‘Toca do Tatu’: bem-vindo a Extremidade Sul de Curitiba

é o tatuquara, pombas. em tupi-guarani: ‘quara’ é buraco. ‘tatu’ é tatu mesmo

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 18 de setembro de 2014

A Zona Sul é a ‘Zona Vermelha‘ de Curitiba.

O lema que os manos picham nos muros é que “aqui Curitiba é diferente”.

Ou seja, não é nem um pouco europeia. Creio que não seja preciso explicar mais nada.

Vila Bela Vista.

E seus bairros-arquétipos, que fazem a Z/S ser o que é, são o Tatuquara e Sítio Cercado.

Falei do Sítio, e de como ele mudou Curitiba, nessa outra mensagem.

………

Agora vamos ver o Tatuquara, pro círculo se fechar.

Fica aqui na Zona Sul mesmo, mas bastante distante do Boqueirão, onde resido.

O Tatuquara, “Toca do Tatu” no seu nome original em tupi-guarani, fica na extremidade de baixo do município de Curitiba. Tanto física quanto economicamente. 

Pra prefeitura: “Moradias da Ordem”. Na boca do povo: “Jardim da Ordem”. Ou simplesmente “J.D.O.”.

Mais austrais só o Campo de Santana e a Caximba.

Sendo que esse último ainda é esparsamente habitado (digo, era assim até o início da década. Mas devido a uma onda de invasões desde então a Caximba vem inchando bastante).

E dos 75 bairros de Curitiba o Tatuquara é o mais pobre:

O que tem a menor renda média por domicílio, no outro extremo temos o Batel, na Zona Central, o bairro mais rico de Curitiba.

De volta ao Tatuquara, ele tem 50 mil habitantes.

……..

“Cidade de Deus” Curitibana: Santa Rita, Tatuquara, Zona Sul. Mas parece Santa Rita, Z/O de João Pessoa-PB.

Comentemos as fotos (clique sobre que elas aumentam).

Nem sempre a descrição ao lado corresponde a imagem que está mais perto, identifique pelas legendas.

Vemos no decorrer da página:

A avenida que nomeia e o ônibus que serve a Vila Santa Rita.

……….

Jardim da Ordem Tatuquara Z-S

Jardim da Ordem

Note que a periferia cresceu economicamente de forma significativa.

Já merecendo uma agência de 2 andares da Caixa Econômica. Vista na 1ª foto da página.

Repito que esse é, entre os 75 bairros de Curitiba, o que tem a menor renda per capita.

Direita: Via principal do Jardim da Ordem – J.D.O..

Um carro passou a todo volume com Valeska da Gaiola das Popozudas apresentando suas ‘credenciais’. Vem quente que o negócio está fervendo.

AVISO: É UMA MÚSICA DE ‘FUNK’, DE LETRA BEM EXPLÍCITA.

SE VOCÊ NÃO GOSTA DESSA MANIFESTAÇÃO, NÃO ATIVE A LIGAÇÃO EM VERMELHO.

Bem, a Zona Sul gosta desse estilo, isso é certo. Por causa disso:

Curitiba, Cidade do Funk. O Tatuquara é assim, irmãos. Não pode, não mexe!!!

Por outro lado, se você curte um pancadão, ative também essa outra ligação e veja o desenho que eu fiz de ‘Marília Funkeira’.

Jardim Laguna: começou como cohab que recebeu os removidos da vizinha Vila Terra Santa

………

De volta a falar do Tatuquara.

Algumas Cohabs no estilo-cidade-de-deus que a prefeitura fez por lá.

Eu disse que o Tatuquara é pobre.

Vendo aquelas casinhas eu me vi de novo na periferia do Norte e Nordeste brasileiros, foi como se eu tivesse entrado em um túnel do tempo. 

Que em pensamento me levou de volta pra um lugar que também se chama Santa Rita, que fica porém na Zona Oeste da Grande João Pessoa-PB.

Ou então a Marituba, na Zona Leste da Grande Belém-PA, porque o cenário é praticamente idêntico.

Vila Beira-Rio. Era uma favela bem feia, onde está a rua havia mais uma fileira de casas, palafitas em cima do riacho. Foi urbanizada, a periferia mudou pra melhor.

No Nordeste, e também no Chile e Argentina, a periferia é assim, casas de alvenaria muito simples, e nesses casos com saída direto pra rua.

No Pará, e também aqui no Paraná, há uma diferença, as moradias tem um quintal, ainda que minúsculo.

Delimitado com alguma separação pra rua, no começo uma cerquinha de madeira, assim que pode o cara ergue muro.

Jardim Ludovica, Curitiba, Extremidade Sul.

Então a Santa Rita da Z/S de Curitiba xeroca ‘ipsis literis’ o bairro Pirelli, em Marituba, Z/L de Belém.

Com as partes mais pobres da Paraíba e do Chile há uma semelhança mas não tão exata.

A matéria sobre sobre Santiago (alias toda série sobre o Chile)  já está no ar. Idem as que retratam minhas idas ao Norte e Nordeste Brasileiros (aqui a matéria sobre Manaus, e o portal das séries sobre Belém, João Pessoa e Fortaleza.

……..

Na foto ao lado são duas casas que você está vendo ali, e não apenas uma.

Os sobrados são minúsculos, se fossem um pouco menores pra uma pessoa entrar outra teria que sair antes.

Tatuquara: a Zona Sul é assim.

Veja a exata mesma cena no Parolin, bairro em parte elitizado da Zona Central, mas cuja ladeira abriga uma das piores favelas da cidade.

Que também está sendo urbanizada, portanto lá também estão a surgir esses sobradinhos da cohab.

……….

Jardim Laguna.

Creche das “Moradias da Ordem”, nome que só existe nos documentos oficiais da prefeitura.

“Jardim da Ordem” é o corrente. Na indumentária da galera da rua usa-se a sigla ‘J.D.O.’ .

Jardim Ludovica: casas típicas do Tatuquara.

Tatuquara.

Abaixo, a Rótula do Tatuquara,com a bifurcação indicando o caminho pra outros bairros e vilas da Zona Sul.

Clique nas imagens que elas aumentam. Aí poderá ler na 1ª foto que estamos pertinho da BR-476, a “Rodovia do Xisto”. Na outra margem dela já é a Cidade Industrial, que também consta na placa.

A cena do meio é no sentido oposto da mesma via, que onde você poderá conferir que estamos a caminho do Rio Bonito. O busão (que vemos logo a seguir) terá que virar a direita.

Santa Rita – via Jardim da Ordem.

O Rio Bonito fica no vizinho Campo de Santana, e não no Tatuquara.

Mas como o Tatuquara está entre o Terminal do Pinheiro (ponto inicial da linha) e o ponto final, é preciso atravessar a ‘Toca do Tatu’ no trajeto.

Vila Beira-Rio. Antigamente uma favela bem feia, agora urbanizada.

Vila Santa Tereza, as margens da BR-476. Do outro lado da estrada é a Vila Vitória Régia, que já fica no vizinho bairro da Cid. Industrial.

Onde veem aquela rua de terra a direita antes tinha outra fileira de casas, palafitas que se espremiam sobre o riacho.

Esses moradores foram retirados e transferidos exatamente pras cohabs fotografadas nessa matéria.

Imagem bem lá no alto, aquelas casas sem acabamento são na vizinha Vila Bela Vista. Também passando por processo de urbanização.

Após a Bela Vista está a Vila Cantinho do Céu, e depois dela a Gralha Azul de um lado da linha do trem e a Terra Santa de outro.

Leia matéria que fiz sobre a história de diversas invasões de Curitiba. Entre outras eu abordo a Terra Santa, Bela Vista, Beira-Rio e Cantinho do Céu.

Aos tatuquarenses (tanto de casas abastadas quanto outras humildes e remediadas) que homenagearam a Pátria Amada devolvo a bola e os homenageio também.

Colocar a Bandeira Brasileira no ponto mais alto é o que faço, virtualmente logo na capa do sítio, mas na dimensão física por boa parte da América (com uma esticadinha até a África).

De volta a Z/S de Ctba: mais um pouco do Jardim Ludovica, visto ao lado:

Zona Sul, “Cidade da Laje”.Jardim Ludovica Tatuquara Z-S

Algumas das últimas ruas de terra do município de Curitiba. Fotografei a mesma cena em dois bairros da Zona Norte, Cachoeira e Pilarzinho.

Enquanto é tempo: em 5 anos, você só verá essa cena por fotos.

Curtitiba mudou o zoneamento pra permitir terrenos mais estreitos.

Voltando ao Tatuquara, esses, ao lado e logo abaixo, têm apenas 4 metros de largura.

Antigamente isso era proibido.

Até 1990, a largura mínima pra um empreendimento imobiliário em Curitiba era 10 metros, quando passou a ser permitido 7 metros. Nesse milênio, nova redução, e quase pra metade. Mal entra um carro.

Isso é comum em São Paulo (confira aqui o Butantã, Z/O) e outras metrópoles a décadas, mas aqui é novidade.

Que se espalha, entretanto, com a velocidade do fogo no capim seco.

………..

Bem mais pro alto na página: O Jardim Laguna começou como uma cohab.

Pra onde foram transferidos milhares de moradores da vizinha Terra Santa:

Favela que foi urbanizada e se tornou um bairro normal.

Alheio ao caos a sua volta, um cavalo pasta tranquilamente.

Vila Santa Tereza, logo na entrada do bairro pra quem vem pela BR-476, a “Rodovia do Xisto”.

Qual a razão dessa numeração, “476”? Se você não sabe abra a ligação que eu explico.

Esquerda: Na divisa entre as vilas Evangélica e Monteiro Lobato, casa típica da Zona Sul, sem acabamento, quitinete sobre um comércio.

Obras da prefeitura, em pontos distantes entre si do bairro:

A futura administração regional do Tatuquara (logo abaixo), e ao lado uma Cohab e o “Portal do Futuro”.

Atualização: o texto é de 14, como sabem. A adm. regional já está ativa. Falta o Terminal de ônibus do Tatuquara, a muito prometido.

Uma árvore amarela enfeita uma vila humilde.

Em outras postagens produzidas desse mesmo rolê, fotografei dezenas de flores dali do Tatuquara (agrupadas junto com outras dos bairros Alto Boqueirão e Sítio Cercado, clicadas outro dia).

Ademais, veem pelas imagens (e pelo horário em algumas fotos) que está anoitecendo. Tirei muitas fotos do céu, registrando esse Pôr-do-Sol.

……….

Curitiba é uma cidade violenta: mesmo no bairro mais pobre da cidade, quem pode vai morar em condomínio fechado (abaixo, a esquerda).

Triste sinal dos tempos.

Depois do rio já é Campo de Santana, onde eu não entrei. O registro desse vizinho bairro fica pra outra oportunidade.

A chegada a fronteira de bairros marca também o limite entre o dia e a noite.

O Sol vem fechando mais um ciclo de Trabalho (passagem consagrada em outra mensagem.

E eu acompanho-o e também encerro por aqui mais um registro da cidade.

Que Deus Pai-Sol/Mãe-Lua Ilumine a todos os Filhos e Filhas.

Ele-Ela proverá”

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