Vamos pro Oeste: Felicidade é isso!!!

Santo Inácio, Zona Oeste: ao fundo Mossunguê e Campina do Siqueira.

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 29 de maio de 2014

O tema de hoje é um ensaio fotográfico da Zona Oeste, do “Casal Santo”:

O encontro dos bairros Santa Felicidade e Santo Inácio.

Aquela caminhonete na garagem é que é a paraguaia com adesivo do Obama (mais detalhes abaixo).

Ambos de alto padrão econômico e que ficam lado a lado, divididos pela Rua João Batista Dallarmi. As tomadas foram feitas nessa via e imediações.

…….

As semelhanças param aí. Santa Felicidade é um dos bairros mais famosos de Curitiba.

Conhecido por toda a cidade e mesmo nacionalmente, por ser o polo gastronômico italiano, e também moveleiro. Moravam ali 31 mil curitibanos no censo de 2010.

Próximas 2: sobrados, aqui dentro e depois fora de condomínio, em Santa Felicidade, região de alto padrão econômico.

Santo Inácio, exatamente o oposto, é um dos bairros menos conhecidos da cidade, a maioria dos curitibanos sequer sabe que ele existe.

Pra explicar, eu digo que o “parte do Parque Barigui fica no Santo Inácio” (mas não o parque inteiro, que se espraia por pedaços de 4 bairros). Tem somente 6 mil moradores.

Por isso a “Cidade Oculta” – nesse outro ensaio eu mostro o parque e a parte do S. Inácio perto da BR-277, o Conjunto Saturno e imediações.

No tema de hoje veremos, como o busão acima já entregou, uma outra região, onde passa a linha Montana, justamente a divisa com Santa Felicidade como é notório.

Ali pertinho há uma situação similar: um bairro muito maior em todas as dimensões (em área, população, diversidade de classes sociais e topografia) e portanto muito mais heterogêneo (Pilarzinho) se encontra com um bairro menor, em todos esses sentidos, e portanto muito mais homogêneo.

Há um ponto de contato, numa dimensão eles se encontram e são umbilicalmente ligados.

Condomínio em Santo Inácio. Mudou o bairro, o perfil sócio-econômico é o mesmo.

Mas o bairro menor se restringe aquela dimensão, o maior engloba aquela e muitas outras mais.

Ampliemos a escala, através de um exemplo que todo mundo conhece

E assim ficará clara a visualização do que estou tentando explicar: é como na fronteira Brasil x Uruguai.

Próximas 3, Santa Felicidade: região rica, arborizada e residencial

O Pampa do Rio Grande do Sul é parecido com o Pampa Uruguaio, é a mesma cultura (gado, chimarrão, bombacha, etc), um conjunto homogêneo.

Mesmo Porto Alegre lembra bastante Montevidéu. Mas o Uruguai é um país muito pequeno, então essa frequência captada ali reflete mesmo o que é a nação, não há muito além disso.

Já o Brasil, que é parecido com o Uruguai onde ambos se encontram, é infinitamente maior, e portanto abriga infinitas outras frequências dentro de si.

Há muito, mas muito além dessa frequência dentro do mesmo receptor.

Em Recife-PE, Belém-PA, no Rio, em Brasília, e mesmo em Curitiba e Criciúma-SC (que são no Sul) o Brasil não se parece nem um pouco com o Uruguai.

Com os bairros de Curitiba o mesmo se dá. Onde a Vista Alegre e Pilarzinho se encontram, são parecidos.

Mas a V. A., que também fica na Zona Oeste, é infinitamente menor, por isso bem menos diversificada.

Já o Pilarzinho é imenso, e por isso bem diverso, em todas as dimensões. E já está na Zona Norte.

Próximas 4: sequência tirada na divisa de Santa Felicidade e Santo Inácio. Os prédios altos ficam no vizinho Mossunguê.

Agora voltamos ao tema de hoje, uma situação similar, mas entre dois bairros de dentro da Zona Oeste.

Nessa analogia, Santa Felicidade é o Brasil, Santo Inácio o Uruguai. Continuemos a falar de como é a região de fronteira entre ambos.

Até 2 décadas atrás, a parte mais afastada da Zona Oeste era esparsamente habitada.

Excetuando a Cidade Industrial e algumas vilas ao redor dos núcleos dos bairros Santa Felicidade, São Braz e Campo Comprido.

Mas pra se chegar até eles passava-se por área rural. Haviam chácaras e mesmo haras dentro da cidade.

A Zona Oeste era um imenso bosque, pontilhado por algumas áreas mais urbanizadas. 

Se percorreu a Rua Eduardo Sprada em tempos idos sabe do que estou falando.

Tudo mudou, e mudou radicalmente. Exatamente porque era onde havia mais espaço disponível, a Zona Oeste é que mais cresceu no último ciclo.

Embora ainda seja a menor de Curitiba em população. Mesmo assim a explosão populacional ali foi maior que no resto da cidade. Portanto:

Os bosques deram lugar a enormes conjuntos geminados de sobrados e condomínios fechados de alto padrão, processo que ainda continua.

Aqui e a esquerda: um dos últimos grandes terrenos ainda vagos. Já a venda, alias repare que já há anúncio de um prédio erguido nas proximidade. Breve será também condomínio, vertical ou horizontal.

Uma boa parte de Santa Felicidade perdeu aquele ar bucólico de colônia italiana.

E passou a se assemelhar as partes mais ricas da cidade:

O Batel na Zona Central e o Jardim Social na Zona Leste.

A Zona Oeste ainda tem muito verde, tanto quanto a Zona Norte e infinitamente mais que as Zona Sul e Leste.

Ainda assim, se parece cada vez mais com um subúrbio ianque, e cada vez mais as árvores vem abaixo.

Confira a história da região, desde a época das colônias agrícolas da ‘Nova Polônia’ e ‘Nova Itália’.

………..

Já disse isso na última vez que fui a parte ocidental da cidade, e digo de novo: 

A Zona Oeste de Curitiba se parece muito com a Zona Oeste da Cidade do México.

Uma região de alto padrão, montanhosa e que por isso no alto das colinas se avista portentosa linha de edifícios ao fundo.

Aqueles a quem a Vida já deu a oportunidade de conhecer o bairro de Santa Fé, no “Poente” da capital mexicana, vão me dar razão.

Alias, “Poente” é exatamente como os mexicanos falam o que pra nós se chama “Zona Oeste”.

……..

Mas alguns detalhes que observei:

Banco improvisado no ponto de ônibus, tema que debatemos recentemente.

Na Zona Sul é assim também. Igualmente na Leste, claro.

Visita do Papai-Noel” (???????).

Sabe, percorrendo as ruas de cidades de todos os continentes (muitas ao vivo e infinitas mais pela Visão de Rua do ‘google’ mapas) já presenciei anúncios diversos nos postes e árvores.

É mole ou quer mais??? Pombas, vai ser um sujeito globalizado assim lá no Santo Inácio, né não?

De ‘amarração pro amor’ a carretos de mudança a abertura de poços artesianos, a lista é extensa e diversa. Agora, Visita do Papai-Noel realmente foi a primeira vez….

Atualização. Esses dias na Indonésia (via ‘Google’ Mapas) achei um cartaz que dizia “mágico e palhaço”, destinado a festas infantis.

De volta a Pátria Amada, a esse cartaz nas ruas de Santa Feliciade vai na mesma balada.

……..

Carro com placas do Paraguai faz campanha da eleição estadunidense parado numa casa do Sul do Brasil.

De novo o ônibus, agora abro a câmera.

Alguém gosta dos Titãs ??????

………

Claro que o busão só poderia ser o Montana.

Que é alusão a um estado do Oeste Estadunidense, colonizado no facão pelos Homens e Mulheres Pioneiros na “Grande Marcha pro Oeste”.

Santa Felicidade.

Nota: sei perfeitamente que os índios já habitavam Montana e em última análise todo o continente americano quando os europeus chegaram.

Não estou dizendo que a versão oficial da história é a única, nem mesmo a mais correta.

Mas nesse caso vamos nos fiar na narrativa oficial, até por falta de conhecimento de versões alternativas. O mundo é como é, não estou justificando as coisas que ocorreram.

Divisa S. Inácio x S. Felicidade.

Seja como for, é o que somos. Assim é a América.

E a Marcha pro Oeste foi o que formou o que conhecemos hoje como América, tanto a do Norte quanto a do Sul.

Voltemos a falar da linha de ônibus que serve a região. O Montana sai do Terminal Campina do Siqueira.

As flores que eu fotografei nesse dia estão nessa postagem. E nessa outra, mais flores do S. Inácio incluindo o Parque Barigui.

Esse terminal fica na divisa entre o bairro que o nomeia e o vizinho Bigorrilho.

Dali o busão passa pelo Santo Inácio e depois pela divisa dele com Santa Felicidade, e termina no bairro do São Braz, no Conjunto Fernão Dias.

Ora, Fernão Dias foi outro dos arautos da “Grande Marcha pro Oeste”. Foi outro Pioneiro que abriu o caminho no facão.

Alias a rodovia que liga SP a BH tem seu nome justamente porque reproduz o trajeto do bandeirante.

Av. Manoel Ribas, 1920. Saiba como “Lamenha Lins criou a Zona Oeste”.

Assim, repito, eu sei que a “Grande Marcha pra Oeste” Brasileira, como a ianque e todas as outras, foi forrada de feitos violentos contra as populações mais fracas.

Não estou glorificando.

Com muitos questionamentos válidos no seu decorrer, o fato é que foi assim que aconteceu. Foi assim que esse país se formou.

Se esse país existe, é por causa da Marcha pro Oeste. Violência a parte e lamento muito que tenha acontecido.

Av. Manoel Ribas, hoje. Essa foto eu tirei outro dia de dentro da Linha Turismo – “A Curitiba que sai na TV”.

Ainda assim, que bom que nossa Pátria Amada se tornou uma Nação-Continente, desejo de muitos e privilegio de poucos. E o é pela Marcha pro Oeste.

…….

Como veem, tudo está se alinhando. Montana, Fernão Dias. O “Oeste” é o tom dominante do dia.

A Zona Oeste de Curitiba se parece com o “Poente” Mexicano

E por isso encerro esse trabalho com o momento que o Sol anunciava que também se preparava pra encerrar mais um ciclo de trabalho.

Não restam quaisquer dúvidas:

Vamos pro Oeste, galera.

“Deus proverá”

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