Abriu o baú: os ônibus metropolitanos de Curitiba antes da padronização

Campo Largo monob buso ctba livre z/o

Monobloco da Campo Largo, Zona Oeste. Nessa postagem outro do mesmo modelo da A.V. São José dos Pinhais

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 3 de julho de 2014.

……….

Segue a seção nostalgia busófila. Vamos, como arqueólogos virtuais, continuar desenterrando os fósseis, pra compor o quadro de como era o transporte urbano nos tempos idos.

As fotos (clicando sobre elas aumentam) vieram desses sítios aqui:

Ônibus do Sul/Memória Gaúcha (mantenho a ligação mas infelizmente saiu do ar); Transporte Coletivo (mesmo caso, está no ar mas inativo); Revista Portal do Ônibus (a partir dessa as páginas estão ativas); Megabus Flogão; IvannBuss; A Folha do Omnibus; DBPBuss; e Ônibus Brasil. Visite as fontes.

Colombo buso ctba livre marcop laranja verde

Viação Colombo, Z/Norte. Mais 2 postagens sobre essa viação: mostrando sua garagem na matriz, nos anos 80. E outra retrata uma filial que ela teve em Toledo, no Oeste do estado, na mesma época.

Os créditos estão mantidos,  sempre que eles estavam impressos nas fotos.

………..

Hoje os ônibus metropolitanos da Grande Curitiba são numa única cor.

Boa parte adota o padrão do sistema municipal (amarelo, laranja, vermelho), os não-integrados são bege.

Com exceção da viação São José que são vermelho-escuro (há ainda uns poucos da Castelo que são verde-escuro mas estão sendo pintados de bege).

Ou seja, há variações conforme a viação e tipo de serviço, mas todos os veículos são uniformemente monocromáticos.

buso ctba livre velho azul s. antonio colombo z/n

Veículo fabricado nos anos 60, em ação nos anos 70. Pintura mais antiga da Viação Santo Antônio. Entre as que eu presenciei. No fim da matéria há um ônibus ainda mais antigo.

Mas um dia não foi assim. Até o começo dos anos 90 era pintura livre.

É o que vamos relembrar. Nem sempre as fotos estão ao lado da descrição, identifique pela legenda.

…………

Faremos agora mais um série sobre a busologia, mostrando como foram e são os ônibus por esse Brasilzão afora.

Como já falamos muitas vezes, no fim dos anos 70 o regime militar padronizou as pinturas dos ônibus de São Paulo, Brasília-DF, Belo Horizonte-MG, Campinas-SP, Curitiba, Goiânia-GO, Porto Alegre-RS, Florianópolis-SC, entre outras.

Em B.H., Goiânia e Floripa, tanto os municipais quanto os metropolitanos. Nas demais apenas nos municipais.

almirante-tamandare

Almirante Tamandaré, Zona Norte

Resultando que em minha infância nos anos 80 os ônibus municipais daqui de Curitiba já eram padronizados, todos numa cor só.

Mas os metropolitanos ainda tinham pintura livre. Cada viação fazia o que queria com sua frota de veículos.

Alguns deles eram azuis, cor que era tabu na rede municipal, como já debatemos em outras mensagens.

Até que Requião, na primeira metade dos anos 90, na 1ª das 3 de suas gestões como governador, pintou os metropolitanos também de uma cor só. Clique pra ler a matéria, com muitas fotos.

Na foto em que há o veículo da Castelo, repare ao fundo, a esquerda, um já nesse padrão uni-colorido. Eu te ajudo pela legenda.

Pinhais buso ctba livre marcop azul

Pinhais, Zona Leste (na época pertencia ao município de Piraquara)

Então vamos abrir o baú e relembrar como era antes disso. Cada empresa, além da pintura, podia escolher se o embarque era traseiro ou dianteiro.

Na Azul, Castelo Branco, Campo Largo e Colombo, era por trás. Na Piraquara e Santo Antônio pela frente.

Não vou saber te dar esse nível de detalhamento pra outras viações, faz muito tempo e eu, por ser criança a época, não ia de ônibus sozinho pra região metropolitana.

araucaria1

Araucária, Zona Sul.

Peguei uma vez um da Viação Colombo e me lembro cristalinamente que entramos por trás.

Os demais vi pelas fotos, quando foi possível. Alguns eu cheguei a tomar, mas não guardei esse detalhe.

…………..

Abaixo a esquerda: Raridade Total!!! Caio Amélia da São Braz que vai pra Campo Magro, Zona Oeste.

Na época, Campo Magro ainda pertencia a Almirante Tamandaré. É dificílimo ver fotos dessa empresa na pintura não-padronizada.

campo-magro-entao-distrito-de-tamandareÉ uma viação bem pequena, e na época, antes da revolução tecnológica, não havia nem câmera digital nem internet pros busólogos se comunicarem.

Logo, alguns Pioneiros abriam o caminho na raça, com câmera de filme, tinha que revelar depois.

Sou busólogo desde a Gênese, e ficar na internet é o que eu mais faço. Nunca tinha visto foto de um São Braz multi-colorido. Alias fiz esse emeio justamente por conta da raridade dessa foto, assim a divulgamos.campo largo

Se você também é busólogo, saberá apreciar o complexo alinhamento que se produziu pra estarem lendo isso.

Em outra homenagem, começamos por aqui e vamos no sentido anti-horário.

Direita: Veneza da Campo Largo na pintura do começo dos anos 80.

auto viacao curitiba

São Remo da Auto Viação Curitiba, virada dos 70 pros 80: na época a empresa era dona da Campo Largo, repare a similaridade das pinturas. Ative a ligação pra ver matéria completa dos ônibus municipais de Curitiba nessa época.

Atualização: Hoje a Viação Campo Largo encabeça um dos maiores grupos de transporte da Grande Curitiba e mesmo do Paraná, pois tem filiais no interior.

Oujo conglomerado engloba também as Viações Tamandaré, Piedade e Antonina.

………….

Mas nem sempre foi assim: no começo dos anos 80 a Campo Largo era uma empresa pequena que nem sequer tinha vida própria, pertencia a Viação Curitiba.

Ambas tem a mesma área de atuação,  a Zona Oeste da Grande Curitiba. Suas linhas partem do Centro da capital rumo a parte ocidental da metrópole.

mono sjp

Executivo Aeroporto‘: Monos rodoviários da Viação São José dos Pinhais ligavam nos anos 80 o aeroporto (que é nesse município) ao Centro de Curitiba. Essa pintura era exclusiva dessa linha, extinta nos anos 90. Atualmente retomada, no entanto feita por micrinhos e micrões, mas não mais ônibus de tamanho normal. Veja um dos atuais em testes.

As da Campo Largo, como o nome indica, avançam até o vizinho município de mesmo nome, enquanto que as da Curitiba são municipais.

O ponto final é em municípios distintos, mas boa parte do trajeto é o parecido, no caso da linha São Braz mostrada na foto quase identico pois ela vai pela BR-277.

……….

Nos anos 80 a Curitiba vendeu a Campo Largo, que foi crescendo, comprando outras viações (na Grande Curitiba e também no interior do estado, dominou a divisa PR-SC).

Entrou pro sistema municipal de Curitiba, inclusive com vários bi-articulados.

Tanto que tem uma garagem aqui no bairro do Boqueirão, Zona Sul, pra operar as linhas municipais.

Enfim, a Campo Largo se tornou gigante. Segundo maior grupo da Grande Curitiba, só atrás dos Gullin.

sul

Abriu o baú: Gabriela 1 (que era inclinado) da Viação do Sul nos anos 70 ou começo dos 80. Essa empresa serve Rio Branco do Sul e o vizinho Itaperuçu (que na época pertencia a Rio Branco).

Já a Curitiba foi no sentido oposto. Acumulando dívidas, primeiro vendeu a C. Largo pra se capitalizar.

Não foi suficiente. Com a licitação de 2010, a Auto Viação Curitiba deixou de existir, sendo comprada por viações maiores.

Resumindo, a Curitiba era a cabeça de um grupo. 1º vendeu a filial, operou um tempo sozinha, e depois faliu.

Já a Campo Largo começou como subsidiária de outra maior, subiu na vida, se tornou independente, e agora ela é quem é cabeça de um grupo. O mundo dá voltas . . .

………..

Agora vejamos 1ª pintura da mesma viação C. Largo já como independente da Curitiba. Na virada da década de 80 pra 90 ela era assim, bege com faixa escura.

Glorioso Monobloco Mercedes (1ª imagem, no alto). Confira outros Monos em ação pelo Campo Largo buso ctba livre caio gabi z/oBrasilzão afora.

Ao lado, um Gabriela, ambos da Campo Largo, Zona Oeste.

Há muuuuuuuito tempo a viação Campo Largo não compra mais Caio. Registramos uma era que se foi.

……….

A esquerda Marcopolo Torino. Mais pro alto da mensagem um Nimbus Haragano (com letreiro inclinado pra frente que é sua marca registradíssima). Os dois bichões descansam antes de zarpar pra Araucária, Zona Sul.

araucariaNote que um deles vai pela Avenida das Araucárias, e outro pela BR-476, a Rodovia do Xisto.

A primeira é a linha-tronco, e por isso ainda existe.

Ainda há uma linha ligando o Centro dos municípios de Curitiba e Araucária pela Av. das Araucárias, alias de forma bi-modal: fazenda

Há o ônibus Convencional parador e a Linha Direta (Ligeirinho).

Já a que vai pela Rodovia do Xisto foi seccionada, findando agora no Terminal Pinheirinho (Zona Sul), do qual é Alimentadora.

fazenda2Ainda existe, mas não vai mais ao Centro de Curitiba, é preciso baldear.

………….

Acima e direita dois de Fazenda Rio Grande, Zona Sul:

Primeiro um Comil na pintura municipal. Hoje mesmo as linhas internas do município são padronizadas no modelo de Curitiba, unicolor inteiro laranja.

faixa lona janela abre embaixo inclinado gabriela 1 Caio Bela Vista Viação São José merced z/l Pinhais roda pintada ctba sjp lona munic marrom bege monob 2 buso especial

Caio Bela Vista da S. José. Municipal, por isso marrom. Depois o nome da viação também passou a ser escrito em letra de mão.

E depois um Mafersa metropolitano, que ligava os Terminais da Fazenda e do Pinheirinho, esse último no município de Curitiba.

Alias esse primeiro lote era composto exclusivamente de Mafersas.

Vamos pra São José dos Pinhais, na Zona Leste. Vários da Viação São José, que tinha como marca indelével o nome escrito a letra de mão.

O Monobloco (logo abaixo) cumpre a linha-tronco que une os dois municípios pela Av. das Torres, bairro do Uberaba (ou seja, não sai da Zona Leste).

A maioria das linhas da Viação S. José vai pela Av. das Torres.

Balsa_Nova

Raridade: Mono 1 da Balsa Nova ainda na pintura livre!!!

Há 3 exceções: “Pedro Moro via Boqueirão” (Marechal Floriano, veja foto), “Pedro Moro via Uberaba” (Av. Salgado Filho) e “Independência via BR-277”.

Única linha da S. José pela BR, ali é território das outras viações que vão pra SJP, a Graciosa e Marumbi, que são do mesmo grupo.

A direita um Veneza, exatamente na linha da 277. Já o Torino (visto mais pro fim da matéria) vai via Zona Sul, passa aqui pelo Boqueirão.

Depois, a direita um pouco mais pra baixo, mais um Mono, esse da Viação Graciosa, que serve o Jardim Ipê, também em S.J.P. .

………..sao jose1

Quando a pintura era livre, a Graciosa adornava seus veículos urbanos (com duas portas e cobrador) exatamente na mesma pintura que os rodoviários.

O princípio do itinerário de ambos os modais é o mesmo, a BR-277, que recomeça no Jardim Botânico (Zona Leste), logo após o cruzamento com a BR-116.

sao-jose-dos-pinhaisMas, obviamente, os metropolitanos só pegam o trecho urbano da estrada.

Têm seu ponto final nos diversos bairros e vilas desse município que margeiam a BR, ainda dentro da mancha urbana da Grande Curitiba.

Já os de viagem cumprem o trajeto da 277 de ponta a ponta, descem a serra rumo ao litoral.sao-jose-dos-pinhais2

Como nota, tanto os busos que vão pra Zona Leste quanto os diametralmente opostos, que servem a Zona Oeste, passam pela BR-277.

Que corta a Grande Curitiba de leste a oeste. Na verdade corta o Paraná inteiro de leste a oeste.

curitiba-posto parisVemos 2 Graciosas. Esquerda:

São Remo Marcopolo.

Acima:

Mono 3 da Graciosa em sua garagem.

Amplie pra reparar que atrás há um Nielson (1º nome da finada Busscar) da Viação Marumbi. marumbi em curitibaAmbas são do mesmo dono.

Ao lado, outro Mono 3 da Marumbi, operando aqui na Grande Curitiba, indo pro bairro da Roseira, São José dos Pinhais, Z/Leste da RMC.

Mais pra baixo na matéria a foto colorida de um Marumbi.

buso ctba livre marcop azul pinhais z/lNessa mesma pintura livre que ela usava na Grande Curitiba e ainda usa no Litoral, pra ligar Paranaguá aos balneários.

…………….

Quem disse que Curitiba não tinha ônibus azuis nos anos 80 e 90?buso ctba livre marcop pquara z/l verde amarelo

Não apenas os tinha, como num caso nomeavam mesmo a viação.

Dois Torinos contemporâneos dessa empresa, que atende a Pinhais (até 1992, distrito de Piraquara), Zona Leste.

Um ao lado e outro visto acima, veja a legenda.

Relembre quando o Expresso Azul era … azul. Porque hoje, oh, quanta diferença:

castelo

Monobloco da Castelo.

Se você vir um ônibus azul na garagem da Azul, é porque ele veio usado do Nordeste. Ironia da Vida……Deus É o Cara Gozador!!!

Note que um dos Torinos azuis da Azul ainda tem placa de 2 letras, o outro já de 3.

Alias, justamente por ter sido clicado antes da divisão política, ainda ostenta “PR-Piraquara” acima do KS-6745.

Mais um Torino, da Viação Piraquara (direita).

viacao colombo

Transição: Condor/Ciferal Paulista da Viação Colombo ainda na pintura livre. Atrás um (provavelmente mesma viação e modelo) roxo, já na padronização do Requião.

Essa empresa serve o Centro do município e imediações, a parte que permaneceu em Piraquara quando Pinhais se foi, em 1992.

Justamente a região que eu visitei e fotografei esses dias.

Amplie a foto pra eu reparar um detalhe que vou comentar. Veja no canto inferior esquerdo do vidro, há um adesivo: “Tarifa Cr$ 23,00”. Por extenso: vinte e três cruzeiros reais.

Esse país já teve tantas moedas que é preciso ser uma enciclopédia pra lembrar de todas. A geração mais nova, que só conhece o Real em toda sua vida, nem faz ideia o que é isso.

castelo buso ctba livre marcop azul amarelo

Viação Castelo Branco serve 4 Barras e Camp. Grande, Zona Leste. Repare atrás alguns ônibus já na pintura padronizada unicolor.

Mas não é sobre a economia que quero falar, e sim sobre a busologia.

Não sobre em qual moeda é a tarifa, mas sim sobre o adesivo mesmo que informa o valor logo na entrada.

Essa não é uma característica orgânica de Curitiba, Requião a importou de São Paulo e outras cidades no seu primeiro mandato como governador.

Quando alias ele padronizou a pintura dos metropolitanos, acabando com as pinturas livres que estamos relembrando aqui.

Logo, por esse detalhe sabemos que esse ônibus está em seus últimas dias de pintura livre, muiti-colorida como um pavão abrindo a cauda.

Logo ele seria pintado numa única cor, primeiro a Piraquara foi obrigada a adotar o azul, depois da virada do milênio optou pelo bege.

buso ctba livre caio azul bocaiúva s. antonio

Caio Amélia da S. Antônio na pintura mais antiga indo pra Bocaiúva

Veja nessa postagem um Monobloco da Expresso Azul já na pintura padronizada, também azul mas sem a faixa amarela que a caracterizava quando ela podia escolher como adornar sua frota.

Também com adesivo informando a tarifa no vidro. A Expresso Azul e a Viação Piraquara na época atendiam o mesmo município, pois Pinhais pertencia a Piraquara, como todos sabem.

Assim seus ônibus foram pintados da mesma forma na padronização.

fazenda1

Mais um laranja que ligava Faz. Rio Grande ao Term. Pinheirinho, Z/ Sul

Arrematando o que eu dizia sobre o adesivo informando a tarifa: não era algo orgânico daqui, trouxeram de fora, e tentaram que pegasse. Não pegou.

Logo esse costume foi abandonado. Hoje, novamente os busos de Curitiba, municipais e metropolitanos, não têm esse aviso na frente.

…………

Acima a esquerda ainda mais um Marcopolo Torino, da Viação Castelo Branco, que atende Campina Grande do Sul e Quatro Barras, igualmente na Zona Leste. Procure pela legenda.

Lembre-se que essas postagens surgiram como emeios, que têm formato bem distinto. Vemos que esse modelo foi popular aqui na região de Curitiba, não?

transicao

Vitória da Santo Antônio nos últimos dias da pintura livre: note o buso que vem atrás já está padronizado com uma só cor, em bege.

A linha (do Castelo Branco) é Curitiba-Borda do Campo, conhecidíssima dos mochileiros porque tem seu ponto final no pé do Anhangava.

Ainda existe, mas a exemplo da Araucária via Xisto foi seccionada e hoje é Alimentadora. Não vai mais até o Centro de Curitiba, mas só até o Terminal 4 Barras, onde é preciso baldear.

Note que existe também outra Borda do Campo na Zona Leste, em São José dos Pinhais. Apesar de homônimas, as Bordas do Campo da Z/L ficam bem distantes uma da outra.

sao-jose-dos-pinhais1

Torino da São José dos Pinhais. Vai pra esse município da Z/ Leste, essa linha específica via Boqueirão (Z/ Sul)

Nota: eu sei que não se usa muito dizer que tanto São José dos Pinhais quanto 4 Barras e Capina Grande são ‘Zona Leste’.

Pra SJP não incluem em nenhuma divisão, nem na Z/L nem na Zona Sul, e pras outras duas (Campina e 4 Barras) se diz erroneamente ‘Zona Norte’.

Mas, oras, esses 3 municípios estão claramente na porção oriental da Grande Curitiba.

Todos são a leste do Centro da metrópole, por isso os classifico como parte da Zona Leste. Veja o mapa que fiz.

mafersa_tamandare

Tamandaré. Escrito ‘Mafersa’ no letreiro menor, antes da linha.

Quanto aos demais municípios, minha classificação confere com a ortodoxia.

Na boca do povo, Colombo é Zona Norte, Campo Largo Zona Oeste, etc, então aqui não há rusgas. Segue o baile.

…………..

Outra raridade total!!! A pintura mais antiga da Santo Antônio, em duas imagens:

A azul a esquerda logo no começo da matéria e depois num Caio, a direita.

Vejas as legendas, esse detalhe está sublinhado.santo antonio

Primeiro falemos do dinossauro que está no alto da página. ‘Não é de meu tempo’.

Velho demais, fabricado nos anos 60, não o vi circular, de forma que nem sei qual o fabricante.

urbanus

Raridade: um Urbanus ainda com a marca ‘Nielson‘. A montadora de Joinville-SC só fazia rodoviários até 1987, quando entrou nesse novo nicho. Dois anos depois ela mudou o nome pra ‘Busscar’, que usou até falir na virada da década de 2 mil pra de 10. Se tudo fosse pouco esse bichão da S. Antônio era alongado (‘padrão’) e com o eixo a frente da roda.

………..

Direita: Ainda mais raro!!!

Voltamos ainda mais no túnel do tempo: Monobloco Jurássico, fabricado nos anos 60, operando nessa década ou no máximo na de 60. Também da Viação Santo Antônio.

Veja esse mesmo modelo em ação em Brasília, 1967.

Quanto a foto que está mais perto. É um Caio Amélia, coloquei isso na legenda pra não ter como confundir.

E como é Caio!!, veja o símbolo dessa montadora na capelinha do itinerário, a esquerda de onde está escrito “Bocaiúva do Sul”.

A Santo Antônio atende basicamente o município de Colombo (Zona Norte), mas uma de suas linhas chega até o distante município de Bocaiúva do Sul.

buso ctba livre marcop azul veneza colombo z/n s. antonio

Veneza da S. Antônio; vai pra Colombo, Zona Norte

Agora não mais de forma direta até o Centro de Curitiba.

Igualmente foi seccionada é atualmente é Alimentadora do Terminal Guaraituba.

Alias com a inauguração desse terminal e também o do Maracanã, quase todas as linhas da Santo Antônio são alimentadoras.

Ela opera a Linha Direta e o Troncal do Centro de Curitiba e dos terminais do Cabral e Santa Cândida até os terminais de Colombo.

buso ctba livre incasel azul colombo z/n s. antonioE dali as vilas desse vizinho município são atingidas mediante baldeação sem custos.

Mais dois Santo Antônio, na última pintura livre da empresa, aquela que eu presenciei mais.

No alto, a esquerda, já vimos um Marcopolo Veneza, abaixo do ‘Jurássico’ da mesma viação.

colombo

3 da Viação Colombo, 2 Torinos e 1 Nielson (depois finada Busscar).

E logo acima um Cisne da Incasel,  Novamente na tonalidade celeste. Quem disse que Curitiba não tinha ônibus azuis?

Quem???????? Chamo-lhes a atenção prum fato: a marca indelével dessa viação era colocar um retângulo branco antes da linha.

Veja, no letreiro a esquerda de onde está escrito “Atuba” e “J. Graças” está inserido esse símbolo.

Reparei nesse detalhe em minha tenra infância, e nunca colombo1mais me esqueci.

Coisa de busólogo, claro. As pessoas “normais”, mesmo as que pegaram esse ônibus todos os dias por décadas, nunca perceberam tal sutileza.

…………

Mais dois Marcopolos, agora da Viação Colombo.

O São Remo, mais antigo e ainda com placa de 2 letras (visto a direita na abertura da matéria) buso ctba livre marcop colombo z/n laranja verdevai pro Jardim Osasco.

Já com 3 letras, o Torino (mais um!), pro Centro do município. Foto a esquerda.

“Colombo Nova” se deve porque ele vai pela Estrada Nova de Colombo. almirante-tamandare1

Hoje essa linha se chama Ctba/Colombo via Rodovia da Uva, o outro nome dessa via.

Existia uma linha chamada “Colombo Velha”:

Ia pela Estrada Velha, que corta o interior do bairro Santa Cândida, ainda no município de Curitiba.

marumbi

As próximas 2 são fotos em outra configuração tempo/espaço: mais recentes, e não são da Grande Curitiba. Mas essas viações também operam na RMC, e usaram aqui exatamente essas pinturas. Acima: Viação Marumbi (pertence a Graciosa), que liga Ctba a S.J. dos Pinhais, e também tem linhas no Litoral. Anteriormente em ambas nessa configuração azul e branca. Aqui na capital foi padronizado, lá perto da praia ela continua assim. Já em SP e Rio Grande do Sul a padronização metropolitana é pro estado inteiro.

Essas linhas ainda existem mas hoje têm outros nomes.

Chegamos em Almirante Tamandaré (Zona Norte).

Oonde havíamos começado, pois no começo dos anos 90 Campo Magro era seu distrito, como já dito.

Bem, agora vamos ver a parte do município que permaneceu em Tamandaré após a cisão.

Na viação de mesmo nome, mais dois Torinos:

O mesmo caso, o mais velho (visto mais pro alto) com placa de 2 letras, o mais novo já com 3, a direita um pouco acima.

…………..

Galera:

Apertem os cintos que a viagem pela máquina do tempo (e do espaço) da busologia ainda vai longe.

E já que adentramos o túnel do tempo veja postagem específica sobre como era Curitiba nos anos 50.

reunidas

Viação Reunidas. A sede é em Santa Catarina. Mas há a filial da Grande Curitiba, as linhas conectam a capital a Mandirituba e Quitandinha (municípios que estão se integrando a RMC). Quando era pintura livre aqui esse era o desenho, que permanece no interior catarinense.

Lá há um mapa da cidade, em que vários bairros e municípios vizinhos eram diferentes, no nome e na forma.

Bem, no caso do neto do imperador dom Pedro a mudança foi bastante brusca . . .

E também uma tomada da Praça Rui Barbosa, num Centro de Curitiba ainda quase sem prédios.

Que antes estava aqui, mas como agora existe uma postagem mais sintonizada, foi movida pra lá.

Clique sobre as fotos pra ampliá-las, o mesmo vale pra todas.

reunidasATUALIZAÇÃO SETEMBRO/16: REUNIDAS EM CURITIBA

O Reunidas acima foi clicado recentemente, no interior de Santa Catarina. Incluí aqui porque também operou com essa pintura na Grande Curitiba, como informa a legenda.

Ao lado uma foto antiga, tomada no Centro de Curitiba, carregando pra partir pra Mandirituba ou Quitandinha.

ctba-marechal

……….

ATUALIZAÇÃO (FEV.16): PRESERVADOS E O MARECHAL METROPOLITANO

Agora vou soltar uma bomba:

A esquerda Viação Marechal na pintura livre.

É um Nimbus Haragano com motor dianteiro.

colombo-preservado

Duas viações da Grande Curitiba têm veículos preservados, com todas as características originais, pra relembrarem o tempo que eram pintura livre. Esse Nimbus TR é o da Viação Colombo. Ano 1975, como vê pela placa. Ele pertencera a empresa, porém havia sido vendido. Um dia um diretor da viação viu esse ônibus a venda em algum lugar, e ao constatar que antes ele já fora patrimônio da firma, convenceu a diretoria da Viação Colombo a readquiri-lo. Assim foi feito, ele foi reformado e repintado nas cores originais, e hoje é a atração nos encontros e sítios de busologia.

Alguém poderia argumentar: “então ele deveria estar na postagem que mostra os municipais de Curitiba antigamente, pois a Marechal é municipal.”

Aí é que está. Sim, hoje a Marechal é somente municipal.

O que pouca gente sabe é que a Viação Marechal já fez linha metropolitana. É verdade.

Nos anos 80 o roteiro Curitiba-Tanguá (o ponto inicial é perto do Passeio Público, o ponto final no bairro Tanguá, Almirante Tamandaré) era operado pela Marechal.

E os ‘carros’ que puxavam essa linha era nessa pintura. Que era a pintura livre da Marechal no sistema municipal, antes da padronização da virada dos anos 70 pros 80.

Quando os convencionais de Curitiba foram pintados de amarelo, os interbairros de verde, etc, a Marechal manteve os ‘carros’ Metropolitanos da linha pro Tanguá nessa configuração multi-colorida cinza, verde e amarela.

E eram desse exato modelo, Nimbus Haragano motor dianteiro.

Nos anos 90 essa linha foi repassada pra Viação do Sul (que na verdade pertence ao mesmo grupo, os Gullin), assim a Marechal passou a se concentrar só nos municipais de Curitiba.

castelo-preservado

2 tomadas do Gabriela 1 (da traseira inclinada) que é o preservado da Viação Castelo Branco.

Duas notas. 1) Em Porto Alegre-RS há um caso similar:

A VAP (Viação Alto Petrópolis) é do sistema municipal da capital.

Mas uma de suas linhas, a que vai pro bairro Índio Jari, entra no vizinho município de Viamão, na Zona Leste.

Por isso os veículos que a servem são pintados distintamente do resto da frota;

E 2) Hoje a Marechal tem uma filial na capital do Brasil. Essa viação curitibana foi uma das vencedoras do processo licitatório (que está sendo contestado na justiça) de Brasília-DF, e opera algumas linhas por lá.castelo-gabriela-preservado

………..

Como era o Circular Centro nessa mesma época?

Agora teremos que deixar Curitiba. Pois aqui nunca teve tróleibus. Breve cronologia desse modal elétrico já foi publicada nesse canal de comunicação.

sao paulo

CMTC em linha pra Z/L de SP

Veja os ônibus de São Paulo de algumas décadas atrás.

Saindo da busologia, mas mantendo-nos na década de 80:

Como eram os chicletes e por fim os refrigerantes “daquele tempo”...

“Deus proverá”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s