a “Cidade Oculta” (e mais o Pq. Barigüi): Santo Inácio, Zona Oeste

Santo Inácio: casa de madeira, terreno enorme sem muro, bosque no fundo.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 30 de setembro de 2017

Depois de 15 anos morando na Zona Sul de Curitiba, me mudei pra parte oriental da cidade. Na verdade minha casa fica a 200 metros da antiga.

Mas como eu cruzei o Belém, troquei de bairro (do Boqueirão pro Uberaba) e também de ‘zona’. Estou lhes contando isso pelo seguinte:

No Santo Inácio fica o Parque Barigüi – digo, ele ocupa partes de 4 bairros. O S. Inácio é 1 deles.

Deus é mesmo o ‘Cara Gozador’, e quis Ele-Ela que minha primeira matéria publicada na Zona Leste fosse curiosamente retratando a Zona Oeste, a porção diametralmente oposta portanto.

Então chega dessa falação, e vamos ao nosso tema de hoje: Santo Inácio, Zona Oeste.

Um bairro pequeno (apenas 6 mil moradores no censo/10) e pouquíssimo conhecido.

A maioria dos curitibanos não sabe que um dos 75 bairros da nossa capital se chama ‘Santo Inácio’.

Por isso a ‘Cidade Oculta’ do título.

……..

fotografei e reportei a ‘parte alta’ dele, a divisa com Santa Felicidade, onde passa o busão Montana.

Já houveram bem mais, mas as grandes áreas verdes ainda são comuns.

Lá flagrei em pleno Brasil uma picape do Paraguai militando na eleição dos EUA. Pensa que é brincadeira mas não é, fotografei tudo, clica pra comprovar.

Tudo isso já está no ar, fui em 2014 lá. Agora de novo, dessa vez foi a ‘parte baixa’, onde passa o Saturno, divisa com o São Braz, perto da BR-277.

De quebra fotografei o parque mais famoso de Ctba. – o Barigüi óbvio. Alias a melhor referência é essa: o Parque Barigüi fica (parcialmente, já detalho melhor) no Santo Inácio.

A Zona Oeste, por estar parcialmente desocupada até a década de 90, passa por intenso processo de urbanização e aburguesação desde então.

A Universidade Tuiuti e Faculdade Espírita também (essas de forma integral).

Por conta disso parte dos moradores do Santo Inácio dizem que moram “no Barigüi”.

Mas o Barigüi não é bairro: é o rio, e por conta disso um parque – o mais famoso da cidade, como o sabem.

E bem rio abaixo uma vila na periferia de Curitiba, que começa na Fazendinha e tem a maior parte de seu território na Cidade Industrial.

Já retratei a Vila Barigüi do subúrbio em 2 reportagens, que você acessa clicando nas ligações em vermelho.

Imagem que sintetiza a transição da Zona Oeste e do S. Inácio em particular: duas casas de madeira bem simples (uma delas secular), num terreno enorme. Ao fundo condomínio de elite com sobrados triplex, e depois um bosque.

Então bora de volta pro nosso tema atual, as imediações do Pq. Barigüi, região que nada tem a ver com a Vila Barigüi.

Só compartilham o nome porque são as margens do mesmo rio na Z/O, mas longe um do outro.

Voltando ao redor do parque, por causa dele muitos de seus moradores dizem que moram não no Santo Inácio, mas “no Barigüi” – só que esse bairro não existe.

Especialmente os ‘novos-ricos’ que se mudaram pra lá recentemente e vivem em condomínios fechados, já falo melhor disso. Bom, a Zona Oeste é campeã de mudar nomes dos bairros:

O Bigorrilho e parte das Mercês eles chamam de “Champagnat”, o Mossunguê, partes do Campo Comprido e CIC eles dizem “Ecoville”.

Pois bem. Eu não reconheço e não ratifico esses modismos, ao contrário, retifico. E não é que creia que as denominações sejam eternas.

A Z/O é onde Curitiba mais se parece com Ponta Grossa-PR, ou (substituindo madeira por alvenaria) com B. Horizonte-MG.

Ao contrário. Até 1992 o atual Jardim Botânico (começo da Zona Leste) se chamava Capanema (nome que ficou preservado pelo estádio e pela vila perto dele, antiga favela agora urbanizada).

Em plebiscito, os moradores optaram pela mudança, eu respeito a vontade deles. Porque houve uma votação oficial, cujo resultado foi chancelado pela prefeitura.

Assim, de fato e direito o bairro agora é o ‘Jardim Botânico’. Firmeza total. Bem distinto é o que acontece na Zona Oeste.

Ali, nunca houve plebiscito algum. Simplesmente ao arrepio da lei alguns decidem entre eles mesmos que o nome anterior é ‘brega’, e “corrigem” pra um mais ‘chique’.

Mais uma vez o contraste.

Que seja. Mas não com minha participação nessa trampa. Até que haja câmbio oficial, sigo usando os nomes corretos:

Santo Inácio, Bigorrilho, Mercês, Campo Comprido, Mossunguê e Cidade Industrial são referidos exatamente assim.

……..

Falar nisso, o Parque Barigüi – que foi criado nos anos 70 – ocupa território de nada menos 4 bairros da Z/O: Santo Inácio, Cascatinha, Mercês e mesmo uma pequena porção do Bigorrilho.

Na tomada a esquerda e nas próximas 6 em sequência, veremos exatamente essa área verde de lazer que é a ‘menina dos olhos’ de Curitiba:

Os esportistas fazendo exercício ao redor do lago que represa o rio de mesmo nome;

Não sei se ainda é o caso, mas no passado ali foi o habitat de jacarés (não os únicos jacarés que vivem soltos em Ctba.) por isso hoje vemos a estátua de um deles (cena igual a que cliquei em J. Pessoa-PB);

No detalhe um leão (que também fotografei na capital da África do Sul, breve no ar) que guarda a entrada de um restaurante;

Restaurante esse cujas mesas são sobre as águas, note o píer a direita na imagem ao lado;

Vemos também uma capivara (cena que me lembrou a Pampulha, em BH, onde igualmente cliquei esses bichos);

Já que entramos na seção que mostra os animais em carne-&-osso do Parque:

Ao lado os gansos que se refastelam com as pipocas;

Abaixo são os seres humanos quem se congregam comendo: vários parques da cidade contam com churrasqueiras públicas.

Ir no fim-de-semana comer um churrasco com salada de tomate e cebola é algo que está na essência do povo curitibano (ou até no meio de semana, por que não?, estive ali numa 3ª-feira e a galera marcava presença).

Eu mesmo fiz isso muitas e muitas vezes, em minha infância (hoje eu não como mais carne).

Apenas, como eu fui criado na Zona Norte, íamos nas churrasqueiras do Parque da Barreirinha – mais eventualmente nas que existem na Estrada da Graciosa;

Abaixo o Centro de Exposições, um dos mais famosos da cidade.

Nota: ocultei o nome da corporação. Não tenho nada contra propaganda ou patrocínio, mas comprar até o nome é diferente, prática abusiva que enjeito. O nome dos lugares não deveria ser vendido;

Fechamos com o Barigüi com o Portal, onde começa a ‘Alameda Ecológica Burle Marx’, que o atravessa. Do Parque voltamos a falar de seu entorno.

Até o surgimento do parque 4 décadas e pouco atrás, a região era periferia. E até os anos 90 permaneceu esparsamente habitada.

Por isso ainda há muitos bosques, muita área verde. De 2 décadas e pouco pra cá, entretanto, se urbanizou acentuadamente.

Quase dentro do parque essa casa. A galera que assina como ”THC” (maconha) ‘decorou’ o muro. Indicaram de onde são: Caiuá, CIC. Z/O.

E quase sempre as novas moradias exibem um elevado padrão econômico.

Assim, no Santo Inácio, tudo convive: antigo e novo, proletariado e alta burguesia, madeira e sobrados triplex, algumas vilas densas com partes com muito verde e terrenos enormes, alguns ainda sem muro.

E, tristemente, pra dar lugar a novos conjuntos de sobrados, os bosques e as casas antigas com terrenos gigantes estão vindo abaixo.

……..

Próximas 3: Conjunto Saturno, Santo Inácio. Aqui uma panorâmica.

Até os anos 90, a mancha urbana de Curitiba basicamente terminava no Rio Barigüi.

Depois dele já haviam, claro, regiões urbanizadas nos núcleos do Campo Comprido, Santa Felicidade e partes do CIC.

Mas pra chegar até eles era preciso passar por áreas não-urbanizadas, ou se preferir em outras palavras, por bosques e chácaras.

Aqui e a esquerda: duas casas que não foram mexidas na arquitetura original.

Mesmo depois da virada do milênio ainda havia haras na Rua Eduardo Sprada, no Campo Comprido, por exemplo. 

Até hoje a Zona Oeste é a menos habitada da cidade. Mas até 20 e poucos anos atrás, a maior parte de sua área ainda era não-ocupada, ou esparsamente ocupada.

Por concentrar tanto espaço disponível perto do Centro, a Z/O foi a que mais cresceu de lá pra cá – e, digo de novo, recebendo gente de padrão elevado de renda.

Com Fiat Oggi na porta, lembra dele?

O que detonou boa parte dos bosques. Mesmo assim, eles ainda existem em bom número, mais que em qualquer outra parte da cidade, porém a devastação prossegue em ritmo acelerado.

……….

Foi uma pena a devastação ecológica (que ademais é universal em nosso planeta).

Mas não se pode negar que foi acertada a decisão de aburguesar a Z/O, processo que a implantação do Parque Barigüi foi um marco fundamental.

Se o tema é carro antigo, aqui vemos o ‘Fuscão de Rally‘. É mole ou quer mais?

Não é difícil entender o porquê. A Zona Oeste é a mais montanhosa de Curitiba.

E até os anos 70 a maior parte das encostas estava desocupada, com vegetação nativa.

Lerner e a equipe viram que esse vazio urbano não permaneceria eternamente. Óbvio que Curitiba iria inchar.

O ‘Dia do Fuca’. Mais pra baixo falo melhor disso.

Assim, se houvessem muitas invasões na parte mais central da Zona Oeste, uma boa proporção delas seria em morros – não preciso gastar meu latim explicando o porquê essa situação é problemática.

Deu certo. Digo, de fato Curitiba inchou, e se encheu de favelas nas décadas de 70, 80 e 90 – eu mesmo morei 15 anos no Canal Belém, Boqueirão, que foi re-invadido no ano de 1990.

Olha o tamanho do lote, e mais um Fusca.

Óbvio que devemos lutar pra que a sociedade seja mais justa, e que um dia não hajam favelas.

Mas enquanto elas existem, se puder não ser no morro é melhor.

E também evidente que não deu pra evitar 100% as invasões em encostas.

Até pouquíssimo tempo atrás o Santo Inácio não tinha prédios. Agora surgiram alguns, sempre baixos, sem elevador.

Nos extremos das zonas Oeste e Norte – e há até um caso na Zona Sul, a Terra Santa/Tatuquara – aconteceu.

Mas a parte mais central da cidade foi preservada. Eu não sou elitista, não sou contra as favelas.

Por isso por 1 década e meia residi numa delas, e residi porque que quis.

Eu amo as favelas, não me interprete errado, e, bom, basta ler a matéria sobre minhas voltas nas periferias da África do Sul que dirimará qualquer dúvidas.

Universidade Tuiuti, marco do Stº. Inácio.

Quando digo que foi adequado que os morros mais centrais da Z/O não se favelizaram, isso é bom até pra população pobre.

Pois favelas centrais em morros sempre criam tensão. E nesses choques os próprios moradores das comunidades são os que mais sofrem.

Basta ver o que está ocorrendo no Rio de Janeiro (o texto é de set.17, quando a ‘Cidade Maravilhosa’ está pegando fogo, infelizmente – faço votos pra que as coisas se serenem, mas hoje é assim que tá).

a cidade oculta”: em buenos aires, isolada fisicamente; aqui em curitiba apenas pouco conhecida

Aqui e a direita: casas mais simples do S. Inácio emolduradas pelos luxuosos prédios do Mossunguê ao fundo.

Como relatei na minha série sobre a Argentina, na Zona Oeste de Buenos Aires, no bairro Vila Lugano, há uma favela que é conhecida como ‘Cidade Oculta’.

Isso porque nos anos 70 a ditadura de Rafael Videla mandou murá-la, pra que quem passasse pela auto-estrada não a visse.

Em Curitiba a coisa não foi tão cruel. Apenas existem alguns bairros nas periferias das Zonas Oeste e Norte que são praticamente desconhecidos da maioria da população.

São eles: São Miguel, Riviera, Butiatuvinha, Lamenha Pequena (homenagem ao ‘pai’ da Z/O) e São João no extremo da Zona Oeste.

Logo a seguir Taboão no extremo da Zona Norte. Todos eles formam uma área contígua na divisa do município.

É a Zona Oeste, caramba!!!

E o Santo Inácio. Esse não é no extremo da cidade, não se divide com outros municípios, todos os seus limites são com outros bairros da capital.

É Zona Oeste, mas relativamente central. Ainda assim, igualmente é desconhecido de boa parte da população da cidade.

…………

Um grande adensamento ocorreu perto da virada dos anos 70 pra 80. Como já escrevi muitas vezes antes:

Em seu apagar das luzes a ditadura militar investiu bastante em transporte coletivo e urbanismo.

Por acaso você sabia que que Curitiba tem uma rua chamada Mina do Ouro??? “Estrada da Mina do Ouro” !!!!, como se tudo fosse pouco. Só mesmo sendo um Caminhante pra minerar umas preciosidades dessas!!! Apesar que no Guabirotuba (Zona Leste) há uma ‘vila temática’ da mineração.

Surgiu o ‘Projeto Padrão’, que visava dar as grandes cidades ônibus mais confortáveis.

Já que até então os ônibus brasileiros eram produzidos sobre chassis de caminhão.

Ademais, foram financiados diversos corredores, terminais, redes de tróleibus (novos e reforma dos antigos).

E muitas cidades do Sudeste, Centro-Oeste e Sul tiveram a pintura padronizada. Tudo isso já descrevi alhures, com muitas fotos.

Falando agora da habitação, o governo militar construiu enormes conjuntos de cohabs nas periferias, e revitalizou o BNH (Banco Nacional da Habitação).

As cohabs de pombais (prédios baixos sem elevador) que são a marca registrada da periferia do Rio e São Paulo, por exemplo, são o cartão-de-visitas do projeto.

Em frente a Faculdade Espírita.

Em Curitiba foram também construídos alguns pombais. Cito de exemplo o grande conjunto conhecido como Atenas/Augusta, no bairro Cidade Industrial, também na Zona Oeste.

(Nota: o bairro CIC foi criado no começo dos anos 70, sendo desmembrado de vários outros.

Antes, onde fica o conjunto Augusta era no bairro Augusta, como o nome indica. Mas depois a C. Industrial surgiu engolfou essa porção.

Já o barracão está na BR-277.

Portanto, enfatizo, o conjunto Augusta não fica na Augusta mas na CIC, num paradoxo mas assim é.)

O Sítio Cercado, na Zona Sul, também ganhou vários pombais na época. Registro portanto que sim, foram construídas cohabs em pombais em Curitiba.

Mas bem menos que nas cidades do Sudeste, é o que quero apontar.

Condomínio de sobrados de alto padrão, mas quase sem quintal e com alto muro. Ao lado casa simples, mas quintal enorme e sem muro.

Até a virada do milênio, Curitiba tinha relativamente poucos pombais, proporcional a sua população.

Até que a prefeitura resolveu construir dezenas sobre dezenas de conjuntos de pombais.

Em todas as regiões da cidade, mas especialmente Sítio Cercado, Ganchinho (esses dois são vizinhos) e Tatuquara na Zona Sul e CIC na Oeste.

Então hoje eles são mais comuns na cidade, tornando sua periferia mais parecida com a do Sudeste. Porém até a virada do milênio eles eram mais raros.

Moradias humildes sem muro, terreno enorme em meio a bosque de pinheiros.

A razão é que em Curitiba deu-se preferência a conjuntos horizontais, de casas, disse tudo isso pra chegar nesse ponto.

Uma vez que pelo caráter mais europeizado do povo boa parte dos curitibanos prefere morar em casas (sejam térreas ou sobrados) que em prédios.

Assim, o regime militar em sua despedida construiu muitos e muitos conjuntos de casas na periferia.

Os exemplos são muitos: Parigot de Souza, no Sítio Cercado.

Exatamente vizinha a da foto acima. Aqui fica claro: casinha simples, de madeira (ainda está lá, mas por pouco tempo). O terreno já foi desmatado e nivelado – e aqui você vê bem o tamanho dele. Breve um conjunto de sobrados de alto padrão.

E vários com nomes relacionados a astrologia: Conjuntos Mercúrio (Cajuru, Z/L), Solar (Bacacheri, Z/N) e Saturno, no Santo Inácio.

Curiosamente, o Parigot homenageia um político, que foi governador do Paraná. Mas suas ruas são uma ‘vila temática’.

Ou seja, uma vila em que as ruas são nomeadas seguindo um tema específico.

E qual o tema do Parigot: exatamente a astrologia. Suas ruas se chamam ‘Sol’, ‘Lua’, ‘Plutão’, etc.

E logo ao lado, esse bosque a venda. Curitiba se torna cada vez menos verde, perde seu diferencial.

E a maior delas, que cruza todo Sítio Cercado (inclusive é a principal via da Vila Xapinhal do outro lado do bairro) é a Rua Marte.

Curioso não? Foram dezenas desses conjuntos em Curitiba, se eu for pensar com calma cito muito mais, em diversos bairros.

Mas dos 4 que eu lembrei primeiramente de cabeça (1 em cada ‘zona’ da cidade) 3 são relacionados a astrologia.

Próximas 3: condomínios de elite, o novo perfil do Santo Inácio.

E aquele que não é no nome o é no nome das ruas (alias, em Maipu, Zona Oeste de Santiago do Chile, visitei e fotografei uma cohab cujas ruas também são relacionadas aos astros e astrônomos).

Muitos dos pombais que foram feitos no Sudeste (por exemplo Cidade Tiradentes na Z/L de Sampa, e vários na Z/N e Z/O do Rio) continuam sendo periferia, pois são muito distantes.

Em Curitiba ocorreu um fenômeno distinto.

A área do município da capital do Paraná é muito, mas muito menor que suas colegas paulista e carioca.

Assim, vários conjuntos foram feitos no fim dos anos 70 em regiões que eram quase desabitadas, eram no fim da cidade na época. Algumas no limite entre as zonas rural e urbana, e nada mais natural, né?

Obviamente na Mina do Ouro.

Já que buscaram-se os enormes terrenos (que abrigariam dezenas ou mesmo centenas de residências cada) onde eles eram abundantes e assim mais em conta, pois quem faria uma cohab no Batel ou Jd. Social?

Mas 4 décadas depois a cidade cresceu muito, e várias partes que então eram periferia se encareceram de maneira acentuada.

Resultando que vários dos conjuntos feitos pela ditadura se aburguesaram tremendamente.

Ao lado dessas mansões de gente rica há um barraquinho num terreno invadido.

Hoje são inacessíveis a classe proletária, viraram média ou mesmo média-alta burguesia.

O Solar e o Mercúrio são exemplos perfeitos. Bem, o Bacacheri é hoje um bairro de perfil mais elevado mesmo, até por ser vizinho do Jardim Social já citado e do Cabral.

O Cajuru ainda é periferia, em sua maior parte, incluso com grandes favelas.

Aqui fica claro como o S. Inácio é íngreme, a diferença de altura do terreno e da rua (no detalhe é a casa vizinha).

A maioria já urbanizadas, não são mais barracos com gatos, mas são ‘as favelas do século 21’.

O Cajuru é muito grande, ao lado do CIC e Sítio Cercado os únicos bairros de Curitiba com mais de 100 mil moradores. 

Sendo extenso e densamente povoado, o Cajuru é heterogêneo, abriga diversos perfis em suas vilas e conjuntos, alguns radicalmente distintos entre si:

Uma vila mais popular.

Se as vilas Autódromo, Trindade, Acrópole, São Domingos, Moradias Cajuru entre outras são ainda regiões bem populares, no Mercúrio esse está longe de ser o caso.

O Mercúrio e o Solar são exemplos, dizendo de novo, de conjuntos de cohab que se aburguesaram.

E os moradores modificaram muito suas residências, cada um a seu gosto, nessas últimas 4 décadas.

Vai pra Saturno. Seria um ônibus-espacial??

Passando ali você não percebe que um dia as casas foram todas iguais.

Tudo somado, não são mais cohab, não são mais periferia.

Um dia abrigaram a classe trabalhadora, mas hoje cumprem o papel de regiões aburguesadas.

Próximas 3: a BR-277, em frente ao Pq. Barigüi, onde a estrada termina. Tirei uma foto parecida em Guarulhos, Gde. S. Paulo.

E tudo isso também se aplica ao Conjunto Mercúrio, no Santo Inácio.

Ali, hoje mora uma média e média-alta burguesia.

Mas a metamorfose maior ocorreu nos terrenos que estavam vagos, ou que abrigavam apenas uma casa simples num espaço enorme:

Nesses as construtoras compraram e ergueram conjuntos de sobrados duplex ou triplex, aí não de média-alta burguesia, mas alta mesmo, e até de elite.

………..

Comentemos um pouco as imagens espalhadas pela mensagem.

Vocês sabem, nem sempre a foto corresponde ao texto a seu lado, busque pelas legendas. Vemos no decorrer da matéria

O ônibus (espacial???) que faz a linha Saturno

Na Gde. Florianópolis-SC pontos de ônibus em concreto são comuns. Em Curitiba só em rodovias, e olhe lá (destaquei a bandeira da Pátria Amada que há numa empresa nessa mesma BR-277).

Trata-se do veículo numerado BA010 da Viação Glória, ex-AA010 da Marechal. Em pleno bairro Santo Inácio, Zona Oeste de Curitiba.

Por décadas e até 2010 quem atendia essa região da cidade era a Viação Curitiba.

Na “licitação” a Marechal assumiu parte de suas linhas. Depois essa última também saiu de cena e a Glória encampou.

Eu cresci, como dito acima, na Zona Norte de Curitiba, bairro Santa Cândida mais especificamente, na fatia da metrópole então servida pela Glória.

Se você me dissesse então que um dia eu veria os busos da Glória nos confins da Z/O eu ia mandar te internar num hospício – mas aqui estão eles! O mundo dá voltas . . . .;

Na mesma BR-277 um barracão abandonado. Na verdade são vários em sequência.

Já fotografei a mesma cena na Cachoeira, Zona Norte de Curitiba, e em Guarulhos, Zona Norte igualmente mas da Gde. São Paulo;

Acima, um riachinho, afluente do Rio Barigüi;

Ao lado e abaixo: muitas casas de madeira, pois é Sul do Brasil – no 2º caso entremeadas por um sobrado mais novo;

– Aquele rolê no Santo Inácio foi “o Dia dos Fuscas”:

Cliquei um amarelo todo preservado no estacionamento do Pq. Barigüi. Depois o ‘Fuscão de Rally‘ numa casa de madeira na BR.

Próximas 3: pequena favelinha (a ‘comunidade’ no jargão de alguns) no final da Estrada da Mina do Ouro – já urbanizada, a prefeitura asfaltou e nomeou oficialmente a rua que corta a vila.

E mais dois nas ruas e garagens do bairro, esses sem serem fetiche, não estão preservados nem cheios de frases exóticas – simplesmente são ainda o meio de transporte da família.

Alias os dois são ‘Fusca Azul’ – eu não tive filhos, convivo pouco com crianças (com exceção de uma sobrinha).

Mas quem tem filhos me informou que existe uma brincadeira chamada ‘Fusca Azul’.

Feita com duas ou mais pessoas, sejam só crianças ou as vezes entre crianças e um adulto:

Quando dois ou mais participantes estão juntos e aparece um carro dessa marca, quem vê primeiro grita “Fusca!!”, e ganha um ponto.

O de cor celeste é o trunfo, vale o dobro. Quem grita “Fusca Azul” ganha 2 pontos. Bem, eu registrei 4 Fuscas, sendo 2 azuis. Marca aí meus pontos . . .

Sempre com os prédios do Mossunguê (que eles dizem ‘Ecoville’) ao fundo.

Vi mais um Fusca dentro de uma garagem, mas como teria que posicionar demais a câmera dentro da propriedade alheia, esse preferi pular.

Eu gosto de Fuscas, o carro mais vendido da história da Terra.

Já cliquei esses redondinhos no México (óbvio), Chile, Colômbia, Paraguai e África do Sul (breve no ar).

Além de vários lugares de Curitiba e do Brasil em geral – aqui em nossa pátria só vou pôr uma ligação:

O desfile de um comboio de Fucas que presenciei na Rodovia do Xisto (BR-476), entre Lapa e São Mateus do Sul-PR.

Já fiz matéria sobre os Fuscas na República Dominicana (pois lá eles foram o ‘carro do terror’ da ditadura Trujillo), em Curitiba, e já os desenhei no México e Rio de Janeiro;

Deus proverá.

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Linha Turismo: a Curitiba que sai na TV

lado a, lado b: esse é o lado ‘a’ da cidade

outra postagem: "Linha Turismo, Curitiba Sai na TV" Parques mapa ctba desenho divisão zonas área verde itinerário roteiro traçadoPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 6 de janeiro de 2017

Em dezembro de 16, andei novamente na Linha Turismo.

E dessa vez eu fotografei os bairros pelos quais o ônibus passa. Digo, na matéria original (sem incluir atualizações) todas as fotos são de minha autoria, mas nem todas desse dia.

A imensa maioria sim, mas algumas imagens puxei do arquivo, afinal se eu já tinha aquela cena registrada por que repetir?

Museu Olho Centro Cívico z/c ctba oscar niemeyer escultura

Aqui e a esquerda o tótem: ‘Museu do Olho’ (Oscar Niemayer), Centro Cívico, Z/C.

Feitos esses apontamentos técnicos, bora de volta falar da Linha Turismo. Já levantei pra rede algumas flores que estão no roteiro.

No mapa vemos o trajeto do ônibus 2 andares. Como eu já disse antes e é notório: a Linha Turismo concentra 95% do trajeto nas Zonas Central, Oeste e Norte.

Na Zona Leste ela entra rapidíssima (só o Jardim Botânico) e a Sul ela ignora por completo.

……..

Pois aqui, repetindo, é “a Curitiba que sai na TV”, o “Lado A” da cidade. Pra complementar essa matéria, veja o “Lado B”, exatamente o contrário, a “Curitiba “que não sai na TV”.

totemAlém desse, em vários outros textos nós mostramos a parte da cidade que não é turística. Por exemplo, eis o ‘Portal da Zona Sul’, que não foi contemplada com a passagem desse ônibus.

Ali estão ancoradas diversos ensaios fotográficos que fiz em bairros periféricos da Z/S. Quem não é daqui vai então ficar sabendo o porquê do roteiro ter sido assim traçado.

……….belem

A periferia, não apenas a austral mas de toda Curitiba e Região Metropolitana, é abordada em outros ensaios. No tema de hoje nós vamos ver a porção turística, rica, e arborizada da capital do Paraná.

Vou descrevendo o trajeto, bem ilustrado com fotos. Quando eu já tiver feito outras postagens sobre aquele bairro, eu dou a ligação em vermelho.

arco-polonesTudo isto posto, vamos lá.

Eu comecei no ‘Museu do Olho’ (Oscar Niemayer), Centro Cívico, na Zona Central. Visto acima nas tomadas legendadas.

Cruzamos o Rio Belém (dir.).jd-schaffer-4

Acima, entrando num pequeno trecho da Mateus Leme, passamos sob o Portal Polonês.

Bem próximo ao Bosque João Paulo 2°.

jd-schafferFiz um desenho em que mostro o Belém, o Bosque do Papa e o Museu do Olho ao fundo.

Acima e nessa imagem ao lado: Jardim Schaffer.

Uma região de alto padrão, como notam, onde está o Bosque Alemão.

Não pude fotografar esse parque porque ele ficou a direita do ônibus.

pedreira ctba z/n abranches rua portões portão entrada portal bosqueE como vocês notam em várias tomadas, eu me sentei a esquerda do busão.

Pelo mesmo motivo não cliquei o Parque Tanguá, Jardim Botânico, entre outras paradas.

Peço desculpas, mas não havia como ficar trocando de banco, tive que escolher um assento e me fixar nele.

ópera arame abranches Z/N bosque teatro ponte metal ferro árvore verde parque lago águaSeja como for, o Schaffer (cujas algumas ruas têm nome de compositores de música clássica) não é um bairro independente, mas uma ‘vila’.

Uma vila de elite, claro. Ainda assim, os bairros a que o Schaffer pertence são a Vista Alegre e Pilarzinho, na divisa entre as Zonas Oeste e Norte.

Já pedi desculpas e expliquei porque não fotografei o Bosque Alemão e Parque Tanguá. parque são lourenço outra postagem: "Linha Turismo, Curitiba Sai na TV" z/n placa vertical ctba canal tótem totem árvore bosque banca lanchonete comércio trânsito avenida ladeira

Nas duas fotos acima vemos o Abranches.

A direita acima é o portão de entrada da Pedreira Paulo Leminski.

geminado-pilarzinhoE passarela dá acesso aquela construção tubular redonda entre o verde que é a Ópera de Arame.

A passarela também é de arame, e portanto vazada. Por isso criaram a ‘Faixa do Salto-Alto‘ no canto.

Já fiz matéria específica sobre a região, onde eu explico melhor a história.verde-4-pil

Curiosidades calçadistas femininas a parte, a rua da Pedreira e Ópera (João Gava) desemboca no Parque São Lourenço. Acima a direita o tótem dele.

Depois o busão retorna ao Pilarzinho.

As próximas 8 imagens (contando a partir dos sobrados geminados a esquerda) são desse grande e populoso bairro da Zona Norte.

pilarzinho-4Alias como veremos por seu considerável tamanho o Pilarzinho tem uma heterogeneidade social muito grande.

Antigamente o bairro já tinha sua porção mais central bem aburguesada. madeira-pilarzinho-3

Mas sua parte mais afastada do Centro, bem próxima de Tamandaré, era periferia mesmo.

Agora o aburguesamento avança rum ao subúrbio, então tudo convive:

pilarzinhoSobrados triplex de meio milhão de reais (ou mais), sobrados mais simples e prédios classe-média.

E ainda restam certas partes de periferia com casas simples de madeira e mesmo algumas favelas.

……..pilarzinho-5

Alguns detalhes se sobressaem:

Veja quanta área verde.

Nas Zonas Norte e Oeste Curitiba é uma das cidades mais arborizadas do mundo.

lote-pilarzinho-2Próximas 2 tomadas:

Ainda no Pilarzinho, vemos a periferia típica do Sul do Brasil. Como já falamos muitas vezes:

Casa de madeira;

lote-pilarzinho

Aqui se encerra a sequência do Pilarzinho.

Terreno enorme, dá pra fazer um campo de futebol;

– Muro baixo, ou mesmo uma cerquinha de madeira;

– Sem calçamento nem fora nem dentro do terreno.

Flagramos até um Fuca na ativa!, como você pode observar.

Mas tudo isso está mudando.

taboaoA Zona Oeste e em menor medida vários bairros da Norte concentram boa parte dos grandes terrenos ainda vagos dentro da cidade.

Fora dali, isso só acontecia até recentemente também no Uberaba (Zona Leste) e Xaxim (Zona Sul).

Por isso todos esses bairros foram os que mais cresceram nas últimas duas décadas e meia.

pq-tingui-3Exatamente por terem mais espaço disponível.

Repare que na foto acima da do Fusca o gigante terreno já tem placa de vende-se.

Logo será um condomínio, horizontal ou vertical.

A direita mais um prédio novo, no bairro Taboão, vizinho ao Pilarzinho. pq-tingui-7

……….

Vamos cruzar o Rio Barigüi.

E portanto saímos do Pilarzinho, Zona Norte, e voltamos a Vista Alegre e a Zona Oeste.

É a vez do Parque Tingüi, um dos muitos as margens do Barigüi.

pq-tingui-6Acima a esquerda exatamente a área verde ao redor do lago formado pelo represamento do Rio.

E depois duas pontinhas de madeira (uma pra pedestres e outra pra veículos) cruzando-o.

O Memorial Ucraniano (esq.) também fica no Pq. Tingüi.

Saindo do parque, vemos ao lado aquilo que te falei:

vista alegre z/o ctba sobrado condomínio fechado classe média alta moto céu nuvens eliteConstruções relativamente novas de classe alta e média-alta.

São recentes, como dito. A região era pobre antes do parque (pois é bem no subúrbio, a poucos metros de Tamandaré).

E ainda restam algumas casas bem humildes, onde se cria até galinhas, bordejando essa área verde.

Mas nada disso não dá pra ver do ônibus.

madeira-vista-alegre-2

Também Vista Alegre: sobrado bi-modal (alvenaria/madeira), muito comum no Chile, em Santos-SP e na Ucrânia.

……

Digo, essa ao lado do Tingüi não dá mesmo.

Mas logo a seguir a Linha Turismo entra em Santa Felicidade, e o mesmo se repete: 

Ainda há casas que criam galinhas, dentro da cidade.

Nas próximas duas tomadas abaixo (a mesma em escalas distintas) comprovamos o que falo.

criacao-de-galinhas

Próximas 8: Santa Felicidade, Z/O.

Ressalto, aqui é Santa Felicidade, já longe do Pq. Tingüi.

O Extremo Oeste da cidade ainda mantém pequena área rural.

Em outros bairros da Z/O (não atendidos pela Linha Turismo) ocorre o mesmo, e nesses eu fotografei melhor.

galinha-sf……..

Mudou o bairro, e até a ‘zona’ (de Norte pra Oeste).

Mas muitas cenas em S. Felicidade são similares as que víramos no Pilarzinho:

– Muita área verde;

– Terrenos enormes;lote-santa-felicidade

– Várias dessas matas e lotes com casas humildes já a venda;

– Moradias humildes sendo muitas e muitas na madeira;

Adensamento, aburguesamento com o surgimento lote-santa-felicidade-2de condomínios;

– E até pequenas invasões.

…….lote-santa-felicidade-3

Agora vamos falar das características próprias de Santa Felicidade (e seu vizinho menor Cascatinha, que fica no caminho):

É a região italiana da cidade por excelência.

vinicolaEntão a Av. Manoel Ribas concentra enormes restaurantes (onde se serve frango, polenta, maionese e massas), vinícolas e o comércio moveleiro.

Ao lado vemos uma casa de vinhos.madalosso

Mas a maior atração de S. Felicidade vem agora. ‘Maior’ não é figura de linguagem.

Eu disse que os restaurantes são enormes.

Pois bem. O Madalosso (dir.) é nada menos que o segundo maior do mundo.

buso-2Maior da América, maior de todo Hemisfério Ocidental, maior de todo Hemisfério Sul.

O Madalosso serve 4,6 mil pessoas, simultaneamente.

Isso em condições normais, aberto ao público em geral.

Segundo se diz, o recorde do Madalosso foi numa campanha eleitoral pra presidente, em que Maluf (sim, aquele Paulo Maluf) fechou a casa e pagou o jantar pra 5 mil pessoas.

Próximas 2: Av. Manoel Ribas, Cascatinha e imediações. Aqui o Portal Italiano.

Corre essa história, mas eu não posso confirmar se é verdade.

O que é fato comprovado é a capacidade normal de 4,6 mil. Maior que ele em todo planeta, só um restaurante que fica na Ásia, no Hemisfério Norte e Oriental.

Pra fecharmos a foto do restaurante, a direita mais pra cima: nota que os táxis em Curitiba são laranjas com quadriculado preto.

O subúrbio metropolitano de Tamandaré xerocou a pintura.

moveis-via-veneto

Loja de móveis.

A prefeitura de Curitiba não gosta dessa cópia que cheira a pirataria, mas não pode fazer nada.

Agora a imagem que aparece um busão amarelo, justamente voltando do Terminal Santa Felicidade:

Foi feita quase em frente ao Madalosso.

O que quero chamar a atenção aqui é que em seu trecho final a Manoel Ribas é de paralelepípedos, calçamento que já foi bem mais comum em Curitiba.

………..

Parque e Rio Barigüi.

As 2 acima, onde aparecem o carro vermelho (esq.) e o Portal (dir.) estamos na Manoel Ribas, mas antes de chegar a Santa Felicidade.

O Portal Italiano fica nos fundos do Parque Barigüi.

Diz “Santa Felicidade”. Estamos a caminho dela, mas ali naquele ponto ainda não é esse bairro.

torre-teleparE sim a divisa das Mercês com Vista Alegre.

Assim que cruzamos o Rio Barigüi que nomeia o mais famoso parque de Curitiba (acima), entramos na Cascatinha, onde foi clicada a loja de móveis a esquerda.

………merces

Depois de Santa Felicidade o buso começa a retornar ao Centro.

Passa pelo Pq. Barigüi, como explicamos e clicamos acima.

sao-francisco-largoE aí passa novamente pelas Mercês. É isso que vamos ver a partir de agora.

Desculpe o pleonasmo. Se estamos avistando a Torre da Telepar (acima a esquerda) é cristalino que estamos nos aproximando das Mercês.

A direita o trecho mais central da Manoel Ribas, também nas mesmas Mercês.

centrao-8

Próximas 12: o Centro da Cidade.

Óbvio que a estatal Telepar já foi privatizada a muito, e não existe mais.

Mas o nome ficou. Eu já fotografei esse mesmo monumento duas vezes, em outras duas matérias sobre a Zona Oeste.

Na tomada acima, onde aparece a galera curtindo no bar, estamos no comecinho da Manoel Ribas, quase no Largo da Ordem, em frente ao Relógio das Flores.

Nesse trecho inicial a Manoel Ribas se chama Jaime Reis, mas a rua é a mesma. Detalhe: também de paralelepípedo.

Portanto ela tem cobertura empedrada nas duas pontas, o meio é de asfalto.

centrao-7Ainda falando da foto acima a esquerda em que as pessoas bebem nas mesas no prolongamento do Lgo. da Ordem:

Ali é o bairro São Francisco, umbilicalmente ligado ao bairro que se chama ‘Centro’ mesmo, ambos juntos formam o Centrão da cidade.

Foi no São Francisco que Marília viu uma placa de refrigerante antiga, e se lembrou de sua infância.

………

A partir da tomada acima e pelas próximas 12, o Centro de Curitiba. centrao-4

Onde a cidade começou, oficialmente. Porque na verdade a primeira povoação europeia de Curitiba foi no Bairro Alto, Zona Leste.

Mas não deu certo.

ed-italiaAssim o núcleo primordial da urbe (aquilo que na América Hispânica se chama “Praça de Armas”, no México o “Zócalo”) foi transferido pra Praça Tiradentes.

Nós já falaremos mais e mostraremos a Tiradentes. Na foto um pouco mais pra cima a direita, exatamente a que está legendada como “Próximas 12: o Centro…”, estamos perto da Rua 24 Horas.

A esquerda acima, onde há uma pichação em vermelho em primeiro plano, é a Praça Santos Andrade.

Onde ficam o Teatro Guaíra e o edifício-sede da UFPR.

tiradentes

Próximas 4: a Pça. Tiradentes, no Centrão.

Logo acima o Edifício Itália, por muitos anos foi o mais alto do Paraná.

……..

Agora sim: a  Praça Tiradentes.

Na foto ao lado vemos a Catedral de Curitiba.

Tem dias que esse canteiro de flores fica todo colorido, lindíssimo. Dessa vez está seco.

marco-zero-tiradentes-2Toda quilometragem de e pra Curitiba tem esse ‘Marco Zero’ que fica na Tiradentes como referência.

Há um similar na Praça da Sé, no Centro de SP.

Portanto quando se diz que 408 km separam as capitais, mais epspecificamente se está dizendo que essa é a distância da Tiradentes a Sé.

Voltando ao marco daqui de Ctba.:

Em cima há um mapa pra lá de simplificado, mostrando as saídas da cidade.

E em cada ponto cardeal um desenho dizendo pra onde vai a estrada se você seguir nesse sentido.

Como notam, fotografamos a face ocidental:

Tem o desenho das Cataratas e está escrito “Iguassu”. Na grafia antiga, ainda.

Direita: a Tiradentes não é o marco zero apenas da cidade.

É também o ponto inicial e final da Linha Turismo.

centrao-pichoDigo, ele é circular, você não é obrigado a desembarcar em lugar nenhum.

Exceto, claro, quando ele completa a última viagem nessa exata Pç. Tiradentes.

Nas viagens intermediárias, ele estaciona porém você não precisa descer.

Mas ali ele fica mais tempo parado pra acertar o horário, é o que se chama ‘ponto de regulagem’ na busologia.picho

A esquerda (também na Tiradentes) e a direita (em outra parte do Centrão, mais perto da Rui Barbosa), 2 prédios todo detonados pelos pichadores.

Fotografei a mesma cena ali pertinho, na Marechal Deodoro, e novamente em Caiobá (Matinhos-PR), Santos e Belo Horizonte-MG.

paco……….

Ao lado: Praça Generoso Marques, nos fundos da Tiradentes.

Em primeiro plano vemos o Museu do Paço Municipal.

rua-das-flores-palacio

Próximas 2: ‘Boca Maldita’ na ‘Rua das Flores’. Aqui vemos o Palácio Avenida.

Ali foi a sede da prefeitura de 1916 a 1969. A frente há uma estátua.

E na base desta há um mapa do Brasil em que o Paraná faz divisa com o Rio Grande do Sul (????).

Espantoso, não? Paraná e Santa Catarina travaram a sangrenta ‘Guerra do Contestado’.

Que justamente contestava territórios. Dependesse da vontade paranaense, Santa Catarina só teria o litoral.

Todo o atual Oeste Catarinense deveria pertencer ao Paraná segundo essa versão, cristalizada no mapa que há estampado nessa praça.

rua-das-flores-2

O primeiro Mc Donald’s de Curitiba (de 1989) está na Luis Xavier. Aos fundos as copas das árvores da Praça Osório.

Ainda sobre a Praça Generoso Marques. Ali era o ponto inicial das primeiras linhas de expresso, quando esse modal começou em 1974.

Depois, quando vieram mais linhas pra outras partes da cidade essa primazia foi pra Pça. Rui Barbosa, que é bem maior.

…………

Já vimos a famosa ‘Boca Maldita’, as últimas (ou primeiras, depende do sentido que você vai) quadras da ‘Rua das Flores‘.

prado-velho-ex-linha-ferrea

Próximas 2: Prado Velho, Zona Central. Aqui na João Negrão pontes em dois modais (a de trem desativada) sobre o Rio Água Verde.

Em 1972, Lerner transformou em calçadão a parte mais central da Rua XV de Novembro.

A primeira quadra da XV a partir da Praça Osório se chama Avenida Luis Xavier, por seu tamanho diminuto conhecida como ‘a menor avenida do mundo’.

No ‘Palácio Avenida’, visto na foto a direita um pouco mais pro alto (vide legenda) é que há aquele famoso coral de Natal promovido por um banco.

Começou com o Bamerindus, depois HSBC, e agora é do Bradesco. Muda o patrono, a tradição continua.

……

paiol

Um pouco pra frente na mesma rua, o Teatro Paiol. Aos fundos avistamos a linha dos prédios do Cristo Rei, Zona Leste.

Saímos do Centro. Mas continuamos na Zona Central. Duas tomadas na Rua João Negrão.

A direita acima ponte sobre o Rio Água Verde (afluente do Belém, deságua nele na Vila Capanema a poucas quadras dali).

Até o fim dos anos 80 havia uma linha férrea que ligava Curitiba a Araucária. Desativaram-na, mas a ponte ferroviária permaneceu de relíquia. belem-2

É sobre o trajeto desativado dessa linha que em 1991 surgiu a invasão ‘Ferrovila’, que é estreita mas muito, muito comprida, vai do Parolin na Zona Central até a Vila Nossa Senhora da Luz no CIC, Zona Sul.

Na tomada acima a esquerda já vimos o Teatro Paiol. Logo após esse marco o busão vai rapidamente pro comecinho da Zona Leste.

cristo-rei-jd-botanico

A esquerda na imagem o prédio pertence ao bairro Jardim Botânico. Já os espigões a direita estão no Cristo Rei, e são os mesmos vistos atrás do Paiol, na foto acima.

Antes disso, na foto acima, ele cruza novamente o Rio Belém. Estamos no bairro Rebouças, Zona Central.

Essa cena foi captada atrás da Rodoviária, próxima ao estádio do Paraná Clube, que também se chama Vila Capanema como todos sabem.

Ali o Belém re-emerge, pois pra cruzar o Centro enfiaram ele pra baixo da terra.

……….

Não pude fotografar o parque Jardim Botânico, com sua famosíssima cúpula que também é de arame, pelo motivo que já lhes expliquei.anaconda

Na 2 imagens acima e ao lado, a Avenida Presidente Affonso Camargo, que divide os bairros Jardim Botânico do Cristo Rei.

Um dia tudo ali pertenceu ao Cajurú, mas não mais a muito.

A direita o tubo ‘Viaduto do Capanema. Vemos em 2° plano o prédio do moinho de trigo Anaconda.

centro-civicoAquele mesmo prédio que Maurílio via da sacada quando ele foi como Super-Homem numa festa a fantasia.

…………

O ônibus da Linha Turismo acaba de deixar a Zona Leste, onde sua estada foi brevíssima. 

Nas duas últimas tomadas já vemos de novo o Centro Cívico, Zona Central.

Acima quase na Avenida Cândido de Abreu, e ao lado um dos muitos prédios públicos do bairro, que foi alias criado pra isso como o nome indica.

centro-civico-2Portanto estamos chegando ao mesmo ponto que embarcamos, o Museu do Olho.

É hora de desembarcar e finalizar o relato. O roteiro de 2 horas e meia está concluído. Espero que vocês tenham gostado da viagem. 

jardineira

1-Pró-Parque: Jardineira (original) Verde.

1ª atualização, ainda em janeiro de 2017 (a partir daqui as fotos foram baixadas da internet):

HISTÓRIA DA LINHA TURISMO

Antes havia a linha “Pro-Parque”, operada por jardineiras verdes.

Ao lado jardineira na linha pro Parque Barigüi (essa e várias outras imagens oriundas da página Ônibus Brasil).

Na verdade esse verde acima não está mais em serviço ativo.

volta-ao-mundo

1-Volta ao Mundo: Jardineira (transgênica) em dois tons de anil/turquesa, com os desenhos dos pontos turísticos.

Não importa. Foi mantido exatamente como quando cumpria essa linha. Está preservado como um ‘museu vivo’.

Se acharmos uma foto de boa definição dele na ativa, adicionamos.

Ao mesmo tempo existia a linha “Volta ao Mundo”.

Essa era feita por antigos ônibus normais, que quando venciam sua vida útil no sistema convencional eram adaptados:

Tinham sua janela ampliada pra virarem jardineiras. A direita um desses Torinos adaptados. Numerado BV002.

turismo

2- Chegou a Linha Turismo. Repintaram de branco os ‘carros’. Mantém-se os desenhos das atrações turísticas da cidade.

A esquerda o mesmo veículo, de branco e renumerado, já na Linha Turismo,

Já falamos mais do tempo que a Turismo foi implantada. Antes vamos voltar a Gênese dela, a época das jardineiras.

Nas jardineiras que vieram assim de fábrica os bancos eram como nas praças, com tiras de madeira na horizontal. Amplie a imagem do ônibus verde-escuro pra comprovar.

Nas ‘transgênicas’ (adaptadas, antes eram convencionais) não, mantiveram-se os bancos de acrílico que os veículos já possuíam.

turismo-jardineira

Aqui e a esquerda: transição pra etapa 2, a Linha Turismo implantada. As antigas jardineiras verdes do Pro-Parque também são repintadas de branco. Ainda com os desenhos dos principais locais que os turistas querem ver em Curitiba.

………..

Depois as linhas Pró-Parque e Volta ao Mundo foram fundidas pra originarem a “Linha Turismo”.

No começo, antes de virem os busos 2-andares, aproveitaram a frota das linhas-gênese.

Nas duas fotos ao lado e logo abaixo, jardineiras que antes eram verdes no ‘Pro-Parque’.

E foram dessa forma repintadas de branco ao mudarem de modal.

Logo abaixo na na Pça. Tiradentes, e direita em outro ponto da cidade.

jardineira1A Linha Turismo pegou. Se tornou uma coqueluche, uma mania da cidade.

Assim começaram a vir ônibus zero km. No começo pintados de branco.

Depois, quando vieram os 2-andares, toda a frota, incluso os de 1 andar, foi re-decorada nesse tom de verde. 

turismo1

2- Ainda na transição pra Linha Turismo.

Já mostraremos tudo isso. Nas fotos até aqui ainda estão os busos oriundos das linhas anteriores, (Pro-Parque e Volta ao Mundo).

Aquelas que, repetindo, são a gênese da Turismo.

Portanto, até esse Monobloco ao lado os busões vieram usados, e foram repintados de branco.

A direita (na mesma Tiradentes) um Monobloco transgênico das Mercês, antes era Interbairros, e foi adaptado, aumentaram as janelas.

3- Consolidação: enfim 1°s ‘carros’ Zero Km.

Agora sim vamos mostrar o que já falamos lá em cima:

Com o sucesso definitivo da Linha Turismo, passam a vir veículos novos pra ela.

Que portanto já chegam de fábrica brancos e com as janelas nessa configuração.

Ainda estão presentes os desenhos dos pontos famosos da cidade na lateral.

mercês mt006 garagem Linha Turismo buso 1-and ctba verde árvore pinheiro prédios vidro alongado adaptado maior arco vermelho paralelepípedo hexagonal símbolo emblema lona letreiro jardineira comil motor atrás traseiro amarelo convencional

4- Ainda somente 1-andar, mas chega a pintura nesse tom entre verde e bege. Eliminam-se os ícones na lataria.

Um deles a esquerda, também na Tiradentes.

E ao lado quando adotou-se a nova pintura. Numa tomada vinda da página Tudo de Ônibus, vemos numa garagem um buso 1-andar.

………

Alguns poderiam pensar que esses de somente 1 andar foram aposentados. E portanto não circulam mais na Linha Turismo.

linha-turismo-curitiba

5- Como é hoje: a estrela principal, óbvio, são os 2-andares, mas nos dias de pico os de 1-andar estão na retaguarda, valentes.

Nada poderia ser mais distante de realidade. Sim, nos dias de menor movimento só rodam veículos 2-andares. 

Mas no pico (férias e feriadões), quando o negócio bomba, a Linha Turismo opera em comboio:

Na frente um 2-andares, mas na retaguarda os bons e velhos de 1-andar vão na cobertura.

Novamente na Praça Tiradentes, um par deles, um tem escada dentro o outro não.

“Deus proverá”

Presente de Grego

nos dois na grecia

“Querida, sobe devagar pra eu fotografar”.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Levantado pra página em 21 de julho de 2016

Dois desenhos inéditos, e dois publicados em emeio no ano de 2012. Começo pelos inéditos, feitos agora em julho/16:

Maurílio e Marília foram pra Grécia.

Acima eles entrando em um ônibus da capital Atenas.maurilio e marilia na praia

‘Azulão’ e com ‘capelinha’. Pra quem não sabe o que é isso, trata-se daquele pequeno letreiro saltado no teto, que contém o número da linha.

Até onde sei, só 4 países no mundo tiveram capelinha: Brasil, Uruguai e Chile aqui na América e Grécia na Europa.

Se te interessar, já fiz postagem completa sobre o tema, com dezenas de fotos.  Incluso lá há imagens em boa resolução exatamente desses busões azuis de Atenas com capelinha.

………..

E a direita o casal de pombinhos numa praia paradisíaca das Ilhas Gregas. Daí estarem em roupas de banho, óbvio.

Voltamos a falar da imagem do busão. Maurílio é busólogo, e está fotografando o bichão (como já o fez em Rio/Mafra, na Divisa PR/SC). Aqui ele clica a máquina por lazer .

Mas tem vezes que ele maneja esse instrumento profissionalmente, como um ganha-pão.

Aqui, porém, não é dia de trabalho, é dia de folga. Nesa viagem pra Europa eles estão curtindo a vida, somente.

Por isso ele correu pra frente do veículo, e pediu pra Marília entrar bem devagar, pra dar tempo de enquadrar e clicar.

Estamos relembrando o passado. Essa viagem deles foi nos anos 80. Hoje os busões de Atenas não têm mais capelinha a muito. Alias os de lugar nenhum.

………..subindo no busao

E quanto a Marília: ela está linda e deslumbrante como sempre. 

Seja de Vestido Azul ou com roupa de praia, como vemos de novo logo abaixo em escala maior. Vestido que ela comprou especialmente pra essa viagem.

Combinou com o busão. Mas não intencionalmente. Ela não sabia que os busos de Atenas eram nessa cor, só viu quando chegou lá.

Marília não é busóloga. Pra ela, saber qual linha tem que pegar e se entra pela frente ou por trás é toda informação sobre ônibus que ela necessita possuir.

…………

amor eternoAgora os desenhos do arquivo. Já que o tema é viagens do casal e ônibus azuis, a direita, em retrato de julho de 2012:

Maurílio no subúrbio do Recife. Vendo um tróleibus azul da CTU.

E 2 a dísel da Borborema, um já na padronização SEI. E outro na pintura livre (ainda com o ‘Área 1’ do EMTU) – igual a da Real Alagoas de Maceió, pois são do mesmo dono.

Eles foram juntos pra capital pernambucana. Curtiram a Praia de Boa Viagem. Mas antes ele foi sozinho pro subúrbio investigar justamente o transporte coletivo.Recife-PE

Além dos busões como está mostrado aqui Maurílio foi também de metrô até Camaragibe.

E abaixo em cena de maio de 2012, ele novamente no ponto:  indo pra Campo Largo, Zona Oeste da Grande Curitiba.

A Zona Oeste do Grande Recife tem metrô. Já a Z/O da Grande Curitiba, alias de qualquer parte de Curitiba, só de ônibus mesmo…

rumo a Zona Oeste

Rumo a Z/O da Gde. Ctba, num Viale amarelo. Numa outra mensagem, rumo a Z/O de Belô num Amélia Trovão Azul.

Definitivamente Maurílio prefere usar transporte coletivo que dirigir. Ao volante só for a trabalho pilotando um Jacaré Scania, ou, de automóvel, um conversível de férias ao lado de Marília.

………..

Nota: reconheço que a qualidade desses 2 últimos desenhos não ficou das mais apuradas. Mantenho pois melhor que nada, pra irmos publicando por completo a Saga de Maurílio & Marília.

“Deus proverá”

“Passando no Arco-Íris”: Dom Augusto virou Augusta, Zona Oeste

escola

Colônia Augusta, denominação atual, com ‘a’, nome feminino, de Mulher, evidentemente.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 15 de julho de 2016

Vamos falar um pouco do bairro da Augusta, na Zona Oeste de Curitiba.

E também de um trecho da vizinha Cidade Industrial, são umbilicalmente ligadas, não dá pra separar.

Como já dito antes, foi o governador do Paraná Lamenha Lins (na época o cargo se chamava ‘presidente da província’) quem ‘criou’ a Zona Oeste da cidade.

Grande região metropolitana antigo velho anos década sjp frg 1950 timoneira colôna argelina augusto augusta z/o z/n mapa ctba 1953

Nem sempre foi assim. Amplie pra ler que o nome original era Colônia Augusto, com ‘o’, homenageando um Homem, o neto varão do Imperador Dom Pedro.

Delineando diversas colônias agrícolas no que então era mata virgem, pra acolher os imigrantes europeus, especialmente italianos e poloneses.

Uma delas era a Colônia Augusto. O nome do bairro era masculino pois era em honra do neto varão do Imperador Dom Pedro.

Sabe-se lá porque, depois de morto ‘passaram Dom Augusto no arco-íris’, e o bairro virou Augusta, nome de Mulher.

‘De futuro Imperador a Imperatriz’. Dom Augusto deve estar se revirando no túmulo, agitado com essa ‘homenagem’ recebida. Coisas da vida…

Veja o mapa ao lado. Nessa outra postagem eu falo mais de como era a Grande Curitibana década de 50. Além do fato que Dom Augusto ainda não usava saias:

Fazenda Rio Grande pertencia a São José dos Pinhais, um francês que havia morado na África tinha uma vaca chamada ‘Cherry’, e o Hospital Evangélico apenas iniciava sua construção, entre outras curiosidades.

passauna………

Voltemos ao tema de hoje. Seja como for, o bairro se consolidou como Augusta, no feminino.

Seu ponto mais famoso é o Parque do Passaúna (visto ao lado e acima da manchete), com o mirante que dá vista belíssima a represa de mesmo nome, de 1991.

zona rural

Agricultura inclusive com estufa na Augusta. O Extremo da Zona Oeste de Curitiba ainda é rural. Na Zona Sul idem.

A Augusta é um bairro extenso e pouco povoado (6 mil habitantes somente, no Censo de 10).

Por isso ainda possui bastante área rural.

Em verdade a maior parte do bairro é ocupado por chácaras, plantações e mata nativa, mais que por vilas e conjuntos urbanos.

No ano de 2003, entretanto, grande invasão na divisa com a Cidade Industrial alterou um pouco o jeito até então pacato da Augusta.

Entre 2012 e 15, foi a vez do vizinho São Miguel – que tem o mesmo perfil – passar por uma onda de surgimento de novas favelas.

augusta-cic-colina verde

‘Colina Verde’, ‘Vera Cruz 2’, ou ainda (pra Tribuna) ‘Invasão do Caiuá’: ocupação de 2003 na divisa entre Augusta e CIC. Essa foto mostra a parte que é na CIC.

Voltando a Augusta, na última década surgiram lá um loteamento particular e várias cohabs (tanto de prédios quanto horizontais).

Aliados a invasão, isso deu um toque um pouco mais urbano a Augusta.

……….

Como dito acima, o Rio Passaúna foi represado na virada dos anos 80 para 90. Surgiu a Represa do Passaúna.

Que hoje fornece água potável para Zona Oeste e parte da Zona Sul (até o Sítio Cercado).

cohab-augusta-z-oeste1

Cohab na Augusta, ao lado da Colina Verde.

O resto da Zona Sul e as Zonas Leste, Central e Norte são atendidas pela Represa do Iraí, que fica na parte leste da região metropolitana.

Recentemente se inauguraram novas represas na divisa entre São José dos Pinhais e Piraquara, numa região próxima, aumentando a capacidade do Sistema do Iraí.

Deixemos o leste para lá e vamos do volta pro Oeste, galera:

O Parque do Passaúna, que margeia a represa, é de 1991. Assim hoje os bairros Augusta e S. Miguel têm diversas ruas que são sem saída pois terminam no lago.

augusta -nvasao e cohab

A ocupação irregular – nesse tomada o lado que fica na Augusta – e ao fundo os pombais típicos dos conjuntos da Cohab.

No passado cruzavam o Rio Passaúna – que então não era represado logo não tinha lago – e saíam nos vizinhos municípios de Araucária e Campo Largo.

Hoje não tenho mais, mas cheguei a possuir um mapa dos anos 80 que mostrava isso.

Seja como for, veio a represa, que só tem uma ponte, a da Rua Eduardo Sprada.

Essa rua continua em Campo Largo como Avenida Mato Grosso, a principal do bairro Ferraria.

rua da divisa augusta-cic

A Rua Lodovico Kaminski divide a Augusta da Cidade Industrial (CIC) em alguns trechos.

Tem esse nome porque antes da construção da BR-277 (‘Rodovia do Café’) a Eduardo Sprada era a saída pro Oeste do Paraná.

E consequentemente depois dele o estado do Mato Grosso – vale lembrar que o Mato Grosso do Sul ainda não existia pois é de 1979.

Deixando o passado para lá e nos focando de novo no presente, a Eduardo Sprada/Av. Mato Grosso é a única que atualmente suplanta o Rio Passaúna.

As demais, dizendo novamente, agora findam na represa.

por-do-sol1

O Sol se Põe no Oeste: fim de mais um dia, visto na Represa (e Parque) do Passaúna.

………

Notam que a Augusta ainda tem boa parte de sua área ocupada por pequenos sítios que se dedicam a agricultura.

A prefeitura diz que oficialmente Curitiba não tem área rural. É mentira, e as imagens mostram.

No vizinho São Miguel cliquei o mesmo. Os Extremos Oeste e Sul do município ainda têm porções rurais, embora outras sejam totalmente urbanas.

placa

Curitiba não gosta do nome ‘estrada’ pra vias urbanas. Aí fica esse pleonasmo tão curitiboca, ‘Rua Estrada’.

Até a virada do milênio a Augusta era ainda mais rural, e ainda menos habitada.

Havia então apenas uma única grande vila urbana, a São José, na divisa com Campo Largo ao lado da Edurado Sprada.

E logo em frente ao Frigorífico (da Frimesa) que nomeia uma linha de ônibus que serve a região mais um conjunto, mas esse bem menor, ocupa somente 4 quadras.

O ponto final do busão era exatamente então em frente a entrada do barracão dessa indústria de laticínios.

Nesse trecho, a Rua Lodovico Kaminski divide a Augusta (do lado esquerdo, para quem sai do Terminal do Caiuá) da CIC.

augusta - area desabitada

Augusta: extensa área desabitada dentro do município de Curitiba.

Logo após o frigorífico, em 2003, surgiu uma grande invasão que fica dos dois lados da Lodovico Kaminski, já mostrada nas fotos acima.

Portanto, embora forme uma única vila contígua, sua metade oriental está na Cid. Industrial, a ocidental na Augusta.

A Tribuna do Paraná chamava o local de ‘Invasão do Caiuá’.

que dá pra fazer campo de futebol, cerquinha de madeira: é o Sul do Brasil, caramba!!!

Foto na ‘Rua/Estrada’ Colônia Augusta. Nas partes antigas do bairro mesmo onde mora gente sobra espaço. Casa de madeira, quintal enorme que dá pra fazer um campo de futebol, cerquinha quase simbólica: é o Sul do Brasil, caramba!!!

Os moradores deram o nome de Colina Verde – não confundir com o conjunto de mesmo nome no Bairro Alto, Zona Leste, do outro lado da cidade.

Ou então de Vera Cruz 2. Já existia bem ali ao lado o conjunto Vera Cruz, na CIC, vizinho do Conjunto Cauiá que nomeia o terminal.

Assim acrescentaram o ‘2’ para mostrar que é uma expansão, fazendo com que as pessoas localizem fácil.

……….

Logo após o Colina Verde ou Vera Cruz 2 a prefeitura fez uma grande cohab de predinhos.

Seguindo há um loteamento feito pela iniciativa privada, o Moradias Passaúna. E depois há outra cohab, essa de casas, chamada Moradias Aquarela.

divisa augusta-cic1

Na parte nova é diferente, a coisa é bem mais densa, a metrópole chegou com tudo. Aqui a ocupação irregular na Lodovico Kaminski, a esquerda CIC, direita Augusta. Bem, se estamos no CIC nada mais natural que a ‘Cidade da Laje’ predomine.

Tudo isso aconteceu na última década e meia, já no século 21. O que fez com que a Augusta mais que dobrasse de população.

Pois se ela tinha 6 mil habitantes em 2010, hoje certamente tem mais de 7 mil.

Já que vários conjuntos que hoje estão plenamente habitados não estavam prontos 6 anos atrás.

E no Censo de 2000 a Augusta concentrava em seus limites somente 3,6 Homens e Mulheres.

Portanto dobrou em uma década e meia, graças a iniciativa da prefeitura em fazer grandes cohabs por lá.

Com tudo isso aumentou em muito a oferta de transporte público.

augusta

Moradias Passaúna, loteamento popular particular, portanto não é invasão, e não tem nenhum pedaço no CIC, inteiro na Augusta. Mas por ser uma parte mais nova, a densidade é bastante elevada.

A linha Frigorífico foi estendida em mais dois pontos, o primeiro no Moradias Passaúna e o segundo no Aquarela.

Atualização: em 8 de agosto de 2016 a linha muda de nome, de Fazendinha/Caiuá/Firgorífico passa a se chamar Fazendinha/Caiuá/Fórum. O horário e trajeto permanece igual.

Além disso a linha Vila Marisa agora também tem um ramal que atende o mesmo trajeto, ambas se sobrepõe pro tempo de espera no ponto ser menor.

……..

Bem em frente aos prédios, do outro lado da rua, outra iniciativa do poder público desenvolveu e urbanizou a região:

Trata-se do Fórum da Cidade Industrial, também inaugurado recentemente (foto logo abaixo), que, como acabo de dizer, inclusive renomeou a linha de ônibus.

divisa augusta-cicDepois da Aquarela a cidade acaba, a Lodovico Kaminski continua em meio a área verde. Ao fazer uma curva a esquerda se torna a Ângelo Marqueto.

Ali passa um outro ônibus, o Vila Marqueto. Esse é de hora em hora, só há um ‘carro’ na linha. O ponto final é na entrada do Parque Passaúna.buso p- campo largo

Essa linha serve também a Vila São José, a maior da Augusta, com perto de metade ou mais de sua população.

A direita o busão Dona Fina, metropolitano, vai pra vila de mesmo nome em Campo Largo, aquela que vemos na outra margem da represa nas tomadas panorâmicas.

Até 2015 os sistemas metropolitano e municipal da capital eram o mesmo. Assim essa linha se chamava São José/Dona Fina.

escada

Escada de acesso ao mirante no Passaúna: trilha em meio ao verde do parque.

Passava dentro da Vila São José antes de cruzar o limite municipal. Agora foi separada.

Os moradores da Vila São José, que fica no município de Curitiba, saíram perdendo com a divisão.

Pois o Dona Fina, metropolitano,  passa a cada 25 minutos, e no pico em média a cada 16. 

Já o Vila Marqueto, municipal, passa de hora em hora, incluso no horário de pico.

Confira você mesmo. Eis o sítio municipal com a tabela do V. Marqueto:

conjunto-augusta

Até a virada do milênio a Augusta só tinha 2 conjuntos urbanos: a Vila S. José que é bem maior (que estou falando ao lado mas não foi fotografada); e esse aqui mostrado, bem pequeno (4 quadras aproximadamente), em frente ao Frigorífico.

http://urbs.curitiba.pr.gov.br/horario-de-onibus/825

E aqui o sítio metropolitano com o horário do Dona Fina:

http://www.cartaometrocard.com.br/ConsultaHorario.asp

Mato a cobra e mostro o pau, irmão. Está aí mais uma vez provado: a maior vila do bairro da Augusta tem ônibus de hora em hora, mesmo no pico.

Enquanto a vila que é vizinha, só que fica na região metropolitana, tem de 25 em 25 minutos, e no pico menos de 20 minutos.

Curitiba, a ‘Cidade-Holograma’, criou um mito que o transporte coletivo aqui é “de primeiríssimo mundo”, quase um Reino de Deus materializado na Terra.

augusta-sem nome oficial

Aí surgiu a invasão (note a rua sem nome oficial, já registrei a exata mesma cena na Cachoeira, Zona Norte)…

Trata-se de uma mentira grotesca, que não guarda qualquer base na realidade.

Curitiba foi modelo de transporte coletivo nos já distantes anos 70 e 80.

Hoje é modelo de de como a arrogância leva a decadência.

Mas encobre isso com grossa lavagem cerebral.

cohab-augusta-z-oeste

as Cohabs (de prédios e outra de casas)…

Contra números não há argumentos. Vila São José, Augusta, Curitiba: tempo de espera no ponto, 1 hora. Sim, é isso. 1 hora. Mesmo as 6 da tarde.

Vila Dona Fina, Campo Largo, logo ao lado. Espera no ponto: 25 minutos, perto de 15 as 6 da tarde.

É só um exemplo. Posso te citar se quiser diversas vilas que têm ônibus somente de hora em hora.

E inclusive algumas que não têm ônibus, em tempo algum.

augusta2

e esse loteamento, dando uma cara mais urbana ao bairro da Augusta.

Simplesmente a vila não é servida por transporte coletivo. Incrível mas é a Verdade.

………….

Vamos ver mais algumas cenas da Augusta. Indo pro Parque Passaúna:

Nas 2 primeiras a rua que dá acesso, ainda pouco urbanizada como notam.

Na 3ª tomada o tótem e arco de madeira sob o qual é preciso passar. Clique sobre as fotos pra ampliá-las, o mesmo vale pra todas.

chacaras-augustaaugusta - area desabitada1portal e totem

Ao lado e na sequência horizontal:cidade da laje

A ocupação Colina Verde/ Vera Cruz 2.

A direita e a 1ª abaixo, na margem da Cidade Industrial. As duas que vem depois do outro lado da rua, portanto dentro do território da Augusta.

augusta-cicaugusta1-sem nome oficialaugusta-colina verde

O belíssimo Pôr-do-Sol na Represa, um dos maiores espetáculos dessa cidade.

Em Porto Alegre-RS o Sol se põe na água, mesmo a cidade não tendo litoral. Aqui em Ctba. isso é o mais perto que chegamos.

por-do-solpor-do-sol4por-do-sol2por-do-sol5por-do-sol7campo largo (2)ceu laranja (2)ceu laranjapor-do-sol6

Ao lado e na sequência horizontal: augusta3

Conjunto Passaúna.

Percebe-se algumas casas de padrão melhor, mesmo sendo último bairro da cidade em sua porção ocidental.

Na 1ª tomada mais algumas Flores do Poente.

augusta5augusta4augusta1

revoada passarosAo lado revoada de pássaros no Contorno Sul, na CIC, próximo a Augusta. Na sequência horizontal, de volta ao Parque Passaúna.

1) Gangue de pichadores redecorou a escada: “Caxa Baxa” é um termo do filme Cidade de Deus, e que eu já vi (via ‘Google’ Mapas) pichado até em Porto-Portugal;

2) Mata no Parque, vista do mirante que foi pichado; 3) Refinaria da Petrobrás que fica em Auracária, próxima a barragem da Represa do Passaúna – já fotografei essa mesma tocha bem mais de perto, do Tatuquara, apenas com o Rio Barigüi a me separar de Araucária.

pichomata-passaunarefinaria

Cenas da Augusta: 1) Mais um bosque, só que já está a venda, logo será um condomínio horizontal, cena que já registrei também no Uberaba (Z/L), Cachoeira (Z/N) e Santo Inácio (Z/O); 2 e 3) Casas de madeira, a última foto é a mesma já vista mais pra cima em outra escala;

matamadeira-augusta1madeira-augusta

Tomadas do bonito entardecer no Contorno Sul, Cid. Industrial, nas proximidades da Augusta:

anoitece no cicanoitece contorno sulcontorno

caiua

Conjunto Caiuá, Cidade Industrial, próximo do Contorno Sul e da Augusta.

A fábrica da Volvo fica no Contorno Sul (trecho urbano da BR-376), Cidade Industrial de Curitiba, esquina com a Eduardo Sprada (pertinho do bairro da Augusta).

No ‘Museu do Transporte’ que fica dentro do complexo há um Ligeirão ‘decolando’ e estourando a parede do barracão.

A 1ª foto é via ‘Google’ Mapas, de toda essa matéria a única que não é de minha autoria.

Pois as que tirei do local (as 2 seguintes) não ficaram boas, batidas de dentro do carro em movimento.

fabrica-googlemuseu do transporte - fabrica volvomuseu do transporte1 - fabrica volvo

caiua1

Mais uma do Caiuá (CIC).

Seguimos vendo o Contorno Sul, bairro Cidade Industrial, e imediações.

1) Interbairros 6, que a maioria dos curitibanos nem sabe que existe pois passa longe do Centro, só no Contorno Sul e BR-116, na periferia das Zonas Oeste e Sul.

O enquadramento saiu ruim, perdi uma parte da frente do bicho. Peço desculpas. Estava no carro em movimento e o busão vindo em sentido contrário;

2) Essas placas são típicas da Cidade Industrial;

3) Próximo ao Contorno Sul, estão surgindo na Zona Oeste condomínios horizontais de altíssimo padrão nos bairros Campo Comprido, CIC e imediações.

chegando na zona central

Essa é no Bigorrilho, também Zona Oeste mas longe dali. Pode ver que já anoiteceu. Como tirei no mesmo rolê, segue junto.

Mais abaixo há foto da portaria de um deles. É a região chamada “Ecoville”. Parecem os subúrbios ianques.

Assim, no Contorno, pipocam esses centros comerciais que também parecem saídos dos bairros de classe média-alta estadunidenses:

Geralmente nos pátios dos postos de gasolina há lanchonetes, farmácias, lojas de móveis, e muitos outros estabelecimentos, tudo no mesmo complexo.

Deu a impressão que eu estava de volta aos EUA, país que visitei 2 vezes vinte anos atrás.

interbairros 6placas tipicas do cicsuburbio ianque

bigorrilho

De novo o Bigorrilho; agora na ida, sol alto. O nome também ‘passou no arco-íris’, na mão oposta. Originalmente era Bigorrilha, uma Mulher. Aí trocaram o ‘a’ pelo ‘o’.

Eu fui pela Eduardo Sprada, portanto via Campo Comprido e CIC Norte.

Até os anos 90 não era apenas a Augusta que era majoritariamente rural.

O próprio Campo Comprido ainda tinha enormes terrenos vagos com matas, chácaras – e até um haras!! – a poquíssimos quilômetros do Centro.

De lá pra cá surgiram ali dezenas de condomínios de altíssimo padrão, o que tornou a região mais urbana.

Mas ainda restam grandes lotes vagos, e muito verde na Eduardo Sprada,como conferimos abaixo:

sprada-campo compridosprada-campo comprido1sprada-campo comprido2

cic-norteVoltamos ao CIC. A direita a praça do CIC Norte, ponto final do Ligeirinho Campo Comprido/Pinhais (que um dia se chamou ‘Leste/Oeste’).

A prefeitura mantém a denominação ‘Campo Comprido’ num erro, o ponto final é bem dentro da Cidade Industrial. A esquerda cohab no CIC Norte.

cic-norte1Na sequência abaixo o Terminal Caiuá, bem próximo a Augusta. Também com suas cohabs, e também com o mesmo erro, a linha se chama “Fazendinha”.

Oras, o Terminal Caiuá foi inaugurado em 1999. Já deu tempo de terem trocado a denominação. Mas ainda não o fizeram, num erro ainda mais inexplicável, pois nesse caso o ponto final é num terminal.

Como eu disse acima, longe vão os dias que Curitiba trabalhava de verdade pra melhorar o transporte coletivo. Agora fica numa inércia enorme, só espremem bagaço do passado.

term. caiua (3)term. caiua (5)term. caiua (4)

Fechamos com as fotos tomadas ainda mais distantes da Augusta. O Céu nas Mercês, divisa entre as Zonas Central e Oeste, por onde passei no caminho. Região já agraciada com outro ensaio.

Onde também aparece a Torre da Telepar vista na 1ª foto. A seguir a Igreja das Mercês – onde os capuchinhos fazem sua famosa bênção – e uma esquina não muito longe da Praça da Bandeira (Bom Retiro), que um colega fotografou e nós já publicamos aqui na página.

ceu-merces2ceu-mercesceu-merces1

Que Deus Ilumine a todos.

“Deus proverá”

Curitiba Florida, de Leste a Oeste (passando pelo Centro)

Praça Tiradentes Pça. Centrão z/c Ctba árvore janeiro 2014 01/14 flores amarela laranja buso micrão trânsitoPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Levantado pra rede em 11 de junho de 2016

Publicado (em emeios) entre janeiro e março de 2014

Todas as postagens de ‘Flores’ são dedicadas as Mulheres

Querida. Praça Tiradentes Pça. Centrão z/c Ctba árvore janeiro 2014 01/14 flores laranja

Fundimos aqui 3 mensagens sobre esse tema. Começo por uma que foi publicada em 14 de janeiro de 2014:

AS FLORES DO CENTRO DA CIDADE

No mesmo dia publiquei outro emeio, retratando o Centrão num bonito fim-de-tarde do verão de 2014.

Praça Carlos Gomes Centrão Ctba z/c árvore florida rosa violeta banca revistaa banca jornais revistas jornalNum ensaio que mostra o contraste com o Céu, por isso intitulado “Cinza & Azul”. Então aqui veremos só as flores. As 2 primeiras são da Praça Tiradentes.

Na sequência horizontal (clique sobre pra ampliar, o mesmo vale pra todas):

A 1ª é da da Rua das Flores, nome bem apropriado (em outra postagem ela coberta de neve em 1975). As outras duas são do Passeio Público – uma das árvores se abaixa pra ‘beijar’ o lago que represa o Rio Belém. Alias, fiz um ensaio completo sobre o maior Rio de Curitiba, da Nascente a Foz.

   Rua Flores Centrão ctba z/c canteiro calçadão 15 quinze novembro banco bradesco comércio jardimpasseio público flor outra postagem "Ctba Florida - Leste a Oeste" centrão Z/C ctba árvore violeta ciclovia grade liláspasseio público rio belém lago água flor Z/C ctba árvore violeta rosa lilás centrão

ctba postagem "sol se põe no oeste" árvore flores céu Z/C z/O sol mercês centrãoEssa ao lado ainda está no Centro mas já na divisa com o bairro das Mercês.

Foi clicada outro dia, pouco mais de dois meses depois.

Então já emendamos outro emeio.

Publicado em 28 de março de 2014, véspera do aniversário da cidade.mais um dia

FLORES OCIDENTAIS

Fui no rastro do Sol. Conforme ele ia indo pra Oeste, eu ia acompanhando-o. Produzi outra postagem com as imagens do Astro-Rei se recolhendo.

Aqui vamos compartilhar contigo as flores que encontrei no trajeto. A foto a direita, por exemplo, foi feita no Campina do Siqueira.

Sol se poeE os prédios mais altos ao fundo estão no Mossunguê, pois já ficam na outra margem do Rio Barigüi.

Além dos bairros já citados há tomadas também no bairro do Bigorrilho (nas Mercês ainda há ruas de paralelepípedos, cada vez mais raras em Ctba.).

Eis as flores da Zona Oeste (o Poente) e da parte ocidental da Zona Central, já a caminho dela. 

RosaRaio VioletaHibisco Rosa - Zona OesteCrepusculoVermelhoAmareloMerces - Zona CentralVermelho e AmareloRosa1

Pro lado inverso da cidade, agora.Vermelho e o Portal Jd. Social

FLORES DA ZONA LESTE PRA TI

“Onde o Sol Nasce”

Publicado em 2 de fevereiro de 2014.

Violeta Rio Belem Z-Leste Z-SulBairros Jardim Social, Uberaba e Guabirotuba. Tudo captado por mim.

….

Todos eles são Z/L, mas bairros bem diferentes entre si, obviamente.

A tomada acima a direita é no Bosque de Portugal, no Memorial da Língua Portuguesa.Boqueirao Zona Sul

Já a a esquerda na ponte sobre o Belém. Em comum, as flores ficam em passarelas sobre cursos d’água.

Uberaba e Guabirotuba são de periferia.

Se aburguesaram intensamente nas últimas décadas mas ainda conservam uma parte pobre.

Vila Hauer Zona SulOnde eu estava, a Vila São Paulo (Uberaba) e Vila Savana (Guabi) ainda é pobre.

São na margem do Rio Belém e portanto perto de minha casa, na divisa com a Zona Sul.

Alias há duas tomadas na Z/S (Boqueirão e Vila Hauer), mas foram capturadas no mesmo rolê:Hibisco Jardim Social

Estão a poucos passos da Z/L, sempre perto do rio, e portanto entraram nesse emeio que retrata a Leste.

Essas rosas bem vermelhas a direita foram clicadas ao lado de minha casa, na Rua Ciclovia, Boqueirão. Detalhe é a pavimentação em concreto feita pelos próprios moradores.

Primavera Rosa Jd. Socialo Jardim Social é o bairro da elite, desde sempre, e bem longe de onde resido, pois exatamente de modo inverso é ainda Zona Leste mas já na divisa com a Zona Norte.

Vamos então ver mais flores orientais.

Da periferia e dos bairros de elite. A Z/L é assim:

Laranja Jd. SocialUberaba2Rosas UberabaAmarelo Uberaba Z-LVioleta Jardim SocialVioleta UberabaAmarelo Jardim Social1Rosa Vermelha UberabaAmarelo Uberabaroxo UberabaRosas GuabirotubaLaranja UberabaBranco Jardim SocialUberabaAmarelo Jardim SocialRosa UberabaAmarelo Uberaba1flores e o riacho Jd. Social

Uberaba1É isso aí.

Beijos de Luz em teu Coração de Mulher.

Deus proverá   

Dormindo com o Inimigo

parabéns, nacional medelím: bi-campeão da américa (1989-2016)

opostos que se atraem

Opostos que se Atraem.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 19 de março de 2016

Um casal colombiano de pombinhos Marília & Maurílio.

Moradores da Favela 13, no bairro São Xavier, Zona Oeste de Medelím. Já falamos mais disso. Por hora toquemos no ponto mais importante:

Eles se Amam muito. Corações e Almas Unidos, que Pulsam juntos tornando-se Um, Imagem e Semelhança de Deus Pai-Mãe.

Mas no futebol estão em lados opostos: Maurílio é  torcedor do Clube Atlético Nacional. 

nacional campeao da america

O ‘Maurílio’ colombiano explode de felicidade. Seu Nacional torna a América Verde, pela segunda vez: 1989, 2016. É o terceiro título da Colômbia, igualando o Paraguai.

Já Marília prefere o arqui-rival, o Desportivo Independente Medelím, conhecido simplesmente por ‘Medelím’. 

O dia que a cidade para pra ver vermelhos e verdes se enfrentarem (dir.) é um dos poucos momentos que o casal se separa.

 Cada um segue pra seu lado da arquibancada:

Maurílio vai pro curva Sul do Atanásio Girardot.

Já Marília toma o rumo da Norte, inclusive ela é do Comando Feminino da torcida organizada Rexixtência Norte (‘Resistência’, mas eles preferem substituir o ‘S’ pelo ‘X’).

clássico paísa montanhês montanha serra futebol colômbia esporte times clubes rivalidade desportivo independente medelím atlético nacional azul vermelho verde branco atanásio girardot partida jogo

Nacional x Independente Medelím: ‘Clássico da Montanha‘ colombiano, ou ‘Clássico Paísa‘, se preferir.

……

Eles têm personalidades opostas não apenas na escolha de seus clubes do coração: 

Maurílio é calmo e bonachão, e gosta do Nacional mas não integra a ‘barra-brava’, a torcida organizada ‘Os do Sul’ do Nacional.

Ademais, ele é completamente desligado de sua aparência física e não por outro motivo está acima do peso, pois prefere os prazeres da mesa aos do espelho.

Inversamente, Marília é impetuosa e elétrica. Assim, como dito, ela é linha de frente da ‘barra-brava’ Rexixtência Norte. ‘Norte’ e ‘Sul’ se refere as curvas atrás de cada gol que as facções ocupam na arquibancada, e não as Zonas Norte e Sul da cidade.

olhares que se cruzam

Postobon’ é um refrigerante muito popular na Colômbia. Quando faço camisas de futebol eu excluo os patrocínios, mas nesse caso por ser algo típico do gosto colombiano mantive excepcionalmente.

E ela é extremamente vaidosa e ciosa de sua apresentação corporal, e sente-se bem ao ser admirada por sua feminilidade, Arte que sabe manipular com maestria.

Bastante periguete, de novo tatuada, com roupas hiper-justas. É uma garota, não?

…………

Em Medelím, como em Buenos Aires, as favelas são numeradas. 

Digo, na capital argentina as favelas são numeradas mesmo. As Vilas ’21’ (na divisa com Avellaneda) e ’31’ (em pleno Centrão) são duas das maiores e mais famosas. Visitei ambas, e fotografei, em alguns casos correndo graves riscos.

Já em Medelím são os bairros que são numerados, e a palavra do espanhol colombiano pra bairro é ‘Comuna‘. Só que a classe média não usa nem esse termo e muito menos a numeração. Assim as quebradas nos morros é que herdaram a parafernália.

favela da comuna 13 - medelimO bairro São Xavier (onde se encontram as linhas ‘B’ e ‘J’ do metrô, de trem normal e metrô-cabo respectivamente), na Zona Oeste, é a ‘Comuna 13’.

Mas no asfalto essa denominação é inútil, por inócua. Assim quando se fala na ‘Favela que fica na Comuna 13’, é o mesmo que dizer ‘Comuna 13’, e já se sabe que é a favela.

………..

Pra fechar. Essa moça existe de verdade. Em abril de 2011, a Grande Vida me deu a oportunidade de presenciar ‘in loco’ o ‘Clássico da Montanha’ Nacional x Medelím.

favela da comuna 13 - medelim1

Favela da Comuna 13 – bairro São Xavier, Zona Oeste, Medelím, América. É ‘perigoso’, segundo alguns…

Aguardava eu nos portões do Atanásio o início da partida quando vi chegar uma menina como desenho aqui: pele morena de índia, camiseta regata rasgada por ela mesma.

E, exatamente como na gravura, na roupa estava com letra de pichação o nome da favela que ela morava, que é também o comando da torcida organizada.

Somente a tatuagem de rosa eu adicionei por minha conta, pra dar um tempero ainda mais picante.

……..

Já ‘Maurílio’ obviamente sou eu mesmo, embora minha pele não seja escura assim, fica como licença poética. Já disse muitas vezes que não torço pra nenhum time de futebol, nem no Brasil tampouco no exterior. Apenas gosto de ir a estádios.

Yin-Yan preto branco símbolo arquétipo bola círculo desenhoMas eu tenho uma simpatia pela Nacional da Colômbia, porque eu Amo demais a cidade de Medelím.

Maurílio pode usar camisa azul no México, Equador e Itália, pode comprar um boné preto e branco no Paraguai e no Chile pode até mesmo se tatuar com um escudo também alvi-negro.

Porém na Colômbia, é verde-e-branco, sempre e pra todo sempre. 

Pra compensar, fiz minha ‘alma gêmea’ Marília de azul e vermelho, pra me refletir inversamente, e tudo ficar completo, como no Yin-Yan. Yin-Yan velas azul rosa

Opostos que se atraem, pra se complementarem mutuamente: Homem e Mulher, Verde e Vermelho, Calmaria e Tempestade.

Eis o Tao Indizível, e não há outro. Se preferir no léxico do Ocidente, eis a Lei de Deus Pai e Mãe de todos nós.

………

Marília adora futebol, e ela joga também, além de torcer.

Já que tocamos no terreno do futebol, além das ligações que já foram ativadas acima nessa postagem eu desenhei Marília em duas situações diferentes:

Com a camisa de dois arqui-rivais do Rio, o Flamengo e o Fluminense – e também com uma amiga na arquibancada junto com a Camisa 12 do Internacional.

Que Ele/Ela Ilumine a todos seus Filhos e Filhas.

“Deus proverá”

No Ninho das Cobras: Butantã, Zona Oeste de S.P.

panoramica

Aqui e a direita: panorâmica do bairro Butantã. Prédios de padrão mais alto junto com pombais de uma cohab, dentro do bosque. Bem no canto da outra foto a caixa d’água.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 26 de janeiro de 2016

Estive no bairro do Butantã, Zona Oeste de Sampa.

Nesse curto ensaio fotográfico vamos mostrar um pouco da região. Na psique da massa ‘Butantã’ é quase sinônimo de ‘cobras’.

Por exemplo, quando minha esposa quer se referir a um grupo de pessoas maldosas, afeitas a intriga, fofocas e críticas excessivas, ela fala: “é o Butantã”.

……….panoramica1

Por conta, claro do Instituto Butantã, que realmente se dedica a estudar esses répteis e outros bichos peçonhentos como aranhas.

Se você conhece alguém que já foi mordido por serpente e recebeu soro anti-ofídico no hospital, então, esse soro provavelmente foi feito ali, no Instituto Butantã.

bonfinholi1

Região arborizada e de classe média-alta, como veremos nas próximas imagens.

É aberto a visitação. Há um museu e viveiros, onde podemos ver diversas espécies desses animais venenosos.

É um programa interessante, que fiz algumas vezes, em viagens anteriores pra SP.

……….

Ali ao lado está o campus da USP – Universidade de São Paulo.

A USP e o Instituto Butantã tiveram origem na mesma fazenda. O campus ficou com a maior parte, e sobrou uma pontinha pro Instituto.bonfinholi

………..

A Zona Oeste é a mais rica de SP, junto com o comecinho da Zona Sul, que lhe é vizinha.

Essa parte endinheirada da Z/S eu já retratei 2 anos atrás, junto com o Centrão.

cidade verde1Então bora de volta pra parte ocidental da metrópole. Há muitas árvores, que na periferia de SP são raríssimas.

A Z/O é a ‘Cidade Verde’ em SP. A parte arborizada da cidade.

Não por coincidência, nas 3 padronizações da pintura dos ônibus (‘Saia-&-Blusa’, ‘Municipalizado’ e ‘Interligado’) o verde ficou pra Z/O. buso

Na postagem ligada em vermelho eu abordo extensamente a busologia paulistana, ricamente ilustrado com dezenas de fotos. Então aqui vamos resumir:

Em uma oportunidade toda Z/O foi verde, e em 2 (incluso atualmente como vê a direita) uma faixa foi/é verde e a outra, justamente onde está o Butantã, laranja.

verdeA Lapa, que o coração e arquétipo da Z/O, é e sempre foi verde, reconhecendo e deixando patente a vibração predominante nessa porção da metrópole.

“A Cidade Verde”, em quesito de arborização, e na busologia igualmente.

………….vila gomes

Estive na Vila Gomes e Jardim Bonfiglioli.

A V. Gomes é uma região mista: sobrados e edifícios de elevado padrão convivem com cohabs e pequenos cortiços.

tacoNas laterais exemplos dessa parte mais popular do Butantã: prédios e casas sem acabamento, comércio sem muito requinte.

Sequer há uma fachada caprichada anunciando o estabelcimento, apelou-se pra cartazes afixados junto a grade.vila gomes1

A esquerda garotos de pele morena jogam taco nas ruas.

Obviamente os meninos de renda elevada se divertem apenas em ambientes fechados, muito bem protegidos por altos muros e seguranças armados.

Pros filhos dos burgueses, brincar na rua nem pensar!, é o tabu dos tabus.

butanta1Portanto até essa partida de taco que eu flagrei demonstra um pouco do tom proletário  da Vila Gomes.

Duas notas: 1) o jogo que em SP se denomina ‘taco’ no Sul do Brasil é conhecido por ‘bete-ombro’.

Esporte que eu joguei muito na minha infância nas ruas de anti-pó precário de Santa Cândida, na Zona Norte de Ctba.butanta2

E 2), essa cena em SP me lembrou da República Dominicana.

Onde também vi meninos de pele parda/negra brincando com tacos no meio do trânsito, parando o jogo quando algum carro passa. Só que lá era beisebol.

jd. bonfinholi………

Já o Jardim Bonfiglioli (pronuncia-se ‘Bonfinholi’) é uma região mais homogênea.

Predominantemente de classe média-alta, aqueles sobrados geminados de bom padrão. ladeira

Ali não há cortiços nem brincadeira de taco na rua.

Independente da variação de renda, o Butantã é muito acidentado topograficamente.

É uma monte de ladeiras, sobe-e-desce constante.

geminadosAs imagens nas laterais resumem com maestria como é a situação.

…………

O rolê foi bem curto, então não há como me estender muito.

Creio que essas imagens serviram já pra darmos uma pitada na porção ocidental da maior cidade brasileira. ponto final

Vamos vendo mais fotos do Butantã, comento alguns detalhes mais significativos.

Esquerda, acima: veja que beleza de árvore florida.

Fiz uma postagem só pra mostrar as Flores do Butantã (de lambuja entrou também o Céu em Moema, na Zona Sul, longe dali).

O ponto final do ônibus Vila Gomes (direita), Quem sabe no Natal esses bichões vão ser todo iluminados com neon, como é tradição em SP?

suburbioDe volta ao tema de hoje, flagrei um Caio e um Marcopolo juntos esperam pra partir.

Cena que já retratei (não necessariamente com esses modelos, claro) no México, Chile, Paraguai, Belo Horizonte-MG, Belém-PA e até Curitiba.

A linha vai pro Centro via Rebouças e Paulista. A passagem (jan.16) custa R$ 3,80.

ladeira1…………..

Esquerda: cena típica paulistana, o portão faz uma curva pro ‘bumbum’ do carro caber.

Pois no subúrbio de SP os terrenos são muito apertados.

Assim cada metro quadrado é cobrado a preço de ouro, vale tudo pro automóvel da família butantaficar protegido.

Aqui em Curitiba esse tipo particular de solução arquitetônica não é necessário.

Por décadas os terrenos da periferia de nossas cidades eram enormes:

Muitas um gramadão enorme que dava pra jogar bola.butanta3

Casa de madeira e sem muro, ou uma cerquinha simples também de madeira.

Tudo muda, Curitiba vem mudando.

A cidade vem se adensando e hoje as casas bem no subúrbio não tem mais esse quintal tão generoso.

muro baixoMas tampouco é tão apertado a ponto de necessitar avançar um pouco na calçada pro carro caber.

Esquerda: casa de muro baixo, cena raríssima em SP.

Fechamos com mais algumas tomadas, clique sobre pra ampliar. O mesmo vale pra todas

cidade verdelinha de prediosbutanta4placapracadetalhe buso

“Deus proverá”

Viagem pra SP: o Céu de Moema e as flores do Butantã

amanhece moemaPor Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 23 de janeiro de 2016

Estive mais uma vez na Cidade de São Paulo.

Fiquei no bairro de Moema, na Zona Sul.anoitece - moema, sp

Na casa de uma parente minha. Antes ela morava no Planalto Paulista, não muito longe dali.

Em viagem anterior, retratei o Planalto, o Brooklin (também Z/S) e mais o Centrão.

Fiz também alguns desenhos da metrópole.

branca e roxa………..

A direita a mesma foto que está acima da manchete.

E a esquerda, no topo da página, do mesmo local.

O Anoitecer, e o Amanhecer na Selva de Pedra.

…………..rosa

Fui também ao Butantã, na Zona Oeste.

Levantei pra rede matéria em que retrato melhor a Vila Gomes e o Jardim Bonfiglioli.

Aqui vamos apreciando as Flores Ocidentais Paulistanas.

laranjada………….

Nas proximidades do campus da USP – Universidade de São Paulo.

Bairro do Butantã.

Um lugar famoso pelas cobras. rosa vermelha 34

Mas veja que a Natureza tem muito mais a oferecer que as serpentes peçonhentas.

…………………

Clique sobre as imagens que elas aumentam de tamanho, o mesmo vale pra todas.

laranjabrancaarvore violetavermelha1amarela1rosa1branca azuladavermelhaamarelabranca1duas coresprimavera

Mais Flores paulistanas: Centrão e Bom Retiro na Zona Central, Brooklin, Planalto Paulista e Alto da Boa Vista na Zona Sul, clicadas de 2012 a 2014.

“Deus proverá”

Barcos e Prostíbulos: Batel e Bigorrilho (Zonas Oeste/Central)

Belo fim-de-tarde no Bigorrilho, entre as Zonas Central e Oeste (*).

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 28 de julho de 2010

As fotos que forem de minha autoria eu coloco um (*) na legenda, como visto ao lado .

As demais foram puxadas da rede (créditos mantidos sempre que estavam impressos nas fotos) ou enviadas por colegas que participam desse canal de comunicação.

Continuemos a falar sobre os nomes dos bairros de Curitiba. Não apenas desses dois vizinhos e muito ricos entre o Centro e a parte ocidental da cidade, mas também outros.

Veja a população e localização dos 75 bairros.

Avenida do Batel, Zona Central.

Vizinho ao Centro e bastante ligado a ele, vamos encontrar o bairro que tem a maior renda per capita de Curitiba, o Batel.

A origem do nome vem de palavra ‘Bateau’, barco em francês.

Quem não estudou essa língua ficou sabendo dessa tradução de forma trágica:

Na passagem pro ano de 1989 o ‘Bateau Mouche’ afundou no Rio de Janeiro, matando bastante gente.

1978

Favelas em Curitiba, 1978. O arquivo original era em pdf. Eu não sabia como transformar em jpg, fotografei e colei a tela. Como tanto meu equipamento quanto técnica são amadores não saiu perfeito, você percebe as emendas. Mas não dá nada, o importante é o mapa circular. Veem que a fonte é a página do Ippuc. Veja essa outra matéria, em que detalhei a história das ocupações irregulares em Curittiba, boa parte delas surgem antes de eleições.

Voltando ao bairro da elite curitibana na Zona Central da cidade:

Segundo se diz alguém estava indo a uma festa religiosa, e levava um barco em miniatura.

Que seria jogado em algum rio pra agradecer uma benção divina.

Era uma réplica bem feita, inclusive trazia no casco um nome em francês, “Bateau alguma coisa”.

Sabe-se lá o porque, após tanto esmero na confecção, o devoto deixou cair essa mini-embarcação na rua.

Onde ela ficou por uns dias.

Os populares passaram então a chamar o local por ‘região do Bateau’.

É sabido por nós que ‘bateau’ se pronuncia batô.

Mas na época quem viu o barquinho na rua era desprovido desse conhecimento, falando a palavra como a lia.

A seguir simplificou-se a grafia, mantendo-se então o nome do bairro como aportuguesação da palavra francesa que quer dizer ‘barco’:

A região do Bateau” (pronunciado não em francês, mas como se lê em português) virou “a região do Batel”, e logo simplesmente ‘Batel’.

2005

E aqui em 2005. Simplificando a legenda: ‘Assentamento’ é quando há invasão do terreno. ‘Loteamento irregular’ é quando o dono de uma chácara parcela sua propriedade em lotes bem menores, urbanos. Assim não houve invasão. Mas se for sem alvará e autorização da prefeitura, as ruas ficam estreitas e irregulares, a princípio não há equipamentos públicos como asfalto, ligações regulares de água e luz, etc, e as casas não têm escritura. Em azul e violeta a prefeitura estava implantando essa infra-estrutura, em bege e verde (na época) ainda não havia planos de fazê-lo.

………..

O vizinho Bigorrilho (na divisa entre as Zonas Oeste e Central) deve seu nome a um puteiro.

Era de propriedade de uma cafetina e prostituta, chamada popularmente de ‘bigorrilha’.

Essa palavra é uma ofensa, quer dizer pessoa incômoda, e um puteiro é exatamente isso, algo incômodo, que movimenta energias baixas.

E essa casa de luz vermelha incomodava os moradores do bairro, que por isso apelidaram a rameira de ‘bigorrilha’.

Com o tempo masculinizaram a palavra, ‘a dona Bigorrilha’, cafetina e prostituta, virou ‘o Bigorrilho’, como se ela fosse um Homem . . .

Também na Zona Oeste há um outro bairro em que o homenageado também mudou de sexo de forma póstuma.

O bairro da Augusta começou como colônia Dom Augusto, que era um neto varão de Dom Pedro.

Augusta e Bigorrilho têm em comum o fato que as pessoas que lhes deram origem tiveram seus sexos invertidos, e ambos são na Zona Oeste mas em pontas opostas dela:

O Bigorrilho faz divisa com o Centro, e poderia ser classificado também na Zona Central.

Parque Tanguá (Pilarzinho) Zona Norte

Vamos ver fotos diversas da cidade, não necessariamente dos bairros que estão sendo falados no texto. Aqui o Bosque do Tanguá, Pilarzinho, Zona Norte.

É densamente verticalizado (28 mil habitantes), têm uma das taxas mais altas de moradores por km quadrado.

Por ser de renda muito elevada é importantíssimo polo de empregos, muitos outras milhares de pessoas acorrem ao bairro no horário comercial.

Já a Augusta é na extremidade do município, fazendo divisa com Campo Largo.

Ainda tem a maior parte de sua área formada por propriedades rurais. Vivem na Augusta 6 mil curitibanos.

……

bom retiro

Próximas 2: Entardecer na Praça da Bandeira, Bom Retiro, vizinho ao Pilarzinho mas já na divisa das Zonas Norte e Central.

Voltando ao Bigorrilho: alguns insistem em chamar o bairro de Champagnat, denominação que não será utilizada por mim até que se torne oficial.

Já houve um projeto de mudar o nome do bairro, mas não passou na câmara.

Talvez porque ao invés de simplesmente propor a alteração de nome de Bigorrilho pra Champagnat eles ainda queriam redefinir os limites:

Pretendiam engolfar também uma área que pertence ao bairro das Mercês.

bom retiro1Realmente boa parte do que é conhecido por Champagnat está além do Bigorrilho.

A antiga sede da Tuiuti e a Praça 29 de Março, por exemplo, estão de fato nas Mercês.

Então os que defendem a mudança não queriam apenas alterar o nome de um bairro mantendo os limites atuais e sim redesenhar o mapa da cidade, alterando as delimitações de 2 bairros, Bigorrilho e Mercês. 

por-do-sol

Mais um pôr-do-sol, mas em outra parte da cidade: sobre os trilhos do trem no Capão da Imbuia, Zona Leste. Veja aqui a mesma cena, e na mesma estrada férrea, alguns km mais a frente, em Piraquara, igualmente Z/L mas já na região metropolitana.

Só que isso criou um complicador, que talvez tenha sido determinante pra derrocada da iniciativa.

A prefeitura não se opõe que um bairro troque de nome, se for o desejo de seus moradores.

Tanto que o antigo Capanema se tornou Jardim Botânico em 1992.

Mas a prefeitura veta qualquer iniciativa que vise re-desenhar os limites entre os bairros.

Outras cidades não têm problemas com isso.

Recentemente, uma parte do bairro São Cristóvão, no Rio de Janeiro, foi desmembrada, passando a se chamar Vasco da Gama, pra homenagear o clube de futebol.

Alegou-se que Flamengo e Botafogo já eram bairros. Só se esqueceu de mencionar que nesses dois casos foram os bairros que nomearam os clubes, e não o contrário.

vila audi-uberaba

Seguimos na Zona Leste, e perto dos trilhos do trem. Tomada aérea da antiga favela da Vila Audi, Uberaba, que foi invadida no território do Parque Nacional do Iguaçu.

Enfim, o fato é que o projeto foi aprovado, e agora existe o bairro Vasco da Gama na Zona Norte do Rio.

Em Porto Alegre-RS, o bairro Mário Quintana foi desmembrado do bairro Protásio Alves pra homenagear o poeta gaúcho.

Ambos os bairros surgiram no mesmo ano, 1998, e foram desmembrados de seus originais.

São Cristóvão e Protásio Alves ainda existem, embora menores.

uniao ferr-ubr

A mesma região depois de urbanizada. A prefeitura fez essa cohab, chamada justamente ‘Vila União Ferroviária‘ por conta de ser ao lado dos trilhos, pra urbanizar as Vilas Audi e União. Foi um projeto excelente que melhorou a vida de milhares de pessoas, e só podemos aplaudir. Infelizmente o ponto negativo é que o Parque Nacional do Iguaçu deixou de existir na Zona Leste, apenas a parte da Zona Sul continua preservada.

Foi o que tentaram fazer aqui, desmembrar uma parte do Bigorrilho e das Mercês.

Mas o que é permitido em outras cidade é interdito em Curitiba. Se a população estivesse de acordo, o Bigorrilho poderia virar Champagnat, mas é isso:

O nome pode mudar, o espaço físico que o bairro ocupa não pode. Não se pode alterar fronteiras de bairros e nem fundi-los.

Assim o Bigorrilho continua sendo uma homenagem a uma prostituta e não ao padre Marcelino Champagnat, como alguns gostariam.

Eu não defendo e nem me oponho a mudança, mas só a adotarei depois de oficial, como já falei.

O Jardim Botânico é o Jardim Botânico, eu não chamo pelo nome antigo, porque houve plebiscito que determinou a mudança.

No Bigorrilho, e também no vizinho Mossunguê (e partes do Campo Comprido e Cidade Industrial) não houve processo oficial de mudança.

Praca Rui Barbosa (Centro)

Praça Rui Barbosa (Centro)

Apenas na cabeça de alguns é que a região é chamada de ‘Champagnat’ e ‘Ecoville’.

Isso pra mim é ficção e sempre será grafado entre aspas.

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Já abordamos bem a divisa entre as Zonas Central e Oeste, a região do Batel, Bigorrilho e Mercês. Indo pra outras partes da cidade e continuando a falar sobre a origem dos nomes de bairros:

z/n letreiro eletrônico buso amarelo marcop ctba Bom Retiro

O ônibus Bom Retiro passa em frente ao terreno que um dia sediou o hospital que nomeia o bairro (*). Não mais. O local está vago e abrigará um empreendimento comercial de grande padrão, o que demolirá o lindo bosque que há ali.

No caso da Boa Vista e Vista Alegre, nas Zonas Norte e Oeste, respectivamente, a origem é óbvia e é a mesma.

Situados em lugares altos, os bairros ofereciam excelentes visões panorâmicas do Centro, vistas ‘boas’ e ‘alegres’, na opinião dos que ali estavam.

Na Zona Central, a Água Verde (vizinha do Batel pelo lado oposto ao Bigorrilho) se deve a um rio de mesmo nome.

Que nasce nas proximidades do estádio do Atlético e deságua no Rio Belém, na região da Vila Capanema, no Prado Velho, também Z/C.

………..

cajuru cajurú micro marcop buso cristo rei ctba convencional amarelo z/l z/c chuva dezembro 2009

O ônibus Cajuru não passa no Cajuru, e sim no Capão da Imbuia. Mas até 1974 o Capão pertenceu ao Cajuru. Fonte dessa e mais imagens: Ônibus Brasil.

O Bom Retiro no começo da Zona Norte (alguns  diriam Zona Central) herdou a nomenclatura do hospital psiquiátrico Bom Retiro.

Que pertence a Federação Espírita do Paraná. Antigamente era do lado oposto da via, onde hoje há uma faculdade.

Quando fiz esse texto, em 2010, o Hospital Bom Retiro era na Rua Nilo Peçanha onde esteve por muitas décadas.

Praça do Japão, na divisa entre Batel e Água Verde, Z/C. Já fiz uma versão dessa cena com minhas próprias mãos.

No bairro do Bom Retiro, que  tem esse nome por causa dele, como estamos falando e é domínio público.

Depois disso, entretanto, ele foi transferido pra outro ponto da Zona Central, no bairro Jardim Botânico, entre a Fiep e o Hospital Erasto Gaertner. 

……

O Batel, como é sabido, é o bairro que faz divisa com o Centro a oeste.

8070 lona buso ctba frota pública volvo ciferal alvorada articulado chapa branca laranja propriedade povo cic cidade industrial letreiro saliente cima praça japão água verde batel z/c prédio elite árvore classe média alta ponto parado gente subindo embarcando passageiros

Antes dos tubos havia um ponto de ônibus exatamente na Pça. do Japão. Aqui vemos, no finzinho dos anos 80, o 8070 ‘sanfonado’ da Frota Pública da Urbs indo pro Terminal do CIC. Hoje não há mais esse expresso, só ligeirinho. Nessa outra postagem que também falo de Curitiba antigamente, há uma tomada ali perto, logo que o buso faz a curva rumo a República Argentina, dos anos 70, ainda em P&B, antes mesmo dos articulados.

Continuemos na Zona Central mas vamos cruzar todo o Centro rumo a ao bairro que o limita a leste, o Alto da XV: Seu antigo nome era Itupava.

Ainda há algumas placas antigas (daquelas verdes que eram pregadas diretamente na parede das casas) que trazem esse nome, por isso creio que ele tenha perdurado até 1974.

A XV de Novembro e a Itupava são duas ruas paralelas, que começam no Centro ou próximo dele, e cortam a cidade rumo a Leste.

No duelo entre essas duas ruas paralelas, primeiro a Itupava levou a melhor e era ela quem nomeava o bairro.

Depois a XV de Novembro virou o jogo, e tirou da Itupava essa primazia.

Atualização: 1 ano e pouco depois que fiz esse texto, fui pela 1ª vez a Guarapuava, no sul do Paraná (e Sul do Brasil).

Lá também há o bairro Alto da XV, e pelo mesmo motivo, a Rua XV começa no Centrão e vai cortando a cidade, pra isso subindo uma ladeira, configurando ‘o Alto da 15’.

Santo Inácio, Zona Oeste (*). Os prédios do Bigorrilho ao fundo.

Por sua vez, outras cidades têm bairros chamados ‘Itupava’. Uma delas é   Blumenau-SC.

…………..

A prefeitura veta desmembramentos no limite dos bairros por iniciativa popular.

Mas há casos em que por sua iniciativa a própria prefeitura muda o mapa da cidade, criando novos bairros tomando terreno de outros mais antigos.

A Cidade Industrial e o Centro Cívico foram caso de bairros que surgiram no território que já era ocupado por outros bairros.

Outra tomada da canaleta da Padre Anchieta, Bigorrilho. Um Expresso Monobloco na também extinta linha Campina do Siqueira/Capão da Imbuia. Finada Auto Viação Curitiba, encampada na ‘licitação’ de 2010. Veja a cena de outro Mono na mesma linha, mas em outro local, o buso passa sob uma Maria-Fumaça na famosa Ponte Preta. E também de distinta empresa, a Cristo Rei. Como a linha ligava as Zonas Oeste e Leste, ambas viações a cumpriam.

Mas foram frutos de políticas públicas oficiais, e não resultado da iniciativa de alguns de seus moradores.

Como o nome indica, são bairros que cumprem funções bem específicas.

A Cidade Industrial é dos anos 70, e o Centro Cívico dos anos 50.

O último desmembramento de Curitiba ocorreu em 1974, na última vez que houve alterações nos traçados dos bairros.

O Capão da Imbuia se separou do Cajuru, virando um bairro a parte.

Isso explica porque o ônibus Cajuru, que sai da praça Carlos Gomes, não passa pelo bairro do Cajuru. Não passa hoje, mas um dia passou.

A perda do Capão da Imbuia foi apenas uma das muitas desterritorializações do Cajuru. 

Escrevi mais sobre o Cajuru em particular e a Zona Leste em geral em uma outra mensagem, onde digo porque o hospital do Cajuru está no bairro do Cristo Rei.

placa Bigorrilho Z/o ctba prédio classe média alte elite alice tibiriçá padre anchieta

Esquina no Bigorrilho (*).

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Por hoje podemos encerrar.

Que Deus Ilumine a todos.

Deus proverá”

 Estados Unidos Mexicanos: onde a Vida e a Morte são o mesmo

classe media e favela ZO

Panorâmica da Zona Oeste (a mais rica) da Cidade do México, clique pra ampliar: ao lado de prédios de classe média, enorme favela se espreme precariamente nas encostas do morro.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 20 de julho de 2012

Segue a série sobre o México. Vamos comentar mais alguns detalhes que observei enquanto estive por lá.

As fotos da cidades (as favelas, mansões e prédios, flores, bomba d’água, o altarzinho no meio da calçada) eu tirei pessoalmente.

santa

Num ritual religioso, fiel mexicano banha a Santa Morte e a ele mesmo em fumaça (r).

A do cartaz de Santa Morte no ônibus de Acapulco também.

Já as demais imagens de Santa Morte foram puxadas da internet. 

Vamos fazer assim: as que foram baixadas da internet serão identificadas por um (r), de ‘rede’, como visto ao lado.

Aí fica nítido o que é de minha autoria, sem essa marca, ou via internet, com.

…………

Morro ocupado pela elite no bairro Eldorado, também Z/O, mas distante do local visto acima. Aquele é no município do México D.F., esse é na Região Metropolitana, já no Estado do México. Veja quantas camadas de cerca elétrica sobre um muro alto.

Disse que a influência ianque é muito grande, e de fato assim é. Começa pelo nome oficial do México, que é esse que está no título: Estados Unidos Mexicanos. É mole?

Como é de domínio público, o Brasil também já foi “Estados Unidos do Brasil”. Mas desde 1969 nosso nome mudou pra ‘República Federativa’.

Retificação: anteriormente eu escrevi erroneamente que fora Getúlio Vargas quem alterara a nomenclatura.

Não foi assim que se deu, o câmbio ocorreu 15 anos após o desencarne de GV, já no regime militar. Seja como for, o México ainda não conseguiu dar esse passo.

Alias, em muitos campos nosso país está muito a frente do México, nas dimensões física (em termos de infra-estrutura) e “espirituais”, digamos assim.

…………

Outro exemplo em que o México lembra o que o Brasil um dia foi: por lá ainda há o ‘caminhão do gás’, sabia?

Bomba d’água no Eldorado, pros ricos não ficarem sem o precioso líquido nas torneiras. Nas periferias o estado nem de longe tem o mesmo zelo.

Os que tem idade o suficiente vão se lembrar que até os anos 80 pras casas se abastecerem com esse produto era bem diferente que agora.

Atualmente há as distribuidoras de gás, que você liga e eles entregam o botijão na sua porta, na hora que você quiser.

Até algumas décadas atrás, tudo era bem diferente. Vamos fazer uma seção retrô:

Só se comprava gás do caminhão. E ele tinha uma escala pra passar na sua rua.

Cada casa tinha na geladeira colado o papel que dizia que dias ele vinha. Era digamos a cada duas sextas-feiras, por exemplo. É certo, se perdesse aquele, o do concorrente passava no outro dia.

sempre presentes

Eldorado é uma bairro muito bonito. Suas sinuosas ladeiras são calmas, floridas e arborizadas, os pássaros cantam. Um Morumbi mexicano.

Mas era preciso alguém estar em casa na hora certa, ou então precisava pedir pra vizinha comprar e depois pegar na casa dela.

O caminhão passava buzinando – nos últimos tempos cada distribuidora tinha uma musiquinha característica, menos irritante que a buzina.

E aí o consumidor, geralmente a dona-de-casa ou a empregada, saía a rua e acenava pro bichão encostar.

Hoje tudo isso parece jurássico, não? Mas durante muito tempo foi assim que funcionou. E no México ainda é dessa forma. Já havia visto pela internet antes de viajar, e lá testemunhei.

Passeava eu pelas ruas da Zona Norte da Cidade do México quando passou o caminhão do gás – tocando a musiquinha característica, evidente.

Em muitos aspectos ir ao México é entrar numa máquina do tempo, algumas coisas lá ainda estão como um dia foram no Brasil, digo de novo.

Santa Morte Aca-1

Oração a Santa Morte em ônibus de Acapulco. Abaixo falaremos bem mais dessa Santa, prova do sincretismo entre as Crenças Aztecas e católicas.

……….

A Eurocopa de futebol no México atraiu muito mais a atenção que no Brasil.

Bares e restaurantes tanto de classe média quanto do povão anunciavam a transmissão, e a galera até se uniformizava pra acompanhar as partidas.

Vi uma turma de laranja, torcendo pra Holanda, claro. E olhe que no México não há muitos descendentes de Holandeses não. É que a Eurocopa faz mesmo mais sucesso lá que aqui.

Atualização escrita em 2015. As coisas estão mudando rapidamente, no Brasil também. Em 2012, apenas 3 anos atrás, o futebol europeu despertava bem menos interesse que atualmente.

Os fiascos e problemas do futebol brasileiro se acumulam em cadeia:

– 7×1 pra Alemanha no Mineirão, na Copa de 14 ;

– Cultura da retranca que faz com que a maioria dos jogos termine em 1×0;

Estamos de volta ao local da 1ª foto, perto do bairro Porta Grande, Z/O da Cid. do México, dentro do Distrito Federal. Prédios de classe média ao lado de uma imensa favela.

– Ingresso caríssimo em média 100 reais – no Chile é R$ 20, e no Paraguai [que nos eliminou na Copa América] é R$10;

– Jogos as 10 da noite que encerram quando não há mais ônibus pra voltar pra casa, ou as 11 da manhã sob 43º;

– Corrupção generalizada;

– Arbitragens suspeitas;

– Medalhões que já deveriam estar aposentados há muito ainda recebendo uma fortuna pra jogarem mal vivendo só da fama;

– Violência de torcidas organizadas;

– Repetidas viradas de mesa pra que certos times não caiam pra 2ª, etc.), tudo isso tem feito o interesse por futebol declinar em muito em nosso país, e bastante rapidamente.

Vejam vocês, até os torneios de futebol dos EUA e da China – nações que têm os 2 maiores PIB’s do mundo, mas não se interessavam por esse esporte até muito recentemente – estão tendo média de público acima do campeonato brasileiro.

Região de renda relativamente elevada.

Tudo somado: sim, em 2012 o Brasil não acompanhava tanto futebol europeu, o interesse pela Eurocopa aqui era bem menor que no México.

Mas com tantos problemas muitos brasileiros estão deixando de acompanhar os times locais, e voltando a atenção pra Europa.

De forma que nessa dimensão inverteu a polaridade: o México é quem já estava num ponto que o Brasil atingiria depois.

Creio que a Eurocopa do ano que vem – 2016 – atrairá bastante atenção do público, aqui no Brasil também. Enquanto nossos clubes rumam a passos largos pra falência.

…………

(Volta o texto original, de 2012) A reciclagem está sendo implantada na Cidade do México. E de um modo curioso: muitas pessoas não separam o orgânico do reciclável. Aí os próprios lixeiros o fazem.

Entretanto, há um despenhadeiro com um riacho no meio. Nas duas margens há favelas. Na margem que eu estava é pequena, algumas dezenas de casas [observamos o telhado de algumas delas]. Na margem oposta a favela é imensa, centenas ou mesmo milhares de famílias.

É isso mesmo. Eles abrem os sacos, e vão despejando o orgânico dentro da caçamba. O que pode reciclar é colocado em outros sacos, e jogado por cima do teto de caminhão.

Um cara viaja lá, sobre o veículo (isso é muito comum no México), e ele vai acondicionando o material de forma mais apropriada.

Creio que seria muito mais fácil conscientizar as pessoas pra separem em suas casas. Um dia eles chegarão a essa conclusão também.

Disse a vocês que na Colômbia os caminhões próprios pra coleta de lixo ainda são raros.

Vi com meus próprios olhos o lixo sendo recolhido num bairro de milionários em Medelím em caminhões normais, com caçamba aberta.

Vou ser mais específico, porque é surreal mas é real: o lixo era recolhido com caminhões fabricados pra se carregar areia ou pedra, caçamba aberta e basculante.

Com pás, os lixeiros arremessavam os dejetos pro alto, pra eles caírem no compartimento de carga.

Em outra parte da Zona Oeste da Cid. do México, mais uma favela.

Então. No México há caminhões específicos pra coleta de lixo, iguais aos que são usados no Brasil. Entretanto, ainda não são universais.

Parte do lixo ainda se recolhe em caminhões com caçamba aberta. Vi isso na internet e também pessoalmente.

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Vou relatar mais um detalhe do dia que fui no Bosque de Chapultepec, a ‘menina dos olhos’ da Cidade do México, o parque da elite, o Ibirapuera ou Parque Central deles, na Zona Oeste, que é a região mais rica da metrópole.

Mais especificamente, um episódio que ocorreu quando saí do parque. Dei de cara com um pelotão do exército, soldados uniformizados e com metralhadoras em punho. Tentei ir pra esquerda, na calçada que contorna o parque. 

O soldado me disse de modo educado mas firme “ei, por aí não passa. É proibido”. Perguntou onde eu queria ir.

procissão santa morte desenho méxico azteca asteca sincretismo religião esqueleto foice marília cidade df d.f. mini-saia preta regata laranja sutiã negra lingerie carregando cortejo fé religião índia indígena morena mestiça bijuteria brinco pulseira

Marília em procissão a Santa Morte. Nessa mesma postagem também a desenhei como católica e umbandista, pra Abrir o espectro.

Respondi “até as Colinas” (Lomas no original em espanhol). Trata-se de uma região de altíssima renda, também Zona Oeste, onde fica Eldorado.

Ele me indicou a direção oposta: “então atravesse a rua e vá por ali, por aqui não pode passar”. Agradeci e me afastei dali o mais depressa possível.

Pensei: “nossa, aqui deve morar um figurão muito importante”. É proibido andar a pé na calçada, em frente a casa do cara.

Depois passei de ônibus pela mesma avenida, e de fato, toda a calçada é interditada a pedestres, só se pode passar de carro pela avenida.

Há um pelotão do exército em cada lado da quadra, e ninguém entra. Deve ser residência do presidente da república.

Porque, olhe, no Centro está todo o aparato do governo: palácio, senado, tribunal, etc. Claro que todos muito bem guardados por tropas do exército, mas você pelo menos pode passar na frente.

Se ali naquela casa dentro do parque nem isso era permitido, deve ser alguém muito importante mesmo. Por isso tanto cuidado.

Em Bogotá, na Colômbia, vi algo similar. Num bairro de milionários da Zona Norte, numa rua sem saída, a última mansão era guardada por um pelotão do exército. Mas não nos impediram de passar pela calçada.

Cidade do México. No Chile também há  altares pelas ruas, embora numa proporção bem menor. Em muitos aspectos o Chile é muito mais parecido com ‘América Central Estendida‘ (do México a Colômbia, Venezuela e Peru) que com a vizinha Argentina.

Como o México está em guerra – infelizmente não é modo de falar – a coisa é ainda mais complicada que na Colômbia.

Sabedor desse contexto, eu segui as ordens do soldado e me afastei dali rapidamente.

…….

No México há bem menos evangélicos que no Brasil. Dentre as igrejas protestantes que atuam em território mexicano, a brasileira Universal é uma das maiores.

Tudo isso, ‘ipsis literis’, é verdade na Colômbia também. Mas agora comparemos com o Brasil. Já estive em milhares de favelas em todas as partes de nossa pátria, de Campos do Jordão-SP a Manaus-AM, de Fortaleza-CE a Florianópolis-SC.

É sempre a mesma cena, muitas igrejas evangélicas próximas, numa densidade tão grande quanto a de moradores. Então, no México e na Colômbia (e estive em muitas favelas desses dois países também) há incomparavelmente menos igrejas. Elas existem, claro, mas nem dá pra começar a comparar com aqui.

Atualização. Depois que escrevi isso, estive na República Dominicana, Chile e Paraguai também. Nessa pequena ilha do Caribe há tantas igrejas evangélicas quanto no Brasil. Já no Chile e Paraguai é como México e Colômbia:

altar

Capela em que a imagem de Jesus está rodeada por várias de Santa Morte (r). A partir daqui veremos diversas imagens dessa Santa, todas puxadas da rede.

Há vários templos evangélicos, mas muitos menos que em  nossa Pátria Amada. No Chile, somente lá, a maioria da população ainda é católica praticante.

……………..

Os mexicanos tem muita fé. Por toda Cidade do México, Centrão e subúrbio, você vê homenagens a santos pras pessoas expressarem sua devoção, como mostra a imagem a esquerda.

Não sei se eles são católicos praticantes, mas que tem muita, muita fé nos santos, é certeza. E um deles, alias o que eles depositam o maior quinhão de suas orações, é desconhecido no Brasil:

É a Santa Morte. É isso mesmo, e não é brincadeira.

lembrete

Em escala maior pra você ler o recado da Santa Morte, que é bem claro.

Veja a imagem de um cartaz pedindo proteção a Santa Morte que achei num ônibus de Acapulco.

No Centro do México DF havia um desses altares a santos na calçada, só que o santo era um esqueleto. Mesmo dentro de igrejas há esqueletos nos altares

Já disse, não é brincadeira, nem culto satânico ou nada desse tipo. Bem, jamais haveria culto satânico dentro da igreja católica, não é mesmo?

Vou ser bem enfático aqui porque algo precisa ficar claríssimo: se você digitar ‘Santa Morte’ nos sítios de buscas, aparecerá um monte de lixo escrito por euro-ianques.santa morte4

Seres arrogantes que nada entendem do México, e nada entendem de fé, e por isso repetem seus dogmas que aprendem nas universidades.

Esses brancos, que sequer têm fé no Criador e são materialistas, difundem seus preconceitos acadêmicos, e dizem que o culto a ‘Santa Morte’ é ritual da magia negra, ou pior, a protetora de bandidos e delinquentes.

santa morte2Nada poderia ser mais distante da Realidade, como é muitas vezes o caso em que os ‘cultos’ se manifestam sobre o que não entendem.

Pessoas comuns, o povão mexicano que tem Fé de Verdade em seus corações simples, cultuam Santa Morte. E por isso até nos ônibus se pedem orações a ela, se fazem procissões e esse ‘esqueleto sagrado’ está em diversas igrejas católicas mexicanas.

Digo e repito, igrejas católicas, e não somente em terreiros de macumba e vudu – embora ali ele também seja encontrado.

santaSimplesmente no México a religião católica se mesclou com a religião asteca (como na Bahia o catolicismo se sincretizou com a umbanda).

E os astecas veem a morte de um modo completamente distinto dos arianos.

Por isso Santa Morte ao lado da Virgem de Guadalupe, pois ambas protegem o México.

Décadas atrás, até o meio do século 20, realmente o culto a Santa Morte era tabu entre os católicos.  Não é mais assim, e não o é a décadas. Repetir hoje algo que foi verdade há muito, muito tempo atrás mas já não é mais não deixa de constituir falsidade, intencional ou não. 

……..

procissao

Procissão exatamente em frente a Catedral-Matriz Mexicana, no Zócalo, marco-zero da capital (r). Veja mais fotos da igreja (e das flores que adornam seus jardins), incluindo um belíssimo amanhecer.

Eu não pertenço a igreja católica, e nem a religião organizada alguma.

Não estou falando que o modo que os mexicanos veem é a Verdade Final.

Apenas estou contextualizando. Pros Aztecas, é assim que funciona, e esse modo de explicar o mundo é tão válido quanto qualquer outro, seja ele ‘religioso’ ou ‘científico’. 

……….

Pra cristãos, judeus e muçulmanos, a morte é uma passagem sem volta. Nessas doutrinas, após deixar a matéria sua alma continua viva, é certo, mas jamais re-encarna.

Os materialistas – corrente que vem se tornando majoritária entre a classe média dos EUA, Europa e América Latina – sequer creem na Alma. Você está vivo enquanto está no corpo, ponto final. Assim obviamente é que não reencarna, segundo essa visão.

Já os astecas, por serem herdeiros da tradição Atlante, consideram que a Morte é uma porta que abre caminhos, e não que fecha.

procissao1

Outra procissão (r). Veja o esmero e capricho com que essas Mulheres ajeitam o vestido rosa de Sta. Morte.

Os astecas creem na Vida Eterna, com diversos ciclos na matéria, em conformidade com o budismo, hinduísmo, espiritismo (tanto kardecista quanto a umbanda) e diversas outras Escolas ao redor do globo.

Pra Visão Oriental (onde um dia habitou o povo que originou os Aztecas Mexicanos) Vida e Morte não são antônimos, mas complementos.

Diferentes fases do mesmo processo, numa roda que sempre gira, como o Dia sucede a Noite apenas pra depois ser novamente sucedido por ela, até a Ascensão Final.

Oras, não importa quão alva seja sua tez, não importa o quanto de dinheiro e diplomas universitários você acumule. Não importa o teu quinhão de poder material, resumindo. Um dia fatalmente você terá que deixar o plano físico-denso.

santa-morte

Vou traduzir a legenda original em inglês, conforme baixei da net: Santa Morte num templo no Centrão da Cidade do México, 27 de maio de 2011. O culto a Santa Morte, uma fusão sincrética dos rituais Aztecas e tradições Católicas, tem crescido enormemente. Em décadas passadas, os devotos de Santa Morte viviam as margens da sociedade (como prostitutas, batedores de carteira e pequenos traficantes). Porém foram engrossados agora por uma multidão de católicos. A cúpula da igreja ainda não aceita de todo o sincretismo, mesmo assim no dia 1º de cada mês multidões de devotos de Sta. Morte enchem as ruas em procissões, carregando esqueletos, aos quais eles rezam pedindo cura pra diversas doenças e proteção na hora da passagem.

Então por quê não pedir desde já que essa viagem seja o mais tranquila possível?, já que se configura inevitável.

Essa é a mentalidade Azteca, que veio da Velha Atlântida, é que é compartilhada por boa parte do mundo.

Não tem absolutamente nada a ver, digo de novo e quantas vezes se fizerem preciso, com desejar mal aos outros.

E muito menos com fazer trabalhos de magia negra ou pior, ir diretamente com uma arma eliminar a encarnação alheia.

Ao dizer que a ‘Santa Morte’ é algo satânico ou de delinquentes, bem, os euro-ianques mentem.

Além de demonstrar seu desconhecimento da Alma Mexicana, creio que os euro-ianques “cultos” – entre muitas aspas – estejam mais é revelando suas reais intenções.

Quando você fala dos outros, fala de si mesmo. Deixe eles falarem.

Os cães ladram e a caravana não para. Na Índia é assim que o povo vê. Em boa parte da Ásia e América também. 

No México igualmente: Vida e Morte são Um e o Mesmo.

Assim É.

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Comentemos as imagens, espalhadas pela matéria. Lembre-se, nem sempre a descrição corresponde a que está mais perto, busque pelas legendas. Veem no decorrer da página:

O bairro santa-morte1Eldorado, na Zona Oeste metropolitana, ou seja, já no estado do México.

É um morro, porém não está favelizado, exatamente ao contrário, ocupado por mansões. Observem que há uma estação de rebombeio de água.

Falta muita água no México, especialmente na capital, que cresceu de forma absolutamente sem controle. 

Enquanto na elite esse líquido é usado pra adornar e encher piscinas, jardins e fontes, na periferia muitas vezes não há nem mesmo pra beber, tomar banho, cozinhar e lavar roupas.

Como o Brasil, o México é uma sociedade extremamente desigual. santa morte9

Subi em diversos morros do México DF e Acapulco, e a única estação de rebombeio que vi foi essa, justamente no único morro que abriga a elite.

Afora esse agudo desnível de classes sociais, Eldorado é um lugar muito bonito. Subi o morro a pé.

Estava bem quente nesse dia. A estação é mais ou menos no meio da ladeira. Sentei um pouco na calçada pra descansar.

Estava rodeado de árvores, flores e passarinhos que cantavam, dando um ar bucólico ao bairro.

santa morte5………..

Em diversas outras imagens continuamos na Zona Oeste, mas bem longe dali. Voltamos a estar dentro do Distrito Federal, perto do bairro Porta Grande.

Observem como a Cidade do México é densa, nas favelas e mesmo na classe média.

Estava eu numa rua que serpenteia um despenhadeiro. Lá embaixo corria um reguinho de água, outro local bucólico e muito bonito.

santa-morte2Pena que as duas barrancas, de ambos os lados, estavam ocupadas por favelas, e mesmo onde não é favela ainda assim parece, pelo menos no que diz respeito a habitantes por metro quadrado.

A favela do lado que eu estava é bem pequena, umas poucas dezenas de casas. Mas a do outro lado é enorme, gigantesca mesmo.

Centenas de casas, talvez milhares. Nas partes mais baixas dela, acima do rio, não se chega de carro. Bem ao lado prédios e casas de classe mais elevada.

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beleza em meio ao caos

Flores na favela: adicionando colorido violeta ao cinza da Selva de Pedra. Essa tomada foi clicada por mim.

Fechamos mais essa mensagem como já encerrei outros. Com flores. São a parte mais bonita do México. Em meio ao caos, as Primaveras florescem.

Em meio ao cinza, o Violeta desponta, mostrando que apesar de tudo a Grande Vida ainda acredita na Humanidade.

Ainda bem.

Que essa Força Infinita abençoe ao México e a todos os Homens e Mulheres desse planeta.

Ele-Ela proverá”