Recordar é Viver: a Rodoviária de Curitiba “naquele tempo” . . .

e de brinde: a antiga rodoviária da luz (na pça. júlio prestes), em sp

Graciosa em 2 pinturas, Lapeana e não-identificado

Graciosa em 2 pinturas, Lapeana e não-identificados.

Por Maurílio Mendes, “O Mensageiro”

Publicado em 25 de janeiro de 2013, aniversário de SP.

Nota: quase todas as fotos são de Curitiba, mas como já dito no sub-título vamos dar um pega em São Paulo, porque o tema é o mesmo.

Eu reforço na legenda a informação de quando as imagens se referem a capital paulista. Se não for especificado as tomadas foram feitas em Curitiba.

………..

“Recordar é viver”, segundo alguns, né?

Então, pra gente continuar vivo, vamos lembrar como era a Rodo-Ferroviária de Curitiba “naquele tempo”.

Sulamericana, Graciosa e diversos

Não sei de qual viação era o azul a esquerda da imagem. A frente dele um Dovaltur, a seguir um Graciosa, esses três já estão fora das plataformas, na faixa pra deixar a rodoviária. Manobrando pra entrar na fila há um da Sulamericana. Os demais ainda não foram identificados.

A maioria das fotos é dos anos 70 e 80, e há uma dos anos 90.

A fonte de boa parte delas é o sítio oficial do órgão da prefeitura que administra a Rodo-Ferroviária, e que lá está sediado.

http://www.urbs.curitiba.pr.gov.br/

…………….

A Rodo-Ferroviária fica no bairro Jardim Botânico, Zona Central. Mas um dia pertenceu ao Cajuru, sabia?

Se você quiser ir até lá, a linha de micro-ônibus Circular Centro para bem na porta. Margeando-a está o Rio Belém, que a seguir passa ao lado de minha casa.

rodov Ctba buso antigo velho monob reunidas penha anos 80Em Curitiba, os terminais de ônibus de viagem e da única linha de trem de passageiros que ainda opera (pra Paranaguá) são juntos, por isso o termo “Rodo-Ferroviária”.

[Nota: Brasília-DF, onde nasci, por muitos anos também teve uma “Rodo-Ferroviária”.

Mas não mais. Em 2010 foi inaugurada uma novíssima rodoviária na capital federal – e ambas não devem ser confundidas com a rodoviária pioneira, a “Rodoviária do Plano Piloto”,.

Monobloco Penha pintura mudada

Monobloco da Penha.

De 1960 a 1980, a “Rodoviária-P.P.” como é conhecida era multi-modal, atendia ônibus de viagem como o nome indica, mas também ônibus urbanos, era – e ainda é – o Terminal Central da cidade.

Em 1980 veio a “Rodo-Ferroviária”, no final do Eixo Monumental, perto do Cruzeiro e do Setor Militar.

Funcionou dessa forma entre 1980-2010, pra onde foram os ônibus de longa distância, por esses 30 anos dividiram o espaço com os trens, como aqui em Curitiba.

E pra substituir a Rodo-Ferroviária em 2010 veio a novíssima Rodoviária, a 3ª da cidade portanto, perto do Núcleo Bandeirante e do Setor de Mansões (o nome oficial do bairro é esse, não é ironia), integrada ao metrô.

Estrela Azul e não-identificado

Nielson Diplomata da Estrela Azul.

Tudo somado. A capital federal já construiu 3 rodoviárias nos seus primeiros 50 anos de vida. A que durou mais tempo, 30 anos, era também uma Rodo-Ferroviária, agora desativada.]

Deixemos Brasília pra lá porque aqui o tema é Curitiba.

Coloquei tudo isso só pra dizer que durante três décadas minhas duas cidades, a que me fez vir a matéria e a que me adotou, foram as únicas que tinham “Rodo-Ferroviária”,

E somente nessas duas cidade isso existia, ao invés de simplesmente rodoviária como é em todo lugar. Mas não mais. Agora, só Curitiba tem Rodo-Ferroviária.

……………

luz

Nosso foco é Curitiba. Mas nas próximas 5 imagens vamos ver a antiga rodoviária de São Paulo. Quando ela era sediada na Pça. Júlio Prestes, na Luz, no Bom Retiro, em pleno Centrão.

Chega de escrever, que aqui a atração são as fotos. Apenas farei um breve comentário em cada uma delas, indicando o que eu sei sobre a viação e o modelo do ônibus.

Tudo de memória. Quem tiver uma informação mais apurada, ao constatar omissão ou incorreção, me escreva, que eu repasso.

Nem sempre as imagens estão ao lado da descrição, identifique pela legenda. Algumas cenas já foram mostradas acima.

A primeira foto, logo no topo, mostra 3 Monoblocos Mercedes-Benz e um Marcopolo.

1º ônibus: Monobloco da Viação Graciosa (essa empresa ainda existe e atende o litoral) em pintura dos anos 70, que não cheguei a presenciar, já mudada há tempos.

2º: monobloco da Lapeana. Não presenciei igualmente essa pintura, mas lembro da empresa, que existiu até a década passada.

Depois foi comprada pelo grupo Constantino, dono da Gol (que também domina o transporte urbano na Baixada Santista, entre outras cidades), e extinta.

luz rodoviaria

SP, anos 70: a Rodoviária da Luz ainda funcionava. Foi desativada em 1978 quando inaugurou a nova na Marginal do Tietê. Essa foto e a da direita logo acima não são da internet, fui a casa de um colega que fez esse registro dela funcionando, 4 décadas atrás. Como não daria pra fazer uma postagem só pra antiga rodo de SP, insiro o material aqui.

Veja as Rodoviárias do Sudeste (Rio e B.H.) forradas de Monoblocos, na mesma época. Na mesma postagem há também diversos Monos no modal urbano.

De volta a Ctba: 3º veículo, um Marcopolo. Não sei o nome do modelo da carroceria nem identifico a empresa.

Atrás, mais um monobloco da Graciosa, justamente na pintura que estava substituindo a primeira. 

Essa pintura durou muitas décadas, dos anos 80 aos 2000, e portanto me lembro perfeitamente, tendo muitas vezes andado nos ônibus que a ostentavam.

Recentemente foi aposentada. Lá no fundão, com a mesma pintura e da mesma empresa Graciosa portanto, está vindo um Nielson Diplomata.

Todos esses veículos foram fabricados nos anos 70, a foto é provavelmente do início dos anos 80.

(Como é sabido, a Graciosa opera também linhas urbanas na Grande Curitiba.

Enquanto a pintura era livre, a empresa decorava tanto os rodoviários quanto os urbanos exatamente da mesma forma.

sao_paulo

Continuamos em SP, mas aqui voltam as cenas puxadas da internet. Em tomada provavelmente dos anos 60 (estimo pelo modelo dos ônibus) um Cometão chega a Rodoviária da Luz, Centro de Sampa.

Clique na ligação pra  ver a pintura de quase todas as empresas metropolitanas antes da padronização dos anos 90.

Hoje os metropolitanos de Curitiba são padronizados uni-color.

Mas no litoral a Graciosa ainda opera na pintura livre ônibus urbanos, com 2 [ou 3] portas e catraca. E é a mesma dos rodoviários.)

De volta a Rodoviária. Mais um glorioso Nielson Diplomata, dessa vez da Estrela Azul, e atrás um Marcopolo, novamente não identifico o modelo da carroceria nem a viação.

Lá no fundo, um Monobloco de empresa não-identificada, talvez a mesma Lapeana citada acima.

Me lembro perfeitamente dessa pintura da Estrela Azul, que já foi aposentada. A viação ainda existe, e atende o Sul do Paraná. Aqui demos conta da viação.

antiga rodo - sp

Por quase 3 décadas (80, 90 e começo de 2000) funcionou no local da antiga Rodoviária da Luz um centro comercial de roupas. Porém nos últimos tempos o local estava fechado, as portas seladas com tijolos pra evitar invasões de drogados.

Agora, o ônibus em si. A Nielson, de Joinville-SC, é a precursora da Busscar. Nos anos 70 e 80, ela não fazia ônibus urbanos, só rodoviários.

No já distante ano de 1987 (quando Santa Catarina ainda não tinha um articulado sequer), ela lançou sua primeira carroceria urbana, chamada justamente de Urbanus.

Faz tempo, mas me lembro como se fosse hoje, embora eu tivesse somente 10 anos. Sempre fui busólogo. Logo a seguir, ela mudou seu nome pra Busscar.

Os anos 90 e começo dos 2000 foram seu zênite, abocanhou fatia enorme do mercado nacional e também teve fábricas na Colômbia e México.

Em Bogotá, a Busscar fez tanto sucesso que virou ícone, relatei com detalhes quando estive lá, quase 2 anos atrás.

Entretanto, tudo que começa um dia acaba, a Busscar quebrou no fim da década passada e teve a falência decretada oficialmente em 2012. Igualmente como no caso anterior, a foto data da virada dos anos 70 pra 80.

demolicao

Antiga Rodoviária da Luz sendo demolida, entre 2010 e 11. Hoje o terreno está vago, aguardando ser incluído no projeto de revitalização do Centro.

……………

Sei qual é o ônibus em primeiro plano porque ele será melhor retratado em outra imagem, que já comento. Por hora, falemos do busão que está no centro dessa tomada.

É um Marcopolo da Princesa dos Campos.

Essa viação ainda existe, e atende o Centro do Paraná, a região de Ponta Grossa, chamada de “Campos Gerais”, daí o nome da empresa de ônibus.

Já essa pintura, que é dos anos 70, eu não cheguei a ver pessoalmente. O veículo aqui retratado também foi fabricado nos anos 70, por se tratar de um San Remo.

Um detalhe muito interessante. Vejam que o último ônibus estacionado, na parte de cima da foto, é um articulado. Um articulado rodoviário, é isso aí. Logo que os articulados surgiram na virada da década de 70 pra 80, algumas empresas usaram eles como veículos de viagem, e não apenas urbanos, como ocorre hoje.

tribus

Anúncio do Tribus dessa época, anos 80. Fiz matéria específica sobre os Tribus Urbanos, especialmente comuns em São Paulo, Paraíba e Rio Grande do Norte. Na mesma postagem veremos 2 Princesas dos Campos suburbanos, com catraca e 2 portas – e igualmente 3 eixos.

Mas não deu certo, porque as rodoviárias não eram adaptadas pra esses ônibus mais longos, criando diversos problemas de logística.

Podem ver aqui, o ‘rabo’ dele está estorvando outros ônibus passarem e manobrarem.

Por esse detalhe, a foto necessariamente precisa ter sido batida na primeira metade dos anos 80.

Pois os articulados já existiam, e ainda eram usados como rodoviários, o que durou pouquíssimo. Recordar é viver….

Acima, na terceira foto contando desde o topo da matéria, dois Monoblocos Mercedes, um da Reunidas e outro da Penha.

Ambas as viações ainda existem, a Reunidas atende o Norte de Santa Catarina. Já a Penha por décadas ligou Curitiba também a Santa Catarina, fui muitas vezes pra Joinville e Florianópolis com ela, mas depois vendeu essas e outras linhas a Catarinense, e hoje se limita a ir pro Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

as duas Princesas (do Norte e dos Campos)

Princesa do Norte (a esquerda na imagem), e já saindo um Princesa dos Campos – nessa outra postagem ônibus suburbanos dessa viação, com catraca, 2 portas e 3 eixos.

Não presenciei essa pintura (aqui me refiro a Penha), que é dos anos 70.

Depois que essa foto foi tirada, a Penha foi vendida pra Itapemirim, a quem pertenceu por décadas.

E recentemente dessa desmembrada e novamente vendida, também pro grupo Constantino que controla a Gol. A Penha não foi extinta, como sucedeu a Lapeana.

Agora a Reunidas. Essa pintura já foi aposentada.

Vigorou com pequenas variações (retiraram o cinza, mas a fonte – o tipo da letra – , o emblema e a faixa vermelha permaneceram) até os até os anos 90, e eu me lembro dela, já re-estilizada, como descrevi.

Em tempo. Assim como a Busscar mais recentemente, a Mercedes-Benz deixou de fabricar carrocerias no ano de 1994. Agora ela fabrica apenas chassi e motor, outras empresas é quem cobrem o veículo.

Duas Princesas (do Norte e dos Campos) e NordesteVemos os Monoblocos rodoviários. Agora veja o Monobloco urbano em ação.

Logo abaixo, agora de frente um Monobloco Mercedes da Penha na pintura dos anos 70.

 ………….

AS DUAS PRINCESAS –

Vemos novamente os mesmos ônibus em novo ângulo, esses veículos das Princesas estacionados nas plataformas, já foram mostrados na imagem logo acima.

expresso lona cristo rei testes buso crba anos 80 prédio articulado sanfonado alemão vermelho afonso camargo merced

1981: nessa tomada estamos exatamente em frente a Rodo-Ferroviária. Articulado alemão que rodou apenas 2 semanas em Curitiba. Apenas pra ser testado teve que ser pintado no padrão de Curitiba.

A novidade é o ônibus da Nordeste a ultrapassá-los, a direita. Todas as viações ainda existem.

Veem no alto, parado, o San Remo da Princesa dos Campos, que na foto anterior já está em movimento.

Abaixo dele, um ônibus de uma outra Princesa, a Viação Princesa do Norte.

O modelo do veículo é um saudoso Ciferal, sigla de “Companhia Industrial de Ferro e Alumínio”, montadora carioca que foi comprada pela Marcopolo.

Ainda existe, mas só como nome-fantasia. O capital é 100% Marcopolo.

A Nimbus (em foto abaixo aparece um busão feito por ela) foi comprada e extinta pela Marcopolo, agora só em fotos e na memória de quem viu, não sobrou nem nome-fantasia. Afinal ambas (Marcopolo e Nimbus) ficavam na mesma cidade, Caxias do Sul-RS, e a Marcopolo, que hoje é a maior do mundo. 

Acaba de comprar uma parte da canadense ‘New Flyer’,começou sua ascensão ao topo exatamente fundindo a Nimbus a seus quadros. A Neobus (ex-Thamco) é também de Caxias do Sul, e é também mais um nome-fantasia, boa parte da composição acionária é igualmente da Marcopolo.

Rebouças Z/C ctba ponte preta trem ferrovia maria fumaça viaduto anos 90 buso monob expresso cristo rei bicicleta vermelho

1989: nos afastamos um pouco da Rodo-Ferroviária, mas estamos nas imediações. Eis a famosa ‘Ponte Preta’, na divisa entre Centro e Rebouças. Monobloco puxa linha de Expresso antes da implantação do bi-articulado Leste-Oeste. Aquela maria-fumaça não operava a décadas, mas estava ali como atração turística. Hoje foi removida. Puxei essa foto da rede, e a levantei prum outro sítio de busologia. O autor da página comentou: “Na mesma imagem, ônibus, trem, carro e bicicleta. Isso que é Multi-Modal!”

Voltemos aos ônibus aqui retratados. A Princesa do Norte conheço muitíssimo bem, posto que atende a região do Norte do Paraná: 

O ‘Norte Velho’ ou ‘Norte Pioneiro’, o eixo Jacarezinho-Jaguaraíva.

Em oposição ao ‘Norte Novo’, a região de Londrina e Maringá, que como o nome indica foi colonizada depois – da qual minha esposa é originária.

Logo viajo e muitas e muitas vezes pra lá nos coletivos da Princesa do Norte. Entretanto, não cheguei a ver essa pintura, já aposentada há muito.

Recentemente, a Princesa do Norte foi vendida, ainda mais uma vez pro dono do Gol, que além do transporte aéreo está se tornando um dos maiores frotistas de ônibus do Brasil.

Por fim, a Nordeste, que é o ônibus em movimento, ultrapassando os dois que estão estacionados. 

Me parece mais um Marcopolo. A Nordeste atende o Centro-Oeste do Paraná, a cidade de Campo Mourão e imediações – e não o Nordeste Brasileiro, como alguém poderia pensar.

Essa pintura eu cheguei a ver, e muito, vingou até os anos 90 pelo menos, sendo posteriormente substituída. A foto é dos anos 80.

Graciosa em 2 pinturas, Lapeana e não-identificados

Pronto, retornamos a Curitiba. Daqui pra baixo todas as fotos são da capital do Paraná.

 Uma foto parecida com a primeira.

Reproduzo essa aqui pois mostra um detalhe a mais, o quinto ônibus, bege com escritos em marrom, é o mais antigo entre todos os aqui fotografados.

É também um Mercedes Benz -Monobloco, mas um pioneiro, o vovô de todos os outros. Os demais monoblocos aqui retratados foram fabricados entre o fim dos anos 60 e começo dos 80.

Veja um Monobloco exatamente do mesmo modelo, porém do modal urbano, em ação em Brasília no já distante ano de 1967.

Tanto esse urbano do DF visto na outra postagem quanto o rodoviário aqui retratado foram produzidos no começo dos anos 60.

Agora nos focando especificamente neste, já estava velho quando tiraram essa foto, fazia suas últimas viagens antes da merecida aposentadoria. Não identifico a viação. Talvez seja a mesma Lapeana do que está a frente.

………..

anos 90 Garcia e SulamericanaEssa é a foto mais nova de todas. Aqui estão dois Busscar da Garcia. A empresa ainda existe, e atende o Norte Novo do Paraná, ou seja Londrina, Maringá e imediações.

Lembro-me perfeitamente dessa pintura, afinal a imagem é relativamente nova. Já foi, entretanto, substituída.

Tenho certeza que a foto é da primeira metade dos anos 90 por causa da bandeira do Paraná na traseira dos veículos.

Não foi iniciativa da viação, e sim do governo estadual, na primeira gestão Requião (91-94), que todos os ônibus intermunicipais do estado tivessem a bandeira sobre os dizeres “Paraná, um estado de amor pelo Brasil”. Coisas da política.

Monobloco Penha e Dinossauro Cometa pintura mudada

Mono da Penha e Dinossauro Cometa, começo dos 80: essa pintura da Cometa retornou, veja abaixo.

Lá no fundo, no alto da foto, o ônibus branco com uma faixa vermelha é da extinta empresa Sul-Americana.

Que fazia a linha pra Foz do Iguaçu-PR, no extremo Oeste do estado, fronteira com Paraguai e Argentina. Me lembro muito bem dessa pintura, é claro.

Agora, um detalhe ainda mais antigo, que descobri esses dias. Nos anos 70, a Sul-Americana fazia linhas também pro Litoral do estado, em seu extremo Leste.

Vi fotos de ônibus da Sula descendo a Estrada da Graciosa e sobre a balsa Matinhos-Guaratuba, vejam vocês.

Essas linhas foram logo vendidas a Viação Graciosa. Nos anos 2000, a Sul-Americana faliu de vez como empresa de ônibus e hoje só transporta cargas em caminhões.

 ……

Esquerda: Monobloco da Penha em pintura dos anos 70, já comentada, e um Dinossauro (esse é o nome do modelo de ônibus, não é alcunha irônica) da Cometa, de fabricação própria.

Monobloco Reunidas pintura mudada

Monobloco da Reunidas

O primeiro já comentamos. Agora o Cometa, que de Curitiba opera linhas pra São Paulo e Belo Horizonte-MG.

Ela fabricava suas próprias carrocerias, pra isso tendo instituído a CMA – Companhia Mecânica Auxiliar.

Seu maior sucesso foi justamente esse Dinossauro, que tem esse nome não por ser antigo, mas sim porque quando foi lançado nos anos 70 era muito maior que os ônibus então existentes.

Só que a Cometa seguiu fabricando esse modelo – inspirado nos ônibus ianques ‘Greyhound’ – por décadas, até os anos 90. Com o mesmo desenho que foi projetado pela primeira vez.

cometao voltou

Cometão Retrô: o Flecha Azul voltou… A placa é ‘casada’ com o nº do carro, repare foto a direita em escala maior.

Logo, o ônibus por vezes era novo, zero km, mas tinha cara de velho. O mesmo que se a Volks fabricasse hoje uma Brasília. Ela seria novíssima, zero km, mas pareceria velha.

Então, assim ocorreu com o Dinossauro, eram ônibus que mesmo zerados, ainda com plástico nos bancos e cheirando a fábrica já tinham jeitão de antigos.

O que dava a seu nome duplo sentido.

Essa pintura vigorou até pouquíssimo tempo atrás, portanto não apenas me lembro cristalinamente, como fui dezenas sobre dezenas de vezes pra São Paulo num ônibus dessa viação, modelo e pintura. 

cometa - placa casada

Nº do veículo na frota: 1401. Nº da placa: 1401, um capricho da Cometa, desde sempre e permanece. Aqui na Grande Ctba. há uma viação que faz o mesmo.

A Cometa ainda existe, mas a CMA não mais. Ela aposentou sua encarroçadora, agora compra veículos prontos. 

Com a CMA, morreram juntos o Dinossauro e sua pintura “Flecha Azul”, todos ícones da busologia brasileira, clássico dos clássicos.

Foto dos anos 80. O tempo passa….

………..

Atualização:

Rrecentemente a Cometa entrou na “Onda Retrô”, e pintou alguns ônibus novos com a Pintura Flecha Azul clássica, como notam nas duas tomadas acima.

Viajo no Flecha Azul e compro refrigerantes de novo em garrafas de vidro. Parece que entrei na máquina do tempo e estou de volta aos 80 . . .

O tempo passa, as coisas mudam, mas depois voltam a ser como antes, não é mesmo???

………..

Volta o texto original de 2013: na foto a direita, em outro ângulo, o Monobloco da Reunidas, já comentado.

 Nimbus, viação não-identificadaUm Nimbus da empresa Dovaltur. A princípio coloquei como “não-identificada”, foi um leitor quem enviou a informação (vide ‘comentários’, no fim da matéria). Modifiquei a postagem e agradeço a retificação.

Já especificado acima, a Nimbus foi absorvida pela Marcopolo, no longo processo que fez dessa última a maior encarroçadora de ônibus do planeta.

Não sei o modelo, outro da Penha em pintura do começo dos anos 80. Não cheguei a ver essa pintura.

……..Penha pintura mudada

Já saindo, em verde e amarelo, mais um Monobloco da Princesa dos Campos. Também não vi essa pintura.

Estacionados, dois Nielson Diplomatas, um da Graciosa, vi muito essa pintura, e andei nela, e em primeiro plano um Garcia, de pintura antiga que não cheguei a presenciar.

Princesa dos Campos, Graciosa e GarciaNovamente, imagem captada nos anos 80, como a maioria desse ensaio.

Se quiser um detalhe técnico da busologia, eu mando: repare no entre-eixo dos veículos. O exemplar da Garcia tem a roda na extrema dianteira do ônibus, a frente da porta portanto.

Essa configuração fez muito sucesso no passado, inclusive em modelos urbanos, mas hoje está praticamente extinta. Já os outros dois ônibus aqui mostrados estão como hoje é predominante, a porta a frente do eixo.

Logo na segunda imagem da matéria, a direita bem no topo da página, vemos vários busões partindo pro interiorzão do Paraná. Identifico a viação de 3 deles.

Abaixo da placa laranja, já na faixa de rodagem, há dois Graciosa, da mesma pintura mostrada na foto anterior. São os que tem um círculo laranja no alto, a direita.

Ao lado dele, um Sul-Americana, deixando a plataforma e tentando achar um lugar na fila. Nessa época, as duas empresas dividiam as operações pro Litoral do Paraná, antes da Graciosa monopolizar tudo.

 só dava FuscaJá estamos de saída. Caminhando pra deixar a Rodo ainda deu tempo de observar a fila dos táxis dominada pelos Fuscas, já na parte externa do complexo.

……………

É isso galera. Pra quem viu, vai de recordação. Pros mais novos fica como curiosidade histórica.

Agora deixa os bichões pegarem a estrada…

………..

Na mesma esteira, veja como eram os refrigerantes nos anos 80.

A sessão retrô já mostrou desde chicletes antigos até, voltando a busologia, como eram os tróleibus brasileiros.

Que Deus ilumine a todos os Homens e Mulheres.

Ele-Ela proverá”

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7 comentários sobre “Recordar é Viver: a Rodoviária de Curitiba “naquele tempo” . . .

  1. christowao h filho disse:

    empresa dovaltur….(((( Nimbus, viação não-identificadaUm Nimbus de viação não-identificada.

    Já especificado acima, a Nimbus foi absorvida pela Marcopolo, no longo processo que fez dessa última a maior encarroçadora de ônibus do planeta.))))

    também mesma empresa na segunda foto, onde tem vários onibus vista parte traseira , um diplomata em frente um escrito final sul….espero ter ajudado

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  2. omensageiro77 disse:

    Nessa mensagem acima mostramos o “Flecha de Ouro” da Cometa, um ônibus moderno com a pintura retrô do Flecha Azul. Em um outro emeio, eu comentei especificamente do Flecha Azul Dinossauro. Um colega me respondeu, também por emeio, assim sou eu, O Mensageiro, quem assina o comentário.
    Mas reproduzo as palavras exatas dele – lembre-se, estamos falando do antigo Dinossauro Flecha Azul, aquele que aparece só a frente, entrando na Rodoviária atrás de um Monobloco da Penha numa foto no meio da matéria, e não do moderno Flecha de Ouro que aparece por inteiro mais pro final:

    “ Meu amigo, me senti na obrigação de complementar com algumas curiosidades. O ônibus da foto em preto e branco (essa foto não está nessa postagem, se eu conseguir recuperar o emeio eu levanto pra rede) é um GM da série PD 4000, que inspirou bastante o desenho básico do Dinossauro, por ser o modelo mais avançado disponível à época, porém é bom ressaltar que o “Dino” é um aperfeiçoamento da CMA – encarroçadora da Cometa S.A. – até por conta do ressalto no teto a partir do motorista. Esses GM também eram encarroçados em duralumínio (como os famosos trailers aerodinâmicos “streamline” do mesmo período). A cereja do bolo, na minha opinião (e que os ambientalistas não leiam isso aqui) é o motor Detroit Diesel 6-71 de dois tempos (!) que já batia em mais de 200 cv! É muita potência para um motor dessa época (bem, até hoje é). Além de ter um ronco maravilhoso, (é possível ouvir os pistões batendo “seco” por conta da ausência de válvulas nas câmaras) muito parecido com o do motor Scania usado por aqui. Sente só:

    Amigo, uma errata:

    Ao contrário da maioria dos motores 2T, o Detroit Diesel que mencionei tem as válvulas de escape (pois a pressão gerada é baixa, tanto que ele tem um circulador de ar, não um turbo), conectadas ao came, para expulsar os gases de combustão do motor. Logo, as pancadas secas, são delas em operação, não dos pistões nas câmaras. Somente agora vi um em operação sem as capas do cabeçote, por isso cabe a minha retificação aqui. ”

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  3. omensageiro77 disse:

    Pois é amigo, eu conheço bem o Terminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. É um belo terminal inter-modal, de fato, e já utilizei todas as modalidades de serviço que ele oferece: ônibus urbano, ônibus rodoviário, trem suburbano e metrô.
    Porém note que na Barra Funda não param trens de longa distância, que ligam uma cidade a outra sem paradas. Na Rodo-Ferroviária de Curitiba param trens de longa distância, rumo a Paranaguá e outras cidades do Litoral.
    Não sei se na Rodo-Ferroviária de Brasília operavam trens de passageiros ou apenas de carga, cheguei a embarcar e desembarcar de ônibus ali mas não me ocorreu investigar esse detalhe. De qualquer forma a Rodoviária da Capital Federal não é mais nesse local.
    De volta a Barra Funda: sei que há planos de implantarem uma linha de trem direta pra Jundiaí com possível extensão pra Campinas no futuro. Aí será um trem de longa distância sem paradas, e não suburbano como o que para ali saindo justamente pra Jundiaí porém com dezenas de paradas e fora a baldeação em Francisco Morato. Quando a linha direta SP-Jundiaí estiver zarpando das plataformas da B. Funda, agregará mais um modal a esse terminal, tornando-o ainda mais completo.
    Mas por hora, trem e ônibus de longa distância no mesmo lugar, que eu saiba só em Curitiba. Isso no Brasil. Em Santiago do Chile a Estação Central é também uma Rodo-Ferroviária, pra citarmos mais um exemplo.
    Abraços.

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