Transição entre livre e padronizado: unindo o Rio Grande do Sul ao Piauí

transicao

Teresina, Piauí: alguns busos da Taguatur (azul) ainda estão em pintura livre. Os verdinhos já são no padrão determinado pela prefeitura. Essa viação não adotou a pintura intermediária de transição, passou direto do livre pro padronizado. Leia mais sobre o transporte no Piauí aqui e aqui.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 11 de outubro de 2015

Imagens oriundas da internet. Os créditos foram mantidos conforme solicitado, sempre que estavam impressos. Fonte de várias fotos: sítio Ônibus Brasil.

Você sabe o que os ônibus da Gde. Porto Alegre (e Litoral Gaúcho) têm em comum com os de Teresina?

É simples. No Piauí e no Rio Grande do Sul, quando o poder público determinou que as viações padronizassem a pintura, elas adotaram uma pintura de transição: evel

Meio livre, meio padronizada.

Mas nem todas. Justamente por não ter sido compulsório esse passo, algumas empresas o fizeram, enquanto que outras dispensaram.

………..

centralVendo as imagens é mais fácil de entender.

A direita, articulado da Evel na pintura padronizada Metroplan adotada pra todos os ônibus metropolitanos do Rio Grande do Sul, capital e litoral: azul-clarinho uni-tom.

Na mensagem sobre ônibus urbanos trucados (c/ 3º eixo) nós vemos um Tribus da Viamão, também azulzinho.central-livre

Sobre a manchete, e de novo a esquerda, veja um Torino da Central indo pra São Léo:

O mesmo azul-clarinho compulsório do governo estadual. Mas, ops, algo é diferente:  aquela faixa verde-escuro e amarela vertical.

……….

real-livre

Real Rodovias indo pra Esteio, também na R.M./PoA, pertinho de São Leopoldo. Ainda na  pintura livre, uma faixa vermelha e azul horizontal.

Agora veja a direita. Mesma viação, modelo e linha. Na pintura livre.

Quando foi adotada a padronização, a Central cumpriu a regra. Mas ainda assim deu um jeito de manter sua frota personalizada, com sua cara.

Você vê a faixa auri-verde. Bingo. Só pode ser da Central, é claro.

A Evel, e tantas outras, dispensaram essa caracterização.

………real

Vejamos outro exemplo. A esquerda Real Rodovias, quando ela podia descorar sua frota como bem entendesse.

A direita padronizado. Todo azul-clarinho como é obrigatório. Mas com o detalhe da faixa vermelha vertical pra você saber que é Real.

asa branca - livre [antiga]…………

E agora o Piauí. Ocorreu um processo parecido com o Rio Grande do Sul, porém mais complexo.

No RS após a padronização algumas viações adicionaram uma faixa vertical com sua própria cor de escolha. Só isso, sem variações.

Em Teresina, até um tempo atrás ainda vigorava a teresinense - livre1pintura livre.

Veja exemplos dos anos 80 e 90.

Esquerda: Apresentação de frota Engerauto da Asa Branca.

Direita: São Remo da Teresinense servindo ao bairro cidade verde - livre[antiga]Mocambinho.

Novamente esquerda: imponente Vitória Padrão (alongado, ‘quando Volvo era Volvo‘) da Cidade Verde.

Detalhe: fabricado pela ‘Caio Norte’, antiga filial dessa encarroçadora que funcionava no Grande Recife-PE, e agora foi extinta.

padronizado-artic

Esse é metropolitano, vai pra Timon.

……

Seja como for, em algum ponto já nesse milênio (não vou saber precisar exatamente em que ano) a capital do Piauí adotou a pintura única uni-color pra seus ônibus.

A princípio todos os ônibus, de todas as partes da cidade, ficaram inteiro verde-claros, como esse articulado.

Depois disso adotou-se sobre o fundo verde-claro uma faixa vertical que indica que parte da cidade aquela linha serve.

mapaVeja o mapa a esquerda. A região Sul ficou amarela, a porção Sudeste da cidade azul, Leste vermelha e Norte verde-escura.

Embora os metropolitanos pra Timon  tenham também ficado verde-claro de fundo, eles não receberam a faixa vertical, pois esse modal de serviço não foi contemplado pela integração no cartão.

Nota pra quem não conhece a capital piauiense. O Centro de Teresina é as margens do Rio Parnaíba, que divide Piauí e Maranhão.

Por conta disso, o município de Timon está ao lado do Centro, mas já em outro estado. Faz parte da mesma cidade que é a Grande Teresina, mas fica não apenas em outro município como também outra unidade da federação. integracao

Por isso o mapa acima não tem Zona Oeste, pois a oeste do Centro é outro estado. A cidade é a mesma, uma metrópole bi-estadual (como também existe aqui no Sul do Brasil).

Timon é umbilicalmente ligada a Teresina, um bairro dela. Mas, ao menos por hora, ainda não entrou nesse esquema. Quem sabe um dia.

……..

Por hora, vamos nos ater ao que já foi feito: os busos ganharam faixas verticais, correspondendo ao mapa. Veja a direita.

Até aqui falamos apenas da padronização, que foi feita em 2 etapas, com crescente grau de complexidade.

Agora é que vamos mostrar que no Piauí, como no Rio Grande do Sul (até onde sei só nesses 2 estados), adotaram-se pinturas intermediárias, meio livre/meio padronizada:

Num primeiro momento, a lateral dos ‘carros’ foi mantida na teresinense - transicao1pintura livre.

Mas, antes de repintar o ônibus inteiro no novo padrão, já se adicionaram elementos dele.

…………………

Novamente, vendo fica mais fácil de entender. Viram a pintura livre da Teresinense acima.

piaiuiense-livre

Viação Piauiense, pintura livre.

Que sobreviveu a virada do milênio e ainda era vigente quando a cidade resolveu padronizar sua frota.

O que a Teresinense fez?

Pintou a faixa verde-escura, vertical – indicando que suas linhas vão pra Zona Norte e já estão integradas no cartão – sobre os busões que a princípio mantiveram a pintura livre.

……..

Houve também uma variante.

Algumas viações pintaram a frente do ônibus de verde-claro, padrão determinado pela prefeitura.

Mas num 1º momento ao menos a lateral continuou livre.

Perceba acima e ao lado como isso foi feito pela Viação Piauiense.cidade verde - livre

……….

E houve quem fez ambas as coisas.

A direita um Apache da Cidade Verde, na pintura livre que a empresa usava no século 21.

cidade verde - transicaoEm relação ao século 20 houve duas pequenas mudanças, o nome da viação na lateral ficou menor e o verde ficou mais claro.

A esquerda um mesmo Apache sendo padronizado por etapas. A pintura livre lateral ainda existe. 2 irmaos - livre

Mas a frente já é inteira verde-claro, e há as faixas vermelhas (vertical na lateral, horizontal sob o para-brisas) mostrando que aquela linha pertence a Zona Leste. 

………

2 irmaos - transicaoHouve ainda uma 3ª variação, essa mais sutil.

A direita outro Apache. Esse da 2 Irmãos, que cruza a ponte e vai pra Timon. Pintura livre, a viação se dá ao capricho de decorar incluso as rodas.

E é nas rodas que vemos que o buso, embora ainda pintura livre, ensaia a padronização. 

transicao1

Transição em Teresina. Alguns veículos já na pintura padronizada, outros ainda na livre. Veja a mesma cena em Florianópolis, dessa vez clicada por mim. Alias, já escrevi sobre padronização, despadronização e repadronização da capital catarina.

Veja que elas foram repintadas de verde-claro. Um dia, todo o veículo também o será. Tudo tem que começar por alguma parte, não é mesmo?

……….

Vamos ver mais algumas imagens do Piauí e logo voltamos ao Rio Grande do Sul.

1 a 6) Pintura livre e transição da Viação Santana, Asa Branca e a seguir mais alguns da Teresinense (2 de cada);

7) Transição da Cidade Verde, esse vai pra Z/N; 8) a 1ª padronização, uni-tom verde-claro, ainda sem a faixa da região; e 9 a 12) quando ela foi adicionada.

Começando pela Zona Sul; Sudeste; Leste; e fechando com a Zona Norte. Clique sobre pra ampliar, o mesmo vale pra todas.

santana - livresantana - transicaoasa branca - livre[antiga]asa branca - transicaoteresinense - livreteresinense - transicaocidade verde - transicao1teresina-padronizadoteresina - padronizado sulteresina - padronizado sudesteteresina - padronizado lesteteresina - padronizado norte

real-transicao……………

De volta ao Rio Grande do Sul e seus ônibus tri-legais.

A esquerda transição na Real Rodovias:

2 ainda pintura livre, 3 já padronizados mas com a faixinha rubra personalizada.sao jose - livre

………..

Agora a São José, que opera no Litoral Norte Gaúcho.

sao joseA direita:

Na época que ela podia pintar sua frota como bem entendesse, o desenho adotado foi esse.

Quando veio o azul-clarinho compulsório, as mesmas cores laranja, verde e bege foram pra vertical.

Ao lado, todo de branco, Torino da Vimsa – Viação Montenegro S.A. – na pintura livre.vimsa-livre

Quando padronizou ela personalizou seus veículos com uma faixa bege.

As rodas foram mantidas brancas, lembrando o tempo em que o veículo era inteiro alvo.

vimsaFechando com chave de ouro, como abrimos, mais um Torino da Central (abaixo).

Faz seu trajeto pela “Federal”, que é como a BR-116 é conhecida na Grande Porto Alegre.

……….central-1

Acima acaba o texto original. Mas agora soltamos uma atualização de novembro de 2016:

Um Busscar da Guaíba na pintura livre (esq.), a mesma pintura livre que a empresa utiliza desde os anos 80.

Essa viação opera majoritariamente linhas metropolitanas. E algumas rodoviárias.

guiabaEsse buso, como é do ramal rodoviário, permanece podendo ser decorado ao gosto do proprietário. Não precisou adotar o padrão da Metroplan visto acima.

Apenas a letra mudou, foi levemente estilizada. Mas toda a decoração do busão ainda é aquela que marcou época também nos metropolitanos, antes deles serem azulados.

Como o autor colocou, “na ativa no finalzinho de 16”. Pra matar (de) saudades . . .

“Deus proverá”     

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