Joanesburgo, a “Metrópole Global Africana”

gauteng: o menor estado (província) da áfrica do sul: mas seu centro populacional, econômico e político

Panorâmica do Centro de Joanesburgo. Como as cidades da África do Sul seguem o padrão urbanístico ianque, há poucos prédios altos, quase todos comerciais. Exceto quando indicado, as fotos mostram sempre Joanesburgo. Quando for de outra cidade eu aviso explicitamente, estamos combinados.

Por Maurílio Mendes – O Mensageiro

Publicado em 20 de abril de 2018

Maioria das imagens de minha autoria. O que for baixado da internet eu identifico com um ‘(r)’, de ‘rede’.

Seguindo nossa série sobre a África do Sul, vamos falar hoje sobre sua maior cidade, Joanesburgo.

Gauteng é o menor estado da África do Sul. Tem apenas 18 mil km2, menor portanto que Sergipe, o menor estado brasileiro, que conta com 21 mil k2.

Mas Gauteng é o estado mais populoso, rico e desenvolvido. O Centro populacional, econômico e político da nação. 

Infelizmente é preciso dizer: o Centrão está muitíssimo decadente, virou um gueto gigante. Em certas partes há muita sujeira.

A Cidade do Cabo é mais conhecida, mais turística, e definitivamente mais bela.

Mas o coração industrial e comercial do país ainda é Joanesburgo, como dito e é notório a maior cidade sul-africana – pros íntimos chamada ‘Joburgo’. Ela também é a capital estadual de Gauteng.

Pretória, a capital executiva do país, é praticamente um subúrbio de Joanesburgo. E, não nos esqueçamos, pela colonização inglesa as cidades sul-africanas são muito parecidas com as dos EUA.

Não há brancos no Centro de Joanesburgo. Não há, zero, nenhum mesmo. Veja o povo no Centro da cidade. No Cabo e Pretória é diferente, ali os Centros são integrados. Mas os de Joburgo e Durbã são auto-segregados, os brancos simplesmente não pisam ali.

Assim, quando eu falo na série africana ‘subúrbio’ não é periferia, como no Brasil.

Mas ao contrário, é no mesmo sentido estadunidense, reduto da elite e classe média-alta.

A população sul-africana é 55 milhões de pessoas. Dessas, cerca de 8 milhões vivem na Grande Joanesburgo.

Outras estatísticas já colocam acima de 10 esse número. Se você incluir Pretória, são 13 milhões. Bem, 13 milhões é exatamente a população do estado de Gauteng.

O ‘Novo Centro’ de Joanesburgo é o subúrbio (no sentido ianque do termo) de Sandton, na Zona Norte. Ali estão a sede das corporações, a bolsa de valores. É o metro quadrado comercial mais caro de toda África.

Afinal você pode ampliar a escala dessa forma e considerar como Grande Joanesburgo todas as cidades num raio de 70 km do Centro desta.

Aí realmente todos os municípios do estado passam a ser parte da região metropolitana da capital, por ele ser pequeno em área.  Já voltamos a falar da divisão política sul-africana.

Agora, apenas pra pôr no contexto, o sítio ‘City Population’ (em inglês e alemão), especializado em estatísticas do mundo todo, coloca a população de ‘Joburgo’ exatamente nessa cifra de 13 milhões.

De ser assim, Joanesburgo é a 26ª maior cidade do mundo, empatada com o Rio de Janeiro.

Praça da Igreja, Centro de Pretória, epi-centro político da nação, o equivalente sul-africano da Praça dos 3 Poderes no Brasil, do Zócalo mexicano e da Praça de Maio argentina. Na época da antiga República do TransVaal (país independente estabelecido pelos descendentes de holandeses no século 19, engolido pela Inglaterra quando esta venceu a 2ª Guerra dos Bôeres) o palácio presidencial era nessa praça.

E a 3ª metrópole do continente africano, atrás de Cairo (Egito) e Lagos (Nigéria), ambas com 18 milhões cada.

Mas Joanesburgo certamente é muito mais rica e desenvolvida que ambas.

O Cairo é uma das cidades do mundo que mais recebem turistas, por conta das Pirâmides.

E Lagos concentra sua economia na exploração de recursos minerais, como petróleo e diamantes.

Mas a parte desses dois respectivos carros-chefes, a economia do Cairo e Lagos é ainda bastante sub-desenvolvida, as condições sociais idem.

Joanesburgo é bem mais rica, industrializada, de economia diversificada, e tem uma burguesia média e alta infinitamente maior, sem comparação possível.

Daí o apelido da cidade, a “Metrópole Global Africana”.

Agora o Palácio Presidencial é umas quadras pra cima, já saindo da Zona Central. Bem em frente há um leão estilizado, que faz as vezes de um banco. No destaque um outro mais realista, bem no Centrão (fotografei um parecido no Pq. Barigüi, em Ctba.).

Querendo dizer que a cidade está no mesmo nível de Nova Iorque-EUA, Moscou-Rússia, Londres-Inglaterra, Paris-França, Pequim e Xangai (ambas na China) e Tóquio-Japão.

Obviamente não chega a tanto. Mas ainda assim é o principal centro financeiro e industrial da África.

Digamos que Joanesburgo têm uma importância similar a São Paulo, Rio, Cidade do México, Buenos Aires (Argentina), Seul (Coreia do Sul), Teerã (Irã), Mumbai (a ex-Bombaim, Índia), Jacarta (Indonésia), Cingapura, Bancoque (Tailândia), entre outras.

Ou seja, a nível global mesmo Joanesburgo está num segundo patamar, ao lado das capitais financeiras de outros países que são influentes em termos regionais sim mas planetários não é pra tanto.

Voltamos a ver Joanesburgo. Nas próximas 7, o Centrão da cidade, com o que ele tem de peculiar e de barra pesada. Aqui: vendedor de perucas no mercadão. Muitas africanas têm dificuldade em cuidar dos cabelos, porque eles são muito crespos. Várias radicalizam, raspam a cabeça e passa a usar peruca. Bem, esse é um camelô, em plena via pública, e veja quantas opções de modelos. Por aí você avalia o tamanho da demanda.

Entretanto não se pode negar que Joburgo é uma metrópole importante sim, a mais importante de toda África.

Não quer dizer que não hajam problemas. Ao contrário, eles são muitos, já falaremos deles.

Ainda assim, o subúrbio de Santon, na Zona Norte da Grande Joanesburgo, tem o metro quadrado mais caro da África. Os prédios comerciais mais valorizados do continente estão ali.

Tanto dinheiro e tanta riqueza concentrados num espaço pequeno. Sandton é rico porque Joanesburgo e região são muito ricos. São, repito, apenas 18 mil km2 no estado de Gauteng.

A África do Sul tem mais 8 estados. O maior deles disparado é o Cabo Setentrional, com 372 mil km2. Todas as outras sete unidades da federação oscilam entre 75 e 168 km2.

..

Cabeleireiros trabalham em plena via pública no Centrão! Sim, é o que você está vendo: o ‘salão’ se resuma a duas cadeiras na calçada, não há sequer uma tenda pra cobrir. Os africanos em geral, e as africanas ainda muito mais, cuidam muito de seus cabelos. Os Homens a maioria usa bem curto ou mesmo raspado, mas as Mulheres fazem tranças, apliques, chapinhas….No Centrão e nas periferias cabeleireiro (geralmente por conta própria) é a profissão mais comum da África do Sul, disparado.

Na África do Sul os estados se chamam ‘províncias‘ (como na Argentina, que visitei um mês antes).

Na época do finado e nada saudoso ‘apartheid’, a divisão política era diferente. Pra começar a conversa haviam os ‘bantustões’.

Tratava-se de guetos rurais que o regime racista dizia serem ‘países independentes’. Nenhuma outra nação do mundo inteiro ratificou esse circo, por razões que a extrema opressão racial estava por demais evidente.

Mas os dirigentes racistas insistiam. Um dia eles pretenderam confinar toda população negra nos bantustões, quisessem os negros ou não.

Mesmo quando viu que não era viável deportar a força dezenas de milhões de pessoas, a farsa das ‘nações soberanas’ que seriam os bantustões permaneceu:

A África do Sul na época chegou até a trocar ‘embaixadas’ com alguns bantustões.

Não é só cortar (e trançar, e alisar….) o cabelo que você pode fazer nas calçadas. O Centrão Velho de Joanesburgo é um camelódromo gigante.

Contra todas as evidências, o regime branco racista do ‘apartheid’ mantinha a ficção que os bantustões eram ‘países’ independentes.

E que portanto todos os negros deveriam exercer seus direitos políticos neles.

Os negros que “optassem por permanecer” na África do Sul seriam então tratados como “estrangeiros”, como ‘trabalhadores convidados’ em solo sul-africano.

Pode isso, um povo que já está numa terra a milênios ser declarado ‘estrangeiro’ em sua própria nação? Pois foi o que o regime do ‘apartheid’ fez.

E, acrescentemos, as semelhanças com o que Israel faz agora são evidentes. Essa situação não pode perdurar pra sempre.

Na África do Sul no final dos anos 70 e por todo os anos 80 explodiram revoltas e protestos contra o ‘apartheid’, feitos por negros e brancos, dentro do país e a nível global.

Prédio abandonado. Joanesburgo é a única cidade da África do Sul que tem grafite e pichação em larga escala. Ainda assim, muito, mas muito menos que na América (Brasil, EUA, México, Colômbia, República Dominicana, Chile). Em Joanesburgo, se nosso continente for a base de comparação, há bem pouca ‘arte’ nos muros. Mas existe. No Cabo, Durbã e Pretória é praticamente inexistente.

O regime a princípio partiu pra linha-dura, mas não teve jeito, teve que ceder.

Mandela foi solto em 1990, e 4 anos depois se tornou o primeiro presidente negro sul-africano.

De lá pra cá todos os seus sucessores são também negros, e nada mais natural, se os negros e mulatos formam 90% da população.

Já contei essa história com mais detalhes na abertura da série.

Aqui fiz uma breve recapitulação pra voltarmos a falar das atuais províncias (estados) sul-africanas.

Haviam os bantustões, onde o ‘apartheid’ pretendeu um dia confinar todos os negros. Depois da queda do regime racista eles foram incorporados ao território sul-africano.

Rea Vaya (“estamos em movimento”, na gíria local), moderna rede de ônibus expressos – canaletas [corredores] exclusivas, articulados, embarque em nível pré-pago em futuristas estações elevadas. Funciona bem, onde existe. Fomos do Centro a Soweto, na Zona Oeste, nesses ônibus (esse aqui um Marcopolo brasileiro). O problema é que são pouquíssimas linhas, grosseiramente insuficiente pruma metrópole de quase 10 milhões e que não tem metrô, só trem. Estão corrigindo isso, outros corredores estão sendo construídos em várias avenidas da cidade.

Falando agora das províncias em que os apenas os brancos eram cidadãos (os negros e indianos que habitavam nelas não tinham direitos políticos), elas eram apenas 4 no regime racista:

Cabo (que ocupava 55% da área da nação, toda sua porção ocidental), Natal, Estado Livre Laranja (os africâneres são holandeses, e essa é a cor da família real da Holanda, vide o uniforme da seleção) e TransVaal.

Com a chegada da democracia, o Estado Livre Laranja e Natal quase não sofreram alteração nos territórios, apenas mudaram de nome:

Agora é só ‘Estado Livre’, o ‘Laranja’ se foi; e Natal, com a incorporação do bantustão de KwaZulu teve o nome fundido pra KwaZulu-Natal.

Mas as províncias do Cabo e TransVaal foram retalhadas. No Cabo surgiram 3, o nome se manteve, apenas acrescentou-se a posição geográfica: Cabo Setentrional, Cabo Oriental, Cabo Ocidental.

Pela rede de transportes ser ineficiente, quem move o povão mesmo são as vans, quase todas elas brancas – mas os motoristas/ proprietários são os negros. Alias eles tiveram que fazer uma guerra pra poderem entrar no Centro e nos bairros ricos, onde estão os empregos. Um conflito sangrento mesmo, morreu muita gente, entrou pra história da África do Sul como “As Guerras do Transporte”. Bem, os africanos nativos venceram, e o dinheiro do deslocamento diário da massa trabalhadora agora fica dentro da comunidade. Veja um mar alvo de vans no Centrão de Joburgo, levando os proletários de volta pras suas distantes periferias no fim-de-tarde.

Na antiga província de TransVaal (tinha esse nome pois fica após o Rio Vaal, pra quem vem do litoral) tudo mudou, agora são 4 estados onde antes era um. Gauteng ficou com as maiores cidades, a parte mais rica e populosa, quase não tem área rural.

Ao redor dela se desmembraram os estados do Noroeste, Limpopo e Mpumalanga. Essas últimas 3 províncias (oriundas da Província do TransVaal, repetindo) e mais o Cabo Setentrional (vindo da Província do Cabo) não têm cidades grandes.

As quatro maiores cidades sul-africanas, as que têm mais de 1 milhão cada, são Joanesburgo, Cidade do Cabo (Cabo Ocidental), Durbã  (Kwa-Zulu-Natal) e Pretória, visitei todas elas.

Depois vem, pela ordem (não tive a oportunidade de ver pessoalmente nenhuma): Porto Elizabete (876 mil), Pietermaritzburg (475 mil, KwaZulu-Natal), Blomfontein (464 mil, Estado Livre, a capital judicial da nação) e Londres Leste (295 mil, ela e Porto Elizabete são no Cabo Oriental, e ambas no Oceano Índico).

Joanesburgo e Pretória ficam em Gauteng, e por alguns parâmetros são consideradas parte de uma mesma cidade. Faz sentido. São muito perto. Apenas 65 km as separam. 1 hora e 15 minutos dirigindo (já detalho mais esses pontos). Pretória é ao norte de Joanesburgo.

“Joburgo”, apelido oficial de Joanesburgo. E a BMW é uma paixão sul-africana, mesmo na periferia.

E a parte rica de Joburgo é a Zona Norte e a Zona Leste, claro há alguns bolsões de miséria (inclusive fui num dos mais famosos, chamado Alexandra) porque é 3° mundo. Mas no geral o padrão na Z/N e Z/L é alto.

Nas Zonas Oeste e Sul está a periferia. Não por acaso a periferia mais emblemática da cidade – e de todo continente africano, uma das mais do planeta – se chama ‘Soweto’, que são as iniciais em inglês de ‘Assentamento Sudoeste’.

Mas da perifa falamos depois. Aqui o foco é a parte verde da metrópole, onde moram os burgueses, até o fim do ‘apartheid’ só brancos, hoje ao lado deles há uma emergente burguesia negra.

Museu do ‘Apartheid’ (tomada de autoria de meus familiares): nos tristes tempos do regime racista, esse era o ‘caveirão’. Como notam, um verdadeiro tanque de guerra, que quando haviam revoltas adentrava nos bairros negros passando por cima de tudo e de todos.

A urbanização é no modelo estadunidense, ou seja a classe média quase não mora em prédios, só em casas, naquelas ruas sem saída arborizadas que você vê tanto nos filmes dos EUA.

Portanto a cidade vai se espalhando, ocupando uma área enorme.

Assim, os subúrbios mais boreais de Joanesburgo emendam nos subúrbios mais austrais de Pretória.

Há vários casos em que dentro da mesma casa o marido trabalha em Joburgo, a esposa em Pretória ou vice-versa.

Por isso se você quiser adotar uma classificação mais ampla dá pra dizer que Pretória é um subúrbio da Grande Joanesburgo.

Joanesburgo é fogo, mano! Não é modo de falar. A luta contra o ‘apartheid’ se centrou ali. Mas se os negros por vezes se uniram pra derrubar o inimigo, em outras oportunidades brigaram violentamente entre si. Aqui, um militante negro é queimado vivo por outro, de partido rival – lá as alianças são geralmente étnicas, zulus de um lado, xhozas de outro, e quando eles se desentendem você está vendo o resultado. Muito sangue correu pro ‘apartheid’ cair, e repito, diversas vezes negros matando negros. Bem, o ‘micro-ondas‘ (não o da sua cozinha, mas sim o ato brutal de incendiar um inimigo vivo entre pneus), depois tão popularizado pelos conflitos entre traficantes do Rio, foi inventado na África do Sul. Triste, mito triste (foto extraída do livro “O Clube do Bangue-Bangue”).

Como é no estilo ianque de vida, as pessoas são acostumadíssimas a dirigir 20, 30 ou 40 quilômetros pra chegar a seu trampo, e a mesma distância na volta.

Alias se você quiser dispensar o carro desde 2010 é possível.

Por conta da Copa do Mundo de futebol que foi lá – a 1ª por enquanto única da África – Pretória e Joanesburgo agora são ligadas pelo moderníssimo Gautrem.

Já fiz matéria específica sobre o transporte coletivo na África do Sul, em que os dois grandes destaques são o Gautrem e a rede integrada de ônibus da Cidade do Cabo.

descrevi tudo em detalhes, com dezenas de fotos. Aqui, resumindo, a parte rica da Grande Joanesburgo são as Zonas Leste e Norte.

Oras, na Z/L está o Aeroporto Internacional Tambo, principal porta de entrada de todo Sul da África incluindo países vizinhos.

E a norte está Pretória, que é a capital executiva do país – a África do Sul tem 3 capitais:

O Congresso fica na Cidade do Cabo e o Supremo Tribunal na pequena cidade de Bloemfontein, no interior (no Estado Livre, como já dito).

Colagem mostra o Centro de Joanesburgo. Em sentido horário: mercado ao ar-livre, ressaltei a bandeira de Gana; Prédio com o endereço bi-língue em inglês e africâner, herança do ‘apartheid’; muitas vezes há muita sujeira nas ruas, é tanto lixo que essa escadaria (que dava acesso a uma estação de trem) foi desativada. E isso em pleno Centro da cidade! Vi essa mesma cena na Grande Buenos Aires (uma escada na estação de trem interditada, porque virou depósito de lixo clandestino e abrigo de sem-tetos), mas pelo menos na Argentina eu estava bem na periferia, perto de Cidadela, na Zona Oeste, uma das partes mas barra-pesadas da cidade. Aqui em Joanesburgo é em no coração do Centro!, pode isso? E no destaque uma muçulmana de véu e tudo, cena muito comum lá.

Portanto o Gautrem tem um trajeto limitado, sim. Deveria ser bem maior.

Mas estrategicamente localizado, interliga o Centro de Joanesburgo, o aeroporto, os subúrbios da Z/N (dos quais o principal é Sandton, já descrevo melhor) e alguns da Z/L , Pretória.

Tudo unido por esse trem, que, olhe, tem padrão de primeiríssimo mundo.

Gostaria que as principais cidades brasileiras tivessem seus aeroportos conectados ao Centro dessa forma.

O Gautrem não deve nada ao que opera na China, Japão e Alemanha. É de cair o queixo. E não serve só pra quem vai viajar.

Ele conecta toda porção boreal e parte da oriental da Grande Joanesburgo, Pretória incluída, como acabo de dizer e é notório.

Assim dezenas de milhares de pessoas de classe-média, que têm carrões caros, passaram a deixar eles em casa durante a semana, e vão trabalhar de transporte coletivo.

Até porque o Gautrem tem um sistema de ônibus alimentadores integrados, se você pegar ônibus + trem tem um bom desconto, a passagem não pesa no bolso.

Mesmo pra quem mora mais longe e não tem alimentador, o Gautrem oferece integração trem + carro.

Revista inglesa de negócios publica sua radiografia anual sobre a economia e política na África. O presidente da China ocupa o dobro de espaço que seu colega dos EUA. Não é preciso argumentar além disso pra entender que rumo o planeta está tomando no século 21.

Todas as estações do subúrbio têm edifícios-garagem anexos, você pode contratar o serviço por mês que sai bem mais em conta.

Vai de carro até ali, de trem até o Centro de Pretória Joanesburgo, ou mais comumente até Sandton.

Na volta o trajeto inverso, volta guiando pra casa. Em vez de dirigir 50 km por dia dirige 10, e sai muito mais barato. Intensamente usado.

……….

Ainda assim, claro que a imensa maioria das pessoas ainda opta pelo transporte individual que queima mais carbono, garantindo a destruição do meio-ambiente.  

Estamos falando do ser humano, afinal. Por isso um trajeto de 65 quilômetros leva uma hora e quinze, porque o trânsito é muito intenso.

E lá eles medem as distâncias em quilômetros mesmo, e não em milhas. É curioso isso, sabe?

A África do Sul é colonização inglesa. Você dirige pela esquerda, obviamente a chamada ‘mão inglesa’.

Eles (os brancos pelo menos) adoram ‘rugby’ e críquete, esportes que só são populares na Inglaterra e suas ex-colônias como Austrália e Nova Zelândia.

Filma o padrão das casas do subúrbio de ‘SaxonWold’, Zona Norte. Tá bom pra ti?

No caso do ‘rugby’ é jogado um pouco na França também, mas é do lado da Inglaterra.  

E tanto negros quanto brancos sul-africanos adoram futebol, como na Inglaterra e inverso dos EUA. 

Não só nos esportes. Como dito nas legendas das fotos, os sul-africanos amam ‘peixe-com-batata’, o prato nacional inglês.

Nos EUA essa receita é quase ignorada, o prato nacional estadunidense é o ‘Big Mac’ (que, justiça seja feita, também é muito apreciado na África e na própria Inglaterra).

Cenas das auto-estrdas urbanas, os prédios da Zona Central ao fundo. Nos destaques uma flor, e grades no viaduto pra não jogarem pedras nos carros da pista inferior visando assaltá-los. A África do Sul é bela mas também é fera! Bem, pra ser justo, aqui na América não é diferente, tanto América Latina (Brasil incluído, claro) quanto já presenciei a mesma cena nos EUA.

Na linguagem é o mesmo. A escrita e a pronúncia do inglês sul-africano é totalmente britânica. Totalmente.

Eles escrevem ‘centre’, por exemplo, como na Grã-Bretanha, enquanto nos EUA é ‘center’.

Isso, dos dois lados do Oceano, pra ‘centro de lazer’, ‘centro de estudos’, ‘centro de compras’.

Já o Centro da cidade é o ‘CBD’ (‘Central Business District’) na Inglaterra, África do Sul e outras ex-colônias britânicas.

Esse termo, essa sigla, não existe nos EUA, ali é ‘DownTown’.

Digamos que numa roda estejam três pessoas conversando, um ianque, um inglês e um sul-africano.

Você vai claramente distinguir o nativo dos EUA, mas entre os outros dois você vai ter dificuldades de diferenciar quem veio daonde. 

Joanesburgo foi uma cidade fundada pela e pra mineração de ouro, no fim do século 19.

Ressaltei tudo isso pra dizer o seguinte:

A África do Sul se parece muito mais com a Inglaterra que os EUA. Muito mais, sem comparação possível.

Mas a África do Sul adota o sistema métrico de medidas, e não o inglês.

As distâncias na África do Sul são calculadas em quilômetros, não em milhas. O peso dos secos e molhados em quilos e litros, não em libras ou onças.

Auto-estrada dentro da cidade, os prédios do Centro ao fundo. Como as cidades sul-africanas são no estilo urbanístico estadunidense, eles são acostumados a dirigir grandes distâncias todos os dias.

Os EUA rejeitaram muito do que veio de sua pátria-fundadora: o lado que os carros andam nas ruas, os esportes, a língua eles mudaram o quanto puderam. Mas o sistema de libras e milhas eles mantiveram.

Na África do Sul é o inverso. Mantiveram intacta boa parte da herança colonial nas outras dimensões, mas adotaram o sistema métrico.

Digo, mais ou menos. Eles medem em quilômetros? Sim. Mas eles pensam em quilômetros? Não.

E como eles pensam? Como eles medem a distância de uma cidade a outra? Em minutos.

Próximas 4: os subúrbios da Zona Norte, a parte rica e arborizada de Joanesburgo. A estrada que vimos acima a esquerda liga o Centro a eles.

Eles não dizem: “Pretória fica a 65 quilômetros de Joanesburgo”.

Nada disso. Eles falam “Pretória fica a uma hora e quinze de Joanesburgo”. Eles medem a distância não pela dimensão espacial, mas pela temporal.

Pelo tempo que a pessoa passa com a bunda no carro pra chegar de uma cidade a outra.

Nisso são iguais aos ianques (nunca fui a Europa, então não sei como é na Inglaterra).

Fomos de mini-van do hotel no Centro de Joanesburgo ao Aeroporto Tambo.

Perguntei a distância ao motorista, que era negro. Ele disse: “40 minutos”.

Perguntei: “em quilômetros?”. Ele respondeu: “não sei, aqui nós só sabemos calcular em tempo de viagem”.

O padrão das casas é esse, mansões que ocupam quadra inteira, ou quase.

………..

MAMAS & PAPAS”: NA ÁFRICA DO SUL TODOS DE CABELO BRANCO SÃO ‘MAMÃES’ E ‘PAPAIS’

Alias houve um choque cultural nesse mesmo trajeto que descrevo.

Viajávamos eu, minha mãe e uma amiga dela, que não tem filhos.

Há muitos plátanos – a árvore típica do Canadá e de Campos do Jordão-SP. No outono (quando estive lá) formam-se vários tapetes de folhas.

Os negros, como se sabe, são uma raça de sangue-quente, abertos, calorosos, totalmente o oposto da frieza nórdica que caracteriza os caucasianos.

Os negros adoram conversar, pegam amizade rápido. Íamos na mini-van. O motorista chamava as duas Mulheres de ‘mamas’.

Quando eu informei a ele que uma delas não era mãe (não apenas não era minha mãe; ela não teve filhos nessa encarnação) ele foi enfático pedindo pra eu não corrigi-lo.

Explicou: “aqui na África todas as Mulheres mais velhas são Mamas. E todos os Homens mais velhos são Papas. É uma forma de respeito”. Entendi. É o equivalente do ‘dona’ e ‘seo’ do português, como em ‘Dona Maria’ e ‘Sêo Jorge’.

20 de abril de 2017: desenho feito e levantado pra rede lá de Joanesburgo. Exatamente 1 ano depois essa atual postagem sobe ao ar.

Depois dessa explicação, o desenho que fiz e levantei pro ar lá do Centro de Joanesburgo se tornou ainda mais válido (dir.). E eles se chama, como seria diferente?, exatamente “Mama-África”!

Tá certo. Vivendo e Aprendendo…

………..

DA ‘CIDADE DE JOÃO’ A ‘CIDADE DE JÓ’.

Joanesburgo quer dizer ‘Cidade de João’ (abaixo falo mais disso), algo como ‘Joanópolis’. Mas como seu apelido é ‘Joburgo’, acabou se tornando a ‘Cidade de Jó’ (ou de ‘Jô’).

Seja como for, ela foi fundada numa ‘corrida ao ouro’. No fim do século 19, na mesma época do ‘Velho-Oeste’ Estadunidense, e exatamente da mesma maneira. Se você viu filmes de faroeste, sabe como foi.

Como já escrevi com mais detalhes, a colonização branca da África do Sul começou pelo litoral.

Em 1679 os holandeses erguem o Forte da Boa Esperança na Cidade do Cabo (1ª construção europeia em toda África), pensando assim garantir a posse da Colônia do Cabo da Boa Esperança.

O moderníssimo Gautrem liga Joanesburgo a Pretória. Aqui estamos quase chegando exatamente a Pretória, fomos de Uber pela rodovia e voltamos nesse trem.

E por um século funciona. Mas no fim do século 18 a Inglaterra chega com grande esquadra, e exige a capitulação do Cabo.

Os holandeses resistem bravamente, mas a marinha inglesa não era conhecida como ‘Soberana dos 7 Mares’ a toa.

Após sangrentos combates navais, o Cabo cai sob jugo da Coroa Britânica.

Parte dos holandeses ruma ao interior. Estabelecem duas repúblicas independentes em 1852 e 1854:

Respectivamente a República Sul-Africana (não confundir com o país atual, que é a República da África do Sul) e o Estado Livre Laranja.

Já que falamos no passado, na história, essa era a bandeira da África do Sul na era do ‘apartheid’ (r). Trazia dentro dela a bandeira do Reino Unido, e das duas repúblicas independentes fundadas pelo africâneres (holandeses) que o próprio Reino Unido derrotou na Guerra do Bôeres, e incorporou a força a seu império: a República do TransVaal e o Estado Livre Laranja.

O Estado Livre fica antes do Rio Vaal, e a República Sul-Africana depois, por isso comumente referida como ‘República do TransVaal’.

Em 1855 Pretória é fundada, pra ser a capital da ‘República do TransVaal’. O nome da cidade ao contrário do que alguns poderiam pensar nada tem a ver com a palavra ‘preto’.

Pretória não é ‘Cidade dos Negros’, exatamente ao contrário, por um século e meio Pretória foi ‘a Cidade dos Brancos’, representou a opressão contra a raça negra que a fez escrava em seu próprio país.

Digo, agora na democracia desde 94 todos os ocupantes da sala principal no Palácio Presidencial são negros, mas por muito tempo os africanos nativos só entravam no Palácio pra fazer a limpeza e servir água e cafezinho.

Pretória é uma homenagem ao holandês André Pretório (eu aportugueso todos os nomes, lembre-se), que derrotou os zulus na famosa ‘Batalha do Rio Sangrento’, e estabeleceu o domínio europeu nesse pedaço da África.

Bandeira atual da África do Sul democrática, pós-‘apartheid’, na Cidade do Cabo, com a Mesa-Montanha ao fundo  (r): mantiveram as faixas azul e vermelha (quase alaranjada) da herança europeia, e introduziram um ‘y’ horizontal nas cores preta, amarela e verde, que combinadas com o vermelho representam a raça negra.

O filho de André, Martino Pretório, foi o 1º presidente da ‘República do TransVaal’. Ele comprou algumas fazendas, e em 1855 construiu e inaugurou Pretória como capital.

Em 1880 a Inglaterra exige a anexação das duas repúblicas holandesas no sul da África.

Com a negação delas, vem a primeira ‘Guerra dos Bôeres’, que a Inglaterra perde.

A República do TransVaal e o Estado Livre Laranja permanecem independentes.

Em 1886 Joanesburgo é fundada, por conta da mineração de ouro como já dito.

Em 1899 a Inglaterra retorna com força total, e decide praticar ‘terra-arrasada’ pra forçar os africâneres (holandeses) a se renderem.

Voltamos pra Joanesburgo. ‘Casas’ de zinco em Soweto, Zona Oeste. As favelas sul-africanas são chamadas de ‘Cidades de Lata’, pois os barracos são de metal (no Chile também é comum).

Aí, como dito acima, que a Coroa Britânica inventa o campo de concentração, trancafiando ali dezenas de milhares de Mulheres e crianças.

A batalha foi sangrenta mas os boêres perderam. As Repúblicas do TransVaal e do Estado Livre Laranja viram colônias do Império Britânico, ‘onde jamais o sol se punha’.

Quando foi formada a moderna África do Sul (ainda dependente do Império Britânico), em 1910, a antiga República do Transvaal virou o estado (província) do TransVaal, o Estado Livre Laranja manteve o nome mas também virou uma província da República da África do Sul.

Do outro lado da metrópole a situação é bem mais amena, digamos assim. Vemos os subúrbios dos milionários na Zona Norte de Joanesburgo. Só mansões, muitas ruas sequer têm calçadas pois ninguém passa a pé ali.

E, relembrando, a África do Sul foi colônia da Inglaterra até 1931. Assim ainda por mais 2 décadas manteve-se a Rainha inglesa Elizabete como chefe de estado.

(Nota: essa situação permanece no Canadá, Austrália e Nova Zelândia – essas 2 nações insulares da Oceania até hoje têm a bandeira do Reino Unido dentro de suas respectivas bandeiras, e a causa é essa.

Esses 3 países são independentes na prática sim, mas no papel ainda pertencem ao Reino Unido.)

Então. Quando se tornou independente em 1931, a África do Sul igualmente estava atrelada ao Reino Unido.

As únicas pessoas que você nas ruas são os empregados das mansões. Essas duas moças simpáticas trabalham na casa em frente, estão no seu horário de lanche (veja a Coca-Cola aberta) e foram tomar um ar. Quando viram que eu tirava fotos pediram pra eu clicar elas também. Está aqui, atendido o pedido. Os negros sul-africanos são muito quentes e calorosos, adoram interagir com estranhos. Em Durbã e Pretória também aconteceu de pessoas pedirem pra serem fotografadas ao me verem de câmera na mão.

Em 1960 organizou-se um plebiscito onde se perguntava se queriam a decretação da república (só os brancos puderam votar, era o ápice do ‘apartheid’).

Em todas as províncias exceto em Natal o ‘sim’ ganhou. Veja os resultados:

Estado Livre Laranja: sim, 76% (ali a presença holandesa era a mais forte como até o nome indica, a inglesa mais fraca, até hoje a proporção se mantém);

TransVaal: sim, 55% (grande presença inglesa, ainda assim maioria africâner [holandesa]);

Cabo da Boa Esperança: sim, 50,2% (praticamente empatado, refletindo o equilíbrio entre africâneres e ingleses);

Natal: não, 73% (o Natal é o reduto dos ingleses, ali há poucos africâneres, historicamente e hoje menos ainda.

A língua africâner é inexistente na comunicação oficial de Durbã [no governo e mídia], falada privadamente por algumas famílias, mas em público não);

África do Sudoeste: sim, 62%.

Nota sobre o último tópico: a não ser que tenha estudado história da África, você não conhece essa província (estado) da África do Sul. Natural. Hoje a antiga “África do Sudoeste” é a nação independente da Namíbia.

Linha de prédios do Centro (tirei de um quadro que há num hotel, nesse caso vazio).

Era colônia alemã. Em 1915, no embalo da 1ª Guerra Mundial (que a Alemanha perdeu) a Inglaterra incorpora o território a África do Sul, que também era colônia sua como vimos acima.

Quando a África do Sul ficou independente de fato em 1931 – e depois de direito em 1961, após o plebiscito delineado acima – manteve a África do Sudoeste como colônia.

Antes ambas pertencentes ao Reino Unido. Quando a África do Sul se separa a ‘África de Sudoeste’ vai junto no pacote. Tirando a opressão aos negros nativos, entre os brancos a adaptação é suave. Afinal, etnicamente –  e até linguisticamente – holandeses e alemães têm grandes semelhanças.

Bairro da Riviera, essa não é da do Cabo, e sim da Zona Norte de Joanesburgo. Detaquei o sufixo da internet: ‘co.za’.

O africâner é um dialeto do holandês. E a língua holandesa pro sua vez derivou da alemã num passado já remoto.

Mas ainda são bem parecidas (como os idiomas português e o italiano são parecidos).

Por exemplo, ‘cidade’ em alemão é ‘stadt’. Em holandês e africâner, ‘stad’.

Assim, ficou fácil pros africâneres colonizarem a vizinha África do Sudoeste também, depois que os alemães já haviam se imposto ali.

‘Peixe-com-Batatas-Fritas’ no Centro de Pretória. O prato nacional da Inglaterra é extremamente apreciado na África do Sul também. Bem, a Inglaterra é uma ilha pequena, nada dista mais que algumas dezenas de quilômetros do mar. Já Gauteng é bem distante do litoral. Mas o gosto trazido pelos colonizadores pegou ali também.

A ‘África do Sudoeste’ se separou da África do Sul apenas em 1990.

Adotando o nome de Namíbia pra começar sua vida como nação a parte,

Quando já sopravam fortemente os ventos que derrubariam o ‘apartheid’ (esse foi o ano em que Mandela foi solto, por exemplo) 

Digo, relativa independência. Pois a moeda da Namíbia é o Rand sul-africano.

A mesma da África do Sul? Exatamente, o Rand é emitido e controlado pelo Banco Central da África do Sul (passei na frente dele em Pretória, e fotografei-o, imagem logo abaixo).

Oras, não é difícil entender que uma nação que tem sua moeda emitida e controlada por outra ainda não deixou de ser colônia onde mais importa, que é a economia.

Ainda no Centrão de Pretória, aquele arranha-céu é a sede do Banco Central sul-africano. Em primeiro plano duas vans, no resto do país as da marca Toyota são quase oni-presentes. Em Gauteng (Joanesburgo e Pretória) há muitas VolksWagen também. Vemos uma de cada marca nessa imagem, a rubra é VW.

Além disso, entre as línguas oficiais dessa jovem pátria ainda estão o alemão e o africâner, além do inglês e 6 idiomas nativos africanos.

Seja como for, no papel a Namíbia é soberana desde 1990.

Mas em 1961 ela era oficialmente parte da África do Sul, e votou a favor da separação total da Inglaterra.

………

Já que falamos em línguas. Os domínios de internet na África do Sul geralmente tem o sufixo ‘co.za’. No Brasil é ‘com.br’.

Você sabe o porque do ‘co’, sem o ‘m’, e do ‘z’? Trata-se mais uma vez de influência dos dois grupos de europeus majoritários no país.

Já que voltamos ao transporte coletivo, em Joanesburgo e Pretória nas vans não há indicação de qual linha cumprem, nem verbal nem escrita. É o passageiro quem sinaliza pra onde quer ir, fazendo sinal com as mãos como linguagem surdo-muda. Se a van for por bairro que ele quer, o motorista encosta. Senão passa direto.

Nos EUA, e por consequência na maior parte do mundo, o domínio comercial é denominado ‘com’. Porém no Reino Unido se usa ‘co’.

E as vezes invertida a ordem, ‘uk.co’. A África do Sul aderiu também ao ‘co’, excluindo o ‘m’.

E o ‘z’ vem do holandês. ‘Sul’ em holandês – e por consequência também em africâner – é ‘zuid’. ‘

Zuid-Korea’ é a Coreia do Sul. ‘Zuid-Afrika’, portanto, a África do Sul.

Tudo somado: “tal empresa.co.za”.

De volta a Joanesburgo, vamos ver 3 estádios, Esse é onde foi disputada a Copa do Mundo de 2010, na divisa das Zonas Central, Oeste e Sul, entre o Centro e Soweto.

……….

Como prometido, explicando sobre os nomes das cidades. De Pretória já escrevemos acima.

Joanesburgo é obviamente ‘a Cidade de João’, que se escreve ‘Johannes’ (e se pronuncia algo como ‘iórrãnes’) em holandês e africâner, que é como todos sabem um dialeto do idioma holandês.

Mas qual João a cidade foi batizada em homenagem?

Não se sabe. Logo que Joanesburgo foi fundada a região passou por duas guerras entre ingleses e africâneres pelo domínio da região, as chamadas ‘Guerras dos Bôeres’.

Esse é em Soweto, Zona Oeste. Os negros da África do Sul amam futebol, e detestam ‘rugby’. Os dois times mais populares de futebol do país são de Soweto, os Piratas de Orlando e o ‘Kaiser Chiefs’ – foi neles que a banda inglesa se inspirou pra criar seu nome, ela quem copiou o time africano, e não o contrário. Durante a Copa, esse Estádio de Orlando (nome do bairro) foi usado como CT de algumas seleções.

Alias foi nessa oportunidade que a Inglaterra inventou o campo de concentração.

Já falamos com mais detalhes da violenta história sul-africana em outra postagem.

Pro nosso tema de hoje, houveram muitas confusões no período – guerras sempre envolvem pilhagens, tumultos generalizados e incêndios, você sabe como é.

Alguns feitos pelas tropas inimigas, outros pela população que tem fome, e outros ainda por quadrilhas de criminosos.

Assim, no meio desse caos, os arquivos oficiais que registraram a fundação da cidade se perderam. João, óbvio. Mas qual João? Ninguém sabe.

Também na Z/Central mas do lado oposto, na divisa com as Zonas Norte e Leste, está o Parque Ellis, geralmente de rugby, mas recebe partidas de futebol, também hospedou jogos da Copa de 2010.

Segundo a Wikipédia, há assim 5 Homens chamados ‘João’ que podem ter sido os homenageados: 

Christiaan Johannes Joubert, secretário do governador-geral Hendrik Dercksen, responsável pela mineração.

Não custa lembrar que a extração de minérios era não apenas a principal atividade econômica.

Mas nas primeiras décadas a própria razão da cidade existir;

Catador de papel no bairro ‘Wynberg’, Z/N.

Stephanus Johannes Paulus Kruger (mais conhecido como Paulo Kuger), presidente da República Sul-Africana entre 1883 – 1900.

Nota: mais uma vez, não confundir com a atual República da África do Sul.

Kruger foi presidente do que era um país independente, mas que depois foi incorporado pela Inglaterra se tornou a ex-província (estado) do Transvaal na era do ‘apartheid’.

Próximas 7: Sandton , o ‘Centro Novo’ de Joanesburgo, um subúrbio da Z/Norte. Pra ali foram as sedes das corporações depois que o Centrão ficou inviável.

E a província do TransVaal por sua vez foi desmembrada nos atuais estados de Gauteng, Noroeste, Limpopo e Mpumalanga.

Desculpe ter que ficar enfatizando esses fatos repetidamente. Mas como há essa confusão de nomes, acaba sendo necessário.

Johannes Meyer, um dos primeiros colonizadores, que teve papel destacado no governo, é outra possibilidade; ainda são lembrados:

Johannes Rissik;

– e Johannes Joubert.

Vemos um busão (fabricado pela Caio aqui no Brasil) alimentador do Gautrem. Essa rede de transporte coletivo a burguesia usa, pois é barato, limpo, seguro, rápido e eficiente. Pena que sejam poucas linhas. A frente mais duas vans, essas são as preferidas do povão.

Esses dois últimos fizeram parte de uma comissão que foi a Inglaterra pra negociar a regularização da concessão de companhias mineradoras.

………..

Já que falamos acima mais um pouco da questão automobilística: o VolksWagen Golf é o carro mais vendido da história da África do Sul, com 577 mil unidades.

Considerando que a população deles é 4 vezes menor que a nossa, isso equivaleria a mais ou menos 2,3 milhões de vendagem no Brasil.

Nota importante: hoje a indústria automobilística partiu pra uma estratégia desonesta, a de não aposentar mais os nomes dos modelos.

O desenho muda demais, ou seja, não é o mesmo carro. Mas tem o mesmo nome de mercado, praquele termo aparecer na estatística como um dos mais vendidos da história.

Visualizando é mais fácil entender. Pense no modelo do que chamam “Gol” atual no Brasil. Agora se lembre de como era o Gol nos anos 80. 

Essa simples comparação visual basta pra ficar claro que não é o mesmo modelo. O desenho da carroceria se alterou profundamente. E o que caracteriza um modelo senão seu desenho?

O “Gol” atual não é o mesmo modelo do Gol pioneiro, é simples assim.

O bairro comercial mais rico da África”, dizem os anúncios imobiliários.

A denominação foi mantida pra distorcer as estatísticas, mas se não é o mesmo modelo não é o mesmo carro.

O mesmo acontece com o “Uno” e diversos nomes de vários fabricantes.

Por isso, quando eu classifico os carros mais vendidos da história, eu reconheço como mesmo modelo apenas os veículos que têm o mesmo desenho de carroceria.

Claro que alguns detalhes podem mudar, como tamanho das lanternas e janelas. Evidente.

Agora, a carroceria tem que ser a mesma. Oras, quem vai negar que o Fusca manteve sempre o mesmo desenho, de 1938 quando surgiu na Alemanha a 2003 quando deixou de existir no México? 

Ninguém, é óbvio. Por isso, com 21 milhões de unidades produzidas com idêntica carroceria, o ‘Fuca’ ainda é o carro mais vendido da história da Terra, em termos reais, mentiras propagandológicas a parte.

Sandton já concentra muita riqueza, e vai concentrar ainda mais. Veja quanto prédios sendo erguidos lado-a-lado. Cada vez mais a burguesia muda seus escritórios pra ali, incluindo a crescente burguesia negra.

Pois bem. Isto bem esclarecido, o Golf é o carro mais vendido da história da África do Sul.

Foram 577 mil exemplares, repetindo. Isso em 31 anos, de 1978 a 2009.

577 milhares de cópias do mesmo carro, com o mesmo desenho, o Golf 1, que foi produzido na Alemanha de 1974 a 1983, e na África do Sul, digo novamente, de 78 a 2009.

Esse Golf 1 não foi vendido no Brasil, então se você não for um aficcionado automobilista provavelmente não o conhece.

Mas nem todo mundo que trampa em Santon é bem de vida. A classe operária (copeiras, porteiros, balconistas, etc.) almoça um salgado nessa “praça de alimentação” ao ar-livre – isso quem não leva marmita.

Ele era quadradão, como eram os carros dos anos 70, quando ele foi projetado.

Ou melhor, ele é quadradão. Pois na África do Sul ainda há centenas de milhares deles circulando

Afinal, quando escrevo esse texto (2018) os mais novos ainda sequer completaram uma década de uso.

Vá num morro, numa favela plana, num loteamento de periferia ou num gueto central da África do Sul.

E no fim-de-tarde quem pode volta a pé pra casa. Estamos falando de uma caminhada de uma hora a hora e meia pra ida, mesmo tempo pra volta. A periferia da África do Sul é muito pobre, orçamento apertado, cada trocado ajuda. Eu acompanhei a galera nesse dia, fomos de Sandton a Alexandra a pé (claro, cada um foi pro seu bairro, eu segui a turma de Alexandra).

O ‘carro do povo’ ali ainda é o Golf modelo 1, e ainda o será por mais duas décadas pelo menos.

Façamos uma recapitulação comparando os dois modelos mais vendidos da história da VolksWagen.

Na Alemanha, o Fusca começou em 1938. O primeiro Golf (modelo 1, óbvio) saiu da fábrica em 1974.

Estava iniciada a transição. Assim, em 1978 a Alemanha deixa de produzir Fuscas.

Em 1983, a Alemanha aposenta o Golf 1 e lança o Golf 2.

Museu de História Natural em Pretória, no jardim há vários esqueletos de dinossauros.

Na África do Sul o Fusca começa em 1951, e se encerra em 1979, um ano depois da Alemanha, portanto.

Foram feitas 288 mil unidades do Fuquinha em solo sul-africano.

O Fusca foi aposentado na África do Sul apenas um ano depois do lançamento do Golf 1 por ali.

Próximas 9: Centro de Pretória.

A ‘baratinha’ foi um sucesso na África do Sul, são comuns até hoje, quase 4 décadas após o fim da produção.

Vi Fuscas nas 3 cidades que estive, Joanesburgo, Durbã e Cidade do Cabo, daí você calcula o quanto foi popular.

Mas o Golf lá foi um sucesso maior ainda, vendeu mais que o dobro de seu antecessor. Já voltamos a África do Sul.

Apenas pra pôr o Brasil no contexto, onde o Fusca foi feito de 1959 a 1986, com mais um breve espasmo de 1994 a 96. Foram vendidos aqui 3,3 milhões de Fuscas.

E em nossa Pátria Amada não houve Golf 1 nem 2. O Golf só chegou aqui em 1995, já no modelo 3, que era bem mais redondo que o 1 – repito, não são o mesmo carro, só o nome é igual.

E como aqui havia o Gol, o Golf era um carro mais luxuoso, um degrau acima.

O basicão era o Gol, o Golf era pra quem podia pagar um pouco mais e queria mais conforto, mais acessórios, melhor acabamento.

Por isso, quando digo aos colegas brasileiros que o Golf é o carro mais vendido da história da África do Sul, algumas pessoas têm dificuldade de assimilar.

Pois, de forma natural, pensam no Golf brasileiro, que estreou aqui já tardiamente e visando um público de mais elevado poder aquisitivo.

De volta a África. Lá nunca houve Gol, que alias foi desenhado no Brasil segundo li na internet agora.

Na África do Sul o Golf era o basicão, era o carro do povo, o modelo mais barato e portanto o mais vendido.

Recapitulando, o Golf 1 estreou na Alemanha em 1974, e aposentou o Fusca em 1978.

Em 1983 foi a vez do próprio Golf 1 quadradão ser aposentado na Alemanha, substituído pelo Golf 2.

O plano inicial era aposentar o Gol 1 também na África do Sul, mas a situação tomou o rumo contrário.

O Golf 1 em seus 6 primeiros anos já se consolidara como sucesso absoluto de vendas em território sul-africano.

Tanto que a matriz alemã da Volks deu carta branca pra filial fazer algumas inovações.

Por exemplo, o Golf sul-africano foi lançado já na versão 4 portas, antes que isso acontecesse na Europa. Mas o melhor ainda estava por vir.

Enfatizando de novo, em 83 a matriz alemã encerra a produção do Golf 1, quando começa o Golf 2.

Ali igualmente existe muito comércio ambulante no calçadão.

O planejamento inicial determinava que a fábrica da África do Sul desse o mesmo passo no ano seguinte.

Mas nem tudo acontece como é planejado nos gabinetes, não é mesmo?

Exatamente no ano 84 explode em Joanesburgo a segunda grande revolta estudantil contra o ‘apartheid‘.

Já contamos com muito mais detalhes essa história antes.

Ao contrário de Joanesburgo e Durbã, no Centro de Pretória há brancos. Poucos, mas existem. Veja ponto de ônibus da época do ‘apartheid’, bi-língue em inglês e africâner.

Pro que nos interessa aqui que é só o ramo automobilístico, a comunidade internacional impõe um embargo a África do Sul.

Assim fica dificultada senão impossibilitada a importação de maquinário industrial.

Impedindo a modernização necessária nas máquinas da fábrica da Volks que seria necessária pro atualizar do Golf 1 pro 2.

As faixas vermelhas demarcam o corredor exclusivo de ônibus, Pretória também conta com esse modal moderno com embarque pré-pago em estações em nível.

Ademais, o boicote por motivos óbvios causa um empobrecimento geral de toda sociedade sul-africana. Certamente que tudo isso foi justo. Óbvio.

O boicote internacional foi muito útil pra auxiliar a luta dos negros (e de alguns brancos conscientes) que por fim derrubou o ‘apartheid’.

Então não estou lamentando o boicote, de forma alguma, foi justíssimo, uma forma de pressão totalmente apropriada.

Ainda assim, o efeito (desejado alias) foi esse, tornou mais difícil fazer negócios dentro da África do Sul.

Ainda na Z/Central de Pretória, pra quem não quer ‘peixe-com-batatas’ há milho cozido, preparado e servido na própria calçada. Nas ruas de todo país se vende muita banana também, você compra, descasca e come ali mesmo, já descarta a casca e está alimentado.

E isso tanto devido a falta de material adequando como devido a queda de poder aquisitivo da população.

Na guerra, um urubu é frango” diz o dito popular. Em momentos de crise, melhor não inventar, e fazer o básico, pois se o básico sair já está muito bom.

E foi isso que a Volks fez. Ao invés de lançar o Golf 2, relançou o Golf 1, dando uma repaginada nele.

O desenho da carroceria se manteve exatamente o mesmo.

Mas foi lançada uma versão que aqui no Brasil era conhecida como “Pé-de-Boi”: um carro mais cru, sem acessórios.

Mais uma do Palácio Presidencial.

Que cumpria o objetivo de permitir que as pessoas se deslocassem nele com conforto mas sem luxo.

O “Pé-de-Boi” não tinha tapetes, rádio, no painel só haviam os itens mais básicos. 

Tinha somente marcador de velocidade e da gasolina no tanque.

Portanto se excluiram ‘supérfluos’ como quem sabe o marcador de giros do motor e talvez até o odômetro.

Bem em frente ao Palácio começa (ou termina) a “Avenida do Governo”. Há uma praça, na esquina com a Rua Madiba, que é o apelido de Nélson Mandela. Um canhão adorna o local.

No Brasil alguns ‘Pé-de-Bois’ não tinham tampouco maçaneta externa do lado do passageiro:

O motorista precisava entrar primeiro e abrir por dentro a outra porta, não sei se na África foi assim também.

Não sei se o Golf ‘urubu-é-frango’ sul-africano tinha ou não maçaneta externa nas portas do passageiro.

O que sei é que era um ‘Pé-de-Boi’: um modelo que já deveria inclusive ter sido aposentado ganhou sobre-vida, desprovido de ‘luxo’, mantendo só o essencial.

Ia ser chamado ‘Econo-Golf’, pra ressaltar a economia. Mas pesquisas de mercado detectaram ser pouco atraente ao público esse nome. Foi batizado de ‘Golf-Citi’.

Voltamos ao Centro, esquina das Ruas Madiba (Mandela) e Steve Biko, ativista negro anti-‘apartheid’ que morreu torturado nas masmorras do regime racista, um mártir da liberdade negra que por décadas foi sonho e hoje é a realidade. Com essa encerramos (por hora) as imagens de Pretória.

Na África do Sul eles gostam de escrever ‘city’ com ‘i’ no final.

Basta ver que a rede integrada de ônibus da Cid. do Cabo se chama ‘My Citi’.

Seja como for, nasceu aí um campeão de vendas. Também pra baratear custos, ele só era produzido em 3 opções de pintura.

Um anúncio resuma a questão: “Golf Citi. Disponível em vermelho, amarelo e azul. Em verde não temos, infelizmente”.

Mais tarde, lançaram a versão preta, aí ficaram 4 possibilidades.

E fez sucesso, mesmo se restringindo a 3 (depois 4)  cores.

Voltamos a Joanesburgo. As sul-africanas negras levam seus bebês nas costas.

Somente o Golf-Citi vendeu 377 mil carros (equivalente a pouco mais de 1,5 milhão o Brasil).

Levando as vendas do Golf 1 na África do Sul (somando o Citi e os outros que tinham a mesma lataria mas mais acessórios) a 577 mil (o que daria 2,4 milhões em nosso mercado, como dito).

Vá num bairro popular do México. Verá uma profusão de Fuscas. Na África do Sul, em bairros de perfil social similar, um mar de Golfs, a maior parte deles Citis.

……

Eu não sou ligado a carros, sou busólogo e sou Caminhante, ando mais a pé e de transporte coletivo.

Colagem mostra um pouco dos hábitos alimentares sul-africanos: sendo um caldeirão de raças e culturas, a culinária tinha que refletir essa diversidade. Na geladeira do apê que fique em Joanesburgo haviam molhos e temperos de influência indiana, alemã e inglesa. A mostarda alemã diz ‘quente’, mas nem tanto assim, não diferente da mostarda escura holandesa que vende no Brasil. Mas a mostarda inglesa….não é quente, é fervendo. Aquilo é pimenta pura, eu comi um pouco no pão, até passei mal, fiquei vermelho como um pimentão, engasguei, saiam lágrimas dos olhos. Entendi porque os ingleses bateram os alemães nas duas guerras mundiais, porque seus culhões são (ou eram pelo menos) mais grossos; depois vemos um mel, embalagem em português pois é moçambicano; mercadinho com fachada da Pepsi no Centro de Pretória. Uma cena raríssima, a Coca-Cola é oni-presente no país e domina 99% dos letreiros de comércios. Existe Pepsi lá, eu tomei, mas é mais difícil achar – bem, no Brasil também é; registrei mais um peixe-com-batatas, esse em Joanesburgo; e fecho o giro com um alimento que é feito por uma corporação sul-africana no vizinho e pequeno país chamado Suazilândia. É uma das nações menos desenvolvidas do mundo, mediterrânea, totalmente dependente da África do Sul pra tudo. As indústrias sul-africanas abrem filiais lá pois os salários são mais baixos, os impostos, burocracia e direitos trabalhistas quase inexistentes. Destaquei o selo Halaal, que é o “Kosher dos Muçulmanos”. Na África do Sul há enorme comunidade islâmica, quase todos os alimentos são ‘Halaal’.

Por isso, um ano atrás (17), até eu fazer 40 anos, eu nunca na minha vida havia entrado em uma BMW.

E tampouco em um carro Mercedes – só nos ônibus, milhões de vezes.

Mas carros não. Pois essas marcas alemãs são caras no Brasil.

Eu não tenho amigos ricos, alias vários de meus camaradas ou nem sequer dirigem ou como eu o fazem muito raramente.

Mas na África do Sul Mercedes e BMW são mais baratos, mais comuns.

Andei pela primeira vez em ambos lá do outro lado do Oceano, já com mais de 40.

Outro modal que eu estreei em solo africano foi o Uber. Aqui no Brasil rarissimamente ando de táxi, o que inclui Uber.

Até porque nem tenho celular, não tenho como chamar o Uber. Mas lá na África andei várias vezes.

Inclusive ficamos hospedados no bairro ‘Killarney’, entre a Zona Central e a Norte de Joanesburgo. Chamamos um Uber pra ir ao Centro.

Quando chegávamos endereço desejado, ele falou: “eu deixo vocês na quadra de trás. Nessa rua tem muito taxista, e eles não aceitam Uber”.

É. Lá também tem esses conflitos, que também já presenciei na América.

Todos sabemos que estão ocorrendo confrontos de taxistas contra motoristas e passageiros do Uber no Brasil, inclusive aqui em Curitiba.

Em Buenos Aires, a entrada da Rodoviária do Retiro, no Centro da capital argentina, estava (março de 2017, um mês antes de eu ir a África) forrada de cartazes que diziam: “Uber: ilegal!”.

E na África essa situação se repete. Bem, esse é apenas um dos muitos conflitos que se desenrolam no Centro de Joanesburgo.

…………..

Universidade Nacional, chegando em Pretória.

Falar em mercado automobilístico, vamos citar outros sucessos de vendas na África do Sul:

Um é o Toyota Corolla (o modelo antigo deve ser o segundo ou terceiro carro mais vendido do país, atrás do Golf 1 e quem sabe do Fusca) os Mercedes antigos e as BMW’s.

Os veículos novos da Mercedes fazem sucesso lá também, sem dúvidas.

Voltando a Joburgo, na Zona Central, campus da Universidade de Joanesburgo.

Tanto os caríssimos mesmo quanto os destinados a média-burguesia.

Mas aqui quero chamar a atenção pra aqueles  Mercedes antigos, aqueles compridões, quem tem perto de 40 vai se lembrar:

Eram o luxo dos luxos no Brasil nos anos 80. A importação de carros era bem mais difícil, e entre os importados esse Mercedes liderava disparado. Era o topo de linha por aqui na época, rivalizados de perto pelos Alfa-Romeus.

Hotel de luxo no Centro de Joanesburgo abandonado, símbolo da decadência da região. Já contei a história completa aqui.

Mas tanto os Mercedes antigos quanto os Alfa-Romeus desapareceram a muito das ruas brasileiras.

Pois bem. Na África do Sul eles (os Mercedes velhos) ainda são comuns.

Na época do ‘apartheid’ era ‘carro de branco’, apenas os caucasianos podiam bancar, e nem todos eles, só os mais aburguesados.

(Nota: embora bem menos que os negros, existem os brancos pobres, trabalhadores braçais, na África do Sul.)

Quer saber por que a classe-média (inclusive a burguesia negra) abandonou o Centro Velho de Joanesburgo? Então eu vou mostrar. Foi porque ele virou um gueto gigante. Não tenho nada contra a periferia, exatamente ao contrário, eu não sou burguês, sou suburbano. Eu moraria nesse prédio na boa. Mas quem é burguês não curte muito esse estilo, digamos assim….

Voltando a nosso tema de hoje, vários desses Mercedes ainda circulam na África do Sul, enfatizo ainda mais uma vez.

É uma paixão do povo de lá, creio que no pós-‘apartheid’ compartilhada por todas as raças.

No Paraguai e nos países árabes (Palestina, Síria, Líbano, entre outros) é o mesmo.

Eles simplesmente adoram carros Mercedes, aqueles grandões, quadrados.

Adoram. Não importa se é velho, se está caindo aos pedaços – e alguns estão mesmo, não é modo de falar.

Não importa o ano e o estado de conservação. Importa que tenha a Estrelinha.

No Paraguai comprovei pessoalmente, quando estive lá em 2013.

Mas tem coisa pior. Repare nesse edifício. Está abandonado, a maioria dos apês em ruínas. Mas alguns estão habitados, tem gente que vive ali (destaquei as roupas no varal) por falta de opção.

Nos demais via internet. Alias os árabes e povos vizinhos como os persas amam também caminhões Mercedes-Benz.

Fiz matéria explicando com muitas dezenas de imagens a proliferação dos Mercedes de carga pesados no mundo. Recapitulemos onde eles tiveram mais penetração:

Alemanha e imediações no Norte da Europa (Holanda e Escandinávia especialmente), Cone Sul da América (Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai), África Negra (incluída África do Sul, embora ela seja multi-racial), Equador e América Central, Oriente Médio (incluindo Irã) e Ásia de Monções (Indonésia, Malásia, em menor escala Tailândia).

Mas voltemos aos automóveis de passeio. Na África do Sul, Paraguai e Oriente Médio, e também no Brasil porque não dizermos?, o carro antigo, quadrado, foi uma coqueluche.

Com a diferença que no Brasil eles praticamente acabaram, nos demais ainda estão em grande número nas ruas. Sinal que eles amam os Mercedes mais que a gene, dura constatação….

Outra marca muito vendida na África do Sul é a BMW, como é notório. Creio que lá seja mais em conta que aqui.

Próximas 3: muitos camelôs por todo Centro Velho da cidade.

No Brasil, como todos sabem, B.M. (e Mercedes) é sinônimo de automóvel de luxo, uma limosine.

Na África do Sul esse mesmo modelo que aqui é caríssimo lá não tem preço tão astronômico. Claro que não é popular, não é pra tanto.

Rivalizar com o Golf-Citi? Nem pensar!!! Mas a BMW lá se não é dos modelos mais baratos tampouco é dos mais caros.

Essa constatação não é científica, é empírica. Digo isso pelo que observei, não consultei tabelas.

Vi várias (tanto ao vivo quanto via Visão de Rua do ‘Google Mapas’) BMW’s nas periferias, nos bairros de gente trabalhadora. Nas favelas não, mas um pouquinho acima delas sim.

Essa tirei de dentro do busão Rea Vaya, recém-chegado de Soweto.

Por exemplo, andava eu (esse via ‘Google Mapas’) por uma cohab bem na periferia de Durbã. Quebrada, irmão. Moradia de classe operária mesmo.

E haviam algumas B.M.’s nas ruas, paradas em casas simples, daquelas que o morador faz um puxadinho pra garagem na laje (as casas nesse caso são na ladeira, abaixo do nível da rua).

Cheguei inclusive a mostrar isso a minha ex-eposa (na época ainda éramos casados).

E uma imagem que resume a questão eu presenciei com meus próprios olhos, fui eu quem cliquei:

Ninguém recolhe o lixo nem corta o mato por aqui. E estamos no coração da cidade. Note mais 2 muçulmanas de véu.

Estava num bairro popular da Zona Central de Pretória. Havia uma serralheria nos fundos do terreno.

Negócio familiar, de alguém que trabalha sozinho ou com parentes, no máximo um ajudante de fora.

Tudo era bem simples, nos fundos de outra casa, a nada requintada placa que anuncia o negócio parecia pintada a mão.

Mas o carro parado na frente era…outra BMW. Coisa de sul-africano. Fotografei pra registrar pela eternidade (busque pela legenda).

Galera na fila pra embarcar nas vans no final de tarde, Centro de Joburgo.

………….

Já prosseguimos com o texto. Pausa pra uma foto-galeria mostrando a história de Joanesburgo.

Fotografei de quadros que estavam expostos no teto, logo a angulação não ajudou na iluminação.

O texto era tri-língue, inglês francês e africâner. Foi formulado no começo do século 20. Logo, quando falar ali em ‘anos 90’ (‘nineties’), são os anos 90 do século 19, e não o do 20, lembre-se disso.

Mas nem tudo são problemas. Há o Centro Novo, visto nessa e nas próximas 2 fotos. Esse é limpo, organizado, e pelo menos de dia, bastante seguro. Aqui a burguesia frequenta. Mas apenas a burguesia negra.

Como eu já delineei em mensagens anteriores e recapitulei nas legendas das fotos dessa atual matéria:

O Centrão Velho de Joburgo é um gueto gigante. Não há brancos ali. Não há, simplesmente não há. Zero, nada, nenhum.

Bem, na parte velha que está horrorosa, tenebrosa não há ninguém de classe-média, da raça que for.

Pois hoje, como já escrevi diversas vezes e é notório, existe uma nascente burguesia negra.

E ela não é despresível nem invisível, marca presença tanto numericamente quanto em termos de renda. É muito comum ver Homens e Mulheres negros e negras dirigindo carrões caríssimos:

Picapes, utilitários, BMW’s, Audis e Mercedes dos modelos mais luxuosos, e não somente dos que já se se popularizaram.

Pois bem. Esses burgueses negros também evitam a parte velha do Centrão. Tanto quanto seus colegas brancos. E compreensivelmente, porque em alguns locais a situação está de arrepiar:

Placa indica que nessa região são proibidos camelôs. É a parte nova e civilizada do Centro da cidade, um contraste total com a parte mais antiga.

Muito lixo, violência, camelôs por toda parte, prédios abandonados, invadidos, em certos pontos odor forte de urina. Situação tensa. Eu não exagero quando digo que é um ‘gueto’.

No gueto do Centrão só tem gente do povão, sem recursos. E todos de pele escura. Muitos nativos sul-africanos mesmo, mas muitos imigrantes de outros países da África.

A África do Sul é um país de 3º mundo, certamente, como estamos mostrando na série (ainda virá a matéria sobre Durbã, breve no ar).

Mas boa parte da África é de 4º ou mesmo 5º mundo. Se existir o 5º mundo, é nas partes mais esquecidas do Continente Negro que ele se manifesta.

Se você já conhece a situação, sabe o que estou dizendo. Mas se não, você não vai querer saber agora como são as condições de vida da maioria do povo na Libéria, Serra Leoa, Somália, Sudão do Sul, partes do Congo e Nigéria, entre outros. A coisa é de chorar.

Mercearia em Soweto, Zona Oeste.

Por isso a África do Sul drena imigrantes da África inteira. O chamado “1º mundo” (entre muitas aspas, porque sabemos bem como eles obtiveram e mantém sua riqueza) deveria agradecer muito a África do Sul.

Pois se esses africanos não estivessem ali estariam na Europa ou (mais raramente) EUA.

Colagem mostra o Centro de Pretória e imediações. Em sentido horário: 1) Mantiveram no nome que os brancos deram a cidade, mas a prefeitura metropolitana (como se fosse a do ‘condado’ nos EUA) foi rebatizada Tshwane, o nome negro da região; 2) pastor prega no Centrão. Ele gritava a plenos pulmões o Apocalipse. Ninguém lhe dava atenção; 3) mais um plátano; 4) tótem da Estação de trem de Pretória; 5) de volta ao Centrão, notamos os trilhos onde um dia passou bonde mas não mais a muito (fotografei o mesmo em Belém-PA, no Paraguai e Argentina). Destaquei no detalhe que o rapaz está com a camisa alvi-negra do time de futebol Orlando Piratas, de Joanesburgo; e o ‘Museu do TransVaal’ já no nome começa a preservar a história da região, esse era o nome do estado na época do ‘apartheid’, quando ele era bem maior.

Com todas as favelas e com todos os seus problemas, a periferia das metrópoles sul-africanas é muito, mas muito mais rica que os rincões isolados africanos.

O taxista nos contou que os imigrantes de nações mais pobres se espantam que a África do Sul conta com ruas e estradas – mesmo que nem sempre elas estejam no melhor estado de conservação.

No interiorzão africanos, muitas vezes nem isso há. Bem, nem estrada nem nada, em partes do Continente Negro as pessoas ainda vivem como a milênios atrás:

Em chochas no deserto ou na selva, criando cabras e contando apenas com Deus pra velar por elas.

Então a África do Sul conta com pequena comunidade lusófona entre os trabalhadores braçais (oriundos majoritariamente de Moçambique e Angola).

Eu mesmo conversei em português com um moçambicano, um pedreiro que reformava o prédio onde fiquei hospedado em Durbã.

Mas a comunidade mais comum de imigrantes é proveniente do Golfo da Guiné (o Oeste Africano). Os nigerianos tomaram conta do Centro de Joanesbuburgo, eles dizem por lá.

Próximas 3: Zona Central de Pretória.

‘Inclusive agora quase que monopolizando o tráfico de drogas’, acrescentam.

Evidente que a imensa maioria dos nigerianos que migram é honesta. Evidente.

Mas tenha em conta que bastam algumas dezenas de pessoas pra formar uma quadrilha que domina um território inteiro.

Certamente há algumas dezenas de milhares de nigerianos nos guetos da Zona Central de Joanesburgo.

Se 0,1% deles forem desonestos, já dá uma turma da pesada, e de fato assim ocorre.

Também é comum vermos bandeiras de Gana pela África do Sul, indicando que muitos ganeses estão por ali.

‘Pick’n Pay’ é uma rede nacional de mercados, e significa exatamente ‘Peg-&-Pag’, como existia no Brasil (essa só quem é “daquele tempo” vai lembrar…). De volta ao Centro de Pretória, na África do Sul a venda de bebida alcoólica é mais regulada que aqui, por isso muitas redes têm uma loja própria só pra isso. É o caso aqui.

Vi pessoalmente (e fotografei) uma delas no Mercadão Central de Joburgo. E via ‘Google Mapas’ presenciei outra numa favela da Cidade do Cabo.

……

Há uma parte do Centro de Joanesburgo limpa e segura, como já falamos acima.

Ali há sim pessoas de classe-média, mas mesmo assim só os de pele escura.

Os euro-descendentes não vão mesmo ao Centro, mesmo na parte agradável dele.

Olhe, as ruas são limpas e seguras, pelo menos durante o dia – já a noite é melhor não andar a pé ali, mas isso é igual no Brasil também.

Não há camelôs, não há lixo nas ruas, não há rodas de desocupados nas esquinas em frente aos bares e mercadinhos. 

Próximas 3: Soweto, a periferia mais emblemática da África, na Zona Oeste de Joanesburgo. Aqui uma favela, as ‘casas’ são de zinco. Em verde os banheiros químicos que o governo instala, pra não ser ao ar-livre mesmo.

Lojas e restaurantes caros se destinam senão a elite certamente a média e alta burguesia.

Homens e Mulheres da raça negra, elegantemente vestidos, ali trabalham e no almoço e fim-da-tarde comem e congregam nos restaurantes e lanchonetes.

Mas mesmo nessa parte limpa e elegante do Centro não há brancos.

Os caucasianos se auto-impuseram um ‘apartheid invertido’, e não pisam mais no Centro, incluindo onde ele é limpo e seguro.

A África do Sul está fazendo um esforço hercúleo pra urbanizar as favelas, já construiu milhões de moradias decentes por todo país. A casa é de alvenaria, porque foi entregue assim. Mas quando faz um puxadinho….o cara volta pro zinco! Você sai da ‘Cidade de Lata’, mas ela não sai de você!!

Os euro-descendentes migraram prum ‘Novo Centro’ que eles implantaram na Zona Norte da cidade.

Há um subúrbio (no sentido ianque do termo) chamado Sandton.

É ali que os brancos trabalham, pois eles moram na região.

Claro, não só brancos. Não há mais ‘apartheid’, felizmente, então ninguém pode ser impedido de entrar em parte alguma por causa de sua raça. 

Ademais, digo ainda mais uma vez, existe uma burguesia negra.

Outra favela em Soweto, note quanta pedra nos telhados pra eles não irem com o vento.

E eles também trabalham em Sandton, afinal é onde o dinheiro está.

Então há negros em Sandton. Evidente que sim. Mas nesse bairro os brancos ainda são numerosos, creio que ainda a maioria, pois se concentram ali.

A bolsa de valores da África do Sul, por exemplo, foi há muito transferida do Centrão pra Sandton. Todos os hotéis mais caros e centros de convenções e de compras, idem.

Colagem mostra um pouco do que vemos nas ruas de Joanesburgo, incluindo a rodovia pra Pretória (em sentido horário a partir do carro preto): 1) o Golf modelo 1, automóvel mais vendido da história da África do Sul; 2) belo ‘Galaxão’ antigo; 3) Toyota Corolla do modelo antigo, também mito popular por lá; 4) na África do Sul eles amam carros Mercedes. São tantos que acabei andando neles pela 1ª vez em minha vida; 5) ao lado de um Audi escuro vemos um Mercedes branco daqueles antigos, quadradões. Ainda há vários deles circulando; 6) caminhão bi-trem, também bastante frequentes nas estradas (99% dos caminhões sul-africanos são cara-chata, e 90% são brancos); e ao centro um ônibus 2-andares da Metrobus.

Explorando novamente a região via ‘Google Mapas’ um ano depois que estive fisicamente nela, constatei alguns anúncios que comprovam o ‘espírito’ de Sandton.

Um deles dizia: “invista no bairro que tem o metro quadrado mais valorizado de toda África.”

E outro era da BMW. Estava grafado: “O Lobo de Todas as Ruas”.

Uma referência ao o filme “O Lobo da Rua do Muro”, que mostra como é por dentro o esquema de pilhagem global que é conhecido como ‘bolsa de valores’.

Em inglês forma um trocadilho, pois o título da película é “The Wolf of Wall Street”.

O cartaz da montadora alemã anunciava seu produto como “The Wolf of All Streets”.

É mole? O filme denuncia a ganância e a imoralidade da Rua do Muro. Mas pros publicitários que bolaram a campanha essas são virtudes (????).

Assim é o ser humano….

…………

Mais uma pausa pra outras duas foto-galerias.

Iniciamos pelas linhas de prédios do Centro de Joanesburgo, fotografados a nível do solo. A direita a mesma cena mas cliquei do alto de um daqueles arranha-céus.

E agora os subúrbios da Zona Norte. Algumas partes de elite, outras de classe-média, e há bairros mais populares.

Nas próximas 2, de volta ao Centro de Pretória: aqui uma imagem reflete bem os contrastes da África do Sul. Um possante Mercedes do modelo novo, bem caro, cruza com um outro ‘carro’, esse de tração humana, trata-se de um catador de papel.

Bem, como já contei antes, bem perto desse riquíssimo subúrbio de Sandton há uma grande favela chamada Alexandra (lá pronuncia ‘Alec-zandra’).

Uma boca-quente, um dos pontos mais problemáticos da cidade, e isso desde os tempos do ‘apartheid’.

Mais uma vez: é evidente que a imensa maioria dos Homens e Mulheres de Alexandra (e de qualquer favela) são trabalhadores honrados e dignos.

Eu sei muito bem disso, ninguém precisa me falar.

Morei 15 anos numa favela de Curitiba (trata-se do Canal Belém, no bairro do Boqueirão, na Zona Sul).

Serralheria na Zona Central de Pretória, negócio pequeno, nos fundos, o barracão precário, é um lutador, o cara se vira como pode mesmo. Mas o carro é BMW.

Então sei. A imensa maioria são pessoas decentes, que lutam contra muitas dificuldades pra sustentarem suas famílias, mas não esmorecem e nunca perdem a Fé em Deus.

Ainda assim em toda favela existem criminosos, e isso também é um fato, que não adianta tapar sol com peneira.

Em Alexandra é assim também. Pra fecharmos o texto que já está bem longo, vou resumir  aqui uma história que já relatei mais detalhadamente em outra postagem.

Mas o final da matéria será inédito, ainda não contei em parte alguma.

No fim-de-tarde, uma fila de trabalhadores braçais saem de Sandton, e vão a pé pra suas casas pra economizar o VT.

São os peões da construção, jardineiros, porteiros, seguranças, copeiras, domésticas, cabeleireiras, depiladoras, balconistas, caixas, ascensoristas (ops, esse cargo não existe mais…), resumindo a galera que rala, ganha o pão de cada dia com o suor de seu rosto.

Próximas 3: Zona Norte de Joanesburgo, “a cidade que tem medo”. Fecharam a rua ao tráfego, exatamente como ocorre no Brasil.

Uma boa parte deles mora em Alexandra. Já havia mesmo planejado ir de Sandton a Alexandra.

Quando vendo o mapa fiz o roteiro desse meu rolê a pé, desse trabalho de campo pra ver como é a maior metrópole da África do Sul, o plano era exatamente esse mesmo.

Pra ver os dois lados. A elite e a favela. O bairro mais caro da África, bem perto de uma das piores favelas da cidade.

Então fui. Junto com a massa. Eu era o único de pele clara.

Já é um condomínio fechado, mas olhe quantas camadas de cerca elétrica.

(Nota: eu me considero ‘pardo’ por razões Espirituais, pois ‘branco’ é europeu, e eu não sou europeu.

Eu Sou Americano, do Continente América,  o que é classificado como ‘Hispânico’ nos EUA, o Latino, da Raça Latina. Ainda assim, minha tez é alva.)

Deixamos Sandton, fomos pelo acostamento da auto-estrada. Claro, os grupos vão se dividindo, cada um vai pro seu bairro.

Eu segui no embalo da galera que rumava a Alexandra.

Passamos pelo bairro de ‘Wynberg’, um subúrbio industrial, muitos barracões, um centro de compras popular. 

Na entrada dele há esse monumento curioso, visto a direita: uma Kombi queimada.

Subúrbios de Pretória.

Ao chegar na praça que divide ‘Wynberg’ de Alexandra…caramba, irmão!!!!

Tomei um tremendo choque. E não é pra menos. Me deparo com uma cena de guerra. Não é modo de falar.

A praça estava ocupada militarmente, por uns 30 ou mesmo mais camburões da polícia.

Embaixo do rodado de um deles, um corpo coberto com lençol.

Daqui até o fim: Zona Norte de Joanesburgo (foi ali que fiquei, por isso foi mais fotografada). Aqui o bairro de Alexandra, perto da favela que descrevo no texto.

Pensei que tinha havido um tiroteio. Mas depois lendo pelo jornal constatei que uma viatura atropelou e matou uma menina, pré-adolescente que voltava da escola.

Além daquela saturação na praça, todas as entradas da favela contavam com mais uma viatura fazendo pressão.

Os policiais cuidavam de salvar suas próprias vidas.

Dois anos antes (em 2015), ali em Joburgo mesmo, uma viatura atropelou dois jovens. A multidão fez justiça com as próprias mãos e queimou vivos os dois policiais. Não é maneira de falar.

Pichação na passarela, na saída pra Sandton e Pretória.

…………

Lamentável. Passei pela favela ocupada, saí de novo por ‘Wynberg’.

E peguei uma avenida em direção a parte mais central da Zona Norte, onde eu estava.

Vi a periferia da cidade e seus contrastes, agora fora da favela.

Parque Central de Sandton.

Os prédios, alguns bem cuidados e floridos, outros bem derrubados, comércio popular.

Um trânsito infernal na avenida, as pessoas nos pontos esperando vans e ônibus, aqueles que moram muito longe e não dá pra ir a pé.

O Sol se pondo. Era meu último dia na África. Como havia feito no Chile, eu ia caminhando e fazendo uma reflexão.

Aqui e a direita: na África do Sul eles usam infinitamente mais energia do Sol que no Brasil. Mil vezes mais, sem comparação possível. Casas de todos os padrões sociais têm painel solar. Veja esse conjuntão nas bordas da Zona Norte de Joanesburgo. Bem perifa, moradia da massa, sem luxo nenhum. Mas todas as residências com esse equipamento.

Agradecendo a Deus Pai e Mãe por ter me dado a oportunidade de conhecer outro continente.

Nessa parte mais periférica, muito povão nas ruas. Quando fui chegando a meu destino adentrei de novo na parte rica da cidade.

No estilo dos subúrbios ianques. Parecido com o bairro do Morumbi em São Paulo, pra quem conhece:

O bairro lá se chama ‘Houghton Estates’. Só mansão atrás de mansão. Cada vez mais ruas que foram fechadas ao tráfego.

Botaram grades, você não entra mais se não for morador (ou explicitamente convidado de um morador).

Uma colagem, o da Z/N é no mesmo bairro a esquerda. Mas veja o mesmo na Zona Oeste, em Soweto. A quantia de pedras em cima do telhado não deixa dúvidas a qual classe social aquelas moradias pertencem. Mas ao lado das pedras…painel solar!

Ninguém passa a pé nessas ruas, eu andava sozinho, só eu e Deus.

Nas vias internas não há comércio, não há linhas de ônibus, não há nada.

As calçadas (onde elas existem, que nem sempre é o caso) absolutamente desertas.

Eu andava as vezes mais de uma hora sem cruzar com ninguém.

Mas as ruas cheias de carros, e carros caros. O dia virando noite.

África do Sul em Preto-&-Branco. No fundo, um subúrbio de altíssimo padrão, onde mora a alta burguesia, que ainda é majoritariamente branca (embora não mais exclusivamente assim). Na frente um cartaz do McDonald’s anuncia o…. McFlava. Peraí, que tal de ‘McFlava’ é esse???? Trata-se da palavra ‘flavour’ (‘sabor’) em ebonês, um dialeto do inglês que é falado pelos negros mais jovens e menos instruídos da África (não apenas África do Sul, todo país anglófono como Nigéria idem), EUA, e nações do Caribe insulares de colonização britânica como Jamaica. O Ebonês tem gramática mais simples, menos preposições, abrevia-se muito, muita gíria. Uma de suas principais características é que eles não conseguem falar o ‘r’ no final das palavras, por isso o ‘flavour’ vira ‘flava’.

Cheguei na auto-estrada, já próximo do bairro que em que fiquei hospedado.

Quase lá. Bastava somente contornar um campo de golfe e chegava em casa.

Estava cansado (foram 6 horas caminhando sem parar, percorri uma boa parte da Zona Norte de Joanesburgo a pé) mas feliz pela missão cumprida.

Havia visto tudo. Os subúrbios ricos e de classe média. A periferia. As favelas. Até dentro de camburão eu andei em Durbã, como já contei no outro texto.

Ali em Joburgo mesmo, o contraste agudo, o Centrão que virou gueto com seus arranha-céus abandonados, nenhum branco nas ruas.

Sandton, o ‘Novo Centro’, com seus arranha-céus, todos eles ocupados a preço de ouro, o metro quadrado mais caro da África.

A favela de Alexandra, ocupada militarmente pra rapaziada não fazer micro-ondas com os policiais.

Muita gente nas ruas em toda periferia, mas ali no local que estava cercado pela polícia nem dava pra andar.

Centro do subúrbio de ‘Rosebank’. Entre o Centro e Sandton, cumpre a mesma função que esse último, mas numa escala menor.

Pois a multidão obviamente se aglomerou pra acompanhar a perícia retirar o corpo.

Em Hougton, a mesma cena que eu já havia visto em ‘Rosebank’ e ‘Saxonwold’, na ida:

Redutos de milionários, ruas cheias de carro mas ninguém a pé, andava mais de um hora antes de cruzar com alguém.

Ia lembrando de tudo isso, no acostamento da rodovia, já de noite, ao lado do campo de golfe.

Há muitos deles na África do Sul, centenas de vezes mais que no Brasil.

Placa bi-língue (inglês de um lado, africâner de outro), herança do ‘apartheid‘.

Pela herança inglesa, a burguesia sul-africana adora golfe.

Cada subúrbio deles tem vários campos, como nos EUA e totalmente diferente do Brasil, repetindo.

Ou seja, um reduto da elite. Mas pra completar o contraste, pra resumir numa imagem os paradoxos que esse país chamado África do Sul:

Viram na foto anterior que o Sol está se pondo. Fechamos com duas imagens da região. Era meu último dia na África. O Sol (Logos) encerrava mais um ciclo de trabalho, e eu também.

Encostados na grade havia um acampamento de sem-tetos.

E quatro ou cinco deles se aqueciam em volta de uma fogueira.

Encostados, repito, na grade que vetava sua passagem prum ambiente que fisicamente estava perto.

Mas em termos sociais parecia outra galáxia, o campo de golfe dos bem-nascidos e bem-conectados.

Aquilo era a África do Sul.

Onde a parte mais tecnológica e rica do Norte da Europa se encontra com a parte mais miserável do Golfo da Guiné. Inglaterra e Holanda separadas por uma cerca de Libéria e Serra Leoa.

Definitivamente….o mundo num só país!!!

Eu encerro meu caso. Que Deus Abençoe a todos.

“Deus proverá”

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Descendo do Salto

São 2 desenhos inéditos, feitos em abril de 18. Começamos falando desse

VIAGEM PRO PASSADO: A CURITIBA DOS ANOS 80 E 90

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 14 de abril de 2018

Todas as postagens de Marília são dedicadas as Mulheres

Marília grávida. E posando com o sapatinho do bebê (ela está esperando uma menina).

O cenário é a Ópera de Arame, no bairro Abranches, Zona Norte de Curitiba.

Mas espera aí: por que então ela está segurando seus próprios calçados na outra mão?

o outro é esse, Marília toma refri enquanto espera seu táxi, ela acaba de comprar um vestido. Abaixo comentamos melhor.

É simples: porque essa foto não foi tirada hoje, quando há a “Faixa do Salto-Alto” num dos cantos da ponte.

E sim logo que o teatro foi  inaugurado, no começo dos anos 90. A Ópera não se chama “de Arame”por acaso.

Não é só a estrutura que é de metal armado. A passarela de acesso também é.

Assim em 1992, quando ela abriu as cortinas pela 1ª vez, não havia como ir do portão de entrada até a plateia usando salto-alto.

Antes/Depois: não dava pra ir de salto no começo dos anos 90. Até que implantaram a ‘Salto-Faixa‘.

Aquelas Mulheres chiques chegavam ali, em seus sapatos de salto.

Mas não podiam prosseguir, porque os as pontas do salto se enroscavam, elas podiam cair e até se machucar, torcendo o pé ou algo pior.

Mais de perto, Marília com os sapatos da mãe (ela mesma) e da filha.

Aí…não havia jeito, tinham que “Descer do Salto”. Literalmente, não é maneira de falar.

Imagine a cena, elas ali, elengantérrimas, todas produzidas dos pés a cabeça: tinham ido ao salão fazer unha e cabelo, vestido social, e … salto-alto.

Mas o salto não passava. Elas tinham que tirá-los, e chegarem descalças ao teatro.

Iam segurando os sapatos nas mãos. Quem presenciou nunca vai esquecer, era até cômico de ver!

Obviamente essa situação não podia perdurar, tanto constrangimento.

Assim fizeram a ‘Faixa do Salto-Alto’ no canto da passarela, como dito antes e é notório.

Essa imagem não se relaciona com o texto: Marília grávida na China com Maurílio.

Observe a foto acima a esquerda, o ‘Antes’ (baixada da internet) e o ‘Depois’ (tirada por mim em 2016).

Soldaram uma chapa, assim agora é possível ir de salto na Ópera.

Felizmente a prefeitura considerou as necessidades femininas. Ufa!

Entretanto, vocês sabem,  aqui estamos numa ‘volta no tempo’.

Marília tirou esse retrato 25 anos atrás, sua filha já está adulta.

Porém na ocasião da gravidez, quando foi aos muitos parques da Zona Norte da cidade (a maioria deles então recém-inaugurados) pra fazer esse ensaio, não havia a ‘Salto-Faixa’ ainda.

E Marília não sabia. Aí ela também teve que ‘descer do salto’, literalmente.

Claro, ela podia ter tirado a foto descalça sim mas com a outra mão livre.

Agora vamos falar da gravura de Marília tomando um refri. Vocês viram acima que ela espera o táxi pra ir pra casa após comprar um vestido. Ela já está se imaginando de roupa nova….Coisa de Mulher, né?

O sapato dela não precisava ter aparecido se eles não quisessem mostrá-lo, alias.

Pois o fotógrafo (seu marido Maurílio, e quem mais seria?) podia simplesmente tê-la enquadrado da canela pra cima, ninguém nem ia saber desse detalhe.

Mas já que aconteceu assim, Marília desceu do salto fisicamente sim, mas não perdeu a pose.

Ela embarcou na brincadeira, não perdeu a oportunidade:

O sapatinho da menina numa mão, o dela na outra. 1, 2, 3, diga ‘xis’, foi.

Tá registrado pra Eternidade o momento. 

………..

COMPRA-TERAPIA: “NADA COMO UM VESTIDINHO NOVO PRA GENTE SE SENTIR LÁ EM CIMA”, PENSA MARÍLIA.

Pra fechar, como a legenda acima já indicou, falemos do desenho de Marília esperando o táxi, como uma sacola numa mão e uma garrafa de refri na outra.

Voltamos ainda mais no tempo. Aos anos 80. Quando os Fuscas dominavam as ruas do Brasil, inclusive nos táxis.

E o logo da Pepsi era o Tri-Color Clássico, branco, azul e vermelho dentro de uma bola.

(Nota: Coca-Cola é estabilidade, Pepsi é mudança.

O logo da Coca nunca se alterou, desde 1886 quando foi criado.

A filha de Marília: quando ela estava no útero, a mãe adorava tomar Pepsi. Mas a menina nasceu gostando do Taí! Que ironia, não? Deus é um cara gozador e adora brincadeiras…..

O da Pepsi muda o tempo todo, já são 10 no total. Pior que dinheiro brasileiro em épocas  de hiper-inflação.

A Coca só muda sua apresentação visual se…. for pra ficar igual a Pepsi!!! Pronto, falei!

Se você não viu esse flagrante total pessoalmente confira ele agora.)

……..

 Voltando a Marília. A sacola é de uma loja de moda feminina.

Ela foi comprar um vestido bem bonito, pra estrear num  dia muito especial.

Marília e Maurílio no México, em foto recente (2012). O táxi também é Fusca, o refri também Pepsi (com logo novo), mas dessa vez ele quem toma.

Já deu  certo. Ela chamou um táxi (a vendedora pediu a corrida no fixo da loja, na época não existia celular)  porque a ocasião merece esse luxo:

Mari não vai aguentar esperar o ônibus. Já que investiu no visual, gasta um pouco mais e tem esse conforto. Está ansiosa pra chegar em casa e se ver no espelho de vestido novo. E que garota não estaria?

No fim-de-semana vai sair com seu Amor, e vai com a roupa nova, óbvio. Ela vai ficar linda nesse vestido floral de verão, você não acha?

Deus Proverá.

Com o Rei na Barriga

 princesa marília: dessa vez uma princesa de verdade, coroada

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 1° de março de 2018

Publicamos um desenho chamado “a Princesa e as Flores”, em que Marília se sentiu uma princesa.

Porque andou de carruagem em frente a um castelo, em Vinha do Mar, Grande Valparaíso, Chile.

Mas lá era apenas uma brincadeira. Ela apenas se sentiu Real, sem sê-lo de forma real (com o perdão do trocadilho).

Assim como quando visitou ‘Hollywood’ ela se sentiu uma Estrela de Cinema.

Apesar disso, o convite pra estrelar a próxima super-produção ao lado do Brad Pitt ainda não veio…..rs.

Mas essa aqui é uma princesa de Verdade, de alguma monarquia europeia.

Coroa na cabeça, e luvinhas brancas nas mãos.

Marília na Praia de Carneiros (Pernambuco), de biquíni amarelo.

Trata-se, claro, de mais uma encarnação passada de Marília.

Marília é filha do Rei e da Rainha. Como o Casal Real não teve filhos varões e Marília é a mais velha, um dia ela será a Rainha.

E seu marido o Rei (esse dote pesou bem na escolha dele por ela, não?).

Ela está grávida. Seu filho se for Homem um dia também será o Rei, sucedendo seu avô e pai.

Os pombinhos em Boa Viagem, Recife.

(Ou seu primeiro filho do sexo masculino, caso esse seja uma menina. Machismo, é certo. Mas é assim que funcionava.)

Daí o título, Marília está – literalmente – com o Rei na barriga!

ISSO QUE É VIDA: LUA-DE-MEL NO NORDESTE –

Após o ‘sim’ no altar, jogar o buquê, o ritual todo, Marília e Maurílio saíram em Lua-de-Mel. Primeiro foram a Pernambuco.

Acima a esquerda uma foto que ele tirou dela na Praia de Carneiros, no Litoral Sul do estado.

Os três primeiros desenhos (dois são o mesmo em diferentes escalas) são inéditos, feitos em fevereiro de 18.

Agora adiciono outros que tratam do mesmo tema. A direita eles na capital, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife.

De mãos dadas em Fortaleza, a cidade do Sol, do Mar, das lagoas, do ‘funk’, e dos ônibus azuis (e brancos).

O avião pousou na capital pernambucana, alias o aeroporto é também na Zona Sul, perto de Boa Viagem.

Na praia eles pediram a alguém que estava ao lado pra tirar o retrato, consagrando o momento.

Marília amarra bem o biquíni, antes que a onda leve e ela passe a maior vergonha de sua vida!

Cruzes!!!! Melhor nem pensar, né? “Deixa eu reforçar bem esse laço”, ela pensa.

……….

Do Recife eles foram descendo de ônibus, uma parada em Carneiros, que fica no município de Tamandaré (não confundir com Tamandaré aqui da Zona Norte da Grande Curitiba, obviamente)

Embarcando novamente, chegaram a Maceió. Aí foi ela quem fotografou ele, Maurílio bem tranquilo a sombra de um coqueiro na Praia de Pajuçara. Ô vidão, hein amigos? Quem não quer??

Esse retrato também é inédito (fev.18): uma Marília Chinesa.

E de Alagoas foram, também por via aérea, pro Ceará. Novamente pediram a um outro banhista que os retratasse, molhando os pezinhos na Praia do Futuro, Zona Leste da capital Fortaleza.

O Casamento começou bem, não acha? Alias melhor não poderia ser…

………

Que Deus Ilumine a todos.

“Deus proverá”

o Carro do Povo

Cidade do Cabo, África do Sul, abril/17 (*).

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 28 de janeiro de 2018

Continuando nossa Sessão Retrô e de Transgenia Automotiva.

Hoje vamos homenagear o carro mais vendido da história do planeta Terra. Claro que só pode ser o nosso querido Fusca.

Acapulco, México, junho/12 (*). 2 táxi-Fuscas, na outra pista mais 1 entre os ‘caminhões’ Disco-Bus (ônibus urbanos).

Foram nada menos que 21 milhões de unidades, de 1938 a 2003 (nota: oficialmente o Toyota Corolla e o VW Golf têm maior vendagem. Explico no decorrer da matéria porque ainda considero o Fusca o campeão).

O ‘Fuca’ foi o primeiro automóvel de milhões de brasileiros, mesmo na classe média.

E nas periferias ainda é o meio de transporte de muitas famílias.

…………..

“Se meu Fusca falasse”, sucesso nas telas nos anos 70 e 80. Da Califórnia, claro.

Maioria das fotos puxadas da internet, créditos mantidos sempre que impressos nas imagens, e quando possível passo a ligação pra fonte

As de minha autoria identifico com um (*), como visto acima.

Já cliquei esse modelo em 2 continentes, 6 países, 13 cidades e 16 municípios (pois uma cidade pode conter vários municípios).

Alemanha, 1937: eis o protóptipo.

Logo detalhamos melhor onde foram essas tomadas.

………..

ATUALIZAÇÃO (FEV.18):

Nosso colega que é especialista em tudo que é motorizado  acertadamente apontou:

Berlim, 1938: inicia produção em série, celebrada em desfile no Portão de Brademburgo.

Existem tantos estudos acerca dele, quanto existem apelidos carinhosos para ele“.

Os estudos, a parte técnica, ficam por conta de quem entende.

Assim, esse camarada mais pra baixo na página fará sua valiosa contribuição dos aspectos técnicos.

Nessa atualização eu vou dar alguns apelidos do ‘Fuca’ ao redor do planeta.

Berlim, atual: desfile de Fuscas (a Kombi pegou carona) no exato mesmo local.

Quase todos, por causa da forma redonda do carro, giram em torno de 2 arquétipos:

  1. Insetos que tem a casca oval, como o Fusca (melhor dizendo, o veículo é quem copiou os animais, afinal os insetos estão no planeta centenas de milhões de anos antes do Homem e da Mulher): ‘Besouro’, ‘Baratinha’, Joaninha’, Escaravelo‘;
  2. Outras formas redondas como ‘Bolha’, ‘Bola’, etc.

Além de dezenas de novas fotos, com muitas transgenias curiosas.

Há aquelas que funcionam de maneira insólita, outras são só arte/curiosidade.

Algumas delas hilárias. Aqui ao lado vocês já filmam a “FusCarroça” (???????).

Essa veio diretamente da Etiópia, África (mais detalhes no decorrer da matéria).

Panzer, usado pela máquina de guerra do ‘Reich’.

Como notam, o motor tem exatamente ‘1 (hum) cavalo de potência’!!

A direita um Panzer, o Fusca adaptado pro modal militar, como a legenda já informou.

Vide explicações técnicas nas duas colaborações de um colega especialista em automotores, aquele que escreve em azul.

Ele fez 3 intervenções, uma no meio da matéria, outra ao pé dela (a 2ª atualização de fev.18) e a última na seção de comentários.

……..

“Fusca-Galinheiro”.

Vamo que vamo. Como é popularmente chamado o “Fusca” em (a fonte é uma matéria sobre esse carro na Etiópia):

Portugal – Carochas (exatamente o inseto ‘escaravelho’, que é um tipo de besouro);

EquadorPichirilo (gíria que significa um ‘carro antigo’ ou ‘pequeno’, no Equador especificamente sinônimo de ‘Fusca’);

“Churras-Fusca”.

Espanha – Escarabajo (mais uma vez o inseto ‘escaravelho’, ou ‘besouro’ se preferir);

Brasil – Fafá (Referência a cantora Fafá de Belém.

Entre outros apelidos que o ‘Fuca’ teve, evidente. Aqui damos uma leve panorâmica, sem a menor pretensão de esgotar o assunto);

Libera a pista pro ‘Fusca-Avião’ decolar !!!

Itália – Maggiolinos (‘Besouro’, de novo); 

Áustria – Kugel Porsche (‘Bola do Porsche’:

Como será melhor detalhado logo abaixo, o engenheiro Ferdinand Porsche foi um dos criadores do Fusca, além é claro de ter fundado a marca que leva seu nome);  

– Finlândia – Kuplas (‘Bolha’);

Curitiba tem a ‘Ópera de Arame’. Em algum lugar existe o “Fusca de Arame”.

Malásia – Kereta Kura-Kura (‘Carro Tartaruga’);

Polônia – Garbus (‘Corcunda’);

Alemanha – Käfer (‘Besouro’);

Romênia – Broasca (‘Sapo’);

Rússia – Juchek (Não sei o significado.

Pois na internet tanto na busca quanto na tradução nada aparece, talvez haja erro de grafia);

‘Fusca-Dodge’.

Eslovênia – Hrošč (Mais um ‘Besouro’);

Turquia – Vosvos (Idem, o mesmo ‘Besouro’);

– Israel – Hiposhit (O tradutor sugere a grafia חיפושית.

Sendo dessa forma, trata-se de ainda outro ‘Besouro‘. Aqui terei que fazer duas notas:

Propaganda da ‘Sprite’: Fusca-Bola-de-Basquete. Na Hungria pré-União Europeia.

1.) Quem sabe falar inglês notou aqui um trocadilho não muito agradável, fazer o quê?

Como estamos falando do hebraico isso não importa. Mas esclareço que:

2.) Talvez essa denominação ‘Besouro’ não seja realmente exata.

Está aqui havendo um conflito, uma  fonte de informações deficiente.

Fusca-Guincho.

Vide a explicação completa no pé da matéria.

Voltamos a dar os apelidos do ‘Fuquinha’ ao redor do globo terrestre.)

Iugoslávia Buba (Dou um doce pra quem adivinhar: mais outro ‘Besouro’);

Todo embolado. Que rolo, hein?

Cuba – Huevito (‘Fusca’ ali é ‘Ovinho’.

A Ilha fugiu do mais massificado que é o nome do inseto.);

EUA – Beetle (Já voltamos ao lugar-comum. ‘Beetle’ é ‘Besouro’.

Obviamente os EUA são a nação hegemônica culturalmente a nível planetário.

A mítica chave. Quem se lembra??

Então talvez a denominação estadunidense é que tenha inspirado tantos outros países a chamarem ‘Fusca’ de ‘Besouro’ ou ‘Escaravelho’, que também é um besouro.);

França – Coccinelle (‘Joaninha’. Outro inseto. Ao menos não é ‘besouro’ . . .);

Indonésia – Kodok (‘Sapo’, como na Romênia);

“Corrida Maluca”: de malucos pelo ‘Fuca’.

– Noruega – Bobla  (Tá ficando repetitivo, não? Na Noruega é igualmente ‘Besouro’);

AfeganistãoFulox-e-baqa-e (Não consegui o significado.

Novamente, pode ter havido erro na digitação ou mesmo na tradução original, desprezando letras ou símbolos não-existentes no Ocidente.)

‘Fusca-Aracnídeo’.

Egito – Elkhonfesas (Idem acima.)

………..

A história geral do ‘Fuque’ é essa:

1936: (3 anos depois de Hitler assumir) surge o projeto de fazer um carro barato e robusto, pra motorizar de vez a Alemanha.

Gostou dessa? Aqui em Curitiba, ao fundo um ligeirinho e placas de rua. Um “Fusca-Tartaruga”, pois leva a casa nas costas.

A inspiração no Ford T ianque é óbvia.

(Nota: depois da Segunda Guerra, a França também teve a mesma ideia, ali foi o Citröen C3 quem cumpriu essa função.)

De volta a nosso tema de hoje, o regime lutava pra re-erguer uma nação que estava arrasada.

Derrotada na 1ª Guerra, tinha que pagar vultuosas indenizações aos vencedores, o que gerava desemprego e enorme insatisfação.

A Alemanha se encontrava endividada, acabara de sair do caos político e econômico da ‘República de Weimar’.

Eis o “Fusca-Tartaruga“!!! Do modelo novo. Na Malásia Fusca é ‘Carro-Tartaruga’, não precisa dessa brincadeira . . .

Como sabem, foi nessa época que em terras  germânicas ocorreu uma das maiores hiper-inflações da história da humanidade, senão a maior.

Assim, o regime convocou a VolksWagen pra colaborar.

Prontamente governo e a montadora estavam alinhados numa ideia:

A de que o Fusca fosse o carro da massa, o veículo que toda família proletária alemã pudesse possuir.

Rodovia do Xisto (BR-476), na Lapa-PR, agosto de 16 (*): flagrei outro desfile de Fuscas. Ao fundo uma Cohab recém-inaugurada.

Barato e de fácil manutenção, o próprio motorista faria os reparos mais básicos.

“Carro do Povo” é isso e não há outro, alias já eu falo mais do nome.

Por hora sigamos a Linha do Tempo;

1937: sai da fábrica o primeiro protóptipo (imagem acima, busque pela legenda).

Cortado ao meio???

Detalhe: não tinha janela traseira (parecia um sarcófago!) e a porta abria ao contrário.

Repare que a maçaneta está na parte da frente da porta, perto do capô.

Sim, é isso, a dinâmica pra entrar no veículo era a inversa de hoje.

Fusca é um verdadeiro Dinossauro!!!

A falta de janela logo foi corrigida (Obviamente. Alias o protótipo tampouco tinha faróis traseiros):

Os primeiros da produção em série já contavam com uma área envidraçada nos fundos, que depois só cresceu.

No entanto a maçaneta invertida permaneceu, nesse primeiro momento.

Você entrava se contorcendo, contornando a direção. Um detalhe insignificante, em verdade.

Nomeei “Fusca/Tanque-de-guerra”, por causa da esteira, mas esse veículo não é militar. O colega especialista opinou (vide ‘comentários’) que “deve ser adaptado pra andar na neve”.

Na dureza material que era a Alemanha da guerra e pós-guerra, importante era ter um carro.

Logo fazer um esforço pra entrar nele era um privilégio e não um estorvo;

1938: começa a produção em escala industrial. A Volks e o regime celebraram em grande estilo.

É feito um desfile com pompa e circunstância no Portão de Brademburgo.

Que é, como sabem, o epi-centro político e cultural da capital da Alemanha, e por consequência de toda nação (equivalente ao ‘Zócalo’ do México).

O ‘Fusca/Tanque-de-Guerra’ de verdade. Digo, o de verdade é o Panzer já visto acima, esse  é uma brincadeira, na frente não tem esteira e sim roda normal. No pé da matéria (2ª atualização de fev.18) os detalhes dessa transgenia.

De volta a Berlim, já no século 21 vemos novo desfile de Fuscas no mesmo local.

E vários desses Fuscas dirigidos por Mulheres (por exemplo o conversível vermelho, o 2° a esquerda).

Até uma Kombi foi de embalo no evento. Entrona, né???;

1939-1945: Segunda Grande Guerra Mundial, produção interrompida.

Obviamente toda Alemanha entrou no esforço de guerra, ao fim malogrado.

Esse é adaptado a neve, sem dúvidas.

As fábricas deixaram de produzir material civil pra se concentrar em artefatos bélicos.

A VolksWagen não foi exceção, encerrou nesses anos a fabricação de automóveis pra fazer veículos militares.

Segunda metade dos anos 40 em diante: a VW volta a produzir Fucas a todo vapor.

Na tomada abaixo fábrica da matriz da corporação na Alemanha, 1947.

Repare que a janela traseira ainda era pequena e partida.

Inclusive o modelo se espalha pelo mundo. Em 1951 chega ao Brasil, a princípio importado.

Começa a ser produzido em nossa Pátria Amada no ano  de 1959.

Vinha do Mar (Grande Valparaíso), litoral do Chile, abril de 2015 (*).

Comecinho dos anos 70: ao chegar a marca de 17 milhões o Fusca passa o Ford T estadunidense.

E se torna o veículo mais produzido da história do planeta. Se não me engano foi em 1972 essa façanha.

No total foram 21 milhões de Fuscas, o que ainda o mantém como mais vendido da Terra de todos os tempos, na prática sim senão na frieza dos números.

Promessa é dívida: mais pra baixo no texto falo em detalhes o que quero dizer com isso. Por hora sigamos com a história do ‘Besourinho’.

Fusca/Rolls-Royce???

1978: a Alemanha, matriz da VolksWagen, produz seu último Fusca. 1938-1978, 40 anos de sucesso.

1986: a saga do Fusca chega ao fim também no Brasil. Sim, eu sei, ainda houve uma retomada.

A pedido do então presidente Itamar Franco voltou em 1994, indo até 1996.

O motor era atrás, muitos jovens não sabem disso, nunca viram carro assim.

Mas foi apenas um espasmo, foram poucas unidades produzidas.

Creio que pode podemos oficializar a data de 86 como o encerramento.

Assim, em terras brasucas, foi 1959-1986, 27 anos de série, depois acrescidos de mais 3 de ‘espasmo’.

2003: o último Fusca é fabricado no México, único país que ainda tinha produção ativa.

O México é a Pátria-Fusca por excelência.

‘O que é bom nunca acaba’: a Volks lançou o ‘Novo Fusca’. Esse de motor dianteiro.

Em Acapulco, no recente ano de 2012, a imensa maioria dos táxis ainda eram desse modelo.

Mato a cobra e mostro o pau: na imagem abaixo (via ‘Google Mapas’) 8 Fuscas juntos.

2014, Acá (apelido de Acapulco): 8 é demais???? É Fusca, p*rra!!! Respeito a quem merece, o negócio é demais!

Também pudera. Na ocasião de minha viagem os Fuscas mais novos ainda não tinham uma década de uso.

Na capital, a Cidade do México, ainda haviam bastante táxi-Fucas.

Porém já não eram maioria. Falo de 2012, não custa frisar de novo.

Mas por décadas táxi na Cid. do México era sinônimo de Fusca, quando eles eram pintados em verde-claro (imagem ao lado).

Dos anos 70 (pelo menos, talvez antes) ao comecinho desse milênio, você chamava um táxi no México D.F..

De cada 10 vezes em 9 vinha um Fusca. Nada mal, não?

Mais de 3 décadas de virtual oni-presença no modal de uma das maiores metrópoles do planeta.

Só o Fuca mesmo pra (mais) essa façanha! Tiro meu chapéu.

Andei de Fusca-Táxi tanto na capital quanto no litoral do México. Ademais, é claro, não se restringe aos táxis.

A mesma preponderância se repete nos carros particulares, e de forma ainda mais acentuada.

Nas periferias e morros de todas as cidades mexicanas o Fusca ainda era o automóvel mais popular, o que movia o México.

Veja acima: favela em morro na Zona Leste da Grande Cidade do México, 2012.

Bairro Pedregal, Cid. do México, junho/12 (*)

Me embrenhei pelas quebradas desse país, que está em guerra civil, e se o governo nega o fato não muda.

No centro dessa tomada há um Fusca branco. Ainda falo da foto a esquerda, mais pra cima, com ruas de terra e todas as casas em tijolo cinza.

Outro exemplo. Acima e ao lado (a mesma em 2 escalas), bairro Pedregal, também periferia da Cidade do México.

No texto seguimos falando do México. Nas imagens vamos ver Fuscas também de outras partes: Pilarzinho, Z/N de Ctba., dez/2016 (*). Muitas casas de madeira pois é Sul do Brasil. Cliquei de dentro da Linha Turismo.

Um Fusca-Táxi ainda na ativa, agora eles são pintados assim, em roxo e bege.

Na verdade são 3 Fuscas na imagem, 2 táxis e um ‘civil’, de uso particular.

Tanto a favela em morro quanto o Pedregal são periferia, mas porções bem diferentes dentro da periferia, evidente.

A diferença é que onde há o Fuca branco é na Z/L, em outro município (região metropolitana) e numa favela bem feia em morro, ainda não-urbanizada.

Enquanto no segundo exemplo é na Zona Sul, dentro do município da capital mesmo. E periferia sim, veja quantas lajes artesanais subindo.

Mas não é morro nem invasão, e já conta com infra-estrutura básica como asfalto, ligações de água e luz regulares, etc. .

Santo Inácio, Zona Oeste de Curitiba, setembro de 2017 (*): cliquei vários ‘Fucas’ nesse dia, um deles o ‘Fuscão de Rallye’.

Ou seja, repetimos: embora ambos na periferia, em gradações completamente distintas.

Mas o carro é o mesmo. É a cara do México.

A vibração dos subúrbios mexicanos é exatamente essa, não há como fugir.

Mesmo hoje (2018) eles ainda são extremamente comuns.

“Fusca-Cross”: isso sim é ‘Fuscão de Rally’.

Embora claro cada ano que passa milhares saem de circulação.

Mas são tantos milhões de Fuscas no México que eles ainda estarão visíveis nas ruas até 2030.

Pelo menos, né? Quis ser modesto, talvez até por mais tempo.

É México? É Fusca!!!

Sobre o Tâmisa em Londres-Inglaterra. De um casal da Nova Zelândia que ao completar décadas de casado resolveu repetir o trajeto da lua-de-mel.

MINI-FUSCA, A TRADIÇÃO DO VALE DO PARAÍBA (SP) –

Quem já foi a Campos do Jordãos-SP (a cidade mais alta do Brasil, 1,6 km acima do nível do mar) sabe:

Ali é tradição um brinquedo pra crianças, o Mini-Fusca. Você paga e teu filho anda 15 minutos, ou algo assim.

Veja a sequência horizontal acima, um adulto empurra, como se fosse um carrinho de supermercado.

Há versões pra 2 crianças, em que só se pode sentar na frente.

Também na Inglaterra, Fusca conversível.

Volantes dos dois lados (empatou com o Volvo australiano e com o caminhão de lixo ianque).

E pra 4, lotação total, com nada menos que 4 volantes. Todos ‘dirigem’ ao mesmo tempo.

Há conversíveis e com teto. Há táxis. E há os Fuscas Rosas, exclusivos das meninas.

Tá bom pra ti ou quer mais variantes?

Nesse ‘Fusca/Casa Móvel’ (trailer’) pintaram a parte amputada da carroceria na lataria.

Agora, o que poucos sabem é que não se restringe a Campos.

É um clássico presente em boa parte do Vale do Paraíba.

Digo, já fui a Aparecida e a São José dos Campos, a ambas mais de uma vez.

Nessas cidades não vi Mini-Fuscas.

Fusca, brinquedo de crianças e adultos. Esse modelo anda de verdade, diferente dos que foram vistos acima

Mas vi no Centro de Pindamonhagaba, no ano de 2005. O mesmo esquema, na praça central, você paga e a criança usa uns minutos.

E pela internet descobri que também existem em Caçapava.

…………..

Falando um pouco da linguística agora.

VolksWagen quer dizer exatamente ‘Carro do Povo’ em alemão.

Dois clássicos juntos: o Jacaré (além da carga normal) ainda é cegonha de 3 Fucas.

Pronuncia-se ‘Folks-Vaguen’ no original. Como se sabe, a Inglaterra se diz uma nação ‘Anglo-Saxã’.

E por quê? Exatamente porque os invasores da Saxônia (Alemanha) colonizaram a ilha.

Nisso dominando mas também se fundindo com os habitantes originais, os anglos.

Sim, houve muita influência latina também. Afinal Londres foi fundada pelo Império Romano, no ano de 43 d.C. .

‘Fuscão Preto’: Bogotá, Colômbia, março de 2011 (*). Esse é civil, não assusta.

Portanto quase 40% das palavras da língua têm ancestralidade latina, e por isso muitas têm a raiz parecida com o português.

Ainda assim, a língua-matriz do idioma inglês é o alemão. Aqui voltamos ao tema de hoje:

Em alemão ‘Volks’ significa ‘povo’. Se pronuncia ‘folks’, lembre-se. Daí o termo inglês ‘Folks’, que tem exatamente o mesmo sentido.

Essa palavra penetrou até no português, formando o termo ‘Folclore’, ‘cultura do povo’.

Já ‘Wagen’ (pronuncia ‘vaguem’) é carro. Eis a origem da palavra ‘wagon’ (pronuncia ‘ueigom’) do inglês, que vai na mesma direção:

Também é relacionado a ‘carro’, vide que as peruas são as ‘station wagon’.

Em espanhol ‘vagón’, vibrando na mesma sintonia, que gerou o português ‘vagão’.

Tudo somado e considerado: VolksWagen, o ‘Carro do Povo’.

Antigamente havia até uma revenda Volks em Porto Alegre-RS chamada exatamente ‘Carro do Povo’, não sei se ainda existe.

“Uma Onda no Mar”: Fusca na ressaca, sob a famosa ponte ‘Golden Gate’ de São Francisco. Os Fuques foram extremamente populares na Califórnia/EUA.

………

Pra nos aprofundarmos no tema, eu “peço ajuda aos universitários” (lembra do ‘Show do Milhão’ do Sílvio Santos??)

Solicitei a participação de um camarada que é especialista em tudo que tem motor, e que já colaborou várias vezes com a página.

Ele não se furtou. Vejamos a análise dele, em azul como sempre (os ênfases são meus, O.M.):

Outro “Fusca-Casa Móvel” (‘trailer’).

Abordar o simpático Fusca, é tarefa medonha, meu caro.

O bichinho já foi virado e desvirado do avesso por muita gente competente, tecnicamente falando.

E mesmo sob os diversos prismas das multidisciplinas.

Bairro Valentina, Zona Sul de João Pessoa-PB, setembro de 2013 (*).

Design, ergonomia e mesmo a estética o alçaram a um status bastante alto nas mais diversas culturas em todo o globo. 

Existem tantos estudos acerca dele, quanto existem apelidos carinhosos para ele.

Procurarei me ater à alguns fatos relativamente pouco conhecidos.

Como por exemplo, a adoção do lay out, com o motor “pendurado” na traseira e refrigerado à ar.

“Fusca-Barco”??? É de matar os holandeses (e os paraibanos) de inveja!!! Agora só falta voar . . .

O que foi totalmente inspirado nos Tatra, da República Tcheca.

Esses eram carros os quais Hitler (que acredite, não manjava picas de mecânica) admirava por serem bastante robustos.

Na verdade a Tatra (não confundir com a indiana Tata), levou essa configuração às últimas consequências:

E por que não?? Taí o Heli-Fusca!!! Você já tinha visto híbrido de carro e helicóptero?

Fazendo até portentosos motores V8 desse jeito, em seus modelos de luxo, considerados até bastante inovadores.

Enfim, o Führer, incumbiu os principais engenheiros do Reich de criar o “carro do povo”.

Um fato pouco conhecido é que um dos ‘pais’ do Fusca é Ferdinand Porsche. Sim, o fundador da Prorsche.

O que poderia ser isso????

Voltando ao projeto do Fusca, as diretrizes eram claras.

O carro teria que ser da forma mais simples e barata possível dentro de especificações tão claras quanto sucintas:

Deveria transportar 4 adultos, circular nas novas rodovias a uma velocidade constante de 100 Km/h sem consumir muito combustível.

Rodoviária de Curitiba: essa cidade igualmente um dia teve maioria Táxis-Fusca. Porém no já distante ano de 1980.

Naturalmente, isto “batia” e se aplicava também à algumas requisições da Wehrmacht para um veículo operacional leve.

Veículo esse que seria o equivalente alemão aoJeep dos aliados.

A criação do Fusca era algo que poderia viabilizar a produção de veículos militares.

No Sudeste também: Zona Sul do Rio, 1982. Gabriela da CTC (com capelinha e pintura especial pras linhas integradas ao metrô). Do outro lado da rua, 3 táxis: 2 Fuscas e 1 Variant (fonte dessa e outras tomadas: portal Ônibus Brasil).

(Naturalmente os artefatos de combate têm seus níveis de exigência e capacidades mais altas, como veículos “todo terreno”).

Tudo isso com razoavelmente poucas alterações em um “projeto básico”.

Isto fica evidente quando notamos a quantidade de “derivados” tanto civis quanto militares que o Fusquinha teve.

E isso dentro e fora da Alemanha, durante e após a guerra.

E eis Marília dirigindo um Fuca-táxi amarelo do RJ (também ônibus em Ctba.).

Nunca é demais lembrar: o entre-eixos (a distância entre o eixo traseiro e o dianteiro) do Fusca e da Kombi é muito similar.

Muda praticamente – e só – a “casca”.

Isto também era possível pela adoção do chassis tipo “espinha dorsal”. Traduzindo da linguagem técnica, quer dizer:

Falando em Marília: ela e Maurílio (com uma Pepsi e a camisa do América) em Acapulco. Ao fundo um Táxi-Fusca, claro.

“Em uma plataforma que aceitava com relativa facilidade diversos tipos de desenhos de carroceria”.

O restante da rigidez estrutural do carro era garantido pelo próprio encarroçamento.

Resumindo: temos um motor simples (sem mangueiras, dutos e complexos sistemas de arrefecimento).

Acapulco, junho/12 (*): foto que originou o desenho.

E um chassi rodante igualmente muito simples.

Porém bastante inventivo e até bem resistente.

Próximas 3: Fusca-Porsche. Esse não é brincadeira, motor de Porsche mesmo, acelerava até nada menos que 210 km/hora.

Além de peças de acabamento e externas que podiam ser rapidamente substituídas em caso de avaria.

Isto posto, há dissertações bastante interessantes de Gilbert Simondon – notável filósofo francês.

Elas versam sobre a “concretude do objeto técnico”.

Produzido em 1973 por uma empresa especializada, está no Museu da Volks na Alemanha, ao lado de um Fusca original.

Que é a concepção do objeto e sua integração com o meio onde este está inserido.

Simondon cita a natureza como o mais completo exemplo deste raciocínio.

Pois sequer uma célula existe com apenas uma única funcionalidade apenas.

Essa concretude, versa sobre a escolha de tecnologias que em sua finalidade, entre si.

E em sua concepção e combinações, seriam capazes de possuir múltiplas funções.

Resultando em arranjos ao mesmo tempo simplificados, porém “perfeitos”.

Outro ‘Fusca-Porsche’: esse é uma brincadeira, só mudaram a carroceria de um jeito caseiro, o motor ainda é de Fuca.

Abri este hiato para falar de Simondon, pois um amigo – estudante de tecnologia – citou justamente o “Fuca”.

Segundo ele, como um bom exemplo de tentativa de engenharia, de chegar a este objetivo.

Pois o carro é interdependente do ar para poder funcionar, se manter na correta temperatura de operação e o utiliza mesmo para o conforto dos ocupantes.

Fusca-Picape.

Aliás, tanto o Fusca quanto os Tatras, figuram entre os primeiros carros a começarem a levar a sério questões aerodinâmicas.

Questões essas que, é fácil presumir, eram bastante empíricas no meio automobilístico dessa época.

E em outros modais, que adotaram mais o “estilo” stream line do que um desenvolvimento mais apurado dos fluxos de ar. 

Fusca-Tribus dianteiro, porta-malas alongado.

Voltando ao “VW Sedan” (nome “oficial” do nosso Fusca, que de sedã não tinha nada, estava mais para um cupê duas portas):

Algumas de suas peças, ao mesmo tempo em que são estruturais, respondem por outras funções.

Tais como permitir a montagem de suspensões e a instalação de outros equipamentos periféricos para a utilização correta do carro.

Fusca-Picape e Tribus ao mesmo tempo!

Intencional ou não, o arranjo mecânico que fornece a base para o Fusca tenta sempre buscar essa característica.

Com maior ou menor sucesso, é certo.

Do ponto de vista fabril, é evidente a intenção de diminuir custos e tempo na produção.

Tribus e limosine (alongado).

Entretanto, conceber as coisas dentro dessa visão mais, digamos, “holística”, é em contraparte, extremamente oneroso.

Pois eleva o custo de “pesquisa” e “desenvolvimento”.

E neste ponto há que se colocar uma grande interrogação.

Próximas 2: picape alongada (cabine dupla).

Em relação a viabilidade econômica advinda do volume dessa produção.

Pois ela jamais foi encontrada pelo “besouro” em seus primeiros anos de vida.

Há quem diga inclusive, que era um golpe, puro e simples.

Em processo de produção.

Segundo essa versão, o Fusca somente nasceu da necessidade de captar fundos para o custeio da máquina estatal e bélica do Reich.

Pois muitas famílias alemãs “entraram na fila” para adquirir o seu, pagaram adiantado a totalidade ou parcialidade.

E simplesmente jamais puseram as mãos em sua devida unidade.

Um Fusca dentro do outro (Etiópia).

O “VolksWagen” teria sido portanto, mera peça no arsenal de convencimento.

Muito bem empregado pelos Nacional Socialistas, resultando num verdadeiro engodo.

É interessante notar, que antes de ser o “novo cigarro”, os carros traziam uma perspectiva real de independência para a mobilidade humana

Outro táxi: Esse do Pará, mais especificamente Marabá, atolado na Trans-Amzônica (BR-230).

Na minha opinião ainda trazem, diga-se de passagem.

E o Fusca foi concebido também para ser “o” carro, ou o primeiro carro de muitas famílias, como de fato foi.

Mas somente após a guerra a gestão da VolksWagen passar a ter autonomia diante do Estado alemão.

Fusca/Pé-Grande‘: esse não encalha.

O capitalismo basicamente viabilizou a ideia, e transformou um “mico” em um produto rentável.

O que contribuiu inclusive para ressarcir as dívidas de guerra da Alemanha.

A “Fusqueta” contribuiu para motorizar as pessoas.

Contribuiu da mesma forma para criar uma cultura automobilística.

Fusca/Pé-Grande e conversível (vermelho como o inglês que tampouco tem teto).

E iniciou uma “jornada técnica” sem precedentes na era industrial moderna.

Pois se tornou inclusive matéria obrigatória nos cursos de mecânica de escolas técnicas até meados dos anos 2000.

Muita gente aprendeu a dirigir neles, nasceu neles, e até mesmo foi concebida no banco de trás de um deles (haha).

No mesmo tom rubro: no Canal Belém, Uberaba, Z/L de Ctba., fevereiro/2014 (*).

Mas algo pouco falado é que MUITA gente aprendeu conceitos básicos de mecânica com eles.

Para estes o Fusca “despertou” um interesse, abriu as portas de um conhecimento até então muito restrito.

E iniciou muitos e bons técnicos, operários e engenheiros, nas trilhas complexas e belas dessa atividade humana que manipula, estuda e entende as máquinas.

Adaptado pra 4 portas.

Sem falar que ele deu a estes, mais do que uma profissão:

Garantiu um sustento honesto, um trabalho que pôde “defender” seus filhos, e os filhos destes filhos.

Bueno, meu irmão. Não sou um “perito” no tema, como alguns apaixonados amigos meus, mas ainda creio que seja uma mensagem oportuna.

Pois há pouco foi comemorado o “dia do Fusca”.

E veja só que coisa: o bichinho é tão importante que ganhou até data comemorativa! Hahaha!

……….

Com essa bela gargalhada nosso amigo encerrou sua participação. Volto eu, O.M. .

Merecido o ‘Dia do Fusca’ (não sabia desse detalhe, e você?). 

Mais que um carro, o Fusca é uma lenda, um ícone que não desaparece jamais.

Fusca Rabo-de-Peixe (desenho em moda nos carros dos anos 50, explico pros mais novos).

Acima observamos um Fusca-Táxi nos anos 80 em Curitiba.

Mas há décadas não existem mais Fuscas-Táxis em Curitiba. Não importa.

A ideia ainda está viva na mente das pessoas, e eis a prova:

A direita um ímã de geladeira, propaganda do mesmo Tele-Táxi.

Ilustrado por . . .  um Fusca, e o que mais poderia ser?

“2-em-1”: grudados, compartilhando eixo e rodas. Versão em metal e 3D do Yin-Yan.

Definitivamente, ideias nunca morrem. Pois são Energia.

E Energia nunca se perde, apenas se transforma.

………

O “AMOR DA CALIFÓRNIA”: FUSCA EM SÃO FRANCISCO É SUPER-CLÁSSICO –

Dissemos numa legenda acima que os Fuscas foram imensamente populares na Califórnia, Costa Oeste dos EUA.

Furgão, o ‘Fus-Kombi’. Como nosso colega perito explicou, o entre-eixos é o mesmo, só muda a carroceria. Aqui fundiram as duas.

De fato assim foi. Existe um nicho próprio na internet pra mostrar Fuscas nas sinuosas ruas de São Francisco,

Por aí vocês calculam a popularidade dos ‘besourinhos’ na Costa Dourada ianque.

Eles realmente bombavam nos anos 60 a 80 – e quem sabe até 90.

Na galeria abaixo separei algumas dessas tomadas:

“CHAMA A POLÍCIA” –  Os Fucas a serviço da Lei. Algumas fotos são da página Fotos de Viaturas.

‘FUSCA AZUL’ NA ZONA OESTE –

Em setembro de 2017, produzi uma mensagem no Santo Inácio, na Zona Oeste de Curitiba.

É nesse bairro que fica (parcialmente) o Parque Barigüi, as margens do Rio de mesmo nome.

Esse é uma miniatura.

Pro que nos interessa aqui, definitivamente esse foi “o Dia do Fusca”.

Cliquei vários, a esquerda mais um na garagem da casa. Escrevi na ocasião:

Fotografei um amarelo todo preservado no estacionamento do Pq. Barigüi.

Fusca ‘Fora-de-Estrada’ do Japão (veja a chapa).

Depois o ‘Fuscão de Rally‘ numa casa de madeira na BR (esses dois estão numa colagem bem mais pro alto na página).

E mais dois nas ruas e garagens do bairro, esses sem serem fetiche, não estão preservados nem cheios de frases exóticas.

Simplesmente são ainda o meio de transporte da família (um deles é exatamente o no estacionamento da casa vermelha logo acima).

Fusca-Buggy.

Alias os dois são ‘Fusca Azul’ – eu não tive filhos, convivo pouco com crianças.

Mas quem tem filhos me informou que existe uma brincadeira chamada ‘Fusca Azul’.

Feita com duas ou mais pessoas, sejam só crianças ou as vezes entre crianças e um adulto:

Quando dois ou mais participantes estão juntos e aparece um carro dessa marca, quem vê primeiro grita “Fusca!!”, e ganha um ponto.

Cidade Industrial de Curitiba, Zona Oeste, julho de 2015 (*).

O de cor celeste é o trunfo, vale o dobro. Quem grita “Fusca Azul” ganha 2 pontos.

Bem, eu registrei 4 Fuscas, sendo 2 azuis. Marca aí meus pontos . . .

Vi mais um Fusca dentro de uma garagem, mas não deu pra fotografar.

Como teria que posicionar demais a câmera dentro da propriedade alheia, esse preferi pular”.

FusCaminhão, o Fuca que puxa carreta.

Definitivamente, aquele belo fim-de-tarde na Z/O foi ‘o Dia do Fuca’.

…………

AUMENTA/DIMINUI”: ESTÃO FAZENDO IÔ-IÔ COM OS FUSCAS –

Vimos acima (e abaixo virá mais um) o “Fusca/Rolls-Royce”.

Fusca-Limusine original, dos anos 80 (placa amarela), feito por indústria especializada.

É uma galhofa, claro. Botam um ‘focinho’ imitando o carro de luxo. Mas o veículo continua um Fusca.

Com toda sua simplicidade e robustez que o colega que escreve de azul explicou.

Mas agora vamos ver um ‘Fusca-Limusine’ (esq), e dessa vez sem gozação.

Não é o mesmo carro. Esse foi feito de forma artesanal, nesse milênio, por um funileiro de Pernambuco.

Trata-se de uma adaptação muito bem feita (fonte: enciclopédia Lexicar Brasil).

Foi criada pra ser oferecida ao presidente  Tancredo Neves.

Como, por motivo de doença, ele não chegou a assumir ficou sem andar no Fuque-Limusine. Uma pena…

……

Em andamento.

Não confunda. Como as legendas já informaram:

Os Fuscas-Limusines pretos vistos a esquerda e a direita não são o mesmo veículo.

Repetindo, o que está a esquerda mais pra cima (de chapa amarela) que seria de Tancredo foi produzido numa firma especializada.

‘Fusca/Mini’: ao contrário dos 2 anteriores que aumentaram, os próximos 2 Fuscas diminuíram. Nesse vemos até a massa que o cara usou pra colar a parte cortada.

Note que a janela do meio dele (onde fica a porta traseira) é mais retangular.

Já o que está a direita foi montado de forma caseira por um funileiro do interior de Pernambuco

O povo pernambucano é mesmo famoso por sua criatividade e irreverência.

E aqui de novo: com pouquíssimos recursos além de sua força de vontade, ele colou dois Fuscas, um no outro.

Veja na foto a esquerda acima o processo em andamento:

Esse está mais caprichado. Ficaram parecendo aqueles (caros) carrinhos que só cabem 2 pessoas.

O da frente e que cedeu o chassi é amarelo, o que foi enxertado atrás é laranja.

Daí a janela do meio (onde fica a porta de trás, como a imagem deixa claro) ser arredondada, pois originalmente ela era a janela da frente de outro carro, o laranja.

Afora esse pequeno detalhe, a limusine dele também ficou muito boa.

Tiro o chapéu pro talento e dedicação desse irmão, que fez uma bela homenagem ao Fusca, por isso o homenageio também.

……………

A direita, um Fusca com duas frentes.

Precisaram de dois carros pra fazer essa adaptação, obviamente.

Onde será que as traseiras foram parar?

Achamos! Inversamente, ao lado um Fusca com duas traseiras.

Em cada uma das montagens foram preciso dois carros.

Moto-Fusca.

E num se descartaram as partes da frente, e no outro as do fundo.

Assim, quem sabe nessas duas transgenias foram usadas metades dos mesmos dois carros?

Pode ser, né? Corrobora pra isso o fato que ambos são vermelhos.

………….

Ao lado os 2 clássicos redondos de motor traseiro: o busão Monobloco Mercedes e o Fuca.

(Nota: nesse caso tanto o carro quanto os ônibus da imagem são da C.M.T.C. .)

(A saudosa Companhia Municipal de Transportes Coletivos de São Paulo. Volta o texto original.)

Já coloquei dessa forma por conta disso. O Mono e a Fusqueta tinham isso em comum:

Aqui e acima da manchete: Zona Oeste de Santiago do Chile, março de 2015 (*).

Os demais carros eram quadrados e de motor dianteiro. Os demais ônibus também.

Mas os Fuscas e os Monoblocos, os super-clássicos das ruas brasileiras dos anos 60 a 80, eram redondos e com motor atrás.

Já fiz várias homenagens aos Monoblocos, confira aqui, aqui e aqui.

……….

E o segundo buso clássico que eu gosto mais é o Gabriela da Caio (que até o Papai-Noel dirigiu).

Várias das trangenias mostradas aqui com o Fusca foram feitas também com o Gabi (tanque-de-guerra, casa-móvel [‘trailer’], misto com caminhão, etc.)

………….

Em P-&-B, a fábrica, nos anos 50. Estimo essa data porque a janela traseira ainda é minúscula.

Então vamos, nas próximas 3 tomadas (sempre com uma dupla de Fuscas de diferentes idades em cada uma delas) acompanhar a evolução das janelas e faróis traseiros através dos tempos.

Direita: um de 1967 ao lado de um de 1938: o de 38 tinha faróis e janelas minúsculos (e o vidro ainda era partido).

Já nos anos 60 o vidro era normal, o farol era maior que nos pioneiros, mas ainda pequeno (médio, digamos).

Na tomada a esquerda (do blog Planeta Fusca) isso fica claro:

O amarelinho, de faróis médios, é dos anos 60, no máximo começo dos 70.

O branco, de faróis grandes e respiradouro pro motor, é da última leva, anos 80 – ou o ‘espasmo’ 94-96.

O reboque também é um Fusca cortado (já publiquei a mesma cena com Kombis).

(Por ‘última leva’ eu me refiro ao Brasil, no México a última leva foi até 2003 como já dito e é notório).

Direto da Rússia vem essa tomada acima:

Do azul dos anos 80 (farol e vidro grande) ao lado de um laranja dos anos 40 ou 50 (tudo pequeno).

Os dois extremos, mostrando como a ‘Baratinha’ evoluiu, de Gênese ao Zênite.

Mais 2 ‘limuosines’.

A ETIÓPIA RENASCE, E A PAIXÃO PELOS FUSCAS RENASCE JUNTO –

No fim do século passado, devastadas por secas e guerras, a Etiópia era um dos lugares mais desgraçados do planeta.

Não mais. Ajudada pela China, e num novo momento, a Etiópia vem renascendo das cinzas.

Claro que os problemas ainda são imensos. Natural, foram décadas de devastação intensa.

Mas o progresso é indiscutivelmente imenso, da mesma forma.

E na Etiópia a paixão pelos Fuscas está renascendo.

Lá, é um carro de luxo agora. Confira a matéria. E veja a galeria.

FUSCA E 11-13: MAIS DOIS CLÁSSICOS REDONDÕES JUNTOS –

A direita a Via Dutra nos anos 80. Já comentamos a imagem. Antes um adendo:

4 faróis quadradinhos? Inspirado no 11-13.

No geral eu não ligo pra automóveis, não tenho carro e ando mais a pé e de ônibus.

Mas se eu fiz essa postagem (e custou muito tempo e trabalho pra produzir) só pode significar uma coisa:

Se existe um carro que eu gosto, definitivamente é o Fuque!

Pouco me importo com automóveis, mas sou busólogo.

E qual meu busão preferido? O ‘Super-Clássico’ Mercedes Monobloco.

Com tudo isso, não ficou difícil sacar qual seria meu caminhão favorito, não?

Obviamente só pode ser o 11-13 da Mercedes.

Eu adoro veículos redondos, no modal que for!!

Outro ‘Fusca/Rolls-Royce’. E esse é oriental, da Tailândia, Camboja, aquela região da Indochina.

Isto posto, comentemos como prometido as fotos da Dutra e do Fusca rosa.

Começo pela BR-116, a antiga BR-2 do RJ ao RS antes dos militares.

Atualmente no trecho RJ/SP a ‘Rodovia Presidente Dutra’ ou simplificado ‘Via Dutra’.

Vemos, além de um Fusca branco no canto da cena, 6 Mercedes (4 deles azuis), sendo 5 bicudos e 1 cara-chata jurássico, daqueles dos anos 50.

SP, virada dos anos 70 p/ 80. Só dava Monobloco e Fusca nas ruas.

Dos 11-13 de motor saltado, 2 azuis têm 1 farol redondo de cada lado, entregando que foram produzidos antes de 1983.

1 azul e 1 vermelho têm dois faróis quadros de cada lado, portanto posteriores a 83.

Ou se anteriores foram adaptados pra parecerem mais novos, o que também ocorria.

Vocês entenderam, não? Em 1983, a Mercedes manteve inalterado o desenho da carroceria (redondo)

Mas o farol deixou de ser redondo, passou a ser quadrado. E ao invés de 1 passaram a ser 2 em cada lado.

Grande Rio (Niterói, do outro lado da Ponte), mesma época. Idem. O buso tem capelinha!!!

O que nos leva ao Fusca rosa: de 1 farol redondo, alguém pôs 2 quadrados.

Será que alguém poderia ter pensado que ele era um caminhão 11-13 . . . .

Voltamos a Dutra pra fechar esse tópico: bons tempos que os caminhões tinham motor saltado.

Aí cada marca tinha seu desenho, sua personalidade.

Próximas 3: Cid. do México, junho/12 (*). O azul é particular, uso privado de 1 família.

Hoje é tudo cara-chata, tudo igual. Na África do Sul é pior ainda:

Lá, além de ser tudo cara-chata, 90% dos caminhões são brancos. Nem na tonalidade há mais diferenciação.

E como arremate, além dos clássicos redondos há na pista da estrada também os clássicos quadradões:

Um Opalão preto, e um Galaxão também negro, no estilo ‘Vida Loka’.

1 táxi, agora são pintados de roxo e bege (*).

……….

ONDE EU JÁ FOTOGRAFEI PESSOALMENTE FUSCAS:

2 continentes:

América e África;

6 países:

Brasil obviamente, muitas vezes;

Mas por décadas os táxis na capital mexicana eram assim, verde-claros com tetos e janelas em branco (*) – e só dava Fusca. Esse não é mais táxi, foi vendido e agora também é particular. Como saiu de serviço, não foi repintado.

Mas fora de nossas fronteiras:

México (2012), Chile (2015), Colômbia (2011), Paraguai (2013) na América; e mais na África do Sul (2017);

13 cidades:

No Brasil em 6 (Grande Curitiba, Lapa e Matinhos no PR, Joinville em SC, Aparecida em SP, e João Pessoa na Paraíba).

No exterior mais 7:

Cidade do Cabo na África, Bogotá na Colômbia, Grande Assunção no Paraguai, na capital e Acapulco no México, e em Santiago e na Grande Valparaíso no Chile;

Cid. Cabo, Áfr. do Sul, abril/17 (*): mansão num subúrbio a moda ianque. O cara tem um Fuca porque quer, é relíquia, não necessidade.

17 municípios (pois, repetindo, uma cidade pode conter mais de um município):

Além dos já citados acima, Rio Branco do Sul (Zona Norte) e Piraquara (Zona Leste) na Grande Curitiba;

No exterior Vinha do Mar na Grande Valparaíso (Chile) e na capital do México tanto no México D.F. quanto num subúrbio metropolitano da Zona Leste.

E no bairro de Moema, Zona Sul da Cidade de São Paulo um Novo Fusca.

Já atualizei com essa tomada também, é a que fecha a matéria com chave de ouro.

……….

A direitaa: Fusca-Ligeirão???? E por isso é azul? Concorrendo com bi-articulado?

Sim, o Fusca, é mesmo multi-uso, não falta nem voar nem nadar como vimos acima.

Aqui no Terminal Hauer, fazendo a linha Boqueirão/ Carlos Gomes.

Explico: em dias de greves de ônibus a prefeitura cadastra carros particulares pra fazer lotação.

De tarde a greve acabou, os ônibus já voltaram (ao fundo).

Mas como a licença vale pro dia inteiro, os modais oficial (buso) e variante (Fuca) convivem nessa imagem.

……….

Esse humilde Mensageiro (escondi o rosto porque nosso foco é nas ideias, e não nas personalidades).

E qual a ideia? No dia que fiz essa matéria, estava com a camisa do . . . Fusca!

Tudo se alinhou (foto em Moema, bairro da Zona Sul de SP, de onde a matéria subiu pro ar).

Modelo de luxo: alongado atrás, teto solar e rodas traseiras encobertas.

……….

Por falar em ‘promessa é dívida’.

Abri a matéria dizendo que o Fusca ainda é mais vendido do planeta em todos os tempos.

Embora oficialmente esse posto pertença primeiro ao Toyota Corolla, e atrás dele o Golf.

Próximas 2: Fusca/Gol. Os dois maiores sucessos da Volks num só!

Disse que explicaria o porque desse paradoxo. Então vamos lá.

Enfatizando de novo, oficialmente lidera a lista o Toyota Corolla, com 40 milhões – e contando, ainda está sendo feito.

Seguido do Golf, da própria Volks, com 25 milhões, igualmente permanece ativo na linha de montagem.

Porém, está ocorrendo uma estratégia de mercado desonesta por parte das montadoras.

Explico o que quero dizer com isso:

O Corolla começou em 1966 e é fabricado até hoje (2018, quando escrevo).

Porém, apenas o nome se manteve. O desenho do carro, sua carroceria, mudou muito.

Mudou demais, um absurdo, se alterou tremendamente no decorrer dos anos.

Fusca-Utilitário.

E, oras, o que caracteriza um modelo de carro se não sua carroceria, sua forma???

Busque na internet um Corolla dos anos 60 e alinhe com um atual.

Ficará evidente que não se trata do mesmo carro, malgrado tenham o mesmo nome.

Zona Leste de Joinville, março de 2017 (*): vem um toró que alagou a cidade. O carro logo a minha frente é um Fusca marrom.

Portanto não são o mesmo carro, é simples assim.

Trata-se de uma estratégia mercadológica da corporação que o fabrica:

Manter ativo o mantra ‘Corolla’, mesmo tratando-se claramente de carros diferentes.

O mesmo ocorreu com o Golf, que se iniciou em 1974.

E até o momento que faço essa matéria continua em produção, dizendo de novo.

Hoje, infelizmente, várias montadoras adotaram essa estratégia desonesta, muda todo desenho do carro, e portanto é outro carro.

Ainda em Santa Catarina, na capital Florianópolis: vemos um Veneza da Limoense com Fusca bicolor azul-e-branco (avaiano?) – a fonte é o sítio Egon Bus.

Pois repito, o que caracteriza um modelo senão seu, hum…, modelo??

Outro modelo, outro carro, é simples assim. Se o nome se manteve, isso é uma trampa, e não temo dizê-lo.

Eu sinto muitas saudades dos anos 80 e 90. Explico a razão.

Naquela época, quando uma montadora mudava o desenho de um veículo, aposentava aquele nome e criava outro.

Lembra? Pra ficar na Volks mesmo, acabaram a Brasília, Passat, Santana, os nomes foram aposentados também. Isso é honestidade.

Rio Branco do Sul, Zona Norte da Gde. Curitiba, abril de 2014 (*). Uma flor, um Fiat 147 e – encoberto pelo cavalete – mais um Fusca bi-color, esse preto-e-amarelo (“torcedor do Criciúma?”, continuando a analogia com o futebol de SC).

Depois disso, entretanto, resolveram mudar constantemente o desenho da carroceria, mas mantendo a denominação.

Assim é fácil: agrupa modelos diferentes sob o mesmo nome, e diz que aquele ‘único modelo’ é o mais vendido da história. Mas na verdade não é!

Lembra do Gol dos anos 80, que era até quadrado?

Um simples exame visual deixa claro que ele e o ‘Gol’ contemporâneo não são o mesmo modelo de veículo, embora sejam xarás.

Grande Assunção, maio de 2013 (*). O Fuca amarelo está a direita, encoberto pelo carro escuro. Mas está lá. Laranja no chão de pedra?? Só pode ser no Paraguai!

Com o Uno da Fiat ocorre o mesmo, pra darmos mais um exemplo.

Oras, voltando a VW que é nosso foco de hoje:

Na Alemanha são vendidos carros chamados ‘Passat’ e ‘Variant’.

Nesse caso, ninguém tem a demência de dizer que é o mesmo modelo que o anterior homônimo.

Por que com o Gol, Golf, Uno, Corolla, entre outros, não ocorre o mesmo?

Valparaíso, Chile, abril de 2015 (*).

Com os ônibus, infelizmente, é igual. Pense no Torino atual.

O que ele tem a ver com o Torino pioneiro de quase 40 anos atrás?

Nada, óbvio. Pro seu crédito, digo que a GM até hoje age com mais clareza.

Recentemente, nessa década de 10, ela mudou todos os seus modelos. E todos vieram com novos nomes.

Juvevê, bairro entre as Zonas Central e Norte de Curitiba, anos 60: vários Fuscas trafegam por uma Av. João Gualberto ainda sem canaleta e de paralelepípedos (fonte: sítio Curitiba Antiga).

Amigos, eu não me importo com propaganda, e sim com fatos. Dando um exemplo em outra dimensão:

Já apontei que não reconheço como parte da ‘região metropolitana’ municípios muito distantes no interior que não guardam nenhuma relação urbanística com a capital.

Uma vez que muitos entraram apenas por interesses políticos (que quase nunca coincidem com os anseios populares, pois muitas vezes escusos) eu digo isso, incluso com mapas.

No campo automobilístico o mesmo se dá. Por isso repito, a regra é simples:

Torre da TV, Centro de Brasília-DF, anos 70. Monobloco, esse da Viplan ainda na pintura livre. Atrás vem . . . mais um Fucão (fonte: ‘Facebook’ Ônibus Antigos de Brasília).

Mesmo desenho, mesmo modelo, mesmo carro. Outro desenho, outro modelo, outro carro.

Se por razões mercadológicas o nome é o mesmo, não muda nada, são novamente interesses escusos ofuscando a verdade.

Ninguém vai negar que, de 1938 a 2003, todos os 21 milhões de Fuscas produzidos têm o mesmo desenho, portanto são o mesmo carro.

Claro, mudam detalhes pequenos como farol, frisos e janelas. Beleza. A carroceria ainda é a mesma.

O que faz dele o carro mais vendido da história, quando os ‘interesses escusos’ dos marqueteiros são afastados.

Centro de Curitiba, anos 60: Rua XV aberta ao trânsito, antes do calçadão (e da neve). Fusca azul-claro estacionado no canto inferior (perto do atual Mc Donald’s).

Existe o ‘Novo Fusca’. Ninguém diz que é o mesmo carro que o Fusca.

E olhe que o desenho é mais parecido com o ‘velho’ Fusca que os novos Corollas e Golfs comparados com os Corollas e Golfs dos anos 70.

Portanto, se quiserem, chamem o que sai das fábricas hoje de ‘Novo Corolla’ e ‘Novo Golf’, sendo esse seu desejo.

Mas eu não ratifico trampas e golpes publicitários, ao contrário, as retifico. Seja na dimensão que for.

Logo no começo da matéria vimos um desfile de Fuscas na Lapa-PR (*). Disse que atrás havia uma Cohab – na ocasião recém-inaugurada (suba a página e busque pela legenda). Pois bem. Aproximando a imagem vemos que na garagem de uma casa está parado um Fusca (também azul, parece que essa cor é mesmo a preferida).

O veredito: se você exige esse quesito básico do “mesmo desenho = mesmo carro”, o velho Fusca ainda é líder inconteste.

“Quebra sim, atropela não”, é o lema dos pichadores. Querendo dizer o seguinte:

Não piche por cima do que já está pichado, não seja invejoso e destrua o trabalho alheio.

Se você vir uma pichação num lugar difícil e quiser fazer mais bonito, chamar mais atenção, piche acima, ou seja mais alto, escale mais um andar.

Santos-SP, anos 60. Trólei antigo da SMTC (antes da CSTC) no Centro – depois essa pintura voltou como retrô. Atrás um Fusca, esse branco (fonte: sítio Tramz.com)

E aí sim deixe sua marca além da já está feita, sem danificar a original. “Quebra se for capaz, mas não atropela”.

O Fusca por enquanto ninguém quebrou o recorde. Então não vão atropelar.

Quando um único carro, como o mesmo desenho em todos os seus exemplares, vender mais de 21 milhões, eu corrijo a postagem. Pode me cobrar.

Até lá, o Querido e Amado Fusca continua sendo o carro mais vendido do planeta Terra, em todos os tempos.

‘Novo Fusca’ em Moema, Zona Sul de São Paulo Capital, janeiro de 2018 (*).

O ‘Carro do Povo’. Sempre e pra Todo Sempre, o Eterno Carro do Povo.

É o Fusca, poooooooooorrrrrraaaaa!!!! Tem que respeitar!!!!

Encerro esse Trabalho. Espero que vocês tenham gostado.

……..

Digo, aqui se encerrava o texto original. Mas inseri uma atualização, onde eu explico a questão da tradução do hebraico. E há também mais fotos abaixo dessa galeria.

Rebaixado: Fusca-Fórmula 1???

Em atualização de fevereiro/18, tenho que acrescentar um P.S.;

Eu disse acima que o termo ‘Besouro’ pra denomina ‘Fusca’ em Israel talvez não esteja correto.

Expliquemos então o porque:

Fórmula 1 não dá. Que tal ‘Fórmula Fusca’? Já vimos eles correndo na terra, aqui no asfalto.

 Falando nisso, aqui teremos que fazer algumas notas, porque a coisa complicou.

Então tenho que me explicar caso tenha passado uma informação errada.

A fonte é a matéria que já liguei acima, que está em português.

Portanto pode ter havido alguma dessas possibilidades, isoladas ou misturadas:

Hungria (nomeei a foto como ‘Holanda’ erroneamente), numa bela cena de outono.

– Erro de tradução;

– Simplificação de símbolos das línguas orientais não existentes no alfabeto latino;

– Ou mesmo incompreensão do significado original de uma palavra.

Por exemplo, o esloveno ‘Hrošč‘ está grafado simplesmente ‘Hrosc’:

Sem os acentos nas consoantes que não existem no português, mas existem nesse idioma eslavo.

Aparecida (‘do Norte’)-SP, julho de 2016 (*): a esq. na foto um Fusca branco na ‘Cidade da Fé’.

Nesse caso consegui apreender pela internet a grafia original correta.

Agora pode muito bem ter ocorrido o mesmo novamente.

A matéria diz que ‘Fusca’ em Israel se chama ‘Hiposhit’:

Nessa grafia em letras ocidentais mais uma vez não aparece nada.

SP: dois tróleis antigos, no canto da imagem mais um Fusca azul.

Vamos então traduzindo do hebraico pro próprio hebraico.

[Quero dizer com isso da grafia no alfabeto romano ocidental que talvez esteja errada pro alfabeto hebraico oriental.]

Agindo dessa forma, de ‘hiposhit’ chegamos em חיפושית.

E daí traduzindo חיפושית pro português chegamos em ‘Besouro’.

Recife: trólei na mesma pintura (porque ambos tiveram financiamento federal) sendo ultrapassado por um Fuque.

Ufa! Escrevi tudo isso pra vocês verem que não tão fácil ou simples escrever um blogue:

Pra chegar corretamente num único termo [ou ao menos o menos incorreto possível] veja que ‘via-crucis’, um trabalhão.

Mas como você leu, tudo valeu a pena.

SEGUNDA ATUALIZAÇÃO DE FEVEREIRO DE 18:

Nosso colega que escreve de azul atacou novamente. Perguntei a ele sobre o “Fusca/Tanque-de-Guerra” (visto logo abaixo), aquele que tem até mísseis pra ‘abater’ os alvos do inimigo. Tudo entre aspas porque se trata de uma brincadeira evidente. Ele me respondeu e enviou algumas imagens. Fogo no pavio:

Nas próximas 4 fotos, comentários de nosso colega: “imagino que você flagre o bom humor – típico europeu – que dá origem ao “meia lagarta” camuflado aqui. KKKKKKKKK”.

”   Hahaha. Eu li a extensa “espichada” que você deu na matéria. Já era bastante completa, mas agora é um tratado, mêo!

Seguinte, olhando as imagens que você mandou, naturalmente. Na tomada a direita, novamente, temos uma adaptação caseira, mas muito bem estudada e executada, até por conta de as esteiras serem exclusivamente no eixo traseiro.

Note que foi preciso montar uma estrutura bastante reforçada para aguentar o “tranco” do poderoso motor do bicho. Só fico pensando que o cara adicionou uma carga bastante pesada ao chassi.

Ele escreve sobre o T-34: “esse tanque é reputado como tendo sido o flagelo de Guderian em Kursk, e assim como o Sherman dos Estados Unidos, um forte fator a pesar quanto à vitória aliada”.

No mais, há muitos elementos de desenhos de tanques “de verdade” ali, tais como as extensões – “paralamas” – sobre as esteiras e mesmo as saídas de escape, que estranhamente me parecem uma “homenagem” ao famoso tanque T-34 soviético (esquerda), o que seria uma fina ironia.

Apesar da bandeira dos EUA nos mísseis, eu chutaria que essa imagem acima a direita foi tirada um encontro de VW na Alemanha mesmo ou até no Leste Europeu.

Note que as “blindagens” – provavelmente de fibra de vidro –  devem torná-lo bem complicado de manobrar (nem falo guiar mesmo, pois ele não deve andar muito rápido, por conta do atrito mecânico adicional a um carro que, digamos, já no original não é nenhum Usain Bolt).

Houve até uma Brasília que fez história em uma competição, entre Londres e Munique via África (?!?!) segundo o Flávio Gomes. Note que ela inclusive está com rodas de Puma… e é uma foto da época”.

Se você está tão interessado nas vertentes militares do Fusca, observe a principal delas, que é o Kübelwagen Type 82, na foto que te mando (é a que está identificada mais pro alto na página como ‘Panzer’, busque pela legenda).

Ele teve versões anfíbias e mesmo preparadas para terreno difícil apesar de eu desconhecer versões 4×4 – mas não me surpreenderia se alguém mais escolado me mostrasse.

Na verdade, as capacidades “fora de estrada” do Fusca (e de seus derivados) são amplamente reconhecidas. Mesmo o Puma (esse eu conheço bem né hahaha) foi relativamente bem sucedido em ralis tanto no Brasil quanto na Europa.

“Aliás, esse aqui me parece estar com um V8 central instalado, pois o diferencial ocupa praticamente todo o espaço de onde seria a ponta do câmbio no eixo traseiro (o motor ficaria atrás dessa estrutura, depois do eixo, ‘pendurado’)”.

De fato, o Fusca foi muito usado em provas de enorme sortimento.

E mesmo em modalidades extremas, como arrancada, com ou sem motor original, mas preparado – ou “envenenado” – como na foto ao lado.

 Bueno, fique com meu fraterno abraço, meu irmão. Vamo que vamo!”

…………..

Numa exposição de carros antigos em Águas de Lindóia-SP.

2ª ATUALIZAÇÃO DE FEVEREIRO DE 2018:

Um outro colega me mandou um emeio. Anexou a foto a direita e disse:

”    Que belo trabalho!!!! Faltou a famosa “rádio patrulha” de São Paulo….. tive que correr de várias.   ”

Agora não falta mais.

“Deus proverá”

Juvevê, a “Nascente da Zona Norte”

Hospital São Lucas, Juvevê: marco zero da An. Garibaldi e da Munhoz da Rocha.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 10 de dezembro de 2017

Maioria das imagens de minha autoria. As que não forem eu identifico nas legendas ou no corpo do texto.

…….

Nosso tema de hoje é o bairro do Juvevê, na divisa entre as Zonas Central e Norte de Curitiba.

Vamos dar uma pincelada também nos vizinhos Ahú e Centro Cívico.

Uma boa oportunidade pra gente relembrar o passado da região.

Panorâmica do Ahú, virada pros anos 70. A esquerda na imagem o Juvevê, ao fundo Alto da Glória e Centro.

Ali começa a Zona Norte, é sua nascente. Mas mais que isso.

No Juvevê estão também a nascente de 3 das principais vias da Z/N:

A Avenida Paraná começa na divisa do Juvevê com o Cabral.

Onde há a Igreja do Cabral e um tubo antes do terminal de mesmo nome. Isso muita gente sabe.

Ruas em estrela, traço do Juvevê (e também do Boqueirão, Z/S). Essa foto é via ‘Google Mapas’.

Mas retornando mais um tubo em direção ao Centro veremos que o Juvevê justifica a alcunha de ‘Nascente da Zona Norte’ em mais uma dimensão:

A Erasto Gaertner (que começa Munhoz da Rocha e termina Monteiro Tourinho) e a Anita Garibaldi são duas das principais avenidas de Curitiba.

Um ícone cai: em dezembro de 17 o Mercadorama do Juvevê deixou de existir. Por décadas foi um emblema do bairro, mas se tornou ‘Wal Mart’ (essa mega-corporação estadunidense já era proprietária da rede a tempos). Flagrei a mudança, quando o logo do Mercadorama com seu ‘M’ inconfundível já estava jogado no lixo. Coisas da Vida!

E elas cortam partes opostas e distantes da Zona Norte. Mas pouquíssima gente sabe que elas nascem exatamente no mesmo ponto, uma em frente a outra:

Em frente ao Hospital São Lucas, no Juvevê. Você conhecia esse fato?

Se sim, você também é um ‘urbenauta’, um profundo conhecedor da urbe, da metrópole, em seus mínimos detalhes.

Entretanto, repito, a imensa maioria das pessoas não sabe. Mas assim é. Veja a 1ª foto da página. O hospital já citado. Destaquei nos detalhes:

A minha direita, a placa do marco zero da Avenida Anita Garibaldi. A esquerda, do outro lado da via do Expresso. a do marco zero da Munhoz da Rocha.

Ambas no mesmo ponto da João Gualberto, a quadra cuja sua numeração vai de 1770 a 1910, fato também realçado nas tomadas.

…….

Já voltamos a essa questão. Antes vamos, em tomadas antigas (várias delas ainda em preto-&-branco), voltarmos no tempo.

Viajaremos pros anos 60 e 70, antes e logo depois da construção do ‘Sistema Trinário’:

A via segregada do ônibus Expresso no meio, ladeada por duas estreitas pistas laterais de carros pro tráfego local.

E a uma quadra de distância pra cada lado, as ‘vias rápidas’, pro trânsito pesado de automóveis e demais linhas de ônibus.

Segura essa: rara imagem da Avenida João Gualberto ainda sem a canaleta nos anos 60 (fonte: Curitiba Antiga).

Curitiba e Lima no Peru disputam qual foi a cidade que inaugurou a primeira canaleta exclusiva pra ônibus do planeta.

Ambos os sistemas ficaram prontos no meio dos anos 70.  Depois a capital peruana parou de investir em transporte coletivo.

Assim por quase 30 anos (do fim dos anos 80 ao começo da década de 10) a coisa foi confusa em Lima, no transporte coletivo e múltiplas outras dimensões.

Tanto que nessa década de 10 mesmo que ainda estamos (essa postagem é de dez.17) ainda circulavam lá Monoblocos produzidos nos anos 80.

Típica rua interna do bairro.

Agora Lima despertou e modernizou seu transporte coletivo, concluiu seu metrô que estava inacabado e inoperante.

Também retomou a operação dos corredores de ônibus, reformando e modernizando o sistema que igualmente esteve mal-utilizado por décadas, após um início glorioso.

O início da Anita: em sua primeira quadra é um calçadão.

Mas a história do transporte peruano contaremos com mais detalhes quem sabe em outro dia. Aqui nosso tema é Curitiba.

Dei essa pincelada somente por isso, já que vamos falar da inauguração dos sistema Expresso, ressaltei que o Peru teve a mesma iniciativa na mesma época.

Vimos acima a descida da João Gualberto (pra quem vem do Cabral, a subida pra quem vem do Centro) ainda sem a canaleta. A tomada é dos anos 60.

E a foto que veio antes dela foi tirada um pouco depois no meio dos 70, a pista exclusiva já pronta mas ainda utilizada por ônibus convencionais.

O começo da M. da Rocha: aberto aos carros mas quase sem trânsito.

Entre 74 e 76, ônibus convencionais operaram as atuais linhas de Expresso pela canaleta recém-inaugurada ou mesmo em fase de obras.

Esse busos ainda tinham entrada por trás, pintura livre (num padrão com listras horizontais em verde e amarelo) e motor dianteiro.

Nas obras da canaleta, e mesmo logo após a inauguração delas, eles primeiro fizeram improvisados as atuais linhas de Expresso.

Mesmo depois que chegaram os ônibus próprios do novo modal (vermelhos, embarque dianteiro, motor atrás e bancos de lado, costas pra janela e virados pro salão), por um tempo o velho e o novo co-existiram.

Quase no mesmo local, contraste entre o antigo e o novo. O casarão é tombado: no início do século 20 foi um armazém. Até recentemente era uma funerária, que se mudou pro Centro. Agora está vago (na verdade dizem que uma senhora reside no andar superior).

A partir de 77, quando aportaram ainda mais levas de Expressos propriamente ditos, é que foi tudo padronizado no vermelhão.

Já fiz matéria específica sobre o transporte de Curitiba nos anos 70, 80 e 90.

Onde tudo isso é explicado com imensa riqueza de detalhes, incluso com dezenas de fotos, confira.

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Isto posto, enxerto aqui o emeio de um colega que foi criado na divisa entre Ahú e Juvevê.

Como ele mesmo explicou, o prédio que ele morou fica no Ahú.

Mas a ‘vida social’ de sua família (compras, etc.) era feita no Juvevê. Reproduzo parte de suas palavras:

”   A Manoel Eufrásio é uma rua muito agradável, apesar do movimento intenso.

No casarão há placa antiga, de quando o idioma português tinha outra grafia.

Nos anos 80, acredite, essa era também uma rua onde se jogava bola.

Exatamente no ponto em frente à entrada do Parque Pinheiros e do Chácara Juvevê (a propósito, o lançamento desse empreendimento foi nos anos 70).

A Rua Emílio Cornelsen, então, nem se fala. Até 1992, mais ou menos, era uma rua sem saída.

Ela acabava num terreno baldio logo depois do meu ex-prédio (que é um dos primeiros dessa via).

A foto panorâmica do Ahú (mais pro topo da página, a direita) capturei da internet há anos, do sítio da Construtora Galvão.

Ela foi a responsável por vários desses conjuntos de apartamentos dessa região.

As ruas em estrela – 3 vias se cruzam, ao invés de 2: onde há pouco movimento fizeram essas praças (as flores da região estão nessa outra mensagem).

O primeiro deles foi justamente o que chamei de Parque Pinheiros.

Esse é famoso por sua torre grande de 15 andares e mais os quatro ou cinco menores de seis andares.

Creio que foram entregues em 1972 ou 1973.

Logo depois veio o Edifício Colibri e mais os dois menores ao lado.

Isso em 1976, com apartamentos construídos segundo a mesma planta do anterior.

Onde há mais trânsito é na raça – com 3 vias se encontrando, é perigoso cruzar as preferenciais. No meio da vemos a Via Rápida (sentido bairro). Destaquei com as flechas brancas: os dois carros que vêm nas transversais têm que cuidar não apenas dos que estão na preferencial, mas também um do outro. E ainda poderiam estar vindo carros em mais 2 lados. 3 ruas se encontram, sendo uma mão única e duas de mão dupla: pode acontecer de virem carros em 5 direções pra cruzar a mesma esquina simultaneamente. Quem planejou isso achou que era genial, mas se mostrou ser uma lambança daquelas!! Repito, no Boqueirão é igual. Em ambos os bairros aos poucos estão corrigindo (implantando rotatórias ou fazendo uma via sair em outra antes de ambas cruzarem a maior de todas), mas levará tempo até acertar tudo.

No fim dos anos 80, surgiram esses maiores da Manoel Eufrásio e aqueles azuis já no lado direito da Emílio.

Esses últimos sendo projetos para a elite da época, apartamentos de 4 quartos mais dependência de empregada.

Construído no mais alto padrão de acabamento e arquitetura disponíveis.

Os da Manoel Eufrásio, de cor avermelhada, já eram mais voltados para a classe média.

Pude comprovar uma vez que a planta dos apartamentos é praticamente a mesma dos dois conjuntos anteriores.

Apenas com uma ou outra modernização estrutural.

Voltando a falar da panorâmica em p-&b: imagino ser entre 1969 e 1970.

Pode-se notar que nem mesmo a Emílio Cornelsen está traçada, embora já exista uma clareira bem no início dela.

Restaurante homenageia a Pátria Amada.

Os edifícios do Parque Pinheiros já estão sendo levantados.

Estimei esses anos porque descobri que o Colégio Loureiro Fernandes foi inaugurado em 1968.

Pelo visto antes da própria Rua Marechal Mallet ser traçada na frente dessa citada escola.

 Além de que não se pode ver o Conjunto Residencial Juvevê, inagurado em 1970 na esquina da João Gualberto com a Constantino Marochi, já quase no Alto da Glória.

Próximas 2: casas de madeira pois é Sul do Brasil. No detalhe notamos que no edifício ao fundo alguém também ostentou a bandeira brasileira.

O mais interessante dessa foto, no entanto é ver que a rápida que liga ao Centro ainda não existe.

Repare bem, a Anita Garibaldi termina na João Gualberto.

Bem em frente ao Hospital São Lucas (à esquerda na foto, ponto já tão comentado nessa matéria), e nada parece cruzar ela antes.

A Campos Sales, aparentemente, começava junto à Manoel Eufrásio.

Provavelmente a “rápida” cortou aquele mato só naquela gestão do Jaime Lerner em que os expressos começaram a rodar, ali por 1974.   ”

Próximas 4: fotos feitas a partir do Juvevê, mas mostram casas e prédios no vizinho Ahú.

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Aqui se encerram os preciosos apontamentos desse colega, volto eu, O. M. . Vamos a minha resposta a ele:

A rua que divide Juvevê e Ahú não é a Emílio Cornelsen como constatastes, mas a própria Manoel Eufrásio. 

Sim, é certo que na virada pros anos 70 as ‘Vias Rápidas’ não existiam, surgiram junto com as canaletas, e não por outro motivo Lerner chamou de ‘Sistema Trinário’.

Mais uma transição. Ainda existem velhas casas de madeira (em alguns casos com a fachada em alvenaria). Mas ao fundo já vemos subindo mais um prédio baixo de classe-média.

Lembra que nos primeiros Expressos (aqueles Marcopolo Venezas e Nimbus Haraganos) vinha a flecha tripla que mostrava justamente isso, antes do ‘Cidade de Curitiba’ surgir?

E por que essa matéria se chama “Nascente da Zona Norte”? 

Repetindo o que já foi dito acima (esse emeio circulou antes da postagem, foi o protótipo dela):

Oras, porque pouquíssima gente sabe, quase ninguém na verdade, que 3 das principais avenidas da Z/N nascem no mesmo ponto.

O conjuntos Chac. Juvevê e Pq. Pinheiros (ambos no Ahú, como dito) em 2014. O prédio que veem em obras já está pronto.

A Anita Garibaldi e a Munhoz da Rocha (depois Erasto Gaertner e Monteiro Tourinho) têm seu marco zero no exato mesmo lugar.

Em frente ao Hospital São Lucas na esquina da Manoel Eufrásio com a João Gualberto.

Isso já foi amplamente analisado. Agora vamos as novidades:

Em sua primeira quadra elas quase não têm tráfego. Bem, a 1ª quadra da Anita é calçadão.

Na Chácara Juvevê, mais uma bandeira nacional. Mas a foto é em 2014, na Copa (antes do vexatório 7×1): a Zona Norte em dia de jogo do Brasil.

Aí então o fluxo de veículos motorizados é zero mesmo, excetuando o acesso as garagens.

No local há inclusive uma feira noturna as 3ªs-feiras.

Do outro lado da J. Gualberto a situação não é tão diferente assim:

A quadra inaugural da Munhoz da Rocha é uma via calma, de paralelepípedos.

Mais uma das ‘alamedas’ (ruas arborizadas) internas do Juvevê.

Ela contorna o Hospital São Lucas já tão citado. Ali os carros podem passar a vontade, mas pouquíssimos o fazem. É uma rua bem tranquila.

Se ela não fosse ladeira e nosso colega criado na Emílio Cornelsen ainda morasse na região, ele poderia até hoje jogar bola no comecinho da Munhoz da Rocha.

Agora que estou morando no Juvevê, eu me juntaria a ele: bota 4 pedras fazendo as vezes de traves, um time de camisas, outro sem, 5 vira, 10 acaba e vamos nessa!

Próximas 2: a divisa com o Ahú. Estou no Juvevê, e os edifícios mais ao fundo também. Mas os prédios em 1º plano ficam já nesse vizinho bairro.

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Agora, se na 1ª quadra a Anita e a Munhoz da Rocha são calmas, calmíssimas, logo a seguir a situação se altera diametralmente:

Posto que aí a Anita e a Munhoz da Rocha são a Via Rápida por pouco mais de uma quadra (uma em cada Rápida, claro), antes de embicarem em rumos  opostos.

Você sabia disso, que a Anita Garibaldi e a Munhoz da Rocha são Vias Rápidas?

Nesse caso ainda estou no Juvevê mas só aparece o Ahú na imagem.

Se sim, novamente você é a minoria, a imensa maioria desconhece esse detalhe.

A Anita Garibaldi é a Rápida que vem pro Centro, no trecho daquela descida em que no alto havia a fábrica da Tip-Top.

Já a Munhoz da Rocha é a Rápida que vai pro bairro, logo após a subida onde fica o asilo São Vicente de Paulo.

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