a Fênix Trovão Azul: de Norte a Sul, Energia jamais se perde, apenas se transforma

Monob 2 cmtc sp buso anos 80 trovão azul

Monobloco: São Paulo, anos 80

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 16 de novembro de 2013 e 4 de julho de 2014

Nota: Os créditos estão mantidos, como solicitado. As fotos vieram dos sítios Ônibus Brasil e Revista Portal do Ônibus (além do finado Memória Gaúcha).

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Uma pintura de ônibus que havia em São Paulo nos anos 80 desaparece.

Mas ressurge na Grande Porto Alegre-RS nos anos 90. Novamente desaparece.

Grande Porto Alegre-RS1 anos 90

Torino na Gde. Porto Alegre, anos 90.

Mas novamente reaparece em Manaus-AM nos anos 2000.

O Trovão Azul é uma Fênix.

Muito além da busologia, vamos usar essa sua dupla vitória sobre a morte pra filosofarmos sobre a Energia.

Ela nunca morre, apenas se transforma. Se recolhe pra um dia ser novamente reativada.

Manaus-AM

Manaus, anos 2000

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Mandei-lhes uma mensagem re-lembrando o famoso “restaurante do avião” que havia nos anos 80 em Santa Felicidade, Zona Oeste de Curitiba.

Ele cessou de existir, mas deixou descendência. Hoje, há dois restaurantes dentro de aviões na vizinha Santa Catarina, no curto trajeto entre as capitais dos dois estados. Dois, se um fosse pouco.

trovão sem placa azul buso sp trol artic branco 8000 CMTC caio

SP, 1985: tróleibus-articulado Amélia. Esse bichão é ícone do transporte paulistano, rodou mais de 20 anos. Confira essa história.

Digo de novo: ideias nunca morrem, pois Energia não se cria, não se perde, sempre se transforma. Se manifesta e depois se encerra, mas fica em semente no plano das ideias e um dia alguém capta e ela volta a existir na matéria.

Agora daremos novos exemplos, dessa vez numa seara que é de meu domínio por excelência, a busologia.

Vejam em várias versões (Monobloco, Padrão Amélia, Tróleibus antigo, Tróleibus Padrão Ciferal, Tróleibus-articulado, etc) ônibus da extinta CMTC paulistana na pintura “Trovão Azul”, que vigorou nos anos 80.

Na sequência: dois Amélias Volvo, dois Torinos Scania, um trólei Mafersa (até aqui todos são ‘Padrão’, mais longos) e mais um Monobloco Mercedes, esse é um cabritão. Clique sobre as fotos que elas se ampliam, o mesmo vale pra todas.

Grande Porto Alegre-RS anos 90

Veneza com 20 anos ainda na ativa na Grande Porto Alegre, anos 90

Foi criada na gestão do prefeito Reinaldo de Barros (79-82), e mantida por Mário Covas (83-85). A seguir Jânio Quadros (86-88) a extinguiu.

Levou um certo tempo até re-pintar toda a frota, eram quase 3.000 mil ônibus em diversos padrões de pintura, a maior parte deles estava nessa configuração.

O “Trovão Azul”, assim, existiu na capital paulista em todo os anos 80, e nos anos 90 desapareceu.

Desapareceu de São Paulo, apenas pra re-surgir em outras duas capitais do país, em lados diametralmente opostos: Manaus e na Grande Porto Alegre.

sp monob buso cmtc azul

SP anos 80: Monobloco numa pintura “Trovão Azul” diferente. Essa configuração não era o padrão da CMTC, trata-se de uma ‘ovelha negra’ desgarrada, um engano de alguém que acabou passando.

Nos anos 90 a viação Sete de Setembro de São Leopoldo (município do Vale dos Sinos, na Zona Norte metropolitana da capital gaúcha) adotou exatamente a mesma pintura “Trovão Azul” pra caracterizar sua frota.

Veio a virada do milênio, e a Sete de Setembro achou que o ciclo estava encerrado. Mudou a pintura pra outro padrão.

O “Trovão Azul” morreu novamente.

Como um Lázaro de força dobrada, ele renasceu ainda mais uma vez, agora em Manaus, na outra ponta dessa nação-continente.

Dessa vez, numa empresa de fretamento, não de transporte urbano regular. Não importa. Ainda é um ônibus pintado praticamente igual. Não precisa teste de DNA, basta olhar pra ver que o “Trovão Azul” paulistano é o pai do manauara.

troleibus moderno cmtc anos 80

SP anos 80: trólei Ciferal moderno. Atrás outro do mesmo modelo na pintura ‘Amarelinha CBTU’. Leia história dos tróleibus no Brasil.

Perdurou toda a primeira década do milênio, de forma que pude ver com meus próprios olhos ao vivo quando lá estive, em 2010:

a 4 mil quilômetros de onde surgiu, e mais de duas décadas depois de ter sido extinto na origem, lá estava o Trovão Azul na minha frente, de novo.

O que é bom definitivamente nunca tem fim.

Alma Imortal é isso e não há outro. Vence o tempo e o espaço.

……….

Agora o Trovão Azul se encerrou novamente. Até onde sei não há nenhuma empresa com essa pintura atualmente.

troleibus cmtc anos 80

SP, anos 80: 2 tróleis dos anos 50 ainda na ativa. Momento de transição, a frente Trovão Azul, pintura dessa década. Atrás no padrão dos anos 70.

Por hora. Como o Sol após o anoitecer, ele está só descansando. Um dia retorna a matéria.

Não restam dúvidas: Energia não tem começo nem fim mesmo. Não se perde, não se cria, apenas alterna as dimensões.

Assim É.

……..

Outra prova: nos anos 80, em Curitiba como em muitas outras cidades, a maioria dos táxis eram Fuscas.

O tempo passou, e hoje obviamente não existem mais. Na matéria. Mas veja o imã de geladeira de uma empresa de Tele-Táxi:

taxiAinda traz estampado um simpático Fusquinha operando como táxi. Um símbolo, um arquétipo. Extinto no plano físico-denso, está vivo no Coração de quem o conheceu.

A matéria é perene, surge, tem seu ápice e depois se vai. As ideias são perenes, não morrem jamais .

Deus proverá”

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