a Princesa e as Flores

”princesa”‘ marília: castelo, carruagem – e flores – na praia mais aristocrática do chile

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 14 de abril de 2017

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres.

Marília foi ao Chile, e também a Joinville-SC (acima da manchete, fechamos a matéria com essa parte).

Portanto comecemos pelo outro país, que ela conheceu junto com seu Amado marido Maurílio.

Visitaram a Grande Valparaíso, o que inclui o famoso balneário de Vinha do Mar.

(Nota: eu traduzo tudo pro português, vocês sabem. ‘Vinha’ é fazenda de vinho, e não conjugação do verbo vir.)

Linguística a parte, Vinha é a praia mais aristocrática do Chile.

Dá uma olhada a direita o prédio que eu flagrei na beira-mar, tem seu lago particular.

“Vinha, a Cidade Bela”.

É ali que a elite da capital passa as férias, onde a ‘juventude dourada’ vai pra ver e ser vista no verão.

Enquanto ele foi dar uma volta em outras partes da cidade, ela foi conhecer essa orla que é toda cheia de flores.

De carruagem. E há um realmente castelo ornando uma pequena península.

Aí com tudo compondo esse ambiente de sonhos, Marília não pôde resistir em se sentir uma verdadeira princesa. E quem resistiria?

……..

Sobre a carruagem não é preciso explicar, várias cidades turísticas contam com elas.

Princesa Marília.

Já as vi pessoalmente além de Vinha em Nova Iorque-EUA no Parque Central, e andei numa delas em Acapulco-México.

E, sim, Vinha do Mar tem um castelo de verdade, que eu fotografei acima e desenhei a direita.

Foi inaugurado perto da virada do século 19 pro 20, por um imigrante alemão muito rico, que queria relembrar desse lado do Oceano um pouco de sua Europa natal.

Ele precisou de um alvará especial, pois no Chile como no Brasil é proibido construir diretamente na praia. Foi concedida, ele fez sua obra, e ali residiu até desencarnar.

Até os postes são floridos em Vinha do Mar. Em Bombinhas-SC, Brasil, também.

Sua viúva continuou na mansão-castelo, mas modificou-a, entre várias mudanças demoliu 2 de suas 3 torres originais, restou 1 de lembrança.

Após o desencarne dela também, o castelo alternou períodos vago com os que funcionou como museu.

E desde o começo de século 21 abriga órgãos da secretaria de turismo da prefeitura de Vinha do Mar.

………

A partir dessa imagem, já estamos vendo Joinville-SC (óbvio, pelo Portal), onde eu também desenhei Marília, abaixo.

Enfim, agora já que já está explicado o castelo e carruagem, falemos da “princesa”.

Marília já havia tido essa sensação antes, quando foi a Los Angeles-EUA.

E, nas colinas de ‘Hollywood’, ela não teve como não se sentir uma das estrelas do cinema (a diferença é que aí o conto de fadas era contemporâneo, e não ‘uma volta no tempo‘).

Mas não pense que ela é uma menina bobinha, que vive num mundo de sonhos sem conhecer a realidade.

A ‘Rua das Palmeiras‘ no Centro de Joinville, sempre com muitas flores.

Exatamente ao contrário. Antes de ir a pra ‘Hollywood’, Marília foi no Centrão de Los Angeles, na Cracolândia, na ‘boca-do-lixo’ da cidade.

Que é uma das maiores concentrações de sem-tetos e viciados do mundo. Um ‘vale dos leprosos’ bíblico em pleno século 21.

Então Marília viu perfeitamente as injustiças do sistema, fez esse ‘dever de casa’, tem sua mente analítica bem crítica e desenvolvida. Precisamente por isso a postagem se chamou ‘o Luxo & o Lixo’.

Agora, o desenvolvimento da Razão não precisa matar a Emoção.

Tendo bem claro como as coisas são, não custa também a gente sonhar, de vez em quando se deixar levar pelo que elas poderiam ser.

Bem-Vindo a Cidade das Flores”, já é anunciado na entrada da cidade.

Assim foi em ‘Hollywood’, e assim foi no Chile. Marília estava ali, andando de carruagem, apenas apreciando a paisagem enquanto o cocheiro a conduz. E há bastante pra apreciar:

O castelo ao fundo. Vendo flores até quando você olha pra cima, no alto dos postes. Aquela praia em que as moradias têm seus lagos particulares.

Tudo foi compondo o cenário. Quem não gostaria de ser uma princesa, por alguns minutos que seja?

Depois de todo esse encanto, o dia continuou mágico: Marília encontrou de novo seu “príncipe”, pôs um biquíni – com a bandeira do Brasil – prendeu o cabelo em maria-chiquinha e foram ambos comer churros, nessa exata mesma praia que ela passou em frente de carruagem.

 a cidade das flores: joinville, santa catarina

Voltamos a Pátria Amada, e logo nessa parte tão bonita. Uma Marília joinvillense. Alguns se espantariam por eu ter retratado ela negra.

O nome comercial é fictício. Se houver uma loja chamada assim em Joinville ou qualquer outra cidade é somente uma coincidência, não estou fazendo propaganda.

Oras, embora a maioria dos moradores dessa cidade sejam de pele clara, uma minoria bastante significativa tem outro fenótipo. Muito mais do que você imagina vendo somente o estereótipo. 

O tempo passa. Após a primeira onda de colonização – de fato essa sim germânica – vieram outras, que mudaram a composição da população.

Uma porção elevada de Joinville é imigrante do interior do Paraná. Sendo que os antepassados desses norte-paranaenses vieram majoritariamente do Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais.

Por isso a Marília joinvillense cor-de-ébano. Pé-Vermelha de nascimento, e barriga-verde de coração.

………

Namorando um vestido na vitrine – que é adornada por muitas flores, mantendo a tradição alemã. Ela a-ado-ra comprar roupas, especialmente vestidos. Na medida certa, evidente. Ela nem carrega cartão de crédito, só de débito ou dinheiro vivo, assim não contrai dívidas, só leva o que pode pagar.

“Vou ficar lindinha de rosa!!!”

Como eu disse acima, Marília é bastante perspicaz. Ela não é uma garota estúpida, porque ela não é estúpida.

Mas . . . é uma garota. E portanto (sem exageros, claro) ela ama esse ritual de escolher, experimentar, e depois usar um vestido que lhe chama a atenção.

O desenvolvimento da Mente não precisa negar a Emoção, repito. A Mulher pode ser independente, segura de si. E ainda apreciar expressar a Energia Feminina, você não concorda?

……….

Beijos em teu Coração de Mulher.

“Deus Mãe e Pai proverá”

Terra Amada & Querida: Joinville, Santa Catarina

Terra dos Ônibus Amarelos e da (finada) Busscar.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 13 de março de 2017

Fui mais uma vez a Joinville, Santa Catarina (segundo alguns ainda pertence ao Paraná, abordo essa questão mais abaixo).

E dessa vez levei a câmera, pra produzir esse ensaio fotográfico. Bastante incompleto, é verdade.

A Joinville germânica.

Bem fotografado, com calma e de dia, pude me focar somente no Portal e o Centro e imediações.

Já no apagar das luzes (literalmente!) chegamos ao mar, no Espinheiros (sim, Joinville tem mar. Muitos não sabem disso. Também volto ao tema).

E entre o Centro e o pequeno porto marítimo cliquei rapidamente alguns relances de uma vila de periferia, entre as Zonas Leste e Norte.

Cidade da Dança, Cidade das Flores (já desenhei uma Marília joinvillense, numa loja florida, seguindo a tradição alemã).

Melhor que nada. Um outro dia que eu retornar ampliamos a postagem. Aqui já serve como boa introdução.

Acabando de virar a marca do meio milhão de habitantes, Joinville é o município mais populoso de SC.

Mas não é a ‘maior cidade do estado’, como muitos erroneamente afirmam.

E é fácil entender o porque: cidade e município são conceitos diferentes. Podem coincidir, mas não necessariamente.

A famosa ‘Rua das Palmeiras’.

‘Cidade’ é a urbe, uma mancha urbana contígua, independente de divisões políticas.

Quando vários subúrbios metropolitanos conurbam com um núcleo, uma cidade passa a ser multi-municipal.

Assim fica fácil entender. É fato que no município de Joinville mora mais gente que no município de Florianópolis.

Ainda assim, a cidade que é a Grande Florianópolis abriga muito mais pessoas que a Grande Joinville, portanto a capital e seu entorno são a maior cidade de SC.

E a Beira-Rio no Centrão.

Seja como for, Joinville é o epicentro industrial de Santa Catarina, e por isso disparado o maior PIB do estado – simplesmente o dobro de Florianópolis!

E é a maior cidade do interior catarinense.

…………

Vamos descrevendo as imagens, aí a gente vai falando um pouco mais de Jvlle.

Sua origem é alemã, como é de domínio público. Isso fica evidente na arquitetura da cidade.

Mas há um outro detalhes numa dessas imagens em que aparecem os prédios típicos teutônicos:

Nas placas, abaixo da denominação atual da rua, estão grafados os nomes antigos que ela já teve ao redor de sua história.

É uma característica de S. Catarina. Já fotografei o mesmo em Florianópolis.

Na capital, de colonização açoriana, mesmo os nomes que já caíram em desuso são no idioma português.

Em boa parte do interior, antigamente as ruas e avenidas antes eram ‘weg’, ‘strasse’, etc. É o caso aqui:

Amplie a foto acima e verá:

Na atual esquina das ruas do Príncipe e XV de Novembro antigamente se encontravam a ‘Ziegeleistrasse’ e ‘Mittelweg’, respectivamente.

Alias ela mostra bem o comecinho da XV de Novembro, no Centrão.

A direita vemos o cruzamento dessa mesma via com a BR-101, já do outro lado do Portal.

Na foto a seguir, a placa é exatamente a mesma. Eu apenas girei a câmera pra direita.

E aí aparece o Moinho que há na entrada principal da cidade, visto agora melhor enquadrado.

Nele funciona uma chopperia, se não me engano

Ao lado do portal há um totem, onde está escrito “Bem-Vindo” em português e alemão. 

Mais abaixo na página há uma foto em que ele aparece claramente.

Aqui nos centremos no que há atrás dele:

Outra placa bi-língue, a que comemora a amizade entre Joinville e a cidade de Langenhagen, Alemanha.

Foi firmada entre os prefeitos, no ano de 1980.

Certamente em Langenhagen há outra equivalente, apenas na ordem invertida dos idiomas.

………..

Como é sabido, no Norte do continente europeu (Alemanha e imediações, como a Holanda) é muito forte o costume de andar de magrela.

Assim essa é outra herança germânica: Joinville é também a ‘Cidade do Pedal’.

Várias avenidas têm ciclovias (fotografei uma delas), e uma das atrações é o ‘Museu da Bicicleta’.

Por falar em museus, em imigrantes e em tempos idos:

Numa das pontas da ‘Rua das Palmeiras’ está o Museu da Imigração.

E bem no meio desse calçadão há uma série de totens em preto-&-branco contando a história do lugar.

Fotografei uma das placas, aquela que registra a passagem do Zepelim.

JOINVILLE-PR, OPS, DIGO SC –

Assim como, Energeticamente falando, Curitiba é a transição entre o Sul e o Sudeste, Joinville é a transição do Paraná e Santa Catarina.

Posto de outro modo: em muitos aspectos culturais Joinville é uma cidade paranaense.

Joinville é muito perto da capital do Paraná, apenas 130 km cobertos por pista dupla, então é muito influenciada por Curitiba.

Joinville é quase uma ‘filha espiritual’ de Curitiba.

Pra um curitibano, andar no Centro de Joinville é como estar em casa, tamanha a quantia de empresas curitibanas que têm filial lá.

Se uma imagem vale por mil palavras, observe a esquerda: o primeiro centro comercial (“shopping”) de Curitiba é também o primeiro de Joinville. Um exemplo entre muitos.

Na tomada acima outra avenida com ciclovia.

Mas nessa e na ao lado, quero chamar a atenção pra outro detalhe que Joinville herdou de Curitiba:

A pichação de muros – e agora também dos telhados.

O alfabeto, a nomenclatura dos grupos, o material, o ‘modus operandi’, toda a parafernália resumindo que é aplicada lá são xerox exato do que se faz por aqui.

Sendo que a ‘escola’ curitibana nesse quesito já havia sido ela mesma importada de São Paulo.

Alias devo dizer que a ‘arte’ de rabiscar essas insígnias inelegíveis ao leigo subiu muitíssimo de patamar – não é modo de falar – recentemente.

Quero dizer com isso o seguinte: até a última vez que eu havia ido a Jvlle (2013, 4 anos antes) já havia pichação ao nível do solo.

Porém ainda não era comum escalarem os prédios pra ‘assinarem’ os telhados. Agora se alastrou essa técnica.

ESPINHEIROS, ZONA LESTE – A “PRAIA” DE JOINVILLE –

Viram que tempestade se armou quando nós íamos pra periferia? Joinville tem problemas seríssimos com alagamentos, já eu falo mais disso.

Por hora, falemos do que vimos no subúrbio.

Subúrbio da Z/L da cidade, bairro Espinheiros. Onde o Mar e Joinville se encontram.

Muitos desconhecem esse fato, nem imaginam que Jvlle também é beijada pelo Oceano Atlântico.

Próximas 2: Avenida JK, na Zona Central.

Mas é. Nós nos perdemos numa esquina que não tinha sinalização pra quem é de fora, e fomos parar no Iririú.

Por isso cheguei no último momento possível de iluminação pra registrar o encontro entre Mar e Terra.

5 minutos a mais, e essas imagens não teriam saído. Deus Pai/Mãe permitiu e deu certo, ainda que no limite.

Pus “praia” entre aspas porque Joinville tem mar sim, mas praia não. Pois não há faixas de areia.

Como também acontece em Paranaguá e Antonina, no Paraná, Santo Domingo no Caribe, e diversas outras metrópoles ao redor do globo.

……….

De volta a Joinville. Hoje a cidade tem mar, mas um dia não teve.

Ainda na próximo ao Centro, fotografei um jardim decorado com estátuas (em Ponta Grossa-PR também).

Explico: o bairro de Espinheiros, que é uma ilha e o único que tem litoral, antes não pertencia a Joinville, mas ao vizinho município de São Francisco do Sul. 

Alias isso nos leva a uma característica única de Joinville: 

O município vai aumentando de tamanho, pois absorveu dois bairros que pertenciam a seus vizinhos a leste.

Espinheiros foi incorporado de São Chico, como acabo de dizer.

Próximas 3: periferia da cidade, ruas de terra, casas de madeira.

E partes do bairro da Itinga se desmembraram de Araquari e foram anexadas ao município de Joinville.

Curioso isso, não? Geralmente no Brasil acontece o contrário, os municípios perderem área com emancipações.

Itaperuçu se separou de Rio Branco do Sul, e Pinhais de Piraquara, pra citar dois exemplos da Grande Curitiba.

Em Joinville o caso foi distinto. Não houve emancipação, e sim transferência.

Ou seja, nenhum município novo foi criado, e sim bairros de municípios já existentes se mudaram pra jurisdição de outro município também já instalado há tempos.

…….

Estamos vendo cenas do subúrbio proletário.

Esse é o perfil médio dos bairros mais humildes da cidade.

Muitas casas de madeira pois é Sul do Brasil. E ainda há muitas ruas de terra, já falo mais disso.

Joinville tem pouquíssimas favelas. Apenas umas 5, e bem pequenas.

Ao lado (na única foto que não tirei pessoalmente, essa foi via ‘Google’ Mapas) uma delas.

Próximas 6: classe média na Zona Central. No texto seguimos falando do subúrbio.

Pra meio milhão de habitantes, não está mal.

A proporção de miseráveis por habitante é mais ou menos a mesma de Santiago do Chile.

E essa é ao lado de Montevidéu-Uruguai a capital latino-americana com menos desigualdade social.

De volta a Joinville, há um mito que a cidade não tem favelas. é mentira.

Existem sim algumas pequenas invasões miseráveis na cidade. São poucas, pequenas e bem afastadas. Mas existem.

Se concentram nos bairros Ulisses Guimarães Paranaguamirim, na divisa entre as Zonas Leste e Sul.

…….

Então está dito. Sim, Joinville tem mar, e tem algumas poucas favelas.

Ainda assim, indiscutivelmente são raras. Até as encostas dos morros de Joinville não são favelizadas.

Não pense que esse é o padrão de toda Santa Catarina, amigo.

Porque em Blumenau, na Grande Balneário Camboriú/Itajaí e na capital Florianópolis a situação é diametralmente distinta.

………

Comparando Joinville e Curitiba: a capital do Paraná tem muito mais miséria. 

Nas próximas 2, imediações da Avenida Beira-Rio. Aqui a prefeitura (também cliquei as de Curitiba e Assunção-Paraguai). A esquerda mais palmeiras, essas são na Beira-Rio como dito, e não na ‘Rua das Palmeiras’ que sai na JK, mostrada logo a seguir.

Incomparavelmente mais, inclusive em termos per capita.

Bem, como disse, proporcionalmente Joinville iguala Santiago e Montevidéu, as duas capitais com menos favelas da América Latina.

(Nota: Buenos Aires, ao contrário do que muitos ainda pensam, é bem diferente, e está coalhada de miseráveis.

Breve grande série com tudo isso ilustrado, uma vez que eu estou indo pra Argentina na mesma semana em que levanto essa postagem pro ar.)

Já Curitiba segue o mesmo padrão de Buenos Aires, com intensa desigualdade social.

Mesmo bem próximo ao Centro há duas grandes favelas, as Vilas Capanema e Parolin.

Ambas já urbanizadas mas a situação segue problemática em muitos quesitos.

E nas periferias da capital paranaense há mais favelas ainda, obviamente, inclusive em morros.

Próximas 2: flores na Zona Central. Essa sim mostra a ‘Rua das Palmeiras’, evidente.

Pra compensar, Joinville tem muito mais ruas ainda de terra que Curitiba.

Bem, a capital do Paraná já pavimentou quase 100% de suas vias.

Evidente, quando surge uma invasão as vias são de leito natural, ao menos no início.

Registrei recentemente algumas na Cidade Industrial e entorno, Zona Oeste.

Mas afora isso, mesmo nos bairros mais periféricos é difícil ver uma via sem pavimentação no município de Curitiba.

Elas ainda existem, mas é preciso caminhar bem no subúrbio pra encontrar.

A maior cidade do interior catarinense ainda está por dar esse passo.

……..

Já seguimos com o texto. Uma pausa pras flores da ‘Cidade das Flores’.

Indo pro Espinheiros, fotografei mais uma ‘amarelinho’ Busscar, ao fundo a tempestade que se formava (esq.). Primeiro falemos do busão. A Busscar, que era de Joinville, começou como Nielson, e até 1987 só fabricava ônibus rodoviários.

Nesse ano ela lançou o modelo Urbanus. Em 1989 veio a mudança de nome pra Busscar.

Nos anos 90 a Busscar se expandiu enormemente, abriu filiais na Colômbia. Nesse país vizinho, que visitei em 2011, a Busscar é um ícone, quase um mito.

No auge, os anos 90 e a 1ª década do novo século, 100% da frota de Joinville era Busscar (incluindo municipais e metropolitanos). Ou pelo menos 99%, houve uma vez que fui lá e haviam uns pouquíssimos Comil, e somente numa linha, a pra Vila Nova se não me engano.

Porém a coisa desandou, e a Busscar faliu no início da década de 10. Aí as viações de Joinville tiveram que comprar de fabricantes diversos.

Ainda me lembro do choque que tive em 2013 ao ir lá e ver pela primeira vez outras marcas em grande quantidade, especialmente Marcopolo, Neobus (que é Marcopolo) e Comil.

Agora, em 2017, a frota joinvillense conta com enorme presença de busos mais novos dessas 3 montadoras gaúchas citadas no parágrafo anterior.

Atualmente os ônibus de Joinville contam com uma película negra ao redor das janelas, o que não ocorria antes. Há muitos Marcopolos também, mas as fotos que fiz deles não ficaram boas.  Na foto acima um Comil, nas duas próximas veículos da Neobus.

A esquerda um municipal saindo do Terminal Central (onde recentemente foram vistos ônibus de Curitiba e Recife-PE, operando emprestados em ‘Tabela Trocada‘).

Note mais uma vez a placa de rua com o nome antigo em alemão.

É claro, ainda há muitos Busscar remanescentes de antes da quebra.  Quando escrevo esse texto (início de 2017) circulavam rumores que a Caio de São Paulo poderia comprar a Busscar. Veremos se a negociação se concretiza.

“PRIMEIRA CHUVA A ESQUERDA”: O CÉU DE JOINVILLE –

Esse ônibus mais escuros (e sem película negra ao redor dos vidros) são metropolitanos, de Joinville pra Araquari ou pra São Francisco do Sul via Araquari. São Chico é uma ilha, tem praia e porto, e é outra cidade, ou seja, embora próxima não é um subúrbio de Joinville, pois  conta com mais de 40 mil habitantes, e tem vida econômica e cultural própria. Já Araquari é bem menor, e emendada a Joinville pelo bairro da Itinga. Assim, podemos dizer que Araquari é o único subúrbio metropolitano da Grande Joinville. Em Araquari está a fábrica da BMW no Brasil, se alguém não sabe.

E quanto a chuva: Joinville tem um problema crônico de enchentes, como é sabido. Comprovamos isso na prática.

Viram a tempestade que se armava quando nos dirigíamos pro Espinheiros. Na volta choveu forte. Apenas 20 minutos, mais ou menos. Ao chegarmos ao Centro o céu já havia limpado.

Mas cobrou seu pedágio. O Centro estava bastante alagado. Fotografei, mas como o fiz a noite e num carro em movimento não deu pra aproveitar as imagens.

Entretanto quem conhece Joinville sabe que é assim mesmo. E não chegou a cair água por meia-hora, ressalto de novo.

Imagino como teria ficado a cidade com uma hora, ou pior, com duas horas de chuva forte.

Como os joinvillenses indicam como chegar a sua cidade pra quem sai de Curitiba? “Você pega a BR-101, na 1ª chuva a esquerda é Joinville”. Essa piada já resume a intensa relação que a cidade tem com as nuvens carregadas e o consequente aguaceiro que cai do céu.

Aterrissemos de novo ao nível do solo. Veja acima com quais ícones o jornal local A Notícia identifica a sessão ‘geral‘:

Em Santa Catarina os pontos de ônibus são numerados. Essa é a segunda parada da Rua João Colin. Fotografei o mesmo na capital.

Arquitetura alemã; Rua das Palmeiras; Bicicletas; Bailarinas; Flores; o Moinho; e o último desenho não consegui decodificar.

Assim é o ‘ethos’, o ‘mito formador’, assim a Alma de Joinville enxerga a si própria.

No entanto, é preciso fazer um adendo: obviamente a gênese da cidade é germânica.

Mas muitos que não foram até lá podem imaginar que até hoje a imensa maioria dos joinvillenses é loira de olhos azuis.

E se duvidar alguns ainda nem sequer se comunicam em português nas ruas. O estereótipo gruda forte na mente das pessoas. Porém nada poderia ser mais distante da realidade.

Na colagem, um pouco dos hábitos alimentares: um refrigerante local – por isso me refiro ao Norte de SC, esse aqui é feito em Blumenau; Uma lanchonete bem simples do Centrão oferece mostarda preta. Como é o mapa da mostarda no Brasil? No interior do Sul é universal, oferecem inclusive a preta como é o caso aqui. Em Curitiba e São Paulo a essa versão mais forte é mais difícil, mas a clara está sempre presente. Em Belo Horizonte-MG existe mostarda nas lanchonetes populares mas menos. Enquanto que em Brasília-DF já é improvável achar, e no Norte e Nordeste é praticamente inexistente onde servem o povão, comum só na Beira-Mar e centros de compras onde vão os turistas; – Por fim: os catarinenses adoram pôr milho e ervilha nos lanches. Vi o mesmo em em Mafra/Rio Negro, na divisa SC/PR.

O tempo passou, os descendentes de alemães se abrasileiraram, e, mais importante, novas levas de imigrantes americanizaram totalmente a cidade.

(Nota: mais uma vez lembro que por ‘americanos’ me refiro sempre ao continente América, e jamais aos EUA, cujos habitantes são os ianques ou estadunidenses.)

Como Curitiba, na segunda metade do século 20 Joinville foi fortemente povoada por imigrantes do interior do Paraná. Por exemplo:

No bairro Comasa antes de Espinheiros há um subúrbio da cidade chamado nada menos que “Vila Paranaense”, o que sintetiza a questão.

Em relação a esses paranaenses de nascimento e joinvillenses por adoção, parte dos antepassados deles já haviam vindo do Rio Grande do Sul, e desses a maioria são também descendentes de europeus.

Fechamos a parte sobre Joinville como abrimos: mostrando o Portal. Uma síntese de como a cidade se vê, homenageando a arquitetura alemã, as dançarinas da balé e as flores.

Porém boa parte veio do Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais, que já têm uma composição racial diferente. Tudo somado:

É claro que a maioria dos Homens e Mulheres de Joinville são brancos, não a maioria loiros mas de tez mais alva sim.

Entretanto, há minoria significativa de negros e mestiços.

Se alguém crê que Joinville lembra os Alpes da Áustria na sua composição racial, nada pode ser mais fora da realidade, repito.

Énessa tomada que aparecem as boas-vindas de forma bilíngue, que citei acima.

Breve farei um desenho ilustrando essa situação.

Portanto, tanto na classe média quanto na periferia, Joinville é ligada ao Paraná,

Óbvio que ela também é fortemente conectada a Santa Catarina em muitas dimensões além da política.

Acabamos de ver isso nos pontos de ônibus e na alimentação, por exemplo.

Não estou querendo ‘roubar’ a cidade do estado vizinho. O que quero dizer é que Joinville é um Portal de Energia, se você entende o que esse termo significa.

(Talvez por isso seu símbolo mais forte na dimensão física é exatamente um portal, e por isso pus acima manchete essa imagem).

Conectando Paraná e Santa Catarina, unindo essas duas sintonias pra que a transição seja suave.

(e de brinde) “Vamos a praia”: itapoá, santa catarina

Joinville tem mar, mas não tem praia. E como nós queríamos ir a praia, entrar no mar, a solução foi ir pra Itapoá.

Ao lado vemos o amanhecer de5 de março de 2017 no mar de Itapoá.

Trata-se de uma pequena e jovem cidade. São apenas 14 mil habitantes fixos. Boa parte das casas é de veraneio, sendo porção significativa delas de propriedade de curitibanos.

Itapoá, como Joinville, é bastante ligada ao Paraná. Várias lojas aqui de Curitiba anunciam que entregam “no Litoral do Paraná e Itapoá”.

Quase que anexando na prática a 1ª praia catarinense (no sentido norte-sul) ao estado ao lado.

Itapoá foi desmembrada de Garuva em 1989. Por sua vez, até 1962 tanto Garuva quanto Itapoá pertenciam a São Francisco do Sul.

Seja como for, notam que eu fotografei “as Flores e o Mar”.

E também o Sol nascendo no mar, o que eu já havia feito em Bombinhas, também no Litoral Norte de Santa Catarina.

Em Itapoá pegamos forte tempestade, como ocorrera na véspera em Joinville. Registrei ela se formando sobre o Oceano.

E depois, debaixo do temporal muito intenso, cliquei   mais algumas flores e o atracadouro de navios da cidade.

O porto está em ampliação, e portanto trazendo mais empregos a Itapoá – na esteira, mais moradores fixos.

Sendo no Sul do Brasil, claro que não faltariam casas de madeira a Itapoá.

Mesmo do carro em movimento, consegui enquadrar uma em qualidade suficiente pra publicar, e abaixo você confere.

Enfim, adaptando a música, “É bom passar uma tarde em Itapoá, ao Sol que arde em Itapoá”.

Nesse caso o Sol ardeu mesmo, mas só de manhã. De tarde ficou tudo cinza e dá-lhe água e raios desabando das nuvens.

Foi bom também. Eu Sou Taoista, e gosto da chuva. Fechou com chave de ouro nosso FDS em SC.

Deus Pai-Sol/Mãe-Chuva proverá”

Fortaleza: epicentro da Costa Norte do Brasil

anoitece

Fortaleza é linda (r).

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (em emeios) em 25 e 26 de agosto de 2011

Maioria das imagens clicada por mim. No entanto, as que aparecem os prédios na Beira-Mar em Meireles e Mucuripe e a do ônibus em Manaus foram puxadas da internet. Eu identifico com um (r) de ‘rede’, como visto ao lado.

contraste

Mas o contraste social é agudo: grande favela quase a Beira-Mar, em frente ao Iate-Clube e aos prédios mais caros do Ceará. Em boa parte do Nordeste, mesmo nas favelas as casas são cobertas com telhas de barro – e não com eternit, como no Centro-Sul. Imagem capturada via ‘Google Mapas’.

Vou escrever agora os relatos de minha viagem a Fortaleza-CE.

Fiquei 3 dias e meio, de sexta depois do almoço até a madrugada de terça. Essa mensagem é o Portal da Série. Ao fim do texto eu ancoro ligação pras outras postagens, conforme eu as vá jogando no ar.

………

A cidade é o epicentro da Costa Norte Brasileira, daí o título. Talvez nunca tenham ouvido esse termo, então explico:

Em Fortaleza o oceano fica ao norte, por isso cunhei a expressão “Costa Norte Brasileira”, que vai de logo após Natal-RN até o Pará.

Na maior parte do Sul do país, do Espírito Santo a Natal e também no estado do Amapá o Oceano está a leste, enquanto que nos estados de São Paulo e o Rio de Janeiro geralmente o mar fica ao sul das cidades, como na Baixada Santista por exemplo.

avenida-leste-oeste-no-centro

A Avenida Leste-Oeste, no Centro. Apesar do nome ela liga o Centro a Costa Oeste, ou seja, não entra no Leste da cidade.

A origem do termo é baseada a princípio na posição do continente em  relação as massas de água do planeta. Porém, o conceito é também social.

Pois a ‘Costa Norte’ é também um modo como os Homens e Mulheres vivem e se relacionam entre si e com o ambiente. É uma ‘Sintonia’, se você se dá bem com essa palavra.

Já exemplifiquei quando fiz uma matéria sobre ônibus, com muitas fotos: Fortaleza, Teresina-PI, São Luís-MA, Belém-PA e Manaus-AM têm (ou tiveram até recentemente) uma característica única, comum a todas elas mas somente a elas:

A de pôr o prefixo do veículo em cor diferente No exemplo da foto ao lado, o sufixo está em azul-escuro, mas o prefixo em rubro. O que prova o que eu disse, a ‘Costa Norte’ também pode ser analisada pela geografia humana, e não somente pela geografia física.

aeroporto-z-sul

A Cidade dos Ônibus Azuis – e dos prefixos em outro tom. Os ônibus e o céu, tudo azul em Fortaleza, em tomada feita no Aeroporto. A pintura dos coletivos é padronizada e única pra cidade inteira. Em 2011 era assim, agora a frente e o teto são em azul-claro, mas o corpo lateral do veículo é branco. Vou falar aqui do que presenciei a época: nos horários de pico ainda circulavam alguns veículos mais velhos, com a pintura no padrão antigo, o 1° padronizado, e, o mais curioso, uma viação era rebelde e mantinha parte de sua frota na pintura livre, resistindo – de forma parcial – a 2 padronizações. No total, 99% dos ônibus estavam assim como veem na imagem.

Voltando a capital do Ceará. Por conta da posição do Oceano, Fortaleza não tem Zona Norte, apenas as Zonas Leste, Central, Oeste, e Sul.

Há praias nas Zonas Oeste, Central e Leste – exceto na Zona Sul, portanto, e nada mais natural, se o mar fica ao norte. A parte mais rica da cidade é a Zona Leste. Abra o mapa no ‘Google’ Mapas.

Verá que os prédios se concentram nos bairros de Iracema, Aldeota, Meireles, Varjota, Mucuripe, Cocó e Papicu. Todos a Leste do Centro, entre este e o cais do porto.

Fortaleza é uma cidade muito pobre, muito mais que as capitais do Centro-Sul, naturalmente. Não falo isso com desprezo ou preconceito.

Primeiro porque eu gosto periferia, e não por outro motivo quis vir morar no Canal Belém, uma ‘comunidade’, pra usar o termo em voga em alguns círculos.

Trata-se de uma antiga invasão, parcialmente urbanizada mas ainda não legalizada. Na beira do rio de mesmo nome no Boqueirão, subúrbio da Zona Sul de Curitiba.

Assim, repito, não é preconceito. Mas fatos são fatos, e nada adianta tentar ocultá-los com a peneira grossa.

Ainda as tomadas no pátio do Aeroporto. Observem que todos os ônibus tem 3 portas (exceto micros) mas a do meio só abre nos terminais. Falarei muito mais do transporte em textos futuros.

Contra números não há argumentos. Oficialmente, 33% da população fortalezense mora em favelas. Em capitais mais austrais do país como Curitiba, São Paulo e Florianópolis-SC, esse número fica perto de 10%.

Já em Fortaleza se repete o mesmo padrão dominante na maior parte da América Latina.

Visitei Manaus 11 meses antes, e Bogotá e Medelím (Colômbia) 4 meses antes de ir ao Ceará, e vi cenas similares.

Depois desse texto (que é de 2011), fui ao México, Paraguai, Pará, Paraíba e República Dominicana.

E em todos esses lugares vi mais uma vez como a América Latina ainda é um continente onde a imensa maiorias das pessoas pouco mais que sobrevive.

Bem no Centro, um busão no padrão antigo de pintura. Como já disse, no horário de pico circulam alguns nessa padronização visual. Mas esse veículo especificamente está aposentado. Pois como podem ver é da empresa CTC. Essa era uma viação estatal, do governo estadual. Não existe mais pra linhas regulares, foi privatizada. Ainda há uns poucos ônibus com seu nome pintado, mas não opera transporte urbano. Creio que leva alunos ou funcionários do governo estadual. Voltarei ao tema em outras postagens, breve no ar. O que importa aqui é essa pintura. Foi a primeira padronizada, quando foram inaugurados os terminais de integração, no começo dos anos 90.

O Centro-Sul Brasileiro (de Brasília-DF ao Sul e maior parte do Sudeste), a Bacia do Prata (Argentina e Uruguai) e o Chile são as partes onde a classe média é um pouco maior.

Mesmo assim óbvio ponteadas por grandes bolsões de pobreza.

Não estou negando que existe miséria nessa parte mais rica da América Latina, que fique bem claro. Alias, se eu quiser ver tudo isso em estado bruto, basta andar duas quadras de minha casa.

Como eu disse, minha vila é uma invasão, partes já urbanizadas, mas outras partes ainda não. No Chile, em São Paulo, em Florianópolis, em todos os lugares que vou, eu documento a concentração de renda.

Agora, é incontestável que no Nordeste e Norte Brasileiros, no Centro e Norte da América do Sul, e em toda a América Central (México e Caribe incluídos) a situação é ainda mais dramática. Nessas partes a classe média é minoria mesmo.

A grande maioria luta primeiro pra ter o básico pra comer e vestir, e depois é que pensa em consumir qualquer supérfluo.

Essa situação vem se alterando pra melhor desde que o milênio mudou, felizmente. Muitas favelas estão sendo urbanizadas, a renda dos trabalhadores vem aumentando. Constatei isso no Amazonas, na Colômbia e agora novamente no Ceará (escrevi em 2011, enfatizando, quando o Brasil ainda vivia um ciclo de prosperidade que durou até a Copa do Mundo-14).

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Ônibus metropolitanos em seu ponto final no Centro, esperando o momento de zarpar pro município de Maranguape, na Grande Fortaleza, onde nasceu Chico Anysio. Apenas os ônibus municipais de Fortaleza são no padrão azul que viram acima. Os metropolitanos ainda têm pintura livre.

Mas muito ainda resta por ser feito, é o que quero dizer. Séculos de abandono demandarão pelo menos algumas décadas de trabalho árduo pra que a situação se equilibre.

Na série sobre a Colômbia, escrevi que a maioria dos turistas que vai a Bogotá não vê a extensão da pobreza porque fica apenas na parte rica da cidade (lá a Zona Norte).

Em Fortaleza ocorre o mesmo. Boa parte dos visitantes se restringe aos bairros da orla Leste da cidade, não andam de ônibus e muito menos a pé.

Eu fui conhecer essa parte mais abastada, óbvio. Mas além disso percorri, a pé e sozinho, favelas e a Cracolândia do Centro, mesmo a noite, pra vermos “o lado ‘A‘ e também o lado ‘B’ ” da metrópole.

……..…

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Praia do Mucuripe (r).

Voltemos a descrever como Fortaleza se organiza. A parte rica se instalou na Avenida Beira-Mar (esse é seu nome oficial) e adjacências, a Leste do Centro.

Ao lado do Centro da cidade está a Praia de Iracema. Depois vem Meireles e Mucuripe. Todas são represadas por diversos diques, que eu creio estão ali por causa do porto.

Então são praticamente lagoinhas, sem ondas. E essa é a região que concentra os prédios mais caros do Ceará.

Seguindo a sequência, chegamos ao cais do porto. Rodeando ele estão algumas grandes favelas. É curioso andar no bairro do Mucuripe, estão ali como dito os prédios dos milionários, e logo ao lado uma enorme favela.

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Minha 1ª imagem de Fortaleza, o Aeroporto Pinto Martins, na Zona Sul. Ao fundo a linha de prédios das Zonas Leste e Central.

Pra quem já passou na Zona Sul do Rio, e viu a Rocinha entre a Gávea e São Conrado, é a mesma cena, apenas a favela de Fortaleza é plana.

Após o complexo portuário está a Praia do Futuro. Essa sim é em litoral aberto, com ondas fortes. A Praia do Futuro fica no estremo Leste de Fortaleza, já desenhei ‘Marília & Maurílio’ andando de mãos dadas nela.

De volta a ‘vida real’, por ser mais distante do Centro foi a princípio ignorada pela especulação imobiliária. Assim quase não tem prédios.

Na verdade ainda não foi ocupada de todo, algumas quadras tem mesmo poucas casas.

bandeira

Essa imagem eu tirei em Santa Catarina, 2016. Já entenderão porque coloquei aqui a Bandeira da Pátria Amada.

Agora as construtoras começam a erguer muitos empreendimentos ali. É que o espaço disponível pra novas obras naquela região tradicional da elite já citada está se esgotando.

Então é preciso haver uma expansão. E aí estão se olhando pra áreas que antes não eram procuradas.

É um fenômeno universal e natural, e já descrevi e fotografei com detalhes como ele está se desenrolando na cidade de Santos, num texto anterior.

Então, em Fortaleza ocorre o mesmo. O eixo Iracema-Papicu está saturado, de forma que é preciso expandi-lo. A Praia do Futuro assim começa a encarecer, e vai deixar de ser periferia em breve.

bandeira ceará

Bandeira do Ceará. Dos 27 pavilhões estaduais (na verdade 26 estados + DF), o cearense é o que mais se assemelha ao da nação.

A COSTA OESTE DESPERTA

A Zona Oeste é o oposto da Leste. É uma região de periferia mesmo na Beira-Mar. Nas praias da Zona Oeste infelizmente não deu tempo de eu ir, só fui na Zona Oeste longe do mar, onde passa o trem pra Caucaia.

Mas vi como é pelo satélite e fotos. A cidade negligenciou a Costa Oeste, só olhou pra Costa Leste.

Entretanto a situação também começa a se alterar. Estão sendo erguido prédios de luxo na Zona Oeste, pela primeira vez na história de Fortaleza. Esse fenômeno se repete Brasil afora, do perfil de classe média e média-alta se expandirem pra onde era antes periferia.

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Panorâmica da parte rica da capital (r).

Em Santos é exatamente igual, Leste rico, Oeste pobre. E também forçadas por motivos econômicos as construtoras começam a quebrar um preconceito de décadas.

Descrevi e fotografei o que ocorre no Litoral Paulista em matéria específica.

De volta ao Nordeste, até a parte longe do mar de Fortaleza (a Zona Sul e e a porção meridional da Zona Leste) começam a receber prédios de classe média. Embora aí sejam ‘pombais’, prédios baixos sem elevador (no estilo de conjuntos tornado clássico em todo país pela construtora MRV, fotografei um deles na Zona Oeste da Gde. Belo Horizonte-MG).

Dois anos depois de Fortaleza, fui novamente ao Nordeste, a João Pessoa. Em Santa Rita, um distante e bem pauperizado subúrbio metropolitano da Zona Oeste, vi em obras o primeiro prédio alto do município. Sinal que essa periferia começa a ter gente com dinheiro o suficiente pra subir (literalmente) de padrão.

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Próximas 3: as únicas fotos que eu tirei do mar foram na Praia de Iracema, no Centro.

Não se restringe ao Brasil esse despertar. No texto original eu já havia escrito que Bogotá passa por idêntico processo.

Lá, a parte rica é a Zona Norte, Oeste intermediária e Sul o subúrbio proletário, há favelas na cidade inteira mas as meridionais são gigantescas.

Então, na capital da Colômbia o espaço na Zona Norte esgotou, aí começam a surgir prédios de classe média-alta na Zona Oeste e de classe média-baixa na Zona Sul.

E depois disso fui a República Dominicana, e vi o mesmo. É o inverso de Fortaleza, a Orla Oeste é a dos milionários, a Leste a periferia. Fotografei o primeiro (em fase final de obra) prédio alto residencial de Santo Domingo Leste, na verdade de toda Santo Domingo fora da Zona Oeste.

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Mesmo local, girei a câmera pro lado.

Outro detalhe é que há pouquíssimos condomínios fechados de casas em Fortaleza. Basicamente na Zona Leste, por enquanto (o texto é de 2011, e reflete o que vi na época. A situação pode ter se alterado).

A capital do Ceará é ao mesmo tempo indescritivelmente quente, com um contraste muito grande entre as classes sociais e mesmo entre as partes belas e as nem tão belas assim.

Bom, todas as cidades têm seu lado A e seu lado B, mesmo aquelas do chamado “1º mundo”.

Fortaleza é a cidade do ‘funk’, a cidade das lagoas, do Sol, do Mar, e dos ônibus azuis.

Tudo emoldurado pela serra ao fundo. Com um Centro que renasce, símbolo de um Nordeste que passou décadas ou mesmo séculos esquecido, e que agora começa a despertar.

praia-de-iracema-centro

Aqui fiz uma colagem. Desculpe, não saiu do mesmo ângulo, então você vê grosseiramente o encaixe no chão. Seja como for, eis Praia de Iracema, no Centro, perto de onde fiquei. Como praia mesmo quase não é utilizada, a faixa de areia é minúscula e não tem ondas. Todas as vezes que fui lá estava deserta. Essa parte da cidade é mais frequentada a noite, pois é a região boêmia. Perto do mar há as casas noturnas, e seguindo mais pro Centro existe o entorno do Centro Cultural Dragão do Mar, onde há diversos bares, parecido com o Largo da Ordem, em Curitiba. Focando de novo em Fortaleza, essa era uma região que estava feia e decadente. Foi revitalizada, num processo similar ao que ocorreu no Pelourinho, Salvador. Na orla da Zona Central de Fortaleza ainda há partes bem feias e sujas, com favelas e a zona portuária (não é o porto principal, que é a Leste, e sim uma extensão dele, bem no Centro). Mas há também uma região que aflorou novamente, e voltou a ser frequentada pela classe média: o local é policiado e limpo, há muita música ao ar livre, de graça. Eu fui, e gostei.

………………

Vamos continuando o relato. Abra o ‘Google Mapas’ e vá localizando o que estou descrevendo. A Zona Leste é onde moram os ricos, margeando a orla.

Estou me referindo aqui ao triângulo formado pelos bairros Iracema, Mucuripe e Cocó. Só que mesmo dentro dessa parte selecionada há grandes favelas.

Cito de exemplo uma que vai margeando a linha do trem – nessa região é só trem de carga, nas Zonas Sul e Oeste há trem de passageiros que está sendo transformado em metrô.

Falamos disso na sequência. Aqui voltemos ao contraste entre favela e prédios de milionários. A favela corta toda a parte rica da cidade. Mas é pequena, pois estreita, só na beira da linha mesmo.

Só que se aproximando do porto ela engrossa. Observe as fotos que estão espalhadas pela página: a praia (sem ondas, como já falei) e os prédios. Cada apê ali vale fácil alguns milhões.

Mas dê uma voltinha no bairro. Duas quadras dali começa a favela. E nesse ponto não é só nas margens do trilho não. A favela do bairro Mucuripe é gigante.

Favela a beira-mar, como a segunda imagem da matéria, bem mais pro alto na página, já ilustrou. Estamos nas imediações do porto e do iate clube. É o limite entre área rica e subúrbio. Dali pra frente começa a periferia.

Vamos olhar agora na outra dimensão, o sentido norte-sul. Pra ficar mais claro, veja o Parque Ecológico do Cocó no mapa. Da orla até esse bosque é onde mora a elite. Pra baixo dele é tudo periferia, mesmo o que for Zona Leste.

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Praia de Meireles (r). No Litoral do Chile fotografei outro prédio com vão livre – e lá veio de brinde um 11-13 Mercedes.

Fui nos bairros Messejana (esse é no coração da Z/L), Aerolândia e Tancredo Neves (são vizinhos e ficam ao lado do Aeroporto, já na divisa com a Z/S).

São o subúrbio da cidade, mesmo sendo a leste, porque são longe do mar.

Atualização: constato pelo ‘Google’ Mapas que a parte mais rica da cidade já ultrapassou o Parque do Cocó.

Uma região de prédios de padrão médio-alto está se formando as margens do bosque, mas do lado oposto ao mar, no bairro Guararapes, antes de Edson Queiróz.

E inclusive próximo a Messejana também está surgindo um núcleo de prosperidade, da pequena-burguesia suburbana. O mesmo ocorre em outras partes da cidade, nas Zonas Oeste e Sul.

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De volta a Fortaleza. Próximas 5: vamos ver as ruas da parte menos glamurosa da Zona Central, o Centro Velho no entorno do porto. Desculpe o dedão na frente da câmera. Mal aí. Pra compensar… um 11-13 de brinde!

Como em Santo Domingo, Santos e diversas outras metrópoles, a prosperidade não se restringe mais somente a Beira-Mar e imediações.

Isso é bom, claro. Ainda assim, mesmo agora ponteada por esses nichos de espigões mais abastados, a divisão da cidade entre burguesia e periferia basicamente se mantém.

As sementes são exceções que confirmam a regra, ou, se estiver mesmo ocorrendo uma mudança a largo prazo, ela levará ainda décadas pra se consolidar.

Voltemos a favela do Mucuripe. Pra quem não conhece Fortaleza, localize no mapa a Avenida dos Jangadeiros. Vá mais pra direita. Verá o cais do porto e seu complexo industrial.

É da Petrobrás aquela instalação. Após o porto há outra favela, e o detalhe curioso é que aqui vi algo que nunca tinha presenciado pessoalmente:

A ‘filial’ do porto perto do Centro. A doca principal é a leste, no Mucuripe. Mas há outros locais onde os navios atracam,  numa extensão do complexo principal.

Uma favela (chamada Titanzinho e Servilux, entre outros nomes) a beira-mar. A ‘comunidade’, como alguns preferem dizer, se formou literalmente nas areias da praia.

Já conhecia essa realidade (exatamente essa ao lado do porto, outras na Z/O de Fortaleza, e em outras cidades, como a ‘Brasília Teimosa’ do Recife-PE) pelas fotos de satélite.

Mas é realmente impressionante de ver ao vivo, passar por entre os becos. Quando o vento leva mais areia pra dentro da favela, ela fica dentro das dunas.

Se acumula muita areia, os moradores retiram com pás, pros carros poderem passar. Fui pelas Ruas Leite Barbosa e Ponta Mar, essa última marca o limite entre a vila e a parte da praia não ocupada.

A via é só residencial. Comércio, só mercearias pros próprios moradores. De qualquer forma, talvez essa cena esteja com os dias contados. As casas já estão numeradas pela Cohab e creio que deve haver remoção, até por ali ser área da Marinha.

NOTA: EU NÃO TORÇO PELO FORTALEZA, CEARÁ OU QUALQUER CLUBE NO BRASIL. VOU APENAS RELATAR OS FATOS COMO OCORRERAM, INDEPENDENTE DE MINHA VONTADE. Observem um muro todo grafitado pela torcida Cearamor, do Ceará S.C.. Nem o poste foi poupado, como é comum no Chile e outros países americanos. Fortaleza estava tingida de preto e branco, a galera alvinegra estava pra lá de entusiasmada com a permanência, pelo 2º ano seguido, do ‘Vozão‘ – como o clube é carinhosamente chamado – na primeira divisão, especialmente porque o arqui-rival Fortaleza estava na distante 3ª divisão. No entanto, no mesmo ano de 2011 o Ceará caiu e está na 2ª divisão. Ainda assim, o Fortaleza até agora não conseguiu sair da 3ª. Repito, não estou provocando ninguém, só contando os fatos. Breve mais sobre o futebol local.

Vamos pro outro lado da cidade. Na Costa Oeste de Fortaleza é o contrário, não há ricos por ali. Até mesmo na bordejando o oceano é periferia.

Veja no mapa que desde o cartódromo César Cals até o Rio Ceará que marca a divisa de município só há bairros populares.

Creio que boa parte da área foi invadida um dia, hoje em processo de urbanização. Nos bairros Pirambu, Cristo Redentor e Barra do Ceará.

Nessa parte infelizmente não pude ir pessoalmente, o estudo teve que ser pelas imagens de satélite do ‘Google’.

(Outra atualização: em 2011 quando fiz a matéria o Ceará ainda não havia sido jogado no ar no modo ‘Visão de Rua’ do ‘Google’.

Agora foi. Então dá pra andar – virtualmente pelo menos – nas estreitas ruas das vilas humildes litorâneas da Z/O, o que já fiz extensamente).

Bem próximo ao Centro há uma pequena favela que se chama ‘Oitão Preto’ – pra quem não sabe, ‘oitão’ significa revolver.

Essa eu visitei. É perto da praia mas não dentro dela, há Avenida Leste-Oeste entre as casas e a areia.

Como curiosidade, já falamos acima que Recife também tem sua favela a beira-mar. Chama-se Brasília Teimosa, e fica, vejam só, entre o Centro e o bairro de Boa Viagem, Zona Sul.

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Próximas 2: prédio que em 2011 estava abandonado. Perto do Centro, mas não exatamente nele. Ao lado dele, a Favela do Oitão Preto, já citada. Como é muito comum em toda parte, de Curitiba a Buenos Aires, essa favela foi invadida em área de domínio da rede ferroviária. Atrás dela está a estação central dos trens de subúrbio. Falo sobre eles em outra mensagem, breve no ar.

Pra quem não é inteirado sobre geopolítica recifense, essa é a praia mais cara da cidade, reduto dos milionários pernambucanos.

Brasília Teimosa ficou famosa quando foi escolhida como símbolo do combate a miséria, e então ela foi urbanizada.

Os moradores que estavam em situação de maior risco foram removidos pra casas bem construídas em locais apropriados. Vamos ver se seus colegas fortalezenses um dia terão a mesma sorte.

………….

NÃO HÁ ETERNIT, SÓ TELHA

Em Fortaleza não há casa de eternit, só de telhas. Explico. Como Já falamos muitas vezes, nas regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, e também na Bahia, as casas na periferia são de eternit, que é mais barato.

Nessas regiões supra-citadas apenas os bairros de classe média pra cima utilizam telhas de cerâmica. Inclusive vendo imagens de satélite sei a renda do bairro pela proporção eternit/telha:

Focando só no edifício agora (perdão, a imagem turvou). Disse que ele esteve abandonado, assim era quando cliquei. Agora está sendo reformado pra servir de escola de turismo. Muito bom. Outra coisa que mudou de 2011 pra cá. Quando passei pela Avenida Leste-Oeste, esse era seu nome oficial. Posteriormente foi renomeada ‘Avenida Presidente Castelo Branco’. Castelo Branco era cearense, se alguém não sabe.

Só ou majoritariamente eternit, é periferia com certeza, uma invasão ou loteamentos populares. Só telhas de cerâmica, ao contrário, a renda é muito alta.

Bem, em Fortaleza essa técnica não funciona. Como acabei de dizer, mesmo nas piores favelas dessa cidade (e também de Natal, João Pessoa-PB, São Luiz e Teresina) todas as casas são de telhas de cerâmica.

Todas. Porque o sol é muito, muito forte, quem não foi até lá não tem noção. Então o cara precisa gastar o que não tem pra não morar dentro de um forno.

Recife é uma transição. Quem pode utiliza telhas, mesmo nas favelas, mas há casa de eternit.

Numa proporção bem menor que nas outras regiões, mas já bem mais que o eixo João Pessoa-São Luís.

E no Norte, mesmo sendo um calor saárico, o eternit volta a predominar nos subúrbios. Dureza, cara. E olhe que mesmo o eternit já é melhor que outros países:

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Próximas 5: Centrão da cidade. Há muitos prédios abandonados em Fortaleza. Esse é no coração do Centro. O detalhe é o logotipo da ‘Atlantic’, que operou no Brasil até 1993, 18 anos antes dessa imagem portanto. Em Belém fotografei um prédio que dizia na fachada ‘Inamps‘ (órgão antecessor do INSS), que foi extinto no mesmo ano da Atlantic.

Na Colômbia, Chile, Porto Rico, México, boa parte da América Latina resumindo – e também na África do Sul – o telhado das favelas é majoritariamente de zinco.

Um metal, que portanto faz com que as casas sejam geladas no frio e tórridas no calor.

Pior: em menor escala na Colômbia e México, porém no Chile, Argentina e África do Sul muito mais comum, até a parede de algumas casas é de zinco.

Nas favelas na Colômbia, África do Sul e México, porém na Argentina e Chile mesmo em casas pobres fora das favelas, no Centrão por exemplo.

Nas ligações em vermelho relatei tudo com mais detalhes, nos países que eu visitei escrevi extensas séries, com muitas fotos.

camelos-centro

Muitos camelôs, vendendo de tudo. O Centro é apinhado deles, dificultando a circulação. O que se repete em outras partes, até no Chile que é mais rico. Mas no México é epidêmico.

Sobre Porto Rico escrevi rapidamente algumas impressões que vi pelo ‘Google‘, não estive lá ainda. Argentina e África do Sul em breve.

…………

Já que falamos no clima, vamos elaborar mais um pouco sobre isso. É notório que Fortaleza é muito quente, o ano inteiro.

Lá não há variação térmica, é calor de janeiro a janeiro.

As estações do ano, segundo um jornal local, são ‘quente’, ‘mais quente’, ‘ainda mais quente’ e ‘fervendo’. Falando sério agora, como ocorre de Salvador-BA até a Amazônia e Caribe, eles dividem o ano em ‘inverno’ e ‘verão’. 

O calor sempre acima dos 30º é o mesmo em tempo integral, perto de 40º nos dias extremos.

O que muda é a quantia de chuvas. ‘Inverno’ é a estação chuvosa, e ‘verão’ a seca.

E no Ceará seca é seca mesmo. O sertão, que sobrevoei, não tem árvores nem rios permanentes.

Seguimos vendo o Centrão. Reparem na placa de rua: em cima, grande, está escrito somente como a via é conhecida, nesse caso “Guilherme”. Abaixo, menor, o nome completo, “Rua Guilherme Rocha”.

Vale pra boa parte do Nordeste, alias. Depois que cruzei o Rio São Francisco, o qual identifiquei claramente, acho que só fui ver áreas verdes já na costa do Atlântico. O interior é clima semi-desértico, não é modo de falar.

Fortaleza é mais amena que o sertão por ser emoldurada por uma serra, o que suaviza um pouco o calor por reter pelo menos um pouco da umidade.

A Grande Fortaleza é cortada por diversos rios, o que possibilita que a vegetação floresça. As cidades do interior do Ceará em sua maioria não podem se dar a esse luxo.

……..

Cena triste: em algumas partes do Centro de Fortaleza há muito lixo na rua.

Mesmo com rios e lagoas, que amenizam a secura, o calor é muito forte. Saí sexta de Curitiba e aqui estava 8º. Frio e chuva, todo mundo com muitas camadas de roupas.

Troquei de avião em São Paulo, onde estava uns 18º. As pessoas usavam casacos ainda, mas já bem mais leves.

Aterrissei na capital do Ceará e os termômetros marcavam 30º. Todo mundo estava com o mínimo de roupa possível.

Domingo e segunda estava mais quente ainda, superou os 35º brincando. Até na sombra estava calor.

noturna

Noturna da orla (r).

Se já esteve num lugar assim sabe o que quero dizer. Em Fortaleza só de madrugada a temperatura baixa dos 20º.

Amanhece quase uma hora mais cedo que aqui, por volta de 5:30, embora anoiteça na mesma hora, por volta de 6:30, um fenômeno curioso.

Lembre-se, estive lá em agosto. Fortaleza é perto do Equador, quase não sente a rotação da Terra sobre o Sol, o calor e horários que o Sol nasce/se põe são constantes de janeiro a janeiro.

Já Curitiba está na zona temperada, pra baixo do Trópico de Capricórnio, logo aqui tudo varia bastante.12 horas de dia claro, com o Sol surgindo e se pondo perto de 6:30, ocorre próximo do Equinócio da Primavera.

Caio Vitória metropolitano (daí a pintura livre), também vai pra Maranguape.

Feito esse adendo astronômico do Paraná, de volta a falar do Ceará. Seis da manhã os termômetros já passaram dos 20º, e só baixarão disso de novo na madrugada seguinte.

Das 10 da manhã as 5 da tarde é sempre acima de 30º. Só quando chove fica mais ameno. Na segunda de manhã (22/08/11) que eu estive lá mesmo choveu. A tarde o sol voltou com força total.

Quando anoitece ainda demora pra baixar dos 25º. Nesse exato dia datado acima eram oito da noite e o termômetro marcava 28º. E estava quente de fato, mesmo o Sol tendo se recolhido há horas. 

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Casa pichada no Centro. Fortaleza é inteirinha pichada, como são alias todas as grandes cidades brasileiras. O ‘alfabeto’ de Fortaleza é muitíssimo parecido com o do Rio, as letras pequenas, redondas e juntas.

Tudo mundo estava nas ruas, com cadeira de praia, curtindo a brisa que vem do Atlântico, que ameniza um pouco a sensação de estar dentro de uma sauna.

É Fortaleza, afinal.

Digo isso porque muitos que não conhecem o Nordeste imaginam que ele é inteiro assim tórrido, uniformemente.

Nada poderia ser mais distante da realidade. Fortaleza abre a chamada ‘Costa Norte’, como iniciei a matéria falando.

Na ‘Costa Leste’, ou seja de Salvador a Natal, o calor é bem mais gentil com o povo. Bem mais. Lhes relatei com detalhes quando estive na Paraíba, 2 anos depois do Ceará.

fortaleza

Mais 3 da belíssima orla fortalezense (r), focando no Astro-Rei que se recolhe (ou se levanta). Se você gosta da mistura do Sol e Mar, veja o ensaio que eu produzi em Santos.

João Pessoa tem uma temperatura muito mais agradável, ao menos pra quem mora em casas que foram construídas de forma planejada por arquitetos, adaptadas ao ambiente (com pé-direito alto, forradas e ventiladas).

Inclusive uma das matérias dessa série se chamou “João Pessoa é uma mãe, uma cidade verde e de clima ameno“. O contraste com Fortaleza é agudo nesse quesito.

………..

Fortaleza em vários aspectos lembra bastante o Rio de Janeiro. Na música, na pichação e diversos outros aspectos. Fortaleza ouve muito ‘funk’, como no Rio.

orlaA única diferença é que Fortaleza não tem morros, as favelas são todas planas, sem exceção. De resto há várias coisas iguais ao Rio, a capital cearense é muito influenciada pela carioca.

O mesmo cenário, prédios de altíssimo luxo em frente a praia. Duas quadras pra frente está a favela. “Morro” e asfalto, lado a lado. E todos, os garotos da favela a elite, as vezes jogando bola juntos na areia.por-do-sol

Falamos na foto mais pra cima a esquerda da pichação. Assim como a música da galera, a ‘arte’ de rabiscar muros na capital do Ceará é inspirada do estilo praticado no Rio.

Pra quem não sabe, o Brasil tem três grandes ‘escolas’ da pichação, que são Rio, São Paulo e Brasília.

Na forma criada na capital federal (e usada também em Goiânia), digamos que se fundiram as outras duas, as letras são grandes como em SP, mas redondas como no Rio.

BR-116 mapa rodovia estrada rrégis bittencourt dutra rio bahia federal poa rs ctba sp rj fortaleza

O marco zero nacional da BR-116 (principal rodovia brasileira) é em Fortaleza.

Pois as 2 maiores metrópoles do país no Sudeste adotam ‘alfabetos’ opostos.

No estilo criado em S. Paulo, adotado no interior do estado, no Recife, em Curitiba e Porto Alegre-RS (com a adição de muitos desenhos também em Belém), as letras são grandes, duras e separadas.

Por vezes ocupam toda a extensão do muro, então uma letra pode ter até dois metros de altura. O modelo criado no Rio é o contrário.

As letras são pequenas, redondas e juntas. Em Fortaleza é assim também, Apenas eles adicionam uns traços muito compridos ao redor dos nomes, como acontece também em Salvador.

………..

transmanaus amazonas buso marcop caio alfa torino artic azul ex- ctba prefixo

Ônibus ex-Curitiba agora rodando em Manaus. O prefixo é em outra cor por influência de Fortaleza. A fonte dessa imagem é sítio Ônibus Brasil.

Enfim, amigos, como abertura é suficiente. Outras mensagens da série:

 – Prefixo em Cor Diferente: Costa Norte Brasileira (produzida em setembro de 2011, logo após meu retorno de lá):

Como já dito, Fortaleza criou e Teresina, São Luís, Belém e Manaus adotaram a ideia de escrever o prefixo dos ônibus em outra cor, característica delas e só delas.

– “De Volta pro Futuro” (julho de 2013), esse é um desenho:

Marília e Maurílio passeando na Praia do Futuro, a que tem as ondas mais fortes de Fortaleza.

Deus proverá

pra não dizer que não falei das flores

rosasPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (via emeio) em 3 de dezembro de 2011

Todas as postagens de ‘Flores’ são dedicadas as Mulheresctba flores hortências azul rosa

………

Curitiba, meu Amor Maior. 

O Amor não precisa cegar. Curitiba é uma violenta e problemática metrópole do 3° mundo.

floresJá fiz diversas matérias mostrando suas periferias e algumas favelas:

Tatuquara, Sítio Cercado, Cachoeira, Uberaba /Boqueirão, Parolin, entre outras, breve uma da Caximba.

Em várias postagens eu mostrei que nas periferias há muito lixo nas ruas e nos rios.OLYMPUS DIGITAL CAMERA

E breve subo pro ar um levantamento mostrando que Curitiba se tornou bastante violenta.

No fim de 2011, eu acabara de produzir uma série de reportagens retratando mais uma vez tudo isso.

Esse emeio foi o que fechou a série.

imagem-026E por isso o título, “Pra não dizer que não falei das flores.” Escrevi:

Se a última impressão é a que fica, mostro-lhes Curitiba toda florida.

Sob um certo aspecto, cidades são almas femininas:imagem-036

Adoram se enfeitar, e serem reconhecidas e elogiadas pelo quanto estão belas.

Assim essa é minha forma de homenagear essa moça que é Curitiba.

imagem-037Que eu amo do fundo de meu Coração, acima de tudo e abaixo de nada.

Curitiba, em algumas partes, está bem suja, e bastante violenta.

Isso em nada altera meu sentimento.imagem-024

O Amor, quando é Verdadeiro, não impõe condições.

Assim É e Eternamente o Será.

imagem-045………..

Nota: as fotos foram tiradas em 3 partes da cidade (nas ligações sublinhadas mais flores das mesmas regiões):

1- Na beira ou próximo ao Rio Belém (Boqueirão/Uberaba, divisa das Zonas Sul e Leste);linha-verde

2- Bem no miolo da Zona Sul (Sítio Cercado e bairros vizinhos como Xaxim e a seguir Capão Raso).

Ao lado uma na Linha Verde (BR-476, antiga 116), exatamente entre Xaxim e C. Raso, próximo a ‘Vila do Papelão;

santa-candida3- Na Zona Norte, no bairro Santa Cândida (esq.).

O emeio foi mandado em dezembro de 2011, mas o ensaio foi produzido no dia 12 de agosto de 2011.

Exatamente uma semana antes de eu embarcar pra Fortaleza.imagem-035

Digo isso pois a Abertura da série sobre o Ceará será a próxima postagem que subirá pro ar, ainda essa semana.

………

Por enquanto de volta a Curitiba, vamos ver uma sequência clicada no Sítio Cercado:

Mais 3 da Zona Sul. As 2 primeiras do Boqueirão, ao lado de minha casa. A outra entre o Sítio Cercado e Capão Raso, não lembro o local exato, pode ser nesses bairros ou no Xaxim, que fica entre eles.

Do outro lado da cidade, algumas que provavelmente são de Santa Cândida.

De volta as imediações do Belém, bairro do Uberaba. As duas 1ªs eu nomeei ‘Boqueirão’, mas acho que foi do outro lado do Rio, numa delas vemos o Boqueirão ao fundo porém eu estava na margem oposta.

imagem-025

Essas são as Flores que fotografei nesse dia.

Beijos em teu Coração de Mulher.

Que Deus Mãe e Pai a Ilumine Infinitamente.

“Ela/Ele proverá”

“¡ Bamos a la Playa !”: Canasvieiras e Beira-Mar Norte, Florianópolis

beira-mar-norte

Beira-Mar Norte, começo da noite de 04/02/17.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 11 de fevereiro de 2017

Fui novamente a Florianópolis.

Dessa vez no verão, e deu praia.

Digo isso porque a última vez que eu havia ido lá foi em junho de 2015.

E naquela ocasião não pude ir ao mar.canasvieiras-lotada

Abra a matéria que relata essa viagem anterior a capital de Santa Catarina.

Posto que essa matéria anterior é onde eu descrevo melhor a cidade em vários aspectos como a observei: urbanismo, transporte, etc.

floripa-tudo-azulEsse atual texto é portanto somente um complemento daquele.

Dessa vez estava muito quente, assim o Oceano foi o caminho natural a seguir.

Estive em Canasvieiras, no Norte da Ilha (acima e ao lado).

Essa é definitivamente “a Praia do Merco-Sul”.

A areia e o mar estavam lotados de banhistas, e olhe, brasileiros e argentinos dividiam o público em números mais ou menos iguais.invasao-argentina

Mesmo nós estando “em casa”. Na teoria.

Porque constatei lá que em Canas os ‘hermanos’ também se sentem em casa. Em múltiplas dimensões:

em-espanhol Dezenas de milhares de argentinos mais abastados agora tem casa de veraneio em Santa Catarina, muitos na capital e outros em Balneário Camboriú.

Assim passam as férias de verão todos os anos em nosso país.

Veja a direita: a quantia de placas de carros do país vizinho era impressionante nas imediações da orla.

O comércio (de todos os tamanhos, das redes de eletromóveis aos camelôs) também se adaptou a realidade, evidente.em-espanhol1

Acima um camelô na praia já anuncia seu produto em espanhol.

Ao lado vemos o cartaz de uma grande cadeia de lojas fazendo o mesmo, na SC-401, a rodovia que leva ao Norte de Floripa.

a-praia-do-merco-sulEsse outro vendedor ambulante pôs tremulando a bandeira da Pátria Amada ao lado das do Uruguai e Argentina.

A argentina está no meio das outras duas.

Infelizmente ela murchou no momento que cliquei e não quis aparecer na imagem.

Mas ampliando a foto você nota o estandarte argentino no centro do mastro.

………

Disse acima que muitos argentinos que estão bem financeiramente já têm uma segunda casa no Brasil. Mas não é só a alta burguesia da nação vizinha que passa as férias aqui.

centrinho-de-canas

Próximas 4: Canasvieiras, o centrinho comercial, as ruas residenciais e a praia.

Alguns de classe média mas não tão afortunados vêm de carro, mesmo não tendo propriedades no Brasil.

Esses ficam em hotéis ou casas alugadas ou de amigos/parentes.

E há mesmo os mais humildes, de classe trabalhadora, que fazem a viagem de ônibus, a opção mais desconfortável mas a mais em conta.

canasvieirasVi parados nas ruas de Canas diversos busões argentinos, infelizmente não deu certo fotografar.

Tudo somado: a praia era dos gringos. Na banquinha de petiscos tocava cúmbia.

Pra quem não sabe do que se trata, é o ritmo musical preferido entre o povão na Argentina, Paraguai e parte da Bolívia.

A versão mais comum lembra nosso sertanejo, nem tanto no ritmo mas nas letras com certeza.canasvieiras1

Há uma variante mais acelerada chamada ‘cúmbia suburbana’, em tradução livre.

Nesse caso as letras falam da vida nas favelas e periferias, o equivalente deles do ‘rap’.

Isso na temática, a melodia é completamente diferente.

canasvieiras-bandeira-brasileira

Fechando as fotos da Praia de Canasvieiras, já esse camelô só tinha bandeiras do Brasil.

Posto que a Argentina e esses seus vizinhos detestam ‘rap’, ao contrário da maior parte da América que adora, incluindo o Chile.

Falei um pouco da paixão repeira chilena, que é pouco conhecida entre burguesia, quando retornei de lá, em 2015.

Voltando a cúmbia, essa eu descrevi e exemplifiquei quando estive no Paraguai, em 2013.

na-estrada-sc-401

Próximas 5: SC-401, que liga a Zona Central ao Norte da Ilha.

Assim que estava: muita, muita gente falando castelhano, igualando ou superando os que se comunicavam em português. Até a música era no idioma estrangeiro.

Mesmo ‘jogando em casa’ nós perdíamos o duelo entre as línguas ibéricas.

Daí eu tive que pôr inclusive o título das matéria em espanhol, pegando carona num grande sucesso dos anos 80 é, a gente está ficando velho!!!

ex-pedagio

Tentaram instalar um pedágio urbano, as cancelas foram construídas, mas não vingou. A população se mobilizou, e a praça de cobrança foi desativada, a passagem é livre.

Estou fazendo esse adendo pelo seguinte: Eu Sou o Policarpo Quaresma do Século 21.

Traduzo tudo pro português, evito tanto ao máximo usar palavras de outros idiomas.

Inclusive eu já me desenhei com a camisa do Independente da Argentina.

Um leitor corrigiu a grafia pra “Independiente, com ‘i’ “.

Respondi a ele que eu estudei espanhol, sei perfeitamente disso (você pode conferir nosso diálogo na seção de comentários dessa matéria).

favela-monte-verde

Aqui e a esquerda: ainda na mesma estrada, bairro Monte Verde, onde há uma favela (ou ‘comunidade’) no morro.

E portanto não foi por engano que eu grafei sem o ‘i’, e sim porque por ideologia eu escrevo tudo em português.

Agora, em Canas eu tive que abrir uma exceção. A ocasião mereceu. 

E quanto ao ‘b’. Em espanhol não existe o som de ‘v’. Já fiz matéria específica sobre isso, exemplificando da Califórnia-EUA ao Uruguai.

Nesse caso, escrever ‘bamos’ ou ‘vamos’ pronuncia-se igualmente ‘bamos’.

morro-monte-verdeBreve mostro mostro que a linguística invadiu até o conflito das torcidas de futebol.

Eu fui a Argentina um mês e pouco depois dessa viagem a SC. de forma que esse fim-de-semana em Floripa já serviu de aquecimento.

chegando-no-cic

Fechando a sequência da SC-401, bairro João Paulo, já quase chegando na Beira-Mar Norte.

………

Falando nisso, volte as 3 tomadas do bairro de Canasvieiras, mais pro alto na página.

Vemos o centrinho comercial, depois as ruas residenciais.

Notam os paralelepípedos hexagonais.

Modal de pavimentação praticamente inexistente na Grande Curitiba, mas comum no Litoral do Paraná, como já retratei mais de uma vez.

flanelinha

Num semáforo da Beira-Mar o cara me solta essa: “A criminalidade está grande (em Fpolis), mas minha vontade de vencer honestamente é maior”. Tá bom pra ti ou quer mais???

E na Grande Florianópolis ele é majoritário.

Só perde pro asfalto, claro, que é usado nas vias de maior movimento.

Mas nas ruas de bairro, seja de burguesia ou periferia, é o mais usado.

Na outra matéria sobre Floripa muitas fotos de vias pavimentadas assim, também em Santa Mônica e em São José, no Continente.

floripa-quase-40-graus

Sol a pino sem nuvem nem vento: quase 40°.

…………..

Floripa 40 Graus (ou quase): O termômetro marca 37° (dir.). Mas a sensação térmica era perto ou acima de 40.

Já fotografei termômetros quando estava calor demais em São Paulo, Belo Horizonte-MG e Assunção.

Pois bem. O recorde foi precisamente os 37° em BH, que Florianópolis acaba de igualar, superando portanto as capitais paulista e paraguaia.

trindade

Bairro da Trindade.

Como veem, não havia uma nuvem no céu e nada, nadica de nada, de vento.

Estava uma massa de ar quente sobre a capital e todo Litoral Norte de SC.

No dia seguinte, quando retornamos, o clima esteve infernalmente tórrido até Joinville.pichacao-curitibana-no-viaduto

Só melhorou quando subimos a Serra já chegando em Curitiba.

trindade-e-favela

Trindade, na encosta do morro outra favela.

E por falar na capital do Paraná, o viaduto do CIC (acesso a SC-401) foi detonado por pichadores daqui de Curitiba. Em Florianópolis quase não há pichação.

E lá C.I.C. é o ‘Centro Integrado de Cultura’, e não óbvio a Cidade Industrial de Curitiba que estamos acostumados aqui.

ô vida boa: vendo o sol se pôr na beira-mar norte

Sabadão, quando o Astro-Rei começou a se recolher, anoitece-em-florianopolisnos dirigimos a avenida mais rica da capital catarinense:

No mapa, oficialmente as Avenidas Jornalista Rubens de Arruda Ramos e Governador Irineu Bornhausen.

fim-de-tarde-na-beira-marMas conhecida intimamente por todos simplesmente como a “Beira-Mar Norte“.

………

Digo, nem todos que moram na Beira-Mar são abastados, exatamente ao contrário, há uma favela de palafitas sobre o mangue.

Já falo mais disso, incluso com fotos.

Por hora curtamos o crepúsculo, o Sol cedendo passagem pra ‘sua esposa’, a Lua, que já estava presente sobre o Mar. fim-de-tarde-na-beira-mar1

Lindo demais, né?

Cenário perfeito pra caminhar, namorar, conversar com os amigos, comer uns petiscos, pra quem curte tomar um choppinho.

Ou simplesmente sentar na barranca do Oceano e meditar sobre a Beleza do Universo.

anoitece-na-beira-mar-norteA esquerda eu virei a câmera em direção ao bairro.

Um casal caminha, se exercitando e namorando ao mesmo tempo.

Na tomada abaixo eu girei a câmara 90°.

Vemos novamente uma grande favela que se espraia por todo Maciço do Antão e Morro da Cruz.

avenida-morro-e-favelaÉ a mesma ‘comunidade’ que vemos no bairro da Trindade numa imagem um pouco mais pra cima na matéria.

Ou melhor dizendo complexo/aglomerado de comunidades.

barquinhos-na-baia-nortePorque a coisa é grande, com breves interrupções ocupa toda a cadeia de montanhas da Zona Central da cidade.associacao-de-pescadores

Na outra matéria sobre Floripa eu tirei outras fotos, desde as favelas que ficam bem no Centrão até esse mesmo ponto da Trindade.

Lá eu também fotografei barquinhos na Baía Sul. A esquerda, a mesma cena na Baía Norte.

favela2Esses da Baía Norte, ali na Beira-Mar, pertencem a APPC:

Associação de Pescadores da Ponta do Coral, como a placa registra.

Um nome pomposo pra uma realidade não muito bonita.

Trata-se de uma favela em palafitas sobre o mangue.

Registrei algumas imagens.favela3

A qualidade não ficou 100% pois já anoitecia, algumas árvores encobrem a a visão.

E eu tive que ser rápido, me espreitando como pude onde a vista clareava um pouco.

favela1Mas dá pra ter uma noção da situação.  Cara, é uma cena muito impressionante, teve que ser retratada.

Na parte mais rica da cidade.

Ao lado de prédios em que em muitos deles o valor dos apês supera fácil a marca do milhão. favela

Mesmo aonde não chega a tanto, você não acha um apartamento modesto (2 quartos, 1 vaga na garagem) na Beira-Mar Norte por menos de meio milhão.

E do outro lado da avenida pessoas morando nessas condições. Tudo bem, são pescadores, há um componente cultural, mas não deixa de ser chocante.

anoitece-na-br……….

De brinde: o anoitecer na BR-101, a “Beira-Mar Brasileira”.

No trajeto até Floripa, minha esposa veio tirando algumas fotos.

Selecionei algumas delas pra fecharmos a matéria.

Portanto a partir dessa que está ao lado até o final as cenas não mostram Florianópolis, e sim o Norte de Santa Catarina, sempre visto a partir dessa rodoviaitapema

Começou a anoitecer depois que passamos Itajaí/Balneário Camboriú, e o crepúsculo durou até Itapema.

A direita é Itapema. Acima não sei exatamente qual cidade, pois eu dirigia enquanto ela fotografava.

Na sequência abaixo eu informo na legenda os locais.

Encerrando com chave de ouro: ela fotografou essa idêntica espécie de flores, na mesma serra, mas em outra estrada, a BR-277, que também liga Ctba. ao litoral, porém ao Litoral do Paraná.

Deus proverá

da Beira-Rio a Beira-Mar

vou-ficar-linda-nesse-biquini

Beira-Rio: Rio/Mafra, divisa PR/SC.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 7 de fevereiro de 2017, um desenho inédito mesclado com outros do arquivo.

Começamos pelo inédito, produzido portanto em fevereiro de 2017:

Marília e Maurílio em Rio/Mafra.

Eles vão a praia, então ela está escolhendo um biquíni, enquanto ele fotografa um ônibus. 

ilha magia florianópolis fpolis sc catarina desenho ponte velha metal hercílio luz praia mar bermuda barbudo biquíni verde bolinhas morena cabelo caheado crespo marília maurílio casal brancas água

Beira-Mar: Florianópolis, a capital de SC.

A imagem é clara, ainda assim comentemos um pouco seu significado.

Rio/Mafra obviamente é a ‘cidade-gêmea’ formada pela fusão de Rio Negro-PR e Mafra-SC.

São dois municípios em estados diferentes (divididos pelo Rio Negro), mas a cidade é a mesma.

Resultando que os ônibus urbanos lá são inter-estaduais,

Maurílio é busólogo, e por isso fotografa o bichão.

Exatamente como ele já fez na Grécia.

grécia outra postagem: "Beira-Rio, Beira-Mar" atenas europa capelinha ônibus azulão maurílio desenho fotógrafo tirando fotos camiseta cinzaNa tomada ao lado vemos ele em ação em Atenas.

Alias clique na ligação em vermelho acima pra conferir a cena completa:

Ver por inteiro o velho azulão grego, que tem capelinha.placa-de-c-largo

……..

De volta a Rio Negro e Mafra. Um conglomerado daqui da Grande Curitiba comprou a viação local.

que-mulher-vaidosa

“Vou ficar linda de biquíni prateado!!!”

Por isso os busos  de Rio/Mafra operam com a pintura e inclusive as placas de Campo Largo.

Município que como todos sabem fica na Z/O da região metropolitana da capital.

E sem re-emplacar nem repintar eles dão mais um pega no interior.

De Curitiba pro Mundo” e “Tabela Trocada“, tudo ao mesmo tempo.

Nessa postagem da Grécia eu já desenhei Maurílio pegando um Viale.amor-eterno1

Dessa exata viação Campo Largo, indo precisamente pra esse subúrbio ocidental da capital

……….

Agora quanto a Marília. Ela adorou o biquíni prateado exposto no manequim na vitrine dessa loja de moda feminina.

E como notam acima já está se vendo arrasando dentro do Oceano com ele.

Na capital Florianópolis está bem quente.

milagre-da-vidaMas no interior ainda está friozinho, ela está de cachecol e tudo.

Marília é muito vaidosa.

Veja que ela está de unhas vermelhas (com “filha única” branca).

Mas pra ir ao litoral já se imaginou com as unhas em outra cor, azul. fruto-do-amor

………..

AGORA É UMA MENINA!!!

Abrindo os arquivos:

Uma sequência publicada (em emeio) em fevereiro de 2012.

Marília , ao lado de Maurílio, dando a luz a segunda filha do casal.

dando-tchauzinhoDentro da piscina aquecida.

Papai Maurílio ajuda a mamãe a se posicionar.

E eles mesmos puxam com muito cuidado o bebê pra fora do corpo da mãe e depois da banheira.

Nessa outra mensagem Marília no parto – também na água – do primeiro filho deles, esse um varão. rotina-de-mulher

……….

Fechando com um emeio que circulou em janeiro de 2014.

Marília dando “tchauzinho”.

Enlaçadinha e engraçadinha.

enlacadinhaAntes, em preto-&-branco, o trabalho de bastidores (“o preço de ser bela“):

Já com o brinco que ela vai usar no dia, mais uma vez Marília se depilando, pra poder usar blusa de alcinha no calor sem passar vergonha.

……..

Ao lado a mesma cena em outra escala.

Que Deus Ilumine toda Humanidade.

“Deus proverá”

“João Pessoa é uma mãe”: uma cidade verde, de clima ameno e relativamente limpa

de Miramar ao Miramangue: João Pessoa é assim

muito-verde-periferia-j-pessoaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (em dois emeios) em setembro de 2013.

O primeiro é de 05/09/2013.

Com essa mensagem fechamos a série sobre João Pessoa. mangabeira-valentina-z-s-j-pessoa

É uma das cidades mais verdes do Brasil, e em verdade de todo o planeta. Já conheci uma boa porção da América.

Comprovam a tomada acima (não lembro qual bairro).

E especialmente essas duas ao lado e abaixo, que fotografei na Zona Sul: muitas árvores, mal vemos a cidade.

muito-verde-z-sul-j-pessoa1Enxergamos algumas construções, mas sempre envoltas num cinturão verde enorme. 

Os 4 lugares mais arborizados que já estive são João Pessoa, Curitiba, Maringá-PR e Assunção-Paraguai.

Em oposição, as menos arborizadas, as que parecem um deserto de concreto e metal, são a Cidade do México, Fortaleza-CE e, em menor medida, São Paulo.bayeux-z-oeste-gde-j-pessoa

Alias João Pessoa e Assunção se parecem muito em outro quesito: a periferia de ambas é meio rural, meio urbana.

As pessoas moram na cidade, e trabalham em ramos urbanos da economia: indústria, comércio, etc.

Ainda assim, por vezes residem em pequenas chácaras e ali criam animais e cultivam hortas e pomares.

bois-pastam-no-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoaA direita por exemplo bovinos em Bayeux (tirada de dentro do trem).

A esquerda a mesma cena no Centro de Santa Rita.

Curitiba é tão arborizada quanto as capitais da Paraíba e do Paraguai, mas aqui não há essa fusão entre rural e urbano.

praia-da-ponta-seixas-j-pessoa

Próximas 2: Pedras na Praia de Ponta Seixas, Extremo Leste da América.

Nos subúrbios mais afastados já urbanizados de Curitiba, ninguém cria animais, nem mesmo galinhas ou patos.

Claro, toda regra tem suas exceções (fotografei algumas aves nos extremos das Zonas Oeste e Norte, dentro da cidade).

E mais pra frente, sim, ainda há pequenos sítios e chácaras no município de Curitiba, mas aí já fora da cidade. Há zona rural e zona urbana, separadas.

A fronteira é mais clara. Como é em São Paulo (no Capão Redondo não há gente que cria galinha, em Parelheiros há) e na imensa maioria das cidades.

piscina-natural-ponta-seixas-j-pessoaMas João Pessoa e Assunção (nessa mensagem abordo especificamente esse tema no Paraguai) são diferentes, talvez por serem mais pobres.

Por décadas, conviveram com desemprego crônico estrutural.

Por isso, suas populações suburbanas deram um jeito de se auto-alimentar, gerar ali mesmo uma fonte de proteínas e também de renda.muito-verde-z-sul-j-pessoa

Vejam as fotos (antes das da praia): bois (retratados) e porcos (não consegui clicar, mas vi também) criados dentro da área urbana.

Tudo isso nos subúrbios metropolitanos de Bayeux, perto da linha do trem, e no Centro de Santa Rita, ambos na Zona Oeste.

cabras-vendidas-vivas-s-rita-z-o-j-pessoaMas não é só na Região Metropolitana.

Acima uma plantação de bananas em pleno Mangabeira, o bairro mais populoso de João Pessoa, na Zona Sul.

A esquerda: no Centro de Santa Rita uma loja que vende animais vivos, galinhas e cabras.mercado-publico-de-s-rita-z-o-j-pessoa1

Que ali são comprados pra serem engordados e posteriormente abatidos nas chácaras da região.

………….

Bem, vejamos nas próximas duas fotos o mercado de Santa Rita. Que lá ainda é mercado mesmo.

mercado-publico-de-s-rita-z-o-j-pessoaIsso quer um dizer um lugar onde o povão do subúrbio compra alimentos a granel (ou seja, por quilo, não-industrializados e não embalados) e animais vivos pra fazer o rancho e preparar o almoço.

Pelo exemplo contrário ficará mais fácil entender: os mercado municipais de Curitiba e São Paulo (também o de Santiago do Chile), em oposição, se aburguesaram completamente.

Turistas endinheirados tiram fotos, em São Paulo comem aquele famoso sanduíche de mortadela que nem fecha de tão recheado, umas 5 ou 6 fatias em cada pão.

Aqui em Curitiba essa transição foi ainda mais pronunciada, o mercado passou por algumas reformas e mais parece um centro comercial da elite e burguesia.

Inclusive com uma praça de alimentação com chão de mármore e apresentações ao vivo de MPB. Entretenimento pra classe média, sem dúvidas.

O contraste com o Nordeste é agudo, onde o mercado ainda é usado pela massa proletária pra comprar animais que são abatidos na hora, como um dia foi no planeta inteiro.

favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoa3

Favela Maria de Nazaré, entre o Grotão e Funcionários, Zona Sul.

Vi isso em Caucaia, um subúrbio da Zona Oeste de Fortaleza (breve jogo essa série no ar), dois anos antes, e agora de novo num subúrbio da Zona Oeste de João Pessoa.

………….

Já lhes disse que o clima de João Pessoa é muito mais ameno que o de outras capitais, como Fortaleza, Belém-PA, Manaus-AM, Cuiabá-MT e Teresina-PI, e segundo alguns mesmo que o do Rio de Janeiro.

Por dois fatores: pela cidade ser arborizada, e por essa região do litoral do Nordeste Brasileiro ser protegida por uma cadeia de montanhas, a Serra da Borborema.

muito-verde-trecho-urbano-br-230-j-pessoa

Muito verde no trecho urbano da BR-230, a “Trans-Amazônica”.

Pois ela retém a umidade que chega do oceano e cria uma zona fresca, com rios perenes e chuvas frequentes – um clima mais parecido com o prevalente no Centro-Sul, digamos assim.

Depois da serra, vem o chamado Sertão, o semi-arido, aí sim, clima desértico ou quase, onde água potável o ano inteiro é uma miragem.

Mas entre o Litoral com chuvas frequentes e o Sertão há uma região de transição, a famosa “Zona da Mata” em Pernambuco, que na Paraíba se denomina “Brejo”.

Voltando a capital, João Pessoa é muito verde, suas partes ricas e pobres são ponteadas por bosques, mangues e riachos, como observam nas imagens. Assim, de dia é quente mas agradável, e a noite até friozinho

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Parte rica e verticalizada da capital.

O contraste com Fortaleza é gritante. Não há uma barreira topográfica escudando a capital do Ceará e mantendo-a úmida.

A cidade foi erguida sobre o deserto, é muito mais tórrida e seca que a da Paraíba.

Fortaleza, lhes descrevi (em emeios, breve na página) e fotografei quando lá estive, é “a Cidade das Lagoas”, em toda periferia foram construídos lagos artificiais, pro lugar não se tornar inabitável.

No Ceará o clima semi-desértico vai até a beira-mar, não há transição. Fortaleza só tem um bosque urbano, o Parque do Cocó, na Zona Leste, que como em João Pessoa é a parte rica da cidade.

muito-verde-joao-pessoa-pb

Próximas 5: João Pessoa tem muitas árvores, em todos os seus bairros.

O que faz com que na capital do Ceará o termômetro ferva até com Lua alta, só refresca de madrugada mesmo.

Entre 10 da manhã e 3 da tarde, com o sol a pino, supera os 40º com facilidade, ninguém consegue ficar ao ar-livre.

E mesmo bem depois do anoitecer você se sente no Saara, eram 9 da noite e o termômetro marcava 29º. Até aqui ainda estou falando de Fortaleza, pra fazer o contraste.

…………

periferia-bastante-verdeJoão Pessoa é uma cidade relativamente limpa.

Digo, em vários pontos o esgoto corre a céu aberto, incluso no Centro,

Infelizmente esse é o padrão de todo Norte/Nordeste, e América Latina incluindo Argentina.

Mas em relação a sujeira nas ruas, a coisa é bem melhor que em algumas outras cidades. joao-pessoa-pb1

Claro que tudo é relativo. Em certos locais há bastante lixo em João Pessoa, e quando vi fotografei (mais pra baixo nessa matéria mesmo exemplos).

Nada é perfeito, óbvio. Ainda assim, nesse ponto, J. Pessoa se destaca positivamente. Já vi coisa pior. Muito pior. Agora temos que falar de um ponto que está complicado em João Pessoa: a taxa de criminalidade está elevada,

muito-verde-periferia-j-pessoa1 Como de resto infelizmente é igual em boa parte do Norte/Nordeste, e também aqui em Curitiba.

Em 2012 houveram 518 assassinatos apenas no município de João Pessoa.

O que dividido pelos 700 e poucos mil moradores dá a elevadíssima taxa de 71 mortes pra cada 100 mil habitantes. Acima de 50 já é estatisticamente considerado como índices de guerra.

entre-zonas-leste-e-sul-j-pessoa-pb

Essa aqui é perto da Ponta Seixas.

São Paulo tem apenas 10 assassinatos pra cada 100 mil. Ou seja proporcionalmente é sete vezes mais calma que a capital paraibana.

Nos subúrbios metropolitanos, houveram perto de 140 mortes em Santa Rita, 45 em Bayeux (ambos Zona Oeste) e 60 em Cabedelo (Zona Norte). Totalizando quase 770 homicídios no ano na Grande João Pessoa.

Assassinatos aproximados per capita: Santa Rita perto de 115 por 100 mil, Cabedelo 100 por 100 mil, esses dois números dignos de estado de calamidade pública. E Bayeux se o dado estiver correto 45 por 100 mil, bastante elevado ainda mas o mais baixo da Gde. João Pessoa incluindo a capital.

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Bairro Bancários, quase na divisa entre as Zonas Sul e Leste.

Nos casos dos subúrbios metropolitanos os números estão arredondados, por eu não ter podido obter a estatística precisa.

Um pouco mais ou pouco menos, é isso aí, e dá pra ter uma boa noção. Já escrevi muitas vezes e é notório:

Nos anos 80 e 90, as capitais mais violentas do Brasil eram (não necessariamente por essa ordem) Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória-ES e Recife-PE

Nessas cidades a matança era equivalente a uma guerra, similares ao Afeganistão atual, e não é figura de linguagem mas estatisticamente exato.

valentina-zona-sul-j-pessoa

Próximas 6: Valentina, Zona Sul.

Porém, desde a virada do milênio a coisa mudou. As 4 acima citadas diminuíram seus índices de assassinatos.

São Paulo e Rio drasticamente. Na capital paulista a queda foi de 80%.

Tanto que proporcional a população São Paulo é a capital estadual menos violenta do Brasil, entre todas as 27.Vamos diferenciar diversos tipos de crimes.

No quesito de assaltos a mão armada, a capital paulista continua extremamente violenta. Aqui, estou falando de homicídios, e não de roubos.

valentina-zona-sul-j-pessoa1Em termos de assassinatos, de uma pessoa tirar a vida intencionalmente de outra, a violência em SP se reduziu e muito.

O município de São Paulo chegou a ter bem mais de 5 mil homicídios/ano, na virada do milênio, e agora tem perto de 1,2 mil. valentina-zona-sul-j-pessoa4

Dividido pelos 11 milhões que ali tem sua moradia, dá um índice de 10 por 100 mil, similar a de algumas capitais europeias. 

Hoje São Paulo tem menos mortes per capita que Florianópolis-SC, que historicamente ocupou esse posto por décadas.

valentina-zona-sul-j-pessoa3Já Vitória e Recife também tiveram queda nos índices de assassinatos, mas por hora ainda não tão pronunciada.

Estão melhores do que um dia foram, mas continuam entre as capitais mais violentas do Brasil.

E nessa triste competição ganharam a companhia de Curitiba, Belém, Manaus e quase todas as capitais do Nordeste.valentina-zona-sul-j-pessoa2

O Norte e Nordeste, além de Curitiba aqui no Sul, tirou do Sudeste o posto de polo maior dos homicídios em nosso país, processo que teve seu auge na virada da década.

De 2010 pra cá, os assassinatos caíram 20% tanto em Curitiba quanto em Belém, num promissor sinal que essa tenebrosa onda quem sabe começa a arrefecer.

valentina-zona-sul-j-pessoa5Tomara. Mas por hora é assim que está. Esse é o contexto: tristemente o Nordeste  se tornou extremamente violento.

E também pela Paraíba estar ao lado e ser uma ‘filha espiritual’ de Pernambuco (um dia compartilharam até a bandeira), João Pessoa não pôde escapar de ser tragada nesse ciclo de matanças.

bairro-funcionarios-z-sul-j-pessoa

Bairro Funcionários, também Z/S.

………..

Quando cheguei a cidade, fui de táxi até a casa da anfitriã que lá me hospedou. O taxista era recifense.

Portanto com seu padrão de comparação curtido por anos vivendo na capital de Pernambuco – uma das cidades mais violentas do planeta há décadas.

Resultando que pra ele João Pessoa lhe parece uma cidade segura, e nada mais natural. Então ele definiu assim:

mangabeira-z-sul-j-pessoa2

Próximas 5: Mangabeira, bairro mais populoso da cidade, vizinho do Valentina.

Comparada com Recife, João Pessoa é uma mãe, de tão pacata”.

E quem pode dizer que ele está errado? Realmente, com Recife fica difícil comparar, até a violenta Curitiba se torna um pouco mais gentil vista por esse prisma.

Em Maceió a coisa também está complicada, tanto que em 2012 (o texto é de 2013) a Força Nacional interveio pra ver se os índices baixam um pouco.

mangabeira-z-sul-j-pessoa5

Mesma cena em outra escala.

A questão é que, as capitais pernambucana e alagoana a parte, João Pessoa é violenta.

Bem mais que Curitiba, Fortaleza e Salvador, que já não são nada calmas, o oposto sendo verdadeiro.

Ainda assim, mantive a frase do taxista no título da mensagem. Pacata João Pessoa não é. No entanto é muito verde, e relativamente limpa.

Uma cidade carinhosa com seus habitantes, que são seus filhos. Como o taxista, que é recifense por nascimento e joão-pessoense por escolha, colocou: “uma mãe de cidade”.

mangabeira-z-sul-j-pessoa4…….

Agora vamos pra outro emeio, que circulou em 27 de setembro de 2013.

O arroz-com-feijão tem no Norte e Nordeste gosto diferente que no Sul e Sudeste. Notei a mesma coisa na Paraíba, no Pará e no Amazonas. mangabeira-z-sul-j-pessoa1

Aí perguntei pra ela a razão: é o coentro, que é adicionado como tempero, hábito de lá.

……

João Pessoa é, como sua vizinha Recife, a “cidade dos mangues”. Estão por toda parte. 

mangabeira-z-sul-j-pessoaVários deles estão preservados e continuam a cumprir seu papel de porto seguro pra reprodução da flora e fauna nativas. Entretanto, algumas favelas foram erguidas sobre mangues aterrados.

Quando chove forte, o mangue alaga, obviamente (na 1ª mensagem da série pus fotos da favela do Bairro dos Ipês [ao lado da riquíssima Manaíra], na Zona Leste, inundada).

O que eles chamam de ‘maré’, mesmo sendo água doce e parada. Como diz a música de um grupo recifense, “Tomar banho de canal quando a maré encher”.

favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoa2

Próximas 4: favela (ou “comunidade”) Maria de Nazaré, Zona Sul.

Perto da orla de João Pessoa, na Zona Leste, sua parte rica, há um bairro chamado ‘Miramar’.

Do lado oposto da cidade, na Zona Oeste metropolitana, sua porção degradada, há uma favela chamada ‘Miramangue’.

Pra fazer o contraste entre Leste e Oeste, que na capital da Paraíba parecem galáxias distintas. Por aí você vê quanto os mangues estão inseridos inclusive na cultura popular local.

…………..

favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoa1Em João Pessoa há muito transporte clandestino, inclusive rodoviário. Fui de ônibus urbano pro Centro, e desci no Terminal Central, que é em frente a rodoviária.

Assim que transpus suas catracas e ganhei a via pública, me assustei com uma gritaria infernal:

Bora pra Recife, bora pra Recife”, dizia um. “Natal, Natal, já tá saindo”, berrava outro, “Campina Grande, Campina Grande”, bradava ainda mais um, e muitos outros, todos juntos.favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoa4

Cada um anunciando seu transporte clandestino pra uma cidade da região, no interior da Paraíba ou nos vizinhos Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Evidente, esses agenciadores piratas tentavam drenar o público que planejava se dirigir a rodoviária e comprar passagem no guichê de uma das empresas legalmente estabelecidas.

favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoaA algazarra é tamanha que impressiona os desavisados, como era meu caso. Um caos sonoro. Já havia presenciado exatamente a mesma cena em Belo Horizonte-MG.

………….

 A população da capital da Paraíba tem no geral um tom de pele moreno. Quase metade das pessoas se auto-denominam ‘pardos’ no censo. Mas eu diria que os pardos são bem uns 70% da população.

bairro-funcionarios-z-sul-j-pessoa1

Funcionários, próximo a Mª de Nazaré.

Agora, é porque lá é bastante calor o ano inteiro (amenizado um pouco pelo verde, umidade e brisa, mas mesmo assim), não há inverno por estar muito perto do Equador.

O que faz com que as pessoas vão escurecendo a sua tez, naturalmente. O povão joão-pessoense é moreno-escuro, na média.

Na maioria, são descendentes de brancos pobres, portugueses, que foram empardecendo com o sol quase equatorial.

Negros descendentes de africanos há alguns mas não muitos, se quer saber. Na mesma proporção que Manaus e Curitiba, ou seja, pouco mais que 10% da população. Talvez um pouco mais, mas certamente nada tão significativo.

………….

bairro-do-geisel-z-sul-j-pessoa

Próximas 5: bairro Geisel, pra encerrar esse rolê na Zona Sul da capital paraibana.

Em todo o Sudeste (nesse caso com raríssimas exceções) e Nordeste brasileiros, e também no eixo Brasília/Goiás, não há casas de madeira, como já comentamos muitas vezes.

Elas são extremamente comuns no Sul e no Norte, e presentes em menor número no Mato Grosso. A Paraíba não foge a essa regra. Quase que 100% das residências de João Pessoa são de alvenaria.

Mesmo nas favelas – alias as favelas nordestinas são sempre de alvenaria, ao contrário do Sul do país. Digo, há na Paraíba ainda algumas casas de taipa, ou pau-a-pique, mas fora isso é só tijolo.

Além disso, quase 100% das moradias de João Pessoa são cobertas por telhas de barro. Por ser muito calor, o eternit de amianto é quase inexistente, porque senão a casa vira um inferno de tão tórrida. O cara gasta o que tem e o que não tem pra por telhas.bairro-geisel-z-sul-j-pessoa

Já falamos muitas vezes de como os telhados se dividem no Brasil. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e também na Bahia, na periferia a grande maioria das casas são de eternit.

Não apenas nas favelas. Conjuntos construídos por grandes empreiteiras, com escritura e asfalto, água e luz regularizadas, também são cobertos dessa forma, que é mais barato.

Apenas a classe média-alta e os ricos usam telhas, um luxo apenas decorativo nessa região menos quente.

bairro-do-geisel-z-sul-j-pessoa2Em Pernambuco, é a transição. As favelas piores do Recife são de eternit. Mas a periferia fora da favela já é de telha.

Da Paraíba até São Luiz-MA, mesmo nas favelas mais miseráveis as casas são de telha, simplesmente porque é calor demais.

No Norte, mesmo sendo muito quente, o eternit volta a predominar. Bom, nada é tão ruim que não possa piorar. Nas favelas da Colômbia e do Chile ainda há barracos de zinco.bairro-do-geisel-z-sul-j-pessoa1

Vi isso com meus próprios olhos, muitos casos em que as paredes e o telhado feitas com restos de tapumes e folhas de metal.

Alias no Chile mesmo fora das favelas. Como nas notórias “Cidades de Lata”, as favelas metálicas sul-africanas.

…..

geisel-z-sul-joao-pessoaSabe aquele sorvetinho em que congelam o ki-suco e põem num saquinho? Na Paraíba se chama ‘Din-Din’.

Pelo que estou observando pelo ‘google’ mapas, no Amazonas também – não reparei nesse detalhe quando lá estive. Já aqui em Curitiba se chama ‘Xup-Xup’,

 No Rio é o ‘Sacolé’ (mesmo termo empregado lá pra pequena dose de drogas, porque tanto o entorpecente quanto o sorvete são embalados num plástico pequeno com a boca amarrada).

ponta-do-seixas-j-pessoa1

Entre Ponta Seixas e Cabo Branco, Z/L.

E no Pará é o nome mais engraçado de todos, é o ‘Chopp’, ou ‘choppinho’.

Se você estiver em Belém e alguém te convidar pra ‘tomar um choppinho’, não imagine a mesa de bar forrada de copos com a cerveja recém-saída do barril, acompanhada de várias porções de petiscos.

Nada disso. Trata-se de um singelo sorvete vendido num saquinho.

………

Comentemos as imagens. Você sabe, nem sempre o texto ao lado se refere a cena que está mais perto, busque pelas legendas. Vemos as seguintes fotos espalhadas pela página:

avenida-sem-calcada-cabo-branco-j-pessoa– Grande área verde, inclusive com plantação de bananas, na região mais povoada do município de João Pessoa, os bairros Mangabeira e Valentina, Zona Sul;

– Acima (em 1° plano uma flor) e ao lado Cabo Branco e imediações, Zona Leste, também muitíssimo arborizado.

O detalhe negativo é a falta de calçadas, obrigando os pedestres a duelarem contra os carros por um espaço na rua;piscina-natural-na-ponta-seixas-ao-fundo-manaira-j-pessoa2

– A Praia da Ponta Seixas (dir.), como já dito muitas vezes e é notório o ponto mais oriental de toda América, com suas piscinas naturais formadas pelos arrecifes;

O que permite que pescadores exerçam seu ofício sozinhos e sem nenhum equipamento especial ou tecnologia, mantendo o mesmo estilo de vida de dezenas de milênios.

garcas-e-cavalo-no-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa– Cavalos e garças (mesma tomada em 2 escalas) convivem em harmonia no Centro de Santa Rita, Zona Oeste da Grande João Pessoa.

No mesmo local, do outro lado da rua, são os bovinos quem se refastelam com o verde prado paraibano;

– Bois pastando também em Bayeux, também na Z/O mas bem longe de onde onde está o cavalo (as fotos dos bois estão mais pro alto na matéria).garcas-e-cavalo-no-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa1

Isso pra vocês verem o quanto é frequente criar animais no meio da cidade em João Pessoa;

– Cabras igualmente são bichos urbanos por lá. Como é notório pra todos que conhecem a cultura nordestina, os caprinos são um “faz-de-tudo” no Sertão:

centro-j-pessoa

Centro Velho de João Pessoa.

Fornecem comida, pele pra confecção de roupas, companhia e guarda das casas, e se preciso até meio de transporte de cargas.

Tendo 1001 utilidades, são o ‘bombril’ dos animais, substituindo suínos, bovinos, ovinos, caninos e por vezes até os asininos.

Vimos o mercado de Santa Rita. No Nordeste, os mercadões não se aburguesaram como no Centro-Sul, o povão ainda faz o rancho comprando alimentos a granel e animais vivos ali;mulher-se-protege-do-sol-j-pessoa

– Mulher se resguarda do Sol (dir.). E nem foi a única na Paraíba. A exata mesma cena já presenciada nas viagens a Belo Horizonte, Belém e República Domincana.

Vejo muito, nas cidades mais quentes, pessoas sob guarda-sóis, e são sempre Mulheres.

penha-entre-z-sul-e-leste-j-pessoa-pbNunca vi um Homem se protegendo dessa forma (talvez por nós usarmos bonés). Em João Pessoa isso se repetiu.

A capital paraibana é muito mais fresca que Belém, então vi muito menos gente se escondendo do Sol dessa forma.

Digamos que o calor de João Pessoa equivale ao de Belo Horizonte. Se o número de Mulheres abrigadas em guarda-sóis é o parâmetro, essa é a proporção exata;limpeza-centro-j-pessoa

– A imagem de Nossa Senhora da Penha (acima) guarda o bairro de mesmo nome, na orla da Zona Sul de João Pessoa, logo após a Ponta Seixas.

Um lugar bucólico, poucos carros, muitas árvores, tudo a poucos passos de praias deslumbrantes – já falo mais disso;

lixo-no-centro-j-pessoa– Acima e ao lado, uma equipe da prefeitura recolhe o lixo e entulho, bem no Centro. É tanto que precisaram usar um trator.

Não apenas ali, mas (abaixo) sujeira também no Cabo Branco, Zona Leste, a duas quadras do mar.

Eu disse que João Pessoa é relativamente limpa. De fato. Ainda assim, como todas as cidades, tem pontos muito sujos;lixo-na-rua-cabo-branco-z-l-j-pessoa

– Note na tomada em que aparece o caminhão mais um rapaz com uma camisa de futebol alvi-negra.

Como já comentamos antes, essas são as cores de dois dos times de maior torcida no estado, o Botafogo de João Pessoa e o Treze de Campina Grande;

ponta-seixas-z-l-j-pessoa1– Próximas 3: bairro da Ponta Seixas, uma quadra do mar:

A orla da Zona Leste é badalada, a da Zona Sul é pacata, em alguns pontos quase rural. A Praia da Ponta Seixas, que divide ambas, já é a transição.

Veja, algumas casas são muito elegantes, mas o bairro é calmo e arborizado, e ainda não foi de todo ocupado. Incluso algumas ruas ainda tem pavimentação natural. Não há trânsito ou qualquer tipo de comércio.bairro-ponta-seixas-j-pessoa

A poucos metros do mar, e a poucas centenas de metros do Cabo Branco e Altiplano, dois dos bairros mais ricos de J.P., não custa lembrar;

– Anoitece na Zona Sul de João Pessoa.

Vários dos bairros da região começaram como enormes conjuntos habitacionais que depois se consolidaram e mesmo alguns elevaram-se a classe média.

ponta-do-seixas-j-pessoa2O bairro do Geisel surgiu com a Cohab de prédios Conjunto Residencial Presidente Ernesto Geisel. Retratado na foto abaixo (se reparar com cuidado vê o nome dele escrito no muro).

Alias peço desculpe pelo enquadramento deficitário. É que essa imagem e várias outras tirei de dentro de veículos em movimento.

O gaúcho Geisel foi o penúltimo presidente do regime militar. Quem o sucedeu, e portanto enfim passou a faixa a um civil, foi o carioca João Figueiredo. Pois bem. João Figueiredo é filho de Euclides e Valentina Figueiredo cohab-geisel-j-pessoa-z-sul

– Não muito longe do bairro Ernesto Geisel, também na Zona Sul, há o bairro “Valentina” pros íntimos, mas cujo nome completo é Conjunto Valentina Figueiredo.

Valentina é o 2° bairro mais populoso de João Pessoa, e vizinho do 1°, que é Mangabeira,esse surgiu sobre uma fazenda em que se plantavam mangabas, como o nome indica.

anoitece-zona-sul-j-pessoa

Próximas 4: Anoitece na Zona Sul.

Portanto os dois maiores bairros em população são emendados, configurando em conjunto a porção mais povoada da capital, disparado.

Alguns bairros homenageiam os generais-presidentes porque a urbanização da região começou justamente no fim do regime militar.

Além do Geisel e Valentina Figueiredo, bem pertinho na mesma Zona Sul há o Costa e Silva e Loteamento Presidente Médici.

anoitece-no-geisel-z-s-j-pessoa

Geisel.

Em outra parte da cidade o campus da UFPB fica no Conjunto Castelo Branco.

Como ocorreu em diversas capitais, já no seu apagar das luzes, no encerramento de seu período no Palácio do Planalto os militares enfim investiram um pouco na área social:

Melhoraram a rede de transportes de diversas cidades (feito amplamente já comentado por mim em mensagens anteriores) e construiram cohabs.

anoitece-valentina-z-sul-j-pessoa

Próximas 2: Valentina.

Elas eram em locais ermos, fora da então mancha urbana prevalente, na época área rural que começou a se tornar urbana com a construção desse enormes conjuntos.

Assim, voltando especificamente a Paraíba, vários bairros da Zona Sul de João Pessoa surgiram nessa ocasião.

Outro que começou como conjunto e depois evoluiu a categoria de bairro independente, com toda a gama de serviços, é o ‘Funcionários’.conjunto-valentina-figueiredo-z-s-j-pessoa

Que certamente foi erguido pra ser um meio de moradia subsidiada a empregados no serviço público. Existe também o bairro Bancários, de origem análoga, mas específica pra servidores dos bancos.

De volta aos bairro ‘Funcionários’, Z/S de Jampa. Entre ele e o vizinho bairro do Grotão, está a favela Maria de Nazaré.

Como veem pelas legendas das imagens, estive em todos esses locais, e registrei como são.

– Fechamos a série como abrimos, com as praias lindíssimas que enfeitam a capital da Paraíba.

praia-da-ponta-seixas-j-pessoa1Aqui, mais uma vez a da Ponta Seixas, o ponto mais oriental da América, e que portanto recebe o primeiro raio de Sol em todo continente.

Com imagens como essas, nem há como dizer qualquer outra coisa.

Então só me resta despedir. Eis como vi a Paraíba. Do Miramar ao Miramangue, da Zona Leste a Zona Oeste, João Pessoa é assim.pescando-na-ponta-seixas-j-pessoa2

Que Deus ilumine toda a Humanidade.

Paz a todos.

Deus proverá”

mais “Flores do Mar”: Matinhos, Paraná

praiaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 13 de janeiro de 2017

Todas as postagens de ‘Flores’ são dedicadas as Mulheres.1violeta-matinhos-pr-2

Estive novamente em Matinhos.

E dessa vez no verão, deu praia.

Ao contrário da outra vez que eu havia ido no inverno.

1amarela-vermelha-matinhos-prPor isso ampliei a postagem que já estava no ar sobre a cidade.

………

Bem, os bairros são mostrados nessa mensagem ligada em vermelho acima.

Há também uma outra que mostra Matinhos “Entre o Céu e o Mar”.1violeta-matinhos-pr-3

Nosso assunto aqui hoje são as flores.

Nas imagens nós vamos vendo aquelas que foram fotografadas em janeiro de 2017.

1rosa-vermelha-matinhos-prEnquanto que no texto eu vou falando um pouco que já estão no ar outras mensagens com esse mesmo tema:

A com as flores da viagem  de 2015, algumas já na areia da praia.

Nessas aparecem o mar ao fundo, e você vê claramente que foram tiradas na Praia Mansa.1arvore-matinhos-pr

E junto há também flores da Zona Oeste de Curitiba (Cidade Industrial e região).

……….

ao-fundo-a-serra-matinhos-prTudo isso fotografado em 2015, que abre na ligação sublinhada acima, repetindo.

Dessa vez, em 2017, as fotos foram feitas mais longe da orla.

Em nenhum momento o oceano está visível.1hibisco-amarelo-matinhos-pr

Em compensação na tomada acima vemos ao fundo a Serra do Mar.

Já é alguma coisa, não?

…………

E nessa outra mensagem há flores de diversas partes do Brasil e e da América:

1rosinha-matinhos-pr– Do vizinho município de Pontal do Paraná, que também tem praia;

– Antonina ali do ladinho, que tem mar sim mas praia não, como Joinville – alias registrei onde o mar em Espinheiros, nessa cidade catarinense;

Da Estrada da Graciosa, que é por onde eu desci nessa oportunidade em fevereiro de 2014;1violeta-matinhos-pr

Todas essas acima clicadas no mesmo dia.

E na mesma postagem flores de outras partes do continente:

Cidade do México, junho de 2012;

Ponta Grossa, interior do Paraná, abril de 2014;

Piraquara, Zona Leste da Grande Curitiba, junho de 2014;

1amarela-matinhos-pr– E Xaxim, Zona Sul de Curitiba, maio de 2014.

………..

Repetindo, o texto acima não se relaciona com as fotos, e sim direciona pra outras matérias. 1poste-matinhos-pr

Agora sim, a direita, vamos falar de uma foto clicada em Matinhos, 2017:

Pra alguns a 1ª impressão que passa é o poste que está decorado, florido, não?

1vermelha-matinhos-prMas não é o caso, as flores vermelhas pertencem a árvore em frente.

No entanto, em Vinha do Mar (Grande Valparaíso, Chile) e em Bombinhas-SC eu realmente vi e cliquei postes floridos.estrada

……..

De volta a Matinhos-PR, vamos ver grande sequência de flores da cidade.

Digo, a da direita ainda não é no Litoral. E sim na BR-277, a estrada que desce a Serra pra chegarmos lá.

Essa ao lado é a única que não é de minha autoria, e sim de meus familiares.

Agora sim, as Flores de Matinhos, clicadas por mim:

Beijos de Luz em teu Coração de Mulher.

Que Deus Mãe e Pai e Ilumine pela Eternidade

Ela-Ele proverá

até Bayeux (Z/O de João Pessoa) tem “metrô”

zona-oeste-j-pessoa1

Subúrbio ferroviário na Zona Oeste da Grande João Pessoa.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 22 de setembro de 2013

………

Segue a série sobre João Pessoa.

Hoje, entre outros temas, falaremos um pouco sobre o futebol no estado da Paraíba.

E também mais sobre a rede de transportes da capital.

cais-e-balsa-imporvisados-s-rita-z-o-j-pessoa

Num cais improvisado, barqueiro faz a travessia do rio no Centro de Santa Rita (subúrbio metropolitano da Z/O).

Na primeira mensagem da série mostramos como é o sistema de ônibus atual.

Na segunda demos uma palhinha sobre a Setusa, estatal estadual frota pública que exsitiu nos anos 80 e 90.

Agora vamos pro modal ferroviário: a cidade conta com uma linha de trem suburbano.

Que liga a Zona Oeste a Zona Norte passando pelo Centro. Mas é bem precário.

Pois o ramal é compartilhado com carga, não atende a orla da Zona Leste, que é a parte rica e portanto o polo de empregos, e os intervalo entre os trens é de 1h20min.

1-predio-de-s-rita-z-o-j-pessoa

Nem tudo em S. Rita é precário. Quando estive lá, estava em obras o 1º prédio alto do município, de classe média, bem no Centro.

Ou seja, só há uma composição operando (bem pequena, tem uns 5 vagões), o mesmo trem vai e volta, não há outro.

A única vantagem é que irrisoriamente barato, apenas R$ 0,50 (os valores são sempre de setembro de 2013, quando estive lá).

Isso mesmo, por cinquenta centavos você pode cruzar toda a cidade.

Se fosse de ônibus, gastaria mais de 10 vezes esse valor.

Veja as fotos: logo acima da manchete o trem chegando na estação-terminal (ponto final) do subúrbio metropolitano de Santa Rita, Zona Oeste

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Cruzar toda cidade por R$ 0,50??? Sim, cinquenta centavos!!!! Parece piada mas é verdade. Isso é João Pessoa.

É uma locomotiva a dísel, incomparavelmente mais lento e mais poluente.

E isso tanto em termos sonoros quanto de fumaça. Perde feio pros modelos elétricos que existem nas capitais com sistema de transporte mais avançado.

Por exemplo, veja nessa postagem o trem suburbano de Belo Horizonte, que visitei uns meses antes. Também foi feito sobre uma linha de trem de carga.

Porém em Minas a linha foi triplicada, ou seja, há duas linhas pro sistema de passageiros e mais uma pra carga, assim não há compartilhamento.

trem-estacao-centralResultando que em BH o trem suburbano opera no mesmo nível de um metrô.

Voltemos a Paraíba. Lá, a situação é bem diferente, como estou relatando e é notório.

Observe ao lado a Estação Central, no Centro de João Pessoa. 

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Próximas 2: Centro de Santa Rita, aqui a Estação e depois uma panorâmica.

Na verdade, o bairro ali se chama Varadouro.

Em João Pessoa, há um bairro chamado “Centro” mesmo, vizinho ao Varadouro. Ambos juntos formam o Centrão da cidade.

Tanto que a Estação João Pessoa (ou seja a Central) do trem, e também o Terminal Central dos ônibus urbanos e igualmente a Rodoviária estão já no Varadouro.

Que na letra fria da lei é outro bairro, mas na prática o Varadouro e o Centrão são gêmeos siameses, inseparáveis, pois são em conjunto o coração da cidade.

santa-rita-z-oeste-gde-j-pessoa5Voltando a foto da Estação Central de trem um pouco mais acima a esquerda, vejam que bem no meio há um rapaz com uma camisa de futebol, alvi-negra.

Provavelmente é de um time da Paraíba mesmo, dois dos times com maior torcida do estado são alvi-negros. Falo mais disso abaixo.trem-parte-interna-j-pessoa

Por hora, nos fixemos no transporte. Ao lado o interior do velho trem.

É possível passar de um vagão pra outro. Nesse caso a porta está fechada porque é o último vagão.

estacao-s-rita-z-o-j-pessoaFaço essa observação porque na maioria das composições do metrô e trem de SP, por exemplo, não é possível passar de um vagão pra outro, exceto nos mais novos como na linha amarela.

Bem, em João Pessoa a composição é aberta internamente e é possível transitar por toda ela, de ponta-a-ponta. Alguns bancos estão quebrados.

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Manaíra, Zona Leste.

As janelas são gradeadas, talvez pra dificultar o trabalho dos vendedores ambulantes.

Vejam numa tomada um pouco mais pra cima na página a bilheteria, com a valor quase simbólico ali afixado.

A esquerda acima a Estação S. Rita, vista por fora.

Em 2011 andei de trem em Fortaleza e paguei R$ 1,00. Já achei barato.

Curiosamente no Ceará igualmente pra um subúrbio metropolitano da Zona Oeste, Caucaia nesse caso  – breve jogo também essa série no ar.

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Cabedelo, Zona Norte.

Dois anos depois, em João Pessoa é metade do que já era naquela época em Fortaleza.

Fui de ônibus do Centro da capital ao Centro de Santa Rita, nos confins da Z/O. A tarifa foi R$ 2,65 (set.13).

E voltei de trem, desembolsando R$ 0,50, menos de 20% do valor.

Você imagina isso, você pagar com uma moeda, e ainda receber outra de troco?

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Famosa trincheira do Centrão de Jampa. Dentro dela estava pichado “Volta, Setusa“.

Eu embarquei em Santa Rita e desci no Varadouro, no Centrão de João Pessoa.

Mas poderia ter seguido viagem até a Zona Norte, em Cabedelo.

E se alguém for de ônibus de Santa Rita a Cabedelo, terá que baldear e pagar as duas tarifas cheias.

Somando tudo mais de R$ 5,00, dez vezes o preço do trem, repetindo.

Ser barato é a única vantagem do trem joão-pessoense. Porque há poucos horários: intervalo de 80 minutos entre as viagens.

Ademais, não opera sábado a tarde nem domingo o dia inteiro. É barulhento e mal conservado. E o principal, não atinge a parte da cidade que tem mais empregos, a orla da Zona Leste.

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Em Santa Rita, Z/O da Gde. J. Pessoa, a periferia típica do Nordeste: casa térrea, sem muro, de alvenaria, e sem laje. Similar a periferia de Belém-PA, e embora a periferia do Sul seja bem distinta, também num lugar chamado S. Rita (Tatuquara, Z/S de Curitiba) fotografei uma Cohab muito parecida.

Tanto que uma moça lá falou que “João Pessoa não tem trem, na verdade. Tem um trem que liga Cabedelo a Santa Rita, mas nem passa em João Pessoa”.

Isso porque o Centro é longe da praia. Nos séculos pioneiros de sua fundação a orla era um ponto distante, onde os ricos iam passar férias (já falamos mais disso).

Então obviamente o Centro era mesmo o centro não apenas político mas também cultural, econômico e mesmo populacional da cidade.

Já no século 20 e muito mais no 21, no entanto, o eixo gravitacional de João Pessoa definitivamente se inclinou pra beira-mar.

O Centro é quem, inversamente, se tornou uma parte distante e esquecida da cidade, e segundo alguns, emocionalmente já nem mais faz parte dela.

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Centro de Santa Rita, Viação Sonho Dourado. Tá bom pra ti?

Talvez a menina tenha carregado nas tintas ao praticamente vetar o Centro como sendo parte da cidade – afinal é a gênese da mesma!!! – mas de fato ela está correta:

Na configuração que está o trem ajuda pouco mesmo pro transporte de massas, pois ele não leva as pessoas pra onde a maioria delas precisa ir.

Teria que haver alguma conexão com as praias da Zona Leste. As praias da Zona Norte ele atende, vem paralelo a beira-mar, poucas quadras da areia.

Mas a Zona Norte ainda não é tão desenvolvida. Digo, de uns anos pra cá, houve grande surto de progresso na região:

manaira-z-leste-j-pessoa2

Próximas 2: Manaíra, Zona Leste. Explosão de arranha-céus, muito luxo e riqueza.

As praias do Bessa (município de João Pessoa) e as vizinhas Intermares, Poço e Camboinhas, já em Cabedelo, começam a ver prédios altos sendo erguidos.

Esses bairros estão sendo transformados em classe média e média-alta. E eles são servidas pelo trem.

Mas ainda estão a anos-luz de Manaíra, Tambaú e Cabo Branco, onde não há a opção de vir pelos trilhos.

Inauguraram recentemente o Terminal de ônibus do Bessa, que inclusive integra algumas linhas metropolitanas. manaira-z-leste-j-pessoa3

Foi um avanço, sem dúvidas.

Mas é preciso fazer mais. É preciso que do Terminal do Bessa saia uma linha pra estação de trem, que é próxima. 

E que, uma vez o Bessa estando integrado com o trem, desse mesmo terminal exista outra linha, servida por articulados, que vá pela beira-mar, cortando toda a parte rica de João Pessoa. 

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Mas logo ao lado está a favela do Bairro dos Ipês. Quando chove alaga tudo…

O que propus é simples de ser implementado, com custo zero, não exige nenhuma adaptação nas vias, é só querer.

Porque aí sim o trem seria muito utilizado. Já que agora como está é como se “nem passasse por João Pessoa”, como a moça bem resumiu o espírito prático da questão.

…………

Um subúrbio metropolitano da capital paraibana, na Zona Oeste, chama-se Bayeux.

Pronuncia-se ‘Baiê’. É um nome francês, há uma cidade com a mesma denominação na França. Segundo os moradores locais, “a Paraíba tem um charme europeu”. É mole?

zona-oeste-j-pessoaCuriosidades linguísticas a parte, o subúrbio da Zona Oeste é a parte pobre e esquecida de João Pessoa, que ainda aguarda a chegada do progresso.

Veja na foto ao lado uma favela da região. É a imagem em outra escala da mesma foto que já foi posicionada mais pra cima na página.

Pra que notem tanto o contexto quanto os detalhes: as casas são bem humildes mesmo, muitas senão a maioria ainda sem automóveis.

Lá na Paraíba um médico, que desenvolveu um trabalho social com os desvalidos e portanto conhece as partes pobres de João Pessoa a fundo, estranhou meu interesse.

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Dentro da água na Praia do Cabo Branco. Na sequência a linha de prédios do Tambaú e depois Manaíra.

Não compreendia porque eu sairia daqui do Sul do país pra fazer um turismo exótico nas favelas da sua terra. Ele disse: “as favelas são sempre parecidas, em qualquer parte do país”.

Respondi: “nada disso. As favelas do Nordeste são completamente diferentes das do Sul, e as do Sudeste igualmente são diferentes de ambas”.

Vamos aqui então comparar as favelas dessas 3 partes do Brasil, lembrando que em Salvador-BA é igual ao Sudeste mesmo estando fisicamente no Nordeste.

E Curitiba é o ‘portal’ entre o Sul e Sudeste, mescla característica de ambas regiões.

As favelas do Nordeste são compostas por casas térreas, de alvenaria, de telha de barro e a densidade é alta, uma residência emendada na outra.

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Outra praia chique, a de Manaíra.

As pessoas, em sua maioria, não possuem automóveis. As portas saem direto na via pública.

As favelas do Sudeste, por sua vez, são formadas por sobrados – que cresceram tanto, até o quarto e quinto andar, que já viraram prédios artesanais.

Assim, óbvio que as moradias nas favelas do Rio, SP e BH, além de Salvador, são de alvenaria (até os anos 60 eram de madeira, mas não mais a muito).

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Centrão de J. Pessoa. Casas pobres típicas do Nordeste brasileiro: minúsculas, de alvenaria, geminadas, porta pra rua (como também é no Chile e Argentina) e sem garagem, óbvio. Apenas nessa imagem estamos vendo 9 moradias, é isso mesmo, cada porta é uma casa independente, o varal é compartilhado.

E cobertas por eternit, e a densidade igualmente é alta. Sempre que possível, há muros separando o terreno da via pública.

Ainda falando das favelas do Sudeste, boa parte das casas hoje em dia têm carros, mesmo nas regiões mais pobres.

Ou seja, as favelas do Sudeste e Nordeste tem 2 pontos em comum (alvenaria e alta densidade) e 4 diferentes (no Nordeste exceto a Bahia há menos lajes, eternit, carros e muros).

Quanto ao Sul, em Curitiba as favelas e periferias se tornaram realmente muito parecidas com as do Sudeste, como já dito. Isso no município de Curitiba mesmo.

Nos subúrbios mais distantes da região metropolitana a coisa mudou menos, se vê a pobreza típica do Sul do Brasil. Ainda se parece com o interior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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No chão do mesmo local da foto a esquerda (repare a mesma casa verde-clara): lixo e esgoto a céu aberto, e em pleno Centro, não custa nada enfatizar.

E como é a periferia do Sul? As favelas são formadas por casas térreas, a maioria de madeira, cobertas por eternit.

A densidade é baixa, ou seja, muitas moradias tem quintais por serem afastadas umas das outras. E quando há quintal geralmente há uma cerquinha de madeira.

O índice de penetração dos automóveis é menor que em Curitiba e no Sudeste, mas maior que no Nordeste. 

As favelas do Sul são muito diferentes das do Nordeste em 4 quesitos:

Aqui predomina a madeira, a densidade é mais baixa, há mais automóveis e o morador cerca seu terreno, mesmo que improvisadamente.

Em comum entre Sul e Nordeste o fato que as casas só tem um único andar, a laje não invadiu com tanta força.

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Mesma esquina, Centro Velho de J. Pessoa.

Mais uma vez ressaltando que Curitiba ainda lembra um pouco o Sul nessa dimensão, mas também lembra muito o Sudeste.

Já as favelas do Sul e Sudeste têm 3 pontos que são diferentes (aqui há menos lajes e menos densidade, mas muito mais madeira).

E um em comum, e compartilham a característica de ter suas casas cobertas em eternit. As favelas do Sul tem menos carros que as do Sudeste, mas muito mais que as do Nordeste.

 Tudo isto posto, deixemos essa comparação teórica pra lé e voltemos a falar do que observei em campo, na Paraíba.

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Ainda no Centro Velho da capital, eis minha versão dessa tomada super-clássica.

Descrevo o município de Santa Rita, seu Centro e alguns bairros populares.

Em algumas partes, bastante lixo e esgoto a céu aberto, realidade que se repete em outras partes da Gde. J. Pessoa, bem como em diversas outras cidades pelo Brasil e América. 

Na periferia de João Pessoa ainda há casas de taipa, também chamada pau-a-pique. E muito mais no interior da Paraíba (que eu pude conhecer um pouco, numa breve viagem pelo litoral).

Pra quem não sabe como é, trata-se de um modelo de construção empírico do povão, que não utiliza tijolo, ripas de madeira nem cimento.

As moradias são feitas de barro seco, sustentando por galhos de árvores entrelaçados. Como a chuva vai levando partes da parede, é preciso sempre estar refazendo. Por isso mesmo, a existência desse tipo de moradia demonstra que o bairro é carente de recursos.

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Outro Super-Clássico: o Parque da Lagoa Solón de Lucena, no Centro.

Fortaleza e Belém são cidades em que a periferia é bem depauperada, comparadas ao Centro-Sul. E mesmo assim Fortaleza e Belém não têm mais casas de pau-a-pique.

Um dia tiveram, mas já foram substituídas todas por alvenaria, e no caso de Belém também madeira.

Entretanto, João Pessoa, e mais ainda as cidades do interior da Paraíba, isso ainda é relativamente frequente, vi várias. Em São Luiz-MA, também.

………..

João Pessoa começou num altiplano a 7 km da orla. No século 16 e até o século 19 não existiam carros, resultando que era relativamente distante.

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Manaíra, ao fundo aquele famoso hotel redondo em Tambaú, outro ícone de Jampa.

Os ricos começaram então a erguer casas de veraneio a beira-mar.

De segunda a sexta, moravam no atual Centro de João Pessoa.

E nos fins-de-semana iam pras suas casas de praia, em Manaíra, Tambaú e Cabo Branco.

Por isso a região foi ganhando contornos aristocráticos: os pobres se empilhavam nos cortiços no Centrão, e passavam bem longe da orla.

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Agora sim, eis o Centro de Santa Rita.

Quando o automóvel foi se popularizando, na primeira metade do século 20 e muito mais na segunda metade, as pessoas passaram a fixar residência permanente na orla.

E a ir trabalhar no Centro diariamente. Isso fez surgir a divisão espacial da cidade, sua porção dourada sendo o litoral da Zona Leste.

As Zonas Norte e Sul, mesmo ambas tendo praia, e a Zona Oeste, distante de mar, ficaram esquecidas, a orla da Zona Sul foi pouco ocupada, sendo ainda meio rural.

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Bayeux, também Zona Oeste.

E assim ficou por algumas décadas, quando a Paraíba não oferecia muitos empregos, os paraibanos emigravam pro Sudeste, Norte, Centro-Oeste e mesmo outros estados do Nordeste:

Quando fui a Fortaleza, constatei que há bastante paraibanos por lá, além de piauienses e maranhenses.

A Paraíba não tinha indústrias, e mesmo o ramo do turismo era muito mais fraco que nas “primas ricas” Recife, Salvador e Fortaleza.

Portanto havia grande êxodo, e boa parte dos que ficavam viviam mal, na verdade sobreviviam.

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Próximas 2: Varadouro, bairro que faz parte do Centro de João Pessoa.

Aí veio a virada do milênio, e mesmo que muito longe do ritmo necessário, ao menos uma lufada de progresso soprou, chegou a vez da periferia.

Foi então que a Paraíba deu grande salto evolutivo, e passou a criar empregos.

Veja quantos arranha-céus estão sendo feito simultaneamente em João Pessoa, e imagine quanto milhares de empregos com carteira assinada essa explosão gera.

Resultando que mesmo paraibanos e seus descendentes que viviam no Sudeste estão retornando. varadouro-centro-velho-j-pessoa1

Conversamos um pouco com o cobrador de ônibus em João Pessoa. Ele nasceu ali mesmo.

Quando tinha 3 anos, seus pais se mudaram pra Guaianazes, bairro na extremidade da Zona Leste de São Paulo, onde eu já estive também.

E na capital paulista ele se criou e teve o início de sua vida adulta, chegando a ter alguns empregos.

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Próximas 9: Centro de Santa Rita, alguns retratos que tirei na minha volta por lá.

Com 20 e poucos anos, ele decidiu retornar a João Pessoa, e deu certo, está empregado com carteira assinada.

Agora, ele deve ter um salário por volta de R$ 800 (set.2013).

É aqui que quero chegar: tenha em mente que a recuperação da Paraíba é notável, sem dúvidas.

Ainda assim, relativa. A Paraíba era absolutamente miserável, de certa forma ainda é, por isso as casas de taipa.

Comparado com o que era, melhorou muito. Antes, não haviam empregos estáveis com carteira assinada por lá, mesmo pagando poucosanta-rita-z-oeste-gde-j-pessoa4.

Era sub-emprego pra grande maioria. Atualmente empregos na faixa de R$ 700 a 900 há aos montes.

Mas acima de R$ 1.000, a situação muda muito, ainda são bem raros (lembre-se, os valores são sempre os de 2013).

Isso porque a Paraíba continua pouco industrializada.

s-rita-z-o-gde-j-pessoa-lixo-e-esgoto-a-ceu-abertoPernambuco e Bahia deram um salto notável nesse campo, em todos os ramos:

Automobilístico, metal-mecânico, químico/produtos de limpeza, alimentício, vestuário, logística pra transportes, etc.

No Ceará, esse salto não foi tão generalizado, mas no setor têxtil/calçadista foi pronunciado.santa-rita-z-oeste-gde-j-pessoa

A Paraíba, entretanto, ainda não se industrializou. Muitos empregos estão sendo criados em João Pessoa. Mas o que paga melhor é a construção civil.

O resto é o setor de serviços (comércio, turismo) e centros de chamada pras empresas que fazem vendas por telefone.

s-rita-z-o-gde-j-pessoa-esgoto-a-ceu-abertoNotoriamente a renda dos trabalhadores desses ramos de atividade é mais baixa que na indústria.

Quem sabe isso começa a mudar, e a Paraíba comece a se industrializar.

Como disse, fui ao Litoral Sul da Paraíba, na divisa com Pernambuco. Voltei a João Pessoa pela BR-101.centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa4

(A mesma que liga as duas principais cidades de Santa Catarina, Joinville a capital Florianópolis, corta o Brasil do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.)

Voltemos ao Nordeste. A BR-101 liga Recife a João Pessoa. Passei pelo trecho sul-paraibano dela, da divisa com Pernambuco até a capital estadual.

centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa1Foi duplicado pelo exército brasileiro, um projeto bacana, que desenvolveu muito a região e certamente teve custo mais baixo que se fosse feito pelas empreiteiras.

E isso puxou desenvolvimento, realmente. Já dentro de João Pessoa, na Zona Sul, surgiu um grande Distrito Industrial.

Diversos barracões novos estão ali, e muitos outros estão sendo erguidos, gerando um círculo virtuoso.centro-velho-j-pessoa

Ressalto que minha viagem se deu antes da Copa do Mundo de 2014, quando o Brasil ainda vivia os últimos espasmos de um ciclo de prosperidade.

De lá pra cá não sei como está a nascente expansão industrial paraibana.

centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa

Aqui fechamos a sequência de Santa Rita. Tenho que dizer, as vezes na periferia de J. Pessoa há muito lixo na rua.

Seja como for, quando estive lá ela dava seus primeiros passos.

Assim, quem sabe no futuro a Paraíba será mais industrializada.

Por hora, isso ainda está em semente.

Mas mesmo o avanço nos setores de turismo, construção e serviços já mudou João Pessoa.

Tanto que a riqueza não se circunscreve mais a Zona Leste. 

A Zona Norte, que também é a beira-mar, foi a primeira a se beneficiar dessa expansão:cabedelo-zona-norte-gde-j-pessoa

Ali também vem surgindo prédios e os bairros vem mudando de pacatos pra um perfil de classe média-alta.

A partir dessa a direita, e nas próximas 2 tomadas, vamos ver exatamente Cabedelo, na Zona Norte.

Que vem adquirindo um perfil mais burguês, ao menos na orla.

cabedelo-zona-norte-gde-j-pessoa1A orla da Zona Sul, que fora deixada quase intocada, agora está sendo urbanizada.

E isso tem um lado bom e um ruim, como já comentei em outra mensagem.

O subúrbio da Zona Sul, que não tem mar, também melhorou bastante.cabedelo-zona-norte-gde-j-pessoa2

E vê surgir vários prédios, esses ainda baixos, mas que são bem simbólicos da metamorfose da região.

Entretanto, a Zona Oeste, dizendo mais uma vez, ainda aguarda sua vez nessa esteira de progresso.

Ali ainda se concentram, perto da linha do trem, grandes bolsões de miséria. Com mais uma onda de desenvolvimento, essa realidade irá mudar: 

favela-bairro-dos-ipes-z-l-j-pessoa1

Aqui e a direita: ‘comunidade’ (ou ‘favela’, se preferir) do Bairro dos Ipês, Z/L, ao lado da opulência de Manaíra.

Podem ver pela foto que o subúrbio metropolitano de Santa Rita, na extremidade da Zona Oeste, breve terá seu primeiro edifício alto, com elevador. Mas por enquanto ainda é assim.

Selecionei fotos que mostram esse momento de contraste.

Já vimos mais pra cima na página justamente ainda em obras o primeiro prédio chique de Santa Rita.

O que demonstra que o município começa a ter uma ‘massa crítica’ de classe média pra esse tipo de empreendimento.

Mas duas quadras dali está a casa retratada que também já posicionei mais pro alto na matéria: favela-bairro-dos-ipes-z-l-j-pessoa

Sem muro, em que a família primeiro sobrevive e depois consome.

Resumindo, galera, assim é a Zona Oeste de ‘Jampa’. Que aguarda que essa mandala gire, e a vez dela chegue.

Uma parte distante, violenta e ainda com muito por fazer.

Mas que já tem um sistema de trem a servi-la. Bastante precário? Certamente.

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No Centro de S. Rita, um riacho poluído. Como eu já fotografei no Paraguai, México, e aqui em Curitiba vários, no Boqueirão (2 vezes) e também em pleno Jardim Social.

Melhor que nada. E, repito, o custo é só R$ 0,50. Por estar longe do ideal, não dá pra dizer que é metrô de fato, e por isso entre aspas:

Até Bayeux tem “metrô”…. Definitivamente, é só Curitiba que não tem…..

…………

Mais algumas curiosidades sobre a Paraíba:

Não pude nessa viagem ir a um estádio presenciar ‘in loco’ uma partida de futebol, como também não deu no México e no Pará. 

O principal time de João Pessoa é o Botafogo, cópia de um clube mais famoso (como é tradição no Paraguai).mascote-botafogo-paraiba

No caso é uma homenagem óbvia ao time carioca. Apenas a estrela do escudo é vermelha ao invés de branca, veja o mascote do Botafogo-PB ao lado.

Mas o uniforme é alvi-negro como a matriz, o nome das torcidas organizadas também é xerox.

Então, em 2013, quando visitei a Paraíba, o Botafogo-PB estava na quarta divisão do futebol nacional, a série ‘D’.

jp jampa joão pessoa paraíba pb buso marcop tribus trucado 3 3º eixo branco livre faixa verde vermelho são jorge estádio almeidão br-230 trans-amazônica transamazônica trânsito

Zona Oeste de J. Pessoa: Estádio Almeidão, onde joga o ‘Belo’ (Botafogo). A frente, na BR-230, passa um Tribus Urbano, que na PB são abundantes a beça.

Porém foi campeão do torneio, e desde 2014 até o momento que essa matéria sobe pro ar (2016) disputa a série ‘C’, a terceirona.

Em João Pessoa não há clássico, pois não há outro time grande.

As duas outras grandes forças do futebol paraibano estão na maior cidade do interior, Campina Grande.

O Treze, também alvi-negro, é o “Galo”.

Quando escrevi a matéria, estava na terceira divisão nacional, a série ‘C’, ainda na briga pra subir pra segundona.

Atualização: o Treze não subiu pra série ‘B’ em 2013.

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S. Rita: ‘Quadra 16, Lote 3’ pintado no muro, modelo de numeração típica da periferia (exceto no Centro-Oeste). Fotografei o mesmo no Pará.

Pior: no ano seguinte foi rebaixado pra série ‘D’, que disputou em 2015.

Porém, como sabem, a 4ª divisão nacional não tem vaga garantida, pra participar dela é preciso ir bem no campeonato estadual do mesmo ano.

Falei um pouco disso na série sobre o Pará, pois no mesmo ano de 2013 o Remo não chegou a final do estadual, logo não jogou nem mesmo a série ‘D’ nacional naquele ano.

Voltando a Paraíba. Em 2016 o mesmo ocorreu ao Treze, não disputou nenhum torneio nacional, ficou fora até da 4ª divisão.

Já o Campinense, rubro-negro, é a “Raposa”.

galo-x-raposa

Galo x Raposa: em Campina Grande-PB, como em Belo Horizonte-MG.

Como veem, em Campina Grande o duelo dos mascotes reflete um bem mais famoso, o de Belo Horizonte-MG, óbvio.

Em 2013 era o Campinense quem não estava em série alguma do brasileirão, era um “clube sem divisão”.

Mas nos anos de 14, 15 e 16 ele conseguiu sempre jogar a série ‘D’.

Resumindo e comparando o ano que o texto foi escrito com o ano que ele sobe pro ar: em 2013 Botafogo na 4ª, Treze na 3ª e o Campinense em nenhuma. Em 16, Botafogo na 3ª, Treze em nenhuma e Campinense na 4ª.

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Manaíra.

……….

E quanto ao estadual, o Botafogo de João Pessoa vestiu a faixa de 2013 e levantou a taça quebrando um jejum de uma década. Repetiu o feito em 14, portanto bi-campeão, e é o maior vencedor, já ganhou 27 vezes.

O Campinense não deixou por menos e foi bi em 15/16, vem a seguir com 20 canecos. Já o Treze tem 15 títulos paraibanos, esses são os 3 maiores campeões.

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Fechamos com esse belíssimo entardecer na Zona Norte, em Cabedelo ou bem próximo. Veja o mangue. João Pessoa, exatamente como sua vizinha Recife, é “a cidade do mangue”. Mas esse já é tema pra próxima matéria, que será a derradeira da série. Por hora, melhor deixar que essa imagem que vale por mil palavras fazer as honras e fechar com chave de ouro.

Não há ‘clássico da capital.  Treze x Campinense fazem o clássico de Campina Grande.

Mas o ‘Super-Clássico da Paraíba’ é Botafogo x Campinense. Chamado ‘Clássico Emoção’, pois são os dois maiores vencedores:

Tanto lideram os estaduais como dito acima, quanto nesse mesmo ano de 2013 ganharam os dois maiores títulos da história da Paraíba, o Botafogo foi campeão nacional (série ‘D’) e o Campinense levou a Liga do Nordeste.

Portanto a disputa ali opõe capital x interior.

No Brasil o maior clássico de cada estado sempre envolve dois grandes da capital. Na Paraíba é diferente, reflete o que ocorre no México e Colômbia.

Última nota: João Pessoa tentou ser uma das sedes da Copa do Mundo. Mas não deu. No Nordeste, houveram jogos em 4 cidades: as 3 maiores Salvador, Recife e Fortaleza e mais Natal-RN.

Deus proverá

Pedreira, Ópera e o Belém: Abranches e São Lourenço, Zona Norte

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Próximas 2: Abranches, o bairro da Ópera de Arame (e da Pedreira Paulo Leminski). Com a “faixa do salto-alto” a direita da passarela.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 17 de novembro de 2016

Mais uma volta pela Zona Norte de Curitiba. Dessa vez agraciamos o bairro do Abranches.

Onde vivem 13 mil curitibanos, sendo o 7º bairro mais povoado da Z/N.

Isso não significa muito, pois ‘Curitiba Cresce pro Sul’.

Seja como for, deixa eu retomar meu relato. opera-de-arame-entrada

Fui, melhor dizendo, a uma pequena parte do Abranches, porque esse é um bairro muito comprido:

Vai da Pedreira Paulo Leminski e Ópera de Arame (perto do Parque São Lourenço) até o Contorno Norte, na divisa com Almirante Tamandaré.

pedreira

Principal portão da Pedreira, logo ao lado.

A região que eu visitei e fotografei é exatamente a da Pedreira e Ópera, na rua que divide o Abranches do Pilarzinho.

E pra fechar entrei no Parque São Lourenço, que já fica no bairro de mesmo nome.

Ali fotografei mais um pouco do Belém, o lago do parque e a o Rio logo após deixá-lo.

……

abranchesVeja o mapa ao lado: o Abranches é uma ‘tripa’ cortando a Z/N da cidade.

Assim, ele é um bairro que tem muitos ‘ecossistemas’ distintos entre si.

– A parte que eu visitei, subindo a Rua João Gava (essa é a que divide o Abranches do Pilarzinho) antigamente era mista, mas agora se aburguesa rapidamente:casas-antigas

Uma boa parte era de classe média-baixa, com muitas casas de madeira pois é Sul do Brasil (dir).

Lado-a-lado já haviam residências de alto padrão (esq.), de gente rica mesmo, com terrenos enormes.

alto-padrao-antiga1Mas haviam (e ainda há) muitos terrenos ainda vagos, abaixo um deles.

Por isso o bairro agora vem tendo muitas construções novas.

De forma que vem surgindo muitos condomínios fechados. bosque

Cujo valor das residências é elevado mas quase não há quintal. Natural, pois em um lote ergueram-se várias unidades.

A esquerda abaixo vemos a entrada de um deles, vizinho ao bosque.

condominioAntes o bosque (acima) era bem maior. Desmataram uma parte dele pra se construir esse empreendimento. É o “progresso”.

Então amigos resumindo nessa parte do Abranches atrás da Pedreira tudo convive:

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Casa antiga de madeira.

Casas simples antigas, mansões que também estão há um bom tempo ali, e agora surge uma multidão de condomínios de sobrados geminados.

Já retratei esse processo de aburguesamento (sempre através desses sobrados) de áreas que antes eram mais periféricas em diversas partes da cidade:

Boa Vista, Ahú, Bom Retiro e Cachoeira (Zona Norte), Uberaba (Zona Leste), Xaxim (Zona Sul), Campo Comprido (Zona Oeste), pra citar alguns.

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Ao lado de mansões com enorme quintal.

Até aqui falei apenas de uma parte do Abranches, aquela que fica atrás da Pedreira e Ópera;

Vejamos como são as outras partes do bairro, que eu não visitei nessa ocasião:

Atrás do Parque São Lourenço há uma região majoritariamente de classe média-alta, com caros sobrados triplex. Essa parte já está totalmente aburguesada;

– O ‘coração’ do Abranches, seu miolo central, é sua parte mais populosa:garag viação sul frota eletrônico artic buso ctba bege z/n caio milênio letreiro menor ex-bh belo horizonte lateral motor atrás traseiro ex-bh belo horizonte favela santa terezinha morro abranches z/n madeira encosta casa sem acabamento pintura tijolo duplex vários

A Vila Diana e imediações, a região que antigamente era o ponto final do ônibus Rocio (atualmente ampliado pra S. Cândida/S. Felicidade).

Ali ainda é majoritariamente um subúrbio proletário, de classe média-baixa, sem pobreza extrema mas sem alta burguesia tampouco;

E no extremo norte, na divisa com Tamandaré, existem algumas favelas bem feias, incluso em encostas. Aí sim é uma porção majoritariamente de periferia, embora também estejam começando a surgir condomínios fechados de classe alta.

ctba z/n divisa abranches cachoeira periferia quebrada eternit madeira casas sem acabamento pintura tijoloA maior e mais famosa das favelas do Abranches é de Santa Teresinha, que fica atrás da garagem da Viação do Sul.

A direita vemos a garagem. Essa é a única imagem de toda matéria puxada da rede (fonte: sítio Ônibus Brasil).

Em primeiro plano uma frota de articulados que veio usada, começaram sua vida útil em Belo Horizonte-MG.

turismo

A Linha Turismo passa pelo Abranches.

E ao fundo (ainda falamos da imagem em que aparecem os ônibus) vemos Santa Terezinha.

Curitiba também tem morro, eu já disse isso. Essa matéria aliás se refere ao bairro da Cachoeira, vizinho do Abranches.

Alias acima vemos exatamente a divisa Abranches x Cachoeira (pouco atrás do Parque da Nascente do Belém):

Eu estou na Cachoeira, e o telhado da casa em primeiro plano (no canto inferior esquerdo da imagem) também; mas aquela vila ao fundo está no Abranches.

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Casas antigas, enorme lote no Abranches.

Porém num ponto muito longe do Parque São Lourenço, essa foto específica foi batida em janeiro de 16, as demais em novembro do mesmo ano.

Enfatizo: dessa vez (novembro) eu não passei nem perto da Cachoeira, e sim do Pilarzinho e São Lourenço.

E é esse roteiro que vamos continuar descrevendo a partir de agora. abranches1

A Rua João Gava, como já dito, divide o Pilarzinho do Abranches (veja abaixo as placas, a moderna em azul que traz o bairro, e as antigas verdes, dos anos 70).

placa-novaÉ nela que ficam a Pedreira e a Ópera. Porém ambas estão localizadas na margem do Abranches.

E não na do Pilarzinho (bairro que eu também já produzi uma matéria) como muitos pensam erroneamente.

Veja o mapa a direita, que está em maior escala que o que abre a matéria: