‘Saia-&-Blusa’: os ônibus paulistanos (1978-1991)

mais além e aquém: o transporte coletivo em são paulo, 1970-atualidade

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”capa

Levantado pra rede em 20 de abril de 2015

Publicado em emeios em 2011 e 2014, com ampla revisão no momento de subir pro ar

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Nas últimas postagens joguei na página vários retratos de Marília.

transição saia-e-blusa pra municipalizado

Início dos anos 90: transição do saia-e-blusa pra municipalizado. Vemos 2 Monoblocos na garagem da Brasil Luxo (Zona Norte). A esquerda no padrão vigente desde 1978, a direita no que foi usado até 2002.

Mas aqui, ao contrário do que o título poderia dar a entender, não tem nada a ver as roupas das Mulheres (há uma outra mensagem chamada ‘Saia-&-Blusa, que aí sim fala disso)

Mas aqui “Saia-&-Blusa” foi como ficou conhecida a pintura dos ônibus em São Paulo no período 1978-1991, como o título indica.

(Notas: A maioria das fotos foi puxada da rede, boa parte veio do sítio ligado abaixo.

Se você quiser conhecer os busos paulistanos nos anos do 80 e 90 certamente é a melhor fonte.

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7saia laranja z-o + munic

Idem: agora 2 Amélias, um em cada padrão de pintura, na garagem da Viação Castro, Zona Oeste. A placa está bem alta, quase no vidro, traço típico do Sudeste nos anos 80.

http://www.revistaportaldoonibus.com/bancodeimagem/index.php?cat=3

Veja a capa da página acima. Ali eles esquematizam as mudanças que vamos falar aqui.)

Outras páginas de onde foram puxadas foto: Ônibus Brasil; Lexicar Brasil; Busscarlos; Tramz.com (especializado em transporte elétrico na América Latina); Ônibus de Campinas/Portal InterBuss; Veículos em Geral.

Os créditos estão mantidos, como solicitado.

Duas imagens foram clicadas pessoalmente por mim, eu informo na legenda.

Importante: nem sempre as fotos correspondem a descrição mais próxima ao lado.

Busque pelas legendas, elas estão corretas.

livre-gatusa

Gatusa em pintura livre: foto feita antes de 1978, portanto. No Pacaembu apenas posando pra foto, a linha não passa por ali.

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Já chegamos lá. Aproveitando o embalo, vamos mostrar também como eram os busões antes da padronização saia-e-blusa ser adotada.

E como eles ficaram depois que ela foi abandonada. Como foram portanto as 3 padronizações que vieram depois dela:

Municipalizada 1991-2003 (nessa década e pouco teve 4 sub-fases), feita pela prefeita Luíza Erundina, e mantida nos governos de Maluf e Pitta;

Estrela da Marta, a pintura mais breve da história da cidade. 

1978-1991

Padrão Saia-&-Blusa, 1978-1991: a cor de baixo, a saia, era compulsória conforme a região que ônibus servisse.

Só durou alguns meses em 2003 devido a péssima repercussão – como o nome indica fruto da gestão Marta Suplicy;

E por fim o Interligado, implantado em 2003 também por Marta, mantido por Serra, Kassab e Haddad, portanto vigente na atualidade.

Assim como o sub-título indica é mais amplo que 1978-1991. Vamos cobrir o período 1970-2015, que é quando o texto foi escrito.

Se um dia a cidade mudar de novo a pintura dos ônibus eu atualizo a postagem. Enquanto isso não acontecer, é 1970-Atualidade.

O Interligado foi inspirado no ‘Saia-&-Blusa’.

Adaptações no estilo, o mesmo espírito se mantém, de pintar os ônibus conforme a região da cidade que eles operam.

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todo branco cmtc

SP nunca teve padrão de pintura inteiro branco. Ainda assim, em diversos momentos circularam ‘ovelhas brancas‘. Aqui um Mono 3 da estatal CMTC, virada dos 80 pra 90, pouco antes dela ser vendida.

De volta ao texto principal, elaborado a partir de um emeio publicado em 1º de setembro de 2011.

Falemos especificamente do ‘Saia-&-Blusa’, em vigor na década de 80:

O nome é porque os veículos eram bi-colores, com faixas horizontais.

A metade de baixo (a ‘saia’) era compulsória e indicava pra que parte da cidade aquela linha vai.

Portanto haviam várias empresas que compartilhavam a saia, por servirem bairros vizinhos.

6saia vermelha Zona Sul

Vitórias da Gatusa.

A porção superior (a ‘blusa’) era livre, cada empresa decorava como queria. Implantada pelo prefeito Olavo Setúbal, e mantida nas gestões Covas e Jânio.

Assim a blusa de escolha da viação, sua assinatura que a caracterizava. Era raro duas viações dividirem a mesma blusa, mas ocorreram alguns casos.

A saia era obrigatória, imposta pela prefeitura. A blusa era livre, repetindo.

Portanto quando duas empresas da mesma região optavam por usar a mesma blusa obviamente ficavam idênticas.

Tânia [3]

Monobloco da Tânia.

Como minha base sempre foi a Zona Sul por ser onde mora minha família, detalho melhor a região 6 desse modelo que vigorava na minha infância.

Pois estou mais familiarizado com os meandros da Z/S em geral, e mais especificamente essa faixa em que os busos tinham saia vermelha.

Por isso, abaixo eu enxerto um outro emeio, escrito em 2014, em que trato especificamente de um caso desses:

papa-fila-massari

Papa-Fila CMTC em frente ao Mappin da Praça Ramos no Centrão, em tomada provavelmente dos anos 60.

Tânia e Gatusa, na faixa 6, eram idênticas, ambas de saia vermelha (porque eram obrigadas) e blusa azul-escuro (porque elas queriam que fosse assim).

Então como saber qual é qual? O povão não conseguia, é Trabalho pra especialista. É aí que a gente entra.

Veja os Amélias de ambas emparelhados abaixo. Nos anos 70 a 90 a Caio batizava seus modelos com nomes de Mulher, como é sabido. No decorrer da matéria mais exemplos, pelas laterais.

Agora que a onça bebe água: Tânia x Gatusa; mesma saia, mesma blusa; como diferenciar???

Gatusa [5]Tânia

Publicado em 28 de agosto de 2014

Abrimos o baú: pra alegria dos busólogos, vamos relembrar essa manifestação na Cidade de São Gatusa [1]Paulo de 30 anos atrás.

Desdobraremos a análise de um sistema que já se extinguiu a longos 24 anos num nível de detalhamento que chega a ser inacreditável.

Num momento de meados dos anos 80, eram 28 viações em SP. Já dissemos que a “saia” era padronizada, enquanto a “blusa” era livre.

Por conta disso, eram raríssimos os casos em que duas empresas dividiram exatamente a mesma pintura.

Vamos falar exatamente de um desses casos, o das Viações Tânia e Gatusa (Garagem Tânia [2]Americanópolis de Transportes S.A.).

Ambas eram vermelhas na saia, azul escuro na blusa, como as cores desse emeio. Havia ainda, pra dar um charme, uma fitinha vermelha abaixo da janela.

Seguindo o praralelo com o vestuário feminino, era um cinto da cor da saia pra contratar e realçar a blusa.

Um ponto importante: Não se deixe enganar pelo nome. Apesar do “Americanópolis” em sua razão social, a Gatusa não passava nem perto desse bairro. Que também é na Gatusa [2]Zona Sul mas ficava na região da saia azul-clara.

Próxima a Cidade Ademar, Jardim Míriam, Divisa de Diadema, Vila Joaniza, Aeroporto de Congonhas, Vila Santa Catarina, esses lados.

A Tânia, e também a Gatusa, iam a outra parte da Z/S, onde fica o Brooklin, Vila Olímpia, Alto da Boa Vista e Santo Amaro.

E, enfatizando ainda mais uma vez, eram idênticas, na ‘saia’ e na ‘blusa’. Como diferenciar uma da outra, então?

Tânia 6 sp lona merced buso z/s saia blusa vermelha azul caio 6 amélia bandeira brooklin paulista

Amélia da Tânia de saia vermelha e blusa azul. Curioso, tudo remete a nomes e vestuário femininos: o modelo, a viação e a pintura.

Simples: a Gatusa pintava também as rodas e para-choques de vermelho, e ostentava propaganda na lataria.

Na Tânia, essas peças eram cinzas, originais de fábrica, e não havia publicidade lateral.

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Ambas dividiam também o prefixo 17. Os carros da Gatusa eram de 17.001 a 17.499, enquanto a Tânia pegava de 17.500 a 17.999.

Das quase 30 empresas que existiam naquela época, apenas 4 mantém o mesmo nome. A Gatusa é uma delas. As outras são a Gato Preto, a Santa Brígida (ambas da Zona Oeste) e a Tupi (também da Zona Sul).

Gatusa [3]Várias outras continuam operando nas mesmas garagens, e são dos mesmos donos. Mas mudaram a razão social.

Por exemplo a Brasil Luxo e a Nações Unidas, ambas da Zona Norte, atualmente assinam ‘Sambaíba’. Já eram do mesmo dono, agora têm o mesmo nome fantasia.

SP trol branco neobus z/s buso z/s santo amaro

Neobus ‘ovelha branca’: tróleibus inteiro alvo no Corredor Santo Amaro, começo dos anos 2000. Foto duplamente raríssima: 1º, os ônibus brancos são esporádicos, surgem muito de vez em quando, e 2º não há mais rede elétrica na Avenida Santo Amaro.

Mas esse é tema pra outro dia.

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Por hoje tá bom, né?

A “Enciclopédia do Transporte Urbano Brasileiro” acaba de ter mais um capítulo publicado.

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Encerra-se o enxerto de 2014, voltemos ao texto de 2011, agora explico como toda essa discussão começou.

Escrevi uma mensagem sobre os ônibus na Costa Norte brasileira (de Fortaleza-CE a Manaus-AM).

Um colega que morou em São Paulo me respondeu o seguinte:

“Você me fez lembrar de quando as cores dos ônibus identificavam claramente as regiões para as quais eles se dirigiam na cidade de são paulo facilitando a vida de pessoas que não sabiam ler…”

interligado

Interligado, adotado em 2003 e ainda em vigor: note que há semelhanças com o ‘Saia-&-Blusa’ mas também diferenças.

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O que se segue é minha tréplica (escrita em 2011, quando mandei o emeio, e revisada e ampliada em 2015, quando levanto pra rede.)

São Paulo ainda usa um esquema em que os ônibus são pintados por região.

E eu te mostro o mapa (ao lado) do sistema Interligado, adotado na gestão da Marta Suplicy, anos 2000.

Veja que as regiões vão de 1 a 8.

Zona Norte: 1 e 2, verde-claro e azul-escuro;

Zona Leste: 3, 4 e 5. Abarca de forma integral as regiões 3 e 4 (amarela e vermelha) e divide a 5 (verde-escuro) com a Zona Sul.

cmtc anos 70-80

Monobloco CMTC, pintura azul dos anos 70. Foto: 1982

Zona Sul: 5, 6 e 7. A 5, verde-escuro, compartilhada com a Z/L, como acabo de dizer. E exclusiva pra Z/S as regiões 6 e 7 (azul-claro e roxo).

A Zonas Leste e Sul são as maiores em área e população de Sampa, além de concentrarem a imensa maioria das vilas mais pobres do subúrbio distante.

Por isso nelas o uso de ônibus é o mais carregado e complexo da cidade. Assim tem 5 faixas pra dividir entre si, duas exclusivas pra cada e mais uma que repartem meio-a-meio.

Já a Z/O, inversamente, é a menor e mais rica, onde menos gente depende de transporte coletivo. Logo:

– a Zona Oeste ficou com a região 8, pintada de laranja.

1saia marrom zona norte

Vamos ver uma por uma as saias do padrão que existiu entre 1978 e 1991: Saia Marrom é faixa 1 do Saia-&-Blusa, Gabriela da Viação Alto do Pari, Zona Norte

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Tracemos um histórico do transporte paulistano. Até 78, era pintura livre, ou seja, cada empresa pintava como queria.

Nesse ano, houve a primeira padronização, conhecida como saia-e-blusa.

Na gestão do prefeito Olavo Setúbal.

A cidade foi dividida em 9 zonas.

Parecido com agora, só que era uma região a mais.

2saia amarela zona leste

Saia amarela: faixa 2, Veneza da Penha-São Miguel, Zona Leste.

1: Z/ Norte, saia marrom

– 2: Z/ Leste, saia amarela

– 3: também Z/Leste, saia rosa.

Ou assim deveria ser.

Mas talvez por machismo os empresários resistiram a pintar sua frota de rosa.

ônibus em cor-de-rosa, nem pensar: isso é mesmo tabu!!!

tabuPor isso essa região específica foi a única que a padronização foi desrespeitada.

E o que é mais curioso: uma das empresas da região era exatamente a Viação Tabu. Cuja cor de baixo dos ônibus deveria ser rosa. Mas não era.

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Houve exceções. Abaixo dois exemplos que a saia era mesmo rosa:

buso sp cmtc monob azul fuscas

Monobloco da CMTC na pintura dos anos 70, vigorou até os 80.

Um Veneza do Consórcio Pompéia/Tabu (essa foto parece ter sido colorizada artificialmente em computador).

No começo do ‘saia-e-blusa’, era comum duas empresas compartilharem uma linha, por isso em alguns veículos vinha o nome de ambas.

Depois, nos anos 80, isso acabou, cada buso só tinha o nome de 1 viação.

livre pre-78

Retificação: esse ‘carro’ é da Auto Viação São Luiz que operava inter-municipal no ABC, e não da Empresa São Luiz Viação que operava o municipal na Z/S de SP.

Talvez a Pompéia (que anteriormente operava na Zona Oeste, daí seu nome) não tivesse nada contra o rosa.

Por isso seu veículo compartilhado com a Tabu não houve o tabu.

E direita um Gabi da saudosa C.A.T.C., Cia. Auxiliar de Transporte Coletivo.

Foto do igualmente memorável Donald Hudson.

Um inglês que prestou grandes serviços a busologia brasileira.

3saia rosa zona leste13saia rosa zona leste

Veja. A parte debaixo da lataria devia ser rosa, e em raríssimos casos o era. Mas muito mais frequentemente o ônibus era pintado de laranja, vermelho e mesmo roxo.

Rosa mesmo muito poucos, digo de novo.

3saia rosa era pra ser zona leste43saia rosa era pra ser zona leste33saia rosa era pra ser zona leste23saia rosa era pra ser zona leste3saia rosa era pra ser zona leste5vila ema

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4saia azul escura zona sul

Saia azul-escura: faixa 4, Veneza da Bristol, Zona Sul

Todos esses ônibus são da faixa 3 (Zona Leste) e deveriam estar rosas por baixo.

Mas respectivamente os Vitórias da Transleste e Paulista são laranja-escuros, bem como o Thamco da Vila Ema.

O Amélia da Tabu e o Gabriela da V. S. Paulo usam vermelho (que pertence a Zona Sul).

E o Mono da Santo Estevão é laranja-claro, cor que pertence a Zona Oeste.

Realmente pintar os busos de rosa foi um dos maiores tabus da busologia paulistana.

livre - bola branca

2 pinturas livres pré-78: Bola Branca (Z/S), e Penha-S. Miguel (Z/L) (esq.)

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Entretanto, vejam vocês:

No Chile não há esse conflito.

Em Santiago, como em SP, os ônibus são pintados conforme a parte da cidade que operam.

Uma das faixas da Transantiago é rosa. E assim são seus ônibus, sem polêmicas.

livre pintura pre 78 [1]Mas vai além. Quando, nos anos 90 e 00, a frota da cidade era amarela, tinha gente que pintava de rosa por conta própria, sem ser obrigado.

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Feito esse grande adendo, voltemos a falar de SP 1978/1991, como era dividido o ‘saia-&-blusa’.

5saia azul clara zona sul

saia azul-clara: Gabi do consórcio Mar Paulista/Canaã, faixa 5, Zona Sul. Dá-lhe Donald Hudson. Mete ficha, quebra tudo aí cumpádi !!!

– 4: Z/Sul, saia azul-escura

– 5: novamente Z/ Sul, saia azul-clara

– 6: ainda Z/S, saia vermelha

– 7: Z/Oeste, saia laranja

– 8: Z/Oeste, saia verde-escura.

(Como a Z/O é bem pequena, algumas linhas laranjas ‘transbordavam’ pra vizinha Zona Sul, enquanto outras em verde-escuro ‘invadiam’ o começo da Zona Norte.)

– 9: Z/Norte, saia verde-clara.

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intercâmbio busólogo: sp e campinas

3saia rosa era pra ser zona leste1Já seguimos falando da capital. Antes vamos fazer um adendo.

Olhando com calma, vi que esse Amélia da Viação São Paulo (que opera na Z/L da capital) na verdade está com a pintura de vigorava em Campinas na mesma época. campinas anos 80

Como estamos falando e é notório, nos início dos anos 80 Campinas padronizou a pintura da frota, no embalo de várias capitais que fizeram o mesmo.

campinasLá não é capital mas por ser a principal cidade do interior do estado mais rico da pátria, é maior e mais rica que a maioria das capitais de estado.

Assim entrou no mesmo embalo. A pintura adotada foi essa, branco com uma faixa horizontal colorida.

campinas

Campinas ainda com pintura livre na 1ª metade dos anos 80: a Viação Campos Elísios decorava sua frota imitando a CMTC paulistana, apenas ao invés de dois tons de azul era marrom por baixo e bege em cima.

Cada viação de Campinas ficou com uma cor. A TUCA (Transp. Urbanos Campinas) abracou esse verde-claro.

Um de seus Amélias foi vendido a Viação São Paulo, e rodou na capital sem ser repintado.

Clique nas imagens que elas se ampliam.

Aí você poderá ver que no buso que está na capital havia o logo com a letra ‘T’, que simbolizava a rede integrada campineira.

campinasAo lado um Ciferal laranja da VBTU – Viação Bonavita de Transportes Urbanos.

Essa é de melhor definição que os TUCA’s acima. Assim podemos reparar melhor.

Já que falamos de Campinas, nada melhor que matar a cobra e mostrar o pau.

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Não para por aí: vimos na foto a direita que antes da padronização da pintura uma viação de Campinas xerocava de forma exata o desenho da CMTC paulistana, mudando apenas a cor.

locaute campinas

1989: frota da CMTC chega a Campinas pra operação de emergência (em SP isso se chama ‘Paese’). Leia a descrição do ocorrido pelo próprio autor, clicando pra ampliar.

É um caso distinto do que é descrito acima.

A Viação S. Paulo, da capital, tinha sua própria pintura, e comprou um, e somente um, ônibus de Campinas, que operou sem repintar de maneira provisória, temporária.

Já a Campos Elísios de Campinas optou por imitar a CMTC, em todos os seus veículos, de forma permanente.

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E ainda não é tudo.

Em 1989, a CMTC operou por uns dias em Campinas, você sabia dessa?

A história do transporte campineiro é extremamente tumultuada. Foram constantes os conflitos de perueiros contra viações oficiais, e de ambos contra o poder público.

z-o sp

Transição: Rio Pequeno, Z/O de SP, 1979. Mono 1 da Castro e da Sta. Madalena já na pintura Saia-&-Blusa, padronizada. No início desse sistema, era comum duas viações dividirem o ‘carro’. Nos anos 80 isso não ocorreria mais. De volta a 79, vemos atrás dois ainda no desenho livre, aguardando a re-pintura.

Em diversas oportunidades a prefeitura precisou tomar medidas drásticas pra garantir que os ônibus circulassem em segurança.

Muitas e muitas vezes viaturas da PM precisaram escoltar os busões pelas ruas.

Em 1986 a prefeitura teve que encampar algumas viações. 3 anos depois, em 1989, nova confusão:

Com exceção de uma, as demais viações oficiais de Campinas decretam locaute,  e se recusam a fazer frota circular.

A cidade pede socorro. A prefeitura da capital então envia 100 busões da CMTC. O governo do estado faz o mesmo e manda mais uma centena da frota da EMTU.

Por isso vemos os Monos vermelhinhos da CMTC rasgando a Anhangüera rumo a Campinas.

munic 3a. fase articulado

Essa pintura amarela era exclusiva pra ônibus maiores que o normal: articulados, bi-articulados ou pelo menos os veículos ‘Padrão’ alongados.

Hoje tanto a CMTC quanto a EMTU foram privatizadas, então esse mega-Paese não seria possível.

Os campineiros que rezem pra que a era dos locautes tenha se encerrado.

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De volta a falar do ‘saia & blusa’ paulistano.

Vamos na sequência horizontal abaixo ver a faixa 6 do Saia-&-Blusa (Z/S) no atacado.

Amélia da Jurema (nota atrás mais um Amélia de ‘saia’, e um Vitória já Municipalizado); Ciferal da São Luiz e por fim, de costas, Gabriela e Veneza da Bola Branca.

6saia vermelha Zona Sul16saia vermelha Zona Sul26saia vermelha Zona Sul3

7saia laranja Zona Oeste

Faixa 7 do Saia-&-Blusa, garagem da Castro na Zona Oeste. Última tomada desse Gabriela nessa pintura, já está sendo preparado pra ficar branco com faixa vermelha; veja ao lado um Amélia sendo ‘Municipalizado’

Notamos que a Zona Norte pegava as regiões 1 e 9, o início e fim da contagem.

Indicando que o marco-zero da medida era bem no meio da Z/N, e não na divisa entre Z/O e Z/N, como seria mais lógico.

Bem, o erro foi corrigido, no atual padrão a Z/N tem as faixas 1 e 2, a Z/O fecha a contagem com a 8.

Comparando os dois sistemas, vemos que algumas cores coincidem com atualmente:

Verde-claro era Z/N, amarelo era Z/L, azul-claro era Z/S, laranja era Z/O. Todas essas cores do Interligado estão exatamente onde estavam no Saia-&-Blusa’.

Mas outras não. Vermelho era Zona Sul e agora é Leste, verde-escuro era Z/O agora é Leste e Sul, azul-escuro era Z/S, passou pra Z/N.

8saia verde escura zona oeste

Monobloco da Gato Preto circula na faixa 8; saia verde-escura, indo pra Lapa, Zona Oeste

As cores rosa e marrom foram eliminadas.

Talvez num caso pra se evitarem rebeldia contra um tom muito identificado com o sexo feminino, quem sabe?

E entrou pro sistema a cor roxa.

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De volta aos anos 80:

A CMTC (estatal municipal privatizada nos anos 90) operava na cidade inteira. Exatamente por ser estatal não se circunscrevia uma faixa específica.

9saia verde clara zona norte

Voltamos a Zona Norte, faixa 9. Monobloco da TUSA Transportes Urbanos.

Logo tinha sua própria pintura (em Porto Alegre é assim até hoje).

Em outras palavras, estava liberada do ‘saia-e-blusa’, vestia seus ônibus como bem entendesse.

Alias, não apenas a CMTC tinha sua própria pintura, no singular. Ela tinha suas próprias pinturas, no plural. Pois cada prefeito mudava pra deixar sua marca.

Ademais, só a CMTC tinha tróleibus, o que gerava um novo padrão de pintura:

Anos 80: Tróleibus fabricado nos EUA nos anos 50 ainda roda pela CMTC. Pintura ‘Amarelinha CBTU‘. Com a mesma pintura que existiu em Santos, Rib. Preto e Recife.

O Amarelinho CBTU, que também vigorou nos tróleibus outras 3 cidades brasileiras, duas no estado de SP e outra no Nordeste. 

A história dos ônibus elétricos no Brasil está melhor dechavada numa mensagem a parte.

Estória curiosa: abaixo, uma leva de Mafersas viria pra Curitiba, e já estavam pintados com as cores daqui.

A venda gorou e pararam na CMTC, que operou os bichões sem repintar.

O da esquerda era pra ser convencional aqui, o da direita Interbairros. Nunca pisaram em terras paranaenses, acabaram na viação estatal de Sampa, como notamos.

CMTC era pra ser Curitiba1cmtc era pra ser curitiba

Nessa outra matéria eu aponto um caso diferente: ônibus que rodaram muito tempo em Curitiba, mas depois foram repintados e vendidos pra outras cidades.

sp 80 outra postagem "Saia & Blusa" paulista lona buso monob 1 3 folhas vermelho jânio cmtc garag

Dois Monoblocos “Vermelho Jânio” na garagem da CMTC, virada pros anos 90.0 O da frente é da década de 70, o do fundo era novinho a época.

Voltando a nosso tema de hoje que é a Cidade de São Paulo, o fato é que a CMTC era liberada do padrão saia-e-blusa, e teve diversas pinturas.

A que eu mais gostava, não apenas nessa viação mas é a pintura de ônibus que eu mais gosto em todas as cidades, em todos os tempos, é que ficou conhecida como “Trovão Azul”, implantada por Olavo Setúbal em 1978

(junto com o saia-e-blusa que as particulares foram obrigadas a adotar) e que foi mantida por Covas, portanto vigorou em todos os anos 80.

Quem veio a minha casa já viu a maquete que eu fiz de papel (a esquerda). É exatamente um Monobloco 1 Trovão Azul CMTC.

maquete cmtc buso azul brancoNão fui só eu que gostei. Essa pintura foi copiada de Manaus a Grande Porto Alegre.

Clique na ligação em vermelho e veja o Trovão Azul de Sul a Norte do Brasil, o Sudeste foi só sua Gênese, mas o bichão é um Lázaro, uma Fênix.

Nota: a CMTC adorava os redondões, teve centenas de Monos na frota. Falo mais desse modelo com muitas fotos aqui , aqui e aqui.

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cmtc anos 70-80 trol

Dois tróleibus dos anos 50 operando já nos anos 90: mais uma transição, o da frente pintado no padrão dos anos 70, o do fundo já ‘Municipalizado’. Últimos dias da estatal CMTC

Jânio não mudou o padrão dos ônibus particulares, ou seja a ‘Saia-e-Blusa’ permaneceu vigente. Mas os estatais da CMTC ele coloriu inteiros de escarlate.

Daí o nome “Vermelho Jânio’ que se consagrou na busologia.

Um amarelo e um verde. Se acha que são parecidos com os de Curitiba, saiba que não é por acaso.

Na divisa entre as décadas de 80 e 90, a capital do Paraná encomendou diversos ônibus a fábrica da Mafersa, que ficava na Grande Belo Horizonte (a seguir faliu).

Sabe-se lá porque, esse lote nunca chegou a Curitiba, indo parar nas mãos da CMTC.

sp

Monobloco com pintura livre (pré-78) da Empresa de Ônibus Alto da Mooca, já extinta .

Assim ela teve esses que estavam destinados a serem convencionais e interbairros aqui, mas desviaram o caminho.

Houveram também laranjas e vermelhos que seriam alimentadores e expressos curitibanos.

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Já retomamos o texto. Uma pausa pra fotos.

Já escrevi que em Curitiba mesmo os ônibus em teste têm que que estar pintados no padrão daqui.Anos 90: Mafersa em testes em SP, com a pintura original de fábrica.

Em outras partes do país as regras são mais brandas. Então é comum operarem em período de testes ônibus já pintados com padrão de outras cidades.

pintura de teste

Anos 90: Mafersa em testes em SP, com a pintura original de fábrica.

Pois já estão vendidos pra lá, mas antes de serem entregues são oferecidos experimentalmente por uns poucos dias a uma empresa de outro local.

Tudo somado: você nunca verá – a não ser que mude a legislação – ônibus em teste em Curitiba com a pintura de Fortaleza ou de São Paulo. Mas a recíproca não é verdadeira:

Já vimos um Interbairros aqui de Ctba. como amostra grátis em Fortaleza antes, só pra deixar um gostinho na boca do povo do Ceará.

testes sp cor de ctbaE agora essa: articulado já pintado na mesma cor verde de Interbairros daqui em testes em São Paulo.

Hoje faz parte da frota curitibana.

Já o vi várias vezes cumprindo as linhas Interbairros 2 e 3. Com a placa ‘DBC’ mesmo, pois o primeiro licenciamento foi no ABC Paulista.

Mas antes, por uns dias como testes, pela Santa Brígida, indo pro distante – bota distância nisso!!! – bairro de Perus, na Zona Norte de Sampa.

Mas já quase divisa com Caieras. Eu disse que é longe…. 

Acima vimos um trólei com 3 décadas de uso nessa pintura pela CMTC em SP, anos 80. Agora um Ciferal no mesmo padrão, mas esse foi comprado zero e é ‘padrão’: 3 portas largas, mais alto e alongado.

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Esquerda: Esse padrão de amarelo com faixas em bege e laranja só foi usado em trólebus. E não só em São Paulo, veja só.

Já expliquei na outra postagem: essa pintura indicava que o ônibus foi comprado (ou reformado) com dinheiro federal, através da extinta CBTU – Companhia Brasileira de Transportes Urbanos.

Então trólebus idênticos circularam em Recife-PE e Ribeirão Preto e Santos-SP.

munic 1a. fase

1ª pintura ‘Municipalizada’, início dos anos 90. Esse é um Thamco da Penha-São Miguel, Zona Leste.

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A prefeita Luíza Erundina, no começo da década de 90, implantou a pintura do sistema Municipalizado.

Tem esse nome porque mudou-se a forma que as empresas recebiam.

Antes elas ficavam com as passagens, a partir desse novo modelo a prefeitura arrecada tudo que passa pela catraca e paga as empresas por quilômetro rodado.

Em Curitiba é assim que ainda funciona, desde o fim dos anos 80.

munic 2a. azul zona sul cmtc oda

segura essa: até o ODA (Ônibus 2 Andares) entrou na dança e recebeu as faixas como ‘municipalizado’ nos anos 90. Foi a 1ª vez que a CMTC teve que padronizar sua pintura, o que pras particulares era compulsório desde 78. 1ª e última, logo a CMTC foi vendida.

Mas em SP não mais. Depois foi revertido de volta ao modelo antigo. 

Mais duradoura foi a pintura ‘municipalizada’. Erundina criou novo padrão pros ônibus, branco com uma faixa vermelha, inclusive pra CMTC.

Digo, não é tão simples assim. O ‘municipalizado’ teve 4 fases:

1) No começo, branco com faixa vermelha pra todos os veículos,

De todas as empresas – privadas e a estatal – sem diferenciação por região. A primeira e única vez na história de São Paulo em que os ônibus foram iguais pra cidade inteira. Veja foto acima, a direita.

m-aberração

Aberração! Na virada do milênio, final do ‘Municipalizado’, houveram ônibus inteiro ‘envelopados’, descaracterizando o padrão municipal. Hoje é proibido propaganda na lataria. No México, EUA e Chile ainda existe esse absurdo.

2) Logo houveram algumas mudanças. Adotou-se um grande “M” na lateral, de municipalizado. E ele era novamente pintado conforme a região:

a Zona Sul azul;

– Leste amarela;

– Oeste verde;

– e Norte marrom.

Na frente e atrás um pedaço da faixa era da mesma cor.

Veja. Respectivamente: Mono da CMTC, Z/O.

Vitória particular, Z/S, outro Mono (bem mais novo) também CMTC, Z/L e fechando com Amélia da Viação Parada Inglesa, Z/N. Sempre com o ‘M’ na lateral

munic 2a verde zona oeste cmtcmunic 2a. azul Zona Sulmunic 2a. amarelo Zona Lestemunic 2a. marrom zona norte

…………

munic 3a. fase verde zona oesteEm 1993 Maluf assume a prefeitura e privatiza a CMTC. Desde então toda a frota de SP é particular.

3) Surge a terceira caracterização do ‘Municipalizado’.

O ‘M’ se vai, no lugar entra o logotipo de cada viação na lateral. A frente e atrás se mantém a faixa com a cor da região. munic 3a. verde zona oeste trol

Veja a esquerda logo acima um Ciferal, sem o ‘M’, mas na frente a faixa verde, pois é da Zona Oeste.

A direita, também da Z/O, um tróleibus antigo ainda circulando nos anos 90. Na lateral o logo da empresa que o adquirira da CMTC recém-vendida.

Mais exemplos. Clique sobre as fotos que elas se ampliam, o mesmo vale pra todas:

buso

Tomada de minha autoria, atual modelo Interligado. Faixa laranja. Butantã, Zona Oeste, 2016.

Ciferal Alvorada, azul Z/S. Pela placa ‘K’ e janela que abre embaixo se vê que esse veículo veio usado do Rio de Janeiro.

Depois um Comil (motor e chassi Ford, raridade, essa montadora fez ônibus por pouquíssimo tempo no Brasil) amarelo da Z/L.

Um Thamco da Nações Unidas marrom Z/N, e mais um tróleibus dos anos 50  na ativa nos anos 90, verde da Z/O.

Todos os veículos são particulares, inclusive o tróleibus. Quando a CMTC existia o modal não-poluente era exclusivo dela, mas aqui já fora privatizada.

Nos anos 2000 novos desdobramentos: a rede elétrica foi bem desmantelada e hoje não há mais tróleibus na Zona Oeste nem na Norte, só na Leste e um pedacinho da Sul, como já dito.

munic 3a. fase azul zona sulmunic 3a. fase amarelo zona lestemunic 3a. fase marrom zona nortemunic 3a. fase verde trol1

trolei velho munic sp buso branco vermelho z/o

Mais um tról antigo: já sem o ‘M’ na lateral, mas ainda sem logo e nem nome da empresa. Significa que a foto é de 1993, logo após a privatização da CMTC. O novo dono ainda não tivera tempo de assinar sua propriedade recém-adquirida.

…………

De volta aos anos 90, as mudanças na pintura do Municipalizado não pararam pela exclusão do ‘M’ e inserção do logo da empresa.

Pois a partir de agora apenas os ônibus a dísel de tamanho normal são caracterizados assim.

Os a gás natural passam a ser inteiro azul-claros, e os articulados e bi-articulados adotam o amarelo.

Vemos dois Caio curtos (Alfa e Apache) e um Viale Marcopolo assim pintados, nessa caracterização peculiar pros veículos especiais nessa 3ª fase do ‘Municipalizado’.

…………..

munic 3a. fase gasmunic 3a. fase bi-articuladomunicipalizado amarelo

municipalizado azulNa verdade, como vemos a esquerda, a princípio queriam pintar todos os ônibus curtos de azul claro.

A foto comprova, está pintado ‘Básico’ na lataria.

Ou seja, não é alongado (padrão), não é gás natural, é busão tamanho normal a dísel, sem qualquer diferencial

Mas, cara, isso não pegou. Nunca vi um ônibus azul escrito ‘Básico’. Nunca vi. Eu vou pra SP várias vezes por ano, e Sou Busólogo, estudar a busologia é o que faço.

tiradentes

Moderníssimo ‘Expresso Tiradentes‘, – que será melhor analisado em mensagem que breve jogo pro ar. É um Mondego Piso Baixo. Acaba de chegar a Ctba – vindo usado de B.H. – o 1º Mondego da cidade, que é também o 1º articulado piso baixo da história de Ctba.

‘Gás natural’ azul e sanfonados e bi-sanfonados amarelos cansei de ver, milhares de vezes.

Então lhes afirmo: a ideia de que os ônibus a dísel tamanho normais fossem azuis nunca existiu na prática.

Foi só um protótipo, um piloto, que foi usado em pouquíssimos veículos, por pouquíssimo tempo.

Uma ideia. que foi testada, mas não vingou, logo foi abandonada.

Por isso é o mesmo que dizermos que não existiu na prática. Achei agora na internet essa imagem, e publico como registro histórico.

legalizado cooperativa

Início do milênio: os ônibus clandestinos são legalizados. Formam cooperativas e são inseridos no sistema. A princípio recebem pintura branca com detalhes em azul pra mostrar que estão regulares. Como esse Torino que vai pro Jd. Elba, Z/L.

Mas reitero: isso não existiu em larga escala, a ponto de ser detectado sem microscópio.

………..

Feita essa adição, volta o texto original. Nesses bichões azuis e amarelos havia um mesmo logotipo a adorná-los.

Pra reforçar a mensagem ainda trazem escrito na frente ‘Gás Natural’ ou ‘(Bi) Articulado’.

E não mais indicam qual região da cidade aquela linha vai.

Ou seja, dividiu-se a frota conforme o padrão, os ônibus pelados, sem nenhum extra, são brancos com faixa vermelha com detalhe indicando a ‘Zona’ que pertencem. 

kombi

A mesma situação: quando começou a regularização do transporte clandestino, as Kombis também receberam faixas azuis. Antes disso não tinham qualquer regulamentação, eram de qualquer cor.

Já os que têm sanfona, ou que não poluem, são unicolores sem faixa e sem indicar pra onde vão.

O preço é sempre o mesmo, na tarifa não há qualquer variação, é só na pintura.

4) Na última etapa da padronização ‘Municipalizada’ todos os ônibus voltam a ser brancos com uma faixa.

Os de tamanho normal a dísel não se alteraram, ainda são com faixa vermelha principal e uma pequena faixa na frente e atrás mostrando a região.

estrela da marta

Apache com “Estrela da Marta”: pintura mais fugaz da história. Leia mais abaixo.

Mas os articulados, bi-articulados e também os ônibus ‘padrão’ são pintados com faixa verde, sem a faixamenor a frente e atrás indicando a região.

Vemos mais dois Alfas e um Mafersa.

Um tem sanfona, os outros não mas são alongados, uns metros maiores que os veículos comuns.

Por isso eles têm faixa verde, sem dizer pra que parte da cidade vão.

Como já disse acima, tróleibus na Avenida Santo Amaro agora só por fotos.

munic 4a. fase verde articmunic 4a. fase verdemunic 4a. fase verde trol

z/s SP trol artic Trovão Azul caio cmtc bandeira buso sanfona

Em 1985 a CMTC comprou 2 tróleibus articdulados, um da Caio (numerado 8000) e outro da Marcopolo (numerado 8001). Eis o Caio na Praça da Bandeira, Centrão, cumprindo a linha 6500 pro Terminal Santo Amaro (Z/S), também inaugurado naquele ano.

Já falamos em outras postagens, ônibus ‘padrão’ é um veículo maior, que tem um padrão melhor pros passageiros.

Além de um pouco mais compridos são mais largos e altos, contam com 3 portas e motor central ou traseiro.

Os veículos convencionais, mais baratos, têm o motor ao lado do motorista, o que atrapalha o embarque e circulação no salão do veículo.

Esses se mantém como descrito na etapa anterior. Brancos, faixa vermelha, com detalhe da região.

Já os especiais (com sanfona ou então alongados quando não-articulados) agora são brancos com faixa, igualmente. Mas faixa verde, e sem indicar a região.

trol-art genese trovão cmtc

o mesmo bichão 8000 agora de costas. Abaixo falaremos bastante dele.

Exaltando novamente, a tarifa é a mesma. Quando eu disse que os convencionais são ‘mais baratos’ me refiro ao custo pro frotista adquirir o veículo.

Os alongados e articulados obviamente custam mais pro empresário mas isso não é repassado pro usuário final.

………….

Já voltamos pro texto. Antes veja que sequência fantástica:

A história do transporte em São Paulo resumida num único ônibus, o primeiro tróleibus-articulado do Brasil.

CMTC Trovao azul

Aqui o 8001 da Marcopolo. Ao lado e na sequência abaixo eu não me refiro a esse veículo, mas ao 8000 que começou como Caio e depois ‘mudou de time’, virou também Marcopolo

1) Comprado pela CMTC no meio da década de 80, encarroçado pela Caio no modelo Amélia, como aliás o letreiro indica.

Recebe o número 8000 e o padrão de pintura “Trovão Azul”, pois a viação estatal é dispensada do “Saia-&-Blusa” compulsório as particulares. Entrada por trás.

2) 1991: Erundina implanta o “Municipalizado”. O 8000 é pintado nesse padrão, a princípio só faixa vermelha, sem indicar qual parte da cidade serve.

Pela primeira vez a CMTC tem que padronizar como as viações privadas. Ainda se entra por trás.

3) 2ª etapa do ‘Municipalizado‘.

Portanto ele ganha o ‘M’ e faixa azul na frente, pois sua linha vai pra Zona Sul. Ainda é da CMTC, mas por pouco tempo. A entrada foi mudada pra frente.

biartic Berrini buso Brooklin SP z/s interligado roxo branco caio

Esse bi-articulado Caio é já do padrão Interligado, faixa 7 roxa – Zona Sul. Não é o mesmo mesmo veículo que estou falando ao lado. Foto feita em 2014 pessoalmente por mim na Avenida Berrini, Brooklin. Fotografei mais coisas na mesma esquina.

4) etapa do ‘Municipalizado’.

Da pintura nesse padrão, eu me refiro. Porque Maluf ‘desmunicipalizou’ a arrecadação financeira do sistema.

O ‘M’ lateral sumiu, e surgiu espaço pra entrar o logo da viação.

Está em branco porque, como no trólei acima, a CMTC acabara de ser vendida.

O novo dono ainda não teve tempo de implantar seu nome e símbolo na lataria da frota recém-comprada.

A numeração do veículo ainda é 8000, e ainda tem a mesma carroceria Amélia da Caio com a qual saiu de fábrica.

5) 4ª e última etapa do ‘Municipalizado’.

SP trol roxo branco interlig neobus z/s buso estrela marta

Acima vimos tróleibus todo branco Neobus na linha 6500-Santo Amaro/Bandeira. Agora no mesmo modelo, mesma linha, mas já no Interligado. Só lembranças . . . A faixa 7 roxa não tem mais elétricos.

Como dito acima, os articulados e alongados recebem faixa verde, sem indicar a região.

O novo dono já pintou seu logo onde um dia houvera o da gloriosa CMTC, agora só por fotos.

Ainda é um Caio, e ainda 8000. Por pouco tempo, como já veremos.

6) A programação visual alvi-verde é a mesma. Mas ele foi re-encarroçado. Tiraram a Amélia Caio e botaram uma Torino da Marcopolo no lugar.

Pra quem não é especialista em busologia, essa prática é comum, especialmente em SP.

O chassi e o motor são os mesmos, ainda é o mesmo ônibus. Por isso mantém o mesmo número, 8000. Agora o bichão tem ar-condicionado. E foi pra Zona Leste.

Na Cidade de São Paulo os tróleibus não tinham placas até os anos 90. Pode reparar que até aqui o para-choque está virgem, sem esse adereço de metal a adorná-lo.

7) Virou o milênio, acabou a pintura ‘Municipalizada’ em vigor há uma década.

O 8000 também ganhou na lataria as “Estrelas da Marta”. Por pouquíssimo tempo.

A repercussão na sociedade foi péssima, e nem teria como ser de outra forma. Logo a pintura foi mudada. Mas existiu e alguém clicou, eternizando-a.

Detalhe que o bichão voltou pra Zona Sul, puxou os últimos dias da rede elétrica do corredor Santo Amaro, que logo a seguir foi eliminada pela mesma Marta.

Já mudou de pintura 5 vezes; já mudou de carroceria; de dono, já teve o embarque invertido pra frente; começou na Z/S, foi pra Z/L e voltou pra Sul. E, ao ser mudada a legislação, teve que afinal ser emplacado.

i-1 Verde Claro Zona Norte

Sistema Interligado, criado em 2003, ainda vigora: faixa 1 verde-clara, Zona Norte. Amplie pra que esse Alfa tem uma faixa verde horizontal logo acima do friso, pois é da Santa Brígida, empresa oficial.

Mas o número ainda é o mesmo, 8000 – acrescido de prefixos, não importa. A pedra fundamental ainda está lá.

8) Pra se recuperar de sua pintura ‘estrelada’ que pegou mal, Marta criou o Sistema Interligado.

O mesmo ônibus foi repaginado nesse padrão. E de vermelho, sinal que ele voltou pra Zona Leste.

Tem mais:

Nessa nova re-configuração, ao mudar mais uma vez de dono, ele enfim foi re-numerado. Deixou de ser o 8000, agora é o 4-1486.

Mas ainda é o mesmo bichão velho de guerra, fabricado em 1985 e que circulou pelo menos até 2005. página de busologia

Por isso a placa dele é ‘CDL-8000’, numa justíssima homenagem. Respeito a quem merece.

Há mais uma prova. Veja ao lado a reprodução da página de busologia de onde tirei boa parte das  imagens dessa matéria.

A esquerda há seção “Mais fotos desse veículo”. Nesse caso tive até que reduzir a escala pra caberem todas: do 1 ao 8

Não perca a conta, amigo. Do 1 ao 8, é sempre o mesmo busão em roupagens diferentes.

20 anos na ativa, sem pedir descanso. Alma Forte é isso.

Vamos ver tudo isso na prática. Clique sobre as cenas pra ampliá-las. Atualização de maio/16: consegui no sítio Ônibus Brasil ainda mais uma versão do mesmo trólei-articulado, é a que ele está inteiro vermelho. Agora já são 9!!! Ô bicho versátil!

trol-art genese trovão cmtc18000trol-art munic 1a fase cmtctrol artic sp cmtc munic caio buso vermelho branco z/strol-art munic 2. azul zona sul1 cmtctrol-art munic 4a. fase verdetrolei artic munic verde sp marcop busotrol-art re-enc estrela da martatrol-art marcop z-l sp

i1-verde claro-cooperativa Zona Oeste

As cooperativas foram integradas ao Sistema Interligado. Veja esse Apache também faixa 1 Z/N: só há uma diferença na pintura, nos cooperados na frente e atrás é metade branco, e não há uma faixinha horizontal na lateral.

Na última década do milênio passado o transporte em São Paulo entra em caos.

Os ônibus piratas se espalham por toda cidade, o que também ocorreu em todas as metrópoles do Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte do Brasil.

Apenas no Sul escapou dessa manifestação.

Dos ônibus oficiais, das viações cadastradas, vem outra aberração: pipocam os veículos com propagandas por inteiro.

Sim, também houve isso em outras partes do planeta, vi foto de um canadense igualzinho.

Felizmente hoje isso é proibido, pelo menos em São Paulo, a frota paulistana atualmente não ostenta propaganda.

…….…

buso sp zona norte azul branco inter-ligado caio metrô santana

Faixa 2, também Zona Norte: Caio Milênio da Sambaíba azul-escuro indo pro Metrô Santana.

Em 2002 Marta Suplicy vence a eleição. Sua gestão teve pontos muitos bons pro transporte, e outros nem tão bons assim.

Marta dobrou o número de terminais; 

e ainda implantou a integração no cartão, que Curitiba também deveria adotar.

Desde então 100% das linhas de São Paulo são integradas.

Pois com uma passagem você pode pegar até 4 ônibus em 2 horas (posteriormente ampliado pra 3 horas), ou 3 ônibus, se fizer uso do sistema de trem e metrô.

buso azul branco interligado sp z/c bom retiro caio

Apache cooperado, também faixa 2: foto clicada pessoalmente por mim no Bom Retiro, Centro de SP, em janeiro de 2014

Ela também integrou e regularizou o transporte clandestino ao sistema.

Agora os perueiros formam cooperativas, e as cooperativas atuam como se fossem uma empresa.

Assim precisam cumprir horário e itinerário, fazer conservação e limpeza dos veículos. Em outras cidades cidades como Belo Horizonte ocorreu o mesmo.

Voltando a descrever SP, no primórdios, os primeiros ônibus alternativos legalizados eram inteiro brancos com detalhes em azul.

Atualmente são pintados iguais aos que são das viações oficiais, com um pequeno detalhamento que explico abaixo.

……….

i3-Amarelo Zona Leste

Faixa 3 do Interligado, amarelo, Zona Leste. Apache de empresa oficial.

Como contra-ponto, ela quase acabou com os trólebus: eliminou a rede nas Zonas Oeste, Norte e boa parte da Sul.

Hoje só há rede significativa pra ônibus elétricos na Zona Leste, além de um pequeno ramal na Zona Sul já na divisa com a Z/L.

Me refiro ao sistema municipal. Paralelo e integrado a ele há uma rede metropolitana de tróleibus que corta o ABC.

Outros ideias nem tão felizes de Marta:

Implantou portas na esquerda nos ônibus. Ter entrada e saída dos dois lados atrapalha a circulação dentro do salão do veículo, sem benefício real aos usuários;

i3- amarelo cooperativa Zona Leste

Mesma faixa, mesmo modelo. Mas esse Apache é cooperado. Há cooperativas nas 8 faixas, embora eu só tenha mostrado 3 exemplos.

Fora o fato que ela mudou a pintura, e pretendia adornar toda a frota com o símbolo de sua gestão.

Vimos busos padronizados no tema que ficou conhecido como “Estrela da Marta”.

A repercussão negativa foi tamanha que em poucos meses foi mudada, se tornando o padrão de pintura mais fugaz da história de São Paulo.

Como disse a gestão de Marta foi bi-polar no que se refere ao transporte coletivo: ótima em certos pontos e péssima em outros.

…..

i-4 Vermelho Zona Leste

Outro Apache, também Zona Leste, mas agora faixa 4, vermelha. Empresa oficial, daqui pra frente não há mais cooperados.

Obrigada a retirar sua estrelinha da lataria da frota, implantou a pintura do sistema Interligado, sobre o que já falei.

Como vê, nosso colega que não mora mais lá não sabia, mas São Paulo tem até hoje pintura de acordo com a região.

Porto Alegre-RS, Brasília-DF, Rio de Janeiro e Santiago do Chile também.

…………

As outras cidades que padronizam os ônibus, entretanto, adotaram o modelo de Curitiba. Ou seja, a pintura não é por região mas por tipo de serviço: Expresso, Interbairros, Alimentador, etc. 

buso verm interlig SP caio Z/L

Milênio tróleibus. Ou está fora de serviço ou está fazendo linha metropolitana em São Bernardo numa exceção, talvez deu problema na rede do ABC e ele foi ajudar. É comum em SP o socorro entre modais e esferas diferentes, se chama ‘Paese’. Em dias normais ele opera na Zona Leste do município de SP, faixa 4 do Interligado, a única que tem tróleibus atualmente. Na verdade a rede adentra também na faixa 5 descrita abaixo, mas os tróleis são sempre vermelhos.

Exemplos, entre muitos outros, são Blumenau-SC, Recife-PE, Vitória-ES, Belo Horizonte-MG, Londrina, Paranaguá, Ponta Grossa (as 3 no PR), etc.

Na verdade a primeira padronização de BH indicava tanto a categoria quanto a região da cidade.

É isso mesmo, foi 2-em-1.

Como eles conseguiram isso?

Se você não conhece o sistema MetroBel, clique na ligação que lá está explicado.

Até Los Angeles (EUA) entrou no rol.

Primeiro caso da história que um país do eixo euro-estadunidense adota uma padronização no transporte criada no Sul do planeta.

Nota escrita em 2015: A Grande Recife tem dois sistemas de transporte, que operam paralelamente.

i-5 Verde Escuro Zona Sul & Zona Leste

A faixa 5 é metade na Zona Leste, metade na Sul. Esse apache vem da Vila Prudente, Z/L, em direção ao Metrô Liberdade, no Centro.

Um deles é o SEI – Sistema Estrutual Integrado, com corredores, linhas expressas e terminais, de onde saem os alimentadores pro subúrbio.

No SEI os ônibus são padronizados no modelo de Curitiba, desde os anos 90.

…………..

Mas quanto as linhas que não fazem parte do SEI a pintura era livre até 2015.

Era. Agora foi padronizada no modelo paulistano:

tribus invertido - sp

Esse Marcopolo já está no Interligado, comprovado pelos logos desse sistema e do Consórcio 7, que surgiu com ele. Mas por ser um veículo diferenciado (está trucado – só que ao contrário!) teve pintura exclusiva pra ele, toda prateada.

Os ônibus são pintados não conforme o tipo de serviço mas sim de acordo com a região.

Ou seja Recife terá dois modelos paralelos, um inspirado no modelo de Curitiba, e outro no de São Paulo.

…….

Vamos ver mais 2 faixas do interligado:

Esquerda, Apache azul-claro da faixa 6.

Depois Alfa Articulado roxo da 7, ambas na Zona Sul.

A faixa 7 é a maior de todas, por isso concentra o maior número de articulados e bi-articulados.

i6-Azul Claro Zona SulPois pega alguns dos subúrbios mais povoados da cidade.

Como Capão Redondo, Jardim Ângela, Jardim São Luiz, Valo Velho e imediações.

Notam as portas também na esquerda.

Não, a foto não está invertida pelo computador. Isso é normal em SP.i-7 Roxo Zona Sul

…………..

Só pra arrematar:

Nosso colega falou que os ônibus padronizados por região auxiliam os analfabetos, porque pela cor ele já sabe se vai pra perto de sua casa.

i8-Laranja Zona Oeste

Alfa laranja, faixa 8 Zona Oeste. Esse vai pra Cidade Universitária, ou seja, entra no campus da USP que fica no bairro do Butantã.

Os metrôs de Recife e Medellin (Colômbia) vão além nesse conceito: têm mapas que são acessíveis aos analfabetos.

Cada estação tem um símbolo. 

A que é perto da Catedral tem uma igreja, a perto do estádio tem um pé chutando uma bola, e por aí vai.

………..

Que Deus ilumine sua caminhada

Deus proverá”

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