Terra Amada & Querida: Joinville, Santa Catarina

Terra dos Ônibus Amarelos e da (finada) Busscar.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 13 de março de 2017

Fui mais uma vez a Joinville, Santa Catarina (segundo alguns ainda pertence ao Paraná, abordo essa questão mais abaixo).

E dessa vez levei a câmera, pra produzir esse ensaio fotográfico. Bastante incompleto, é verdade.

A Joinville germânica.

Bem fotografado, com calma e de dia, pude me focar somente no Portal e o Centro e imediações.

Já no apagar das luzes (literalmente!) chegamos ao mar, no Espinheiros (sim, Joinville tem mar. Muitos não sabem disso. Também volto ao tema).

E entre o Centro e o pequeno porto marítimo cliquei rapidamente alguns relances de uma vila de periferia, entre as Zonas Leste e Norte.

Cidade da Dança, Cidade das Flores (já desenhei uma Marília joinvillense, numa loja florida, seguindo a tradição alemã).

Melhor que nada. Um outro dia que eu retornar ampliamos a postagem. Aqui já serve como boa introdução.

Acabando de virar a marca do meio milhão de habitantes, Joinville é o município mais populoso de SC.

Mas não é a ‘maior cidade do estado’, como muitos erroneamente afirmam.

E é fácil entender o porque: cidade e município são conceitos diferentes. Podem coincidir, mas não necessariamente.

A famosa ‘Rua das Palmeiras’.

‘Cidade’ é a urbe, uma mancha urbana contígua, independente de divisões políticas.

Quando vários subúrbios metropolitanos conurbam com um núcleo, uma cidade passa a ser multi-municipal.

Assim fica fácil entender. É fato que no município de Joinville mora mais gente que no município de Florianópolis.

Ainda assim, a cidade que é a Grande Florianópolis abriga muito mais pessoas que a Grande Joinville, portanto a capital e seu entorno são a maior cidade de SC.

E a Beira-Rio no Centrão.

Seja como for, Joinville é o epicentro industrial de Santa Catarina, e por isso disparado o maior PIB do estado – simplesmente o dobro de Florianópolis!

E é a maior cidade do interior catarinense.

…………

Vamos descrevendo as imagens, aí a gente vai falando um pouco mais de Jvlle.

Sua origem é alemã, como é de domínio público. Isso fica evidente na arquitetura da cidade.

Mas há um outro detalhes numa dessas imagens em que aparecem os prédios típicos teutônicos:

Nas placas, abaixo da denominação atual da rua, estão grafados os nomes antigos que ela já teve ao redor de sua história.

É uma característica de S. Catarina. Já fotografei o mesmo em Florianópolis.

Na capital, de colonização açoriana, mesmo os nomes que já caíram em desuso são no idioma português.

Em boa parte do interior, antigamente as ruas e avenidas antes eram ‘weg’, ‘strasse’, etc. É o caso aqui:

Amplie a foto acima e verá:

Na atual esquina das ruas do Príncipe e XV de Novembro antigamente se encontravam a ‘Ziegeleistrasse’ e ‘Mittelweg’, respectivamente.

Alias ela mostra bem o comecinho da XV de Novembro, no Centrão.

A direita vemos o cruzamento dessa mesma via com a BR-101, já do outro lado do Portal.

Na foto a seguir, a placa é exatamente a mesma. Eu apenas girei a câmera pra direita.

E aí aparece o Moinho que há na entrada principal da cidade, visto agora melhor enquadrado.

Nele funciona uma chopperia, se não me engano

Ao lado do portal há um totem, onde está escrito “Bem-Vindo” em português e alemão. 

Mais abaixo na página há uma foto em que ele aparece claramente.

Aqui nos centremos no que há atrás dele:

Outra placa bi-língue, a que comemora a amizade entre Joinville e a cidade de Langenhagen, Alemanha.

Foi firmada entre os prefeitos, no ano de 1980.

Certamente em Langenhagen há outra equivalente, apenas na ordem invertida dos idiomas.

………..

Como é sabido, no Norte do continente europeu (Alemanha e imediações, como a Holanda) é muito forte o costume de andar de magrela.

Assim essa é outra herança germânica: Joinville é também a ‘Cidade do Pedal’.

Várias avenidas têm ciclovias (fotografei uma delas), e uma das atrações é o ‘Museu da Bicicleta’.

Por falar em museus, em imigrantes e em tempos idos:

Numa das pontas da ‘Rua das Palmeiras’ está o Museu da Imigração.

E bem no meio desse calçadão há uma série de totens em preto-&-branco contando a história do lugar.

Fotografei uma das placas, aquela que registra a passagem do Zepelim.

JOINVILLE-PR, OPS, DIGO SC –

Assim como, Energeticamente falando, Curitiba é a transição entre o Sul e o Sudeste, Joinville é a transição do Paraná e Santa Catarina.

Posto de outro modo: em muitos aspectos culturais Joinville é uma cidade paranaense.

Joinville é muito perto da capital do Paraná, apenas 130 km cobertos por pista dupla, então é muito influenciada por Curitiba.

Joinville é quase uma ‘filha espiritual’ de Curitiba.

Pra um curitibano, andar no Centro de Joinville é como estar em casa, tamanha a quantia de empresas curitibanas que têm filial lá.

Se uma imagem vale por mil palavras, observe a esquerda: o primeiro centro comercial (“shopping”) de Curitiba é também o primeiro de Joinville. Um exemplo entre muitos.

Na tomada acima outra avenida com ciclovia.

Mas nessa e na ao lado, quero chamar a atenção pra outro detalhe que Joinville herdou de Curitiba:

A pichação de muros – e agora também dos telhados.

O alfabeto, a nomenclatura dos grupos, o material, o ‘modus operandi’, toda a parafernália resumindo que é aplicada lá são xerox exato do que se faz por aqui.

Sendo que a ‘escola’ curitibana nesse quesito já havia sido ela mesma importada de São Paulo.

Alias devo dizer que a ‘arte’ de rabiscar essas insígnias inelegíveis ao leigo subiu muitíssimo de patamar – não é modo de falar – recentemente.

Quero dizer com isso o seguinte: até a última vez que eu havia ido a Jvlle (2013, 4 anos antes) já havia pichação ao nível do solo.

Porém ainda não era comum escalarem os prédios pra ‘assinarem’ os telhados. Agora se alastrou essa técnica.

ESPINHEIROS, ZONA LESTE – A “PRAIA” DE JOINVILLE –

Viram que tempestade se armou quando nós íamos pra periferia? Joinville tem problemas seríssimos com alagamentos, já eu falo mais disso.

Por hora, falemos do que vimos no subúrbio.

Subúrbio da Z/L da cidade, bairro Espinheiros. Onde o Mar e Joinville se encontram.

Muitos desconhecem esse fato, nem imaginam que Jvlle também é beijada pelo Oceano Atlântico.

Próximas 2: Avenida JK, na Zona Central.

Mas é. Nós nos perdemos numa esquina que não tinha sinalização pra quem é de fora, e fomos parar no Iririú.

Por isso cheguei no último momento possível de iluminação pra registrar o encontro entre Mar e Terra.

5 minutos a mais, e essas imagens não teriam saído. Deus Pai/Mãe permitiu e deu certo, ainda que no limite.

Pus “praia” entre aspas porque Joinville tem mar sim, mas praia não. Pois não há faixas de areia.

Como também acontece em Paranaguá e Antonina, no Paraná, Santo Domingo no Caribe, e diversas outras metrópoles ao redor do globo.

……….

De volta a Joinville. Hoje a cidade tem mar, mas um dia não teve.

Ainda na próximo ao Centro, fotografei um jardim decorado com estátuas (em Ponta Grossa-PR também).

Explico: o bairro de Espinheiros, que é uma ilha e o único que tem litoral, antes não pertencia a Joinville, mas ao vizinho município de São Francisco do Sul. 

Alias isso nos leva a uma característica única de Joinville: 

O município vai aumentando de tamanho, pois absorveu dois bairros que pertenciam a seus vizinhos a leste.

Espinheiros foi incorporado de São Chico, como acabo de dizer.

Próximas 3: periferia da cidade, ruas de terra, casas de madeira.

E partes do bairro da Itinga se desmembraram de Araquari e foram anexadas ao município de Joinville.

Curioso isso, não? Geralmente no Brasil acontece o contrário, os municípios perderem área com emancipações.

Itaperuçu se separou de Rio Branco do Sul, e Pinhais de Piraquara, pra citar dois exemplos da Grande Curitiba.

Em Joinville o caso foi distinto. Não houve emancipação, e sim transferência.

Ou seja, nenhum município novo foi criado, e sim bairros de municípios já existentes se mudaram pra jurisdição de outro município também já instalado há tempos.

…….

Estamos vendo cenas do subúrbio proletário.

Esse é o perfil médio dos bairros mais humildes da cidade.

Muitas casas de madeira pois é Sul do Brasil. E ainda há muitas ruas de terra, já falo mais disso.

Joinville tem pouquíssimas favelas. Apenas umas 5, e bem pequenas.

Ao lado (na única foto que não tirei pessoalmente, essa foi via ‘Google’ Mapas) uma delas.

Próximas 6: classe média na Zona Central. No texto seguimos falando do subúrbio.

Pra meio milhão de habitantes, não está mal.

A proporção de miseráveis por habitante é mais ou menos a mesma de Santiago do Chile.

E essa é ao lado de Montevidéu-Uruguai a capital latino-americana com menos desigualdade social.

De volta a Joinville, há um mito que a cidade não tem favelas. é mentira.

Existem sim algumas pequenas invasões miseráveis na cidade. São poucas, pequenas e bem afastadas. Mas existem.

Se concentram nos bairros Ulisses Guimarães Paranaguamirim, na divisa entre as Zonas Leste e Sul.

…….

Então está dito. Sim, Joinville tem mar, e tem algumas poucas favelas.

Ainda assim, indiscutivelmente são raras. Até as encostas dos morros de Joinville não são favelizadas.

Não pense que esse é o padrão de toda Santa Catarina, amigo.

Porque em Blumenau, na Grande Balneário Camboriú/Itajaí e na capital Florianópolis a situação é diametralmente distinta.

………

Comparando Joinville e Curitiba: a capital do Paraná tem muito mais miséria. 

Nas próximas 2, imediações da Avenida Beira-Rio. Aqui a prefeitura (também cliquei as de Curitiba e Assunção-Paraguai). A esquerda mais palmeiras, essas são na Beira-Rio como dito, e não na ‘Rua das Palmeiras’ que sai na JK, mostrada logo a seguir.

Incomparavelmente mais, inclusive em termos per capita.

Bem, como disse, proporcionalmente Joinville iguala Santiago e Montevidéu, as duas capitais com menos favelas da América Latina.

(Nota: Buenos Aires, ao contrário do que muitos ainda pensam, é bem diferente, e está coalhada de miseráveis.

Breve grande série com tudo isso ilustrado, uma vez que eu estou indo pra Argentina na mesma semana em que levanto essa postagem pro ar.)

Já Curitiba segue o mesmo padrão de Buenos Aires, com intensa desigualdade social.

Mesmo bem próximo ao Centro há duas grandes favelas, as Vilas Capanema e Parolin.

Ambas já urbanizadas mas a situação segue problemática em muitos quesitos.

E nas periferias da capital paranaense há mais favelas ainda, obviamente, inclusive em morros.

Próximas 2: flores na Zona Central. Essa sim mostra a ‘Rua das Palmeiras’, evidente.

Pra compensar, Joinville tem muito mais ruas ainda de terra que Curitiba.

Bem, a capital do Paraná já pavimentou quase 100% de suas vias.

Evidente, quando surge uma invasão as vias são de leito natural, ao menos no início.

Registrei recentemente algumas na Cidade Industrial e entorno, Zona Oeste.

Mas afora isso, mesmo nos bairros mais periféricos é difícil ver uma via sem pavimentação no município de Curitiba.

Elas ainda existem, mas é preciso caminhar bem no subúrbio pra encontrar.

A maior cidade do interior catarinense ainda está por dar esse passo.

……..

Já seguimos com o texto. Uma pausa pras flores da ‘Cidade das Flores’.

Indo pro Espinheiros, fotografei mais uma ‘amarelinho’ Busscar, ao fundo a tempestade que se formava (esq.). Primeiro falemos do busão. A Busscar, que era de Joinville, começou como Nielson, e até 1987 só fabricava ônibus rodoviários.

Nesse ano ela lançou o modelo Urbanus. Em 1989 veio a mudança de nome pra Busscar.

Nos anos 90 a Busscar se expandiu enormemente, abriu filiais na Colômbia. Nesse país vizinho, que visitei em 2011, a Busscar é um ícone, quase um mito.

No auge, os anos 90 e a 1ª década do novo século, 100% da frota de Joinville era Busscar (incluindo municipais e metropolitanos). Ou pelo menos 99%, houve uma vez que fui lá e haviam uns pouquíssimos Comil, e somente numa linha, a pra Vila Nova se não me engano.

Porém a coisa desandou, e a Busscar faliu no início da década de 10. Aí as viações de Joinville tiveram que comprar de fabricantes diversos.

Ainda me lembro do choque que tive em 2013 ao ir lá e ver pela primeira vez outras marcas em grande quantidade, especialmente Marcopolo, Neobus (que é Marcopolo) e Comil.

Agora, em 2017, a frota joinvillense conta com enorme presença de busos mais novos dessas 3 montadoras gaúchas citadas no parágrafo anterior.

Atualmente os ônibus de Joinville contam com uma película negra ao redor das janelas, o que não ocorria antes. Há muitos Marcopolos também, mas as fotos que fiz deles não ficaram boas.  Na foto acima um Comil, nas duas próximas veículos da Neobus.

A esquerda um municipal saindo do Terminal Central (onde recentemente foram vistos ônibus de Curitiba e Recife-PE, operando emprestados em ‘Tabela Trocada‘).

Note mais uma vez a placa de rua com o nome antigo em alemão.

É claro, ainda há muitos Busscar remanescentes de antes da quebra.  Quando escrevo esse texto (início de 2017) circulavam rumores que a Caio de São Paulo poderia comprar a Busscar. Veremos se a negociação se concretiza.

“PRIMEIRA CHUVA A ESQUERDA”: O CÉU DE JOINVILLE –

Esse ônibus mais escuros (e sem película negra ao redor dos vidros) são metropolitanos, de Joinville pra Araquari ou pra São Francisco do Sul via Araquari. São Chico é uma ilha, tem praia e porto, e é outra cidade, ou seja, embora próxima não é um subúrbio de Joinville, pois  conta com mais de 40 mil habitantes, e tem vida econômica e cultural própria. Já Araquari é bem menor, e emendada a Joinville pelo bairro da Itinga. Assim, podemos dizer que Araquari é o único subúrbio metropolitano da Grande Joinville. Em Araquari está a fábrica da BMW no Brasil, se alguém não sabe.

E quanto a chuva: Joinville tem um problema crônico de enchentes, como é sabido. Comprovamos isso na prática.

Viram a tempestade que se armava quando nos dirigíamos pro Espinheiros. Na volta choveu forte. Apenas 20 minutos, mais ou menos. Ao chegarmos ao Centro o céu já havia limpado.

Mas cobrou seu pedágio. O Centro estava bastante alagado. Fotografei, mas como o fiz a noite e num carro em movimento não deu pra aproveitar as imagens.

Entretanto quem conhece Joinville sabe que é assim mesmo. E não chegou a cair água por meia-hora, ressalto de novo.

Imagino como teria ficado a cidade com uma hora, ou pior, com duas horas de chuva forte.

Como os joinvillenses indicam como chegar a sua cidade pra quem sai de Curitiba? “Você pega a BR-101, na 1ª chuva a esquerda é Joinville”. Essa piada já resume a intensa relação que a cidade tem com as nuvens carregadas e o consequente aguaceiro que cai do céu.

Aterrissemos de novo ao nível do solo. Veja acima com quais ícones o jornal local A Notícia identifica a sessão ‘geral‘:

Em Santa Catarina os pontos de ônibus são numerados. Essa é a segunda parada da Rua João Colin. Fotografei o mesmo na capital.

Arquitetura alemã; Rua das Palmeiras; Bicicletas; Bailarinas; Flores; o Moinho; e o último desenho não consegui decodificar.

Assim é o ‘ethos’, o ‘mito formador’, assim a Alma de Joinville enxerga a si própria.

No entanto, é preciso fazer um adendo: obviamente a gênese da cidade é germânica.

Mas muitos que não foram até lá podem imaginar que até hoje a imensa maioria dos joinvillenses é loira de olhos azuis.

E se duvidar alguns ainda nem sequer se comunicam em português nas ruas. O estereótipo gruda forte na mente das pessoas. Porém nada poderia ser mais distante da realidade.

Na colagem, um pouco dos hábitos alimentares: um refrigerante local – por isso me refiro ao Norte de SC, esse aqui é feito em Blumenau; Uma lanchonete bem simples do Centrão oferece mostarda preta. Como é o mapa da mostarda no Brasil? No interior do Sul é universal, oferecem inclusive a preta como é o caso aqui. Em Curitiba e São Paulo a essa versão mais forte é mais difícil, mas a clara está sempre presente. Em Belo Horizonte-MG existe mostarda nas lanchonetes populares mas menos. Enquanto que em Brasília-DF já é improvável achar, e no Norte e Nordeste é praticamente inexistente onde servem o povão, comum só na Beira-Mar e centros de compras onde vão os turistas; – Por fim: os catarinenses adoram pôr milho e ervilha nos lanches. Vi o mesmo em em Mafra/Rio Negro, na divisa SC/PR.

O tempo passou, os descendentes de alemães se abrasileiraram, e, mais importante, novas levas de imigrantes americanizaram totalmente a cidade.

(Nota: mais uma vez lembro que por ‘americanos’ me refiro sempre ao continente América, e jamais aos EUA, cujos habitantes são os ianques ou estadunidenses.)

Como Curitiba, na segunda metade do século 20 Joinville foi fortemente povoada por imigrantes do interior do Paraná. Por exemplo:

No bairro Comasa antes de Espinheiros há um subúrbio da cidade chamado nada menos que “Vila Paranaense”, o que sintetiza a questão.

Em relação a esses paranaenses de nascimento e joinvillenses por adoção, parte dos antepassados deles já haviam vindo do Rio Grande do Sul, e desses a maioria são também descendentes de europeus.

Fechamos a parte sobre Joinville como abrimos: mostrando o Portal. Uma síntese de como a cidade se vê, homenageando a arquitetura alemã, as dançarinas da balé e as flores.

Porém boa parte veio do Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais, que já têm uma composição racial diferente. Tudo somado:

É claro que a maioria dos Homens e Mulheres de Joinville são brancos, não a maioria loiros mas de tez mais alva sim.

Entretanto, há minoria significativa de negros e mestiços.

Se alguém crê que Joinville lembra os Alpes da Áustria na sua composição racial, nada pode ser mais fora da realidade, repito.

Énessa tomada que aparecem as boas-vindas de forma bilíngue, que citei acima.

Breve farei um desenho ilustrando essa situação.

Portanto, tanto na classe média quanto na periferia, Joinville é ligada ao Paraná,

Óbvio que ela também é fortemente conectada a Santa Catarina em muitas dimensões além da política.

Acabamos de ver isso nos pontos de ônibus e na alimentação, por exemplo.

Não estou querendo ‘roubar’ a cidade do estado vizinho. O que quero dizer é que Joinville é um Portal de Energia, se você entende o que esse termo significa.

(Talvez por isso seu símbolo mais forte na dimensão física é exatamente um portal, e por isso pus acima manchete essa imagem).

Conectando Paraná e Santa Catarina, unindo essas duas sintonias pra que a transição seja suave.

(e de brinde) “Vamos a praia”: itapoá, santa catarina

Joinville tem mar, mas não tem praia. E como nós queríamos ir a praia, entrar no mar, a solução foi ir pra Itapoá.

Ao lado vemos o amanhecer de5 de março de 2017 no mar de Itapoá.

Trata-se de uma pequena e jovem cidade. São apenas 14 mil habitantes fixos. Boa parte das casas é de veraneio, sendo porção significativa delas de propriedade de curitibanos.

Itapoá, como Joinville, é bastante ligada ao Paraná. Várias lojas aqui de Curitiba anunciam que entregam “no Litoral do Paraná e Itapoá”.

Quase que anexando na prática a 1ª praia catarinense (no sentido norte-sul) ao estado ao lado.

Itapoá foi desmembrada de Garuva em 1989. Por sua vez, até 1962 tanto Garuva quanto Itapoá pertenciam a São Francisco do Sul.

Seja como for, notam que eu fotografei “as Flores e o Mar”.

E também o Sol nascendo no mar, o que eu já havia feito em Bombinhas, também no Litoral Norte de Santa Catarina.

Em Itapoá pegamos forte tempestade, como ocorrera na véspera em Joinville. Registrei ela se formando sobre o Oceano.

E depois, debaixo do temporal muito intenso, cliquei   mais algumas flores e o atracadouro de navios da cidade.

O porto está em ampliação, e portanto trazendo mais empregos a Itapoá – na esteira, mais moradores fixos.

Sendo no Sul do Brasil, claro que não faltariam casas de madeira a Itapoá.

Mesmo do carro em movimento, consegui enquadrar uma em qualidade suficiente pra publicar, e abaixo você confere.

Enfim, adaptando a música, “É bom passar uma tarde em Itapoá, ao Sol que arde em Itapoá”.

Nesse caso o Sol ardeu mesmo, mas só de manhã. De tarde ficou tudo cinza e dá-lhe água e raios desabando das nuvens.

Foi bom também. Eu Sou Taoista, e gosto da chuva. Fechou com chave de ouro nosso FDS em SC.

Deus Pai-Sol/Mãe-Chuva proverá”

“João Pessoa é uma mãe”: uma cidade verde, de clima ameno e relativamente limpa

de Miramar ao Miramangue: João Pessoa é assim

muito-verde-periferia-j-pessoaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado (em dois emeios) em setembro de 2013.

O primeiro é de 05/09/2013.

Com essa mensagem fechamos a série sobre João Pessoa. mangabeira-valentina-z-s-j-pessoa

É uma das cidades mais verdes do Brasil, e em verdade de todo o planeta. Já conheci uma boa porção da América.

Comprovam a tomada acima (não lembro qual bairro).

E especialmente essas duas ao lado e abaixo, que fotografei na Zona Sul: muitas árvores, mal vemos a cidade.

muito-verde-z-sul-j-pessoa1Enxergamos algumas construções, mas sempre envoltas num cinturão verde enorme. 

Os 4 lugares mais arborizados que já estive são João Pessoa, Curitiba, Maringá-PR e Assunção-Paraguai.

Em oposição, as menos arborizadas, as que parecem um deserto de concreto e metal, são a Cidade do México, Fortaleza-CE e, em menor medida, São Paulo.bayeux-z-oeste-gde-j-pessoa

Alias João Pessoa e Assunção se parecem muito em outro quesito: a periferia de ambas é meio rural, meio urbana.

As pessoas moram na cidade, e trabalham em ramos urbanos da economia: indústria, comércio, etc.

Ainda assim, por vezes residem em pequenas chácaras e ali criam animais e cultivam hortas e pomares.

bois-pastam-no-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoaA direita por exemplo bovinos em Bayeux (tirada de dentro do trem).

A esquerda a mesma cena no Centro de Santa Rita.

Curitiba é tão arborizada quanto as capitais da Paraíba e do Paraguai, mas aqui não há essa fusão entre rural e urbano.

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Próximas 2: Pedras na Praia de Ponta Seixas, Extremo Leste da América.

Nos subúrbios mais afastados já urbanizados de Curitiba, ninguém cria animais, nem mesmo galinhas ou patos.

Claro, toda regra tem suas exceções (fotografei algumas aves nos extremos das Zonas Oeste e Norte, dentro da cidade).

E mais pra frente, sim, ainda há pequenos sítios e chácaras no município de Curitiba, mas aí já fora da cidade. Há zona rural e zona urbana, separadas.

A fronteira é mais clara. Como é em São Paulo (no Capão Redondo não há gente que cria galinha, em Parelheiros há) e na imensa maioria das cidades.

piscina-natural-ponta-seixas-j-pessoaMas João Pessoa e Assunção (nessa mensagem abordo especificamente esse tema no Paraguai) são diferentes, talvez por serem mais pobres.

Por décadas, conviveram com desemprego crônico estrutural.

Por isso, suas populações suburbanas deram um jeito de se auto-alimentar, gerar ali mesmo uma fonte de proteínas e também de renda.muito-verde-z-sul-j-pessoa

Vejam as fotos (antes das da praia): bois (retratados) e porcos (não consegui clicar, mas vi também) criados dentro da área urbana.

Tudo isso nos subúrbios metropolitanos de Bayeux, perto da linha do trem, e no Centro de Santa Rita, ambos na Zona Oeste.

cabras-vendidas-vivas-s-rita-z-o-j-pessoaMas não é só na Região Metropolitana.

Acima uma plantação de bananas em pleno Mangabeira, o bairro mais populoso de João Pessoa, na Zona Sul.

A esquerda: no Centro de Santa Rita uma loja que vende animais vivos, galinhas e cabras.mercado-publico-de-s-rita-z-o-j-pessoa1

Que ali são comprados pra serem engordados e posteriormente abatidos nas chácaras da região.

………….

Bem, vejamos nas próximas duas fotos o mercado de Santa Rita. Que lá ainda é mercado mesmo.

mercado-publico-de-s-rita-z-o-j-pessoaIsso quer um dizer um lugar onde o povão do subúrbio compra alimentos a granel (ou seja, por quilo, não-industrializados e não embalados) e animais vivos pra fazer o rancho e preparar o almoço.

Pelo exemplo contrário ficará mais fácil entender: os mercado municipais de Curitiba e São Paulo (também o de Santiago do Chile), em oposição, se aburguesaram completamente.

Turistas endinheirados tiram fotos, em São Paulo comem aquele famoso sanduíche de mortadela que nem fecha de tão recheado, umas 5 ou 6 fatias em cada pão.

Aqui em Curitiba essa transição foi ainda mais pronunciada, o mercado passou por algumas reformas e mais parece um centro comercial da elite e burguesia.

Inclusive com uma praça de alimentação com chão de mármore e apresentações ao vivo de MPB. Entretenimento pra classe média, sem dúvidas.

O contraste com o Nordeste é agudo, onde o mercado ainda é usado pela massa proletária pra comprar animais que são abatidos na hora, como um dia foi no planeta inteiro.

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Favela Maria de Nazaré, entre o Grotão e Funcionários, Zona Sul.

Vi isso em Caucaia, um subúrbio da Zona Oeste de Fortaleza (breve jogo essa série no ar), dois anos antes, e agora de novo num subúrbio da Zona Oeste de João Pessoa.

………….

Já lhes disse que o clima de João Pessoa é muito mais ameno que o de outras capitais, como Fortaleza, Belém-PA, Manaus-AM, Cuiabá-MT e Teresina-PI, e segundo alguns mesmo que o do Rio de Janeiro.

Por dois fatores: pela cidade ser arborizada, e por essa região do litoral do Nordeste Brasileiro ser protegida por uma cadeia de montanhas, a Serra da Borborema.

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Muito verde no trecho urbano da BR-230, a “Trans-Amazônica”.

Pois ela retém a umidade que chega do oceano e cria uma zona fresca, com rios perenes e chuvas frequentes – um clima mais parecido com o prevalente no Centro-Sul, digamos assim.

Depois da serra, vem o chamado Sertão, o semi-arido, aí sim, clima desértico ou quase, onde água potável o ano inteiro é uma miragem.

Mas entre o Litoral com chuvas frequentes e o Sertão há uma região de transição, a famosa “Zona da Mata” em Pernambuco, que na Paraíba se denomina “Brejo”.

Voltando a capital, João Pessoa é muito verde, suas partes ricas e pobres são ponteadas por bosques, mangues e riachos, como observam nas imagens. Assim, de dia é quente mas agradável, e a noite até friozinho

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Parte rica e verticalizada da capital.

O contraste com Fortaleza é gritante. Não há uma barreira topográfica escudando a capital do Ceará e mantendo-a úmida.

A cidade foi erguida sobre o deserto, é muito mais tórrida e seca que a da Paraíba.

Fortaleza, lhes descrevi (em emeios, breve na página) e fotografei quando lá estive, é “a Cidade das Lagoas”, em toda periferia foram construídos lagos artificiais, pro lugar não se tornar inabitável.

No Ceará o clima semi-desértico vai até a beira-mar, não há transição. Fortaleza só tem um bosque urbano, o Parque do Cocó, na Zona Leste, que como em João Pessoa é a parte rica da cidade.

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Próximas 5: João Pessoa tem muitas árvores, em todos os seus bairros.

O que faz com que na capital do Ceará o termômetro ferva até com Lua alta, só refresca de madrugada mesmo.

Entre 10 da manhã e 3 da tarde, com o sol a pino, supera os 40º com facilidade, ninguém consegue ficar ao ar-livre.

E mesmo bem depois do anoitecer você se sente no Saara, eram 9 da noite e o termômetro marcava 29º. Até aqui ainda estou falando de Fortaleza, pra fazer o contraste.

…………

periferia-bastante-verdeJoão Pessoa é uma cidade relativamente limpa.

Digo, em vários pontos o esgoto corre a céu aberto, incluso no Centro,

Infelizmente esse é o padrão de todo Norte/Nordeste, e América Latina incluindo Argentina.

Mas em relação a sujeira nas ruas, a coisa é bem melhor que em algumas outras cidades. joao-pessoa-pb1

Claro que tudo é relativo. Em certos locais há bastante lixo em João Pessoa, e quando vi fotografei (mais pra baixo nessa matéria mesmo exemplos).

Nada é perfeito, óbvio. Ainda assim, nesse ponto, J. Pessoa se destaca positivamente. Já vi coisa pior. Muito pior. Agora temos que falar de um ponto que está complicado em João Pessoa: a taxa de criminalidade está elevada,

muito-verde-periferia-j-pessoa1 Como de resto infelizmente é igual em boa parte do Norte/Nordeste, e também aqui em Curitiba.

Em 2012 houveram 518 assassinatos apenas no município de João Pessoa.

O que dividido pelos 700 e poucos mil moradores dá a elevadíssima taxa de 71 mortes pra cada 100 mil habitantes. Acima de 50 já é estatisticamente considerado como índices de guerra.

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Essa aqui é perto da Ponta Seixas.

São Paulo tem apenas 10 assassinatos pra cada 100 mil. Ou seja proporcionalmente é sete vezes mais calma que a capital paraibana.

Nos subúrbios metropolitanos, houveram perto de 140 mortes em Santa Rita, 45 em Bayeux (ambos Zona Oeste) e 60 em Cabedelo (Zona Norte). Totalizando quase 770 homicídios no ano na Grande João Pessoa.

Assassinatos aproximados per capita: Santa Rita perto de 115 por 100 mil, Cabedelo 100 por 100 mil, esses dois números dignos de estado de calamidade pública. E Bayeux se o dado estiver correto 45 por 100 mil, bastante elevado ainda mas o mais baixo da Gde. João Pessoa incluindo a capital.

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Bairro Bancários, quase na divisa entre as Zonas Sul e Leste.

Nos casos dos subúrbios metropolitanos os números estão arredondados, por eu não ter podido obter a estatística precisa.

Um pouco mais ou pouco menos, é isso aí, e dá pra ter uma boa noção. Já escrevi muitas vezes e é notório:

Nos anos 80 e 90, as capitais mais violentas do Brasil eram (não necessariamente por essa ordem) Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória-ES e Recife-PE

Nessas cidades a matança era equivalente a uma guerra, similares ao Afeganistão atual, e não é figura de linguagem mas estatisticamente exato.

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Próximas 6: Valentina, Zona Sul.

Porém, desde a virada do milênio a coisa mudou. As 4 acima citadas diminuíram seus índices de assassinatos.

São Paulo e Rio drasticamente. Na capital paulista a queda foi de 80%.

Tanto que proporcional a população São Paulo é a capital estadual menos violenta do Brasil, entre todas as 27.Vamos diferenciar diversos tipos de crimes.

No quesito de assaltos a mão armada, a capital paulista continua extremamente violenta. Aqui, estou falando de homicídios, e não de roubos.

valentina-zona-sul-j-pessoa1Em termos de assassinatos, de uma pessoa tirar a vida intencionalmente de outra, a violência em SP se reduziu e muito.

O município de São Paulo chegou a ter bem mais de 5 mil homicídios/ano, na virada do milênio, e agora tem perto de 1,2 mil. valentina-zona-sul-j-pessoa4

Dividido pelos 11 milhões que ali tem sua moradia, dá um índice de 10 por 100 mil, similar a de algumas capitais europeias. 

Hoje São Paulo tem menos mortes per capita que Florianópolis-SC, que historicamente ocupou esse posto por décadas.

valentina-zona-sul-j-pessoa3Já Vitória e Recife também tiveram queda nos índices de assassinatos, mas por hora ainda não tão pronunciada.

Estão melhores do que um dia foram, mas continuam entre as capitais mais violentas do Brasil.

E nessa triste competição ganharam a companhia de Curitiba, Belém, Manaus e quase todas as capitais do Nordeste.valentina-zona-sul-j-pessoa2

O Norte e Nordeste, além de Curitiba aqui no Sul, tirou do Sudeste o posto de polo maior dos homicídios em nosso país, processo que teve seu auge na virada da década.

De 2010 pra cá, os assassinatos caíram 20% tanto em Curitiba quanto em Belém, num promissor sinal que essa tenebrosa onda quem sabe começa a arrefecer.

valentina-zona-sul-j-pessoa5Tomara. Mas por hora é assim que está. Esse é o contexto: tristemente o Nordeste  se tornou extremamente violento.

E também pela Paraíba estar ao lado e ser uma ‘filha espiritual’ de Pernambuco (um dia compartilharam até a bandeira), João Pessoa não pôde escapar de ser tragada nesse ciclo de matanças.

bairro-funcionarios-z-sul-j-pessoa

Bairro Funcionários, também Z/S.

………..

Quando cheguei a cidade, fui de táxi até a casa da anfitriã que lá me hospedou. O taxista era recifense.

Portanto com seu padrão de comparação curtido por anos vivendo na capital de Pernambuco – uma das cidades mais violentas do planeta há décadas.

Resultando que pra ele João Pessoa lhe parece uma cidade segura, e nada mais natural. Então ele definiu assim:

mangabeira-z-sul-j-pessoa2

Próximas 5: Mangabeira, bairro mais populoso da cidade, vizinho do Valentina.

Comparada com Recife, João Pessoa é uma mãe, de tão pacata”.

E quem pode dizer que ele está errado? Realmente, com Recife fica difícil comparar, até a violenta Curitiba se torna um pouco mais gentil vista por esse prisma.

Em Maceió a coisa também está complicada, tanto que em 2012 (o texto é de 2013) a Força Nacional interveio pra ver se os índices baixam um pouco.

mangabeira-z-sul-j-pessoa5

Mesma cena em outra escala.

A questão é que, as capitais pernambucana e alagoana a parte, João Pessoa é violenta.

Bem mais que Curitiba, Fortaleza e Salvador, que já não são nada calmas, o oposto sendo verdadeiro.

Ainda assim, mantive a frase do taxista no título da mensagem. Pacata João Pessoa não é. No entanto é muito verde, e relativamente limpa.

Uma cidade carinhosa com seus habitantes, que são seus filhos. Como o taxista, que é recifense por nascimento e joão-pessoense por escolha, colocou: “uma mãe de cidade”.

mangabeira-z-sul-j-pessoa4…….

Agora vamos pra outro emeio, que circulou em 27 de setembro de 2013.

O arroz-com-feijão tem no Norte e Nordeste gosto diferente que no Sul e Sudeste. Notei a mesma coisa na Paraíba, no Pará e no Amazonas. mangabeira-z-sul-j-pessoa1

Aí perguntei pra ela a razão: é o coentro, que é adicionado como tempero, hábito de lá.

……

João Pessoa é, como sua vizinha Recife, a “cidade dos mangues”. Estão por toda parte. 

mangabeira-z-sul-j-pessoaVários deles estão preservados e continuam a cumprir seu papel de porto seguro pra reprodução da flora e fauna nativas. Entretanto, algumas favelas foram erguidas sobre mangues aterrados.

Quando chove forte, o mangue alaga, obviamente (na 1ª mensagem da série pus fotos da favela do Bairro dos Ipês [ao lado da riquíssima Manaíra], na Zona Leste, inundada).

O que eles chamam de ‘maré’, mesmo sendo água doce e parada. Como diz a música de um grupo recifense, “Tomar banho de canal quando a maré encher”.

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Próximas 4: favela (ou “comunidade”) Maria de Nazaré, Zona Sul.

Perto da orla de João Pessoa, na Zona Leste, sua parte rica, há um bairro chamado ‘Miramar’.

Do lado oposto da cidade, na Zona Oeste metropolitana, sua porção degradada, há uma favela chamada ‘Miramangue’.

Pra fazer o contraste entre Leste e Oeste, que na capital da Paraíba parecem galáxias distintas. Por aí você vê quanto os mangues estão inseridos inclusive na cultura popular local.

…………..

favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoa1Em João Pessoa há muito transporte clandestino, inclusive rodoviário. Fui de ônibus urbano pro Centro, e desci no Terminal Central, que é em frente a rodoviária.

Assim que transpus suas catracas e ganhei a via pública, me assustei com uma gritaria infernal:

Bora pra Recife, bora pra Recife”, dizia um. “Natal, Natal, já tá saindo”, berrava outro, “Campina Grande, Campina Grande”, bradava ainda mais um, e muitos outros, todos juntos.favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoa4

Cada um anunciando seu transporte clandestino pra uma cidade da região, no interior da Paraíba ou nos vizinhos Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Evidente, esses agenciadores piratas tentavam drenar o público que planejava se dirigir a rodoviária e comprar passagem no guichê de uma das empresas legalmente estabelecidas.

favela-ma-de-nazare-do-grotao-z-s-j-pessoaA algazarra é tamanha que impressiona os desavisados, como era meu caso. Um caos sonoro. Já havia presenciado exatamente a mesma cena em Belo Horizonte-MG.

………….

 A população da capital da Paraíba tem no geral um tom de pele moreno. Quase metade das pessoas se auto-denominam ‘pardos’ no censo. Mas eu diria que os pardos são bem uns 70% da população.

bairro-funcionarios-z-sul-j-pessoa1

Funcionários, próximo a Mª de Nazaré.

Agora, é porque lá é bastante calor o ano inteiro (amenizado um pouco pelo verde, umidade e brisa, mas mesmo assim), não há inverno por estar muito perto do Equador.

O que faz com que as pessoas vão escurecendo a sua tez, naturalmente. O povão joão-pessoense é moreno-escuro, na média.

Na maioria, são descendentes de brancos pobres, portugueses, que foram empardecendo com o sol quase equatorial.

Negros descendentes de africanos há alguns mas não muitos, se quer saber. Na mesma proporção que Manaus e Curitiba, ou seja, pouco mais que 10% da população. Talvez um pouco mais, mas certamente nada tão significativo.

………….

bairro-do-geisel-z-sul-j-pessoa

Próximas 5: bairro Geisel, pra encerrar esse rolê na Zona Sul da capital paraibana.

Em todo o Sudeste (nesse caso com raríssimas exceções) e Nordeste brasileiros, e também no eixo Brasília/Goiás, não há casas de madeira, como já comentamos muitas vezes.

Elas são extremamente comuns no Sul e no Norte, e presentes em menor número no Mato Grosso. A Paraíba não foge a essa regra. Quase que 100% das residências de João Pessoa são de alvenaria.

Mesmo nas favelas – alias as favelas nordestinas são sempre de alvenaria, ao contrário do Sul do país. Digo, há na Paraíba ainda algumas casas de taipa, ou pau-a-pique, mas fora isso é só tijolo.

Além disso, quase 100% das moradias de João Pessoa são cobertas por telhas de barro. Por ser muito calor, o eternit de amianto é quase inexistente, porque senão a casa vira um inferno de tão tórrida. O cara gasta o que tem e o que não tem pra por telhas.bairro-geisel-z-sul-j-pessoa

Já falamos muitas vezes de como os telhados se dividem no Brasil. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e também na Bahia, na periferia a grande maioria das casas são de eternit.

Não apenas nas favelas. Conjuntos construídos por grandes empreiteiras, com escritura e asfalto, água e luz regularizadas, também são cobertos dessa forma, que é mais barato.

Apenas a classe média-alta e os ricos usam telhas, um luxo apenas decorativo nessa região menos quente.

bairro-do-geisel-z-sul-j-pessoa2Em Pernambuco, é a transição. As favelas piores do Recife são de eternit. Mas a periferia fora da favela já é de telha.

Da Paraíba até São Luiz-MA, mesmo nas favelas mais miseráveis as casas são de telha, simplesmente porque é calor demais.

No Norte, mesmo sendo muito quente, o eternit volta a predominar. Bom, nada é tão ruim que não possa piorar. Nas favelas da Colômbia e do Chile ainda há barracos de zinco.bairro-do-geisel-z-sul-j-pessoa1

Vi isso com meus próprios olhos, muitos casos em que as paredes e o telhado feitas com restos de tapumes e folhas de metal.

Alias no Chile mesmo fora das favelas. Como nas notórias “Cidades de Lata”, as favelas metálicas sul-africanas.

…..

geisel-z-sul-joao-pessoaSabe aquele sorvetinho em que congelam o ki-suco e põem num saquinho? Na Paraíba se chama ‘Din-Din’.

Pelo que estou observando pelo ‘google’ mapas, no Amazonas também – não reparei nesse detalhe quando lá estive. Já aqui em Curitiba se chama ‘Xup-Xup’,

 No Rio é o ‘Sacolé’ (mesmo termo empregado lá pra pequena dose de drogas, porque tanto o entorpecente quanto o sorvete são embalados num plástico pequeno com a boca amarrada).

ponta-do-seixas-j-pessoa1

Entre Ponta Seixas e Cabo Branco, Z/L.

E no Pará é o nome mais engraçado de todos, é o ‘Chopp’, ou ‘choppinho’.

Se você estiver em Belém e alguém te convidar pra ‘tomar um choppinho’, não imagine a mesa de bar forrada de copos com a cerveja recém-saída do barril, acompanhada de várias porções de petiscos.

Nada disso. Trata-se de um singelo sorvete vendido num saquinho.

………

Comentemos as imagens. Você sabe, nem sempre o texto ao lado se refere a cena que está mais perto, busque pelas legendas. Vemos as seguintes fotos espalhadas pela página:

avenida-sem-calcada-cabo-branco-j-pessoa– Grande área verde, inclusive com plantação de bananas, na região mais povoada do município de João Pessoa, os bairros Mangabeira e Valentina, Zona Sul;

– Acima (em 1° plano uma flor) e ao lado Cabo Branco e imediações, Zona Leste, também muitíssimo arborizado.

O detalhe negativo é a falta de calçadas, obrigando os pedestres a duelarem contra os carros por um espaço na rua;piscina-natural-na-ponta-seixas-ao-fundo-manaira-j-pessoa2

– A Praia da Ponta Seixas (dir.), como já dito muitas vezes e é notório o ponto mais oriental de toda América, com suas piscinas naturais formadas pelos arrecifes;

O que permite que pescadores exerçam seu ofício sozinhos e sem nenhum equipamento especial ou tecnologia, mantendo o mesmo estilo de vida de dezenas de milênios.

garcas-e-cavalo-no-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa– Cavalos e garças (mesma tomada em 2 escalas) convivem em harmonia no Centro de Santa Rita, Zona Oeste da Grande João Pessoa.

No mesmo local, do outro lado da rua, são os bovinos quem se refastelam com o verde prado paraibano;

– Bois pastando também em Bayeux, também na Z/O mas bem longe de onde onde está o cavalo (as fotos dos bois estão mais pro alto na matéria).garcas-e-cavalo-no-centro-de-s-rita-z-o-j-pessoa1

Isso pra vocês verem o quanto é frequente criar animais no meio da cidade em João Pessoa;

– Cabras igualmente são bichos urbanos por lá. Como é notório pra todos que conhecem a cultura nordestina, os caprinos são um “faz-de-tudo” no Sertão:

centro-j-pessoa

Centro Velho de João Pessoa.

Fornecem comida, pele pra confecção de roupas, companhia e guarda das casas, e se preciso até meio de transporte de cargas.

Tendo 1001 utilidades, são o ‘bombril’ dos animais, substituindo suínos, bovinos, ovinos, caninos e por vezes até os asininos.

Vimos o mercado de Santa Rita. No Nordeste, os mercadões não se aburguesaram como no Centro-Sul, o povão ainda faz o rancho comprando alimentos a granel e animais vivos ali;mulher-se-protege-do-sol-j-pessoa

– Mulher se resguarda do Sol (dir.). E nem foi a única na Paraíba. A exata mesma cena já presenciada nas viagens a Belo Horizonte, Belém e República Domincana.

Vejo muito, nas cidades mais quentes, pessoas sob guarda-sóis, e são sempre Mulheres.

penha-entre-z-sul-e-leste-j-pessoa-pbNunca vi um Homem se protegendo dessa forma (talvez por nós usarmos bonés). Em João Pessoa isso se repetiu.

A capital paraibana é muito mais fresca que Belém, então vi muito menos gente se escondendo do Sol dessa forma.

Digamos que o calor de João Pessoa equivale ao de Belo Horizonte. Se o número de Mulheres abrigadas em guarda-sóis é o parâmetro, essa é a proporção exata;limpeza-centro-j-pessoa

– A imagem de Nossa Senhora da Penha (acima) guarda o bairro de mesmo nome, na orla da Zona Sul de João Pessoa, logo após a Ponta Seixas.

Um lugar bucólico, poucos carros, muitas árvores, tudo a poucos passos de praias deslumbrantes – já falo mais disso;

lixo-no-centro-j-pessoa– Acima e ao lado, uma equipe da prefeitura recolhe o lixo e entulho, bem no Centro. É tanto que precisaram usar um trator.

Não apenas ali, mas (abaixo) sujeira também no Cabo Branco, Zona Leste, a duas quadras do mar.

Eu disse que João Pessoa é relativamente limpa. De fato. Ainda assim, como todas as cidades, tem pontos muito sujos;lixo-na-rua-cabo-branco-z-l-j-pessoa

– Note na tomada em que aparece o caminhão mais um rapaz com uma camisa de futebol alvi-negra.

Como já comentamos antes, essas são as cores de dois dos times de maior torcida no estado, o Botafogo de João Pessoa e o Treze de Campina Grande;

ponta-seixas-z-l-j-pessoa1– Próximas 3: bairro da Ponta Seixas, uma quadra do mar:

A orla da Zona Leste é badalada, a da Zona Sul é pacata, em alguns pontos quase rural. A Praia da Ponta Seixas, que divide ambas, já é a transição.

Veja, algumas casas são muito elegantes, mas o bairro é calmo e arborizado, e ainda não foi de todo ocupado. Incluso algumas ruas ainda tem pavimentação natural. Não há trânsito ou qualquer tipo de comércio.bairro-ponta-seixas-j-pessoa

A poucos metros do mar, e a poucas centenas de metros do Cabo Branco e Altiplano, dois dos bairros mais ricos de J.P., não custa lembrar;

– Anoitece na Zona Sul de João Pessoa.

Vários dos bairros da região começaram como enormes conjuntos habitacionais que depois se consolidaram e mesmo alguns elevaram-se a classe média.

ponta-do-seixas-j-pessoa2O bairro do Geisel surgiu com a Cohab de prédios Conjunto Residencial Presidente Ernesto Geisel. Retratado na foto abaixo (se reparar com cuidado vê o nome dele escrito no muro).

Alias peço desculpe pelo enquadramento deficitário. É que essa imagem e várias outras tirei de dentro de veículos em movimento.

O gaúcho Geisel foi o penúltimo presidente do regime militar. Quem o sucedeu, e portanto enfim passou a faixa a um civil, foi o carioca João Figueiredo. Pois bem. João Figueiredo é filho de Euclides e Valentina Figueiredo cohab-geisel-j-pessoa-z-sul

– Não muito longe do bairro Ernesto Geisel, também na Zona Sul, há o bairro “Valentina” pros íntimos, mas cujo nome completo é Conjunto Valentina Figueiredo.

Valentina é o 2° bairro mais populoso de João Pessoa, e vizinho do 1°, que é Mangabeira,esse surgiu sobre uma fazenda em que se plantavam mangabas, como o nome indica.

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Próximas 4: Anoitece na Zona Sul.

Portanto os dois maiores bairros em população são emendados, configurando em conjunto a porção mais povoada da capital, disparado.

Alguns bairros homenageiam os generais-presidentes porque a urbanização da região começou justamente no fim do regime militar.

Além do Geisel e Valentina Figueiredo, bem pertinho na mesma Zona Sul há o Costa e Silva e Loteamento Presidente Médici.

anoitece-no-geisel-z-s-j-pessoa

Geisel.

Em outra parte da cidade o campus da UFPB fica no Conjunto Castelo Branco.

Como ocorreu em diversas capitais, já no seu apagar das luzes, no encerramento de seu período no Palácio do Planalto os militares enfim investiram um pouco na área social:

Melhoraram a rede de transportes de diversas cidades (feito amplamente já comentado por mim em mensagens anteriores) e construiram cohabs.

anoitece-valentina-z-sul-j-pessoa

Próximas 2: Valentina.

Elas eram em locais ermos, fora da então mancha urbana prevalente, na época área rural que começou a se tornar urbana com a construção desse enormes conjuntos.

Assim, voltando especificamente a Paraíba, vários bairros da Zona Sul de João Pessoa surgiram nessa ocasião.

Outro que começou como conjunto e depois evoluiu a categoria de bairro independente, com toda a gama de serviços, é o ‘Funcionários’.conjunto-valentina-figueiredo-z-s-j-pessoa

Que certamente foi erguido pra ser um meio de moradia subsidiada a empregados no serviço público. Existe também o bairro Bancários, de origem análoga, mas específica pra servidores dos bancos.

De volta aos bairro ‘Funcionários’, Z/S de Jampa. Entre ele e o vizinho bairro do Grotão, está a favela Maria de Nazaré.

Como veem pelas legendas das imagens, estive em todos esses locais, e registrei como são.

– Fechamos a série como abrimos, com as praias lindíssimas que enfeitam a capital da Paraíba.

praia-da-ponta-seixas-j-pessoa1Aqui, mais uma vez a da Ponta Seixas, o ponto mais oriental da América, e que portanto recebe o primeiro raio de Sol em todo continente.

Com imagens como essas, nem há como dizer qualquer outra coisa.

Então só me resta despedir. Eis como vi a Paraíba. Do Miramar ao Miramangue, da Zona Leste a Zona Oeste, João Pessoa é assim.pescando-na-ponta-seixas-j-pessoa2

Que Deus ilumine toda a Humanidade.

Paz a todos.

Deus proverá”

Soteropolitano

cidade-baixaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 21 de janeiro de 2017

Os desenhos são inéditos.

as fotos são de um emeio que foi publicado em setembro de 2015.

Marília e Maurílio (e mais a filhinha deles) em Salvador, Bahia. Eles moram numa quitinete em cima de uma laje na última expansão da Cajazeiras. Já quase na divisa com Simões Filho. Se você conhece a capital da Bahia, sabe o que isso quer dizer.

De segunda a sexta Maurílio é motoqueiro, ganha a vida fazendo entregas. As vezes até faz bicos a noite numa pizzaria, na mesma função.

A direita vemos ele pilotando seu instrumento de trabalho, enfrentando o pesado trânsito da Avenida Suburbana.

E no domingo ele e a esposa foram passear no Centro, por isso a 1ª imagem mostra eles na Cidade Baixa, o famoso Elevador Lacerda ao fundo.

……..

Comentemos primeiro a cena em que está toda família: a menina ainda se alimenta dos peitos da mãe. Enquanto Marília amamenta, o maridão ‘papai fresco’ segura as bolsas, a do bebê e também a bolsa de Mulher da esposa, que é da Minnie e com bolinhas vermelhas.

caixa

Esse desenho não se relaciona com o texto. Marília trabalhando como caixa. Aqui, ela é de novo a típica representante do Sul do Brasil, loira natural. Com a camiseta de marca combinando com suas unhas laranjas. Fazer o que, se alguém tem que ser chique e elegante?

Ao lado eu mostro outra Marília, essa Sulista, cheia de charme. Pois bem. A Marília Nordestina também é sempre elegante. Ela não tem dinheiro pra comprar roupas de marca, na verdade nem mesmo se importa com isso.

Mas nem por isso ela é menos elegante. Veja, ela combinou o vestido com sua tatuagem pois ambos são floridos. E mais uma echarpe.Como na Bahia é muito quente pra usar no pescoço, ela amarrou na cintura.

Também fez a ‘mecha californiana‘, pras pontas de seu cabelo ficarem mais claras que a raiz.

Não tem jeito. Mesmo sendo uma dona-de-casa suburbana, Marília nunca deixa de ser charmosa. Tá no DNA dela….

Quanto a pequena princesa, mesmo quando deixar o berço ela terá que dormir por um bom tempo ainda no quarto dos pais.

É que a família aumentou mas o orçamento continua o mesmo. A casa deles é só a famosa ‘quarto-&-cozinha’. Há um pequeno banheiro, claro. Mas não há sala, lavanderia, quintal, garagem, e nenhum quarto extra. É preciso se adaptar a essa realidade.

Vamos aproveitar o busão (Busscar da Bahia Transportes Urbanos – B.T.U.) e mostrarmos algumas características da busologia baiana. Um dia farei uma mensagem onde ilustraremos com dezenas de fotos, mas por hora serve de aperitivo.

buzu

Busscar da BTU ainda na pintura livre.

Vou falar de um tempo que já se foi, da era pré-padronização de pintura e pré-letreiro eletrônico.  Num passado não muito distante, em Salvador, os ônibus tinham:

1) pintura livre; 2) entrada traseira e saída dianteira; 3) o letreiro menor, onde vinha o n° da linha, era vermelho.

Portanto não é porque esse ônibus é vermelho que o letreiro do número é da mesma cor, isso valia pra todas as empresas.

4) Quase todo o itinerário vinha no para-brisas, em épocas mais remotas pintado a mão com giz, e mais recentemente mais organizado numa grande placa ou adesivo. Nesse desenho pegamos a transição, há a placa mais organizada mas pra garantir escreveram ‘Paripe’ e ‘Lapa’ a mão.

E 5) existe uma letra (‘B’, nesse caso) também adesivada bem grande no vidro. Isso também ocorre em outras metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre-RS. É que nas grande avenidas passam dezenas de linhas de ônibus, então é preciso dividir elas por pontos diferentes:

a-familia-cresceu

Combinando o vestido com a tatuagem. Marília é sempre charmosa, mesmo com o orçamento apertado.

Algumas param no ponto ‘A’, outras no ‘B’, se tiver mesmo muitas abre-se o ‘C’ e mesmo a letra ‘D’ existe nos corredores mais carregados. As vezes são números, a função é a mesma.

Tem mais. Já que falamos da cor dos bichões da BTU. Essa foi uma das poucas viações que não adotou a “padronização branca” voluntária do começo desse milênio. 

Explico. Até o meio da década de 10, ainda era pintura livre na capital da Bahia, só padronizou oficialmente um pouco antes da Copa do Mundo-14.

No entanto, na década passada houve uma “padronização informal” na cor branca. A maioria das viações adotou uma pintura em que o branco era majoritário, embora houvesse detalhes em outras cores.

Foi voluntário, um acordo entre as viações talvez pra facilitar o remanejamento da frota entre elas. Não foi imposto pelo poder público. Logo, aderia quem quis. A maioria quis, e ficou sem cor em pelo menos metade do veículo (aqui vemos um exemplo da BarraMar).

Na época se comentava “em terra de gente negra, o ônibus é branco”. Bom, na África as vans de transporte coletivo são alvas, do outro lado do Oceano o mesmo espírito se manifestou na Boa Terra.

papai-maurilio

A família cresceu. Repito a imagem mas mudo o foco, dessa vez centro a câmera nele, pra gente ver melhor o sorriso de orelha-a-orelha de Maurílio quando está junto com as duas Mulheres de sua vida.

Pois bem. A BTU não quis participar, não aderiu a “padronização branca” informal. Seus busões continuaram multi-coloridos enquanto foi permitido por lei.

Agora, quando veio (pouco antes da Copa de futebol, como dito) a padronização ‘Integra Salvador’, aí a BTU entrou porque foi compulsória, importa pela prefeitura.

A ‘Integra’ também inverteu a entrada pra frente, em todas as viações obviamente.

…………………

Aqui acaba a parte inédita.

Pra encerrar enxerto um emeio publicado em 4 de setembro de 2015.

puxadinho no prédio: salvador também é (áfrica na) américa
salvador1

Perambués, Salvador.

Debatemos recentemente o fenômeno do “puxadinho no prédio” no Chile. E anteriormente na República Dominicana, apelidada “África na América”.

Veja bem. Não estou falando de puxadinho em casa, nem em “prédio artesanal” (‘subindo laje’), quando sobem um andar por vez. Isso existe em toda América Latina e boa parte de Ásia e África.

E sim quando há um prédio, legalmente construído, com alvará e tudo. E aí sem alvará alguém sobe mais um andar por conta – ou no caso chileno faz mais um cômodo suspenso. Isso eu só tinha visto nesses dois países.

Porém acabo de presenciar o mesmo em nossa Pátria Amada (via Google Mapas): bairro Perambués, periferia de Salvador da Bahia. Depois, indo pra outros bairros, constatei que a situação é a mesma na cidade inteira, ao menos na periferia. Veja que beleza!!! Salvador é América, óbvio. E como é. A própria essência Americana desdobrada na matéria.

salvador

Visto mais de perto.

Atualização de 2017: em julho de 2016, quase um ano depois do emeio acima, fui a Aparecida-SP. Lá também é comum adicionarem mais andares em prédios já prontos.

Embora no caso paulista como inclusive no Centro aí creio que a maioria dos prédios tem alvará pra reforma. Pode ser.

Mas a impressão é a mesma. Veja a matéria sobre a “Cidade da Fé”, fotografei a situação que relato acima. Deixando o interior paulista pra lá, vamos continuando pela Bahia. . . Pois o melhor estava por vir.

salvador-2Seguindo pela mesma rua em Perambués, olhe o que eu vi: pessoas andando sem nenhuma proteção na caçamba de caminhões. E não foi a única vez em Salvador que presencio isso. Exatamente como na República Dominicana, México e Colômbia. 

Ah, América querida. Por que você é assim???

“Deus proverá” 

Linha Turismo: a Curitiba que sai na TV

lado a, lado b: esse é o lado ‘a’ da cidade

outra postagem: "Linha Turismo, Curitiba Sai na TV" Parques mapa ctba desenho divisão zonas área verde itinerário roteiro traçadoPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 6 de janeiro de 2017

Em dezembro de 16, andei novamente na Linha Turismo.

E dessa vez eu fotografei os bairros pelos quais o ônibus passa. Digo, na matéria original (sem incluir atualizações) todas as fotos são de minha autoria, mas nem todas desse dia.

A imensa maioria sim, mas algumas imagens puxei do arquivo, afinal se eu já tinha aquela cena registrada por que repetir?

Museu Olho Centro Cívico z/c ctba oscar niemeyer escultura

Aqui e a esquerda o tótem: ‘Museu do Olho’ (Oscar Niemayer), Centro Cívico, Z/C.

Feitos esses apontamentos técnicos, bora de volta falar da Linha Turismo. Já levantei pra rede algumas flores que estão no roteiro.

No mapa vemos o trajeto do ônibus 2 andares. Como eu já disse antes e é notório: a Linha Turismo concentra 95% do trajeto nas Zonas Central, Oeste e Norte.

Na Zona Leste ela entra rapidíssima (só o Jardim Botânico) e a Sul ela ignora por completo.

……..

Em outros textos nós mostramos a parte da cidade que não é turística. Por exemplo, eis o ‘Portal da Zona Sul’, que não foi contemplada com a passagem desse ônibus.

totemAli estão ancoradas diversos ensaios fotográficos que fiz em bairros periféricos da Z/S.

Quem não é daqui vai então ficar sabendo o porquê do roteiro ter sido assim traçado.

……….

A periferia, não apenas a austral mas de toda Curitiba e Região Metropolitana, é abordada em outros ensaios.belem

No tema de hoje nós vamos ver a porção turística, rica, e arborizada da capital do Paraná.

Vou descrevendo o trajeto, bem ilustrado com fotos.

Quando eu já tiver feito outras postagens sobre aquele bairro, eu dou a ligação em vermelho.

arco-polonesTudo isto posto, vamos lá.

Eu comecei no ‘Museu do Olho’ (Oscar Niemayer), Centro Cívico, na Zona Central. Visto acima nas tomadas legendadas.

Cruzamos o Rio Belém (dir.).jd-schaffer-4

Acima, entrando num pequeno trecho da Mateus Leme, passamos sob o Portal Polonês.

Bem próximo ao Bosque João Paulo 2°.

jd-schafferFiz um desenho em que mostro o Belém, o Bosque do Papa e o Museu do Olho ao fundo.

Acima e nessa imagem ao lado: Jardim Schaffer.

Uma região de alto padrão, como notam, onde está o Bosque Alemão.

Não pude fotografar esse parque porque ele ficou a direita do ônibus.

pedreira ctba z/n abranches rua portões portão entrada portal bosqueE como vocês notam em várias tomadas, eu me sentei a esquerda do busão.

Pelo mesmo motivo não cliquei o Parque Tanguá, Jardim Botânico, entre outras paradas.

Peço desculpas, mas não havia como ficar trocando de banco, tive que escolher um assento e me fixar nele.

ópera arame abranches Z/N bosque teatro ponte metal ferro árvore verde parque lago águaSeja como for, o Schaffer (cujas algumas ruas têm nome de compositores de música clássica) não é um bairro independente, mas uma ‘vila’.

Uma vila de elite, claro. Ainda assim, os bairros a que o Schaffer pertence são a Vista Alegre e Pilarzinho, na divisa entre as Zonas Oeste e Norte.

Já pedi desculpas e expliquei porque não fotografei o Bosque Alemão e Parque Tanguá. parque são lourenço outra postagem: "Linha Turismo, Curitiba Sai na TV" z/n placa vertical ctba canal tótem totem árvore bosque banca lanchonete comércio trânsito avenida ladeira

Nas duas fotos acima vemos o Abranches.

A direita acima é o portão de entrada da Pedreira Paulo Leminski.

geminado-pilarzinhoE passarela dá acesso aquela construção tubular redonda entre o verde que é a Ópera de Arame.

A passarela também é de arame, e portanto vazada. Por isso criaram a ‘Faixa do Salto-Alto‘ no canto.

Já fiz matéria específica sobre a região, onde eu explico melhor a história.verde-4-pil

Curiosidades calçadistas femininas a parte, a rua da Pedreira e Ópera (João Gava) desemboca no Parque São Lourenço. Acima a direita o tótem dele.

Depois o busão retorna ao Pilarzinho.

As próximas 8 imagens (contando a partir dos sobrados geminados a esquerda) são desse grande e populoso bairro da Zona Norte.

pilarzinho-4Alias como veremos por seu considerável tamanho o Pilarzinho tem uma heterogeneidade social muito grande.

Antigamente o bairro já tinha sua porção mais central bem aburguesada. madeira-pilarzinho-3

Mas sua parte mais afastada do Centro, bem próxima de Tamandaré, era periferia mesmo.

Agora o aburguesamento avança rum ao subúrbio, então tudo convive:

pilarzinhoSobrados triplex de meio milhão de reais (ou mais), sobrados mais simples e prédios classe-média.

E ainda restam certas partes de periferia com casas simples de madeira e mesmo algumas favelas.

……..pilarzinho-5

Alguns detalhes se sobressaem:

Veja quanta área verde.

Nas Zonas Norte e Oeste Curitiba é uma das cidades mais arborizadas do mundo.

lote-pilarzinho-2Próximas 2 tomadas:

Ainda no Pilarzinho, vemos a periferia típica do Sul do Brasil. Como já falamos muitas vezes:

Casa de madeira;

lote-pilarzinho

Aqui se encerra a sequência do Pilarzinho.

Terreno enorme, dá pra fazer um campo de futebol;

– Muro baixo, ou mesmo uma cerquinha de madeira;

– Sem calçamento nem fora nem dentro do terreno.

Flagramos até um Fuca na ativa!, como você pode observar.

Mas tudo isso está mudando.

taboaoA Zona Oeste e em menor medida vários bairros da Norte concentram boa parte dos grandes terrenos ainda vagos dentro da cidade.

Fora dali, isso só acontecia até recentemente também no Uberaba (Zona Leste) e Xaxim (Zona Sul).

Por isso todos esses bairros foram os que mais cresceram nas últimas duas décadas e meia.

pq-tingui-3Exatamente por terem mais espaço disponível.

Repare que na foto acima da do Fusca o gigante terreno já tem placa de vende-se.

Logo será um condomínio, horizontal ou vertical.

A direita mais um prédio novo, no bairro Taboão, vizinho ao Pilarzinho. pq-tingui-7

……….

Vamos cruzar o Rio Barigüi.

E portanto saímos do Pilarzinho, Zona Norte, e voltamos a Vista Alegre e a Zona Oeste.

É a vez do Parque Tingüi, um dos muitos as margens do Barigüi.

pq-tingui-6Acima a esquerda exatamente a área verde ao redor do lago formado pelo represamento do Rio.

E depois duas pontinhas de madeira (uma pra pedestres e outra pra veículos) cruzando-o.

O Memorial Ucraniano (esq.) também fica no Pq. Tingüi.

Saindo do parque, vemos ao lado aquilo que te falei:

vista alegre z/o ctba sobrado condomínio fechado classe média alta moto céu nuvens eliteConstruções relativamente novas de classe alta e média-alta.

São recentes, como dito. A região era pobre antes do parque (pois é bem no subúrbio, a poucos metros de Tamandaré).

E ainda restam algumas casas bem humildes, onde se cria até galinhas, bordejando essa área verde.

Mas nada disso não dá pra ver do ônibus.

madeira-vista-alegre-2

Também Vista Alegre: sobrado bi-modal (alvenaria/madeira), muito comum no Chile, em Santos-SP e na Ucrânia.

……

Digo, essa ao lado do Tingüi não dá mesmo.

Mas logo a seguir a Linha Turismo entra em Santa Felicidade, e o mesmo se repete: 

Ainda há casas que criam galinhas, dentro da cidade.

Nas próximas duas tomadas abaixo (a mesma em escalas distintas) comprovamos o que falo.

criacao-de-galinhas

Próximas 8: Santa Felicidade, Z/O.

Ressalto, aqui é Santa Felicidade, já longe do Pq. Tingüi.

O Extremo Oeste da cidade ainda mantém pequena área rural.

Em outros bairros da Z/O (não atendidos pela Linha Turismo) ocorre o mesmo, e nesses eu fotografei melhor.

galinha-sf……..

Mudou o bairro, e até a ‘zona’ (de Norte pra Oeste).

Mas muitas cenas em S. Felicidade são similares as que víramos no Pilarzinho:

– Muita área verde;

– Terrenos enormes;lote-santa-felicidade

– Várias dessas matas e lotes com casas humildes já a venda;

– Moradias humildes sendo muitas e muitas na madeira;

Adensamento, aburguesamento com o surgimento lote-santa-felicidade-2de condomínios;

– E até pequenas invasões.

…….lote-santa-felicidade-3

Agora vamos falar das características próprias de Santa Felicidade (e seu vizinho menor Cascatinha, que fica no caminho):

É a região italiana da cidade por excelência.

vinicolaEntão a Av. Manoel Ribas concentra enormes restaurantes (onde se serve frango, polenta, maionese e massas), vinícolas e o comércio moveleiro.

Ao lado vemos uma casa de vinhos.madalosso

Mas a maior atração de S. Felicidade vem agora. ‘Maior’ não é figura de linguagem.

Eu disse que os restaurantes são enormes.

Pois bem. O Madalosso (dir.) é nada menos que o segundo maior do mundo.

buso-2Maior da América, maior de todo Hemisfério Ocidental, maior de todo Hemisfério Sul.

O Madalosso serve 4,6 mil pessoas, simultaneamente.

Isso em condições normais, aberto ao público em geral.

Segundo se diz, o recorde do Madalosso foi numa campanha eleitoral pra presidente, em que Maluf (sim, aquele Paulo Maluf) fechou a casa e pagou o jantar pra 5 mil pessoas.

portal-italiano

Próximas 2: Avenida Manoel Ribas, Cascatinha e imediações. Aqui o Portal Italiano.

Corre essa história, mas eu não posso confirmar se é verdade.

O que é fato comprovado é a capacidade normal de 4,6 mil. Maior que ele em todo planeta, só um restaurante que fica na Ásia, no Hemisfério Norte e Oriental.

Pra fecharmos a foto do restaurante, a direita mais pra cima: nota que os táxis em Curitiba são laranjas com quadriculado preto.

O subúrbio metropolitano de Tamandaré xerocou a pintura.

moveis-via-veneto

Loja de móveis.

A prefeitura de Curitiba não gosta dessa cópia que cheira a pirataria, mas não pode fazer nada.

Agora a imagem que aparece um busão amarelo, justamente voltando do Terminal Santa Felicidade:

Foi feita quase em frente ao Madalosso.

O que quero chamar a atenção aqui é que em seu trecho final a Manoel Ribas é de paralelepípedos, calçamento que já foi bem mais comum em Curitiba.

………..

pq-barigui

Parque e Rio Barigüi.

As 2 acima, onde aparecem o carro vermelho (esq.) e o Portal (dir.) estamos na Manoel Ribas, mas antes de chegar a Santa Felicidade.

O Portal Italiano fica nos fundos do Parque Barigüi.

Diz “Santa Felicidade”. Estamos a caminho dela, mas ali naquele ponto ainda não é esse bairro.

torre-teleparE sim a divisa das Mercês com Vista Alegre.

Assim que cruzamos o Rio Barigüi que nomeia o mais famoso parque de Curitiba (acima), entramos na Cascatinha, onde foi clicada a loja de móveis a esquerda.

………merces

Depois de Santa Felicidade o buso começa a retornar ao Centro.

Passa pelo Pq. Barigüi, como explicamos e clicamos acima.

sao-francisco-largoE aí passa novamente pelas Mercês. É isso que vamos ver a partir de agora.

Desculpe o pleonasmo. Se estamos avistando a Torre da Telepar (acima a esquerda) é cristalino que estamos nos aproximando das Mercês.

A direita o trecho mais central da Manoel Ribas, também nas mesmas Mercês.

centrao-8

Próximas 12: o Centro da Cidade.

Óbvio que a estatal Telepar já foi privatizada a muito, e não existe mais.

Mas o nome ficou. Eu já fotografei esse mesmo monumento duas vezes, em outras duas matérias sobre a Zona Oeste.

Na tomada acima, onde aparece a galera curtindo no bar, estamos no comecinho da Manoel Ribas, quase no Largo da Ordem, em frente ao Relógio das Flores.

Nesse trecho inicial a Manoel Ribas se chama Jaime Reis, mas a rua é a mesma. Detalhe: também de paralelepípedo.

Portanto ela tem cobertura empedrada nas duas pontas, o meio é de asfalto.

centrao-7Ainda falando da foto acima a esquerda em que as pessoas bebem nas mesas no prolongamento do Lgo. da Ordem:

Ali é o bairro São Francisco, umbilicalmente ligado ao bairro que se chama ‘Centro’ mesmo, ambos juntos formam o Centrão da cidade.

Foi no São Francisco que Marília viu uma placa de refrigerante antiga, e se lembrou de sua infância.

………

A partir da tomada acima e pelas próximas 12, o Centro de Curitiba. centrao-4

Onde a cidade começou, oficialmente. Porque na verdade a primeira povoação europeia de Curitiba foi no Bairro Alto, Zona Leste.

Mas não deu certo.

ed-italiaAssim o núcleo primordial da urbe (aquilo que na América Hispânica se chama “Praça de Armas”, no México o “Zócalo”) foi transferido pra Praça Tiradentes.

Nós já falaremos mais e mostraremos a Tiradentes. Na foto um pouco mais pra cima a direita, exatamente a que está legendada como “Próximas 12: o Centro…”, estamos perto da Rua 24 Horas.

A esquerda acima, onde há uma pichação em vermelho em primeiro plano, é a Praça Santos Andrade.

Onde ficam o Teatro Guaíra e o edifício-sede da UFPR.

tiradentes

Próximas 4: a Pça. Tiradentes, no Centrão.

Logo acima o Edifício Itália, por muitos anos foi o mais alto do Paraná.

……..

Agora sim: a  Praça Tiradentes.

Na foto ao lado vemos a Catedral de Curitiba.

Tem dias que esse canteiro de flores fica todo colorido, lindíssimo. Dessa vez está seco.

marco-zero-tiradentes-2Toda quilometragem de e pra Curitiba tem esse ‘Marco Zero’ que fica na Tiradentes como referência.

Há um similar na Praça da Sé, no Centro de SP.

Portanto quando se diz que 408 km separam as capitais, mais epspecificamente se está dizendo que essa é a distância da Tiradentes a Sé.

Voltando ao marco daqui de Ctba.:

Em cima há um mapa pra lá de simplificado, mostrando as saídas da cidade.

E em cada ponto cardeal um desenho dizendo pra onde vai a estrada se você seguir nesse sentido.

Como notam, fotografamos a face ocidental:

Tem o desenho das Cataratas e está escrito “Iguassu”. Na grafia antiga, ainda.

Direita: a Tiradentes não é o marco zero apenas da cidade.

É também o ponto inicial e final da Linha Turismo.

centrao-pichoDigo, ele é circular, você não é obrigado a desembarcar em lugar nenhum.

Exceto, claro, quando ele completa a última viagem nessa exata Pç. Tiradentes.

Nas viagens intermediárias, ele estaciona porém você não precisa descer.

Mas ali ele fica mais tempo parado pra acertar o horário, é o que se chama ‘ponto de regulagem’ na busologia.picho

A esquerda (também na Tiradentes) e a direita (em outra parte do Centrão, mais perto da Rui Barbosa), 2 prédios todo detonados pelos pichadores.

Fotografei a mesma cena ali pertinho, na Marechal Deodoro, e novamente em Caiobá (Matinhos-PR), Santos e Belo Horizonte-MG.

paco……….

Ao lado: Praça Generoso Marques, nos fundos da Tiradentes.

Em primeiro plano vemos o Museu do Paço Municipal.

rua-das-flores-palacio

Próximas 2: ‘Boca Maldita’ na ‘Rua das Flores’. Aqui vemos o Palácio Avenida.

Ali foi a sede da prefeitura de 1916 a 1969. A frente há uma estátua.

E na base desta há um mapa do Brasil em que o Paraná faz divisa com o Rio Grande do Sul (????).

Espantoso, não? Paraná e Santa Catarina travaram a sangrenta ‘Guerra do Contestado’.

Que justamente contestava territórios. Dependesse da vontade paranaense, Santa Catarina só teria o litoral.

Todo o atual Oeste Catarinense deveria pertencer ao Paraná segundo essa versão, cristalizada no mapa que há estampado nessa praça.

rua-das-flores-2

O primeiro Mc Donald’s de Curitiba (de 1989) está na Luis Xavier. Aos fundos as copas das árvores da Praça Osório.

Ainda sobre a Praça Generoso Marques. Ali era o ponto inicial das primeiras linhas de expresso, quando esse modal começou em 1974.

Depois, quando vieram mais linhas pra outras partes da cidade essa primazia foi pra Pça. Rui Barbosa, que é bem maior.

…………

Já vimos a famosa ‘Boca Maldita’, as últimas (ou primeiras, depende do sentido que você vai) quadras da ‘Rua das Flores‘.

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Próximas 2: Prado Velho, Zona Central. Aqui na João Negrão pontes em dois modais (a de trem desativada) sobre o Rio Água Verde.

Em 1972, Lerner transformou em calçadão a parte mais central da Rua XV de Novembro.

A primeira quadra da XV a partir da Praça Osório se chama Avenida Luis Xavier, por seu tamanho diminuto conhecida como ‘a menor avenida do mundo’.

No ‘Palácio Avenida’, visto na foto a direita um pouco mais pro alto (vide legenda) é que há aquele famoso coral de Natal promovido por um banco.

Começou com o Bamerindus, depois HSBC, e agora é do Bradesco. Muda o patrono, a tradição continua.

……

paiol

Um pouco pra frente na mesma rua, o Teatro Paiol. Aos fundos avistamos a linha dos prédios do Cristo Rei, Zona Leste.

Saímos do Centro. Mas continuamos na Zona Central. Duas tomadas na Rua João Negrão.

A direita acima ponte sobre o Rio Água Verde (afluente do Belém, deságua nele na Vila Capanema a poucas quadras dali).

Até o fim dos anos 80 havia uma linha férrea que ligava Curitiba a Araucária. Desativaram-na, mas a ponte ferroviária permaneceu de relíquia. belem-2

É sobre o trajeto desativado dessa linha que em 1991 surgiu a invasão ‘Ferrovila’, que é estreita mas muito, muito comprida, vai do Parolin na Zona Central até a Vila Nossa Senhora da Luz no CIC, Zona Sul.

Na tomada acima a esquerda já vimos o Teatro Paiol. Logo após esse marco o busão vai rapidamente pro comecinho da Zona Leste.

cristo-rei-jd-botanico

A esquerda na imagem o prédio pertence ao bairro Jardim Botânico. Já os espigões a direita estão no Cristo Rei, e são os mesmos vistos atrás do Paiol, na foto acima.

Antes disso, na foto acima, ele cruza novamente o Rio Belém. Estamos no bairro Rebouças, Zona Central.

Essa cena foi captada atrás da Rodoviária, próxima ao estádio do Paraná Clube, que também se chama Vila Capanema como todos sabem.

Ali o Belém re-emerge, pois pra cruzar o Centro enfiaram ele pra baixo da terra.

……….

Não pude fotografar o parque Jardim Botânico, com sua famosíssima cúpula que também é de arame, pelo motivo que já lhes expliquei.anaconda

Na 2 imagens acima e ao lado, a Avenida Presidente Affonso Camargo, que divide os bairros Jardim Botânico do Cristo Rei.

Um dia tudo ali pertenceu ao Cajurú, mas não mais a muito.

A direita o tubo ‘Viaduto do Capanema. Vemos em 2° plano o prédio do moinho de trigo Anaconda.

centro-civicoAquele mesmo prédio que Maurílio via da sacada quando ele foi como Super-Homem numa festa a fantasia.

…………

O ônibus da Linha Turismo acaba de deixar a Zona Leste, onde sua estada foi brevíssima. 

Nas duas últimas tomadas já vemos de novo o Centro Cívico, Zona Central.

Acima quase na Avenida Cândido de Abreu, e ao lado um dos muitos prédios públicos do bairro, que foi alias criado pra isso como o nome indica.

centro-civico-2Portanto estamos chegando ao mesmo ponto que embarcamos, o Museu do Olho.

É hora de desembarcar e finalizar o relato. O roteiro de 2 horas e meia está concluído. Espero que vocês tenham gostado da viagem. 

jardineira

1-Pró-Parque: Jardineira (original) Verde.

1ª atualização, ainda em janeiro de 2017 (a partir daqui as fotos foram baixadas da internet):

HISTÓRIA DA LINHA TURISMO

Antes havia a linha “Pro-Parque”, operada por jardineiras verdes.

Ao lado jardineira na linha pro Parque Barigüi (essa e várias outras imagens oriundas da página Ônibus Brasil).

Na verdade esse verde acima não está mais em serviço ativo.

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1-Volta ao Mundo: Jardineira (transgênica) em dois tons de anil/turquesa, com os desenhos dos pontos turísticos.

Não importa. Foi mantido exatamente como quando cumpria essa linha. Está preservado como um ‘museu vivo’.

Se acharmos uma foto de boa definição dele na ativa, adicionamos.

Ao mesmo tempo existia a linha “Volta ao Mundo”.

Essa era feita por antigos ônibus normais, que quando venciam sua vida útil no sistema convencional eram adaptados:

Tinham sua janela ampliada pra virarem jardineiras. A direita um desses Torinos adaptados. Numerado BV002.

turismo

2- Chegou a Linha Turismo. Repintaram de branco os ‘carros’. Mantém-se os desenhos das atrações turísticas da cidade.

A esquerda o mesmo veículo, de branco e renumerado, já na Linha Turismo,

Já falamos mais do tempo que a Turismo foi implantada. Antes vamos voltar a Gênese dela, a época das jardineiras.

Nas jardineiras que vieram assim de fábrica os bancos eram como nas praças, com tiras de madeira na horizontal. Amplie a imagem do ônibus verde-escuro pra comprovar.

Nas ‘transgênicas’ (adaptadas, antes eram convencionais) não, mantiveram-se os bancos de acrílico que os veículos já possuíam.

turismo-jardineira

Aqui e a esquerda: transição pra etapa 2, a Linha Turismo implantada. As antigas jardineiras verdes do Pro-Parque também são repintadas de branco. Ainda com os desenhos dos principais locais que os turistas querem ver em Curitiba.

………..

Depois as linhas Pró-Parque e Volta ao Mundo foram fundidas pra originarem a “Linha Turismo”.

No começo, antes de virem os busos 2-andares, aproveitaram a frota das linhas-gênese.

Nas duas fotos ao lado e logo abaixo, jardineiras que antes eram verdes no ‘Pro-Parque’.

E foram dessa forma repintadas de branco ao mudarem de modal.

Logo abaixo na na Pça. Tiradentes, e direita em outro ponto da cidade.

jardineira1A Linha Turismo pegou. Se tornou uma coqueluche, uma mania da cidade.

Assim começaram a vir ônibus zero km. No começo pintados de branco.

Depois, quando vieram os 2-andares, toda a frota, incluso os de 1 andar, foi re-decorada nesse tom de verde. 

turismo1

2- Ainda na transição pra Linha Turismo.

Já mostraremos tudo isso. Nas fotos até aqui ainda estão os busos oriundos das linhas anteriores, (Pro-Parque e Volta ao Mundo).

Aquelas que, repetindo, são a gênese da Turismo.

Portanto, até esse Monobloco ao lado os busões vieram usados, e foram repintados de branco.

A direita (na mesma Tiradentes) um Monobloco transgênico das Mercês, antes era Interbairros, e foi adaptado, aumentaram as janelas.

3- Consolidação: enfim 1°s ‘carros’ Zero Km.

Agora sim vamos mostrar o que já falamos lá em cima:

Com o sucesso definitivo da Linha Turismo, passam a vir veículos novos pra ela.

Que portanto já chegam de fábrica brancos e com as janelas nessa configuração.

Ainda estão presentes os desenhos dos pontos famosos da cidade na lateral.

mercês mt006 garagem Linha Turismo buso 1-and ctba verde árvore pinheiro prédios vidro alongado adaptado maior arco vermelho paralelepípedo hexagonal símbolo emblema lona letreiro jardineira comil motor atrás traseiro amarelo convencional

4- Ainda somente 1-andar, mas chega a pintura nesse tom entre verde e bege. Eliminam-se os ícones na lataria.

Um deles a esquerda, também na Tiradentes.

E ao lado quando adotou-se a nova pintura. Numa tomada vinda da página Tudo de Ônibus, vemos numa garagem um buso 1-andar.

………

Alguns poderiam pensar que esses de somente 1 andar foram aposentados. E portanto não circulam mais na Linha Turismo.

linha-turismo-curitiba

5- Como é hoje: a estrela principal, óbvio, são os 2-andares, mas nos dias de pico os de 1-andar estão na retaguarda, valentes.

Nada poderia ser mais distante de realidade. Sim, nos dias de menor movimento só rodam veículos 2-andares. 

Mas no pico (férias e feriadões), quando o negócio bomba, a Linha Turismo opera em comboio:

Na frente um 2-andares, mas na retaguarda os bons e velhos de 1-andar vão na cobertura.

Novamente na Praça Tiradentes, um par deles, um tem escada dentro o outro não.

“Deus proverá”

“Passando no Arco-Íris”: Dom Augusto virou Augusta, Zona Oeste

escola

Colônia Augusta, denominação atual, com ‘a’, nome feminino, de Mulher, evidentemente.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 15 de julho de 2016

Vamos falar um pouco do bairro da Augusta, na Zona Oeste de Curitiba.

E também de um trecho da vizinha Cidade Industrial, são umbilicalmente ligadas, não dá pra separar.

Como já dito antes, foi o governador do Paraná Lamenha Lins (na época o cargo se chamava ‘presidente da província’) quem ‘criou’ a Zona Oeste da cidade.

Grande região metropolitana antigo velho anos década sjp frg 1950 timoneira colôna argelina augusto augusta z/o z/n mapa ctba 1953

Nem sempre foi assim. Amplie pra ler que o nome original era Colônia Augusto, com ‘o’, homenageando um Homem, o neto varão do Imperador Dom Pedro.

Delineando diversas colônias agrícolas no que então era mata virgem, pra acolher os imigrantes europeus, especialmente italianos e poloneses.

Uma delas era a Colônia Augusto. O nome do bairro era masculino pois era em honra do neto varão do Imperador Dom Pedro.

Sabe-se lá porque, depois de morto ‘passaram Dom Augusto no arco-íris’, e o bairro virou Augusta, nome de Mulher.

‘De futuro Imperador a Imperatriz’. Dom Augusto deve estar se revirando no túmulo, agitado com essa ‘homenagem’ recebida. Coisas da vida…

Veja o mapa ao lado. Nessa outra postagem eu falo mais de como era a Grande Curitibana década de 50. Além do fato que Dom Augusto ainda não usava saias:

Fazenda Rio Grande pertencia a São José dos Pinhais, um francês que havia morado na África tinha uma vaca chamada ‘Cherry’, e o Hospital Evangélico apenas iniciava sua construção, entre outras curiosidades.

passauna………

Voltemos ao tema de hoje. Seja como for, o bairro se consolidou como Augusta, no feminino.

Seu ponto mais famoso é o Parque do Passaúna (visto ao lado e acima da manchete), com o mirante que dá vista belíssima a represa de mesmo nome, de 1991.

zona rural

Agricultura inclusive com estufa na Augusta. O Extremo da Zona Oeste de Curitiba ainda é rural. Na Zona Sul idem.

A Augusta é um bairro extenso e pouco povoado (6 mil habitantes somente, no Censo de 10).

Por isso ainda possui bastante área rural.

Em verdade a maior parte do bairro é ocupado por chácaras, plantações e mata nativa, mais que por vilas e conjuntos urbanos.

No ano de 2003, entretanto, grande invasão na divisa com a Cidade Industrial alterou um pouco o jeito até então pacato da Augusta.

Entre 2012 e 15, foi a vez do vizinho São Miguel – que tem o mesmo perfil – passar por uma onda de surgimento de novas favelas.

augusta-cic-colina verde

‘Colina Verde’, ‘Vera Cruz 2’, ou ainda (pra Tribuna) ‘Invasão do Caiuá’: ocupação de 2003 na divisa entre Augusta e CIC. Essa foto mostra a parte que é na CIC.

Voltando a Augusta, na última década surgiram lá um loteamento particular e várias cohabs (tanto de prédios quanto horizontais).

Aliados a invasão, isso deu um toque um pouco mais urbano a Augusta.

……….

Como dito acima, o Rio Passaúna foi represado na virada dos anos 80 para 90. Surgiu a Represa do Passaúna.

Que hoje fornece água potável para Zona Oeste e parte da Zona Sul (até o Sítio Cercado).

cohab-augusta-z-oeste1

Cohab na Augusta, ao lado da Colina Verde.

O resto da Zona Sul e as Zonas Leste, Central e Norte são atendidas pela Represa do Iraí, que fica na parte leste da região metropolitana.

Recentemente se inauguraram novas represas na divisa entre São José dos Pinhais e Piraquara, numa região próxima, aumentando a capacidade do Sistema do Iraí.

Deixemos o leste para lá e vamos do volta pro Oeste, galera:

O Parque do Passaúna, que margeia a represa, é de 1991. Assim hoje os bairros Augusta e S. Miguel têm diversas ruas que são sem saída pois terminam no lago.

augusta -nvasao e cohab

A ocupação irregular – nesse tomada o lado que fica na Augusta – e ao fundo os pombais típicos dos conjuntos da Cohab.

No passado cruzavam o Rio Passaúna – que então não era represado logo não tinha lago – e saíam nos vizinhos municípios de Araucária e Campo Largo.

Hoje não tenho mais, mas cheguei a possuir um mapa dos anos 80 que mostrava isso.

Seja como for, veio a represa, que só tem uma ponte, a da Rua Eduardo Sprada.

Essa rua continua em Campo Largo como Avenida Mato Grosso, a principal do bairro Ferraria.

rua da divisa augusta-cic

A Rua Lodovico Kaminski divide a Augusta da Cidade Industrial (CIC) em alguns trechos.

Tem esse nome porque antes da construção da BR-277 (‘Rodovia do Café’) a Eduardo Sprada era a saída pro Oeste do Paraná.

E consequentemente depois dele o estado do Mato Grosso – vale lembrar que o Mato Grosso do Sul ainda não existia pois é de 1979.

Deixando o passado para lá e nos focando de novo no presente, a Eduardo Sprada/Av. Mato Grosso é a única que atualmente suplanta o Rio Passaúna.

As demais, dizendo novamente, agora findam na represa.

por-do-sol1

O Sol se Põe no Oeste: fim de mais um dia, visto na Represa (e Parque) do Passaúna.

………

Notam que a Augusta ainda tem boa parte de sua área ocupada por pequenos sítios que se dedicam a agricultura.

A prefeitura diz que oficialmente Curitiba não tem área rural. É mentira, e as imagens mostram.

No vizinho São Miguel cliquei o mesmo. Os Extremos Oeste e Sul do município ainda têm porções rurais, embora outras sejam totalmente urbanas.

placa

Curitiba não gosta do nome ‘estrada’ pra vias urbanas. Aí fica esse pleonasmo tão curitiboca, ‘Rua Estrada’.

Até a virada do milênio a Augusta era ainda mais rural, e ainda menos habitada.

Havia então apenas uma única grande vila urbana, a São José, na divisa com Campo Largo ao lado da Edurado Sprada.

E logo em frente ao Frigorífico (da Frimesa) que nomeia uma linha de ônibus que serve a região mais um conjunto, mas esse bem menor, ocupa somente 4 quadras.

O ponto final do busão era exatamente então em frente a entrada do barracão dessa indústria de laticínios.

Nesse trecho, a Rua Lodovico Kaminski divide a Augusta (do lado esquerdo, para quem sai do Terminal do Caiuá) da CIC.

augusta - area desabitada

Augusta: extensa área desabitada dentro do município de Curitiba.

Logo após o frigorífico, em 2003, surgiu uma grande invasão que fica dos dois lados da Lodovico Kaminski, já mostrada nas fotos acima.

Portanto, embora forme uma única vila contígua, sua metade oriental está na Cid. Industrial, a ocidental na Augusta.

A Tribuna do Paraná chamava o local de ‘Invasão do Caiuá’.

que dá pra fazer campo de futebol, cerquinha de madeira: é o Sul do Brasil, caramba!!!

Foto na ‘Rua/Estrada’ Colônia Augusta. Nas partes antigas do bairro mesmo onde mora gente sobra espaço. Casa de madeira, quintal enorme que dá pra fazer um campo de futebol, cerquinha quase simbólica: é o Sul do Brasil, caramba!!!

Os moradores deram o nome de Colina Verde – não confundir com o conjunto de mesmo nome no Bairro Alto, Zona Leste, do outro lado da cidade.

Ou então de Vera Cruz 2. Já existia bem ali ao lado o conjunto Vera Cruz, na CIC, vizinho do Conjunto Cauiá que nomeia o terminal.

Assim acrescentaram o ‘2’ para mostrar que é uma expansão, fazendo com que as pessoas localizem fácil.

……….

Logo após o Colina Verde ou Vera Cruz 2 a prefeitura fez uma grande cohab de predinhos.

Seguindo há um loteamento feito pela iniciativa privada, o Moradias Passaúna. E depois há outra cohab, essa de casas, chamada Moradias Aquarela.

divisa augusta-cic1

Na parte nova é diferente, a coisa é bem mais densa, a metrópole chegou com tudo. Aqui a ocupação irregular na Lodovico Kaminski, a esquerda CIC, direita Augusta. Bem, se estamos no CIC nada mais natural que a ‘Cidade da Laje’ predomine.

Tudo isso aconteceu na última década e meia, já no século 21. O que fez com que a Augusta mais que dobrasse de população.

Pois se ela tinha 6 mil habitantes em 2010, hoje certamente tem mais de 7 mil.

Já que vários conjuntos que hoje estão plenamente habitados não estavam prontos 6 anos atrás.

E no Censo de 2000 a Augusta concentrava em seus limites somente 3,6 Homens e Mulheres.

Portanto dobrou em uma década e meia, graças a iniciativa da prefeitura em fazer grandes cohabs por lá.

Com tudo isso aumentou em muito a oferta de transporte público.

augusta

Moradias Passaúna, loteamento popular particular, portanto não é invasão, e não tem nenhum pedaço no CIC, inteiro na Augusta. Mas por ser uma parte mais nova, a densidade é bastante elevada.

A linha Frigorífico foi estendida em mais dois pontos, o primeiro no Moradias Passaúna e o segundo no Aquarela.

Atualização: em 8 de agosto de 2016 a linha muda de nome, de Fazendinha/Caiuá/Firgorífico passa a se chamar Fazendinha/Caiuá/Fórum. O horário e trajeto permanece igual.

Além disso a linha Vila Marisa agora também tem um ramal que atende o mesmo trajeto, ambas se sobrepõe pro tempo de espera no ponto ser menor.

……..

Bem em frente aos prédios, do outro lado da rua, outra iniciativa do poder público desenvolveu e urbanizou a região:

Trata-se do Fórum da Cidade Industrial, também inaugurado recentemente (foto logo abaixo), que, como acabo de dizer, inclusive renomeou a linha de ônibus.

divisa augusta-cicDepois da Aquarela a cidade acaba, a Lodovico Kaminski continua em meio a área verde. Ao fazer uma curva a esquerda se torna a Ângelo Marqueto.

Ali passa um outro ônibus, o Vila Marqueto. Esse é de hora em hora, só há um ‘carro’ na linha. O ponto final é na entrada do Parque Passaúna.buso p- campo largo

Essa linha serve também a Vila São José, a maior da Augusta, com perto de metade ou mais de sua população.

A direita o busão Dona Fina, metropolitano, vai pra vila de mesmo nome em Campo Largo, aquela que vemos na outra margem da represa nas tomadas panorâmicas.

Até 2015 os sistemas metropolitano e municipal da capital eram o mesmo. Assim essa linha se chamava São José/Dona Fina.

escada

Escada de acesso ao mirante no Passaúna: trilha em meio ao verde do parque.

Passava dentro da Vila São José antes de cruzar o limite municipal. Agora foi separada.

Os moradores da Vila São José, que fica no município de Curitiba, saíram perdendo com a divisão.

Pois o Dona Fina, metropolitano,  passa a cada 25 minutos, e no pico em média a cada 16. 

Já o Vila Marqueto, municipal, passa de hora em hora, incluso no horário de pico.

Confira você mesmo. Eis o sítio municipal com a tabela do V. Marqueto:

conjunto-augusta

Até a virada do milênio a Augusta só tinha 2 conjuntos urbanos: a Vila S. José que é bem maior (que estou falando ao lado mas não foi fotografada); e esse aqui mostrado, bem pequeno (4 quadras aproximadamente), em frente ao Frigorífico.

http://urbs.curitiba.pr.gov.br/horario-de-onibus/825

E aqui o sítio metropolitano com o horário do Dona Fina:

http://www.cartaometrocard.com.br/ConsultaHorario.asp

Mato a cobra e mostro o pau, irmão. Está aí mais uma vez provado: a maior vila do bairro da Augusta tem ônibus de hora em hora, mesmo no pico.

Enquanto a vila que é vizinha, só que fica na região metropolitana, tem de 25 em 25 minutos, e no pico menos de 20 minutos.

Curitiba, a ‘Cidade-Holograma’, criou um mito que o transporte coletivo aqui é “de primeiríssimo mundo”, quase um Reino de Deus materializado na Terra.

augusta-sem nome oficial

Aí surgiu a invasão (note a rua sem nome oficial, já registrei a exata mesma cena na Cachoeira, Zona Norte)…

Trata-se de uma mentira grotesca, que não guarda qualquer base na realidade.

Curitiba foi modelo de transporte coletivo nos já distantes anos 70 e 80.

Hoje é modelo de de como a arrogância leva a decadência.

Mas encobre isso com grossa lavagem cerebral.

cohab-augusta-z-oeste

as Cohabs (de prédios e outra de casas)…

Contra números não há argumentos. Vila São José, Augusta, Curitiba: tempo de espera no ponto, 1 hora. Sim, é isso. 1 hora. Mesmo as 6 da tarde.

Vila Dona Fina, Campo Largo, logo ao lado. Espera no ponto: 25 minutos, perto de 15 as 6 da tarde.

É só um exemplo. Posso te citar se quiser diversas vilas que têm ônibus somente de hora em hora.

E inclusive algumas que não têm ônibus, em tempo algum.

augusta2

e esse loteamento, dando uma cara mais urbana ao bairro da Augusta.

Simplesmente a vila não é servida por transporte coletivo. Incrível mas é a Verdade.

………….

Vamos ver mais algumas cenas da Augusta. Indo pro Parque Passaúna:

Nas 2 primeiras a rua que dá acesso, ainda pouco urbanizada como notam.

Na 3ª tomada o tótem e arco de madeira sob o qual é preciso passar. Clique sobre as fotos pra ampliá-las, o mesmo vale pra todas.

chacaras-augustaaugusta - area desabitada1portal e totem

Ao lado e na sequência horizontal:cidade da laje

A ocupação Colina Verde/ Vera Cruz 2.

A direita e a 1ª abaixo, na margem da Cidade Industrial. As duas que vem depois do outro lado da rua, portanto dentro do território da Augusta.

augusta-cicaugusta1-sem nome oficialaugusta-colina verde

O belíssimo Pôr-do-Sol na Represa, um dos maiores espetáculos dessa cidade.

Em Porto Alegre-RS o Sol se põe na água, mesmo a cidade não tendo litoral. Aqui em Ctba. isso é o mais perto que chegamos.

por-do-solpor-do-sol4por-do-sol2por-do-sol5por-do-sol7campo largo (2)ceu laranja (2)ceu laranjapor-do-sol6

Ao lado e na sequência horizontal: augusta3

Conjunto Passaúna.

Percebe-se algumas casas de padrão melhor, mesmo sendo último bairro da cidade em sua porção ocidental.

Na 1ª tomada mais algumas Flores do Poente.

augusta5augusta4augusta1

revoada passarosAo lado revoada de pássaros no Contorno Sul, na CIC, próximo a Augusta. Na sequência horizontal, de volta ao Parque Passaúna.

1) Gangue de pichadores redecorou a escada: “Caxa Baxa” é um termo do filme Cidade de Deus, e que eu já vi (via ‘Google’ Mapas) pichado até em Porto-Portugal;

2) Mata no Parque, vista do mirante que foi pichado; 3) Refinaria da Petrobrás que fica em Auracária, próxima a barragem da Represa do Passaúna – já fotografei essa mesma tocha bem mais de perto, do Tatuquara, apenas com o Rio Barigüi a me separar de Araucária.

pichomata-passaunarefinaria

Cenas da Augusta: 1) Mais um bosque, só que já está a venda, logo será um condomínio horizontal, cena que já registrei também no Uberaba (Z/L), Cachoeira (Z/N) e Santo Inácio (Z/O); 2 e 3) Casas de madeira, a última foto é a mesma já vista mais pra cima em outra escala;

matamadeira-augusta1madeira-augusta

Tomadas do bonito entardecer no Contorno Sul, Cid. Industrial, nas proximidades da Augusta:

anoitece no cicanoitece contorno sulcontorno

caiua

Conjunto Caiuá, Cidade Industrial, próximo do Contorno Sul e da Augusta.

A fábrica da Volvo fica no Contorno Sul (trecho urbano da BR-376), Cidade Industrial de Curitiba, esquina com a Eduardo Sprada (pertinho do bairro da Augusta).

No ‘Museu do Transporte’ que fica dentro do complexo há um Ligeirão ‘decolando’ e estourando a parede do barracão.

A 1ª foto é via ‘Google’ Mapas, de toda essa matéria a única que não é de minha autoria.

Pois as que tirei do local (as 2 seguintes) não ficaram boas, batidas de dentro do carro em movimento.

fabrica-googlemuseu do transporte - fabrica volvomuseu do transporte1 - fabrica volvo

caiua1

Mais uma do Caiuá (CIC).

Seguimos vendo o Contorno Sul, bairro Cidade Industrial, e imediações.

1) Interbairros 6, que a maioria dos curitibanos nem sabe que existe pois passa longe do Centro, só no Contorno Sul e BR-116, na periferia das Zonas Oeste e Sul.

O enquadramento saiu ruim, perdi uma parte da frente do bicho. Peço desculpas. Estava no carro em movimento e o busão vindo em sentido contrário;

2) Essas placas são típicas da Cidade Industrial;

3) Próximo ao Contorno Sul, estão surgindo na Zona Oeste condomínios horizontais de altíssimo padrão nos bairros Campo Comprido, CIC e imediações.

chegando na zona central

Essa é no Bigorrilho, também Zona Oeste mas longe dali. Pode ver que já anoiteceu. Como tirei no mesmo rolê, segue junto.

Mais abaixo há foto da portaria de um deles. É a região chamada “Ecoville”. Parecem os subúrbios ianques.

Assim, no Contorno, pipocam esses centros comerciais que também parecem saídos dos bairros de classe média-alta estadunidenses:

Geralmente nos pátios dos postos de gasolina há lanchonetes, farmácias, lojas de móveis, e muitos outros estabelecimentos, tudo no mesmo complexo.

Deu a impressão que eu estava de volta aos EUA, país que visitei 2 vezes vinte anos atrás.

interbairros 6placas tipicas do cicsuburbio ianque

bigorrilho

De novo o Bigorrilho; agora na ida, sol alto. O nome também ‘passou no arco-íris’, na mão oposta. Originalmente era Bigorrilha, uma Mulher. Aí trocaram o ‘a’ pelo ‘o’.

Eu fui pela Eduardo Sprada, portanto via Campo Comprido e CIC Norte.

Até os anos 90 não era apenas a Augusta que era majoritariamente rural.

O próprio Campo Comprido ainda tinha enormes terrenos vagos com matas, chácaras – e até um haras!! – a poquíssimos quilômetros do Centro.

De lá pra cá surgiram ali dezenas de condomínios de altíssimo padrão, o que tornou a região mais urbana.

Mas ainda restam grandes lotes vagos, e muito verde na Eduardo Sprada,como conferimos abaixo:

sprada-campo compridosprada-campo comprido1sprada-campo comprido2

cic-norteVoltamos ao CIC. A direita a praça do CIC Norte, ponto final do Ligeirinho Campo Comprido/Pinhais (que um dia se chamou ‘Leste/Oeste’).

A prefeitura mantém a denominação ‘Campo Comprido’ num erro, o ponto final é bem dentro da Cidade Industrial. A esquerda cohab no CIC Norte.

cic-norte1Na sequência abaixo o Terminal Caiuá, bem próximo a Augusta. Também com suas cohabs, e também com o mesmo erro, a linha se chama “Fazendinha”.

Oras, o Terminal Caiuá foi inaugurado em 1999. Já deu tempo de terem trocado a denominação. Mas ainda não o fizeram, num erro ainda mais inexplicável, pois nesse caso o ponto final é num terminal.

Como eu disse acima, longe vão os dias que Curitiba trabalhava de verdade pra melhorar o transporte coletivo. Agora fica numa inércia enorme, só espremem bagaço do passado.

term. caiua (3)term. caiua (5)term. caiua (4)

Fechamos com as fotos tomadas ainda mais distantes da Augusta. O Céu nas Mercês, divisa entre as Zonas Central e Oeste, por onde passei no caminho. Região já agraciada com outro ensaio.

Onde também aparece a Torre da Telepar vista na 1ª foto. A seguir a Igreja das Mercês – onde os capuchinhos fazem sua famosa bênção – e uma esquina não muito longe da Praça da Bandeira (Bom Retiro), que um colega fotografou e nós já publicamos aqui na página.

ceu-merces2ceu-mercesceu-merces1

Que Deus Ilumine a todos.

“Deus proverá”

Periferia de Belém: a Terra é Firme, mas não muito

Roxo Zona Sul

Ônibus roxo: vai pra Zona Sul (e parte da Zona Central). Esse justamente pra Terra Firme. Por ser municipal de Belém, há o brasão da cidade, os metropolitanos têm a mesma pintura mas com outros símbolos no lugar do brasão.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Dois emeios, publicados em 21 e 26 de junho de 2013

Todas as fotos feitas pessoalmente por mim, exceto 6 da Terra Firme e de alguns ônibus, que puxei da rede.

Eu reforço na legenda quais foram baixadas. Nas imagens dos ônibus estão mantidos os créditos, logo você verá que a fonte é a internet.

Acima da manchete já vemos um aperitivo do que é a Terra Firme.

Começamos pelo emeio que seguiu em 26/06/13:

Azul - serve a Zona Leste

Azul: vai pra Zona Leste. No caso a Cid. Nova, Ananindeua, Z/L metropolitana, e por isso tem um desenho onde nos municipais há o brasão de Belém. A pintura é padronizada e a mesma pro municipal e metropolitano, repito.

Sigamos a falar da capital do Pará.

Terra Firme é um bairro de Belém, na periferia da Zona Sul.

Fui a pé do Centro até lá, margeando toda a Costa do Rio Guamá, a região dos “Portos”.

Ao lado da Cidade Nova (Ananindeua, Zona Leste metropolitana) são dois dos mais emblemáticos bairros da periferia de Belém.

Ambos eu já conhecia por nome antes de ir lá.

Belem

No Norte do Brasil usa-se tanto a madeira quanto no Sul. Em Belém é comum palafitas nos arroios. Essa é perto da divisa com Ananindeua

A Cidade Nova é um conjunto planejado construído no fim do regime militar.

Pra tentar ordenar a  periferia belenense.

Então, a Terra Firme e imediações são bairros não-planejados.

Resultado de enormes invasões que surgiram a beira dos muitos igarapés que desaguam no Guamá.

Veja: casas construídas em estacas sobre um lodo, sem coleta de lixo e esgoto.

Cidade Nova (3)

Cidade Nova, Ananindeua. Como verão em várias fotos, a falta de saneamento é questão séria na Grande Belém.

Não é difícil imaginar o que acontece quando chove forte.

E em Belém chove forte todos os dias, de janeiro a janeiro sem falhar nenhum.

É incrível a quantia de pessoas que moram em palafitas na Grande Belém.

São dezenas de milhares (quem sabe centenas), é a moradia típica das favelas do Norte.

Vê também que a madeira é o material mais utilizado. No Norte do Brasil, há tantas casas de madeira quanto no outro extremo, no Sul.

Vendo essas imagens entende o título da mensagem: nas quebradas de Belém a beira dos rios, a Terra só é “Firme” no nome, e talvez em sonhos.

comercio atendendo gradeado……………

Belém é uma metrópole com taxa de criminalidade elevada.

Já estive em um bocado de cidades, em todas as partes do Brasil e da América.

E Belém está entre as que têm a maior proporção de comércios atendendo gradeados, a esquerda vemos mais um exemplo.

letreiro eletronico novo

Na Pres. Vargas, um buso verde, que vai pro começo da Zona Norte. Esse já com letreiro eletrônico portanto pode mudar a linha.

Na mesma proporção da Colômbia, a seguir o México e a seguir Santiago do Chile.

Entendam os amigos do Norte que eu não falo isso por racismo ou por achar que o Sul é melhor.

Exatamente ao contrário, a cidade que eu vivo, Curitiba, é igualmente extremamente violenta.

Especialmente no quesito de assassinatos, que é a forma mais extrema de violência contra alguém.

Curitiba tem também elevada quantia de roubos.

Laranja Zona Norte 2 anel

Laranja é uma faixa intermediária da Zona Norte, Pratinha e entorno. A linha vai pra lá, mas a foto é na Região Central, daí os espigões de classe média pipocando.

Agora, ainda assim com raríssimas exceções as vendinhas e mercearias do subúrbio curitibano não atendem atrás de grades.

Já em Belém é relativamente comum.

……………

NO TOPO DO MUNDO, MAIS COMPLEXO NINGUÉM FAZ: É A PICHAÇÃO EM BELÉM – 

Há um ramo da atividade humana que Belém atingiu o maior nível de complexidade de todo o planeta Terra: pichacao (5)

É a pichação de muros. Nas laterais vamos vendo exemplos.

Esse é um assunto que entendo a fundo, até porque fui pichador, e além disso estudo desde sempre.

pichacao (7)Portanto tenho conhecimento tanto empírico quanto teórico.

E lhes afirmo isso, em nenhum lugar do globo as letras do ‘alfabeto pichador’ atingiram tal desenvolvimento quanto lá.

o cara ta flutuando

Em duas escalas, a ‘re-decoração‘ do teto da sede do Liberal, no Centro.

…………..

Pra começar, Belém tem letra própria de pichação.

Em nosso país, só São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, além de Belém, criaram seu próprio estilo.

As demais cidades copiaram.

Veja: a pichação em Curitiba, Porto Alegre e todo o interior e litoral do estado de SP é pichacao (3)cópia exata da capital paulista.

Goiânia xeroca Brasília, que é ali perto. Belo Horizonte imita tanto o Rio quanto São Paulo.

Em Fortaleza se picha como no Rio de Janeiro. No Recife já volta a ser similar ao que ocorre em SP.

Amarelo - Zona Norte 3 anel

Fechando o esquema de cores, os ônibus amarelos vão pra parte mais periférica da Zona Norte, Icoaraci e a Ilha do Outeiro. Repare no itinerário adesivado no vidro. Essa também pode mudar a linha porque o letreiro já é eletrônico.

Já em Manaus você todos os estilos, do Rio, São Paulo e Brasília, mas nada inventado localmente.

Belém, dizendo de novo, não apenas inventou seu próprio estilo, como ele é o mais complexo do Brasil e do mundo:

Guarda alguma semelhança com São Paulo, de onde se originou.

Mas a seguir foi desdobrado ao infinito em termos de elaboração.

O aluno superou o mestre, em muito.

Jiboia Branca Ananindeua ZL

Esses micros com pintura diferente são os municipais de Ananindeua, Zona Leste.

………….

Veja as imagens:

Em Belém o tempo todo se insere na pichação desenhos e símbolos.

Rostos, asteriscos, animais, o emblema do ‘Batman’, passa o boi passa a boiada:

 O que você imaginar eles já tornaram realidade nos muros do Pará.

Terra Firme Zona Sul

Terra Firme, Z/S – imagem baixada da rede.

São Paulo criou isso, mas em Belém essa manifestação atingiu seu zênite.

Belém, número 1 do planeta na pichação de muros. É a realidade.

É claro, em Belém também se picha tudo que é possível, do teto ao chão.

Igreja de Nazare

De dia e de noite, a Igreja de Nazaré.

Como qualquer metrópole que a pichação se pretenda ser levada a sério

Veja como ficou a cobertura do prédio do jornal ‘O Liberal’, bem no Centro.

Os manos re-estilizaram a fachada. “O Cara tá Flutuando”, parece que criou asas pra subir tão lá em cima.

E não foi pouco tempo que eles passaram nas alturas, na imagem a seguir em outra escala a “arte”.Igreja de Nazare - noite

Costuma-se também informar o bairro em que a gangue está sediada.

Técnica usada por vezes em outras cidades, mas lá muito mais.

Veja que em duas nas fotos está escrito CN6, iniciais da Cidade Nova 6, Ananindeua, Zona Leste metropolitana.

Marituba ZL

Menino-Deus‘, o símbolo de Marituba, na Zona Leste metropolitana.

Em outra imagem está grafado o numeral ’40’, referindo-se ao bairro 40 Horas, também em Ananindeua.

Outra característica típica belenense: o cara riscou sua parafernália característica e a seguir numerou a obra como ‘1ª via’.

Indicando que era sua estreia naquele muro, pra a seguir ameaçar: “Se pintar eu volto”. E eles voltam mesmo, picham o exato mesmo local, e tiram sarro: “2ª via. Eu avisei”.

Ligação externa, um sítio especializado sobre a pichação em Belém:

http://websta.me/n/pixo_belem

Pra quem curte um rabisco nos muros – e telhados!! – na Amazônia é assim que se faz.

DUBAI BRASILEIRA: BELÉM ENTRA EM NOVO CICLO DE PROGRESSO –

Como é sabido, desde a virada do milênio a economia de nosso país passa por um processo de descentralização.

Está se tornando mais justa, regiões antes esquecidas estão enfim tendo direito de participar um pouco mais do desenvolvimento.

so pode ser no Para

“Égua!!! Eu posso ter uma B.M.W.!!!” Só no Pará você verá um anúncio desses! A frente mais um micro de Ananindeua.

Lembre-se, escrevi bem antes da recessão que se instalou em 2015.

Então esses apontamentos ainda se referem ao final do ciclo de prosperidade que houve no país até o meio da decada de 10.

O Nordeste é o exemplo mais conhecido, inclusive já escrevi sobre isso.

Já há algum tempo, indústrias do Centro-Sul passaram a abrir filiais no Nordeste. Com a intensificação desse processo, começa a haver inversão:

Cidade Nova Ananindeua ZL1

Cidade Nova.

Algumas corporações estão fechando as antigas matrizes no Sul e Sudeste e transferindo toda a produção ‘lá pra cima’.

Tenho com frequência comprado produtos fabricados em Pernambuco e na Bahia.

E isso há poucas décadas era impensável.

A indústria calçadista gaúcha fechou quase todas as suas fábricas no Vale dos Sinos, Zona Norte da Grande Porto Alegre.

belém pará metrop lona branco faixa azul buso era ex sp paulista frente saltada comil tribus trucado 3 3º eixo placa itinerário vidro para-brisas desenhos índios indígenas amazônia vidro preto linha escrita amarelo letreiro sufico cor diferente outra costa norte

Esse buso (único Tribus Urbano que circulou no Pará) ostenta a 2ª pintura padronizada da Gde. Belém, adotada nos anos 90. Sufixo em cor diferente pois é a ‘Costa Norte’ Brasileira.

E agora produz no Ceará.

No Rio Grande do Sul ficaram só os escritórios comerciais, jurídicos, de desenho.

Enfim, o colarinho branco. A linha de produção mesmo não está mais ali.

Hoje, mais gente se muda de São Paulo pro Nordeste que na mão inversa, numa reversão histórica do que predominou por todo século 20.

Assim as capitais nordestinas vem passando por grande surto desenvolvimentista.

E essa onda de prosperidade se espalhou por todo Nordeste, e também pelo Norte.

Sao Braz ZC transporte alternativo

Nem só de ônibus vive o transporte paraense. Enorme fila de vans no São Braz, Zona Central, fim-de-tarde. O chamado ‘transporte alternativo‘ lá ainda não plenamente legalizado e inserido no sistema, como em outras cidades. Outro detalhes: os táxis também são brancos.

Estive na capital do Pará em 1989. Ela multiplicou por 10 o número de arranha-céus nesse período.

Veja as fotos. A Zona Central de Belém eu nomeei “Dubai Brasileira”:

São novos edifícios por tudo que é parte, sempre altos, no número de andares e no padrão financeiro.

Há quadras que você vê 5 ou 6 prédios sendo erguidos simultaneamente.

Vários em obras, e vários recém-inaugurados.

Andando pelas ruas do Centro e bairros próximos dele em Belém, se vê uma quantia grande de edifícios, 90% deles erguidos já nesse milênio.

Com décadas de atraso a Zona Central de Belém está ficando verticalizada e com um número grande de pessoas de classe média-alta como ocorre há muito no Centro-Sul do país.

transporte, passado e presente

Bem no Centrão, entre o Ver-o-Peso e o Forte, mais uma van. Sobre os trilhos onde um dia passou o bonde (fotografei o mesmo no Paraguai). O velho e o novo juntos. Note que não necessariamente o novo é melhor, ao contrário, essas vans são precárias.

Pense no bairro Água Verde aqui em Curitiba, ou o Tatuapé em São Paulo.

Se tornaram um celeiro de espigões já 3 décadas atrás. Até que enfim está se materializando um equivalente em Belém. E não só no Centro.

A periferia de Belém, um lugar onde tudo é difícil como lhes mostrei e é notório, também passa por grande surto de verticalização e enriquecimento.

Claro que ali os apartamentos tem padrão bem mais modesto. Não importa.

A proporção da transformação que vem ocorrendo é a mesma.

Ananindeua é um subúrbio-dormitório pobre de uma metrópole que já é ela mesma na periferia econômica e política do país.

Breve onibus articulados

Em 2013 em obras, agora já entregue a 1ª fase, o Ligeirão de Belém – com tubos iguais aos de Curitiba.

Ainda assim estão fazendo grande centro comercial, cujo complexo abrigará 3 torres comerciais altas, supermercado e centros de lazer.

Sinal que nas imediações o povo está ganhando mais, pra poder arcar e bancar tudo isso.

Note quantos espigões brotando do solo. Verdade, eles não tem piscina, como os da Zona Central.

Ainda assim, são a prova de como Belém está mudando.

A mudança virá pra melhor. Eu tenho Fé.

Pela Lei dos Ciclos, vai chegar a vez do Norte brilhar mais intensamente nessa dimensão também.

branco letreiro eletrônico vidro preto motor tras buso artic laranja são braz neobus belém pará

Eis o Ligeirão, que liga o São Braz ao subúrbio. Um belo Neobus, não? Notam que a fonte é o sítio Ônibus Brasil.

…………..

Comentemos as fotos. Lembre-se, anteriormente essas postagens foram emeios, que têm dinâmica bem distinta.

Portanto nem sempre o texto corresponde a imagem que está mais perto. Busque pelas legendas, que estão corretas. Vemos no decorrer da página:

– O busão que vai pra Terra Firme. Roxo, pois serve a Zona Sul. Com o emblema de Belém bem no centro. 

Os ônibus municipais trazem o escudo da cidade, e nessa foto fica nítido;

BR-316 Ananindeua ZL palmeiras

BR-316 em Ananindeua. As palmeiras, símbolos de Belém, por toda parte. A outra ponta dessa rodovia é em Maceió.

– Bandeira do Atlético Mineiro pendurada na janela de um prédio. A torcida do Galo está com a corda toda, mesmo na distante e tórrida Belém.

O texto é de junho de 13, pouco tempo depois o time foi campeão de Libertadores.

Eu não torço pro Atlético-MG – alias quando estive em Minas fui no jogo do arqui-rival Cruzeiro.

Tampouco torço pra qualquer outro time, apenas retrato o que vi. As pichações já decodificamos;

– Breve Belém terá um corredor com pistas exclusivas pra ônibus, operada por articulados. Os tubos, iguais aos de Curitiba, já estão instalados.

economia cresce

Próximas 2: a economia de Belém está crescendo. Até Ananindeua está recebendo centros comerciais e torres de padrão mais elevado.

Como acabo de dizer, essa era a situação em 13. Agora o Ligeirão de Belém já está operando;

– Vemos a BR-316, saída de Belém. Vai até Maceió-AL.

Mas bem antes disso, na parte urbana da Grande Belém, ela liga a Zona Central aos subúrbios metropolitanos da Zona Leste.

Por isso, as ‘galeras’ (de torcidas de futebol e patotas de rua) que moram na Z/L em Belém se denominam “Comando BR”, pois pra atingir o Centro é inevitavelmente pela BR-316.

 Em Porto Alegre-RS, o equivalente é o “Comando Trem”, visto que os que moram na Zona Norte metropolitana (Canoas e o Vale dos Sinos) vão de trem urbano pro Centro da capital.economia cresce1

De volta a BR-316, Zona Leste da Grande Belém. Mais alguns detalhes dignos de nota: mesmo no sábado, tudo parado.

O desenvolvimento econômico chegou a Belém como um todo, e a Ananindeua em particular.

Veja quantos prédios altos surgindo. As palmeiras, símbolo de Belém, estão por toda parte;

 – Um ônibus acaba de deixar a rodoviária de Belém, e segue viagem rumo a Picos, no Piauí. Foto ao lado. Escrito ‘Picos/Belém’ porque não se deram ao trabalho de inverter o letreiro. Nesse dia ele fazia o sentido Belém/Picos.

parada na BR pra aguaO dia está muito quente, e em Ananindeua ele encosta pra quem começa a viagem ali poder embarcar.

Enquanto isso, os passageiros que já estão dentro descem pra tomar uma agüinha, pois o calor tá de lascar.

Esse veículo um dia pertenceu a Viação Itapemirim, mas não mais. Foi vendido pra uma empresa menor, local;

Terra Firme Zona Sul (5)

Terra Firme, baixada da rede.

– Outro ponto curioso nessa mesma foto: note que uma placa indica “pousada”. Cuidado que não é o que aparenta.

Pousada’ em Belém é motel de alta rotatividade na zona ‘da luz vermelha’;

– Observe que traz um cartaz anunciando ‘amarração pro amor’, imagem a esquerda.

“Faço querer quem não te quer” promete, como se isso fosse possível mas deixa pra lá.

garrafadasEis uma manifestação universal, também já fotografei em Belo Horizonte e no Paraguai.

Aqui quero chamar a atenção pra outro detalhe:

Oferecerem ‘garrafadas’, remédios caseiros com ervas. Já falei – inclusive com fotos – bem melhor disso na matéria sobre a República Dominicana;

– Bem no Centro de Belém, um prédio do Inamps. Espera aí….Inamps?? Essa é velha, hein? E bota velha nisso.

Vila Esperanca Ananindeua ZL

Vila Esperança, bairro que fica próximo ao Centro de Ananindeua.

Todos conhecem o INSS, Instituto Nacional de Seguridade Social.

Mas só os mais velhos, de 30 e poucos anos pra cima, é que estão na matéria o tempo suficiente pra saber que o Inamps (Instituto Nacional de Previdência Social) é seu predecessor.

O Inamps encerrou as atividades no já distante ano de 1990 (quando Collor era presidente), e acabou juridicamente 3 anos depois.

Mas no Centro de Belém, ele ainda está na fachada, a vista de todos numa das principais avenidas Igarape Val-de-Cans Maracangalha ZNda cidade, em pleno 2013;

– Ao lado: o igarapé Val-de-Cans, que divide o bairro de mesmo nome (onde está o Aeroporto Internacional) do Maracangalha, Zona Norte de Belém.

Na primeira mensagem da série seguiu essa foto em outra escala, e viram que urubus e garças dividem o espaço no riacho. É Belém em Preto & Branco.

– Em Belém, a maioria dos postos de gasolina da periferia não tem lojas de conveniência, como podem ver a direita.nao tem loja de conveniencia

Pra quem mora no Centro-Sul é uma cena inusitadíssima. Afinal a gente se acostumou a ver todo tipo de comércio nos postos:

Lanchonetes, farmácias, lojas de conveniência, caixa eletrônico, lavanderias, e muito mais.

Olhe, é um centro comercial tão amplo que vende até combustível, sabia?

Assim nos é estranho ver um posto pelado, onde só se vendem dois produtos: gasolina e álcool, e nada mais.

Torcida Uniformizada Terror Bicolor

Destacado na pichação a sigla T.U.T.B.: ‘Torcida Uniformizada Terror Bicolor’, do Paysandu.

Não dá pra comprar salgadinhos nem bebidas, não dá pra sacar dinheiro, não dá pra fazer um lanche, não dá pra comprar remédio, só dá pra abastecer mesmo.

Os postos maiores na Zona Central, onde a renda é mais alta, e uns pouquíssimos na periferia, esses tem sim loja de conveniência e caixas eletrônicos, como é no resto do Brasil.

Mas a maioria é como observam (e esse é Petrobrás e numa avenida movimentada, de pista dupla), só tem as bombas mesmo e nada mais.

Como um dia foi no planeta inteiro, décadas atrás.

Torcida Organizada Remocada

E nessa a arqui-rival, a T.O.R.: Torcida Organizada Remoçada, do Clube do Remo.

Aliás: nesse mesmo ano de 2013 constatei que na República Dominicana exatamente o mesmo se dá, loja de conveniência só nos bairros mais ricos.

Bem vindos a Belém, “Portal da Amazônia” e nesse caso também um “Portal do Tempo”;

– 6 fotos da Terra Firme, Zona Sul (que puxei da rede), e 3 clicadas por mim na Vila Esperança, Centro de Ananindeua, Zona Leste metropolitana.

AMÉRICA QUERIDA, AMOR MAIOR: A SAGA DE DESBRAVAR SOZINHO E A PÉ AS ENTRANHAS DE UM CONTINENTE, E DEPOIS RELATAR

divisao da rede de transportes

Mapa de como são pintados os ônibus da Grande Belém. Fui eu quem elaborei pelo que observei, então embora esteja correto nas linhas gerais pode haver alguma pequena distorção em um bairro ou outro.

Nesse emeio publicado em 21 de junho de 2013 falaremos, entre outros temas, da rede de ônibus.

Em verdade boa parte das informações já foi sintetizada na legenda das fotos.

Vamo aí. Em Belém não há metrô, trens e muito menos bondes modernos. Tampouco há articulados e pistas exclusivas pra ônibus.

Qualquer modal ferroviário está completamente fora dos planos, por ora.

Mas em breve haverão articulados em pistas exclusivas, um corredor está sendo feito – com tubos exatamente iguais aos daqui de Curitiba – e a primeira fase já está quase pronta.

Nota: escrevi o que era realidade quando lá estive, por isso ressaltei a data muitas vezes.

buso

Em Belém – e também em Fortaleza – a catraca do busão é a esquerda. Como é sabido, o padrão universal é na direita, na face das portas.

Como já atualizado acima, o Ligeirão já está operando. Sabendo disso, volta o texto original.

Então logo Belém dará um salto de qualidade, desesperadamente necessário.

Porque por enquanto só operam lá ônibus convencionais, micro-ônibus e vans.

Exatamente igual a Assunção, Paraguai, onde eu havia estado um mês antes.

A capital do Pará é a única cidade do Brasil, creio eu, em que ainda há transporte clandestino, ou seja vans que operam sem qualquer controle ou fiscalização.

Azul - serve a Zona Leste1

Azul: Zona Leste, no caso de Belém a Região Metropolitana. Os de Ananindeua têm uma árvore desenhada.

……………

No Sul do Brasil nunca houve transporte clandestino.

Os que moram aqui e viajam pouco pra outras partes do país sequer sabem o que é isso.

Entretanto, em outros estados a partir dos anos 90 surgiram vans e kombis, operadas pelos próprios donos, concorrendo com o sistema regular.

Isso se tornou onipresente em todas as capitais e cidades maiores do interior, em todo Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

Cidade Nova mais uma favela

Próximas 4: Cidade Nova e imediações, Ananindeua.

Cheguei a usar esse modal em São Paulo, inclusive as kombis.

Era um problema seríssimo. Esses veículos não tinham manutenção adequada nem treinamento por parte dos proprietários/motoristas. Não cumpriam horário nem itinerários fixos.

E como precisavam fugir da fiscalização muitas vezes dirigiam de forma perigosa, entrando em vias paralelas de menor movimento pra escapar dos fiscais.

Diversos acidentes ocorriam, inclusive com mortes. O sistema reprimia, mas o problema não Cidade Nova Av. principal1terminava, e nem poderia acabar somente pela repressão, pois havia demanda.

Em bairros da periferia simplesmente não havia outra opção, então as pessoas utilizavam transporte irregular, mesmo sendo perigoso.

Por ser uma opção mais barata e em alguns casos a única.

Na última década, todas as cidades regularizaram o transporte clandestino, inserindo-o no sistema.Cidade Nova Av. principal

Em todo Brasil exceto no Sul (onde nunca houve) ele continua a existir, mas não é mais clandestino.

Os motoristas foram obrigados a formar cooperativas, e as cooperativas respondem perante o sistema como se fossem uma empresa. 

Têm que cumprir horário, itinerário e valor da tarifa fixos. Os veículos tem que passar por Cidade Nova Ananindeua ZLmanutenção, e os funcionários por treinamento.

Além disso, em muitas cidades não há mais vans ou kombis, só micro-ônibus.

Que são menores que os veículos convencionais, mas pelo menos você pode ficar de pé dentro deles.

Assim, as cooperativas não mais concorrem com as empresas regulares. Os dois modais agora se complementam, os ônibus maiores das empresas fazem as linhas-tronco, centro-periferia.

Dubai Brasileira e Curitiba do Norte

Dubai Brasileira’ e ‘ Curitiba do Norte‘: a capital paraense adotou os tubos da capital paranaense. Ademais, repito, é impressionante a quantia de prédios de classe média novos e em construção na Zona Central de Belém.

E os micros das cooperativas se encarregam das linhas locais, partindo dos terminais e avenidas principais da periferia até os pontos mais distantes, nas vilas, favelas e morros.

Vi pessoalmente essa situação, o antigo transporte clandestino agora inserido no sistema e com qualidade, em dezenas de cidades.

Como São Paulo capital, Campinas-SP, Santos-SP, Brasília-DF, Goiânia-GO, Cuiabá-MT, Manaus-AM, Belo Horizonte-MG e Fortaleza-CE, pra citar apenas algumas.

No Rio de Janeiro ainda há vans, andei nelas no mesmo ano de 2013. Nas avenidas principais da capital carioca circulam as que já esão legalizadas.

Nos fundões da Ilha do Governador vi ainda transporte que me pareceu entretanto não-legalizado, ou seja clandestino.

centro (2)

Próximas 2: Centrão de Belém.

Se assim for, o Rio resolveu em parte o problema das lotações ilegais, mas não de todo.

Entretanto, dizendo de novo, Belém ainda está por dar esse passo.

Lá ainda operam vans e kombis ‘como dá na telha’, sem qualquer tipo de controle ou fiscalização.

Digo, algumas que vão pra Região Metropolitana são cinzas e numeradas, o que indica que há pelo menos algum cadastramento junto aos órgãos responsáveis.centro

Mas as que operam dentro do município de Belém, e algumas que também são metropolitanas, são completamente brancas.

Sem nada que indique que qualquer pessoa ou órgão tenha alguma jurisdição sobre elas.

Um dia, pra ir de Icoaraci (Zona Norte) pro Centro eu utilizei esse modal, é claro, pois quando visito uma cidade sempre faço uma imersão total.

casa de madeira - muito comum

Aqui e a direita: na Grande Belém – e em todo Norte do Brasil – há muitas casas de madeira.

Vou pra ver como vivem seus habitantes, especialmente os da periferia. 

Cara, é horrível andar nessas vans, e não por outro motivo na maioria das cidades elas foram proibidas.

Você mal fica de pé, não há espaço pra circulação no interior do veículo – quando alguém lá de trás precisa descer é um horror, como não é difícil imaginar.

Na República Dominicana foi exatamente igual, voltei da Zona Oeste de Santo Domingo pro Centro num micro.

E tudo foi repetido ‘ipsis literis’. Bem, no México e Colômbia também andei de Kombi e van, respectivamente, e a situação não foi muito melhor não.casa de madeira - muito comum1

Voltando a Belém, cheguei a ver Kombis em que se abre janela de trás, e duas pessoas iam sentadas sobre o motor, com as pernas pra fora do veículo.

Numa situação calamitosa, mas ninguém parece se importar.

………………

praca CentroEnfim, seja como for, veja as vans operando em Belém. Em duas tomadas (uma delas a esq.) é  um único veículo, pela manhã, bem no Centro, perto do Ver-o-Peso.

Repare na outra foto (mais pra cima na pág.) que ainda vemos os trilhos dos bondes, que um dia ali fizeram seu ponto final, mas que já se retiraram de cena a décadas (em Assunção-Paraguai captei a exata mesma cena).

BR Centro de Ananindeua

Próximas 5: sequência tomada na BR-316, Ananindeua. Aqui é próximo ao Centro do município.

E também a fila de vans no bairro do São Braz, Zona Central. Nesse local é o terminal metropolitano, em frente a Rodoviária.

Outro detalhe. Veja nessa imagem logo acima a placa do Pálio verde. Tem as bandeiras do Pará e do Brasil.

Como disse na postagem anterior, essa é uma característica impressionante de Belém: voluntariamente, sem que nada obrigue, cerca de metade da frota tem suas placas adornadas assim.

Voltemos ao transporte coletivo. Lhes disse que apenas Ananindeua e Marituba estão conurbadas com Belém, e por isso formam com ela uma única cidade, região metropolitana da fato e direito.

BR-316 Ananindeua ZL

Tudo parado mesmo no sábado.

Assim os ônibus regulares pra essas cidades vão até o Centrão de Belém, até seu marco zero, as “docas” (o porto pra navios de grande calado) e o Ver-o-Peso.

Os ônibus pras demais cidades, mais distantes e ainda não de todo integradas a Belém, saem do São Braz, que é próximo ao Centro mas já fora dele.

O ponto final das linhas é de dentro da rodoviária mesmo (quando são ônibus de viagem) ou na praça em frente a mesma (ônibus urbanos e vans).

BR-316 Belem-PA a Maceio-AL

Essa foi de dentro do busão.

E as vans pra região metropolitana e cidades próximas (nesse modal incluindo as que vão pra Ananindeua e Marituba), tudo sai desse mesmo local, no São Braz.

Então aqui vê o fim da tarde, a fila de vans aguardando os passageiros, que iniciarão longa viagem pela BR-316 rumo a suas casas, que ficam em distantes subúrbios a leste da capital.

O ponto final do Ligeirão é ali também.

Na imagem há também vários táxis, já matamos esse coelho também com a mesma paulada: na Grande Belém os táxis são brancos, em todos os seus 3 municípios.

ate na periferia1

Ananindeua: Até na periferia da Gde. Belém surgem prédios altos de classe média, antes inexistentes ali.

……………..

Há também um modal de micro-ônibus, que é bem melhor que vans e kombis. Esse modal é como é no resto do Brasil.

Vários na foto ao lado, na BR-316. São municipais de Ananindeua (na mesma tomada os busos grandes azuis são metropolitanos).

Pequenas empresas e cooperativas operam linhas menores, mas nesse caso com fiscalização, horário e itinerários regulares.

Clicamos diversos micro-ônibus de linhas municipais de Ananindeua, Zona Leste metropolitana – um deles serve ao bairro Jibóia Branca (é isso mesmo),

os azuis predominam - estamos na Zona Leste

Fechando a sequência da BR-316, alguns busos metropolitanos.

Quase todos os micro-ônibus das cooperativas já regularizadas e as vans ainda clandestinas foram trazidas usadas de outros estados, a maioria do Rio e São Paulo.

Muitas vezes sequer fora re-emplacado no Pará ainda.

E cheguei a ver alguns desses veículos em que no letreiro ainda constava a linha que um dia eles cumpriram no Sudeste do Brasil.

Presenciei o mesmo no Paraguai e Rep. Dominicana, e lhes relatei inclusive com fotos.

O trajeto atualmente operado no Norte era indicado por uma plaquinha no vidro.

Vila Esperanca Ananindeua ZL1

Aqui e a direita: Vila Esperança, Ananindeua.

Ou mesmo informado verbalmente pelo cobrador quando encosta no ponto: “Castanheira via BR, tá saindo agora”.

No México, Rep. Dominicana e Colômbia, também há vans e kombis operando de maneira absolutamente precária

Mas pelo menos lá com alguma fiscalização, não são clandestinas.

Repetindo, no Paraguai, por outro lado, não há vans ou kombis, só ônibus e micro-ônibus, em que você pode ficar em pé e circular dentro deles com algum conforto.Vila Esperanca Ananindeua ZL2

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Agora os ônibus regulares. Em Belém a pintura é padronizada e única, tanto pros municipais quanto pros metropolitanos.

Até onde sei, só há mais 4 cidades do Brasil em que isso ocorre: Curitiba, Goiânia-GO, Vitória-ES e Recife-PE.

Mas atenção. Nas outras 4, é a mesma pintura e o mesmo sistema, integrado. Ou seja, quem vem da região metropolitana tem acesso aos municipais da capital sem pagar de novo.

murado ate no 3 andar

Centrão de Belém: prédio vazio murado até no 3º andar, é mole ou quer mais?

Em Belém, apenas a pintura é unificada. Não há integração de qualquer tipo, nem municipal nem metropolitana. 

Não existem terminais de ônibus no Pará, e o cartão, ainda em fase de implantação, não dá desconto e muito menos isenção numa segunda viagem.

Desceu de um veículo, seja ônibus, micro ou van, paga valor integral pra usar outro.

Mais uma vez, relato o que presenciei ‘in loco’ em junho de 13. De lá pra cá foi implantada integração no cartão, embora não sei te dizer se em todas as linhas ou só em algumas. Se algum leitor tiver essa informação repasse que eu publico.

pichacao

Próximas 8: sequência com a pichação de Belém, que é a que tem o maior grau de complexidade do planeta. Estou falando de pichação mesmo, e não de grafite, entenda bem a diferença.

Pelo menos a tarifa é barata, R$ 2,20. É só esse valor mesmo, seja municipal de Belém ou pros seus subúrbios metropolitanos mais distantes.

Isso pros ônibus grandes, das empresas. Nos micro-ônibus das cooperativas e nas vans que são operadas pelos próprios donos, é ainda menos:

R$ 2,00, mesmo pra viagens bem longas que ligam municípios afastados de Belém ao terminal (não-integrado) do São Braz.

…………..

Em Assunção também é assim, uma tarifa relativamente barata e única, seja pros municipais ou metropolitanos.

E tanto faz se o metropolitano entra no município de Assunção (“Departamento Capital”, no jargão local) num trajeto radial, ou se, inversamente, liga municípios suburbanos entre si sem entrar na capital propriamente dita, num roteiro transversal.

pichacao 1 via

“1ª via, se pintar eu volto”. Quando picha, de novo o mesmo muro os caras registram como “2ª via – eu avisei que voltaria”.

Há muitos outros pontos em comum entre as capitais do Paraguai e do Pará. Ambas são cidades:

– planas, sem morros;

– como acabei de dizer, com tarifa única de ônibus, mesmo metropolitanas;

– em que não há integração na rede de transportes, mas ambas irão fazer corredores exclusivos pra articulados, onde será adotado sistema de alimentadores.

Em Belém a primeira fase será inaugurada logo, no Paraguai está em projeto;

pichacao (6)

Veja o nº ’40’, a direita. Indica que a galera mora no bairro 40 Horas, Ananindeua.

– bem pobres, América Latina de fato e direito, ainda aguardando sua vez de entrar na onda de progresso que beneficia parte da região;

– a margem de grandes rios, e tem neles sua razão de existir;

– com portos fluviais guardadas por esquadras da marinha;

– estão construindo portentosa Avenida Beira-Rio dotadas de parques e demais áreas de lazer, aprofundando sua ligação emocional com a Mãe-Água; e

– possuem miseráveis favelas as margens de seus cursos d’água, em que alguns de seus habitantes extraem do rio parte de sua alimentação, pescando.

TOR CN 6 CAM

A esquerda no muro: T.O.R., a torcida do Remo. A direita: CN6, Cid. Nova 6ª Expansão, também Ananindeua. Sem relação com a pichação, notamos que no conjunto mora um torcedor do Galo mineiro.

De forma que foi interessante fazer essas duas viagens em sequência, com menos de um mês de intervalo.

Na verdade eu fui pra Assunção por causa de Belém.

Explico: eu iria pro Pará em fevereiro, a passagem já estava até comprada, nunca havia sequer cogitado ir ao Paraguai.

Mas não deu certo viajar a Belém quando previsto, houveram incidentes que forçaram o cancelamento.

Então eu programei a viagem a Assunção como uma forma de compensar pela outra não ter vingado.

pichacao (2)

Também da CN6.

Foi muito legal, adorei conhecer essa nação vizinha a nossa, um ‘irmão menor’ do Brasil, nossas pátrias estão umbilicalmente ligadas, como já escrevi com mais detalhes.

Ainda assim, não desisti de ir a Belém. E no fim pude conhecer ambas, pelo que agradeço muito a Grande Vida.

E produzir essas séries, assim repartindo com vocês um pouco dessa Vibração, é uma forma de devolver ao Universo a Energia que Ele-Ela me permitiu entrar em contato.

……………….

Deixemos o Paraguai pra lá, afinal ele já foi minuciosamente relatado, e voltemos a falar da cidade de Belém.

pichacao (4)Foi fundada na confluência da Baía do Guajará (que é o Delta do Rio Tocantins, engrossado pelo Rio Araguaia que nele desaguou) com o Rio Guamá.

A baía está a oeste de Belém, o Guamá a sul. Por isso, Belém não tem Zona Oeste, sendo esta o Grande Rio.

Nele está o Porto de Belém (as “docas”), pra navios de grande calado trans-atlânticos, cargueiros e ocasionalmente de passageiros.pichacao (8)

E a seguir o Ver-o Peso. A partir daí, há um pequeno cabo, e depois dele entramos no Guamá, que tem nesse ponto sua foz.

Seguindo rio acima, há a região dos “portos”, onde ancoram embarcações menores, usadas pro transporte intra-amazônico, de carga e passageiros.

Entre o Centro e o Rio Guamá, fica a Zona Sul de Belém. Ela é pequena, por ser limitada fisicamente pelo rio, mas existe.

atropelo

Quando uma gangue ‘atropela’ o emblema de outra, é confronto na certa.

E justamente por ser mais próxima ao núcleo original da cidade, cresceu antes que as Zonas Norte e Leste.

……….

Até o começo dos anos 60 não se chegava a Belém por via terrestre.

Quando o presidente JK “O Egípcio”, o Visionário, construiu a capital Brasília e no mesmo embalo a Rodovia Belém-Brasília.

Enfim o Pará estava integrado a nação, quebrando um isolamento secular. Em outro texto falei mais da história de Belém.

Dubai Brasileira e T.U.T.B_

Mais 2 da Região Central de Belém com sua impressionante concentração de prédios sendo construídos ao mesmo tempo, ao lado de outros recém-prontos. Destaquei a pichação da torcida do Paysandu.

Verão ali que essa relativa alienação do resto do Brasil quase que desconectou o Pará de nossa pátria amada.

Aqui, o tema é a geografia. Houve a inauguração da Belém-Brasília no início dos anos 60, ligando o Pará ao Centro-Oeste, e por consequência ao Sudeste e Sul do Brasil.

Uma década depois, o regime militar concluiu a BR-316, que tem um de seus extremos justamente em Belém. Rumo a leste, ela passa pelo interior do Pará e Maranhão, chegando a Teresina-PI.

Continua a rasgar o sertão nordestino, e tem sua outra extremidade em Maceió-AL. Pronto, agora enfim o Norte estava também conectado ao Nordeste.

Assim a economia se desenvolveu, o que fez com que Belém inchasse descontroladamente. Aí, surgiram grandes favelas na Zona Sul, mais centrais

Dubai BrasileiraE os distantes subúrbios das Zonas Leste e Norte assumiram colossal proporção, rapidamente chácaras deram lugar a vilas, loteamentos e invasões.

A maioria sem nenhuma infra-estrutura, caos que apenas agora principia a ser amainado. E reforce-se o “principia”.

Os subúrbios da Zona Norte, alguns muito, muito distantes, estão dentro do município de Belém mesmo. Já a Zona Leste de Belém se configura nos subúrbios metropolitanos dos municípios de Ananindeua e Marituba.

ate na periferia

Até no subúrbio estão surgindo prédios de padrão mais elevado.

Veja o mapa no meio da matéria, mais pra cima: a Grande Belém foi dividida em 5 regiões, cada uma com um cor característica, pintada na lataria dos ônibus:

– Roxo: Zona Sul, e parte da Zona Central, dentro do município de Belém;

– Azul: Zona Leste, quase toda ela metropolitana, nos municípios de Ananindeua e Marituba;

Verde: um 1º anel na Zona Norte, mais central, no município de Belém;

– Laranja: um 2º anel na Zona Norte, intermediáriotambém no município de Belém;

– e por fim Amarelo: um 3º anel na Zona Norte, periférico, ainda mais uma vez pegando somente o município de Belém.

…………

letreiro fixo - sempre mesma linha

Por décadas, a linha vinha pintada no letreiro do ônibus em Belém – portanto o veículo tinha que ficar fixo nela, não havia como remanejar. Era assim também em B. Horizonte (nesse caso a linha era pintada na lataria) e em toda América Hispânica. O letreiro eletrônico vem dizimando isso em todas as cidades.

Essa divisão não é exata. Talvez os bairros do Marco, Castanheira, Marambaia e Mangueirão (nesse último está o estádio de mesmo nome) pudessem ser classificados como Zona Leste, e eles todos pertencem ao município de Belém.

Mas na hora de dividir não se levou isso em conta, e e todos eles ficaram dentro da região Verde, que é majoritariamente Zona Norte.

Além disso, observe: em preto estão as divisas de município, a linha mais grossa indica o município de Belém, e a mais fina são as fronteiras de Ananindeua e Marituba.

Veja que abaixo, bem no centro do mapa (a direita de onde está escrito ‘Curió-Utinga’ e abaixo de onde está grafado ‘Ananindeua’) há uma parte que pertence ao município de Belém, mas é azul.

É o bairro Águas Lindas. Embora de fato ele pertença a Belém, não há ligação direta dentro do município da capital. É preciso passar por Ananindeua.

itinerario no vidro

‘Paradouro’ na Av. Pirelli, Martituba, Z/L. Vários busões de diferentes linhas descansam antes do próximo pega. O do meio com letreiro eletrônico pode mudar de linha, os dois que o cercam têm que ficar fixos na que está pintada. A direita em escala maior.

Você está em Belém, entra em Ananindeua na BR-316, e ao virar a direita no acesso a Águas Lindas, retorna a Belém.

Por isso, os ônibus que vão até lá são azuis, e operados pelas empresas de Ananindeua.

Por toda a Zona Leste – e toda a Região Metropolitana, o que em Belém dá no mesmo – ser azul, essa é a cor mais comum de ônibus por lá.

A seguir, o amarelo, que cobre a parte mais populosa e distante da Zona Norte. 

Os menos comuns são o verde e o laranja, que cobrem partes intermediárias, menos extensas e menos populosas, da Zona Norte.

E como pode ver, na lataria vem pintado o nome do bairro (ou município) que a linha serve. É o bairro, não a vila. Logo, o ônibus pode fazer outra linha, desde que seja pra uma vila vizinha, no mesmo bairro ou município, que não fica errado.ponto final Marituba ZL

………….

Agora, não pense que essa divisão por cores é rigorosamente respeitada não, porque não é.

A mesma empresa por vezes tem linhas que cobrem regiões distintas. Assim, por vezes é preciso fazer remanejamento na logística dos veículos. Então você ônibus laranjas atendendo a região amarela, pra citar apenas um exemplo. Várias combinações são possíveis, obviamente.

Marituba simbolo da cidade

Menino-Deus, o símbolo de Marituba também vem impresso no busão.

Bem, isso de a empresa nem sempre pôr o ônibus de cor certa naquela linha ocorre em todas as cidades que há alguma padronização e a mesma empresa tem linhas de cores diferentes.

Em todas, sem falhar nenhuma.

Já vi ônibus operando com a cor errada praquela linha centenas de vezes aqui em Curitiba.

E também em São Paulo, Joinville-SC (quando lá tinha diferença por cor, agora não mais, é cor única pra todas as linhas), Blumenau-SC, Belo Horizonte.

Enfim é universal, a viação precisa remanejar os carros pra outra linha, então eles circulam mesmo quebrando o padrão. Acontece.

Praca do Sao Braz ZC

No São Braz, rumando a Terra Firme.

…………

Outro detalhe: em Belém, por muitas e muitas décadas a linha vinha pintada no para-brisas. Logo, o veículo só pode operar naquela linha.

Em Belo Horizonte é igual, lembram que relatei com fotos essa situação quando lá estive em novembro de 12.

E só nessas duas cidades é que é assim. Isso no Brasil. Porque na América Latina, esse é o padrão.

Do México a Argentina, em absolutamente todos os países a linha vem pintada no veículo, que portanto não pode se separar dela.ponto final Jd. Europa ZN

Quer dizer, em Belém e Belo Horizonte era assim.

Porque com o advento do letreiro eletrônico, a linha pode ser alterada literalmente com alguns cliques num teclado.

De forma que as capitais mineira e paraense vem se igualando ao resto do país, perdendo essa característica hispano-americana que era própria delas. 

trans-suburbio Sesi Ananindeua

Icoaraci/Cidade Nova, uma linha (pintada no vidro) que liga 2 pontos do subúrbio sem passar pelo Centro. Ao fundo o Sesi em Ananindeua.

Com a renovação da frota, que é um processo permanente, logo todos os ônibus dessas duas cidades terão letreiro eletrônico.

A esquerda logo acima  o ‘paradouro’ no ponto final das linhas do Jdim. Europa, Zona Norte e daí os bichões laranjas.

Alguns ainda com linha pintada, outros já eletrônicos.

Em verdade na América Hispânica vem ocorrendo o mesmo. Nas reformulações do transporte os busões novos também têm letreiro eletrônico, e também portanto podem servir qualquer linha.

Jd. Europa

Jardim Europa.

Fotografei “carros” (o jargão do meio pra ônibus, obviamente) modernos, que podem alternar entre qualquer linha da empresa num clique.

Em duas tomadas (uma logo acima) cliquei a transição, juntos estão veículos tanto do padrão antigo (“americano”) quanto do novo (“brasileiro”).

Agora, pode alternar de linha desde que seja pra uma vila vizinha, como expliquei acima. Pois o bairro ainda vem pintado na lataria.

Quando é preciso remanejar pra outra região da cidade, por vezes se cola um adesivo com o nome do novo destino contemplado. Ilustro esse fenômeno ao lado:mudou a linha

Antes, esse ‘carro’ servia ao bairro Tapanã, na Zona Norte. Foi remanejado pra região do Icoaraci, que também é Z/N mas bem mais pra frente.

Exatamente o mesmo ocorre em Belo Horizonte, e pelo mesmo motivo, porque vem pintado na lataria o destino.

E lá igualmente, quando é preciso mudar, se recorrem a adesivos, por vezes afixados de maneira completamente tosca e mambebe, só pra quebrar um galho mesmo.

Quem diria hein, cidades diametralmente tão diferentes em quase tudo: BH é bem mais rica; BH é montanhosa, Belém na planície;

taxi branco

Micro de Ananindeua ao fundo. A frente: os 3 municípios mais populosos da Grande Belém (a capital, Ananindeua e Marituba) têm seus táxis na mesma configuração branca.

BH é no centro político e econômico do país, meio caminho entre Brasília de um lado e São Paulo e Rio de outro, já Belém é na periferia econômica e política da nação;

BH é longe da praia e sem grandes rios, alias um dos traços mais marcantes de Minas é ser alijada do litoral, já Belém é a “Filha das Águas”, mais ligada ao Grande Rio, impossível.

Mas nesse quesito, de ter a linha dos ônibus fixa na lataria e sofrer pra modificar, Belém e Belô se encontram. A Vida as vezes é curiosa, não?

…………..

Como já coloquei, breve Belém terá grande salto de qualidade no transporte. As partes mais pobres e populosas, que portanto mais usam ônibus, são as Zonas Leste e Norte.

amanhece em Belem

Aqui e direita: amanhece mais um dia em Belém. Na Av. Presidente Vargas, Centro, onde fiquei hospedado.

Pois bem. Pra se chegar a ambas a partir do Centro se usa a Avenida Almirante Barroso. Há outras, mas esse é o eixo mais carregado, a maioria das linhas de ônibus vai por ela.

Então, e do Centro até o bairro da Castanheira (Zona Leste, ainda no município de Belém) está quase pronto uma canaleta exclusiva pra ônibus, que será operada por articulados.

Terá tubos exatamente iguais aos de Curitiba, em que se abrirão 3 portas. Eles farão o tronco, e vai ficar bom.

Em Castanheira haverá um terminal, e os ônibus normais, que hoje vão até o Centro, partirão dali. amanheceu

Com isso, também será possível ir de uma vila a outra sem passar pelo Centro e sem pagar de novo.

O que hoje é impossível, exceto que haja uma linha específica, o que é raro, tudo é planejado pra levar as pessoas da periferia pro Centro e não intra-periferia.

Numa segunda etapa, o corredor será estendido até Icoroaci, na Zona Norte. Mas vai demorar, e bota ‘demorar’ nisso. Icoroaci é longe, bem longe, e as obras sequer começaram. Bem, até a Castanheira já é alguma coisa, melhor que nada.

corrida de 60 milhoes

Centro/Cidade Nova. Nesse busão sai por R$ 2,20. De táxi, segundo uma estimativa, a corrida fica em nada menos que 62 milhões de reais . . . Assim fez uma piada o taxista.

Atualização. Ainda mais uma vez, o Ligeirão já está ativo, e há alguma integração no cartão.

Não sei se o Terminal da Castanheira ficou pronto, relatei qual era o projeto mas ignoro em que grau foi efetivamente implantado.

…………….

Ao contrário das vans e micros, os ônibus grandes que circulam em Belém foram comprados novos.

Quase todos tem a placa começando com ‘J’, os mais antigos, e ‘O’ os mais novos, o que indica que foram emplacados zero km já no Pará.

A pintura é padronizada pra toda Grande Belém, independente se o busão é municipal ou metropolitano.

belem

Retificação: eis a 1ª padronização de Belém, ‘Saia-&-Blusa’. As cores variavam conforme a viação mas a pintura era sempre essa. Aquela dos veículos inteiro brancos com uma faixa em zigue-zague e motivos indígenas foi a 2ª padronização.

Então como diferenciar? Há duas formas, a primeira é a cor: azul é Zona Leste, e portanto inter-municipal.

E qual a outra maneira de você saber se a linha é interna do município de Belém ou se vai pra Ananindeua, Marituba ou mesmo Benevides?

É simples: pelo desenho que vem entre o bairro e a empresa, no meio do veículo.

Os municipais de Belém vem escrito “Cidade de Belém”, e acima disso com o escudo da cidade.

Os que, por outro lado, saem do Centro de Belém e fazem ponto final em Ananindeua tem uma árvore desenhada.

Jacob Barata

Viação Barata, de Jacob Barata.

Como notam em várias fotos incluso ao lado.

Já os que percorrem maior trajeto, indo até Marituba, tem analogamente símbolos do município em sua lataria:

Em alguns, o prédio da prefeitura, em outros aquela estátua de braços abertos que está na BR, ícone maior de Marituba.

Alias, cliquei a estátua mesma, não em carne e osso, mas em pedra e ferro.

Inamps

Prédio do Inamps no Centrão. Peraí, “Inamps” em pleno século 21?????? Só pode ser mais um ‘túnel do tempo’.

………………..

Marituba é um subúrbio distante e empobrecido. Belém já é por si mesmo uma cidade pobre.

Quando ela inchou, transbordou seu subúrbio pra Ananindeua, que é ainda mais pobre.

Quando Ananindeua igualmente explodiu em crescimento demográfico, transbordou seu subúrbio pra Marituba, que posto dessa forma não é difícil de ver, é periferia da periferia.

Embora nos bairros mais depauperados, e são muitos, do município de Belém a situação seja bastante similar. Cheguei a ver um casa – casa é elogio, uma tapera de madeira caindo aos pedaços – que não tinha fogão, nem a lenha e muito menos a gás.

Cidade Nova (2)

Próximas 4: Cidade Nova, Ananindeua.

A dona de casa improvisou uma grelha, e com lenha recolhida nas imediações aquecia a janta da família. Isso no bairro Cabanagem, Zona Norte de Belém.

Voltando a Marituba, lá estava eu, andando sozinho, sob um sol de quase 40º, no bairro Nova Marituba, que como o nome indica é mais recente, e portanto ainda mais pobre.

Caminhava pela Avenida Pirelli, quando me deparei com o ponto final de várias linhas de ônibus, 4 bichões juntos esperando a hora de zarpar. Já lhes disse isso muitas vezes antes:

Curitiba é a exceção, mas de resto essa é uma cena típica de nossa querida América, que já presenciei em dezenas de cidades de 4 países e das 5 regiões do Brasil.

Cidade Nova Ananindeua ZL2Inclusive já fotografei em B.H., no México (capital e litoral), São Paulo, Santiago, Assunção e até na Grande Curitiba.

Fiquei filosofando então sobre minha missão, que é percorrer sozinho, sempre a pé ou de transporte coletivo, os 4 cantos desse continente, e depois relatar.

Suas partes turísticas e os piores subúrbios e favelas, igualmente. Se tivesse que dizer algo, seria o seguinte:

América querida, só quem te conhece por dentro pode te compreender, e te Amar.

Eu te conheço, em suas entranhas. No Preto & no Branco, estou contigo.Cidade Nova

Por isso te compreendo, e te Amo. Acima de tudo e abaixo de nada”.

Desbravar esse Continente é minha Razão de Viver.

…….

Passado esse momento místico, minha Consciência começou a regressar a matéria, digamos assim. Continuei então minha caminhada rumo a BR-316. Ali chegando, tomei a condução pra Ananindeua.

Cidade Nova (4)Fui de micro-ônibus de cooperativa, de forma que utilizei todos os modais de transportes disponíveis em Belém, que é o que faço em todas as cidades que visito, sempre que possível.

Desci em Ananindeua. Nesse município está o bairro Cidade Nova, ícone da periferia belenense, que conheço de nome desde sempre, e agora a Vida me deu a chance de pisar fisicamente ali.

………..

Sao Braz - Terminal Metropolitano

Terminal (não-integrado) do São Braz. De 2ª a 6ª esse buso é urbano, vai pro Guamá e UFPA (que eles grafam UFPª, com o ‘A’ suspenso e tracejado).

Como já disse várias vezes e é notório, no seu apagar das luzes o regime militar fez pesados investimentos na área social, especialmente nos ramos de transporte urbano e habitação.

Das melhorias na rede de transportes urbanos já falamos muitas vezes, inclusive com fotos.

Aqui, quero lembrar que o governo federal incentivou, financiou e planejou enormes conjuntos habitacionais, de Norte a Sul do Brasil.

A Cidade de Deus na Zona Oeste do Rio talvez seja o exemplo mais famoso, mas poderíamos falar também da:

Cidade Tiradentes (Zona Leste de SP), do Atenas/Augusta na Cidade Industrial (Zona Oeste de Curitiba), do Rubem Berta na Zona Norte de Porto Alegre ou do Conjunto Jereissatti na Zona Sul da Grande Fortaleza-CE, além de muitos outros.

Seg-Sex Roxo Zona Sul Sab.Dom pro litoral

Nos fins-de-semana, o busão ‘troca a tabela‘ e vai puxar linha suburbana, que é o modal feito por ônibus urbanos mas que vai por rodovias ligando um centro maior a cidades do interior próximas. Nesse caso o bichão conecta Belém a Ilha do Mosqueiro – que também fica no município de Belém mas não há ligação direta, é preciso pegar a BR-316 e passar por Ananindeua, Marituba e Benevides, e depois via PA-391 por Sta. Bárbara do Pará. São perto de 80 km, quase 2 horas de pista. Em outra mensagem falamos bastante do dia que os belenenses vão a praia.

Então, em Belém o cartão de visitas do programa foi a Cidade Nova, Ananindeua. Com crescimento explosivo, chegou na 8ª expansão (Cidade Nova 8).

Vários outros se seguiram, um é o Conjunto PAAR, também em Ananindeua, cuja sigla homenageia os 4 estados mais setentrionais do Brasil.

Os únicos que tem parte do território no Hemisfério Norte acima do Esquador: Pará, Amapá, Amazonas e Roraima.

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Comentemos as fotos desse segundo emeio, valem as mesmas advertências do primeiro, quando não estiver ao lado do texto busque pela legenda:

“A CORRIDA DE 62 MILHÕES” –

– Fotografei o ônibus azul que vai pra Cidade Nova, Zona Leste metropolitana, ícone maior da periferia belenense. Em duas tomadas mais pra cima na página ele sozinho, e a direita atrás do roxo que vai pra Z/S.

Estava na Avenida Presidente Vargas, Centro de Belém. Passei a pé em frente a um ponto de táxi.Os taxistas tiravam sarro do quanto esse subúrbio é afastado. Um deles contava que um possível passageiro perguntou quanto daria a corrida pra Cidade Nova.

Azul-ZL Roxo Zonas Central e Sul

Próximas 4: ônibus na Presidente Vargas.

O taxista disse que seria realmente muito caro, melhor deixar pra lá. A seguir, disparou “daqui pra Cidade Nova, dá mais ou menos R$ 62 milhões”. 

E todos explodiram em gargalhadas. Diante desse quadro, melhor mesmo é optar pelos azulzinhos da Viação Forte, não é mesmo?

Demora bem mais, mas pelo menos você só desembolsa R$ 2,20 (valor de 2013, não sei o atual);

– O interior de um ônibus, com o para-brisas decorado, costume local e de boa parte da América, no passado foi mais ainda.

Como podem ver, o cobrador fica a esquerda, pra quem olha do fundo. Volto a esse último tema em outra mensagem;

Av. Pres. Vargas Centro2– Quando os ônibus azuis começam a predominar, você sabe que saiu do município de Belém, e está na Zona Leste, que fica nos subúrbios metropolitanos;

– O ponto final do Jardim Europa, na Zona Norte. Em Belo Horizonte, também estive no Jardim Europa, que também é um bairro de periferia, e igualmente fica na Zona Norte. Que coisa, né?

– Reparem na linha, Belém-Mosqueiro. Volto ao tema em outra mensagem, que já levantei aqui pra página;

Ônibus da Viação Barata. Não é brincadeira ou trocadilho. Jacob Barata é um paraense que vive no Rio, e ali formou um império do transporte urbano. Av. Pres. Vargas Centro3

Mas o Rio era pouco pra Barata. Ele ‘voltou pra casa’ e formou um conglomerado em Belém também.

Além da Viação Barata, há também a Belém-Rio, e outras. Só que ainda era pouco a seguir Barata começou a investir pesado também em Fortaleza-CE;

– Icoaraci-Cidade Nova: uma linha trans-suburbana, ligando dois bairros do subúrbio (respectivamente um na Zona Norte, no município de Belém mesmo, e outro na Zona Leste em Ananindeua) sem passar pelo Centro;

– A cena que via de minha janela, ao acordar: amanhecendo em Belém, e pouco depois já dia claro;Verde Z-Norte 1 anel ---- Azul Z-L

– Há muitas casas de madeira em Belém, são tão comuns quanto aqui em Curitiba.

Só existe esse modal de construção em grande escala em nosso país no Sul, no Norte e no Mato Grosso.

Em quase todo o Sudeste, Nordeste e o eixo Brasília-Goiânia (com poucas exceções) são quase inexistentes – embora no passado tenha sido diferente;

Na foto que aparece uma solitária casinha de madeira lilás, vi no local que o cara invadiu uma barranca de rio atrás do muro de uma empresa.

Terra Firme Zona Sul (3)

Fechamos como abrimos: daqui pra baixo sequência mostra a Terra Firme, Zona Sul – toda ela puxada da rede, o sabem.

Pra chegar em seu lar, há precaríssima passarela sobre o lodo, quase caindo na enxurrada, como de resto toda residência. 

Mas a antena da TV por assinatura está lá, como observam. O ser humano realmente por vezes é bem contraditório;

Recentemente uma novela das 6 da Globo tinham um núcleo paraense.

Digo, a trama se passava no Rio de Janeiro. Mas o personagem principal era da Ilha do Marajó, logo ao lado de Belém.

Se mudou pro Sudeste pois era herdeiro de uma ricaça, que já adulto ele veio a saber que eraTerra Firme Zona Sul (4)sua mãe. Atrás dele se mudaram pro Rio vários de seus amigos e parentes marajoaras.

Assim, as gírias típicas do Pará foram mostradas em horário nobre, pra todo Brasil.

Uma das que fez mais sucesso era “Égua!!!!”, que significa no jargão local “meu Deus, que coisa boa”.

Há a versão maior, “Pai da Égua”, que significa o mesmo. Como é obvio, o BMW é “o” símbolo de ‘status’, um ícone auto-explicativo de luxúria e conforto.

Terra Firme Zona SulAgora dimensione: um cartaz dizendo “Égua!!! Eu posso ter uma BMW”? Só poderia ser no Pará;

– A Igreja de Nazaré, outro símbolo de Belém, que nomeia a avenida e o bairro em que se localiza.

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Raio Vermelho. E como seria outro????

É Belém, caramba.

O “Portal da Amazônia”.Terra Firme Zona Sul (2)

América querida, eu moro em você, e você em mim.

A corrente tá fechada, como meus punhos”.

Vamos até o final.

É nóis aí.

“Deus proverá”

Mais uma ‘Vida no Morro’: Ponta Grossa, Paraná

'mini Vila Velha' - P. Grossa

‘A Taça’: uma ‘Mini Vila Velha‘ em frente a Rodoviária de Ponta Grossa.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 22 de abril de 2014

Estive em Ponta Grossa (abreviada ‘P.G.’, o 4º município mais povoado do Paraná, atrás da capital, Londrina e Maringá) e tirei algumas fotos.

'vida no morro' - Ponta Grossa - Z-N1

‘Vida no Morro’: PG é a cidade mais íngreme  do PR, entre as de maior porte. Essa tomada, feita na Zona Norte mirando o Centro, resume bem a situação. Repare na rua sem calçamento, situação já quase inexistente em Curitiba, Londrina e outras metrópoles.

Não na quantidade e qualidade que eu gostaria.

O tempo não ajudou, em nenhuma das dimensões que essa palavra pode assumir significado:

Fiquei um período curto na cidade, estava nublado e por vezes chovendo, e já estamos no outono, anoitecendo cedo.

Com o céu encoberto, escureceu ainda mais cedo.

'vida no morro' - Ponta Grossa1

Ponta Grossa Eslava: entre as ruas pavimentadas, várias o são com pedras irregulares, herança do Centro-Leste Europeu (Alemanha, Polônia, etc). Modal inexistente em Curitiba mas muito comum no interior do Sul do Brasil. Veja mais uma vez a ladeira bem inclinada (foto perto do Centro).

Resultando que esse ensaio ficou longe do ideal.

Mas como existir é mais importante que ser perfeito, mando assim mesmo.

Quase todas as tomadas são de minha autoria, inclusive dos ônibus ‘pitocos’ (tamanho normal).

Mas as dos articulados e do estádio foram baixadas da rede – eu reforço essa informação na legenda.

Com créditos devidamente mantidos, sempre que estavam impressos nas imagens.

……….

Distrito Industrial - P. Grossa-PR

Distrito Industrial na BR-376.

O título da mensagem só pode ser mais uma Vida no Morro”.

Ponta Grossa foi construída duelando contra as encostas de uma serra.

Uma entre tantas cidades íngremes, né? A “Vida no Morro” Parte 1 é Belo Horizonte-MG. A Parte 2 é Valparaíso-Chile.

Distrito Industrial - P. Grossa-PR1

No mesmo bairro e rodovia, vemos um silo graneleiro, outro traço muito forte da Alma Ponta-Grossense

No modal do emeio a matéria chamada “Vida no Morro”, parte 3, foi a sobre Rio Branco do Sul.

Município que fica na Zona Norte da Grande Curitiba, como é notório.

Na hora de subir para página esse mensagem sobre Rio Branco acabou intitulada “Baixada Paranaense”.

Porque já eram “Vidas no Morro” em demasia.

Anoitece com chuva - Centro de PG1

Entardecer chuvoso de outono no Centrão.

Essa atual sobre Ponta Grossa é a derradeira, fecha a série com chave de ouro.

Por isso, a cidade é um sobe-desce total.

É certamente a cidade mais íngreme do Paraná, no mesmo nível de Campos do Jordão-SP, ou Teresópolis e Petrópolis-RJ, se as conhece.

Ponta Grossa Z-Central3

Centro ao fundo, a cidade sempre subindo e descendo os morros.

Podemos também elevar a comparação pra patamares internacionais:

Em PG eu me sinto novamente em Medelím-Colômbia.

Ou Acapulco-México, ambas já visitei pessoalmente.