do MetroBel ao Move (e o tróleibus quase voltou): B.H., cidade-modelo do transporte brasileiro

B.H. - Move1

Move: moderníssimo corredor operando na Cristiano Machado. Na foto ainda em testes, mas atualmente rodando.

Por Maurílio Mendes, ‘O Mensageiro’

Levantado pra rede em 1º de agosto de 2015

Publicado (em emeios) em 2012 e 2014, acrescido de material inédito.

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Todas as fotos foram puxadas da rede, exceto uma. Informo qual na legenda. Os créditos foram mantidos, sempre que eles estavam impressos nas fotos.

bh (2)

MetroBel: 1ª padronização, começo dos 80. Incluiu metropolitanos. Veja o letreiro menor, dentro do vidro, como nos ônibus de viagem – típico de BH e Campinas-SP

Os direitos autorais pertencem aos autores e sítios que publicaram, eu só estou reproduzindo citando a fonte.

Vamos falar sobre como o transporte coletivo em Belo Horizonte-MG evoluiu através dos tempos.

Pra isso vou fazer uma compilação do que já escrevi sobre o tema.                                     

Até o começo dos anos 80, como em todos os lugares, era pintura livre, sem integração, articulados, corredores ou terminais.

Como já escrevi muitas vezes e é notório, no apagar de suas luzes o regime militar promoveu grande onda de modernização no transporte. Várias cidades padronizaram então a pintura de seus ônibus.

metro BH2

Metrô de BH

A maioria delas, a princípio, apenas no sistema municipal.

Mas B.H., Goiânia e Florianópolis padronizaram numa tacada o municipal e o metropolitano.

Em BH essa iniciativa se chamou ‘MetroBel’, exatamente porque incluía a região metropolitana.

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Belo Horizonte4

2ª padronização: adotam-se essas flechas. Só pros municipais. Atrás vem um ainda no padrão MetroBel.

No mesmo embalo, tentaram fazer com que os tróleibus retornassem a Belô.

Onde eles haviam circulado até a virada pros anos 70.

A Avenida Cristiano Machado, que liga o Centro a Zona Norte, teve instalada rede eletrificada própria pra esse fim.

E os veículos foram entregues, parecia que estava tudo certo, só faltava pôr pra rodar.

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Belo Horizonte7

3ª padronização, vigente: unicolor mas em dois tons, abaixo uma linha de prédios com símbolos da cidade. Só os municipais.

Mas não estava. A obra parou, os tróleibus de BH modernos nunca circularam pela cidade.

Após 6 anos parados num pátio, foram exportados pra Rosário, Argentina.

A princípio alguns operaram nesse vizinho país ainda com ‘Venda Nova’ no itinerário, traindo a origem.

Veja a matéria completa desse modal por toda América.

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trol buso padrão venda nova lagoinha letreiro lona torino marcop era bh vermelho faixa branca sem chapa não operou 3 portas zero km fábrica

O tróleibus ia voltar. A Cristiano Machado recebeu os fios, os veículos foram entregues, pintadinhos…

Em compensação implantaram uma linha expressa (hoje gostam de chamar de ‘BRT’, usando uma sigla em inglês) com ônibus a dísel no trajeto que seria feito pelos tróleis.

E alguns terminais de ônibus foram construídos.

Também foi feito um moderno metrô, utilizando um ramal de carga, que foi triplicado:

Agora correm 3 linhas paralelas, uma pra carga e duas pra passageiros, uma em cada sentido.

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argentina rosário outras postagens: "BH, do Metrobel ao Move" e "Tabela Trocada" trol buso venda nova letreiro lona torino marcop ex- bh padrão verde vermelho faixa branca roda sem chapa

. . . mas não voltou. A obra parou, os busos ficaram 6 anos zero km e parados num pátio. Até que foram pra Rosário. Operando na Argentina, mas na linha está escrito ‘Venda Nova’. “Tabela Trocada” internacional.

Quando estive lá, em 2012, essa era a situação. Haviam alguns pontos positivos, e outros ainda aguardando melhorias.

Um quesito falho é que só uma linha tinha articulados, e ela era praticamente fora da cidade.

Explico: a extremidade da Zona Norte de Belo Horizonte é bem pobre, e nisso incluímos tanto o município de Belô mesmo quanto os circunvizinhos.

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Pra desenvolver a região, o governo de Minas transferiu sua sede pra lá.

uninorte_001

Pra compensar, em BH fizeram uma linha expressa com veículos a dísel.

Fica ainda no município de BH, mas no seu ponto mais extremo setentrional, na divisa com Santa Luzia e Vespasiano.

É muito, mas muito longe do Centro de BH, alias a intenção é essa.

Assim, em 2012 a única linha que tinha articulados em toda Grande BH é a que ligava um terminal de metrô/ônibus na Zona Norte a sede do governo.

Incluso era de graça pra funcionários públicos, bastava apresentar a carteira funcional.             

cidade administrativa1

Em 2012, os únicos articulados de BH eram esses, 1 linha especial pra sede do governo estadual, que é na zona rural da capital. Esse ônibus hoje circula na Grande Curitiba.

Era muito pouco, obviamente, uma metrópole de mais de 5 milhões só ter uma linha com ônibus articulados, e que pra piorar opera na borda da cidade.

Por isso estava em obras na mesma Cristiano Machado que receberia os tróleibus mas acabou não recebendo um moderno corredor exclusivo pra ônibus, com estações futurísticas.

É o sistema ‘Move’, que agora já está operando.

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Esse é um apanhado geral, escrito quando levanto a matéria pra rede em 2015. Vamos agora começar a mesclar os emeios anteriores.

subsídio na tarifa pros mais pobres: B.H. ensina como faz

metropolitano

2ª padronização metropolitana, quando separou da municipal

Publicado em 31 de julho de 2014

Vamos comparar Curitiba e BH. Precisamos desse contexto pra depois analisarmos o transporte coletivo.

Antes, uma pincelada geral. Politicamente B.H. é muito mais relevante que Curitiba.

Basta dizer que o próximo presidente do Brasil poderá ser uma Mulher ou um Homem. Mas uma coisa é líquida e certa, será um mineiro. Mais: será um belo-horizontino.

metro1

3ª padronização metropolitana, vigente atualmente.

(Escrevi antes da re-eleição de Dilma, em que só se sabia que ou ela ou Aécio ganharia o pleito. Ambos são de BH, foi o que eu quis dizer.)

Mas Curitiba é mais rica. Mesmo em termos absolutos o PIB de Curitiba é maior que o de Belo Horizonte (aqui contando só os municípios, sem os subúrbios metropolitanos).

Como BH tem 700 mil habitantes a mais (2,4 milhões contra 1,7), fazendo o cálculo não é difícil entender que o PIB per capita curitibano é muito maior que o belo-horizontino.

BH- micro complementar

Ex-clandestino, agora legalizado e inserido no sistema como ‘Suplementar’. São mais baratos e só fazem linhas curtas, locais.

Curitiba na verdade tem o 4º PIB do Brasil, atrás apenas das metrópoles-esteio da Pátria que são São Paulo e o Rio, e a capital federal Brasília.

B.H. vem logo a seguir. Isso em números absolutos.

Proporcional a população a distância aumenta, já que Vitória-ES é a primeira, Curitiba a 5ª, Belo Horizonte a nona, apenas.

Se você inclui a região metropolitana, a coisa se equilibra um pouco a favor de Minas Gerais. A Grande B.H. é bem maior e mais rica que a Grande Curitiba.

Belo Horizonte-MG - 1982

A 1ª padronização foi no começo dos anos 80. O inglês Donald Hudson esteve no Brasil e documentou. Vamos no decorrer da matéria divulgando o trabalho dele, clique pra ampliar e ver os detalhes e comentários do autor. Aqui a transição: um São Remo padronizado, um Ciferal ainda pintura livre. Repare no logo da Coca-Cola ao fundo, que nunca mudou em mais de 100 anos.

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Vamos pro transporte coletivo, que é o que nos interessa aqui.

Visitei Belo Horizonte em novembro de 2012, vou falar do que observei na época.

O valor das tarifas citado aqui é o que era vigente em julho de 2014, quando eu pesquisei o tema pela última vez.

Anteriormente eu escrevi que os valores citados nesse texto eram os de 2012. Essa informação está incorreta.

Está no ar outro texto escrito assim que voltei de lá. Nesse sim podemos ver quanto custava o ônibus em BH em 2012.

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Sigamos. Além da implantação do ‘Move’, não estou a par de outras modificações.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Clicado por mim ‘in loco’, nov.12: em BH o buso tem a linha pintada na lateral. Mas e se precisa fazer outra linha? Hum … Cobre a linha com fita crepe!! Ficou bom? Responde você.

Em 4 quesitos, o sistema de transportes de lá era pior que o de Curitiba:

Não há integração plena com a Região Metropolitana.

– Há pouquíssimos terminais

– Não havia corredores exclusivos, com embarque em nível

– Não existiam ônibus articulados, só cabritada pitoca. Nos anos 90 e começo dos 2000 houveram, mas haviam sido eliminados, exceto na linha pra sede do governo.

Mas atenção: vi que estava em estágio avançado de obras, e agora já está funcionando, o sistema “Move”, como retratado nas imagens.

Agora há articulados que vão por vias segregadas.

transbetim

Municipal de Betim, Z/O da Grande BH

E as plataformas de embarque parecem saídos dos filmes de ficção científica de tão modernas.

Similares as que há em Bogotá-Colômbia, e também ali em Minas mesmo, em Uberlândia.

Por enquanto é um corredor só, mas outros virão.

Assim, dos 4 pontos em que Curitiba batia B.H., dois se foram, ao menos parcialmente, por isso não sublinhei.

veneza expresso buso bh livre vermelho bege padrão alongado anos 70 80 calota

Veneza Expresso da Real, pintura livre.

Realmente a falta de terminais e de integração plena com a R.M. ainda são problemas pra serem resolvidos no futuro, espero que não muito remoto.

Ou então que se faça a integração total no cartão, aí dispensa a construção de terminais físicos. 

Os usuários metropolitanos também podem ser beneficiados pela integração plena tarifária no cartão, se houver vontade política pra tanto.

veneza

Mesma linha, viação e modelo (e quem sabe mesmo veículo) agora já na pintura padronizada.

Vamos agora ver onde Belo Horizonte estava a frente de Curitiba:

Há uma linha de metrô, que liga a Zona Oeste a Zona Norte.

Passando pelo Centro da cidade. Belo Horizonte é um ‘L’ ao contrário, cresceu justamente pra oeste e norte.

As Zonas Leste e Sul existem, mas são bem pequenas.

De forma que o metrô serve justamente as partes mais povoadas da cidade.

B.H. 1982 o velho e o novo

Transição: um Nimbus TR na pintura livre, seguido de um já padronizado Metrobel São Remo.

Tarifa social. As duas maiores e mais famosas favelas de Belo Horizonte são o Aglomerado da Serra e o Morro do Papagaio.

Estive em ambas, alias no mesmo dia, um domingo chuvoso, fui a pé, conhecendo a Zona Centro-Sul de BH.

Que é a mais rica mas ao mesmo tempo pontilhada por esses bolsões de miséria.

As duas maiores favelas de BH são próximas ao Centro. Então o que acontece:

Cada uma delas é servida por uma linha de micro-ônibus que custa apenas R$ 0,65. 

B.H. - Move

Move

Ou seja, vai e volta por irrisórios 1,30. Em Florianópolis-SC há um modelo similar, é o ônibus “Sobe-Morro”.

Curitiba também tem duas grandes favelas próximas ao Centro, as Vilas Capanema e Parolin.

Poderia, e deveria, copiar esse benefício aos mais carentes vigente nas capitais de Minas e da Santa “e bela” Catarina. Mas não é o caso, infelizmente.

metrop linha adesivada vidro buso bh laranja amarelo adesivado cidade administrativa sede governo estadual masdcarello eletrônico placa itinerário viaduto pichado pichação

Metropolitano atual.

Integração no cartão, ainda que parcial. 

Ao contrário de São Paulo, Manaus-AM, Porto Alegre-RS, Fortaleza-CE e tantas, tantas outras, em BH há integração no cartão, mas não é plena.

Ali, há 50% de desconto na segunda passagem. Em compensação, vale também pro metrô. E o metrô é uma bagatela, só R$ 1,80.

Belo Horizonte6

Municipal atual

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Ou seja, se você pegar uma linha de bairro, que é mais barata que as que vão pro Centro (já toco nesse ponto) e depois o metrô, paga somente R$ 2,95.

Também há integração com a região metropolitana no cartão. Novamente, parcial.

BH 1982 transicao

Gabriela da Paraense. Donald observou: linha 1202 pelo Metrobel, 4 dígitos. No padrão antigo era 126, nº ainda grafada no letreiro, 3 dígitos portanto.

Você pega um ônibus metropolitano e depois um municipal de BH, ou o metrô, e ganha 50% de desconto na segunda tarifa. É melhor que nada.

O que me motivou a escrever essa mensagem: em Belo Horizonte há um modelo de “Aldeamento”:

As linhas menores, que só ficam no bairro, são mais baratas.

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Funciona assim: as linhas estruturais, que ligam o Centro a periferia, custam R$ 2,85.

contagem

Municipal de Contagem, também Zona Oeste da Grande BH, padrão atual.

Já nas menores, que ficam apenas no bairro (seja na parte rica e central da cidade ou nos subúrbios afastados) você desembolsa bem menos, somente R$ 2,05.

O terminal tem integração física, você pega dois ônibus só com uma passagem.

Mas, veja você, ele tem duas roletas. Uma externa, e outra interna, que separa as linhas mais baratas das mais caras.

Assim, ao trocar de uma pra outra você só paga a diferença. E ali não precisa cartão, pode ser feito no dinheiro, há bilheteria.

Você sai de casa, em alguma vila. Paga R$ 2,05. Chega ao terminal.

gabriela-bh2

Gabi já no MetroBel. De novo peço que repare que imita um ônibus de viagem, o letreiro da linha é pequeno e dentro do vidro, ocasionando teto inclinado. Em BH teve demais isso, em Campinas também. Não conheço outros casos.

Se você trabalhar ali por perto e sabe que os terminais de ônibus sempre estão em polos de empregos, mesmo na periferia – você sai do terminal, não pega outro busão.

Na volta, paga os mesmos R$ 2,05 pra ir pra casa.

Se, no entanto, precisar ir pro Centro: sai de casa, paga R$ 2,05.

No terminal você arca apenas com a diferença, mais RS 0,80. Repito, não precisa cartão. Dá pra pagar em dinheiro vivo. Vai pro Centro.

Na volta, paga R$ 2,85 na catraca da linha mais cara. Quando chega no terminal integra com o alimentador sem pagar nada.

metropolitano

Na 2ª padronização metropolitana do DER-MG houve também essa pintura azul e branca.

No terminal, você usa duas conduções e só paga uma. Se forem de duas faixas diferentes, paga a tarifa mais cara. 

Até aqui é igual a Curitiba. Sim, um pouco mais caro. Em Belo Horizonte a tarifa maior está R$ 2,85, aqui a tarifa única é R$ 2,70.

(Atualização importante: escrevi essa matéria exatamente 1 ano e 1 dia atrás, em julho de 14.

Em 1º de agosto de 15 a tarifa de Curitiba está em R$ 3,30, porque sofreu nada menos que 3 reajustes em menos de 1 ano.)

Mas como eu não sei quanto é a tarifa agora em Minas, vamos voltar ao texto original.

garagem

Conexão BH/Ctba. Esse ia pra sede do governo de Minas, Z/Norte. Agora continua na Z/N mas da Gde. Curitiba, olha ele no pátio da Viação Colombo antes de ser repintado. 1º articulado piso baixo de toda RMC.

Ainda que tenham havido pequenos câmbios, a estrutura geral do que escrevi permanece verdadeira.

Então, com os valores na época praticados, realmente aqui era mais barato. Mas atenção que as aparências enganam.

Pois B.H. é muito maior que Curitiba. São 700 mil Homens e Mulheres a mais que moram lá, o que faz com que a cidade tenha muito, mas muito mais bairros.

Belo Horizonte é a soma de Curitiba mais São José dos Campos-SP, e sabe que SJC não é pequena.

Logo, sendo BH muito mais extensa, o ônibus roda muito mais, assim tem que ser mais caro.

contagem

Antiga pintura do municipal de Contagem.

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A vantagem de B.H. é a tarifa menor, de “aldeamento”. Pois cobra proporcional ao que você utiliza. Anda muito, paga mais. Usa menos, tem o desconto correspondente.

Permite, se você fica menos tempo no busão, pagar apenas R$ 2,05.

E esses ônibus alimentadores ligam os subúrbios mais afastados a regiões bem mais desenvolvidas.

Ainda que na periferia, mas que dispõem de muitas opções de empregos.

Belo Horizonte-MG - 1982 [2]

Mais um Gabriela, esse indo pro Riacho. Totalmente ainda no padrão antigo: pintura livre, linha com 3 dígitos, sem adesivo e sem estar pintada na lata.

Se conhece os bairros da Venda Nova na Zona Norte ou o Barreiro na Zona Oeste desnecessário se faz explicar melhor. São longe do Centro, certamente.

Mas tem de tudo, bancos, lojas de todos os tipos, faculdades, academias, restaurantes, parques, o que você pensar está lá.

Logo, nem é mesmo preciso ir pro Centro. E sendo assim você paga menos, R$ 4,10 ida e volta.

Aqui em Curitiba não há essa possibilidade.

Muita gente vai das vilas do Tatuquara, Sítio Cercado e CIC até os bairros do Pinheirinho ou Capão Raso.

Metropolitano B.H. 1982 [2]

Repita-se tudo que descrevi da foto a direita, só muda a linha: saindo pro Flamengo, Contagem, Z/O metropolitana.

Não seguem até o Centro, e pra que?, se seus empregos estão ali, na Zona Sul mesmo.

Ainda assim, mesmo usando o ônibus num trajeto menor, tem que se pagar R$ 5,40 pra ir e voltar.

Viu como morar no subúrbio de Belo Horizonte é mais vantajoso e econômico que no subúrbio de Curitiba?

Pelo menos no quesito transporte coletivo, que é nosso foco.

Assim, num círculo virtuoso, B.H. incentiva o desenvolvimento descentralizado, fortalece o comércio local, do subúrbio.

Coloca renda no bolso do trabalhador mais pobre, que ele gasta em seu próprio bairro.

B.H. - Metropolitano

Metropolitano atual

Desafoga as linhas radiais, as mais carregadas do sistema.

E de quebra contribui pra um planeta melhor, pois é menos ônibus rodando, menos dísel sendo queimado e indo pra atmosfera.

E eu nem falei do metrô . . .

Mas nesse outro texto eu falo. 

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O transporte de Curitiba está ruim. Muita propaganda, mas pouco está sendo feito de verdade.

contagem1

Falando em Contagem, mais um na pintura antiga. Integrado ao metrô …

Não há metrô, não há integração no cartão (exceto em 3 linhas, sendo só uma central e de grande demanda).

Fora que a Linha Verde Leste/Norte está há 6 (agora 7) anos com as obras paradas. E não se fazem novos terminais

A coisa está feia mesmo. Pra piorar, desmantelam o que funcionava bem. Eliminou-se o “aldeamento”.

Joguei no ar essa mensagem. Até os anos 90 Curitiba tinha um sistema que permitia um desconto pra viagens mais curtas.

Não existe mais. Mas na Colômbia está funcionando, e muito bem.

metro BH1

… pois uma das estações terminais do metrô é no Eldorado, já em Contagem.

Assim, os sistemas de Belo Horizonte e Bogotá operam melhor pra quem mora em seus subúrbios. 

………….

Vejamos como a pintura dos ônibus de Belo Horizonte evoluiu através dos tempos.

Publicado em 1º de dezembro de 2012

Até os anos 70, a pintura dos ônibus era livre em todas as cidades, ou seja, cada empresa pintava sua frota como bem entendesse.

metro BH

E a outra é no Vilarinho, Z/N

Já no fim da ditadura, na virada dos anos 70 pra 80, o governo federal tomou a iniciativa de padronizar a pintura dos ônibus em várias capitais do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Então Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Campinas (que não é capital mas entrou junto), Belo Horizonte, Brasília e Goiânia assim o fizeram.

O Rio, Vitória, os dois Mato Grossos, o Norte e o Nordeste ficaram pra depois.

integrado

1ª padronização MetroBel: pintura exclusiva pras linhas integradas ao metrô. No Rio isso ainda existe.

Vitória, Recife, Fortaleza, Aracaju, Campo Grande, Belém, (bem como cidades médias do interior como Londrina, Joinville, Blumenau, São José dos Campos) todas elas entre muitas outras também padronizaram suas pinturas entre os anos 90 e os 2000.

O Rio e Manaus foram ainda mais tardios, e só agora, no começo da década de 10, é que fizeram isso.

Um pouco depois, no meio da mesma década, está sendo a vez de Salvador e Florianópolis.

B.H. - Metropolitano3

Metropolitano atual

A capital de SC foi uma das pioneiras em nossa pátria na padronização.

Mas depois abandonou-a.

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B.H. 1982 [1]

Mais um Veneza ainda na pintura livre, indo pra Zona Oeste da cidade.

E agora novamente Floripa adota a pintura única. Está na transição.

Já há muitos busos com a novo padrão, mas ainda se vê vários com o antigo, livre.

Complementando o que abre acima, joguei no ar matéria completa, com muitas fotos, mostrando todas as fases e matizes do transporte em Florianópolis, dos anos 70 a atualidade.

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De volta a Belo Horizonte, que é o que nos interessa aqui.

metro

Próximas 2: 2ª padronização metropolitana

O primeiro padrão, o MetroBel, foi pintar os ônibus em uma única cor, similar ao que foi feito em Curitiba, de acordo com a categoria a que ele pertence.

1ª padronização – Metrobel:

– Municipal e metropolitano idênticos;

Veículos numa cor só com duas faixas indicando o itinerário, mostrando as principais avenidas que a linha passa.

Pode até parecer incrível pra quem é de fora. Mas veja o Monobloco azul a esquerda (logo belo horizonte micraoabaixo do micrão branco e amarelo metropolitano).

Só de ver as duas faixinhas abaixo do vidro os belo-horizontinos dos anos 80 e 90 decodificavam o itinerário básico daquela linha.

Pois cada grande avenida da cidade tinha seu próprio tom.

Era possível indicar duas delas, logo você batias o olho e já sabia o grosso do trajeto.

monobloco

Mono MetroBel

A parte dessas faixas menores, as cores escolhidas pro corpo principal dos veículos foram azul, vermelho e amarelo.

Vigorou até o fim dos anos 90, e ainda há uns veículos circulando assim.

(Texto de 2012. Provavelmente agora já foram todos aposentados.)

Só que mais que isso: o nome da linha vinha escrito na lataria.

Ou seja, o ônibus precisava ficar fixo naquela linha.

Impedindo de remanejar a frota conforme a necessidade.

Em Belém-PA isso ocorreu igualmente – leia matéria específica com muitas fotos:

Apenas lá a linha vinha pintada no letreiro (que portanto não tinha lona por dentro), e não na lataria.

……….

2ª padronização:

– Separação dos sistemas municipal e metropolitano;

metropolitano (2)

Metropolitano atual

No municipal, eliminam-se as faixas que indicam o trajeto e colocam-se flechas no lugar (similares as que haviam na mesma época nos busos de Fortaleza-CE);

E surge a cor verde-claro. Os municipais permanecem de uma só cor, mas com as mudanças enunciadas acima. 

No começo desse milênio os busos metropolitanos passam a ter pintura diferente, não mais uni-color.

Tornaram-se brancos em cima. E na parte debaixo azuis, amarelos, verde-musgos ou vermelhos.

metropolitano der-mg buso placa número itinerário bh adesivada vidro lona busscar volvo vermelho branco faixa metrô z/o escrito amarelo linha minas tribus trucado 3 3º eixo

Trucado metropolitano.

Ou seja, o metropolitano usa ainda as mesmas tonalidades do municipal pras mesmas categorias (amarelo é circular, por exemplo), apenas não é mais exatamente iguais pois adicionaram o branco.

Agora os modais municipal e metropolitano de BH se espelham, mas não são idênticos, é isso.

Resultando que os busos (municipais) de BH então ficaram azuis, vermelhos, amarelos e verdes unicolores, conforme a categoria que operam.

Os metropolitanos idem, mas não mais unicolores, há uma blusa alva pra distinguir do municipal, dizendo de novo. Mas nos dois modais permaneceu o costume de pintar a linha, impedindo-o de operar em outra.

B.H. - Move3

Move.

Só mais recentemente adotou-se a solução de colocar a linha através de uma placa, que pode ser removida.

Aí, até que enfim, os ônibus de BH podem operar em qualquer linha da empresa, como é em boa parte do mundo.

Mas há alguns veículos mais velhos que ainda trazem a linha pintada na lataria, especialmente os metropolitanos.

Na maior parte da América Latina é assim.

Belo Horizonte-MG - 1982 ainda pintura livre

Dois Gabrielas que ainda não haviam aderido ao Metrobel.

Cada ‘carro’ fica fixo numa determinada linha.Veja exemplos no México, Paraguai, República Dominicana, Chile e Colômbia.

Em Belém e Belô por décadas foi igual, mas o letreiro eletrônico acabou com essa peculiaridade.

………..

3ª padronização:

– O ônibus permanece unicolor mas ganha dois tons:

Abaixo, mais escuro, está um desenho estilizado da linha de prédios e pontos turísticos da cidade (como a Igreja da Pampulha). E mais:

azul

Próximas 3: Metropolitanos atuais.

Desaparecem as flechas (Fortaleza igualmente mudou sua pintura, e as flechas lá também se foram);

De volta a BH, a cor vermelha, surgida na gênese da padronização, deixa de existir;

O azul e o amarelo foram mantidos desde que a padronização começou, décadas atrás.

O verde, que inexistia nos primórdios e surgiu na penúltima mudança, continua, e tomou o seu lugar.Belo Horizonte

……….

Agora o número e nome da linha são indicados por um painel luminoso.

Ou seja, que pode ser mudado a vontade, conforme a necessidade. Belo Horizonte chegou a modernidade.

B.H. - Metropolitano5Ainda se veem muitos ônibus do segundo padrão.

E cheguei a ver (no finzinho de 2012) um ainda do primeiro, que já foi abandonado a mais de uma década.

………

antigo

Bichão fabricado nos anos 60, mas que chegou a operar pelo MetroBel

Os metropolitanos também mudam a pintura, e adotam um desenho que faz o contraste entre duas cores. 

Podem ser o branco atrás e vermelho na frente, amarelo na porção traseira e laranja na dianteira;

Ou então unicolores ou em azul ou em verde, em ambos os casos num tom mais escuro atrás e mais claro na frente.

Em qualquer caso o desenho de contraste entre as cores é o mesmo, como as fotos mostram.

Metropolitano B.H. 1982

Ciferal antes de ser repaginado pro padrão Metrobel. No Centrão, saindo pra Contagem.

E em todos na lateral há a foto da nova sede do governo mineiro, falada acima.

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Os articulados e alongados padrão do ‘Move’ têm sua própria pintura, como notam.

Além de todos esses modais, há também micros amarelos, os antigos piratas, agora legalizados e integrados ao sistema.

Só fazem linhas locais, no bairro. São mais baratos; e por tudo isso chamados “Suplementares”.

testes

Todo branco: em testes, claro.

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Agora segura essa:

Nos ônibus urbanos a coisa foi regularizada e inserida no sistema com sucesso, isso é muito bom.

Em compensação nos táxis e ônibus de viagem a pirataria em BH é alarmante.

Pra fechar, enxertamos outro emeio.

bh, 1982: o MetroBel decola. Quebra tudo aí, Donald!!!

Belo Horizonte3

Municipal atual. Atrás um azul no padrão anterior.

Publicado em 17 de agosto de 2014

Em 1982, o britânico Donald Hudson passou férias nas 3 maiores capitais do Sudeste (Rio, SP e BH).

Tirou centenas de fotos de ônibus, algumas de BH estão espalhadas pela página, veja as legendas.

Fiz esse emeio (e outros) no momento que seu trabalho estava sendo levantado pra rede.

B.H. Trovao Azul Abriu o bau

MetroBel

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Donald Hudson pegou bem a época da transição pro MetroBel.

Há tomadas do velho (pintura livre, multi-colorida, cada viação escolhia como pintar).

E do novo (unicor uniforme, igual pra todas as empresas incluso – nessa época, hoje não é mais – as metropolitanas), as vezes ambos na mesma captura.

……

Eis alguns exemplos espalhados pela página:

Belo Horizonte2

2ª padronização municipal

São Remo Circular amarelo na Avenida do Contorno, aquela que enche nas canções do Skank.

As linhas circulares amarelas basicamente percorrem a Contorno, claro dando algumas entradas nos bairros próximos.

Mas a espinha dorsal é ela. São o equivalente do Interbairros 1 aqui de Curitiba, ou do T1 (Transversal 1) de Porto Alegre-RS.

Belo Horizonte1

Também 2ª padrão, o das flechas, similar a Fortaleza na época.

Esse São Remo tem a mais belo-horizontina das peculiaridades busólogas:

O letreiro onde vai a linha é pequeno, dentro do para-brisas, como ocorre nos veículos de viagem.

Por isso o teto é inclinado pra baixo. 

No modal urbano, o letreiro é grande e acima do vidro, fazendo com que o teto seja reto.

bh

Gabrielas do início do Metrobel. Esse ainda não foi repintado, mas a linha já tem 4 dígitos e foi adesivada no vidro.

Mas em B.H. não, caramba. Ali, e também em Campinas-SP, nessas duas cidades e somente nessas duas, era comum o letreiro de viagem em busões urbanos. 

Pra fechar essa foto: atrás um Ciferal (“Companhia Industrial de Ferro e Alumínio”, muito prazer) ainda na pintura livre.

E com capelinha (aquele letreiro menor no teto onde vai o número da linha, acima do letreiro maior com o nome da mesma).

Característica indelével do Sudeste Brasileiro, que Porto Alegre-RS também adotou. Pegamos a transição, um “carro” de cada padrão.

Belo Horizonte-MG

E 4 repintados. Esse tem letreiro normal, acima do para-brisas.

A padronização Metrobel dizimou a capelinha em Belo Horizonte. Já veremos o porque.

Mais uma foto-portal entre o velho e o novo: a frente um Nimbus TR-3 da Viação Santa Fé ainda na pintura livre multi-colorida. 

Atrás outro São Remo já na Metrobel unicolor padronizada.

Voltemos ao busão da frente:

gabriela-bh

3 no ‘padrão BH’, menor e dentro do vidro.

Na linha 1504, com numeração já no padrão Metrobel, 4 dígitos ou 3 dígitos e uma letra, e reproduzida num adesivo bem grande no vidro da frente e pintada na lataria lateral. 

O que obrigava o veículo a se fixar numa linha, enfatizando de novo.

Antes do Metrobel, como já veremos, as linhas tinham 3 dígitos, e não eram adesivadas no vidro e muito menos pintadas na lateral.

……………BH 1982 capelinha desativada

Táqui, irmão. A esquerda um busão da Santo Agostinho fazendo a linha de Vera Cruz a Santa Maria.

Ainda com capelinha presente, mas já desativada.

Pois pela regulamentação Metrobel era obrigatório o adesivo com o número da linha, outra peculiaridade 100% belo-horizontina.

Depois copiada – parcialmente – por Manaus-AM.bh1

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As duas mais belo-horizontinas das peculiaridades busólogas se encontram na foto do Gabriela da Viação Paraense, mostrada bem mais pra cima na matéria:

Letreiro pequeno como nos ônibus de viagem, e, depois do padrão Metrobel, linha adesivada no para-brisas e pintada na lateral. B.H. 1982 veja o logo da Pepsi

Assim, só pode fazer a mesma linha, no caso a Dom Cabral, que por isso está pintada no veículo.

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Direita: Marcopolo Veneza da São Bernardo já no azul da Metrobel. (Destaquei o logo da Pepsi, que nos anos 80 era o clássico tricolor, pra abrirmos o baú em todas as dimensões. Ao contrário da arqui-rival Coca, a Pepsi muda o tempo inteiro sua comunicação visual).

gabriela-bh1De volta a falar dos busos que é o tema de hoje: a cor do veículo indica a categoria: radial, diametral, direto, semi-direto, circular, etc. E as duas faixinhas pra onde ele vai.

Algumas cidades padronizaram os ônibus por categoria de serviço (expresso, alimentador, etc). Curitiba é o exemplo maior.

Outras por região da cidade (Zona Leste, Zona Sul, etc), padrão tornado clássico por São Paulo. No modelo Metrobel, uniram os dois num só.

BH 1982 Rodoviario MetropolitanoEsquerda: esse é um Monobloco de viagem, parado justamente na Rodoviária, portanto não afetado pela mudança da Metrobel.

Incluí aqui porque embora uma linha rodoviária é interna da Grande Belo Horizonte, ligando a capital ao subúrbio metropolitano de Betim, também Z/O após Contagem.

Viu? Você pode ir de BH a Betim por 3 modais:

cidade administrativa

Ia pra Cid. Administrativa. Linha diferenciada, extinta e incorporada ao Move. Reforço a informação, esse veículo hoje está em Curitiba, confira ele uni-color bege padrão Comec.

1) de ônibus urbano:

Onde você vai de pé se não houver mais bancos, o embarque é na rua, sob sol e chuva, em compensação é muito mais barato;

2) de ônibus rodoviário:

Só vai sentado em bancos estofados e reclináveis, e espera o veículo também sentado e ao abrigo do tempo, por outro lado desembolsa muito mais;

3) e também de metrô – nesse caso parcialmente, a estação final é no Eldorado, próximo a Cidade Industrial, divisa de Belo Horizonte e Contagem.

B.H. - Metropolitano2

Metropolitano atual

Dali tem que baldear pro busão. Mas metade do trajeto foi pelo trilho. Melhor que nada.

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‘Deus proverá’

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3 comentários sobre “do MetroBel ao Move (e o tróleibus quase voltou): B.H., cidade-modelo do transporte brasileiro

  1. Anônimo disse:

    belo horizonte amo a padronizaçao sem duvidas a mais bela do brasil mas a bhtrans tem muitas exigencia em todos os onibus com a SETRA BH os onibus nao podem ter cano de descarga a mostra nao pode ter mascaras em ambos farois o nome das marcas dos onibus sao retirados agora e exigido letreiro digital dos lados e trazeiros mas sao nas cores laranja,amarelo,azul,verde cada cor com sua determinada regiao e consorcio atualmente as linhas do barreiro onde resido deveriam ser amarelas e verdes mas com a queda da santa edwirges por usar onibus velhos veio a urca que durou pouco com a implantaçao da transoeste o barreiro so circulam azuis tanto bairro quanto centro e os que nao emtram en terminais bhtrans tambem deixa muito a desejar com o sistema do move que vem emfrentando problemas desde o comerço aki a duraçao dos onibus sao de 10 anos rodando mas teve uma troca na frota para (vips ivs ) mas nas linha 33,35,329,310 e principalmente 32 sao ultilizados alguns urbanuss 1998 se passaram 8 anos da validade e a setra bh e bhtrans nao faz nada atualmente o transporte metropolitano bate de 10 no bhtrans que se diz tao rigida

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    • omensageiro77 disse:

      Pois é. Obviamente eu não conheço tantos detalhes assim do sistema de BH, porque eu só estive 4 dias aí, em 2012. Reparei que haviam ônibus com ‘tabela trocada’, ou seja, de uma cor mas operando em linhas de outra categoria.

      E que não haviam corredores exclusivos nem articulados (a única exceção era a linha pra Cid. Administrativa, que tinha articulados). Sei que o Move mudou essa realidade, pois são exatamente articulados em corredor exclusivo, mas não posso avaliar pessoalmente sua eficácia, pois quando visitei a cidade o sistema ainda estava em obras.

      A primeira padronização da Grande Belo Horizonte, a Metrobel, essa era de fato revolucionária. Primeiro por ter padronizado também a Região Metropolitana, e B.H., Goiânia e Florianópolis foram as primeiras a padronizarem também a região metropolitana, no fins dos anos 70/começo dos 80 (sendo que Floripa depois despadronizou tudo, voltou a padronizar os municipais em 2014 mas os metropolitanos seguem pintura livre
      https://omensageiro77.wordpress.com/2015/09/29/a-cidade-de-floriano-nao-esta-mais-desterrada/).

      Em Curitiba, por exemplo, os ônibus metropolitanos só foram padronizados no começo dos anos 90, https://omensageiro77.wordpress.com/2015/02/26/abriu-o-bau-os-onibus-metropolitanos-de-curitiba-antes-da-padronizacao/
      https://omensageiro77.wordpress.com/2015/04/29/do-arco-iris-restou-o-rubro-o-resto-virou-bege-onibus-metropolitanos-de-curitiba-1991-presente/
      em SP só na virada do milênio.

      Voltando a Metrobel. Essa padronização fez muito mais que atingir a Região Metropolitana. Ela foi inédita porque juntava dois sistemas num só. Explico pra quem não conheceu a capital de Minas nessa época: há dois jeitos de se padronizar a pintura do ônibus. Um é como Curitiba adotou, você pinta o ônibus conforme a categoria da linha (convencional, expresso, circular centro, alimentador, etc https://omensageiro77.wordpress.com/2015/05/23/leste-norte-oeste-sul-e-boqueirao-onibus-de-curitiba-anos-80/). Depois de Curitiba, Recife, Vitória, Ponta Grossa, Blumenau, Fortaleza, Londrina, Joinville (nessas 3 últimas foi abandonado posteriormente) e até Los Angeles-EUA adotaram o mesmo padrão.

      Outro modelo é pintar os ônibus de acordo com a região da cidade que servem, como foi feito em São Paulo, e também Campinas, Brasília, Porto Alegre, Florianópolis, depois Santiago do Chile https://omensageiro77.wordpress.com/2015/08/08/das-jardineiras-aos-amarelinhos-aos-articulados-e-o-troleibus-voltou-mas-se-foi-de-novo-santiago-cidade-modelo-do-transporte-americano/, Belém https://omensageiro77.wordpress.com/2016/04/27/periferia-de-belem-a-terra-e-firme-mas-nao-muito/ e recentemente Rio de Janeiro e Salvador.

      Pois bem: já o Metrobel fez os dois modelos num só. A cor do ônibus era a categoria, e aquelas duas faixinhas na diagonal indicavam o tronco do itinerário. Essa inovação permanece irrepetível, e depois que BH abandonou o Metrobel infelizmente não é usada em lugar nenhum. Uma pena.
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      De volta ao presente. Você falou que em Belo Horizonte há muitas exigências por parte da BHTrans. O mesmo se repete aqui em Curitiba. Há muita regulamentação desnecessária, pra manter o ‘padrão Curitiba’ visual, sendo que o padrão de qualidade pro usuário vem caindo há muito, e não por outro motivo Curitiba tem tido a maior queda no número de usuários de ônibus de todo o Brasil, foram 8% de passageiros a menos em 2015.

      Até fevereiro desse mesmo ano de 2015, a prefeitura de Curitiba gerenciava também o transporte metropolitano, inclusive linhas que nem entravam no município de Curitiba, mas se fossem integradas ao sistema metropolitano eram também de sua alçada. Portanto as viações metropolitanas tinham que seguir as mesmas exigências do municipal, algumas delas tão descabidas quanto as que você citou de BH.

      Aí, nessa data supra-citada (02/15) houve uma rixa e o sistema metropolitano voltou pro governo estadual. De uma vez se abrandaram diversos padrões que não contribuíam pra nada pros usuários, eram apenas fetiche pros técnicos do órgão de planejamento. Já escrevi sobre isso com muitas fotos, e um dos primeiros ônibus que veio de fora é oriundo justamente de B. Horizonte, veja a matéria: https://omensageiro77.wordpress.com/2015/12/31/caio-mondego-sanfonado-pbt-da-viacao-colombo-ex-bh-quebrando-6-tabus-de-uma-vez-so/

      Esse articulado jamais andaria aqui na Grande Curitiba, se a prefeitura da capital ainda tivesse o poder de vetá-lo. Entre outras coisas, ele tem 3 portas (os sanfonados precisam ter 4), há esse letreiro eletrônico na esquerda, o vidro traseiro é tampado. Bem, na verdade a prefeitura de Curitiba vetava inclusive a vinda de ônibus usados, tinham (e ainda têm, no sistema municipal) que ser 0 km. Estou falando só das características mais visíveis. Um observador detalhista como você veria bem mais normas, nas partes menores do ‘carro’.

      Quando o sistema metropolitano deixou de pertencer a prefeitura, tudo isso foi por água abaixo. As viações metropolitanas agora só tem comprado articulados usados. Depois desses de BH, vieram outros de SP (inclusive com portas na esquerda, anátema total ao rígido padrão antes vigente aqui), Recife, Blumenau e mais alguns de BH. https://omensageiro77.wordpress.com/2016/09/07/do-mundo-pra-curitiba/
      Na verdade até busos pitocos (não-articulados) estão sendo comprados de fora usados.

      Pra você ter uma ideia como a prefeitura de Curitiba era purista, nos anos 80 e 90 até mesmo pra ser testado aqui o veículo tinha que estar pintado com as cores do sistema. https://omensageiro77.wordpress.com/2015/02/22/de-fortaleza-a-curitiba-o-hibribus-rodou/
      Veja nessa matéria acima um articulado alemão que circulou somente 2 semanas aqui. Mas teve que ser pintado conforme o padrão curitibano. Há outros ônibus que foram pintados mas não foram sequer testados, ou seja, tinha que ser padronizado conforme a Urbs exigia somente pra serem oferecidos, sem sequer garantia que seriam ao menos testados. É muita egolatria pra uma cidade só, mas isso é Curitiba. Felizmente pelo menos um pouco dessa sanha amainou, e pelo menos pra testes são aceitos agora ônibus brancos ou em pintura de fábrica, como é em qualquer lugar do mundo.

      Mas pra rodar em definitivo a burocracia permanece (no sistema municipal, no metropolitano não mais). Enquanto os técnicos da prefeitura se divertem impondo padrões que só eles veem sentido, o sistema de Curitiba está caro e ineficiente, e não por outro motivo cada vez menos gente usa transporte coletivo nessa cidade.

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