sem água, luz ou saneamento básico (aquelas caixas em verde são banheiros químicos que o governo instalou pra não ser ao ar-livre mesmo). Parecem os acampamentos dos beduínos na Palestina.

Na Cid. do Cabo o africâner não foi banido, como já dito várias vezes. Até porque o africâner é a língua-mãe de 75% dos ‘mulatos’, os xhoza. Se você vê os xhozas e é leigo, pensa que são negros.

Mas eles se definem assim, como ‘mulatos’ e não como ‘negros’. Ainda assim, na classificação brasileira eles seriam negros. E falam africâner, como sua primeira língua, veja você.

Há quase o dobro de ‘mulatos’ (que aqui no Brasil nós consideraríamos negros, eles têm a pele bem escura)  usando o africâner como idioma-materno, 4,8 milhões (3/4 do total de ‘mulatos’, como dito) que brancos, 2,7 milhões (60% dos total de caucasianos).

Entretanto, se considerarmos os que oficialmente se denominam ‘negros’, quase não há falantes se africâner como 1ª língua, só 1,5% deles, 600 mil pessoas. Esse é o outro ponto de atrito entre ‘negros’ e ‘mulatos’, abaixo falo mais disso.

Maurílio beijando o ‘Solo Sagrado’ da orla central do Cabo (desenhei até a escultura do óculos ao fundo).

Aqui dizíamos que as cidade do Cabo é mais integrada racialmente da África do Sul. De fato, os brancos tampouco se auto-baniram do Centro, ao contrário de Durbã e Joanesburgo.

Na verdade não é uma questão só de raça, mas também de classe. A classe-média sul-africana é integrada, desde a classe média-baixa até a alta burguesia.

A elite ainda é majoritariamente branca, as favelas ainda são 98% negras (exceto quando indicado, quando eu uso o termo ‘negro’ eu quero dizer ‘africano nativo’, portanto isso inclui tanto os que se auto-definem como ‘negros’ oficialmente como os que se dizem ‘mulatos’).

Agora estamos em Atlântida, Grande Cid. do Cabo. Curiosamente, as casas proletárias da África do Sul lembram as do Paraguai.

Mas na classe média, em todos os seus sub-estratos, negros e brancos (em Durbã também indianos) hoje convivem em razoável harmonia.

Trabalham juntos, e se casam entre si. Vimos vários casais inter-raciais na orla de Durbã.

O que mostra que se o nível de renda e educação é similar já não há mais aquele racismo arraigado e intrínseco da época do ‘apartheid’.

Agora a divisão é mais de classe que raça, repito. Na classe média há brancos, negros (em menor parte também indianos), inclusive compartilhando a mesma cama em alguns casos.

Ainda Atlântida, uma mercearia (‘tuck shop’ no termo local).

Mas a burguesia, da raça que for e hoje todas estão presentes, em Joanesburgo e Durbã não frequenta mais o Centrão.

Ali só há povão, apenas negros em Joburgo, negros e indianos em Durbã.

Os burgueses, sejam brancos, negros ou indianos, moram e trabalham em seus subúrbios exclusivos, longe do Centro.

Mas na Cidade do Cabo é diferente. Essa é a única cidade mais integrada da África do Sul. Logo ao lado do Centrão há o bairro da Ponta Verde (‘Green Point’ no original).

Colagem mostra comércio em diversos bairros do Cabo. Algumas notas: 1) Há 3 termos pra ‘mercearia’ ou ‘mercadinho’: ‘Tuck Shop’, ‘Take-Aways’ ou ‘Superette’ – o termo ‘ette’ indica diminutivo, como ‘disquete’ é um disco pequeno, ‘superette’ é um mercado pequeno; 2) Os indianos dominam boa parte das mercearias da Cid. do Cabo, por isso os nomes com referência ao Islã (o que chamam de ‘indianos’ na África do Sul inclui também paquistaneses e bengalis, que são muçulmanos); 3) a Coca-Cola é oni-presente na África do Sul, seu nome estampa não apenas praticamente 100% das fachadas de mercadinhos, lanchonetes e restaurantes populares, como também está presente em estabelecimentos que nem vendem comida ou bebida, como floriculturas, fliperamas e farmácias; e 4) Pegando carona no ‘superette’, essa lavanderia (‘laundry’ em inglês) se denominou ‘laundrette’, a ‘pequena lavanderia’.

Um local da alta burguesia, com carros caros.

(Alias uma nota sobre isso. Eu não participo da fetichização dos automóveis, bem ao contrário.

Não tenho carro, e me desloco basicamente de ônibus e a pé.

Então aqui quando estou citando as marcas BMW, Audi, Porsche, Mercedes, não é pra cultuá-las, porque exatamente ao contrário já tirei todas do pedestal.

Mas cito apenas pra que dimensionem o padrão de renda. Me perguntaram se “existem ricos na África”. Respondi: “E como!!”)

Voltemos. O bairro da Ponta Verde é de alta burguesia, tipo a Gávea no Rio. E ele é vizinho ao Centro.

Em Durbã, que também é litoral, o bairro da orla colado ao Centro é exatamente o inverso:

Uma região periférica, totalmente proletária, que por isso apelidei de ‘Bronx a Beira-Mar, referência óbvia a Nova Iorque/EUA.

Em Durbã, a orla chique já é bem longe do Centro, não dá pra ir pé certamente, a não ser que alguém esteja disposto a caminhar entre uma hora e meia a duas horas.

Próximas 2: panorâmicas tiradas do alto da Mesa-Montanha. Aqui o Centro e Porto.

Mas no Cabo não. Em 15 minutos andando você sai do Centrão e está num reduto extremamente elitizado.

Mais que isso: entre a ‘Ponta Verde’ e o Centro está surgindo um novo bairro de elite, com canais.

Num projeto similar ao de Porto Madeiro em Buenos Aires/Argentina.

Do outro lado do Centro está ‘Woodstock’, onde fiquei hospedado. O bairro é dividido ao meio pela Avenida Vitória.

Girando a câmera pra esquerda, o rico bairro de Campo da Baía (‘Camps Bay’ no original), em duas escalas – e no detalhe um roedor que vive nas pedras no topo da montanha.

Entre ela e o porto, onde está a linha de trem é bem popular, em alguns pontos quase um gueto, ou inclusive pode tirar o ‘quase’.

Tanto que na Vitória mesmo há bastante povão, a massa mesmo. Mas da Vitória pra cima é diferente.

E ‘pra cima’ tanto na geografia física quanto na humana. Topograficamente, é literal, você vai subindo um morro.

Em mais uma colagem, vamos ver alguns detalhes da África do Sul. Lá (e na Argentina também) os extintores são vermelhos, como no Brasil. Parece óbvio, não? Pensamos que é assim em todo lugar. Mas não é. Na Colômbia os extintores são multi-coloridos, há os verde, amarelos, e … até os vermelhos, depende da categoria. Agora um ponto em que os extintores da África do Sul (e, novamente, também os da Argentina) são diferentes dos do Brasil: nesses 2 países eles são tri-modais. Ou seja, categorias A, B e C num único aparelho. Você vê um fogo, não precisa se preocupar em saber se o que está queimando é papel ou a caixa de força do prédio, e nem precisa ler rótulo, qualquer extintor serve pra todos os tipos de incêndio. Bem mais inteligente, concorda? Falando de outra coisa, ‘rua-sem-saída’ na África do Sul e ‘Cul-de-Sac’. E, como já mostrei melhor antes, na ‘Riviera do Cabo’ as garagens de alguns prédios são no teto.

Porém, socialmente você também vai ascendendo. A parte alta de ‘Woodstock’ hoje é um bairro de classe média-alta, habitado por todas as raças mas majoritariamente por brancos.

Essa nova configuração é recente. Até depois da virada do milênio, todo ‘Woodstock’ (dos dois lados da Vitória, a parte alta e baixa igualmente) era proletário, um bairro de periferia.

Na última década e meia passou por agudo processo de aburguesação, e verdade seja dita, o que também levou a um embranquecimento. Sim, hoje há burguesia negra, e ela está presente ali.

Mas os brancos ainda são mais numerosos nas classe elevadas, por isso ‘Woodstock’ hoje está mais caro, e mais claro. O perfil não é tão elevado quanto na Ponta Verde, verdade.

Seja como for, dos dois lados o Centro do Cabo é cercado por bairros burgueses, de alto padrão – e está surgindo mais um, e esse de altíssimo padrão.

Nas outras cidades sul-africanas isso não ocorre, jamais. A África do Sul, como já dito, tem o modelo anglo-ianque de urbanização:

A classe média fugiu da Zona Central a décadas, e vive em subúrbios afastados exclusivamente residenciais, algumas vezes em conjuntos que as casas são todas iguais (nem sempre, em muitos casos cada um faz a sua como deseja).

O que nunca se altera é que o deslocamento das pessoas se dá exclusivamente via automóvel, até mesmo pra comprar pão é preciso ir motorizado.

Na África do Sul os brancos adoram ‘rugby’, mas eles jogam também futebol. Os negros, por sua vez, adoram futebol, mas detestam ‘rugby‘, jogam basquete sim mas ‘rugby’ jamais, pelo menos entre o povão. O que gera uma situação curiosa. Você sabe a classe social de um bairro só olhando pra trave na sua cancha de esportes. Nas caras escolas particulares da elite e alta burguesia, os campos só tem trave de ‘rugby’ (aquele ‘y’, igual a do ‘futebol americano’). Nas periferias, os campos inversamente só tem a trave de futebol, como os nossos aqui. E na classe-média? Bom, aí a trave é mista, bi-modal, um ‘h’, que permite fazer tanto o gol do futebol quanto o de ‘rugby’.

Não preciso descrever como é. Se você já esteve nos EUA (ou Inglaterra), você já viu com seus próprios olhos.

E mesmo quem nunca cruzou o oceano conhece o padrão pelos filmes.

A África do Sul é assim também. Só que pior. Nos EUA/Inglaterra, os brancos vivem no subúrbio.

Mas trabalham no Centro. Claro, há muitos ‘centros empresariais’ nos subúrbios também.

Mas ele ainda não sufocaram o Centrão. Durante o dia, no horário comercial, você vê uma multidão de brancos de classe-média no núcleo central das cidades anglo-ianques.

Sim, no fim do expediente (no máximo depois do choppinho de descontração no bar) eles pegam seus carrões e vão embora, pela auto-estrada.

A noite e nos fins-de-semana são poucos os caucasianos no Centro.

Na Cidade do Cabo, em qualquer parte da cidade que você esteja, é comum as revoadas de pássaros, pois além do mar há inúmeras lagoas com vegetação natural em torno.

Mas de segunda a sexta eles são muitos, em muitas cidades majoritários. Isso nos EUA/Inglaterra.

Na África do Sul é pior que isso, repito. Em Joanesburgo e Durbã, o Centro das metrópoles viraram guetos gigantes, e nem ninguém de classe-média (da raça que for) ousa pisar ali.

Ressalto de novo pra que fique claro. Uma geração após o fim do ‘apartheid’, surgiu uma ainda pequena mas extremamente pujante burguesia negra.

Próximas 10: o litoral da Zona Norte da Cidade do Cabo. Aqui na praia, obviamente. Ao fundo vemos os prédios do centro de um subúrbio da cidade (a moda dos subúrbios ianques, muita gente da burguesia não vai mais ao Centrão, vive e trabalha no subúrbio). E por que não tem ninguém na água (fora surfistas com roupa térmica)? Porque não dá pra entrar: por conta de uma corrente gelada que vem do Polo Sul, o mar na Costa Atlântica do Cabo é absurdamente gelado. Congelante mesmo, impossível ficar dentro. Entrei, mergulhei rapidamente 2 vezes somente pra sentir como é estar imerso no Atlântico em sua outra margem, e saí. Apenas nos meses mais quentes do verão talvez, mas fora isso sem chances (em Valparaíso no Chile é igual, e pelo mesmo motivo). De volta ao Cabo, isso é assim nas Zonas Norte e Sul. Na costa da Zona Leste é o Oceano Índico, e ali a água é quente. A Cidade do Cabo não tem Zona Oeste, pois (como em Porto Alegre-RS) o Centro está no ponto mais ocidental da cidade, a oeste dele só tem água.

Hoje, você vê negros dirigindo BMW’s, Audis, Mercedes, caminhonetes, utilitários, carros de alto calibre mesmo.

Mas os negros de padrão mais elevado, em Joburgo e Durbã, também se auto-segreram.

Eles tampouco querem contato com a massa:

Vivem em subúrbios a moda ianque (muitos com portões na entrada, só entra morador ou seus convidados).

E portanto essa burguesia negra não se mistura com a ralé no Centrão.

A classe fala mais alto que a raça, quanto de dinheiro cada um tem se sobrepõe ao fato que tem o mesmo tom de pele.

Perto do Centro e no próprio Centrão é a periferia deles, onde moram os pobres.

Bem, o próprio ‘Woodstock’ tinha esse perfil até pouco depois do ‘apartheid’.

Os ricos e mesmo a classe média-alta moram longe, muito longe.

Vimos a direita a “Praia do Pôr-do-Sol” (na Cidade do Cabo o Atlântico fica a oeste, então o Sol se põe no mar) – agora vamos ver as casas que são no bairro em frente a ela: a África do Sul tem o modelo de urbanização anglo-ianque, como dito. Os ricos moram em mansões (nunca em prédios, com raras exceções da Beira-Mar central), e sempre que possível sem muros – em se tratando da África do Sul, ressalte-se ‘sempre que possível’, muitas vezes não é. Mas essa não tem muro – e nem calçadas, ninguém anda a pé no bairro.

Bem protegidos pela distância – e na África do Sul também por patrulhas particulares armadas até os dentes.

Entretanto, enfatizo, a Cidade do Cabo é exceção – parcial, claro.

As imagens ao lado ilustram, mesmo no Cabo a imensa maioria dos burgueses vivem nos subúrbios a moda dos EUA.

Ainda assim, é a única cidade em que ainda existe burguesia no Centro.

Ali você vê muitos brancos, e também os negros que ascenderam na escala social.

Não apenas trabalhando, mas eles vivem ali, andam a pé fazendo compras, etc.

No resto da África do Sul (com exceção de Pretória, que é bem menor) isso seria uma miragem:

Essa aqui é em frente a praia mesmo, veja a areia no chão. Não há avenida beira-mar com barzinhos, comércio, trânsito, ônibus, porque o bairro é estritamente residencial de altíssimo padrão. Você só vê loiros de olhos claros na praia, parece que está na Suécia. O tráfego, transporte coletivo, comércio etc, são na avenida principal que é fora do bairro.

Em Durbã, os burgueses (de todas as raças) frequentam a praia, mesmo perto do Centro. Sim.

Mas eles moram bem distante, e vão de carro, param ao lado da areia.

E aí eles curtem o dia ali, entram no mar e também tomam Sol, petiscam, almoçam/jantam nos bares e restaurantes, compram nos centros comerciais.

Mas, estou falando de Durbã lembre-se, eles nunca saem da orla.

Circulam pelo calçadão, mas jamais, em tempo algum, andam pelo bairro – nem mesmo pela Beira-Mar.

Mato a cobra e mostro o pau. ‘Praia do Pôr-do-Sol’, Zona Norte da Cidade do Cabo. Ao fundo o Centrão, emoldurado pela Mesa-Montanha. A direita uma família curte a praia (de roupas pois a água é tão gelada que não dá pra entrar, mesmo em dia de sol forte). Todos os frequentadores da praia tinham a mesma alvíssima tez.

Eu fiquei a duas quadras da praia em Durbã. Todos os apartamentos têm grades nas portas, como nas piores favelas e guetos brasileiros. Alguns prédios vão mais além:

Chegam ao extremo de ter aquelas portas giratórias de metal que barram quem não é autorizado (iguais as que existem nas estações de trem de subúrbio no Brasil) – e isso na Beira-Mar!!!

Então, no Cabo é bem diferente. Ali a orla ainda é chique e elegante, reservada aos que podem pagar muito.

Outro exemplo: sem muro, e sem calçada.

Claro, eu disse que a exceção é parcial. A imensa maioria dos burgueses do Cabo também moram em subúrbios – estamos na África do Sul, afinal.

Ainda assim, há uma porção deles próximo ao Centro, e mesmo já dentro dele.

E eles andam nas ruas, sem o medo iminente de serem sequestrados ou assassinados.

Pra que não reste dúvidas: sem calçadas dos dois lados, não há comércio no bairro, pra tudo tem que ser de carro. E que carros, hein? BMW, nesses bairros só dá as máquinas alemãs, Porsches, Mercedes e Audi também.

Some tudo: uma grande proporção de europeus; clima frio por causa da corrente marítima polar, um vale protegido por uma serra.

Resultado: a Cidade do Cabo é um centro vinícola de primeira qualidade, de mesmo nível de seus congêneres europeu e sul-americano.

Como um negro (mulato na verdade, falo disso abaixo) definiu a duas meninas alemãs mochileiras, que conheciam a África sozinhas e a pé:

Uma Mercedes. Vemos o nome do praia (e do bairro), e o nome da rua numa pedra no solo, traço típico da África do Sul. O condomínio geo-referenciou seu endereço.

A Cidade do Cabo é África. Mas não parece”. Rááá!!! Gostou dessa definição?

………….

Durbã, do outro lado do país, é o reduto dos ingleses, ali há pouquíssimos descendentes de holandeses.

E também dos zulus. Evidente que há outras etnias negras, porém essa é a predominante. Não por outro motivo por estado se chama KwaZulu-Natal.

De novo sem muro. Isso é que é vida, não acha?

No Cabo, inversamente, embora também hajam muitos ingleses, os africâneres que descendem dos holandeses são bastante numerosos e visíveis.

E, entre os negros, ali há poucos zulus, a maioria dos negros é de ascendência xhoza.

Alias, os xhoza nem mesmo se denominam ‘negros’, mas ‘mulatos’.

Essa mansão tem muros. Mas calçada … nem pensar, né?

Se você que é leigo nesses nuances anda na Cidade do Cabo, os negros sul-africanos se parecem dessa forma, como ‘negros’.

Entretanto, lá se eles se auto-definem de maneira diferente, majoritariamente como ‘mulatos’.

Segundo o Censo, os negros, assim oficialmente denominados, predominam no Leste e Norte do país, o reduto dos zulus e sothos, respectivamente.

Pra fecharmos as praias da Zona Norte, uma feirinha estilo brechó. Essa é chique, a beira-mar, bem diferente da que vimos acima na periferia. Claro que há negros, não há mais ‘apartheid’ e surgiu uma burguesia negra. Mas a maior parte dos frequentadores é branco.

Nas províncias (estado) do Cabo (hoje foram divididas em 3 após o fim do ‘apartheid’, antes uma só que pegava mais da metade [55%] da área do país, em sua porção ocidental) os xhoza são majoritários, como já dito.

E os xhoza, não sei se por suas raízes étnicas distintas, se declaram mestiços (‘coloured‘ no original) e não somente negros puros.

Na Cidade do Cabo mesmo há um pouco mais de ‘mulatos’ que ‘negros’, 42 contra 38%.

Ressalto que entre esses que se chamam ‘negros’ muitos não são originalmente da região, migraram pra lá pra trabalhar, alias boa parte dos migrantes são de outros países africanos.

que

Há uma burguesia negra, sim. Mas a maior parte dos negros ainda é da massa, do povão. Veja as ‘feirinhas’ deles – na verdade são camelódromos com maior ou menor grau de organização. As duas primeiras no Centro, a esquerda na praça central que é o terminal das (por ordem de utilização) vans, ônibus e trens – as lojas são em latões de carga de navios. Destaquei uma cabeleireira, como as negras precisam cuidar muito do cabelo pra ele crescer, há salões em plena via pública, esse ainda é no ‘container’, há os que só põe uma lona ou nem isso; a figura do meio no Centrão, e a última no bairro ‘Woodstock’, Zona Cenral.

Mas no interior das 3 províncias (estados) do Cabo (Cabo Oriental, Ocidental e do Norte, até o fim do ‘apartheid’ eram 1 só, repetindo) os ‘mulatos’ dominam amplamente.

É comum eles serem de pelo menos 60 até 90% da população, e isso da população total que inclui os brancos.

Porém fora dos 3 Cabos, os ‘mulatos’ começam a diminuir.

Nos municípios e cidades perto da divisa com os 3 Cabos eles muitas vezes ainda são 20% da população.

E quanto mais pro leste você vai indo, menos ‘mulatos’ vão tendo, longe da divisa com os Cabos é raro eles chegarem a 5% dos habitantes de qualquer lugar.

Vibrando na mesma frequência, agora a passarela da estação de trens de ‘Woodstock’ num belo fim-de-tarde (veja o Sol refletido na montanha): a galera se vira como pode.

Não é uma questão apenas de linguagem:

Os brancos, na virada dos anos 70 pros 80 tentavam impedir a queda do ‘apartheid’.

Aí eles criaram 2 ‘parlamentos’ de fachada, sem poder real, um pros indianos e outro pros mulatos.

Até então, só euro-descendentes podiam votar.

Ao estender esse direito a indianos e mulatos, mas ainda negando aos negros, a estratégia do regime racista era claramente ‘dividir pra dominar’:

Voltando pro Centrão: terminal de vans, o camelódromo com ‘containeres’ é em frente.

Dividir os que têm pele escura em duas categorias, de um lado indianos e mulatos que não têm poder real mas aparentemente o têm, na narrativa;

E de outro os negros, esses sem poder tanto na teoria quanto na prática.

O ‘apartheid’ enfim caiu mesmo, mas a rixa entre ‘negros’ e ‘mulatos’, bem explorada, aumentou.

Próximas 5: mais cenas do Centro, o busão da ‘Golden Arrow’ (um dia foi dourado mesmo!) tenta fazer alguma concorrência as vans – a frente dele 2-andares da Linha Turismo.

Zulus e xhozas, grosseiramente falando os que se denominam ‘negros’ e ‘mulatos’ respectivamente, se mataram violentamente nos tumultuados anos da queda do ‘apartheid’.

Você vê: houve uma ocasião que os brancos brigaram violentamente entre si.

Pois bem. Os negros fizeram o mesmo. Como eu disse, o ser humano é sempre o mesmo, a pele não torna ninguém melhor ou pior.

Sempre com as montanhas ao fundo.

Quando afloram disputas pelo poder, não há qualquer solidariedade real, apenas interesses.

Seja como for, assim é a Cidade do Cabo: reduto dos africâneres (descendentes de holandes) e dos xhozas que se dizem ‘mulatos’.

Durbã, do outro lado da nação, é o oposto: o bastião dos britânicos e dos zulus que se auto-denominam ‘negros’ puros.

No Centro do Cabo existem brancos, as raças se mesclam melhor.

No antigo Trans-Vaal, cujo núcleo é hoje Gauteng onde estão Joanesburgo e Pretória, é um meio-termo, uma zona de transição.

Tanto entre os brancos quanto negros há um equilíbrio entre as etnias ali.

Nesse caso, nenhuma predomina absoluta como nas pontas do país.

“Do nada a lugar nenhum”, esse viaduto está parado, dinheiro jogado no lixo. Veja aquele rapaz a esquerda, devia ser um guardador de carro, mas ao ver a oportunidade surgir, se metamorfoseou em guia turístico: quando percebeu que éramos turistas, se ofereceu pra nos levar na parte nova do Centro, onde estão fazendo conjuntos residenciais e comerciais de alto padrão, a algumas quadras dali. Seus serviços são pagos, claro. Demos a ele alguns Rands pela orientação.

Vejamos: na área rural de Gauteng e no vizinho Estado Livre (antigo ‘Estado Livre Laranja’) há muitos brancos africâneres fazendeiros.

Em alguns municípios majoritariamente rurais os brancos chegam a 40% da população.

E nesses lugares no interior em que os brancos conseguem ser mais de 1/3 até quase metade da população, a maioria é africâner, a minoria inglesa.

Mas nas metrópoles os brancos, de todas as etnias, nunca passam de 15% (20% em Pretória, que é um pouco menor).

Em Joanesburgo não há predomínio nem inglês nem africâner, ambos se fazem presentes em bom número.

Ou seja, em Gauteng há muito mais africâneres que em Durbã, mas (considerando só as cidades maiores, excluindo o interior) bem menos que no Cabo.

A direita na imagem, essa é a parte nova do Centro que falei (ainda está em obras, fez sucesso e sendo ampliada), prédios caríssimos com canais em frente, assim os brancos sul-africanos podem praticar um de seus esportes preferidos (esse caiaque que você rema em pé) sem sair de casa. A esquerda um outro na mesma modalidade, esse até com roupa própria pro frio (eu disse que a água é gelada) e na praia.

Quanto aos negros, fora dos 3 Cabos os xhozas são mais raros. Mas isso não significa que os zulus sejam hegemônicos.

Em Gauteng os negros da etnia sotho são mais numerosos que os zulus, por exemplo.

Há bem mais zulus que no Cabo, mas bem menos que em Durbã.

Como disse, nas pontas do país a coisa é mais polarizada entre as etnias.

No centro geográfico da África do Sul (centro-leste, na verdade) há um equilíbrio maior.

Você pode conferir todas as estatísticas na página da página da Wikipédia.

Próximas 4: ‘Woodstock’. A parte baixa do bairro, perto da linha do trem, ainda é periferia.

……..

A rivalidade leste-oeste na África do Sul respinga até na astronomia:

Em Durbã eles dizem: “o Sol nasce aqui”. No Cabo respondem:

“Pode ser. Mas pelo menos pra se pôr o Astro-Rei escolheu um lugar agradável”….rs.

Aqui e a direita: na parte alta, subindo a montanha, houve tremendo aburguesamento.

…………

O que mais podemos dizer?

Falamos nas legendas que a Cidade do Cabo tem um sistema de transporte público exemplar.

Não há metrô nem bonde moderno (VLT), e o sistema de trens de subúrbio funciona muito mal, como sempre na África do Sul.

Mas os ônibus . . . que belezura !!! Não devem nada pros melhores sistemas da América, Ásia e Europa.

Já fiz matéria específica sobre o transporte, onde conto tudo em detalhes com centenas de fotos, confira.

Próximas 2: Av. Vitória, que divide as 2 metades.

O destaque negativo é que infelizmente a Cidade do Cabo se tornou a cidade mais violenta da África do Sul, e uma das mais violentas do mundo.

Foram nada menos que 2,4 mil assassinatos em 2015, uma tristeza.

Só que as mortes se concentram quase todas entre os negros (daqui pra baixo quando eu usar o termo ‘negro’ quero dizer ‘africanos nativos’, tanto os que se denominam ‘negros’ mesmo como os ‘mulatos’) do fundão da periferia.

De forma que ninguém se importa muito, nem mesmo a burguesia negra.

Destaquei a rede nacional de mercados ‘Shoprite‘ (corruptela de ‘Shop Right’, ‘Compre Certo’).

OK, justiça seja feita, não é muito diferente do Brasil.

Apenas aqui nunca houve ‘apartheid’, então a questão é mais de classe que de raça.

Em São Paulo e no Sul do Brasil, a periferia sangra de maneira idêntica, e nessas partes a maioria dos mortos é branca.

Próximas 2: clube na orla da Zona Central, com piscinas públicas frequentadas pela classe-média.

Mas mesmo nas porções mais quentes do país, onde a maioria da periferia é mulata (ou em algumas partes negra), ainda há uma grande proporção de brancos.

E de Norte a Sul, todos, de todas as raças, sofrem juntos com a violência urbana, sob indiferença das classes mais elevadas. Isso no Brasil. 

Enquanto que na África do Sul a questão envolve além de classe a raça: 97% das vítimas de violência são negros, muitas vezes mortos por outros negros.

Novamente, sob a indiferença das classes mais elevadas, e parte da burguesia agora também é negra.

Antigamente, nos tempos do ‘apartheid’, Joanesburgo concentrava o grosso da violência urbana no país.

Sim, ‘Soweto’ liderou a resistência contra o regime racista. Mas ‘Soweto’ era, também, sinônimo de crimes cometidos de negros contra negros.

Quando a África do Sul se agitou a partir da segunda metade dos anos 70 pra derrubar de vez o ‘apartheid’, os negros por um lado se uniram pra lutar contra o inimigo.

Próximas 7: na mesma região, a Beira-Mar riquíssima da Ponta Verde e imediações (puxando a fila uma BMW, atrás um Audi).

Sim, verdade. Mas também é verdade que, na convulsão que a nação mergulhou, os negros cometeram muitos massacres contra os próprios negros.

E isso também se concentrou em Joanesburgo, muitas vezes em Soweto e imediações.

Mas houve matanças nos bairros e favelas negros em outras partes da cidade.

Durbã e a Cidade do Cabo, principalmente essa, eram mais calmas, não participaram tão intensamente dessa catarse.

Mas desde a queda do ‘apartheid’, a praga da violência urbana engolfou a África do Sul como uma peste negra.

São milhares de mortos em cada metrópole, a cada ano.

Em Joanesburgo a violência sempre foi alta, aumentou mais, mas desde então caiu um pouco.

Em Durbã era menos que Joanesburgo e mais que no Cabo, igualmente explodiu na virada do milênio.

Mas de lá pra cá também reduziu bem. Ainda bem alta, mas menos que já foi.

Na Cidade do Cabo, infelizmente, os índices de assassinatos ainda não baixaram desde que foram pra estratosfera duas décadas atrás.

Uma cidade tão linda, mas com uma periferia que sangra. Lembra muito o Rio de Janeiro, no melhor e no pior.

Também já fiz matéria específica sobre a periferia, onde falamos de tudo isso muito mais amplamente.

……….

Voltando a parte riquíssima da orla, acima vemos um complexo no que eles chamam de ‘Beira-Mar (‘WaterFront’). Há restaurantes, comércio, espetáculos culturais, diversas atrações pros turistas e pros moradores locais.

Dali sai a balsa pra ilha Robben, onde fica fica o antigo presídio (agora museu) onde Mandela foi preso.

Mandela foi solto, o ‘apartheid’ acabou, ele se tornou presidente. Assim, chega da falar de conflitos. Vamos falar da resolução de conflitos.

Fechamos a orla da Ponta Verde. ‘SABC‘ (‘South Africa Broadcasting Corporation’) é a rede pública de TV, a BBC deles.

O ‘apartheid’ durou praticamente um século. Oficialmente iniciou-se em 1949.

Mas na prática desde que os brancos conquistaram todo o país – pois até século 19 eles se restringiam mais ao litoral.

Então. Ao adentrar o interior e pôr todos os negros sob jugo europeu, na prática começou aí o ‘apartheid’.

Porto.

Não nos esqueçamos que Gandhi (que morou 21 anos na África do Sul) já foi preso por causa disso.

E a ‘Grande Alma’ esteve lá na virada do século 19 pra 20.

Tudo isso gerou um ódio profundo, enraizado. Os brancos eram ensinados desde sempre a odiar os não-brancos, pois seu sistema de privilégios dependia disso.

Indo pra Zona Norte, o Pq. Industrial.

Ódio gera mais ódio, como não é difícil imaginar.

Obviamente não sendo santos, os negros e (principalmente em Durbã) indianos, e também (os poucos que haviam) chineses passaram a odiar os brancos no retorno.

Mais que isso, as raças também se odiaram entre si.

Só que isso não é natural, é artificial. Disse o Grande Mestre Nélson Mandela:

Próximas 2: o rico bairro de Campo na Baía (‘Camps Bay’), no começo da Zona Sul.

“As pessoas não nascem odiando. Elas têm que ser ensinadas a odiar, e é isso que a sociedade faz”.

Ele continuou: “mas não precisa ser assim. Assim como são ensinadas a odiar, as pessoas podem ser ensinadas a Amar”.

Mandela dispensa apresentações. Ele também é uma ‘Grande Alma’, o ‘Pai Espiritual’ da África do Sul, arquétipo da moderna nação sul-africana.

Mandela esteve 27 anos preso no presídio que fica na Ilha Robben, no litoral da Cidade do Cabo, de segurança máxima, uma ‘Alcatraz africana’.

Fugir da Ilha Robben era impossível, além da segurança máxima em si mesma era numa ilha.

E como dissemos ainda contribui o fato que a água é congelante:

Próximas 3: uma parte de periferia na Zona Norte (na África do Sul os burgueses jamais moram em prédios altos, exceto em algumas partes da Beira-Mar.)

Se alguém ainda conseguisse driblar todas as grades e os guardas, provavelmente perecia de hipotermia caso conseguisse alcançar o continente a nado.

Então escapar era fora de cogitação. Mandela observava da cadeia a Mesa-Montanha, que é um chacra da Terra.

Mesmo quem não conhece Ciência Oculta entende o Poder dela – ao menos de dia a Mesa-Montanha é um farol natural:

Visível a dezenas de quilômetros, indica a todos os navios o caminho pro porto da cidade. Após semanas no mar, vê-la dá um alívio, a viagem chega ao fim.

O próprio Mandela declarou que a Mesa-Montanha lhe dava alento. Preso ali no ‘Cabo da Boa Esperança’, ele nunca perdeu a esperança.

Montanhas ao fundo, em qualquer parte da cidade.

E a vista do morro, ali, incólume, vencendo a passagem dos séculos, lhe mostrava que tudo um dia passa.

Portanto o ‘apartheid’ iria passar também.

Era preciso apenas aprender com o gigante de pedra a ter paciência.

………

A Mesa-Montanha é disparado o símbolo do Cabo.

Enorme é a fila pra subir em seu teleférico, e ter o privilégio de ver lá de cima toda a cidade, e o próprio cabo que divide Atlântico e Índico.

Próximas 5: bairros de classe média-alta centrais. Aqui as casas têm muro pois é muito dentro da cidade, não dá pra patrulha armada intimidar a passagem de não-moradores.

Estávamos lá, num dia de sol lindo. De repente, vimos dois menininhos brincando.

Correndo um atrás do outro entre as pessoas da fila, fazendo esconde-esconde, essas coisas.

Riam do fundo de suas almas infantis um pro outro.

Numa cena que faria sorrir até o mais sóbrio dos adultos.

Um dos meninos era negro, o outro branco. Tinham entre 4 e 5 anos.

Não se conheciam até então. Se viram na fila, e a identificação foi imediata.

Nem é preciso repetir que a Mesa-Montanha emoldura, sempre.

Se adoraram, pareciam mais amigos que se fossem primos e se conhecessem desde o nascimento.

Você via em seus olhares essa afeição mútua, essa afinidade sincera que só quem ‘pensa com o Coração’ pode identificar.

E um deles, repito, era escuro como o ébano, o outro era claro como marfim.

Mas pra eles a pele nunca importou, e sim a Sintonia de Almas.

Não tive como não me emocionar, e me emociono agora de novo, quase um ano depois, quando a cena me vem a mente mais uma vez.

Não tive como não lembrar e não prestar um tributo ao Grande Mandela. Bença, Mestre:

Ali, subindo a Mesa-Montanha, que é um Chacra da Terra, que Equilibra as Energias Sutis do planeta.

Em prédios mais baixos os burgueses moram (com 2 BMW’s o perfil fica óbvio).

Essa mesma montanha que deu esperança ao Mestre em seus dias mais sombrios.

Símbolo máxima da Cidade do Cabo da Boa Esperança que se formou a seus pés.

Realmente há esperança: as pessoas não nascem odiando. Elas são ensinadas a isso.

E elas podem ser ensinadas a Amar.

Esses meninos já Sabiam. 

Em Verdade vos digo que aquele que não se fizer criança de novo não adentrará no Reino dos Céus.”

Que todos os Mestres Abençoem o planeta Terra.

Orla da Cidade do Cabo: o ‘apartheid’ acabou, “Somos Todos Iguais”.

………

Depois disso nem há muito mais o que dizer.

Apenas mais imagens pra fechar. A “Riviera do Cabo”, que de tão bela já mereceu uma matéria específica, alias a que abriu a série.

E agora os subúrbios da Zona Norte, de classe média-alta a moda estadunidense.

“Deus Pai e Mãe proverá”

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Encontro das Águas

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 20 de janeiro de 2018

Mais um Maurílio soldado.

Dessa vez, soldado do Exército Paraguaio.

Ele está na ‘Tríplice Fronteira’:

Obviamente onde Brasil, Paraguai e Argentina se encontram.

ANOITECE EM COLOMBO: essa imagem não se relaciona com o texto. Já fiz uma matéria, como muitas fotos, mostrando o Pôr-do-Sol no Jardim Monza, em Colombo, Zona Norte da Grande Curitiba. Então agora uma versão em desenho, na qual esse humilde Mensageiro foi incluído. A Caminhada Continua: Maurílio no Jardim Monza (ou quem sabe um pouco mais a oeste, no Jd. Osasco, perto do Roça Grande). Em frente a uma casa de madeira, numa periferia do Sul do Brasil: também já retratei uma Marília adolescente na mesma situação, alias ela e suas 2 irmãs.

Vide a placa acima da manchete – ela foi clicada no lado brasileiro.

Como Maurílio é paraguaio, mais que isso um militar paraguaio, está desse lado da divisa, guardando sua nação.

Ao fundo dele, a direita vemos nossa Pátria Amada, e a esquerda a Argentina.

Retratei Foz do Iguaçu. Não a cidade, mas sim o aspecto geográfico que a nomeia:

O Rio entre o centro e a direita na imagem (no meio das duas partes em verde) é o Iguaçu, que em seu trecho final divide o Brasil da Argentina.

Já o Rio na parte debaixo do desenho (entre a porção cinza e as verdes) é o Paraná, que a montante do Iguaçu divide Brasil e Paraguai, e a jusante desse ponto Argentina e Paraguai.

Um “Encontro das Águas”: o Iguaçu é o maior rio do Paraná – nasce em Curitiba, e logo em seu início já absorve o maior Rio de Curitiba, que é claro o Belém.

E aqui na capital do estado nomeia justamente o palácio da sede do governo. Depois cruza todo território paranaense.

Vamos ver destaques da Tríplice Fronteira. Aqui e na próxima a ‘Ponte da Amizade’ Brasil/Paraguai, a construção nos anos 60.

E após isso chega ao fim de sua epopeia, e se dissolve no Rio Paraná, que apropriadamente nomeia o estado.

E ali as 3 nações-irmãs americanas também têm seu encontro. Por conta disso, em cada uma delas há o Marco das 3 fronteiras que vemos acima.

Todos em suas respectivas margens, juntos formam um triângulo. Amplie a imagem a esquerda pra ver melhor o que vou descrever abaixo.

Não é preciso legendar a imagem, o obelisco de cada país obviamente ostentas as respectivas cores nacionais:

O brasileiro verde-&-amarelo, o argentino azul claro e branco, e o paraguaio tricolor, azul escuro, branco e vermelho.

Os obeliscos brasileiro e argentino são idênticos, em forma de cunha, e foram inaugurados em 1902.

Foz abriga Itaipu, que já foi a maior usina hidrelétrica do mundo, também na fronteira Brasil/Paraguai.

O paraguaio é bem mais recente, de 1961, e diferente: além de retangular, tem o nome da nação num apêndice.

Na tomada do tótem argentino (no canto inferior esquerdo ainda da mesma colagem) vemos ao fundo os prédios do Centro da Cidade do Leste, Paraguai.

E dentro do Rio as balsas que ligam a Argentina ao Paraguai. Entre esses dois países ainda não há ponte, vejam vocês.

Até novembro de 1985 ali também era a balsa Argentina/Brasil. Pois foi quando a ponte (chamada “da Fraternidade”) que liga esses países foi inaugurada.

Cheguei a cruzar essa balsa Porto Iguaçu/Foz do Iguaçu, nesse exato ano de 85, poucos meses antes da ponte ser entregue.

Já a ponte Brasil/Paraguai (a “da Amizade”), é bem anterior, de 1965.

Numa nota brasileira vemos as Cataratas do Iguaçu, na fronteira Brasil/Argentina.

Portanto o Obelisco Paraguaio das 3 Fronteiras foi feito enquanto a ponte estava em obras.

O Marco do lado paraguaio é bem mais novo, repetindo. Em compensação nunca foi reformado.

Já os Obeliscos Brasileiro e Argentino foram reformados, mudaram o piso e fizeram outras melhorias.

Vemos isso claramente no lado brasileiro. Até o começo dessa década já existia o tótem, mas era só isso.

Em foto do sítio DBP Buss, uma jardineira na cidade argentina de Porto Iguaçu. A região tem transgenias busófilas curiosas…

Você podia se encostar e mesmo abraçar o monumento, e alguns faziam isso.

Era num ponto afastado do Centro de Foz do Iguaçu, sem nenhuma infra-estrutura de apoio ao turista.

Logo, pouquíssimas pessoas iam até o local, não havia atrativos além do tótem em si.

Agora, claro que ele continua no mesmo lugar, mas foi todo reformulado:

Construíram um laguinho incluso com iluminação noturna.

O soldado Maurílio. Já que o tema é esse, Pôr-do-Sol num Quartel do Exército Paraguaio que fotografei na capital Assunção, 2013.

Portanto ninguém mais pode chegar a pé até o monumento de cimento.

E ao redor fizeram estacionamento, restaurante, e um museu da colonização imitando uma missão jesuítica espanhola.

Afinal o estado argentino que faz divisa com Brasil e Paraguai é justamente as Missões.

Agora o Marco das 3 Fronteiras do lado brasileiro é uma atração turística de verdade.

Assim os guias de viagem passaram a incluí-lo em seus roteiros.

………

Encontro das Águas, Encontro das Nações Irmãs em Amizade e Fraternidade: 

Assim é Foz do Iguaçu, Porto Iguaçu e Cidade do Leste, a “Tríplice Fronteira”.

“Deus proverá”

Fortaleza: a Cidade do Sol, do Mar, das lagoas, do ‘Funk’ e dos Ônibus Azuis

Lado-a-lado, as estações de metrô e ônibus de Messejana, Fortaleza (r). Aqui já vemos 2 traços marcantes da cidade, as lagoas e os busos azuis – quando estive lá, em 2011, eram assim inteiramente celestes. Hoje são brancos mas com detalhes ainda em azul.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (via emeio) em 6 e 11 de setembro de 2011

Maioria das imagens clicadas pessoalmente por mim. As que foram baixada da internet eu identifico com um ‘(r)’ de ‘rede’, como visto ao lado.

Os créditos foram mantidos sempre que impressos nas imagens, e quando possível passo a ligação pras fontes.

Vamos concluir a série sobre a capital do Ceará. A viagem foi em agosto de 2011. Entre outras coisas, contarei sobre minhas voltas na periferia. Porém antes de irmos de vez pro subúrbio, falemos sobre alguns detalhes da alimentação.

Mercado no Centro de Caucaia, Zona Oeste metropolitana. No Ceará as pessoas ainda compram galinha viva no meio da rua – já em João Pessoa fotografei o comércio de bodes.

Em Fortaleza não há restaurantes em que você come a vontade por um preço fixo, o que me chamou muita atenção porque sou do Sul do Brasil.

Pra quem é do Nordeste e não conhece o Sul, ou vice-versa é do Sul mas não conhece o Nordeste, façamos a comparação:

Aqui no Centro de Curitiba (e em todos os seus bairros mais movimentados) há centenas de restaurantes onde você come tudo que quiser e puder, sem precisar pesar e repetindo quantas vezes quiser, porque o valor é igual pra todos.

Há uma rede que se chama Spich, por exemplo, com várias filiais espalhadas pela cidade, Centro e bairros. Ali, por R$ 4,50 (valor de 2011) você come a vontade, e uma comida de qualidade. (Notas: não estou fazendo propaganda, não ganho jabá pra falar isso. Cito apenas um exemplo que todos aqui em Ctba. conhecem. 

A Cidade das Lagoas: a da foto maior creio que seja a de Messejana, não posso dar certeza. A do destaque é na Zona Sul, também não estou certo em que bairro. As margens dela mais uma favela – lembre-se, no Nordeste as favelas são sempre de alvenaria e (com exceção total de Salvador e parcial de Recife) geralmente de casas térreas, as lajes apenas iniciam sua subida.

De fato o Spich é uma boa pra quem quer uma comida barata e saudável, tem bastante opções de salada, por exemplo.

Atualizando, no começo de 2017 o valor do Spich era R$ 6,95, ainda bem abaixo da média da cidade que oscila já perto dos R$ 10. Estabelecida essa referência, voltemos a Fortaleza.)

No Ceará, dizendo de novo, não existe o sistema de comer a vontade por um preço fixo. Há duas opções: se você mesmo se serve, precisa pesar pra ver quanto vai pagar. Se o preço é fixo, o prato também.

Atualização: depois dessa viagem, fui a Belém do Pará, João Pessoa-PB e Belo Horizonte-MG. Foi interessante porque aí pude comparar o Brasil nas suas 2 pontas, e também em seu centro.

Na Paraíba eu não me alimentei na rua, pois fiquei hospedado na casa de uma colega. Mas na Amazônia almocei sempre em restaurantes do povão. E aí vi: não é só em Fortaleza, em Belém tampouco há comida a vontade por preço fixo.

Bairro Jurema, em Caucaia.

Concluí que essa é a característica do Norte e Nordeste, sendo que aqui no Sul, dizendo de novo, é o exato oposto. Em B.H., vejam vocês, achei um sistema intermediário entre as pontas dessa nação-continente:

Ali em Minas você mesmo se serve a vontade, e não precisa pesar – mas não pode repetir, é o que couber no prato na sua única ide ao bifê. Os cartazes deixam claro como funciona: “sem balança – mas sem repetir”.

No meu último dia em Fortaleza achei no Centrão um restaurante bom e barato, $ 4,50 o prato feito (valores sempre de 2011, lembre-se).

Bem perto dali, as ruas internas do Conjunto Ceará, populoso bairro da Zona Oeste.

Outro detalhe é que a farinha de lá é muito mais grossa e escura. Quem é acostumado com a farinha branca e fina do Centro-Sul vai achar que está comendo pedra.

É assim mesmo, foi igual em João Pessoa, Belém e Manaus-AM. Creio que seja característica dos lugares mais quentes na porção setentrional do Brasil.

‘PÃO DE QUEIJO’ É BEM DISTINTO – 

Também o que no Centro-Sul chamamos por “pão-de-queijo” não existe no Ceará. Digo, o pão-de-queijo mineiro, como conhecemos por aqui, existe lá nas lanchonetes de classe média-alta, em “shoppings” e na beira da praia, onde há muitos turistas.

Aqui e sobre a manchete: contraste agudo, os prédios dos milionários ao lado do iate-clube em Meireles, e uma grande favela logo atrás (imagem obtida via ‘Google Mapas’).

Mas no Centro e na periferia eles desconhecem. Os hábitos alimentares variam muito mesmo de região pra região, né?

Por exemplo, em Manaus eles não servem batata-frita, exceto nas áreas turísticas, o que torna o prato extremamente caro.

Aqui em Curitiba o ‘prato-feito’ ou ‘p.f.’ mais comum é arroz, feijão, alface, tomate e um bife, as vezes vem também batata-frita, que no Centro-Sul é popular e barata.

Mas em Ponta Grossa, no interior do Paraná, sempre servem repolho ao invés de alface, devido a colonização russa, pois os eslavos adoram repolho. Em Belém o p.f. sempre contém macarrão, o que não vi em outras partes, ao menos não sendo compulsório como no Pará.

Próximas 4: a orla da Zona Leste, a porção rica da capital. Começamos com 2 de minha autoria.

Voltemos a Fortaleza. Lá ‘pão-de-queijo’ designa um outro salgado, seria equivalente uma esfirra fechada de queijo (talvez similar a popular ‘empanada’, que é salgado mais conhecido do Chile, Argentina, Paraguai e Bolívia).

É gostoso, e me ajudou bastante, pois eu não como nenhum tipo de carne. Então quando circulando pelas cidades (no Centrão e nos subúrbios, entre o povão) é bom quando encontro uma forma rápida e barata de me alimentar, o que nem sempre é fácil.

Na Colômbia, por exemplo, eles comem muita carne, não há salgados só de queijo. Teve dias que tive que almoçar um pedaço de bolo doce, e eu não gosto muito de doces nem mesmo na sobremesa, que dirá como prato principal.

Outra coisa. No Nordeste é vendida uma margarina com a fórmula diferente da que é comercializada no Centro-Sul, pois é muito mais resistente ao calor.

A que comprei é fabricada pela transnacional Bunge, em PernambucoFicou 2 dois fora da geladeira, no calor cearense. Não derreteu. Quando a coloquei na geladeira, aqui em Curitiba, entretanto, ela congelou.

Ou seja, uma margarina que dispensa refrigeração, e aguenta o calor quase desértico sem se liquefazer.Especialmente no interior, muita gente no Nordeste ainda não tem geladeira, e a Bunge adaptou a fórmula pra atender esse público.

………………..

Aqui e a direita, seguimos na mesma frequência, mas agora em duas cenas baixadas da rede: Praia de Meireles, onde moram os ricos. Ondas calmas pelo dique que afunda o calado pro porto, que é próximo – no Litoral do Chile eu fotografei um prédio vazado parecido com esse.

Voltemos a falar da cidade de Fortaleza. A Zona Leste é a parte rica. Falando em termos gerais, a elite e a alta-burguesia moram a leste do Centro, entre a orla e Parque do Cocó. Do parque pra baixo é periferia como no resto da cidade.

Digo, de uns tempos pra cá a outra margem desse bosque também vem se aburguesando mais, natural, pois há uma oferta maior de terrenos pra se construírem novos prédios.

Mas arredondando podemos dizer que o Parque do Cocó marca a divisa entre burguesia e periferia. Sim, ainda há uma porção mais cara nas imediações dele, mesmo na margem ‘de baixo’.

Mas logo a seguir a mesmo a Z/L passa a ter um perfil mais de subúrbio, que prevalece nas nas Zonas Oeste e Sul. Bem, agora, vamos falar exatamente do resto da cidade. Comecemos pelo núcleo principal. Os bairros ao redor do Centro de Fortaleza são densamente habitados, ao contrário do que ocorre em Curitiba.

Mais uma de Meireles (r). Aqui fica claro a ‘piscininha’, por isso me refiro a uma praia mansa, de mar calmo.

Novamente falarei um pouco da capital do Paraná pra termos base de comparação. Como viram pelos dados do Censo, nessa última década o Centro de Curitiba voltou a crescer. Mas os bairros da Zona Central, excluindo o próprio, continuam a minguar.

Rebouças, Parolin, Seminário, Jardim Social, Hugo Lange, São Francisco, Batel, Mercês, Prado Velho, entre outros, continuam a sofrer severo êxodo.

Rebouças mesmo tinha população maior em 1970, 41 anos atrás portanto, que hoje (2011). E isso que Prado Velho e Parolin abrigam grandes favelas, as Vilas Capanema e Parolin.

E as favelas (de Curitiba e toda parte) continuam a inchar, agora pra cima, com cada vez mais lajes sendo erguidas. Então você imagina como está grave a sangria de gente nas partes não-favelizadas dos bairros centrais da capital paranaense.

Praia do Futuro, a leste da cidade (r). Essa é de mar aberto, e portanto com ondas de verdade.

Em Fortaleza esse fenômeno de esvaziamento da Zona Central não existe. Digo, esse é minha observação empírica, e fiquei apenas 4 dias na cidade, qualquer análise tem uma base de dados pequena.

Não puxei os dados do Censo dos bairros de lá. Mas fiquei hospedado próximo ao Centro, e andei bastante a pé na região. Não há a impressão de ‘cidade-fantasma’ que tenho em partes do Rebouças e São Francisco, aqui em Ctba. .

Isso porque Fortaleza cresce num ritmo galopante, então não se pode se dar ao luxo de desperdiçar espaço. Fortaleza tinha 1,7 milhão no Censo de 1991. Em 2000 eram 2,1 milhões.

Agora em 2010 são 2,4 milhões de fortalezenses – ultrapassou Belo Horizonte, e hoje é quinto município mais populoso do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador-BA e Brasília (a capital federal também cresce muito, e também deixou BH pra trás).

Em compensação a Praia do Futuro, por ser afastada da Zona Central, quase não tem prédios, e há mesmo ainda grandes terrenos vagos em frente (r).

Curitiba, em comparação, tinha 1,3 milhão em 1991, 1,5 em 2000 e agora em 2010 somos 1,7 milhão de curitibanos. Ou seja, em 1991 Fortaleza tinha 400 mil pessoas a mais que Curitiba.

Atualmente a diferença é de 600 mil. Em compensação, a Região Metropolitana de Fortaleza é menor que a Região Metropolitana de Curitiba. Aqui estou dizendo que há menos municípios-dormitórios ao redor de Fortaleza do que ao redor de Curitiba.

O núcleo é maior lá, mas o subúrbio é maior aqui. Tudo somado, a Grande Fortaleza tem mais ou menos a mesma população da Grande Curitiba, cerca de 3,5 milhões de pessoas.

Repartição pública no Centro da capital, com as bandeiras do Ceará, Brasil e Fortaleza. Está claro que que fiz uma foto-montagem: não consegui uma tomada com as 3 abertas no ar ao mesmo tempo, então tirei mais de uma foto, recortei a bandeira do Ceará e colei nessa. A intenção não é enganar ninguém, e, bem, se fosse eu não teria a técnica nem o equipamento necessários pra fazer uma armação convincente. Além de vocês notarem as emendas, é claro que é impossível os pavilhões federal e municipal tremularem prum lado, e o estadual pro outro. O propósito é apenas vermos o símbolo das 3 esferas na mesma cena.

E ambas têm também mais ou menos o mesmo número de assassinatos, cerca de 1,8 mil por ano tanto na Grande Fortaleza quanto na Grande Curitiba. São duas cidades muito violentas.

Atualização: o texto é de 2011, dizendo de novo. Portanto os dados acima são de 2010, e esse foi o período mais violento da história de Curitiba.

Em 2010 somente o município de Ctba. teve 979 assassinatos (isso em nºs oficiais – na prática foram mais de mil, resultando os 1,8 mil do município + subúrbios metropolitanos).

Nessa década de 10 os assassinatos em Curitiba e região se reduziram bastante, no município agora é perto de metade do pico: em 2015 foram 449.

Portanto a capital do Paraná ainda é uma cidade muito violenta, mas bem menos do que já foi. Em Fortaleza, infelizmente, a violência ainda continua na estratosfera.

Em 2014 foram 1.989 homicídios, tanto em termos absolutos como relativos (proporcional a população) a capital mais violenta do Brasil.

Fortaleza teve mais assassinatos que São Paulo, cuja população é 5 vezes maior. Os índice de Fortaleza estão próximos aos das grandes metrópoles da África do Sul e México, que são países ainda mais violentos que o Brasil, e olhe que isso não é fácil.

Fortitudine”, a bandeira municipal com ‘Fortaleza’ em latim.

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Abaixo reporto como o humor cearense sintetiza essa triste situação de conflagração urbana. Aqui continuemos a falar da população.

Se hoje (2011) o número de habitantes das duas cidades (núcleo mais subúrbios) se equivale, em 2020 a Grande Fortaleza será muito maior que a Grande Curitiba, pois cresce muito mais.

CAUCAIA, CORAÇÃO DA ZONA OESTE –

A Zona Leste é a parte rica, as Zonas Sul e Oeste de Fortaleza são as mais pobres e mais populosas. Tanto dentro do município quanto nos subúrbios. Não custa lembrar que Fortaleza não tem Zona Norte, pois essa é o Oceano. Assim os municípios mais povoados da Grande Fortaleza ficam pros lados ocidental e meridional da metrópole.

O texto ao lado fala de Caucaia, mas essa foto é no município de Fortaleza. Na capital do Ceará esse é o padrão, 90% das portarias são assim, 2 metros acima do solo. Quase uma guarnição militar, igual as torres de vigia dos quartéis. Certamente é impossível assaltantes renderem o porteiro dessa forma, pela visão que ele tem da rua, e por não ficar na linha de tiro. Ele não interage com visitantes face-a-face, apenas por interfone. Já conheci centenas de cidades por toda América (e até um pega na África), somente em Fortaleza eu vi isso, pelo menos nessa proporção epidêmica.

O maior é certamente é Caucaia, que fica no Coração da Zona Oeste da cidade. É um município muito grande, tanto em área quanto em população.

Pega um pedaço de litoral e vai margeando toda a divisa oeste do município de Fortaleza. Em Caucaia moravam 325 mil pessoas em 2010, segundo o Censo.

Hoje são bem mais, pois a taxa de crescimento populacional do Norte, Nordeste e Brasília permanece elevada, ao contrário do Centro-Sul.

Caucaia é o segundo município mais populoso, não apenas da Grande Fortaleza mas também de todo o estado do Ceará. A título de comparação, a maior cidade do interior, Juazeiro do Norte (terra do Padre Cícero) tem 249 mil habitantes.

Caucaia já é grande e cresce demais. Em 1991 tinha 165 mil habitantes, em 2000 250 mil e agora (censo de 10), dizendo de novo, 325 mil.

Resumindo dobrou em 20 anos. Crescimento explosivo. Caucaia é servida por trem de subúrbio, cujo trilho veem em fotos espalhadas pela página.

MARACANAÚ, O ORGULHO DA ZONA SUL 

Se a Zona Oeste é grande, a Zona Sul não fica pra trás. Ali está o município de Maracanaú, que é o mais industrializado da Grande Fortaleza. Estive lá na Zona Industrial.

Agora vemos Caucaia, mais uma no bairro de Jurema.

Há um Instituto Federal (antigamente chamados ‘Cefet’ em alguns estados) novinho em folha (quando estive lá, que foi em 2011, nunca custa reforçar). Maracanaú tinha 209 mil habitantes no censo do IBGE de 2010.

O que o torna o 4º município mais populoso do estado, atrás dos vizinhos Fortaleza e Caucaia, já citados, e Juazeiro do Norte (que, repito, com 249 mil habitantes no mesmo censo é a maior cidade do interior).

O 5º município mais povoado do estado, e segunda maior cidade do interior, é Sobral, com 188 mil pessoas. Mas nosso foco é a Grande Fortaleza. De volta pra lá.

Maracanaú também é servida por trem de subúrbio, mas este está desativado – por um bom motivo: a linha está sendo adaptada pra virar metrô (foi o que escrevi em 2011. Em 2017 o metrô já está funcionando há tempos, publiquei a matéria específica sobre o transporte no Ceará). 

Fortaleza: casas com grades na porta, mesmo perto do Centro. Aqui em Curitiba existe também essa cena, mas somente nos bairros mais afastados do subúrbio, muitas vezes na região metropolitana. No Ceará é mais generalizado. Tirei essa foto de dentro do trem. Outro detalhe é que esse é o perfil típico das casas mais humildes no Nordeste: pequenas, de alvenaria e com a saída direto pra rua, sem muro ou quintalem João Pessoa fotografei isso com melhor definição.

Aqui o foco é a população, como ela se divide nas regiões da cidade. Oficialmente a Grande Fortaleza é composta de 19 municípios.

Mas você sabe que essas decisões políticas muitas vezes não encontram respaldo na realidade, nos ‘fatos no solo’. Quero dizer com isso o seguinte:

As regiões metropolitanas das capitais vão sendo sucessivamente ampliadas, e com isso passam a abarcar municípios muito distantes.

Incluso alguns que não têm qualquer ligação urbanística ou econômica com a capital. Na prática, muitos municípios mais distantes são já no interior.

Próximos a capital sim, mas não estão conurbados, não estão conectados a ela. Somente no papel fazem parte da região metropolitana.

Foram incluídos por interesses políticos, que nem sempre – ou quase nunca – são os anseios e necessidades reais da população. Vou traçar mais um paralelo com o Paraná, pois aqui eu já exemplifiquei a situação em detalhes, com mapas e fotos dos ônibus que ligam as cidades:

Mesma cena na periferia, em Maracanaú, Zona Sul.

A Grande Curitiba é a maior região metropolitana da Brasil, em área. Vai desde a divisa com São Paulo no Vale do Ribeira até a divisa com Santa Catarina em Rio Negro.

Fortaleza passou pela mesma expansão. Em 1973 era formada por apenas mais 4 municípios além da capital, e todos faziam divisa com a mesma: 

Caucaia, Maranguape, Pacatuba, e Aquiraz. Na década de 80 Maracanaú e Eusébio se emanciparam respectivamente de Maranguape e Aquiraz, e portanto passaram a fazer parte também.

Até aqui todas ainda faziam divisa com a capital (embora o ponto de contato entre  Fortaleza e Aquiraz tenha ficado minúsculo com a separação de Eusébio, os municípios ainda se tocam perto da orla).

Não é a fronteira física por si mesma quem determina se um município é ou não região metropolitana. Piraquara não faz divisa com o município de Curitiba, mas a ‘Nascente do Sol e das Águas’ definitivamente é parte da Grande Curitiba.

Bairro Jurema, Caucaia: um comércio funcionando atrás das grades. Essa lanchonete está aberta, no entanto gradeada, o dono só abre se confia no freguês que chega. É muito comum essa cena na Grande Fortaleza, infelizmente. Aqui em Curitiba ocorre também mas é bem mais raro. Lá a situação é mais tensa. Só que na Colômbia é pior ainda, em Fortaleza é mais comum que Curitiba mas mesmo assim só na periferia. Em Bogotá e Medelím isso é corriqueiro mesmo no Centro e nos bairros mais abastados.

Mas há cidades que estão a algumas dezenas de quilômetros da capital, estão completamente separadas dela em termos urbanísticos (ou seja, é preciso pegar estrada).

Resultando que praticamente nenhum de seus habitantes migra pendularmente todos os dias pra trabalhar. Aí podemos ter certeza que não é região metropolitana de fato, só no papel.

Lapa, Rio Negro, todo o Vale do Ribeira e mais alguns municípios não são Grande Curitiba de fato, foram incluídos por outros fatores.

Retomando nosso foco, no Ceará ocorre o mesmo. Até 1992 todos os municípios da região metropolitana eram Grande Fortaleza de fato e direito.

Mas de lá pra cá, em sucessivas ampliações, foram incluídos repetindo cidades do interior, que não guardam relação urbanística com a capital.

Então podemos dizer que em termos práticos são realmente, com ‘fatos no solo’, parte da Grande Fortaleza: Caucaia, Maracanaú, Pacatuba, Maranguape, Itaitinga, Guaiúba, Eusébio e Aquiraz.

Caucaia, Maracanaú e Fortaleza são unha-&-carne. 3 municípios, mas uma só cidade, fazem totalmente parte da vida da capital.

Agora em Maracanaú. Passamos da Zona Oeste pra Zona Sul, mas a situação se repete: uma casa de internet pública (‘lan house’) funcionando, mas com portas gradeadas.

Caucaia e Maracanaú são praticamente bairros de Fortaleza em todos os quesitos exceto que cada uma delas tem sua prefeitura própria.

Você não percebe quando cruza o limite municipal, pois a área urbana é totalmente interligada.

Caucaia então está umbilicalmente ligada a capital, pois é vizinha do famoso Conjunto Ceará, bairro emblemático da Zona Oeste de Fortaleza.

Já num segundo anel, mas ainda bem conectadas no dia-a-dia do núcleo, há Pacatuba, Maranguape, Itaitinga e Guaúba na Zona Sul, e Eusébio e Aquiraz na Zona Leste.

Dessas Maranguape, a terra de Chico Anysio, é disparado a maior e mais conhecida, tinha 113 mil habitantes no último censo.

As demais já são mais uma “área de influência”, digamos. Próximas a capital, mas é preciso pegar estrada e sair do perímetro urbano pra chegar nelas. Como dito há outros municípios ainda mais distantes, que são Grande Fortaleza no papel mas não o são na prática.

……….

Próximas 2: o trilho do trem divide os bairros Jurema (Caucaia) e Conj. Ceará (Fortaleza).

Na Zona Oeste, dentro do município de Fortaleza, há o Terminal Antônio Bezerra, próximo da Avenida Bezerra de Menezes.

Os que são familiarizados com os grandes nomes do espiritismo kardecista sabem que Bezerra, que é cearense, foi um dos grandes nomes que ajudaram na difusão dessa religião em nosso país.

Resultando que alguns poderiam pensar que o nome da avenida se deve a influência espírita, assim como há a Rua Allan Kardec no Bom Retiro, Zona Norte de Curitiba – o próprio nome Bom Retiro, alias, é emprestado do hospital da Federação Espírita que por décadas foi ali localizado.

Mas não é pelo kardecismo que existe a Avenida Bezerra de Menezes em Fortaleza, ou ao menos não é somente por isso. Adolfo Bezerra de Menezes foi um dos cearenses mais ilustres da história, em muitos campos.

Afinal foi médico, militar, escritor, jornalista e político. Antônio Bezerra, que nomeia um bairro e um terminal da Zona Oeste, foi seu pai. Uma nobre dinastia cearense.

………

Fortaleza tem (em 2011) 7 terminais de ônibus. E 6 desses ficam na periferia. A exceção é Papicu, no coração da parte mais rica da cidade, a Costa Leste.

1989: começa uma nova era no transporte de Fortaleza (r). Chegam os 1ºs articulados, ainda na época que cada empresa ainda pintava seus ‘carros’ como queria. A pintura da estatal CTC era essa. Esse e o próximo são dois veículos (da mesma leva, o da foto seguinte foi re-pintado) de carroceria Thamco, fábrica que havia em Guarulhos, Grande São Paulo. Ficou famosa por fabricar os primeiros 2-andares brasileiros, mas a seguir, no meio dos anos 90, faliu. A Marcopolo comprou o espólio e a renomeou Neobus (a mesma que fabricou os novos ligeirões azuis de Curitiba, que quando escrevi esse emeio eram novidade), transferindo-a pra sua cidade-sede, Caxias do Sul-RS.

Por isso é muito movimentado, há linhas pra todos os outros terminais, pois ali é que estão boa parte dos empregos.

A linha Papicu-Conjunto Ceará, por exemplo, é extremamente sobrecarregada, pois liga um terminal que é no núcleo da Zona Leste ao coração da Zona Oeste, a região-dormitório.

OS ARTICULADOS SE FORAM, MAS VOLTARAM: A QUEDA E ASCENSÃO DO TRANSPORTE FORTALEZENSE

Nessa década de 10 Fortaleza investiu maciçamente no transporte coletivo. Foi uma revolução, de uma situação caótica a situação melhorou muito.

Já fiz matéria específica sobre o tema, onde discorro melhor, ilustrado com muitas fotos e mapas. Portanto aqui daremos somente uma breve rememorada.

Vejamos o que escrevi em 2011, que foi o que constatei lá. E depois atualizamos, pra vocês verem o quanto a coisa mudou pra melhor. Esse subtítulo acima, “Os articulados se foram mais voltaram”, só pode ter sido escrito numa atualização da matéria. E de fato o foi.

Atrás (destacado pela flecha) um ainda em pintura livre (r). O prefixo é em cor diferente porque Fortaleza é o epicentro da ‘Costa Norte’ Brasileira, que se espraia dali até Manaus.

Pois no emeio original, que mostrava como era a realidade no comecinho da década de 10, o sub-título era:

“NÃO HÁ ARTICULADOS, REGRESSÃO NO TRANSPORTE“. Relatei a época queessa linha (Papicu-Conj. Ceará, citada acima) deveria ser feita com articulados. Infelizmente não há ônibus articulados em Fortaleza, e essa é uma falha gritante do sistema.

Tampouco há canaletas (corredores) exclusivas, outro erro de planejamento. A foto abaixo a direita mostra a primeira pintura padronizada de Fortaleza, ou seja igual pra todas as empresas.

Até hoje se entra por trás em Fortaleza, isso não mudou – digo, inverteram pra frente, mas depois voltou pra trás. Veem aquelas flechas, que marcam a inauguração dos terminais, o começo da Rede Integrada.

A ‘Cidade dos Ônibus Azuis’: assim que desembarquei no aeroporto, minha primeira vista de Fortaleza, agosto de 2011: o céu e os busos, tudo celeste. Na época a cidade não tinha articulados nem corredores, e toda frota era nessa padronização ‘das Flechas’.

Eram a princípio 3 pinturas diferentes, conforme a categoria do buso (sistema adotado em Curitiba e tantas outras cidades), mas em poucos anos toda frota municipal, em todas as linhas receberam essa pintura ao lado.

Corredores exclusivos nunca existiram mesmo, agora articulados haviam, e não há mais.

Ou seja, aconteceu uma regressão. Havia uma viação pública estadual, a CTC, Companhia de Transporte Coletivo.

Os busólogos sabem que houve uma empresa com esse mesmo nome no Rio de Janeiro, e também era estatal. Por isso falamos em CTC-RJ e CTC-CE pra diferenciar.

Tanto a CTC-RJ quanto a CTC-CE tiveram ônibus articulados. Foram depois entretanto privatizadas. E hoje nem Fortaleza nem o Rio de Janeiro tem ônibus articulados. Uma regressão.

Antes/Depois (imagem via ‘Google Mapas’): Fortaleza não tinha corredores de ônibus. Agora tem. Aí sim!!!

Falemos um pouco de como tudo se deu. Os primeiros articulados de Fortaleza foram entregues em 1989. Era uma época de caos na cidade.

Na mesma época a prefeitura inaugurou os primeiros terminais integrados, padronizou a pintura dos ônibus e comprou os primeiros articulados da história.

Três grandes avanços. Depois disso, entretanto, o caos voltou a reinar. Com muitos desmandos, não houve mesmo como a companhia estatal sobreviver, foi privatizada na sequência.

Próximas 3: Maracanaú, Z/S metropolitana.

Com isso Fortaleza não tem mais articulados. Alias o Rio de Janeiro também não.

Tem mais. Estive em Belo Horizonte um ano e pouco depois de Fortaleza.

A época (2012) a capital mineira tampouco tinha articulados, exceto um uma única linha já saindo da cidade.

Os poucos sanfonados da capital mineira ligavam o metrô ao então recém-inaugurado palácio do governo, que é fora da zona urbana, a dezenas de quilômetros do Centro.

(Nota: alias alguns desses ônibus sanfonados belo-horizontinos vieram parar em Curitiba, eu os vejo passar daqui de minha janela. Volta o texto original). Triste, muito triste. Em 2011 e 12 assim era mesmo.

Aqui o Conjunto Novo Maracanaú.

Mas de lá pra cá houve um renascimento: tanto o Rio, B.H. e Fortaleza quanto várias outras metrópoles investiram muito no setor.

Inauguraram vários corredores exclusivos operados por articulados com modernas estações com embarque em nível. E o Rio e Fortaleza multiplicaram em muito a malha do transporte sobre trilhos.

…………

Pra fechar a parte dos ônibus, Fortaleza tem um transporte barato, a tarifa é R$ 2, e em duas horas do dia (das 9h as 10h e das 14h as 15h) é mais barato ainda, R$ 1,80, a chamada ‘hora social’.

Ainda periferia de Maracanaú. Imagem em baixa resolução, desculpe. Amarraram um bode pra pastar. Nesse dia estava uns 40º no Ceará. E o bichinho não tinha uma sombra pra se abrigar. Deu dó!  

Como dito, os valores são de 2011, em Curitiba como comparação era 2,50.

Atualizando, hoje (2017) em Ctba. é R$ 4,25 em qualquer tempo, em Fortaleza 3,20 a normal e 3 Reais nessas duas ‘horas sociais’.

Alias muito interessante essa política de dar desconto pra quem usa fora do horário de pico. Existe em diversos outros países, inclusive por exemplo a África do Sul.

De resto, andar de ônibus em Fortaleza é definitivamente muito mais barato que em Curitiba, em diversas formas.

Além da tarifa em si já ser bem mais em conta, e segundo, ainda mais na ‘hora social’, tem muito mais:

Próximas 3: anoitece no Conjunto Esperança, Mondubim, Zona Sul, dessa vez no município de Fortaleza.

Terceiro, lá ainda existe a tarifa domingueira, que é 2,60 (os dados nesse parágrafo e no abaixo são de 2017, e não 2011, pois escrevi esse trecho na hora de subir pro ar), vale inclusive em alguns feriados, enquanto a daqui foi extinta.

Quarto, o ‘Circular Centro’ de Fortaleza (lá chamado ‘Linha Central’) custa somente 40 centavos, enquanto aqui é quase oito vezes mais caro, 3 reais.

E quinto, lá os estudantes pagam menos de meia (como em diversos países, por exemplo o Chile). 

Enquanto em Ctba. esse benefício do meio-passe é difícil de conseguir, pois só vale pra quem mora e estuda no município e a família tenha renda de menos de 3 salários mínimos (no caso de filho único).

Ademais em Fortaleza a integração funciona melhor, pois além dos terminais integrados é possível pegar mais um ônibus fora do terminal sem pagar novamente.

Tudo isso é possível através da integração temporal no cartão – isso vale pra todos, não só estudantes. Fortaleza tem um sistema mais barato e mais integrado.

Em compensação, não há canaletas e nem articulados, uma falha grave. Isso era dessa forma em 2011. Mas agora há canaletas e articulados em Fortaleza. Já outro problema seríssimo que constatei uns anos atrás ainda permanece: 

Os ônibus tem 3 portas, mas a do meio não abre fora dos terminais – o que dificulta em muito a circulação no salão do veículo, especialmente no horário de pico. Minha última experiência em Fortaleza foi tétrica por causa disso . . .

A primeira cena que vi (e fotografei) assim que pisei em Fortaleza foi um ônibus azul, na época onipresentes, como já contei.

Pois bem. isso quando cheguei. Agora falando de quando fui embora. Meu voo decolava somente as 3 da manhã. Na última noite na cidade fui dar uma volta na Praia de Meireles, já depois das 9, estava lotada, pois a orla é bem policiada.

O Km 0 nacional da BR-116 é em Fortaleza. Essa foto é na periferia da cidade, perto dele. Depois a 116 recebe os nomes de ‘Rio/Bahia’, ‘Dutra’, Régis Bittencourt’, ‘Estrada Serrana’, ‘Federal’, entre outros.

 

O que faz com que até Mulheres sozinhas se sintam seguras pra andar por ali a noite. Aqui, pra mantermos o foco, saí do Terminal Papicu pouco antes das 10 da noite, rumo ao Aeroporto.

Quando deu 10 em ponto o busão parou em frente a um centro comercial (o “shopping” pra quem prefere em inglês). Assim o busão, que estava vazio, ficou hiper-lotado. Acima do que se pode descrever.

Eu sou busólogo, resultando que por vezes fico vendo fotos de ônibus urbanos ao redor do mundo. Um dia via a foto de um ônibus articulado que opera na Zona Sul de São Paulo.

Estava lotado. Um dos comentários dizia “está naquela hora bem ‘agradável’, tem gente até no colo do motorista”. Nesse caso era uma figura de linguagem, claro.

Próximas 2 (via ‘Google Mapas’): placas pintadas nas portas das favelas de Fortaleza. Essa é na capital mesmo, favela Servilux/Titãzinho, na Beira-Mar, Zona Leste, ao lado do porto, onde eu estive pessoalmente. O cara pôs um adesivo: “Proibida a entrada invejosos!!!” Pra garantir pintou a mão: “Seu olho gordo p/ mim é cégo (?????!!!!!!)” Tá bom pra ti ou quer mais?

Só que esse dia em Fortaleza não era figura de linguagem, estava quase acontecendo literalmente. Digo, no colo do motorista não tinha ninguém, obviamente, mas não faltou muito:

Tinha uma moça sentada no motor, a seu lado, dentro da grade, atrás do câmbio – cada vez que ele ia mudar a marcha ela precisava se desviar.

As pernas dela estavam encostadas nas do motorista, pra vocês visualizarem o que estava acontecendo.

E como o busão tem 3 portas mas a do meio não abre, foi um sufoco descer. Depois, em 2013, passei por uma experiência similar numa das vans na República Dominicana.

Tanto no Ceará em 2011 quanto no Caribe 2 anos depois foi um alívio quando enfim, após muito esforço, contorcionismo, empurra-empurra e pedidos de ‘licença’ eu afinal saltei do coletivo hiper-lotado…. Ufa!

Próximas 3: Planalto, em Caucaia. Com o esgoto correndo a céu aberto.

Pra fechar o tema do transporte relato como se distribuem pela cidade os terminais de ônibus. São sete terminais:

3 na Zona Oeste, a mais populosa e periférica: Siqueira, Conjunto Ceará e Antônio Bezerra, começando a partir da periferia e indo mais próximo ao Centro.

Na Zona Sul estão os terminais Parangaba e Lagoa, e na Zona Leste Messejana e Papicu, em ambos os casos falando primeiro os mais distantes.

Messejana atende também parte da Zona Sul, pois o terminal é bem próximo da BR-116, que é o que divide as Zona Leste e Sul.

Dessa forma, várias vilas da Zona Sul são atendidas por alimentadores do Messejana, assim como inversamente os terminais Vila Hauer e Sacomã ficam nas Zonas Sul de Curitiba e São Paulo e ambos atendem partes das respectivas Zonas Lestes.

Serra emoldura a Gde. Fortaleza ao fundo (aqui em Ctba. vemos a mesma cena).

E pra quem não sabe, a BR-116 (que depois é a Rio-Bahia, a Dutra, a Régis Bittencourt, Rodovia do Planalto em SC, a Federal na Gde. Porto Alegre-RS, entre outros nomes) tem seu quilômetro zero nacional em Fortaleza, na Zona Sul, no Aguanambi.

A Zona Leste da capital cearense é rica da orla ao parque, como já escrevi, e mais proletária abaixo do parque.

As Zonas Sul e Oeste têm por inteiro um perfil mais de classe trabalhadora, sendo a Zona Oeste a mais populosa da cidade.

Assim cruzamos a metrópole e estamos de volta a Zona Oeste. Na praça central do bairro Planalto, município de Caucaia, fotografei duas vans e um ônibus (dir.). Já falei do transporte em postagem a parte, o sabem. Aqui vamos apontar outro detalhe:

Praça central do Planalto, ponto final das linhas dos ônibus e vans.

Veja o esgoto a céu aberto. A Grande Fortaleza é quase toda asfaltada, incluindo os subúrbios metropolitanos.

É difícil ver rua de terra, exceto nos bairros muito distantes mesmo. Entretanto, a rede de esgoto não foi construída.

Vi a mesma cena em Manaus muitas vezes. Asfaltaram tudo, mas o esgoto corre na rua.

Atualização. Quando fui a Fortaleza, já havia ido a Manaus. Depois fotografei o mesmo em Belém e João Pessoa – e até mesmo aqui em Curitiba.

Porém ressalto que aqui em Ctba. é mais rara essa cena, só em algumas partes recém-invadidas do subúrbio. Não estou tapando o sol com a peneira, e quando me deparei, registrei e publiquei.

“Proibido jogar lixo”, diz o aviso na periferia da Gde. Fortaleza. Adivinhe? Aí mesmo é que jogam, embaixo da placa. Já flagrei o mesmo em Curitiba.

Mas na maior parte da cidade não há esgoto correndo na rua. Isso não é uma questão de preconceito, é um fato.

Bem, se serve de consolo, a Argentina que um dia foi o país mais rico e estruturado da América do Sul (ao lado do Uruguai) hoje também está numa situação bem precária nesse quesito.

Na periferia de suas maiores metrópoles – capital e interior – é o padrão a falta de saneamento básico. Agora retorno a Fortaleza e sua região metropolitana:

Andei por diversos bairros de Caucaia. Fui a Genipabu, que é bem distante, tive que pegar um micro-ônibus interno de linha municipal (não confunda com o Genipabu que há em Natal, pois a Genipabu do Rio Grande do Norte é uma praia lindíssima com dunas.

Barra do Rio Cocó na Praia do Futuro (r).

O Genipabu cearense é um subúrbio de metrópole, uma homenagem ao balneário potiguar. Não muito longe de Caucaia, mas dentro do município de Fortaleza, há o bairro Genibaú).

E, agora em Caucaia novamente, fui ao Centro (onde fotografei o mercado público onde se vendem galinhas vivas), em Jurema (que é divisa com o Conjunto Ceará em Fortaleza), e no Planalto.

Esse último é aquele bairro em o ônibus da empresa Vitória e as vans estão enfileirados (um pouco mais pra cima, a esquerda).

Genipabu, Caucaia: recentemente fizeram um ‘puxadinho’ pra garagem do 1º carro da história da família.

É de domínio público que a periferia fortalezense (tanto municipal quanto metropolitana) é violenta, não estou contando nenhuma novidade, infelizmente. 

Fui até lá conferir. Quando cheguei, a bordo de um desses coletivos, percebi que não era o único que ia lá pela primeira vez.

Um cara perguntou ao motorista (em Fortaleza se desce pela frente): “Aqui que é o Planalto?”. A resposta foi direta: Planalto. Mas pode chamar de Afeganistão”.

É só por Deus!!!

…………

Caucaia (via ‘Google Mapas’, mais uma vez), onde veem casas típicas da periferia da Grande Fortaleza: de alvenaria, térreas muito pequenas, com a porta direto na via pública, e sem garagem. Veja que as duas 1ªs sequer têm janela, é preciso abrir a porta pra arejar.

Como já dito e é notório, ao lado é o padrão na periferia nordestina – vejam vocês, a periferia do Chile e da Argentina é da mesma forma.

Faço a ressalva que em Salvador há bem menos casas térreas, ali predominam os ‘prédios artesanais‘ como no Sudeste.

A maioria dos fortalezenses (núcleo e subúrbios metropolitanos) ainda não tem carro, ao contrário do que ocorre no Centro-Sul.

Agora, entretanto, a renda dos trabalhadores vem subindo, e pela primeira vez essa massa dos subúrbios está comprando bens de consumo acima dos de primeira necessidade – o texto é de 2011, não custa reforçar.

Na época o Brasil ainda vivia uma onda de prosperidade, e na periferia do Nordeste pra muitas famílias era a primeira vez que havia alguma bonança.

Pichação no Centro de Fortaleza: o ‘alfabeto’ é importado do Rio de Janeiro, com algumas adaptações – se puxam mais os traços e se inserem mais desenhos, características em comum com Belém, cidade que Fortaleza é muito próxima espiritualmente.

Presenciei andando nas periferias muitas casas que originalmente não tinham garagem porque não havia necessidade.

Mas agora tinham um puxadinho pra guardar o carro (veja a foto a direita, um pouco acima, na legenda que diz “Genipabu”).

Pois (pela 1ª vez, repito) a renda da família aumentou um pouco acima das necessidades mais imediatas (roupas, água, luz, comida e produtos de limpeza).

Assim tiveram que improvisar um espacinho pro automóvel – usado e financiado, mas mesmo assim o primeiro da família.

………

Falando um pouco do povo da cidade. Oficialmente é de maioria parda, 57% se declararam assim no censo. Porém, ao contrário do que alguns poderiam pensar, há poucos negros na capital do Ceará, somente 5% da população.

Em Salvador e São Luiz do Maranhão, como é notório, os negros são maioria. Em Recife-PE são uma minoria grande, talvez tanto quanto em Belo Horizonte, por exemplo. Em Fortaleza, repito, há poucos negros. Não muito diferente de Curitiba, ao menos nesse quesito.

No Centro uma placa antiga da Cerveja Antarctica, ‘daquele tempo’. Já que o assunto dos refrigerantes antigos fez tanto sucesso, segue essa como sessão ‘retrô’. Em outra parte da cidade vi uma placa do finado Guaraná Brahma da mesma época, os anos 80. Só que nessa oportunidade estava sem a máquina. Quem tem idade suficiente se lembra que era o desenho de uma mão segurando uma garrafa do mesmo, aquela que era marrom, tipo anelada.

O tipo predominante tem a pele relativamente escura, mas não há origem africana. Fortaleza é a capital brasileira mais perto da Europa, em termos de milhas aéreas. Mas a proximidade é só física, não cultural.

A cidade não recebeu muita imigração europeia nem asiática de outros países exceto de Portugal, nossa ex-metrópole. Sua composição racial é basicamente uma mistura de portugueses (que já são mais escuros que os europeus do Norte e Leste do continente) com índios. 

A maioria dos fortalezenses é descendentes de pessoas que estão a séculos torrando no sol tropical que marca facilmente 40º de janeiro a janeiro.

Fortaleza tem 4 estações do ano: quente, mais quente, ainda mais quente e torrando. Então esse é o habitante médio, a tez queimada pelo Sol escaldante há séculos foi tornando-se mais ‘cor-de-cobre’.

…………..

No domingo que passei em Fortaleza fui – a pé desde o Centro – até a Praia do Futuro, o único dia que entrei no mar. Pois eu prefiro praias abertas, de ondas fortes, e as que existem perto do Centro são ‘piscininhas’, pois represadas pelo dique que forma o porto, como já dito. A Praia do Futuro é espetacular, e dispensa comentários.

Também no Centro, flagrei um caminhão aberto (com caçamba) recolhendo lixo. Vi o mesmo em Medelím-Colômbia.

Voltei a tarde pro Centro, onde fiquei hospedado, e aí rumei ao Conjunto Esperança, bairro Mondubim, Extremo da Zona Sul de Fortaleza. Um subúrbio afastado, com todos os problemas que isso representa.  Não tive medo.

Saí de lá após o anoitecer, como as fotos provam. Cheguei no Centro perto das 8. Perguntei ao motorista de ônibus como fazia pra chegar na Avenida Dom Manoel, onde estava hospedado. Umas 12 quadras dali.

Precisava ver o tumulto que se instalou no coletivo. Todos ficaram apavorados com a ideia que eu ia andar pouco mais de um quilometro a pé no Centro. 

Formou-se uma mini coletiva, o motorista e mais dois passageiros debatiam que ônibus eu deveria pegar pra chegar a meu destino, mas “que pelo amor de Deus, que eu em hipótese alguma fosse a pé”. “É muito perigoso, tem muito bandido, você vai ser assaltado com certeza” todos me diziam apavorados.

No bairro Jurema (Caucaia, Z/O) pichador provoca a polícia.

Agradeci a preocupação da galera, e perguntei umas duas vezes qual linha era mesmo que eu deveria pegar, pra que eles não desconfiassem que eu não compartilho do medo deles. Desci, e já nem lembrava qual linha era, pois não prestei atenção de fato.

Fui a pé. Perto da Catedral, alguém se aproximou. Era um sem-teto. Disse que não havia comido nada o dia inteiro. Dei a ele quarenta centavos.

Isso mesmo, R$ 0,40. Ele me agradeceu muitas vezes, e por fim pediu que Deus me abençoasse.

………….

Como já dissemos muitas vezes, no fim do regime militar houve grande impulso nos transportes e na habitação popular.

Aqui e esq.: Conjunto Ceará.

Por todo Brasil foram construídos grandes conjuntos, esses dias (no fim de 17) fiz matéria no Cj. Saturno, bairro Santo Inácio, na Zona Oeste de Curitiba.

Outros exemplos são o Conjunto Tiradentes, Alto Boqueirão, Zona Sul, e o Conjunto Mercúrio, Cajuru, Zona Leste, entre muitos outros.

Porém aqui os conjuntos foram bem menores que os do Sudeste e Nordeste. Já fui em quase todos esses conjuntos curitibanos, a maioria tem algumas ruas, entre um punhado e poucas dezenas.

Aqui em Curitiba, o maior de casas horizontais é certamente o Nossa Senhora da Luz, Cidade Industrial, Zona Sul. Pois bem, esse seria um conjunto médio em Fortaleza.

Também no CIC mas na Zona Oeste temos o Atenas/Augusta, uma cohab de prédios, com algumas dezenas de blocos.

Em Fortaleza, entretanto, na média os conjuntos são significativamente maiores que os daqui do Paraná.

O tamanho dos empreendimentos cearenses lembra mais os que foram erguidos no Rio (Cidade de Deus e Vila Aliança na Zona Oeste, pra citar 2 casos) e São Paulo (Cidade Tiradentes, Zona Leste, por ex.) na época.

A vista do quarto da pensão que fiquei, entre o Centro e a Praia de Iracema, chovia e fazia Sol ao mesmo tempo. Quanto a pensão, havia 7 camas no quarto (eu fiquei sozinho, a escolha era grande), custou R$ 15 a diária (valor de 2011, mas já era quase de graça mesmo naquela época) e a tranca ainda era com chave de metal, óbvio (bem, na Argentina ainda é com chave de metal mesmo em hotéis mais chiques).

Vemos a esquerda a rua 1040 do Cj. Ceará, pra dar uma ideia do tamanho do bairro, que teve quatro expansões, lá chamadas ‘etapas’.

No itinerário do ônibus diz Conjunto Ceará 1ª e 4ª Etapas, e por aí vai. A 4ª é a mais recente. Somando todas, ele é mais ou menos do tamanho do Bairro Novo, Sítio Cercado, Zona Sul de Curitiba.

Só que no Bairro Novo o governo não construiu as casas, apenas entregou os terrenos e cada um ergueu sua moradia como quis e pôde.

Em Fortaleza, ao contrário, as residências foram entregues prontas. Outro exemplo é Conjunto Esperança, bairro Mondubim, Zona Sul, onde também fui.

Esse é de prédios, ao contrário dos outros que são de casas. Uma hora estava em frente ao bloco 208 do Conjunto Esperança. Bloco 208, e não apartamento 208, veja bem.

Entre os anos 70 e 90, o governo do Ceará deu continuidade ao projeto de construir enormes conjuntos na periferia da cidade.

Próximas 3: Centro de Caucaia.

Entre os que eu visitei, cito os de nome Novo Maracanaú e Jereissati, ambos no município de Maracanaú, Zona Sul.

O Conjunto Jereissati, em especial, é muito grande, talvez do mesmo tamanho que o Conjunto Ceará, pois igualmente teve várias expansões ou etapas.

Creio que tem esse nome por ter sido construído pelo ex-governador Tasso Jereissati,

Distante dali e pertinho da orla está o Cidade 2000, onde também estive. É um bairro de periferia. Só que nesse caso isso quer dizer que é um lugar de classe proletária. 

Porque ele não fica na periferia, bem ao contrário, está bem no meio da Zona Leste, na parte mais rica da cidade.

Como se sabe, o Cidade 2000 fica próximo a Costa Leste (Mucuripe-Centro), onde moram os milionários, e ao lado (dá pra ir a pé) da Praia do Futuro, a mais bonita de Fortaleza.

Pra é familiarizado com a Zona Sul do Rio, o Cidade 2000 é o equivalente da Cruzada São Sebastião, que também é um conjunto pobre encravado no Leblon, entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o mar, no metro quadrado mais caro da cidade e do país.

E tanto a Cruzada quanto a Cidade 2000 não são invasões. Rio e Fortaleza tem ambas muitas favelas a beira-mar. Esses dois exemplos não são favelas, são conjuntos pra classe trabalhadora mas que foram construídos pelo estado.

Bem a frente da Cidade 2000 a construtora mineira MRV está fazendo mais um de seus empreendimentos.

E os prédios da MRV têm uma peculiaridade, como é notório: o desenho da fachada é igual no Brasil inteiro, então fica uma marca registrada. Aqui em Curitiba pra você financiar um apê da MRV precisa comprovar renda familiar de R$ 1,8 mil.

Lá em Fortaleza é R$ 1,4 mil, R$ 400 a menos portanto (os valores são de 2011, não custa relembrarmos). Natural, a média dos salários de Ctba. é mesmo mais alta.

Fortaleza e Belém são muito ligadas, e no futebol também. As torcidas organizadas são aliadas, criando uma rivalidade cruzada. Aqui o adesivo da Cearamor do Ceará e Terror Bicolor do Paysandu.

Tanto lá quanto aqui a MRV aceita renda informal, o que vem ajudando muitas famílias trabalhadoras a emergir pra classe média.

Outro detalhe é que as ruas dos conjuntos de Curitiba começaram sendo nomeados com letras e números, mas hoje já receberam nomes ‘normais’ de ruas, digamos assim.

Em Fortaleza é diferente, a imagem mostra que a Rua 1040 tem esse nome até hoje.

As avenidas principais do mesmo bairro, por sua vez, são letras. Avenida E, Avenida K, por aí vai.

………….

CEARÁ S.C.: 1ª DIVISÃO EM 2011; IDEM EM 2018 –

E agora a de seus arqui-rivais: Leões da T.U.F. do Fortaleza e Remoçada do Remo.

Pra fechar, uma nota sobre o futebol. Repito o que já disse antes: EU NÃO TORÇO PELO FORTALEZA, CEARÁ OU QUALQUER CLUBE NO BRASIL. VOU APENAS RELATAR OS FATOS COMO OCORRERAM, INDEPENDENTE DE MINHA VONTADE.

Quando estive em Fortaleza (agosto de 2011) a cidade estava vibrando em preto-&-branco. Relato parte do que escrevi a época, depois atualizamos:

A torcida do Ceará S.C. está pra lá de entusiasmada com a boa campanha do time.

Próximas 2, Centro de Fortaleza: riacho recebe esgoto não-tratado.

Que pelo visto vai garantir que o time dispute a primeira divisão pelo terceiro ano seguido. Não é um feito pequeno, o clube ficou de fora da série A por exatamente 30 anos, de 1979 a 2009. 

Vi centenas de pessoas com a camisa do “Vovô”, como o clube é carinhosamente chamado. É natural a euforia.

Dois dias antes de minha visita a Fortaleza, o Grêmio de Porto Alegre também esteve por lá. Levou 3×0.

Óbvio que havia também muita gente com a camisa de seu arqui-rival Fortaleza, que é tricolor nas cores branco, azul e vermelho, as mesmas do Paraná Clube, Bahia, entre outros.

Covardia! O arroio era relativamente limpo antes do ataque, depois mudou até de cor. De novo, já flagrei o mesmo aqui em Curitiba.

Mas é preciso notar que o Ceará está na primeira, o Fortaleza na distante terceira divisão.

Então natural que os torcedores alvi-negros estejam mais entusiasmados que os tricolores.

Então agora atualizemos pro que é vigente quando a matéria sobe pro ar (dez.17):

O Ceará, após 30 anos de ausência, retornou a 1ª em 2010, e conseguiu se manter nesse primeiro ano.

Em 2011 ele começou muito bem, fez um primeiro turno excelente, e quando estive lá (agosto), a galera refletia essa sintonia positiva.

No entanto a partir dali o fio virou, e o Ceará acabou rebaixado de novo a segunda nesse mesmo ano de 2011.

Porém em 2017 conseguiu novo acesso, e disputará novamente a primeira divisão em 2018, como é sabido por todos.

Cena triste: lixo na rua em Jurema, Caucaia. Infelizmente muito comum em várias partes de Fortaleza e região.

Tudo é cíclico, hoje é assim, mas durante um bom tempo foi o contrário. Nesse milênio, a primeira década foi totalmente do Fortaleza:

De 2000 a 2010 o tricolor ganhou nada menos que 9 estaduais, com um tetra, um tri e um bi-campeonato. 

E no mesmo período o “Leão” disputou a série A do nacional duas vezes, em 2003 e 2005. Enquanto o Ceará esteve no limbo. Mas nessa década de 10 se inverteu:

O Ceará já contabiliza 3 participações na 1ª divisão: 2010, 11 e 18. E em 2015 foi campeão da Copa do Nordeste, título que seu rival não possui. Ainda conquistou um tetra-campeonato estadual.

O Fortaleza estava na 3ª do Brasileirão em 2011, e permaneceu ali até 2017. Conseguiu o acesso, e em 2018 disputará a 2ª divisão.

Se a última impressão é que fica, uma bela flor também em Jurema, Caucaia.

Portanto permanece ainda um degrau abaixo do Ceará. No entanto, a supremacia no estado nesse milênio ainda é tricolor, são 11 títulos do Fortaleza contra 7 do Ceará.

………….

A série sobre Fortaleza está encerrada com chave de ouro.

Assim É. Que Deus ilumine toda humanidade.

Deus proverá”

Flores do Barigüi

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 20 de outubro de 2017

As postagens de ‘Flores’ são dedicadas as Mulheres

Todas as fotos são de minha autoria, exceto a que está acima da manchete.

Essa tive que puxar da rede, pois na hora de definir a imagem de capa o provedor da página corta trechos da cena.

Assim não consegui uma tomada que pegasse tanto as flores quanto o lago.

…………

Isto posto, vamos começar.

Olá meninas, tudo bom com vocês?

No fim de setembro.17 estive no Parque Barigüi.

Essas imagens ao lado e acima eu cliquei pessoalmente, como todas daqui pra baixo.

E depois dei uma volta em um dos bairros que o compõem, o Santo Inácio, Zona Oeste.

Além disso, ampliei uma postagem antiga pra mostrar todo trajeto do Rio Barigüi em Curitiba (como já havia sido feito com o Belém).

Isso já sabem, as matérias estão no ar (sempre que a fonte é rosa como agora as ligações vão em azul).

Então hoje vamos ver as flores do Parque Barigüi e do Santo Inácio, ao redor dele.

Nas duas primeiras, as flores, o lago represado do rio, e os prédios (que já ficam no Bigorrilho, também Zona Oeste) ao fundo,

…………….

Acima alguns pinheiros que ficaram pra dentro de um condomínio de padrão elevado.

Evidenciando o novo perfil sócio-econômico da região ocidental da cidade.

E uma florida árvore provem um tapete vermelho pra quem passa na rua. Aconchegante, não?.

……….

A esquerda um mamoeiro carregado, isso em plena via pública.

Aqui no entorno do Rio Belém (divisa entre as Zonas Leste e Sul), onde vivo, existe a mesma cena.

Abaixo dele um roseiral – na tomada seguinte uma dessas rosas rubras em escala maior.

………………

Andando pelas ruas do Santo Inácio vi muitos outros canteiros ricamente ornamentados e bem-cuidados.

Vemos alguns exemplos nas próximas fotos. E também muitos sobrados elegantes e mansões todo floridos.

Muitas vezes com primaveras nos muros, como abaixo. Eu adoro as primaveras.

Essa espécie é minha flor favorita – depois dos hibiscos, claro.

Alias nesse dia não vi nenhum hibisco. Uma pena. Mas primaveras várias, compensou.

…………

O Santo Inácio não se aburguseou de todo.

Ainda restam vilas mais humildes, de moradia da classe trabalhadora.

E essas partes do bairro igualmente estavam lindas, cheia de flores.

Um exemplo a direita, onde cliquei essas belezuras alvas. Note que atrás há casas com telhado de eternit.

Mais imagens:

Muito lindo.

Em cor-de-rosa nós fechamos.

………..

Beijos em teu Coração de Mulher.

Que Deus a Ilumine Infinitamente.

“Deus proverá”

Servir & Proteger

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 8 de junho de 2017

Maurílio bombeiro.

Ao lado em ação.

Lutando pra extinguir as chamas que eclodiram num prédio em alguma parte da cidade.

E a direita um retrato 3×4. 

Missão cumprida, o incêndio está debelado.

Vidas e patrimônio foram preservados, graças a ação desses que realmente se dedicam a ‘Servir & Proteger’ a sociedade.

Aí, numa hora de descontração, foi registrada essa cena dele sorrindo, pra consagrar pela Eternidade.

“na pequena água”: um momento místico de união com deus mãe e pai

Apagado o fogo, podemos serenar a mente dessa preocupação.

E assim podemos nos focar numa Energia um pouco mais Feminina.

Marília está numa chácara, numa pequena fazenda.

E ali ela foi ao campo colher flores.

Com raiz e tudo, pois depois ela vai enxertar os ramos no jardim que há na soleira de sua casa.

Ao passar sobre o riacho, ela se lembrou que um pouco rio abaixo há uma pequena cachoeira.

Aí Marília não teve dúvidas: deixou suas roupas e o cesto de flores na margem, e entrou se banhar nela.

O dia está frio, tanto que o vestido e blusa são longos, cobrindo toda a extensão de suas pernas e braços.

E a água está gelada, claro, pois é um riacho de serra, cheio de pedras.

Mas não importa. Esse momento pra Marília é Místico, quase uma Auto-Iniciação se quiser ver assim.

De maneira que esse estado de Espírito transcende qualquer sensação material.

Uma vez que Deus não é somente ‘o Pai’, mas Pai e Mãe de todos os seres humanos, em verdade de tudo que há no Universo.

E a Água – assim como as Flores – representam a porção Feminina da Fonte Maior.

Assim nada mais natural que ao banhar nessas águas geladas Marília se Sinta Uma com o Criador, e com todo o Cosmos em suas Infinitas dimensões.

É como se a Filha retornasse a Casa Materno/Paterna após longa peregrinação.

Um Samadhi no Pequeno Rio.

Experiência que seu Grande Amor Maurílio também já vivenciou.

Namastê.

Hare Rama, Hare Sita.

Louvado é Deus Pai e Mãe.

a Curitiba que não sai na T.V.: Complexo da Caximba, ponta da Extremidade Sul

lado a, lado b: agora vejamos o ‘lado b’ da cidade

Ponto final do Vila Juliana – alimentador do Term. Pinheirinho – na Caximba: olhe quanta quiçaça (lixo e entulho) atrás do busão.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 5 de junho de 2017

Em dezembro de 2016, andei (mais uma vez) na Linha Turismo. Que se concentra, além óbvio da Zona Central que foi onde a cidade começou, nas Zonas Oeste e Norte, as partes ricas da metrópole.

Daí eu produzi uma matéria chamada Linha Turismo, a Curitiba que sai na TV.

Vamos ver por trás do veículo: realmente um lixão clandestino, pois estamos numa das maiores e mais novas favelas da cidade, o ‘Complexo da Caximba‘.

Então agora pra fazer o contraste vamos ver exatamente o contrário, a Curitiba que não sai na TV: bem-vindo a Caximba, a extremidade da Zona Sul.

As imagens dizem tudo: esse pedaço esquecido e pouco famoso da cidade está inchando descontroladamente com seguidas invasões desde 2010.

Se tornando um dos maiores bolsões de miséria da capital do Paraná. A situação realmente é crítica e vem se agravando.

………

Em escala maior: novas casas estão sendo erguidas o tempo todo no local.

Fiz uma postagem dizendo que o Tatuquara é a ‘Extremidade Sul’ de Curitiba. Bem, entre os bairros que têm mais de 50 mil moradores e que já eram urbanos na virada do milênio ele certamente é o mais meridional.

Mas depois dele vêm mais dois, o Campo de Santana – até uma década e meia atrás a maior parte rural, poucas vilas urbanas, mas hoje quase 100% urbano pois foi o que mais cresceu na década passada;

Mapa do ‘Complexo da Caximba‘, em azul a parte antiga, laranja o que é mais recente.

E a seguir a Caximba, que é o que mais cresce (ao menos em termos proporcionais) atualmente.

A Caximba é o único bairro de Curitiba que dista mais de 20 km do Centro. Portanto a própria ponta da Extremidade Sul.

Até o começo dessa década a Caximba ainda era basicamente uma parte rural, conhecida da maioria dos curitibanos somente por abrigar o aterro sanitário (lixão).

O aterro saiu dali, a parte de lixo doméstico foi pra região metropolitana, pro município de Fazenda Rio Grande (que também é Zona Sul, alias perto da Caximba).

E o depósito de de resíduos dos hospitais ficou no município de Curitiba, mas foi transferido pra Zona Oeste, na divisa entre CIC e São Miguel, nos fundos do ‘complexo’ das Vilas Conquista e Sabará.

Os Extremos Sul e Oeste de Curitiba ainda são rurais – nessa mensagem todas as fotos foram feitas na Caximba, claro. Detalhe que o cara escreveu “alho” corretamente, mas hesitou e ‘corrigiu’ pra ”alio”.

Alias, já falei sobre isso com muitas fotos:

Em 2012 e de novo em 2015 houve grande onda de invasões na região do Sabará e imediações.

E por isso as pessoas estão morando em solo contaminado com lixo hospitalar.

De volta a Caximba que é nosso tema de hoje.

Ainda existe uma Caximba rural, onde bois e cavalos pastam despreocupadamente, e agricultores vendem hortaliças ‘direto da roça’.

Existe uma Caximba em que os terrenos são enormes, há várias olarias ativas.

Precisa dizer mais?

E uma parte da população do bairro emergiu a média-alta burguesia, morando em elegantes sobrados.

Ao lado disso, a baixada do Rio Barigui (sim, o mesmo que rio acima abriga o parque mais famoso e “chique” da cidade) vem sofrendo grandes invasões, como dito se tornando uma das partes mais miseráveis de Curitiba.

Em 2010 houve a maior das ocupações do local. Batizada a princípio ‘Território Nacional’, depois foi rebatizada com uma data, “29 de Outubro”, aquela que ela foi fundada.

Essa é uma fortíssima tradição na Zona Sul de Curitiba.

Aqui e a direita: nem todo mundo na Caximba é pobre, óbvio. Na via principal do bairro (a Estrada Del. Bruno José de Almeida, antiga ‘Estrada da Caximba’) há residências de alto padrão, quase todas de descendentes dos pioneiros imigrantes da Itália, que acabaram ‘subindo na vida’.

Na própria Caximba, ali ao lado, há a vila ‘1º de Setembro’, e na divisa do Ganchinho com o Sítio Cercado há a vila ’23 de Agosto’. Na Caximba já haviam algumas pequenas ocupações irregulares:

Notadamente a 1º de Setembro que acabo de citar (do lado esquerdo da rua que liga Curitiba a Araucária), e a ‘Sapolândia’ (do lado direito, essa já na margem do rio, e por isso o nome, pois obviamente a várzea alaga com frequência), além de outras menores.

Porém as vilas eram próximas mas não unidas, haviam grandes terrenos vagos entre elas. Terrenos que foram ocupados em 2010.

Assim todas essas vilas antigas e menores se fundiram com a nova e maior, formando o que os cariocas chamam de ‘complexo’, e os mineiros ‘aglomerado’.

Surgiu o Complexo da Caximba/Aglomerado da Caximba, pra usarmos o léxico do Sudeste do país.

Então, recapitulando. Em 2010 surgiu a invasão ‘Território Nacional, a seguir renomeada ’29 de Outubro’, nomes que os moradores usavam. Mas conhecida pela população em geral simplesmente a ‘Favela da Caximba’.

Olaria na Caximba. Nesse bairro e em vários outros no Extremo Sul (Campo de Santana, Umbará e Ganchinho) elas são comuns.

Com a princípio 150 famílias (o que dá perto de 500 pessoas), logo a invasão inchou pra 4 mil moradores.

Acompanhamos tudo isso em nosso canal de comunicação, os pioneiros entre os leitores receberam os relatos ainda no modal do emeio.

Com a promoção pro modal da página fiz uma grande matéria sobre as invasões em Curitiba, que englobou diversos emeios.

Em 2014 saiu com grande alarde na imprensa que foi feita a desocupação da área, sendo retiradas mil famílias. 

Próximas 2: transição entre cidade e campo. Fora da favela os terrenos são enormes, ainda que as casas sejam humildes, de madeira. Isso vale também pros vizinhos bairros do Extremo Sul citados acima.

Eu pensei que era o fim do ‘Complexo da Caximba’, que toda a parte invadida havia sido removida.

Que o ‘Território Nacional’ havia tido apenas 4 anos incompletos de vida.

Imaginei que a maior parte do bairro tivesse voltado a ser de terrenos desabitados, com área verde.

Nada poderia ter sido mais distante da realidade.

Em fins de 2016, navegando pelo ‘Google’ Mapas, vi que a maior parte da região invadida em 2010 continuava ocupada.

Casas mais pobres porém fora da favela, a maioria também de descendentes de italianos, mas esses não se aburguesaram.

Ou seja, continuava com um emaranhado de ruas de terra sem nome e sem iluminação pública.

E com casas (a imensa maioria de madeira pois é Sul do Brasil) muito pobres.

Quase todas sem pintura, em meio a lixo, esgoto a céu aberto, fiação clandestina de eletricidade (gatos).

Fui checar se a filmagem fora feita antes ou depois de 2014, portanto antes ou depois da desocupação.

Pois obviamente se estivesse datado entre 10, 11, 12 ou 13 retrataria uma situação que talvez não existisse mais.

Pinheiros, e tem até pesque-pague (‘pesqueiro’).

Mesmo se fosse de 2014 eu iria conferir o mês, pra saber se antes ou depois da reintegração de posse.

Mas a rua principal foi filmada em “janeiro de 2016”. E nas esquinas se via que as casas continuavam lá, indo fundo no bairro.

Então a ocupação da Caximba não acabou. De fato retiraram mil famílias, mas já haviam muito mais de o dobro disso, e o restante ficou.

Mais uma tomada de uma Caximba e uma Curitiba ainda com sítios e fazendas.

Ademais, depois de 2014 novas invasões ocorreram, se re-assentando no espaço que havia sido desocupado.

Fui até o local, de carro, com familiares. Nesse dia não pude fotografar, demos apenas rápida volta na favela.

Suficiente pra ter certeza, agora com meus próprios olhos: sim, o ‘Complexo da Caximba’ ainda existe e está cada vez maior.

Como disse, a ocupação que começou com 150 famílias 4 anos depois já tinha mais de 2 mil. Metade saiu a força, metade ficou. A favela perdeu parte de suas quadras mas não se extinguiu. 

O ‘Dia dos Chevrolets’. Pude clicar 3 dessas antigas máquinas na ativa. Produzidos nos anos 70 (veja um deles quando novo em Curitiba, “naquele tempo” em que os ônibus ainda eram pintura livre), pois a décadas essa marca estadunidense deixou de fabricar pesados no Brasil (na Colômbia permanece atuando). O da foto maior rodando, mais uma foto na Del. Bruno de Almeida, os outros 2 parados dentro do ‘Complexo da Caximba’. O marrom é o ‘Bigode Grosso’, e está a venda por 13 mil. Pechincha ou não?, você me diz. E o azul tem o para-choque amarrado com fio, certamente o encaixe já quebrou. Mas o bichão taí, lutando, nunca desiste ! Alma Forte!!!!

E como uma hidra em que se você corta uma cabeça surgem outras, de lá pra cá vários moradores desalojados em 2014 voltaram, e outros chegaram pela 1ª vez.

A invasão cresce a todo vapor, como as imagens deixam claríssimo. Agora enfim deu certo de eu ir a pé e sozinho pra poder captar essas cenas.

No meio de 2017 a própria prefeitura estimou a população do ‘Complexo da Caximba’ (somando as vilas novas e antigas) em 7 mil pessoas. Fora do ‘Complexo’ devem morar mais quase mil pessoas na Caximba.

Somando portanto 8 mil, ou perto disso. Até 2020 serão bem mais de 8 mil, se houverem novas invasões 9 ou já beirando 10 mil.

Como a Caximba tinha somente 2 mil habitantes no Censo de 2010, sua população será quadruplicada, quem sabe quase quintuplicada, nessa década.

Configurando-se assim o bairro de Curitiba que mais cresce entre os censos de 10 e 20, pelo menos no quesito proporcional.

………

2010: surge a ocupação na Caximba, a princípio chamada ‘Território Nacional’ (daí a bandeira da Pátria Amada), depois ’29 de Outubro’. Essa é a única foto baixada da rede, todas as demais de minha autoria.

Natural. Curitiba cresce para o Sul, como eu já retratei em detalhes.

Na década de 90, os bairros da cidade que mais aumentaram sua população foram (os números são dos censos de 91 e 00):

Sítio Cercado (Z/S), de 52 pra 102 mil. Simplesmente dobrou, e olhe que a base não era tão pequena, mesmo assim ganhou nada menos que 50 mil pessoas.

Tudo por causa da implantação pela prefeitura (Cohab) do Bairro Novo, em 1992, que se consolidou nos anos seguintes.

Assim vemos que o Sítio, nos anos 90, teve altíssimo crescimento tanto em termos absolutos como proporcionais;

Daqui até o fim todas as imagens retratam o ‘Complexo da Caximba’. Repare que a rua não tem iluminação pública, toda a fiação que puxa luz pras casas é clandestina.

Cidade Industrial, de 116 pra 157 mil. Também acima de 50 mil curitibanos a mais nesse bairro.

A Cidade Industrial fica em sua maior parte na Zona Oeste, mas sua ponta austral está na Zona Sul.

No crescimento absoluto empatou com o Sítio Cercado, mas no proporcional foi bastante elevado (superando os 40%) porém ainda assim bem menos que o Sítio, já que em 1991 a CIC já tinha além do dobro de pessoas que o Sítio Cercado;

Uberaba, de 35 pra 60 mil, agregando 25 mil. Também em grande parte devido a volumosa onda de invasões ocorrida entre 1996 e 1998, com pico em 98.

Tampouco existe rede de saneamento básico. O esgoto corre a céu aberto (com cheiro forte mesmo num dia gelado como aquele que fui lá, imagine no calor).

Entre os bairros que já abrigavam pelo menos 5 mil moradores, teve o terceiro maior crescimento proporcional, 70%.

O Uberaba fica na Zona Leste, mas divisa com a Zona Sul, feita pelo Rio Belém. Eu moro no Boqueirão, Zona Sul. Estou a menos de uma quadra do Uberaba;

Tatuquara, Zona Sul, de 8,1 pra 36 mil, sendo acrescidas quase 28 mil pessoas.

Entre os com já no mínimo 5 mil, maior crescimento proporcional, mais que quadruplicou;

Acima falei dos bairros mais populosos, que já tinham pelo menos 5 mil moradores, e mesmo assim incharam muito nos anos 90, acrescendo entre 25 a 50 mil novos moradores cada.

Repetindo: sem rede de luz oficial – a noite um breu total -, fios clandestinos pras casas.

Malgrado a prefeitura negue de forma falsa, o município de Curitiba ainda conta com pequena Zona Rural em suas extremidades Oeste e Sul.

Como as fotos feitas na Caximba (Z/S) e Augusta e São Miguel (ambos Z/O) comprovem valendo mais que mil palavras.

Assim, obviamente haviam ali até o fim dos anos 80 vários bairros esparsamente habitados, com sua população contada em poucos milhares, ou mesmo na casa das centenas de pessoas em cada um.

E vários desses subúrbios que eram (e ainda são) a transição entre rural e urbano se tornaram mais urbanos na década de 90.

Lote a venda por 12 mil. Sem documentos, óbvio. Você não acha terreno escriturado no município de Curitiba por menos de 80 mil, mesmo nos bairros mais distantes.

Como a base inicial era baixa, eles tiveram logicamente altíssimo crescimento proporcional, malgrado terem ganho cada um apenas alguns milhares de habitantes.

O São Miguel teve o maior aumento em termos de porcentagem de toda cidade, de mil habitantes foi pra 4,9 mil, portanto praticamente quintuplicou.

Como já dito e é notório, S. Miguel é Zona Oeste. Mas não muito longe da Zona Sul, tanto que os alimentadores que o servem vão pra terminais da Z/S, ou ligam a Z/S a Z/O.

O Ganchinho, também Zona Sul, foi de 2,6 pra 7,3 mil. Bem mais que dobrou, não faltou muito pra triplicar.

Por toda a parte nova da invasão na baixada do rio se acham esses depósitos de entulho. Servem pra aterrar os terrenos, pois a terra originalmente é balofa (afunda ao pisar) e alagadiça. Natural, pois estamos na várzea do Barigüi.

A própria Caximba que vemos aqui triplicou na década de 90.

Tinha somente oitocentos e poucos moradores em 1991, ainda na casa dos 3 dígitos portanto. Em 2000 eram 2,4 mil caximbenses.

O Campo de Santana (que fisicamente fica entre Tatuquara e Caximba e assim obviamente também na Zona Sul) pulou de 4,1 pra 7,3 mil. Perto de 80% de aumento.

A base do C. de Santana já era bem maior que a da Caximba e S. Miguel. Enquanto esses outros dois oscilavam perto do 1º milhar, o Campo de Santana já tinha 4 vezes esse número.

Assim logicamente o crescimento proporcional foi menor.

Cena triste, amplie pra ver: pessoas reviram os resíduos, na busca de material reciclável. Mesmo nessas condições novas casas surgem o tempo todo, sinal que tem gente que necessita estar ali. Alguns dizem que Curitiba é de “primeiro mundo” . . . Piada sem graça! Alias, na Caximba me lembrei da Pratinha, uma das favelas mais miseráveis de Belém-PA.

Portanto dos 8 bairros que mais cresceram nos anos 90 (incluindo proporcional e absolutamente), 5 (Sítio Cercado, Tatuquara, Caximba, Ganchinho e Campo de Santana) ficam integralmente na Zona Sul.

Uberaba na Zona Leste, mas limítrofe a Sul. Cidade Industrial majoritariamente na Zona Oeste, mas um pequena porção também na Sul.

E São Miguel logo atrás da CIC, assim também na Z/O, mas não longe da Z/S.

Nenhum na Zona Norte, e nem mesmo na Z/O e Z/L mas próxima dela.

Próximas 2: sinalização não-oficial, feita pelos próprios moradores. Nessa placa imitaram o azul e o desenho da sinalização oficial, mas as letras são distintas.

…….

Após um grande pico nas décadas de 70, 80 e 90 (nesse ensaio analisamos somente a última dessas 3) o crescimento populacional de Curitiba arrefeceu bastante após a virada do milênio.

Essa situação que se repete na maioria das capitais do Centro-Sul. Falando especificamente da capital do Paraná:

Nos anos 90 dois bairros tiveram aumento de 50 mil pessoas cada, mais dois em pelo menos metade desse número.

Já na primeira década do milênio os quatro primeiros ganharam entre 12 a 20 mil, cada um deles. Respectivamente (nos censos de 2000 e 2010):

E aqui pintaram nas paredes. A rua principal da parte nova (de 2010) foi batizada “Av. do Comércio”. Aqui na esquina com a “1º de Setembro”. Essa, por sua vez, é a via principal de outra vila (nomeada com essa data) que já existia antes, e foi fundida com a nova invasão formando o ‘Complexo’. Detalhe: diz ‘cabeleireira‘, mas dentro há uma mesa de sinuca.

Campo de Santana, pulou de 7 pra 27 mil. Maior aumento absoluto e proporcional.

O único que atingiu 2 dezenas de milhares de novos habitantes, nada menos que quase quadruplicando sua população.

A razão pra isso que a partir de 2003 ali foi implantado o Rio Bonito.

Uma fazenda foi fracionada em milhares de lotes urbanos, se tornando parte da cidade.

Trata-se de um projeto similar ao Bairro Novo da década anterior, a única diferença é que o Rio Bonito é um empreendimento particular, e não da Cohab. 

Próximas 5: eu subi a rua 1º de Setembro. Quando saí da parte nova e entrei numa vila mais antiga que tem esse exato nome como já dito, a via passa a se chamar “Rua Principal”.

O vizinho Tatuquara continuou crescendo bem, e foi de 36 pra 52 mil curitibanos ali residentes.

Portanto 16 mil novos tatuquarenses em 10 anos, superando os 40% de aumento.

A Cidade Industrial veio logo atrás com 15 mil habitantes a mais, de 157 pra 172 mil. Se no absoluto quase empatou com o Tatuquara, no proporcional foi bem menor, por volta de 10%, pois a base era bem maior.

O auge do CIC foi antes, nos anos 80, quando o bairro ganhara impressionantes 70 mil novos moradores em apenas 10 anos.

Recorde que irá perdurar por toda história de Curitiba, e que também tornará o CIC pela eternidade o bairro mais populoso da cidade, salvo uma hecatombe nuclear.

Digo, do lado a direito da rua é a parte antiga, e que por isso já conta com rede de eletricidade oficial. A esquerda da via outra invasão bastante recente. Aqui já estamos numa parte mais alta, que não alaga. São muitas invasões pela região, umas recentes e outras não. Tudo agora ‘junto & misturado’.

– O Uberaba igualmente manteve um ritmo elevado por mais uma década, e pulou de 60 pra 72 mil pessoas ali vivendo.

12 mil a mais portanto, fechando a lista dos que aumentaram superando a dezena de milhar. No proporcional já não impressiona tanto, 20% de acréscimo.

– Afora o Campo de Santana que liderou no absoluto e proporcional, em termos percentuais depois vem a Augusta (Zona Oeste, ao lado do CIC e São Miguel) que passou de 3,6 pra 6,5 mil, crescendo mais de 80% na década.

A causa é que a prefeitura implantou ali diversas Cohabs, além de loteamentos particulares.

Houve também em 2003 uma grande invasão na divisa com o CIC, chamada inicialmente ‘Colina Verde’.

Postes de luz oficiais, sim. Mas também sem saneamento básico.

Também na Zona Oeste, o Mossunguê passou bem perto, faltou pouco pra atingir 70% de crescimento. Subiu de 5,6 pra 9,6 mil.

E nesse caso o crescimento foi majoritariamente na alta burguesia, classe alta e média-alta.

Como é sabido, ali foi implantado o que é conhecido pelo pomposo nome de ‘Ecoville’.

Trata-se da ‘Barra da Tijuca Curitibana’, um subúrbio afastado na Zona Oeste de prédios caros.

Só aqui não tem praia, óbvio (por curiosidade já que traçamos paralelos com o Rio, a ‘Copacabana Curitibana’ é o Parolin, na Zona Central – também sem mar, infelizmente).

De volta a Zona Sul, o Ganchinho subiu 50%, de 7,3 pra mais de 11 mil.

Igualmente emplacou a segunda década consecutiva se expandindo fortemente.

Ainda a “Rua Principal” da Vila 1º de Setembro.

Resumindo: um bairro da Zona Sul liderou com sobras tanto proporcional quanto absolutamente.

No absoluto, os que vem a seguir são ou na mesma Z/S (Tatuquara) ou respectivamente nas Zonas Oeste e Leste mas adjacentes ou com uma parte na Sul (CIC e Uberaba).

No proporcional, o 2º e 3º de maior elevação são na Zona Oeste, esses bem longe da parte austral da cidade. Mas a seguir mais Zona Sul.

Volta a parte nova na baixada do rio. Alias aqui e na próxima tomada exatamente o Barigüi, note que as construções as suas margens seguem incessantes.

………

E, disse tudo isso pra chegar aqui, a década de 10 ainda está longe de findar.

Mas é certo que a Caximba, que quadruplicará sua população nesses 10 anos, irá liderar no crescimento proporcional entre os 75 bairros (no absoluto vamos aguardar pra ver).

A esquerda na imagem Araucária. A direita Vila Sapolândia, Curitiba, uma vila anterior a 2010, mas que se uniu a parte nova no ‘Complexo da Caximba’.

Crescimento esse da Caximba que é conturbado, não restam dúvidas.

No ‘Complexo da Caximba’ a infra-estrutura é precaríssima, como notam e é notório pra quem conhece.

Bom, alguns criam que Curitiba estaria se ‘gentrificando’.

Mas 4 cenas da favela: sua alta densidade, os ‘gatos’, ruas de terra que enlameiam.

Ou seja, se aburguesando demasiadamente, empurrando a classe trabalhadora pra região metropolitana.

Nada pode ser mais distante da realidade, repito de novo.

Digo, sim, boa parte de Curitiba vem mesmo se aburguesando.

Mas na Caximba ainda há espaço pra pessoas das classes ‘D’ e ‘E’.

Aqueles que não podem pagar uma prestação habitacional e nem mesmo um aluguel barato.

Resumindo, aqueles que apenas sobrevivem primeiro, e depois, só depois de ter comida no prato, é que sonham em consumir qualquer supérfluo.

No Extremo Sul da cidade ainda há um local, apesar que bastante precário, que pode abrigar esses Homens e Mulheres que a sorte deserdou.

Curitiba cresce para o Sul. E nem sempre de forma ordeira, não custa enfatizar de novo.

Definitivamente, como dizem os ‘manos de rua’: “Zona Sul – aqui Curitiba é diferente”.

Vendo essas imagens, quem poderia duvidar???

Que Deus Pai e Mãe Ilumine a todos.

“Ele/Ela proverá” 

“Amiga, vamos a toalete?”

Amplie pra ler o diálogo delas.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Levantado pra rede em 29 de maio de 2017, com 2 desenhos inéditos e outro publicado (em emeio) em 26 de dezembro de 2013.

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres.

Começamos pelo inédito, produzido em maio de 2017.

Hoje vamos retratar mais uma das características tipicamente femininas: a de ir ao banheiro em duplas.

Marília (de blusa preta e com o cabelo preso em coque) saiu com vários amigos, foram tomar umas cervejas.

No bar um rapaz gostou dela, e ficava olhando-a, esperando uma oportunidade pra conversarem. Marília percebeu, e gostou dele também. Mas como ela é muito tímida, não sabia o que fazer.

“Aaaaaiiii, amigaaaaahhh … Tou um pimentão de tanta vergonha!!!”, diz Marília.

Já foi bem pior, na adolescência ela era totalmente sem jeito pra se arrumar, quando recebeu uma ajuda de uma colega.

Agora pelo menos se produzir ela sabe. Mas nesse momento ficou com vergonha, não tinha ideia como agir.

E como ela não dava uma abertura, o rapaz também não iria chegar a mesa falar com ela no meio de uma roda.

Pois se for pra levar um fora tem que ser só a dois, e não em público obviamente.  Aí ficava esse impasse, ele olhando pra ela, Marília corava e tentava desviar o olhar. Resumindo, ambos viram que a atração era mútua mas a situação não saía do lugar.

Esse é o desenho de dezembro de 2013: Marília e sua amiga se arrumando pra sair. “Invejadas pelas Mulheres, Desejadas pelos Homens, lá vamos nós”, elas se divertem. Meio pretensioso, não? Bem, ‘garotas serão garotas’, como dizem.

A melhor amiga dela, percebendo o que estava rolando, chamou Marília pra irem juntas “retocar a maquiagem”. Propositadamente ela escolheu que ambas passassem perto do balcão, pra medirem a reação dele.

Assim, enquanto realçavam feminilidade frente ao espelho foi a hora da amiga confrontar Marília. “Mari, por acaso você não tá vendo que aquele gatinho tá vidrado em ti?”

Marília, como dito uma moça tímida, ficou rubra tal qual um tomate, e sentiu um calor por todo corpo como se estivesse num forno: “Ai amiga, eu tou achando que sim, mas … e se for só impressão???”

“Larga de ser boba, guria. Não notou que ele quase caiu da cadeira quando você passou perto dele???”, respondeu sua amiga, que a seguir arrematou:

“Faz o seguinte: eu volto pra mesa, e você vai pro balcão e pede uma cerveja. Joga um charme, solta teus cabelos, garanto que antes de você lembrar o número do teu RG ele já puxa a cadeira e senta do teu lado. Querida, nessa dúvida é que não dá pra ficar, teu coraçãozinho tá quase saindo pela boca de tanta emoção.

Na pior das hipóteses, se ele não for falar contigo você leva a cerveja pra mesa e pelo menos desencana, curte o resto da noite sem ter um enfarte. Mas eu garanto pra ti que ele vai “.

E assim realmente se deu. A intuição feminina delas não furou. Logo Marília teve que retocar de novo o batom, porque esse borrou todo, se você entende o que eu digo…

cunhadinhas

Acima outro retrato inédito, portanto também de maio de 17.  Desenhei uma vez Marília com sua prima, na postagem que por isso se chamou “Priminhas”. Dessa vez vemos ela com outra Mulher de sua família. A esposa de seu irmão, portanto a sua cunhada.

Agora Marília já é casada. Mas seguimos na mesma frequência, ela sendo aconselhada e ajudada por uma outra Mulher mais experiente no traquejo com o Mundo Masculino.

A cunhada (de cabelo bi-color [rosa e violeta] e unhas idem, negras e brancas) e o sobrinho. Usando um maiô do Mickey que ela adora. (Já Marília tem uma blusa da Minnie).

Pois Marília está passando por uma crise em seu casamento. Pra espairecer um pouco e decidir o que fazer, ela pediu uma licença em seu trabalho e foi visitar seu irmão.

Marília mora no Sul da Alemanha, quase nos Alpes que fazem fronteira com a Áustria. É inverno na Europa, ela pegou o trem sob neve.

O irmão dela mora com a esposa e 3 filhos em Rostock, no Norte do mesmo país, onde o frio não é tão rigoroso.

Na verdade faz um veranico no Báltico, assim se o mar não esquentou a ponto de se banhar nele, ao menos dá pra molhar os pezinhos.

Ao contrário de Marília, seu irmão e a esposa estão vivendo muito bem. Eles se gostam, se respeitam, estão em harmonia.

A esposa é dona-de-casa. Como o marido está bem-empregado, ela decidiu ficar no lar curtindo e cuidando das 3 crianças que ainda são pequenas.

Marília admira a felicidade de sua cunhada, pois ela não está se sentindo numa fase tão colorida assim.

Assim nos 10 dias que passou lá, essa foi a rotina de Marília: de manhã as Mulheres ficavam em casa, faziam o almoço, essas coisas.

De tarde elas andavam pela cidade, várias vezes foram a praia. Aproveitaram o tempo juntas e falaram sobre “as coisas de Mulher”. Marília casara jovem, com o primeiro namorado, e por isso não tinha muita experiência com os Homens.

Rolou uma empatia feminina muito forte, sua cunhada era mais descolada e vivida. Não devemos julgar pela sua aparência escandalosa. Os cabelos são de menina, mas a Alma é de Mulher. E ela se compadeceu do sofrimento da outra. Gostou de Marília como se ela quem fosse sua irmã, e não irmã do marido.

Assim a cunhada falou sobre sua vida, coisas que nunca havia contado antes. Que hoje ela era feliz com o marido, mas que também já tinha tido crises no relacionamento.

Além disso, que antes dele já tinha tido namorados que ela insistia e coisa não andava, aí foi melhor romper. Saber de tudo isso animou Marília, ela viu que era possível ser feliz depois de um momento infeliz numa relação, quer ficassem juntos, quer não.

Panorâmica da orla de Rostock, Alemanha. Ao fundo a praia onde as cunhadas passaram bons momentos com as crianças (imagem via ‘Google’ Mapas).

Ao anoitecer o marido, irmão de Marília, chegava e todos jantavam juntos, no fim-de-semana ele a levou pra conhecer cidades próximas que ela nunca tinha ido.

Sua cunhada está de bem com a vida, bem-casada e bem-amada. Como ela ainda é jovem e não trabalha fora, pôde se dar ao luxo de pintar seu cabelo de rosa, com as pontas em violeta.

Marília está na vibração oposta, se sentindo mal-casada e mal-amada. Daí ela até aparou os cabelos, mal cobrem seu pescoço, pra simbolizar a poda de uma árvore que depois irá renascer.

………..

A Beira-Rio’ de Rostock, tão charmosa quanto a Beira-Mar. Foto puxada da rede, eu nunca fui a Europa.

Foram bons esses dias na praia. Ela descansou e refletiu bastante. Marília gostaria de ter um casamento como o de seu irmão:

Em que Homem e Mulher formam um conjunto Harmonioso. Mas ela sente que as coisas estão indo no rumo oposto.

Assim Marília resolveu que ao voltar pra casa vai conversar seriamente com seu marido. Caso ele esteja disposto ambos farão um esforço mútuo pra compreenderem um ao outro, e se entenderem,

Se der certo, prosseguirão juntos. Mas  do contrário cada um tomará seu próprio rumo.

Uma hora as lágrimas dela secam e ela, como a cobra que troca de pele, estará pronta pra recomeçar renovada. Uma coisa Marília já resolveu:

Em outra escala, as meninas se aprontando em casa pra irem ‘aprontar’ na rua.

Quando ela voltar a visitar seu irmão, cunhada e sobrinhos no verão (e aí puder se banhar no Oceano, como ela adora) ela não estará mais num casamento infeliz. Ou a relação estará sendo boa pra ambos, ou ela será de novo uma Mulher solteira. Vamos ver no que vai dar.

…….

Beijos em teu Coração de Mulher.

“Deus proverá”

Solo Sagrado

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 11 de maio de 2017

Maurílio na Cidade do Cabo, África do Sul. É notório que a Montanha-Mesa ali localizada é um chacra da Mãe-Terra.

Os Estudantes Sabem o que isso significa: um Portal de Energias, um encontro entre dimensões. Bem, é exatamente isso que é essa cidade. No Cabo da Boa Esperança que a nomeia é onde os Oceanos Atlântico e Índico se unem.

Portanto ali é o “Encontro das Águas”, e também o Encontro entre o Leste e o Oeste do Planeta.

Diante dessa Vibração tão Forte, Maurílio se ajoelhou e beijou o Solo Sagrado da Terra-Mãe-África. Mama-África, é claro.

Sim, há na orla da Cidade do Cabo aquele óculos gigante, que vemos a esquerda no desenho e na foto acima.

a flor do amor

Continuamos no ‘Solo Sagrado’, falando do Amor a terra e a Terra.

Marília se casou jovem, ainda adolescente. E então foi morar numa casa simples da periferia.

Ela foi feliz nesse lugar, ao lado do seu marido e dos filhos que nasceram e cresceram ali.

Mas depois eles se mudaram de cidade, e Marília ficou muitos anos sem voltar ao bairro em que residiu. 

Um dia, numa visita a sua cidade-natal, ela já com 40 e poucos anos passou em frente a mesma casa que ela viveu.

E onde passou tão bons momentos do início de sua vida adulta.

Estava vaga, sem ninguém morando. Aí Marília teve uma ideia:

Foi a uma floricultura e comprou um broto de rosas.

A seguir ela plantou as rosas na frente da casa. Pra simbolizar que ali sua Energia Feminina se Abriu.

Consagrando o local onde o Amor entre uma Mulher e um Homem teve sua Florada.

a diva de durbã

De volta a África do Sul. E da Terra pra Água.

Uma Marília Indiana, no Oceano Indiano (ou ‘Índico’). A “Diva de Durbã”.

Durbã é a maior cidade indiana fora da Índia. A colônia é enorme, fotografei até um templo hindu, breve jogo no ar.

E Durbã é no Oceano que nos chamamos de Índico, mas no inglês – que é a língua falada lá – se chama Oceano Indiano.

Tem mais: em Durbã é comum as pessoas entrarem no mar de roupas (situação que já presenciei em Acapulco-México, nesses 2 casos no exterior em larga escala. Também fotografei isso no Paraná). Por isso Marília de vestido florido, biquíni preto por baixo. De qualquer raça e até embaixo d’água Marília nunca perde o charme:

De roupa no mar. Mas com as unhas e bijuteria impecáveis. Sempre, né?

As unhas são invertidas, uma clara outra escura, e invertendo as mãos também, na direita o dedão é claro, na esquerda escuro.

(Nota: existe na internet uma menina que se denomina ‘a Diva de Durbã’. Meu desenho não se relaciona com o trabalho dela, exceto que eu confesso que me inspirei pelo nome.)

Solo Sagrado, Oceano Sagrado. Muito Respeito e Amor pela Mãe-África, e pela Mãe-Índia.

Nos mares do Cabo e Durbã, definitivamente Tudo se Alinha, Tudo se Encontra.

Hare Rama, Hare Sita = Louvado é Deus Pai e Mãe.

A Riviera do Cabo; palavras não são necessárias

Todas as imagens são da orla da Cidade do Cabo, África do Sul, abril de 2017.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 10 de maio de 2017

Abrimos a Série sobre a África.

Digo, a primeira mensagem foi feita lá mesmo em Joanesburgo, um desenho.

Mas de matérias maiores, com fotos e textos, começamos agora.

O funcionário do clube apara a grama do campo de polo. Mais tarde os ricaços montam em seus cavalos de raça e disputam mais uma partida, com o mar ao fundo.

E começamos bem, mostrando logo a parte mais bonita da África do Sul, a ‘Riviera do Cabo’.

Batizei a série ‘O Mundo num só País’, porque exatamente isso é que é essa nação, uma mistura de África, Europa e (em menor medida) até mesmo Ásia.

Esse era o lema oficial nos tempos do ‘apartheid’. O regime racista caiu, felizmente; falemos agora sobre os desafios do novo milênio, sob democracia.

Mas a África do Sul continua sendo ‘O Mundo num só País’.

Por África do Sul você se sente na Inglaterra ou nos EUA, porque as cidades são dessa escola de urbanismo. Com exceção das favelas, é claro.

As montanhas, as mansões nas encostas a moda da Califórnia-EUA, e em 1º plano um ônibus da moderníssima rede de transportes ‘Minha Cidade’ (falo mais em outros textos).

No bairro que nos hospedamos na Cid. do Cabo – chamado ‘Woodstock’ – eu me sentia em São Francisco-EUA.

Eu nunca fui a essa metrópole ianque, mas de ver pelos filmes e ‘Google’ Mapas sei como é.

E no Cabo eu parecia que estava lá, de verdade. Pois era isso que meus olhos me diziam, pela sensação visual.

Eu precisava me lembrar ‘manualmente’, digamos assim, inserir na minha mente a informação racional que eu estava na África, porque a dimensão sensorial me dizia o contrário.

A garagem e a entrada são no telhado.

Curioso, não? Uma vez  eu estava na América – na República Dominicana – mas minha interpretação penta-sensorial (visual, térmica, sonora, olfativa, gustativa) me dizia que eu estava na África.

Dessa vez eu estava mesmo na África, mas parecia que estava aqui na América.

E a Cidade do Cabo é, primeiro, a cidade mais bonita da África do Sul, e uma das mais belas do planeta. Isso já disse.

Segundo, a Cidade do Cabo é mais integrada em termos raciais. Se preferir de outra forma, é a que há mais brancos pelas ruas do Centro e dos bairros de periferia.

As moradias são bem abaixo do nível da rua.

Em Durbã e Joanesburgo, não há brancos no Centro nem na periferia.

Eles só ficam nos subúrbios de classe média-alta e na praia (no caso de Durbã, Joanesburgo não tem mar).

Pretória tem vários brancos no Centro, é bem menos segregada que as outras duas acima.

Mas ainda são ínfima minoria, vemos com frequência mas ainda assim não é tão comum.

Esse é o acesso a uma praia pública, também por sinuosas escadarias.

Já na Cidade do Cabo é diferente. O Centrão, o começo da periferia e a orla são plenamente integrados, você vê pessoas de todas as raças de forma abundante.

Não é que Joanesburgo e Durbã tenham poucos brancos, exatamente ao contrário.

Eles são muitos, viajei de avião entre essas cidades, e ali os de pele alva eram maioria.

Mas os caucasianos se impuseram uma auto-segregação, moram e trabalham em subúrbios a moda ianque afastados da cidade.

Nas praias de Durbã, como dito, não há auto-segregação. Ali todas as raças convivem em harmonia. Mas só ali, os brancos não frequentam o Centrão.

Nessa é preciso subir muitos degraus pra acessar a casa. Dispensa a academia.

Como Joanesburgo não tem mar, se você não for aos bairros que os brancos moram você não vê brancos.

Entretanto, em Pretória e muito mais na Cidade do Cabo, a coisa é bem mais harmônica.

No Centro do Cabo você se sente na América (que é um continente, não me refiro aos EUA), ou na Europa, com pessoas de todas as raças andando lado-a-lado e convivendo nas ruas.

Terceiro, boa parte da orla do Cabo são espremidos pelas montanhas.  

Vai uma B.M.W., vem um Porsche. Pouco antes, dois Porsches se cruzaram.

Assim se nos bairros a leste do Centro eu me sentia na Califórnia, nos a oeste dele a sensação exata é a de estar nas partes mais bonitas do Mediterrâneo, na Itália ou nas Ilhas da Grécia.

Ruas sinuosas se equilibrando na encostas, mansões e prédios de milionários se espremendo entre o morro e o Oceano. Eu estava na “Riviera do Cabo”.

 Sem nunca ter ido fisicamente a Califórnia, no Cabo eu estava na Califórnia. E sem nunca ter ido a Europa (exceto na ficção) eu estava na Riviera, digo de novo.

Mais um Porsche. Um das maiores concentrações de milionários do mundo. Me perguntaram se na África existe riqueza. Respondi: “Viche! Você nem imagina quanto…”

Então me calo, porque já falei demais. Nem é preciso dizer nada, as imagens dizem tudo.

A série sobre a África será longa: já fiz mais um desenho de Maurílio beijando o solo da Cid. do Cabo, e de uma Marília indiana em Durbã. Nos demais textos descreverei com detalhes o que vi lá, em todas dimensões:

O transporte, futebol, urbanismo, favelas, o céu, as flores, os vários idiomas.

Contaremos sobre a campanha pra ‘impedir’ o presidente Zuma, a dolorosa luta contra o ‘apartheid’ e a difícil adaptação a democracia, a violência urbana.

Agora vem uma Mercedes preta. Só dá essas máquinas, você fica zonzo se tentar contar….

Não acabou não: veremos Durbã, Pretória, Joanesburgo incluindo Soweto, o Oceano Atlântico, o Oceano Índico (que têm seu encontro no Cabo da Boa Esperança).

Conto com detalhes a ‘carona’ que eu ganhei no camburão. Já fiz matérias específicas sobre a Cidade do Cabo (mostrando seus outros bairros), Joanesburgo (que inclui Pretória, onde está o Palácio Presidencial do qual Zuma foi mesmo enxotado) e Durbã (breve).

Mas hoje, pra começarmos bem, a ‘Riviera do Cabo’. Palavras não são necessárias. Como eles dizem na África do Sul, “Aproveite”.

Está Aberta a Série. Que Deus Ilumine a todos.

“Deus proverá”

a Princesa e as Flores

”princesa”‘ marília: castelo, carruagem – e flores – na praia mais aristocrática do chile

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 14 de abril de 2017

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres.

Marília foi ao Chile, e também a Joinville-SC (acima da manchete, fechamos a matéria com essa parte).

Portanto comecemos pelo outro país, que ela conheceu junto com seu Amado marido Maurílio.

Visitaram a Grande Valparaíso, o que inclui o famoso balneário de Vinha do Mar.

(Nota: eu traduzo tudo pro português, como vocês sabem.

‘Vinha’ é fazenda de vinho, e não conjugação do verbo vir.)

Linguística a parte, Vinha é a praia mais aristocrática do Chile.

Dá uma olhada a direita o prédio que eu flagrei na beira-mar, tem seu lago particular.

“Vinha, a Cidade Bela”.

É ali que a elite da capital passa as férias, onde a ‘juventude dourada’ vai pra ver e ser vista no verão.

Enquanto ele foi dar uma volta em outras partes da cidade, ela foi conhecer essa orla que é toda cheia de flores.

De carruagem. E há um realmente castelo ornando uma pequena península.

Aí com tudo compondo esse ambiente de sonhos, Marília não pôde resistir em se sentir uma verdadeira princesa. E quem resistiria?

……..

Sobre a carruagem não é preciso explicar, várias cidades turísticas contam com elas.

Já as vi pessoalmente além de Vinha em Nova Iorque-EUA no Parque Central, e andei numa delas em Acapulco-México.

E, sim, Vinha do Mar tem um castelo de verdade, que eu fotografei acima e desenhei a direita.

Foi inaugurado perto da virada do século 19 pro 20, por um