África do Sul, o Mundo num só País

O ‘apartheid’ acabou! Nos tempos tenebrosos do regime racista eram proibidos os casais inter-raciais. Na época essas garotas brancas seriam condenadas a muitos anos de cadeia. Os rapazes negros, embora a lei previsse a mesma pena, na verdade seriam linchados no mesmo instante, naquele exato local. Hoje elas e eles são livres pra viverem seu Amor.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 25 de maio de 2017

Mensagem-Portal sobre a África do Sul (ao fim do texto ancoro as ligações pras demais postagens da série).

Vamos falar sobre a luta secular pra pôr fim ao regime de discriminação racial.

No Novo Milênio, sob democracia, novos desafios:

Reduzir a violência urbana, que está na estratosfera, e também a desigualdade social, igualmente gigante.

1989: ‘apartheid’ vigente, praia em Durbã só pra brancos. Placa em inglês, africâner e zulu. Na língua nativa dos negros, ‘Durbã’ se chama ‘Ethekwini‘, breve falo mais em outra mensagem. Essa e outras imagens vieram da Wikipédia, créditos atribuídos como pedido.

Imensa maioria das fotos de minha autoria. As que vierem de outras fontes identifico na legenda.

PARTE 1: ‘APARTHEID’, INÍCIO E FINAL

A ida a África do Sul foi minha primeira viagem inter-continental. Eu nunca fui a Europa ou a Ásia. Digo, indo a África do Sul de certa forma eu estive também na Inglaterra, Índia e Califórnia/EUA.

Pelo seguinte: a República da África do Sul (abreviada R.A.S.) tem enorme população branca e indiana.

Os descendentes de indianos estão reunidos basicamente em Durbã.

Dos quase 3,5 milhões de habitantes dessa região metropolitana, meio milhão têm ascendência na Índia (o que inclui os atuais Paquistão e Bangladesh, e esses 2 são majoritariamente muçulmanos, já falo mais disso)

O que torna Durbã ‘a maior cidade indiana do mundo fora da Índia‘.

A influência dos europeus é ainda maior. Os brancos são 10% da população sul-africana. Mas eles estão concentrados nas classes média-alta e elite.

Por um século ademais eles tiveram hegemonia absoluta na África do Sul impondo o ‘apartheid’ (‘manter separado’ em africâner, ‘heid’ tem raiz parecida com a palavra inglesa ‘hold’).

Orla de Durbã, hoje. Negros e brancos caminham juntos e brincam como irmãos. Claro que nem tudo é perfeito, mas comparado com o que era… Outro detalhe: veja como os brancos na África do Sul são brancos mesmo, loiros de olhos claros.

O regime que oprimiu as outras raças oficialmente começou em 1948, mas na prática desde que os colonizadores europeus pisaram lá em massa, em fins do século 19 – e início dos massacres data do século 17 .

Mais abaixo falamos melhor disso. Aqui, dando essa primeira pincelada, obviamente não é difícil entender que os brancos moldaram a África do Sul a sua imagem e semelhança, em todos as dimensões.

Tem mais: os europeus que foram pra lá são norte-europeus (‘normandos’), bem diferentes física e culturalmente dos sul-europeus (‘latinos’) que povoaram a América Latina.

Nelson Mandela, Avatar Sul-Africano, ‘Pai da Pátria’. Cultuado como santo por lá, esse quadro está na casa que fiquei na Cid. do Cabo.

Os brancos da sul-africanos têm a pele bem alva, quase sem mistura de sangue de outras raças. A maioria das pessoas têm olhos claros, verdes ou azuis.

Urbanisticamente falando, a África do Sul é totalmente parte da Anglosfera: pouca gente mora em prédios altos. Assim as cidades têm pouquíssimos edifícios, geralmente se resumem aos que são comerciais no Centro.

E mais uma leva de prédios residenciais na beira-mar (nas cidades que têm mar, óbvio. As que não têm aí menos prédios ainda).

Os ricos e a burguesia moram em subúrbios exatamente iguais aos dos EUA, só casas em ruas sem-saída, sem comércio na vizinhança.

Tem mais. Na Cidade do Cabo, quem tem dinheiro mora nos morros, os pobres no plano. Como na Califórnia-EUA.

Resumindo: se você esteve nos EUA, você sabe como são as cidades da África do Sul.

1-Antigas províncias (estados) da África do Sul do ‘apartheid’: Cabo (que ocupava mais da metade do país); Estado Livre Laranja; Trasnvaal (esses 2 eram ex-repúblicas africâneres que foram incorporadas ao Império Britânico na Guerra Anglo-Boer); e Natal; 2-As mesmas províncias com os ‘bantustões’; 3-Re-organização pós-‘apartheid’: Estado Livre Laranja vira apenas ‘Estado Livre’, cai a referência a Holanda; Natal vira Kwa-Zulu Natal (nesses dois só muda o nome, as fronteiras não se alteram nada ou quase nada); o Cabo é dividido em três, agora são Cabo Oriental, Cabo Ocidental e Cabo do Norte; Transvaal é dividido em quatro: Gauteng ao redor de Joanesburgo e Pretória, a menor mas a mais povoada província sul-africana; Noroeste; e Transvaal do Norte e Transvaal do Leste; 4-Como é hoje: Transvaal do Norte vira Limpopo, a capital também tem nome alterado de Pieterburg pra Polokwane; Transvaal do Leste se torna Mpumalanga; e a capital do Noroeste tem o nome mudado de Mmabatho pra Mafikeng. Mmabatho e Mafikeng são dois municípios que pertencem a mesma cidade, apenas antes a sede do governo era num e agora é no outro.

Óbvio, na RAS há muitas e muitas favelas miseráveis, nos EUA não. Mas de resto é igual.

Durbã é de certa forma exceção. Digo, ali há também os subúrbios a moda ianque, tanto planos quanto em ladeiras.

Mas em Durbã há favelas no morro. Por isso a ‘América na África’ – breve texto específico.

E existem também muitos prédios altos tanto a beira-mar quanto num morro de classe média-alta bem perto do Centro.

E obviamente a maioria negra e ‘de cor’, livre do ‘apartheid’ há mais de 2 décadas, vem se fazendo ouvir, inclusive economicamente.

Por quase oito décadas os indianos foram tão pobres e explorados quanto os negros nativos.

Desde que foram levados da Índia pra serem semi-escravos do Império Britânico, até o terceiro quarto do século 20.

Mas há 4 décadas os indianos vêm ascendendo muito na escala social.

Eles também sofreram ‘apartheid’. Só que quando o regime racista viu que ia cair, flexibilizou a opressão contra os indianos ainda nos anos 80.

Jornal no idioma zulu. Comprei num mercadinho dum bairro popular de Durbã. O caixa era negro. Perguntei “que língua é essa?” Ele não sabia. Veja bem, um negro, e não é que ele não sabia traduzir. Não sabia sequer que idioma era. Quem me informou foi o anfitrião do apartamento que fiquei, que é indiano e muçulmano. Eis a torre de babel que é a África do Sul…

Assim uma massa dos descendentes asiáticos pôde ‘pular o muro’ da discriminação e migrar pros subúrbios que oferecem vida mais confortável. De forma que em Durbã especialmente há uma alta e média-burguesia indiana, há subúrbios de elevado estrato em que eles predominam.

Com a queda do ‘apartheid’ em 1994, vários negros seguiram o mesmo caminho.

Hoje há uma pequena elite e uma numerosa classe média-alta formada por africanos nativos.

É comum subúrbios de ricos a moda ianque habitados por negros, e você os vê aos montes dirigindo os carrões mais caros, BMW’s, Mercedes, Audis, a lista toda.

………..

Ademais, há muitos brancos pobres, de classe trabalhadora. Nas favelas e piores bairros mais afastados a população é 100% de negros. Na elite são 90% brancos.

Ou seja, os extremos são segregados. A classe ‘E’ só tem negros, a classe ‘A’ ainda é um privilégio quase que exclusivo dos brancos.

Mas toda classe média, as classes ‘B’, ‘C’ e ‘D’, tem gente de todas as raças.

Museu do ‘Apartheid‘, Joanesburgo: filma só o caveirão do regime racista, que a polícia usava pra entrar nas favelas negras quando havia distúrbios. Faz parecer pequenos seus similares do Chile e Colômbia.

Você vê brancos em serviços braçais/repetitivos, como encanadores, balconistas, que não exigem estudo e pagam pouco.

Se pegar um ônibus pra periferia, você já está nos bairros humildes, onde moram os assalariados em casas e apartamentos simples, desprovidos de qualquer luxo.

E ainda há descendentes de europeus no busão.

Só quando no terminal você troca pro alimentador que vai pras favelas e piores cohabs é que só há negros.

E, repito, o contrário também é verdadeiro, também vemos hoje muitos africanos nativos de pele bem escura em posições de destaque.

Democracia! Soweto, Joanesburgo, África do Sul, 2017: parte dos negros ascendeu a alta e média-alta burguesias. Veja a picape que esse aqui dirige. É comum hoje ver Homens e Mulheres negros no comando dessas máquinas. Nos tempo do regime racista eles nem eram considerados seres humanos.

Negros morando em mansões que contam com piscinas e com empregadas (também negras, claro) de uniforme.

Observe a foto ao lado, que vale por mil palavras.

……….

A África do Sul tem 55 milhões de habitantes. As 4 maiores cidades são as únicas que ultrapassam 1 milhão.

Eis a população delas, incluindo região metropolitana (censo de 2011, dados do sítio citypopulation.de):

– Joanesburgo, 7,8 milhões (segundo outras fontes, já chega a 10 milhões);

– Cidade do Cabo, 3,4 milhões (4 milhões pela Wikipédia);

Eis a prova: essas crianças negras não estão rezando. É que na época do ‘apartheid’ muitas escolas negras sequer tinham carteiras, os alunos tinham que escrever no chão. As 2 imagens no Museu do ‘Apartheid’ (essa e a do caveirão) são de autoria de meus familiares.

– Durbã, 2,7 milhões (3,3 milhões, idem).

Pretória, 1,7 milhão.

Eu pude conhecer todas elas.

………

A África do Sul é uma colcha de retalhos linguística. São nada menos que 11 idiomas oficiais.

O inglês é universal, a ‘língua franca’, o único falado por todos os seus habitantes, de todas as raças.

Nos tempos do ‘apartheid’ eram duas línguas oficiais, as faladas pelos brancos.

Bairro Baía ‘Hout’, extremo sul da Cidade do Cabo. Uma foca bem grande interage com o público, ao fundo a marina e as montanhas. Mais uma clicada pelos membros de minha família, a última. Daqui pra baixo tudo de minha autoria.

Além do inglês obviamente o africâner, que é um dialeto do holandês (na verdade se assemelha muito ao holandês medieval).

Ainda hoje o africâner é mais falado que o inglês como língua materna, entre os euro-descendentes.

Com a democracia, os idiomas que os negros usam também ganharam ‘status’ oficial. Embora sejam nove, as mais comuns são o xhosa e o zulu.

Todas moedas da África do Sul trazem no verso a inscrição no nome da nação em duas línguas.

Nas notas está escrito ‘Banco Central da África do Sul’ em inglês na frente (no original ‘Reserve Bank’, ‘Banco da Reserva [Financeira]’ ou ‘Banco do Tesouro’, se preferir. Passei em frente a sede dele em Pretória).

Ir a África do Sul é como ir a Inglaterra. Praça Gandhi, que é o terminal central do Metrobus em Joanesburgo. 2-Andares Volvo Marcopolo de fabricação brasileira se prepara pra levar a galera pros distantes subúrbios da metrópole. Como comentou um colega, os pobres estão subindo na vida, “vendo o mundo pelo alto”.

E atrás novamente em 2 línguas, na de 10 rands em africâner e uma língua negra, nas demais sempre idiomas nativos africanos.

Entre os brancos, mais gente fala africâner como língua-mãe que inglês.

Mas quem fala inglês só fala inglês, é mono-língue, não entende nenhum outro idioma, e isso vale pros negros e brancos.

Assim, os que têm o africâner ou idiomas nativos da África como 1ª língua têm que saber também inglês.

Sejam da raça que for, quando as pessoas estão somente entre os da sua etnia (especialmente em casa, mas também num círculo fechado de amigos) falam em sua própria língua.

Templo hindu no Centro de Durbã: visitar a África do Sul é como ir a Índia.

Quando é preciso falar com mais gente, por exemplo no trabalho, todos se comunicam em inglês.

Obviamente, como dito, algumas pessoas brancas e negras já têm essa como língua-mãe, aí a usam mesmo em casa. 

Os que falam africâner se concentram no Costa Ocidental. Na Cidade do Cabo, o africâner é a 1ª língua de nada menos que 22% da população.

A imensa maioria brancos, mas embora mais raro há uns poucos negros que a usam também, pois foram educados nela na época do ‘apartheid’.

A ‘Riviera’ da Cidade do Cabo: ir a África do Sul é como ir as parte mais bonitas do Mediterrâneo (Itália, ou Grécia).

Nessa cidade o inglês predomina amplamente pois é o idioma nativo da maior parte dos negros. Digo, dos ‘mulatos’.

No Oeste da RAS são majoritários os que se auto-denominam ‘mestiços’ ou ‘mulatos’ no censo.

Eles são negros, e assim eram considerados pelo ‘apartheid’, certamente. Mas já houve grande miscigenação entre as diferentes tribos nativas africanas.

Pela mistura, a conexão com as línguas africanas se perdeu, aí eles usam o inglês, praticamente todos, e uns poucos o africâner, como já dito.

‘Woodstoock’, Cidade do Cabo: região de classe média na ladeira, com casinhas geminadas. Na África do Sul você se sente em em São Francisco, Califórnia/EUA.

A língua negra mais falada no Cabo é o xhosa, com apenas 2,7 % da população que a usam em casa.

Já a Costa Oriental sul-africana é território dos ingleses, sempre foi, desde a colonização.

Em Durbã apenas 3% dos habitantes têm o africâner como idioma-materno.

O Leste do país é de maioria negra, inclusive estatisticamente.

Quero dizer com isso que no censo as pessoas se definem assim, como ‘negros’, e não como ‘mulatos’ ou ‘mestiços’.

Bairro ‘Baía do Campo’, Cidade do Cabo. Reduto da elite, com mansões no morro. Eu estava na África do Sul, mas parecia que era em ‘Beverly Hills’ ou ‘Hollywood’, em Los Angeles, também na Califórnia/EUA.

Por isso o zulu é o 1º idioma de um terço da população. Mesmo o xhosa é o escolhido de 6%, mais que o dobro do Cabo.

O Cabo é, definitivamente, a cidade mais integrada racialmente, a mais multi-cultural, da África do Sul e diria de toda África.

Ali, os brancos são 1/3 das pessoas, portanto há inclusive muito mais brancos pobres.

Em Joanesburgo e Durbã os brancos são somente 12 e 15%, respectivamente, aí só numerosos nas classes alta é média-alta.

Bem, em Durbã há quase o dobro de indianos que brancos, pra você ter uma ideia.

Muçulmanas na praia em Durbã. 3 delas estão de burca negra que só mostra os olhos, 1 delas com o rosto a vista. Na África do Sul. Mas se me dissessem que eu estava no Afeganistão não teria como duvidar. Os muçulmanos entram no mar de roupas em Durbã, tanto Homens quanto Mulheres. Bem, pessoas de outras raças/religiões também fazem o mesmo nessa cidade, é tradição local.

Já veremos como isso se desdobra em outras dimensões. Na linguística, a Cidade do Cabo é a única tri-língue.

As comunicações da prefeitura são em inglês, xhosa e africâner. O lema da cidade é: “Progredindo. Todos Juntos.”

……..

Todos Juntos. Um lema bonito. Evidente que na prática as coisas não são tão simples, ainda há imensos problemas. Mas no passado foi ainda pior.

Como estamos falando do ser humano, que infelizmente sempre foi e ainda é belicoso por natureza, as raças brigam muito.

Tanto umas contra as outras como entre si, dentro de suas próprias etnias.

Na África do Sul não é diferente. Alias, ali foram inventadas duas coisas macabras pra humanidade:

Na África do Sul são os ricos que moram nos morros, como na Califórnia. Os pobres vivem em favelas, conjuntos geminados ou cohabs de pequenos prédios (pombais), a construção varia mas sempre no plano. Porém Durbã é exceção. Há bairros de elite nas encostas, sim. Mas também há muitas favelas, como nas periferias do Rio, SP, BH-MG, Salvador-BA, partes de Curitiba, Colômbia, México, Chile, Bolívia, Peru Venezuela. Durbã é a ‘América na África’ (foto via ‘Google’ Mapas).

O campo de concentração (depois amplamente usado na Europa por Hitler, Stalin e outros);

E o ‘micro-ondas’, quando uma pessoa é presa dentro de pneus encharcados com gasolina sobre os quais é ateado fogo.

Hoje a raça branca já não agride tanto ela mesma:

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial já são 70 anos sem que um país da Europa Ocidental invada outro, fato inédito em sua violenta história.

E bota ‘violenta’ nisso, por milênios culminando a 2ª Guerra os brancos se combateram violentamente entre si, pra ver quem amealhava mais poder sobre os outros.

Não quer dizer que os brancos se tornaram pacíficos, apenas agora eles atacam outras raças, geralmente de países mais fracos que não podem se defender.

Montanha-Mesa, Cidade do Cabo: bondinho sobe um morro famoso, símbolo da cidade e do país. Me lembrei muitíssimo de quando fui ao Rio de Janeiro.

Vide as intervenções dos EUA (em vários casos em conluio com Inglaterra e França) no Iraque, Líbia e Síria.

Mais de 2 milhões morreram nessas guerras, mais de 10 milhões ficaram amputados/ viúvas(os)/órfãos/refugiados internou ou externos.

Então, não, os brancos não passaram a ser brandos. Apenas agora eles agridem aos outros como sempre fizeram, mas entre eles mesmos não mais.

Mas no passado não foi assim, a raça branca duelava muito, e de forma muito violenta, inclusive dentro de seus próprios povos.

Golfistas na Zona Norte da Cidade do Cabo. Os ricos da África do Sul adoram golfe, há cem vezes mais campos desse esporte lá que no Brasil. Nos EUA é exatamente igual. É a ‘Anglosfera’.

A África do Sul não passou imune a essa situação.

Desde o século 17 ingleses e holandeses brigaram entre si, e contra os negros nativos, pra poderem dominar o país.

Os negros resistiram bravamente, derrotando os invasores brancos em várias ocasiões.

Porém evidentemente os europeus tinham armas muito, mas muito superiores aos africanos, e acabaram prevalecendo.

Por exemplo, o Rei Zulu Shaka ficou famoso por inventar uma lança afiada.

Gostou da Mercedes da Isabel??? E que tal a do ‘Vegeta‘, que é conversível. O Wilson é mais modesto e se contenta com um modelo mais simples, enquanto no Centro de Durbã alguém está ouvindo ‘Rumores’. Vocês entenderam, né? Na África do Sul, como nos EUA, você pode escolher a placa do teu carro. Tem mais. Lá eles a-d-o-r-a-m Mercedes e BMW, é paixão nacional. Não só os ricos, os pobres também. Veja que na foto maior, aquele belo anoitecer em Joanesburgo, eu também estou numa Mercedes, a estrelinha ressaltada em amarelo. Em outra mensagem falarei melhor disso.

Que lhe garantiu a vitória em numerosas batalhas contra outras tribos negras, desprovidas dessa tecnologia (justiça seja feita e não vamos idealizar, a raça negra também massacrou seus próprios irmãos, e infelizmente a situação persiste, como veremos mais adiante).

Mas contra os rifles e canhões brancos suas lanças e escudos pouco puderam fazer, além de retardar um pouco a queda.

Em 1679 foi inaugurado pelos africâneres o forte conhecido como ‘Castelo da Boa Esperança’.

Trata-se da primeira construção europeia na África do Sul, na época a beira-mar, hoje depois de sucessivos aterros está a centenas de metros da orla.

O que garantiu pouco mais de um século de domínio.

Porém em 1795 a Inglaterra exige a rendição da Colônia (holandesa) do Cabo e sua anexação ao Império Britânico.

Os holandeses se negam, e resistem o quanto podem mas o Cabo cai acuado por invasão de enorme esquadra da Real Marinha Inglesa.

Em 1804 a Holanda brevemente retoma o controle, mas dois anos depois em nova invasão a Inglaterra assume em definitivo o comando da Cidade do Cabo e da colônia que o circunda, o que a princípio incluía até a atual Namíbia.

E eis a prova: Atlântida, subúrbio do Extremo Norte na Grande Cid. do Cabo. Moradia muito pobre, mas tem um Mercedes velho na garagem. No Paraguai (e vários páises árabes) a paixão por essa marca é a mesma. Mas tem mais: casa de madeira? E com toras na horizontal? Por acaso viemos parar no Caribe, ou no Sul dos EUA???

Assim os holandeses vão pro interior e ali estabelecem duas repúblicas independentes

Entre os Rios Laranja (‘Oranje’ no original holandês/africâner, a cor da Casa Real Holandesa e daí o uniforme da seleção desse país) e Vaal é criado o ‘Estado Livre Laranja’ (‘Orange Free State’ em inglês).

E após o Rio Vaal a República Sul-Africana, também chamada de ‘República do Transvaal’.

Não confunda, obviamente, a ‘República Sul-Africana’ holandesa/ africâner/boer com o país atual, já vamos chegar lá e ver como a presente República da África do Sul foi formada.

Primeiro voltemos ao século 19. Os holandeses foram derrotados no litoral, perderam o Cabo em 1795 e Natal, do outro lado, já era bastião inglês.

Ainda Atlântida, Cid. do Cabo: residência muito pobre de alvenaria, rua de terra, sozinha no quintal grande, sem laje e sem muro. Me belisca: ou eu estou sonhando ou eu voltei mesmo ao Paraguai!!

Assim migraram e no fundão do interior fundaram suas duas repúblicas independentes que, sendo o ser humano como é, também guerrearam entre si.

Mas o perigo maior estava por vir. Em 1877 a Inglaterra anexa também o Estado Livre Laranja e a República do Transvaal.

Em 1880 os colonizadores ‘boeres’ (holandeses) se revoltam, e estoura a Primeira Guerra Anglo-Boer.

Ela dura apenas 4 meses, até o começo do ano seguinte com vitória boer, as repúblicas holandesas reconquistam a independência.

Não dura muito. Em 1886 é descoberto ouro na região, e daí fundada a cidade de Joanesburgo.

Soweto, Joanesburgo. Favelas com casas de zinco. Me deu a nítida sensação de estar de volta aos morros de Valparaíso, Chile.

Obviamente a Coroa Britânica não vai deixar que outros enriqueçam com o metal. Assim em 1899 se inicia a Segunda Guerra Anglo-Boer.

Agora a luta foi renhida e cruel. A Inglaterra está disposta a ganhar a qualquer custo. E por isso lança mão de uma nova técnica:

Prende a população civil das cidades inimigas conquistadas em campos de concentração, especialmente Mulheres e crianças.

Voltamos a Atlântida, Cabo. Mas continuamos no Chile. Puxadinho no Prédio??? Você já sabe, é a marca registrada da Zona Oeste de Santiago, fotografei vários assim.

Veja mais abaixo a foto (busque pela legenda), tropas inglesas se dirigem com cavalaria e canhões pra ocupar a nascente cidade de Joanesburgo.

Conhecendo a crueldade inglesa, os comandantes de Joanesburgo optam por entregar a cidade sem lutar.

Não teve jeito, a Inglaterra conquistas as repúblicas boêres e unifica a África do Sul sob seu comando, como uma colônia.

Em 1909 é decretada independência formal pelo parlamento inglês, com a consequente criação da União Sul-Africana em 1910.

Plátanos na Zona Norte de Joanesburgo. Na África do Sul você se sente no Canadá ou em partes frias da América do Sul, como Campos do Jordão-SP, S. Catarina, Argentina ou Chile.

Mas a “independência” é apenas no papel, literalmente ‘pra inglês ver’.

A África do Sul continua colônia inglesa, apenas em 1931 vem a independência de fato.

De 1931 a 1960 a África do Sul fica na mesma situação que o Canadá, Austrália e Nova Zelândia estão até hoje: é independente na prática. Mas o chefe de estado ainda é a rainha (ou rei) da Grã-Bretanha.

Em 1961 em plebiscito nacional (apenas os brancos puderam votar) por pequena margem são cortados em definitivo os laços com a Inglaterra.

Casa com dezenas de painéis solares na Zona Norte de Joanesburgo. Na África do Sul o uso da energia do Sol está mil vezes mais avançado que no Brasil. Casas de todas as classes sociais, inclusive cohabs muito pobres (veremos fotos em outra postagem), fazem uso intenso desse modal. Com tanto cuidado com a Natureza, eu me senti na Alemanha.

Proclamada a ‘República da África do Sul’, a monarca em Londres enfim deixa de ser a chefe de estado sul-africano.

A província de Natal (atual Kwa-Zulu/Natal depois da incorporação do bantustão Kwa-Zulu) foi a única a votar ‘não’, pois ali os ingleses sendo maioria queriam permanecer ligados formalmente a Inglaterra.

Alias a rixa entre ingleses e africâneres na África do Sul é antiga. Em tempos passados, resolvida via aprisionamento da população civil rival em campos de concentração.

Hoje a situação é mais pacífica mas um certo ressentimento permanece. 

Derivado de modos diferentes de verem sua permanência na África, uma situação temporária pra uns e permanente pra outros.

Já que é pra falar da vibração Norte-Europeia, segura essa: a costa da Cidade do Cabo já sofreu sucessivos aterros, tomando espaço do mar. Veja essa imagem (desculpe a coluna na frente, eu estava dentro do terminal de ônibus e o painel é fora, não tive como evitar). As ruas são a área urbanizada da cidade em 1884, hoje é cem vezes maior, isso é apenas o Centro atualmente. Aquela estrela bem no meio é o Castelo da Boa Esperança, fortaleza construída pelos holandeses, já explicada acima. Até o fim do século 19 ela ainda era a beira-mar, a costa então era a linha azul-escura. Em 1920 já havia o primeiro aterro, a costa está naquela linha de azul de tom médio. E em 2013 muito mais terra havia sido tomada do Oceano, o terminal que eu estou está identificado por aquele ponto vermelho. Portanto um século atrás eu estaria dentro do mar nesse exato local. É como se eu estivesse na Holanda. Bem, a África do Sul e muito mais a Cidade do Cabo foram colonizados (também) por holandeses.

Explico. Os africâneres chamam os ingleses pejorativamente, perdão pelo termo chulo, de ‘pinto de sal’.

Isso quer dizer o seguinte. Os africâneres se veem como ‘descendentes de holandeses’, e não como ainda sendo holandeses.

Claro que valorizam sua cultura – até demais, tanto que a impuseram a força aos negros por um século.

Mas os africâneres cortaram seus laços atuais com a Holanda, com a Europa em geral. Eles agora se definem como sul-africanos.

Já os ingleses se recusam a cortar seus laços com a Inglaterra, e ficam numa ‘lealdade dividida’.

Não sabem ser sul-africanos de corpo & alma, pois ainda querem permanecer súditos da rainha.

Mesmo tendo nascido, sido criados e morado toda vida na África, se recusam a deixar ir seus laços com a ilha do outro lado do planeta da qual vieram seus bisavós.

Por isso têm o, desculpe novamente, ‘pinto de sal’.

Pois segundo os aficâneres, os ingleses ficam com um pé na Europa, outro na África, daí seu genital molha no mar e se torna salgado.

……….

Bem, após a matança da Guerra Anglo-Boer da virada do século 19 pro 20, os brancos entenderam que estavam condenados a viver juntos no mesmo país.

Como já dito, os ricos da África do Sul moram como os dos EUA: em casas (geralmente sobrados) nos subúrbios com calmas ruas sem saída, gramados a frente, se possível sem muro. Aqui é Z/N da Cidade do Cabo, perto da Praia da Lagoa e Praia do Pôr-do-Sol. Note a ausência de calçadas.

Independente de gostar ou não da Inglaterra. Portanto se uniram pra oprimir os negros e demais pessoas “de cor”.

Repito que oficialmente o ‘apartheid’ iniciou em 1948. Mas na prática desde o século 19. Lembre-se:

Quando chegaram a África do Sul vindos da Índia (ambos então parte do Império Britânico) os indianos eram tão pobres quantos os negros nativos.

E tinham os mesmos direitos que eles, ou seja nenhum.

As repúblicas “livres” Laranja e do Transvaal só eram livres pros brancos.

No Transvaal inclusive a lei dizia que não-brancos não podem ocupar cargos nem na administração pública nem nas igrejas.

Em Durbã, garotos de uma escola vão jogar bola na praia. Negros e brancos juntos, pois a legislação racista acabou. Aqui quero chamar a atenção novamente pro fato que na África do Sul os brancos são sempre alvíssimos, pele, olhos e cabelos – todos na foto são loiros! Não são mestiços, morenos como os ‘brancos’ do Sul da Europa e América Latina. Na África do Sul (nesse ponto ao menos) você está no Norte da Europa: Holanda, Alemanha, Inglaterra e Escandinávia.

Os indianos que foram morar no Transvaal tinham por lei que residir em bairros (na verdade favelas) exclusivos pra eles, designados pelas autoridades.

Além disso, eles não podiam trabalhar na mineração, e tampouco andar nas calçadas, tinham que caminhar pelo meio das ruas. E toda essa legislação data de 1885.

No Estado “Livre” Laranja era ainda pior. O governo branco simplesmente baniu a entrada de indianos.

Nenhum indiano podia morar no Estado Laranja, e mesmo pra atravessá-lo de passagem era necessário um visto especial.

Depois que a Inglaterra bateu as repúblicas boêres em 1902 e as incorporou a sua colônia sul-africana a situação permaneceu inalterada.

Cidade Alta’ de Durbã, um bairro (‘Musgrave‘, pronuncia ‘Mâsgreive’) num morro de classe alta e média-alta na Zona Central. Ir a África do Sul é como ir a Alemanha (ou a Joinville-SC). Nem todos os morros de Durbã são tão elitizados, como já vimos acima.

Afinal, mesmo em Natal (que era possessão inglesa) a situação era a mesma.

Ainda em 1888 foram formuladas leis que obrigavam os indianos a terem autorização da polícia (‘passes’) pra circular pela cidade.

E em toda África do Sul, boer ou inglesa, antes ou depois da Guerra Anglo-Boer, as pessoas ‘de cor’ não podiam entrar em diversos locais públicos.

Isso valia pra negros, indianos, chineses e qualquer não-europeu.

Pra você se sentir mesmo no Norte da Europa: comprei na Cidade do Cabo, mas o leite vem escrito em holandês. Na verdade africâner, que oficialmente é uma língua, mas na prática um dialeto do holandês (80% das palavras são idênticas nos dois idiomas, ou tem mínimas diferenças de grafia). 99,99% dos alimentos na África do Sul vem escritos em inglês, que é a língua que todos os seus habitantes (de todas as raças) falam. Muitas vezes em inglês, português e francês pra ser exportado pra toda África. Mas em africâner nenhum, apenas esse laticínio quis ressaltar sua origem dessa forma. As caixinhas de papelão do longa vida são bi-língues inglês e africâner, os saquinhos de plástico são também nos dois idiomas, mas não na mesma embalagem. Cada saquinho é ou em inglês ou africâner.

Eles nem sequer podiam caminhar pelas calçadas, precisavam ir pelo meio da rua com risco iminente de atropelamento.

Muita gente não sabe, mas aquele que foi batizado ao nascer Mohandas Gandhi viveu 21 anos na África do Sul. E foram os primeiros anos de sua vida adulta.

Ali ele iniciou sua luta política, e ali na África do Sul ele se tornou conhecido como ‘Mahatma’ Gandhi.

Uma pista pra quem não conhece a língua sânscrita. ‘Maha’ = ‘Grande’; ‘Atma’ = ‘Alma’. Logo ‘Mahatma’ significa ‘A Grande Alma’, ou se preferir algo similar a ‘Iluminado’, ‘Ungido’, pra usar as terminologias budista e cristã.

Gandhi era de família abastada, por isso na juventude foi estudar advocacia em Londres, nada menos que a capital do império que subjugava tanto a Índia quanto a África do Sul.

Ao retornar formado pra casa, um de seus primeiros trabalhos foi ser enviado a Durbã pra representar alguns ricos comerciantes muçulmanos indianos.

(Algumas notas. A ‘Índia’ de então incluía os atuais Bangladesh e Paquistão, logo muitos eram muçulmanos, situação que ainda persiste até hoje.

A África do Sul tem enorme comunidade muçulmana. Parte dela é formada por imigrantes [negros] de outros países da África, e também por sul-africanos negros convertidos.

Entretanto o grosso é de ‘indianos’, assim chamados, mas se os outros países já fosse independentes seriam conhecidos como bengalis ou paquistaneses.

Assim como no Brasil o termo ‘turco’ se refere basicamente a sírios e libaneses, então sob jugo do Império Otomano [turco]. Em várias partes do mundo as fronteiras de um século e pouco atrás eram diferentes das atuais.

Segundo, embora a imensa maioria dos indianos da África do Sul fosse pobre, evidentemente haviam também representantes da elite, que estavam ali por sua livre vontade.)

Zona Norte, Cidade do Cabo, perto da praia: subúrbio rico na lagoa, cada casa pode ter seu cais e barco particular. Nos EUA (especialmente na Flórida) é assim também.

Gandhi aportou em 1893, pra passar poucos meses. O que ele não sabia é que brevemente um acontecimento mudaria sua vida pra sempre.

E por ele Ser um Grande Avatar da Humanidade por consequência cambiaria também a trajetória do planeta.

Sendo de família de posses, e representando clientes idem, nada mais natural que ele viajasse de primeira classe nos trens.

Porém ainda nesse mesmo ano ele fazia uma viagem ferroviária, quando foi solicitado a sair da primeira classe, por não ser branco.

Eis meu almoço num domingo (de pouco Sol) na Beira-Mar de Durbã: arroz indiano, bastante apimentado. Bota bastante nisso! Na África eu comi como no Sul da Ásia.

Gandhi se recusou, afinal ele pagara a passagem, tanto quanto os euro-descendentes que se incomodaram em sentar ao lado de um asiático. E era advogado, conhecia a lei e seus direitos.

Pois bem. Assim o trem parou e ele foi posto pra fora, simplesmente porque sua pele era escura.

E teve que retornar a pé pra cidade, Pietmaritzburg (que era e ainda é capital de Natal, agora Kwa-Zulu Natal).

Ali morreu Mohandas Gandhi, o advogado que pensava em representar seus clientes, e Nasceu Mahatma Gandhi:

O Avatar cuja missão na Terra era lutar contras as injustiças, onde elas ocorressem. Seu ‘cliente’ a partir dali era a Humanidade.

Logo em frente ao restaurante, no calçadão da ‘Praia Norte’ de Durbã (mais chique que a ‘Praia Sul’, depois explico melhor) você pode andar de riquixá, uma carroça que é puxada não por um animal mas por um ser humano. Antes de domesticarem os cavalos, eram assim que as classes se diferenciavam: os ricos se locomoviam sentados, puxados por outras pessoas. A pequena classe-média e a imensa maioria de pobres andava a pé, enquanto que os miseráveis eram vendidos como escravos e eles quem puxavam os outros. Isso a milênios atrás, então ao ver essa cena eu atravessei um portal não só do espaço mas também do tempo. Trata-se de uma pitada da Índia enxertada na África. Bem, a água que vemos ao fundo é do Oceano Indiano (ou ‘Índico’), então não está tão longe assim. África do Sul, 2017 d.C.. Mas, cá entre nós, parece a Índia 5.000 antes do Cristo.

Tanto que Gandhi já se preparava pra deixar a África do Sul e voltar a Índia em definitivo, em fins do mesmo ano de 1893.

A rica comunidade indiana de Durbã organizou uma festa de despedida.

E ele já estava de malas prontas e passagem de navio comprada pra deixar a África.

Mas informaram Gandhi que o parlamento branco de Natal preparava um pacotaço de leis racista contra os indianos, além das leis que estavam em vigor e não eram poucas.

Pediram a ele que ficasse e liderasse a luta contra a discriminação. Gandhi disse:

“Fico. Contem comigo”. Assim, uma estada de pouco meses se ampliou pra mais de 2 décadas.

Provavelmente Gandhi não teria ficado se não tivesse sido enxotado do trem como um leproso ou um bicho peçoenhento, mesmo tendo direito de ir na 1ª classe.

Ele ficou. A África do Sul mudou Gandhi, e depois ele mudou a África do Sul, a Índia, o Império Britânico e toda Terra.

Pois foi figura-chave no movimento pra Conscientizar as pessoas que era errado nações mais poderosas subjugarem as mais fracas.

Centrão de Joanesburgo: imóvel abandonado todo grafitado com o ‘alfabeto’ criado em Nova Iorque. Se você pensou que estamos no Bronx (bairro pobre e negro dessa cidade ianque, como se sabe), você não está de todo errado. Joanesburgo é a única cidade da África do Sul que tem pichação e grafite, mesmo assim bem menos que na América Latina e EUA. Nas demais metrópoles sul-africanas quase inexistente.

Ainda em Durbã fundou e liderou uma frente de combate ao racismo.

Depois mudou-se pra Joanesburgo, onde organizou uma marcha que serviu de treino pra famosa ‘Marcha do Sal’ feita depois na Índia, que foi a pá de cal no domínio injusto britânico por lá.

Gandhi foi preso 4 vezes na África do Sul, e no total cumpriu 7 meses encarcerado nos presídios sul-africanos.

Foi mais um ensaio pro que viria na Índia, onde ele viveria mais de 3 anos e meio atrás das grades.

……….

Em Durbã, Gandhi foi vizinho de um dos fundadores do Congresso Nacional Africano (CNA, em inglês ANC), John Langalibalele Dube.

“Bronx a Beira-Mar”: continuamos na vibração nova-iorquina. Na África do Sul há favelas e bairros pobres afastados do Centro das cidades (literalmente na ‘periferia’) como na América Latina? Sim, há. Mas também é muito comum o gueto central, modelo que predomina na Europa, EUA e Anglosfera. Fiquei no bairro ‘Praia Sul’, em Durbã. É exatamente esse caso. O prédio que veem na imagem é vizinho ao que me hospedei, mesma quadra. Trata-se de quitinetes pra massa, classe trabalhadora. É integrado, moram brancos, mas imensa maioria de negros e indianos. E, surpresa, na quadra do mar. Na ‘Praia Sul’ não há alta burguesia nem elite, só povão e no máximo pequena burguesia. A ‘Praia Norte’ é mais cara, ali há edifícios de alto padrão. Mas na ‘Praia Sul’ não, é um gueto na orla, daí o apelido que eu dei.

Ambos trocaram muitas ideias e se influenciaram mutuamente.

Afinal tanto indianos quanto negros sofriam da mesma repressão.

Agora, se qualitativamente os migrantes da Ásia igualmente eram discriminados, óbvio que quantitativamente os nativos da África foram as maiores vítimas do regime racista.

Se já existia antes de 1948, a partir dessa data com a oficialização o ‘apartheid’ só veio a piorar.

Entre 1949 e 50 a legislação básica racista foi delineada: foram aprovadas as leis proibiam primeiro casamentos entre brancos e não-brancos, e depois qualquer relação sexual.

As penas de prisão eram de até 7 anos pros membros dos dois sexos.

Mas no caso de um Homem negro ser apanhado com uma Mulher branca, a punição mais provável era mais imediata, o linchamento nas mãos da multidão.

Igualmente veio a lei de ‘classificação populacional’. Cada sul-africano foi enquadrado em uma das 4 categorias, ‘branco’, ‘negro’, ‘mestiço’ ou ‘indiano’.

Na prática a 1ª denominava os brancos, e as outras 3 o que coletivamente eram os ‘não-brancos’.

Eu fui ao Bronx original (NY), em 1996. De volta a África, outra da Praia Sul, Durbã, o “Bronx a Beira-Mar”.  A galera tem que congregar na rua, não há espaços de lazer nem no prédio nem no bairro (exceto o calçadão da orla).

Na teoria todas as raças deveriam permanecer separadas.

Só que o que ocorria era que o estado pouco se importavam quando os não-brancos interagiam entre si.

Apenas o relacionamento entre os brancos e qualquer pessoa ‘de cor’ é que era severamente regulado.

Sempre em favor do branco evidentemente.

Mais do que classificar, a lei estabelecia juridicamente em quis áreas do país cada raça podia viver.

Bairro da elite na Z/N de Joanesburgo, África do Sul. Só mansões residenciais, sem comércio. Detalhe: sem calçadas em qualquer lado da rua. Se você já foi aos EUA, sabe que lá é assim também, esses dois países não são feitos pra andar a pé, só de carro.

Houveram mais de 3 milhões de deslocamentos forçados, quando alguém vivia numa área que foi designada pra outra raça.

As vezes uma família já estava a séculos numa região. Pouco importava.

Policiais fortemente armados apareciam ao amanhecer, todos só tinham tempo de carregar o que pudesse ser levado nas mãos.

A seguir as pessoas eram postas em caminhões e relocadas pra onde o governo determinasse.

A imensa maioria dos relocados eram de negros, mas os indianos também passaram por isso. E houveram raríssimos casos em que alguns brancos também tiveram que se mudar contra a vontade.

Acima falamos em esportes, e em anglosfera. Garotos alvos como a neve jogam ‘rugby’ na praia em Durbã. Se eu estivesse na Inglaterra, Austrália ou Nova Zelândia a cena seria a mesma. Pela herança inglesa, a África do Sul se parece muito até com a Oceania!

Pois suas terras ficaram dentro do território pra onde o governo expeliria os negros após expulsá-los das cidades.

Por exemplo: nenhum negro poderia residir dentro dos limites do município de Joanesburgo.

Exatamente por isso eles se formaram sua base em Soweto (sigla de ‘Assentamento Sudoeste’ em inglês), que era na região metropolitana.

Quando o ‘apartheid’ acabou os municípios foram unificados dentro da mesma prefeitura metropolitana.

E hoje Soweto faz parte de Joanesburgo com muito orgulho, pelo papel ativo que desempenhou na resistência.

Subúrbios elitizados de Joanesburgo: “Estate” significa ‘bairro’. Daí veio o termo ‘Real Estate’, (‘imobiliária’), usado tanto na Inglaterra quanto EUA. Agora, somente ‘Estate’ como ‘bairro’, na Inglaterra e África do Sul sim mas nos EUA não.

(Nota: a África do Sul, como os EUA, tem ativa uma 4ª esfera administrativa que não existe no Brasil, a da ‘prefeitura metropolitana’, o ‘condado’ nos EUA.

No nosso país, existem as ‘regiões metropolitanas’ mas eles não têm administração própria, são os governos estaduais quem cuidam delas, nem sempre de forma eficaz.

Na África do Sul, ao contrário, existe uma esfera de governo específica.

Pois bem. A prefeitura metropolitana de Joanesburgo incorpora Soweto e diversos outros subúrbios [ricos e pobres, majoritariamente negros, brancos ou mistos] sob o mesmo corpo executivo/legislativo.

Assim, Soweto e Joanesburgo, embora permaneçam municípios separados numa esfera menor, fazem parte da mesma cidade mesmo juridicamente. Volta o texto original.)

Mais herança inglesa. Restaurante no Centro de Pretória serve ‘peixe & batatas-fritas‘. O prato mais popular das Ilhas Britânicas também é o preferido de milhões de sul-africanos.

Logo a seguir foram criados os ‘bantustões’, onde os negros deveriam residir, sendo expulsos da África do Sul.

‘Bantu’ é a raiz etno-linguística a que pertencem os negros sul-africanos.

‘Istão’ significa ‘terra’ em persa e idiomas vizinhos, por isso tantos países na Ásia Central se chamam ‘Paquistão’, ‘Afeganistão’, ‘Tajiquistão’, ‘Casaquistão’, etc.

O ‘bantustão’ portanto é a ‘terra dos bantus’, e ali eles devem viver, deixando a África do Sul pros brancos, era a lógica do regime.

A princípio esse era o nome oficial do programa, depois alterado pra ‘terra-natal’.

A ideia inicial dos cabeças do ‘apartheid’ era relocar, amigavelmente ou a força se preciso, todos os negros pra algum dos bantustões.

Agora a herança ianque, Mc Donald’s também no Centro de Pretória. A África do Sul adora a ‘comida-rápida’ dos EUA, todas as cadeias ianques são oni-presentes lá. Especialmente a KFC, que vende frango frito. Como os negros do Caribe e do Sul dos EUA, os sul-africanos amam essa receita. Mas, bem, aí provavelmente foi na mão contrária, os negros de certo já comiam carne de galinha encharcada em muita gordura de má qualidade (o colesterol foi pra estratosfera!) na África antes de virem pra América.

Aí eles exerceriam seus direitos políticos ali, parando de reivindicar o voto ou qualquer outra coisa na África do Sul.

Porém rapidamente a elite branca viu que esse plano não seria possível.

Posto que os brancos são uma pequena parte da população sul-africana, e ainda por cima concentrados na elite.

Logo, a economia sul-africana entraria em colapso sem a mão-de-obra negra, e não iria demorar.

Assim os brancos desistiram de remover a força todos os negros, mas não desistiram de negar-lhes a cidadania sul-africana.

Cada Homem e Mulher negro foi denominado cidadão de algum dos 10 bantustões, contra sua vontade. E portanto numa canetada deixaram de serem sul-africanos.

A classificação era arbitrária e superficial. Muitos negros foram denominados ‘cidadãos’ de um bantustão que eles não tinham qualquer ligação.

“Velho Oeste Ianque”? Quase! Na verdade Centro de Joanesburgo. Essa também foi uma cidade fundada na ‘Corrida ao Ouro’, que surgiu quando esse metal foi descoberto na região, mais ou menos na mesma época de suas congêneres nos EUA (2ª metade do século 19). O trenzinho da mina está ali pra lembrar essa origem.

Pois eram habitados por tribos diversas da sua. Ao serem removidos pra lá, aí sim eles se tornaram estrangeiros nesse ‘país’. 

País que só existia na cabeça dos que faziam o ‘apartheid’ e de seus colaboradores negros, os caciques da tribos que administravam o bantustão.

Oras, o bem-estar dos negros expulsos da RAS não era o objetivo desse repatriamento, e sim sua desaparição, se não física ao menos política.

Dos milhões de negros que foram relocados a força, centenas de milhares foram pra terras que eles nunca haviam pisado, e onde não tinham nenhum parente.

Dizendo de novo, não por caridade mas por impossibilidade prática o regime cancelou o plano de deportar todos os negros pros bantustões.

Centrão de Durbã (muitos camelôs, falo melhor da região em breve): propaganda muçulmana escrita – também – em árabe. Aqui a África do Sul lembrou muito a Arábia Saudita.

Mas ainda assim retirou a cidadania sul-africana de todos eles.

Os negros poderiam então continuar vivendo e trabalhando na África do Sul, mas como ‘trabalhadores convidados’.

Precisavam de uma autorização especial pra ter sua casa, que obviamente só poderia ser nos bairros exclusivos pra negros, onde os serviços públicos eram praticamente inexistentes.

Ademais, precisavam de um ‘passe’ expedido pela polícia, e ele só valia pra circularem no bairro que trabalhavam. Camburões da polícia circulavam nos elegantes bairros brancos, exigindo o ‘passe’ dos negros.

Centro Novo da Cidade do Cabo, um bairro planejado que está sendo construído agora pra classe alta e média-alta, no coração da cidade. Me senti de volta a Buenos Aires-Argentina (que visitei 1 mês antes), onde ocorreu exatamente o mesmo com a implantação do Porto Madeiro, 2 décadas atrás. Mas peraí: morar em frente a um canal, onde a rua é água e você chega de barco em casa (como esse rapaz poderia estar fazendo)? Por acaso estamos em Veneza/Itália??? Ou (se você substituir o rio por mar) quem sabe em Bombinhas-SC?

Os que não tinham, ou estava vencido ou fora do território, eram presos imediatamente.

Numa canetada, os negros viraram estrangeiros em seu próprio país, na terra que eles residem a dezenas de milênios.

Além disso, as Mulheres negras eram ainda mais perseguidas.

Em muitos casos apenas o marido recebia autorização pra trabalhar, e portanto pra entrar nas cidades.

As esposas e crianças ficavam numa espécie de prisão domiciliar no bantustão.

Mesmo nos poucos bairros urbanos que era autorizada a presença permanente feminina, as Mulheres não podiam por lei serem proprietárias de uma casa.

Ou seja, sua presença nas cidades estava condicionada ao casamento, fosse esse bom ou ruim.

Não é segredo pra ninguém que na época a nefasta prática do marido bater na esposa era ainda mais generalizada que hoje.

Bando de aves que me parecem flamingos e pelicanos curtem o Pôr-do-Sol numa das muitas lagoas da Zona Norte da Cidade do Cabo. Haviam várias outras espécies, entre elas um animal rosa lindíssimo, mas essas fotos não focaram, tirei de dentro de um ônibus em alta velocidade e eles estavam distantes. Em outras mensagens solto mais tomadas das aves africanas, inclusive uma bela revoada. Aqui que nos importa é: você está dentro da cidade, mas vê o tempo todo pássaros exóticos em bandos? A África do Sul também tem um pouco da Amazônia.

O que muitas vezes gerava uma escolha difícil as negras:

Ficarem confinadas em áreas rurais remotas onde as oportunidades de renda e educação eram zero, ou morar numa favela ao lado de um marido que abusa delas.

…….

Obviamente a comunidade negra resistiu. Nelson Mandela era sua figura mais emblemática, e por isso ficou 27 anos preso.

Mandela passou muito tempo na solitária, e ele e todos os outros presos eram obrigados a ficar quebrando pedras durante todo dia. Não é figura de linguagem.

Obviamente o trabalho deles não servia pra nada, mas era um fim em si mesmo, o de tornar a vida dos prisioneiros o mais dura possível, literalmente.

Mandela também é um Avatar, uma das ‘Grandes Almas’ da Humanidade. Homem inteligente e conciliador, se formou na cadeia num curso a distância promovido por uma universidade inglesa.

Também estudou africâner pra se comunicar com os carcereiros, o que ocasionou em certa simpatia por parte deles.

Já que falamos de nossa Pátria Amada: a África do Sul tem uma relação curiosa com o idioma que usamos aqui. Ninguém fala português lá, exceto imigrantes de ex-colônias lusas na África. Ainda assim, diversas coisas na África do Sul são escritas em português, como se estivéssemos no Brasil. Num muro no Centrão de Durbã (perto da Estação de Trem) alguém pichou “Tem Suicida”. Alguns especularam que foi um moçambicano ou angolano . . .

Mandela prioriza a não-violência, e buscava a colaboração dos brancos que se opunham ao ‘apartheid’.

Mas ele entendia também que se o regime repressor fechasse absolutamente todas as portas pra oposição pacífica, um pouco de violência se tornava necessária pra chamar a atenção pras reivindicações e forçar o governo a negociar.

Na prisão Mandela e os membros de seu grupo, o CNA, conviveram com os presos do grupo BPC, a qual Steve Biko pertencia. 

O BPC era mais radical, e rejeitava colaboração com os brancos mesmo que eles se opusessem ao ‘apartheid’, pois segundo Biko isso ‘domesticava a resistência negra’.

Biko negava ser racista anti-branco, teve amigos euro-descendentes incluindo um jornalista que escreveu sua biografia.

. . . mas veja esse prédio. A beira-mar, num dos bairros mais caros da Cidade do Cabo (aqui não é gueto, nem um pouco parecido com a ‘Praia Sul’ de Durbã). Não foi angolano quem nomeou e mora nele, (nada contra os angolanos, você entende o que quero dizer). E mesmo assim o nome está em português. Há muitos outros exemplos, especialmente no ramo da alimentação mas não somente. Em outra postagem mostro mais fotos e falamos melhor da linguística. Aqui o que nos importa é os brasileiros nos sentimos em casa na África do Sul.

Além de ter se relacionado sexualmente com algumas Mulheres caucasianas.

Mas ele alegava, não sem razão, que os brancos propunham estratégias muito suaves pra combater o ‘apartheid’, que não faziam sentido aos negros e não iriam aliviar seu problema. Disse Biko:

O branco controla o ‘apartheid’, e pretende através de outra corrente controlar também a luta anti-‘apartheid’.

Assim o negro se torna cada vez mais marginalizado, mesmo dentro do movimento pra derrubar o regime do qual ele é a maior vítima”.

O mesmo Biko arrematou sua filosofia: “o branco liberal não é inimigo, é um amigo. Mas as estratégias de combate dos negros devem ser formuladas pelos próprios negros”.

Mandela, ao contrário, aceitava qualquer ajuda, viesse ela de quem fosse. Mas ele respeitava a posição de Biko e seus camaradas, vendo neles soldados da mesma causa, e tinha também bom relacionamento com eles atrás das grades.

………

Alias nosso país descobriu alguns nichos em que é o que fazemos considerado ‘estado de arte’, a própria excelência, a referência do setor. Famoso é o caso em que academias ao redor do planeta dizem ensinar ‘Jiu-jitsu Brasileiro’, sendo verdade ou não. Numa vibração mais feminina, esse salão de beleza no Centro de Durbã promete deixar as africanas “com o cabelo das brasileiras“. Outros salões prometiam o mesmo na depilação.

Com a prisão de Mandela e outros nos anos 60 a resistência perdeu força. Assim o começo dos anos 70 foi calmo.

Uma calma injusta, claro, os negros escravos dentro de sua própria terra (“paz sem voz não é paz, é medo“, como alguém definiu).

A situação breve se alteraria. A ‘calma injusta’ logo cederia lugar a justa revolta de quem era oprimido em seu próprio continente pelos que vieram de outro continente.

Os negros não tinham mesmo direito a terem aulas em suas línguas nativas.

Ademais, a educação era precaríssima, nem carteiras muitos deles não tinham.

Assim eles queriam ao menos ter as poucas aulas a que tinham direito em inglês.

O regime racista, entretanto, pretendia obrigar a universalização do idioma africâner.

Mesmo contra a vontade dos negros, que viam no africâner a materialização linguística do ‘apartheid’.

Centrinho da ‘Praia Sul’ de Durbã. Repito os detalhes que já apontei acima: 1) Trata-se de um bairro ainda que na orla mas mesmo assim popular, pro povão e não pra burguesia; 2) Durbã tem mais prédios altos que as outras cidades sul-africanas; 3) O inglês na África é britânico, e por isso grafado ‘Centre‘. Nos EUA se escreve ‘Center‘, como você sabe.

Natural, ao impor sua língua a força em outro povo, os boeres queriam mostrar aos negros mais uma vez que eles, os negros, não eram seres humanos.

E assim cada vez que abrissem a boca se lembrariam que eles não podiam sequer escolher a língua com a qual se comunicavam.

Exatamente porque era cruel é que o ‘apartheid’ não abriu mão.

No meio da década o ministério da educação determinou que metade das disciplinas seriam em africâner, quisessem os negros ou não.

Aí atingiu o limite, Soweto explodiu no ‘Motim Linguístico de 76’.

Os estudantes negros se recusaram a ver essas aulas na língua do opressor, daquele que os tornou estrangeiros dentro de seu próprio país.

Ainda Zona Central de Durbã: posto de gasolina embaixo de um prédio. Lá é comum, vi vários. Só presenciei isso em outras duas cidades, Porto Alegre-RS e Buenos Aires. Definitivamente a África do Sul tem também um pezinho na América Latina . . .

E saíram as ruas, bradando “queremos aulas em inglês”, e cantando as músicas de seus povos.

A revolta foi pacífica. Mas a polícia foi chamada e abriu fogo na multidão, matando oficialmente perto de 170 pessoas, várias delas adolescentes.

Números não-oficiais falam em 700 mortos apenas em Soweto, a seguir a revolta se espalhou pelo país com muito mais de mil vítimas fatais.

A África do Sul entrou num turbilhão que não se acalmou mais.

Ufa! Definitivamente a África do Sul é mesmo ‘O Mundo num só País’. Mas pra gente não esquecer que estamos na África, agora vamos ver algumas coisas típicas de lá, ou que existem também em outras partes do 3º Mundo mas certamente na África igualmente. Pra começar: cabras dentro da cidade, nesse caso numa das periferias de Durbã. É a cabra quem mantém a África viva, pois é uma espécie muito resistente, que precisa de pouca água. E tem mil-&-uma-utilidades. Desse animal se extrai comida, couro, meio de transporte, guarda a casa (se invadir seu território eles são bravos como um ‘pit-bull’), fornece renda, companhia e ocupação as pessoas. Nos demais países as África Negra (Senegal, Gana, Botsuana, Lesoto, Suazilândia por exemplo) os caprinos são oni-presentes nos bairros mais humildes, mesmo no Centro das cidades. Quase todas as casas têm um cercadinho pra criação deles. Como a África do Sul é bem mais rica que todos eles, as cabras não passam nem perto das Zonas Centrais das cidades, mesmo os guetos mais pobres. Mas nas favelas mais afastadas do subúrbios as vemos. Aqui no bairro ‘Klaarwater’, um dos morros pobres que cercam Durbã. Vi esses bichos, vivos,  a venda também na Gde. João Pessoa-PB.

Em 1977, Steve Biko foi preso, severamente torturado (permaneceu 20 dias nu e acorrentado, ao ser transferido foi também nu).

A seguir morreu na cadeia em decorrência das lesões.

Os movimentos negros viram que era hora de intensificar as ações, pra forçar a queda do regime.

Ao mesmo tempo, muitos brancos sul-africanos que eram contra o ‘apartheid’ e pessoas de diversas raças em vários países também aumentaram a pressão sobre o governo com ações de conscientização global sobre a injustiça que era a África do Sul.

O regime sentiu os golpes, e partiu pro contra-ataque. Ainda em 1976 decretou a ‘independência’ de 4 dos 10 bantustões.

A partir de agora eles eram oficialmente ‘países independentes’, e ali é que os negros deveriam viver e procurar votar em quem lhes aprouvesse.

Deixando de uma vez de exigir o mesmo da África do Sul, de onde ‘nem eram cidadãos’ segundo o discurso oficial.

Pra reforçar a farsa os cabeças do ‘apartheid’ tiveram a desfaçatez de abrirem embaixadas sul-africanas nas capitais desses ‘países’. Ninguém engoliu.

Nenhuma nação do mundo reconheceu os bantustões como pátrias a parte, todo mundo vendo a jogada pelo que era:

Uma covarde tentativa de mascarar a realidade e adiar o inevitável, que era conceder plenos direitos a população negra.

Pessoas viajando sem proteção nas caçambas. Muito comum na África do Sul, e também no México, Colômbia e República Dominicana. Embora menos frequente, vi e fotografei também na Argentina (breve sobe pro ar). No Brasil e Chile, ao menos nas grandes cidades, foi comum no passado, hoje quase não maisainda ocorre mas é raro.

Outra farsa foi, numa tentativa de ‘dividir pra dominar’, no começo dos anos 80 criar um parlamento ‘tricameral’. Até então o parlamento oficial sempre fora exclusivo branco, não-brancos não podiam votar nem se candidatar.

Como os negros eram maioria da população oprimida, e a resistência ao regime buscava unificar os oprimidos, o ‘apartheid’ criou um ‘parlamento’ pros indianos e outro pros mestiços/mulatos.

Oficialmente ‘negros’, ou os que se definem como ‘mulatos’, na prática são todos negros. E boa parte dos indianos também têm a pele marrom.

Vimos casais inter-raciais em Durbã em que você tinha que ver o cabelo e o nariz pra saber qual dos dois tinha ascendência asiática, e qual africana, pois o tom da tez era sempre bem carregado na melanina. Mesmo a maioria dos indianos que não são tão escuros quanto os africanos certamente o são muito, mas muito mais pardos que os alvíssimos brancos normandos sul-africanos.

Bairros caros da orla da Cidade do Cabo. ‘Esplanade’ e ‘Promenade’ são palavras do inglês britânico pra designar o que nós chamamos de ‘Beira-Mar’. Por curiosidade, os equivalentes no idioma espanhol: no Paraguai e Argentina o termo é ‘Costanera’, no México ‘Costera’, e no Caribe o ‘Malecón’.

E até o fim dos anos 70, na época já há quase um século portanto, os brancos tratavam todos os não-brancos como um mesmo ‘pacote’, e assim teriam continuado a fazê-lo se dependesse de sua escolha, pois desprezavam todos igualmente.

Agora, com o ‘apartheid’ na defensiva a criação do um ‘parlamento’ de fachada sem qualquer poder real (pros indianos e mulatos sim mas não pros negros) não visava demonstrar qualquer apreço ou mudança de opinião dos brancos sobre aqueles que eles concederam essa ‘bênção’.

Sua jogada intentava apenas dividir a resistência, rachando-a no meio ao isolar os dois grupos ‘agraciados’ dos oficialmente negros.

Na teoria cada parlamento cuidaria dos assuntos relativos a suas respectivas raças – a África do Sul era então parlamentarista, o cargo de presidente era apenas formal. E os assuntos que dissessem respeito ao país como um todo teriam que ser decididos “em conjunto”.

Duas fotos da virada do século 19 pro 20: o escritório de direito do jovem advogado Mahatma Gandhi em Joanesburgo, 1905 (originada da Wikipédia, créditos mantidos).

No entanto, através de diversas artimanhas o parlamento dos brancos continuava a ser o único que tinha poder de fato.

Se houvesse consenso se louvava a ‘participação democrática’ de indianos e mestiços.

Mas em caso de divergências a casa dos caucasianos dava sempre a palavra final no que era importante.

Era outra jogada de cartas marcadas, uma tentativa de se criar um ‘bantustão’ legislativo pros mulatos e indianos, e assim, digo de novo pois é o óbvio, afastá-los da resistência.

Além disso queriam acalmar também os brancos sul-africanos anti-apartheid e a comunidade internacional, dizendo que as ‘reformas’ (que não reformavam nada na prática) haviam ‘se iniciado’. 

Pouco antes, na 2ª Guerra Anglo-Boer, tropas inglesas se dirigem pra ocupar Joanesburgo. Num acordo a cidade se entregou sem resistir, evitando o banho de sangue.

Mais uma vez, não colou. Numa eleição, apenas 6% dos indianos foram votar.

E a nos outros países a pressão pra boicotar a África do Sul só aumentava.

Os grupos negros também partiam pra ações cada vez mais ousadas, incluso com táticas de guerrilha, pra tornar os bairros negros ingovernáveis e forçar mudanças:

Em 1984 explode nova revolta em Soweto.

Cidade do Cabo, oficialmente tri-língue: inglês, xhosa e africâner. Essa é a porta de um ônibus. Inverti a imagem no computador, como nota pela data, senão o resto da foto é quem sairia da direita pra esquerda.

Em desespero, nesse mesmo ano o regime aboliu o parlamentarismo e adotou o presidencialismo.

Onde um Homem implanta as ações que achar necessárias sem longas discussões legislativas.

A África do Sul, como dito, era parlamentarista desde a independência da Inglaterra, em 1960. Não mais.

O primeiro-ministro Pieter Williem Botha (conhecido como P.W. Botha) extingue seu próprio cargo e assume a presidência.

Em 1986 decreta estado de emergência. Logo a seguir a força aérea sul-africana bombardeia as capitais dos países vizinhos Zâmbia, Botsuana e Zimbábue, por eles abrigarem exilados sul-africanos que lutavam contra o ‘apartheid’.

Terreno do ‘Forte Velho’ de Durbã, construído pelos ingleses em 1812. Hoje um parque/museu.

Nenhuma dessas ações adianta nada, o momento chegara. As ações do ‘apartheid’ apenas apressam seu fim.

Acuado, Botha desmantela algumas das piores leis racistas, como as que proibiam casamentos e bairros inter-raciais.

Mas lança uma cruzada contra todos os ativistas negros. Milhares de pessoas são presas sem mandato e severamente torturadas.

Mais um casal inter-racial. Os pombinhos vinham de mãos dadas, curtindo o belo entardecer a Beira-Mar perto do centro da Cidade do Cabo. Aí ela largou da mão dele pra mexer no celular, daí imagens em duas escalas.

Rotineiramente a polícia abre fogo em manifestantes desarmados, centenas morrem. Ao mesmo tempo, a África do Sul está isolada econômica e culturalmente na comunidade internacional.

O banimento dos times e seleções sul-africanas “exclusivas pra brancos” de qualquer participação internacional esportiva, em todas as modalidades, era uma realidade.

Isso doía na Alma dos atletas. Os brancos provavam de seu próprio remédio, e isso abriu os olhos de muitos deles.

Botha se declara sempre favorável ao ‘apartheid’, que segundo ele faz parte das leis naturais e portanto é permanente, a resistência ao regime é fútil. Mas as coisas saem do controle, inclusive em sua própria saúde.

Praça no Centro de Joanesburgo decorada com estátuas de uma família de veados, me refiro ao bicho claro. Nos detalhes em outra escala: na quadra não há trave, só cestas. Então a galera bate um basquete. E ao fundo enorme bandeira sul-africana que há num prédio, observe no canto de cima direito da imagem maior o azul que compõe a parte interior do pavilhão.

Em 1989, Botha sofre um derrame e é obrigado a sair da presidência. Assume o reformista Frederik de Klerk.

No ano seguinte ele legaliza os grupos de oposição e liberta Mandela, entre outros.

Saturada de um século de opressão sendo meio século de forma aberta, a África do Sul entra em caos.

Grupos de extrema-direita partem pra campanhas terroristas, assassinando ativistas que lutavam pelo fim do regime racista.

As favelas negras entram em um turbilhão de violência que durou uma década, em sua fase mais intensa – porque embora amenizado o problema permanece grave até hoje.

Muita gente não sabe disso, mas os negros sul-africanos adoram futebol. Veja, ainda na mesma praça (note a bandeira ao fundo). Se a quadra não tem trave, eles improvisam um campinho em qualquer espaço vago. O que vale é a bola rolar de pé-em-pé. Muitos, repito, pensam que na África do Sul “o esporte nacional é o ‘rugby’ “. É um clichê, e não poderia ser mais falso. De fato, os brancos gostam, e se dividem entre futebol e ‘rugby’. Porém os negros, que são a imensa maioria do país,  não dão qualquer bola pro ‘rugby’, é só no futeba mesmo.

E como vemos pelas fotos de um livro (que serão levantadas pra página em breve), muitas vezes os negros se matavam entre si de forma feroz, com pedras e pauladas, ou queimando vivos seus adversários.

Eu disse que o ‘micro-ondas’ foi inventado na África do Sul. Ou pelo menos popularizado pro mundo todo lá, trazido de alguma guerra civil da África.

Diante de tantos problemas, de Klerk organiza em 1992 plebiscito pra que a população decida por ela mesma se as reformas devem prosseguir.

Só os brancos podem votar, ainda estamos no ‘apartheid’, mesmo que em seus últimos dias. Botha, seu antecessor na presidência, faz vigorosa campanha pelo ‘não’.

Novamente sai derrotado. Com vitória esmadora do ‘sim’, a abertura prossegue – até porque não há mais como voltar atrás.

O muito ricos (quase todos brancos) jogam também polo. Funcionário apara a grama. Só nesse clube na ‘Riviera do Cabosão 3 campos seguidos, ou seja, tem bastante gente que curte esse esporte elitizado lá. Mas também fala sério: tem coisa melhor que jogar vendo essa água cristalina do Atlântico ao fundo??

Portanto em 27 de abril de 1994 ocorrem as primeiras eleições democráticas. Mandela é eleito o primeiro presidente democrático da África do Sul, cargo que ocupa até 1999.

………

O ‘apartheid’ político acabou, partido Congresso Nacional Africano de Mandela está no poder desde 94. O ‘apartheid’ econômico e cultural se amenizou, parte dos negros ascenderam a alta-burguesia.

Tem mais: hoje há bairros com mansões onde eles predominam. E as 9 línguas bantus mais populares são idiomas oficiais da África do Sul.

Mas diversos problemas permanecem, não os menores deles índices astronômicos de violência urbana e desigualdade social.

Além disso, em várias cidades os brancos agora se impuseram um ‘auto-apartheid’ e não andam nas ruas do Centro de Durbã e Joanesburgo, ali só vemos pessoas ‘de cor’.

Nota de 100 rands com a inscrição ‘Banco Central da África do Sul’ em 2 idiomas bantus (negros). Acabaram os tempos em que apenas inglês e africâner eram as línguas oficiais, e pior, o governo queria empurras o africâner goela abaixo nos negros, sem que fosse do interesse deles se comunicar nesse idioma.

Se tudo fosse pouco, há um novo turbilhão varrendo a nação, alguns querem derrubar o presidente Jacob Zuma, outros querem que ele permaneça até o fim do mandato, gerando grande instabilidade política.

São os desafios do novo milênio, agora sob democracia. A queda do ‘apartheid’ não foi o fim da luta por uma África do Sul mais justa, mas o começo. Muito resta por fazer. É isso que veremos no próximo texto.

Continua…

……

Outras matérias da série:

Na ‘época do apartheid’ o dinheiro sul-africano vinha somente em inglês e africâner. Essa é de 94, justo o ano de transição pra democracia. No apê que fiquei em Joanesburgo, havia um pote com centenas de moedas e notas, algumas raríssimas, de vários países da África e Ásia. Fotografei e atualizei a matéria sobre a grana.

“Mama-África”, um desenho: Marília e Maurílio africanos, em Soweto.

Produzido e levantado pro ar em Joanesburgo, 20/04/2017. Abrimos a Série da África lá da África.

A Riviera do Cabo (maio.17): Ensaio fotográfico mostrando a orla da Zona Sul da Cidade do Cabo.

Que é uma das cidades mais lindas do mundo e esse é seu pedaço mais encantador. Definitivamente “palavras não são necessárias“.

Solo Sagrado (também maio.17): Mais desenhos, Maurílio beijando o chão dessa mesma Beira-Mar da Cidade do Cabo, mas já na Zona Central; Uma Marília indiana no mar em Durbã – de roupa e tudo!, como é tradição na cidade. Ela está de vestido verde floral, o biquíni por baixo; Além de mais um de Marília no Brasil.

“Deus proverá”

Solo Sagrado

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 11 de maio de 2017

Maurílio na Cidade do Cabo, África do Sul. É notório que a Montanha-Mesa ali localizada é um chacra da Mãe-Terra.

Os Estudantes Sabem o que isso significa: um Portal de Energias, um encontro entre dimensões. Bem, é exatamente isso que é essa cidade. No Cabo da Boa Esperança que a nomeia é onde os Oceanos Atlântico e Índico se unem.

Portanto ali é o “Encontro das Águas”, e também o Encontro entre o Leste e o Oeste do Planeta.

Diante dessa Vibração tão Forte, Maurílio se ajoelhou e beijou o Solo Sagrado da Terra-Mãe-África. Mama-África, é claro.

Sim, há na orla da Cidade do Cabo aquele óculos gigante, que vemos a esquerda no desenho e na foto acima.

a flor do amor

Continuamos no ‘Solo Sagrado’, falando do Amor a terra e a Terra.

Marília se casou jovem, ainda adolescente. E então foi morar numa casa simples da periferia.

Ela foi feliz nesse lugar, ao lado do seu marido e dos filhos que nasceram e cresceram ali.

Mas depois eles se mudaram de cidade, e Marília ficou muitos anos sem voltar ao bairro em que residiu. 

Um dia, numa visita a sua cidade-natal, ela já com 40 e poucos anos passou em frente a mesma casa que ela viveu.

E onde passou tão bons momentos do início de sua vida adulta.

Estava vaga, sem ninguém morando. Aí Marília teve uma ideia:

Foi a uma floricultura e comprou um broto de rosas.

A seguir ela plantou as rosas na frente da casa. Pra simbolizar que ali sua Energia Feminina se Abriu.

Consagrando o local onde o Amor entre uma Mulher e um Homem teve sua Florada.

a diva de durbã

De volta a África do Sul. E da Terra pra Água.

Uma Marília Indiana, no Oceano Indiano (ou ‘Índico’). A “Diva de Durbã”.

Durbã é a maior cidade indiana fora da Índia. A colônia é enorme, fotografei até um templo hindu, breve jogo no ar.

E Durbã é no Oceano que nos chamamos de Índico, mas no inglês – que é a língua falada lá – se chama Oceano Indiano.

Tem mais: em Durbã é comum as pessoas entrarem no mar de roupas (situação que já presenciei em Acapulco-México). Por isso Marília de vestido florido, biquíni preto por baixo. De qualquer raça e até embaixo d’água Marília nunca perde o charme:

De roupa no mar. Mas com as unhas e bijuteria impecáveis. Sempre, né?

As unhas são invertidas, uma clara outra escura, e invertendo as mãos também, na direita o dedão é claro, na esquerda escuro.

(Nota: existe na internet uma menina que se denomina ‘a Diva de Durbã’. Meu desenho não se relaciona com o trabalho dela, exceto que eu confesso que me inspirei pelo nome.)

Solo Sagrado, Oceano Sagrado. Muito Respeito e Amor pela Mãe-África, e pela Mãe-Índia.

Nos mares do Cabo e Durbã, definitivamente Tudo se Alinha, Tudo se Encontra.

Hare Rama, Hare Sita = Louvado é Deus Pai e Mãe.

da Lua Crescente a Lua Cheia: Branco, Rosa & Vermelho

fases-da-vida

Essa imagem é baixada da rede. As demais de minha autoria.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 18 de fevereiro de 2017

Esses dias tratamos da simbologia das religiões europeias pré-cristãs. Comparando as fases da Lua com os ciclos da vida da Mulher:

Branco: representa a Lua Crescente, sua infância e juventude (a “Primavera da Vida”, se quiser outra simbologia). Geralmente se conclui com o casamento;

Vermelho: Lua Cheia, o ápice de sua missão encarnacional. Sua  vida adulta (o “Verão”). A carreira profissional e a maternidade, quando os filhos são pequenos;

Negro: Lua Minguante, a velhice (o “Outono“). Quando a Mulher se torna avó, mãe duas vezes. Alias na outra postagem eu mostrei justamente Marília vovó, segurando seu netinho.

estou-de-veu

“Estou de Véu“: Marília de Vestido Branco.

Lembre-se, trata de um modo de ver o mundo totalmente diferente da concepção judaica-cristã. Resultando que a cor negra e a velhice não têm conotação negativa.

Pois os celtas e normandos criam na re-encarnação, ou seja que a vida é Eterna e cíclica, portanto não há um final.

Depois do inverno sempre vem outra primavera. De forma que pode-se viver cada fase com plenitude, extraindo o melhor que ela tem a dar.

Assim, ao contrário, é muito valorizada a Sabedoria que vem com a idade, malgrado a eventual debilidade do corpo físico.

Por essa Simbologia, depois da Lua Minguante vem a Lua Nova (o “Inverno”), que é o desencarne, o período que a Alma passa fora da matéria, esperando pra voltar.

Nota: não estou tentando convencer ninguém de nada. Se você não crê na re-encarnação é seu direito. Estamos apenas Trabalhando com uma Ciência e Filosofia completamente distintas  das que são dominantes atualmente.

voce-fica-uma-graca-nervosinho-ri-ri

Marília de Vestido Rosa.

É aqui que quero chegar. Vamos prosseguir com essa analogia. Como já dito antes, da outra vez foquei na Lua Minguante, a cor negra.

Hoje vamos ver a passagem da Lua Crescente pra Cheia, do branco pro vermelho, com o rosa de transição.

 ……….

Recapitulando, o branco representa a juventude, o amadurecimento. Fase que não obrigatoriamente mas muitas vezes tem seu Zênite no casamento.

Na União com a Alma que lhe reflete estando do lado contrário, Masculino. Daí o retrato de Marília no altar beijando seu Amado – e agora marido – Maurílio. Mulher apaixonada sempre fecha os olhinhos pra beijar.

……….

final-feliz

Marília de Vestido Vermelho. Digo, até agora a pouco ela estava usando ele.

A transição entre o branco e vermelho, a cor rosa que lhes é intermediária. O Rosa é o oposto do Azul que representa o Masculino, portanto representa o Feminino que atrai – consciente ou inconscientemente – os Homens.

O vestido é curto e decotado. Por isso Marília fica recebendo cantadas. Um cara que passou dirigindo deu uma assobiada pra ela.

Maurílio ficou bravo, e tentou chamar a atenção dela, como vemos na gravura abaixo. Marília não está nem aí. Ela gosta da roupa, e vai continuar a usá-la quando tiver vontade.

eu-me-mordo-de-ciumes

Você fica uma graça quando está bravinho, ri-ri”, Marília pensou com ela mesma.

Na verdade ela até se diverte com a cena de ciúmes. Ele está irritado, então ela se calou pra não enfezá-lo mais. Mas sozinha ela pensou:

“Se soubesse que você fica uma gracinha quando está brabinho, ri-ri”. Marília sabe que quando o Homem Amado reclama do tamanho do vestido da Mulher é parte do Amor de um casal, como a música já definiu.

Coloquei abaixo a esquerda mais uma imagem dela pra repararmos no detalhe dos sapatos, que é o mesmo par porém de cores invertidas.

Não é, óbvio, que ela pegou um pé de cada par. O modelo é assim. Coisas de um Espírito Feminino que gosta de ser visto e comentado.

……………..

mulher-apaixonada

Branco: Gênese da ligação Homem/Mulher.

E agora o Vermelho. Eis a cor do fogo, da paixão, dos instintos. Consequentemente também dos instintos sexuais, que unem Homem e Mulher. Marília sabe disso desde a outra encarnação.

Marília saiu com um vestido vermelho. Tão decotado quanto aquele rosa. Maurílio ficou bravo igual. Vejamos o diálogo deles:

Mari, por qual motivo você insiste em usar esse vestido, afinal de contas???

– Porque eu gosto dele, oras bolas. Por que mais seria?

molequinha

Rosa: Amadurecimento da relação Masculino/Feminino.

– Mas eu não gosto.

Ôpa, espera aí. Até aqui Marília estava achando graça dos ciúmes dele. Mas agora Maurílio cruzou uma linha. Então ela respondeu de forma inequivocamente firme:

Alto lá. Por acaso meu maridinho estaria tentando censurar sua querida esposa??? Eu ouço e respeito tua opinião, mas em última análise quem define como eu me visto sou euzinha mesma! Pensei que isso já estivesse claro pra ti. Diante da ênfase dela, Maurílio sentiu que havia extrapolado, e se calou.

Afinal os argumentos que “o marido tem direitos sobre a Mulher” ou que “o Homem tem uma imagem a zelar” já fazem parte do século retrasado, no máximo os primórdios do passado.

Marília venceu a batalha, e o soube. Por isso ela foi uma vencedora magnânima, e já buscou uma reconciliação. Assim ela mostrou um outro lado da questão:

por-causa-do-vestido-vermelho

Vermelho: Zênite na União do casal.

“Querido, você devia se orgulhar de ter uma Mulher desejada. Eu sou louca por ti, sou tua e somente tua, e tu o sabes. Se os outros Homens olham pra mim, e daí? Eles só podem olhar. Você que é meu marido é quem pode aproveitar tudo isso, então que tal a gente fazer isso já?”

Assim aconteceu o que veem na última cena. O vestido ficou pendurado na cama. Tudo acabou como começou, Marília de olhinhos fechados nos braços de seu Amor Maurílio. Final Feliz.

“Deus proverá”

a Mulher do Sul

a-fazendeira

A Fazendeira.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 2 de janeiro de 2017

Vamos Abrir os Trabalhos do ano de 17. Dois desenhos inéditos e uma sequência que seguiu (por emeio) em 2014.

Começo pelos dois desenhos inéditos, produzidos portanto em janeiro de 2017.

Novamente vemos uma encarnação anterior de Marília: ela era fazendeira – falando mais apropriadamente, era esposa de um grande fazendeiro. Além da propriedade rural no interior, seu marido era também um ‘barão’.

Ele era um Homem importante igualmente na cidade, ocupando o cargo de  senador ou algo assim, um coronel ou caudilho influente na política regional. E eles viviam, junto com os filhos, numa fazenda cujo casarão principal era um sobrado de madeira, retratado acima.

prontinha-pra-sair

Pronta pra sair, Marília parece uma bonequinha. Com esse vestido cheio de rendas e babados, amarelo e laranja com os laços e fitas em rosa. E mais a sombrinha, pra não ficar ensopada de suor com tantas camadas de roupa. As luvas alvas são um charme a parte.

Obviamente há uma influência alemã na arquitetura, pois eles moravam no Sul do Brasil.

Não veja com as lentes de hoje, em que a madeira só é comum na periferia, e mesmo ali já se extinguiu em boa parte do país.

Mais de um século atrás, uma residência em matéria-prima vegetal podia ser de alto padrão, especialmente se fosse de 2 andares, como é o caso aqui.

A Casa-Grande da fazenda em que viviam Marília e sua família lembra um pouco as que existem até hoje no Leste Europeu.

De volta ao Brasil, eu já desenhei uma Marília camponesa, mas aquela não era rica e de família influente.

Essa daqui, ao contrário, era da elite rural do Brasil do começo do século 20. Ela está preparada pra ir acompanhar seu marido a cidade.

Também já desenhei Marília e suas 2 irmãs adolescentes crescendo numa casa de madeira no interior do Sul do Brasil. Quem sabe as 3 meninas são as netas dessa Marília fazendeira que vemos hoje, né?

no coração do brasil: goiânia, goiás

transurbAinda na ‘Máquina do Tempo‘, mas agora vamos avançar rapidamente pro fim do século 20:

Maurílio em frente um saudoso Monobloco. Da não menos saudosa Transurb. Se tudo fosse pouco, na super-clássica padronização ‘das Flechas’.

É claro que só poderemos estar em Goiânia, do fim dos anos 70 ao começo dos 90. goiania-goias

Maurílio esteve em Brasília-DF, esses dias. Aproveitando que é ali do lado, ele também passou em Goiás.

A linha vai pro Jardim Curitiba. Achei curioso estar do outro lado do Brasil e ver um bairro homenageando a cidade que eu moro.

usando-o-secadorVoltando a Goiânia, o Jd. Curitiba é um bairro de periferia no que lá eles chamam de ‘Zona Noroeste’. Mas eu diria que é Zona Norte.

Como eu expliquei na postagem sobre BH-MG, respeito os costumes nativos mas eu só divido as cidades em Zonas Central, Leste, Sul, Oeste e Norte.

…………..

Vamos agora abrir o baú do arquivo.

Reproduzo uma HQ que foi publicada em emeio em 20 de agosto de 2014.

a “guerra dos sexos”:

os homens não entendem a ‘via sacra feminina’

Maurílio e Marília vão sair juntos. uma-hora-cuidando-de-cabelo-haja-paciencia

Ele tomou banho, fez a barba e pegou a 1ª camiseta que estava mais por cima do armário.

Tempo que Maurílio levou pra se arrumar, tudo somado: aproximadamente 15 minutos.

Marília leva mais tempo pra se arrumar.

oh-duvida-cruelBeeeeeem mais tempo.

É isso que vamos ver agora.

Acima da manchete nós já observamos ela usando o secador.

Pois hoje é ‘dia de lavar o cabelo’.

Pra conversa começar:de-preto-por-baixo-violeta-por-cima

Maurílio nem sequer desconfia que ela, e a maioria das Mulheres, tem uma escala, em que dias lava, em que dias não.

Depois, a direita acima, é hora de pentear o cabelo.

Enquanto faz isso Marília prossegue em sua ‘Filosofia Feminina‘.

Só no banho e cuidar do cabelo já se foi quase uma hora.

raspando-minhas-pernasEnquanto isso, Maurílio ouve música na sala, bem sossegado….

Depois  ela vai escolher o vestido:

“Óh, meu Deus, que dúvida crueeeeeeelllll“.

Mas ao se ver no espelho, ela não teve dúvidas que seria o violeta.

Até porque ela já está de preto por baixo. raspando-os-bracos-e-acalmando-ele

Mas isso ele só vai descobrir na volta!!!

………..

Pronto, pelo menos ela já está vestida.

batom-bem-vermelho-que-hoje-eu-vou-ar-ra-sarMas ainda vem aquela que pra muitas Mulheres é a mais chata das ‘tarefas femininas’:

A depilação.

Com cuidado, Marília raspa as pernas e depois o braço.

E é chata mesmo.

Tanto que no inverno Marília se depila menos, como todas as garotas. abram-alas-la-vou-eu

Mas agora está quente.

Assim ela está ali, resignada, de gilete na mão.

Foi aí que, inadvertidamente, Maurílio cutucou a onça com a vara, curta, apressando-a.

Pra quê? Ela ficou mesmo uma fera.

E deu uns gritos pra ele se acalmar.

me-exibindo-pra-meu-maridinho“Haja Amor!!!”

Foi o que ela pôde pensar, de forma irônica.

A seguir ela passou batom.

E ‘voilá’:

Enfim taí Marília enfim pronta, de vestido tubinho e botas.maos-dadas-final-feliz

…………

Tempo total pra chegar nesse ponto: aproximadamente 2 horas.

Portanto 8 vezes mais que seu marido.

E por falar nele:

Aí Marília desceu as escadas pra encontrá-lo.

E exibiu o resultado de tanto esforço.

vestida-pra-matarOu seja, ela mesma, toda arrumada, pronta pra sair.

Perguntou se valeu a pena esperar.

Ele respondeu.

Lógico que sim, querida.

Valeu cada minuto, você está deslumbrante.”

Ainda fez uma auto-crítica:

“Desculpe ter te apressado.olhares-que-se-cruzam

É fato, os Homens ainda têm que caminhar muito pra Entender o Universo Feminino”.

………

Final Feliz.

Isso que é Amor Maior, não? E dessa vez sem ironias.

“Deus proverá”

“A Estrela Brilha”: bons tempos . . .

vicente carvalho guarujá outra postagem: "estrela Brilha" santos baixada interior litoral paulista sp periferia subúrbio quebrada carreta poça d'água reflexo terra bicudo motor saltado merced azul faixa 11-13 branco

Vic. de Carvalho, Guarujá, Gde. Santos-SP, entorno do Porto, nov.15: carretona Mercedes descansa entre um ‘container’ e outro (*).

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 27 de novembro de 2016.

Imensa maioria das imagens puxadas da internet.

Os créditos foram mantidos sempre que eles estavam impressos nas fotos.

Algumas são de minha autoria. Eu as identifico com um asterisco (*), como visto ao lado.

classico

Clássico dos Clássicos; chapa amarela.

Segue a seção de nostalgia do nosso canal de comunicação.

Já vimos os caminhões (e um pouco dos ônibus) Scania.

Agora vamos nos fixar nos Mercedes-Benz.

Majoritariamente nos caminhões.

Afinal já fizemos 3 matérias homenageando os ônibus Mercedes antigos, o mundialmente famoso ‘Monobloco’

São mateus sul interior paraná pr sms caminhão periferia 11-13 merced azul vende-se bicudo motor saltado frente

São Mateus do Sul-PR, agosto de 16 (*).

Veja aqui, aqui, e aqui.

Então hoje, repetindo, o foco principal serão os caminhões.

Embora sobre também mais uma palhinhas pros busos.

……….

Hoje e já há um bom tempo a liderança no mercado de transporte de cargas no Brasil pertence a Volkswagem.

carreta-branca

Fonte dessa e outras fotos: sítio Caminhão Antigo Brasil, visite.

Mas por décadas a Mercedes-Benz foi líder.

Verdade que nos pesados a Scania era mais forte, realmente.

Entretanto nos pitocos – ou seja, os que não são carretas – por décadas a Mercedes dominava inconteste.

Era um massacre:

amareloDas décadas de 60 a 90, pelo menos 80% dos veículos de carga nas estradas brasileiras eram esses redondos Mercedões.

Tanto que ‘caminhão’ e Mercedes eram quase sinônimos. A Estrela brilhava alto, muito alto.

…………….

ira3

Mercedão no Irã, com letreiro em persa.

E fora do Brasil? Estudando concluí que houveram outras nações em que a Mercedes foi tão forte quanto aqui. 

Por isso quero dizer que foi líder (ou uma das principais líderes) de mercado por décadas.

E assim os caminhões redondos estrelados têm tanta presença quanto no Brasil.

Citemos alguns desses países:

argentina4

Argentina.

– Alemanha, sede da Mercedes;

Holanda;

Equador;

Argentina e (seus vizinhos menores que são muito parecidos com ela) Paraguai e Uruguai;

– África do Sul;

– Os vizinhos Indonésia e Malásia;

– Irã e todos os países árabes do Oriente Médio e Norte da África;

– Honduras.

Uma das principais atrações dessa matéria será que mostraremos Mercedes pelo mundo todo.

Tanto quanto foi possível garimpar pela internet e uns poucos cliquei pessoalmente aqui na América.

miniatura

Esse é uma maquete; muito bem feita, alias.

Então faremos assim. Quando a foto for do estrangeiro, eu informo isso claramente na legenda.

Imagens sem legenda vocês sabem que foram capturadas no Brasil.

………

Acima falamos apenas das nações em que eu já pude comprovar que a Mercedes foi tão forte quanto no Brasil.

alemanha

Na Alemanha, sua terra-natal.

Obviamente a Mercedes teve presença em muito mais países do que os citados nessa lista.

Mas aí ou a participação foi secundária, ou então eu não tenho elementos pra comprovar se foi intensa ou não.

Caso algum leitor possua mais informações sobre o tema escreva nos comentários ou por emeio que eu retifico a matéria.

mercedes caminhão vermelho bicudo chile santiago

Santiago do Chile, março de 2015 (*).

Enfim, vamos a lista de algumas partes do mundo em que a Mercedes também teve boa aceitação, embora não necessariamente entre as mais populares do mercado:

– Espanha;

– Praticamente toda Europa;

– Boa parte da África Negra;

– Tailândia;

feira tráfego livre outra postagem: "Estrela Brilha" trânsito san são lourenço lorenzo z/l assunção paraguai caminhão merced azul 11-13

Assunção, Paraguai, maio de 2013: é dia de feira, como diz o Rappa (*).

Chile;

Colômbia;

República Dominicana;

América Central;

EUA;

– Oceania (Austrália e Nova Zelândia);

Um bom naco do globo, não?

Ainda assim, não pense que a Mercedes é onipresente como a Coca-Cola.

No México, por exemplo, os caminhões Mercedes são praticamente inexistentes, o que comprovei pessoalmente.

No Sul da Ásia (por isso me refiro a Índia) e Leste do mesmo continente (China, Japão e Coreia) ainda não pude ir até lá mas estudando pela internet me parece que a situação se repete.

……………frigorifico

Um fato pouco conhecido fora do meio automobilista/busólogo/estradeiro é que houveram 3 modelos de farol pelo mundo afora.

Me atenho somente somente aos faróis redondos. Obviamente a partir dos anos 80 passaram a ser dois faróis quadradinhos de cada lado emoldurados pela ‘máscara negra’ retangular. Não me refiro a esses.

E sim estou falando dos caminhões fabricados entre as décadas de 60, 70 e comecinho de 80. Os faróis eram redondos. Mas em 3 configurações.

europaExemplificando e visualizando fica mais fácil entender:

No Brasil os faróis ficavam ao lado da estrela, dentro daquele grande oval preto.

Esse desenho foi o predominante em várias outras partes do planeta, igualmente. equador3

Mas haviam outras duas opções:

Em alguns caminhões fabricados na Europa, o farol era no para-choques, como nota a esquerda.

Assim o oval negro ia até a lateral do veículo.

Não tivemos a oportunidade de ver isso em nossa Pátria Amada.

No Equador os Mercedões mais antigos também são assim, comprovado a direita.

espanha1Em verde ao lado um na Espanha, também nessa mesma configuração.

………

Só que não para por aí.

Existiu também uma terceira opção, que também não circulou no Brasil:alemanha4

Como nota a direita: o farol era acima do para-choques.

Mas não há oval a envolvê-lo. O instrumento de iluminação fica meio caído, solto. Claro que está bem fixo na lataria. Mas essa é a impressão que passa.

Esse bichão azul ao lado era igualmente alemão.

espanhaPra nós brasileiros parece improviso, né?

Parece que quebrou e consertaram meio mambebe.

Até porque há precedentes. Nos ônibus o povão não gostou do desenho exatamente do farol da Mercedes e alterou por conta. africa-talvez

Mas nos caminhões não foi esse o caso. Eles saíram de fábrica assim.

Acima um com farol ‘caído’ na Espanha, também na Europa obviamente.

E o amarelinho foi flagrado (provavelmente) na África. Alias aqui o farol direito caiu mesmo, ficou só o buraco (!!!). Idem o para-choques (!!!!!).

mapa

…………..

Analisemos agora uma outra forma de adaptação.

Os faróis são são os mesmos, mas no volante, oh, quanta diferença….

inglaterraVamos ver os Mercedões em países que usam a mão inglesa.

Neles você dirige pela esquerda na rua, logo o volante fica a direita dentro do veículo.

Pra conversa começar, veja o mapa puxado da Wikipédia.

africa-do-sulOs casos mais conhecidos são a Inglaterra e Japão  (que são ilhas).

Assim começamos mostrando essa carreta verde-escura (o detalhe é o para-choque branco) fotografada em Londres, Inglaterra.

Na Europa o mesmo se repete em outras pequenas duas ilhas, Chipre e Malta. Além desses, se dirige pela esquerda em mais 4 blocos ao redor do globo:

malasia-2

Malásia.

– Em 2 das Guianas e várias pequenas ilhas do Caribe;

– No sudoeste da África, encampando da África do Sul até o Quênia (na foto a esquerda uma caçamba azul nas ruas da África do Sul);

– Sul da Ásia, o ‘Sub-Continente Indiano’: a Índia e seus vizinhos como Paquistão, Bangladesh (esses dois foram parte da Índia até 1947), Nepal e Butão;

indonesia1– Região conhecida como ‘Ásia/Pacífico’, do Estreito de Malaca a Oceania (Tailândia, Indonésia, Malásia, Austrália, Nova Zelândia e diversas ilhas menores).

Na Índia e Japão a Mercedes não marcou muita presença, praticamente não existiu nessa época (2ª Metade do século 20).

australia1Vejamos então nas demais nações da ‘Ásia/Pacfico’, sempre com volante na direita:

A carreta-tanque branca é da Malásia, como a legenda já informou.

O bi-trem avermelhado é da vizinha Indonésia.

A Mercedes, digo de novo, foi e é muito forte nesses dois países, seus caminhões lá são tão comuns como no Brasil.nova-zelandia

Agora os dois cavalos, que estão sem carreta:

O verde acima é da Austrália, enquanto que o azul e branco ao lado da Nova Zelândia. Note a diferença:

Primeiro, a Mercedes existiu nessa época nessas duas ilhas que foram colônias britânicas (e que ainda trazem a bandeira do Reino Unido estampada em seus próprios pavilhões nacionais).

indonesia2

Próximas 2: Indonésia – velhos Mercedões (volante a direita) ainda na pista.

Mas sua participação no mercado foi pequena, similar quem sabe a que ela teve nos EUA e na própria Inglaterra.

Segundo, Austrália e Nova Zelândia são países muito ricos, obviamente.

Assim, esses Mercedões antigos, bem redondos, hoje são só objeto de carinho dos colecionadores, eles não rodam mais a décadas, como acontece também na Europa.indonesia4

É o caso aqui. As carretas foram fotografadas ambas em exposições de veículos antigos.

Pode notar que eles estão em gramados, há outras máquinas já aposentadas enfileiradas ao redor.

As pessoas estão sentadas em cadeiras e vemos barracas por perto.

Resumindo a questão: domingo no parque, dia de sol, a galera tomando um sorvete, curtindo o FDS, e vendo os caminhões antigos, pra relembrar sua infância.

australiaQuer programa melhor? Assim, ressaltando, na Austrália e Nova Zelândia os Mercedes não puxam mais carga a muito, muito tempo.

Viraram relíquia, peça de museu, que colecionador guarda e cuida com cuidado.

Tudo isso fica resumido na foto a esquerda:

asia

Tailândia: também direção a direita, e também com a cabine adaptada, como os da vizinha Malásia que veremos abaixo.

Cavalo verde-claro Mercedes em festa automobilística na Austrália.

Emplacado no estado de Vitória.

 A chapa preta indica exatamente isso:

É um veículo especial, de exposição, e não de uso no dia-a-dia.

Já na Indonésia e Malásia é bem diferente.

Os brutos com 30, 40 e mesmo 50 anos continuam na ativa, pois não há quem os substitua-os.

cara-chata-pitoco………

O mundo dá voltas….

Hoje praticamente todos os caminhões novos são cara-chatas, numa mesmice de dar tédio.

Não há mais personalidade, diferenciação entre as marcas. cara-chata-negra

Por isso estamos relembrando o ‘tempo bom’, os caminhões produzidos entre os anos 60 e 90.

Quando exatamente ao inverso os bicudos predominavam amplamente, o ‘cara-chatas’ é que eram minoria.

cara-chataIsso você já sabe. O que quero apontar agora é que (pelo menos no Brasil) os primeiros Mercedes eram cara-chata.

Os que foram produzidos nos anos 50, assim que a linha de produção da Mercedes foi inaugurada. alemanha3

Portanto na décadas de 80 e 90 eles é que eram a exceção, a ‘ovelha negra’.

Por isso vimos nas 3 tomadas acima os Cara-Chatas Pioneiros no Brasil, incluso 2 carretas.

O amarelo acima é o mais antigo de todos, porque o farol ainda era quadrado.

brasília df outra postagem: "Estrela Brilha" lona gama rodov pp teatro tcb nacional obras merced buso transgenia antigo velho papa-fila camelo carreta caminhão p-b anos 60 rodoviáriaE a direita: cara-chata bi-trem na Alemanha.

Notem que que décadas atrás na Europa já se usava pôr mais um eixo sob a cabine, configuração que só aportou no Brasil após a virada do milênio.

…..

Em preto-&-branco ao lado: argentina

Início de Brasília, anos 60. Uma carreta cara-chata ‘Papa-Fila’.

Encostado na Rodoviária P.P. no Centrão da Capital Federal.

Se preparando pra partir pro Gama. Ao fundo o Teatro Nacional ainda em construção.

vermelhoComo notaram, é um ‘Caminhão-Ônibus‘.

Abaixo discorreremos mais da interação entre esses dois modais, dessa vez na América Hispânica. Falando nos ‘hermanos’:

Acima um cara-chata na Argentina. No canto da mesma tomada outro Mercedes ‘bicudo’.chile

Ao lado um do Chile, com a placa no alto (e não no para-choques, no fim da matéria falamos mais disso). De transporte de gado.

………..

Vamos ver agora uma parte triste:

Os EUA promoveram algumas ações ‘desastradas’, pra dizer o mínimo, ao intervir (diretamente ou através do financiamento, treinamento e armamento de ‘rebeldes’) no Oriente Médio.

An Iraqi commercial dump truck moves through a vehicle check point operated by US Marine Corps (USMC) Marines assigned to F/Company, Battalion Landing Team (BLT), 2nd Battalion, 2nd Marines, 24th Marine Expeditionary Unit (MEU), Special Operations Capable (SOC) in Iraq, during Operation IRAQI FREEDOM.E creio que mesmo a maioria dos estadunidenses hoje consegue ver que foi um erro as invasões do Iraque, Líbia e Síria.

Por isso vemos a esquerda um Mercedão no Iraque sendo revistado por um soldado ianque.

FALLUJAH, Iraq – An Iraqi policeman directs heavy truck traffic aboard Fallujah's Entry Control Point-One "Alpha" Aug. 10. Marines with 1st Battalion, 6th Marine Regiment oversee Iraqi policemen with the Public Order Brigade as they search the thousands of automobiles and local citizens entering the city every day for weapons and contraband.A direita uma cena similar:

Faluja, Iraque ocupado. Um soldado guarda o portão ‘Alfa’ de entrada da cidade.

Esse militar é iraquiano, mas na época da foto ele recebia ordens dos estadunidenses.

siriaAlheio a confusão política, o motorista de uma caçamba azul tenta trabalhar.

Aguarda pacientemente (olhe o tamanho da fila atrás) pra adentrar em Faluja, pra carregar ou descarregar onde lhe foi determinado.libia-bengasi

Esquerda: vamos pro país vizinho mas a guerra é a mesma:

Carreta camuflada do Exército Sírio carrega blindado pra frente de combate, onde o semi-tanque é muito necessário.

Direita: fechando a trinca das ‘desastradas’ intervenções ianques, cavalo Mercedes em Bengazi, Líbia.

ira2Agora vamos pro outro lado Iraque, onde há um país que alguns ‘neo-conservadores’ dos EUA quiseram também invadir, mas felizmente não se concretizou: o Irã.

A esquerda mais um Mercedão militar, camuflado. Do Exército Iraniano.

Com direito a retrato do Aiatolá e tudo!!!, amplie pra ver. dinamarca

Graças a Deus, digo de novo, o Irã não foi invadido e ocupado.

Assim seus veículos militares são vistos apenas em desfiles comemorativos.

militarComo é o caso nessa oportunidade em que foi clicado, ao fundo as tribunas com as autoridades e o povão.

Com isso, fazemos de novo a transição pros países que estão em paz.

Mais dois caminhões que estão usando verde-oliva, pertencentes as forças armadas:

ira1Acima a direita (com aquela bolinha amarela frontal e lateral com o n° 10 dentro), do Exército da Dinamarca.

Também com o farol ‘caído’ que já falamos mais pro alto na página.

E a esquerda do Exército Brasileiro.

iraNa mensagem sobre os Scanias eu mostrei um Jacaré carreta carregando um tanque.

………

Vamos ver muitos outros do Oriente Médio região, onde, repito, a Mercedes foi imensamente popular.

Acima e a esquerda, Irã.arabia-saudita

O Irã não é árabe, é persa. E é xiita, enquanto em quase todos os países árabes a elite é sunita, embora por vezes boa parte do povo seja xiita.

Feita essa distinção, os persas são parecidos com os árabes, incluso a língua persa é distinta do árabe mas usa o mesmo alfabeto.

arabia-saudita1Acima e ao lado: Arábia Saudita.

A carreta laranja também sendo inspecionada por um segurança. Felizmente ele está desarmado, pois não há guerra por ali.

Na sequência horizontal abaixo 3 dos pequenos países vizinhos.

O primeiro é dos Emirados Árabes Unidos, os outros dois do Catar.

emirados-arabescatarcatar1

Curiosamente todos os 3 laranjas. Mais uma curiosidade, amplie a foto do meio pra conferir:

chile3

Chile.

Logo acima das duas estrelas, a maior principal e a menor acima dela, foi colado um enfeite.

Trata-se de mais duas estrelas da Mercedes, e no meio um emblema do Islã.

É uma tradição entre os caminhoneiros do Oriente Médio.

Indica que eles já estiveram na Arábia Saudita a trabalho.

miniatura

2 maquetes: com a mesma pintura da carreta chilena, e depois com o logo clássico da Kibon.

Nessa imagem acima do caminhão dos Emirados a definição é baixa, e não vai dar pra ver com nitidez.

Mas suba de novo a página e amplie a tomada do caminhão azul iraquiano entrando em Faluja.

Assim que o soldado liberar, é claro.

Pro que nos importa aqui, ele tem esse mesmo enfeite, e ali a definição é maior, vai dar pra reparar claramente.

miniatura1São curiosas essas tradições, não?

No Norte da Europa, e também no Brasil, os caminhoneiros adornavam a máquina com o bonequinho dos pneus Michelin.

De volta ao Oriente Médio. 3 do Egito:

egito1egitoegito2

Agora Jordânia:

jordaniajordania1jordania-aman

etiopia

Etiópia: nesse país o volante é a esquerda, exatamente como no Brasil.

Vamos pra África Negra. Eu disse, ou melhor é o mapa quem diz, que na África se usa mão inglesa, com o respectivo volante a direita, da África do Sul ao Quênia.

Ilustremos. Começamos com um caminhão da Coca-Cola na África do Sul, logo abaixo.

Ainda não fui a África, então essa eu puxei da internet. Mas eu fotografei a mesma cena em Valparaíso, Chile, em 2015.

Na sequência horizontal, o 1° é também da Áfica do Sul, os outros dois são do Quênia. Detalhes curiosos no caminhão sul-africano:

africa-do-sul1Rodas maiores, de Pé-Grande, propícias pra andar no barro;

Modelo anterior de emplacamento, 2 letras e 5 números, não era colorida;

O mesmo farol ‘caído‘, portanto vimos que na RSA houveram os dois modelos, no lugar ‘correto’ e esse.

africa-provquenia-mombassaquenia

madagascar

Madagascar. Nessa nação insular africana no Oceano Índico o volante também é na mesma configuração que no Brasil, a esquerda.

Ainda comentando do azulão acima: isso que é pegar pescado na fonte, diz aí? Literalmente na areia da praia, direto do produtor.

Se desse mais um pouco de ré o bichão entrava na água e os peixes pulavam direto pro baú refrigerado.

Assim dispensando o trabalho do pescador pegar o barco e puxar a rede….rs.

Quanto aos outros dois do Quênia (ainda me refiro, óbvio, a sequência horizontal acima);africa

O marrom tem o farol na mesma posição dos brasileiros.

E foi clicado em Mombassa, no litoral, maior cidade do país fora a capital Nairóbi, e onde há um importante porto.

Já o que está logo a seguir também tem farol ‘caído’ – assim percebemos que na África as duas configurações foram frequentes.

……..

Agora veja a foto a direita, clicada na África em nação não-identificada.

niger1Além da carga, os caminhões por lá levam também pessoas, que viajam precariamente agarradas sobre o lona, rezando pra não cair.

Digo, não é só na África. Na Colômbia, México e República Dominicana, aqui na América, constatei o mesmo.

Nos dois últimos eu fotografei, clique nas ligações e veja você mesmo. niger

No México não há Mercedes. Abaixo falaremos melhor da Colômbia e RD, quando mostraremos os caminhões de lá.

Por hora de volta a África. Segura essa bomba:

serra-leoaSaca só nas 2 tomadas acima como é o transporte no Níger. Excesso de peso, talvez???

Esse é um dos países menos desenvolvidos do mundo, não tem saída pro mar e seu território fica inteiro no Deserto do Saara. 

tanque-curitiba

Esse é brasileiro, emplacado aqui em Curitiba.

Se serve de consolo, na Índia e seus vizinhos ocorre o mesmo (dezenas de pessoas se espremendo no teto de caminhões, ônibus, trens e barcos), e esses países ficam na Ásia.

Por hora nosso tema é a África, e infelizmente teremos que voltar a falar de conflitos violentos.

Acima vemos um Mercedão branco saindo de um campo de refugiados em Serra Leoa.

Digo, essa imagem  foi tirada de um filme, que fala como o tráfico de diamantes alimenta as milícias das guerras civis africanas.

argentina33

Argentina.

Portanto talvez a cena não tenha ocorrido em Serra Leoa. Talvez tenha sido gravado em outra nação. 

Quem sabe o Quênia. Pois no caminhão branco o volante está a direita, como na Inglaterra.

E em Serra Leoa a direção é a esquerda, como no Brasil e maior parte do planeta.

Ou quem sabe esse caminhão, mesmo tendo o volante invertido em relação a mão de tráfego em Serra Leoa, tenha sido usado lá.

paraguai

Paraguai.

Serra Leoa é paupérrima e está destroçada por guerras. Falta tudo.

Se aparece um caminhão lá, eles não podem recusar por causa de um ‘detalhe’ como esse.

Eles botam pra correr o estradão, e se na hora de ultrapassar a coisa fica perigosa, bem, tudo em Serra Leoa é perigoso, se quiser ver assim. . .

Enfim, é uma película. Mas é possível que esse caminhão tenha sido usado em Serra Leoa, mesmo com o volante ao contrário? Sim, é possível.

equador44

Equador.

Não sendo verídico, é verossímel. Se é realidade exata ou ‘licença poética’ da produção só podemos especular.

Até porque há precedentes. No Caribe, nas Ilhas Virgens (tanto as Britânicas quanto as vizinhas Estadunidenses) a mão é inglesa, se dirige pela esquerda da rua.

Mas a imensa maioria dos veículos (tanto de passeio quanto ônibus e caminhões) são importados dos EUA, portanto com volante também a esquerda.

Totalmente inadequado pras configurações das pistas. Ultrapassagem só rezando muito, porque você não vê o sentido contrário. liberia

Só que eles não estão nem aí e usam assim mesmo. E olhe, esses pequenas colônias anglo-ianques caribenhas não estão em guerra. Serra Leoa está em guerra.

Então se vier usado um caminhão de outro país africano ou mesmo outro continente, eles dizem “manda aí”.

recolhendo-lixo

Caminhão de lixo, foto no Brasil.

Vimos acima do cavalo-mecânico amarelo argentino ao vermelho que está de farol aceso no Equador, 3 Mercedões na América.

Estes são só pra ilustrar, sem relação com o texto logo ao lado, mesmo caso dos 2 do Brasil a esquerda e logo abaixo

Voltemos pra África. Falávamos de Serra Leoa. A direita também amarelo um caminhão na vizinha Libéria. 

Repare que ele está adaptado, da cabine só deixaram o capô e o para-brisas.

Dali pra trás foi cortado fora, puseram no lugar umas portas artesanais de madeira, e uma plataforma sobre o salão de motorista/passageiros.

E esse será o gancho pra rumarmos de novo pra Ásia, então. Na sequência horizontal abaixo 3 da Malásia:

malasiamalasia2malasia36

turquia

Turquia.

Repare que em todos eles foi feita a exata mesma adaptação que na Libéria:

Arrancaram a porta – por vezes sem sequer substituir por outra artesanal – e implantaram aquela plataforma sobre a cabine.

Uma verdadeira tradição Ásio-Africana!!

………..rep-dominicana2

E por falar em África, em caminhões sem porta, e em caminhões de lixo, focamos agora em nossa querida América.

Digo, fisicamente na América, mas de certa forma continuamos na África.

rep-dominicanaA República Dominicana é a “África na América“, eu já disse isso antes.

Fotografei um caminhão de lixo na capital Santo Domingo operando sem portas, mas não era Mercedes.

Hoje vamos nos fixar nos Mercedes dominicanos (imagens baixadas da rede): o amarelo acima, e o branco ao lado.

alemanha-1969

Alemanha, fabricado em 1969.

Na República Dominicana os veículos não têm chapas na frente (como em alguns estados ianques).

Então como geo-referenciar, comprovar que essas tomadas foram feitas lá mesmo?

É simples: amplie as imagens dos caminhões dominicanos.

Aí você verá o emblema da associação dos transportadores ou algo assim, aquele círculo na porta.

holanda

Holanda, farol no para-choques.

E nesse escudo há a bandeira do país estilizada.

……….

Já seguimos com os caminhões. Como anunciado, falemos um pouco dos ônibus.

Vou reproduzir aqui um emeio publicado em 27 de agosto de 2013. sp-1976

Se chamava, como essa mensagem, “A Estrela Brilha; Bons Tempos . . .”

São Paulo, SP, 1976. O metrô acabara de ser implantado, a primeira linha foi a Norte-Sul.

Na tomada a direita vê um terminal de ônibus, anexo a novíssima estação de metrô.

ataque-em-dupla

O texto ao lado refere-se aos ônibus mostrados a direita. Nessa e várias fotos abaixo seguimos vendo caminhões.

Trata-se de um Monobloco 1 da extinta Viação Ipojuca.

Ainda pintura livre, portanto anterior a implantação da padronização ‘Saia-&-Blusa‘.

Natural, o ‘Saia’ é de 1978, e a imagem é de 76. 

Seja como for, até então essas linhas seguiam da periferia até o Centro, mas agora que surgiu o metrô se seccionam ali integrando-se com o novo modal.

argentina-neve1

Próximas 2: a luta do bichão pra vencer a nevasca na Argentina.

Fato amplamente divulgado nas placas que informam o itinerário, abaixo do para-brisas.

Amplie a tomada acima, em que eu colei duas fotos no mesmo arquivo.

Descreverei agora a cena do terminal de ônibus, onde aparecem dois Monoblocos.

Vê no busão a esquerda, o vermelho e amarelo.

argentina-neveNele há uma placa com o desenho de um ônibus cortado por uma faixa azul em dois tons.

É exatamente o indicativo que é uma linha integrada, azul era a cor da linha Norte-Sul do metrô.

Até os anos 80, havia uma passagem integrada em São Paulo, você informava ao cobrador do ônibus que iria pegar o metrô.

chile6

Chile.

E já comprava ali o bilhete desse segundo modal, obtendo um desconto, não pagava duas tarifas cheias, mas sim uma e meia.

Na volta o mesmo. Na bilheteria do metrô, você tinha que informar que pegaria depois uma linha integrada de ônibus.

Então recebia um bilhete diferente, que a catraca do metrô devolvia após deixar você entrar (como nos bilhetes múltiplos de metrô que ainda existem), pra que você apresentasse  ao cobrador do busão.

bauHoje, tudo isso é feito eletronicamente no cartão e vale pra todas as linhas.

Mas na época era manual, precisava informar ao cobrador, nos dois sentidos e só valia pra algumas linhas:

peru-1972-arequipa

Peru: Mercedes fabricado em 1972. Foi do Exército e está a venda. Farol ‘caído’.

Exatamente as que tinham essa indicação na frente, que faziam ponto final em alguma estão de metrô.

No busão da CMTC ao fundo, não dá pra ver com clareza, mas a placa sob o vidro também informa o valor da tarifa sem integração (só ônibus) ou com (ônibus + metrô na mesma passagem).

Agora que está claro como era a integração, vamos aos ônibus em si.

Em segundo plano como já dito um CMTC, estatal, na pintura da época, que durou até os anos 80, cheguei a presenciar.

A frente, um de viação particular (Ipojuca, como apontado acima), ainda em pintura livre, portanto sem qualquer padronização. Não cheguei a ver pintura livre em SP em qualquer viação particular, e não cheguei a ver a Ipojuca em qualquer pintura.

sb9 blusa outra postagem "Estrela Brilha" lona buso sp saia verde clara z/n monob 2 laranja tusa morro pico jaraguá anos década 80São dois Monoblocos Mercedes, o “Super-Clássico”.

………..

Nas duas tomadas a seguir mais dois Monoblocos, de empresas particulares em São Paulo.sao-paulo-anos-80

Esse sim é o padrão que vi na minha infância, também Super-Clássico ‘Saia-e-Blusa’.

A cor de baixo (‘saia’) era compulsória, determinada pela prefeitura, e indicava a região.

guindasteA esquerda um da TUSA Transportes Urbanos.

Verde-claro é Zona Norte, e, bem, vê o Pico do Jaraguá ao fundo.

Já a direita  um da Viação Bristol.

Azul-escuro é Zona Sul, e nota que o bichão se dirige ao bairro do Ipiranga.goiania-1977

“Ouviram do Ipiranga…”. Pois é.  A cor de cima (‘blusa’) era a empresa que escolhia.

No mesmo emeio seguiu essa imagem ao lado:

Goiânia, 1977. Monobloco da Viação Araguarina, no canto da imagem uma ‘jardineira’ da Transurb.

Primeira padronização da capital de Goiás, a “da Flecha”, que incluiu também Região Metropolitana.

uruguai

Uruguai.

As fotos de Goiânia e do metrô de SP foram extraídas de reportagens da revista ‘Transporte Moderno’ e da publicação da própria Mercedes, ‘Sua Boa Estrela’.

Levantadas pra internet pelo sítio “Ônibus Antigos Brasileiros”, que infelizmente saiu do ar. 

Mas você pode ler as matérias completas (que incluem outras fotos) nas ligações que fornecerei abaixo. Primeiro de São Paulo: 

http://memoria738.blogspot.com.br/2013/03/integracao-metro-onibus-em-1976.html

mercedes-irlandes

Irlanda. A direção também é na direita.

Agora de Goiás:

http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1258813&page=57

http://memoria751.blogspot.com.br/2013/03/goiania-1977.html

………..

americano linha pintada numérica bicudo chassi caminhão jardineira municipal assunção paraguai buso ônibus velho azul verde branco vermelho mercedes roda pintada vidro preto janela embaixo metropolitano internoJá que falamos do transporte de pessoas, vamos mostrar o ‘mais Americano dos ônibus’:

A Jardineira, e o que mais seria??

Primeiro correndo o risco do pleonasmo alerto que América é um continente, não um país.

O que vem dos EUA é ‘estadunidense’ ou ‘ianque’.

Porto Iguaçu missões Argentina amarelo amarelinho jardineira bicudo motor saltado buso placa alto merced anos 2000 década 2009 roda pintada caminhão fronteira foz‘Americano’ refere-se ao continente América, sempre.

E nada pode ser mais Americano que a Jardineira. Sim, é um ônibus. 

Mas não deixa de ser um caminhão, e nos países do Cone Sul um caminhão Mercedes.

O que está acima a esquerda com faixas azul, verde, branca e vermelha eu mesmo fotografei na Grande Assunção, Paraguai, em 2013.

uruguai livre roda pintada branco faixa vermelha azul jardineira bicudo motor saltado buso montevidéu merced anos 80 90 caminhão propag anúncio porta 4 folhas cutcsa

Jardineira da CUTCSA, Montevidéu, Uruguai.

O amarelinho a direita rodava em Porto Iguaçu, Missões, Argentina, 2009.

Notam que a imagem é baixada do sítio DBPBuss

Mas eu presenciei ao vivo essas jardineiras em ação no ano de 2006.

Na época já eram algumas das últimas jardineiras de toda Argentina.

livre placa chapa alto roda pintada branco faixa verde caio gabriela andino jardineira bicudo motor saltado buso stgo santiago chile linha pintada placa itinerário merced anos 80 90 caminhãoNa verdade não é difícil ver que a jardineira é um chassi de caminhão com carroceria de ônibus.

Como eu já expliquei com detalhes antes:

A jardineira dominou por décadas (de depois da segunda guerra até o começo dos anos 90) o transporte coletivo de toda América Hispânica;

Da Argentina e Chile até o México, incluindo todas as Américas do Sul e Central.

amarelinho jardineira amarelo bicudo motor saltado buso stgo santiago chile branco linha pintada placa itinerário merced anos 90-00 cortina vários caminhãoEram tempos que não havia muito planejamento nesse quesito.

Acima jardineira em Santiago, ainda na pintura livre.

Em 1992, a capital do Chile lança o primeiro plano de modernização do transporte da América Hispânica.

argentina2

Bi-trem argentino.

Foi a aí que foi instituída a padronização ‘Amarelinha’ ou ‘Febre Amarela’.

Todos os veículos, da cidade inteira, foram pintados totalmente nessa cor dos vidros pra baixo.

A princípio as velhas jardineiras puderam ser repintadas e continuar operando.

Por isso vê acima uma raríssima tomada de uma jardineira ‘Amarelinha’.

Só que logo as jardineiras deixaram de existir nas capitais do Chile, Argentina e Uruguai.

eslovenia

A venda na Eslovênia (fabricado em 1975). Também com farol ‘caído’.

Depois da virada do milênio pra você ver jardineira no transporte urbano regular nessas 3 nações, só nos fundões do interior, como foi o caso de minha visita a Porto Iguaçu.

No entanto, no Paraguai, Colômbia e México elas continuam infinitamente comuns.

Como retratei com muitas fotos, clique nas ligações em vermelho e confira.

holanda-prov

Caminhão-hospital (provavelmente) holandês.

Só que da Bolívia pra cima (portanto incluindo Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, México e América Central) as jardineiras não são da Mercedes, em sua infinita maioria.

Na Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai é o exato oposto. Só deu Mercedes enquanto esses países tiveram esse tipo de ônibus.

No Paraguai essa realidade ainda está ativa, ressalto novamente.

………………….

honduras56Já que voltamos a ver caminhões, alguns Mercedes na América Central.

Começamos por Honduras, onde eles foram imensamente populares.

Ao lado e na sequência abaixo, as Estrelas que iluminaram as ruas hondurenhas.

honduras3honduras5honduras

vicente carvalho guarujá santos interior litoral paulista baixada caminhão 11-13 merced verde carreta cavalo estrela placa chpa alto grade

Vic. de Carvalho, Guarujá, Grande Santos (*).

Viram que o último está a venda, se você estiver interessado.

Na próxima sequência vamos ver mais 3 da América Central:

1) El Salvador. Ano de fabricação: 1979;

2) Nicarágua;

3) Guatemala.

el-salvador-1979nicaraguaguatemala

Cambiamos pra América do Sul. 3 do Paraguai sendo o 1° micro, o ‘Mercedinho’.

paraguai4paraguai1paraguai5

Argentina:

argentina333argentina3argentina45

alemanha-1975Mais uma vez rumo a Europa.

Na Alemanha o caminhão Mercedes foi muito comum como viatura de bombeiro.

Esse visto ao lado foi fabricado em 1975. 

A direita um ex-bombeiro:romenia-ex-bombeiro

Foi convetido pra uso civil. E exportado pra Romênia, onde foi fotografado.

Abaixo a esquerda, também vermelho: mais um da Holanda, Com farol no para-choque.

holanda1Na sequência abaixo: 1 )Finlândia, um Mercedes em plena Escandinávia, numa ‘afronta’ a Scania e Volvo.

2 e 3) Grécia (o sítio não abriu, então copiei a capa do ‘Google’. A definição fica ruim mas só pra comprovar que eles também estiveram nas terras helênicas)

O último também de farol ‘caído’.

finlandiagreciagrecia1

cmtcNovamente misturando caminhões e ônibus.

Ao lado, também em verde, a frota de caminhões da CMTC que davam sustentação ao sistema de tróleibus.

Existe outra postagem em que eu falo especificamente dos tróleibus no Brasil (com dezenas de fotos).

placa-antigaNela há a imagem de um caminhão mais antigo na mesma função, também é Mercedes, apenas 1 farol redondo de cada lado, e pintado de azul.

…………

Por falar em azul, veja a caçamba recebendo terra do trator ao lado.placa-antiga-p-b

Amplie pra ver a placa: só tinha números, sem letras. Portanto do modelo que vigorou até o comecinho dos anos 70.

Dali até os anos 90 eram duas letras e 4 números, e agora 3 letras e 4 números.

uruguai2Na tomada em p-&-b a direita dá pra reparar com mais clareza nesse detalhe, é o mesmo caso.

Eis a chapa: “São Paulo-SP 42-02-34”. ‘São Paulo-SP’, e não ‘SP-São Paulo’ como foi a a partir dos anos 70 e se mantém no sistema atual.

Que achado, hein? Dois caminhões Mercedes não com o modelo de emplacamento anterior, mas com o que veio ainda antes dele.

……….

A esquerda Mercedinho do Uruguai.colombia2

Por falar em emplacamento:

Na Colômbia todos os veículos comerciais (ônibus, caminhões e táxis) têm que repetir a placa na lateral.

Essa tradição que se repete no Peru e no Chile, nesse último caso parcialmente.

Assim a direita uma caçamba colombiana, a placa em letras garrafais na porta.

colombia3A esquerda um caminhão pitoco branco, licenciado em Bogotá, capital do país.

Ele não tem a chapa adesivada na lataria.

Creio que a foto seja mais antiga, antes da legislação exigir, e daí a chapa amarela.

Hoje, todos os caminhões colombianos têm que repetir a placa, fato que comprovei pessoalmente.pe-grande

………..

Ao lado: Uni-Mog, o Jipe-Caminhão.

Uma forma interessante de transgenia, não.

inglaterra-provO verdadeiro ‘Pé-Grande’.

Apesar que esse ao lado não fica tanto atrás assim.

Ainda é um caminhão normal, mas os pneus são gigantes, igualando aquele sul-africano que vimos acima.

O Mercedão a esquerda foi clicado (provavelmente)_na Europa. rj merced caminhão azul 11-13 1113 super-clássico basculante tombeira azul placa chapa alto grade lado estrela sudeste roda pintada preta

Mas não sei em qual país. A princípio pensei que fosse Inglaterra, e nomeei o arquivo dessa maneira.

Porém depois analisando que o volante é a esquerda não pode ser.

sp merced cinza caminhão azul 11-13 1113 super-clássico baú azul placa chapa alto grade lado estrela sudesteEntão sinceramente não sei.

Se alguém me passar essa informação eu atualizo a postagem.

……….

É uma tradição do Sudeste Brasileiro pôr a placa bem no alto na grade.

E tanto em ônibus quanto caminhões. Edomex outra postagem: "Estrela Brilha" estado méxico metrop df branca faixa vidro preto vermelha amarelo buso bicudo motor saltado jardineira placa itinerário vidro metrô chapa teto alto roda pintada sujo imundo caindo pedaços mal-conservado caindo pedaços merced

Como vimos no decorrer da postagem, outros países de diversos continentes compartilham do mesmo folclore.

Bom, no México eles emplacam o veículo no teto.

Literalmente, não é modo de falar. Você mal consegue ler.

equador-1982Veja a direita, uma rara jardineira Mercedes no México.

Procure a placa onde você está acostumado, primeiro no para-choques depois em qualquer lugar abaixo do vidro.

Você vai achar nada ali. Dica: coloquei uma flechinha laranja pra ajudar. equador1

Recomece a busca de cima pra baixo agora. Está quente… Isso. A placa está no teto. Eu disse que era assim.

Vamos ver mais do Equador, o laranja acima (ano de fabricação: 1982); e ao lado o amarelo.

Os dois com a chapa bastante elevada. Não tanto quanto no México, claro.

chile44Ambos os equatorianos têm também o farol no para-choques, como foi comum também na Holanda.

……….

Esquerda: Chile.

E pra fechar duas cegonhas brasileiras: cegonha

A carreta Volkswagem leva carros, bom, da própria Volks. 

Já a carreta Mercedes carrega Ford. 

Na época (anos 80) a Mercedes não vendia carros em tão larga escala assim no Brasil pra levar no atacado de cegonha. Se fosse no Paraguai ou nos países árabes até dava pra considerar….

viagem-no-tempo………..

Em tempo:

Fechamos com um telefone de disco.

Se é pra abrir o baú, abrimos de uma vez….

Que Deus Ilumine a todos.

“Deus Pai e Mãe proverá”

Histórico: eis a 1ª Marília

se-maquiando

Novembro de 2011: houveram outros antes, mas esse é o desenho que marca oficialmente o nascimento de Marília. Se maquiando, é claro, pois ela é uma garota muito vaidosa.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Levantado pra página em 19 de novembro de 2016

Publicado (em emeio) em 5 de janeiro de 2012

Desenhado em 2010 e 2011

Esse Trabalho de desenhar Marília acaba de completar 5 Anos de Sucesso.

Na verdade, como eu já expliquei antes, são 6 anos e pouco:

Eu comecei a retratar as Mulheres um pouco antes, no segundo semestre de 2010.ajeitando-o-cabelo

Mas a data em que o Trabalho ganhou escopo, método, nome e histamina foi em novembro de 2011.

De forma que essa ficou como data oficial da ‘fundação’.

…………

A gravura acima, de Marília passando batom, é exatamente a Gênese Oficial dela.

E por isso eu fiz questão de datar com o calendário.

Foi feito em novembro de 2011, como dito e está na folhinha. Mas o ‘1’ não se refere ao dia 1º de novembro.

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Marília ruiva grávida se arrumando.

E sim exatamente que esse o é primeiro desenho dessa nova fase:

O que foi escolhido pra anunciar de forma definitiva e oficial que esse ciclo havia alvorecido.

É o que ficou marcado como batismo, mas não é exatamente o primeiro desenho de Marília.

Há alguns outros do fim de 2010 e do ano de 2011 antes de novembro.

Aqui então nós vamos ver os desenhos do período pioneiro.

marília amiga mulheres estádio arquibancada camisa 12 internacional faixa bandeira pátria amada brasileira futebol torcida organizada ruiva morena mestiça vestido rosa bota jeans regata alcinha vermelha

A seguir ela com uma amiga no Beira-Rio. Nota: eu não torço pelo S. C. Internacional nem qualquer outro clube, e por isso me é indiferente retratar Marília torcedora de qualquer time. Já fiz Marília também apoiando o Flamengo, Fluminense e Criciúma, e mais o Independente Medelím da Colômbia.

……….

No começo eu ainda pegava o jeito, de forma que muitos traços saíam tortos.

Notam nas 3 gravuras acima por exemplo que eu não risquei o contorno do queixo.

Então parece que o pescoço está grudado a cabeça, sem uma divisão.

Rs…acontece, né? Tudo tem que começar um dia, e Marília começou assim.

Como existir é mais importante que ser perfeito, eu publico assim mesmo.

dancandoPor acreditar que esse resgate histórico da Trajetória de Marília tem maior relevância que a estética em si, concordam?

Sendo assim, vamos pôr no contexto, e narrar as historinhas que essas imagens se referem.

Apenas 3 desenhos aqui estão isolados, ou seja sozinhos, sem complemento:

O da Marília loira de blusinha amarela acima, o dela igualmente loira jogadora de futebol, e o da ruiva de vestido preto no ponto de ônibus, esses dois mais pra baixo na página.

Em todos os demais são dois desenhos da ‘mesma’ Marília, ela se arrumando pra sair (ou no caso acima dançando) e depois em companhia de alguém.namorando

Por exemplo: acima, Marília loira de vestido branco floral curtindo a noite na discoteca.  E ao lado a mesma Marília aos beijos e abraços com seu Amado Maurílio.

E que ‘abraço’, hein? O braço dele está desproporcionalmente comprido. Assim como o de Marília ruiva no vestido rosa está curtinho…Fazer o quê?

Voltando a figura deles se beijando, depois, em 2015, eu fiz mais uma historinha mostrando ela dançando e agarrada a Maurílio.

na-ruaPorém é mais completa, é a postagem que se chama “A Dama da Noite”: retrata desde eles combinando o encontro, ela se preparando, arrasando na pista, e o final feliz a dois.

…….

Similarmente, volte agora a primeira imagem no topo da página, a do ‘batismo’ oficial de Marília, em que ela passa batom.

O desenho a esquerda é a continuação dele, Marília  com uma amiga. Como notam elas estão em frente ao Metrô Capão Redondo, na Zona Sul de São Pauloprendendo-cabelo

Por isso ela está com o mesmo cabelo e blusa pretos, e o pingente com a sua inicial no pescoço.

Já desenhei outra Marília na Z/S de Sampa, mas num bairro bem diferente, o Brooklin.

De volta a gravura acima, outras ‘falhas nossas’: além de eu não ter desenhado o pescoço, Marília é muito mais alta que a porta da banca de revistas.

Que portanto ficou parecendo uma casinha de cachorro….rs. Assim ela teria que se abaixar muito pra entrar.

de-maos-dadasNuma cena que poderia fazer parte do filme “Quero Ser John Malkovich”….rs, tem que rir.

Além disso a amiga dela – vamos chamá-la de ‘Flávia’ – está com a saia por demais transparente.

Creio que nenhuma garota sairia tão vulnerável assim aos olhares alheios.

Peço desculpas as Mulheres por esse exagero, minha intenção foi homenageá-las, e jamais achincalhar.

…………com-o-namorado

Falemos agora das 2 figuras acima, de Marília morena de olhes azuis e vestidinho verde.

Primeiro prendendo os cabelos em maria-chiquinha, e assim, parecendo uma menininha, de mãos dadas a Maurílio.

‘Subindo’ um pouco a câmera (dir.): notamos que o casal está dessa vez em Curitiba.

jogando bola marília loira morena atleta futebol dividida uniforme amarelo vermelho branca verde camisa calção chuteira cabelo preso rabo cavalo lenço cabeçaPois a placa ao fundo aponta pra 3 bairros da capital do Paraná: Sítio Cercado (Zona Sul), Batel (Zona Central) e Cabral (Zona Norte).

Também na fase pioneira eu mostrei Marília jogando futebol, procurando colocar a Bola na Rede.

E fechamos com um retrato que eu adoro: Marília ruiva, de bijuteria imensa e tubinho tomara-que-caia ‘pretinho básico’ pegando ônibus em São Paulo.pegando-onibus

O ponto está decorado, como era nos anos 80, com o tri-color azul-&-branco da saudosa CMTC. Quando Jânio assumiu, pintou tanto os ônibus como os pontos de vermelho.

Veja uma foto da parada no Corredor Santo Amaro rubra, e um desenho em que Maurílio faz o mesmo gesto de Marília, e o totem de madeira já passou pelas pinceladas pra ficar avermelhado.

Que Deus Pai e Mãe Ilumine a todos.

“Ele-Ela proverá”

N. Sra. das Neves, Philipéia, Fredericoburgo, Cid. da Paraíba: até J. Pessoa ser morto na Cid. de Maurício

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Centro de João Pessoa. A cidade foi fundada longe do mar, num planalto, cujo um dos flancos era protegido pelo Rio Paraíba. Veja quanto verde, mesmo perto do Centrão (r).

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 21 de setembro de 2013

A maioria das fotos foi clicada pessoalmente por mim.

Algumas, entretanto, foram baixadas da rede pra complementar (créditos mantidos sempre que estavam impressos nas imagens).

Identifico as que vieram da internet com um (r) de ‘rede’, como visto ao lado.

Vamos continuar falando da Paraíba.

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‘Bolero ao Pôr-do-Sol’, uma das atrações da capital paraibana: todos os dias quando o Astro-Rei se recolhe, um artista entra num barco e toca o Bolero de Ravel numa praia fluvial quase na foz do mesmo Rio Paraíba visto acima. Na Praia de Jacaré, subúrbio metropolitano de Cabedelo, Zona Norte (r).

João Pessoa tem 431 anos quando levanto a página pro ar (2016). Tinha 428 quando fiz o texto, em 2013. A cidade foi fundada ainda no século 16, em 1585.

Como é do conhecimento de todos, por mais de dois séculos o Brasil se restringiu ao que estava a leste do tratado de Tordesilhas.

A quase totalidade das atuais regiões Sul, Norte e Centro-Oeste sequer pertenciam a coroa portuguesa.

Pois estavam a oeste da referida linha, e foram abertas e colonizadas pelos lusos bem depois.

Veja: Manaus-AM só foi fundada em 1669, Curitiba em 1693, Macapá-AP em 1758 e Porto Alegre-RS em 1772.

No século 16, Portugal ainda tinha esperanças de formar um império global, como os EUA têm hoje.

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1817 (Brasil ainda pertencia a Portugal): explode em Pernambuco a chamada ‘Revolução dos Padres’. Paraíba e Ceará aderem. Paraíba e Pernambuco, que são vizinhos e umbilicalmente ligados, adotam bandeiras-expelho pra marcar a insurreição. Essa é a bandeira paraibana de 1817, fundo branco, a cruz pela participação da igreja, o Sol e o arco-íris pra mostrar que dias melhores virão, e no alto as três estrelas são as três províncias rebeldes, PE, PB e CE.

Por isso suas possessões americanas se resumiam a colônias de exploração e exportação – e não de povoamento – no litoral do Sudeste, Nordeste e Pará.

É a isso que o que viria a ser nossa nação-continente se resumia.

É nesse contexto que João Pessoa surgiu. Foi fundada longe do mar.

Eram tempos perigosos, quando você não podia deixar uma cidade desguarnecida.

Certamente os portugueses tinham bem vivo na mente o que havia acontecido a Buenos-Aires-Argentina:

Que fora fundada a beira-mar em 1536 e destruída em ataque indígena em poucos meses.

Então pra iniciar uma colônia na orla teria que ser erguido um forte militar primeiro.

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Bandeira de Pernambuco adotada na revolta de 1817: similar a da Paraíba, apenas o fundo é azul e o Sol não tem rosto; as 3 estrelas estão ali, igualmente. Fonte: página da ‘Wikipédia’ sobre a insurreição.

De certo não haviam efetivos, humanos e financeiros, pra Portugal poder bancar implantar o núcleo de João Pessoa a beira-mar.

Então buscou-se um refúgio seguro um pouco continente adentro.

O povoamento original se deu num planalto, num altiplano, protegido por um grande rio a oeste. Assim ficava viável defendê-lo.

Pois tinha-se visão privilegiada de eventuais invasões que chegassem por qualquer lado, incluso pelo oceano.

Possibilitando tempo hábil pra estratégia de defesa ser vitoriosa. Diz a teoria militar:

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Bandeira de Pernambuco atual, com 1 estrela: manteve-se o estandarte insurgente, apenas agora só há a estrela de Pernambuco mesmo, as que aludiram a participação da Paraíba e Ceará se foram.

Quando há uma batalha em desnível topográfico, ou seja, com um exército morro acima e outro morro abaixo, quem está mais ao alto sempre vence.

A não ser que a discrepância de forças seja gritante demais. Em condições normais, com mais ou menos o mesmo número de Homens em armas, quem está no alto triunfa invariavelmente.

Pela própria ação da lei da gravidade, é muito mais fácil empurrar ladeira abaixo os invasores que tomar as posições bem fortificadas no alto da colina.

Assim, muito bem guardada pelas condições do relevo, João Pessoa veio ao mundo. Não com esse nome, claro.

A atual capital da Paraíba, como veem no título, já teve 5 nomes em sua história. Não perca a conta:

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Voltamos a Paraíba. Essa é a bandeira que vigorou de 1907 até 1930, quando João Pessoa foi assassinado.

1) Começou como “Cidade Real Nossa Senhora das Neves” (1585-1588), como fora batizada pelos portugueses. Como sempre se tratando dos ibéricos, um nome católico.

2) No fim do século 16, as monarquias espanhola e portuguesa se unificaram no período histórico chamado “união ibérica”.

A cidade teve seu nome mudado pra Filipéia (1588-1634) na grafia da época, Philipéia.

Na verdade alteraram o prefixo, saiu o ‘Cidade Real’ e o nome ficou “Philipéia de Nossa Senhora das Neves”. Pra homenagear o rei espanhol Felipe que, pela fusão das casas reais, acumulava o título de rei de Portugal. 

3) Veio a Holanda, invadiu e abocanhou boa parte do Nordeste brasileiro. Fundou a Nova Holanda, que tinha capital em Recife-PE.

paraíba pb bandeira paraibana antiga estadual négo grafia acento nego

1930: o governador da Paraíba, J. Pessoa, é abatido a tiros no Recife (acima da manchete um jornal com essa manchete). A bandeira é mudada em sua homenagem, o preto do luto, o vermelho de seu sangue, e o ‘nego’ pelo veto dele em aderir a Oligarquia paulista, se aliando a oposição. Essa é a grafia antiga, atualmente não há mais o acento.

O comandante de tudo era Maurício de Nassau, que renomeou Recife em homenagem a si mesmo, virou a “Cidade de Maurício”, “Mauristad” no original.

Natal-RN foi rebatizada ‘Nova Amsterdã’. Assim a América teve por um tempo duas ‘Novas Amsterdãs’.

Pois a atual Nova Iorque-EUA também pertencia a Holanda, e tinha a mesma denominação.

Ao fim os holandeses foram expulsos da maior parte da América, tanto do Sul quanto do Norte, e nenhuma das ‘Novas Holandas’ vingou.

Os holandeses, enquanto ali dominaram, alteraram também o nome da atual João Pessoa.

Que passou a se chamar Fredericoburgo (1634-1654). No original, ‘Frederikstad’.

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Próximas 5: Praia do Jacaré. É ali que há o espetáculo de música ao anoitecer. Aqui vemos a estátua dos bichos. Depois o Sol baixando, a florida feira de artesanato e bares e restaurantes que há no local.

Portugal nunca se conformara com essa invasão, e sempre organizara guerra de guerrilhas pra tentar fazer os holandeses se retirarem.

Se a Nova Holanda vingasse, seria o fim do império luso na América.

Outras potências europeias viriam na sequência tomar mais território de Portugal, incentivadas pelo sucesso holandês.

Mas mesmo que não desencadeasse ações-espelho, a Nova Holanda em si mesma era o fim do sonho português.

Até por ser do lado de Salvador. Os holandeses, alias, tentaram duas vezes invadir a atual capital baiana, que era a então capital do território português na América:

jacare-cabedelo-z-norte-j-pessoa-pbUma antes de tomar Recife e fundar a Nova Holanda, e outra depois, tentando ampliá-la, deixando claro que o objetivo dos holandeses era mesmo a expulsão de Portugal da América.

Não por acaso Maurício de Nassau nomeava até a capital da Nova Holanda, pois ele era definitivamente o cabeça da empreitada. jacare-cabedelo-z-norte-j-pessoa-pb2

Antes de sua chegada e principalmente enquanto ele esteve no comando, a Holanda só perdeu duas batalhas: justamente as duas tentativas frustradas de se apossar de Salvador.

Que é muito bem defendida por estar numa península, frustrando ataques por terra. A invasão tem que ser por mar, e aí basta um forte com potentes canhões pra pôr a pique os navios inimigos.

jacare-cabedelo-z-norte-j-pessoa-pb3Assim, ele tentou 2 vezes, a Bahia não caiu em mãos holandesas. Mas de resto, Maurício de Nassau e seus antecessores venceram todos os outros confrontos militares contra Portugal.

Estendendo a Nova Holanda dos atuais Sergipe até o Maranhão, todo o atual Nordeste exceto a Bahia, resumindo. Entretanto, pra sorte de Portugal (e posteriormente do Brasil), a coroa holandesa não teve essa visão.

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Flores da Paraíba’: nessa tomada encerramos Jacaré, Cabedelo.

E Maurício de Nassau foi demitido do comando das ‘Indias Ocidentais’ holandesas, a empresa do governo holandês pra explorar as colônias americanas.

Teve que voltar pra Europa. Acharam que sob sua direção a Nova Holanda não dava tanto lucro quanto poderia.

Não consideraram que ele tinha que defender militarmente o território, antes de desenvolvê-lo economicamente.

Pois as investidas de Portugal eram permanentes, fustigavam o tempo inteiro a Nova Holanda. Na intenção que até que cansados das baixas em termos humanos e financeiros os holandeses achassem melhor fazer as malas e ir embora.

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Ali perto: anoitece na BR-230, a Trans-Amazônica. Nesse trecho ela é de pista dupla, pois uma importante via da Gde. J. Pessoa, ligando a Zona Norte a Zona Oeste.

Maurício de Nassau era excelente urbanista, melhorou muito o Recife, construindo pontes, canais, bibliotecas, jardim botânico – e por isso é cultuado em Pernambuco até hoje.

Era também excelente analista militar. De fato não conseguiu tomar a capital da colônia lusa, mas não consideraram que essa cidade era bem mais fortificada por sediar o governo, fora que a geografia ajuda.

Mas exceto por Salvador enquanto ele esteve ali em incursões fulminantes furou facilmente as defesas e a seguir repeliu os contra-ataques de Portugal.

A Holanda saiu vitoriosa em todas as batalhas, ofensivas e defensivas, em que tomou e resguardou seu território. Portanto, o retorno de Maurício pra Europa foi um erro fatal, sob o ponto de vista do invasor.

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Próximas 3, vamos pro Centrão. Parque Solón de Lucena com sua famosa lagoa, e, igualmente típica, a fila de ônibus contornando o lago rumo ao ponto final.

Sem o mentor da ocupação holandesa, que inclusive nomeava a capital, as forças portuguesas ganharam novo fôlego.

E enfim começaram a virar o jogo, fazendo os holandeses pela primeira vez recuarem.

Assim, o exército português avançou rumo a batalha final, que era a tomada da cidade do Recife, capital da Nova Holanda, pros holandeses chamada ‘Mauriciópolis’.

As tropas portuguesas eram mestiças. Haviam portugueses mesmo, aliados a índios, negros e brancos pobres nascidos no Brasil.

Na famosíssima Batalha de Guararapes (1648-49), já nas cercanias do Recife, Portugal enfim bateu a Holanda numa batalha importante, após longa série de derrotas.

pq-solon-de-lucena-centro-j-pessoa1Na prática, aí acabou a Nova Holanda. Alguns holandeses ainda permaneceram por aqui, mas já sabendo que o fim era inevitável.

Em 1654, enfim os últimos holandeses se retiraram, dissolvendo de forma oficial a possessão. Em 1661, a Holanda ratifica, no papel, a soberania portuguesa.

O Brasil existe pela Batalha de Guararapes. fila-de-busoes-contornando-a-lagoa-centro-novo-j-pessoa

O fim da Nova Holanda, e a retomada de todo o Nordeste pra Portugal, foi um recado claro a todas as potências europeias:

A coroa lusa não pouparia esforços pra manter o que hoje é o Brasil sob sua guarda. A Batalha de Guararapes é a Gênese do exército brasileiro, seu maior orgulho.

Por tudo isso, por ser o combate que fez com que nosso país existisse.

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Falei do transporte em outra mensagem, com muitas fotos. Mas damos uma pincelada. A implantação do Terminal Central urbano integrado, perto da virada do milênio, amenizou bastante a vida das pessoas, porque assim é possível ir de bairros em partes opostas da cidade pagando só uma vez.

Já que enfim reverteu uma enorme sequência de derrotas contra um adversário mais estruturado, e por ter tido em suas fileiras a presença de todas as raças em suas tropas.

Assim como a Batalha de Riachuelo na Guerra contra o Paraguai é o orgulho da marinha, dois séculos depois.

A história sobre a por nós chamada ‘Guerra do Paraguai’, pros paraguaios a ‘Grande Guerra’ ou ‘Guerra de 1870’ eu já contei com mais detalhes em texto específico.

Voltando ao Nordeste e ao século 17, assim a “Cidade Maurício” deixou de existir, voltou a se chamar Recife.

A atual capital paraibana também perdeu o nome holandês, Federicoburgo.

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Entrando está um “carro” da Trans-Nacional, viação que pertence a Unitrans. Em 2012 foi inaugurado o segundo terminal integrado no bairro do Bessa, Zona Norte, que atende também algumas vilas vizinhas mas que já ficam em outro município, Cabedelo. É a primeira integração metropolitana em João Pessoa. Falei só como referência do Term. Bessa, onde não deu tempo de eu ir e portanto não foi fotografado. A imagem mostra o Term. principal no Centro da cidade.

4) Foi renomeada Paraíba, (1654-1930) (‘Parahyba’ na grafia original). Portanto, entre todos os nomes que já teve incluindo o atual, foi o que permaneceu mais tempo, 276 anos.

O tempo passou, o Brasil ficou independente de Portugal e por fim aboliu a monarquia.

Veio o século 20, quando as oligarquias paulista e mineira, como todos sabem, se uniram pra implantar o que ficou conhecido como “República do Café-com-Leite”.

Onde a presidência era rateada entre esses dois estados, aludindo ao fato que o café era o esteio da economia de São Paulo.

E Minas Gerais era então o maior centro produtor de alimentos do país, incluindo numerosíssimo rebanho leiteiro.

Um presidente paulista passava a faixa a um mineiro, que depois devolvia o favor. Só que, em 1929, a oligarquia paulista resolve romper as regras do jogo. O presidente da república era paulista, Washington Luís (nascido no estado do Rio mas fez sua carreira em São Paulo, por isso o vulgo “Paulista de Macaé”).

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João Pessoa teve também uma viação estatal de ônibus. Chamava-se Setusa e era estadual. A frota era composta majoritariamente por Monoblocos dos modelos 2 e 3. Foi criada tardiamente, já nos anos 80. Oferecia a passagem mais barata que nas empresas privadas, e por isso desagradou as grandes viações. Foi sua sentença de morte, teve vida curta, menos de 10 anos e logo foi privatizada. O grupo Unitrans, que domina o transporte na Paraíba, a engolfou. No Centro de João Pessoa, há pichações pedindo “Volta, Setusa”. Dificilmente o pedido virará realidade. Fonte da foto: sítio Ônibus Brasil.

Assim, um mineiro teria que sucedê-lo, entretanto ele escolhe o também paulista Júlio Prestes.

Foi o fim, já tardio, da era “Café-com-Leite”. Outros estados, como o Rio Grande do Sul e os do Nordeste, já estavam mesmo cansados dessa charada.

Traída, a oligarquia mineira se alia aos coronéis nordestinos e gaúchos exigindo “renovação”.

Os paulistas, evidentemente, representavam então o ‘status quo’, e queriam reter a presidência.

Começam então em 1929 tentar aliciar as oligarquias locais estaduais pra que apoiassem Júlio Prestes.

Aqui retornamos a Paraíba. Sua capital se chamava Parahyba (a “Cidade da Paraíba” pra não confundir com o estado) desde 1654 com o fim da Nova Holanda.

O governador era João Pessoa, sobrinho de Epitácio Pessoa, que havia sido presidente da república.

Embora Epitácio Pessoa fosse paraibano, seu mandato está inserido no contexto do “Café-com-Leite”.

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Outro Mono da Setusa, dessa vez do último modelo fabricado pela Mercedes. Fonte dessa e de outras imagens: Portal Ônibus Paraibanos.

Pois ele fora eleito pra um mandato-tampão por causa da morte do presidente paulista Rodrigues Alves.

Tanto que Epitácio Pessoa fora apoiado pela oligarquia mineira, e passou a faixa a um mineiro.

Ou seja, o mandato de Epitácio Pessoa na prática manteve a alternância entre São Paulo e Minas na presidência.

Até que, como já dito, em 1929 o “Paulista de Macaé” Washington Luís quebra o acordo e escolhe outro paulista pra seu sucessor.

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Vários Setusa, sempre Mercedes-Benz Monoblocos, dos 2 modelos (r).

Minas Gerais enfim entende o que os outros estados sentiam com aquele joguinho de cartas marcadas e muda pro lado dos que clamavam pelo “novo”.

Mas São Paulo, no poder, queria manter o “velho”, e passa a tentar costurar acordos visando esse fim. Consulta o governador da Paraíba, João Pessoa.

Entretanto, a oligarquia paraibana já estava comprometida com o outro lado.

Assim, João Pessoa comunica a São Paulo o veto do endosso paraibano a Júlio Prestes.

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Os táxis do município de João Pessoa são brancos. No subúrbios de Bayeux (Zona Oeste) e Cabedelo (Zona Norte), também. Já no subúrbio de Santa Rita (Zona Oeste), alguns são brancos, mas há também de outras cores.

“Nego o apoio”, dizia o telegrama que se tornou épico, e daí o “Nego” da bandeira.

Muito mais que se negar a se aliar a São Paulo, a Paraíba embarcou de corpo e alma do outro lado.

O gaúcho Getúlio Vargas resolveu assumir a frente de uma chapa de oposição, e João Pessoa foi justamente escolhido como candidato a vice.

Eram tempos conturbados. João Pessoa era o governador paraibano, numa época que o coronelismo reinava inconteste.

Não apenas no Nordeste, também no Sul e Sudeste, não vai aqui nenhum tipo de racismo ou de tentar propagandear uma falsa superioridade moral do Centro-Sul. O próprio Getúlio Vargas é a prova, o legítimo ‘caudilho’, o termo sulista pra ‘coronel’, mostrando o quanto o autoritarismo oligárquico era o corrente também no Sul.

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Falar nesses subúrbios e nos transporte, João Pessoa tem trem de subúrbio. Conto melhor incluso com fotos em outra mensagem. A estação-terminal norte é em Cabedelo, passa pela capital e depois rumo ao oeste por Bayeux e Santa Rita (r).

Mas no Nordeste igualmente, podemos afirmar sem medo de errar.

João Pessoa era um Homem de sua época, afinal. Era um ‘coronel’, que mantinha o poder por qualquer meio necessário.

Uma das coisas que ele fez foi mandar sua polícia política invadir a casa de um adversário político, João Dantas.

João Pessoa teve inclusive a baixeza de mandar publicar nos jornais as cartas íntimas de João Dantas trocadas com sua amante, pra humilhá-lo e provocá-lo.

Irado ao ver suas atividades de alcova expostas a vista de todos, João Dantas assassinou João Pessoa no Recife, em 1930.

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Porto de João Pessoa, na Foz do Rio Paraíba, Cabedelo. Na parte inferior da foto o cais de onde sai o buso-balsa, a mais paraibana das transgenias busófilas (r).

Pouco mais de um mês depois, a capital da Paraíba é renomeada pra lembrar esse ato, passando a ter sua atual denominação.

Evidente, em 1930 Recife já voltara a se chamar “Recife” há quase 3 séculos.

Coloquei que “J. Pessoa foi morto na ‘Cidade de Maurício’ “ apenas porque como esse texto trata um pouco de história, usei esse chamativo, pois muitos não sabem desse detalhe.

Mas que já estava encerrado há muito, fiz uma ‘fusão temporal’.

Seja como for, não foi apenas o nome da capital que foi cambiado. A bandeira da Paraíba também foi mudada.

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Matando o a cobra e mostrando o pau: o buso-balsa Cabedelo/Lucena(r).

Antes, era verde e branca. Passou a ser vermelha e preta.

Justamente pra lembrar, respectivamente, “o sangue derramado de João Pessoa” e “o luto da Paraíba”.

Tanto a Paraíba quanto todo o Brasil entraram num turbilhão de violência.

Vários adversários políticos de João Pessoa foram também assassinados por milícias comandadas pelos coronéis, pra vingar a morte do governador.

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Aérea da península onde está a Z/ Norte da Gde. J. Pessoa, alguns bairros ainda na capital e os demais em Cabedelo: espremida entre o Rio Paraíba (dir.) e o Oceano Atlântico (esq.). Nota-se os navios no cais do porto (r).

A nível nacional, Getúlio Vargas manipulou habilmente a comoção gerada pela morte de seu vice.

E engendrou o golpe que depôs Washington Luís, assumindo a presidência, de onde só sairia em 1945, longuíssimos 15 anos depois portanto.

……….

Assim fácil é ver que a morte de João Pessoa é a pedra fundamental da ditadura do ‘Estado Novo’ de Vargas.

Tanto o nome da capital quanto a bandeira estadual se remetem a esse assassinato, e há grupos que querem o fim disso:

Lutando por um plebiscito estadual pra Paraíba retomar sua bandeira verde e branca, e que João Pessoa volte a se chamar “Paraíba”, ou até mesmo na grafia original, ‘Parahyba’ com ‘h’ e ‘y’.

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João Pessoa, cidade pras pessoas. Todos os dias, das 5 as 8 da manhã a Beira-Mar é fechada pra carros, liberada pra pedaladas e caminhadas – em pleno horário de pico e na parte mais cara da cidade! Lá o Sol nasce antes, essa tomada foi feita 5:34 da manhã no Cabo Branco, Zona Leste.

Aproveitando o embalo, numa imagem vemos uma bandeira anterior ainda do estado.

Os mais atentos notarão que se assemelha muito a atual bandeira de Pernambuco, apenas falta o fundo azul e são 3 estrelas ao invés de uma.

Exatamente. Espiritual e materialmente, Pernambuco é a “mãe” da Paraíba. Inclusive houve épocas que a Paraíba perdeu a autonomia política e foi anexada a ao estado vizinho.

Na ocasião em que essa foi a bandeira da Paraíba, mais uma vez as trajetória dela e de Pernambuco se entrelaçaram.

Eclodiu em 1817 uma rebelião no Recife, comandada pelos frades. A Paraíba e o Ceará aderiram.

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Várias outras avenidas, no mesmo horário (5 as 8), cedem a faixa da esquerda pras bicicletas, os carros têm que se espremer. Todos os dias, e não apenas domingo como em outras capitais. Essa é a moderna via que liga a Zona Leste a Zona Sul.

Pernambuco e Paraíba então adotaram bandeiras-espelho, ícones da insurgência:

A cruz por causa da igreja, o sol e o arco-íris representando os dias melhores que viriam, e as 3 estrelas foram os 3 estados (então “províncias”) rebeldes.

A única diferença é que a da Paraíba era sobre fundo branco como veem aqui, enquanto em Pernambuco a metade superior era azul.

Na atual bandeira pernambucana, só há uma estrela porque as referências a aos estados vizinhos foram eliminadas.

Mas todo o resto se manteve. Já a Paraíba abandonou por completo as homenagens a esse levante em sua bandeira.

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Nem tudo é tão perfeito, entretanto. Um ponto negativo: uma avenida sem calçadas, obrigando as pessoas a andarem pelo meio da rua. E eu pensava que essa cena só existia em Brasília-DF e nos EUA (notadamente Los Angeles). A esquerda, o bosque que separa o Cabo Branco do Altiplano. No meio do dia essa via e a Beira-Mar formam binário, ou seja, cada uma em mão única prum lado. Das 5 as 8, com a da orla fechada pra carros, essa vira mão-dupla. Estreita, sem calçadas e indo carro pra todo lado, um risco pros pedestres.

………

Mais alguns pontos que observei por lá:

– Afora as praias, o cartão-postal de João Pessoa é o Parque Solón de Lucena, bem no Centro, com sua famosíssima lagoa adornada por palmeiras.

Mostrado claramente em algumas fotos, numa delas com os ônibus a contornar o lago, rumo ao Terminal Central.

Notem que há pouquíssimos prédios altos ao redor, o Centrão por ser distante do oceano é na verdade uma parte mais pobre e esquecida da cidade.

Os espigões da cidade se concentram perto da orla, mas não na Beira-Mar porque é proibido, como é de domínio público. Em diversas tomadas isso fica claro:

Nas primeiras quadras a partir do mar, só edifícios baixos.

Permitindo que mesmo os bairros em torno das praias mais chiques de João Pessoa sejam pacatos, quase interioranos em alguns trechos, casas térreas com largos quintais adornados por árvores floridas.

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Contraste social: ao lado do riquíssimo bairro e praia de Manaíra (os espigões ao fundo) está o bairro São José, cuja favela é conhecida também como “Chatuba“, espelhando a original da Baixada Fluminense (r).

Nesse quesito, Ir a João Pessoa é quase como entrar num túnel do tempo, e ver como eram as demais metrópoles litorâneas até os anos 50 e 60. Vejam quanta área verde.

Bem, ‘Jampa’ é muito verde, a arborização não é exclusividade da orla da Zona Leste que é a parte abastada.

Os bairros mais miseráveis do subúrbio também são ricamente arborizados.

Falamos melhor disso em outro texto.

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Bayeux, Zona Oeste (r).

Vemos abaixo o bairro do Altiplano, também Zona Leste. Ali, os arranha-céus estão liberados, e vem brotando em ritmo frenético, como cogumelos após a chuva.

Uma Dubai brasileira, alias fenômeno parecido com o que observei em Belém alguns meses antes, também em 2013.

Voltando ao Nordeste, em várias oportunidades observam a calma do Cabo Branco comparada ao frenessi construtivo do Altiplano, que lhe vem logo acima;

……….

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Altiplano, Zona Leste.

– Uma outra coisa muito legal da capital da Paraíba:

A cidade prioriza pedestres e ciclistas em detrimento dos automóveis. A beira-mar é vedada a veículos automotores, todos os dias, das 5:00 as 8:00 da manhã.

Lembre-se, João Pessoa é a “cidade em que o Sol nasce”, a mais oriental da América.

Portanto onde clareia primeiro no continente. 5:00 da matina já é dia claro, como já mostramos com muitas fotos em outra postagem ligada em vermelho acima.

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Nas quadras próximas ao mar é proibido prédios altos, o que mantém a cidade fresca. Aqui em Manaíra, também Zona Leste.

Durante essas 3 primeiras horas do dia, nem pensar em entrar dirigindo na Avenida Cabo Branco.

A pista está liberada pros Homens e Mulheres relaxarem um pouco, caminhando ou pedalando.

Nesse mesmo horário, algumas avenidas ganham ciclo-faixa. Os monstros de metal, também conhecidos por “carros”, precisam recuar só pras faixas da direita.

Porque a da esquerda é exclusiva pro pedal. Isso todos os dias, e não apenas domingo como ocorre em outras capitais;

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Próximas 2: na Z/ Norte o mesmo regulamento aplicado, perto do mar só prédio baixo

…………

– Além do Sol, outra coisa nasce em João Pessoa: a Rodovia Trans-Amazônica.

Alguns estranham, falando ‘mas a Paraíba é longe pra caramba da Amazônia”. De fato é longe mesmo.

Ainda assim, a BR-230, muitíssimo mais conhecida como “Trans-Amazônica”, tem seu marco zero na capital paraibana.

zona-norte-j-pessoa1Começa mais precisamente no subúrbio metropolitano de Cabedelo, na Zona Norte da cidade.

Primeiro, liga exatamente os municípios de Cabedelo (onde fica o porto) e João Pessoa.

Ali, a BR-230 embica pra oeste, e portanto conecta o Centro as Zonas Oeste e Sul da metrópole, tanto no município de João Pessoa mesmo quanto nos vizinhos Bayeux e Santa Rita.

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Estou dentro do mar na Praia de Cabo Branco (Z/L). Na orla o limite de andares é respeitado; as construtoras, imobiliárias e hotéis perdem muito dinheiro com essa lei.

Ou seja, corta toda a cidade da Zona Norte a Zona Oeste, num trajeto paralelo a linha de trem de subúrbio.

A seguir, a BR-230 conecta as duas principais cidades da Paraíba, a capital a Campina Grande.

Segue sempre rumo a oeste, e aí rasga o sertão nordestino pelos estados do Ceará, Piauí e Maranhão.

Até entrar no Norte, passando por Tocantins e Pará até ter seu final nos confins do Amazonas.

……………….

– O apelido de João Pessoa é ‘Jampa’, como o de São Paulo é ‘Sampa’;

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Próximas 4: Cabo Branco. Aqui o plano diretor de Jampa fica nítido. Prédio em construção, mas atingiu sua altura máxima de 6 pisos, veja que já fizeram a cobertura. Ao fundo, no Altiplano, aí sim espigões com mais de 30 e mesmo perto de 40 andares.

– Em João Pessoa quase não se picha muros. Há um pouco, mas por ser irrelevante, não me ocupei de fotografar e comentar;

– Aqui, tratei da história de João Pessoa a partir da colonização europeia.

Evidente, lá como em todo continente América, Homens e Mulheres de outras raças já habitavam a milênios antes dos europeus aportarem.

Mas como não tenho muitas informações desse período, nos restringimos ao que é mais conhecido de todos.

Ainda assim, reitero aqui que não tenho visão eurocêntrica da história da humanidade.

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Assim, as ruas são sossegadas e residenciais mesmo a poucas quadras do mar. Muito verde, muita calma, poucos carros.

Se não abordei o que aconteceu antes de 1585, é por ignorância, e não por considerar a linearidade europeia a única válida.

…………

– Em João Pessoa quase não há condomínios fechados. De uns tempos pra cá começaram a surgir alguns de alto padrão. Mas de classe média e médiabaixa, não existem.

Em contraste, em diversas outras cidades como Curitiba, São Paulo, Santiago do Chile e principalmente Belém, Cidade do México e Lima-Peru, eles são extremamente comuns.

casa-florida-cabo-branco-z-l-j-pessoaMesmo no Centrão e nos bairros mais degradados dos subúrbios.

Onde tem uma rua sem saída, nessas cidades acima citadas, as pessoas metem um portão e só entra morador. Então, em João Pessoa essa manifestação ainda não chegou.

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Pode isso? Em pleno Cabo Branco, casa simples com amplo quintal florido (a esq. acima em escala maior).

……………….

Comentemos rapidamente as fotos espalhadas pela página. Você sabe, nem sempre o texto ao lado se refere a imagem mais próxima.

Busque pelas legendas, que elas estão corretas. Vemos no decorrer da mensagem:

– Praia de Ponta Seixas, o ponto mais oriental da América, com suas piscinas naturais características.

Nessa foto que mostra a Ponta Seixas (mais pra baixo na página) os prédios ao fundo estão justamente na Praia de Manaíra retratada mais pra cima;

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Picãozinho: uma das piscinas naturais do litoral de João Pessoa (em Maceió-AL  igualmente elas são comuns) (r).

– Imagens parecidas com as que seguiram na matéria anterior:

O primeiro raio de Sol da América, por volta das 5 da manhã.

Veremos numa sequência horizontal abaixo exatamente a primeira aparição do astro em todo continente americano.

Logo que ele saiu da nuvem que o encobria.

Infelizmente, por estar um pouco nublado, não pude vê-lo sair exatamente do mar. Coisas da vida;

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Avenida, praia e bairro de Cabo Branco.

– Mais uma vez chamo sua atenção a proibição de prédios altos nas quadras próximas ao mar, mostrada em várias cenas.

Essa lei é vigente igualmente no subúrbio metropolitano de Cabedelo, Zona Norte.

E faz com que mesmo os bairros com m2 mais caro de João Pessoa tenham ainda um ar bucólico, interiorano, casas térreas com largos quintais floridos;

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Praia de Manaíra, Zona Leste. Os prédios ao fundo já ficam no vizinho município de Cabedelo, Zona Norte.

a BR-230, a famosa Trans-Amazônica, começa em João Pessoa.

Tem esse nome porque após cortar o Nordeste ela rasga parte da floresta, nos estados do Pará e Amazonas, no Norte.

Numa foto que está postada abaixo, estamos quase no marco zero da rodovia, no município de Cabedelo, Zona Norte da Grande João Pessoa. Nessa tomada ela ainda está com pista simples.

Logo a seguir é duplicada, e assim ela percorre a distância entre Cabedelo e o município de Santa Rita, na Zona Oeste, passando pelos municípios de João Pessoa e Bayeux.anoitece-br-230-j-pessoa1

Como notam, em duas tomadas (1 delas ao lado) o Sol já está se pondo, numa bonita cena. Mas o melhor ainda estava por vir. Nos dirigíamos na ocasião pra um lugar chamado

Praia de Jacaré, em Cabedelo. É o por-do-Sol mais famoso de João Pessoa, uma atração turística da cidade.

setusa-r

Mais um Monobloco da finada Setusa.

Trata-se da proximidade do delta de um grande rio, o mesmo que um pouco acima protege o Centrão da cidade.

Há ali várias lojas que vendem artesanato, cafés, bares, restaurantes, tudo muito florido.

E todos os dias, quando o astro vai se recolher, um cara toca o Bolero de Ravel de dentro de um barco.

www.vimeo.com/9606024quase-km-zero-da-trans-amazonica-cabedelo-z-n-j-pessoa

http://mais.uol.com.br/view/ivm20o369pqa/por-do-sol-na-praia-do-jacare–pb-04029C3172D88173A6?types=A&

É isso aí. Depois dessa podemos fechar com chave de ouro.

………

Assim eu encerrei o emeio. Na página ainda vamos ver algumas fotos.

br-230-trans-amazonica-cabedelo-z-norteAcima e ao lado 2 cenas de BR-230 em Cabedelo.

Acima bem no comecinho dela, quase no Km Zero, quando ela ainda é pista simples.

E a esquerda um pouco mais pra frente, já no trecho duplicado.

Na sequência abaixo: bairro Cabo Branco.

cabo-branco-z-leste-j-pessoacabo-branco-z-leste-j-pessoa18cabo-branco-z-leste-j-pessoa1

praia-da-ponta-seixas-j-pessoa2Ao lado a Ponta Seixas, o ponto mais oriental de todo continente Americano.

Abaixo mais tomadas do Altiplano. Na 1ª cena vemos também o Cabo Branco, que é onde estou quando cliquei.

E nas outras duas o Altiplano visto por outros ângulos, em fotos feitas de dentro do carro em movimento, como alias diversas outras do ensaio.

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piscina-natural-na-ponta-seixas-ao-fundo-manaira-j-pessoaAo lado pescador na Ponta Seixas, ao fundo a linha de prédios de Manaíra.

Na sequência abaixo: 1 e 2) Amanhecer no Atlântico captado no Cabo Branco, logo ao lado da Ponta Seixas, 5 da manhã; 3 a 5) Virei pra trás, o Cabo Branco, os prédios mais altos ao fundo no Altiplano; e 6) João Pessoa, não lembro em qual bairro cliquei.

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Que Deus ilumine a todos.

Paz a toda humanidade.

Deus proverá”

“É um Scania”: quem ouviu o ronco desse bichão jamais esquece

ainda-na-ativa

Começaremos pelo ‘Clássico dos Clássicos’: Jacaré bicudo carreta vermelho-alaranjado (ou seria laranja-avermelhado?).

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 24 de agosto de 2013

Atualizei uma postagem sobre transgenia com um FNM que faz as vezes de um estúdio de fotos.

Então pulsando na mesma frequência vou subir pro ar os emeios que mostram caminhões antigos.

Claro que o interesse primário de nossa seção de transportes são os ônibus.

Mas podemos dar uma palhinha também pras máquinas que puxam carga.

porto santos baixada interior litoral paulista sp carreta jacaré scania bicudo motor saltado laranja vermelho branco fila vários navio doca guindaste

Porto de Santos-SP, 2015 (*) – como explicado, as com asterisco são minha autoria.

Hoje veremos os Scania.

A maiorias das imagens foi puxada da rede, os créditos foram mantidos sempre que estavam impressos nas fotos.

Algumas são de minha autoria, eu identifico com um asterisco (*), como visto ao lado.

Nos focaremos nos modelos mais antigos, que circulavam nos anos 80 e 90.

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Pra que ponte????, se é um Scania!!!

Publiquei um emeio sobre o Cometa Flecha Azul.

Eu não tenho ele em arquivo, se eu conseguir recuperar com algum contato subo pra rede.

……….

O motor do Flecha Azul é um Scania.

Que como todos que gostam de ônibus e/ou caminhões sabem, são um clássico em si mesmo.

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Tinha também a versão ‘Cara-Chata’. Como no Jacaré, todos saíram de fábrica com a exata mesma cor laranja/vermelha. Esse tinha uma ‘Máscara- Negra’.

Quem ouviu um ronco de um Scania jamais esquece.

O negócio é tão marcado que cria uma memória auditiva fortíssima: quando você ouve um Scania, sabe, não precisa ver o bichão.

Comprovei isso pessoalmente, e vou contar-lhes como, relatando uma história verídica.

Conheço um rapaz que é cego de um lado – ele nem tem esse olho, e sim uma réplica de vidro no lugar.

A outra vista funciona mas é bastante precária, ele enxerga apenas 40% no único olho que possui.

Ou seja, ele tem cerca de 20% da visão de uma pessoa comum.

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Só o cavalinho.

Mora aqui em Curitiba, e faz o tratamento numa clínica de oftalmologia na cidade de São Paulo.

Fui algumas vezes acompanhá-lo na viagem, ficamos hospedados em meus parentes.

Então, um dia, após ele ter saído da clínica, caminhávamos em São Paulo, já anoitecendo, uma penumbra.

Ele ouviu o ronco de um ônibus urbano acelerando, atrás de nós. Disse imediatamente: “É um Scania.”

Virei pra trás pra conferir, de fato era um Scania. Que ele identificou pela audição.

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Acima os básicos, bicudo e cara-chata carreta, laranja de fábrica. Vamos ver as variações: a maioria dos Scanias eram carretas. Mas existiu a versão curta, embora fosse rara. Na mesma pintura, sempre.

Repito, ele não tem um olho, e no outro tem menos da metade da visão – se tudo fosse pouco, o médico acabara de mexer nessa vista que funciona precariamente, lhe dando remédios fortíssimos que o deixam meio grogue.

Anoitecia, o veículo estava atrás da gente no trânsito caótico de São Paulo na hora do pico.

E além disso era um ônibus, não um caminhão.

Portanto, a marca do motor não tem destaque, pois o modelo realça o fabricante da carroceria.

O fabricante do motor se identifica por uma fitinha, na frente e atrás, minúscula, só quem é busólogo mesmo sabe achar.

Tudo somado, não havia a menor chance dele ter visto que era um Scania.

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Jacaré Azulão.

Ele ouviu que era um Scania, e o ronco é tão forte que gerou uma reação instintiva nele, fez questão de registrar, espontaneamente.

É um Scania, né? Um Scania é um Scania, ponto final. Palavras não são necessárias, ver não é necessário.

Basta ouvir. É um Scania, caramba. Se você sabe o que isso já entendeu, se não sabe nunca irá entender.

……..

Clássico "outra postagem" "da ciclovia a foz" jacaré caminhão scania dupla uberaba z/l ctba Azulão

Ataque em Dobro: Clássico & Azulão, Uberaba, Zona Leste de Ctba., fev. 14 (*).

Pra homenagear mais uma vez esse monstro de metal, dezenas de fotos de Scanias antigos, rasgando e colonizando esse país.

O Brasil existe porque existiram esses gigantes de metal.

Os incansáveis, nunca paravam de lutar, em verdade nunca pararam, porque estão até hoje na pista.

Como é notório, o Scania narigudo era o ‘Jacaré’. Tinha um primo ‘Cara-Chata’.

Ambos vinham de fábrica no vermelho alaranjado hiper-hiper-clássico. Por isso na maioria das imagens eles estão assim.

Mas claro, alguns proprietários os repintaram.

Então mesmo mais raros houveram os clássicos Jacarés e Cara-Chatas Scanias em verde, preto, azul, amarelo, branco, e até…..de rosa. É isso mesmo.

Bem, o Jacaré é tão possante, se enfia em qualquer buraco, enfrenta qualquer terreno.

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Todo de branco.

Até anfíbio o bichão é e dispensa ponte pra cruzar um rio, que mesmo de rosinha ele é valente.

Nada abala, contra tudo e contra todos eles seguem lutando. Nunca para, e busca quem para.

Pau pra toda obra, rasgador do sertão, comedor de asfalto, de poeira e de barro, até ônibus o bichão carregou nas costas.

…….

ate-de-rosa-ele-e-valente

Rosa-Choque ???? Ai, que fo-fu-ra!!! Ui!!

Eu sou busólogo, meu interesse por caminhões é apenas marginal.

Mas pro Jacaré tem que se tirar o chapéu. Muito mais que um modelo, é um ícone.

Não me esqueci dos ônibus. Vemos alguns urbanos Scania dos anos 80, da frota pública.

Da finada CMTC de São Paulo, estatal municipal paulistana que durou décadas. 

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Papa-Fila: a carga é peculiar, são pessoas.

Por alguns anos, Curitiba também teve uma viação pública.

No fim de 1987/início de 88 a prefeitura comprou alguns articulados.

E transformou a Urbs numa viação, além de gerenciadora.

Por isso eles vinham escrito “Propriedade do Povo” na lataria.

Nota: eu já fiz uma matéria que reproduz o levantamento de um busólogo, em que ele conta, um por um, quais eram e o que foi feito de todos os 88 busões. Com muitas fotos.

caminhão pista concrteo pavimentado concreto valparaíso periferia madeira scania branco carreta mercedes desmontado oficina caçamba

Valparaíso, Chile, abril de 2015 (*). Atrás um Mercedão. Confira também minha homenagem aos Mercedes-Benz.

Depois que foram vendidos, não foram comprados novos, e a ‘Frota Pública’ Curitibana se encerrou.

Mas, por um tempo, existiu. A imensa maioria dos veículos era Volvo.

Entretanto, o primeiro deles, o que abriu a Frota Pública, era um Scania, retratado no fim da matéria, mais abaixo.

Apenas o detalhe que no momento da foto ele não estava em serviço.

Ele não chegou a operar na linha que liga o Centro ao Terminal do Pinheirinho (Zona Sul).

E sim ao do Boqueirão (também Zona Sul, bairro que moro).

argentina

Argentina

Taí, galera. Compondo as frotas públicas de minhas duas cidades (Curitiba e São Paulo).

E puxando todo tipo de carga, vermelho clássico ou de preto, branco, verde, azul, amarelo e mesmo rosa (????????).

Honrando o nome ‘Jacaré’ por dispensar pontes, ou numa trans-genia motorizada virando uma cegonha, eis os Scanias ‘daquele tempo‘:

Tempo que as coisas não eram ultra-tecnológicas, fetiche da matéria como hoje.

china1Eram simples e rusticas, mas feitas pra durar.

E por isso os Jacarés ainda são vistos nas estradas, 40 ou mesmo 60 anos depois de saírem da linha de montagem da Scania-Vabis, Saab-Scania, ou, pros íntimos, simplesmente ‘Scania’. 

Um Scania é um Scania. Não precisa ver pra saber.

……….china

O texto encerra-se.

Mas ainda temos dezenas de fotos de Scania pra ver.

Vamos comentando aquilo que a gente observa..

desbravador-do-brasilEssas duas na neve, ao lado e acima: China.

 Amplie pra ver os olhos puxados do chinês motorista.

O próprio nariz do caminhão é suporte pro guindaste.

A China é o país que mais cresce no mundo, e o Jacaré Scania é parte dessa história.Zona Portuária porto paranaguá pgua pr interior litoral paraná carretas caminhão vários scania jacaré container latões metal carga transporte pátio

A esquerda um comboio em alguma estrada rasgando o sertão do Brasil.

JACARÉ DO PORTO

vicente carvalho guarujá santos baixada interior litoral paulista sp periferia subúrbio quebrada carreta jacaré scania bicudo motor saltado laranja vermelho conteiner latão navio cargaA direita Porto de Paranaguá-PR, novembro de 2011 (*).

Logo 2 de uma vez puxando a fila.

Já vimos no topo da página 2 Scania, sendo o da frente Jacaré, chegando no Porto de Santos.

Ao lado: Vicente de Carvalho, Guarujá (*). Também chegando ao Porto de Santos.holanda2

Pra quem não sabe, esse terminal marítimo tem atracadouros nas 2 margens do canal.

Assim parte do Porto de Santos fica no Guarujá. 

canal vila Rio Belém ctba periferia 7/06/14 junho 2014 chuva alagado alagamento enchente boqueirão z/s carros carreta caminhão scania vermelho sobrado poça chuva temporal rua cicloviaEssa viagem pra Baixada também foi em novembro, porém de 2015.

A carreta azul carregando um trator foi flagrada na Holanda.

Ao lado: inundação no Boqueirão, Curitiba, junho de 2014 (*).

Ao fundo uma carreta Scania de um motorista que mora na minha rua, chamada ‘Ciclovia’.scania-na-ciclovia

A direita o mesmo caminhão visto mais de perto e em tempo seco, dessa vez fotografado em 2016 (*).

………

cegonhaJACARÉ-CEGONHA: OFICIALMENTE, E IMPROVISADO, O BICHÃO TOPA QUALQUER PARADA!!

A esquerda na configuração apropriada pra transportar carros.

Vazio, como observam.

 Agora filma a próxima imagem:carregava-ate-o-que-tinha-rodas

Carregado de carga normal, coberta com lona.

Mas é pouco pra ele:

Pediram pra além de tudo ele levar 3 Fuscas.

O Jacarezão respondeu:

rodovia São mateus sul interior paraná pr sms azul carreta caminhão scania transporte cara-chata contorno branco moto“Manda aí. Traz o que tiver. Missão dada é missão cumprida, minha farda é laranja!”

Esq: BR-476, no Contorno de São Mateus do Sul-PR, agosto de 2016 (*).

Vamos ver uma sequência de clássicos, o Jacaré alaranjado carreta:

bi-trem