Mais uma ‘Vida no Morro’: Ponta Grossa, Paraná

'mini Vila Velha' - P. Grossa

‘A Taça’: uma ‘Mini Vila Velha‘ em frente a Rodoviária de Ponta Grossa.

Por Maurílio Mendes, O Mensageiro

Publicado em 22 de abril de 2014

Estive em Ponta Grossa (abreviada ‘P.G.’, o 4º município mais povoado do Paraná, atrás da capital, Londrina e Maringá) e tirei algumas fotos.

'vida no morro' - Ponta Grossa - Z-N1

‘Vida no Morro’: PG é a cidade mais íngreme  do PR, entre as de maior porte. Essa tomada, feita na Zona Norte mirando o Centro, resume bem a situação. Repare na rua sem calçamento, situação já quase inexistente em Curitiba, Londrina e outras metrópoles.

Não na quantidade e qualidade que eu gostaria.

O tempo não ajudou, em nenhuma das dimensões que essa palavra pode assumir significado:

Fiquei um período curto na cidade, estava nublado e por vezes chovendo, e já estamos no outono, anoitecendo cedo.

Com o céu encoberto, escureceu ainda mais cedo.

'vida no morro' - Ponta Grossa1

Ponta Grossa Eslava: entre as ruas pavimentadas, várias o são com pedras irregulares, herança do Centro-Leste Europeu (Alemanha, Polônia, etc). Modal inexistente em Curitiba mas muito comum no interior do Sul do Brasil. Veja mais uma vez a ladeira bem inclinada (foto perto do Centro).

Resultando que esse ensaio ficou longe do ideal.

Mas como existir é mais importante que ser perfeito, mando assim mesmo.

Quase todas as tomadas são de minha autoria, inclusive dos ônibus ‘pitocos’ (tamanho normal).

Mas as dos articulados e do estádio foram baixadas da rede – eu reforço essa informação na legenda.

Com créditos devidamente mantidos, sempre que estavam impressos nas imagens.

……….

Distrito Industrial - P. Grossa-PR

Distrito Industrial na BR-376.

O título da mensagem só pode ser mais uma Vida no Morro”.

Ponta Grossa foi construída duelando contra as encostas de uma serra.

Uma entre tantas cidades íngremes, né? A “Vida no Morro” Parte 1 é Belo Horizonte-MG. A Parte 2 é Valparaíso-Chile.

Distrito Industrial - P. Grossa-PR1

No mesmo bairro e rodovia, vemos um silo graneleiro, outro traço muito forte da Alma Ponta-Grossense

No modal do emeio a matéria chamada “Vida no Morro”, parte 3, foi a sobre Rio Branco do Sul.

Município que fica na Zona Norte da Grande Curitiba, como é notório.

Na hora de subir para página esse mensagem sobre Rio Branco acabou intitulada “Baixada Paranaense”.

Porque já eram “Vidas no Morro” em demasia.

Anoitece com chuva - Centro de PG1

Entardecer chuvoso de outono no Centrão.

Essa atual sobre Ponta Grossa é a derradeira, fecha a série com chave de ouro.

Por isso, a cidade é um sobe-desce total.

É certamente a cidade mais íngreme do Paraná, no mesmo nível de Campos do Jordão-SP, ou Teresópolis e Petrópolis-RJ, se as conhece.

Ponta Grossa Z-Central3

Centro ao fundo, a cidade sempre subindo e descendo os morros.

Podemos também elevar a comparação pra patamares internacionais:

Em PG eu me sinto novamente em Medelím-Colômbia.

Ou Acapulco-México, ambas já visitei pessoalmente.

Ou então em Vinha do Mar/Valparaíso-Chile, que só conheço pelo ‘google’ mapas (atualização: o texto é de 2014. Em 2015 fui a Vinha/Valparaíso).

E o “morro” adquire dupla conotação.

Como nas outras matérias da série “Vida no Morro” citadas acima o termo tem conotação tanto topográfica quanto antropológica, “casa” a geografia física com a humana.

'vida no morro' - Ponta Grossa2

Uma cidade ligada ao campo: mesmo muito próximo ao Centro se avistam as fazendas que cercam a urbe.

Quero dizer por isso o seguinte:

Ponta Grossa é uma cidade pobre.

Que tem o número de seus habitantes vivendo em favelas muito mais alto que a média do Paraná.

favela Z-Norte Ponta Grossa-PR

Nas periferias e favelas (aqui na Zona Norte) as casas humildes estão lado-a-lado com as criações de bichos.

……….

Das maiores cidades do estado Curitiba, Maringá, Londrina e Cascavel são ricas.

Aqui falando só dos municípios-núcleo, ou seja, excluindo subúrbios metropolitanos:

Todas tem poucas favelas – em termos proporcionais ao total da população, evidente.

Ponta Grossa - Sul do Brasil

Mais uma do subúrbio.

Ou mesmo nenhuma no caso de Maringá e Cascavel.

Já Ponta Grossa, Paranaguá, Foz do Iguaçu e Guarapuava tem padrão de vida bem mais baixo, no geral.

Contando todas elas com um índice alto de favelas.

Ponta Grossa eslava1

Voltando pra perto do Centro, duas casas de madeira seculares, e ruas em pedra, típicos da colonização europeia.

…………….

Há um dado que vai exemplificar bem a questão:

Cerca de 15 anos atrás, os municípios de Curitiba e Londrina tinham cada um 90% de suas ruas asfaltadas.

Novamente, aqui sem contar a Região Metropolitana na estatística.

Ponta Grossa eslavaEm Ponta Grossa o percentual era muitíssimo inferior, apenas 50%.

Sim, essa estatística é antiga e certamente está desatualizada. Mas é útil porque a proporção se mantém.

Branca de Neve - Ponta Grossa-PR

Na mesma região, um jardim era adornado pela Branca de Neve e os 7 Anões.

Hoje, P.G. deve ter índice de calçamento de 80%, talvez, em suas vias.

Só que em Curitiba e Londrina é 98%.

Praticamente não existem mais ruas de terra batida no município de Curitiba, tanto que quanto eu acho alguma fotografo.

onibus - PG

Essa é a pintura antiga dos ônibus, sendo substituída mas ainda comum em 2014. Nos ônibus pequenos, um misto entre azul e cinza com faixa ondulada vermelha.

Veja aqui os ensaios que fiz no Tatuquara, na extremidade da Zona Sul, e também no Pilarzinho, Zona Norte.

Em ambas ainda há umas poucas vilas com vias sem calçamento.

Em Londrina se dá o mesmo, quase tudo foi pavimentado.

articulado-antiga

Já os articulados eram azuis-escuros, com a mesma faixa escarlate. A origem da foto é o sítio Ônibus Brasil. Esse da finada Busscar.

……………..

Já em Ponta Grossa as ruas de terra ainda são comuns no subúrbio.

Embora claro tenha melhorado significativamente desde a época em que apenas metade de suas vias tinha asfalto.

Ponta Grossa é pobre e montanhosa. A versão Sul-Brasileira da capital baiana Salvador.

Ou, se preferir, a Medelím que fala português. Ponta Grossa é América de corpo e alma.

Catarina Miro - Vila XV - Ponta Grossa

Transição: o micrão de trás já está na nova pintura unicolor. Flagrei o mesmo momento em Florianópolis-SC.

É sabido que o Sul do Brasil é a parte mais europeizada da Pátria Amada. Então.

Por seu relevo e condições sociais, Ponta Grossa estabelece um paradoxo, é a América na Europa Brasileira.

……….

Mas o paradoxo está por aumentar: Ponta Grossa é a cidade mais branca do estado, uma das mais brancas do Brasil.

Foram pra lá enormes levas de imigrantes europeus, eslavos (entre os quais russos) especialmente.

Centro - Ponta Grossa7

Na nova pintura várias cores são iguais as da capital Curitiba. Já vimos o amarelo acima, aqui o laranja.

Em Curitiba há, como em PG, muitos descendentes de alemães, poloneses e ucranianos.

Mas em Curitiba não há praticamente descendentes de russos.

Já em Ponta Grossa eles são tão numerosos que um bairro da Zona Oeste da cidade se chama, acertadamente, Nova Rússia.

Novamente, um exemplo selará a questão. Em todas as partes do Brasil que já almocei em restaurantes populares o prato feito sempre consiste em arroz-feijão, carne, salada e uma mistura.

letreiro eletrônico ponta grossa vidro preto pg buso artic verde uvaranas neobus merced motor traseiro

Indo pro Terminal Uvaranas (Zona Leste), um articulado com tom idêntico aos Inter-Bairros de Curitiba, onde esse modelo também é comum (fonte: internet).

Fiz essa experiência em centenas de cidades, grandes e pequenas.

Do Sul, Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte, ou seja toda parte.

Esse último item, a mistura, é variável. Em muitas partes é batata-frita.

Mas no Pará vem macarrão no lugar (posto que batata é caríssima na Amazônia).

articulado-nova

Em imagem também baixada da rede, um Neobus sanfonado azul. Bem redondão, bela homenagem aos saudosos Monoblocos.

Porém, o que nos interessa aqui é que em todos os lugares que almocei a salada sempre contém alface, é uma preferência nacional tanto quanto o arroz-com-feijão.

Sempre, de Belo Horizonte a Manaus, de São Paulo a Foz do Iguaçu.

Digo, exceto em Ponta Grossa. Lá, o prato feito veio com repolho, pois essa verdura é muito popular no Leste da Europa.

É a “Nova Rússia”, afinal, pombas.

Centro - Ponta Grossa2

Bem no Centro, na praça que há uma igreja.

Entre as que têm mais de 100 mil moradores, na geografia humana, PG é a cidade mais europeizada do Paraná – um pedaço do Leste Europeu.

No entanto, na geografia física, PG é a mais americana, a que tem mais morros e obviamente a que tem mais favelas em morros.

Uma massa loira de olhos claros em sua maioria morando em casas precárias nas encostas da serra.

Rua Haity - P. Grossa

Rua Haity no Jd. Carvalho, Zona Norte.

Combinação raríssima, mas foi exatamente o que aconteceu. Definitivamente, “Deus é um cara gozador e adora brincadeiras

………

Voltando a falar do tom de pele dos Homens e Mulheres, os negros em Curitiba são comuns, embora minoria da população.

Pois bem. Em Ponta Grossa eles são praticamente inexistentes.

Zona Norte - Ponta Grossa

No mesmo bairro, homenagens aos pioneiros que colonizaram a região.

Tudo somado, no fim Ponta Grossa é uma cidade bastante europeizada. É mesmo a Europa na América do Sul.

Vamos enfatizar de novo, pelo ineditismo da situação:

A cidade mais branca do Paraná é também a mais pobre (entre as que tem mais de 200 mil habitantes, que não é o caso de Guarapuava e Paranaguá). E disparado a mais montanhosa,

Anoitece com chuva - Centro de PG4

Saindo do Centro em direção a Zona Sul.

Que tem proporção enorme de seus alvíssimos habitantes vivendo em casas precárias nas ladeiras que desabam na estação de chuvas.

Europa na América, América na Europa.

Em Ponta Grossa, todos os paradoxos se casam.

A Vida não é linear. A Vida é um grande Mistério, um Paradoxo Divino, como caleidoscópio que está sempre assumindo novas configurações, por vezes diametralmente opostas a anterior.

E em Ponta Grossa isso se descortina de forma gráfica. Onde Moscou se encontra com La Paz-Bolívia.

Ponta Grossa Z-Central2

Próximas 2: mais algumas tomadas próximo ao Centro, mirando pra ele.

………

Ponta Grossa é uma cidade que vive do agro-negócio.

Não por outro motivo a região Centro-Leste do Paraná, da qual ela é o epicentro, se chama Os Campos Gerais”.

É cercada por latifúndios, muitas vezes dá pra ver as fazendas do Centro da cidade, se você subir num lugar mais alto. Isso não é nada difícil, já que subir e descer ladeira é a ação mais elementar em P.G.. 'vida no morro' - Ponta Grossa

Inclusive parte da população urbana pertence a mão-de-obra rural, trabalha em fazendas no entorno, situação que me é inédita nas cidades maiores.

amarelo flores árvore pg Ponta grossa pr interior paraná z/s

Zona Sul Florida próximo a Vila Oficinas e ao Germano Krüger.

Não estou falando por achismo. Pra quem não sabe, trabalhei mais de uma década como pesquisador.

Batendo nas casas e nos comércios e realizando diversos tipos de pesquisas, eleitorais, econômicas, e outras.

Olhe que minha base de amostra não é pequena, fiz pesquisas por todo Paraná.

Anoitece com chuva - Centro de PG

Próximas 5: do Centro a Zona Sul nesse fim-de-tarde chuvoso.

E (embora não na mesma profundidade) também nos estados de São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso.

Pra Ponta Grossa eu fui diversas vezes. E lá me deparei com essa situação:

Nas casas da periferia urbana nos arrebaldes da cidade, pais e mães de família por vezes viviam da agricultura.

Anoitece com chuva - Centro de PG2Isso é infinitamente comum em cidades pequenas e médias, mas em municípios com mais de 100 mil habitantes eu só vi em PG.

E rodei uma parcela razoável do Brasil nessa profissão, repito.

Colonizada por europeus e posteriormente por gaúchos que transformaram P.G. em importante polo agrícola. Anoitece com chuva - Centro de PG3

Tanto que abriga unidades de transformação da soja das gigantes ianques Cargill e Bunge.

Por tudo isso, o setor de transportes também tem importância fundamental. Você sabe, onde há gaúchos há caminhões.

Anoitece com chuva - Z-Sul de PG2Depois de colonizar todo Sul do Brasil, a gauchada (chamada “A Raça Guerreira”) foi abrir a ‘Fronteira Oeste’, e agora desbrava o Centro-Oeste.

Na última safra (a de 2013, escrevi em 14, dizendo mais uma vez), pela primeira vez essa região desbancou o Sul como maior produtora de grãos. Anoitece com chuva - Z-Sul de PG

Entretanto note que boa parte da soja plantada no Mato Grosso, Goiás e Tocantins ainda passa por Ponta Grossa pra ser escoada até o porto.

(Nota: claro que hoje Tocantins pertence ao Norte mas foi desmembrado não há muito tempo de Goiás, e portanto do Centro-Oeste.)

'vida no morro' - Ponta Grossa - Z-N

Nessa e 4 seguintes, vemos mais um pouco da Zona Norte.

Tudo somado, a Estrada tem importância fundamental para Ponta Grossa.

Tanto nos níveis materiais, de composição do PIB, quanto simbólica, do ethos.

Não por outro motivo é o maior entroncamento rodoviário do Paraná, a “Chicago Brasileira”.'vida no morro' - Ponta Grossa - Z-N2

Pegando carona na imagem dessa metrópole do Norte/Centro-Oeste ianque, o maior epicentro ferroviário/aeroviário de toda América do Norte.

E também, como P.G., importante centro do agro-negócio – evidente que o volume de negócios nos EUA é incomparavelmente Zona Norte - PG1maior.

Ainda assim, obviamente em escala muito menor, PG guarda a vocação de centro agro-industrial e graneleiro de uma planície muito fértil, surfa na mesma vibração que enriqueceu Chicago.

Um comboio de carretas carregado de soja rasgando o asfalto éZona Norte - PG uma cena que está enraizada no ponto mais profundo da Alma Ponta-Grossense. Ponta Grossa é assim.

…………………

Vamos as fotos. Como a quantia não foi a que eu planejava, pra compensar verão várias tomadas em mais de uma escala.

Ponta Grossa Z-NorteAlém disso, vocês sabem, anteriormente essas postagens mais antigas foram emeios, modal que tem logística bem diferente.

Portanto nem sempre a descrição corresponde a imagem que está mais perto. Busque pela legenda, que está sempre correta. Vemos espalhados pela página:

Rodoviaria de P.G_

Em outra escala, a Rodoviária.

Centro da cidade. Obviamente ele está num planalto cercado por muitas encostas.

Aqui vê uma delas. Gostaria de ter retratado mais, porém não foi possível. Mas dá pra ter uma ideia.

A pintura antiga dos coletivos, sendo substituída mas ainda em uso. Todos os ônibus pequenos eram nesse tom, meio cinza meio azul – já os articulados eram azuis-escuros.

Ponta Grossa-PR

Linha de prédios do Centro.

No novo padrão, os ônibus tem as cores dos de Curitiba:

Laranja, amarelo e verde, exatamente nos mesmos tons adotados aqui.

E também azul, que depois de décadas passou a existir no municipal de Ctba. Mas o tom de PG é mais claro.

Calçamento nessas pedras irregulares. Trata-se, creio eu, de algo típico do Centro-Leste da Europa, pois em todos os lugares que há imigração alemã isso aparece.

Operario-1x2-Parana

Em foto puxada da rede, belo pôr-do-Sol visto no Estádio Germano Krüger, no dia que o Operário perdeu em casa pro Paraná por 2×1 no Paranaense de 2016.

É muito comum em todo interior do Sul do Brasil, nas cidades médias e pequenas. Na Grande Curitiba não há vias cobertas com pedras irregulares, apenas regulares.

Mas no interior do PR, SC e RS é infinitamente comum, o exemplo típico.

Mas vou citar outro, bem menos conhecido: não sei se algum de vocês já esteve em Assunção.

Se sim, você irá se lembrar que a imensa maioria das ruas da capital paraguaia são nessa configuração. Apenas as grandes avenidas tem asfalto, mas mesmo nos bairros ricos as ruas mais calmas são revestidas dessa forma.

No Paraguai há grande colônia alemã, se alguém não sabe. O próprio Stroessner era filho de alemão, como o nome indica.

De volta a PG, note mais uma vez a enorme inclinação da via. É a “Vida no Morro”. Nada é mais ponta-grossense que o ato de subir e descer ladeira, o tempo todo. Fotografei a Zona Norte, região do Jardim Carvalho e imediações. Veem tudo aquilo que estamos falando:

Uma periferia íngreme, depauperada, com muitas favelas e uma proporção enorme de ruas ainda de terra, onde as zonas rural e urbana convivem.

relevo

Numa imagem que vale por mil palavras, vemos o mapa topográfico de Ponta Grossa (via ‘Google’ Mapas). E assim podemos avaliar melhor. OK, eu exagerei na comparação no corpo do texto: Petrópolis e Teresópolis, no estado do Rio, são ainda mais íngremes, suas vilas na periferia são desconectadas fisicamente do Centro porque o relevo é ainda mais acidentado. Mas por outro lado, em C. do Jordão-SP, e também Medelím, Valparaíso e Acapulco pela América, em todas essas ao menos o Centro é plano, pois essas cidades são em vales. Já em P.G. mesmo logo ao lado do Centrão o terreno é bem acidentado.

Ponta Grossa Eslava, Ponta Grossa dos polacos:

Essas duas casas típicas do Centro-Leste europeu estão bem em frente uma a outra, num bairro vizinho ao Centro.

Sul do Brasil. Como já foi dito muitas vezes e é notório, eis a periferia típica da porção mais austral e europeizada da nação:

Enormes terrenos, sem muro ou por vezes com uma simbólica cerquinha. Só faltava a moradia ser de madeira.

Ponta Grossa abriga a “Vila Velha”, como muitos sabem um local que o vento através das eras moldou figuras curiosas nas pedras.

O símbolo da cidade é a “Taça”, reproduzida em miniatura e estilizada em frente a rodoviária.

O Distrito Industrial, na BR-376, que leva a capital e – em conexão com a BR-277 – ao porto, no litoral. Não poderia falar de Ponta Grossa sem mostrar cenas da Estrada e da agro-indústria com seus silos característicos.

Centro da cidade. Vemos um ônibus na nova pintura, laranja exatamente igual aos alimentadores aqui de Curitiba.

Ponta Grossa Z-Central5

Voltando as fotos de minha autoria, daqui até o final mais uma sequência no Centro e seu entorno imediato.

Em outra tomada captei juntos o ônibus cinza do padrão antigo, e o micro amarelo no novo, xerox dos convencionais curitibanos.

As linhas são, respectivamente, “Catarina Miró” e “Vila XV”. 

Em várias fotos temos a mesma cena em graus de ampliação distintos, ressaltando mais uma  vez.

Estamos bem perto do Centro, mas notam ao fundo a área rural. Isso só é possível pela enorme irregularidade no relevo da cidade

Uma cidade íngreme e profundamente ligada ao campo, ao contrário de outras de mesmo porte. Bem-vindo a Ponta Grossa, irmão. Centro - Ponta Grossa3

Linha de prédios ao fundo, rua sem saída em primeiro plano. Novamente, essa cena foi mostrada em outra foto com distinto grau de aproximação.

Nunca é demais repetir, vejam o quão íngremes são as vias. Calçadas com pedras irregulares, claro.

Numa casa próxima ao Centro, Branca de Neve e os 7 Anões”: no ângulo escolhido pro registro consagrou-se mais a bruxa que a mocinha, já que esta se escondeu atrás da árvore. Além disso, 3 anões estão ausentes. Coisas da vida….Ponta Grossa Z-Central

Fotografamos também a Zona Norte, duas ruas do bairro Jardim Carvalho: uma nomeada homenageando alguém da família que deu origem ao bairro.

E a outra, vejam vocês, é a Rua Haity – com “Y”, não perca esse detalhe. Nunca havia visto essa grafia. Definitivamente, tudo tem sua primeira vez….

Falando, você sabe onde é a ‘Rua Haiti’ – com ‘I’ – daqui de Curitiba?

Ponta Grossa Z-Central4Bora de volta a PG:  do lado oposto da cidade, bairro Vila Oficinas e imediações, Zona Sul.

Ali está o estádio Germano Krüger, do Operário Ferroviário, clube alvi-negro orgulho ponta-grossense.

Apelidado “Fantasma”, pois em sua era de ouro “assombrava os grandes da capital”, diz o jargão local. Bons tempos. Hoje, o pobre Operário não assombra mais ninguém, e luta pra sobreviver.

Oscila entre a primeira e a segunda divisão do certame estadual, e não disputa nenhuma competição a nível nacional (Vamos pra uma atualização. O texto é de 2014, como dito muitas vezes). Centro - Ponta Grossa4

Em 2015 o Operário conseguiu a maior façanha de sua história, e sagrou-se campeão paranaense pela primeira vez.

Na final ele ganhou de 2×0 do Coxa nesse Germano Krüger que passei em frente no jogo de ida. Mas o mais impressionante estava por vir:

Na volta, em pleno Couto Pereira lotado, ele simplesmente socou 3×0 no Coritiba, calando o Alto da Glória e levantando a taça com chave de ouro. Atuação assombrosa de fato, que dá pesadelos na torcida alvi-verde até hoje.

Entretanto, em 2016 o Operário fez péssima campanha e caiu pra segunda divisão.

Um ano campeão, no seguinte rebaixado. Vai entender os paradoxos da Vida . . . Ponta Grossa Z-Central1

Assim, o que escrevi em 14 se mostrou exato: o Operário alterna entre a primeira e segunda divisões do estadual.

Foi brilhante em 2015, campeão do Paraná. Mas a seguir a velha rotina retornou.

Fotografei o estádio mas não saiu bom, por isso puxei da rede uma cena aérea dessa praça desportiva. E vemos no entorno dele esse belíssimo ipê-amarelo, ainda florido resistindo ao vento gélido que sopra nos Campos Gerais. 

Um entardecer chuvoso no Centro de Ponta Grossa, num dia frio de outono, já mais pra inverno na verdade. Frio e chuva, escureceu cedo. Lembrando a parte europeia de P.G., não resta dúvidas

……….

Centro - Ponta Grossa1Enfim, moçada, eis aqui em sua glória e esplendor a cidade de Ponta Grossa.

Filial do Centro-Leste da Europa no coração do Centro-Leste do Paraná.

E também uma mini-Medelím, uma mini Vinha do Mar/Valparaíso, em terras brasileiras. 

A mais americana das cidades paranaenses. E também a mais europeia. 

Caleidoscópio gigante, Paradoxo Divino. Soja, favela e repolho. 

É Ponta Grossa, afinal.

……….Centro - Ponta Grossa

Que Deus Pai-Mãe Ilumine a todos. 

Paz a toda Humanidade. 

Deus proverá”              

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